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O PARADOXO DE GOETHE

João Carlos Salles Pires da Silva

2012

www.lusosofia.net

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i i i i O PARADOXO DE GOETHE também por ser acessado aqui) i i i i .

S.i i i i F ICHA T ÉCNICA Título: O Paradoxo de Goethe Autor: João Carlos Salles Pires da Silva Colecção: Artigos L USO S OFIA Direcção da Colecção: José M. Rosa & Artur Morão Design da Capa: António Rodrigues Tomé Composição & Paginação: José M. Rosa Universidade da Beira Interior Covilhã. S. 2012 i i i i .

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no costume. Sua perspectiva. Goethe representa bem a tradição que considera o pintor a autoridade mais natural quando se trata de discernir relações entre cores. por exemplo. 2000. no preconceito.O PARADOXO DE GOETHE João Carlos Salles Pires da Silva * 1. p. die Teile der Stellung und Form nach sorgfältig durchstudiert worden.lusosofia. em um gosto particular." Com efeito. 173. 3 Cf. 176 do espólio de Wittgenstein. a do pintor. USP. Goethe. I. tendo partido. divorciada da instrumentalização matemática. p. komponiert. 329. qual seja. a fim de remediar a desastrosa situação em que se encontravam os artistas da cor. por exemplo. W. Gerd. Goethe chega a afirmar que sua Doutrina das Cores deixaria gratos sobretudo os pintores. aliás. Goethe. é a do artista. Zur Farbenlehre . 6 "Mehrere Gemälde waren in meiner Gegenwart erfunden. 37-55. senão intensidade maior ou menor de vibrações matematicamente mensuráveis — e Goethe pretendia uma ciência do qualitativo. com o que o valor de sua teoria preservar-se-ia pagando apenas o preço de não ser ciência. 96. § 53. W.. afinal. § 73. 1 2 2. pois com ela colocara-se ao lado da pintura. J. Goethe. 1. Notar esse aspecto das anotações de Wittgenstein é o objetivo desta exposição. Os manuscritos 172. também podem ser iluminados por uma importante relação entre os parágrafos 53 e 73 do manuscrito 176. 5 Cf. konnte www. und über alles dieses konnten mir die Künstler. p. segundo seu juízo. 2 Cf. mais do que científica. "Filosofia do Romantismo". lembra um comentador. Bemerkungen über die Farben . tornou-se um lugar-comum. O artista. Zur Farbenlehre . Wittgenstein. 1 Cf. I. "acusava de pobre uma ciência que não vê na cor. uma autoridade condenada a reinventar seu 3 4 5 6 * Professor do Departamento de Filosofia da UFBA. São Paulo. da coloração estética das superfícies. redigidos em 1950 e editados (de modo parcial e até com algum dano) como Anotações sobre as Cores. a relação entre não haver uma fenomenologia (apesar dos muitos e legítimos problemas fenomenológicos) e não ter Goethe escrito para pintores. lastimava o artifício newtoniano das experiências circunscritas ao laboratório e. § 727. Wittgenstein. Bemerkungen über die Farben . Texto publicado em Cadernos Wittgenstein . J.. Werner Heisenberg. por força de repetida.net . 4 Bornheim. então amparados apenas no acaso. afirma ter Goethe exatamente escrito para pintores e artistas. Essa afirmação.

