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Docente Responsável: Flávio Chaves

Escola Superior de Tecnologia de Abrantes
2009-2010
INSTALAÇÕES DE
CLIMATIZAÇÃO E
REFRIGERAÇÃO
1ª PARTE
































DOCENTE RESPONSÁVEL: ENG. FLÁVIO CHAVES
ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE ABRANTES
ANO LECTIVO: 2009-2010
MESTRADO EM MANUTENÇÃO TÉCNICA DE
EDIFÍCIOS

INSTITUTO POLITÉCNICO DE TOMAR
INSTALAÇÕES DE CLIMATIZAÇÃO E REFRIGERAÇÃO ii


ÍNDICE

CAPÍTULO 1 ................................................................................................................ 1
1. PSICROMETRIA ................................................................................................... 1
1.1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 1
1.2 FUNDAMENTOS TERMODINÂMICOS ........................................................................... 2
1.3 CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DAS MUDANÇAS DE FASE .............. 4
1.4 AR SECO E AR ATMOSFÉRICO ....................................................................................... 7
1.5 ATMOSFERA PADRÃO ................................................................................................... 11
1.6 HUMIDADE ABSOLUTA E RELATIVA ........................................................................ 12
1.7 TEMPERATURA DE ORVALHO ..................................................................................... 16
1.8 TEMPERATURA DE SATURAÇÃO ADIABÁTICA – TEMPERATURA DE BOLBO
HÚMIDO ....................................................................................................................................... 17
1.9 CARTA PSICROMÉTRICA .............................................................................................. 22
1.9.1 Características Básicas da Carta Psicrométrica. .......................................................... 26
1.9.2 Construção de um Diagrama Psicrométrico ................................................................. 29
1.9.3 Resumo ........................................................................................................................ 31
2. PROCESSOS DE CONDICIONAMENTO DE AR ............................................ 34
2.1 AQUECIMENTO E ARREFECIMENTO SIMPLES ........................................................ 35
2.2 AQUECIMENTO COM HUMIDIFICAÇÃO .................................................................... 37
2.3 ARREFECIMENTO COM DESUMIDIFICAÇÃO ........................................................... 38
2.4 ARREFECIMENTO EVAPORATIVO .............................................................................. 39
2.5 MISTURA ADIABÁTICA DE CORRENTES DE AR ...................................................... 40
2.6 TORRES DE ARREFECIMENTO HÚMIDAS ................................................................. 42
3. EQUAÇÕES PSICROMÉTRICAS ..................................................................... 43
3.1 NOTAÇÃO ......................................................................................................................... 43
3.2 EQUAÇÕES ASAE ............................................................................................................ 44
3.2.1 Linha de Saturação, P
vs
em Função de T ..................................................................... 44
3.2.2 Linha de Saturação, T em Função de P
vs
..................................................................... 44
3.2.3 Calor Latente de Sublimação no Estado de Saturação ................................................. 44
3.2.4 Calor Latente de Vaporização no Estado de Saturação ............................................... 45
3.2.5 Linha de Bolbo Húmido ............................................................................................... 45
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3.2.6 Humidade Absoluta ...................................................................................................... 45
3.2.7 Volume Específico ....................................................................................................... 45
3.2.8 Entalpia ........................................................................................................................ 46
3.2.9 Humidade Relativa ....................................................................................................... 46
3.3 ASHRAE ............................................................................................................................. 46
3.3.1 Pressão de Vapor no Estado de Saturação ................................................................... 46
3.3.2 Humidade Relativa ....................................................................................................... 47
3.3.3 Humidade Absoluta ...................................................................................................... 47
3.3.4 Volume Específico ....................................................................................................... 47
3.3.5 Entalpia ........................................................................................................................ 47
3.3.6 Temperatura de Orvalho .............................................................................................. 47
3.3.7 Temperatura de Bolbo Húmido .................................................................................... 47


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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1: Diagrama T-v do processo de aquecimento da água à pressão atmosférica (P =1 atm). .. 4
Figura 1.2: Diagramas T vs. v e P vs. v. ............................................................................................... 5
Figura 1.3: Diagrama T-v para processos de mudança de fase a pressão constante de uma substância
pura (valores da água). ......................................................................................................................... 5
Figura 1.4: Representação do ponto crítico num diagrama T-v. .......................................................... 6
Figura 1.5: Diagrama de fases para a água (sem escala). .................................................................... 6
Figura 1.6: Lei de Amagat. .................................................................................................................. 9
Figura 1.7: Lei de Dalton das pressões parciais. ................................................................................ 11
Figura 1.8: Diagramas T-s. ................................................................................................................ 14
Figura 1.9: Arrefecimento do ar húmido a pressão constante e à temperatura de orvalho. ............... 16
Figura 1.10: Representação no diagrama T-s de um processo de saturação adiabático. ................... 18
Figura 1.11: Representação do termómetro de bolbo húmido. .......................................................... 20
Figura 1.12: Diagrama Psicrométrico da ASHRAE. ......................................................................... 23
Figura 1.13: Diagrama Psicrométrico da Carrier. .............................................................................. 24
Figura 1.14: Diagrama Psicrométrico de Mollier. ............................................................................. 25
Figura 1.15: Características básicas da carta psicrométrica. .............................................................. 26
Figura 1.16: Representação das temperaturas de bolbo seco, bolbo húmido e de orvalho para o ar
saturado. ............................................................................................................................................. 27
Figura 1.17: Esquema das principais propriedades existentes num diagrama psicrométrico. ........... 27
Figura 2.1: Processos de condicionamento de ar. .............................................................................. 34
Figura 2.2: Esquema representativo de um aquecimento simples. .................................................... 35
Figura 2.3: Processo de arrefecimento com humidade absoluta constante. ....................................... 36
Figura 2.4: Aquecimento com humidificação. ................................................................................... 37
Figura 2.5: Arrefecimento com desumidificação. .............................................................................. 38
Figura 2.6: Arrefecimento evaporativo. ............................................................................................. 39
Figura 2.7: Mistura adiabática de correntes de ar. ............................................................................. 40
Figura 2.8: Esquema representativo de uma torre de arrefecimento. ................................................. 42

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1.1: Composição do ar seco. .................................................................................................... 7
Tabela 1.2: Calor específico do ar seco ............................................................................................... 7
Tabela 1.3: Comparação de valores de entalpia para o vapor de água. ............................................... 9
Tabela 1.4: Atmosfera padrão em função da altitude. ....................................................................... 12
Tabela 1.5: Diagramas psicrométricos recomendados pela ASHRAE. ............................................. 28
Tabela 1.6: Pressão e temperaturas de bolbo seco e bolbo húmido conhecidas. ............................... 32
Tabela 1.7: Pressão e temperaturas de bolbo seco e de orvalho conhecidas. .................................... 32
Tabela 1.8: Pressão, temperatura de bolbo seco e humidade relativa conhecidas. ............................ 33




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CAPÍTULO 1
1. PSICROMETRIA

1.1 INTRODUÇÃO

A Psicrometria é a área da Termodinâmica que trata da quantificação do vapor de água presente na
atmosfera.
A quantificação da humidade atmosférica é importante para o dimensionamento de sistemas de
acondicionamento térmico. A determinação da humidade do ar não é feita a partir de uma
amostragem, que é um procedimento muito utilizado para a quantificação da humidade do solo, na
prática, a humidade do ar é determinada indirectamente por meio da pressão parcial exercida pelo
vapor de água na atmosfera.
A realização de projectos de condicionamento de ar envolve os seguintes passos:

 Conhecimento prévio: das condições higrométricas interior e exterior, de forma a garantir o
bem-estar dos ocupantes e caracterizar as perdas ou ganhos de energia que os sistemas de ar
condicionado devem anular.
 Determinação das cargas térmicas de aquecimento e arrefecimento dos ambientes interiores.
 Dimensionamento e selecção de equipamentos de condicionamento de ar que devem ser
instalados.

Se a temperatura de uma substância desce abaixo da temperatura crítica, a fase gasosa é usualmente
designada por vapor. O termo vapor refere-se a um estado gasoso que está próximo da zona de
saturação da substância, o que pode conduzir à ocorrência de condensação durante o processo.
Em engenharia encontram-se várias misturas gás-vapor, sendo a mais utilizada, na prática, a mistura
ar-vapor de água.
O ar húmido é uma mistura de ar e vapor de água. O seu estudo, como foi dito, tem em
consideração os possíveis efeitos de vaporização e condensação da água.

