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O inquérito policial, arquivado por falta de provas, só poderá ser reaberto se surgirem novas provas (súmula n.

524 do Supremo Tribunal Federal). O despacho que arquivar o inquérito é irrecorrível. Cabe recurso nas seguintes hipóteses:

em casos de crime contra a economia popular, caberá recurso de ofício (artigo 7.º da Lei n. 1.521/51); no caso das contravenções previstas nos artigos 58 e 60 do Decreto-lei n. 6.259/44, quando caberá recurso em sentido estrito; do arquivamento determinado de ofício pelo juiz cabe correição parcial.

Se o tribunal der provimento a esses recursos, o inquérito policial será remetido ao Procurador-Geral. Se o promotor de justiça requerer a devolução dos autos à polícia para diligências complementares, o juiz poderá, caso discorde, aplicar por analogia o artigo 28 do Código de Processo Penal. Se assim fizer, caberá correição parcial. O pedido de arquivamento feito pelo titular da ação penal privada significa renúncia tácita (causa a extinção da punibilidade). Por fim, salientamos a possibilidade de trancar o inquérito por meio de habeas corpus quando houver indiciamento abusivo ou quando o fato for atípico.

Da Ação Penal

1. DA AÇÃO PENAL

1.1. Conceito Ação penal é o direito de pedir ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. É também o direito público subjetivo do Estado-Administração, único titular do poder-dever de punir, de pleitear ao Estado-Juiz a aplicação do direito penal objetivo, com a conseqüente satisfação da pretensão punitiva.

1.2. Características A ação penal é um: • direito público: visa à aplicação do Direito Penal que é público;

São elas: • representação do ofendido e requisição do ministro da Justiça.• • • direito subjetivo: pertence a alguém que pode exigir do Estado-Juiz a prestação jurisdicional.3. Possibilidade jurídica do pedido A providência pedida ao Poder Judiciário só será viável se o ordenamento. a lei penal material deve cominar. É a legitimação para ocupar os pólos da relação jurídica processual. Condições Específicas da Ação Ao lado das condições que vinculam a ação civil. direito abstrato: independe do resultado do processo. 1. Interesse de agir Consiste na necessidade do uso das vias jurisdicionais para a defesa do interesse material pretendido e na sua adequação ao provimento pleiteado. Condições Genéricas da Ação 1. o pólo ativo é ocupado pelo ofendido ou seu representante legal. ditas condições específicas de procedibilidade. O Estado exerce por intermédio do Ministério Público seu direito de punir que colide com o direito de liberdade do acusado.3. Por conseguinte. o ofendido age como substituto processual (legitimação extraordinária). expressamente a admitir. pois só possui o direito de acusar (jus accusationis). Assim. O pólo passivo é ocupado pelo provável autor do fato.4. na ação penal privada. uma sanção ao fato narrado na peça inicial. . a doutrina atribui a este algumas condições específicas. Na ação penal pública o pólo ativo é ocupado pelo Ministério Público. a perda do direito material de punir resultou na desnecessidade de utilização das vias processuais. direito autônomo: não se confunde com o direito material tutelado.1.3. No caso da ação penal privada. Nesse caso.3.3. 1. Os legitimados são os titulares dos direitos materiais em conflito.2. sendo que o direito de punir pertence sempre ao Estado. em abstrato. também aplicáveis ao processo penal (explicitadas no item anterior). em abstrato. 1. não será recebida a denúncia quando estiver extinta a punibilidade do acusado. 1. Legitimidade “ad causam” para agir É na lição de Alfredo Buzaid a pertinência subjetiva da ação.

