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THE OPERA MANIFESTOS

(lagos , fevereiro 2003)

já oiço ao longe as gargalhadas do art-world Alfredo!

Todos os manifestos deviam ser cantantes!

E certo que as vozes continuam a deambular Com outras vozes entranhadas E que aguardamos e-mails como um vertiginoso consolo Assistindo ao desmoronar das coisas Com uma operática lucidez -

Fomos empurrados pela graça E empanturrados pela desgraça Para paisagens onde abundam orquídeas Tão delicadas quanto cantoras louras e líricas

As nossas gargalhadas porém Sacodem para bem longe a pornografia inclinita e inclinante Dos degradados apocalipses da realidade (orgasmo frio dentro do bacio).

That's how the muses bite -

With a treacherous mirror And an assorted wit.

Disse o H.H.: «partia-se sempre de um entusiasmo arbitrário» isto é, nem do livre arbitrio, deliberação ética de estudada opção, e muito menos do apito performativo do àrbitro da ocasião.

Regorgeios doces ⇒

Uma «felicidade» magenta Em dias pouco bíblicos Uma fera «dessintonia» A pluralidade babélica de linhas conceptuais e melódicas, A novidade surgindo no rendilhado selváticamente contrapuntistico.

⇒uma ària que se encosta ao tempo e que desdenha (ou desculpa) o mármore e que só acolhe a morte como convulsiva máscara entre parágrafos carnavalescos

in writting we find no seat

in order to restore the conflict

a vida clarifica-se com os manifestos?

Surgem mais destiladas as coisas Depois de uma sova de uma vita nuova?

mmmmmmmmmmmmm……………. Ora mmmmmmmmmmmmmm outra vez!

Caros camaradas

Não vamos deixar nua a classe operária!

NÃO! NÃO E NÃO!

Por isso é urgente que a arte seja

SOFISTICADAMENTE BÁRBARA

OU

BÁRBARAMENTE SOFISTICADA!

O CORPO TEM PULSÕES RETÓRICAS E UMA AUSÊNCIA (redundante) DE PRÓTESES

Nenhum silêncio alinha ou elimina o Absoluto.

Entre o extase e o desfruto proliferam as iluminantes ilusões.

A santidade também é uma ilusão escarlate?

Isso é catita! (ser santo também é bué da canjolas!)

O mesmo se poderá dizer de qualquer consciência maximizadora ⇒ ingenuidade até à medula (com òleo Fula) Vampirização do corpo pelas saracoteantes abstracções (balchão de gambas a arder nos colhões).

Euménides de saltos altos

acompanham-me à estação da Campanhã (são bizarras e latinas, quase divas).

…uma conspiração astrológica elucidava-lhes as «ganas»…

Deus é acéfalo? - interroga-se o comum dos mortais! Deus é policéfalo? - interroga-se o menos comum dos mortais.

QUAIS SÃO AS NOSSAS EXIGÊNCIAS? QUAIS SÃO AS NOSSAS DESISTÊNCIAS?

TENHO UMA GUEIXA TENHO UMA DEIXA TENHO UMA AMEIXA NO INTERTEXTO

(nada disto tem a graça que não procura ter mas apenas a desgraça que graciosamente ou desengonçadamente tenta assumir)

Neste momento

Neste impreciso e precioso momento Tenho (é verdade, confesso-o) um certo desapontamento homeostético O que já é alguma coisa Tal como o cinismo de Krishna.

Preparo-me para uma batalha decisiva Mas não vejo os exércitos.

Como, porque vem na ementa, Uma dose de aloo gobi.

Será exigível uma dieta? Quais os ásanas e para que meta?

Because Love cannot cease the fire Neither consumated Lust avoid Desire

Era uma vez um há muito tempo ⇒ E as flechas parecem disparadas por metrelhadoras. O herói sente-se bem à beira do abismo, Além do mais, graças à impertinente recomendação De um critico sensato Anda a lêr à socapa Literatura pouco adjectivada

Mas eu, sem meios mas, não concordo, ò não Com o herói de serviço Que é sêco, enxuto, Como um bacalhau Antes de demolhar.

O cerne da teoria é A SUMPTUOSIDADE Uma SUMPTUOSIDADE exagerada, Por vezes um tanto ou quanto açucarada

⇒ O PROFUNDO DISPÊNDIO DE UMA GLORIOSA FORÇA

De profundis clamavo ego Mas sem queixumes concretos C'est ça, ó pá, A influência das ângustias e ânsias alheias é schone (tó kalon) disse, sem trema, o boche da esquina

a cartografia amparava-lhe a errância:

«uma devassidão mansa e eterna»

mas nem por sombras……………… ……………………………………… ……………………………………… um tipo de intensidade que:

1. Vem das vísceras 2. Vem da cabeça 3. Vem da pele.

Uma intensidade de Babel.

You are the illuminated tent Where shadows love to play The words we wish to say And the silences we consent.

A musica do período romântico Proporciona um género de paixão hipersensível Por isso ouvimos Schuman Como recuerdo de uma alucinação amorosa Excessivamente íntima: O desejo de ser amorosamente mais «puro»

Tão apropriável pelo nazismo. E o outro desejo, assaz generoso, o de ser equitativo (em internacionalista propaganda neo-estalinista) E outras apetitosas modernices já suficientemente fora de moda.

Mas eu quero-me, dentro dos possiveis, sem utópicas tangas e com as conspurcações involuntárias da ocasião um pouco mais puro e generoso

e quanto à moda?

A MODA È:

a) dar um beijo no cú quando menos se espera b) uma palavra atractiva para designar a sucessão dos estafamentos c) o fresco pitoresco d) uma plataforma de irradiações retrospectivas e) o absolutamente abjecto f) o delirantemente palpitante g) uma epidemia de formas recalcadas (eidós epidémikos) h) a ultima moda i) amar em si mesmo o outro j) o estar-se a cagar para a moda k) um certo narcisismo com espelho e tudo l) a militancia evangélica em versão chic e pop

enfim

um sentimento de mamiferidade (ethos lacteo versus macrobiotiquices)

ou seremos os «que chegam para iludir a ilusão de iludir» (H.H.)?