Para conhecermos o seu estado necessitamos saber os valores de temperatura, humidade e pressão
total.

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1.2 FUNDAMENTOS TERMODINÂMICOS

A passagem do estado físico sólido a líquido e do estado físico líquido a gasoso ocorre mediante
absorção de calor. O processo inverso dá-se com rejeição de calor. Mais ainda, as mudanças de
estado físico são sempre acompanhadas por uma variação de volume, que é normalmente pequena
na passagem de sólido a líquido, mas bastante grande na passagem de líquido a vapor.

Calor Sensível – Quantidade de calor que deve ser acrescentada ou retirada de um recinto devido à
diferença de temperatura entre o exterior e o interior, a fim de fornecer as condições de conforto
desejadas. Esse calor é introduzido no recinto de diversas maneiras: por condução, pelo Sol
directamente, pelas pessoas, pela iluminação pelo ar exterior, etc.
Como o próprio nome indica, calor sensível é o calor que se sente, é a propriedade que pode ser
medida pelo termómetro comum.

Calor Latente – Quantidade de calor que se acrescenta ou retira de um corpo, causando a sua
mudança de estado, sem mudar a temperatura: é o calor absorvido que provoca a evaporação da
água ou de outros líquidos. Por exemplo: a água no estado sólido precisa de 80 kcal por kg para
passar para o estado líquido a 0 ºC. Enquanto se fornece essa quantidade de calor, a temperatura da
água permanece constante, ou seja, a 0 ºC.
O corpo humano emite ou recebe calor sensível e calor latente, que é o calor necessário para
vaporizar a transpiração e a respiração, permanecendo constante o calor total. O calor total é a soma
do calor sensível e do calor latente.

Durante uma transformação isobárica, o calor transferido é igual à variação de entalpia do fluido,
( )
2 1
Q m h h = ⋅ − . Por outro lado, como vamos verificar, uma mudança de fase efectuada a
pressão constante é sempre isotérmica, sendo indiferente o sentido da mudança ou o tipo de
mudança.
Ou seja, uma dada substância sujeita a uma determinada pressão funde (ou solidifica) a uma
temperatura bem definida, e vaporiza (ou condensa) a uma outra temperatura perfeitamente
definida.
Por exemplo, todos sabemos que a água à pressão atmosférica solidifica à temperatura de 0 ºC e
vaporiza (ou condensa) à temperatura de 100 ºC.

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Temperatura de Saturação, T
sat
– O termo significa a temperatura à qual se dá a vaporização de
uma substância pura para uma dada pressão. Esta pressão é conhecida por “pressão de saturação”
para a temperatura dada, P
sat
. Assim, para a água, a 100 ºC, a pressão de saturação é de
101,325 kPa, e para a água a 101,325 kPa de pressão, a temperatura de saturação é de 100 ºC. Para
uma substância pura existe uma relação entre a pressão de saturação e a temperatura de saturação
correspondente.

Líquido Saturado – Se uma substância se encontra como líquido à temperatura e pressão de
saturação diz-se que ela está no estado de líquido saturado. Portanto, um líquido prestes a vaporizar
denomina-se líquido saturado e qualquer adição de calor provocará a vaporização de uma parte do
líquido, ou seja, o processo de mudança de fase de líquido para vapor está prestes a acontecer.

Líquido Subarrefecido – Se a temperatura do líquido é menor que a temperatura de saturação para
a pressão existente, o líquido é designado por líquido subarrefecido (significa que a temperatura é
mais baixa que a temperatura de saturação para a pressão dada), ou líquido comprimido,
(significando que a pressão é maior que a pressão de saturação para a temperatura dada). Sob estas
condições a água existe na fase líquida, estando distante do ponto de vaporização.

Título (x) – Quando uma substância é constituída por uma parte líquida e outra parte vapor, vapor
húmido. A relação entre a massa de vapor seco existente no vapor húmido e a massa total desse
mesmo vapor húmido é designada por título. O valor do título varia entre zero, para o estado de
líquido saturado, e 1, para o estado de vapor saturado. Matematicamente:

= =
+
v v
v l t
m m
x
m m m
(0.1)

Duma maneira geral, podemos afirmar que 1 kg de vapor húmido com um título x é constituído por
x kg de vapor seco e (1 – x) kg de líquido saturado. Podemos ainda dizer que só os x kg de vapor
seco é que receberam a energia necessária para passarem a vapor (entalpia de vaporização), uma
vez que os restantes (1 – x) kg ainda se encontram na fase líquida.

Vapor Saturado – Se uma substância estiver completamente no estado de vapor à temperatura de
saturação, é designada por “vapor saturado”, e neste caso o título é igual a 1 ou 100 %, pois a
massa total (m
t
) é igual à massa de vapor (m
v
).
Vapor Sobreaquecido – Quando o vapor está a uma temperatura maior que a temperatura de
saturação é designado por “vapor sobreaquecido”. A pressão e a temperatura do vapor
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sobreaquecido são propriedades independentes, e neste caso, a temperatura pode ser aumentada para
uma pressão constante.

Na vida quotidiana, a palavra água implica água líquida, e a palavra vapor implica vapor de água.
No entanto, em Termodinâmica, tanto água como vapor traduzem um único conceito – H
2
O.

Figura 1.1: Diagrama T-v do processo de aquecimento da água à pressão atmosférica (P = 1 atm).

1.3 CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES ACERCA DAS MUDANÇAS DE FASE

Durante a mudança de fase de líquido-vapor a pressão constante, a temperatura mantém-se
constante; pelo que observamos a formação de patamares de mudança de fase num diagrama de
propriedades termodinâmicas segundo os planos T vs. v ou P vs. v, como ilustrado na Figura 1.2.
Quanto maior a pressão à qual ocorre a mudança de fase líquido-vapor maior será a temperatura.

Aumentando-se a pressão, observa-se no diagrama que, as linhas de líquido saturado e vapor
saturado se encontram. O ponto de encontro dessas duas linhas define o chamado “Ponto Crítico”.
Pressões mais elevadas que a pressão do ponto crítico resultam na mudança de fase de líquido para
vapor sobreaquecido, sem a formação de vapor húmido.


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Figura 1.2: Diagramas T vs. v e P vs. v.

A linha de líquido saturado é ligeiramente inclinada em relação à vertical pelo efeito da dilatação
volumétrica (quanto maior a temperatura maior o volume ocupado pelo líquido), enquanto a linha
de vapor saturado é fortemente inclinada em sentido contrário devido à compressibilidade do vapor.
A Figura 1.2-b mostra o diagrama P-v, no qual é fácil visualizar as linhas de temperatura constante
e o ponto de inflexão da isotérmica crítica. Exemplo: Ponto Crítico para a água, é:
P
crítica
=22,09 MPa; T
crítica
=374,14 ºC; v
crítico
=0,003155 m
3
/kg

Figura 1.3: Diagrama T-v para processos de mudança de fase a pressão constante de uma substância pura
(valores da água).
Notas:
 No ponto crítico, os estados de líquido e vapor saturados são idênticos.
 A pressões acima do ponto crítico não existe mudança de fase, logo não existe uma linha de
fronteira entre a região de líquido comprimido e vapor sobreaquecido (vd. Figura 1.4). No
entanto, é normal referir-se que para temperaturas acima do ponto crítico a substância é
vapor sobreaquecido e a temperaturas abaixo corresponde a líquido comprimido.
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Figura 1.4: Representação do ponto crítico num diagrama T-v.

Ponto Triplo – Corresponde ao estado no qual as três fases (sólido, líquido e gasosa) se encontram
em equilíbrio (vd. Figura 1.5). Para qualquer outra substância a forma do diagrama é semelhante.

Uma substância na fase vapor com pressão acima da pressão do ponto triplo muda de fase (torna-se
líquido) ao ser arrefecida até a temperatura correspondente na curva de pressão de vapor. Se
arrefecermos ainda mais o sistema será atingida uma temperatura na qual o líquido irá solidificar-se.
Este processo está representado pela linha horizontal 1 → 2 → 3, na Figura 1.5.

Uma substância na fase sólida, com pressão abaixo da pressão do ponto triplo e com valor
constante, ao ser aquecida vai atingir uma temperatura na qual passa da fase sólida directamente
para a fase vapor, sem passar pela fase líquida durante o processo 4 → 5.