Quando o artigo de lei nada mencionar. Nesses casos. também chamado de “jurisdição sem ação” (verificava -se nas contravenções penais . inciso I. isto é.5. apenas o Órgão Ministerial poderá propor a denúncia (peça inicial de toda a ação penal pública). autorização do legislativo para a instauração de processo contra Presidente da República e Governadores. nas lesões corporais culposas e no homicídio culposo). deve-se observar a lei penal. Ação Penal Pública Incondicionada O Ministério Público independe de qualquer condição para agir.artigo 26 do Código de Processo Penal. Classificação da Ação Penal A par da tradicional classificação das ações em geral.• • • entrada do agente no território nacional. o interesse geral. e por isso independe da vontade de quem quer que seja. por meio de portaria ou pelo auto de . da Constituição Federal). no crime de induzimento a erro essencial ou ocultamento do impedimento. no processo penal é corrente a divisão subjetiva das ações. inciso I. 1. Se o artigo ou as disposições finais do capítulo nada mencionar ou mencionar as expressões “somente se procede mediante representação” ou “somente se procede mediante requisição do ministro da Justiça”. por crimes comuns. Pode ser: incondicionada: nos crimes que ofendem a estrutura social. trata-se de ação penal pública incondicionada. o juiz ou a autoridade policial. Para identificação da matéria incluída no rol de legitimidade exclusiva do Ministério Público. É regra no Direito Penal brasileiro. anule o casamento. A ação penal pública tem como titular exclusivo (legitimidade ativa) o Ministério Público (artigo 129. personalíssima ou subsidiária da pública.6. • ação penal privada: nos crimes que afetam a esfera íntima do ofendido A ação penal privada pode ser exclusivamente privada. cautelar e de execução). Somente o Ministério Público pode oferecer a denúncia (artigo 129. 1. em função da qualidade do sujeito que detém a sua titularidade. levando-se em conta a natureza do provimento jurisdicional invocado (de conhecimento. trânsito em julgado da sentença que. Esse princípio extinguiu o chamado procedimento judicialiforme ou ação penal ex officio. da Constituição Federal). por motivo de erro ou impedimento. condicionada: depende de representação do ofendido ou de requisição do ministro da Justiça. Segundo o critério subjetivo a ação penal pode ser: • ação penal pública: exclusiva do Ministério Público (artigo 100 do Código Penal).

3. contribuir para os interesses da Justiça (§ 2. 9. 10. 1. o pedido de arquivamento deve ser motivado (artigo 28 do Código de Processo Penal). e não a faculdade. iniciava a ação penal (não havia denúncia por parte do Ministério Público). Princípio da obrigatoriedade ou legalidade O Ministério Público tem o dever. Esse princípio também foi mitigado pela Lei n. o promotor poderá estar cometendo crime de prevaricação. como ocorre na ação penal privada. inciso LIX. O Ministério Público não tem liberdade para apreciar a oportunidade e a conveniência de propor a ação. Há. 1. Vale lembrar que apesar de a matéria constar no rol de legitimidade exclusiva do Ministério Público. viabilizar a apreensão da droga ou que. pois a vítima pode ingressar com ação penal privada subsidiária. de ingressar com a ação penal pública.2. Os princípios que regem a ação penal pública incondicionada são os seguintes: 1. outra exceção ao princípio da obrigatoriedade.1. ao agente que revelar a existência de organização criminosa.6. No caso de inércia do Ministério Público. A Lei n. O artigo 564. Devendo denunciar e deixando de fazê-lo. o Ministério Público não pode desistir (artigo 42 do Código de Processo Penal). pode o ofendido ou seu representante legal ingressar com ação penal privada subsidiária da pública (artigo 5.409/02 (nova Lei de Tóxicos) introduziu o instituto da revelação eficaz. o Ministério Público pode oferecer a transação. ainda.6. permitindo ao Ministério Público deixar de propor a ação penal ou requerer a diminuição da pena. quando concluir que houve um fato típico e ilícito e tiver indícios de sua autoria. No caso de infração de pequeno potencial ofensivo. alínea “d”.6.099/95 (referente a crimes de menor . antes de oferecer a denúncia.º. inciso III. O Estado é titular exclusivo do direito de punir e o faz por meio do devido processo legal. Como o Órgão Ministerial tem o dever de ingressar com a ação penal pública. Princípio da oficialidade Os órgãos encarregados da persecução penal são públicos. ensejando a prisão de um ou mais de seus membros. Para esses dois casos vigora o princípio da discricionariedade regrada. um acordo com o autor do fato. Princípio da indisponibilidade Depois de proposta a ação. 9. este princípio sofre relativização.º do artigo 32). Esse princípio foi mitigado com a entrada em vigor da Lei n.099/95 (artigos 74 e 76). do Código de Processo Penal prevê que o Ministério Público deve manifestar-se sobre todos os termos da ação penal pública. da Constituição Federal). se o parquet não oferecer a denúncia no prazo legal.prisão em flagrante. de qualquer maneira. O Ministério Público é titular exclusivo da ação penal pública.

