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Glauco Silva

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Nobres Homens
Pelas ruas e estradas Sob chuva e sol Frio e calor Invisíveis ao ronco de motores E demais trabalhadores Passam humildemente E garantem seu ganha pão Recolhendo... Catando... Reciclando!

Arlequim contemporâneo
Quem se aproxima? É o palhaço! Figura intrigante Tens um olhar distante Verde como oliva E triste como um pássaro engaiolado Carrega no peito uma dor sem fim Repleto de dissabores Viveu (e perdeu) vários amores Ó palhaço, o espetáculo continua Não perdes o rebolado Há gente por todos os lados Veja! Teu público conquistado ri adoidado Ó palhaço! Desata esse nó... Desfaz este laço... Para que sejas de fato Alegre palhaço

Desabafo poético 682
Depois de tantas tentativas e recomeços Este é mais um A experiência acumulada me permite ser mais forte Confiante... Em contrapartida sinto-me cansado de tantas feridas Provações, privações e frustrações Até quando agüentarei?

A despedida
Quando eu partir Lembre-se de nossas brigas bobas O quão palhaço eu fui Os meus malucos sonhos Meu sorriso ao te ver Minha desafinação ao cantar Nós dois na cama Nossas viagens Os obstáculos que conseguimos vencer Ou lembre-se apenas que te amei Com meus erros e acertos Mas com todo meu coração Quando eu partir Prometa nunca esquecer-se de mim.

O preço que se paga
Palavras se transformam Em tapas, socos e cortes A carne não sangra Mas o coração sente É preciso seguir em frente Mesmo que lentamente E contra a corrente Oh, afastem-se serpentes! O guerreiro quer passar Quer tomar frente Ele tem esperança Força e fé E ergue a cabeça Agüenta firme E segue o rumo De mais uma vitória Glória!

Refém
Não aguento mais Abrir e fechar os olhos estando no mesmo lugar Essa maldita rádio me irrita profundamente O cão de guarda está lá fora Só queria que ele sumisse Talvez eu tivesse uma chance Ouço crianças correndo, gritando... Ainda há vida nos arredores Como queria ser uma delas E sinto o fétido cheiro do cômodo Enquanto essas cordas arranham minha pele Sufoco! Já perdi a conta dos dias sem banho E minha barba cresce... O cão de guarda está vindo... O que será desta vez?

Superando
Vai lá! Ser pensante Garoto errante Homem... Sem identidade Clame por piedade Dividindo espaço com as sombras Em ruas desertas E os garotos de aluguel Nas avenidas de eterno caos Vai lá! Domina teu medo Esta selva de pedra Já não lhe mete medo Domina... Segue adiante!

Nova Estrada - Ato 1 - O fim de uma grande paixão
O corpo ainda estava dormente A cabeça doía Na boca um gosto amargo Por que acordei? Por que estou vivo? Ele perguntava a si mesmo O vazio tomava conta As lágrimas haviam secado Não havia fome Sentia que não restava mais nada para ele Mesmo com o sol brilhando lá fora Entorpeceu-se novamente De que adiantaram suas súplicas? Todo seu desespero? No peito apenas uma dor que parecia não ter fim O que seria adiante? Ele não sabia... Ele desejava não saber

Nova Estrada - Ato 2 - O Recomeço
Cansou-se da cama, da tv, do sofá Fez a barba, arrumou-se... Tentava ver o lado bom de estar "livre" Viveu dias intensos de sexo casual Tudo para esquecer aquela imensa dor Mas nenhum corpo, nenhum toque Era bom o suficiente para esquecer de tudo Por vezes se entregou ao álcool E se arrependia, com tamanha ressaca no dia seguinte Continuava confuso, sem rumo... Mas ele já conseguia sorrir com os amigos novamente E prometia a si mesmo Nunca mais apaixonar-se por ninguém

Nova Estrada - Ato 3 - Quem diria?
Por que os dois se observavam no espelho? Por que sorriam e brincavam feito crianças? Por que havia aquela mistura de perfumes e secreções? E não havia mais desânimo, revolta ou dor? Corações batendo mais forte... Era apenas um, e agora são dois? Dois em um, um lugar comum de dois A cama voltou a ser querida, o sofá tornou-se uma opção A tv abafava o som e vez ou outra se amavam no chão E não era apenas a letra de uma música de um cantor popular Eram dois corpos se desejando em todos os sentidos E o que veio adiante? O que se seguiu depois? Não pergunte à mim, não pergunte à ele São tantas histórias dentro de uma história principal E esta, continua... Dia dia!

"Post sensationes"
Ficou acariciando meu corpo Deslizando suas mãos em meu rosto, minha barba Enquanto eu sentia o calor de tua pele E o teu olhar que me encantava Foi então que coloquei sua cabeça em meu peito E te abracei... Emudecemos por instantes Brinquei com teu cabelo Sorrimos... Nos beijamos! Mas o tempo havia passado e precisávamos ir Tempo? Por que assim tão depressa? Continuávamos desnudos... Te agarrei novamente Deitei-me sobre você Te abracei beijando sua nuca Mordendo levemente teu pescoço Nossos corpos queriam mais... Quanto tempo ainda? Nenhum! Colocamos nossas roupas novamente Beijos e abraços calorosos E uma despedida com a esperança De muitos replays.

Memórias de uma vida à dois
Volta e meia me deparo com fotos tuas Paro, olho, viajo no tempo Parece que ainda estamos em todos os lugares Nossos retratos de felicidade Espalham-se pelas cidades que conhecemos juntos Ainda ouço tua risada Vejo teu sorriso Ainda sinto teu perfume Lembro-me da tua voz E todas as lições que me ensinaste Tento ser forte Mas as lágrimas teimam em vir Por que erramos tanto? Por que nos machucamos tanto? O tempo passou Mas a dor ainda persiste E será preciso quanto tempo mais para acalmá-la? Já que é impossível Esquecer um grande amor