Artur J.M. Valente avalente@ci.uc.

pt
http://www.qui.uc.pt/pessoais/avalente

Departamento de Química Universidade Coimbra

RESÍDUOS SÓLIDOS

Universidade de Coimbra 2006

Referências Bibliográficas:
1. Cheremisinoff, N.P., “Handbook of Solid Waste Management and Waste Minimization Technologies”, Elsevier, 2003. 2. Tchobanoglous, G., Theisen, H. and Vigil, S., "Integrated Solid Waste Management. Engineering Principles and Management Issues", International Editions, McGraw Hill Book Co., 1993. 3. Rocha, I. e D.F. Vieira, (2002), “Resíduos. Legislação, Contencioso, Contra-ordenacional, Jurisprudência”, 3ªedição, Colecção Ambiente, Nº2, Porto Editora.

• Confinamento de resíduos sólidos • Técnicas de tratamento de resíduos sólidos
– Tratamento químico – Tratamento biológico – Tratamento térmico

• Resíduos Sólidos Industriais

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Confinamento de Resíduos Sólidos
A segurança e credibilidade do confinamento a longo prazo dos resíduos dos efluentes sólidos é uma componente importante da gestão integrada de resíduos.

Resíduos de efluentes sólidos: - parte do efluente não reciclável/reciclado - que permanecem após o processamento de recuperação de materiais - que permanecem após recuperação dos produtos de conversão e/ou energia.

• Do ponto de vista histórico a disposição de resíduos sólidos era efectuado nas terras (superfície) ou mesmo no mar • Em 1933 ocorre a proibição, nos USA, de descargas no mar • Actualmente, resíduos colocados em aterros podem ser novamente usados como fertlizantes de forma a aumentar a produtividade dos oceanos e da terra, ou mesmo no mar de forma a colmatar falhas tectónicas • De qualquer das formas a utilização de aterros continua a ser a forma mais importante de confinamento de resíduos sólidos

Passado

Presente

Presente

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a propagaçao de doenças. 3 . este cuidado deve ser redobrado quando os aterros são construídos em colinas. • As principais etapas da construção dum aterro. • PROTECÇÃO DIÁRIA: consiste numa cobertura com 1530 cm de solo ou outro material. podem ser sintetizadas da seguintes forma: – O 1º passo envolve a preparação do terreno onde o aterro vai ser construído. de forma a evitar o contacto dos resíduos com o ar e. consequentemente. ou ravinas. consequentemente. – Quaisquer linhas de água devem ser desviadas. Vista duma secção dum aterro sanitário • Os detalhes de operação num aterro variam com o tipo de material a colocar no aterro bem como da configuração do aterro.• O ATERRO: é uma instalação física usada para colocar os resíduos sólidos na superfície dos solos da crosta terrestre • ATERRO SANITÀRIO: constitui um aterro usado para a disposição de resíduos municipais. desenhado de forma forma a minimizar os impactos para o meio ambiente e para a saúde pública • CÉLULA: corresponde ao volume de material colocado no aterro durante um período de operação. normalmente 1 dia. onde os fluxos das águas da chuva têm um efeito importante. evitando assim o aparecimento de ratos e moscas e.

e instalação de delimitação (e. que permita a colocação de um forro de baixa permeabilidade.– outros aspectos importantes são a construção de acessos adequados. cercas). e a drenagem dos lixiviados. – A minimização da libertação de VOC’s.g. desta forma só uma pequena parte da superfície do aterro se encontra exposta a “ataques” exteriores. – Este aspecto é de importância redobrada quando há previsões da formação de compostos orgânicos voláteis (COV ou VOC). tais como a precipitação. actualmente os aterros devem ser construídos em secções. devem ser colocados ou no interior ou imediatamente sobre o forro. 4 . – O fundo do aterro deve apresentar uma forma tal. pode ser conseguida através da aplicação de vácuo (e consequente retirada de ar) em todas as células do aterro. bem como os equipamentos de extracção destes. por etapas. – Devem ser construídas e instaladas valas horizontais no fundo dos aterros para permitir a saída controlada e recuperação de gases. zonas de pesagem. – As escavações e a preparação do solo são o passo seguinte. – O gás contendo VOC’s deve ser queimado sob condições controladas para destruir os VOC’s. – O forro deve ser estendido pelas paredes laterais do aterro. – A drenagem dos lixiviados.

após o fim de cada período de operação. área de descarga). – Valas horizontais para recolha de gases devem ser abertas à superfície de cada um dos pisos do aterro. e das dimensões da operação (e.5 m. A cobertura deve ser ajardinada para controlar/evitar a erosão. – O comprimento da frente de trabalho depende das condições do local. – A altura dum célula típica ronda entre os 2. e que permita um eficaz escoamento para longe das secções activas do aterro. do projecto e da capacidade do aterro. – Os resíduos sólidos depositados após a recolha e o transporte através de veículos apropriados devem ser espalhados em camadas e compactados. quantidade de resíduos. deve ser coberta por uma fina camada de solo (15 a 30 cm).5 e os 3.g. mais uma vez. 5 . – As valas são perfuradas com tubos plásticos e acamadas com cascalho. • A colocação de resíduos nos aterros (2) – Todas as áreas expostas das células. – A largura duma célula pode variar entre os 3 e os 9 metros dependendo. – Dependendo do nº de camadas de células pode-se proceder à montagem de linhas de drenagem entre pisos sucessivos. • A colocação de resíduos nos aterros (3) – A cobertura final deve ser tal que minimize a infiltração devido à precipitação.• A colocação de resíduos nos aterros (1) – Os resíduos devem ser colocados em células. ou outro material apropriado.

