UNIDADE 3 - PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS DAS ÁGUAS OCEÂNICAS Natureza da água e composição da água do mar

PROPRIEDADES DA ÁGUA • A água é o composto mais abundante na natureza, existe 6 vezes mais água que feldspato. • A molécula da água (composta por um átomo de oxigênio e dois de hidrogênio), apesar de ser eletricamente neutra, apresenta uma polarização: um de seus extremos é mais positivo e o outro é mais negativo pela distribuição desigual da densidade de elétrons. • O átomo de oxigênio compartilha um elétron com cada um dos átomos de hidrogênio. A ligação entre os dois átomos de hidrogênio forma um ângulo de 104° e esse ângulo aumenta para 109º quando a água congela. • Os átomos de hidrogênio têm carga positiva e unitária, enquanto que o átomo de oxigênio têm duas cargas negativas. Todavia, o arranjo final das moléculas é de tal maneira que as cargas elétricas não se neutralizam (as cargas poderiam estar neutralizadas se o ângulo fosse 180° ao invés de 105°). • Assim água tem uma carga negativa parcial ( ) junto ao átomo de oxigênio, por causa dos pares de elétrons não-compartilhados, e tem cargas positivas parciais ( ) junto aos átomos de hidrogênio. • Uma atração eletrostática entre as cargas positivas parciais dos átomos de hidrogênio e a carga negativa parcial do átomo de oxigênio resulta na formação de uma ligação chamada ponte de hidrogênio, que conferem forte coesão entre as moléculas, e determinam as características anômalas da água se comparada a outras substâncias semelhantes. • Assim, as pontes de hidrogênio são as ligações de um átomo de oxigênio de uma molécula com um átomo de hidrogênio de outra. • As pontes de hidrogênio explicam a capacidade de ser solvente da água e também o fato da água entrar em ebulição e se congelar em temperaturas maiores que outras moléculas semelhantes. • De toda água existente na Terra, apenas 0,001% está em forma gasosa na atmosfera. 1- Altos pontos de fusão e ebulição • A água comporta-se como se fosse uma substância com peso molecular 5 vezes maior (PM cerca de 100) devido a coesão de suas moléculas.

• •

Se não fosse sua estrutura molecular (pontes de hidrogênio) possuiria ligação bem mais fracas que ocorrem em substâncias semelhantes (força de Van der Waals). Se não fossem as pontes de hidrogênio a ebulição da água (que ocorre em 100ºC) seria a -90ºC e o congelamento da água (que ocorre em 0ºC na água doce) seria a -110ºC, não sendo possível a existência de água na terra. A água possui o maior calor latente de vaporização e fusão, isso significa que é necessário adquirir ou perder grande quantidade de energia para mudar do estado líquido para o gasoso (vaporização) e do estado gasoso para o líquido (fusão). É a única substância que pode ser encontrada nos 3 estados físicos da matéria.

2- Alta capacidade térmica • A água possui o maior calor específico dentre os sólidos e líquidos comuns. Calor específico é a propriedade que define a quantidade de calor necessária para elevar em 1°C a temperatura de uma grama de substância. • Essa propriedade faz com que a água resista muito à mudanças de temperatura, concentrando e conduzir calor antes de mudar de estado. Nesse sentido a água é determinante no equilíbrio térmico do planeta devido ao transporte de calor pelas correntes marinhas, de regiões equatoriais para altas latitudes. 3- Anomalia térmica • O gelo possui densidade menor que a água líquida, é por isso que o gelo flutua (geralmente, as substância no estado sólido tem suas moléculas mais próximas tornando a substância mais densa e pesada). • As ligações hidrogênio mantêm as moléculas de água mais afastadas no sólido do que no líquido. • Caso o gelo afundasse dificilmente se descongelaria, e os fundos dos mares ficariam eternamente congelados. • A maior densidade da água doce é em 4ºC. • Na água salgada, com salinidade de 35, o ponto de congelamento é -1,9°C. 4- Alto poder de solução • A habilidade dos íons e de certas moléculas de se dissolver na água é devida à polaridade. • A água possui a capacidade de dissolver mais substâncias e em maior quantidade do que qualquer outro líquido. Através da reação de hidratação a água é capaz de quebrar ligações iônicas (ligações