Sem estas condições. pois o Ministério Público pode optar por processar apenas um dos ofensores. Esse princípio também é aplicável à ação penal privada (artigo 48 do Código de Processo Penal). qual vai processar. 1. Alguns doutrinadores. A condição exigida por lei pode ser a representação do ofendido ou a requisição do ministro da Justiça. entendem que à ação penal pública aplica-se o princípio da divisibilidade. Princípio da oficiosidade Os encarregados da persecução penal devem agir de ofício. 1. nem sequer poderá ser instaurado inquérito policial. ao juiz de Direito ou à autoridade . o Ministério Público pode propor ao acusado a suspensão condicional do processo. deve apenas expressar. conforme artigo 89. 1. Esse também é o entendimento da jurisprudência. Ação Penal Pública Condicionada Apesar de o Ministério Público ser o titular exclusivo da ação (somente ele pode oferecer a denúncia).1. de maneira inequívoca.6. Sem essa autorização. optando por coletar maiores evidências para processar posteriormente os demais. Pode ser dirigida ao Ministério Público.6. salvo nas hipóteses em que a ação penal pública for condicionada à representação ou à requisição do ministro da justiça.5. dentre os indiciados. independentemente de provocação.6.7. Somente estes podem ser processados (não pode ser contra os pais ou representante legal do autor ou partícipe). no entanto. Decorre do princípio da obrigatoriedade. A representação não exige formalidades.6. 1. deve o ofendido ou seu representante legal representar ao Ministério Público para que este possa ingressar em juízo. Representação do ofendido Representação é a manifestação de vontade do ofendido ou de seu representante legal. Princípio da intranscendência A ação penal não pode passar da pessoa do autor e do partícipe. autorizando o Ministério Público a ingressar com a ação penal respectiva. o Ministério Público não pode oferecer a denúncia.artigo 61).potencial ofensivo e contravenções penais . 1. Princípio da indivisibilidade O Ministério Público não pode escolher. Se o artigo ou as disposições finais do capítulo mencionar a expressão “somente se procede mediante representação”. a vontade da vítima de ver seu ofensor processado.4.7. depende de certas condições de procedibilidade para ingressar em juízo.

tal prazo é decadencial (artigo 107.policial (artigo 39 do Código de Processo Penal). Após o oferecimento da denúncia. com prazos independentes (Súmula n.º). do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. ou seja. a representação será irretratável. prescreve que o prazo para a representação. É condição específica da ação penal pública. para apresentar sua representação (artigo 38 do Código de Processo Penal). Pode ser escrita (regra) ou oral. será nomeado um curador especial que verificará a possibilidade ou não da representação. tem admitido este inconveniente procedimento. no entanto. 1. após completar 18 anos.250/67. a nosso ver de forma equivocada. pode o ofendido retratar-se (ou seja. neste caso. prevalece a vontade de quem quer representar. somente seu representante legal pode oferecer a representação. é de três meses. ascendente. § 1. o Ministério Público só oferecerá a denúncia se vislumbrar a materialidade do crime e os indícios de autoria. Assim. da data da publicação ou da transmissão da notícia (Lei n. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente. Tal prazo é contado para oferta da representação e não para o ingresso do Ministério Público com a ação penal. artigo 41. Se a vítima for menor de 18 anos. senão poderá pedir o arquivamento do inquérito policial. deve ser reduzida a termo. inciso IV. Entendemos que não pode haver retratação da retratação (a pessoa retira a representação e depois a oferece de novo – sempre dentro do prazo decadencial de seis meses). caso haja conflito entre os interesses de ambos. Como bem lembra Tourinho Filho.7. a representação contra um suspeito se estenderá aos demais. Em qualquer caso. Esse prazo não se suspende nem se prorroga (artigo 10 do Código Penal). o direito de representação transmite-se ao cônjuge. a vítima terá seis meses para representar ao Ministério Público. Tal prazo não corre contra o menor de 18 anos. Se o ofendido for incapaz e não tiver representante legal o juiz nomeará um curador especial que decidirá se representará ou não. Segundo o artigo 25 do Código de Processo Penal. Se houver conflito entre o interesse do ofendido e o do seu representante legal.2. dispondo de forma diversa. 5. descendente ou irmão (enumeração taxativa). do Código Penal). Se maior de 18 e menor de 21 anos. A jurisprudência. nos crimes de ação pública condicionada por ela regulados. A representação tem natureza jurídica de condição objetiva de procedibilidade. podendo este oferecer a denúncia após os seis meses. desistir da representação) até o oferecimento da denúncia. Requisição do ministro da Justiça . A representação não vincula (obriga) o Ministério Público a ingressar com a ação. no caso do artigo 29. 594 do Supremo Tribunal Federal). isto é. A representação é autorização para a persecução penal de um fato e não de pessoas (eficácia objetiva). tanto ele como seu representante legal têm legitimidade. contado da data do fato. sendo que. podem oferecer a representação e. ou. admitir o contrário “é entregar ao ofendido arma poderosa para fins de vingança ou outros inconfessáveis”. A Lei de Imprensa. A vítima (ou seu representante legal) tem o prazo de seis meses da data do conhecimento da autoria (e não do crime).

