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PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI

2.3. DA APLICAÇÃO DA LEI PENA NO ESPAÇO.
Para tornar nosso trabalho facilitado não devemos esquecer que trataremos da lei penal e não da lei processual penal. Portanto, quando, por exemplo, a lei penal for aplicada aos fatos ocorridos no exterior (extraterritorialidade), o processo tramitará aqui no território nacional. O que será aplicada fora do território nacional é a lei penal e não a lei processual. A respeito da lei processual não há que se falar em extraterritorialidade. A distinção é por mim inicialmente ressaltada, tendo em conta que normalmente às pessoas o primeiro dilema que se apresenta é o modo pelo qual irá se aplicar a fato ocorrido no exterior lei penal brasileira. De pronto, então, reafirmo que a lei penal poderá ser aplicada fora do território nacional. Quando a extraterritorialidade ocorrer, o processo tramitará perante o Poder Judiciário nacional, isto é, no território nacional será aplicada a lei processual penal. Aqui, antes de ingressarmos efetivamente no tema da aplicação espacial da lei, devemos dar atenção a alguns princípios que nortearão nosso trabalho. Quando se fala em aplicação espacial de qualquer lei, penal ou não, devemos observar os princípios da TERRITORIALIDADE e da EXTRATERRITORIALIDADE. Fala-se em TERRITORIALIDADE quando a lei se aplica dentro do território do próprio Estado que a criou. Assim, há territorialidade quando a lei brasileira é aplicada dentro do território nacional. O problema, aqui, decorre normalmente de como se conceituar território nacional. Saber que a lei se aplica dentro do território nacional é simples. No entanto, não é tão simples assim conceituarmos território nacional. Diverso o princípio adotado quando da aplicação da lei além-mar. Quando a lei transcende os limites territoriais do Estado que a editou, fala-se em EXTRATERRITORIALIDADE. Tais princípios são aplicados à lei penal brasileira. Portanto, a lei penal nacional será aplicada a fatos ocorridos no território nacional, como também fora dele. Necessitamos, então, definir duas coisas muito interessantes para o nosso estudo: o lugar do crime e o território nacional. Só sabendo onde se tem como
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praticado o crime é possível se saber se ele foi cometido dentro ou fora do território nacional. Para se saber, por sua vez, se foi fora ou dentro do território nacional, necessitamos, além de conhecer o lugar do crime, saber o que é considerado território nacional. Portanto, impossível tratar de nosso tema sem que definamos: lugar do crime e território nacional. 2.3.1. DO LUGAR DO CRIME. Quando falamos sobre o tempo do crime, ou seja, o momento em que o crime é cometido, preliminarmente tratamos de três teorias: ATIVIDADE, RESULTADO e MISTA ou da UBIQUIDADE. Naquela oportunidade, afirmamos que para definir o momento do crime, adotou-se a teoria da atividade. Portanto, tem-se como praticado o crime NO MOMENTO da ATIVIDADE. Aqui, a questão que no se apresenta é saber ONDE se tem como cometido o crime. Problema é o lugar (espaço) e não o tempo. Devemos, mais uma vez, dispensar atenção preliminar às três teorias. Para a teoria da ATIVIDADE, o crime é cometido no lugar onde foi praticada a atividade (conduta= ação ou omissão). Já, para a teoria do RESULTADO, o lugar do crime é onde ocorreu o RESULTADO, independentemente de onde foi praticada a conduta. A teoria MISTA (ou da ubiqüidade) considera, por sua vez, que o crime é cometido tanto no lugar da atividade quanto no lugar do resultado. Para o legislador, considera-se praticado o crime tanto no lugar da atividade, como no do resultado. Assim, adotou a teoria MISTA ou da UBIQUIDADE. É o que se percebe da redação do artigo 6º do CP, que segue transcrito. Lugar do crime Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Assim, no homicídio, onde a conduta ocorre em Curitiba-PR e a vítima vem a falecer em São Paulo SP, considera-se praticado o crime tanto no lugar da atividade (Curitiba) quando no lugar do resultado morte (São Paulo). No exemplo dado, não surge qualquer dificuldade, pois em ambas as localidades se aplica a lei penal brasileira. Assim, quando o resultado e a atividade ocorrem no território nacional não surge dificuldade, pois nele, de regra, aplica-se a lei penal brasileira.
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Assim. deveria ter o resultado ocorrido (sido produzido) no território nacional.pontodosconcursos. já que nele se deu a conduta. em que pese o resultado ter ocorrido no exterior.br 3 . inversamente. recebendo a missiva. de seu país. 2. o crime foi praticado no Brasil. devo dispensar atenção ao lugar onde deveria ter ocorrido o resultado. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI O problema surge quando a atividade ocorre no exterior e o resultado no território nacional. se o argentino não vem a falecer. Território é o espaço onde determinado Estado exerce com exclusividade sua soberania. Agora. diante das circunstâncias. no segundo exemplo.CURSOS ON-LINE – DIR. Portanto. Se. Quando tentado. Observe o caso clássico de uma carta-bomba remetida por um argentino. aqui o lugar do crime. não veio a falecer. Ocorrendo a atividade no território nacional e o resultado no exterior. Não houve o resultado e a atividade ocorreu na Argentina. aqui no território nacional. o crime foi tentado. pelas circunstâncias.com. como para legislação brasileira. abre-a. como o resultado aqui ocorreu. A atividade ocorreu na Argentina e o resultado no Brasil. mas. ainda assim considera-se praticado o crime no território nacional. DO TERRITÓRIO NACIONAL.2.3. mas. Aqui. socorrido. deveria ter se produzido no território nacional). a atividade no território nacional e o resultado no exterior. apesar de não ter ocorrido. Não podemos nos esquecer dos elementos constitutivos de um Estado soberano: território + povo + organização (estrutura) jurídica. mas aqui o resultado foi produzido (houve a realização do resultado) ou. quando não. pensemos que o brasileiro. ou quando a atividade não tenha ocorrido no território nacional. Em síntese: Considera-se praticado no território nacional o crime quando aqui se deu a atividade (mesmo nos casos em que do crime não advém resultado). www. No primeiro exemplo. para um brasileiro. considera-se praticado o crime no lugar em que houve a atividade ou o resultado. ao abrir a carta-bomba. nele deveria ter se produzido (o resultado não ocorreu. independentemente de onde venha a ocorrer o resultado. oportunidade em que em razão da explosão vem a falecer. São os chamados crimes à distância. sofreu ferimentos grave. O destinatário. Imaginemos o exemplo inverso. pois o brasileiro-remetente praticou a atividade no território nacional. tem-se como cometida no território nacional a infração penal. ou.

