A sociedade grega: formação da polis; a Democracia I

Profa. Madalena Dias

Temístocles (524-459 a.C.), general e governante grego: “arconte”

1995: vii-xiv. Os Gregos Antigos. Moses. Paris. A Política no mundo antigo. Ed. J. University of Chicago Press.). História da Educação e da Pedagogia. Rio de Janeiro: Zahar. A . São Paulo: Cia das Letras. ROBERT. FUNARI. Os Gregos. F. Rio de Janeiro: Guanabara. com ênfase na formação da polis. 1987 ROSTOVTZEFF. 275-290. Pedro Paulo. Conhecer a organização das cidades gregas. Paul. Edinburgh. da democracia e o sistema ateniense. Rio de Janeiro. Dicionário da civilização grega. Hirata. São Paulo: Martins Fontes. História da Grécia. O grande desvio. V. Império Greco-romano. L’Urbanisme dans la Grèce Antique. Claude. Jorge Zahar.. Os Historiadores. revisão NEL – Labeca) MOSSE. Pierre. (tradução: Elaine F. A Literatura Grega. HATZFELD. Campus. 2006 (Pp. R. Lisboa: Publicações Europa-América. Jean. Pensar o conceito de democracia na Grécia antiga e na atualidade. Cults. Fernand. V. São Paulo Moderna. Aldrovandi. 3ª ed. M. tradução: Silvana Trombetta. 2006 DE POLIGNAC. Janet Lloyd (trad.Objetivos: Analisar a formação da cultura grega. A. 1956 (Pp. Edições 70. Rio de Janeiro. Maria Lúcia Arruda. Chicago. Archaeology and the Emergence of Greece. Picard. 2002. Grécia e Roma. Edinburgh University Press. 269-289. 2004. 2006. revisão Labeca) VEYNE. Moses. São Paulo: Contexto. 1986 SNODGRASS. Territory. 2008 VIDAL-NAQUET. Bibliografia: ARANHA. . 1956. 2002. 2002. A. 2. 1953 FINLEY. and the origins of the Greek City-State. 3ª ed. revisão Labeca) FINLEY.tradução: Cibele E. 1-10. s/d MARTIN. Lisboa. História da Grécia Antiga. A Democracia.

sem documentos escritos População possivelmente reduzida numericamente e empobrecida Sem grandes construções.. VIII a.ou o que restou da civilização “creto-micênica” (cretenses e aqueus + alguns dórios) • • • • • • • • • • • • Período conhecido pelos poucos vestígios arqueológicos. Qual o papel dos aedos/rapsodos nessa sociedade? 2. Há um retrocesso cultural após a queda de Micenas/espalhamento da população cretomicênica com as invasões dórias? . trazido pelos invasores dórios substitui Bronze Menor hierarquização social. com a adoção/adaptação do alfabeto de origem fenícia Criação de novas teias comerciais com povos do Mediterrâneo Poemas Homéricos (séc..C.Séculos obscuros (ou “Tempos Homéricos”: c. no fabrico de cerâmicas.) .C. cultivo da terra. algumas construções Continuidade religiosa Ferro. retorno da escrita por volta do anos 800 a.. sem escribas Sociedade tribal (Tribo união de fratrias  união de clãs). Questões fundamentais para discussão/reflexão em sala: 1.) trazem referencias desse período e também do período creto-micênico. 1000 a 600 a. sem palácios: camponeses e guerreiros Nova civilização ressurge. mas com unidade cultural básica Poesias recitadas publicamente pelos aedos/rapsodos Continuidade de técnicas anteriores.C. tribos espalhadas.

