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O RAP VAI À ESCOLA DIÁLOGOS ENTRE O RAP1 NACIONAL E A PEDAGOGIA DE PAULO FREIRE

Jefferson Cavalcanti Lima Bk.jeffersoncavalcanti@gmail.com Resumo Este trabalho propõe um diálogo entre as características críticas e reflexivas do movimento hip hop, mais especificamente do rap e a pedagogia de Paulo Freire, ambos os objetos de pesquisa demonstram aspectos comuns como: a crença na conscientização como forma de emancipação, a necessidade de uma identidade autêntica não fomentada pelos meios de comunicação de massa e a capacidade do indivíduo em rever suas condições enquanto ser histórico. Os objetivos desta pesquisa estão vinculados à necessidade de superação do que Paulo Freire denominou como consciência ingênua, estruturada sob os alicerces de uma população desprovida de autoconhecimento e identidade, assim o rap será observado sob o prisma de alternativa possível para tal transmutação de consciência. Palavras-Chave: Paulo Freire – Educação emancipatória – Cultura Hip Hop. Resumen Este trabajo propone un diálogo entre las características críticas y reflexivas del movimiento hip hop, mas específicamente del rap y de la pedagogia de Paulo Freire, ambos los objetos de pesquisa demostran aspectos comunes como: la creencia en la concienciación como forma de emancipación, la necesidad de una identidad auténtica no fomentada por los medios de comunicación de masas y la capacidad del individuo en rever sus condiciones como ser histórico. Los objetivos de esta pesquisa estan vinculados a la necesidad de superación que Paulo Freire llamó conciencia ingenua, estruturada bajo las fundaciones de una población desprovista de autoconocimiento y identidad, así el rap será observado bajo el prisma de alternativa posible para tal transmutación de conciencia. Palabras Clave: Paulo Freire – Educación emancipatoria – Cultura Hip Hop.

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Abreviatura da expressão Rhythm and poetry (Ritmo e poesia)

I.

DIFERENTES NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA E SUA CRISTALIZAÇÃO O processo de educação tem como finalidade promover aos educandos uma

tomada de consciência, a fim de que o sujeito veja-se incluído no seio da cultura e das especificidades de determinada sociedade, entretanto, este processo não deve ser evidenciado apenas pela absorção passiva dos educandos, mas sim, por uma tomada de decisões individuais e coletivas que possibilitem aos mesmos interagir com a sociedade vigente, seja para mudanças ou para leves manutenções. Paulo Freire faz diferenciações em torno dos processos que permeiam a educação, para o autor a educação enquanto manifestação humana pode fomentar duas perspectivas diferenciadas ao sujeito e à sociedade em geral (ao passo que nenhum homem se constitui de maneira solitária2). Freire argumenta acerca da consciência ingênua e consciência crítica estes dois elementos apresentam-se na teoria do autor como opostos. A consciência ingênua pode ser compreendida como uma consciência mutilada, pautada sob a ótica do conformismo e do ceticismo acerca de mudanças. Algumas características desta consciência são citadas por Freire: “Diz que a realidade é estática e não mutável, tende a aceitar formas gregárias ou massificadoras de comportamento, suas conclusões são apressadas, superficiais”. (FREIRE, p.40. 1979). No que concerne à consciência crítica o sujeito demonstra determinadas características que transcendem o senso comum, ao adquirir esta consciência crítica o indivíduo não mais se deixará enganar pelos meandros da sociedade instrumentalizada e terá consigo a consciência de que a realidade é mutável e seu papel enquanto ser histórico é interagir com estas mudanças. Um elemento presente nesta plataforma de consciência diz respeito ao compromisso com as mudanças e, em relação a este tema Freire escreveu:

O verdadeiro compromisso é a solidariedade, e não a solidariedade com os que negam o compromisso solidário, mas com aqueles que, na situação concreta, se encontram convertidos em “coisas”. (FREIRE, p.19. 1979).

