You are on page 1of 14

1 FORMAÇÃO DO SENSO CRÍTICO NOS ALUNOS UM DESAFIO PEDAGÓGICO

LUCIO MAURO PIRES Monika Christina Portella RESUMO O presente artigo vem levantar uma discussão pouco valorizada no mundo capitalista atual, a importância de formar um senso critico a partir da escola, como requisito insubstituível, para o avanço de uma sociedade mais ativa e menos passiva do ponto de vista politico e social. A apresentação deste tema seguiu a sua metodologia a partir de uma análise critica dos meios que influenciaram a formação de uma cultura acrítica que acabou permeando a maior parte da sociedade Brasileira nas ultimas décadas. O trabalho examinou livros e artigos, tomando por base pesquisas ligada direta ou indiretamente ao tema. Após, observamos que a escola, apesar da atual crise por que passa, ainda deve ser o melhor lugar para influenciar o modo de pensar. Palavras-chave: Escola e Geografia; Aluno; Educação e Senso critico.

Introdução O presente trabalho teve como ideia inicial debruçar-se sobre quais eram as causas primárias que impediram e ainda impedem o Brasil de avançar no quesito educacional e social. Questões essas que não encontraram respostas simplistas, já que o processo todo possui inúmeros fatores, dentre eles, a alta carga tributária. Segundo o “Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário”, publicado pela Gazeta do Povo em 17/10/2012, a carga tributaria brasileira está entre as 30 mais altas do mundo e é a que menos repassa recursos em serviços para a população. Além desse problema, a corrupção em larga escala é outro grande dilema que trava a boa gestão do dinheiro público, que pela disputa dos interesses da chamada politicagem e não propriamente politica, cria uma grande burocratização, tornando os serviços lentos e ineficientes. A corrupção é um dos maiores entraves á melhor distribuição de renda; essa situação tem sido muitas vezes evidenciada por especialistas no assunto, como o cientista politico Luís Alberto Muniz Bandeira, reconhecido internacionalmente por inúmeras publicações, dentre elas, a que utilizamos como fonte de pesquisa, “Brasil- Estados Unidos no Contexto da Globalização”; obra publicada em 1999 (1).
LUCIO MAURO PIRES, aluno de graduação de Geografia da UTP Monica Christina Portella, Orientadora Doutora e Mestre luciomauropires@yahoo.com.br

Noruega. Estes que se encontram em exclusão social. Dessa forma. E estimulados por essa corrupção aderida de forma natural pela maioria. No entanto. Enquanto de um lado a religião cobra a bondade e o desprendimento dos bens materiais. Enquanto isso o sentimento de corrupção no bojo da sociedade brasileira se torna cada vez mais natural. praticado por professores. após algumas leituras aprofundadas sobre o tema em questão. mergulham facilmente no mundo do crime. como o caso do Japão. quer por terem desenvolvido um sentimento mais nacionalista. como a melhor maneira de interagir na sociedade competitiva do século XXI. a necessidade de formar um senso critico. enraizado na postura da sociedade. na base da sua formação cultural. quer por possuírem um grau de escolaridade muito superior ao do Brasil.br Um estigma cultural da corrupção e da impunidade. algumas nações já alcançaram este grau mínimo de criticidade. excluídos pelo processo natural de mercado. que impedia qualquer perspectiva de mudança: uma ausência de senso critico nas populações.2 monika. para combater os obstáculos que impedem o Brasil de se tornar um país nação propriamente dito. médicos.garcia@utp. incorporado como o ”jeitinho brasileiro”. no seu livro Ler Gramsci. engenheiros. Carlos Nelson Coutinho. como bem afirma o cientista politico e professor da UFRJ. do outro lado o Estado cobra o cumprimento das regras independentemente da classe social que ocupa o individuo. percebeu-se que havia uma série de fatores que estavam ligados a um atavismo principal ou causa primária. reflexo do aumento das ações de criminalidade. Fator sobejamente alcançado . Para nós. notadamente as que sofreram ingerência cultural externa. o artigo inclinou e definiu a sua discussão em torno do fator principal. representados pelos que possuem a renda familiar insuficiente para sobreviverem. sem no mínimo reagirem com violência. a partir da escola. não suportaram acompanhar as classes mais privilegiadas. Fator esse que acaba desestimulando ainda mais aqueles que se encontram em situações de risco social.Entender a realidade (2003). Canadá. embora cruel e desumano. prosperarem com tanta rapidez. profissionais de todas as áreas.