die Farbe zu handhaben. 3. welche allein durch das zarteste. ja individualisierten Farbenkörper und ihrer unendlich möglichen Verbindungen. mein Denken ein Anschauen sei" (Goethe. so schien alles dem Zufall überlassen zu sein. porém. p. Joachim." (Goethe. de Alberti a Runge.ofício. doravante. 254. than because he had anything cogent to urge against his experiments or conclusions. a instrução poderia apoiar-se." (Goethe. 10 "The reason of his exceedingly violent diatribe against Newton was more because the fundamental hypotheses in Newton's theory seemed so absurd to him. que o talento idiossincrático do artista talvez corrigisse. O que significa porém esse olhar privilegiado a que pretende servir a Doutrina das Cores. ditando ademais este olho sensível e treinado. J. pretendendo com isso "daß mein Denken sich von den Gegenständen nicht sondere. o olhar do pintor pensaria a cor. ao tempo em que dele se socorre? Desde priscas eras. senão no caráter mesmo da cor. Zur Farbenlehre .) 8 Goethe pretende dar expressão à história da cor. geübteste Auge empfunden und unter dessen Urteil bewirkt werden können. p. in Materialien zur Geschichte der Farbenlehre. em um gosto subordinado ao costume. apud Schulte. vol. Desse modo. capaz de contrapor-se naturalmente à "perversão newtoniana" de considerar o branco um composto — para Helmholtz.) www. dem Zufall der durch einen gewissen Geschmack. W.) 9 Goethe considerava assim seu pensamento: gegenständlich . "Konfession des Verfassers". W. uma soma prévia de experimentos. os princípios mais abstratos da harmonia. J." (Goethe. para sua reação ao mecanicismo de Newton. Chor und Gestezt: Wittgenstein im Kontext.. Portanto. 13). não no capricho momentâneo de uma escola. junto às regras práticas advindas da experiência da mistura.. "Die Malerei beruht eigentlich auf der Mischung solcher spezifizierten. o pintor tem tido a prerrogativa de lidar com a cor. Aproximando-se. § 615. einen Geschmack der durch Gewohnheit. W. apenas. em relação às cores. W. § 554. por sinal. J. falar como pintor equivaleria a ocupar o lugar diferenciado da maestria da visão. eine Gewohnheit die durch Vorurteil. Hermann von. Zur Farbenlehre . servindo-se dela. do ideal próprio de Goethe de um pensar objetivo. II. 115. Kam es aber an die Färbung. Treatise on Physiological Optics. des Liebhabers bestimmt wurde. afirma. p. 7 8 9 10 ich mir und ihnen Rechenschaft. ja sogar manchmal Rat erteilen. Com sua Doutrina das Cores. dever-se-ia a uma filiação de artista compelido a procurar beleza e verdade na percepção imediata o excessivo da reação do aquarelista Goethe à hipótese de Newton.) 7 "Der Maler hatte von jeher das Vorrecht. como de mais um instrumento. "Bedeutende Fördernis durch ein geistreiches Wort". ein Vorurteil das durch Eigenheiten des Künstlers." (Helmholtz..lusosofia. sendo o mais propício a colher no visível o caráter da luz.. because he looked at it from his artistic standpoint which compelled him to seek all beauty and truth in direct terms of sensory perception. But Newton's assumption that white light was composed of light of many colours seemed so absurd to Goethe. des Kenners.net . um conjunto de ensaios. de Delacroix a Kandinski. a experiência da pintura teria produzido uma história da cor autônoma e rica. o "hetmã cossaco". J. (…) daß mein Anschauen selbst ein Denken. confiando em seu olhar privilegiado.

em sua propensão à totalidade. W. não tendo qualquer sentido falar de cores com o cego. de sorte que o círculo cromático (que para Goethe relaciona cores opostas e não cores complementares. 14 "Mit dem Blinden läßt sich nicht von der Farbe reden. mas como 11 12 13 14 15 11 12 Goethe.. § 744. As leis do ver e do visível. do amplo movimento oscilatório da natureza. Goethe. Ciência eterna do visível. J. expressam sua forma ativa. a um só tempo. Para Goethe. Goethe não chega contudo ao enunciado da complementaridade. W. centro ativo da percepção. sonnenhaft.) Tampouco seriam complementares no sentido gramatical de não descreverem juntas qualquer fragmento da experiência sensível. ainda assim. Suas leis gerais buscam a simetria. uma vez que não tendem em síntese aditiva ao branco nem em subtrativa ao preto. Cf. Weiß sei zusammengesetzt. a polaridade. W. o branco não é um composto. p. a um outro sentido. também o §§ 696 e 739. solar. Zur Farbenlehre . eloqüente embora. J.. sobre a construção do visível nesse confronto de luz e sombra. Segundo Goethe. www. J. "Com leve oscilar de peso e contrapeso move-se a natureza e assim gera um aquém e um além. embora também aí não pense como homem. J. antecipando em mais de um século uma das tentativas de refutação da teoria dos canais oponentes (Cf. não sendo justificável que nos sirvamos da expressão 'cor complementar' para traduzir suas ocorrências. W. 32. Goethe. MS 133. Zur Farbenlehre . W. Seu conceito de cores opostas ou evocadas (entgegengesetzte ou geforderte Farben ) coincide com o de cores complementares tão-somente em sua extensão e nunca em sua compreensão. Goethe.. p. 324. por onde se condicionam todos os fenômenos que no espaço e no tempo nos aparecem. A natureza sempre fala. J. Ludwig. em "sua existência. p. Do mesmo modo. Was heißt hier "zusammengesetzt"? und was heißt hier "einfach"?" (Wittgenstein. eterna e natural. ou melhor. The Wittgenstein Papers . p. quer no sentido gramatical. vol. é fonte ele próprio de polaridades.net . No olho. sua vida e suas relações". Zur Farbenlehre . 35. § 43). um antes e um depois." (Goethe. Considerá-lo assim: eis a exata perversão newtoniana: "Denk an den Abscheu Goethes vor der Idee.lusosofia. com a natureza tal como. sendo aqui tanto mais forte e pleno o truísmo: sobre cores. Zur Farbenlehre. se apresenta aos olhos e neles se realiza como uma oposição primordial entre luz e escuridão. estão assim encerradas no olho.) 15 Cf. sua força. porquanto deve recusar-se este salto na história da cor) o círculo cromático é uma determinação ínsita do olho. mostra-se ela toda. Fechamos os olhos e. quer em seu sentido físico. as relações entre as cores são um sinal a mais. Zur Farbenlehre . a de que sobre cores aprendemos por olhar. porquanto Goethe chega a admitir sua ocorrência simultânea em pontos de contato de manchas opostas. a análise fenomenológica de Goethe alimenta-se pois dessa forte imagem. W. segundo suas leis. 316.4. convém lembrar. Mais do que isso. o olho mesmo. J. com as cores. aprendemos naturalmente por olhar. a natureza pensa. Zur Farbenlehre . 315.. Não são complementares fisicamente." (Goethe. § 60.) 13 Cf. um em cima e um embaixo.