KAVOD PUNK-PUN-CAMPUS

KAVOD VODKA, and dance a polka

There's no fiction without adiction There's no fun without some pun

The art of unadvertising (the difficulty of being anonymous)
I quote myself in order to express the otherness better. The more I quote myself The more the world becomes different. ( the world is the metamorfic mirror of a very bad quotation)

How much you want to fail?

Things are inventing Man and multiplying his shapes. Man is being reinvented by his toys

To make a big story bigger try to make the shorter short stories

I want to be unknown as a gnostic gorgeous God

The only road to success is falling again and again and again.

We are no more than God's curiosity about the absense of Himself

Beware!The unachievable is achieving you!
It's all an happy fault, folks!

Multiply the negative, the lowerness, and became a Nemo.

KAVOD PUNK-PUN-CAMPUS (tradução)

KAVOD VODKA, e dança a polca

Não há ficção sem vícios Não há piada sem trocadalho

A nós a arte de despublicitar (e a dificuldade em ser anonimo)

Cito-me para exprimir melhor a alteridade. Quanto mais me cito mais o mundo se diverge. (O mundo é um espelho metamórfico de péssimas citações)

Queres falhar quantas vezes?

As coisas continuam a inventar o homem e a múltiplicar os seus contornos. O Homem é reinventado pelos seus brinquedos.

Para fazer uma grande história ainda maior tenta escrever o mais curto dos contos

Quero ser desconhecido como um belíssimo deus gnóstico

O único caminho para o sucesso é falhanço atrás de falhanço atrás de falhanço

Nós não somos mais do que curiosidade de Deus sobre a ausência si mesmo

Cuidado! O irrealizável anda a fabricar-te!

E é tudo uma feliz culpa, pá!

Multiplica o negativo, o rebaixamento, e torna-te um Nemo.

XANAX, UM MANIFESTO TRANQUILIZANTE

mais uma vez para o Xana evidentemente

É mais do que òbvio que as teorias não adiantam nada e que as obras de arte nunca precisaram delas para o que quer que seja.

As teorias estupidificam o olhar. Fazem não-ver. Enganam! São uma sofisticada forma de ilusionismo ou distorção.

Nunca é demasiado repetir o que disse um dia Frank Stella: What you see is what you see.

Tudo o resto é palha para alimentar burros.

É claro que os artistas têm ideias. Mas ideias de espaço pensadas em termos de espaço. Quando as palavras começam a misturar-se com o espaço temos uma confusão. Quando os conceitos interferem nas imagens, então aí temos uma enorme confusão alegórica.

Isto não quer dizer que os artistas não possam misturar imagens e palavras, ou até mesmo sons. Se as imagens quiserem significar apenas imagens, as palavras não passarem de palavras e os sons se manifestarem como meros sons, as palavras, as imagens e os sons, não se misturam cretinamente. Estão juntos. Não têm a pretensão de significar pretenciosamente. São um ambiente.

Buda disse algo como isto: «o não-pensamento não-pensa as não-coisas». Porquê? Porque o pensamento não pensa as coisas! Primeiro porque o pensamento não existe: é uma bricolage fortuita de palavras e intenções que muitos milhares de anos de

confusão puseram nos nossos corpos. Se o pensamento não existe, como pode existir o pensar? As coisas também não passam de agregados em vias de dissolução. Não têm consistência… As teorias só adiantam confusão às nossas vidas já de si complicadas.

Mas a este não-pensamento não-pensando não-coisas, sobram, ainda que inconsistentes, algumas imagens. Sobram porque essas tretas budistas de imagens a atirar para o informe não nos satisfazem, e de tão estereotipadas também cansam. Sobram imagens porque são imagens destinadas a manter oi mundo e a despertar o interesse. Essas imagens devem funcionar como obcessões. Como o amor. Mas não têm que significar nada nem ter nenhumas intenções ( espertezinhas saloias) por trás.

Lembro-me que um dia o M. Vieira perguntou ao P. Portugal para lhe explicar o que significava uma das suas pinturas. O P. Portugal disse apenas «mais mil contos!» Aqui não há ironia. A pintura era realmente boa e fazia todo o sentido têr um valor económico elevado. Os artistas não vivem de esmolas e têm direito a uma vida confortável em boas casas… caso sejam bons artistas!

Vendam-se as obras ou venham os subsidios. Não conheço artista, por mais irreverente que seja, que não tenha aceite mercantilizar um dia a sua actividade. É claro que o ideal seria ser milionário e espatifar o dinheiro em projectos megalómanos. Mas quem é que é milionário?

Estou convencido que a invenção de obras de arte depende da forma como as programamos. O P. Portugal, tal como outros artistas (dos quais Soll Lewitt é o mais significativo percursor) demonstrou que os artistas seleccionam um determinado conjunto de formas e que depois é só escolhê-las, combiná-las e (excepcionalmente) resolver alguns problemas de articulação.

A intiligência visual é a capacidade de gerar esses programas.

Jonh Cage foi um excelente programador. Que grande parte das suas obras tenha obdecido a um uso metódico do acaso só torna quer os métodos quer o acaso

simpáticos. Mas no que ele insistiu foi na experiência dessas obras. Quer a experiência da concepção de métodos, quer a preformance dessas obras, quer a escuta, são momentos únicos. São experiências que dispensam as mais nobres teorias e que abrem as nossas capacidades de percepção e sentimento.

Por isso é urgente viver a arte nas suas obras. Sem merdices. Sem ideias interessantes ou interesseiras. Com os olhos, as orelhas, as mãos, etc.

A arte é esta felicidade de crescimento perceptivo. É também o aumento das nossas capacidades performativas. É a des-limitação física e emotiva de todos quantos nela colaboram. É o paradísiaco, antes de Adão e Eva terem comido, induzidos pela pérfida serpente, a tal fruta da àrvore da Teoria!

MANIFESTOS DOLVIRAN

(em esboço/ex-buço)

Conjunctius Supositorum

PARAÍSO Encerrado para obras de melhoramento/restauro Reabre brevemente!

Qual as melhores posições/Poses? A sobreposição? A suposição? A entreposição? A sobresuposição? A entresuposição A subsobreposição? A sobrentreposição? Etc.

