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A família como sujeito na historiografia didática sobre o contemporâneo e o tempo presente

Itamar Freitas
DED/NPGED/UFS itamarfo@gmail.com

Introdução Colegas da UFAL de Delmiro Gouveia, boa noite! Gostaria de Agradecer o convite da Profa. Sheila Farias (UFAL) e dizer que é sempre um prazer falar sobre ensino de história para professores e futuros professores. Também gostaria de confessar a minha satisfação por conhecer e trabalhar ao lado Prof. Marcos Ricardo de Lima (UFAL) e sob a coordenação do Prof. Gustavo Gomes (UFAL) De imediato, informo que esta comunicação trata sobre “a família no tempo presente” e tem três objetivos: 1. informar sobre o lugar ocupado pela expressão família na historiografia didática; 2. apresentar os sentidos de família veiculados pelos livros didáticos de história, destinados aos anos finais do ensino fundamental; e 3. verificar se e em que medida a família é apresentada como sujeito histórico da experiência do tempo presente. Bem sabemos que a relação entre representações de família e livro didático não é tema inédito, dentro ou fora da história. A literatura dos últimos cinco anos tem apontado a ausência das famílias homoparentais nos materiais escolares, situação que legitima e reforça a heteronormatividade (Viana, Ramires, 2008) e o modelo patriarcal (Lionço, Diniz, 2009). A abordagem que proponho, entretanto, distancia-se um pouco daquilo que costumamos chamar, na pesquisa sobre o livro didático, de “historiografia da falta”. Ela nasceu das minhas atividades de orientação de monografias e dissertações na Universidade Federal de Sergipe nos últimos dois anos. É fruto de um projeto pessoal que prescrevia o aprofundamento de estudos sobre os novos sujeitos da história – negros, índios, gays, mulheres, crianças, entre outros – emergentes com as mudanças na historiografia, a pressão dos movimentos sociais e os desdobramentos da legislação inclusiva dos últimos dez anos, sobretudo. Aqui, centro a busca sobre os sentidos de famílias em seis obras que demonstram algum indício de mudança em relação aos novos atores sociais, principalmente a população GLBT (Cf. Silva, 2013), dentre as coleções distribuídas pelo Programa Nacional do Livro Didático – PNLD entre 2010 e 2012. Em acordo com esses interesses, a fala de hoje está estruturada em quatro partes. Em primeiro lugar, falarei da família como sujeito histórico e da raridade de situações nas quais esta formação social foi considerada um modelo de inteligibilidade da história brasileira. Neste momento, privilegiarei alguns clássicos instituidores de sujeitos históricos, replicados ao longo dos dois séculos da historiografia nacional. Em seguida, sintetizo as principais teses e configurações sobre a família, veiculadas na historiografia dos últimos 20 anos, acompanhando os consensos temporários que apontam um deslocamento da família extensa para a família nuclear e desta à família monoparental.

1848) e do “grande homem” (1874) de Friedrich Nietzsche – o “homem experimentado. Para Marisa Teruya (2000. o sentido de família está imediatamente ligado a laços de sangue ou relações biológicas. “toda a gente da casa” nem sempre é parente em primeiro. p. por outro lado. da crítica (1898) ao sujeito individual pessoal de Carlyle. O individual pessoal foi o primeiro. para o qual só há uma condição de existir: agir e sofrer. toma a decisão de efetuá-la ou que a executa uma ação histórica (Cf. Aróstegui. lançando mão de uma “licença poética”. 1). “uma entidade múltipla e variável” que cria uma ideia. Os dicionários antigos. também nos últimos três anos no Brasil. Rousseau. segundo ou terceiro grau. p. lembremos dos “heróis” (1848) de Thomas Carlyle – Maomé. englobava toda “gente da casa” (Faria. o mais festejado e também o mais criticado sujeito histórico. Dante. responsáveis por tudo que havia de grandioso no século XIX (Carlyle. protagonistas. 1997. privilegiam a ideia de “coabitação” em detrimento desse tipo de relação. p. por outro lado. esse. Além disso.Na terceira parte. Ele afirmou que a influência do indivíduo no “destino da sociedade” é “determinada pela estrutura interna dessa sociedade e pela . Lutero. Vocês devem ter percebido que. numa só frase. à exemplo do indivíduo pessoal de Rüsen (2001). atores. por exemplo. afirma Sheila Faria. 242) e. Somente para rememorar alguns clássicos. ou seja. como faz o historiador com a maioria dos seus objetos. 