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FILOSOFIA ÁRABO-ISLÂMICA (Breve relance histórico)

Adel Sidarus

2001
www.lusosofia.net

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Covilhã, 2009

F ICHA T ÉCNICA Título: Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) Autor: Adel Sidarus Colecção: Artigos L USO S OFIA Design da Capa: António Rodrigues Tomé Composição & Paginação: José M. Silva Rosa Universidade da Beira Interior Covilhã, 2009

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Lisboa. 151-68. Também para Catarina Belo (Lisboa/Oxford) e Mostafa Zekri (Univ. do Algarve) vão os meus agradecimentos pelo interesse manifestado em acompanhar este trabalho. de Toulouse-Le Mirail) a leitura atenta e crítica deste ensaio. Adel Sidarus: Centro de Estudos Africanos e Asiáticos. 17/18 (Lisboa. ∗ 3 i i i i .i i i i FILOSOFIA ÁRABO-ISLÂMICA (Breve relance histórico)∗ Adel Sidarus Universidade de Évora Conteúdo Introdução Epistemologia Filosófico-religiosa As Primeiras Traduções Correntes do Pensamento Filosófico Algazel e a Reacção Teológica Sunita Filosofia Hispano-árabe Filosofia e Gnoseologia Mística Epílogo 4 7 11 13 17 19 22 25 Originalmente publicado in Philosophica. 2001). que me permitiu melhorá-lo. Agradeço ao colega Dominique Urvoy (Univ. p.

olhos azuis.net i i i i . o Emir dos Crentes pergunta: “Quem és?”. e convida o seu interlocutor. significa ao mesmo tempo “bom. pergunta o califa. por todos os meios. num daqueles sofás orientais. 31. p. Foi assim – explica Ibn al-Nadîm – que al-Ma’mûn decidiu procurar. i. testa larga.. tez clara e viva.lusosofia. Al-Ma’mûn interroga-o.1 Tudo teria começado com um sonho do califa al-Ma’mûn. vol. 1 www.). Nasceu da união do califa com uma nobre senhora bizantina. 2 Reinou entre 813 e 833. 1. The Fihrist of al-Nadim. Trad. as obras dos filósofos gregos e mandar traduzi-las para o árabe. 4 Em árabe hasan: um pouco como o kalos grego.e. de B. – “O que é bom para o povo”. extasiado. 3 Notar a caracterização fisionómica. n. belo. Finalmente. 583-84. ingl. Martins in A. – “E mais?”.. Anselmo (dir. acerca da “questão maior”: “O que é bom?” 4 – “O que é bom para o espírito” – responde Aristóteles – e depois o que é considerado bom segundo a Lei (sharî‘a = “lei divina”). Lisboa 1964. a fazer-lhe outras perguntas. II.2 Nesse sonho estava sentado em frente dele. nos princípios do terceiro século da era islâmica. justo-correcto (em termos morais e intelectuais)”. As grandes polémicas portuguesas. um homem de cara simpática. Dodge. 10. ver os apontamentos de M. Nova Iorque 1970.3 Estupefacto. que lembra a figura idealizada de Jesus Filho do Homem em textos medievais.. transmite-nos o seguinte relato acerca do início da filosofia e das ciências no mundo islâmico. O homem responde: “Aristóteles”. o Estagirita convida o califa a considerar como “ouro” quem o informasse acerca do Ouro (da alquimia) e a aderir rigorosamente à doutrina do tawhîd: a unicidade/transcendência absoluta de Deus. vol.i i i i 4 Adel Sidarus Introdução O livreiro e bibliógrafo de Bagdade Ibn al-Nadîm. pedra basilar da fé e da predicação islâmicas. que escreveu no século X o que se pode considerar como a primeira história literária da língua árabe. p. então. filho do lendário Hârûn al-Rashîd.

– É interessante notar que o Egipto. Von Alexandrien nach Baghdad. Muito mais que um sistema ou um corpus de ideias. em geral. Ambos concorrem para o “bem do povo” e do mundo governado pelo “Estado perfeito” – no caso. Veremos que tipo de “filosofia” chegou aos Árabes. para já.6 ***** Ver o título sugestivo de M. que foi o centro cultural e político do Islão árabe no seguimento da tomada de Bagdade pelos Mongóis e da destruição da sua Biblioteca 1248. similar ao antigo Mouseion de Alexandria. pois que não há contradição entre as suas conclusões e descobertas e a Revelação... como o relato da cena o frisa. Meyerhof. queira agora fazer reviver essa dupla herança com o gigantesco projecto da Nova Biblioteca de Alexandria. descobrir e desenvolver as potencialidades do espírito humano – melhor: divino-humano. a proeminência da figura de Aristóteles e a ligação entre Filosofia e Ciência – especialmente as ciências naturais e ocultas.5 A instituição existiu. o Estado islâmico. Balty-Guesdon. 5 www. houve no princípio um intenso movimento de traduções.net i i i i . Notemos.). de Paris III–Sorbonne Nouvelle e cuja súmula foi publicada in Arabica. procurou-se impor a força da razão. 39 (Paris 1992).lusosofia.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 5 Independentemente da historicidade do relato. Realizavam-se.. Berlim 1930. foi porém durante o seu reinado que conheceu o seu período áureo. na verdade. tomando-lhe o próprio nome falsafa. pagas literalmente a preço de ouro (em função do próprio peso dos códices.-G. 6 Ver agora a última investigação de M. Como diz ainda o texto. apresentada na Univ. antes de al-Ma’mûn.. no quadro ou sob a alçada da “Casa da Sabedoria” (Bayt al-Hikma) de Bagdade: uma verdadeira Academia-Biblioteca. é um facto que a filosofia islâmica nasce e se desenvolve na senda da filosofia grega.

31 (Tunes 1968). explicitar. Abû Yûsuf Ya‘qûb al-Kindî (796-873?)7 : “Não devemos ter vergonha de reconhecer a Verdade e torná-la nossa. eco ao logos (hadith) do Profeta: “Procurai a ciência até na própria China!”. mesmo que ela nos chegue de gerações antigas ou de povos alheios”. Fazia. foi a capital científica e intelectual do mundo de antanho. Num outro contexto. ele escreve: “O meu intento é transcrever a totalidade do que os Antigos nos legaram sobre a matéria. completar ou aperfeiçoar o que não exprimiram plenamente. e isto em consonância com o génio da nossa língua árabe e dos usos e costumes do nosso tempo e das nossas próprias capacidades”. 7 www. ver mais adiante. Pertencia à fina flor da aristocracia árabe. 8 Ver o artigo de R. Houve como que uma inspiração divina dos antigos filósofos.P. Mas as exigências universalistas do Império. multi-étnico e pluri-religioso. quiçá.8 Os filósofos muçulmanos acreditam na unicidade da Verdade ou Sapiência (hikma). A seguir.i i i i 6 Adel Sidarus No auge da sua glória. Bagdade. em analogia à revelação transmitida aos profetas e coroada pelo evento corânico. tendo promovido pessoalmente a tradução da filosofia e ciência gregas. promover as verdades eternas contidas no Corão. da arte ou da música. Riffinengo in IBLA. Gaspar e P. O pensamento filosófico pretende apenas aprofundar. a protecção de príncipes iluminados e a curiosidade dos intelectuais fizeram vingar o papel duma Razão una e universal. a filosofia e a ciência foram algo suspeitas nos meios religiosos ortodoxos.net i i i i . qualquer que seja a sua origem.lusosofia. das Índias e do Médio Oriente helenizado. encruzilhada da China. Para ilustrar essa abertura de espírito que vigorava então. vemos o que dizia o primeiro grande filósofo árabe. À semelhança da poesia.

