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3 ESTRATÉGIAS DE ENSINAGEM Léa da Graças Camargos Anastasiou leagc@bigfoot.com Leonir Pessate Alves pessate@brwnet.com.br 3.

1 INTRODUÇÃO No quadro da imprevisibilidade, mudanças e incertezas atuais, deveremos continuar a atuar na sala de aula como se fazia no século passado? Considerando que os alunos, a cada ano, chegam à universidade trazendo novas e diferenciadas experiências em sua história de vida, poderemos estar atuando na “formatação” da aula utilizada desde o descobrimento do Brasil e proposta na Ratio Studiorum, em 1599 ? Como trabalhar as relações, os nexos, a construção de quadros teóricos práticos previstos nos currículos universitários, altamente complexos, superando a forma tradicional de relação entre professor, alunos e conhecimento? Quais as formas, os jeitos necessários? Nossa proposta situa o estudo e análise das estratégias de ensino e de aprendizagem diretamente relacionadas a uma série de determinantes: um Projeto Político Pedagógico Institucional, onde se define uma visão de homem e de profissional que se pretende possibilitar na Educação Superior; a função social da universidade; a visão de ensinar e de apreender; a visão de ciência, conhecimento e saber escolar; a organização curricular em grade ou globalizante, com a utilização de objetivos interdisciplinares (módulos, ações, eixos, problemas, projetos, etc). É nesse contexto que se constrói o trabalho docente; é onde o professor se vê frente a frente com a necessidade e o desafio de organizá-lo e operacionalizá-lo. É também nesse contexto relacional que se inserem as estratégias de ensinagem.

3.2 INICIANDO PELA CONCEITUAÇÃO Uma primeira atenção se volta aos termos habitualmente utilizados para referirem-se aos meios ou processos que o professor utilizará na aula; encontra-se a

. ainda. utilizamos os processos mentais ou as operações do pensamento. e que precisa ser captada e apropriada para sua efetiva compreensão. percepção aguçada. Na metodologia dialética. Por exemplo. através da mobilização. como já discutido.  Técnicas: do grego. Para efeito desse material estaremos adotando o termo estratégias. . possibilitando ao estudante sensações ou estados de espírito carregados de vivência pessoal e de renovação. 1 vivência pessoal. Para efeito dessas reflexões. visando à efetivação da ensinagem. maneira. na metodologia tradicional. que obedece à lógica interna do conteúdo. o docente deve propor ações que desafiem ou possibilitem o desenvolvimento das operações mentais. jeito ou habilidade especial de executar ou fazer algo. Qual o objeto do trabalho docente? Não se trata apenas de um conteúdo. da construção e das sínteses. ou dinâmicas”1 de trabalho em sala de aula. essa se revela insuficiente para dar conta do profissional que a realidade necessita. renovadora e uma capacidade de por em prática uma idéia valendo-se Nos diferentes materiais publicados a respeito dessa temática. hoje. Conforme já dito. parte da mecânica que estuda os movimentos. ou organismo em atividade ou. flexibilizadas pelas necessárias rupturas. Para isso organiza os processos de apreensão de tal maneira que as operações de pensamento sejam despertadas. uma forma que lhe é própria. Portanto. exercitadas. pontuamos aspectos referentes a esses termos:  Estratégias: do grego estrategía e do latim strategiá é a arte de aplicar ou explorar os meios e condições favoráveis e disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos. mas de um processo que envolve um conjunto de pessoas na construção de saberes – seja por adoção ou por contradição. da faculdade de dominar o objeto trabalhado. exige-se por parte de quem a utiliza. relativo a arte. como a arte de aplicar ou explorar os meios e condições favoráveis e disponíveis. respeitante ao movimento e as forças. Pelo citado. Dinâmicas: do grego dinamikós. criatividade. todo conteúdo contém em sua lógica interna. construídas.expressão “técnicas. estratégias. technikós. profunda. verificamos a ênfase na atividade artística. temos encontrando o uso indistinto desses termos: estratégias ou técnicas. A arte material ou o conjunto de processos de uma arte. sendo essas a serem vistas e revistas. usadas como sinônimos. a principal operação exercitada era a memorização. Para essa forma de assimilação.