nosso legislador. Portanto. uma coluna vertical. em respeito à bandeira que ostenta será considerada território nacional. fala também em território por extensão. que é a extensão de 12 milhas mar-à-dentro. apesar de fora do território próprio.Embarcação ou aeronave brasileira privada a serviço do Estado brasileiro (em qualquer lugar do globo). definimos o território próprio. A extensão de nosso território é estabelecida por lei e por tratados de direitos internacionais. No entanto. Aí. 3. quando. Mas. a contar da baixa maré.CURSOS ON-LINE – DIR. em qualquer lugar do globo (sobrevoando ou em pouso. sobre a base territorial (terra + mar territorial) faz-se. desde que não estejam em território alheio.br 4 . navegando ou aportada em território de ninguém (águas de ninguém ou terras de ninguém). Considera-se território nacional. é certo. não tenha ingressado em território estrangeiro. Território por extensão. Já no caso do número 3. território nacional. acrescida do mar territorial. Estes normalmente são utilizados quando se fala em águas aparentemente comuns (exemplos os rios limítrofes).Embarcação ou aeronave brasileira pública (em qualquer lugar do globo). 2. Assim.Embarcação ou aeronave brasileira mercante ou privada. com exclusividade. Com isso. Considera-se território nacional brasileiro próprio (ou só território próprio) toda a base territorial por nós conhecida (o mapa). o espaço aéreo correspondente ao território nacional. a embarcação ou aeronave brasileira está representando o Estado brasileiro. Nas hipóteses mencionadas nos números 1 e 2. não está a serviço do Estado brasileiro. ou típico. assimilação. sua soberania. a embarcação ou aeronave. considera-se território nacional todo o espaço onde o Brasil exerce. considera-se também território nacional o espaço aéreo respectivo. Aqui.pontodosconcursos. impróprio. se dentro dela (aeronave ou embarcação) ocorre atividade ou resultado o crime foi cometido no território nacional.com. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI No nosso caso. Com isso. apesar de estar fora do território próprio: 1. imaginariamente. www. em que pese brasileira. Assim. assimilação. navegando ou aportada em território estrangeiro ou não) é considerada território nacional. Além disso. está sobrevoando ou em pouso.

2. do CP. Observe a literalidade do artigo 5º. fala-se em território nacional e. No “caput”. quando nele não é praticado nenhum deles: atividade ou resultado. trataremos da territorialidade e da extraterritorialidade da lei penal. no seu parágrafo 1º. tem-se como cometido fora do território nacional. por sua vez. Portanto. então.com. Para tanto. Já sabemos quando uma situação ou outra ocorre. E.CURSOS ON-LINE – DIR. por assimilação. considera-se praticado no território nacional quando nele (próprio ou por extensão) é praticado atividade ou resultado. vamos tratar da aplicação da lei penal no território nacional e fora deles. Territorialidade www.br 5 . Embarcações e aeronaves brasileiras: públicas ou a serviço do Estado (qualquer lugar do globo) e privadas em águas ou terras de ninguém O crime. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Observe o quadro abaixo: PRÓPRIO Território nacional Por extensão.3. Agora. define-se o que se entende por território nacional por extensão. precisaremos saber se o crime foi cometido dentro ou fora do território nacional. A lei penal tem aplicação em todo território nacional: próprio ou por extensão.pontodosconcursos.3. DA TERRITORIALIDADE.

Exemplos são as imunidades diplomáticas e consulares concedidas. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Art. a todos. bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras. independentemente da condição de estrangeiro ou nacional. No caso do estrangeiro. ao crime cometido no território nacional. em princípio da territorialidade temperada. 5º . tratados e regras de direito internacional. de regra. www. o Brasil abre mão do direito de punir. Portanto. ao fato não se aplicará a lei penal brasileira apesar de ocorrido no território brasileiro. Todavia. chanceladas pelo Brasil. então. Não é adotado de forma absoluta. sem prejuízo de convenções. Assim. ou de passagem. em determinadas hipóteses. Fala-se. por meio de regras de direito internacional. em que pese o fato ter ocorrido no território nacional.br 6 . Territorialidade Art. de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem. mercantes ou de propriedade privada.Aplica-se a lei brasileira. se convenções.Para os efeitos penais. aplica-se ao fato lei alienígena. respectivamente.com. determinarem. ao crime cometido no território nacional. no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. aplica-se a lei penal brasileira. consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras. É o que ocorre quando. 5º . não será a ele aplicada a lei penal brasileira. tratados e regras de direito internacional. por meio de adesão do Brasil às Convenções de Viena (1961 e 1963). oportunidade em que. aos Diplomatas e aos Cônsules que exerçam suas atividades no Brasil. A lei penal brasileira aplica-se no território nacional. É o que se conclui da redação do artigo 5º. tratados e regras de direito internacional. que se achem. “caput”. § 1º . de regra. do CP.CURSOS ON-LINE – DIR.Aplica-se a lei brasileira.pontodosconcursos. mesmo que aqui esteja de forma ilegal. o princípio da territorialidade da lei penal é em nosso ordenamento jurídico mitigado. sem prejuízo de convenções.

É o caso das imunidades parlamentares (Membros do Congresso Nacional1: Deputados Federais e Senadores. Gabarito oficial:B 4 www. tal como ocorre com os deputados e senadores. remuneração.com. civil e penalmente. e) é ele inviolável por opiniões. palavras e votos.CURSOS ON-LINE – DIR. inviolabilidade. licença. pelo Diplomata Chinês. 3 PROCURADOR DO BACEN – 2002 – ESAF. em que pese cometido no território nacional. 1 Artigo 27. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Cometido crime. no território nacional. Os Deputados e Senadores são invioláveis. b) é ele inviolável por opiniões. há imunidade. 92.pontodosconcursos. Também não se aplicará a lei penal brasileira. só no exercício de suas funções há imunidade. Aqui. impedimentos e incorporação às Forças Armadas. pois só estará imune. c) a Constituição lhe assegura. 53. da CF: Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais. Deputados Estaduais2 e Distritais e Vereadores34) e outras. aplicando-sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral. de acordo com a Convenção de Viena (1963). não se aplicará a lei penal brasileira. se houver prévia licença da Câmara dos Vereadores. por quaisquer de suas opiniões. imunidades. perda de mandato. d) possui ele imunidade parlamentar processual. no exercício do mandato e ainda que fora da Circunscrição do Município. se o crime foi cometido no exercício de seus misteres consulares. nos casos em que não ocorrer a imunidade material. VIII da CF: inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões. de forma ampla e irrestrita. palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município. imunidade absoluta. § 1º. palavras e votos. 2 Artigo 29. no exercício do mandato e na Circunscrição do Município. do Advogado no exercício da advocacia (imunidade judiciária). como por exemplo. pois.br 7 . No caso do Cônsul. Art. Portanto. ficará sujeito à lei penal de seu país.Em relação à imunidade do vereador. é certo afirmar-se: a) somente pode ele ser submetido a processo penal. a imunidade tem menor incidência. àqueles que possuem outras imunidades. pela Convenção de Viena (1961). nos casos em que não ocorrer a imunidade material. palavras e votos.