3 vols. na sociedade islâmica. e finalmente o fiqh – que é o direito. algo que corresponde às nossas letras ou humanidades modernas. triagem.10 Al-Kindî de que falámos. baseado na lei divina (sharî‘a).lusosofia. e a jurisprudência. há que se interrogar acerca da posição exacta da filosofia no quadro da actividade intelectual dos muçulmanos. por um lado. constitui a Ciência dos Antigos – entenda-se os antigos gregos. as ciências linguísticas. identificação dos transmissores. a exegese do Corão ou tafsîr.net i i i i . duas grandes áreas do saber: as ciências religiosas. As ciências religiosas giram todas em torno do texto sagrado: a leitura e a salmodia do Corão (que constituem verdadeiras ciências). Abû 9 Nunca é demais lembrar a dimensão legislativa da “revelação” corânica: ela transmite simultaneamente um conhecimento intelectual e espiritual e um código de vida. e as ciências profanas.9 Funcionam como auxiliares destas “ciências corânicas”. parcialmente. pelo outro. Paris 1997 (versão www. a maior parte dos filósofos muçulmanos são também cientistas. À semelhança da Baixa Antiguidade. os persas ou zoroastrianos e os indianos. 10 Sobre as ciências árabo-islâmicas. A filosofia. Morelon. ver a recente obra colectiva dirigida por R. juntamente com as ciências naturais. Histoire des sciences arabes.. Onde é que se situa no espectro das disciplinas do saber? Podemos distinguir. classificação. Rashed e R. incluindo a formulação do essencial do dogma e das práticas religiosas. com elementos do cálculo – em suma. literárias e históricas. interpretação dessas tradições).i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 7 Epistemologia Filosófico-religiosa Para lá da convicção dos filósofos quanto à unidade ontológica do Saber/ /Conhecimento (‘ilm). exactas e aplicadas. o hadîth – ou seja as tradições relacionadas com o Profeta e seus companheiros (recolha.

na senda do neoplatonismo. 13 Também traduzido para o latim (De scientiis) e seguido de perto na divisão escolástica das ciências. anteriormente. e a sua influência sobre a Europa exerceu-se tanto na filosofia como na medicina. Hein.net i i i i . Londres 1995).-islam. f. Une histoire de la sicence arabe. Na sua grande suma filosófica Kitâb al-Shifâ’. Djebbar (em colab. Ver a ed. teodiceia. ver F. Os grandes Avicena e Averróis foram médicos exímios. C. 4 (Alepo 1980). 93-129. Knowledge Triumphant. trata basicamente. Definition und Einteilung der Philosophie. “Qostâ ibn Lûqâ (9. The Concept of Knowledge in Medieval Islam.13 não se afasta muito deste esquema. Daiber. que se vem descobrindo nos últimos anos. Rosmorduc).lusosofia. “Avicenna on the Division of the Sciences in the Isagoge of his Shifa”. Leida 1970 (com uma pequena selecta de textos originais). a grande autoridade aos olhos dos muçulmanos de então era Galeno: o filósofo e médico ítalo-grego do século II da era cristã. www. 1985. “cura da ignorância”). ver do mesmo autor. em H.e. com J. Sobre este tradutor cristão melquita (ca. Wissenschaften. Paris 2001. cosmologia. também chamada “divinales” (ilâhiyyât ou ‘ilm al-ilâhiyyât). ou Abû l-Rayhân al-Bîrûnî. González Palencia. É que. 12 M.i i i i 8 Adel Sidarus Bakr al-Râzî (o Rhazes dos latinos).11 Ibn Sînâ / Avicena – trata de todas as ciências de acordo com o esquema geral seguinte: Lógica-Física-Matemática-Metafísica. Von der spätantiken Einteilungsliteratur zur arabischen Enzyklopädie. 11 “O Livro da cura” (i.) über die Einteilung der Wissenschaften”. Rosenthal. no século X. Aetius Arabus. com o título Catálogo de las Ciencias. com bibliografia actualizada. 820-912)./trad. filósofo e naturalista. Zeitschr. de ontologia. Wiesbaden 1980. der arab.14 A metafísica. de A. 14 Sobre toda esta questão. Jh. Novas perspectivas. Gesch. Dum certo modo. traduzido em latim com o título errado de Sufficientia. Journal for the History of Arabic Sciences. escreveram sobre quase todas aquelas ciências. Note-se bem que inglesa publ. ao lado de Aristóteles.12 E a classificação das ciências que o seu antecessor al-Farâbî apresenta no seu Inventário das ciências. Francoforte etc. também do século IX. Marmura. a “filosofia” abarcava todas as ciências não religiosas. e a concisa e estimulante exposição de A. epistemologia. 6 (Francoforte 1990). Madrid/Granada 2 1953.

Contudo. segundo a doutrina que veio a prevalecer. Anawati / L. Paris 3 1981 (verdadeiro manual compreensivo e sistemático). para além das verdades religiosas. Jolivet. Em Damasco.15 E diríamos quase que é por este caminho que a sociedade islâmica chega à filosofia. há no texto sagrado várias verdades filosóficas (ou. Mass. tiveram que se abrir a novos horizontes do espírito. da Lei positiva pela qual se deve reger a sociedade dos homens. Revelação. e na Síria-Palestina em geral.A. no conteúdo ou âmbito e na metodologia. com credos divergentes ou até similares (caso dos judeus e dos cristãos). o kalâm antecedeu a falsafa no Islão. “No princípio era o Verbo”. La théologie et les Arabes. os primeiros muçulmanos. de filosofia da natureza e do Estado. Divergindo da tradição cristã. Introduction à la théologie musulmane. The Formative Period of Islamic Thought. de escatologia ou teleologia. 1976. apologético”). da “História sagrada”. Edimburgo 1973. as verdades religiosas/corânicas. Paris 2002. Gardet. Cambridge. este Logos é a pessoa de Jesus-Cristo. Se para os cristãos. dialéctica) para explicitar e defender a Fé. Essai de théologie comparée. Wolfson. Idem 1985. os pensadores muçulmanos conheceram um pensamento teológico cristão maduro e Ver H. M. profecia e salvação: que contrastes?. de antropologia. não tem nada de comum com um Sócrates ou um Platão. The Philosophy of the Kalam. de cosmologia. para os muçulmanos é o próprio Corão – eterno e não criado. pelo menos. Faz uso da razão (lógica. na acepção corrente da palavra. Vejamos como. Watt. ou seja. Muhammad. J.net i i i i .i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 9 não é a “teologia”. Lisboa 2001. etc. Islão e Mundo cristão.lusosofia. o kalâm faz a ponte entre a filosofia e as ciências religiosas/corânicas.16 Claro que o Corão não é uma obra filosófica e o profeta do Islão. logos” – entendase “discurso dialéctico. 15 www. Idem. W. G. Islamic Philosophy and Theology. 16 Ver entre outros L. pois contém elementos de teodiceia. a teologia escolástica islâmica é chamada kalâm (“discurso. Dum certo modo. Carmelo. enunciados que convidam a uma reflexão filosófica) ou científicas. Ao entrarem progressivamente em contacto com povos com culturas superiores.