127) Lembremos. agora. p. Cromwell –. um ser no mundo. podemos antropomorfizar a família. podemos entender família também como um sujeito histórico. Dessa forma. Independentemente das variáveis que constam em nossas mentes e nos dicionários de sinônimos. concluo comentando sobre os descaminhos daquilo que consideramos “historiografia da falta” – a ingênua denúncia da ausência de determinados personagens nos livros didáticos – e informamos acerca da perplexidade dos estudiosos de família – diante das alternativas para revolver impasses advindos da crise da família nuclear – e da incerteza sobre as ações a empreender na escrita da história didática e na apresentação dessa escrita aos adolescentes e adultos que frequentam os cursos da escolarização básica no Brasil. 330-331). o homem superior”. Por fim. já reunimos os mais comentados sujeitos. 200. como Napoleão Bonaparte – encarregado de fazer. sujeito histórico é concebido por especialistas de diferentes campos teórico-metodológicos como “instituição mediadora entre o indivíduo e a sociedade”. 2005. entenderemos a “instituição” família também como um indivíduo que medeia relações entre outros indivíduos: o individual pessoal com o coletivo sociedade e o individual pessoal com o institucional Estado. exponho representações da família contemporânea em livros didáticos que circularam. e considerá-la. se levarmos considerarmos a relação individual-coletivo como um dos mais caros objetos do historiador. sentidos de família e experiências como sujeito histórico. Família. como bem sabemos. distribuídos pelo PNLD. agentes ou personagens da história nos últimos 200 anos. Família como sujeito histórico O que é uma família? No senso comum. julgar e também de narrar a história (Nietzsche. mediante três temas: situação das famílias no espaço da narrativa. patrocinada por Georgi Plekhanov.

A historiografia sobre família Pelos balanços historiográficos de Eni de Mesquita Samara (1989. epistemólogos criticaram a prevalência dos três sujeitos aqui comentados – heróis. que foi aqui a unidade colonizadora (Freyre. menos em termos de “raça” e de “religião” do que em termos econômicos. xix). 15) – entre as quais as relações de produção e o pertencimento a uma determinada classe. não como modelo de inteligibilidade para os quatro séculos requisitados por seu autor. mais que um conceito realizador das estruturas de parentesco no período colonial. Esses tipos reduzidos. os anônimos deram corpo a uma história “vista de baixo”. de experiência de cultura e de organização de família. classe trabalhadora – e instituíram a volta dos indivíduos. sendo somente reprimida com o predomínio da ideia de classe que atingiu o posto de mais requisitado explicador do Brasil. A desgraça do sujeito família – de Freyre – protagonizada pelo sujeito classe – dos marxistas – foi também a sua vitória entre os estudos de família. Não sem razão. aos grandes explicadores – grandes porque abonados pelas obras historiográficas de síntese – podemos citar Francisco Adolpho Varnhagem como o mais renomado representante da historiografia estatal e Nelson Werneck Sodré como um dos que mais elevaram a classe ao lugar de explicador-mor da experiência brasileira. entre os historiadores são seus grandes defensores. pelo menos. tanto nas suas virtudes como nos seus defeitos. é preenchido com o Casa grande & Senzala de Gilberto Freire e o conceito de patriarcalismo. Marisa Tayra Teruya (2000). segundo o autor. a partir dos anos 1980. entrou para a historiografia didática. entretanto. A “família” de Freyre. os estudiosos reconhecem que as pesquisas sobre família no Brasil sempre voltam a Freyre. Limitando-nos. 1995. A classe também tentou desbancar outro sujeito histórico bastante valorizado no século XIX: o Estado.sua relação com outras sociedades” (Plekhanov. O teórico fundamentavase. 192). 1987. mas a fazem sob as “circunstâncias com que se defrontam diretamente. estado. 1966. a bem dizer. O marco inicial da historiografia. 1997). p. permaneceu explicando grande parte do período colonial. para confirmá-lo. revisá-lo ou para o contestar como veremos adiante. Assim mesmo. O pernambucano explicitou essa originalidade no famoso Casa grande & Senzala – que tem como subtítulo a “Formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal”: A formação patriarcal do Brasil explica-se. Na verdade. somente teve um defensor: Gilberto Freyre. apenas. os silenciados da história. E a família em tudo isso? Ora a família. Friedrich Hegel. p. como também as definições que os fundamentaram. evidentemente nos escritos de Karl Marx que elevaram a classe (1852) ao status de sujeito histórico. p. a década de 80 do século passado. entre os filósofos. Mas. legadas e transmitidas pelo passado” (Marx. Com voz. sabemos que a família não foi objeto de preocupações dos historiadores até. repercutiram na historiografia brasileira. e Leopold Von Ranke. o patriarcalismo . Sheila de Castro Faria (1997). consolidada. A mais famosa frase síntese deste pensador alemão anuncia: “os homens fazem sua própria história”. no século XVIII. Na segunda metade do século XX.

