You are on page 1of 10

ARTIGO A RT I C L E 999

UNIMED: história e características da cooperativa de trabalho médico no Brasil UNIMED: history and characteristics of a Brazilian medical cooperative

Cristina Maria Rabelais Du a rte

1,2,3

1 De p a rtamento de Ci ê n c i a s S o c i a i s , Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. Rua Leopoldo Bulhões 1480, Rio de Ja n e i ro, RJ 2 1 0 4 1 - 2 1 0 , Bra s i l . 2 Faculdade de Medicina de Pe t r ó p o l i s . Rua Ma c h a d o Fagundes 326, Pe t r ó p o l i s ,R J 2 5 7 1 6 - 9 7 0 , Bra s i l . 3 Faculdade Arthur Sá Earp Ne t o. Rua Machado Fagundes 326, Pe t r ó p o l i s , RJ 2 5 7 1 6 - 9 7 0 , Bra s i l . ra b e l a i s @ t e r ra . c o m . b r

Abstract This article describes the organizational characteristics of the UNIMED medical cooperative in Brazil. After an ove rv i ew of UNIMED’s share in the current health plan market, the author analyzes its organizational structure , historical evo l u t i o n , and contractual regimen with member physicians, including the formula used to calculate the payment schedule for physician s e rv i c e s . The plan currently includes 367 local member coopera t i ve s , o p e rating in over 80% of Bra z i l ’s counties, with 41% of existing physicians to serve 7% of the population. The organization’s history began with local cooperatives and subsequently federations, the confedera t i o n ,a n d other companies in the gro u p. The organizational design and dynamics favor a high degree of d e c e n t ralization and autonomy, s u b o rdination of all components in the system to the physician c o o p e ra t i ve command, and the occurrence of internal disputes and conflicts between individual interests and those of the organization. Key words Health Se rv i c e s ; Health Policy; Health Insurance

Resumo O presente trabalho busca descrever as características organizacionais da cooperativa de trabalho médico UNIMED no Bra s i l . Após uma bre ve perspectiva sobre a participação da UNIMED no mercado atual, aborda-se sua estrutura organizacional, evolução histórica e o regime contratual dos coopera d o s , incluindo a fórmula utilizada para o cálculo do valor a ser pago como re m u n e ração do trabalho médico. At u a l m e n t e , são 367 coopera t i vas locais no país, q u e operam em mais de 80% dos municípios, contando com 41% dos médicos existentes para atender a 7% da população. A história da organização evidencia o surgimento, p r i m e i ro, das coopera t ivas locais e, posteriormente, daquelas das federações, da confederação e das demais empresas do c o m p l exo. O desenho e a dinâmica organizacional favo recem o alto grau de descentralização e a u t o n o m i a ; a subordinação de todos os componentes do complexo ao comando da coopera t i va de trabalho médico e a ocorrência de disputas internas e conflitos entre os interesses individuais e os da organização. Palavras-chave Serviços de Saúde; Política de Saúde; Seguro Saúde

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 17(4):999-1008, jul-ago, 2001

Empresas de medicina de grupo são aquelas que se dedicam à prestação de assistência médico-hospitalar mediante contraprestações pecuniárias – em regime de pré-pagamento –. foram utilizados documentos oficiais fornecidos pela Confederação UNIMED – Estatuto da Confederação UNIMED do Brasil. com o diretor financeiro. utilizando o regime de pagamento por serviços pre s t a d o s. Introdução O presente trabalho tem como objetivo descrever o perfil da cooperativa de trabalho médico UNIMED no País. os planos próprios das empresas e o seguro-saúde.br). respectivamente. de 3 de junho de 1998 (Brasil. evolução histórica e o regime contratual dos coopera d o s. Algumas oferecem. documentos de circulação interna e de divulgação – e informações disponíveis na i nt e rn e t. foi facilitado pela existência de uma relação prévia. 17(4):999-1008. Para o escopo deste tra b a l h o. Elas arcam com os riscos. cujas características são encontradas de forma detalhada em Bahia (1999). Constituição UNIMED. que considera as formas de constituição das empresas. Indicadores de cobertura populacional e grau de adesão de médicos no terri t ó rio nacional são apresentados no decorrer do trabalho.com. pagando somente pelos serviços efetivamente utilizados (regime de pós-pagamento). os profissionais. podem dispor de serviços próprios. e o diretor financeiro foi diretor executivo da UNIMED-Petrópolis no período de 1989 a 1997. no site da Confederação UNIMED do Brasil (http://www. inclusive de circulação interna. apresenta racionalidades de estruturação. As informações sobre o complexo UNIMED foram obtidas em fontes documentais e entrev i s t a s. Após uma breve perspectiva sobre a participação da UNIMED no mercado atual de saúde supletiva. período em que a UNIMED se adaptava às exigências da Lei 9. O atual presidente da Confederação UNIMED foi também fundador da primeira cooperativa local do País. As informações foram coletadas no segundo semestre de 1998 e início de 1999. para planos difere n c i a d o s. credenciada ou sistemas mistos. pro c u rando-se destacar as pri n c i p a i s características e problemas associados às organizações cuja força de trabalho se constitui predominantemente por especialistas altamente treinados.unimed. segue uma definição esquemática. fora m realizadas em 20 de junho e 20 de outubro de 1998.656. C. em recursos próprios. Edmundo Castilho. Guerra (1998) ou Mendes (1993). Cad. aborda-se sua estrutura organizacional. 1997).1000 D U A RTE. Dr. Rio de Janeiro. as diferenças na gestão do risco e a disponibilidade de infra-estrutura para atendimento ao usuári o. durante o período de 1992 a 1994. Nos modalidade de autogestão. As cooperativas são formalmente definidas como sociedades que se constituem para pres- Metodologia A estrutura da organização foi desenhada com base na tipologia proposta por Mi n t z b e rg (1989). 1998). considerados informantes privilegiados. relatórios específicos. para o a t e n d i m e n t o. e/ou utilizar a rede credenciada. e com o presidente da Confederação UNIMED do Brasil. destinados aos níveis hierárquicos superiores das empresas (Towers Perrin. A UNIMED no âmbito da assistência médica supletiva Atualmente. O atendimento ao usuário pode variar entre a livre escolha de médicos e serviços e a disponibilidade de rede própria. com ou sem fins lucrativos. jul-ago. incluindo a fórmula utilizada para o cálculo do valor a ser pago como remuneração do trabalho médico. essencialmente. ou as que utilizam recursos cre d e n c i a d o s. Cada uma. de acompanhamento do t rabalho da dire t o ria da UNIMED-Pe t r ó p o l i s. a assistência médica supletiva está integrada por quatro modalidades assistenciais principais: a medicina de grupo. o contratante assume os riscos. semi-estru t u ra d a s. na segunda. Dr. as cooperativas médicas. Humberto Banal Batista da Silva. As entre v i s t a s. o sistema de livre escolha com reembolso. geralmente ambulatórios. No pri m e i ro caso. clientelas e formas de financiamento diversas. Vale mencionar que o acesso privilegiado a informações e documentos. Subdividem-se naquelas que mantêm uma infra-estrutura baseada. Po d e m administrar o plano diretamente ou contratar uma administra d o ra especializada e. As segura d o ras operam em conjunto com instituições financeiras e comercializam planos unicamente pelo sistema de re e m b o l s o. R. sendo os médicos seus empregados. M. caracterizando-se pela livre escolha exclusiva ou pela oferta adicional de uma rede cre d e nciada para o atendimento. a empresa prestadora assume o risco em troca de um pré-pagamento mensal por parte do contratante (empresa ou pessoa física) e. Saúde Pública. em virtude das funções que desempenham atualmente e do largo período de tempo em que são dirigentes do complexo. as empresas elaboram o desenho de seus planos de saúde e definem as re g ras de opera c i o n a l i z a ç ã o. 2001 . A gestão do ri s c o pode assumir duas condições: na pri m e i ra.