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Paulo Freire utiliza a expressão: O homem não é uma ilha para demonstrar tal situação.

Ao expor a questão dos compromissos, Freire demonstra que o sujeito provido de consciência crítica deverá repassar tais considerações a fim de proporcionar possibilidades de criticidade e emancipação aos prejudicados pelo processo de coisificação da consciência. Assim, Freire apresenta-nos duas situações antagônicas no que concerne a consciência humana. Para o autor esta consciência ingênua incapaz de propiciar ao sujeito este compromisso solidário traz como consequência a desumanização tanto própria quanto das manifestações coletivas, diferentemente da consciência crítica que se dá através da ação/reflexão do sujeito sobre a realidade, o que autor define como práxis. As atividades articuladas por estes sujeitos a fim de modificar sua existência e a de seus semelhantes se faz entendida como manifestação desta consciência crítica, diferentemente, do sujeito com consciência ingênua, o sujeito provido de criticidade traz consigo a responsabilidade e o pertencimento necessário na busca por mudanças. Freire utiliza o termo alienação para descrever as incapacidades ou “defeitos” desta consciência ingênua, e aponta que tais aspectos deste nível de consciência se cristalizam desde a mais tenra infância transpassando pelo período escolar para na maturidade se consolidar em meio ao trabalho alienado. Outro aspecto trabalhado por Freire, que se relaciona a esta pesquisa diz respeito à identidade, segundo o autor, a alienação dá-se de maneira intensa nos sujeitos desprovidos de identidade.

Quando o ser humano pretende imitar a outrem, já não é ele mesmo. Assim também a imitação servil de outras culturas produz uma sociedade alienada ou sociedade objeto. Quanto mais alguém que ser o outro, tanto menos é ele mesmo. (FREIRE, p.35, 1979).

A possibilidade desta construção de identidade foi defendida por Freire quando o mesmo cita em sua obra Educação e Mudança¸ que: “é preciso partir de nossas possibilidades para sermos nós mesmos”. A realidade de cada grupo social apresentase como substancial para a fomentação de identidade e consequentemente de criticidade.

Diversos são os motivos pelos quais a população pobre mostra-se sem esta identidade: as ações promovidas pelos meios de comunicação assim como os estereótipos introduzidos aos pobres, aos negros ou qualquer classe/etnia que não corresponda ao ideário eurocêntrico é devidamente refutado e desmerecido. Para Freire, esta falta de identidade também se cristaliza em meio ao ambiente escolar onde “só se formam indivíduos medíocres, porque não há estímulo para a criação”. (FREIRE, p.38.1979). Todos os conteúdos apresentam-se prontos, inexoráveis, proporcionando aos educandos uma consciência bancária3. Através desta perspectiva “Em nossas escolas se enfatiza muito a consciência ingênua”. Assim apresenta-se a nós um problema: Como fomentar em nossos educandos o estímulo para uma transmutação da consciência?

II. O RAP COMO TRANSFORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA Como fomentar esta criticidade? Esta ultima questão exposta no tópico anterior será o norteador para este tópico, como proporcionar aos educandos a saída deste estado de ingenuidade? Como proporcionar este rompimento de uma maneira adequada? O rap poderia colaborar para a transformação deste quadro? A fim de responder a estes questionamentos, sinto que um retorno à história será devidamente necessário. O movimento hip hop teve sua gênese baseada na influência de músicos jamaicanos e possui raízes na tradição oral africana, entretanto foi nos bairros negros estadunidenses que o mesmo se fortaleceu a ganhou projeção mundial. O hip hop estadunidense foi essencial na consolidação de uma identidade negra, suburbana e em muitos aspectos envolvidas com lutas sociais dos mais diversos gêneros. Inúmeros rappers tiveram sua criação humanitária e política em meio às diversas reuniões e demais intervenções do movimento estadunidense Black Phanter

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O educando passa a receber passivamente os conhecimentos, tornando-se um depósito do educador.