cientista politico. a primeira compreendeu a leitura de resenhas e livros. o qual ajudou a fundamentar nosso trabalho. Tiros em Columbine. tem sido suficiente para sanar qualquer duvida. Quem Manipula Quem. de Ciro Marcondes Filho (1992). foi justamente para entender qual foi de fato o papel que a mesma exerceu. ajudou a construir uma identidade vulnerável. em congressos internacionais. Após a primeira etapa. 1. de Daniel Herz. sob o ponto de vista da cooptação politico social e cultural. por meio de uma exposição minuciosa. a respeito do tema em questão. A análise do livro confirmou suspeitas acerca da sua influência no processo de formação de uma cultura popular que se mantem até os dias de hoje. e foi professor emérito da Universidade de Brasília. em nações desenvolvidas e que nem sempre depende unicamente do grau de escolaridade de uma população. Sabendo-se que a ascensão da emissora coincidiu com o momento dos grandes investimentos na criação de redes de telecomunicação e construções de estádios. a Era da Manipulação de Vilson Bryan (1993). Na sequência seguiu-se um estudo do livro. de Michael Moore. jornalista norte americano. cuja influência de forma direta ou indireta. como. documentário publicado em 2002. que marcaram a história desse país. econômicos e culturais do Brasil. quando a mesma investe massivamente em programação voltada para os esportes. seguiu-se uma releitura dos pontos mais importantes e que chamaram a nossa atenção pela argumentação bem elaborada e consistente. da leitura inicial. reconhecido internacionalmente como um dos geopolíticos mais brilhantes deste século. mas em quais condições se deu essa formação escolar.3 (1) Luís Alberto de Viana Muniz Bandeira é historiador. publicados em 1987 e uma análise do filme. escritor de mais de dezenove obras. O artigo não vai se deter a provar. História Secreta da Rede Globo de Televisão. a participação dessa emissora nos acontecimentos políticos. além de aprofundar nossa visão sobre o paradigma cultural vigente no Brasil. Salientamos que o desejo de estudar o livro. História Secreta da Rede Globo de Televisão. . no contexto histórico. PROCEDIMENTO METODOLOGICOS A construção do trabalho passou por três fases. além de ser um dos conferencistas mais requisitados. por não ser o foco do nosso trabalho. em especial o futebol (informação apresentada no livro).

eram impedir o amadurecimento da critica popular. nas disciplinas de Geografia e História. no ano de 2005. . sem aperfeiçoamento crítico. durante as ultimas décadas do século XX. ou seja.4 Entretanto. cujas reais intenções. que vem destruir a sociedade. o motivo de analisá-lo foi para entender como surge uma ideia e de que forma ela vai se transformando em hábitos coletivos. no Colorado. é muito mal visto. com grande formação de força de reserva e preparação de mão de obra técnica produtivista. levando ainda em consideração nossas experiências em chão de sala de aula. para alguns. presidente da Associação Americana do Rifle. associado a um enfraquecimento da critica popular. questiona a origem dessa cultura bélica e busca respostas visitando pequenas cidades dos Estados Unidos. O SENSO CRITICO COMO NECESSIDADE DO CIDADÃO O senso critico. na Região Metropolitana de Curitiba. Esta experiência deu-se no período dos últimos dois anos (2010-2011) em que lecionamos nas escolas públicas do município de Colombo e Almirante Tamandaré para ensino fundamental e médio. Como a forma de agir e pensar se torna uma cultura. que passa a não ser mais questionada pelas gerações posteriores. onde fica o colégio Columbine. ao invés de aprimorá-la. Facilitando a adesão de novos hábitos na tentativa de copiar um estilo de vida norte americano de consumismo. a crítica foi sufocada de todas as formas. Após estas etapas. 2. Michael Moore. já que o filme retrata uma investigação sobre a fascinação dos americanos pelas armas de fogo. sendo encarado como algo negativo. para consolidar o seu território de mercado. seguiu-se à redação do artigo. Michael Moore também faz uma visita ao ator Charlton Heston. Em muitos momentos da história. onde a maioria dos alunos apresentava grandes problemas ligados ao uso de drogas. onde a maior parte dos moradores guarda uma arma em casa. uma educação voltada unicamente para o mercado. Quanto ao filme Tiros em Columbine. Entre essas cidades está Littleton. diretor e narrador do filme. O nosso trabalho preocupou-se em entender a razão de o Brasil ainda manter uma cultura. associado à desagregação da estrutura familiar. usaremos evidencias da participação desta emissora de comunicação na promoção de entretenimento nocivo. Lá os adolescentes Dylan Klebold e Eric Harris pegaram as armas dos pais e mataram 14 estudantes e um professor no refeitório.