químicas e físicas. 2005 • GESTÃO DO ATERRO POST-CLAUSURA – A monitorização e a manutenção dos aterros deve continuar até cerca de 30 ou 50 anos o seu encerramento.O. para evitar possíveis impactos ambientais. Neste processo o principal gás que se forma é o CO2. 6 . quando a decomposição da M. com a formação de gases e. Em particular.) dos RSU. é importante manter a superfície do aterro em bom estado. os principais produtos que se formam são o CO2. A decomposição biológica processa-se em condições aeróbicas por um curto período de tempo (desde a colocação dos RSU até ao consumo total de O2). – Os sistemas de controlo de lixiviados e de gases deve também ser mantido.O. – A construção/gestão de aterros deve assegurar uma eficaz manutenção dos aspectos de construção do aterro. Estes são apenas os produtos mais importantes que se formam. uma vez que um conjunto enorme de reacções químicas podem ter lugar. eventualmente. UC. Reacções Biológicas As principais reacções biológicas são aquelas que envolvem a matéria orgânica (M. Após este período. • REACÇÕES QUE OCORREM NOS ATERROS Os resíduos sólidos (RS) colocados em aterros sanitários sofrem um número de alterações biológicas. se torna anaeróbica.• A colocação de resíduos nos aterros (4) – A extracção de gás pode ser aproveitada para valorização energética. líquidos. AJM Valente MSc Eng Ambiente. H2S e NH3. durante esse período. bem como dos sistemas de controlo dos lixiviados. tais como garantir a consistência das coberturas quanto à eficácia da drenagem. CH4.

ou em linhas de água (após o tratamento dos lixiviados). à fissuração e abertura de falhas das coberturas e forros. Estes compostos podem. pois este é transportado para o exterior. .evaporação e vaporização de compostos químicos e água. . . 7 . subsequentemente.assentamento causado pela consolidação e decomposição do material do aterro.reacções de oxidação-redução envolvendo metais e a consequente solubilização desses metais. O movimento e a emissão de gases são importantes devido às variações de pressão que podem ocorrer e que podem conduzir. ser libertados na atmosfera. .difusão lateral de gases. em última análise.• REACÇÕES QUE OCORREM NOS ATERROS (2) Reacções Químicas As reacções químicas que ocorrem no interior do aterro incluem: .movimentos do lixiviado no interior do aterro. no solo.dissolução e suspensão dos materiais do resíduo.deshalogenação e decomposição de compostos orgânicos. Outras reacções químicas importantes são as que envolvem os compostos orgânicos e os revestimentos que envolvem argila. e conversão biológica de produtos nos compostos existentes no líquido percolado através do resíduo.emissão de gases para o meio ambiente. • REACÇÕES QUE OCORREM NOS ATERROS (3) A solubilização de compostos resultantes da conversão biológica no lixiviado é de extema importância. . . • REACÇÕES QUE OCORREM NOS ATERROS (4) Reacções Físicas As alterações físicas mais importantes a considerar são: . que serão dissolvidos nos gases do aterro. .sorção de produtos orgânicos voláteis pelos materiais sólidos. uma vez que podem afectar as propriedades de transporte destes.

• CLASSIFICAÇÃO DE ATERROS Normalmente os aterros são classificados de acordo com os resíduos que aí vão ser depositados. a localização dos aterros é feita tendo em consideração aspectos ambientais e decisões políticas. Os factores que devem ser considerados na avaliação dum local potencial para um aterro são: 1. O possível escape de gases pode transportar compostos carcinogénios e teratogénicos. estes podem dar origem a combustões e/ou explosões. Uma vez que os gases dos aterros têm consideráveis quantidades de CH4. A distância necessária para o transporte dos resíduos vai afectar o projecto e a própria gestão do aterro. zonas de impacto sísmico ou instáveis.• REACÇÕES QUE OCORREM NOS ATERROS (5) A possível entrada de água conduzirá a um aumento da produção de gás e. a construção de aterros longe das fontes dos resíduos tornou-se rotina. a que parece reunir maior consenso é a que se segue: Classificação I II III Tipo de resíduo Perigosos Específico /seleccionado RSU • LOCALIZAÇÃO DE ATERROS Uma das tarefas mais difíceis de tomar pelas comunidades e pelos políticos é a localização dum aterro. 8 . consequentemente. Embora não haja uma classificação padrão. pois ao atingir novos locais podem suscitar a ocorrência de novas reacções.5 a 3 km). a um aumento da fissuração. 2. e zonas de cheias (num período inferior a 100 anos) são zonas proíbidas para a localização de aterros. Distância de transporte Esta é uma das variáveis importantes para a selecção dum aterro. como actualmente. zonas pantanosas. A migração descedente do lixiviado pode também ser um problema. Limitações de localização Zonas junto a aeroportos (nunca menos de 1. No entanto.

5 * 365 / 6 = 11 528 m2 = 1. etc. 2005 9 . por matéria “crua”.) AJM Valente MSc Eng Ambiente. industrial. Também. é necessário fazer uma projecção do desenvolvimento duma determinada região (demográfico. 2005 • LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (4) Algumas correcções devem ser efectuadas aos cálculos atrás mencionados: .• LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (2) 3. estradas de acesso. de forma a considerar zonas tampão. a densidade de resíduo compactado no aterro é igual a 475 kg/m3. neste item. 5 anos.S. etc. AJM Valente MSc Eng Ambiente. pelo menos. . tais como.O valor real da área dum aterro deve ser superior à calculada em 20 a 40 %. e nem sempre fácil.15 hectare/ano AJM Valente MSc Eng Ambiente.= 3 * 30 000 =90 000 kg/dia Volume necessário por dia = 90 000/475 = 189.Os cálculos a efectuar devem também considerar alguns factores de correcção. a quantidade de R. para uma comunidade com uma população de 30 000 habitantes.dia). 2005 • LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (3) Estimar a área necessária para um aterro. e a altura média dos resíduos compactados igual a 6 m.5 m3/dia Área necessária por ano = 189. assumindo que a produção de resíduo sólido é igual a 3 kg/(capita. UC. UC. Área disponível Assegurar uma área de terra disponível suficiente para o fim a que se destina é muito importante. Quanto menor for o tempo de vida dum aterro maiores serão os seus custos.S. zonas de edifícios de escritório e serviços. que em termos de RSU é de aproximadamente 908 kg/tonelada. UC. A área escolhida deve permitir o seu uso por. Taxa de produção de R.

