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Transporte de óleo multifásico em tubulações onshore: influência do atrito e da

perda de calor
Hugo Candia Saad
(1)
, Oldrich J oel Romero
(2)


Engenharia de Petróleo
(1,2)
, Mestrado em Energia
(2)
/Universidade Federal do Espírito Santo (UFES);
Capítulo Estudantil SPE/UFES
(1,2)
; GPETRO/CNPq
(1,2)

Rodovia BR 101 Norte, km 60, Litorâneo, São Mateus, ES, Brasil, CEP 29.932-540

(1)
e-mail: hugo_saad@hot mai l . com(Saad, H. C.)
(2)
e-mail: ol dr i chj oel @gmai l . com(Romero, O. J .)

Resumo
A produção de óleo em ambientes onshore no Brasil e no mundo apresenta um declínio elevado devido à
grande exploração durante vários anos destas áreas. Com isso, os desafios se acentuam para a produção
de hidrocarbonetos, dentre eles: reservatórios cada vez mais profundos; óleos com baixo grau API; e a
deposição de diversos tipos de incrustações. Assim, ferramentas computacionais de simulação de
escoamento multifásico em dutos de transporte de petróleo são de grande importância para determinação
da viabilidade econômica da produção em campos com estas características. Surge então à necessidade do
desenvolvimento de tecnologias altamente especializadas, como a criação de materiais que suportem altas
variações de pressão, temperatura e corrosão, além do aprimoramento de softwares que consigam simular
diversas condições operacionais cada vez de forma mais precisa. Nesse âmbito, o software comercial
Pipesim®, se torna uma ferramenta extremamente poderosa, capaz de simular a montagem de diversas
linhas de produção junto com todos os mais modernos suportes tecnológicos, permitindo então, estudar de
forma detalhada e precisa a garantia de escoamento de hidrocarbonetos. Neste contexto se insere o
presente artigo, que apresenta a modelagem matemática e numérica do escoamento bifásico de petróleo
em um duto onshore parcialmente submerso. O comportamento bifásico do óleo pesado de 13,2
o
API é
traduzido pela correlação de Dukler et al. (1976). A viscosidade do óleo é considerada dependente da
temperatura e da densidade API do óleo mediante a correlação de Hossain et al. (1976). O duto transporta
o petróleo desde uma estação coletora até um centro de armazenamento e é formada por três trechos. O
primeiro e terceiro trechos são não aterrados e estão em contato com o meio ambiente externo. O trecho
intermediário é assentado no leito de um rio e é a parte crítica do oleoduto pois elevadas perdas de calor
são observadas. A influência de diferentes tipos de isolamentos térmicos e diâmetro do duto nos
gradientes de pressão e de temperatura são analisados.

Palavras chave. óleo pesado, oleoduto, escoamento multifásico, troca de calor, Pipesim.

1. Introdução

O crescente aumento da população mundial que ocorre segundo uma curva exponencial teve seu
início em meados do século XIX, quando a indústria do petróleo começou a se desenvolver nos Estados
Unidos. Inicia-se assim uma indústria que em poucos anos tornaria-se uma das mais importantes e
rentáveis do mundo, uma vez que a produção de derivados de petróleo (Tabela 1) deve atender a demanda
sempre crescente por energia.

Petro & Química 
 
 
 
2
Tabela1: Frações típicas obtidas pela destilação do petróleo (Solomons, 1992).
Ponto de ebulição, °C
N° de átomos de
carbono por molécula
Frações típicas
Abaixo de 20 C
1
– C
4
Gás natural, GLP, petroquímicos
20 – 60 C
5
– C
6
Éter de petróleo, solventes
60 – 100 C
6
– C
7
Solventes
40 – 200 C
5
– C
10
Gasolina
175 – 325 C
12
– C
18
 
Querosene, combustível para
aviação
250 – 400 C
12
e maiores 
Gasóleo, óleo combustível, óleo
diesel
Líquidos não voláteis C
20
e maiores 
Óleo mineral refinado, óleo
lubrificante, graxa
Sólidos não voláteis C
20
e maiores Parafina, asfalto, alcatrão

Neste contexto, a gestão integrada e otimizada dos processos de Exploração e Produção é
considerada estratégica para o avanço do setor petrolífero que, por um lado, se depara com um vasto e
crescente arsenal tecnológico, e por outro, com desafios grandiosos tal qual o transporte de fluidos por
linhas cada vez mais longas e sob muitas condições adversas. Nesse âmbito, a aplicação e definição de
uma estratégia que permita maximizar a produção, atendendo as restrições físicas, econômicas e
tecnológicas se apresenta como um elemento fundamental para um eficiente processo de exploração e
desenvolvimento de um campo petrolífero (Messer, 2008).
O escoamento dos fluidos desde o reservatório até as instalações de superfície são divididos
comumente em três etapas, segundo ilustrado de forma simplificada na vista transversal da Fig. 1:
recuperação, elevação e coleta. A recuperação corresponde ao escoamento no meio poroso, a elevação
refere-se ao fluxo no interior da coluna de produção e a coleta trata da movimentação dos fluidos no
interior das linhas de produção (Economides et al., 1994). Levando em conta o meio por onde os fluidos
escoam, duas etapas podem ser consideradas: (i) o escoamento no reservatório propriamente, que é
tortuoso, caótico, com mudanças de direção, geometria, etc.; e (ii) o escoamento no interior de uma
tubulação de diâmetro e comprimentos definidos, que envolve a elevação e a coleta.