não temos tempo suficiente para o confronto de ideias. temos no Brasil um exemplo disso quando da Ditadura Militar. Sem dúvida. E. mas apenas absorvida. apesar do grande avanço do mundo da internet. favorecendo muito pouco o desenvolvimento do senso crítico. momento em que se buscava dar cabo de quem tivesse um pensamento crítico. O Senso Crítico baseia-se justamente no confronto de ideias. atualmente. É o olhar analítico que desenvolvemos e começamos a utilizar sobre toda informação que chega a nós. racionalmente sem tomar nenhuma delas como verdade absoluta. nem sempre diametralmente opostas. É nesse quesito que. E é daí que vem. senso crítico. pronta. nem processá-las. que não precisa ser digerida. Ele acaba por permear as classes menos . analisando-as. Justamente por apresentar uma suposta realidade pronta. a fim de interpretarmos as imagens e sons enviados. daquelas que voltaram aos bancos escolares e acadêmicos pela imperiosa necessidade do mercado. pelos meios de comunicação e muitas dessas informações que nos chegam não nos permitem tempo para refletir. provavelmente. Este aspecto está muito presente na televisão que nós. nem para analisar outros pontos de vista sobre o mesmo problema. entre outras expressões.5 Para nos remetermos a isso não precisamos voltar muitos anos no tempo. Mas já paramos para refletir sobre o que significa ter ou não ter senso? Qual a diferença entre senso comum e crítico? O senso comum está mais vinculado à população em geral do que o senso crítico. para chegar-se a uma opinião sobre determinado assunto. somos bombardeados por informações a todo instante. aceita sem questionamento. reflexo do mundo intensamente globalizado. senso de humor. Estamos acostumados a ouvir a palavra senso em nosso cotidiano: bom senso. a grande massa da população. a televisão é a ferramenta mais poderosa para criar e manipular os chamados "exércitos de manobras". pois no senso comum existem muitas questões sobre a vida que são simplesmente irrefletidas e que levam à alienação. o ranço brasileiro de considerar a crítica algo ruim. ainda não tem acesso ilimitado e nem tempo necessário para comparar todas as informações da imprensa jornalística. cada vez mais. a grande maioria da população brasileira. Na sociedade atual. refletida. aumenta a necessidade de possibilitar uma condição de construção de senso critico para as atuais sociedades jovens e por que não dizer.