isto é. Roque.net . "a doutrina goetheana da constituição das cores no espectro não é uma teoria que se mostrou insuficiente. esse privilégio concedido ao pintor não pode ser conduzido à sua plena realização. Gusdorf. a totalidade que o olho exige não é mais que lei física. não dispõe de critério exterior à oposição física de que almeja diferenciar-se — um critério com que as cores acidentais passarão a alimentar novo paradigma na história da cor. Ludwig. 19 Wittgenstein. para quem duas sombras coloridas só estariam em perfeita harmonia quando a mescla de suas colorações causasse a sensação do branco. 4. em novembro de 1931: "Ich glaube. confundiu as fronteiras entre a 19 16 Cf. § 70. Entretanto. A polaridade seria uma força cega da natureza que só a intensificação. em que cores opostas são exploradas em suas mais diversas manifestações e mesmo em um sem-número de experimentos. ou seja. em um movimento físico. "Les Couleurs Complémentaires: un nouveau paradigme". Georges. o contraste harmônico. o cego para cores. de o que seja nossa natureza. § 6 {16} — uma explicação para esta ordenação entre chaves encontra-se em nosso texto "Considerações sobre a Edição das Bemerkungen über die Farben ". a totalidade. tornando-se a Doutrina das Cores torna-se uma descrição do visível e dos desvios do visível. o cego para o azul. Cf. O círculo cromático. que descreveu relações complementares com extraordinária precisão. A Wittgenstein. J. Wiener Ausgabe . I. ou seja. poderia sublimar. MS 112. a totalidade já equivalia à complementaridade tanto para um Rumford. Le Savoir Romantique de la Nature. ao contrário. Uma psicologia apenas acidentalmente fisiológica descreveria as leis da natureza no olho. 16 17 18 5. 255). por isso mesmo. Desse modo. E. como sobretudo para um Hassenfratz. o olhar do pintor é privilegiado. II. p. o acianobléptico. portanto. 18 Com isso. 84ss. Note-se que Goethe já tinha ciência nesse momento desses trabalhos. assim. 231. segundo Wittgenstein. determinação do olho. p. was Goethe eigentlich hat finden wollen. por isso. mas realmente é teoria nenhuma". teria uma falta (um defeito) que pode por isso ser calculado e mesmo exposto. não teria um critério exterior ao simples equilíbrio de forças. É o que Wittgenstein já observava. em que ainda se resiste ao novo paradigma da complementaridade. outro princípio motor.natureza. porém. é gramática alguma. Ludwig. W. p. uma redução do que significa sua rica e prolongada experiência de representação do real. Georges. é Runge que Wittgenstein acredita preparado para aceitar o verde como primária. o olho procura a harmonia e nela descansa.lusosofia. longe de ter outra geometria. 17 A mera harmonia como efeito da justaposição de cores opostas é tão gramatical quanto o repouso provocado pelo equilíbrio de forças. § 708. Goethe. Cf. dependente. não basta conceder à Doutrina das Cores a condição de fragmento da lógica dos conceitos de cor. se lhe tivesse sido mostrado o caminho da interdição gramatical. ao elevar-se com o fenômeno primordial à máxima elevação do empírico. pois comporta. Wittgenstein afirma então acerca da Doutrina das Cores: Embora pareça ou pense cumprir o que seria próprio de uma teoria. Nesse contexto. war keine physiologische sondern eine psychologische Theorie der Farben" (Wittgenstein. é assim por completo divorciado da linguagem e redutível a fatos empíricos. vol. Bemerkungen über die Farben . Cf. análises conceituais fixam a essência da cor e não há um experimento crucial que as possa negar e nada todavia pode decidir a seu favor. indicando que Goethe. À altura da redação de Zur Farbenlehre . Zur Farbenlehre . www. Goethe não compreendeu como Runge o problema. digamos.