onde o autor alemão sintetiza os resultados de mais de vinte anos de investigação pessoal (publ.lusosofia.S. sucedendo ao seu pai. Le Coz: Jean Damascène. Paris 1992. 18 Ver agora a ed. A Study of Origins with References to the Church Fathers. Prémices de la theólogie musulmane. instalada em Damasco)./trad. Era alto funcionário da administração omíada (a primeira dinastia árabe. depois da transferência da sede do califado da Síria para o Iraque (Baixa Mesopotâmia). foi a doutrina desta escola que o califa al-Ma’mûn tinha. Ora. 383). Paris 2001. Écrits sur l’Islam (Sources Chrét.. van Ess. as grandes questões especialmente debatidas eram a predestinação. podendo o termo significar tanto “apartados/separados” (em relação à ortodoxia tradicionalista). no relato do pretenso sonho do califa.net i i i i . na palavra e nos actos. Defendia também o libro arbítrio e advogava a intervenção da força. em 6 grossos vols. a criação do Corão e os atributos divinos. 19 Ver J.19 Pouco a pouco se foi formando uma verdadeira escola de “teólogos” muçulmanos. Seale. num primeiro momento. João Damasceno. 675-749). o trabalho mais antigo de M. Londres 1964. Khawam. do “gládio”. Paris 1987. 17 www. Ver entre outros R.18 Nos contactos intelectuais ou nas polémicas religiosas dessa época. de R. Muslim Theology. tb. esta escola racionalista defendia nomeadamente a unicidade/simplicidade absoluta de Deus (tawhîd) contra a existência real dos atributos divinos e a eternidade do Corão. para obrigar o homem a rejeitar o mal: no coração. L’univers culturel des Chrétiens d’Orient.17 Recordemos apenas S. Oriunda de Basra. os primeiros mutakallimûn (derivado de kalâm) conhecidos por mu‘tazila – uma designação cuja origem é dúbia. ou de Bagdade.). V.i i i i 10 Adel Sidarus vigoroso. Foi ele que teria escrito os primeiros tratados contra o Islão. antes de se fazer monge e se dedicar à produção teológica. como “neutros” (em relação à trágica divisão dos muçulmanos entre sunitas e xiitas). o último “Padre da Igreja” (ca. promovido e oficialmente imposto à Comunidade islâmica: já vimos.

princípios do século IX (III da Hégira). B. era apanágio dos não-muçulmanos. 20 www. às vezes de pura estirpe árabe.20 Serão eles os grandes tradutores da época. Mas o seu poder foi de pouca dura: foram. verdadeiros filósofos. “Les chrétiens à Bagdad”. Mingana. by Job of Edessa. Annales de philosophie. Samir.-M. Cambridge 1935 (texto siríaco com trad. à semelhança das ciências naturais e exactas. “Rôle des chrétiens dans les renaissances arabes”. Roma 1982). 35 (Jerusalém 1985).). 21 J. M. eram cultivadas especialmente por cristãos nestorianos ou jacobitas.21 O primeiro e o maior de todos foi sem dúVer p. Arabica.Kh. Foram eles os verdadeiros mestres dos muçulmanos na ciência lógica. as Taught in Baghdad about A. “Les chrétiens arabes et les disciplines philosophiques”. Desencadearam a primeira grande inquisição no Islão (mihna). 817. Allard.ex. por sua vez. Chrétiens syriaques sous les Abbassides. A intolerância dos mu‘tazilitas foi grande. siríaca. ingl. Landron. Louvain 1980. 6 (Beirute 1985 – Uma primeira versão árabe. sejam eles de língua grega. a já mencionada Academia da Sabedoria de Bagdade. perseguidos e suas obras queimadas.lusosofia. sobretudo abriu para sempre o caminho da filosofia na sociedade islâmica. S. tradutores do grego ou do siríaco. e na medicina. in Islamochristiana. Encyclopaedia of Philosophical and Natural Sciences. Contudo. tradutores e comentadores. or Book of Treasuries. Fiey. com resumos em francês e inglês.net i i i i . Em Bagdade e no resto da Mesopotâmia. médicos ou cientistas. nos territórios do império árabo-muçulmano. As Primeiras Traduções Até então. A. Era-lhes confiada a direcção do Bayt al-Hikma. Proche-Orient Chrétien.. até ao século XI. 8.D.. persa ou mesmo árabe.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 11 a insistência na doutrina do tawhîd e na aplicação da Lei para o bem do povo. a sua influência permaneceu grande junto dos muçulmanos que ansiavam para uma religião “racional” ou “razoável”. a filosofia. IX/3 (Paris 1962).

o ponto de chegada perfeito do movimento intelectual grego. 25 Ver nomeadamente F. XXXI/3. Leida 1975 (= Arabica. incluindo o impacto da cultura grega sobre a cultura árabo-islâmica emergente. The works of Yahyâ ibn ’Adî. 1043). I. estuda os caminhos da investigação europeia sobre o fenómeno em si (sécs. m. Aristóteles era considerado o corifeu dos pensadores da Antiguidade. m. Leipzig 1925. a quase totalidade do pensamento grego: platonismo. Nova Iorque 1968. et son importance pour la traduction. XV-XX). Londres/Nova Iorque 1998. neoplatonismo. muitos estudos apareceram. temos Yûhannâ Ibn Mâsawayh (“Mesue”. Peters. Hunain Ibn Ishaq. La traduction à l’époque abbasside. mas antes sob o ponto de vista aristotélico. M. L’école de H. foi atribuída ao Estagirita uma série de textos neoplatónicos que mascararam a real oposição entre o idealismo platónico e o positivismo e naturaDesde a obra básica de G.lusosofia. i.25 O próprio neoplatonismo. Aristotle and the Arabs. 22 www. Bergsträsser. Klein-Franke.24 Só que estas doutrinas chegaram em geral através da síntese aristotélica ou reformuladas pelo peripatetismo. no século seguinte. tb. Wiesbaden 1977. V. neopitagorismo.E. A obra de F. O que se traduzia? Qual é o tipo de filosofia grega que se transmitia e que serviu de ponto de partida para a reflexão filosófica no Islão? Com a excepção dos pré-socráticos. Salama-Carr. 24 O mais recente trabalho sobre o tema. 23 Ver a monumental biliografia de G. Ver a obra colectiva Hunayn Ibn Ishaq.net i i i i . Endress. “Johannitius”. não foi apreendido na sua originalidade primeira. tão perto da perspectiva e sensibilidade religiosa. Die klassische Antike in der Tradition des Islams. estoicismo. 808-873). aristotelismo. mas ainda não um novo trabalho de síntese. No século X.i i i i 12 Adel Sidarus vida Hunayn ibn Ishâq (lat. que reúne comunicações de um colóquio parisiense comemorando o XI centenário da morte do tradutor. Paris 1974). Paris 1995. Gutas. Abû lFaraj Ibn al-Tayyib (“Benattibus”. Já o notámos no relato do sonho do califa. destaca-se Yahyâ Ibn ‘Adî (893-974) – que foi o maior teólogo cristão de língua árabe 23 – e. 857). Darmstadt 1980.22 No mesmo século. de confissão síriojacobita. deve-se a D. e a sua filosofia. An analytical inventory. Greek Thought and Arabic Culture. médico e filósofo cristão árabe. Em sinal contrário.