etc. Todas essas operações participam da efetivação de uma metodologia dialética. portanto. no sentido de estudar. busca de suposições. o conhecimento do aluno pelo professor e seu crescente autoconhecimento é essencial para a escolha e a efetivação da estratégia. respeitando às condições favoráveis para se executar ou fazer algo.. construída através dessas operações citadas. Nesse ponto é que se inserem as estratégias. . registrado no Programa de Aprendizagem correspondente ao módulo. portanto. formas. os objetivos que o norteiam devem estar claros para os sujeitos envolvidos – professores e alunos – e estarem presentes no contrato didático. com o processo de ensinagem. o que justifica a adoção do termo estratégia. o estudante efetiva construções mentais variadas. fase. de evidenciar o pensamento. Por isso. organizar e propor as melhores ferramentas facilitadoras para que os estudantes se apropriem do conhecimento.Nisso.3 AS ESTRATÉGIAS: AONDE CHEGAR COM ELAS. estar e sua dinâmica pessoal. interpretação. e o organismo em atividade. a síntese a ser construída como ponto de chegada. análise e tomadas de decisão e construção de resumos. há que ter clareza de onde se pretende chegar naquele momento. tomando sua síncrese inicial como ponto de partida. A estratégias visam à consecução de objetivos. imaginação. aplicação de fatos e princípios a novas situações. com seu modo de ser . Tomamos por base a listagem das operações de pensamento de RATHS et alii (1977). crítica. através da análise. devendo considerar o movimento e as forças. elaboração e confirmação de hipóteses. observação. modos.Esses objetivos nortearão a reflexão dos caminhos percorridos nas efetivações das ações executadas por alunos e professores. 3. o professor deverá ser um verdadeiro estrategista.. na consecução das estratégias. jeitos. Esses meios ou formas comportam determinadas dinâmicas. selecionar. classificação. curso. Através das estratégias aplicamos ou exploramos meios. planejamento de projetos e pesquisas. Nesse processo de apropriação. obtenção e organização dos dados. que se referem às ações mentais de comparação. Por isso. voltada para o aluno. agir.

o que inclui a organização espacial. Quando o professor é desafiado a atuar numa nova visão. Antoni. . ou palestra. Além da lógica própria. Ainda resta a incerteza quanto aos resultados: na estratégia da aula expositiva se garantem a relação tempo/conteúdo com maior propriedade. procedimentais e ou conceituais. E os próprios alunos esperam do professor a contínua exposição dos assuntos que serão aprendidos. críticas. e tem-se todo o “programa vencido”. docentes universitários. inserções dos alunos. Foi assim que vivenciamos a universidade enquanto alunos.. Esse habitus reforça uma ação de transmissão de conteúdos prontos. pelo número de aulas ou palestras. determinados. dúvidas.de se colocar numa diferenciada ação docente: geralmente essa dificuldade se inicia pela própria compreensão da necessidade de ruptura com o tradicional repasse.. Também ocorre uma modificação na dinâmica da sala de aula. existe um habitus de trabalho com predominância na exposição do conteúdo. com o rompimento da antiga disciplina estabelecida. às vezes incompreensíveis para o professor. Também. se o assunto que discutimos aqui é tão outro!. acabados.Outra referência é a lógica do conteúdo: um conteúdo predominantemente factual exigirá uma estratégia diferente de um procedimental 2.). resultados incertos. respostas incompletas e perguntas inesperadas (às vezes complexas. 2 Sobre conteúdos factuais. ver ZABALA. em aulas expositivas. a atual configuração curricular e a organização disciplinar (em grade) predominantemente conceitual.. pode-se até dividir o número de tópicos a serem repassados. 1999. Porto Alegre: ARTMED. poderá encontrar dificuldades . uma estratégia funcional para a passagem de informação. Lidar com diferentes estratégias não é fácil: entre nós. o momento vivenciado pelos estudantes também é fundamental: estratégias usadas na mobilização comportam elementos novos e diferentes de estratégias de elaboração da síntese do conhecimento.. em relação ao processo de ensino e de aprendizagem.inclusive pessoais . que chega a se questionar: de onde “ele tirou essa questão”. atitudinais..in Como trabalhar conteúdos procedimentais em aula. Caso esse obstáculo seja vencido.. ele ainda se vê diante de novos desafios para atuar de forma diferente: lidar com questionamentos. têm a palestra como a principal forma de trabalho.

