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Ad´ erito Lu´ ıs Martins Ara´ ujo

An´ alise Num´ erica
Engenharias Mecˆ anica e de Materiais

F.C.T.U.C. 2002

Para perceber melhor o que se pretende dizer por de forma efectiva. de forma efectiva. in ) dos n´ umeros 1. . quando por uma qualquer raz˜ ao n˜ ao podemos ou n˜ ao desejamos usar m´ etodos anal´ ıticos.000 anos! Os problemas que a an´ alise num´ erica pretende dar solu¸ ca ˜o s˜ ao geralmente origin´ arios das ciˆ encias naturais e sociais. usualmente envolvendo a solu¸ ca ˜o num´ erica de equa¸ co ˜es diferenciais. O modelo de Newton para a gravita¸ ca ˜o universal conduziu a ciˆ encia a ` formula¸ ca ˜o de muitos problemas cuja solu¸ ca ˜o s´ o pode ser obtida de forma aproximada. . 2. d a distˆ ancia entre os centros dos dois corpos e G a constante de gravita¸ c˜ ao universal. n. F =G d2 onde mt ´ e a massa da Terra. para calcular todas as parcelas necessitamos de 15 bili˜ oes (como ´ e que se escreve este n´ umero?) de segundos. das finan¸ cas.Cap´ ıtulo 1 Preliminares 1. Como ´ e sabido (ser´ a?).j =1 det (A) = ±a1i1 · · · anin . como foi dito. se n = 25 o n´ umero de permuta¸ co ˜es poss´ ıveis ´ e superior a 15 quatrili˜ oes (como ´ e que se escreve este n´ umero?)! Se possuirmos uma m´ aquina que calcule cada termo da express˜ ao anterior num bilion´ esimo de segundo (coisa que nem remotamente os actuais computadores conseguem fazer). onde a soma ´ e efectuada sobre todas as n! permuta¸ co ˜es (i1 . e.1 (Lei da gravita¸ c˜ ao universal) Um dos primeiros e mais importantes modelos matem´ aticos para problemas da f´ ısica foi dado por Newton para descrever o efeito da gravidade. . Esta f´ ormula te´ orica s´ o permite o c´ alculo ef ectivo do determinante se a dimens˜ ao da matriz for muito pequena. De acordo com esse modelo. . Exemplo 1. .1 Introdu¸ c˜ ao A an´ alise num´ erica ´ e a disciplina da matem´ atica que se ocupa da elabora¸ ca ˜o e estudo de m´ etodos que permitem obter. consideremos o problema do c´ alculo do determinante. . ou seja 400. a for¸ ca da gravidade exercida pela Terra num corpo de massa m tem a magnitude m × mt . solu¸ co ˜es num´ ericas para problemas matem´ aticos. n˜ ao podem. . . Por exemplo. ser resolvidos por processos anal´ ıticos. 2 . o determinante de uma matriz quadrada A = (aij )n ´ e dado pela express˜ a o i. geralmente. da engenharia.

uma vez que ´ e destinado a alunos de engenharia. Discutiremos as condi¸ co ˜es de aplicabilidade dos m´ etodos quando for caso disso. fosse uma quest˜ ao de tempo. de forma intensa. o problema dos dois corpos (isto ´ e. 1 . de interesse aparentemente acad´ emico. E ario ter muito cuidado nesta fase uma vez que a grande complexidade dos problemas f´ ısicos pode-nos obrigar a fazer simplifica¸ co ˜es no modelo. transcendentes. Tal formula¸ ca ˜o pode ser feita recorrendo a (sistemas de) equa¸ co ˜es alg´ ebricas. 