Como exemplo, considere-se a pressão e a temperatura do ponto triplo para a água que
corresponde a 0,6113 kPa e 0,01 ºC (273,16 K), respectivamente.

Figura 1.5: Diagrama de fases para a água (sem escala).
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1.4 AR SECO E AR ATMOSFÉRICO

O ar é uma mistura de azoto, oxigénio e de outros gases em pequenas quantidades. O ar atmosférico
contém normalmente algum vapor de água (ou humidade). O ar que não contém vapor de água é
designado por ar seco. (Massa molecular do ar seco: M =28,969 kg/kmol).

Tabela 1.1: Composição do ar seco.
Gás Proporção
[%]
Massa Molecular
[kg/kmol]
Azoto (N
2
) 78,084 28,02
Oxigénio (O
2
) 20,9476 32,00
Dióxido de Carbono (CO
2
) 0,0314 44,00
Hidrogénio (H
2
) 0,00005 2,02
Árgon (Ar) 0,9347 39,91
Outros gases 0,00225 ---

Duma maneira geral, considera-se o ar como uma mistura de vapor de água e de ar seco, onde a
composição do ar seco se mantém praticamente constante, variando a quantidade de vapor de água,
como resultado da condensação e da evaporação.

Na prática, as temperaturas em jogo nas aplicações de ar condicionado variam desde os − 10 ºC até
50 ºC. Nesta gama de temperaturas, o ar seco pode ser tratado como um gás perfeito, e como
estamos a falar em pressão atmosférica, o valor de calor específico permanece constante e igual a
c
p
=1,005 kJ /kg.K (vd. Tabela 1.2: C
p
do ar no intervalo de temperatura –10 a 50ºC, com um erro
inferior a 0,2%)
Tabela 1.2: Calor específico do ar seco
T
[ºC]
c
p

[kJ /kg.K]
−10 1,0038
0 1,0041
10 1,0045
20 1,0049
30 1,0054
40 1,0059
50 1,0065
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Se considerarmos 0 ºC como temperatura de referência, a entalpia e a variação de entalpia do ar
seco podem ser determinadas por:


| |
ar seco
. 1,005. kJ /kg = =
p
h c T T (0.2)

Com, T em [ºC].

Ou,


| |
ar seco
. 1,005. kJ /kg ∆ = ∆ = ∆
p
h c T T (0.3)

A 50 ºC, a pressão de saturação da água é de 12,3 kPa. Ora, para pressões abaixo deste valor, o
vapor de água pode ser considerado como um gás perfeito, sendo o erro desprezável (inferior a
0,2 %), mesmo quando está no estado de vapor saturado.
Por conseguinte, o ar atmosférico pode ser tratado como uma mistura de gases perfeitos, cuja
pressão é a soma da pressão parcial do ar seco, P
a
, e do vapor de água, P
v
(de acordo com a lei de
Dalton).


| | kPa = +
a v
P P P (0.4)

Assim, para baixas temperaturas e pressões, a entalpia do vapor de água no ar pode ser considerada
igual à entalpia de vapor saturado à mesma temperatura. Ou seja,

( ) ( ) ,baixa ≅
v g
h T P h T (0.5)

A entalpia do vapor de água a 0 ºC é 2501,3 kJ /kg. O valor médio de c
p
do vapor de água na gama
de temperaturas de – 10 a 50 ºC pode ser considerado 1,82 kJ /kg.ºC. Assim, a entalpia do vapor de
água pode ser determinada aproximadamente por,

( ) | | 2501,3 1,82. kJ /kg e em ºC ≅ +
g
h T T T (0.6)



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Tabela 1.3: Comparação de valores de entalpia para o vapor de água.
T
[ºC]
h
g

[kJ /kg] Diferença
[kJ /kg]
Tabela A.4
Equação
(1.5)
−10 2482,9 2483,1 −0,2
0 2501,3 2501,3 0
10 2519,8 2519,5 0,3
20 2538,1 2537,7 0,4
30 2556,3 2555,9 0,4
40 2574,1 2574,1 0,2
50 2592,1 2592,3 −0,2

A pressão total é normalmente a atmosférica, na ordem dos 1,013 bar.

O estudo do comportamento de misturas gasosas assenta normalmente em dois modelos: lei de
Dalton, também conhecida por lei das pressões parciais, e a lei de Amagat, conhecida por lei dos
volumes parciais.

A lei de Amagat estabelece o seguinte:

O volume total de uma mistura de gases perfeitos é igual a soma dos volumes que ocupariam
os seus constituintes considerados isoladamente à mesma pressão e à mesma temperatura da
mistura.

Por exemplo, na Figura 1.6 encontra-se representado um recipiente com 3 compartimentos,
separados pelas divisórias instaladas em b e c, contendo cada compartimento um gás diferente.

Figura 1.6: Lei de Amagat.

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Os três gases (X, Y, Z) encontram-se à mesma pressão P
m
e à mesma temperatura T
m
. Cada gás
ocupa um determinado volume representado por V
x
, V
y
e V
z
, respectivamente. Desta forma, se
retirarmos as divisórias obteremos uma mistura dos três gases, cuja pressão será P
m
, temperatura T
m

e cujo volume é dado por:


m x y z
V V V V = + + (0.7)

Nesta mistura, a fracção volumétrica do constituinte X é dada por:


x
x
m
V
C
V
= (0.8)

Ou pela lei de Avogadro,


x x
x
m m
V n
C
V n
= = (0.9)

Onde n
x
representa o número de moles do constituinte X e n
m
o número de moles da mistura. Logo,
para os gases, a fracção volumétrica é igual à fracção molar.

Portanto, para o caso do ar atmosférico, que é constituído por ar seco e vapor de água:

( ) ( ) ( ) , , , = +
a v
V T P V T P V T P (0.10)

Por outro lado, a lei da Dalton estabelece que:

Se uma mistura de gases ocupa um dado volume a uma dada temperatura, a pressão total
exercida pela mistura é igual à soma das pressões parciais dos componentes, cada um
considerado para o mesmo volume e temperatura da mistura. Portanto, a pressão parcial de um
constituinte é a pressão que ele teria se ocupasse, sozinho e à mesma temperatura da mistura, todo o
volume que ela ocupa.
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Figura 1.7: Lei de Dalton das pressões parciais.


m A B C
p p p p = + + (0.11)

Após simplificações:


X X X
X
m m m
P n V
C
P n V
= = = (0.12)

Ou seja, a fracção volumétrica de um gás numa mistura gasosa é também igual à razão entre a
pressão parcial desse gás e a pressão da mistura.



( ) ( ) ( ) , , , = +
a v
P T V P T V P T V (0.13)

1.5 ATMOSFERA PADRÃO

A atmosfera padrão consiste numa referência para se poder caracterizar o ar húmido a várias
altitudes. Ao nível médio da água do mar, a atmosfera padrão é caracterizada por estar a 15 ºC e
sujeita a uma pressão de 101,325 kPa. Na Tabela 1.4 representa-se a temperatura e a pressão em
função da altitude.
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Tabela 1.4: Atmosfera padrão em função da altitude.
Altitude
[m]
Temperatura
[ºC]
Pressão
[kPa]
−500 18,2 107,478
0 15,0 101,325
500 11,8 95,461
1000 8,5 89,874
2000 2,0 79,495
3000 − 4,5 70,108
4000 − 11,0 61,640
6000 − 24,0 47,181
8000 − 37,0 35,600
10000 − 50,0 26,436

1.6 HUMIDADE ABSOLUTA E RELATIVA

Humidade absoluta (ou específica) caracteriza a quantidade de vapor de água presente em uma
unidade de ar seco, sendo representada por w.


kg vapor agua

kg ar seco
(
=
(
¸ ¸
v
a
m
w
m
(0.14)

A humidade absoluta também pode ser determinada por:


.
. 18,015
0,622
.
28,964
.

= = = =

v
v
v v v v
a a
a a
a
a
P
P V
R
R T M P P
w
P V P
P P
R T
R
M
(0.15)

Ou,


0,622.
kg vapor agua

kg ar seco
(
=
(
¸ ¸ −
v
v
P
w
P P
(0.16)

Em que P é a pressão total.
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Considere 1 kg de ar seco: Por definição, o ar seco não contém vapor de água, e por conseguinte a
sua humidade absoluta é zero. Adicione-se agora algum vapor de água a este ar seco. A humidade
absoluta aumentará até ao ponto em que o ar não suportará mais humidade. Neste ponto, o ar diz-se
saturado com humidade, sendo designado por ar saturado. Qualquer humidade introduzida no ar
saturado condensar-se-á.

