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Trabalho Bimestral

Fungibilidade

Disciplina: Processo Civil IV Professor: Heitor Vitor Mendonça Sica Alunos: Pedro Henrique Lima nº 7216480 Patrícia Fernandes Gonçalves dos Santos nº7213038

3 A fungibilidade e o advento da Lei 11 .2. 08 pág. 10 pág. 12 pág. Breve análise da jurisprudência moderna 3. 1 Má – fé e prazo recursal 2. 1 .3. 05 2 . Conclusões pág. Do instituto da fungibilidad e 2 . 03 pág. 2 . Dúvida objetiva 2. 2 . 16 pág. 03 pág. 05 2 .Índice 1. Teoria do recurso indiferente 2 .2.6. A fungibilidade no código atual 2 . Leitura da fungibilidade pela inst rumentalidade das formas 2. 232/2005 2 . Breve comparativo internacional pág. 18 . 06 pág. 5 . Do tema do trabalho 2. 17 pág. O instituto da fungibilidade no Código de Processo Civil de 39 pág.2. 09 pág. 4 .

Se admitimos que o texto legal explana e indica o tipo de recurso cabível de maneira clara . deveria a jurisprudência po r força das formas execrar a má-utilização dos recursos? E . em diversos casos existe alguma dúvida acerca do recurso mais adequado . Surge . deveria a jurisprudência consolidar a preferência da tutela da forma à ampla defesa? Ao longo do trabalho será percebido que nas prática do direito fica evidente que há casos de dúvida de aplicação . Cabe-nos . mais . do contraste dessa admissibilidade com a tipicidade dos recursos o problema que será desenvolvido nesse presente texto . (ii) Legitimação. Do tema do trabalho Por conta das oscilações históricas da doutrina e da jurisprudência no tratamento do instituto da fungibilidade . 2 . talvez fosse lógico dizer que não há marge m para utilização de um recurso menos cabível . ao longo desta dissertação identificar os problemas mais recorrentes e discorrer sobre como jurisprudência e doutrina lidaram com esses percalços . mesmo que não seja da opinião da corte que esse seja o devido recurso cabível . faz-se necessária uma análise minusciosa afim de compreender como adequadamente lidar com esse princípio do direito processual brasileiro . .1 . E . exatamente . (iii) Interesse. No entanto . mais . Do instituto da fungibilidade Bem se sabe que são pressupostos de admissibilidade dos recursos: (i) Cabimento. Por conta disso . (iv) inexistência de fato modificativo ou impeditivo . A temática envolve a problematização e a patente discuss ão acerca dos parâmetros objetivos e subjetivos da aplicação e o alcance desse instituto . não há apenas dúvida como há uma flexibilização dos magistrados para aceitação de recursos plausíveis .

Um segundo exemplo seria o provimento que exclui litisconsorte do processo . pode-se verificar que a decisão que extingue a incidental tem conteúdo de sentença . . Há o caso em que o juiz põe fim à reconvenção com base na prescrição alegada pelo autor . que seria de sentenç a . Nesse caso estamos diante de dois processos e duas ações . ou o incidente processado nos mesmos autos (caso seja interposto antes do fim da fase instrutó ria) que a principal . agravo . Ou . mas que correm em unidade procedimental . já a segunda não . Assim . portanto . A ação incidental e a principal devem ser julgadas juntas . trata-se do julgamento de uma demanda . pois extingue-se um processo . assim . que extingue todo o procedimento . há divergências doutrinárias. para parte da doutrina . mas não o procedimento como um todo . mas o procedimento continua como um todo. Por fim . provando-se assim que este é um caso de dúvida objetiva .Poder-se-á indicar afim de gerar reflexão acerca do tema: Um exemplo atual da dúvida objetiva na interposicão de recursos é o caso do indeferimento liminar da reconvenção . um terceiro exemplo seria a Ação Declaratória de Falsidade . cabendo contra ela apelação . Para Teresa Arruda Alvim Wambier trata-se neste caso de jurisprudência pacificada . porém dela caberia agravo . existe então uma sentença formalmente una . independente dos autos estarem apensados . da qual caberia apelação . (em texto publicado posteriormente) . a decisão que indefere a reconvenção tem natureza jurídica de sentença pois coloca fim a um processo . seria o caso de decisão interlocutória contra a qual cabe agravo . já para Sidnei Amendoeira Jr . caberia agravo se a ação incidental for indeferida liminarmente . Neste caso . A primeira hipótese seria caso de dúvida objetiva . cabendo . Assim . Porém . como no caso anterior . para ele extingue -se o processo . Se o juiz acolhe ela . pois o procedimento continuaria correndo . neste caso dá-se prevalência ao conteúdo do ato .