Triângulo do sub-sob-entre

A ideia de uma supositória generalisada

O DUCTUS ⇒ (o itenerário arquivante-elucidativo, o heroismo-guionista)

O PARNASO SELVAGEM (locus amenus-obscenus)

A genealogia do Academismo renascentista como impeto comunitário-elitista: a Academia permite a convivência embriagante, isto é o ENTUSIASMO PARTILHADO.

A Academia realiza concretamente o PARANASO-PARAÍSO.

A aurea mediocritas e a troca de correspondência. Toda a correspondência é angélica (etimológicamente). A correspondência é a mensagem que revela os mensageiros. Os e-mails são evangélicos. Vêr as cartas de S. Paulo.

A GIMNÁSIA (yoguismo-sofistica). A ars afirmatio/refutatio. A Gimnásia total (aquele que não explora todas as suas potêncialidades é um auto-castrador; esse nãodesenvolvimento ( ou não-potenciação) é uma pestilência).

A GIMNÁSIA como pulsão demiurgica ou ante-demiurgica. O yoga como exercitação da creatividade.

Os gradus ad parnasum/inferus

A Parahermeneutica não busca um consenso de interpretações nem a guerrilha entre elas, mas pura e simplesmente o diálogo babelizante (DIÁLOGO = BABEL). Um diálogo implica sempre 3 (ou 6?) pessoas nas suas presenças-indiferenças-ausências.

Nem animal, nem deus, nem coisa, nem homem: monstruoso-híbrido, nemoabsoluto, nlichtung.

O Re-Aberto. O Entre-Aberto. O Entre-entraberto.

O Teatro messianico.

Messianismo do que não-há-de-vir. Messianismo do que está e do que há.

Messianismo do Actual: o que sempre esperamos é o que sempre foi. Cada um de nós é o Messias que fingiamos aguardar. A actualidade é a milagrosa caducidade messiânica ( mesmo no escaldante, mesmo na tabloídização da ex-sistência). O milagre é o agora mesmo. Se um instante fosse abolido todas as tensões demiurgicas seriam suprimidas,

Apologia da curiositas-fornicatio. A desordem co-produtiva. A preplexidade ânsiosa como ateleologia. Aguardamos com uma convicção não-apocaliptica. Tudo foi sempre sendo revelado-ocultado. Não há uma revelação terminal catastrófica porque só há um un-beginning e um un-ending.

Un-endings are mixed with un-beginings forever

Cada tempo está des-laçado nos outros, mas não contido.

Logoloclasma? Aniconoclasma? Clasmoclasma?

TEXTO 1 (1994? versus Castro Caldas?)

A ausência de Forma como prática social

«Somos, de certo modo, especialistas em divulgar segredos»

A qualidade vem dos Céus, da Terra, de Deus? Nasce no corpo? É um consenso? É um dissenso? Está trancada? Tem portas abertas?

Vem/é-pensável a-partir-do/com o Bem e o Mal? Emerge da Indiferença? (Será a qualidade um momento crítico ou a-crítico?)

Porque escolhemos isto e não aquilo?

É a qualidade uma imitação da charis (graça)? Ou uma habilidade que mima a inocência?

Podemos considerá-la como bondade ou maldade? Como eficácia ou ineficácia? Como eficiência ou ineficiência? Como poder do poder ou poder do não-poder? Como imobilizante ou propulsora? Como aparição ou desaparecimento?

É a história algo que perspectiva a partir de uma moda? A história selecciona verdadeiramente algo? E o que a história deixa de for a será digno do esquecimento? É a história um consenso ou uma guerra aberta? Quem é que selecciona o quê? Quem é que deixa seleccionar? A selecção é uma prática de encontro/contra alguém? De um para muitos? De ninguém a fingir-se

ninguém? De um consenso que não é consenso em discussão com outros consensos que não são consensos? É um acto mediático ou meditativo?

Quem escolhe o quê? É a escolha simplesmente erótica? Quem discordia de quem? É a discórdia uma manobra erótica? É a escolha separação e conjunção? Amor ardente e gélido òdio? É a história um deixa-andar? É a moda o entusiasmo? O coup-de-foudre? O Terror? É a história indiferênça? É a indiferença perante a história uma prática social? O poder de quem faz a história vem de onde? É poderoso pelo que diz ou pelo que oculta? Pelo que faz ou pelo que deixa por fazer?

Estou-me a deixar arrastar ou estou a ser empurrado? Estou a sêr gratuito ou estou a armar-me em interessante? Estou a ser estúpido ou cretino? Estou a sêr macho, assexuado, ou nem por isso?

Quero ser dominador ou deixar-me prostituir? …………………………………………………… …………………………………………………….

A DOXA como o peso não só da Glória (Kavod) como o peso dos pesadelos.

Des-compactificar a Doxa. Não é o Homem que faz a medida de todas as coisas, mas cada Doxa de cada vez. O Homem enquanto medida é uma mera Doxa (é a doxa antropométrica).

A máquina babélica. O pensamento é uma arquitectura movediça que se gostaria de fixar. À fixação arquitectural do pensamento chama-se meditatio. Há uma irreconstruível/irreconstituível arquitectura que nos pensa. A meditatio é práticamente impossivel porque as casas-palácios-templos-torres que nos pensam estão em entre-sub-sobre-posição conjugadora-disjuntora-aniquiladora umas com as outras.

Para F. Brito haverá uma merditação. Para mim é uma meditraição (= a meditradução).

A única possibilidade de salvar a meditatio é a tradução, que na realidade é uma máquina meditativa adequada ao movimento. Toda a tradução é traição voluntária movida pelas convicções e preplexidades éticas (não é, Brutus?).

A Vontade de traduzir é a de propagar e diferir. O Novo nunca foi possivel senão como traição-tradução-tradição.

ACADEMIA = EPIDEMIA

A dissimulação do caracter académico do Novo não passou de um desejo de legitimação invocando o ex-nihilo por parte dos modernistas. Esses actos apenas traíam uma profunda insegurança, mas essa insegurança e esses actos foram históricamente necessários. Foram uma fatalidade revolucionária.

O hipo-realismo ( as infra-realidades ). O Mundo do consumo fabuloso não é o da hiperrialidade e seus espelhos virtuais mas o da sub-realidade em que o homem não só

des-realiza a sua humanidade como degrada a sua animalidade e a sua artificialidade. O hipo-realismo é a desinibição totalitária.