Várias proposições gramaticais relativas a cores podem servir a esse mesmo objetivo. a identidade de nossos conceitos. inclusive fictícios. separadas ou misturadas as cores antes de sua aplicação na "Nada é pois mais importante do que a formação de conceitos fictícios que nos ensinam a compreender os nossos próprios.. retirando nossos conceitos mais familiares de suas circunstâncias normais de uso." (Wittgenstein. a cegueira para cores. Wittgenstein através das Imagens . entretanto. então. Zur Farbenlehre . 23 A discussão da clareza do branco faz parte da terapia da suposição de um fundamento extralingüístico nessas abordagens "fenomenológicas". à horizontalidade do círculo (a afirmação da impossibilidade de um verde avermelhado). com Wittgenstein. p. Vermischte Bemerkungen . Cf. o primeiro e mais neutro (gleichgültig) e mais claro preenchimento nãotransparente do espaço". indicando as confusões a que conduz. 22 Goethe. e mesmo principalmente. Mas consideremos desse enunciado apenas uma parte e enquanto uma regra de representação de nossa experiência visual: O branco é a cor mais clara — norma de representação. § 147. g. Se em um quadro um pedaço de papel recebe sua clareza de um céu azul. O enunciado de Goethe enfoca também.lógica e a empiria. Wittgenstein não deixa de imaginar várias situações em que leis da Doutrina das Cores parecem perder sua vigência. porque suficientemente representativas de um problema relativo ao equador. 555. Um dos recursos característicos de sua técnica é a produção de exemplos. E isso não porque seu interesse. cabe ainda expor a unilateralidade dessa análise fenomenológica.net . em situações-limite. J.. Moreno. 6. Situações extremas desafiam então o emprego de termos cromáticos os mais inocentes. Arley R.) 21 A terapia concomitante. que sirvam para testar. e de um problema relativo a seu eixo (a afirmação da impossibilidade de um branco transparente). povoa exemplarmente seus textos. como o simples e puro 'branco'. Analisemos. Toda uma legião estrangeira. conquanto a diga eterna. uma vez que a variação de exemplos explicita razões que costumamos aceitar como critérios de identidade e servem para justificar nossas aplicações habituais. Na paleta.. pelo menos em um sentido o céu azul é mais claro que o papel branco. seja identificar um desvio ou defeito e explicar. 20 21 22 23 7. como o seria o de uma psicologia. bem o sabemos. um enunciado canônico da Doutrina das Cores: "O perfeito turvo é o branco. necessária. Podemos destacar duas outras proposições.lusosofia. Ludwig. desse modo. 20 www. que Goethe não distingue de uma evidência científica. se não destrói a necessidade. afasta sua generalização. a não-transparência essencial do branco. e. W. mas sim por ser este um modo de abrir caminho para uma investigação filosófica sobre a visão "normal" ou sobre a normalidade da visão.

mas restitui essa mulher ao lugar no qual está rodeada de objetos e. III. O problema estaria em que. § 720). neste outro sentido. ao falar do caráter de uma cor. e apenas seriam um pouco úteis ao decorador. nos quais são fortes e claras tanto a distinção entre a paleta comportada do protocolista e a paleta do colorista (uma imagem do caos) quanto a distinção entre a própria cor na paleta e seu efeito no quadro. o branco é a cor mais clara. nesse ponto. cobri o resto do quadro e olhai somente a vestimenta: esse cetim vos parecerá talvez sujo.) 25 24 www. No caso da cor. o azul é a cor mais escura.. durch einen Wechselbezug. apesar. III. seu notório parentesco com o preto. ao descrever o que seria seu "fenômeno primordial". é o branco do papel que a cor vem sujar ou escurecer. § 132. J. tal fenômeno primordial seria: "Wir sehen auf der einen Seite das Licht. o cetim e sua cor retomarão seu efeito. 27 "Eis em uma tela uma mulher vestida de cetim branco. I. por exemplo. a cor de um olho injetado não tem qualquer caráter. imediatamente. embora. W. de seu rico arsenal de informações conflitantes sobre a história "natural" da cor. § 73. Ludwig. Bemerkungen über die Farben . os Ensaios sobre a Pintura de Diderot. Denis. das Helle. no trabalho do aquarelista.. Wittgenstein. ao contrapor os experimentos e vocabulário da Gestalt ao emprego limitado e indevidamente generalizado de um Goethe. sendo diversos os critérios da identidade da cor. entwickeln sich. gleichfalls in einem Gegensatz. por exemplo. W. Zur Farbenlehre. § 175). salvo em específicos contextos. No caso. Falar do caráter é restringir-se a um uso. nada podendo ser-lhe superior no mundo dos fenômenos e cada caso sendo dele passível de derivação. ao fazer fenomenologia. logo. p. das Dunkle. wir bringen die Trübe zwischen beide. unmittelbar auf ein Gemeinsames wieder zurück" (Cf. quando o branco é cor de matéria e as cores outras. auf der andern die Finsternis." (Diderot. Goethe obriga-se a pensar as cores reduzindo-as conceitualmente à limitada aplicação na paleta (ou a uma assemelhada). em síntese subtrativa. com o branco fora da paleta. fosco. o sentido da algo misteriosa e amiúde mal interpretada afirmação de Wittgenstein de que as observações de Goethe seriam inúteis ao pintor. pouco verdadeiro. Bemerkungen über die Farben . ter traduzido e comentado. § 57. J. só podem dirigir-se ao negro. Goethe só pode estar pensando em um modo único de seu emprego. do ver dessas cores. matérias de cor que. apesar do sem-número de experimentos que realiza. Wittgenstein. Vale notar também que. Wittgenstein também reciprocamente está contrapondo o que funciona (e bem) auf der Pallete à generalização de um modelo de descrição da experiência visual que. I. 24 25 26 27 Cf. não dariam conta do uso das cores em um quadro. da variedade de exemplos que contempla e acumula. III. contra qualquer expectativa. 26 O fenômeno primordial situa o cientista como que na elevação máxima do empírico (Cf. enfim. § 2. Goethe. Zur Farbenlehre .lusosofia.tela. apesar de.net . visadas suas relações internas. Goethe. Ludwig. pretendeu cifrar (de um golpe e segundo certos exemplos tornados canônicos) toda a experiência do ver. Eis. § 90. mit Hülfe gedachter Vermittlung. em 1798. die Farben. Aqui Goethe e Lichtenberg parecem coincidir na ilusão de uma conceitografia das cores. sombreamentos. Ensaios sobre a Pintura . também ele. deuten aber alsbald. Ou ainda. 50. und aus diesen Gegensätzen. Cf.

