A Indexação por Assuntos A Indexação é uma operação complexa que permite criar cabeçalhos de assunto com o objectivo de orientar

o utilizador na sua pesquisa, cujo objectivo último é a descrição e a caracterização do conteúdo de um documento através de uma linguagem documental. Ela situa-se, mais concretamente, a meio da cadeia documental, estabelecendo a ponte de contacto entre a entrada do documento no sistema e a sua posterior recuperação, através da pesquisa efectuada pelo utilizador. Trata-se de uma operação que se inicia com o técnico a transformar, da linguagem natural para a linguagem documental, os termos ou conceitos que “traduzem” o conteúdo do documento, elegendo as palavras ou os conceitos para que uns sejam descritores e os outros não descritores. Aqueles, por sua vez, posicionam-se numa teia de relações que permitem ao utilizador uma orientação precisa na sua busca.1 Indexar é, portanto, o acto de descrever e identificar o documento através do seu conteúdo, constituindo o processo básico da recuperação da informação. Por meio desta operação determina-se o assunto de um documento, o qual é representado de acordo com os descritores da linguagem documental adoptada pelo bibliotecário. Quando na sua estrutura os textos seguem normas e são bem redigidos, facilitam a leitura e aumentam a precisão do trabalho documental. Mas convém realçar aqui que a indexação, embora realizada no texto, não pressupõe a sua leitura integral, podendo perfeitamente ser conseguida em partes do mesmo. Para maior celeridade, o técnico indexador deve fazer uma leitura do título, do resumo e dos parágrafos iniciais e finais, pressupondo que aí se encontrem as informações suficientes para serem representadas por descritores. Raramente o técnico deverá ler o texto na íntegra, recomendando-se um misto de leitura das partes referidas e de leitura em diagonal.2 A indexação resulta, pois, da análise do documento e do acto de isolar, dentro da variedade e da riqueza da linguagem natural empregue pelos vários autores, o conjunto de conceitos substanciais que são convertidos numa significação unívoca que vise a facilitação de ulteriores pesquisas. Indexar é, pois, uma operação que conduz “ao reencontro do texto

1 Cf. Jorge M. de Abreu Arrimar – A Biblioteca Central de Macau = The Central Library of Macao. Macau: ICM, 1992, p. 62-63. 2 Cf. Patrícia Rosas - Instruções redatoriais e a indexação em publicação periódica : versão preliminar. Impressão 20/10/01, p. 2. [Consul. 07 Dez. 07]. Disponível em: < http://www.metodologia.org>.

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auxiliado por uma filtragem intelectual previamente elaborada e controlada”.3 A linguagem natural é composta por um imenso número de conceitos que são expressos por meio de termos que, a serem empregues conforme aparecem nos documentos, sem modificação, dificultam a concordância entre os termos indexados. Daqui resultaria que, um mesmo assunto fosse representado de formas diferentes, possibilitando que informações fossem perdidas mediante determinada solicitação de busca num sistema. O técnico deve procurar que a análise que faz seja, antes de mais, precisa, objectiva e concisa, reflectindo estritamente o conteúdo do texto. Daí que a análise deva ser independente da língua do próprio texto original. Fazer a abordagem do documento, determinar o seu assunto principal, reconhecer os elementos essenciais que devem ser realçados e descritos, extrair os conceitos, estabelecer a sua correspondência em linguagem documental e verificar a pertinência dessa representação, são etapas sucessivas a cumprir pelo técnico, com o objectivo final da difusão correcta da informação. E para que se cumpra este desiderato – e porque o problema central gira em torno do fenómeno da linguagem e da comunicação, sendo aquela o principal veículo de transferência da informação – a função da análise será a de transmitir, de forma inequívoca, o conteúdo do documento. Daí que seja necessário dois requisitos, a objectividade (que preside à elaboração analítica, pois deseja-se que o documento secundário possa substituir o documento original) e a normalização (que se traduz no próprio imperativo da documentação). A normalização é, pelas razões referidas, o elemento chave da cadeia documental, conferindo unidade e coesão ao próprio sistema. O seu campo de acção vai da fase de análise do documento até à fase subsequente de recuperação da informação. Apesar de possuirmos a NP 3715, de 1989, e a NP 4036, de 19924, constata-se que estas se revelam pouco normativas, constituindo-se mais como um corpo metodológico de acompanhamento do processo de indexação. E é no tratamento documental que se faz sentir a necessidade de um vocabulário controlado que permita uma maior especificidade e uma menor ambiguidade no seu desenvolvimento. Assim, a
3 Maria Margarida Melo de Carvalho – “O problema da subjectividade na indexação”. Cadernos BAD, nº1 (1995), p. 26.
4 NP 3715 (1989) Documentação. Método para análise de documentos, determinação do seu conteúdo e selecção de termos de indexação; NP 4036 (1992) Documentação. Tesauros monolingues: directivas para a sua construção e desenvolvimento, traduzidas pela CT 7 do Instituto Português de Qualidade, respectivamente das normas ISO 5963 (1985) e 2788 (1986).

