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TÉCNICAS PARA CRIAÇÃO DE ARRANJO

A capacidade de arranjar está relacionada com a habilidade de variar. Um bom arranjador deve ter um alto grau de criatividade. Independente da linguagem, seja ela Popular ou Erudita, o aluno de composição deve ser incentivado a criar arranjos, pois o desenvolvimento de estratégias no PLANEJAMENTO E FINALIZAÇÃO DE UM ARRANJO pode ajudá-lo na concretização de obras de maior envergadura. É importante que o aluno seja colocada frente a este problema: adaptar uma certa melodia dada a uma configuração instrumental, vocal ou mista. Sob o ponto de vista educacional e profissionalizante, a capacidade de atuar como arranjador pode proporcionar ao aluno um amplo campo de atividades tais como: arranjo para produção na música popular, criação de trilhas para teatro e cinema entre outros. Compositores renomados como GERSHWIN eBERNSTEIN, entre tantos outros, transitaram nesta interface. O ensino de técnicas de criação de arranjo tem implicações importantes na formação educacional de um jovem compositor. DELAMONT , reitera a idéia do parágrafo anterior, ao mencionar que a atividade de um arranjador necessita de um certo grau de interpretação e capacidade individual de variar. Implica, em muitos casos, em re-criar. Geralmente, o começo é dado através de uma melodia e a harmonização básica da mesma, o processo seguinte é fruto de engenho pessoal. A composição não é o objetivo principal desta aula, todavia procuramos incorporar conceitos e técnicas que podem ser úteis ao compositor. Não se enfatizam as técnicas exclusivas da Música Popular ou Erudita, na realidade há um esforço no sentido de criar interfaces que funcionem como pontes entre as mesmas. Desta forma alunos de diferentes formações e origens poderão ser enriquecidos com este estudo. Para exemplificar a idéia anterior, pode-se notar que na seção DIFERENTES PROCESSOS DE DISTRIBUIÇÃO E CONDUÇÃO DE VOZES, apresentam-se conceitos tradicionais

variar sua técnica. em trechos lentos. Na primeira seção. o resultado é uma textura derivada do amalgama de instrumentos de mesmo timbre. quando o arranjador faz uso de blocos a melodia é suportada pela harmonia sem preocupação na individualidade das vozes que formam o bloco. Nos "spreads". soam como uma "cortina harmônica". Neste caso. a nota do baixo. por exemplo um naipe de saxofones numa Big Band. na realidade há uma sequência gradual e acumulativa de conceitos que culminam com a seção ESCRITA PARA BIG BAND. na voz mais grave do bloco. gera movimentos contrários e oblíquos entre as vozes superiores. dando-lhes autonomia e evitando saltos desnecessários. MELODIA: TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO E VARIAÇÃO. Portanto. como. As seis seções que se seguem estão conectadas entre si. Este exemplo mostra que o arranjador pode produzir um continuum de transformações. gerando um espaço onde poderá transitar entre duas linguagens de forma criativa. Poderá também transformar o tema original através de TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO E VARIAÇÃO melódicas. oblíquo e contrário e o processo de arranjo da música popular denominada de Escrita em Bloco. as seções da aula estão interligados entre si. O segundo tópico aborda a Construção Melódica em si. o produto sonoro final tende a possuir características de independência de vozes. O ponto de partida são as Estruturas Motívicas onde discutem-se formas de repetir e variar um dado motivo ritmico-melódico. discutem-se procedimentos que vão desde Aspectos Gerais como curva melódica até Arranjo da Melodia. Em contrapartida.vinculados aos movimentos paralelo. SCHOENBERG. adotando também posições espalhadas (denomindas de SPREADS). a medida que o arranjador diminui o uso de acordes na posição fechada e nas posições abertas (conhecidos como DROPS). dedica os . O aluno perceberá que é necessário utilizar TÉCNICAS DE REHARMONIZAÇÃO para variar o conteúdo harmônico do arranjo. Todavia. Os spreads podem ser escritos como corais quando. Na perspectiva tradicional o objetivo é aumentar a eficiência na condução de vozes.

IV7I7. Acorde Diminuto e Modulação Sem Preparação. Acordes Diminutos e Meio Diminutos e Empréstimos Modais. evolui-se no sentido de Dominantes Secundárias e Substitutas. A partir de Acordes Diatônicos de quatro notas relacionados às Funções Básicas de Tônica. No segundo tópico Harmonia Não Funcional. como já foi comentado acima. há três tópicos básicos: Harmonia Funcional. não são usados com esta função. O primeiro tópico apresenta a expansão gradual da estrutura diatônica.primeiros capítulos de seu livro "Fundamentals of Musical Composition" a este assunto. A primeira seçãoHARMONIA é organizada em tópicos em ordem crescente. apresentam-se a condução de voz tradicional e a condução em bloco. Nesta duas seções discute-se harmonia sob o ponto de vista da Teoria do Jazz. os dois tópicos seguintes apresentam possibilidades de variação Rítmica e Harmônica. Condução do Baixo e Condução em Bloco. são abordados os acordes que. Seguem duas seções relacionadas entre si: HARMONIA eTÉCNICAS DE REHARMONIZAÇÃO. na Música como na Química combinam-se blocos construtivos em estruturas maiores e mais complexas. Segundo JAFFE os acordes são combinados em progressões da mesma forma que átomos formam moléculas.Harmonia Não Funcional e Modulação. Desta forma. Menciona ainda que um motivo é usado através da repetição que pode ser exata.Acorde Pivô. Os tópicos abordados são os seguintes: Aspectos Gerais. citando vários exemplos onde uma estrutura motívica é desdobrada na construção de uma melodia. Condução. sendo sétima de dominante. Este tipo de procedimento é comum dentro do contexto do Blues onde aparecem cadências do tipo I7. Em DIFERENTES PROCESSOS DE DISTRIBUIÇÃO E CONDUÇÃO DE VOZES. . Distribuição. Sub-dominante e Dominante. No tópico Modulação apresentam-se processos baseados na cadência II-V tradicional da música popular. modificada ou desenvolvida.