XX. Perguntar a si mesmo se o que temos ao nosso dispor é realmente bom para nós. muito mais do que informá-la. O fato dos eleitores de Ratinho residirem mais na periferia e serem ávidos telespectadores do apresentador Ratinho. O grande trabalho do educador é este: ensinar a pensar. comparado com as classes médias e altas. 26%. Nunca devemos aceitar as coisas sem questionar. do ponto de vista político. p. pois questionar é pensar. muito mais do que fornecer conhecimentos. se é verdade. de origem grega. Enquanto não assumirmos uma posição crítica na sociedade. Fruet. a democracia continuará garantindo apenas a desigualdade. como se ele fosse totalmente errado e promotor de grandes mentiras na sociedade. bem como as da Região Metropolitana que acompanhavam e torciam a favor do candidato Ratinho. formar a inteligência. 27%. como é nos dias atuais. na medida em que ela é . Muitas vezes deixa-se de solucionar problemas de maneira coerente por não parar para refletir e estudar a melhor maneira de resolvê-lo. pai do mesmo. tem por base aquilo que é concreto: a pesquisa. É dar certa autonomia mental. Enquanto no primeiro turno tivemos um percentual de votos com: Ratinho 34%. O Senso Crítico é a oportunidade para mudarmos esta realidade em que poucos governam. Outro aspecto crítico que descartava a vitória de Ratinho é Curitiba não possuir um número muito expressivo de pobres. Já o senso crítico.(2) o que implica uma tendência de decisões voltadas para uma gestão mais conservadora do que propriamente transformadora. Ducci. já era argumentação suficiente para essa conclusão. enquanto que os eleitores de Ducci sinalizarem um perfil socioeconômico mais vantajoso do ponto de vista socioeconômico. defendendo seus próprios interesses e muitos apenas assistem com um ar de permissividade e conformação. Porém não se pode ignorar ou ter préconceitos quanto ao senso comum.6 abastadas. É despertar capacidade de compreender. a análise e a crítica. nós temos um exemplo da importância de se ter senso critico. É preciso perguntar sempre. divergindo do senso comum. os resultados do segundo turno acabaram surpreendendo a população das periferias de Curitiba. era necessária uma dose de senso crítico para perceber isso. a reflexão. A palavra crítica. pergunta. porém. 2008). basta para isso analisarmos as eleições que ocorreram em Curitiba em 2012. se é possível melhorar. A capacidade do homem em desenvolver seu senso crítico é o fundamento da História. significa enquete. Estava claro que a vitória seria do candidato Gustavo Fruet e ainda com grande vantagem como aconteceu. uma vez que se liga com a educação recebida e com a manipulação pelos meios de comunicação. Atualmente. Isso se deve ao fato de que ao utilizar o senso crítico o indivíduo passa a pensar e refletir e com isso aprimora suas capacidades intelectuais. Culturalmente o senso crítico é muito mais aproveitável e bom para o indivíduo do que o senso comum. ao contrário do populismo de Ratinho. e Gustavo Fruet representa bem isso. (Possoli Vesse.

a pensar por si. É fazer “trabalhar com a cabeça" . os nossos discursos e tolhe o diálogo nos imobiliza e isola. não preparando apenas os cidadãos para o mercado de trabalho.como expressivamente diz o povo. a educação nas escolas torna-se a principal fonte de esclarecimento não apenas dos conhecimentos previstos no currículo oficial por meio de cada disciplina. (Negromonte.XX. mas para a vida. como trabalho de conclusão de curso na Universidade Federal de Pernambuco. p. . a escola deve fazer questão de contribuir nessa evolução. É preparar para o discernimento. em um mercado que exige atualização a todo instante. um dos maiores conferencistas e defensores dos direitos humanos. do curso de matemática . Os anos de chumbo da ditadura ajudaram a silenciar nossa consciência crítica. 2010.) Dessa forma. em 1999. É encaminhar o educando a usar a sua inteligência. um local de vivência da cidadania. trecho da fala de Leonardo Boff. A busca incessante pelo conhecimento passou a ser mais que um diferencial na formação dos cidadãos. em palestra em São Paulo. na interpretação de gráficos entre professores em formação inicial). (investigando o senso crítico. em 2008 e 2009. reconhecido internacionalmente.br dados de maio de 2012. valer-se da cabeça que Deus lhe deu. Estar em constante aprendizado passou a ser requisito básico para qualquer pessoa que queira manter um alto nível de empregabilidade e intelectualidade na sociedade. 3. a saber. Dessa forma. pois ela é a própria vida. na sua linguagem viva e pitoresca. “Temos que educar as crianças para o criticismo até mesmo em sua relação com a televisão que tantas vezes as imobilizam e isolam”. FUNDAMENTANDO A NECESSIDADE DO SENSO CRITICO O tema senso critico foi usado em um artigo (3).7 necessária. a televisão que esvazia os nossos (2) Dados dos domicílios de Curitiba.org. fetraconspar. as mentiras e omissões dos políticos se repetem e nos insensibilizam de tão frequentes e impunes. mas também da formação de uma consciência mais critica ou politizada.