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razão basilar para a convocação ao controlo da linguagem radica na variedade de sentidos que a linguagem natural carrega em si própria. E é a partir desta linguagem que se constrói um dos instrumentos de apoio à indexação, que é a linguagem controlada. O grande objectivo radica na forma encontrada para tornar explícitas as relações implícitas dos termos da linguagem natural. Daí que, a linguagem documental passe a ser utilizada para expressar de forma clara, sucinta e inequívoca o conteúdo dos documentos. Ela actuará, então, como um filtro entre a linguagem natural do documento e o utilizador, sendo imprescindível, para que tal aconteça, que este vocabulário controlado esteja registado em instrumentos mais específicos. Passamos a ter, então, no campo da indexação, dois tipos de linguagem: a categorial (pré-coordenada, consubstanciada em tabelas cujo princípio é o da classificação) e a combinatória (pós-coordenada, expressa em tesauros ou listas estruturadas de termos, cujo princípio repousa na combinação entre os termos). A linguagem categorial procura enumerar todos os assuntos possíveis, abrangendo o universo do conhecimento e do saber; são dedutivas, com os assuntos apresentados do geral para o particular, integrando-os em quadros lógicos onde é possível estruturar as suas relações hierárquicas. A linguagem combinatória, ao invés da categorial, obedece a um princípio combinatório que se alicerça em princípios filosóficos. A coordenação de conceitos caracteriza a evolução dos conhecimentos, revelando a sua abertura e flexibilidade e promovendo um espaço de maior liberdade ao utilizador. A estrutura desta linguagem é concretizada nos tesauros. O tesauro, na sua esfera de aplicação, é o instrumento de trabalho que permite ao bibliotecário traduzir a análise do conteúdo dos documentos através de palavra-chave ou descritores que representam os conceitos/assuntos através dos quais se pretende efectuar a pesquisa. Ele demonstra a sua versatilidade através de uma permanente actualização, por oposição à rigidez dos instrumentos de trabalho que se suportam na linguagem categorial. Indexação - coerência e qualidade Apesar da vontade em normalizar, o processo de indexação por assuntos “não pode contar com normas que verdadeiramente apoiem a objectividade da análise do documento, determinando com precisão, a decisão 3

correcta a tomar perante as opções colocadas pela representação dos conceitos, de forma a garantir a sua coerência e conferir uniformidade aos instrumentos de pesquisa disponibilizados ao universo utilizador”.5 É a convicção de que esta situação é intrínseca à própria indexação, resultando, em última análise, da multiplicidade e da diversidade dos casos apresentados na prática corrente e de forma alguma “susceptíveis de enquadramento numa tipologia que tornaria possível estabelecer um corpo limitado de regras”.6 Analisando-se a coerência da indexação isoladamente, sem considerar o nível de eficácia da recuperação de informações no sistema pelo utilizador, não se pode inferir sobre a qualidade da indexação. A coerência, portanto, não significa necessariamente que os documentos foram adequadamente representados, tornando-se com isso muito difícil estabelecer os meios para medir uma boa indexação. “Não existem critérios objectivos de indexação” e os termos só podem ser considerados mais pertinentes, mais informativos, mais relevantes, etc..7 A resposta é de que se torna necessário partir da certeza de que “indexar é muitas vezes um acto de escolha entre duas ou mais hipóteses válidas, se consideradas fora de um contexto muito próprio”, para estabelecer que “é esse contexto que deve ser reconhecido, bem caracterizado e enfrentado, para que se determinem as soluções que lhe forem mais adequadas”.8 Consequentemente são determinados princípios gerais e apresentadas normas para a indexação por assuntos, com o objectivo de prestar um apoio metodológico ao indexador, ao mesmo tempo que se toma uma posição quanto ao desenvolvimento normativo em indexação: a abolição da busca/determinação de palavras-chave em função da noção mais alargada que é a de conceito, podendo até ser a de conceitos-chave, que se podem traduzir por termos de indexação. Estes são compostos por uma ou mais palavras e, pela sua função, são termos-chave de uma linguagem de indexação, devendo, por isso mesmo, serem fixados num vocabulário próprio.9 O grande objectivo de um serviço de indexação é o de assegurar a recuperação de qualquer documento ou informação no momento em que o
5 Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Indexação por assuntos : princípios gerais e normas. Lisboa: Gabinete de Estudos a&b, 2002, p. 11. 6 Id., ibid. 7 Cf. Letícia Strehl - Avaliação da consistência da indexação realizada em uma biblioteca universitária de artes. [Consul. 3 Dez. 2007]. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-19651998000300011&lng=pt&nrm=iso> 8 Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Indexação por assuntos…, p. 11. 9 Cf. Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Id., p. 12.