a abrangência tutelar da cláusula da inviolabilidade. Precedentes. não responderão pelos crimes.com. Doutrina. por ele. 53. da garantia da imunidade parlamentar material.br 8 . para legitimamente proteger o parlamentar. tido como criminoso. Rel. art. Caso contrário. 53. somente nos interessa a imunidade material ou substancial. que o Governador de seu Estado aplica irregularmente a verba destinada à saúde).CURSOS ON-LINE – DIR. DJ 04/03/05). Conseqüente inaplicabilidade. caput). ou seja. A prerrogativa indisponível da imunidade material — que constitui garantia inerente ao desempenho da função parlamentar (não traduzindo.024-QO. qualquer que seja o âmbito espacial (locus) em que este exerça a liberdade de opinião (ainda que fora do recinto da própria Casa legislativa). Portanto. Min. seja praticado no exercício de suas funções. supõe a existência do necessário nexo de implicação recíproca entre as declarações moralmente ofensivas. pois imune à lei penal. nas hipóteses específicas em que as suas manifestações guardem conexão com o desempenho da função legislativa (prática in officio) ou tenham sido proferidas em razão dela (prática propter officium). não responderá por crime contra a honra. não há imunidade.pontodosconcursos. por isso mesmo. quando da prática de tais atos. É o que tem decidido reiteradamente o Supremo Tribunal Federal5. Assim. eis que a superveniente promulgação da EC 35/2001 não ampliou. 5 www. Os detentores do Poder Legislativo possuem imunidade quando exprimem suas opiniões. que se revelem estranhas ao exercício. por exemplo. de outro. de um lado. A situação registrada nos presentes autos indica que a data da suposta prática delituosa ocorreu em momento no qual o ora denunciado ainda não se encontrava investido na titularidade de mandato legislativo. do mandato legislativo. em sede penal. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI No caso dos membros do legislativo. A imunidade dos Membros do Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores) produz efeito desde que o fato. quando no exercício de sua nobre função. suas palavras e seus votos. a ele. o Deputado Federal macula a honra de determinada pessoa (afirma. Assim. só vamos tratar da imunidade frente a lei penal." (Inq 1. A cláusula constitucional da inviolabilidade (CF. "A garantia constitucional da imunidade parlamentar em sentido material (CF. art. caput) — que representa um instrumento vital destinado a viabilizar o exercício independente do mandato representativo — somente protege o membro do Congresso Nacional. qualquer privilégio de ordem pessoal) — não se estende a palavras. nem a manifestações do congressista. e a prática inerente ao ofício congressional. deixaremos de lado a imunidade formal. Celso de Mello. não falaremos daquela que tem reflexo processual.

Não se aplicará a lei penal. é levado ao hospital da capital daquele país onde. de propriedade privada. pois a atividade foi praticada dentro de aeronave pública (artigo 5º. próprio ou por extensão. será aplicada a lei penal brasileira. a fato ocorrido dentro de aeronaves ou embarcações estrangeiras. o legislador. no caso das embarcações. Assim. que se achem em pouso no território nacional ou sobrevoando o espaço aéreo respectivo ou. 245) www.É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada. achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo “A imunidade parlamentar não se estende ao co-réu sem essa prerrogativa. a este não se estenderá a imunidade daquele6. artigo 5º. em razão dos ferimentos. ainda. em que pese o resultado ter ocorrido fora do território nacional. aplica-se a lei penal brasileira pelo princípio da territorialidade. Por cautela. QUESTÃO INTERESSANTE: Pergunto: Aplica-se ou não a lei penal brasileira quando o piloto do avião Presidencial brasileiro (number 1 tupiniquim). no parágrafo 2º.CURSOS ON-LINE – DIR. § 2º . Em suma: Aplica-se a lei penal brasileira aos fatos ocorridos no território nacional. sem prejuízo de convenções. navegando no mar territorial ou aportadas. do CP). devemos saber onde ocorreu o crime. estabelece que. diante de hipóteses de imunidade concedidas pela própria Constituição Federal. tratados e regras de direito internacional chanceladas pelo Brasil. parágrafo 1º.br 6 9 . posteriormente. vem a falecer? Respondo: Primeiramente.pontodosconcursos. seu assessor.com. aferirmos sobre a aplicabilidade ou não na lei penal. por exemplo.” (SÚM STF. se o fato é praticado pelo Deputado Federal (crime de opinião) no exercício de sua nobre função em companhia (concurso de pessoas: co-autoria ou participação – artigo 29 do CP) de. Assim. quando estivermos. O crime ocorreu no território nacional (por extensão). ferido pela comissária de bordo dentro da a aeronave. em pouso no Afeganistão. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Atenção: A imunidade parlamentar não se estende a co-réu. do CP. para só então.

CURSOS ON-LINE – DIR. Territorialidade absoluta: Impossibilidade de. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI correspondente. em determinadas hipóteses. no território nacional. Entretanto.br 10 . Territorialidade temperada: Adota como regra a aplicação da lei penal brasileira no território nacional. Imunidade diplomática e consular: São imunidades previstas em Convenções Internacionais chanceladas pelo Brasil. acrescida do mar territorial. Síntese conceitual: Território nacional: é o espaço onde determinado Estado exerce com exclusividade sua soberania Território próprio: toda a base territorial por nós conhecida (o mapa). e estas em porto ou mar territorial do Brasil. não se aplica a lei penal brasileira. Território por extensão: Embarcações e aeronaves brasileiras: públicas ou a serviço do Estado (qualquer lugar do globo) e privadas em águas ou terras de ninguém Territorialidade: aplicação da lei penal no território nacional. aplicar-se outra lei penal. que é a extensão de 12 milhas mar à dentro. permite a aplicação de lei penal estrangeira a fatos cometidos no Brasil (artigo 5º do CP). www. Imunidade: exclusão da aplicação da lei penal. Atenção: Se a embarcação ou aeronave estrangeira for pública.pontodosconcursos. a contar da baixa maré. apesar de o fato ter sido cometido no território nacional. que não a nacional.com. Imunidade parlamentar: Previstas na Constituição Federal aos Membro do Poder Legislativo. Só se aplica a lei penal brasileira no território nacional.

