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Educação para a Morte
Education for death

Maria Julia Kovács Universidade de São Paulo

Experiência

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2005, 25 (3), 484-497

até o confronto 12345 com a própria morte. deixando suas marcas. e respostas foram trazidas pelas religiões. loss of close people. aperfeiçoamento e cultivo do ser. perda de pessoas 12345 12345 12345 12345 significativas. self improvement. Considerando nossa existência terrena. 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 Educação para a morte sugestões de linhas de ações para o psicólogo A morte faz parte do desenvolvimento humano desde a sua mais tenra idade e acompanha o ser humano no seu ciclo vital. 12345 12345 12345 12345 Perguntas têm assoberbado a humanidade. 25 (3). que pretendemos falar. as personal development. 12345 de autoconhecimento. nenhuma delas é completa e universal. Como preparar pessoas para esse fato tão 12345 12345 12345 12345 presente na existência? Esse desafio é ainda mais urgente para os profissionais de saúde e educação. deixando suas marcas. but none is universal. health and education 12345 professionals. educação. que 12345 12345 12345 12345 também pressupõe uma preparação para a morte. por exemplo: fases do desenvolvimento. and 12345 12345 12345 limit situations such as: development phases. acidentes. education. 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 since the first years of life and goes along with Abstract:Death is part of the human development 12345 12345 12345 its marks. the 12345 12345 12345 12345 search for meaning. filosofias. o final do corpo físico. quanto tempo viveremos e como será nossa vida? Teremos controle e poder sobre o nosso existir? Teremos o direito de saber sobre a nossa morte. como viveremos e como morreremos. 12345 12345 12345 artes. How could we prepare people to the human being throughout the existence. ou somente transição. situações-limite. Many questions overwhelm Humanity 12345 and answers are given by religions. relationships. Qual é o grau de . a libertação da alma? Haverá outras vidas? Será a alma imortal? O espírito se mantém tal como o conhecemos? Será a nossa existência um caminhar para a evolução de cada ser? Chegaremos à perfeição divina? Como preparar pessoas para esse fato tão presente na existência? Esse desafio se torna ainda mais urgente para os profissionais de saúde e educação. sobre essa característica 12345 12345 12345 ou qualidade humana de questionamentos. luto. diseases. 2005. até certo ponto. profissionais de saúde e educação. 12345 12345 perdas. relacionamentos. A 12345 12345 12345 educação é entendida como desenvolvimento pessoal. Questões são constantemente formuladas: “De onde viemos e para onde vamos?” “Será a morte o final da existência. ciências. Education here is understood 12345 12345 12345involves communication. É sobre esses questionamentos 12345 12345 12345 12345 e reflexões. 12345 12345 arts and phylosophy. 484-497 12345 12345 12345 12345 12345 12345 12345 Resumo: A morte faz parte do desenvolvimento humano desde a mais tenra idade e acompanha 12345 12345 12345 o ser humano no seu ciclo vital. Several death education formats will be discussed including layman and 12345 12345 12345 health and professionals’ education. como e quando será? Podemos nos preparar para esse momento? Estamos rodeados por um tecido cultural que determina. como. 12345 envolvendo comunicação. leaving 12345 12345 12345 12345 even more urgent to health and education this subject so important in life? This is a challenge 12345 12345 12345 12345 professionals. losses. We shall consider these questions and reflections. about life that the questions about 12345 death promote. 12345 12345 12345 12345 Key words: death. accidents and 12345 12345 12345 12345 confronting own death. doenças.485 PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. entretanto. Serão discutidas várias 12345 12345 12345 propostas de educação para a morte tanto para o público leigo quanto para os profissionais. 12345 12345 12345 Palavras-chave: morte. sobre a busca de sentido à vida que a morte pode oferecer. bereavement. sciences.