e as seguradoras. . Dussault. Dados citados por Bahia (1999) apontam que as empresas de medicina de grupo e as cooperativas detêm mais de 70% do mercado. sendo os pro p r i e t á r i o s . com vistas ao int e resse comum e sem o objetivo de lucro. As c o o p e ra t i vas que comercializam planos de saúde são compostas por médicos cooperados re s p o n s á veis pelo atendimento aos usuári o s em consultórios part i c u l a res próprios ou em hospitais. 1982. são t reinados e doutrinados por instituições formadoras externas ao ambiente da organização – as instituições de ensino – e sua conduta é regulada pelos de órgãos de classe. que a consideram útil para compreender o funcionamento de organizações da área de saúde. ou. vada especialização. entendida como a extensão em que o poder formal ou informal é dispersado da linha hierárquica para as partes não gerenciais da estrutura. A estrutura organizacional da UNIMED Sendo o complexo empresarial UNIMED uma organização voltada para a prestação de serviços de saúde e de assistência médica. presidente do Sindicato dos Médicos de Santos na época e também fundador da p rim e i ra singular: “ Em 1967. altamente especializados. sendo que as pri m e i ras possuem em torno de 18 milhões de clientes. como principal mecanismo de coord e n a ç ã o. ( . que atua com alto grau de autonomia sobre seu trabalho. que. E definimos o atendimento em consultório. a cinco milhões. A Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED corresponde praticamente à totalidade deste segmento. como uma reação ao surgimento das primeiras empresas de medicina de grupo criadas por advo g a d o s. e a UNIMED. 11 milhões. acrescidas de taxa de adm i n i s t ração). com modelo organizacional específico e diferenciado em relação às empresas tradicionais. a UNIMED é uma empresa cooperativa. Os planos de autogestão atendem a oito milhões de clientes. n ó s criamos a primeira UNIMED. comunicação pessoal). As origens da UNIMED A fundação da primeira cooperativa UNIMED partiu da mobilização de dirigentes do sindicato da classe. detendo uma parte sign i f i c a t i vamente maior que a das demais concorrentes. ético e socialmente comprometido da profissão. com oitocentos mil clientes. 1987. O segmento de medicina de grupo é composto por um conjunto de várias empresas e. ). eventualmente. 1997:37). Não há altern a t i va para o sistema de livre escolha com reembolso. o exercício da medicina chamada liberal estava associado a uma qualidade melhor da assistência prestada: “Os médicos ass o c i a d o s . socializando meios e mantendo as cara ct e r í s t icas libera i s” ( Edmundo Ca s t i l h o. integralizam um capital em quotas. com seiscentos mil clientes cada. 1993. 1998). o ponto de partida para a descrição de sua estrutura organizacional foi o desenho proposto por Mintzberg (1989) para as organizações profissionais (p rof e ss i onal organization). operam em regime de pré-pagamento. Além de caracterizar uma organização profissional na concepção de Mintzberg. Schneider. Saúde Pública.HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS DA UNIMED 1001 tar serviços a seus associados. ao ingressar. Rio de Janeiro. nós queríamos a ética. o respeito aos usuários. Em geral. Esta abord a g e m tem sido utilizada por outros autores (Azevedo. 1992). São Paulo. adotando o discurso do exercício liberal. um voto – e a divisão do lucro conforme o trabalho e não conforme o capital (Pinho. Segundo o atual presidente da Confederação Nacional das UNIMEDs. em Santos. Num ranking que considere as empresas isoladas. de pagamento por custo operacional (despesas por atendimentos efetivamente re a l i z a d o s. empresários ou grupos de médicos não vinculados ao movimento da categoria. a parte chave da estrutura é o núcleo operacional (respons á vel direto pela produção de bens ou pre s t ação de serviços). prevalece. 2001 . Além da ele- Cad. 17(4):999-1008. as maiores eram a Amil. as coopera t i vas da UNIMED ocupam o pri m e i ro lugar em termos de mercado. . laboratórios e clínicas credenciados. em Santos. Podem ser formadas por vinte participantes no mínimo. No discurso. os quais expressam os caminhos percorridos por dirigentes da categoria médica para conformar uma organização capaz de otimizar as possibilidades de ocupação do mercado de trabalho e fugir da submissão salarial a empresas médicas. Os principais traços que distinguem uma cooperativa são a participação dos cooperados nos processos decisórios – cada tra b a l h a d o r. denominados cooperados. A combinação de características desses dois modelos de organização imprime à UNIMED uma história e um desenho peculiares. destaca-se também a descentralização horizontal. a Intermédica e a Interclínicas. a padronização de habilidades: os p ro f i s s i o n a i s. jul-ago. Assim. receberiam a justa remuneração por seu trabalho em troca de um alto padrão de atendimento aos usuários” (Akamine. Neste tipo de configuração de Mi n t z b e rg . em 1999. baseados no fato de que nós não queríamos a merc a n t i l i z a ç ã o.

