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A reorganização sindical no Brasil: as novas centrais e as propostas de reforma trabalhista Marcelo Badaró Mattos – UFF/Brasil Está em curso

no Brasil um processo de reorganização sindical. Uma de suas características mais marcantes é o fato de que ele se dá em meio a um sensível refluxo das lutas sindicais, em forte contraste com o ciclo anterior de reorganização (conhecido como “novo sindicalismo”), em que novas propostas e centrais sindicais surgiram em meio a um crescimento das greves e mobilizações da classe trabalhadora. Somado o refluxo das mobilizações ao quadro histórico gerado pela legislação sindical que atrela as entidades a um reconhecimento oficial pelo Ministério do Trabalho e às especificidades do governo Lula da Silva, que estabeleceu regras de “reconhecimento” das centrais sindicais, incorporando-as aos quadros do sindicalismo oficial (inclusive através da arrecadação do “imposto sindical”), podemos entender porque havia, em 2009, segundo os registros oficiais do governo, 17 centrais sindicais reconhecidas no país. Nesta comunicação, procuro examinar o perfil das principais dentre essas centrais, problematizando seus posicionamentos em relação a um tema-chave, qual seja, o das propostas de reformas e efetivas reformas da legislação trabalhista brasileira.

As centrais sindicais hoje

Seria desnecessário listar as centrais sindicais hoje registradas no Brasil, visto que a maioria delas possui existência apenas formal, decorrente de uma especificidade do quadro sindical brasileiro: o modelo do sindicato oficial, corporativista estatal, criado nos anos 1930, sob assumida inspiração fascista, atravessou 8 décadas no país, com alterações muito pequenas. O mais interessante é tentar compreender como, no contexto atual, essa situação se sustenta, tendo em vista que o governo, por dois mandatos sucessivos, foi ocupado por Lula da Silva, o antigo dirigente sindical metalúrgico que, em fins dos anos 1970, liderou as maiores greves do país, em meio a uma ditadura militar, com um discurso centrado na crítica a estrutura sindical corporativista, característico do chamado `novo sindicalismo`. O mesmo movimento que gerou, no plano partidário, o Partido dos Trabalhadores e, no plano sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), central sindical fundada com um

que uma proposta de reforma sindical. Para entender tal processo. Esteve de fato à frente das reconquistas dos sindicatos aos pelegos. viveu divisões internas significativas. como culminância de uma série de encontros (e rachas) intersindicais realizados desde o fim da década anterior. Alterações estatutárias realizadas nos Congresso de 1986 e 1988 reduziram o peso da participação de delegados de base nos eventos deliberativos da Central e ampliaram a autonomia da direção. durante os anos 1980. num primeiro momento entre os grupos oriundos das “oposições sindicais”. parece-me útil recuperar a trajetória da CUT. que nos anos 1990 comporia o Movimento por uma Tendência Socialista). marcaria de vez o período em que a convivência interna já não seria mais pautada pelo consenso mínimo e a direção . A CUT. os apelos governamentais e empresariais pelo “pacto social”. Um grande conflito em torno da democracia interna no Congresso de 1991.programa de defesa da liberdade de organização sindical e de denúncia da estrutura sindical oficial. porém. dirigentes sindicais que adotaram políticas mais independentes do governo e dos patrões e impulsionaram greves em suas categorias a partir do aparelho sindical oficial. afirmando a necessidade de enfrentamento com o capital – ou seja. opondo de um lado a Articulação Sindical e seus aliados e de outro as correntes de esquerda (especialmente a CUT pela Base. das grandes mobilizações da classe (como as greves gerais e a luta pelos direitos trabalhistas na Constituinte) e rejeitou. políticos no sentido do projeto socialista. econômico-corporativos) e históricos (isto é. mais tarde Alternativa Sindical Socialista e a Convergência Socialista. No entanto. centrada basicamente no reconhecimento das centrais sindicais (entendido não como superação da estrutura corporativista. em seus primeiros anos de vida. foi nesses dois mandatos de Lula da Silva. como se explicitaria nas suas resoluções congressuais). com a perspectiva “classista” da defesa da autonomia da classe trabalhadora – e a defesa dos interesses imediatos (isto é. mas como incorporação das centrais a tal estrutura) foi gestada e implantada. tendo a CUT como base de sustentção do governo e vários de seus dirigentes em cargos-chav da administação pública (inclusive o Ministério do Trabalho na primeira gestão de Lula da Silva). resolvido com fraudes em votações e ameaças de racha. eleito pelo PT. Fundada em 1983. Com o passar dos anos a polarização interna acirrou-se. desde sua origem. a CUT apresentou-se e cresceu. mais críticos da estrutura sindical e defensores da organização autônoma dos trabalhadores a partir dos locais de trabalho e os sindicalistas “autênticos”.