3. DA EXTRATERRITORIALIDEADE. do CP. Trataremos. entretanto. basta a prática do fato delituoso.3. Deputados Estaduais (artigo 27. Será ela incondicionada ou condicionada.Imunidades parlamentares. 2. Ex:Membros do Congresso Nacional (artigo 53 da CF).4. As hipóteses de extraterritorialidade. da 11 . estão arroladas no artigo 7º do CP. quando para sua aplicação fora do território nacional. parágrafo 1º. convenções regras de direito internacional. para a sua aplicação. posteriormente. quando. aos crimes cometidos no exterior será aplicada a lei penal brasileira de forma incondicionada.com. condicionada. a lei exigir a superação de certas condições.CURSOS ON-LINE – DIR. Ex: Imunidades consulares diplomáticas e Próprio ou por extensão b. será. VIII da CF). para. primeiramente. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI EXCEÇÕES: Territorialidade – aplicação da lei penal no território nacional e aTratados. aplicarse a lei penal brasileira fora do território nacional. da CF). Assim.br da incondicionada e.pontodosconcursos. Vereadores (artigo 29. Incondicionada. isto é. oportunidade em que se tem a extraterritorialidade. daí.4. Condicionada. não é necessária a implementação de qualquer condição. 2. quando cometidos: www.1. A lei penal aplicar-se-á a fatos ocorridos fora do território nacional. parágrafo 1º. INCONDICIONADA De acordo com o que dispõe o artigo 7º. de aplicação da lei penal fora do território nacional.

aqui. EMPRESAS PÚBLICAS. quando o crime. supressão documento (artigo 305). Assim. de Município. Precisamos. Quando no exterior alguém pratica crime contra A VIDA ou a LIBERDADE do Presidente da República. roubo.com. b) contra o patrimônio ou a fé pública da União. DE TERRITÓRIOS E DE MUNICIPIOS (ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA) e de suas AUTARQUIAS. FUNDAÇÕES. Crimes que maculam a fé pública são crimes de falsidade arrolados no Título X. não basta ser crime contra o Presidente da República. EMPRESAS PÚBLICAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA OU FUNDAÇÃO PÚBLICA. do Distrito Federal. São exemplos: furto. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público. estelionato. também. segundo o qual a lei penal será aplicada para proteger ou defender o bem jurídico nacional: a VIDA ou a LIBERDADE do Chefe do Executivo. Crimes contra o patrimônio são aqueles arrolados no Código Penal (artigos 155 a 183 do CP). falsidade ideológica (artigo 299). www. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República. necessário que seja contra a sua vida ou liberdade.. Portanto. Aplica-se. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA). ESTADOS-MEMBROS. atentar contra o PATRIMÔNIO ou A FÉ PÚBLICA da UNIÃO.br 12 . São Exemplos os crimes moeda falsa (artigo 289). sociedade de economia mista. Atenção: Observe que só levará à aplicação incondicionada da lei penal brasileira a prática de crime contra a VIDA ou a LIBERDADE do Presidente da República. do CP. de forma incondicionada a lei penal brasileira. os os de de Quando os crimes contra o patrimônio ou a fé pública são praticados em detrimento da administração pública direta (UNIÃO.. DE ESTADO-MEMBROS. de Estado. DISTRITO FEDERAL. fé pública nada mais é que a convicção que nós temos de que documentos representam a verdade.pontodosconcursos. definir alguns conceitos. aplicar-se-á de forma incondicionada a lei penal brasileira. MUNICIPIOS E TERRITÓRIOS) ou indireta (AUTARQUIAS. Aqui. de empresa pública. apropriação indébita. DO DISTRITO FEDERAL.CURSOS ON-LINE – DIR. de Território. Crimes contra a fé pública são aqueles que atendam contra a convicção de que os documentos trazem sim a representação da verdade. adota-se o princípio da proteção ou da defesa. praticado no exterior. receptação etc. aplicarse-á a lei penal brasileira incondicionalmente.

CONDICIONADA. cometeu crime de genocídio. com a intenção de destruir. funcionário público comete. aplicar-seá a lei penal brasileira ao agente brasileiro. que podem ser praticados por quem não é funcionário público. leva-se em conta a nacionalidade do bem jurídico protegido (fé pública ou patrimônio nacionais).2. Em tal capítulo estão os crimes funcionais (artigo 312 a 326 do CP).br 13 .4. Pratica crime de genocídio aquele que.CURSOS ON-LINE – DIR. independentemente de qualquer condição a ser suprida. quando se exige que o crime seja praticado por quem está a serviço da administração pública. também o princípio da proteção ou da defesa.com. no entanto. O crime de genocídio está previsto na Lei 2889/56. do CP. o princípio da defesa ou proteção. aqui. já que. quando estrangeiro. 2. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Assim. em razão do princípio da justiça universal ou cosmopolita. ou. grupo nacional. por quem está a seu serviço. Mais uma vez adotado. c) contra a administração pública. www. ou seja. incondicionalmente. está a se exigir que o crime seja funcional. Os crimes contra a administração pública estão arrolados no Título XI. d) de genocídio. concretiza as condutas mencionadas no artigo 1º da Lei 2889/56. Portanto. Aqui. aplicar-se-á a lei penal brasileira. ao domiciliado no Brasil. racial ou religioso. se no exterior um indivíduo furta (artigo 155 do CP) bem (veículo oficial) da embaixada brasileira. quando no exterior. ao brasileiro ou estrangeiro domiciliado no Brasil será aplicada a lei penal quando. no todo ou em parte. em qualquer lugar do globo. para aplicação da lei penal brasileira no exterior. étnico. crime de concussão (artigo 316 do CP). bem como crimes contra a administração que não são funcionais. Portanto. que praticou crime de genocídio.pontodosconcursos. Adota-se. Agora. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. por exemplo.3. para aplicação da lei penal brasileira. cuja condição de funcionário público é necessária para que o crime exista. será aplicada a lei penal brasileira.