por sua vez. à maior parcela possível da população. a UNIMED Produtos e Serviços Hospital a res e a UNIMED Tecnologia. Duas singulares não podem apresentar coincidência na área de ação. revisada em outubro de 1994 (UNIMED. Saúde Pública. a partir do repasse de pagamento. jul-ago. personalizado e a custo compatível” (UNIMED. princípios e operações na Constituição UNIMED. numa instituição de caráter virt u a l . A confederação foi fundada. que congrega o sistema UNIMED – cooperativas de trabalho médico. O médicos filiam-se às cooperativas de primeiro grau. . a Fundação Centro de Estudos UNIMED e. s u rg i ram as pri m e i ras federações: São Pa u l o. O Co m p l e xo Mu l t i c o o p e ra t i vo e Empresarial UNIMED é definido como “a reunião.( . a saber: cooperativas de pri m e i ro grau ou basilare s.1002 D U A RTE. formal ou inform a l m e n t e. C. em nome dos profissionais. que abrange instituições não cooperativistas. aproximadamente 80% dos existentes no país na ocasião (IBGE. o sistema permanece unificado. M. e apenas às federações é permitido coincidência parcial. R. a org a n i z ação UNIMED é composta por um complexo que reúne diferentes entidades jurídicas interl i g a d a s. 2001 . econômico e administrativo. o sistema UNICRED – cooperativas de economia e crédito mútuo. A Tabela 1 traz o número de usuários e cooperados. As UNIMEDs de segundo e terceiro graus podem negociar contratos respectivamente com empresas de âmbito de atuação regional ou nacional. de três tipos diferentes de coopera t i va s . ) . 1998). noventa mil médicos cooperados e 11 milhões de usuários ( U N I M E D. a UNIMED negocia. Desde então. cooperativas de segundo grau ou federações que.j u n t a m e n t e com instituições não-coopera t i va s . • O sistema empre s a rial. destinadas a prestar s e rviços complementares à atividade-fim da c o o p e ra t i va médica. foram sendo constituídas outras estruturas. Não existe. Em 1996. Em 1997. Reúne sistemas ou segmentos de diferentes atividades e naturezas jurídicas. segundo Akamine (1997). e s t a s. At u a l m e n t e. representadas por empresas de capital com o objetivo de lucro e uma fundação sem fins lucra t i vo s. 1997a). Rio de Janeiro. “o objetivo de agregar profissionais médicos para defesa do exercício liberal. e as coopera t i va s USIMED – cooperativas de consumo. um serviço médico de boa qualidade. enquanto as singulares limitam-se à esfera local. São eles: • O sistema multicooperativo. Co m é rc i o. em 1977. nos aspectos jurídico. tendo como clientes pessoas jurídicas ou físicas. A cooperativa de trabalho médico é a estrutura que agrega as demais. Apresenta. 2000). contratos de prestação de serviços. Com o passar do tempo. a UNIMED Participações. a UNIMED Si s t emas. constituída pela confederação de âmbito nacional. de acordo com as singulares e federa- Cad. a UNIMED estava p resente em 3. em meio a mais uma disputa: informados sobre a intenção da Associação Médica Brasileira (AMB) de fundar uma confederação e assumir o seu comando. 2000). ético e qualitativo de sua p ro f i s s ã o. as quais se vinculam às federações. estão ligadas à confederação. tanto com espírito não lucrativo. . a Corretora de Seguros. comunicação pessoal). UNIMED do Brasil (UNIMED. Sua estrutura está organizada em cooperativas de diferentes graus. Em termos formais. 1996. até o momento. Os componentes do complexo O Complexo Multicooperativo Empresarial UNIMED tem abrangência nacional e é descrito em seus conceitos. sistema decisório hierárquico estabelecido entre os diferentes graus. a Fe d e ração No rt e / No rdeste dec retou-se um grupo dissidente do complexo. em 1972. fundando a Aliança UNIMED. como outras com objetivos de lucro” ( Irion. sendo as singulares autônomas e independentes. A partir dessa primeira experiência. A função expressa das cooperativas em todos os graus é prestar serviços aos seus assoc i a d o s. denominadas s i n g u l a re s. com áreas de atuação exc l u s i va s (um ou mais municípios). bem como pelo direito de uso da marca UNIMED.951 municípios (Co n f e d e ra ç ã o Nacional das Co o p e ra t i vas Médicas. podem ser intrafederativas – estaduais ou regionais – ou interfederativas e a c o o p e ra t i va de terc e i ro grau. 1998:99). São elas: a Seguradora. 1996). congregando 364 cooperativas. eram 60 em todo o Brasil. a UNIMED Administração e Serviços. Os atendimentos são realizados na rede de UNIMEDs locais. mecanismo que possibilita o intercâmbio de atendimento entre as singulares. tendo como lógica organizadora a área geográfica ou mercado de atuação. Minas Gerais e Rio Grande do Sul. o que amplia fortemente a rede de serviços em nível nacional. No início da década de 70. 1994). 17(4):999-1008. várias UNIMEDs foram criadas e. dependendo de sua área de ação. tem havido uma disputa interna pela adesão das singulares e federações. Como cooperativa. alguns d i rigentes de federações anteciparam-se e criaram a confederação por meio de um protocolo de intenções (Humberto Banal Batista da Silva. além de pro p i c i a r. com adequadas condições de tra b alho e re m u n e ração justa. Indústria e Serviços Ltda (UNINTEL). como missão.