pela pouca documentação restante. . • Mais tarde. ou “aquéia”. protegidas pelos deuses patronos. eólios. jônios. as tribos estavam dentro delas. quando as pólis se formaram. reunindo vários genos (clãs). uma antiga forma de agrupamento social. dórios. existiram as fratrias. assim como sobre outros povos/regiões.C) • Acomodação de várias populações na Península Balcânica: remanescentes dos aqueuscretenses. A primeira diáspora grega. que formariam depois o grego clássico. e eram a base do recrutamento primitivo dos magistrados. tinham como líderes os phylobassileus. das assembleias. que reconheciam as cerimônias religiosas. É um processo de mais de três séculos. ocorre neste momento de invasões. justiça e organizações militares das fratrias dentro da tribo. dos soldados (“hoplitas”).A Civilização grega propriamente dita (sécs. Os genos agrupavam famílias descendentes do mesmo ancestral. 600-500 a. e a Ásia menor é colonizada por aqueus e jônios em fuga. reunindo as fratrias. • Papiros egípcios também relatam incursões saqueadoras de “povos do mar” sobre as ilhas e a península balcânica. Como essas populações teriam se agregado em pólis? • Sabe-se que antes das pólis havia. VIII-VI a.C) e o “Período Arcaico” (c. nesse período • Os historiadores e arqueólogos tem dificuldades para entender como as pólis gregas surgiram até o séc VIII. • As tribos. no período homérico. São considerados proto-gregos pelos idiomas.

C. Eram os Tiranos (“senhores”. monarcas.. uma vez que eram senhores de grandes porções de terras. em grego). • Várias cidades. Com o tempo. A monarquia era uma instituição fraca. Havia aquelas que mantiveram o regime oligárquico-aristocrático – como Esparta – e aquelas que se deram à experiência de diferentes regimes políticos. as tribos gregas foram se convertendo em regimes de governo aristocráticos ou oligárquicos. viveram governos de indivíduos autoritários e contrários às famílias poderosas da aristocracia. dispunham de cavalos. e também dominavam os cultos religiosos. Essa experiência ocorreu nas cidades marítimas. e os filobasileus tenderam a ser apenas mais um magistrado. servidores e agregados. como Atenas. como Atenas. estavam cercados por um conselho de anciãos (gerusia).• Nas tribos os filobasileus. e às referências estrangeiras. Estes redigiram as leis – retirando dos oligarcas o poder de manipular o direito consuetudinário – e ampliaram o direito político dos moradores das pólis. • No século VI a. e de uma assembleia popular formada por guerreiros. as polis eram muito diferentes entre si. . Isso continuou nas polis. do ponto de vista político. mais voltadas ao comércio. Em algumas delas. • As grandes famílias dominavam a gerusia e distribuíam a justiça de acordo com os pactos familiares. esse processo evoluiu para a democracia. na medida em que os chefes dos genos tinham grande poder político. equipamento de guerra.

• Hilotas se revoltavam.C. e até séc. não eram seus proprietários. e normalmente obrigados a dar a metade da colheita aos espartanos (como meeiros). tinham de dedicar-se aos assuntos da cidade e às guerras. • Apesar dos espartanos terem dominado territórios mais amplos. • Dórios invadem região no séc. Eram proibidos de trabalhar. a fim de manter sua ordem interna. . Dominam todas as populações. mas podiam matá-los sem sofrer punições. longe do litoral: isolamento geográfico. Hilotas: servidão por domínio de guerra.. VII a. a sudeste da Península do Peloponeso. que normalmente ocorriam no verão. cortada pelo Rio Eurotas.ESPARTA • Planície da Lacônia. montanhas próximas com importantes depósitos de minerais. uma grande revolta durou muitos anos e ameaçou domínio espartano. muito fértil. mas não escravidão. • Dórios: formaram o grupo dos espartanos ou esparciatas. em grego). No séc. Os hilotas não tinham direitos legais. cercada por montanhas e pântanos. Cada lote de terras tinha muitas famílias hilotas cultivando. aristocracia proprietária de terras/animais. • Terras muito férteis e propícias à criação de animais. resolveram abrir mão de certos territórios (devido à dificuldade em submeter tanta gente). IX. e fecharam sua cidade às influencias estrangeiras quaisquer. VIII invadem também a vizinha Messênia. entrando em contato com vários povos dominados. que são reduzidas à servidão: são os hilotas (aprisionados. Os espartanos não podiam vendê-los.

