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Função pulmonar persistentemente reduzida em crianças e adolescentes com asma

Autor(es): Fernanda Luisi, Leonardo Araujo Pinto, Laura Marostica, Marcus Herbert Jones, Renato Tetelbom Stein, Paulo Márcio Pitrez Resumo:

Objetivo: A asma é a doença pulmonar crônica mais comum na infância, caracterizada por inflamação brônquica. Algumas crianças com asma podem apresentar função pulmonar persistentemente reduzida. A prevalência e etiologia dessa anormalidade em crianças com asma em países em desenvolvimento ainda não são conhecidas. O objetivo deste estudo foi estimar a proporção de pacientes com função pulmonar reduzida, sem resposta a tratamento, em um grupo de crianças e adolescentes com asma, e descrever as características fenotípicas da amostra. Métodos: Foram selecionados pacientes ambulatoriais (5-17 anos) diagnosticados com asma persistente através de um questionário padronizado. Esses pacientes foram submetidos a espirometria e teste cutâneo para aeroalérgenos comuns. Definiu-se como função pulmonar persistentemente reduzida apresentar relação VEF1/CVF < 0,80, mesmo após ter recebido tratamento com broncodilatador e corticoide oral por 10 dias. O índice de intensidade de atopia foi utilizado para diferenciar pacientes pouco reatores daqueles multirreatores (ponto de corte: 4 alérgenos). Resultados: Foram incluídos 96 pacientes, com média de idade de 10,6 anos. Desses, 52 (54,1%) eram do sexo masculino, e 89 (92,7%) eram atópicos. Dos 96 pacientes, 8 (8,3%) apresentaram redução da função pulmonar mesmo após o tratamento. Desses pacientes, 8 (100%) eram atópicos, 7 (87,5%) apresentavam asma moderada ou grave, e 7 (87,5%) tinham história de hospitalização por bronquiolite aguda. Conclusões: Crianças e adolescentes com asma moderada a grave podem apresentar função pulmonar reduzida e sem resposta a tratamento. Essa situação clínica é pouco estudada em países em desenvolvimento, e seus fatores de risco e etiologia serão mais bem entendidos somente com estudos de coorte de nascimento.
Abstract:

Objective: Asthma is the most common chronic pulmonary disease, characterized by bronchial inflammation. Some children with asthma have persistent pulmonary function impairment. The prevalence and etiology of this abnormality in children with asthma in developing countries remain unknown. The objective of this study was to estimate the proportion of patients with impaired pulmonary function who were unresponsive to treatment in a group of children and adolescents with asthma, and to describe the phenotypic characteristics of the sample. Methods: Using a standardized questionnaire, we selected outpatients (5-17 years of age) diagnosed with persistent asthma. These patients underwent spirometry and skin prick tests for sensitivity to common aeroallergens.

3%) had impaired pulmonary function even after the treatment.(12) Estudos em adultos com asma demonstraram que alguns pacientes apresentam RVA. Allergy and immunology. devido à complexidade etiológica da doença. caracterizando-se por modificações estruturais que resultam em alterações funcionais irreversíveis. Alergia e imunologia. Respiratory function tests. Of the 96 patients.(1. com perda progressiva da função pulmonar. This clinical situation has been little studied in developing countries. 8 (8. and its risk factors and etiology will be better understood only through birth cohort studies.(2) A atopia é um dos fatores de risco mais importantes na asma. auxiliando no diagnóstico. even after 10 days of treatment with bronchodilators and oral corticosteroids. Among those patients. Results: We included 96 patients with a mean age of 10. relacionados a características genéticas e a fatores ambientais. a detecção de função pulmonar reduzida em crianças com asma pode ter várias causas.1%) were male. cursa com lesão tecidual brônquica.7) Em parte.5%) had moderate or severe asthma. Introdução A asma na criança é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores.7%) were atopic.(1) Muitos fatores estão envolvidos na fisiopatogenia da asma. Of those.Persistent pulmonary function impairment was defined as an FEV1/FVC ratio < 0. and 7 (87. caracterizada por limitação do fluxo aéreo e pela hiperresponsividade brônquica.80.6 years. tratamento e prognóstico.