principalmente de empresas estatais (como Previ e Petros. passou a receber quantias bastante significativas do FAT para financiamento de cursos de “requalificação” profissional. O exemplo máximo das consequências desta integração da CUT aos conselhos tripartites veio com a participação no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). que foram protagonistas do processo de privatização e continuam a ser alavancas poderosas para a acumulação capitalista nos quadros atuais. Essa nova linha foi batizada de “sindicalismo cidadão”. O discurso que justificava tal integração era o de que os trabalhadores tinham que disputar os recursos e verbas públicas com os empresários e de que a CUT precisava ser “propositiva”. num processo em que a central se afundou cada vez mais na perspectiva de oferta de formação profissional (aceitando a premissa da “empregabilidade” – trabalhadores estão desempregados por falta de qualificação). de Collor em 1990. Com isso. depois centenas.da Articulação Sindical passava a se impor de forma politicamente excludente sobre os demais setores. por exemplo). a CUT passou a participar de espaços convocados pelo governo – o “entendimento nacional”. O passo seguinte foi a integração de dezenas. na mais plena aceitação da política de emprego e renda do governo federal nos anos da gestão de FHC. ainda no governo de Collor de Melo. de dirigentes sindicais aos conselhos gestores de fundos de pensão. Da perspectiva classista dos anos 1980 para o “participacionismo” da década seguinte. como as “câmaras setoriais”. As manobras internas do setor majoritário para garantir o controle completo da CUT antecederam em alguns anos o impacto maior da reestruturação produtiva no país. Se a mudança de perspectivas da direção majoritária da CUT foi um processo . agências de emprego e cooperativas de trabalhadores. o “acordo da previdência” de 1996 – e por governo e empresários. Também no início dos anos 1990. entre 1991 e 1994. a CUT começou a integrar conselhos tripartites de administração de fundos e políticas públicas. As consequências sociais da reestruturação – particularmente a precarização generalizada e o desemprego estrutural – criaram o caldo social propício para a virada na forma de intervenção da central nos anos seguintes. administrando os recursos desse fundo. formular projetos alternativos – não só resistir às políticas neoliberais – apresentando-se como representante dos trabalhadores não apenas na dimensão estritamente sindical.