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utilizador busca um assunto num sistema de informações. A sua qualidade é determinada pelo estabelecimento de descritores que representem devidamente os assuntos dos documentos, permitindo sua eficaz recuperação. A indexação por assuntos envolve duas etapas principais: a análise conceitual e a determinação dos termos de indexação. A análise conceitual é a actividade de definição dos assuntos que são tratados no documento, e a determinação dos termos de indexação corresponde à actividade de conversão dos conceitos identificados na análise para uma linguagem de indexação. Convém, no entanto, ressaltar que a actividade de indexação é um processo subjectivo, sendo que, na inexistência de normas claramente definidas, poderem surgir diferentes possibilidades de opção. Esta situação amplia-se no caso de existência de uma diversidade de técnicos num mesmo sistema, potencializando-se, assim, a intervenção negativa dos vários subjectivismos. Aos inconvenientes de uma indexação individual somar-se-ia os da indexação em equipa, tornando-se, neste último caso, mais notórios nos nossos dias em que se vai generalizando a cooperação. E ainda mais complexa se torna a situação se à diversidade referida se juntar uma outra, que radica na variedade de perfis do utilizador. Veja-se o caso das bibliotecas escolares, cujos utilizadores/alunos compõem um largo espectro de perfis, que vão do 1º ciclo (iniciados nas literacias) ao do 12º ano (alunos préuniversitários). Daí a grande questão, que os estudiosos destes assuntos continuam a levantar: “Como se poderia constituir um corpo de regras, limitado mas flexível, de modo a satisfazer, com soluções próprias, este somatório quase infinito de disparidades?”10 Em suma, pode-se dizer que o que coloca em risco a coerência da indexação é o facto de distintos indexadores (ou até mesmo um mesmo indexador em momentos distintos) perceberem de forma diferente: – o conteúdo real do documento; – a parte desse conteúdo que será susceptível de responder realmente às necessidades dos utilizadores; – os conceitos importantes que devem ser conservados para representar este conteúdo; – os descritores definidos para representar esses conceitos.
10 Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Id., ibid.

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Assim, a coerência da indexação consiste na concordância quanto aos termos a serem usados para indexar um assunto tratado em diferentes documentos. O conceito de coerência é um dos requisitos para uma indexação de qualidade, pois todos os documentos que tratam o mesmo assunto devem estar representados da mesma forma, não devendo subsistir perda de informações no momento da recuperação. Daí a importância do uso de uma política de indexação e de um vocabulário controlado para nortear as actividades do indexador no momento da representação temática dos documentos. Política de indexação e vocabulário controlado A política de indexação, neste contexto, orienta a indexação de acordo com as necessidades de informação dos utilizadores de um determinado sistema; já o vocabulário controlado estabelece a forma de representar os assuntos que compõem uma área limitada do conhecimento, tornando possível maior coerência entre os termos de indexação. Aos objectivos de uma política de indexação prende-se o estabelecimento dos princípios e critérios que servem de guia na tomada de decisões para a optimização do serviço, a racionalização dos processos e a consistência das operações envolvidas. Do conjunto de elementos que compõem uma política de indexação, podemos destacar os seguintes: a) cobertura de assuntos – reconhecimento das áreas que necessitam de um tratamento mais apurado e das áreas a serem superficialmente tratadas; b) processo de indexação – definição das variáveis que se referem aos níveis de exaustividade e especificidade requeridos pelo sistema, linguagem de indexação e precisão do sistema; c) estratégia de busca – definição da responsabilidade para realização da busca de informações num sistema, ponto em que se decide se o bibliotecário ou o utilizador terá acesso directo à base de dados; d) tempo de resposta do sistema – identificação do tempo permitido para ser consumido no momento da recuperação de informações úteis, sendo determinado pela precisão dum sistema; e) forma de saída – definição da forma de apresentação das informações recuperadas no sistema; 6

