Teoria do Conhecimento

ICC100 FUNDAMENTOS DE CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

AULA 01
PROF. LEANDRO GALVÃO GALVAO@ICOMP.UFAM.EDU.BR INSTITUTO DE COMPUTAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

COMO UM PARADIGMA É FORMADO?
Padrão que serve como modelo a ser imitado ou seguido

Um grupo de cientistas colocou 05 macacos numa jaula com uma escada no centro e um cacho de bananas no topo da escada.

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Toda vez que um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos demais macacos.

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quando um macaco tentava subir a escada.Depois de certo tempo. ele apanhava dos demais. 5 .

6 . apesar da tentação. os macacos pararam de tentar subir a escada.Passado mais algum tempo.

mas foi imediatamente punido pelos outros. 7 . A primeira coisa que o novo macaco fez foi subir a escada.Então os cientistas substituíram um dos cinco macacos por outro.

8 . mesmo sem saber o porquê. o novo integrante do grupo não subia mais a escada.Depois de algumas surras.

E o fato se repetiu até o quinto macaco ser substituído. 9 . e o mesmo aconteceu.Um segundo macaco foi substituído.

10 .Por fim. continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas. sobrou um grupo de cinco macacos que. mesmo nunca tendo tomado um banho frio.

as coisas sempre foram assim por aqui” 11 .Se fosse possível perguntar aos macacos porque eles batiam em quem tentasse subir a escada. provavelmente a resposta seria: “Não sei.

O que é verdade? 12 .

a partir de três concepções diferentes. da latina e da hebraica. vindas da língua grega.Três Concepções da Verdade 13  Nossa ideia da verdade foi construída ao longo dos séculos. .

o que parece ser e não é como parece. que é o encoberto. referidas ao futuro.Três Concepções da Verdade 14 Grega • Alétheia (nãoesquecido) • O verdadeiro se opõe ao falso. • Conhecer é ver e dizer a verdade que está na própria realidade. são fiéis à palavra dada. • Um relato é verdadeiro quando a linguagem enuncia os fatos reais. pseudos. Hebraica • Emunah (confiança) • Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que cumprem o que prometem. ao que será ou virá. • É uma crença fundada na esperança e na confiança. . os relatos e enunciados sobre eles é que são verdadeiros ou falsos. • As coisas e os fatos não são reais ou imaginários. Latina • Veritas • Refere-se à precisão e à exatidão de um relato.

Mas o que é verdade? 15  É a conformidade entre o nosso pensamento (ou o nosso juízo) e as coisas pensadas (ou formuladas). .

a correspondência entre ideias e coisas depende inteiramente da própria ideia. mas aquela estruturada pela nossa razão.Outra visão: Kant (1724 – 1804) 16  A realidade que conhecemos não é a realidade em si das coisas. .  A verdade é um acontecimento interno ao nosso intelecto ou à nossa consciência.  Portanto.

Concepção Pragmática 17  Um conhecimento é verdadeiro por seus resultados e suas aplicações práticas.  A marca do verdadeiro é a verificabilidade dos resultados. PRAGMÁTICO Que considera o valor prático e concreto das coisas . sendo verificado pela experimentação e pela experiência.

O que é conhecimento? 18  Ao indagarmos sobre um conhecimento. . automaticamente. estamos tratando do problema da verdade.  A história da busca do conhecimento é a própria história da busca da verdade.

 Na medida que o sujeito apreende o objeto. .O conhecimento 19  O conhecimento constitui-se no encontro da consciência (sujeito) com o objeto. este é apreendido por aquele.