mas encontrou o contexto necessário à sua efetivação no momento em que a reestruturação produtiva produzia seus resultados precarizadores e fragmentadores sobre a classe. numa proposta claramente inspirada no modelo europeu. Todo este quadro tem sua culminância no governo de Lula da Silva. carreira sindical (do sindicato à federação. portanto. A filiação da CUT à Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres (CIOSL). O presidente da República indicou o . Finanças centralizadas na direção nacional da CUT e sindicatos constituídos desde os estatutos como parte da estrutura da central. passaram progressivamente de obstáculos a recursos utilizados com naturalidade – sempre afirmando que “para a mobilização. quando a vinculação da central ao governo tornou-se evidente. ao golpe militar de 1964 e. mostrava que a central era agora “organicamente” ligada àquele modelo.progressivo que antecedeu no tempo. aliás. caldo propício a todo tipo de transformismo político. é claro!” –. cuja consequência imediata é o afastamento objetivo entre os interesses das direções e o de suas bases. apesar de todo o discurso sobre autonomia do “novo sindicalismo”. Licença sindical. em contrate com os milhões de assinaturas e as caravanas de milhares de trabalhadores levados para pressionar pela aprovação dos novos direitos trabalhistas. sem grandes mobilizações contrárias por parte da CUT. desta à confederação e/ou à central). entre outros aspectos nítida e sabidamente (denunciados pelos próprios sindicalistas “autênticos” de 1978-1980) burocratizantes. um processo de duração mais longo ajuda-nos a compreender como e porque se chegou a esse resultado. para o “bem da categoria”. como o comprovou a filiação da Contag – a confederação oficial dos trabalhadores da agricultura – à CUT. o uso dos recursos do imposto sindical. montada nos anos 1930. eram os aliceces do modelo proposto. O passo seguinte foi a proposta de constituição de um “sindicalismo orgânico” à central. que a CUT abandonasse nos anos 1990 a proposta de construir uma nova estrutura sindical para adaptar-se cada vez mais à existente. em 1994. que resistiu à Carta de 1946. que aliás vinha sendo tomado como exemplo (e financiador de políticas como a de formação da central) desde os anos 1980. Não é de se admirar. Trata-se da permanência da estrutura sindical corporativista. foi mantida no essencial pela Constituição de 1988. em 1995. Nada mais corruptor do que mecanismos deste tipo.

. o governo Lula. após diversas escaramuças. as prerrogativas legais do Ministério em homologar/cassar registros se ampliaram e ameaças de retirada da “legalidade” pairaram especialmente sobre sindicatos de tradição mais combativa do funcionalismo público que. indicou-o para comandar o Ministério do Trabalho. não se deve estranhar que. As principais delas resultaram em rupturas com a CUT. como também já não cumprem mais um papel histórico. No ano seguinte. em particular o PT e a CUT. Não se pode. nos seus conselhos de gestão e nos conselhos das empresas privadas com participação acionária do Estado ou dos fundos de pensão das estatais. A tarefa pareceu tão natural. que o presidente da CUT apenas se licenciou de suas funções para assumir o cargo de ministro.candidato a presidente da CUT. Justo o imposto sindical. inclusive arrecadando sua parcela do imposto sindical. com essa pressão. conforme a lógica de classe que as gerou. com a CUT à frente. triste e sintomaticamente. as organizações oriundas daquele ciclo. através de um Ministério do Trabalho comandado pelos varguistas do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e os arqui-pelegos neoliberais (antes “inimigos” da CUT) da Força Sindical. que se iniciou no plano do sindicalismo com o anúncio e o intenso debate em torno de uma “reforma sindical e trabalhista”. Por outro lado. É comum. tão criticado pelos “novos sindicalistas” e que agora foi mantido graças à pressão das centrais. entre muitos analistas. restou o reconhecimento das centrais sindicais como parte do sistema oficial. na perspectiva de retomada de suas bandeiras originais em um novo ciclo de lutas e organização da classe trabalhadora. Em cargos dos diversos escalões do governo. nas empresas estatais. Dado esse quadro. passaram a priorizar o “reconhecimento do Estado” em suas pautas de mobilização. porém. Luiz Marinho. . afirmar com muita segurança que um outro ciclo já se instaurou. ex-dirigentes cutistas passaram a encontrar um novo “habitat natural”. Da proposta de reforma sindical de 2003. que acabaria eleito em 2003. tenha chegado ao seu segundo mandato avançando para a retirada de direitos dos trabalhadores (vide Lei de Falências e nova legislação para pequenas e médias empresas) e um aprofundamento do controle do Estado sobre os sindicatos. Tal quadro de `incorporação a ordem` da antes combativa Cental Única dos Trabalhadores não se processou sem contradições. a avaliação de que não apenas chegou ao fim o ciclo de lutas da classe trabalhadora iniciado com as greves do ABC em 1978.