fecundidade. ou seja. com o surgimento de outros modelos de inteligibilidade histórica.era uma ideologia. 86-95). As mesmas autoras concluem que. marxismo e da história cultural. o que a caracteriza é o desconhecimento das suas características. Santos. e famílias homoparentais. Na família contemporânea. As famílias são entendidas. famílias adotivas. . p. sobretudo a partir da década de 1960 do século XX. paradoxalmente. 2000. Dizendo de outro modo. Como bem sabemos. famílias monoparentais. um modo de pensar que guiava o comportamento das pessoas. Aquelas que aparecem sob a forma de famílias reconstituídas. Na família nuclear burguesa. a constatação da sua polimorfia. religião. educação. Teruya. que ganhou visibilidade. 2004) – neste caso. E são esses novos sentidos e problemas que conformam a segunda tendência dos estudos sobre história da família no Brasil. número de membros e a inclusão de diferentes sujeitos – escravos. 2004. abandonados ou divorciados e não casados novamente. Eles não se distanciam da grande periodização tripartite partilhada por autores de diferentes áreas do conhecimento: a família extensa. a palavra família permanece em uso. oriundas de viuvez ou divórcio. prole. um casal e a prole são os elementos centrais. construídas por relações afetivas entre pais e prole legalmente adotada. libertos negros e indígenas – e tipos novos e antigos de arranjos conjulgais (Cf. a exemplo do funcionalismo – francês e estadunidense –. sobretudo dos anos imediatamente e posteriores à publicação da obra. a família nuclear e a família monoparental. agora. migração. 2009. como processo ao longo da vida dos seus membros. objetos e questões de pesquisa modificam-se ao sabor dos interesses dos historiadores que são membros de particulares sociedades. ou seja. Como o tempo presente. como também das técnicas de reconstituição de família produzidas pela recente demografia histórica de origem francesa e inglesa. aqui designado como o período que se estende da Segunda Guerra Mundial ao tempo vivido pelo historiador (Noiriel. parentes de várias gerações e diferentes tipos de agregados não consanguíneos sob o mesmo teto e a autoridade de um mandatário. com aspectos relativos ao trabalho. explorada no que diz respeito à nupcialidade. data da edição das obras – é esperado que atribuamos atenção redobrada aos excertos que tratem das famílias contemporâneas. Faria 1997). A família extensa ou pré-moderna inclui os pais. estrutura doméstica. equilíbrio dos sexos e estrutura. formada por solteiros. antes dos anos 1970. sendo comuns os trabalhos sobre genealogias da elite branca. a família era abordada como unidade estática no tempo. Samara. 2004. Outro dado replicado pela maioria dos estudiosos diz respeito aos sentidos de história e as ideias-força que governam a história da família no Brasil. Aróstegui. Os estudiosos passam a se preocupar com as relações entre a família nuclear como um grupo ampliado de parentes. 1989 e 1997. Isso explica o fato de o patriarcalismo ter sido alvo de severas críticas. mas o seu sentido foi completamente modificado. que interferem na sua estrutura. inventada na passagem do século XVIII e XIX. importandose também com idades de casamento. Após os anos 1970. nas quais o pai ou a mãe assume identidade homossexual (Cf. esse quadro se modifica. a partir dos anos 60 do século passado. industrialização e urbanização.