. eleitos com poderes executivos por um ano. escolhidos entre as famílias da nobreza e aclamados pela Assembleia. e deveriam matar hilotas para treinar. As meninas também aprendiam o salto. aos doze anos. retornavam aos lares para casar. o silêncio (“laconismo”). dava poderes decisórios à gerúsia e reis. Menos conhecida pelos arqueólogos que Atenas devido às poucas fontes escritas. com cargo vitalício. falta de criatividade. A “Retra”. tornando-se uma potência. Aos sete anos as crianças da nobreza espartana saíam da guarda das mães. e os rigores da aprendizagem se transformavam em treino militar. • Educação espartana: pedra fundamental na ordem social. a aceitação dos castigos e a vida em comunidade. Os meninos continuavam. como todos os gregos. aos trinta se casavam e adquiriam mais direitos e certa independência. eleitos pela Assembleia. valorizando-se a obediência aos mais velhos. os gerontes.• Governo espartano: gerúsia – Conselho e Tribunal Supremo – formado por dois reis de Esparta (representantes das famílias rivais) + 28 anciãos. Viviam em comunidades supervisionadas pelos mais velhos. aos sessenta estariam liberados de suas obrigações militares para com o Estado. dança. desenvolviam o canto e a dança coletiva. documento escrito. Assembleia: guerreiros espartanos. Aos vinte anos adquiriam direitos políticos. Iniciava-se com uma política de eugenia. •  Disciplina e exércitos eficazes. lançamento de disco. Éforos: cinco. e recebiam uma educação pública obrigatória/gratuita. e atividades duras que ensejassem a criação de resistência física. Eram chicoteados até aprender a suportar a dor. corrida. pobreza artística e produtiva. Os esportes eram voltados à guerra.

rodeada de montanhas calcárias (mármore). • Havia grande rigidez social em Atenas. havia o Conselho do Areópago. IX a VI a. Atenas viveu o regime aristocrático: a terra estava nas mãos dos poucos bem-nascidos. preservando sua independência. encarregados de assuntos vários.  tensões sociais. com o desenvolvimento da produção cerâmica e redes comerciais. o demos (povo). para evitar a escravidão por dívida. resistiu aos dórios invasores. encabeçado pelos comerciantes. e davam 5/6 de sua produção aos eupátridas credores: por isso eram chamados “hectemoros”. surgir uma classe de armadores. transformavam-se em rendeiros hereditários em suas próprias terras. Região pobre em terras férteis. No período homérico dominaram toda a Ática e populações que lá viviam. VII. na planície de Cefiso. no séc. os demiurgos. pois a renda rural era o critério político e social. que aplicava a justiça e exercia a administração. Os camponeses (thetas) dependiam dos grandes proprietários.ATENAS • Ática. pressiona os governantes por concessões políticas. • Povoamento jônio com origem micênica. . • Os eupátridas também manejavam as leis orais de acordo com as suas necessidades. protegida pela montanha da Acrópole. e outros nove arcontes. e perto de um bom sítio portuário. Substituíram os reis por “arcontes polemarcas” (magistrados encarregados da guerra). comerciantes. sudeste da península central grega.C. que originou o movimentadíssimo porto de Pireu. a despeito de. • Dos sécs. artesãos e marinheiros muito poderosa e dinâmica. Além destes. os “eupátridas”. muitos camponeses endividados. com vários membros.

cancelou dívidas dos cidadãos pobres (hectemoros). para escrever as leis e abrandar as tensões. Eram dados alguns passos que apontavam para a futura democracia. um tribunal popular. Sólon também instituiu a Bulé. 621 a.C. participar da Eclésia. todos cidadãos poderia. Sólon fez novo código em 594 a. devido à dinamização econômica ocorrida com o aumento das teias comerciais. na hierarquia política). demiurgos a eupátridas. fez um código de leis – o que foi um avanço.. • Se só os cidadãos muito ricos podiam tornar-se arcontes (pois os arcontes eram pesadamente tributados). • Por isso outro legislador ateniense e arconte. logo abaixo do Areópago. extinguiu a escravidão por dívidas. enfraqueceu os genos aristocráticos der uma série de maneiras. a Bulé e o Helieu se tornariam mais importantes que o Areópago e os arcontes. no séc V. e também o Helieu. mas as ameaças de guerra civil continuaram. nomeou-se os legisladores. pois tornou as leis públicas e aplicáveis a todos. Elas suprimiram o arbítrio dos eupátridas. em c. Drácon (“serpente”.C. A solução passou pela instituição da tirania. vinculou os direitos políticos às fortunas. . que seria montada sobre estas instituições.• Devido às lutas entre populares e a aristocracia. e não aos privilégios de sangue ou ligações familiares. embora não acabasse com o domínio econômico e político dos aristocratas. • Contudo. as tensões prosseguiram. Favoreceu o desenvolvimento econômico da indústria e comércio. concedeu mais poder à Assembleia popular dos cidadãos (Eclésia. em grego). um novo conselho de cidadãos que contrabalanceava o poder do Areópago. opondo camponeses a eupátridas. interditou a coerção física sobre endividados.