(4-6) O teste de função pulmonar permite avaliar objetivamente o grau de obstrução brônquica na asma. Conclusions: Children and adolescents with moderate or severe asthma can present with impaired pulmonary function and be unresponsive to treatment. mesmo com tratamento medicamentoso adequado. diferentes fenótipos têm sido identificados. incluindo os aspectos de reversibilidade e de variabilidade. We used the atopic index to differentiate between patients with little or no response to the skin prick test and those with a strong response (cut-off point: 4 allergens). (13.(8-11) Essa última. O caráter multifatorial e complexo dessa doença torna mais difícil o seu entendimento em diferentes populações. inclusive com elevada prevalência em populações de países em desenvolvimento. congênita ou estrutural (com perda de função pulmonar irreversível).14) Estudos recentes em crianças demonstraram que o RVA parece . denominada remodelamento da via aérea (RVA).5%) had a history of hospitalization for acute bronchiolitis. 7 (87. Keywords: Asthma. Palavras-Chave: Asma. de caráter mais grave. 52 (54. estando o RVA muitas vezes associado a atopia. estando particularmente mais associado a fenótipos com sintomas persistentes e de maior gravidade. 8 (100%) were atopic.(3) No entanto. Essa anormalidade pode ter origem transitória (com característica reversível). and 89 (92. tabagismo e asma fatal. Testes de função respiratória.

sintomas noturnos > 2 vezes por mês ou VEF1 > 80% do previsto. Todos os pacientes vinham em uso de corticoide inalatório ou de associação de 2-agonista de longa ação por via inalatória. com escassas evidências sobre sua etiologia e sua evolução. asma moderada: sintomas diurnos diários. demonstraram que aproximadamente 25% das crianças com asma leve a moderada em idade escolar nos EUA apresentaram perdas na função pulmonar em um intervalo de 4 anos. prematuridade com idade gestacional inferior a 37 semanas. e diagnóstico médico prévio de asma em algum momento na vida. Esta foi uma amostra βcorticoide e de conveniência. descrevendo características fenotípicas. que parece começar precocemente na vida.(10) Dessa forma. sintomas noturnos frequentes ou VEF1 < 60% do previsto. principalmente em relação à presença ou não de atopia. uso de medicação para asma nos últimos 12 meses. e asma grave: sintomas contínuos. ainda nos primeiros anos de vida. acompanhadas em um ambulatório de pneumologia pediátrica de um hospital terciário. com diagnóstico de asma persistente. uso de broncodilatador de curta ação 4 h antes (ou de broncodilatador de longa ação 12 h antes) do exame. A prevalência de função pulmonar reduzida e sem resposta a tratamento em crianças com asma persistente. Covar et al. incluindo sua associação com atopia. Foram incluídos todos os pacientes que estavam de acordo com os critérios de inclusão/exclusão durante o período de realização do estudo no respectivo ambulatório. sendo pouco compreendida. que estavam em acompanhamento médico em um ambulatório de pneumologia pediátrica. seguindo os critérios do Global Initiative for Asthma. (9. o objetivo do presente estudo foi descrever a proporção de pacientes com função pulmonar reduzida e sem resposta a tratamento em uma amostra de crianças e adolescentes com asma persistente no Brasil. sintomas noturnos > 1 vez por semana ou VEF1 de 60-80% do previsto. assim como suas características clínicas.11) Além disso. Os pacientes eram classificados rotineiramente de acordo com a gravidade na primeira consulta no ambulatório. Foram excluídos os pacientes com os seguintes critérios: asma intermitente. Assim. o paciente teve que apresentar os seguintes critérios: história de sibilância ou tosse recorrente nos últimos 12 meses. independentemente do tratamento com corticoide inalatório. infecção aguda das vias aéreas nos últimos 15 dias. uso de corticoide oral nas últimas 2 semanas. A asma persistente e sua gravidade foram definidas a partir de informações sobre sintomas e dos resultados de função pulmonar.(15) a partir do item com perfil mais grave: asma leve: sintomas diurnos > 1 vez por semana (mas < 1 vez por dia). exacerbação de asma ou rinite alérgica nos últimos 15 dias. não são conhecidas em populações latino-americanas. é ainda um grande desafio clínico. Métodos Foram recrutados pacientes com idade entre 5 e 17 anos. doenças . a função pulmonar reduzida e de característica persistente em asma.ocorrer precocemente na evolução da asma. Todos os pacientes foram classificados na primeira consulta (antes do início do tratamento profilático para asma) em relação à gravidade da asma. associação de outras doenças pulmonares crônicas. Para o diagnóstico de asma.