Figura 1: Sistema de produção de petróleo com deposição de parafina.
Petro & Química 
 
 
 
3
Durante a produção de petróleo, o escoamento pode ser considerado como sendo bifásico no qual
uma das fases é gasosa e a outra líquida. Este tipo de escoamento é frequentemente encontrado na coluna
de produção no interior do poço e nos dutos de produção. Pode ocorrer em trechos verticais, inclinados ou
horizontais. A correta determinação do gradiente de pressão no interior de dutos é de extrema
importância. Correlações foram desenvolvidas para este fim, como por exemplo as propostas por
Hagedorn e Brown (1965), Duns e Ross (1963), Beggs e Brill (1963) e Oliemans (1976).
Na área de engenharia de dutos, diversos softwares acadêmicos (in-house) (Monteiro, 1995;
Romero, 1999; Malca, 2004; Tolmasqui, 2004; Romero, 2005;) e comerciais (Olga, Pipesim, Pipeline
Studio, Stoner, Pigsim) vem sendo desenvolvidos com intuito de simular condições operacionais assim
como tentar compreender problemas típicos, tais como transientes hidráulicos, perda de calor, deposição
de parafina, vazamentos, movimentação de pigs, etc., que ocorrem durante o transporte de petróleo.
Uma das principais linhas de estudo da engenharia de dutos é a denominada garantia de
escoamento (flow assurance, em inglês). Possui como principais objetivos identificar, qualificar e atenuar
problemas operacionais, principalmente os decorrentes do escoamento de óleos pesados uma vez que
pode trazer grandes dificuldades para o escoamento através da tubulação, como a corrosão e desgaste
precoce, além da deposição de hidratos, parafinas e asfaltenos resultando em uma grande perda de carga e
até mesmo obstrução dos dutos. Têm-se como principais desencadeadores da deposição de incrustações,
fatores como temperatura e pressão envolvidas. Portanto amostragem e caracterização dos fluidos,
medições de pressão e temperatura são fundamentais para minimizar o risco de deposição.
Uma análise global do sistema de produção de petróleo e gás mostra que o isolamento térmico,
juntamente com o aquecimento das linhas de transporte, são umas das principais ferramentas de garantia
de escoamento, tendo como principal objetivo manter a temperatura dos fluidos no interior das linhas de
transporte. A perda de calor dos dutos ocorre por condução e convecção. Na condução, a energia é
transferida no meio considerado através da interação entre as moléculas (movimento aleatório), e este
fenômeno é chamado de difusão. Portanto, não há movimento nos níveis micro e macroscópicos, ou seja,
só há movimento no nível molecular. J á na convecção além do mecanismo de difusão molecular, a
energia também é transferida pelo movimento macroscópico/microscópico (Sphaier, 2012).
A depender das condições de pressão e temperatura em que o petróleo é submetido, parte das
parafinas contidas nele podem começar a cristalizar formando a fase sólida no interior da parede do duto.
Para uma determinada pressão de operação, a temperatura do fluido sendo transportado não deve diminuir
abaixo de um certo valor, denominado temperatura inicial de aparecimento de cristais – TIAC, de modo a
evitar a deposição. A pressão diminui devido ao atrito e a temperatura também diminui devido à perda de
calor para o meio externo mais frio.
Outros problemas, também advindo do acúmulo do material depositado (parafinas e materiais de
origem inorgânicos como resíduos do processo de corrosão, além de argila e areia) podem acarretar em
aumento da potência de bombeamento requerida, diminuição da vazão, ou mesmo o bloqueio completo da
linha com perda de produção e de investimentos. A indústria do petróleo dispõe de métodos tradicionais
para a prevenção ou remoção de depósitos de parafina, como utilização de inibidores químicos,
aquecimento elétrico ou químico das linhas ou remoção mecânica através de pigs. O estudo do
monitoramento e inspeção das tubulações utilizando pigs é recente e tem um crescimento exponencial.
Entre os trabalhos mais recentes realizados nesta linha de pesquisa devem ser mencionados os
desenvolvidos por Tolmasquim et al. (2008); Hosseinalipour et al. (2007); Esmaeilzadeh et al. (2009).
Desta forma, o presente trabalho pretende comparar a influencia da perda de carga e perda de
calor na movimentação do fluido multifásico no interior da tubulação quando utilizados diferentes
diâmetros de dutos e tipos de isolamentos térmicos.
Petro & Química 
 
 
 
4
Antes de iniciar a descrição detalhada do problema em estudo, lembramos a brilhantemente
colocação do Professor Paulo Freire (Freire, 1996), in verbis: “... De uma coisa, qualquer texto necessita:
que o leitor ou a leitora a ele se entregue de forma crítica, crescentemente curiosa. É isso que este texto
espera de você ...”.

2. Descrição dos casos abordados

O problema apresentado e analisado neste artigo foi abordado por uma das maiores empresas de
energia do mundo, por tanto os dados correspondem a valores típicos de campo, no entanto atendendo a
necessidade do sigilo recomendado, os nomes reais das instalações não podem ser detalhadas. Trata-se de
um sistema contendo (i) uma estação coletora, que recebe a produção proveniente de 15 poços onshore de
baixa vazão, (ii) um oleoduto de 3.599 m e 3 pol de diâmetro por onde são escoados os fluidos, e (iii) um
centro de armazenamento e exportação localizada também em terra que recebe os fluidos. Deste ponto, os
fluidos são bombeados para navios que transportam a commodity para seu destino final a ser definido pela
companhia, que pode ser, por exemplo, a refinaria. Esta configuração, com alguns detalhes básicos, é
mostrada na foto aérea da Fig. 5. Na figura observa-se que o oleoduto é composto por três segmentos
denominados de “Trecho 1”, “Trecho 2” e “Trecho 3”. Nos trechos 1 e 3 a tubulação é não aterrada e está
suspensa em terra firme. J á no trecho 2 a tubulação passa pelo leito do rio a uma profundidade de 6 m. É
neste trecho onde é observado uma acentuada perda de calor dos fluidos transportados e por tanto a
necessidade de estudos quanto à utilização de isolamento apropriado.