o surgimento e o aumento dos casos de AIDS e de câncer em crianças e adolescentes faz com que vivenciem o estar doentes. ciências. o que buscam. Respostas foram trazidas pelas religiões. reina uma conspiração do silêncio. dos amigos. sobre a busca de sentido à vida que a morte pode oferecer. no seio da sociedade da qual somos membros integrantes. até o confronto com a própria morte. total. pode florescer e desenvolver-se (Kovács. de doenças. para algumas pessoas. com dores e sofrimentos atrozes? Por que pessoas se escondem da morte. Crianças e adolescentes convivem com essas imagens diariamente. a ponto de seduzi-las? Por que é musa inspiradora de tantos: músicos. desenvolvimento que também pressupõe uma preparação para a morte. sem a mínima possibilidade de elaboração. entretanto. das relações amorosas. e. fazem piada sobre temas escatológicos? Por que tantos filmes sobre a morte. Por outro lado. sim. principalmente. a possibilidade de busca inerente ao ser humano. da mesma forma. nos títulos ou na sua temática? Por que a morte exerce tanto fascínio sobre algumas pessoas. num dado tempo. É essa característica ou qualidade humana de questionamentos. não querem nem ouvir falar sobre o assunto? E por que outras riem. entendida como desenvolvimento pessoal. ao mesmo tempo em que se tenta “poupá-los” para não os entristecer. acidentes. É sobre esses questionamentos e reflexões que pretendemos falar. aperfeiçoamento e cultivo do ser. como ermitãos. única. significados e representações? As perguntas continuam: por que pessoas jovens e saudáveis morrem rapidamente e pessoas idosas não o fazem? Por que pessoas adormecem e morrem no silêncio do sono. doenças. nesse mesmo século. como. oferecendo. no início do século XXI. cada vez mais próxima das pessoas. situações-limite. de auto-conhecimento. perda de pessoas significativas. escritores. e. de busca de sentido que procuraremos abordar. dogmática e padronizada. de acidentes. hospitalizados por longos períodos. Essa educação envolve comunicação. o desenvolvimento interior que se propõe durante o existir. A TV introduz diariamente. no sentido entendido por Jung (1960) como individuação. e outras lutam e se debatem até o último momento. mesmo que provisoriamente. Não temos uma resposta simples. São incompletas. embora essas mortes estejam tão próximas (real ou simbolicamente). receitas prontas ou doutrinação. bem como a educação. perdas. dado o ritmo propositalmente acelerado desse veículo. fases do desenvolvimento. poetas. Paradoxalmente. cenas de morte. em milhões de lares. a morte esteve e continua estando. do desenvolvimento das telecomunicações. embora possam ser. de violência. privados de brincadeiras. 2005. Esse desenvolvimento não precisa ser realizado no topo de uma montanha. Então. mesmo esmagado por uma sociedade desumana e massificadora. e. 25 (3). artes. 1977). deveríamos também nos preparar. sim. 484-497 . Freqüentamos escolas por mais de vinte anos de nossa existência e assim nos preparamos para a vida social. relacionamentos. de ação. invasiva e sem limites. por exemplo. para o fim de nossa existência.486 Educação para a Morte liberdade. um sentimento de totalidade. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. que. nenhuma delas é completa e universal. dentro desse tecido ou rede de valores. O tema da morte se tornou interdito no século XX (Ariés. e não como padrões de informação. filosofias. profissionais de saúde e educação? Tantas perguntas têm assoberbado a humanidade durante os tempos. nas quais reviravoltas podem ocorrer durante a vida. em função. Educação para a morte é um estudo sobre a possibilidade do desenvolvimento pessoal de uma maneira mais integral. sendo banido da comunicação entre as pessoas. das atividades escolares. ou dentro de casa isolados. 2003). pelos mesmos “vinte anos”. a morte torna-se companheira cotidiana. ao mesmo tempo em que é interdita.

Vários idosos reclamam de muitas dores. que já foram fulminantes. ao falar desta. observam-se pais que não sabem se devem falar ou não sobre a morte de um parente próximo. de amigos. já que a morte está relacionada com a velhice. isso porque a velhice é também o período em que ocorre a incidência de muitas enfermidades. outras figuras de referência. do oculto – uma inimiga a ser vencida a qualquer custo. 25 (3). ocorre grave distúrbio na comunicação que denominamos conspiração de silêncio. além das perdas vividas na infância e adolescência. ou que sofrem de longas doenças degenerativas que causam grandes dores. mas. O desenvolvimento da tecnologia médica e dos diagnósticos e tratamentos cada vez mais sofisticados trouxe o prolongamento da vida. Além do cônjuge. A importância de enfocar o tema da morte está ligada ao fato de que. além das perdas vividas na infância e adolescência. do suicídio. principalmente no caso dos idosos. São perdas muito dolorosas. 484-497 da formação da identidade. por questões de saúde. como. ocorrendo uma cronificação das mesmas e um conseqüente prolongamento da vida. Esta vem decaindo. uma vida que foi construída a dois. também se vão. as estatísticas da Organização Mundial de Saúde indicam um aumento significativo no número de pessoas idosas em todo o mundo. embora nem sempre tenhamos garantia da qualidade desta. pelo lugar ao qual a morte foi relegada no século XX: do interdito. o idoso passa a perder pessoas de sua faixa de idade. outras. a qualidade da mesma acaba sendo revista. mais esta parece fazer-se presente através da violência urbana. com a naturalização desse processo.487 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Quanto mais se nega a morte. o idoso passa a perder pessoas de sua faixa de idade. e profissionais de saúde que se empenham numa luta de vida e morte contra as doenças. agora. O desenvolvimento da tecnologia médica. muitas vezes. de pequenos companheiros. assim como surgem limitações decorrentes de perdas nas esferas física. muitos idosos têm que trabalhar mesmo depois de aposentados. tanto pelo valor aviltante da aposentadoria quanto pela impossibilidade de exercerem atividades remuneradas. limitações e sofrimento e das quais não têm com quem falar. ao mesmo tempo em que convivem com a perspectiva da morte. Entretanto. do crescimento do número de pessoas portadoras do HIV. freqüentemente são acompanhados de intenso sofrimento. Entretanto. das guerras. Há idosos que perdem cônjuges com os quais compartilharam uma vida toda e que sentem que a vida acaba por ocasião da morte. estamos falando de vida e. psicológica e social. ao falar de vida. por exemplo. Muitos amargam graves dificuldades financeiras depois de trabalhar praticamente durante toda a vida. Assim. ficando presente a idéia de “que o último O avanço da idade traz também a vivência de várias perdas não ligadas necessariamente a doenças e suas conseqüências. e não sabem o que e como falar com seus jovens pacientes e familiares sobre o porquê da não melhora e sobre a possível morte. mesmo com a sofisticação dos tratamentos. do vergonhoso. principalmente no caso dos idosos. . um cônjuge. com o qual se viveu toda a vida. vêem seus empenhos frustrados. esse prolongamento da vida nem sempre é acompanhado por uma preocupação equivalente com a qualidade da mesma. os diagnósticos e tratamentos cada vez mais sofisticados trouxeram o prolongamento da vida. já que a morte está relacionada com a velhice. como os amigos. algumas longas e degenerativas. em parte. embora nem sempre tenhamos garantia da qualidade desta. hoje não mais o são. professores que se vêem às voltas com perguntas insistentes sobre mortes de ídolos. muitas doenças puderam ser eliminadas. Embora essas mortes estejam tão próximas. aumentando ainda mais os sofrimentos! O avanço da idade traz também a vivência de várias perdas não ligadas necessariamente a doenças e suas conseqüências. Essas são questões cotidianas. Assim. precisa ser continuada só. Por outro lado. Com o avanço da tecnologia médica. diz-se que é normal que adoeçam e tenham dores. 2005. Do ponto de vista social. e que. e cuja morte pode significar o arrancar de um grande pedaço.

PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. os acontecimentos trazem milhares de imagens sobre a morte de pessoas anônimas. a aposentadoria pode ser vista como uma oportunidade de realização de atividades que não puderam ser realizadas antes. podendo ser descobertas novas habilidades e talentos. como lidar com o suicídio de pessoa conhecida na escola. pela idade. que precisam ser destacados. fundamentada pela importância da discussão do tema numa sociedade na qual convivem a morte interdita. por falta de tempo. sobre o qual não se deve falar porque poderá provocar sofrimento e. profissão. na figura do Laboratório de Estudos sobre a Morte. Oferecer assessoria contínua nos seguintes tópicos: ● Preparar atividades pedagógicas sobre o tema da morte. como integrar uma criança gravemente enferma nas atividades didáticas e de recreação. Propor espaços de treinamento em serviço na própria escola. com módulos específicos. ● Lidar com crianças e adolescentes que possam estar passando por situações de perda e luto. pela possibilidade de experimentar coisas novas. no Instituto de Psicologia da USP) especialmente para os professores. 484-497 . aparência. o temor de que não sobre mais nenhum dos amigos. por exemplo: como falar com uma criança que sofreu a perda de pessoas significativas. que ainda necessitam de maior desenvolvimento. próximas quando da possibilidade de uma certa identificação. em locais e instituições. Propomos. ou seja. então. viagens. criando-se. Apresentamos. usando-se como argumento a falta de preparo dos professores. constrangimento. propomos a ampliação do escopo da educação para a morte. Essa disposição para viver a vida pode explicar o sucesso dos programas de terceira idade. desde 1986. Temos. de significação e ressignificação da vida. 2005. A discussão do tema da morte nas escolas O tema da morte não está presente nas escolas. também. trazendo a impressão de ser gente como a gente. A velhice pode ser um tempo de balanço. como uma nova “moratória”. lazer. uma vez que a este cabe acompanhar de perto o envelhecimento dos pais e deles cuidar. principalmente.488 Educação para a Morte a ficar terá que apagar a luz”. uma parceria entre as escolas e o Instituto de Psicologia. a busca da rehumanização da morte e a morte escancarada no cotidiano das pessoas. na velhice existem também aspectos positivos. Em tempos atuais. então. observado um fenômeno ainda mais grave e que se torna cada vez mais comum: pais idosos perdendo filhos na fase adulta. Nesse sentido. por outro. como. como em todas as outras fases de desenvolvimento. ou convidá-los a freqüentarem a disciplina regularmente oferecida no Instituto. Todavia. o envelhecimento tem sido comparado à adolescência. um duplo problema: lidar com a perda extremamente dolorosa do filho e também do próprio cuidador. propostas para a ampliação dos espaços de reflexão sobre o tema da morte. A partir do que foi exposto. por um lado. com as seguintes atividades: Oferecer a disciplina Psicologia da Morte (disciplina optativa oferecida. um tempo a ser dedicado a estudos. se não existentes as dificuldades econômicas apontadas. 25 (3). e também um tempo de se preparar para seu fim e para a morte – mas o que se vê é que esta última continua um tema tabu. e. distantes geograficamente. a seguir.