saindo e voltando do oceano através do ciclo hidrológico (figura 2). na superfície terrestre.Cloreto de sódio dissolvido na água RESERVATÓRIOS NATURAIS DE ÁGUA • Toda a água existente na natureza exibe relações mútuas de intercâmbio (ou transferência) através do chamado ciclo hidrológico. • Devido sua capacidade de dissolução. Ex. . As relações entre as várias formas de transferência da água. Figura 1. ela muda os seus estados. ela é um importante agente de transporte de elementos e devido a alta capacidade térmica.fortes). de líquido (água oceânica) para gás (vapor d´água) e sólido (gelo) transferindo calor. podem ser representadas por: precipitação=escoamento + infiltração + evapotranspiração.: 350g do sal NaCl dissolve-se completamente em 1 litro de água.

De maneira geral. que ocorre pela superfície do terreno. a evaporação dos oceanos é 7% superior a respectiva precipitação. após percolar certas distâncias. A infiltração representa a parcela de água de precipitação absorvida pelo solo. 77% caem sobre os oceanos e 23% sobre as áreas emersas. neve. seguidos pelos elementos cálcio. Da quantidade total de água precipitada. que não sofre evaporação. sílica. é submetido ao escoamento e/ou infiltração para finalmente atingir os oceanos e fechar o ciclo hidrológico.2 • • • Uma das fontes dos elementos que compõem quimicamente as águas fluviais são os elementos naturalmente dissolvidos das rochas e dos solos. Finalmente a evapotranspiração inclui a evaporação superficial e a transpiração vegetal. granizo e orvalho. sódio. emergir como fontes. A abundância relativa dos sólidos dissolvidos que compõe essa água é diferente da água marinha (que será abordada posteriormente). O escoamento corresponde a parcela da água de precipitação. cloro. A precipitação compreende todos os tipos de água condensada. magnésio e potássio. . O excesso de água doce sobre os continentes. Desse modo. que pode premanecer armazenada no subsolo como água subterrânea ou. na água fluvial predomina o bicarbonato. Por outro lado. 84% da evaporação total da terra provêm dos oceanos e as terras emersas contribuem com apenas 16%. sulfato. que cai sobre a superfície terrestre nas formas de chuva.

Desse total. O tempo de residência significa o tempo em que a água é renovada no reservatório (tabela abaixo). • A água do mar é uma solução contendo 70 elementos químicos. CaSO4) de um cátion (Na+. ex. 97% formam os oceanos e apenas 3% são encontrados nos continentes ou na atmosfera. ex. As águas dos rios. dos lagos. aproximadamente 75% formam as geleiras e 24.: Mg + H2SO4 --> MgSO4 + H2 sulfato de magnésio . um sal é um composto neutro (Ex. Eles são tipicamente o produto de uma reação química entre: • * Uma base e um ácido.5 a 3%. COMPOSIÇÃO DA ÁGUA DO MAR • O oceano corresponde a 71% da superfície da terra.: NaCl. KCl. SO4--). formam um sal + água. K+. formam um sal + hidrogênio.• • De toda a água atualmente encontrada na terra.5% ocorrem como água subterrânea. constituída por solvente (água) e por soluto (sais). • Na química.: 2NaOH + H2SO4 --> Na2SO4 + 2H2O sulfato de sódio • * Um metal e um ácido. A água permanece com diferentes tempos de residência nos diferentes reservatórios naturais da hidrosfera terrestre. Ca++) ligado a um ânion (Cl--. lagoas e da atmosfera perfazem apenas 0.

