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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ. CURSO DE GEOGRAFIA - LICENCIATURA. DISCIPLINA – METODOLIGIA DO ENSINO DA GEOGRAFIA.

ANÁLISE DO LIVRO ESPAÇO GEOGRÁFICO: ENSINO E REPRESENTAÇÃO.
De: Rosângela D. de Almeida e; Elza Y. Passini.

CURITIBA 2010

Trabalho apresentado como requisito a obtenção de nota à disciplina de Metodologia de Ensino no curso de Geografia com habilitação em Licenciatura. CURITIBA 2010 . Drª. PIRES LEANDRO GOMES DA SILVA LUCAS ALEX METODOLOGIA DO ENSINO DA GEOGRAFIA.SIDNEI DA SILVA LUCIO M. Mª Cristina. Orientador(a): Profª. do Núcleo de Ciências Exatas e Tecnológica da Universidade Tuiuti do Paraná.

como instrumento necessário à vida das . necessitam de traços próximos ao real. Para tanto as autoras apresentam três pontos básicos a serem atacados no processo de ensino. Buscando isto. ao longo de seu desenvolvimento psicobiossocial. as autoras se preocupam em desenvolver e apresentar métodos. uma vez que concluem que para as crianças poderem entender a representação espacial. multidisciplinaridade. INTRODUÇÃO A proposta da autora enfatiza a necessidade de trabalhar alguns conceitos da geografia no ensino básico infantil. A partir dos primeiros anos de ensino é que o aluno (a) melhor interage com o meio em que vive. O livro apresenta exemplos em que alunos em sala de aula demonstram sérias dificuldades de compreensão do conceito de localização espacial. analítico ou de totalidade mundo.  A importância do aprendizado espacial no contexto sociocultural da sociedade moderna. mas sempre em condição de múltipla relação. Para que os alunos possam assimilar conceitos relativos à noção de espaço. cuja metodologia nos remete a autores como Straforini.2 1. por meio da interdisciplinaridade. e a questão deste estar localizado ao sul de outro estado e a norte do estado adjacente. seja do método sintético. Piaget entre outros com tendências a uma geografia didática da construção do espaço humano e geográfico. sendo eles:  A construção da noção de espaço pela criança por meio de um processo psicossocial no qual ela elabora conceitos espaciais através de sua ação e interação em seu meio. ou a questão da relação do movimento de translação da terra e a relação do mesmo com as estações climáticas. seja quanto à localização de seu estado. frisando que o espaço não se encontra isolado.

pois esta exige certo domínio de conceitos e de referencias espaciais para deslocamento e ambientação. No entanto. só será possível com o uso de representações formais desse espaço. . Desta forma a concepção da noção de espaço se inicia antes do período de escolarização.  O preparo para esse domínio espacial é. assim como o domínio da língua escrita. que. segundo as autoras. sua percepção e representação. além do desenvolvimento das habilidades artísticas e da educação corporal. e a interação com o meio é o caminho para tal desenvolvimento.3 pessoas. desenvolvido na escola. do raciocínio matemático e do pensamento científico. um referencial bibliográfico. ou ingresso no ensino fundamental. com objetivo de o mesmo ser. É com base nesses pontos que as autoras desenvolvem o livro. 2. O DOMINIO ESPACIAL NO CONTEXTO ESCOLAR As autoras colocam que desde os primeiros meses de vida o ser humano já desenvolve impressões e percepções referentes ao domínio espacial. a ser utilizado na busca inicial sobre o espaço. e mais do que isso. em grande parte. sobretudo para professores de ensino fundamental. para que as pessoas tenham uma visão consciente e crítica de seu espaço social. é na escola que deve ocorrer o aprendizado espacial que possibilite a compreensão das formas pelas quais a sociedade organiza seu espaço.

Ressaltam ainda que o trabalho de orientação. mas em uma relação continua entre essas duas distancias. Para as autoras a geografia é a ciência que analisa a realidade social quanto à sua configuração espacial.4 A preocupação das autoras nesta obra é desenvolver o domínio espacial no sentido geográfico. colocam a representação do espaço por meio dos mapas. Citando alguns autores como Vygotsky. Diante do exposto. como algo que permite aos alunos alcançar uma nova organização de sua atividade pratica e da concepção do espaço. conforme o interesse de produção do momento. sendo a produção e a organização de espaço pela sociedade moderna caracteriza-se pelo processo de trabalho. E para auxiliar nesta compreensão. coloca a questão dos mapas. localização e representação deve partir do espaço próximo para o distante. colocam a necessidade dos alunos desenvolverem estes conhecimentos por todo o ensino fundamental. observação da realidade. sendo o trabalho um ato social que altera os espaços. pois análise só ocorre quando o aluno se reporta ao processo de produção do espaço e consegue fazer o comparativo das informações obtidas com aquelas contidas na configuração espacial do mapa. mas marca seu início. fazendo uma relação com as categorias de análise da geografia Sociedade/Natureza. . não encerra a análise geográfica. pois acreditam que a concepção do espaço e sua organização está sujeita à análise geográfica em qualquer nível. como uma ferramenta de melhor interpretação dos aspectos observados. pois são fundamentais ao entendimento dos conceitos que possibilitam ao aluno realizar a análise geográfica. não de forma centralizada.

