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BELONAVES

As fragatas holandesas “De Zeven Provincien”
A classe de fragatas “De Zeven Provincien”, da Holanda, representa o estado da arte atingido por aquele país em termos de projeto e construção de navios de combate. Uma descrição desses navios é oportuna, pois serão levados em conta pela Marinha do Brasil na busca pela definição de seus novos navios de escolta. n MÁRIO ROBERTO VAZ CARNEIRO
a Holanda, a partir de 1991 a Koninklijke Marine (Real Ma‐ rinha Holandesa) começou a pensar em substituir as fra‐ gatas das classes “Tromp” e “Jacob van Heesmarck” com navios dotados de capacidade antiaérea e que pudessem também se contrapor até a mísseis balísticos. Inicialmente, a idéia era cons‐ truir duas variantes, a LCF (Luchtverdedigings en Commando Fregat, capaz de funcionar como capitânia) e a NLF (sem essa capacidade), mas eventualmente os quatro navios receberam a configuração de capitânia. Como na época Alemanha e Espanha também pensavam em obter novos navios de escolta, os três países decidiram assinar um acordo trilateral para a construção de fragatas, estabelecendo o Trilateral Frigate Cooperation Program (TFC, Programa Trilateral de Cooperação em Fragatas). Assim, em outubro de 1993 foi assi‐ nado um Memorando de Entendimento envolvendo os estaleiros Blohm + Voss (Alemanha), Royal Schelde (Holanda) e Bazan (atual Navantia, Espanha) para cooperação no projeto das plataformas em si — mas não necessariamente nos sistemas de combate e ar‐ mamento. Esse documento resultou nas classes “F124” (“Sach‐ sen”, da Alemanha), “LCF/NCF” (“De Zeven Provincien”, da Holanda) e “F100” (“Alvaro de Bazan”, da Espanha). O objetivo do acordo era manter o custo dos navios a serem obtidos abaixo do teto de US$475 milhões, através da aquisição em grupo dos siste‐ mas em comum, obtendo economia de escala. Em 15 de dezembro de 1993, foi contratada a definição de projeto com o estaleiro Royal Schelde (atualmente de propriedade do Damen Shipyard Group). Em 30 de julho de 1995, foi contra‐ tado o projeto de detalhamento e a construção das primeiras duas unidades, com um contrato para outras duas sendo assinado em 5 de fevereiro de 1997. Sabe‐se que, pelo menos inicialmente, o governo holandês havia destinado US$1,61 bilhão ao programa. Em se tratando de unidades tão sofisticadas, é difícil de se aceitar essa cifra. É possível, portanto, que posteriormente recursos adi‐ Acima As fragatas da classe “De Zeven Provincien” foram projetadas para ter baixas assinaturas, inclusive no radar, como indicado pela característica inclinação dos painéis (Foto: SHAPE).

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SEGURANÇA & DEFESA 37

Internamente.0m incluindo o domo do sonar).2m de comprimento total (130. FRAGATAS CLASSE “DE ZEVEN PROVINCIEN” NOME F802 F803 F804 F805 INDICATIVO VISUAL De Zeven Provincien Tromp De Ruyter Evertsen BATIMENTO DA QUILHA 01/09/1998 03/09/1999 01/09/2000 06/09/2001 LANÇAMENTO 08/04/2000 07/04/2001 13/04/2002 19/04/2003 INCORPORAÇÃO 26/04/2002 14/03/2003 22/04/2004 10/06/2005 38 SEGURANÇA & DEFESA . os canhões dos dois primeiros navios da classe estavam ante‐ riormente instalados em contratorpedei‐ ros canadenses da classe “Iroquois”. e num ambiente eletrônico saturado. Chief Mass Communication Specialist David Rush). No projeto. acústica e ele‐ tro‐magnética. cionais tenham sido alocados. subsônico e supersônico. Armamento Na proa. embora a Koninklijke Marine os designe como fragatas. e antes de serem aplicados aos navios holandeses foram completamente revisadas pela Oto Melara. ou que o custo unitário de US$400 milhões não incluísse a totalidade dos equipamentos e sistemas de bordo. O de vante é posicionado à frente do “mastro” do radar APAR e o de ré sobre o hangar. mais 32 do grupo de comando/estado‐maior embarcado. Guerra Anti‐Submarino e Apoio de Fogo. foi dada grande ênfase à redução das assina‐ turas radar. em quaisquer condições te tempo. As duas esferas são cobertura das antenas para comunicação por satélite (Foto: USN. alcance anti‐superfície de 23km (está sendo estudada a adoção de munição de maior alcance) e antiaéreo de 7km.2m de calado (7. com cadência de 4. mas mais recentemente pelo menos a Evertsen já o tem instalado. os navios são divididos em sete seções. Embora os dois reparos sejam interligados ao sistema de combate de bordo. biológica ou química. Os navios têm duas missões primárias. (incluindo o enfrentamento de ataques de saturação por aerona‐ ves ou mísseis antinavio em vários perfis de voo — mergulho. Para defesa contra guerra nuclear. Talvez para manter os custos em um patamar mais baixo. voo rasante sobre o mar. Uma é Defesa Aérea. as fragatas con‐ tam com dois reparos Thales Naval Goalkeeper de 30mm.7m na linha d'água). dispõem de duas ci‐ dadelas e uma sub‐cidadela. cada um deles possui Ao lado A extrema elevação do canhão de 127mm/54 o torna especialmente adequado para tiro antiaéreo (Foto: Royal Netherlands Navy). A outra é atuar como capitânia de uma Força‐Tarefa ou flotilha. cada navio dispõe de um canhão Oto Melara de 127mm/54. São guarnecidas por 174 tripulantes. As missões secundárias são Guerra de Superfície. esses na‐ vios — pelo seu tamanho. armamento polivalente e capacidade — seriam melhor categorizados como contratorpedeiros. Aparentemente.8m de boca e 5. infravermelho.200tpm e alcance eficaz de 1. vista em Pearl Harbor em 2006. 18. e as anteparas divisórias são construídas com chapas de aço duplas. as demais ainda continuarão contando com energia e venti‐ lação.5km.QXD 06/06/10 00:44 Page 38 Acima A Tromp (F803). Para defesa aproximada contra aero‐ naves e mísseis antinavio. Du‐ rante algum tempo o reparo de vante não foi instalado em qualquer um dos navios. com cadência de 45tpm. o casco não foi cons‐ truído segundo os padrões de choque re‐ comendados pela OTAN (Organização do tratado do Atlântico Norte). Com 144. as fragatas deslocam 6.048t a plena carga. manobrando. vindo de qualquer azimute). No caso de qualquer uma delas ser avariada.LCF. Embora dedicados principalmente à defesa aérea.

esses tubos Acima A Tromp navega ao lado do USS Harry S. de 324mm.41.32 Mod9. Christopher R. ou Alcance Extra Longo) do radar SMART‐L instalado a bordo da fragata Tromp para ensaios reali‐ zados no Pacific Missile Test Range Facility.41 para mísseis de lançamento vertical. em novembro‐dezembro de 2006. cabeça de combate e siste‐ mas eletrônicos mais avançados e capacidade de enfrentar alvos a baixa altitude. O armamento anti‐submarino é composto por dois tubos du‐ plos lança‐torpedos Mk. Os navios possuem 40 células de lan‐ çamento vertical Lockheed Martin Mk. Lt.000t a plena carga. Em outubro de 2000. Os resulta‐ dos favoráveis foram corroborados pelo ex‐ celente desempenho da variante ELR (Extended Long Range. poderá adicionar oito mísseis Standard SM‐3 (alcance de 1. A partir daí. Deslocando pouco mais de 6. peças de reposição. seriam transportados 32 mísseis Stan‐ dard SM‐2MR Block IIIA (alcance de 167km. o US De‐ partment of Defense anunciou que o governo holandês havia ad‐ quirido 24 exemplares do SM‐2 Block IIIA Standard (16 mísseis táticos e oito equipa‐ dos com cabeças telemétricas) por um custo aproximado de US$24 milhões. “Escondidos” na superestrutura. mas essa idéia foi oficialmente can‐ celada em 14 de maio de 2007. velocidade de Mach 2) e 32 mís‐ seis RIM‐162 ESSM Evolved Sea Sparrow (alcance de 18km. entre o mastro do APAR e as chaminés. estão dois lançadores quá‐ druplos de mísseis superfície‐superfície RGM‐84 Harpoon Block ID. como melhor propulsão. Há no projeto previsão para instalação de mais oito células Mk.7mm (ou armas do mesmo porte). conferindo‐lhes tal capacidade (a dotação de mísseis Standard passaria então a ser de oito SM‐3 e 24 SM‐2).46 Mod5.41 junto às já existentes. lançando torpedos Raytheon Mk.QXD 06/06/10 00:44 Page 39 capacidade independente de engajar mís‐ seis antinavio. velocidade de Mach 3.200km a Mach 3) ao armamento de cada um dos navios. Observe-se a área reservada para mais oito células. os 40 módulos Mk. O SM‐2 Block IIIA dispõe de uma série de melhoramentos em relação às versões anteriores. O míssil pode ser disparado numa trajetória ba‐ lística. logo atrás do canhão de 127mm/54. o governo holandês decidiu que. suporte de suprimento. para economizar combustível e somente na fase final o alvo é iluminado pelo radar APAR. Normalmente. é interessante apontar que. assistência técnica e outros elementos de apoio logístico. que a princípio receberiam mísseis BGM‐109 Tactical Tomahawk. podem ser instaladas pelo menos duas metralhadoras Browning de 12. os navios dessa classe são candidatos sérios ao programa de novas fragatas para a MB (Foto: USN. ou sapatas). Truman (CVN-75). Como em pratica‐ mente todos os navios com características “furtivas”. Para que o leitor tenha uma idéia geral dos custos envolvidos. Shrank/Released). uma em cada bordo. SEGURANÇA & DEFESA 39 . ao lado do passadiço. cada reparo pode dar quatro rajadas. se jul‐ gar oportuno. em 16 de setembro de 1998. Ao lado Na proa. que poderiam abrigar mísseis BGM-109 Tactical Tomahawk (Foto: Royal Netherlands Navy).LCF.6). a Marinha holan‐ desa e a Marinha alemã encomendaram um estudo para avaliar a viabilidade de adicio‐ nar capacidade de TBMD (Theater Ballistic Missile Defense. e a munição consta de penetrado‐ res que após o tiro liberam os “sabots” (cal‐ ços. Na aquisição estavam incluídos containers. ou Defesa de Teatro contra Mísseis Balísticos) às classes “De Zeven Provincien” e “F124/Sachsen”. quando então a cabeça de busca do SM‐2 o guia até o impacto. cujas células podem abrigar (cada uma) um SM‐2 ou quatro ESSM. um em cada bordo. Antes de necessitar remuni‐ ciamento. Como defesa contra lanchas e outras ameaças de superfície a curta distância.

adotou para o helicóptero a configu‐ Helicopter. Trata‐se de um helicóptero biturbina da a SELEX Galileo é a projetista e a contratante principal. A dotação do navio é de 24 fases. EADS De‐ fence Electronics e Thales Naval Avionics (que projetou o sistema). A primeira (“Step A”). e carga útil de 3t. todos três produtos da Thales Naval Nederland. 40 SEGURANÇA & DEFESA . que é integrado com um conjunto lançador de tico passivo/ativo. ou Helicóptero da OTAN para Fragatas) é produzido pela NH Industries.7mm 1 x Lynx (depois. A Holanda.46 Mod5 pesa 232kg.0m empresa italiana MES. ração anti‐submarino padrão. é de 11. As sonobóias Comprimento 144. Nos helicópteros. significando a total ca‐ cóptero.048y processador acústico leve. produzido sob licença na Europa pela ELAC Nautik/Fokker Elmo/SELEX Galileo. cional significativa (mas não completa).38kHz). (embora algumas fontes apontem até 50% mais que isso) e a ve‐ A aceitação do NFH90 em serviço está sendo feita em duas locidade máxima é de cerca de 45nós. SPY‐1D. Em novembro de 1995. abrindo‐se uma porta lateral quando dor Infravermelho de Visão Frontal) operando na faixa de 8‐12μ. seu alcance máximo oficial é de 8. tem 2. e escolheram o radar APAR como a base para o seu sistema.LCF. Holanda e Espanha ha‐ viam em princípio se decidido pelo de‐ senvolvimento de um sistema de defesa antiaérea comum.2m são lançadas a partir de um lançador ro‐ Boca 18. En‐ adotar o NFH90. e um sistema de sonobóias que FICHA TÉCNICA inclui um receptor VHF de 16 canais da FRAGATAS CLASSE “DE ZEVEN PROVINCIEN” Ultra Electronics — que possui um sis‐ Características físicas tema interno de posicionamento — e um Deslocamento a plena carga 6. O “Step B” — este sim. conhecida como OTS‐90. Há também uma torre para o sensor EUROFLIR (FLIR = Forward-Looking Infra-Red. mas em meados de 1995 a Espanha decidiu adotar o sis‐ tema americano Aegis. que re‐ sultou na entrega do primeiro exemplar do radar em 2000. O NFH90 (NATO Frigate na segunda metade de 2012. com baixa assinatura radar. Os dois países restantes continuaram o trabalho. produzido pela Calado máximo (bulbo do sonar) 7. como a Itália. do radar tridimensional de longo alcance SMART‐L e do sistema infravermelho de longo alcance Sirius. cabeça de combate de 98 libras e usa guiamento acús‐ nica é o DETE 90. Essa confi‐ classe de 10t de peso (nominal. A de baixa frequência (1. foi certificada no segundo Na popa existe um convés de voo (e hangar) para um heli‐ semestre de 2009.QXD 06/06/10 00:44 Page 40 Acima Um Standard é lançado pela De Zeven Provincien (Foto: Royal Netherlands Navy). o principal sensor de superfície é um radar ENR (European Navy Radar) da SELEX Galileo. mas deverá pacidade operacional — está previsto para meados de 2011.46 Mod5 2 x metralhadoras Browning 12. 1 x NFH90) Sensores Thales APAR Thales SMART-L Thales Scout Mk. Alemanha. Desempenho Velocidade máxima Alcance Tipo Turbinas Motores diesel Hélices Armamento de tubo principal Mísseis antiaéreos Mísseis antinavio CIWS Tubos lança-torpedos Tipo de torpedo Outros Aeronave Radar de busca combinada Radar de busca aérea Radar de busca de superfície IFF Alças optrônicas Sonar de casco 28 nós 5. O Mk. pois o peso máximo de decolagem guração inclui o sonar ativo de imersão L‐3 Ocean System HELRAS. O convoo dispõe de um sistema francês Samahé tretanto.6m de com‐ sistema de Guerra Eletrônica e Medidas de Apoio à Guerra Eletrô‐ primento.8m tativo para dez unidades.000 jardas chaff e flares MBDA Mayr. Alemanha.XII 2 x Thales Sirius 1 x Thales Mirador STN Atlas DSQS-24C Sensores O sistema de Guerra Antiaérea dos navios é baseado no emprego do radar multifunção de varredura eletrônica ativa APAR (Active Phased Array Radar). O forem ser utilizados.32 Mod9 de 324mm Mk. um consórcio formado pela AgustaWestland. o uso completo da capacidade do radar só será atingido para fixação e manuseio de helicópteros. Holanda e Canadá as‐ sinaram com a Thales Naval Nederland um contrato de US$125 milhões. A Koninklijke Marine usa atualmente o Lynx. ou Imagea‐ são instalados internamente.600kg). Holanda encomendou doze exemplares com capacidade A/S e A/Sup e mais oito configurados para transporte. que objetiva uma capacidade opera‐ desses torpedos.000 milhas a 18 nós Propulsão CODOG 2 x Rolls-Royce Spey SM1C 2 x Stork-Wärtsillä 16V 26ST 2 Armamento 1 x canhão Oto Melara 127/mm/54 32 SM-2 Block IIIA Standard 32 RIM-162 ESSM 8 x Harpoon 2 x Goalkeeper 30mm 2 x reparos duplos Mk. para a qual Eurocopter e Fokker.

derivado do SMART‐S.LCF. mas o custo não foi divulgado. a Koninklijke Marine contratou a aquisição de quatro exem‐ plares do SMART‐L para a classe “De Zeven Provincien”. Além das fragatas “De Zeven Provincien”. por exemplo) a mais de 200km. o Minis‐ tério da Defesa da Holanda concedeu um contrato de US$25 milhões à Sig‐ naalapparaten (que posteriormente se transformou na Thales Naval Neder‐ land) para o desenvolvimento do radar SMART‐L (Signaal Multibeam Acquisi‐ tion Radar for Tracking. técnicas de compressão digital de pulso. Sua imensa antena (8. com até oito mís‐ seis Standard e/ou ESSM em voo. e que deverá substituir o Lynx a bordo das fragatas “De Zeven Provincien” (Foto: Royal Netherlands Navy). deixando os longos alcances para o SMART‐L. O principal armamento de tubo é o canhão de cinco polegadas na proa (Foto: Royal Netherlands Navy). Na prática. e é instalado no mastro logo atrás do passadiço. o APAR está insta‐ lado nas três “F124/Sachsen” alemães e está previsto par as três fragatas di‐ namarquesas classe “Iver Huitfeldt”. Em 24 de julho de 1991. eliminando assim a necessidade de radares designadores de alvos. e simultanea‐ mente controlar o engajamento de quatro alvos. Outras fontes conferem‐lhe a capacidade de acompanhar “mais de 200” alvos aéreos até o al‐ cance de 150km e “mais de 150” alvos de superfície até 32km. De início.001m2) podem ser detectados a 65km. de alcance médio. Entretanto. pois ele operaria em conjunto com um radar SMART‐S (de curto alcance) e dois diretores Mk. extremamente capaz. e alvos convencionais (aeronaves de caça. e todos para recepção) e gira a 12rpm.424 módulos) num só “mastro” bem acima do nível do mar. cobrindo uma elevação de até 70 graus. a um custo unitário estimado de US$9 milhões. O SMART‐L opera na banda D e é um radar de busca aérea tri‐ dimensional de longo alcance. foi possível localizar seus quatro “painéis” (quatro antenas.99. resultando numa cobertura omni‐azi‐ mutal. dis‐ Acima O NFH90 é um helicóptero de nova geração. Há referências de que o APAR pode acompanhar até 250 alvos ao mesmo tempo. a De Zeven Provincien (F802) foi o primeiro navio da classe a entrar em serviço. uma variante de longo alcance do radar SMART‐S. cada uma com cerca de 3. suas emissões são eletronicamente adaptadas ao estado do mar e à inclinação do navio. L‐band). SEGURANÇA & DEFESA 41 . O contrato para produção dos quatro APAR para instalação na classe foi assinado pela Koninklijke Marine em 9 de dezembro de 1998. a intenção era ado‐ tar para o APAR uma potência seme‐ lhante á do SPY‐1 americano. aproximadamente na vertical do hangar. Entretanto. Operando nas bandas I/J. o SMART‐L realiza as funções que an‐ teriormente eram executadas pelo SMART‐S e pelo radar de vigi‐ lância de longo alcance LW‐08. O alcance máximo no regime de busca de superfície é de 75km. A antena está posicionada na parte traseira da superestrutura. O alcance máximo instrumentado é de 400km na versão padrão (bastante ampliada no caso da variante ELR).2m) é formada por 24 elementos (16 para transmissão apenas. Os ensaios começaram em setembro de 1995. eventualmente foi decidido que o APAR operaria em alcances mé‐ dios. Abaixo Incorporada em abril de 2002. com cobertura em elevação de até 70 graus. Devido á sua compacidade. Em feve‐ reiro de 1998.QXD 06/06/10 00:44 Page 41 O APAR é utilizado para busca combinada (aérea e de superfície) e di‐ reção de tiro. degradação gradativa e geração flexível de forma de onda. possui excelente desempe‐ nho contra mísseis antinavio em voo rasante. Sua capacidade multifunção inclui processamento “doppler” digital. e não é estabilizada fisica‐ mente. Cada “pai‐ nel” cobre um setor de cerca de 120º. Pode realizar espotagem do tiro do canhão. com recobrimento nas “emen‐ das” entre setores O alcance instrumentado é de 150km em busca aérea e 75km em busca de superfície. Alvos “furtivos” (superfí‐ cie radar igual ou menor que 0.

e está previsto para os navios‐aeródromo britânicos classe “Queen Elizabeth”. É utilizado também nas fragatas ale‐ mães da classe “F124/Sachsen”. ou Baixa Probabilidade de In‐ terceptação). Em destaque. cuja antena de 1. O SMART‐L pode acompanhar simultaneamente até 1. um alvo de 1m2 pode ser detectado a 5. A velocidade máxima do alvo para permitir 42 SEGURANÇA & DEFESA . tância à qual pode detectar uma aeronave de patrulha. A cabeça do sensor pesa 280kg. No mastro do APAR. acima do hangar (Foto: Thales Naval Nederland).LCF. e um alvo do tamanho de uma corveta seria de‐ tectado no horizonte. emitindo apenas 0. e permitindo a de‐ tecção. girando a 24rpm. nas futuras fragatas di‐ namarquesas classe “Iver Huitfeldt”. está um Thales Naval Naval Nederland Mi‐ rador TEOOS (Trainable Eletro-Optical Observation System. Trata‐se de um sis‐ tema de vigilância que combina os modos ótico e infravermelho. O alcance máximo instrumentado é de 24mn. além de acompanhar 32 tra‐ jetórias de interferidores. aos quais devem ser acres‐ centados mais 786kg para o equipamento interno). Acima A De Ruyter foi a terceira fragata da classe “De Zeven Provincien” a ser incorporada. O peso do equipamento externo é de 270kg e — segundo o fabricante — o Mirador pode detectar pe‐ quenas embarcações a 20km e acompanhar navios maiores ou aeronaves a 25km. e gera menos que um alerta falso por hora.QXD 06/06/10 00:44 Page 42 Ao lado A Tromp vista em junho de 2009. no LPH coreano Dokdo. na proa (Foto: Royal Netherlands Navy). totalmente integrado ao sistema de combate. identificação e observação de alvos. e a velocidade de rotação é de 60rpm. mísseis supersônicos em voo rasante a mais de 15km e subsônicos a 12km. Barcos de madeira ou fibra de vidro podem ser detectados a 8mn. Para busca de superfície e navegação. telêmetro laser e câmera LWIR opcional (8‐12μ). TV preto e branco para acom‐ panhamento. cada uma podendo ser processada separadamente. o radar utilizado é um Thales Naval Scout. para acompanhamento de alvos e direção de tiro. e imediatamente abaixo do nível da antena fixa. A antena tem 1. ou as duas em conjunto.8m é posicionada sobre o passadiço. Essa capaci‐ dade de detectar alvos com assinatura radar muito pequena resulta em que muitas vezes alvos como pássaros marinhos são indicados. Extremamente eficaz para detecção de mísseis antinavio com per‐ fil de voo rasante. é utilizado para auto‐aquisição de alvos. Segundo o fabricante. O campo de visão possível é de ‐5o/+70o. e é do tipo LPI (Low Probability of Intercept. Pode ser usado separadamente. O Sirius é integrado ao sis‐ tema de combate. direção de tiro e espotagem. Uma de suas vanta‐ gens é utilizar componentes comerciais (COTS = Commercial Off-The-Shelf). câmera MWIR (3‐5μ). Na face anterior do mastro do APAR. ou Busca e Rastreamento Infra‐ vermelho). e a velocidade de rotação é de 24rpm. está um diretor optrônico infravermelho Thales Naval Nederland Sirius IRST (Infra-Red Search and Tracking. acima das antenas fixas. ou em conjunto com o sistema Goal‐ keeper. aeronaves supersônicas em voo rasante podem ser detectadas a mais de 25km. Além de vigilância. Na torre existem cinco sensores: TV colorida. nos contratorpedeiros britânicos “Type 45/Daring” (S1850M). Segundo o fabricante. e um de 100m2 a 15. podendo ser emitidos alertas sobre 32 categorizadas como ameaças. Sis‐ tema Conteirável Eletro‐Ótico de Observação). O Scout opera na banda I. Opera em duas bandas (3‐5μ e 8‐12μ).000 alvos aéreos e 40‐100 de superfície. Em cada giro pode reportar 128 trajetórias.6mn.8m de largura.001W. cujo alcance máximo é de aproximadamente 30km.5 milhas náuticas. o canhão de 127mm/54. pesa 75kg (o processador pesa mais 21kg). com um helicóptero Lynx no convoo (Foto: Australian DoD). o Sirius é um derivado de longo alcance do IRS‐ CAN. nas fragatas classe “Horizon” (fran‐ cesas e italianas). auto‐rastreamento. Ao lado O moderno radar tridimensional de busca aérea SMART-L é posicionado à ré dos navios.

Sistemas de Combate e de Comunicação Os navios utilizam o sistema CODOG (Combined Diesel Or Gas). em velocidades entre 10 e 25 nós. um dos quais está localizado num console a bombordo da superestrutura. Trata‐se de um emissor de ruído que é rebocado pelo navio através de um cabo de fibra ótica. orientado basicamente para de‐ fesa aérea. Thomson‐CSF e ARGO Systems Ind. capaz de rastrear e in‐ terferir contra ameaças simultâneas. Trata‐se um sonar extremamente sofisticado.36 de chaff e flares. MTU. as WR‐21 só estariam prontas muito depois do esperado. Dispões de um interferidor multi‐banda (0. posicionado na proa. a STN Atlas Elektronik iniciou as entregas dos quatro so‐ nares adquiridos pela Koninklijke Marine. Os ruídos em si são gerados no navio e emitidos pelo decoy. Deutz/MWM e SEMT Pielstick com‐ petiram pelo o fornecimento das máquinas diesel. UHF e SATCOM. Com relação às turbinas. pode detectar pequenas embarcações a até 20km de distância (Foto: Thales Naval Nederland). A velocidade máxima é de 28 nós e a autonomia a 18 nós é de 5. com coberturas esféricas. As fragatas possuem dois hélices de passo controlável. Propulsão. embora seja recomendado que se possível isso seja feito no máximo até 15 nós.5‐2GHz). No topo do mastro do APAR está a antena de UHF. instalado nas fragatas da classe “Karel Doorman”.5 milhões foi assinado com a Racal em 10 de dezembro de 1998.5‐18GHz) dotado de DRFM (Digital Radio Frequency Memory. bastante difundido entre as ma‐ rinhas ocidentais. e na verdade a praça de máquinas foi projetada para seu uso. de inter‐ ceptação e interferência. da Thales. 144 gabinetes PROTEC II e redes digitais de fibra ótica. com o objetivo de criar um alvo falso para torpedos de guiamento acústico. que por sua vez deriva do sistema Sonar 80 (do qual o Brasil utiliza o CSU‐83/1 nos submarinos classe “Tupi”). para evitar a possibilidade de danos ao cabo de reboque. optou que o sistema seria controlado a partir de um dos consoles multifuncionais do SEWACO XI. En‐ tretanto. uma em cada bordo. e o outro no canto de bo‐ reste do hangar. Os navios possuem um sistema MAGE Racal Sabre. o que efetivamente transformaria seus sistemas de combate na versão SEWACO XII. e foi então decidida a adoção de duas SM1C Spey (total de 52. girando em sentidos diferentes. com dois motores diesel 16V26ST de 13. tendo a pri‐ meira sido escolhida. ou Memória Digital de Rádio‐frequência). O sistema da Racal Radar Defense Sys‐ tems foi selecionado após competição com sistemas da então DASA. Cada um consiste de uma antena direcional sobre uma base estabilizada. adicionados aos SEWACO XI nas “De Zeven Provincien”. 152 esta‐ ções de trabalho tipo “desktop”.300hp contínuos). Um contrato de US$50. de média fre‐ qüência. O sistema de comunicações. A partir de 2000. Desde o início a Koninklijke Marine tencionou manter a co‐ monalidade conveses abaixo com a arquitetura do SEWACO VII. capaz de interceptar e fornecer informação azi‐ mutal sobre radiações. Os navios desta classe são equipados com um IFF Mk.4 milhões para o fornecimento da maioria do equipamento necessário à instalação do SEWACO XI a bordo. — as duas antenas usadas para esse fim. ou po‐ deriam ser.LCF. ção era empregar duas turbinas a gás Rolls‐Royce WR‐21 (as mes‐ mas dos contratorpedeiros “Type 45”/“Daring”) da Royal Navy.XII. A defesa anti‐torpédica está a cargo de um sistema eletro‐acús‐ tico Argon ST AN/SLQ‐25A Nixie. e cada interferidor pode atuar sobre seis ameaças simultaneamente. A Marinha holandesa não especificou um console para um operador de GE. O Sabre é um sofisticado sistema de Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica (MAGE). logo abaixo do passadiço. a cargo da Rohde & Schwarz . e o sistema de comunicações (interna e externa) foi integrado pela Rohde & Schwartz. Bazan.000 milhas náuticas. inicialmente a inten‐ SEGURANÇA & DEFESA 43 . de busca ativa e ataque. O sonar de casco é um STN Atlas DSQS 24C. O embaralhamento pode ser executado em vários modos. in‐ clui Link 11 e Link 16 e capacidade de transmissão segura de dados e voz por satélite. O Mirador é usado pela Alema‐ nha em suas corvetas “K130”. mas eventualmente elas operarão com o NFH90 (Foto: Royal Netherlands Navy). para o fornecimento de quatro con‐ juntos a partir do final de 2000. O processador do conjunto fica posicionado internamento. com participação da empresa portuguesa FABA/EID. (atualmente Condor Sys‐ tems). Em 29 de maio de 1998 a então Signaal recebeu um contrato de US$76. WeApon and COmmand). por Bangladesh na fragata Khalid Bin Wald e pela Grécia nas fragatas classe “Elli” (“Kortenaer”). e dois lemes. Algumas fontes indicam que alguns elementos do SEWACO VII teriam sido. estão posicionadas em consoles nas la‐ terais da base do mastro do APAR. Stork‐Wärtsillä. embora menos potentes e menos eficientes em termos de consumo de combustível.600hp (total). VHF. desenvolvido como uma variante do Sonar 90. Para defesa aproximada são utilizados quatro lançadores SRBOC Mk. O sistema de combate é um CAMS Force Vision SEWACO XI (Sensor. e dá uma precisão direcional de 2o (2‐18GHz) ou 4º (0. in‐ cluindo 96 consoles de nova geração para operadores. Ao lado O Sistema Conteirável Eletro-Ótico de Observação Mirador.QXD 06/06/10 00:44 Page 43 acompanhamento é de 1. Os equipamentos de comunicação incluem sistemas HF. O sistema possui dois emissores de interferência/embaralha‐ mento. n Acima O Lynx é o helicóptero padrão das fragatas classe “De Zeven Provincien”.000m/s.