Party4, responsável por propor aos negros a possibilidade de autonomia, formação política e a crença inexorável na liberdade individual e coletiva dos mesmos. Assim, o hip hop enquanto cultura fortaleceu-se com tais ideários políticos para posteriormente ser cooptado em certa medida por gravadoras consideradas mainstream. Entretanto, este processo de cooptação não agiu com o mesmo peso no rap brasileiro, ao menos no período que pode ser colocado como “clássico” por muitos rappers. Tal período pode ser datado do ano de 1992 com o lançamento de diversas coletâneas e demais registros importantes como o disco do grupo Racionais Mc’s intitulado Raio X do Brasil até o ano de 2005 com diversos lançamentos significantes. Há quem negue as mudanças no movimento, entretanto, o discurso dos rappers mostrase mais polido e em certa medida menos político ao passo que diversas associações do rap, outrora inimigo declarado da grande mídia, hoje se mostram de maneira normalizada5. Estes discos do período “clássico” são carregados de conteúdo extremamente politizado, crítico e demonstra aos seus ouvintes a importância do sujeito em meio aos processos de transformação na sociedade. A diversidade de temas é extremamente variada, as citações ricas mostram-se como regra em meio a tais discos, diversos líderes políticos são citados e discutidos em meio ao ideário da cultura hip hop6. Os elementos presentes na cultura hip hop se analisados de maneira ampla podem se relacionar facilmente aos temas sugeridos pelos PCNS, pela LDB e aos temas relacionados à lei 10.639/2003 promulgada a fim de rever o papel das culturas africanas em nossa sociedade. Entretanto, mesmo sendo relevante do ponto de vista técnico/instrucional e ao mesmo tempo sendo provido de diversos elementos subjetivos que cativam os estudantes, porque o mesmo não se encontra em nossa rotina de sala de aula?

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Partido dos Panteras Negros liderado por Huey Newton e outras personalidades que sucederam Malcolm x, possuíam como base política o Socialismo Leninista Trotskista. O próprio Huey Newton encontrou-se inclusive com Mao Tse Tung e Fidel Castro durante o período de militância. 5 Sugere-se aqui a leitura do texto: Da política ao entretenimento tensões entre Hip Hop e mídia . Referência completa do texto encontra-se no final deste artigo. 6 Malcolm X, Zumbi dos Palmares, Martin Luther King, Nelson Mandela, Mumia Abu Jamal dentre outros se encontram presentes nos CDs indicados como referência.

III- POR QUE O RAP NÃO ENTRA NA AULA? Este questionamento se faz evidente- ao passo que o rap, demonstra sua complexidade e riqueza, entretanto, não consegue encontrar espaço como ferramenta pedagógica nas salas de aula. Alguns educadores alegam que a linguagem utilizada nestas músicas é inapropriada ao ambiente escolar, entretanto, faz-se o questionamento: Qual linguajar deveria ser utilizado em meio às comunidades excluídas pelo sistema

político/econômico? Aquela simples, rica em dialetos próprios, carregados de identidade e de sincronia com o dia a dia, ou uma linguagem totalmente descompassada com a realidade de nossos educandos? Os próprios rappers mantém consciência sobre o peso de sua linguagem e advertem que o rap não poderia ter outra linguagem, afinal, trata-se da descrição, da transmissão oral, do cotidiano enfrentado por aquela população esquecida, subjugada pelas estruturas do sistema capitalista. Assim, como poderemos propor uma consciência crítica aos sujeitos que se encontram desapossados de sua própria linguagem? Que precisam esquecer as suas referências pessoais para aprender a se tornar o outro. O rap segundo Souza (2005), “trata da questão da identidade racial e de classe”, consequentemente, apresenta-se como fator primordial para a formulação de uma consciência diferenciada. O fragmento abaixo foi retirado da música Sangue, suor e lágrimas do grupo paulistano Facção Central, nota-se a consciência do grupo em relação ao poder do rap enquanto ferramenta de transformação social.