6. Condições geológicas e hidrogeológicas Estas condições são talvez as mais importantes na escolha do local do aterro. AJM Valente MSc Eng Ambiente.Importante para garantir materiais de cobertura.• LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (5) 4. para assegurar que os fluxos de lixiviado ou dos gases não interfiram na qualidade das linhas e lençóis de água. • LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (6) 10. Condições ambientais locais Embora seja possível construir aterros nas proximidades de populações. em qualquer dos casos. em termos de prevenção. Topografia e tipo de solo . os aterros devem ser construídos tendo em atenção aspectos tais como: tráfico. Hidrologia da superfície 8. UC. zonas caracterizadas por tempo chuvoso poderão conduzir à necessidade de construção de áreas de aterro separadas. cheiros. Acessos 5. Potencial uso do local após clausura A escolha final dependerá.Projecto de engenharia Análise de custos (investimento e gestão/manutenção) . 2005 • LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (5) 7.Estudo do local . essencialmente: . em zonas onde neve frequentemente é essencial garantir um armazenamento adequado de material para cobertura. ruído. Condições climatéricas Algumas das razões por que este factor é importante são: em locais com Invernos rigorosos acessos ao locais poderão ser afectados. impacto visual e resíduos perigosos.Estudo do impacto ambiental 10 . Os dados geológicos e hidrogeológicos permitirão avaliar o potencial e poluição e estabelecer o que deve ser feito. 9.

pode ser conceptualizado como um reactor bioquímico em que o input são R. O material armazenado nos aterros incluem M.produzir energia 11 . e o output são gases e lixiviados. e água. parcialmente biodegradável e outros materiais inorgânicos.S.O. Gases dos aterros (2) Os gases expelidos pelos aterros podem ser usados para: . Sistemas de controlo de gases: .S.monitorizar a libertação indesejada de gases para a amosfera. .monitorizar movimentos laterais e verticais de gases no interior do aterro.• LOCALIZAÇÃO DE ATERROS (7) Gases dos aterros Um aterro de R.

reduzida biodegradabilidade.01-1 0.5 0.combustão controlada para eliminação de constituintes perigosos na atmosfera durante a descarga.5 – 9 2000 – 60 000 Macrocomponentes inorgânicos (mg/L) Fósforo total 0.16 Os gases expelidos pelos aterros podem ser usados para: . Parâmetro .6 Valor 37-50 1.02 .0 0-0. mercaptanos… Amónia Hidrogénio Monóxido de carbono Constituintes vestigiais Características Temperatura (ºC) Gravidade específica Humidade Poder calorífico (kJ/m3) Percentagem* 45-60 40-60 2-5 0.03-1400 4-70 Cloretos Sulfatos HCO3Sódio Potássio Azoto amoniacal Cálcio Magnésio Ferro Manganésio Sílica 30 – 29 000 20 – 57 000 140 – 152 000 0. dissulfuretos.4500 8-7750 610-7320 70-7700 50-3700 50-2200 10-7200 30-15 000 3-5500 0.4 0.1-1.2 0-0.02-1. o que pode ocasionar diversos efeitos sobre o meio ambiente.1 – 23 150 .pH Sólidos totais Matéria orgânica (mg/L) Carbono orgânico total Carência biológica de oxigénio (CBO5) Carência química de oxigénio (CQO) CBO5/CQO Azoto orgânico Elementos traços inorgânicos (µg/L) Arsénio Cádmio Cromo Cobalto Cobre Chumbo Mercúrio Gama 4.0 0.Principais (gases libertados em grandes quantidades e produzidos pela fracção orgânica dos RSU) . O potencial de impacto deste efluente está relacionado com a alta concentração de matéria orgânica.0.5 0.001-5 0. presença de metais pesados e de substâncias recalcitrantes.005-1.02-1.06 Saturada 14900-20500 * Por volume de resíduo seco 12 .2 0.01-0.00005-0. Os gases produzidos em aterros podem ser classificados como: .0 0-1.Residuais (alguns destes gases são tóxicos e podem apresentar risco para a saúde pública) Gases dos aterros (3) Constituição típica de gases dum aterro de RSU Componente Metano Dióxido de carbono Azoto Oxigénio Sulfuretos.1-1.Chorume O chorume é um líquido escuro contendo alta carga poluidora.0001-0.005-10 0.80 14 – 2500 0.

