Quaresma Jovem Missionária “A Igreja é minha Casa”

Preparar:  Folha de cânticos  Oração final – primeira comunidade  Folha do compromisso (Poema, história, compromisso)  Material dos grupos      Símbolo: fios Lápis CD Leitor de CDs Livro da Via-Sacra com São Daniel Comboni

Objectivos:  Aprofundar o sentido de pertença a uma comunidade  As dificuldades não podem ser razão de afastamento  Levar a um compromisso concreto (formação do grupo de jovens aonde não há, renovar o compromisso no grupo a que pertenço…) Formação dos grupos  Fios de diferentes tamanhos… 6 diferentes (objectivo: no final, tecer uma corda…) 1º Momento: Acolhimento, síntese dos encontros precedentes e oração inicial  Acolhimento e Boas-vindas  Cântico inicial  Apresentação do símbolo já num clima de oração  Leitura do Evangelho de Domingo 2º Momento: Lançamento do tema: “A Igreja é minha casa”  Para que uma comunidade cristã surja é necessário que alguém dê a vida (foi assim com Jesus Cristo, alguns dos seus discípulos, mártires dos primeiros séculos…  Hoje contínua a ser assim, mesmo se o martírio não é de sangue (se olharmos para as nossas comunidades…)  Mas ainda há mártires…  Viver em comum exige “dar a vida”, pôr em comum…  Leitura dos Ac 2, 42 - 47 - Uma comunidade modelo Palavra de Deus: Ac 2, 42 - 47 - Uma comunidade modelo “Os primeiros cristãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações. Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, o temor dominava todos os espíritos.Todos os crentes viviam unidos e 1

possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um. Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação.” Palavra do Senhor Comentário O que caracteriza a Vida – toda o tipo de vida! – é o conviver: viver com os da mesma “espécie” e procurar integrar os que são diferentes no mesmo convívio. Quanto mais intensas forem as relações neste conviver, tanto mais consistente será o grupo e tanto mais acolhido e suportado sentir-se-á cada membro do grupo. Podemos comparar isto com um tecido... se o espaço entre cada linha entrelaçada for muito grande/largo, menos consistência e resistência terá o tecido, não será tão quente no Inverno... se o espaço entre cada linha for apertado, o pano será forte e de muita resistência. Com ele poderemos fazer muitas coisas, com ele faremos resistência às intempéries da natureza... O grande sonho de Deus foi e é: conviver com os homens e que estes convivam entre si e com tudo o que é vida. Cada um de nós não é um ser isolado mas em relação, não é um fio perdido, mas faz parte de uma corda… Esta comunidade depende do que cada um de nós esteja disposto a dar, a sonhar para a nossa Igreja… Poema: “A Igreja é minha casa!” A Igreja é a minha casa Sim, é a minha casa. Esta Igreja onde eu nasci e onde quero morrer. Nela me sinto bem. Nela gosto de estar. Aqui, eu penso, projecto, sonho, alimento-me. Aqui, rezo, recordo, choro, zango-me, encontro-me. Aqui sofro, aqui canto. A igreja c ;t ininiia casa. Gostaria, tantas vezes, de a ver mais acolhedora, mais aberta, com mais espaços para pessoas outras (não é ela comunhão e sacramento?), mais gratuita, mais convidativa. A Igreja é a minha casa, E tenho pena que feche portas, condene sem coração, corte com quem procura... Eu amo muito a Igreja porque a Igreja é a minha casa. Com defeitos? Com a ruga dos anos? Às vezes azeda? Mas é a minha casa! Então, porque lhe quero muito, vou pintá-la de fresco, vou rasgar-lhe mais portas, vou torná-la mais simpática, mais disponível, mais atenta. Vou fazer com que cante mais a beleza da vida, perca o medo e salte para o mundo,

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grile os valores e os direitos das pessoas e dos povos. A Igreja é a minha casa. Se eu quiser, se tu quiseres, se nós todos quisermos,

todos virão a ela e todos nela se sentirão bem. Porque ela é o rosto cie Deus. Porque Deus habita nela.
D. Manuel Martins