Brasil).(17) Os exames foram realizados com teste broncodilatador (400 µg de salbutamol spray. .(18) Os pacientes que persistiram com distúrbio ventilatório obstrutivo (relação VEF1/CVF < 0. Louisville. no qual uma subamostra realizou um estudo prospectivo longitudinal (coorte).(6) Após a realização da avaliação clínica de rotina. farinae. CO. foi utilizado um kit para teste de puntura (FDA Allergenic. os pacientes eram submetidos à avaliação antropométrica (peso corporal e estatura). mix de barata. na primeira espirometria (E1). Reino Unido). Os pais ou responsáveis foram entrevistados por pesquisadores previamente treinados. realizaram um ciclo de tratamento medicamentoso com corticoide oral (prednisona. 4 vezes ao dia) por 10 dias consecutivos. O questionário padronizado do estudo ISAAC foi previamente validado para sua aplicação no Brasil e utilizado pelo nosso grupo de pesquisa em um estudo anterior. O presente estudo foi transversal. Kent.(16) que identificou dados de história atual e pregressa dos pacientes e os possíveis fatores de risco conhecidos por induzir ou impedir o desenvolvimento de asma ou alergia. os pacientes foram submetidos ao teste de espirometria com um espirômetro da marca Koko (Ferraris Respiratory.cardíacas ou neurológicas. mesmo após o tratamento com broncodilatador e antiinflamatório. Logo após. Rio de Janeiro. os pacientes retornaram ao ambulatório e repetiram o teste de espirometria (E2) para avaliar se a função pulmonar atingiu índices de normalidade (relação VEF1/CVF ≥ 0. 2βassociado ao uso de broncodilatador jatos. O diagnóstico de função pulmonar reduzida sem resposta a tratamento foi considerado naqueles casos nos quais houve ausência de retorno a valores normais da espirometria. realizando uma inspiração profunda seguida de uma expiração máxima forçada. O grupo de alérgenos testados foram Dermatophagoides pteronyssinus. EUA) ou Super Spiro (Micro Medical Ltd.80). imunodeficiências e incapacidade para realizar o exame adequadamente. Os critérios de seleção das provas foram três curvas aceitáveis e reprodutíveis. Foi estipulado o máximo de oito tentativas para a realização do teste. Os medicamentos são prescritos e fornecidos pelos postos de saúde do município. D.80). As manobras expiratórias forçadas foram realizadas após uma breve demonstração e treinamento. 2 mg kg−1 dia−1. Os valores percentuais previstos para as variáveis de VEF1. Ao término do tratamento. após o teste broncodilatador. dose máxima de 40 mg/dia) 2-agonista inalatório (salbutamol spray. com espaçador). sem a utilização de clipe nasal. A adesão ao tratamento foi questionada antes da realização da E2.. selecionando realmente pacientes com um maior risco de doença obstrutiva brônquica. respondendo a um questionário do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC). CVF e FEF25-75% foram normalizados e estabelecidos de acordo com os valores obtidos através das equações preditivas de referência descritas por Stanojevic et al.80 foi determinado nesse nível para a faixa etária para que fosse reduzida a probabilidade de falso-positivos. utilizando-se uma balança com régua acoplada. Blomia tropicalis.