Lições sobre a escrita de história: as primeiras escolhas do IHGB A historiografia brasileira entre os antigos e os modernos: Temistocles Cezar analisa

a pesquisa histórica realizada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) fundado em 1838, pesquisa histórica esta que ele declara como uma pesquisa mais definida, mais refletida e principalmente no que se refere a política mais nacionalista. Nesse sentido ele propõe uma releitura dos textos lidos no interior do IHGB, textos que foram escolhidos e selecionados, afastando-se ou filiando-se aos modelos antigos ou modernos da historiografia, estas opções dos intelectuais do instituto eram na realidade disposições conscientes que conferiram a história um principio de autoridade a transformando em uma campo cientifico, e disposições que além disso ainda foram responsáveis pela construção de uma nação. A tarefa do IHGB seria tornar visível a história preexistente do Brasil, através do olhar crítico da narrativa histórica que se tinha até então. Eles deveriam dissipar as nuvens que impediam uma boa visão da realidade, obscuridade esta causada principalmente pela obra de autores estrangeiros. Assim sua função seria corrigir os erros até então cometidos. As razões para se estudar história eram consideradas de ordem política e epistemológica, deveriam assim antes de tudo servir a nação. Dessa forma os historiadores do IHGB irão se preocupar em formar uma cronologia da história do Brasil, e mais em estabelecer à origem do país, construindo, portando uma história geral brasileira, retirando da natureza do país, da riqueza das minas e das matas ou ainda do clima tropical as alternativas para demonstrar as origens do Brasil. Através da construção de uma periodização e do encadeamento dos acontecimentos, eles narraram e explicaram a fundação do Brasil, através de um ponto de vista nacional. Fazedores da história caberia aos escritores do IHGB também a criação dos heróis nacionais, na medida em que o próprio instituto encarna essa figura heroica, afinal sua missão era salvar o passado nacional e construir uma memoria nacional. Através da escolha o historiador se torna um juiz que controle do destino dos grandes homens. Seguidores da historia magistral vitae concebiam que com o conhecimento do passado e das causas poderia se prever o futuro, mas não de forma metafisica, e sim através dos exemplos que a história havia fornecido. No que se refere às fontes, na busca pela cientificidade, era preciso hierarquizá-las, encontrar os arquivos oficiais e analisar criticamente os textos antigos e modernos. Por fim vale lembrar o uso político que os historiadores do IHGB fizeram do saber, ao contar a história da nação se aproximam de Cicero, e ainda em mais um aspecto essencial podem ser comparados a este autor, as narrativas eram marcadas pela retórica, pelo desejo de persuadir. Assim no Brasil do século XIX a eloquência se voltou tanto para a vida política do Império quanto para própria constituição da ideia de história no interior do IHGB.

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