é importante oferecer cursos ou vivências para o público leigo interessado no assunto. . principalmente da enfermagem. escolas. Em 1999. atividades expressivas e role playing. o prolongamento da vida e do tempo da doença faz com que haja maior tempo de convívio entre pacientes gravemente enfermos. 25 (3). ● Como lidar com pacientes que estejam apresentando forte expressão emocional: medo. com os seguintes objetivos: ● Identificar as necessidades das equipes de Espaços para discussão sobre a morte para público leigo Como a morte ainda é um tema interdito e como há poucos fóruns de discussão sobre o assunto. favorecendo reflexões sobre conceitos. tristeza. palestras ou workshops. ● Aprofundamento do tema trazido pelo grupo. enfermagem das UTIs. A abertura do curso Psicologia da Morte para a terceira idade e a procura pelas vagas indica o interesse pelo tema daqueles que não são profissionais de saúde. bibliotecas. cuidador pensada pela própria equipe de trabalho. propondo aos superintendentes e diretores de hospitais a implantação desses trabalhos. ● Apresentar. clínica médica e emergência do referido hospital.489 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. 2005. São oferecidas vivências. iniciamos um trabalho no Hospital Universitário da USP denominado “Cuidado ao cuidador no contexto hospitalar”. ● Promover intervenções. universidades. reflexão e elaboração do tema da morte e das perdas nas suas várias facetas. ● Avaliar a influência dessas intervenções na qualidade de vida do trabalhador de enfermagem nessas unidades. abrindo-se o contato com os próprios sentimentos. com o envolvimento dos vários membros da equipe de saúde para vivência. Vemos a necessidade de expandir esses espaços. Por outro lado. raiva. Propomos atividades que favoreçam: ● Aquecimento e sensibilização para o tema principal apontado pela equipe e as suas dificuldades principais. como momentos de trabalho individual que envolviam relatos verbais. São oferecidos cursos de curta duração. ● Planejamento da ação de cuidados ao Discussão sobre perdas e mortes em hospitais Na mentalidade da morte interdita. igrejas ou quaisquer outros freqüentados por pessoas interessadas em debater o tema. teorias. A metodologia utilizada durante as diversas fases do trabalho envolveu atividades em grupo. Essas atividades propõem o desenvolvimento dos conhecimentos sobre a morte. 484-497 ● Propor bibliografia para subsidiar a formação dos professores nesse assunto específico. considerando as necessidades detectadas. com um aumento da carga de estresse e com risco de colapso. esta é vista como erro e fracasso. discutir e preparar os professores para o uso de filmes e vídeos sobre o tema da morte. entre as quais: ● Como comunicar ao paciente e familiares o agravamento da doença. tendo em vista as suas necessidades. o que pode ser extremamente penoso. a não ser em ocasiões específicas. com o mundo interno e a discussão sobre a morte no cotidiano. Há uma aura de silêncio que rodeia o termo entre os profissionais. familiares e equipe de cuidados. Esses espaços podem ser abertos em postos de saúde.

já que assistir à TV e ir ao cinema são atividades muito apreciadas. já que propõem informação e orientação para pessoas nas diversas fases do desenvolvimento. respeitando-se os princípios da bioética. Jussara Marques e Maria Helena Pereira Franco Bromberg. Diversas obras já abordaram esse tema. já que abordam uma questão tão pouco falada.490 Educação para a Morte ● Como desenvolver o tratamento de pacientes sem possibilidade de cura. 1 PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. observando-se várias visões sobre um mesmo tema. desencorajando respostas rápidas e simplistas. 484-497 . aprofundando a questão da diferença entre curar e cuidar. buscandose a definição dos termos e a clarificação da situação sob discussão. A maioria dos hospitais tem os seus comitês de ética. ● Como abordar a família quando da Projeto Falando de Morte O Projeto Falando de Morte foi planejado contemplando-se quatro vídeos educativos como instrumentos facilitadores da comunicação em relação ao tema da morte. Nancy Vaiciunas. eutanásia. estão: morrer com dignidade. contato com experiências que já podem ter sido vividas e. sedação. o olhar sob vários ângulos. aceitando-se as diferenças. escolas e demais instituições de saúde e educação. como acolher os fortes sentimentos presentes nessas situações. A supervisão de casos difíceis pode servir como Equipe do Projeto Falando de Morte: Maria Julia Kovács. hierarquia dos conflitos. às vezes. ou da família. além da esfera cognitiva. já que é o cenário principal de mortes. favorecendo a criação de espaços de discussão. fóruns de discussão de bioética podem ser propostos nas universidades. Como não eram conhecidos vídeos brasileiros que abordassem o tema da morte. resolvemos iniciar o projeto de sua construção sem a proposição de receitas. ● Como cuidar de sintomas incapacitantes. incluindo conteúdos informativos e de sensibilização pessoal. uso de analgesia. Os locais por excelência para esse tipo de discussão são os hospitais. Com os livros. base para esses encontros sobre bioética. por vezes com muito sofrimento e dor. Grupos multidisciplinares para discussão de temas de bioética no contexto hospitalar A discussão dos temas relacionados à morte e ao morrer dentro dos hospitais é de fundamental importância. vídeos podem ser formas de comunicação importantes para as pessoas em várias fases do desenvolvimento. adolescentes. suicídio assistido. pretendeu-se criar um espaço para facilitação da comunicação entre crianças. Ingrid Esslinger. não implantação ou não manutenção de tratamentos com objetivo de prolongamento de vida. Os sistemas de comunicação. adolescentes e adultos que trazem o tema da morte com diversos enfoques. pedidos para morrer. Entre os principais temas que merecem debate. e profissionais que se sentem perdidos sobre como lidar com o fim da vida e a aproximação da morte. 2005. estimulando o questionamento. quer no cognitivo. abordam. fundamentando seu trabalho com pacientes que estão vivendo experiências de morte. possibilitando razão para sintomas quer no campo afetivo. Além dos hospitais. famílias e profissionais de saúde e educação diante de um tema tão complexo. a emocional. que usam os canais visual e auditivo. ● Como lidar com a expressão do desejo de morrer por parte do paciente. Existem também livros para crianças. Oferecem também subsídios para profissionais. Têm também um caráter educativo. através de cenas. distanásia. adultos e idosos. incluindo traduções e obras de autores nacionais. enfatizando sua característica multidisciplinar. e que podem não estar sendo compreendidos. Ao contrário. Esses vídeos têm um caráter preventivo. não elaboradas. que não suporta ver tanto sofrimento. proporcionando. 25 (3). a ampliação da discussão. que causam muito sofrimento e dor. 1 aproximação da morte. testamentos em vida.