Princípio este que será tema do trabalho e de oportuna análise . O instituto da fungibilidade no Código de Processo Civil de 39 Em seu artigo 810 tinha-se que: “Salvo a hipótese de má -fé ou erro grosseiro . Página 172. é não . Nelson. também . portanto . 6. 2004. Por conta da existência do recurso indiferente na vigência do Código de Processo Civil Português de 1876 . havendo a dúvida . Tema esse que será discutido nos próximos tópicos . Existem casos em que se deve admitir recursos que num primeiro momento pareceriam inadequados . que poderia essenjar discussão na doutrina sobre a adequação formal recursal . Pois bem . 2 . há . São Paulo: RT.. 2 . ed. 1 . O princípio da fungibilidade defende justamente que a ampla defesa seja executada da maneira mais ampla possível . No entanto .A resposta para essa dúvida supramencionada é . Nelson Nery Júnior 1 posiciona-se de maneira diversa . Breve comparativo internacional Alguns autores afirmavam que o instituto da fungibilidade não era encontrado caso se estudasse direito comparado . a parte não será prejudicada pela interposição de um recurso por outro . Teoria geral dos recursos. . devendo 11 NERY JR. inclusive no direito comparado sobre como solucionar o problema que env olve a interposição de recurso diverso do esperado como cabível . contribuição do direito c omparado Alemão no problema gerado caso o juiz proferisse julgamneto errôneo . de modo a mitigar essa força das formas . 2 . Resta trabalhar então até que ponto e em que situações o princípio da fungibilidade poderá influenciar o funcionamento do ordenamento .. cabe-nos inspecionar como a jusrisprudência e a doutrina brasileira tratou e trada deste assunto .

Este seria apenas uma circunstância norteadora para a correta aplicação da fungibilidade recursal . 2 . Esse requisito era muito difícil de ser auferido . por ser altament e subjetivo e casuístico. com fundamentação clara e lógica . mesmo assim . pois se entendia que a parte deveria sofrer pena por sua malícia e não deveriam imperar normas e situações que pudessem ser vantajosas a que se utiliza da má -fé . a boa -fé deve ser sempre pressuposta . Nelson Nery Jr . seria quando a parte tem convicção de que está interpondo o recurso certo . por vezes. em sua ausência . ao tentar defende -lo da máfé de alguns aplicadores do direito. Uma outra hipótese . Exemplo disso é justamente a sedimentação jurisprudencial que tem como exigido como indício de boa -fé que o aplicador do direito protocole seu recurso em prazo menor que aquele que é verdadeiramente cabido. aceita por parte da doutrina . a que competir o julgamento” Previa-se expressamente que para a aplicação do princípio da fungibilidade não dev eria haver erro grosseiro ou má -fé da parte recorrente . porém .os autos ser entregues à Câmara . a parte se utiliza de recurso impróprio para aquela situação . . 2 . ou Turma . Ele ocorre quando não há dúvidas quanto ao tipo de decisão proferida (decisão interlocutória ou sentença) ou quando não há divergências na doutrina ou jurisprudência quanto ao tipo de recurso a ser empregado e . acaba por penalizar o próprio princípio. A má fé era um pressuposto . deve inexistir o erro grosseiro . defende que somente a dúvida objetiva bastaria para aplicar o princípio . 1 Má – fé e prazo recursal Um dos pontos relevantes acerca do princípio da fungibilidade é justamente o fato de a jurisprudência. assim deveria haver alguma prova de que a parte tivesse agido com malícia . Já o erro grosseiro é de constatação mais fácil . por ser critério passível de ser auferido objetivamente .

