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Denise Miranda Sena Renata Oliveira Santos Imputação em pagamento A imputação em pagamento consiste na modalidade de pagamento que visa

disciplinar a situação do devedor que é obrigado a mais de uma prestação ao mesmo credor e oferece pagamento que não alcança a solução de todas. Ou seja, escolher dentre várias prestações de coisa fungível, devidas ao mesmo credor, qual delas satisfazer. A princípio, a imputação em pagamento leva-nos a pensar que é um instrumento voltado para o benefício do devedor, uma vez que o ajuda a escolher qual dívida pagar, porém não é bem assim. O Código Civil Brasileiro de 2002 adota, para a imputação, uma linha média, em que pretende beneficiar tanto o credor quanto o devedor, podendo inclusive a faculdade de qual dívida pagar ficar nas mãos do credor. Existem três espécies de imputação previstas: A imputação por indicação do devedor; a imputação por vontade do credor e; a imputação em virtude da lei. A imputação por indicação do devedor Art. 352. A pessoa obrigada, por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos. Este artigo apresenta os requisitos da imputação em pagamento, que são: 1) Pluralidade de débitos: É preciso que haja pluralidade de débitos, pois se houver somente uma dívida, não há escolha. Existe também a corrente que defende a imputação em um único débito, entretanto, essa é defendida pela minoria dos doutrinadores, sendo, também, uma vertente rejeitada pela dupla; 2) Identidade dos sujeitos: Identificar credor e devedor. O credor deve ser o titular de todos os créditos e o devedor de todos os débitos, para que se configure a imputação. Mesmo nos casos de solidariedade, em que pode haver pluralidade de pessoas no polo ativo ou passivo, têm que existir as duas partes, o passivo, que é obrigado a todas as prestações e o ativo, que tem o crédito de todas; 3) Débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos: As prestações deverão ser fungíveis entre si, sendo da mesma natureza, líquidas e vencidas, senão elas não serão exigíveis e o credor não terá obrigação de recebêlas. Sobre o requisito dos débitos serem vencidos, há uma discussão entre os doutrinadores acerca, uma parcela acredita que o devedor

reputa-se válida a imputação por vontade do credor. 353: Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento. Se não for constatado nem o uso da violência e nem o dolo. há a transferência dessa para o credor que exercerá na própria quitação. ele não poderá reclamar da imputação por vontade do credor. As dívidas condicionais são inimputáveis antes do implemento da c onditio. 354: “Havendo capital e juros. De acordo com o artigo 323 “Sendo a quitação do capital sem reserva dos juros. C) se o credor estiver de acordo com a imputação. exceto nos casos que sejam provados dolo ou violência.poderá imputar em uma dívida vincenda só e somente se: A) ela for da mesma natureza que as outras. estes presumem-se pagos.”. não terá direito a reclamar contra a imputação feita pelo credor. Analisemos então o art. não quando é em benefício do credor. e depois no capital. então. quando este é em beneficio do devedor. se o devedor pagasse o capital primeiro o credor ficaria prejudicado. O artigo 354 ressalta ainda a valorização da vontade das partes. o pagamento efetuado deve ser suficiente para extinguir qualquer das dívidas. A dívida a termo suporta imputação antes do vencimento. 4) Suficiência do pagamento para solver qualquer das dívidas: Uma vez que o credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida (art. B) o devedor obtiver vantagens ou descontos com a antecipação do pagamento e. De acordo com Cáio Mário “Reconhecida. e o credor só tem a imputação subsidiária. A imputação por vontade do credor Caso o devedor não utilize a faculdade de escolher qual das dívidas deverá ser paga. Uma vez que o capital gera os juros. que podem dispor o contrário. conforme o artigo 353: Art. o pagamento imputarse-á primeiro nos juros vencidos. Se o devedor aceitar a quitação.”. a imputação de pagamento ao devedor. ou se o credor passar a quitação por conta do capital. se aceitar a quitação de uma delas. salvo estipulação em contrário. 313). nada mais justo que defender os direitos do credor de receber e continuar gerando juros.”. ou se o credor passar a quitação por conta do capital. A imputação em virtude da lei . salvo provado haver ele cometido violência ou dolo. não se pode deixar de conceder ao credor certas faculdades. Lembrando que um dos requisitos da imputação é que as dívidas estejam vencidas.

quando o código civil de 1916 ainda era vigente. entretanto. se nenhum deles indicar qual é a dívida a ser paga. esta se fara nas dividas liquidas e vencidas em primeiro lugar. IV. a que tenha algum agravante. podem-se enumerar os critérios para a imputação em virtude da lei: 1) Havendo capital e juros. Por não ser uma situação prevista. Com o advento do atual Código Civil. vencidas ao mesmo tempo e igualmente onerosas. 433 tenha sido revogado é possível a aplicação do mesmo. Contudo. a preferência será das primeiras. o código civil de 2002 não prevê uma solução a tal circunstância. Entende-se por mais onerosa. de acordo com o dispositivo supracitado – o artigo 354 – e também com o artigo 355. 2) Entre dívidas vencidas e não vencidas. a imputação far-se-á nas primeiras. do Código Comercial. no qual se encontrava o dispositivo citado. foi revogada. 4) Se todas forem líquidas e vencidas ao mesmo tempo. 355: Se o devedor não fizer a indicação do art. seguindo a ordem de seus vencimentos. ou seja. isto é. a que é cobrada pelo rito executivo. Alguns doutrinadores. o código italiano e o código português. Art. tais quais o código francês. como a hipoteca ou outro direito real. mesmo que o art. a que tem juros mais elevados. IV: Sendo as dívidas da mesma data e de igual natureza entende-se feito o pagamento por conta de todas em devida proporção. a jurisprudência aplicava. Os dispositivos supracitados descrevem diversas hipóteses em que pode ocorrer a imputação. como Carlos Roberto Gonçalves. a regra do artigo 433. não é previsto a conjetura de todas as dívidas serem líquidas. a primeira parte do Código Comercial. pois é a solução dada por muitos códigos modernos vigentes.Se os sujeitos da obrigação forem omissos. Se as dividas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. 433. a imputação será em virtude da lei. 3) Se algumas forem líquidas e outras ilíquidas. a imputação far-se-á na mais onerosa. a imputação será feita seguindo os critérios previstos na lei. acreditam que. 352. a que tem uma cláusula penal. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. Art. e a quitação for omissa quanto à imputação. pagar-se-á a mais onerosa dentre elas. Rodolfo Pamplona Filho e Pablo Stolze Gagliano. aquela que rende mais juros. . Desconstruindo os artigos 354 e 355. de maneira análoga.

314 do Código Civil diz: Art. o próprio código português. pois o art. não é admissível. n. IV. . 433. por parte. 314: Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. Aceitar os dizeres do inciso IV. em seu artigo 784º. nem o devedor a pagar. se assim não se ajustou. prevê que a solução será a de pagar proporcionalmente todas as dívidas líquidas. 2. 314. o que não acontece no código civil brasileiro. do revogado dispositivo 433 do Código Comercial fere o que está previsto no art. por mais que o código português tenha um item bem similar ao art. vencidas ao mesmo tempo e igualmente onerosas. 314. não pode o credor ser obrigado a receber.É consenso da dupla que a aplicação do já revogado art.