24 8.53 13.705 3.280 35 2 11.771 10.85 26.00 0. Acre.718 1.76 0.o e s t e Goiás/Tocantins Mato Grosso Mato Grosso do Sul Sudeste Minas Gerais Rio de Janeiro Espírito Santo São Paulo Sul Paraná Rio Grande do Sul Santa Catarina Brasil 11 7 299. com destaque p a ra o grau de adesão dos médicos no Ce a r á .36 1.38 15.667 652 1.25 5.51 4 110. As demais regiões apresentam padrões semelhantes entre si.99 1.31 12.397 758.389.20 0.892 1.12 1. Saúde Pública.329 3.438 2.67 11.940 529 6.37 22. jul-ago.905 2. Na Região Sul.132 2. 1997. todavia.270 234. quando se observa a distribuição por re g i õ e s.002 126.62 63 6 17 12 5 9 4 7 3 31 20 6 5 159 64 21 5 69 69 24 30 15 333 1. 17(4):999-1008.74 0.713 24. Federações UNIMED.724 36.25 16.069 1.45 6.107 18.690 3.962 654.92 1.91 1.125. o grau de adesão dos médicos passa de 70%.87 14.67 0.70 0.643 131.682 6. com exceção do Espírito Sa n t o.879 1.044 116.82 3.000 habitantes N o rt e Amazônia ocidental (Amazonas.483 3.62 0.77 13. Nota-se que o sistema tem a adesão de 41% dos médicos e cob re cerca de 7% da população total.54 0.HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS DA UNIMED 1003 Tabela 1 Número de singulares.513.253 6. 2001 . usuários e médicos cooperados existentes em 1998 e estimativa de cobertura populacional e grau de adesão dos médicos. A Região Sudeste apresenta os menores percentuais de adesão. 3 Denominador: IBGE.037 246.92 9. A disponibilidade de médicos para o atendimento aos usuários aponta para expressivas Cad.107 9. segundo estados das federações UNIMED. sendo o maior entre todos os estados. porém a cobert u ra populacional ultrapassa os 10% em Minas Ge ra i s e em São Paulo. esse padrão sofre va ri a ç õ e s. Rio de Janeiro. ções a que pertenciam em 1998.193 140.54 13.548 48 49 31 85 56 36 46 86 28 49 37 71 95 31 32 25 65 33 73 76 71 72 41 2 3 2 4 4 2 1 5 1 5 4 7 7 9 10 5 8 11 10 8 12 10 7 15.57 8.330 188.000 usuários 1.185 127.54 0.13 10.67 0.730.223 15.53 0. superando a média nacional no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.605.136 146.957 1.26 Fontes: 1 Confederação Nacional das Cooperativas Médicas (1998). Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 2 Denominador: Machado.7% das singulares (333 do universo de 367 existentes na época).528 1.005.225.227 81. contagem de população de 1996.88 0.92 0.70 1. segundo estados de abrangência Sistema cooperativo UNIMED Singulares (n)1 Usuários (n) 1 Cooperados (n)1 Médicos cooperados no local (n) 2 43 57 População coberta (n) 3 Cooperados por Médicos por 1.98 5.94 1.786 593. Rio Grande do Norte.96 8. A cobertura populacional também é mais expressiva.536 1.915 2.198 32.38 7.685 2.842 1.248 3 4 8.481 6. OBS: Os dados sobre a UNIMED abrangem 90.75 1.011 306.16 1.32 6.57 0.55 7.75 1.15 2.30 0.96 15.265 505.907 20.678 201. Rondônia e Roraima) Amazônia oriental (Amapá e Pará) Nordeste Alagoas/Sergipe Bahia Ceará Paraíba P e rn a m b u c o Piauí Rio Grande do Norte Maranhão C e n t ro .414 10.