Quais os modos de conhecer o mundo? 20 Mito Senso Comum Filosofia Arte Ciência .

do bem. O mito é a primeira forma de dar significado ao mundo: fundada no desejo de segurança. da água.O que é Mito? 21  Joseph Campbell  Os mitos são metáforas da potencialidade espiritual do ser humano.  Marilena Chauí   Maria Lúcia Aranha & Maria Helena Martins  . e os mesmos poderes que animam nossa vida animam a vida do mundo. do mal. a imaginação cria histórias que nos tranquilizam. das plantas. Mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa: a origem dos homens. que são exemplares e nos guiam no dia-a-dia. do fogo. da morte etc.

o pajé. .Quem narra o mito? 22  O poeta-trovador.  Acredita-se que o narrador é um escolhido dos deuses. o xamã. que mostraram a ele os acontecimentos passados e permitiram que ele visse a origem de todos os seres e todas as coisas.

mas acomodar o ser humano ao mundo. Trata do desconhecido. Ele nos mostra como devemos nos comportar. de início. e em certo sentido o ampara. fala a respeito de algo para o que. não temos palavras. 5. o que não conhecemos sustenta aquilo que conhecemos. 2. É inseparável do ritual. . Baseia-se sempre na experiência da morte e no medo da extinção. 3.Características do Mito 23 1. Sua função principal não é explicar a realidade. Ou seja. 4. Fala de outro plano que existe paralelamente ao nosso mundo.

. de alguma forma. governante carismático. modelos das propagandas comerciais.O Mito na Sociedade Atual 24  O mito moderno não é propriamente uma forma de conhecimento.  É um tipo de experiência que. pois não consiste numa interpretação da realidade. estrela de cinema. grande esportista.  Exemplos: super-herói. os “especialistas”. vem preencher uma lacuna existente no homem. etc.

25 OGAMIO DERROTADO! COMPRE O INFORMATIVO E LEIA OS DETALHES AQUI DIZ QUE ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE RELMIHIO SUCEDERÁ O REI QUEM SÃO ESSES ESPECIALISTAS? NÃO IMPORTA! SE ELES NÃO ESTIVESSEM SEMPRE CERTOS.Os “especialistas” dizem. “Groo – Mightier Than the Sword”. NÃO SERIAM ESPECIALISTAS! Sérgio Aragonés... #2 .

O Mito na Sociedade Atual 26 .

de modo a parecer que tudo sempre foi assim. coisa ou ideia).Mecanismos de criação dos mitos de hoje 27  Omissão da história  Quando o mito contemporâneo fala de um objeto (pessoa.  Identificação  Anulação do objeto mitificado como um ser diferente de nós e promove a nossa identificação unicamente com seus traços desejáveis. . esconde detalhes da sua história.

Mecanismos de criação dos mitos de hoje 28  Quantificação da qualidade  Redução da discussão sobre a qualidade pelo enaltecimento das quantidades. sem admitir críticas ou explicações. . baseando-se muitas vezes sobre falácias estatísticas.  Constatação  Mostra-se um objeto ou pessoa como encarnação do bem de um valor desejado. de modo que seja visto como modelo universal e inquestionável.

procurando refletir sobre os acontecimentos a partir de certas posições teóricas. .  Ela é um modo de se colocar diante da realidade.O que é Filosofia? 29  A filosofia é um modo de pensar. em busca de suas raízes e de sua contextualização em um horizonte amplo. fechado em si mesmo. é uma postura diante do mundo. um sistema acabado.  Essa reflexão permite ir além da pura aparência dos fenômenos.  A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos.

• significa sabedoria  Filosofia significa.Filosofia 30  Essa palavra é composta por dois radicais gregos: philo sophia • significa amizade. amor fraterno. amor e respeito pelo saber. amizade pela sabedoria. . portanto. respeito entre os iguais.

 Tendência à generalização. mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas diferentes. . uso da razão como critério de explicação de alguma coisa.Filosofia – Características 31  Recusa de explicações preestabelecidas.  Tendência à racionalidade. isto é. isto é.

as coisas são como são. no passado. • Narra a origem através de genealogias e rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas Filosofia • Preocupa-se em explicar como e por que. .Filosofia × Mito (1/2) 32 Mito • Narra como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial. no presente e no futuro. • Explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais. longínquo e fabuloso.