UNERJ/USP. Possibilita o aprender a fazer melhor “o ofício”. estabelecidas ao longo da história. de enredamento.4 O CONTEXTO INSTITUCIONAL DAS ESTRATÉGIAS oficinas pedagógicas3 onde a experiência de cada um conta ponto na construção de 3 Oficina pedagógica: estratégia de trabalho que possibilita estudar e trabalhar um tema/problema. visando a superação dos entraves. Por isso. a saída te sido a criação coletiva de momentos de experimentação. imprevisibilidade. mediante a aplicação e processamento de conceitos e conhecimentos previamente adquiridos. no lugar da reversibilidade. Conforme descrito por Morin (2000) e citado anteriormente. vivência. no lugar da ordem. utilizando as oficinas como forma de coletivizar avanços didático-pedagógicos e buscar. solução de problemáticas pendentes. de mudança.fazer aulas. a desordem. a realização de objeto de estudo. no lugar da eternidade. a espontaneidade e a auto-organização. com relatos de experiências feitos pelos colegas sejam socializados e onde dificuldades sejam possíveis saídas. 2000/ 2001 . 3. aliando teoria e prática. . destacamos como uma das um novo fazer pedagógico na sala de aula . onde os docentes do Centro Universitário de Jaraguá do Sul . sob orientação de um especialista. de contradição. no lugar do determinismo. a interpenetração. a irreversibilidade e a evolução. a história. junto a seus pares. Isso altera radicalmente a visão e a expectativa de “causa-efeito”.UNERJ se reuniam em torno de projetos de pesquisa da prática docente. incerteza. a criatividade e o acidente. E aí vem o maior desafio: que as ações se fazem necessárias para lidar com toda essa dinâmica que hoje conhecemos? Para romper com as formas tradicionais memorizativas.Vencer o programa não é garantia de ensino ou de aprendizagem. típica do pensamento cartesiano e tão presente na nossa formação e na nossa forma de agir. A ciência nos apresenta hoje a constatação de uma situação de movimento. O complexo é o que é tecido junto . reflexão sistemática. no lugar da necessidade. história essa que é construída com a ação dos seres humanos num tempo e num espaço histórico. Uma experiência de trabalho em Oficinas com docentes da Educação Superior. a imprevisibilidade. e portanto. pode ser verificada no Relatório do Processo de Profissionalização Continuada. Assistir aulas –como se assiste a um programa de TV e dar aulas como se faz uma palestra não é mais suficiente: estamos buscando modos de – em parceria . no lugar do mecanicismo. Nem de possibilitação do profissional necessário a realidade dinâmica e contraditória.

a visão de homem. e não o inverso como costuma ocorrer. a questão da definição de estratégias evolui rapidamente. análise e utilização de estratégias de trabalho em grupo5. em seu artigo 12. No entanto. Essas vivências têm possibilitado uma visão de credibilidade crescente quanto a capacidade criativa. humanos. organização administrativa em relação aos fins pedagógicos. Nas instituições em que processos de profissionalização já ocorrem como experiências sistemáticas. apresentamos um quadro que pode servir como norteador nas escolhas e acompanhamento dos processos de mudança na sala de aula. Nesse contexto.. etc. . LDB n°. com inúmeros professores universitários e as estratégias aqui citadas. a adoção de novas maneiras de fazer a aula também se torna mais habitual. que possibilita a implementação de estratégias diferenciadas. que os professores demonstram ao acrescentarem seu cunho pessoal sobre uma estratégia descrita de forma sintética. as condições concretas de trabalho também são habitualmente postas em discussão. 4 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. vem sendo trabalhadas com diferentes grupos docentes. 3. responsável e com crescente autonomia. que depois vão se ampliando numérica e qualitativamente. na busca da construção do conhecimento: supera-se o assistir pelo fazer aulas. de verdadeiros estrategistas. pois já estão discutidos vários determinantes: a função de universidade. conhecimento e saber escolar. 9394/96. de objetivos gerais do curso. ainda que num nível de ação individual. há a autonomia docente. mesmo que a instituição ainda não se constitua como impulsionadora desses processos. 5 Temos trabalhado em oficinas pedagógicas dede o ano de 2000. recursos materiais. Temos acompanhado processos onde os professores iniciam a mudança em duplas e ou grupos pequenos. de perfil profissiográfico.5 INTRODUZINDO AS ESTRATÉGIAS Para facilitar a identificação. estabelece ser competência do corpo docente a construção do Projeto Pedagógico e a associação da ação docente aos objetivos e processos nele estabelecidos. ambientais. que norteiam as escolhas de ações em sala de aula. facilitando a superação de uma série de dificuldades em relação às condições físicas. de ciência.Quando o professor participa de um colegiado que construiu coletivamente o Projeto Político Pedagógico4. Isso porque já existe a preocupação com processos onde o aluno atua de forma significativa.