3. Este problema n˜ ao ´ e dif´ ıcil de pˆ or em equa¸ c˜ ao e os espectaculares ˆ exitos da Mecˆ anica Cl´ assica sugeriam que a sua resolu¸ c˜ ao. O estabelecimento das v´ arias leis da f´ ısica permitiu aos matem´ aticos e aos f´ ısicos obter modelos para a mecˆ anica dos s´ olidos e dos flu´ ıdos. a elabora¸ ca ˜o de novos materiais ´ e outro assunto que recorre.Preliminares 3 Exemplo 1. dois corpos que interagem por via da for¸ ca gravitacional. provaremos a existˆ encia destas condi¸ co ˜es e faremos uma breve an´ alise de erros. A an´ alise num´ erica ´ e pois uma a ´rea que tem assumido crescente importˆ ancia no contexto das ciˆ encias da engenharia. Mais recentemente ´ e usual o recurso a programas como o MATHEMATICA ou o MATLAB. simplifica¸ co ˜es essas que n˜ ao devem alterar grandemente o comportamento da solu¸ ca ˜o. o PASCAL. 1 qual o grau de precis˜ ao da solu¸ ca ˜o aproximada obtida. 2. a dinˆ amica dos flu´ ıdos computacional ´ e actualmente uma ferramenta fundamental para. ´ necess´ diferenciais. e a an´ alise num´ erica tornou-se uma ferramenta essencial para todos aqueles que pretendem efectuar investiga¸ ca ˜o nessas a ´reas da engenharia. ou seja. a constru¸ ca ˜o de estruturas modernas faz uso do chamado m´ etodo dos elementos finitos para resolver as equa¸ co ˜es com derivadas parciais associadas ao modelo. o facto de n˜ ao ser poss´ ıvel realizar os c´ alculos podia passar de mero detalhe t´ ecnico. O facto ´ e que a solu¸ c˜ ao anal´ ıtica deste problema ´ e imposs´ ıvel de obter! Resta-nos assim recorrer ` a solu¸ c˜ ao num´ erica. desenhar avi˜ oes. a algoritmos num´ ericos. em que medida pequenos erros de arredondadmento (e outros) poder˜ ao afectar a solu¸ ca ˜o final. Assim.2 (Problema dos trˆ es corpos) O problema dos trˆ es corpos consiste em determinar quais s˜ ao os comportamentos poss´ ıveis de um sistema constitu´ ıdo por trˆ es corpos que interagem entre si atrav´ es de uma for¸ ca gravitacional newtoniana. entre outras. As engenharias mecˆ anica e civil usam esses modelos como sendo a base para os mais modernos trabalhos em dinˆ anica dos flu´ ıdos e em estruturas s´ olidas. Obten¸ c˜ ao de um m´ etodo num´ erico que permite construir uma solu¸ c˜ ao aproximada para o problema. etc. o C++. temos necessidade de saber em que condi¸ co ˜es as solu¸ co ˜es por ele obtidas convergem para a solu¸ ca ˜o exacta. por exemplo. Formula¸ c˜ ao de um modelo matem´ atico que descreve uma situa¸ c˜ ao real. que era estudada no primeiro ano da Universidade. dado um determinado m´ etodo num´ erico. etc. No processo de resolu¸ ca ˜o de um problema matem´ atico podemos distinguir v´ arias fases: 1. faremos alguma an´ alise num´ erica simples. Por exemplo. Nesta fase teremos necessidade de recorrer a uma linguagem de programa¸ ca ˜o como o FORTRAN. como a Terra e o Sol) tinha uma solu¸ c˜ ao muito simples. Esta fase constitui o cerne da an´ alise num´ erica. Programa¸ c˜ ao autom´ atica do algoritmo. Um m´ etodo num´ erico que possa ser usado para resolver o problema ´ e traduzido por algoritmo que n˜ ao ´ e mais do que um completo e n˜ ao amb´ ıguo conjunto de passos que conduzem a ` solu¸ ca ˜o do problema. Afinal de contas. integrais. n˜ ao iremos dar grande ˆ enfase a estas quest˜ oes. Neste curso.