Os casos de aplicação condicionada da lei penal brasileira a fatos ocorridos no exterior são aqueles mencionados no artigo 7º. apesar de cometidos no exterior. que o Brasil se obrigou. Todavia. LI. apesar de o crime ter sido cometido noutro lugar. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Primeiramente trataremos das hipóteses em que. neste caso. para que não ocorra a impunidade. necessário que concorram as condições exigidas pela lei. www. Após. c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras.nenhum brasileiro será extraditado. trataremos das condições exigidas para tanto. a aplicação extraordinária da lei penal diante da proibição de extradição do brasileiro inserta no artigo 5º. do CP. no exterior. mais uma vez o princípio da justiça universal ou cosmopolita. b) praticados por brasileiro. por tratado ou convenção. será aplicada ao fato ocorrido no exterior a lei penal brasileira. segundo o qual será ao criminoso aplicada a lei do país onde se encontrar. mercantes ou de propriedade privada. Aqui. Há crimes. que concorram as condições prevista em lei.pontodosconcursos. como o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas a fins. Necessário. então. de forma condicionada. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. da CF7. Justifica-se. por meio de tratado ou convenção. É o que ocorrerá quando o brasileiro pratica um crime no exterior e volta imediatamente à pátria-mãe. Assim. Assim. manifesto o princípio da nacionalidade ativa ou personalidade. quando o brasileiro. Aqui.com. quando no exterior cometer crime. se. na forma da lei. será aplicada a lei penal nacional. vier a cometer crime. será indeferida. Esta se requerida pelo país onde foi praticado o ilícito. ao fato ocorrido no exterior será aplicada a lei penal brasileira.CURSOS ON-LINE – DIR. a reprimir. praticado antes da naturalização. o Brasil se obrigou a reprimir. segundo o a qual será ao nacional aplicada a lei penal brasileira. aplica-se de forma condicionada a lei penal brasileira aos crimes: a) que. Assim. todavia. salvo o naturalizado. inciso II. em caso de crime comum. 7 LI . ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Será aplicada a lei penal brasileira. Como a Constituição veda a extradição.br 14 .

O fato foi cometido dentro de aeronave ou embarcação brasileira. será aplicada a lei penal brasileira. autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público. mercante ou privada. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. Abaixo segue a literalidade do artigo 7º. não se aplicará a lei penal brasileira. cuja literalidade segue. por quem está a seu serviço.pontodosconcursos.CURSOS ON-LINE – DIR. c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras. Caso julgados os fatos no exterior. Todavia.br 15 . de Território. não tenha cumprido a pena. Observe. Aqui. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Cuida o caso de fato ocorrido no exterior. b) praticados por brasileiro.3.2. incisos I e II. DAS CONDIÇÕES. do CP.os crimes: a) que. II . embora cometidos no estrangeiro: I . mesmo que não tenha sido absolvido o agente ou. segundo o qual ao fato cometido dentro de embarcação ou aeronave nacionais. desde que concorram as condições previstas em lei. aos casos previstos no artigo 7º. quando dentro do território estrangeiro. do Distrito Federal. por tratado ou convenção. o Brasil se obrigou a reprimir. www. de Estado. inciso II.os crimes: a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República. 2.4. caso condenado. quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil. já que não estamos diante de hipótese de território por extensão. c) contra a administração pública. que o próprio dispositivo traz em si uma condição: se lá no exterior não sejam julgados. d) de genocídio.com. 7º . não se pode falar em território nacional por extensão. aplicar-se a lei penal brasileira estão previstas no seu parágrafo 2º. de Município. sociedade de economia mista. de empresa pública. presente princípio da representação ou da bandeira. do CP. As condições exigidas para. b) contra o patrimônio ou a fé pública da União. Assim. aplicar-se-á a lei penal brasileira. Extraterritorialidade Art.1. no entanto.Ficam sujeitos à lei brasileira. mercantes ou de propriedade privada.

Para aplicação da lei penal brasileira. de tratarmos de cada uma delas. com isso. Não é obstáculo ao prosseguimento do processo o fato de a passagem ter sido temporária e. Verificada ela. todavia. b) ser o fato punível também no país em que foi praticado.Nos casos do inciso II. não estar extinta a punibilidade. Necessário que a entrada fique de qualquer modo demonstrada. O processo seguirá. portanto. não será aplicada a lei penal. o agente já ter se retirado do território nacional. b) ser o fato punível também no país em que foi praticado. A entrada no território nacional pode também ser compulsória (extradição pedida pelo Brasil) ou voluntária. necessário que o agente ingresse no território nacional. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI § 2º .pontodosconcursos. Se praticado em país que entende lícita a conduta. a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional. a) entrar o agente no território nacional. d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena. por outro motivo. dando-se toda oportunidade de defesa. não se permitirá a aplicação da lei penal brasileira. O fato delituoso deve ser também punível no país onde foi praticado. então. nos casos do inciso II. Assim. suprida a primeira das condições para a aplicação da lei penal brasileira. apesar de punível no Brasil. de forma cumulativa. Antes. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. Vejamos cada uma delas. parágrafo 2º. a simples passagem.br 16 . www.com. portanto. Não se exige a permanência. segundo a lei mais favorável. ausente uma que seja. Basta. Necessário. devo ressaltar desde de já que as condições devem coexistir e. mesmo que ilegal. a esta. c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição. a coexistência (a simultaneidade) de todas as condições previstas no artigo 7º.CURSOS ON-LINE – DIR. do CP.