Este é mero indício da má utilização da fungibilidade . O Código de 39 não possuia . no entanto . uma vez que. Por isso é importante perceber que a fungibilidade conecta -se à análise de prazo para entender se o que fora feito . Com o parágrafo acima não se pretendeu defender a ideia de que todo recurso além do prazo seja configurado como má -fé . de má-fé poderia utilizar um recurso incabido afim de possuir mais prazo para defender -se. De um lado está a preservação da defesa quando praticada de modo a fruir do processo de maneira ampla . caso. A primeira defende a ampla defesa . já a segunda promove flexibilização tamanha a ponto de reduzir a previsibilidade do processo . de fato.É evidente que exigir tal prazo restritivo é u ma restrição ao princípio da fungibilidade. fora consolidada a noção de que o recurso inadequado . explanar melhor afim de reduzir a possibilidade de más interpretações . Para tal basta que se compreenda que não se trata de ampliação da liberdade recursal . No entanto . mas . acredite ser correto o recurso diverso da opinião jurisprudencial. por que se exigiria dele o protocolo antes do prazo usual? Se uma das partes utilizar um recurso inadequado com prazo maior que aquele do adequado. Por isso . De outro está a plena liberdade de interposição de recursos com efeitos diversos e o próprio desvirtuamento do processo . sim . Pretende-se . mitigar o desvirtuamento de um princípio relevante que preza pela ampla defesa . da vedação de formalismo na recusa de defesa em grau rec ursal . será indício de má-fé ou será atestadamente má -fé ou é impossível concluir algo com essa informação isoladamente ? Parece lógico perceber que a má -utilização de um recurso pode ser utilizada para esconder ato de falt a de diligência. a utilização ainda atual dos critérios de dúvida objetiva e erro escusável . como se pode abstrair pela leitura do dispositivo 810 nenhum tipo de vinculação da decisão do juiz com o prazo efetuado . Ou seja. Vale .

o erro do recorrente é sempre escusável . Poderá portanto ser considerado um indício de má-fé. no entanto não pode ser pressuposta pelo mero critério de análise do prazo em relação ao recurso tido como cabido . para entendimento diverso acerca do prazo . no entanto . Uma primeira seria quando o código designa decisão interlocutória como sentença. Dúvida objetiva A dúvida objetiva existe quando o recorrente não sabe ao certo de qual recurso deve ser utilizar para impugnar a decisão do juiz ou tribunal . não se deve vislumbra má-fé pelo mero desacordo de prazo com o recurso tido como cabível . no entanto observa -se postura diversa da jurisprudência Ou seja . a parte pode escolher dentre os recursos cabíveis . o que acreditar ser o ideal . Nelson.. haja vista que . mas sem poder presumi -la somente por esse caráter.deveria ser interposto em prazo igual ou menor ao do recur so devido como indicador de boa -fé . outra seria quando a doutrina e/ou a jurisprudência divergem como relação ao recurso a ser aplicado. É possível fazer a análise independentemente desse critério muitas vezes falho que se contrapõe muitas vezes ao princípio que ele tenta defender . . Quando há dúvida objetiva . Há algumas hipóteses para que ela exista . Será . Assim . Encaminha-se a doutrina . 6. tem ele o direito de recorrer em p razo diverso ao do instituto mais cabível . quando o juiz profere um pronunciamento no lugar de outro 2. caso esteja convicto de que o recurso correto seja um diverso do entendimento da corte . Ressalta-se novamente que a má-fé não é defendida . hoje . 2 . São Paulo: RT. finalmente . Página 146. Parece-nos que evoluiu a doutrina ao perceber que esse tipo de leitura fere a fungibilidade . melhor explanada a leitura atual mais adiante . ed. 2 NERY JR. 2004. Teoria geral dos recursos.. 2 . 2 .