(18) Os dados corrigidos por essas equações consideram as características da população para definir valores limites adequados de normalidade. segundo os critérios estabelecidos pela American Thoracic Society. O valor de corte para normalidade da relação VEF1/CVF ≥ 0. Para a realização do teste cutâneo. Aguardava-se 15 min e repetia-se o exame.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. foram utilizados médias e desvios-padrão para as variáveis quantitativas e porcentagens para as variáveis qualitativas. Os testes foram realizados durante o período da tarde (das 13:30 às 16:00). respeitando um espaço de 2. Chicago. Para a descrição dos dados.0-2.mix de fungos do ar. EUA).. pais e coletores.0 (SPSS Inc. versão 16. sendo de aplicação simples. Os reagentes cutâneos foram mantidos em geladeira e prevenidos de contaminação bacteriana. O grupo de pacientes pouco reatores era composto por aqueles sem atopia e pelos pacientes com resposta positiva para até 3 alérgenos (< 4). Os coletores de dados receberam treinamento prévio de acordo com a padronização do estudo ISAAC. epitélio de gato. A antissepsia era feita na pele da face anterior do antebraço esquerdo. o teste t de Student para amostras independentes para comparar a média das variáveis contínuas entre os grupos. Foram analisados os parâmetros de função pulmonar (CVF. relação VEF1/CVF e FEF25-75%) e as variáveis coletadas através do questionário ISAAC. Esse diâmetro foi calculado da seguinte forma: [(comprimento maior + comprimento menor) ÷ 2] − (comprimento do controle negativo). Resultados . VEF1. O índice de intensidade de atopia (IIA)(19) foi definido através da estratificação de dois grupos distintos.5 cm entre cada gota de extrato. epitélio de cachorro.05. o teste t pareado para comparar a média das variáveis contínuas com variação temporal. 10 mg/mL (controle positivo) e diluente (controle negativo). A análise dos dados foi realizada com o programa Statistical Package for the Social Sciences. onde não poderia haver eczema atópico. A presença de atopia foi analisada após a padronização por método quantitativo. e o grupo de pacientes multirreatores era composto pelos pacientes com resposta positiva para 4 ou mais alérgenos (≥ 4). Foram utilizados o teste do qui-quadrado de Pearson para demonstrar as diferenças das variáveis categóricas entre os grupos. baseado no número de respostas positivas aos alérgenos testados. além de histamina. segura e bem aceita pelos pacientes. pólen. O nível de significância adotado foi de p ≤ 0. Os dados foram coletados conforme a padronização do protocolo ISAAC. para evitar contaminação. marcados previamente com o auxílio de uma caneta. eram coletadas as assinaturas no termo de consentimento informado.(16) Foram utilizadas lancetas estéreis e descartáveis para cada uma das oito substâncias (extratos alérgicos e controles negativo e positivo). As lancetas apresentam boa reprodutibilidade e precisão. IL. com uma distância de 5 cm em relação ao pulso e de 3 cm para a fossa antecubital.(16) Todos os pais ou responsáveis receberam os devidos esclarecimentos acerca dos procedimentos a serem realizados e. havendo interesse e concordância para a participação no estudo. e ANOVA para comparar as diferenças entre três grupos independentes. (16) Uma reação foi considerada positiva se o diâmetro da pápula fosse maior ou igual a 3 mm.