ensejando a aquisição de medicamentos a preços menores que os pra t i c ados pelo restante do mercado. em seu artigo 98. eliminando as estru t u ra s de mesma natureza existentes nas dive r s a s unidades do complexo. Os seguro s . tornaram-se cooperados da USIMED. congregava 86 cooperativas e 26 mil cooperados (UNIMED. destinadas à prestação de serviços às singulares médicas. coopera t i vas de segundo grau ou centrais e cooperativa de terceiro grau. que funciona através de uma rede de farm á c i a s. 1988:7). à qual se vincula a atividade principal da instituição. seu l u c ro é distribuído entre as quotistas. de pre v idência e de seguro-saúde. O sistema empresarial foi criado para possibilitar o desenvolvimento de atividades que. Tratase de um sistema ainda em fase de implantação. não vai para o banco dos outros e sim para o nosso banco” (Humberto Banal Batista da Silva. o que evidencia um grau de adesão ainda bastante modesto. representa. com o propósito de manter na corporação os recursos financeiros gerados pelo trabalho médico. sendo seus quotistas as cooperativas médicas e de crédito.1004 D U A RTE. Rio de Janeiro. sendo 99% do capital da Corretora de propriedade da UNIMED do Brasil e 1% de um corretor habilitado. 1997b). sempre que a legislação permitir. com área de ação em todo o território brasileiro. preenchendo os correspondentes cargos diretivos. em conjunto com os usuários da UNIMED. os médicos foram transformados juridicamente em consumidores e. 17(4):999-1008. (5) nenhum diretor da UNIMED do Brasil pode acumular com sua função na dire t o ria da confederação mais de um cargo remunerado no sistema empresarial. é a d m i s s í vel a participação acionária de médicos cooperados ou de outras instituições fora do complexo. Assim. desigualdades se comparada com aquela referente à população total (Tabela 1). A única modalidade de seguro disponível para usuários é o seguro de vida em gru p o. Sendo uma empresa de capital. 30% dos médicos coop e ra d o s. A Cooperativa de Consumo USIMED foi instituída com o objetivo de pro m over o acesso dos usuários a preços mais vantajosos de medicamentos. materiais e equipamentos. com clientelas específicas para cada pro d u t o. Em Pernambuco. Segundo o diretor financeiro da UNIMED Brasil. Co n t rola a UNIMED Se g u rad o ra e a UNIMED Ad m i n i s t ração e Se rv i ç o s. iniciado em 1993. É uma sociedade por quotas. São eles: (1) o sistema UNIMED deve ter a maioria do capital votante para assegurar o controle das empresas. gerenciadas por vinte cooperativas que atendem a sessenta mil usuários (UNIMED. O sistema UNICRED é constituído de: cooperativas de primeiro grau. 1998). constituindo-se em instituição-meio e não em instituição-fim por si mesma. M. por força da legislação. comunicação pessoal). seus cooperados e demais funcion á rios. Unifica os sistemas de Cad.s a ú d e estão disponíveis apenas para médicos cooperados e para dirigentes das empresas contratantes do sistema UNIMED. a UNIMED Participações Ltda. Saúde Pública. (2) no caso de instituição organizada sob a forma de sociedade anônima. Os demais componentes do complexo UNIMED surgiram como decorrência da demanda da coopera t i va médica. Tendo em vista que o Código de Ética Médica (CFM. Pa ra evitar que a Co o p e ra t i va fosse a controladora da Seguradora. constituída pela central nacional. o quantitativo de médicos disponíveis é cinqüenta vezes maior para usuários do que para a população em geral. jul-ago. em Vale das Antas. Em 1997. proíbe o exercício da profissão “com interação ou dependência de farmácia”. A Co r re t o ra de Se g u ro s tem como objetivo colocar no mercado os produtos da Seguradora. não poderiam ser de- s e n volvidas por coopera t i va s. Rio Grande do Sul. R. C. independente do capital aplicado). “assim. Segue os princípios cooperativistas da livre adesão (aberta ao ingresso de cooperativas) e da singularidade do voto (cada coopera t i va tem direito a um voto. para garantir o controle sobre essas empresas e a prestação de serviços exclusivamente ao complexo. foram formulados seis princípios orientadores. situação proibida por lei. Embora seja um contingente expressivo. 2001 . desde que subscrevam ações preferenciais (sem direito a voto). na proporção do investimento aplicado. O Estado do Piauí apresenta a maior oferta de médicos para os usuários do País. A Seguradora surgiu em 1989 e sua atuação se dá no ramo dos seguros de vida. A UNIMED Ad m i n i s t ração e Se rviços foi c riada para racionalizar processos e pro d u z i r economia de escala. nosso dinheiro. criou-se uma empresa holding. obedecerá ao princípio cooperativista da singularidade do vo t o (Irion. remoção pro g ramada de pacientes e assistência prestada por profissionais não-médicos. Em 1989 foi criada a p ri m e i ra UNICRED. (6) o processo decisório nas empresas. 1997b). (3) toda empresa criada deve estar a serviço do complexo. apenas. (4) a direção de cada empresa será exercida pelo diretor da UNIMED do Brasil. em contraste com a segunda menor disponibilidade para a população em geral. O argumento apresentado foi o compromisso social do profissional médico de viabilizar o tratamento para o usuário da UNIMED. sem considerar a exceção da Região Amazônica.