a 2 versão – 2003). Falando a de morte: o adolescente” (1 versão em 1999. 2005. escolas. Pelo fato de os sistemas familiar. das formas mais variadas. Falando de morte: a criança O primeiro vídeo da série “Falando de morte” foi elaborado para crianças. nosso objetivo é fazer com que a criança possa atribuir à doença um significado e perceber que determinados sentimentos estão presentes. agora voltadas para: quais são as dificuldades dos pais e dos profissionais que lidam com a criança gravemente enferma? . compõe-se das seguintes partes: Bloco I: a perda do outro . pode gerar várias dificuldades. altamente invasivos ou mesmo dolorosos. tem o objetivo de situar as crianças quanto aos principais processos ou etapas dentro de uma instituição hospitalar. mas. Freqüentemente surge o desejo de acompanhar a pessoa morta.luto e a perda de si mesmo – doença. elaboradas. Bloco II – a família. há o medo dos procedimentos hospitalares. dois outros blocos discutirão as mesmas questões. suas famílias e profissionais. dúvidas e angústias decorrentes dessas situações. A bula que acompanha o vídeo apresenta as suas principais características. em conseqüência. ● Investigar se os vídeos construídos são. o material tem sido divulgado entre profissionais e estudantes das áreas de saúde e educação. No que se refere à morte do outro. Há o medo natural da morte.quais podem ser os sentimentos de pais e de irmãos ao verem a criança doente? Tentaremos também uma aproximação a essa questão. principalmente pela percepção inevitável de que a morte é irreversível. Desde o lançamento. agora voltadas para: quais são as dificuldades dos pais e dos profissionais que lidam com a criança gravemente enferma? E como esses pais e profissionais podem ajudar a criança e serem ajudados? O vídeo. adultos e crianças. Enfoca dois aspectos da morte (a morte do outro/luto e a morte de si mesmo). 484-497 O projeto Falando de Morte compõe-se de quatro vídeos: Falando de morte: a criança (1997). No que se refere à morte de si mesmo (principalmente nos casos em que a criança é obrigada a conviver. tendo como princípio os pontos acima colocados. Falando de morte com profissionais de saúde (2004). cursos de extensão. medo da separação dos entes e coisas queridas e. Bloco III – os profissionais. procurando familiarizar as crianças com os sentimentos. dois outros blocos discutirão as mesmas questões. instrumentos facilitadores para a discussão do tema da morte no domicílio. com este. mas nas últimas. Procuramos também destacar o sentimento bastante comum de culpa com relação à morte de alguém amado: essa culpa pode estar presente em todos. texto e imagens que facilitem a sensibilização e a comunicação sobre o tema da morte. muitas vezes. é de extrema importância para a criança . por longos períodos. hospitalar e social mais amplo (aí incluindo a escola) serem de extrema importância para a criança. Abordamos os vários sentimentos que podem estar presentes nessa situação.491 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. hospitais e demais instituições de saúde e educação. procuramos mostrar que esta pode ocorrer e que ocorre com todos nós. nesse momento todo ele em desequilíbrio. 25 (3). pós-graduação. Tem como objetivos principais: ● A construção de vídeos com roteiros de pela onipotência típica do pensamento infantil. Enfatizamos a questão do vínculo. que tem a duração de 50 minutos. Pelo fato de os sistemas familiar. com a doença). nessa medida. hospitalar e social mais amplo (aí incluindo a escola) serem de extrema importância para a criança. Falando de morte com o idoso (2002). mostrando que há saídas e que essas experiências podem ser compartilhadas e. de fato. nas disciplinas de graduação. O sistema familiar.

São cenas de esportes radicais.492 Educação para a Morte palestras. e para que pais. focando principalmente os comportamentos autodestrutivos. Longe de trazer receitas. Infelizmente. ou informalmente. os próprios jovens. mostrando como a vida do adolescente pode estar por um fio. 1998). O vídeo tem a duração de 20 minutos e pode ser assistido por adolescentes. tendo sido apresentado no Congresso da Association for Death Education. no desenvolvimento da sexualidade. especialista em luto. É o período no qual ocorre também um grande número de suicídios. estando aí justamente o perigo. De uma forma diferente da mídia. A adolescência é um período em que rápidas mudanças ocorrem: no corpo. buscando trazer uma visão realista da situação. procurando adequar-se à linguagem do jovem. Para maior aprofundamento dos pontos discutidos no vídeo. O patrocínio veio pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP e pela CAPES. de autoria de Ingrid Esslinger e Maria Julia Kovács (Editora Ática. Para o adolescente. que teceu considerações sobre a qualidade do material. A TV CULTURA. de usuários de drogas e de contaminação por AIDS. esse vídeo traz imagens acompanhadas de questões e pontos de reflexão que permitem aos adolescentes participarem da discussão. adultos. Sabemos que soluções não são simples. workshops. nas experiências amorosas e na escolha da vocação. congressos. isso não é bem verdade. profissionais de saúde e educação. Foi enviado também para Inglaterra. tendo sido submetido também a questionário que envolve perguntas sobre a PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Após o lançamento. continuamos divulgando o vídeo. em sala de aula. acidentes e tentativas de suicídio. no pensamento. uma pipada de crack não vicia. É a busca da identidade. 25 (3). congressos. fazendo-o chegar às escolas e aos seus principais beneficiários. favoreceu a complementação do trabalho de filmagem. O vídeo recebeu também legendas em inglês. o que permitiu a elaboração do roteiro. um carro a 200 km por hora jamais se espatifa num muro. 484-497 . sugerimos a leitura do livro “Adolescência: Vida ou Morte?”. É também uma fase em que se tem como objetivo experimentar todas as “novidades”. 2005. mas uma comunicação efetiva e clara favorece um aprofundamento das relações e melhor qualidade de vida. Falando de morte com o adolescente O segundo vídeo da série. educadores e profissionais de saúde possam entrar nesse universo e também criar espaços para discussão e busca de alternativas. que se torna ágil. amor. Tem sido apresentado também em cursos. é como se a morte não existisse: há uma vivência de onipotência em sua força total. nos Estados Unidos. propõe uma discussão ampla e aberta sobre os referidos temas. Colin Murray Parkes. através da cessão de imagens jornalísticas. Tendo em vista tratar-se de um vídeo que objetiva a reflexão. e tem sido distribuído pelo Brasil inteiro. Seu uso pode dar-se de forma didática. violência. pois estatísticas mostram que é na adolescência que se encontra o maior número de acidentes. uso de drogas. sugerese a interrupção a cada cena que suscite questões. aos cuidados do Dr. Com essa forma de pensar. Falando de morte com o adolescente. Essas são forças de vida ou de morte? Certamente não é fácil responder! Esse vídeo usa a força de imagens para reflexão e discussão dessas questões. sexo. tem uma característica muito diferente do primeiro.