Nessas regiões. 2. Nesse percurso as águas se enriquecem de metais que são posteriormente precipitados no seu retorno ao oceano. formando um sal. e ainda outros processos como a saída do sal transportada pela evaporação (maresia).• • • * Um óxido ácido e um óxido básico. onde ocorrem edifícios vulcânicos submarinos e fraturas. que são como fontes submarinas de água enriquecida em metais dissolvidos das rochas vulcânicas do fundo submarino pela percolação de água aquecida em fissuras e fraturas da rocha. O equilíbrio entre as fontes e os sumidouros fazem com que a composição da água do mar seja essencialmente constante. Em contrapartida a essas fontes de sais. associados aos limites de placas litosféricas. formam-se as fumarolas (figura 3).: CO2 + CaO --> CaCO3 carbonato de cálcio A água dos oceanos é salgada porque contém sais dissolvidos (com concentrações entre cerca de 33 e 37 g por cada quilograma de água do mar) que têm várias origens: 1. sílica. . que possuem alto fluxo de calor. uma parte das quais é transportada por precipitação diretamente para o oceano ou indiretamente por meio dos rios. Esses metais precipitam-se nas proximidades do eixo das cordilheiras mesoceânicas. cálcio e fósforo) para construir os seus esqueletos ou conchas. potássio e sódio). sedimentos depositados no fundo do mar e que incorporam alguns sais (por exemplo. ex. As erupções vulcânicas submarinas contribuem fortemente para os íons no oceano. Os depósitos hidrotermais são formados pela penetração e pela percolação das águas oceânicas em fendas e fissuras existentes nas rochas. há sumidouros que consomem parte dos sais dissolvidos: plantas e animais marinhos que usam sais (por exemplo. As erupções vulcânicas libertam substâncias voláteis (tais como dióxido de carbono. As rochas da crosta vão-se desgastando por erosão e há uma parte dissolvida desse material que é transportada para o oceano pelos rios. cloro e sulfato) para a atmosfera.

da sua movimentação e mistura.Cl--. ácidos húmicos ou inorgânico como os sais e nutrientes. Apresenta também uma pequena quantidade de organismos vivos e material inorgânico particulado e orgânico dissolvido.Erupções vulcânicas submarinas que contribuem para os íons no oceano.Ca++. embora a quantidade total de sais dissolvidos seja variável. Sr e B. Mg.SO4--) são constantes. • O material dissolvido pode ser orgânico. a água do mar constitui a . A água do mar é constituída de 96. uréia. por exemplo.5% de sais. como por exemplo: Cl. aminoácidos.5% de água pura e 3. • Somente o sal NaCl (Cloreto de Sódio) é responsável por 86% da composição da água marinha.Na+.: • Material dissolvido é o que passa por uma membrana de 45µm e o particulado é o que fica retido. • Para todos os oceanos. 1kg de água do mar contém em média 35 gramas de sais inorgânicos dissolvidos. as proporções relativas dos principais elementos (Sódio . • O material particulado orgânico constitui. lipídeos. Na.Figura 3 . • A determinação da salinidade auxilia na identificação de massas de água. • Obs. Esses elementos correspondem a 99% do total de elementos na água do mar. tecidos animais ou vegetais e o inorgânico fragmentos de minerais em suspensão. Br. • A água dos oceanos é um bem mineral e uma fonte sustentável de elementos economicamente importantes. com composição biológica como proteínas. Potássio .K+. Cálcio . K. Em muitos países. Magnésio Mg++. Cloro . Sulfato . • Em uma salinidade de 35.