Tem natureza jurídica de condição de procedibilidade e. do Código Penal). a doutrina apresenta duas orientações: • segundo o Prof. Damásio de Jesus. AÇÃO PENAL PRIVADA 1.º.º. § 3. Sobre o assunto. deve-se aplicar a analogia com o instituto da representação (artigo 25 do Código de Processo Penal). pois o artigo 25 do Código de Processo Penal não prevê tal possibilidade • Ação Penal Privada Denúncia e Queixa 1. entre outros. este pode requerer o arquivamento. inciso I. crime cometido por estrangeiro contra brasileiro. para que o Minis tério Público possa oferecer a denúncia. titular exclusivo do direito de punir (artigo 129. Conceito É a ação proposta pelo ofendido ou seu representante legal. pode fazê-lo a qualquer tempo (não se sujeita aos seis meses de prazo como na representação). . do Código Penal).Requisição é o ato político e discricionário pelo qual o ministro da Justiça autoriza o Ministério Público a propor a ação penal pública nas hipóteses legais. A requisição é autorização para a persecução penal de um fato e não de pessoas (eficácia objetiva). A doutrina entende que os casos de ação penal pública condicionada à requisição do ministro da Justiça são casos em que a conveniência política em instaurar a persecução penal se sobrepõe ao interesse de punir os delitos. sendo. combinado com o artigo 145. A lei silencia sobre a possibilidade de retratação. fora do Brasil (artigo 7. alínea “b”. segundo outra parte da doutrina. é necessária tal formalidade. Se o artigo ou as disposições finais do capítulo mencionar a expressão “somente se procede mediante requisição do Ministro da Justiça”. Podemos citar as seguintes hipóteses de requisição: • • crimes contra a honra praticados contra o Presidente da República (artigo 141. por razões de política criminal. como a representação. O Estado. portanto. da Constituição Federal). possível a retratação.1. não vincula o Ministério Público a oferecer a denúncia. O ministro da Justiça não tem prazo para oferecer a requisição. inciso I. a requisição é irretratável. parágrafo único.

ou de dar prosseguimento à acusação. observada a preferência do artigo 36 do Código de Processo Penal. Espécies de Ação Penal Privada  Ação penal exclusivamente privada: é aquela proposta pelo ofendido ou seu representante legal. a queixa será exercida apenas pelo ofendido.outorga ao ofendido o direito de ação. sob pena de perempção (artigo 60. do Código Penal). descendente ou irmão (artigo 31). excluindo-se a figura do representante legal. passa a seu cônjuge. o direito de queixa. Conforme entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal. é claro. Titular Se o ofendido for menor de 18 anos. que permite. ascendente. Exemplo: adultério (artigo 240 do Código Penal). Ação penal privada subsidiária da pública: aquela proposta pelo ofendido ou por seu representante legal na hipótese de inércia do Ministério Público em oferecer a denúncia. ou retardado mental. defende o interesse do Estado na repressão dos delitos. ao ascendente. a ação subsidiária não tem lugar na hipótese de arquivamento de inquérito policial. nomeado para o ato (artigo 33 do Código de Processo Penal). ocorre legitimação ordinária porque é o Estado soberano. Na ação penal pública. conforme a Súmula 594 do Supremo Tribunal Federal. que movimenta a ação. por meio do Ministério Público.2. em nome próprio. no caso de morte do ofendido. inciso II). induzimento a erro essencial (artigo 236. se mentalmente incapaz. 1. mas não o direito de punir. Se maior de 18 e menor de 21 anos. ele transfere ao particular a iniciativa da ação. só podendo assumir a ação no caso de abandono pelo querelante. a transferência do direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação ao cônjuge.   . Substituição Processual O Estado é o titular exclusivo do direito de punir. desde que o façam no prazo de sessenta dias. Se maior de 21 anos. salvo. ou seus interesses colidirem com os deste último. e não tiver representante legal. parágrafo único. 1. o direito de queixa é titularizado por cada um deles. falecendo o ofendido. Ação penal privada personalíssima: é aquela que só pode ser promovida única e exclusivamente pelo ofendido. Assim. o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial. ao descendente ou ao irmão (artigo 31 do Código de Processo Penal). 1. Nas hipóteses de ação penal privada. portanto. Exercida a queixa pela primeira delas.4. O ofendido.3. ou de declaração de ausência. nada há que se fazer a não ser aguardar a extinção da punibilidade do agente. A doutrina considera esse rol taxativo e preferencial. No caso de morte do ofendido. em nome próprio. independentemente. No caso de ação penal privada personalíssima. defende interesse alheio (legitimação extraordinária). as demais se acham impedidas de fazê-lo. O ofendido. o direito de ação é intransferível. ou mentalmente enfermo.