2009). A coleção que mais expressa o termo família apresenta mais que o dobro (36) da que menos o faz (14). que trata dos séculos XX e XXI. História temática (Cabrini. podemos perceber que. encontramos 137 ocorrências. Nova história: conceitos e procedimentos (Dreguer. a conformação básica dos livros didáticos. discussão pormenorizada – um tópico do texto principal. tempo onde ocorreram as mais importantes mudanças na estrutura da família moderna. História em projetos (Oliveira. [Não há. entretanto. a coleta de dados foi empreendida apenas no quarto volume de cada coleção. Sérvia e União Soviética – . concomitantemente. Mota. descontando-se as repetições verificadas em um mesmo tópico ou subcapítulo. no tempo presente. percebemos que o Brasil abriga as maiores situações (61%). A coleção organizada por temas – as demais organizam conteúdos de forma integrada – é a que menos faz referências ao termo. enquanto as demais menções são distribuídas entre diversos países da América – Estados Unidos.Família e historiografia didática para adolescentes Como anunciei na introdução. 2006). nas imagens e nas respectivas legendas. Europa – Alemanha. frequenta os principais elementos constitutivos do livro didático de história. acontecimentos que antecedem à Segunda Guerra Mundial. com destaque para a população GLBT (Cf. 2009). imagem e texto (Rodrigues. a referência ao termo “família” está presente nos textos principais (44%). inicialmente. Nicarágua e México –. 2009). Esses números demonstram que a família. a busca sobre os sentidos de famílias foram concentradas nas obras que mais demonstram indícios inclusão em relação aos novos atores sociais. 2009).] No que diz respeito à quantidade de referências por coleção. nos títulos citados. 2009). Rússia. portanto. Para não desprezar parte das informações contidas nos referidos volumes. Cerca de 85% das referências são escritas e o restante é registrado por imagens. Por isso. Armênia. bem como os mais significativos indícios do seu agir e sofrer no mundo. Santos. Rodrigues. Ao todo. Inglaterra. Família no tempo e no espaço das coleções Considerando. Toleto. Itália. de forma explícita. textos complementares (34%) e nos exercícios (22%) dos volumes dedicados ao tempo presente. e História em documento. Saber e fazer História: história geral e do Brasil (Cotrim. incluímos. um texto complementar ou um exercício – sobre o sujeito família. razão pela qual alteramos o título original do artigo – inserindo a expressão “contemporâneo” – e a classificação temporal – inserindo os períodos “pré-guerras” e “entre-guerras” – que responde às principais questões deste texto: o lugar da família nas narrativas. algumas das quais com referência inscrita. Quanto ao espaço relacionado à referência família. Ferraresi. que apresentam ou revisam acontecimentos do século XIX. Outra característica importante é quanto ao tipo de texto sob o qual é veiculado o termo. 2013): as coleções: História: das cavernas ao terceiro milênio (Braik. Catelli Júnior. Holanda. acreditamos encontrar as maiores possibilidades de problematização da ideia de família. Silva. Montelatto. percebemos algumas grandes disparidades. os sentidos de família e os níveis de protagonismo dos quais as mesmas são investidas. Nessas coleções.