pode ser usada para estimar o pH do lixiviado e vice-versa. tendo como base de estudo 66 aterros de RSU na Califórnia.Gases dos aterros (4) Da análise da Tabela anterior pode-se verificar que o CO2 e CH4 são os principais gases produzidos pela decomposição anaeróbia dos componentes orgânicos biodegradáveis do resíduo nos RSU.1-tricloroetano Tricloroetileno Tolueno 1.1.1-Dicloroetano Diclorometano 1. e pode ser estimado através da Lei de Henry (P = k c). a concentração de CO32. Concentração / ppb(V) Composto Acetona Benzeno Clorobenzeno Clorofórmio 1. é explosivo. A concentração destes gases no lixiviado depende da sua concentração na fase gasosa em equilíbrio com o lixiviado.2-dicloroetano 2. da concentração no gás em contacto com o líquido – A ocorrência de concentrações significativas de VOC’s no gás dos aterros está normalmente associado com o tempo de vida desse aterro (em aterros novos a concentração dos VCO’s é extremamente baixa) Gases dos aterros (6) Concentração Típica de compostos vestigiais encontrados em gases de aterros.1.2-tetracloroetano Tetracloroetileno Cloreto de vinilo Estirenos Acetato de vinilo Xilenos média 7 334 3 092 0 615 2 079 34 907 246 5 244 3 508 1 517 5 663 2 651 máximo 87 500 130 000 0 14 500 32 000 280 000 16 000 180 000 32 000 87 000 240 000 38 000 13 .1-Dicloroeteno Cloreto de dietileno trans-1.1. o risco de explosão é muito baixo.2. Quando o CH4 está presente no ar em concentrações entre 5 e 15 %. Uma vez que apenas uma limitada quantidade de O2 está presente num aterro quando o metano atinge concentrações críticas.2-tricloroetano 1. em primeiro lugar.3-dicloropropano 1. Gases dos aterros (5) • Constituintes vestigiais dos gases dos aterros – Muitos dos compostos existentes nesta classe são classificados como compostos orgânicos voláteis (VOC’s) – A presença destes gases no lixiviado depende. Uma vez que o CO2 afecta o pH.2-dicloropropano Brometo de etileno Dicloreto de etileno Óxido de etileno média 6 838 2 057 82 245 2 801 25 694 130 2 835 36 0 0 0 59 0 máximo 240 000 39 000 1 640 12 000 36 000 620 000 4 000 20 000 850 0 0 0 2 100 0 Concentração / ppb(V) Composto Etil benzeno Etil-metil-cetona 1.

some forms of plastic. • CBO5: Carência bioquímica de oxigénio em 5 dias.chem.ac. usado para medir o conteúdo de matéria orgânica existente em resíduos. matéria orgânica não biodegradável 14 . matéria orgânica perfeitamente biodegradável • CQO / CBO < 2. May be harmful by skin contact. matéria orgânica biodegradável • CQO / CBO > 2. envolve a medida do oxigénio dissolvido usado por microorganismos na oxidação bioquímica da matéria orgânica. titanium. Eye and skin irritant.uk/MSDS/#MSDS Produção de Gases em Aterros Produção de Gases em Aterros (2) • CQO: Carência química de oxigénio. Possible mutagen. Possibly carcinogenic in humans. Incompatible with alkali metals. aluminium. strong caustics. Toxicology Harmful if swallowed or inhaled. strong oxidising agents. • CQO / CBO = 1. Toxicity data inhalation-human lowest published toxic concentration 500 ppm/8h subcutaneous-dog lowest published lethal dose 2700 mg kg-1 inhalation-guinea pig lowest published lethal concentration 5000 ppm/2h oral-rat lethal dose 50 percent kill 1600 mg kg-1 oral-human lowest published lethal dose 357 mg kg-1 intraperitoneal-mouse lethal dose 50 percent kill 437 mg kg-1 inhalation-mouse lethal concentration 50 percent kill 14400 mppm/7h. http://ptcl.ox. Experimental reproductive effects. Asphyxiant. Causes CNS depression.Gases dos aterros (6) Fichas de Segurança / Diclorometano Stability Stable. Readily absorbed through the skin.

e lixiviados reciclados. como consequência da actividade de microrganismos iniciada em II. – Um mecanismo de 3 passos distintos caracteriza esta fase: • Hidrólise de compostos de elevada MM (proteínas.S2.Produção de Gases em Aterros (3) • FASE I – Nesta fase os componentes biodegradáveis dos RSU sofrem decomposição microbial. tais como ácido fúlvico e CH3COOH. etc. devido à quantidade de ar retido durante o aterro. bem como devido à elevada presença de CO2. os nitratos e sulfatos. H2 é produzido em pequenas concentrações. polisacarídeos.+ 2H+ H 2S – O início das condições anaeróbicas pode ser monitorizado através do potencial redox – Redução do sulfato e nitrato: -100 mV< E < -50 mV – Produção de metano: -300 mV< E < -150 mV – Com a diminuição do E a produção de CH4 e CO2 aumenta e a fase III inicia-se. • Acidogénesis: envolve a conversão microbial dos compostos resultantes do 1º passo em intermediários de inferior MM.CH3COOH + S2.+ 2H2O + 2CO2 lactato H2 + SO42.+ 4H2O S2. o pH do lixiviado começa a diminuir devido à presença de ácidos orgânicos. Produção de Gases em Aterros (5) • FASE III – Nesta fase ocorre um aumento da produção de ácidos e uma diminuição da produção de H2. 15 . – Outras fontes de microorganismos são lamas provenientes de ETARs. são reduzidos a N2 e a H2S 2CH3CHOHCOOH + SO42. • O principal gás produzido é o CO2. – A principal fonte de microorganismos responsáveis pela decomposição aeróbica e anaeróbica dos resíduos é o solo usado como cobertura das células. que servem como aceitadores de electrões em reacções biológicas. – Na Fase II. Produção de Gases em Aterros (4) • FASE II – Concentração de O2 diminui – Condições anaeróbicas tornam-se favoráveis – Com as condições anaeróbicas. – A decomposição biológica ocorre em condições aeróbicas. com a decomposição de matéria orgânica em ácidos orgânicos.) através de enzimas e com produção de compostos usados por microorganismos como fonte de energia e células de carbono. • Os microorganismos envolvidos são bactérias designadas por acidogenes ou produtoras de ácido.