f) avaliação do sistema – identificação da forma como o sistema será avaliado, visando descobrir o nível de satisfação das necessidades dos seus utilizadores, as falhas que ocorrem e a forma como podem ser corrigidas.11 A definição de uma política de indexação, de pleno acordo com a organização em que se insere e com os utilizadores a que se destina, é indispensável para o alcance dos objectivos de um sistema de informação: a recuperação da informação certa no momento adequado. Quanto ao vocabulário controlado, este é o instrumento utilizado na segunda etapa do processo de indexação, durante a qual o indexador traduz os conceitos extraídos do documento para a linguagem utilizada no sistema. “Todo o procedimento de recuperação de informações é ligado à manipulação de ‘classes’. Quando indexamos um documento, colocamo-lo numa classe determinada. Para facilitar o processo, cada classe recebe ‘um nome’, que é chamado ‘termo de indexação’. Ao conjunto de termos de indexação chamamos Linguagens de Recuperação de Informação ou Linguagens de Indexação”. Neste mesmo sentido, destaca-se que, “quando um sistema adopta algum tipo de controlo sobre os termos utilizados, estamos empregando uma linguagem artificial, através de um vocabulário controlado”.12

I – PRINCÍPIOS13 1. Qualidade da análise É a qualidade da análise que determina a qualidade da indexação, obstando a que se recuperem documentos sem informação pertinente (“ruídos”), quando outros, mais importantes, ficam escondidos (“silêncio”). Se por um lado a análise deve caracterizar-se pela fidelidade com que exprime o pensamento do autor, por outro, deve resultar de uma avaliação positiva da sua pertinência informativa em relação ao potencial utilizador. A análise do conteúdo temático/informativo dos documentos constitui a
11 Cf. Letícia Strehl - Avaliação da consistência da indexação realizada em uma biblioteca universitária de artes. [Consul. 3 Dez. 2007]. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-19651998000300011&lng=pt&nrm=iso> 12 Letícia Strehl – Id., ibid. 13 Cf. Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Indexação por assuntos : princípios gerais e normas. Lisboa: Gabinete de Estudos a&b, 2002, p. 17-21. Princípios que a IFLA propõe: Uniformidade, Controlo da sinonímia e da homonímia, Semântica, Sintaxe, Consistência, Nomes, Justificação documental (autoridade da literatura corrente) e Utilizador.

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1.ª fase do processo de indexação. A apreensão exacta do conteúdo informativo do documento (evitando a ambiguidade), o respeito pelo pensamento nele consignado, conjugado com a pertinência (valor potencial que tenha para o utilizador que solicite a informação ou que com ela venha a deparar-se), são questões base deste princípio. A objectividade é uma qualidade que o indexador tem que possuir, a par dos conhecimentos mínimos da área temática em que se move (deve contar com o apoio de obras de referência em todo o tipo de suportes de informação). Convém chamar a atenção para o facto de a utilização simultânea de uma linguagem de indexação combinatória, e de uma linguagem categorial, de uma classificação, constituir um grande apoio à análise correcta, na medida em que, integrando o assunto concreto num âmbito mais vasto, o torna mais claro e facilita a sua identificação. [p.17-18] 2. Interesse do Utilizador; características do fundo bibliográfico. No processo de indexação, nomeadamente na identificação e selecção dos conceitos, ter-se-ão em conta os temas que constituam informação pertinente para o utilizador comum do serviço que indexa e correspondam aos objectivos e às características de um fundo bibliográfico concreto; na representação em termos de indexação, devem ser escolhidas as formas consagradas no uso corrente do meio a que se destinam. [p. 18] […] 3. Simplicidade formal O termo de indexação deve assumir uma forma tão simples quanto possível. [p.19] […]