§§ 558-559). 30 Wittgenstein. restaria o branco. o branco tem de ser mais claro. pintando-o na tela talvez com tons vários de cinza e mesmo algum branco. J. § 259).. cor própria. Zur Farbenlehre . é um Minus em relação à luz. Eis como ensinaria alguma coisa ao decorador. que sempre implica algo escuro.lusosofia. sendo a perversão newtoniana uma transformação do simples em um composto e do composto em simples (Cf. o branco é necessariamente a cor mais clara. Por conseguinte. não distingue síntese aditiva de subtrativa.net . Zur Farbenlehre . Goethe. cor de matéria ou matéria de cor. J. como a clamar em favor do fenômeno primordial da cor e a confirmar o princípio da cor como um encontro da luz com um meio túrbido. Bemerkungen über die Farben .8. Goethe trata. a cor química. por sua afinidade com o preto (Cf. traduzem a mesma idéia. §§ 556 a 559. Zur Farbenlehre . ao contrário. um brilhante céu amarelo. § 176). W. que também existe. J. sendo toda cor de algum modo aparentada ao cinza. contra seu explícito intento de instruir o pintor e de beneficiar-se sobretudo de sua experiência e de seu olhar. com Gestaltqualitäten. Enquanto Goethe. não será visto de modo algum como branco. J. § 699). físicas ou químicas confirmam o fenômeno primordial. não pode ser cinza. 28 www. o emprego em que se fixa a Doutrina das Cores parece resultar de uma reflexão sobre cores dispostas como que em um tapete com quadrados de cores puras. de modo a derivar seus efeitos "morais". até no limite de as tornar únicas em um quarto. não pode ser mais escuro que qualquer cor. Misturas fisiológicas. fixa o caráter da cor. 31 Cf. A cor fisiológica. sobretudo o azul. portanto. A semelhança pervade os casos. W. Ludwig. A mistura escurece. da mesma forma. §§ 573-575. portanto. de modo que nela será inconcebível um amarelo mais dourado do que a matéria de cor dourada.. III. 29 O cinza assim pode ser visto como branco em certos contextos. a gama empírica e a gama estética. caso sua variação de tons seja indicativa de profundidade ou transparência . aparente. uma transição em direção à escuridão.. Retirada a cor da matéria. W. Goethe. E também aí. ou vermelho". Goethe. sem qualquer relação com propriedades complexas. a identidade da cor é bem mais estrita. Goethe. lembra-nos Wittgenstein. mas não sobre uma pintura: "Um quadro. sem 28 29 30 31 Cf. ou azul.. poderia representar um livro de papel branco em uma sombra e. W. corpóreo. retira do branco sua pureza. não produzem o branco ou não podem ser mais claras que o branco (Cf. J. mais claro do que ele. segundo as relações construídas neste emprego. proíbe-o a lógica dos conceitos de cor. Zur Farbenlehre. Goethe. mas. § 538 e § 778). Goethe. J. a cor física. J. não-cor. mistura aparente de real: todas escurecem. Goethe. Zur Farbenlehre . Na paleta. um escurecimento. Zur Farbenlehre. W.. Assim. Um certo emprego considera o branco apenas como cor de matéria (§ 52 da primeira parte das Anotações sobre as Cores de Wittgenstein). sombreado. acidental. fora de uma ocorrência na tela. Zur Farbenlehre . pois mesmo a cor mais clara contém escuridão (Cf. W. W. com esse representante da penumbra (Cf.. mostram todas o parentesco essencial da cor com o cinza. § 57. embora possamos produzir uma bela imagem de um muro branco.