Pisístrato (originalmente um arconte polemarca) governou Atenas. etc. principalmente por conta da cunhagem de dracmas com a coruja (de prata minerada no Láurio). retornando à velha formas aristocrática com novos legisladores. filho de Pisístrato. com grande apoio popular e uma Corte poderosa. Ampliou o número de pequenos proprietários.C. agora.. e a Bulé teve seu número de participantes populares aumentado de 400 para 500. novas dez tribos se agrupavam por região geográfica da cidade. Essa medida evitou o ressurgimento das guerras civis e o poder concentrado nas mãos de uma pessoa ou um grupinho. Chipre. gerando empregos e atraindo artistas. .. • Também criou o ostracismo. favoreceu a exportação dos vinhos e azeites. caso um indivíduo fosse considerado uma ameaça à liberdade dos cidadãos. o comércio marítimo.C. reagrupando as tribos de Atenas de maneira a alterar o sistema de voto e representação política através de sua base. a produção cerâmica. Antes a quatro tribos eram por tradição hereditária. • Hípias. menos hábil. organiza as festas cívicas. • O arconte e legislador Clístenes fez uma política de retirar mais poderes dos genos. Etrúria (península itálica). Estabeleceu relações comerciais mais estreitas com Egito. confiscando terras e fracionando-as entre os thetas. um exílio de dez anos decidido por votação. Mexeu na ordem dos grandes proprietários nobres da oposição. e assim findou-se a tirania. Reurbaniza Atenas. foi expulso de Atenas em 510 a.• De 560 a 527 a. constrói templos.

organização do pensamento. de uma forma global. considera-se que. Atenas tornou-se o centro artístico. econômico e intelectual da Grécia. os trabalhos manuais eram desvalorizados. durante o governo de Péricles. Entre 440 e 432 A. • A educação ateniense também tornou-se um padrão de educação grega. especialmente os escravos. o regime aristocrático/oligárquico ateniense se converteu na conhecida democracia. literatura. e as palavras “justiça” e “liberdade” tornaram-se referenciais no imaginário ateniense. vem os com a intelectual. Atenas tornouse.C. tradição. sob as leis de Clístenes. quando os cargos políticos tornaram-se legalmente acessíveis tanto aos cidadãos ricos como aos cidadãos pobres. a pólis mais importante e suntuosa da Grécia. qualidades desejáveis n um cidadão da pólis. dos tempos homéricos (nos lembremos do papel dos aedos/rapsodos) cede lugar a uma educação que valoriza a beleza física. liderando a Liga de Delos (491-485 a. educação. conhecida como “Paidéia”. Ao mesmo tempo que estas reformulações políticas ocorriam. considera-se que a democracia ateniense atinge seu auge. pois qualificavam os não-cidadãos. mas era um conceito que envolvia as ideias de civilização. Ao mesmo tempo. a racionalidade..C). Ao lado dos cuidados com a educação física. Atenas estava em guerra contra os persas. . Em 469 a. a retórica.C. e volta-se aos cidadãos da pólis. por conta da hegemonia política e econômica que estabeleceu sobre as mais cidades. cultura. • A antiga educação para virtudes guerreiras.• Desta forma. A partir da vitória grega. o que significa “criação dos meninos” (paidós=criança)..