por outro lado. xn + 2 xn No ano 250 da nossa era. −b + b2 − 4ac (1. b = −5. os grandes contributos para o desenvolvimento da matem´ atica algor´ ıtmica vieram. (ii) a = 1. Esse m´ etodo encontra-se descrito no papiro de Rhind (cerca de 1650 anos antes da era crist˜ a). Escreva um programa de computador que resolva equa¸ co ˜es de segundo grau de duas maneiras distintas: (i) usando as f´ ormulas (1. j´ a possuiam tabelas de quadrados de todos os inteiros entre 1 e 60. ´ India e China. O contributo maior foi.1) em que n˜ ao se subtraem n´ umeros do mesmo sinal e a outra raiz pela f´ ormula de (1. Os eg´ ıpcios. −b − b2 − 4ac x2 = 2c √ .0. foi tamb´ em um importante precursor do desenvolvimento do c´ alculo integral por Isaac Newton (1643-1729) e Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). que j´ a usavam frac¸ co ˜es. Por exemplo. quando: (i) a = 1. no s´ eculo XVII. a. est´ a muito pr´ oximo do que hoje se faz em an´ alise num´ erica. o velho.0. c = 0.2 Breve referˆ encia hist´ orica Os algoritmos num´ ericos s˜ ao quase t˜ ao antigos quanto a civiliza¸ ca ˜o humana.2) 2. Os babil´ onios. O aparecimento do c´ alculo e a cria¸ ca ˜o dos logaritmos. 3. 1.92. Arquimedes de Siracusa (278-212. a ´reas e volumes de figuras geom´ etricas. (ii) calculando uma raiz pela f´ ormula de (1.2) adequada. no s´ eculo I a. (1.0.1) 2a 2a 1.) mostrou que 3 1 10 <π<3 71 7 e apresentou o chamado m´ etodo da exaust˜ ao para calcular comprimentos. √ Heron. sem d´ uvida. c = 6. do m´ edio oriente. Este m´ etodo.1).. Diofanto obteve um processo para a determina¸ ca ˜o das solu¸ co ˜es de uma equa¸ ca ˜o quadr´ atica. inventaram o chamado ’m´ etodo da falsa posi¸ ca ˜o’ para aproximar as ra´ ızes de uma equa¸ ca ˜o.1. b = 12345678.Preliminares 4 Exerc´ ıcio 1. a simplifica¸ ca ˜o introduzida com a chamada numera¸ ca ˜o hindu-´ arabe. Na Gr´ ecia antiga muitos foram os matem´ aticos que deram contributos para o impulso desta disciplina. O pr´ oprio Newton . Durante a Idade M´ edia.0. x2 = . deduziu um procedimento para determinar a da forma (ser´ as capaz de deduzir este m´ etodo?) 1 a . Prove que uma solu¸ c˜ ao alternativa ´ e dada por x1 = 2c √ .C. Os novos modelos matem´ aticos propostos n˜ ao podiam ser resolvidos de forma expl´ ıcita e assim tornava-se imperioso o desenvolvimento de m´ etodos num´ ericos para obter solu¸ co ˜es aproximadas.1 A equa¸ c˜ ao do segundo grau ax2 + bx + c = 0 ´ e usualmente resolvida pelas f´ ormulas √ √ −b + b2 − 4ac −b − b2 − 4ac x1 = . quando usado como m´ etodo para calcular aproxima¸ co ˜es.C. Execute o programa constru´ ıdo em 2. vieram dar um grande impulso ao desenvolvimento de procedimentos num´ ericos.03. sobretudo. vinte s´ eculos antes de Cristo.

no entanto. diferenci´ avel em (a. para todo o y compreendido entre f (a) e f (b) existe pelo menos um x ∈ [a. de facto. 1. basta que f (a) = f (b). neste intervalo. na d´ ecada de 40 do s´ eculo XX. pelo menos. b) e se tiver. que a ciˆ encia usufruiu. hoje. Teorema 1. XVII. ter constru´ ıdo o que ´ e considerado o primeiro computador (nunca funcionou!).. b). b) tal que f (ξ ) = f (b) − f (a) . b]. Como pode ser verificado.6 (Rolle generalizado) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. f (n−1) tem pelo menos 1 zero em (a. Teorema 1.3 (Bolzano) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. milion´ ario inglˆ es. este teorema diz-nos que entre dois zeros de uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua existe. b] tal que f (x) = y . diferenci´ avel n vezes em (a. relembremos algumas no¸ co ˜es e teoremas importantes que conv´ em ter sempre presentes. Foi. . muitos vultos da matem´ atica dos s´ eculos XVIII e XIX trabalharam na constru¸ ca ˜o de m´ etodos num´ ericos. Observa¸ c˜ ao 1. b). m´ etodos esses que possuem. Outro teorema b´ asico ´ e o seguinte e foi estabelecido por Michel Rolle (1652-1719). b). j´ a no s´ ec. foi apenas com o aparecimento do ENIAC. . Teorema 1. f tem pelo menos n − 2 zeros em (a.5 No teorema anterior n˜ ao ´ e necess´ ario que f (a) e f (b) sejam ambos nulos. um zero da sua derivada. desses dispositivos de c´ alculo.Preliminares 5 criou v´ arios m´ etodos num´ ericos para a resolu¸ ca ˜o de muitos problemas. b) e se f (a) = f (b) = 0 ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a. as primeiras m´ aquinas de calcular e de Charles Babage. De entre eles podemos destacar Leonhard Euler (1707-1783). Este resultado pode ser generalizado da forma que se segue. Joseph-Louis Lagrange (1736-1813) e Carl Friedrich Gauss (1777-1875). Outro resultado que conv´ em ter presente (cultura geral) ´ e o conhecido Teorema do Valor M´ edio de Lagrange. dos primeiros computadores que contribuiu decisivamente para o forte desenvolvimento da disciplina. . nos anos 40. n zeros ent˜ ao f tem pelo menos n − 1 zeros em (a. O primeiro teorema que iremos considrar ´ e o chamado Teorema de Bolzano. Teorema 1.4 (Rolle) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. Tal como Newton. o aparecimento. Em linguagem comum. b) ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a.7 (Valor M´ edio de Lagrange) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. b−a . b) tal que f (ξ ) = 0. Apesar de tanto Pascal como Leibniz terem constru´ ıdo. b].3 No¸ co ˜es e teoremas b´ asicos Antes de come¸ carmos propriamente com os assuntos da an´ alise num´ erica. b] e diferenci´ avel em (a. o seu nome. b] ent˜ ao. este teorema estabelece um resultado intuitivo: uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua para passar de um ponto para outro tem de passar por todos os valores interm´ edios.

b] e g uma fun¸ ca ˜o integr´ avel. que n˜ ao muda de sinal em [a.H. b]. Merece destaque especial neste campo o matem´ atico J. . Na bibliografia indicaremos algumas obras que se debru¸ cam sobre estes problemas. E objectivo analisar quais s˜ ao essas causas e estudar mecanismos que nos permitam determinar limites superiores para os erros obtidos no final do processo de c´ alculo. Teorema 1. b−a Consideremos agora o seguinte teorema estudado. y ) ∈ IR2 : x ∈ [a. Este teorema diz-nos que. tem muita importˆ ancia te´ orica.9 (Weierstrass) Seja f uma fun¸ ca ˜o definida e cont´ ınua num intervalo [a. b]. Este resultado.2 0. y ∈ [f (x) − ε. b] pela diferen¸ ca dividida f [a.6 0. b].1: Teorema do Valor M´ edio. Este resultado justifica o procedimento (muito comum) de substituir o c´ alculo da derivada de uma fun¸ ca ˜o definida num intervalo (pequeno) [a. Ent˜ ao existe pelo menos um ξ ∈ (a.4 0. Teorema 1. apesar de ser apenas um resultado de existˆ encia.b] max |f (x) − p(x)| < ε.8 (Valor m´ edio para integrais) Se f for uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua em [a. na disciplina de C´ alculo/An´ alise do primeiro ano. b] tal que x∈[a. Wilkinson que clarificou muitas quest˜ oes com os seus trabalhos. b] := f (b) − f (a) . 1. por mais pequeno que seja o ε escolhido. existe sempre um polin´ omio p contido na faixa {(x. H´ a v´ arias teorias para estudar os erros e a sua propaga¸ ca ˜o ao longo dos c´ alculos. tal como os anteriores. consideremos um teorema estabelecido por Weierstrass. f (x) + ε]}. b)tal que b b f (ξ ) a g (x) dx = a f (x)g (x) dx.8 b 1 Figura 1.2 0.4 Breve referˆ encia ` a teoria dos erros ´ nosso A introdu¸ ca ˜o de erros num determinado processo de c´ alculo pode ter v´ arias causas. Finalmente. Ent˜ ao para cada ε > 0 existe um polin´ omio p definido em [a.Preliminares 6 4 3 2 a -0.4 -0.