As des-estratégias: uma arte sem objectivos, sem pre-cisões.

O modo des-manipulativo (somos pouco chineses)

Os esconderijos estratégicos.

Só o falhanço é que é um sucesso.

A consciência do Não-Si (modo irresoluto).

Os explorados (os escravos) auto-destroem-se para acabarem com os exploradores ( os senhores), tentando por fim à exploração. Estes são rápidamente substituídos por robots.

O Mundo actual suprimiu a propriedade ao torná-la rápidamente degradável e excessivamente transitória.

Reconhecer as virtudes do velho-burguês. O coleccionismo artistico como acto de resistência. A pintura é obsoleta. O seu caracter obsoleto é resistência burguesa ( ou aristocrática) à sobre-proletarização planetária. A televisão dá a imagem dessa sobreproletarização. Tudo se tornou milimétricamente pornográfico.

Nem construtores, nem destrutores, nem pretensiosos re-construtores ou inventivos restauradores: está tudo destruído, construído, re-construído, des-construído, degradado e retocado. Nós somos os TRADUTORES SELVAGENS, os sofísticados bárbaros, os aguardantes decadentes.

Não é necessário invocar o «make it new», mas sim o MAKE IT NOW!

É certo que o re-novatio e o re-nascens desempenham um papel simpático nesta revolução babélica mas o que está em causa é o NOW, é o acto actualizante.

Dolviran versus Xanax: A teoria existe apenas para disfarçar o vazio teórico das obras e as inconsequências da vida? Ou será precisamente o contrário? As obras existirão para dar corpo a uma timidez teórica? Ou não passa tudo de uma manobra de dissuasão tipo zen que pretende reconduzir as obras às obras depois de uma passagem escaldante pela vulcaneidade das alegorias?

As teorias são outra resistência à sobre-proletarização planetária. A creatura acéfala deixa-se engolir pela retórica anti-teórica dos teóricos do late-super-proletariancapitalism. O que se vê é uma emergência do que tem pudor em se dar a vêr. Tudo o que se vê nem é falso (Tzara) nem é apenas o que se vê (Stella), apesar de ser também o que se vê. É preciso mostrar no que se vê o que não está à mostra.

A nossa glória (doxa-kavod) consiste em denunciar e sabotar sistemáticamente as nossas pretensões de glória. E apesar de tudo ela floresce tempestuosamente.

Sempre fomos demasiado naifs para lamber as botas ao sucesso. Ele é que anda desesperadamente atrás de nós.

THEATRUM MESSIANICUM

(maio 2003)

A Tradição é a cenografia da Memória divergindo de si mesma

O que mantém o messianismo é a sua permanente tentativa de autossupressão

O melhor messianismo é sem messianismo

(máximas homeostéticas)

As diásporas acentuam-se para além de qualquer judaísmo.

Somos fragmentos heterogéneos de uma não-comunidade. A haver algo parecido com uma comunidade ela é dominada por um espirito nãounitário. O que a une é precisamente o desejo de dissidência, isto é, o individualismo sectário.

Simpatias? Afinidades? Mimetismos? Parece que apesar de tudo há aqui um fundo de verdade.

Os homeostéticos não são nem foram um grupo, mas um movimento. Movem-se. Deslocam-se. Andam para aí espalhados. E tal como os caracois deixam um rasto discreto.

Os homeostéticos não são escravos de teorias. São em acto. Mas o acto é portador de mais intenções que as do pensamento (do Logos) e do corpo (da Carne). São uma dramaturgia. Ou uma vontade performante.

Algo torna estes homenzinhos inconfundíveis, separados, quer do famigerado art world, quer da inadaptada sociedade. Apesar disso, são eles que parecem adaptados e paira no ar um cheirinho a triunfo social. Mas há algo de irrecolhivel e de irreconhecível, de tremendamente separado do mundo, tal como se apresenta, que não lhes consegue aceder.

Há um pudor essêncial para além da visibilidade pornográfica da modernidade consumada. Há um ponto impenetrável em que o mundo é devolvido ao seu catastrofismo brejeiro. Nada disso rima com os homeostéticos.

Eles são parecidos com aqueles que esperam o Messias, não o que está quase a vir, mas o que virá, como dizia Kafka, só imediatamente depois da sua vinda. Só que os homeostéticos não são como esses!

A ideia do Messias é pouco iconoclasta: depende de uma imagem e de uma chegada, quer ela já tenha acontecido, quer se mantenha enquanto indomável esperança, perpétuando no presente esse acontecimento de não-acontecimento.

O nosso «messianismo» é um messianismo tremendamente mais higiénico: é o messias como não-messias; é a esperança como nãoesperança.

O que as obras de arte fazem é actualizar o Paraíso. O presente, como tempo que não-decorre é incapaz de catástrofes ou tragédias. É a potência absoluta incapaz de sofrer com os equívocos das possibilidades. Esse Paraíso não é uma Utopia de algibeira, mas uma experiência concreta. As pinturas homeostéticas mostram-no com exuberante evidência. A execução, cada momento performativo da pintura, revolve essa experiência. A objecção maior às artes platónicas, conceptuais, de projecto, é a alienação do experimental, da entrega sem tréguas. É o paradísiaco que é expulso e subsituído por retorsidas metáforas de ressentimento ou de distanciamento.

Quando Flaubert se refere que Deus está no bom detalhe, ele invoca-o como presença fragmentária e rejeita as ideias da divindade como Todo. Ou não? Não estará a ele dizer algo como: o Todo, ou o mais-que-Todo revela-se na lucidez das partes, nas epifanias, no fulgor da separação? Francamente… não sei!

«O não-pensamento não-pensa não-coisas», o buda disse uma frase parecida, à qual falta qualquer coisa. Também sabemos que entre o pensamento e as coisas há um delicado aflorar. O pensamento não tem capacidade para absorver completamente as coisas que pensa ( nem isso será desejável!), mas muitas vezes empenha-se esforçadamente nessa tarefa ingrata. O não-pensamento também faz um des-esforço para não-

pensar as quiçá não-coisas. Mas pelo meio, quer as coisas, quer as não coisas vão pensando, sem intencionalidades, o que pensa e o que nãopensa. O não-pensamento é uma aporia enquanto algo vivo. Esse algo trabalha maquinalmente dentro do atarantado pensamento.