e 14 (14. sendo que 8 (8. demonstrando evidência de função pulmonar reduzida sem resposta a tratamento. . com relação à classificação de gravidade da doença. Na análise dos índices de função pulmonar entre os grupos.0 ± 2. respectivamente). havendo. A história de hospitalização por bronquiolite viral aguda (BVA) e prematuridade não foram associados à gravidade da doença. Comparando apenas os valores basais (antes da prova broncodilatadora) desses pacientes entre os exames iniciais (E1) e após ciclo de corticoide (E2). Não foram encontradas correlações significativas entre hospitalização por BVA ou de história materna de asma com função pulmonar reduzida na amostra estudada.1%) eram do sexo masculino. 92.3%) não apresentaram normalização dos valores de referência mesmo 2-agonista) por 10βapós o ciclo de tratamento (corticoide oral associado a dias. predomínio de casos moderados e graves (87. A idade média desse subgrupo foi de 12. 27 pacientes (28. Dentre os 96 indivíduos que participaram do estudo.0% na amostra total). Desses.2%) apresentavam asma persistente moderada.0%) e de atopia (100% vs. nesse subgrupo (n = 8). As características descritivas dos pacientes incluídos no estudo e classificados pela gravidade estão apresentadas na Tabela 1. Os valores de função pulmonar dos pacientes com alteração da função pulmonar não reversível são apresentados na Tabela 2.Foram selecionadas 96 pacientes com asma persistente. comparando-se as espirometrias basais.003 e p = 0.1 anos. 92. 52 (54. com média de idade de 10. sendo a maioria atópica (89/96. O pequeno número de pacientes com perda persistente da função pulmonar limita a análise estatística desses resultados.5% vs. de história de hospitalização por BVA (87. observaram-se diferenças significativas entre os pacientes com asma moderada e grave. 55 (57. Conforme a classificação de gravidade.5%) apresentavam asma persistente grave.0%). para os parâmetros de VEF1 e CVF (p = 0. 66. 72. não foram identificadas diferenças significativas na comparação dos índices de função pulmonar.6 ± 2.6 anos.1%) apresentavam asma persistente leve.005.7%). 34 (35%) apresentaram déficit de função pulmonar na E1.5% vs. Não foram identificadas diferenças significativas na comparação dos outros índices de função pulmonar entre os grupos (Tabela 1).

e 59 (61. Não foram identificadas diferenças significativas na comparação entre os demais índices de função pulmonar (Tabela 3). Discussão . Em relação ao IIA.Com relação ao teste cutâneo. houve predomínio de respostas positivas aos ácaros da poeira doméstica (> 80%).5%) que pertenciam ao grupo dos multirreatores. sendo D.5%) que pertenciam ao grupo dos pouco reatores (composto pelos não atópicos e pelos pacientes com resposta positiva < 4).032). pteronyssinus o mais frequente (85. A frequência de respostas positivas para cada alérgeno testado é apresentada na Figura 1. foram identificadas 37 indivíduos (38.4%). em relação ao IIA. (composto pelos pacientes com resposta positiva ≥ 4). apresentou uma diferença significativa entre os grupos dos pouco reatores e multirreatores apenas para a relação VEF1/CVF (p = 0. A análise dos parâmetros de função pulmonar.

(12) Com relação à gravidade da asma. com potencial perda de função pulmonar durante a infância. Considerando que um pequeno grupo de pacientes mais graves com asma parece apresentar uma evolução desfavorável.(27) identificaram que crianças atópicas. Clough et al. e todos eram atópicos. Esse grupo de pacientes. é importante investigar fatores que possam estar associados à gravidade ou que sejam úteis para a identificação precoce desses pacientes. considerando-se que esse resultado pode representar uma real perda de função pulmonar precoce no curso da asma. Por outro lado.