Defini¸ c˜ ao 1. . Por exemplo. n˜ ao h´ a perdas de calor. Note-se que a escala de um instrumento de medi¸ ca ˜o nos d´ a uma possibilidade de saber um limite superior para o erro com que esses valores vˆ em afectados. podem estar a ` partida afectados de imprecis˜ oes resultantes de medi¸ co ˜es incorrectas. etc. Por exemplo. Como tal x = 123.5%. A forma de arredondar um n´ umero real ´ e a usual. De facto. para a maioria dos problemas.9346 ≈ 123.5 mm o que d´ a um erro relativo de 2. n˜ ao ´ e relevante saber se o erro foi cometido por defeito ou por excesso. Essa aproxima¸ ca ˜o vai ser efectuada por um processo conhecido por arredondamento. Por exemplo. ´ e usual considerar que. Como na defini¸ ca ˜o de erro relativo o valor de x n˜ ao ´ e conhecido. ´ com base nas duas defini¸ E co ˜es anteriores que iremos analisar os resultados num´ ericos que aparecer˜ ao como aproxima¸ co ˜es a valores que n˜ ao conhecemos com exactid˜ ao. a mantissa de um n´ umero tem que ser limitada.1 Erros de arredondamento Os dados de um determinado problema.4.9346 n˜ ao tem representa¸ ca ˜o numa m´ aquina de base decimal cuja mantissa s´ o permita armazenar 6 d´ ıgitos. ´ e muitas vezes representado sob a forma de percentagem. Assim. definamos dois tipos fundamentais de erros. existem n´ umeros que n˜ ao possuem representa¸ ca ˜o na m´ aquina que estamos a trabalhar. Defini¸ c˜ ao 1. o n´ umero x = 123. Seja x um valor desconhecido e x um valor aproximado de x. x 1. Este tipo de erros fogem ao controlo do analista num´ erico e s˜ ao muito dif´ ıceis de quantificar. com uma r´ egua usual.Preliminares 7 Para iniciar o nosso estudo. Temos assim necessidade de o aproximar por um outro que possa ser representado na referida m´ aquina. Na pr´ atica os valores dos erros absoluto e relativo usam-se. ´ e usual considerar a estimativa |rx | ≈ |∆x/x| . atendendo a que ´ e uma quantidade adimensionada. para um dada problema. 3.935 = x.12 1.11 Chama-se erro relativo de x e representa-se por rx a quantidade rx = Observa¸ c˜ ao 1. 2.10 Chama-se erro absoluto de x e representa-se por ∆x a quantidade ∆x = x − x. ∆x . normalmente. quando usamos um computador. a medi¸ ca ˜o de uma distˆ ancia de 2 mm pode vir afectada com um erro de 0. Outra causa de erros resulta da forma como representamos os n´ umeros reais. Outra causa de erro resulta das simplifica¸ co ˜es impostas ao modelo matem´ atico usado para descrever um determinado fen´ omeno f´ ısico. em m´ odulo pois. O erro relativo. Note-se tamb´ em que o erro relativo nos d´ a uma maior informa¸ ca ˜o quanto a ` precis˜ ao da aproxima¸ ca ˜o que o erro absoluto. o atrito ´ e nulo.

5 × 10−3 .63 × 10−5 < 5 × 10−5 . Defini¸ c˜ ao 1. |∆x| ≈ 3. Existe ainda outra possibilidade de erro quando trabalhamos em aritm´ etica de v´ ırgula flutuante.95 Para finalizar vamos definir o que se entende por precis˜ ao da m´ aquina. Note-se que o arredondamento foi efectuado na terceira casa decimal e que |∆x| = |x − x| = 0.0004 < 0. Assim. Temos ent˜ ao z ≈ 100321 = z.95. |x| Daqui resultam as seguintes defini¸ co ˜es: |rx | = Defini¸ c˜ ao 1. Diz-se que x tem k casas decimais correctas − k se e s´ o se |∆x| ≤ 0.100321E6. por exemplo. Consideremos. 