resultado de um uso único e uniforme. bastante mutilado na edição de Anscombe. Logo. Este tipo de impossibilidade. Zur Farbenlehre . No § 55. O que. §§ 902 a 910. (§ 53) não há uma fenomenologia. A matemática da cor desse emprego nunca se quebra. do conceito de identidade de cor. Nós vemos o brilho como vemos o sorriso. ou seja. § 251. Ludwig. § 47. é clara a diversidade. a saber. significaria o fim da fenomenologia (neste particularíssimo sentido) não seria dificuldade séria para uma gramática dos usos e antes a solicita e justifica. como o cinza. como nossos conceitos se ligam a usos particulares e temos por isso conceitos de cor para substâncias. porém. ou seja. nem se lhe esvai a necessidade: o problema é sua generalização. Como não há um puro conceito de cor. 32 33 9.. de sua fenomenologia. Por isso mesmo. // residem já na multiplicidade de aspectos de nosso conceito de igualdade cromática.) www. sem esquecer os que se aplicam 32 Cf. // // encerramse já na / multiplicidade // multiformidade // / do // de nosso // conceito de igualdade cromática. Bemerkungen über die Farben . Wittgenstein. W. Vale também ter em conta. o do ambiente e o do rosto. Enquanto que. como o afirmam o § 54 da primeira parte e. supondo-se que uma qualquer se fundamentaria em uma identidade nos conceitos de cor. mas no contexto da gramática dos usos. 33 Vale a pena apresentá-lo com todas as suas variantes: "[/] As dificuldades que / encontramos ao refletir sobre a essência das cores // se sente ao refletir sobre a essência das cores // (às quais Goethe quis fazer frente com sua doutrina das cores). Goethe.cor. o § 251 da terceira parte das Anotações sobre as Cores — este último. Ludwig. que comporta um lídimo problema fenomenológico. 'incolor'. // // encerram-se já na / multiplicidade // multiformidade // dos conceitos aparentados da igualdade cromática. mais ainda. em nossos jogos. uma cor conceitualmente escura. pura clareza na então mais clara (hellste) matéria. outros que se referem a superfícies. nós podemos bem descrever. // " (Wittgenstein. mas sim vários deles. notamos o aspecto.net . nunca será vista brilhando. sem que um conceito abstrato seja satisfeito por qualquer instanciação cromática ou sejam os termos para cores intercambiáveis. que é feita sobre uma base branca. Ambos só acontecem em um contexto. há a comparação entre o brilhar de uma cor e o sorrir dos olhos. resultante das relações internas postas por um único emprego. uns aos outros aparentados. aliás. Cf. / encerram-se já em não termos / apenas um // um // conceito da igualdade cromática. dada a indeterminação. I. por outro lado (§ 56). no contexto da gramática do ver. J. como são muitas as diferenças. uma assim determinada por nossos jogos. Bemerkungen über die Philosophie der Psychologie . além de sua experiência de aquarelista. as considerações de Goethe sobre a superioridade da pintura que parte de um fundo branco. outros ainda a brilhos. Enquanto. são ineludíveis as dificuldades da Doutrina das Cores de Goethe. pelo contrário. vemos relações internas. III. que fundamentaria uma análise fenomenológica como a de Goethe.lusosofia.

tal como pode ser determinada. o terreno de uma análise conceitual. II. 35 36 11. §§ 125 e 126. com isso. embora insusceptíveis da "análise fenomenológica (como Goethe.a corpos transparentes: as relações internas não precisam restringir-se ao limitado e exato jogo das tapeçarias! 34 10. Ludwig. Bemerkungen über Cf. visando tornar solúvel o problema da cor. Ludwig. elabora metodicamente instruções para pintores. O 'dar instruções ao pintor' desloca a discussão sobre as cores para o interior da gramática de um jogo mais amplo. § 71. Wittgenstein não abandona. Se Goethe. Bemerkungen über 36 Wittgenstein. III. Bemerkungen über die 37 Wittgenstein. como a de que da escuridão (das cores que são como 37 Cf. § 6 {16}. I.lusosofia. porém. Farben . antes reconhece que jogos de linguagem diversos. Ludwig. www. quebrando inclusive a ilusão antiga de um acesso imediato ao mundo dos sentidos. acertou com a natureza das cores. em certos empregos. constróem ou são possíveis por outras relações internas — com o que se preservam legítimos problemas fenomenológicos. die Farben . a natureza é em sua Doutrina das Cores puro conceito. Cf. a determinação essencial de um conceito. II. Farben . E natureza não é aqui o que decorre de experimentos. mas sim o que reside no conceito de cor. deriva de assunções de evidência não-física. Wittgenstein. Wittgenstein. com relativo fechamento. afirma Wittgenstein. Ludwig. também III." Ou seja. a natureza é a síntese das relações internas. "Quem concorda com Goethe. acha que ele teria reconhecido corretamente a natureza da cor. Bemerkungen über die 35 34 die Farben . Wittgenstein.net . um conjunto heterogêneo como a linguagem ela própria. por exemplo. que podem ser diretamente iluminadas por essa tradução do olhar em procedimentos. Nos parágrafos que circundam o § 53 da primeira parte. § 255. traduzindo o problema da percepção de uma cor em ações específicas e o olhar em procedimentos nunca exteriores à linguagem. Wittgenstein desloca a descrição da experiência perceptiva do universo aporético de uma interioridade inefável para o campo de jogos precisos e públicos. por exemplo. empregos mais ricos de um conceito. §§ 1-3 {11-13}. a queria)". para a gramática do 'ver' e também para um conjunto nada unilateral de técnicas. enunciam-se decerto as mais relevantes conseqüências das Anotações sobre as Cores. aprende as lições dos pintores.