Se. que extrai todo seu sal de cozinha (NaCl) a partir da evaporação da água marinha proveniente das salinas do Nordeste e do Rio de Janeiro. H. como é o caso do Brasil. • Estes elementos podem ser divididos em: a) conservativos. • Na água do mar também encontra-se gases da atmosfera como o nitrogênio. como na Ilha de Páscoa no Pacífico. • Os nutrientes se dividem em blocos químicos que são: construtores de matéria viva: C. são formados pela reação das rochas carbonáticas com o excremento de pássaros. o argônio. Fe. porque sem eles o fitoplâncton não cresce e não se reproduz.principal fonte de sal para consumo humano. um importante nutriente. Cada elemento possui um tempo médio de permanência nos oceanos. • Em ilhas oceânicas.macronutrientes que são elementos necessários em quantidades moderadas: Na. o neônio. . NUTRIENTES E GASES NO MAR Na água do mar estão dissolvidos diversos tipos de sólidos e gases. o gás carbônico. • Além dos nutrientes essenciais para o crescimento dos vegetais marinhos e dos gases dissolvidos existem também os elementostraço. afetando toda a cadeia alimentar. Cu. Co.I. Ca. conhecidos por guano. • Abaixo o ciclo do Dióxido de carbono (figura 4) . o oxigênio. A principal troca de gases com água ocorre através da interface ar-água. entre outros. os organismos precisam de quantidades muito pequenas para desempenhar funções vitais: F. como os elementos nutrientes e gases dissolvidos na água como oxigênio e gás carbônico. . Sn. Mo. depósitos de fosfatos de cálcio. P. Mg. Mn. S. • O ciclo biogeoquímico existe em função da entrada e saída de elementos da água do mar. N. ocorrem em concentrações muito pequenas e também são necessários em reações metabólicas. Cl. que varia de milhões de anos a até pouco menos de 100 anos. Cr. K. Zn. ricos em fósforo. O.microelementos ou elementos traços. Si.Vn. que não são alteradas suas proporção biologicamente como os sais e b) não conservativos que são metabolizados pelos organismos. • Os nutrientes são importantes para a vida marinha.

(oxidação. Fixação do Nitrogênio .por algas (redução do nitrato): NO3. Precisa de oxigênio para ocorrer. Denitrificação – desassimilação do NO3.Figura 4 – Ciclo do Carbono na água • Outro exemplo é o ciclo do nitrogênio as formas inorgânicas são transformadas em orgânicas e estas em inorgânica fechando o ciclo. Ocorrem geralmente em ambientes mais carentes de oxigênio. ganho de energia para bactéria). As reações químicas que ocorrem nesse ciclo são (figura 5): • • • • • • Assimilação NH4+ por algas Assimilação do NO3.a N2 (redução).N2 gasoso atmosférico a N(NH3)-orgânico por cianobactéria .a N(NH3)-orgânico Amonificação – produção de amônio pela decomposição da matéria orgânica NH4OH Nitrificação – conversão do NH4+ a NO3.

.Figura 5 – Ciclo do Nitrogênio na água Interferência da atividade humana nos ciclos biogeoquímicos • Elementos químicos originados de atividades humanas entram nos ciclos biogeoquímicos influenciando em suas quantidades e processos (figura 6).

Características naturais do solo como composição das rochas e vegetação do entorno dos corpos hídricos. . resíduos de • • • Agricultura e Aqüicultura (fertilizantes e rações). como a eutrofização (figura 7). Todavia. tanto de origem natural quanto antrópica. são associados diretamente ao grande suprimento de nutrientes inorgânicos dissolvidos. estas se tornam suscetíveis à ocorrência de fenômenos ecologicamente indesejáveis. freqüentemente observados em estuários.Figura 6 – Interferência biogeoquímicos das atividades humanas nos ciclos Fatores que influenciam no transporte de nutrientes na Zona Costeira • Densidade populacional indústrias de portos. quando ocorre um desequilíbrio no balanço nutritivo das águas costeiras. –esgotos domésticos. Entre outros. • Conseqüências do aumento de nutrientes na Zona Costeira • A elevação dos níveis de produção primária que até certo ponto é benéfico. Deposição Atmosférica.