Vem isto a propósito ( Ai! Ai! Ai!) de um livro do Agemben sobre S. Paulo. Livro recheado de meditações sobre o que os homeostéticos, já lá vão um bom número de anos, chamaram de anacatástrofe ou metacatástrofe.

Se o Tempo é catástrofe, e todo o acto creativo (mesmo a mais doce demiurgia) implica uma violência, não co-existirá este Tempo aparente com «outro Tempo», um tempo essêncialmente doce, de recolhimento, de anulação das aparências catastróficas, um Tempo que estando em qualquer Tempo está no ínicio de si, numa secreta stasis. Será a amorosa tendência centripta de Empédocles ou a Agapé paulina? Continuo a não sabê-lo.

Há a célebre frase evangélica: « se não vos fizerdes meninos não entrareis no reino dos céus». Esta frase, lida correctamente, é menos uma apologia da «naiveté»1 do que a invocação de uma disponibilidade humilhativa. Nesta leitura estou a ser um pouco eckartiano. Temos que descer aos bas fonds, ao húmus. O rabi Jesús invoca a capacidade de permanecer na despossessão que o mais baixo dos baixos torna acessível, na condição proletária, de absoluta não-propriedade, quer na carne quer na psique,
1

Tudo é de certo modo naif, sobretudo as mais avançadas filosofias e as máximas morais a puxarem o brilho a si mesmas. Mas, nada é verdadeiramente naif, nem os pintores domingueiros e muito menos as criancinhas. A naiveté só faz sentido como avanço des-preconceituoso do não-saber, como franqueza da ousadia.

quer no espírito. É dessa insignificância que a experiência se torna desmesuradamente rica.

Algo parecido disseram S. Paulo e… Nietzsche! «é por isso, diz o apóstolo, que eu me contento nas fraquesas, nos ultrajes, nas dificuldades, nas perseguições e nas preocupações com o Messias: de facto, quando sou fraco então sou poderoso», ou «o poder realiza-se na fraquesa!». Também Lao-Tsé escreveu: «aceitar os males do reino é ser monarca do Universo»!

Mas é Benjamin que tem o maior rasgo «homeostético» quando anotou o seguinte:«a natureza é messianica precisamente porque ela é caduca e o ritmo dessa caducidade messianica é a felicidade!». Ao contrário de Adorno, ou de Stendhal a felicidade é dada: não é só promessa (ou resguardo), nem nada de inviável ou inacontecível. A promessa não é relegada para pura hipótese a ser negada com arrogante argumentação. A felicidade (o sukha) , e não o dukha (infortúnio/dôr) budista, é o que nos é dado. A matéria não conhece a dôr, e uma pedra quando se parte não é vítima de um movimento doloroso. A dor é uma consequência das prudências da complexidade biológica, o que o homem pode inverter. Mas estas são questões que para já não são chamadas…

É na experiência artistíca, na creatividade, e não na contemplação (que é impotente para transformar as formas) que a felicidade é dada como qualquer coisa concreta. A teoria supõe a sua possibilidade, mas as teorias são feitas de prtudências e reservas. Além disso há um temor de que a felicidade a invada expoliando-a de seguida. A felicidade exige essa expoleação, essa expropriação, e a suspensão da libido que faz mover a produtividade teórica.

A obra de arte não faz do «autor» um autor da obra. A própria produção, o actus operandi, retira-lhe o papel de autoridade. A partir do momento em que é feita, a obra separa-se violentamente do artista e passa a sêr apropriada por «todos».

O exibicionismo que a obra sempre traduz nada mais é do que um rebaixamento expropriante. O estado físico e psicológico do artista depois de fazer algo é mais o de falta (carência) do que o de plenitude. Daí a necessidade terrível de feed-back, onde esse mesmo feed-back não pode efectivar-se. A carência no artista transforma-se numa ânseadade por glória, sexo e fortuna. Os intermediários desta canalização errónea, são os criticos, galeristas, familias, etc. Está-se mesmo a ver o género de comédias que isto gera!…

O caso inverso, o da influência, é a apropriação de algo expropriante, e como tal in-quieta a carne. O daimon da influência tenta a reprodução diferida num provocador para-fora.

VIDAS HETERONÓMICAS

Renato Ornato evita quer a emersão trágica quer o pathos paródico. O não-regresso de qualquer regresso implica uma visão do trágico como não-trágico (apaziguamento, evasão da amartia), e da paródia como inversão da paródia. A vida refuta quer a visão trágica quer a paródica, ainda que esteja cheia de pequenas e temíveis tragédias e desconcertantes paródias. Neste sentido R.O. elaborou a noção de dissimulacro, que encontrou eco nos seus colegas mais próximos. A vida não dissimula nem simula porque é ela mesmo dissimulacro. É o dissimulacro que modeliza e que cria os aparatos conceptuais e geométricos aparentemente mais simples. Uma «simplicidade» é uma rede de dissimulacros ofegante. Um simulacro é um dissimulacro extremamente empobrecido e degradado. O dissimulacro é algo intersticial. Toda a verdadeira experiência é teatral na medida em que tem conta da sua acção e da sua representatividade. O actor é por um lado o pudor da máscara e o enunciado de uma consciência que perpétuamente se mascára. Não há sujeito que escape à sua autenticidade heteronímica. Por isso o pensamento, por mais não-autoral que seja é o efeito de uma prática heterosolipsista. Há um parentesco com a eironia socrática, na medida em que esta se confunde com a ilusão, termo que outraora traduzia a ironia. A maximização da consciência é precisamente ironia, absoluto e ilusão.