foram selecionados alunos da Inglaterra e do Brasil. a sociedade como um todo. Isto fez com que o artigo concluísse que o individuo responderá de acordo com o seu grau de discernimento. Infelizmente. o artigo entra em contradição quando afirma que não encontrou grandes diferenças nas respostas entre os estudantes estrangeiros e brasileiros. não apenas informativo. bem como as experiências pessoais. tendo como base. como os ingleses usaram os conhecimentos previamente adquiridos. solicitando predições futuras. Sendo assim. Quanto menos critico for o individuo ou o grupo social. sobretudo construída. a sua formação crítica ou acrítica. por interesses que não tem intenção de atender às suas reais necessidades. pois o mesmo logo depois informou. sendo dessa forma. haver percebido que os Ingleses responderam com menos pessoalidade. na medida de sua (3) O artigo citado foi realizado por Carlos Eduardo.com. o grupo. Após o recolhimento das respostas. cujas respostas. para poder formular as conclusões com o auxilio dos gráficos. no processo histórico cultural. em procurar tomar decisões e apontar respostas. tomamos essa contradição para defender que esses resultados evidenciam o quão sujeito está o individuo.8 O tema baseou seus estudos na interpretação de gráficos matemáticos. mais fácil será de ser enganado e controlado. . Ora. em seu próprio modo de ver o mundo e de se comunicar com ele. não é possível mais querer ignorar ou querer refutar esse processo social. Para tanto. menos interativo e mais sujeito estará a ser influenciado em suas opiniões. para responderem ao questionário. UFPE_ cefmonteiro@uol. constatou-se que tanto os brasileiros. Quanto mais passivo for o individuo frente ao processo dinâmico social. foram dadas por alunos selecionados para responder a um questionário sobre acidentes de transito. O nosso trabalho ainda defende que os brasileiros responderam com maior pessoalidade por possuírem um grau muito inferior de crítica comparado com os ingleses. O trabalho levou ainda em consideração as realidades sócio educacionais de diferentes populações. não apenas apreendida. O que implica reafirmarmos a necessidade de colocar o senso critico no bojo da educação. pelos alunos de diferentes realidades culturais. mas. O trabalho de conclusão de curso tinha por objetivo avaliar o senso critico e a capacidade de interpretação de gráficos matemáticos.br capacidade intelectiva. mas cognitivo e racional. com base nos dados ofertados.

as leis e até os chamados costumes culturais. da televisão aberta. com o maio nicho empresarial do continente sul americano. ou complementar informações advindas. OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA. filósofo e educador canadense. temos um alto índice de pessoas analfabetas funcionalmente. por exemplo. jornais diários. a televisão ainda continua soberana. em números. temos alguns dados para tentar retratá-lo. Mais que isso. teve um papel decisivo nas ultimas décadas. sobretudo no Brasil.9 Dessa forma podemos afirmar que a inércia histórica brasileira frente à miserabilidade de uns foi feita justamente para garantir o privilégio de outros. na nossa sociedade. Sua audiência. Não podemos esquecer que num país como o Brasil. Ainda que seja polêmica a definição de analfabetismo. como por exemplo. e que só serão eliminados com a capacidade de o individuo questionar o conhecimento. as formas. a humanidade caminha para a consolidação de um mundo digital e. na era atual. UM OBSTACULO Á FORMAÇÃO DO SENSO CRITICO. Isto foi previsto por Mc Luhan. onde grande parte da população sequer tem poder aquisitivo para adquirir uma diversidade de informações. Um dos mais importantes componentes da mídia de massa é sem dúvida a televisão. abordam a qualidade de sua programação e as características de escolaridade e poder aquisitivo de seus receptores. Os novos estudos que surgem. assinatura de TV a cabo. como um dos meios de comunicação de maior impacto na atualidade. como surgimento da internet. “O Mapeamento da TV Aberta” realizada pela Agencia Nacional de Cinema em 2010. os sentimentos. Além disso. porém. que viveu na década de1970 e foi um grande critico e defensor dos direitos humanos. Mesmo diante de um quadro tecnológico e informacional inédito. indiscutivelmente. o Brasil vive ainda o paradoxo em que. As mudanças no modo de ver a vida e o mundo por parte das gerações de telespectadores foi influenciada pela televisão que. abordam o papel da televisão diante das novas tecnologias de informação e de comunicação. . Maior país da América Latina. imposto pela Globalização. 4. enfim veículos que podem contrapor-se a. encontramos um solo fértil de proliferação de programas que tendem à alienação. internet. A televisão aberta é ainda o meio de comunicação de massa que mais atrai públicos. é incontestável. tais como a compra de revistas.