• Em síntese.processos que diminuem a salinidade: precipitação.processos que aumentam a salinidade: evaporação e formação do gelo • 2 . • Trópicos: valores máximos de salinidade devido ventos alísios intensos e constantes causando muita evaporação nessa região anticiclônica (alta pressão atmosférica. O aumento da matéria orgânica por espécies oportunistas do fitoplâncon pode exaurir as concentrações de oxigênio dissolvido na água devido a decomposição dessa matéria orgânica pelas bactérias. sendo sua média global de 34. além da proliferação de macroalgas bênticas. • Pólos: Mínimas salinidades em decorrencia ao degelo . o processo de eutrofização representa uma resposta biogeoquímica ao excesso de nutrientes causando alterações na comunidade fitoplantônica e zooplanctônica. descarga fluvial e derretimento do gelo. Mortalidade de peixes Maré vermelha “Bloom” de algas Figura 7 – Conseqüências da eutrofização Distribuição horizontal e vertical da salinidade Salinidade • Definição de salinidade: “É o total de material sólido (g) dissolvido em 1Kg de água do mar quando o carbonato tiver se convertido em óxido. da perda da biodiversidade e do aumento na incidência de algas tóxicas. todo o Br em Cl e toda a matéria orgânica completamente oxidada”. • No oceano pode variar de 33 a 38.37 • Menor salinidade média: <34 • Horizontalmente os valores máximos de salinidade são a 20ºN e S.7. Essa variação é decorrente de: • 1. onde o ar desce). mínimos nos pólos e baixos no equador (maiores que nos pólos). • Maior salinidade média: Atlântico=35. causando alteração da coloração das águas costeiras.

O ângulo de incidência da radiação solar é maior nas pequenas latitudes.Equador: Salinidades baixas por ser uma região ciclônica. pela condução do calor de volta à atmosfera ou por evaporação. • Nas várias regiões oceânicas tanto a temperatura como a salinidade decrescem com a profundidade. linhas de mesma temperatura segundo a latitude. • A temperatura superficial dos oceanos é influenciada pela latitude. formando nuvens e consequentemente com precipitação superior a evaporação. Essa fica localizada entre 150-400 metros nos trópicos e entre 400-1000 metros nas regiões subtropicais. • A camada onde a temperatura muda drasticamente com a profundidade é conhecida como termoclina permanente. que extrai mais calor dos oceanos pela ação dos ventos. • A circulação atmosférica e oceânica transfere o excesso de calor recebido nas regiões equatoriais para regiões polares. a distribuição da temperatura forma isotermas. portanto o equador recebe cerca de 1. gerando dessa forma um equilíbrio térmico. de baixa pressão atmosférica. • A radiação do sol e a condução de calor da atmosfera aquecem a superfície dos oceanos. resulta em uma densidade • . • Medidas de salinidade e temperatura juntas são usadas para identificar massas de água e sistemas de correntes. Um decréscimo na temperatura resulta num aumento da densidade. a cada linha de latitude percorrida a temperatura altera-se em 0. • A temperatura na coluna d’água decresce em função da profundidade nas regiões equatoriais e tropicais. os continentes resfriam maior quantidade de volume de ar. Os oceanos resfriam-se pela radiação de retorno da superfície para a atmosfera. • Cerca de 77% do volume total dos oceanos apresenta temperaturas inferiores a 4°C. Um decréscimo em salinidade por outro lado.5°C. Temperatura • A temperatura da água varia tanto verticalmente como horizontalmente na coluna d’água. Abaixo dos 1000 metros de profundidade ocorrem uniformidade das propriedades temperatura e salinidade. ou seja. • A temperatura nos continentes varia mais do que nos oceanos. A temperatura da água do mar exerce influencia tanto nos seres marinhos como nas massas de água. e assim.5 a 2 vezes mais calor que os pólos. onde o ar quente se eleva. a estratificação da temperatura produz uma estratificação de densidade estável. • A grosso modo. • Na superfície.