Joyce dizia que a história é um pesadelo do qual queremos saír. O outro cliché vem de Marx: a história repete-se como farsa, depois de ter sido tragédia. A repetitividade da história seria uma aborrecida comédia se a

natureza não tivesse uma caracter paródico. No entanto a natureza tenta dissimular a sua paródia que é, nada mais nada menos, do que mimetismo desfazado. Joyce esquece-se de que a natureza, a literatura ou qualquer forma de arte, religião e pensamento, se tornaram história, provávelmente num sentido distinto de qualquer história como pesadelo tentacular. Há uma história que é incontornávelmente paradísiaca, e é através dela que o mundo devém simultaneamente complexo e cristalino. Há uma história paradisiaca na qual nos habituamos a mergulhar. Não será um cliché, ou mesmo um pesadelo, a ingénua conjectura de que se podem encarar as coisas sub specie aeternitas?

ANEXO 1 (2008)

«Poema Homestético» Ana Carina Paulino

O «Poema Homeostético», foi escrito no dia 07/12/08 como tentativa de me apropriar do tipo de urgência homeostética que tanto me entusiasmava. Foi a primeira tentativa de canibalizar este movimento e de me deixar invadir por todos os seus ritmos e linguagens. Foi também o pretexto da invasão do universo de Pedro Proença, regada de bastante presunção, mas “sem retorcidas reticências de quem olha inclinadamente para um recreio” como avançou Proença na sua resposta.

A Homeostética é hermética ou a hermeneutica só existe na conta farmaceutica?

A doxa é intoxicável e a paradoxa inoxidável?

O sofismo de meio silogismo: O dogma são seis gnósticos iconoclastas. Dogma = 0.

Porque às vezes a segunda permissa é ignara à conclusão. O fluxo da homeostética terá sido um movimento artístico ou uma proliferação de uma doutrina filosófica interdita a arreigados abstracionistas (iconoclastas)???

Quiasmo de seis vértices continentais, estrela de Davi ou projecção antecipada do misterioso hexágono de Saturno quando ainda Plutão era planeta?

No meio, o homem cuja historicidade e cultura específica lhe permitiu a distinção enquanto indíviduo à parte do seu cordão umbilical com o ocidente.

Esse ocidente que abarca mais de metade da população do todo. Nas extremidades, os eixos de rotação que alimentam o ciclo. Não esquecer Aníbal, o rei de Cartago, mesmo em frente à pop art geométrica e industrial, de onde não se vêem as Titanomaquias recusadas por Oceano.

A história de Knossos e o seu rei orgiástico é a história do Vieira na Enapália?

De Budonga a Budonga, a viagem da metamorfose criativa.

Budonga atrai o Labrego Luís Mendonça à cidade da Mesopotânea.

Atrapalhado com os sinais de trânsito, Luís Mendonça atravessa o seu disturbio personal e acaba em Gorongosa com um Bragolin debaixo do braço em vez de alma dentro do corpo, depois do falso cruzamento em Nova Iorque.

Manual do pastichismo ou Segunda Teoria das fraudes elementares BBP O nihilismo e totalitarismo juntos num só B confrontam-se com o antinihilismo e anti-totalitarismo de P e criam o ditador artistico B.

A arte é original ou cópia? Autoria, singularidade e originalidade, inimigos do post-modernismo ou pastiches do neo-classissismo?

Foucault vem a portugal conferenciar os seus três parágrafos finais sobre O QUE É UM HOMEOSTÉTICO? onde discorre entre quiasmos dadaistas sobre a diferença entre o homeostético e a função de um homeostético. O homeostético é o príncipio de economia na proliferação de qualquer sentido heteroestético?

Afirma ainda, "O discurso na nossa cultura não era um produto ou um bem, era um acto que estava colocado no campo bipolar do sagrado e do profano, do lícito e do ilícito, do religioso e do blasfemo."

Será o homeostético o ground zero da paradoxa?

O homeostético declara-se o próprio Awschvitz autoral embrulhado em papel copyright?

O homeostético é o contrário daquilo que (se) diz ser?

O homeostético existe entre a verdade que não são e a mentira que acredita ser?

O homeostético é o ground zero da post-paradoxa?

O homeostético usa a hermeticidade anarquista conjunta como falsa propaganda do unipessoal totalitário?

O homeostético é o ground zero da post-paradoxa?

O homeostético é a espuma que fica colada à chávena de um café trapaçoso? O homeostético é o limitezinho entre o paroxismo e a entropia máxima?

A homeocoisa é a espuma que fica na chávena porque o café já foi bebido.

A homeostética faz sentido nos dias de hoje?

E poderá beber-se o mesmo café duas vezes? Brecht falava assim sobre a revisitação da ópera: "No que respeita ao conteúdo, a ópera deve ser actualizada, no que respeita à forma, a sua elaboração deve passar a obedecer a uma técnica apropriada; isto sem que o carácter de iguaria que a ópera vem possuindo até hoje sofra, porém, qualquer alteração." Então e a homeostética poderá ser revisitada? De longe? De perto? Será o que está a acontecer desde a Exposição de Serralves em 2004? A homeostética deve ser revisitada segundo um upgrade de parâmetros artísticos subjacentes ao próprio movimento (principalmente a hermeticidade e o seu carácter marginal) e nunca ambicionando qualquer tipo de revolução artística que transcenda seja o que for para além do próprio individuo que a isso se submete. Se a premissa essencial da homeocoisa era 6=0, nos tempos que correm a revistação homeostética deverá reger-se pelo padrão N=1. Mais que tentar ser uma revolução cultural, esta revisitação terá pouco de cultural e menos ainda de

revolução, será sim uma resolução do conflito inicial com a questão autoral.

A homeostética é um movimento póstumo, não aos seus criadores mas ao restrito que a recebe sempre. Nietzsche dizia que "Há homens que já nascem póstumos." A homeostética nasceu para a sua postumicidade contínua.

Repegando na ópera Brechtiana, em relação ao conteúdo, ele tem que transcender a actualização, ele deve ser apreendido pelo xamã. A homeocoisa deve ter um carácter imanente e iconofílico, só desta maneira o xamã ultrapassará a demagogia cabotina apreciada pela besta cega que é a maioria.

O homeostético nunca é a maioria, muito pelo contrário. É subjacente a um grupo específico, hermético e elitista.