caso não ocorra formação de lixiviados. embora a velocidade de formação de ácido seja bastante inferior. nesta fase. é ainda possível obter alguma formação daqueles gases. CQO e CBO do lixiviado reduzir-seão. – Nesta fase.Produção de Gases em Aterros (6) • FASE III • O pH do lixiviado. – Uma vez que o vapor húmido continua a migrar no aterro. cai para valores inferiores a 5 devido à presença de CO2 e outros ác. – Nesta fase formação de ácido e metano ocorre simultaneamente. • Durante esta fase a CQO. 16 . – Em alguns casos estes microorganismos desenvolvem-se antes do fim da Fase III. – O lixiviado contém muitas vezes. o pH dentro do aterro volta a aumentar para valores entre 6. Produção de Gases em Aterros (7) • FASE IV – Nesta fase um segundo grupo de microorganismos transformam o gás hidrogénio e o ácido acético em dióxido de carbono e metano. durante esta fase. orgânicos. entretanto formado. enquanto a condutividade. – A taxa de produção de gases diminui drasticamente. o que torna-o de difícil conversão biológica. • Um facto importante é que. – Estes microorganismos são estritamente anaeróbios e são denominados de metanogénicos. a concentração de metais pesados poderá também reduzir-se Produção de Gases em Aterros (8) • FASE V – A fase de maturação ocorre após todo o material orgânico biodegradável ter sido convertido em CH4 e CO2 na Fase IV. os produtos das reacções que ocorrem nesta fase serão sorvidos pelo aterro e aí permanecerão. apenas alguns poucos constituintes inorgânicos podem permanecer em solução. CBO e a condutividade aumentam significativamente.8 e 8. – Para elevados valores de pH. ácidos fúlvico e húmico. como resultado. através da disponibilização de material orgânico existente em zonas menos acessíveis. • Muitos nutrientes essenciais são removidos durante esta etapa.

17 . Assim.2 1. Quando ela não existe o aterro permanece mumificado durante décadas. biodegradada + CH4 + CO2 + outros gases • A reacção anterior requer a presença de água.9 0. + H2O M.48 * Valores médios. em % (V) N2 5.4 1.4 0.4 CO2 88 76 65 52 53 52 46 50 51 CH4 5 21 29 40 47 48 51 47 48 Volume de gás produzido • A reacção geral para a decomposição anaeróbica de resíduo sólido pode ser escrita como: bactérias M. • Aumentando a densidade do material colocado no aterro diminuirá a possibilidade da humidade alcançar todas as partes do resíduo e. tempo após clausura (meses) 0-3 3–6 6 – 12 12 – 18 18 – 24 24 – 30 30 – 36 36 – 42 42 . consequentemente.O. da disponibilidade de nutrientes.2* 3. em %. a velocidade de bioconversão e de produção de gás diminuirá. embora a produção de gás dependa da relação estequimétrica as condições hidrológicas afectam de forma significativa a velocidade e o período de tempo no qual a produção de gás tem lugar.O.1 0.3 0. de gases dum aterro estudado durante 4 anos após a clausura duma célula. do conteúdo de humidade e do grau de compactação inicial. Duração das diferentes fases (2) Distribuição.8 0.Duração das diferentes fases • A duração das diferente fases varia com a distribuição dos compostos orgânicos pelo aterro.

existentes nos RSU. embora possa continuar por períodos até 25 anos ou mais. a taxa de decomposição. podem ser representados pela formula: CaHbOcNd. Volume de gás produzido (3) • Os materiais orgânicos presentes nos RS podem ser divididos em duas diferentes classificações: – Os que se decompõem rapidamente (de 3 semanas a 5 anos) – Os que se decompõem lentamente (até 50 anos ou mais) componente Rapidamente Lentamente biodegradável biodegradável Resíduos de comida jornais Papel cartão Plásticos Têxteis Borracha Peles Lã √ √ √ √ √ √ √ √ Produção de gás em função do tempo • • Em condições normais. Representação gráfica da produção de gás por decomposição de matéria orgânica colocada num aterro 18 . diminuindo em seguida. o volume total de gás pode ser estimado através da equação CaHbOcNd + ((4a-b-2c+3d)/4) H2O ((4a+b-2c-3d)/8) CH4 + ((4a-b+2c+3d)/8) CO2 + d NH3 assumindo a conversão completa do resíduo orgânico biodegradável em metano e dióxido de carbono. no qual os picos ocorrem 1 e 5 anos após a produção de gás. Assim. podemos observar que a velocidade de decomposição pode ser obtida com base num modelo de triângulos.Volume de gás produzido (2) • O volume dos gases libertados durante a decomposição anaeróbia pode ser estimado de diferemtes formas. medida através da produção de gás. alcança um máximo nos primeiros 2 anos. uma delas é considerar que os constituintes orgânicos individuais (com excepção dos plásticos). Pelas figuras a seguir apresentadas.

