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CURSO DE REGISTRO ACADÊMICO

30, 31 de agosto e 1º de setembro de 2006 - Centro de Eventos do Novotel Porto Alegre - Rua Soledade, 575 América Business Square / Três Figueiras - Porto Alegre/RS

LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA
Profª. Abigail França Ribeiro

Separata: A Fundamentação para a Formação de Professores para a Educação Básica em Nível Superior - Licenciaturas

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A Resolução CNE nº 1, de 15 de maio de 2006, editou as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. A Resolução difere das demais, que aprovaram Diretrizes Curriculares Nacionais, não sendo editada como Resolução da Câmara de Educação Superior. Sua publicação provoca muita insegurança, na medida em que estabelece o Curso de Pedagogia como uma licenciatura diferente das outras, já que as Resoluções CP/CNE nºs 01/99; e 01 e 02/02, não foram revogadas. Depois, a publicação, em 10 de julho de 2006, do Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior, de 6 de julho de 2006. O Despacho provocou, por conta de seu item 6, uma corrida à alteração de estruturas curriculares dos cursos de Pedagogia e Normal Superior. Como se estruturas curriculares pudessem ser alteradas da noite para o dia. O entendimento da CONSAE é o de que as habilitações dos cursos de Pedagogia entraram em regime de extinção a partir do 2º período letivo de 2006. A partir não significa obrigatória e imediatamente! Significa a partir... e, de acordo com o § 1º do art. 11 da Resolução 1/06, o a partir só se encerrará em 15 de maio de 2007. Esse é um filme que já vimos, quando o MEC levou as IES isoladas à criação, sem que elas quisessem, de Institutos Superiores de Educação e Curso Normal Superior e à alteração de suas propostas de cursos de Pedagogia para Curso Normal Superior. Esta Separata, a partir de agora, praticamente perde o sentido, a não ser por seu valor histórico. Belo Horizonte, 29 de agosto de 2006.

Profª. Abigail França Ribeiro Diretora Geral abigail@consae.com.br

SUMÁRIO

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A FUNDAMENTAÇÃO PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA, EM NÍVEL SUPERIOR – LICENCIATURAS. LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA
9 LDB, Artigos 61, 62, 63, 64 e 65.............................................................................................................................. 01 9 Resolução CNE 2, de 26/06/97 .................................................................................................................................. 01 9 Parecer CP/CNE 115, de 30/09/99........................................................................................................................... 02 9 Resolução CP/CNE 1, de 30/9/99 ............................................................................................................................ 04 9 Decreto 3.276, de 06/12/99 .......................................................................................................................................... 07 9 Decreto 3.554, de 07/08/00 .......................................................................................................................................... 08 9 Parecer CES/CNE 133, de 30/01/01 ....................................................................................................................... 08 9 Parecer CP/CNE 9, de 08/05/01 ................................................................................................................................ 09 9 Indicação CP/CNE 1/2001, de 08/05/01............................................................................................................... 27 9 Parecer CP/CNE 27, de 02/10/01 ............................................................................................................................. 28 9 Parecer CP/CNE 28, de 02/10/01 ............................................................................................................................. 28 9 Resolução CP/CNE 01, de 18/02/02 ....................................................................................................................... 35 9 Resolução CP/CNE 02, de 19/02/02 ....................................................................................................................... 37 9 Parecer CES/CNE 109, de 13/03/02 ....................................................................................................................... 38 9 Indicação CP/CNE 3, de 03/06/02 ........................................................................................................................... 39 9 Parecer CEB/CNE 1, de 19/02/03 ............................................................................................................................ 39 9 Parecer CEB/CNE 3, de 11/03/03 ............................................................................................................................ 41 9 Parecer CES/CNE 102, de 07/05/03 ....................................................................................................................... 44 9 Portaria MEC 2.252, de 21/08/03 ............................................................................................................................. 46 9 Resolução CEB/CNE 1, de 20/08/03...................................................................................................................... 46 9 Parecer CEB/CNE 37, de 03/12/03 ......................................................................................................................... 47 9 Parecer CEB/CNE 38, de 03/12/03 ......................................................................................................................... 54 9 Resolução CNE 2, de 27/08/04 .................................................................................................................................. 62 9 Resolução CES/CNE 1, de 1º/02/05 ......................................................................................62 9 Parecer CP/CNE nº 4, de 13/09/05 ........................................................................................63 9 Resolução CNE 1, de 17/11/05..............................................................................................65 9 Parecer CP/CNE nº 5, de 13/12/05 ........................................................................................65 9 Parecer CP/CNE nº 3, de 21/02/06 ........................................................................................75 9 Resolução CES/CNE 8, de 29/03/06 .....................................................................................77 9 Resolução CNE 1, de 15/05/06..............................................................................................78 9 Despacho do Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior, em 6 de julho de 2006 ....................................................................................................82