Figura 2: Vista aérea do caminho percorrido pelos fluidos no interior da tubulação. Fonte: Google Earth.

As informações utilizadas neste trabalho foram obtidas de uma empresa de energia e do banco de
dados do software Pipesim®. A caracterização dos fluidos foi realizada utilizando o modelo blackoil, por
necessitar de menor quantidade de informações do que a modelagem composicional tornando a simulação
mais rápida. Estes dados são mostradas na Tabela 2. As dimensões das tubulações que permitem o
escoamento são apresentadas na Tabela 3.

Petro & Química 
 
 
 
5
Tabela 2: Dados do modelo blackoil.
Parâmetro Valor
Razão gás/óleo – RGO, m
3
/m
3
24,9
Volume de água e sedimentos – BSW, % 30
Densidade relativa do gás 0,66
Densidade relativa da água 1,02
Densidade do óleo,
o
API 13,2
Contaminante H
2
S, % 0,06
Viscosidade do óleo morto, cP
69,4 cP a 93,3 °C
20.269 cP a 15,5 °C

Tabela 3: Dados geométricos da tubulação.
Trecho
Comprimento,
m
Diâmetro interno,
pol
Espessura,
pol
Rugosidade interna,
pol
1 802 3 0,251 0,001
2 203 3 0,251 0,001
3 2.594 3 0,251 0,001

A temperatura ambiente considerada foi de 26 °C e a temperatura da água do rio de 16 °C. Os
comprimentos dos trechos são apresentados de forma equivalente a trechos retos, ou seja, todas as curvas
e joelhos da tubulação foram convertidos em comprimentos de trecho reto, com igual perda de carga. Tal
estratégia foi adotada com intuito de simplificar os cálculos e o layout no software.
Concluindo a descrição dos modelos, a Tabela 4 apresenta a caracterização da estação coletora de
petróleo e a Tabela 5, as correlações utilizadas no modelo.
Tabela 4: Dados da estação coletora.
Parâmetro Valor
Pressão no tanque de coleta, kg/cm
2
5
Temperatura do fluido na estação,
o
C 67
Vazão de óleo transferida, m
3
/d 21,1

Tabela 5: Correlações utilizadas.
Parâmetro Correlação
Escoamento multifásico horizontal Dukler et al. (1976)
Viscosidade de óleo morto Hossain et al. (1976)

De forma geral os casos estudados podem ser resumidos como:
 Caso 1: escoamento com pressão na entrada insuficiente;
 Caso 2: escoamento com pressão na entrada suficiente;
 Caso 3: escoamento em tubulação de diversos diâmetros atravessando o leito do rio;
 Caso 4: escoamento em tubulação com isolamento atravessando o leito do rio.
Petro & Química 
 
 
 
6
3. Modelagem matemática

Com o intuito de orientar detalhadamente os cálculos utilizados são descritos nesta seção os
modelos matemáticos utilizados.

3.1. Escoamento horizontal multifásico, correlação de Dukler

A correlação de Dukler (Dukler et al., 1976) permite determinar a perda de carga em uma
tubulação horizontal originado pelo escoamento multifásico considerando o escorregamento entre as
fases. Esta correlação foi desenvolvida com base em análise de similaridade de dados de campo. É
recomendada pela AGA (American Gás Association) e pelo API (American Petroleum Institute) para o
dimensionamento de dutos horizontais.
No contexto de utilização desta correlação e para a correta descrição do escoamento no interior de
dutos é necessário o entendimento do gradiente de pressão dp/dl, onde p é a pressão e l é o comprimento
ao longo do duto. O gradiente de pressão é composta por três parcelas segundo detalhamento apresentado
na Eq. 1.

dp
dI
= [
dp
dI
¸
g
+[
dp
dI
¸
]
+ [
dp
dI
¸
ucc
(1)

O primeiro termo do lado direito da equação, subíndice “g”, é o gradiente de pressão
correspondente à ação da gravidade e é igual a gp
k
∆z¡g
c
. Refere-se à conversão de energia potencial do
fluido em pressão hidrostática e sempre está presente no escoamento, seja em condições estáticas ou
dinâmicas. No escoamento horizontal este componente é muito pequeno, uma vez que a gravidade está
agindo ao longo do diâmetro da tubulação, perpendicularmente ao eixo, e pode, portanto, ser desprezada.
O segundo termo com subíndice “f” é relativo à fricção e existe apenas quando em fluxo. A última
parcela, subíndice “acc” refere-se à perda de carga devido à aceleração e de forma similar ao termo de
atrito, existe apenas em condições dinâmicas.
As perdas por atrito são calculadas pela Eq. 2.