C. La tradition orientale dans la culture grecque. Lembremos também a figura de Galeno. já no declínio da sociedade islâmica. Paris 1999-2001). A referência às grandes civilizações da Antiguidade leva-nos a lembrar uma verdade histórica. 26 www. A cultura científico-filosófica grega. de um original italiano publ.. dissipar o mal-entendido. analisa os processos mentais da ocultação europeia dessa verdade e recorre a uma aproximação variada para retraçar as influências em apreço. trad. carregada das ideias herméticas nascidas no Egipto e das concepções místicas do Irão e da Índia. Burkert. Barnal. como é que os pensadores muçulmanos assimilaram. o livro de M. franc.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 13 lismo aristotélicos: caberá a Averróis de Córdova. VI-IV a. como Alexandre de Afrodísias.. Black Athena. era conhecida e apreciada pelos muçulmanos dos séculos VIII-X. o expoente máximo do eclectismo e da fusão entre filosofia e ciências naturais. Paris 2001 (trad.. Apesar dos seus exageros. conduzindo a um profundo humanismo (o corpus árabe das suas obras integra textos perdidos no original grego!). “helenística” que foi transmitida ao Mundo islâmico. ver W. adaptaram e desenvolveram tudo isso? Quais eram as suas escolas e Para não falar da época dita “clássica” (sécs. Nova Iorque 1987-90 . era já fruto desta simbiose..net i i i i . ou melhor. Também a tradição gnóstica. Em tudo isto se nota bem a mão dos compiladores e grandes comentadores da Baixa Antiguidade. em Veneza em 1999). Na senda das conquistas de Alexandre Magno (mais de três séculos antes da nossa era) criara-se uma cultura comum a toda essa zona e na qual se fundiram os vários legados existentes.). Proclo ou Temístio. 26 Correntes do Pensamento Filosófico Agora.lusosofia. The Afro-Asiatic Origins of the Classical Culture (2 vols.

Se o primeiro pertenceu à aristocracia árabe de Bagdade – e é dum certo modo o único filósofo muçulmano plenamente árabe! – os dois outros foram persas ou. como cristãs ou judias. 29 É o “Alfarabius” da escolástica medieval cristã. pode-se adivinhar os contornos do neoplatonismo islâmico. três grandes escolas ou.. sem nunca deixar de estar subjacente a todo o pensamento filosófico árabe. XII). Paris 1993. Abû Nasr al-Farâbî (870?-950) e Abû ‘Alî Ibn Sînâ (980-1037).lusosofia. A primeira.M. quanto de comum têm esses pressupostos com os da filosofia cristã ou judia. Al-Farâbî 29 nasceu no TurA. À la croisée des trois monothéismes. de ciência da natureza. Arnaldez. Goichon. – foi o neoplatonismo. pelo menos.i i i i 14 Adel Sidarus doutrinas? O que trouxeram de novo ou de original para a filosofia universal? Podemos distinguir.27 Tendo em conta o que se disse acerca das origens imediatas do movimento filosófico na sociedade islâmica.28 Os seus grandes mentores – como já referimos – foram Abû Yûsuf al-Kindî (ca. de passagem. correntes filosóficas no Islão. Síria). de língua e cultura persa. Foi uma síntese harmoniosa e integrada (ou seja. uma síntese de metafísica neoplatónica greco-alexandrina. Segue-se à época das grandes traduções em Bagdade e tem o seu expoente máximo na figura multifacetada de Avicena. e sem dúvida a mais bem elaborada e a que teve maior impacto nas gerações futuras – tanto islâmicas. Não esqueçamos também o seu impacto na primeira escolástica europeia cristã (séc. ver R. e de misticismo oriental – o todo fecundado por uma lógica aristotélica a par de uma revelação religiosa caracterizada por um monoteísmo absoluto e transcendental. Mesopotâmia. esquematicamente.. em especial. Desenvolveu-se. O prestígio de Alfarabius 27 www. não se trata de mero sincretismo). antes. Paris 2 1979. Une commune pensée au Moyen Âge.net i i i i . 796-873). no Oriente islâmico (Irão. Origina-se neste antropónimo o termo português “alfarrábio” > “alfarrabista”. de raiz também grega. La philosophie d’Avicenne et son influence en Europe médiévale. 28 Frisa-se.

de trabalhador. mas decisivo. o qual acautela claramente o princípio da transcendência e da filosofia árabe. com a excepção de Deus. Nele. a nível da teoria e da prática. por várias ocasiões.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 15 questão. nos últimos anos da sua longa vida. al-Farâbî o verdadeiro “sábio” (hakîm: vivia como um asceta) e o genial e prolífero Ibn Sînâ. o primeiro de Faylasûf al-‘Arab (“Filósofo dos Árabes”) e o segundo de Faylasûf al-Islâm (“Filósofo do Islão”). de intelectual brilhante e de filósofo místico. tendo sido apodados. enquanto que Ibn Sînâ foi médico exímio. Paris 2001 (com textos de J. Ele e al-Farâbî foram os verdadeiros fundadores da filosofia islâmica. Brague) – tema sobre o qual iremos falar de seguida. e apenas nele. Mercê deste pressuposto fundamental. por D. era um misto de homem pragmático.30 Ambos abordaram todo o espectro das ciências filosóficas então transmitidas. há perfeita identidade entre essência e existência.lusosofia. mas não exerceram qualquer profissão. Jolivet et R. cuja doutrina foi imposta pela força a toda a comunidade islâmica por um breve. numa ontologia que distingue a essência da existência em todos os seres. A filosofia deste trio “sagrado” baseia-se. cargos políticos cimeiros. Hamzah da sua Épître sur l’Intellectuel. mas veio estudar e ensinar em Bagdade e transferiu-se. “Alchindius”) era muito ligado aos meios “mu‘tazilitas” – a já mencionada primeira escola teológica muçulmana. princípio primeiro e único de ambas as ordens do Ser. (comentando ou não o Estagirita)” > “obra de filosofia ou ciência árabe (ligada ou não ao Estagirita)” > “obra em língua árabe” > “códice árabe” > “códice” > “livro antigo”. Assinale-se a recente trad. no Norte da Síria. www.net i i i i . sendo Aristóteles o primeiro. em traços largos. que morreu com apenas 57 anos. para Alepo. a evolução semântica de “alfarrábio” da seguinte forma: “obra de A. e exerceu. Al-Kindî representava o intelectual puro. 30 Era conhecido também como o “Segundo Mestre”. lapso de tempo. sobretudo quando ligada à figura de Aristóteles. Al-Kindî (lat. devia ser de tal ordem que se poderia explicar. a nosso ver. Ibn Sînâ nasceu na Transoxiana e nunca deixou os confins do Irão Oriental.