. não elaborada. MOREIRA. papel do professor e aluno. iniciamos pela aula expositiva dialogada que constitui uma superação da aula expositiva tradicional. MASETTO (2003). O aluno chega na sala de aula esperando assistir a exposição do conteúdo pelo professor. caótica etc) para à síntese (que se constitui num resultado das relações realizadas. Esse é um material que tem sido bastante apreciado pelos professores. estatisticamente. não fique desconsiderado. desde de 2000. Numa exposição dialogada ocorre um processo de parceria entre professores e alunos no enfrentamento do conteúdo: haverá um fazer aulas.Para construção desse quadro. momento destacado na metodologia dialética. Ela foi tomada como estratégia inicial do quadro por ser. o processo de construção do conhecimento já se iniciou. a organização curricular. Na utilização das estratégias descritas no quadro. enfim situam as estratégias em seu contexto determinante. SEVERINO (2000). Esse processo se dá pela análise. VEIGA (1991). a ação de ensinagem. torna-se elemento de mobilização para a construção do conhecimento. É preciso cuidar que a elaboração da síntese do conhecimento... que é operacionalizada nas operações mentais sistematizadas nas estratégias. da síncrese (ou visão inicial. Tendo o pensamento mobilizado. MEIRIEU (1998). o professor propõe aos alunos a efetivação de diversas operações mentais. agora organizadas num quadro qualitativamente superior). RATHS (1977). que tem sido apresentado e discutido com os docentes em oficinas pedagógicas. Ou seja.uma vez considerada. sugerimos considerar o princípio dialético da caminhada com o aluno. Na organização do quadro. Reforçamos que o ponto de partida é a prática social do aluno que. VASCONCELLOS (1995). a mais presente na sala de aula na universidade. pois contêm uma síntese de diferentes publicações sobre o assunto. num processo de crescente complexidade do pensamento. (1997). BEHRENS (1999). ao escolher e efetivar uma estratégia. acrescida das análises referentes à metodologia dialética. Ele possibilita a 6 Os autores buscados são: BORDENAVE (2001). utilizamos publicações diversas 6.

as categorias sugeridas por Vasconcellos (1995): quais sejam a significação. habitualmente. a expressão verbal do aluno é desenvolvida diante de todos os colegas. em sua função de estrategista. 3. da aula expositiva dialogada. levando a se exporem as habituais críticas dos outros. Por exemplo. uma estratégia como a Tempestade Cerebral pode ser utilizada para mobilização. é fundamental sua organização. da tempestade cerebral. Com relação aos momentos dialéticos. como sujeito de seu processo de aprendiz atuará ativamente: assim. e já dominamos esse cenário. a problematização. destacamos que uma mesma estratégia pode objetivar perspectivas diferentes. construção do conhecimento e elaboração da síntese do conhecimento. já reelaborada. a contribuição do aluno é feita de forma individual diante de um coletivo. que exigem cuidados e diretividade. a historicidade e a totalidade. Nelas. a criticidade.a continuidade-ruptura. Nessa evolução. uma vez que o aluno construiu no pensamento e pelo pensamento a evolução do objeto de estudo pretendido. da lista de discussão e da solução de problemas.volta à prática social. específicas. na maioria das vezes!). como um objetivo atitudinal a ser desenvolvido. que. condução enfim. Outro ponto que é preciso destacar são as condições de efetivação das estratégias. os . o planejamento compartilhado e mutuamente comprometido com o aluno. Ela pode também servir como diagnóstico no transcorrer da unidade ou como fechamento no momento final de uma aula ou unidade:aí está a arte docente. no início de uma unidade. da construção de mapa conceitual.6 REFLETINDO SOBRE OS GRUPOS EM CLASSE Com relação às estratégias grupais. Elas podem ser vivenciadas também em duplas ou outras formas de organização. como é o caso do estudo de texto.do estudo dirigido. sua preparação cuidadosa. mobilização para o conhecimento. O mesmo não se dá com as demais estratégias. Há estratégias onde. a práxis. nosso habitus docente está muito centrado na aula expositiva (a tradicional. Esse é um aspecto a ser considerado pelo professor. se efetivam interrelacionadamente e representam referências para o processo de análise na construção do conhecimento. A própria forma de o professor receber e acatar a contribuição do aluno. às vezes “tirando água de pedra” é determinante do clima de acolhimento essencial em processos coletivos de construção de conhecimentos.