[
dp
dI
¸
]
=
].p
k
.0
m
2
2.g
c

(2)

g
c
é a constante gravitacional que converte aceleração-gravidade em peso e D é o diâmetro interno do
duto. Como o problema trata do escoamento de mais de uma fase, o computo desta equação embora
pareça trivial, o procedimento não é simples. As variáveis dependem de outras que pretendem traduzir
matematicamente a complexa interação das fases no processo. Assim, a primeira variável a ser calculada
é o peso específico da mistura 
k
, que depende dos pesos específicos da fase líquida 
L
e da fase gás 
g
,
Petro & Química 
 
 
 
7
da fração de líquido na entrada γ
L
, da fração de gás na entrada γ
g
e do hold-up do líquido H
L
, segundo Eq.
3.

p
k
=
p
L
y
L
2
H
L
+
p
g
y
g
2
1-H
L
(3)

Outra variável necessária é o fator de fricção f que pode ser obtido da forma normalizada f/f
n
, dada por

]
]
n
= 1 +
¡
1,281-0,478¡+0,444¡
2
-0,094¡
3
+0,00843¡
4
, (4)

observa-se na Eq. (4) que o fator de atrito depende de outra variável, y que por sua vez depende do
comprimento do duto l
n
e da fração de líquido na entrada γ
L
.

y = -l
n
y
L
, (5)

J á f
n
é obtido de

¡
n
= u,uuS6 + u,SN
RLK
-0,32
(6)

por sua vez o número de Reynolds N
REK
é

N
RLK
=
p
k
0
m
Ð
µ
cd
(7)

sendo D o diâmetro interno do duto e µ
od
a viscosidade do óleo morto que depende da temperatura do
meio e do grau API do óleo através da correlação de Hossain et al. (1976), detalhada na subseção 3.2.
O valor do hold-up do líquido H
L
necessário para o cálculo da densidade da mistura, que por sua
vez é utilizado no gradiente de pressão, é obtido pelo processo iterativo seguinte:
1. a partir dos dados dos fluidos estabelecer a densidade do líquido ρ
L
;
2. estimar o hold-up H
L
*
;
3. com as informações (1) e (2) substituir na Eq. (3) e calcular o valor aproximado 
k
*
;
4. calcular 
od
com a correlação de Hossain, Eq. (10);
Petro & Química 
 
 
 
8
5. com as informações (3) e (4) substituindo na Eq. (7) calcular o número de Reynolds N
REK
*
;
6. com as informações (1) e (5) utilizando a Fig. 3 obter H
L
;
7. comparar os valores do hold-up estimado em (2), H
L
*
, e calculado em (6), H
L
, se o resultado desta
comparação é maior do que uma tolerância determinada, utilizar o valor calculado como nova
estimativa e repetir o processo a partir da etapa (3), caso contrário a convergência é satisfeita e o
processo iterativo termina com o hold-up requerido.

Figura 3. Correlação de holdup de Dukler (Taitel, 1976).

O termo da aceleração que compõe a Eq. 1 é expresso por
[
dp
dI
¸
ucc
=
p
k
∆0
m
2
2g
c
, (8)

para facilitar a análise e o cálculo da contribuição desta parcela na perda de carga total, é definido o grupo
E
k


E
k
=
1
g
c
dp
∆_
p
g
.0
sg
2
(1-H
L
)
+
p
g
.0
sl
2
H
L
_ (9)

com U
m
, U
sg
e U
sl
sendo as velocidades média, do gás e do líquido respectivamente, ρ
L
e ρ
g
são o peso
específico do líquido e do gás respectivamente e g
c
a constante gravitacional que converte aceleração-
gravidade em peso.
Petro & Química 
 
 
 
9
Assim, a expressão final para o cálculo do gradiente de pressão em tubulações horizontais
transportando fluidos multifásicos é:

dp
dI
=
[
dp
dl
¸
]
1-L
k
(10)

onde o numerador é calculado pelas Eqs. (2) até (7) juntamente com a sequência iterativa 1 até 7, e o
denominador mediante a Eq. (9) mais a sequência iterativa 1 até 7.

3.2. Viscosidade do óleo morto, correlação de Hossain

A correlação de Hossain (Hossain et al., 1976) permite determinar a viscosidade do óleo morto
µ
od
para diferentes valores da temperatura do fluido T. É válida para óleos pesados com densidade API,
d
API
, variando entre 10 <d
API
<22,3, esta dependência é evidenciada pela Eq. 11.

p
od
= 1u
A
I
B
(11)

A e B são parâmetros dependentes da densidade API do óleo d
API
e são definidos por

A = -u,71S2S J
API
+ 22,1S766 (12)
B = u,269u24 J
API
- 8,268u47 (13)

A correlação de Hossain é apresentada graficamente nas escalas log-linear na Fig. 4 para
temperatura do fluido entre 10 °C até 70 °C. Três óleos diferentes são considerados, pesado (10
o
API),
médio (10
o
API) e médio-leve (22
o
API). É notório que, quanto mais pesado o óleo, isto é, viscosidade
elevada, seu aquecimento resulta em uma diminuição mas acentuada da viscosidade. Ou em outras
palavras, a viscosidade de óleos pesados é mais afetada pela alteração da temperatura. Considerando que
óleos pesados tem maior porcentagem de componentes parafínicos, a possibilidade de formar depósitos é,
por tanto, maior. Este conceito é fundamental quando a troca de calor entre o óleo transportado e o meio
externo circundante seja analisado.
Petro & Química 
 
 
 
10

Figura 4. Viscosidade de óleos de diferentes °API variando com a temperatura.