Ludwig. não sendo claro por si o que deve ser aceito para comparação de tons de cores. 9) Não estaríamos porém em situação aporética se pensássemos tal proposição como uma hipótese a ser submetida ao teste do mundo? Afinal. Sumamente paradoxal é o projeto da própria fenomenologia e notável sua incapacidade diante de lídimos problemas fenomenológicos. III. nosso branco. em sentidos diversos. Die Tafeln zur Farbenlehre und deren Erklärung . como comparar um "falso" quadro do mundo com um mundo "real". §§ 125-126. porquanto deixa então de escrever para suas autoridades preferenciais e superiores. ou seja. salvo em laboratório. Bemerkungen über die Farben . A identidade do conceito de cor depende de técnicas de comparação. III. p. caso pretenda dirigir-se a essências fixando a identidade da cor. como descrever do interior outro universo cromático? A psicologia descreve o desvio. o branco. Não por desconhecimento de tradição bem estabelecida e consentânea com a intenção do poeta. no exagero sem circunstância de uma conceitografia cromática). o branco com que descrevemos nossa experiência perceptiva e não o branco puro de Lichtenberg (aquele em que o emprego usual foi refinado unilateralmente e não ocorre em lugar algum. § 218. O branco não é uma cor intermediária entre outras. após apresentarnos a descrição goetheana das cores como sombras. sendo repulsivo pensá-lo como resultante de mistura. Mais ainda: Goethe encontra-se nessa situação paradoxal de fazer má fenomenologia. Wittgenstein. pode inclusive medi-lo. O ver reporta-se a comportamentos específicos. J. Wittgenstein enunciou essa sua heresia: Goethe não escreveu para pintores. Goethe vai além. (Cf. por exemplo. envolvendo contudo um aspecto conceitual que não pode ser reduzido a relações causais nem assim à alçada da psicologia. Quem pode todavia decidir se vê ou não o mundo como ele nos propõe é o próprio cego para cores. ou coisa semelhante." — Esta proposição poderia quase aparecer como uma perversão infernal da verdade. I. tal como os cegos para cores o vêem? 40 Cf. § 89. preservando-se portanto como lídimo problema fenomenológico. não é analisável em. avermelhado e amarelado. submeter a testes a acuidade visual ou o daltonismo. assim. §§ 70-72. instala-se em certos jogos. Diante de uma tal convicção. atestado sofisticado da falência de seu projeto fenomenológico: deixar de escrever para a autoridade a que deveria preferencialmente dirigir-se. Exibe outra normalidade." 39 Cf. é e não é a cor mais clara — como uma cor seria suja como cor de uma parede mas não seria suja em uma pintura.sombras) não pode provir a claridade. a teoria de Newton só poderia mesmo parecer uma "perversão infernal da verdade". apenas por pretender fazê-la. Uma proposição curiosa da Farbenlehre .net . mas. que bem pode simular estatuto científico. Wittgenstein. servindo quando muito a decoradores. sendo difícil aplicar o conceito de identidade de cor ao que vemos. Mas o branco. Bemerkungen über die Farben ..lusosofia. Wittgenstein. a jogos conceituais limitados — com o 38 Em Letzte Schriften über die Philosophie der Psychologie . é a representação de como veria o mundo um acianobléptico (cego para o azul). Ludwig. Essa seria sua paradoxal situação. um azul esverdeado. Entretanto. www. W. a primeira lâmina da Farbenlehre . 38 39 40 12. comenta: ""Várias sombras dão juntas a luz. in Goethe.