inclusive. ficando o período pós Segunda Guerra (1945) com o maior número de citações (53%). presente na condição de núcleo primordial de organização social. entendida como unidade de organização política e sobrevivência perversa de padrões pré-modernos de família. da família Terra Cambará. p. Palestina e Vietnam. Por fim. 2009. p. em 1912. 42) ou de “classe média”. no Piauí (Rodrigues. al. 19 de família nuclear e apenas 1 de família monoparental. 2009. 19). direta ou indiretamente. o narrador desejou. 39). 2009. 2009. é provável que a mesma explique a generalidade da família nuclear. na Europa e no Brasil. Wissel. p. política e econômica no século XX. considerarmos os contextos nas quais as frases e imagens foram estruturadas – datas tópicas e cronológicas. por outro lado. que apresenta uma “família utilizando computador em residência” (Dreguer e Toledo. os casos explícitos. São os casos da família do Coronel Donnel. no sertão do Piauí. 2009. p. “assistindo a televisão" (Rodrigues. al. inglesa. acompanhada de legenda. A cena retratada sugere uma clássica . 2009. p. p. da elite pernambucana. podemos afirmar que a maior parte das referências (81%) não explicita ou não possibilita uma classificação objetiva. Mas. Os sentidos de família Se considerarmos o sentido literal. Os casos restantes indicam 6 ocorrências de família extensa. 211). 2009. isto é. são “trabalhadoras” como a "Família imigrante japonesa na colônia Registro (SP)" (Oliveira et. mas podem confirmar determinadas regularidades a respeito das situações e dos significados mais recorrentes. 20) e da família de camponeses de Kalemberg – Alemanha. o único tipo explícito de família monoparental. p. Vejamos então os sentidos expressos no conjunto dos excertos inventariados. produzir nas mentes dos seus leitores. p. trata-se de uma imagem. 27). segundo a tipologia tripartite anunciada no início deste texto. Que impressão a fotografia dá sobre a posição econômica e social do coronel? Qual a importância do coronel na vida política da República Velha? (Rodrigues. empregado como exercício: O coronel Donnel e sua família posam para o fotógrafo em frente à sua residência em Parnaguá. Se.África – África do Sul e Senegal – e Ásia – China. Índia. seja por meio da escrita. 205). possivelmente. 19. O tipo mais frequente foi o da família nuclear. Irã. Os recortes temporais. por outro lado. 2009. Israel. no Rio Grande do Sul (Rodrigues. nomes próprios. seguido pelo tempo (1917) anterior à Grande Guerra (24%) e ao tempo (1917-1945) entre guerras (23%). entre outros – poderemos identificar boa parte dos sentidos que. Sabemos que esses números não dizem muito sobre os sentidos de família. Aqui. Grifos do autor). retratada por A. são contemplados de maneira também desigual. em 1939 (Cabrini. O segundo tipo mais numeroso é a família extensa. Como é frequente a abordagem classista. submetida ao recorte de classe. as famílias nucleares são “burguesas”. reunida para a leitura de revistas francesas" (Oliveira et. como a "Família Aquino Fonseca. vejamos em primeiro lugar. seja por meio das imagens. O exemplo da família piauiense é.

. As primeiras são apresentadas indiretamente. 71) – ou do governo Clinton – em 2004 “um quarto das famílias dos Estados Unidos [. 2009. 2009. p. p. p.. “[. São. 2009. é vista como unidade de organização social e econômica para a qual o sujeito em foco representa o futuro homem. 198). fundada em laços de sangue. higiene e transporte de uma família" (Oliveira et. nos exercícios. p. 57). A família de Pierre-Jouseph Proudhon. vejamos agora aqueles exemplos de referência geral à família e o que pudemos interpretar a partir dos contextos nos quais os trechos estão inseridos. raramente são abordadas as mudanças ocorridas na forma desse ente mediador entre o indivíduo pessoal e a sociedade. por exemplo. no Brasil. o número de famílias que tinham um televisor em casa passou de 9.. Nos textos principais e complementares. mas não são informantes sobre as mudanças e permanências nas suas próprias configurações.. De forma geral. A maioria esmagadora dessas menções denota família nuclear. da sociedade e do estado garantir com absoluta prioridade os direitos das crianças e dos adolescentes. seu auxiliar provedor – "Proudhon [. talvez. vestuário. é dever da família. como nestes exemplos: “Hoje. Além dessa mudança interna – embora ainda seja empregado o termo “chefe de família” –.. as famílias simplesmente são – em si mesmas – e raramente estão. a extensão do sentido de família. 225). al. A família também aparece como forma básica de organização social. p. al.. as famílias são instadas a colaborar com os alunos. social e econômica. habitação. 291) – e nas mudanças de hábito das famílias de classe média – "Nas cidades. apresentando. começou a trabalhar numa tipografia para ajudar a família [.] as mulheres trabalhadoras se reuniram para exigirem melhores condições de trabalho e de vida para elas e suas famílias" (Oliveira et. responsável direta pela educação dos filhos. não formarmos uma família de amigos. da mesma forma. 259). no poder do pai e composta por membros de duas gerações – pais e filhos. p. Deixando esses casos explícitos de classificação. por exemplo.” (Cotrim e Rodrigues. 33) – e a menção ao inconformismo manifestado durante o .] podem ser classificadas como pobres e não são atendidas em muitas das suas necessidades básicas [. de laços de sangue para relações de amizade.. são fontes sobre o consumo. mas também deixa entrever sobrevivência da família nuclear.5% em 1960 para 40% em 1970” (Cotrim.....]" (Cabrini et. [deveria] atender às necessidades básicas de alimentação.. al. a mulher em sua condição de mãe. na Rússia pré-revolucionária. um quarto das famílias é chefiado por mulheres” (Cotrim e Rodrigues. al. Três citações ilustram nossas assertivas. p. Essa interpretação também está presente nos textos exploram o caráter inclusivo da Constituição Brasileira de 1988 – "De acordo com a Constituição. Dizendo de outro modo. 2009. flagramos dois tipos de crítica. 2009. 169).] muito cedo.formação contemporânea de família – mãe e dois filhos –. 2009..]" (Oliveira et. ideólogo socialista. as famílias são apresentadas como núcleo de organização política. predominantemente. 2009. estreitamente ligados por um mesmo desejo” (Dreguer e Toledo. Dentro destas rubricas. quando é alvo do planejamento econômico estatal do governo Vargas – o "Salário mínimo. p.. 2009. flagrada no depoimento de Máximo Gorki (1906) – "Não teremos melhor sorte enquanto não nos sentirmos camaradas.