3.3. Resfriamento dos fluidos devido à troca de calor com o meio externo

A transferência de calor é uma manifestação do desequilíbrio térmico entre dois corpos. A
natureza procura alcançar e manter o estado de equilíbrio, esta condição é atingida quando a temperatura
do corpo mais frio aumenta e a do corpo mais quente diminui. No caso específico do fluido multifásico
sendo transportado pela tubulação, é feita a suposição que o “corpo mais frio”, meio ambiente externo, é
muito grande por tanto sua temperatura aumentará muito pouco, em termos matemáticos dizemos que a
temperatura é constante. Por tanto, o “corpo mais quente” que é o fluido no interior da tubulação, será
resfriado procurando o equilíbrio com o ambiente que o circunda. Várias resistências térmicas são
oferecidas para mitigar essa troca de calor tal como esquematizado na Fig. 5. Enquanto alguns materiais
oferecem uma maior dificuldade, outros proporcionam uma transferência energética mais efetiva,
comportamento indesejado no escoamento em estudo.

Figura 5: Troca de calor em uma seção reta da tubulação.

Equação 14 é a representação matemática simplificada do fenômeno de fluxo de calor Q
comentado e apresentada na Fig. 8, T
b
é a temperatura do fluido quente no interior da tubulação e T
a
a
temperatura ambiente mais fria, externa à tubulação, A é a área perpendicular à direção do fluxo de calor.
Petro & Química 
 
 
 
11
µ = uA(I
b
-I
u
), (14)

o coeficiente global de troca de calor, representado por U, depende de resistências térmicas oferecidas
pelos corpos entre o fluido de interesse e o meio externo, de forma simplificada é calculado pela Eq. 15.

1
0
=
1
h
int
+
1
h
pipc
+
1
h
lcjcr
+
1
h
cxt
, (15)

os parâmetros h
int
, h
pipe
, h
layer
e h
ext
são, respectivamente, os coeficientes de transferência de calor do
líquido multifásico escoando no interior do duto (“int”), na parede da tubulação metálica (“pipe”), na
camada de isolamento (“layer”), e do ambiente externo (“ext”).
Segundo Kaminsky (1999), para um fluxo laminar com número de Reynolds N
REK
<2300, h
int

pode ser obtido do conjunto de Eqs. (16) a (19).

b
ìnt
=
(2-H
L
) h
i1p
H
L
2¡3
, (16)
b
ì1p
=
k
L
Nu
1p
Ð
, (17)
Nu
1p
= 1,86 N
RLK
Pr [
Ð
L
¸
1¡3
[
µ
L
µ
w
¸
0,14
, (18)
Pr =
µ
L
c
pL
k
L
, (19)

ondeµ
L
é a viscosidade do óleo, µ
w
é a viscosidade da água, C
pL
é a capacidade específica de calor do
óleo, k
L
a condutividade térmica do óleo e D o diâmetro da tubulação.
O segundo e terceiro termos do lado direito da Eq. 15 referem-se à troca de calor pela parede da
tubulação e do isolamento térmico, e são obtidos das Eqs. 20 e 21 respectivamente. Sendo k
pipe
o
coeficiente de troca de calor na parede do duto, k
layer
e wt
layer
são os coeficientes de troca de calor por
condução e a espessura da camada de isolamento adjacente ao duto, respectivamente.

b
pìpc
=
k
pipc
[
D
2
+wt¸ In_
D
2
+wt
D
2
_
(20)
b
Iu¡c¡
=
k
lcjcr
[
D
2
+wt¸ In_
D
2
+wt+wt
lcjcr
D
2
+wt
_
(21)

Petro & Química 
 
 
 
12
O último termo da Eq. 15, o coeficiente de transferência de calor por convecção entre a camada de
isolamento e o ambiente externo h
ext
, é obtido a partir das Eqs. 22 a 25.

b
cxt
=
kNu
cxt
Ð+2wt
(22)
Nu
cxt
= u,SSRo
0,25
(23)
Ro = Pr0r (24)
0r =
L
3
p
2
[g∆1
µ
2
(25)

onde Nu
ext
número de Nusselt, L o comprimento do duto, Ra e Gr são o número de Grashof e o de
Rayleigh.
Para os trechos 1 e 3 não aterrados da tubulação, o coeficiente h
ext
possui o valor típico de 4 Wm
-
2
K
-1
com a convecção natural a uma velocidade aproximada de 0,5 m/s.

3.4. Condições de contorno

Para proceder a resolver o sistema de equações que governam o escoamento, é necessário
delimitar o domínio de solução destas equações. Isto é, estabelecer as condições de contorno para o
problema, de tal forma a ter-se um sistema matemático bem posto e factível de ser resolvido.
Como o problema é unidimensional, condições na entrada e na saída da tubulação devem ser
impostas. A Tabela 6 detalha essas condições para todos os cinco casos abordados no presente artigo,
variando a pressões de entrada ou saída, mas sempre com a mesma vazão média de produção diária. No
caso 1, por exemplo, é prescrita a vazão na entrada e pressão na saída da tubulação, por tanto um dos
dados a serem calculados é a pressão na entrada que atenda as condições de contorno definidas.
Tabela 6: Condições de contorno para os diversos casos analisados.
Casos
Entrada do oleoduto:
estação coletora
Saída do oleoduto: centro de
armazenamento
.
1 vazão =21,5 m
3
/d pressão =5 kg/cm
2

2 pressão =3 kg/cm
2
vazão =21,5 m
3
/d
3 vazão =21,5 m
3
/d pressão =10,5 kg/cm
2

4 vazão =21,5 m
3
/d pressão =12,1 kg/cm
2


É importante destacar que os valores apresentados são dados reais de operação típicas em campo,
no entanto, maiores detalhes não são comentados com o intuito de preservar o sigilo necessário da origem
desta informação.