net i i i i . A filosofia árabe rejeita. pode apenas provir uma entidade igualmente una? A solução foi mais ou menos encontrada através de teorias complicadas de processões sucessivas de uma série de “intelectos” (‘aql-s). Esta elaboração fundadora da filosofia no Islão inclui ainda – a nível do próprio discurso metafísico – uma politologia. Al-Farâbî tem o tratado essencial sobre a matéria: Al-Madîna al-fâdila (“A Cidade virtuosa”). mas também da teoria do conhecimento.. conseguiu-se recuperar a teoria da emanação do neoplatonismo alexandrino. franc. Situa-se obviamente no prolongamento da politeia grega. de um modo geral. trad. Os seres são “possíveis”. Esta questão está intimamente ligada a uma outra cuja solução lhe fornecerá elementos de resposta. se considerados “em si”. o postulado lógico-filosófico da criação a partir do nada (ex nihilo). i. por R. mas com a dimensão religiosa que toda a política tem no Islão. que se pode considerar como o correspondente muçulmano da Civitas Dei de S. a partir do Intelecto primeiro.31 A organização temporal Texto árabe com trad. nomeadamente a ideia base da continuidade cosmológica entre o Universo e a sua causa primeira. Walzer. mas são “necessários” na perspectiva do seu Princípio último. conhecimento do homem em relação ao Universo e ao Deus transcendental. ingl.i i i i 16 Adel Sidarus divina. Desenvolveu-se também a importante doutrina do “intelecto agente” (al-‘aql al-fa“âl) e o seu papel na intelecção humana. Sabri.lusosofia. cada um com a sua esfera própria. de T. da revelação profética e da experiência mística. Oxford 1985. Mas então. Agostinho. Estas processões ou emanações forneceram as bases da cosmologia. Al-Farabi on the Perfect State. como conciliar a sagrada transcendência divina e o princípio filosófico segundo o qual do uno. bem como na explicação racional da imortalidade da alma.e. Traités des opinions des habitants de la 31 www. têm uma existência possível. da simplicidade absoluta. Um outro tema capital do neoplatonismo islâmico diz respeito à teoria do conhecimento: conhecimento de Deus em relação aos seres particulares. o qual é “necessário per se”.

uma ampla difusão da reflexão e da cultura filosóficas. franc. Madrid 1980. Zabbal. por F. infelizmente. aberta e universal. na segunda metade do século XI. acabaram com esse movimento. 9321030). que se elaborou na reflexão islâmica com base nos pressupostos metafísicos aqui esboçados. com a hegemonia político-militar dos turcos seljúcidas e a crispação devida às Cruzadas. La política como única ciencia religiosa en al-Farabi.net i i i i . dum modo geral. 32 Citemos apenas como exemplos: Abû Sulaymân al-Sigistânî (ca. Mahdi. www. Retomaremos a questão ao falar do iluminismo oriental. Chicago 2001 (trad. Deste modo. com o título La cité vertueuse d’Alfarabi. 912975/85).... na vida do Além. Paris 2000 sic). S. os literatos 32 e. A união ou harmonia entre os membros da comunidade terrestre prefigura a união das almas entre elas e destas com Deus. a par da sua pretensão de estabelecer no nosso mundo a Lei de Deus revelada no Corão. Abû ‘Alî Miskâwayh (ca. Alfarabi and the Foundation of Islamic Political Philosophy. a politeia islâmica. abre-se para os horizontes místicos do amor universal e da união divina. No entanto. mas não podemos. na classe dos funcionários da administração abácida. IV e V da era islâmica) conheceram. abordar toda a filosofia ética. entre os teólogos. na sua dimensão laica.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 17 da sociedade tem o duplo condão de assegurar o bem dos homens neste mundo (al-dunyâ) e de os preparar para o outro que há-de vir (al-âkhira). Abû Hayyân al-Tawhîdî (m. Ver tb. a do “Homem perfeito”. apesar da hostilidade dos sunitas tradicionalistas. Gómez Nogález. as mudanças algo trágicas que abalaram a sociedade islâmica do Oriente. M. 1023). Paris 1990. O sunismo ortodoxo e Cité idéale.lusosofia. Algazel e a Reacção Teológica Sunita O século X e parte do século XI (sécs.

que levou até à revolta popular contra os governantes almorávidas e o legalismo hipócrita e vazio dos juristas malikitas. longe das interferências turcas. D.34 A nível filosófico. o audacioso ensaio de A. o “Algazel” da escolástica latina medieval. Trata-se de Abû l-Hamîd al-Ghazâlî (1058-1111). Como argumentado numa contribuição em Mélanges de Mohamed Talbi. facto que desencadeou precisamente o processo de desmoronamento do poder almorávida na Península. Ver tb. pelo menos num primeiro momento. Lisboa 2001. a tarefa de desmontar religiosa e racionalmente o sistema neoplatónico de Avicena e de seus antecessores e fechar as portas da “teologia”. do Islão oriental e exceptuando o espaço iraniano e a sua esfera de influência. 7 (Mértola/Porto 2001). também ele apreciador das obras de al-Ghazâlî e proclamado mahdî em Setembro de 1144. 34 Ver os mais recentes trabalhos de A. no Ocidente islâmico (Norte de África e o Andaluz). fundada por Ibn Qasî de Silves (m. 33 www. Guimarães 1997. o arquitecto do novo edifício teológico-místico do islamismo sunita. a epopeia da confraria dos Muridas.lusosofia. Tunes 1993.i i i i 18 Adel Sidarus arregimentado instalou-se de vez em Terra do Islão. Urvoy (ver nota preliminar) contesta este facto avançado por vários autores. no que diz respeito ao território tornado português. As sandálias do Mestre. 1153). genial e profundo à sua maneira. É visto como o segundo fundador do islamismo (Hujjat al-islâm. a partir de Mértola.net i i i i . Alves. à reflexão filosófica. do II Congresso Histórico de Guimarães. é só tardiamente que os Almóadas recuperaram al-Ghazâlî com intentos polémicos contra os Almorávidas. Muito curiosamente a obra de al-Ghazâlî teve repercussões diferentes. Sidarus no 2o vol. “prova do islamismo”). Khawli in Arqueologia Medieval. pelo menos. Coube porém a um outro persa. a crítica ghazaliana do neoplatonismo de Avicena parece ter D. Afonso Henriques e seu tempo. Lembremos. no Islão sunita. e de A. A nível político-religioso estaria na base da reforma almóada do Mahdî berbere Ibn Tumart 33 e de toda uma regeneração do misticismo andaluz.