a estratificação pela salinidade produziria uma estratificação de densidade instável. O símbolo para a densidade é a letra grega ρ (rho).1000 e não possui unidades geralmente (ele deveria ter as mesmas unidades que ρ). exceto para temperaturas abaixo daquela de densidade máxima. Sozinha. quando a água de superfície se torna mais leve (i. As bacias profundas se tornam repletas de água com densidade máxima.7. depois de ter passado de sua densidade máxima) o resfriamento fica restrito a camada de mistura pelo vento. Note que a densidade máxima é acima do ponto de congelamento para salinidades abaixo de 24.menor. O processo de resfriamento é retardado devido a grande quantidade de calor que está armazenada no corpo de água. S > 24. e assim no final o oceano permanece estratificado de maneira estável. A determinação da densidade tem sido portanto uma das atividades mais importantes em oceanografia. Densidade • A densidade é um dos parâmetros mais importantes no estudo da dinâmica dos oceanos. A densidade aumenta com um aumento da salinidade e com decréscimo em temperatura. para o qual eles pronunciam "sigma-t". da salinidade S e da pressão p.7: A água resfria até chegar a sua densidade máxima. A densidade dos oceanos é usualmente próxima a 1025 kg m-3 (Em água doce é próxima a 1000 kg m-3).7: A convecção sempre alcança todo o corpo de água. Isso acontece porque a água chega a seu ponto de congelamento antes de alcançar seu valor de densidade máxima. .. o efeito da diminuição da temperatura é muito mais forte do que o da diminuição da salinidade. Uma densidade típica da água do mar é portanto σt = 25.e. Isso influencia na convecção térmica: • S < 24. Pequenas mudanças de densidade na horizontal (causadas por exemplo por diferenças de aquecimento da superfície) podem produzir correntes bastante fortes. • • • • • Propriedades físico-químicas da água Salinidade e temperatura Já discutidas anteriormente. Os oceanógrafos comumente usam o símbolo σt (a letra grega sigma com um subscrito t) para densidade. A densidade da água do mar depende da temperatura T. que eventualmente congela. Nos oceanos. então.7 mas abaixo do ponto de congelamento para salinidades acima de 24. Essa quantidade é definida como σt = ρ .

• Propagação: espectro eletromagnético. o som é atenuado em distâncias bem mais curtas que a luz. e essa se torna a maneira preferida de comunicação em longa distância. Quanto mais hidretos mais a solução é ácida e quanto mais hidroxilas mais a solução é básica. reflexão e transmissão. A água do mar é alcalina devido a presença de íons alcalinos em maior quantidade que os ácidos. A luz visível ocorre entre 400 (violeta) e 800 (vermelho). Na terra. • Número de gramas de íons H+ por litro de solução: 1 Log10 [H +] 1 1 Log10 −5 = Log10 = Log1010000 = 5 [0. o pH é neutro e possui valor 7.4 a 8. O pH da água do mar varia de 7. • Os processos de interação da energia eletromagnética com a água marinha ocorrem através de absorção.pH • O pH da água é determinado pela quantidade de hidretos (H+) ou hidroxilas (OH-).0000001] 10 [ ] [ ] • • A escala de acidez e de alcalinidade varia de 1 a 14. Quando ocorrem números iguais de íons. A situação oposta ocorre nos oceanos: enquanto a luz não consegue penetrar mais que poucas centenas de metros em água. . o som na água pode percorrer distâncias bem grandes. TURBIDEZ E TRANSPARÊNCIA OXIGÊNIO Ver transparências de aula LUZ • A luz e o som são as duas formas principais para transmitir informações usadas em comunicação animal e humana. comunicação. e medidas sob a água tanto por animais e humanos.5. • Importância: fotossíntese.00001] 10 1 1 Log10 −7 = Log10 = Log101000000 = 7 [0. sendo que quanto mais ácida uma solução menor o valor do seu pH. e assim é usado em várias aplicações como medidas de fundo. Informações detalhadas sobre a velocidade do som (isso é a velocidade de fase das ondas sonoras) é essencial para essas aplicações.