desde leigos a cientistas. E citando Yves Lacoste. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA DE MAPAS 3. desde uma simples planta baixa de quarteirão. utilizando etapas metodológicas para uma leitura eficaz. para que se possa ter a dimensão espacial dos fenômenos.5 3. Chamam a atenção para o uso do mapa por diferentes pessoas.2 A leitura de mapas Quanto à leitura de mapas chama a atenção para uma leitura decodificada. iconográficas a mapas mais complexos. sendo o mapa utilizado tanto para a constatação como para comprovação dos seus dados. E essa leitura de mapas deve se dar de forma ampla. e a preocupação da Geografia e outras ciências em representar as informações colhidas de forma sistemática. colocando a Geografia como a ciência que se preocupa com a organização do espaço. desde representações simples. alça a geografia à questão estratégica. sendo vital que as pessoas dominem a leitura de mapas para poderem compreender o seu espaço. pois no cotidiano das pessoas estão presentes tais necessidades. dos povos mais primitivos até a atualidade. 3.1 A importância do mapa As autoras apresentam um histórico do uso de mapas pelas sociedades. que se iniciam com a leitura . a mapas mais complexos. seja em busca de deslocamentos mais racionais ou a compreensão da distribuição e organização dos espaços.

para poder localizar o espaço representado. as diferentes escalas. que com base em Piaget mostra como passos metodológicos de mapear levam à formação de um bom leitor. o estado de São Paulo. sugerindo que os alunos que elaboram mapas tornam-se leitores eficazes. como a que a criança na idade do pensamento concreto precisa agir para conseguir construir conceitos e edificar os conhecimentos. sendo as informações generalizadas.. mas sem perder dados importantes. Sendo que em todos os mapas deve haver clareza dos objetivos. cita Paganelli. etc. indo para a interpretação dos signos relacionados na legenda e a sua distribuição/organização que deve ser analisada. deve se ter em mente essas generalizações e comparar representação com espaço físico real. e o que cada escala permite representar.3 Mapeador X leitor de mapas Neste capítulo são apresentadas teorias de Piaget. Ao ler o mapa. sendo distribuídos em tamanhos iguais pelas páginas. a fim de se estabelecer as relações e interpretações necessárias à compreensão. .. considerar tais eventos. chamando a atenção para a questão da finalidade do mapa. se o objetivo é político.6 do titulo. físico. 3. sendo utilizados para transmitir ao leitor/professor. no entanto representam respectivamente o Brasil. Em seguida são apresentados quatro mapas. o município de São Paulo e o bairro do Jardim América. ficando evidente que o mínimo de técnica se faz necessária para o leitor obter êxito no processo de leitura de mapas. econômico. No entanto. não antes de saber qual é a escala gráfica ou numérica utilizada pelo mapa.

obedecendo a um sistema de projeções. Não necessariamente deve ser seguida a ordem e nem a forma pelo professor. 4. pois sabe raciocinar de forma a estabelecer as relações necessárias para uma leitura eficaz dos mapas. ou seja. partindo do seu espaço de convívio. pois muito se utiliza. ele tem que se familiarizar com a linguagem cartográfica. onde as crianças simplesmente contornam traços de cidades. segundo as autoras é mecanicista e não ajudam os alunos a formarem conceitos.. para esta ação mapas mudos. representando de forma metodológica cada passo do processo de representação.. estabelecendo um sistema de signos ordenados. Neste processo já na redução do espaço a ser representado o aluno passa a perceber a necessidade proporcionalidade para não haver distorções. 5. reduzindo proporcionalmente. A Criança e as Relações Espaciais Parte do aluno Lucas Eduardo que não participou. colorem estados.7 colocam que está idéia tem sido mal empregada. PROPOSTAS DE PROCEDIMENTOS E ATIVIDADES: Neste capítulo são apresentadas formas de atividades que estimulam os alunos a interagirem e conhecerem o espaço individual e social. este tipo de atividade. países etc.. . pois sim deve adaptá-las a cada aluno em sua individualidade. Para que o aluno possa assimilar conceitos deve ele próprio ser o mapeador. nesta construção ou codificação sendo que o aluno que passa por este processo tem facilidade de se tornar decodificador.