ANEXO 2 — cosmogonia Budonguiana (de origem suméria)

Quando na elevada elevação das vedações Budonga não tinha sido sequer nomeada, e a terra firme abaixo do tido e da tida se deixou chamar pelo nome repetido, quando Apsu primordial, como um pedinte se vestiu tirando a camisa do cabide, e Mama-Tramada, ela que fura tudo, suas águas mixordou com um único corpo, e nenhum pizza-hut com promoções tinha saltado adiante, e nenhum Macdonald tinha aparecido, e nenhuns dos deuses tinham sido feitos para os homens lhes pedirem, e nenhuns nenhuns escarafunchavam os nomes, e nenhum destinos eram cozinhados nos cumes: era o ano que os deuses estavam em gestação dando formas fofas aos entermeados do paraíso. Bodeguin e Bodegon foram trazidos adiante, pelo nome que foram furiosamente chamados. Antes cresceram na idade e na estatuária, Anshar e Kishar foram dando forma e fama, Sobrepassando e soluçando um ao outro. Longos e altos eram os dias, a seguir veio adiante uma noite mutilante..... Anus era seu herdeiro, de seus pais o rival; Sim, Anshar o altamente desevencilhado, Anus, era seu igual no alarde,

Anus bigodudo em sua imagem pintada por Nudimmud. Este Nudimmud era de seus pais o mestre; De sabedoria larga, compreensão precoce e poderosa na força, mais poderosa porque distante da do seu avô, Anshar que se movia entre as mitologias como uma velha corça. Não teve nenhum rival entre os deuses, seus irmãos. Assim foram estabelecidos os pastos e eram apetitosos: Os deuses grandes, enormes, fartos, brejeiros. Perturbaram Tiamat enquanto cirugias avançavam para a frente e para trás nos campos verdes de vindouras batalhas sim, eles incomodaram o modo de Tiamat se maquilhar porque tinham muita hilariedade no domicílio e muita depressão ao co-habitar o lar. Apsu não poderia diminuir seu clamor sem dores de dentes e Tiamat era abrasivo e desbocado em suas maneiras e fretes. Seus fodidos feitos eram lováveis e lavaveis até. . . . A maneira de Thier era maluca e maldosa; dormia até não podia. Então Apsu, o pedante pedinte dos deuses grandes, Gritou-se para fora, dirigindo-se a Mummu, seu ministro: "O Mummu, meu mais manhoso vizir, que rejubilas meu espírito, vem aqui e deixa-nos ir a Tiamat!" Foram e sentaram-se muito em baixo diante de Tiamat, trocando conselhos sobre os deuses, e seus implantes mamários. Apsu, abrindo sua boca, disse a Tiamat, assente no resplandecente: "tuas maneiras são verdadeiramente lusitanas. Durante o dia eu não encontro nenhum relevo, nem repouso no regaço regurgitante da noite. Eu destruirei, «mim destruirá», estas maneiras mascaradas,

que quietas podem ser restauradas nos vícios imperfeitos. Deixem-nos ter o descanso dos abjeccionistas antigos!" Assim que Tiamat ouviu este roncar, ficou furiosa e chamou agravadamente o seu marido. Gritou para fora muitinho agachada e achincalhada, porque rangia toda sozinha a pensar numa rapazinha, ela expressou-se assim num curso sobre a maldição dos curdos, e até Apsu falou: "O quê? Devemos nós destruir aquilo que construímos? Esta decisão é certamente das mais incômodas, mas deixa-nos resolvê-la amavelmente e mudar a posição das comodas!" Então Mama-Tramada respondeu-se, dando conselhos a Apsu; Doente-desejado e desgraciante era conselho de Mummu: "destroi, meu pai, as maneiras mútuas. Então tu terás relevos e paisagens para te passeares pelo dia e pela noite desfrutarás do descanso suave que pia e de quem agradece aos pelos púbicos da obscuridade!" Quando Apsu ouviu isto, sua cara cresceu radiante por causa da palhaçada que apaparicara de encontro aos deuses, seus afilhados. Quanto a Mummu, embriagado pela Doxa desatou o nó da garganta como ela fora sentada por baixo e ajoelhou-se para beijá-la lambuzadamente. Agora o que quer que tenham traçado entre eles, foi repetido até os deuses, ministrando palacianas preces.

Quando os outros deuses ouviram este retinto zumbido, Sentiram-se destringentes e azetecas: impuseram então o silêncio àss discotecas e remanesceram speedando a prosápia. Surfando na sabedoria, realizando dialéticas frenéticas, cheiinho de recursos, adiantou-se Ea, o sabichão, viu com seu esquema como Budonga era um clarão. Um projeto de mestre encontranto-se aos encontrões com ele que planejou e ajustou acima, feito arteiro no seu período de menipeias, injectando sacralidade nas veias. Recitou o e feito lhe subsidiava a profundidade, e derramou um sono que sobrou à eternidade. Soeram adormecerem-se inúmeras criaturas. Tal como se tinha feito prometer, Apsu verteu o sono caçador sobre Mummu, que no cagaço sua impotência agitava. Afrouxou sua faixa, rasgou fora a sua tiara, removeu o seu halito expremeu-se todinho. Fedia a abismo, a abismo assassinado. Mummu que limitava ao fechamento ainda arrecadou o lado de trás e o esquerdo. Assim estabelecendo sua moradia em cima Apsu colocou a preensão sobre Mummu, tarrendou-lhe a terra, e prendeu-lhe o nariz. Desde que o Ea vencera e pisara as faces abaixo, e afixado pribitivamente o seu triunfo sobre os inimigos,

foi para a sua câmara sagrada e na paz profunda descansou nomeando "Apsu" para a governança dos remanescentes domínios: este fabricou uma cabana divina e assim o seu culto nasceu. Ea e Damkina, sua esposa, com um espanador resididam lá, na vertigem do esplendor, na câmara dos Fados, no domicílio dos desatinos, deus alfa engendrado, o mais capaz e o mais sábio dos deuses. No coração de Apsu estava Marduk criando-se, no coração de Apsu, doidamente, o sagrado fora criado. Que astuto o era Ea, seu pai; Que o fofura era Damkina, sua mãe. O peito das deusas sugou. A enfermeira que o nutriu encheu-o com o belas parecenças. Fascinante era sua figura, estonteantea altivez de seus olhos. Senhoreante era o seu gosto, e suas palavras arcvanos mandamentos. Quando o Ea o viu, o pai que o gerou, exultante e incandescente, seu coração povou-se de alegrias. Toenou-o perfeito e dotado qual divindade dupla. Excelso extremava-se acima deles, excedendo qualquer um. Perfeitos eram seus membros, para além de compreensão,

incapazes de serem compreendidos, difíceis de perceber. Quatro eram seus olhos, quatro eram suas orelhas; Quando moveu seus lábios, o fogo chamejou adiante. Grandes eram todos os quatro órgãos escutantes, e os olhos, obscuros e sem conta faziam a varredura de todas as coisas. Era o mais elevado dos deuses, ultrapassante era a sua estatura. Seus membros eram gigantes, excedendo qualquer dimensão. "Meu filho pequeno, meu filho pequeno! Meu filho, o sol! Sol dos céus!" Vestido com o halito de dez deuses, era a máximo fortaleza, porque seus clarões eram graciosos e harpejavam arrodeando-o.