A lei de reflexão (ângulo de incidência = ângulo de refexão) é válida para o fundo do oceano. A combinação da variação nesses três parâmetros com a profundidade produzirá um perfil de velocidade do som com um mínimo bem marcado em profundidades intermediárias: a temperatura decresce rapidamente nos primeiros 1000 metros e assim domina o perfil da velocidade do som. Vermelho 10m.e. No oceano aberto. c diminui com a profundidade. ou ele se volta em direção a região de baixa c 2. as leis de geometria óptica são também aplicáveis ao som: 1. ela é influenciada pela distribuição de T e de p. Em regiões com águas mais profundas que 1000 metros.e. Ela diminui com o decréscimo de T. as mudanças de temperatura abaixo dessa faixa se tornam bem reduzidas e assim c começa a ser determinada pelo aumento de pressão com a profundidade. a pressão aumenta com a profundidade. i. 3. i. mas a salinidade média vai determinar se c é baixa (se a salinidade média for baixa) ou alta (se a salinidade média for alta) em média Propagação do Som O som se propaga em raios assim com a luz faz..e. mas nem tanto pela de S. O som viaja através de um caminho reto aonde a velocidade do som c é constante. .. Os caminhos do som são reversíveis 4. Os raios de propagação são independentes. p e S. c aumenta com a profundidade. azul 150m.. para a superfície e para objetos na superfície e interfaces. Assim.• Cor dos oceanos: Na superfície é determinada por sua composição. laranja 50m. salinidade S e pressão p e varia ente 1400 m s-1 e 1600 m s-1. Mudanças verticais de salinidade são muito pequenas para ter uma influência. SOM • A velocidade do som c é uma função da temperatura T. Na coluna é função da absorção diferenciada de cada comprimento de onda. i.

Na camada de mistura com temperatura uniforme (tipicamente em torno de 100 m de espessura). Isso é base para as medidas de fundo através de eco: A profundidade é conhecida se a velocidade de propagação média do som é conhecida. • • Leituras Complementares O Conceito de Salinidade (http://www. O máximo em velocidade de som resultante numa profundidade aproximadamente de 100 m cria uma zona de sombra.au/~mattom/IntroOc/por/notes/lecture03. A lei da refração é válida em interfaces: • Como a estratificação no oceano é aproximadamente horizontal. A propagação da velocidade mínima do som (geralmente em torno de 1000 m).edu.es. a velocidade do som aumenta abaixo da superfície devido ao aumento da pressão antes do decréscimo normal devido a temperatura se torne mais importante. A presença adicional dos sais influencia na maioria das propriedades físicas da água do mar (densidade. mas existem tabelas de correções disponíveis para várias áreas do oceano global. a propagação do som na vertical ocorre praticamente ao longo de um caminho reto. e também para posicionar bóias (com dois ou mais sensores de recepção) para o estudo das correntes oceânicas. Esse canal de som é conhecido como canal de SOFAR (SOund Fixing And Ranging). mas também gases.5. ponto de congelamento. Uma primeira estimativa é 1500 m s-1. Antes da introdução do Global Positioning System (GPS). o canal de SOFAR era usado para localizar navios e aeronaves com problemas.html) Como mencionado anteriormente.flinders. Os raios de som se curvam em direção da velocidade mínima do som e viajam naquela profundidade por distâncias grandes (elas podem atravessar oceanos inteiros). já que todos os raios de som se voltam contrário àquela profundidade. compressibilidade. substâncias orgânicas e material particulado. a água do mar contem em seu peso 3. temperatura da densidade máxima) em algum .5 % sais.