Petro & Química 
 
 
 
13
4. Modelo numérico

O conjunto de equações apresentadas na seção 3 são resolvidas utilizando o software comercial
Pipesim
®
. Este aplicativo é amplamente difundido na área de engenharia de elevação e escoamento de
petróleo. Representantes da empresa Schlumberger, proprietária do software, gentilmente concederam
licenças acadêmicas para utilização pelo Grupo de Pesquisa “Produção e Processamento de Petróleo
Gás Natural e Energias Renováveis – GPETRO/CNPq” da UFES.
O procedimento de obtenção da solução implementado no Pipesim, é baseado na técnica
denominada Analise Nodal o qual consiste em segmentar a linha de fluxo em um determinado número de
trechos, denotado pelo índice j, cada trecho por sua vez é subdividido em pequenos intervalos denotado
pelo índice i, tal como pode ser visualizado na Fig. 6. Resolve-se então, as equações em cada intervalo
progressivamente até atingir o ponto de interesse. A técnica é comumente aplicada para análise de
escoamento multifásico, visto que as propriedades PVT – pressão/volume/temperatura do fluido se
alteram significantemente na medida em que o fluido é transportado. Além disso, a geometria por onde
estes fluidos escoam pode sofrer mudanças no diâmetro, na rugosidade da parede interna e na inclinação
do duto. A divisão em trechos j é para poder contemplar tubulações com diversas inclinações.
Figura 6: Representação esquemática do domínio onde procura-se a solução das equações governantes.

A integração da Eq. 10 ao longo do comprimento do oleoduto L permite calcular o diferencial de
pressão p.

Ap = ]
dp
dI
L
0
JI = ∑ ∑ [
dp
dL
¸
ì]
∆I
ì]
n
ì=1
m
]=1
(26)

onde  representa a integração numérica do gradiente de pressão calculado para diferentes segmentos n
da tubulação e m trechos da tubulação. No caso em estudo m =3.
Partindo-se de um valor de pressão na estação coletora (p
w1
) constante, é possível utilizar o
gradiente de pressão multifásico
dp
dI
para calcular a pressão de fluxo até o centro de distribuição (p
w2
) para
uma dada vazão q de escoamento em condições standard.
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14
O Pipesim®faz uso da técnica de análise nodal para determinar as pressões ao longo do duto de
escoamento, desde a origem do fluxo até o seu destino final, tornando-se possível graficar as curvas da
perda de carga por todo o trajeto dos fluidos. A Fig. 2, que representa o modelo físico, após a
implementação no software com a simbologia própria utilizada neste ambiente, resulta na forma mostrada
na Fig. 7.


Figura 7: Representação na simbologia gerada pelo Pipesim®para o sistema. Trecho 1 de 802 m, Trecho 2 de 203
m, e Trecho 3 de 2.594 m.

Para maiores detalhes referentes a esta técnica, sugere-se a leitura da monografia de Brill e
Mukherjee (1999).

5. Resultados e discussões

Após inserir corretamente no software Pipesim®todos os dados necessários à modelagem do
problema, torna-se imprescindível verificar se a pressão na estação coletora, que é a condição de contorno
de entrada, é capaz, ou não, de movimentar os fluidos até seu destino final no centro de armazenamento e
exportação, e, a partir desse resultado, decidir quanto à utilização, ou não, de mecanismos artificiais tais
como bombas, para incrementar a pressão na entrada da tubulação.

5.1 Caso 1

Esta etapa de análise é efetuada utilizando o módulo “Pressure/Temperature Profiles” com o
campo ‘‘Outlet Pressure’’ uma vez que a pressão é conhecida na saída. O gradiente de pressão calculado
é apresentado na Fig. 8, representado pela curva azul continua com círculos cheios, na qual pode-se
verificar que a diminuição da pressão ao longo do duto é não linear devido à presença de mais de uma
fase, e que o fluido não possui energia suficiente para escoar até o final da tubulação de comprimento
equivalente igual a 3.611 m percorrendo apenas os primeiros 2.950 m da tubulação equivalente. Sendo
que, ao atingir o final das tubulações o fluido deve ter ainda uma pressão mínima de 3,0 kg/cm
2
para
vencer as resistências internas no tanque de armazenamento.
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15
Assim, pode-se afirmar que nestas condições a produção não é viável.

5.2 Caso 2

Confirmada a necessidade da incremento de pressão no sistema para o escoamento de fluidos, o
foco passa a ser a definição do nível de aumento de pressão e o tipo de método a ser utilizado.
Partindo com pressão prescrita de 3 kg/cm
2
na saída da tubulação, que é a chegada do fluído ao
centro de armazenamento e exportação, determina-se com o campo ‘‘Inlet Pressure’’ a pressão mínima
na entrada da tubulação de 10,5 kg/cm
2
e o gradiente de pressão. Isto é, para ocorrer o escoamento dos
fluidos o perfil de pressão mínima é o apresentado pela linha vermelha continua com triângulos cheios da
Fig. 8. Ressaltando que neste trabalho não está sendo considerado a deposição de parafina, esta análise
será efetuada em Romero e Saad (2013), trabalho que está em fase final de elaboração.
 
Figura 8: Variação da pressão ao longo da tubulação, comparando a pressão disponível e a pressão mínima
requerida pelo sistema.
 