Reunia em meados de 2009. O problema maior desse ponto de vista é que as “novas” organizações. possuia perfil estritamente sindical e filiou um número menor de entidades. que contribua positivamente para a instauração de um novo ciclo de lutas. Esse tipo de análise gera a ilusão “movimentista”. expressa nas proclamações de que o protagonismo das lutas pela transformação cabe diretamente aos movimentos. Por outro. seu perfil foi o de uma central de sindicatos e movimentos sociais. oprimidos racialmente. No caso da Conlutas. em torno de direções legitimadas e um programa estratégico coerente. ou mesmo pelo qualificativo que as políticas públicas focalizadas lhes atribuem: pobres. . além de outras organizações sociais e estudantis. entre outras identidades). sem maiores articulações e na ausência de qualquer direção unificada legitimada pelos movimentos. mesmo quando a identidade de classe é marcadamente assumida. muitos dos sujeitos desses movimentos acabam se identificando apenas por características parciais da sua condição social (vizinhos na comunidade. em 2009. a CUT filiava. mas também a aspectos subjetivos. sem apresentar-se qualquer perspectiva de unidade programática e prática que possa superar seu fracionamento. a unidade não é simples.299 entidades. organizada pouco depois da Conlutas. Isso se deve a condições objetivas de fragmentação da classe. fundadas por setores dissidentes da CUT. segundo informações imprecisas. tais lutas se dão de forma extremamente fragmentada. surgidas como contraponto à crise de representatividade classista das “antigas”. Para se ter uma ideia dos limites objetivos dessas organizações. vítimas de violência do Estado.Em primeiro lugar porque se são visíveis múltiplas e diferenciadas mobilizações de frações da classe. A falência da CUT e a virada político-ideológica do PT são traduzidas por uma parcela significativa dos movimentos atuais que se mantêm em perspectiva combativa como uma inevitabilidade do sindicalismo derivar em peleguismo e do partido político significar dirigismo e institucionalismo. não conseguiram ainda responder positivamente ao desafio de se apresentarem como realmente novas e trabalharem com consequência para a unificação dos movimentos. Já a Intersindical. construída a partir de 2004 e fundada em maio de 2006. cerca de cinquenta entidades sindicais filiadas. Do ponto de vista sindical. as experiências mais interessantes são os processos de constituição da Conlutas e da Intersindical. De um lado. 3.

embora pouco represente em termos de capacidade de mobilização. sua direção continua a ser majoritariamente composta por militantes do PSTU. Uma delas deriva da forma como a Conlutas foi montada a partir da iniciativa de um agrupamento político.br/content/view/2883/289/. Tais diferenças inviabilizaram.116. embora a Conlutas possua hoje em sua composição interna outros setores políticos. como o debate em torno do caráter da nova organização: se uma central estritamente sindical ou uma entidade que agregue sindicatos e outros movimentos sociais e populares. o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado). a criação de uma única entidade congregando esses setores e o processo de reunificação entre Conlutas. Fatores secundários também são apresentados como obstáculos à unificação. ou suas 1 Segundo as informações disponibilizadas em seu sítio. Na expectativa de que tal maré de mobilizações da classe atingisse o Brasil. que enxergou na conjuntura aberta na década atual na América Latina um potencial de situações prérevolucionárias.cut. Está em andamento um debate sobre o processo de unificação dessas novas entidades. o que gera desconfianças entre parcela expressiva dos que se reuniram na Intersindical sobre o caráter da central e sua permeabilidade a outras leituras estratégicas. . na década em curso a média anual de greves está na casa das 400 paralisações. se nos anos 1980 se chegou a um ritmo de 4000 greves anuais (dados de 1989). acreditaram ser fundamental construir a ferramenta organizativa capaz de cumprir o papel de direção das lutas no momento adequado. 1 Esse número de entidades filiadas é bastante expressivo quando confrontado com o total de 8. Mais limitador que o projeto que deu origem à Conlutas e à Intersindical. Intersindical e outros setores permanece em aberto. não se houve falar em greve geral há mais de 10 anos e é difícil localizar quem avalie que a classe trabalhadora organizada sindicalmente possui algum protagonismo no cenário político atual do país.345 sindicatos de trabalhadores registrados no Ministério do Trabalho atualmente (6. em http://www. Assim. visto que. porém.092.org. tal unificação esbarra em diversas dificuldades.160 na base. que não evoluíram em situações revolucionárias de fato pela ausência de organizações capazes de centralizar e unificar as lutas. Desde 2004. em junho de 2010. acessado em abril de 2009.060 deles urbanos).278 trabalhadoras e trabalhadores associados e 21.com 7.