2 Na representa¸ ca ˜o decimal de um n´ umero. Assim temos que z := x3 = 1003213435.0045 < 0. O zero tamb´ em ´ e significativo excepto quando ´ e usado para fixar o ponto decimal.5 × 10 .9346 ≈ 123.5 × 10−2 .Preliminares 8 e este novo valor j´ a tem representa¸ ca ˜o na m´ aquina que estamos a usar sob a forma . Diz-se que x tem k algarismos significativos 2 − k correctos se e s´ o se |rx | ≤ 5 × 10 . o seguinte n´ umero: x = . H´ a pois necessidade de o arredondar.93 = x.23 × 10−6 < 5 × 10−6 . uma m´ aquina ´ e tanto mais precisa quanto menor for o seu zero. denotado por . Suponhamos que estamos ainda numa m´ aquina de base decimal cuja mantissa s´ o permita armazenar 6 d´ ıgitos. Este n´ umero n˜ ao tem representa¸ ca ˜o nesta m´ aquina. Note-se que. cuja representa¸ ca ˜o ´ e z = .15 Note-se que estas defini¸ co ˜es surgem por forma a que todo o n´ umero obtido a partir de um valor exacto por conveniente arredondamento tenha todas as suas casas decimais e todos os seus algarismos significativos correctos. |x| Se o arredondamento tivesse sido efectuado na segunda casa decimal vinha |rx | = x = 123. e assim |∆x| ≈ 3. Observa¸ c˜ ao 1.42 × 10−6 < 5 × 10−6 .100107E4. 3435. Esta caracter´ ıstica ´ e medida pelo chamado zero da m´ aquina.95 |rz | = |∆x| = 0.14 Seja x uma aproxima¸ ca ˜o para x. e definido com sendo o menor n´ umero que pode ser representado satisfazendo a (1 + ) > 1. apesar de se tem |∆z | = 3435.123935E2. um algarismo diz-se significativo se ´ e diferente de zero.13 Seja x uma aproxima¸ ca ˜o para x. 1003213435. .95 ≈ 3.

3 Taylor foi. Por exemplo. por defini¸ ca ˜o.4. devido a Brook Taylor (1685-1731). Compare os resultados e comente. κ = 20. entre outras coisas. 1. Pode mostrar-se que. .3 Sejam x. Tente explicar a nota¸ c˜ ao usada por Ptolomeu tendo em aten¸ c˜ ao que os gregos recorriam ` as letras do seu alfabeto para representar os n´ umeros.18(k + 1) casas decimais correctas.2 Um meio bastante eficaz de calcular o valor de π consiste em usar a s´ erie √ ∞ 426880 10005 (6n)![545140134 · n + 13501409] = .31 e z = 23. y e z trˆ es quantidades exactas.147. Mostre que se trata de uma s´ erie convergente. . tomando os k + 1 primeiros termos desta s´ erie. 2. Publicou. E claro que a nota¸ c˜ ao usada n˜ ao foi esta. Outro exemplo onde surgem este tipo de erros ´ e dado pela chamada aproxima¸ c˜ ao de Taylor que tem como suporte te´ orico o seguinte teorema (apresentado sem demonstra¸ ca ˜o). 3 . y = 2. π vem determinado com 14. . “O ´ Grande Compˆ endio”). 2.1 Ptolomeu de Alexandria (s´ eculo II) usou na sua obra Almagest (em ´ arabe. Exerc´ ıcio 1. . Nota: Este foi o valor usado por Crist´ ov˜ ao Colombo (s´ eculo XV) nos c´ alculos de navega¸ c˜ ao.4.. em 1715. 1.4.830) 60 . π n!3 (3n)!(−640320)3n n=0 1. A sua expans˜ ao apareceu em 1742 no Treatise on Fluxions. 2. o valor de π = (3. Colin Maclaurin (1698-1746) foi um menino prod´ ıgio sendo nomeado professor em Aberdeen com a idade de 19 anos. Conte o n´ umero de casas decimais correctas nas aproxima¸ co ˜es e calcule limites superiores para o erro absoluto em cada uma delas. . Conte o n´ umero de algarismos significativos correctos nas aproxima¸ co ˜es e calcule limites superiores para o erro relativo em cada uma delas. λ = 30.2 Erros de truncatura Os erros de truncatura ou de discretiza¸ ca ˜o s˜ ao.. Compare os resultados e comente. o sucessor de Haley como secret´ ario da Royal Society. Verifique este facto para k = 5 e k = 10.Preliminares 9 Exerc´ ıcio 1. ρ = 100. O seu teorema foi enunciado em 1712. Converta ` a base decimal e determine os erros absoluto e relativo cometidos. os erros que surgem quando se passa de um processo infinito para um processo finito ou quando se substitui um processo cont´ ınuo por um discreto. Exerc´ ıcio 1. ι = 10. um livro intitulado Methodus Incrementorum Directa & Inversa no qual a sua expans˜ ao apaarece descrita. quando aproximamos f (x) ≈ ou e≈ 1+ f (x + h) − f (x) h 1 M M cometemos erros de truncatura. seguindo os Babil´ onios. Por arredondamento obtiveram-se as seguintes aproxima¸ co ˜es: x = 231. Assim (o alfabeto grego na altura tinha mais duas letras) α = 1. β = 2. .4. mas sim a nota¸ c˜ ao grega corrente na ´ epoca π = γη λ . 1.