Mirabete . A decadência do direito de queixa subsidiária não extingue a punibilidade. por meio do perdão ou da perempção (artigos 51 e 60 do Código de Processo Penal. Prazo Em regra. O Ministério Público não pode aditar a queixa para nela incluir os outros ofensores. É um prazo decadencial.3.º. não o dever de propor a ação penal. 1. mesmo após os seis meses. Tratando-se de ação penal privada subsidiária. Trata-se de prazo de direito material contado de acordo com o artigo 10 do Código Penal. o Ministério Público pode oferecer a denúncia a qualquer tempo. o prazo será de seis meses a contar do encerramento do prazo para o Ministério Público oferecer a denúncia. Interrompe-se com o oferecimento da queixa.5. A desistência com a aceitação do ofendido equivale ao perdão. Princípio da disponibilidade O ofendido pode desistir ou abandonar a ação penal privada até o trânsito em julgado da sentença condenatória. computando-se o dia do começo e excluindo-se o do final.2.1. é obrigado a interpor contra todos (artigo 48 do Código de Processo Penal). § 2. o prazo para o oferecimento da queixa é de seis meses a contar do conhecimento da autoria. O recebimento interrompe a prescrição. 1. respectivamente). não se prorroga se terminar no domingo ou feriado. só extingue o direito de ação. 1.6. do Código de Processo Penal. porque estaria invadindo a legitimação do ofendido. Princípio da conveniência ou oportunidade O ofendido tem a faculdade. pois seu decurso leva à extinção do direito de queixa. Princípios da Ação Penal Privada 1. mas. e não com o seu recebimento. o aditamento é possível com base no artigo 46. entretanto. Para Tourinho Filho. se o fizer. A decadência não extingue o direito de punir (o que leva tal direito à extinção é a prescrição).6. Princípio da indivisibilidade O ofendido é obrigado a incluir na queixa todos os ofensores. A decadência extingue o direito de ação (queixa) e o direito de representação (nas ações públicas condicionadas).6. A exclusão voluntária na queixa-crime de algum ofensor acarreta a rejeição da peça inicial em face da ocorrência da renúncia tácita no tocante ao não incluído – esta causa extintiva da punibilidade comunica-se aos demais querelados (artigo 49 do Código de Processo Penal).1.6. Não é obrigado a apresentar a queixa. portanto.

Não havendo dados para a qualificação do acusado. O réu se defende dos fatos e não da acusação jurídica (juria novit curia – o juiz conhece o direito). a denúncia deverá fornecer seus dados físicos (traços característicos). sendo irrelevante a classificação jurídica destes. se a deficiência inviabilizar o exercício do direito de defesa. sua narração incompleta acarreta a nulidade da denúncia. é necessária a descrição da conduta de cada um. ao receber a denúncia.6. nos termos do artigo 45 do Código de Processo Penal. sob pena de preclusão. como nos seguintes casos: crimes de autoria coletiva (praticados por multidão). podendo ser suprida até a sentença (artigo 569 do Código de Processo Penal). delitos societários (diretores se escondem atrás da pessoa jurídica). Requisitos da Denúncia (artigo 41 do Código de Processo Penal)  Endereçamento: o endereçamento equivocado caracteriza mera irregularidade. não há ainda prova produzida pelo crivo do contraditório. o rol poderá ser apresentado aguardando-se que o juiz proceda à oitiva considerando as testemunhas como suas. sanável com a remessa dos autos ao juiz competente. o recebimento é uma decisão de mera prelibação. Na hipótese de concurso de agentes (co-autoria e participação). o réu defende-se dos fatos a ele imputados. Classificação jurídica dos fatos: a correta classificação do fato imputado não é requisito essencial da denúncia. o Ministério Público deve fazer o aditamento. O que limita a sentença são os fatos. A omissão de alguma circunstância acidental não invalida a queixa ou a denúncia. dar uma classificação jurídica diversa da contida na exordial porque a fase correta para isso é a sentença (artigo 383 do Código de Processo Penal). por exemplo).4. sem o exame aprofundado da prova. 1. Princípio da intranscendência Trata-se de princípio constitucional que impõe que a ação penal só pode ser ajuizada contra o autor do fato e nunca contra os seus sucessores.  . Rol de testemunhas: a denúncia é o momento oportuno para o arrolamento das testemunhas.1. DENÚNCIA E QUEIXA 2. pois não vincula o juiz que pode dar aos fatos definição jurídica diversa.entende que no caso de não-inclusão involuntária de ofensor na queixa-crime (por desconhecimento da identidade do co-autor. Descrição completa dos fatos em todas as circunstâncias: no processo penal. A jurisprudência já abriu exceções para não inviabilizar a persecução penal. O juiz não pode. 2. sempre que possível.      Qualificação do denunciado: individualização do acusado. Perdida a oportunidade. desde que possível.

5. pede-se a condenação do segundo subsidiariamente (princípio da eventualidade). necessária procuração. 2. o prazo é de 5 dias. O excesso de prazo não invalida a denúncia. Segundo a Súmula n. crime previsto na lei de tóxico: 3 dias (salvo no caso dos crimes definidos nos artigos 12. Na procuração. A finalidade de a procuração outorgada pelo querelante conter o nome do querelado e a descrição do fato criminoso é a de fixar eventual responsabilidade por denunciação caluniosa no exercício do direito de queixa. a denúncia alternativa não deve ser aceita. crime contra a economia popular: 2 dias. nessa hipótese. A denúncia alternativa é inepta. 2. A falta acarreta mera irregularidade. 2. Assinatura: a falta não invalida a peça se não houver dúvidas quanto a sua autenticidade. não sendo. isentará o procurador de responsabilidade por eventual imputação abusiva. Requisitos da queixa São os mesmos requisitos da denúncia. em conjunto com seu advogado. devem constar os poderes especiais do procurador. Prazo para a Denúncia (artigo 46 do Código de Processo Penal) O prazo é de 15 dias se o indiciado estiver solto. de maneira que. Se estiver preso. pois inviabiliza o direito de defesa. basta que fique implícito o pedido. Pedido de condenação: não se exige fórmula sacramental (“peço a condenação”). o fato criminoso e o nome do querelado. Prazo para a Queixa (artigo 38 do Código de Processo Penal) . 13 e 14.2. Nome. não comprovado o primeiro fato. abuso de autoridade: 48 horas. em que o prazo será de 6 dias) 2. 1 das mesas de Processo Penal da Universidade de São Paulo. Prazos especiais: • • • • crime eleitoral: 10 dias. Omissões Podem ser suprimidas até a sentença (artigo 569 do Código de Processo Penal). acrescida a formalidade do artigo 44 do Código de Processo Penal.4. cargo e posição funcional do denunciante: só haverá nulidade quando essa falta inviabilizar por completo a identificação da autoria da denúncia.   Denúncia alternativa é a descrição alternativa de fatos.3. podendo provocar o relaxamento da prisão. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a assinatura do querelante na queixa.