Essa fato permite a determinação do conteúdo em sal pela medida de uma quantidade substituta e o cálculo de material total a partir dessa medida.grau. ajuda a solucionar as dificuldades. e de fato.os vários componentes contribuem em uma razão ou proporção fixa. absorção de luz) não são significativamente afetada pela salinidade (detalhe: o material dissolvido e particulado afeta a absorção de luz. A United Nations Scientific.03 o/oo quando a cloridade é zero é um motivo de preocupação. Numa maneira ideal. isso é uma coisa difícil de medir. Education and Cultural Organization (UNESCO) decidiu repetir as análises usadas como base para essa relação inicial entre salinidade e clorinidade e introduziu uma definição nova. A determinação da salinidade pode ser assim feita através da medida de seu componente mais importante. A definição reflete no processo de titulação para a determinação de conteúdo em cloreto e é ainda tem importância quando lidamos com dados históricos. Algumas propriedades (viscosidade. que é o cloreto.805 Cl (o/oo) (1902) O símboloo/oo significa "partes por mil" ou"ppt". mas não são os fatores que os condicionam. A relação entre a salinidade e o conteúdo em cloretos foi estabelecida com uma série de medidas feitas em laboratório em amostras de água do mar coletadas em todas as regiões do oceano mundial e foi dada como: S (o/oo) = 0. Na prática. todos os brometos e iodetos fossem convertidos a cloretos e todas as substâncias orgânicas fossem oxidadas. a salinidade deveria se a soma de todos os sais dissolvidos em gramas por cada quilograma de água. essa influência é usada na maioria das aplicações ópticas). O conteúdo em cloreto foi definido em 1902 como a quantia total em íons cloreto em gramas presente em um quilograma de água do mar se todos os halogênios fossem substituídos por cloretos.5% é equivalente a 35 o/oo. . Isso indica um problema nas amostras de água do mar usadas nas medidas de laboratório. O fato de que a equação de 1902 dá um valor de salinidade igual a 0. Duas propriedades que são determinadas pela quantidade de sais na água são a condutividade e a pressão osmótica. A salinidade foi definida em 1902 como a quantia total em gramas de todas as substâncias dissolvidas se todos os carbonatos fossem convertidos em óxidos. um conteúdo em sal content de 3.não importando quanto sal existe em uma parcela de água do mar .03 +1. A constatação que . or 35 gramas de sais por quilograma de água do mar. conhecida como salinidade absoluta .

0261 K2 + 2. Alguns oceanógrafos não se acostumam a usar números de salinidade sem unidades e escrevem "35 psu".7081 K5/2 Repare que nessa definição. a chamada "Practical Salinity Scale" (Escala de Salinidade Prática) define salinidade na forma de uma razão entre medidas de condutividade: " A practical salinity.80655 Cl (o/oo) (1969) A definição de 1902 e 1969 dão resultados idênticos a uma salinidade de 35 o/oo e não muda significativamente na maioria das aplicações.S (o/oo) = 1.0941 K3/2 .1692 K1/2 + 25. pequenas diferenças ocorrem entre as definições antigas e a nova escala de salinidade prática." A fórmula correspondente aqui é: S = 0.0080 . O valor de K igual a 1.0.Como a salinidade prática é uma razão (divisão de dois termos com mesma unidade) não tem portanto nenhuma unidade (que se cancelam na divisão). onde psu está lá para significar "practical salinity unit". a uma salinidade prática de 35.000 corresponde por definição. A definição da salinidade foi mais uma vez revisada quando as técnicas para medir salinidade usando a condutividade. a temperatura e a pressão foram desenvolvidas. a unidade "psu" não tem muito sentido e seu uso é fortemente desencorajado.0324356. símolo S.3853 K + 14. é definida em termos da razão K. Mesmo assim. .7. que é na verdade a medida de condutividade elétrica de uma amostra a 15°C e pressão igual a 1 atmosfera dividida pela condutividade elétrica de uma solução de cloreto de potássio (KCl) contendo a proporção em peso de 0. na mesma temperatura e pressão. Desde 1978. mas um valor antigo de 35o/oo corresponde a um valor de 35 em salinidade prática. de uma amostra de água do mar. a salinidade é uma razão e assim (o/oo) não é mais usada. mas de maneira geral são bastante pequenas e usualmente ignoráveis.

: il. SEF.htm .org. (Coleção Explorando o ensino .br/ono/downloads.GEOGRAFIA : ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO : O MAR NO ESPAÇO GEOGRÁFICO BRASILEIRO Brasília: MEC. http://www.aoceano. v. 8). 304 p. 2005.BBE.