A quantidade de vapor em ar saturado, a uma dada temperatura e pressão, pode ser determinada a
partir da equação 1.15, substituindo P
v
por P
s
(em que P
s
– pressão de saturação a uma dada
temperatura).

A quantidade de humidade no ar tem um efeito significativo no conforto que sentimos, no entanto, o
grau de conforto depende mais da quantidade de humidade no ar, m
v
, relativamente à quantidade
máxima de humidade que o ar pode suportar à mesma temperatura, m
s
.

O quociente entre estas duas quantidades é designada por humidade relativa, φ.

φ = =
v v
s s
m P
m P
(0.17)

Ou seja, a humidade relativa é o quociente entre a fracção molar do vapor de água, num dado
volume de ar e a fracção molar existente num igual volume de ar saturado à mesma temperatura e
pressão.

Combinando as equações 1.16 e 1.17, podemos expressar a humidade relativa como,


( )
.
0,622 .
0,622. .
.
φ
φ
φ
=
+
=

s
s
wP
w P
P
w
P P
(0.18) (a,b)

A humidade relativa varia desde 0, para ar seco, até 1, para ar saturado.

Se considerarmos a noção de título da mistura, equação (1.1) vem,

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( ) 1 1
φ =
− − ⋅
s
x
P
x
P
(0.19)

A quantidade de humidade que o ar pode suportar depende da temperatura. A temperatura pode ser
medida por um termómetro, de preferência protegido da radiação.

A temperatura húmida obtida por um termómetro embebido numa gaze com água, é uma medida da
humidade existente no ar.
A humidade relativa, definida como a relação entre a pressão do vapor e a pressão de saturação a
essa temperatura, será tanto maior quanto menor for a capacidade do ar em absorver mais vapor.
Esta capacidade crescerá com o aumento da temperatura de uma mistura, permitindo ao ar “diluir”
maior quantidade de vapor.

A uma menor humidade relativa corresponderá uma maior propensão à absorção de mais vapor.
Nessas circunstâncias, a água embebida na gaze tem maior facilidade em se volatilizar, baixando a
temperatura a que o termómetro se encontra.

A temperatura húmida será geralmente inferior à temperatura seca, com uma pressão parcial
superior, conforme se pode ver na Figura 1.8.

A temperatura do ar atmosférico é frequentemente designada por temperatura de bolbo seco.


Figura 1.8: Diagramas T-s.

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O ar atmosférico é uma mistura de ar seco e vapor de água, e por conseguinte a entalpia do ar é
expressa em termos das entalpias respectivas. Na maioria das aplicações práticas, a quantidade de ar
seco na mistura permanece constante, variando a quantidade de vapor de água.
Desta forma, a entalpia do ar atmosférico é expressa por unidade de massa de ar seco, em vez de
unidade de massa de mistura ar-vapor de água. A entalpia total (propriedade extensiva) do ar
atmosférico é a soma das entalpias do ar seco e do vapor de água.

. = + = +
a v a a v v
H H H m H m H (0.20)
Dividindo por m
a
, vem:

. = = + = +
v
a v a v
a a
m H
h h h h wh
m m
(0.21) (a)

Ou,


| | . kJ /kg ar seco = +
a s
h h wh (1.21) (b)

Como já se constatou, o vapor de água presente no ar húmido pode encontra-se ou no estado de
vapor saturado, ou no estado de vapor sobreaquecido. Portanto, a entalpia específica do vapor de
água depende do estado do em este se encontra.

Também já foi referido que na gama de aplicação do ar condicionado, a entalpia do vapor
sobreaquecido não difere muito do valor de entalpia no estado de vapor saturado (daí a justificação
da equação 1.21.a) ser idêntica à 1.21.b)).

Os valores de entalpia do vapor de água saturado e no estado de vapor sobreaquecido encontram-se
largamente difundidos na literatura (tabelas, ábacos – como por exemplo, o diagrama de Mollier),
mas para cálculos de ar condicionado, e à temperatura da mistura, podemos aplicar a equação
(1.22):

( ) | | 1,005 . 2501,3 1,82 kJ /kg ar seco = ⋅ + + ⋅ h T w T (0.22)




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1.7 TEMPERATURA DE ORVALHO

A temperatura de orvalho é definida como a temperatura à qual a condensação se inicia, quando o ar
é arrefecido a pressão constante. Ou seja, a temperatura de orvalho, T
orv,
é a temperatura de
saturação da água correspondente à pressão de vapor.


orv sat
T T = (0.23)


Figura 1.9: Arrefecimento do ar húmido a pressão constante e à temperatura de orvalho.

Como se ilustra na Figura 1.9, à medida que o ar arrefece a pressão constante, a pressão do vapor,
P
v
, permanece constante. Assim, o vapor presente no ar (estado 1) sofre um arrefecimento até
atingir a linha de vapor saturado (estado 2). A temperatura neste ponto é T
orv
e, caso a temperatura
baixe ainda mais promove a formação de algum vapor.
Como consequência, a quantidade de vapor no ar diminui, assim como P
v
. O ar mantém-se saturado
durante o processo de condensação, seguindo o percurso de 100 % de humidade relativa (linha de
vapor saturado). A temperatura corresponderá à temperatura de orvalho do ar saturado.

Exemplo: Embaciamento das janelas de uma casa
Considere uma casa, tal como se mostra na figura, com ar a 20 ºC e 75 % de humidade relativa. A
que temperatura da janela se iniciará a condensação de humidade do ar nas faces interiores dos
vidros?
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1.8 TEMPERATURA DE SATURAÇÃO ADIABÁTICA – TEMPERATURA DE
BOLBO HÚMIDO

A temperatura de bolbo húmido também é conhecida por temperatura de saturação adiabática e
traduz a temperatura à qual, em regime permanente e a pressão constante, a água que se encontra à
temperatura de saturação, T
s
, evapora ou sublima ao entrar em contacto com ar húmido não
saturado. Se o processo de transferência de massa puder ser considerada infinita, o ar pode chegar a
atingir, de forma adiabática, o estado de saturação.

Conhecendo a temperatura de orvalho podemos determinar a pressão de vapor, P
v
, e assim, a
humidade relativa. Este método é simples mas não muito prático.

Outro modo de determinar a humidade relativa ou absoluta está relacionado com um processo de
saturação adiabático (vd. Figura 1.10).

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Figura 1.10: Representação no diagrama T-s de um processo de saturação adiabático.

As equações da conservação de massa de energia para este sistema em regime permanente, com
duas entradas e uma saída, reduzem-se a:

Balanço de massa:

( ) constante seco ar de mássico Caudal
2 1
a a a
m m m    = =


2 1
água f água
m m m    = +

f
m evaporação de taxa a com aumenta ar no água de vapor de mássico Caudal

Ou,

( )
a 1 f a 2 f a 2 1
m.w m m.w m m. w w + = ⇔ = −      (0.24)

Balanço de energia:

( ) 0 e 0 . . = = =
∑ ∑
W Q h m h m
e e i i
 
 
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( )
2
2
1 2 1
1
2
2 2
1
1
. . . . . . . h m h w w m h m h m h m h m
a f a a a f f a
      = − + ⇔ = +

Dividindo por m
a
:

( )
2
1 2 1 f 2
h w w .h h + − = (0.25)

Ou,
( ) ( ) ( )
2
2 2
2
1 2
1
1 1
. . . . .
g p f g p
h w T c h w w h w T c + = − + +

Originando,

( )
2
1 2
p 2 1 2 fg
1
g f
c . T T w .h
w
h h
− +
=

(0.26) (a)
( )
2
2
s
2 2
2 s
0,622.P
w uma vez que 100%
P P
φ = =

(1.26) (b)

Conclui-se que a humidade absoluta (e a humidade relativa) do ar pode ser determinada pelas
equações 1.26.a) e 1.26.b), se medirmos a pressão e a temperatura do ar à entrada e à saída do
saturador adiabático.

Se o ar de entrada no tubo estiver já saturado, então a temperatura de saturação adiabática T
2
será
idêntica à temperatura de entrada T
1
e, neste caso, a humidade absoluta w
1
=w
2
. Em geral, a
temperatura de saturação adiabática estará entre a temperatura de entrada e a de orvalho.