3) f (n+1) (ξ ) (x − x0 )n+1 . Neste curso n˜ ao iremos dar ˆ enfase a esta quest˜ ao. integra¸ ca ˜o. uma fun¸ ca ˜o pode ser escrita como a soma de um polin´ omio com um resto. . x0 )| = |Rn (x. f (x) = Tn (x.) poder´ a ser feita sobre o polin´ omio. x0 ) o polin´ omio de Taylor de f em torno do ponto x0 e Rn (x. O objectivo fundamental dos problemas que surgem neste contexto ´ e o de determinar o menor valor de n que verifica max |Rn (x. x0 )| < η . se f ∈ C ([a. a fun¸ ca ˜o dada pode ser aproximada pelo seu polin´ omio de Taylor. b) ent˜ ao. para todo o x. sendo um erro absoluto uma vez que |f (x) − Tn (x. x0 }.4) temos que. x0 ). x0 ).16 (Taylor) Se f admite derivadas cont´ ınuas at´ e a ` ordem n (inclusiv´ e) em n ( n +1) [a. Observa¸ c˜ ao 1.x0 } ∞ sendo η > 0 uma tolerˆ ancia previamente fixada. x0 ) = e Rn (x. Escolhendo valores de x e x0 tais que n→+∞ lim Rn (x.Preliminares 10 Teorema 1. x0 ∈ [a. x0 ) = f (k) (x0 ) (x − x0 )k k ! k=0 ξ ∈ I {x. onde Tn (x. isto ´ e. b]. (n + 1) ! sendo I {x. ξ ∈I {x. cujo erro n˜ ao excede η . Assim.17 A escolha dos valores de x e x0 dever´ a ser feita de modo a que eles perten¸ cam ao intervalo de convergˆ encia da s´ erie f (k) (x0 ) (x − x0 )k k ! k=0 designada por s´ erie de Taylor. b]). x0 )|. x0 } o intervalo aberto definido por x e x0 . (1. O valor de Rn (x. A (1.3) chamaremos f´ ormula de Taylor sendo Tn (x. etc. Se x0 = 0 a (1. x0 ) + Rn (x.3) chamaremos f´ ormula de Maclaurin. Atente-se ao grande interesse pr´ atico deste resultado que afirma que. Obtemos assim a aproxima¸ ca ˜o f (x) ≈ Tn (x. mediante certas condi¸ co ˜es. x0 ) o resto (de Lagrange) de ordem n (ou de grau n + 1). n (1. e se f existir em (a. qualquer opera¸ ca ˜o a efectuar sobre a fun¸ ca ˜o (deriva¸ ca ˜o. b]. x0 ) = 0. ´ e tamb´ em designado erro de truncatura. x0 ). a partir de um valor de n suficientemente grande.