3º Momento: Etapas para desenvolver o tema em grupo (Ver, Julgar e Agir) 1ª Etapa: Ver  Pensamos na Igreja viva, nas pedras vivas que a constituem e da qual cada um de nós faz parte. O que é que eu aprecio na minha comunidade? O que é que eu gostaria de ver mudado? Depois de um momento de silêncio e sem fazer qualquer tipo de julgamento, vamos enumerar as qualidades e “defeitos” da nossa comunidade. 2ª Etapa: Julgar Ler a seguinte parábola: Na aldeia não havia paz, alegria, amizade, perdão... Cada um só pensava em si mesmo, nas suas coisas. Ninguém se importava com nada nem com ninguém. Certo dia, no rádio, na televisão e nos jornais, uma notícia insólita, inacreditável: "Esta noite estejam todos alerta. Vai passar um vento especial, um vento de vida. Os entendidos em matéria de religião dizem até que quem tiver a coragem de respirar fundo esse vento, sofrerá grandes transformações na sua vida. Dizem "quem tiver coragem", porque esse vento é misterioso e ninguém sabe ao certo quais poderão ser os seus efeitos sobre as pessoas e sobre a sociedade". Quase toda a gente ouviu a notícia. Alguns, os mais corajosos, abriram bem as janelas e as portas de suas casas; outros, uns poucos, com medo do tal vento misterioso e dos seus efeitos, fecharam-se a sete chaves; um jovem, sempre distraído, nem sequer ouviu a notícia. O vento passou. De manhã cedo, o jovem que não sabia de nada ficou estupefacto ao encontrar-se com as pessoas da aldeia. Tudo estava mudado: havia mais alegria, as pessoas ajudavam-se umas às outras; algumas tinham-se reconciliado; havia mais entusiasmo; o fardo do dia a dia parecia mais leve; até o sol estava mais radiante. Mas o que é que aconteceu. Então alguém lhe contou a história do vento. Perguntas: Pessoal: O que é que esta história tem a ver com a minha vida? Onde é que eu me coloco nesta história? Grupo: Sabemos o que se passa na nossa comunidade? Qual é o nosso contributo para a sua construção? Ler a seguinte parábola: O mestre e o discípulo caminhavam em direcção ao rio. Fazia muito calor. E, quando chegaram ao rio, o mestre disse ao discípulo: - Tira a túnica e entre na água. Depois leva os braços até ao fundo do rio e apanha uma pedra. Vem em seguida ter comigo.

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O discípulo fez como o mestre ordenou e saiu da água trazendo nas mãos um grande seixo arredondado. O mestre pegou na pedra, observou-a cuidadosamente e entregou-a de novo ao discípulo, dizendo-lhe: - Agora deverás partir esta pedra ao meio. O discípulo assim fez entregando-lhe os dois pedaços: - Aqui tens a pedra partida, mestre. E agora que é preciso fazer mais? Disse então o mestre: - Vês este seixo partido ao meio? Muita água passou por cima dele durante anos e anos, talvez séculos. Lavaram-no, poliram-no Apesar disso, a água não penetrou nele. Repara bem: tem o coração seco, um coração de pedra. Perguntas: Pessoal: O que é que esta parábola tem a ver com a minha vida? Quem sou eu nesta parábola? Porquê? Grupo: Sou Cristão não praticante. Esta expressão estará em relação com esta história? O que é que nos impede de ser pedras vivas da nossa Igreja? Ler a seguinte parábola: Há muito muito tempo, numa aldeia perdida na floresta, era proibido fazer fogo à noite a não ser debaixo da grande árvore do encontro. Ai se reuniam todas as pessoas da aldeia para se aquecerem, convier e falar das coisas da vida. Contavam-se lindas histórias e havia harmonia. Mas a lenha foi escasseando. Era inverno e o frio apertava. Então todos guardavam a lenha seca para se aquecerem em casa durante o dia e fazerem os seus cozinhados. À noite, para a fogueira da reunião só levavam a lenha verde. O fogo ardia com muita dificuldade até que se extinguia e voltavam todos para suas casas a tremer de frio. A aldeia tinha-se tomado fria, triste e sombria. À noite ficava mergulhada nas trevas. Ninguém estava contente. Todos sabiam por que é que o fogo não ardia à noite mas quem é que estava disposto a dar lenha seca? Perguntas: Pessoal: O que é que esta parábola tem a ver com a minha vida! Porquê? Como é que eu acabaria a história? Grupo: A nossa comunidade paroquial irradia calor, ou apenas fumo? Qual é a lenha seca que nós não estamos dispostos a dar para a fogueira da comunidade? Porquê?