o que redundava numa diferença intelectual grande entre os sexos. quando os meninos das famílias mais ricas davam continuidade aos estudos nos ginásios. Lá. e a contagem em ábacos. onde aprendiam a tecer. Essa educação dita elementar ia até cerca de treze anos. fazia exercícios físicos sob a orientação dos pedótribas (corrida. mas que poderiam ser cidadãos. filosofia. à medida que Atenas passou a contratar mercenários para seus exércitos. a escrita se fazia em tábuas enceradas. geometria. e a permitir a dispensa dos cidadãos. discussões literárias. • Os meninos eram conduzidos à palestra. a uma variedade de atividades educativas. por um pedagogo (escravo velho que os guiava. • Os mestres gramáticos ensinavam a leitura e escrita através do aprendizado de cor das poesias homéricas. e os da elite. “Atenas é a escola de toda a Grécia”. organizar as tarefas domésticas. mas não tinham a cultura do isolamento nos gineceus. matemática. realizavam treinamentos físicos. comandar escravos. repetição. . lançamento de dardo e disco. antes do período da democracia. declamação de poesias e dança. com bibliotecas. salto. as mais pobres simplesmente aprendiam a trabalhar. após os sete anos. astronomia. com métodos difíceis de silabação. declamação. de Hesíodo e fábulas de Esopo. luta: pentatlon). tinham acesso a algum ensino básico. Esse aprendizado era acompanhado de orientações morais e estéticas. depois passou a designar professor). cantar e tocar. isso mudou. • As meninas das elites ficavam sob a guarda das mães nos gineceus. Os meninos mais pobres. • Também tinham aulas com os citaristas (cítara. Inicialmente.• Segundo Tucídides. Lá. os mestres de primeiras letras eram mal-pagos e menos renomados que os pedótribas. lira e flauta) e de canto coral. Mas.

Questões fundamentais para discussão/reflexão em sala: 1. retórica. uma modalidade de ensino destacou-se: a retórica. • Esses filósofos pensaram a educação de forma detalhada. ela seria a marca registrada do ensino romano. 450 a. aritmética. Isócrates (436-338 a. Os sofistas criaram um currículo denominado “Sete Artes Liberais” (gramática. para o cidadão político. Com os sofistas (c.) e Aristóteles (384-332 a.).C.C. que perdurou no período romano. com éticas e regras de conduta. mas depois.• Por um período. a efebia (serviço militar obrigatório de dois anos) foi exigida dos cidadãos. mestres gramáticos. Embora desprezassem o ensino técnico/manual. até o século XVIII no ocidente cristão. Com o tempo. a “Academia”. e bibliotecas pelo mundo antigo.). Sócrates (469-399 a. Platão (428-347 a.C. promoveram os estudos médicos. e tornou Alexandria um polo de estudos significativo. Platão fundou uma famosa escola-internato. Mais tarde Alexandre Magno. dialética. Isócrates também fundou uma escola. Fundou a Universidade de Atenas. Sócrates brigava com eles.). espalhou os ginásios. geometria. música e astronomia) que foi ensinado. cedeu espaço às escolas filosofais. cria-se uma carreira de filósofo-professor. citaristas e mais professores. e Aristóteles passou vinte anos na Academia até mudar-se para a Macedônia.). por cobrarem por suas aulas. ao promover a helenização do oriente. com as devidas adaptações.C.C. onde tornou-se preceptor de Alexandre Magno. e considera-se que fundaram o que hoje entendemos por “pedagogia”. De que forma a educação espartana e a educação ateniense ligavam-se aos sistemas sociais e políticos de suas cidades? Qual a função social delas? .