sociologia. . etc. biologia. para todo o x ∈ (x0 − ε. n=9 ⇒ 32 |2n+1 | ≤ 0.462 × 10−3 . Como a f´ ormula de Taylor ´ e definida usando apenas informa¸ ca ˜o relativa a `s derivadas da fun¸ ca ˜o num u ´nico ponto.254 × 10−2 10! 32 11 2 = 0.18 Uma fun¸ ca ˜o f cujo resto da sua f´ ormula de Taylor verifique (1.38899470899 ≈ 7. 11! n = 10 ⇒ Logo a aproxima¸ c˜ ao pedida ´ e e2 ≈ 10 xk = 7. k! k=0 ∞ ex 3x |xn+1 | ≤ |xn+1 |. (n + 1)! (n + 1)! Vamos ent˜ ao determinar qual o menor valor de n tal que |Rn (2. Resolu¸ c˜ ao: A fun¸ c˜ ao f (x) = ex ´ e uma fun¸ c˜ ao anal´ ıtica para todo o x real (prove!) e atendendo ( k ) a que f (x) = ex a s´ erie de Maclaurin de f ´ e dada por ex = Assim. (n + 1)! 32 10 2 = 0.8 0 1. bem como os limites das equa¸ co ˜es diferenciais que servem de modelo a muitos problemas da engenharia. 0)| ≤ xn x2 x3 + + ··· + .5 × 10−3 . 2 6 n! xk .Preliminares 11 Defini¸ c˜ ao 1. Exerc´ ıcio 1. com ε positivo e escolhido de forma adequada. x0 + ε). ´ e surpreendente que muitas das fun¸ co ˜es que s˜ ao definidas de forma natural na matem´ atica.. usando a f´ ormula de Maclaurin aplicada ` a fun¸ c˜ ao f (x) = ex . 0)| ≤ Por tentativas..4).5. k! k=0 1. f´ ısica.5 Exerc´ ıcios de aplica¸ c˜ ao ` a engenharia Exerc´ ıcio 1. sejam fun¸ co ˜es anal´ ıticas.4 Determine um valor aproximado de e2 com 3 casas decimais correctas. temos que ex ≈ 1 + x + com |Rn (x.389. fixando um valor de n. diz-se anal´ ıtica em x0 .1 O fluxo atrav´ es de uma parte da camada fronteira num flu´ ıdo viscoso ´ e dada pelo integral definido 0. 2 Calcule uma aproxima¸ c˜ ao para o integral com quatro casas decimais correctas.4(1 − e−4x ) dx.4.

Ser´ a que a lei n˜ ao ´ e v´ alida nesta situa¸ c˜ ao? 1.L. New York. New York. Prentice-Hall. S. o volume v a temperatura t e o n´ umero de moles n de um g´ as ideal.E. Error Propagation for Difference Methods. M. Textos de Apoio. DMUC.082. 5 mL ) − 1) − . a temperatura prevista ´ e de 17 Celsius mas agora. de Boor (1980). A deflac¸ c˜ ao D no ponto m´ edio ´ e dada por D= W L2 W EI (sec (0 .10 metros c´ ubicos e r = 0.. PWS-Kent. 2th ed. Conte e C. McGraw-Hill.0 atmosferas. Rosa (1992). Consideraram-se p = 1. J. Springer-Verlag.3 A lei dos gases perfeitos ´ e dada por pv = nrt e relaciona a press˜ ao p.D.2 Consideremos uma viga uniforme de comprimento L. suspensa.6 Referˆ encias bibliogr´ aficas K.10 pv = = 290o Kelvin = 17o Celsius. 1. Rounding Errors in Algebraic Process. 3th ed. Henrici (1963). 2. J.D.H.0042 moles. Elementary Numerical Analysis. Stoer e R. Usando a lei.0 × 0. Burden e J. John Wiley. Numerical Analysis..0042 Quando medimos a temperatura do g´ as verific´ amos ser 17o Celsius. Como pv ´ e o constante. ao medir a temperatura do g´ as encontr´ amos o valor 32o Celsius. 4th ed. New Jersey.082 × 0. v = 0. Faires (1988).. Introduction to Numerical Analysis. John Wiley.5. n = 0. P2 8P onde m2 = P/EI com E e I constantes. nr 0. Bulirsch (1980). a temperatura do g´ as foi prevista como sendo t= 1. An Introduction to Numerical Analysis. New York. T´ opicos de An´ alise Num´ erica. Atkinson (1989). 384EI Exerc´ ıcio 1. . Berlin. A experiˆ encia anterior foi repetida usando os mesmos valores de r e n mas aumentando o press˜ ao quatro vezes enquanto se reduziu o volume na mesma propor¸ c˜ ao. R. Suponhamos que foram efectuadas as seguintes experiˆ encias para testar a veracidade da lei usando o mesmo g´ as. Boston. Usando o desenvolvimento em s´ erie de Maclaurin da fun¸ c˜ ao y = sec x prove que quando a for¸ ca grav´ ıtica tende a anular-se a deflac¸ c˜ ao D tende para 5W L4 .Preliminares 12 Exerc´ ıcio 1. Coimbra. P.5. sujeita a uma carga uniformemente distribuida W e a uma for¸ ca compressiva P em cada extremo. Wilkinson (1963). O n´ umero r nesta equa¸ c˜ ao depende apenas do sistema de medi¸ c˜ ao a usar.