em relação à família nuclear burguesa: Esses jovens consideravam a organização familiar como modelo e base do autoritarismo presente na sociedade. Recusando esse modelo. raça e gentílico. defesa dos direitos humanos. todo mundo tem”. Os homossexuais eram aceitos sem preconceitos. É fácil constatar que este traço corresponde às abordagens recentes sobre a família. ou seja. naturalizada. como também nos exercícios. na maioria das comunidades os casais adotavam o “amor livre”. unidade de produção econômica. A exceção destas últimas citações. podem perceber. por isso mesmo. as crianças eram cuidadas por todos. conheçamos um pouco da variedade apresentada com o nome de família. nas quais podemos classificar as referências à expressão família. p. p. Mas família não é este ser neutro e bondoso. família sofre e age e age nem sempre conforme os princípios democráticos difundidos na vulgata histórica dos livros didáticos – vontade da maioria. e não apenas por seus pais biológicos (Dreguer e Toledo. ou convivia com companheiros que não tinham um trabalho nem efetivo nem regular. família . Esse sentido está impregnado em algumas das expressões populares. deve ser protegida. em vários lugares do mundo. As rubricas minoritárias. é majoritariamente a nuclear. 2009. nos textos principais e complementares. p. As duas primeiras são raríssimas – família de mulher palestina. 76). Como sujeito. cuidavam dos filhos e exerciam várias atividades ao mesmo tempo para prover a própria subsistência e a da família (Maluf e Mott. apud. antes de respondê-las. Isso percebemos quando interrogamos as fontes a respeito das situações de protagonismo nas quais as famílias estão envolvidas. é uma espécie de antropomorfização do nosso objeto – família. Mas. portanto. nos Estados Unidos. alvo do poder do Estado. em 1960. família negra.. família. como apresentamos no segundo tópico deste trabalho. admitiam parceiros sexuais ocasionais. comuns nos livros de história para os anos iniciais do ensino fundamental. respeito à diferença.] a maioria das mulheres vivia relações conjugais consensuais. Em síntese. a crítica explícita à ideologia da família nuclear burguesa é mediada pela preocupação com os novos papeis que a mulher assume a partir da década de 60 do século passado. Família como sujeito histórico O que as famílias fazem? O que as famílias sofrem? Essas condições inserem as famílias na status de sujeitos históricos. tais como: “família é um ser primordial à sobrevivência da sociedade” e “família. 1998. Juntamente com os serviços domésticos realizados da maneira mais dura e tradicional. 108). 2009. da Igreja e do capitalismo.. O segundo tipo de crítica – a crítica mais explícita – evidencia os distanciamentos entre a norma burguesa e as práticas da maioria dos sujeitos concretos no Brasil: Embora o discurso dominante pregasse às mulheres uma norma elaborada pelas elites sobre o papel da esposa e de dona de casa [. 400-2. sem uma presença masculina efetiva no lar.movimento da “Contracultura”. foram as de gênero. por serem consideradas filhas de toda a comunidade. Em geral. família de menina trabalhadora. Dreguer e Toledo. O que fazemos aqui. mecanismo de socialização e que.