Com base nos dados gerados define-se a utilização de uma bomba com potencia de 1.491,4 W e
eficiência de 50 % na entrada da tubulação para todos os próximos casos a serem analisados. A nova
configuração na representação esquemática utilizando o Pipesim®é representada pela Fig. 9.

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16

Figura 9: Representação na simbologia Pipesim®da nova configuração com a bomba na entrada do duto. trecho 1
de 802 m, trecho 2 de 203 m, e trecho 3 de 2.594 m.

É considerando um incremento de pressão com cerca de 20 % maior do que o mínimo necessário
para atender imprecisões nos resultados da simulação assim como flutuações operacionais. Com isso o
novo gradiente de pressão é apresentada na Fig. 10.

Figura 10: Variação da pressão ao longo da tubulação para o caso 2 com a bomba na entrada do duto.

5.3 Caso 3

Após a definição da potência da bomba, são realizados testes para verificar o diâmetro do duto de
tal forma a minimizar a perda de carga. Os resultados destas comparações são apresentados na Fig. 11
onde expõe-se o gradiente de pressão para diâmetros nominais iguais a 3, 4 e 6 polegadas para o trecho 2.
J á a tabela 7, representa pontualmente os dados fornecidos pela mesma simulação do Pipesim®. O trecho
2, que encontra-se submerso, foi escolhido para análise específica por estar submetido a condições de
resfriamento mais severas do que os trechos 1 e 3 da tubulação. Pode-se inferir, através da análise do
gráfico e da tabela, que o duto de 4 polegadas apresenta uma menor perda de carga, embora a diferença
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17
não seja muito visível. Baseado neste resultado, a tubulação ficou configurada da seguinte forma: 3
polegadas no trecho 1, 4 polegadas no trecho 2 e 3 polegadas no trecho 3.

Figura 11: Variação da pressão ao longo da tubulação do trecho 2, de 203 m, para diâmetros internos da tubulação
iguais à 3, 4 e 6 polegadas.

Tabela 7: Dados da pressão e comprimento de toda a tubulação, variando o diâmetro interno (D
int
) do
trecho 2 de 203 m.
Distância, m
Pressão, kg/cm
2

D
int
=3 pol D
int
=4 pol D
int
=6 pol
400 12,1 12,1 12,1
901,5 11,6 11,6 11,8
1327,5 10,9 10,8 11,4
2301 9,2 9.5 9,4
3599 4,9 5.2 4.8

5.4 Caso 4

Definido o diâmetro de 4 polegadas, que corresponde ao um raio de 50,8 mm, foi realizada a
comparação de desempenho do isolamento térmico no trecho 2 de 203 m de comprimento, que á a parte
da tubulação submersa e assentada no leito do rio. Nesta seção a temperatura da água do rio é de 16 °C,
bastante inferior aos 26
o
C do ambiente externo nos trechos 1 e 3. A temperatura média do fluido na
entrada da tubulação, que é a estação coletora, é de 67 °C e foi inserida no software através do campo
‘‘source 1’’.
Para verificar a magnitude da perda de calor e o impacto na temperatura do fluido, foi
considerado inicialmente a tubulação sem isolamento. O perfil de temperatura gerado é observado na Fig.
12. No primeiro trecho, de 802 m, a temperatura do fluido no interior da tubulação diminui de 67
o
C até
50
o
C valor ainda superior ao da temperatura externa de 26
o
C. A diminuição da temperatura é de 17
o
C
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18
em um comprimento de 802 m resultando um gradiente médio aproximado de – 0,02
o
C/m. Como no
trecho 2, de 203 m, a temperatura externa é de 16
o
C a diminuição de temperatura do óleo continua de
forma mais acentuada ainda se igualando à temperatura externa nos primeiros 75 m do segundo trecho. O
gradiente médio neste caso é – 0,45
o
C/m, um valor bastante elevado, 22,5 vezes maior do que o gradiente
do trecho inicial.
Dados de campo mostram que a Temperatura Inicial de Aparecimento de Cristais – TIAC varia
de 15 °C a 20 °C para óleos leves pouco parafinicos, e de 45 °C a 50 °C para óleos pesados parafinicos,
sempre a pressão de 1 atm. A TIAC indica o instante em que as parafinas começam a se depositar na
parede interna da tubulação. Se fosse considerado a deposição de parafina para uma TIAC de 44
o
C, a
parafina começaria a se depositar a partir dos 800 m da tubulação, aproximadamente, que é o final do
trecho 1. Estes resultados serão apresentados em Romero e Saad (2013).
Figura 12: Variação da temperatura ao longo da tubulação sem a camada de isolamento térmico.