uma maneira lúdica de criar um mapa do próprio corpo.1. aplica-se a atividade de exercício da compreensão espacial do seu próprio corpo. 5. 5. . Com a geografia trabalha-se lateralidade. A idéia desta atividade é proporcionar ao público infantil. possibilitando aos alunos uma visão mais objetiva e prática da construção do espaço corporal de uma maneira geográfica. é e sempre será. e a matemática. extremamente. na educação física.1 ALGUMAS SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA AGUÇAR O CONHECIMENTO DO EU NO ESPAÇO GEOGRÁFICO.1. Quando o mapa fica pronto em um papel do tamanho do corpo. seja do “eu” (individual) ou do “nós” (sociedade). Mapear o “eu”.2. 5. importante e/ou necessária e ainda precisará ser ampliada no futuro conforme as necessidades do indivíduo social.8 O estudo do espaço não será visto de forma isolada num único contexto. Banho de papel. A leitura de mapas. formas e linhas retas. e sim em forma de cooperação entre os seres que interagem na modificação deste espaço com produção/troca de conhecimento e relacionamento do “eu” (indivíduo) e o “nós” (social). e de modo a representar as formas e objetos diversos.1. esquema corporal.

3. e iniciará o desenho da planta. sendo acompanhado pelo professor. .1. onde cada equipe irá colocar a maquete no chão (para se ter melhor noção de direção e sentido). Nesta atividade propõe-se ao aluno a construção de uma planta (prospecto da sala) da sala de aula. 5. Planta da sala de aula. 5. o qual os auxilia a identificar posicionamentos de lateralidade e ângulos. A idéia é a construção da maquete da sala de aula ou outro lugar conhecido da criança. Maquete da sala de aula. e com auxílio do professor. como referencial.1.5. preferencialmente. 5. faz de conta que esta tomando banho e vai descrevendo no papel passo a passo. essa atividade possibilita ao aluno identificar. primeiramente. para após iniciarem a confecção da maquete com materiais. seu próprio corpo antes mesmo de mapeá-lo geograficamente. ele em relação aos outros alunos e demais objetos da sala. observará olhando de cima para baixo. primeiro.1.4.9 O aluno recebe uma folha em branco. Nessa atividade o aluno trabalha a inclusão dos espaços e a integração dessa dinâmica. Maquete da escola. antes os alunos percorrem as dependências da sala acompanhados do professor e juntos observarão. e também outros objetos como referência de localidade. recicláveis.

não fogem da proposta de Piaget.2. na qual o aluno aprofundará a observação.10 A construção da maquete da escola se dá pelo mesmo método. seguir esta sequência de pesquisa do eu. . Vai da Parte do corpo da criança para sala de aula. A partir dessas atividades o aluno poderá estar mais preparado para perceber as noções de projeção mental do corpo e de um espaço desconhecido. depois com o auxilio do professor (a) constrói uma maquete da sala. estado. escola. Todas as atividades propostas pela autora. 5. prazerosos do ponto de vista do ensino/aprendizagem. país e mundo. cidade. bairro. proporcionando a criança uma compreensão das partes e do todo. Contudo seguindo um padrão bem acessível do domínio cognitivo da cartografia pela criança. ou seja. lógico não necessariamente. e o entendimento das questões de espacialidade e proporcionalidade. e a importância disso no contexto de globalização. e trabalhase a seqüência desta compreensão. inicia-se um aprofundamento dos espaços partindo do conhecido indo para o desconhecido. podendo seguir a totalidade mundo do Straforinni. Nestas atividades o aluno descreve a sala em uma folha de papel.IDEIA GERAL DESTAS ATIVIDADES. e de Straforini que visam tornar o desenvolvimento da compreensão dos conceitos fundamentais dentro da geografia. quarteirão.

possibilidades de o professor de geografia. para professores que pretendem trabalhar com o ensino fundamental. de conceitos.11 6. Conclusão O trabalho analisado aponta inclusive com apresentação de atividades. O que só vai ocorrer se conseguir desenvolver conceitos na formação de seus alunos. . sobretudo de ensino fundamental. embasamentos científicos e exposição de vivencias. Com apresentação das atividades. Para que eles possam ter uma percepção espacial que os auxilie e propicie uma leitura eficaz e a capacidade de elaboração de mapas. podem e devem ser um facilitador do ensino e representação do espaço geográfico. o livro se mostra de grande valia.