e Dra. Para aprofundar os conteúdos abordados. a saber. Dr. contra si” – suicídios comportamentos auto-destrutivos. durante todo o transcorrer da fita. Leocir Pessini (teólogo). bioética e a questão da morte. idosos. Em continuação ao Projeto Falando de Morte. adultos. para falar de suícidio. profissionais de saúde e educação um meio que possa facilitar a comunicação sobre o tabu da morte (e das perdas) em nossa sociedade e. assuntos esses usualmente evitados pelo constrangimento que provocam. sem. para falar de luto. reflexão e aprofundamento. para falar de dor. suicídio e comportamentos auto-destrutivos. propondo discussões e troca de experiências. ● “Perda e processo do desenvolvimento humano. ● “Perda do outro”. temos a intenção de criar outros recursos audio-visuais na forma de filmes ou vídeos. ser um veículo facilitador da discussão. ou seja. O vídeo tem a duração de 30 minutos. O vídeo tem caráter preventivo (já que aborda uma questão tão pouco falada). situações que favorecem a transmissão daquilo que pretendemos. tendo sido planejado com a mesma filosofia que embasou a criação dos outros dois da série. entretanto. propõe-se a criar espaços de facilitação para a discussão do tema em instituições de saúde e educação para profissionais ou na formação de recursos humanos nessa área. 25 (3). para esse grupo. nesses projetos. jovens. criar canais de comunicação sobre temas relacionados ao envelhecimento. para falar de cuidado ao cuidador. para falar sobre pacientes terminais. propiciando o entrar em contato com algumas experiências já vividas e às vezes não elaboradas. suicídio e comportamentos auto-destrutivos. Criamos. abrindo espaço para que se fale das próprias perdas e as das pessoas mais significativas. a mesma característica que desenvolvemos no projeto anterior. cuja causa nem sempre é evidente. Maria Helena Pereira Franco (professora e psicoterapeuta). por meio de imagens. Dra. com foco nas seguintes situações: ● Saúde e doença – “perda de si”. Falando de morte com o idoso É o terceiro vídeo do Projeto Falando de morte. Temas como morte no . o cuidado ao paciente gravemente enfermo e seus familiares. Tem também um caráter reflexivo. Dra. Esse vídeo tem a duração de 50 minutos e. em nível de graduação e pós-graduação. convidamos os seguintes especialistas: Dr. o agravamento da doença e a proximidade da morte. Vicente Augusto de Carvalho (psiquiatra e psicoterapeuta). com sintomas quer no campo afetivo. buscando-se o aprofundamento do sentido e do significado que possam ter.493 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. Pretendemos imprimir. trazendo para o idoso. Ingrid Esslinger (psicoterapeuta). aborda-se a questão de como a morte afeta os vários profissionais de saúde na especificidade de suas práticas profissionais. possivelmente desencadeadoras de problemas sérios. perdas no ciclo da existência. leigos e profissionais. criar modelos ou receitas. quer no cognitivo. Maria Julia Kovács (psicóloga e professora da USP). Falando de morte com profissionais de saúde Esse vídeo traz um aprofundamento de questões que foram abordadas nos outros vídeos da série. seus familiares. tal como os anteriores. Dra Adrianna Loducca (psicóloga hospitalar). mais particularmente. para falar de bioética e distanásia. 2005. e foi a partir delas que uma nova versão foi lançada em 2003. abordando temas como: atitudes e ritos de morte no Brasil. e. que possa ser visto por crianças. pacientes enfermos. processos de luto e suas intercorrências. 484-497 qualidade do material e a sugestões para mudanças.