Produção de gás em função do tempo (2) • Da figura anterior podemos concluir: – A produção de gás inicia-se após o 1º ano. difusão (cm2/s) v: velocidade de convecção (cm/s) G: factor de correcção (g cm-3 s-1) 19 . O conteúdo de matéria húmida é de elevada importância para uma decomposição eficaz da M. principalmente. e inversamente proporcional à área da superfície duma esfera do líquido volátil dentro do aterro. bem como a formação e o consumo. as concentrações dos compostos orgânicos voláteis reduzem-se drasticamente Fluxo de gases nos aterros Duma forma geral. biodegradável nos RSU é de cerca de 50 – 60 %. Quando o conteúdo da M. Outros factores a considerar são a sorção de gases por líquidos e sólidos.) C: conc. A quantidade de matéria húmida óptima para uma conversão da M. Desde que os compostos perigosos sejam banidos dos aterros. Muitos dos gases chegam ao aterro dissolvidos nos líquidos existentes nos R. de gases.S.O. mudança de fase. – A área do triângulo é a altura x (1/2)base – A produção de gás = (1/2 base [anos] x altura da velocidade de produção de gás [m3/(kg.ano)] – A produção total de gás é obtida somando a produção de gás anual por processo lento e processo rápido. cte D eixo ZZ α (1 + β ) ∂C ∂C ∂ 2C = −ν + D 2 +G ∂t ∂z ∂z α: porosidade (cm3/cm3) β: factor de abrandamento (devido a sorção. ou seja.O. mas tendema volatilizar. prolongando-se no tempo. os gases produzidos nos aterros são libertados na atmosfera por difusão molecular. por reacções químicas. de duas origens: – Os que já entram no aterro com os resíduos.H. Esta tendência é proporcional à pressão de vapor do líquido. é limitado a curva de produção de gás torna-se bem mais achatada. Devemos também ter em conta que esta não se encontra uniformente distribuida pelo aterro. corresponde à área total inferior à curva de produção de gás. – Os que são produzidos por reacções no aterro (bióticas e abiótocas). Uma vez que a pressão interna é superior à Patm o fluxo de gás depende também duma parcela devido ao transporte por convecção. do componente (g/cm3) D: coef. Fontes de gases residuais • Os constituintes vestigiais dos gases dos aterros provêm.. etc. Referência: V.

isto é: D = Deff = D' /3 α 10 gas 2 α αgas: porosidade com gás α: porosidade total Outra aproximação para a determinação do coeficiente de difusão efectivo é: Deff = D ' ατ onde τ é o factor de tortuosidade (geralmente assumido como igual a 0. e ao ser integrada. Movimento dos principais gases dos aterros 1. 20 . Simplificando a equação de transporte de massa. obtemos: J = −D onde J é o fluxo de gás em g / (cm2 s) ∂C ∂z Fluxo de gases nos aterros (3) O coeficiente de difusão efectivo é uma função da difusão molecular e da porosidade do solo.20 e 0. então apenas a componente difusiva permanece. permeação intrínseca (m/s) µ: viscosidade da mistura de gases (N s /m2) Valores típicos para a velocidade de convecção de gases nos aterros são de 1 a 15 cm/dia. respectivamente. a produção de gás deixar de ser significativa.13 cm2/s. em condições de estadoestacionário. obtemos: 2 0 = −ν ∂C ∂ C +D 2 ∂z ∂z Se.Fluxo de gases nos aterros (2) A velocidade de convecção pode ser calculada através da eq.67). MOVIMENTO ASCENDENTE CO2 e CH4 podem ser libertados na atmosfera por passagem através da cobertura. por outro lado. Assumindo condições de solo seco (não há retenção efectiva de gás): αgas=α D = Deff = D' /3 α 10 gas 2 α J = −D Catm − Caterro lcobertura ∂C ∂z J = − D'α 4 / 3 Valores de coeficientes de difusão típicos para o metano e para o dióxido de carbono são. da Lei de Darcy: ν= k dP µ dz k: coef. 0.

e contribuindo para o conteúdo de minerais. desde o interior duma aterro devido a difusão.30.1-tricloroetano (b) e cloreto de vinilo (c) para a atmosfera.001. uma vez que da diminuição de pH resulta a solubilização de.6 m. D’(b)=0.068 cm2/s Ci.5 x10 −10 gcm −2 s −1 J c = 2. de vapor em condições de saturação J i = D'α 4 / 3C i .s (a)=180. sabendo que: T=30ºC.098 cm2/s J a = 2. (Note-se que o uso de geomembranas limita o movimento do CO2. até alcançar as águas subterrâneas. MOVIMENTO DOS GASES RESIDUAIS Considerando as condições fronteira apresentadas no esquema indicado o fluxo de gás pode ser obtido pela seguinte equação: J i = − D' α 4 / 3 Ci . por exemplo.4 g m-3.s (b)=1081 g m-3 .071 cm2/s Ci.39 x10 −11 gcm −2 s −1 J b = 1.1. sWi L Wi = factor de correcção devido à fracção de composto i existente no resíduo Ci.s = conc.s Wi = concentração do composto i imediatamente por baixo da cobertura.Movimento dos principais gases dos aterros 2. espessura da cobertura=0. Movimento dos principais gases dos aterros 3. D’(a)=0. 1. D’(c)=0. Wi=0. em como para o aumento da dureza dessa água.s (c)=11.12 x10 −9 gcm −2 s −1 21 . o CO2 pode inicialmente permear através do solo (por difusão). A partir de valores tabelados: Ci. MOVIMENTO DOS GASES RESIDUAIS (2) Estimar a emissão de tolueno (a). porosidade do material de cobertura=0. Movimento dos principais gases dos aterros 3. carbonatos de cálcio e magnésio em hidrocarbonetos. Se o solo for o forro do aterro. sWi / L Ci. atm − Ci . MOVIMENTO DESCENDENTE Devido à sua densidade o CO2 pode-se acumular no fundo do aterro.) Quando tal acontece o CO2 dissolve-se facilmente em água diminuindo o pH desta.090 g m-3.

5 . CBO5 COT (carbono orgânico total) CQO SST Azoto orgânico Azoto amónia Nitratos Fósforo total Fósforo (orto) Alcalinidade (CaCO3) pH Dureza total (CaCO3) Cálcio Magnésio Potássio Sódio Cloreto Sulfato Ferro total Aterro com idade <2 anos Gama Valor típico 2 000 – 30 000 10 000 1 500 – 20 000 6 000 3 000 – 60 000 18 000 200 – 2 000 500 10 – 800 200 10 – 800 200 5 – 40 25 5 – 100 30 4 – 80 20 1 000 – 10 000 3 000 4. todo o cuidado é pouco quando da indicação de valores típicos dos diferentes constituintes.5 200 – 500 100 – 400 50 – 200 50 – 400 100 – 200 100 – 400 20 – 50 20 – 200 Constituição dos lixiviados Da tabela anterior conclui-se que a variação dos diferentes componentes pode atingir valores quase discrepantes. obtém-se um lixiviado. Os parâmetros químico.6 – 7.Composição. formação e controlo dos lixiviados numa aterro Quando a água percola através do RS e dissolve alguns dos componentes desse resíduo ou extrai materiais suspensos. Alguns dados representativos da constituição dum lixiviado num aterro é a seguir apresentado (valores em mg/L).5 6 300 .10 000 3 500 200 – 3 000 1 000 50 – 1 500 250 200 – 1 000 300 200 – 2 500 500 200 – 3 000 500 50 – 1 000 300 50 – 1 200 60 Aterro >10 anos 100 – 200 80 – 160 100 – 500 100 – 400 80 – 120 20 – 40 5 – 10 5 – 10 4–8 200 – 1 000 6. físicos e biológicos de controlo dum lixiviado são resumidos na Tabela seguinte Constituição dos lixiviados (2) 22 . portanto.7.

o pH será baixo e a concentração de nutrientes. e os parâmetros anteriormente descritos terão valores baixos. Balanço de água Água no material de cobertura Consumida em reacções Água nos R.S. metais pesados. CQO. 20 anos devem ser substancialmente diferentes das estações que tratam lixiviados de aterros com 2 anos. • As estações de tratamento de lixiviados provenientes de aterros com.5-7. do tempo: • A monitorização da biodegradabilidade pode ser feita através da razão CQO/CBO • Em aterros velhos valores de CQO/CBO entre 5 e 20 são normais..g. os sistemas de tratamento destes efluentes líquidos torna-se complicado. Vapor de água Água nas lamas 23 . – A biodegradabilidade do lixiviado depende.5. CBO e COT será alta – Se a amostra é recolhida durante a fase de fermentação do metano. Variações na composição dos lixiviados (2) • Como resultado da variação das características do lixiviado. também. o pH será 6.Variações na composição dos lixiviados • A composição química dos lixiviados é muito dependente da idade do aterro bem como do tempo que precede a amostragem – Uma amsotra recolhida durante a fase ácida. e.

24 . em aterros o lixiviado pode ser recolhido em zonas intermédias A água é consumida durante a decomposição anaérobia dos constituintes orgânicos nos RSU.S. Num balanço de massa este valor é de difícil cálculo pois a quantificação da chuva nem sempre é fácil Água no material de cobertura Este valor depende do tipo de material. FC = 0. Valores típicos para diferentes materiais são: . Considerando a fórmula para os materiais que sofrem decomposição rápida.areia. 6-12 %.186 kg / m3 Vapor de água Os gases do aterro estão normalmente saturados em vapor de água: Pv V = n R T onde Pv é a pressão de vapor Capacidade do campo do aterro (FC) A água que entra num aterro e que ou não é consumida ou não está na forma de vapor. e é definido através da capacidade do material. Quer o material de cobertura quer o próprio resíduo consegue exercer resistência ao fluxo da água por gravidade. Em climas secos este valor pode ser muito baixo ou mesmo desprezável. calculado a meia altura duma célula. pode permanecer no interior do aterro ou fazer parte do lixiviado.5 [W / (W + 10 000)] onde W é a sobrecarga de peso. varia com as estações do ano. e consequente percolação e permeação através da cobertura.Balanço de água A água que entra no aterro provém principalmente da precipitação.165 kg H2O/kg de matéria destruída Considerando uma produção de gás de 0. . O valor de água em RSU é de cerca de 20 %.89 = 0. 23-31 % Água nos R. então C68H111O50N + 16 H2O → 35 CH4 + 33 CO2 + NH3 1741 Água consumida em reacções 288 560 1452 17 Água consumida=288/1741=0.89 m3/kg resíduo Consumo água= 0. do resíduo.argila.6 – 0. A quantidade de água existente no aterro nas condições atrás descritas corresponde à capacidade do campo (Field Capacity).165 / 0. Balanço de água A água que sai pela parte inferior da 1ª célula do aterro é o lixiviado. no entanto. Por outras palavras FC é a fracção de água no resíduo tendo como referência o resíduo seco. Água abosrvida pelos sólidos sob a forma de vapor ou líquido.

METAIS PESADOS Em. o CEC cai para valores 10 % inferiores. enquanto os compostos orgânicos podem ser removidos inicialmente por adsorção. COMPOSTOS ORGÂNICOS VESTIGIAIS O método normal para a remoção de compostos orgânicos consiste em fazê-los passar (o lixiviado) através dum material poroso. onde esses compostos serão adsorvidos. 4 (com a presença de CO2). A utilização de argila conduz à adsorção e retenção de constituintes químicos e apresenta uma boa resistência ao fluxo do lixiviado. geral os metais pesados podem ser removidos por troca iónica. será a seguir considerado.Destino dos constituintes do lixiviado na migração subterrânea O principal problema relacionado com os lixiviados que permeiam o solo ou os forros está relacionado com estes poderem atingir os lençóis de água subterrâneos. A capacidade do solo reter iões metálicos depende da sua capacidade de troca catiónica (CEC cation exchange capacity).colóides orgânicos. sorção/troca iónica. a utilização em conjunto de argila e geomembranas passou a ser a solução mais comum. evitando assim a contaminação de solos e aquíferos.argilas 1:1 (kaolinite). A CEC dum solo é definido como o nº de meq de catiões adsorvidos por 100 g de solo. Destino dos constituintes do lixiviado na migração subterrânea METAIS PESADOS (2) Valores típicos de CEC (pH 7): . As geomembranas são também conhecidas como membranas sintéticas flexíveis. 5 – 20 meq/100 g Quando o pH diminui para valores ca. os compostos de maior preocupação ambiental. Controlo de lixiviados nos aterros Os forros são actualmente a forma eficaz de precaver o fluxo do lixiviado (e dos gases) para zonas subterrâneas do aterro. 100 – 200 meq/100 g . precipitação e co-precipitação. 40 – 80 meq/100 g . especialmente devido à resistência das geomembranas ao fluxo de gases e lixiviados. porque mais eficaz. O destino de metais pesados e compostos orgânicos. 25 . são usadas para atenuar este possível problema. Por esta razão técnicas como a filtração. No entanto.argilas 2:1 (montmorilonite). em simultâneo.

os constituintes são atenuados pela actividade biológica e outras reacções químicas e físicas. o lixiv. Com a recirculação. No entanto uma escolha adequada depende de imensos factores.argila. nutrientes e metais pesados.A membrana geotêxtil é usada para minimizar as misturas do solo e areia. Durante os primeiros estadios.Controlo de lixiviados nos aterros São vários os possíveis sistemas de “forros” para aterros. CBO5 e CQO. e a selecção do tratamento adequado quase sempre é uma tarefa difícil. 2. AJM Valente MSc Eng Ambiente.. Por ex. Controlo de lixiviados nos aterros Diferentes esquemas de forros duplos 1.A camada de argila e a geomembrana servem como uma barreira composta ao movimento dos gases e líquidos. UC. químico e físicos são possíveis. 7geotêxtil Gestão de lixiviados nos aterros RECICLAGEM . 3-geomembrana. 2005 26 . Uma possibilidade é esquematicamente representada na figura seguinte: resíduo solo de protecção geotêxtil areia ou gravilha geomemembrana argila compactada . EVAPORAÇÃO . -A camada de areia ou gravilha tem como função a retenção e a drenagem de qualquer lixiviado que se forme no aterro. ocorrerá um aumento de pH e os metais pesados ficarão pp no aterro.Uma possibilidade é fazer circular o lixiviado através do aterro. .argila geosintética.Uma outra possibilidade diz respeito à utilização de sistemas de evaporação TRATAMENTO . os ácidos orgânicos são convertidos em CH4 e CO2. 5. 4. um outro benefício diz respeito à posterior captação de CH4. 6.solo. a conjugação destas barreiras também permite uma maior eficácia quanto à resistência à pressão hidráulica.areia.resíduo. Contém elevadas quantidades de STD.Vários tipos de tratamentos (ou pré-tratamentos) biológicos.

da localização física e geográfica do aterro. sulfatos. Portanto a camada protectora do aterro deve ter uma inclinação de 3 – 5 %. Lix. e devem existir em todo o aterro. etc. furos artesianos. com STD > 50 g/L podem ser de difícil tratamento biológico Lix. Com elevados valores de CQO favorecem o tratamento anaeróbio. colinas até ao aterro e as águas. UC. pois o aeróbio torna-se bastante dispendioso Concentrações elevadas de sulfatos podem limitar a utilização de tratamento anaeróbio devido à redução biológica de SO42. portanto não se deve permitir o escorrer de água de. tais como as águas das chuvas.g. e constituintes tóxicos não específicos. com a formação de odores desagradáveis. das chuvas não deverão entrar no aterro. 2005 Gestão de lixiviados nos aterros (3) TRATAMENTO A selecção do tratamento. 27 . para um controlo efectivo deste problema. bem como nas áreas circundantes drenagem adequadas de águas. e.. CQO. metais pesados.→ S2-. em segundo lugar.g. Não podemos esquecer que a água é o principal contribuinte para o volume total de lixiviado. Um outro problema está relacionado com quanto grande deve ser a estação de tratamento? Gestão das águas superficiais Tão importante como controlar o lixiviado é o controlo das água superficiais. depende em primeiro lugar das características do lixiviado e.. e. As características a considerar são: STD. o que implica a existência de instalações diversas e diversificadas.Gestão de lixiviados nos aterros (2) TRATAMENTO AJM Valente MSc Eng Ambiente.

Estrume/ palha Aparência agradável e controla libertação de papel Previne a formação de tocas e túneis por roedores Espécies voadores não conseguem imergir Minimiza a entrada de água superficial Retém água da chuva Minimiza a permeação de gases P-poor. (6) Servir de elemento principal a recuperação/regeneração do local. F-fair. (4) Limitar os perigos de incêndio. Alguns materiais usados como revestimentos intermédios estão resumidos na tabela seguinte. Note-se que a análise destes revestimentos têm como referência aterros sanitários. E-excelent. G-good. Exemplo típico dos possíveis componentes da cobertura final dum aterro 28 .Coberturas intermédias Anteriormente já nos referimos aos forros. apresentar uma aparência estética mais agradável do aterro e diminuir possíveis infiltrações. em alguns casos é necessário usar “revestimentos” intermédios – entre células activas – de forma a prevenir a propagação de doenças. G-E P F P P P Palha composta G-E P F-G G-E G-E P RSU compostos G P F F-G F-G P Argila geosintética E G-E E E G F-G Solo nativo E P G F-G F-G P Argila E P E E G P-F Coberturas finais As coberturas finais têm como objectivo (1) Minimizar a infiltração da água das chuvas após o aterro ter sido fechado. Contudo. (2) Limitar a libertação não controlada de gases. ou seja a compostos ou misturas de compostos que servem de barreira entre os resíduos e a superfície terrestre. (5) Apresentar uma superfície apropriada para a revegetação. (3) Suprimir a proliferação de focos de doenças.

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