Assim . Se o juiz consegue receber um ato pelo outro . outro seria que o pronunciamento judicial deve ser avaliado por seu conteúdo e finalidade e não a forma .O princípio da fungibilidade deve mitigar os formalismos do sistema . este ato deve ser aproveitado ao máximo no processo . as formas são prescindíveis na medida que não contribuem para para o desenvolvimento do processo e prejudicam o contraditório e a ampla defesa . Ou seja . 2 . Porém não podemos limitar um princípio devido a sua má aplicação . Teoria do recurso indiferente Essa teoria surgiu na Alemanha . 3 . porém sem as re strições que são impostas aqui . este ato deve ser perfeitamente válido . se este fim foi atingido sem a utilização da forma prevista no sistema e sem que isto traga prejuízo para a parte contrária . . em que há também o princípio da fungibilidade . 2 . É uma forma de impedir que sua utilização encubra abusos contra o sistema . ele vê o fim a que este ato se destina . sem prejudicar a outra parte . não era expressa . mesmo na época da previsão deste princípio em lei . sem prejuízo de defesa . Exatamente por não se tratar de regra . em um contexto diferente do brasileiro . Ignorálo ou repeti -lo só traz mais demora ao processo e um formalismo excessivo . inspiração para o nosso . Um bom exemplo é o sistema pro cessual português . aplicando os princípios da instrumentalidade das formas e da economia processual . Apegar-se a ela é limitar o uso do princípio . A dúvida objetiva . A dúvida objetiva é uma forma de criar um critério que possa auferir objetivamente a má fé do recorrente . e sim princípio . Estes sim são parte de um escopo do processo que não pode ser nunca renegado . a forma é um meio de se atingir um fim . Um dos seus pressupostos era de que a parte não pode ser prejudicada por um erro do juiz. ele deve ter sua aplicação maximizada para todas as situações em que seja possível o seu uso . Se a parte demonstra a sua irresignação com a decisão . Aqui o que enseja dúvida é a decisão do juiz .

ficou valendo a Teoria do recurso indiferente . sua finalidade (Teoria Objetiva) . apenas se dizia que sentença sã o todas as decisões definitivas ou interlocutórias com igual força . já o rol de interposição de apelação não . a dificuldade em saber quando era cabível cada recurso era enorme . essa dificuldade diminuiu . 232/2005 Segundo a maior parte da doutrina e jurisprudência brasileira . de 1939 . Como não se pode exigir mais conhecimento jurídico da parte do que do juiz que proferiu a decisão . decisão interlocutória e meros despachos . já o agravo não) e ao prazo para a interposição . A primeira dizia que o recurso interposto deveria ser aquele contra a decisão querida pelo juiz ou tribunal (Teoria Subjetiva) . aos seus efeitos (por exemplo . a apelação tem efeito suspensivo . Estes recursos são parecidos quanto ao conteúdo . respectivamente . Uma das maiores dificuldades ao se interpor um recurso é reconhecer a decisão como interlocutória ou como sent ença. se admite mais de um recurso para a mesma decisão . o rol de interposição de agravo era taxativo . Neste caso . Já a segunda versava que o recurso correto a ser interposto era o previsto na lei contra decisão no seu aspecto intrínseco . pois ambos apresentam uma não conformação com a decisão proferida . Com isso . pois a partir disso é que interpomos o agravo e a apelação . ou seja . 3 A fungibilidade e o advento da Lei 11 .Eram defendid as duas posições . Com a reforma do código . Na exposição de motivos se . No antigo CPC . porém divergem profundamente quanto à forma processual . 2 . Diante deste quadro . questão fundamental a ser levantada é qual é a definição dada pelo código de processo acerca de sentença . a qual admite tanto o recurso contra decisão do juiz como aquele contra a decisão que deveria ter sido . a fungibilidade recursal é cabível quando há também dúvida objetiva quanto ao tipo de recurso que deve ser usado contra determinada decisão judicial .