SEPARATA – LICENCIATURA

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LDB - EXTRATO LEI Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. “... TÍTULO VI DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO Art. 61 A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos: I - a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante à capacitação em serviço; II - aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades. Art. 62 A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Art. 63 Os institutos superiores de educação manterão: I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; III - programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Art. 64 A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino garantida, nesta formação, a base comum nacional. Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas. ...” FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza (DOU de 23/12/96 - Seção I - p. 27833)

RESOLUÇÃO Nº 2, de 26 de junho de 1997. Conselho Nacional de Educação. O Presidente do Conselho Nacional de Educação, tendo em vista o disposto nos artigos 13 e 19 do Regimento e no parecer nº 4/97, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação e do Desporto em 16/6/97, resolve: Art. 1º A formação de docentes no nível superior para as disciplinas que integram as quatro séries finais do ensino fundamental, o ensino médio e a educação profissional em nível médio, será feita em cursos regulares de licenciatura, em cursos regulares para portadores de diplomas de educação superior e, bem assim, em programas especiais de formação pedagógicas estabelecidos por esta Resolução. Parágrafo único. Estes programas destinam-se a suprir a falta nas escolas de professores habilitados, em determinadas disciplinas e localidades, em caráter especial. Art. 2º O programa especial a que se refere o art. 1º é destinado a portadores de diplomas de nível superior, em cursos relacionados à habilitação pretendida, que ofereçam sólida base de conhecimentos na área de estudos ligada a essa habilitação. Parágrafo único. A instituição que oferecer o programa especial se encarregará de verificar a compatibilidade entre a formação do candidato e a disciplina para a qual pretende habilitar-se. Art. 3º Visando a assegurar um tratamento amplo e a incentivar a integração de conhecimentos e habilidades necessários à formação de professores, os programas especiais deverão respeitar uma estruturação curricular articulada nos seguintes núcleos: a) NÚCLEO CONTEXTUAL, visando à compreensão do processo de ensino-aprendizagem referido à prática da escola, considerando tanto as relações que se passam no seu interior, com seus participantes, quanto as suas relações, como instituição, com o contexto imediato e o contexto geral onde está inserida. b) NÚCLEO ESTRUTURAL, abordando conteúdos curriculares, sua organização seqüencial, avaliação e integração com outras disciplinas, os métodos adequados ao desenvolvimento do conhecimento em pauta, bem como sua adequação ao processo de ensino-aprendizagem. c) NÚCLEO INTEGRADOR, centrado nos problemas concretos enfrentados pelos alunos na prática de ensino, com vistas ao planejamento e reorganização do trabalho escolar, discutidos a partir de diferentes perspectivas teóricas, por meio de projetos multidisciplinares, com a participação articulada dos professores das várias disciplinas do curso. Art. 4º O programa se desenvolverá em, pelo menos, 540 horas, incluindo a parte teórica e prática, esta com duração mínima de 300 horas. § 1º Deverá ser garantida estreita e concomitante relação entre teoria e prática, ambas fornecendo elementos básicos para o desenvolvimento dos conhecimentos e habilidades necessários à docência, vedada a oferta da parte prática exclusivamente ao final do programa. § 2º Será concedida ênfase à metodologia de ensino específica da habilitação pretendida, que orientará a parte prática do programa e a posterior sistematização de seus resultados. Art. 5º A parte prática do programa deverá ser desenvolvida em instituições de ensino básico envolvendo não apenas a preparação e o trabalho em sala de aula e sua avaliação, mas todas as atividades próprias da vida da escola, incluindo o planejamento pedagógico, administrativo e financeiro, as reuniões pedagógicas, os eventos com participação da comunidade escolar e a avaliação da aprendizagem, assim como de toda a realidade da escola.

colocando ambos como elementos dinâmicos plenamente integrados na vida social mais ampla. coloca-se hoje a necessidade de oferecer-lhes uma formação de nível superior. calcada no conhecimento produzido e no debate acadêmico e social de quase duas décadas. No prazo de cinco anos o CNE procederá à avaliação do estabelecimento na presente resolução. no prazo máximo de 3(três) anos. Tradicionalmente formados em cursos de nível médio. podendo substituir tais cursos pelo programa especial estabelecido nesta Portaria.colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. O segundo problema diz respeito à dissociação entre teoria e prática.RELATÓRIO A nova legislação educacional brasileira. 7º e seus parágrafos. Art. desde que esta prática se integre dentro do plano curricular do programa e sob a supervisão prevista no artigo subseqüente. em articulação com estabelecimentos de ensino fundamental. 11 As instituições de ensino superior deverão manter permanente acompanhamento e avaliação do programa especial por elas oferecido. Deste modo. V . Particularmente relevante é sua participação no trabalho coletivo da escola. a atuação profissional do docente não se restringe à sala de aula.participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. Art. integrado ao seu projeto pedagógico.elaborar e cumprir plano de trabalho. à avaliação e ao desenvolvimento. Esta nova prática implica competências. O primeiro diz respeito à necessidade de elevar a qualificação dos profissionais dedicados à educação infantil e aos anos iniciais do ensino fundamental. estarão todas as instituições obrigadas a submeter ao Conselho Nacional de Educação processo de reconhecimento dos programas especiais. 6º A supervisão da parte prática do programa deve ser de responsabilidade da instituição que o ministra. Art. de dezembro de 1996. Art. . 10 O concluinte do programa especial receberá certificado e registro profissional equivalentes à licenciatura plena. por universidades e por instituições de ensino superior que ministrem cursos reconhecidos de licenciatura nas disciplinas pretendidas. Dois problemas fundamentais parecem ter preocupado especialmente o legislador. nos termos do art. sem redução da carga horária prevista no artigo 4º. § 2º Em qualquer caso. A importância dos docentes está configurada nas incumbências que lhes são atribuídas pela lei. habilidades e conhecimentos específicos. substancialmente. Verifica-se que. na escola e na sociedade. 12 Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. cuja aquisição deve ser o objetivo central da formação inicial e continuada dos docentes. preparando docentes para ministrar um ensino de qualidade. Conselho Pleno. superando as deficiências e a desarticulação que têm sido reiteradamente apontadas em cursos hoje oferecidos e aproveitando as contribuições advindas das experiências exitosas.394 de 20 de dezembro de 1996. o qual se concretiza na elaboração e implementação do projeto pedagógico do estabelecimento escolar e ao qual deve estar subordinado o plano de trabalho de cada docente. corporificada na Lei 9. § 1º Outras instituições de ensino superior que pretendam oferecer pela primeira vez o programa especial nos termos desta Portaria deverão proceder a solicitação da autorização ao MEC. 9º As instituições de ensino superior que estiverem oferecendo os cursos regulamentados pela Portaria nº 432.394. VI . A proposta de Curso Normal Superior dentro do Instituto Superior de Educação tem exatamente o objetivo de prover esta formação profissional. constitui parte da responsabilidade do professor a colaboração nas atividades de articulação da escola com as famílias dos alunos e a comunidade em geral.estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. deverão suspender o ingresso de novos alunos. 13: I . reconhece a importância fundamental da atuação dos docentes no processo de ensino-aprendizagem e dedica atenção especial ao problema de formação de professores para a educação básica. Conselho Nacional de Educação. caso se enquadrem nas exigências estipuladas pelo art. Parágrafo único. que vierem a oferecer. para posterior análise do CNE. tanto o papel do profissional da educação como da própria escola. médio e profissional onde terá lugar o desenvolvimento da parte prática do programa. 7º O programa a que se refere esta Resolução poderá ser oferecido independentemente de autorização prévia. Art. de cujo resultado dependerá a continuidade dos mesmos. HÉSIO DE ALBUQUERQUE CORDEIRO (Transcrição) (DOU de 15/07/97 . Amplia-se assim.p. II .SEPARATA – LICENCIATURA 2 Parágrafo único. aprovado em 10 de agosto de 1999. garantida a comprovação. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. na modalidade de ensino a distância. III .zelar pela aprendizagem dos alunos. a formação de um profissional capaz de exercer plenamente e com competência as atribuições que lhe foram legalmente conferidas exige uma renovação do processo de preparação de profissionais para o magistério. 80 da Lei nº 9. dentre outras. de 19 de julho de 1971. IV . Os participantes do programa que estejam ministrando aulas da disciplina para a qual pretendam habilitar-se poderão incorporar o trabalho em realização como capacitação em serviço. sendo exigido o credenciamento prévio da instituição de ensino superior pelo Conselho Nacional de Educação. de acordo com a legislação. expostas no Art. ficando revogadas as disposições em contrário. Art. de corpo docente qualificado. 8º A parte teórica do programa poderá ser oferecida utilizando metodologia semi-presencial.Seção I . I . 14926) PARECER Nº 115. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. dentro da nova visão de seu papel na sala de aula.ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. Além disso.

os Institutos Superiores de Educação deverão contar com uma instância de direção. Nas universidades. configurada no seu projeto pedagógico. o que exigirá dos Institutos Superiores de Educação instituir mecanismos de colaboração com os sistemas de ensino de modo a assegurar a oferta aos graduandos. A prática de ensino deverá assim. A dissociação se apresenta também na separação entre o domínio das áreas específicas do conhecimento que deverão ser objeto do processo de ensino-aprendizagem e sua adequação às necessidades e capacidades dos alunos de diferentes faixas etárias e em diferentes fases do percurso escolar. De todo modo. De fato. considerando as características da sociedade da comunicação e da informação. Os Institutos Superiores de Educação deverão assim. o aluno docente tanto aprimora e reelabora seus conhecimentos sobre os conteúdos curriculares pelos quais é responsável e aprofunda o seu entendimento das especificidades dos diferentes momentos de aprendizagem e das características próprias dos alunos das diversas etapas da educação básica. do processo pedagógico em sala de aula e na escola. bem como nos princípios. bem como promover o desenvolvimento das habilidades necessárias à condução. Em qualquer das alternativas mencionadas. Assim. fazer da prática de ensino. de formação de professores. tendo como referência básica tanto a proposta pedagógica da escola na qual o futuro docente é supervisionado e os conteúdos a serem ensinados. nos seus mais diferentes aspectos: gestão. estimulará o futuro professor a desenvolver reflexão crítica sobre os conteúdos curriculares que ministra e sobre as teorias a que vem se expondo. de graduação plena. que engloba a regência em sala de aula e o desenvolvimento de atividades que dão diretamente suporte ao ensino. atingir à necessária integração entre teoria e prática. na acepção hoje aceita. na separação entre. disseminadores. entre pares. formalmente constituída. como as políticas educacionais formuladas localmente e para o País. em seu interior. concomitantemente. que envolve não apenas a relação entre professor e aluno. conforme o Art. é a prática de ensino desenvolvida na escola. favorecendo a abordagem multidisciplinar e constituindo-se em centros de referência para a socialização e a avaliação de experiências pedagógicas e de formação. os Institutos Superiores de Educação. candidatos à docência e às demais atividades do magistério. a prática concreta das atividades de ensino na sala de aula e do trabalho no coletivo escolar. e não estabelecer modelos pedagógicos ou diretrizes curriculares. cabe tão somente indicar normas e orientações gerais para a sua organização. a qual será responsável por coordenar a formulação.SEPARATA – LICENCIATURA 3 Esta dissociação se apresenta em dupla vertente. sistematizadores e produtores do conhecimento referente ao processo de ensino e de aprendizagem e à educação escolar como um todo. 61 da LDB. visando assegurar a organicidade e especificidade do processo de preparação profissional. fica a seu critério organizar ou não institutos superiores de educação. Assinale-se que a formação de professores para a educação básica pressupõe. Nesse processo de aprender fazendo. o acesso ao conhecimento que vem sendo produzido nas diversas áreas e que permeia a prática de ensino em realização. de um lado. de outro. como amplia necessariamente a sua compreensão da complexidade do processo educativo formal. que pode desvelar ao aluno docente problemas pedagógicos concretos. e com o debate social mais amplo sobre educação. O seu enfrentamento objetivo. o ensino das teorias e métodos educacionais e. exatamente. em ambas as vertentes. de formação de professores. Em qualquer dos casos. os Institutos Superiores de Educação poderão ser organizados como unidades específicas de ensino ou como coordenação única de cursos ministrados em diferentes unidades de uma mesma instituição de ensino superior. Desse modo. a própria dinâmica da escola. mas também. da organização das escolas e da reflexão sobre ambos os aspectos. a formação de professores estará sempre pautada em projeto pedagógico próprio. A formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica "far-se-á em curso de licenciatura. destinados a promover a formação geral do futuro professor da educação básica. O relevo atribuído pelo legislador à prática de ensino como elemento articulador do processo de formação dos professores tem como objetivo. o contato com a dinâmica escolar. Em primeiro lugar. 62. de oportunidades de contato regular supervisionado com a escola mediante a sua inserção efetiva no projeto pedagógico por ela desenvolvido. Considerando que a criação de um Instituto Superior de Educação pode dar início ou modificar as oportunidades de formação docente já oferecidas por uma instituição de ensino superior. proporcionar ao aluno além da vivência em sala de aula. nos termos do Art. 12 e 13 da LDB. segundo o que prevê o referido art. terá que proporcionar formação geral e assegurar. que articule os projetos pedagógicos de cursos integrando as diferentes áreas de fundamentos e de conteúdos curriculares da educação básica. da LDB. com qualidade. as suas características de atuação podem ser diferenciadas tanto no que concerne à sua inserção institucional. sob a supervisão da instituição formadora. como parte de sua formação profissional. Esses Institutos deverão organizar-se de tal forma que a prática de ensino perpasse toda a formação profissional. que precisam ser resolvidos no cotidiano do processo de ensino e aprendizagem desenvolvido no ensino fundamental. a formação de professores a ser propiciada por universidades e Institutos Superiores de Educação. . como todo estabelecimento de ensino conforme o disposto nos Art. Terão como objetivos favorecer o conhecimentos e o domínio dos conteúdos específicos ensinados nas diversas etapas da educação básica e das metodologia e tecnologias a eles associados. relacionamento com alunos.. dada a flexibilidade que caracteriza a Lei que criou a nova alternativa de formação para o magistério denominada Instituto Superior de Educação. execução e avaliação do projeto institucional próprio. Dos Institutos Superiores de Educação Os Institutos Superiores de Educação deverão ser centros formadores. o núcleo central da formação inicial e continuada de professores. ao mesmo tempo que suscitará redirecionamentos ou reorganização da atividade pedagógica que vem efetivando. tônicas e diretrizes das políticas educacionais definidas e executadas em nível local e nacional. com a comunidade e com a família. e expressa nas relações estabelecidas entre os diferentes segmentos escolares e com a comunidade. a vivência de um currículo que integre teoria e prática. 62. Isto quer dizer que as licenciaturas mantidas fora das universidades e centros universitários devem ser incorporadas a institutos superiores de educação. em universidades e institutos superiores de educação". terão projeto pedagógico institucional próprio. favorecendo a reorganização do próprio trabalho escolar que vem sendo efetuado. Entretanto. desde o início de sua preparação profissional. bem como o desenvolvimento de habilidades para a condução dos demais aspectos implicados no trabalho coletivo da escola. Os Institutos Superiores de Educação poderão também propiciar a articulação e a complementação de seus cursos com outros formatos de preparação profissional para o magistério. quanto `a abrangência da formação promovida.

estruturados de forma a permitir sistematização e reflexão sobre a prática escolar realizada. podendo incluir os seguintes cursos e programas: I . linguístico e afetivo de crianças. alternância de momentos presenciais e à distância. como por aqueles cuja experiência com a educação básica constitui referência. de caráter profissional. Tais cursos destinar-seão. são a seguir estruturadas sob a forma de proposta de Resolução. Conselho Nacional de Educação. 9º. c) cursos de Licenciatura. com base no conhecimento também por eles produzido.024/61.394/96 e o Art. RESOLUÇÃO Nº 1. continuada e complementar para o magistério da educação básica. admitindo-se regime tutorial. II . O Presidente do Conselho Nacional de Educação. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto na Lei 9. 00001. para licenciatura de profissionais em educação infantil e de professores para os anos iniciais do ensino fundamental. Plenário. pelo menos 10% dos quais com grau de mestre ou doutor. de 30 de setembro de 1999. 66. Tais programas terão duração mínima de 540 horas. Dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação. COMENTÁRIOS. 62 e 63 da Lei 9. f) Cursos de pós-graduação. de 30 de setembro de 1999. Conselho Pleno. As diretrizes gerais aqui referidas. da LDB.Presidente Fonte: Conselho Nacional de Educação. alíneas "c" e "h" da Lei 4. homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 3 de setembro de 1999. . do CNE. Brasília-DF.curso normal superior. em seu conjunto. Conselheiro . d) Programa de Formação Pedagógica para portadores de diploma de curso superior. 10 de agosto de 1999 Conselheiros Relatores: Edla de Araújo Lira Soares Eunice Ribeiro Durham Francisco Aparecido Cordão Guiomar Namo de Mello Jacques Velloso Silke Weber III .131. § 2º. da elaboração. 1º Os institutos superiores de educação. 10 de agosto de 1999. Após cinco anos de atividade. composto por professores com titulação pós-graduada.VOTO DOS RELATORES Votamos favoravelmente à aprovação do projeto de Resolução. incluindo a parte teórica e prática. os cursos e programas oferecidos pelos Institutos Superiores de Educação deverão ser objeto de processo de avaliação externa.131/95. preferencialmente em área relacionada ao ensino. O corpo docente dos Institutos Superiores de Educação constituído por professores vinculados à Instituição por contrato. 06).Éfrem de Aguiar Maranhão . b) Curso Normal Superior para formação de professores dos anos iniciais do ensino fundamental voltado para a formação geral para o magistério. a compreensão das especificidades dos diferentes momentos de aprendizagem e das características próprias dos alunos das diversas etapas da educação básica. a professores em regência com formação em nível médio. domínio dos conhecimentos básicos das áreas contempladas nos conteúdos mínimos nacionais. desenvolvendo-se esta última. com a redação dada pela Lei 9. execução e avaliação do projeto institucional próprio. uso das tecnologias associadas ao seu ensino e formas de avaliação a eles relacionados. de formação de professores. RESOLVE: Art.cursos de licenciatura destinados à formação de docentes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. Ver Resolução CP/CNE nº 1. visam à formação inicial. de 25 de novembro de 1995. conforme o disposto no Art. Os Institutos Superiores de Educação poderão prover: a) Curso Normal Superior para a formação de professores de educação infantil voltado para preparar profissionais aptos a realizar práticas educativas que considerem o desenvolvimento social. e ainda o Parecer CP 115/99. conforme prevê a Resolução nº 02. 62 e 63 da LDB. de portadores de necessidades educativas especiais e de jovens e adultos. em anexo que integra o presente Parecer. contemplando a compreensão do processo de aprendizagem referido à escola. de caráter profissional.p. II . de 26 de junho de 1997. organizados conforme o projeto pedagógico de cada instituição.SEPARATA – LICENCIATURA 4 Os Institutos Superiores de Educação deverão contar com corpo docente próprio. e) Programas de Formação Continuada para funções do magistério da Educação Básica. ao longo de 300 horas. integrado tanto por especialistas nos conteúdos curriculares e nas áreas que subsidiam a formação geral do magistério. 00002. cedência ou convênio deverá ser. com o objetivo de orientar a aplicação dos art. considerados os Art. precipuamente. com abstenção do conselheiros João Antonio Cabral de Monlevade e Regina Alcântara de Assis. em 3 de setembro de 1999 (DOU de 06/09/99 .DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Conselho Pleno acompanha o voto dos Relatores.Seção I . O Senhor Ministro de Estado da Educação homologou o Parecer. O corpo docente dos Institutos Superiores de Educação participará. com possibilidade de ênfase na educação indígena. cognitivo. destinados à formação de docentes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

Em qualquer hipótese. os institutos superiores de educação terão projeto institucional próprio de formação de professores.na formação para o magistério dos anos iniciais do ensino fundamental. integradamente. IV . b) pelos professores cedidos às unidades de ensino que ministrem cursos de licenciatura e que atuem nestes cursos.na formação para a educação infantil.10% (dez por cento) com titulação de mestre ou doutor. na formação de seus alunos: I . desde que o convênio ou termo de cessão.programas especiais de formação pedagógica. participará. é aquele constituído: a) pelos docentes contratados ou lotados nas unidades de ensino que ministrem cursos de licenciatura e que atuem nestes cursos. § 2º Observado o disposto no parágrafo 1º deste artigo. zelando pela aprendizagem dos alunos. § 4º Em qualquer das hipóteses previstas no art. em seus aspectos físico. Art. nos termos da Resolução CNE nº 2/97. II .as características da sociedade de comunicação e informação. promover práticas educativas que considerem o desenvolvimento integral da criança até seis anos. § 1º A formação mencionada nos incisos I e II do caput deste artigo poderá oferecer. tais como: . II . Art. ou em faculdade. da elaboração. ou unidades da mesma instituição. obedecendo ao disposto no Art.os conteúdos curriculares da educação básica. terá titulação pósgraduada. em áreas de conhecimento ou disciplinas de sua especialidade. IV . conforme o caso. e incluirá.como coordenação única de cursos ministrados em diferentes unidades de uma mesma instituição. III . b) por professores cedidos por outras instituições. § 1º O corpo docente dos institutos superiores de educação. na hipótese prevista no inciso III do Art. 3º da presente Resolução. destinados à atualização de profissionais da educação básica nos diversos níveis.considerar. 3º da presente Resolução. na formação dos alunos da educação básica. formalmente constituída. Parágrafo único. os institutos superiores de educação contarão com uma instância de direção ou coordenação. Art.a articulação entre teoria e prática. 4º Os institutos superiores de educação contarão com corpo docente próprio apto a ministrar.programas de formação continuada. § 2º Corpo docente próprio. de caráter profissional. 3º da presente Resolução. adequando-os às necessidades dos alunos. de outras linguagens e códigos. a qual será responsável por articular a formulação. V .1/3 (um terço) em regime de tempo integral. 2º Visando assegurar a especificidade e o caráter orgânico do processo de formação profissional. II . § 3º Corpo docente próprio. articulado por instância de direção ou coordenação.SEPARATA – LICENCIATURA 5 III . 5º O corpo docente dos institutos superiores de educação. da matemática. com direção ou coordenação do conjunto das licenciaturas ministradas. de modo a assegurar sua aprendizagem pelos alunos a partir de seis anos. conhecer e adequar os conteúdos da língua portuguesa. o contrato ou lotação ou.o aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e na prática profissional.como unidade de uma universidade ou centro universitário.metade com comprovada experiência na educação básica. 6º O curso normal superior. ainda.as diferentes áreas de fundamentos da educação básica. em seu conjunto. II . psico-social e cognitivo-lingüístico. Art. 66 da LDB.conhecer e dominar os conteúdos básicos relacionados às áreas de conhecimento que serão objeto de sua atividade docente. Art. voltada para a atuação na educação básica. a preparação específica em áreas de atuação profissional. preferencialmente em área relacionada aos conteúdos curriculares da educação básica.a ampliação dos horizontes culturais e o desenvolvimento da sensibilidade para as transformações do mundo contemporâneo. a critério da instituição.compreender e atuar sobre o processo de ensino-aprendizagem na escola e nas suas relações com o contexto no qual se inserem as instituições de ensino. que articule os projetos pedagógicos dos cursos e integre: I .a articulação entre áreas do conhecimento ou disciplinas. execução e avaliação dos respectivos projetos pedagógicos específicos. III . base para os projetos pedagógicos específicos dos cursos. pelo menos: I .como instituto superior propriamente dito. nas hipóteses previstas nos incisos I e II do Art. II . III . com direção ou coordenação do conjunto das licenciaturas ministradas. ou em faculdade integrada ou em escola superior. III . § 1º Os cursos e programas dos institutos superiores de educação observarão. do mundo físico e natural e da realidade social e política. é aquele constituído: a) por professores contratados pelo instituto ou nele lotados. V . suas características sócio-culturais e psicopedagógicas. execução e avaliação do projeto institucional de formação de professores. o conjunto dos conteúdos curriculares e a supervisionar as atividades dos cursos e programas que ofereçam.sistematizar e socializar a reflexão sobre a prática docente. aberto a concluintes do ensino médio. os cursos de licenciatura e os programas especiais de formação pedagógica dos institutos superiores de educação serão organizados e atuarão de modo a capacitar profissionais aptos a: I . valorizando o exercício da docência. assegure regime de trabalho e efetiva vinculação pedagógica do docente ao instituto. destinados a portadores de diploma de nível superior que desejem ensinar nos anos finais do ensino fundamental ou no ensino médio. III .resolver problemas concretos da prática docente e da dinâmica escolar. IV . o curso normal superior. 3º Os institutos superiores de educação poderão ser organizados: I . II . o convênio ou termo de cessão dos docentes deverá prever o tempo a ser necessariamente dedicado à orientação da prática de ensino e à participação no projeto pedagógico.formação pós-graduada. deverá preparar profissionais capazes de: I .

CP/CNE Nº 02. 9º da Lei 4.atendimento e educação inclusiva de portadores de necessidades educativas especiais. serão avaliados os programas de formação pedagógica referidos no inciso IV do art. § 2º Para fins de satisfação do mínimo de 800 horas da parte prática da formação poderão ser incorporadas. quando couber. Os cursos de licenciatura. 8º Os programas de formação continuada estarão abertos a profissionais da educação básica nos diversos níveis. II . quando já autorizados ou reconhecidos. computadas as partes teórica e prática. 50) .Seção I . dependendo de seus objetivos e das características dos profissionais neles matriculados. 18 Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. estarão abertos a concluintes do ensino médio. para serem incorporados a institutos superiores de educação. no que diz respeito à parte prática: I . § 2º A duração dos cursos de licenciatura será de no mínimo 3. estabelecidas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. § 1º Os cursos referidos no caput deste artigo serão organizados em habilitações polivalentes ou especializadas por disciplina ou área de conhecimento. 4º DA RES. CP/CNE Nº 02. com a redação dada pela Lei 9.p. § 4º É permitida mais de uma habilitação mediante complementação de estudos. obedecerão ao disposto na Resolução CNE nº 2/97. com duração mínima de 800 horas. atendendo aos termos do art. 13 Os cursos de licenciatura que não sejam ministrados por universidades dispõem do prazo de até quatro anos. Art. ouvida a escola na qual esta foi desenvolvida. DE 19/02/02) § 3º A conclusão de curso normal superior dará direito a diploma de licenciado com habilitação para atuar na educação infantil ou para a docência nos anos iniciais do ensino fundamental. computadas as partes teórica e prática.supervisionar a parte prática da formação. § 2º A duração do curso normal superior será de no mínimo 3. contados da data da publicação da presente Resolução. Art. incluindo a relação com a família dos alunos e a comunidade. 1º. Art.200 horas-aula.educação de comunidades indígenas. Art. revogadas as disposições em contrário.considerar na avaliação do aluno o seu desempenho na parte prática. Art. Parágrafo único.cuidado e educação em creches. sendo organizados de modo a permitir atualização profissional. 10 Compete aos institutos superiores de educação. Parágrafo Único. dependem de projeto pedagógico específico para cada curso. as horas comprovadamente a ela dedicadas. oferecida ao longo dos estudos. 12 A autorização. DE 19/02/02) Art. 7º Os cursos de licenciatura dos institutos superiores de educação. articulados ao projeto institucional de formação de professores.instituir mecanismos para entendimentos com os sistemas de ensino. pelos alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica. II .ensino em classes de educação infantil. V . § 2º A conclusão de programa de formação continuada dará direito a certificado. vedada a sua oferta exclusivamente ao final do curso.educação de jovens e adultos equivalente aos anos iniciais do ensino fundamental. ministrados por instituto superior de educação. § 1º Os programas de formação continuada para professores terão duração variável. contados da data da publicação da presente Resolução. CP/CNE Nº 02. 2º da presente Resolução e as diretrizes curriculares para a educação básica. pelo estabelecimento de institutos superiores de educação em seu interior ou pela manutenção dos cursos de licenciatura que ministram. 16 No prazo máximo de cinco anos. terão assegurado o aproveitamento de estudos para efeito de atendimento do mínimo estabelecido no § 2º deste artigo até o limite de 800 horas. observado o disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. e o reconhecimento de licenciaturas. As diretrizes curriculares referidas no caput deste artigo observarão os termos do art. terão o prazo máximo de quatro anos. (REVOGADO PELO ART. 15 Os programas especiais de formação pedagógica referidos no inciso IV do art. (REVOGADO PELO ART.131/95.024/61. § 5º Os concluintes em curso normal de nível médio. 4º DA RES. Art. para atender ao disposto no caput deste artigo.organizar a parte prática da formação com base no projeto pedagógico da escola em que vier a ser desenvolvida. (REVOGADO PELO ART. Art. tendo em vista assegurar o desenvolvimento da parte prática da formação em escolas de educação básica. 4º DA RES. Art. destinados à docência nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. 1º. § 1º A parte prática da formação será desenvolvida em escolas de educação básica e compreenderá a participação do estudante na preparação de aulas e no trabalho de classe em geral e o acompanhamento da proposta pedagógica da escola. (REVOGADO PELO ART. IV . no gozo das prerrogativas de sua autonomia. com a habilitação prevista. 2º da presente Resolução. III . preferencialmente através de seminários multidisciplinares. inclusive dos cursos normais superiores. 11 As universidades e centros universitários decidirão. inclusive os cursos normais superiores. 17 Os cursos de licenciatura para a formação de professores para a educação básica.SEPARATA – LICENCIATURA 6 I . CP/CNE Nº 02. DE 19/02/02) § 6º A escolha dos estudos a serem aproveitados terá como referência o currículo do curso normal superior da instituição. IV . DE 19/02/02) § 3º A conclusão do curso de licenciatura referido no caput deste artigo dará direito a diploma de licenciado para a docência nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. com pelo menos 3. 1º desta Resolução. ÉFREM DE AGUIAR MARANHÃO (DOU de 07/10/99 . 4º DA RES. Art.200 horas de duração. III .200 horas. observarão as respectivas diretrizes curriculares referidas na alínea "c" do parágrafo 2º do art. 14 Os programas de formação continuada ficam dispensados de autorização de funcionamento e de reconhecimento periódico. contados da data da publicação da presente Resolução. Art. Art. 9º O curso normal superior e os demais cursos de licenciatura incluirão obrigatoriamente parte prática de formação.