Plenário
3ª Etapa: Agir Leitura Bíblica: Jesus alimenta cinco mil pessoas (Lc 9, 10-13) Ao regressarem, os Apóstolos contaram-lhes tudo o que tinham feito. Tomando-os consigo, Jesus retirou-se para um lugar afastado na direcção de uma cidade chamada Betsaida. Mas as multidões, que tal souberam, seguiram-no. Jesus acolheu-as e pôs-se a falar-lhes do Reino de Deus, curando os que necessitavam. Ora, o dia começava a declinar.Os Doze aproximaram-se e disseram-lhe: «Despede a

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multidão, para que, indo pelas aldeias e campos em redor, encontre alimento e onde pernoitar, pois aqui estamos num lugar deserto.»Disse-lhes Ele: «Dai-lhes vós mesmos de comer.»

Breve explicação  Retirar-se: Na vida, muitas vezes precisamos de nos retirar, de nos afastar um pouco dos nossos problemas para os podermos ver melhor e assim encontrar a melhor resposta. Aquela é a minha Igreja, a minha casa. A casa que tem sempre as suas portas abertas.  Jesus retirou-se mas não se alheou dos problemas da sua comunidade.  Não dá soluções, a solução está nas mãos dos discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» A Igreja é a minha casa  A Igreja é a minha casa. Depois de a vermos no interior, de perto, eis-nos agora ao longe. Aquela é a minha Igreja, a minha casa.  Nela fui baptizado, e antes de mim os meus pais o celebraram o seu casamento. Foi lá que aprendi a rezar, que acolhi pela primeira vez Jesus Cristo na minha vida. De joelhos, sentado ou em pé, tantas vezes segredei a Deus os meus problemas e as minhas alegrias. Lá encontrei força para continuar a lutar, a caminhar com alegria. Mas nem sempre encontrei naquela casa de Deus essa paz que tanto procurava.  Algumas vezes não senti nada, estive ali por estar, sem fé nem confiança. O testemunho de alguns cristãos desencorajaram-me. As Eucaristias tornaram-se uma seca! Os meus colegas criticam os que vão à missa! E pensei mesmo, o melhor é mesmo passar para o grupo dos “não praticantes”. Ir lá quando tem que ser: crisma, casamento, missas de defuntos…  Mas, Aquela é a minha Igreja, a minha casa. A casa de Deus e da humanidade. Tenho lá o meu lugar. Será que eu não posso fazer um pouco mais por ela. 1 ou 2 horas por semana será muito? Mas eu não tenho jeito para cantar ou para dar catequese. Será que há algo que eu possa fazer por esta minha comunidade?  Durante alguns momentos de silêncio perguntar-se: Quais são os dons que Deus me deu? (trabalho, aquilo que eu gosto de fazer). Depois de ter visto a minha Igreja por dentro e por fora, será que não há algo que eu possa fazer por ela? Ler a História: Fiz-te a Ti Um homem que passeava pelo bosque viu uma raposa que tinha perdido as patas, pelo que o homem se interrogava como podia sobreviver. Então viu chegar um tigre que trazia uma presa na boca. O tigre já se tinha saciado e deixou o resto da carne para a raposa. No dia seguinte, Deus tornou a alimentar a raposa por meio do mesmo tigre. O homem começou a maravilhar-se com a grande bondade de Deus e disse de si para si: — Vou também eu ficar aí em qualquer lugar, confiando no Senhor, e Ele me dará tudo o que eu precisar. Assim o fez durante muitos dias. Mas não acontecia nada. O pobre homem estava quase as portas da morte, quando ouviu uma voz que lhe dizia:

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— Ó tu, que te achas no caminho do erro, abre os olhos à verdade. Segue o exemplo do tigre e deixa de imitar a pobre raposa mutilada. Daí a nada, viu uma menina quase gelada tiritando de frio, com um leve vestidito e poucas perspectivas de conseguir comida decente. Encolerizou-se e disse a Deus: — Porque permites estas coisas? Porque não fazes nada para as resolver? Durante um bocado, Deus guardou silêncio. Mas, naquela noite, de improviso, respondeu-lhe: — Com certeza que fiz alguma coisa. Fiz-te a ti

Compromisso pessoal • A Igreja é a minha casa. Comprometo-me a dar um pouco do meu tempo para a tornar mais bela, mais acolhedora, mais família, família de Deus. Como? Quando? Onde?

Oração final (diante da Cruz da caminhada) Cântico: Igreja reunida Salmo em busca da amizade
Algo novo Senhor, está a nascer em mim. Sinto-me diferente e vivo uma aventura nova. Sinto que a vida brota em mim como um manancial e que uma força nova corre pelas minhas veias. Aqui estou, Senhor, cheio de vida, de entusiasmo. Aqui estou, Senhor, com vontade de superar-me. Aqui estou, Senhor e sinto que a vida cresce em mim e que o meu coração busca coisas que estão no cume das montanhas. Eu desejo, Senhor, a verdade. Quero ser verdadeiro e a mentira incomoda-me. Eu desejo, Senhor, ser sincero e transparente e não aceito as máscaras, os disfarces, o jogo duplo. Às vezes, Senhor, sinto-me contraditório. É verdade. Quero ser generoso e sinto que sou egoísta. Quero compartilhar com os outros e fecho-me em mim. Quero ser amigo de todos, e gosto de ser eu mesmo. Senhor, eu amo a verdade e procuro-a com coragem. Senhor, eu amo a liberdade e quero ser livre. Senhor, eu amo a justiça e doem-me as injustiças. Senhor, eu amo o ser amigo e doem-me as traições. Senhor, aqui estou, ante o mundo dos grandes. Às vezes sinto-me abandonado, esquecido, só. Às vezes, Senhor, desconfio deles e isso dói-me.

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Outras vezes, Senhor, marginalizo-me, fico retraído e sofro. Sinto em mim, Senhor, vontade de ser puro, limpo. Sinto em mim, Senhor, vontade de fazer o bem. Sinto em mim, quando faço o bem e o mal. Senhor, antes de tudo, eu busco a amizade. Busco-a. Antes de tudo busco amigos. Quero ser como uma espiga. Senhor, busco a amizade. Quero ser como um cacho de uvas. Senhor, quero dar e receber amizade. Quero ser amigo. Jesus, busco-te a ti e quero a tua amizade. Jesus, creio que a tua amizade é fiel, é verdadeira. Jesus, é verdade que o amigo dá a vida pelo amigo. Jesus, tu deste a vida por mim como amigo. Necessito Jesus, da amizade de meus pais. Necessito-a. Necessito Jesus, da amizade de meus professores. Necessito-a. Necessito Jesus, da amizade dos meus companheiros. Necessito-a. Necessito Jesus da tua amizade sincera. Necessito-a. Agora Jesus, algo novo brota em mim; Sinto que estou a mudar! Agora Jesus, quero coisas grandes para a minha vida. Agora Jesus, necessito de apoio e da força de outros a meu lado; Agora, tudo é belo na minha vida. Necessito de ti, Amigo!

 Cada um pega no corda que lhe foi entregue  Contempla-a  Ela é formada por 2 ou 3 cordas mais finas entrelaçadas. Quais são as 2 ou 3 bases da tua corda – vida? Ex: família, escola, amigos, comunidade cristã  Cada pequena corda é formada por diferentes fios. Nomeia esses fios… são pessoas que fazem parte da tua vida, acontecimentos centrais...  Há um risco que a corda se desfaça! Faz algo para que isso não aconteça e dá um nome ao que dá sentido à tua vida.  Em silêncio agradecemos a Deus por todas as pessoas que fazem parte da nossa vida. Momento de acção... musica de fundo...  3 a 3 fazer uma corda mais grossa …  Unir todos as cordas  Atá-los à cruz Pai-Nosso: Junto ao mar Cântico: Peregrino

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