mas o processo continuar correndo? A Lei 11. Assim . O código de 1973 relacionou os recursos diretamente ao ato do juiz (sentença ou decisão interlocutória) . Este ato trata do mérito . a definição de sentença teria conte údo topológico. ainda temos problemas em definir qual é a natureza jurídica deste ato . p. uma vez que ambas têm conteúdo decisório. Porém a doutrina afirma se tratar de uma decisão interlocutória da qual cabe agravo . . afirma que afirma que o critério eleito pelo CPC para diferenciar sentença de decisão interlocutória seria mais topológico que de conteúdo. 2008. E quando a própria lei chama de sentença decisões que não poem fim ao processo? Um exemplo é o artigo 761 do CPC que chama de sentença o ato que declara a insolvência do devedor . Mas e no caso dela versar sobre o mérito . ela agora é cumprimento de sentença. mas sentença estaria no fim do procedimento de primeiro grau . quando decide o mérito . como definir a sentença? Podemos nos utilizar do método de que ela é o ato que coloca fim ao processo . não mais procedimento 3 "DINAMARCO. São Paulo: Atlas. por sua vez. 116. Sidnei. Mas e as questões incidentes ao processo? Seriam elas decididas por decisões interlocutórias ou sentença? O artigo 395 c hama de sentença o ato que que julga o incidente de falsidade do documento .alegava que o princípio da fungibilidade não era mais expresso no código . Fungibilidade de meios.. Ou ainda podemos dizer que a sentença é definida pelo seu conteúdo . Porém .232/2005 adaptou o conceito dos artigos 267 e 269 do CPC. enquanto que decisão interlocutória seriam todos aqueles outros atos decisórios proferidos no curso do procedimento. pois com a reforma legislativa essa necessidade não era mais presente . alterando a redação do parágrafo primeiro do artigo 162." AMENDOREIRA JR. Um exemplo seria a execução. de modo que a sentença seria aquele ato decisório que se situaria no fim do procedimento no primeiro grau. ambas (sentença e decisão interlocutória) são decisórias . mas não põe fim ao processo em primeiro grau . Assim . porém ficaremos diante do problema dos incidentes processuais . sentença seria aquela que põe termo ao processo ou o esgotamento da via recursal? Para Cândido Rangel Dinamarco 3.

fato que pode gerar prejuízo irreparável para o recorrente . tanto a parte. enquanto que procedimento é o seu aspecto exterior e a movimentação daquele. Temos que avaliar o que seria o processo e o que seria o procedimento. portanto. Cada processo equivale a uma relação processual. A fungibilidade no código atual Os pressupostos processuais dos recursos são quatro: autorização legal . Uma decisão que indefere a reconvenção teria conteúdo de sentença. ao contrario da ação de primeira instância . 2 . ou seja. caso o autor descumprir algum pressuposto . No recurso . pois ela não colocou fim ao processo. Seria agora possível interpor agravo contra decisão com conteúdo de sentença e . Um bom exemplo seria a ação e a reconvenção. Ou seja. Caso o recurso interposto não tenha um desses pressupostos . faz -se mais do que necessário a aplicação do princípio da fungibilidade. legitimidade do recorrente . como os juízes e tribunais. por colocar fim ao procedimento. porém um único procedimento. O processo seria a relação jurídica e a sua finalidade. o recurso não será admitido e a decisão transitará em julgado sem discutir o mérito . uma sentença. tempestividade e observância das formas peculiares . Pois a referida ei deixou dúvidas que até hoje a doutrina diverge. Já quando a decisão julga o mérito da ação e reconvenção juntas. mas há ainda aqueles que acreditam na sentença no seu aspecto funcional. Assim. não poderá mover nova ação . não mais põe fim ao proce sso. ela é o ato capa de colocar fim ao procedimento.autônomo. 4 . dois processos. ou seja. Essa mudança legislativa nos traz alguns problemas em relação a qual recurso interpor. . é preciso tomar muito cuidado ao interpor recurso contra esse tipo de decisão. mas um mesmo procedimento pode ser mais de uma ação (ou processo) que correm em unidade procedimental. mas seria agravável. agora a sentença seria caracterizada unicamente pelo seu conteúdo? Há muitos doutrinadores que dizem que sim. Assim. esta decisão tem o conteúdo de sentença e. seria apelável.