4) Uso do Taquistoscópio. A inserção das mensagens subliminares requer diferentes técnicas. para completar esta análise. Sem esses quatro anos para fixar as letras. É um ciclo vicioso que não tem fim e é necessário para sustentar a máquina da indústria de consumo. A persuasão é silenciosa e sutil quando percebida pelo campo do inconsciente e o indivíduo não se dá conta de que está registrando em sua mente idéias que influenciarão seus pensamentos. muitas vezes. do livro A Era da Manipulação.99% permanecem adormecidos no inconsciente. a contrapor-se à formação do senso critico. 2) Inclusão de imagens estilizadas. projetor de imagens em alta velocidade. p. Através da análise da autora é possível concluir com grande evidencia que a televisão serve a mais uma intenção puramente de mercado e lucro. 1996). problemas estes estruturados no inconsciente pela própria indústria da mídia. de forma que direcione por caminhos inimagináveis. 1996). que ainda representa a televisão aberta. Estas nunca serão atendidas. Segundo o autor. 3) Duplo sentido. considera-se oficialmente alfabetizado quem sabe escrever um bilhete simples. A idéia da realidade objetiva é muito útil para estabelecer verdades absolutas e argumentos de vendas imbatíveis na conquista de fiéis e ávidos consumidores. senão a maioria. sócio. Consumo logo existe. Uma grande parcela da população. XX. O consumo passa a ser uma válvula de escape para a solução de todas as questões existenciais do indivíduo. 5) Posicionamento da luz e som em frequências subliminares e inconscientes. A Era da Manipulação aborda o uso de mensagens subliminares 3) pelos meios de comunicação. conforme os objetivos e o meio de comunicação a ser utilizado: 1) Inversão de figura e plano de fundo. incompletas e propensas a consumirem mais para sanarem suas carências e necessidades. do que de prestação de serviços para a população. transcrevemos um trecho de uma resenha. (Vieira. R. da Universidade de Florianópolis. submetendo os indivíduos ao adestramento ideológico conveniente à mantenedura do modelo econômico. S Vieira. hábitos e costumes de maneira determinante e. O cérebro capta tudo o que é percebido pelos sentidos do homem.45. a pessoa esqueceria o que aprendeu. p. político e cultural estabelecido. feita por uma formanda de jornalismo. além de discursos públicos. existem estudos indicando que um indivíduo que não freqüentou pelo menos por quatro anos uma escola pode ser considerado um analfabeto de fato. a respeito do entrave midiático. Do total absorvido 0. é o que afirma Gilberto Dimenstein. revistas. para influenciar pessoas e construir um conjunto de valores e crenças que sustente hábitos de consumo de produtos e serviços. calculase que 41% dos brasileiros seriam analfabetos” (Dimenstein. empresas e sistemas de governo. sobretudo o impulso ao consumo.10 No Brasil. de Wilson Bryan Key. A manipulação da mídia através das mensagens subliminares condicionam as pessoas a se sentirem inferiores. porém. Sendo assim. jornais. em janeiro de 2012. tem gastado vários anos de . mensagens são embutidas em anúncios de TV. jornalista e escritor da folha de São Paulo “dentro desse critério. A indústria da mídia aproveita-se da lógica aristotélica e sua visão polarizada da vida para construir e controlar o imaginário da população. através de técnicas invisíveis à percepção consciente.1% vai para o consciente e 99. de conteúdo erótico ou violento. produtos culturais . mas sim eternamente estimuladas.para estimular áreas do comportamento humano. segundo IBGE (2010). equilíbrio da luz e som de fundo no campo perceptivo. conteúdos escolares. rádio.