fato que. R$0. As crescentes dificuldades nas negociações com os prestadores d e ram origem à fundação do pri m e i ro hospital. Entretanto. Vale re g i s t rar que o gasto anual para custear a assistência médica na Confederação UNIMED correspondeu a cerca de 54% das despesas totais em 1997. simultaneamente.HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS DA UNIMED 1005 apoio da Confederação UNIMED. c e n t ra l i z a r a c e rvos e talentos. re c e b e n d o um valor maior por cada ato ou procedimento. podem ser funcion á rios das coopera t i va s. . . tendo apresentado um aumento de 30% no gasto anual per capita em relação a 1996. 17(4):999-1008. a maioria das singulares pagou R$25. Quando presente.00 a consulta. Já a UNIMED Sistemas tem como objetivo a pesquisa e o desenvolvimento de produtos e serviços relacionados à organização e tecnologia da informação. a remuneração é fruto direto de sua produtividade. A UNIMED Te c n o l o g i a . A Fundação Ce n t ro de Estudos UNIMED (CEU) é a expressão de um dos princípios cooperativistas: o do doutrinamento (Pinho. maior o valor recebido pelo profissional. ( . constituindo-se no departamento de telemática da UNIMED do Brasil. O regime de contratação dos médicos Como apre s e n t a d o. Co m é rc i o. No mesmo ano. sendo a média equivalente a R$0. o menor valor pago foi R$0. “. atualmente. mas. Até o final da década de 80. como auditores ou plantonistas de hospitais p r ó p ri o s.33. integralizando 48 hospitais (UNIMED. realizar pesquisas. O complexo UNIMED possui também empresas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias de inform a ç ã o. a remuneração do médico – pode variar no tempo e apresentar diferenças entre as diversas cooperativas. pode levá-lo a estimular uma maior utilização de serviços por parte dos usuários. recebendo pagamento proporcional à sua p rodução (por quantidade e tipo de pro c e d imento). sócios e prestadores de s e rv i ç o s. a rede própria encontra-se em fase de expansão. A UNIMED Produtos e Se rviços Ho s p i t a l a re s foi criada para possibilitar economia de escala e dar subsídios e sustentação tecnológicos para seu conjunto hospitalar. jul-ago. foi criada recentemente com o objetivo de produzir os sistemas de transmissão de dados a serem utilizados por federações e singulares. Visa. Assim.. sem incluir outros procedimentos realizados durante o atendimento. percebendo salári o s. da Co r re t o ra e da UNIMED Pa rt i c i p a ç õ e s. são coopera- dos. Não tem fins lucra t i vos e sua finalidade é divulgar o cooperativismo em geral e aquele praticado no complexo UNIMED. da Seguradora. a UNIMED não possuía hospitais próprios. In d ú s t ria e Se rviços Ltda.18. na prática. 2000). Quanto maior a receita líquida. Tal mecanismo de cálculo tem forte correspondência com o grau de utilização dos serviços pelos usuári o s. 2001 . Apesar de sugerir a existência de uma rede integrada e administrada por uma empresa do complexo. Ve rificada na tabela da AMB de 1992 a correspondência de uma consulta médica a 100 CH. sem considerar seu valor monetário. 1998:113). Segundo pesquisa realizada pela gerência da UNIMED-Petrópolis. na percepção imediata do médico.. 1982). em Brasília. Tais estimativas foram realizadas com base em UNIMED (1998). a criação de novos hospitais e o seu gerenciamento são inic i a t i va e responsabilidade locais. embora ainda mantenha os estabelecimentos credenciados. A produção médica do cooperado é calculada em termos de unidade de trabalho (UT) . não possui o status de empresa isolada.26. em última análise.25 o valor da UT. e o maior. Saúde Pública. O valor da UT – e. a coopera t i va é uma modalidade de organização na qual os médicos são. Cad. também. em 1998. ) . At u a l m e n t e. Rio de Janeiro. tendo pouca expressão nas singulares. A quantidade de UT contida em cada pro c e d i m e n t o médico corresponde à quantidade de coeficientes de honorários (CH) publicada na tabela da AMB. a maioria das singulares estipulou em R$0. Em alguns casos. em sua maioria. utilizando uma fórmula que divide a receita líquida pela produtividade total em número de CH. f o r m a r e d u c a d o res e treinar dirigentes e funcionários do Complexo” (Irion. A empre s a c o n g rega poucos hospitais e sua atuação está restrita à área de compras. num contexto de pouca utilização de serviços. considerando-se que a maior parte da receita decorre da comerc i a l ização de planos do tipo pré-pagamento. Un i n t e l . Apesar de descrita como parte do sistema empresarial por Akamine (1997). os médicos tra b a l h a riam menos. denominada sobra. essa distorção aumenta as despesas e diminui a receita líquida. sendo o ganho do profissional correspondente à multiplicação do número de UT realizado pelo valor estipulado para as mesmas.servir como ponto de apoio para os Comitês Ed u c a t i vos das Coopera t i va s . Cada cooperativa realiza o cálculo do valor de sua UT.

garantir a autonomia na prática profissional e competir no mercado de trabalho. isto é. Rio de Janeiro. torna-se difícil a implementação de modelos de planejamento ou controle de desempenho que abranjam todo o sistema. Conselho Administrativo e Diretoria Executiva. Uma eficiente estratégia de mercado utilizada é a denominada “unimilitância”. como nos resultados obtidos. e a dificuldade no lidar com profissionais incompetentes ou inescru p u l o s o s. aquela decorrente da qualidade de cooperado. em geral. Assim. No universo de configurações de Minstzberg (1989). R. a concentração do poder nas mãos do médico é potencializada. através de uma organização corporativa. O a rgumento utilizado fundamenta-se na legisl ação cooperativista. que veda o ingresso de “agentes de comércio e empresários que operem no mesmo campo econômico da sociedade” – § 4o do Artigo 29 da Lei no 5. jul-ago. a e s t ru t u ra cooperativa potencializa os elemen- tos definidores da organização pro f i s s i o n a l : d e l i b e rações das dire t o rias executivas – tanto do complexo como das singulares – necessitam ser legitimadas. como tipificado por Mi n t z b e rg (1989). o tamanho das unidades para as org anizações profissionais seja grande no núcleo operacional e pequeno nos demais componentes. Em b o ra. Os médicos. os mais importantes são. muitas vezes. os que abordam o papel desempenhado pelo núcleo operacional. tanto nos mecanismos implementados. Saúde Pública. que podem ocultar seus erros ou atuar de forma a privilegiar os p r ó p rios intere s s e s. negociadas nos conselhos e assembléias ou mesmo em g rupos de especialistas. ambas se aplicando claramente à estru t u ra da UNIMED: as dificuldades de coord e n a ç ã o. estão associados à dinâmica de org a n i z a ç õ e s deste tipo. por definição. o que ocasiona uma escassa possibilidade de regulamentação das decisões técnicas. as instâncias principais da cúpula estratégica são formadas por um número expre s s i vo de coopera d o s. desenvolvida no âmbito de uma organização complexa. A intenção de seus líd e res e fundadores tem sido manter sob controle dos médicos um amplo conjunto de atividades relacionadas a uma prática definida por eles como liberal. há pouco controle do trabalho além daquele próprio da profissão. a p roibição de cooperados serem cre d e n c i a d o s ou empregados de outros planos de saúde. sendo.764/71 – (Organização Cad. sendo sua atuação marcada por um alto grau de especialização. típico de profissionais treinados no domínio de conhecimentos e de habilidades indispensáveis ao desempenho de ações complexas. 17(4):999-1008. também. No sistema UNIMED. descentralizada – intensifica certas características da organização profissional. as singulares dispõem de expre s s i va autonomia. virtualmente. na UNIMED. revelou-se bastante atrativo para a categoria médica.1006 D U A RTE. O núcleo operacional da UNIMED é constituído por médicos. Nesse contexto. Considerações finais A descrição do complexo cooperativo UNIMED e o histórico de sua constituição perm i t e m uma noção da engenharia institucional que caracteriza a organização. 2001 . Além de para d i g m á t i c o. observa-se grande variabilidade entre as singulares. acrescendose à autoridade própria da natureza profissional. C. esse modelo pode explicar as expressivas taxas de adesão dos médicos e cobertura populacional alcançadas no País. interferindo de forma s i g n i f i c a t i va nos rumos tomados pela org a n ização. além de controlar seu próprio trabalho. Mesmo em relação a pro c e d i m e n t o s de controle de custo e inflação médica. O sistema decisório estrutura-se com base na Assembléia Geral – instância decisória máxima – e nos colegiados eleitos: Conselho Fiscal – colegiado curador fiscal –. e os profissionais que nelas atuam detêm um grande controle sobre seu processo de trab a l h o. sem dúvida. O desenvolvimento de tais atividades demandam um amplo espectro de autonomia e de controle sobre o processo de trabalho. M. já que. Aliado à relativa facilidade com que uma singular é constituída. com instâncias decisórias colegiadas e divisão dos ganhos segundo a pro d u ç ã o. as organizações profissionais apresentam duas fontes principais de problemas. disputas e pela intenção de mobilizar a categoria para. Nesse aspecto. O modelo UNIMED: organização profissional e cooperativa de trabalho Dentre os elementos que caracterizam as organizações profissionais tipificadas por Mi n t zberg. O modelo organizacional de bases cooperativistas. diferentemente. Sua história revela uma tra j e t ó ria marcada por negociações. O fato de ser uma organização do tipo cooperativa – de estrutura. sendo estes últimos ó rgãos executore s. sem que se realize qualquer tipo de monitoramento sistemático destas experiências. utilizam-se do sistema decisório existente para controlar as decisões que os afetam. é responsável pelos problemas que. em detrimento daqueles dos clientes e da organização.