mas exige que a explicação seja coerente. com o fabuloso e o incompreensível. Filosofia • Não admite contradições. mas da razão. pois esses são traços próprios da narrativa mítica • A confiança e a crença no mito vêm da autoridade do narrador.Filosofia × Mito (2/2) 33 Mito • Não se importa com contradições. que é a mesma em todos os seres humanos. lógica e racional. • A autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo. . fabulação e coisas incompreensíveis.

do hábito. da imaginação. quando desconsidera opiniões divergentes. dos desejos.  Às vezes se torna fonte de preconceitos. .  Por ser um conjunto de concepções fragmentadas. condiciona a aceitação mecânica e passiva de valores não questionados e se impõe sem críticas ao grupo social. das crenças e tradições. da memória. muitas vezes incoerentes.Senso Comum 34  O senso comum é um tipo de conhecimento que é fruto dos sentidos.  O senso comum faz uso não refletido da razão.

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afastadas. fatos e acontecimentos. . aparências que precisam ser explicadas e. de nossa adesão imediata às coisas. em certos casos. da ausência de crítica e da falta de curiosidade. a atitude científica vê problemas e obstáculos. ali onde o senso comum vê coisas.Ciência 36  A ciência desconfia da veracidade de nossas certezas.  Por isso.

Ciência 37  Procura desvendar a natureza a partir.  Busca o conhecimento lógico.  Aspira pelo conhecimento objetivo. isto é. fazendo uso de métodos desenvolvidos para manter a coerência interna de suas afirmações. principalmente. com interferência mínima do sujeito. fundado sobre as características do objeto. das relações de causa e efeito. .

Uma classificação das ciências 38 Computação Baseado na experiência ou dela derivado Ciências da Natureza Empíricas Ciências Humanas Ciências Matemática NãoEmpíricas Lógica Exatas Física Biológicas Química .

Método Científico 39 .

considerando que ambas lidam com o misterioso. • Tende a identificar a investigação científica com a magia.Ciência × Senso Comum 40 Senso Comum • Subjetivo: exprime sentimentos ou opiniões individuais ou de grupos. mas causas e relações que podem ser conhecidas. • Universalizador: reúne individualidades sob as mesmas leis ou critérios de medida. . mostrando que nele não agem forças secretas. mostrando que possuem a mesma estrutura. • Opera um desencantamento do mundo. • Só estabelece relações causais depois de investigar a natureza ou estrutura do fato estudado. • Tende a estabelecer relações precipitadas de causa e efeito entre as coisas ou entre os fatos Método Científico • Objetivo: procura as estruturas universais e necessárias das coisas investigadas. o incompreensível. • Individualizador: cada coisa ou nos aparece como um indivíduo distinto de outros por possuir qualidades que nos afetam de maneira diferente.

 na qual a criatividade é a  percepção da realidade do autor e a  Estética Gosto interpretação é a sensibilidade do  observador. Mito da  tação “neutralidade” científica. Isenção do cientista  Experimen‐ Observação diante de sua pesquisa. .Modos de Conhecimento 41 Modos de  conhecimento Mito Filosofia Senso comum Arte Ciência Critérios de  Meto‐ Relação sujeito‐objeto verdade dologia Experiência  Relação suprapessoal. Cultura  Relação transpessoal. Relação transpessoal. Relação “impessoal”. na qual a linguagem é  Razão Discurso utilizada para dizer as coisas. moral Relação pessoal. na qual o sagrado se  Fé pessoal revela sobrenaturalmente pelo rito (dramatização do mito). na qual a ideologia é  Ideologias ética e  estabelecida pelas ideias dominantes e pelos  poderes estabelecidos.

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Ed. Joseph (entrevista com Bill Moyers). 13ª edição. O Poder do Mito. 1990. 2006. Moderna. 3ª edição.Referências 43  ARANHA. Pallas Athenas. 2005.  CAMPBELL. Maria Helena. Ática. Marilena. . Temas de filosofia. Maria Lúcia & MARTINS. Ed. Ed. Convite à Filosofia.  CHAUÍ.

Dúvidas? 44 .

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