Sabe que a nossa música revoluciona, traz a autoestima, abre o olho do povo e coloca no alvo os verdadeiros criminosos do Brasil. Interessa e muito a nossa extinção. O nosso silêncio seria muito conveniente. Aí, nós, rappers, estamos honrando a missão, fazendo o papel do tumor maligno. Eles censuram um, vem outro e aperta a mesma tecla. Eles matam um, nasce outro com a mesma ideologia. Sem generalizar, sem julgar, só aconselhando. (Trecho da música: Sangue, Suor e Lágrimas do grupo Facção Central).

A estrofe mencionada acima demonstra o ponto de vista dos próprios rappers acerca da importância deste movimento. É perceptível a consciência crítica ao analisarmos esta pequena estrofe, as temáticas mencionadas a cada rima suspiram todas as inquietações de tais sujeitos que como num despertar de consciência propõe uma revisão de sua situação. Os problemas politico/sociais brasileiro é um dos enfoques deste movimento, as situações empreendidas pelos moradores de áreas afastadas dos grandes centros de consumo são desmistificadas com a realidade “nua e crua”, das letras de rap. Um dos grupos de maior notoriedade no cenário nacional, os Racionais Mc’s, sempre carregaram consigo estas temáticas, e faz se pertinente afirmar que se trata de um dos grupos mais aclamados pela juventude das periferias urbanas brasileiras. Paulo Freire adverte sobre a necessidade de rompermos com a alienação e os demais atributos da consciência ingênua. Como veremos abaixo, o trecho da música Periferia é periferia, em certa medida poderia ser capaz de propor a discussão sobre diversos aspectos a fim de estimular uma mudança comportamental e uma reelaboração da consciência.
O sistema manipula sem ninguém saber, a lavagem cerebral te fez esquecer que andar com as próprias pernas não é difícil, mais fácil se entregar, se omitir. (Trecho da música Periferia é Periferia, Racionais Mc’s).

Freire argumenta que alguém com consciência crítica não se satisfaz com a aparência¸ se relacionarmos esta afirmação faz-se perceptível uma dialogia. Outro elemento dialógico entre esta estrofe e os pressupostos de Freire está relacionado à afirmação do autor no que concerne a consciência crítica baseada em: indagação, investigação, força e choque. (FREIRE, p.41, 1979). A discussão fomentada por estas rimas mostram-se com extremo afinco educacional, pautados em elementos importantes como:
Uma educação que possibilitasse ao homem a discussão corajosa de sua problemática. De sua inserção nesta problemática. Que advertisse dos perigos de seu tempo, para que, consciente deles, ganhasse a força e a coragem de lutar. [...] A uma certa rebeldia, no sentido mais humano da expressão. (FREIRE, p.98, 2009).

O rap possui tais características, as problematizações da vida cotidiana, as dificuldades encontradas pela classe explorada, em detrimento da visão mistificada e maquiada pelo senso comum e pela mídia. O rap mostra-se como um alerta, uma denúncia às estruturas opressoras da sociedade contemporânea. Este caráter “messiânico” do rap apresenta-se na letra É o terror do rapper Piauiense GOG, onde o mesmo atribui aos rappers as seguintes características: “Eu sou mais um parceiro nesse submundo, trazendo a tona notícias não só para alguns segundos”, [...] “Eu sou plebeu até o apogeu, no negro escravo correu sangue meu, meu ancestral sofreu, e o seu?”. [...] “Sou revolucionário, sou nova forma de pensar”
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. Nesta estrofe o autor faz menção sobre o período de escravidão, este aspecto

mostra-se importante enquanto reconhecimento de suas origens e consequentemente como postura radical, ou seja, a busca pelas raízes de suas influências, possibilidades e problematizações. Através destas discussões/reflexões o rap legitima-se enquanto voz da população desprovida de voz.
O hip hop também foi fundamental no resgate da história e cultura dos afrodescendentes de uma forma crítica, uma vez que os currículos escolares segundo os rappers produzem a história da população negra somente a partir do “processo da escravidão”, negando a existência de uma história negra anterior ao processo da escravidão e de um desenvolvimento posterior das Américas. (WELLER, p.218. 2000).