) e. farmácias. ao que parece.846. convênios médicos etc. a participação das bases nas decisões dos novos organismos nasce profundamente comprometida pela manutenção de práticas de direção cupulistas. apesar de proclamações e dispositivos estatutários. . pelas próprias organizações de base da classe. tendo em conta os trabalhadores urbanos apenas. Numa apreciação geral. a própria construção dessas organizações tem sido pautada. raramente apresentam um elevado grau de organização na base. A primeira diz respeito ao fato de que não se pode compreender adequadamente o processo de organização coletiva da classe sem atentarmos atentamente para sua experiência histórica real. é a pesada herança de práticas sindicais desenvolvidas desde o tempo de militância na CUT.diferenças em torno do modelo da nova central. embora proclamem sempre.gov. através de comissões de trabalhadores nos locais de trabalho. Assim.ibge. 82. do alto. pelas tendências e organizações políticas e não. é preciso notar que o Brasil possui hoje cerca de 190 milhões de habitantes. Dos(as) 2 Os dados quantitativos que não apresentarem outra referência explícita são do IBGE. Breve balanço Não me parece possível fechar este breve balanço do processo de reorganização sindical bem curso no Brasil atual sem chamar a atenção para duas questões centrais. por mais que se caracterizem pela combatividade. Pesquisando as organizações de ponta de cada uma dessas entidades.2 Dados de 2007 indicam que. possuem diversos “serviços” prestados pelo sindicato associados às velhas práticas assistenciais (colônias de férias.6% moram nas cidades. Nesse sentido. do total de 98. Uma das mais presentes é a de construção prévia do “acordo entre as tendências” em todas as questões que possam ser submetidas à deliberação plenária. de baixo. mantêm entre seus dirigentes um baixo grau de renovação.br. e podem ser acessados no sítio www. é possível notar que. a relação com a estrutura sindical está longe de ser equacionada no conjunto dos sindicatos que conformam essas novas organizações. se a esquerda da CUT (agora fora da central) criticava a falta de democracia interna a partir do momento em que a Articulação Sindical assumiu de fato o controle absoluto do jogo cutista.000 pessoas economicamente ativas. Da mesma forma.