O procedimento descrito exige um tubo muito longo. Um processo mais prático consiste em utilizar
um termómetro cujo bolbo está coberto por uma gaze embebida em água. A temperatura medida
desta forma é designada por temperatura de bolbo húmido, T
bh
(frequentemente utilizada em
aplicações de ar condicionado, vd. Figura 1.11).
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Figura 1.11: Representação do termómetro de bolbo húmido.
A equação 1.25 pode ser rescrita, sob a forma seguinte, onde se tem em consideração as hipóteses
descritas pela Figura 1.10:


( )
( )
( ) ( )
+ − ⋅ =
s bh bh
bh f s T T T
h w w h h (0.27)

Em que,
( ) T
h − Entalpia do ar atmosférico à entrada do “saturador adiabático” [kJ /kg].
s
bh
w − Humidade específica do ar atmosférico à saída do “saturador adiabático”, à temperatura de
bolbo húmido e no estado de saturação [kg de ar seco/ kg de vapor de água].
w − Humidade específica do ar atmosférico à entrada do “saturador adiabático” [kg de ar seco/ kg
de vapor de água].
( )
bh
f T
h − Entalpia da água no estado líquido no “saturador adiabático” e à temperatura de bolbo
húmido [kJ /kg].
( )
bh
s T
h − Entalpia do ar atmosférico à saída do “saturador adiabático”, à temperatura de bolbo
húmido e no estado de saturação [kJ / kg].

Nota:
( )
4,182
bh
f p T
h c T T = ⋅ ⋅  , com T em ºC.

Se houver interesse em determinar a temperatura de orvalho do ar húmido, com conteúdo de
humidade w e à pressão P teremos que saber a temperatura de saturação correspondente ao estado
em que se encontra o ar húmido, ou seja, a solução da função ( ) ,
orv
T P w será obtida com a
resolução da equação ( ) ,
s orv
w P T w = . Por outras palavras,

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( )
0,622

= =
+
s orv v
P w
P T P
w
(0.28)

Nota: A equação 1.28 resulta da equação 1.18.a), em que se considera que a humidade relativa vale
100 %.
O ponto de orvalho também pode ser obtido por via directa, através das equações:


( )
( ) ( )
2 3
0,1984
5,54 14,526 ln
0,7389 ln 0,09486 ln se 0 ºC 70 ºC
0,4569
= + ⋅ + ¹
¦
¦
⋅ + ⋅ + < <
`
¦
+ ⋅
¦
)
orv v
v v orv
v
T P
P P T
P
(0.29) (a)
( ) ( )
}
2
6,09 12,608 ln 0,7389 ln se 0 ºC = + ⋅ + ⋅ <
orv v v orv
T P P T (1.29) (b)

Em que P
v
vem em kPa.

No caso de estarmos com ar saturado, em equilíbrio com água no estado sólido ou no estado
líquido, a pressão de saturação será dada pelas equações 1.30.a) e 1.30.b) respectivamente.

( )
7,625
log 2,7877 se 0 ºC
241
⋅ ¹
= + <
`
+
)
s
T
P T
T
(0.30) (a)

( )
9,756
log 2,7877 se 0 ºC
272,7
⋅ ¹
= + >
`
+
)
s
T
P T
T
(1.30) (b)

Em que T vem em ºC e P
s
vem em Pa.

Ou então podem ser utilizadas as seguintes deduções matemáticas:

Pressão de vapor saturado
A pressão de vapor saturado obtém-se directamente das tabelas de vapor de água, mas pode ser
obtida pela seguinte correlação onde T é em ºC e Pvsat em kPa.

( )
( ) ( )
( )
3142,31
28,59051 8,2log 273,15 0,0024804. 273,15
273,15
10
T T
T
vsat
P T
| |
− + + + − |
|
+
\ .
=

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A temperatura de bolbo seco e a temperatura de bolbo húmido relacionam-se através da seguinte
relação:

( ) ( ) 0,000666.
v vsat BH BS BH
P P T T T = − −

1.9 CARTA PSICROMÉTRICA

O estado do ar atmosférico a uma dada pressão fica completamente especificado por duas
propriedades intensivas independentes. O dimensionamento de um aparelho de ar condicionado
vulgar exige inúmeros cálculos que podem fastidiar mesmo os engenheiros mais pacientes. É
conveniente efectuar esses cálculos apenas uma vez e apresentar os resultados em gráficos de fácil
leitura.

Estes gráficos designam-se por cartas psicrométricas e são extremamente úteis em aplicações de ar
condicionado.











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Figura 1.12: Diagrama Psicrométrico da ASHRAE.




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Figura 1.13: Diagrama Psicrométrico da Carrier.




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Figura 1.14: Diagrama Psicrométrico de Mollier.






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1.9.1 Características Básicas da Carta Psicrométrica.

As temperaturas de bolbo seco são representadas no eixo horizontal, e a humidade absoluta, no eixo
vertical. No lado esquerdo da carta aparece uma curva (linha de saturação), em vez de uma recta.
Todos os estados de ar saturado se localizam nesta curva (correspondente a 100% de humidade
relativa).

As linhas de temperatura de bolbo húmido constante orientam-se para baixo e para a direita.
As linhas de volume específico constante (m
3
/kg ar seco) são semelhantes mas com maior declive.

As linhas de entalpia constante (kJ /kg ar seco) são quase paralelas às linhas de temperatura de bolbo
húmido constante. Por isso, as linhas de temperatura de bolbo húmido são utilizadas, em alguns
gráficos, como linhas de entalpia constante.


Figura 1.15: Características básicas da carta psicrométrica.

Para o ar saturado, as temperaturas de bolbo seco, bolbo húmido e de orvalho são coincidentes (vd.
Figura 1.16).

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Figura 1.16: Representação das temperaturas de bolbo seco, bolbo húmido e de orvalho para o ar saturado.

Portanto, o diagrama psicrométrico consiste na representação gráfica das propriedades do ar
atmosférico, é pois, uma ferramenta de cálculo bastante utilizada em situações de engenharia que o
envolvam.

Figura 1.17: Esquema das principais propriedades existentes num diagrama psicrométrico.
O campo de aplicação dos diagramas psicrométricos depende principalmente da Altitude, pressão
atmosférica local e gama de aplicação da temperatura.

Na Tabela 1.5 apresenta-se uma listagem de diagramas recomendados pela ASHRAE, em função da
altitude, pressão e temperatura.


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Tabela 1.5: Diagramas psicrométricos recomendados pela ASHRAE.

Altitude
[m]
Pressão
[kPa]
Temperatura
[ºC]
1 0 101,325 0 – 50
2 0 101,325 − 40 – 10
3 0 101,325 10 – 120
4 0 101,325 100 – 200
5 750 92,660 0 – 50
6 1500 84,546 0 – 50
7 2250 77,040 0 – 50

Nos casos em que a pressão atmosférica local seja diferente da existente na Tabela 1.5, mas
sensivelmente próxima (± 5 %), o erro que se comete é desprezável.

Em outras situações, em que a diferença já seja significativa, pode-se optar por:

 Recorrer às equações apresentadas ao longo deste capítulo.
 Construir um diagrama psicrométrico para a situação em estudo.
 Interpolar as propriedades entre dois diagramas disponíveis.
 Com base no estado psicrométrico em estudo transpor para um diagrama disponível através
das relações cte ou cte
P
P v
φ
= ⋅ = .

A relação, cte
P
φ
= , resulta da situação de dois estados, 1 e 2, à mesma temperatura e com a mesma
humidade específica, mas a pressões diferentes, apresentarem a mesma relação entre a pressão total
e a humidade relativa. Ou seja,

1 2
1 2
1 2
1 2
1 2
1 2
1 2
0,622
s
s
bh bh
T T
w w
P P P
P P w
P
P
T T
h h
φ φ
φ
¹ =
¦
=
¦
¦
¦
≠ = ⋅ ⇒ =
` ´
¹
¦

=
¦
¦
=
)





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1.9.2 Construção de um Diagrama Psicrométrico

Para se poder construir um diagrama psicrométrico é necessário o conhecimento de duas
propriedades independentes, pois as restantes determinam-se pelas equações aqui apresentadas.

Analisando os diagramas das Figura 1.12, Figura 1.13 e Figura 1.14 verificamos que a humidade
absoluta e a entalpia são propriedades que se representam em função das restantes: temperatura de
bolbo seco, temperatura de bolbo húmido, humidade relativa e volume específico.