a necessidade de formar um senso critico nos alunos e de implantar um projeto político pedagógico que trata-se mais da discussão sobre o enfoque “critica” e como fazer isso. A ausência de um projeto concreto politico pedagógico. os questionamentos por parte dos adolescentes tem se tornados frequentes na maioria das escolas. Se ainda não bastasse. Regina Magalhães de Souza. devido à tecnologia que há fora das escolas. a começar pela sua abordagem escolar. um especialista em marketing americano. ela enfrenta atualmente muitas limitações. sobretudo e com grande ênfase na rede pública de ensino. O DESAFIO DE UM NOVO CONTEXTO Apesar de a Geografia possuir um leque amplo de estudos. No tempo em que trabalhamos nas escolas. despejado” não significa aprendizado absorvido. 5. já que o conteúdo “ (3) Mensagens subliminares são aquelas que os sentidos humanos não conseguem perceber de forma consciente. Sem falar dos aparelhos de jogos e dezenas de outras formas quer externas ou virtuais. sites e serviços utilizados da internet. Além disso. “estudar algo que não terá finalidade útil e . O termo foi inventado por James Vicary. em seu artigo. de acordo com Celso dos S de Vasconcellos. como o Japão. assim. o que impossibilita a aplicação da prática aliada à teoria. como já o fazem países desenvolvidos. no ano de 1957. Existem meios de comunicação que com sua influência negativa. Assim sendo. Suécia e Noruega. ESCOLA E GEOGRAFIA. desestimulam o gastar tempo com os estudos. sentimos uma grande lacuna que não era discutida por professores e pedagogos. em seu artigo “A Crise da escola pública: o aprender a aprender” (1996). como bem afirma com propriedade. que atenda à atual crise da educação. “Os desafios da indisciplina em sala de aula e na escola” (1997).11 suas vidas formando suas opiniões com base nas programações da televisão aberta brasileira. o que é danoso do ponto de vista politico critíco. sobretudo nas públicas. resultados do grande desinteresse dos alunos. que possibilita um extenso aprendizado. atrapalham ou impedem que os jovens se interessem pelos estudos. a mensagem atinge outra parte do cérebro humano subconsciente. as escolas atualmente estão enfrentando a maior crise de todos os tempos. usados com frequência absurda pelos adolescentes que gastam tempo excessivo nas redes de chat. a educação pública no Brasil ainda não possui condições de aplicar o ensino aprendizagem em tempo integral.

O professor lida sim com a esperança. mas tinham a perspectiva de uma recompensa mais tarde. uma missão utópica dentro desse contexto social. (Séries iniciais. isto faz parte da essência do seu próprio trabalho. de sermos chamados de 'jurássicos'. Estamos vivendo a queda do mito da ascensão social pela escola. Salários baixos. a Geografia é uma das áreas de estudo da ciência que se apresenta com melhores condições de auxiliar nesse processo educacional de forma crítica nas escolas.12 prática nas nossas vidas. com a utopia. Acreditamos profundamente no professor. os alunos das décadas anteriores não viam sentido no que estavam fazendo. As respostas “dadas por décadas. para esses professores. ao afirmarmos isto. porém desempregadas e que nunca atuaram em suas áreas ou ainda muito mal remuneradas. mais que um desafio. hoje ele pode ter um papel revolucionário (ainda que correndo o risco. Exemplo claro que isso é verdade incontentável. “O discurso do coordenador Uma Perspectiva Histórico – Cultural (1997)”. por possuir um amplo campo de estudo e o professor possui papel .1997) Apesar desse panorama educacional. Isto. isso é perda de tempo” essa tem sido as afirmações que pudemos colher ao longo do tempo de convívio com professores e alunos em quase três anos de escola. Sendo assim. que está aí quebrando todas as esperanças. numero excessivo de alunos em sala de aula. criando um verdadeiro martírio nas salas. devido por vezes à defasagem da formação escolar anterior ao inicio na faculdade.” estudar para “ser alguém na vida” chega a provocar risos nos estudantes. p 227. falta de material didático apropriado e a desagregação familiar em especial das famílias que se encontram em situação de risco. tornam a profissão de professor. só isso já é motivo suficiente para provocar um grande estrago na sala de aula e na escola. ante à clara constatação de inúmeras pessoas formadas. fazem com que esses alunos cheguem cada vez mais desinteressados e indisciplinados. à má formação. Outro fator seria considerar que esses acontecimentos. A pergunta “Estudar para Que?” nos parece que nunca esteve tão forte como agora. Segundo Celso dos S Vasconcellos (1999) os alunos continuam não vendo sentido nas práticas de sala de aula e não vislumbram um futuro promissor pela via da escola. tem muitos interesses não explicitados. Esta onda neoliberal. é o fato da absoluta falta de sentido para o que se estuda constada por alguns estudos como o artigo de Monica Garante Gorini Guerra. associados ao momento em que os professores estão submetidos às mais desfavoráveis condições de trabalho dos últimos tempos. de utópicos).