não admite erro grosseiro ele continua sendo aplicado . na medida em que não se pode sacrificar o fundo pela forma . As formas existem para o cumprimento de finalidades . havia quem entendesse que este princípio não deveria mais ser aplicado . Logo essa opinião foi endossada pelo STF e hoje não se cogita a sua aplicabilidade . caso não o faça isso geraria insegurança na relação processual . Isto se deve pois trata-se de princípio geral do sistema processual . o ato deve ser aproveitado ou praticado novamente? Cabe aqui avaliar o que diz o artigo 250 do CPC: “O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados . Quando houve a reforma a lei processual . devendo praticar -se os que forem necessários . inclusive passou a ser muito mais rígida quanto ao erro na interposição dos recursos . aos poucos foi -se percebendo que o princípio ainda tinha larga aplicabilidade e que a nova lei . Por isso temos o princípio da fungibilidade recursal . A jurisprudência . em tese . ainda permitia muitas dúvidas . a sistemática processual o aplica . A pergunta que deve ser feita é: ao acontecer isso . já que a nova sistemática . o tribunal deve examinar o recurso e seu pedido .Mas algumas vezes eles geram dúvidas quanto ao seu cabimento . a fim de se . Mesmo não previsto expressamente . apesar do princípio não ser expresso no novo código de processo civil . De acordo com Barbosa Moreira . Interpor um recurso ao invés de outro seria um erro de forma . apesar de ser mais nítida . Havendo dúvida . assim é possível se intuir a presença do princípio no sistema . Pode-se dizer que este princípio seria uma versão específica para os recursos do Princípio da Instrumentalidade das Formas . Porém .

mesmo que não na sua forma ideal . Deve ser levado em conta também . se o ato . pode ser recebido como esta . essa parte deve ser aproveitada . encontra-se aqui . Um dos escopos do processo é a busca da verdade . E se agravo já instruído . as prescrições legais . pois cumpriu o fim que se destinava . Pensando-se em termos recursais . foi capaz de produzir efeitos e não tenha causado prejuízo de defesa para a outra parte . há a máxima de que não há nulidade sem prejuízo . Parágrafo único . o qual era demonstrar a irresignação do recorrente com a decisão judicial . Também não causa prejuízo à outra parte .observarem . intrínseco o princípio da fungibilidade . basta que o tribunal dê vista para que ela também possa se manifestar . Ou seja . o da economia processual . que viu seu di reito tolhido devido ao apego as formas . Junto a isso . Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados . ele pode muito bem produzir todos os efeitos que deseja. pois as peças necessárias já se encontram no tribunal . não é necessário nem a subida dos autos à segunda instância . ao se aplicar o princípio da fungibilidade . devem ser aproveitados todos os atos ou parte dos atos que sejam capazes de produzir efeitos . quanto possível . um agravo interposto no lugar de uma apelação . O processo para ser o mais justo e . mesmo que não estejam na sua forma adequada . caso somente uma parte dele possa produzir os efeitos . ” Assim . Assim . Novamente . desperdiçando -se estes atos . desde que não resulte prejuízo à defesa . como poder-se-ia chegar a verdade ou o mais próximo dela possível? O não aproveitamento deste ato poderia causar enorme e irreparável prejuízo ao recorrente .