(20) O declínio acentuado da função pulmonar pode estar ligado a gravidade da doença e inflamação crônica. É essencial. Outro grupo de autores(25) propôs recentemente que a asma atópica e a não . as características de obstrução são evidentes. quanto história de BVA nos primeiros 2 anos de vida. os pacientes com asma grave apresentaram VEF1 significativamente menor que aqueles com asma moderada.26) Nossa amostra de crianças com asma persistente e função pulmonar reduzida não responsiva a tratamento caracteriza-se por apresentar. não parece desprezível em termos populacionais se nossa amostra for realmente representativa de crianças brasileiras com asma persistente.3%) com asma persistente podem apresentar uma função pulmonar reduzida. Em um estudo que acompanhou pacientes asmáticos.(25. cuja função pulmonar não se caracteriza por estar reduzida ao nascimento. existem evidências que demonstram que alterações estruturais são responsáveis por um grau variável de irreversibilidade nas vias aéreas. de característica não reversível.(22) Além disso. 30 anos após o diagnóstico. Estudos prévios têm demonstrado que crianças com asma de característica atópica apresentam uma característica clínica mais grave. apesar de ser em número absoluto pequeno no presente estudo. e não há tendência de normalização da função pulmonar nesses pacientes. Os casos de sibilância transitória. Essa ausência de significância provavelmente ocorreu pelo pequeno tamanho dessa subamostra incluída na análise. uma condição sugestiva de RVA.5%) apresentavam tanto asma persistente moderada/grave. não foram encontradas evidências diretas que demonstrem que o uso de terapia anti-inflamatória reduza a inflamação ou previna as alterações estruturais das vias aéreas. que coortes de nascimento. corroborando os achados do nosso estudo. história de hospitalização por BVA. contribuindo. sem resposta a tratamento. é importante salientar que a média dos valores de VEF1/CVF na E2 (0. na idade de 78 anos.06) demonstra que. para responder a essa pergunta. sejam realizadas em países em desenvolvimento. com tosse e sibilância apresentavam VEF1 significativamente mais baixo que aquelas não atópicas. observou-se que 16% passaram a apresentar obstrução brônquica irreversível. em um estudo recente. na sua maioria.(24) Uma das limitações do nosso estudo é que nosso delineamento não permite identificar se essa anormalidade da função pulmonar não responsiva a tratamento é adquirida ou congênita.O presente estudo demonstrou que algumas crianças já em idade escolar (8. com perda irreversível de função pulmonar. para o fenômeno de perda de função pulmonar. assim.(21) Quando comparamos os resultados de E1 e E2 (Tabela 2). podemos observar uma variação nos valores de VEF1 e FEF25-75%. estão menos propensos a apresentar doença obstrutiva brônquica persistente.(23) Dessa forma. dentre os 8 pacientes com função pulmonar reduzida sem resposta a tratamento. resultante de alterações na estrutura brônquica. A obstrução persistente e irreversível das vias aéreas em asmáticos parece estar associada à doença mais grave e ter caráter preditor de mortalidade nesses pacientes. pois perpetuam o processo inflamatório e contribuem para a patogênese do remodelamento pulmonar. mesmo que houvesse alguma variação significativa. a diferenciação entre asma moderada e grave mostrou boa correlação com os dados objetivos de função pulmonar. de preferência em estudos multicêntricos. que estão mais associados à função pulmonar reduzida já ao nascimento.68 ± 0. Esse achado apresenta importância clínica relevante. 7 (87. Em relação à análise geral da nossa amostra. Esse resultado reforça a qualidade do estudo. Embora essa classificação sofra a influência de alguns critérios subjetivos. que não foi estatisticamente significativa. Essas características estão mais associadas a fenótipos de sibilância não transitória. validando de certa forma a classificação de gravidade utilizada. atopia e doença mais grave. e que exacerbações frequentes levam a um declínio da função pulmonar.