Sendo assim, vamos caracterizar, ou melhor, determinar as propriedades psicrométricas do ar
atmosférico:

Temperatura de Bolbo Seco

Determina-se os valores de entalpia, atribuindo valores de temperatura, através da equação 1.22,

( ) | | 1,005 . 2501,3 1,82 kJ /kg ar seco = ⋅ + + ⋅ h T w T

Com,

T – Temperatura de bolbo seco [ºC].
w – Humidade específica [kg ar seco/ kg vapor de água].

Temperatura de Bolbo Húmido

Para determinarmos linhas de T
bh
constante, podemos combinar a equação 1.22 com,

( ) ( ) 2501,3 2,38 1,005
2501,3 1,82 4,182
s
bh bh
bh
w T T T
w
T T
⋅ − ⋅ − ⋅ −
=
+ ⋅ − ⋅





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Originando,

( ) ( )
( )
2501,3 2,38 1,005
1,005 2501,3 1,82
2501,3 1,82 4,182
s
bh bh bh
bh
w T T T
h T T
T T
⋅ − ⋅ − ⋅ −
= ⋅ + ⋅ + ⋅
+ ⋅ − ⋅


Com,

s
bh
w − Humidade específica à Temperatura de bolbo húmido e no estado de saturação [kg ar seco/
kg vapor de água].
T – Temperatura de bolbo seco [ºC].
T
bh
– Temperatura de bolbo húmido [ºC].

Nota:
( )
( )
0,622
bh
s
bh
s T
bh
s T
P
w
P P
= ⋅



Humidade Relativa

Para podermos proceder ao traçado de linhas de humidade relativa constante, teremos que combinar
a equação 1.22, substituindo a humidade específica pela equação 1.16,

( )
0,622
1,005 2501,3 1,82
v
v
P
h T T
P P

= ⋅ + ⋅ + ⋅



Ou, combinando com a equação 1.18.b),

( ) 1,005 0,622 2501,3 1,82
v
v
P
h T T
P P
φ
φ

= ⋅ + ⋅ ⋅ + ⋅
− ⋅


Volume Específico

Para determinarmos o volume específico, recorremos à conjugação da temperatura de bolbo seco
com a equação dos gases perfeitos, ou seja,

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( )
( )
1 1,61
273,15
1 1,61
a a
v
a
R T R T
v w
P P P
P v
T
R w
⋅ ⋅
= = ⋅ + ⋅ ⇔


⇔ = −
⋅ + ⋅


Combinando com a equação 1.22,

( ) ( )
1,005 273,15 . 2501,3 1,82 273,15
1 1,61 1 1,61
a a
P v P v
h w
R w R w
( | | | |
⋅ ⋅
= ⋅ − + + ⋅ −
( | |
| |
⋅ + ⋅ ⋅ + ⋅
(
\ . \ . ¸ ¸


Em que,

P – Pressão Total do ar atmosférico [Pa].
v – Volume específico do ar atmosférico [m
3
/kg].
R
a
– Constante específica do ar seco [J /kg.K].
w – Humidade específica do ar atmosférico [kg ar seco/ kg vapor de água].

A constante específica do ar seco é dada por:
8314,41
J
287,06
kg×K
28,9645
= = =
a
R
R
M
.

Nota: O termo ( ) 1,61 w ⋅ é um valor bastante inferior à unidade, pelo que o seu peso relativo na
equação anterior pode ser desprezável.

1.9.3 Resumo

Como vimos ao longo deste capítulo, a psicrometria passa pela caracterização do estado do ar
húmido. Para tal, é usual acontecer uma das três situações, a seguir sumariadas nas Tabela 1.6 a
Tabela 1.8.

Situação 1: Conhece-se a pressão e as temperaturas de bolbo seco e bolbo húmido.
Situação 2: Conhece-se a pressão e as temperaturas de bolbo seco e de orvalho.
Situação 3: Conhece-se a pressão, a temperatura de bolbo seco e a humidade relativa.

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Tabela 1.6: Pressão e temperaturas de bolbo seco e bolbo húmido conhecidas.
Inputs Outputs
Tabela ou Equação
utilizada
Notas
Pressão, P

Temperatura de
Bolbo Seco, T

Temperatura de
Bolbo Húmido,
T
bh


P
s
(T
bh
)
Tab. A4 ou Eqs.
1.30.a) e 1.30.b)
P
sat
à temperatura
T
bh

w
s
(T
bh
) Eq. 1.16 Usar P
sat
(T
bh
)
w Eq. 1.16
P
s
(T)
Tab. A4 ou Eqs.
1.30.a) e 1.30.b)
P
sat
à temperatura
de bolbo seco, T
w
s
(T) Eq. 1.16 Usar P
s
(T)
x Eq. 1.1
φ Eq. 1.17 Usar P
s
(T)
v −
Resolver a equação
dos gases perfeitos
em ordem a
g
R T
V
v
m P

= =
h Eqs. 1.20 e 1.22
P
v
Eq. 1.17
Resolvendo em
ordem a P
v

T
orv
Tab. A4 ou Eqs.
1.29.a) e 1.29.b)



Tabela 1.7: Pressão e temperaturas de bolbo seco e de orvalho conhecidas.
Inputs Outputs
Tabela ou Equação
utilizada
Notas
Pressão, P

Temperatura de
Bolbo Seco, T

Temperatura de
Orvalho, T
orv


( )
v s orv
P P T =
Tab. A4 ou Eqs.
1.30.a) e 1.30.b)
P
sat
à temperatura
T
orv
(=T
sat
)
w Eq. 1.16
P
s
(T)
Tab. A4 ou Eqs.
1.30.a) e 1.30.b)
P
sat
à temperatura
de bolbo seco, T
w
s
(T) Eq. 1.16 Usar P
s
(T)
x Eq. 1.1 Usar w
s

φ Eq. 1.17 Usar P
s
(T)
v − Ver Tab. 1.6
h Eqs. 1.20 e 1.22
P
v
Eq. 1.17
Resolvendo em
ordem a P
v

T
bh
Tab. A4 ou Eqs.
1.29.a) e 1.29.b)
É necessário
recorrer a um
processo iterativo





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INSTALAÇÕES DE CLIMATIZAÇÃO E REFRIGERAÇÃO 33

Tabela 1.8: Pressão, temperatura de bolbo seco e humidade relativa conhecidas.
Inputs Outputs
Tabela ou Equação
utilizada
Notas
Pressão, P

Temperatura de
Bolbo Seco, T

Humidade
Relativa, φ

( )
v s
P P T =
Tab. A4 ou Eqs.
1.30.a) e 1. 30.b)
P
sat
à temperatura
T
orv
(=T
sat
)
w (T) Eq 1.16
P
sat
à temperatura
de bolbo seco, T
w
s
(T) Eq. 1.16 Usar P
s
(T
sat
)
x Eq. 1.1 Usar w
s

v − Ver Tab. 1.6
h Eqs. 1.20 e 1.22
T
orv
Tab. A4 ou Eqs.
1.29.a) e 1.29.b)

T
bh
Tab. A4 com Eq.
1.17, 1.30.a) ou
1. 30.b)
É necessário
recorrer a um
processo iterativo

Nota: os erros cometidos com a utilização das Tabela 1.6 a Tabela 1.8 conduzem a erros
desprezáveis até à temperatura de 70 ºC (inferiores a 2 %).









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2. PROCESSOS DE CONDICIONAMENTO DE AR

Os processos de condicionamento de ar incluem aquecimento (aumento da temperatura),
arrefecimento (abaixamento da temperatura), humidificação (adição de humidade) e
desumidificação (extracção de humidade). Por vezes é necessário um arranjo de dois ou mais
destes processos.

Figura 2.1: Processos de condicionamento de ar.

Note-se que aquecimentos ou arrefecimentos simples aparecem nestes gráficos como linhas
horizontais, uma vez que o teor de humidade do ar permanece constante (w =constante). O ar
é normalmente aquecido e humidificado no Inverno e arrefecido e desumidificado no Verão.
A maior parte dos processos de condicionamento de ar podem ser analisados em regime
permanente, pelo que as equações de balanço mássico e energético, podem ser expressas para
o ar seco e para a água, como:

Balanço mássico para o ar seco:


| |
, ,
kg/s =
∑ ∑
 
a e a s
m m Equation Section (Next) (1.1)


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Balanço mássico para a água:


água,e água,s a,e e a,s s
m m ou m .w m .w = =
∑ ∑ ∑ ∑
    (1.2)

Balanço de energia em regime permanente:


adm adm e e sai sai s s
Q W m.h Q W m.h + + = + +
∑ ∑
   
  (1.3)

2.1 AQUECIMENTO E ARREFECIMENTO SIMPLES

Nestes sistemas o ar é aquecido por circulação numa conduta onde se insere a tubagem dos
gases quentes, ou a resistência eléctrica (vd.Figura 2.2).

Figura 2.2: Esquema representativo de um aquecimento simples.

A quantidade de humidade no ar permanece constante durante o processo, uma vez que
humidade não é adicionada ou removida do ar. Ou seja, a humidade absoluta do ar permanece
constante (w =constante) durante um processo de aquecimento (ou arrefecimento) sem
humidificação ou desumidificação. Este processo prosseguirá no sentido de uma temperatura
de bolbo seco crescente, através de uma linha de humidade absoluta constante, representada
por uma horizontal no diagrama psicrométrico.
Por outro lado, a humidade relativa do ar diminui durante um processo de aquecimento,
mesmo que a humidade absoluta, w, permaneça constante. Este facto deve-se a que a
humidade relativa é a relação entre o teor de humidade efectivo e o seu teor máximo à mesma
temperatura; ora este teor aumenta com a temperatura.
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Um processo de arrefecimento com humidade absoluta constante é semelhante ao processo
descrito, exceptuando o facto de a temperatura de bolbo seco diminuir e de a humidade
relativa aumentar (vd. Figura 2.3).


Figura 2.3: Processo de arrefecimento com humidade absoluta constante.

As equações de conservação de massa para processos de aquecimento ou de arrefecimento
que não envolvem humidificação ou desumidificação, reduzem-se a
1 2
a a a
m m m = =    , para o ar
seco, e w
1
=w
2
, para a água.
Desprezando o trabalho associado a alguma eventual ventoinha, a equação de conservação de
energia reduz-se a:

( )
2 1 2 1
. ou = − = −


a
Q m h h q h h (1.4)

Em que h
1
e h
2
são as entalpias por unidade de massa de seco à entrada e à saída da secção de
aquecimento, respectivamente.




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2.2 AQUECIMENTO COM HUMIDIFICAÇÃO

Os problemas associados a baixas humidades relativas que resultaram de um simples
aquecimento podem ser ultrapassados se o ar for humidificado. Para tal é necessário fazer
passar o ar por uma zona de aquecimento (processo 1-2), e depois por uma secção de
humidificação (processo 2-3), como se mostra na Figura 2.4.


Figura 2.4: Aquecimento com humidificação.

A localização do estado 3 depende de como é efectuada a humidificação. Se for introduzido
vapor na zona de humidificação, tal resulta num aumento de humidade absoluta com
aquecimento adicional (T
3
>T
2
). Se, em vez disto, a humidificação for efectuada por jactos de
água pulverizada, parte do calor latente de vaporização tem proveniência no ar, o que resulta
num arrefecimento deste (T
3
<T
2
). Neste caso, o ar deve ser levado a uma temperatura mais
alta na zona de aquecimento, para compensar o arrefecimento associado ao processo de
humidificação.





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2.3 ARREFECIMENTO COM DESUMIDIFICAÇÃO

A humidade absoluta do ar permanece constante durante um arrefecimento simples, mas a sua
humidade relativa aumenta. Se a humidade relativa atingir níveis demasiado altos, pode ser
necessário retirar alguma humidade do ar (desumidificá-lo). Para tal, é necessário arrefecer o
ar a uma temperatura inferior ao ponto de orvalho.

Figura 2.5: Arrefecimento com desumidificação.
Na Figura 2.5 podemos ver que entra ar quente e húmido na secção de arrefecimento (estado
1). À medida que passa pelas serpentinas de arrefecimento, a sua temperatura diminui e a
humidade relativa aumenta, com a humidade absoluta constante.
Se a zona de arrefecimento for suficientemente longa, o ar atingirá o seu ponto de orvalho
(estado 2, ar saturado). Um arrefecimento suplementar do ar resulta na condensação de parte
da sua humidade.
O ar permanece saturado durante todo o processo de condensação, que segue uma linha de
100% de humidade relativa até ao estado final (estado 3).
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O vapor de água que se condensa durante este processo é removido da secção de
arrefecimento através de uma saída específica (à temperatura T
3
).
O ar frio e saturado no estado 3 é geralmente dirigido para o espaço a arrefecer, onde se
mistura com o ar aí presente.

2.4 ARREFECIMENTO EVAPORATIVO

O arrefecimento evaporativo baseia-se num princípio simples: à medida que se evapora água,
o calor latente de vaporização é absorvido da água e do ar à volta, garantindo-se desta forma
que tanto o ar como a água são arrefecidos durante o processo.

Figura 2.6: Arrefecimento evaporativo.

Ar quente e seco no estado 1 entra no arrefecedor e atravessa um chuveiro de água líquida.
Parte da água evapora-se no processo, por absorção de calor da corrente de ar (estado 2). Em
situação limite, o ar sai do arrefecedor saturado, no estado 2’ (sendo esta a temperatura mais
baixa que se consegue por este processo).
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O processo de arrefecimento por evaporação é essencialmente idêntico ao processo de
saturação adiabático, dado que a transferência de calor entre a corrente de ar e a vizinhança é
geralmente desprezável. Ou seja, o processo de arrefecimento evaporativo segue uma linha de
temperatura de bolbo húmido constante no diagrama psicrométrico (tal não será totalmente
exacto, caso a água líquida injectada esteja a uma temperatura diferente da saída do ar.)
Visto que as linhas de temperatura de bolbo húmido constantes são quase coincidentes com as
linhas de entalpia, pode assumir-se que a entalpia da corrente de ar permanece constante, ou
seja, T
bh
≅ constante e h ≅ constante.

2.5 MISTURA ADIABÁTICA DE CORRENTES DE AR

Muitas situações de ar condicionado envolvem mistura de duas correntes de ar. A mistura é
efectuada por simples confluência das duas correntes.

Figura 2.7: Mistura adiabática de correntes de ar.

A transferência de calor com a vizinhança é geralmente pequena, pelo que o processo de
mistura pode ser considerado adiabático.
Os balanços de massa e energia para a mistura adiabática de duas correntes de ar reduzem-se
a:
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Massa de ar seco:
1 2 3
a a a
m m m = =   

Massa de vapor de água:
1 2 3
1 2 3
. . .
a a a
w m w m w m + =   

Energia:
1 2 3
1 2 3
. . .
a a a
h m h m h m + =   

Eliminando
3
a
m das equações anteriores, vem


1
2
2 3 2 3
3 1 3 1
− −
= =
− −


a
a
m
w w h h
m w w h h
(1.5)

Esta equação tem implícita uma interpretação geométrica no diagrama psicrométrico.
Evidencia que o quociente entre (w
2
– w
3
)e (w
3
– w
1
) é igual ao quociente entre
1
a
m e
2
a
m . Os
estados que satisfazem esta condição estão indicados pela linha a tracejado AB. O quociente
entre (h
2
– h
3
) e (h
3
– h
1
) é também igual à razão entre
1
a
m e
2
a
m , e os estados que satisfazem
esta condição estão indicados pela linha a tracejado CD. O único estado que satisfaz ambas as
condições é o ponto de intersecção destas duas linhas, localizado na linha recta entre os
estados 1 e 2.
Conclui-se que, quando duas correntes de ar em dois estados diferentes 1 e 2 são misturadas
adiabaticamente, o estado da mistura (estado 3) localizar-se-á no diagrama psicrométrico, na
linha que une os estados 1 e 2, com a razão das distâncias 2-3 e 3-1 igual à razão dos caudais
mássicos
1
a
m e
2
a
m .
A forma côncava da curva de saturação e a conclusão anterior diz-nos que os estados 1 e 2
estão localizados perto da curva de saturação, a linha recta que os une, cruza a curva de
saturação, podendo o estado 3 localizar-se à esquerda da curva de saturação. Neste caso,
existe com certeza condensação durante o processo de mistura.






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2.6 TORRES DE ARREFECIMENTO HÚMIDAS

Uma torre de arrefecimento húmida é essencialmente um arrefecedor evaporativo
semifechado.

Figura 2.8: Esquema representativo de uma torre de arrefecimento.

Entra ar na base da torre e sai pelo topo. A água quente do condensador é bombeada para o
topo da coluna e pulverizada sobre aquela corrente. O objectivo da pulverização é
providenciar uma elevada área superficial entre a água e o ar. À medida que as gotas de água
caem pela acção da gravidade, uma pequena fracção da água evapora-se e arrefece a restante
água.
A temperatura e o teor de humidade do ar aumentam durante o processo. A água arrefecida é
colectada na base da torre e bombeada de novo para o condensador para captar mais calor
residual. Tem que se adicionar alguma água ao ciclo de forma a compensar a água perdida por
evaporação. Para minimizar este processo são colocados na torre dispositivos eliminadores de
névoa, acima da zona de atomização.

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3. EQUAÇÕES PSICROMÉTRICAS

O diagrama psicrométrico é um meio muito útil para se determinar as relações entre o ar e a
água, no entanto, algumas vezes não é bem assim, e torna-se necessário determinar essas
propriedades recorrendo a equações.
Em seguida enumeram-se algumas equações publicadas pela American Society of Agricultural
Engineers, ASAE, e a American Society of Heating Refrigerating and Air-Conditioning
Engineers, ASHRAE.

3.1 NOTAÇÃO

h – Entalpia da mistura ar-vapor de água [J /kg].
h
fg
– Calor latente de vaporização na saturação [J /kg].
h
fg1
– Calor latente de vaporização da água à Temperatura de bolbo húmido, T
bh
, [J /kg].
h
fg2
– Calor latente de vaporização da água à temperatura de orvalho [J /kg].
h
ig
– Calor de sublimação do gelo [J /kg].
h
ig1
– Calor de sublimação do gelo à Temperatura de bolbo húmido, T
bh
, [J /kg].
h
ig2
– Calor de sublimação do gelo à temperatura de orvalho [J /kg].
w – Humidade absoluta ou específica [kg vapor de água/ kg ar seco].
P
atm
– Pressão atmosférica [Pa].
P
vs
– Pressão de vapor no estado de saturação [Pa].
P
bh,s
– Pressão de saturação à temperatura de bolbo húmido [Pa].
P
v
– Pressão de vapor [Pa].
φ – Humidade relativa.
T – Temperatura de bolbo seco [K].
T
orv
– Temperatura de orvalho [K].
T
bh
– Temperatura de bolbo húmido [K].
v – Volume específico do ar atmosférico [m
3
/kg ar seco].
w
s
– Humidade específica no estado de saturação [kg vapor de água/ kg ar seco].
t
bh
– Temperatura de bolbo húmido [ºC].
h
bh
– Entalpia do ar à temperatura de bolbo húmido [kJ /kg].
Ra – Constante específica do ar seco, Ra =287,055 J /kg.K.
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3.2 EQUAÇÕES ASAE

3.2.1 Linha de Saturação, P
vs
em Função de T
( ) ( )
( )
2 3 4
2
6270,3605
ln 31,96 0,46057 ln para 255,38 273,16
ln para 273,16 533,16
| |
= − − ⋅ < <
|
\ .
+ ⋅ + ⋅ + ⋅ + ⋅ | |
= ≤ ≤
|
⋅ − ⋅ \ .
vs
vs
P T T
T
P A B T C T D T E T
T
R F T G T
Equation Section (Next)(2.1)

Em que:
R =22105646,25 D =0,12558.10
−3

A =− 27405,526 E =− 0,48502.10
−7

B =97,5413 F =4,3493
C =− 0,146244 G =0,39381.10
−2


3.2.2 Linha de Saturação, T em Função de P
vs


( ) ( )
8
0
255,38 ln 0,00145 para 620,52 4688396,0
=
− = ⋅ ⋅ < < (
¸ ¸

i
i vs vs
i
T A P P (2.2)

A0 =19,5322 A5 =– 0,0174053
A1 =16,6626 A6 =0,00214768
A2 =1,17678 A7 =– 0,128343.10
–3

A3 =– 0,189693 A8 =0,38.10
–5

A4 =0,087453

3.2.3 Calor Latente de Sublimação no Estado de Saturação

( ) 1839683,144 212,56384 255,38 para 255,38 273,16 = − ⋅ − ≤ ≤
ig
h T T (2.3)




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3.2.4 Calor Latente de Vaporização no Estado de Saturação

( ) | |
| |
2
2502535,259 2385,76424 273,16 para 273,16 338,72
7329155978000 15995964,08 para 338,72 533,16
¦
= − ⋅ − ≤ ≤
¦
¦
´
¦
= − ⋅ ≤ ≤
¦
¹
fg
fg
h T T K
h T T K
(2.4)

3.2.5 Linha de Bolbo Húmido

( )
, 1
− = ⋅ −
bh s v bh
P P B T T (2.5)

Onde,
( )
| |
,
1
1
1006,9254 1 0,15577
para 255,38 533,16
0,62194
( | |
⋅ − ⋅ + ⋅
( |
\ . ¸ ¸
= ≤ ≤

v
bh s atm
atm
fg
P
P P
P
B T K
h
(2.6)

Substitui-se h
ig1
por h
fg1
onde T
bh
≤ 273,16 K.

3.2.6 Humidade Absoluta

| | 0,6219 para 255,38 533,16 = ⋅ ≤ ≤

<
v
atm v
v atm
P
w T K
P P
P P
(2.7)

3.2.7 Volume Específico

( )
287⋅
=

atm v
T
v
P P
(2.8)

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3.2.8 Entalpia
| |
( ) ( )
( )
2
Para 255,38 273,16:
1006,9254 273,16 333432,1 2030,598 273,16
1875,6864
≤ ≤
= ⋅ − − ⋅ + ⋅ − + (
¸ ¸
+ ⋅ + ⋅ ⋅ −
orv
orv
ig orv
T K
h T w T
h w w T T
(2.9)


| |
( ) ( )
( )
2
Para 273,16 373,16:
1006,9254 273,16 4186,8 273,16
1875,6864
≤ ≤
= ⋅ − − ⋅ ⋅ − + ⋅ +
+ ⋅ ⋅ −
orv
orv ig
orv
T K
h T w T h w
w T T
(2.10)

3.2.9 Humidade Relativa
φ =
v
s
P
P
(2.11)

3.3 ASHRAE
3.3.1 Pressão de Vapor no Estado de Saturação
( )
2 3 4 1
2 3 4 5 6 7
ln ln = + + ⋅ + ⋅ + ⋅ + ⋅ + ⋅
vs
C
P C C T C T C T C T C T
T
(2.12)

Onde,

Para gelo
(– 100 ºC < T < 0 ºC)
Para água
(0 ºC < T < 200 ºC)
C
1
– 5,674359.10
–3
– 5,8002206.10
3

C
2
6,3925247 1,3914993
C
3
– 9,6778430.10
3
– 4,8640239.10
–2

C
4
6,2215701.10
–7
4,1764768.10
–5

C
5
2,0747825.10
–9
– 1,4452093.10
–8

C
6
– 9,4840240.10
–13
0,0
C
7
4,1635019 6,5459673

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3.3.2 Humidade Relativa
φ =
v
s
P
P
(2.13)
3.3.3 Humidade Absoluta
0,62198 = ⋅

v
atm v
P
w
P P
(2.14)

3.3.4 Volume Específico

( )
( )
1 1,6078
1
⋅ ⋅ + ⋅
=
⋅ +
atm
R T w
v
P w
(2.15)

3.3.5 Entalpia

( ) 1,006 2501 1,805
273,16
= ⋅ + ⋅ + ⋅ ¦
¦
´
= −
¦
¹
h t w t
t T
(2.16)

3.3.6 Temperatura de Orvalho

( ) ( )
( ) ( )
2
2
60,45 7,0322 ln 0,37 ln
35,957 1,8726 ln 1,1689 ln
¦
= − + ⋅ + ⋅ (
¸ ¸
¦
¦
´
¦
= − − ⋅ + ⋅ (
¦
¸ ¸
¹
orv v v
orv v v
t P P
t P P
(2.17)

3.3.7 Temperatura de Bolbo Húmido

( )
,
, , ,
4,186
¦
¦
´
= ⋅
¦
¹
= + ⋅ −
bh s bh
bh s bh w bh s
h t
h h h w w
(2.18)