na qual o jovem ateniense adentra quando completa 18 anos. Assim. em épocas remotas.C: Platão e a Academia. Ginástica e música são. são os ginásios que se tornam os centros de educação. elementos essenciais da cidade grega: o ginásio e o teatro.A CIDADE GREGA: Construções urbanas nas pólis e a educação Trecho retirado de Martin. é algo muito sério que se liga a todo um conjunto de preocupações higiênicas e medicinais. que diferencia estes dos bárbaros. Isto é a tal ponto significativo que os nomes dos três principais ginásios de Atenas foram associados aos das mais célebres escolas filosóficas do século IV a. a educação física é um dos aspectos essenciais da iniciação à vida civilizada – à educação. Antístenes e os cínicos. As cidades não possuem escolas nem universidades. ao do Liceu.. por uma cultura intelectual geral. Um dos traços mais originais da cultura grega é a importância da ginástica e do atletismo na formação e na vida do cidadão.C. tal qual os templos e a ágora. locais onde. se dava uma formação puramente esportiva e militar. Paris: Picard. L´Urbanisme dans la Grèce Antique. ao de Cinosargo. Aristóteles e os peripatéticos. Formação esportiva e militar. O esporte para os gregos não é somente um divertimento apreciado. marca a perfeição desta educação. Pp. no século VI a. os elementos fundamentais da educação ateniense e nos séculos seguintes a prática de esportes torna-se um dos traços dominantes da vida dos gregos. pois eles são expressão de duas funções primordiais da cidade. As universidades da Grécia antiga se desenvolviam em torno das palestras. Os mestres da juventude grega: sofistas e filósofos. R. ensinavam nos ginásios. a respeito da qual Isócrates formulou os fundamentos em seus diversos tratados: este ciclo de estudos constitui a paidéia grega. a partir do final do século V a. completada por uma educação política e.. A efebia.C. 1956. 275 e ss) “Dois tipos de edifícios tornaram-se. . estéticas e éticas. relacionada ao ginásio de Academo. assegurada quase que integralmente pelo Estado.

A água deveria ser fornecida em abundância para os ginásios e não é por acaso que os três ginásios de Atenas eram próximos de três rios. Razões práticas e religiosas explicam a localização primeira dos ginásios. Consagrados inicialmente para as funções atléticas e militares.Uma vez mais. somente uma encruzilhada. Seria possível enxergarmos um campo de manobras no interior de nossas cidades atuais? A paisagem urbana das cidades arcaicas não permitia muito tal tipo de estabelecimento. . vastos espaços eram pois necessários para as evoluções dos batalhões militares. Até o final do século V a. sem espaços livres. seguindo a evolução da paidéia. Em seu estudo sobre os ginásios. o Liceu era ao nordeste. mais comumente em um subúrbio. eles eram essencialmente um local para exercício e treinamento. a um elemento contemporâneo que nossos arquitetos urbanos tem em alta conta: os ginásios são a exata expressão destes “centros culturais” que se impõem nas cidades modernas e. e o do Cinosargo estendia-se da parte sudoeste do subúrbio em direção a Ilissos. nós encontraremos na cidade grega um conjunto comparável. em Corinto e em Élis acontecia o mesmo. no sudoeste da cidade. por suas funções.C. separados da aglomeração. a estrutura arquitetônica dos ginásios foi determinada pelas necessidades daquela função cultural cuja complexidade aumenta no decorrer dos séculos. se nos referirmos aos apelos modernos. nos arredores das fontes de Erídano. Era o caso dos três ginásios de Atenas: um se encontrava nos jardins de Academo. Em Tebas. J. Delorme distingue dois períodos na história no que tange a relação entre ginásio e planejamento urbano.. Muito densos. os edifícios de ginástica se localizavam fora dos muros da cidade. muitas vezes. os locais de habitação não deixavam espaços senão para a implantação de alguns templos. nas praças públicas existiam.

jardins. Se a ginástica continuava a ser a atividade essencial do ginásio. fontes. bibliotecas neles se instalam. Alexandria. filósofos. O enriquecimento das funções dos ginásios – em particular das funções intelectuais – e a evolução das cidades. Artistas e pessoas letradas. o ginásio não poderia ficar separado da cidade. um ginasiarca de Priene organizava as provas de um concurso “com base em matérias de ensinamento filosófico”. ao lado da literatura. médicos. tal qual Teos10. Exames e concursos tinham lugar nas salas do ginásio.Essas exigências materiais estavam de acordo com o caráter dos cultos associados aos ginásios: cultos heróicos e muitas vezes funerários. modificam esta concepção no decorrer do século IV a.” . o centro educativo formado pelo ginásio reúne os centros administrativos da cidade. A estrutura arquitetônica destes antigos ginásios era simples e correspondia ao contexto no qual eles se instalavam e às funções que deveriam assumir. e fazem com que a localização dos edifícios de ginástica seja no interior das aglomerações urbanas. afastados dos locais residenciais. mas instalados em paisagens que igualmente convinham aos ginásios: bosques. ao mesmo tempo em que proporcionam recitais. Nas plantas jônicas. garantem nos ginásios um verdadeiro ensinamento. eles se tornam cada vez mais estreitamente integrados ao plano urbano. entre as árvores e os bosques.C. Tornando-se centro da vida intelectual. retóricos. a localização dos ginásios tem o mesmo peso que o da ágora. O ginásio tornou-se um organismo essencial da vida urbana. as obras científicas e técnicas constituíam um belo conjunto. Pistas e locais de exercício eram ao ar livre. Megalópolis dão a ele um local de destaque. desempenhando o papel de universidade. conferências e leituras públicas. Cós tinha uma biblioteca interligada ao ginásio. estreitamente associado à vida pública. Mileto. o ensinamento tinha suplantado os exercícios de ordem militar. aquela de Cós tinha seu catálogo metodológico.