ANEXO 3 — OS FICHEIROS FICHADOS

A

Aforismo – o que ferra sem rima não forra senão com frases de estribo Alquimia – quimica na cama Amor – maremoto alquimico Antiphon – sendo cada palavra um sacrificio ou o seu motivo, antiphon é o que se opõe (ou apõe) a qualquer som Apaté – ilusão de que um pito é um paté Apetite – a pequena vontade de devorar (a avó?) Arte – Quem é que leu Sartre? Autor – crocodilo pré-cibernético à procura dos seus direitos

B

Belo – lamber o belo é delicioso Bruto – a César o que é de Cesário? Brito – é agradável na brasa

C

Canibal – devora o homem sem ser por mal Casanova – predador de sofismas sexuais Caveira – imagem perdurável do impermanente Censura – sedução pela elisão? Cínico – canídeo filosofal

Cohabitar – limpar o rabo no mesmo papel que os outros Colher – utensílio que mais nos penetra Corpo – com os copos é um porco Creatividade – actividade que não se limita a ser actividade

D

Dados – nenhum acaso abolirá os dados Desenho – nenhum designio abandonará a sua sanha Dharma – é o que se arma em dar, mas prefere tirar

E

Elipse – psique segundo a Elle ou Deus de acordo com si próprio Enciclopédia – ciclismo em que se utilizam as bicicletas e os conceitos para andar ao pé coxinho Entusiasmo – tusa que emerge graças a um quiasmo Escrever – escreve-se para não se ser escravo quer de si quer dos outros Espaço – só os passos, em frente ou atrás, desfloram os espaços

F

Fama – é o que ama o fútil sabendo que não há essencialidade Favas – petisco filosófico que permite partilhar banquetes com os mortos Filosofia – conversa fiada dos ditos filosofos Fraude – audácia mascarada, ou frique de fraque Fumo – «fumo de fumo» é uma boa metáfora para a natureza humana, mas é mais aplicável aos fumadores

G

Gnomo – criatura ignóbil que se parece com um gomo Gnósticos – tipos que desatam os nós dos sapatos do Ignoto Górgias – sofista que regorgita a ontologia e que regorgeia em retóricas

H

Heráclito – grego obscuro que desenvolveu sem o saber um pensamento clitórico Hermes – deus da fraude e da internet Histrião – truão distraído

I

Ilimitado – imitação e dilatação de mitos Ideia – deusa do I, isto é, criatura (sobrehumana?) aguda ou esganiçada Imagem – é o que nos vem à ideia (ver acima) quando nos falta mama Imortal – Iman total Impossível – o que é passivel de ser improvável (ver abaixo) Improvável – o que se prova sem se provar

J

Justo – alguém que em nenhuma situação sabe dar largas às suas larguezas

K

Kayros – chulisse do já ou oposto de Ìcaro

L

Lacuna – a cona quando falta ou uma lagoa bem seca Limitado – o que lima o ditado Lógica – é o que está lógicamente a mais ou a menos

M

Mal – às vezes vem em lugar do bem Metamorfoses – metas do amor em romances ferozes Métis – é o que se mete com tudo mesmo quando para isso não é chamado Morte – vida elidida Multiplicidade – cumplicidade da complexidade

N

Nada – é danado para dar sem sequer dar

Natural – artiticio da natureza Negação – ganancia da acção

O

Olimpo – moradia de luxo adquirida graças à limpeza étnica dos titãs Ordem – diz-se que está em ordem das coisas quando mordem

P

Paradoxa – é o que pára o trânsito da doxa Pintura – a pintura supõe um pintelhismo endireitado do pincel Polemos – guerrilha com sotaque grego Posteridade – a idade em que tinhamos posters Prolixo – o oposto de improdutividade, mesmo que à custa de lixo

Q

Quantidade – probabildades quânticas Qualidade – mesmo que esteja garantida não está minimamente garantida Quiasmo – passagem do tesão a picha mole e vice-versa Quine – enquinamento fulanizado ou quinino verbal a não confundir com Queneau

R

Raiva – uivo de uma ruiva Representação – reprodução de presentes Regras – o que os homens raramente respeitam e que as mulheres têm Rima – rito verbal de efeito banal Rito – anagrama de tiro eventualmente pela culatra

S

Sade – sociedade anonima desportiva no seu melhor e pior Sacrifício – o que os pais fazem ou não fazem pelos filhos Sentido – um significado bem-passado ou saignant Sofista – antónimo de fadista

T

Tempo – tampa fanhosa Tirésias – o tipo que atira com a tese do atrito apesar da atrite Tradução – trapalhada que tenta passar o que se diz com lingua seca em lingua molhada

U

Ulisses – ninguém se chama assim Unicornio – criatura com meio par de cornos Unidade – o nada que nos é dado disfarçado de um ou nenhum (vêr unhidade e nenhunidade - mas aonde?)

V

Vaca – forma da eternidade distinta da do queijo Velocidade – consequência venenosa de alguma fractura na unidade, ou no nada Voltaire – Revuelto de variadas reverências e manietadas e francófanas influências

W

Wou Wei – espontaneidade disfarçada de esforçada

X

Xamã – aquele que chama à Terra mamã

Z

Zenão – entre o Zé Ninguém e o Zé Não há um paradoxo que terá razão? Zhuangzi – O que se resignou a resignar-se