Lampião. “alemã”. desaparecidos. Elas são ainda mais evidentes quando situamos uma série de famílias relacionadas a importantes acontecimentos do século XX. John Kaynes. 2013). “africana”. Tomemos agora este quadro como indicador significativo das mais frequentes referências e vejamos. jagunços. “tenente” e “trabalhador” e. abaixo da linha de pobreza. da camada média. obviamente: família de trabalhadores. miseráveis. das regiões menos favorecidas.Família como sujeito histórico na historiografia didática Tempo Sujeito histórico Família de jagunços de Canudos Família de Lampião Família de trabalhador rural do Cariri-CE Família imigrante japonesa Família Matarazzo Família de jagunços do Contestado Família de trabalhador do café Família da mulher trabalhadora Família do “salário mínimo” de Vargas Família de Anne Frank Família alemã Família russa Família de trabalhador da comuna chinesa Família hippie Família consumista estadunidense Família da “Marcha da família” Família de “desaparecidos” Família de classe média Família pobre dos Estados Unidos Família consumista afegã Família de palestino Família de Jean Charles Família de “sem terra” Família do “Bolsa família” Condição Agente/sofredora Agente/sofredora Agente/sofredora Agente Agente Agente/sofredora Agente Sofredora Sofredora Sofredora Sofredora Sofredora Agente Agente Sofredora Agente Sofredora Sofredora Sofredora Sofredora Sofredora Agente Sofredora/Agente Sofredora Pré-guerras Entre-guerras Guerra Fria (ou pós-Segunda Guerra Mundial) Pós-Guerra Fria (ou Pós-queda do socialismo real) Elaborado pelo autor (Freitas. “chinesa”. entre outros. ainda. . da integralista “Marcha da família com Deus pela liberdade”. Isso fica muito claro quando submetemos as menções aos grupos condição social e ou de classe e ocupação profissional. de Anne Frank. migrantes. famintos. “colono”. 1 . quais os graus de protagonismo perceptíveis nas menções às famílias nos livros didáticos de história tomados como amostra. “fazendeiro”. Pelos predicados é fácil identificar as possibilidades de protagonismo. “palestina” e “turca”. a família do “salário mínimo” de Vargas. dos camaradas. prisioneiros. Assim. sem teto. camponeses. hippies. pobre. a família consumista. dos refugiados. encontramos a família do “agricultor”. e do “Bolsa Família” de Lula. entretanto. cangaceiros. como a família Matarazzo e as famílias de Nicolau II. abastada.chefiadas por mulheres. Quadro n. “operário”. dominante. Somoza. rica. Maomé. consideradas em sua posição no tempo da narrativa que põe ênfase no trauma das guerras dos séculos XX e XXI. “camponês”. A maioria dos coletivos. finalmente. como normatiza a língua portuguesa. da classe média. é expressa no masculino. As famílias relacionadas ao povo ou nação de procedência são mais frequentes: famílias “russa”. “soldado”. sem terra.

protagonistas do progresso econômico brasileiro. abalando. ao contrário são apenas agentes. Por fim. Curioso é notar que os ideias de sangue e de honra medievais são. O mesmo pode-se dizer também da família do agricultor da região do Cariri cearense. entre um brasileiro que nada tem a ver com o terrorismo internacional. é claro – pelos hippies em suas comunidades alternativas.A família de jagunços de Canudos. ainda que por um curto período. No período pós Guerra Fria. que produziu Lampião e que também engrossou o coro de descontentes junto ao líder do Juazeiro do Norte. limitado entre o fim da Segunda Guerra e o fim do “socialismo real”. são todas sofredoras. são. As demais. 1. da expropriação capitalista. do estado autoritário de Hitler e de Stalin. fazendo vítimas entre as famílias palestinas e. a dominação oligárquica do norte e do sul do país. O capitalismo também faz surgir a família sem terra. com pleno êxito. vítimas do autoritarismo civil-militar dos anos 70 do século passado. o capitalismo continua fazendo as suas vítimas. A família imigrante japonesa e a família Matarazo. também o capitalismo é o grande responsável pelo sofrimento de famílias. ambas aliciadas pelo consumismo capitalista da época. as famílias da mulher trabalhadora. A primeira modificou as relações de produção no campo e a última introduziu a industrialização no Brasil. Desta vez. recém liberadas da guerrilha de fundo socialista. concomitantemente. mantinham resquícios do escravismo. até. do estado assistencialista. temos apenas um