estiver extinta a punibilidade pela prescrição segundo a lei brasileira ou a do Estado requerente. § 2º Caberá.br 17 . exclusivamente. salvo se a aquisição dessa nacionalidade verificar-se após o fato que motivar o pedido. 8 www. para julgar o crime imputado ao extraditando. aplicada a lei penal brasileira. no Estado requerente. Não se concederá a extradição quando: I . novo casamento: Pena . ao Supremo Tribunal Federal. perante Tribunal ou Juízo de exceção. sendo casado. 235 . não será. Para ilustrar. 77. e VIII . a apreciação do caráter da infração. VI .o extraditando houver de responder. IV . ou quando o crime comum. principalmente. O Estatuto do Estrangeiro trata das condições de admissibilidade da extradição.o fato constituir crime político.o Brasil for competente.com. de dois a seis anos.reclusão.a lei brasileira impuser ao crime a pena de prisão igual ou inferior a 1 (um) ano. § 3° O Supremo Tribunal Federal poderá deixar de considerar crimes políticos os atentados contra Chefes de Bigamia Art. Art.o fato que motivar o pedido não for considerado crime no Brasil ou no Estado requerente. § 1° A exceção do item VII não impedirá a extradição quando o fato constituir. conexo ao delito político. III .se tratar de brasileiro. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Exemplo clássico é o crime de bigamia8. VII .Contrair alguém. em que pese para ela criminosa a conduta.pontodosconcursos. V . II .CURSOS ON-LINE – DIR. segue a literalidade dos artigos 77 e 78 da Lei 6815/80. infração da lei penal comum.o extraditando estiver a responder a processo ou já houver sido condenado ou absolvido no Brasil pelo mesmo fato em que se fundar o pedido. Necessário que o crime praticado no exterior seja daqueles que a lei brasileira admite a extradição. Caso a conduta seja cometida em países que admitem inclusive a poligamia masculina (vários casamentos). c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição. segundo suas leis. constituir o fato principal.

Se condenado. Necessário ressaltar que no caso de crimes políticos e de opinião não se admite a extradição. Observe que o fato de lá ter sido julgado não impede a aplicação da lei penal brasileira. não se permite a aplicação da lei penal nacional. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Estado ou quaisquer autoridades. sabotagem. salvo o disposto no artigo 82. Caso.ter sido o crime cometido no território do Estado requerente ou serem aplicáveis ao extraditando as leis penais desse Estado. LII .pontodosconcursos. é a entrega de um delinqüente por um Estado a outro.existir sentença final de privação de liberdade. diante de proibição inserta na Constituição Federal10. de 09/12/81) I . segundo Luiz Regis Prado9. o crime for daqueles em que se admite a extradição. de acordo com a legislação brasileira. condenado. lá cumpriu a pena imposta. O mesmo ocorre quando. Art. quando não houve o cumprimento da pena. Caso o agente foi absolvido no estrangeiro. seqüestro de pessoa.CURSOS ON-LINE – DIR. necessitamos apenas deixar claro que será aplicada a lei penal brasileira. que é competente para julgá-lo e executar a pena imposta. entretanto.br 18 . não se admite a aplicação da lei penal brasileira. e II . São condições para concessão da extradição: (Renumerado pela Lei nº 6. não cumpriu a pena. somente se. 78.964. ou que importem propaganda de guerra ou de processos violentos para subverter a ordem política ou social. Aqui.não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião. 9 Prado – Luiz Regis (Comentários ao Código Penal – Editora RT). Caberá ao STF a análise da natureza o ilícito quando ao Brasil for requerida a extradição. lá absolvido. admite-se a aplicação da lei penal brasileira. Tribunal ou autoridade competente do Estado requerente. terrorismo. ou estar a prisão do extraditando autorizada por Juiz. d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena. A extradição pode ser “ativa” em relação ao Estado que a reclama ou “passiva” no que respeita ao Estado ao qual ela é solicitada. 10 www. Extradição.com. bem assim os atos de anarquismo.

www. “c”. por outro motivo. mercantes ou de propriedade privada. quando em território estrangeiro.3. não se permite a aplicação da lei penal brasileira. Portanto. não se aplicará a lei penal brasileira. Vide o disposto no artigo 7º. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Dica importante: Nos crimes praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras.CURSOS ON-LINE – DIR. 7º . apesar de não ter o agente cumprido pena. mercantes ou de propriedade privada. Aqui. parágrafo 2º. Caso os fatos tenham sido julgados no exterior. Se o agente foi perdoado no exterior ou. Regra: Se absolvido. não se aplica a lei penal brasileira (artigo 7º. independentemente de cumprimento de pena. DA EXTRATERRITORIALIDADE CONDICIONADA DO ARTIGO 7º. se lá julgados os fatos e condenado o agente. por qualquer motivo. do Código Penal prevê hipótese especial de extraterritorialidade.com.br 19 . Caso condenado e cumprido a pena. não se aplicará a lei penal brasileira.pontodosconcursos. Art. PARAGRAFO 3º. do CP. para aplicação da lei penal brasileira. mesmo não tendo cumprido a pena. por outro motivo qualquer. quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. segundo a lei mais favorável.Ficam sujeitos à lei brasileira. não se admitirá a aplicação da lei penal brasileira. O artigo 7º. alínea “c”. cuja literalidade segue. Portanto. impossibilita a aplicação da lei penal brasileira no caso previsto no artigo 7º. Observe abaixo a literalidade do dispositivo que a seguir será comentado. não estar extinta a punibilidade. inciso II. do CP.3. DO CP. Exceção: O fato de se julgado (absolvido ou condenado) por si só. embora cometidos no estrangeiro: II . o fato de lá terem sido julgados impede a aplicação da lei penal brasileira. parágrafo 2º.4. não se aplica a lei brasileira. II. do CP). do CP) acrescidas das condições especiais arroladas nas alíneas “a” e “b” do parágrafo 3º do artigo 7º. alínea “d”. necessário que presentes estejam todas as condições já vistas (Artigo 7º. 2. se extinta a punibilidade. e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou. estiver extinta a punibilidade. levar-se-á em conta a lei mais favorável. parágrafo 3º. Aqui.os crimes: c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras.

Em determinadas hipóteses o legislador exige a intervenção do Poder Executivo da União para que se possa dar início à ação penal pública. Pensemos que este (o estrangeiro) tenha. político. São elas: a) não foi pedida ou foi negada a extradição. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI § 3º .do CP.2. agora. ingressado no território nacional (compulsória ou voluntariamente). Trata-se de hipótese pouco provável. alíneas “a” e “b”.com. não foi ela deferida. www. b) houve requisição do Ministro da Justiça. A requisição do Ministro da Justiça. em raras hipóteses. Além da condição anterior. 5. Portanto.2. do CP. A ele será aplicada a lei penal brasileira.A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. alíneas “a” e “b”. ao arbítrio do seu titular: o Ministro da Justiça. passa a ser condição de procedibilidade. aqui.CURSOS ON-LINE – DIR. por estrangeiro. em respeito ao princípio da defesa ou proteção. A requisição é ato discricionário. se. as condições especiais previstas no parágrafo 3º. no exterior.br 20 . o Ministro da Justiça poderá requisitar ao Ministério Público a ação penal. estando aqui. se. desde que presentes as condições do parágrafo 2º acrescidas pelas condições do parágrafo 3º. tendo sido. b) houve requisição do Ministro da Justiça. Trata-se de crime praticado no exterior por estrangeiro contra brasileiro. praticou crime contra o brasileiro.3 – DA REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA. aplica-se a lei penal brasileira em razão da nacionalidade do bem jurídico tutelado. Poderá ser feita ou não. após o crime.pontodosconcursos. É o caso do crime cometido contra brasileiro. Sobre a requisição do Ministro da Justiça. trago abaixo algumas anotações feitas quando da analise da ação penal condicionada à requisição do Ministro da Justiça. no exterior. não foi requerida pelo país onde foi praticado o crime a sua extradição ou. Assim. necessária a requisição do Ministro da Justiça para que se possa aplicar a lei penal brasileira ao estrangeiro que. Analisemos. reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: a) não foi pedida ou foi negada a extradição. então.