o Ministério Público poderá.6.Seis meses. O artigo 43. ou ainda na fixação da pena (artigo 45 do Código de Processo Penal). a contar do recebimento dos autos pelo órgão ministerial. pois estaria invadindo a legitimidade do ofendido.7. Nesse caso. Tão logo se obtenham os dados identificadores necessários. Faz coisa julgada material (artigo 43. O Ministério Público não poderá incluir na queixa outros ofensores se o querelante optou por não processar os demais. contados do dia em que o ofendido vier a saber quem é o autor do crime.7. além de aditar a queixa. por força do princípio da indivisibilidade (artigo 48 do Código de Processo Penal). a contar do esgotamento do prazo para o oferecimento da denúncia. não se trata de renúncia tácita. do Código de Processo Penal faz coisa julgada material (não pode ser oferecida a denúncia novamente). 2. que se estende aos querelados. Aditando ou não a queixa. 2.2. há renúncia tácita do direito de queixa e conseqüente extinção da punibilidade dos que não foram processados. Ilegitimidade de parte . Quando o fato narrado evidentemente não constituir crime O juiz rejeitará a denúncia quando concluir que o fato narrado é atípico ou que está acobertado por causa de exclusão de ilicitude. 2. Causas de Rejeição da Denúncia ou Queixa 2. o ofendido deverá aditar a queixa incluindo o indigitado. inciso I.7. Quando já estiver extinta a punibilidade do agente Falta uma condição da ação. Aditamento da Queixa O Ministério Público pode aditar a queixa para nela incluir circunstâncias que possam influir na caracterização do crime e na sua classificação. do Código de Processo Penal). que é o interesse de agir. No caso de ação penal privada subsidiária. o prazo será de seis meses. o Ministério Público deverá intervir em todos os termos do processo. agora sim. sob pena de. porque falta uma condição da ação – uma verdadeira impossibilidade jurídica do pedido.7. repudiá-la. Tratando-se de ação penal privada subsidiária da pública. 2. sob pena de nulidade. O prazo para aditamento da queixa pelo Ministério Público é de três dias.3. oferecendo denúncia substitutiva (artigo 29 do Código de Processo Penal). de não inclusão injustificada. No caso de não inclusão justificada (desconhecimento da identidade do co-autor.1. inciso II. incorrer em renúncia tácita extensiva a todos. por exemplo).

contudo. 2. Quando faltar condição de procedibilidade Exemplo: apresentar a denúncia sem representação quando esta for exigida por lei (artigo 43. Pergunta: A aceitação por parte da vítima da indenização civil gera renúncia? Resposta: Não. no entanto. opera-se a chamada ilegitimidade ad processum (incapacidade processual).7. A renúncia. inciso I. não depende da aceitação do agente.5.ª parte.Quando se verifica impertinência subjetiva da ação (artigo 43. tendo em vista que o Ministério Público jamais pode renunciar a qualquer ação pública. do Código Penal. só poderá existir antes da propositura da ação. por expressa previsão do artigo 104. 2. a homologação judicial do . A renúncia é unilateral. quando o Ministério Público oferece queixa em ação privada. inciso III. é extraprocessual. Ocorre. renuncia a todos. inciso III. tácita: quando a vítima praticar ato incompatível com a vontade de processar (exemplo: o casamento da vítima com o agressor). A única situação de desistência da ação está prevista no artigo 522 do Código de Processo Penal. No caso de dupla titularidade para propositura da ação. quando houver vários réus. Quando faltar justa causa para a denúncia É preciso um mínimo de lastro da existência do crime ou sua autoria (artigo 648. a renúncia de um titular não impede a propositura da ação pelo outro. Nesse caso. do Código de Processo Penal). Só é possível renunciar a uma ação penal privada ou a uma ação penal pública condicionada. por exemplo. obrigatoriamente. a renúncia com relação a um deles implica. ou seja. Existem duas formas de renúncia:   expressa: quando houver uma declaração assinada pela vítima. do Código de Processo Penal). parágrafo único. ou seja. Haverá também ilegitimidade quando um menor de 18 anos ingressar com a queixa em uma ação privada. do Código de Processo Penal). Renúncia É a abdicação do direito de oferecer queixa ou representação. sendo causa extintiva da punibilidade. 2.8. 2.7. No caso de infração penal de menor potencial ofensivo.4. tendo em vista que aquela ocorre antes da propositura da ação e esta depois da propositura da ação. Não se deve confundir renúncia com desistência. A renúncia concedida a um réu estende-se a todos.