em al-Andalus (a Hispânia islâmica). com referência ao trabalho de S. como tal. Globalmente falando.37 Para o século XI (V da Hégira). o que levou à sua condenação e à perseguição dos seus discípulos. previlegia as traduções árabo-latinas). matemática. Barcelona 1978. in Idem. 37 M. 167-74 (cap. o conturbado mas riquíssimo período das Taifas (“pequenos reinos. p. D. Vernet. 912-19. Joseph.36 Já não se pode falar hoje. p. Lo que Europa debe al Islam. “La tentation ghazâlienne”). já traduzido para francês. Só que a ênfase incidia claramente nas ciências naturais e exactas: medicina. 35 www. farmacologia. Novo ponto da situação apresentado por C. Urvoy in Mélanges de l’Univ. astronomia. e aum. que perfilhou uma teologia de tipo mu‘tazilita e um esoterismo julgados heterodoxos. 50 (Beirute 1984). no século X. La heterodoxia en al-Andalus. repetido por vários autores. Madrid 1987.net i i i i . um ambiente intelectual e cultural análogo ao de Bagdade no século anterior. Addas na sua contribuição sobre a mística andaluza in LMS II. as sínteses do mesmo autor e de J. Medieval Arabic and Hebrew Thought. Samsó in LMS II.I. p. Zurique/Munique 1984. de verdadeira filosofia no pensamento místico e gnoseológico de Ibn Masarra (883-931): o filho de um imigrante oriental. principados”). Urvoy citada na bibliografia final. 113-18 e 132-49. ciências ocultas. ver a obra de D. St. 325-39 (reed. 36 J. 1968). Córdova conheceu. 937 ss. Londres 1982). Asín Palacios. p. Barcelona 2000 (ed. Ver tb.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 19 contribuído indirectamente para a reformulação do aristotelismo que se estava a processar na Península Ibérica. Ver tb. rev. e alemão. na senda de M. Paris 1985. Fierro Belo.35 Filosofia Hispano-árabe Não se conhecem muito bem os meandros da introdução da filosofia. há notícia Sobre todo este parágrafo. com o novo título e revisões e aditamentos. de La cultura hispanoarabe entre el Oriente e el Occidente.lusosofia. Leida (e Coimbra) 1971. Stern in IV Congresso de Estudos Islâmicos (Lisboa e Coimbra.

Nápoles 1978. 2 1991. Citemos. oriundo de uma eminente família de jurisconsultos (faqîh-s) cordoveses. tendo sido traduzida em muitas línguas. El collar de la paloma. ainda durante a dinastia almorávida. que merece um lugar cimeiro na literatura universal. 39 A obra foi traduzida em muitas línguas. García Gómez. de origem xiita e de dupla inspiração neoplatónica e neopitagórica. La filosofía islámica en Zaragoza. Bausani. 40 J. que se caracterizou pelo seu peripatetismo e teve uma influência considerável no mundo.A.net i i i i . Saragoça 1 1987. fruto do colapso do califado cordovês (1031). 420-41. Averróis e Maimónides foram também juristas: o primeiro.lusosofia. mas todo virado para uma visão teológicoreligiosa do mundo – quiçá.40 Seguiu-se-lhe um trio bastante coeso: Abû Bakr Ibn Tufayl (lat. o famoso Ibn Rushd (Averróis) e o judeu Ibn Maymûn (Maimónides). Griffin in LMS I. Os três eram filósofos e médicos. 38 www. Lomba Fuentes. falecido ainda jovem por volta de 1138. Ver tb. não o islâmico.. Madrid 1952 (com reedições).. que encontramos uma verdadeira escola filosófica hispano-muçulmana. L’enciclopedia dei Fratelli della Purità. os dois primeiros na própria corte almóada.i i i i 20 Adel Sidarus da introdução da enciclopédia filosófica do colectivo conhecido por Ikhwân al-Safâ (“Os Irmãos da Pureza/Sinceridade”). mas ainda não em português. a análise de L. chegou a ser magistrado supremo da sua cidade.39 É só durante o século XII. Moisés Maimónides (1135-1204). O seu primeiro impulsionador. p. “Abubacer”). mas no europeu cristão. Recomende-se a tradução castelhana de E. que foi um verdaAnálise quase literal do conteúdo por A. um autodidacta de alto gabarito e pensador de grande originalidade. parcialmente no âmbito do renascimento cultural e artístico dos Almóadas. o seu famoso tratado literário “O colar da pomba” (Tawq al-hamâma): uma fina e rica análise psicológica e existencial do amor. contudo.38 Mas nele surge também a figura ímpar do hispano-muçulmano Ibn Hazm (994-1064). foi Ibn Bâjja de Saragoça: o Avempace dos latinos.

43 O filósofo cordovês. entre outros. Salvador Nogález.lusosofia. que escreveu tratados ou obras simultaneamente sobre jusrisprudência. González Palencia.– Parece que a obra. medicina. ética. de A. Abû l-Walîd Ibn Rushd (11261198). reuniram-se vários colóquios e escreveram-se muitas obras sobre esse genial filósofo de al-Andalus.42 Mas foi na obra de Averróis. onde recolhe. Madrid 2 1948. cast. que essa escola encontrou a sua máxima expressão. Leaman. do famoso romance filosófico conhecido por “O filósofo autodidacta”.41 Ibn Tufayl (m. Trad. os ensinamentos do seu mestre Avempace. onde se demonstra como é possível atingir. e por A. 1939). na obra colectiva coord. 1185/86) foi autor. terá inspirado. as mesmíssimas verdades reveladas pela Religião. que não nos parece ter prosseguido. Islamic Naturalism and Mysticism. Ver entre outros os livros de D. na forma que não no conteúdo. Ver agora S. seiscentista de E. A sua famosa tentativa de reabilitar teoricamente O. as bases jurídico-rituais do judaísmo “sefardita” oriental. 830-46. tem prefácio de Raul Torres e constitui o primeiro volume da colecção “Pensadores árabes”. Prococke. pela mera dedução racional. Assinale-se. Bürgel. por A. in LMS II. Apresentações sintéticas originais por J. divulgada na Europa através da trad. Averrois.) de Henrique António Pereira.C. 42 41 www. o já antigo livrinho (79 p. Martínez Lorca e referenciada na nota bibliográfica final. Arnaldez. física e astronomia. quase instintiva. Moses Maimonides.net i i i i . Oxford 1989.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 21 deiro polígrafo e sábio errante. o famoso Robinson Cruzoe de D. comentou sistematicamente a obra de Aristóteles. como curiosidade. 43 Por ocasião do VIII Centenário da sua morte. cujo sistema sofrera os abalos da refutação ghazaliana. Urvoy e de R. sua vida. inclusive os altos graus da contemplação mística. e seus descendentes depois dele. A Philosophical Study of Ibn Tufayl’s Hayy bin Yaqzan. Hawi.S. despindo-a da ganga neoplatónica que a tinha desfigurado desde os primeiros séculos da nossa era. Leida 1974. Trata-se duma apologia alegórica da filosofia natural. e reformulou nesta nova perspectiva (um aristotelismo racional e naturalista) os principais temas da filosofia áraboislâmica de tipo aviceniano. Defoe. Paris 1998. obras e doutrina (Porto: Pensamento. praticamente. teve que emigrar para o Médio Oriente onde estabeleceu. ca. p.