Isso exige autonomia e maturidade. L. 2003: 65-66). sendo fundamental a interação. mas o desenvolvimento inter e intrapessoal. um tema a ser debatido. conceituada como a “ capacidade dos indivíduos serem competentes na interação com outros seres humanos no contexto grupal em que atuam”. as responsabilidades. um vídeo. as formas de ação. enfim o processo e o produto desejados. o compartilhar. C. incluindo suas emoções. os colegas ou um texto. segundo Osório (2003) a inteligência intrapessoal (autoconhecimento emocional. as normas. devem estar explícitos. devidamente desenvolvidas. auxiliam no desabrochar da inteligência relacional.C. esse outro que estabelece a mediação entre o aluno e o objeto de estudo pode ser o professor. a habilidade de lidar com o outro em sua totalidade. . É preciso auxiliar no desenvolvimento da inteligência relacional.(Osório. in: Psicologia Grupal: uma nova disciplina pra o advento de uma era. que se alteram conforme a estratégia proposta. Inicialmente. algo a ser construído paulatinamente com os alunos universitários. mas porque o objetivo que se tem em determinado momento do programa de aprendizagem solicita uma ação discente que será melhor executada se a estratégia grupal for ativada. é preciso dominar o processo. o estabelecimento de objetivos compartilhados. conhecendo suas etapas e preparando-as. 2003. um caso a ser solucionado. Numa atividade grupal de ensinagem os docentes precisam ter domínio de determinantes dessas estratégias. Além disso. Artmed.. Lembramos que o que caracteriza o grupo não é a junção dos alunos.7 Reforçamos a idéia de que trabalhar num grupo é diferente de fazer parte de um conjunto de pessoas. Porto Alegre. os papéis. necessitando da mediação do outro como facilitador do processo.objetivos. controle emocional e automotivação) e a inteligência inter pessoal (reconhecimento de emoções de outras pessoas e habilidades em relacionamentos interpessoais). o processo objetivado e seu processamento. Pontuamos que as estratégias grupais constituem-se num desafio a ser reconhecido e enfrentado. não se organizam grupos apenas porque assim está proposto no Projeto Político Pedagógico.. o respeito à singularidade. que abarca. uma vez que não vêm com estes atributos do ensino médio. A ação docente será tão ou mais exigida do que numa tradicional 7 Para uma melhor compreensão destes conceitos vide Osório. Sabemos que a aprendizagem é um ato social. compactuados. L. Habilidades de trabalho grupais.