agente. algo também tentado – em escala e planos bem diferentes. a família do trabalhador da comuna chinesa ajuda a construir um novo sistema econômico-político. sobretudo. São famílias fundadas no pátrio poder. a família de classe média. capital internacional (Contestado). Neste caso. e as famílias de classe média dos Estados Unidos nos anos 50 e no Brasil do governo Médici. respectivamente. Jean Charles é o sofredor e a sua família um valoroso agente na defesa dos direitos humanos. Curioso lembrar que as mesmas famílias em ação. o consumo é estimulado entre famílias afegãs. ao tempo em que cria situações de miséria entre as próprias famílias dos Estados Unidos. beneficiada por ações estatais como os programas de reforma agrária e do “Bolsa Família”. a reivindicarem a reforma agrária. do “salário mínimo” de Vargas. Ambas. agentes e sofredores. No tempo seguinte. como apresenta o quadro n. católica da então capital do Brasil – Rio de Janeiro –. que engrossou as fileiras do Padre Cícero e da família “Ferreira do Riacho”. Como não podemos apresentar . No período entre-guerras. alemã e russa. por outro lado. vítimas com a miséria provocada pelo latifúndio (Canudos). de Anne Frank. tolerados diante da opressão sofrida pelas famílias: é um mal menor para erradicar um mal maior. O mesmo tenta. neste período substituídas linguísticamente por um indivíduo muito mais poderoso: o movimento de trabalhadores rurais sem terra. assim como a família de jagunços do Contestado são. ajudando também a modernizar as relações de trabalho que. Mesma sorte não teve a família de presos políticos. quando protesta contra as chamadas “reformas de base” em andamento no governo João Goulart. de certa forma. até então. Aí estão algumas das formulações de família mais recorrentes nos livros didáticos que serviram como amostra para este trabalho. o família do trabalhador do café que iniciaram um modelo de unidade de produção. reagem por armas e engrossam as fileiras de beatos messiânicos. quando apoia disputas religiosas.

. Separação de alguns desses entes. Assim. família é ser primordial. como vimos. lar e nação. também devem ter feições duradouras e facilmente identificáveis. paradoxalmente. servem muito bem as características da família nuclear. baseada em Marx e nos marxistas. proteção do pai. inventadas há mais de 200 anos: pai. famílias. sensibilidade da mãe. isto é. tampouco sociedade. fizemos uma análise de alguns casos exemplares. são sujeitos de sua história. Nesse sentido. Para além dessas regularidades e tomando como base a totalidade das referências à família. posteriormente – na idade adulta. Provavelmente. mãe. nas imagens e nos escritos. os mesmos valores dos quais se servem para classificar os sujeitos individuais pessoais e as classes. quem sabe – combatida qualquer ação que resulte em sofrimento para as famílias. a ideia de homem originada do cristianismo – aparentemente defensores do direito à diferença – inclusas as famílias monoparentais – apresentam-se. são traumáticas. fabricantes de homens e mulheres. causam dor e provocam piedade. que ajudam a expressar e sintetizar a condição de sujeitos históricos das famílias e uma provável resposta à quase ausência das famílias contemporâneas no livro didático de história. são homens e mulheres. Mas são apenas hipóteses. os fundamentos que parecem provir da mesma matriz. qual seja: as ideias de bem e de mal. podemos afirmar que na classificação da ação e o sofrimento das famílias os autores seguem. obviamente. da mesma maneira que não temos condições de comentar todas as famílias expostas neste quadro. oriundas do estado atual dessa pesquisa. Se os indivíduos pessoais tem aparência duradoura. ora se orientam pela noção de dignidade humana que mescla doutrina dos direitos humanos e dos cidadãos e certa piedade cristã. Sem família não há indivíduo. impossibilitam o registro das principais modificações no modelo de família nuclear no tempo presente – que é uma operação bem mais simples.todo o inventário. Ideias estas que ora se fundam na vulgata classista. Além disso. dado que a história do cotidiano e das sensibilidades já é um tópico no livro didático. incompatíveis com a inclusão dos arranjos familiares pós-modernos como sujeitos históricos. A piedade deve ser vivenciada mediante a memória para que seja.

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