decisivamente. No fim da ed. É que esse entendimento é demasiado redutor.44 foi a causa próxima do incêndio público da sua biblioteca e do seu exílio para Marrocos (1195)./trad. o duplo número 19-20 (1998) da revista tunisina bilingue Dirâsât Andalusiyya / Revue d’Études Andalouses. Em especial no Tratado (ou Discurso) decisivo (Fasl al-maqâl). 219-38).lusosofia./trad.). Paris 1996 (com uma longa introdução de A. ver A. há um “Dossier” onde se recolhem uma dezena de textos de autores árabes modernos sobre a obra em apreço (p. foi mais uma vez reeditada em 1998 pela editora Sindbad. propocionando ao “Commentator” um lugar cimeiro nos protagonistas do progresso intelectual e científico da Humanidade. mercê dos trabalhos dos orientalistas europeus.net i i i i . Niewöhner / L. Leida 1994. Paris. amplamente anotada. 45 Apenas nos tempos modernos é que os Árabes redescobriram Ibn Rushd. 44 www. A prestigiada tradução de L. que recenseámos in Qurtuba. 4 (Córdova 1999). von Kügelgen. insistindo sobre o pensamento lógico e positivista. com o título Discours décisif.i i i i 22 Adel Sidarus o conhecimento filosófico em relação ao religioso. 273-75. Não pôde assim a sua obra deixar marcas na sociedade islâmica – de resto. recolheu o seu legado e sofreu. que indicia uma grave lacuna no próprio entendimento ocidental de Filosofia. limitando. Alger 1949. 46 Ver F. L’accord de la religion et de la philosophie. Traité décisif. em fase de desagregação e de uma certa decadência – nem influenciar a posterior trajectória da filosofia nos seus territórios. sobretudo franceses. Averroes und die arabische Moderne. Sturlese (eds. de M. Gauthier. p. Ver tb.46 Filosofia e Gnoseologia Mística E assim chegamos a um ponto crítico da historiografia da filosofia no Islão.. pelo contrário. Convém hoje contudo recorrer à ed. o impacto das suas doutrinas e sobretudo da sua reinvenção do aristotelismo. de Libéra). Geoffroy.45 A Europa medieval e renascentista. Zurique 1994. assinalada na nota anterior. Averroismus im Mittelalter und in der Renaissance.

. nem a actividade filosófica cessou em Terra do Islão com a morte de Averróis em 1198.). o teólogo e filósofo persa Yahyâ al-Suhrawardî (Sohravardi).. Nos seus escassos trinta e seis anos de vida (tinha nascido em 1155). mas de um verdadeiro sistema filosófico. mercê do seu aturado estudo do islamismo persa.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 23 deste modo. em 1191 precisamente. obrigou a modificar a nossa perspectiva global sobre a filosofia islâmica. Seria altamente desejável Ver a introdução à Parte II da sua história da filosofia islâmica referenciada na nota bibliográfica final.47 Nem o peripatetismo árabo-andaluz pode ser considerado como o coroamento do pensamento filosófico islâmico. Que não haja mal-entendido: esta teosofia não é de modo nenhum particularista. praticamente até ao século XVIII. são conhecidos por “platónicos persas”: de facto.lusosofia. i. na famosa cidadela de Alepo. em finais do século XII (VI da era islâmica). As grandes figuras que a dominam são Zaratustra. Por outro lado. os horizontes da consciência humana e da aventura intelectual do homem.net i i i i . não se trata de mera especulação mística. alargando o seu horizonte em direcção à antiga teosofia iluminista iraniana (ishrâq) e abrindo novos caminhos para a reflexão filosófica e espiritual dos muçulmanos xiitas de língua persa. que ressuscitara o avicenismo na sua dimensão místico-oriental. morria de morte misteriosa. de resto. cujo núcleo principal é constituído por uma trilogia de grandes proporções. o nosso filósofo árabo-persa produzira quarenta e seis obras (!). elaborado de acordo com o programa peripatético e as regras da lógica aristotélica.e. inclusive as dimensões da sua plena realização e profunda felicidade. Hermes e Platão. 47 www.. onde se encontrava preso por ordem de Saladino. parte da sua doutrina interpreta os arquétipos platónicos em termos de angelologia zaratustriana. Uns escassos anos antes. destacando-se a Hikmat al-Ishrâq (“A sapiência iluminativa oriental” – “Ex oriente lux”. Os seus adeptos. O orientalista francês Henri Corbin que. insurgiu-se com razão contra a apresentação tradicional da mesma.

em vigor ainda antes de Avicena (!). Volume dédié à la mémoire de Armand Abel. que chegou a comentar e citar em mais que uma das suas obras. Uma das suas principais obras sobre sufismo. tb. Gómez Nogales a conferência-síntese sobre as relações entre a “sabedoria oriental” (incluindo mística) e a filosofia árabe. Islámicos de Madrid.50 deixa entrever facilmente a riqueza e complexidade das suas fontes de inspiração: Corão. 2 vols. em 1165. Gutas in Arabic Sciences and Philosophy.. p. in Mélanges d’Islamologie.. Egípcio de Est. Corbin. donde nunca regressou. Paris 1988. de uma selecta com o título Les illuminations de la Mecque.49 A sua filosofia tem como tema maior “O Homem Perfeito” (al-Insân al-kâmil) que é o Logos (al-Kalima). Leiden 1974. dizia que as razões que. D. com apenas oito anos. são precisamente as mesmas que motivaram a persistência do avicenismo no Irão e o seu posterior desenvolvimento por Sohravardi. através do seu tratado místico-esotérico O descalçar das sandálias. de S. 49 Trad. del Inst. V. tendo morrido em Damasco com a idade de setenta e cinco anos. atinge os doze volumes. ao introduzir a sua apresentação desta doutrina original. que denota um certo monismo. 50 Monismo que o místico murciano poderia dever ao citado Ibn Qasî de Silves..i i i i 24 Adel Sidarus que uma filosofia com esta envergadura fosse devidamente estudada e tivesse o lugar apropriado nos compêndios da história da filosofia universal e do pensamento humano. Vinte anos mais tarde. que foi o maior sufi especulativo da História islâmica. Urvoy (ver nota preliminar) recomenda o artigo de D. mística e mítica. 19 (1976-78). “As revelações/iluminações mecanas” (al-Futuhât al-makkiyya).net i i i i . veio estudar para Sevilha. Nascido em Múrcia. Toda a sua especulação. no Ocidente. X/2 (2000). dirigiu-se para o Oriente. in Rev. condenaram o avicenismo latino ao falhanço e o seu desaparecimento no horizonte filosófico ocidental.lusosofia. Do mesmo autor: “Suhrawardi et sa signification dans le domaine de la philosophie”. 48 www..48 Parece-me poder-se dizer o mesmo em relação à emigração para o Oriente do grande místico andaluz murciano Ibn ‘Arabî. um Logos apresentando três dimensões: ontológica. Foi um autor genial e prolífero. 150-71. islamismo sunita Em particular sobre o percurso desta corrente filosófico-mística.

Oxford 1993).. xiismo ismaelita. não foi necessariamente uma apologia desta religião que utilizaria a filosofia grega para explicitar e justificar a fé. começou por ser a procura de uma coerência na vida intelectual e espiritual dos muçulmanos. recapitulemos rapidamente a sua trajectória. no quadro duma sociedade inspirada por uma religião monoteísta e universalista que se apresenta como “revelada” – o islamismo. como tal. integrando o todo numa visão do mundo predominantemente islâmica. ingl. Addas.51 Epílogo Chegados ao fim deste breve relance sobre o movimento filosófico em Terra do Islão. esta filosofia. a falsafa propagou ideias gregas em todos os domínios do saber “islâmico”. aberto à gnoseologia e às dimensões do Homem Perfeito. gnosticismo cristão. no qual participaram Ver o mais recente trabalho sobre a personagem por C. É um homem universal. filonismo. que tende a um amor que suprime as diferenças e as determinações. fiel à sua tradição antiga. ou seja. A filosofia árabo-persa (!). A falsafa foi um lugar de reflexão e de re-elaboração do pensamento helénico. Paris 1989 (trad. neoplatonismo.net i i i i . 51 www. aproximou-se da teologia discursiva e dogmática ortodoxa (kalâm) e acabou por se fundir com ela. Ibn ‘Arabî ou la quête du souffre rouge. Apenas o mundo xiita do Irão. incluindo o da experiência cósmico-mística. preservou o primitivo humanismo aviceniano. mística hallâjiana. No decurso da sua evolução. ou antes pensamento “racional”. estoicismo. a busca de um humanismo religioso com tudo o que o humano implica de liberdade de espírito e de abertura universal.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 25 tradicional. De início.lusosofia. Com o tempo e as vicissitudes da sociedade islâmica.