4. Coerência e uniformidade No processo de indexação deve impor-se a coerência da aplicação dos mesmos princípios e da manutenção dos critérios de escolha para a solução de casos análogos; é, digamos assim, uma uniformidade intrínseca. Deve, procurar-se, também, a uniformidade exterior, aquela que é imediatamente visível, que acima de tudo, anula as potencialidades da sinonímia, garantindo, para a representação de um mesmo conceito, a escolha de um mesmo termo; sempre que possível, deverão, também, utilizar-se termos de estrutura idêntica 8

para conceitos análogos.[…] 5. Controlo da Sinonímia Para um mesmo conceito deve escolher-se um único termo de indexação (termo preferencial ou descritor), permitindo através de uma relação de equivalência o acesso pelos seus sinónimos (não descritores). [p.20] […] 6. Analogia Em casos de dúvida na aplicação directa dos princípios e das normas, procurar-se-á uma solução análoga a alguma já encontrada para casos idênticos, fazendo assim valer a coerência e a uniformidade. 7. Controlo da ambiguidade A escolha dos termos, em qualquer caso, mas muito particularmente em sistemas pós-coordenados, deve ser cuidadosamente feita de modo a que não resulte ambiguidade no momento da pesquisa. […] [p. 21]

II – PRECISÕES TERMINOLÓGICAS14 Em indexação por assuntos, para que haja entendimento perfeito e comunicação, particularmente no decurso de um trabalho em comum, como, aliás, em qualquer outro domínio, é necessário que se reconheçam os mesmos e bem definidos conteúdos semânticos aos termos técnicos utilizados e que, ultrapassadas as alternativas, se fixem num elenco de terminologia técnica. [p.22] […] 1. Conceito/termo de indexação Conceito, na perspectiva da indexação, é uma unidade de pensamento de um determinado conjunto que constitui o conteúdo temático de um documento; o conceito torna-se claro ao indexador por um processo de análise, através da qual é identificado e, no caso de se lhe reconhecer pertinência
14 Cf. Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – Id., p. 22-

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informativa, é, seguidamente, seleccionado. Termo de indexação, representação do conceito, quer vocabular – simples ou composto – quer simbólico, conforme o tipo de linguagem de [p.22] indexação utilizada, que constitui um ponto de acesso do utilizador à informação e se integra num vocabulário próprio de uma linguagem de indexação combinatória ou num quadro classificatório de uma linguagem categorial. Este binómio conceito / termo é uma referência de base que nos situa com precisão e à partida, no âmago do processo de indexação e nos revela a natureza dos problemas que se põem a cada uma das suas duas etapas: por uma análise identificam-se, reconhecem-se, os conceitos do conteúdo temático de um documento para, em seguida se representarem em termos de indexação. […] Na linguagem corrente, na lógica e na indexação por assuntos, conceito e termo não se identificam. Conceito, também designado por ideia e noção, constitui uma representação formal, o seu suporte visível, digamos assim.” [p.23] […] 2. Características do termo de indexação O termo de indexação tem como característica essencial a sua funcionalidade; actua na pesquisa como ponto de acesso à informação, como uma porta de entrada, por assunto, num sistema informativo.” [p. 24] 2. Modificador (distintivo ou especificador)15 Na formação lógica de um termo composto pode reconhecer-se um conceito genérico e a intervenção de uma diferença específica de que resulta um conceito específico (ex.: HOSPITAL é a representação do conceito genérico, PEDIÁTRICO corresponde à diferença específica). [p. 26] Conclusão
15 Qualificador designa a nota que se coloca, entre parêntesis, à frente de homógrafos.(Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões – ob. cit., p. 27). Ou Qualificador Parentético “palavra ou expressão, colocada entre parêntesis curvos, acrescentada a um termo de indexação com a função de esclarecer ou especificar o seu sentido” (SIPORbase : sistema de indexação em português. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1998, 46, p.1).

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A existência de uma política de indexação, consubstanciada no sistema de indexação em português SIPORbase16, e a edição em Portugal, com as devidas adaptações, da Lista de cabeçalhos de assunto para bibliotecas17, já largamente utilizada em bibliotecas públicas e escolares, faz-nos pensar estarmos já na posse dos instrumentos essenciais para que se consiga um bom nível de indexação nas bibliotecas escolares, sobretudo agora que está em projecto a criação de uma rede de catálogos das bibliotecas escolares.18 A adopção do SIPORbase responde, assim, à necessidade de facilitar o acesso por assunto aos diversificados fundos bibliográficos das bibliotecas escolares (do 1º ciclo ao secundário), por parte de uma população de utilizadores sem um perfil comum, a não ser o facto de ser uma população estudantil. - Indexação SIPORbase19 – 1. Pontuação. É usado nas seguintes situações: J. B. Fernandes (Firma) Marques, A. R. Prates Matos, Maria João Portugal. Ministério da Educação Convento de Cristo. Janela da Casa do Capítulo (Tomar, Portugal) 1.1.Vírgula , António, Prior do Crato, 1531-1595 Melo, Família, séc. 18 Pessoa, Fernando, 1888-1935 Congresso Nacional BAD, 2, Coimbra, 1987 Dinastia de Bragança, 1640-1910 França -- História -- Restauração, 1814-1830 Avenida da Liberdade (Lisboa, Portugal)

16 Na 3ª edição (1998), temos “Obras para crianças e jovens”, numeração 92. Ver tbm.: Maria Teresa Pinto Mendes, Maria da Graça Simões - Indexação por assuntos : princípios gerais e normas (2002). 17 Martine Blanc-Montmayeur, Françoise Danset – Lista de Cabeçalhos de assunto para bibliotecas. Lisboa: Editorial Caminho, 1999. 18 PCCRBE – Programa para a Criação de Catálogos Colectivos da Rede de Bibliotecas Escolares. 19 Abordagem muito sucinta do SIPORbase : sistema de indexação em português. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1998.

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1.2. Dois Pontos : É usado para separar o qualificador geográfico Ponte da Barca (Portugal: loc.) Conímbriga (Portugal: loc. ant.) Reino de Aragão (Espanha: jur. pass.) 1.3. Hífen - Usado para ligar (Datas) Agricultura -- Portugal – 1974Segunda Guerra Mundial, 1939-1945 Portugal -- Política económica -- 1974-1984 1.4. Parêntesis ( ) e [ ] (Curvos) Basic (Linguagens de programação) Almada (Portugal) [Rectos] Filosofia -- [Dicionários] Almada (Portugal) -- [Diapositivos] 1.5. Travessão _ Portugal – História -- [Manuais escolares] 2. Nomes de Pessoas ou Colectividades Apolo 70 (Centros comerciais) Apolo 70 (Cinemas) Coimbra. Câmara Municipal Portugal. Direcção Geral do Ensino Básico Silva, José Maria, 19232.1. Títulos Herculano, Alexandre – História de Portugal Peres, Damião – História de Portugal Géneses (Poema anglo-saxónico) 12 }localidade }localidade antiga }jurisdição passada

2.2. Nomes Geográficos Paris (Estados Unidos) Paris (França) Lubango (Angola) Rio Nabão (Tomar, Portugal) Rio Mucúfi (Lubango, Angola) 3. Singular e Plural - Singular 3.1. Noções abstractas: fenómenos, propriedades, actividades, disciplinas, crenças, etc. Elasticidade Evaporação Filosofia Socialismo 3.2.Entidades concretas não contáveis (quanto ?) Cobre Dinheiro Papel 3.3.Partes do corpo Boca Cabeça Nariz - Plural -

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3.4. Noções abstractas que designam uma classe compreendendo vários membros Ciências médicas Reacções químicas Cardiopatias 3.5. Entidades concretas contáveis (quantos ?) Laranjas Mesas - Os dois 3.6. Quando o mesmo termo designa noções diferentes Teatro [actividade] Teatros [instituições]

4.

Termos Compostos Aves de rapina Gestão por objectivos Sapatos de ténis Fundação Calouste Gulbenkian Lógica Booleana Método de Hondt Flores de plástico Ovos de chocolate Árvores genealógicas

5.

Termos Compostos com mais de um Conceito

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Produção agrícola -- Efeitos de acidez do solo Sucesso escolar -- Influência dos pais Solo -- Acidez

6.

Qualificadores Parentéticos

(Palavra colocada entre parêntesis curvos

com a função de esclarecer o sentido do termo de indexação) Bancos (Instituições financeiras) Bancos (Hospitais) Bancos (Jardins) Macacos (Ferramentas) Macacos (Animais) Obs.: Quando ocorrem vários tipos de subdivisões a ordem mais frequente será: Cabeçalho principal -- Subdivisão de assunto -- Subdivisão geográfica -Subdivisão cronológica -- Subdivisão de forma

Jorge de Abreu Arrimar

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