imprensa. as famílias possuem grande responsabilidade por formar as primeiras percepções de mundo nos filhos. dentre elas a de que aqueles que possuem uma boa formação acadêmica docente aliada a um bom senso crítico. Considerações finais A constatação de que a educação enfrenta atualmente. O que significa para nós que a ausência do senso critico ainda é patente na formação escolar do brasileiro. Partindo desta conclusão. além de uma tendência de busca por soluções. auxiliar os que estão habituados a uma postura mais acrítica no contexto em que estão inseridos. entre elas e as destituídas de melhores condições de vida também. confrontá-las com a realidade que conduz uma reavaliação da formação de docentes. Sem sombra de dúvidas. vão se acumulando e forçosamente se põe em conflito com a inércia da própria cultura. mas a escola é o laboratório onde todos se encontrarão. governos. Referencias . críticos. uma quebra de paradigmas está muita clara para nós. reafirmamos a necessidade por parte dos professores e das instituições que formam os profissionais que trabalharam nas escolas. que pelos efeitos naturais. criativos. sociedade. e é aí que começam as primeiras noções práticas do exercício de cidadania. um mediador que poderá sem dúvida. fazer muita diferença na vida de muitos alunos. então não nos resta outro lugar no mundo para acreditarmos numa mudança. do próprio modelo econômico social. discutir hipóteses. solidários capazes de enfrentar desafios. senão na escola. o que também reforça várias conclusões já citadas. à solução do problema do ensino aprendizagem. Com o compromisso de formar indivíduos autônomos. terão por sua vez grande responsabilidades. “Não existe democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico” Pierre Bourdieu.13 importante. Se esse é o primeiro lugar onde nós construímos as bases das relações humanas e contatamos em nossos estudos que essas relações estão fragilizadas pela crise nas instituições. As classes mais privilegiadas.

Vozes Gazeta do povo disponível em: //HTTP www. 2003 Civilização Brasileira. HERZ. Educação matemática cefmonteiro@uol. Pesquisa A crise da escola pública.br. UFPE. COUTINHO.html.ffch. Daniel. 1987. . www. 1999. Relações Brasil-Estados Unidos no Contexto da Globalização. A era da manipulação.com/2010/01/educação-d-sensocrítico.br/média/SAM/Estudos/Mapeamento_TVAberta_Publicação.blogspot. Luiz Alberto Muniz.usp. Senac. BANDEIRA.com. Luiz Alberto Muniz.pdf. RESENDE. Gênero documentário.ancine. BANDEIRA. Acessado em 05/09/2012 KEY. EDUARDO Carlos. acessado no dia 17/10/2012. Acessados em 25/09/2012. A história secreta da rede Globo de comunicação. Telejornalismo no Brasil.gov. Quem Manipula Quem.14 A Grande Guerra em HTTP//a-grande-guerra.1999. Artigo.PDF.br. . Bowling for Colunbine. 1993 Scritta Editorial. . Acessado em 15/09/2012. Tiros em Columbine.gazetadovo. Vilson Bryan. summus. Carlos Nelson.com. Ler Gramsci Entender a Realidade.www. Dirigido por Michael Moore 2002.br/ds/plural/ediçoes/09/artigo_6_ Plural_9. 2000. Acessado no dia 28/09/2012. Guilherme Jorge de. Ortiz. FILHO. filme. Ciro Marcondes. Pesquisa sobre a TV aberta. SENAC. 1987. Relações Brasil-Estados Unidos no Contexto da Globalização.