Nas póleis grandes. apenas de cortá-los. A.. L’Urbanisme dans la Grèce antique. a partir das discussões arqueológicas Fontes de época para discussão Xenofonte: Ciropédia VIII. uma mesa e. eles possuem suas fronteiras que os separam dos vizinhos e também enviam representantes à assembleia dos foceos”. a mesma pessoa constrói também casas e pode dar-se por satisfeita se encontrar suficiente trabalho para poder ganhar a vida..1 Conceito de Pólis “Se podemos chamar pólis um lugar assim. Também existem póleis em que se pode viver apenas de consertar sapatos. Paris: Ed. 1956. revisão Labeca] “Nas póleis pequenas. é suficiente para poder sustentar-se ter um ofício cada um.Considerações sobre as cidades gregas. uma porta. . Pausânias X. In: Martin.. Apesar de tudo isso. Picard & Cie. nem sequer água que flua de uma fonte e onde se mora em casas semelhantes às cabanas das montanhas na beira do barranco. nem ginásio. a mesma pessoa fabrica uma cama. o outro para mulheres.5 [tradução: Maria B. com frequência. finalmente. um arado. & J. apenas de costurá-los e. já que muitos precisam uma coisa de cada. alguém confecciona sapatos para homens. Florenzano. R. que não possui edifícios oficiais. de não fazer nada disto e de apenas juntar todas as peças”. B.2. Com frequência é suficiente dominar uma parte de um ofício: por exemplo. nem um teatro.4.

H. Neste sentido. que aquele que não é capaz de “comunizar-se” ou que é tão autárquico que não precise fazê-lo. Rackham. com relação à família e a cada um de modo individual. por natureza. de tal forma que se isto não é mais possível não se deve dizer que são a mesma coisa. ou seja. separadamente. nem pé nem mão existirão a não ser como homônimos. de fato. por natureza. mas homônimos. uma mão em tais circunstâncias estará corrompida. mas o primeiro que a organizou foi o causador do maior dos bens. é a ordem da comunidade política. não é parte da pólis e. Pois o homem é o melhor dos animais quando atinge a sua plenitude. no sentido em que falamos de uma mão esculpida na pedra como sendo uma mão. o homem foi engendrado possuindo armas para a sabedoria e a virtude. de Andrade. primeira com relação a cada um.). se porventura o todo é suprimido. aquele desprovido de virtude é o mais inescrupuloso e selvagem dos animais e. o ímpeto de formar uma tal comunidade existe em todos por natureza. da mesma forma como outras partes também existem para o todo e. a compleição justa é política. Está claro portanto que a pólis é. assim. a pólis é primeira. é ou uma fera ou um deus. . Pois o todo é necessariamente primeiro com relação às partes. pois a díke. portanto. passíveis de se utilizar de forma completamente oposta. e o pior de todos eles quando separado do nomo e da díke. a faculdade de distinguir o justo. pois cada um. revisão Labeca] Com efeito.Aristóteles: Política Livro I. por seu lado. (trad. assim. Isto porque a falta de díke é mais perniciosa quando se possui as ferramentas e. 1252a-1253b [tradução: Marta M. considerando-se que todas as coisas são vistas por sua operação e por sua capacidade. 1990. Deste modo. não é autárquico. o pior no que se refere aos prazeres e à gula. Loeb Classical Library.