Até o m o m e n t o. e o alto grau de descentra l i z a ç ã o. a conformação de uma arena de conflitos e disputas entre gru p o s. 17(4):999-1008. o grau de profissionalização da gerência é pouco desenvo l v i d o. e os objetivos dos profissionais – aumentar seus ganhos. até que. Como os órgãos fiscalizadores exigem o envio sistemático de um conjunto mínimo de informações. entretanto muitos consideram a unimilitância uma “camisa de força” impingida pela UNIMED. marc a d o pela competição entre os objetivos da organiz a ç ã o. que cara c t e ri z a uma organização do tipo cooperativa. Alterações imp o rtantes vêm ocorre n d o. por exigência do Banco Ce n t ral. Saúde Pública. não buscou criar uma nova est ru t u ra. de maneira clara. aumentando o grau de coesão do sistema e diminuindo a autonomia administrativa das singulares. podendo ser. vale lembrar que a UNIMED atravessa uma conjuntura de mudanças decorrentes da adaptação à nova lei. 1997). Cad. A UNICRED é uma exceção a esta regra. O desenho e a dinâmica organizacional favorecem. 1987:15). também. também. Como os cargos diretivos são temporários. para otimizar a relação receita/despesa –. não dispõe de dados sistemáticos e confiáveis sobre as atividades desenvolvidas pelas singulares. Tal situação permeia. É através da participação nos conselhos e diretorias que os profissionais buscam o controle sobre as decisões administrativas que os afetam. quando explicitados – diminuir o gra u de utilização dos serviços. desenvo l v i d o de forma articulada com as federações e confederação – condição muitas vezes determinada pela afinidade política dos diri g e n t e s. mesmo quando contrários aos da organização. Fi n a l m e n t e. perdedor nas últimas eleições para a c o n f e d e ra ç ã o. Poderá ocorrer também uma redução na quantidade de pequenas cooperativas locais ou sua a g regação a pre s t a d o ras de opera d o ras re g i on a i s. mediante pagamento direto (que poderá ser reembolsado ao usuário pelo seu plano original). os interesses e as demandas dos usuários. através do aumento da pro d u t i v i d a d e. demonstrem sua capacidade de adaptação às novas regras estabelecidas pela legislação em vigor. A autonomia das singulares faz com que a UNIMED pareça um conglomerado de pequenas empresas sem estrutura hierárquica. Isto pode ocorre r. jul-ago. pois o grupo dissid e n t e. Note-se que a re s t ri ç ã o não se aplica à prestação eventual de serviços (Irion. por exemplo). porém é vedado ao profissional figurar nas listas de credenciados dos planos concorrentes. A cisão o c o r rida no complexo em 1998 é um claro exemplo desse ambiente. típica de organizações profissionais. a organização não conta com um sistema de informações gerenciais implementado e. por exemplo. desnecessari a m e n t e. Outras estratégias utilizadas pela empresa incluem a diversificação de produtos e a definição de mercado por área geográfica. o fato de os médicos serem sócios da cooperativa deve ria constrangê-los a trabalhar para a concorrência. e l e t i vos e exercidos por médicos. 2001 . mas também as demais empresas que competem no mercado privado de oferta de serviços de saúde. Os traços mais importantes evidenciados na estrutura da UNIMED são a autonomia dos médicos em relação ao seu processo de trabalho. e a tendência é defenderem seus int e resses individuais ou de grupos específicos (os especialistas. Em tese. o número de consultas ou de exames indicados para a solução de um determinado problema. e a adesão ao princípio não se constitui regra geral nas singulares. torna-se provável a implementação – não sem um alto grau de dificuldade – de um sistema de gerenciamento ou monitoramento vertical mais efetivo. Todo o sistema gerencial e de planejamento é indep e n d e n t e. Uma dualidade permanente é identificada no interior do sistema coopera t i vo. É permitido ao médico atender o u s u á rio de outro plano ou seguro. as informações apre s e n t adas no presente trabalho são passíveis de sofrer alterações em médio ou longo prazos. como conseqüência. Tais características acentuam fortemente a principal dificuldade das organizações cuja força de trabalho é constituída por profissionais especializados: as funções de coordenação e de gerência. como a recente est ru t u ração de uma Op e ra d o ra Ce n t ral de Pl anos de Sa ú d e. à qual as singulares se filiarão. os balanços das coopera t ivas locais são sistematicamente enviados para as centrais e disponibilizados para publicação. quando um profissional inc rementa. condições favo r á veis à manipulação no tra t o das necessidades dos clientes. não apenas a UNIMED. Rio de Janeiro. ou não.HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS DA UNIMED 1007 das Co o p e ra t i vas Bra s i l e i ra s / Mi n i s t é rio da A g ri c u l t u ra. pois. O sistema de pagamento por produtividade gera. Nesse cenári o. nem propôs mudanças significativa s no sistema. que vão desde aqueles re s t ritos ao cotidiano das singulares até os de grande proporção.