discricionário. não se aplica a lei penal brasileira. como o é a representação do ofendido ou de seu representante legal. pois a ação penal pública é obrigatória. Síntese conceitual: Requisição do Ministro da Justiça: 1.com.3.CURSOS ON-LINE – DIR. 3. 21 www. 11 Decadência do direito de queixa ou de representação Art.4.Não vincula o condiciona o Ministério Público. 2. o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses. é condição para aplicação da lei penal brasileira. no exterior. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI O Ministério Público. do CP).Ato político.2). isto é. parágrafo 3º. Como foi falado. Portanto. não podemos concluir que a requisição do Ministro da Justiça condiciona. à requisição do Ministro da Justiça não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 103 do CP11. não respeita prazo decadencial. que o agente não tenha cumprido a pena no exterior. a ela não se aplica o prazo decadencial dirigido aos titulares do direito de representar e de oferecer queixa-crime. por sua vez. contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime. A requisição do Ministro da Justiça. 103 . Disso. Nos casos de extraterritorialidade condicionada (item 2. parágrafo único do CP) e nos crimes praticados por estrangeiro. se lá cumpriu a pena. apesar de ser condição de ação. 100 deste Código. contra brasileiro (artigo 7º. estando preenchida a condição. ou. todavia. Este só estará obrigado a propor a ação se presentes os requisitos necessários para tanto. em raras hipóteses o legislador exige a requisição do Ministro da Justiça como condição da ação penal.Salvo disposição expressa em contrário. a ele não cabe fazer juízo de valor.5.br . no caso do § 3º do art. Portanto. Assim ocorre nos casos de crime contra a honra do Presidente da República (artigo 145. 2. passará a analisar se presentes estão os requisitos mínimos para a ação penal. do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia. Se também presentes.pontodosconcursos. DA PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO. vincula o Ministério Público. além de discricionária.Não respeita prazo decadencial.3. “b”.

pontodosconcursos. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Tratando-se. do CP. deve se fazer o abatimento aquilo que lá no exterior foi cumprido. agora. sujeito ao cumprimento da pena estabelecida pelo judiciário brasileiro. em um mesmo caso. Observe se no exterior foi aplicada pena restritiva de direitos e aqui no Brasil pena privativa de liberdade. na extraterritorialidade incondicionada.CURSOS ON-LINE – DIR. entretanto. Pena cumprida no estrangeiro Art. ao agente aplicar-seá a lei penal brasileira. A sentença estrangeira poderá ser executada em nosso território. para aqueles que entendem que somente o cumprimento integral exclui a possibilidade de aplicação da lei penal brasileira. A aplicação do disposto no artigo 8º. ficando. Aquela. Se idênticas. quando idênticas. 2. então há a possibilidade de termos. uma sentença estrangeira.A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. DA SENTENÇA ESTRANGEIRA. onde. do CP. ou nela é computada (abatida). pois diversas. o agente foi condenado e cumpriu pena no exterior. cuja literalidade segue abaixo.3. Todavia. Assim. Não há de acordo com o CP. ou nela é computada. fará atenuar a pena imposta no Brasil. e uma sentença nacional. É o que preceitua o artigo 8º. quando presente qualquer as hipóteses mencionadas.quando. mesmo que condenado e tendo cumprido pena no exterior. a pena no exterior foi cumprida parcialmente. as hipóteses de nacionalização da sentença estrangeira são absolutamente reduzidas. inclusive. a pena cumprida no estrangeiro atenuará a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime. 2. na extraterritorialidade condicionada. de extraterritorialidade incondicionada (item 2.4. por exemplo. 22 www. quando idênticas.quando.com. 8º . a pena já foi cumprida. caso cumprida. possibilidade de pena aplicada em sentença estrangeira ser cumprida em nosso território nacional. pendente de cumprimento de pena.3.1). a meu ver somente é possível em dois casos: 1.6. quando diversas. Aqui.br . quando diversas.

parágrafo único do CP). PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Admite-se. Com a homologação.CURSOS ON-LINE – DIR. a homologação da sentença estrangeira. Em síntese: A sentença estrangeira poderá ser homologada no Brasil para: I . www. a restituições e a outros efeitos civis. de restituição de coisa e outros efeitos civis. necessário tratado de extradição com o país do qual emanou a sentença ou. na sua falta.sujeitá-lo a medida de segurança.pontodosconcursos. para sua execução. I. de acordo com o disposto no artigo 9º. há alguns efeitos da sentença estrangeira que independem de homologação. “c” e parágrafo 2º. isto é. Também possível para sujeitar o agente à medida de segurança. Todavia. É o caso dos requisitos para a extraterritorialidade condicionada (Artigo 7º.sujeitá-lo a medida de segurança. “d”. 9º . quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as mesmas conseqüências. estão os bens do condenado. Para que produza os efeitos contidos no inciso I necessário o requerimento da pessoa interessada junto ao STJ. II . Em ambos os casos. Nos demais casos. inciso II.com. pode ser homologada no Brasil para: I . Eficácia de sentença estrangeira Art. do CP. tiver interesse em que a execução da obrigação indenizatória se realize no Brasil. beneficiária da sentença estrangeira que condenou o réu à reparação do dano causado. requisição do Ministro da Justiça (artigo 9º. a sentença proferida no exterior produzirá efeito “intramuros” independentemente de homologação pelo STJ.obrigar o condenado à reparação do dano. II . i. se a vítima. Jamais para o cumprimento de pena. no caso do inciso II. uma vez que aqui. poderá ser satisfeita a pretensão da vítima. a competência era do STF. Antes da Emenda Constitucional de número 45/04.obrigar o condenado à reparação do dano.br 23 . a restituições e a outros efeitos civis. meio de nacionalizar-se uma sentença estrangeira. deverá requerer ao STJ a homologação da sentença. Assim. nos casos de reparação do dano. A homologação de sentença estrangeira hoje é de competência do STJ (artigo 105. da CF).A sentença estrangeira. por exemplo. do CP) e do reconhecimento da reincidência (artigo 63 do CP).