2005. não têm espaço para cuidar da sua dor. o desejo de se sentir único. que cuidam do sofrimento alheio e que. entretanto. Existe. como veremos adiante. imediatamente após um noticiário envolvendo a guerra. com possibilidade de discussão sobre o assunto. Doenças com prognósticos reservados trazem uma ameaça à vida e um aceno à morte.494 Educação para a Morte Assessoria aos meios de comunicação Estamos convivendo com várias mentalidades da morte no início do século XXI. não conseguiríamos realizar os sonhos e projetos. existem dois paradigmas vinculados à ação de saúde: o curar e o cuidar. tragédias ou morte de pessoas ilustres. É inegável que a morte está presente nas guerras. na vida destes. No paradigma do curar. Vários jornalistas têm nos procurado para entrevistas. É por isso que a depressão é atualmente uma doença que tem acometido os profissionais da área de saúde mental. Um outro ponto assustador é que. Como sabemos que a televisão. levando a uma banalização da morte. a morte faz parte do cotidiano. de tratá-lo de uma forma mais humana. acompanhados de um tempo de reflexão. e no texto que acompanha as imagens. e. Não se trata de eliminar ou ocultar o assunto. a finitude e a vulnerabilidade. enfermeiros. filmes e documentários. muitas vezes. não há permissão para expressão da tristeza e da dor. primeiramente na enxurrada de imagens repetidas inúmeras vezes. dando a ilusão de que a morte e a decadência não ocorrerão. rehumanizada e escancarada. pensamos ser importante discutir com os profissionais de comunicação a possibilidade de abrir um espaço para que os temas relacionados com a morte possam ser apresentados. dado o grande número de pessoas que adoecem em função de uma carga excessiva de sofrimento sem possibilidade de que este seja elaborado. tornando-se companheira de trabalho. no ser humano. Segundo Pessini (2001). o PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. criando obras que não permitam o seu esquecimento. acidentes e que precisam ser noticiados. Se o medo da morte estivesse constantemente presente. sim. 484-497 . Os meios de comunicação trazem a morte escancarada. O que pensamos ser importante discutir é como a imagem da morte é veiculada. nos noticiários. 25 (3). O luto mal-elaborado está se tornando um problema de saúde pública. Negar a morte é uma das formas de não entrar em contato com as experiências dolorosas. e aproveitamos essas ocasiões para debater sobre como são veiculadas notícias envolvendo perdas e morte. trazendo graves conseqüências como maior possibilidade de adoecimento. Esse mal também está afetando os profissionais de saúde. ou que a morte não sirva como mercadoria cujo único objetivo seja o aumento do índice de audiência. além de ser um meio de distração. quando ocorrem perdas sem possibilidade de elaboração do luto. é apresentado um anúncio ou notícia que muda de assunto. levando ao adoecimento destes. Formação de profissionais de saúde e educação A diferença entre as pessoas em geral e os profissionais de saúde: médicos. a morte interdita. é também um veículo de formação. psicólogos é que. A grande dádiva da negação e da repressão é permitir que se viva num mundo de fantasia onde há ilusão da imortalidade. Essa couraça de força é uma mentira que esconde uma fragilidade interna. Um outro ponto que achamos importante ser considerado é que se possa pensar numa maneira menos agressiva de mostrar a morte. superficial e sem continuidade. Combater a morte pode dar a idéia de força e controle. que inunda os domicílios com uma torrente de imagens que envolvem mortes nas suas mais diversas formas. novelas.

com todas as distorções possíveis e sem possibilidade de interação. preparar-se para lidar com a morte daqueles que estão sob seus cuidados. A segunda questão que traz um contraponto a uma falta externa é saber se os estudantes e os jovens profissionais querem. como preconiza Saunders (1991). na sua formação. De nossa parte. a primeira resposta dada será não. com sofrimento e com familiares exigentes. Por outro lado. impotência e finitude. pois tocar-se-á em experiências vividas. pós e reciclagem de profissionais em serviço. a ocorrência da morte ou de uma doença incurável pode fazer com que o trabalho da equipe da saúde seja percebido como frustrante. situações desconhecidas e momentos de impotência. sendo esse fato apontado como uma das razões principais para o estresse. e reflexões sobre os vários pontos . Perguntamo-nos como é possível que os cursos de Medicina. Educar para a morte é também preparar profissionais de saúde para lidar com ela. o que mais ouvimos nas instituições de saúde e educação é que os seus profissionais não foram preparados para lidar com a morte. a ocorrência da morte ou de uma doença incurável pode fazer com que o trabalho da equipe da saúde seja percebido como frustrante. Como pode ser esse preparo? Nos dias de hoje. 2005. leva-se em conta a pessoa doente. o que pode ser extremamente doloroso (Kovács. Possivelmente. verificamos que é importante que a pessoa esteja disponível para esse preparo. muitos jovens não tiveram contato próximo com a morte. é mais fácil dizer que não houve preparo para enfrentar algumas situações desafiadoras. não conseguir evitar. 2003). preparar-se. eventualmente com dor e sofrimento. Os profissionais de saúde. de fato. 25 (3). Ao longo de nossa experiência em cursos de graduação. fora de possibilidade de cura. Ao se priorizar no hospital. de Psicologia e outros não tenham disciplinas que abordem o tema. A educação de profissionais de saúde e educação para a morte deverá contemplar os seguintes pontos: ● Sensibilizar o aluno para os sentimentos Ao se priorizar no hospital. Buscando resposta a essas questões. de fato. No paradigma do cuidar. desmotivador e sem significado. de Enfermagem. principalmente quando há perspectiva de morte próxima. principalmente no caso daqueles da área de saúde. preparar-se e como.495 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. desmotivador e sem significado. Então a questão é se querem. sim. o salvar o paciente a qualquer custo. a dor total. enfatiza-se a multidimensionalidade da doença. podemos traçar algumas reflexões. Perguntamo-nos se a escolha da profissão tem relação com a morte. 484-497 investimento é na vida a qualquer preço. na qual a Medicina de alta tecnologia se torna presente. Para alguns. há uma aceitação da morte como parte da condição humana. é claro que não pretendemos dar receitas ou respostas fáceis e. e não somente a doença. não são compartilhados com toda a equipe. adiar a morte ou não poder aliviar o sofrimento pode trazer ao profissional a vivência dos seus limites. o salvar o paciente a qualquer custo. deveriam ter a possibilidade de uma educação para a morte. retomando experiências limites. Não será a escolha da profissão uma tentativa de preparação para lidar com a própria morte e daqueles de quem cuida? Em tempos de morte interdita. e as práticas mais humanistas ficam em segundo plano. Essa percepção pode ser agravada quando os procedimentos médicos a serem realizados com pacientes. abrir a possibilidade de reflexão e discussão. muitos a viram pela tela da TV. mas convidamos os assistentes para uma reflexão.