Por ser uma regra antiga do nosso sistema de processo civil e também por existir nos sistemas que nos inspiraram . Neste caso . sabe que o tribunal aceitará seu recurso como o outro que considera certo . Há casos que o relator abre a discussão às partes . portanto . um outro meio de extrair do sistema a util ização da fungibilidade dos recursos é através da doutrina e jurisprudência . na medida que acaba virando formalismo excessivo . que . dando uma certa segurança na relação processual . Isso deve ser levado em conta . caso entenda que a matéria merece mais debate . a fungibilidade já está arraigada em nossa cultura como se fizesse parte de costume da ciência processual . aceitando-o como atenuação ao princípio da adequação do recurso . E até casos em que o relator pode reabrir o prazo . ao não aceitar o recurso . no atual código pelas regras doutrinárias e jurisprudenciais . O recorrente não pode ficar à mercê de dúvidas doutrinárias ou da inconstância das decisões judiciais . Na sistemática portuguesa a fungibilidade é admitida .efetivo deve correr no tempo mais célere possível . como o português e alemão . Estas o utilizam largamente . em sua maioria . Existem até aqueles que são a favor de sempre admitir recursos sem o formalismo exato . A sua aplicação se dá . tais como ausência de má fé e erro grosseiro e o requisito preconizado pela doutrina da dúvida objetiva . Esses . Porém . tal princípio é aplicado principalmente em razão de proteção da parte para o caso de erro do sistema do que para mitigar o formalismo . quando em dúvida . Isso tudo ameniza o formalismo e a preclusão processual . Este não deve ser tão rígido . pois a parte recorrente . são os requisitos do antigo artigo 810 do CPC de 1939 . havendo ou não erro grosseiro ou havendo ou não dúvida doutrinária e/ou jurisprudencial . antes de converter o recurso ou não . o tribunal forçaria a outra parte a tentar recorrer de outras formas Além dos princípios gerais de direito processual já abordados .

como já se disse . Paralelamente à construção doutrinária que admite a contestação que argui incompetência relativa pois este vício não resulta prejuízo para a parte contrária . Eles devem ser levados em conta pela parte ao propor seu recurso . São Paulo. . 6. segundo Bedaque . acerca do tema do parágrafo acima . configuram costume do sistema . Teoria Geral Dos Recursos. É necessária a verificação se o equívoco causou prejuízo aos objetos do instrumento . mesmo que ela não concorde com eles . ampliada e reformulada São Paulo: RT. 2 . se não há dúvida sobre o meio processual próprio a ser adotado em determinada situação concreta e a parte . pois . que “Apenas para esse fim importa a idéia das “zonas de penumbra” . Temos . 5 . Ed. Apesar da leitura que preza pela liberdade maior que a defendida pelos outros autores . ” 4 Cita-se também decisão que indica tal instrumentalidade das formas: Ementa: 4 Bedaque. adota via inadequada . Bedaque propõe uma leitura ampliativa deste princípio . Leitura da fungibilidade pela inst rumentalidade das formas Acerca da fungibilidade . Atualizada. é possível perceber que Bedaque oferece também uma cautela quando a forma errada é utilizada de maneira a propagar a má -fé no processo . doutrinador nenhum defenderia isso . 2004. José Roberto dos Santos. Aqui devem incidir os limites impostos pela construção sobre as zonas de penumbra . a manobra deve ser reje itado . Nesse aspecto fica evidente que a leitura do instituto correlaciona-se intimamente com a instrumentalidade das formas .requisitos estão impregnados na doutrina de tal maneira que . Para consolidar sua teoria ele propõe que as noções de erro escusável e dúvida objetiva sejam utilizados para afastar aqueles que fazem uso de formas alternativa após displicência que gerou preclusão do direito de acionar algum tipo de recurso plenamente adequado . Obviamente . após precluso o prazo para valer -se dele .