No presente estudo.692 4. 2008.doi. PMCid:2539417. Thiemann HH.402(6760 Suppl):B12-7.(28) Embora a simples presença de atopia possa não ser a forma mais adequada para reconhecer os pacientes com risco de apresentar perdas mais acentuadas de função pulmonar. Assim.. Skin test reactivity and number of siblings. Burrows B.29) O IIA(19) utiliza o número total de respostas positivas aos diferentes alérgenos e pode oferecer uma melhor idéia do grau de intensidade da resposta a múltiplos alérgenos.00138707 2. Martinez FD. http://dx. Barnes PJ. Esses resultados reforçam a hipótese de que os alérgenos intradomiciliares devem estar envolvidos ou são marcadores de maior gravidade da asma. http://dx. Bousquet J. a detecção precoce de pacientes com perda de função pulmonar e a busca de marcadores clínicos e biológicos.org/10.(25) Para Bottini et al.3%) foi relativamente pequena em comparação com o universo total de asmáticos de nossa amostra. Macaubas C. existem outros métodos quantitativos para a análise de testes cutâneos. existem também diferenças fisiopatológicas e genéticas entre esses dois grupos. et al. The role of allergy in the development of asthma. http://dx.org/10. Barbee RA. Association of asthma with serum IgE levels and skin-test reactivity to allergens. Martinez FD. demonstrou-se que a asma atópica estaria associada a exacerbações mais graves e a um maior número de consultas ou hospitalizações. Hurd SS.doi.1038/35037009 3. Bateman ED. funcionais e epidemiológicas. Porém.doi. N Engl J Med.308(6930):692-5. não atópicos e aqueles com resposta positiva para até 3 alérgenos) e multirreatores (aqueles com resposta positiva para 4 ou mais alérgenos). quando consideramos que a proporção de pacientes com perda persistente de função pulmonar (8.6930. exercendo um papel importante na patogênese da doença. Naquele estudo.(19) Em outro estudo.31(1):143-78. 1989.org/10. Agradecimentos Os autores agradecem à Dra. nossos resultados demonstram que um grupo não desprezível (quase 10% dos casos) de uma amostra de crianças asmáticas em idade escolar no Brasil apresenta perda de função pulmonar não responsiva a tratamento.(30) foram relatadas associações entre esses alérgenos e redução dos parâmetros de VEF1 em crianças entre 6-12 anos. von Mutius E.(26) além de diferenças clínicas e epidemiológicas entre asma atópica e não atópica. Sly PD.(19.org/10.1056/NEJM198902023200502 . http://dx. Concluindo. 1994. Holt PG. Global strategy for asthma management and prevention: GINA executive summary. Priscila S. FitzGerald M.atópica apresentariam diferentes características clínicas. Demonstramos também que o IIA está associado à queda de função pulmonar e que isso pode ser um indicativo de doença mais grave. BMJ. pode ser útil para determinar o grupo de crianças que devem ser testadas para novos alvos terapêuticos que possam modificar a história natural de uma doença com pior prognóstico. dividimos nossa amostra em dois grupos: indivíduos pouco reatores (ou seja.320(5):271-7. Reitmeir P. provavelmente desde cedo na vida.1136/bmj. Observamos que os pacientes multirreatores apresentaram índices de obstrução das vias aéreas significativamente maiores que os pouco reatores. (30) A análise incluindo dados do IIA demonstra a relação entre intensidade da atopia e gravidade da doença.1183/09031936. PMid:8142793. Cline MG. Eur Respir J. A atopia parece estar fortemente associada a anormalidades na função pulmonar e sibilância persistente na adolescência. Esse achado pode estar associado ao RVA e deve ser estudado com maior profundidade em populações de países em desenvolvimento. Halonen M. Nicolai T. Drazen JM. Stumbles PA.308. Nature. 1999. PMid:18166595.doi. Pires. tal como o IIA. Fritzsch C. que participou do recrutamento e da seleção dos pacientes. Referências 1. PMid:2911321. o pequeno número de pacientes com perda persistente (n = 8) dificulta a análise dos fatores associados a esse desfecho. Um grupo de autores(19) demonstrou uma correlação significativa entre o IIA para alérgenos intradomiciliares na infância e persistência de asma na puberdade.

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Laura Marostica Acadêmica.Porto Alegre (RS) Brasil.Porto Alegre (RS) Brasil. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul .Porto Alegre (RS) Brasil. Faculdade de Medicina. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul . Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul . Faculdade de Medicina.PUCRS . Paulo Márcio Pitrez Professor. Faculdade de Medicina.PUCRS . . Leonardo Pinto Professor. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul .Fernanda Luisi Doutoranda.Porto Alegre (RS) Brasil.Porto Alegre (RS) Brasil.PUCRS . Faculdade de Medicina.Porto Alegre (RS) Brasil.PUCRS .PUCRS . Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul . Programa de Pós-Graduação em Pediatria e Saúde da Criança.PUCRS . Renato Tetelborn Stein Professor. Marcus Herbert Jones Professor. Faculdade de Medicina. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul .