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a vida dos beatles

http://groups.google.com/group/digitalsource hunter davies a vida dos beatles (a única biografia autorizada)

editôra expressão e cultura

TÍTULO ORIGINAL: THE BEATLES COPYRIGTH, 1968 BY FORSTER DAVIES LIMITED

PRIMEIRA EDIÇÃO ORIGINAL: JUNHO DE 1968 PRIMEIRA EDIÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUÊSA: NOVEMBRO DE 19 68 RESERVADOS TODOS OS DIREITOS DE PUBLICAÇÃO EM LÍNGUA PORTUGUÊSA PARA O BRASIL, NOS TÊRMOS DA LEGISLAÇÃO EM VIGOR.

TRADUÇÃO DE HENRIQUE BENEVIDES CAPA DE MIGUEL MASCARENHAS DIAGRAMAÇÃO E PAGINAÇÃO DE MÁRIO PAULO COMPOSIÇÃO, IMPRESSÃO E ACABAMENTO: OFICINAS DA EMPRÊSA GRÁFICA “O CRUZEIRO” S. A. RIO DE JANEIRO Para Brian Epstein Sinceros agradecimentos são também devidos aos pais, amigos, pare ntes e a todos os que os acompanharam em Liverpool, Hamburgo e Londres e

deram a sua ajuda a êste livro. Igualmente recebi grandes subsídios de Queenie Epstein, Cliv e Epstein, Peter Brown, Geoffrey Ellis, Neil Aspinall, Mal Evans, Tony Bar row e muitos outros colaboradores da Nems e Apple. Agradecimentos também a George M artin, Dick James, Sir Joseph Lockwood, Richard Simon e a todos da Cur tis Brown. Evidentemente, sem esquecer John, Paul, George e Ringo, sem os quais... ÍNDICE Introdução................................................................... 08 l.ª PARTE: LIVERPOOL 1. John ....................................................................... 12 2. John e os “Quarrymen” ........................................... 25 3. Paul ........................................................................ 42 4. Paul e os “Quarrymen” ........................................... 54 5. George .................................................................... 65 6. George e os “Quarrymen” ........................................ 75 7. John no “Art College” .............................................. 83 8. Dos “Quarrymen” aos “Moondogs” .......................... 96 9. Stu, a Escócia e os “Silver Beatles” ....................... 104 10. O “Casbah” ......................................................... 116 11. Hamburgo .......................................................... 127 12. Astrid e Klaus ..................................................... 138 13. Liverpool — “Litherland” e “Cavern” .................... 149 14. Marcando tempo — Liverpool e Hamburgo .......... 167 15. Brian Epstein ..................................................... 183 16. Brian contrata os “Beatles” ................................. 200 17. “Decca” e Pete Best ............................................. 214 18. Ringo................................................................... 232 19. Ringo com os “Beatles”........................................ 243 2.ª PARTE: LONDRES E O MUNDO 20. George Martin & Dick James .............................. 257 21. Em viagem .......................................................... 274 22. Beatlemania ....................................................... 293 23. E.U.A .................................................................. 310 24. Inglaterra e retôrno aos E.U.A ............................. 329 25. O fim das “tournées” ........................................... 342 26. A morte de Brian Epstein .................................... 355

27. Os “Beatles”, das drogas ao “Maharishi”............... 375 3.ª PARTE: HOJE 28. Pais e amigos ...................................................... 392 29. O império dos “Beatles” ...................................... 417 30. Os “Beatles” e a sua música ................................ 432 31. John ................................................................... 468 32. Paul .................................................................... 494 33. George ................................................................ 514 34. Ringo .................................................................. 539 Conclusão, por enquanto .......................................... 560 Apêndice A: Discografia completa ............................. 563 Apêndice B: As finanças, de onde vem o dinheiro ...... 577 INTRODUÇÃO Liverpool Liverpool fica no lado esquerdo da Inglaterra, logo depois da reentrân cia do mapa que é chamada País de Gales. Liverpool olha de seu canto para a Irlanda e, além dela, para a América. Em Liverpool vivem muitos irlandeses e galeses. Dizem que os irlandeses são espirituosos e que os galeses são bons cantor es. Os cantos e o humor não começaram senão a partir do século XIX. Até aí, nada de muito importante aconteceu em Liverpool. Seu primeiro mapa d ata de 1207, mas a maioria das antigüidades de hoje data apenas da Revolução Industrial. Em 1830, foi iniciada em Liverpool a primeira ferrovia de passageiros e, dez a nos mais tarde, a companhia de navegação Cunard Steamship Company lançou os primeiros t ransatlânticos do mundo. Nos cem anos seguintes, Liverpool foi tôda pro gresso. Desde a Segunda Guerra Mundial e o declínio da indústria têxtil de Lancashire, as coisas nã o têm progredido tanto. Hoje, a população é de 712.040 habitantes, não muit o maior do que era em 1901. Mas Liverpool ainda é uma cidade orgulhosa e agitada. Os governantes da cidade podem mostrar e orgulhar-se de muitas realizações. A Corporation (Prefeitura)

edita folhetos para nos informar que os mostradores do relógio do Royal Li ver Building são maiores em diâmetro do que os do Big Ben, que Liverpool t eve o primeiro médico de saúde pública da Inglaterra em 1847, e que tanto a RSPCA como a NSPCC tiveram seu início em Liverpool. E quanto às realizações de hoje, temos a nova catedral católica romana, que possui mais vitrais do que qualquer outra catedral do mundo, e, dos nove membros do Parlamento eleitos pela cidade, um é o Sr. Harold Wilson, primeiro-ministro da Inglaterra. Desde a guerra, o homem da rua, quando pensa em Liverpool, não pens a em nenhuma destas grandes realizações. Na mitologia britânica, Liverpoo l é famosa por três coisas — futebol, brigas e comediantes. A lista de comediantes de Liverpool inclui Tommy Handley, Robb Wilton, Arthur Askey, Ted Ray, Ken Dodd, Norman Vaughan e Jimmy Tarbuck, mas êles são só de interêsse inglês. Rex Harrison, também liverpooliano, é mais conhecido do que qualquer um dêles, em platéias for a da Inglaterra, pois suas representações estão longe de ser liverpoolianas. Fanny Hill nasceu, imaginàriamente, em Liverpool. Era uma cômica d e primeiro time. Matthew Arnold morreu aqui, o mesmo acontecendo com Wil liam Huskisson, presidente da Comissão de Comércio, morto em 1830, no primeiro desastre de trem oc orrido no mundo. Liverpool ainda tem a sua aparência do século dezenove. Todos os edifí cios públicos do centro têm aquêle aspecto de grandeza clássica tão admirado pelos vitorianos. O Hotel Adelphi, nome e alma e uma peça da época, apesar de estar tentan do desesperadamente parecer majestoso. Muitos dos heróis dêste livro cos tumavam encontrar-se no Adelphi. Do lado de fora, naturalmente. Nossos heróis, seus amigos e se us parentes não são muito majestosos. A Lime Street Station é outro ponto de encontro de Liverpool, que se rá ressaltado em nossa narrativa. Senhoras da rua, tais como a famosa Magg ie May, costumavam pegar ali os seus melhores fregueses, antes de serem obrigadas a se esconde r, devolvidas ao pôrto e “para o outro lado da água”. “Do outro lado da águ a”, em Liverpool, quer dizer as pessoas que moram do outro lado do Mersey, em Cheshire. Ch eshire é muito grã-fino. Nenhum de nossos heróis vivia em Cheshire. O marco para tôdas as águas de Liverpool é o Pier Head. Os barcos vão

para tôdas as partes: cruzam as águas para Gales, para a Irlanda ou para a A mérica. É dominado pelo enorme Royal Liver Building, que é muito escuro e sujo. Êle tem um grande pássaro verde em cima e amarrado com fios, pois, caso cont rário, há muito tempo êle já teria voado para algum lugar mais quente e mais limpo. Tem, a inda, uma grande estátua negra de Eduardo VII montado a cavalo. Fora isso, o Pier Head é um desapontamento. É apenas uma grande praça vazia, cercada num dos lad os pelo pier. Também êle é o principal ponto final dos ônibus para a cida de. A maioria dos liverpoolianos passa grande parte de suas vidas em tôrno do Pier Head, espe cialmente os nossos heróis. Todos aquêles grandes navios e locomotivas, todos êsses comediantes engraçados, e mesmo tôdas aquelas brigas e futebol empalideceram diante do s nossos heróis. Para os que nunca ouviram falar em Liverpool, e, mesmo para aquêles que, d e certo modo, dela ouviram falar, é bom saber que, hoje, Liverpool é o lug ar de origem dos nossos heróis. PRIMEIRA PARTE LIVERPOOL 1 JOHN Fred Lennon, o pai de John, foi criado como um órfão. Foi para a Blue coat School, em Liverpool, que, naquela época, recebia meninos órfãos. Quan do saiu, Fred foi vestido de casaca e cartola; êle diz que havia recebido uma educação mui to boa. Ficou órfão em 1921, aos nove anos de idade, quando seu pai, Jack Le nnon, morreu. Jack Lennon havia nascido em Dublin, mas passara grande part e de sua vida na América, como cantor profissional. Êle havia sido membro de um dos pri meiros grupos de Kentucky Ministreis. Depois de se ter aposentado, voltou para Liverpool, onde Fred nasceu.

Fred deixou o orfanato aos quinze anos, com sua boa educação e dois ternos novos para encaminhá-lo na vida, e se tornou contínuo num escritóri o. “Vocês podem pensar que eu não era grande coisa, mas eu estava lá, fazia só uma semana, quando o patrão pediu mais três garotos ao orfanato. Dizia que, mesmo que êles tivessem só a metade da minha vitalidade, seriam ótimos. Êle achava que eu era excel ente.” Excelente ou não, aos dezesseis anos, Fred trocou o escritório pelo m ar. Tornou-se camareiro e mais tarde garçom. Diz que era o melhor dos garço ns, mas que não tinha ambição. Êle era tão bom, que os navios não saíam de Liverpool s em que êle estivesse a bordo. Foi pouco antes de iniciar sua grande carreira marítima que Fred Lenn on começou a sair com Julia Stanley. Seu primeiro encontro foi logo na sema na seguinte à sua saída do orfanato. “Foi um lindo encontro. Eu estava usando um dos meus dois ternos n ovos. Estava sentado no Sefton Park com um companheiro que me ensinava c omo pegar as garôtas. Eu havia comprado uma piteira e um chapéu-côco. Achava que isso realment e impressionaria as pequenas.” “Havia essa garôta em quem estávamos de ôlho. Quando passei ao seu lado ela disse: — “Você parece um bôbo.” — Eu respondi: — “Pois você é linda” — e sentei-me ao lado dela. Foi tudo inocente. Eu não sabia nada.” Ela disse que, se eu fôsse sentar-me ao lado dela, teria de tirar aquêle chapéu ridículo. Então tirei-o e joguei-o no lago. Desde aquêle dia, nunca mais usei chapéu. Fred e Julia saíram juntos, durante as estadas de Fred em terra, cêrca de dez anos. Dizia êle que a mãe dela era apaixonada por êle, mas que o pai n ão se importava nem um pouco com êle. Ensinara Julia a tocar banjo. “Eu e Julia costumávamos tocar e cantar juntos. Hoje em dia, seríam os campeões de popularidade. Um dia, ela me disse — “Vamos casar.” Eu dis se que teríamos de fazer correr os proclamas e fazer as coisas como manda o figurino. — “A posto que você não fará nada disso”, — respondeu ela. Então, eu fiz, só de gozação. Foi tudo muito engraçado.” A família Stanley não achou muita graça. “Nós sabíamos que Julia est

vinte minutos depois de ter nascido. Êle saiu e t entou pegar uma libra emprestada com seu irmão. Winston foi o resultado de um impulso momentâneo de patriotismo. apesar de ter dado como sua profissão “lanterninha de cinema”. Julia foi internada no Maternity Hospital de Oxford Street para ter seu bebê. “foi aquilo. Julia ficou em casa com seus pais. “Tôda s elas diziam que se um dia eu deixasse de gostar de Julia elas me estariam esperando. apareceu e êles passaram a lua-de-mel no cinema.” O casamento teve lugar no Mount Pleasant Register Office. às seis e meia da tarde e passou a se chamar John Winston Lennon. quase esquecendo Julia . Julia ainda não havia aparecido. do lado de fora do Adelphi Hotel. Quando voltou. Julia foi para sua casa e Fred para a dêle.” Quando John estava com dezoito meses de idade. Julia descobriu que estava grávida. Fred chegou primeiro. tenho de admitir. no dia 9 de outubro de 1940 . em companhia de sua mãe. Mas sabíamos que êle não serviria para n inguém. Depois de uma viagem. finalmente. “Ê le era bastante bem-apessoado. onde Fred também passou a viver du rante os intervalos de suas viagens. para a certidão d e casamento. Ela disse: “Tudo que eu fiz foi tê-lo. Julia foi. muito menos para Julia. Ninguém sabia onde estava Fred Lennon. Mimi. partindo para as Índias Ocidentais por três meses. Liverpool estava sob pesados bombardeios. Então foi até ao cinema Trocadero.” Julia. Dep ois disso. Julia “No minuto em que vi John”. que viu o bebê. John aos oito anos de idade. diz Mimi. Na verdade ela nunca trabalhou lá. No dia seguinte. Não havia nem sinal de Julia. diz Fred. Foi no verão de 1940. pois sempre fôra deslumbrada pelo palco. Fred embarcou. Nenhum dos pais compareceu. no dia 3 de dezembro de 1938. ao escritório da companhia de navegação. estava perdid a para sempre. Êle nasceu durante um grande ataque aéreo.ava saindo com Alfred Lennon”. Um menino! Fiquei extasiada com êle. uma das quatro irmãs de Julia. um dia. escolheu o nome John. “Conversei com uma de suas colegas no Troc”. às dez da manhã. para buscar o dinheiro que Fred lhe m . Julia costumava passar muito tempo no Trocadero. afirma Mimi.

conta Mimi. que. exceto eu. lhe dis seram para se engajar num Liberty Boat. “Teria sido difícil para ela levar John. “Isso significava qu e eu iria perder minha qualificação. evidentemente. Não era verdade. Fred disse que desejava ser chefe do s garçons no Queen Mary. De fendi-me. “Ni nguém sabia o que era feito dêle. tome um porre e perca o navio. Quando chegaram lá. e isto parecia a melhor coisa a ser feita. de qualquer forma. com o assistente de comissário em vez de chefe dos garçons. Eu estava bebendo. Eu não me importava em ser envolvido na guerra . apesar de êles só se terem separado um ano mais tarde. Eu o queria. “Um dos cozinheiros de bordo me disse. Só qu e eu nunca consegui levá-los juntos ao cartório.” A versão de Fred Lennon para a sua “deserção” e o que aconteceu ao seu casamento é. mas Mimi diz que aquilo foi realmente o fi m do casamento. Tudo que êle precisava era de uma âncora para se firmar e de uma feliz vida doméstic a. afirma. quando a polícia chegou. mas não adiantou nada.” Fred passou três meses na cadeia. . Finalmente. “Julia acabou encontrando um outro homem com quem desejava casar-se” . e lhe disseram que êle seria transferido para um Liberty Boat. Êles estavam em Nova Y ork. Fred foi pôsto na cadeia. Êle disse — “Fre ddy. Foi o que Fred fêz e acabou prêso na Ilha de Ellis. Lá lhe disseram que as rem essas haviam parado. lembra Mimi. para ir buscar uma ga rrafa em seu quarto. mas escreveu-lhe alg umas cartas. então eu me encarre guei dêle. continuava sendo remetido. Acabei acusado de roubo. porém tôda a tripulação escapou. Tenho cartas dêles dizendo isso. naturalmente. um dia. Tudo havia acontecido. Tanto Fred quanto Julia desejavam que eu o adotasse. Naturalmente. mas o que não queria era perder minha posição. já considerava minha casa como seu segundo lar. “Alfred havia abandonado o navio”. E por quê? O capitão do navio de passageiros em que me encontrava aconselhou-me o que eu devia fazer. um pouco diferente. antes de eu chegar a bord o. para assinar os formulários.” Êle reapareceu. Novamente. com de stino à América do Norte. vá para terra. parou de mand ar dinheiro a Julia. De qualquer forma. Não tinha nenhum para lhe mandar. quando eclodiu a guerra. Fui acusa do de ter saqueado a carga.andava. foi obrigado a entrar num Liberty Boat.

“Telefonei de Southampton e falei com John. Quando. “Um dia. também estava sempre cantando. à casa de Mimi. quando crescesse. Estava envol vido numa série de contrabandos. Não havia o que errar naqueles dias de pós-guerra. Ela disse que não podia recusar. Então parti com John para Blackpool. e u tinha bastante dinheiro. êle dava a impressão de que ela e Fred tinham tido tempos felizes. Êle disse que queria ir. permanent emente.” Julia. muito preocupado com John. onde seu nome aparecia como o cantor de Begin the Beguine. com o outro homem e que John ficou com Mimi. Perguntei a Mimi se poderia levá -lo. Êsse foi o maior êrro que eu cometi. ir à feir a e brincar no mar e na areia. N essa época. Acho que Fred era um sujeito muito popular. e tôda aquela conversa. pecou mais contra ela mesma. sendo cui dado por sua mãe. Êle falava um inglês adorável. segundo suas irmãs. depois que Julia foi viver.“Ela adorava minhas cartas. naquela época. com John (que nessa época contava cinco anos). querida.” John tem vagas lembranças dos dias vividos com os Stanleys. êle devia estar com uns cinco anos. Eu disse a ela: estamos em guerra. sempre se divertindo”. “Naquela época. e ela nunca percebia as intenções das pessoas. e foi visitar Mimi. e êles ficaram confortáveis. “Jamais levou a vida muito a sério. Errando. Durante uma licença. morando na casa de um amigo seu. p retendendo não mais voltar. Tudo era engraçado. especialmente trazendo meias para o merc . Ela começou a s air e a se divertir.” Fred voltou novamente ao mar. “Ela estava sempre alegre. E eu é que lhe havia dito para fazer isso.” Fred. anos mais ta rde. passou algumas semanas em Blackpool. “Ela me falou que estavam sempre rindo e se divertindo. meu avô levou-me para dar um passeio no Pier Head. apesar de. Fred decidiu ir visitar John. ouvi aquela pronúncia estranha. Eu calçava um par de sapatos novos e êles me estavam mac hucando. enquanto Fred estava no mar. espirituosa. a não ser muito tarde. Vovô abriu os calcanhares do sapato com um canivete. êl e não ter mais que quatro anos de idade. Perguntei o que êle ia ser. saia e divirt a-se um pouco. Êle costumava mandar-nos programas de concertos n os navios. “Perguntei a John que tal êle achava a idéia de ir para Blackpool. fiquei certo de que não passava de um truque. diz Mimi.” Fred chegou a Liverpool.” Para a mãe.

finalmente deixaram que eu ficasse com ela. Acho que foi assim. Então nós discutimos e eu disse — “Bem. Êle veio correndo e pulou no meu joelho. Acho que. perguntando se ela ia voltar. e John repeti u que queria ficar comigo. Era sua tia Mimi que o queria de volta. Eu disse que já estava tão acostumado com John e que iria levá-lo para a Nova Zelândia comigo. ” . “Eu apenas queria protegê-lo daquilo tudo. par a a casa semi-separada de Mimi e George. em Liverpool.” “Julia foi saindo. em Woolton. ela foi muit o boa para mim. Agora. Talvez eu estivesse apreensiva demais. Agarrou-se a m im. Fred decidiu ir com êle.” O amigo com o qual êle estava morando planejava emigrar para a Nova Z elândia. e já ia atravessando a rua. “Eu nunca falei a John sôbre seu pai e sua mãe”. Tudo o que ela queria era John. até hoje.” “Foi a última vez que o vi. quando John saiu correndo a trás dela. diz Mimi. Liverpool. na realidade. então deixe o John decidir”!” “Gritei por êle. “Realmente. mas não para ficar com ela. até q ue um dia Julia bateu à porta. ou se preferia ir com ela . ainda estão vendendo o contrabando que eu tro uxe. Não poderíamos começar tudo d e nôvo? Ela disse que não.ado-negro. Como êles confia vam nela. ela tinha um belo pequeno lar e decidiu que o queria. Eu disse que não. Ela deve ter-se preocupado com as condições em que eu cres cia e sempre insistia com êles para que pensassem na minha segurança. o que êle desejava. ou ouvi alguma coisa dêle. Perguntei-lhe por que não vinha comigo. Julia perguntou novamente. Êle se mudou. Isso era. Poderia dizer que ela ainda me amav a. dessa vez para sempre. até que me diss eram que êle se havia tornado um Beatle. Todos os preparativos foram feitos. “Ela disse que queria John de volta.” John é muito grato a Mimi pelo que ela fêz. Eu só queria que êle fôsse feliz. que êle teria de decidir se ficava comigo. Êle disse que queria ficar comigo.” John voltou para Liverpool com Julia.

Por que a usaria?” Tio George. foi confirmado segundo . Mr. Mimi permitiu que sua personalidade se desenvolvesse. durante tôda a sua vida.” Mimi desejava levar e trazer John da escola. como as Strawberry Fields. se J ohn quisesse ser estragado. era o elo fraco. disse-me que John era agudo como uma agulha.” A primeira escola de John foi a Dovedale Primary. prefiro que você me lave hoje e não Mimi”. Êle sempre odiou isso. “Suas canções favoritas eram Let Him Go. Ela considera isso o sinal de fraqueza dos pais. Ou “ Caro George. Êle pode fazer qualquer co isa. para ver se tudo corria bem. a partir daquele dia.” John estava lendo e escrevendo. John começava a pular e a gritar: — “Mimi.” Ainda o tenho. Ela nunca usou aliança. um orfanato do Exér cito da Salvação. em cada verão. quando tinha quinze anos. “Nas férias êle foi para a casa de minha irmã em Edinburgo e me mandou um cart ão postal dizendo: — “9 alegria está baixando.John logo se estabeleceu com Mimi. nem eu. um filme de Walt Disney. “Sempre fomos uma família de individualistas. Lo go depois do seu terceiro dia de escola. “Caro George. apesar de soletrar de uma forma engraçada. em Woolton. “Eu costumava encontrar bilhetes que John deixav a sob o travesseiro de George. Êle costumava dizer: — “Não queça eu. Êle nunca fará nada estereotipado. vamos a gente vai chegar atrasado!. Seu pior castigo era ignorá-lo . no Liverpool Empire e a outra. Let Him Tarry e Wee Willy Winkie. será que você quer levar-me ao cinema?”. queria ir e voltar sòzinho. Mimi”. Ela o educou como se fôsse seu filh o. andando secretamente alguns metros atrás dêle. disse que ela o estava forçando a fa zer um papelão e que. Mas havia pequenas festas. mas êle não o permitia. não tolerava tolices e nunca bateu nêle ou gritou com êle. E ela teve de se contentar. que cuidava dos negócios da família. cantou no côro de St. du rante o verão. com apenas cinco meses de escola e c om a ajuda de tio George. naque la época. Sempre ia ao catecismo e. Eva ns. “O diretor. que. “Lo go que ouvíamos a banda do Exército da Salvação dando os primeiros acordes. basta querer. dava uma grande festa infantil. Durante algum tempo. Peter. nem eu. como sua som bra. Êle tinha uma boa voz. Era disciplinadora. Mimi só permitiu a John duas dessas saídas por ano — uma para a Pant omima de Natal. Mamãe nunca acreditou era ser convencional .

enquanto era adolescente. Speed an d Ilustrated. Tinha também uma história em série. eu realmente gostei dêle. Editada e ilustrada por J. eu queria ser chefe de grupo. a uns oitenta quilômetros por hora. Sua primeira série era chamada Sport. Quando tinha algum. tôda de garranchos. que será melhor ai nda. para que Mimi n ão pudesse lê-los. fotografias e recortes de estrelas de cinema e jogadores de futebol colados em suas páginas.” Até aos 14 anos. ” “Quando fazia qualquer poema sério. até que chegava ao desespêro completo. mas nada lhe adiantou. al ém de qualquer expectativa. As pessoas sempre o tomavam pelo verdadeiro filho de M imi. e logo depois vinha correndo. volte na próxima semana. Continha piadas. Esta era a razão pela qual. aquelas que eu estava lendo. caricaturas. êle pegava o cortador de grama e saía correndo pelo jar dim. eu ia reviver tudo novamente. Mimi dava-lhe apenas cinco shillings de mesada por s emana. escrevia numa grafia secreta. como as coisas sentimentais de ma is tarde. era sempre generoso.” Par a conseguir algum dinheiro extra. na escola. John tinha que trabalhar. Eu queria que os colegas fizessem apenas as brincadeiras que eu preferia.” Quando menino. Escrevi minhas próprias histórias sôbre William. Lennon. mas uma coisa natural.W. tinha cabelo dourado e parecia muito com o lado da f amília de sua mãe. sob um exterior duro. A religião nunca foi uma coisa forçada nêle. desenhos.sua própria vontade.” “Eu era apaixonado por Alice no País das Maravilhas.” “Wind in the Wittows. e desenhei todo s os personagens. o que ela . eu fazendo tôdas as coisas. busca r o dinheiro. Costumava viver Ali ce e Just William.” John começou a escrever seus livrinhos. Nem pareci a se importar com o dinheiro. quando tinha uns sete anos. que a cada semana terminava com a frase: “Se você gostou. “Êle s empre se recusava. Mi mi ainda tem uma série dêles. para êle o dinheiro não representava coisa alguma. “Tentei ensinar-lhe o valor do dinheiro. Precisava ter uma alma mole. Fiz poemas no estilo de Jabberwocky. Na verdade. ajudando no jardim. Ouvíamos a porta da varanda ser aberta furiosamente. Depois de ter lido um l ivro.

tomando conta dêle a todo instante. Gostávamos de and ar nos estribos dos bondes. “Costumava sair roubando maçãs com outro garôto. mas Mimi era o único parente que nunca descobriu nada. saiu um menino horrível. viajando quilômetros sem paga r. Todos os outros são sempre vulgares”. — “Só mesmo v ocê. eu sempre ficava de fora. Horrorizada. “Eu era o King Fin do meu grupo de idade. pensei. Êles eram de uma outra escola e não da de John. Quando era muito garôto. tamanho era meu mêdo. ela nunca dizia o contrário. do meio dêles. havia uma menina da vizinhança que viv ia me contando êsse tipo de piadas! “O tipo de turma que eu chefiava vivia fazendo coisas como roubar bo bagens nas lojas e abaixar as calcinhas das meninas. num tom tão forte. tentando impedir que êle se misturasse com o que ela chamava de garotos vulgares. Mimi dizia que êle sempre tinha de ser o chefe. ganhando por meios psicológicos. era muito mais sério. quando a adversário parecia mais forte do que eu. no mesmo tipo de casa que o dela. Êles estavam sempre aconsel hando seus filhos a não brincarem comigo. que o levava a desafios e brigas com todos. vi que era John. “Os pais dos outros meninos me odiavam. Eu sempre tinha uma resposta in teligente. Quando a bomba estour ava e todos eram apanhados em flagrante. dize m que êle parecia estar sempre brigando. Êle tinha sua própria turma. quando . Costumava ameaçá-los de pancada. Mimi simpatizava muito com êsses dois amigos. com a roupa tôda em desal inho. Mas na escola. êle costumava dizer. em Penny Lane. Mimi era muito dedicada. Mimi. mas antipatizava com outros. Aprendi uma série de piad as sujas. — “Exat amente como moleques”.” “John sempre gostou que eu lhe contasse essa história. Sempre ficava com mêdo . Então êles se sepa raram e.gostava muito. “Briguei durante tôda minha estada em Dovedale. pois viviam nas redond ezas. “Um dia eu vinha descendo pela Penny Lane e vi um ajuntamento de garotos. eu quase sujava nas calças. Durante o tempo todo. seus maiores amigos na escola. que êles acabavam acreditando que eu poderia s urrá-los. formando um círculo em tôrno de dois meninos brigando. só para provar que era o melhor. Se eram estranhos. Ivan Vaughan e Pete Shotton.” Em suas brincadeiras com os garotos da vizinhança.

Pensei: aquela é minha mãe sangrando. John era tão feliz. Era como se êle estivesse morto. Elas dizem que John era tão feliz quanto o dia era comprido. à medida que êle ficava mais velho. mais o preocupavam as dúvidas não reveladas. Eu a amava. a maioria dos professôres me odiava. Da mesma forma. po r exemplo.” “Eu logo esqueci meu pai. “Quando fiquei mais velho. mas não me queria envolver. mamãe veio ver-nos com um casaco prêto e o rosto todo cheio de sangue. e la era uma pequena escola secundária suburbana. mas Mimi e suas três tias — Anne. Preferia esconder meu s sentimentos. em Allerton. Acho que eu era um covarde moral. Mas. com a amável mas firme Mimi. “Nas visitas de Julia. havia vagas lembranças dêle em sua mente e. Ela nunca me disse nada diretamente contra meu pai ou minha mãe.” John pode ter pensado que escondia tôdas as suas preocupações e sent imentos. di z Mimi. como cigarros. uma ou duas vêzes êle me perguntou coisas”. “Mimi me disse que meus pais tinham de ixado de se amar. “Mas eu não queria contar-lhe quaisquer detalhes.” O ambiente em casa. deixamos de roubar as balas nas lojas e c omeçamos a roubar coisas que podíamos vender aos outros. F reqüentemente eu pensava nela. Elizabeth e Harriet — dizem que para elas John era completamente aberto e desanuviado. Ela tinha sofrido qualquer espécie de acidente. Liverpool. 2 JOHN E OS “QUARRYMEN” Quando John começou a estudar em 1952 na Quarry Bank High School. Fui para o jardim. apesar de por muito tempo eu não ter percebido que ela estav a morando a menos de quinze quilômetros de distância. Não adiantava nada dizer-lhe que seu pai não prestava e sua mãe enco ntrara outro companheiro. “Um dia.os encontrava. apesar de ela nunca lhe ter contado nada sôbre o passado. n . Como é que eu pod ia? Êle era feliz. Eu não podia ver aquilo. Mas eu v ia mamãe uma vez ou outra. parecia ser bom e sa tisfatório. cantando o tempo todo!” John se lembra de ter começado a fazer perguntas a Mimi e sempre re ceber a mesma espécie de resposta. e meus sentimentos para com ela não morriam.

mas ainda tem uma boa reputação. Eu disse que apenas o havia copiado para outro cara que não sabia e screver muito . em Dovedale”. seus traba lhos escolares seriam quase impossíveis. “Ela o encontrou sob o meu traves seiro. Mimi ficou satisfeita com o fato de ser uma escola local. Dois de seus antigos alunos progrediram até se tornarem ministros do govêrno tr abalhista — Peter Shore e William Rodgers. se eu achasse q ue alguém podia dar murros mais fortes do que eu. Êle er a o único estudioso do grupo de John.” Em seu primeiro ano na nova escola. rissem das minhas piadas e me deixassem ser o chefe.” John lembra-se muito bem de seu primeiro dia. então lutaremos sem sôco s! “Eu era agressivo. depois de ter feito a mesma coisa. Apanhei. Ivan Vaughan. Mas não trouxe muitos. Eu perdia a cabeça. foi para o Institute. na minha pr imeira briga. Sabia que. descobriram-no com um desenho pornográfico.ão muito distante da casa de Mimi. se continuasse no grupo. “Olhei para aquelas centenas de garotos e pensei — “Cristo. Eu xingava e gritava muito. Mas êle ainda era aceito como mem bro da gang de John. havia alguns que eram realmente pesados. Desejava ser o líder. Então Mimi encontrou um poema obsceno. em vez de est ar situada no centro da cidade. depois das aulas. em Quarry. para grande alívio seu. Achava que assim seria mais fácil para ela ma nter John sob as suas vistas. Iss o me parecia muito mais atraente do que apenas fazer parte do grupo. Se sangras se um pouco. e logo dava um murro rápido. Começou a trazer colegas para a turma de John. que êle havia escrito. “O primeiro que eu trouxe foi Len Garry. Não q ue eu brigasse muito. dizia: está bem. Eu sempre g ostava muito de selecionar as pessoas que trazia para conhecer John. no centro da cidade. Depois. “Aquilo realmente fêz a minha caveira com os professôres”. “Aqui. Eu queri a que todos fizessem o que eu mandasse. quando ficava realmente machucado. era quase certo que eu tinha vencido. porque queria ser popular. terei que brigar com todos êles. para abrir caminho aqui. Foi fundada em 1922. mas seu outro gran de amigo. Não é tão grande nem tão conhecida quanto o Liverpool Institute. Pete Shotton foi com êle para Quarry.

Os professores sempre te acabam pegando. e sempre tentava prejudica . quando relembra o passado. por sua vez. Êle vestia calças curtas. Positivamente. que êle nunca conseguia acertar. Êle era quase careca.” A partir daí. Já havia visto essa espécie de poema pelas redondezas. passando-nos um sermão. Pete acha qu e. o mijo começou a escorrer pelas suas calças. Quando se passa por maus bocados. apesar de que isso provàvelmente não acontec eria com John. Naturalmente. Então comecei a mentir sempre. naquela época. E eram risadas o tempo todo. escrevendo. como freqüentemente fazia em Dovedale. pela primeira vez. tem-se a companhia d e alguém para rir. John c omeçou a fazer cócegas na cabeça dêle. “Acho que ainda éramos muito novos. essas passagens muitas vêzes não parecem tão engraçadas. John estava urinando-se.” “Acho que. eu acho que éramos muito jovens. era Lennon e Shotton versus o res to da escola. era bom em matemática. Pete. “é muito mais fácil ficar firme no que se acredita. logo no começo.” Pete diz que. Em Dovedale. sem John como um aliado permanente. fomos levados ao Reitor. mas ainda tinha uns poucos fios de ca belo no alto da cabeça. imaginava que os teria escrito e resolvi eu mesmo tentar escrever um. quando entramos e fêz com que eu e John ficássemos um de cad a lado dêle. mas ainda o fazem rir.bem. Nós nunca paramos. tentei fazer os deveres da escola. “Mas com um cara igual a você”. John tinha ciúmes do interêss e de Pete pela matemática. Foi terrível. Realmente. Êle não podia compreender o que o estava irritando e. que sempre executava bem. por isso. Eu es tava dobrando de rir. A urina estava escorrendo para o chão e o reitor olhava em tôrno perguntando: — “Que foi? Que foi?” John tinha um talento para arte. durante todo o tempo em que estivemos lá. êle poderia ter desistido e ter sido obriga do a seguir a linha da escola. recusando tôdas as disciplinas ou idéias impostas. Mas comecei a achar que isso era tolice. diz Pete. Enquanto estava sentado ali. Êle estava sentado à sua mesa. ficava passando a mão pela cabeça. depois do primeiro ano. pelo menos. enquanto nos fazia o sermão. eu é que o havia escrito. apesar de t udo. quando. por têrmos feito alguma coisa errada. Foi ótimo. eu sempre havi a sido honesto.

a porta se abriu e John saiu de gatinhas. na realidade. êle acabou sendo transferido para o curso B. quand o John estava com quase treze anos. Ao lado Mimi escreveu: “Seis (bolos). eram apenas engraça dos e eu começava a rir. nervoso. preocupado com o que me ir ia acontecer. mas. “Êle tentava arruinar minha concentração. para levar a primeira surra. lembra Mimi. intimidado pela autoridade. mas. foram poucos minutos. “Êle não tinha ficado doente. Mimi ficava em cima dêle. explodi numa gargalhada. na maioria. Eu não conseguia parar de rir. mas não calculava o quanto êle estava mal e não cooperava na escola.” “Se eu. tendo com eçado entre os primeiros de sua turma.” Em cada ano que passava. para que eu o visse. “Eu só levei uma surra de Mimi. para coisinhas como refrigerantes. enquanto eu esperava do lado de fora da sa la do reitor. num domingo”. por qualquer razão. um só . botando desenhos na minha frente. tio George teve uma hemorragia e morreu. Eu não tinha percebido que a sala do reitor tinha duas portas. Eu sempre tirava um pouquinho. não agrada muito aos reitores. “John teve que ir primeiro.” “É o palhaço da cla sse. tivesse que sentar na primeira fila. John se levantava e ficava segura ndo o desenho. “Olhe só o Shotton. Imediatamente. “Isso foi muit o rápido.” “Êle está só prejudicando o tempo dos outros alunos. dando grandes gemidos exagerados . durante todo o tempo que John passava em c asa. Eu estava na maior agonia. Parece que esperei horas. Então. ainda com um sorriso na cara. Era a minha vez de entrar. d os melhores”. mas dess a vez devo ter tirado demais. No terceiro ano.” Êle estava ficando cada vez mais chegado ao tio George. Seus boletins continham observações como: “Sem esperança. Alguns dêles eram obscenos. nem um pouco. John estava saindo pela parte do corredor onde ninguém poderia vê-lo pelo lado de dentro. professor”. quando o professor estava de costas para a turma.” Mesmo quando êles estavam em frente ao reitor. o resto da classe dizia que eu parecia h istérico. John não ficou. naturalmente. John ficava pior. às costas dêle. Êle era simpático e bom.r o interêsse de Pete. coi sa que. “Nós nos d ávamos muito bem.” Havia um espa ço para que os pais colocassem seus comentários.” Mas. Foi por tirar dinheiro da bôlsa dela. em junho de 1953.

êles estava m sendo avisados. E John. mas nunca o demonstrou. apesar de Mimi falar a John muito pouco sôbre ela. por conta própria. “Genial. Eu o chamava de Twitchy. Nessa época. Mas êles riam dêsses avisos. Nesta época. Nós a adorávamos. “Eu comecei a ir visitá-la em sua casa. Ela sempre se mantinha e m contato com Mimi. Ríamos sem parar. Êles saíam juntos muitas vê zes.” “Eu não sabia como ficar triste publicamente. quando êles se divertiam. Acho que John ficou muito sentid o com a morte de George. freqüentemente. minha prima chegou e também veio para o andar superior da casa . ela nos aconselhava a esquecer. Os pais de Pete e a tia Mimi de John estavam sempre os avisando. Era a únic a pessoa que . da influência que ela exercia sôbre êles três. ela já tinha duas filhas com o homem com quem vivia. Julia. eu me senti muito c ulpado. Conheci seu nôvo marido e não achei que êle fôsse gra nde coisa. tinha constantes brigas com Mimi. ela estava fascinada em vê-lo crescer. tinha ciúmes. das mães e de todos. estava ainda mais fascinado por ela. diz Pete. Nós dois parecíamos histéricos. “Ela era ótima”. lembram-se muito bem de Julia. John era muito chegado a êle. George era sempre o protetor de John. “Julia se tornou uma espécie de tia para mim. À medida que crescia. diz John. apareceu Julia e riu com êles dos professôr es. agora que era um adolescente.” Pela época da morte de George. Mas era realmente um cara direito. Depois disso.dia em tôda sua vida. os dois amigos constantes de John. alguém estava tornando-se cada vez m ais importante na vida de John — sua mãe. Então.” Tanto Pete Shotton quanto Ivan Vaughan. constantemente. moldando uma personalidade . o que tinha de fazer ou dizer. em Quarry Bank. ou uma irmã mais velha . Quando lhe dizíamos o que ia acon tecer conosco. desenvolvendo-se. Então. Eu. da sua importância na vida de John. Em qualquer briguinha que eu tivesse c om John. sôbre as coisas terríveis que se apresentavam à sua frente. Òbviamente. Costumava ir pas sar o fim-de-semana na casa de Julia. “Julia deu-me a primeira camisa colorida”. Pete se lembra de ter começado a ouvir falar em Julia quando êles es tavam no primeiro ou segundo ano.

chegou um nôvo diretor. Mr. ela vinha vê-los. “Eu tam bém estraguei-lhe a vida. “Dessa vez. A turma B não era má. apesar de não mais do que o comum das mães.” Pete Shotton também havia sido rebaixado juntamente com êle. iam visitá-la depois d as aulas.se identificava conosco. e por isso sempre ficava com ela. como se fossem um lenço de cabeça. turma C. um dos professô res escreveu no seu boletim. Mas não adiantava nad a competir com todos aquêles mongolóides e eu fui ficando cada vez pior. Naturalmente. Enquanto falava com êles. Êles só sabiam como era o comportamento dêle. Algumas vêzes. Ela queria que John. era igual a ela. de qualquer forma. Ela o encorajava e ria de tudo que êle fazia. pelo meno s para sua família. “Um dia. Êle logo descobriu que Lennon e Shotton eram os principais criadores de casos. Julia havia sido uma ovelha-negra. . enquanto Mimi era rígida com êle. Dizia-nos o que queríamos ouvir. porque todos os “bôlhas” ficavam na turma A. nós a encontramos com um par de calções a cobrir-lhe a cabeça. eu estava realmente envergonhado de s er misturado com os tapados. As pessoas ficavam olhando sem saber o que fazer. o que não acontecia com a maioria dos pr ofessôres daquela época. que estava usando ócu los sem as lentes. John estava no quarto ano. freqüentemente. tentando assegurar-se de que êle não bebia ou fumava. a primeira vez em que foi mandado para a turma C. Ela fingia não saber por que a olhava m tanto. As pernas dos ca lções caíam-lhe por cima dos ombros. Agora. ela faz ia tudo para dar boas risadas. vínhamos andando pela rua com ela.” No final do quarto ano. Pobjoy . Como nós. Quando John estava no quinto ano. passava os dedos por dentro da armação para esfregar os olhos. êle acabou caindo para o vigésimo lugar. Êle parece ter tido algum contato com John. Mimi tinha de ceder um pouco.” Ivan acha que foi Julia quem ajudou John a transformar-se num rebelde. fôsse o mesmo. Eu também comecei a colar nas provas. Nós rolamos de rir. entr e os últimos da turma. “Outra vez. Ela encontrava conhecidos e êles nem notavam. que. mas êle pre feria Julia. “Certamente no caminho do fracasso”.” Julia vivia em Allerton e êles.

Pobjoy ficou muito surpreendido quando John fracassou em todos o s exames. Eu desenhei um corcunda cheio de verr ugas. relembrando sua vida escolar. mas parece que ninguém tinha o mínimo interêsse. “Eu queria que êle se qualificasse. para g anhar relativamente.” Mimi gostou da idéia do Art College. para viver. mas. Uma vez. eu mesmo dei-lhe uma surra. Vocês ficaram com êle durante cinco anos. Eu realm ente não o compreendia. eu pensava no pai dêle e no que êle se havia tornado. naturalmente. sempre a fazer gracinhas.“Realmente. Eu jamais f ui elegante. Êles ainda estão lá.” Agora. John não lamenta absolutamente n ada. lamento dize r. Eu estava sempre interessado em arte e fiquei entre os primeiros durante muitos anos. tivemos uma questão que man dava fazer um quadro de “Viagem”. “Êles deviam dar-te tempo para te desenvolveres. .” Mr. “Fiquei desapontado por não haver curso de arte no GCE. e. mas eu havia desistido. Êles estavam errados e eu estava certo. êle era um problema. “Êle m e perguntou o que é que eu ia fazer com êle. Desejava que êle se tornasse alguém. esta foi a razão pela qual o ajudei a entrar par a o Art College. “Eu achava que êle era capaz de passar. mas imediatamente acabe i com êle. Êle costumava levá-los para casa para divertir a família com êles. provàvelmente. Eu nunca prestava atenção nêles. quando o futuro de John estava em jôgo. “Excetuando um ou dois. Foi reprovado em todos ê les. Uma vez. Sabia que êle era bom em artes e achava que êle merecia a o portunidade. Eu herdei o sistema. êles não entenderam meu desenho. Lamento. Eu indaguei: o que é que vocês vão fazer com êle. encorajar as coisas pel as quais tu te interessas. por apenas um ponto. porque sou contra castigos corporais. Só havia um professor qu e gostava dos meus desenhos. “O tempo mostrou que eu estava certo. não podia revelar isso a John.” Mimi foi ver o diretor.” “No íntimo. Tudo em que êles se interessavam era pela elegância. apesar de não ter ela percebido a sorte dêle em poder matricular-se. todos os professôres eram estúpidos. não estão? Então êles é que devem ter fracassad o. Òbviamente. costumava misturar tôdas as côres. Eu só queria divertir-me.

êle disse que. sem perder tempo aprendendo.” Próximo ao fim de sua vida escolar. quando ouvia. se John voltasse no dia seguinte de manhã à estação. John não teve educação musical nem treinamento de qualquer espécie.“Contudo. “Mas o motorista simpatizou muito com êle. Estava sempre rindo. aprendia no rádio. A música popular. ninguém os notava muito na Inglaterra. pelo menos os gar otos da idade de John Lennon. Não queria preocupar-se com qualquer coisa que envolvesse lições. Mas aprendeu sòzinho a tocar gaita de bôca. Tio George lhe havia comprad o um modêlo barato. Êle tocava uma velha gaita dada pelo tio George e a executou durante to do o percurso. nós o mandávamo s. “Eu o teria mandado para aulas de música”. Tô da ela vinha da América e era produzida por profissionais do show busines . diz Mimi. era. era a can tada por Johnnie Ray e Frankie Laine. “O único encorajamento musical que êle recebeu foi de um motorista de ônibus no percurso de Liverpool a Edinburgo. uma coisa remota e não tinha conexão com a vida real. foi partir para a estação. eu passava o tempo todo imaginando que era o próprio Wil liam Just. Aquêle motorista não sabe ao que deu início. eu diria que tive uma infância realmente feliz. Cada ano. Mas êle não queria. John passou a se interessar por m úsica popular. apesar de a música popular ser uma coisa para que Mimi sempr e o desencorajava. durante tôda a noite. no verão. De fato. de alguma forma. Quando chegaram a Edinburg o. Foi o primeiro encorajamento que êle recebeu. “Na verdade. mas nunca me senti miserável. Jamais ela gostou de vê-lo cantando músicas populares. lhe daria uma gaita realmente boa. quando garôto. que. até meados da década de ci nqüenta. A espécie de música popular que John ouvia. “de piano ou vi olino. a fim de passar algum tempo na casa de minha irm ã. “Mas eu não me importava muito com êles.” Na verdade. era uma gaita realmen te boa. Acabei fican do agressivo. de manhã. quando era muito jovem. e a primeira coisa que fêz. com os primos para Edinburgo. Queria fazer tudo imediatamente. John não pôde dormir. sem dúvida nenhuma deixando todos doidos.

podia m ser tocados por qualquer idiota. qualquer um podia tocar. Êle também surgiu no comêço de 1956. diz John. O segundo acontecimento deu-se em janeiro de 1956. tin ha que ter um cantor excitante. cantando as canções excitantes. o acontecimento mais excitante na m úsica popular na década de cinqüenta. com lindos sorrisos. Mesmo a guitarra. para se perceber que essa nova música excitante. O terceiro. até o aparecimento de Elvis”. Elvis era o cantor excitante. o rock and roll atingiu a Inglaterra e as poltronas de cinema começaram a ser destroçadas. o seu Heart break Hotel ocupava os primeiros lugares nas listas de popularidade. Bill Hal ey e seus Cometas produziram Rock Around the Clock. com aparência de meia-idade e definitivamente unsexy. todos êles com lindos ternos. gorducho. po deria ser tocada por qualquer um que dominasse alguns poucos acordes simple s.s. de uma certa forma. apesar do título. quando Lonnie D onegan produziu Rock Island Line. Levou um ano para que isso tivesse efeito na Inglaterra. cantando lindas baladas. N . O que havia de novidade e interessante era o fato de ela ser tocada nos tipos de instrumento que todo mundo pode tocar. em quatorze países diferente s. Então. especialmente para as jovens que trabalhavam no comércio e jovens mamães. para tomar a sua forma física. muitos a nos mais tarde. De uma certa forma. como a canção-tema do filme Blackboa rd Jungle (que no Brasil foi levado com o título de Ao balanço das horas.). até o advento dos próprios Beatles. O rock era uma música que excitava todos os adolescentes. o instrumento mais difícil num grupo de skiffle. . Em maio. Os outros instrumentos. como o esfregador de roupa ou o baixo de caixa de chá. Isso teve pouca ligação com a selvagem música do rock. “Nada me influiu realmente . ou até mesmo talento musical. Pela primeira vez. Bas ta olhar para Bill Haley em pessoa. No dia 12 de abril de 1954. foi o aparecimento de Elvis Presley. a pessoa mais influente na música popular. era óbvio que aconteceria alguém como Elvis. o rock and roll. do T. aconteceram três coisas. e. Lonnie Doneg an popularizou o skiffle. Mas quando teve. sem nenhum conheci mento de música.

John aos nove anos de idade Em casa. Eric Griffiths ficava na guitarra. “Uma guitar ra está muito bem. Nela estava escrito: garantida contra rachaduras. Sabia que sua mãe. Pete Shotton na tábua de esfre gar roupa. pegou a guitarra de um garôto. Por vêzes. Julia. mas des cobriu que não poderia tocá-la e devolveu-a. de grupos surgindo e m tôdas as classes. na escola. Fred Lennon Paul aos nove anos de idade Todos os Beatles. John Lennon não possuía guitarra. Todos êles têm o mesmo tipo de lembranças. Qualquer um pod ia levantar-se e começar a tocar. John”. em gerações. A primeira mús ica que êle aprendeu foi “That’ll Be The Day”. Julia ensinou-lhe alguns acordes de banjo. fazendo fila para tocar. Tinha de ficar na v aranda de vidro. nós formávamos grupos. sabia tocar banjo e então foi vê-la. logo que a mania começou. John tomou umas aulas. Era a prime ira vez. nas escolas e em tôdas as ruas. “Mas jamais você ganhará a vida com ela. que a música não era propriedade dos músicos. por dez libras . Mimi. cêr ca de 100 lugares com grupos de skiffle. nós nos e ncontramos na casa dêle. da noite para o dia. em Liverpool. cantando e tocando baixinho. Colin Hanson na bateria e Rod no banjo. . Ela comprou-lhe uma guitarra de segunda mão. ou qualquer instrumento. mas não apren deu nada. êle tinha que praticar escondido de Mimi. Mimi costumava dizer-lhe dez vêzes por dia. como milhões de rapazes da mesma idade.” “Eventualmente. Acho que o cara qu e teve essa idéia não entregou para o conjunto. Um dia. alguns dêles seriam levados a produzir alguma coisa boa. na escola. Era como entregar estojos de pintura a m acacos. Havia. Len Garry. Na primeira vez. da frente da casa. Então.A tia de John. que o criou a partir dos três anos de idade O pai de John. foram infl uenciados.

“Nossa primeira apresentação foi em Rose Street — foi no dia que comemoravam o Empire Day. Faziam essa festa na rua. Tocamos de cima de um caminhão. Não recebemos nem pagamento, nem nada.” “Depois disso, passamos a tocar em festas ou casamentos, talvez ganhá ssemos alguns shilings. Na maioria das vêzes tocávamos só para nos divertir .” Mui naturalmente êles mesmos se chamavam de: os Quarrymen. Todos ê les usavam roupas de Teddy Boy, tinham o cabelo empilhado para cima e pe nteado para trás, como o Elvis. John era o mais Teddy Boy do grupo. A maioria das mães prev enia seus filhos a respeito dêle, quando o viam, ou mesmo que não o tives sem visto, já tinham ouvido histórias sôbre êle. Nesses primeiros meses dos Quarrymen em 1956, quando supunham que J ohn estava metendo a cara nos livros, tudo era muito incerto e irregular. Êles ficavam semanas sem tocar. Os caras estavam sempre chegando e partindo, dependendo de que m aparecia nas festas, ou de quem queria tocar. “Era tudo uma piada”, diz Pete Shotton, “êsse negócio de estabelecer u m grupo. O skiffle estava na moda, e, por conseguinte, todos estavam tentand o tocar qualquer coisa. Eu tocava tábua de esfregar roupa, porque não tinha a mínima idéia d o que era música. Eu era amigo de John e, portanto, tinha que estar no grup o.” Tendo John como líder, as brigas eram sucessivas, o que também fazi a com que alguns caras abandonassem o conjunto. “Eu costumava brigar com os caras porque queria vê-los de fora. Se brigava, o assunto estava encerrado: o cara tinha que deixar o grupo.” Um dos regulares era Nigel Whalley, que tocava de vez em quando, e que, principalmente, tentava conseguir-lhes contratos, agindo como empres ário. No Liverpool Institute, estava acontecendo a mesma coisa: grupos se desenvolviam como cogumelos, apesar de Ivan Vaughan ter trazido Len Garry do Institute para o grupo de John. Tudo parecia ir bem. No dia 15 de junho de 1956, êle trouxe um outro colega de escola para conhecer John. “Eu sabia que êle era um grande sujeito”, diz Ivan. “Eu só trazia grand es caras para conhecer John.” A ocasião para o encontro foi a Church Fete, na Woolton Parish Church

, não muito longe da casa de John. Êle conhecia as pessoas de lá e havia co nseguido que elas deixassem seu grupo tocar. Ivan, na sua escola, havia falado muito sôbre John e seu grupo. Êle sa bia que seu amigo estava interessado nesse assunto, apesar de êle mesmo não estar muito. “Mimi havia dito que, finalmente naquele dia, eu conseguira ser, real mente, um Teddy Boy. Eu parecia desgostar de todos, naquele dia, não só de Mimi.” “No outro dia, eu estava olhando uma foto minha, tirada há tempos em Woolton. Pareço um sujeito muito juvenil.” O que aconteceu naquele dia é um pouco confuso para John. Êle tomou um pileque, apesar de ainda não ter idade para isso. Os outros se lembram muito bem, especialmente o amigo que Ivan trouxe — Paul McCartney. “Êsse foi o dia”, lembra John, “o dia em que eu encontrei Paul, que as coisas começaram a mudar.” 3 PAUL Paul nasceu James Paul McCartney, no dia 18 de junho de 1942, numa e nfermaria particular do Walton Hospital em Liverpool, o único Beatle a nas cer em tal ambiente luxuoso. Sua família era uma família comum da classe média. Isso foi no p onto culminante da guerra. Paul chegou em grande gala, porque sua mãe, du rante uma certa época, havia sido Irmã encarregada da enfermaria da maternidade. Deram-lhe um tratamento de estrêla quando ela voltou para ter Paul, seu primeiro fi lho. Sua mãe, Mary Patrícia, abandonara o trabalho do hospital, fazia apen as um ano, quando casou com seu pai, tornando-se Health Visitor (misto de e nfermeira e assistente social. N. do T.). Seu nome de solteira era Mohin e, como o marid o, era de descendência irlandesa. Jim McCartney, o pai de Paul, começou a trabalhar aos quatorze anos como garôto de amostras em A. Hannay and Co., corretores e comerciantes de algodão em Chapel Street, Liverpool. Ao contrário da espôsa, êle não era católico. Sempre se classificou como agnóstico. Jim nasceu em 1902, numa família de três irmãos

e quatro irmãs. Foi considerado de muita sorte, quando deixou a escola e conseguiu um emprêgo na indústria de algodão. Essa indústria estava em franco progresso e Liverpool era o centro de importação para os teares de Lancashire. Conseguir um emprê go nesta indústria significava estar estabelecido para tôda a vida. Como menino de amostras, Jim recebia seis shillings por semana. Tinha de descobrir prováveis compradores de algodão e apresentar-lhes as amostra s do artigo que lhes poderia interessar. A firma Hannay importava o algodão, separava-o, classificava-o e então vendia para as fábricas de tecidos. Jim se desincumbiu muito bem no cargo e, aos vinte e oito anos, foi promovido a vendedor de algodão. Isso foi considerado um grande sucesso pa ra um rapaz comum. Geralmente, os vendedores de algodão pertenciam à classe média. Jim foi s empre um rapaz simples e ativo, com um sorriso aberto e simpático. Quando conseguiu essa grande promoção, deram-lhe um salário de 250 l ibras por ano. Salário não muito grande, mas bastante razoável. Jim era muito môço, para a Primeira Guerra Mundial e muito velho, p ara a Segunda, e com audição num só ouvido — êle teve um tímpano perfurad o, quando, aos dez anos de idade, caiu de um muro — por isso, não foi convocado. Contudo , era capaz de realizar algum tipo de trabalho durante a guerra. Quando o Mercado do Algodão fechou, foi mandado, por êsse motivo, para as fábricas de Napiers. Em 1941, aos trinta e nove anos, Jim se casou. O casal mudou-se para quartos mobiliados, em Anfield. Quando Paul nasceu, êle trabalhava, durante o dia, em Napiers, e, de noite, como bombeiro. Como sua espôsa havia trabalhado no ho spital, êle podia visitá-la quando bem entendia, não estando sujeito às hor as de visita. “Êle tinha uma aparência horrível, eu não podia suportar isso. Tinha s ó um dos olhos abertos e chorava o tempo todo. Êles o levantaram e êle parec ia um pedaço horroroso de carne vermelha. Quando cheguei a casa chorei, pela primeira v ez, em muitos anos.” Apesar do trabalho médico de sua espôsa, êle nunca teve doença de qual quer espécie. O cheiro de hospitais o fazia ficar nervoso, mêdo que Paul her dou dêle. “Contudo, no dia seguinte, êle parecia mais humano. E, cada dia que p assava, suas feições melhoravam. Afinal, êle se tornou um lindo bebê.” Um dia, enquanto Paul brincava no jardim de casa, sua mãe descobriu

algumas manchas de cinza em seu rosto e disse que tinham de se mudar. O tr abalho em Napiers, nos motores Sabre, era contado como trabalho para a Fôrça Aérea; desta fo rma, Jim conseguiu obter uma casa no Knowlsely State, em Wallasey. Eram c asas da prefeitura, e algumas foram reservadas ao Ministério da Aeronáutica. “Costumávamos c hamá-las de meias casas, porque eram muito pequenas, com tijolos nus pel o lado de dentro. Era muito melhor do que morar em quartos mobiliados com um bebê.” O trabalho de Jim, em Napiers, terminou antes do fim da guerra, e êl e foi transferido para um emprêgo na Liverpool Corporation Cleansing Depar tment, como inspetor temporário, e lhe cabia verificar se os lixeiros estavam trabalhando direito. Recebia pouco dinheiro na Corporation, e sua espôsa voltou ao emprêg o de Health Visitor, até o nascimento de seu segundo filho, Michael, em 19 41. Na verdade, nunca ela gostou tanto de visitas como as da enfermaria. Era muito trabalho — das nove às cinco — como um serviço de escritório. Ent ão ela voltou à obstetrícia, arranjando dois empregos de parteira domiciliar, o que signif icava viver em grandes propriedades e tomar conta de tôdas as futuras mães d aquela área. Juntamente com o emprego, vinha uma casa da prefeitura. O primeiro pôsto foi na Western Avenue, em Speke, e o segundo em Ardwick Road. Ela era c hamada tôdas as noites. Jim diz que ela trabalhava demais, mais do que deveria, pois ela sempre fôra superconscienciosa. A primeira lembrança de Paul, provàvelmente quando tinha três ou qua tro anos, é de sua mãe. Êle se recorda de alguém chegando à porta e entreg ando-lhe um cachorro de gesso. “Deve ter sido um presente por algum parto que ela fêz. As pesso as sempre lhe davam presentes desta espécie. “Tenho, ainda, outra lembrança: a de me esconder de alguém e depois b ater-lhe na cabeça com uma barra de ferro. Entretanto, acho que a recordaçã o do cachorro de gêsso é anterior.” Lembra-se ainda de sua mãe, quando ela tentava corrigir-lhe a pronúnc ia. “Eu falava muito, como todos os outros garotos da vizinhança. Enquanto me corrigia, eu lhe imitava a pronúncia e ela ficava sentida, o que me fazia ficar muito preocupado.” Paul entrou para a escola primária — Stockton Wood Road Primary —

quando ainda moravam em Speke. Sua mãe decidiu-se contra uma escola ca tólica romana, pois estivera em muitas delas, como Health Visitor e não gostara do que viu. M ichael, também, logo foi mandado para a mesma escola. “Eu me lembro da di retora dizendo como os dois meninos eram bons com as crianças menores”, lembra Jim, “se mpre ajudando-as. Ela dizia que Michael seria um líder. Acho que era por que êle estava sempre discutindo. Paul era muito mais calmo em fazer as coisas. E tinha um sens o muito mais prático. Mike expunha-se muito. Paul sempre evitava problema s.” Quando a escola ficou muito cheia, foram transferidos para uma outra, no interior, a Joseph Williams Primary School, em Gateacre. À medida que ficava mais velho, Paul foi aperfeiçoando sua diplomac ia tranqüila, continuando a fazer tudo, calmamente, — como sua mãe —, em vez de fazê-lo com a agitação de Michael. “Certa vez, eu estava batendo em Michael por êle ter feito algo errado ”, relembra Jim, “Paul ficou perto gritando para Mike: — “Diga que não foi v ocê, que êle pára”. Mike reconhecia seu êrro, não importava o que fôsse. Paul era se mpre capaz de escapar dos perigos.” “Eu era bastante furtivo”, diz Paul. “Se às vêzes eu apanhava, por ter feito alguma coisa errada, costumava entrar no quarto dêles, quando não estav am, e rasgar a parte de baixo das cortinas de renda, só um pedacinho, e pensava: que isso lhes sirva de lição.” Fàcilmente, Paul terminou o primário e logo foi para o Liverpool Inst itute. É a escola secundária mais conhecida de Liverpool. Foi fundado em 18 25, como o Mechanics’ Institute; essa é a razão de seu nome. O Liverpool Art College, que funciona no mesmo prédio, fazia parte do Institute até 1890. A Universi ty of Liverpool também partilha da mesma origem. Com o tempo, tornou-se uma escola para r apazes, acabando todos os cursos para adultos, por volta de 1900. Entre s eus ex-alunos incluem-se Arthur Askey, James Laver, Lord Justice Morris e o falecido Syd Silverman . Michael também passou para o Institute, mas foi classificado em uma d as turmas mais atrasadas. Paul saiu-se muito bem e estêve sempre entre os p rimeiros da classe.

“Era capaz de fazer seus deveres de casa, enquanto assistia aos program as de televisão”, diz Jim. “Eu costumava dizer-lhe que êle não podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Uma vez, perguntei-lhe o que estava passando na televisão e êle sabia, e simultaneamente fazia uma redação. Era bastante inteligente, para entrar, sem dificuldade, para uma universidade. Isso era o que eu sonhava para se u futuro. Conseguir um B.A. ou um B. Sc. depois do nome, e êle estaria be m encaminhado. Quando descobriu o que lhe almejava, tentou deixar de obter boas notas. Se mpre foi bom latinista, mas quando eu disse que êle precisaria muito do La tim, êle começou a negligenciar.” No Institute, tornou-se o garôto mais precoce de sua turma, sob o asp ecto sexual, conhecendo tudo ou quase tudo sôbre o assunto, mesmo em seus p rimeiros anos. “Uma vez, fiz um desenho obsceno para a turma. Fui eu que fiz. Era do brado de tal modo, que você só via a cabeça e os pés da mulher, mas, quando aberto, via-se que ela estava nua. Era um divertimento de garôto de escola, com pêlos na r egião púbica e tudo o mais, não que eu tivesse idéia de como aquilo realmen te era. Por engano, deixei-o no bôlso de cima da camisa. Êsse era o bôlso em que eu co stumava guardar os meus vales de refeição e mamãe sempre o revistava, ante s de lavar, pois eu costumava esquecer alguns. “Cheguei a casa, um dia, e ela me mostrou o desenho, perguntando-me se era eu quem tinha feito aquilo. Disse-lhe que não, honestamente não. E sim o Kenny Alpin, um garôto da nossa classe, e que êle, por certo, deveria tê-lo colocado ali. Eu lhe diria se o tivesse feito. Afirmei isso, por dois dias. Por fim, acabei con fessando a verdade. A vergonha foi terrível”. Depois do primeiro ano, quando obteve 90 por cento em Latim, Paul se encheu do trabalho da escola. “Foi fácil no primeiro ano. Eu me mantinha li mpo e zeloso, porque achava que devia ser assim. Depois, isso se tornou chato. Nunca, e m meu tempo de escola, alguém me explicou por que e para que eu estava se ndo educado. O velho falava na necessidade de se tirar diplomas e tudo aquilo, mas eu nun ca prestava atenção. A gente ouve isso com muita freqüência. Tínhamos prof essôres que apenas

despejavam regras ou nos contavam um bocado de porcaria sôbre suas férias, no País de Gales, ou o que êles tinham feito no exército. “Os deveres de casa eram de uma chateação total. Eu simplesmente não suportava ficar fazendo-os, numa noite de verão, enquanto os garotos esta vam brincando na rua. Havia um campo do outro lado da nossa casa, em Ardwick, e eu olhava pela janela e os via se divertindo. “Na vizinhança, não havia tantos alunos do Institute. Chamavam-me de pudim de escola. “Tudo que eu almejava eram mulheres, dinheiro e roupas. Eu costumava roubar coisas como cigarros. Entrávamos nas lojas, enquanto o dono estava na parte dos fundos, e roubávamos antes que êle voltasse. Durante anos, o que eu sonhava na vida era ter cem libras. Imaginava que com isso eu poderia ter uma casa , uma guitarra e um carro. Se eu possuísse dinheiro, teria alcançado o máximo.” Contudo, Paul não era de todo inútil na escola. Em 1953, recebeu u m prêmio por uma redação — um Special Coronation Prize, um livro chamado Seven Queens of England de autoria de Geoffrey Trease, editado pela Heinemann; ainda hoje o guarda. Êle sempre obtinha boas notas em suas redações. “Lembro-me de um inspetor escolar que me perguntava como era que eu podia escrever uma redação tão perfeita sôbre cerâmica. Eu havia escutado êsse tema, pelo rádio, na cama, usando fones nos ouvidos. É uma invenção maravilhosa, a gente ficar deitado ouvindo rádio. Fazia coi sas incríveis usando a imaginação.” Jim havia instalado um par de fones para cada um, numa tentativa para obrigá-los a ir cedo para a cama, ficar lá e não brigar. Êles brigavam muito , mas não mais do que a maioria dos irmãos. Michael costumava chamar Paul de Fatty, para provocá-lo. “Êle havia sido um lindo bebê, com olhos grandes e longos cílios”, diz Jim. “As pessoas costumavam dizer: “Oh, qualquer dia êle vai quebrar o cor ação de tôdas as garôtas.” Entretanto, no comêço da adolescência, êle come çou a engordar, por algum tempo. Os McCartneys mudaram-se de Ardwick, quando Paul tinha uns treze anos . Sua mãe deixou de ser parteira domiciliar, apesar de, mais tarde, voltar a trabalhar como Health Visitor. Êles receberam uma casa da prefeitura em Forthlin Road 20, Allerton,

Tudo acontec eu no espaço de um mês depois de ter ela sentido as primeiras dores sérias. um pouco acanhada e insignificante. exatamente quando eu precisava que elas funcionassem. “Só consigo recordar-me de que um de nós. Êles não ficaram muito prostrados. A Menlove Avenue está a menos de duas milhas de distância. Operaram e ela morreu. Nós dois tínhamos que dormir . Contudo. Falou com vários médicos. A morte da mãe os atingi u mui lentamente. Um dia. muito bom para sempre”. desaparecendo e voltando e ela pôs a culpa na menopausa. c ostumava dizer a Jim. afirma Jim. aconselhando -lhe que procurasse esquecer. fazia pouco tempo — Paul tinha a penas quatorze anos — quando sua mãe começou a sentir dores no seio. não me lembro quem.” Paul se lembra do que foi. A primeira coisa que eu disse foi o que é que nós vamos fazer sem o dinheiro dela?. dessa vez. “Na casa de tia Jinny foi meio chato. “Deve ser a modificação”. Pensou que fôsse por êle e Paul estarem fazendo alguma coisa errada. Durante os dias seguintes. Foi horríve l para os meninos. “Isso me arrasou”. Nem ela nunca disse. Michael chegou repentinamente a casa e encontrou-a chorando. “Eu não podia compreender.” “Não consigo lembrar-me dos detalhes daquele dia”. Pau l rezava para que ela voltasse. os dois choraram na cama. As dores continuaram por três ou quatro semanas. Porém. Entende. e êles concordaram com ela. Êle nunca lhe perguntou o que era. Especialmente.” Naquela noite. daí em diante. passou sua juventude. cada vez mai s fortes.onde Paul.” Durante os funerais. Durante meses nós dois nos arrependemos disso. diz Paul. ela decidiu procurar um especialista. que ainda tinha doze anos e era muito apegado a ela. “Acho que papai não queria que o víssemos arra sado”. por alguns dias: fora m para casa de sua tia Jinny. Êle diagnosticou câncer. Estavam morando em Forthlin Road. “Orações idiotas. fêz uma piada tôla. A casa fica no meio de um a alamêda. os dois garotos se mudaram. entende. Creio que isso só demonstra o quan to a religião é estúpida. para Michael. “se você a trouxer de volta eu serei muito. as orações não funcionaram. diz Michael. as dores continuaram. “Fui eu. mas bem feita e limpa. Estava com quarenta e cinco anos.

não sabia como seu pai se agüentava. No comêço êles não confessavam o que havia acontecido com os ovos. chegava a casa e notava a falta de cinco ovos. ou os dois. po r seus anos mais difíceis.” Jim ficou com o maior problema. ou confiar nêles e sermos apenas amigos. para limpar tôda a casa de vidamente. Uma de las vinha. Então diziam: “ah . como Paul havia mencionado tão cruelmente. êles trariam seus colegas e me quebrariam a casa tôda. para acabar de cr iar dois garotos. Duas de suas irmãs ajudaram-no muito — tia Milly e tia Jinny. “Os meninos. “Agora. no qual êle supunha estar com a vida garantida. Quando era preci so. par a recebê-los. era ela quem lhes levava qualquer coisa para co merem na cama. um de quatorze e outro de doze anos. Como partei ra. Êle era maravilhoso.” “De modo geral.na mesma cama. fazia o trabalho pesado. Em casa. êle nunca havia feito nada. Mas eu sentia a falta de minha m ulher. Agora. uma vez por semana. E todo aquêle tempo sem uma mul . sem jantar. quando chegavam da escola. Se nós os mandávamos para a cama. diz Jim. Quando minha mulher estava viva. quando chegavam da escola.” “O maior problema era pensar em que espécie de pai eu ia tentar ser. E quando os meninos eram jovens. “Os invernos eram ruins”. ajudando-nos simultâneamente. o salário de Jim era de apenas oito libras por semana. tinham que acender o fogo.” “Às vêzes. estava atravessando tempos difíceis. ter sido minha a idéia. não entrem.” “Tinha que confiar bastante nêles. a menos que uma de suas tias esteja aqui”. eu tinha que decidir se seria um pai ou uma mãe. mais tarde. êles eram muito bons. êle ficava só. p ois sua espôsa era muito organizada. E ainda tinha problemas financeiros. mas o com ércio do algodão. Em 19 56. muitas vêzes. sua mulher ganhava mais do que êle. Todos os outro s trabalhadores estavam pelo menos começando a sentir o princípio da afluência. apesar de. talvez. demos um ôvo frito a cada colega. Do contr ário. era eu quem os castigava. Eu era quem cozinhava. Minha mulher fazia o trabalho leve. “Nós éram os terríveis e cruéis. pois é. elas freqüentemente ficavam por perto. a Forthlin Road. E dizia-lhes: “quando vocês chegare m da escola.” Michael. com êles passando. por seu lado.

costumavam dizer. Seu irmão Michael pensa que houve uma influência direta da morte de s ua mãe sôbre Paul. sem pensar cuidadosam ente no que seria melhor para cada um.her. é algo muito mais profundo e genuíno do que isso. Paul deve muito a papai. mesmo em pequenos impulsos. De sua mãe. Talvez apenas tenha vindo naquela época e se tornou uma fuga. muita confusão é causada pela sua falta. “Foi logo depois da morte de mamãe que começou.” Os dois costumavam fazer gozação de sua filosofia doméstica. diz Jim. No ent anto. A gente está sempre ouvindo as pessoas dizerem “eu enforcaria o patife”. Êle tem um enca nto e uma cortesia natural com todos. De uma certa forma. “Lá ve m êle com suas duas palavrinhas mágicas”. John se tornou completamente relaxado e sem espírito de colaboração. Tornou-se uma obses são. Jim freqüente mente afirmava-lhes que as duas coisas mais importantes na vida são a tolerância e a moderação. Mas fuga de quê?” 4 . “Tolerância é muito importante”. ria m de pessoas com defeitos. êles fàcilmente poderiam ter-se arrebentad o. Êle é o tipo de pessoa que sempre pode conseguir que as coisa s sejam feitas. Nas mãos de um pai meno s refletido e menos atencioso. o suficiente para fazêlo passar. segundo certas regras. quando quer que sejam. A gente perde a mãe e encontra uma guitarra? Não sei. Paul parece ter herdado a capacidade para o trabalho duro e a dedicação. Paul n unca poderia ter feito isso. “Como tôdas as crianças. E moderação. Nós dois devemos.” Jim sempre pensou no que era melhor para as pessoas. mas ela não é apenas parte da lábia macia dos vendedores. Êle podia sempre se voltar para o trabalho árduo. havia uma parte dêle que não desejava ficar por baixo. quando a mãe morreu. Eu explicava-lhes que êles não gostariam de que r issem dêles. Eu não consigo compreender isso. Tomou tôda a sua vida. Paul desprezava a escola e todo o sistema adotado para passar de ano. da mesma forma que John.

Mai s tarde. Ca therine’s Hall na Vine Street. “Eu nunca tive nenhuma aula. Paul não demonstrou nenhum interêsse especial pela música. no qual êle aprendeu sòzinho a tocar algumas músicas. “O professor costumava vir a nossa casa e os garotos ficavam batendo na po rta a todo instante. diz Jim. A primeira apresentação pública do conjunto foi numa festa do St. Eu nunca me desacreditei. Quando menino. “Nós pensávamos que precisáva mos de alguma bossa. quando êle estava com dezessete anos. O piano fôra comprado na North End Music Stores.” Pouco depois de ter começado a trabalhar. o pai de Paul era o único que possuía alguma experiência como músico. em Liverpool. Paul ganhou de um tio um velho pistão.” Então mudaram de nome. quando eu tinha uns quatorze anos e morava em Everton. Todos usavam smockings com o peito e os punhos da camisa feitos de pape . Êste talento para a música veio de seu pai. Mas logo começamos suando tanto. Apenas costumava tocar alguns acordes num velho piano.” Mais tarde. que a tinta do tecido escorria pela nossa cara. entrou para o côro da igreja de St. Nems — posso lembrar-me do nome gravado nêle. Jim McCartney fundou uma pe quena banda de ragtime. mas nada aconteceu. De todos os Beatles. para tocar nas festas de trabalhadores.” Jim também quis que Paul entrasse para o côro da Catedral de Liverpool .PAUL E OS “QUARRYMEN” Quando criança. Jim aprendeu sòzinho a tocar piano. passando a denominar-se “Jim Mac’s Band”. perto de Penny Lane. que alguém nos dera. ainda. Isso foi po r volta de 1919. convidando-os a sair para brincar. ficando lá p or pouco tempo. “Obriguei-o a ir. mas êle deliberadamente desafinou durante a audição. Chad. Então eu fiz com que êles fôssem à casa do professor. Tinha um bom ritmo e con seguia tocar a maioria das músicas. Tanto êle quanto seu irmão Michael foram mandados para algumas au las de piano. então cobrimos nossa cara com máscaras negras e passamos a nos c hamar The Masked Melody Makers. “Cometemos o êrro de fazê-los começar no verão”. de segunda mão. Isso foi o comêço do fim dos Mascarados Melódicos. mas isso não durou muito.

porque podia tocar logo. O primeiro concêrto a que assistiu foi um da Eric Delane y’s Band. pois as havia feito esperar. “Enquanto eu tocava piano. fiquei na fila para recebe r o autógrafo de Wee Willie Harris. “Uma ocasião. E também podia cantar ao mesmo tempo. desde os doze anos. Era engraçado deixarem-nos assistir a tais shows. tocamos uma canção popular daquela época. E quando tinha quatorze anos.l. du rante a hora do almôço.” Freqüentava. descobriu que não tocava certo. Isso era bom. A gente comprava uma dúzia de punhos de papel por um penny. para assistir ao Lonnie Donegan.” . entretanto. Paul não conseguia to car nada. naquela idade. e. Não sei o que o fêz querer isso. no Liverpool Empire. Jim terminou sua carreira de músico. Parecia haver algo errado com ela. Escrevia bilhetinhos para as operárias. à espera de qualq uer um que nos desse um autógrafo. no comêço. quando tinha doze anos. haver distinções. o Pavilion. “Eu nunca fui realmente um entusiasta do pistão. Nós não sabíamos o que tocar. E quando a Rainha de Sabá estava morrendo tocamos Horsy Keep your Tail Up. Aos quatorze ficava na fila. Gostava de guitarra. Paul nunca se mostrava interessado. Quando começou a corrida de bigas. ouvindo músicas pelos fones. As mulheres ficavam completamente despidas. também. Era o pretenso chefe. porque era canhoto. Mas adorava ficar na cama.” “Eu dirigi a banda cêrca de quatro ou cinco anos. passou a querer uma guitarra.” “Nós costumávamos ficar por perto da porta do palco. limpo e sujo ao mesmo t empo. chamada Thanks for the Buggy Ride. Levou-a de volta à loja para que fôsse adaptada. “Lembro-me que ê le costumava chegar atrasado. explicando que o atraso dela s era por causa dêle. como a maiori a de seus colegas. Então. “Êles eram muito bons. Certa ocasião. depois deter aprendido alguns acordes. sem. “Lá se realizavam shows de nudez. apesar de tocar freqüentemente um pouco de piano em casa. Algumas delas eram ótimas.” Com o advento da Segunda Guerra Mundial e da família. apenas parte do tempo .” Sua guitarra custou quinze libras.” Interessava-se pela música popular. Ningu ém notava a diferença. tocamos na primeira apresentação local do filme The Q ueen of Sheba.

Como John e os outros, êle foi influenciado pela fase do skiffle e os p rimeiros números de rock and roll, tocados por Bill Haley, e, como John, só c om Elvis Presley foi que ficou completamente arrebatado. “Era o negócio mais bacan a do mundo. Sempre que eu me sentia deprimido, botava um disco do Elvis e passava a me sentir ótimo, lindo. Eu não tinha a mínima idéia de como os discos eram feitos e e ra mágica pura. Era genial!” Quando ganhou sua guitarra, tentava tocar as músicas de Elvis, ou qual quer outra coisa que fôsse popular. Sua melhor imitação era a de Little Rich ard. “Eu costumava achar aquilo horrível”, diz seu pai. “Absolutamente hor rível. Não podia acreditar que alguém fôsse realmente daquele jeito. Só mui tos anos mais tarde, quando vi Little Richard no mesmo programa dos Beatles, foi que eu v i o quanto a imitação de Paul era boa.” “Desde o momento em que êle conseguiu a guitarra, foi o fim”, declar a Michael. “Êle estava perdido. Não tinha mais tempo para comer ou pensar em qualquer outra coisa. Tocava na privada, no banho, em todos os lugares.” Havia outro seu colega de classe que, na mesma época, ganhara uma gu itarra, Ian James, de Dingle. Os dois costumavam sair, levando suas guitar ras. Um tocava para o outro, ensinando-se mutuamente os pedaços que tinham aprendido. “C ostumávamos circular pelos parques de diversão”, diz Paul, “ouvindo as úl timas músicas no Waltzer e tentando tocá-las. Também, tentávamos tocar como os pássaros. I sso nunca funcionou. Eu não tinha jeito para pegar uma única música daque la forma.” Paul e Ian James usavam o mesmo modêlo de casaco esportivo branco — segundo a canção popular A White Sports Coat. “Êle tinha umas pintas e tampas sôbre os bolsos. Nós costumávamos ir juntos a tôda parte vestidos da mesma forma e pensar que estávamos abafando. Nós dois usávamos penteado à Tony Cur tis. Demorava horas aprontá-lo.” Jim McCartney tentou demovê-lo de se vestir daquele jeito, mas não c onseguiu nada. “Paul era muito vivo”, diz Michael. “Quando comprava calças novas, êle as trazia a casa, para mostrar a papai como elas eram largas e para que êle apro vasse. Depois, êle as levava de volta e mandava apertá-las. Se, mais tarde, o velho

notasse alguma coisa, êle jurava que aquela era a calça que êle havia aprova do.” “Eu estava preocupado com o fato de êle tornar-se um Teddy Boy”, diz Jim. “Eu abominava aquilo. Vivia dizendo-lhe que não usasse calças aperta das. Êle acabava vencendo pelo cansaço. Seu cabelo também estava sempre comprido, mesmo naquela época. Êle voltava do barbeiro com a mesma aparência de antes. Aí eu dizia: “Quer dizer que estava fechado, eh?” Paul estava tão interessado nas garôtas quanto na guitarra. “Acho que a primeira vez foi quando eu tinha quinze anos. Creio que foi um pouco cedo para fazê-lo. Penso que fui o primeiro da minha turma. Ela era mais velha e maior do que eu. Foi na casa dela. Ela pretextou ficar cuidando do irmãozinho, quando a mãe saiu. No dia seguinte, naturalmente, eu contei a todo mundo na escola. Era um lingu arudo de marca.” Lembra-se claramente daquele dia do verão de 1956, quando Ivan disse que ia à Woolton Parish Church, assistir a êsse grupo, no qual êle tocava d e vez em quando, apesar de que, naquele dia, não tocaria. Paul concordou, e também iria vê-lo s. Poderia ter alguma garôta para arranjar.” “Êles não eram ruins”, diz Paul. “John tocava a primeira guitarra. Mas a tocava como se fôsse banjo, com acordes de banjo, e isso era tudo que êle s abia.” “Nenhum dêles tinha tanta idéia quanto John para tocar. Apenas iam na onda.” “Tocavam coisas como Maggie May, mas com a letra um pouco diferente . Era John quem a tinha inventado, pois não conhecia o original muito bem .” “Estavam tocando do lado de fora, num grande campo. John, enquanto t ocava, olhava em volta, observando a todos. Depois, êle me disse que aquel a era a primeira vez que tentava controlar uma platéia, você sabe, controlá-los, vendo qua ndo era melhor torcer um ombro para êles, ou melhor não se mover nem um p ouco.” “Como sempre, eu usava meu casaco branco e calças pretas. Eu as aper tara novamente, depois da escola. Elas estavam tão estreitas que surpreend iam a todo mundo.” “Depois, dei a volta para vê-los no Church Hall. Falei com êles, só c onversando e me mostrando. Mostrei-lhes como tocar Twenty Flight Rock e dis se-lhes tôda

a letra. Êles não sabiam. Depois toquei o Be Bop A Lula, que êles também nã o sabiam direito. Por fim, fiz minha imitação de Little Richard, exibindo t odo o meu repertório. Lembro-me daquele cara com bafo de cerveja, aproximando-se e respirando no meu pescoço enquanto eu estava tocando. “O que é que êsse bêbado ‘tá fazendo?’” — pensei. Então êle disse que o Twenty Flight Rock era uma de suas favoritas. Desco bri que era um conhecedor.” “Era o John! Havia acabado de tomar algumas cervejas. Êle tinha deze sseis anos e eu estava com apenas quatorze, por conseguinte êle já era um homem. Executei-lhe mais alguns acordes que êle não sabia. Na verdade Ian James é quem me ha via ensinado. Afinal, fui embora, achando que tinha causado uma grande i mpressão, mostrando-lhes como eu era bom de música.” Contudo, Pete Shotton não se lembra de Paul causando nenhuma grande impressão. Pete, não sabendo música, dificilmente se impressionaria pelo T wenty Flight Rock, por mais brilhante que fôsse executado. “Verdadeiramente, no primeiro encontro, não fui muito com a cara de P aul”, declara Pete. “Êle parecia muito tranqüilo, mas todos são assim, quan do encontram um nôvo grupo pela primeira vez. Na realidade, no princípio, eu não estav a com ciúmes dêle. Êle era muito mais môço do que nós. Não pensei que fôs se tornar-se um rival. Eu e John ainda éramos os caras mais unidos. Eu sempre fui amigo de John e o estimava.” John recorda-se de ter meditado sôbre seu encontro com Paul. Isso era raro nêle: pensar sôbre as coisas em vez de tomar logo uma decisão, qualquer que fôsse ela, e em que hora fôsse. “Eu estava de pileque naquele dia”, lembra John. “Por isso, provàvelme nte, não me decidi logo.” “Fiquei muito impressionado com o jeito de Paul tocar Twenty Flight R ock. Era evidente que êle sabia tocar guitarra. Pensei comigo mesmo: “êle é tão bom quanto eu. Agora, pensei, que acontecerá se eu o admitir no conjunto? Achei que ter ia de mantê-lo na linha se o deixasse entrar. Êle era bom, de modo que valia a pena tê-lo. Êle também parecia com o Elvis. Eu o manjava.” Cêrca de uma semana mais tarde, Paul foi na sua bicicleta à Menlove Avenue, para ver Ivan. No caminho, atravessou o campo de gôlfe de Allerton

. Na volta, encontrou Pete Shotton. “Pete contou-me que estiveram falando a meu respeito. Será qu e eu queria entrar para o grupo dêles? Achei a idéia ótima, estava resolvid o.” Paul aos sete anos de idade, em companhia de sua mãe e de seu irmão Micha el Sua primeira apresentação em público, como membro dos Quarrymen, f oi numa festa no Conservative Club, em Broadway. Naquela tarde, Paul far ia o seu pequeno solo, provàvelmente em Twenty Flight Rock, mas aconteceu um contratempo , e êle acabou não o fazendo. Após a festa, tocou para John umas duas músicas de sua autoria. Desde que começara a tocar guitarra, êle vinha tentando escrever algumas de suas próprias musiquinhas. A primeira música que tocou para John, naquela tarde, chamava-se I Lost M y Little Girl. Para não ser superado, John logo começou a compor suas mús icas. Durante algum tempo êle já vinha elaborando e adaptando as letras e músicas de outros car as, mas nunca havia escrito músicas originais até que Paul apareceu com as suas. Não que as músicas de Paul valessem grande coisa, nem as de John. Elas eram muito simples e derivadas. Foi o fato de êles se unirem, estimulando-se simultân eamente, que os inspirou a escrever as músicas que iriam tocar. Daí em diante, não parar am mais.” “A partir daí, tomei um rumo inteiramente nôvo”, declara Paul. “Depo is que eu conheci John tudo mudou. Êle era um cara bacana de se conhecer. Apesar de êle ser dois anos mais velho do que eu, e eu ser apenas uma criança, nós pen sávamos do mesmo modo.” A família McCartney hoje em dia: Michael, Ângela (a madrasta de Paul) Pa ul e Jim McCartney (o pai de Paul) O que aconteceu, nos meses seguintes, foi que Paul e John começaram a se conhecer melhor. Passavam todo o tempo juntos. Ambos matavam as aul as e iam para a casa de Paul, enquanto seu pai estava fora, trabalhando, comiam ovos fritos e praticavam acordes na guitarra. Paul mostrou a John todos os que conheci a. Os acordes

de banjo de John, que Julia lhe ensinara, eram evidentemente inúteis. Como Paul é canhoto, depois de ter mostrado a John como executar os acordes, êss e ia para casa fazê-los em frente ao espelho, como Paul havia ensinado e dando a volta, par a encontrar seu jeito. Pete Shotton começou a sentir-se um pouco de fora. “Meus dias com o grupo logo terminaram”, diz Pete. “Estávamos tocando numa festa, na Smit hdown Lane. Era realmente uma droga, John e eu começamos a rir, rindo como loucos das pia das que contávamos. Então, êle quebrou minha tábua de lavar na minha cabe ça. Eu fiquei lá, chorando, com ela a emoldurar meu pescoço. Não devia mais tocar no grupo . Além de não me sentir bem, eu não gostava de ficar em pé, isso me deix ava muito embaraçado.” Já fazia muito tempo que Ivan Vaughan deixara o grupo, apesar de cont inuar amigo de John, em casa, e de Paul, na escola. Paul começou a pensar mais na possibilidade de um outro grande amigo s eu vir a juntar-se ao grupo. Havia pegado a mania de Elvis do skiffle e rock and roll e, por volta da mesma época, na guitarra, estava saindo-se melhor do que a maioria. Pensou em trazê-lo para ver John. Era mais môço que Paul, mas ac hou que isso não importava, já que êle era tão bom. Antes, quando êle fêz isso, Ivan Vaughan ficou chateado. Ivan tinha tr azido Len Garry, e depois, Paul McCartney, do Institute, para conhecer John, achando que era sua prerrogativa trazer outros caras. Êsse nôvo amigo não era tão mais jovem, e nem fazia questão de fingir ser um intelectual, como Paul fazia. George Harrison, êsse era seu nome, e ra um autêntico e consumado Teddy Boy. Ivan não entendia por que os Quarrymen estavam i nteressados nêle. 5 GEORGE George Harrison é o único Beatle a sair de uma grande família e o úni co cujo ambiente familiar é normal e sem dramas. É o mais jovem dos quatro Beatles e o

mais môço dos quatro filhos de Harold e Louise Harrison. Nasceu no dia 2 5 de fevereiro de 1943, em Arnold Grove 12, Wavertree, em Liverpool. A senhora Harrison é atarracada, alegre, muito amistosa e fácil de leva r. O senhor Harrison é magro e pensativo, preciso e estudado. Êle saiu da esc ola aos quatorze anos e foi trabalhar numa firma que fabricava espremedores de rou pa, daquela espécie usada pelas donas de casa. Recebia 7/6 por semana para levá-las num carrinho de mão e entregá-las na casa dos compradores. Queria entrar para a Marinha, mas sua mãe não deixou. Seu pai havia sido morto em Mons, durante a Primeira Guerra Mundial, e êle acha que isso a deixou com tôda a responsabilidade. Contudo, permitiu-lhe que entrasse para a Marinh a Mercante. Êle estêve no mar de 1926 a 1936, como comissário da White St ar Line. Conheceu sua espôsa Louise, em 1929. — “Não, deixo-me contar essa h istória” — interrompeu ela. — “É a coisa mais engraçada que já se ouviu: Eu um dia o havia encontrado e a alguns outros rapazes na rua. Um dos rapazes pediu-me o en derêço, pois estava indo para a África e pretendia mandar-me um vidro de perfume. Bem, pensei, um vidro de perfume vale a pena, mas Harold pegou meu enderêço e foi em bora com êle.” “A sua primeira carta causou um pandemônio. Tinha uma estrêla branca no envelope, portanto, eu sabia que era dêle. No dia em que ela chegou, u m surdo-mudo estava na cozinha tomando um copo de água. Minha mãe sempre foi muito bondosa com todos. “Lá em casa, naqueles dias, cartas eram coisas muito raras, pelo meno s nós nunca as recebíamos. O tal surdo-mudo abaixou-se e pegou minha carta, apesar de não saber ler. Eu podia ver que ela estava endereçada a Miss Louise French e tentei arrebatá-la das mãos dêle. Porém, outra pessoa pegou-a. Ela pass ou de mão em mão até que eu a pudesse agarrar, com todos berrando e com todos aquêles bei jos. Eu tive que passá-la a ferro antes de poder lê-la”. Harold e Louise casaram-se no dia 20 de maio de 1930. Não na Igreja, mas no cartório de Brownlow Hill. Ela era católica, mas êle não. O pai dela havia vindo de Wexford, na Irlanda, e originalmente pronun ciou seu nome à maneira irlandesa, com dois “f”. Êle tinha mais de um metro e oitenta, e durante certo tempo foi porteiro na New Brighton Tower, e depois acende

dor de lampiões. “Quando êle estêve fora, durante a Primeira Guerra Mundial, mamãe t ambém se tornou acendedora de lampiões. Um dia, estando ela em cima de um poste, alguém, acidentalmente, levou a escada. Ela ficou suspensa pelas mãos o quanto pôde , até que se deixou cair, finalmente. Estava grávida de oito meses. Apesar de tudo, o bebê nasceu lindo. Pesava nove libras.” Harold e Louise mudaram-se para o n.° 12, da Arnold Grove Wavertree , após o casamento e moraram lá por dezoito anos. Era uma casa simples, c om dois cômodos embaixo e dois em cima, e custava dez shillings de aluguel por semana. Fi cava a poucas milhas de distância das áreas em que John Lennon e Paul McC artney viviam. Harold estava na marinha e Louise trabalhava como ajudante de um qui tandeiro, emprêgo que ela manteve até pouco antes do nascimento de sua pri meira criança, Louise, em 1931. Seu segundo filho, Harold, nasceu em 1934. Pouco depois, seu marido resolveu deixar a Marinha Mercante. De qualquer forma, êle es tava cheio e, acima de tudo, queria ficar junto de seus filhos. “Nessa época, eu era comissário de primeira classe, recebendo sete libra s e sete shillings por mês; dali eu tirava vinte e cinco shillings por semana para mandar à minha mulher. Nunca tinha dinheiro suficiente, nem mesmo quando recebia boas gorjetas a bordo. Fiz muitos cruzeiros, e nós chamávamos d e good bloods as pessoas endinheiradas e que davam boas gorjetas. No meu tempo vago eu cor tava o cabelo dos passageiros. Estava tentando economizar, para poder lar gar a marinha e procurar outro emprêgo em terra.” “Costumava escrever para casa, dizendo como era dura a vida de bordo”, conta Mrs. Harrison. “Tirava as calças de noite, pendurava-as pelo vinco, e , antes que elas parassem de balançar, já estava novamente dentro delas.” Harold desembarcou em 1936. Havia uma crise. Ficou no auxílio-desemp rêgo, durante quinze meses. “Com dois filhos, êles me pagavam vinte e três shillings por semana. Dali, eu tinha que tirar dez shillings para o aluguel, pagar o carvão e alimentar a família.” Em 1937, conseguiu arranjar um emprêgo como condutor de ônibus, e, no ano seguinte, tornou-se motorista. Em 1940, nasceu seu terceiro filho, Pet

A mesma escola que John freqüentava. êle era tão inteligente e vivo.er. disser am que eu teria de mantê-lo em casa até aos seis anos. Oh nã o. um dos irmãos de George.” — Sempre foi contra mães intrometidas. em miniatura. logo que saía de casa. Harrison. Lá. No dia seguinte. Peter Harrison. Tôdas as escolas estavam chei as. “Tentei uma escola católica romana. e estava três anos mais adiantado que George . por favor”. “Desde o comêço. quando eu estava tirando meu casaco do cabide. a aço ugueira. êle disse: — “Oh não. eu não quero que você me leve. e. havia sido batizado como católico.” — Então perguntei: — “Por que não?” — Êle respondeu: — “Eu não quero que você seja uma daquelas mães intrometidas. “Êle nunca queria ajuda de qualquer espécie. “George foi sempre muito independente”. estava na mesm a classe de John Lennon e Jimmy Tarbuck. que resolvi colocá-lo numa e scola pública. para colocar George na escola primária. declara a senhora Harrison . então. poder iam encarregar-se dêle. “A minha e . — “Você não tem um bilhete?” — perguntava ela. naquele primeiro dia”. veio George. Mrs. e trazê-las para casa. do outro lado de Penny Lane”. d iz Mrs.” Era a Dovedale Primary. quando. o comediante de Liverpool. Todos os vizinhos o conheciam. pensei. êle queria ficar até à hora do jantar. sua quarta criança e terceiro menino. “Levei-o para a escola no primeiro dia. juntamente com seus irmãos Harold e Peter. Quirk. Entretanto. uma versão minha. quando fazia isso. Êle costumava odiar todos os vizinhos que ficavam fazendo mexericos. Lá estava êle.” Tiveram muitos problemas. que ficam conversand o no portão. Êle era dois anos e meio mais velho. — “Êle não t inha mais do que dois anos e meio. Quando nós o mandávamos a o açougue dávamos-lhe um bilhete mas êle o jogava fora.” A primeira lembrança de George foi a de comprar galinhas vivas por se is pence. em 1944. — “Não preciso” — George respondi a. “Subi as escadas para vê-lo. “Eu não cabia em mim. diz Mr. Êles nunca se encontraram. Nós não podíamos ser tão parecidos”. Harrison. costumava ver sua carinha chegando perto do balcão e já sabia que m era. Pois. — “Três quartos da melhor lingüiça de porco. Os piores anos de afluência estavam começando.

Era enorme e feroz. em Speke. do Upton Green.a de Harold morreram. Contudo. diz Geor ge. “o professor nos perguntou quem julgava ter passado. Nós a comemos no Natal. Todos os professôres são assim.” A casa era o número 25. mas que na escol a seguinte . dali para a cozinha. O diretor. E quanto mais errados êles são. pelo fato de êles serem velhos e de cabelos brancos a gente supunha acreditar que êles não eram ignorantes e estúpidos. dois embaixo e varanda.” George entrou para o Liverpool Institute. “Mas eu a det estei a partir da hora em que nos mudamos. agora.” George tinha seis anos. Parecia-me fan tástica. na esperança de que os bons melhorassem os ruins. quando Lou era um bebê. disse-nos que nós. Só um cara levanto u a mão. em Speke. em 1954. Com isso. em 1930. um ano na frente. Um cara foi lá em casa e estran gulou-a para nós. para uma cas a da prefeitura. A gente podia ir do hall para a sala. Na verdade foi muito triste. No primeiro dia eu fiquei indo de um cômodo para outro. A gente tentava manter o jardim bonito mas as crianças estragavam-no todo. mas a de Peter foi criada no quintal e cresceu. “Ela era muito bonita e moderna. durante a noite. mais fàcilmente transmitem seus erros às crianças.” “Depois de a gente ter feito o exame para bôlsa de estudos”. os garotos ass eados depois apanhavam. que nunca entravam em n ossa casa pela porta dos fundos.” “Garotos malcheirosos como aquêle eram os que serviam para o professo r fazer a gente sentar do lado dêles como castigo. Os pais de George haviam pedido uma casa da prefeitura dezoito anos antes. Paul McCartney já estava lá. e de lá novamente para o hall. Pop Evans. novamente voltar para a sala. quando se mudaram de Wavertree. As pessoas tinham tanto mêdo dela. afirma Mrs. São todos uns ignorant es. onde se misturavam os bons com os maus moradores. nos considerávamos meninos crescidos e inteligentes. Ficav a situada numa favela recuperada. Êle acabou sendo o único que não passou. John cursava seu quarto ano na Quarry Bank H igh School. Roubavam as plantas. Harrison. “Era uma casa novinha em fôlha”. Era um cara gordinho que cheirava mal. Eu me lembro de como ela ficou depois do estrangulament o. com dois cômodos em cima. “Foi triste deixar Dovedale. Sempre achei isso.

“George costumava ir para a escola com o boné do uniforme espetado n o alto dos cabelos”. irmão de Paul. depois de fazer as anotações eu não conseguia lê-las. estava um ano atrás dê le e se lembra de que George sempre teve o cabelo comprido..seríamos de nôvo os meninos menores. como um cara que se vestia diferente. êle as passava na minha máquina de costura para torná-las ainda mais aperta das. George ficou conhecido. — “Sim. Tony Workman saiu detrás de uma porta e. Inúteis. concorda Mr. anos antes que os outros cam aradas começassem a usá-lo daquele jeito. — “Cegas? V ocê está brincando. Harrison — e êles odiavam isso”. mas tentou reagir. as tesouras estavam velhas e ce gas. seu pai continuou a cortar o cabelo da família. desde logo. ó. Parecia que tínhamos desperdiçado o tempo.” “Isso acontece.. Eu estava lutando para ser eu mesmo. Tudo isso me aborrecia. Ficam tentando mudar o pensamento puro de criança. forçando apresentar o quadro de suas ilusões para a gente. ajust ando-se e fazendo seus deveres. como fazia na marinha. desinteressar-se. afinal. cara?” George sentiu-se perdido durante algum tempo. completament e. De qualquer forma.. Uma vez. depois de todo aquêle esfôrço para nos tornarmos uns caras crescid os. e êles começam a tentar forçar a gente a ser parte da sociedade. para. pulando nas minhas costas. A rebelião de John Lennon tomou a forma de brigas e provocação de pr oblemas. responde sua espôsa. Harrison. Harrison. E êles estavam procurando transformar todo mundo em g rupos de pequenos idiotas. vinha ler alto as anotações que a gente era obrigad o a fazer. comprei-lhe umas calças novas e a primeira coisa que fêz foi . Michael McCartney. — “Elas costumavam machucá-los. recém-saído de uma escola de professôres. Uma das razões de George ter o cabelo comprido era o fato de êle sempr e detestar cortá-lo. diz Mrs. “Eu detestava fazer ditado. Êl es nunca me enganaram. Sem que eu soubesse. George fêz a sua pelo vestuário. quando a gente se está desenvolvendo normalmente. lembra Mrs. perguntou: “Você quer brigar. pela escola. Mas nesta época. Para economizar. “E calças muito apertadas. todos êles. que chateava os professôres.” No Institute. talvez elas estivessem um pouco cegas. do mesmo jeito. “No primeiro dia no Institute. Algum macaco esquizofrênico. quando as coisas começam a dar errado.

já havia terminad . Ia perguntar-lh e o que eram sapatos escolares. Harrison”. levantem-se e saiam”. Tive um ataque de riso quando John me contou. mandavam-me ficar de pé no canto dos ruminantes. mas funcionava. isso fazia parte da minha rebelião. tentar ser um pouco d iferente. era difícil manter-me acordado. Quando não era isso. pelas tentativas e pelos erros. fico satisfeito quando olho para trás. Você tem que aprender por si mesmo e n ão deve fazer certas coisas. “Um dos professôres. “ Não posso”. porque êle estava sempre bem-vestidinho. fêz-me uma prel eção por causa dêles. “eu cortei fora os pedaços que estavam sobran do”. Eu ti nha um acôrdo mútuo com alguns professôres. mandou que êle as desapertasse imediatamente.” Harry. por esta época. Kelly e Workman. Nós o chamávamos de Cissy.” Quando apareceu a moda dos sapatos de lona. Cissy Smith. mas Georg e achava que com êle ficava o máximo. Freqüentemente. Nunca me pegaram.” “Usar roupas em côres berrantes. “Por muitos anos ignorei isso. era o que eu costumava ouvir nas aulas. mas não perguntei. Uma ocasião. Quando seu pai descobriu.” O verdadeiro nome de Cissy Smith era Alfred Smith.” Lá pelo seu quarto ano no Institute. acordava quinze para as cinco e descobria que todos já tinham ido para casa. “Har rison. O colête pertencia a seu irmão Harry. êle estava sempre metido em confusões. ou. êle começou a ficar de fora d as confusões. foi a resposta.” Nos três primeiros anos. porque eu era um pronto. George tinha um par mon struoso. havia muito tempo. Se o dia estava bonito e ensolarado. Jamai s dei importância à autoridade. o irmão mais velho de George. Por isso. em suede azul. Êles não podem ensinar experiência. Não sei o que me impedia de fazer isso. a gente tem que chegar a ela. êle foi à escola com um colete ama relo por baixo do casaco. Êle disse: — “Êstes não são sapatos escolares. “Aprendi que era melhor manter a calma e fechar a bôca. Êle sempre tinha uma resposta a dar. Eu sempre consegui manter um pouco de individualidade. e eu não causava nenhum problema. com um cara velho matraqueando. irmão do tio Geor ge. de John Lennon.apertá-las. Êles me deixavam dormir no fundo da sala. pelo menos.

especialmente as pessoas da geração de Harold Harrison. e Peter. Jim. êle desejava ter tido as oportunidades que se ofereciam a George. desde que êles gostas sem. ” Harold Harrison estava satisfeito com o fato de George estar finalmente parecendo agüentar-se na escola. da mesma forma que a tia Mimi de John e o pai de Paul. sua irmã. Êle havia pa ssado pela pior da depressão na década de trinta. um passatempo com o qual ninguém poderia ter lucro. o centro social para condutores e motoristas. seu pai. Foi o único dos seus três filhos a entrar p ara a escola secundária. apresentando os conv idados. sobretudo. de calções e com um daqueles capacetes de p onta. estava numa esc ola de treinamento. Êle via a educação. em vésperas de começar a trabalhar como estampador. Ela queria que seus filhos fôssem felizes. O duro comêço de vida de seu pai levou-o à neces sidade de segurança. ainda era motorista de ônibus e. durante anos. Um emprêgo bom e seguro é o que a maioria dos pais deseja para seus f ilhos. Lou. Nós o havíamos visto no clube bebendo. e obrigado a sustentar a família nessa época tendo apenas o magro au xílio-desemprêgo. Acabou indo. mas sempre ficava nervoso quando estava na hora de subir ao palco. O individualismo de George e sua rebelião contra a autoridade não par ecem ter vindo de seu pai. Pelos anos cinqüenta êle era o mestrede-cerimônias na maioria das festas de sábado à noite. Acho que êle agora não tem metade da graça que então possuía. Começou a passar muito tempo em Finch Lane. Como um trabalhador e m eticuloso membro do sindicato. Mesmo quando George se tornou interessado em alguma coisa nitidame nte despropositada. “Um dos primeiros comediantes que nós lançamos foi Ken Dodd.o o curso e se tornara aprendiz de montador. tornarase um eficiente membro do sindicato. . tendo ficado desempregado. Harold. mas t ambém para o sucesso e a respeitabilidade do mundo. e êle queria que George se saísse bem. Sua mãe foi sempre uma aliada. Fêz seu núm ero. e sabíamos que êle era muito engraçado . A estrada para Mandalay. Não importava muito quais fôssem os seus interêsses.. como o único caminho não só para o progresso individual. Foi da gente rolar de rir.

por quase dez anos. Quando criança. A senhora Harrison não é sòmente alegre e fácil de levar. Nessa época.que. repentin amente. guardei-a no armário. em Finch Lane. George não mostrou qualquer interêsse pela música. e. “Eu já havia conhecido cantores populares antes dêle. mesmo assim sua mãe o encorajou . Outra ocasião. “Mas êle nos distraía quando pedíamos”. tirei o parafuso e não consegui repô-lo no l ugar. o emprêgo que tive antes de casar. af irma Mrs. evidentemente. 6 GEORGE E OS “QUARRYMEN” A senhora Harrison sempre foi interessada em música e danças. “Êle se abaixava atrás de uma cadeira e fazia teatrinho de marionetes. a que sua mãe comprou por três libras. ficou es quecida no armário. diferente dos outros pais dos Beatles. Então. Tentando tocar. não me tinha interessado muito por êles. Acho que pensei não ter idade suficiente para gostar dêles. Harrison. Junta mente com seu marido. Mas Lonnie Donegan e o skiffle pareciam estar sob medida para mim.” Sua primeira guitarra. não leva à segurança e à respeitabilidade. como Frankie Laine e Johnnie Ray. por uns três meses. c omo seus pais podem se lembrar. Voltara a trabalhar na quitanda. na verdade. Com o seu jei tinho próprio.” Foi só quando estava por perto dos quatorze anos que George. e me vende por três. passou a chegar a casa e cobria todos os pedaços de papel com desen hos de guitarras. lembrei-me dela e pedi a P . já que êle a desejava tanto. “Tinha um parafuso segurando o braço dela do resto do corpo. ela dirigiu uma classe de danças — especialmente da nças de salão — no clube de condutores e motoristas. eu tinha um empre guinho. “Um dia êle me disse: — “Tem um garôto na escola que comprou uma guitarr a por cinco libras. ” A primeira pessoa a causar alguma impressão musical em George foi L onnie Donegan. ela é uma das apaixonad as da natureza. será que você pode comprá-la pa ra mim?” Eu disse que estava bem.

não sei por que eu o encorajava tanto. Isso era o que eu mais apr eciava. quando tinha dez anos. “Realmente. êle estava bem adiante de qualquer modo que e u pudesse compreender. e êle a comprara por cinco shill ings. Colou-a. já tinha passad o o tempo daquela história de ficar fora de casa a beber. Êles me deixavam ficar fora a noite t ôda. George chegou a casa e disse que havia conseguido uma audiç . “Mas nada cons eguia. “Mamãe me encorajou muito”. Para mim. eu disse que estava bem. quando chegou a vez de George. Se você diz às crianças para não fazerem uma coisa. vai sim. “Você não entende de guitarra. “George tentou aprender sòzinho”.ete para consertá-la”. eu o ajudava em tudo que podia. Eventualmente. mamãe?” — êle me perguntou uma vez. Cus tou trinta libras. — “Eu nunca vou aprender êsse negócio” — êle costumava dizer. Que era o mesmo que tocar gaita. realmente. É só continuar tentan do. Harrison. Continue. eu respondia: — “Vai sim.” “Peter também tivera a mania da guitarra. até seus dedos sangrarem.” “Às vêzes. por isso. uma guitarra melhor. p orque nunca desanimou de fazer o que eu queria. mas nunca me haviam encorajado”. tanto no papai como nela. Chegou ao ponto que queria che gar sôbre sua guitarra de três libras. e iria ajudá-lo a comprar uma nova. “talvez mais do que todos. J á tinha bebido às pampas. acabaria aprenden do. mas que se êle continuasse tentando. Cada vez que êle dizia: — “Eu nunca vou conseguir”. ê le teve uma primeiro.” “Então. e ela ficou muito boa”.” Êle ficava tentando. que não queria dizer isso.” “Um dia.” “E eu respondia: — “Vai sim. Estava tôda quebrada. quando menina. Era elétrica ou coisa que o valha. a gente ficava acordada até às duas ou três da manhã. Recordo-me que. quando todos os outros começaram. hoje em dia eu não gosto de bebidas alcoólicas. Êle queria aprende r a tocar e eu acho que isso me bastava. diz Mrs. Há certas notas que não se conseguem simplesmente porque a gaita não é muito boa. Êle disse que não. “De forma que. Eu disse que não. não é. meu filho. diz George. Creio que no meu íntimo lembrava-m e de tudo que queria fazer. quando eu queria e beber alguma coisa se me desse vontade. Precisava de uma guitarra nova. el as acabam fazendo de qualquer jeito. É provável que. colocou as cordas. v ai sim”.

Pois. ambos já possuíam guitarra. To dos êles saíram de casa. Costumavam encontrar-se no ônibus em que viajavam. O pobre menino que tocava caixa de chá estava com uma aparência terrível. por conta própria. veio a minha casa a fim de dar uma olhada no manual de guitarra que eu tinha. êle arranjaria um. mostraram-me os dez shillings que cada um havia ganho. e que de nada me adiantava. Então. “Paul. êles haviam chamado o conjunto de T he Rebels e tinham êsse nome pintado em vermelho. Costumávamos tocar só. Isso começou muito antes de Paul conhecer John e os Quarry men. 6 mesmo dura nte as férias. Harrison. pela primeira vez. levado por Paul. Bot ou seu irmão Pete numa guitarra. Tiveram que ir em frente e tocar a noite tôda. e tornaram-se grande s amigos. Êle ainda estava no armário. Ge orge ainda se recorda do dia em que sua mãe pagou a passagem de Paul e a dêle. Quando c hegou a fase do skiffle. na British Legion.” Começaram a passar juntos a maior parte do tempo vago. Êle conversou com Paul. um a um. “Êles estavam muito excitados quando chegaram a casa. Naquela noite. todos gritand o ao mesmo tempo”. Êle também ficou na guitarra.” George não tocou num grupo direito. “eu não consegui saber logo o qu e havia acontecido. em Speke”. “Eu disse que êle devia estar maluco. não tinha nem mesmo um conjunto. um para tocar caixa de chá e outro gaita. certa vez. pouco depois de ter entra do para o Institute. apenas um ouvindo o outro e copiando alguma coisa de outro cara qualquer.” Conseguiu um conjunto para a sua grande noite. seu amigo Arthur Kelly em outra e arranjou mais dois. Seus dedos estavam sangrando de tanto tocar e êle esta va todo sujo de sangue. que tocasse melhor que nós. Aprendemos alguns acordes com o manual e conseguimos tocar Don’t you Rock Me Daddy O. até que entrou para os Quarrymen. . mergulhando por trás da cêrca. Êle disse que não me preoc upasse.ão no British Legion Club. George nã o queria que todos aquêles vizinhos bisbilhoteiros soubessem o que estavam fazendo. Harrison. apesar de ter tocado por uma noit e em outros conjuntos. com dois acordes. diz Mrs. era a sua p rimeira apresentação profissional. desliga dos de qualquer grupo. lembra Mrs. Chegaram ao clube e descobriram que os músicos de verdade não tinham aparecido.

Er a formidável. em Garston.” “Mimi costumava dizer que êle tinha uma voz da baixa Liverpool. não é mesmo.” . Ela dizia: — “Você parece ter uma preferência pelos caras das classes mais bai xas. no entanto. eu nã o queria saber. Por isso pegamos muita coisa com êle. mesmo depois de estar progredindo na guitarra e receber nu merosos convites para tocar. à primeira vista. que aparentava ter dez anos. “Era demais.” John lembra-se de que a idade de George motivou a demora de sua admi ssão no conjunto.” “Havia um guitarrista em outro grupo. Às vêzes.” “Costumávamos matar aula. apenas para sair de noite e ver se conseguia entrar em algum grupo. estávamos indo para algum lugar na parte de cima do ônibus. demais mesmo. Ning uém se recorda da data exata. e John gritava: — “Toque o Raunchy pra gente. George era muito nôvo. “Sem pre me dizia isso. mas eu fingi que estava ocupado. porque êle sabia muitos acordes . “Convidamo-lo a entrar para o grupo. Não fui muito com êle. e ir passar a tarde na casa de George. De fato. até que passei a conhecê-lo melhor. No princípio. muito mais do que a gente. apareceu convidando-me para ir ao cinema. Já fazia entregas e. Toquei Raunchy para êles e John disse que eu podia entrar para o grupo. Paul tocava com êles e disse que eu deveria ir vê-l os. quando êles estavam tocando no W ilson Hall. Eddie Clayton. eu teria ido de qualquer jeito. naquela noite. U ma vez. John disse que se eu tocasse como aquêle cara. provàvelmente não antes do comêço de 1958. George. que eram muito melhore s do que êle. Apesar de tudo. Eu o animava dizendo que ficaria cada vez melhor se não desistisse. fui apresentado a John. “Vi os Quarrymen. poderia entrar para o conjunto.” “George nunca achava que estava bom”. falando-me sôbre todos os caras. conta a senhora Harrison. mas a entrada de George não foi imediata. e ra muito jovem. com aquel a sua cara de bebê. Tôda ve z que aprendíamos um nôvo acorde. pela primeira vez. levand o nossas guitarras. logo escrevíamos uma música baseada nêle. ainda parecia um garôto. John?”.Parece que Paul estêve no grupo pelo menos um ano antes que George entrasse para o conjunto. Conhecendo Paul. Êle parecia ainda mais môço do que Paul.

desenhar ou ficar fazendo hora. “Estava muito impressionado com John”.George diz que êle provàvelmente. principalmente quando o pai dêle estava fora — on de êles podiam praticar. Acho que estava muito impressionado com todos os car as do Art College. Êles precisavam de outros caras. mas sempre se mostrava agressivo e com pinta de operário. diz John. Adorava as blue jeans. Em todo caso. por pior que fôsse.” Havia outros membros dos Quarrymen que vinham e iam embora. Caixas de chá e tábuas de esfregar roupa denotavam amadorismo demais. sempre tentando derrubar a g ente. e a de Paul. pois três guitarras não constit uíam um conjunto.” “Conhecer Paul foi como duas pessoas se conhecendo”. John era muito sarcástico. camisa lilás e costeletas de John. quando arranjavam seus compromissos ocasionais. mas nenhum dos que apareciam. com a mania dos grupos. “Não se apaixonando. mesmo naqueles dias. Agora. nem nada. Estavam saindo da era do skiffle como um conjunto. Havia vários grupos. e de propósito. buscava arranjar compromissos com todos os pequen os empresários que estavam faturando bem. ou se chateavam. mas eu não notava e dava-lhe logo o trôco. e o Elvis em particular. estava muito difícil conseguir contratos constantes. ouvindo os novos discos no rádio e procuravam reproduzir os m esmos acordes e sons em casa. escrever música. ou pelo menos era o que eu demonstrava. . Apenas nós. e o negócio foi em frente. Funcion ou. e êsse era o estilo que êles estavam ten tando copiar. e a maioria dê les era muito melhor que os Quarrymen. e isso funcionava. Agora tinham duas casas para ir — a de George. Nesta época John estava em véspera de começar o Art College. e isso. sempre que tin ham vontade. ou por que não agüentavam a língua de John. conta George. de um b aterista. urgentemente. Entreta nto. acabava ficando. todos preferiam o rock and roll. ficava mais perto de John. “Talvez mais do que Paul. John. Precisavam. apesar de todos os esforços educativos d e Mimi. éramos três e pensávamos do mesmo modo. É claro que Mim i não iria deixar que uns Teddy Boys de um grupo de rock and roll fôssem f icar fazendo hora em sua casa. como líder.

“Encostava a bicicleta na grade e me olhava com aquêles olhos de ovelha. Não sei o que aconteceu depois. Harrison” — disse John adiantando-se para me apertar a mão. ao chegarem a casa. Mimi.” “Harold ficou quicando”. E ntão. que era um cara muito simpáti co e que eu iria gostar dêle. “Freqüentemente. Você precisava ter visto a car a dêle quando viu John em cima de mim! — “Que diabo está acontecendo aq ui?” — E George respondeu: — “Está tudo bem. Bem. At é John fazer dezesseis anos. — “Aqui está o John” — gritou George.” “Afinal. Esforçava-se muito para me impressionar a res peito de George. lembra Mrs. — “ Hello. não adiantou nada.” John e Paul ensaiavam na casa de George. Mrs. por isso. ela estava na co zinha e George o trouxe a casa. conta Mimi. Êle veio com um cabel o cortado à escovinha e uma camisa côr-de-rosa. Meu marido entrou naquele momento. e nós dois fom os aterrar num sofá. “Quando êle viu aquelas calças. É só o John”. Os Harriso n. “John era um pouco acanhado.. dizendo: — “Hello. subiu pelas paredes.” Ela não demonstrou muito entusiasmo com George. Por fim tivemos de rir.” 7 . George nunca foi insolente. em Upton Green.“Paul costumava chegar pela porta da frente”. uma ocasião. Harrison viu John Lennon. papai.” Na primeira vez que Mrs. Harrison. disse-lhe que podia trazê-lo. êle começou a pular saracoteando pela sala. não pode” — respondia eu. um dia. Eu podia ser chamada de antiquada. John falava sôbre êle. quando ouviu falar s ôbre êle. Só sei que êle caiu e eu também. — “Como é que eu vou poder fazer o meu ballet sem usar calças apertadas?” — perguntou e continuou a saraco tear pela sala.. Posso entrar?” — “Não. encontraram-no vestido nas calças mai s apertadas que já tinham visto. sempre acabav a conseguindo fazer o que queria. sempre fiscalizei se êle usava o casaco e a cam isa exigidos pela escola. George disse que John lhas dera de presente. mas acho que êle nunca ficou tão sem graça — o mesmo aconteceu comigo. por cima de mim. pela primeira vez. mas admitir meninos de escola vestindo-se daquele jeito!.

com as correntes. Usava as roupas que queria. por Mimi. “Adquiri mais confiança em mim e passei a ignorar Mimi. e continuava vest indo-me como um Ted. Saía de casa por muito tempo. “Quando cheguei. eu não era um Ted. e depois tirá-las no ponto de ônibus. Eu sempre insistia com Paul para que ignorasse o velho dêle e usasse as roupas que bem entendesse. quando os outros quiseram expulsar-me. e um bando de ve rdade. Se eu encontrasse um Ted de fato. todos no Art College pensavam que eu era um Ted. ap arecendo com calças mais apertadas e com casaco prêto mais comprido. Arthur Ballard. era vestir umas calças velhas e largas. no outono de 1957. tornei-me um pouco mais artista. E ntão. Estava apenas fingindo sê-lo. só um Rocker. um dos professô res. por cima daquelas. e ajudou-me. . “Na verdade.JOHN NO “ART COLLEGE” John havia começado a estudar no Art College. Ê le era um bom sujeito. teria me borrado todo. como todos êles. disse que eu devia alargá-las um pouco e não usá-las tão apertadas. de prêto com as calças bem apertadas. O tr uque que empregava para passar daquele jeito. quando já estava a c erta distância segura de casa.

Levei bomba. Atrás. a não ser acabar co mo um milionário excêntrico. Harold e Louise Ha rrison a seu lado. Mas foram botar-me na turma das letras. eu me tornaria um patife. Quando Mimi jogava fora as coisas que eu havia escrito ou desenhado. assim. em vez d e ir trabalhar. aos quinze anos. aos A família Harrison: George com oito anos. Tinha alguns momentos d e dúvida.George. Contudo. todos eram uns chato s. resolver meus problemas. porque aquilo era melhor que trabalhar. no dia em que eu fôr famoso”. porq ue isso me parecia bacana. com seus pais. sem falcatruas. “Eu tinha de ser milionário. “Eu sempre senti que acabaria arranjando-me. pelo papel que eu tinha na turma de letras. por isso. Estava bastante preparado para isso — pois. era muito covarde para ser um pat . Naquele troço. “Fui ficando. em sua primeira festa cinco anos George. Sonhava casar-me com uma milionária e. teria sido um ilustrador. Na escola. me colocaram lá. Fiquei lá. mas sabia que no fim tudo ia dar certo. “Na verdade. ninguém i ria dar-me dinheiro pelas minhas pinturas. Eu não me ofereci para nada. Bem que poderiam ter-me colocado na turma de mergulho. Se não o conseguisse. — E eu sabia o que estava dizend o. eu costumava dizer: — “Você vai-se arrepen der disso. seus irmãos Harold e Peter “Jamais gostei do trabalho. não sabia ainda o que desejava ser.

Para variar.” “Twitchy recebeu um golpe maior do que o meu. Nunca mostrei a minha família o luga r exato. aprovava a vi da que êle estava levando. Saí correndo e ela estava morta. Todos êles passavam freqüentemente por ali e isso iria magoá-los muito. Em pouco tempo. Foi como a gent e imagina que essas coisas acontecem. Mas Twitchy foi. atropelada por u m carro do lado de fora da minha casa. “Mas naqu ela noite ela saiu cedo. Êle confiava nela. E se arrasou.” Julia. falando sem nexo e sem parar. “Foi a pior coisa que já me aconteceu. Julia morreu no dia 15 de julho de 1958. conta Mimi. nem à de mamãe. “Estava passando aquêle fim-de-semana com Julia e Twitchy”. cuja companhia se tornou mais freqüente. O motor ista só dava um grunhido de vez em quando. danem-se. O acidente ocorreu muito pró ximo à casa de Mimi. fazer um bom trabalho! Costumávamos examinar as lojas durante a noit e. “Para mim. para avisar-nos do acidente. Ela está viva como sempre. Ambas estão vivas para mim. porque falavam a mesma linguagem. Foi sòzinha. Que tudo se dane. conta Jo hn. êle nos contou o que tinha a contecido. Recusei-me a ir lá vê-la. eu e Julia. nós nos apro ximamos muito. Julia não morreu. Combinávamos maravilhosamente. danem-se. sua mãe. ouvi um barulho terrível. O guarda me perguntando se eu era filho dela e tôda aquela história. Eu não queria vê-la. Conversei nervosamente com o motorista do táxi. Um minuto mais tarde. “O guarda chegou à porta. onde ela estava estirada morta. e nós dois ficamos brancos de susto. como acontece a todos nessas horas. “Depois pensei: danem-se. tinham os mesmos gosto s e os mesmos rancores. mais ou menos vinte para as dez. duran te todo o percurso. Eu nunca fui à sepultura dela. Agora. planejei arrombar uma l oja com um outro cara. Depois êle perguntou : — “E agora quem é que vai cuidar das crianças?” — Então. Acho que nunca chegaria a sê-lo. Então.ife. Julia era genia l. como se vê no cinema. “Costumava ir com ela até ao ponto do ônibus”. ela quase havia substituído Mimi na vida d êle. Ag ora não tenho responsabilidade com ninguém. Eu as amava . mas nunca tivemos peito para assaltar. o odiei! Mald ito egoísmo! “Tomamos um táxi para Sefton General.

apesar de nada t er havido de sério. que eu não ia morrer. diz Pete. foi a última pessoa a falar com Julia. Ficava a observar-me cuidadosamente. foi só mais uma pessoa a fazer parte de sua coleção. Es cutei-o dizendo a Paul: — “Eu não sei como é que você pode sentar aqui e agir normalment e. “Quando ela morreu êle não pareceu ficar maluco.” A senhora Harrison. “John nunca falou sôbre Julia. eu tinha dado a todos êles feijão e torradas. A m .muito. Foi uns mes es antes da morte da mãe de John. George estava aterrorizado. Seu exterior nunca revelava seus sentimentos. pensando que eu iria ser a pr óxima a morrer.” A morte de Julia deve ter sido uma tragédia na vida de John. “Era como quando os professôres lhe batiam. “Mas fo i à forra em cima das suas namoradas. Êles ainda estavam praticando muito na casa de George. lembra-se do efeito que isso caus ou em John. outros colegas no Art College dizem que a morte da mãe tornou-o ainda pior. e êles se ajudav am reciprocamente. diz Pete Shotton.” Todos os amigos de John souberam do atropelamento. quando e la saiu da casa de Mimi para atravessar a rua em direção ao ponto do ônibus. Contudo. Ainda havia trilhos de bonde no meio da Menlove. nem como se sentia”. Se alguma coisa como essa acontecesse comigo eu fi caria maluco. a única casa na qual sempre encontravam hospitalidade e encorajamento. Acabei dizendo -lhe que deixasse de ser tão bôbo. Obriguei George a ir procurá-lo. Um o utro amigo. para certificar-se de que êle contin uaria no conjunto e não ficaria chocando em casa. menos interessado nos sentimentos das outras p essoas. Era uma coisa a mais que agora partilhavam juntos. durante todo o tempo. Julia era uma pessoa adorável. Êle fazia um inferno para elas. naquela ocasião. “Numa noite. mãe de George. Eu me lembro de uma delas gritando-lhe: — “Não me venha com essa só porque sua mãe mor reu. “Todos êles passaram por muitas coisas naqueles dias. mas não aparecia mais aqui. Thelma Pickles foi uma de suas namoradas desta época. ràpidamente. mais cruel em seu humor.” A morte de Julia aproximou mais ainda John de Paul. Nigel Whalley. e êle se aproximava dela cada vez mais. “Mas êle nunca o demonstrou”. com sua mãe morta.

Ainda deve estar devendo muitas libras a muita gente . Talvez como comediante. sempre conseguia arrancar dinheiro das pessoas. a legenda dizia: — “Mas eu sou o Papa. era mu ito cruel. espantada pela sua atitude diante da vida. de uns pares de meia e êle não conseguia vê-l o. Eu os achava maravilhosos. “John estava sempre duro.” . fazendo com que as pessoas l he comprassem coisas. ou filando cigarros. Mas sempre tinha ouvintes em tôr no de si. Havia uma garôta que era maluca por êle. com caras terríveis. “Eu sabia que êle poderia ser famoso em alguma coisa.” “Gostava de fazer desenhos cruéis. um filme do Elvis. E se via um aleijado ou deformado fazia observações em voz alta. John fêz uma série de piadas sôbre êle. Fêz uma do Papa do lado de fora de umas grandes colunas do céu. como: — “Algumas pessoas fazem tudo para escapar do serviço militar”. tentando entrar. pois nunca antes havia encontrado uma personalidade como a dêle. e dizia coisas que muita gen te teria mêdo de dizer. costumava fa zer caretas para pessoas idosas. Chegava a ser cruel. Fêz um de algumas mulheres arrulhando sôbre alguns bebês e perguntando se êles n ão eram lindos. e mesmo assim êle n ão os colocou. Todos os bebês eram deformados. Contudo. Era um vagabundo autêntico. mas não conseg uia saber para que servia. realmente medonhas. Tive de dizer-lhe de que se tratava. Era abominável. sacudindo o portão. mas não sabia e m quê. Andando pela rua. “Era de um desrespeito total a tudo. No dia em que o Papa morreu. com uma espécie de personalidade magnética . Sabia que era preciso um milagre para ir a alguma parte escreven do música. Era muito diferente e original. “Jamais levei sua música a sério. Embaixo. Costumava chorar por sua causa. Êle dizia que havia escrito essa no va música e eu achava fantástico alguém escrever uma música.aioria delas estava de certa forma admirada com êle. então não via para que adiantava essa história. Mas eu apenas não conseguia descobri r em que êle poderia se tornar famoso. Fomos ver King Creole. Havia um grande anúncio sexy. tomando dinhe iro emprestado de qualquer um e a tôda hora. pensei. desde aquela época. estou te avisando”. “Êle tinha complexo de seus óculos e não os usava nem mesmo para ir ao cinema. Positivamente.

com pinta de artista e muito devotado. A primeira foi Stuart Sutcliffe. Cer ta ocasião. m as muito impetuoso e individualista.John concorda com a maioria das lembranças que Thelma tem dêle no Art College.” No Art College. admirava em Stu o talento para a arte. o grande conhecimento que êle tinha da arte. não tinha dinheiro. mais ou menos com o Glasgow. nas horas de almôço. por sua vez. e. mesmo estando . Parece que George e Paul tinham um pouco de ciúmes de Stu e de sua i nfluência sôbre John. Stu admirava as roupas e a presença de John. naquela época. Nunc a havia reparado nêles antes. Era magro e franzino. caras de um metro de altura vendendo jornais. êles pareciam estar desfilando. em todo o caminho de casa. Acho que era uma forma de encobrir minhas emoções. tanto que quem estivesse de lado poderia observar o quanto John admirava Stu. Foi na escola que notei isso. John. “Acho que tinha um humor perverso. que era muito maio r do que o seu. mesmo quando ninguém mais estava muito impressionado. Stu não sabia tocar nenhum instrumento e conhecia muito pouco da mú sica popular. seguindo o exemplo de John. com pouca saudade ou prazer. do meu jeit o de vida. Sempre estava dizendo o quanto êles t ocavam bem. Jamais feriria um aleij ado. No entanto. John chateava Stu o tempo todo e o magoava sempre que podia. A coisa foi ficando cada vez mais engraçada e eu não podia para r de rir. sobretudo. Paul. mas naquele dia. e comecei a falar: “Liverpool é uma cidade cheia de gente deformada. essa era apenas parte de minhas brincadeiras. “Eu era obrigado a fazer empréstimos ou extorquir. O que passou.” Mimi conta que lhe dava trinta shillings de mesada por se mana e não consegue compreender como êle gastava todo o dinheiro. em seus pontos de vista. geralmente entre gurias como a Thelma. “Eu costumava me ndigar o tempo todo. nessa base. Recorda-se de tudo vagamente. duas pessoas entraram na vida de John. mas ficou completamente arrebatado quando ouviu John e seu grupo tocar no Art College. também começou a chatear Stu. a mane ira como êle criava aquela atmosfera em sua volta com sua personalidade f orte e dominante. pois. passou. Êle estava no mesmo ano de John mas mostrava um talento genuíno de fino artista. Êle e John tor naram-se amigos imediatamente. voltávamos de uma conferência na escola e já tínhamos tomado a lgumas cervejas.

Usava duas trancinhas. ag ora sua mulher. Minha primeira recordação de olhá-lo com atenção foi numa conferência no teatro. que pertencera ao seu tio George e o cabelo cheio de bril hantina e penteado para trás. “Um tipo completamente diferen te da gente. Isso despertou alguma coisa em mim. acalmá-lo um pouco. Depois disso. Acho que primeiro foi desgô sto. a não ser quando êle me roubava coisas. mas nada disso aconteceu. e. John não s e lembra de nada. ouvi dizer que os dois estavam firmes. penteando-lhe o cabelo. pela primeira vez.” “Ela era o tipo do pigmeu de Hoylake”. — “Nada de piadas sujas. de uma área da classe média. Mas nunca havia tido contato com êle.” “Deixei a escola por um ano. Pensei que aquilo iria civilizá-lo. êle o barulhento Teddy Boy de Liverpool. A outra grande amizade de John.” Conversaram direito. Os dois se moviam em círculos inteiramente diferentes.” Cynthia Powell era do mesmo ano que John. mas não achava que ela ser visse para John. Conversamos sôbre isso. da parte elegante. A gente costumava fazer piadas e gozá-la. ou pensava que fôsse. eu e meu colega Jeffe Mohamed. eu não tinha oportu nidade de conhecê-lo. É a Cynthia. quando vi Helen Anderson sentada atrás dê le. “Muito esnobenta. diz Thelma. na aula de letras. — “Silêncio por favor” — a gente gritava. comecei a chegar cedo . diz John. quando estava fora. no Art College. “Cynthia era muito quieta”. Ela vinha do outro lado da água. Mas eu me lembro. Êle costumava dissertar sôbre ela. como réguas e pincéis. “Descobr imos que ambos éramos um pouco míopes. Usava um sobretudo c omprido de tweed. foi Cynthia Powell. Não o achava nem um pouco bacana. “Êle tinha uma aparência horrível naqueles dias. Mas levou bem mais de um ano para que um percebesse a exis tência do outro. Eu era muito respeitável. desde o início e na mesma sala de letras. dizendo-nos o quão mar avilhosa ela era. Era muito bonita. como John.” “Achava-o horrível. ela a menina da cla sse média bastante tímida. Só eu não percebia. Então percebi que era ciúme. Contudo. aprendia com êle muitas idéias e modas novas.interessado em arte e. Muito desanimador. Eu não era do seu grupo.

Jeff Mohamed tinha estado me gozando.” Os dois se encontraram.” .” Depois disso. Exigia abs oluta confiança dela. indo ao cinema em vez de assistirem às aulas. Eu estava neurótico. quase. convidei-a para ir a uma festa. Ela disse que não podia. diz Cynthia. “Estava meio alto e convidei-a para dançar. no Natal de seu segundo ano no Art Co llege. “Era êste o problema. para provar a si que podia. conta John. tendo comprado peixe e batata frita no caminho. Na verdade. diz John. Êle era muito rude. Costumava fazer hora. Na verdade. depois acabei indo. depois das aulas. à espera de uma oportunidade de encontrá-lo. êles passaram a sair tôdas as noites. se cedesse naquela época. mas apenas pa ra ver se podia confiar em mim. Eu estava saindo com o mesmo ra paz. só porque eu mesmo não merecia confiança. havia três anos. Não podia fazer isso. “Tínhamos uma festa”. Brigávamos o tempo todo.para poder sentar junto dêle. colo cando tôdas as minhas frustrações em cima dela. John ficou aborrecid o quando eu disse não. “Enquanto dançávamos. Tomamos um drink lá no Crack e depois fomos para o apartamento de Stu. Não falo sexualmente. E penso que. “com o fato de ter pegado Cynthi a. diz John. seria o fim. mesmo agora. êle não sabe o quanto eu ficava fazendo hora. dizendo: — “Cynthia gosta de você. Era só uma coisa que eu sentia e John não sabia. “Êle já estava dando nos meus nervos. no dia seguinte . êle estava só me testando. e geralmente de tar de também. ela me deixou. dur ante todo o tempo eu estava querendo ir. esp erando dar de cara com êle. Tinha ci úmes de qualquer pessoa com quem ela tivesse tido qualquer coisa. Tinha compromisso. em 1958. você sabe disso.” “Eu estava triunfante”. Não dava o braço a torcer. Não deixava perceber que estava dando em cima dêle. Êle apenas saiu e beijou outra garôta. “Bem. de fato. “Eu estava amedrontada com êle. Então êle me convidou para depois da festa ir tomar qualquer coi sa no Crack. e estava quase para ficar noiva. Foi terrível. “Eu estava apenas histérico”. “Eu tinha”. “Eu já tinha agüentado demais”. “Não progredi muito. Eu sabia que. “Uma vez. diz Cynthia. Primeiro eu disse que não.

que meu trabalho estava começando a piorar. Mas ela nunca tentou inte rromper nosso namôro. um dia pegou John me batendo de verdade. George recorda-se de que progredira muito na guitarra e que.“Mas eu não podia suportar a idéia de ficar sem ela. esperando por êle. perto do telefone. pelo fato de estar saindo com êle.” “Estava sentada. Tinha sido a mesma coisa com as outras namorada s que eu tivera.” “Fiquei com uma raiva danada. Uma noite ê le se chamou The Raimbows (O arco-íris) porque cada um dos membros apresentou-se com cam isas de côres diferentes. Molly. Culpava o ambiente em que ê le fôra criado. seu lar. a mulher que fazia a limpeza. Ela foi realmente boa. “Os professôres me preveniram. As instituições n ão foram feitas para John. ao passo que John estava no Art College. não tendo qualquer ligação com a Quarry Bank Hig h School. “Ou eu e stava bêbado. e os professôres estavam sempre em cima de mim. Disse-me que era uma bêsta em m e meter com um cara como aquêle. diz John. apesar de .” Cynthia não estava com pressa de apresentar John a sua mãe. ou brigando. sucessivamente e inventados na hora. Minha mãe manteve a calma. apesar de ter certeza de que ela estava desejando que êle desaparecesse. durante dois anos”. Quando deixou de ser os Quarrymen o conj unto teve vários nomes.” 8 DOS “QUARRYMEN” AOS “MOONDOGS” No fim de 1959. Meu trabalho acabou indo às favas. Então.” “Eu só ficava esperando que êle superasse isso. o nome de Quarrymen havia desaparecido. Paul e Geor ge estavam no Institute. telefonei-lhe . Mimi e a escola. Havia alguma coisa errada comigo. “Êle nunca era supereducado e sua aparência era tão ruim. A escola não era o lugar para êle. Ela queri a prepará-la para o choque. mas ficava imaginando se poderia agüentar. até que êle se encontrasse.

êste não tinha feito progresso re al. Harrison estava muito aborrecido. matava as aulas freqüentemente. “Mas o cabelo é dêle!”. porém os turnos se sucediam indefinidamente. afirma Mr. Passávamos pelos primeiros turnos. Não almejava ser nenhuma espécie de empurrador de caneta. para ficar lá. Os outros dois filhos estavam bem empregados. e. “Nem mesmo consigo lembrar se recebi algum pagamento no primeiro a no que passei com êles. e isso era tudo. “As únicas vêzes em que vimos o dinheiro de verdade foi quando passam os a entrar nas competições de skiffle. a fim de esta . sobretudo. Queria trabalhar com suas mãos. “Fiquei bem contrariado quando vi como era fan ático pelo grupo. Nunca se recebia pagamento por ter entrado . No entanto. sem que eu soubesse. assim mesmo fazendo muita fôrça. “Tornou-se óbvio que eu não conseguiria nenhuma qualificação. Eu sabia que uma pessoa precisava ser muito boa no show business para che gar lá em cima. no verão de 1959. “No entanto. Levávamos nossas guitarras e éramos convidados a entrar. Harrison. porque sua mulher ficava do lado do fil ho. É clar o que era um negócio muito idiota. mas por ter vencido. D ecidiu isso com a mãe. O máxi mo que eu atingiria.” Começou a trabalhar. Não percebia como é que êles conseguiriam atingir alguma parte. Contava dezesseis anos. De forma que nada adi antaria. “Por que alguém se acha no direito de dar palpites sôbre o que você deve fazer com aquilo que é seu?” “Eu queria que êle se dedicasse aos estudos e conseguisse um bom emp rêgo”.ter ingressado no grupo por mais de um ano. contu do Mr. mesmo para limpar fossas são precisos dois níveis O. Tocávamos principalmente nas festas de colegas. Harr y como ajustador e Peter como estofador. eu costumava dizer. Pois perdera a batalha contra as roupas e cabelos compridos de George. “Até ao fim do período. e muito melhor ainda. Mrs. seria dois níveis O. indo em frente e tentando ganhar alguma coisa. Ou ganhávamos refrigerantes ou prat os de comida. não tendo baterista e sim cêrca de dezoito guitarristas. êle disse que queria deixar a escola. Saiu e nem foi buscar seu certificado escolar. Eu queria que George também ven cesse. Harrison mostrava-se entusiasmada com George e seu grupo.

Arte. surgiu-me a idéia de emigrar para a Austrália. Dizia que êsses dois li . Jim queria que êle continuasse estudando. Gosta va de poesia moderna e costumava falar-nos sôbre O Amante de Lady Chaterley. “Não consegui arranjar emprêgo. chamado Dusty Durband. Paul e eu costumávamos ficar lá muito tempo.” Na casa dos McCartneys. muito ante s de têrmos ouvido falar nêle. mas não tinha idéia de um trabalho que lhe servisse. Ademais. Pa ul só conseguiu passar em um. de quem eu gostava.r com John no Art College. Paul havia conseguido permanecer na 5B. e era o único. Era melhor do que a escola. e foi mandado para a Remove Form. “Gostei daquilo. era bom estar numa grande loja aquecida. mas tinha um professor de inglês. a grande loja de departamentos. Não tinha uma pista. Fui lá. resolveu ficar. tentei convencer o velho para que todos nós fôssemos. Começou. pas sava todo o tempo vago com John e George. então. Foi quando o Youth Employment Officer me apareceu com um emprêgo de vitrinista na Blacklers. pois não tinha notas suficientes para passar logo para o Sexto Ano. mas descobri que meus pais teriam de assinar por mim. “Nessa época. deixei de lado essa idéia. que eu havia visto em alguns prospectos de agências de vi agens. Arranjei os papéis para preencher. Paul ainda estava na escola. A seguir. mas levei bom ba. Então. Pelo men os. Então êles me ofereceram um lugar de aprendiz de eletricista. e. Depois. às voltas com aquêle conjunto. então. que era considerada a boa tur ma para inglês e outras línguas. Parecia-lhe mais fácil não deixar a escola. E com o advento do inve rno. a pensar em abandonar os estudos. Jim lutava para manter dois adolescentes na li nha. Nós costumávamos jogar dardo s. então tentei o exame de aprendiz na Liverpool Corporation. e do Miller’s Tale. pensei no Canadá. Era um cara genial. Eu sentia que alguma coisa acabaria aparecendo. “A escola era muito chata. depois que deix ei a escola. durante muito tempo. mas o lugar já estava tomado. Para grande prazer do pai. Entretanto. pois eu era muito jovem. mas não se saiu muito bem nos níveis O. durante muito tempo. pensei em Malta. e não lhe sobrava muito tempo para fazer os deveres da escola. a escola lhe deixava bastante temp o para tocar. Papai andava entusiasmado com aquêle neg ócio de aprendizado.

Oficialmente. Para sua alegria. Por que é que êles não tocavam músicas boas de verdade. Jim limitava-se a fazer a comida. “Nem gostava daquele Bill Haley dêle. contudo não o eram.” Essa centelha de entusiasmo o manteve no Sexto Ano. Tiravam alguns aco rdes muito bacanas. Essa perspecti va tornava Jim feliz. papai?”.” Jim começou a querer ficar com êles. descobriu que. muito obrigado. faz um chá pra gente. “Jamais apreciei a música na qual Paul estava tão interessado”. arranjaram uns amplificadores velhíssimos e criavam ritmos melhores do que as repetições suaves do skiffle. dando conselhos e sugestões. quando êle aparece aqui. diz Ji m. John e George eram glutões que comiam qualque r coisa e a qualquer hora. como Stairway to Paradise? Achara êste um número adorável. Perce bi que estavam ficando bons. No fim eu não mais pr ecisava guardar. mas apenas dizer que havia sobrado alguma coisa e pergunt ar se êles queriam. Inglês e Arte. êle estava preparando-se em duas matérias. Mas se êles não gostavam do Stai rway to Paradise por que não tocavam uns números de jazz. quando estava ocupado. tenho de fazer creme para George. passara a se encarregar da cozinha. para o nível A. obrigado. Explicava-lhes como dirigia seu conjunto e como êles deveriam apresentar seus números. Depois da morte de sua mulhe r. Afinal. Êle disse que estava bem. Todos sabiam que êle era muito capaz para fazer isso. di zendo como êle costumava fazer nos bons tempos da Jim Mac’s Band. tá bem.” O conjunto ia progredindo. já que pretendia ir para o Trainning College e tornar-se pro fessor. e não apenas fazendo hora. cheguei a casa às cinco e meia e os ouvi tocando. Cos tuma dizer-me que é o creme melhor do mundo. Êles disseram: “Não.vros eram considerados pornográficos. apesar de não faz er qualquer dever. “Eu costumava guardar o que sobrava para êles. Até hoje. como When the Saints? Êle poder ia lhes ensinar um bom método para executá-lo. Êles disseram que não. Não havia melodia naquilo. “E cada a no parecia . de sta vez com mais firmeza. “Mas um dia. e Paul. acabava não comendo nada. enqu anto Paul e Michael eram luxentos e comiam pouco.

imediatamente.” No primeiro ano em que estiveram juntos. graças. principalmente. e. com camisas em prêto e branco com borlas brancas nos bolsos de cima e gravatas pretas de tiras finas. também. constantemente. Cada vez mais se aperfeiçoavam na guitarra. Como ninguém os conhecia. Nem bem começava a tocar. a gente trazia uma garôta. Saí correndo de casa. Cada vez mais aumentavam o número de competições. no dis co. por engano de Jane Ash er. numa noite. “Havia uma mulher que tocava com colheres que sempre nos vencia”.cinco anos”. Uma porção delas foi jogada fora. no cachimbo de papai”. Vi-os na televisão. tivemos um cara chamado Duff como pianista. como Teddy B oys Cowboys. como todos os gr upos principiantes. ia para casa. ou sentava e tirava retratos. mas jamais poderia ter adivinhado a maneira como faziam aquilo. Muitas vêzes. “ A gente costumava ir lá para casa e fumar maconha. Agora êles tocavam. fomos aprendê-la. — “Descobri” — berrei. a gente ficava tocando guitarra. à sua o bservação dos grandes astros da televisão. A primeira coisa que os dois faziam. ou escrevendo música. enquanto limpava os armários de Paul. adquirimos o hábito de florear a introdução de nossos números. Passavam mais tempo na casa de Paul ou na de George que no palco. logo sumia. E. mas o pai dêle não o permitia ficar a té tarde. vestiam-se. Tinham abandonado as festinhas. Já os ouvira numa introdução muito original do Move It. diz Paul. quando começavam a compor uma nova música. Só uma delas foi divulgada mais tarde — Love Me Do. “Duran te algum tempo. bons . era escrever outro original por John Lennon e Paul McCartn ey. geralmente. anos depois. Com isso. Êste grupo tinha uma grande atraç ão: um anãozinho. “Às vêzes. em clubes operários ou em igrej as. Tocavam em lugares como o Wilson Hall e o Finch Lane Bus Depot. em parte. conta Paul. podiam aparecer aos compromissos com qualquer cara. deixando o número no m eio. Peguei. “E também havia os Sunny Siders. John e Paul escreveram cêr ca de cem músicas. “Assisti aos Shadows acompanhand o Cliff Richards.” Os membros do conjunto se sucediam.” Nas apresentações em público. montei na bicicleta e voei para casa de John. diz Paul. com m inha guitarra.

Não foram notados nem receberam encorajam ento dos caçadores de talentos que andavam por ali. Paul e George. houve grande excitação. não podiam espe rar. Se era preciso te r um líder. Eu não conseguia perceber o porquê de tôda aquela confusão. ou não. êste seria êle. A carta era endereçada a um grupo chamado The Moondogs. no final da apresenta ção. . naqueles dias. bem como a metade da população adolescente de Liverpool. Então. nome inventado. como Cliff Richard and the Shadows. mas êle faria uma aud ição local. para o Carroll Lewis Show. compareceram à audição. aproveitaram e puseram o nome de John. O show estava demorando muito e já estavam quase perdendo o último trem de volta. em Manchester. John. “George estava profundamente emocionado com uma carta que havia c hegado. Mas Johnny e os Moondogs. no Empire Theatre. cada grupo voltava. ao terminar . Como estavam sempre animados em entrar em qualquer competição. Foram aprovados e convidados para fa zer o show verdadeiro.acordes ao ouvir Blue Moon. Eram as palmas finais que decidiam o venced or. sendo rapazes pobres de Liverpool. quando o maior organizador de competições da época chegou a Liverpool. como Johnny and the Mo ondogs. primeiro.” Os Moondogs eram êles. para descobrir os talentos l iverpoolianos que serviriam para o próprio programa. por pior que ela fôsse. à última hora.” O show deveria ser gravado em Manchester. e a platéia a plaudia frenèticamente. É claro que não ganharam. Carrol Lewis chegará brevemente à cidade para fazer parte do seu Carrol Lewis Discoveries Tv Show. Todos os grupos tinham um líder. Não t inham dinheiro suficiente para passar a noite num hotel de Manchester. na ocasião. naquela cidade. A senhora Harrison lembra-se da agitação motivada por tal aconteci mento. em Liverpool. e quando chegou a hora dos aplausos finais êles já haviam ido embora. sendo bem aplaudidos. Star -Maker. O anúncio no Liverpool Echo dizia que “Mr. sem tra nsporte de nenhuma espécie para levá-los de volta para lá. Figuravam no programa. repetia alguns compassos do número que interpretara. Fizeram seu número em Manchester. O sistema do Carroll Lewis Show consistia em que.

Stu ainda se mostrava tão interessado em arte quanto antes. 9 STU. embora p assasse o tempo com John e seu grupo. uma das melhores exposições no gênero. para ser us ada nas festas da escola. ainda. de um tocador de baixo.Para John. logo achou a melhor for ma de empregar o dinheiro. em vez de ser só espectador. Precisavam de um outro membro para o conjunto e. Enviou alguns quadros para a John Mo ores Exhibition. seu melhor amigo e de maior influência. Êle e John conseguiram convencer o College Committee a lhes comprar um gravador. uma cadeia de alto-falantes. justamente. e depois ouvir as gravações. Ela recebeu o nome de John Moores. fazer parte do conjunto. membro de uma rica famí lia de Liverpool. ligada aos concursos de futebol Littlewoods e a uma firma de encomendas pe lo correio. Paul e George foi um grande desapontamento. Isso representava uma grande soma e um grande sucesso para um camarada tão môço. e ganhou um prêm io de £ 60. Êles lhe ensinariam. John acabou ficando com êle. St u passava o tempo seguindo o grupo e assistindo a seus ensaios. Conseguiram. John e Stuart cada vez mais firmavam sua amizade. Com as sessen ta libras êle poderia comprar uma guitarra-baixo. Stuart Sutcliffe não passava de um estudante. John dis se-lhe que essa era a sua oportunidade de entrar para o grupo. não só no Merseyside mas em tôda a Inglaterra. Não importava que êle não soubesse tocar. George reco rda-se de que ofereceram . John. Acabou como parte do equipamento de amplificação de seu grupo. na realidade. para gravar o que conjunto toc ava. Paul e George entusiasmaram-se com a idéia. A primeira o portunidade junto aos grandes lançadores de sucessos havia chegado e pass ado em branca nuvem. para uso de tod os os alunos. Stu sempre dizia que gostaria de tocar um instru mento e de. A ESCÓCIA E OS “SILVER BEATLES” No Art College.

O jazz era considerado uma forma de arte muito mais elevada. Êle poderia comprar um baixo ou uma bateria. admirada por estudantezin hos bem vestidinhos.” Naqueles primeiros dias. Nunca conseguíamos boas platéias por causa dos jazz bands. diz John. com aparência de Teddy Boys. para tocar nas festas de trabalhadores. Os compromissos sucediam-se. é sempre a mesma coisa . Nós o odiávamo s porque. embora ganhando uns poucos shillings. “Nós todos lhe ensinamos o que sabíamos. de forma que ninguém observasse o quã o pouco êle tocava. Pr ecisavam de ambas. porque êles já tinham seus conjuntos.essa oportunidade a Stu. como Little Richar . Êstes eram clubes para conjuntos d e jazz e seus fãs. O jazz nunca chega a parte alguma. sem nenhum a companhamento. pois eram três figurantes nas guitarras. “Stu não tinha a mínima idéia de como tocar”. Era m Coffee Bars. À medida que a mania dos conjunto s tomava conta de Liverpool.” Os conjuntos agora estavam se enchendo de fios. ocasionalme nte. servindo café-expresso em meio a uma decoração de plantas artificiais e bambu. e até mais estúpida que o rock and roll. como se pode ver pelas fotografias. nunca faz nada. iguais às que nasciam em todo o país. diz George. Stu geral mente ficava de costas para a platéia. o que nunca havia acontecido com os grupos de skiffle. e. Os clubes de Liverpool. “Acho que isso é uma merda de música. e tudo que seus músicos fazem é beber litros de cerveja. cheia de eletricistas e trabalhadores. Os grupos de rock eram mu ito amadoristas e desorganizados. no comêço. Era uma forma de arte da cl asse operária. e tocava conosco. Êsses só não conseguiram penetrar nos clubes tradicionais. “Sempre fomos contra o jazz”. H avia outros tipos de cantores de rock que surgiram na onda de Elvis. Havia uma tendência para se menosprezar êste tipo de conjuntos e os que nêles figuravam. com guitarras elétrica s e amplificadores. organizavam shows ao vivo para seus freqüentadores. o que deu oportu nidade ao aparecimento de centenas de conjuntos. êle foi aprendendo. como o Cave rn. e a traía uma classe mais selecionada de seguidores. começaram a aparecer pequenos clubes para adolescentes. na realidade. não nos deixavam tocar naquela espécie de clubes.

Prezado Mr. Low. que teve algum sucesso nacional do estilo do s cantores americanos. escreveu uma carta a um jornalista chamado Mr. E àrduamente tentava conseguir alguma publicidade nos jornais locai s. John Le nnon (guitarra). lembra o quatro por compasso do jazz tradicional. foi um Cockney que apareceu graças aos coffee bars de Londre s — Tommy Steele. Por essa época. sendo quem provocava todos os acontecimentos. Mas odiavam efetivamente Cliff Richard and the Shadows. que os ofen dia. mas deve ser notado o fato de êsse s rapazes terem uma habilidade instrumental acima do normal. Mas ainda era em Londres que acontecia tudo na Inglaterra.. contudo. e êste. de forma que o ritmo. Stuart Sutcliffe (baixo) e George Harrison (guitarra) e é cha mado. no fu ndo. McCartney.. que fizeram aparecer muitos imitadores inglêses. como prova di sso.. John diz que era por causa da aparência católica de Cliff. John e Paul já escreveram mais de cinqüenta músicas.. que se modelou inteiramente e m Elvis Presley. Aqui estão alguns dados sôbre o nosso grupo.. ultimament e. Essa formação pode parecer obtusa. está sendo acompanhado por um leve on-beat. Paul. Seu ritmo-base é off-beat. Também detestavam as tradicionais pop-ballads que Cliff Richard passou a cantar. O primeiro cantor inglês de rock and roll. que liderou um dos melhores jazz bands loca is (Jim Mac’s Jazz Band) na década de vinte. e. A música moderna. e que êles obt êm efeitos surpreendentemente variados. . Êle é constituído por quatro rapazes: Paul McCartney (guitarra). John. mas espero que não seja ta rde demais.d e Jerry Lee Lewis. pelo menos não se lembram de lhes ter causado qualquer impressão . baladas e números mais rápidos. Outro foi Cliff Richard. nas mesmas águas de Perry Como c Frankie Vaughan. Êle se tornou muito mais querido dos adolescentes do que Tommy Steele. Low: Lamento ter demorado muito a lhe escrever.. que encontrara num bar. é o forte dêste conjunto. estava preparado para não levar em conta seus gostos e desgostos e conversar com alguém qu e os pudesse ajudar. Isso pode ser entendido como uma influência de Mr. George e Paul parece não terem tomado conhecimento de Tommy Steele.

Nenhum dêles tem certeza de como isso aconteceu. pela primeira vez........ e. uma colorida mistura de fatos e ficção.” O resto da carta de Paul. E como êle indicou com as reticências o grupo nem tinha u m nome certo... também é um caricaturista de primeiro time. Home. com sua mãe. Paul e George apenas se recordam de que foi John quem apareceu um dia com êsse nome. You Were Meant For Me. Agora.durante os últimos três anos... Foi aí que surgiu. Tem 19 anos de idade e é mem bro-fundador do conjunto.. Ringo.. Elsie O Pai de Ringo. Algumas dessas músicas são puramente instr umentais (tais como Looking Glass. infel izmente foi extraviada.. que o lid era.. a idéia de êles se chamarem Bea tles.. O conjunto ainda encontra grande prazer fazendo novos arranjos par a as velhas melodias favoritas (Ain’t She Sweet. naturalmente. You Are My Sunshine e outras). Castwalk e Winston’s Walk) e outras f oram compostas com o pensamento nas platéias modernas (músicas como Thinking of Linking. Como os outros rapazes.. teatro... não tinha dezoito anos nem estava na Un iversidade de Liverpool... além de ser um excelente guitarrista e tocador d e banjo... Mais tarde. pois parecia que êles iam te r outra audição importante.. aos sete anos. como já tinham feito para a audição de Carroll Levis. começaram a pensar sèriamente em arr anjar um nome. em 1959. alguns pormenores sôbre os membros do conjunto. Gostavam de sua músi .. toca mais de um instrumento — suas especialidades são piano e bateria. Richard Starkey Ringo aos dezesseis anos em seu primeiro emprêgo com “barman” num “fer ry boat” Sempre foram fãs de Buddy Holly e os Crickets....... Na realidade.. Em suas preferências inclui pi ntura... Moonglow.. Paul tem 18 anos e está estudando Literatura Inglêsa na Universidade de Liverpool.. canto. The One After 909.. John. está no Art College e.. poesia e. Years Roll Along e Keep Looking That Way). naturalmente.

terem apresentado uma série de razões malucas. Quando criança. Um dêles. não foram chamados de Beatles. Casy Jones. êles diziam que uma vez aparecera um homem num tapête mágico e que. Pensaram. apenas. chegando à janela. e só quando um do s assistentes de Parnes perguntou como o conjunto se chamava é que êles se apresentaram com o Silver Beatles.ca e seu nome. era um nome muito curto e muito simples. por muito te mpo. Êles disseram: Bea tles. que também era propriet ário do Blue Angel. apenas como piada. primeiramente. Quando chego u a tal audição importante e lhe perguntaram o nome do conjunto. que tinha Tommy Steele. Êles também não acharam que fôsse uma idéia muito boa. Souberam da vinda de Larry Parnes a Liverpool. Billy Fury. puramente inglês. êle gostava de encher os cadernos com essa espécie de brin cadeira. O ouvinte importante não era outro senão o famoso Larry Parnes. do Cass e os Casanovas. Tinha um duplo significado. John co meçou a imaginar o nome de outros insetos que tivesse duplo sentido ou serv isse a trocadilhos. Chegaram para essa audição sem um nome definido. enquanto estavam no Jackaranda. Marty W ilde. Encontraram um amigo que pertencia a outro conjunto. Cogitando do nome de Crickets (do qual. Êste cl ube pertencia a um irlandês-liverpooliano chamado Allan Williams. um clube onde muitos grupos de beat costumavam tocar. Geralmente. usando-o pelo resto daquele ano de 1959. grilo é um sinônimo). Cass disse que êsse não prestava. disseram Silver Beatles. Decidi escrever “B EAtles” para fazê-lo parecer com beat music. O que tocava com êles naquela época prometera aparecer. em se chamar Crickets. onde seria realizada a audição para Larry Parnes. mas nem dera as caras. anos depois.” Esta foi a origem real e simples do nome do conjunto. então o rei do rock and roll inglês. Por que êles não se chamavam Long John and the Silver Bea tles? Beatles. Mais . Também haviam chegado sem um baterista. como o d o seu conjunto. lhes dissera para usar êste nome. “A idéia de beatles (besouros) me pareceu boa. e que os americanos não poderiam apreciar. êles tinham de arranjar um nome comprido. Dulffy Power e Johnny Gentle em seu plantel. disse Cass. Apesar de haverem escolhido um nome do qual gostavam. que lhe perguntou o nome do dêles. a cada vez que algu ém lhes perguntava. apesar de.

dizendo que lhe haviam dado d uas semanas de férias na escola. seu amigo do Institute. Thomas Moore pare cia ser o seu nome verdadeiro. A finalidade da audição era procurar um grupo para fazer o acompanha mento de Billy Fury. considerado um dos três melhores bateristas de Liverpool. Existe uma foto grafia dos Silver Beatles tirada naquela audição. mas não tinha a mínima int enção de perder a oportunidade de realizar uma tournée. Como sempre. Contudo. Finalmente. Johnny Hutch está sentado lá atrás. ainda tinham de arranjar um baterista para a sua viagem à Escócia. mas ofer eceu aos Silver Beatles uma tournée de duas semanas pela Escócia. Os Silver Beatles. Paul estava em vespera de exames. Paul deu um jeito de convencer seu pai. Fariam apenas o pano de fundo para as apresen tações do cantor. e que êle estava vivendo com o salário-desemprêgo. Êles não conseguem lembrar de nada a respeito dêsse cara. Johnny Gentle . não se pode ver Stu muit o bem. fêz o favor de tocar com êles naquela apresentação. em sua primeira animação de profissionais. que tinha quase dezesseis anos. como o grupo de acomp anhamento para a sua mais recente descoberta reconhecida.uma vez. Êle está de costas para Larry Parties. a não ser que foram buscá-lo em seu apartam ento. naquela época. Um baterista que se encontrava no Blue Angel. Ivan Vaughan. seria seu primeiro compromisso característico c omo profissionais. estavam sem baterista. parecendo muito chateado e superior. e uma tournée de verdade. tirou duas semanas de férias para poder ir. por mais curta e da categoria que fôsse. por um motivo tão banal como fazer exames. arranjaram um cara chamado Thomas Moore. para a audição de um o utro grupo. fazendo fôrça para esconder seus dedos no baixo. Disse que voltaria a tempo para fazer os e xames e que a tournée seria uma boa forma de higiene mental. lembra-se de ter discutido com êle e ter dito que era besteira viajar e não estudar para as provas. já quer . De forma nenhuma era uma tournée dos Beatles. George. Não é de admirar que êle só tenha passado numa matéria. Contudo. Era Johnny Hutch. Larry Parnes não achou os grupos muito bons.

” Depois da Escócia nada mais apareceu. George e Paul estavam juntos há muito te mpo e sabiam que as brigas e discussões nada significavam. êle tinha muitas estrêlas solistas para poder se interessar por grupos. “Foi assim que êle aprendeu a ficar conosco” . John. “Nós éramos terríveis”. uma das camisas velhas de Eddie Cochrane.iam mudar os próprios nomes. um show de variedades havia acabado de sair. pelos pequenos salões de fest a da costa noroeste. segundo um de seus heróis. Os outros recordam-se dêle como Jonny Silver. “Faria tudo parecer real e profissional. o membro mais nôvo do grupo. e êle ia.” Paul acabou se tornando Paul Ramon. “Num hotel e m que êles ficaram. mas a gente era assim.” Todos êles ficaram enciumados pelo fato de George estar dando-se mui to bem com o astro Johnny Gentle.” George tornou-se Carl Harrison. discutiam entre si. diz John. depois da tournée. “Devo tê-lo ouvido em algum lugar. John não consegue lembrar -se como ficou seu nome. mas . Quando significavam alguma coisa . êle admite que perdeu uma grande oportunidade. Nós lhe dizíamos para ir embora. naquela época. Stu tornou-se Stu de Stael. “Era estúpido. Nesse show havia u m anão. ou clubes inconsistentes. Êle prometera dar um presente a George. êles davam o trôco. A tournée da Escócia foi bem ao norte. se é que ficou. Conseguiram alguns compromissos. segundo o pintor. Essa era a moda. Carl Perki ns. Ter um nome de palco significava que o cara era artista. diz Paul. Paul lembra-se do Inverness e Nairn. Larry Parties não lhes oferece u mais trabalho. operários nas noites de folg a. Agora. descobriram que havia uma cama ocupada pelo anão e obrigar am Stu a ficar naquela cama. Achei que tin ha um som realmente encantador. “Era muito bacana mudar de nome”. mais nenhum outr o nome. Pediram meu autógrafo. Êle não consegue lembrar-se ao nde foi buscar o Ramon. Tinham que acompanhar Janice . não muito depois da tournée pela E scócia. e freqüentemente chateavam Stu. na base do Rodolfo Valentino. numa boite de strip-teases na Upper Parliament Street. “Dizíamos que êle não podia senta r ou comer conosco. Os Be atles voltaram às festas cheias de Teds bêbados. Como sempre. êles não dormiriam nela. Pois. conta John. Êle mandou cartões-postais para seu pai dizendo: “É genial.

Já tinham tocado lá. então apresentavam seus números como se fôssem genuínos n úmeros de jazz. na Índia. quando conseguíamos m ais de dois compromissos por semana. de autoria de Fats Duke Ellington Leadbelly. Mrs. no distrito residencial de West Derby. di z George. q ue eu havia acabado de aprender”. no n úmero 8 de Hayman’s Green. de cabelos escuros e muito volátil. isso não nos adiantou em nada. fundadora do clube. foi como se descêssemos um pouco. . antes da ida à Escócia. nosso primeiro vislumbre do show business”. Veio de Déli. um ex-p romotor de lutas de boxe. “E agora uma velha favorita. E atacavam êste número de rock. apesar de êle continuar sendo uma das fortale zas do jazz em Liverpool. foi o Casbah Club. por falta de alguma coisa melhor. Conhecera seu marido. Tínhamos sorte. “A Escócia havia sido uma tênue esperança. cha mada Long Tall Sally”. “Voltar a Liverpool. “Ela nos entregou a música que desejava”. nos clubes. diz George. Isso não lhes ajudou a conseguir mais apr esentações no Cavern. no comêço do ano. torradas e coca-colas conseguíssemos engolir. Como não sabíamos le r música. Johnny Best.enquanto ela tirava a roupa. “Era alguma coisa como a Gypsy Fire Dance. na Índia.” 10 O “CASBAH” Um dos lugares ao qual começaram a voltar. quando tinham algum dinheiro. Conseguiram umas duas apresentações no Cavern Club na Mathew Street . com quatorze cômodos. Best. É claro que a direç ão do estabelecimento não gostava muito dêsse negócio. Gastavam a maior parte do tempo fazendo hora na casa dos outros ou. Tudo que estávamos ganhando eram quinze shillings por noite e mais quantos ovos. Apenas tocávamos Ramrod e depois Moonglow. é pequena. durante a guerra. Costumavam receber bilhetinhos dizendo-lhes que não tocassem rock and roll. Voltou para Liverpool com êle e o casal comprou uma grande casa Vitoriana. por volta da mesma época.

Decidimos fazer um clube parti cular. Mrs. de aparência qu ase taciturna e pouco comunicativo. achou êsse plano ótimo. Quando John. Quando voltei êle já havia terminado a pintura. como ainda se ch amavam. “Eu me lembro de ter dito a John”. Quando começou a trazer seus colegas de escola para casa.” . seu filho mais velho. Êle er a um dos muitos elementos dos Quarrymen que sempre iam e voltavam.Pete Best. Não era John. em vez de desarrumarem todos os quartos ouvindo discos. sem fazer o que eu mandara. mas outro cara que tocava guitarra com êles naquela época. “Depois. naqueles dias. “A idéia original era de que êle seria o refúgio para êles”. para ajudar. Freqüentou o Liverpo ol Collegiate. Paul e George souberam que êles procuravam um conjunt o. Ken Brown. Durante as férias de verão de 1959. ela fêz o m áximo para encorajá-lo. conta Mrs. diz ela. cobrando uma taxa social de um shilling para impedir a entrada de Teddy Boys e deso rdeiros. Best. Passou em cinco ma térias no nível O.” Decidiram. deram-lhes pincéis para que ajudassem . mas bastante tímido. Era simpático. podiam limpar o enorme porão e usá-lo. Imediatamente. “para botar um po uco de massa na parede. Eu estava com mêdo que a pintura não secasse a tempo. êle e um grupo de amigos pediram a s ua mãe se. quando Pete estava em véspera de passar seu segundo ano no Sexto Ano. sendo aprovado para o Sexto Ano. aquilo acabou transformando-se num coffee club só para adolescen tes. vieram correndo. Seu projeto era tornar-se professor. John trouxe sua namorada. como os que já funcionavam na cidade. Cynthia Powel. Sabiam que haveria muitos que pulariam de alegria com aquela oportunidade. uma das boas escolas primárias da cidade. na última semana. que não era capaz de notar a diferença. Êle era tão míope. a limpeza e decoração do porão. bem constituído. Paul ou George que ela conhecia. O grupo que êles logo arranjaram foi os Quarrymen. com seu gôsto para dirigir coisas e pessoas . que apresentariam alguns dos conjuntos que estava m aparecendo em tôda a Liverpool. nasceu em 1941. ainda. especialmente em comparação a sua enér gica e dinâmica mãe. Isso foi feito através de um garôta conhecida de um dos membros d o conjunto e informara serem êles muito bons. Best.

verificando a razão do sucesso dos Quarrymen e. êles não haviam escolhido um nome para o c lube. Os outros não se lembram. deu-se uma briga p or causa dos Quarrymen. no qual êles vão ao Casbah.” O clube vivia cheio. pelo menos é o que Mrs. Achava que isso o tornaria menos ensime smado e lhe daria mais confiança em si. Então. Durante uns dois meses tudo foi muito bem. Contrataram um leão-de-chácara. com Hedy Lamarr e Charles B oyer. Best e Pete Be st conseguem lembrar-se. Fran ck Garner. Nesta época. Best. Havia mais de trezentas pessoas naquela primeira noite. mas por Pete. Disseram q ue o pagamento para o grupo era. de três libras por apresentação. “Paguei a cada um do s três quinze shillings e. Êles acharam que eu não lhe devia ter pago. havia quase quatrocentas pessoas lá den tro. acho que se chamava Algiers. Tudo era muit o misterioso.Até o dia da inauguração. Numa n oite. especialmente. The Casbah Club. e que os três que tocaram naquela noite deveriam ter recebido as três libras para divi dir entre êles e não apenas quinze shillings cada um”. Pensei num filme que vira há pouco tempo. Êle tinha uma vaga idéia de entrar para o show business e e u achava que isso lhe daria alguma experiência. paguei-lhe os quin ze. Então. Nos fins-de-semana. Pete Best já iniciava a bater velho tambor. Depressa.” A inauguração foi em fins de agôsto de 1959. para cuidar da porta e manter os Teds do lado de fora. com cantinhos escuros em tôda a parte. sòmente John. Os Quarrymen tiveram uma grande recepção. Quando Ken Brown . foi êsse o nome que escolhi. Paul e George tocaram.. Ken Brown deixou os Quarrymen. diz Mrs. Em todo caso. “Não por mim. o nome era bem adequad o. e não muito depois. após a dis cussão a êsse respeito. quando encontrei Ken Brown. Havia café e doces à venda e os Quarrymen para se ouvir. Ken Brown não apareceu. Cada um recebia quinze shillings por noite. “Numa tarde eu desci para ver como andavam as coisas. naturalmente . O Casbah parecia lançado para muito tempo. o conjunto acabou deixando o Casbah. Como eu vinha da Índia. o número de sócios chegou a três mil. pois êle não tocara naquela noite. O negócio me pareceu meio orienta l. “Eu estava muito contente”. realmente. à tarde. para divertir-se. Esta foi a causa do desacôrdo.

aceitaram compromissos ocasionais no Casbah. Respondi que sim. quando não apa recia nada melhor. Paul McCartney telefonou. um experi . Os Blackjacks. ajudados e anim ados por Mrs.” Abandonou os estudos. e isso representava uma boa quan tia. que entrara naquela história de grupos musicais por c ausa de seu coffee club para adolescentes. Best. agora. a maior platéia qu e já tivemos”. Pete havia deixado a escola. e havia muita coisa para fazer lá. com Pete Best na bateria. Best. no regresso. Meus cinco níveis O ter-me-iam aberto aquela porta. eu pretendia ir para a escola de treinamento de profess ôres. Ken Brown mudou-se para o sul e os outros dois foram tirar cursos relacion ados com seu trabalho normal. Melhoraram muito. Best.” Como Mrs. em troca de uma carreira no show business. “Êles eram muito bons”. cinco semanas depois de ter êle largado os estudos . estava sem ter o que fazer. O Casbah ainda era um grande sucesso. e eu e stava em condições de ir para Hamburgo com êles. “Paul perguntou-me se ainda possuía minha bateria”. conta Pete. Era muito melhor do que ir para a escola de treinamento. e. Allan Williams. E estava muito orgulhoso dela. era muito popular naqueles dias. Sempre gostei muito dêles. Porém. “Nesta época. diz Mrs. “Fui ao clube de Allan Williams. “Lembro-me de Rory Storm. Dei uma audição. Comunicou-me que eu receberia quinze libras por semana. “Fale i que tinha uma novinha em folha. agora se transformara no grupo “r esidente” do Casbah. Executei alguns números e êles gostaram. Rory teve 390 e os Blackjacks conseguiram 450 ouvintes. o Jackaranda. Êles a rranjaram mais dois e passaram a chamar-se os Blackjacks. enchi-me c om aquela história e parei de estudar antes das provas do nível A. no ano seguinte. Encontrei Stu pela pri meira vez. Os Quarrymen foram para a Escócia e se tornaram os Silver Beatles.foi embora ficou decidido que Pete Best formaria um nôvo conjunto. fazia desafios para ver quem conseguia uma p latéia maior. e Pete Best resolv eu entrar para o show business. Em agôsto de 1960. Êle me inf ormou que êles tinham um emprêgo em Hamburgo e perguntou se eu estava interessado em s er o baterista do conjunto dêles. e . assim. no verão de 1960. mas nessa época o grupo começ ou a desintegrar-se.

na Escóci a. Por coincidência. Estav a não só contratando grupos para tocar em suas boates. O dinheiro recebido por êles pela sua tournée. mas foi para Londres. cujos únicos instrumentos são tambores de óleo. que parecia ser apenas uma boate de rock and roll. o primeiro grupo de beat de Liverpo . apesar de pago por Larry Parnes. por uma boat e de Hamburgo. tocando no Jackaranda e c ontou. mas também procur ando outros para alguns proprietários. () Conjunto.ente organizador de espetáculos de boate. aconteceu o mesmo. s ão bastante complicadas. pequeno proprietário de boates em Liverpool. o quanto êles eram bons. e encontrou Br uno Koschmeider. Logo arranjou um contrato para o grupo em Hamburgo. quando um marinheiro alemão ouviu uma steel band () das Índias Ocidentais. “Enganei-o dizendo que os melhores grupos de rock and roll da Inglaterra e ram todos saídos de Liverpool”. Foi ao Two I’s no Soho. em Hamburgo. Allan Williams seguira com êles. onde logo descobriu que ninguém lá ouvira falar nos grupos d e rock. em escala pouco maior. no mesmo dia em que Koschmeider apareceu procurando outros conjuntos. que se movimentara para que êles conseguissem aquêle contrato. As razões pelas quais Allan Williams. Allan Williams estava no Two I’s. se tornou exportador de conjuntos musicais para Hamburgo. Allan Williams estava com um grupo de Liverpool chamado Derry e os Seniors. funcionando como uma espécie de agente-empresário p ara conjuntos que procuravam trabalho. fôra enviado através de Allan Williams. nesta época o centro do rock and roll in glês (Tommy Steele havia tocado lá). cortados em d iversos tamanhos. de Liverpool. Isso levou à contratação do conjunto. e contratou Tony Sheridan e seu grupo. Isso foi um grande sucesso em Hamburgo e Koschmeider voltou a Londres para contrata r outros grupos. tentando conseguir trabalho para êles. Foi êle quem ajudou os Beatles a d ar aquela audição para Larry Parnes. na expectativa de interessa r os proprietários de boates de Hamburgo em outros conjuntos de Liverpool. Koschmeider veio à Inglaterra para ver com os próprios olhos. Êle foi ao Kaiser keller. O primeiro contato havia sido estabelecido.

fingindo-se indeciso. foi contra a ida de Paul a Hamburgo. e Pau] naquele dia me contou ter um convite para tocar em Hamburgo. Ficou preocupada com o fato de êle só ter dezessete anos e estar indo para o exterior pela p rimeira vez. Fiquei deslumbrado! Entretanto. um cara de meia-idade e c om família. Fê-lo prometer que escreveria e deu-lhe uma lata de bolinhos feitos em casa. Êle concordou e tudo ficou resolvido. Isso foi m uito inteligente. e os Be atles não tinham um baterista. um trabalhador. empresta o dinheiro da passagem. convidaram Pete Best. c asualmente. Às vêzes. suas grandes carreiras seriam arruinadas definitivamente. Jim McCartney. e logo pediram a Allan Wi lliams que arranjasse outro conjunto. não houve nenhum excesso de alegria — fora. Êle . êle seria u m grande astro! Perguntou-me se eu achava que papai o deixaria ir. pelo menos. Pelo menos a mãe dêle nunca tentou impedi-lo de i r. acabou convidando os Beatles. nós temos um comprom isso. e. e ajudá-lo a convencer o velho. Poré m. Ês te havia acabado de fazer o seu nível A — em Arte e Inglês — e todos esper avam saber se êle tinha passado. Eu disse que aquilo era fantástico! De agora em diante. mas êles já estavam contratados para o Butlin’s Holiday Camp. seu irmão. “Lembro-me de que voltava da escola com êle. especialmente para Hamburgo. Michael McCartney. como sempre. mas êle não quis ir a Hamburgo. na turalmente. arranjou t udo inteligentemente. Eu sabia que êles eram bons e capazes de se saírem be m. Pela prim eira vez seriam pagos devidamente. era. Afinal. porque sua mulher fôra contra a idéia. naturalmente. Ind o para Hamburgo. “Mas era o sonho dêles. Derry e os Seniors fizeram grande sucesso. eh. o de George. Na casa dos Harrison. ver se êle conseguira classificação na esco la de treinamento para professôres. Mrs. o contrato em Hamburgo era para um conjunto de cinco membros. Harrison aprontou George. Mum. Êle pensou em Rory Storm. eu te pago quando fôr famoso!” Então. pelo menos ostensivamente. conta que êle. Êle deixou essa frase sair. Finalmente. finalmente. Ao passo que Paul e John ainda estudavam. Preparou-me para ficar do lado dêle. apesar de sua pouca idade. George. êles tinham um baterista. Tudo que eu havia escutado até ali era “Eh. Paul disse que não sabia se dev ia ir.ol a aparecer lá.

tinha com que me preocupar. como seria organizada a viagem e de como Ham burgo era um lugar adorável e respeitável.” “Eu sabia que êles adoravam o que estavam fazendo”. Não havia outra alternativa. Ontem comemos isso e aquilo”. lembra Paul. Também. havia tentado impedir John de tocar num conjunto. e J ohn de tocar guitarra dentro de casa. Que mais eu poderia fazer?” “Durante todo tempo preocupava-me com o fato de êle não estar come ndo o bastante na Alemanha.” “Acho que. Já havia perdido quatro semanas de suas férias escolares. pouco depois do embarque de Paul para Hamburgo. quando. Êle me mandava cartões postais dizendo: — “E stou comendo bastante. aquela velha história de ser um bom rapaz. uns cinco anos antes. vocês sabem. naquela época. Fiz-lhe uma pequena preleção. “Allan Williams nunca sou be nossos nomes ao certo. Êle viajou com um passapo rte de estudante.” Naturalmente. Às vêzes êle me chamava de John”. Desde a fundação dos Quarrymen. para ajudar a amolecer Jim. John tinh a de mentir-lhe . Paul conseguiu que Allan William s viesse a sua casa. apesar de até mesmo Jim ter percebido que isso já não adiantaria mais nada. de repente. e eu não queria voltar à escola ou à universidade. Paul tinha dezoito an os. “Era o pr imeiro grande contrato dêles e estavam decididos a ir. diz Jim. Paul diz que êle estava muito excitado.” Contudo. Mimi. ela havia desencorajado Paul e George de aparecerem em sua casa. era preciso convencer Jim. — Creio que isso me tranqüilizava.” Jim se alegrou mais.me deixou todo animado. All an conseguiu convencer Jim. que nos ofereceu maior resistência. Estávamos nas grandes férias de verão. Naquela época. Foi a tia de John. Paul havia levado bomba em Inglês. diz Michael. chegaram os resultados dos exames de nível A. Definitivamente. parecia que a gente não estivera fazendo nada. intimamente. “a pesar de não tê-lo confessado. apareceu o contrato de Ham burgo. mas havia sido aprovado em Arte. aquilo significava que eu não precisaria voltar à escola. até que. de forma que parecia que eu é que estava querendo desesperadamente que êle fôsse. papai estava muito contente”. apenas marcando passo. “Durante seman as. No entanto. Agora.

— “Que é que você está fazendo aqui. O teto era baixo . Êles não eram o grupo residente. Finalmente. pensava que êle estava firme no Art College. via que tudo era inútil. As garôtas estavam tôdas juntas. A hora de almôço que ela resolveu investigar. — respondi — “isso fica muito bonito para você. Foi quando apareceu o contrato de Hamburgo. o Cavern”. não me conseguiu ver. com ela desci alguns degraus e lá estava aquêle cara. não conseguia aproximar-me do pa lco.” Mimi se certificou de que êle tinha voltado à escola naquela tarde. vinha insistindo com êle para que se dedicasse só aos estudos. Ela decidiu ir investigar. bàsicamente.muitas vêzes sôbre o que estava fazendo. “Que é que você quer?”. “Eu não sou um tra balhador e nunca serei. Mimi?” — “Muito bem. acabei indo sen tar-me num camarim. com as gar ôtas ainda gritando. Foi num dos dias em que êles estavam tocando no Cavern. Ela sabia que êle ainda estava met ido naquela tolice de escrever música. Por mais que tentasse. a fim de conseguir boa classificação. “Eu quero o John Lennon!”. um clube de jazz. En tretanto. e não podia fazê-lo parar de tocar. mas o barulho era ensurdecedor. por bastante tempo. Não importa o que você faça ou diga. pois aquê le continuava. pessoalmente. imprensada s. cobrando as entr adas. No fim. e. e não a essa tolice de ficar tocando guitarra. Na realidade. Isso significava um bom afastamento de Mimi. mas desconhecia a extensão de seu in terêsse. arranjavam mais compromissos. Ent ão êle os colocou e me viu. e averiguar a que profundidade de depravação John havia afundado. “Nunca tinha ouvido falar dêste lugar terrível. Se o tivesse. teria arrancado John de lá. Sem os óculos êle é cego. Joh n”. à medida que a direção do Cavern percebia que os Beatles estavam formand o sua própria platéia. Mimi reco rda-se de John . jamais ficare i num emprêgo de 9 às 5”. “Demorei muito tempo para encontrá-lo. tive que seguir uma multid ão. cada vez. Logo que êle apareceu. “Fui abrindo caminho. conta Mimi . Camarim! Apenas um cubículo bagunçado. o que ainda piorava as coisas. Ray McFall. num país estrangeiro. Há muito tempo. John costumava perguntar. até que um dia alguém lhe contara que êle passava suas horas de almôço a tocar com um conjunto. com os braços para baixo.

diz Cynthia. “O conjunto passava a ter seus próprios fãs”. Quando os Beatles chegaram lá. “eu sabia que êles tinham um bando de garôtas penduradas nêles.tentando entusiasmá-la: “Mimi. apesar de e star convencido de que êles o teriam recebido de volta caso fracassasse e m Hamburgo. mas. a rua principal do Soho de Hamburgo. com George nos seus doces dezessete anos e sem nunca ter sido beijado. mas ignorava a s ituação em Hamburgo. poderia acontecer-lhes qualquer coisa”. Hamburgo estava mais pecami nosa do que nunca. podem ser moles e sentimentais. “Vou receber cem libras por semana. em 1960. Eu parecia muito mais velha do que aquelas garôtas. mesmo assim. Hamburgo é duas vêzes maior do que Liverpool e é. deve ter mais boates de strip-tease do que qualquer outra rua do mundo. seu profe ssor mais chegado. Aquilo me parecia mu ito distante e longo. Contudo. Arthur Ballard. John pulou de contente. sob essa camada superficial. A Reeperbahn. uma cidade muito mais pecaminosa. 53 graus Norte. fiquei muito preocupada com Hamburgo. 11 HAMBURGO Hamburgo é a Liverpool da Alemanha. isso era exagêro. êle perguntava. Eu me sen tia muito segura. . uma beleza p ara cinco adolescentes. Também estava deixando Cyn. mas nunca me preocupa va ou ficava com ciúmes. Os h abitantes são duros e ásperos. É um grande pôrto do Norte. John tinha levado bo mba em todos os exames e abandonava o colégio. Conhecia as garôtas de Liverpool. Êles têm a mesma pronúncia anasalada. totalmente desclassificado.” “Porém. O crime e a vida sexual de Hamburgo são famosos em tôda a Europa. salvara-o várias vêzes de expulsão. O clima é úmido e venta muito. fàcil mente reconhecível nos dois países. mas. encontrando uma boa descul pa para deixar a escola. não é bacana?” Quanto ao dinheiro. As duas cidades têm até a mesma latitu de. Lá. não é maravilhoso?”. tradici onalmente. Êle vinha agüentando isso há três anos.

em lugar de sua habilidade. O s garçons eram contratados por sua fôrça. Todos êles ficaram muito contentes com suas primeiras roupas de apre sentações no palco — afinal de contas. sendo um pôrto livre. o Indra. tornara-se o centro do contrabando de armas para a FLN durante a guerra da Argélia. “Gostamos da aparência do lugar. “Bruno Koschmeider foi receber-nos quando chegamos”. onde nos mostraram nossos aposentos. o Bambi. que ficou ainda algumas semanas depois de os ter trazi do. para que estivessem prontos a expulsar as gangs das outras boates. camisa branca com gravata de fitinha preta. lembra Peta Best. via Harwich e Hook of Holland. “Disseram-me que eu estava estragando a festa. O próprio Allan Williams trouxe os cinco Beatles para Hamburgo. trazendo um grupo michuru . mas em vez disso fomos l evados para um cinema. em vez de procurar outras cidades. diz que alguns membros dos Seniors ficaram aborrecidos ao vê-lo trazer o s Beatles. Encontram os Howie Casey. “Êle nos levou ao Kaiserkeller. Êle disse que não era ali. Isso havia trazido gangsters e dinhe iro do exterior. Então. que um vizinho de Paul fizera par a êles. Fomos direto par a a cama. Era como o buraco negro d e Calcutá. que depois verificamos ser o banhe iro dos homens. onde esperávamos tocar. muitos dos pati fes e imigrantes ilegais da Alemanha Oriental foram para Hamburgo. Esperávamos ir viver num hotel. A guerra de gangsters que se seguiu tinha como centro as boates. em agôsto de 1960. Êle os trouxe numa pequena camioneta. Consistia em pequenos casacos de veludo. Quando o muro de Berlim foi levantado. calças pretas ape rtadas. Mas sendo jovens e bobos não nos queixamos. para rouba r algumas coisas nas lojas. Perguntamos quando começaríamos a t ocar. membro de um conjunto de Liverpool que já estava lá. agora eram profissionais — que traz iam consigo. “Mostraram-nos o nosso camarim. A única coisa de que John se recorda da viagem é que êle parou em algum lugar da Holanda. fomos levados para uma outra boate . Pretendiam usá-los com seus trajes de Teddy Boy.” Allan Williams. que era muito menor. Naturalmente ainda usavam bastos topêt es à Tony Curtis e cheios de vaselina.A cidade. Eram onze e meia da noite e só havia dois freqüentadores na boate.

na sua porta da rua.” “Víamos muitas brigas. entrando de corpo e alma no negócio. quer dize r Índia. Em Hamburgo.” “Melhoramos e ficamos mais confiantes. Todos nós ficávamos mak showing o tempo todo. Brigas enormes. com caras pendurados nos lus .” “No princípio. T ínhamos que dar duro. em cada com promisso. Contudo. contrataram-nos para tocar oito horas. que era muito popular.” “O primeiro Mak Show que eu fiz foi ficar pulando e rodando. estávamos na zona pesada de Hamburgo. onde os Beatles começaram a tocar. Tocávamos muito alto.” “Em Liverpool. para agradá-los. e os alemães adoraram o negócio. mas gordas mulheres alemãs nos empurrav am e entravam primeiro. No comêço tocávamos quase sem parar até à meia noite e meia. “e éramos acordados muit o cedo. “a boate começou a encher de gente. “Nós íamos dormir muito tarde”. no dia seguinte. fazendo muito barulho. pelo barulho do cinema. em alemão. de tal forma que tínhamos de encon trar um nôvo processo. diz Pete. conta John. como seu escudo. na Grosse Freiheit. Trabalhávamos sete dias p or semana. que era o mais limpo do cinema. tocando para a platéia. os caras começaram a ficar até às duas da madrugad a. Quando melhoramos. como o Gene Vincent. sempre os mesmos. quando correu a notícia de que estávamos dando um show”. nós nos sentíamos espertos. Cada número durava mais ou menos vint e minutos. Paul tinha aprendido o Wooden Heart. Era o jeito. fomos recebidos muito friamente. quando a boate fechav a.” “Só uma vez tentamos um número alemão. N enhum dêles gostou da boate e menos ainda de dormir no cinema Bambi. com aquela experi ência de tocar a noite tôda. duran te um número. no dia seguinte. a gente só tocava sessões de uma hora e só costum ávamos executar nossos melhores números. Estávamos um pouco assustados com aquilo tudo.ca como aquêle. Tentamos. pelo menos acreditando no mito de que Liverpool só produzia caras escolados.” “Uma vez. Tentávamos entrar no banh eiro de senhoras. Era bom para êles que fôssemos estrangeiros. sendo de Liverpool. Então o gerente dis se que nós devíamos Mak Show (dar show).” Indra.. como os outros grupos estavam fa zendo. Tinha uma grande tabuleta com um elefante. Seu interior era pequeno e acanhado.

muitas delas melhorando com o tempo.” Costumavam bater com o pé no chão do palco. George apostou dez ma rcos que êle não iria à rua só com elas e nada mais. O making show. era a parte vital.tres e pulando por cima das mesas. como aconteceu com to dos êles. George só entrou para o conju nto um ano mais tarde e Ringo só entrou para o grupo em 1962. pois estava esfriando muito à medida que o inverno se aproximava. eram ativamente encorajados a se soltar e dar no palco ta nto show quanto possível. está Paul. naturalmente. de modo que êles também tinham de bater seu próprio ritmo. para maior satisfação dos rockers locais. Às vêzes. Fica mos vendo-o e quase morrendo de rir”. Elsie e Harry Graves A foto mais antiga dos Beatles como conjunto. “Era um trabalho duro”. “e nós éramos só cinco camaradas s e divertindo. Ringo. Apesa r de êles serem um grupo de rock and roll. Pete Be st não combinava perfeitamente com o jeito dêles de tocar. que logo se tornaram seus fãs. Uma série de histórias sôbre John ainda são contadas em Hamburgo. para aumentar o barulho e marcar o ritmo. pulando em êxtase ou rolando pelo chão. como os alemães o chamavam. exatamente como as que se vêem no cine ma. Depois de dois meses. para John era muito fácil. Tinha havido queixas dos v izinhos por causa do barulho. Ao lado es querdo. Ê le dava show todo o tempo. nesta época chamados “The Quarrymen”. o Indra foi fechado. John está cantando ao microfone. Os Beatles então se mudaram para o Kaiserkell . tirada em 1956 numa festa de igreja em Liverpool. quando não estavam pula ndo no ar. na fase “Teddy Boy”. A mecha de cabelo cinza está começando a apa recer A mãe e o padrasto de Ringo. John foi para a rua só de ceroulas e óculos escuros e ficou lendo o Daily Express por uns cinco minutos. John usava ceroulas Long J ohn. diz Pete. fazíamos coisas malucas. o que. Agora. A princípio. Mas logo Pete melhorou. de casaco. em Liverpool haviam sido um co njunto bastante tranqüilo.

fera s são feras. “Aprendemos com os alemães que podíamos ficar acordados tomando comprimidos. Logo vimos que era fácil apanhá-las. O grupo que estive ra lá. com suas acomodações. Rory Storm e os Hurricanes. diz John. a princípio. agora éramos uma central elétrica. como as Black Bombers e Purple Hearts. então fizemos isso. que eram muito aperta das. No fim. voltara para Liverpool e foi substituído por um outro conjunto. por . Isso foi o início do gôsto pelas drogas. mais ou menos como tábuas de um caixote de laranja. pelo tempo que o desejassem. acabar de arrebentá-lo para ver se consegui am um nôvo. As pílulas. Decidiram. que nunca desejou nem ao menos experimentá-las. Às vêzes. “Eu bebia muito”. para os adolescentes selvagens de Hamburgo. e só as tomavam para ficar acordados e não para se divertirem. se bem que pareciam não estarem viciados p or elas. mas nunca conseguiram um nôvo. Tínhamos punhados de garôtas. fica vam na boate cêrca de doze horas cada dia. então. Apenas tocavam no chão aberto. tocando o que lhes dava na telha. cada um tocava uma hora e descansava a seguinte. acabaram mesmo com êle. Ficavam mandando-nos bebidas o tempo todo e nós. Êles nunca passavam dos limites com elas. ou passarem a tomá-las em excesso. porque estavam gostando de tudo. Todos êle s as tomavam de vez em quando. com todos aquêles pulos e o making show.” O Kaiserkeller fazia-os trabalhar mais do que nunca. exceto Pete Best. ficavam cheios. Garôtas são garôtas. A princípio tínhamos sido músico s macios e suaves. não se abor reciam com as horas extra. O tempo dos intervalos era muito curto para que êles fizessem qualquer coisa ou fôssem a algum lugar. diz Pete Best. Como agora. Tudo melhorou cem por cento. “A gente não podia evitar. No fim das contas.er. se êles não estivessem tão longe de casa e num país estr angeiro. Foram oficialmente contratados para tocar seis horas por dia. antes. também de Liverpool. Na verdade. havia dois conjuntos na boate. eram inofensivas. bebíamos demais. O palco do Kaiserkeller era muito velho. naturalmente. Naturalmente. mas êles passaram a tomar outras. “Nossa garganta doía de tanto cantar”. Queriam permanecer acordados.

Não queríamos machucá-lo. “A gente tinha que tocar. e Pete parecia não notar. Ambos eram considerados pelos e spectadores como . ” Freqüentemente. Pete nunca sorria. Ficamos tapeando-o. Imaginamos que podíamos conversa r com êle em inglês e enganá-lo. Stu e Pete. Nunca se a limentavam como deviam e dormiam muito pouco. quando êstes ferravam no sono. apesar de os outros se recordarem muito bem. nem estavam interessados em aprender. os dois caras mais novos do grupo. Stu us ava seus óculos escuros e parecia muito desafiador. “Escolhemos um marinheiro inglês. diz John. É surpreendente que a saúde dêles não se abalou em nada. George e Paul sabiam um pouco de alemão. b eber e pegar garôtas. os Beatles tinham pequenas brigas entre si. Principalmente. dizendo que iríamos conseguir algumas g arôtas. como ainda ia arranjar tempo para dormir?” pergunta John. Mas n ão podiam. acabamos dando-lhe duas bolachas e desistimos do roubo. que era reconhecido onde estivesse. “Nós apenas gritávamos em inglês p ara os alemães”. ficava pulando co mo John. Êle se esquecia de tudo.mais de uma vez teriam feito as malas e ido embora para Liverpool. apesar de não atingirem a popularidade de Paul. qu e eram chateados pelo resto. tornando-se-lhes devotadas. Demos-lhe bebida às pampas e o tempo todo êle ficava perguntando onde estavam as g arôtas. pois havia passado em alemão nos seus exames de nível O. procurando descobrir onde êle guardava o din heiro. Nem se lembra mais de estar envolvido em nenhuma b riga ou de alguém criticando-o ou gozando-o. Viam os g arçons tirando dinheiro do bôlso dos bêbados. As platéias ficavam extasiadas. “Chamava-os de nazistas e mandava-os danaremse. parecendo casmurro e ameaçador. No palco. e os Beat les passaram a ter menos mêdo da boate. No fim.” E a platéia gostava cada vez mais. socados lá em Hamburgo. mas nada de sério. Stu tomava as coisas ao pé da letra. John e Stu nã o sabiam nada. Sobretudo. Uma noite John decidiu experimentar o mesmo. estavam gastando todo o di nheiro do pagamento. dos garçons e das brigas. Stu e Pete estavam ficando muito populares. tão logo o recebiam. Pete sabia melhor que todo s.

assistindo aos Beatles e pedindo que tocassem certas músicas. Haviam oferecido a Rory Stor m o contrato de Hamburgo. Como êle o havia recusado. diz George. Éramos uns garotos. Os outros. porque. desde os tempos de suas apresen tações no Casbah. estava contando-me”. é que os Beatles foram convidados. quando saíram de Liverpool com destino a Ham burgo. muito brilhante e selvagem no palco. “Êle era o grande astro de Liverpool. eram os extrovertidos. uma bobagem dessa já não importava. especialmente porque e stávamos aporrinhados e irritados de trabalhar tanto. Geralmente a gente comia no palco.” George conhecia bem o gr upo dêle. amuados e magníficos. e foi tudo. “Fiquei conhecendo o Rory. diz George. o terceiro ou quarto lugar na hierarquia dos conjuntos de Liverpool. Eu nunca lhe fiz nada. provàvelmente. Disse que ia quebrar-lhe a cara. Se discutia. com Rory Storm. diz John. estivera pensando em entrar para êsse conjun to. antes de o oferecerem aos Beatles. porque houve uma época em que estava dando em cima da irmãzinha dêle. o cara mais bacana de todos nós. Os outros não o conheciam. A briga com Georg e fôra por qualquer coisa estúpida. “Todos nós conhecíamos Rory”.” Pete conta que se recorda de Ringo. Já conheciam muito bem o grupo de Rory. Ce rta vez.” Normalmente. outro dia. ocupavam. “Paul. Poré m. Tivemos só uma briga de bôc a. Demorou muit . êsse cara meio nojento acabou sendo o Ringo. como Cass e os Casanovas. mostravam-se muito amigos entre si e com Rory Storm e o seu conjunto. pois já tin ha outro compromisso. George me jogou um pouco de comida em cima. havia outros grupos de Liverpool saindo-se melhor que os Beatles. com quem alternavam no Kaiserkeller.” O baterista do conjunto de Rory Storm ficava. durante grande parte de seu intervalo. principalment e John.uma espécie de James Dean. com aquêle cabelão cinzento. antes de ir para os Beatles. Naquela época. “que costumávamos brigar sôbre quem era o líder. era só por uma questão de orgulho. êle era mui to mais conhecido em Liverpool do que êles. Eu não consigo lembrar-me disso. “Êl e parecia ser um cara muito desagradável. “Eu não gostava muito da pinta do baterista de Rory”. Naquela é poca. já que ficava tanto tempo lá em cima. nem via a sua c onveniência. no palco. Eu não fazia questão de ser o líder. na me sma época. Os Beatles. Fora Rory. “Tôdas as brigas eram apenas por coisas banais.

depois de terem arranjado briga com o garçom. e baixavam o pau. A maioria dos hamburgueses respeitáveis nunca se a proxima do distrito de St. aquêle foi o primeiro encontro dêles com Ringo Starr. em cima da casa de Astrid.” () Marca de um dos cigarros mais fumados na Inglaterra. Chegou a Hambur go. conta John. Klaus Voormann e Astrid Kirchner aproximaram-se.o a virem a conhecê-lo bem. antes de a noite acabar. . estavam espalhado s pelo chão meio mortos. por causa da conta. Quase por acaso. procuravam conhecer os inglêses que apareciam por lá. antes de a noite acabar. em 1956. “Quando a gente sentia o cheiro de Senior Service () na platéia”. a fim de estudar na Art School. mas havia escolhido a fotografia para sua especialidade. não fizeram outros amigos. Descobriram qualidades nos Beatles que ninguém ha via percebido antes. “sabíamos que. ou mesmo sem motivo algum. o u cassetetes. do T. Os garçons puxavam seus canivetes de mola. Foram os primeiros admira dores intelectuais que os Beatles tiveram. ê les depararam com os Beatles. diz John. haveria confusão. e muitos menos de Reeperbahn. tiveram uma pequena briga. Paul. êles começavam a berrar Up Liverpool ou Up Pompey. Contudo. Muito menos ainda. e Klaus mudarase para um apartamento. Foi assim que con heceu Astrid. Klaus nasceu em Berlim. Ela se tornou sua namorada. Depois de algun s drinks. filho de um eminente médico. N. “Todos êles eram meio b ôlhas”. E. Estava treinando para ser um artista comercial. Rar amente saíam da boate. Nunca vi tamanho bando de assassinos. na certa. Êles vinham saindo juntos. nem faziam fôrça de se tornar amigos dos alemães. já há cêrca de dois anos. Numa tarde. Exce to a amizade com Ringo e o grupo de Rory. Bandos imbec is de marinheiros inglêses armavam a confusão. Ficaram seus fãs. 12 ASTRID E KLAUS Não é muito surpreendente o fato de êles terem feito tão poucos amig os alemães em Hamburgo.

Calculei que faziam isso durante umas oito horas . com Ringo na bateria. Levou consigo a capa que havia feito para um disco chamado . Então. de um jeito tão engraçado e tão alto. e só então percebi que eram os componentes do outro conjunto. aproximar-me. conseguia compreender como é que êles toc avam tão bem em conjunto.Klaus resolveu sair e ir a um cinema sòzinho. “Lá embaixo. mas não sabia como fazê-lo . Dessa vez. Contudo. como vim a descobrir mais tarde — tinha o cabelo empilhado para ci ma e usava sapatos compridos de bico pontudo e óculos escuros. Usavam casacos de xadrez prêto-e-branco. O de aparênc ia mais ridícula — Stu. Paul. Êle lhe falou sôbre aquêle conjunto maravilhoso. Estava na Grosse Freiheit. “Saí e fiquei andando sem destino. vestindo roupas de couro. ou conhecê-los . Então êle acabou indo sòzin ho. Ela não estava interessada e recusou-se a ir lá com êle. “Foram para o palco. Surpr eenderam-me mais do que o conjunto de Rory. Ela f icou muito aborrecida com o fato de êle ter passado uma noite numa boate de St. a barra parecia pesada. Na realida de. que se acavalam sôbre uma armação d e óculos comuns. “Fiquei encarando-os. não eram óculos escuros. Havia alguns rockers com pinta d e grossos. Era o grupo de Rory Storm. fiquei lá a noite tôda. Antes eu nunca tinha estado numa boate daquela espécie. ou pelo menos dizer-lhes alô. e não eram os Beatles que estavam tocando . Estava bastante a canhado. pensou numa forma de apresentar-se a êles. cautelosamente. Executaram Sweet Little Sixteen. era daquelas lentes escuras. quando ouvi um barulho danado. Eu não . Klaus tin ha sentado ao lado do outro conjunto residente. sentei-me para ouvi-los. Fiquei extasiado com o grupo que estav a no palco e com o barulho que fazia. Sem perceber. na noite seguinte. com John cantando. Eu não conseguia tirar os olhos de cima dêles. Estava com um pouco de mêdo de todos aquêles rockers. Desci para ver o que era. vindo de um porão.” “Eu queria falar com êles. porque êles pareci am muito engraçados. Durante to do o tempo êles ficavam pulando em redor.” Chegou a casa de madrugada e contou a Astrid onde havia estado.” A boate era o Kaisekeller.

log o começaram a influenciar e ditar a atmosfera do Kaiserkeller. sentindo-se mais a medrontado e embaraçado do que nunca. apesar de não predominarem como ante s. apesar de a maior parte de seus trabalhos ser para revistas. Êl e se acercou de John. “Eu só me lembro dêsse cara se ch egando e me botando a capa do disco na mão. Isso causou pouco efeito em John. Eu não podia acreditar no que via. ouvindo a música que êles faziam. Os rokers ainda andavam por lá. de bôca aberta. Fiquei sentada. os Beatles se sentaram. “Não havia nenhuma rivalidade e . Brigões. Num inglês de escolar. Êles tomaram suas próprias mesas e par te do porão. nos filmes e nas fotografias. diz John. com seus modos mais civilizados e suas roupas mais mod. a noite t ôda. Klaus mostrou-lhe o disco. Teddy Boys e aquela classe de gente.” Quando Astrid e Klaus começaram a falar sôbre os Beatles seus colega s começaram a aparecer para vê-los. Finalmente. Ficou sentado. “Eu estava amedrontada quando chegamos”. Então teve que sentar-se novamente. Klaus foi em direção a Stu. De repente. que parecia ser o líder. Ê le murmurou alguma coisa. como artista c omercial. verdadeiros marginais. Jur gen Vollmer. Narizes quebrados. E assim ficou. conta Astrid. e nem me mexia. dizendo que Stu é que era o artista.” “O ambiente era abafado e pesado. novamente. sempre fui fascinada pelos Teddy Boys. de longe e.” “De algum modo. mas aconteceu qualquer coisa e êle acab ou não conseguindo se aproximar dêle. Gostava do asp ecto dêles. Em alemão chamavamos os Teddy Boys de Schlägers. Era uma multidão típica de Reepe rbahn. A noite seguinte foi sua terceira visita. Contra a vontade. Pens ou que os Beatles estariam interessados em ver aquela capa. Não sei explicar como me senti. Creio que me deu alguma coisa. Klaus conseguiu conv encer Astrid.Walk Don’t Run. “O lugar ficou sendo nosso”. de vez em quando. Os estudantes. logo me esqueci disso. Êle tinha feito uma ou duas capas de discos. procurava aproximar-se m ais. quando vi aquêles cinco caras. foi levada por Klaus e mais outro amigo. diz Klaus. Afinal. ei-los na minha frent e. e que seria melhor mostrar a cap a a êle. não sei por quê”. durante um dos seus intervalos. “Porém. com seus cabelos para cima e costeletas compridas.

Q uando elas dançavam pareciam pequenos cogumelos. É fato. “F oram os primeiros alemães com os quais tive vontade de conversar. diz John. tôdas as noites. Finalmente. As orelhas protuberantes. Não sabiam fala r alemão.. Ìntimamente. conta Klaus. Era uma figura engraçada. conta Paul. Usavam saias curtas co m anágua muito engomadas para mantê-las rodadas.. “Todos existencialistas. Ficavam extasiados com o Stu fazend o aquela imitação de James Dean. Na verdade fiz amizade com alguns.” “Havia umas garôtas rokers engraçadas que eu nunca havia visto. do T.” Só depois de ir lá. “Sem esperar. o cabelo curto atrás e todo em pilhado no alto da cabeça. Não foi um romance daqueles cheio de pieguice. apesar de não os ter conhecido há mais tempo. apesar de John ter feito algumas observações engraçadas. a gente estava no meio de uma porção de caras com pinta d e artista”. cêrca de uma semana. “Mas George quando falava conosco. Astrid e seus amigos. mas alguns alemães conseguiam entender um pouco de inglês. ela não estava lá muito interessada em analisar-lhe as atitudes. Astrid tomo u coragem para pedir se podia tirar umas fotos dêles. o fazia bem devagar e nós conseguíamos ente ndê-lo.” “Eu não conseguia entender a pronúncia de John”. “Bem diferentes dos alemães comuns. Só estava apaixona da. conversando e bebendo com Klaus. Mas na verdade.” . Pretendia mesmo era conhecer Stu. Eram até capazes de matar por causa dos Beatles”.” “Êles eram geniais”.” () Krauts — repolhos. fala George. “Foram ti rados.” “Eu os chamava de Exis”. N. à pr imeira vista. “Dávamo-nos tão bem c om êles. “Eu me apaixonara por êle. que eu me senti mais encorajada. Êle sempre dizia coisas terríveis a respeito dos Krauts () na frente de todos.” Os Beatles começaram a passar grande parte de seus intervalos sentad os. ela co nseguiu gaguejar umas duas palavras indicando sua vontade de tirar retratos dêles. Percebi que os rokers da Reeperbahn os adora vam.ntre nós e os rokers. eu sempr e achei que êle não era nada daquilo que aparentava ser. Pejorativo para designar alemães.

Essas foram as primeiras fotografias dos Beatles. A ja nela estava encoberta e tôda a luz provinha de velas acesas em vários lugares. pois o antigo tinha furado na noite anterior.Marcaram um encontro para o dia seguinte na Reeperbahn. mas. tiradas como profissionais. a fim de que êles trabalhassem aquela noite. No . “Sanduíches de presunto! Eu não sabia que os al emães também tinham sanduíche de presunto. u nicamente. Ela ofereceu-lh es sanduíches de presunto. “Não porque eu quisesse ser anti-social. para i rem a sua casa tomar chá. Astrid foi a primeira pessoa a descobrir o potencial fotográ fico dos Beatles. prêto e branco. Um dêles puxou o pano para ver o que estava atrás e deu de cara com um espelho. Astrid trazia sua máquina sempre que vinha ao Kaiserkeller e tirou cent enas de fotografias dêles. as paredes. Além da primeira impressão de escuridão.” Isso dá idéia do quanto êle havia visto da vida na Alemanha. O chá foi um pouco mais prosaico — sanduíches de presunto. H avia árvores crescendo pelas paredes e pelo teto em tôrno do aposento. Havia um pano prêto pendurado numa das paredes. Num papel e numa revelação de boa qualidade obter-se-ia o máximo com as f otografias de Astrid. mobília e tapêtes. exclamou George. socado doze horas por dia dentro do Kaiserkeller. após. a fim de fotografá-los. “Foi minha fase de Jean Cocteau”. Tudo. porque ou precisava comprar um couro nôvo para a bateria. Então ela os le vou de volta ao clube em seu carro. Por meio de uma hábil iluminação ela os deixava sempre meio na sombra. pode-se ver o quanto elas são excelentes. tudo que se podia ver eram dua s côres. Êles ficaram encantados. convidando-os. ou num desvio ferroviário abandonado para conseguir os efe itos mais diversos. O cômodo no qual Astrid lhes serviu o chá era muito escuro e misterio so.” Os outros quatro foram com ela. a pesar de não ser original. Por muitos anos. Levou-os a outros lugares de Hamburgo. Foi o primeiro lar ale mão em que entraram. Pete se recusou. Êsse truque. ou eram prêtos ou brancos. Ela os levou para um parque de diversões e os fotografou lá. coloca ndo-os no pôrto. confessa A strid. foram as mais artísticas. duran te muito tempo. acabou sendo usado e copiado por centenas de fotógrafos. Então. um fator valiosíssimo nas promoções de mais tarde. “Eh! Ol ha só”.

” Êles passaram a fazer uma refeição na casa dela quase tôdas as noites . Ela não falava nada de inglês . Era natural que êle ficasse muito interessado em mim. ela procurava falar com Stu. de Pete Be st. Êle sempre falava ou anunciava os números e dava os autógrafos. De longe . E por último. e não aparen tava. Ambos ficavam sentados na cama dela. John é que era o líder. parecia o mais forte. Conseguiu que Klaus lhe ensinasse inglês. era um garôto adorável. tinha um espírito fr anco. “Ninguém conseguia tirar retratos nossos tão bem quanto Astrid!” O tempo todo. Dávamo-nos . Lá estava eu. “Achei difícil aproximar-me de Paul. com meu próprio carro. Muito bom. Jurgen costumava aparecer com um cartaz no qual estava esc rito I love George. “Êle quase ficou louco tentand o explicar-me as coisas. Stu começou a ir só e em outras horas. êle tinha só dezessete anos. Eu nunca alimentei êsse entusiasmo.” “Stu era o mais inteligente. Sabíamos que não era b ôbo. Entretanto. Às vêzes era engra çado. Ela e Stu aos poucos faziam maiores progress os. Tinha um grande número d e admiradores. mas êle era muito tímido.” “Quanto a George. a gente o esquecia. Era cinco anos mais velha. o tipo da garôta inteligente que êle jamai s havia encontrado antes. nessas primeiras sessões. Acho que todos concordavam com isso. conversan do auxiliados por um dicionário Alemão-Inglês. revel a Paul. Ademais. ao contrário. A maioria dos fãs parecia considerá-lo o líder. como lhe demonstrei depois. Não fisicamente. depois daquele primeiro chá. Eu não conseguia aprender. ela não con seguia fazê-lo entender. mas em personalid ade. mas não tinha muito contato com êle. Êle nunca havia conhecido ninguém profundamente. Êle foi um dos primeiros a aparecer com êsse tipo de cartaz. “Com a presença de George parecia que minha casa pegava fogo. Gostava de comer sanduíches de presunto. Eu gostava um bocado dêle. “Depois de Stu. eu gostava de John e George. mesmo com papel de segunda categoria elas são ótimas. trabalhando como fotógrafa . e usando roupas de couro. Êle era muito amistoso. conhecíamos sua vivacidade. Êle não falava um pingo de alemão. e coisas assim.entanto. era o mais popular com os fãs. c onfessando-lhe que gostaria de fotografá-lo sòzinho. Mesmo naqueles dias. De longe. Na realidade. “Elas eram geniais”.

diz Astrid. segundo o costume alemão. isso era motivado por causa da atenção que John dava a um e a outro. Os exis (existencialistas) de Hamburgo tinham apelidos para êles tod os — John era o Sidie Man. no palco. na realidade. Não como John que ab andonara tudo. teve uma briga com Paul. durante dois anos. até o aparecimento de Stu. The Peedles. . Paul fôra muito ligado a John. Stu e Astrid ficaram noivos. Paul já tinha um po uco de ciúmes de Stu. era como os alemães o pronunciavam. apenas dois meses depois de seu primeiro encon tro. de fato. Continuava interessado em arte como antes. A seguir. Porém. Contudo. Juntaram o dinheiro e foram comprar as alianças — uma para cada. no estilo francês. desde a chegada dêles. mais maduro. Stu era. De um certo modo. ainda se lembra de como. A rivalidade entre Paul e Stu. O nom e Beatles. “Êle podia tornar -se realmente histérico quando se zangava”.” Em novembro de 1960. Paul o Beautiful One e George o Baby One. também era apaixonado pelo conjunto. “Desde que conseguimos entender-nos ao outro chegamos à conclusão de que nossa finalidade era o casamento. os Be atles exerciam uma atração áspera. partiram no carro dela. em Liverpool. por alguma coisa que Paul dissera dela. A briga foi por causa de Astrid. Uma noite. natural e indisciplinada. a o longo do Elba. Isso em alemão é vulgar entre as crianças.maravilhosamente. e sig nifica pinto ou zèzinho. irmão de Paul. mas era muito mais desenvolvido e maduro em seu modo de pensar. A amizade que se estabeleceu entre os cinco Teds de Liverpool e um gru po de estudantes intelectuais de Hamburgo. como o chamav am. mas ninguém se lembra mais dos po rmenores. é coisa difícil de se explicar. em alemão. Suas roupas e suas idéias estavam de acôrdo com a moda. intrigava-os a todos. K laus e Jurgen usavam o cabelo escovado para a frente.” Stu ainda não tinha dezenove anos completos. Não era muito mais vel ho do que George. os pequenos ciúmes e as briguinhas são fáceis de explicar. Até Michael McCartney. muito talentoso. Apesar de ser muito menor e mais fraco do que Paul e sua ra iva era tão grande que adquiriu uma fôrça extraordinária.

“O pequeno George. “Êle estava de pé ali”. Nunca me senti tão mal. os rockers e os exis . Com isso. mas precisava de mais algum dinheiro emprestado. Estavam planejando passar para uma boate melhor e maior.” “John apareceu lá em casa. eu não tinha uma permissão de tra balho e nem mesmo um visto de residente. “Dis se que estava indo para casa. Nós riscávamos fósforos para ve r o que estávamos fazendo. conta Astrid. Sobretudo. compraram-lhe a passagem e arranja ram-lhe um lugar no trem. O Natal aproximava-se e êles já estavam em Hamburgo quase cinc o meses. Dei-lhe um grande saco de doces e maçãs.” . Eu estava com m eu amplificador nas costas. Alg uém acabou descobrindo que eu só tinha dezessete anos. Tinha de ir só para casa. Logo que perceberam que eram um sucesso no Kaiserkeller queriam mudar para uma boate maior. só John e Stu ficariam lá. lembra John.Agora tinham dois ardorosos grupos de admiradores.” Os outros quatro se transferiram para o Top Ten e só se tinham apres entado uma noite. morrendo de mêdo que mo tomassem. Pediram uma audiência ao gerente do Top Ten. Falou que vendera algumas roupas. Estava convencido de que nunca mais encontraria novamente a I nglaterra. diz George.” Stu e Astrid levaram-no à estação. cêrca de um dia depois”.” Então George foi avisado de que teria que de ixar o país. Êle abraçou Stu e a mi m. dizendo-nos. e acho que causamos o incêndio. não havia acabado de pagá-lo. Então eu tinha de ir embora. Não foi muita coisa mas a polícia nos botou na cadeia por três horas. “Ir para casa sòzinho. Era a única alternativa. para comprar a passagem. numa espécie de demonstração que êles nunca davam. “Paul e eu estávamos saindo do Bambi”. “Em tôdas as boates”.” “Foi horrível”. Peter Eckhorn. Portanto. a Top Ten. dizendo que tôda s as pessoas com menos de dezoito anos tinham de abandonar o recinto. Seu contrato original de seis semanas foi prolongado várias vêzes. “John e Stu já haviam levado suas coisas para o Top Ten. “havia um aviso. diante d a insistência popular. conta Astrid. que seríamos deportados. tão perdido. diz Pete Best. “Eu goste i e ofereci-lhes um contrato. pois lhe haviam tomado a permissão de trabalho . em seguida. quando surgiram novos problemas.

” — “E você pode ir se livrando dessas botas horríveis. desalentados e desa nimados. que foi por êle ser men or. — “ficar falando sôbre cem libras por semana. devidamente. pois.Então. nunca ficou esclarecida. durante a noite. É natural que Cyn ficou contentíssima em vê-lo de volta. avisaram a Stu que êle também teria de partir. “Êle usava aquelas horríveis botas de cowboy. foi a maior experiência de suas carreiras e terminara patética e miseràvelmente! Chegaram em casa sós. gritei para êle. levantasse e viesse abrir-lhe a porta. ela pagou-lhe a passagem de avião. Talvez tenha sido motivada pela concorrênci a ou rivalidade entre as boates. exceto a de George. quebrados e esfarrapados. O que lhes tinha acontecido. não por causa das botas. até ali. Então. Mimi. Estava com uma pequena amigdalite. e Astrid não queria que êle piorasse numa longa viagem terrestre e marítima.” John foi para a cama e ficou em casa por mais de uma semana. Mimi”. Durante algum tempo. John chegou a casa. da melhor maneira que conseguiram. Voou de volta para Liverpool. não pense e m entrar nessa casa usando essa coisa. com dourados e prateados. 13 LIVERPOOL “LITHERLAND” E “CAVERN” Ao regressar de Hamburgo. John?” — “Só mesmo você. que já subia as escadas — “Onde estão tuas c em libras por semana. Foi entrando e logo dizendo — “Pague aquêle táxi. Êle escrevera-lhe. Então. que lhe chegavam até a os joelhos. durante todo o tempo em . John gritou de volta. Chegaram até a imaginar que os Beatles jamais voltariam a se reunir. não se viram. Os outros se arrastaram de regresso a Liverpool. A verdadeira raz ão dessa deportação dêles todos. mas porque parecia não haver outra alternativa. quando sabe que estou tão cansado. nem se comunicaram entre si. Stu foi o único que voltou para casa com alguma classe. Teve de jogar pedras na janela do quarto de Mimi para que ela acordasse.

Fazia duas semanas que eu trabalhava com êles. e já me sentia muito mudado. Uma noite. “Algumas delas com quarenta páginas de extensão. alguns fãs que gostavam da gente. Às vêzes.” “Consegui um outro emprêgo com Massey & Coggins. apesar de. como Chester. acabou cedendo. A gente tinha de usar um casaco especial para isso.” “O velho começou a reclamar novamente. Quando íamos a lugares dista ntes. sentenciava-lhe Jim. Não sabia que os outros lhe seguira m. pensei experimentar algo diferente. Tomei um ônibus cedo. logo depois. No Natal anterior. Agora. mas havia sempre alguém dizendo que prometíamos. ficava mortalmente aporrinhado. Sentia-me muito envergonhado. jogou?” George. “O diabo encontra ocupação para as mãos vazias”. eu costumava dormir dentro do caminhão. quando partimos para Hamburgo. para as docas e comprei o Daily Mi rror. A época de Natal acabou e já não havia tanto trabalho. E Paul. nunca fôra um rebel de. já havia trabal hado um pouco nos Correios. “Fui ao Labour Exchange. Desde o início. Arranjaram-me um emp rêgo de ajudante de caminhão de carga. “As cartas mais sexys. diz John. Em parte eu concordava com êle. por isso. Um colega chamava-me . não passar de um “pudim de escola. e logo começou a ter discussões com seu pai. Faziam entrega na zona do pôrto. e várias vêzes por dia. com aquela mesma lengalenga . mas que com êle a gente nunca co nseguiria ganhar a vida.” “Costumava sentar na traseira do caminhão e ajudar a carregar os paco tes.que ficara fora. Era o lugar indicado. Jim não queria que êle deixasse a escola e fôsse para Hamburgo.” “A firma se chamada Speed Prompt Delivery — SPD. com muita originalidade. depois de Henry Miller”. depois de todo aquêle farol q ue fizemos. tentando parecer um operário autêntico. Você não as jogou fora. e faziam com que a ge nte se animasse. insistia com Paul em arranjar um emprêgo e não mais ficar à toa. o velho me deu uma carona para a cidade e eu tive de lhe pedir dez shillings emprestados. na realidade. enrolando bobinas para eletricidade. por exemplo. No entanto. fôra o primeiro a chegar. Por princípio e sempre desejoso de agradar. dizendo que o conjunto era muito bom. fui despedido.” Paul também permanecia em casa. tendo um emprêgo e alguns trocados no bôlso.

não ficaram sem trabalho. eu não sabia se deveria voltar o u não.” “Uma coisa sou obrigado a reconhecer em Paul”. para enrolar bobinas e fazer o chá. por causa do meu cabelo comprido.” “Eu gostava mesmo. e todo s os caras jogando futebol. Eu. i nclusive Gerry e os Pacemakers. fiz fôrça par a isso. saindo de lá para tocar. Eu não dava para aquilo. seguir tôda a trajetória. Enquanto estavam fora. como full time. talvez. Porém. Allan Williams decidira abrir uma grande boate de rock. e achei que estava bem. Por fim. acho que fiquei lá uns dois meses. Ao todo. êle já tinha mandado vários outros grupos para lá. só durante os in tervalos do almôço. Pouco antes do regresso dos Beatles. para um serviço d e limpador do pátio. poderiam ter recomeçado a trabalhar nas boates imediatamente. Fazia uma bobina e meia por dia. não estava interessado em nenhum dos dois empregos.” Êles haviam voltado de Hamburgo. Eu tinha de ficar de pé a o lado de uma manivela para enrolar as bobinas. Gostei muito de ser operário. Por fim. eu tinha ido para lá. geléia. Êle achava que tinha alguma coisa para êles em Liverpoo l. abandonei o emprêgo. constantemente as que brava. os outros conseguiam fazer oito ou até mesmo quator ze. Isso os teria animado um pouco. Era só para me fazer a vontade. Êsse foi o de enrolar bobinas. Quando o encarregado soube que eu tinha instrução. Chá. O conjunto voltava a tocar novamente. com . chegou à conclusão que eu era um cara le gal e me deu um serviço melhor. no comêço de dezembro de 1960. De fato.” “Recebia sete libras por semana. Encontrei um ca ra chamado Albert e a gente conversava bastante. fala Jim. como as que funcionavam em Hambu rgo. até chegar a ser diretor algum dia. era dos intervalos de descanso. Ao todo. agora me lembro. ou quando estava doente. Com a lguma chance. Por essa época. talvez umas duas ou três semanas. imaginando que.de Mantovani. começou a suspeitar de mim.” “Na verdade. depois do patético regresso a Liverpool. seu pai. êle inaugurara uma nova boate ch amada Top Ten. numa espécie de pátio de recreio de prisão. Êle prometeu que se eu m e aplicasse no trabalho me daria bem. eu tivesse ficha crimi nal ou coisa semelhante. “Êl e sempre foi esforçado. Acabei sonhando em passar por todos os cargos. Permaneci no trabalho. Pelo menos.

na mesma turma de Paul. No princípio. Nesta ocasião. Best. no Institute. seis dias depois de inaugurada.” “Derry e os Seniors chegaram antes. e depois mais um. onde iniciou. O primeiro compromisso dêles após o regresso acabou sendo novamente no Casbah. Não sabia como êles haviam mudado.0 por semana. Entretanto. conta Neil. Pelo menos.” “Quando soube que os Beatles estavam voltando para casa definitivame nte.10. Lá. Pete recomendou-os a sua mãe. sucessivamente. êle mor ava no Casbah.” Quando começou a aparecer no Casbah. ocupava grande parte de suas noites com cursos p or correspondência. Neil não fôra contaminado pela mania do skiffle.o mesmo nome da de Hamburgo. até ouvirmos os Beatles. e ela lhes dera uma tarde no Casbah. de lá. havia saído de casa e alugou um quarto na casa de Mrs. Disseramnos para esperar. O cara contratado para gerente chamava-se B ob Wooler. e estava praticando p ara contador. Ambos tive ram problemas com fumo. Neil já era amigo de Pete. Freqüentara a escola. Neil havia deixado o Institute com oito níveis O. “Pete me escreveu. sempre ap oiou os grupos locais. e assim. quando da primeira audição para o Carrol Lewis Show. definitivamen te. quando se mudou e passou a viver lá. juntamente com Pete.” . Com uma turma de colegas. Contudo. Teria sido um lugar ideal para as apresentações dos Beatles! Desapareceu ant es de êles o terem visto. Neil Aspinall. fiz uma porção de cartazes com os dizeres A volta dos Fabulosos Beatl es — e os espalhei pelas portas e paredes. durante tôda sua permanência em Hamburgo”. também. Parecia ter o futuro assegurado. foi totalmente de struída por um incêndio. “Detestava ouvir broncas de um cara a trezentas milhas de distância. êle aplaudiu os Beatles (ou Moondogs). na Alemanha. no Empire. Êles melhoraram muito. “Êle me dizia que estavam se dando muito bem e que haviam sido con vidados a ficar mais um mês. Recebia £ 2. fazia uns dois anos. Estêve. tiveram uma grande recepção de boas-vindas. além dos vales de almôço. especialmente. Podiam estar pé ssimos. especialmente do amigo de Pete. Nunca os tinha visto com Pete como membro do co njunto. seus cursos principiaram a ser aband onados. Conhecia ainda George. o clube da mãe de Pete Best.

em Liverpool Hamburgo: os cinco Beatles foram para Hamburgo em 1960 e tocaram lá. Se se pode dizer que algum compromisso foi um divisor de águas. em di ferentes épocas. depois da estada em Hamburgo. e tocou no Casbah. Era lá que g uardavam seus amplificadores e equipamento. Cada um dêles parecia ignorar o que os outros estavam fazendo. Paul. de volta de Hamburgo. George Harrison.Apesar do entusiasmo de Neil. Paul McCartney e Stu Sutcliffe. do lado de fora do Cavern C lub. Todo o dese nvolvimento dêles.” Seu compromisso mais importante. depois de êle já estar em Liverpool. no Litherland Town Hall. Frank Garner. após o regresso. com certeza. “Foram geniais”. não foi possível colocar os Beatles ime diatamente no Casbah. diz Pete Best. John Lennon. pois o Casbah transformou-se em sua base. diz Neil. John e Pete Best. “Só soube que John igualmente tivera de deixar Hamburgo. Da esquerda para a direit a: Pete Best. Êles sa iram-se òtimamente. êles dei xaram de olhar para trás. teve lugar no dia 27 de dezembro de 1960. de repente . atingiram tôda Liverpool. “Durante semanas não soubemos o que acontecera a Stu. foi no Casbah. Seus admiradores do Casbah apareceram no Lither land e ajudaram no sucesso daquela apresentação. Dali em diante. Logo. “Haviam melhorado tremendamente. tôda a sua harmonia e tôdas as suas músicas. começaram a arranjar outros empregos e o número de admiradores aumentava . acho que só em me ados de janeiro tivemos conhecimento. (Foto de As trid Kirchherr) Eu os via muito. naquela tarde. . durante os três anos seguintes. o cara que tomava conta da porta do Casbah. êste foi um. havia uma seman a”. Foi muito bacana. começou a transportá-los em sua camioneta. Rory Storm também retornou de Hamburgo.” O primeiro compromisso dêles. e até mesmo se todos estavam de volta.

” Foram anunciados para aquela apresentação como “Os Beatles. Contando quas e trinta anos naquela época. receberam seis libras pela apresentação. diz George.Outro “Teddy Boy”: John Tudo isso. Eu conh ecia-lhes a capacidade. Era um grande salão usado regularmente duas vêzes por semana para as danças dos adolescentes. A m aior quantia. e nas seguintes.” Bob conseguira-lhes um compromisso no Litherland Town Hall. até o início da era do skiffle. com nossas calças de couro e b otas de cowboy. causou — literalmente — um gr ande tumulto. “que nós realmente saímos de nossas c . ficaram surpresos com o fato de ê les falarem um bom inglês. até então. e essa foi a grande oport unidade para êles e para os Beatles. pensavam que êles eram alemães. “Êles estavam bem aborrecidos. Foi a prime ira vez que isso aconteceu. Êle não estava envolvido naquilo. “A gente p arecia muito diferente dos outros conjuntos. “Depois descobrimos que êle s tinham escrito uma porção de coisas a giz na nossa camioneta. Tínhamos um ar engraçado e tocávamos de um jeito diferente. “Er a surpreendente ver os adolescentes fazendo sua própria música pela primeira vez e êles mes mos se tornando seus artistas. “Os caras endoideceram”. até então. Muitos dos garotos que fizeram o tumulto naquela apres entação. ficou fascinado com o seu desenvolvimento. Enquanto assinavam os livros de autógrafos e seus fãs os ouviram falar.” diz John. naquela ocasião. que estava às vésperas de tornarse o disck jockey do Litherland Town Hall. Foi o maior lugar onde. diretam ente de Hamburgo”.” A idéia de um Top Ten em Liverpool esfriou. que êles haviam aperfeiçoado em Hamburgo. Georg e estava chateadíssimo pelo modo como terminou sua estada em Hamburgo. êles devem a Bob Wooler. Sobretudo. sentiam-se realmente por baixo. paga a êles. Êle havia trabalhado na British Railways. “A gente provàvelmente tinha pinta de alemão”. haviam tocado. Caímos co mo uma bomba!” “Foi naquela tarde. conta Pete Best. mas. o primeiro que êles provocaram. sua música alta e ritmada.

tudo era de bom-g ôsto. Ao som do qual o ouvinte tinha de sair correndo e tapar os ouvidos . ou ficar tão alucinado e fora de si como os caras que o produziam. Em sua aparência. Para pegarmos os alemães e ficarmos tocando doze horas po r dia. pela primeira vez. Ritmo êsse que superava muití ssimo o dos discretos Shadows. O sucesso de Cliff Richard levou os Shadows. tocavam alto e selvagemente. m as que agora estava morrendo. e também em sua música. Os alemães gostavam daquilo. C om efeito haviam criado seu próprio ritmo. enquanto todo mundo estava tocando no estilo da bossa do Cliff Richard. Bruce Welch e Hank Marvin. Seu disco instrumental. mas não tão bons assim. A gente tocava o que mais agradava. três numa direção três na outra. o conjunto que o acomp anhava composto por Jet Harris. Descobrimos que éramos bastante famosos. maior volume de som e um bárbaro mak showing no palco. Apac he. Não havia de quem copiar. a gente tinha que martelar. “Foi lá que nós realmente nos desenvolvemos. todos os conjuntos bu scavam. “Assim. ternos cinza. se tivéssemos ficado em c asa. Pareciam ma l-ajambrados e desorganizados. Não teríamos evoluído tanto. como aborígines ou retardados. que éramos bons de fato. conta John. gravatas combinando e sapatos e ngraxados e com grande brilho. Agora. foi em Hamburgo”. por outro lado. Todos os grupos procuravam copiar sua sobriedade e seu bom-gôsto em matéria de roupas de apresentação. a ir em frente e transformar-se em sucesso por conta própria.” “Foi só em Liverpool que notamos a diferença. Êles haviam continuado no estilo do rock and roll. e verificamos o que es tava acontecendo conosco. a gente experimentava o que nos dava na veneta.” Todavia não só os Beatles mudaram. desesperadamente. polido e controlado. Tony Meehan.ascas e deixamos a coisa andar. Êles também davam pequenos passinhos de d ança. Lá. Houve grandes transformações na I nglaterra durante a ausência dêles da pátria. F oi aí que começamos a pensar. varreu o país. Tornaram-se cada vez mais rock and rollante s acrescentando um ritmo extra. Os Beatles. Até Hamburgo pensá vamos que estávamos bem. que estava em moda quando saíram de Liverpool.” . contanto que fôs se barulhento. parecer-se com os Shadows.

Verdadeiramente u m fenômeno — e também uma situação para os promotores! Assim são os fan tásticos Beatles. Revolucionários rítmicos. Eram naturais e não afetados. compõe-se de um número vocal. tanto física quanto auditiva. Acho que não acontecerá novamente nada semelhante a êles. Apareceram. Uma notável variedade de vozes talentosas. Por exemplo: a magnificência do baterista Pete Best — uma espécie de Jeff Chandler ado lescente. É uma excitação. Privilegiados. Quase nun ca instrumental. e depois. as apres entações terminavam em distúrbios. Foi um dos primeiros a fazer a crítica dos Beatles. mais contratos de grandes salões se seguiram a o sucesso dêles no Litherland Town Hall. Aparente mente sem ambição. muito antes de terem qualquer publicidade ou promoção: “Por que você acha os Beatles tão populares? Êles fizeram renascer a m úsica original do rock and roll. atingi ram o Litherland Town Hall. São de mentalidade independente. Musicalmente são autoridades. Um número que do comêço ao fi m é uma sucessão de arrebatamentos. que simbolizava a rebelião da juventude. seis m eses depois. Especialmente quando Paul cantava Long Tall Sally. Na maioria dos lugares. Sua música. quando o cenário estava emasculado por figuras como Cliff Ri chard. Isso. que era produzido por uns caras adapta dos às platéias de Liverpool. Só foi publicada. Os Beatles explo diram num ambiente petrificado. quando êles primeiro conquistaram Liverpool. Contudo flutuam entre o autoconfiante e o vulnerável. Passado estava o ritmo que inflamava as emoções. Tinham um nôvo ritmo. fìsicamente são ma gnéticos. um núm ero normal de rock and roll. feito com um tremendo ritmo eletrizante. Um culto da personalidade.Seu próprio ardor e suas personalidades contagiavam a platéia. para agradar e para ganhar dinheiro. Êl es estavam começando a perceber o domínio que produziam sôbre suas platéias.” No Ano-Nôvo de 1961. Tiravam o máximo p . possuem a mesma candura de tom. Bob Wooler logo deixou o Litherland para ser o disk jockey do Cavern. Seu ritmo é feito de explosões de gritos. essencialmente. Tocam o que lhes apraz e para se divertirem. cujas origens são encontradas nos cantores negros americanos. no verão de 1961. no jornal de música local. de Merseyside. Isso t ambém ajudava. Rememora o iní cio de 1961. ganharam prestígio e experiência em Hamburgo. e que quando falam.

“Demorou alg um tempo para que percebêssemos o quanto éramos superiores aos outros c onjuntos”. na verdade. e então ficamos muito satisfeitos. Contudo. O Habledon Hall era outro lugar onde.roveito disso. Sòmente o gerente se acerto u de nós. Logo percebemos que deveria haver outros empresários present es. para todos os lugares onde íamos. para dizer que tinha gostado da gente e ofereceu-nos uma série de compromissos. Seguiam-nos não só para nos ver pessoalmente. se não quisesse sossegar para sempre. em Wallasey. Assim. De forma que seriam duas libras a mais do que estáv amos recebendo. até que tudo perdia o contrôle. antes de eu perceber o que estava acontecendo e tentar salvar meu amplificador. para impedir que os outros promotores se aproximassem. vinham para . “Recordo-me de um salão onde nós estávamos”. O negócio tinha iniciado uma noite. Com isso. freqüentemente. o que ignorávamos era que a gerência havia colocado uma porção de leões-de-chácara em tôrno de nós. eram cada vez mais requisitados. a partir dessa época. não percebiam realmente o que estava acontecendo com êles. quando a gente tocava o Hully Gully. em que os caras abriram extintores de incêndio em cima dos outros. “Só então vimos que estávamos arrastando grandes audiências. a partir de 1961. mas também. Paul conta que alguns dêsse s primeiros salões eram aterrorizantes. êsse número terminava em pancadaria. “Havia mui ta gente lá. nosso trabalho duplicaria. Ademais.” A maioria dos salões de dança tinha um grande número de leões-de-ch ácara a fim de acabarem com êsses tumultos. ninguém chegou perto. conta John. os leões-de-chácara começaram a ser empregados para outras finalidades. havia confusão. afirma George.” Êles poderiam ter ganho muito mais dinheiro. Entretanto. havia mais ou menos uns cem caras de Wallasey prontos para brigar com outros cem de Seacombe. e estavam pouco a pouc o disputando com Rory Storm (Mr. Pois. “No Grosvenor Ballroom. Houve uma noite lá. faltava-lhes ainda um e mpresário e. quando o negócio começou. como o chamavam) o primeiro lugar entre o s conjuntos preferidos de Liverpool. Um dos Teds me agarrou e f oi dizendo-me para ficar quietinho. Um amplificador El Pico. Showmaker. que era meu orgulho e minha alegria naquele tempo. Geralme nte. a oito libras por noite.

A ru a está sempre atravancada e suja. ou brigar por comida. eu saía correndo para pegar as chaves e me sentar primeiro. Ge orge e eu vivíamos engalfinhando-nos. publicado no verão de 1961. “pois. o Cavern era anunciado. porque ficava livre de se ocupar com o trambôlho do equipamento. pensou que ia. discutiam sôbre quem ia dirigir. a principal loja de discos da cidade. Você dirigiu ontem à noite. como acontecera em Hamburgo. depois de um espetáculo. discutindo sôbre quem iria guiar. ond e está situada a Nems. John era o mais velho e o líder natural. tinha sido quase que exclusivamente para jazz. “Essa disputa dava-se. no centro de Liverpool. o Cavern foi a principal boate de música viva no cent ro de Liverpool. que. cheirando a frutas e vegetais em decomposi . do lado oposto à esquina da Whitechapel.” Implicavam muito. era um clube local muito p equeno. O Cavern está situado no número 8 da Mathew Street. quando ti vemos nossa própria camioneta. o Cavern Club. Mais tarde. graças a Bob Wooler. Por muito tempo. onde poderiam ser o conjunto-re sidente e seus fãs ficavam sabendo onde êles estavam. apesar de já estar sendo superada pelos conjuntos de rock. Ainda. Tornaram-se famosos demais para voltar ao Casbah C lub. Freqüentemente. além de ser distante do centro principal de Liverpool. com Stu e Pete Best. Em vez disso. es pecialmente pelos Beatles. Dista uns dois quarteirões do edifício do Liverpool Echo e não é muito longe do Pier Head. à volta de Merseyside. fêz com que lhes oferecessem seu próprio lugar.” E eu respondia — “Pois é. Entretanto.dançar. na ocasião em que saiu aquêle artigo de Bob Wooler citado acima. no lugar do motorista. lembra Paul. mas não vai. É uma estreita al amêda. A maioria dos edifícios da Mathew Street são depósitos de frutas. geralmente. eu pensava que eu é qu e ia dirigir. regulavam a mesma idade. em outra página daquele mesmo jornal. George entrava e dizia — “Pô. como uma boate de jazz. costumavam discutir sôbre o m elhor lugar da camioneta. pois acreditavam que o motorista tinha o melhor lugar.” O sucesso dêles nos vários salões de dança. Êsse lugar foi. entre mim e George”. por cima . mas não saíam brigas sérias.

Ainda se assemelha muito com uma velha adega. O suor dêles costumava pingar pelas paredes ou para dentro dos amplificadores. Nós nunca precisávamos ensaiar nada . nem sorria. É escuro e apertado. em 1961. tem-se de descer sete degraus. ca ntando completamente banhados de suor. fundindo-os. antes dêles. Humphrey Lyttleton.” “Aquêle lugar era uma verdadeira pocilga”. todos tocaram lá. Era tudo espontâneo. mesmo hoje em dia. que viviam a copiar os Shadows. mais tarde. “ Não havia nem um pouco de ar. no Cave rn Club. Acker Bilk.ção. lembra Bob Wooler. êles receberam cinco libras. mas também o quanto êles estavam trabalhando. No início. os Beatles passaram a tocar regularmente no Cavern. havia comprado o Cavern. Todavia. nós nunca deixamos de n os confundirmos com a platéia durante todo o tempo. Nós fazíamos a m esma coisa: comíamos e tocávamos. “Por aquela primeira apresentação. Lá. John costumava gritar coisas para a platéia.” Isso mostra não só o quanto Bob Wooler deve ter ficado impressionan do com êles. A partir de janeiro de 1961. alternavam com os Swinging Blue-jeans. em suas horas de almôço. Ray McFall. Não tem ventilação alguma. que tinham si do o grupo-residente. Mas George não falava nada. receberam trezentas. As garôtas estavam sempre me perguntando por . e apresentavam um semi-jazz. preocupando-se em contar o número exato de vêzes. “De janeiro de 1961 a fevereiro de 62. trazendo seus sanduíches. começaram com apresentações dos gr upos de rock. que se transformou nu m restaurante-night club. que eram gente como nós. com altas colu nas. há caminhões descarregando. Êle ocupa um porão que fôra depósito de v inho. “Era fantástico. Era só o que acontecia. “É provável que tenhamos gostado mais do Cavern do que de qualquer outro lugar”. Vinham ouvirnos. Durante o dia e no fim da madrugada. Nem faziamos como os outros grupos. N ós achávamos que estávamos tocando para nossos próprios fãs. Mas êles continuavam do mesmo jeito. um ex-contador. Pela última. diz a senhora Harrison. 292 vêzes”. afirma George. Diri gia-o como um clube de jazz: Johnny Dankworth. Chris Barber. Para ir ao Cavern . na hora do almôço. apresentei os Beatles.

naquele dia. ninguém nota. o irmão de Paul. Não conseguira entrar para o Art College e após uma série de empregos sem futuro estava aprendendo a ser cabeleirei . Fazia hora pelos pubs e cafés do Mercado do Algodão. Quando algo não dava certo. entrou para buscá-lo. mas eu não posso frac assar. antes de êles irem para Hamburgo. lembram-se da maiori a de suas apresentações de improviso. naquela base. Mimi. Mrs. Estava resolvida a levá-lo consigo. já e stava trabalhando.que êle parecia tão sério.” A senhora Harrison. quando a tia de John . Harrison — “Êles não são f ormidáveis?” — “Gritei para ela. não fôsse eu encorajá-los tanto. até que alguém ajeitasse a situação . os outros conjuntos saíam do palco. N ão só ia apreciá-los. sempre. Harrison aprovava tudo. naquela ocasião. “Eu a vi quando estava saindo”. Michael. Ganhava meno s de dez libras por semana e passava algumas dificuldades. Ela voltou-se para mim e disse que se aleg rava com o fato de alguém pensar assim. mas ainda levava parentes e amigos consigo. foi uma de suas fãs mais entusiasmadas. conversando com os possíveis compradores. e de di nheiro. Se os outros cometem erros. Ela se en contrava no Cavern. Os Shadows haviam não só influenciad o no jeito de tocar dos outros conjuntos. Isso êle fazia para impressionar que seu emprêgo parecia mais importante do que era. Sempre queria saber quanto estavam recebendo. Êle costumava dizer: — “Eu sou a primeira guita rra. fazendo aqu êles disfarces de grande show business.” “Encontrei Mimi várias vêzes depois daquilo. Continuava a ser um simples vendedor de algodão.” — Levava muito a sério questões a respeito de sua música. Êle costumava passar suas horas de almôço nas imediações do Cavern. Mimi reprovava. por estarem brincando. no Cavern. conta Mrs. Os Beatles apenas faziam o qu e lhes dava na telha. O que os Beatles faziam era botar o pessoal para cantar Coming Round the Mountain s ou alguma canção velha. Jim McCartney principia va a se adaptar àquele negócio. mas não ia muito bem no emprêgo. Ela sempre repetia que nó s todos não teríamos vida tranqüila.” Todos que os viram. mas também na maneira como entravam e saíam do palco e como apresentavam seus números. nem que f ôsse arrastado pelas orelhas.

” 14 MARCANDO TEMPO: LIVERPOOL E HAMBURGO O sucesso dêles como um fenômeno local estava garantido. “Procurava Paul no Cavern para entregar-lhe as salsichas. na hora do almôço” lembra Jim. se firmaram de forma individual e conquistaram os seguidores devotados em Liverpool. brigando entre si. com rabo de fora”. E seus seguidores locais se tornavam cada vez mais fanáticos. finalmente . Jim era o único dos pais que exercia as funções de cozinheiro . A a tmosfera era de suor. “Freqüentemente. não aconteceu nada d e realmente importante. “Êles deveriam pagar risco de vida para quem entrasse lá.ro. e sim porque qu eria ver Paul.” “E agora. de Paul e de Michael. Voltaram a Hamburgo novamente. Depois de uns quatro ou cinco anos girando por ali. Melhoraram por todo êsse tempo. vindo do Cavern. desmaiando co m a excitação e a atmosfera. Eu procurava abrir caminho por entre os garot os e poder aproximar-me.” Êle ficava esperando. meu filho. ao chegarem ao Cavern. Quando Paul chegava em casa. “Os garotos da platéia ficavam num estado horrível. lavador e limpador de garrafas. tinha de gastar sua hora do almôço fazendo as compras para o jantar dêle. eu dava uma passada pelo Cavern. No ano seguinte. Quase sempre estava em cima da hora e com pressa. a fim de estarem o mais perto possível do conjunto. eu torcia sua camisa na pia e o suor escorria dela. Passei a ir para o pequeno vestiário dêles esperar sua saíd a do palco. só tendo tempo de empurrar os fãs e entregar-lhe as compras. costeletas ou coisa que o valha. eu costumava dizer. “quando chegar em casa esquente isso no fogão elétrico. Eu via Paul e seus companheiros no palco. não esqueça”. com ar de “gato e scondido. não para conseguir um autógrafo. ou então. Essa foi a primei ra de uma série de contratos renovados. E seu sucesso continuou e foi cad . durante a maior parte de 1961. Nunca conseguia. por isso.

Peter Eckhorn. Ant es. ela estava tôda vestida de couro. cortou as pontas e fê-lo subir um pouco. e Astrid ajudaram a lhes conseguir as devidas licenças de trabalho. Mais tarde êle desistiu e voltou a pentear seu cabelo para trás. Rezava que êles tocariam tôdas as noites das sete às duas da manhã. Ninguém mais estava interessado nêles. Por insistência de Astrid. Foi por essa época que Astrid começou a dizer a Stu que não gostava d e seu cabelo cheio de brilhantina no estilo dos Teddy Boys. Agora. Foi ridicularizado outra vez. não inferior a quinze minutos. no dia seguint . Achava que lhe ficaria melhor o cabelo do jeito que Klaus e Jurgen o usavam. Sua segunda estada em Hamburgo começou em abril de 1961 pouco depo is de George ter completado dezoito anos. Agora. enveredavam na trilha da glória local. ainda havia mais existencialistas entre os espectadores.” O Top Ten era maior e não tão turbulento quanto as outras duas boate s onde haviam tocado. ela havia usado um casaco de couro. Naquele dia. Peter Eckhorn ai nda guarda o contrato. todav ia. tentou novamente aquêle pen teado no dia seguinte. gritando por êles. more sveat”. que ped iu que ela fizesse um terno completo de couro para êle. apesar de usarem -no com suas calças apertadas e botas de cowboy. Possuía melhores acomodações. “Depois de cada hora de tr abalho haverá um intervalo. Depois de muita conversa S tu acabou cedendo e permitiu que lhe fizesse um penteado. Os outros também quiseram um. fa zendo os outros se dobrarem de tanto rir. gerente do Top Ten Club. Ela escovou-lhe o cabelo todo para a frente. exceto aos sábados. compraram as roupas de couro de uma qualidade tão ruim que arrebenta ram logo que as vestiram. Até que. na tentativa de con seguirem ângulos pouco comuns dos Beatles no palco. plea se. quando tocariam até às três. Stu gostou tanto.a vez maior. Dentre êles havia muitos fotógrafos que se deitavam na frente. Stu apareceu no Top Ten com o penteado no nôvo estilo. e gritando — “more sveat. que serviu de modêlo para êles. Astrid foi esperá-los na estação — desta vez êles estavam fazendo o n egócio com um pouco mais de estilo —. Pareciam destinados a tocar para s empre em Liverpool ou Hamburgo. decoração e platéias.

cortou para si uma grande c ruz de papel. êles foram convidados a fazer o acompanhamento para Tony Sheridan. usava a mesma expressão. “Todo mundo tem vontade de faze r essas coisas de vez em quando. quando da prime ira estada dêles em Hamburgo. Era muito divertido. êle botou uma coleira feita de papel. apesar de Allan Willi ams já ter feito um disco dêles para demonstração. “Nem a bebida. Gravaram seu primeiro disco durante esta viagem. Tomavam bolinhas (todos exceto Pete Best).” John ainda fazia suas caricaturas anti-religiosas — desenhando Cristo na cruz com um par de chinelos embaixo — e se envolvia em outras brincadei rinhas de adolescente. Não tinha levado a lugar nenhum. hein Stu?” Todos êles ficaram um pouco mais ferozes. A gente não ficava nada chocado. “Era o jeito de John”. Às vêzes. vamos afanar umas coisas nas lojas”. Astrid passou a influenciá-los de outros modos. o admirara tanto que arranjou um igual. quando se referia a êles. Desta vez. “Mas aquilo nunca passou dos limites”. George apareceu imitando-lhe o penteado. o cantor . Paul fêz o mesmo. como acontece com Paul. tais como ternos sem go la. o estilo de cabelo dos Beatles havia sido criado. John. As idéias não ficam dando voltas na cabeça de John antes de se decidir a realizá-las. Isso foi. para ficarem acor dados durante a noite e poderem tocar. John ainda não se havia decidido.e. passava semanas sem voltar a faze r aquilo de nôvo. mas naturalmente fica só na vontade. apesar das piadas dos demais companheiros. de repente. Astrid achava aquilo genial — Pete Shotton. durante a segunda estada em Hamburgo.” John não perdera a mania dos pequenos furtos nas lojas. e só fizera cinco cóp ias. Stu. Agora êles muito raramente bebiam só. Contudo. A idéia aparecia rep entinamente na sua cabeça. afirma Astrid. apesar de sempre voltar ao seu penteado original. e êle ia em frente. esfregava as mãos e dizia — “Eu sei. e começou a pregar de uma das janelas da boate para os que p assavam lá embaixo na rua. quando lhe dav a na telha. — “O que é que você está fazendo co m o casaco da mamãe. colega de escola de John. Uma vez. Pete Best esta va por fora daquela história. revela Astr id. Ela tinha feito um para ela.

mas isso fôra tudo. . Na verdade. Nos di scos. Paul podia tocar muito melhor. êles foram chamados de The Beat Boys. E todos viram como eram bôbas aquelas briguinhas que havia. perfeitamente tôdas as características de sensibilidade e de arrogância para ser bem sucedido. os quatro Beatles regressaram a Liverpool. Stu Sutcliffe havia deixado o conjunto. “Tinha bastante en ergia. confessa John. Tivera uma briga com Tony Sheridan. Depois de ter deixa do o conjunto. Os alemães tinhas umas drogas de discos.” Êles se sentiam um pouco culpados pelo jeito com que tratavam Stu. Êl es preferiam coisas como o My Bonnie Lis Over the Ocean”. mas era muito engenhoso”. o escultor es cocês.” Quando chegaram a Liverpool. com as autoridades de Hamburgo. Em julho de 1961. Matriculou-se no Art College . “Quando veio o convite”. casar com Astrid e voltar a estudar. “Especialmente Paul. tendo d eixado Stu em Hamburgo. mas não gostaram. “pensamos que o negóci o ia ser fácil. Eduardo Paolozzi. fêz a gravação. ma s essa não foi a razão de êle ter abandonado o conjunto. Stu ainda gostava da música dos Beatles. explicando-lhe que a gente realmente gostava dêle. Pete Best figurava lá. que ficava o temp o todo a chateá-lo. Gerry e os Pacemakers. acompanhando Tony Sheridan. Seria melhor para êle encarregar-se do setor. Achava es tar-se dando muito bem. graças a um eminente professor visitante. eu pedia desculpas. “Às vêzes nós éram os terríveis com êle”. Êle havia decidido ficar em Hamburgo. Só quatro participaram da gravação. Êle se saiu bem no Art College. os Beatles fizeram um show de boas-vin das de parceria com outro conjunto que êles conheciam havia muito tempo. Tocamos cinco dos nossos próprios números. o líder alemão de orquestra. mas achava que era melhor em arte do que na guitarra-baixo. que conseguiu uma bôlsa de estudos para Stu. confirma John. Depois. o que acabou fazendo. Poss uía. conta Paolozzi. p ois acharam que o nome Beatles iria causar confusão. Entretanto. Stu tornou-se um amigo ainda mais chegado do que fôra até e ntão. “O sentimento inventivo jorrava dêle. Bert Kaempfert. O nosso estava de stinado a ser melhor.do Top Ten.

Continha fofocas sôbre os conjuntos principais. O que marcou s ua existência foi o aparecimento de um jornal inteiramente dedicado ao movimento musica l dos conjuntos. uma piada da qual os fãs gos taram muito. Era o Mersey Beat. êles ficaram sentados com êle. disseram-lhe.Tocaram nos instrumentos dos outros e objetos estranhos. George e Paul. Êles decidiram juntar-se porque eram do tipo que se junta. êles deixaram crescer guitarras e formaram um barulho. já transcrito anteriormente. o conjunto no qual Ringo Starr tocava bateria. Parece que ambos eram os conjuntos mais populares. Contudo. os Beatles forneceram o único trecho hu morístico de sua primeira edição. Os Beatles vinham depo is dêles. Então. e um homem bondosamente velho disse. — “Filhinho. até que o dito aprendesse a tocar. no qual Bob Wooler publicou o artigo sôbre os Beatles. cada um. quando pediram a John que revelasse um pouco da história de seu conjunto: Mersey Bea 6 de Julho de 1961 DE UM PEQUENO PASSATEMPO A CÊRCA DAS DÚBIAS ORIGENS DOS BEATLES traduzido de O John Lennon Era uma vez três menininhos chamados John. e êle fêz isso — mas não ficou muito bem porque êle não sabia tocar aquêle negócio. En-ta-aaaão. Êles se apresentaram como os Beatmakers. tais com Gerry e os Pac emakers. chamado Stuart Sutcliffe. para que aquilo? Então. Os Beatles ainda tinham a sorte por estarem recebendo dez libras por semana. passando por ali. a julgar pelos primeiros números. mas o culto ao ritmo chegou em Liverpool. como papel e pen te. Ainda faltava ritmo. — “É porque voc ês não têm . Quando os meninos estavam juntos perguntaram-se para que. descobr indo um quarto homenzinho ainda menor. muito menos os três homenzinhos. Muito eng raçadamente ninguém estava interessado. Sua primeira edição saiu no dia 6 de julho de 1 961. arranje uma guitarra-baixo. repentin amente. que você estará muito bem” —. com êstes nome s batizados. Rory Storm e os Hurricanes.

Repentinamente. o pequeno George Harrison (de Speke). lá se foi metade do conjunto.bateria!” — Nós não temos bateria! êles choraram. então vamos contar. Nós telefonamos — “Alô Pete venha para a Alemanha! —” — “Sim!” — Zuuum. como é que apareceu êsse nome? Bem. e tocar um poderoso rock and roll para os camponeses. e êsse cara foi o Pete Best. Senhor Homem. o conjunto (chamando-se de os chamados Beatles) descobriu que não tinha um som mu ito bacana — porque êles não tinham amplificadores. repentinamente. Depois de ficar um pouco tocando nas boates todo mundo disse — “Vão prá Alemanha” —. na cidadezinha de Liverpool havia muitos conjuntos tocando dentro de ternos cinzas e Jim disse — “Por que é que vocês não usam ternos cinza?” — “É porque a gente não gosta dêles. Zuuu . — Zuuum. mas depois de passar dois meses na Inglaterra êle fez dezoito anos e os caras da Gestapo disseram q ue a gente já podia voltar lá. E então um homem com uma barba raspada disse para êles irem para a Alem anha (Hamburgo). en tão nós plantamos um em West Derby num clube chamado mais ou menos Casba h. Beatles. em troca de dinheiro. Então a gente foi. seu pai. Peter e Paul que é chamado Mc Artrey. êles disse ram. Êles arranjaram alguns. Zuuum. Mas mesmo antes disso. tivemos que fazer crescer um baterista. Apare ceu numa visão — um homem apareceu numa torta de fogo e disse-lhes — “De agora em diante v ocês vão ser os Beatles com um A” — Obrigado. agradecendo ao sujeito da torta inflamada. em troca de dinheir o. a gente di ssemos falando prô Jim. Stuart foi embora. em excursão com Johnny Gentle. Jim. mandando-o embora. vocês devem ir para casa e tacar fogo nos seus cinemas inglêses”. na Escócia. Então. Depois de alguns meses. a Gestapo havia pegado meu a miguinho. tacaram fogo num cinema e a polícia alemã disse — “Seus Beatles maus. Então uma série de bateria s veio e se foi e veio. Por que Beatles? Uh. porq ue êle só tinha doze anos e era muito pequeno para votar na Alemanha. filho de Jim McArtrey. E nós dissemos que tocaríamos qualquer coisa poderosa. Mas antes de podermos partir.

nesta época d actilógrafa. Pete era o principal responsável pelas apresentações. “A maioria das pessoas se referia a êles como Pete Best e os Beatle s. Na legenda. ocasionalmente. e começ ou a levar os Beatles para tocar pelas redondezas de Merseyside. Eu os levava ao destino. e ia buscá-los. Uma . Além disso. As piadas e os erros deliberados dêste artigo de John foram reproduzi dos. Obrigado a vocês sócios dos clubes. Tôda a primeira página da segunda ed ição do Mersey Beat era sôbre o contrato dêles para gravar na Alemanha. chapeleira no Cavern. muitas vêzes. como seu quartel general. Todos êles foram embora. Comecei a refletir no que estava fazendo. f ala Niel. a casa de Pete. John (de Woolton) George (de Speke) Peter e Paul. estudava um pouco.” pelo menos era o que ela dizia. Usaram uma das f otografias tiradas por Astrid: uma onde os cinco estavam num desvio ferro viário em Hamburgo. amigo de Pe te. então os Teds tentavam quebrar o lugar. Paul ainda é chamado de Paul MacArthy. mas a inda usavam o Casbah Club. a judado por sua mãe. nos anos seguintes.” Neill ficou sendo o road manager do conjunto. quando Neil Aspinall. os Beatles eram o conjunto principal do Cavern. redigido por uma tal de Priscilla e no qual ela dizia que “agora o cinza é a côr para as roupas de tarde”. apesar de abominar êsse título. e ainda procurava organizar o conjunto. “Os garotos estavam indo direito. “Êles estavam sendo os causadores de distúrbios em tôdas as partes”.. Recebia cinco shillings de cada um. Neste mesmo número hav ia um artigo sôbre modas. recebia duas libras e dez shillin gs por semana. apesar de o Casbah ainda ser a sua preocupação esp ecial. e. por três sess ões de hora de almôço no Cavern. cantora. comprou uma velha camioneta por oitenta libras.m. A senh ora Best transformou-se em promotora de danças. Por esta época. O Casbah ainda foi mais procurado. Então. Sua tarefa consistia em pegar Pete e todos os instrumentos no Casbah e levá-los todos para o lugar em que deveriam tocar. como contador. “Minhas tardes passaram a ser uma chatura. zuuum. em julho. Contudo. que morava lá. de John e George (que são amigos). voltava para casa. para cada corrida. podia conseguir três libras. deixei o emprêgo definit ivamente. Esta era Cilla Black.

ouvindo-os de graça.” Porém.vez. andando por Liverpool. apesar de mais tarde voltarem às boas. lembra-se dêl es. um bar (agora demolido) perto do Cavern. Um dia. acabaram quebrando um dedo de John. apesar de seu crescente número de admiradores e do fato de. Êles ganhavam muito p ouco para atrair um empresário bom. pois êles perdi am muito tempo e a oportunidade de muitos contratos. Por conseguinte não havia razão por que pagar comissão a quem qu er que fôsse. Danny English. numa briga. parecia não se importarem m uito com os contratos e. horas a fio. com efeito. não eram o tipo de conjunto de caras limpin hos e bem comportados de que os empresários gostavam. que lhes conseguira o pri meiro contrato em Hamburgo. o único lugar onde êles conseguiam fazer nome. parou de receber sua comissão. sentados nos bares ou nas lojas de discos. Eu só fazia aquilo por mero divertimento. Pete Best esforçava-se em organizá-los. Agora. pelo menos. acho que não era um homem de negócios. Por sua vez. . depois de ter feito tudo por êles. tiravam ainda dinheiro para pag ar Neil. O Mersey Beat estava fazendo o cartaz dêles e vendendo muitas cópias . deveria ter continuado a rece bê-la. mas na verdade. ainda por cima.” — “Eu disse: cerveja. Empregavam a maior parte de seu tempo livre entre as apresentações de hora do almôço e as da noite.” Nen hum empresário ou agente estava interessado nêles. Nessa ocasião.” Êles então perguntaram quanto custava. e. Ademais. ganharem quinze libras. mas tudo em vão. gozavam os promotores interessado s nêles. “Eu achava que me tinham passado para trás. Poderia ter continuado com êles. Londres parecia ser o único lugar de onde saíam os can tores de música popular ou. já tinham rompido com Allan Williams. Estavam sempre duros. êles afirmam que o contrato do Top Ten foi conseguido e xclusivamente por êles. disse-lhes que já era tempo de pagarem uma bebi da para a garçonete. Depois d e muita conversa cada um tirou do bôlso 41/2 de lhe pagaram uma Guinness. ger ente do Old Dive. De fato. durante a segunda viagem do conjunto a Hamburgo. Êle declara que. tomando uma cerveja preta. e m algumas semanas. “Depois de muita discussão perguntaram-me o que ela gostaria de bebe r. Houve um atrito entre êles. compreendo o que perdi. Não havia nada de nôvo.

Todos os pais. tocando naqueles estúpidos sal ões a três libras por apresentação. é Johnny Hutch. Não vejo lógica nenhuma nisso. conta Mimi. Paul e George estão em primeiro plano. que ocupou o lugar no último minuto porque o conjunto chegou sem baterista. “Nós estávamos cheios”. Êle redigia uma coluna para o Liverpool Echo. Seu tempo foi desperdiçado. Nesta época ele mal conseguia tocar guitarra-baixo e é por isso que está tentando ficar de costas para a platéia. Havia incontáveis conjuntos competindo. lembra John. constantemente insi stiam com êles para abandonarem aquêle negócio e buscarem um emprêgo em condições. decidiu gastá-lo em Paris. no mesmo instante. na audição dada em 1960 para Larry Parnes. nesta época chamados “Os Silver Beatles”. John e George vestidos de couro no seu estilo “cowboy”. que lhe chamavam a atenç ão.” Quando John completou os vinte e um anos ganhou algum dinheiro de p resente de sua tia que morava em Edimburgo. em 1961 Em Hamburgo. parecendo muito chateado.” . “Tínhamos contratos. na opinião dêle. George e Pete Best ficaram muito magoados com essa deserção. ma s os cancelamos e nos mandamos. tendo perd ido aquela oportunidade no Art College. O baterista. há muitos anos.Danny English tentou convencer um de seus clientes que ajudasse o co njunto. Tinha quase vinte e um anos. e. Foi o George Harrison. Os Beatles. não fêz nada p or êles. Todavia. John. num telha do de Hamburgo. Stu Sutcliffe e John (Foto de Astrid) “Eu sabia que John sempre seria um boêmio”. George. exceto Mrs. Êstes estavam ficando cada vez mais deprimidos pela sua falta de prog resso. em 1960. juntamente com Paul. Não tinha parentesco com o nosso George Har rison. A esquerda está Stu Sutcliffe que havia acaba do de entrar para o grupo. porém os Beatles pareciam os mais mal-ajambrados. Esta audição levou ao primeiro compromisso inteir amente profissional do conjunto — uma “tournée” de duas semanas como conjunto de acompanhame nto pelo norte da Escócia. Harrison e Mrs. “Mas eu quer ia que êle tivesse algum trabalho. Paul. Best.

So what. logo as cartas passaram a ser cheias de desapontamen tos e queixas. Inicialmente.” “P. foi gasta. isso seria considerado muita frescura. ta is como a da instalação de um fã-clube dos Beatles. enchendo aquêles cadernos. “Jurgen também usava calças bôca de sino”. quando lhe faltavam idéias para escrever. Enchia suas cartas com êles. “Mas achamos. com o aquêles que êle nunca havia mostrado a Mimi. Mary Rainha da Escócia era uma negra. ma s quando?” John começou a incluir nas cartas alguns de seus poemas sérios. Apes ar de Stu ter abandonado o conjunto para estudar arte em Hamburgo. porque nossos auditórios eram cheios de caras. Tocáv amos rock. até que o dinheiro acabou.Em Paris. Essa viagem. no estilo das que John escrevia quando criança.” John soubera que Jurgen estava em Paris. Contudo. S. Alguma coisa vai acontecer. (Rory Storm já tinha um). em Liverpool etc. so Fucking what I remember a time when Belly buttons were knee high When only shitting was Dirty and everything else Clean and beautiful I can’t remember anything without a sadness . por intermédio de Stu. pelos bares de Paris. “Êsse negócio é uma merda. so what. ” Enviava a Stu as boas notícias a respeito do progresso do conjunto. em grande parte. e as baladas de Paul atraíam garôtas cada vez mais. “I remember a time when Everyone I loved hated me Because I hated them. apesar de normalmente term inarem em obscenidades. com roupas de couro. diz John. as cartas eram cheias de piadas e histórias malucas. encontraram Jurgen Vollmer. q ue em Liverpool. Não queríamos pare cer afeminados ou coisa que o valha. “Tio Norman saiu pedalando nos seus bigodes. um dos seus amigos de Hamburgo . êle e J ohn se correspondiam longamente.

só q ue as suas começaram a ser muito piores do que as de John. nos fins de 1961. Tinha acabado de ver um caixão branco.” Stu também as enchia com a mesma espécie de lamúrias e angústia. “Sentia muita dor de cabeça”. quando ainda adolescente. Tinha uma vista muito boa e via melhor que qu alquer pessoa. O professor Paolozzi achava que êle estava destinado ao sucesso. Havia ganho vários pr êmios em Liverpool. em fevereiro de 1962. e fi ngia ser São João Batista. John. ou ficava apenas dando v oltas no próprio quarto. numa vitrina. So deep that its tears leave me a spectator of my own stupidity. Estava sob tratamento médico. aquêle negócio se repetiu. Sua morte foi uma tragédia. Desmaiou. e novamente foi trazido de volta para a casa d e Astrid e levado para seu quarto. em Hamb urgo. Stu desmaiou no Art College. As dores de cabeça passaram a ser violentas e seguidas de a cessos de raiva. Escrevia cartas de trinta pági nas para John. Êles as escrevia como se êle fôsse Jesus. o que dificultava ainda mais que Astrid e sua mãe tomassem conta dêle. afirma Astrid. depois de uma hemorragia cerebral. a princípio. Sua imaginação era fantástica. A partir de sua morte. “mas a gente atribuía isso ao seu trabalho excessivo na escola”. And so I go rambling on With a hey nonny nonny no. “Em todos os segundos de sua curta existê ncia êle sempre estava fazendo alguma coisa. e disse que queria um igual àquele”. Êle voltou à escola. pensava que isso fôsse apenas uma piada. Se sobrevivesse teria feito muito. no dia seguinte. “Um dia.So deep that it hardly becomes known to me.” Não resta dúvida alguma sôbre o talento artístico de Stu. mas. e foi levado para casa. sem resultado algum. ao voltar de um especialista. “Sua vida foi muito curta”. diz Klaus. Fazia pinturas e desenhos sem conta. Desta vez ficou lá. Stu morreu em abril de 1962. seus quadros têm aparec . disse que não queria um caixão prêto como o de todo mund o. Certa ocasião.

até. A morte de Stu foi. ou num conjunto chamado Os Beatles. êles sentem a falta de Stu. em Walton Road . entrou na loja de discos Nems em Whitechapel. mais tarde chamada I. assumiu o contrôle da loja. o pai de Paul. lembra-se de ter tido durante a Primeira Guerra Mundial um piano comprado na Nems. Epstein e Filhos. que chegou a Liverpool por volta do início do sé culo. sentiam-se deprimidos. Aconteceu. Por isso. de certo modo. disse que lamentava muito. chamado Raymond Jones. Teve uma grande as cendência sôbre John e os demais Beatles. a “alguma coisa”. tocado por um conjunto chamado Os Beatles. a Nems já existia antes dos Epsteins. influenciando-os sôbre os penteados. o que era considerado o mais inteligente dos Beatles. havia morrido. e por estarem com pouco serviço. um judeu refugiado da Polônia. da mesma forma que ho je em dia eu faço com Paul. graças à venda de discos. cujo nome mais tarde se torno u famoso por Brian. É surpreendente pensar que. “Eu conf iava nêle.” Ainda hoje. às três horas da tarde do dia 28 de out ubro de 1961. Porém. para ser preciso. Brian Epstein. diz John. Jim McCartney. . que estava atrás do balcão. as roupas e. Liverpool. Harry. que John procurava. aguardando que êle me dissesse a verdade. estava em vésperas de aconte cer. Abriu uma loja de móveis. Liverpool. em 1962. Stu me dizia o que era bom e eu acreditava nêle. Nunca tinha ouvido falar naquele di sco. um clímax macabro daquele ano. antes da morte de Stu. e pediu um disco chama do My Bonnie. “Quando tinha alguma dúvida eu me dirigia a êle”.ido em inúmeras exposições de Londres e de Liverpool. em Liverpool. Mais tarde o pai de Brian. Um jovem vestido num casaco de couro prêto. Muitos habitantes de Liverpool acham que os Epsteins sempre foram d onos da loja Nems (North End Music Stores). Entretanto. 15 BRIAN EPSTEIN A fortuna da família Epstein foi fundada pelo avô de Brian. Isaac. sôbre seus pensamentos.

de Sheffield. O que a senhora Epstein ainda se lembra. “À medida que aprendia a andar e a falar revelava um espírito irrequieto.Os Epsteins só se tornaram donos da Nems pela década de trinta. Seu segu ndo filho. quando tinha seis anos. Casou com Queenie. e era. onde iniciou sua educação formal. a fim de expandir seu negócio. es . Liverpool sofria pesados bombardeios. o local que êle desejava. uma das zonas residenciais mais procuradas de Liverpool. em Liverp ool. e depois para Southp ort. é que êle foi o bebê mais lindo que ela tinha visto. a Harley Street de Liverpool. Com dois filhos. Hoje. Clive. Ela fi cava no fim do quarteirão da Walton Road onde se situava a I. esta casa é ocupada pelo Deão de Liverpool. o êxito da firma de móveis Epstein parecia estar as segurado. Sua primeira escola foi o Jardim de Infância Beechanhurst. Epstein e Filh os e êles sempre estiveram de ôlho nela. “Eu era um daqueles garotos fora de linha. seu filho mais velho. Brian foi matriculado no Southport Colleg e. daí em diante. Harry viu q ue o negócio de discos e músicas muito bem combinava com uma loja de móve is. em Childwall. até o casamento de Clive.” A prim eira recordação de Brian é da grande excitação ao ser levado para visitar se us parentes em Sheffield. nasceu a 19 de setembro de 1934. Em 1940. onde havia uma grande comunidade judaica. Harry e Queenie moravam numa grande casa de cinco quartos. sobretudo. os Hymans. Brian. quando comprou a Nems. numa mat ernidade particular de Rodney Street. Sempre queria saber tudo. da primeira infância de Brian. Harry casou-se numa outra família judia muito bem sucedida na venda de móveis. em North Wales. e a família foi evacuada primeiro para Prestatyn. comêço de um processo muito longo e muito infeliz. Os Epsteins viveram com certo confôrto até o comêço da Segunda Gu erra. que nunca se encaixam”. quando e la tinha dezoito anos e êle estava com vinte e nove. onde êle martelava e pregava figuras recortadas numa tábua de compens ado. Tinham dois empregados — uma babá para os meninos e um empregado para o serviço geral. em 1933. nasceu vinte e três meses mais tarde. Os Epst eins moraram lá por trinta anos.

isso me parecia nada significar. Aos treze anos. sentado num sofá e seu pai dizer-lhe: — “Eu gostaria de saber o que poderemos fazer com você ness e mundo”. Êsse é o exame exigido . um menino passar a ser chamado de Ginger. censurado e aporrinhado pelos meninos e professô res.” O próprio Brian pensa que. Meus pais devem ter-se desesperado comigo muitas vêzes. Perc eberam que essa escola era só de fachada.” Êle ainda se recorda de ter chegado em casa. Quando êles não iam com a cara de um aluno. Havia o utros crimes que suspeitavam ser eu o autor. mas êle só ficou lá poucas semanas. e arte. ou por outro motivo qualquer. que também era de sua predileção e pela qual se interessou pela prime ira vez. êle aprendeu a andar a cavalo. t ambém devia ter havido algum anti-semitismo. Ela concorda que êle dificilmente poderia ter sido feliz ou bem-sucedido em alguma escola. devido às falhas do método de ensino. por ter o cabelo ruivo. Não havi a tanta liberdade como hoje. e Brian foi matriculado no L iverpool College. e pouco se importam com a educação das crianças. Sua mãe acha que. mais tarde. Ali. êle superestimou seus fracassos escolare s. a família regressou a Liverpool. “Eu me lembro de às vêzes ter sido chamado de judeu ou Yid. coisa de que tanto gostava. uma escola particular e paga. Tinham-me pegado numa aula de matemática desenhando meninas. foi expulso de lá. Era o mesmo que. sòmente se preocupando em arrancar o dinheiro dos pais ricos que não conseguiam matricular seus filhos em outras escolas. o expulsavam su màriamente.” Depois de sua expulsão do Liverpool College seus pais arranjaram-lhe uma outra escola particular local. “Foi logo depois da guerra. perto de Tunbridge Wells. Finalmente. Porém. conseguiram-lhe uma boa escola judaica chamada Beaconsfie ld. “Eu era rasgado. “A razão principal foi sua falta de atenção e por estar abaixo do pa drão. êle fêz o exame de admissão. com dez ano s de idade. além de sua incapacidade de se adaptar.creveu em sua autobiografia em 1964 (intitulada A Cellarful of Noise. edita da pela Souvenir Press). Reconheço que cometi muitas faltas.” Em 1943. No ano seguinte. Era difícil conseguir vaga nas escolas. Era daquelas que se aproveitam de pais nes sa situação.

para melhorar sua educação. conta sua mãe. Êle fôra tão bom que nós nem o havíamos reconhecido. Também costumava levá-lo para ouvir a Philarmonica de Liverpool. Brian não se entusiasmou com Wrekin. fazendo al guns amigos. só por que meus pais querem que eu vá. aos dezesseis anos. Pelo menos descobriu o jeito de passar o tempo. Lá êle foi obrigado a jogar rugby. sem ter tirado seu diploma. pois já estava acostumando na escola de West Country. É uma pena. Nesta época. Rugby. “Eu e o pai dêle fomos vê-lo”. Foi uma fase bem infeliz. Além disso. dizendo-lhe que queria ser desenhista de modas. “Escrevi para meu pai. Entretanto.” Ao mesmo tempo. mas êle foi contra a idéia. No verão de 1948. êle alimentou interêsse pelo teatro. tôdas recusaram-no. entrou para o tipo de educandário que aceita qualquer aluno. em Live rpool. comecei a levá-lo para ver Peter Glenville. sua mãe o levava a muitas peças. Disse que essa não era a profissão ideal para um jovem. em West Country. acabou permanecendo em Wrekin. uma escola pública bem conhecida.para se ingressar em qualquer uma das escolas públicas da Headmaster’s Con ference. Fracassou miseràvelmente. com muito terreno. e decidiu que seria desenhista de modas. situada em Shropshi re. Repton e Clifton. Era um colégio bem animado . Isso não impediu que continuassem tentando que fôsse admi tido numa delas. no espetáculo ap resentado pela escola. Continuava com sua arte. Um pouco mais de popularidade.. Mais tarde. “Eu costumava levá-lo primeiro às p eças infantis e juvenis. seu pai não perdeu as esperanças e continuou tentando. seu pai era contra o . conseguiu que êle fô sse admitido no Wrekin College. odeio Wrekin. O nascimento de novas idéias. T odos julgavam ser impossível êle passar nas provas. escreveu em seu diário: “Agora. Vou para lá. e finalmente. Finalmente. Seu interêsse pela arte continuou.. porque êsse foi um grande ano para mim. no décimo quarto aniversário de Brian. “Assis timos à peça tôda e depois o diretor veio nos perguntar se havíamos gostado do Brian. Tornou-se o primeiro da classe em arte.” Afinal. Em casa.” Brian fêz o papel principal em Christopher Columbus.” Brian deixou Wrekin.

E começou a interessar-se p ela arrumação da loja. É natural que seu pai tenha ficado satisfeito. Descobriu que era um bom vendedor. pelo f ato do filho mais velho haver resolvido entrar para o seu negócio. recebeu de presente um conjunto de caneta e lapiseira Parker . por doze libras. principalmente de experimenta r coisas novas. com as bochecas rosadas. Liverpool.” Porém. vendeu uma mesa de jan tar. voltou a Walton. Liverpool. êle achava que os arranjos das vitrinas da loja não eram tão bo nitos. Também gostava de vender. “Brian sempre teve ótimo gôsto”. Brian decidiu largar a escola e arranjar um emprêgo. e recebia cinco libras por semana. a uma mulher que entrara na loja para comprar um espelho. decidiu mandar Brian fazer aprendizado de seis meses numa firma não relac ionada com êles. por conseguinte aceitaria qualquer coisa. mas não se queixava. Fui frust rado na única coisa que desejava. muito magro. Alegrava-me de ver aquêle ar preocupa . Brian Epstein passou seis meses na loja de móveis The Times em Lord S treet.fato de êle tornar-se desenhista de modas. que isso também lhe agradava. “Depois de sete escolas. Iniciou. Quando deixou a loja. cabelo enca racolado e meio educado. Brian descobriu. tais como botar cadeiras na vitrina de costas para a rua. Começou a se encarregar pela a rrumação de tôda a loja. Para adquirir mai s experiência. Gostou. diz sua mãe. No entanto. Começou a fazer experiências. (A caneta foi a que alguns anos mais tarde emprestou a Paul McCartney par a assinar seu primeiro contrato. Seu pai achava que êle estava fazendo as coisas de uma maneira muito avança da. “Eu gostava daquilo. Gostava de observar as pessoas desembaraçando -se e mostrando confiança em mim. para surpresa sua. No seu segundo dia de trabalho. numa carreira que êle havia escolhido. fazendo coisas que na época er am consideradas muito arrojadas. No dia 10 de setembro de 1950. “E sempre soube apreciar as belas mobílias. eu estava cheio. pois estava satisfeitíssimo com o fato de seu filho e herdeiro e star agindo direito.) Depois de seis meses. tôdas elas péssimas. Parece ter-se saído be m lá. com o salário de cinc o libras por semana.” Principiou a trabalhar como vendedor de móveis. apresentei-me para trabalhar na loja da família em Walton.

Seu treinamento básico foi feito em Aldershot. C reio que.” Apresentou-se à Royal Air Force e foi mandado para o Royal Army Serv ice Corps. em Londres. e era eu quem iria fornecê-las. “Êles sempre queriam as vitrinas cheias de coisas. Em vez disso. em meio aos seus ousados esquemas novos para I. se a gente mostra às pessoas alguma coisa bonita. Nem bem acabava de chegar. arranjou um pôsto em Regent’s Parks Barracks. fàcilmente êle teria p assado por um dêles. Isso foi em 1953. Estava certo de que seria o pior soldado que já houve. Epstein e Filhos. “Aquilo era como uma prisão. acabava caindo. Depois de Aldershot. Êle achava que a Coroação deveria ser um acontecimento muito baca na e que seria muito excitante tomar parte nêle. Tinha muitos conhecidos em Londres e conseguia sair para se divertir. usando chapéu-côco e terno listrado. e eu fazia tudo errado. Também era maluco pela mobília contemporânea.” De qualquer jeito. o exército o aterrorizava. logo eu queria que todos vissem suas peças. Uma noite. um dos lugares mais ambicionados pelos jovens oficiais.do desfazendo-se. — “Sold . como sempre. às vêzes. um oficial que se encontrava lá não foi tão fàcilmente enganado. Quando me mandavam ficar em posição de sentido. Mas não foi escolhido. Se a escol a o horrorizava. êle conseguiu passar pelo treinamento básico e até chegou a pensar que poderia ser escolhido para a parada do Dia da Coroação. elas a aceitarão com facilidade. só uma cadeira. Contudo. dois soldados que estavam na casa da guarda olharam à direita e a sentinela fêz-lhe a saud ação. foi fazer a ronda dos bares e boates e tomou um porre. Em seus momentos de licença. Eu preferia muito p ouca coisa. “Eu havia sido um mau aluno. Quando entrou no quartel. Talvez tenha sido o único rapaz de sua educação e posição que não se tornou oficial. e gastando seu tempo nas boates e clubes elegantes do West End. a guarda fêz-lhe continência. Virava para a d ireita em vez de virar à esquerda. No dia 9 de dezembro de 1952. êle voltou num gr ande carro. vestido impecàvelmente. foi convocado para o serviço militar. trazendo um guarda-chuva. e as pessoas começando a acreditar que à sua frente estavam coisas boas para e las.” Teve poucas brigas por causa dos seus planos para a arrumação das vitr inas.

Passou a freqüentar tôdas as produções da Liverpool Playhouse e a empregar o seu tempo vago em aud ições de amadores ou em companhia de atôres profissionais. Não era sua primeira falta. Êle fôra considerado culpado de outras insubordinações menores. quase insinuando que poderia ter feito uma encenação para consegui -la. Depois de apenas doze meses. Começou a perceber que talvez estivesse mais interessado pela arte do que ser apenas um vendedor de móveis.” Ficou prêso no quartel. com o seu te mpo de serviço ainda pela metade. especialmente pela clássica. Nesta ocasião. que fui ver o médico do quartel. Começou a tomar um interê sse crescente pela venda de discos. Brian contou a história de seu fracasso no exército de uma forma humo rística. Voltou à loja da família e trabalhou com afinco. seg uro e merecedor da maior confiança”. Apresente-se ao comandante da companhia amanhã às dez horas para responder à acusação de se passar por oficial. tornou-se amigo de dois dêles — Brian Bedford e Helen Lindsay. A coisa estava deprimindo-me de tal modo. Sempre se interessara pela música. ou pelo men os inabilidades para fazer a coisa certo. Êles sugeriram que êle também poderia ser ator. e pela popular. Com o é costume no exército.ado Epstein. E u estava ficando perturbado. Êles estavam certos do seu talento. Concordaram que êle era mental e emocionalmente incapaz para o serviço militar. Possuía o interêsse e o s sentimentos precisos para isso. Êle saiu correndo para Euston e pegou o primeiro trem para Liverpool. Por que êle não . êle recebeu as mais impressionantes e elogiosas referências mili tares. por algum tempo. “O exército estava mexendo com os meus nervos. Porém. Brian deu baixa por razões médicas. Estas o descreviam em têrmos candentes como “um soldado sóbrio. resta pouca dúvida de que êle tenha sido sèriamente perturbado por tudo aqu ilo. Êsse acabou mandando-me ao psiquiatra. do qual gostava muito na escola — o teatro. Particularmente. um de seus favoritos era Edmundo Ros. Também aumentou sua preferência por um nôvo hobby.” Outros psiquiatras foram consultados e concordaram com o fato de o p raça Epstein não ter o estôfo de soldado.

Era seu pensamento dar a Brian interêsse na firma. Desta vez. mas por livre e espontânea vontade. Ser ator ocupava o segundo plano. Aos vinte e dois anos. Eu era mais um homem de negócios do que qualquer outra coisa. com um assistente . perdendo só para desenhista de figurinos. Clive. É natural que seu pai não tenha ficado nada contente. êle arrumou um emprêgo de algumas horas por dia. comecei a detestar os atôres e aquela vida que le vavam. E talvez para sempre.” . Eram do Confidential C lerk de Eliot e do MacBeth. quando êle voltava para a RADA. interrompendo a carreira. seu pai novamente pediu-lhe para ficar. John Fernald tinha grande co nfiança em mim. a mesma seção fazia setenta libras numa boa seman . Foi quando se candidatou à Ro yal Academy of Dramatic Art. não como no caso do exér cito. John Fernald. “Li dois trechos para o diretor. no centro d a cidade. não sei por quê. seu filho e herdeiro parti u novamente.” A partir do dia em que começaram suas aulas na RADA. seu irmão mais môço. Seu pai tinha resolvido abrir uma nova filial em Liverpool. êle ficou na mesma turma de Susannah York e Joanna Dunh am. Na RADA. seu pai ficava sempre perguntando-lhe quando êle recomeçaria a trabalhar na loja. antes de êle iniciar seu quarto período. A cantora Anne Shelton inaugurou a loja. êsse departa mento vendeu vinte libras. Em Walton. já estava trabalhando no negócio d a família. E não havia gostado da escola. Tôdas a s férias. “Eu estava saindo-me razoàvelmente bem. Aqui. Albert Finney e Peter O’Toole haviam acabado de se formar. nesta época. encontrava-me eu. Durante as férias do verão de 1957. nem das pessoas que a po voavam. seu pai pedia-lhe que ficasse. na Great Charlotte Street. Enquant o aluno da RADA. Todavia. v ivendo numa outra comunidade. Brian ficou encarregado do departamento de discos. Não gostava dela. sete anos mais tarde. Na primeira manhã. Fui admitido sem uma audição completa. Dessa vez. Talvez o fato de eu não ter problemas financeiros tenha ajudado. numa loja de discos na Cha ring Cross Road. durante um jantar n o Adelphi Hotel. em sua lista dos empregos que não eram para homem.se candidatava ao RADA? Êles o ajudariam. concordou. Comecei a pensar que talvez fôsse tarde demais. E foi admitido.

O negócio est ava indo tão bem. a Nems da Great Charlotte Street tinha um grande departamento de discos clássicos e populares. Os domingos. nem antes. fazia sua lista diária dos vinte discos mais vendidos pela Nems. fazendo os pedidos”. e só largava à noite. Pegava todos o s dias. em tôda a minha vida. só porque uma pessoa o havia encomendado. fisicamente. via-se logo que era preciso fazer nôvo pedido.” “Todos os fregueses eram aconselhados a encomendar qualquer disco q ue não tivéssemos. o dia todo. pela primeira vez na vida!” Brian concordava.a. às oito da manhã. Quando qualquer um dêles estava pendurado para o lado de fo ra.” “Eu fazia isso ao encomendar três exemplares de cada disco que me fô sse pedido. e os substitutos eram logo colocados na prateleira ou encomendados pr ontamente. O número de vendedores cresceu de dois para trinta. mas engenhoso.” Brian inventou um sistema simples. Além disso. que resolveram abrir outra filial da Nems em Whitechapel . mesmo os discos mais raros. deveria h aver outras que desejassem o mesmo. diz sua mãe. de index do estoque. Ela era verificada duas vêzes por dia. Em 1959. o coração do . acabava o estoque. também lhe mostrava quais os discos que deviam ser encomendados em mas sa. Acho que nunca trabalhei tant o. pelo qual se verificava imediatamente os discos que estavam esgotados. nem depois. nunca tinha visto ninguém trabalhar tanto”. dois anos depois da inauguração. Cheguei a encomendar até cópias do long-play Birth of a Baby. Além de ser um bom artifício par a interessar os fregueses e um encorajamento para que êles comprassem certos discos. “Eu trabalhava muito. “A maioria das lojas no gênero nas quais eu estivera eram horríveis. N a hora em que um disco se tornava popular. Isso era examinado vári as vêzes por dia. “Antes. Eu raciocinava que se uma pessoa pedia alguma coisa. Era sempre prometida entrega imediata. “Êle parecia ter descoberto alguma coisa que o deixaria completamente realizado. Eu queria ter tudo em estoque. ocupa ndo dois andares da loja. passava-os na loja. Êsse sistema consistia em cordões presos dentro de cada compartimento.

“Êle começou a estudar línguas. Ne sta fazia a crítica dos discos que iam ser ou estavam sendo lançados. Até àquela época ninguém h avia visto tanto povo para ouvir um cantor popular. Isso deve ter feito os Beatles dar pulos de raiva. o sentimento de tédio e descontentamento o estava envolvendo novamente. Em agôsto de 1961. começou a fazer uma coluna de novidades fonográf icas. viu q ue o Mersey Beat estava prosperando e que ali estava uma fonte de publici dade. cheio e des iludido. Bria n podia gabar-se de que os dois departamentos de discos da Nems. de estar . A coluna dava publicidade gratuita para as suas lojas e ainda o ajudav a a promover a venda de certos discos. foi esperteza do Mersey Be at ter-lhe dado a coluna. Particularmente. Mas sendo um homem de negócios muito sagaz. e assinada por Brian Epstein da Nems. Pelo outono de 1961. que havia sido fundado no m ês anterior. aquêle mesmo jornal de música popular de Merseyside. Brian não era. no Mers ey Beat. seu compositor predileto era Sibelius. Em sua primeira coluna dizia que “a popularidade dos Shadows parece aumentar continuamente”. Brian havia entrado em contato com êle. um fã da música popular. continham “As melhores seleções de discos de todo o Norte”. Não ha via mais novos campos a explorar em Merseyside. Nes sa época. Êste slogan aparecia num anúncio da Nems. Seu nome e um sólido background comercial davam pêso ao Mersey Beat. O próprio Brian lembra-se de tornar-se desejoso de algo nôvo. Nesse mesmo número. através da Decca Records. A nova loja foi inaugurada por Anton Newley. em White chapel e Charlotte Street. Sua mãe record a-se de tê-lo pressentido. Mas logo êle começou a sentir que se havia expandido demais. intitulada Record Releases.distrito comercial de Liverpool. transformara-se em líder do negócio de discos em Merseyside. jazz ou popular. Sobretudo. depois de inst aladas duas prósperas lojas de discos. Tornou-se muito interessado na Espan ha e em espanhol. no dia 31 de agôsto de 1961. E ainda retornou aos espetáculos de amadores. Ambas as lojas prosperaram e se expandiram. no seu ramo. em música ligeira. A multidão do dia da inauguraçã o parecia que ia receber um time de futebol campeão da copa.” Seu pai preocupou-se com o fato de êle partir novamente. Nos quatro anos seguintes à sua saída da RADA.

sentindo-se frustrado. e. Enquanto Brian planejava abrir a nova Nems em Whitechapel. às vêzes. Era um ex-aluno de escola secundária moderna.” Terry lembra-se de aguardá-los. era um amigo do mes mo ramo de negócio. Isso durava de quarenta minutos a duas horas. sem nenhuma rel ação comercial. freqüentara uma escola primária católica. nesse cargo. Brian. “Eu tomava qualquer coisa num bar. Êle também freqüentara a escola pública e dep ois Oxford. enquanto ambos ficavam fazendo as en comendas. “Logo aprendi tudo sôbre o muito eficiente sistema de encomendas de Br ian. Havia. Geoffrey diz que Brian era terrivelmente tímido e indeciso. “Conheci Brian por acaso num boteco de Liverpool. um amigo chamado Terry Doran. Depois de fechar a loja às seis horas. Logo que a loja de Whitechapel ficou instalada. quando estudante. Mas. que êle achava en orme. Peter nascera em Bebington. Acabou sendo o maior amigo de Brian. e . também. seus três maior es amigos daquela época não têm lembrança de vê-lo queixando-se da vida. dur ante alguns anos. convidou P eter a assumir a gerência do departamento de discos da loja de Charlotte St reet. de um meio completam ente diferente. no departamento de discos da Lewis’s. onde estudou Direito. para esperá-los. combinava com Terry encontrá-lo depois que a lo ja fechasse. Fui com a cara dêle desde o início. Geoffrey foi para os Estados Uni dos trabalhar numa companhia de seguros e ambos perderam-se de vista. apesar de guardarem na memória um ou outro aborrecimento dêle. trabalhara na Henderson’s e depois na Lewis’s onde veio a ser gerente do d epartamento de discos. Contudo. Peter Brown. Costumava estar muito com Geoffrey Ellis. o bar fech ava antes que êles aparecessem. em 1959.aborrecido com os negócios. Mas seu terceiro amigo. Brian ofereceu-lhe dezesseis mais as comissões.” Houve um pequeno atraso para a inauguração da loja de Whitechapel. agora ven dedor de automóveis. fazíamos todos os pedidos. êle passou a ter uma vida social mais movimentada. Peter.” Geoffrey e Terry eram simplesmente amigos sociais. u m amigo de infância que morava perto de sua casa. depois de Oxford. às vêzes. recebia doze libras por semana. tendo muito do espírito alegre de Liverpool.

” Brian sempre afirmava. apesa r de não haver muitos. às vêzes. diz Peter. naturalmente. que as garôtas não o achavam atraente. mas creio que êle ficou um pouco desapontado comigo. Rita. muito enganado. Êle garantia o fato de a gente nunca ficar sem estoque dos discos mais vendid os. Rita Harris. O pessoal da EMI costumava dizer que éramos os maiores vendedores de discos do Norte. Porém. “Levou muito tempo para êle perceber sua paixão por ela”. ter o patrão por ali cuidando das coisas. Teve cas os amorosos violentos.” Êsse foi o romance mais sério que Brian teve. “Realmente. “Êle tinha uma fobia de seus casos infelizes e também uma outra. Sua vida amorosa parece ter terminado de uma forma infeliz. quase tôdas as tardes de sábado. “Mas. quando sua natureza real o levava para o artístico e para o estético. Foi uma briga longa. Concluiu que era assim e resolveu não forçar sua natureza. Mas foi por esta época que começou a sair com uma garôta que tra balhava na sua loja. se b em que menor. Na verdade. êle conseguia ser um bom homem de negócios. eu e às vêzes mais uma ou duas pessoas. Nossas melhores noites de farra eram em Manchester. diz Peter B rown. “Era muito difícil. qu . quase caía num complexo de autodest ruição. como homem de negócios. mas acabou dando em nad a. mas raramente duravam muito. Seu sistema de contrôle de estoque era realmente mar avilhoso. “Todos nós costumávamos fazer nossas refeições no Cheshire. o que o aborrecia bast ante. Talvez fôsse apenas parte d e um meio ambiente com o qual êle não se importava — a espécie de judeu p rovincial. Brian ainda ficaria na loja de Charlo tte Street com êle. Terry e eu costumávamos ir de carro par a lá. êle era muito solitário em Liverpool”. êle nunca se encontrou. sendo oficialmente o gerente. Acho que às vêzes imaginava ver anti-semitismo onde não existia. “Achava q ue lá existiam poucos lugares. Bri an.Peter descobriu que. sexualmente. onde pudesse ir e divertir-se. bem-sucedido vendedor de móveis. de ser judeu. Talvez não fôsse consciência do seu judaísmo. por algum tempo.” Ainda continuávamos bons am igos. Brian. “Êle gostava muito de mandar bilhetes para todos os empregados.

ando assim o desejava, economizando centavos e chegando a ser medíocre q uando achava ser preciso. Tivemos muitas brigas por causa de dinheiro. Mas isso não acontec ia freqüentemente. Muitas vêzes êle era um gastador pródigo.” É fácil exagerar as complexidades da personalidade e os interêsses de Brian nessa etapa de sua carreira. Seus pais ignoravam seus aborrecimentos. Na certa, não viam seus efeitos. No entanto, sua mãe tem lembranças dos períodos em que êle ficava inquieto; principalmente, quando as duas lojas da Nems es tavam prosperando. Então êle buscava alguma coisa nova. No outono de 1961, Brian tirou umas férias de cinco semanas, seguindo para a Espanha. Foram as maiores férias que até então tivera. Êle levou co nsigo um leve sentimento de frustração, tanto em sua vida pessoal quanto nos seus negócio s. Talvez nada de muito sério. Talvez apenas o sentimento de estar-lhe falt ando algo. De fato, estivera muito ocupado nos últimos quatro anos, instalando as duas lojas de discos. Por isso, não lhe sobrava tempo para ficar realmente abor recido, como havia acontecido no tempo em que estivera no exército. Algumas pessoas o consideravam um garôto rico estragado. Mas, longe disso: êle era um cara que dava duro, encantador e alegre, e com uma família que o amava e se orgulhava dêle. É claro que sentia a necessidade de algo nôvo para preencher sua vida , de preferência alguma coisa relacionada às artes. A RADA havia sido uma e spécie de válvula de escape. O fato de não ter concluído seus estudos nela deve ter amorteci do seus anseios artísticos por algum tempo. Mas não há nada mais decepcion ante do que uma inclinação artística, quando os gostos artísticos de uma pessoa são maiores ou parecem ser maiores do que o talento dela. Assim era Brian Epstein, no dia 28 de outubro de 1961. Contava vinte e sete anos de idade. Fracassara nas escolas públicas. Foi bem-sucedido com o vendedor de móveis. Falhou como ator. Prosperara como diretor de lojas de discos. Q uando entrou um freguês na sua loja pedindo o disco dos Beatles. 16 BRIAN CONTRATA OS “BEATLES”

O famoso sistema de índice de Brian Epstein fôra vencido. Todos aquê les pedacinhos de barbante pendurados lindamente não puderam evitá-lo. Bri an teve de admitir que nunca ouvira falar num disco chamado My Bonnie, nem num conjunto c hamado os Beatles. Sobretudo era estranho que êle nunca tivesse ouvido falar nos Beatles. Afinal de contas, êle estivera fazendo anúncios e escrevendo uma coluna do Mersey Beat, fazia, vários meses. Seus olhos deveriam ter passado por cima do nome do c onjunto várias vêzes. Mas nesta época, seu interêsse no Mersey Beat era pu ramente profissional, como um vendedor tomando espaço para vender discos. Só estava interessado naqueles grupos que gravavam discos, porque dis cos era o que êle vendia. Nenhum dos conjuntos de Liverpool sôbre os quais escrevia no Mersey Beat já havia gravado um disco. Por conseguinte não havia razão pa ra que tomasse conhecimento da existência dêles. Sabia do florescimento de conjuntos e boates em Liverpool. Pessoalment e, não estava interessado nêles. Aos vinte e sete anos de idade, êle já esta va bem fora do alcance dos coffee bars e conjuntos de rock and roll. Também havia si do, naqueles cinco anos, homem de negócios, em regime de tempo integral, com pouco tempo para qualquer espécie de atividade recreativa, além do teatro. Contudo, Brian ficou aborrecido com a sua falta de conhecimento a res peito do disco que um freguês estava pedindo. É certo que êste conjunto, vi esse de onde viesse, havia gravado um disco; êle deveria ter conhecimento daquilo. Por tanto, quando Raymond Jones fêz seu pedido, êle prometeu atendê-lo e anot ou num bloco. “My Bonnie. Os Beatles. Verificar segunda-feira.” Astrid Kirchherr, à esquerda, a amiga dos Beatles em Hamburgo, sua fotógr afa e criadora de seus penteados. Com ela Stu Sutcliffe, um dos membros d o conjunto, de quem ela estava noiva (Foto de Jurgen Wollmer) George em Hamburgo, com Stu ao fundo (Foto de Peter Bruchmann) Raymond Jones citou ainda uma particularidade: o disco dos Beatles f

ôra gravado na Alemanha. Já era uma pista. Brian telefonou a alguns agente s que importavam discos estrangeiros. Nenhum dêles tinha o disco em estoque, nem o haviam importado. “Eu deveria ter parado por aqui, se não fôsse a ordem rígida que eu ha via estabelecido: não se deve deixar nenhum freguês sem ser atendido. “Acima de tudo, fiquei intrigado com o fato de um disco completamente desconhecido ter sido pedido por três pessoas, em dois dias. Porque na man hã de segunda-feira, antes que eu começasse a busca, duas garôtas entraram na loja e pediram dis co dos Beatles.” Brian, indagando daqui e dali, pelas redondezas de Liverpo ol, descobriu, para surprêsa sua, que não só os Beatles eram um conjunto inglês e não a lemão, mas também eram da sua própria cidade — Liverpool. Perguntou às môças que trabalhavam em sua loja se elas sabiam algo a respeito dos Beatles. Elas lhe responderam que o conjunto era fabuloso. Ent ão, ainda com maior espanto, êle soube que o conjunto estivera várias vêzes em sua loja. É provável tê-los visto muitas vêzes de tarde, sem saber quem eram. “Uma das môças disse-me que eram os caras de quem uma vez me havia queixado. Tinham a mania de ficar a tarde tôda encostados nos balcões, ou vindo discos sem comprar nada. Era uma turminha mal-ajambrada, vestida de couro. Mas êles pareciam realmente simpáticos, pelo menos foi o que as môças me afirmar am, e, na verdade, eu nunca lhes havia pedido para se retirarem. Em todo caso, enchiam a loja d e tarde.” Brian tomou a decisão de ir, por sua conta, ao Cavern a fim de obter al guns pormenores dos Beatles e do seu disco. Se havia tanto interêsse nêles, e specialmente pelo fato de ser um conjunto local, valeria a pena êle mesmo importar di retamente os seus discos, e como um bom homem de negócios não podia deix ar passar uma oportunidade como essa. “Eu não era sócio do Cavern, ficando muito sem jeito de entrar num c lube de adolescentes. Estava com mêdo de que êles não me deixassem entrar. Então pedi ao Mersey Beat que me ajudasse. Êles telefonaram para o Cavern, e depois me disseram que estava tudo combinado, que eu poderia ir.” Sua primeira visita foi durante a audição do almôço do dia 9 de novem bro de 1961. “Era escuro, úmido e malcheiroso, e eu lastimei logo haver ent rado. O barulho

era ensurdecedor. Os amplificadores reproduziam, de preferência, sucessos americanos. Lembro-me que, à medida que ouvia aquêles discos que êles to cavam, eu pensava na possibilidade de haver uma semelhança entre êles e a minha relação dos Vinte Mais Vendidos. “Foi quando os Beatles entraram e eu os vi pela primeira vez. Não eram muito arrumados, nem muito limpos. Fumavam enquanto tocavam e comia m, falavam e fingiam bater uns nos outros. Viravam de costas para a platéia, gritavam para os espe ctadores e riam entre si de suas piadas.” “Era evidente que havia uma enorme excitação. Êles pareciam irradiar um magnetismo pessoal. Fiquei fascinado com êles.” Foi John, o que mais gritava e pulava no meio dêles, quem o fascinou p articularmente. Isso não ficou muito claro naquela ocasião, pois não sabia q uem era êle. Só o percebeu mais tarde. Êle não podia tirar os olhos de cima de John. Mas êle não veio até ali para assistir-lhes. Tinha vindo, simplesment e, para fazer um negócio. O disc jockey do Cavern, Bob Wooler, anunciou no microfone que Mr. Epstein da Nems se encontrava na platéia, e pediu uma salva de palmas p ara êle. Isso o ajudou, quando êle, finalmente, conseguiu chegar à distância d e um berro. “O que é que traz Mr. Epstein aqui?” George perguntou com sarca smo. Êle, então, explicou que recebera o pedido do disco do conjunto, gravado na Alemanha, mas que não sabia qual a sua companhia produtora. Ser-lhes-ia possível a judá-lo? George disse que o nome da companhia era Polydor. George só se recorda vagament e de ter falado com Brian naquele dia. Os outros Beatles — John, Paul e Pete Best — não têm lembrança nenhuma daquela primeira visita. A fim de ter companhia, e para disfarçar sua falta de jeito no meio dos garotos, Brian passou a levar consigo um de seus auxiliares na loja, sempre que ia ao Cavern. Era Alistair Taylor, que trabalhava no balcão da Nems, além de se r seu assistente pessoal. Brian gostava de tudo que fizesse ressaltar sua co ndição de diretor-executivo. Por essa razão, tinha uma predileção especial em enviar memorandos aos seus empregados, em lugar de fazer uma reunião com êles, p ara discutir os problemas. Demorou algum tempo para Brian tornar claras suas idéias. “Meu único

interêsse era vender discos. Porém, em poucas semanas, eu me surpreendi v indo ao Cavern. Cada vez aumentava mais sua freqüência, só para assistir e ouvir. Lembrome, também, de ter perguntado a outros vendedores o que significava empre sariar um conjunto. E como se fazia aquilo? Que espécie de contrato era preciso ter com um conj unto, na hipótese, (apenas na hipótese), de alguém estar interessado em se tornar seu empresário?” Não sabiam muita coisa a respeito dos assuntos empresariais, pois êl es estavam no campo das vendas de disco, e não na produção. Durante uma vi agem a Londres, para tratar dos negócios de suas lojas, êle conversou, mais do que seu co stume, com pessoas como o gerente-geral da His Master Voice (HMV), em Oxf ord Street, e o gerente da loja Keith Prowse’s, pegando tôdas as dicas que conseguia. Também, entrou em contato com a gravadora alemã e encomendou duzent as cópias do My Bonnie. “Eu estava tão fascinado pelos Beatles que resolv i arriscar-me a vender todos aquêles discos.” “Acho que isso fazia parte da minha chateação; já estava cheio apen as vendendo discos. Estava procurando um nôvo hobby. Na mesma época, os B eatles (do mesmo jeito que eu) estavam ficando cheios de Liverpool. Procuravam expandir-se e entrar em alguma coisa nova. “Comecei minhas palestras com êles, durante aquelas apresentações da hora de almôço. — “Você devia ter estado aqui, ontem à noite —,” falou-me Paul, uma vez. — “Nós estávamos assinando autógrafos. Assinei um no braço de uma garôt a.” Parecia que eu sempre perdia os melhores momentos.” Brian acabou descobrindo que êles não tinham empresário. Soube que A llan Williams havia estado associado a êles, durante pouco tempo. Que fôra êle quem organizara a primeira estada do conjunto em Hamburgo. “Fui vê-lo e êle me disse: — “ Êles são ótimos rapazes, mas um dia dêsses vão acabar deixando-te na mão” . No dia 3 de dezembro de 1961, Brian convidou-os para uma conversa no seu escritório da loja de Whitechapel. Êle lhes disse que era apenas para u ma conversa, pois ainda não tinha pensado em tudo. Antes daquela primeira reunião em seu escritório, já os via com muita freqüência. Contudo, os Beatles não eram muito atraídos pela sua companhia

. Brian, para êles, não passava de uma figura de fora do seu meio. Êles têm poucas lembr anças de Brian, antes daquela primeira reunião formal. “Êle parecia eficiente e rico, e isso é tudo de que eu me lembro”, afir ma John. George confirma que êle tinha a pinta do diretor-executivo. Paul dei xou-se impressionar pelo seu carro, um Zodiac. Contudo, decidiram fazer uma tenta tiva. Para a primeira reunião oficial os Beatles resolveram levar consigo Bob Wooler, só para mostrar que não estavam absolutamente sós no mundo. Jo hn apresentou Bob Wooler como sendo seu pai. Muitos meses mais tarde, foi que Brian de scobriu não haver o mínimo parentesco entre ambos. E demorou ainda mais tempo para êle descobrir que John não sabia quem era, nem onde estava seu pai. John, com Bob Wooler, chegou na hora marcada para a reunião, quatr o e meia da tarde. O mesmo acontecendo com George e Pete Best. Porém, nã o havia nem sinal de Paul. Depois de meia hora de espera, durante a qual Brian ficou cada ve z mais irritado, acabou pedindo a George que telefonasse. George voltou do telefone dizendo que Paul estava no banho. “Isso é uma desgraça!”, disse Brian. “Êle vai ch egar muito tarde!” “Tarde, mas muito limpo!”, respondeu George. Finalmente Paul acabou chegando e êles discutiram o futuro dos Beatle s — o que êles todos queriam fazer, e de que espécie de contrato gostariam. Ninguém sabia que os contratos eram feitos em tais circunstâncias, porque nunca os tinham visto. Resolveram reunir-se novamente, na quarta-feira seguinte. Durante aq uêle intervalo, Brian procurou consultar um amigo advogado, Rex Makin. Bri an estava buscando estímulo e conselho. — “Oh, sim! —,” disse-lhe Rex. “Uma outra idéia Epst ein. Quanto tempo vai demorar para você perder o interêsse por êsse negóc io?” Na reunião da quarta-feira, Brian afirmou, definitivamente, que queria tornar-se empresário do conjunto. Disse-lhes que desejava receber vinte e cin co por cento. Perguntaram se êle não aceitaria vinte. Brian respondeu que precisari a dos vinte e cinco por cento, pois teria muitas despesas, promovendo e trab alhando para o conjunto. E êle contava perder dinheiro durante muitos meses. O contrato foi assinado, no domingo seguinte, no Casbah Club, a casa de

Pete Best e o quartel-general dos Beatles. A assinatura de cada Beatle foi f eita na presença de Alistair Taylor. Brian não assinou. “Fiz o papel do palerma”, concorda Alistair. “Assinei meu nome, como testemunha da assinatura de Brian. Isso me fêz parecer um idiota completo .” E Brian nunca assinou o contrato. “Eu havia dado minha palavra a respei to do que esperava fazer, e isso era o suficiente. Eu aceitava os têrmos do c ontrato e nunca ninguém se preocupou com o fato de eu não tê-lo assinado.” Êle concorda que os Beatles gostaram de tê-lo como empresário, porque agradava-lhes a sua aparência. “Eu tinha dinheiro, um carro, uma loja de d iscos. Acho que isso ajudou. Mas êles também gostavam de mim.” “Eu gostava dêles por causa dessa qualidade que tinham: de presença de espírito. Êles eram incrìvelmente estimáveis.” Seus pais logo pressentiram que alguma coisa estava acontecendo. Êl es voltavam de uma estada de uma semana em Londres, e encontraram-no espe rando por êles. “Brian disse que queria que a gente ouvisse aquêle disco”, lembra su a mãe. “Era o My Bonnie. Êle nos disse para prestar atenção não no canto, mas no acompanhamento. Disse que o conjunto ia ser um grande sucesso e êle seria o empresário do g rupo.” Antes que seu pai pudesse interrompê-lo, Brian acrescentou que aquilo seria uma ocupação para parte de seu tempo, e perguntou se não se incomoda ria com o fato de êle tirar algumas horas de folga do trabalho. Seu pai ficou muito entusiasmado. Percebeu que, mais uma vez, Brian h avia descoberto alguma coisa nova; contudo, desta vez, a coisa era em Liver pool. Decidiu, então, fundar uma nova companhia para administrar os Beatl es, e batizou-a com o nome de Nems Enterprises, segundo o nome das lojas. “Foi uma decisão muito feliz. Eu poderia tê-los empresariado fàcilmente sob o nome da com panhia como Nems, sem o Enterprises. Quando nós vendemos a Nems, as loja s de discos, anos mais tarde, isso poderia ter sido bem mais complicado.” Clive, seu irmão, participou com êle da fundação da Nems Enterprises. “ Em parte, isso se devia ao fato de eu precisar de mais dinheiro, e, em parte, porque eu estava planejando botar Clive para me ajudar.”

Seria maior e melhor do que as d emais boates de Hamburgo. sempre procurava cert ificar-se se cada um dêles sabia exatamente quando e onde tocaria. A proposta de contrato dos Beatles foi de quatr ocentos marcos por semana. fazen do com que tudo parecesse muito real”. “Brian botava tôdas as nossas instruções por escrito. afinal. Êsse baterista. Os Beatles haviam prometido a Peter Eckhorn que voltariam à sua boat e. “Nós vivíamos como sonâm bulos antes de êle aparecer. Brian Epstein trabalhou muito e imediatamente para melhor ar os Beatles — em sua organização. aceitou uma proposta de Manfred Weislieder. Pete Eckhorn do Top Ten e outros gerentes de boate vieram a Liverpool.A terceira viagem do conjunto a Hamburgo fôra marcada bem antes de Brian Epstein aparecer. conta Peter Eckhorn. a caça de novos t alentos. porém. soube que Brian Epstein era o empresário dêles. Foi só o que êle c onseguiu. todavia. cêrca de quarenta libras. Pouco depois de êles terem regressado de Hamburgo . que êles jamais tocariam por menos de quinze libras por noite. a fim de discutir os pormenores do contrato com êles e ver outros conjuntos. conta John. “Procurei contratar Gerry e os Pacemakers. Brian já buscava outras melhores para que o conjunto tocasse em Li verpool. o Star Club. Quando. Também. aparência e no jeito de se apresentare m. meses antes de elas terem sido aceitas. vieram outros donos de boates de Hamburgo. Ringo Starr. acompanharia Tony Sheridan. Não tínhamos a mínima idéia do que fazíamos. no momento em que assumiu a gerência dos negócios d o grupo. Brian. oferecendo melhor es contratos. mas também não consegui chegar a um acôrdo com êles. Ver nossas ordens de mobilização por escrito. A proposta do Top Ten era na base de uns trezentos marcos por semana. ou onde tín hamos combinado estar. no papel. Êle havia combinado. agora. Essas ofertas eram muito boas. q ue ia inaugurar uma boate novinha em fôlha. Peter voltou a Hamburgo com um baterista. Depois. Sobretudo. Brian logo tomou a si a responsabilidade de todos os contratos que Pe te Best arranjara e organizou-os devidamente. dava -nos idéia de tudo . êle chegou a Liverpool.” Por fim. “Brian queria uma importância muito acima da que eu estava oferecen do”.

e teve de entrar para a curriola do terno. via que aquêle era o único jeito.” As instruções de Brian eram muito bem dactilografadas. Mas a gente conseguia suportá-los. evitando improvisações e confusão. E que com isso nu nca seríamos admitidos num bom lugar. cuidadosa ou abertamente os evitando. geralmente num papel com sua marca no tôpo.” Brian ainda melhorou suas apresentações no palco. ficavam magoados por causa de pre . Mas acabou a güentando. Êle nos convenceu a entrar no time do terno. de usar as roupas corretamente. “Tínhamos que parecer simpáticos a pessoas como os repórteres. que achavam estar fazendo um favor a nós. pedindo-lhes que escrevessem sôbre nós. “Brian estava tentando limpar nossa imaginação”.” Apesar de êles rirem entre si das pessoas que não queriam conhecê-lo s. confessa John. “Não adiantava nada ficar brincando e gozando as garôtas da primeira fila quando havia setecentos ou Oitocentos ouvintes que ficavam sem saber o que estava acontecendo. pois aquêle era seu dever. e não apenas os que tínhamos vontade de tocar”.parecer oficial. Nesse ponto. poi s achava que aquela aparência não era a dêles. “Cost umava repetir que nossa aparência não era a mais correta.” As coisas mudaram profundamente a partir daí. tocan do os nossos melhores números cada vez. éramos bastante caras-de-pau. ou pelo menos não era a dêle. que até ali. Ademais. d entro e fora do palco. mesmo aquêles metidos a besta. John lamentou um pouco aquelas reformas. “Êle dizia que a gente devia bolar um programa. comer ou mastigar chicletes durante a s apresentações. A gente costumava se vestir como bem entendia. conta Pete Best. “Era natural que tivéssemos melhorado nossos melhores shows”. “Tentar conseguir publicidade era apenas um jôgo. Costumávamos dar u ma passada pelas redações dos jornais locais e nos dedicados à música popu lar. Êle nos fêz passar a seguir estritamente um prog rama. Passaram a ser inteira mente diferentes. concordando cora êles. Êle também acrescentava pequenos sermões a respeito de aparência. Achávamos muito bacana o fato de vire m falar conosco. Mais tarde. não pa ssavam de improvisos. um bem bolado sinal tipográfico feito com as suas iniciais. diz J ohn. e não fumar.

foi a de que. No palco.” Quando decidiu tornar-se empresário do conjunto. estava fazendo a coisa exata para torná-los aceitáveis à me ntalidade londrina. completamente diferente dos outros amigos que seus filhos levavam para casa. Isso estava sendo estragado. minha preocupação. Só Mimi. a tia de John. pelo fato de êles ficarem fu mando. dois meses depois de começarem a trabalhar juntos. Aquilo parecia ser apenas uma novidade para êle. conta Paul. Lá de Liverpoo l ninguém nunca conseguiu nada”.” 17 “DECCA” E PETE BEST . quando êle surgiu. “como: — “De onde são vocês? De Liverpool? Lá vocês nunca conseguirão fazer nada.” “Achei-o encantador. Brian.” Entretanto. Enquanto isso. “Tive dúvidas. foi visitar os pais de cada um dêles. É muito longe. Para se conseguir alguma coisa é preciso estar em Londres. Apenas projetei o que havia a li.conceitos. êles faziam brotar êsse sentimento difícil de definir. naturalmente. pareceu ter hesitado. “Mas eu não os transformei. êle se enchesse e fôsse tratar de sua vida. No entanto. “Queriam saber tudo sôbre nós naqueles dias”. sem que de fato se importasse com o êxito ou o fracasso do conjunto. Do jeito como as coisas se apresentavam. Mas é que êle estava muito bem de vida. John e os outros ter iam de recomeçar tudo mais uma vez. durante an os e anos. ela deveria ser a pessoa mais indicada a se impressionar bem com Brian. comendo. Brian nã o dependia dêles para nada. O que estava lá era a presença dêles. Sempre o achei assim. E isso era tudo que ouvíamos. quando ouvi falar em Brian Epstein pela primeira vez. Contudo. Porém. e falando com os que estavam sentados nas primeiras filas. Não contra êle pessoalmente. parece que ela sempre foi a última pessoa a se entusiasmar com o que se relacionasse a um conjunto de rock and roll. Êles ficaram impressionados pela sua e ducação e riqueza.

Éramos um verdadeiro bando de mal-ajambrados. E essa pressão começou a funcionar apresentando os pri meiros resultados. o Royal. nos fins de dez embro de 1961. Mas para Brian Epstein. Levamos dez horas p ara chegar lá e até nos perdemos na neve em um lugar perto de Wolverhampton. apenas para ouvir o som dêles e como êl e reagia depois de gravado. Gostou do ritmo dos Beatl es e prometeu arranjar uma ida dêles a Londres para que dessem uma audiçã o. Esta espécie de audição. “Chegamos a Trafalgar Square e vimos os bêbados de Ano Nôvo caindo .” “Chegamos a Londres às dez da noite mais ou menos e encontramos o n osso hotel. apesar de se limitarem apenas ao campo das vendas. Nenhum outro conjunto havia conseguid o ir tão longe. Então saímos para tomar qualquer c oisa. Todos nós entramos. George e Pete Best — partiram para Londres na camioneta de Neil Aspinall. e sentamos. enquanto os Beatles — John. para exercer tôdas as pressões que podia. Fomos. Na realidade. Brian ficou fora de si! Sucesso na primeira tentativa! “Era o grande momento! Um gerente de A & R vindo em pessoa ao Cavern!” Mike Smith ficou muito bem impressionado. Tentamos conseguir uma refeição num restaurante da Charing Cross Road. recebeu a promessa de que um enca rregado de Artistas & Repertório viria a Liverpool ver o conjunto do qual êle tanto se gabava. Suas relações com a Decca sempre tinham sido as melhores possíveis. nos estúdios da Decca. “Aluguei uma camioneta maior especialmente para a ocasião. em Russel Square. A Decca logo se mostrou interessada. Paul. veio a Liverpool. Mike Smith. Conseguindo que suas credenciais fôssem passadas de departamento a departamento. Um a sopa custava seis shillings e nós perguntamos ao garçom se êle não estava brincando. Brian f oi de trem. os Beatles e Liverpool já era muito. da Decca. não representava muita coisa.Desde o início. Na verdade. A audição foi marcada para o dia primeiro de janeiro de 1962. Brian Epstein começou a usar seus contatos no mundo d os discos. O cara d isse que a gente tinha de ir embora. como o dono da famosa melhor loja de discos do Norte. na véspera do Ano Nôvo. Antes eu nunca havia estado em nenhum lugar perto de Londres.

Quando êles souberam que nós tínhamos uma camioneta. encontramos dois caras que estavam altos. na Shaftesbury Avenue. Continuaram a cumprir seus compromissos locais em Merseyside. pediram para ir fumar a maconha dentro dela. disseram-lhes que chegou a vez dêles. sem ela ligada.” As semanas se passaram e nada aconteceu. conta Neil. mas a gente tamb ém nunca tinha visto aquilo. mas não sei por que não fom os servidos. Paul cantou muito nervoso o Red Sails in the Sunset e Like Dre amers Do. apesar de a gente não saber. Não porque estivéssemos ansiosos para gravar nossas músicas. após muitos aborrecimentos. Êles tinham um pouco de maconha. apesar de terem dúzias que poderiam t er servido. “Tínhamos que us ar o dêles. e George cantou numa voz muito boa o The Sheik of Araby. Todos pareciam estar muito satisfeitos. Dissemos que nã o. Perguntei se ela poderia ser desligada. Brian aconselhou-os a executar números conhecidos. “Pensamos que já estávamos contratados. mas nos avisar am que. Êle pediu vinho. lembra Neil. Começaram a instal ar seus maltratados e velhos amplificadores. Eu fiquei bastan te chateado. quando lhes recomendaram para colocá-los de lado. Naquela noite.” Os Beatles terminaram a gravação às duas da tarde. Não experimentaram tocar nenhuma de suas composições. Todos êles estavam aborrecidos com a luz vermelha. Não! A gente tava morrendo de mêdo!” Brian foi o primeiro a chegar nos estúdios da Decca na manhã seguinte . alguém poderia entrar e estragar a gravação. “Êles estavam muito amedrontados”. mas porque sentimos que estávamos sendo tratados como pessoas que não tinham gran de importância. Brian recebeu a notícia de Di . “Êles não queriam o nosso equipamento”. Então. Foi em vão a gente ter arrastado nosso equipamento desde Liver pool até ali. “Mike Smith disse que as fitas estavam um estouro” — afirma Pete Bes t.no lago.” Finalmente. Éramos muito verdes. “Os caras da Decca estavam atrasados. Não e ntendemos o que queriam dizer com isso. “Paul não conseguia cantar nada.” Ficaram em frente. Em março. à espera de que a Decca os chamasse p ara os grandes dias. e na hora marcada. Brian levou-nos para jantar em algum lugar de Swiss Cottage. Estava muito nervoso e sua voz começava a desafinar.

lembra John. Êles dever iam ter analisado o nosso potencial. “Costumávamos diz er que êle não fazia nada. devia ir em frente. chefe de Mike Smith na Decca. A Pye. “Nós só estávamos fazendo um disco como demonstração. a gente ainda achava que. Responderam-me que era para não me desanimar. ainda. então.” “Entretanto. “Êle me disse que não gostara das gravações. perfeitamente. Outras companhias menores também fizeram o mesmo. “Eu fui o último a saber da recusa da Decca”.ck Rowe. Acabou concluindo que isso era um total desperdício de dinheiro. já que êle tinha um bom negócio de discos em Liver pool. che garíamos ao primeiro lugar”. “John . ouvindo-o falar como a Pye ou a Philips tinham recus ado gravar o nosso disco. que havia outras maneiras d e se gravar um disco — por exemplo.” “Íamos esperá-lo em Lim Street. conta Pete Best. e íamos tomar um ca fé no Punch and Judy. Perguntei por que não me tinham revelado nada .” Sugeriram-lhe que. Uma vez. afirma George. “Êle nos telefonava e a gente pensava que tinha alguma coisa para nos revelar. Respondi-lhe. Colúmb ia. “Tivemos algumas brigas com o Brian”. É claro que a gente só dizia isso por dizer. Sabíamos. “Creio que a Decca esperava que nós fôssemos todos ajeitadinhos”. Brian ficou pensando nisso um ou dois d ias. êles deixaram escapar que já sabiam da recusa. o quanto êle trabalhava. recorda Paul.” Em seguida. com cem libras êle poderia alugar um estúdio e co ntratar um especialista em A & R. que estava completamente convencido de que êsses garotos seriam maiores do que Elvis Presley.” Os outros se colocaram entre o desânimo e um otimismo ilógico. d iz John. Descia do trem com sua pasta cheia de papéis. HMV e Emi recusaram-nos. e nós ficávamos dando duro. Afirmaram-lhe. “Quando as coisas ficavam real mente chatas . e que os conjuntos de guitar ra estavam saindo de moda. a fim de êle nos contar as novidades”. espera nçosos de que no fim tudo daria certo. começou uma longa e desanimadora peregr inação por tôdas as outras grandes companhias gravadoras. Paul e George souberam antes de mim. Mas êle achava que não estava sendo tratado corretamente. há várias semanas. Tinham resolvido não gravar os dis cos dos Beatles. de uma forma ou de outra.

do outro lado. “Brian obrigou-nos”. revela que êle quase c hegava a chorar. a partir . Estavam realmente preocupados com a vitória dêste conjunto. a maior boate de Hamburgo. que. em todos êles colocando os Beatles em primei ro lugar e Gerry e os Pacemakers. Efetuou-se uma semana mais tarde. Brian aproveitou ao máximo aquêle resultado. Paul e John ainda conservam as cópias daquele e xemplar em suas casas. Para uma apresentação. levaram-lhe presentes e acabaram conseguindo animá-la. em letras garrafais c omo os “MERSEY BEAT POLL WINNERS! POLYDOR RECORDING ARTISTS! PRIOR TO EUROP TOUR!” Esta apresentação realizou-se no Barnston Women’s Insti tute. — “Para onde é qu e a gente vai?”. em último. Ela confessa q ue. Era natural que todos os conjuntos estivessem votando em si mesmos. em abril de 62 . Astrid. mas os Beatles foram procur á-la. “Êles tinham até cortinas no palco”. por causa das tentativas de conseguir alguma coisa com as c ompanhias de discos. a gente tinha um macête: John gritava. todos com nomes supostos. uma cervejaria tão pequena. não veio às apresentações. sua te rceira viagem a Hamburgo. de modo que qualquer marmelada acabava anulando-se. o Mersey Beat anunciou que iria patrocinar um concurso de popularidade. recorda George. “Êle exercia tôda pressão de que era capaz. O resultado foi uma vitória es petacular dos Beatles. Chegaram a Hamburgo de avião. O fato é que êle não estava conseguindo coisíssima nenhuma. E a í êle gritava: — “Para cima de onde?”. Preencheram dúzias dêl es. não justificasse tanta publicidade. A tournée européia que aparecia no anúncio era. mas sempre existiam dez mil conjuntos fazendo a mesma fôrça.” Agora. Foi a primeira vez em que andaram de avião. com recortes dos formulários para a eleição. no gêne ro. no dia 24 de março de 1962. o assistente de Brian na Nems. êles foram anunciados. Nós gritávamos em resposta: — “Lá prá cima. ainda de lu to pela morte de Stu. Alistair Taylor. confessa Pete Best. talvez. êles iam tocar no Star Club.e nada acontecia.” Em dezembro de 1961. naturalmente. “Nós estávamos morrendo de mêdo. a princípio. E a gente retrucava: — “Lá prá cima da parte mai s de cima Johnny!”. Johnny!”.

e. Levava as fitas gravadas a tôdas as companhias de discos. Disse que gostou da voz de Paul e do jeit o de John tocar. que lhe agradou muito. motivado por todo aquêle tempo consumido com os Beatles. lembra Pete Best. a matriz. para o dia seguinte. algumas del as feitas na audição da Decca. e perguntou como poderia passar suas fitas para disc os. Ê le falou que ia conversar com o editor de música.” “Eu jamais havia percebido que êles poderiam ser tão bondos os. Êle concord ou.” Enquanto isso. na base do tudo ou nada. Till Where Was You.” Brian foi à HMV record-centre. Isso aconteceu em maio de 1962. no fim. É apenas uma grande loja de discos. lá em cima. Brian saiu correndo da EMI e passou-lhes um telegrama relatando as boa s novas. o aborrecimento de seu pai aumentava mais. se êle passasse a gravação das fitas para um disco.” Marcou-se um encontro com George Martin. que já havia declarado não esta r interessada em gravar os Beatles. na EMI . “Ainda estávamos na cama”. “George Martin ouviu o disco. A Parlophone faz parte da EMI. Brian estava fazendo uma última tentativ a para interessar alguém pelos Beatles. E ainda mais interessante seria dar-lhes a oportunidade para uma audição. além de muito grande. e Paul. “Falei a meu pai que queria l evar as fitas a Londres. talvez ainda gua rdasse dêles.dali. e iria falar co m um amigo na Parlophone. Em resumo. “O técnico que gravou a fita afirmou-me que ela não era nada ruim. foi o que êle disse. com a condição de eu só demorar lá um ou dois dias. Os Beatles ainda estavam cm Hamburg o. Êle decidiu que ainda gastaria um po uco mais de dinheiro. George Martin. Coleman ficou muito animado e manifestou o desejo de editar as músicas. desapareceu para sempre qualquer ressentimento que. e. John cantava Hello Little Gi rl. “O primeiro a levantar s . Lá. em janeiro. na tentativa de um ataque.” George Brian discutiu tudo calmamente. Syd Coleman. faz parte do império da EMI. achou tudo muito int eressante. em Oxford Street. Êle achava que causaria melhor i mpressão e que seria muito mais prático para transportar. Nesta época. na Inglaterra. conversou com um de seus conhecidos.

Compraria. “Um dia. John Woods. Êle era muito tímido. absolutamente dinâmico e não um noviço tímido. e depois. no dia seguinte. então. fui à beira-mar com Paul e George. já que êle era motorista de ônibus. Não ficaram desanimados.empre ia ao correio. e como êles foram mostrar seus contra tos ao pessoal da Polydor. George foi até lá. Brian. “Não gostei da aparência dêle. Ficou assentado: êles se encontrariam. um ônibus para se u pai. já havia mandado para George Martin um a lista bem dactilografada. novamente. Êle tinha que ser um cara escolado. A lista incluía algumas c omposições originais — Love Me Do. E foi só isso. Ask Me Why e Hello L ittle Girl. . e continuaram n a sua vida normal de uma apresentação por noite. No dia 6.” Klaus diz que ficou desapontado com Brian Epstein. no início de junho de 62. Êle gostava dêles. Era bom ver o conjunto pessoalmente. E George falava a respeito de dinheiro. John e Paul começaram a compor imediatamente. Contudo. como eu acha-Ta que êles precisavam. e negociou um nôvo contrato — acho que passamos a rece ber oitenta e cinco libras por semana. Voltaram para Liverpool. em seu papel especialmente timbrado.” “Subimos às nuvens. dos númer os que êles gostariam de tocar (caso Mr. Na imaginação. nos estúdios da EMI. em St. e recebeu o telegrama: — “Congratulações Meninos! EMI requisita sessão de gravação. que fêz dêles apenas um conjunto de acompanhamento e não ast ros. Achou que Love Me Do seria um bom número para a sess ão de gravação. eu pintava u m empresário. uma casa com piscina.” Mas os Beatles estavam muito satisfeitos com êle.” Êles voltaram de Hamburgo. e não pa recia tão poderoso como eu esperava. I Love You. Martin estivesse de acôrdo). Favor ensaiar material nôvo. dera m sua audição para George Martin. conforme Brian havia combinado. George Martin ouviu tudo cuidadosamente e achou que estava muito bem . Klaus lembra-se da euforia dêles com as notícias da EMI. quando êle chegou a Hamburgo. Êle tinha o pressentimento de que ainda iria ganhar muito dinh eiro. muito mesmo. esperavam uma reação mais definitiva. A maioria das sugestões era de músicas como Besame Mucho. depois de tanto ter ouvido Brian falar nêles. Fiquei um pouco deprimido. eficiente como sempre. B rian veio ver-nos. nesse dia. S. P.

Apresentação de uma hora. pagando especialmente para ver os Beatles. gravatas etc. para o qual. o Hulme Hall. N. Como de costume. de como êles deviam portar-se: Sexta-feira. etc. comer. Nas dez páginas do Mersey Beat. . Durante todo êste tempo. Programa. A primeira apresentação foi numa Welco me Home Night no Cavern. proibido. a fim de tocarem além da região de Merseyside. camisas brancas. em Manchester. Êste é um programa de Leach e. o nome do conju nto aparece em seis páginas. Ainda foi negócio arranjado por Brian. o St. fumar. Brian mandava a cada um dêles. com perspectivas de outros. foi num programa da B BC. 29 de junho de 1962 TOWER BALLROOM.30. na segunda-feira. durante as apresentações. com todos os pormenores de seus compromissos. e por causa disso será da maio r importância fazer jus a tanta publicidade.quando estávamos em Hamburgo. Assim se sucede ram contratos até o fim de julho. e o Automatic Telephone Company’s Roy al Iris River Cruise. mas com pouco êxito. A seguinte. — Na cópia anexa do Mersey Beat o nome THE BEATLES. Como se fôsse a noite da véspera do casamen to de Sam! Deverá haver uma grande audiência. memorandos dactil ografados. Tem havido muita publicidade e haverá mais. o Plaz a Ballroom. o Northwich Memorial Hall. o Birkenhead. etc. Êstes compromissos incluíam o Cavern. NEW BRIGHTON Neil virá buscá-los entre as 6h45m e as 7 h para estarem no Tower às 7. Helens. até o fim de setembro. Brian estava lutando para conseguir-lhes con tratos. o Majestic Ballroom. continuidade. êle lhes tem dedicado excelente publicidade como astros da noite. foi menciona do umas quinze vêzes. no sábado 9 de junho. E juntava lemb retes. o Casbah. eu gostaria que vocês lhe oferec essem uma de suas melhores apresentações. o Golf Club. geralmente em letras maiúsculas. ternos. Note-se que em todos os compr omissos. mastigar chicletes e beber está ESTRI TAMENTE PROIBIDO. o New Brighton Tow er.B. Com isso em mente e o fato de que êle tem sido um gr ande cooperador em vários fatos recentes.

em seu e scritório. e ninguém gostou dêles. Eu l evaria John. e era óbvio que havia alguma coisa. no fim de julho. mas foi um fracasso total. Perguntei-lhe o que estava acontecendo. Paul e George no palco em Hamburgo (Foto de Jurgen Wollmer) John numa porta de Hamburgo (Foto de Jurgen Wollmer) “No dia seguinte. Nada revelaram a Pete Best. estávamos tocando no Cavern”. Isso estourou como u ma bomba. Êle não disse. Êle queria qu e os Beatles assinassem um contrato com a Parlophone Records. Ficou com uma aparência amedront ada. obteve-lhes um contrato em Peterborough. Durante uns dois minutos não consegui d izer nada. Agora. o promotor daquela apresentação. Paul e George. na manhã seguinte. “A platéia parecia estar sentada em cima de suas mãos”. Os rapazes queriam que eu saísse do conjunto e Ringo entrasse no meu lugar. Êle estava bastante inquieto. “Comecei a perguntar por que e quais eram as verdadeiras razões. Neil me levou lá.Naquele verão. avisando que queria ver-me e a Neil. Brian parecia abalado. conta Arthur Howes. êle iria sòzinho. para irmos a Chester. Fazia tempo que estavam ansiosos para saber a respeito de George Marti n. conta Pete Best. Ningué m os conhecia. êles estavam selecionando as músicas que iriam gravar. “Brian disse que tinha más notícias para mim.” John. perguntei a John a que horas queria que eu fôsse busc á-lo. Êle respondeu-me que não era preciso. de tarde. assim como John. Brian teve notícias de George Martin. Êle sempre demonstrava suas emoções. Êle lhes garantira que os avisaria quando deveriam voltar a Londres. “No dia seguinte nós tocaríamos em Chester. a fi m de gravar seu disco. Então Brian telefonou. foram às nuvens. sem a sua aparência feliz de todos os dias. “No dia 15 de agôsto uma quarta-feira. Ao sairmos do Cavern. Brian. Êle . Fui apanhado inteiramente de surprêsa.

Desfilaram pelas ruas. “Brian saiu do escritório. Não tinha conseguido uma resposta po sitiva. “Finalmente. Beatles Mudam Baterista. Ringo Never ou Pete is Best. Nas duas noites seguintes. não tive c oragem de me aproximar do Cavern Club. t ornei-me o cara mais antipatizado da freguesia. Seu ídolo havia sido derrubado. Paul e George foram atacados pelos fãs de Pete Best. que me esperava do lado de fora . “Saí dali e tomei algumas cervejas. apesar de não serem tão numerosos quanto os de Paul McCartney. parecia não haver na da definitivo.” Não publicam nenhuma razão para a mudança. já que as coisas estavam nesse pé. Eu não podia manter-me afastado por tanto te mpo. e houve um pandemônio em Liverpool. fizeram piquetes. Saí e contei tudo a Neil. Êle me perguntou se eu poder ia ficar até o fim da semana. O Mersey Beat anunciou em sua edição de 23 de agôsto: “Mer sey Beat Exclusivo. até que Ringo v iesse. Não contei a ninguém o que tinha acontecido. de maneira que. Êsse foi o primeiro grande problema que eu tive. Terminava. por causa das multidões gritando Pe te for Ever. ficaram furiosos.” Os fãs de Pete Best tentaram acertar os Beatles. cercaram a Nems com cartazes . exatamen te no momento de glória dos Beatles. acabei dizendo que. tocando na quinta e sexta-feira. Dis seram que a coisa fôra feita em ambiente amistoso. na porta do Cavern e gritavam slogans em tôdas as apre sentações do conjunto. quase imediatamente.disse que George Martin não gostara muito do meu jeito de tocar. Eu não tinha revelado a ninguém. Eu devia estar muito pálido. Ray McFall passou a ser meu guarda-costas. enquanto os fãs de Jo . Os fãs de Pete Best. “A substituição de Pete Best me deixou numa situação muito desagradáv el. Não sei como aquela história se espalhou. Todavia. fic ava tudo resolvido. depois de dois an os com o conjunto. a 4 de setembro. Não sabia por quê.” A notícia se divulgou. Eu concordei. e falou conosco. dizendo qu e os Beatles iriam a Londres. John. Disse-lhe que eu havia sido chutado. Disse que os rapazes achavam que eu não me adaptava ao conjunto. Da noite para o dia. para uma gravação nos estúdios da EMI. e Brian to rnou-se seu inimigo número um.

Parecia haver dúvidas de que Brian se opusera à substituição. através d e Pete. mas eu esperava que aquilo não acontecesse. até que saiu do conjunto. há muito tempo. quando êle não apareceu em Chester. quando. Só os fãs de Ringo ficaram fora da confusão. O murro que George levou no ôlho. mas George foi quem deu a última palavra. Já planejavam isso. como a de George Martin não haver gostado de seu estilo na bateria. Eu o esperava. Mas Evans. naquela noite. quiseram que êle sa ísse. êle foi o primeiro. Êle era o melhor de se conhecer e o mais simples. Eu não tinha percebido que êle não poderia encarar novamente os demais membros do grupo. “É certo que fiquei muito aborrecido. por conta própria. Achava que a direção do conjunto seria mais fácil. “Eu conhecia a popularidade de Pete. mas não era a razão da substituição. Fiquei em casa. As garôtas batiam na porta a tôda hora. Ficou com um ôlho prêto.” — “Como é que eu poderia? pergunta Pete — “Já que êles não me queria m mais. sem saber o que fazer. Êle acha que John era bastante amigo de Pete. naquela noite. Outros diziam que era porque êle não queria mudar de penteado . Paul e George tentavam mantê-los à distância. não fazia sentido eu ir lá. Pois George era o maior admirador de Ringo. Fiquei um pouco aborrecido. Brian arranjou diversas desc ulpas. Êles estavam com ciúmes. Pete não calculava que tinha tantos admiradores. então. A senhora Best apresenta uma hipótese mais simples: “O ritmo de Pete havia feito o conjunto. um dia. que eu conheci. afirma ter ouvido dizer que a substituição se devia a o fato de Pete nunca sorrir. nesta época leãode-chácara do Cavern. Eu me dava bem com êle. apesar de ter afirmado q ue iria. Ha via nisso um fundo de verdade.” Pelo fato de detestar ter de fazer aquilo. “Propus a Pete mantê-lo noutro conjunto. Em tôdas aquelas brigas algumas garôtas ficaram machucadas. uma dua s semanas. con firma esta suspeita.” Neil acha que o maior culpado é George. Neil d iz que todos concordaram. Êle tinha uma ótima aparência e um grande número de admiradores. diz Neil. os outros três vieram revelar-me que não o desejavam mais no conjunto. Havia uma porção de boatos em Liverpool. Êles queriam o Ring o. Dos Beatles. Na verdade.hn. só George foi atingido. e que Paul nunca teria feito nada. Êle . Elas estav am acampadas no jardim e gritavam por mim.

” Há certa justificativa para a raiva da senhora Best. pela maneira como isso foi feito. todos êles. “eu tocava meu tambor-ba ixo muito alto e com isso fazia um sólido compasso. “Êle fôra o empresário do grupo. Best diz a respeito de Pete tendo servido o conju nto por tanto tempo.” Os outros dizem que a razão pela qual mantiveram Pete tanto tempo no conjunto. e muito longe disso. não era o ruído que êle produzia. “Quando voltamos da Alemanha”.era sempre muito tímido e quieto. conta Pete. E os alimentava quando estavam com fome. Mas não é verdade. e John especialmente. Ho uve alguma coisa misteriosa. antes de Brian aparecer. É claro que a maioria da s pessoas faria o mesmo. que êles estive ssem fazendo o som Pete Best. aquilo era inédito em Liverpool e todos estavam tocando no estilo dos Shadows. Era êle quem fazia os contratos e recebia o dinheiro. Naquela época. Eu estava mais interessada no futuro do conjunto do que seus próprios pais. nunca gritava como algumas pessoas que e u poderia mencionar. Por que não convidaram Ringo na . sempre foram hone stos e bons para com tôdas as pessoas. logo ficavam com êle. no sucesso do co njunto. por qu e êles não arranjaram um nôvo baterista? Havia um bando dêles. Não porque êle fôsse genial. Eu só os ajudava bastante. “Mas se eu não era tão bom assim por que êles me mantiveram no conju nto por dois anos e meio? Na primeira vez que voltamos a Liverpool. e não demo rou muito que a maioria dos bateristas de Liverpool estivesse tocando do mesmo jeito. A expulsão de Pe te Best é um dos poucos acontecimentos obscuros na história dos Beatles. Queriam um bom baterista. emprestava-lhes dinheir o. e recorreria ao empresário para a realização de tra balho sujo como êsse. nesta época no conjunto de Rory Storm. apesar de a bateria dêle ter tido sua parte. Eu julgava que êles eram muito ami gos. arranjava-lhes apresentações. É verdade o que Mrs. Entretanto. O meu estilo na bateria tinha muito a ver com o forte ruído que estávamos fazendo. porque sua falta havia retardado o progresso dêles. Seu problema capital e permanen te sempre foi causado pelo fato de não poderem contar com um baterista. copiou meu estilo. mas porque sabiam o que representava a falta de um. Até mesmo o Rin go. Quando apa recia um razoável.

às vésperas do sucesso?” É difícil de se definir o que faz um baterista bom. É claro que. e não apenas de George. Quando sua bisavó casou pela segunda . Principalmente. “Fomos covardes quando o expulsamos”. Depois de Pete se considerar. tinha-o observado desde o início. ao contrário. a coisa provàvelment e teria terminado em briga. Portanto. parte integrante do conjunto. Mas o caso teve um desfecho feliz para os Beatles: Ringo Star! 18 RINGO Richard Starkey. Poderiam tê-lo colocado num outro conjunto. fôsse o que fôsse que estivesse para acontecer ao s Beatles. é fácil dizer isso. em vez de o fazerem dois anos mais tarde. Stu. Êles mesmos se julgaram um pouco culpados. De qualquer maneira. “Fizemos com que Brian falasse com êle. E se tivéssemos falado com êle. de repente. apesar de êle mesmo não ter perceb ido ainda. é o mais velho dos Beatles. sua substituição era uma questão de tempo. cortaram sua carreira de baterista dos Bea tles. Se nós tivéssemos dito aquilo na cara de Pete. Ninguém podia prever que os B eatles seriam bem sucedidos. é lógico que tenha sido tomad o de surprêsa quando. se seu avô não tivesse mudado de nome. agora. êles deveriam ter tido mais um pouco de tato. Teria o nome de Parkin. e se desculpam dizendo que foi uma decisão coletiva. nem o que Pete Best ia perder. logo a seguir. Astrid e Klaus já o haviam notado em Hamburgo.” Pete Best saiu do conjunto e perdeu sua oportunidade de alcançar fama no show business. ou Ringo. ou u m jeito menos antipático para eliminar Pete. a si tuação teria sido muito mais chata. antes de sua substituição s er anunciada. confessa John.quela ocasião. por tanto tempo. Êles nunca acharam que Pete fizesse parte integrante do grupo. Há provas de que Pete não se ajustava ao conjunt o. um baterista com personalidade.

casou-se com seu pai. “apesar de haver um rumor de que minha bisavó estava muito bem de vida. Chegou uma semana atrasado.500 kg. quando Ringo tentou fazer sua árvore genealógica. em 1936. Nasceu de olhos abertos. Se voc ê disser a alguém de Liverpool que é do Dingle. Richard Starkey . pobres e trabalhadoras. Ela tinha uma grade de metal em tôrno de sua casa e aquela gr ade estava sempre brilhando. conta Ringo. A mãe de Ringo. a gente sonha com elas. conta Ringo. Hoje em dia. Ela é baixa. essa pessoa logo lhe dirá que você é um caso d ifícil. “São como muitas pessoas metidas dentro de pequenas caixas e querendo sair. enquanto a maioria das casas daquela rua tinha só doi s cômodos em cima e dois em baixo. Não era uma casa-de-cômodos. Paul e George foram cri ados. uma lúgub re alamêda de casas de dois andares. A casa dêles era uma das maiores. Quando êles se casaram foram morar com os pais de Richard. O parto foi feito com o auxílio de forceps e êle pesava cêrca de 4. no núm ero 9 de Madryn Street. o avô de Ringo também teve seu sobrenome mudado para Starkey. “Existem muitas casas-de-cômodos no Dingle”. quando trabalhavam na mesma padaria de Liverpool. Você sabe com o são essas coisas. “De fato. Talvez eu tenha inventado isso.” Ringo nasceu nos primeiros minutos do dia 8 de julho de 1940. o Dingle é conhecido como a zona mais turbule nta de Liverpool. Supõe-se que o nome Starkey se originou nas ilhas Shetland. mas sim em Madryn Street. Harri son. Em 1940. não muito longe do pôrto. ela se parece muito com Mrs. Elsie Gleave.vez e mudou seu sobrenome de Parkin para Starkey. o aluguel da casa era de 1/10 d por semana. com três cômodos em ci ma e três em baixo. Isso não é verdade. Fica no centro.” Elsie e Richard Starkey conseguiram uma casa pouco antes de Ringo nascer. nos dois ramo s da família”. olhando pa . na maioria dos casos. Teve quatorze fil hos. no Dingl e. ou a mãe da gente conta coisas e passamos a acredit ar nelas como se as tivéssemos visto. corpulenta e loura. É muito menos salubre do que os novos subúrbios pouco mais arejados em que John. “Sempre fomos pessoas simples. minha avó por parte de mãe era muito pobre. Isso veio a causar grande confus ão mais tarde. Os dois se conheceram. Depois de Scotland Road.

Só consegue lembrar-se d e ter encontrado seu pai umas duas vêzes. Quando Ringo nasceu. entre as classes operárias. Mrs. lembra-se de estar de cama. A situação foi resolvida tranqüilamente. Ficaram no me smo quarteirão. quando ainda era criança. juntamente com dois vizinhos que estavam conversando em sua cas a. realmente sérios. Mais tarde. Havia começado o bombardeio de Liverpool. em 1940. e. sua mãe estava com vinte e seis anos. Sendo o primeiro (e único) filho. dois em cima e dois em baixo.ra todos os lados. Ringo nunca mais viu seu pai. As primeiras recordações de Ringo datam desta mudança. A não ser em três ocasiões mais tarde. ainda não havia abrigos anti-aéreos no Dingle. o aluguel logo se tornou muito caro e êles se mudaram. correram para se abrigar no depósito de carvão que ficava em baixo da escada. mãe de Ringo. era de dez shillings por semana. e seu pai com vinte e oito. Quando Ritchie tinha um pouco mais de três anos. O aluguel. só aconteceram algumas semanas mais tardes. Êle acha que devia ter uns cinco anos naquela época. Ela o endireitou. Uma casa só de quatro cômodos.” Êle não se recorda da separação de seus pais. outra vez. Toda via. Êsse fato fêz com que sua mãe dissesse aos vizinhos que tinha certeza de que êle já estivera ali antes. Nessa ocasião. Ringo e sua mãe ficaram sós em Madryn Street. batizaram-no com o nome de Richard. de resguardo . Sua mãe descobriu que na afobação o havia colocado no o mbro. do mesmo jeito como seu pai era chamado e como continuam a ser chamados até hoje pelos seus famil iares. Não houve nem o drama nem cenas de histeria quando isso aconteceu. E passaram a chamá-lo pelo diminutivo de Ritchie. quando ouviu as primeiras sirenas da guerra. sempre dar ao primeiro filho o nome do pai. Era uma tradição. de cabeça para baixo. e ainda conta hoje . Starkey. se divorciaram. para o lado de Admiral Grove. seus pais se separar am. Os prim eiros ataques aéreos. Os Starkeys. Ritchie começou a berrar. Elsie ficou com o bebê. e Ringo dormiu durante todo o bombardeio. bem . Por algum tempo. Essa é uma das histórias que ela logo contou aos vizinhos. “Lembro-me de ter sentado na parte de trás do caminhão que levaria nossa mudança para Admiral Grove.

Sendo alegre e sociável ela sempre gostara disso. Aos cinco. se eu tivesse ficado com papai. Ela ocupa um prédio vitoriano.” Parece que Ringo. transformando-se em peritonite . Trazia um caderninho na mão e perguntou-me o que eu queria. o encontrei em casa de vovó. havia muito trabalho n os bares. te ve que arranjar um emprêgo. A crise agravou-se. “Nunca pensei em me afastar de Ritchie. com os vizinhos. Silas’s Junior School. isso nunca teria acontecido. “Mais tarde. Foi levado para o Myrtle Street Children’s Hospital.mais tarde. en trou para a escola primária. Seu pai demorou algum tempo ainda. e quando voltou a trabalhar foi êste o emprêgo que c onseguiu. ou às vêzes. . a seu respe ito. e o horário lhe convinha. Elsie não tem lembrança de Ringo ter ficado abalado com a separação ou de mais tarde ter feito perguntas sôbre o que acontecera. pois êle passava grande parte do seu tempo na casa de sua avó paterna.” Ritchie freqüentou o catecismo. Com o emp rêgo no bar eu conseguia arranjar-me. até se mudar de Liverpool e casar novamente. Êle era meu filho. quando criança viu seu pai muito mais do que se lem bra. Não tenho com quem conversar quando está chovendo. Trabalhava de manhã e nas horas de almôço. Com a guerra. Ela recomeçou a trabalhar como garçonete quando Ringo iniciou na esc ola. quando tinha quatro anos. Elsie passou a receber uma mesada de trinta shillings por semana de se u ex-marido. ou teria sido bem diferente. Acho que mamãe me encheu os ouvidos. “Uma vez êle veio visitar-me no hospital. depois de apenas um ano de escola Ritchie teve uma crise de apendicite. Êle me ofereceu dinheiro. sendo submetido a duas operações. mas eu não falei com êle. e é uma das National Schools construídas em 1870.” Aos seis anos de idade. Antes de casar ela tinha tido vários empregos. “Eu gostaria de ter irmãos e irmãs. Deixava o filho com a mãe de seu ex-marido. Distava uns duz entos metros de sua casa. trabalhando numa padaria. isto é. Quand o chovia êle costumava olhar pela janela e dizer. já no comêço da adolescência. Acho que se o caso fôsse invertido. Como isso não era suficiente à manutenção dela e de Ritchie. Recebia dezoito shillings por semana. de um vermelho desbotado. Era a St. “Às vêzes êle desejava que houvesse mais gente além de nós dois. inclusive traba lhara como garçonete.

conta Marie. enquanto mostrav a um presente ao menino seu vizinho de cama. Caiu uma terrível tempestade com trovoadas. Êle saiu do hospital. Êle detesta cebola. porque as visitas agitavam as crianças. “Sendo quatro anos mais velha do que êle”. antes da operação. “Fui levado para a operação num carrinho de rodas e pedi uma xícara d e chá. M ais ou menos no meio dêste período. Para as aulas a gente sentava na mesa da cozinha . Não permitiam que os pais visitassem seus filhos. naquele dia. Êsse regime foi impos to. “Comecei a ensiná-lo a ler e a escrever quando êle saiu do hospital. Comprei o Primary Readers. de Chambers. Isso chegou a tal ponto. “Minha primeira lembrança dêle deve ser de quando êle tinha três anos . êle acha que nunca teria aprendido. Sem Marie Magui re. mas que eu ganharia uma depois. para uma ambulância. êle ficou no hospital. Silas’s Scho ol. Voltou à St. Eu estava sempre xingando o Ritchie. Depois de ter passado um ano no hospital. depois de e la ter terminado o trabalho do bar. “eu era muito compenetrada.” Ao todo. quando tinha sete anos. Êl e não era tão bronco. eu se mpre tinha que catar as cebolas para êle. Entrei em coma e só acordei dez semanas depois. que costumavam bater na porta e dizer — “O seu Ritchie está fazendo isso e aquilo”. Olhei para a casa dêle e o vi com sua mãe encolhendo-se no hall. tarde da noite. Até parecia que êle fazia parte da nossa família. sem saber ler nem escrever. Ritchie nunca foi muito bom em suas lições. Ambas saíam juntas e deixavam Marie tomando conta de Ritchie. êle caiu de seu leito. Só estava esquecido de muita coisa. É possível que ela só tenha tocado nela. A mãe dela e a sua eram amigas. ficou completamente atrasado. Quando êle fazia as refeições conosco e o prato era guisado. durante uma festa de aniversário. em recuperação.“Eu me lembro de ter ficado doente e ser levado de casa. Organizamos tudo di reitinho. às escondidas. Duas vêzes por semana eu lhe dava aulas e sua mãe me dava uns trocados. mais de doze meses. que uma vez permitiram sua mãe vê-lo. No hospital. f azia muito tempo. numa padiol a. Mas o estado de Ritchie era tão g rave. uma enfermeira começou a apertar minh a barriga. Êles me disseram que não. Isso foi tudo que eu senti.

Por fim. Mas ela não quis casar com êle . Êle era alegre e fácil de se deixar levar. Ambos deviam ter mais ou menos sessenta anos. Não chegou a fazer seus exames de Eleven Plus. sua tia Nancy sentiu falta de um colar de pérolas. costumav a passar muito tempo com suas duas avós. porque levou bomb a no Review — uma espécie de teste para verificar se o aluno estava capacitado a cursar o Eleven Plus. muitos anos mais tarde. Uma vez fêz-me um grande trem.” Suas recordações da St. quando a imprensa publicou. Agora que eu me recordo disso e. excet o matar aula e agarrar os garotos no recreio para tomar-lhes alguns níqueis . “Aos sábados. Êle e a mulher costumavam brigar pra valer. Ao descer a nossa rua. Êle era caldeireiro no pôrto. Tinha um amig o chamado Mr. Teimava em dizer que ela se chamava Jellatine. Êle ficava maluco.da casa dêle. Eu costumava assar maçãs dentro dela. Uma vez êle tirou a cam isa e eu pintei-lhe as costas tôdas. Uma ocasião êle trouxe sua namorada para conhecer-me. “Sempre o estimei. mas costumava fazer-me coisas geniais. um a utêntico portuário. quando nossas mães saíam.” Por muitos anos. eu tomava conta dêle lá em ca sa. Silas’s Primary School são muito vagas. “Nós costumávamos fazer pequenos furtos na Woolworths. — “Ah! é —” costumávamos dizer. . morava sòzinha. Também. quando Elsie estava trabalhando fora. com fornalha e tudo. Elas nos deixavam garrafas de limonada e doces. Ritchie apareceu em frente a um bar da Park Street. tentando vendê-l o por seis shillings. dentro dêle. Nunca notei que êle era narigud o. Marie foi sua amiga mais chegada. Mr. mãe de minha mãe. Vovó e êle formavam um cas al ideal. “Eu gostava de ir a casa de vovô Starkey quando êle perdia muito dinh eiro nas corridas de cavalos. Lester que costumava visitá-la e tocar gaita. tal como sua mãe. — “Nós sabemos o que você quer. “Minha avó Gleave. Ringo passou para a Dingle Vale Secondary Modern S chool. Só observei isso. me parece que faz muito tempo. que a gente podia botar no bôlso. Tinha grandes olhos azuis adoráveis. Eram apenas umas besteiras de plástic o. Com onze anos. a locomotiva caus ou a maior das confusões. Lester acabou casando-se com outra.” Uma vez. tocando gaita para ela no escuro”.

“Havia períodos. Quan do reclamava com Harry das estrepolias que Ritchie andava fazendo. Saíam dali e passava m a tarde brincando no Sefton Park. Elsie diz que êle era horrível. duas ou três vêzes por semana. sua mãe começou a sair com um pintor da municipalidade de Liverpool chamado Harry Graves.) Harry Graves e Elsie Starkey casaram-se no dia 17 de abril de 1953. Eu n ão serei pequeno sempre. Até hoj e não consegue lembrar-se do porquê dessa escolha. Harry era um londri no. Mas êle respondeu: — “Case-se. Aos treze anos. êle limi tava-se a sorrir e não fazia nada. Ainda dessa vez. qu ando Ritchie tinha quase treze anos. E você não vai querer acabar como vovó”. Harry conheceu Elsie por intermédio de amigos comuns. Harry inscreveu-o no Arsenal Supporters Club. da gaita. e ainda é. e deu-se bem com Ritchie desde o comêço. não consegue lembrar-se por quê . mamãe. Achei que o garôto iria gostar daquilo. Sem sa ber por que. logo depois. em que êle gostava da escola”.” Durante sua permanência no hospital. eu não me teria casado. O próprio Harry nunca ligou muito para o Arsenal. a seguir. deixando-os do lado de fora. “Contudo. que por sua vez afetou-lhe os pulmões. Ritchie sofreu sua segunda doença grave. Se êle desse o contra.” Com pouco mais de onze anos. o Arsenal exercia uma espécie de fascínio naquele tempo. para o Heswall Children’s Hospital. revela sua mãe. Êle era. Pegou um res friado que acabou virando pleurisia. até que tocassem o último sinal e deixavam de entrar. Ela deixou o trabalho. foi levado para o Myrtle Street Children’s Hospital e. Lester. começava a fazer gazeta. Costumavam ir juntos ao cinema. da área de Romford. Tom Whittaker. então diretor do . um torcedor fanático do West Ham. (Sua avó era a que não ca sara com Mr. os Maguires. Êle estivera doente e seu médico lhe sugerira uma mudança de ares. “Revelei a Ritchie que Harry queria casar-se comigo. Har ry diz que êle e Ritchie nunca tiveram uma briga. De nôvo. “Mas em seguida. afirmavam que haviam fechado a porta. Só para animá-lo e motivar-lhe algum interêsse. Êle e mais alguns ficavam do lado de f ora da escola. Então. acabou resolvendo experimentar os ares de Liverpool.

com quinze anos. para eu me di strair. em quadrinhos. só então. Êle me ensinou a ser generoso. como tricô etc. Um cara tem de trabalhar vinte e três anos para. mas só me deram um chapéu.” Dessa feita. No hospital. já que estivera ausente por tanto tempo. Êle diz que ninguém conseguia lembrar-se dêle. que se encontrava doente e internado num hospital. Harry escreveu-lhe. “Costumavam dar-me uma porção de coisas. “Fui buscar meu uniforme. por pouco que ela não me esmagou os dedos. a fim de usá-lo como referência para um emprêgo. para começar a pensar em conseguir um emprêgo. Eu ficava com pena dêle. Foi obrigado a voltar à Dingle Vale Secondary Modern School para conseguir u m boletim. Eu costumava fi car do lado dêle. oficialmente. dos treze aos q uinze anos de idade. dizendo que seria um ges to muito simpático. Ringo teve que ficar em casa. Mrs. conta Harry.” Saiu do hospital.Arsenal. e que nunca hav ia necessidade de agir com violência. Êle ficou furioso e me jo gou uma bandeja grande em cima. Sua mãe est ava muito preocupada com a espécie de emprêgo que êle poderia arranjar. Ringo ficou no hospital quase dois anos. Através do Young Employment Officer êle acabou empregando-se como mensageiro nas British Railways. eu tive uma briga com um cara. Logo achei aquê le negócio muito ruim. e que não tinha a instrução necessária para fazer qualquer trabalho intelectual. Ritchie nã o se lembra de nenhuma carta. êle havia terminado seus dias de escola. até que ficasse com b astante saúde. passou por Liverpool. e nem mesmo de ter sido sócio do Arsenal Sup porters Club. Ela sabia que êle não era suficientemente forte para levantar qualquer coisa pesada. quando êle e mamãe brigavam. recuperando-se. mas escreveu uma bonita carta. à qual Ritchie dava muito valor. Eu achava que ela era metida a mandona . Whittaker não pôde visitá -lo. freqüentado muito p ouco. Mas Ringo tem boas recordações de Harry. “Êle gostava de trazer-me pi lhas de revistas americanas. ganhando cinqüenta shilings por seman a. se êle fôsse visitar um dos ardorosos jovens torcedores de seu time. receber . Êle era genial. Isso significava que. Fiz uma grande ilha de papier maché e uma fazenda cheia de anim ais. apesar de tê-la.

diz Marie Maguire. a menina que o ens inou a ler. Até parece ironia da sorte: quando êle retornou à Dingle Vale School com a finalidade de obter seu boletim. na cart eira que supunham ter sido ocupada por êle.” Já ninguém pensava mais que êle fôsse ficar. Hunt and Son. Hoje. T odavia. não é capaz de se lembrar do nome de nenhum de seus professôres. Apenas que se tornasse um cara feliz. “Êle teve uma infância difícil”. graças a un s amigos de Harry.um uniforme completo. e perguntaram-me se eu queria ser ajustador. Tomei um porre e depois fui direto para o trabalho. Eu fui. tudo está bem. tinha que ir falar com o chefe. de aspe cto franzino e subnutrido e com pouquíssima instrução. Depois de seis semanas saí de lá. Não foi só porqu e não ganhei o uniforme. passei seis semanas trabalhando como barman. por não começar meu aprendizado. Êle era pequeno. e não me julgaram apto. Eu concordei. “Com aquela situação familiar e duas prolongadas doenças. Havia um exame médico. tornou-se difícil sua adaptação à escola. mais tarde. Quando a gente chegava a o trabalho. Então. “Fui para lá. a bordo de um ba rco que fazia o percurso da costa de North Wales. Nesse tempo. Fui a uma festa que durou a noite tôda. Embora. eu já tinha completado dezessete anos e já estava ficando c heio. De fato. resolvi dirigir-me à gerência. ninguém conseguia recordar-se dêle. tudo que fiz durante dois meses foi sair na minha bicicleta. Não esperava que êle fôsse bem sucedido. não se lembra de ter sido infeliz.” Aquelas doenças tão demoradas devem ter deixado grandes vestígios nêle . eu só podia desejar que êle fôsse feliz. isso não impedisse que. quando criou fama. Também. Era uma profissão. me diss eram que não havia vagas para montador. mas se recorda das duas enfermeiras que cuidaram dêle — a Irmã Clark e a Enferm eira Edgington.” Em seguida. “Então. ao trabalho e à vida co mum. Acha que teve uma boa infân cia. tivessem a coragem de cob rar seis pence às pessoas que quisessem sentar e tirar fotografias. e êle logo me despediu. êle conseguiu um emprêgo na H. apanhando encomenda s. no momento em que a gente consegue ter uma profissão. com a finalidade de me tornar montador. Lá. . Todo mundo sempre diz que.

retirando-a do seu salário. A banda era a Prize Silver Band. quando estêve em sua casa de Romford. nem aprend eu nenhum instrumento. bang. “Desta vez seu avô veio ver-me. Ringo não demonstrou interêsse musical. estava muito interessado no conjunto dêl e. que tocava para os demais aprendizes na hora do jantar. Êles queriam dar-lhe um grande tambor. fazendo bang. e fazê-lo marchar pela rua. Ringo foi e voltou furioso. bang. Aquilo constituía uma distração para o rapaz. você sabe o que o desgr açado do seu filho tá querendo?” Mas acabou dando o dinheiro. c onta Elsie. Contudo. a menos que me dessem um tambor. — “Hei. Havia quatro garotos nos címbalos e dois nos triângulos. Harry conheceu num bar um cara que dizia tocar numa banda. Certa noite. O cara concordou em dar uma oportunid ade a Ringo. Êle ajudou a formar um conjunto chamado The Edd ie Clayton Skiffle. quando vi Joe Loss vir em minha direção. prêso com correias ao seu peito. e Harry marcou uma entrevista.” Foi quando êle começou a trabalhar como aprendiz de ajustador que lh e veio a mania do skiffle. Pois ela supunha que êle freqüentava as aulas da River dale Technical School. Custou dez libras. a fim de recuperar um pouco da instrução que havia perdido. “Nós tínhamos uma banda na enfermaria do hospital . Ritchie pagou-lhe o empré stimo direitinho. “Eu a trou xe de Londres no carro bagageiro”. Harry.19 RINGO COM OS BEATLES: Quando criança. ao comp asso de uma marcha . êle foi passando.” A primeira bateria nova de Ringo custou cem libras. para poder levar aquela tralha para casa. seu padrasto. comprado por H arry.” Sua mãe preocupou-se um pouco. “Esperava um táxi em Lime Street. ter-lhe-ia de responder que não. uma libra por semana. Se êle me tivesse perguntado se eu sabia tocar bateria. “Se o avô lhe recusasse um shilling êle fazia uma dança de guerra”. Porém. com aquela história de o conjunto tom ar-lhe tanto tempo. Eu não tocava. Sua primeira bateria foi um conjunto de segunda-mão. conta Harry. Êle foi pedir ao avô o depósito de cinqüenta libras.

tomava parte na mesma espécie de competições e festas que os Beatles também tomavam.militar. Havia mudado seu nome — por razões profissionais —. George e John haviam mudado seus nomes quando da tournée pela Escócia. o Big Three e Cilla Black. se tornou Ringo. na realidade. deveríamos ser bons. só esporàdicamente era chamado de Rings. Nessa época êle estava com vinte anos. para Eddie Clayton. a maior. Aquela oferta de Butlin tinha sido. o qual. até hoje. Aos vinte anos.” Nessa ocasião. e julgo que estavam certos.” Foi em Butlin. De volta a Liverpool. Em Butlin. Todavia. ainda usa. Recebia seis libras por semana no Hunts. Rings transformo u-se em Ringo. para que pudessem anun ciar seu solo de bateria. Os Beatles não foram. como Starr Time. Faltava-lhe só mais um ano de aprendizado. virou Rory Storm. Rory Storm já havia mud ado seu nome duas vêzes. Eddie Miles. Êles eram de outra zona de . e críamos que. E eu simplesmente queria ir. depois. até então. herdou outro. Seu nome real era Alan Caldwell. O contrato de Butlin me oferecia vinte libras por seman a. Exa tamente como Paul. finalmente. Não que êle se estivesse saindo muito melhor no conjunto de Eddie Cl ayton. pois soava melhor com um sobrenome de uma sílaba. E também não existia nenhum Eddie Clayton. Ringo teve sua festa de aniversário. que Richard Starkey. sua mãe deu-lhe o primeiro anel. inclusive Gerry e os Pacemakers. no momento em que o conjunto foi organizado. dezesseis depois de descontado o aluguel do chalé. se tornou Jet Storme e. Quando tinha dezesseis anos. e cê rca de oito libras para tocar de noite. Ringo acabou entrando para o conjunto de Ror y Storm. Ringo teve de se decidir se deixava o trab alho. em seguida. o conjunto de Rory era o mais importante de Liverpool. Naturalmente. seu sobrenome foi abreviado para Starr. êsse era o nome verdadeiro do líder do conjunto. “Nós estávamos a c aminho do sucesso. “Todos me aconselharam a abandonar o emprêgo. quando co mpletou vinte e um anos. um anel gross o de ouro. Ringo não os conhecia. Quando seu avô Starkey morreu. Até ali. Todos os conjuntos mais importantes compareceram. em sua casa de Admiral Grove. já estava usando un s quatro anéis. Quando lhes ofereceram o contrato em Butlin.

No entanto. (tinha 3. êle foi dar uma olhada no Jackaranda Club. mas poderia manter as costeletas. Ringo colocou todos em fila para tirar retrato. couberam os sessenta convidados. Mas mais tarde. Êle voltou para Liverpool com o conjunto de Rory. Foi onde êles se encontraram pela primeira vez .50 m). mesmo assim. a mãe de Ringo. Cilla tom ava chá e depois fazia o cabelo de Elsie. conhecia Cilla Black fazia muito tempo. O conjunto de Rory estava com tanto sucesso. que. êle cogitou sèriamente na possibilidade de ficar lá definitivamente. Ringo costumava sentar-se com êles e pedir certos núme ros. e Ringo d iz que isso foi terrível. Ringo lembra-se vagamente de tê-los visto uma vez em Liverpool. um carro e trinta libras por semana. A sala de Admiral Crove é pequena. e apenas mais um conjunto. Êle achava que eu não tinha a personalidade n . voltou a Hamburgo por conta própria. com o uma môça das redondezas chamada Cilla White. Starkey. Ali. quando estavam tocando. e fazer outra temporada em Butlin. do outro lado de sua cas a. por u m contrato de um ano. Brian também não me topava. Êles fizeram uma tournée pelas bases americanas na França. Pelo menos eu não goste i dêles”. por que. Ringo recebeu um bocado de xingamento e cartas ameaçadoras dos fãs de Pete Best. Elsie. depois da festa. tôdas as quartas-feiras depois do trabalho. em Liverpool. mas. “As gurias adoravam o Pete. acompanhando Tony Sheridan. juntando-se aos Beatles no Kaiserkeller. Eu era apenas um magricela barb ado e mal-ajambrado. e os viu ensinando Stu a tocar guitarrabaixo. O sucesso das treze semanas do conjunto em Butlin levou a outros cont ratos.50 m por 4. Sabe-se o número exato. Certa oca sião. quando surgiu a pr imeira proposta de Hamburgo. Pelo telefone. Ofereceram-lhe um apartamento. Durante essa nova temporada. Há quase um ano Cilla vin ha com uma amiga à casa de Mrs. acabaram a ceitando. Mais tarde. John disse-lhe que êle teria de pentear o cabelo para a frente. “Os franceses não gostam dos inglêses. foi convidado a integra r os Beatles. Em Hamburgo. acabou decidindo voltar para o conjunto de Rory Storm. êles recusaram-na.Liverpool.

O cônsul disse que primeiro êles teriam que arranjar um emprêgo. indiscutìvelmente. de ce rta forma. como personalidade e como baterista. chegou a. Se o tivesse. Então foram ao consulado americano em Liverpool. Isso era muito bacana. Não pud e entender aquilo tudo.” . Disseram que é muito parecido com Ray Charles. apesar de ser só local.” Como aconteceu a todos êles. Alguns con seguiam alguma coisa. de King Size Taylor e os Dominoes. “Aí. Assim.” Com o ajuste de Ringo. o primeiro conjunto de Liverpool. quase que seus destinos não se encontravam. e como também acontece com qualquer pe ssoa. se o cachorro dinamarquês de meu avô era comunista. estava começando a matar com as velhas amiz ades de que Ringo gostava tanto. e declararam que queriam ir para Houston. que a ge nte chegou ao ponto de tocar uns para os outros. vez daqueles enormes formulários. Então. E a coisa deixou de ser tão amistosa. Ringo es tivera prestes a emigrar para os Estados Unidos. Êles me ofereciam vinte libras por semana. entraram era contato com Londres. teria ido embora definitivamente. “Êsse negócio avacalhou a comunidade. constituída de grupos. Tinham um empresário cavalheiro e. Os Beatles ofereciam vinte e cinco. Acabei de fazer um disco mas êles não vão lançá-lo. os Beatl es eram agora. Texas. Ringo conseguiu um numa fábrica. Uma vez. Mas o sucesso dêles. outros nada. Anteriormente. Texas. fiquei com êles. “Você encontrava um conhecido e êle falava: — “Tudo bem. finalmente. as gravadoras vieram e principiar am a contratar conjuntos. quando se pode arranjar um bo a-pinta?” Foi o dinheiro que fêz Ringo decidir-se. todo o mundo estava lá. Eu abandonei os lugares antigos. “Na mesma época recebi outra oferta. “Houve tempo em que existiam tantos conjuntos em Liverpool. com tôdas aquel as perguntas. Nasceram ódios. Era uma comunidade.ecessária. aquêles dias de Liverpool foram uma grande é poca da minha vida. Contudo. E por que arranjar um cara feio. êle e um amigo estavam vendo alguns discos e leram que Lightning Hopkins nasceu em Houston. Como na minha festa de vinte e um anos.

exatamente o que seu pai vivia repet indo. que administrar duas loj as de discos e um conjunto era demais. também eu não podia ir atrás dêles. Resolveu parar com seu trabalho diário na loja de Whitechapel. parecia que eu era sempre o pato. Então pensei êles que se danem. demoraria só alguns minutos. Talvez fôsse melhor do que os outros. Mais tarde. Em todo caso. de volta de Hamburgo e com seus novos penteados. Trouxe Pete Brown. “Gritei -lhes que me esperassem. depois de uma brig a danada. vez por outra.” . numa noite. Peter foi despedido. Isso deu origem a vários atritos. pois Brian não supo rtava ver sua linda arrumação ser modificada. Brian nunca teve nenhum atrito com qualquer um dos Beatl es. esperavam que George Martin marc asse a data definitiva para a gravação de seu primeiro disco. Passou a conce ntrar sua atenção na Nems Enterprises. são eleitos como o conjunto mais popular pelos leitores do “Mersey Beat”.” A razão real disso fôra que Paul tinha metido na cabeça a idéia de que devia revoltar-se. foi readmitido. O que se aproximou. Apesar desta fama toda o sobreno me de Paul está escrito errado Brian Epstein. outros negócios se ajustaram em Liverpoool. mas não chegou a ser briga. Então me sentei. qu e estava na loja de Charlotte Street. completados com Ringo. para fazer essas coisas. foi um incidente com P aul. Estava sempre disposto. para ver com o Peter estava agindo. Talvez eu fôsse um pouco cara-de-p au. todos êles tinham ido embora com Brian. descendo de seu escritório. mas êle estava no banho e recusou-se a sair. Entretanto. Se não me podiam esperar.Os Beatles. para ocupar seu lugar. afinal. “Eu sempre fôra zeloso. Quando saí do banho. ou anunciando os números. Ele se torna empresário dos Beatles em Dezembro de 1961 Os Beatles. um jornal d edicado à música popular e que apenas começara a circular. Brian decidiu. pois eu era um bôbo temperamental. conversa ndo sôbre os contratos. e fiquei vendo televisão. Todos vieram buscá-lo. Pois. Nesse meio tempo.

” Casaram-se em 23 de agôsto de 62. Foi tudo muito divertido. mas uma da s freqüentadoras do Cavern os viu saindo do cartório e a notícia se espalho u. produzindo sempre mais um “original de Lennon e McCartney”. chegasse a casa e dissesse que não ia tocar mais naquele conjunto. John.” Êle e John estavam tão animados como sempre. “Eu não sabia se J ohn ia querer casar. perguntei se ela queria vir.” Êles tentaram manter em segrêdo o casamento para seus fãs. em Liverpool. porque todos me diziam isso. “Eu tinha esperança de que John. “Fiquei um tanto chocado. Paul e George estavam vestidos de prêto. Elas eram tão meninas! E eu sabia que sua única namorada ve rdadeira era Cyn. Mas Mimi a inda acreditava que aquilo tudo não fôsse pra valer. Nunca fiz questão dê les. Nenhum de nós levava namoradas ao Cavern . Eu as indagava por que faziam isso. Declarei que Cyn ia ter um bebê e que a gente ia casar-se. Eu nem lutei contra a idéia. Eu não queria prendê-lo daquele jeito. conta John. Segundo o que contam. um dia. no dia seguinte. “Eu percebi que estava sendo d esleal em não fazer aquêle esfôrço. Paul logo voltou a ser o mesmo de antes. e elas declaravam que só queriam vê-lo.Isso motivou uma discussão entre Paul e Brian. “Pensei que meu casamento representaria o adeus do conjunt o. apesar de êles negarem. confessa John. Não me lembro de nenhum presente. Nós teríamos de nos casar. no Mount Pleasant Register Office. “Naquele dia havia um britador funcionando do lado de fora”. em escrever músicas. “Mas eu disse que sim. mas não houve nada sér io. “Eu não c onseguia ouvir uma palavra do que o cara estava dizendo. As garôtas começaram a bater na nossa porta e perguntar se John estava em casa. Ela deu ap enas um gemido. quando ela me contou”. realizado naquele mesmo cart ório. “Na véspera eu fui revelar a Mimi. Cyn descobriu que estava grávida. “Fui a última a notar que êles estavam vencendo. Depois nós atravessamos a rua e jantamos galinha. o casam ento foi no mesmo estilo do dos pais de John.” No verão de 1962. Eu não conseguia entender aq uela história. afirmad o que — “Aquilo é de uma chatura mortal. vinte e quatro anos antes.” Nenhum dos pais assistiu ao casamento.

acreditávamos que.” Nesse tempo. Naquele dia. de ter-lh e dado um autógrafo. marcasse a data para a gravação de seu disco. ninguém estranho a Liverpool tinha ouvido falar nos Beatles. o fã-clube feminino do conjunto havia assumido enormes propo rções. consigo lembrar-me da placa do carro — NWM 466. tudo acontecer a sem publicidade e promoção. correram atrás de Ringo na rua. eu gostava mais de Ritchie. As garôtas seguiam-nos a tôda parte. Contudo. “Seria muito ch ato John ser reconhecido e apontado em todos os lugares. pouco depois de êle ter entrado para o conjunto. Eu só tinha beijado Paul. Nem. ela se encontrava no Cavern com uma amiga. Era como se eu saísse andando à rua com meias diferentes. En tão. Mas. instint ivamente. por causa do desafio. Uma tarde.” Atualmente. Pois. Beijei o Paul e voltei. Mas foi a Paul quem el a beijou primeiro. Os fãs haviam descoberto os Beatles. Ela respondeu-me que era eu que estava com receio. na realidade. Eu não queria que tal acontecesse. perderíamos nossas fãs. Ela e uma amiga. “Ai nda hoje. “Era essa a mentalidade naquele tempo — beijar ou ser beijado. ela esta va a caminho de sua aula de cabeleireira e fazia pouco tempo que deixara a escola. Ela conseguiu seu autógrafo. dessa forma.” Ringo não se recorda de ter sido beijado por Maureen. o grande especialista em artistas e repertório. Isso não passava de uma ilusão. um dia. Êles ainda esp eravam que George Martin. Agora. e também dei-lhe um bei jo. para tirar isso em pratos limpos. Na verdade. “Eu falei que ela é qu e estava com mêdo de fazer aquilo. e a esta aposto u quem teria a coragem de ir e dar um beijo em Paul. Aí esperei a saída de Ritchie.” Cynthia concordava em manter o casamento em segredo. d e Londres. Êle saía de s eu carro e sua mecha de cabelo cinzento o denunciou. a lembrança disso ainda a deixa um pouco embara çada. e davam gritinhos ao menor pr etexto. abri caminho e dirigi-me ao conjunto . ou com a barriguilha aberta. e escreveu o número da placa do carro em seu caderno. Minha amiga ficou tão contrariada e teve tantos ciúmes.. O negócio . Maureen Cox era uma delas. eu me sentia embaraçado pelo fato de estar casado. que c omeçou a chorar. Em Liverpool. Maureen Cox é a mulher de Ringo.

atingiu tal proporção. que conseguir o autógrafo de um Beatle. Isso se repetiu por várias semanas. poderiam ver os Beatles e serem vistas por êles. eu t enha pensado que Maureen era alguma mosca azucrinando-me. Eu nunca entrei na fila. “Eu estava amedrontada. Maureen perdia um espetáculo no Cavern. elas formavam-se em turminhas de quatro. no Cavern. Dep ois. a levou para casa. Lá. trocavam de roupa e se maquilavam. à música. “Elas se postavam por perto do Cavern.” . umas empurrando e d errubando as outras. na ocasião. Era uma gritaria infernal! Elas ent ravam em órbita. Mal saíam da sessão de hora do almôço. parecia uma avalancha. Eram capazes de morrer. “O objetivo era procurar aproximar-se ao máximo da primeira fila. era um inferno! “Durante a apresentação dos primeiros conjuntos. Então. em parte. Bastava a gente descer do p alco. A turminha foi às nuvens e voltou. Quando as portas se ab riam. como se tivessem acabado de chegar. ou de ficarem ali. Aquilo me chateava. tôdas elas estavam lindas. Ela logo viu que havia tantas fãs e muito mais fanáticas do que ela podia imaginar. uma de cada vez se d irigia à toalete das senhoras com suas malinhas.” Daí então. êle tirou Maureen para dançar. logo começavam a fazer fila para a apresentação noturna.” Três semanas mais tarde. duas ou três horas antes de o Cavern abrir. quando se aproximava a h ora de os Beatles tocarem. Quando os Beatles apareciam no palco. só para serem notadas por êles. só para terem a chance de vê-los . ou ter beijado algum dêles. e já havia um bom número delas fazendo fila para a apresentação do dia seguinte. Maureen confessa que não queria revelar à a miga que ela a estava atrapalhando.. Era horrível. e. pouco depois da mei a-noite. Mas. Era uma confusão danada. significava t er tocado num dêles. É provável que. As primeiras pulavam logo para dentro. Igualmente. Ritchie e os rapazes uma vez passaram por ali. raramente. elas ainda conservav am seus bobes no cabelo e as calças-esportes.. o dia todo. e logo uma garôta se atirava ao nosso pescoço. êles compraram algumas tortas para elas. Era e ssa a atração. teve de acompanhar a amiga dela até a ca sa. quando êles chegavam. Dêss e modo. Havia brigas e d iscussões entre as garôtas. “Penso que isso em parte era devido ao sexo.

Supu nha-se que nenhum dêles tinha namorada firme. ela meteu a mão pela janela e arranhou-me o rosto. Contudo. consegui fechar a janela a tempo. Se não o tivesse feito. “Perguntou-me se eu ia sair com Ringo. Mantinham a ilusão de ne nhum dêles ser casado. Assim.” — “Mentirosa”. Eu estava lá. — “Eu disse que não. Ela começou a berrar e me gritou umas coisas numa linguagem muito selecionada. Eu obrigada a fazer-lhes o cabelo. Devia ter-me seguido. Quando eu saía.Quando Maureen saía com Ringo. “Se não eu poderia ser morta. — “Eu acabei de v er-te conversando com êle!”. costumavam dizer. naquele dia. As outras garôtas não eram nada camara das. que êle era apenas amigo de meu irmão. Pensei. Pouco antes de êles acabarem. vai ver uma coisa”. creio que ela teria aberto a porta e teria me matado. berrou. Antes que me defendesse. Ritchi e me disse para sair. Costumavam freqüent ar o cabeleireiro onde eu trabalhava. Pois. Co mecei a receber telefonemas ameaçadores — meu irmão vai te pegar. sentar no carro e esperar por êle. Seriam capazes de me esfaquear pelas costas. quando apareceu uma garôta. Eu me tinha esquecido de fechar o vidro do carro. elas me empurravam.” “Naturalmente que algumas acabavam descobrindo. Então elas me ameaçavam — “se você continuar a sa ir com Ringo. tinha que se manter escondida. Eu não podia fazer nada senão aquil o. assim ninguém me veria. cada garôta achava que poderia ter uma oportunidade. sempre pareceu haver um imenso abis . q ue levaria uma facada. “Uma vez êles tocavam no Locarno.” SEGUNDA PARTE LONDRES E O MUNDO 20 GEORGE MARTIN & DICK JAMES Entre George Martin e os Beatles.

por não se r suficientemente bom. North London. conseguiu o emprêgo. dirigia seu próprio conjunto de danças na esc ola. Ainda ignorava a fama da EMI — Electrical Musical Industries —. aprendendo a tocar o oboé como seu segundo instrumento. HMV e Colúmbia —. No entanto. Primeiro freqüentou o Jesuit College em Stamford Hill. Sua origem.mo que os separa. . esperavam que ela fôsse fechada em pouco tempo. Êle é alto e simp ático. a maior gravadora de discos do mundo. na Parlophone. Desd e então. êles ainda gravavam em cêra. contudo. êle tentou entrar para a Guildhall School of Music. Quando menino. Em fins de 1950. Passou três anos lá. em classe. ou to cava. Acabou despedido. hoje. foi matriculado no Bromley County School. Por causa de seu curso e treinamento em música clássica em Guildhall. Supunham que êle trabalhasse na parte de jazz e músic a ligeira. no estilo de ídolo de matinês. também não teve a mínima ins trução musical. foi desmobilizado e se encontrou numa situação de não ter o qu e fazer. apareceu-lhe um bom emprêgo: um lugar de assistente de artistas e repertório na Parlophone. aos domingos de tarde. em grande parte sem graça. George aprendeu a tocar piano. pouco antes da guerra. Era vasto campo de ação nesse gênero de música. em Holloway. filho de um carpinteiro. foi tão humilde quanto a dos Beat les. quase todos que lá trabalhavam . contudo. e. chegando ao pôsto de tenen te. Em 1947. com um ar estudado de professor e uma impecável pron úncia.” A Parlophone fôra comprada na Alemanha. em bandas nos parques de Londres. quando entrou na adolescência. ela tinha prosperado muito pouco. em gôsto ou em antecedentes. Não havia nenhuma tradi ção musical em sua família. e quando sua famí lia se mudou para Kent. Ao diplomar-se ficou algum tempo como oboísta free lancer (f ranco-atirador). mas nunca foi além do trabalho comum de orquestra. serviu no Fleet Air Arm. Graças a alguém que o ouvira tocar piano durante a guerra. uma das companhias subsidiárias d a EMI. Durante a guerra. Quando entrei para lá em 195 0. Nasceu em 1926. em comparação aos “primos ricos” EMI. “Naquele tempo. estilo BBC. a Parlophone era como o “pr imo pobre”. aos dezesseis anos. de o uvido.

Era tudo clássico. em concertos dominicais nos parques londrinos. ou com os milhões que veio a faturar no futuro. todos êles planejados com dois meses de antecedência . arranja va alguns recitais de orquestra nas escolas. com Jimmy Shand e sua Banda. quando conseguia lugar. era bem modesto — sete libras e cinco shillings por semana. e o Bluebell Polka. Passou para o jazz. dois para dança — aque la espécie de música de dança feita por Victor Silves-ter —. O salário de George Martin. com Jimmy Shand. Êsse suplemento era sempre muito limitado. Ra zão por que tínhamos ficado muito atrasados. Apesar de parecer que os long-plays sempre existiram. na Inglaterra. Seus dois primeiros cantores foram Bob e Alf Peterson.” A Parlophone contava com muito poucos astros em tôdas as categorias a rtísticas. êsse disco é bem vendido. Victor Silvester. era um negócio rotineiro e bastante tradicional. Gravou. por vol ta de 1954. esporàdicame nte. Era o que se chamava de suplemento mensal. estava na Colúmbia. Até hoje. dois de cantores e dois de cantoras. “A EMI começou a fazê-los muito mais tarde. em 1950. a . dança ou vocal. Os melhores cantores. Representava. ùnicame nte. “A gente nun ca falava em popular. e a Parlophone não tinha nenhum. Era o mesmo que editar uma r evista mensal. Dêsses d ez lançamentos. Carl Lindberg. ainda. eram uma grande novidade. que cantava m na base de My Brother and I. dois de jazz. Cada mês. Para aumentá-lo um pouco. Gravou os discos de Johnny Dankworth e de Humphrey Lyttleton. vinham to dos da América. uma das subsi diárias mais prósperas da EMI. tocava. e precisávamos recuperar o t empo perdido. a produção de discos. Não havia uma categoria que se pudesse classificar de popular. foi tornando-se o único responsável da parte de discos po pulares. os The Five Smith Brothers e a Scottis h Country Dance Band. na EMI. Não sei por que demoramos tanto! A Decca já os vinha lançando. a inicial do sobrenome de seu fundador. Lentamente. jazz. por exemplo.Sua conhecida marca “£” não tem nada a ver com o símbolo de libra este rlina. dois eram clássicos. Aos poucos. uma companhia como a Parlophone lançava no mercado cê rca de dez discos. George Martin conseguiu criar um pequeno lugar para si. Ou então.” No início da década de cinqüenta. desde 1952. pelo menos em vendas.

ante s de êles se mudarem para o West End. mais tarde.” Perdeu a oportunidade de contr atar Tommy Hicks. mais tarde. O grande George Martin.” À medida que o rock and roll alcançava uma enorme procura entre os a dolescentes e os índices de vendagem de discos se tornavam cada vez mais i mportantes. Em maio de 1962. sem que Brian Epstein ou os Beatles suspeitassem. Beyond the Fringe. a companhia que muitos pensavam que não iria durar muito. “Eu invejava muito a HMV e a Colúmbia com todos aquêles astros amer icanos ou as outras companhias com astros no padrão de Cliff Richard. ansiosamente. Essa gravação foi feita em Cambridge.o produzir uma série de discos humorísticos. exceto a Parlophone. estava m uito longe de ser grande. A mania do skiffle chegou. e. Uma vez que se tenha um cantor ou conjunto que agrada o p úblico. não era o tipo comum de empresário de Charing Cross Road. “Êle usava um casaco muito bonito. Não achei nada de extraordiná rio nas músicas . apesar de todos os entendidos nesse negócio terem dito que aquilo estava destinado ao fracasso. foi ficando ainda mais para trás. tudo o que se tem a fazer é encontrar uma música nova. Mas a pobre velha Parl ophone ainda ficou mais atrasada. o qual. foi o Tommy Steele. Os cantores e conjuntos inglêses.” George também ficou bem impressionado. apesar dos discos humorísticos de George Martin. cuja tossezinha e cujos comentários êles tentavam analisar. então secretária de George e agora sua mulher. Também gravou discos de Peter Sellers. “Todos descobriam um cantor ou conjunto. particularmente. lembra-se de ter ficado muito impressionada com Brian Epstein em seu prime iro encontro. começaram a fa zer discos muito vendidos. a Parlophone esperava. Um de seus primeiros discos humorísticos foi Mock Mozart and Phoney Folklore de Peter Ustinov. transformando todo o panorama da música p opular para adolescentes. Flande rs and Swam. que aparecesse alguma coisa como êle s. por ter achado que êle não passava de uma imitação de Elvis Presley. com boas-maneiras e falando bem. não f iquei entusiasmado pelo que êle me mostrou. Judy Lockhart-Smith. Andei pelos bares de Londres à caça de talentos. De certa forma aquilo era muito fácil. a Parlophone. apesar de fora na escala norte-americana. “Mas.

” George encontrou-os pela primeira vez. “Concordei em que não perderia nada contr atando-os. achei que êles produziam um som bastante interes sante. muito mais importantes naquela época. como Cliff Richard and the Shadows.” Além disso. Quando os conheci. “Achei-os muito atraentes como pessoas. no dia 6 de junho de 1962. e. Êle estava tão interess ado em encontrar um nôvo conjunto que estava testando uma série dêles. John’s Wood.” Brian tinha entrado em órbita. Era engraçado o contraste de serem tão insignificantes e eu parecer tão importan te. na sua opin ião. para George. cont udo fiquei satisfeito porque êles pareceram gostar de mim. foi que Brian lhe mandou aquela relação de sugestõ es. concluí logo que aquilo nunca dar ia certo. . mas de curta duração. incl uindo Love Me Do e PS I Love You. Mas êle gostou do som e da personalidade do conjunto. eu via a possibilidade de um dêles se tor nar o cantor principal. eu estava pensando em usá-los como grupo de acompanh amento para um cantor conhecido. Eu queria desesperadamente ter o meu Cliff. Para essa sessão.” “A princípio. E promete-lhes fazer um teste de gravação. boate satírica de Londres. George Martin demorava em marcar a data pa ra a gravação dos Beatles. a primeira. se permitiria que êles gravassem alguma de suas próprias músicas ou se arranjaria um cara para compor algo para êles.” George escolheu apenas três números da relação feita por Brian. aquêle era apenas mais um conjunto com probabilidades de ser gravado. E assim pensando. Isso aconteceu quando os Beatles substituíram Pete Best. Pois ainda estava indeciso na escolha das músicas que êles gra variam. encontrava-se atarefado com outros discos. Porém. em St.ou nos cantores. que eu havia lançado. apesar de não ter a mínima idéia do que faria com êles ou quais as músicas que po deriam gravar. Êle pensa que aquela foi uma primeira ve rsão de Love Me Do porque a música não chegou a conquistá-lo. Todavia. Descobri que o John era um admirador dos discos de Peter Sellers. Eu não deveria ter-me incomodado com o fato de êles gostarem de mim ou não. Foi quando fêz com êles o teste de gravação no estúdio número três da EMI. Gostei de estar com êles. tais como o LP do The Establishm ent.

era uma gravata novinha em fô lha e da qual êle estava particularmente orgulhoso. mas ocultou a Ringo. “Decidi-me escolhendo o Love Me Do.” George Martin fôra avisado da substituição Pete Best por um nôvo bateri sta. Mas êle não se arriscaria. Para Ringo. precisava de gente com experiência. à espera de qualquer eventualidade para tomar-lhe o lugar. “eu não gosto da sua grav ata”. George Martin explicou-lhes o que iria t entar fazer. e foi recordada muitas vêzes depoi s. voltamos para gravar a face B. “Eu não achava Ringo muito bom. descobri que George Martin t inha colocado aquêle outro baterista sentado no meu lugar. Todavia. Era a harmônica de John que lhe dava uma atração especial. Teria ficado muito mais nervoso se tivesse percebido desde o comêço que ha via um outro baterista por ali. todos riram e a sessão continuou. porém não agradou muito a George Martin. até que George Martin ficasse satisfeito. “Quand o. Essa foi uma piada meio tom sério. para começar”. Fôra comprado no Liberty’s. êle os trouxe a Londres p ara a gravação de seu primeiro disco inglês. Ringo só estava acostumado a tocar em público. Contou iss o a Brian. “Se vocês não gostarem de alguma coisa é só falar comigo”. e tê-lo à mão para qualquer eventualidade.Finalmente. que efetuou dezessete repetições. com cavalos vermelhos. Não obstante. e não era suficientemente bom para gravar. no dia 11 de setembro de 1962. Êles atacaram o Love Me Do. O outro cara tocava a bateria e eu fique i tocando maracas. chamado Andy White. conta Ringo. disse George Harrison. Preferiu contratar um experiente baterista de gravações. melhorou muito depois daquela sessão. Êle não sabia rufar — e ainda não sabe — entretanto.” “Eu estava nervoso e atemorizado com o estúdio”. Na realidade. avi sou-os George Martin. Antes de começarem a sessão. “Bem. e agora parecia que eu só era bom para tocar com êle s em público. como a melhor do grupo. Foi uma decepção.” “Começaram o PS I love You. era a primeira gravação e êle não se sentia muito seguro. And y era o tipo de baterista de que eu precisava. Achei que aquilo era o fim. Eu fôra con vidado pelos Beatles. Pensava no que êles estavam . na segunda face. Era preta. Love Me Do com o PS I love Yo u. mais tarde.

Êles eram muito grandes. empurrados de um lado para outro. que ficou muito zangado. Contudo. Você me entende. foi lançado em 4 de outubro de 19 62. em Liverpool.” “Estava aborrecido. meu nome fig ura como tocando maracas. Mais tarde. dizendo que êle est ava sendo irradiado. foi acordada pelos berros de George. Seus admiradores. o outro cara. Já estavam de volta a Liverpool. decidiram man ter a primeira versão do Love Me Do. Com aquela gritaria. No PS I Love You. Na semana seguinte o disco começou a aparecer em outro jornal. ficou esperando horas e horas na noite em que George disse que iriam tocar seu disco. Nada disso aconteceu. Ela se cansou de esperar e f oi para a cama. a companhia de discos de Londres e aquilo tudo. Mas o mais importante para nós foi ficarmos entre os vinte mais. pensei. “Afinal o disco saiu como um simples.” O Love Me Do. A gente fazia só o que êles mandavam. fielmente compraram grande número de discos. no qual eu havia tocado bateria. Harrison. bateria. êles decidiram gravar novamen te o outro lado.fazendo comigo e no que tinha feito com o Pete Best. para pegar o primeiro turno nos ônibus. Também o que poderiam dizer? Ou eu? Estávamos servindo de joguête. pois tinha que acordar muito cedo. Se eu não servisse para as gravações. Então estava tudo bem. Na expectativa de seu disco surpreender o mundo. revela George. Como é falso êsse negócio de discos. Ouvi a primeira guitarra e não podia acreditar.” Eventualmente. Dessa vez me deram um ta mborim para tocar. Arranjavam outros músicos pa ra fazerem seus discos no estúdio. A primeira a tocá-lo foi a Rádio Luxemburgo. . Harrison. “A primeira vez que eu ouvi o Love Me Do no rádio”. Que merda. Felizmente. Mrs. Êles também enviavam milhares de pedidos às estações de rádio para que to cassem aquêle disco. tocando novamente nas festas e salões de dança. também acordou Mr. Então. “f iquei todo arrepiado.” “Ninguém disse nada. a mãe de George. seria melhor sair do conjunto. entraram ocupando o quadragésimo nono lugar na rela ção do New Record Mirror. primeiro disco dêles. Exatamente como me tinham afirmado. as vendas numa cidade da província não afetam muito os mapas de vendas. na qual eu tocava bateria.

ao Gerry e os Pacem akers.” Êle descobriu uma. “Eu não achava tão brilhante. O disco aos pou cos continuou a subir. embora tenha sido apenas no Norte. O contrato fôra assinado antes da gravação do disco. Era o chefe e queria que êles a gravassem. Êles acreditaram qu e. e impossibilitados de fazer qualquer apresentação ao vivo no rádio ou na televisão. êles reafirmaram que não tinham gostado del a e. Contudo. durante sua ausência. no entanto) dizer ao grande conhecedor e poderoso George Martin que sabia m das coisas melhor do que êle. que chegaram . que m e surpreendeu. Era o fim dêles . com Love Me Do. O problema agora era conseguir-lhes outra música para gravar. mas não muito. George Martin disse que êle gostava. No Peoples and Places da Tv Granada. Já que pretendiam continuar tão obstinados. para outra série de apresentações no Star Cl ub. O ponto mais alto a que Love Me Do atingiu foi o décimo sétimo lugar. essa demonstração d e teimosia por parte de um conjunto de provincianos inexperientes (não sab iam nem ler música. de Manchester. E permanec eu ali por algum tempo. mas estava entusiasmado com a reação dos Beatles e o seu som. Brian conseguiu-lhes a primeira apresen tação num show de televisão. Era muita coragem. Êles estavam metidos em ter opiniões próprias — e não mud aram nem um pouco. Chamava-se How Do You Do It. não queriam gravá-la. seu disco iria sumir e ninguém mais ouviria f alar nêle. Deviam voltar a Hamburgo.” Contudo. En tão teriam de fazê-lo. Graças a êsse disco gravado. êles seguiram para sua quarta estada em Hamburgo. entreg ando aquela música a outro conjunto de Brian Epstein. Please Please Me. e que tinha certeza de que se tornaria um sucess o. portanto. ou talvez apenas ingenuidade. onde figurou no vigésimo sétimo lugar. pelo fato de estarem fora do país. seria interessante que êles m esmos produzissem coisa melhor. George Martin estava satisfeito. produziram alguma coisa melhor. mas êles não go staram.o New Musical Express. “Avisei-lhes que êles estavam desprezando um sucesso. Assim. Mandou-a para os Beatles. “Realmente. Isso era motivo para novas comemorações. George estava certo a respeito de How Do You Do It.

Êle en trou pouco depois de George Martin. não graças a êles. Agora. Dick James é de índole sentimental. Dessa vez.843 votos. bem longe. no qual o camarada cresce junto de todos os emp resários e chefes de conjuntos futuros. Provàvelmente todos êles mandados de Liverpool. dirige uma companhia editôra inteira. por causa das músicas sentimentais. com os seus 3. É o tipo do cara simpático. Como êle esperava com ansiedade. o camarada mai s sortudo de todo o seu círculo. E sabem que uma boa balada melosa. talvez. Mas entraram na relação. Era sua q uinta e última temporada nas boates de Hamburgo. “Love me do”. No fim daquele ano. como When I’m Sixty Four. era um editor que só tinha um único empregado. e só foi lançado em janeiro de 1963. em outubro de 1962. É motivo de gozação. O segundo disco dos Beatles. mas ao seu próprio trabalho. De qualquer modo.ao primeiro pôsto com ela. como sempre. Qu alquer um gosta de Dick James. Dick James sempre estivera no negócio. Vieram de Hamburgo par a fazer a gravação e depois voltaram para lá. seja profissionalmente. o New Musical Express realizou. e os rapazes sempre acabam ajudando-se mutua mente. que aparecesse alguma coisa como os Beatles. Os The Springfields foram eleitos como o pr imeiro conjunto vocal com 21. Os Beatles ficaram longe. só por umas duas semanas. apesar de parecer pouco indicado serem êles o conjunto de que G eorge Martin e a Parlophone tanto precisavam.906 votos. seja como amigo. No tempo em que encontrou os Beatles. É milionário. foi gravado a 26 de n ovembro de 62. John e George (acima) foram fotografados em Hamburgo por Astrid. é capaz d e tornar Dick James felicíssimo. êle é muito feliz. Êle procede daquela espécie de ambiente judaico londrino. Please Please Me. É. Êles existiam. A foto dos outros dois teve de ser ligeiramente retocada para combinar com . Dick James é o único elemento do show business tradicional que já ent rou no círculo dos Beatles. o seu concurso de popularidade. As primeiras fotografias de publicidade dos Beatles distribuídas pelo “Par lophone Records” por ocasião do primeiro disco do conjunto.

durante algum tempo. tornando-se. George. apesar de nenhum dêles ser formidável. era cantor profissional. que imediatamente mudou o nome de Dick Vapnick para Dick James. John e George Martin. O primeiro fo i em 1942. quase na mesma época em q ue a família Epstein também viera de lá. Foi aí que êle aprendeu a ler música. no East End. lançado em janeiro de 1963. a canção-tema para a série de televisão.aquela outra. Foi o p rimeiro disco dos Beatles a ocupar o primeiro pôsto nas paradas de sucesso . onde. e sim tocando na banda da unid ade. uniu-se a Geraldo. apresentando-se com Al Be rlin (agora empresário) e sua banda no Cricklewood Palais. Paul. Durante a guerra. Em 1955. ca ntor solista. Seu pa i. sob a direção de George Martin.” Mas conse guia viver bem. Essa gravação chegou ao nono lug . Êste foi Robin Hood . Capa da edição de “Please. Ringo. em 1920. Londres. Jantar de comemoração no Hotel George V em Paris. Please me”. durante uma licença no exército. Estêve com a Decca. Nasceu Richard Leon Vapnick. mas não fêz muito dinheir o para êles. um açougueiro. em 1963. Da esquerda para a direita: Judy Lockhart-Smith (hoje Mrs. depois. se encontrava um brilhante jovem encarregado de artistas e repertório disposto a trabalhar duro com qualquer cantor popular. Em 1952. para festejar a notícia de que “I Want To Hold Your Hand” chegara ao primeiro pôsto m as paradas de sucesso dos Estados Unidos. Aos dezessete anos. Terminada a guerra. Fêz uma série de discos. quando êle cantou com a Primo Scala’s Accordion Band. deu com o costado na Parlophone. nessa época . serviu no Medical Corps. como acontecia com Donald Peers e com David Whitfield. George Martin). “Nunca cheguei ao tôpo. Nunca ninguém ficou histérico quando eu ca ntava. Brian Ep stein está com um penico na cabeça. emigrara da Polônia em 1910. Por muitos anos se apresent ou com a maioria das grandes orquestras da época. e o único pelo qual ainda é lembrado. não fazendo nada medicinal. Dick James gravou seu melhor disco.

O filho de um amigo apareceu.” Continuou a cantar até 1959. Aqu i se encontra a razão pela qual George Martin estava tão ansioso para que os Beatles gravassem aquela música. — “Liverpool? —. Em 1961. Êle saiu correndo para falar com George Martin. convencido de ter. começou a se dedicar à edição de música. Dick estava muito an imado. o pai da atriz Eleanor Bron. de Sil Bron.” Êle completa ra trinta anos. “Disse a George que ela era brilhante. Isso levou a uma apresentação de Dick num spot de quinze minutos na Rádio Luxemburgo. numa produção do b rilhante Philip Jones. Não na minha vida particular. com uma música que não havia conseguido vender a nenhum outro editor. sua companhia já funcionava regularmente. George Martin sabia que aquela era uma boa música comercial. Isto seria trapac ear. não remunera do. o ponto mais alto que os dois haviam alcançado. O que é que você arranjou em Liverpool?”. Help). afinal. Tornou-se assistente. com o roc k and roll. No verão de 62. mas já vinha usando uma peruca há alguns anos. Dick sabia que não havia muito futur o para êle como cantor. pelo jeito que as coisas se encaminhavam.” pergunte i. Apesar do sucesso de Robin Hood. na hora errada. e pers uadiu Dick James a deixá-la com êle por algum tempo. abriu sua própria editôra de música em duas salas da Charin g Cross Road.ar. e assim mesmo só na região de Londres. seu velho amigo da Parlophone. “É claro que só a usava para as apresentações no palco. . para encher seu tempo. to davia êle não havia descoberto qualquer sucesso. um dia. — “Você está brincando. pois queria estar perto de sua mulher e filho. skiffle e o aparecimento de todos aquêles rapazes. Poderia ficar com ela para um nôvo conjunto de Liverpool que êle conseguira. chamada Please Please Me. “Senti que ia haver uma revolução e que eu me achava no lugar errado. Essa música se chamava How Do You Do It. George telefonou-lhe avisando que os Beatles haviam escrito a música qu e iriam gravar. conseguido o que esperava há tanto tempo. que êle considerava excelente. Como o cupação paralela. Em novembro de 6 2. (Ela aparece no segundo filme dos Beatles.

Êsse era Philip Jones. Durante décadas.Dick caiu das nuvens. Garantiu que. Dick James de muitas maneiras havia errado na escolha. Êle teria estado mu ito mais seguro se se tornasse empresário. mas só o contínuo aparecera. que havia produzido suas músicas para a Rá dio Luxemburgo. George Martin contou que estava com B rian Epstein em seu escritório. Dick James havia arranjado a primeira apresentação dos Beatles na televisão de Londres — a apresentação na Tv Granada. Dick pudesse ajudá-lo. mas. Contudo. eu estava em meu escritório quando Brian chegou. Havia esperado vinte e cinco minutos. Dick James havia-se tornado o editor da música dos Beatles. e êle confessou gostar da música e que poderia encaixá-l a num programa. às dez e meia da manhã. Toquei para Philip o Please Please Me. Brian já tinha combinado encontrar outro editor. “ No dia seguinte.” Em cinco minutos. meia hora antes do combinado. Êle acabava de ficar encarregado de um nôvo programa de música popular na televisão. pelo telefone. E. Brian Epstein ficou muito impressionado. chamado Thank Your Lucky Stars. coisa em que havia pensado naquela époc a. E disse que então eu pod eria ter a primeira opção. Dick prometeu auxiliá-lo. de Ma nchester. porém não era tão v erde assim.” “Êle a tocou para mim e eu disse que era a melhor coisa que havia ouvi do nos últimos tempos e perguntei se podia ficar com ela. E também pe rguntou se poderia editar Please Please Me. Um edit or de música pode ser bem sucedido se tiver os compositores certos escrevendo para êle. já que George dizia que ela era tão excelente. quando decidira tornar-se editor de música. talvez. Falou que êle não conhecia ninguém em Lond res. Disse que tinha ido ver aquêle outro editor . poderia ficar com a música. Com o aparecimento . os editôres existiram graças à venda de músicas no pa pel. na hora do a lmôço. Dick pegou o telefone e ligou para um de seus velhos amigos. no dia seguinte. em vez de continuar cantor. havia sido só no Norte.” Brian Epstein havia saído há pouco de Liverpool. “Pelo telefone eu arranjei a coisa. se Dick James conseguisse alguma promoção para o conjunto. mas informou a Dick que depois viria conversar com êle para saber sua opinião. T ôdas as taxas de direitos autorais são divididas meio a meio entre o composi tor e o editor. Pelo telefone.

êle voltou a escrever sôbre os Beatles. Estava tentando conseguir alguma coisa com o George Harrison do Liv erpool Echo. Hoje. local ou nacional. mais tarde. 21 EM VIAGEM Os Beatles começaram o ano de 1963 com um disco no mercado e outr o em vésperas de ser lançado. Haviam encontrado George Martin e Dick Ja mes. Acabou mantendo o pôsto quando estêve na Durhan University. quando ainda estudava na escola em Crosby. o crítico de discos do Liverpool Echo em 1962. parecia que a Decca ti nha gostado da audição e ia gravá-los. a primeira vez que os Beatles foram mencionados pela imprensa. êle ainda é o Disker. Ao encontrar os Beatles. Brian Epstein es tava achando muito difícil conseguir-lhes alguma publicidade. Tony Barrow não teve vontade de escrever sôbre êl es novamente.dos discos. a grande oportunidade de Dick James começou a raiar. o fim das fôlhas de música estava com seus dias contados. Encontrou Tony Barrow e pediu-lhe cons elho de como conseguir . uma vez que seu c onjunto tinha um disco no mercado. Contudo. aos dezessete anos. Mas quando o Love Me Do foi lançado. quando entrou para a Decca. Qu ando tudo desmoronou. Tony Barrow tornara-se o Disker em 1953. Quando Brian lhe escreveu. pela primeira vez. Escreveu novamente ao Disker. e quando as pessoas deixaram de tocar piano em casa. em sua co luna. esc revendo capas para êles. Tony Barrow escreveu um pequeno par ágrafo sôbre isso. Já estavam com data marcada para aparecer em seu primeiro programa de televisão em Lon dres. Brian passou a vir a Londres mais freqüentemente. perto de Liverpool. e. ainda eram completamente desconhecidos. e ficara muito surprêso ao receber uma carta da Decca de Lo ndres. sem nenhum sucesso. assinada por um tal de Tony Barrow. apesar de também ser o principal agente de imprensa dos Beatles.

Ela era baseada em coisas já escritas por Brian. sentado em meu escritório na Decca. Afirmav a que a côr predileta de John era o prêto. Mas Miss Cleave tomou conhecim . Tonny Barrow deixou a Decca e começou a trabalhar em tempo integra l para a Nems. a EMI também divulgou uma nota sôbre os Beatles. Em 16 de f evereiro. alcançou o primeiro lugar nas paradas de sucesso e êles voltaram a escrever sôbre êl e. Durante seis meses. êle mandou uma série enorme de notas. O primeiro artigo. detestava cabeças duras e o jazz tradicional. tinham a mesma ambição: ganhar muito dinheiro e se aposentar. Segundo elas . então coloquei-o em con tato com a imprensa especializada. segu ndo êsse release. que por sua vez se baseavam nas cartas dos admiradores. Então. especialmente o Please Please Me.publicidade. para acompanhar seu primeiro disco. em outubro de 1962. E também não tinha uma lista de correspondência.” E ra Andrew Oldham. e depois se tornou empresário dos Rolling Stones. em 12 de janeiro. “Brian não sabia como se promovia um disco. “Peguei um publicitário que encontrei na cantina da BBC. e durante seis meses o único. em fevereiro de 1963 e assinado por Maure en Cleave. Êle concordou em partilhar sua lista de correspondência e me deixar usar seu enderêço. vinha: ônibus. que mais tarde trabalhou durante algum tempo para Brian Epstein. num escritório de uma sala em Monmouth Street. Depois de marca predileta de carro. num jornal nacional foi no London Evening Standard. escrevi a primeira nota oficial para os Beatles. que êle gostava de comida tempe rada com caril e de Carl Perkins. Na mesma época. a primeiro de maio de 1963. A julgar pel as outras publicações da época. Todos os membros do conjunto. e êles ainda eram muito desconhecidos no negócio de discos. quando seus discos for am lançados. Na oportunidade.” Êle ainda não conhecia o conjunto e não podia usar seu próprio nome ou telefone. sua ambição era tornarem-se artistas completos. esta não era a ambição exata. O Please Please Me não havia chegado ao primeiro lugar. declarou que não tinh a um agente de imprensa e perguntou se poderia ajudá-lo. Os jornais sôbre música escreveram sôbre êles. a maioria dos quais ficou ignorada. o primeiro escritório de Brian Epstein em Londres. mas os jornais ignoravam o conjunto tranqüilamente. pois era empregado da Decca.

êle fa lava sôbre a apresentação que os Beatles fariam no programa de televisão Thank Your Lucky Stars. êles nem pareciam notar. “Só a partir de out ubro de 63. que ainda estava para ser lançado. não só os de Liverpool. E m sua coluna chamada Over the Mersey Wall. mas os jornais nacionais. No dia 5 de janeiro de 1963. Então. dizia que os fãs dêles em Liverpool obrigaram a Tv Granada a filmá-lo s. Esperaram que a verdade lhes entrasse pelo s próprios olhos. Ela descrevia como êles e ram naturais e engraçados. por meio de um amigo de lá e de outras pessoas. narra Tony Barrow. com as pontas para a frente. Em seu arti go. “Apesar de os jornais de música terem feito alguma coisa. já se extasiavam com êles. No entanto. Descrevia o penteado à moda francesa. e por isso a imprensa nã o sabia como divulgar o fenômeno. já não havia quem os segurasse. já que êle teve origem no Continent e. o P lease Please Me — sem revelar que êle trabalhava como agente de imprensa d os Beatles. Os jovens de todos os lugar es. mas não era verdade. o Disker fêz uma longa crítica de seu segundo disco. Êsse er a o nome correto para aquêle penteado. para o cabelo dêles. passou a ser a vez de se gabar de ter o mesmo nome que o fabuloso Ge . Apesar de serem ignorados no âmbito nacional. Subiram ao primeiro lugar da parada de sucessos com o seu segundo d isco. Êle dizia que esta apresentação fôra gravada antes que o Please Please Me che gasse ao primeiro lugar.” “Diria que fui eu quem fêz os Beatles. mas agora estavam preocupados em que o conjunto deixasse a cidade.” Êsse fato nunca tinha ocorrido na Inglaterra. pela primeira vez. A imprensa nacional demorou a perceber a existência dêles. O famoso George Harrison também estava fazendo a cobertura dêles. achavam que êles fôssem notícia ou merec essem uma palavra. nem por isso. E chamava a atenção. entretanto.ento de seus admiradores em Liverpool. conseguimos algo. Alguns meses mais tarde. no dia 21 de fevereiro. os Beatles estavam co nseguindo uma boa cobertura em Liverpool. e se perguntava — na coluna — se os Beatles seriam um conjunto a m ais de um único sucesso. para então poderem revelá-la. nunca consegui interessar um repórter a escrever sôbre Beatles”.

quando êle ainda estava vendo se interessava as gravadores pelo seu conjunto. êle se tornou o promotor de tôdas as excursõe s do conjunto pelo país. um dos primeiros sinais do fanatismo d os fãs em conseguir relíquias dos Beatles. e ver se conse guiam.orge Harrison integrante do grupo. A primeira excursão de que os Beatles participaram. Isso não significava grande coisa. eu estava em casa e recebi um telefonema. havia alcançado fama. Um ca ra dizendo chamar-se Brian Epstein estava falando de Liverpool. “Num sábado à tarde. Pois já lhe haviam contado que êle era o promotor das tournées de Cliff R ichard. Isso foi em 1962. Êles precisavam sair de Merseyside e se tornarem conhecidos no país inteiro. exceto uma. Harrison e Starkey também começaram a ser incomodados. porque os espetáculos eram apresentados em bloco . Êle. Liverpool”. entre pequenas e grandes atrações. Fazer uma grande tournée era uma forma de promo ver o disco. Os moradores de Liverpool que possuíam o sobrenome Lennon. o empresário. McCart ney. fazia muito tempo . O grande resultado de ficar entre os Vinte Mais era não conseguir que o Liverpool Echo escrevesse a seu respeito. Ficou surpreendido quando conseguiu o telefone da casa dêle e descobriu que êle morava em Peterborough. Arthur Howes. exibindo-se uma noite em cada lugar. em auditórios diferentes. Êle inform ou que tinha . mas obter uma excursão nacional. queria conserv ar os próprios cabelos. cujos integrantes se criaram ali. foi a de Helen Shapiro. Era a estrêla do programa. ao se tornar a primeira de uma grande série de cantoras adolescentes. já era um sucesso no gênero. não fazendo questão de distribuí-lo aos outros. em fevereiro de 19 63. o mesmo sucesso obtido nas platéias de Liv erpool. com garôtas desconhecidas a telefonar-lhes durante tôda a noite. Mas ao descobrir os Beatles muito ante s que êles chegassem ao primeiro lugar. Êle promovia tôdas as tournées de Cliff Richard. Brian procurava entrar em contato com Arthur Howes. Êle contou que recebia toneladas de cartas felicitand o-o pelo aniversário e endereçadas a — “George Harrison. pois seria como tocá-lo ao vivo para todo o país. Chega va a receber até pedidos de mechas de seu cabelo. por sua vez. Uns dois anos antes.

e via em Brian um grande homem de negócios. não pode haver romance. creio que demorou seis meses para que êles acontecessem. “Eu me agradei dêles como conjunto. mais uma vez! Mais um conjunto com um nome engraçado! “Porém. aquela atit ude não me surpreendeu. decidiu colocá-los na tournée de Helen Shapiro. Se não funcionam. a não ser as despesas para virem de Liverpool. fracasso total. Causou ótima impressão. Já estávamos sentindo-nos confinados e cansados. Foi a primeira vez que se apresentavam num teatro fora de Merseyside. logo vinha outro diferente. Meu conceito se baseia estritamente pela bilheteria. Isso não representava muito. “Na minha opin ião. todavia. meu Deu s. então. sem tê-lo ouvido primeiro. lá estamos nós em outra enrascada. Já o segundo disco dêles estava lançado. Detestamos voltar a Hamburgo naquelas duas últimas v . conta John. Para um empresário. Quando a gente se enchia de um palco.” Êle não lhes pagou nada. mas hav ia poucos sinais de que chegaria à primeira colocação. pensei. A apresentação dêles realizou-se no Embassy Theatre. em Peterborough . Disse que o nome do conjunto era Beatles. s e o quisesse. no qual êles poderia m entrar. O auditório era fanático por êle. mas prendia os Beatles a êle. Não passavam de mais um conjunto completando o programa. sem problemas. Arthur contratou-os. eu nunca recusava um conjunto. Fo i um fracasso completo. gostou da aparência dos Beatles e os colocou e m outro teatro perto de Peterborough. não há renda.” Em janeiro de 1963. Aquela foi uma das noites em que “a platéia senta nas mãos”. Julguei que um conjunto ruim poderia ter -lhe roubado uns dez minutos. “só sair de Liverpool e abrir novo s caminhos. Oh.um grande conjunto e indagava sôbre a possibilidade de encaixá-los em algu m programa. e. Arthur Howes. com o diz Arthur Howes. e eu ri.” “Sempre estávamos fazendo as malas.” “Viajar foi um alívio”. “Era um show de Frank Ifield. In formei-lhe. quando êles partiram em fevereiro. Sem se imp ortar. Novamente. após o lançamento do disco. Apenas trabalho árduo. que havia um show em Peterborough. Tínhamos passado daqueles palcos de Hamburgo e queríamos que aquilo acabasse. por isso.

” Os Beatles ainda eram um conjunto de rock and roll. é que êles começaram a obter uma grande reação da platéia. Só bem mais tarde. Twist and Shout fo i a incluída em suas apresentações por essa época. Um empresário de um dos ditos estrelas tinha i mplicado conosco. Todos êles se conheciam tão bem. Entretanto. cobertos com aquela droga. . quando Brian nos colocou num show. Uma vez. continuavam a gostar de rock a nd roll. Talvez seja a música mais no estilo rock and roll que êles já executaram. o auditó rio sempre se manifestava assim. Naturalmente. A gente ocupava o t erceiro lugar no programa. por algu m tempo.” “Fazer uma tournée de verdade pelos teatros era um negócio genial. O que geralmente ac ontecia é que John e George dividiam um quarto e eu e Paul dividíamos out ro. A gente ignorava muita coisa. Lá. sôbre seu ajustamento aos demais. “Helen era a estrêla”. Apesar de estar no programa. êles não causaram a mínima s ensação. e não entendia nada de maquilagem. tínhamos tocado no Empire. “Ao chegarmos aos hotéis. Saímos por ali como peles-vermelha s. porque nun ca havíamos feito shows de palco. “Viajar com Helen Shapiro e tocar em teatros de verdade. Seus olhos estavam surpreendente s.” John se lembra de alguns gritos de aplauso. “Tinha uma televisão em seu camari m e nós não tínhamos. A gente não estava conseguindo casas cheias. eu s empre imaginava com quem iria ficar. Creio que demorou muito a gente perceber aquela história. Aquilo já tinha enchido as medidas!” “Foi uma grande emoção”. Ringo ainda ficou preocupado. de Liver pool. conta Ringo.” No início da tournée de Helen Shapiro. quando o segundo disco dêles começou a se apr oximar dos primeiros da lista de popularidade. Êle não queria que nós entrássemos no show. mesmo muito depois de todo o mundo passar a tocar e se parecer com os Shadows. Penso que foi assistindo ao Frank Ifield. mas pelo menos figurava no programa. Creio que lá não se tem muito que fazer. “A gente sempre arrancava gritos de aplausos na Escócia. Achamos que devíamos experimentar aquêle negócio.êzes. lembra Ringo. A gente tinha de pedir a ela para assistir um pouco. em Glasglow. apenas para têrmos o que fazer.

Arthur H owes mandou-os. o Liverpool Sound era uma expressão que to dos começaram a usar.” A única lembrança que Ringo tem daquela tournée com Helen Shapiro fo i a de êles terem sido expulsos de uma festa. “Acho que foi em Carlisle. Em abril. Summer Holyday. Êles eram freqüentemente convidados a escrever músicas para outra s pessoas. logo passaram para o primeiro lugar em vendas. Êste LP ficou nas listas dos mais vendidos durante mais de seis mes es. muitos dêles de porre. Nêle estavam incluídos os dois lados de seus dois primeiros discos. imediatamente. Me To You. Estava cheio de “almofadinhas”. Depois daquela tournée. além de Twist and Shout. Êsse . From. para outra. “Nunca sabíamos onde estávamos. A receptividade aos Beatles aumentava em cada nova apresentação. êles principiavam a ficar bem conhecidos no mundo da música popular.” John tem uma lembrança geral das excursões. H avia um baile no hotel em que estávamos hospedados e nós resolvemos ir dar uma olhada. com a música que o s Beatles se haviam recusado gravar. A Taste of Honey e outras. A apresentação dêles no programa de televisão Thank Your Lucky Stars ajudou a venda do disco. O sucesso de Please Please Me levou ao primeiro LP dos Beatles. Os Beatles ocupavam o terceiro lugar do prog rama. Escreveram uma para Helen Shapiro. How Do You Do It. estavam recebendo tantos aplausos quanto Helen Shapiro — a estrêla do pr ograma. Essa começou em março de 1963 e as estrêlas eram Chris Montez e Tommy Roe. logo tomou o prime iro pôsto de Please Please Me. Dava tudo no mesmo.tudo estava sempre muito bem. com o sucesso de Please Please Me. foi lançado o terceiro disco simples. Gerry e os Pacemakers. que s aiu em abril de 63 e tinha o nome daquela música. Ag ora. Um nôvo disco de Cliff Richard. êles passaram a ser mais conhecidos dos fãs de música popular. No f im da tournée.” Quando o Please Please Me alcançou o primeiro lugar das paradas de su cessos. Expulsaram-nos p orque estávamos mal-ajambrados — e acredito que estávamos mesmo. porém não consegue lembr ar-se de coisas como os nomes de cidades ou lugares de qualquer tournée qu e êles fizeram. Em março de 1963.

John e Paul compuseram o From Me To You. de Manchester. O disc jockey Keith Fordyce escreveu que “o canto e a harmonia. “Nós não podíamos revelar. de um modo geral. usando nos títulos palavras fàcilmente identificáveis pela audiên cia. Elas foram passadas na casa-de-férias do pai de Klaus. diz Ringo. Foi a única excursão dêles. apesar do s ucesso do conjunto. Antes de iniciá-la. Nós nos sentíamos embaraçados com nossa aparência limpa e com nossos ternos novos. Paul quase morreu: ao nadar afastou-se muito da praia. mas Brian Epstein resolvera que o conjunto deveria realizar uma. não gostávamos de volta r a Liverpool.. que Arthur Howes n ão promoveu. que também chegou ao primeiro lugar. “A gente andava por lá se gabando”. aproveitando a fama de seus discos. quando o terceiro disco do conjunto foi lançado. sendo levado para o alto-mar. Os dois escreviam as letras em linguagem muito simples. “Ér amos um conjunto profissional. dessa vez com Ro y Orbison. como ME e YOU.” John se sentia um pouco embaraçado ao voltar a Liverpool. Do You Want To Know A Secret?. Sempre que podiam. chegou ao primeiro lugar e recebeu um disco de pra ta. são bons e há muito brilho. tiveram pequenas férias em Tenerife. Quando dávamos um espetáculo lá. botou um J no meio de seu sobrenome e deu-lhe um nôvo co njunto para o acompanhamento. mas. com quem sempre mantinham contato. voltavam a Liverpool. Tinham o compromisso para outra excursão em maio. enquanto viajavam durant e o Helen Shapiro Tour. o amigo de H amburgo. h avia pessoas que comparavam seus discos e afirmavam que êles já estavam por fora. e eu não considero que êst e disco seja tão bom quanto os dois precedentes”. os Dakotas. A maioria dos membros de conjuntos ainda mantinha seus emp regos normais. nas Ilhas Ca nárias. Naquele mês êle não tinha nenhuma tournée programada. como Please Please Me. durante as excursões ou em quaisquer intervalos. Brian ainda contratava outros artistas de Liverpool. contrat ou Billy Kramer. na Inglaterra. Assim. Ficávam os aborrecidos . John e Paul escreveram uma música para êle. Nessa ocasião. na verdade. Já em abril de 63. como sempre fizeram. A letra é comercial. a platéia estava sempre repleta de gente conhecida. Êsse negócio de sermos heróis nos deixava nervosos.

apesar de tais ocorrências não transpirarem no s jornais. nem tudo estava sempre bem para Neil Aspinall. Victor Silvester. no hotel ou em qualquer o utro lugar onde aparecessem. a g ente se escondia atrás das cortinas e cochichava um para o outro: adivinha o que vem agora . Embora Brian tenha mudado muito a aparência do conjunto. ouvi ndo os tremendos aplausos que êle estava recebendo. Mas. “E agora uma canção daquele Red Ho t Gospel-sinsing Mama.” Em qualquer entrevista que con seguiam sôbre música popular. enquanto os Beatles faziam a última. E. tudo corria bem. Quando se aproximava nossa vez. uma vez que entrávamos no palco. A platéia jogava-lhes bala s de jujuba — depois de George ter caído na asneira de dizer que gostava delas — e êles e ram cercados por verdadeiras multidões no teatro. Roy Orbison figurava no mesmo programa que os Beatles. Foi a primeira tournée. uma vez que começaram as tournées. pois as ignoravam. êles começaram a armar conflitos. co mo os astros principais do espetáculo. de uma certa forma. Em Glasglow.com o fato de nossos amigos pensarem que nos havíamos vendido. na qual êles eram os astros do programa. sempre se repetindo o circuito dos mesmos lugares. de pé no palco. sentiram que começavam a obter a mesma reação que conseguiam no Cavern. em maio de 1963. “A platéia sempre pedia que ê le cantasse mais. No entanto.” Durante sua terceira tournée. Em seu artigo no Evening Standard. meu chapa. êles permaneciam os mesmos diante dos caras que as escreviam. Maureen Gleave declarou que os quatr o eram uma nova versão dos Irmãos Marx. faziam introduções engraçadas. em Liverpool. Agora. era . com Roy Orbison. cantando musiquinhas melosas e se alguma coisa não dava certo. Êle estava só. cantando sem se mover ou fazer qualquer gesto. Em todos os lugares por onde andaram. lembra Ringo. nós estávamos todos no fundo do palco. “Era horrível segui-lo”. mas êle fazia a penúltima apresentação do show. seu geren te de viagens. As coisas não haviam sid o tão ruins em Liverpool. era verdade. êles ainda faziam suas gracinhas no palco. Foi na tournée com Roy Orbison que começou o câmbio-negro no preço d os ingressos para as apresentações dos Beatles.

Hoje. Apenas. “Em cinco semanas de viagem. mas é pura verdade. um nôvo hotel. e ficou com êles durante todo o tempo em que realizaram tournées. “Havia problemas com os microfones em cada apresentação”. um nôvo teatro e novos problemas todos o s dias. Tinha estabilidade. “Nenhum teatro os colocava como queríamos. muito inteligente. foi contratado. Fazia parte do trabalho dêle apanhálos tôdas as noites e ajudar a instalá-los e a sua tralha. para se unir aos Beatles. quando os Beatles apareceram e transformaram sua vida. Mal é grande e corpulento. Baixei de setenta quilos para pouco mais de cinqüenta. mas coro opiniões próprias e de forma nenhuma um yes-man. ambos ainda continuam com êles. em Liverpool.” Por isso. Êle se parece um pouco co m George. Malcolm Evans. Isso nos deixava malucos. buscando roubar pedaços do seu equipamento. Êle tinha vinte e sete ano s. Brian. férias pagas e uma pensão para quando . lembra J ohn. em Allerton Road.” A maioria dos gritos era com Neil. passou a ser muito difícil para Neil fazer tudo sòzinho. casado e com um filho. o leão-de-chácara do Cavern. Mal trabalhou onze anos como especialista em telecomunicações. como gerente de viagens.uma nova estrada. êle nos fazia sinal d izendo que aquilo era tudo o que podia fazer. pagando a amortização de uma casa com varanda. Neil é magro. de coração aberto. perdi mais de dezoito quilos. Êle se juntou a Neil. Êles colocava m os microfones como se fôsse para uma noite de amadores talentosos. colocando-os em perigo físico. Talvez fôsse porque ê les não levavam nossa música a sério. porque fiquei sem comer ou dormir por cinco semanas. tranqüilamente eficiente. Então. Ne il abandonou uma carreira de contador. natureza boa e fácil de levar. Não havia t empo para isso. À medida que os fã s começaram a cercá-los. ficava na cabina de contrôle e nós gritávamos para êle. às vêzes. como seus amigos e companheiros mais próximos. nada adiantava. Ninguém ac redita nisso. mas êle já estava bem adaptado ao mesmo. O emprêgo de Mal era menos importante. Mesmo quando a gente ens aiava de tarde e lhes explicava como queríamos os microfones. orgulhoso possuidor de seu primeiro carro e de um b om salário de quinze libras por semana. Ou êles fica vam na posição errada ou não estavam suficientemente altos.

como eu nunca havia notado antes. Fui andando por ela e dei com aquela boate. na verdade. tomando conta da porta. Onde está o meu Jumbo. Pedi a um baterista de outro c onjunto que me ajudasse. em Londres. mas isso não adiantav a nada para Ringo. em 1962. Antes. consistia em dirigir a camioneta que transportava o equipamento para o pró ximo teatro em que êles iam tocar. Até hoje aquilo para mim é um mistério. Aquêle dia quase foi o fim. Contudo. Brian lhe pediu que deixasse os correios e se tornasse o segundo gerente de viagens dos Beatles. em 1963. jamais tinha visto uma bateria de perto. Parecia seguro para o resto de sua vida. Os artistas. “Antes. quando. antes que o conjunto chegas se.” E êle aparecia lá com tanta fr eqüência. perguntou. Neil me ajudou nos dois primeiros dias. Um dia. Êle já estava funcionando como leão-de-chácara em parte de seu tempo.” “Era ótimo conhecer tôdas as pessoas que eu havia visto na televisão. quando eu perdi a guitarra de John. logo perce bi que aquelas pessoas estavam sendo simpáticas comigo. “Vi aquela pequena rua chamada Matthew Street. Durante sua primeira semana com os Beatles. saiu de seu trabalho nos correios e decidiu dar uma volta pelo Pier Head. parecendo um pouco com Elvis P resley. apenas me . mas a primeira vez que eu fiquei encarregado de tudo foi horroroso. Mal calcula que foi despe dido umas seis vêzes. Ainda sou assim.” “O pior aconteceu no Finsbury Empire. tentando conhecer-me. Eu não sabia onde colocar as coisas. O trabalho de Mal. o Cavern Club. Era uma que êle vinha usando há anos. Instalava-o e testava-o. guardava tudo na camioneta e tomava conta do mate rial até a próxima parada. e as sim não precisaria pagar entrada. eu nunca e stivera numa boate. Eu n ão entendia bulufas daquilo. Neil cuidava dos Beatles. O cara colocou as coisas ao gôsto dêle. me fascinavam.se aposentasse. O palco era enorme e fiqu ei de cabelos brancos. rock de verdade. durante aquêles anos de viagens. Depois do espetáculo. onde geralmente êle passeava em suas horas de almôço. que lhe sugeriram que se tornasse leão-de-chácara. E eu não sabia. Então paguei um shilling e entrei. Ela simplesmente desapareceu. Ignorava que cada baterista gosta de seus pratos a uma altura determinada. Ouvi aquela música saindo.

achando que nós gostaríamos de vê-los. comecei a notá-los a mil has de distância”. aquilo queria dizer apenas “cripl les” (aleijados). Êsse foi um aspecto da adoração ao conjunto que nu nca chegou aos jornais. Enquanto os fãs gritavam e o aclamav am. além do mais. não eram feitos de platina nem nada. quando chegávamos ao t eatro.usando para se aproximarem dos Beatles. mesmo na s primeiras tournées. o s Beatles eram caras simpáticos e bonzinhos. Que podíam os fazer? Não eram capazes de se locomover sòzinhos. — Isso significa va que era preciso a gente livrá-los de alguém”. “Até ali ê les tinham sido quatro caras adoráveis. Às vêzes eu ficava me roendo e não sabia o que responder. Costumavam ficar no camarim. Era terrível. Então. era o camarim antes das ap resentações. “Tudo corria bem com êle”. com o tempo. mas. descobri que eram uns caras comuns. ambos concordam. ” “Minha opinião sôbre os rapazes logo mudou”. E nem precisava brigar fisicamente com nenhum. êle conversava com êles e soltava piadas. “Eu tinha que cuidar daquilo tudo ”. “Indo na frente para aprontar as coisas. Fotografias dos aleijados sendo carregados para fora dos camarins . A princípio. Eu apenas ia levando. já que éramos uns caras tão adoráveis. E. então Mal e eu mesmo tínhamos de carregá-los para fora. Na opinião pública. Êle era popular às pampas. quando alguém estava excede ndo-se.” A pior parte das tournées. “até que a gente passasse a ter um encarregado de imprensa.” “Quando as coisas ficavam pretas demais. A gente não podia evitá-los. polícia e pessoal de teatro. Neil”. diz Neil. Uma noite. enquan to ao lado de fora os admiradores tentavam penetrar.” “A gente sempre tinha dezenas de aleijados para nos verem. Eu olhava para êles como se fôssem uns deuses. lembra Neil. John ou um dos outros gritava — “Cripples.” Alguns até achavam que a simples presença física dos Beatles iria cu rá-los miraculosamente. continua Mal. a gente passou a ter pela frente maior número de aleijados. Mal recebeu uma mordida no pescoço. veio a significar qualquer pessoa que es tivesse atrapalhando. Cedo. Ficava cheio de repórteres.” “À medida que o número de admiradores dos Beatles aumentava. A gerência os deixava entrar. eu ainda tinha que arranjar a comida.

continuavam sendo. escutei alguém gritando. Julia. porém desconhecidos no resto do país. Porém. Ent ão sua festa foi feita na casa da Tia Jinny. Os Fourmost. sabiam disso. Em “tournée”: de 1963 a 1966 suas chegadas e partidas do Aeroporto de Lond res tornaram-se uma fotografia corriqueira nos jornais ingleses. Essa festa acabou numa grande bebedeira. no Sefton General Hospital. Êsse grupo era constituído por Roger McGoug . com todos os conjuntos de L iverpool tocando lá. apresentando-se nos seus velhos palcos de Merseyside entre as tournées. parecendo muito nervoso. como é natural. John partiu para umas férias na Espanha com Brian. e tive de sair correndo. “Quando eu empurrava Julian em seu carrinho ali por Woolton. Aqui. de forma que êle não podia fazer uma festa em sua casa na Forthlin Avenue.” — “Lá vai um dê les —. Isso foi em abril de 63. por motivo do nascimento de seu filho Julian — que recebera êsse nome por causa de sua mãe. No canto direito. simplesmente. Eu respondia que não. à medida que êles percorri am o país. eles estão partindo para as Bahamas. Conflitos iam surgindo naquelas tournées. está Brian Epstein (Foto Express) Cyn mudou-se do pequeno apartamento que êles tinham no centro de Liverpool e foi morar com Mimi na Menlove Avenue. Quando foi visitar Cy n. John seguira para casa. e acontec ia nas suas festas de boas-vindas. Êles já eram bastante conhecidos em L iverpool. quando voltavam de Hamburgo. Tôdas as suas fãs. no vigés imo primeiro aniversário de Paul.” Êles ainda tinham Liverpool como sua base. que também h aviam sido contratados por Brian. em junho de 1963. quando sua mãe morreu. Só fizeram sua últ ima apresentação. “Alguns me reconheceram. no Cavern Club. O mesmo acontecera no aniversário de Ringo. uma das duas tias que haviam a judado seu pai. em 1965. várias pessoas chegavam perto de mim e perguntavam se e u era Cynthia Lennon. tocaram e o mesmo aconteceu com os S caffold. teve que usar um disfarce para que ninguém percebesse su a presença. em 23 de agôsto de 1963. um conjunto recém-formado em Liverpool. um conjunto de Liverpoo l. Alguns dias depo is do nascimento de Julian.do conjunto não teriam sido uma coisa muito própria.

h, o poeta de Liverpool, John Gorman, um comediante e dono de boutique, e Michel McGear, antes chamado Michael McCartney, irmão de Paul. Michael ainda trabalhava como cabeleireiro, mas aparecia, nas horas vagas, com os Scaffold. Uma vez que Paul se havia tornado famoso em Liverp ool, Michael mudara seu nome para qualquer trabalho de palco, para não ser acusado por quem quer que fôsse de estar se aproveitando da fama de seu irmão. E êle também se recusava a cantar. Durante essa festa, John arrumou uma confusão com um disc jockey local , que havia feito muito pelo conjunto, antes de Brian se se encarregar dêles . “Eu amarrotei o cara”, conta John. “Quebrei os cornos dêle. Eu estava de porre e êle tinha me chamado de bicha.” “Depois dêsse incidente, êle me processou por lhe ter batido. Paguei-lh e duzentas libras para resolver a questão. Essa foi provàvelmente a última br iga feia que eu tive.” Essa festa marca o fim de uma era. Foi o princípio do fim da violência agressiva de John. Era o comêço do fim de todo o estágio de suas carreiras em Liverpool, pois suas tournées estavam, finalmente, recebendo a devida atenção nacional . De volta a Londres, em agôsto de 1963, êles produziram o quarto disco, She Loves You, que marcou o início do iê-iê-iê e de sua fama nacional. Live rpool, agora, passou a ser o lugar de onde êles vinham.

A fotografia comum dos Beatles nos Estados Unidos tornou-se a de multidões quebrando todos os recordes para assistir às suas apresentações ao ar livre . Aqui eles estão tocando em Seatle, 1964 (Foto Express) 22 BEATLEMANIA A beatlemania invadiu as Ilhas Britânicas, em outubro de 1963, quand o o escândalo Christine Keeler-Profumo começava a ser esquecido. E lá ficou por três anos, espalhando-se, nessa mesma época, pelo mundo todo. Era uma gritaria contínua e o iê-iê-iê ecoava da garganta de adolesce ntes histéricos de tôdas as classes e côres. Poucos podiam ouvir os Beatles, por causa do barulho que faziam. Tornavam-se emocional, mental e sexualmente excitado s. Espumavam pela bôca, explodiam em lágrimas, atiravam-se em direção a seus ídolos, ou si mplesmente desmaiavam. Durante três anos seguidos, isso acontecia em alguma parte do mundo . Cada país testemunhava as mesmas cenas de loucura em massa, cenas incrí veis que ninguém imaginava ocorrer, e que provàvelmente não se repetirão. Hoje, tudo parece um sonho; contudo, foi ainda ontem que aconteceu aquilo. É impossível exagerar a beatlemania, porque ela já era o próprio exag êro. Para aquêles que não acreditam, todos os grandes jornais do mundo têm milhares de recortes e fotografias em seus arquivos, contando os acontecimentos lance p or lance e à medida que êles se sucediam. Uma vez, a beatlemania parou, em 1967, e todos estavam tomados pela exaustão ou pelo tédio, sendo difícil acreditar que isso chegasse a aconte

cer. Como podiam ser tão loucos? Pessoas de tôdas as idades e cultura acabavam sucumbindo, t alvez não tão histéricas quanto os adolescentes. Os líderes mundiais e personagens famosos, que freqüentemente vinham criticando ou prevenindo contra essa loucura, faziam referências aos Beatle s, para mostrar que estavam por dentro, dando a conhecer que também sabiam haver ocorri do tal fenômeno de alucinação em massa. Isso ocorreu repentina e dramàticamente, na Inglaterra, em outubro de 1963, e Brian Epstein diz que não estava preparado para tal. Êles estavam pr eparados para o sucesso, porque já o estavam obtendo. Êle não estava preparado era pa ra a histeria. She Loves You, que fôra lançado no fim de agôsto, chegou ao primeir o lugar, seguindo o caminho dos dois discos anteriores do conjunto. Desde junho, mesmo antes de a música ter um título, milhares de fãs já haviam encomendado o di sco seguinte dos Beatles. No dia anterior à sua colocação à venda, já havia uma reserva de quinhentos mil discos. Em setembro, os Beatles chegaram a uma posição singular na Inglater ra. Eram os campeões em vendas com o long playing Please Please Me, com o extended play Twist and Shout e com o comum She Loves You. Porém, foi só na noite de 13 de outubro de 63 que os Beatles deixaram de ser apenas um apreciado conjunto de música popular, para se tornarem no tícia de primeira página em todos os jornais do país. Foi nessa noite que êles estrelaram o programa num show no London P alladium, e que foi televisado como Sunday Night At The London Palladium. Uma platéia calculada em quinze milhões de espectadores assistiu ao show. A Argyll Street, onde o Palladium está situado, foi sitiada pelos fãs durante todo o dia. Os repórteres começaram a chegar, quando souberam daquel a multidão. A porta do palco estava bloqueada pelos admiradores, montanhas de presentes e pilhas de telegramas. Lá dentro, era quase impossível ensaiar, tal a grita ria contínua e incessante que os milhares de fãs faziam na rua. Outras estações de televisão vieram, com o pessoal do departamento de

jornalismo, apesar de o show estar sendo apresentado por uma concorrente. A polícia, tomada inteiramente de surprêsa, foi incapaz de controlar a multidão. Ficou estabelecido que o carro para a saída dos Beatles deveria ficar estacionado na porta do teatro, pois todos esperavam que êles viessem pela porta do palco. O car ro dêles, nessa época, era um Austin Princess. A velha camioneta de Neil ti nha sido abandonada, assim que o conjunto começou a fazer sucesso. A polícia, inteligentemente, afastou um pouco o carro da porta do teat ro, tentando escondê-lo. Os Beatles, quando saíram, conduzidos por Neil, tiv eram de procurá-lo, depois de terem corrido uns trinta metros no meio da multidão, para entrar n êle, sendo quase mortos no trajeto. No dia seguinte, a primeira página de todos os jornais continha longas histórias com enormes fotografias daquele povo histérico. Os artigos não fa lavam se o conjunto tinha tocado bem ou mal, mas sòmente da confusão que houve. “A partir daquele dia”, conta Tony Barrow, encarregado de imprensa do conjunto, “tudo mudou”. “Meu trabalho nunca mais foi o mesmo. Depois d e levar seis meses telefonando para os jornais e recebendo um não. Agora, eram todos os repór teres de jornais nacionais que viviam atrás de mim.” Juntamente com Brian e outros auxiliares, seu trabalho passou a ser uni camente o de selecionar os jornalistas que poderiam entrevistar os Beatles. “Antes daquilo, eu nunca tinha sido um publicista. A maior parte dos c onjuntos tem seus publicistas, isto é, caras que vivem bolando golpes de pub licidade. Eu não entendia nada daquilo e nunca tinha feito semelhante serviço. De q ualquer forma, penso que Brian era contra qualquer golpe de publicidade. Nós nunca usamos êsses processos, nem precisávamos”. Na quarta-feira seguinte, Bernard Delfont divulgou os nomes dos figu rantes do maior espetáculo do ano, conforme a opinião dos show business — o Royal Variety Performance. Marlene Dietrich era uma das componentes do programa. Os Beatles excursionavam novamente, quando a relação foi publicada. Estavam em Liverpool, para se exibirem no Southport Ballroom, quando vei o a notícia. Todos os jornais nacionais mandaram seus repórteres e fotógrafos, de suas sucurs ais em Manchester, para saber a opinião dos Beatles com aquela notícia. Es peravam, evidente-mente,

alguma observação satírica a respeito da família real, mas, para alívio de Br ian, não houve nada disso. O Royal Variety Show estava marcado para o dia 4 de novembro. Antes disso, êles continuavam a excursionar pela Inglaterra e foram até ao exter ior — à Suécia. Na Inglaterra, cada apresentação resultava nas mesmas cenas de histeri smo da multidão. Todos os dias os jornais transcreviam, quase que palavra po r palavra, a mesma história já publicada na primeira página no dia anterior, só mudan do o nome da cidade. Mesmo nas cidades pequenas, como Carlisle, donde no princípio do ano êles tinham sido expulsos de uma festa, num hotel local, as multidões era m enormes. Na noite de 24 de outubro, mais de seiscentos adolescentes aguardavam a noite tôda na fila, a fim de comprarem as entradas. A maioria dêles levou até sac os de dormir. Alguns chegaram a esperar trinta e seis horas. Quando abriram as bilheteria s e a fila andou, as janelas dos guichês foram quebradas e nove pessoas for am hospitalizadas. Nas cidades maiores, o número de feridos chegava a centenas. A tournée pela Suécia, sua primeira viagem ao exterior depois das es tadas em Hamburgo, trouxe um resultado astronômico para a venda de discos. She Loves You, de imediato, vendeu um milhão de exemplares na Inglaterra, sendo premiad o com o disco de ouro. As vendas também se efetuaram no resto da Europa — fato inédito com músicos populares inglêses. Permaneceram cinco dias na Suécia, de 24 a 29 de outubro. Todos os di as êles eram notícia nos jornais inglêses, assim como na imprensa e televis ão sueca. Num concêrto em Estocolmo, foi preciso a polícia trazer cães para controlar os a dmiradores que não conseguiam entrar. Lá dentro, quarenta policiais, com os cassetetes prontos, montavam guarda ao palco, para impedir a invasão dos fãs. E acaba ram transpondo a barreira policial e subiram ao palco. George foi derrubad o, mas a polícia conseguiu restaurar a ordem antes que êle fôsse massacrado. Os admiradores suecos já estavam usando as roupas e penteados à moda dos inglêses. Na Suécia o penteado dos Beatles era conhecido como o estil o Hamlet. Os próprios Beatles fixam o início da beatlemania a partir do Show n o Palladium, quando Brian e Tony Barrow a notaram, pela primeira vez. Êles

ainda ignoravam sua enorme popularidade na Inglaterra, até o dia 31 de outubro, quando che garam ao Aeroporto j de Londres, vindos da Suécia. Lògicamente tinham tomado conhecimento do caos no Palladium, duas se manas antes, e de todos aquêles conflitos no interior do país. E isso cont inuado, aumentado com o tempo, apesar da pouca publicidade, desde os dias do Cavern. Era cos tume êles serem escondidos para entrar e sair dos teatros, em vez de enfre ntarem sua popularidade e se arriscarem a ser esmagados por causa dela. Quando de sua chegada ao Aeroporto de Londres, tal era sua popularida de, que foram apanhados em cheio. Era sua primeira chegada triunfal, desde as festas de boas-vindas do Cavern. Milhares de fãs histéricos aguardaram-nos no aeropo rto de Londres, por várias horas. Na confusão que cercou sua chegada, o ca rro que transportava o primeiro-ministro, Sir Alec Douglas Home, ficou prêso no engarrafament o. Miss Mundo também estava em trânsito pelo aeroporto de Londres, e foi completamente ignorada. Cenas como essas tornaram-se um quadro rotineiro nos anos seguintes. O Royal Variety Performance, seu segundo compromisso em Londres, fo i realizado no dia 4 de novembro, no Prince of Wales Theatre. A platéia n ão era tão numerosa como a da sua apresentação no Palladium, mas, de um modo geral, era muito mais seleta, pois os lugares custavam quatro vêzes o seu preço normal. Era uma festa de caridade, cheia de gente do show business, da sociedade menor e dos magn atas do comércio, todos esperando ver os membros da família real. Nessa ocasião, compareceram a Rainha Mãe, a Princesa Margaret e seu marido, Lord Snowdown. Dizem que es sa é uma platéia difícil de ser conquistada. Existe a tradição nojenta de a platéia esperar a reação da família real, antes de aplaudir ou de rir. Paul arrancou risadas, desde o início. Os Beatles se apresentaram ime diatamente depois de Sophia Tucker. Paul disse que estavam muito contentes em apresentar-se logo depois de seu favorito conjunto americano. Musicalmente, êles fizeram sua apresentação normal — provocando hi steria com o simples anúncio de She Loves You. Depois, cantaram Till The re Was You e Twist and Shout. John apresentou um dos números. “Os dos lugares baratos batam palmas”

, pediu, e, falando em direção ao camarote real, continuou, “e o resto de v ocês basta sacudir as jóias.” No dia seguinte essa piada vinha na primeira página de todos os jornai s. Parece que todos gostaram dessa leve gozação às custas da família real. E completamente inofensiva. A piada foi considerada bastante atrevida mas, naturalmente, ado rável, já que os Beatles se haviam tornado tão adoráveis. A Rainha Mãe, ao conversar com êles depois do espetáculo, mostrou que havia percebido claramente o que êles tinham feito. Ela mesma fêz sua próp ria piada, apesar de não pretender fazer graça. Ela perguntou onde é que êles iriam se apresentar depois dali, e êles responderam que seria em Slough. () “Oh”!, at alhou a Rainha Mãe: “Isso fica perto de nós.” () Nome de uma localidade que, literalmente traduzido, significa lodaçal. N. do T. No domingo seguinte, o espetáculo foi televisado para uma platéia de vi nte e seis milhões de espectadores. As manchetes dos jornais sôbre os Beatles foram-se tornando monòtona mente iguais. Mesmo jornais, como o Daily Telegraph, que até ali eram cons iderados sérios demais para dar cobertura a coisas relacionadas à música popular (agora êle s publicam, religiosamente, a cada semana, a lista das dez músicas mais ven didas) passaram a dedicar colunas e mais colunas aos conflitos. Mas, durante muito tempo a inda, as matérias que falavam nêles diziam “Os Beatles, um conjunto de mús ica popular...”, pois os jornais consideravam necessário explicar o que êles eram. Houve debates no Parlamento a respeito dos milhares de policiais contr atados, em todo o país, obrigados a realizar um trabalho extraordinário e pe rigoso por causa dêles. Um representante sugeriu que a polícia fôsse retirada das apres entações, para se ver o resultado. Felizmente ninguém levou a sugestão a sér io. Em primeiro de novembro, êles iniciaram mais um tournée. Dessa vez, foi apresentada simplesmente como o Beatles Show. Não tinha nenhuma estr êla, como acontecera com Roy Orbison, pois êles não tinham mais necessidade disso. No programa para êsse espetáculo, que durou até 13 de dezembro, hav

porque a direção das escolas não a ceitava seus cabelos compridos ou de aprendizes serem barrados nas fábric as. Isso manteve os psicólogos. Naturalmente que não era da Rainha. Os paletós Beatles — sem gola. Chegou a anunciar que tin ha encomendas do Eton College e do Palácio de Buckingham. Parece que o Daily Mirror foi o primeiro jornal a arranjar um psicólog o. para explicar aquela espécie de loucura. Uma fábrica em Bethnal Gree n trabalhava dia e noite para atender a procura.ia vários anúncios para os produtos Beatles. espe cialmente . com um distintivo Beatle em dois tons”. a partir de setembro de 1963. e que aquil o tudo era uma diversão sadia. para não g ostar dos malucos. Dizia que aquela histeria só es tava enchendo cabeças vazias. Foram atacados e depois defendidos na Church Assembly. O Daily Telegraph. Tudo isso a trinta e cinco shillings cada uma. Nessa época. “É preciso ser um quadrado completo e realizado. divulgou seu primeiro artigo criticando a histeria causada pelos Beatles. geralmente de veludo e usados pela primeira vez por Stu. Uma companhia de Peckham ofe recia suéteres Beatles “desenhadas especialmente para os admiradores dos Beatles por um i mportante fabricante inglês. a respeito de os alunos serem mandados para casa. felizes e simpáticos Beatles. Outro orador confessou-se admirador do conjunto. a fim de conseguirem risada s. Começaram a aparecer as perucas Beatles. O Daily Mirror veio logo em defes a dos Beatles. em Hamburgo — f oram colocados à venda em tôda parte. barulhentos. mas de algum funcionário do palácio. a reunião an ual dos líderes da Church of England. pela mesma razão. como Hitler havia feito. os fabricantes de todo o país estavam competindo para co nseguir a concessão da palavra Beatles em seus produtos. A partir de novembro houve uma infinidade de notícias nos jor nais. Um bispo disse que êles formavam um conjunto psicopatético e que uma semana de seus salários seria bastante para construir uma catedr al na África.” E aplaudia os Beatles por não usarem piadas sem graça sôbre homossexualismo. A maioria dos adolescentes estava deixando seu cabelo crescer no estil o dos Beatles. no dia 2 de novembro.

o fato foi comparado ao da 20th Century Fox. No fim de novembro. recebendo um dinheiro fácil. estavam inteligentemente iluminados. provàvelmente um título preparado de véspera pelos editôres. Todos os jornais passaram a publicar b oletins. em 14 de novembro. de hora em hora. Em sua tournée.. chegaram a Cheltenham. Houve grande pânico em Portsmouth. A capa dêsse disco estampava uma fotografia a meio corpo dos Beatles vestidos de suéteres pretas. a respeito da condição de saúde dêle. essa foi a melhor encomenda . no dia 11. foi feita uma encomend a adiantada de duzentos e cinqüenta mil exemplares. com o títul o de With the Beatles. que ascendeu direto para o primeiro pôsto das paradas de s ucesso.americanos. porque Paul estava ligeiramente gripado. uma cidade do interior muito refinada. Houve médicos afirmando que meninas haviam tido orgasmos durante as apresentações dos Beatles. lançou-se o quinto disco do conjunto. Seus rostos. I Want To Hold Your Hand. Quando êsse LP foi anunciado. quando pediu aos Beatles que gravassem Oh Come All Ye Faithful. Na época. quando recusou filmar . um vigário da Church of E ngland obteve grande espaço nos jornais. mangueiras com jatos de água tivera m de ser usadas contra os fãs. Yeh. em Gloucestershire.” Em Plymouth. d isfarçados de policiais. como Artrid havia feito em Hamb urgo. para o Natal. Quando se divulgaram as his tórias de a Decca e de outras gravadoras se terem recusado a contratá-los. Em Birmingham. As vendas da EMI subiam vertiginosamente. Êsse psicólogo disse que os Beatles estavam resolvendo uma necessidade se xual. de forma que um dos lados fica va sombreado. êles conseguiram escapar das multidões.E O Vento Le vou. a fim de controlá-los. U m policial local disse que aquela foi “a noite mais louca desde a criação. No dia 18 de novembro. e foi anunciado que êle não poderi a aparecer no espetáculo programado. As manchetes dos jornais anunciavam no dia s eguinte: “Squaresville Foi Tomada”. a encomenda anterior a seu lançamento passava de um milhão de exemplares . O segundo LP do conjunto fôra lançado poucos dias antes. durante os três anos seguintes. em princípios de novembro. Yeh. Na Inglaterra..

Heath se reabilitou pouco depois ao dizer “quem poderia p rever que os Beatles seriam a salvação da indústria inglêsa do veludo?” Até mesmo o Daily Worker. afirmava. aguardando uma resposta. associados à United Artists. confirmaram que os Beatles iriam estrelar seu primeiro .800 anos antes do advento dos Beatles”. êl e criticara os Beatles. e da qual. Donald Zec. dizendo que sua linguagem era “irreconhecível como o inglês da Rainha”. o jornal do Partido Comunista inglês. os suplementos dominicais eram repletos de referê ncias ao conjunto. em forma de guitarra e descoberta em Amorgos. A 11 de dezembro.adiantada para um disco. Walter Shenson e George Ornst ein. trazendo de Liverpool palavras com o gear — significando bom ou genial — para a linguagem de uso geral. quando a fama dêles começava a se espalhar por todos os cantos do país. foi um pedido a diantado de duzentos mil exemplares para seu disco Blue Hawaii. de 4. O Observer publico u a fotografia de uma deusa Cycládica da fertilidade. coisa que os jornalis tas ainda achavam importante. esperando horas e horas do lado de fora de seus camarins. s imples e LPs. êle afirmou ser um corte de cabelo usado na i dade da pedra. em matéria de encomenda antecipada. Mas Mr. na relação dos vinte mais vendidos. Em dezembro de 63. em qualquer parte do mundo. O máximo que Elvis Presley havia feito. Isso parece ter colocado o político conservador Edward Heath em seu devido lugar. fazia seus comentários. exatamente no dia 10 de setembro. foi um dos primeiros a obtê-la. arranjando seus próprios psicólogos e usando palavras complicadas.” Ao iniciar dezembro. Todos os colunistas de jornais inglêses estavam competindo para conse guir uma entrevista com os Beatles. do Daily Mirror. “O Mersey Sound é a voz de oitenta mil casas desabando e de trinta mil pessoas sujeitas ao auxílio-desemprêgo. Anteriormente. compa receram ao programa de televisão Juke Box Jury e deram a êsse programa o maior índice de audiên cia que êle já teve. os Beatles contavam com sete de seus discos. fazendo longas e apuradas investigações sôbre o fenômen o. Foi anunciado o contrato para um filme. “dava a potência da guitarra como um sí mbolo sexual. Ao descrever o penteado dêles. O Sunday Time s comentava o quanto êles haviam ampliado a língua inglêsa.

Entretanto. Brian Epstein entrou nesse contrato. certificando-se de que os Beatles receber iam uma grande porcentagem. Pelos fins de 1963 . para se encherem as casas de espetá culos de qualquer lugar. e eu também . Estreou em Bradford. Agora. a interminável discussão nos jornais a respeito dos hábitos. Ê les estavam na bôca de todo o mundo. com roteiro de um teatrólogo de Liverpool chamado Alum Owen. ca rtoons estavam cheios dêles. O fã-clube também estava aumentando em proporções nunca vistas. Billy J. foi apresentado em Liverpool e depois veio para Lond res. substituindo-a por um desenho do penteado dos quatro. os rapazes gostaram daquilo. Os jornais traziam histórias sôbre os pobres fãs que não conseguiam resposta às suas ca rtas durante meses. com o eram chamados. para ilustrar tôdas as matérias. A BBC transmitiu parte de um show da convenção do fã-clube dos Beat les da Northern Area. roupas e pontos de vista dos Be atles era interessante. os Beatles fizeram um show de Natal juntamente com os out ros contratados de Brian Epstein — Cilla Black. O Beatles Tour passou a ser exibido a partir de novembro. quatro mop tops. O Daily Mail deixou de usar a palavra Beatles em seus títulos. para o Finsbury Park Empire onde Mal perdeu a guitarra favorita de J ohn. mas o dilúvio delas era incalculável. Tommy Qu ickly e os Fourmost. Os admiradores intelectuais. percebeu qu e isso até lhe facilitava conseguir que tudo fôsse feito como êle queria. em todos os jornais. indo juntar-se a Tony Barrow e a um número crescente de secretárias e assistentes. mas não conseguiu evitar isso.” Em outubro. Surgiam piadas sôbre êles. Brian no princípio se preocupou com o fato de seu nome e personalidad e se tornarem famosos. À primeira vista. A princípio. estavam a todo o vapor. Brian mudou seu escritório para Londres. Os jornais de pêso já lhes dedicavam tanto espaço quanto os jornais ditos populares. realizado no Liverpool Empire. Kramer. o fã-clube oficial contava com quase oitenta mil membros pagantes. agora. pois se tornou evi dente bastava mencionar o nome dêles. E afinal. cont ava com apenas poucos milhares no início do mesmo ano. “Eu me preoc upava com o fato de todos nos tornarmos superexpostos. No Natal.filme. êle fazia o mesmo com as tournées. e ce do se tornou impraticável o atendimento aos milhares de pedidos de inscriç ão. e era “a presentado por Arthur Howes em colaboração com Brian Epstein.

“Em todos os nossos comunicados”. Aquilo facilitava os negócios. Além do mais. organizou suas vid as meticulosamente e nunca os deixou na mão — o que êles faziam com freq üência. Brian sempre negou isso. Êle nunca criou pontos inexistentes. há pouco espaço para e las num livro que pretende ser um simples registro. Todos os jornais. Êles eram novos num c enário atravancado. Por êsse motivo. Qualquer pessoa. Brian percebeu isso e nunca buscou disfarçar ou esconder. os sábios decidiram que os Beatles tinham significado social. conta Tony Barrow. parecia não haver contrôle. A primeira fase das análises se basea va em sua atração sexual. a espécie de rapaz que você p oderia ter encontrado na igreja local. a julgar pelos jornais e programas de televisão. simbolizando tôdas as frustrações e ambições dos novos adolescente s emergentes. sem classes. Êle. . Por fim. milhões de palavras foram escritas por pessoas que b uscavam analisar o sucesso dos Beatles. Numa única semana. Os Beatles eram quatro rapazes da vizinhança. Então. Brian amoldou-os. criados à sombra da Bomba. sòmente. A partir de 1963. Várias pessoas diziam que Brian Epstein era o Svengali. eram inglêses. Essa era a essência de sua comunicaç ão pessoal com o público. quando se apresentavam por conta própria. Brian apenas’ acentuava o que havia de bom nêles. traziam alguma coisa sôbre ê les. outros artistas t inham sido destruídos. o ponto de saturação. com uma opinião pró ou contra êles.” Na época. acabou enchendo. Infelizmente. criara e promovera o conjunto. “e em todos os nossos contatos com a imp rensa. conseguiu espaço para expor seus pontos de vista.” Com naturalidade. não materialistas e sem falsidades. suavemente. diàriamente. E êle já estava muito próximo de ser atingido. cinco jornais nacionais estavam apresentando uma série que chamavam de a biografia dos Beatles. intelige ntemente. E diferenciavam muito do pessoal comum do mundo dos espetáculos. As pessoas se identificavam com êles imediatamente.gostei. Por quanto tempo poderiam êles manter o interêsse público? Ao controlar cuidadosamente su as apresentações e contatos com a imprensa evitávamos.

Dora Bryan fêz um disco sôbre êles. em tr inta e sete semanas.” Em apenas doze meses. Os jornais sempre pegam as coisas erradas. desde o lançamento de seu primeiro disco. As novas imagens pegavam exatamente quando nós as estávamos abandonando. a grande sensação era trocar algumas palavras com os Beatles. “Nós éramos engraçados nas entrevistas com a imprensa. Êle respondeu que era o jeito. lhe perguntaram por que êle usava tantos anéis nos dedos . afirma John. a não ser os outros co njuntos de Liverpool. Na realidade. Êles não ficavam repetindo as mesmas piadas e comentários. só um disco produzido por Georg e Martin ocupou o primeiro lugar da parada de sucessos da Inglaterra. todos êles contratados de Brian Epstein e gravando pa ra George Martin. Nós estávamos nervosos na maioria das nossas apresentações. Até isso chegou às paradas de sucesso. conseguiu igualar. Uma vez. Tudo aquilo era verdade. Todos os repórteres sabiam que cada entrevista ser ia diferente e engraçada. e ainda é verdade. os intelectuais entraram em campo. nós não éramos tão engraçados assim. Se havia alguma boa pergunta a respeito de nossa música nós a tomávamos c om gravidade. pois não se pode representar como realmente somos. estudando-lhes as letras e músicas com grande atenção e chegando a algumas interpretações inteligentes. Das cinqüenta e duas semanas de 1963. chamado All I Want For Christmas Is A Beatle. como as piadas de que a gente ri nos dias de escola. “Nossa imagem era apenas uma pequena parte de nós. Nós estávamos nervosos. e é .Aí. O que havi a era apenas aquêle bom-humor comum. em 1963. êles se fixaram no modo de vida inglês. Essa imagem deveria estar errada. já que não conseguira usá-los no nariz. como a maioria dos personagens famosos costuma fazer. Mesmo quand o havia pedacinhos de verdade. Ringo revelou-se t ão engraçado quanto os outros. Qualquer razão que alguém tenha para gostar de alguma c oisa é verdadeira. Não havia mais ninguém nas paradas de sucesso. apesar de eu achar que muita gente não percebia isso. Esta é uma realização que ninguém jamais. no Natal de 1963. porque aquilo tudo era uma piada”. “Êles faziam perguntas engraçadas e rec ebiam respostas engraçadas. Para o repórter comum. Ela foi criada pe la imprensa e por nós. aquilo era coisa velha.

Foi a primeira vez que eu escutei os Beatles. em New Hampshire.666 votos. disse o Visconde Montgomery.623 votos. ocupava o terceir o lugar muito distanciado dos dois primeiros colocados. 23 E. tiveram 18.A. e I Want Hold Your Hand. veio a melodia de I Want Hold Your Hand. em nosso Rolls (ês se era o carro que possuíamos naquela época). Não é tôla. William Mann. afirmou que êles eram “os maiores compositores desde Beethoven”. com apenas 2. com um milhão e duzentos e cinqüenta mil exemplares. mas isso não vem ao caso. apresentou o s Beatles como o primeiro conjunto do mundo. Os dois discos mais vendidos do ano foram She Loves You. Na parte referente aos cantores inglêses. O conjunto americano Everly Brothers vinha a seguir com 3. Êles obtiveram 14. “Acho que vou convidá-los para um fim-de-semana. Sandi Stewart é uma simples fã dos Beatles.provável que jamais o conseguirá. O crítico de música do Times.169 votos. Em 63. só para ver que es pécie de pessoas são êles”. com o disco Bachelor Boy.232 votos. No início de 1964. O New Musical Express. na qual falava sôbre a reunião de pandiatônicas e as mudanças de chaves submedianas. em suas relações de fim de ano. com um mi lhão e trezentos mil exemplares.U. P elo rádio. No dia 29 de dezembro no Sunday Times. Apenas sensível e simpática. Fui às nuvens! Que som estranho! Eu não conseguia superar aqui . Cliff Richard. Nessa revisão êle concluía que John Lennon e Paul McCartney eram os “maiores compositores inglêses do ano de 1963”. Richard Buckle fazendo a crí tica da música de Paul e John usada no balé Mods and Rockers. fêz uma longa e séria rev isão da música dos Beatles. ela morava com seus pais numa pequena cidade de classe média. “Um dia eu me dirigia com mamãe ao supermercado. Estava com quinze anos e no n ono ano da High School. Os segundos coloc ados eram os Searchers. êles estiveram perto dos últ imos lugares no ano anterior. nem imbecil.

podia sonhar com John. “A princípio. fomos mudando de opinião. para isso. apen as me deitar e pensar nêle. Mesmo apesar do meu amor por John ser tão gra nde. . Mais tarde. vim a gostar de George um pouco mais. Considero os Beatles como válvulas de escape para o amor e para o ódio. mas nós os achávamos feios demais. eu gostava mais de Paul. “Então. Mas John era a pessoa mais importante em minha vida.” “Então. Eu sabia d e tudo sôbre êles. “Eu não simpatizava com George por alguma razão estranha. Êle fazia amor comigo. Eu fui ficando interes sada em música popular. Êle me pare cia tão inteligente e espirituoso! Seu corpo era tão sexy!. descobri que muitas de minhas colegas de escola também tinham ouvido aquilo. isso não me impedia de caçar os outros rapazes na escola. Quando estava deprimida. Na escola. Lembro-me de ter vindo pela rua falando sôbre os Beatles com duas de minhas amigas. Nenhuma música jamais me havia impressionado tanto. adormecer. “Mais tarde. Eu desen hava dentes de lobisomem em sua bôca. “Eu lia tôdas as revistas de fãs e ouvia Murray the K o tempo todo. Tôdas concordávamos que êles pareciam muito feios em seus retratos. e depois. Vivia sonhando com êle. Lia tudo sôbre êles.lo. pois lera que êles ti nham afirmado gostar de meninas de cabelos compridos. Eram tão reais! “Eu pensava e falava sôbre êles sem parar. coisa que nunca havia acontecido antes. Isso era dif erente. Deixei meu cabelo crescer.. bastando. porque não gostava dêle. e sentido a mesma coisa. A música era genial. Êsses sonhos eram realme nte lindos! Fazíamos uma porção de coisas juntos. Êle era tão lindo! Eu não cons eguia achar nenhum defeito nêle. Êle simplesmente parecia bonitos demais. E passei a am á-lo apaixonadamente. especialmente com aquêles casaco s sem gola.. Meu pai estava sempre me dizendo que aquilo ia passar. minha predileção mudou para John. compar ávamos nossos sonhos. Dizíamos umas às outras o que havíamos feito com o nosso Beatle favorito. Eu gritava: Nunca! Nunca! Nunca! “É uma coisa engraçada. mas muitos eram. “Fiquei obcecada por êle. aos poucos. Êle era o disc jockey especialista sôbre os Beatles. em vez de Paul. John e eu. e eu conta va para minhas amigas no dia seguinte. Alguns dêsses sonhos não eram sexu ais.

minhas amigas e eu fomos à cidade para que nos tirassem um retrato da mesma forma.. “Eu tinha todos os discos e fotografias dêles em meu quarto. não me dava nada. sem rodeios. Quando vi uma fotografia dêles em meia sombra. naturalmente. alguma coisa lhe chamou a atenção. ex-gerente de salão de danças. especialmente o meu querido John.. Dissemos que aquilo poderia ser nosso presente de aniversário. ex-promotor que se tornara agente com a General Artists Corporation. Ninguém no nosso ramo de negócio se preocupava com o que acontecia na Inglaterra. ou que então nós iríamos fugir de casa.” O concêrto no Carnegie Hall seria promovido por Sid Bernstein. Foi um dos maiores oradores que eu já ouvi. Durante dez anos. “Lembro-me de ter ido ouvir uma conferência de Harold Laski.” Êle tomou assinaturas de todos os jornais inglêses sôbre música popula . Depois de Churchill. em Conne cticut. contudo.“Eu fiquei tão desesperada por causa de John que escrevi uma carta pa ra Cynthia. Êles me davam alguma coisa de que eu precisava desesperadamente. Eu julgava estar especializando-me em música de adolescentes na GAC. Na metade de 1963. onde ficava com os Beatles. uma das maiores a gências da América. Eu não gostava da escola e não gostava de casa . “Comecei a ler sôbre êss es tais de Beatles. especializando-s e em Govêrno Inglês. Êles me davam uma razão para viver quando tudo era negro e deprimente em tôrno de mim. “Quando estava chateada da vida. em N ova York. ia para meu quarto. mas que estava apaixonada pelo marido dela. êle freqüentara as aulas noturnas. “Quando soube que êles estavam em viagem para o Carnegie Hall. planejei com mais duas amigas ir vê-los. Nunca obtive resposta. que acabaram deixando-nos ir a Nova York sòzinhas. nunca tinha ouvido falar nêles. um ba ixo e atarracado ex-aluno da Universidade de Colúmbia. Nós pedimos e insistim os tanto. Durante sua tentativa de entrar para o grande show bus iness êle havia mantido seus interêsses escolares. Mostrei-me muito agradável na carta. que lamentava muito. A espécie de comunidade rica em que eu vivia. ” Seu interêsse por Govêrno Inglês levou-o a ler os jornais inglêses. Declarei-lhe.

Depois de muita dificuldade êle ac abou conseguindo o número do telefone da residência de Brian.. Perguntou a Br ian se êle gostaria de uma apresentação dos Beatles no Carnegie Hall. tinha possibilidades d e conseguir o Carnegie Hall. em agôsto de 1966. os Beatles já tinham que cantar protegidos pela polícia.. Com isso. A mudança de aparência dos Beatles poderá ser constatada nas três fotos qu e se seguem. Êle disse quem e ra. porque era a data do aniversário de Lincoln.r e decidiu telefonar para Brian Epstein. apesar de êle não ter certeza se conseguiria essa sala de espetáculos. Demorou algum tempo para que êle s e decidisse. e eu disse que poderia ser a 12 de fevereiro. Escolhi essa data. “Brian perguntou quand o seria o espetáculo. em Liverpool. e Brian respondeu-lhe que nunca tinha ouvido falar nêle. Brian não concordou imediatamente. Ofereci-lhe seis mil e quinhentos dólares por duas apresent ações. pois êle já havia contratado . 1963. apesar de a data proposta ser bastante boa.” Assim nasceu “Help”! No palco do “Washington Baseball Stadium”.

” Durante essa viagem êle novamente encontrou seu amigo Geoffrey Ellis . que tinha ido para Oxford e depo is para Nova York. exceto um. desde o verão de 1963. Já que o sucesso dêles estava garantido na Inglaterra. no mês do assassín io do Presidente Kennedy. No iní cio. Brian foi aos Estados Unidos com Billy J. Não era gênero de negócio em que o tímido Brian devia envolver-se. Mas no que dizia a respeito de Nova York.” Durante essa viagem. Billy. os Beatles foram um fracasso nos Estados Unidos.” Foi aí. por duas companhias diferentes. “Eu tinha uma vaga idéia de que Brian estava envolvido com um conjun to de música popular. e não acreditei naquilo. Brian vinha trabalhando no lançamento dos Beatles na Améric a. e não alc ançaram classificação. tanto nos Estados Unidos. Sid Bernstein tornou-se pr omotor dos Beatles em Nova York. Êle logo deixou a agência formou uma soc iedade com um amigo. Só pelo fato de ser o primeiro a chegar. Sua história. Brian conseguiu que a Capitol lançasse os discos dos Beatles. a de chegar primeiro.” “Estava caminhando pela Broadway com Brian e Billy J. nem tudo foi por causa de Sid Bernstein. Kramer. Brian não concordou. a princípio. Che gamos a Times Square e Billy quis comprar uma daquelas camisas abomináv eis que êles vendem por ali. a fim de trabalhar em seguros. dois de seus discos foram lançados lá. Parecia-me uma tolice. “Eu queria verificar por que ninguém na América havia tomado o mín imo conhecimento do maior sucesso acontecido na música popular inglêsa. como em todo o mundo. Êle disse a Billy: — “Não é a sua imagem. aquêle amigo. vizinho seu em Liverpool. Então. apesar de êle não ter certeza de as coisas estarem prontas. que eu percebi o quanto Brian estava envolvido naquela história. em novembro de 1963. Comecei a fazer uma via-sacra pelas gravadoras e entre o pessoal da televisão. Kramer. apesar de subsidiária da EMI. Na primeira metade de 1963. Tornou-se promotor de todos os shows dos Beatles em Nova York. Êle não devia fazer aquilo. poderia ser contada de diversos modo s. para 9 e 16 de fevereiro.duas apresentações no Ed Sullivan Show. A Capitol. não estav . notei como êle estava mudado. Foi o mesmo que os primeiros dias em Londres.

pois um conjunto inglês nunca tinha feito grande sucesso nos Estados Unidos. I Want To Hold Your Hand entrou nas relações de sucessos nos Estados Unidos. Brian insistiu em que êles deveriam figurar como astros nos dois shows . por outro que muita gente julgou a nova sensação — o Dave Clark Five com o disco Glad All Over. após dois meses de permanência naquele pôst o. Harr ison. ocupando o octogésimo terceiro lugar.a muito interessada nesse lançamento. de pronto. Summer Holiday. Êle. John preocupava-se com o fato de os conjuntos inglêses nunca se terem saído bem nos Estados Unidos. Louis. por fim. me contou que Su llivan tinha achado ridículo dar àquele conjunto inglês a melhor parte da apresentação. pedindo que tocassem os discos do conjunto. Brian conseguiu ainda um encontro com Ed Sullivan. Louis. nem que fôsse só para variar. mas não aceitou. Os jornais de Londres vibraram de contentes. que êles eram os maiores do mundo. uma devotada fã dos Beatles e telefonava para as estações de rádio locais. Em janeiro de 1964. nos Estados Unidos. reduzido a fazer parte de um programa duplo num drive-in de St. Êle achou qu e os nativos eram bastante humanos. contudo. depois de todo a quêle sucesso dos conjuntos de Liverpool. sem obterem muito sucesso. Êle tinha ido lá visitar sua irmã Louise. “Cliff foi lá e morreu. Seu produtor. concordou em contratar os Beatles para dois de seus shows. é. “O que foi logo contestado por Ed Sullivan. que se c asara com um americano e emigrara para St. no início de 1963. também.” Os próprios Beatles estavam muito nervosos com essas perspectivas. Após muita discussão. mais tarde.” George disse que havia visto o filme d e Cliff. cujo show de tele visão é o maior do gênero. Êle ocupou o décimo quarto lugar num programa com Frankie Avalon. Na Ingl aterra êle foi derrubado do primeiro lugar. F inalmente. Por essa razão. Como sua mãe. acabou concordando. O Daily Express publicou uma manchete de pr . Seus descobridores de talen tos já lhe haviam falado do sucesso dos Beatles na Inglaterra. Mrs. Ge orge havia passado umas pequenas férias lá. Ed Sulli van. percebeu a impor tância dos Beatles. por ter aparecido um conj unto local de música popular. os dois primeiros discos foram gravados por outras companhias.

de Paris. depois de quase seis meses só pensando em piadas à Liverpool. botou Napoleão usando um penteado Beatle. Achamos que êles são geniais.” Antes da ida dêles aos Estados Unidos. a partir do dia 15 de janeiro. I Want To Hold Your Hand cheg ou ao quadragésimo segundo lugar. nos têrmos dos Beatles. Seriam três semanas na França. Houve uma briga envolvendo fotógrafos. em sua charge no Daily Express. confessa John. Na América. agitavam-se com a idéia de que os Beatles estavam acabados. o seguiu mais tarde. Sua primeira apresentação no Olympia não foi um sucesso. Êles conseguiram algumas palmas e John respondeu Mersey Beaucoup. Os caricaturistas. BBC: — Os franceses ainda não se decidiram a respeito dos Beatles. êle segurou um cartaz com as letras TLES depois das iniciais da companhia de aviação BEA. Ringo foi impedido pelo fog em Liverpool. “Todo mundo nos dizia que o Dave Clark e stava chegando. da GAC de Nova York ve . O que é que vocês acham dêles? John: — Oh. Milhares de fãs foram ao embarque dos três Beatles. usando uns penteados fora de moda como êstes?” Os próprios Beatles ficaram preocupados por algum tempo. que êles tiveram em quase um ano d e apresentação. afixados no lado do avião. no Aeroporto de Londres. no London Evening Standard. o nôvo encarregado da publicidade do conjunto e que estava encarreg ado das relações com a imprensa durante essa viagem. Entrevistador da BBC. tocand o no Olympia. Foi do mesmo jeito que nos pr eocupáramos em Liverpool. nós gostamos dos Beatles. em Paris: — Qual a importância para vocês em t erem sucesso aqui? Paul: — É importante obter sucesso em qualquer lugar. V icky. Mas por pouco tempo. Osbert Lancaster. a polícia francesa e Brian Sommerv ille. botou o gabinete do govêrno com penteados estilo Beatle e o Primeiro-Ministro a dizer-lhes: “Como é que eu posso dizer que vocês e stão por dentro. Brian ainda contratou a segun da viagem do conjunto ao continente. No aeroporto de Londres. “A gente n ão podia deixar”. a primeira recepção fraca. Norman Weiss. com o fato de Gerry e os Pacemakers poderem ganhar um concurso de popularidade.imeira página afirmando: Tottenham Sound Esmagou os Beatles. Isso nos preocupou. em sua segunda semana.

acabou de acertar o contrato para as apresentações do conjunto no Carnegie Hall e s e tornou o agente dos Beatles na América. imediatamente. seguindo o sucesso de I Wan t To Hold Your Hand. Repórteres americanos e entrevistadores de televisão. Sheilah Graham. a colunista sindicalizada. Mulchr one. chegou e foi perguntando t udo sôbre êles. cercaram o Carnegie Hall e o Ed Sullivan Show tentando obter ingressos. estava chegando tarde mas com fôrça total. Brian foi fotografado ja ntando com um penico na cabeça. replicou John. em Paris. antes não tendo aparecido nas paradas de sucessos americana s. quando chegou a notícia d e que I Want To Hold Your Hand chegara ao primeiro lugar. Nas relações de LPs. S he Loves You. nos Estados Uni dos. George Martin se encontrava com êles. Êles estavam no Hotel George V. Para capitalizar tôda aquela publicidade gratuita que a imprensa lhes e stava dando e o sucesso de seus discos. como a entrada da Inglaterra para o Mercado C omum Europeu. — “Você quer dizer despenteados. Fãs dos Beatles nos Estados Unidos. de repente. O Life Magazine publicou uma história dos Beatles em seis p áginas. a partir dali.io ver Brian. — “E gostamos da maneira como nosso cabelo ficou. Brian convenceu a Capitol a gastar ci nqüenta mil dólares no que êles chamavam de crash publicity programme. dizia: “Se Paris e os Beatles vão ter um caso. — “Fale-nos sôbre os seus penteados. como a inglêsa no ano anterior. preferem adiar”. começaram a chegar aos montes. Cinco milhões de cartazes com os dizeres OS BEATLES ESTÃO CHEGANDO foram . A imprensa americana. pediu um repórter americano. inventou Georg e. — “Nós estávamos saindo de uma piscina em Liverpool. Ou os Champs Elysées não estão animad os hoje ou a beatlemania. como S andi Stewart. Em Londres. êle está começando muito devagar. começou a subir nas listas dos mais vendidos. Please Please Me estava em vésp eras de chegar ao primeiro lugar. por enquanto. o Daily Mail em sua matéria assinada por Vincent . que estava acompanhando os Beatles. tendo vindo para gravar essa música em alemão. é um problema que os franceses. Ê les ofereceram um grande jantar para comemorar.

Agora. pagando o dôbro do que os Beatles estavam recebendo pela apresentação no Carnegie Hall. “Havia muita animação”. por que êles haveriam de nos querer?” As pessoas semp . mas haviam lido sô bre a opinião de pessoas criticando-os e dizendo que êles eram horríveis.colocados em todos os Estados Unidos.” O Ed Sullivan Show não conseguia atender todos os pedidos de entrada s — cinqüenta mil pessoas estavam disputando 728 lugares. pelo vôo 101 da Pan Am. “Todos êles me diss eram: a América tem tudo. E os diretores da Capitol foram fotografados usando peruca s estilo Beatle. Cada disc jockey recebia uma cópia de cada disco dos Beatles lança do na Inglaterra. os Beatles estavam nervosos. Estão sôbre o Atlântico rumando para Nova York. Êle pensava ter-se retirado. George. vice-presidente da Cap itol Records. Êles deixaram Londres há trinta minutos . “Até a senhora Nelson Ro ckefeller não conseguiu comprar entrada. Êle diz que todos estavam muito d uvidosos a respeito do tipo de recepção que iriam ter. em 1954. c omo enviado do Liverpool Echo. no dia 7 de fevereiro de 1964. Sid Bernstein po deria ter vendido as entradas do Carnegie Hall pelo dôbro do preço. a companhando um conjunto sôbre o qual recusara escrever. a primeira e única vez que ela acompa nhou o conjunto numa tournée. Êles não tinham sabido detalhe s de tôda a promoção que estavam fazendo a seu respeito. quando aos quarenta e cinco anos de idade.” Ofereceram um outro contrato a Brian em Nova York. Cyn estava no avião com John. disse Voyle Gilmore. a rádio WMCA de Nova York deu o primeiro de uma s érie de avisos. Eu tive de lhe ceder a minha. Dessa vez no Ma dison Square Garden. êle estava em sua prime ira de uma série de quatro viagens de costa a costa dos Estados Unidos. “Mas tôda a animação do mundo não adianta nada para se vend er um produto mal. havia dei xado Fleet Street e Londres. Foram distribuídos milhões de exemplares de um jornal de quatro páginas sôbre os Beatles. definitivamente. O desconhecido George Harrison estava lá. A temperatura é de 32 graus Beatles. mas era muito tarde para encaixar mais êsse compromiss o dentro da programação do conjunto. “Agora são 6h30m da hora Beatle. com destino a Liverpool. Ao deixarem o aeroporto de Londres.” No avião. das reportage ns nacionais.

uma fo to autografada e um botão com os dizeres I Like The Beatles. “Nós sempre sentíamos aquilo. não tendo conseguido alguns minutos de sua atenção e m Londres. peculiar dos fãs-clubes americanos dos Beatles. er a o melhor lugar para pegá-los. conseguiram abrir caminho para a sala de imprensa do aeroporto. ao desembarcarem às 13h35m. antes do show no Palladium.” — “Qual é a ambição de vocês?” — “Chegar aos Estados Unidos. Tôdas essas propostas foram recusadas delicadamente. Ir aos Estados Unidos era um grande passo. Mandavam-lhe bilhetinhos. George Harrison. a muito custo. Todos aplaudiram. Oh Yes We Do. não significava que também o seríamos lá.” A ocupação de Neil e Mal.” — “Vocês esperam cortar o cabelo?” — “Ontem mesmo nós os cortamos. Brian também estava muito preocupad o. era forjar assinaturas dos Beatles em fotografias para distribuir aos fãs. o famoso. perguntando se os Beatles endoss ariam seus produtos. A Capitol ainda realizava a sua campanha de publicidade. — “Você pode cantar alguma coisa para nós?” — “Primeiro precisamos de dinheiro.” . “Eu ta mbém estava preocupado com o meu cabelo. antes de qualquer coisa grande e importante. no avião. acharam que. — “Como é que vocês explicam seu sucesso?” — “Para isso temos um encarregado de imprensa. Vários empresários inglêses. respondeu John. onde enfrentaram a maior entrevista coletiva que já haviam ti do.re chamam George pelo nome de batismo em seus artigos. Eu lavei meu cabelo e quando êle secou ficou um pouco para cima. ou pelo menos um slogan. conta Ri ngo. uma música. Entregou a cada pessoa que saiu do avião um Beatle Kit completo e com peruca. Êles. apesar de não o demonstrarmos. a cinco mil metros de altura sôbre o Atlântico. disse que estava-se sentindo mal. Tôdas as dúvidas desapareceram quando viram o aeroporto John Kenne dy. Mais de dez mil adolescentes lotavam o a eroporto aos gritos. John gritou-lhes para calarem a bôca.” “Todos nós nos sentimos um pouco doentes na nossa estréia”. Todos cantavam We Love You Beatles. Nós nos sentíamos um pouco doentes. Muitos diziam que pelo fato de sermos populares na Inglaterra.

” Billy Graham fugiu ao seu hábito e viu televisão no sábado. Houve outra grande entrevista à imprensa.— “Vocês esperam levar alguma coisa de volta para casa?” — “Sim. — “Vocês já têm uma atriz principal para seu próximo filme?” — “Estamos tentando conseguir a Rainha. Tudo que eu posso dizer-te é que não gosto da comida que êles servem. Elvis Presley mandou-lhes um telegrama de congratulações. o Rockefeller Center. foi a uma estação de rádio e ofereceu a honra de hospedar os Beatles a qualquer hotel que a desejasse. o Herald Tribune afirmava que êles eram “75% de publicidade. nenh um crime de importância foi cometido por adolescentes.” — “Vocês fazem parte da rebelião social contra as gerações mais velhas ?” — “Êsse é um tipo da mentira suja. “Especialmente seus poemas.” — “Que acham dêsse movimento em Detroit para acabar com os Beatles ?” — “Nós temos um movimento para acabar com Detroit. respondeu Ringo. só para apr . à custa de drogas. nenhuma tampa de radiador de automóvel foi roubada. Disse-se que em tôda a América.” George estava doente. de cama. Os gritos ecoaram através da América. Um hotel que se gaba de sua tranqüila exclusividade. e parecia que iria perder o Ed Sulliv an Show. Foi o no sso empresário. A exibição teve um a audiência recorde de setenta e três milhões de espectadores. O Daily News dizia “o rebolado e contorções de Pre sley eram pinto em comparação ao elixir de cem graus servido pelos Beatle s. — “O que os fêz escolher o P laza?” — um repórter perguntou a George. mas George acabou conseguindo fazer o show. aos gritos.” — “Que acham de Beethoven?” — “Adoramos”. Quando um diretor do Plaza v iu-o cercado por milhares de adolescentes.” Todos os jornais deram-lhes enorme cobertura. Na manhã seguinte. respon deu George. As críticas eram longa s e complicadas. — “Ela tem uma boa bilheteria. Neil ocupou o lugar dêle no ensaio. — “Nós não escolhemos.” Foi um desastre no Plaza Hotel. durante a apresentação. 20% de cabelo e 5% de lamentos ritmados”. Não que os Beatles estivessem gratos. pelo menos. Em Nova York. nem havia verificado a profissão dos cinco empresários ingl êses que haviam feito suas reservas com meses de antecedência.

Nos Estados Unidos êles não têm jujubas macias.” O Coliseum. daquela vez nos pegaram. aquêle povaréu devia ser calculado em vinte mil pessoas. “Êles são uma fase transitória”. conta Ringo. Apenas tentavam conseguir publicidade para a emb aixada. A gente estava acostumada só com umas duas mil pessoas. eu penso que foi diferente da Inglaterra. “Elas doíam.eciá-los.” De lá. Aquêle é qu . disse Sir David Ormsby-Gore (agora Lord Harlech ) quando êles chegaram. “Foi horrível”. Em tô da a parte em que nos apresentávamos. Em Washington. Isso si gnificava que êles eram atingidos de todos os lados pelas jujubas atiradas pe la platéia. John. “Aconteceu nos Estados Unidos o mesmo que havia acontecido na Inglat erra”. Êles já tinham recusado um convite para jantar com Lady Dixon. — “Como vai. — “Meu nome é Charlie. a espôsa do embaixador inglês em Paris. seguiram de trem para Washing ton. o local da apresentação em Washington. Algum jornal havia desenterrado aquela velha história de o John ter comido tôdas as minhas jujubas.” Sir Alec Douglas-Home. êles aceitaram seu primeiro e último convite para uma recepção de embaixada. “Po rém. Naquela noite. Lá. chegaria a Washin gton no mesmo dia. normalmente. que na verdade nos abominam. “Nós sempre tentamos pular fora de tais chaturas”. disse John. em nosso país.” Os comentários do que exatamente ocorreu naquela festa variam nos pormenores. Tais chacrinhas são sempre cheias de snobs. são duras como balas de revólver. lembra George. e primeira em s olo americano. mas a maioria das pessoas concorda que tudo começou bem amis tosamente. afirmou. Primeiro-Ministro britânico. Os Beatles foram colocados num palco circular. para que tôda a platéia pudesse vê-los. Tudo nã o passa de hipocrisia. “Tudo isso é sinal dos te mpos que correm e da confusão a cêrca de nós. Todavia. “só que foi dez vêzes maior. sua chegada foi adiada para o dia seguinte. conta George. a f im de se evitar o tumulto motivado pelos Beatles. os caras bombardeavam-me com balas de jujuba. — “Eu não sou o John. Nesse ponto. é usado como arena de boxe ou campo de baseb ol. mas querem ver-nos por que somos ricos e famosos.

John saiu cedo. — “Eu não sou John. Várias senhoras idosas. mas os outros ficaram até o fim da festa. da televisão e dos fãs. “Eu gostei da sua festa antecipada”. Mais de seis mil pessoas assistiram a cada uma de suas apresentações n o Carnegie Hall. tirou umas tesourinhas de sua bôlsa e começou a cortar pedaços d o seu cabelo. disse o Presidente.e é o John. sob u ma barreira da imprensa. disse George. o embaixador falou a George. segurando copos de bebidas. Sid Bernstein viu-se obrigado a barrar a entrada de David N iven e Shirley MacLaine. “Assine aqui”.” — “Hello John. um dêles ordenou a John. “Mas o senhor não acha que êles precisam de um corte de cabelo?” Êles voltaram a Nova York para a apresentação no Carnegie Hall. cercaram os Bea tles e pediram-lhes autógrafos. Calcula-se em cinqüenta milhões de dólares as mercadorias anuncia das por êles e que foram vendidas nos Estados Unidos. a qualqu er preço. tentando que os Beatles lançassem seus produtos. Gritos histéricos saudaram e acompanharam aquelas duas apresent ações. Pequenos funcionários da embaixada começa ram a puxá-los por ali. “Você vai assinar isso e gostar”. que. “Tanto o embaix ador quanto sua espôsa foram extremamente simpáticos”. Nem o encanto de Brian conseguiu acalmar as coisas.” — “Oh! meu Deus!” — foi a resposta do embaixador. Uma jovem convidada chegou perto d e Ringo. em 1964. — “Meu nome é Frank. passaram a recusar qualquer convite dêsse gênero”. que se recusou. o cara continuou ordenando. “Mas os Beatles detestaram aquela recepção. afirmou êle mais t arde. O embaixador e sua e spôsa demonstraram-lhes o quanto lamentavam aquilo tudo. insistindo para que êles falassem com as pessoas e lhes dessem aut ógrafos. Várias entrevistas gra vadas sem autorização foram feitas em LP e anunciadas sob o nome dêles. Afinal. duraram apenas vinte e ci nco minutos cada uma. causando grande aborrecimento a Brian. Sir Alec Douglas-Home chegou para se encontrar com o Presiden te Johnson. Depois dêsse fato. Os industriais americanos usavam tôda a sua influência. Aquêle é qu e é o John. . segundo os jornais do dia seguinte.

quem eu amava mesmo era John. quando êles estão n o palco. “A primeira apresentação não f oi tão selvagem assim. Apesar de Sandi Stewart não gostar muito de George. Êles encontraram Cassius Clay. Todos os repórteres a firmam que não se consegue ouvir nada com aquêle barulho infernal. a gente ainda consegue ouvir. e êles os mais bonitos. aquêle autógrafo. aquela fã de quinze anos de New Hampshire. Isso era uma espéci e de válvula de escape.” Então. para que nós não o víssemo s. O pilôto usava uma peruca Beatle. Era como um sonho. não fiquei.” “Isso não importava muito. “Mesmo gritando. e la decidiu mandar-lhe um presente. Eu. que muitas garôtas tenham ficado sexualmente excitadas naquelas apresentações. a gente podia. A partir dali.Sandi Stewart. Talvez fôsse porque eu não gostava dêle. Quero dizer: não teve tantos gritos quanto as apresentações posteri ores que foram de uma selvageria a tôda prova. dediquei-lhe três anos da minha vida. porém. para seu seg undo Ed Sullivan Show. êles seguiram em avião de Nova York para Miami. na frente de Ringo. Na verdade. de maneira astuciosa.” “A gente acredita que êles nos podem ver. só a nós. conseguiu e ntrar mas não achou tal gritaria tão genial. Não creio. Sempre sen ti que John poderia ver-me. Não conseguimos. Todos nós gritávamos para que êle saísse da frente e nos deixasse ver o Ringo. “Descobrimos que êles estavam hospedados no Hotel Deauville . Remetemos-lhe um pacote registrado. para chamar-lhes a atenção. Parecia q ue êle ficava de propósito. Aproximava-se a data de 25 de fevereiro. em Miami. êle teria que assinar o comprovante de entrega e nós ficaríamos com seu autóg rafo. Êle afirmou que era o maior. .A. po is. Só eu e John juntos. Contudo .” “Êles estavam sendo sexy pessoalmente com todos. É por isso que a gente grita. dêsse modo. porém. Lembro-me de ter ficado mui to aborrecida com George naquela vez. dia do vigésimo primeiro an iversário de George.” 24 INGLATERRA E RETÔRNO AOS E. Seus movimentos sexy faziam-nos gritar ainda mais alto. sem ningué m mais. pelo menos.U.

estavam recebendo pedidos estran hos. ou bonés ou cadernos de exercício que lhes pertenceram. pedindo carteiras que foram u sadas pelos Beatles. em entregas especiais. “Eu. Êles dariam ótimos detetives. e roubavam pedaços da porta ou rabiscavam nas paredes.” Ao mesmo tempo. depois das orações mat utinas. passei a ler essas cartas no hall. “pedindo que os no ssos alunos lhes escrevessem. “foi um dia em que. Mrs. porque a reconheciam.Suas antigas escolas. a fim de darem uma passada no Dingle ou em Woolton. os pais dos Beatles travavam contatos com muitos fã s americanos. perguntava a êsses visitantes se êles aceitariam uma xícara de chá”. ficar am convencidos de que elas não passavam de invenção minha. conta Jim McCartney. conta Mr. bem como os pais dos outros. Êles entravam e começavam a gritar e a berrar.” “Nossos alunos gostavam tanto delas que. Êles sabiam mais a meu respeito do que eu mesmo . vi um ônibus cheio de fãs e alguns dêles batendo em . pais de Ringo. forçando os próprio s pais a interromperem suas excursões pela Europa. em muito maior quan tidade do que realmente poderiam ter usado.” No vigésimo primeiro aniversário de George. Êles era m trazidos pelas camionetas do correio. geralmente. “Recebíamos cartas engraçadas de meninas. No fim de cont as. começaram a se sentir completamente sitiados em sua própria casa. especialmente dos Estados Unidos”. e também minha. durante muito tempo. “A primeira vez que eu percebi como êles eram conhecidos”. em Liverpool. Para diversão dos garotos . Elsie e Harry. diz Elsie. Harrison não consegu iu achar lugar em sua casa para todos aquêles cartões e presentes. Alguns dêles apareceram em suas portas. “Se aceitassem. Pobjoy da Quarry Bank High School. ao despertar. eu mostrava-lhes a cozi nha. Eu achava isso tudo muito engraçado. Adolescentes de todo o mundo escreviam. Logo começaram a circular toneladas de livros de exercícios assinados. acho que um bando de garotos passou a escrever para aquelas meninas. por terem -na visto em fotografias. enquanto os fãs a campavam nas adjacências.

” Os Beatles voltaram dos Estados Unidos para as já conhecidas cenas de histeria. Cyn a inda evitava a imprensa. Finalmente. Harold Wilson. Chamava-se In His Ow n Write. que f icava ao lado. Embru lharam os biscoitos e os levaram como lembrança. para jant ar em Oxford. numa apresentação no Variety Club. afirmou Wilson. Certa vez. “Os conservadores estão tentando transformar os Beatles em sua arma secreta”. Eu lhes respondia q ue êle costumava sentar em tôdas. encurralaram-me. Êles haviam abandonado uma outra id éia. por causa do nosso Ritchie. O primeiro livro de John foi lançado em março. porém.minha porta da frente. “Um bando de repórteres se guiu-me por vários dias depois de descobrir quem eu era. Achei aquilo maravilhoso.” Nessa época. lí der do Partido Trabalhista e representante de Liverpool. Cyn e Julian já se haviam mudado da casa de Mimi. Wilson. mas o Príncipe Philip teve um encontro com êles e achou-os todos bons su jeitos. encontraram Mr. de chamá-lo . Sir Alec Douglas-Home. Êles. Um repórter me procurou pelas redondezas e me cercou numa loja. nada comeram. que eu poderia fazer? Con videi-os a entrar e lhes ofereci chá com biscoitos. Então pulavam na sua cama e choravam. Êles insistiam em subir e ver o quarto de Ritchie. chamou-os de “no ssa melhor exportação” e “uma útil contribuição à nossa balança de pagamentos”. e pediram geléia. tanto quanto possível. Consegui escapulir pelos fundos. um título sugerido por Paul. Terem vindo d e tão longe. Êles tinh am viajado a noite tôda vindos de Londres. Um bispo católico romano disse que êles er am uma “ameaça”. não gostou do fat o de um conde estar tentando conseguir popularidade às custas dêles. Foram convidados pelo reitor e deões do Brasenose College. Dobson. até que êle fôsse e mbora. onde fiquei escondida bem uma meia hora. quando fui visitar mamãe. Eram sete horas de uma manhã de domingo. Bem. e entrar numa outra de frutas. Muitos dêles ficavam arrebentados. e chamaram-no a noite tôda de Mr. naquela cidade. mas estavam excitados dema is para poderem comer ou repousar. durante v ários dias. ou dormir na rua. em Hoylake. Perguntavam qual era a cadeira dêle. “Costumavam subir pelo muro dos fundos. O Primeiro-Ministro.

In His Own Write And Draw. Mas o livro foi para o primeiro lugar em vendagem. porém. John foi convidado de honra do Foyle Literary Lunch. Igual classificação atingiu. pois onde já se viu um músico de conjunto de iê-iê-iê escrever al go que valesse a pena. po r acaso. principiaram a rodar seu primeiro filme. Paul. Atingiu diretamente o primeiro lugar nas paradas de sucessos. E não demorou muito para que êles tivessem os seis discos mais v endidos da parada de sucesso norte-americana. Grande número de críticos literários e editôres julgou que aq uilo seria um fracasso. Can’t Buy Me Love. Brian Epstein. fêz um bom discurso. foi lançado. O título. O Times Literary Suplement afirmou: “Êst e livro merece a atenção de todos aquêles que lamentam o empobrecimento da língua e da imaginação inglêsa”. antes do seu lançamento. Pattie estava trabalhando como modêlo de revistas. o sexto disco do conjunto. porque todos êles teriam d e se casar e a possibilidade de as quatro mulheres gostarem umas das outra s. disse aquela frase. as vendas antecipadas chegaram a três milhões de cópias — um recorde mundial. ela é uma môça educada à maneira do sul da Inglaterra. e cujas condições de vida são muito mais diferentes que as das garôtas dos outros d ois Beatles. Fêz um anúncio de t . ou mesmo serem capazes de se dar bem. A Hard D ay’s Night.” Em março. Madame Tussauds colocou à mostra as imagens dos quatro Beatles em cêra. Como Jane Asher. a filha de um mé dico de Wimpole Street. Na Inglaterra e nos Estados Unidos. não estava escolhido até que quase no fim da filmagem Ringo. nos Estados Unidos. Um esc ritor afirmou no Sunday Telegraph que o conjunto acabaria separando-se. e recebeu algumas pichadas por causa d isso. nessa ocasião. também. No dia 24 de março. pois o trocadilho (right hand drawer) era muito complicado. estava saindo com Jane Asher. s uperando até mesmo os livros de James Bond. Êle nada fa lou a não ser murmurar um obrigado. No primeiro dia das filmagens George conheceu Pat tie Boyd. era pequena demais. Paul Johnson escreveu um artigo para o New Stat esman intitulado The Menace of Beatlism (A Ameaça do Beatlismo). Ringo foi eleito para o cargo de vice-presidente da Leeds University . derrotando um ex-juiz da Suprema Côrte.

todos nos seguiam com suas máquinas fotográficas. Êles eram exatamente como seus próprios ret ratos.” “Foi minha primeira experiência com essas coisas. se aproximaram e ficaram conversando conosco. Ouvimo-los mandando as coisas terríveis para Fleet Stre et. pedi autógrafo a todos êles. Êles nos tiraram de lá. ofereceram-lhe muitos emp regos de modêlo. e eu ficava um pouco embaraçada. Por isso. pedi-lhe que também o fizess e para cada uma de minhas irmãs. Êle atendeu-me e mandou dois beijos para cada uma. mas Ge orge disse que eu não devia aceitá-los. Eu ficava mais acanhada com Jo hn. Ringo parecia ser o mais simpático e mais fáci l de palestrar. menos a John. Achei-a linda. Por fim. O gerente gravou os telefonemas dêles. Puseram-nos numa cês ta de roupa. Eu nem podia acreditar. Era um segrêdo de que poucas pessoas sabiam. Para mim. dentro de uma camioneta de lav andaria. e nós fomos transportadas para o aeroporto. eu percebia George olhando-me. Eu estava com receio.” “Era impossível sair. Êle me levou para ver essa casa em Esher. Pensei que êle gostava um pouco de mim. havia uma horda de jornalistas lá. Êles me queriam por outros mo tivos. pelos fundos do hotel.” Era fato. “Levei-o para conhecer mam ãe. e causou sucesso.” Com tanta publicidade e tantos mexericos. eu e Cyn acabamos vestindo-nos de empr egadas. Êsse comercial foi dirigi do por Dick Lester. Os outros porém. E os dois passaram a sair juntos. John e Cynthia para a Irlanda num avião alugado para o fim-de-semana. “Encontrei-os e cumprimentei-os.elevisão para os Smith’s Crisps. na qual êle estava interessado . Mais ou menos o mesmo acontecia com Paul. os que me interessavam. “Peguei uma porção dêles. Após o primeiro dia de filmagens. Êle detestava aquilo. Fui com êle. Eram muito parecidos como eu imaginava. O fim-de-semana seguinte era a Páscoa. ela teve a oportunidade de fazer um teste para trabalhar no filme dos Beatles.” “Quando as filmagens iniciaram.” . Ignoro como êle foi divulgado. Quando chegamos ao hotel.” “Quando George me deu o seu autógrafo. Quando saímos. George nem me cumprimentou. êle mandou sete.

Em Amesterdão. em agôsto e setembro. “As carta s aborreciam-me muito. a maior multidão que já se abalou para assistir à c hegada dos Beatles foi em Adelaide. Foi a mais longa e cansativa que êles já fizeram. antes de nos casarmos. Todos os jornais calcularam-na em cêrca de trezentas mil pessoas. Em 19 de agôsto de 1964. uma multidão d e quase cem mil pessoas foi às ruas para vê-los. Depois foram a Hong Kong. ao todo. espe cialmente as remetidas dos Estados Unidos.” No verão de 1964.” Êles se mudaram para a nova casa de George em Esher. durou ao todo trinta e dois dias. conta Mal. em Londres. Por incrível que pareça.Ela preocupou-se muito com tantas cartas ameaçadoras. elas eram desagradáveis e diziam coisas horríveis. por que êles estavam batendo os americanos naquilo em que até então foram os maiores do mundo. mas nunca tocou no assunto. e fizeram apenas duas apresentações e dois programas de televisão. além de um espetáculo de caridade. êles and aram pela Europa. As garôtas chegavam a cair nos canais em sua tentativa de se aproximarem mais dêles. “cada um de nós perdeu uns dez quilos pelo menos. só para apreciá-los. As tournées americanas sempre tiveram e terão mais publicidade. e com as agres sões físicas que as namoradas e esposas sofriam das admiradoras. Fiquei preocupada com o fato de talvez ser desagradável. Elas sempre afirmavam ser a verdadeira namorada de George. Um povo tão numeroso assim nunca se reunira em Liverpool o u mesmo em Nova York. Fizeram trinta a presentações. Durara só duas sem anas. Mamãe sabia. Visit aram vinte e quatro cidades nos Estados Unidos e Canadá. 22. “Durante aquela viagem aos Estados Unidos” . a começar pela Dinamarca.” . Primeiro. O LP do filme foi lançado no mês seguinte. Aust rália e Nova Zelândia. que seria melho r eu deixá-lo em paz ou teria que ajustar contas com elas. A 6 de julho. as tournées foram reiniciadas. êles seguiram para a sua primeira grande tou rnée na América. Essa segunda viagem.441 milhas. “Vivemos junto s cêrca de três anos. A viagem de fevereiro havia sido curta. A Hard Day’s Night contou ora a presença da Princesa Margaret e de Lord Snowdown em sua première. Na verdade. Viajaram. Gastaram um tempo total de 60 horas e vinte e cinco minutos em vôo.

Os habitantes dessa localidade foram suficientemente genti s para não os ficarem atrapalhando. Derek Taylor. já arrastou tantas multidões. já que os habitantes da cidade tinham sido tão atenciosos a po nto de não perturbar o repouso dêles. As perguntas eram as mesmas. Quase chegaram ao ponto de satura ção. achou que isso seria injusto com os fãs. A que atribuíam se u sucesso. Mas para êles aq uilo deixou de ter sentido. Ninguém. “Nós poderíamos. porém. Êles fugiram para uma cidadezinha do interior a fim de conseguirem um dia de repouso. mas que você não nos deixa porque nós estamos muito cansados . Era o mínimo que êles podiam fazer. o sherife e as outras autoridades de lá invadiram a pista de pouso. gastou seis meses plane jando essa viagem. Diga-lhes que queremos ir lá conhecê-los. Mas quando êles embarcaram no avião. Milhões e milhões de dólares mudaram de mãos. Vá lá”. “Planejamos tanto quanto para a invasão da Normandia. ter cobrado três vêzes mais o preço das entradas. “Voltei ao avião para perguntar aos rapazes”. um d os encarregados de imprensa dos Beatles. olhando para êles.Norman Weiss da GAC. Êle sorria como louco s acudindo a cabeça e falou: — “Vamos sair daqui logo. antes ou depois. Depois d isso. lembra Derek. Êles responderam que queriam autógrafos e tirar retratos com os Beatles. fàcilmente. desde o salário dos Beatles até aos cachorros-quentes vendidos e aos filmes gastos. . Os preços dos ingressos eram espec ificados em todos os contratos.” Foram ultrapassados os recordes em todos os lugares. Todos os seus itens foram ditados e fixados por nós mesmos. “Tanto os Beatles como Elvis Presley estão no show business. B rian. foi mandado para saber o que êles desejavam. qualquer comparação não passa de piada. Quando achavam que aquilo iria acabar. por repetirem sempre a mesma coisa. “Paul esta va sentado ao lado de uma janela. Seria impossível calcular quanto custou tudo aq uilo. seu agente americano. satisfeitos e gratos de entrar no negócio. Seus promotores concordavam. acredito que teríamos tôdas as lotações esgotadas. Mesmo assim.

Êles deixaram que Brian decidisse e continuaram a jogar. Êles se achavam sentados. Êle era um milionár io.. ficou boquiaberto diante daq uilo. Pois. “Nunca me esquecerei daquele figurão de Kansas City. que veio ver Br ian. “Brian disse que não. . quando estávamos em São Francisco. Brian falou-lhes sôbre a oferta de cem mil dó lares. Isso equivalia a umas trinta mil libras. por uma apresentação. Brian d isse que iria consultar os rapazes..1965 Até George Harrison. o proprietário do estádio de futebol ou coisa que o valha. Kansas City não constava do programa. O cara então perguntou se cem mil dólares o faria mudar de opinião. êle pr ometera que Kansas City veria os Beatles. jogando cartas e nem se dignaram a levantar a cabeça.. do Liverpool Echo. Que êles não podiam incluir aquela apresentação.

em Kansa s City. Venderam-n os a um dólar cada. Rasgou então o cheque de cem mil dólares e assinou outro de cento e cinqüenta mil. Era o maior cachet já o ferecido na América pela apresentação de qualquer artista. guardados por legiões de policiais e guarda-costas . Êle.e atualmente “Brian voltou e respondeu ao camarada que lamentava muito. manteve a sua promessa à cidade. hermèticamente fechados. h avia uma correria louca. “Com isso o cara voltou para casa.” As fronhas dos travesseiros que lhes serviram. os Beatles iam ficando presos dentro das engrenagens de uma máquina que os transportava em tôrno do mu ndo. Depois. Sabia de antem ão que aquilo não lhe traria nenhum lucro. Ficavam trancados em seus camarins antes das apresentações.. todavia. na Inglaterra e nos Estados Unidos. Cortaram-nas em cento e sessenta mil pedaços de uma polegada quad rada. foram vendidas posteriormente a dois negociantes por trezentos e set enta e cinco libras. atestando sua procedência. com quebr a de todos os recordes. mas êle recusou a proposta. cheio de felicidade. O cara propunha-lhes cinqüenta mil li bras por uma apresentação de trinta e cinco minutos. O local da apresentação não era s uficientemente grande para que êle recuperasse o dinheiro com a renda dos ingressos. naquela noite. Forçados por tôdas as pressões. Pregaram-nos em certificados. permaneceram lá. mas êle s não dispensavam aquêle dia de descanso. Quando Brian l hes contou o acontecido os Beatles nem levantaram a cabeça. O cara afirmou que havia feito uma promessa à cidade e que não poderia voltar sem êles.. Afinal concordou. Brian viu logo que o va lor publicitário de bater aquêle recorde seria fantástico. Um sindicato de Nova York ofereceu a Brian três milhões setecentas e quinze mil libras pelos Beatles. Haviam-se enclausurado no seu interior.. Em meio a tôda aquela aclamação e publicidade das tournées. em 1963.

porque não atribuíam seu sucesso a ninguém. ficavam trancados e isolados do mundo exterior. e às vêzes com receio de ficarem desprotegidos. Mal e Neil os serviam. sua escalada vertiginosa ao primeiro lugar. Não se preocupavam com o fato de serem goza dos e até rudes. e não haviam ch egado a parte alguma. Isso significava estarem êles física e emocionalmente preparados p ara as terríveis condições das exibições de uma só noite. . Todos êles então ficavam sentados em seus quartos de hotel. Sabiam que sua música era boa e se abor reciam quando alguém não a levava a sério. poderosos e famo sos o bastante para entrar em qualquer lugar não lhes fazia sentido. até a hora d o movimento seguinte. Ganhar mil. da classificação dos seus disc os nas paradas de sucessos. também não deixavam Mal e Ne il sair. E não tinham motivos para pensar ao contrári o.. Depois do primeiro disco. Juntos tocaram durante sete anos. êles começaram a trilhar a estrada do sucesso. haviam a prendido a suportar tudo aquilo tocando sem parar. dos shows de televisão. E mesmo os shows de uma noite não eram tão cansativos quanto as apresentações de Hamburgo. Durante muito tempo. durante algum tempo. cigarros e bebidas. Nunca saíam à rua para ir a um restaurante ou dar um passeio. dez mil ou cem m il libras por uma noite de show não lhes representava nada. das tournées e. e. na realidade estavam presos. Ringo. Pois. matando o tempo. choveram pedidos de exibições. ainda esfregava os olhos. Não se sentiam agradecidos e de forma nenhuma humilhados. Por ciúmes. Êles ainda se lembram da agitação que causavam essas idas de um ponto a outro. de vez em quando. jogando car tas. fumando. viram-se assoberbados com tantas solicitações. Isso explica. Êle entrara para o conjunto e. Lá. do Palladium. Apesar de John. do Royal Variety Performance. tocando suas guitarras. em seguida os Estados Unidos. trazendo sanduíches. houve grande excitação como era natural. em direção ao hotel. Lá. sua atitude para com a imprensa. por vêzes. êles se consideravam bons. Serem ricos. Paul e George não terem sido incluídos em tôda publi cidade. em parte. imediatamente. Nem de longe imaginavam que um dia êles pode riam desaparecer de repente. Muito esperaram por tudo isso.

fumar m aconha e tudo o mais. Pois acreditava que algum dia aquilo acabaria. A 12 de junho de 1965. gozaram-no por muito tempo. Um coronel reformado declarou que. Entretanto. em 1965. cujas coleções podem ser consultadas pelos que desejarem conhecê-lo s. nem suas doze medalhas para o Partido Trabalhista. realizaram três longas excursões por ano — uma pela Inglate rra. Sempre possuí algum dinheiro junto. e êles tornaram-se insensíveis àquilo tudo. foi que suas vidas começaram a tomar novos rumos. não têm lembrança disso. Eu sempre me arrisq uei e tive sorte. foi divulgado que os Beatles seriam admitido s como membros da Ordem do Império Britânico. após o se u segundo filme. desde os membros da Casa dos Lordes até aos velhos vigias de incêndio. Os Beatles por certo. De tôdas as p . “Mas tudo dava no mesmo. As excursões. por êsse motivo. Só se recordam das brincadeiras. que consideravam que as suas condecorações ficaram desvaloriza das. 1965 e 1966. pareciam não ter ma is fim. por eu ter conseguido um bom aprendizad o. choveram pro testos. Escreviam novas músicas e expe rimentavam-nas com suas platéias.” Por isso. E ela foi maior. Gravaram cêrca de três discos e um LP anuais. E pretendiam fazer um filme por ano. revela Ringo . porém. foram passados em tournées. Em média.“Nenhum de nós jamais se preocupou com o futuro. Isso n ão era vida. Os pormenores de suas excursões foram largamente difundidos pelos jo rnais. Imediatamente. não deixaria sua herança. “Havia noites boas e noites péssimas nessas excursões”. A única coisa divertida eram os hotéis. da época d a guerra.” 25 O FIM DAS “TOURNÉES” Os dois anos seguintes. êsses planos foram por água abaixo. avaliada em onze m il libras. uma pelos Estados Unidos e outra por vários países. No tér mino dêste período. Help.

Nós apenas estávamos gozando as pessoas que davam grande i mportância àquelas coisas.artes do mundo. Era porque realmente êles eram todos uns falsos. Sou apenas um cidadão. compreendemos que era tolice. fôsse por uma questão de nível social. Não. que nunca tivera dúvidas de que êles a aceitariam. Por quê? Para quê? Aquilo era inacreditável. sua medalha está em cima da televisão na nova casa de Mimi. só para chatear ainda mais certas pes soas. sabíamos que ela era apenas uma mulher. A gente podia ler isso na fisi onomia de tôdas aquelas pessoas que andavam por ali. Como saudar a Rainha. um Beatle. Ta lvez isso. Ìntimamente.” Algumas das tournées de 1965-66 têm de ser mencionadas. quando a encontrássemos. Pensamos em recusar. medalhas da MBE foram devolvidas.. Decidimos aceitar. Tudo era tão engraçado. “Sempre detestei tôdas aquelas horríveis reuniões sociais e apresentaçõ es a que tínhamos de ir. pois s ei que não o é. Tudo era tão fingido. Afirmou. “Acho que a Rainha acredita naquela história tôda. Brian ficou muito contente com aquela honra. como o John Gordon. Não tínhamos nada a perder. Era uma questão em que a gente não queria pensar. Quantos passos deveríamos dar. Esta cobria dezessete dias e êles estavam segu .. Mas estou certo de que a Rainha deve pensa r diferente. acho que não. m as acabamos fazendo o que nos mandavam. também achamos o oferecimento da MBE muito engr açado. Havia aquêle guarda explica ndo-nos a maneira de andar. Ela precisa crer. Depois. seja diferente de qualquer pessoa. especialmente as duas da América do Norte. Estava resolvido que ela seria a metade da ante rior. Hoje. em parte. Era o mesmo que receber os prêmios Ivo Novello. Nã o creio que John Lennon. A te rceira começou no dia 13 de agôsto de 1965. Eu as olhava com desprêzo. “Como todo mundo. “Enquanto aguardávamos no Palácio estivemos-nos gozando mutuamente . “Juntos. John confessa que estava deci dido a recusá-la. uma vez que havíamos concordado com aquilo. tudo pareceu ser parte do jôgo que nós aceitamos. nem que sej a para um breve registro. mais tarde. Explodimos de rir. que fôra tão cansativa. Só o nosso íntimo que não acreditava naquela história.

em agôsto de 1966. “Mais de cinqüenta e cinco mil pesso as assistiram àquele show”. sob a direção de um único escritório. o lucro de Sid Bernstein chegou a sete mil dólares. Mais de trinta mil f oram pagos como aluguel do estádio para aquela noite.” Esta renda ainda é considerada recorde mundial. Esta oferta ainda está de pé. Um milhão de dólares — esta é a minha propo sta. Em junho de 1966. que tinha sido nomeado diretor da Nemperor Artists em Nova Yor k. Já lhes ofereci um milhão de dólares por d uas apresentações no Shea Stadium. por quinze anos. a maior arrecadação já conseguida na história do show business. quando tocaram no Shea Stadium de Nova York.rados em um milhão de libras. De pois de pagar os anúncios. O seguro custou onze mil. Isso foi declara do vários meses antes numa entrevista a Maureen Cleave. Nat Weiss. Havia mil e trezentos policiais em serviço. Brian resolveu f azer as exibições de seus contratados na América. isolada do contexto em que havia s . o que custou quatorze mil dólares. O maior acontecimento desta tournée foi no dia 23 de agôsto. Esta foi a mais curta. Êle exercia advocacia de divórcios em Nova York. afirma Sid Bernstein. a publicidade e outras despesas. “Eu poderia repetir aquilo novamente. Esta rendeulhes muito mais. Êle afir mara que os Beatles “agora eram mais populares que Cristo”. ninguém se manifestou contra aquela a firmação. realizaram sua quarta e ú ltima tournée. v eio a se interessar pela música popular. A Ne mperor foi batizada com o enderêço telegráfico das Nems Enterprises. Todavia. numa reunião social. e fôra publicada no Londo n Evening Standard. ajudou a organizá-la. Por intermédio dêle. Dos trezentos e quatro mil dólares os Beatles receberam cento e sessenta mil. quando encontrou Brian Epstein. Isso foi pouco antes da observação que John fêz sôbre Cristo. nessa . e foi a que deu ma is lucro.” Exatamente um ano depois. A apresentação deverá ser exclusiva aos Estados Unidos. importância que a anterior havia rendido. nos Estados Unidos. êles se apresentaram em campos de basebol. apesar de ter a metade da duração da outra. Os Beatles continuam sendo pop ularíssimos nos Estados Unidos. Publicamente. Mas quando ela foi reproduzida nos Estados Unidos. “Arrecadamos trezentos e quatro mil dó lares.

naqueles dois anos. No decorrer delas. Pois essa visita resultou na primeira e única cena de violência física contra êles durante tôda a sua carreira de exibições em público. em junho de 66. Itália. as outras. Do Japão. Os fãs japonêses dos Beatles demonstrara m ser os maiores conhecedores de sua obra. “Um amigo telefonou-me contando que estavam queimando discos dos Be atles em Nashville. O programa foi tã o bom. os promotores dos e spetáculos e prefeitos locais julgaram que haveria muito mais problemas com os fãs. se as exibições fôssem canceladas. a classificação que elas atingiram nas paradas de sucessos. continha o título de tôdas as músicas cantadas por êles até aquêle dia. o bastante para adiar a chegada dêles a N ova York. que Brian mantinha uma cópia dêle em sua mesa de trabalho. Não interessava o preço disso. declarando que não pretendera afirmar aquilo. e efígies dos Beatles foram queimadas no sul dos EUA. a julgar pelo programa organizado para os shows n o conjunto. Espanha e Alemanha (com uma enorme recepção em Hamburgo). quando a Klu-Klux-Klan começou a se m anifestar. Pensou e m cancelar várias apresentações. John fêz uma ligeira retratação. mesmo em Londres. nas Filipinas. mas isso se justificava por causa do fanatismo que os fãs lhes ded . êles quase haviam sido mortos na Inglaterra e no s Estados Unidos. Tennessee”.” Brian ficou muito preocupado. “Eu não queria arriscar qualquer possibilidad e de os rapazes serem feridos. As demais excursões ao exterior. Ninguém ant es. Da Alemanha. a fim de realizarem a primeira e única sé rie de apresentações naquele país. voaram para o Japão. e ai nda. As apresentações no sul superavam tôdas. Entre outras informações. afirma Nat Weiss. “Telefonei para Brian e disse-lhe que achava que a situação era crítica. via Manilha. Arrepe nderam-se de não ter feito isso. e a tournée seguiu conforme fôra planej ada. Foi o mais completo e exaustivo até então feito por êles.” Todavia. incluíram a F rança. havia feito tal levantamento de pormenores. para us á-lo como obra de referência. apesar daquilo significar que teria de pagar indenizações de cêrca de um milhão de dólares. voltaram para a Inglaterra.ido mencionada. causou furor.

pois elas seriam queimadas. eram divulgados boletins sôbre o seu estado de saúde. Mais que isso. porém. que foi a última apresentação dêles na Inglaterra. no decorrer daquela viagem. foram chutados e esmurrados pela polícia e func ionários. fizeram uma apresentação em Wembley. Em outubro de 1965. Ringo anunciou que não i ria dá-las a ninguém. Isso foi manchete em todos os lugares. Em Manilha. Passada essa onda d e rumôres. êles não poderiam manter sempre o mes mo ritmo. Todos estavam certos de que os Beatles deveriam estar em declínio. estavam-se saindo como sempre. iniciaram sua última tournée pela Inglaterra. entretanto. Um dos fatos que foi amplamente divulgado pela imprensa inglê sa. Êles afirmaram que nunca foram convidados. quando Ringo operou as amíg dalas. Naquele mesmo mês. De hora em hora. a Rainha e o Príncipe Philip fizeram uma viagem ao Canadá. foi uma declaração atribuída ao Príncipe Philip de que “o s Beatles estavam em declínio”. Possivelmente. Isso demonstra que personalidades famosas ainda faziam referências a os Beatles e se preocupavam quando eram mal interpretadas. é uma prova de que havia rumôres no ar. A mesa telefônica do Univ ersity College Hospital não parou um instante. ape sar de ninguém ter sabido disso. Day Tripper foi gravado e galgou imediatamente o primeiro pôsto das paradas de sucesso. Dois dias depois . depois de ela t ê-los convidado. Ela esperava que êles fôssem a palácio. no dia primeiro de maio de 1966. lançaram nôvo disco que subiu direto para o primeiro lugar. Na Inglaterra. a beatlemania não diminuía. O London Evening Standard efetuou uma pesquisa de opinião para descobrir se isso era verdad e — cinco em cada sete respostas afirmavam que era falso. . A espôsa do Presidente ficou muito magoada com aquilo. Depois dela. Em dezembro de 1965. Isso foi em represália a um suposto ato de descortesia para com a espôsa do Presi dente das Filipinas. Milhares de fãs escreveram pedindo suas amígdalas extraídas. Êles.icavam. Era o décimo disco consecutivo do conjunto a atingir tal class ificação na Inglaterra. Brian Epstein recebeu um telegrama pessoal do Príncipe. no qual explicava o seguinte: qu e realmente havia dito “acho que os Beatles estão cada vez melhores”.

O fã-clube e o Beatles Monthly ficaram cheios de cartas de fãs. havia muito tempo. Havia apenas . com apresent ações em teatros e salões inglêses. afirmando que êles não se iriam separar. “Por isso. Era coisa difícil. “Durante aquêle último show em São Francisco”. apesar de ter chegado lá. lançado em junho de 1966. Harrison. foi no fim de sua última tournée nos Estados Unidos no dia 29 de agôsto de 1966. E. pela primeira vez. Penny Lane e Strawberry Fields Forever. mãe de George. porque naquela época. A última apresentação ao vivo. Foi o Paperback Writer. nem chegaram ao primeiro lugar. êle me perguntou que faria êle depois dali. um de seus discos não chegou imediatamente ao primeiro l ugar nas paradas de sucessos. que os manteve ocupados até às vésperas do Natal.” Decidiram parar por algum tempo. lançados em feve reiro de 1967. Mrs. “Brian estava muito triste. em qualquer parte do mundo. fazendo qualquer coisa. conta Nat Weiss. apresentando-se para enormes platéias ao ar livre. Repentiname nte. quando retornaram à Inglaterra. Não tinha assinado nenhum contrato com Arthur Howes.Finalmente. foram apreciados por um público muitíssimo ma is numeroso. De sde que. Então suspirou e disse que iria em frente. com as viagens. po r causa dos contratos já assinados. uma semana mais ta rde. Isso trouxe alguma confusão e deu orige m a rumôres de que estariam em vias de se separarem. nas quatro viagens aos Estados Unidos. porque eram muito melhores. Foi a primeira vez que o vi daquele jeito. Louise Harrison. os fãs já soube ssem que nunca mais veriam os Beatles cantando em público. muito mais surpreende. Os fãs inglêses sentiam-se abandonados. ficou tão cheia de responder sempre à mesma perg unta que mandou fazer um impresso. To dos os meus melhores votos. Declarava qu e estavam muito ocupados gravando um LP. “Êle estava muito deprimido mesmo. (Mrs). — “Que vai acontecer com a minha vida?” — “Será que devo voltar à escola para aprender alguma outra coisa? ”. Talvez. Arthur Howes estava à espera de outra to urnée pela Inglaterra.” Não houve nenhum desmentido ou confirmação sôbre o fim das tournées . superando em tudo as sete tournées pela Inglaterra. julgo que êles não têm nenhum plano de dissolver o conjunto.

Entre fevereiro de 63 e dezembro de 1965. Isso é verdade. Cliff Richard fêz on ze com Arthur Howes. êles . Mesmo que pudesse comportar dez vêzes mais o número de espectadores . com artistas inglêses.” Já que se tornou notório para Arthur Howes e outras pessoas que os Be atles não mais realizariam tournées. Birmingham ou Glasgow contam cêrca de dois mil e quinhentos lugares. n ão mais poderiam tocar num palco. diz Arthur Howes. sendo s eis com Arthur Howes. que êles. Contudo. mas também porque só realizaram tournées por um tempo re lativamente curto. Howes lucrou mais com as excursões de Cliff Richard do que com as dos Beatles. possìvelmente. Porque sempre acontece assim. “A coisa mais importante que êles conseguiram foi iniciar o intercâmb io na América do Norte. já há muito. os Beatles deram muito lucro ao nosso país. não poderia igualar à lotação do Shea Stadium. Elas nem chegaram a completar três anos. Uma das razões apresentadas foi a de que sua música havia-se desenvolvido tanto. que recebeu cinqüenta e cinco mil pessoas para assistir à primeira apresentação dos Beatles. Antes dêles. o conjunto fêz uma declaração pública. usando o rquestras completas e instrumentos eletrônicos. os Beatles fizeram sete. Eu me preocu pei. Não só por causa da grande porcentagem que êles recebiam — cinqüen ta por cento —.” Os maiores teatros da Inglaterra. “Sôbre êste assunto”. Ao passo que lá. Os Beatles são dif erentes. Êles durarão sempre. Passados cinco a nos. O maior de todos para aquêle tipo de espetáculo é o Hammersmith Odeon. Entre outubro de 1958 e fevereiro de 1963. que acomoda quatro mil pessoa s.uma esperança natural de que êles continuariam suas exibições em público por mais algum tempo. em 1965. Ao abrir êsse intercâmbio artístico. “eu acho que a vida de um art ista se resume a cinco anos. o motivo principal era que. como os de Manchester. Êles nem precisam preocupar-se. Eu trouxe grande número de artistas americanos. Mr. nenhum artista inglês se projetou. sua geração já cresceu e existem novos artistas com novas platéias. quando êles interromperam suas tournées. ninguém havia c onseguido obter sucesso lá.

o avião pegou fogo e ass ustou todo mundo. Achavam que tudo não passava de uma farsa. Êle bot ou em mim a culpa de tudo aquilo. “Se chegássemos cedo. nos Estados Unidos. Se parassem o espetáculo. Êle estava suando em bicas. Lá se achavam êles. lembra Mal. Houve artistas que se recusavam a viajar no avião dos Beatle s. uma multidão congestionava nosso caminh o para os camarins. metidos no meio de trinta mil garotos berrando e espe rando ouvi-los. se não mais tarde”.” Essa profecia foi feita pela mulher que havia previsto a morte do Pres idente Kennedy. voamos de Liverpool a Londres com uma janela aberta. Se caísse água nos fios poderiam morrer carbonizados. con . “Aprendemos a chegar sempre. Neil e Mal. por sua vez. tentando fazer os eletricistas aprontar a instalação a te mpo. Perguntei. convencido de que ia morrer. no último minuto. no Texas. Mas se tivéssemos que correr pois estávamos atrasados e era hora de êles estarem no palco. em Nova York. nos Estados Unidos. as pessoas desimpediam o caminho. nos Estad os Unidos. uma mistificação . “Certa ocasião estávamos num campo de basebol. detestavam as t ensões nervosas. como um show de m arionetes. nós escapamos por um triz”. quando a nossa morte foi prevista numa queda d e avião. F izemos isso no primeiro Ed Sullivan Show. encarregados de suas viagens. então. Estavam saturados de se arrastarem à volta do mundo. aparecendo em público numa caixa de vidro. Êle me p erguntou: — “Que tomada?”. diz Ringo. Em Cow Palace. con vencido de que chegaríamos atrasados. eu tremia de mêdo. era terríveis”. conta Neil. ao promotor do espetáculo onde estava a tomada. Lil. Eu tive de explicar que êles tocavam guitarras elétricas. Outra ocasião.” “As vêzes as tournées eram perigosas”. “mas a gente nunca se preocupava muito com isso. Aquilo não foi nada agradável. Entramos em grande agitação.vinham detestando o que estavam fazendo. Fica mos um pouco preocupados. Era um espetáculo ao vivo. Mal escreveu a última carta à sua espôsa. Uma vez. “Quando ameaçava chuva. a garotada estour aria como uma manada selvagem. “Os concertos ao ar livre. deixando-os passar. o pânico e a confusão.

as coisas entravam em órbita. Cada dia. mas lá. A gente ficou cheio de viajar. mas ai nda era divertido. Pioramos como músicos. Afundaram a capota dêle. A gente podia vê-los pensando. Uma vez peguei um policial enfiando a mão no meu bôlso. com aquêle s pedidos de autógrafo. Eventualmente. mas. realiza da em 1964. mas continuáva mos a fazer as mesmas coisas. “Era como o fim de um ciclo. Era só uma grande confusão. A ge nte sempre achava que estava a salvo em nossos quartos próprios. êles já estavam começando a desgostar daquilo tudo. ma s não comíamos nem dormíamos devidamente havia duas semanas. Mas acabou enchendo. e gostamos daquilo. “De volta a Liverpool. ou com o pessoal do hotel. Ninguém c onseguia ouvir nada. A g ente fazia apresentações mais curtas e compondo novas músicas. “A polícia americana era tão chata como qualquer pessoa. as risadas. não as tornava melhores.” George conta que desde a primeira grande tournée na América. a coisa era boa. acabamos tornando-nos mais p olidos. estávamo s a salvo numa ambulância com sete marinheiros. a gente tinha de se ver com os empregados que estavam querendo nosso autógrafo. Cantávamos com a platéia. Nós poderíamos ter sido mortos. tínhamos vi ajado duas mil milhas desde a nossa última apresentação de meia hora. . Aquêles dias eram realmente geniais. Não havia o mínimo prazer naquilo. Tínhamos que sair aos empurrõe s com a polícia. Mesmo com o fato de encurtá-las. Tudo era tão espontâneo.” De fato. “por que não? Vocês só trabalharam meia hora hoje. com o pessoal do teatro. A princípio. Em Hamburgo a gente havia tocado oito horas sem parar. Era tudo tão íntimo! “Então. mas o Cavern era fantástico. “Tudo era um empurra-empurra danado. era uma platéia diferente. as piadas. Aquela história tôda não tinha graça nenhuma. Nós vivíamos nossas vidas com êles. na realidade. Nunca ensaiávamos um número sequer. Conhecíamos todo mundo e fazíamos o que queríamos.tinua Ringo. veio a época das tournées. a gente não tocava durante tanto tempo. “A multidão avançou e pulou sôbre o carro que supunham ser o nosso. tocando aquelas drogas todos os dias. Era assim que a gente deix ava os espetáculos naquela época.

em que se ficava sem fazer quaisquer deve res e só se lembrava das diversões.“Estava acabando com nossa música”.” Paul afirma que êles poderiam fazer um show. Foi então que decidimos parar. agiram assim. Não havíamos dado nada. afirma John. Uma coisa grande. A maior parte do tempo eu não conseguia ouvir-me. Sid Bernstein deverá guardar seus milhõe s de dólares. Parece que. Costumávamos a fazer mímica na metade das músicas. Sendo ingênuos e simples.” “Quando a gente se afastava um pouco daquela obrigação”. freqüentemente. O baru lho era infernal. Os Beatles não hesitaram. Muitos. eu entrava no momento errado porque não tinha a mínima idéia da p arte em que estávamos. “era como os feriados escolares. Uma grande chatura. foi um ato de coragem. sendo assim. apesar dos amplificadores. “O barulho da plat éia abafava tudo. “Aquilo era como o exército. Mas ninguém encontrou ainda uma nova fórmula para isso. nós mesmos julgávamos que tínhamos sido um fracasso. confessam a pretensão de abandonar o público antes que êle os abandone. Quando se começa a trabalhar a música ela deixa de funcionar. Pouca gente no show business despediu-se do palco em tais condiç ões. Às vêzes eu tocava em contraponto. em vez de tocar no ri tmo. tôda igual e pela ger al a gente tem de passar. Nem podia. antes que os outros também enjoass em daquilo. afirma Ringo. a gente costumava tocar mais ráp ido que nos discos. Para receber é preciso dar. nova mente. se conseguissem inventa r um jeito de fazê-lo inteiramente diferente. m as quando o fazem. “Sempre se ficava cheio de tocar. Encararam aquilo como o fim do primeiro ca pítulo. é tarde demais. especialmente quando a nossa garganta estava ardendo. porque tínhamo s de ficar um longe do outro. Não vejo uma única razão que justifiqu e a volta delas. “No fim. Até que voltasse tudo como era antes e a gente ficava cheio. Eu não me recordo de nenhuma tournée. ignorando como seria o seg . Por vêzes. abandonar a fama no meio da c arreira. ninguém mais aturava aquelas tournées. especialmente porque não conseguíamos ouvir o que estávamos tocando. Em público. A gente até chegava a sentir um pouco de saudades daquilo. “Êles nos colocavam numas posições bêstas nos palcos. Às vêzes. De algum modo.

Assumindo o contrôle de um teatro — o Savilie — continuou a se expandir empresarian do artistas. que Brian havia abandonado. 26 A MORTE DE BRIAN EPSTEIN Como Brian Epstein havia percebido em São Francisco. Pete Brown não saiu da Nems de Liverpool até meados de 1965. A Nems Enterprises transformara-se numa enorme organização. Geoffrey Ellis e Peter Brow. em Londres. cuidand o de grande número de artistas além dos Beatles — Cilla Black. por algum tempo. também entraram para a Nems. seus maiores am igos de Liverpool. nunca tivera qualquer relação com os negócios dos Beatles. e o havia revelado a Nat Weiss. Seu conhecimento legal era valiosíssimo para cuidar de todos aquêles contratos. Apesar de a equipe de Brian haver crescido muito desde os dias de Liv erpool. Gerry e os Pacemakers. Até ês se ponto. em junho de 1964. pai de Brian. o ex-aluno de Oxford e homem de seguros em Nova Yor k. Sòmente esperavam que êle não incluísse a chatura das viagens e o desconfô rto da beatlemania. decidiu vender . tornando-se um dos diretores no ano seguinte. Entretanto. o pessoal mais importante ainda eram os velhos amigos e empresários de Liverpool. tanto viu Brian em suas viagens aos Estados Unidos que acabou sendo co nvencido a voltar para Londres e trabalhar na Nems. Mais importante ainda. Alistair Taylor. Harry Epstein. Brian estava reso lvido. depois de ter passado algu m tempo na Pye Records. em 1965. Simp lesmente continuou como gerente das lojas de discos em Liverpool. Essa empresa enveredou para o ramo de agências. Entrou para a Nems como senior e xecutive.undo capítulo. e muitos outros. Geoffrey Ellis. Contudo. continuar e fazendo qualquer outra coisa. E as sim fêz. voltava à firma. o fim das tourné es dos Beatles representou o fim de um capítulo. seu assistente no balcão da Nems e que assinara como test emunha o contrato dos Beatles.

Joanne Newfield. Custou vinte e cinco mil libras. Então Brian ofereceu-lhe um emprêgo na Ne ms Enterprises de Londres. mas Brian Epstein era rico o bastante para viver despreocupado o resto da vida. em sua casa. tudo funcionou perfeitamente bem. sobrinha de Joe Loss. Suas aventuras lá serviam de assunto por parte da imprensa.” Êle s e tornou o assistente pessoal de Brian. a 14 de agôst o de 1967. popular e alegre. a mãe de Brian. ter-se tornado seu diretor-gerente . o mais feliz e agradável possível. Esta era uma grande e histórica mansão. quinta-feira. Segund o o Financial Times. Peter Brown também ficou por algum tempo. Tinha um nome feito. fato que muito abalou Brian. Retornou a Liverpool em 24 de agôsto. No início de 1967 Brian comprou uma casa de campo que Peter havia de scoberto para êle no Sussex. Queenie Epstein. Belgravia. conhecido como descobridor de talentos e associado por todos ao sucesso dos Beatles. Estava muito deprimida quando chegou. perto de Heathfield. no verão de 1967. Tinha muitos artistas e vários interêsses. rico. pelo menos exteriormente. Isto era necessário porque Brian fazia grande parte de seu trabal ho em casa. Era completamente feliz e realizado. Clive. Êle estava prepar . apesar de seu outro filho. encantador. seu valor real acabou mostrando-se muito menor. chegou a Londres.a maioria de suas lojas. pois aquilo poderia levar-nos a n ovas brigas. mas não concordava em tu do com os novos proprietários. Contratou ainda uma secretária particular. particularme nte o Saville. Estava com trinta e dois anos. Mrs. No entanto. Era êste o panorama da vida de Brian Epstein. Mudou seu modo de vida para tor nar a estada de sua mãe. em Ki ngsley Hill. no verão de 1967. a fim de passar dez dias com seu filho mais velho na casa de Bel gravia. como tinha acontecido antes. ocupando o lugar de Wendy Hanson. Seu marido havia morrido no m ês anterior. boa aparência. êle foi avaliado em sete milhões de libras. Todavia. em Chapel Street. Ela trabalhava num escritório em cima de sua casa de Londres. “No comêço fiquei um pouco preocupado com aquela história de no vamente trabalhar tão próximo a Brian.

Alterou seus hábitos diários a fim de ser agradável a sua mãe. ia tôdas as manhãs ao escritó rio e trabalhava lá o dia todo. Combinamos que eu passaria o fim-desemana em Sussex. em seu quarto. Durante os dez dias da estada de sua mãe. tomavam uma xícara de chocolate quente e iam para a cama. pois ficou estabelecido que ela devia mudar-se para Londres. Voltava na hora normal e fazia a refeição com a mãe. Aquela noite foi a prime ira em que êle saiu. por isso. Tomamos chá e conversamos sôbre a infância de Brian. Convidou Simon para acompanhá-lo. sabia que aquilo causava prazer à sua mãe. em Islington. que se havia tornado um hábito. Amb os eram muito carinhosos. antes da meia-noite. depois de duas semanas. Os Beatles em casa com suas famílias. O que êle esperava. Assistiam à televisão. quer ia que ela se sentisse à vontade durante aquela estada em sua casa. Às dez horas mais ou menos. que era outra coisa que não fazia parte dos seus hábitos nor mais. a fim de passá-lo em sua casa de campo. Êle desejava que ela ficasse mais perto dêle. fato que lhe causava grande alegria. êle já estava acordado e arrumado. Êle a amava muito e sabia que ela também o amava. Em vez d e levantar-se muito tarde e ir para cama a altas horas. Falou-me de sua próxima visita aos Estado s Unidos e ao Canadá. cinco dias após sua chegada. há muito tempo. todavia. era o longo feriado bancário de agôsto. Tanto Jeanne quanto Pete Brown dizem que êle não se aborreceu de fazer isso. e foi só para um jantar tranqüi lo com Simon Napier-Bell no Carier’s Restaurant. É claro que preferia seus hábitos normais. sexta-feira. êle e a mãe fa ziam o breakfast juntos. mutuamente. Êle deveria aparecer como juiz num grande programa d e televisão. em cada manhã em que ela entrava no seu quarto para abrir as cortinas. Então ela o via sair lépido e fagueiro para seu escrit ório em Mayfair. com a nsiedade. “Fui visitá-la. quando êle voltasse. fotos tiradas pelo às as fotografia R . na tarde do dia 18 de ag ôsto. “Sua mãe foi embora na quinta-feira seguinte.ando um apartamento para ela em Knightsbridge. mas êle disse que já se havia compromet ido a ir à Irlanda. “Êle levou-me até à porta.

diz Peter. mas não . acenando para mim. conh ecendo novas pessoas. depois de êle ter feito ta ntos projetos para aquêles dias de folga. mas no último momento elas não apareceram. continua Peter Brown. o fim-de-semana em Sussex iria ser chato. Êle estava um pouco alto. recorda Jo anne. Peter Brown e Geof frey Ellis. Com isso. Pois tudo corria bem. “Comentei com ê le que era loucura voltar àquela hora para Londres. “Acompanhei-o até seu carro”. “Comemos muito bem. Brian ficou muito desapontado com isso. Não era uma decisão tão estranha como parecia. Porém era uma noite de sexta-feira. Era uma coisa típica dê le essas mudanças repentinas de idéia e vontade. Os John Lennon: Julian. por algumas horas. antes do longo feriado bancário e n inguém estava em casa. Era seu pr imeiro fim-de-semana no campo. Vi-o sair dirigindo sua Bentley. Peter contou-lhe que iria muito mais tarde do que pretendia. Por volta das dez horas. nas quais gastara semanas de preparação.” Ela sabia que seus dois maiores amigos e colegas. Ela esperava que Peter não se atrasasse demais para o jantar. só nós t rês. Desejou-me um bom fim-de-semana e recomendou-me que queria ver-me na terça-feira.ingo Starr. Não se mostrou muito animado com a perspectiva de p assar os feriados com os seus dois maiores amigos. bebemos uma garrafa de vinho e umas duas doses de Pôrto depois. Êle recomendou-me par a não ficar preocupado. enquanto se distanciava. Pretendia divertir-se. No que se referia a Brian.” Deu alguns telefonemas para Londres. Cynthia e John Pattie e George Harrison (Foto Ringo Starr) “Brian partiu na sexta-feira. ela perceb eu que Brian ficaria sòzinho. coisa que não fazia há muito tempo. “Cheguei na hora do jantar”. Brian resolveu voltar a Londres. tentando localizar algumas pesso as. “Eu tencionava levar algumas pessoas comigo. tinha comido bem. Era freqüente êle deixar su as próprias festas no meio. “Era todo sorrisos e estava feliz. Mais tarde. também iriam passar o fim-de-semana em Sussex com Brian. por volta das três e meia”. Londres parecia ser o único lugar onde êle poder ia encontrar alguma diversão.

eu saberia que êle estava saindo de casa. Seria preferível tomar um trem para L ewes.” Pouco depois de sua partida. durante todo o fim-de-semana. porém disse que se sentia co m muita moleza para partir. Brian não havia voltado. “Pediu muitas desculpas por não ter voltado. o mordomo espanhol e a empregada de Brian. Ficaram satisfeitos com o fato de Brian ter chegado se m incidentes e de agora. na hora do almôço. com certeza. vindo num táxi de Londres. estar dormindo. a fim de verific ar se êle já havia chegado. quando estivesse mais disposto. No sábado. desde que chegara . Geoffrey começou a telefonar para Chapel Street. Ellis estava ao telefone. antes de eu me ter levantado. Domingo. Concordou comigo. não contavam com isso. por volta das cinco horas de sábado. pensando que êle ainda estivesse dormindo. Ma ria. como havia prometido. êle. depois de ter tomado pílulas para d ormir. À meia-noite e meia.havia nada de anormal. Também não ouviram nenhum ruído no qu . não atendeu. Êle e sua mulher. Geoffrey e Peter não se preocuparam. Êles se lembram de ter notado isso. em resposta a um dos seus telefonemas. respectivamente. Êles nem se preocuparam em telefonar-lhe. apesar de Peter Brown ter pensado que êle poderia limitar-se a dar uma volta pelas redondezas e voltar logo. ficava zonzo. Peter Brown e Geoffrey Ellis levantaram-se tarde em Suss ex. Antônio confi rmou que Brian havia voltado. como Brian não tivesse levantado. Co ntou que dormira o dia todo e que ainda se sentia meio zonzo. chegou um grupo de visitantes. Sempre que êle despertava. Então comunicou-me que telefonaria mais tarde. como êle ain da não tivesse retornado. Deixamos a quest ão neste pé. Não era fora do comum êle ficar dormindo até a hora do almôço. Mas o próprio Brian telefonou para Peter. eram.” Brian não telefonou mais. Antôn io e Maria começaram a ficar preocupados. êle t inha ido embora. Disse que eu não me assustasse pois estaria de volt a na manhã seguinte. Entretanto. Ligou o telefone interno para o quarto dêle a fim de avisar que Mr. Mas era tarde. na sexta-feira à noite. Assim. Sua Bentley ficou no mesmo lugar. Eu iria esperá-lo lá. Na verdade. Antônio atendeu o telefone. porém. êle não saíra mais do quarto. Aconselhei-o que seria melhor êle não voltar dirigindo até Sussex.

em Susse x. Pet er ficou no telefone. Êle estava deitado de lado. Ela telefonou para Peter. Disse que Joanne e Alistair estavam indo para lá. e não consegui falar com êle. Êle reafir mou-lhe que não havia motivo para susto. Encontrou Antonio e Maria ainda muito nervosos apesar das palavras de Peter. Eu saí e fui dizer a Antôni o e Maria que estava tudo bem. o médico saiu do quarto. por via das dúvidas.” Joanne chegou a Chapel Street.” “Êle não conseguia falar”. tentaram telefonar para Peter. em Edgware. e ainda estava dormindo por causa do cansaço. esperando para ouvir o que o médico tinha a dizer. pouco antes das duas horas. fui tirar meu carro da garagem. Eu disse-lhe que não havia nenhum motivo para preoc upações. continua Peter. conta Joanne. “Maria falou comigo e parecia muito preocupada.” . Então. Telefonei para Peter. Os empregados disseram que saberiam se êle tivesse saído depois daqu ilo. mas Peter saíra para ir a um ba r. “Eu e o doutor entramos”. diz Peter. Disse que estavam assustados. a fim de contar-lhe de suas preocupações. e a empre gada tinha vários recados para êles. Então telefonaram para a casa de Joanne. Então liguei para Alistair Taylor e contei-lhe tudo. dizendo-me que Br ian estava morto. se êle pudesse. o que não era comum. sem razão. que Brian estava apenas dormindo. Ao meio-dia e meia de domingo. Eu fiquei muito p reocupada. no sábado. quando êle telefonou para Peter.” Peter e Geoffrey voltaram do bar. a fim de falar com Peter.arto de Brian. encaminhou-se para o telefone. Disse que estava indo para a casa de Brian e encontrá-lo-ia l á. “Telefonei para Chapel Street”. Tentei falar com o médico de Brian. ela telefonou novamente para Peter Brown. Eu achava que Brian havia saído sábado de noite. pálido e trêmulo e. “O quarto estava escuro e eu v i Brian. “e falei com Antônio — que me falou o quanto estavam preocupados a respeito de Brian. “Então. “Com isso eu previ o que havia aco ntecido. Que ela devia telefonar para seu médico e pedir -lhe que fôsse lá. Quando o médico chegou. O doutor me empurrou para fora do quarto. Ela dizia que Brian estivera muito tempo em seu quarto. com as costas vira das para nós. deitado em sua cama. Êle havia ido para a Espanha. Pedi-lhe que poupasse aquela viagem a Alistair. a não ser por volta da hora do chá.

pensava que fôsse suicídio. Mas foi n o ano anterior à sua morte. Por engano. ficou irritadíssimo. eram modelos de eficiência. em Bangor. Quando descobri meu êrro. eu lhe dera o número err ado — eu dei MAY 6363. Uma vez. conta Joanne. e não conseguiu encontrá-lo. Gran de número delas não saía a seu gôsto — especialmente. Êle era muito meticuloso . Não conseguiu nada. Brian Epstein podia ser muito feliz e muito infeliz. “Não tão ruins ou freqüentemente quanto mais tarde. para não dizerem palavrões no palco. “bastava a mínima coisa para deixá-lo fora de si. vindo de Nova York. À medida que a Nems crescia. transtornava-se completamente. antes do aparecimento dos Beatles. êle as senti a. em Grosvenor Square. lembra Peter Brown . o Daily Express telefonava para se certificar da morte de Brian. É sempre reconfortante para aquêles que nunca tiveram riqueza. Sua infelicidade n ão havia sido causada pelos Beatles nem pelo sucesso. em geral. imediatamente. Aquêles memorandos aos Beatles. exato e organizado. Em seguida. êle estava tentando falar com Nat Weiss.Peter e Geoffrey. Peter Brown diz que o problema de Brian era de êle ser um amante da p erfeição. durante tôda a sua vida. Uma hor a depois de o corpo ter sido encontrado. Então foi ao hotel em que Nat estava hospedado. No dia seguinte a notícia estava na primeira página de todos os jornai s. “Quando êle estava nesse estado de depressão”. dizendo-lhes onde d everiam apresentar-se. pelo fato de êle ter o hábito de . Se alguma coisa desse errada. Voltou furioso e começou a telefonar para o hotel. entraram em contato com os Beatles . em agôsto de 1967. O po vo. em vez de GRO 6363. Disseram ao jornal que aquilo era mentira. ou se as pessoas interferissem ou e stragassem planos perfeitos. “Em Liverpool êle era dado a depressões nervosas”. O obituário do Times tomava três colunas no alto da primeira página. com iss o. Brian tinha que delegar atribuições. pensar que aquêles que os têm não são verd adeiramente felizes. que as coisas se manifestaram aparentes. tomaram o carro e voltaram para Londres. fama ou poder. que se achava em Londres.” Êsse estado mental êle sempre teve. Contudo.

porém. o ex-di retor da RADA. Êle. Era novamente o velho impulso criador que vinha à tona . e assi m mesmo atirou-se aos ensaios completamente”. Geoffrey Ell is e seu irmão.” Mas a peça logo saiu de cartaz. que nunca foi um sucesso financeiro. mais tarde. an siando por pequena possibilidade de satisfação. em lugar de contratá-las. durante os três anos em que trabalhei com êle. Contratara Robert Singwood. Bernard Lee. base ado em seus conhecimentos e experiência. Era êle quem dirigia a Nems. nada tomou o lugar de sua afeição pelos Beatles. si multâneamente com os outros diretores. Não há nada mais desalentador do que ver frustrado um desejo criador. em companhia dos atôres. Seu relativo afastamento da Nems veio pouco depois de os Beatles tere m parado com as tournées. seu assistente. recuperando-se de icterícia. quando John Fernald. que havia tomado Brian como aluno e a quem Brian chamaria mais tarde para trabalhar no Saville. com os seus cas os amorosos e com a maioria de seus prazeres. como quando entrou para a RADA e. Ao invés disso.empregar as pessoas usando pressentimentos. “Êle estava doente naquela época. ainda estav a procurando algo. Desde o início de 1967. Es . exceto com os Beatles. quando as secretárias se tornavam muito familiarizadas co m êles. Houve uma chance de se tornar diretor. conta Jeanne. Êle sempre procurou manter seus a rtistas principais para si mesmo. “Acho que nunca o vi tão feliz. para ser seu co-diretor. esperando as críticas e adorou cada minuto daquel a espera. quando abandonou tudo para cuidar dos Beatles. Seu espírito criador nunca encontrou outra possibilidade de expansão . Era totalmente personalista com os Beatles. abandonara em grande parte seu compromisso diário com a Nems. caiu doente durante os ensaios da peça A Smashing Day e Brian assumiu a direção. Vic Lewis. e nada aparecia — como os Beatles hav iam aparecido. Fora o Saville Theatre. nos assuntos de rotina. Ficou acordado a noite tôda. Não sabia o que estava procurando. um australiano. Clive Epstein. Isso foi o que aconteceu a êle. Só nos últimos meses antes de sua morte foi que deixou Peter Brown. Chegava ao pont o de não gostar. tudo o levava para uma estrita vida de homem de negócios. ter contatos pessoais com êles.

Vários logo desapareceram completamente. e estava financiando um filme sôbre touradas na época de sua morte. Êle recentemente tomou LSD várias vêzes. de uma forma absolutamente sincera. Não sei o que êle dev e ter pensado disso. Alguns naturalment e ressentiam sua excessiva preocupação com os Beatles e também. Numa semana. quando chegava de man hã. Êle me deixava bil hetes determinando quais as reuniões que eu deveria cancelar. con tinua Joanne. Dentro de poucos meses voltavam. Também adorava touradas. Brian lamentava i sso tanto como qualquer um dos artistas. sua falta de atenção aos interêsses dêles. Adorava sua casa de Kingsley Hill. a casa de Sussex. “Isso acontecia porque na verdad e êle não era levado pelo jôgo.ta foi a razão principal de êle ter-se afastado tanto da Nems. prossegue Joanne. talvez por volta de trezentas libras. tive de cancelar quatro vêzes um encontro entre êle e Bernard Delfont. Chegava a fazê-lo sentir-se um pouco culpado. acusando-o de tê-lo . Aquela vontade de jogar era para poder ir a algum lugar ta rde da noite e encontrar gente. como as d rogas e o jôgo. juntamente com uma pilha de dinheiro. quando deixou praticam ente a Nems. Era bem chato. Êle lhes prometia grandes coisas.” Fora os Beatles e Cilla Black nenhum de seus artistas duraram muito como estrêlas. Joanne freqüentemente encontrava um bilhete.” Havia outras coisas que lhe davam grande prazer. diz que êle era um bo m jogador. Às vêzes eu tinha de dizer que êle estava doente. mais ou menos na mesma ocasião que os Beatles — e foi muito antes de sua morte. “Acreditava honestamente . “Êle detestava as reuniões. depois de ter passado a noite tôda com insônia. Parece que abandonou o LSD. ou tinh a uma conferência mais urgente. A verdadeira razão era que êle ainda estava na cama. Gostava dêle e era bem suc edido. Costumava até cancelar as reuniões mais importantes. Êles iam embora nova mente esperançosos. pois sabia quando devia parar. êle não gostava mesmo de ser um homem de negócios”. Êle tinha espasmos de uma febre de jôgo. Êle queria criar. “Na verdade.” Peter Brown. “Ê le acreditava em muitos dêles”. depois os Beatles l he contaram o efeito que êles sentiram. que freqüentemente o acompanhava. “O bilhete m e dizia para ir ao banco depositar sua felicidade. Êle apoiava um to ureiro. Outras coisas êle fazia para atender a caprichos ocasionais.

é pouco provável que êles se tivessem tornado amigos. Foi quando as drogas e a religião começaram a tomar conta de suas vidas. Peter Brown foi o primeiro a tomar conhecimen to de sua decisão. em mui tos aspectos. mas com Cilla Black. e era estimado por êles. que o recomendou a contar -lhe lenta e cuidadosamente. que deveriam fazer . de idade e pas sado diferentes. Então.” A única briga séria que teve com qualquer artista foi. deix ando-a novamente. sua estrêla mais bem-sucedida. mas êles acabaram encontrando-se em Chapel Street. não com os que não se estavam saindo bem. e assim permaneceram até a morte dêle. do dêles. quase êles se tornaram ermitães. Êle sabia o quanto aquilo abalaria Brian e estava preocu pado em contar-lhe. Chegou até a pedir conselho ao médico de Brian. Como Brian estava fora. Qualquer decisão sôbre os negóc ios do conjunto passava por suas mãos.s deixado entregues à sua própria sorte. Ela vinha sentindo. Mas no fim de 1966. seu principal ponto de c ontato deixou de existir. tudo ficou resolvido. cometeu o êr ro de deixar outros irem primeiro tentar acalmá-la. e depois de acôrdos. Durante cinco anos. irônicamente. Se êle não tivesse sido empresário do conjunto. Cilla acabou percebendo que de qualquer jeito nunca teria dei xado Brian. Quando Brian soube da história. Brian tinha ido a qualquer lugar. há algum tempo. Brian seguiu seu caminho. Êles ainda se encontravam bastante. que não estava recebendo de Bria n a mesma atenção de antes e da qual se achava merecedora. ela iria deixá-lo. Nunca houve brigas com qualquer dos Beatles. Êle sempre os adorou. Um caminho completamente diferente. entretanto. Brian era de uma classe. limitando-se a só se verem mutuamente. Depois de horas de discussão com Cilla. com outras atitudes diante da vida e em relação aos prazere s. buscando descobrir o tipo de vida que levariam. já que era assim. suas preocupaç ões eram com êles mesmos. Mas com o fim das tournées. Os dois se tornaram mais amigos do que nunca. sua vida e seu trabalho tinham sido dedicados a êle . No início do ve rão de 1967. Por vários meses. ela achou que já agüentara o bastante.

ensimesmado. os lugares aonde iríamos durante tôda a semana. Eu pedi a George qu e êle conversasse com Brian. n aquele último ano. as r efeições. deixando Cyn em Liverpool. sôbre o assunto. Êle precisava desdobrar-se ao lado de Paul. êle tinha tudo programado. E isso era verdade. Brian se mostrava muito fe liz. os Beatles eram outros. se apoderavam dêle. que organ izava tudo até os últimos detalhes. “Creio que Paul pensa que sou mais chegado a John do que d êle. mas agora eu gosto de ambos igu . durante tanto tempo. que êle só ia ao escritório raramente. Quando tudo terminou. Êle adorava ter de fazer qualquer coisa para êles. O próprio Paul também ad mitiu isso certa ocasião. no princípio era mais atraído por John. com suas próprias preocupações. Foi o único que passou um fim-de-semana só com êle.s.” Brian. e êle respondeu que não adia ntaria nada. O próprio Brian sentia isso. Ficaram surpreendidos ao saber. à medida qu e as preocupações. e po ucas vêzes se levantava e saía com a luz do dia. quando foram jun tos à Espanha. Antes foi assim. em 1966”.” Pattie conta que uma vez ouviu Joanne referir-se sôbre a quantidade de pílulas que Brian estava tomando. mas acharam q ue a crise havia passado. “Quando chegamos. e estavam casados.” Quando oferecia um jantar. Um dia chegou um a vião particular. “Êle sempre foi assim. mu itos meses depois de sua morte. as visitas. Êle ficara cada vez mais viciado nas pílulas. Êle fic ou só. próximos ao s pratos. reais e imaginárias. Suas relações com Paul eram mais cerimoniosas. Também ignoravam por completo a vid a pessoal de Brian. nas quais não tivera muito tempo para pens ar. Os Beatles não tinham a mínima idéia da vida que êle estava levando. mas ela respondeu que nada podiam fazer. Quando o encontravam. conta George. chegava ao cúmulo de descobrir qual o cigarro preferido de cada pessoa. pois êle se preparara para levar-nos a uma tourada. Pois seu maior prazer era estar com êles. e os colocava na mesa. Gostava tanto de agradar as pessoas. desde os tempos do Cavern. Souberam que êle estivera deprimido no início de 1967. “Eu e Pattie passamos uma semana de férias com êle no sul da França. “Eu perguntei se ela ou Peter não davam u m jeito de parar aquilo.

” Costumava dar a Paul presentes generosos. estando em Nova York. No Kennedy Airport. e isso jamais aconteceu.almente. e. vez por outra. “quando telefonava para se queixar de alguma coisa ou perguntar algo. Pouco antes de partir.” Como o desastre não ocorreu. Nat Weiss afirma que Br ian teve um pressentimento de sua morte. Brian estava sempre envolvido. não gostava da mane ira como êles faziam as coisas. mas êle ingerira “doses excessivas. George. provàvelmente. Êle havia morrido intoxicado por bromido. pela primeira vez. os Beatles jamais conheceram o grau de importância que dava a coisas tais como à capa do Sargeant Pepper. i gualmente. êle pensava que seu avião cairia sôbre o Atlântico. Confirmaram. declarou que a morte de Brian Epstein fôra acidental. que eram em qua ntidade suficiente para matá-lo. conta Joan ne. que Nat Weiss guarda ainda. Seu corpo mostrava que não houve uma dose excessiva. pede: “Sacos de papel pardo para a capa do Sargento P epper. George tinha sido o úni co a examinar contratos e discuti-los com êle. na f orma de pílulas . O bilh ete. como seu último desejo em caso de sua morte. A droga chamava-se Carbital. quando falava com os outros. Antes. no tribunal. componente de umas pílulas que êle vinha tomando há algum tempo. Êle preocupava-se quando falava com Paul pelo telefone. que êle tomava drogas. no dia 8 de setembro de 67. “Paul era o único que lhe causava pequenas preocupações”. sem o devido cuidado”. como quanto estavam ganhando e por que n ão ganhavam mais. mas sim uma sér ie de grandes doses. Um tribunal de Westminster.” O motivo disso foi. E êles raramente o presenteavam. nunca souberam nada a respeito de seu último ano. Paul se ter interessado pelos negócios. tão complicadas — como a capa para o Sarge ant Pepper. A porção de bromido encontrada em seu corpo era apenas “um ba ixo teor fatal”. de ixou de preocupar-se completamente com as coisas materiais. Os outros poderiam perguntar exatamente a mesma coisa. escreveu um bilhete para Nat Weis s entregar aos Beatles. mas sempre era mais cuidadoso em agra dar Paul. como. quando começou a interessar-se por religião. pelo fato de em 1967. Na primavera de 1967.

A primeira vez foi em 1962. Também. e ao dobra r a esquina depois da casa de Paul na Cavendish Avenue. Ê le tinha ido a casa de Paul. e. sendo sete ao lado de sua cama. com a grande notícia sôbre o primeiro disco do conjunto. não conseguindo encontrá-lo. Os laudos médicos concluem pelo fato de vir tomando drogas três dias seguidos. até à morte de Brian. Em seu corpo. a pouca distância dos estúdios da EMI (onde todos os discos dos Beatles. A outra foi cinco anos mais tarde. Foi um bom lugar. toma-se a penas uma grande dose. Os fãs tinham abo rrecido Paul o dia todo. Não há a menor dúvida disto. A polícia encontrou em sua casa dezessete vidros de comprimi dos desta espécie. Os médicos afirmaram que a quantidade de bromido que êle vinha toma ndo era suficiente para deixá-lo zonzo e esquecido. Brian foi obr igado a procurar um telefone público. desconhecem-se a ocorrência de alguma ou razões para depressões profundas . As exéquias de Brian Epstein foram realizadas na New London Synago gue.para dormir. na ocasião em que sua mãe enviuvara recentemente. pouco antes de sua morte. quando saiu correndo dos estúdio s da EMI e telegrafou aos Beatles em Hamburgo. B rian sempre achou que essa história era muito interessante. não era longe da estação do metrô de St John’s Wood. ainda mais. Alguns pormenores ainda são desconh ecidos. haviam sido gravados). e avisando-lhe que êle queria entrar. porque sofria de uma insônia permanente. Havia apenas uma depressão relativa. Brian usou aquêles apa relhos duas vêzes em sua vida. foram encontrados uma droga antidepressiva. No entanto. êle deixara de atender à porta. Tratando-se de suicídio. . causada por êle achar que seu fimde-semana seria aborrecido. barbitúric os e bromido. no dia 17 de outubro de 1967. onde fi ca o telefone público mais próximo da casa de Paul. St John’s Wood. oito no banheiro e dois numa pequena mala. em Abbey Road. por êsse motivo. Brian morreu com uma dose excessiva acidental. É muito pouco provável êle ter-se suicidado.

de 1956 a 1966.” 27 OS “BEATLES” DAS DROGAS AO “MAHARISHI” Quando acabaram as tournées. em setem bro de 66. não partilhado pelos outros. como indivíduos sentiam que era chegada a hora de cada um p rocurar sua vida particular. mas não chegou a uma conclusão. começou a aumentar sua casa e sua família. viven do uma vida em comum. Todavia. o mais caseiro e de mentalidade familiar de todos êles. Êle sempre gostara de Dick Lester. Pela primeira vez. q uestão sôbre a qual tinha pontos de vista bem definidos. The Family Way. “Você sabe. Continuariam a gravar junt os. Assim foi a morte de Brian. Pintou um pouco e experimentou fazer decoração. No mês que seguiu o fim das tournées. Mas ainda julgou que representar era a novi dade que procurava. como a música indian a. para ver se gostava de escrever música de filmes. quando se vira a última página de um livro para ver que se chegou ao fim. Invejava George e gostaria de ter alguma coisa séria. disse que aquilo foi o mesmo que o fim de um filme antigo. êles não tinham a mínima idéia de como seria o capítulo seguinte. partiu para a Índia com sua mulher. partiu para uma longa viagem através da África . John aceitou um papel no filme How I Won The War. o fim de um capítulo. Dizia que nêles se sentia como um extra. apesar de não ter detestado fazer os dois filmes dos Beatle s. sem mui to interêsse.George. para se ocupar. Ainda se estimam muito reciprocamente. havia enc ontrado um motivo sério. mas enjoou. Depois daquilo. Paul era o único que se sentia de fora daq uilo tudo. George foi o primeiro. Ringo. quando soube da morte de Brian. Eram decorridos dez anos. Então decidiu faz er música para um filme. Tentou pensar em Deus. ou pelo menos de uma parte e se irá entrar noutra . Gostava também da idéia de um filme contra a guerra. .

Por mais de um ano. tiveram a idéia de fazer um filme para a televisão. feita para comemorar os vinte e um anos dela.) Eventualmente. Não tinham a mínima vontade de se aposentar da vida. Durante essa s sessões. e também hem da maioria dos atôres. Foi aí que se entregaram às drogas. “Era como se eu nunca tivesse sabo reado. por intermédio de um amigo. John logo descobriu que não gostava de representar. do estilo que uma Universidade lhes poderia ter dado. (Êle foi grande admirador dos Beatles. “Pela primeira vez eu estava inconsciente. como tourné es e apresentações pessoais. ou escutado devidamente antes”. chegaram à idéia de q ue seria melhor êles mesmos escreverem seu roteiro. Muitos roteiros foram escritos e depois rejeit ados. como mi lionários de vinte e cinco anos. e. desde seus primeiros d ias em Hamburgo. nêle deixando transparecer muitos traços de seu interêsse pelas drogas. e tudo com o que não se importavam. que estava em tournée pelos Estados Unidos com o Old Vic. Chegaram à conclusão de que muitas coisas. com i . Começaram a trabalhar em seu disco mais ambiciosamente do que nunca. Nenhum dêles bebia. todos recomeçaram a trabalhar. A Day I n The Life foi tocada em seu entêrro.A paixão de George crescia. um cigarro de ma conha. diz George. Êle e Paul estavam novam ente em busca de alguma coisa.” Tomar drogas não interrompeu sua música. do mesmo jeito como as pessoas tomam uma bebida. Era o Sargeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Tinham tomado bolinhas de várias dosagens. O último foi o do falecido Joe Orton. E tanto evitaram a disciplina e o conheci mento formal. quando voava de volta a uma visita a Jane. O clima seria mágico. por si mesmos. George e John entraram no LSD. que não sabiam por onde começar. a não ser vinho n uma refeição. ocasionalmente. Também haviam fumado. Material e emocionalmente. Estavam novamente juntos. em 1965 . descobriram coisas sôbre êles. visto. Agora êles se achavam nov amente juntos. não funcionavam. sem perceberem que o haviam tomado. Através delas. pensado. falado. como represent ar. estavam com cem anos de idade. vinham adiando seu terceiro filme. uma vez ou outra. em abril. Teve a idéia de êles entra rem num ônibus e verem no que dava aquilo. Paul pensou em fazer um filme para a televisão.

Na Índia. A partir dali. George e Pattie tinham lido livros sôbre religião. mas não pensaram mais no assunto nos seis meses seguintes.” Na Inglaterra. que apar ece no Sargeant Pepper. Apenas uma outra pessoa falou sôbre o seu trabalho. havia-se mergulhado na música indiana. O próprio Maharishi não estava presente. Tat Baba. divertiu-se tentando tocar uma cítara. No filme Help. a meditação transcendent al me pareceu um processo óbvio e simples. tomei conhecimento da conferência de verão a se . e eu fui assistir a uma confer ência no Caxton Hall. Ela confessa que o interêsse dêles pela religião teve início. uma amiga me falou da meditação transcendental. George. pois estava indeciso. por êles. Esta viagem. aborrecido com a filmagem. foi entrando pelos conceitos orientais. assim como as sete semanas com Ravi. Começ ou com Aldous Huxley e. (Lei da ação e re ação). conta Pattie. que foi fe ita simplesmente para que George estudasse música indiana com Ravi Shankar. mesmo assim. Porém. de sorte que. além de estudar cítara. nessa época. em setembro de 1966. e. seguia-o em tudo. Na verdade ela foi a primeira a ter co ntato com o Maharishi. “Conhecê-lo e ler a Autobiography of a Yogi. Em fevereiro de 1967. há uma cena em que aparecem vários instr umentos musicais pouco comuns. e ainda estava se tornando profundo conhecedor da religião indiana. “fo ram as melhores coisas espirituais que já senti. no decorrer da viagem à Índia. pouco a pouco. Pattie. Melhores mesmo do que as drogas. adquiri todos os escritos do Movime nto. Chegou até aí. Os outros concordaram com isso. Um dia. poderiam fazer o que bem entendessem. pois ninguém saberia para onde êles se dirigiam. Aque la conferência não foi muito inspiradora. George lá compareceu. mas n ão se iniciou no Movimento. Na mesma época. entrei para o Movimento. por própria vontade. por acaso . Pattie entrou para o Spiritual Regeneration M ovement. Sua mulher. nem o que iriam fazer. E misterioso. que lhe explicou a lei do Karma. começou tam bém por acaso. George.sso. “Eu andei tentando aprender a meditar atr avés de livros”. um interêsse que nasceu depois da primeira experiência dêle com o LSD. George também conheceu o guia espir itual da Ravi. “mas o negócio não estava adiantando muito.

portanto. bem a ntes de o Maharishi aparecer. haviam abandonado as drogas. E. No mês de agôsto de 1967 foi publicado em vários jornais que o Mahari shi estava em Londres e faria conferências públicas. prevenindo sôbre as drogas — d epois de Paul e de Brian terem-se iniciado no uso do LSD — ter sido completamente esquecido com o espiritualismo funcionando . Seu despertar espiritual teve um efeito concreto. mas nenhuma delas lhe pareceu verdade ira. leitura e discu ssão de coisas espirituais. Fizeram uma música. Êsse abando no delas não tem relação alguma com Maharishi. nem os absorveu. “Isso parece ter sido uma decisão . All You Need Is Love. elas lhes tinh am sido úteis. Êle só confirmou e deu razões mais lúcidas para a decisão dêles. É importante ressaltar que êles já tinham muitos conhecimentos. numa determinada época. não eram um verdadeiro auxílio. Êles o fizeram por conta própria. contando-lhes muitas coisas que desconheciam. Pelo pensamento ativo. dep ois de ter lido um livro sôbre comunicação cósmica. Era irônico o fato de os quilômetros quadrados de artigos impressos. George chegou ao ponto de ir para uma parte deserta de Cornwall. para um programa mundial de televisão chamado Our World. Êle não os converteu. era melhor continuar sem elas. E revelam que. a partir de outra. tôda essa atividade espiritual não os impedia de fazer seu t rabalho normal de Beatles. Passou várias horas su bindo uma alta colina — mas nada aconteceu. E. Êle ouvira falar de muitas pessoas — Ocident ais e Orientais — e de suas idéias. Nã o se arrependem de ter tomado drogas. que foi assistid o ao vivo por cento e cinqüenta milhões de pessoas. como as drogas. perderam tôda a utilidade. Apenas passou a dirigi-los. Contudo. Apareceu na vida dêles nu ma época em que êles o procuravam. não só contava aos outros sôbre o que estava l endo. decidiram que os estimulantes artificiais. em jul ho de 1967. como também procurava alguém para explicar-lhe os pontos obscuros e colocá-lo no caminho certo. e scritos por médicos e escritores importantes. até que apareceu o Maharishi. no intervalo. Por volta de agôsto de 1967.r realizada em Bangor.” George.

por intermédio de outras pessoas.” A decisão foi muito repentina. Brian Epstein sabia. a fim de ver os Beatles partir. ou mesmo que viria para a conferência em B angor. confundindo-a com mais uma admiradora. com um grupo de amigos. a irmã de Pattie. mas não se envolv . no sábado. disse a George que teríamos de ir lá. ao que o Daily Mirror chamou no dia seguinte de My stical Special. Êles aceitaram o convite.” Mas George já tinha conhecimento. Ringo. Bri an mostrou-se interessado em comparecer também. Ringo chegou atrasado. O que pensaram que fôsse uma experiência espiri tual particular acabou se transformando num carnaval. North Wales. na plataforma. É que êle estava muito mais interessado em aproveitar bem o feriado bancário de agôsto. de que o Maharishi estava em Londres. Mike Jagger. Quando soube com certeza. A balbúrdia foi tão grande. Mais tarde o Maharishi convidou-os para a conferência de seu movimento a ser realizada em Bangor. ou seja. Entrou em contato com os outros e di sse que todos êles deveriam ir assistir à sua palestra. “Aquêles folhetos que nós tínhamos não revelav am que êle estava em Londres. o trem de três e cinco para Bangor. socados num compartimento de primeira classe. Sua mulher acabara de ter o segundo filho e a inda estava no hospital. que Cynthia Lennon foi deixada para trás. no Hilton Hotel. estavam John. Não havia ficado esclarecido se êle iria com o grup o. Era comparável aos dias das tourn ées. que pensavam ter abandonado há um ano. conta Pattie. Eu não podia pe rder aquilo. “Eu telefonei para Maureen. Apareceria mais tarde. George e Pattie.repentina”. incapaz de atravessar a multidão e juntar-se a John. em sua casa de campo. pois a reunião fô ra programada para durar dez dias. Marianne Faithfull e Jenie Boy d. e ela me disse que eu tinha de ir. no hospital. A Euston Station estava lotada com milhares de fãs e jornalistas. e o quanto estavam impressionados com aquilo. 24 de agôsto de 1967. A notícia de que os Beatles estavam indo para Bangor em companhia do Maharishi veio a público. Falaram a Brain Epstein a respeito de Maharishi e seu movimento de m editação transcendental. Um polic ial empurrava-a para trás. No trem. Isso se deu na têrça-feira de tarde. Paul.

Como algun s caras são da Decca e outros da EMI. cada manhã. Os Beatles acabaram indo para o compartimento dêles. iria poupá-lo de continuar a trabalhar como Beatle. que lhes ensinaria em Bangor. John achava que talvez êle mostrasse ser apenas u ma versão do que êles já sabiam. pois po deriam ser envolvidos pela multidão. êles n unca haviam ido a parte alguma sem Brian ou outra pessoa qualquer tomando conta dêles. Contaram-lhe que êles e Mike Jagger eram famosos.eu. como a vida física. pois não sabia o que isso significava. Ficaram sentados durante horas. Ria muito enqu anto conversava com êles. Mike Jagger continuava sentado e muito quieto. o resto de sua vida . Admitiu nu nca ter ouvido a música dos Beatles. Êle a comparava a um banco. Ilustrou sua conversa tomando uma flor nas mãos e dizendo que ela era na verdade apenas fôrça. “Vocês sabem. “Mas aposto que isso n ão acontecerá. Êle estava certo de tudo aquilo. mas com um rótulo diferente. Uma vez aprendida. Êle só me mandará partir e escrever Lucy In The Sky With Diamonds. o que acontecia na maior parte do tempo. Ficaram imaginando o que o Maharishi lhes diria. quando o tem no banco. Basta sacar para conseguir o dese jado.” “E o que acontece se o cara fôr fominha”. em tôda a sua vida. só precisariam praticá-la por meia hora. Nenhum dêles parecia ter dinheiro. né. E não tinham a mínima idéia do que ac ontecera com sua bagagem. Disse que a meditação transcendental. “Isto foi como ir a algum lugar sem calças”. perguntou John. com mêdo de ir ao lavatório. Êle ficou muito confuso quanto ao fato de êste último ser um Rolling Stone. Os sempre assíduos Mal e Neil não foram levados. que discordava. Pois o sujeito não preci sa carregar dinheiro consigo. Aquilo basta ria para o dia inteiro. Por cinco anos.” Em outro compartimento. Isso.” George respondeu. John disse qu e se o Maharishi o mandasse partir e ficar sentado numa caverna na Índia. lembra John. “e fizer ma is meia hora de meditação depois do almôço e meia hora depois da hora do ch . o Maharishi estava sentado de pernas cruzadas sôbre um lençol colocado na poltrona por seus seguidores. As pétalas tomadas isoladamente eram apena s ilusão. Êle se sacudia p ara cima e para baixo quando ria. era simplesmente um modo de se alcançar rápida e fàcilmente um estado espi ritual. muito sério.

á?” Todos riram. O próprio Maharishi parecia estar gostando de tôda aquela agitação e excitação. Acabaram empurrados pela multidão que gritava ao ver os Beatles. A vida é formada de valôres es pirituais e materiais. muito menos os Beatles. enquanto Mike Jagger e as g arôtas tinham sua entrevista com o Maharishi. Cada um segurava uma flor. Os Beatles foram tomar chá. isolando-se do resto do mundo. onde a conferência seria realizada. É contrário ao indivíduo que se torna um recluso espiri tual. depois que tivesse falado em particular com os participantes da conferência. A filosofia do Maharishi é muito simples. algumas pessoas conseguiram pas sar. na segunda casa. incapaz de acreditar que alguém quisesse ir a Bangor. às oito e meia. perguntou um dos adolesc entes. esperando para lhe dar as boas-vindas. Um garçom isolou parte do ca rro-restaurante para êles. é i . Pos sui um grande colégio. Assim mesmo. todos ignorando que os Beatles tinham chegado. — “Exatamente” —. — “No Pier Head. bastante perdidos e bestificados entre a garotada aos b erros. que seria entregue a êle. a fim de pedir-lhes autógrafos. Ringo disse que Flint era o lugar mais longe aonde êle tinha ido. usando uma corda. sem consciência espiritual. respondeu Ringo.” Na Flint Station. Mas o Maharishi disse que se êles ficassem atrás dêle tudo correria bem. Bangor é uma pequena cidade à beira-mar. Mais de trezento s meditadores lá estavam instalados. Co ncordou em lhes conceder uma entrevista. — “Vocês vão tocar lá?”. na costa norte de Gales. saindo do Dingle em sua bicicleta. Era muito atencioso e amável com tôda a imprensa e televisão. A gente se vê lá. estava um punhado de seguidores do Maharishi. Os Beatles pensaram em seguir até a est ação seguinte e voltar de táxi. Zak e Ringo (Foto Ringo Starr) — “Para que vocês estão indo a Bangor?” —. Afirma que. Na plataforma. Bangor estava num pandemônio. Paul McCartney e Jane Asher (Foto Ringo Starr) Os Ringo Starr: Jason. Maureen.

durante sua m editação. Is so ajuda a pessoa a se transcender. Em sua conversa particular. depois do esfôrço mental. às custas da ignorância da imprensa. Deveriam ir à Índia. Por volta do meio-dia de domingo. Para se tornar seu seguidor. concedida a seguir. para ajudálos e confortá-los. A imprensa. foi confusa e não satisf ez a ninguém. pois esperavam que os Beatles admitissem que para êles tudo não passava de uma piada. ainda conseguia ouvir o barulho dos carros. Continham apenas os detalhes dos trajes de cada um. Os Beatles foram aclamados com altos brados pela congregação. quando chegaram as notícias da morte de Brian Epstein. para estar com o Maharishi. ela é uma mistura de misticismo oriental com materialismo ocidental. perguntou a seus trezentos seguidores co mo êles estavam fazendo suas meditações. todos êles já tinham sido doutrina dos.mpossível o indivíduo ter uma vida completa ou gozar o materialismo comple tamente. A entrevista à imprensa. Após a entrevista. a pessoa não precisa renunciar ao dinheiro ou aos prazeres da carne. John encontrou numa cabina telefônica as notas tom adas por um repórter. Então êles voltaram para Londres. tais como as filmagens do Magical Mystery Tour. O Maharishi estêve novamente com êles. Foram agressivos em suas perguntas. de carro. apesar de continuar vivendo uma vida c omum. pela maneira como as v árias organizações ràpidamente surgiram e tentaram fazer com que os Beat les concedessem uma nova entrevista coletiva. para animá-los e explicar quão pouco a morte represent a. perdendo o resto da conferência. mas isso acabou sendo adiado até fevereiro de 1968 por várias razões. Êles e a Nems ficaram um pouco perturbados. quando. Duvida ram que estivessem sèriamente envolvidos no movimento do Maharishi. não importando quem era êle. tor naram claro o seu sério envolvimento naquela filosofia. Estavam pensando inclusive em vender direitos à im . De certa forma. Um homem disse que. composta em grande parte de correspondentes locai s dos grandes jornais nacionais. Apenas tem de aprender seus métodos de realização espiritual. não tinha idéia do que estava acontecendo. Êles achava m que os Beatles estavam envolvidos em algum golpe de publicidade. em setembro de 1967. Estavam todos descansando.

o Tesouro lhes deu uma licença especial. com a finalidade de usar os Beatles como propag anda. desde o princípio. Sempre houve determinados elementos. Foi muito difícil na ocasião. E isso sempre aconteceu. Pode parecer incrível o fato de alguns governos desejarem cortejar o s quatro membros de um conjunto de música popular. que foi diretamen te a Nems. e chegaram a separar o dinheiro para sua co mpra. que se aproveita m da presença dos Beatles para tirar vantagens. encontraram grande número de repórteres e pessoal de televisão. pela cobertura da viagem dos Beatles à Índia. foram convidados por um funcionário a visitar uma pequena e tranqüila cidadezinha. Muitos afirmam que o pr óprio govêrno trabalhista inglês agiu assim ao conceder-lhes a Ordem do Império Britânic o. Entretanto. A maioria dos governos vê n os Beatles um meio de adquirir uma identidade jovem e conseguir os votos do eleitorado . Chegou um funcionário indiano. A coisa foi tão longe. através de Mr. dizendo ter organizado as visitas dêles a seis Estados indianos e que iria marcar um encontro para êles se avistarem com Indira Gandhi. Qualquer tipo de publicidade para sua religião ou outras cois as era o último desejo que os Beatles poderiam ter. Êles estavam com a idéia de comprar uma ilha grega. enviado pelo govêrno. Call agham (nessa ocasião Ministro do Tesouro) para retirar o dinheiro do país. apesar de ninguém acreditar nisso. Os encarregados das relações públicas do Maharishi estavam muito animados com isso. que êles resolveram esquecer o projeto de comprar tal ilha que lhes serviria de refúgio. Falou-se que como haviam trazido tantos milhões para o país dever-lhe s-ia ser permitido comprar uma ilha para servir de refúgio. muito antes de os Beatles se decidirem a ir.prensa e à televisão. Tudo tinha sido organizado p elo pessoal do Departamento de Turismo. Primeiro-Minis tro da Índia. Já tinham conco rdado com o preço. Quando chegaram. por causa das restrições monetárias em vigor na Inglater ra. Numa viagem àquela nação. O conjunto não se importava com o regime militar que havia assumi do o poder na Grécia. Haja vista o que lhes acont eceu na Grécia. Outros funcionários do govêrno começaram a convidá-los a visitarem Atenas. e até governos. em 1967. e em cri ar um escritório de imprensa. Visitaram-na durante um cruzeiro de férias.

Hello Good bye. o ano do LSD e do Maharishi. depois de Devon. até setembro. Nos primeiros seis meses. Mais tarde. Apesar de tudo. Os outros ficavam por lá. No fim. Isso igualou ao que tinham feito em todo o ano de 1966 e mostra quanto o conjunto ganhou com a interrupção das tournées. em novembro de 1967. Inocentemente. Paul foi o principal inspi rador. Em vez disso. quando começaram as filmagens . Onze vêzes mais o tempo que previam. êles escreveram e gravaram mais músicas (dezesseis no total) do que nos primeiros seis meses de 1963. (Desde o Eamonn Andrews Show. Partiram para Devon num ônibus lotado. Os Beatl es só queriam ajudar a George e John. acabou s endo seu ano mais operoso até aquela época. esperavam filmar u ma semana nos estúdios em Shapperton. Chegaram até a comparecer ao programa David Fro st TV Show.môço. quando tiveram a idéia de gravar a canção-título. sabia. ser tam bém envolvido por jornalistas e encarregados de relações públicas. Foram duas semanas de filmagens. em abril de 1965). Não havia roteiro. cantando em companhia de um bêbado que entr ava pelas salas de montagem. com certeza. Dirigiu tôda a montagem. o que iria acontecer. foram terminar as filmagens num campo de pouso. às vêzes. a primeira vez que concordaram em falar num programa de tel evisão. Êles não tinham trabalhado para o filme desde abril. não levaram em conta qualquer das regras e co . Contudo. o ano de 1967. sendo que nenhuma delas. gastaram mais tempo em fazer o filme do que em compor as músicas para o mesmo. de quarenta e três pessoas. fizeram outra gravação. A maior parte dêsses incidentes nada tinha a ver com o própr io Maharishi. em dezembro. o Magical Mystery Tour. a m aior parte do tempo. ao lado do editor do filme. depois de mais de dois anos. inclusive os Beatles. Apesar de êle. em Ken t. Ao fazerem êste filme. em seu entusiasmo natural de divulgar sua filosofia. O trabalho principal foi feito durante a montagem. pensando que bast ava aparecer por lá. que trabalhou por o nze semanas. Êste foi o seu filme de uma hor a para a televisão em côres. todos aquêles fatos ocorridos em tôrno do Maharishi não os a fastaram dêle.

apesar de estarem sem empresário. os Beatles quase já haviam esquecido. tudo correu bem para êles. O ano começara com a sua busca como indivíduos e findara com êles. William Mann. mais uma vez. Depois foi exibido n a maioria dos países da Europa. como um conjunto. como indivíduos. A publicidade. Muito antes de ser exibido. O filme apresentou falta de enrêdo e de direção. não passava de uma coisa completamente nova. pela primeira vez.nvenções. na época do Natal. Foi a primeira vez. prometia apresentar um grande sucesso. estavam faz endo algo por conta própria. ganharam o bastante para torná-los confiantes a tentarem filmes de longa metragem. Ser viu-lhes de lição. Nem se preocuparam com a sua absoluta falta de experiência. ou de um George Martin para ajudar com sua experiência. Foi o bastante para merecer severas críticas d a maior parte dos comentaristas de televisão da Inglaterra. Austrália e Japão. O filme foi exibido pela BBC. êles estavam principiando a botar suas cabeças no lu gar e suas casas em alguma ordem. Excetuando êsse filme de televisão. Essa bu sca significava que. O Daily Express chamou o filme de “clamorosa tolice” e “idiotice insôssa”. Sobretudo. sem interferência alguma de Brian Epstein par a ajeitar as coisas. gastou grande espaço daquele diário só para afirmar que o d isco era mais genuinamente criativo do que qualquer outro. América do Sul. que os Beatles foram criticados. Para êles. Contudo. TERCEIRA PARTE HOJE 28 PAIS E AMIGOS . O Sarg eant Pepper foi considerado o máximo que êles alcançaram e o crítico musica l do Times. no campo da mú sica popular. A maioria d os críticos aproveitou-se ao máximo daquilo. deixando de comentar que aquilo era uma experiência. em cinco anos. apesar de Paul ainda esperar que gostassem do resultado.

Teria tido só um emprêgo. não. Sòmente o pai de um dos Beatles ainda vive em Liverpo ol. imaginava o que iria pensar ou dizer. Foi realmente desapontador saber o que eu ia perder. Tive alguns momentos geniais. não querendo ve r ninguém. hoje.” Êle perdeu o ânimo. “O que eu mais temia era a crueldade das pessoas. Estou realmente contente. na casa de sua mãe. afundado em frente à televi são. Finalmente. a cada ano. ainda vive um ex-Beatles — Pete Best. isso l evou muito tempo. Êle tocou em outros conjuntos. Durante um ano. Continua tão vigorosa como sempre e costuma afirmar que os Beatles chutaram seu filho porque tinham ciúmes d êle. beb idas e pílulas. Sou grato a êles. milhares de fãs fazerem peregrinações a fim de visitar suas antigas casas. Na cidade. “Mas agora.” . nada fêz. ganhando dezoito libras por semana. Quando encontrava a lguém. Suas lembranças de Hamburgo. não há placas marcando os lugares onde os Beatles nasceram. Tenho muitas lembranças bo as. Recusou grandes somas em dinheiro pela história de sua vida. especialmente de suas garôtas. Eu era o cara que não servia p ara nada. No comêço. e ainda veste casaco de couro e jeans. Eu queria criar um nôvo gênero de vida para mim. “Que bem poderiam trazer. Mora com seus sogros e traba lha como cortador de pão numa padaria. lame ntei tudo. mas em 1965 abandonou o show business definitivamente. usa o cabelo no estilo dos Beatle s. ter-lhe-iam sido muito lucrativas. todavia. Mr s. talvez como professor. Parecia muito cansado. Então. Quando me chutaram arrependi-me até de ter pôsto os olhos nêles. depois que deixou os Beatles.Hoje. a não ser o dinheiro? Pareceriam apenas la mentação. Pete diz que sempre acreditou que êles eram bons e destinados ao suc esso. Êsse conhecimento de mim mesmo deixava-me inferiorizado. e não teria conhecido tôda aquela angústia. quase se tornando um recluso. como todos êles o faziam em Hamburgo. um dia chegará o Juízo Final. Pete Best está casado e tem dois filhos. As pessoas eram rud es e me diziam coisas desagradáveis. Best também abandonou todo o trabalho no show business. em Liverpool. apesar de.

gravando um d isco. apesar de não cantar tão bem quanto eu. Êle continua muito escuro e estranho e com velas queima ndo. então não sei o que ê le possa ser”. e não é mais fotógrafa. ao ir e voltar para sua casa em Waybridge. Fred lavava pratos num hotel. quando John tinha cinco ano s. mas esquisitas boates d e Hamburgo. as boates ainda continuam cheias de conjuntos inglêses. de 1945. Fred Lennon não teve qualquer contato com John. A inda continua muito amigo dos Beatles. exceto o piano. que me custou cento e nove libras. a encarregada da limpeza me disse: Se êle não fôr seu filho. George compôs uma de suas músicas na casa de K laus. Êle entrou para um conjunto inglês. concedendo entrevistas. Seu fascínio pelos Beatles arrastou-o para a Inglaterra e entrou para um conjunt o. Quando Fred percebeu que êle era seu filho.” John deve ter passado muitas vêzes pelo hotel em que seu pai lavava pr atos. Êle confessa que sua parte nisso não lhe trouxe lucro algum. E eu jamais ouvira falar nêles. Por algum tempo êle tocou num trio. É claro que disse que não estav a procurando publicidade. Astrid conservou o quarto de Stu qu ase como êle era. Diz que ficou doente com a imprensa e recusou tôdas as ofertas por suas memórias dos Beatles. sem sabê-lo. Casou-se com Gibson Kemp. apesar de não saber tocar qualquer instrumento musical. mas Klaus não está mais lá.Em Hamburgo. Aquilo simplesmente aconteceu. também. “Pelo contrário. Ela me contou que naquele conjunto havia um garôto com o mesmo nome que o meu e com o mesmo timbre de voz. um ex-músico nascido em Liverpool . o de Manf red Mann. Foi. por mero acaso. Êle continua a desenhar um pouco — foi quem fêz a capa do LP dos Beatles Revolver. tive até p rejuízo. começou logo a aparecer e m todos os jornais. que o Tid Bits lhe pagou quarenta libras por suas memórias. juntamente com Klaus. Nessa época. “Um dia. até 1964. Fred. Ainda a estou . Astrid vive em Hamburgo. Seu último emprêgo foi numa das pequenas. Nem se preocupou em ir vê-lo ou perguntar algo sôbre êle. Fizeram-me botar uma dentadura. em Esher.

que John trouxera para casa há m uitos anos.” Gostaria de se encontrar com John. êle deixou de lavar pratos. mas é muito animado e jovem de aparência. e parece um janota. A c asa tem pequenos degraus no fundo do jardim que dão para o mar. Desde o comêço de 1968. e êle o penteia para trás. é sinal de que tudo está bem.” A primeira vez que ouviu isso.” Recu saria receber qualquer ajuda do filho. sabe. E posso dizer-lhe que sou mais môço do q ue êle. indo ou voltando de Poole Bay.” Conseguiu um rápido encontro de vinte minutos com John. Aquela qu e está sentada ali é sua tia Mimi. fêz a reconciliação. dez libras por mês. Só no ver ão. A casa é muito branca.” Assistiu ao progresso de John com muito cuidado.” Quando John soube que Fred Lennon tinha boas recordações de Julia e de sua infância. quando os barcos passam. Só para êle ver a minha cara. Tentou vê-lo novamente. Êle é muito baixinho. Eu não ter ia feito aquilo. ficou tão furiosa que correu para o fundo do jardim e gritou: — “Calem a bôca!” As pessoas que e . Sei que John tem horror à velhice. com grande alegria para Fred. foi por não ter falado no Foyles Lit erary Lunch. Uma. res ide num bom apartamento. Seu cabelo gr osso está ficando cinza. No lugar dêle. A outra. com seu gato Tim. mas bateram-lhe com a porta na cara. mora só numa casa luxuosa. ela pode ouvir os megafones anunciando — “Esta casa com as cortinas listradas pertence a John Lennon. um gatinho abandonado. Se elas acham que eu sou um pãozinho. Custou vi nte e cinco mil libras. financiado por John. foi ao aceitar a Ordem do Império Britânico. Conta c inqüenta e cinco anos de idade. e até cantado a lguma coisa. eu lhes teria feito um discurso. Encontraram-se e tornaram-se amigos.pagando. “Eu ainda pego garôtas. Mimi. Quando os navios passam pela casa. “Êle só me decepcion ou duas vêzes. e logo depo is lhe mostraram a porta. A frente e os fundos dela são completamente indevassáveis. A realeza não pode comprar-me. ao lado do mar. Agora. ensolarada e com uma vista magnífica. como um ex-ator. atualmente. aparecendo em sua casa. é que Mimi pod e ser importunada. perto de Bournemouth. “Caso John ma oferecesse.

mas quase tôda foi trazida de sua casa em Liverpool. Gravada está a frase que ela cos tumava dizer-lhe todos os dias. e mandou que arranjasse os mapas de B ournemouth. quando os pais dos outros se mudaram para casas novas. Ela o expulsou. Parece muito nov a. Em tôda casa existem muitos livros. dizendo que ela a merecia mais do que êle. Fora isso. Algumas lâmpadas da frente da casa fora m roubadas pelos fãs. que a gente já estava saindo. Mimi acabou de ler Max. John insistiu comigo durante dois anos. John. Êle pegou o telefo ne e chamou Anthony. concordou que eu ficasse lá. — “Eu não tenho a m ínima necessidade de me mudar daqui. . Gastei centenas de libr as nela. Onde você gostaria que ela fôsse?” “Para dizer alguma coisa. Conta que tinha cois as lindas naquela casa. quando um repórter foi visitá-la em sua casa de L iverpool. leva uma vida calma. Não aprecia romances. em Londres. uma gran de placa. Em cima da televisão. No hall e nas paredes dos quartos. ela colocou a MBE de John. Grande parte da mobília é reprodução de antigüidades. seu motorista. — “Você é um bôbo. especialmente clássicos e biogra fias. ela os vê tirarem fotografias dela e da casa. Possui. olhando em tôrno. disse-lhe. ela colocou os discos de ouro do co njunto. de Lord David Cecil. “E u vivia muito feliz. êle vo ltou a insistir comigo. Depois. na mesma hora. Ela diz que mantém o número de seu telefone e enderêço muito em segrêdo. vou descobrir uma casa para você. Vez por outra. após a estréia de seu primeiro filme.” Nunca demonstrou muita vontade de abandonar sua casa de Liverpool.stavam no barco limitaram-se a rir. também. “Mas. embora fique um p ouco chateada quando alguém pensa que ela é monarquista. Êle desceu para o café e disse: — “Muito bem. mas com ela você jamais ganhará a vida. respondi: Bournemouth. que John mandou gravar e lha presenteou.” “Estava passando uns dias com êle. êle. apesar de não tantos quanto os outros pais. perguntou se não achava que fôra muita bo ndade de John em comprar-lhe todos aquêles móveis. pois era uma casa confortável. Certa vez. na sua adolescência: — “A guitarra está m uito bem como um passatempo. John chegou um dia e a pendurou nela.

O casal limitou-se a olhar par a êle. Sempre sonhei em me mudar para o sul. ao passo que os outros pais demonstram certo “reconhec imento e devoção ao seu herói”. e eu não queria entrar. e é só. eu fico com ela”. por causa do jeito como John estava vestido.” Mimi mudou-se em outubro de 1965.“Bem. “Eu disse que não devíamos entrar e aterrar sôbre êles desta forma. quando George se aposentasse. Êle estava com suas calças american as velhas e furadas em várias partes e com um surradíssimo casaco de suede que eu c omprara para êle há anos e estava alguns centímetros menor do que êle. pensei. Mimi talvez seja a que não mudou seu modo de tratar John. cumprimentando as pessoas e perguntando se não se i mportavam que a gente desse uma olhada nela. m as eu preferia uma à beira-mar e parecia não haver nenhuma. será um passeio. mas ela lhe respondeu que deixasse de ser tão estúpido. Seu tratamento com John continu a do mesmo jeito. John perguntou: — “Gosta dela. como quando êle era um simples adolescente. Nunca fui dado a fazer muitas amizades fora da família. A casa de Bournemouth ainda está no nome de John.” Os pais dos Beatles tiveram suas vidas profundamente modificadas por s eus filhos e todos reagiram a isso de maneira ligeiramente diferentes. E disse para ela gastar suas sei s mil libras. Jo hn achou-a uma casinha burguesa. um bom preço. “Resolveu entrar. “Seus antigos moradores ainda estavam lá. E também estava usando um cretino boné de iatista. como ela diz. na região. “Aqui é ótimo. Demos muitas voltas. Entã o. Êle paga tôdas as contas. Vendeu sua casa de Liverpool por seis mil libras. Passamos pelo Rumsey’s e conseguimos uma lista das casas que estavam à venda. Ela o adverte quando está gordo. mas é de Mimi. Então pensei que a coisa esti vesse resolvida e poderíamos voltar para casa. Mimi? Se você não gostar. apesar de. . enqua nto ela a quiser. De vez em quando tomo uma bebida com amigos. Foi aí que o sujeito que no s acompanhava lembrou-se de uma recém-colocada à venda. e o aconselha para não gast ar tanto dinheiro. Critica suas roupas e aparência. êle telefonou para seu contador e fechou o negócio. Os dias são realmente curtos. ser uma boa casa e numa boa zona. Ando e leio bastante. ainda não senti um só inverno. Desde minha chegada.

sempre que pode. Costumo pensar nêle como se ainda fôsse um garotinho. El a ainda possui aquêles cadernos. enquanto êle estêve fora. para que John volt asse a ser criança novamente. mas êle sempre lhe manda cartas engraçadas. ou iria agarrar-se a êle. terminando as frases. não impor ta onde esteja. sendo inc apaz de se fixar nos assuntos. Sei que é muito egoísmo. só para ver o que ela estava fazendo. nos quais êle desenhava quando criança. Êle sabe que estou aqui e vem ve r-me. Mimi não se preocupa com o jeito de John falar.” Ela gostaria de vê-lo com mais freqüência. com um pequeno desenho no envelope. costuma pensar um pouco em mim a cada dia. Eu corria para cima e para baixo para levar-lhe refrescos.” Sua vida não mudou muito.” Os outros pais nunca fazem críticas a seus filho s. Ela diz qu e devolveria tudo. “Eu daria dois milhões de libras para voltar àquela época. Acho que o primeiro livro foi melhor.” Ela não o encontra com freqüência. Não há nada p ior para um rapaz do que sentir que alguém está dependendo dêle. mexe em todos os seus pe rtences. Tem o pensamento irrequieto. Ela as guarda cuidadosamente arrumadas numa escrivaninha. apesar do luxo em que vive agora. Quando John a visita. “E êle está cada vez pior. Jamais demonstra muita emo ção. mas nunca lhe diria isso. Sempre esto u avisando-o sôbre isso. ou todos os meses. Ela diz que êle nunca a prenderá a falar direito. Generoso ao extremo. Com seus garranchos (como os chamo). Mas nada poderia compensar as alegrias que me deu quando criança. Durante o verão êle passou quatro dias sentado no telhado.“Ele é muito mão-aberta com seu dinheiro. Sei qu e é bobagem. “Não é culpa dêle o fato de eu ser viúva. “Estão.” . apesar de não vir ver-me todos os dia s. quando está no exterior. conforme escreveu. Uma vez ou outra ela os lê. “Uma vez êle me confessou que. Isso significa muito para mim. que êle vem fazendo há anos. Fr eqüentemente não consigo entender o que êle fala. e ainda d ou gargalhadas com alguns de seus poemas. Acha difícil pedir desculpas. sua casa e todo o sucesso do conjunto. Êle tem de pensar em sua própria mulher e em sua família.

pelo menos êle afirma isso. e precisava trabalhar mais três anos. Seu qu arto é genial. viva e e spirituosa. Êle é louco por Ruth. apesar de todo aquêles anos e experiência. não passava de dez libras por sem ana. bem mais môça do que êle.” É evidente que são muito felizes. com o pensamento de seus patrões o in denizarem e substituí-lo por um camarada mais môço. e pediu-lhe para que casasse com êle. não esperou segunda ordem. diz  ngela. isolada de oito mil e setecentas libras e m Wirral. o irmão de Paul. de c inco anos. Ao co ntrário de outros pais. “Éramos dois solitários. Êle est á derrubando a farinha numa tábua de cortar pão e gravando o barulho. há muito. para se aposentar. Ela morava num quarto. sôbre o seu famoso irmão adotivo. êle usa camisas de gola roulée e calças muito justas. Êle só vira Ângela três vêzes. — “Agora êle quer mais alguns sacos de três libras de farinha. — “Acabo de levar três fôlhas de papel carbono para Michael” —. desde os quatorze anos e. responde Jim. tinha sessenta e doi s anos. Michael. uma jovem muit o inteligente. após qu ase dez anos de viuvez. Ruth acha que são muito tolas as colegas de escola que tentam conversar com ela. Que acha você que êle estará tentando fazer? — “O som de três sacos de farinha caindo numa tábua de pão” —. quando Paul lhe anunciou que poderia parar de trabalhar. Seu salário. Ruth. Um ano depois. Durante anos viveu apavorado. iguais àquelas que não queria que Paul usasse. A retração no comércio do algodão tinha tornado seus últimos anos bastante desconfort áveis. Ela fê z Jim remoçar. no Cheshire. . foi em 1964. mas numa confusão danada. e com uma filha. em Kirby. desde que seu marido morrera num aciden te. — “Isso é muita bondade de sua parte” —. Agora. Naquela época. acres centa Jim.O dia mais feliz na vida de Jim McCartney. Jim arranjou uma nova espôsa. Ela também era viúva. estava cheio daquilo tudo. Cuida da casa com muito capricho e dirige o carro dêles. Trabalhou na mesma firma. ainda mora em casa do pai. Angie é muito vigorosa. Paul arranjou-lhe uma casa.

també m. Sentiu a maior emoção de sua vida. Principalmente. Fora sua leve pronúncia de Liverpool. Êl e esconde seu uísque. e depois êle me entregou um p acote. “Depois. suas roupas e seus divertimentos.” Jim tem a maior intimidade com seu médico — chegando até a chamá-lo pelo apelido. não é? Como você se sente?” Era só o que me perguntavam se mpre. Pip. e sabe exatamente quais são os pássaros que estão no seu jardim. Cortei essa espécie de gente. Respondi — “ Que bacana!” e pensava em que raio de coisa poderia fazer com o retrato de um cavalo. Não de um modo afetado. casan do-se novamente. Apesar de tud o ser novinho. mas com tôda naturalidade. Pude ver Paul fazendo sinais para alguém. na hora de Pip chegar. É. Contudo. ao vermos a vida que leva. Êle mo entregou e falou: — “Tome aqui. 6 de julho de 1964. depois que Paul a comprou. mas é êle mesmo quem cuida de suas videiras. Deixando o trabalho. Faz seu próprio vinho e sempre possui um grande estoque de bebidas. “Na realidade sinto às vêzes falta de Liverpool e dos velhos amigos. . Foi à noite da estréia d o primeiro filme dos Beatles. quando completou sessenta e dois anos.” “Abri o embrulho e êle continha o retrato de um cavalo. Eu já estava me enchendo com tantas pessoas dizendo-me — “Você deve estar muito orgulhoso com seu filho.Mais oito mil libras foram gastas na casa. Jim tem dois jardineiros por hora. Êles se sentem felizes em gozar de todo aquêle luxo. é impossível imaginar que êle viveu tôda sua vi da numa casa da prefeitura e ganhando menos de dez libras por semana. ela apresenta um aspecto de ambiente doméstico bem acolhedo r. A princesa Margaret estava lá. conseguindo aquela casa e. dos fundos. A casa possui um grande jardim e. todos nós fomos para Dorchester. na instalação de um sistema de aquecimento central e na mobília e decoração. Pai. Lê livros de ornitologia na biblioteca . se avista o estuário do Dee. êle se transformou num camarada feliz de verdade. freqüentemente telefono para alguns parentes e amigos e os convido a vir visitar-nos. com tudo de melhor. quando é encontrado no hipódromo. É aí que êle realmente parece um cavalh eiro de nascimento. mais que tudo. numa grande estufa aquecida. perfeito conhecedor de esquilos.

mais do que ninguém. . dela podendo retirar o que quiser. ta nto em idade como em gostos.” Por ser irmão de Paul. Atualmente. querida. assina Michael McGear. um castrado bem conhecido. vez por outra. “Acho que eu não poderia deixar de estar orgulhoso por causa do nosso garôto. demorou mais a se acostumar às mu danças impostas à sua vida. Demorei um pouco a me acostumar com o nôvo gênero de vi da. nega qualquer parentesco com Paul. Foi o primeiro. “Não . É como se eu sempre possuísse tudo e est ivesse acostumado a tôdas essas coisas. vindo quando eu tinha sess enta e dois anos. Como os pais dos outros Beatles . para grande desapont amento de quem lhe pediu o autógrafo. irmão de Paul. Drake’s Drum. Geralmente. o mais bonito. Êle sempre teve sucesso. o que tornou as coisas pior es da parte de Michael. pedem-lhe seu au tógrafo. e estou gostando de tudo. êle tem uma conta corrente. e disse: — “Não é só o retrato. que atinge uma s sessenta libras por mês. Na temporada de 1966. Agora. eu gostaria de ser irmão dêle. Êle.“Paul deve ter visto minha cara. custou mil e cinq üenta libras. Paul ainda paga sua manutenção e treinamento. “A mudança de vida foi quase de repente. êle ganhou mais de três mil libras em prêm ios. Não mudei minha pronúncia para mostrar afet ação.” “I Wanna Hold Your Hand” “I Wanna Hold Your Hand” O cavalo. Com isso estaria cheio da nota. e parece gostar e saborear a vida da classe média. Êle não se importa com ostentação. antes do Grand National. deliberadamente. eu co mprei o desgraçado do cavalo. Paul sempre foi muito chegado a seu irmão. em Liverpool. mais do que George com seus irmãos. o que pegava tôdas as garôtas e depois pegou tôda a fama. Jim não deseja mais nada. inclusive um prêmio de mil libras numa corrida em Newbury. êle é seu e no sábado estará correndo em Chest er. estou como um pato dentro da água.” Michael McCartney.

Sua casa e stá situada num esquecido oásis rural. quando Mr. a parte elegant e de Cheshire. prefer indo fazer algo diferente. Warrington fica a quinze milhas de Liverpool. em Warrington. Warrington não é o lugar ideal para onde os que foram bem-sucedidos em Liverpool costuma m mudar-se.” Os Harrison agora vivem pouco adiante de Warrington. enq uanto puder. depois disso. Um jardineiro trabalha a í duas vêzes por semana. Ela é um casarão em forma de L. não aconteceu nada . Chamam êste cômodo de quarto. a três ou quatro milhas de distância. Thank U Very Much. Costumam chama r sua casa de cabana. uma das muitas cidades industriai s de Lancashire.não é mesmo?” Agora êle está tornando Michael McGear mais conhecido. Êles preferem ir morar no outro lado da água. Os Harrison. com três acres de jardins que. onde o dia mais ensolarado é sempre cinzento. todavia. Prefiro ser um sucesso no meu trabalho. Harrison deixou de ser motorista de ônib us. “Não quero ser famoso. pròpriamente. em 1965. Tornou-se Michael McGe ar quando entrou para o conjunto Scaffold. Em 1967. mas na verdade ela tem um cômodo no segundo anda r. gravaram um disco. não moram. mas. tomando tôda a . em 1962. tentando seguir as pegadas de seus irmãos. Mudaram-se de Liverpool. Sabe compor. Michael é um bom cantor. a dos Harrison é a mai s isolada e a mais difícil de encontrar. sempre deixando isso de lado. eram campos cultivados por fazendeiros. O que sempre me preocupou foi acabar como irmão de Sean Con nery ou o irmão de Tommy Steele. mas nu ma vila chamada Appleton. contudo. êle tem trinta e dois pés de comprimento. até po uco tempo. como o fêz Jim McCartney. fazendo uma série d e vinte e sete semanas na televisão. figurando na lista dos dez mais vendidos. tentando botar êsse grande jardim em forma. Êles começaram bem. e quase a mesma distância de Manchester. completamente cercada por campos e sem nenhuma outra casa à vista. Dentre as casas dos pais dos Beatles. Isso resultou em novos d iscos e apresentações. apesar de te r gasto muito tempo e longos períodos de trabalho. fora algumas apresentações em teatros locais.

como nas casas dos outros pais. em Bournemouth. o visitante nã o fica surpreendido com a grande quantidade de discos de ouro e prata dedicados aos Beatles. E. posso dizer mais ou menos o que está escrito nela e então mando uma fotografia autografada. Quase tôdas as noites ela fica escrevendo até às duas da manhã. tais como a escada ao ar livre e uma área para banho de sol.” Todo mês Mrs. Se elas estão numa língua estrangeira. como espanhol. Depois disso. Não conseguem entender como ela perde seu tempo em ser tão b ondosa com os fãs. Numa das paredes está uma enorme placa de ouro com a inscrição: “Par a Harold e Louise Harrison pelo tempo e esfôrço dedicado aos fãs dos Beatl es de tôdas as partes. Escreve uma s duzentas cartas por semana. Seu gôsto com selos é enorme. cartas das mães dos fãs: — “Querida Mrs. Ao invés disso. Harrison deve ser um po uco maluca. Além disso. e sim. as paredes estão cheias de presentes com dedicatórias para Ha rold e Louise Harrison. eu as leio cuidadosamente e vou pescando palavras como admiro. assina e envia fotografias. de maneira diversa das casas dos outros. Califórnia. provàvelmente val eria quarenta mil libras. cartas de verdade. É usado para festas e sessões de cinema. perto de Mimi. Uma casa igual.” Os outros pais dos Beatles pensam que Mrs. mas diretamente para os Harrison. com cêrca de duas páginas. Com tôdas as ampliações e melho ramentos. Por dentro. 1965.extensão da casa. ela e stá valendo o dôbro. Harrison vai ao fã-clube de Liverpool buscar um nôvo estoque de fotografias. Acontece que Mrs. Não são bilhetes. Êles distribuem umas duas mil por mês. Harrison é tão f anática quanto os fãs. A maior parte dêsses pr esentes não foi mandada para seu filho. a senhora nunca . mais freqüentemente. pilhas de tapêtes e cacarecos de tôdas as partes do mundo. Ela é fã dos fãs. Ela emprega tôdas as suas horas vagas respondendo às cartas dos fãs. ela está cheia de mobília moderna novinha em fôlha. United Beatles Fans. Pomona. Harrison. exceto aos maníac os declarados. “Eu sempre respondi pessoalmente a tôdas as cartas. pois não tem necessidade de fazer aquilo. “Desde o início eu me acostumei a receber adoráveis cartas dos fãs. e . digamo s. A casa custou a George dez mil libras.

Acho que duzentas cartas por semana são o suficiente. Quando os Beat les foram exibir-se na Austrália. Harrison que desencravara os instantâneos que ela lhe mandara há muitos anos. “fi caria maluco”. Fôra a correspondente de Mrs. Outr o dia. sou obrigada a continuar. Conseguiu seus nomes e endereços através da Woman’s Comp anion. Êle. recebíamos cêrca de quatrocentas e cinqüenta cartas por dia.” Estão vendo só? Portanto. Decidi ram voar de Paris a Manchester e depois tomar um táxi só para vir visitar-n os.” “Em certa época. Uma vive em Barnsley e a outra. Com estas duas corr espondentes ela faz um intercâmbio epistolar de fofocas familiares. desde 1936.saberá o quanto sua carta significou. Ninguém conseguia saber de onde êles tinham vindo. Ela tem duas correspondentes para quem esc reve há mais de trinta anos. “Muita gente pensa que ficamos diferentes. Em 1963 e 1964. na Austrália. Tiveram sorte de nos encontrar em casa. “Se tivesse que trabalhar assim todos os dias”. contudo. Tiveram de colocar um guarda de plantão fora da casa. Porém.” Muito antes de George se tornar um Beatle.” . agora as coisas já estão nas devidas proporçõe s. afirmou o guarda. e a Inglaterra estava fora de seus planos. “Êles e stavam fazendo uma excursão pela Europa. uma carta pessoal da mãe de George! Mi nha filha subiu às nuvens. Há pouco. o departamento de correios mandou nossa correspondência num a entrega especial.” Os fãs para os quais ela escreveu têm o hábito de aparecer de surprês a. O próprio George nunca os tinha visto antes. Durante anos. Depois de anos de escrever para falso s fãs-clubes e não receber resposta. fomos ao casamento de uns fãs e nos perguntaram: — “Como é possível se divertirem em companhia de gente como nós?” Com certeza esperam que a gente só use casacos de pele. retratos de George em criança começaram a aparecer nos jornais australianos. se eu não me descuidar. a senhora Harrison já era uma animada escritora de cartas. foi impossível responder pessoalmente a tôdas as cart as. chegou uma família americana especialmente para vê-la. Quando George fêz vinte e um anos recebemos trinta mi l cartões e centenas de fãs numa gritaria dos diabos. por causa do George. de tôdas as partes do mundo. não conseguia impedir os fãs de beijar nossa maç anêta.

Harrison não freqüenta a igreja. pelos cegos e pela igreja. Na verdade. Mrs. E Ringo só se lembra de tê-lo visto uma vez.“Querem que a gente seja diferente. depois de sua primeira inf ância. Esqueci. — “Dez libras e dois shillings”. que atravessam Liverpool a grande velocidade. depois de trinta e um anos c omo motorista. quando Ringo estava com cinco anos. Anunciou-se num jo rnal local que nós iríamos abrir a festa. eu poderia viver mais de z anos. Isto foi em 1962. e. foi em Harpenden. “Nós já fomos até Salisbury.” O verdadeiro pai de Ringo. dêsse modo. Como Harry ain da estivesse no emprêgo. “Também costumamos julgar concursos de beleza. respondi. E como nasceu cató lica.” Mr. Êle achou que aquilo era um abuso. Harrison deixou o emprêgo em 1965.” Todos os verões costumam ir a festas ao ar livre. Respondi que era por semana. costumavam dizer-lhe: — “Não diga que você conti nua trabalhando!” Agora que não trabalha mais. que também se chama Richard Starkey. acha que deve ajudá-la na medida do possível. quando ainda tocava no conjunto . “Geralmente. Geralmente são festas da Igreja Católica. não fazemos d istinção para quem seja. antes de entrar para os Beatles. Harry? Que droga. e não podem f icar parados no trânsito. Gostamos muito daquilo. só o viu pouco depois de se ter separado de sua mãe. não sei por quê. Então somos cercados e damos uma volta pelas barraquinhas. qual quer coisa ajuda. — “Quanto você está ganhando?” George me perg untou um dia. que me pagaria três vêzes mais para não fazer nada. Qual é o nome daquele lugar perto de Lo ndres. “Eu estava dirigindo os grandes 500. devem estar pensando que nós somos diferente s. faço meu pequeno discurso de abertura manifestando minha satisfação em poder estar ali para ajudá-los. Êles costumam fazer isso. Aquêles ônibus com um número limitado de paradas. Então me perguntou se era por dia ou p or semana. Bem. Ah. A gente faz a mesma co isa pelos paralíticos. Transmito-lhes que George e os rapazes mandam lembranças e lhes fazem os melhores votos.

“Eu não era mais criança naquela época. fica chateado. E ainda tem um emprêgo nas horas vagas. Pois não tem a m ínima vontade de se envolver com a fama de Ringo. êle nã o quer que a imprensa descubra quem é êle. êle se mudou de Liverpool. o padastro de Ringo. êle é tranqüilo e não se valoriza.” Mais tarde. Êle coleciona as fotografias dêles. êle estava na casa de meus avós. como Ringo. êle diz que é um tio distante. “Uma ocasião. quando eu fui lá”. mas não tem filhos. Desde então. pois êle se orgulhava muito do Little Ritchie. detesta cebola. Êle me falou: — “Pelo que vejo você já tem carro”. quand o Harry Graves. Harry Graves. a amiga de infância de Ringo.de Rory Storm. Ringo é seu filho único. em Liverpool. e seu padrasto. num bairro muito seleto de Woo lton. A casa custou oito mil libras. êle é chamado de Big Ritchie. Perguntei-lhe se queria dar uma olhada nêle. especialmente o nariz. Pura coincidê ncia. Em família. havia pouco tempo. A mãe de Ringo. Desde o comêço da fama de Ringo. êle tem-se mantido escondido de qu alquer publicidade e de Ringo. E foi só. fomos lá fora e demos uma olhada no meu carro. Respondeu-me q ue sim. Como Ringo. Entretanto. Eu comprara o Zodiac. apesar de desejar que seu pai estivesse vivo. Então. Elsie. como limpador de vidraças. Agora. e os filhos de Ringo seus únicos netos. Marie McGuire. Esta casa não fica muito longe da parte de . admite que gostaria de ver seu filho novamente. Êle não sente muita inveja do sucesso de seu filho. Isso é altamente elogiável. mora em Crewe. Tem muitos dos traços d e Ringo. “Ma s sou muito preguiçoso. apesar de não ter nada com o caso. nunca mais o vi ou tive qualquer contato com êle. Por outro lado. enquanto Ringo é o Little Ritchie.” Às vêzes. cont a Ringo. E. Casou-se de nôvo. apa rece nos jornais como o pai de Ringo. nem onde vive. Quando reparam na semelhança do nome de ambos e perguntam se tem algum parentesco. Êle gostaria de corrigir isso. se considerarmos que os dois sempre viveram separados. ajudou seus pais a encontrá-la. Preciso ser empurrado para fazer as coisas. onde trabalha como confeiteiro numa padaria. agora moram n um luxuoso Ideal Home Exibition Bungalow. e não sentia nada contra êl e. ti rando-as de revistas e jornais sempre que elas aparecem.

ela é fartamente mobiliada com bom gôsto e num es tilo simples. Mesmo quando os rapazes se tornaram famosos. “Aquêle negócio de rock and roll. Já vi Ringo ficar se ntado aqui.” Os pais de Ringo foram os últimos dos pais dos Beatles a se mudar p ara uma casa nova. e é cercad a por gramados luxuriantes e roseiras. Elsie e Harry são os únicos dentre os pais dos Beat les que ainda permanecem morando em Liverpool. “acho que minha maior emoção foi ir ao Palladium. No fim eu já não podia agüentar aquilo. diz Elsie. Pelo lado de dentro. Nas paredes. os repórteres atrás de mim. nos sos vizinhos nunca mudaram conosco. Sentar na platéia e ouvir a aclamação daquela multidão de londrinos. E a recepçã o no Civic de Liverpool. Sôbre a televisão. Tudo foi muito adorável. não tinham? Neste ramo as pessoas têm de mudar com freqüência. “Mas as coisas ainda são difíceis para os rapazes. É um subúrbio muito elegante. Êle nun ca mudou de vida. A casa fica bem distante da rua.” “Acho que gosto mais da música que êles tocavam antes”. pela primeira vez. Agora é preciso ouvir a música dêles com at enção e seguidamente. Mas tinham de mudar. onde as pessoas que ficam paradas na rua e penduradas nas janelas atrapalham a pa ssagem dos transeuntes. muito natural. diz Harry. especialmente aqui. estão três discos de ouro e dois de prata conquis tados pelos Beatles e colocados em molduras caras. as pessoas me con vidando para fazer inaugurações. diferindo muito do Dingle. Sempre detestei qu alquer espécie de publicidade. Con tudo os fãs acabaram se tornando demais. Agora as cois as melhoraram muito. “Olhando para o passado”. Aqui é sossegado. por estar com mêdo de ir embora com a luz do dia. onde os Epsteins moravam. “Uma coisa deve ser declarada: Ringo jamais ficou mascarado. “Eu sempre disse que nós nunca nos mudaríamos. não é mesmo? “Achei que aqui a gente podia ficar mais à vontade. até escurecer. em quase um acre de terra. Maureen é muito tranqüila. Nunca nos sentimos deslocados.Woolton. onde as casas parecem modelos de exposição e não habitadas. Eu gost ava muito da minha vizinhança no Dingle. Tudo mesmo. As estréias dos dois filmes foram bacaníssimas. se pode ter tudo. Não é horrível? No entanto. está uma fotogr afia do casamento de Ringo com Maureen e um retrato de um de seus filhos. Ninguém sabe o número do nosso tel .

mas eu não queria. São uma novidade para êles e vão com muita freqüência. fala Harry. “Há pouco. uma vez. Às vêzes eu tinha de agüentar piadas como: — “Voc ê não precisa fazer fila para receber” —. Jim M cCartney adora tôdas as coisas boas de sua vida. êle me forçou a abandonar aquêle trabalho. Ou pequenas tarefas dentro de casa.efone. A Prefeitura era bem boa. teve de telefonar para E lsie pedindo-lhe que não ficasse a dizer que o sol saía de seus olhos. por muito tempo. “Eu poderia ter continuado por m ais uns quatorze anos. insistiu comigo para que eu me aposentas se. Elsie e Harry especialmente. Então. Nenhum dêles jamais concede u entrevistas. Elsie e Harry ainda não se habituaram àquilo tudo. pintando uma casa da P refeitura. Costumam pensar duas vêzes. tenho o jardim p ara me distrair. Não gostariam de dizer coisas que. mas Elsi e detesta.” . Ringo. um de seus companheiros me viu em c ima de uma escada de quarenta degraus. jogam bingo ou vão a jantares-dançante s. Ao passo que os Harrisons gostam de ser agradáveis com os fãs. Sabe como são essas coisas. debaixo de uma nevada danada. Pois agora a gente tem dinheiro para essas coisas. “Ritchie. Harry abandonou o seu trabalho de pintor da Prefeitura de Liverpool. ou mande alguém fazer. se quisesse. Em conclusão: não vi concêrto nenhum. Harry chega a gostar daquilo. têm de assinar autógrafos. assistem à televisão. que os convidam para suas festas. Às vêzes. Lá deveria haver uma espécie de concêrto. em 1965. Acho que já estou habituado. Orgulhavam-se tanto com os r apazes quase quanto eu. Então. aos cinqüenta e um anos de idade. Eu tive de me adaptar a um tipo de v ida diferente. indo a Romford visitar minha família”. o tempo se arrasta lento.” Todos os pais não gostam da publicidade. Fizeram amizade c om vários vizinhos. Em último caso. um dia. assim. Mimi gosta de sonhar com John ainda menino. viessem a borrecer seus filhos.” À noite. Acabei tendo de assinar uns Oitocentos autógr afos. ou coisas assim. “fui at é ao colégio de meu sobrinho. apesa r de se divertirem. descobrem-nos em algum lugar e . Cheguei até a pintar a casa para ter o que fazer. É provável que eu faça isso de nôvo. É como se estivessem so nhando. “Agora. Mas descobriram-me. antes de decidir qualquer coisa. de algum modo.

após todos êstes anos de apertos. Olho para os rapazes e todos me dizem piadas. Mesmo assim. com os filho s para criar. Lá. eu resolvi escrever algumas músicas. Com a morte de Brian. e que não sabe compor música. Teve de ser resolvido de que maneira continuariam a operar. a fim de consolidar o que já possuíam. “O engraçado é. pergunta Elsie. “Na semana passada. Você quer vê-las? Aqui está uma They sit all day. Fôra êle o principal descobridor de talentos. Waiting fo r a ring in the telephone. E eu lhes respondo: “É assim que as coisas são. Foi o c . Às vêzes. A gente ainda viaja de trem. choveu por três dias. principalmente com sua saúde. já fiz umas cinco letras. ainda me preocupo com êle. e vamos visitá-los com freqüê ncia. Ou. Até ali. thinking alone. É só o que elas precisam: um trecho de boa música para acompanhá-las. Todavia. vendo a chuva cair.Harry costumava cantar nos bares. a cabeça da fi rma tinha desaparecido. êles continuavam expandindo os negócios. apesar de êle. se parariam. passou a cantar só algumas músicas. agentes ou donos de teatros. meus velhos. Para me ocupar com alguma coisa. quando passo por lá. depois de tudo que passou. ainda me dá preocupação. Já fizeram tudo. houve uma reorganização na Nems de L ondres. Sei que êle é um homem. Mandei-as pa ra Ringo. sempre se cons egue um lugar tão bom quanto na primeira.” 29 O IMPÉRIO DOS “BEATLES” Após a morte de Brian Epstein. Desde o suc esso dos Beatles.” “Isso tudo parece irreal. “Sentimos falta de alguns velhos amigos. então. imitando Billy Daniels. não é”. Vamos I metam os peitos nessa pintura. Êle diz que s ó sabe tocar um instrumento. esperando que êle fizesse a música para elas. “Agora não existe mu ita coisa que êles possam fazer. na segunda classe. Mas êle as devolveu. não ter feito muita coisa no último ano. Os últimos cinco anos fora m como uma história de fadas. e nós ficamos sentados aqui . pessoalmente. Até agora. não se dar valor ao dinheiro. eu vou dar uma espiada nas obras da Prefeitura. como empresário s.

Êle tem muito da boa aparência e maneiras de Bria n — o hábito de olhar distante do interlocutor. assumiu a presidência da firma. em vez de ser aplicada na Nems. Brian possuía sete mil. continua lá como um dos diretores. só co meçou a ser devidamente organizada em 1968. promovendo-o s. do valor de uma libra cada uma. Porém. Stingwood e ntrara para a firma a fim de usar seu talento descobrindo novos conjuntos. Peter Brown. especialmente graças a Paul. de certa forma. herdou a massa de sua fortuna. pouco depois da morte de Brian. enquan to seu irmão mais môço. A Nems Enterprises. Administram os próprios negócios. Quem quiser algum a coisa com êles . Geoffrey Ellis. enquanto fala — mas tem o cabelo muito cl aro. Clive Epstein li berou-os completamente. é uma organização de empresários e ag entes. o amigo mais íntimo de Brian e seu assistente pessoal. Queenie Epstein. porque êle e a Nems não assumiriam o lugar de Brian. Robert Stingwood deixou a firma. Êle sempre possuíra ações da Nems Enterprises. antes da morte de Brian. velho amigo de Bri an.riador de tudo. Ao sair. Clive havia continuado no negócio de televisão e fizera muito pouco n a parte de show business. Êle gosta de passar a maior par te do tempo ao lado da espôsa e de seus dois filhos. cujo diretor-gerente é Vic Lewis. Isso . Clive. Clive duas mil e c ada Beatle tinha duzentas e cinqüenta. Ao contrário de Brian. e que apenas a controlam. Êles poderiam decidir seus própr ios assuntos. a partir da morte de Brian. Das dez mil ações daquela emprêsa. fi cou encarregado da maior parte dos contatos com os Beatles. ajudou a resolver o problema do empresariado. levou os conjuntos que havia trazido. A Apple é uma companhia fundada por êles mesmos. Sua mãe. A maior parte dos interêsses e do dinheiro dos Beatles agora vai para a Apple. Ela já estava sendo fo rmada. Mrs. profissional e particularmente. É o que os Beatles fazem hoje. êle sempre levou uma vida mais tranqüila e meno s exaustiva. ao passo que Brian o tinha escuro. Peter serve de elemento de ligação entre a Nems e o mundo exterior. atualmente. desde a fundação. neste as pecto.

É uma excelente publicação. sem contar os salários dos dois funcionários que trabalham em tempo integral para o fã-clube. Trata-s e de uma publicação mensal que custa dois shillings e vende oitenta mil exemplares na Inglate rra. exclusivamente para o seu fã-clube. mas por uma companhia chamada Beat Publications. Êles. o grande número de fotos em côr. Em vez de auferir grandes lucros com ela. suplementos e revistas. E. Circula desde agôsto de 1963. gravado pelos Bea tles. que paga pela exclusividade. Trabalha coordenando o fã -clube. seu telefone Beatle. É separado do fã-clube. Custa quase sete shilli ngs por ano o título de fã-clube. contam algumas piadas e cantam mú sicas melosas. . Tony Barrow ainda é seu principal agente de imprensa. cuja secretária continua sendo Freda Kelly. O fã-clube funciona com prejuízo.tem de passar primeiro por Peter Brown. Atualmente. há ainda as despesas com encomendas especiais. no g ênero. Não é editado pela Nems. como nos tempos do Cavern. possuía quase o dôbro disso. Em 1965. e superam muito as que vêm estampa das nos jornais. Sempre há um disco especial de Natal. e os membros recebem regularmente um boletim e um p resente de Natal. E ainda escreve a coluna do Disker para o Liverpool Echo. que custou s etecentas libras de impressão. geralmente. O custo da remes sa de quarenta mil boletins e cartazes. sendo tôdas voluntárias. várias vêzes por ano. Nos Estados Unidos êle sai como suplemento do Datebook Magazine. Possui um telef one secreto. a Nems faz questão de que sua qualidade seja manti da. consome a maio r parte das taxas de inscrição e taxas anuais. quando atingiu o auge. É o órgão. de maior circulação na Inglaterra. É uma revista para fãs. assim como mais gente. apesar de també m dirigir sua própria firma de relações públicas — a Tony Barrow Internatio nal. por exemplo. e quarenta filiais no exterior. como a foto colorida do Sargeant Pepper. cujo número só é conhecido pelos membros do conjunto. Êle organiza tudo. apesar de a maioria de seus membros o comprarem. e sempre foi assim. O Beatles Monthly dá um bom lucro. Existem quarenta secretárias regionais. As melhores fotografias dos Beatles aparecem nela. o fã-clube conta c om pouco mais de quarenta mil membros. além disso.

eram músicas dos Beatl es. feito anteriormente ao aparecimento dos Be atles. o que teria acontecido de qualquer forma. E os próprios Beatles semp re pensaram que eu estava bem de vida. George Martin foi o responsável pelo maior número de discos . superando qualquer outro produtor na história da música popular inglêsa. quando chegaram a Londres.Pouquíssimas pessoas entraram no círculo mágico dos Beatles. “Eu acha . Estou contente. através de uma das suas muitas companhias. já que eu estava sob contrato. Em 1962. Matt Monro e outros. não é muito longa. como sabemos. Êle começou a negociar por meio de um tipo de esquema de incentivo. ainda continuam associados com as pessoas que primeiro lhes de ram oportunidades. em 1965. pois. “Jamais tive lucro com o sucesso dos Beatles. o editor de sua música. Nunca participei daqueles grandes lucros. Krammer. Billy J. Continuei a receber o me u salário normal da EMI. êle era a figura de Deus instalada na Parlophone. Duran te êsse tempo. Dick James. viu a Parlophone ser poupada e os próprios lucros da EMI s ubirem a grandes alturas. seu salário anual ascendeu para três mil libras. Hoje. A maioria de seus sucessos. suas posições quase inverteram. teve um enorme lucro. em 1962. Em 1963. Profiss ionalmente. Ninguém poderá dizer que subi à custa dos Beatles. No primeiro ano fenomenal dos Beatles. êles não d ependem de ninguém. de fato. a EMI estava me pagando. Durante os cinco anos de contato. 1963. Excluindo a Nems. Em 1964. que. após quinze longos anos. durante as trinta e sete se manas no primeiro lugar da lista dos mais vendidos. George Martin deixou a EMI. Mas êle também foi o responsável pelo sucesso dos discos de Cilla Black. Gerry e os Pacem akers. eu devia estar nos lucros dêl es. do qual dependiam em tudo. seu conselheiro profissional e amigo mais importan te é George Martin. porque com isso sempre pude falar com liberdade. afinal. mas isso era parte de seu contrato com a EMI. de alguma forma. o encarregado gera l de artistas e do repertório. êle deve ter sido a única pessoa ligada a êles que não auferiu vantagem alguma nas costas dêles. “Na EMI achavam que.

não como seu empregado. resolveu deixar a companhia. Gerry e os Pacemakers. encarregado de gravar os discos dêles . ou AIR. pois arrastou consigo dois especialistas em artistas e repertório. Juntando-se a um quarto. simplesmente. Apenas me arrisquei à preferência dêles. Peter Sullivan. vendendo seus ser viços às próprias companhias. tem poucas preocupações financeiras. E a EMI concordou. Os maiores criadores resolveram deixar as grandes emprêsas. “Não consultei os rapazes sôbre a minha saída.” Então. Shirley Bassey. com uma grande equipe. Lulu. e George cuida dêles. êles fundaram uma companhia própria. atualmente. afi nal. Manfred Mann e muitos outros. ao passo que uma grande companhia. transformou a indústria do disco na Inglaterra. da Decca. Tom Jones. Aos especialistas em artistas e repertório basta um só êrro para irem à falênc ia. Adam Faith. Aquilo ia de encontro aos moldes tradicionais da indústri a do disco. a Associated Independent Recordings. pode dar-se ao luxo de cometer vários erros. pelo dôbro ou triplo do que recebiam antes. mas como agen te à base de comissão. a EMI não precisava dar-lhe ne nhum trabalho — a menos que os Beatles pedissem expressamente que êle continuasse como seu encarre gado de artistas e repertório. a AIR produzia discos de artistas como os Beatle s. Como não pertencesse mais à companhia. O risco maior que George Martin corria era se poderia ou não manter o s Beatles consigo. George Martin tinha sido sòmente um empregado da EMI.” A AIR. Mas a EMI não gostou disso. Cilla Black. Ela paga-lhe bem alto por seus serviços. Na época. o contrato dêles ainda era com a EMI.” Foi o que aconteceu. “Acho qu e agora estou ganhando mais do que o diretor-gerente da EMI.va que quem fazia todo o trabalho duro deveria receber a recompensa. todos eram unânimes em afirmar que êles estavam assumindo um grande risco. Agora vive em grande estilo numa grande casa . Legalmente. No comêço de 1967. George Martin. o que também não tornou a EMI mais feliz. J ohn Burgess e Ron Richards. com seus vinte e três discos de ouro conquistados. Ela ainda produ z os discos dos Beatles.

segundo George Martin. qu ando os Beatles estão gravando. um sistema que. No primeiro andar está situada uma filial do Midland Bank. Dick James ainda tem muito a fazer pelos Beatles. Já fêz a trilha sonora para vários filmes assim como tôda a música de Paul McCartney. e tem uma casa de campo em Wiltsh ire. um dia substituirá c ompletamente os discos comuns. Conta com uma equipe de trinta e dois empregados e set e mil pés quadrados de espaço em seus quatro andares de escritórios. funcionam a Northern Songs. Suas relações com êles limitam-se. Dick James Music e muitas outras companhias. p oderá afetar de algum modo a posição de George Martin. Musicalmente. de possuir seu próprio estúdio para gravações e um especialista em artistas e repertório chegar a vigorar. perto do Hyde Park. a fim de pode r compor suas próprias músicas. Dick James. Agora o conjunto tem tanta confiança em si como compositores e como arranjadores. Isso muito diverte os Beatles. mas ao fato de êle ter organizado sua companhia muito bem e ter atraído outr os artistas. Se o plano dos Beatles. George está procurando diminuir suas horas de trabalho.novinha em fôlha. Êle possui prédio próprio para seus escritórios em New Oxford Street — o Dick James House. apenas. o sucesso de sua companhia já parece ser muito sólido. que já fazem piadas sôbre o Big George. promovendo e vend . Atualmente. no que diz respeito aos negóci os. Mas aconteça o que aconte cer. através da Apple. para o filme The Family Way. o editor de sua música. Dick James tornou-se milionário. e com uma babá para cuidar dela o tempo todo. não ocupa uma posição tão invejáve l. pois pensam que só os jovens podem escrever música popular. Êle e sua mulher Judy têm uma filhinha chamada Lucy. Compôs o prefixo para o programa da BBC Radio One e tem contratos para fazer a música de d iversos filmes. Nêle. George Martin está inclinado a servir de assistente. Êles têm parte do interêsse no Playtape. seus dias de escritório de uma só sala são coisas do pass ado. que não tem n ada a ver com a Lucy In The Sky. apesar de estarem muito contentes com isso. O que aumenta a comodidade do edifício. porém não foi só graças aos Beatles.

em Liverpool. como êles. ap esar de boa parte das percentagens já estarem estipuladas pelos acôrdos da profissão . o ator que trabalhou em Help. Abandon ou essa corporação três anos mais tarde. como a maioria das pessoas. encont rou John. logo que seus contratos terminam. . Muitas pessoas apareceram ou estiveram relacionadas com êles e m diversas épocas de suas vidas. Os companheiros pessoais dos Beatles são todos rapazes de Liverpool. por uma série de empregos sem futuro. costumam ir buscar entre seus colegas do passado. as frações de centavos passam a apresentar uma soma considerável. continuam amigos dos Beatles. Fica a seu critério discutir bons têrmos nos contratos. estando Pete desempregado e sem dinheiro. Quando êles estão à procura de alguém pa ra fazer algo. e cedê-los para serem vendidos pe las grandes companhias. mas só uma ou duas mantiveram êsses laços. por acaso. o dono da galeria de arte. no ramo de música impressa. Isso levou a polêmicas interm ináveis sôbre frações de centavos. Pete Shotton era o melhor amigo de John. que acabou falindo. Em 1965. Alex Mordes. tais como Pete Shotton. Passou. desde os três anos de idade . agem os que participam da produção de um disco ou filme. quando saiu da escola. o esp ecialista em eletrônica. então. A maioria da s pessoas. desaparecem. entrou para a polícia e perdeu todo o contato com John.endo seus discos. Quando lançaram as gravações do Magical Mystery Tour. êle teve muitas discussões com a EMI sôbre os royalties que o conjunto receberia por aquilo. Dick James também se estendeu. Êle diz que ninguém é tão bom que o lançamento e a prom oção de seus discos dispensem a devida preparação. também. Trabalha em todos os aspectos do negócio de discos. ao perceber que ela era completam ente contrária à sua natureza. Assim. tais como tomar conta de um café. c hegando a alugar estúdios e produzir seus próprios discos. e Victor Spinetti. Ambos foram os maiores desordeiros da Quarry Bank School. Multiplicadas por milhões. entretan to. Seu trabalho principal é o de recolher os roya lties do conjunto. Pete. Robert Fraser. John prometeu-lhe financiar qualquer emprêsa que ê le quisesse iniciar. numa única em balagem de dois discos dentro de um livro.

investindo tanto dinheiro c om Pete. nos bares. John confessa que também poderia ser um dêles. Êle abriu a primeira Apple Boutique em Baker Street. Cust ou vinte mil libras..” Com isso. não presta serviço a . Ivan Vaughan. tem um filho e continua tão íntimo de J ohn como nos tempos de escola. acabou fechando. que estava na Nems de Liverpool e depois em Londres . Ê le valorizou-o e ampliou-o acrescentando-lhe um departamento de roupas ma sculinas. que não havia dado nenhuma prova de sua competência. Entre outros. John convidou Pete a deixar o supermercado de Ha yling Island — a mãe de Pete assumiu sua gerência — e vir para Londres tr abalhar na Apple.. Estava-me envolvendo com uma série de negócios meio escusos. trazendo grandes lucros. em Hamshire. Êle dirige seu departamento da edição de músicas. pois êle havia sido vendedor de automóveis em Liverpool. mas êle já conhecia os Beatles. “Se John não tivesse surgido naquela época.” “Dear Mr. Terry pertencera ao gr upo de Brian.“Achava-me em férias.. Alistair Taylor. John comprou-o para que eu o dirigisse. quando vi o supermercado de Hayling Is land. em Liverpool. Agora está casado. Terry Doran. onde permanece como seu gerente. eu me teria tornado um m arginal. foi ela que vendeu os carros dos Beatles. John assumia um grande risco. outro amigo de Liverpool.” Esta firma chama-se Brydor Cars (nome formado com a junção dos nomes Bri an e Doran). Brian instalou Terry em sua própria agênci a de automóveis.. Low. sendo muito bem sucedido. por ém. e que testemunhara o contrato dos Beatles com Brian. Low. privando da companhia dos piores elementos. O outro amigo de infância de John. Quando o sucesso dêles começou a se evidenciar. agora também trabal ha para a Apple.” No outono de 1967. anteriormente. Contudo. Gostei do seu aspecto. Eu não possuía um níquel. Pe te dirigiu o supermercado por quase dois anos. também é empregado na Apple. “Dear Mr.

Estaria pronto para abandonar tudo e ir embora. inteligente e franco. em 1966. Mal é alto e bem constituído. Agora que êles não viajam mais. Os ajudantes e companheiros mais chegados dos Beatles são Neil e Mal. Êles são pagos para serem companheiros. Mas durante as gravações ou filmagens Mal e Neil voltam à vel ha rotina. leão-de-chácara do Cavern Club. durante todo o período de grandes excursões de volta ao mundo. Naqueles dias. perguntavam-nos constantemente: — “Que farão vocês. Êles eram pau para tôda obra. onde ê le ia filmar How I Won The War. . Isso jamais me preocupou. magro. São apenas companheiros. sólido e s ensível. Neil acabou cedendo e foi. fora os atôres com quem êle não tinha muito em comum. Contudo. cuidavam de tôdas as viagens do conjunto. Mal. Mal Evans un iu-se ao conjunto. com todos os seus anos passados num emprêgo regular. mas é um grande amigo dêles.” Quando as tournées terminaram. e é só. Neil é mais baixo. apesar de êle se lembrar de ter dito não. Quando êle não quer fazer uma coisa diz que não. Êle freqüentou a escola com Paul. fazendo-lhes das tarefas mais humildes às mais importantes. depois de ter sido. êles não gostavam do têrmo agente de viagem. Por fim. sòzinhos. estarei fazendo alguma outra coisa.lgum aos Beatles. quando a bola explodir?” — lembra Neil. por algum tempo. levando-os e trazendo-os dos estúdios e certificando-se de que o equipament o dêles está pronto. Ambos. e foi êle quem apresentou Paul a John e aos Quarrymen. nem preocupa. “Nos Estados Unidos. muito suave e de boa natureza. quando ou onde algum dos Beatles acha que precisa de um. mais tarde. Apenasmente. uma vez. se por acaso acontecesse um desentendimento sério. êsse título não tem razã o de ser. perma necendo ali durante dias. “Isso nunca me preocupo u. Agora êle está se prepa rando para ser um psicopedagogo. Êles são servidores pagos. para que John tivesse alguém com quem conversar depois do trabalho . a vida dêles passou a ser men os cansativa. Não tenho a mínima idéia do que farei pelo resto da vida. Neil (ou Nell) Aspinall foi o seu primeiro agente de viagens. não há a mínima distinção entre patrão e empregado . vê tudo co mo parte de seu trabalho e não reclama nada que tenha de fazer. Foi quando John disse que êle deveria acompanhá-lo à Espanha.

se os membros do conjunto o fazem. mas sempre estão preparados para qualquer chamado. sempre que era possível. com longos intervalos sem fazer nada. no outro lado do Carlton Towers Hotel. dirigida pelos Beatles. as possibilidades de Neil foram ligeiramente mal uti lizadas. “Imaginam que ficamos de sobreaviso em semanas alternadas. triângulos ou qualquer outra coisa. Ambos apareceram no Magic al Mystery Tour. Mal ou N eil o acompanha. dividiu o apartament o com Neil. Êle tem um grande escrit ório em Wigmore Street. Sua tarefa é verificar se a letra das músicas está correta e mandá-las para Dick James. é um dos diretores da Apple Corps. tocando maracas. comprou uma casa em Sunbury e trouxe a família . além de viajar para Liv erpool. acompanhou-os à Índia. Mal é casado e tem dois filhos. Mal acompa nhou Paul aos Estados Unidos. Neil é solteiro e mora num grande apartamento de luxo em Sloane Stre et. por ocasião da visita ao Maharishi.Ambos seguem a moda Beatle. deixando crescer bigodes e longas cost eletas. Estão completamente integrados no conjunto. ou usando compridos lenços de pescoço. Êles ainda servem de elemento de ligação entre os Beatles e a Nems ou D ick James. um passatempo que êle partilha com os Beatles. nos discos do conjunto. Por algum tempo. Sua aparência e linguagem são as mesmas dos Beatl es. damos a impressão de sempre estarmos prontos. Mal era um dos cinco mágicos que aparecem nesse filme. Possui um piano em seu apartamento. a organização central . Foi com Ringo a Roma. Neil seguiu. onde funciona em alto estilo. Aproveita suas horas vagas pint ando. Também ajudam. mais tarde. êle tem mais níveis O do que os de todos os mem bros do conjunto somados — simplesmente porque os Beatles valorizavam o que êle vinha faze ndo. especialmente Neil. Desde 1968. Em fevereiro de 1968. que cuida de todos os negócios da Apple. porém. logo após a mudança dêles para Londres. Em 1967. apesa r de não saber tocar. esporàdicamente. levando recados e papéis para assinar. Neil seguiu a John nas filmagens da Espanha. Por algum tempo. pois na realidade. John c onstantemente pede a Neil idéias para o arremate de suas músicas. quando êle trab alhou num filme. Quando não estão gravando. quando êle foi visitar Jane.” Quando algum dos Beatles tem de ir a algum lugar sòzinho. Sôbre o piano há um método aberto na segunda lição. a vida de Neil e Mal é muito mais irregul ar.

por estar a uma distância razoável das c asas de John. Até as anomalias aparentes podem ser explicadas. mormente se têm de repeti-lo. Ringo e George. o fim da simples linha do conjunto veio em agôsto de 1965. diz Neil. ou Hello Goodbye e I Am The Walrus. com a última fa ixa com em Revolver. Também. Escolheu essa casa. A cada passo. Mas êles sempre apareceram como sendo muito bons e s impáticos. como o All You Need . Acho que todos preferem que êles sejam assim. com Yesterday. com a introdução de novos instrumentos. Ficam logo cheio s do que fazem. depo is de Can’t Buy Me Love. Assim. “costumo repetir que é daquele que acabou de me fazer uma gentileza. As exper iências reais de nova série começaram em agôsto de 1966. também. diz Neil. parece que êles estão marcando passo. para depois prosseguirem a marcha. Vez por outra. como o sucesso de Eleanor Rig by e Yellow Submarine. O que Mal e Neil nunca foram capazes de entender é a maravilhosa ima gem que os Beatles sempre tiveram. “Atualmente. É estranha a maneira pela qual o pú blico forma uma imagem.” “Sempre me perguntaram de qual dos Beatles eu gosto mais”. “Êle melhorou a aparência do conjunto.para Londres. “Em verdade ela não foi trabalho de Bri an”. fêz com que êles vestissem ternos e se organizassem. como indivíduos. sendo seguida pelo Sargeant Pepper. não importando se foram bem sucedidos ou n ão.” 30 OS ‘‘BEATLES” E A SUA MÚSICA Tudo foi um desenvolvimento contínuo. A primeira fase do rock and roll terminou na primavera de 1964. foi investido num nôvo cargo — como um dos dir igentes da Apple Records. apesar de agora êles s erem considerados um pouco excêntricos. fazendo e dizendo do que gostam e q uerem. estão se apresentando ao público como eram antes do ap arecimento de Brian. “O público ainda acha que êles são simpáticos. voltam à antiga forma.

Na época. John e Paul escreveram e tocaram suas próprias músicas. que era fácil para êles escreverem out ras para seus discos seguintes. da época de seus dias de ski ffle — foi gravada. até que um aprovasse o que o outro fizera. de tanto tocá-las no Cavern. A coisa mais fácil é olhar o jeito pelo qual êles fazem suas músicas. Tentar explicar tudo. Pois êle já analisou cada estágio da carreira dêles. Antes. E seria um trabalho que não deveria ser elaborado apenas p or Mr. apesar de não valerem muito. As le tras são no estilo de Love Me Do e You Know I Love You. elas eram compostas por Paul e John em suas guitarras. Essa fase de sua música só foi atingida a partir de 1967. esquecidas ou perdidas em grande parte. quando estavam a caminho de Yor kshire. ora indo para a frente. escreveram centenas delas. suas frases e suas músicas. Mann do London Times. She Loves You foi escrita. Paul era qu em o fazia escrevê-las como mais um original de Lennon e McCartney. Agora já esqueceram. daria para encher u m livro. provàvelmente. durante mais de seis anos. em vez de tentar analisá-las. isso já se fêz. êles poderiam ter usado outras de seus primeiros suces sos. Antes daquele ano. mas não o fizeram. Então se uniam. Uma cr ítica séria das músicas dos Beatles. dividindo as coisas em pedacinhos é tarefa para os musicólogos. Isso foi em 1963. só para ver o que saía. êles as conheciam de trás para a frente. e dividi-las em duas épocas: uma das tournées e ou tra depois delas. gozando a êles mesmos. quanto à música. Cada um experimentava seus próprios acordes. Êsse compacto foi lançado em 1967. Já haviam composto tantas. Época em que começaram a gravá-las. e. ou profissionalismo frustrado. Nada mais do que vaidade. mas à primeira vista parece pertencer ao período de 1963-64. ora tornando . Foi feito num tom satírico. só êles mesmos poderiam saber com o estas músicas se desenvolviam. só existem esc ritos uns poucos dó-ré-mis. E.s Is Love. De qua lquer forma. nos Estados Unidos. Paul ai nda guarda um caderno cheio de músicas. Uma vez que o Love Me Do — muito velha. Na verdade não o é.

Please. Hoje. c ontinua George. em compromissos de uma só noite. “Agora que a gente só toca nos estúdios e em nenhum lugar mais”. Outrora. Na época em que chegaram aos estúdios para gravá-las conheciam-nas de cor e salteado.atrás para dar uma oportunidade ao outro. Please Me levou apenas um dia p ara ser gravado e saiu por quatrocentas libras. ou não conseguem lembrar-se. revela George. Ignoram. “Por muito tempo não sabíamos mais o que podíamos fazer. Hoje. até que ela esteja gravada e já a tenhamos escutado depois disso. trabalhadas e aperfeiçoadas durante as tour nées. era nêles que tínhamos que basear-nos. fazendo tudo pelo método mais difícil. As músicas eram escritas. “quando começamos ignoramos o que vamos fazer. Nós éramos quatro rapazes vindos do Norte a quem haviam deixado fazer música nos gr andes estúdios da EMI.” O primeiro long playing dêles. Sua execução costumava sair melhor no palco do que quando saiu naquele disco. Ninguém sabe a música. suas gravações demora m mais e são muito mais complicadas. procurando uma reação imediata. bolando as coisas no estúdio. Isso foi mera casualidade.” Também ninguém atina de que modo as músicas vêm dar às suas cabeça s pela primeira vez. Se Pau l compõe uma música. êle já vem para o estúdio com ela na cabeça. às vêzes numa só fita. Tudo era feito muito às pressas. executando-as em nossos velhís simos instrumentos. E os Beatles eram rapazes s imples. como foi o caso de Love Me Do. É bem dif ícil para êle ensiná-la a nós. O Sargeant Pepper precisou d e quatro meses para ser gravado e acabou custando vinte e cinco mil libras. Temos que começar do nada. como e por qu e produziram algo. Escreviam músicas unicamente para tocar para platéias que ficavam aos berros. Então o negóci o leva muito tempo. êles negam que se estivessem concentrando em palavras simples e emotivas como I and You (Eu e Você). . “porqu e tínhamos de estar no palco o tempo todo. “Ficamos atrasados em nosso desenvolvimento”. e mais difícil ainda nós a acertarmos logo. desde que êles pararam com as tournées. Julgam q ue a letra de Love Me Do é tão filosófica e tão poética como a de Eleanor Rigby. suas músicas eram mais simples. Por isso.

Ambo s foram para o estúdio de Paul. John era de acôrdo que êles poderiam usar essa idéia para todos os versos. Do you believe in love at first sight. Era uma melodia agradá vel. cantou John. Do you believe in love at first sight. cantarolando as outras f . John chegou a casa de Paul. Are you afraid when you turn out the light.” John então cantarolou a frase. Agora estavam tentando po li-la e pensando numa letra para acompanhá-la. A Little Help From My Friends. Que acha você? Podemos dividir o verso e dar uma sílaba extra a esta frase. — “não tem o número certo de sílabas. A única maneira de se conhecer êsse assunto é estar presente. quebrando-a no meio: “Do you believe — i n love at first sight. Paul repetiu e concordou. não adianta nada. na parte superior da casa. I’m certain it happens all the time. cheio de equipamento estereofônico e amplificadores. De vez em quando. — “Não” — prosse guiu. Às duas da tarde. A LITTLE HELP FROM MY FRIENDS Em meados de março de 1967.” — “Que tal?” — perguntou Paul. observa ndo como as coisas se processam ou percebendo-se o resultado. em St John’s Wood. fazendo uma barulheira enorme. Os dois cantaram as duas linhas para si mesmos. pois talvez já esqueceram t udo. co m o formato de uma lareira cheia de cabeças Dalek por cima. Êles já tinham a música. Passava a tentar repro duzi-la em seu instrumento. Estavam a meio caminho de uma música para Ringo. o tipo da música de que Ringo gosta e que fôra iniciada no dia anterior. a menos que a gravação seja muito recente. Na parede está um gra nde tríptico de Jane Asher e uma grande escultura prateada de Paolozzi. e seu título. Durante umas duas horas consecutivas. É um cômodo estr eito e retangular. um surgia com alguma coisa boa.Interrogá-los a êsse respeito. êles estavam terminando as gravações p ara o Sargeant Pepper. desde o dia anterior. Ambos pareciam esta r em transe. Ao cantá-la acrescentou a linha seguint e: Yes. John começou a tocar sua guitarra e Paul a martelar no piano. se pudessem imaginar mais algumas perguntas para encaixar na letra. John repetiu a frase e concordou. cantou John. os dois só fizeram isso.

Cyn pegou um livro e começou a lê-lo. I’m certain it happens all the time. Deviam ser umas cinco horas. Então. mas ninguém lhe prestou atenção. como knickers e Duke of Edinb urg. John passou a gritar coisas di ferentes na pausa da música. — “Yes. Terry e Cyn permaneciam com s uas leituras. mulher de John. e os dois principiaram a cantar junto s. — “A gente só fazi a era gritar o tempo todo e por qualquer motivo. A gente precisa de uma rima para essa linha. Paul parou de tocar. Af irmou-se que aquilo parecia obscenidade. resolveram mudar a ordem delas: Would you believe in love at fir st sight/Yes. — “nunca se deve usar a palavra just (apen as).rases. John entrou na música. e não conseguiam descobri-la. — “Você se lembra da Alemanha?” — indagou John. Tequilla. Não tem sentido. Parecia não fazer sentido. queriam acrescentar o refrão: I’ll get by with a little help fro m my friends. um de seus velhos amigos de Liverpool e de Brian E pstein. Agora. Respondi que era no dia 7 de janeiro. Cynthia.” — “Que tal I just feel fine?” — sugeriu Cyn. embora parecendo concentrado na música e d isse: “Pô. continuando a berrar e rir mais alto ainda. Coisas sem nexo. passou a tocar Can’t Buy Me Love. chegou acompa nhada por Terry Doran. John e Paul continuaram tocando. e depois voltou a massacrar o piano. cantando muito alto. — “Não” — respondeu John. procurando e ncontrar uma quarta. Terry perguntou a data do meu aniversário. John se distraiu e cantou Would you believe. depois de Are you afraid when you turn out the light. I’m certain it h appens all the time. — “Qual a rima para time?” — perguntou John. e que lhes pareceu enc aixar melhor. também é o aniversário do nosso filho. Entretanto. tit e Hitler. de repente. Paul. rindo e berrando ao mes mo tempo. John e Paul estavam cantando as três linhas já compostas. Só serve para encher lingüiça.” Ouviu a leitura do horóscopo feita p or Terry. . Paul começou a tocar outra coisa. Desta vez. Terry ap areceu com uma revista de horóscopos. antes de cantar a seguinte : Are you afraid when you turn out the light. ainda tinham de preencher a quarta linha.” John cantou I know it’s mine. Ao meio dessa matança.” Tocaram Tequilla novamente.

já estava pronta uma estrofe completa e o refrão. “De costas para a parede se você quiser ver a cara dêle. Pa ul disse-lhe que sentasse no chão. na calçada atr ás do muro. Agora. parado. Paul fêz uma careta. achando que estava bom. Então começou a tocar um hino no piano. eh?” ninguém lhe prestou atenção. que estava à sua frente. a princípio. mas não conseguia arranjar uma posição confortável para tocá-la. reapareceram. podiam-se ver as cabeças de seis fãs pendurada s no muro da frente. Escreveu os quatro versos escolhidos numa fôlha de caderno. John pulou para o piano.De repente.” E pareceu p ular e entrou a massacrar com tôda a fôrça o hino de um time de futebol. com as pernas cruzadas. através de seus óculos redondos de aro de metal. Paul levantou-se e começo u a andar pelo quarto. deixando a palavra afraid de f ora. elas se deixaram cair. a té seus braços começarem a ceder pelo cansaço. em cima d o piano. perguntou Paul. John continuou sentado ao piano. — “É. isso pode servir de sobremesa” —. exaustas. e xperimentando novas palavras para a frase que êles já tinham. mas depois de alguns séculos o cara acabava . John permanecia olhando v agamente em redor. Paul já havia afinado sua cítara e estava experimentando umas notas ne la. e q ue. Paul gostou do resultado. — “Que tal um pedaço de um bôlo vindo de Basingstok” —. encaixaram-na. mandando John ficar quieto por alguns minutos. disse John. Depois. John pegou a cítara. In vertendo ligeiramente as palavras. Então partiu para outra linha. Passados alguns instantes. I can’t tell you. continuando na mesma posição. pararam e voltaram tranqüilamente à música em que estava m trabalhando. but I know it’s mine. What do you see when you turn out the light. Fora do jardim da casa. Paul afirmou que George tocava daquele jeito. por fim. repetindo-as várias vêzes. cantou John. inventando as palavras à medida que executava a música. Terry e Cynthia continua vam a ler tranqüilamente. era um pouco desconfortável. Levantou-se e ficou a andar pelo quarto. — “Vamos escrever um hino ao futebol. tirando de uma prateleira um pedaço de bôlo duro como uma pedra. com um olhar vago pela janela. Paul pegou uma cítara que estava a um canto e sentou-se para afiná-la . e colocasse o co rpo do instrumento apoiado num de seus pés.

Quando terminou.” — “Oh”. êle funcionasse. Entrou ao lado dela e deu a partida. está bem? interrompeu Paul. Paul saiu para dar u ma volta com sua cadela. — “Você não podia declarar para quem eram êl es? Você deveria ter dito que êles eram para Godfrey Winn. Paul repetiu-a várias vêzes. John pegou o telefone . fêz a ligação. Depois de muita brincadeira. não pegava. você tem de desligar e ligar de nôvo” —. cantarolando os trechos da letra que ainda não tinha composto. Afinal.” Paul voltou à sua guitarra e começou a tocar e cantar uma música muito lenta e linda. ITS GETTING BETTER Em outra tarde. John ouvia-o em silêncio. desistiu e apo iou a cítara numa cadeira. Êle pegou logo. a hora de ir para os estúdios da EMI. Paul disse que não tinha problema. Deu-lhe uns murros. Eu os queria a gora. Não se preocupe. Era a primeira vez que Paul tocava aquela música para John. a minha entra no telefone dêle?” — “Não. — “Amanhã a gente aind a tem de arranjar umas coisas. êle não iria esquecê-la.acostumando-se. Saiu do Aston Martin e entrou no Mini Cooper. No entanto. replicou John. John afirmou que era melhor êle escrever a letra já pronta . d êsse modo.” — “Genial” —. Desistiu. sôbre um tolo sentado numa colina. Empurrou Martha para o seu Aston Martin. pois se não a acabaria esquecendo. — “Heh” —. Estava em comunicação. ali perto . John ainda não havia chegado para êles ter minarem o trabalho de gravação do Sargeant Pepper. que era a primeira da primavera. respondeu Paul. John perguntou a Terry — “você foi lá?” — “Fui. e comprei-lhe três casacos como o de George. John procurou ficar naquela posição. não adiantou nada. N ão houve discussão. Decidiram telefonar para Ringo e contar-lhe que sua canção estava terminad a — o que era mentira — e que ela seria gravada naquela noite. porém. Eram quase sete horas. esperando que. Seu caseiro havia aberto os portõe s prêtos e . Martha.” — “Para amanhã. O carro. declarou John muito excitado — “cadê êles?” — “Eu paguei em cheque e só entregarão amanhã. — “Se eu ficar esperando esta ligação acabar.

às vêz es massacrando a música para encaixar as palavras e dar uma idéia aos ouvintes. Ringo e George manifestaram logo sua preferência por ela. comparado a um bôlo em camadas. mas ficaram esperando lá embaixo. os Beatles usavam-na par a gozá-lo. algumas com encontro mar cado. êle semp re respondia: “It’s getting better” (Está melhorando). It’s getting better (Está melhorando). it is getting better” (Você tem de admitir que está melhorando). Naquele dia. Só pararam uma ve z para uma rápida refeição. é a maneira co mo agora êles usam para gravar suas músicas. Sempre que alguém lhe p erguntava como estavam as coisas. Paul achou que finalmente era prim avera. Quando fica vam chateados. E assim continuaram até de madrugada. Algumas pessoas vieram ver Paul. Êle nunca tranca seus carros. Já estava longe. Martha saiu correndo e o sol surgiu. na Austrália. lendo ou sendo mandadas embora. Quando a música estava finalmente tomando forma Paul disse — “You’ve got to admit. como êle se estava saindo ou se tudo estava bem. disse para si mesmo. — Pergunto u John. por êsse motivo. cantando e fazendo confusão. antes de êles perceberem que Paul tinha saído. Êle queria dizer o tempo. . Estando Ringo doente e incapaz de tocar. Ambos principiaram a tocar. O primeiro estágio. Na tarde seguinte. e. para e screver uma nova música. em parte de uma tournée pela Austrália.êle saiu como uma flecha. deixando todos os fãs surpresos. Então John incluiu aquêle verso na música. Paul tocou a nova música no piano. Consiste em gravar o acompa nhamento numa trilha. quando John chegou às duas horas mais ou menos. Êles primeiro discutiram a respeito do tom e que espécie de instrumen tos seriam utilizados. Conversaram ainda sôbre outros assuntos. Cantarolou o acompanhamento. mas a frase o fêz rir porque era uma das que Jimmy Nichols vivia repetindo. Paul sugeriu: — “Vamos escrever uma chamada “It’ s getting better”. sem o tran car. Dirigiu até Primrose Hill onde estacionou o carro e deixou-o. Jimmy Nichols assumiu o lu gar dêle. — “Você disse “You’ve got to admit it is getting better?””. afastavam-se e tocavam seus instrumentos ou qualquer um que encontrassem. George Martin concordou com êles. Paul e John foram juntos para o estúdio de gravaç ão.

estava à espera dêles. aguardando que os Beatles se organizassem. porém. para êles ouvirem. Tocaram a mesma música. tam bém se achava lá. onde Geo rge Martin. Ringo parecia um tanto perdido. De vez em quando. e sôbre os trechos de que êle gostava mais. conseguiram reunir todos as part es do acompanhamento. Alguém correu os dedos pelo seu teclado e ficou resolvido que êle se ria usado. deixado lá. George Martin assistia e aconse . Neil e Mal arrumaram os instrumentos e os microfones num canto do estú dio e. à espera de uma conclusão. O acompanhamento de It’s Getting Better. onde se acomodaram. Paul dizia — “Mais uma vez. No dia seguinte. à medida que lhe ia explicando. Iam apenas fazer a trilha cantada do It’s Getting Better. Ivan Vaughan. foram para os estúdios da EMI. A pre sença de Ringo era dispensável. gravado no dia anterior. John e George foram-se reunir na casa de Paul. que estava m presentes. os quatro finalmente principiaram a cantar e tocar o It’s Getting Bet ter. pelo menos umas dez vêzes. Gravava-se tudo. com Paul cantando-lhe a música no ouvido. Pau l advertiu os técnicos. Ringo n ão estava lá. as voz es não. foi repetido várias vêzes. como um dono de casa muito compreensivo. ou — “vamos executar mais baixo” — ou — “mais bateria!” À meia-noite. mas sòmente os instrumentos. como deviam fazer. colega de escola de Paul e John. Vamos tentar dêste jeito” —. Ringo sentou-se à bateria e executou o que considerava ser um bom a companhamento. Os outros três estavam juntos em tôrno de um micro fone. Paul e John. Após umas duas horas de tentativas. ficaram ouvindo cuidadosamente a gravação. estando um pouco afastado dos outros. Às sete e meia. por causa do barulho. escondido atrás de seus tambores. foram para a cabina de contrôle à prova de so m. Paul tinha de gr itar no ouvido de Ringo. o acompanhamento estava gravado. na sala de contrôles à prova de som. recomendando-os sôbre as mudanças dos registros. George Harrison e Ivan foram con versar num canto. depois da gravação de outra pessoa. estava um piano eletrônico. George Martin e dois técnicos do estúdio.Num canto do estúdio.

O cara obede ceu e Paul achou que a música ficara muito melhor. Mal trouxe chá e suco de laranja numa ban deja. John estava com um ar distraído. O estúdio foi preparado para a grava ção da letra. Dêsse jeito estava bom. levantou-se e foi-se embora. Cumprimentou a todos muito alegre e fêz logo uma piada s ôbre o boato de a EMI estar comprando a Northern Songs. Êles executaram o acompanhamento de It’s Getting Better. Na sala de contrôle. talvez pela centésima vez. — “E nós pedimos. Concordou. Paul deixou seu chá esfriar. Paul. Alguém foi ligar para a casa dêle. Aquela que fala de uma garôta que está saindo de casa. George Martin achou que esta quase o fazia chorar. Êles tocaram She’s Leaving Home e algumas músicas já gravadas para o Sargeant Pepper. A vinda de Ringo foi cancelada a tempo. Durante esta execução. Enquanto Neil fazia a arrumação. estaria inventado um nô vo instrumento eletrônico. Estava retornando de uma viagem aos Estados Uni dos. s . George Martin e seus dois assistentes iam fazendo a gravação. Então. Os três Beatles cantavam. editor da música dos Beatles. Com isso. Dick James. e brincava a um canto com um metrônomo qu e encontrara por ali. Peter Brown chegou. achando-a excelente. estavam prontos. a fim de fazerem o acompanhamento novamente. Finalmente. vestindo um casaco de lã de camelo. era desnecessária a presença de Ringo. ainda não estava satisfeito com o resultado. agorinha. quando necessário. pedindo-lhe para experimentar outra mistura de sons. tocaram-lhe outra música. se alguém conseguisse fazer um metrônomo com os sons controlados e em ordem. Êle então afirmou a um dos técnicos de som que. falou John. chegou. Ao mexer nos registros.lhava. Entregou-lhe alguns novos discos americanos e pularam em cima dêles. Achou melhor telefonar para Ringo. E rep etiram o acompanhamento de It’s Getting Better. todavia. conseguiu tirar seis sons dife rentes. Os três se reuniram em tôrno de um microf one e principiaram a cantar It’s Getting Better. Dick James conti nuou ouvindo-a. Ouviu o acompanhamento de It’s Getting Better e não mostrou reação a lguma. um Ringo com torradas” —. Outras mais houvessem dês te tipo e viriam a calhar muito bem. Pouco depois. P aul falou com um técnico.

êle e seu co njunto aparecessem por ali às onze horas. Parecia que pela milésima vez. como um favor pessoal? George respondeu-lhe que n ão. Ivan estava escrevendo um a carta para sua mãe. o que se ouvia eram suas vozes desacompanhadas dos ins trumentos. para respirar ar fresco. Os Beatles continuavam cantando o It’s Getting Better . Cantavam sôbre seu acompanhamento anteriormente gravado. Não havia qualquer espécie de acompanhamento. Terminaram seu chá. MAGICAL MYSTERY TOUR . êle perguntou a George Martin se os membros de seu conjunto poderiam entr ar para assistir à gravação dos Beatles. sob a fôrça de um bando de fãs que. e se cumprimentaram meio entusiasmados. Alguém foi abr ir a porta atrás do estúdio. se. E John voltava ao estúdio. A porta foi-se abrin do lentamente. Chegou um cara chamado Norman. — “Como está o John?” — perguntou Paul a George Martin. Neil e Ivan não podiam ouvir as piadas que e ram feitas através dos fones. George Martin saiu de sua sala e aconselhou a John ser melhor êle subir ao telhado. No estúdio. em vez de sair do prédio. e podiam ouvir o acompanhamento através de fones colocados em s eus ouvidos. Educadamente. Êles voltaram mais tarde. Neil fazia o seu diário. — “Você quer dizer Vice Hill?” — perguntou Paul. Êle tinha sido um dos técnicos de som e agora tinha seu próprio conjunto. êle talvez desse um jeito. respondeu George Martin. Lá pelas duas horas êles chegaram a um resultado que nã o lhes desagradava. o The Pin k Floyd. No canto do estúdio Mal. George sorriu sem animá-lo. havia m conseguido penetrar no prédio. mais ou menos às onze. Norm an então ajuntou: e se êle pedisse a John. Então. vestindo uma camisa roxa. Veio um grande ruído do outro lado. pois não adiantaria nada. Repassaram a música umas quatro vêzes. por acaso. Êle havia começado êsse diário há apenas duas semanas e achava que deveria tê-lo iniciado há cinco anos atrás. não se sabe como. — “Está olhando as estrêlas” —. John disse que não esta va sentindo-se bem e que precisava de um pouco de ar fresco.em tocar. que começou a cantar Edelweiss e a rir. Acrescentou que. através do microfone.

Paul pediu a Mal para escrever o roteiro da gravação da m úsica. Êle abriu-o e dêle tirou um cigarro. Mal respondeu-lhe . Êles ficaram inclinados sôbre o piano. chegaram. do T. Roll Up. êles tinham o t ítulo e alguns compassos da música. Estavam quietos e contritos. usada pelos es coceses na frente do saiote e pendurada a um cinto grosso. Paul tocou os compassos de abertura do Magical Mystery Tour ao piano . for the Magical Mystery Tour. Então os instrumentos foram instalados e arrumados para a gravação d o acompanhamento. não vinha mais nada. como de hábito. seu motorista. Numa escrita de colegial e muito lenta. Paul mandou Mal escrever D AE. aos estúdios da EMI. calças de veludo roxo e trazia um sporran (). John apareceu e perguntou se Mal já havia entrado em contato com Terry. sim. () Bôlsa de pele. enquanto Paul repetia várias vêz es aquela abertura. uma espécie de fanfarra para acompanhar o Ro ll Up. flash. queria falar-lhe pelo telefone. Quando. que. sem gr itaria. Êle gesticulava muito com as mãos e gritava flash. como súditos humildes. pois era a única pronta até então. seria a primeira coisa a ser gravad a. revelando que seria como um comercial. No entanto. John estava vestindo um casac o laranja. os três primeiros acordes da música. N. Mal escreveu o título e ficou atento para receber as instruções de Paul. às sete e mei a. êles pr ecisavam ter alguns pistões no início. E disse que seria melhor Mal também escrever aquela frase. geralmente de couro de carneiro com pêlos. subjugados pela presença dêles. Havia a tradicional multidão de fãs aguardando a entrada dêles. timidamente. pana a gravação de Magical Mystery Tour. — “Mas por que o Paul McCartney votaria em você?” — perguntou-lhe John. à espe ra de mais palavras inspiradas por Paul. Alguém gritou-lhe que Anthony. uma môça. Paul disse: — “Pistões” —. entregou a George um botã o no qual estava escrito George para Deputado.A música e a letra de It’s Getting Better já estavam prontas antes de ê les chegarem ao estúdio para gravá-la. porém. Mal ficou mordendo o lápis. Quando entraram. mostrando aos outros como era a coisa.

Levou umas duas horas até que o acompanhamento fôsse composto e gra vado. procurando-os. Trip of a lif etime. êle havia dito simplesmente: — “Meias. Em primeiro lugar.. Paul interrogou Mal se êle havia co nseguido algum dos cartazes do Magical Mystery Tour. Terminada essa etapa. além do Roll Up. Por isso. George tirou uns lápis do bôlso e começou a desenhar. Finalmente. fumando e parecendo muito feliz (que é a sua expressão natural quando não está falando). Enquanto gritavam as idéias.. Mal”. várias vêzes. Êles esperavam que um cartaz verdadeiro lhes desse algumas idéias par a a letra da música. Mal reapareceu carregando um grande saco de papel pardo cheio de meia s. e depois passou o saco para os outros escolherem. . o acompanhamento já gravado. Mal garantiu-lhe que e stivera o dia inteiro pelos pontos dos ônibus. Mas não conseguira encont rar nenhum. Roll Up. Depois. Satisfaction guaranteed. Neil estava lendo uma pilha de Occult Weeklies. John estava ao piano. tentaram novamente descobrir algumas palavras adequadas. que era tudo até ali. como um gnomo japonês. Resolveram cantar a s palavras que lhes viessem à cabeça. Mal desaparecera. John falou que o serviço dêle era aquêle. quando passara por Mal. Logo se encheram daquilo. ou executando bem alto as suas canções melosas. Paul ficou satisfeito com a gravação do acompanhamento. Êle sorria intimamente através de seus ócul os.. Êle escolheu vários pares. passou o saco pri meiro para John. Afinal. ficou ouvindo. às vê zes dava pulos. só para ver no que dava. N inguém lhe prestava atenção. lá em cima . Invitation. fingindo ter espasmos. E passaram a fazer isso. êle tinha de ficar insistindo até conseguir alguma coisa. Na noite anterior.que ainda não tinha conseguido. Às vêzes tocava tranqüilamente. Depois da distribuição das meias. Paul foi falar com George Martin na sala de c ontrôles. Ringo ficou olhando para o teto. Voltou ao estúdio e falando que agora poderiam acrescentar-lhe alguma cois a a mais. tôdas de côres claras e brilhantes. Mal as escrevia. que antes todos j á haviam folheado. Enquanto Paul e os técnicos resolviam as coisas no estúdio. que se apoderou dêle com grande alegria.

porque alguém sugere q . costuma ser difícil saber o que mais êles ainda têm em mente. a despesa é considerável. preparando sua guitarra-baixo. Às duas horas. Por vêzes. lidera em tudo. E quando numa experiência destas se emprega uma orque stra de quarenta instrumentos. precisam pelo menos de quatro trilhas. como no A Day In The Life. Houve tempo em que suas músicas eram gravadas de uma mane ira direta. é impressionante como êles dedicam à mesma música dez horas consecutivas. É certamente um método caro de acertos e erros. o acompanhamento básico já estava gravado.Terminado aquilo. Colocou os fones ao ouvido a fim de poder ouvir o que já tinham feito. Neil e Mal pegaram os instrumentos que estavam por ali — maracas. porque a cois a já parece completa. quase sempre. fazendo as descobertas à medida que as coisas vão-se desenrolando. Colocaram os fones aos ouvidos e massacraram os instrumento s ao som do que já estava gravado. numa tentativa. e alguns instrumentos de percussão. sinos. ou no máximo em duas. Os Beatles parecem gravar sua música num caos aparente. apesar de ter feito isso em diversos discos do conjunto. Freqüentemente a complicada versão final parece conter a simple s melodia inicial. Ringo. Paul. pandeiros. A cada passo. Paul. Paul decidiu que na trilha seguinte êle acrescenta ria um pouco de baixo ao acompanhamento. feitas as primeiras duas trilhas . ou um efeit o para acrescentar. Ao ouvir cada etapa de suas gravações. “I Remember a Time” “I Remember a Time” Goerge Martin não tocou nada. John. Então o Mag ical Mystery Tour ficou no esquecimento por quase seis meses. Depois daquilo. Dá-se isto. George. Atualmente. vão descobrindo um instrumento a mais. disse que deveriam incluir mais alguns instrumentos. muitos gri tos e palavras desconexas.

também. E mesmo quando estão gravando algum long playing. Êle imaginou a música inteira na cabeça. O último verso foi bolado por todos êles. Paul faz isso melhor. O mesmo acontece com George. gravada sem alterações. e não podem ficar esperando pela inspiração. Quando John é o autor da música. para os outros ouvirem. pois naquele estágio de gravação já sabemos as músicas que queremos. mais do que todos. E las não são piores do que as que saem da nossa imaginação. não existe um padrão para a criação e escrita das músicas. Comumente. deu-lhe ritmo e depois mudou-o para Eleanor Ri gby. e. sua letra ainda não estava terminada. gos tam de trazer para o estúdio a música ainda incompleta. fazê-las de parceria. Dess a maneira. Nowhere Man. Especialmente. porque êle s têm de escrevê-las logo. “Às últimas quatro músicas são pura malhação a êsmo”. com s ugestões de última hora no estúdio. A única música que trouxeram pronta. Todavia. é o m ais animado. Gostou do nome — Daisy Hawkins e foi o bastante . Muito poucas das suas músicas são produzidas sob alguma inspiração. até ao momento de precisarem delas. Todos sabem disso. é raro êles se assentarem imedia tamente e passá-las para o papel. foi a música de John. Freqüentemente guardam-nas de memória. Isso é motiv ado pela preguiça ou por alguma causa qualquer. o mesmo p adrão. de que êles conseguem lembrar-s e. de certo modo. Êle. Mas tem de haver alguém para dar as instruções. John e Paul fazem-nas sòzinhos. A inspiração Eleanor Rigby veio quando Paul estava olhando a vitrin a de uma loja em Bristol. “S e precisarmos de mais quatro. Começam-nas às duas da tarde e levam um dia para terminá-las. sobretudo. Costumam. A gravação de tôdas as suas músicas obedece. êle dirige a maior parte. é muito simples: a gente senta e as compõe. Preferem que os ajudem. quando começaram a gravá -la. Ge orge. Mas todos dão opinião nas decisões importantes.” Cêrca de um têrço de suas músicas são escritas desta forma. são as melhore s. se encarrega exclusivamente de suas músicas.ue a coisa ainda não está boa e é preciso refazê-la. afirma Paul. E nem por is so êle se sente orgulhoso. Isso acontece de várias maneiras. . S e ao acaso e repentinamente têm uma idéia. Brincando com o nome gravado na memória.

ali está o programa. pensei em mim. Então me imaginei como o Nowhere Man — si tting in his nowhere land.” Existe muito pouca inspiração nas músicas que nascem de maneira sin gela. Parece que tôdas as palavras estavam olhando-me num dia em que eu buscava compor alguma coisa. Muitas delas têm sua origem nos ambientes do passado dêles (como Pe nny Lane) ou presente (como Lovely Rita). Idealiz ei-o. oh boy. desistindo daquilo. Kite veio repentinamente. Faltava ainda uma palavra naquele verso. sentado ali. “Não me orgulhei muito com aquilo. A banda se apresentari a às dez para as seis. L ancashire. querendo criar uma música. Até John está muito satisfeito com ela. Apenas acrescentei uma ou outra palavra as frases. Kite se apresentava.“Eu estava sentado. particularmente. aprovei tei-o para entrar nesta loja e comprar um velho cartaz que anunciava um e spetáculo de variedades no qual Mr. John. porque no momento precisávamos de uma nova música para o Sargeant P epper. Abri na seção de notícias curtas ou Longe e Perto. “Êle dizia que os Hendersons estariam lá. Havia um anúncio sôbre a descoberta de quatro mil buracos em Blackburn. Quase não tive trabalho. sem fazer nada e sem ir a lugar nenhum. Não. Surgiu de uma notícia que John estava lendo no dia em qu e a compôs. “Mr. Quase todos os versos da primeira parte principiam com I read the ne ws today. Esta música foi proibida pela BBC. alg uém atravessando um barril de fogo e Henry the Horse. ou outro nome qualquer. Com êsse pensamento.” Fato semelhante ocorreu quando da inspiração que muitos consideram como a melhor música do Sargeant Pepper — A Day In The Life. Então. Fiquei cansado e resolvi ir deitar-me. “Elas se achavam naquele velho cartaz que eu havia comprado numa l oja de antigüidades. Kite encab eçando o elenco. Nós havíamos estado no Surrey ou algum lugar dêsses filmando para acompanhar o Strawberry Fields Forever. teve muitas idéias novas vendo os meios de comunicação que o circundam. Haveria cavalos e arcos. Olha. “Eu estava escrevendo uma música com o Daily Mail aberto à minha fre nte. agora me lembro: na verdade eu tinha te ntado fixar o pensamento em qualquer coisa. em Bishopgate. com Mr. Como houve um intervalo na filmagem. quando fomos gravá-lo . em razão de ela fazer referências à s drogas — I’d Love to turn you on. Não saía nada. no piano. As idéias foram saindo. o resto foi fácil.

mas ignoro por que eu n ão conseguia descobrir um verso adequado para êle. repetidas várias vêzes. Tara não estourou os miolos. (qualquer coisa) o Albert Hall. como um grito primitivo. mas não conseguia encontrá-la. Eu sabia que a frase tinha de ser Now they know how many holes it takes to. Apenas tentam acertar a palavra que você está buscando.. Certa vez. era seu amigo íntimo. Good morning foi motivado por um anúncio de televisã o sôbre flocos de milho. e era baseado num livro. Eu procurav a aquela palavra sem cessar. Que relação havia entre os buracos e o Albert Hall? “Terry sugeriu: encher o Albert Hall.. e membro da família Guiness. na sua memória ou no p iano. “Good morning. indiretamente. trabalhando m inhas músicas. Foi assim que ouvi o Good morning. O filme é sôbre o exército inglês ganhando a guerra. Good morning. Era um verso realmente tolo. era filho de um par do reino. Entret anto. Lord Oranmore and Browne. Mas eu o imaginav a. à morte de um amigo de John e dos Beatles — Ta ra Brown. pode ser repassado e desenvolvido. Tara tampouco pertencia à Casa dos Lordes. o que quase dá no mesmo. em que êle havia terminado de trabal har — How I Won The War. John havia acabado de ouvir um c arro da polícia passar com a sirena tocando. Alguns não lhe a rranjam a palavra adequada ou a frase procurada. em sua casa de Waybridge. Se estou com preguiça. O ritmo ficou gra . Isso consistia em duas notas. Dep ois. “O The lucky man who made the grade referia-se a um acidente de au tomóvel e. Uma acima outra abaixo. O mesmo jornal em que Jo hn estava escrevendo a música. enquanto fazia a letra. as palavras são encaixadas de forma que o ritmo que no início consistia em três ou quatro notas. presto atenção nas palavras saídas da televisão.. “Eu freqüentemente sento ao piano. noticiava a sua morte.” Muitas vêzes o ponto de partida de John é uma peça rítmica básica. com a televisão ligada baixo. “Não copiei o acidente. E lá estava a coisa. Michael McCartney. não conseguindo fazer quase nada. O filme mencionado naquela música não figurava no jornal que só fazi a uma referência a seu próprio filme.. irmão de Paul.

palavras sem sentido. pre-tty. portanto. Levantou-se e escreveu ao tod o dez linhas. Desta vez. waves of joy martelando em sua cabeça. Lembrar-se-ia dela na próxima vez em que p recisasse. Uma manhã John acord ou às sete horas e não conseguiu pegar no sono de nôvo. a fim de passar à li nha seguinte. Paul cria a música primeiro. Realmente não sei. like a policeman”.” Em seguida. mas êle diss e que preferia assim e. que em primeiro lugar dera origem àquela canção. portanto. Isso acontece freqüentemente. colocando-lhe uma letra. “Sitting pretty.vado no seu pensamento e êle começara a brincar. pensando em si fazendo aquilo. pronta para ser gravada e até comporem uma nova canção. Ci-ty. “Mis-ter. mas nem é preciso. Waiting for the van to come. Talvez elas se tornem partes dife rentes da mesma canção — Sitting in an English Country garden. seria assim. êle havia repetido a f rase várias vêzes até lhe dar uma linha melódica. Ficou com as palavras pools of sor row. Êle garan tiu que essa seria a base para uma nova música. Pedaços que começaram colhidos aqui e ali acabam formand o uma só música. John é inspirado pelos ritmos. Juntou todos os pedaços e compôs I Am The Walr us. olhand o o jardim. e não havia ido muito longe. ao escrever frases sentimentais e melosas. sit-tin. escrevo-as.” Foi o que aconteceu. Nesta sua primeira visã o matutina.” No mesmo papel. Isso é o que êle fa z pelo menos durante duas horas cada dia. Come çava com a frase Sitting in an English Country garden. experimentou as palavras numa ordem ligeiramente diferente . sentado nos degraus de fora de sua sala. que mais tarde se transformaram em Across The Universe. para a crescentar um outro pedaço de ritmo. o que não aconteceu. Êle também estava com um outro trecho de melodia em sua cabeça. Sempre estou certo de esquecê-las e.” Pensei que êle tivesse escrito van to come. “Sitting on a cornflake. mas não tinha a mínima necessidade de desenvolvê-la naquela ocasião. Waiting for t he man to come. e sempre êle coloca música em seus po emas ou idéias sem nexo. No acompanhamento dessa música ouve-se o ritmo insistente de uma sire na de carro da polícia. escreve outras palavras. “Escrevi num pedaço de papel para não esquecer e deve estar em algum lugar. “Não sei como vai terminar a coisa. . p’lice-man.

Costuma perguntar aos outros sua opinião sôbre o que acabaram de ouvir e o que achavam da g ravação. Tinha ido ao estúdio a fim de serem filmados em trê s minutos. criaram o acompanhamento. Quando John conversa com George Martin sôbr e uma de suas músicas. Talvez seja sua gravação mais rápida. começando a latir para gozar John. não havia uma referência a Bulldogs.” Ajudado por Neil e outros. Essa filmagem tinha final idade promocional. após um d ia inteiro de trabalho. Numa linha estava escrito measured o ut in news e acabou saindo measured out in you. ainda não está bom. Ùnicament e uma menção a bull-frog (). resol veram manter os latidos e mudar o nome da música. en quanto a equipe os filmava. e. f eita depois de terem deixado as tournées. pois. solta muita onomatopéia e ruídos à medida que êle procura transmitir a G eorge Martin o que tem em mente. tendo no lado A um disco lançado em março de 1968. simultâneamente. John achou que a idéia d e um cachorro . não é tão decidido como Paul. por causa do embaraço que sen tia se alguém lêsse as frases de que não gostava. Julgava que e la saiu. com as cartas para Stu. mais tarde. Essa música era uma criação de Paul. Foi produzida em fevereiro de 1968. Buscava esconder os pen samentos sentimentais. Por fim. John disse-lhes como imaginava a música e êles. eu tinha escrito algumas palavras e resolvi trazê-las comigo.” Heh Bulldog foi outra música de John. pegando seus instrumentos e tocando juntos. Não que êle trabalhe tão àrduamente quanto Pa ul. não se sentiu realmente contente com a música. à medida que a cantavam. Em casa. e todos concordaram que soava melhor . Paul logo fêz piada. iniciada com algumas palavras e às quais juntou uma linha melódica. No comêço da gravação.sua escrita foi piorando e ficando ilegível. E então. quando estão gravando uma de suas músicas. Paul vai falando logo: — “vamos repetir. O mesmo fazia com seus p oemas quando era garôto. caso Mimi ou alguém os lêsse. “Paul achou que a gente devia fazer uma música no estúdio para poupa r tempo. John não é tão claro quanto Paul em suas explicações aos outros. as palavr as foram completadas no estúdio. Paul se enganou com a letra de John. Ademais. E me indagou se eu tinha alguma coisa em mente. conforme idealizara. acompanhando a Lady Madonna. As palavras foram um pouco alteradas.

() Rã norte-americana de grandes dimensões — Rana catesbeiana. antes de têrmos um estalo e de ela ser revista como ideal para ser incluída no Sargeant Pepper. Ela voltará se eu realmente quiser. se eu quises se. Êle a escreveu sòzinho. Como exemplo temos o A Day In The Life. fundem-na s numa única melodia nova. isso foi abandonado. Fel l out of bed. deixa sua mente vagar. enquanto os dedos procuram catar pedaços da melodia. elas são abandonadas incomp letas. Afirmei que era aquilo mesmo . que precisávamos de um trecho para fazer a j unção das duas partes. . Queríamos bolar um fim ideal e tínhamos de escolher sôbre a espécie de instrumentos que soariam bem. N. e que poderia tê-la agarrado. dragged a comb across my head”. “Descobrimos. Pegou uma cítara e dedilhando-a como George Formby.se encaixava perfeitamente bem. gosta de trabalhar na música inteira em vez de c ompô-la aos pedacinhos. Deixei-a ir embora. Freqüentemente.” Paul.” Outras vêzes. Contudo. Disse-lhe que precisáva mos de oito compassos do meio. Concordei. para se voltar à primeira parte. Passeando os d edos pelo teclado durante várias horas. pôs-se a cantar a letra num sotaque de Lancashire. make your mother buy. porém. e acho que as tirei em um anúncio — Cry baby cry. sem ter a mínima noção do que eu estava fazendo. quase num tr anse. Às vêzes. às vêzes são deixadas por ali durante muito tempo. sei que deixei escapulir alguma coisa. do T. mesmo já terminadas. tentando pegar o camarada. O’When I’m Sixty Four (esta idade é em homenagem ao pai de Paul) foi escrita no tempo do Cavern. chateando. Levanto-me do piano como se tivesse estado em transe. não há um que suplante os dem ais até ao fim. exatamente como a môça da cançã o. “Escrevi a primeira parte e mostrei-a a Paul. Em tôdas as nossas músicas. num ruído crescente. à medida que a gente vai prosseguindo. Fiquei batucando isso no piano. tendo ambos músicas feitas só pela metade. Poderia ser um cachorro que late ao long e. ao contrário. Êle perguntou — “que tal isso — Woke up. “Trago outra comigo. Êles se vão alteando o tempo todo. A maioria das composições de John são feitas ao piano. São alg umas palavras sòmente. E. entretanto.

êles deixam pedaços de gravação que apresentam problemas insolúveis na oc asião. quando êles pensaram em alugar os estúdios de Shapperton. Assim. mas m odifica-a colocando-lhe outras por cima. Achamos pouco prático e tudo saiu completamente dife rente. desde os dias em que experimentava sons engraçados para seus discos de Peter Sell ers. Então. Isso é ainda mais difícil para George Martin.” Surgem complicações quando a questão não é apenas acrescentar alguma coisa à trilha existente. Às vêzes. e não ape nas quatro. e é natural que os violinos não o podem fazer. a original pode ser obliterada. E esperam que o George Martin consiga isso para êl es. Eu devia ter tentado aproximar-me daquela idéia original: os monge s cantando.” Mas êle aprova o método dêles de irem acumulando tudo numa fita até conseguirem um som de que gostam. tocando-as em casa. concluiu que aquilo não era o que êles desejavam. Êles fizeram as costumeiras trilhas bási cas. Paul e George tirar nos instrumentos os s ons que têm em suas mentes. podem ser reunidos. Percebo agora que era aquilo que eu queria. Êle acha que os Beatles poderiam usar 64 trilhas diferentes. Êle começa com uma idéia . Sempre apreciou a parte eletrônica das gravações.“É freqüente acontecer que o acompanhamento idealizado no início acaba não saindo. Da mesma forma. a seguir. posteriormente. . É hábito resolverem tudo de repente. vai cobrindo-a com outra. “Uma vez vi um filme de Picasso trabalhando. Em Tomorrow Never Knows imaginara que deveríamos ouvi r milhares de monges cantando em surdina. e. Tècnicamente. e. decidiram-no com uma semana de antecedência. Êle conserva a idéia básica. St rawberry Fields foi uma das criações mais difíceis. e sim trechos de duas separadas. John. Às vêzes. Às vêzes. “Ê les pedem coisas como botar os violinos para tocar um Fá abaixo de meio Dó.” É bastante difícil para John. para poderem acrescentar o que conseguem imaginar. para filmar o Magical Mystery Tour. decidem da noite para o dia que precisam de uma orquestra de quarenta instrumentos para a tarde seguinte. êle se diverte com a falta de conhecimento musical dêles.

como também a m esma clave. Na verdade. Escrevi um nôvo arranjo e gravei-o. sem ter de repetir tudo de nôvo. “No primeiro. Pois era o que êles queriam. o fato de êles u m dia não muito longe. Êle disse que eu poderia reformular tudo. No fim d o She Loves You êles apresentaram uma idéia que lhes parecia absolutament e nova. Êles perguntaram — “e daí?”. mas talvez nos filmes. descobriu a maneira de juntar os dois pedaços se m maiores problemas. êle queria aproveitar a primeira metade da primeira gravação e a segunda metade da nova. Perguntou-me se eu seria capaz de juntá-las para êle.” George Martin. E receia.Êle idealizara um som suave. não gostou. diverte-se com a inocência e ingenuidade dêles. ou tampouco se preocupam quando Ge orge Martin lhes diz que o que pensaram ser novidade já são coisas muito batidas. recusarem a s . Os caras como Cliff e os Shadows eram tranqüilos e controlados. quando lhes dizem que alguma coisa é impossível. por sua vez. Consistia em descer no último iê-iê-iê e acrescentar um sexto. de tanto ser usado. no entanto. um cara se agarrando aos últimos podêres de direto r de gravação. Achou que ainda não estava bom. “O segundo é o atual. Glenn Miller já fazia aquilo há vi nte anos atrás. não em música. Os Beatles são inclinados a gozá-lo um pouco. Êle. Por acaso. “Enquanto isso. êle não só mantinha o mesmo compasso da outra gravação. Elas estavam em claves. Éra-me impossível. divide-o em dois estágios. empregando instrumentos de c ordas. saiu muito estrid ente. êles precisavam de mim tremendamente. “Disse-lhes que isso já estava cheio de calos. e ninguém queria gravar. se acelerasse um pouquinho o tempo mais lento.” Isso mais parece uma piada. o barulho ensurdecedor que êles faziam no Cavern. ao considerar seu trabalho com êles. o que existe é muita gozação d e ambos os lados. Respondi-lhe que não. Êles não sa biam nada e confiavam em mim para produzir aquêle som bárbaro dêles. realmente. em surdina. Porém. registros e tempos dif erentes. para ser o que sou agora. Não parece que os Beatles jamais se tenham preocupado. Agora. mas confiam em mim para arranjar aquilo para êles. notou que. deixei de ser o capataz de quatro caras de Liverpool. Enquanto George Martin bolava um jeito de sair daquela enrascada. quando êles sabem o que querem botar num disco .

sobretudo. uma canção de Paul ou . John. Seu convívio com John o faz tentar escrever letras mais profundas.e apoiar em alguém experiente como êle. procura faze r melhor. doce e suave. igualar ao talento de John para a composição de letras. Sentir-se-ia contente se só tivesse de tocar suas m úsicas para Cyn. ao contrário de Paul. Sem êsse convívio. como compositores.” O talento e a originalidade musicais tanto de Paul como de John são na turais. Sem Paul. Julga que êles estavam avançando demais em seu filme de televisão (o Magical Mystery Tour). É capaz de compor coisas excelentes. d uvido que Paul tivesse escrito Eleanor Rigby. êle freqüentemente faria tudo pela metade. Paul é capaz fazer músicas simples e do ces como Michele e Yesterday. com capacidade de produzir músicas qu ase de encomenda. John escre ve para seu próprio divertimento. Como pessoas. a partir de Yesterday. só diferindo em suas formas. é muit o preguiçoso. Constantemente. John sempre foi áspero e agressivo. E n ão o acho particularmente orgulhoso com isso. Êle considerava que escrev er música consistia em fazer pequenos pedaços que mais tarde seriam interl igados. ambos es creviam o mesmo tipo de música. pelo menos. êles continuam fortemente indiv idualistas. “Paul precisa de platéia e John não. A música de John é muito mais saltitante e agressiva. Se considerarmos os comentários d os críticos inglêses de televisão temos de lhe dar razão. Nos seus dias de rock and roll. Essa tendência artística varia de acôrdo com sua s personalidades. muito antes de começarem a escrever música. Cada um retém seu próprio sabor. Êle disse que não podia compreender por que as linhas melódicas eram tão compridas. como em I Am The Walrus. Uma vez eu estava tocando o Daphne e Chloé de Ravel para êle. é que. Nota-se. O mais interessante sôbre êles. e Paul. Todavia. Segundo sua opinião sôbre os membros do conjunto Paul é quem possu i o talento musical mais completo. apesar de co laborarem estreitamente durante tantos anos. “Dos dois êle é o Rodgers e Hart. Paul gosta das platéias. um crescente fortalecimento de suas individualidad es no decorrer de todos êsses anos. “O conceito que John tem da música é muito interessante.

Julian. the motor t rade queria dizer encontrar um adepto do abôrto. aquilo não passava de uma pia da com seu amigo Terry Doran que tinha sido vendedor de automóveis. usada pelos rapazes quando falam sôbre o sex o das môças. Sua música tem sido constantemente analisada. Mas isso não passa de mera coincidência. desde que se espalho u a notícia de que êles as tomavam. Contudo. n o céu. P lease Me. o fi lho de John. Se . mostrando Lucy. botamos outro para experimentar. uma menina de sua classe. Depois de Please. Instado a falar sôbre elas. É de se estranhar que algumas obscenidades propositadas tenham passa do despercebidas. Paul reconhece ser óbvio que melhoram muito mais. E John foi influenciado pela animação e dedicação de Paul. ou até melhores do que Schubert. quando compunh a a letra de I Am The Walrus. Um influenciou o outro. Lucy In The Sky With Diamonds foi escrito para significar LSD. mas não era tanto assim. decidimos apresentar uma novidade para a próxima música. êles usavam a gíria dos viciados. Foi co mo se tivéssemos colocado um chapéu engraçado e depois de tê-lo tirado. como algun s afirmam. Paul decidiu-s e a escrever letras mais profundas. sabendo que muitas pessoas iriam achar graça ao analis á-las. Êles se divertem com tôdas as interpretações. “Porque sempre resolvemos fazer algo diferente. todos os trocadilhos e tolices que lhe vinham à cabeça. Entretanto. Disseram que êles sofreram a influência de tudo. Jamai s discutem ou buscam avaliar ou apreciar sua música. Nos Estados Unidos divulgou-se que meeting a man from. o finger pie a que êles se referem é uma anti ga obscenidade de Liverpool. fizera um desenho para o pai. Mesmo que êles sejam os melhores compositores do mundo. por exemplo. E no help da música A Little Help From My Friends deram o significado de maconha. quando o crítico de música do Times havia admirad o os seus “enfeixados pandiatônicos”. os dois ainda são muito diferentes. Em suas músicas.de John é fàcilmente identificável. desde os blues dos negros americanos às danças magiares. Em Penny Lane. John deixou. Referências às drogas foram feitas muitas vêzes. isso não os interessa. “Por que haveríamos de desejar voltar ao passado? Isso seria fàcil. propositalm ente. louvada e interpretada desde o comêço de 1963.

“Depois de terminada ela já não interessa mais. “Freqüente mente penso que bom seria tocarmos juntos novamente. então é uma merda. só para ver onde pararam. é como se estivessem gozando uma música melosa escrita por outro ca ra. isso pode ser agradável. As letras são diferentes. Nenhum dêles canta suas próprias músicas. “Não creio que nossas músicas antigas sejam tão diferentes das novas. Comparável . Parte do som de Mr. Nunca as escuto como devia.” “São músicas boas”. tentar algo nôvo a cada passo que fazem um trabalho. Quando John ou os outros começam a cantar o ref rão de She Loves You.ria o mesmo que nos mantermos em nossos ternos cinzas o resto da vida. mas também me enche o saco. desde que terminaram as tournées. é mero passatempo. declara John. “mas nada brilhantes. como repetem sempre. O que fazemos. afirma John. mas quando começam a apreciá-las. antes ou dep ois de as terem gravado. Talvez. Nesse caso. Acho que poderíamos ter trabalhado mais nel a. então talvez eu tivesse alguma reação.” George não acha que compuseram muita coisa de que vale a pena falar. “Todos nós damos-lhes a atenção e audição devidas. Gosto de A Day In The Life. c omentando sua profundidade ou fazendo delas um cavalo-de-batalha. quando as estamos compondo”. “É bacana quando gostam delas. só para tocar para n ós mesmos. a não ser. Há algu ns do Lucy In The Sky dos quais eu não gosto. “Acho que todos gostariam de fazê-lo. Sinto-me indi ferente quando as ouço no rádio. Kite não está certo. quando estão em véspera s de começar um nôvo. “Detesto solenemente ouvir os trechos que não saíram direito. mas não acho que seja tão bacana como pense i quando a estava compondo. e porque são de maneira div ersa. Nunca mais fizemos isso. “Se sou tão indiferente a respeito de nossa música é porque há pessoa s que as levam muito a sério. Botamos nossos pé s para cima e nos divertimos muito. pode ser que toquem sua última música gr avada. Vez por outra.” Nunca tocam seus próprios discos. As músicas são muito parecidas. De uma certa forma. um dia a gente alugue um estúdio. George sente saudades dos velhos tempos. Se alguém as estivesse atacando ou dizendo que elas não prestam.

“Pensam que os Beatles sabem o que está acontecendo. Nada mais é que uma gran de mentira. As pessoas não querem levar tudo na troça. para que todo mundo passe a julgá-la igualmente.ao que sempre achamos sôbre a maior parte das chamadas artes. Foi só isso. Apenas fiz aquilo. Nada é tão notável assim. Não há nenhum. Preferem julgá-la importante. “É-nos deprimente constatar a certeza do que sempre pensamos durant e todos êsses anos. Deram-nos liberdade p ara enganar a todos. Sabemos que estamos logrando. Ignoramos. Todos se enganam achando aquilo tão importante. Ninguém acreditaria nisso. Aposto que Picasso faz isso. na verdade estávamos pensando em bana nas. “Nós nos consideramos mentirosos. mesm o quando ignora. quando percebem que a coi sa é uma mentira. por que sabemos que há gente que gosta de ser enganada. Nó s só agimos. Estou certo de que todos os artistas fazem o mesmo. Não gostei dela quando a compus. e nada mais. Aposto que nestes últimos oitenta anos riu tan to que seus ovos quase caíram. o mesmo está acontecendo conosco. Êle pouco trabalhou e foi tudo. Beethoven é um vigarista. Se afirmássemos que quando escrevemos She Loves You. Tudo não p assa de um monte de merda. isso fará com que comecem a pensar. exatamente como o somos ago ra. “É bem triste! Quando não estamos rindo estamos-nos enganando em p ensar que somos importantes. Detestamos tôda aquela história que escrevera m sôbre Beethoven e ballet. Juntei uma porção de palavras e depois associei-lh es um bocado de barulho.” 31 . Não lhe dei valor algum quando a estava fazendo. Agora. O chato é que êle dá a impressão de o saber. Muitos querem conhecer o significado profundo de Mr. Deixemos as coisas como estão. Mas ninguém acreditará nisso. “A questão é a seguinte: Beethovem e aquêles caras percebem que são mentirosos? Ou êles realmente se julgam importantes? Será que o Primeiro-M inistro percebe que êle não passa de um cara? — Não sei. Talvez êle seja levado a fingir s aber o que está fazendo. E nem quer a creditar. Basta pouca gente pen sar dessa maneira. Kite.

Gastou as outras quarenta mil para botá-la a seu gôsto. uma empregada e um motorista chamado Anthony. Êsses objetos parecem muito usa das e pessoais.JOHN John mora numa grande casa. e o reconhece. Surrey. John. jogados em qualquer lugar e esquecidos. umas trinta mil libras talvez.” No jardim. Parece que ni nguém os usa. derrubando paredes. Mas entre êles estão espalhados orn amentos irrelevantes. acho que só conseguiria metade do dinheiro. Ringo m ora na mesma propriedade. como de um cenário de Hollywood. Cynthia e seu filho Julian (nascido no dia 8 de abril de 1963) p assam a maior parte de seu tempo nesse living room e na cozinha. êle tem um carro de circo pintado psicodèlicamente para c ombinar com o seu Rolls Royce pintado da mesma forma. Há grandes sofás e enormes pilhas de tapêtes e cortinas elegantes. A opulência que os circunda . apesar de que para comprá-l a êle só precisou de vinte mil. Parecem viver num pequeno cômodo nos fundos da casa. A casa de John ficou-lhe por sessenta mil libras. E mesmo assim eu teria de descobrir um cantor. com o jardim estendendo-se abaixo dela. o hall da frente é escuro e cheio de livros. Entretanto são mantidos muito limpos. São objetos espalhados. compondo a paisagem e o j ardim e construindo uma piscina. cartazes velhos e pedaços de antigüidades. falso estilo Tudor. Gastou demais nela. mas os demais cômodos são claros e grandes com uma decoração amalucada. Ne nhum dêles mora lá. Só os utilizam. numa propriedade pa rticular cheia de casas de modêlo idêntico. para i rem às outras partes da casa. em Weybridge. “Se p rocurasse vendê-la agora. Êstes comodos de recepção bem poderiam ser corredores. Em seu interior. A casa fica numa lig eira elevação. uma vez pas sado o entusiasmo momentâneo. Êle tem uma parede tôda de vidro e dá para o jardim e para as árvores que o c ercam. tudo parecendo nôvo em fôlha e sem uso. ou alguém meio mole do juízo para comprá-la. decorando-a e mobiliando-a. escolhidos pelo próprio John e não por um decorador especi alizado. Êles têm um jardineiro trabalha ndo em tempo integral.

cuida de tudo. a empregada. “John gasta descontroladamente e isso é contagioso. chá. Cyn cuida de sua família. John. Em seus cômodos. leite. Nossa despesa com alimentaç ão é surpreendente. Ela mesma cuida de Julian. durante todo o entusiasmo com o Maharish i. “Se não gosto de sua apresentação. Contudo. Seus nomes marcam etapas da vida de John. açúcar.” Nunca chego a uma conclusão. cozinhando para os três — apesar de John às vêzes fazer o chá. Uma das gatas. são pagas direta mente pelo contador de John. Raramente peço explicações a seu respeito. às vêzes. pergu ntei ao contador quanto possuía. pois nós não bebemos.” O pequeno living dêles está repleto de cartazes. diz Cyn. Têm a Mimi. a fim de cobrir suas despesas pessoais. confessa John. Às vêzes. revela John. em pão. Uma ocasião. “Isso custa uma fortuna”. Raramente levam dinheiro consigo. Sempre me sinto culpada. coloco-as em algum lugar e as esqueço. enfeites e fotografia s. quando chegam”. especialmente. chama-se Babidji. sir. com empregados etc. mas os caras se limitam a dizer — “Bem. Penso que não seja tanto quanto muitos julgam. Não sei explicar como. Consiste. no início de 1968. Numa parede há um grande aviso pregado. quando percebo o quanto significaria isso para tantas pessoas. como gás e eletricidade. nascida no verão de 1967. mas às vêzes Dot funciona como ama-sêca. quando John e Cyn estiveram na Índia. em homenagem à sua tia. acha tudo muito div ertido. Tenho de apertar de vez em qua ndo. em sua pró pria casa. é assim que as coisas são. em notas de cinco. até começarem a reclamar. Escrevi a quantia num pedaço de papel. “Todo dinheiro está empregado de várias maneiras.não parece ter relação alguma com êles. “Ignoro mesmo se tenho uma arca cheia de dinheiro no fundo do jardim. “Às vêzes dou uma olhada nelas. Dot. Tudo é imaginação e nem eu sei quanto possuo. Cyn paga o resto. Cyn fica chateada com as despesas para manter uma casa tão grande. “Não avalio quanto possuo em dinheiro”.” Possuem cinco gatos. atinge cento e vin te libras por mês. que quase não usam. e Nel e Mal para lembrar seus agentes d e viagens. Ma s acho que o perdi.” Os Beatles recebem por semana cinqüenta libras. pois nunc a teve uma babá. quando pensa nisso. com os seguintes dizeres: Milk is . co mida para gatos e refrigerantes. Ela cuidou de Julian. Muitas das contas regulares.

Wubleyoo Dubleyoo. Anthony ou Dot geralmente atendem à porta da frente. Pelo menos é um segrêdo para o próprio John. Five. John pediu-lhes que esperassem a té que descobrisse algum dinheiro. podendo ficar assi m. John aceitou a explicação dos rapazes e perguntou o que desejavam que êle fizesse. apesar de que. Constantemente é mudado.Harmless (O leite é inofensivo). O prêmio ajudaria seus estudos. vêem televisão. fica enroscado num pequeno sofá. êle abre as portas de vidro e vai para fora. que nunca consegue lembrar-se de seu número. É raro êle atender o telefone. permanecendo sentado num dos degraus da escada do jardim. Possui uma gravação que respo nde — “Aqui é Weybridge Four. além de não atendê-lo tem uma maneira muito própr ia de evitar atendimento a telefonemas. Contudo. Um a tarde. Nêle tomam suas refeições. o próprio John o faz. para que seja mantido em segrêdo. E é quase impossível pegá-lo no aparelho pois. qu ando está disposto. vendo o tempo passar. Essa sua atitude basta para afastar a maior parte das pessoas que deseja falar-lhe ou vê-lo. Aconteceu que John abriu a porta e os deixou entrar. horas a fio. Quando não está gravando ou escrev endo música. dizendo-se estud antes australianos vendendo revistas. É claro que êle ficaria muito mais bem instalado se repousa sse num dos sofás dos outros cômodos. prefere dobrar suas pernas. John marcou-as na lista e os dois vendedores informaram-lhe o tot al das assinaturas que importava em setenta e quatro libras. Quando faz frio ou chove. Uma tarde passada na casa dos Lennons nada tem de extraordinário.” Seu telefone não consta do catálogo. O sofá é pequeno de mais para êle. favor deixar seu recado agora. Quando o tempo está bom. Só conseguiu encontrar o envelope com a s cinqüenta libras . D isseram que estavam numa competição para verificar quem conseguia maior n úmero de assinaturas. olhando a piscin a ou a sua casa de campo. John passa ali a maior parte do tempo. dois vendedores a domicílio tocaram a campainha. Pelo menos era a história que êles contavam . Êles apresentaram uma relação de revistas e lhe indagaram quais as que êle gostar ia de ler.

Todos bebêram leite gelado com a comida. e constantemente brincava c om ela. Cy n lia o Daily Mirror enquanto via televisão. Os dois passaram a observá-lo. Começaram com uma fatia de melão. John tinha um dente com obturação sôlta. À med ida que desenhava. Cyn preparou o jantar. Bebeu-o gelado. seguida de um prato de carne fria com vegetais. John não comeu carne. Durante a refeição. perguntando-lhe o que estava desen hando. Cyn trouxe-lhe alguns lápis de côr. Então êle levantou-se e estirando-se no tapête começou a desenhar. como a que havia no jardim. . diretamente do gargalo da garrafa . Cynthia esta va tirando a mesa. Parece que êles nunca assistem a um programa por mais de dez minutos. Julian olhava a tela e ficava falando. Na superfície da água da piscina o filtro automático fazia barulho e dava voltas. Levantou-se e foi até à cozinha buscar mais leite na geladeira. Cyn observou que aquilo não faria nenhum bem aos seus dentes. De vez em quando. Cyn ou John mudavam de e stação. John ficou o lhando para a tela. depois tirou-os de lá e voltou para dentro de casa. Agradeceram muit o e foram embora.da semana. fazendo um barulho estranho enquanto comia. Êles aceitaram. como se uma nave espacial tivesse ac abado de aterrar. inclusive Julian. em silêncio. pois se tornara vegetariano. a televisão ficou ligada. Todos voltaram suas cad eiras para assistir ao programa. Jogo u uns remos dentro dela. perdido e abstraído através dos óculos. Julian deixou o living e foi para a borda da piscina. John e Cyn sorriamlhe enquanto êle ia dando as explicações. Julian disse que era uma gaiola. “The Heswall Jazz Club” Boletim de Ringo John então abriu a grande porta de correr e foi sentar-se num degrau par a tomar ar fresco e ficou olhando a piscina. ia explicando o que estava acontecendo no seu desenho. que foi se ntar-se em seus joelhos. Terry Doran chegou e foi saudado por todos. e entregou-lhes aquela soma.

“Estou feliz por ter feito meu nome ainda jovem. conseguir o primeiro lugar nas pa radas de sucessos.“Você quer que o papai te ponha na cama?”. quando John tomava drogas. já sabíamos que era assim. John levantou-se e foi buscar uma caixa de metal e apresentou-a aberta para Terry. “Ou prefere Terry?”. Sei mui to pouco a respeito dêle. eu posso. Conseguir isso quando nôvo significa que. Representar não me interessa mais. Parece que enxergávamos tudo por eta pas. tornando-me menos desagradável. tenho o resto da vida para fazer o que entender. igualmente. Talvez não tenha mudado minha pe rsonalidade conscientemente. pois queria lê-lo primeiro. Mas ela mesma pegou-o e levou-o para a cama. Escrever. Deveria ser horrível gastar a vida tôda para alcançar o fim desejado e depois descob rir que as coisas já não tinham mais sentido. Cyn protestou. Tínhamos uma s érie de metas a atingir: gravar um disco. Agora. De qualquer forma. “Você quer enrolar-nos alguns?. John disse que ia ler um livro que ganhara de presente. “Creio agora estar interessado no Nirvana. Julian disse que pre feria Terry. já o fiz. até à meia-noit e mais ou menos. e assim por diante. Continuaram a mudar de programa o tempo todo. mas tínhamos de descobri-lo por nós mesmos. Isso aconteceu. “O estudo da religião fêz-me tentar melhorar minhas relações com os outros. passandoos entre si. Terry enrolou uns dois cigarros que êles fumaram. agora. Jamais podíamos ter pensamentos grandiosos. Terry foi embora e John e Cyn foram para a cama. êle já parou com isso. Queria escrever um livro e fiz um. quando Cyn se levantou e foi fazer chocolate. “Por muito tempo sempre tivemos objetivos específicos. ficando resolvida a coisa. Cyn voltou. George o entende mais do que eu. Terry concor dou. Dentro dela havia algum fumo embrulhado em papel de alumínio além de pape l de cigarro. perguntou Cynthia olhando para John. Todos sentaram-se e passa ram a vê-la.” perguntou John a Terry. Não me interessam pequenos acontecimentos. que balançou a cabeça. o paraíso budista. A televisão permanecia ligada. Agora. fazer um filme. . Não o compreendo suficientemente para poder expli cá-lo.

“É provável que as drogas tenham-me ajudado a me compreender melh or. Eu e Ge orge jantávamos. mas não muito. Aquilo não passava de uma br incadeira inofensiva. estou preocu . Contar-lhe-ei coisas a resp eito dos budistas. Ignorávamos muita coisa a respeito daquela droga. quando alguém nos deu aquilo. e teria achado. Êles também são bons. talvez tenha. e como gostaria de que os outros fôssem. de qualquer forma. mas nada tenho contra Jesus. Vou deixar Julian aprender tudo sôbre Jesus quando estiver em idade de ir à escola. Mas era preciso estar procurando essa visão para se poder tê-la de nôvo. Com exceção da maconha. Já tínhamos experimentado fumar maconha. muitas pessoas mandaram-m e livros sôbre Êle. “Aquela primeira vez em que tomamos LSD foi mero acidente. “Não sei se é preciso ser pobre ou não. Agora. Estou apenas tentando ser como eu gostaria de ser . Entretanto. Não se pode ser poderoso e puro. Não sei. Não se pode fazer as duas coisas. Acho o Budismo simples e ma is lógico do que o Cristianismo. cheios de política. Nem fomos instruídos sôbre seu uso e se us efeitos. “Quando me referi a Jesus. quando tomei a tal droga. e era só. então poderei abandonar tôdas essas coisas materiais. Mas tenho de e sperar para ver o que estou deixando e o que irei colocar em seu devido lugar. Não sei. falar-lh e-ei sôbre a existência de muitos outros Jesuses. “Mas existem muitas formas melhores de se chegar lá. O LSD trouxe-me o auto-conhecimento que me indicou o caminho. Tudo que sei é que estou cada vez mais consciente de tudo. naquela ocasião. Descobri. E sempre quero saber mais. Nada tínhamos ouvido sôbre os horrores do LSD. pela prime ira vez. Mudei muito meu modo de pensar. sem sabê-lo. Existe muita política nela. Isso consome um bocado de energia. De repente dei com uma grande visão. Era apenas q uestão de tempo. que a Church of England não é muito religiosa. Penso que hoje eu não fa ria aquela observação sôbre Jesus. Li muitos dêles e descobri muitas coisas. Realmente não t enho nada contra o Cristianismo e seus processos.ou. Achamos que íamos enlouquecer. Creio que poderia abandonar t udo isso sem dificuldade. Talvez eu de scubra que os gurus também são assim. Depois. Talvez eu ainda estivesse à sua procura. por exemplo.

quando não deixava a cama. quando há estranhos.” John reconhece que nunca foi muito comunicativo. como louco. Não há nada importante p ara se conversar. nós nunca nos comunicávamos com outras pessoas. vendo se o consigo . pelas estradas da Espanha durante as filmagens de How I Won The War e John nunca lhe dirigira a palavra “Eu nunca havia percebido iss o. Sou capaz de me lev antar pela manhã e ficar sem fazer nada o dia inteiro. Êle perdeu muito mais temp o. antes da s três da tarde. Mas ainda é mui to fechado. desde que o Maharishi apareceu. êle se esforça mais para se tornar comunicat ivo. “O principal é que aí acaba o assunto. “Acho difícil passar o tempo com as pessoas. Cyn e sua tia Mimi acham difícil saber até aonde êle quer chegar. principalmente. Diz que mesmo que não faça nada. tento fazê-lo. sempre é melhor fazê-lo com a luz do sol. Hoje. mas acabo concluindo que não passa de um d esperdício de tempo. Êle acha que isso não seja perda de tempo. olhando para o ar e pensando até chegar a hora de ir para a cama.” O tempo recorde que John ficou sem falar. e êle conheceu o budismo. Às vêzes. Ficou mais calmo e tolerante. diz Cyn. Sento-me num degrau e fico parado. horas e horas. como um jôgo. Já estava habituado a isso. “Sou um especialista nesse assunto. Na realidade. “Talvez eu esteja sendo egoísta”. em que penso se mpre comunicar-me. Sempre fizemos isso. quan do êle quer comunicar-se. “Seria mais fácil para mim que êl e me contasse as coisas. durante as tournées. Anthony. “Conversamos em código entre nós (os Beatles). Talvez seja porque êle se tornou mais simpático. Como vai você? Como está o tempo? Como estamos passando? São coisas completame nte sem sentido.pado em descobrir por mim mesmo. logo que deixaram de fazer tournées. durou três dias.” Cyn confessa que já notou algo diferente em John. êle procura levantar-se cedo e apreciar um pouco da luz do dia. Agora que a gente não se encontra mais com estranhos . muito ante s de começar a fazer meditações. Pelo menos agora. Há ocasiões. Êle tinha lido uma e ntrevista dada por seu motorista. sem fazer nada e sem se com unicar com ninguém. Nela afirmava que havia transpor tado John.

era ru de. outro seu amigo de infância e que agora é o gerente da Ap ple Boutique. “Durou muito tempo”. “Seu lado bom. O pessoal do nosso escritório nos Estados Unidos diz que escuta tanto o Sargeant Pepper que é capaz de saber o que estamos pensando aqui em Londres. que julgavam que êle não prestava. minando-os pela difamação o u pelo sarcasmo. Então. “Uma vez ou outra. Todos os seus amigos notaram isso. Recusava-se a falar. “Hoje.. E os surpreendo dêsse modo.” A maior transformação verificada em John é o declínio de sua agressiv idade. John não tenta provar coisa alguma.” Pete Shotton. como os professôres. quando temos de dizer algo em voz alta. de out ra forma. Nós nos compreendemos per feitamente. se eram mais fortes que êle. Ninguém acre ditaria em mim se eu afirmasse o que eu via nêle antes. “Eu penso bastante. não há mais necessidade de usarmos o código. E pode ser admissível que êle agora convide as pesso as a entrar e sentar. Da mesma fo rma. P or isso. Nós nos comunicamos com o mundo exterior através de nossa música. pois. seu colega de escola. Havia pes soas. converso com Dot. admite que tôdas as suas arestas agora estão polidas. E todos acreditam que isso seja u ma decorrência do sucesso dos Beatles. Êle passou tôda a infância e a dolescência tentando ser o número um. O resto não importa. Incluo isso na mesma classe de conversa à-toa. Não mais precisa ser o núm . sentimos necessidade d e falarmos em código. apesar de nos entendermos. meus sonhos diários são normais tais como: que vou fazer hoje? devo levantar-me ou n ão? devo escrever uma música ou não? atendo aquêle telefonema ou não? “Conversar é a forma mais lenta de comunicação. batia as portas com estrondo. Êle sempre teria de ser o líder. “É maravilhoso que êle esteja tão feliz. “Há uns d ois anos atrás sua animosidade ainda era grande. brigan do com todo o mundo ou. acho que não deveria condenar tanto a conversa à-toa. A música é muito m elhor. só para ver se sou capaz de fazer isto. que sempre notei nêle. agora está à mostra. ou com Anthony ou com o jardineiro. esqueceríamos o que ficou decidido entre nós. “Costumo ter alguns pequenos acessos de conversação. diz Ivan Vaughan.

Se aprende algo é porque quer a prender.” John não vê por que o sucesso o teria tornado mascarado ou o mudaria de algum jeito. Costumava andar assim na escola e no Art College. Hoje. Si mplesmente acharam que seriam capazes de criar alguma coisa e o fizeram.ero um. s ão coisas que nada têm a ver com o talento. “Até aos quinze anos eu não era diferente de qualquer outro cara de mi . como um coe lho amedrontado. Levamos muito tempo a persuadi-lo de que qualque r pessoa pode fazê-lo. Êle não ficou mascarado ou tol o. pois confessava que não t inha queda para desenho. “Que é o talento? Não sei. “Sabíamos que o GCE não era o ponto de partida para o que quer que fô sse. até sorri ao ser fotografado. George. intimam ente. porque tem de se encaixar na sociedade. Ambos pensam que a coisa mais importante para o sucesso é a fôrça de vontade. não mudou em certas coisas. “Contudo. Podíamos ter passado por tudo aquilo e ainda ido além. Pelo simples fato de co nviver com êle. êle as dividia. Somo s iguais. Todo mundo é igual. Além de julgar que o sucesso nada significa êle também acha que qualquer pessoa pode alcançá-lo. é feliz. Por isso. Mas isso não me dizia nada. dando três para cada. Na escola. tornei-me mais generoso. por sua vez. Agora. Quando John tinha doze balas num sa co e havia três de nós por ali. A gente é forçado a aprender.” “Você precisa de vontade firme e de certas circunstâncias. encurralado. A gente pode ver-lhe a mudança. nem o tentava. Todavia. A gente nasce com êle e o descobre mais tar de. Somos tão bons quanto Beethoven. e continua tão generoso como antes. todo curvado. seus olhos e cabeça abaixados. E está melhorando. Eu pressentia que aconteceria alguma coisa pela qual eu teria de passar. não é mesmo? Ninguém os ensinou. E sabia que não era o GCE. é diferente. muitas vêzes. Eu e Paul es távamos sempre desenhando. “Qualquer um pode obter um sucesso. Não somos melhores do que ninguém. Nota-se isso nos seus velhos retratos. Paul também tem o mesmo pensamento. Baseia-se na capacidade de se julgar hábil para fazer algo. você pode conseguir um. Se você repetir isso para si mesmo. êle vive a desenhar. mas pronto a precipitar-se. com o treinamento ou com a educ ação. A gente encontra pintores e escritores natos.

Revele-me alguma coisa que eu deveria estar fazendo. por que agem dessa maneira? “Atualmente. Assim mesmo. Outro dia fomos a uma estréia. Naquela situação. no momento em que chegamos à porta. Faziam-nos a s mesmas perguntas em tôdas as partes do mundo. E. tendo de ser sociáveis com tantas pessoas. Não tenho nenhum talento. na realidade.. resolvi escrever uma musiquinha e escrevi. Acho uma grossa asneira dizer que eu havia descoberto meu talento . Chegava a ser chato. incluindo mulheres de prefeitos. a não ser a u ma boate uma vez ou outra. obrigado por Cyn. Todos achavam que a gente tinha de passar por tôdas aqu elas falsidades sociais. Não acredito que haja pessoas assim. Ac ho errado esperarem isso de mim.. Se est avam tão preocupados pelo fato de êle ser responsável. porém. Entretanto. dadas as circunstâncias éramos tão naturais quanto podíamos. que admitiu ter tomado LSD. como Paul disse aos jornais. estavam preocupados com o fato de as pessoas nos copiarem. Havia idiotas por tôda a parte. George foi conosco. sempre detestei certas coisas. Os políticos não têm talento. Contudo. Sobretudo. Nem chegara a entrar. gostam de transferir suas resp onsabilidades para nós. na realidade. só nos restava faze r piadas. sôbre nossas quatro cabel eiras. Eu. “Talvez meu guru me diga qual é. Não podíamos ser como éramos. e êle tinha ido embora. do mesmo modo. Simplesmente fiz aquilo. “Há pessoas que gostam de se gabar do seu talento. E não compreenderiam se revelássem os o que tínhamos vontade de fazer. acabando arrasado. a não ser para ser fe liz e ganhar dinheiro. dev eriam ter bastante responsabilidade para não publicar aquilo. depois de algum tempo. e era isso que esperava m de nós. passaram a esperar por elas. Então. Era uma gente tão sem gôsto!.nha idade. Foi horrível. Olhei em r edor. não tenho obrigação de ir a lugar nenhum. Se é que. “Nunca senti responsabilidade alguma por ser considerado um ídolo. mas eu não. . como ser apresentado à espôsa do promotor. Não passam de mentirosos. “Nossa única responsabilidade com o público era continuar tão natura l quanto podíamos. Então. “Desde o início.o meu verdadeiro talento. entrei. de se mostrar a to do mundo. Êle logo percebeu como seria a coisa. Mas isso não me alterou em nada. Acabamos tendo uma cara social.

Todos ficavam loucos tent ando mostrar-nos qual era o caminho certo. “Porém. Fing iu ser um fotógrafo estranho. Ge orge e eu passamos pela alfândega usando casacos compridos e barbas. a não ser com as pessoas que conheço. eu fico esquecido. Seria ri dículo. quando estávamos no auge. “Uma vez. então me esqueço.“Nunca estou compenetrado de ser um Beatle. “Muitos nos encaravam antes de sermos famosos. En tão êles aparecem e reagem. Falá vamos uma língua que ninguém entendia e apontávamos para uma mapa de Gales. Creio que não sou famoso. E apesar de a beatlemania já ter passado há muito temp o. É horrível! E por vêzes. John sente a falta das saídas e a necessidade de se r um camarada comum. São as pessoas que fazem minha fama. “Outra ocasião. pensamos em nos disfarçar para poder sair por aí. “Sinto falta de bancar o maluco pra cima das pessoas. Paul saiu-se melhor. gostávamos disso. Es crevemos num pedaço de papel — “Qual é o caminho para Wembley?”. pensa ndo que ninguém nos reconheceria. eu já não ando mais por aí. Indo de ônibus para o Cavern. nas lojas. Chegou até a enganar o Bria n. só pra chatear. Naq uela época.” De todos os Beatles. mas não posso. cientes de encontrar pessoas que nos iam encarar. tal como dar um passeio. não podemos fazer as coisas simples q ue uma família faz. estávamos a caminho de Wembley em nossa camioneta. John é quem mais detesta não poder ser uma pesso . Agora. Cyn se arranja por conta própria. Entrava nos compartimentos ocupados. mas acabaram reconhecendo-nos. Era a nossa revolta. sem ser reconhecido. é impossível para êle ou para qualquer outro Beatle ir a um lugar. Eu costumava fa zer isso nos trens. Oh. cheg o a desejar que isso nunca tivesse acontecido. movendo-nos pelo paí s.” Mais do que tudo. Eu estava mais acostumado com isso há uns anos atrás. então me lembro de que sou um Beatle. Aquêles anos em que ela passou evitando t ôda e qualquer publicidade são compensados. ou então. até que vou a alg um lugar diferente e as pessoas começam a me encarar. vestidos com roupas de couro e carregando nossas guitarras. bancando o doido. Nunca deixo de ser eu mesmo. é por isso que êles estão-se portan do de uma maneira extravagante. sim. Ainda sinto uma vontade enorme de fazer isso. cheio de tiques.

acha que não adianta o que venha fazer a partir de agora. Foi só uma experiência. Escolhemos uma matinê. depois de vários anos. Várias pessoas ficavam-nos encarand o. mas esquecemos de que as escolas não e stavam funcionando àquela hora. Conseguiram ir aos pequenos cafés do Soho. o teatro não passa de cinco caras andando no palco e fingindo ser outras pessoas. Isso quas e o faz gritar de raiva. como Greta Garbo. usando costeletas e bigodes. desde que morávamos em Liverp ool. por isso. Será que aparecerá um outr o conjunto para tomar o nosso lugar? Seria tão bom sermos completamente esquecidos!” Em fins de 1967 e comêço de 1968. Ninguém nos chateou. É provável que agora se possa ir ao cinema mais vêzes. A gente se tornaria de outra forma. “Não! Você acha que isso pode acontecer com você? Não ser famoso p ara sempre? Mesmo se desaparecêssemos por muitos anos. “Brian costumava levar-nos a um teatro do West End. Fomos a um cinem a pela primeira vez. tomando um ônibus. Íamos num grupo e tudo corria bem. acredito que nada adiantaria. Foi genial. Quando pensa que talvez esteja condenado o resto da vida a ser apontado por todos. o cinema estava lotado. as pessoas não esperavam vê-los na rua ou num bar. pensan do que ela seria mais tranqüila. “Eu e Ringo fizemos outra tentativa. havia tantas pessoas parecidas com os Beatle s. Não vimos o filme intei ro. Em Liverpo ol. êles novamente começaram a tentar estabelecer contatos com o mundo real. que pouca gente acreditaria que êles eram o s Beatles de verdade. “Recentemente. eu e Ringo fizemos uma experiência. Antes. Todavia eu não ligo para teatro. Palavra. não me chateio por perder a peça. eu matava o meu tempo nos cinemas. Tomamos um sorvete e depois fomos embora. Andamos uns vinte minutos.a como as outras. Para mim. de vez em quand o. Naquela ocasião. a fim de ver se conseguiríamos viajar tranqüilos. Foi no Embankment. em Esher. Por isso. Descobriram que suas caras haviam -se tornado tão conhecidas que. como a família real. durante a mon tagem do Magical Mystery Tour. mas não nos aborreciam muito. Fomos assistir a um filme de Morecambe e Wise. Fomos reconhecid . eu sinto falta mesmo é do cinema. e. eu nunca viajara num ônibus de Londres.

E do jeito como leva a vida. Ficamos entusiasmados com aquilo. pois estav am muito ocupados.” O único estímulo que êle recebe é dos outros Beatles. Hoje nem me aborrece mais. Mas tudo é a mesma coisa. A maioria do pessoal do show business muda de amigos à medida que s eu cartaz aumenta. Quando eu via televisão há uns anos atrás. “Gostaríamos de ser deixados completamente em paz. Disse que havia uma mulher dizendo que nos vira num ônibus. Mantive-me assim muitos anos. “O meu caráter conhecido como “fácil de levar” é falso. É como os jornais.os mas não demos pelota. que vê sem parar. Em hipótese alg uma. êles repeliram ativa e brutalmente todos aquêles avanços. A maioria do pess oal não acreditava que fôssemos nós realmente. exceto pela televisão. os Beatles não fizeram nenhum . não suportava pessoas como o H ughie Green. “Um jornalista telefonou para nosso escritório no dia seguinte. Quem quiser vê-lo que o procure ou então êle não se importa com ninguém. A gente fica assistindo àquilo. ninguém é capaz de ocupar o lugar dêles em sua vida. baseados em alguma razão er rada. Você lê tôdas as notíc ias e elas entram em sua cabeça como se fôssem uma coisa só. Não éramos nós. mas não sou nenhum espalhafatoso. Tenho bastantes amigos para me ver. “Enquanto vejo televisão. “Passar duas semanas vendo televisão é tão bom como fumar maconha. Filmamos tô das as pessoas que estavam no veículo. será bem difícil chegar-se até êle . Apenas queria fica r sossegado. trabalhando em conjunto. Não sou dos cara s que se misturam. após tanto tempo. Naquela não ca í eu. A trocadora nos contou umas piadas grossas. era natural êles repelirem todos os estranhos. Mandei dizer que ela estava enganada. foi o próprio jornal a telefonar e a perguntar qu e achava eu da idéia de entrar num ônibus. É o mesmo que ficar olhando o fogo ou sonhar com os olhos abertos. A seguir. No início. mai s como uma defesa. John raramente faz isso. Apenas o adotei. Êle e Michael Miles são os meus favo ritos. Quando ficaram famosos e certo s elementos passaram deliberadamente a tentar entrar em seu círculo.” Paul e George sentem vontade de sair e ver os amigos uma vez ou outra . mas na verdade nosso pensamento está longe. Fora o Mike Jagger dos Rolling Stones. penso muito. Até me diverte.

“Se sou deixado por conta própria durante três dias. apenas para disfarçar nosso embaraço. talv ez definitivamente. estávamos gravando e eu e Paul está vamos alheios a tudo. A maioria das pessoas nem cons egue chegar até nós. Vejo o mundo exterior de uma m aneira muito ausente ou distante. De fato é assustador quando as coisas ficam ruins.” Há ocasiões em que êle tem vontade de ir para algum lugar com Cyn e J ulian. e os Beatles. “Conhecemos algumas pessoas novas desde que nos tornamos famosos. mas nunca fomos capazes de suportá-las por mais de dois dias. Q uando John está chateado. Quando nos encontrávamos. mexer no jardim ou br incar com os brinquedos caros dêle. pois moram perto um do outro. Éramos como dois autômatos. talvez algumas semanas. John. não pode passar sem ver os outros três por muito tempo. quando lhes dá vontade. de pois de um intervalo. fazendo todos os movimen tos. “Nós precisamos muito uns dos outros. naquela época. E posso discutir o assunto com êle. Parece qu e Cyn não percebe isso.amigo no mundo da música popular. Agora adotamos a saudação budista. com os bra ços a nossa volta. Neil e Terry. exerceu nêle uma grande atração. Êle não pretende ser desagradável. vai para a casa de Ringo. passaríam . A compra da ilha na Grécia. E passamos a nos abraçar. Ou então. Procuro os outros para que êles me vejam. só voltando à Inglaterra em visita. “Íamos todos morar lá. Ou fazemos danças malucas. qu ando fica sem falar com ela e seus semitranses não dão para insultá-la. Há dias. Tudo é feito na base da improvisação. Alguns agü entaram mais tempo. sem fazer nada. isso me alegra e anima. Só fazem alguma coisa. Encontro -me com êles para reatarmos nossas relações e voltarmos à realidade. “Às vêzes fico ausente. que interessou a John de m odo especial. especialmente. Compreendo que existem outras pessoas co mo eu. o que é muito chato para Cyn. O jeito dêle é assim. Eu permaneço em meditação profunda. Na sua vida diária normal êles só se vê em uns aos outros ou Mal. Por isso damos cerimoniosos apertos de mão. sempre ficávamos meio embaraçados. mas isso foi tudo. Fico totalmente alheio a tudo. quase me abandono completamente. “Ringo compreende isso.” John está com Ringo freqüentemente. Nunca marcam encontros. e ela tem de aceitar. como se disséssemos alô.

sendo que a maioria é de maus. Lá. para onde os diplomatas inglêses e outros pais mandam seus filhos. numa deserta ilha grega. A idéia da compra de uma ilha grega teve o mesmo fim que outras idéia s malucas que êles tiveram nestes últimos dois anos. Êle Cyn e Julian viveriam dentro dêle (pelo me nos assim o afirmou). “O que há de errado nisso? Êle p assaria seis meses lá e os outros seis meses numa escola inglêsa. Por que Julian não poderia freqüentar uma delas? Pelo menos. Fecharam a Rádio Caroline e tentar am botar os Rolling Stones na cadeia.” Cynthia pensa que essas mudanças não lhe fariam nenhum bem. Chegaram a pens ar no que fazer quanto à escola para Julian. Seria fantástico. Cyn explicou as razões pelas quais ela er a contrária que se enviasse Julian para Atenas.os seis meses em cada lugar. todos nós reunidos nessa ilha. quando pensa em viver. falou para Cyn que era muito mais realista quanto a êsse problema. enquanto gastam bilhões em armas nuc leares. Olha só o que fizeram aqui. enquanto Anthony os recobaria em seu Rolls Royce. No fundo. logo aprenderia a língua. pe lo menos seis meses por ano. enquanto ela não inte rferir conosco. “Não me preocupa a situação política na Grécia. apesar de êle não parecer bastante resiste nte para levá-lo a Weybridge. Rea lmente não tenho nada com isso. “Êle poderia freqüentar uma escola na Grécia”. Não me importa se o govêrno seja fascista ou comunista. John tem seus pontos de vista e idéias próprias acêrca do tipo de educ ação que deseja para Julian. Conclusão: nenhum dos dois quer seu filho .” As discussões em tôrno da ilha grega duraram semanas. Êle chegou a comprá-la. são iguais. As escolas das pequen as vilas gregas são muito boas. Outra idéia m irabolante foi partir e ir morar numa ilha na costa da Irlanda. não consigo lembrar-me em que lugar da costa irlandesa ela ficava. Vi a Inglaterra e os Estados Unidos e não me interessam os seus governos. John e ntão pensou em mandá-lo para uma escola inglêsa em Atenas. Um dia êle estava pron to para ir à Índia com o seu carro de circo. “Não. Êles já o cuparam todo o Norte de Gales. e nosso país está cheio de base americanas cuja existência o povo ignora. todavia esquece tudo. há bons e maus como aqui.

deverei nomear um tutor para êle. “Acho que as escolas pagas não são piores do que as outras. Êle tem motivo de ser egoísta. Julian não precisa saber como Sir Francis Drake matou todos os e spanhóis e que os inglêses inventaram a televisão. Ou uma escola normal ou progressiva. se possível. “A educação de Julian há algum tempo não preocupa. Ela sabe compreender a constante e aparente falta de consideração de John. continua John. tudo o que êles podem ofer ecer é futebol ou tênis. Vai ser apontado por todos. lembramos nossos dias de escola. às vêzes falamos de nós como Beatles. não acha? Ademais. “Se formos para o exterior. . Não importa se a gen te paga. Êle deve aprender é como viver neste mundo. mas. Ridículo. tudo que êles julgam importante est á errado. enquanto êle estiver feliz. freqüentemente. gostav a da escola. Tôdas as brigas daqueles tempos em Liverpool. Cyntia explicou-lhe que por perto não havia um jardim-de-infância público. John prefere ver seu filho numa escola pública. “Não sei”. “Não desejo para meu filho a espécie de escola que eu freqüentei. Mas ante s procurarei certificar-me de que nunca lhe faltarão crianças com quem brinc ar. aprenderia tôdas aquelas merdas que ensinam lá. Pelo menos. por minha causa. como pen sava. Quando recordamos o passado. Vão ri r dêle. É tudo o que nós desejamos para êle. Minha infância foi feliz. já terminaram há muito. s e houver alguma. e tôdas aquelas besteiras nacionalistas. Em hipóte se alguma eu o mandaria para Eton. Possuo um livro s ôbre tôdas as escolas da Inglaterra.prêso num internato. Pelo menos. Ela já passou por tudo aquilo antes e sabe o quanto lhe custou.” Cyn é mais forte do que parece. mas não que o seja deliberadamente . Apesar de tudo. Se fôsse mandado para Eton. Apenas acontecia uma coisa entre mim e os professôres: nós nos detestávamos mutuamente. isso já não teria importância numa esco la particular. onde só pensam em dinheiro. Gostei da escola. está resolvido que não o mandarei para um colégio interno. Mas. Em resumo. não muito longe de Weybridge. Êle desco briu que o jardim-de-infância em que Julian estava não era público. Talvez resolva enviá-lo para uma escola budista. e sim sem pensar. Admi to que uma escola pública talvez seja dura para êle.

então. porém. Sòmente John. o u afirma que ela está errada. porque agora a gente pode sair basta nte. Acontece que. êle teria segui do com os Beatles. E John concorda.Atualmente. Eu nunca tive emprêgo algum. especialmente.” Cyn provoca John. Eu poderia desenhar. talvez. chegaram a traçar planos para abrir uma boutique. se ficass em muito separados. Ela e Pattie. Rin go lhe sugere a mesmíssima coisa. freqüentemente acho que gost aria de ter um emprêgo. por causa de sua dependência dos Beatles. Foi o destino. quando êle c omeçou a fazer as tournées pelo mundo. como ter um emprêgo. “Quando tenho uma idéia e lha sugiro. Joh n. mas. De fato. tal vez aplicando a experiência adquirida no Art College. mais tarde. “Gostaria de gozar umas férias a sós. me sinto frustrada. Se não agora. na verdade. hoje fôsse professôra. Se eu não tivesse engravidado e casado. Ela. “Êle nunca cogitou em se estabelecer. e às vêzes . Pinto um pouco e faço vestidos. sem os Beatles.” Ambos são concordes em dizer que o nascimento de Julian foi a fôrça qu e os manteve juntos. Lembro-me disso. Sem o bebê. pelo menos. “Mas. como de fato jamais pensou em ter um emprêgo certo. afirma que se não tivesse ficad o grávida.” Ela nunca pensou que o amor poderia tê-los feito prosseguir. e. então êle a aceita e fica todo animado. pelo menos no momento. só por lembrar. porque queria ter alguma coisa p ara fazer. ou ensinar. “Seu amor era pelos Beatles. Eu já nem me preocupo. eu realmente não queira outr o. Cyn de vez em quando tenta fazer algo nôvo.” — “Você o quê?” — John pergunta sorrindo. Sei que isso pode ser deixado para mais tarde. para sempre. Êle foi o laço de nossa união. e. Mas. — “Nem com os nossos c . graças a Julian isso não a conteceu. algumas semanas mais tarde. acredita no destino. Juli an e eu. não quero ter outro filho. é certo que jamais se teriam casado. E era de se esperar que fôsse assim. ou êle simplesmente a ignora. são muito felizes. nós nos teríamos separado. mulher de George. ela se sente magoada por êsse motivo. Eu teria continuado no Ar t College. mas a idéia nunca vingou. “Creio que estou me tornando um pouco frustrada.

por quarenta mil libras. transformou-se num matagal alto e só habitado por Martha.amaradas Beatles?” — “Isso mesmo. não foi? Êle não precisa que muita gente vá a todos os lugares com êle. Não gastou nada com o jardim. mas agora a gente vai para uma pequena cabana no rochedo de Cornwall. o jardim e ra bem bonito e tratado. Êle não acha suficiente passar as férias só com a fa mília. Quando êle se mudou.” John sorriu. pensativamente. em comparação a John ou Ringo. “Te ntei seguir meu caminho depois de pararmos com as tournées. você não acha?” “Realme nte me sinto ofendida. E antes que êle possa responder a essa provocação. John Wood. eu sei. — “George foi só com Pattie para Los Angeles. Dei umas boas r isadas e joguei bons jogos de monopólio durante o meu filme. Mora numa grande casa de três andares em St. Êle po uco sai. Tenho que escrever estas desgraçad as músicas. continu a ela.” — “Mas é tão bacana ter uns amigos por perto. Tenho de trabalhar. ela se sai com um exemplo que já estava pronto há muito tempo. — “Tá bem.” 32 PAUL Paul é o único Beatle que mora em Londres. eu não posso me aposentar. perto do campo do cricket Lord’s e muito pe rto dos estúdios da EMI. John. E concordou que parecia ser verdade o que ela dizia. para justificar minha vida. Vê-los parece que fazia sentir-me normal novamente”. Nunca sent i tanta alegria em ver os outros. — “Êles parecem precisar menos de você do que você dêles —”.” Êle sorri para Cyn e ela balança a cabeça. sem os seus amigos. Você não se lembra de a gente ter falado isso n a semana passada?” — “E o que combinamos?” — “Que nós três poderíamos ir a algum lugar. Todos insistem com êle para fazer alguma coisa lá . especialmente . Cyn ficou a olhá-lo. mas de nada valeu. Por isso. Comprou esta casa no fim de 1966. tá bem?” — “Não.

Mas êle parece gostar daquele aspecto selvagem. o Mini Cooper e o Aston Martin. O porão da casa contém as acomodações dos criados. êle decidiu mandar aparar o mato. Depois dêles. para cuidar da casa e de Martha. sôbre o muro da casa e m frente. teve a idéia de construir uma casa mágica nêle. Quando êle vai para fora. com os pés fora do chão. A de Paul tem mais do que as dos outros. Jane não trabalha na cozinha. Mr. Mas em vez de ficar lá. Êle adora a companhia de uma mulher de aparência matern al que lhe sirva um desjejum frito à uma da tarde. mas diz que jamais fará isso. segundo o seu desejo. É freqüen te não ter ninguém morando lá. Se a pessoa do lado de fora falou a verdade. e se movimentar em dir eção aos portões de Paul. Êle não s e importa que o procurem em casa. Ela fazia o trabal ho da casa e seu marido era uma espécie de mordomo. A frente da casa tem uma área pavimentada e um poste antigo. para que os fãs não os transponham.seu pai. Bem que êle poderia ter uma secretária. sucederam-se divers os empregados. os port ões se abrem e tornam a fechar. É bem espaçosa e equipada. alguém lá de dentro responde. ou durante o dia. Fala-se num micr ofone. e Mrs. uma espécie de pagode numa plataforma elevada e com um telhado de vidro abrindo para o céu. Tem uma soberba sala de jantar que parece novinha. Então. há sempre fãs esperando-os do lado de fora. não ligando se são imprestáveis ou não. seu pai se muda para lá. coisa que aborrece a tanta gente. Parece que êles chegam por acaso e Paul vai ficando com ê les. Kelly. Pelos fins de 1967. está uma garagem dupla na qual êle guarda seus dois carr os. A cozinha. Parecem manter uma vigília permanente. Durante muito tem po abrigou um casal. sabe-se logo qual é a casa de Paul. fica no térreo. Em tôdas as casas onde os Beatles moram. O living dos fundos. é o cômodo mais us . êle foi para a África ou para os Estados Unidos. por ser em Londr es. ligada à casa. De lá êles podem espiar por cima do muro. À esquer da. Paul nem se preocupa com isso. Mas cozinha muito bem. que moravam ali. para orga nizar sua casa e anotar suas visitas. Basta olhar para as filas de meninas penduradas em seu muro. Entrando-se naquela rua. tentando ver o que se passa lá dentro. ficando sentados e em fila. É cercada por um alto muro de tijolos e dois gran des portões negros que são controlados de dentro de casa.

que parecem variar de número diàriamente. enfeites.” No primeiro andar está o seu quarto. Uma peça muito interessante. “Todos os lugares onde vivo acabam dêste jeito. lanternas. como aquela grande televisão a côres. Encontra velhos apreciadores dos cães. Mal e Neil se reúnem antes das gravações. Paolozzi era o herói e pr ofessor de Stu Sutcliffe. em forma de L e com uma cama extravagante com uma grande cabeceira esculpida. sendo o preferido pelos Beatles. com janelas francesas abrindo para o jardim. Paul consegue dar seus passeios com Martha. Uma v ez êle foi a Hampstead Heath com ela. que a conserva. mas o ambiente é sempre o mesmo. os faz sem ser reconhecido. com coisas empilhadas e m todos os lados. É um cômodo muito grande e confortável. Paul procura levá-la para um passeio sempre que pode. seguido por Martha. jornais etc. cab eluda e de boa índole. sempre que estão em Londres. que pa recem mais interessados . em vez de o serem na sala de jantar. onde ela faz suas rondas. pois sai muito apressado. quando precisam de mais algumas músicas para completar um disco. A famosa Martha (se você não acha que ela seja famosa basta dar uma olhada no Beatles Monthly) é uma velha cadela pastôra inglêsa. Êsse cômodo geralmente está numa desarrumação completa. surpreendentemente. geralmente levanta a gola do casaco e anda pelas partes mais i soladas. Em passeio. mesmo quando ela está com pulgas. grande. No último andar está sua sala de trabalho. Os fãs nunca sabem aonde êle vai. Em sua casa também há vários gatos. pacotes. Geralmente êle vai para Primrose Hill ou ao Regents Park. A s coisas agora podem parecer um pouco diferentes. A porta de sua c asa dá para o jardim. Nêle há uma grande mesa de m adeira onde são servidas as refeições. um chamado Thisby. Há ainda ma is dois quartos. e. e ga tinhos. Todos os Beatles têm ga tos. Martha teve um desmaio e êle nunca mais voltou a levá-la àquele lugar. Em Forthlin foi assim também. É al i que está a escultura de Paolozzi. e seus nascimentos são fielmente relatados no Beatles Monthly. É aí que os B eatles.ado da casa. onde êle e John operam em conju nto. Ela geralmente fica coberta com uma toalha de renda branca como é costume nas casas de ope rários. bem espaçoso.

olhando para cima e respirando pesadamente naquele dia lindo. Isso é coisa que os outros Beatles não fariam. No en tanto. como se d issesse não precisa gritar meu chapa. . todo suave e control ado. Paul so rriu e concordou. “The Fool on the Hill” “The Cavern Club” Êle costuma perguntar as horas às pessoas e estabelece aquela educada conversa sôbre cães. e era um adolescente desajeitado e tímido. — “Bom. tenho pena de pessoas assim. não é? falou Paul. êste é o modo de vida que gostam de levar.na grande Martha do que no próprio Paul. — “Como os ca ras como êsse não conseguem descontrair-se. disse o ator ficando ainda mais reservado. Êl e estava representando a mesma peça com ela e convidou-os para jantar em s ua casa. então até. Paul perguntou-lhe o que estava fazendo ali. “Quando eu tinha dezesseis anos. Quando tenho alguma coisa em pers pectiva. mas o ator continuou andando. E foi embora. Paul fôra-lhe apresentado por intermédio de Jane. Sincera mente. respondeu Paul — “em que peça?” — “Não posso” —. sonhava ardentemente ser um ator como aquêle. Dava a impressão de ainda estar lendo as marcações para o palco. Enfim. O cara disse-lhe esquiv amente que tinha a possibilidade de ir trabalhar em Nova York. deu-lhe um alô. — “Estranho. Quando reconheceu Paul. despediu-se o ator. não é mesmo? Você não acha?”. sempre anelando as pompas. Nessas ocasiões. por não serem tã o sociáveis quanto Paul. Hoje. Um dia êle se achava em Primrose Hill. — “Desc ulpe. ao voltar para o carro. Era um ator da grã-finagem inglêsa . chega até a gritar para as pessoas que conhece vagamente. reconheço que valeu a pena modificar-me e ser natural. Mas tenho por hábito não revelar. No fim daq uele jantar para o qual êle nos convidou. — “Muito be m” —. basta tomar alguns drinques. É impossível ser natural. já parecia quase natural. quando viu um ator que conhecia ligeiramente. para se transformar num cara legal. Chamou-o. bal ançando os braços. evito falar sôbre ela para não estragá-la.

chamado Juke Box Jury. Êle não queria ir. conta Jane. Eu não tentei agarrá-la. ninguém ainda reconhecia Paul. No comêço de 1963. A Radio Times pediu-lhe que fôsse àquele concêrto juntamente com um repórter e fizesse seus comentários. Jane e sua mãe for am esperá-lo no Aeroporto de Londres. Paul. Sua mãe. como adolescente. Nessa época. uma professôra de música e ensinou George Martin a tocar oboé. Jim afirmou que nada o faria tão feliz quant o o casamento dêles. “Todos nós lhe pedimos que se casasse conosco”. “pois era o que ped íamos a tôdas as garôtas naquela época”. Ape nas disse-lhe: — “Parece que você é uma menina boazinha. Ela disse que o único pelo qual valia a pena gritar eram os Beatles. causado pelo seu passado.Jane também conserva um pouco dêsse problema. Foi assim que êles foram educados. Êles a convidaram para ir ao hotel dêles. da qual costumáva mos ouvir falar. descobridor de gente famosa. Seu pai é médico. Paul perdeu o avião para Liverpool e a mãe de Jane convidou-o para passar a noite em sua casa. Ambos saíram juntos muitas vêzes nas semanas seguintes. Passeavam juntos pelo Soho. “Logo percebi que ela era a garota para mim.” Depois de muitas piscadelas os outros deixaram Paul e Jane a sós no qu arto dêle. tomar alguma coisa. sôbre os conj untos que se estavam apresentando. apes ar de muitos conhecerem Jane. Desde o início. nos filmes e no palco. Contudo. Todos são conco rdes com isso. Dentre êles. o Royal Court. Jane começou a representar. Os dois passaram a noite conversando sôbre môlhos e seus pratos p rediletos. “Uma extravagância londrina. quando criança. quem mais a agradou. devido sua aparência. foi quem a reconheceu e gritou por ela. continua Paul. f oi George.” Jane e Paul formam um casal muito adorável e adorado. Jane Asher descende de uma família londrina de profissão liberal. fazendo com que os outros corressem e a cercassem puxando assunto. Não o consegue evitar. Conhec eu a Paul em maio de 1963.” “Êles não podiam acreditar que eu fôsse virgem”. Quando êle voltou de umas curtas férias em Roma. pois não gos . num concêrto de música popular no Albert Hall. ela contava dezessete anos e se apresentava num programa de discos populares na televisão.

como o fizera quando Brian Epstein chegou ali e não conseguira entrar. Êle deu um sorriso amarelo. Freqüenteme nte há alguns amigos aparecendo na casa de Paul. . mas saiu e foi assinar autógrafos para tôdas as garôtas que o esperavam. Jane. Afinal. John’s Wood. depois por três semanas e depois por três anos. É uma coisa que o s rapazes de classe operária não costumam fazer. a esta altura. seguido de uma panela de legume s. Êle já teria parado de aten der. Bebêram meia garrafa de vinho branco. ao responder através do telefone interno. Talvez esta fôsse mais tranqüila do que uma tarde normal. onde êles normalmente passam pelo menos duas semanas por ano. Essa noite acabou se estendendo a três. Paul quando estava em Londres. foram ver algumas fotografias tiradas durante as fér ias que êles acabavam de passar na Escócia. Nessa ocasião êles estavam sem empregados. acabou fazendo Paul sair. e perguntava se êles não se incomoda vam de esperar. não se teria incomodado. Geralmente. nozes e temperos. nos cinco meses de 1967 em que Ja ne estêve representando nos Estados Unidos. mesmo antes de terminar o jantar. Uma noite com êles não difere de outra passada na companhia de qualq uer jovem casal. Êles a esvaziaram. quando comprou sua própria casa em St. gostam de ir m uito lá. Raramente acontece com os ou tros. a fim de comunicar sua chegada. por fim . tendo de procurar um telefone público. hospe dava-se na casa de Jane. até os fins de 1966. Nessa época. Cada vez que Jane atendia a cam painha. Ela se levantava a todo instante. e êle mesmo convida. Sem que os fãs soubessem. como John e George. Depois êl es viram um pouco de televisão em côres e foram para a cama. acabou aceitando. sem se mostrar zangada. mostrava-se muito educada. depois de dúzias de fãs te rem tocado a campainha.tava da idéia de se hospedar com a família de uma garôta. Paul tem sua casa numa parte ant iga de Argyllshire. Isso era freqüente. pois ainda estavam jantando. só para passar a noite. Jane fêz o jantar. O primeiro prato foi abacate ao vinagrete. por morarem tão longe. Durante tôda a refeição os fãs de Paul ficaram tocando a campainha. Paul. Paul era também vegetariano. que havia sido aberta para o pre paro da refeição. Depois do jantar.

Durante a gravação de um nôvo long playing as pessoas ficam indo e v indo o tempo todo. de meia idade e bem escovado. Paul convidou-o a sentar-se. a or ganização de muitos dos negócios do conjunto. Êle ficara olhando em tôrno. para anunciar que um pastor estava no portão da frente. O pastor. disse que sua paróquia realizaria uma quermess e e êle gostaria de contar com a presença de Paul. Paul disse a seu empregado que se livrasse dêl e.” Terry voltou do p ortão da frente dizendo que êle parecia autêntico. pouco depois de Peter Blake sair. tudo o que haviam feito. Naturalmente êle sabia o quanto êles estavam ocupados. não? Se êle parecer cem por cento. continuou o pastor apressadamente. Terry falou que o cara talvêz fôsse um ator de televisão. Tão oc . tendo de ir direto à quest ão. Paul olhou para John. permitindo a entrada do pastor. Todos riram. “Natural. Paul perguntou-lhe o que desejava. John não queria ver nenhum pastor. Paul pediu a Terry que fôsse lá e dissesse que êle não estava. O pastor já estava dando as desculpas para êles. terrìvelmente ocupados. talvez seja até interessante. o mesmo aco ntecendo com Terry Doran. veio a casa de Paul durante as discussões sôb re a capa do Sargeant Pepper. respondeu Paul. Eu sabia. Uma vez. — “Eu nunca faço essas coisas. Peter Blake. Era maravilhoso. Todos riram. Ficara muito sur prêso em terem-lhe permitido a entrada. Paul agora dirige (mesmo antes da morte de Brian). Alguém disse que aquilo deveria ser piada. Sabia que tinha de ser breve. o empregado de Pau l. incapaz de reconhecer qualquer um dêles. — “eu não poderia esperar receber êsse favor. Então os portões controlados elètr icamente foram abertos. O pastor virou-se para Paul. o que lá trabalhava naquela época. êle bem o sabia. Você está tão ocupado. Êles deviam ser umas pessoas muito ocupadas. Mantendo suas mãos juntas. Êle pediu desculpas p or vir vê-los quando sabia que deveriam estar ocupados. tendo percebido que êle deveria ser o Se nhor McCartney. naturalmente. “vamos deixá-lo entrar. veio ao living. mesmo por alguns segun dos. Quando Terry já estava no meio do living Paul resolveu o contrário. êle sabia disso. John geralmente também estava lá. o artista. disfarçado. e muitas coisas feitas em sua casa. entrou muito nervoso. Todos l he sorriram polidamente.

Mrs. bacon e pudim prêto. além de seus . ficaremos aqui o resto da noite. pois eu não tenho fé. ou pessoas de alguma forma relacionadas com o disc o que estão gravando. sabe?” Paul estava sorri ndo. não percebendo que a contecia justamente o oposto.upado. Estam os tentando unir-nos.. você sempre está muit o ocupado. — “Oh. prosseguiu o pastor. e litros de chá. Acho apenas que isso não seria correto.” — “Não. Depois que foi embora. — “Por que é que você não melhora seu produto?. tôda a razão! Estamos tentando. Ela trouxe uma grande pi lha de pão já cortado e com manteiga. Olhou para todos. serviu o lanche: ovos fritos. Na semana que vem.” — “Isso será ótimo. Êle cumprimentou a todos. sem ouvir nada. Mills. todos concordaram que êle era muito simpático. Fora os Beatles. E se continuarmos assim.”.. particularmente. dando uma desc ulpa qualquer. Deviam ser cinco horas. sorrindo. e depois Neil e Mal chegaram. Seu pai e a madrasta Angie com sua filha Ruth. Paul freqüentemente tem um de seus parentes de Live rpool hospedados em sua casa. Então êles foram para o estúdio. O pastor começou a se levantar. e cada um tomou uma xícara de chá. e a mesma coisa f izeram as outras pessoas que estavam ali. êle ainda se virou e disse para todos: “ Penso que vocês devem ser mundialmente famosos.. Paul não se preocupou em explicar-lhe tudo novamente. — “Não é nada disso. John. por sua vez.” Então partiu. tentando identificar a cada um.. Eu não poderia esperar que você comparecesse. Ao deixar o aposento. O pastor sorriu-lhe. continuou Paul — “para começar. perguntou Paul ain da sorrindo bondosamente — “em vez de estar arranjando truques como nós? ”. não acha?” — “Você tem tôda a razão. — “E você está tão oc upado. respondeu Paul. pensando que êle ficasse chateado. George e Ringo. teremos um ofício de aproximação de seitas. Achava engraçado como as pessoas sempre se aborrecem. Pa ul acompanhou-o até à porta. quando não o reconhecem à primeira vista. a empregada de Paul nessa ocasião. sorrindo e agradecendo -lhes por seu tempo. você tem tôda a razão. ficou satisfeito com o fato de não ter sido reconheci do. apenas balançando a cabeça para co ncordar com tudo que êle dizia. não estamos.

Quando eu chegar. Então tá. “Eu chegava a ficar assustada com o fato de alguém ser tão simpático. velho. na Alemanha.” Astrid.tios e tias freqüentemente passam uma semana em sua casa. mas admitindo ser êle quem estava no aparelho. O próprio Paul atende o telefone. hi. irmão de Paul.” — “Pronto para quê? pergunta Paul. yeh. — “Oh. Michael McCartney. Michael também é assi . George vai com freqüência a Warrington. É fácil descobrir um fã por causa do silêncio amedrontado. Apesar de seus números constantemente serem trocados. Desta vez era seu pai. a princípio sempre desconfiara do charme de Pau l. John nem vai lá. com seus números fora do catálogo. enquanto os circunstantes davam mostras de não gostar da idéia daquele pas seio. convidando-o a aparecer para um passeio a cavalo. — “Para que eu possa ficar pronto. com uma voz engraçada. talvez seja seu visitante mais con stante que vem de Liverpool. — “A que horas você acha que chega. O telefone nunca para de tocar. Era um disc jockey bem conheci do. perguntou-lhe Jim.” O telefone tocou novamente. São dois telefones. — “É. Jane também vai muito a Liverpool com êle. fala no fone ainda conservando sua voz estranha. — “Yeh. Paul passa lá seus fins-de-semana. cheguei. você sabe. Dos Beatles.” — “Não seja bôbo. aprontar as coisas. respondeu Paul educadamente mas sem prometer nada. Mas não passava de uma tolice. êle desliga sem dizer mais nada. É bobagem tomar cuidado com as pessoas simpáticas. — “Oh. meu filho?. pode ser que eu vá . ou sempre que tem vontade. perguntando-lhe sôbre sua ida a Liverpool naquele fim-de-semana. se Jane está fora e não há nenhum trabalho para ser fei to. a fim de visitar seus parentes. Pa ul é quem mais vai a Liverpool. Êle fazia caretas no telefone. apesar de as relações dêle com Stu não terem sido sempre tão amistosas. e nes se caso. especialmente depois que sua Tia Mimi s e mudou para Bounemouth. Principalmente depois que seus discos começar am a fazer sucesso em Londres. Te vejo.” A grande simpatia de Paul parece vir de seu pai. no domingo. o s fãs sempre dão um jeito de descobri-lo. yeh. Ringo costuma fazer o mesmo. genial. Tchau. Não quero que você fique pronto para coisa alguma.

Sir Joseph Lockwood. po r ocasião das provas da capa do Sargeant Pepper.” O fato de Paul ser um rapaz esforçado. enquanto muitos estão revoltados contra seus pais. apesar de. quando deveria tê-la recebido. com sinceridade. Hoje. Paul logo entra em ação. começa a se movimentar e não tolera ineficiência. é êle quem mais cuida dos interêsses do conjunto. é o líder. Paul é o homem de negócios. Mesmo antes de tê-lo notado. Mais falso ainda será deixar de tentar isso. Pa ul era o único que ouvia seu pai e suas pequenas homílias. Então. fo i essencial para o conjunto. Ringo é muito adulto para pensar nessas coisas e George não o é de forma alguma. Por êsse motivo posso muito bem fazer um esfôrço.m. tel efonou para a EMI. Aparentemente. sendo educado e trabalhador. E Brian Epstein realçou êsse seu talento. Surgiu um problema entre êles. todos acham que é muito fácil travar-se conhecimento c om Paul. deve-se reconh ecer que nenhuma grande decisão jamais é tomada sem que todos estejam de acôrdo. Aos dezessete anos. John. I sso não acontece com os outros. Em outra ocasião. Êle não recebera uma prova. durante uma discussão com a EMI. não se importa com o que as pessoas pos sam pensar. arrastando os outros consigo. O próprio Paul acabou acalmando-se. há mais trabalho deixar de esforçarme. Mas. era Paul quem fazia as explicações e os comentários. até descobrir o culpado de tudo. tal palavra não terá sentido. Faz com que tudo funcione. Êsse esfôrço de Paul lhes foi especialmente vital depois da morte de Bri an Epstein. se fôr falar em liderança entre os B eatles. e os outros o gozavam por fazer isso. ligando para cada um dos departamentos. Paul telefonou pa ra o próprio patrão. e acompanhada de mil desculpas. . escreven do cartas e fazendo pequenos discursos. Sir Joseph pediu-lhe que esperas se um pouco. Por isso. por exemplo. É superior a isso. A prova da capa foi-lhe im ediatamente levada de carro. É o propul sor. e não John. depois de procurar ser menos si mpático ou menos animado. “Para mim. Sente-se que êle está consciente da impressão que está causando. E falou francamente o que pensava dêles. Uma vez resolvida qualquer decisão.

escritores e compositores. Guarda um peq ueno ressentimento. Fizemo s aquilo de pernas para o ar. e. “Êles pensam que nós somos tapados”. mesmo assim. boates. tudo não passa de um hobby. estando presentes a tôdas as grandes reuniões. como fotógrafos. motivado pelo f ato de terem sido deixados de lado e considerados estúpidos. com a inteligência que tem. depois de tanta s críticas. dirigindo to dos os estágios. Paul a admira como uma enorme companhia. “Hoje fico contente com sua pouca aceitação. como a nossa música.Tomou seu Rolls Royce e foi. Paul é vivo. teremos reuniões de negócios que sejam animadoras em vez de serem depressivas. êle se entregou de corpo e alma. Foi Paul quem idealizou e deu impulso à Apple. Há milhares e milhares de libras passa ndo pela Nems e não são devidamente aproveitados. artistas. foi Paul quem a criou. onde estivera tentando conve ncer de como seria genial a idéia da fundação da Apple. por não passarem de simpl es tocadores de música popular. “Na verdade. voltou furioso de uma reunião com o pessoal da Nems. estúdios e com as melhores pessoas no ramo. antes da morte de Brian. Sabíamos que não estávamos trabalhando com a devida perfeição. “Nós reconhecíamos que estávamos apenas praticando. o filme deu-lhe um desapontamento. Quando fizermos a Apple funcionar de fato. Então. Voltou furioso com a atitude de todos. técnicos. E tudo investiram para nós na Bingley B uilding Society ou em qualquer outro lugar. teria dado um b om advogado. a gente começ a a ter esperança de que ela talvez seja melhor do que a gente possa imaginar. “Queremos torná-la um ambiente acolhedor. John e os demais concordam com tudo. e staremos fazendo isso com os pés para cima. Um abrigo sob o qual as p essoas possam fazer o que desejam. Por isso. Compreendo que seria u . Êle diz que Paul. Durante quinze semanas. ficava repetindo enquanto dava voltas e mais voltas em tôrno de seu living. depois de levar tanto tempo fazen do alguma coisa. mas. Entrou em funcionamen to. a princípio. e na realidade quer que tudo ande direito. Uma vez. a casa de Paul a fim de resolve r o assunto. pessoalmente. que em determinada época todos tiveram. com lojas.” O Magical Mystery Tour jamais teria sido realizado sem o concurso de Paul. mesmo ela não sendo suficientemente boa. mas. Odeia qualquer insinuação de que seja bro nco.

Êle e Jane foram ver A Man For All Seasons. Êle estava tomando LSD e eu não havia participado daquilo. quando surgiu a oportunidade da grande tournée pela América. — “Queria que ela abandonasse o trabalho completamente. Paul sofria a in fluência dêles. durante o dia todo. diferentemente dos outros. tal como Liverpool. E que tudo nos sirva de estímulo ou desafio para a gente fazer alguma coisa devidamente. Ela sabe perfei tamente o que vai no pensamento dêle. — “Êsse negóc io de te subjugar era uma brincadeira. é muito comunicativo. quando um dêles queria casar. Fui educada para sempre estar fazendo alguma coisa. “Outro problema”. — “Eu sempre quis subjugar Jane —”. Pretendem mudar-se para o campo definitivamente. para uma casa menor e mais tranqüila e longe de Londres. Eu gosto de representar.” — “Agora vejo que estava sendo tolo —”. Vão para fora juntos. após cinco meses de ausência. Eu tinha ciú mes de tôdas as experiências espirituais feitas em companhia de John. graça s a Jane. Não quero desistir disso. e sentiram-se inspirados a fazer alguma coisa de grandioso. “era que minha existência ficou por mu ito tempo girando em tôrno da vida de solteiro. o outro não queria. Jane diz que o que acontecia aos Beatles era algo estranho. Paul. mudava de idéia. Não trato as mulheres como . A casa também sofreu gra ndes transformações e estava entulhada de coisas.m mal para nós.” Hoje sua vida é muito mais tranqüila e ordenada. afirma Paul. Paul passou a pensar di retamente na motivação para um filme de longa metragem. Quando tudo parecia resolvido. apesar de êle ter concordado. Paul e Jane passam mais tempo juntos do que qualquer outro casal Beatl e. Umas quinze pess oas freqüentavam nossa casa. Êle resolve tudo com Jane.” Após o lançamento do Magical Mystery Tour. “Quando voltei.” — “Eu me recuso. John e George também querem fazer o mesmo. afirma Paul. Paul havia mudado muit o. que ela devia prosseguir. passar impune com aquilo que apresentamos. para lugares tais como sua cabana na Escócia. continua Paul. Paul diz que a causa daquela mudança era a carreira dela. durante a depressão.” Em épocas diferentes. Por que êles pensavam em ficar brincando por ali? Então Paul imaginou fazer algo com realismo. num c enário luxuriante.

Paul não chegara ao pont o em que se achavam George e John. ou que poderia esclarecer s uas dúvidas. É a mesma coisa que a gente usar bigode. Depois de ter-me divertido o bastante com êle resolvi raspá-lo. apesar de achá-lo atraente. e não o que todos espera m que você queira.a maioria faz. A mesma coi sa se deu com a comida. mais por diversão. Durante muito tempo. Sempre fui muito independente e fora do comum. sentia existir alguma coisa que o poderia ajudar. “É como acontece nos lugares chiques. A gente fica . por algum tempo. A gente aprende a beber e se habitua a isso. apesar de ela se mostrar amistosa. eu encon tro outra”. E quando Paul foi à Índia em companhi a de Jane. a gente pode voltar a ser o que era antes. Depois de ter agido como os outros. o Maharishi era o único pon to de discórdia. mesmo quando tinha uma namorada firme . Jane não gamou logo por êle como acontec eu a muitas. Voltei a comer aquilo de que eu antes gostava. E uma ocasião Jan e me deixou e foi representar em Bristol. vá. de tal forma que se pede sempre um dêsses pratos. Jane foi a inspiração de suas mais belas músicas. Provoquei algumas brigas. “Assim também acontece ao conhecermos pessoas famosas. no Natal de 1967. e não a respeito dos Beatles. Eu ti nha um para deixar as pessoas pasmadas. pede-o. Agora sou como era antes. “Reconhecia meu egoísmo. Essas eram sôbre a finalidade da vida. em 1968. Eu disse — “tá bem. Passa-se a gostar de abacate. Sempre tive muita coisa por fora. tais como And I Love Her. sem se se ntir como um cômico em programa de televisão. “Isso acontece amiúde.” Foi justamente quando êle compôs I’m Looking Through You. todos êsses problemas se to rnaram coisas do passado. e spinafre e outras comidas fora do comum. de suas mud anças e do futuro. Você nota que o garçom está ali para saber o que você deseja exatamente. É claro que ela teria preferido qu e ambos atingissem um estado de espírito por esfôrço dêles mesmos. porque eram apenas superficiais. Seria uma desgraça para mim se eu ficasse sem ela. P aul tem alguns pontos de vista bem definidos acêrca dos Beatles. Se você quer almoçar flocos de milho. Quando ficaram noivos. “Passamos por milhões de transformações que não significaram nada p ara nós e nós não mudamos.

Êle adora a soul music. Vê o que está acontecendo. e ainda espero um pouco. Nós não manj ávamos nada daquilo.maravilhado. Por muito tempo você via que aquêle cara era exatamente como o Harry Bloggs. não deixamos de ser nós mesmos. mas demorou um pouco para chegar a esta conclusão. Então. “John — é o agitado. eu me considero conservador. verifico se tenho o dinheiro . descobre q ue elas são exatamente parecidas com o Harry Bloggs. adotamos dos outros o que sentimos faltar-nos . seríamos um c onjunto de ternos cinza. “Dentre nós. “George — é o mais decidido quando quer. num estilo sent imental. E você conclui que sua ignorância vai muito além de sua sabedori a. “Por mais que façamos. Sou o que tem menos possibilidade de ser bem sucedido. “Sempre voltamos àquilo que éramos. John e George saem correndo para comprá-la. E a gente termina com A mais Morte. Sou mais calmo do que John. ou o seguimos ou o puxamos de volta. lá foi êle. então. Somos indivíduos que juntos formamos “Os Caras” — que formam uma pessoa. Desculpe-me falar tanta coisa inteligente. LSD e roupas floridas. “Quando é lançada no mercado uma nova caixa para guitarras. “Ringo — é o grande sentimental. fico a cismar. “Eu — sou o conservador. Adapt amos alguma coisa dêle para o nosso uso. Nós todos acrescentamos algo diferente ao todo. Mas veríamos que não seríamos mais do que A. Nós também somos decidido s. Poderíam os ser A mais Um. “Mas tôdas as mudanças físicas são superficiais. John a compra porque ela é nova. Isso faz com que nós quatro o sejamos por influência do George. Anda muito depressa. quando Um é igual a ternos cinza. Eu. Parece que você entra num ciclo. até que êle nos mostrou de que se tratava. pelo menos na primeira vez em que as vê. como A Little Help From My Friends. . Não deixamo s de ser quatro partes de um todo. Assim. e. Eu fiquei empolgado com o assunto. quando Dois é igual a camisa de flôr es. Se um de nós sai da linha. porque nunca mudamos. e G eorge porque acha que quer possuir uma. Fui o último a experimentar maconha. Depois seríamos A mais Dois. Sinto que sempre devo examinar tudo. Se comparado a outras pes . Depois. Creio ser ê sse o motivo por que a gente escreve aquela espécie de música para êle..

dêsse modo. atr avés de um caminho que sai da estrada principal e vai dar no que parece o terreno de alguma mansão. Tivemos a so rte de. muito semelhante à propriedade onde John e Ringo moram. Opinavam que deveríamos usar o casaco do colégio por tôda vida. eu poderia ficar sentado e me tornar um diretor de compan hia até aos setenta. faz co m que a nossa música seja diferente. Parece que sempre estam os mudando. penso que não o sou. muito comprida e pintada em côr es brilhantes. Ela fica localizada numa propriedade particular. Elas ficam escondidas da e strada. Elas têm nome e n ão são numeradas. porém nunca acreditamos nelas. Diziam-nos que a gente precisava se dedicar sòmente a uma coisa. permanecerá bitolado. em Esher. No início não se consegue ver as casas. Entra-se nela. aos vinte e cinco anos. querendo fazer algo nôvo. anos.” 33 GEORGE George tem uma casa de um pavimento. Se você tiver autoco nfiança suficiente. “A última geração deu um duro danado. E como a gente não se conforma com a maneira que as coisas são. se arar apenas o mesmo sulco o t empo todo. jamais precisará usar um casaco de uniforme a vida tôda . Hoje. ou pintores ou escritores. . do National Trust. “Nós nunca nos conformamos com êsse modo de vida. “Continuamos sendo os mesmos que éramos. “Não estamos aprendendo a ser arquitetos. tôdas muito separadas e de aparência exuberante. simplesmente porque não nos conformamos em ficar parados. têrmos percebido que poderíamos escolher o pombal que imagi nássemos. contudo.soas. Es tamos aprendendo a ser. E se comparado com minha família não passo de um excêntrico. Isso é tudo. conseguindo certas roupas e um lugar num pombal. Você pode aprender muito na vida. para chegar a um certo equilíb rio na vida. Embora não lucrasse tanto quanto continuando a experimentar coisas novas. apesar de muitas pessoas acharem que você precisa.

de tal forma que é impossível descobrir qualquer uma delas. e de tôdas as coisas que fazemos e não têm sentido. nós. Já estou cheio dêsse troço tod o. com as pernas cruzadas. O caminho para ela no comêço parece ser o acesso para outra casa. ou pelo menos borrifadas. enchendo o aposento com o seu doce aroma. não está na ca sa nem no jardim. Vista de seu jardim a casa parece uma miragem psicodélica. Estou sèriamente in teressado no futuro. eu. Estou procurando d escobrir uma solução para as coisas mais importantes da vida. () Habitat — revista de decoração. Quando se começa a compreender essas coisas . O living principal tem duas grandes janelas. No centro do living estão algumas mesas m uito baixas. Sua casa poderia pertencer a um jovem arquiteto contemporâneo ou a um desenhista de modas que tenha passado algum tempo no Oriente. Kinfauns. eu não me divirto mais por ser um Beatle. E acho que levaria uns seis meses só para revelar-te sem exatidão as coisas em que acredito — tôdas as teorias hindus. indiana. ficam almofadas para se sentar à moda árabe. do T. Todo êsse negó cio de ser Beatle é trivial e sem importância. a área da cozinha está lindamente decorada com mobíl ia e paredes de pinho e utensílios do tipo que se vê no Habitat. também fica um narguilé todo ornamentado. Ao lado da mesa. com tintas coloridas brilhantes e lu minosas. George e stava sentado no chão. “Pensar sôbre o fato de ser um Beatle é retroceder. Uma varinha de incenso queimava n um vaso ornamental. O nome de sua casa. “Pessoalmente. A de George é a mais difícil de se encontrar. colocando novas cordas em sua cítara. a meditação transcendental. A casa tem duas alas que cercam um pátio retangular nos fundos. no chão. George não tem nenhum disco de ouro ou lembranças à vista. Ela parece t er saído de algum suplemento colorido sôbre as cozinhas do ano. Nest e pátio fica uma piscina com aquecimento. Não existem cadeiras à vista em parte alguma. as filosofias orientai s. Elas começam ao rés do chão e vão até ao teto. Vestia uma comprida camisa branca. No lado de dentro. Tôdas as paredes externas da cas a foram pintadas por George. N. completamente circulares. Ao seu lado. reencarnação.

Até os fãs que acompanharam a ascensão de George. Ela. De tôdas as espôsas. De tôdas as espôsas ela talvez seja a que desfruta de mais igualdade com seu marido. Todos os que privaram do convívio com os Beatles. creio que isso pode parecer avançado demais. “A casa não é tão grande quanto pode parecer . esperava receber grátis algumas barras de chocolate. Para o camarada comum que ac redita em Deus. Houve um período em que . Ela goza de relativa liberdade e independência. trabalhando em suas costuras. segundo ela. ela faz a maioria de suas refeições com êles. ela participa dos interêsses de seu marido. — “Não. Na cozinha. estavam costurando. se iniciou na cultura indiana e partilhou com o marido de todos os graus de desenvolvimento. ela está cheia de coisas. certamente terão mais empregados. Margaret faz quase tôda a limpeza e Pattie cozinha. Pattie é quem tem menos ajuda em casa. Geralmente. apesar de que. George respondeu ríspida e impacientemente. E desligou. Acho que se tivesse mais empregados êles me atra palhariam e chateariam mais do que ajudariam. meio sorridentes. Ouviu-se o ruído de uma risadinha abafada. D e alguma forma o cenário era medieval. Usou o nome de Margaret. Em compensação. igualmente. muito tranqüilas e solenemente. Devolveu-a. Êles têm u ma empregada chamada Margaret. Comprara uma barra d e chocolate que. Pattie e sua irmã Jennie. Na verdade. estava com gôsto de sabão. E mais do que qualquer outra espôsa Beatle.” Pattie faz as compras. acham que George foi quem mais mudou. reclamando. As duas usavam roupas da Apple Boutique. Ela e George formam um casal muito moderno conforme as re vistas revelam. Podia-se ou vir o barulho de George começando sua aula de cítara no cômodo ao lado. de sculpe”.” O telefone tocou. quando tiver filhos.conclui-se que o resto não tem importância. Não assinou seu próprio nome — finalmente ela aprendeu com George a evi tar qualquer possibilidade de publicidade. num supermercado local. além de trabalhar como modêlo. estão de acôrdo com êste ponto. como um membro da família. que haviam acabado de chegar. com um bilhete. Pattie ainda enxug a a louça e ajuda na arrumação. por pouco tempo. Estavam senta das. — “Loj a de vinhos Esher. durante êstes an os.

E realmen te a tocava melhor do que Paul e John. Chegava a ter verdadeiro fanatismo em tocá-la. como ocorria com Paul. Cyn l embra-se de êle a andar rodeando. mãe de John. quando ela desejava ficar a sós com Stu. injustamente. Em comparação com John e Paul. George é o mais môço do conjunto. C ostumava fazer piadas adoráveis às próprias custas. No palco. física. quando ela queria ficar a sós com John. Nós nunca o julgávamos. Durante muito tempo. as mudanças interiores são as m ais importantes. êle não tentou fazer outra coisa senão de senhar. “Êle era um garotinho adorável”. Durante muito tempo. John abriu o seu e viu que era um livro do Marquês de Sade. “Era apenas o pequeno George. O fato de êle ter seguido um a prendizado. não era estudioso e nunca deu mostra s de ser inteligente. tal a atitude concentrada como ficava. falando de seus dias em Hamburgo. Quando George andou pela escola. O mesmo acontecia com Astrid. Agora os fãs reclamam que George deixa seu cabelo crescer demais e anda despenteado. que êle não fôsse tão bom quanto os outros. da ma neira como costumávamos pensar sôbre a inteligência de Stu. Contudo. “De modo algum êle era estúpido. Êle não se desenvolvera tão ràpidamente quanto os outros. Êles já escreviam músicas muito antes de Geor ge pensar nisso. mal sorria. Jo hn e Paul eram precoces. George pego u o seu e disse — “Então qual é o meu? Histórias em quadrinhos?”. Num ano eu dei um presente de Natal a cada um. Nunca se separou de sua guitarra. muitos que conheciam os três consideravam que George não passava de um menino. Êle foi o primeiro coloca . ficou horrorizada quando êle levou outro amigo com cara de bebê para ir conhecê-la. Ela já achava que Paul era um garôto. Júlia. diz Astrid. e Paul ter sido um brilhante sextanista.êle era considerado o mais simpático dentre êles. Esta mudança é superficial. Paul e John. Achava que não tinha inteligência suficiente para mais nada. gozando a si mesmo por ser tão jovem. George está com tudo. em todos os sentidos. sexual e mentalmente. fêz com que pensassem. George chegou a ficar ligeiramente complexado por êsse motivo. estudante de arte. e John. embora às vêzes julgassem que êle n ão a possuía mais. fo i tratado como garôto. E ninguém o considerava como tal. Desde o fim de 1966. editado pela Olympia Press.

por ma is agressivos que fôssem os fãs. mesmo que saiba não dará importância. e. enquanto sobrava muito pou ca coisa para êles. diz Pattie. penso que tudo anda bem.” “George não sente falta de ninguém”. Êle descobriu algo mais forte do que os Beatles. George tem absoluta ojerisa a qualquer tipo de publicidade. acidentalmente. Pattie ainda não se habi tuou com a publicidade e o interêsse da imprensa. quando terminaram as tournées. hoje em dia. “Às vêzes. tiveram de contê-lo e dizer-lhe para não se zangar. Ninguém vai saber de nada. naquela ocasião em que se separara m. êle esquece isso e fica irritado que caras totalmente estranhos venham atrapalhar sua v ida. Os outros. Êles conf essam que sentiram falta uns dos outros. houve época em que êle era o mais obcecado pelo dinheiro e pela i déia de se tornar milionário. que estavam assinando resignadamente. tal como aconteceu com John na época dos Quarrymen. Po r isso. Chegou mesmo a tornar-se o líder sob vários aspectos. Êle se julga como a fonte. George é o Beatle que menos precisa dos outros. tudo que se relacione ao fato de êle ser um Beatle passa por êle sem a tingi-lo. afirma George. Atualmente. Aque la viagem a Los Angeles no ano passado. seguindo seus interêsses. “Todavia. d á motivo. Quan do isso acontece êle é o único que pode se tornar rude. por instantes . Êle não consegue evitar os caçadores de autógrafos e telefonemas. foi genial quando regre ssei da Índia. Era êle quem examinava todos os contratos de Brian Epstein. “Confesso que não senti n em um pouco falta dêles”. e contei-lhes tudo o que aconteceu lá. Todos invejavam seus amôres. indo cada um para seu lado.do na beatlemania. Contudo. êle ficou muito irritado porque seu chá estava se ndo interrompido pelas mulheres que pediam seu autógrafo. Não que êle p rocurasse sê-lo. Mesmo depois de mais de dois anos de casada. Então. pensei que passaria despercebida . No trem para Bangor. Os o utros o procuravam. são a religião e música indiana. e quer que êles venham se juntar a ela. apesar de ainda desejar partilhar isso com êles. até quando Pattie. “É muito independent e e cada vez aumenta mais essa independência. Qualquer p ublicidade nos jornais deixa-o furioso.” As paixões da sua vida.

tivemos o cuidado de partir secretamente.” Apesar de estar prevenida por êle. Qual não foi meu espanto. Depois de ter tirado as len tes mandou as armações para o velho. Pattie achou que essa era uma boa causa e foi a várias ópticas comprar todos os óculos velhos que conseguiu encontrar. “Ainda não me habituei com os fãs que ficam em tôrno de nossa casa. Mesmo assim. Chegamos a sair de um restaurante e andar alguns quarteirões sem sermos perseguidos. as coisas melhoraram um pouco. O velho chegou até a me escrever agradecendo. Fora da Inglaterra parecem pi ores. e depois seguimos para Taiti a fim de encontrar George. Êles estavam fazendo seu Show de Natal . Você pode tomar um avião. no Aeroporto de Londres. tranqüilamente. quando. “De noite a coisa não é tão ruim. ao desembarcarmos. “The Cavern Club” “Michelle” “Quando fomos a Taiti. Ê les entram pelo jardim e ficam correndo por tôda parte. eu e Neil voamos para Amsterdam com nomes supostos. George ficou furioso. Outro dia entraram em nosso quarto e roubaram umas calças minhas e o pij ama de George. Ousam até entrar em nossa casa. “Logo depois saiu uma história no Daily Mirror sôbre o que eu tinha fe ito. Primeir o. Um dia ela recebeu uma carta de um velho pedindo armações de óculos já u sadas.. a beatlemania estava no auge e nós e sperávamos aquilo. Na carta êle dizia já ter recebido uma porção delas e que iria mandá-las para a África.” Como as demais esposas. em 1964. mas a imprensa inglêsa avisa o pessoal do lugar para onde você se destina e lá aparece todo mundo. ocasionalmente. “O pior foi no Natal de 1965. Êle dizia que a publicida de havia ajudado muito a sua causa. havia câmaras de televisão e centenas de garôtas gritando. ela já enfrentou perigos físicos pelo simples fato de ser casada com um Beatle. Então. provoca publicidad e. deram um jeito de nos descobrir . “Hoje.

Outro dia. e recomeçaram a me chutar. Disse-lhes que parassem com aquilo. Não consigo encará-las. Atravesso depressa para o outro lado.” Os velhos amigos pensariam que você está acima d estas besteiras. perguntaram. Pattie tem poucas amigas íntimas. Penteara meu cabelo para trás de for ma que fiquei completamente diferente e ninguém me reconheceria. atrapalha nossas relações com nossos velhos e novos amigos. e uma mulher me disse — “Agora nem posso pensar em você como modêlo. Tiraram se us sapatos e gritaram — “Vamos pegá-la. a coisa já não é tão apavorante. Penso. ou então ajustaria contas com ela s. quando avisto um bando de garôtas na rua. Algumas me seguiram até lá fora. . Não sei como alguém me reconheceu. e então dizem qualquer coisa que confir ma o fato de me julgarem diferente. com seus treze ou quatorze anos. passando a maior parte do tempo em sua casa e fazendo -lhe companhia. Dei um sôco na cara de uma delas e Terry imobilizou outra contra a parede. mas ainda acontece.” Fui cercada e não conseguia sair dali. “Hoje. Então começamos a brigar. com elas ainda me chutando. Mas fora Jennie. Não faz m uito tempo Cyn foi atacada na rua. Sua irmã.no Hammersmith. Felizmente acabamos conseguindo livrar-nos daquilo. Eu fui lá com Terry. “Isso ocorre também com as pessoas que me são apresentadas. Imagino que vão atacar-me. “Muita gente costuma falar-lhe nessa base — “Para você fica bem. enquanto tentávamos abrir caminho. Tôdas elas gritavam e x ingavam. Algumas garôtas chutaram-lhe as pernas e lhe disseram que era melhor ela deixar o John em paz. Ignoro o lugar de ond e elas saíram. Jennie também está muito interessada nas religiões e cultu ra indiana. Eram umas garôtas terríveis. Isso não é surpreendente? Depois de os dois estarem casados há tanto te mpo? “Ainda fico com mêdo. Jennie — que trabalha na App le Boutique — é muito chegada a ela. — “Quem você pensa que é?” —. — “tá aí uma pessoa simpática” —. pois voc ê é uma pessoa célebre”. eu estava trabalhando para o Vogue. Apes ar de tão crianças.” Ser mulher de um Beatle ou ser um Beatle. você pode dar-se a êsse luxo. Elas me jogavam coisas e gritavam. Terry conseguiu arrastar-me para uma saída lateral. mas algumas garôtas começaram a me dar sôcos.

Antes do aparecimento do Maharishi. Quanto a isso. uma estrêla ou outra coisa qualquer. Acredito que uma pessoa possa fazer o que bem entender. “Olha só êsse livro. Então resolvi fazer uma tentativa.” Pattie está a par de todos aquêles negócios indianos. “Procurei uma vidente e ela me revelou que minha avó havia tocado vio lino e que eu também deveria tocá-lo. “Não quero é ser a mulherzinha que fica esperando em casa. Mas isso iria demorar muito para chegar a algum re sultado. Durante algum tempo. “As espôsas têm de fazer alguma coisa quando êles passam horas e hora s no estúdio gravando. quando estávamos nas Bahamas. torna-se cada vez mais humilde e simples. Às vêzes toca cítara durante o dia todo . um instrumento indiano. apesar de que. Não sei como ela foi descobrir que mi nha avó fôra violinista. Paul e John ficaram tão fascinados quanto êle com o que estava descobrindo. mas a coisa mais urgente a fazer é dei xar Esher e irmos para nossa propriedade de cem acres no interior. Foi até pior. “Eu gostaria de fazer alguma coisa. agora . Sou apenas o que se mpre fui. Quando não está fazendo isso. tive umas aulas. Por isso. quando George estava descobrind o o budismo e o ioguismo por si mesmo. por conta própria. se tiver vontade e d isposição de dedicar-lhe o tempo suficiente. E depois foi a Gréci a ou qualquer outro lugar. um depois do outro. corre o risco de parecer mais fanático do que na realidade o é. Temos idéias. Sempre há uma dessas idéias malucas circulando p or aí. “Agora estou aprendendo a tocar dilruba. Eu e J ennie vamos lá todos os dias antes de êle ensaiar seus ballets. Para tocar violino é preciso começar a estudar cedo. quando citado. aprender piano. Um indiano mandou-nos um exemplar a cada um de nós.Não sou uma atriz. Êle não é um doutrinado. já é muito tarde para mim. E George. Quero faze r alguma coisa que valha a pena. é quase um fanático. Sua dedicatória está datada em 25 de . não é excêntrico à medida que se aprofunda no assunto. Costumava pratica r na guitarra até seus dedos começarem a sangrar. como e m tôdas as coisas às quais se dedica. Ta mbém estou tomando aulas de dança indiana com Ram Gopal. É genial. lê algum livro sôbre religião. Durante algum t empo tive aulas de piano.

Não importa o que sejam. Êle foi criado pela temporalidade e identificação com os objetos. A nós. O camarada vai sendo reencarnado até atingir a verdade absoluta. Mas céu e inferno sã o apenas um estado de espírito. e Ringo um pouco mais tarde. estava tudo lá para nós. em última análise. é um título.fevereiro de 1965. Todos nós estivemos aqui antes. dia de meu aniversário. É fantástico! Aquêle indiano era realmente alguma coisa. O plano não pode ser afetado nem pelas guerras nem pe lo lançamento de bombas de hidrogênio. Somos apenas p equenos dentes de uma engrenagem da qual todos fazem parte. isso significa mais ou m enos ação. na verdade. “A única coisa importante na vida é o Karma. Tôda ação causa uma reação que lhe é igual e oposta. N ós éramos parte daquela ação que levou à reação seguinte. como jogar esta almofada no chão. só importa o que acontece conosco. o quanto êle é sábio. Estava tudo previsto de forma que eu o lesse agora. Agora. John. Paul e George se compenetram disso. que. O mundo atual é uma il usão. “O seu Samsara é a recorrência de tôdas as suas vidas e mortes. Não importa o q ue venha acontecer. Isso só poderá interessar às pessoas envolvidas com es sas coisas. George e Ringo por causa de alguma coisa q ue fizemos em nossa última vida. o que será terrível. numa bandeja. É você quem os cr ia. “Agora sei que isso fazia parte de um plano. provoca-lhe uma m ossa. Cada alma é potencialmente divina. Enquanto você odiar existirão pessoas para serem odia das. Você odeia tôdas as pesso as que odiou antes. Ainda me encolho quando ouço isso. Paul. “Eu costumava rir quando lia que Cliff Richard era católico. Parece que tudo segue um traçado. “A razão pela qual estamos aqui é atingir a perfeição. depois de ter-me interessad o pelas coisas indianas. exatamente co m o nosso destino. sei que a religião e Deus não são as únicas . Tudo que é feito apresenta uma reação. para nos torna rmos como Cristo. Ag ora estamos colhendo o que plantamos da última vez. “Fomos feitos John. não importa o que seja. Só o abri recentemente. apesar de os amigos que você t eve naquelas vidas provàvelmente serem os seus amigos nessa. Não sei como foi. entende. Pode-se ver pelo nome dêle.

Desde que iniciou aquela prática. Êle as faz completamente só. A outra face da vida de George é sua música. A primeira música de George só apareceu quando da gravação do seg undo LP do conjunto. Depois eu m e esqueci dela completamente. Ela se cham a Don’t Bother Me e foi composta num hotel de Bounemouth. descansan do por alguns dias. pràticamente. Esqueci-me da maior parte das coisas que m e aconteceram antes dos dezenove anos. desde que a gente não atrapalhe. Era uma musiquinha bem ruinzinha. só para me divertir. Mas George não compôs durante muito tempo. É i sso que eu estou tentando fazer. Nisso.coisas que existem. diferentemente dos o utros. Estava em busca de alguma coisa ou de alguém para unir tôdas as pont as. À s vêzes eu mesmo acho difícil não acreditar nisso. “Eu estava meio ruinzinho e queriam que eu me fortificasse. Então resolvi experimentar escrever uma canção. nunca a perdeu um dia sequer. John e Paul começaram a compor. Penso que algumas pessoas acham que eu seja um caso de loucura. Esqueci-me dela completamente depois de tê-la gravado. apesar de ter contribuído com um número instrumental para uma gravação que fizeram em Hamburgo.” E George também acabou esquecendo de escrever música durante os doi s anos seguintes. Não crendo tudo é confuso e vazio. Uma vez ou outra êles se esquecem dela ou estão muito ocupados. With The Beatles. Suas canções sempre foram criadas separadamente das de John e Paul. como em outras coisas recentes. “A vida acabará resolvendo tudo. pois ainda vejo muitas coisas. a partir do dia em que se encontraram. Tenho muitas possibilidades. Peguei minha guitarra e fiquei tocando até que a música veio. “Eu estava envolvido em tantas outras coisas que não ac .” Êle começou a praticar a meditação transcendental exatamente neste p onto. durante uma das tournées do grupo. até o dia em que fomos gravar nosso LP segu inte. Êle tinha estado doente e repousava. êle os tem influenciado — fazendo-os tomar conhecimento dos ri tmos e instrumentos orientais. E começo a perceber que tudo que sei é que não sei nada. Agora tenho muita coisa pela frente. em novembro de 1963. Mas sei que quando a gente crê tudo é belo e verdadeiro.

Quando êle estava tentando lembrar-se de para quais discos havia composto esqueceu-se de mencionar êsse. Fêz duas músicas para o LP Rubber Soul. êle passou sema nas procurando e ouvindo músicos que soubessem tocar instrumentos indian os. as seguintes saíram no LP Help. foram I Need You e You Like Me Too Much. Without You e Blue Jay Nay. por Blue Jay Nay para o Magical Mystery Tour e por sua primeira música para um disco simpl es dos Beatles. êle escreveu o seu maior número de músicas a figurar num só LP até agora. Tendo tantas coisas indianas na minha mente. lançado em agôsto de 1965. em março de 1968. Foi seguida. lançado em dezembro de 196 5 — Think For Yourself e If I Needed Someone. suas músicas tornaram-se mais indianas. Depois do Don’t Bother Me. um uso que logo foi cop iado por centenas de conjuntos de música popular na Inglaterra e nos Estados Unidos. o tabla). em abril de 1967. I Want To Tell You e Love You Too.hava tempo para isso. “Comecei a escrever mais músicas quando passei a ter mais tempo. Without You que tem uma boa letra e uma excelente música. Para o Revolver. não existem músicos profissionais e que toquem o tipo de instrumento que êl e queria. A partir de então. Foi lança da no Sargeant Pepper. refletindo seu crescente conhecimento da cítara. esp ecialmente quando paramos de fazer tournées. no Natal de 67. considerando-as uma de suas facêtas sem valor. Whithin You.” George prefere não dar importância às suas músicas. As duas compostas para êsse disco. Êle não consegue lembrar-se de quantas já c ompôs e não tem certeza de quais as que foram editadas. Para Within You. Compôs três — Taxman. “Êles têm as mais diversas ocupações de dia e só tocam à noite. Essa última foi uma das primeiras em que empr egou instrumentos indianos (nesse caso. E estas duas e stão bem acima do padrão normal das outras músicas. é natural que minhas canções sofressem sua influência.” Êle tem grande difi culdade em encontrar o tipo certo de música indiana já treinado para a grav ação nos estúdios de Londres. The Inner Light. talvez seja sua melhor canção até agora. Por i . que foi lançado em agôsto de 1966. Na Inglaterra.

sentam de pernas cruzadas e toca m para George. Dha. Ga. de maneira que êle possa ouvir o que sabem fazer. Ma. tocá-la uma vez para que êles a aprendam como eu quero. mi etc.sso. Agora. Ni. observando-o tocá-las. êsses indianos tinham de ap rendê-las. Nem mesmo o Big George Martin sabe lê-la s. assim como George colabora com êles nas próprias músicas. escrita pela notação apropriada. suas notas são: Sa. carregando i nstrumentos das mais exóticas formas. Passávamos horas seguidas ensaiando. para acompanhar as p alavras We were talking são Ga Ma Pi Ni. Um outro problema tem sido o de escrever a música para êstes senhores indianos tocarem. ré. Êles e ram muito melhores do que qualquer músico ocidental.” George passa. George já está muito versado na escrita dessa notação musical. sent ado de pernas cruzadas com a ponta do instrumento apoiada na parte interna d e seu pé esquerdo. isso basta. Agora. Seu . e mbora isso dificultasse as coisas. “Em vez de traços e pontos na pauta. Pa. posso chegar perto dos músicos indianos. Sa.. alguns não eram bastante bons. “As primeiras notas de Within You. Freqüentemente êles não têm letra para suas músicas e se limitam a cantar essas notas. Mesmo assim. Grupos de cavalheiros indianos de estranha aparência. A maioria dêles não sabe lê-la. êsse gênero é feito simplesmente c omo os nossos solfejos tônicos. colocando pequenos sinais sob cada uma delas. no mínimo. Aprendeu a escrever suas músicas dessa maneira. Essas são as lições que êle tem de pr aticar. A gente indica se as notas são altas ou baixas ou sua duração. três horas por dia praticando na cítara. entregar -lhes a música. Êle possui cadernos cheios de música indi ana. porque aquêle é o estilo natural dêles. Só é necessário escrever a primei ra letra de cada nota. e depois êles podem tocá-la sòzinhos. As primeiras músicas indianas de George. tivemos de usá-los. Entretanto.” Os ensaios para gravação das músicas de George demoram mais ainda do que para as de Lennon-McCartney. é George quem se encarrega de tudo. Em lugar de dó. como fazem os indianos. também ambos o auxiliam na sua. quando escrita na notaçã o ocidental. a fim de que os músicos po ssam lê-las e tocá-las. chegam ao estúdio. Re. Without You.

George fica ouvindo-os por muito tempo e quando não está tocando . no início do verão de 1967. no Sargeant Pepper. terminei-lhe a letra. São feitas na b ase da piada pessoal. Eu estava brincando com êle. depois daquela monotonia indiana. Não sou inclinado à poesi a. Contudo. Depois. Eu. diz qu e levará muitos anos para ser realmente bom em música da Índia. suas músicas como Be atle são compostas apressadamente. foi escrito durante sua estada na Califórnia. fiz a primeira frase da letra. Minhas rimas são pobres de fato. em casa. Mais tarde. “Klaus tinha um harmônio em sua casa. Without You. A música veio primeiro. quando mais alguém gosta delas. Chegaram a calcul ar que aquilo era coisa dos outros para gozar a música indiana de George. e que agora toca com Manfred Mann. seu amigo de Hamburgo. mandou-lhe alguns exercícios gravados em fita ma gnética.professor. “Bem. não as considero com seriedade. tocando para me divertir. É uma pausa depois de cinco minutos de música triste. at é à aproximação da data da gravação de um nôvo LP e se resolve a compor alguma coisa. É fato que êle é muito dedicado e trabalhador.” O Magical Mystery Tour. A gente imagina ouvir o barulho da platéia qu e está assistindo ao Sargeant Pepper’s Show. Chega a esquecer suas composições. após o jantar. Na verdade. E foi nesse trecho que eu parei. A gente não precisa levar isso ao pé da letra você sabe. Without You foi escrita numa noite. Era exa tamente o que tínhamos feito naquela noite: — We were talking. Within You. Tal é o seu interêsse. O título foi tirado do nome da r ua em que êle e Pattie moraram em Los Angeles. É genial. pessoalmente. em casa de um amig o. E eu não as levo a sério. a idéia foi do próprio George. Foi em casa de Klaus Voorman. que está completamente absorvido por ela. Por isso. o Blue Jay Nay. Êles haviam acabado de chegar de L . “As letras são sempre mais difíceis para mim. quando começou a sair o Within You. e o inclui na composição. É êss e o estilo do disco. Ravi Shankar. e eu não havia tocado isso ante s.” Muitos críticos não compreendem por que há uma gargalhada repentina depois de Within You. nosso espírito pede algum de scanso. e até durante as refeições.

“E vamos esperar. Com Marianne acontece o mesmo. Êle não tinha idéia de como o negócio ficaria. Em janeiro de 1968. Já estava com a música na cabeça.” Tôdas as palavras da canção estão diretamente relacionadas à historia de sua espera por Derek Taylor There’s a fog upon LA. Êle disse que es tava bem. Têm-lhe pedido que êle componha mais a lguma coisa. enquanto êle não chegasse. Êle achava que ela ia-se tornando tão bôba.” Sua voz não é muito forte.” Êle cantou e tocou a música no seu orgão Hammond. and my friends have lo st their way. mas a letra estava ficando parecida com uma piada . Um dia êle começou a trabalhar em uma para Mariane Fa ithfull. Esta lhe havia pedido que fizesse uma canção para ela cantar. em Blue Jay Nay. ape rfeiçoou a música. Êle telefonara para avisar que chegaria tarde. George concordou em escrever sua primeira músi ca para filme. Então. que não está nada mau. “Havia um pequeno órgão Hammond num dos cantos da casa. Vou ver no que dá.ondres e estavam esperando seu amigo Derek Taylor (um ex-encarregado de imprensa dos Beatles) que vinha encontrar-se com êles. que teria de ser jogada fora. escrevi uma música sôbre essa espera. muito profundo e ret umbante. em sua casa de Esher. alg o como o Within You. Estava caindo um nevoeiro e foi ficando cada vez mais tarde. pois ainda poderia perguntar a um guarda. Mas deixou nela um som de órgão. que conseguiria descobri-la. Without You. Estava muito fatigado da viagem de avião. “Já tinha o You can’t love me with an artichoke hear (Você não pode me amar com um coração de alcachôfra).. Quando George voltou para a Inglaterra. mas êle tem-se recusado. no acompanhamento. Não sei. “Eu não tenho grandes recursos vocais por isso tenho de manter minh as canções simples. mas não q ueria ir dormir. Pel o telefone disse-lhe que a nossa casa ficava em Blue Jay Nay. para passar o tempo. “Derek ficara retido. tudo vai muito bem.. para o Wonderwall. “Mas não tenho certeza quanto a continuação da piad a — You can’t listen with your cauliflower ear ou don’t be an apricot foo l. Principiei a brincar nêle e a música saiu. mas desfruta de uma considerável admiração . Para me manter acordado.

gosto del as. Fique repetindo — Fuck.” Êle considera John e Paul os escritores e compositores e acha que não precisa preocupar-se com isso. como música popular. fuck. Êle diz que a letra de Within You. Os fã s estão sempre perguntando por que Paul e John não o deixam cantar mais. Tôdas elas eram . “Não estou certo da minha opinião a respeito das que escrevi. São apenas músicas populares comuns. fuck. As pessoas procuraram todos os significados possíveis. Without You é uma verdade. fuck.por parte dos fãs. Nós ainda nem começamos.” Êle se surpreende e diverte com as pessoas que julgam a música dos Be atles tão sèriamente. “Por que é que a gente também não pode botar as pessoas fornicando? Isso acontece em tôdas as partes do mundo. a julgar pelas cartas publicadas no Beates Monthly. a menos que êle ten ha alguma coisa em sua cabeça. A verdadeira música clássica indiana dif ere muito das populares que influíram na criação das que sairam até agora. Como a música de John I Am The Walrus quando a letra diz — I am he as you are he as you are me.” Isso seguiria a teoria de Kenneth Tynan. “Não sei aonde quero chegar. “As pessoas não compreendem isso. mas mesmo assim ainda é uma piada. Mas analisadas sob o meu ponto de vista. V iu só? Não quer dizer nada. “Não é verdade q ue êles não me deixam. mas. Parece que estou sempre apressado. ainda é uma piada. fuck. Êle acha John genial com a idéia de tira r as calças de mulher em I Am The Walrus. do que na realidade eu quis fazer. Em si mesma ela não t em sentido algum. fuck. e talvez irão. Então por que nã o podemos mencionar isso? É apenas uma palavra inventada pelas pessoas. Isso é sério e não é. Eu cantaria se quisesse. mesmo assim. E isso não me interessa. com um ligeiro ritmo indiano. então por que a gente não pode usá-la numa música? Eventual mente a usaremos. Encarad as sob o ponto de vista de uma outra pessoa. a tôda a hora. não gosto de t udo o que fiz até agora. tanto com as músicas.” George acha que êles poderiam ir muito mais longe. É uma verdade. como com as letras. já que êles são tão bons. segundo a qual. Só depois é que percebo as coisas que deveria ter feito. as músicas do s Beatles estão na descendência direta das canções medievais inglêsas.

Compram um bocado de coisas que jamais usarão. todos os outros logo têm de tomar conhecimento dela”. quando pegam uma nova mania. Logo que casei não enxergava isso.cheias de bundas. iss o é verdade. desde os longos lenços de pescoço às câmaras. como todo mundo a s tem nos tempos de escola. êle participa de tô das as suas paixões. “São desperdiçados demais. Agora. apesar de todos os exercí cios de cítara e de seus pensamentos serem mais elevados. Na realidade. pensa que tem o dever de executá-lo bem. ela morrera sem lhe ter pago a dívida. Enquanto isso. todo mundo. voltemos ao rancho de George Harrison. diz Pattie. De fato. Porém. Crê que poderia ter alguma responsabili dade social. C ontava que tinha emprestado duzentas e cinqüenta libras a Jayne Mansfield . George. coisa em que nenhum dêles jamais pensou. Como partilharam de seus interêsses religiosos. John e Paul ainda nada fizeram em suas músicas. E isso os mantém felizes. isso acaba tornando-se ú til. Por isso. Por vêzes. “Êles têm manias. Gastaram em demasia com câmaras e equipamento para filmagem. êle estava em vésperas de ser despejado . “Se um dêles experimenta alguma coisa. sem precisar saber muita coisa. At ualmente. pelo fato de ser um ídolo popular. um minuto sequer. Era um ex-empregado com uma história longa e complicada. êle re almente se assemelha àqueles construídos com madeira clara. . Desta vez não era um fã. Êste é seu emprêgo. Então. de uma certa forma. Continuam sendo s eus maiores amigos. Todos se pertencem uns aos outros. de vez em quando. excrementos e fornicação. Nenhuma pessoa per tence a uma outra. O telefone toco u. pensa nêles e no seu futuro. E como acontece com o s empregos. “Agora percebi que todos fazem parte de uma coisa só. por mais mundanas que sejam. George disse que sim. Êle continua ìntimamente ligado aos outros. Êle desligo u o telefone e disse — “Bem. e perguntava se George poderia ajudá-lo. isso lhes mostro u que poderiam fazer filmes. o que são duzentas e cinqüenta libras?” George ainda é um Beatle.

É assim que ela faz. Para êle é importante ser livre. George. mas só penso que novamen te entrava a publicidade para estragar tudo. que queriam que êles trabalhassem p ara elas. como se êles fôssem milagrosos. Afirma que não tem preocupaç ões quanto ao futuro. pensariam que estávamos fazendo aquilo com segundas intenções. nem mesmo as espôsas. ela acha que êles deveriam fazer alguma coisa com seu dinheiro.” Só há uma faceta da vida de Beatle que Pattie. “Concordo com êles. isso só serve para nos fa zer infelizes. sendo um Beatle. confessa George. Lentamente. . “Atingir um estado de bem-aventurado é importantíssimo para mim. pode entrar nesse círculo ou mesmo compreendê-l o. “George é tão ligado aos outros. foram assediados por tôd a espécie de organizações de caridade. A sua dedicação à cultura indiana não é fogo-de-palha.” Mas George diz que sabe o que vai fazer. critic a. todavia êle tem de ser livre para ir com êles se quiser. Desde o verão de 1968. não conseguem acreditar que estejamos verdadeiramente intere ssados em ouvir o Maharishi. seja fazendo caridade. Ela disse que êles sempre seriam partes uns dos outros. “Aconteceu que quando os Beatles começaram.Não adianta nada a gente ficar agarrada às pessoas. em seus vestiári os. seja ajudando alguma causa justa. isso costumava magoar-me. ma s ainda tenho meu trabalho. O lucro de Across The Universe foi doado ao World Wildlife Fund. que jamais poderei entender. De maneir a idêntica. John e Paul doaram os lucros de algumas músicas para organ izações de caridade. Seu interêsse pelo espiritualismo há de durar para sempre. “Eu não me oporia em fazer alguma caridade. Então. ficar á provado que os cínicos estão errados. “No início. George é meu marido. De maneira que isso os enojou. de alguma forma. Discordando dêles. quando dizem que estas organizações só servem par a dar lucro a seus funcionários. Verdadeiras multidões de crianças aleijadas eram levadas para vê-los. fui compreendendo que havia uma parte da qual eu nunca poderia participar. Ningu ém. Então. qu e seja do jeito como Marlon Brando ajuda as crianças órfãs. É difícil adivinhar o que querem de nós. Mas deve haver algo que possamos fazer. de algu m modo. Cyn falou-me a ês se respeito.

poderia ter-se arruinado . e que por isso. Ser rico e famoso facilita passar por essas coisas. Alugaremos nossos estúdios e pessoal a qualquer um que os quiser. ainda não sabíamos que também íamos fazer filmes. Numa casa estilo falso Tudor. Quem te m emprêgo normal não poderia dedicar o tempo que dedicamos àquilo tudo. “Mas no que diz respeito a essa vida. emprestar nosso dinheiro. Então. Não sei o quê. A gente não precisa viver por aí se enrolando com financiadores. O Magical Mystery Tou r não foi nada. depois disso. companhias. Qualquer um pode f azer filmes. Teria sido muito melhor do que se tal acontecesse a alguém que não possuísse dinheiro. buscando sempre aperfeiçoar. Surrey. fazendo filmes e experimentando coisas nova s. Ela foi construída em 1925. Quando co meçamos a gravar nossos discos. sobretudo. Então. na mesma propriedade particular em Weybri dge. Como por exemplo. “Se Mick (Jagger) foi prêso por tomar drogas. Ainda mostraremos o que se pode fazer. “Daremos muitas voltas. sempre tentando mostrar algo nôvo e aos poucos. sem que precisemos fazer parte do elenco. “Na verdade. apenas começamos a fazer filmes. e se chama Sunny .” 34 RINGO Ringo mora perto de John. faremos tudo para que êles não tenham a mínima influência. que outros não podem ou não querem fazer. Se jamais chegarmos a usar financiado res. Poderemos. para mostrar o resultado. “Será o mesmo que apresentar um panorama. é porque êle é a melhor pessoa a quem isso poderia ter acontecido. Isso é a vida. ainda não fizemos nada. “Talvez façamos um ou dois filmes por ano. morreremos e entraremos numa nova vida onde experimentaremos de nôvo. Podemos sair pulando. Isso é a morte. c entenas de técnicos e roteiros elaborados até à última palavra.“Tenho de continuar com aquêle emprêgo porque agora podemos fazer tudo que quisermos. ou fazendo experiências. com as drogas. Estamos numa situação de podermos experimentar as co isas. tentaremos algo de nôvo.

ainda parte do jardim de Ringo. Sôbre uma das árvores. êle não se teria tornad o sócio. quartos de hóspedes. . Parte dessa reconstrução custou-lhe cêrca de dez mil libras. Como todos os Beatles. Ela lhe saiu por trinta e sete mil libras. o living principal talvez seja o mais bacana de todos. Em cada lado dêsse anfiteatro estão dois pequenos bosques. Disseram-lhe que não. Quando a firma fechou. êle nunca pedia orçamentos. Infelizmente.” No verão de 1967. que tivessem necessidade de os passar p ara trás. mais quarenta mil gasta s na reforma. e nunca quiser am ser. Mas isso logo passa. ela teve de fechar em meado de 1967 . Talvez seja o único investimento que êle tenha feito por conta própria.” No seu interior. devido à restrição do crédito.Heigths. mandou fazer uma grande ampliação da casa. que co ntém livings. mas tem um ter reno muito maior. “Construímos uma porção de casas excelent es. O jardim de Ringo passou por um caro paisagismo. “Quando dou uma volta por aqui”. Não tem piscina como a de John ou a de George. há um grande anfiteatro cavado no chão. “freqüentemente imagino o que um cara como eu está fazendo com tudo is so. fica uma grande casa de brinquedo. Nos fundos da casa. o que n aturalmente os deixava muito vulneráveis. Mas quando se mudaram para lá. um repórter perguntou no clube se os Beatles poderiam entrar para sócios. Já me acostumei. porque havia uma longa lista de pessoas à espera de vaga no quadro. com muitas árvores e arbustos. Ela tem uma porção de pátios de c erâmica e laguinhos. Nem êle nem John são membros do clube. Ringo diz que. diz Ringo olhando seu grande jardi m. Seus fundos dão para o St George’s Hill Golf Course. Êle não acha graça em andar. de qualquer jeito. para gran de surprêsa dêle. uma sala de trabalho e um cômodo muito grande que é usado como cinema ou sala de bilhar. O trabalho foi executado por uma firma cons trutora da qual possuía metade das ações. Não. mas ninguém tinha o dinheiro para comprá-las. Mas porque lhes forneciam suas mercadorias e serviços muito mais caros. não perdi dinheir o. apenas fiquei com uma dúzia de apartamentos e casas novas que ficaram v azios por muito tempo. A gente acaba se preparando para discutir com qua lquer um que esteja querendo tomar muito do nosso dinheiro.

Há alguns novos. Sua mulher. Está mobiliado com muito gôsto. Êle mesmo filmou tudo. todo com centenas e centenas de pequenos discos de metal. Êle também gosta de pintar. apesar de ter pedaços e peças de um bar verdadeiro. Maureen. Num dos cômodos fica um bar. colocou. ao dôbro do preço que se costuma pagar pela compra de uma casa completa. e outros realmente novos e não manuseados. mas com aparência de us ados. numa única peça. fi ca arrepiado só em pensar na importância que pagou por êle. T odos são caros e especialmente material de cinema. sôbre história e de Dickens. com um fundo musical. Outra seqüência excelente foi a que êle fêz ao sentar num balanço do jardim e fil mar a casa e o jardim enquanto balançava para cima e para baixo. John é o único que tem estantes adequadas. denotando que foram lidos. Lá. Nêle há uma seq üência filmada da janela de um carro tomando as luzes dos outros carros se aproximando. de côr marrom. nega-s e a revelar o preço. Possui um filme colorido. apesar de ser muito tímido em mostrá-los e de realmente achar que êles não sejam tão bons. Há vários discos de ouro e outros prêmios espalhados pela casa. Em se u cômodo principal. sôbre religiões indianas. Foi fabricado especialmente para êle. Uma ou duas partes do Magical Mystery To ur foram filmadas por Ringo. Dentre os Beatles. Ringo tem uns dois cômodos ocupados com seus próprios brinquedos. usando suas próprias câmaras. montou e editou. de vinte minutos de duração. Levou seis seman . passa horas fazend o padrões e desenhos muito complicados. Empregou um equipamento caro e seu resultado compensou . Todo êle é muito velho e fora de moda. Corresponde. como enfe ite. Elas contêm especialmente livros de bôlso. O soalho é todo cobert o com um grosso tapête Wilton.apesar de ser um pouco escuro no lado do jardim. Motivo por que lhe ficou tão caro. porque é muito interessante. pois há uma varanda que lhe tira um pouco a claridade. Custou-lhe uma fortuna. aproximadamente. um coldre com que Elvis Presley lhe presenteara. Ela fêz um baseado no símbolo do Sargeant Pepper. Fêz alguns filmes exce lentes e engenhosos. qu e consiste especialmente em close-ups dos olhos de Maureen. Por isso. Ainda hoje. há algumas estantes esparsas.

afirmam que aquilo não era uma mult idão e que você deve estar liqüidado. “Eu mesmo não toco nossos discos. se há alguém em sua companhia. Ringo sorri ou balança a cabeça. Vista de fora. qu ando você chegou lá em cima. Possuem seis receptores. Ela é fã dos Beatles e de Frank Sinatra. Zak. êle se diverte com os que pretendem descobrir os sign . “Não me incomodo quando as pessoas nos atacam. o primeiro filho do casal. para fazer a limpeza. John e Paul ne m parecem notar quando isso acontece. mesmo quando não se encontram nos mesmos aposentos em que os aparelhos estão. “Yesterday” “Quando você está subindo. Vêem um bocado de televisão. Maureen.as para completá-lo. nasceu em setembro de 1965 e Jason na sceu em agôsto de 1967. até parece desabitada. Nos velhos tempo s comemorávamos como loucos cada vez que o rádio tocava um dos nossos discos. se puderem. Somos tão populares que isso agora não importa. Como os outros. de vez em quando. Deseja dar um descanso a Maureen. Da poltrona princi pal do living. enquanto esperava para dar à luz a Jason. procuram derrubá-lo. quando aparece uma música dos Beatl es na televisão ou no rádio. Quando Ringo não está trabalhando os dois ficam zanzando de um lado para o outro. os col oca na vitrola. Se s òmente trinta pessoas vão ao aeroporto para vê-lo. mas os críticos podem matar uma porção de dis cos que de outra forma as pessoas poderiam ter gostado. muitos. todo mundo fica do seu lado. E pensam: ah! os Beatl es! deve haver milhões de pessoas em tôrno dêles. Todavia. Ringo e sua família utilizam só alguns cômodos da casa. Esperam que as coisas continuem do mesmo modo como na época em que estávamos fazendo nossas tournées. êles deixam a eletrola e a televisão ligadas o te mpo todo. Têm uma babá para as crianças e uma empregada por hora. Maureen é quem cozinha para Ringo. George não assiste à televisão nem toca discos de mús ica popular. Ringo acha que por enquanto não terão outros filhos . Como John. sem ter de se levantar. Ringo pode mudar os canais à vontade. bastando torcer um b otão instalado na poltrona. Como John e Cyn.

” Uma noite. Cada um de nós tomou uma garrafa de cerveja preta. Êles querem ver a pessoa. êles deveriam ir lá. Fôr amos visitar Queenie (mãe de Brian Epstein). o Beatle. — “Há o jardim. “A idéia parecia genial. “O bar não havia mudado. Tivemos de assinar alguns autógrafos. especialmente nos Estados Unidos. E não fazia muito que Brian ti nha morrido. Ainda querem ficar olhando embasbacados. está tentando levar uma vida par ticular. exceto Paul. onde existem centenas de caras fazendo o que dez fazem aqui. como se tivesse saído da Coronation Street. Êles ouviram demais. Quando chegamos em casa. êle e John estavam voltando de Londres no Rolls Royce d e John. Êles não percebem que você parou de to car. Era como uma cena de história da caroc hinha de que êles se tinham esquecido havia muito tempo. E ficam procurando alguma coisa diferente. Era tal como os bares que havíamos conheci do. Êle nunca experimentou dar um pa sseio sòzinho. porque naturalmente não gosta de andar. portanto. e que. como se estivéssemos num circo. Mas quando sou Ritchie a pessoa. O que há de errado nêle? Eu freqüentemente dou uma volta por êle.ificados ocultos de seus discos. com as pessoas sentad as em mangas de camisa a beber.” Agora êle acha que.” Como todos êles. “Acho que não se pode esperar isso.” Êle parece não precisar de exercícios para manter a forma e o mesmo pêso — entre cinqüenta e oito . Êle acha que quando pararam com as tournées. Êles não puderam resistir. “Mas em tôdas as partes as pe ssoas ficam nos encarando. Na volta trouxemos-lhes batata frita Babycham. deveriam deixá-los em paz. Vestíamos ternos e estávamos meio duros. por ter feito isso uma vez. quando leva Martha para dar uma volta. Foi exatamente como nos velhos tempos. Levei Maureen para fazer companhia a Cyn. É isso que é a fama. enquanto eu e John saíamos. Nenhum dos Beatles faz qualquer e spécie de exercício. resolvemos mudar a roupa e ir àquele bar tomar alguma coisa. para variar. deveria ser deixado em paz. tomar alguma coisa rápida. O barman ficou muito cont ente quando nos reconheceu. quando passaram por um bar todo iluminado. mas isso não foi tão chato. “Isso co m freqüência acontece muito lá. Jogar bilhar talvez seja o único exercício de Ringo. deixaram de ser propr iedade do público. d e vez em quando. Ringo. Posso compreen der isso quando sou Ringo.

de modo qu e Peter (Brown) emprestou-nos seu carro para voltarmos para casa. Eu me animo e compro uma coisa . antes de pagá-la . Regularmente. não dura uma semana. estão em forma.” Êle não carrega dinheiro consigo. Não havia nenhuma garag em por perto. não sei quanto teria nas mãos. Tínhamos ido no carro de alguém. isso é surpreendente. finalmente. Pergunte . “As minhas despesas quase atingem a mil libras por mês. “Não me pergun te como se soletra isso. Mas todos. quando ensinaram a sol etrar. “Só me dei mal uma vez. “Diga-me uma coisa: como são aquel as notas de libra? E será que êles ainda fazem aquelas meias-coroas tão si mpáticas? Maureen faz tôdas as compras. antes de cada nôvo film e ou de um contrato maior. passam por exames médicos. depois de ter sido rep rovado três vêzes e ter dirigido durante dois anos sem ter carteira. Ao parare m de excursionar. chegaram a mi l e seiscentas libras. e. e por isso estou mudando de câmara o tempo todo. ape sar da aparência pálida. um Landrover e um Facel Vega. Estou sempre comprand o equipamento de filmagem. Fiz sinal para um carro.” Quando assina uma conta numa loja. possui três carros. Considerando-se a v ida pouco sadia que êle levou durante a época das tournées e seus anos de doença quando cr iança. passou no exame de motorista. e nunca descobriram nada de errado. tem ajudado outros parentes e amigos. s obretudo numa noite de domingo. e mesmo se houvesse não teríamos dinheiro para pagar a gasolina. e disse ao cara que tinha acabado a minha gasolina. Atualmen te. de certo modo. utilizando um carnet de compra. “No meio do caminho. Não sei a quanto orça minha fortuna. a fim de ela ser confirmada. porque comprei um nôvo conjunto de lentes. ela é remetida para o escritório de seu contador. No mês passado. emagrecendo de nôvo. Se acaso amanhã eu dis ser que quero receber todo meu dinheiro. John engordou. pouco depois.” Além de seus pais.e sessenta e um quilos — durante os últimos seis anos. “Tenho um monte de quinquilharias. acabou a gasolina. na estrada e distante de qualquer recurso. Ringo. Depois o entusiasmo passa. Estávamos na casa de Brian e eu e Maureen resolvemos voltar mais cedo. emprestandolhes dinheiro para comprarem suas casas próprias. Eu estava fora da escola. um Mini Cooper. e êste a devolve. Prefiro alguma coisa melhor ou extra.

e dei-lhe um LP. “Na verdade. Foi genial. “Brian. n a hora em que o recebi. para servir-lhes nas emergências. “Nem sei como se faz isso. Nada disso funciona. De cada libra ficamos com um shilling e pouco. deram-lhes talões de cheques. Muitas das pessoas que dirigem as instituições de caridade não são pessoas honestas. nã o fêz? Isso lhes deu um bom dinheiro. isso é o tipo de notícia sem importância que chega a todo instan te aos jornais. Não. nós também estamos fazendo cari dade. e não acha razão por que deva fazê-lo. Todavia. John fêz um cartão de Natal para a Oxfam. “De qualquer forma. Mostrou-se muito discreto. ôni bus. nada me recusam numa loja. pois não havia nada abert o ali por perto. o govêrno tira mais de noventa por cento do nosso dinheiro. Respondi-lhe afirmativamente . Trouxe-o aqui em casa. Êle então falou que não adiantaria nada emprestar-me o dinheiro. “Também. Êle me perguntou se eu era o Ringo. Acho que há muita gente ganhando dinheiro às custas de caridade. “Bem. mesmo quando peço para assinar a nota. Cinco mil libras não vale a perda de uma criança. trens etc.” Há alguns anos atrás. Estavam em fila. Nada funciona com êles. pois nunca escreveu uma linha sô bre o ocorrido. passei por cinco ônibus da linha sete. Ontem. “Não que os governos valham alguma coisa. O govêrno gasta i sso ajudando as pessoas. Jamais me pedira m para identificar-me. e mesmo que eu nela nunca tenha entrado antes. fazia doações em nosso nome. Contudo prontificou-se a nos dar uma carona. isso não é comigo. a não ser pelos advogados? Deram cinco mil libras a cada família que perdeu uma cria nça.” Êle não sente nenhuma vontade ou necessidade de doar dinheiro para ins tituições de caridade. não sinto êsse desejo. mas que a gente não gosta de ver publicada. vez po r outra. do Daily Telegraph. e cada um transportava u .i-lhe se êle podia emprestar-nos cinco shillings para comprar um galão e poder chegar em casa. Perdi o meu talão. não é mesmo? De certo modo. em tôda a minha vida”. declara Ringo. Que o Aberfam Fund fêz. Ridículo. quando eu ia de carro para a ci dade. nunca os usaram: “Jamais assinei um cheque sequer . Depois descobrimos que êle era um jornalista.

Ademais. sei disso. em sua casa. Êle não tem a mínima animação em ir morar muito tempo no exterior. Quand o surgiu a idéia de ir morar numa ilha grega ou em outros lugares. o outro acha que tem a dizer outra diferente. “Eu não poderia viver em outro lugar a não ser na Inglaterra. iriam para a Califórnia. Êsse sentimentalismo manifesta-se. sempre teve uma cadeira na qual só êle senta va. Só sabe cob rar impostos a vida tôda. “Todos os governos são iguais. Por que não podiam fazer a mesma coisa com um ônibus só? “O govêrno cobra muitos impostos. de forma alguma. Acho que também sou assim. Êle teria preferido que todos fôssem morar numa propriedade de cem acres em Devon. Ao que os outros dizem não dão a mínima importância. Nenhum dêles me oferece nada. . davam lucro. Foi aqui que nasci. Êle e Maureen. E é só o que fazem. Um afirma uma coisa. Não há uma iniciativa. ninguém mais te rá dinheiro para dar ao govêrno. Considera o ser homem o senhor da casa. Por que êl es não são capazes de se unir e trabalhar para o bem do país?” Os Beatles dizem que Ringo é um sentimental. apesar de todos êles te rem um pouco de Ringo. não em ouro. prefere ir aos lugares na c ompanhia de seus amigos Beatles. Os outros dizem que p ara êles isso é facílimo. Aqui está minha família. Quando não houver mais os ricos.m passageiro só. Êle e John têm um pouco de Andy Capp. não davam? Nosso govêrno é como a Inglaterra Vitoriana. “É bom a gente estar junto. Conservadores ou trabalhistas. Meu avô (Starkey). acho que estou bem instalado aqui. Ringo foi o único que não ficou muito entusiasmado. As ferrovias . A Inglaterra não é melhor do que outro qu alquer lugar. quando eram particulares. na sua preferência pela Inglaterra. Pau l e George são muito mais da classe média em seus cenários domésticos. Fora de época. de maneira paten te. como George e Pattie fizeram. e foi as sunto de debates entre êles. obedecendo a um desejo.” Passa férias no exterior e gosta de estar com os outros. Êle é como John. geralmente Jo hn. A única coisa que fazem é se opor um ao outro. “Em tudo que o govêrno se mete dá em lixo. “É assim que as coisas são.” Ainda não perdeu nenhuma de suas antiquadas idéias nortistas a respe ito do casamento.

” Quando êles saem. Então. Eu não planejei nem esperava tal coisa. Q ualquer coisa que êle queira fazer ela também quer. segundo o costume das classes mais altas. Maureen contou-me que a faxineira tem mêdo de mim.” Em sua casa êles não recebem ninguém de uma maneira formal. por isso fui até lá. “Não importa se realmente êle comeu no trabalho. Creio que é porque Maureen fica correndo e dizendo que é preciso fazer isso ou aprontar aquilo antes de eu chegar. Chamei-a para perto de mim. É assim que as coisas s ão. “Ah. Provàvelmente êle se levantou tarde na véspera. Elas gostam de ser pr otegidas e por sua vez gostam de cuidar dos homens. a casa do D uque de Bedford. ambos foram jantar em Woburn Abbey. como Roy Trafford. Nada é desperdiçado. Ringo t em um ou dois amigos. Êles estão sempre muito felizes. apesar de sua vida ser a de Ringo. “Não acho que as mulheres gostem de ser iguais. ou com os rapazes. não importa a hora ou em que condições êle vai chegar. Ela é a única das espôsas dos Beatles que fica acordada esperando seu marido. São uns caras muito engraçados. “ Achei que seria divertido ver como os outros viviam. preparo algum prato para êle comer. Êles estavam que rendo que sentássemos um longe do outro. Há alguns anos atrás. Ringo escolta Maureen na tradicional forma operár ia. Enquanto trabalham êles ficam beliscando aqui e ali. quando êle chegar a casa. e não f êz uma refeição legal antes de sair. êle forrou o es tômago com uma refeição. Maureen prefere a vida tranqüila. “Quando Ringo está gravando. para grande espanto seu. aproveito as batatas. conforme fazem tôdas as pessoas do show business. Q uando nós estávamos começando a nos tornar famosos era bacana sair por ali e as pessoas nos reconhecerem . “Outro dia. pelo menos. Rudolph. Concluo que. E normalmente l . costumo ficar acordada até às quatro e meia da madrugada. Mas isso era meio chat o. de seus primeiros dias em Liverp ool.” Na mesa. Com facilidade. “A Sw inging London estava muito bem antes de se tornar a Swinging London. eu não concordei.” Deixaram Londres há algum tempo e raramente saem de noite. John é a principal pessoa a aparecer e sentar-se para tomar chá ou tratar de qualquer coisa que esteja acontecendo. um ardoroso fã da música popular. Ringo era amigo do filho dêle. não importa a hora. êle foi colocado a milhas de distância de Maureen.Ringo anda um pouco alarmado em parecer mais o senhor do que na rea lidade é.

Só os remete acompanhando suas cartinhas de resposta. coloquei uns disquinhos de metal num ve lho quebra-luz. Com isso. Mas não os envia a todos que lhes escrevem.” De vez em quando. Ela se interessa muito por tôdas as cartas dos fãs de Ringo. também gostaria de receber resposta. Então. gosta de c omer alguma coisa quando chega a casa. pois isso tomar-lhe-ia muito te mpo. ela o trata por Ritchie. tendo enchido três sacolas de compras com cartas por responder. Às vêzes. Além de Mrs Harrison (mãe de George ). na verdade. Harrison. quando as pessoas se mos tram realmente simpáticas e educadas. Isso os deixa um tanto amolados. Já faço isso há cinco anos. Já peguei cartas de fãs afirmando que aquela é sua décima quinta carta. fi co a mudar a mobília de lugar. Todavia. “Não me importo de ficar acordada à sua espera. e Ringo nã o consegue atender nem responder a tôdas as cartas. Mesmo quando escreve a pe ssoas que só o conhecem como Ringo. pois tem uma casa bem grande e duas crianças para cuidar. razão pela qual êle deixa de escrever. passe i duas horas pensando se mudava um abajur de seu lugar. se está cansado. Ocupo-me com outras coisas. “Não sei por que. Entretanto. Para matar o tempo. não pude escrever. Ringo me parece engraçado. O nome dêle é Ri tchie. “Não faço isso só porque as pessoas são educadas. Se eu estimasse algu ém ao ponto de lhe escrever.” Maureen perde muito tempo respondendo cartas. “Há ocasiões em que me atraso com elas. recebo respostas adoráveis dos pais dos fãs. E fico fazendo hora. não quero dizer que eu d eseje receber mais cartas do que eu já recebo.he sirvo uma refeição. Quando tive Jason. e nunca pelo seu próprio nome. Quando lhe enviam cartões de parabéns nos aniversários. Sabe o que isso representa às pessoas. ela é a única pessoa no círculo dos Beatles que se preocupa com a corre spondência. c omo cortinas ou roupas. “Gosto muito de responder cartas. Numa noite dessas. justificando que o R ingo está muito ocupado. . Êle pode comer depressa. não pode fazer tanto quanto Mrs. Há dias. ela obriga Ringo a assinar punhados de autógrafos. o jeito que acham é escrever para o escritório. Talvez seja porque ela mesma tenha si do uma fã. ela costuma respondê-los com um pequeno bilhete de agradecimento.

não possui capacidade para soletrar. Porém. Mas. Ambos ainda não começaram a pensar na educação de Zak e Jason. pois êles são muito crianças. “Na verdade. Como John. Aquêles anos perdidos motivados pela doença causar am-lhe algum efeito. Êles estão muito melhores. mas começa a dar errado. ainda o chateiam. Ringo tem vontade de colocá-los numa escola pública comum. É muito econômica com o que se rel acione a dinheiro. não é mesmo? Não o deixariam em p az. e de vez em quando dá uma olhada nêle para ver quantos já possui. Só lhes al mejo que sejam independentes e se estimem mutuamente. Di strai-se colando os selos dos bônus nas páginas de um caderninho. Se a única maneira de deixar-nos despreocupados fôr pagando. Sou tão apressada. “Mas Zak não é um cara comum. para tomar o cui dado de não quebrar nada. pelo me nos. Agindo . tais como o des enho de disquinhos de metal com o motivo do Sargeant Pepper. faremos isso. enquanto enche o tempo à espera de Ringo. mesmo assim. Contudo. falo essas coisas sem saber o que lhes poderá acontecer quando ficarem mais velhos. prefiro tê-los em casa. E muito se alegra com as coisas que ela faz. vou cortando e aparando de modo que acaba saindo um lenço”. Se mais tarde êles quiserem ir pa ra um colégio interno eu deixo. mas. Seu conhecimento de geografia é muito superficial. começo a fazer um vestido. A gente esquece tudo isso.” Não almeja para seus filhos o tipo de educação que teve. mas fica orgulhoso do jeito como ela cuida da casa e dêle. A lingua inglêsa é difícil para todo mundo soletrar . Então. Ela sempre busca conseguir os bônus. não quero que sofram as restrições que e u tive: a mamãe sempre me recomendando para não brincar perto da janela. Parece que não há motivo para agir assim. Ringo acha que isso é piada.Maureen faz muitas roupas. ou. quando efetua alguma compra. pois pode comprar tudo que desejar. compra retalhos barat os a fim de não haver muito desperdício. embora isso não o incomode. Por exemplo. e sinto dificuldade em ler qualquer co isa que você me entregue. eu sou bom mesmo é usando as mãos. falta de educação. que nunca uso moldes. “Eu gosto das coisas quase instantâneas. “Reconheço que não sei soletrar. quando chega a nossa vez de ser pai. Às vêzes. Quando ela sente vontade de fazer alguma coisa. Não sou tão ruim em matemática.

. porque naquela época eu me considerava muito feliz. tomou conta da sobrancelha direita. como Paul ou Georg e. a maioria concorda que isso não tem importância. quando estão animados.” Ringo entrou tarde para o conjunto. Só agora imagino isso.. Pois estavam convencidos de que eram capazes de atingir a fama. Mas suas piadas e observações são tão inteligentes e maliciosas quanto as dêles. ou da maneira como John inventa suas anedotas malucas. No palco. Seus companheiros jamais consideraram que isso fôsse obra da sorte. um cara do Jewish Chroni cle telefonou-me perguntando se isso era verdade. sem ter pai e com minha mãe passando o tempo tod o no trabalho. depois que me tornei famoso. por causa da minha educação. Há dias vi um program a de televisão que mostrava os resultados que trazem a longa permanência no hospital a uma . Pois ingressou no conjunto no momento em que êles decolavam rumo ao suce sso. Muitos consideram que é um sinal de que êle deve ter sangue judeu. “ Só percebi que tinha o nariz grande. Costuma repetir q ue não é loquaz. Ringo permanece afastado. Por vêzes. ou nas caric aturas. deve haver alguma razão psicológica para essa mudança prematura na côr de seu cabelo.. Todavia. quando as coisas estão escritas. eu mesmo bolo as coisas. Repousando. Foi muito depois de os outros já estarem acomodados em suas posições e personalidades. Isso me transformou num cara quieto e introvertido. Considera que foi de uma sorte maravilhosa. Sua mecha de cabelo ci nza parece que está mais escura do que antes. dá ares de abstraído e preocupado..por minha conta. “Agora estou começando a concluir que realmente sou o que sou. Além do lado esquerdo de sua testa. Seu nariz não é tão grande quanto parece nas fotografias. A diferença é que Ringo não mantém a conversa. Nunca achei que me estivessem julgando um judeu. Tive de declarar-lhe que não. enquanto seus companheiros se agrupam em tôrno do microfo ne. cercado de seus tambores. porém. ela. Na opinião de alguns médicos. aí que a p orca torce o rabo. Porém. Ringo se conserva calado até que se dirijam a êle. sou capaz de desincumbir-me da maioria dos pequenos tr abalhos. Certa vez. agora.

“Se nós quatro ficássemos lado a lado. nem tampouco sua mascote de estimação. Êle é genial. em face do talento de Paul e de John. Acho que os filmes lhe farão bem. “Na verdade. se quisesse. Maureen acha que êle p odia valorizar-se mais. não lho contou? Sei que isso é bobagem. Suas opiniões são tão acatadas quanto as dêles.criança. Essa é a . Costuma afirmar que ter boas id éias é uma coisa que pode ficar para os outros executarem. transformou-nos num só. e não se julga capaz de criar nada. por exemplo. Ringo é uma parte vital dos quatro. Mas. e do toque humano comum. E pesso almente muito mais bem apanhado. e seguir com o resto.” Ringo não é retraído. Conosco já é diferente: você tem a possibilidade d e escolher um de nós para sua preferência. Na verdade. Não é verdade q ue êle seja o bufão do conjunto. É u m dançarino excelente. é o mais amável de todos. John e George empatariam em segundo lugar. Com Elvis Presley. e está resolvido. acredito que Paul ficaria com a maioria. Pode deixar a criança muito retraída para o resto da vida. Somos diferentes na aparência. É um bom pintor. daquele velho sentimentalismo. Seus companheiros se apóiam muito nêle. você p ode associar-se a um. “Quando se tem um único astro ou um líder e o grupo fazendo o papel d e seu seguidor. contudo es tamos intimamente identificados. Com quatro. Possui boas idéias e opiniões a respeito dos Beatles e de si mesmo. “Nunca houve qualquer estremecimento entre nós. com bonitos olhos azuis. É muito franco e amistoso. você gosta ou nã o dêle. Esquece as boas idéias que possui. Mas êle tem muitas coisas boas. frente a um milhão de fãs e êles tivessem de fazer fila atrás de seu preferido. apesar de cada um de nós ter seus fãs pessoais. Ringo seria o último. ou se vai com a cara dêle ou não se vai. “Acho que o fato de nós quatro ficarmos juntos. seja pública ou partic ularmente. usando os disquinhos de metal. de um forte senso comum.” Ringo tem uma personalidade muito mais forte do que parece. êle se mantém mais quieto do que realmente é. E não é vaidoso de maneira alguma. foi dêle. porque somos quatro. mantendo aquela igu aldade. a idéia de fazer aquêle desenho. contribuindo com os elementos de que êles p recisam. mas é assim mesmo que êle faz. “Sempre estou achando que êle se subestima.

desde quando eu era criança. pelo menos enquanto tenha doze compassos. Você conhece quando as pessoas sabem que você não possui uma mente criadora. Sei disso. E. Também o reconheço. independentemente de gostarem de seus astros prediletos. Às vêzes. As velhas e as garôtas gostam de mim . outros conjunt os ou bateristas . Chegam a escrever-me perguntando por que eu não tento. Constantemente. ao perceber que não a tenho. não é mesmo? Cinqüe nta por cento é o bastante. Todos êles gostam de mim. Por que mudar? Vez por outra. mas procuro tentar e não sai nada. Seria um bocado bacana! Só queria ver a reação dessa gent e. Comigo. “Há ocasiões em que me sinto um pouco por fora. avaliando o número de cartas. você não espera que todos o possuam. seus fãs logo manifestam não gostar muito do outro.minha opinião. Posso concluir assim. mas elas saíram umas drogas. Isso é uma piada musical . Neste caso. já não acontece isso. se fizerem uma segunda votação. na verdade. isso também ocorre com Paul. a grita ria e a multidão de fãs de cada um de per si. tenho poss ibilidade de ganhar. não sei tocá-lo. e. Sinto que gost aria de escrever uma canção. Mas num grupo de quatro. “Tôdas as pequenas querem ser minha mãe. “Reconheço que sou assim mesmo. porque tanto os fãs de um com o os de outro vão bem. Não sei por quê. Imagine só êsses milhares de conjuntos (e con juntos bons de verdade) que não escrevem nenhuma de suas músicas. “Êsse negócio de não ter instinto inventivo pode desanimar uma pes soa. tocando apenas o que me dizem para tocar. Há uns dois anos. Mas esperam que eu qu eira sê-lo. Freqüentemente tenho intuições. gostar ia de fazer o papel do pior bandido. sentado ali na bateri a. “Não sou um cara criador. “Realmente eu desejava ter alguma tendência criadora. “Quando se trata de John e Paul. Parece que o peq ueno e sentimental Ritchie faz-lhes aflorar um sentimento maternal. É fato que sempre aconteceu comigo. Sei compor em dó. sinto -me como se fôsse diferente. Nada significa. experimentei fazer umas duas musiquinhas. vejo que não deixa de ser uma pequena limitação. Possuo um piano. Quando me convidam para fazer filmes. sem que eu rea lmente o percebesse.

. Acham-na particularmente boa. Quase aceitei um sôbre Sherlock Holmes. Seria muito chato se tudo viesse a acabar numa droga. Mal p odia mexer-me. “Fazer filmes é um negócio muito bacana. na re alidade. Eu então f ico imaginando que foram os outros que me disseram para tocar. Elogiam aquela parte do garôto num canal. eu não tinha a mínima idéia do que estava a contecendo. Se me saísse bem. e eu estava morto de cansaço. Estava completamente apagado. e sem muito diálogo. ofereceram-me muitos papéis em outros filmes.” Costuma declarar que não se importaria se amanhã tudo desaparecesse. Dick (Lester) tinha de gritar tudo para mim.vêm dizer-me que fui genial na execução de determinada música. Gosto de observar os atôres na televisão. de alguma forma. mas. o papel do jardineiro espanhol. sou eu quem recebe as felicitações. s uas caras mudam de expressão a tôda hora. Eu representaria o Dr. “Depois disso. entretanto . Você poderá dizer que. Acho que não tenho jeito. “Conheço umas pessoas que me declaram que eu estava muito bem no A Hard Day’s Night. porque o papel não era muito grande e ha via outros astros — Marlon Brando e Richard Burton. Watson. teria de fazer o papel principal. às vêzes. Tinha passado acordado tôda a noite anterior. na quele dia. com uma porção de caras esperando que eu carregasse o espetáculo.. “Confesso que não sei representar. ta lvez eu possa fazê-lo na parte de filmagem. E como nada crio no campo musical. Um papel menor me estaria muito bom. nem sabia o que estava fazendo. E sobretudo eu aprenderia com êles. E u ainda estava com uma espécie de nevoeiro mental. Eu. Crê que ainda tem sorte e. então tentaria outra c oisa maior. nem por experiência. . “Aceitei trabalhar no Candy. conseguiria ganhar o seu pão. Aquêle trecho n o qual eu saio chutando uma pedra foi idéia minha. entretanto. Não pa ssa de um adivinhação. Não sei. enche. É verdade sim! O resto foi de Dick. esperando que no final dê certo e o resultado seja b om. Você deveria atentar para os seus olhos. Talvez isso seja representar. Pensei que êles carrega riam o filme e não eu. como são atôres. Em todos êles. mas achei que o troço era grande demais. Eu simplesmente não faço nada. Ainda prefiro não ca rregar nada. “Interesso-me muito nos filmes. Foi um trabalho que durou só dez dias. Reconheç o que não sei fazer aquilo.

Êl es estavam nesse caso. tentei fugir à tentação de analisar. com pessoas vivas a gente pode conseguir tudo em primeir a mão. tentei d elinear aquêles anos da beatlemania. Seria bacana fazer parte d a história. Tanto quanto possível. eu não seria montador. no instante e m que você os estiver lendo. se ainda forem lembrados. andando com os bandos de Teddy Boys. “Talvez. Daqui a uns cinqüenta anos. alguém poderá faz er uma biografia crítica dos Beatles. Pelo menos. Espero que o serão. Também é possível que êles já se tenham mudado para novas casas. e depois os Beatles. Mas seu futuro imediato ainda está muito nebuloso. a fim de entrar para os conjuntos de música pop ular. não me tivessem aparecido eu ainda estaria por lá.mesmo que para isso fôsse preciso voltar a ser montador. Será que êles vão f azer mais filmes? A Apple será desenvolvida? Que acontecerá ao Maharishi? Será que . de qualquer história. Adem ais. não passaria de um simp les operário. pois os fato s ainda se estão desenrolando. Eu gostaria é de estar nos livros de história usados nas escolas e ser lido pelos garotos. essa é a fase mais conhecida de suas vidas. porque êles mudam. a cada momento. como êste livro tem como finalidade especial fazer um registro dos acontecimentos. antes de chegar ao fim. É muito perigoso fixar acontecimentos e opiniõ es. desde que elas estejam dispostas a gastar um pouco de seu tempo. e. POR ENQUANTO Escrever a biografia de pessoas vivas é uma coisa difícil. Interrompi meu aprendiza do. Se Rory Storm. Muitos milhões de palavras já foram empregada s pelos críticos do conjunto. Mas. hoje. apesar de estar certo de que meus preconceitos se salientaram em alguns lugares. procurei manter-me afastado do livro. Felizmente.” CONCLUSÃO. apesar de a recordação dos dias da beatlemania tê-los chateado profun damente. hoje em dia. É provável que os Beatles não acreditarão em mais nada do que nos contaram nos quatro últimos capítulos. “É natural que eu fique contente de não o ser. Não teria escrito tanto se pensasse de maneira dife rente.

êles vão chatear-se e mudar de ramo? Talvez. viver com seus milhões e f icar contemplando seus umbigos. “Acima de tudo. Como a beatlemania. Mas em muitas out ras coisas são levados a seguir uma psicologia juvenil. êle. a s coisas podem sair erradas. Se eu batesse palmas para John e fizesse aparecer um vaso d e flôres. na trilha d o sucesso. revela George Martin. “Sob muitos aspectos. acertou para sua época. se Picass o tivesse conhecido novas pessoas e percorrido novos lugares. Igualmente. Se experimentam fazer tudo por conta própria. “Preferem tudo que seja como café solúvel. Sempre estiveram à frente dos outros. E é o que concorre para que ainda q ueiram agir por conta própria. . Êles querem gravações insta ntâneas. quando êsse livro fôr publicado. quando estavam emergindo como personalidades. tudo instantâneo. “êles sentem instintivamente o que devem fazer. Por exemplo: adoram espetác ulos de mágica. agem como crianças. É de se esperar que êles não desanimem. Êles já passaram por tantas etapas. e Georg e Martin como compositores. Charlie Chaplin continuou dirigin do alguns filmes muito profissionais. aquêle homenzinho surpreendido pelas grandes novas c orporações.” Sua juventude ninguém pode negar. Isso lhes per mitiria maiores esquisitices. deve-se observar se os Beatles podem continuar sós Tin ham Brian Epstein. Até agora êles não se saíram mal em nada. “Em sua música”. mas na história do show business ninguém ainda repet iu o seu fenômeno. se arrebataria fascinado. não teria estacionado. do que êles precisam é ter um planejador. que não há razão par a se duvidar de que passarão por outras. sòzinhos e sem a ajuda de ninguém. Todos os observadores não conseguem enxergá-los de nôvo. todavia ninguém afirma que êles seja m fenomenais. imediatamente. Confiam que serão bem sucedidos nos filmes ou em qualquer outra cois a que resolvam fazer. Será que os Beatles acertarão novame nte? Resta observar se não se prejudicarão por viverem suas vidas tão isolada s. Elvis Presley parou quase imediatamente. A arte é atingida pela falta de estímulo? Segundo alguns peritos. algumas dessas perguntas já e stejam respondidas. fazendo desenhos em cardápios. Talvez amanhã poderiam fazer suas malas. filmes instantâneos.

EXCETO QUANDO MENCIONADO O COMPOSITOR (ES) ALEMANHA. What’d I Say. Ain’t She Swe et.Êles nos deram muito. If You Love Me B aby. Apenas um foi uma composição original: um número instrumental chamado Cry For A Shadow. êles g ravaram dez números. êles simplesmente faziam o a companhamento: — My Bonnie. Numa outra. John era o cantor. Nas oito restantes. e Nobody’s Child. composta por Lennon e Harrison. em troca. DISCOS SIMPLES DOS BEATLES EDITADOS NA INGLATERRA PE LA PARLOPHONE RECORDS Título . 1961: Como o conjunto de acompanhamento para o cantor Tony Sheridan. Sweet Georgia Brown. E. receberam a Ordem do Império Britânico. Why. The Saints. APÊNDICE “Lucy In the Sky with Diamonds” DISCOGRAFIA COMPLETA TÔDAS AS COMPOSIÇÕES DE LENNON E MACCARTNEY. Kansas City.

Please Me / Ask Me Why jan. de 63 1 Can’t Buy Me Love / You Can’t Do That mar. de 64 1 I Feel Fine / She’s A Woman nov. de 65 1 Day Tripper / We Can Work It Out dez. de 64 1 Ticket To Ride / Yes It Is abr. de 66 1 Penny Lane / Strawberry Fields Forever . de 66 1 Yellow Submarine / Eleanor Rigby agô. de 65 1 Help! / I’m Down jul. de 62 17 Please.Data Colocação Love Me Do / PS I Love You nov. de 63 1 She Loves You / I’ll Get You agô. de 64 1 A Hard Day’s Night / Things We Said Today jul. de 63 1 From Me To You / Thank You Girl abr. de 65 1 Paperback Writer / Rain jun. de 63 1 I Want To Hold Your Hand / This Boy nov.

de 67 1 Lady Madonna / The Inner Light (Harrison) mar. de 67 1 All You Need Is Love / Baby. You’re A Rich Man jul. Goodbye / I Am The Walrus nov. PLEASE ME: I Saw Her Standing There Misery Ask Me Why Please. Please Me Love Me Do PS I Love You Do You Want To Know A Secret There’s A Place músicas não compostas pelos Beatles: Anna Chains Boys Baby It’s You A Taste Of Honey Twist and Shout Com os Beatles: It Won’t Be Long novembro de 1963 Data abril de 1963 . PLEASE.fev. INGLATERRA Título. de 67 1 Hello. de 68 () Colocação nas paradas de sucessos LPs EDITADOS PELA PARLOPHONE.

All I’ve Got To Do All My Loving Don’t Bother Me (Harrison) Little Child Hold Me Tight I Wanna Be Your Man Not A Second Time músicas não compostas pelos Beatles: Till There Was You Please Mister Postman Roll Over Beethoven You Really Got a Hold On Me Devil In Her Heart Money A HARD DAY’S NIGHT: A Hard Day’s Night I Should Have Known Better If I Fell I’m Happy Just To Dance With You And I Love Her Tell Me Why Can’t Buy Me Love Any Time At All I’ll Cry Instead Things We Said Today When I Get Home You Can’t Do That I’ll Be Bach BEATLES FOR SALE: No Reply I'm A Loser Baby’s In Black I’ll Follow The Sun Eight Days a Week agôsto de 1964 .

Every Little Thing I Don’t Want To Spoil The Party What You're Doing músicas não compostas pelos Beatles: Rock And Roll Music Honey Don’t Mr Moonlight Kansas City Words Of Love Everybody’s Trying To Be My Baby HELP!: Help! The Night Before You’ve Got To Hide Your Love Away I Need You (Harrison) Another Girl You’re Going To Lose That Girl Ticket To Ride It’s Only Love You Like Me Too Much (Harrison) Tell Me What You See I’ve Just Seen A Face Yesterday músicas não compostas pelos Beatles: Act Naturally Dizzy Miss Lizzy RUBBER SOUL: Drive My Car Norwegian Wood You Won’t See Me Nowhere Man agôsto de 1965 dezembro de 1965 .

Kite Within You Without You (Harrison) When I’m Sixty Four agôsto de 1966 . There And Everywhere Yellow Submarine She Said She Said Good Day Sunshine And Your Bird Can Sing For No One Dr Robert I Want To Tell You (Harrison) Got To Get You Into My Life Tomorrow Never Knows SARGEANT PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND: abril de 1967 Sargeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band With a Little Help From My Friends Lucy In The Sky With Diamonds Getting Better Fixing A Hole She’s Leaving Home Being For The Benefit Of Mr.Think For Yourself (Harrison) The Word Michele What Goes On Girl I’m Looking Through You In My Life Wait If I Needed Someone (Harrison) Run For Your Life REVOLVER: Taxman (Harrison) Eleanor Rigby I’m Only Sleeping Love You To (Harrison) Here.

os LPs foram lançados com nomes e uma seleção de músicas difer entes. A Collecti on of Beatle Oldies. contendo uma seleção de músicas já editadas em LPs. Também há um LP. O número total de músicas compostas por Lennon e McCartney e gravadas pe los Beatles até março de 1968 era de 121. McCartney. Nos Estados Unidos. dezembro de 1967 julho de 1968 AS MÚSICAS DE LENNON E MCCARTNEY GRAVADAS POR OUTRO S ARTISTAS: . às vêzes. Harrison e Starkey) Blue Jay Way (Harrison) NOTA: Houve outros doze extended players mas todos êles contêm músicas que fazem parte dos LPs ou discos comuns.Lovely Rita Good Morning. Good Morning A Day In The Life YELLOW SUBMARINE: All Together Now Northern Song (Harrison) It’s All Too Much (Harrison) Heh Bulldog EXTENDED PLAYERS MAGICAL MYSTERY TOUR: (dois EPs) Magical Mystery Tour Your Mother Should Know I Am The Walrus Fool On The Hill Flying (Lennon. O número total das músicas compostas por George Harrison e gravadas pelos Beatles até março de 1968 era de 11.

que já havia sido gravada por noventa e um artistas diferentes. Contudo. havia mais de mil gravações diferentes das música s de Lennon e McCartney. Please Me VENDAS As vendas detalhadas de cada disco. conjuntos. atualizadas em janeiro de 1968: INGLATERRA Discos simples: Dois discos simples venderam mais de um milhão e meio de cópias : N° de gravações diferentes 91 65 50 49 42 38 36 36 29 27 . Os números vêm lentamente. feitas por outros cantores. especialmente os mais re centes. As dez mais preferidas dos outros artistas: Título Yesterday Michele A Hard Day’s Night Can’t Buy Me Love I Want To Hold Your Hand All My Loving And I Love Her She Loves You Help! Please. ma s êles. em todo o mundo. orquestras o u bandas. Johnny Mathis e Conie Francis a Kenneth Mc-Keller. A mais popular até àquela data era Yesterday. A EMI. são uma coisa d ifícil de se calcular. não desejam revelar muitos detalhes. a maior companhia de discos do mundo. The Big Ben Banjo Band e à Banda da Guarda Irlandes a. foram muito simpáticos em re velar as informações seguintes.Até janeiro de 1968. naturalmente. companhia que lança os discos dos Beatles no mercado norte-americano. indo de Pat Boone. também é a proprietária da Capitol.

o disco simples mais vendido foi I Want To Hold Your Hand . a venda mundial de discos dos Beatles chegava.000 cópias vendidas.000 “ Outros que venderam mais de um milhão de cópias: Can’t Buy Me Love I Feel Fine We Can Work It Out LPs: Os dois LPs mais vendidos são: With The Beatles Sargeant Pepper ESTADOS UNIDOS Até agora.She Loves You I Want To Hold Your Hand 1.400.000 cópias 751. 1. TOTAL Contando-se cada disco simples como um.527.509. cada EP como dois e cada LP como cinco discos.000 cópias 1. com mais de três milhões de cópias. O LP mais vendido até agora foi Meet The Beatles. em jan eiro de 1968. com 4. a .000 “ NO MUNDO Cada disco simples e LP dos Beatles já vendeu mais de um milhão de có pias.044. I Want To Hold Your Hand já vendeu mais de cinco milhões de cópias.

contr atados para êsse fim. essa organização informa a cada um o montante de seus gastos mensais. por mais extravagantes que sejam. DE ONDE VEM O DINHEIRO DOS “BEATLES” .000 de cópias! 1 APÊNDICE AS FINANÇAS Seus negócios pessoais estão a cargo de uma firma de contadores.225. de uma hora para outra. Por sua vez .000. Seus c ontadores pagam a totalidade de suas contas. É virtualmente impossível. saber ex atamente qual é a fortuna de cada Beatle. Suas atividades de negócios são controladas através da sua Apple Organisation. Êles mesmos não o sabem.

Isso vem a dar 4% d num disco simples e 1/8 d num LP. Com isso. Isto é. Como compositores. As lojas tiram £ 400. como compositores. 61/ 4% do preço de venda avulsa de cada disco. As taxas dependem do índice da audiência de cada estação de rádio. menos os impostos. A EMI fica com £ 605. O govêrno retira £ 300. Suas apresentações são através dos discos. 10% sôbre o preço da venda avulsa. OS BEATLES COMO INTÉRPRETES — Os Beatles não se apresentam mais em público. Um LP dos Beatles. os Beatles recebem um royalty. por vol ta de 8% do preço de cada disco. Êsse é o royalty-padrão que todos os compositores i nglêses recebem. custando pouco mais de trinta shillings nas lojas. dará uma renda bruta de apenas um milhão e meio de libras.) Quando outros intérpretes gravam uma música composta pelos Beatles. êles são pagos por mú sica — dois cents por música — em vez de sê-lo pelo preço do disco.000 pela produção dos discos. que é uma coisa diferente. dividem £ 100. 2. John e Paul. como milhares de intérpretes já o fizeram. recebe m os mesmos royalties mencionados acima. e George em menor escala.000 em impostos. Na Europa êle é ligeiramente mais alto do que na Inglaterra. recebem cêrca de £ 120. OS BEATLES COMO COMPOSITORES (quer dizer. a BBC paga cêrca de cinco libras por música tocada no rádio.000 para cantar e tocar um LP. b) Taxa para a execução em Rádio e Televisão — Tôda a vez que é toc ada uma música composta por êles. e recebe as taxas de royalties para depois entregá-las aos compositores. Na televisão. como intérpretes.1. . Essa for ma de recebimento é muito complicada e a Performing Right Society se encarrega do contrôle. e que venda um milhão de cópias.0 00 de porcentagem. Na Inglaterra. (No exterior. êles.000 entre s i. especialmente J ohn e Paul) a) Por seus discos — A EMI paga-lhes o royalty de compositores. o sistema de pagamento de royalties varia de país para país. Nos Estados Unidos. depois de retirados os impostos. os B eatles.

salões de danças e cinemas. os Beatle s possuem uma boa parte da editôra de suas músicas. Para a reprodução de uma letra é preciso ter u ma cessão de direitos. pois senão a pessoa que faz a reprodução está sujeita a processo por infringir as leis sôbre direitos autorais. até ago ra.. A Perfo rming Right Society também se encarrega disso. c) Taxas gerais de execução — Fora o rádio e televisão os discos tamb ém são tocados em vitrolas caça-níques. Entre si. cinqüenta mil libras para Paul e John como compositores. nominalmente. Iss o depende de quantas linhas são reproduzidas e quem as reproduz. d) Música impressa — Antes da venda em massa de discos. companhia particular à qual estão associados.as taxas são muito mais altas e também dependem dos índices de audiência. mas. freqüentemente. a Northern Songs. porque êle s. m ais ou menos o que um autor recebe por livro vendido. levam anos para receber seus royalties. como po r sua vez êles possuem ações dela. mas hoje isso é mu ito menos importante. os Beatles possuem dez por cento da Nem s Enterprises. parte disso lhes é devolvida. cada vez que um disco é tocado num filme. A Nems recebe de 20 a 25% de sua renda como intérpretes. A música dos Beatles de maior sucesso. Também é difícil saber o lucro dado por uma única música. cinco guinéus. pelo menos. OS BEATLES COMO DONOS DE SI MESMOS: a) Nems Enterprises. É impossível calcular êsses lucros anuais de um compositor. 3. o que nos leva a. a taxa é de cêrca de cento e oitenta dólares. Todos os royalties que Lennon e McCartney recebem como compositore s são divididos meio a meio com seu editor de música. foi Yesterday que rendeu. . Aos jorna is cobra-se.. um show transmitido em cadeia paga cêrca de cinqüenta lib ras por uma música de dois minutos e meio de duração. Na Inglaterra. e é bom que se saiba. era daí que advinham os lucros de um compositor com suas músicas. Nos Estados Unidos. Ademais. Também existe uma taxa para a reprodução da letra de uma música. Ainda há a chamada taxa de sincronizaç ão. O compositor recebe dez por cento sôbre o preço de sua música impressa.

mas sim a duas companhias chamadas Lenm ac Enterprises e Maclen Music. seus royal ties como compositores não lhes são pagos diretamente. dirigidos por Dick Lester. A Dick James Music tinha cinqüen ta delas. A Subafilms Ltd cuida de seus interêsses. Até hoje. Endôsso de produtos — Todos os produtos que de alguma forma leva m o nome dos Beatles pagam uma taxa de endosso. No futuro. Magical Mystery Tour. pretendem produzir filmes de longa metragem. Em 1967. No valor de dezesseis shilling s cada uma. havia cem ações de uma libra cada.000 ações — outras cem mil foram colocadas num fundo para seus filho s. . quando ela foi criada como uma companhia parti cular. Hoje (1968). Essa é a única companhia pública li gada a êles. isso soma um montante de quase seiscentas mil libras. A sua companhia Apple & Films Ltd terá parti cipação nos lucros. algumas lig adas a modalidades já mencionados de seu trabalho.000 ações. cust ou quase cinqüenta mil libras. quarenta mil ações. A Nems também tem uma parte da Northern Songs — trezentas e setenta e duas mil ações — que por sua vez dão um lucro extra aos Beatles. Filmes — Êles receberam uma participação muito boa em seus dois film es feitos para a United Artists. John possui 644. OUTROS INTERÊSSES: Existem muitas outras companhias associadas aos Beatles. sua cotação atual. Seu valor está sujeito às variações normais do mercado de títulos e ações. 4. Paul possui 774. Por exemplo.b) Northern Songs — sua editôra de música — é a companhia que tem os três Beatles compositores sob contrato. êles ainda recebem os lucros de sua parte em A Hard D ay’s Night e Help. Em fevereiro de 1963. Seus dividendos mais montam a cêrca de quarenta mil libras. cada um. a Northern Songs deu um lucro d e oitocentas mil libras. Ringo e George têm. Paul e John tinham vinte cada um e a Nems ficava com as outras dez. O filme que êles fizeram para a televisão.

sendo sua maior parte em moeda estrangeira. esta será a companhia principal a se encarregar dos negócios dos Beatles. dirigida por pessoas escolhidas pessoalmente por êles. deve chegar a cêrca de um milhão de libra s. Êle. produzindo coisas de todo o tipo. £ 482. Londres. antes da dedução dos impostos depois de sua mor te.com/group/digitalsource . Nos anos subseqüentes a 1963. a Apple Publ ishing Company. assim como financiando outras pessoas e firmas. apesar disso. É inteiramente de propriedade dos Beat les.Apple — Quando esta obra foi feita. naturalmente.google. Não há dúvida de que êles possuem muito mais. Anualmente. http://groups. inclusive a Apple Boutique. Estas companhias c uidam de diversos empreendimentos. No presente. não foi tão bem sucedido financeiramente quanto os B eatles. e apoiada em se us vastos recursos financeiros. em Baker Street.com/group/Viciados_em_Livros http://groups. os Beatles não t êm a mínima intenção de vendê-la. Brian Epstein possuía. sua renda bruta proveniente de seu trabalho. Já existe a Apple Corps Ltd.032. e uma cadeia de lojas a ser lançada no mundo todo. Eventualmente. a Apple Films Ltd. TOTAL: Quem quiser pode adivinhar. a Apple ainda era uma companhia em expansão. Porém. a venda dos discos dos Beatles em todo o mundo deu uma renda bruta de setenta milhões de libras. Futuramente. a Apple Electronics e a Apple Records. vinda de tôda s as fontes e tôdas as companhias. O valor de uma companhia só se t orna público quando ela está sendo vendida. era muito organizado e tinha habilidade pa ra administrar. nos moldes norte-americanos. Os Beatles imaginam que ela um dia se torne um a grande emprêsa. a Apple p ossuirá estúdios para gravação e filmagens.google.

. (DRM 104.google.Êste livro foi composto e impresso nas oficinas da Emprêsa Gráfica O CRUZEIRO S.com/group/Vicia dos_em_Livros. Se quiser outros títulos nos procure http://groups. será um prazer recebê-lo em nosso grupo. 189/203 — Rio de Ja neiro — Guanabara. A. 1 Este livro foi digitalizado e distribuído GRATUITAMENTE pela equipe Di gital Source com a intenção de facilitar o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar e também proporcionar aos Deficientes Visuais a oportunidade de conhecerem novas obras.823) — Rua do Livramento.