GOUVÊA. (. INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO. THEOTÔNIO NEGRÃO e JOSÉ ROBERTO F. DECISÃO DE REJEIÇÃO INTITULADA DE SENTENÇA. No mérito. quando cabível este. o regular processamento desta objeção.6. São Paulo. 43/348. 6. dando-se parcial provimento ao Agravo para que seja apreciada pelo Juízo a quo a questão da ilegitimidade ventilada na objeção de inexecutividade. AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO. Apelação conhecida como Agravo de Instrumento.. PROCESSO CIVIL.TRIBUTÁRIO. 40 ed. RETORNO DOS AUTOS À PRIMEIRA INSTÂNCIA PARA NOVA DECISÃO E REGULAR PROCESSAMENTO DO INCIDENTE. STJ-RT 687/193. 2. ainda. admitese a aplicação da fungibilidade dos recursos mesmo diante de apelação interposta fora do prazo de agravo. OBJEÇÃO DE INEXECUTIVIDADE AUTUADA COMO AÇÃO AUTÔNOMA. No que tange ao prazo para interposição do recurso correto. maioria) (Código de Processo Civil. Saraiva:2008. APELAÇÃO CONHECIDA COMO AGRAVO. APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DA QUESTÃO SUSCITADA NA OBJEÇÃO. já que deixou de apreciar a questão da ilegitimidade sob o fundamento de ter feito tal juízo em ação estranha à Execução Fiscal em questão. merece reforma a decisão recorrida. Breve análise da jurisprudência moderna Na Jurisprudência moder na fica nítida a tendência de reduzir a fungibilidade de modo a não comprometer o funcionamento previsível do . dada a natureza adjetiva da Ação de Embargos à Execução e sua incidentalidade em relação apenas à específica execução embargada. JTJ 158/193. desde que se trate de erro escusável (RSTJ 30/474. p. 649). com inserção de suas folhas nos autos do processo executivo pertinente. 7.. cancelando-se a autuação da ação diversa que lhe corresponde. determinando-se.) 5..

erro escusável e dúvida objetiva. 3. Po de. Vale mencionar que é de extrema relevância realizar a leitura do princípio da fungibilidade pelo prisma proposto pelo professor Bedaque à luz da instrum entalidade das formas. por isso. foram mitigadas as dúvidas do tipo de recurso devido. No entanto. causando menor chance de dúvida acerca de qual é o recurso cabível em cada situação. não há tanta dúvida em determinados casos. fica mais complicado alegar dúvida. Com o desenvolvimento das noções de má -fé. mais. o que tem acontecido é que a leitura do princípio tem sido influenciada pela clareza dos dispositivos que anunciam a função de cada recurso. O Código de Processo Civil de 39 possuia instituto claro que geria a forma que este princípio deveria ser tratado. Na verdade. O que não quer dizer que o princípio tenha sido abandonado e que tenha perdido sua utilidade. por exemplo. o objetivo de aproveitamento de atos e preferência da ampla defesa ante à formalidade legal fica mais claro e a leitura principiológica integrada dos institutos mais possibilidade. Com esse tipo de análise. O tribunal que discorda do recurso utilizado pode processar de maneira diversa à solicitada o recurso. temos em sentido contrário uma maior tipicização dos recursos. . receber a apelação como agravo. permite às partes que agem de boa fé sejam amparadas pelos institutos processuais de modo a sobrepo r-se ao formalismo limitante. Assim. No entanto. Conclusões A fungibilidade recursal permanece ativa no direito brasileiro e evidentemente se encontra em um estágio muito mais maduro que outrora. reduz -se a zona cinzenta em que incide a fungibilidade e.sistema processual. Esse tipo de atitude abarca a intencionalidade formal da fungibilidade pois permite a ampla defesa e. faz mais possível efetuar a leitura do ato recursal sem importar em prejuízo ao devido processo legal. Por opção legistlativa não temos nada equivalente a ele no novo código.

2.17.Bibliografia AMENDOEIRA JR. 3ª ed.2004. São Paulo. 2006. 2010.239-269 NERY JR. Cap. 197 6. LIMA. Os agravos no CPC brasileiro. 157-199 . RT. Atlas. Malheiros. 4ª ed. São Paulo...5 WAMBIER. São Paulo. Alcides de Mendonça . 15.. Teoria geral dos recursos . São Paulo. Efetividade do processo e técnica processual . 2008.4 BEDAQUE. Cap. RT. Tít. São Paulo. 2 ed. Teresa Arruda Alvim. p. II. Sidnei. José Roberto dos Sant os. Ed. 6. p. RT. Nelson. Fungibilidade de meios . Introdução aos recursos cíveis .16. cap.