Em PLANEJAMENTO E FINALIZAÇÃO DE UM ARRANJO. Interpolação do Encadeamento II-V. acredite nisto ou não. Os tópicos apresentados foram escolhidos no sentido de apontar para referências que podem servir de guia. o objetivo é apresentar mecanismos práticos que podem para ajudar o aluno na organização de idéias e no desenvolvimento da escrita do arranjo. Lembro que nos meus primeiros anos. O ponto de partida é a harmonia como apresentada no parágrafo anterior. Começo no primeiro "chorus" e ao criar qualquer material para chegar ao segundo "chorus". O desenvolvimento de um projeto equilibrado e de bom senso.Em TÉCNICAS DE REHARMONIZAÇÃO. para encontrar algo que me mantenha trabalhando. Entendo também . O desenvolvimento de um arranjo a partir de um projeto prévio é ressaltada por Nestico que. em entrevista com Wright. Agora tento conectar tudo junto. uso da Linha do Baixo como Guia de Reharmonização. volto e utilizo este material na introdução e na finalização. cabe também no contexto da criação de um arranjo. Em termos de procedimento o primeiro passo é identificar os acordes e as suas funções harmonicas básicas. mas faço com que soem consistente. levará a uma obra coerente. É inviável. A aplicação de uma técnica espefícica depende fortemente do contexto no qual a melodia está inserida. A noção de projeto. sob o ponto de vista criativo. Empréstimos Modais. Alguns aspectos pareciam bons em 4 e no próximo dia em 2 e minhas figuras rítmicas não eram consistentes. uso de Dominantes Substitutas. o faz correlato. Este procedimento conecta o arranjo num todo único. colocar o aluno frente a um conjunto processual e pedir que ele siga o modelo. A metodologia apresentado foi pesquisado em três autores GUEST.Portanto esta seção é uma compilação de informações e deve servir de guia ao aluno. A partir daí uma série de técnicas podem ser aplicadas como Modificação Diatônica de Progressão de Acordes. entre outros. Podem haver diferentes tonalidades. Transformação de Acordes por Similaridades. que é comum nas áreas de engenharia e sobretudo em arquitetura. gastava dois ou três dias para escrever um arranjo e a cada dia o sentia diferente e isto tornava-o inconsistente. disse o seguinte: Normalmente não escrevo minha introdução no início. DELAMONT e JAFFE. são analisadas diferentes maneiras de modificar a harmonia de uma melodia dada.

segundo chorus assim. Não somente o arranjo para um conjunto específico como uma Big Band.. Penso que meus melhores arranjos são aqueles que canto a melodia no carroou em algum lugar longe do piano. Toda vez que não tenho um plano prévio. já tenho isto feito. este conjunto que tem uma configuração especial e uma sonoridade peculiar. um modelo.se ela é suficiente por si mesma. Todavia. DELAMONT reitera que o conceito de bloco sonoro funcionando como unidade. Outro ponto relevante é uso de seções instrumentais como blocos unitários de sonoridade compacta. um projeto. Harmônico. do swing com o qual a melodia é executada.tento criá-lanteressante. São os seguintes: Planejamento Estrutural. Mas se tenho um projeto como por exemplo: "primeiro chorus assim.que se começo sem nenhuma idéia do que fazer. É um espaço para definir o que vou dizer neste arranjo. O tópicoSeção Rítmica.. A partir deste depoimento. Os tópicos abordados nesta seção estão voltados nesta direção. ou seja. O tópico Blocos Instrumentais. vou chegar aeste ponto". Todavia. nota-se que o planejamento é um processo importante na concretização de um arranjo. sento aqui por longo tempo tentando realizar o arranjo. o paralelismo usado nesta estrutura é paradoxal à postura tradicional de condução de vozes. se vincula aos conhecimentos discutidos nesta home page. qual será o aspecto mais importante. a seção ESCRITA PARA BIG BAND engloba os pontos apresentados nas seções anteriores. como qualquer outra formação instrumental. Rítmico e Melódico eEscrita e Finalização. Como discutido em parágrafo anterior. Finalmente. Usam-se contrastes entre seções instrumentais no lugar de contraponto escolástico. o bloco em si pode ser tomado como uma voz única e desta forma pode-se estabelecer outras relações sonoras.então ao menos tenho algo para me guiar. apresenta a configuração padrão da Big Band em seções individuais: Metais Agudos e Graves e Saxofones. O primeiro tópico desta seção denominado dePlanejamento do Arranjo. se haverá modulaçãoou qualquer outra coisa. discute o conjunto de instrumentos que é . vou fazer isto. leva a construção de antifonias entre blocos. Canto a melodia e. sento e fico olhando para o papel. Muito da sua idiomática vem da articulação rítmica. Instrumental. está vinculado ao parágrafo anterior.a coloco em bloco e trabalho as figuras para o swing. pode servir de modelo de estudo.

Introdução e Variações e Interlúdiosdescrevem métodos para o desenvolvimento do arranjo. .responsável pela sustentação do rítmo e da harmonia. desde a escrita em blocos até procedimentos para enriquecimento do conteúdo musical do mesmo. Os outros tópicos Mecânica de Escrita em Blocos.