Tanto para Freire quanto para os rappers a consciência na qual os mesmos encontram-se inseridos proporcionará a capacidade de transcender a realidade material imposta pelo sistema vigente.

Mas a mudança da percepção da realidade, que antes era vista como algo imutável, significa para os indivíduos vê-la com realmente é: uma realidade histórico-cultural, humana, criada pelos homens e que pode ser transformada por eles. (FREIRE, p.50, 1979).

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GOG é o nome de Genival Oliveira Gonçalves, rapper piauiense residente na cidade de Brasília, possui em sua carreira, nove trabalhos, amplamente difundidos no movimento hip-hop.

Em sua concepção mais ampla, o rap não deverá ser colocado pelo educador que tenha como objetivo utiliza-lo em sala de aula, apenas como produção intelectual/estética e cultural, mas sim, como práxis, ação pensada relacionada ao material, à realidade. O rap enquanto constituidor de uma identidade deve ser

apreciado, para além das vielas e cortiços e consequentemente pular os muros da escola em sentido oposto a realidade evasiva de nossa educação. O rap deve ir de encontro ao jovem desmotivado das periferias, portadores de uma consciência que não lhes cabe, articuladores passivos de um sistema que se legitima através de sua alienação e letargia.

III. CONCLUSÃO A utilização do rap como ferramenta pedagógica, carrega consigo tanta complexidade e problematizações que certos cuidados mostram-se como essenciais. O professor enquanto colaborador ativo no processo de conscientização deverá fomentar estratégias relacionadas ao conteúdo proposto (no caso o rap), discussões, comparações, elaborações textuais e etc., assim, não promovendo um isolamento entre o conteúdo das músicas e os demais temas a serem tratados. Jornais, livros didáticos, a vivência dos educandos e suas performances são de extrema valia nesta elaboração de estratégias. Consequentemente deste modo, o rap poderá se tornar parte do processo educativo. O problema não é ser favelado, o problema é não ter orgulho, não ser incentivado, não ter estudo. Tudo isso pra favela é negado, a intenção é que o povo seja limitado . (trecho da música sem chance do grupo 509-E)

Referências Bibliográficas BEZERRA, Luciana Rocha, ROCHA, Silvia Pimenta. Da política ao entretenimento tensões entre Hip Hop e Mídia In SOBREIRA, Henrique Garcia (Org.) / Educação, cultura e comunicação nas periferias urbanas – 1. Ed. – Rio de Janeiro: Editora Lamparina, Faperj, 2010. FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009. _____________. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979 Coleção Educação e Comunicação Vol. 1. _____________. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2010.

SOUZA, Ana Lúcia. Os sentidos da prática de lazer da juventude negra In SANTOS Gevanilda, SILVA, Maria Palmira (Org.) Racismo no Brasil: percepções da discriminação e do preconceito racial no século XXI,. – 1. ed. – São Paulo: Editora Perseu Abramo, 2005. WELLER, Wivian. A construção da identidade através do Hip Hop: uma análise comparativa entre rappers negros em São Paulo e rappers turco-alemães em Berlim. In Caderno CRH, n. 32, jan/jun. 2000, p. 213-232. Musicografia 509-E [DEXTER] 2000, ‘Sem chances’. In Provérbios 12. São Paulo: Só Rap (CD). FACÇÃO CENTRAL [autoria discutível] 2003. ‘Sangue, suor e lágrimas’ In: Direto do campo de extermínio. São Paulo: Sky Blue (CD). GOG (2000). ‘É o terror’. In CPI DA Favela. São Paulo: Zâmbia Fonográfica (CD). RACIONAIS MCS [EDY ROCK] 1997. ‘ Periferia é periferia’. In Sobrevivendo no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra Fonográfica (CD).