por exemplo. Perempção Significa a “morte” da ação penal privada em razão da negligência do querelante. a perempção é automática. não produzirá efeitos e o processo prosseguirá. Admite-se o perdão até o trânsito em julgado final.099/95). a aceitação só produz efeitos se houver concordância do seu representante legal (artigo 54 do Código de Processo Penal). A lei assegura ao querelado o direito de provar sua inocência.9. depende sempre da aceitação do querelado. quando morre o querelante ou torna-se incapaz e nenhum sucessor aparece para dar prosseguimento à ação. O perdão aceito obsta o prosseguimento da ação. havendo oposição do outro. quando o querelante deixa de comparecer a ato em que deveria pessoalmente estar presente. parágrafo único. se algum dos co-réus não o aceitar. entretanto. o perdão antes da ação configura renúncia. O perdão é bilateral. o processo prosseguirá. o perdão concedido por um titular. implica renúncia ao direito de queixa ou representação (artigo 74. causando a extinção da punibilidade. o processo seguirá somente para ele. prevalece a vontade de quem não quer aceitar. Caso não haja aceitação. tácito: quando o querelante praticar ato incompatível com a vontade de processar.   . Verifica-se o perdão após o início da ação. prevalece a vontade de quem não quer perdoar (artigo 52).10. pois. Existem duas formas de perdão:   expresso: quando houver uma declaração assinada pelo querelante. Assim. Se a vítima for maior de 18 e menor de 21 anos (caso em que há dupla titularidade). Perdão do Ofendido É possível somente na ação penal privada. No caso de o querelado ser menor de 21 anos. 9. tecnicamente. 2. realizada na audiência preliminar. como. A doutrina entende que é possível o perdão parcial. perdoar por um crime e não perdoar por outro (a lei é omissa a esse respeito). Assim. São hipóteses de perempção (artigo 60 do Código de Processo Penal):  quando o querelante deixa de promover o andamento do processo por 30 dias seguidos. O perdão concedido a um co-réu estende-se a todos. em 60 dias. tendo em vista que o Ministério Público não pode perdoar o ofendido. tácita: se não se manifestar em três dias. A aceitação do querelado poderá ser:   expressa: quando houver uma declaração assinada.acordo civil. da Lei n. 2.

Trata-se da ação civil ex delicto. assegura ao ofendido. podendo ingressar. para. quando morre o querelante na ação penal privada personalíssima. em seguida. Com o trânsito em julgado da ação penal condenatória. seu representante legal ou seus herdeiros. Assim. nessa instância. basta promover a liquidação do dano. ingressar com a ação de execução civil. O Código de Processo Penal.   Ação Civil “Ex Delicto” 1. . seguindo o Estatuto Penal. quando o querelante é pessoa jurídica que se extingue sem deixar sucessor. sob pena de violação a princípios constitucionais. possibilitando ao ofendido obter a reparação do prejuízo sem a necessidade de propor ação civil de conhecimento. AÇÃO CIVIL “EX DELICTO” Um dos efeitos da sentença penal condenatória é tornar certa a obrigação de reparar o dano causado pelo crime (artigo 91. Assim. Está disposta nos artigos 63 a 67 do Código de Processo Penal. para efeito de reparação do dano ex delicto. Com o trânsito em julgado. não necessitarão aguardar o término da ação penal. é possível o desenvolvimento paralelo e independente de uma ação penal e uma ação civil sobre o mesmo fato. desde logo. inciso I. a discussão do que foi decidido no crime. torna-se prejudicado o julgamento da ação civil. Observação: a coisa julgada produzida no cível pela condenação penal não abrange o responsável civil. Como a responsabilidade civil é independente da penal. se o ofendido ou seus herdeiros desejarem. em seu artigo 63. quando o querelante deixa de pedir a condenação do querelado nas alegações finais. Trata-se de efeito genérico que não precisa ser declarado na sentença penal. com a ação civil reparatória. ao representante legal ou aos herdeiros daquele. É proposta no juízo cível contra o autor do crime ou seu responsável civil. tais como o princípio do contraditório e da ampla defesa. em razão da ocorrência de um delito. impedindo que o autor do fato renove. que pode ser proposta pelo ofendido. a condenação penal imutável faz coisa julgada no cível. o direito de executar no cível a sentença penal condenatória transitada em julgado. do Código Penal). A sentença penal condenatória transitada em julgado funciona como título executivo judicial no juízo cível.