Esse quadro contrasta profundamente com o perfil do país há algumas décadas atrás. dos direitos previdenciários. A tendência de alta acelerada do desemprego é já efeito da crise atual.90. já tendia a produzir elevados contingentes excedentes. 8.2% dos 41. somado aos por conta própria.000 habitantes com 10 anos ou mais de idade.4% por conta própria. ainda seguindo os dados de 2007.361. Num quadro geral.5% de desempregados nas principais regiões metropolitanas do país em fevereiro de 2009. Foi nos anos 1960 que a população urbana ultrapassou a rural.000 são. 98. os postos de trabalho vêm diminuindo há cinco meses 3 Conforme as informações do sítio http://www.207. Em 1940.7% dos ocupados contribuía para a previdência.000 se encontravam desocupados (dos quais 5. como mencionamos.br/ped/metropolitana. que nitidamente subestimam o total de trabalhadores desempregados. portanto. Isto implica reconhecer que a classe trabalhadora no Brasil é profundamente concentrada no meio urbano. Entre esses.236. 2. e a mais baixa de 6.000 já haviam trabalhado antes. em 2007.684. Outra forma de perceber a ausência de direitos dos trabalhadores é observar que naquele mesmo ano. só 31. No tocante às taxas de desemprego. e outros 2. consultado em abril . a taxa mais alta registrada foi de 12% em 2004. apenas 18.3% o estão em atividades agrícolas.786.5% ocupados não remunerados e 4% empregadores. apontam para 8.dieese. economicamente ativos.8% em dezembro passado. significa cerca de 44% de trabalhadores precarizados.org.000 pessoas ocupadas nas cidades. entre as 74.000 ocupados(as) no país.9% eram empregados. Duas décadas de reestruturação produtiva foram suficientes para introduzir um alto grau de precarização numa população trabalhadora que.9% das 93. 20. portanto descontados os 4% de empregadores (que em geral contribuem).9% de desempregados em fevereiro de 2009. registrando-se 13. Entre os 159. 72.3 Na indústria. 50. Entre os empregados. o que. constata-se que a maioria dos trabalhadores não o faz e está excluída.037 pessoas recenseadas. Em 1970.315 residentes no país vivia nas cidades.139.xml#.060. eram moradoras das cidades 55.6% não possuíam carteira de trabalho assinada.375.000 procuravam seu primeiro emprego). Desde 2003. percebe-se que a situação é mais grave. mas que essa concentração se produziu de forma dramaticamente rápida nas últimas décadas do século XX. Pelos dados do Dieese. 23. os dados do IBGE.846. podendo no máximo ser atendida no futuro pela assistência social previdenciária. por sua elevada concentração recente nos grandes centros.

mesmo que concentremos nosso olhar sobre os trabalhadores ocupados e com carteira de trabalho assinada. apenas para ilustrar a questão. a empresa empregava 23 mil trabalhadores. sendo submetida a reformas que. em março de 2009. Em decorrência desse quadro. não é possível menosprezar um segundo fator explicativo desse quadro de reorganização sindical. de 2009.234. Mais chocante é a existência de 1. Por outro lado. 15/03/2009. Somente o seguro-desemprego teve aumento de 25% de pedidos em janeiro e fevereiro deste ano. longe de diminuírem seu potencial de controle. .5 Assim. os saques do FGTS e os gastos com seguro-desemprego vêm batendo recordes desde o fim do ano passado. 9 mil trabalhadores de empresas terceirizadas prestando serviço na CSN. como os processos levados adiante pelo governo Lula o demonstraram com clareza. generalizam-no. Mas.consecutivos. 5 Dados apresentado oralmente por Edílson Graciolli. hoje ela emprega 8 mil. Dados sobre a terceirização nos ajudariam a completar o quadro deste processo de fragmentação e precarização. sem cobertura de direitos do trabalho. capaz de atravessar diferentes conjunturas (de ditaduras abertas a democracias liberais). majoritário. Em 1989. professor da UFU. a imensa maioria sem remuneração. aos 14% de desempregados. ou seja. desde outubro de 2008. 4 Folha Online. de Volta Redonda. fora os contratos de fornecimento e serviços que transferem para fora da empresa atividades que antes eram realizadas em seu interior. antes da privatização. Não os encontramos na forma de estatísticas gerais. porém. privatizada no início dos anos 1990. quando comparados ao mesmo período do ano passado.000 crianças entre cinco e treze anos trabalhando no país em 2007 (cerca de 750 mil no campo). podemos tomar como exemplo o caso da Companhia Siderúrgica Nacional. Há. O refluxo das lutas político-sindicais da classe pode ser assim compreendido a partir de um chão histórico-social concreto. qual seja o da extrema vitalidade e versatilidade da estrutura sindical corporativista. a precarização é também uma realidade.4 Somando-se os cerca de 50% de ocupados sem carteira ou contribuição previdenciária. temos uma ideia do grau de precarização das relações de trabalho e fragmentação da classe trabalhadora em seu contingente urbano.