local de ensaio. 70). Etimologicamente. resumir. expondo menos cada aluno. do lidar com o diferente. costuma ocorrer à indicação.aula expositiva ou numa expositiva dialogada. de uma conversa bem sucedida ocorrerá em alguma mudança no pensar. onde o erro não fere e deve ser a referência para a reconstrução e superação de dificuldades. estando os objetivos estabelecidos. sentir ou agir dos envolvidos (Osório. estando claras as etapas. a palavra é composta de dois elementos: con. e até que os alunos se soltem em atividades grupais. no momento da socialização da síntese. da exposição e da contraposição. Trabalhar para além do conteúdo é um desafio. juntos e versar. de acertos e de erros. que auxiliam na construção da autonomia. Inicialmente. Quando ainda ocorre uma inibição no grupo. saberão as formas de encaminhamento do processo. no perceber. lembramos que eles inicialmente estão relacionados ao tipo de estratégia vivenciada. as contribuições de cada participante podem ficar mais restritas às discussões do pequeno grupo. do divergir. enfim habilidades necessárias no desempenho do papel profissional. do sintetizar. da aprendizagem. de colegas que já trazem desenvolvidas habilidades de exposição oral. É preciso também considerar que as formas de organização grupal se alteram de estratégia para estratégia. Cabe ao professor mediar no sentido de que todos possam desenvolver habilidades e atitudes de representatividade lembrando aos alunos que a sala de aula e a universidade é o lugar do treino. Aquela visão do líder autoritário e pleno de poder é hoje questionada: . previsto na estratégia grupal em ação. desenvoltura e liderança. Com relação aos papéis. p. pelo próprio grupo. Conversar com o outro pressupõe a abertura para mudar junto com o outro. Assim. O professor precisa estar atento e disponível. Participar de grupos de estudo permite o desenvolvimento de uma serie de papéis. Em todas elas está presente o desenvolvimento da habilidade de conversar. conversando e acompanhando os processos e os grupos na sala de aula. para o qual o aluno se prepara na universidade. 2003. que corresponde ao processo de autonomia a ser conquistado com e pelo aluno. que quer dizer mudar. os alunos saberão em que direção se encaminhar. do auto conhecimento do aluno.

etc. situando os papéis como articuladores na direção da consecução dos objetivos. esperar a vez de falar. como. pois é o espaço onde as aprendizagens podem ser sistematizadas. as atividades grupais possibilitam ao docente e aos discentes um contínuo crescimento pessoal e global. sob a mediação do professor e dos colegas. eleição ou outro critério como o rodízio. p. Um elemento auxiliar é. produção pretendida. A seguir. podendo-se iniciar com a indicação do professor e depois. relator. além do desempenho de algum papel específico que lhe seja atribuído pelo grupo. de registro dos dados. secretário. Conduzidas dessa forma e devidamente processadas. indicação. respeito às normas estabelecidas. sendo responsáveis inicialmente pelo desempenho pessoal: estudos preliminares. Habitualmente são necessárias contribuições no sentido de coordenar a participação de todos. O clima de trabalho é fundamental: é preciso estabelecer processos de parceria nos grupos. 114). A possibilidade do treino ou exercício dos papéis deve ser norteadora do clima grupal. gerando então os papéis de coordenador. cronometrista. etc. coordenador. Variar o desempenho de papéis auxilia principalmente aos alunos com dificuldades em processos interativos. deixar aos grupos a escolha. controlador de tempo. sua conceituação. negociar. a reflexão de que a sala de aula é o lugar onde o erro não fere. Essas normas incluem cuidados. Dos líderes de hoje e de amanhã será exigida uma peculiar habilidade para conviver com a pluralidade das expectativas humanas e que demonstrem capacidade em administrar conflitos que surjam nas relações interpessoais”. e outros necessários ao funcionamento da estratégia. a indicação ou eleição. Todos os componentes já têm o papel de participante. como a atitude do “conversar” . destacando a identificação da estratégia. visando o crescimento e autonomia crescente de todos. defesas de idéias. o que facilita o desempenho. de exposição dos resultados. as operações de pensamento predominantes. apresentamos as estratégias em quadros. conforme a estratégia em ação. respeito às idéias do outro. 2003. de avaliação do processo. expositor. É importante que a descrição dos papéis esteja clara para todos. (Osório. secretário. paulatinamente. de controle de tempo. ouvir. relator. sorteio. possibilitando uma visão de conjunto de cada uma delas. reiteramos. a descrição da dinâmica .Cada vez há menos espaço para a afirmação de lideranças carismáticas. A definição dos papéis pode ser feita por escolha. sínteses. oriundas do culto à personalidade na era da individualista da qual emergimos.

2003 . Anastasiou LGC. Joinville: Univille.da atividade. acrescida de uma sugestão de acompanhamento e avaliação da mesma e de uma análise complementar. retomando alguns elementos relativos a metodologia dialética de ensinagem. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. orgs. Alves LP.