pois. § 73. o fenômeno que encontramos como primeiro é apenas: este jogo de linguagem é jogado. W. Desse modo. insiste Wittgenstein. Uma tal fenomenologia seria. como sobretudo são uma extensa crítica a esse seu fundamento.. na Doutrina das Cores.que Wittgenstein alude talvez à descrição de Goethe dos efeitos da cor em ambientes quase monocromáticos. Se. Bemerkungen über die Philosophie der Psychologie . não pode ser visto se o verde é uma cor primária ou um misto fenomenal.lusosofia. deixando na sombra a autonomia da ocorrência cromática a que pretendia dar a expressão da lei. Philosophische Untersuchungen . conforme acrescenta. Se Goethe pretende ter sido bem sucedido ao encontrar o fenômeno primordial da cor. fechar-se-ia para a experiência da pintura o que se dirigia ao pintor. § 654.net . deixa de escrever para pintores por cometer o grande engano de julgá-los autoridades preferenciais por conta de um olho privilegiado. 43 Com isso. Goethe. ao mesmo tempo. no caso. J. quando os pintores nos instruem melhor se compreendemos que sobre cores não aprendemos por olhar. 41 42 43 44 13. Ludwig. Wittgenstein. A possibilidade de fazer. §§ 765-802. ao mais refinado dos instrumentos. em certos momentos. I. a cor como uma espécie de confronto da luz com meios túrbidos. A fenomenologia de Goethe não daria conta da heterogeneidade do jogo da ocorrência cromática e dos jogos outros em nada exteriores ao emprego correto das palavras com que descrevemos nosso campo visual. I. ciência e filosofia. no qual os pintores. embora duvide de sua utilidade mesmo nesse emprego reduzido. Sobre cores. Assim. etc. não aprendemos por olhar. incapaz de abandonar-se ao aprendizado da cor.. 42 41 www. com o uso de papéis de parede coloridos. não havendo ademais 45 Cf. "a cor de um de olho injetado de sangue poderia produzir um magnífico efeito como cor de um papel de parede". 44 Wittgenstein. 45 Wittgenstein. por exemplo. § 950. sustentar-se-ia. de escrever assim para o filósofo como para o físico. como ao contrário talvez haja com plantas e animais. as Anotações sobre as Cores não apenas sugerem um paradoxo nesse exercício morfológico de Goethe. Zur Farbenlehre . com suas convenções e seus preconceitos. Ludwig. no privilégio concedido ao olhar. muito têm a ensinar. lugar objetivo e subjetivo da cor. pois não há com as cores fenômeno primordial algum de história natural. devemos constatar que estamos diante de um "fenômeno primordial". Ludwig. o sucesso da análise fenomenológica de Goethe coincide então com seu fracasso. a matriz da série toda de fenômenos cromáticos. Bemerkungen über die Farben . pois. cifra da natureza enquanto visível.

IV. 47 Wittgenstein." (Stock. ou melhor. entre eles. não necessariamente única. como o exemplificamos com o problema da clareza do branco. então deve falar absurdos quem idealiza falsamente. Bemerkungen über die Farben . os que podem ser chamados de mais puros e de mais impuros. homogêneo. não tem um caráter. sobretudo porque as cores não são coisas com caráter determinado.com cores um jogo único. no qual esse modo de falar não tem lugar.) Neste sentido. pp. 449-450. Há certamente diversos conceitos de cor e. a cor não tem uma estrutura. dependente do caráter das cores. — porque ele emprega um modo de falar que vale em um jogo de linguagem em outro jogo. Wittgenstein dirige-se. "It [o círculo cromático.net . Se tipos estão guardados em algum lugar. Podemos assim concluir com um trecho da quarta parte das Anotações sobre as Cores: Eu quero pois afirmar: O 'puro' conceito de cor. 46 www. como se fora sua determinação interna ou expressão de leis da natureza. mas absorvendo ao contrário a experiência privilegiada da pintura tal como ela sistematiza mais um jogo de linguagem por que falamos de cores. Guy.lusosofia. conceitográfico e excludente. quem diz quais tipos? — Todos que podem ser imaginados?! 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS O círculo cromático deixa de cifrar fatos empíricos sobre o olho. (…) Se há algo assim. desse modo. as cores têm estrutura. ou um modelo como o octaedro] is more properly seen as a graphic device for expressing certain of the logical relationships which hold between the colour concepts implicit in the languages human beings use in the language games constitutive of their day to day lives. Em vez de "quimera". Ludwig. que se quer extrair de nossos conceitos ordinários. poderia ter dito "falsa idealização". §§ 5-7. é uma quimera. "Review: Remarks on Colour ". se os jogos de linguagem com cores tecem relações internas. a problemas fenomenológicos abandonando o privilégio do olhar que favoreceria a autoridade dos pintores. A lógica dos conceitos de cores não se subordina assim a um jogo único. sendo antes colhidas em jogos heterogêneos. 46 14.

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