Ibn Khaldûn. do francês). Ibn Khaldûn. Khoury.. e A. este grande e original pensador de raiz andaluza – um perfeito “homo islamicus” do século XIV (VIII da Hégira). cumprindo o seu ideal: à universalidade que ela se arroga. Sobre a grande figura de Ibn Khaldûn. VI de A.. mas ao mesmo tempo um verdadeiro freelancer na sociedade islâmica – anuncia. judeus e zoroastrianos.net i i i i . e o livrinho de J.. Os célebres Prolegomena. ver A. ao pretender alcançar um inteligível em si. São Paulo 1958-60 (3 vols. 52 www. Reagindo a estas circunstâncias.). foram-no também em português por J.52 Enciclopédia do Islão. historiador e humanista. Lisboa 1974 (trad.lusosofia. apresentase despida da metafísica neoplatónica. mas acabou por se tornar. Oxford 1990. Laginha Serafim. uma actividade escolástica algo esclerosada. fora do espaço iraniano. ao contrário da dos primeiros pensadores muçulmanos. Em português.i i i i 26 Adel Sidarus cristãos.v. Al-Azmeh. com a sua crítica científica das sociedades. “Falsafa”. Nesta perspectiva – para retomar a expressão de Roger Arnaldez – ele destrói a falsafa. De facto. Talvez tenha sido este estado das coisas que inspirou a Ibn Khaldûn (1332-1382) as suas observações desiludidas sobre os efeitos perniciosos do sistema de ensino islâmico. ver o cap. Abdel-Malek et al. traduzidos em inúmeras línguas. via neste tipo de sistemas conceptuais o produto das contingências da vida social. Ibn Khaldûn. o positivismo ocidental dos tempos modernos. A sua moderníssima filosofia política. ele substitui a universalidade real duma ciência positiva “holística” que abarca tudo: a ciência das sociedades humanas. Lisboa 1984. qual um Marx muçulmano.. s. A filosofia medieval.

de duas obras distintas: a primeira. foi originalm. em 1964. III da Histoire de la philosophie da colecção parisiense La Pléiade. assinalámos alguns dos títulos aparecidos posteriormente a estas obras. Abdel-Malek et al. • A.H. publ. Histoire de la philosophie en islam. a par de indicações bibliográficas específicas.lusosofia. Badawi. Paris 1989). assaz original em relação às apresentações tradicionais. A History of Islamic Philosophy. 97-117 (trad. Yahya e o subtítulo “Das origens até à morte de Averróis”. Histoire de la philosophie islamique. Nasr e O. Paris 1968-72. constitui um capítulo do vol. A filosofia medieval. Fakhry. 2 vols. uma apresentação sintética in A. Corbin.. “Desde a morte de Averróis até aos nosso dias”. com data de 1974]. franc. Paris 1986. Nova Iorque 1 1970. póstuma. a segunda. que julgamos poder interessar o leitor.. p. ou ainda trabalhos raramente referenciados nas obras de carácter geral. [Reed. Lisboa 1974. de S. com actualização relativa da bibliografia.. do francês)]. 53 www. [Do mesmo autor.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 27 Orientação Biliográfica (Apresentações Gerais) 53 • H. • M. com a colab. 2 1983 (trad. Nas notas de rodapé.net i i i i .

Gardet. 777-803. De português tem pouco. várias contrib. os confrontos ideológico-religiosos e os estudos árabes na www. na obra referida a seguir]. Panorama de la pensée islamique. em particular. Leaman. III da História da filosofia portuguesa. Madrid 1981. [De entre as várias obras focando a história do “pensamento”. Madrid 1963. 2 1991. Filosofía hispanomusulmana. e fornecendo assim um enquadramento geral à actividade “filosófica”. Cambridge 1985. e hispano-árabe. introduzida por uma “aproximação histórica”]. Uma síntese in LMS II. ampliada da Historia de la filosofía española. A filosofia arábigo-portuguesa. Madrid 1957.(filosofia e pensamento ibero-árabes) • M.). em geral. Vol. • J. Historia del pensamiento en el mundo islámico.lusosofia. Lisboa 1991. com especial relevo para a história do pensamento. La vie intellectuelle à Cordoue et Séville au temps des empires berbères (fin XIe siècle – début XIIIe siècle). Cruz Hernández. Martínez Lorca (coord. [Vol. Paris 1 1984. La filosofía árabe. Ensayos sobre la filosofía en alAndalus. • D. Pensers d’al-Andalus. vol. Barcelona 1990. a não ser alguns capítulos gerais sobre a presença árabo-muçulmana e suas influências no país. 2: Desde el Islam andalusí hasta el socialismo árabe. II. • Ch. Urvoy. Trata-se duma obra de segunda mão. [Colectânea de quase duas dezenas de contribuições anteriormente publicadas. Ver tb. [nova ed. este livro afigurase-nos o melhor em termos intrínsecos e didáticos].net i i i i . Bouamrane / L.i i i i 28 Adel Sidarus • O. apresentando globalmente o Islão. do mesmo autor. • A. Toulouse 1990. p. An Introduction to Medieval Islamic Philosophy. Pinharanda Gomes.

. por autor. o bom artigo-síntese de R. 2 vols. The Legacy of Muslim Spain. II constitui um conjunto de índices temáticos remetendo à parte principal. Sidarus. 293-294 da “Série Vermelha” da Academia das Ciências de Lisboa]. Wissenschaften. (Bibliografia Analítica) • Hans Daiber. nova ed. s.]. vários vols.i i i i Filosofia Árabo-Islâmica (Breve relance histórico) 29 Europa e em Portugal etc. “Un recueil de traités philosophiques et médicaux à Lisbonne”. Bibliography of Islamic Philosophy. Paris]. se bem que repartida por uma dezena de assuntos. Leida etc. [Trata-se do duplo ms.v.000 títulos. no vol.net i i i i . • LMS = S. Arnaldez. 179-89.Islam. www. I oferece uma bibliografia analítica.. Jayyushi (dir. 1990). Assinale-se a bibliografia genérica. [O vol. 6 (Francoforte.lusosofia. de 10. Zeitschrift für die Geschichte der Arab. • Artigos monográficos sobre cada autor in The Encyclopaedia of Islam / Encyclopédie de l’Islam. 2 vols. – Notar.. II. – Informações amavelmente comunicadas por Marc Geoffroy. (património manuscrito português) • A. com o corolário “Falâsifa” (“filósofos”). Leida etc. de 60 págs.). p.. 1992. o vol.Kh. 1999. Leida e Paris. “Falsafa”. 1954 ss.