Como a diferença de temperatura entre o óleo transportado e o ambiente externo, principalmente
no trecho 2 que é a parte submersa da tubulação, origina uma perda de calor elevada, se faz
imprescindível a utilização de algum tipo de isolamento térmico para escoar os fluidos ao longo de toda a
tubulação até o centro de armazenamento e exportação. O isolamento de uma espessura determinada
envolve toda a tubulação segundo esquema detalhado na Fig. 5. Neste estudo a espessura considerada foi
de 42 mm, valor bastante comum na indústria de petróleo.
Assim, três materiais isolantes com condutividades diferentes e tipicamente utilizados foram
testados no trecho 2, que é o mais crítico por estar submerso no rio. Os resultados das comparações do
gradiente de temperatura é apresentado na Fig. 13 e na Tabela 8. O trecho 1, de 802 m, não tem
isolamento, por tanto o gradiente de temperatura neste trecho é igual ao da Fig. 12. Os três materiais
isolantes testados tem espessuras de 42 mm, são eles: Base Asfalto (quadrados cheios na cor azul) com
condutividade térmica igual a 0,7 W/(m
2
K), Lã de Rocha (círculos cheios na cor verde) com
condutividade térmica igual a 0,055 W/(m
2
K), e Silicato de Cálcio (triangulos cheios na cor vermelha)
com condutividade térmica igual a 0,023 W/(m
2
K). Como era de se esperar, no trecho 2 da tubulação
entre 802 m e 1.005 m, a diminuição da temperatura é mais acentuada quanto maior a condutividade
térmica do material isolante. Observa-se que a Base Asfalto não é eficiente para conter a perda de calor,
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19
pois, o gradiente de temperatura dos fluidos ainda é bastante elevado, fazendo com que o fluido escoe
apenas até a metade do comprimento da tubulação. Isso ocorre principalmente devido ao aumento muito
grande da viscosidade do óleo, originado pela diminuição de sua temperatura. J á a Lã de Rocha e o
Silicato de Cálcio mostraram um melhor desempenho pois o gradiente de temperatura é menos acentuado,
diminuindo a elevada perda de calor e mantendo um resfriamento relativamente baixo dos fluidos
contidos nos dutos, garantindo com isso um transporte satisfatório. Mas, como esperado, devido à menor
condutividade térmica, o Silicato de Cálcio apresentou um melhor isolamento e consequente menor perda
energética, garantindo um menor esforço das bombas e consequente menor desgaste de equipamentos,
sendo então inicialmente escolhido como melhor isolante. No entanto, é importante lembrar que o custo
dos materiais é inversamente proporcional a sua condutividade térmica. Isto é, quanto melhor o
isolamento proporcionado, mais caro o produto.
Novamente, caso exista deposição de parafina é possível prever que com o isolante Base Asfalto
esta deposição começaria em 800 m, com a Lã de Rocha em 850 m e com o Silicato de Cálcio em 900 m,
que são os pontos em que a temperatura do óleo sendo transportado torna-se menor do que a TIAC,
consulte Romero e Saad (2013).
Figura 13: Gradiente de temperatura utilizando Silicato de Cálcio (triangulos cheios, cor vermelha) com k =0,023
W/(m
2
K), Lã de Rocha (círculos cheios, cor verde) com k =0,055 W/(m
2
K), Base Asfalto (quadrados cheios, cor
azul) com k =0,7 W/(m
2
K), no trecho 2 de 203 m.

Tabela 8: Dados da temperatura e comprimento da tubulação, variando os tipos de isolante e
consequentemente os indices de condutividade térmica k do trecho 2 de 203 m.
Base asfalto
k =0,7 W/(m
2
K)
Lã de rocha
k =0,055 W/(m
2
K)
Silicato de Cálcio
k =0,023 W/(m
2
K)
Distância, m Temperatura, °C Distância, m Temperatura,°C Distância, m Temperatura, °C
400 58,3 400 58,3 400 58,3
901,5 21,1 901,5 40,1 901,5 45,4
1327,5 18,3 1327,5 31,1 1327,5 37,8
- - 2301 28,8 2301 32,3
- - 3599 27,3 3599 28,8
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20
6. Considerações finais

Devido às características das novas descobertas brasileiras, em reservatórios cada vez mais
profundos, óleos mais pesados e presença de ceras, a opção pelo dimensionamento e simulação de
bombas, diâmetros de dutos e isolantes térmicos se tornam de fundamental importância para o transporte
do hidrocarboneto.
A metodologia utilizada, baseada no software Pipesim®, para analisar a influência de diferentes
parâmetros operacionais, mostrou-se eficiente e satisfatória. Os resultados alcançados são condizentes
com os encontrados da literatura.
Verificou-se a necessidade de utilização de uma bomba que deve ser adequadamente selecionada
para impulsionar os fluidos até o local de entrega. A seleção do diâmetro apropriado do duto, neste caso
de 4 polegadas para o trecho submerso, é importante para diminuir as perdas de carga por atrito. E, devido
às elevadas perdas de calor observadas principalmente no trecho intermediário da tubulação em contato
com a água do rio, o revestimento da tubulação com um isolante térmico que minimize a diminuição de
temperatura é fundamental para o sucesso do projeto de transporte deste fluido multifásico. O material
selecionado para este caso foi o Silicato de Cálcio.
É possível preveer que a deposição de parafina é um problema bastante grave. Resultados em
andamento mostram que o crecimento do depósito é acentuado e torna-se crítico com o tempo de
produção, por tanto técnicas de mitigação da deposição de parafinas devem ser adotados. Algumas
soluções para amenizar essa deposição poderiam ser incrementadas no projeto como a passagem
periódica de pigs, uso de inibidores químicos, e até mesmo a instalação de aquecedores. Estudos neste
sentido serão objeto de outras publicações do GPETRO/CNPq.

7. Agradecimentos

Os autores agradecem à Schlumberger pela concessão das licenças acadêmicas do software
Pipesim®indispensável para o desenvolvimento deste trabalho. Agradecemos também ao Eng. Rodrigo,
funcionário da Petrobras UN-ES/ATP-NC, pelos valiosos comentários e sugestões proporcionados ao
longo do desenvolvimento deste trabalho. Professor Oldrich J oel Romero agradece ao CNPq pela
concessão da bolsa de pesquisa PQ2.

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