e) no dia do recebimento da denúncia. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI 2. bastando que. pois é incluído na contagem. observe a redação do disposto no artigo 10 do CP. aquele que é condenado a uma pena de um mês de detenção.3. Gabarito oficial: A 12 www. Contagem de prazo CGU – ANALISTA – CORREIÇÃO P 3 2006 (ESAF) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL 48. O prazo prescricional começa a fluir a) no dia 27 de novembro.A pratica o crime às 23 horas e 32 minutos do dia 27 de novembro. conta-se como de pena cumprida. por ser penal.CURSOS ON-LINE – DIR. pode não cumprir uma pena de 30 dias. b) no dia 28 de novembro. Os prazos decadencial e prescricional12 por possibilitarem a perda do direito de punir (causas extintivas de punibilidade) são de natureza penal e não processual penal. Aqui. o prazo para eventual recurso será contado a partir do dia útil imediatamente seguinte. Neste. Sobre a contagem dos prazos penais. os meses e os anos são contados de acordo com o calendário comum. Assim. O dia de hoje. dia útil. na contagem do prazo processual. para isso. Assim. todavia. os dias. d) no dia do oferecimento da denúncia.pontodosconcursos. c) no dia da instauração do inquérito policial. Se o indivíduo é condenado a uma pena de 10 anos de reclusão e preso hoje às 23:40 horas. Já aquele que é condenado a uma pena de 30 dias pode cumprir pena por mais de um mês.br 24 .com. a principal diferença do prazo penal frente o prazo processual penal. intimado da sentença hoje. Pois o mês é contado pelo calendário comum. Os prazos penais serão contados de acordo com o que dispõe o artigo 10 do CP. exclui-se o dia do começo. DA CONTAGEM DOS PRAZOS. Se. o dia do começo não é incluído na contagem. o mês tenha menos de 30 dias.7. Portanto. No prazo penal. nos dizeres do legislador. o dia do começo inclui-se na contagem do prazo.

3. Não se aplica. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Art. www. É o que dispõe o artigo 11 do CP. os meses e os anos pelo calendário comum. Na contagem das penas privativas de liberdade (reclusão. se aplica a todas as leis especiais que não tratem de forma diversa. então. as regras gerais do CP têm caráter subsidiário.pontodosconcursos. no seu artigo 4º.Desprezam-se. DA LEGISLAÇÃO ESPECIAL. Assim. nas contravenções penais. São regras gerais do Código Penal aquelas estatuídas na sua parte geral (artigo 1º ao 120) bem como nos dispositivos insertos na Parte Especial (artigo 121 a 359 H). pois esta. isto é. à lei das Contravenções Penais. desde que não definam crime e estabeleçam a respectiva pena. por exemplo. detenção e. Frações não computáveis da pena Art.br 25 . a prisão simples) não se dá atenção às frações de dias. Contam-se os dias. o conceito de funcionário público previsto no artigo 327 do CP é regra geral que pode ser aplicada à legislações especiais desde que estas não disponham expressamente de forma diversa. as horas e os minutos são desprezados. Portanto. 11 . a lei especial dispor de forma diversa. Será de 06 meses desde que não haja expressa disposição em sentido contrário.CURSOS ON-LINE – DIR. 10 .com. Quando. Observe o prazo decadencial previsto no artigo 103 do CP. desde que não incriminadores. As regras gerais do Código Penal devem ser aplicadas às leis especiais quando estas não tratarem de modo diverso. na pena de multa.8. A regra contida no artigo 14. e. O mesmo ocorre com as frações de reais (cruzeiro na época da redação do CP).O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. os centavos. Serão elas aplicadas quando a legislação especial não dispuser de forma diversa. as frações de cruzeiro. isto é. são desprezados quando das penas de multa. despreza-se a regra geral do CP. 2. do CP (diminuição da pena em caso de crime tentado). Assim. parágrafo único. nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de direitos. diz ser impunível a tentativa de contravenção. as frações de dia.

já que. É o que prevê o artigo 2º. do CP.CURSOS ON-LINE – DIR. www. cessando em virtude dela a execução. Com relação à aplicação da lei penal. já que as leis excepcional ou temporária continuam a reger os fatos ocorridos sob sua vigência. no entanto. mesmo depois de autorevogadas (artigo 3º.com. Sabemos que a abolitio criminis faz cessar a execução da pena bem como os efeitos penais da sentença penal condenatória. do CP. do CP. pois aplica-se a lei penal brasileira. MPDF – 2003. os efeitos penais da sentença condenatória. A ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de considerar crime. A alternativa C também está incorreta. aplica-se a fatos anteriores ainda não decididos por sentença. C considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão. E Gabarito oficial: D. D ficam sujeito à lei brasileira. os crimes contra a vida ou a liberdade de governador de Estado brasileiro. quando praticado o fato no exterior em detrimento da VIDA ou LIBERDADE do Presidente da República e não do Governador de Estado. parágrafo único. PENAL – CURSO BÁSICO PROFESSOR JÚLIO MARQUETI Abaixo resolveremos uma questão a respeito da matéria. incorreta a letra A. caput. A alternativa B também está incorreta. ainda que outro seja o momento do resultado. A alternativa E está incorreta. perde a sua eficácia. de acordo com o artigo 4º. de forma incondicionada. preservando-se.br 26 . decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. é correto afirmar-se que a lei posterior. B a lei excepcional ou temporária. Trata ela da abolitio criminis prevista no artigo 2º. mesmo com relação aos fatos praticados durante a sua vigência. embora cometidos no estrangeiro. considera-se praticado o crime no momento da conduta (atividade) independentemente de quando vem a ocorrer o resultado. Resolução: A lei posterior que de qualquer modo favorece o agente será aplicada ainda que os fatos já tenham sido decididos por sentença penal transitada em julgado. Assim. A alternativa D está perfeita.pontodosconcursos. do CP). que de qualquer modo favorecer o agente.