vivências. na reciclagem de profissionais de saúde e educação bem como no atendimento à comunidade. ● Refletir sobre uma prática vivida. nos vários ângulos acima mencionados. é também a consolidação de uma área de estudo. 484-497 . ● Apresentar várias abordagens teóricas Esse Laboratório congrega projetos já existentes e se propõe a abrigar novas idéias e propostas que possam resultar em projetos de pesquisa. entre outras. começa a gerar frutos importantes para a formação e consolidação de uma práxis voltada para a qualidade de vida de pessoas em situações de crise. como vimos. Sua criação permitiu integrar docentes. profissionais. considerando conflitos. aprendizagem que envolverá aspectos cognitivos e afetivos. essas pessoas. do Instituto de Psicologia da USP. neste artigo. algumas das possibilidades de educação para a morte tanto para público leigo que está vivendo situações de perda e morte quanto para profissionais que têm. ● Dar prosseguimento às pesquisas na área. Elencamos. sob seus cuidados. sofrimento e dor. embora ainda tabu. reflexão e discussão sobre o tema da morte. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. A justificativa para a sua criação é a importância dos estudos sobre a morte e o morrer. buscando-se o sentido individual e o coletivo. Esperamos que estas propostas tragam inspiração para que novos projetos de educação para a morte se desenvolvam no Brasil. de pós. ● Criar espaços de atendimento à comunidade para pessoas que estão passando por situações de perda e doença. ● Favorecer a formação de profissionais de saúde e educação sensíveis a pessoas que estão vivendo situações de perda. Os seus objetivos são os seguintes: ● Estimular a busca de conhecimento. Há várias modalidades que se pode propor para a formação de alunos e profissionais de saúde e educação: cursos de graduação. 25 (3). na formação de estudantes de graduação e pós. Oferece cursos de graduação. por exemplo: suicídio. do Desenvolvimento e da Personalidade. faz parte do Departamento de Psicologia da Aprendizagem. ou de seu estágio. especialização. O Laboratório de Estudos sobre a Morte (LEM) foi fundado em março de 2000. pesquisa e assistência à comunidade envolvendo a temática da morte. atualização. ● Criar um banco de dados com bibliografia nacional e estrangeira atualizada como referência para estudantes e profissionais interessados no tema. 2005. sobre a questão da morte. de pós e de extensão. frustrações e levando em conta o ponto de vista do sujeito na construção de seu próprio conhecimento. Os grupos multidisciplinares trazem uma grande riqueza de pontos de vista e de abordagens. Por outro lado. grupos focais. É ter a possibilidade de fazer uma constante revisão de sua práxis. workshops.496 Educação para a Morte abordados no curso. aproximação da morte. supervisão. pósgraduação e profissionais de saúde e educação. pós-graduandos e alunos da graduação em torno do tema que. envolvendo alunos de graduação. perda de pessoas da mesma faixa etária por acidentes. como. limite e morte nas várias fases do desenvolvimento.

ESSLINGER. M. Rio de Janeiro: Francisco Alves. Londres. Desafio na Formação de Profissionais de Saúde e Educação. C. PESSINI. 1998. An Interdisciplinary Approach. SAUNDERS. Educação para a Morte. Edward Arnold. 1977. Distanásia. 25 (3). Educação para a Morte. Temas e Reflexões.8. A História da Morte no Ocidente. Hospice and Palliative Care. P . Vol.J. Até quando Prolongar a Vida? São Paulo: Editora Centro Universitário São Camilo/Loyola. London: Routledge & Keagan Paul. C. 2001. ____________. Adolescência: Vida ou Morte. São Paulo: Ática. & KOVÁCS.G. JUNG. São Paulo: Casa do Psicólogo. 1991. . I. 2003. 2005. 484-497 Maria Julia Kovács Professora Livre Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo Endereço: Av. 2003. Mello Moraes. KOVÁCS. L. Soul and Death. M.J. 1960.br Recebido 18/05/05 Aprovado 03/11/05 Referências ARIÉS. 1721 – Cidade Universitária – São Paulo – SP – CEP 05508-900. Collected Works.497 Maria julia kovács PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO. E-mail: mjkoarag@usp. São Paulo: Casa do Psicólogo.