U N I M E D.) UNIMED. 1992. 1987. Dupla militância. M. SCHNEIDER. UNIMED. 1988. L. Fundação Oswaldo Cruz. 1997. org. O complexo UNIMED. GUERRA. pela disponibilidade e acesso às informações. 1997a. 24 de Julho.1008 D U A RTE. diretor financeiro.. Rio de Janeiro. Dispõe sobre os Planos e Seguros Privados de Assistência à S a ú d e . Manual de Cooperativismo. XVIII Pesquisa . V. São Paulo: Confederação Nacional das Cooperativas Médicas. Revista de Administração Pública. Mendes. Dissertação de Mestrado.. Referências A K A M I N E. IRION. Brasília: Org a n i z a ç ã o das Cooperativas Brasileiras/Ministério da Agricultura. de 3 de Junho de 1998.. org. 1987. L e g i s l ação Cooperativista e Resoluções do Conselho Nacional de Coopera t i v i s m o. pp. E. In: Distrito Sanitário: O Processo Social de Mudança das Práticas Sanitárias do Si stema Único de Saúde (E. U N I M E D. 2001 . <http://www. jul-ago. APO 145. CFM (Conselho Fe d e ral de Medicina). 1997b. Em p resas de Medicina de Grupo e Se g u ra d o re s . Constituição UNIMED. L. São Paulo: Editora STS. Irion. UNIMED. 1993. Tese de Doutorado. J. L. e a Hu m b e rto Banal Batista da Silva. A Z EV E D O.). 1998. Irion..). Balanço Econômico-Fi n a n c e i ro de 1997. E. 1. D. Evolución del Pensamiento Coopera t i v i s t a . 17(4):999-1008.unimed. Ne w York: The Free Press. Saúde Pública. Es t ratégia de Se rviços das Emp resas que Op e ram Pl a n o s / Se g u ros de Saúde no Bra s i l : C o o p e ra t i va s . Porto Alegre: WS Editor. São Pa u l o : Ed i t o ra Hucitec/Rio de Ja n e i ro : ABRASCO. Rio de Ja n e i ro: Fu n d a ç ã o Escola Nacional de Seguros. ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS/ MINISTÉRIO DA AG R I C U LTURA. a Miguel Abud Ma rc e l i n o... PINHO. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS CO O PE R AT I VA S MÉDICAS.. In: Cooperativismo e Economia Social (J. org.. 26:2-19. D.ibge. J. D U S S AU LT. An exo 1. 1989.656.gov. 1999. DDE 143. gov.d e 01/01/1988. IBGE (Fundação Instituto Bra s i l e i ro de Ge o g rafia e Estatística). 99-114. R. Reformado em 28 de Junho .snt>. presidente da Co n f e d e ra ç ã o UNIMED do Brasil. E. H. 1998. pp. pp. 12 de Nove m b ro de 2000 <http://www. pelas sugestões e críticas. São Paulo: UNIMED. Cobertura completa. Gerência Ho s p i t a l a r : A Vi s ã o dos Diretores de Hospitais Públicos do Município do Rio de Janeiro. São Pa u l o : Cartaz Editorial. Ad m i n i s t ração dos Re s u l t a d o s . CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS CO O PE R AT I VA S MÉDICAS.com. As políticas de saúde no Brasil dos anos 80. 1996. 142.htm>. E.br>.cfm. (mimeo. 307-328. de 02 de Setembro. C. As origens do cooperativismo modern o. E. TOWERS PERRIN. B./default. 1997. Lei 9. Inside our St range Wo rld of Or g a n i z a t i o n s . São Paulo: Editora STS. São Paulo: Conselho Nacional de De s e n vo l v imento Científico e Tecnológico. BAHIA. v. Agradecimentos A Edmundo Ca s t i l h o. O. planalto. Cad. 1982.. 21-34. 1998. In: Compêndio de Coopera t i v i s m o U N I M E D (N.. 1998. Rio de Janeiro: Towers Perrin. UNIMED 30 An o s . Ma y. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 1998.. O. PINHO. (mimeo.). Missão da UNIMED.br/legisla. 1993.. Resultados Definitivos da Contagem 96. 1997. org. Trabalho apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Proc. C. pp.br/estatística/população/conta. J.). Mudanças e Padrões das Relações Público-Privado: Seguros e Planos de Saúde no Brasil. e a Alcina Saldanha da Gama. São Paulo: UNIMED. 2000. May. C ó d i g o de Ética Médica – Resolução CFM n o 1 . o rg. São Paulo: UNIMED. M I N T Z B E RG. São Paulo: Confederação Nacional das Co o p e ra t i va s Médicas. BRASIL. G. 2000. 157160. 2 4 6 / 8 8 . Novembro de 1999 <http://www. 1996. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública. L. 76. In: Cooperativismo e Economia Social ( J. Estatuto Social da UNIMED do Brasil. Po rto Alegre: WS Editor. Mintzberg on Ma n a g e m e n t . 27a Convenção Nacional UNIMED. L. 53. Ca d e rnos de Cu l t u ra Co o p e ra t i va. In: Compêndio de Cooperativismo UNIMED (N. Buenos Aires: Intercoop Editora. pela cuidadosa revisão do texto.. 12 de Julho de 2000 <http://www.) UNIMED.). pp.. 1992. 1994. 28 de julho de 2000. MENDES. Revista UNIMED. org.br/rede_2htm>. IRION.972/97-5). Planos de Benefícios no Brasil. B. Nossa Re d e . S. V. 1998. A gestão dos serviços públicos de saúde: Características e exigências.