276. 7 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. § 2º As diretrizes curriculares nacionais para formação de professores devem assegurar formação básica comum. § 1º A formação de professores deve incluir as habilitações para a atuação multidisciplinar e em campos específicos do conhecimento. IV .394. de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar. no uso da atribuição que lhe confere o art. que deverão constituir-se em unidades acadêmicas. III . FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza (Transcrição) (DOU de 07/12/99 . centros universitários e outras instituições de ensino superior para tanto legalmente credenciadas. 6 de dezembro de 1999. Art.comprometimento com os valores estéticos. sem prejuízo de adaptações às peculiaridades regionais. distribuída ao longo do curso.por institutos superiores de educação.compatibilidade com a etapa da educação básica em que atuarão os graduados. da Constituição. no ensino da sua especialidade. far-se-á conforme o disposto neste Decreto. Art. definirá as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores da educação básica. de 20 de dezembro de 1996. 1º A formação em nível superior de professores para atuar na educação básica.compreensão do papel social da escola.possibilidade de complementação de estudos. § 1º As diretrizes curriculares nacionais observarão.por universidades. III . de 6 de dezembro de 1999. as seguintes competências a serem desenvolvidas pelos professores que atuarão na educação básica: I .formação básica comum. observado o disposto nos arts. e dá outras providências. incluindo ás novas linguagens e tecnologias. podendo os habilitados atuar. § 3º Os cursos normais superiores deverão necessariamente contemplar áreas de conteúdo metodológico.conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica. IV . de modo a assegurar as especificidades do trabalho do professor na formação para atuação multidisciplinar e em campos específicos do conhecimento. V . § 1º Os institutos superiores de educação poderão ser organizados diretamente ou por transformação de outras instituições de ensino superior ou de unidades das universidades e dos centros universitários. 3º A organização curricular dos cursos deverá permitir ao graduando opções que favoreçam a escolha da etapa da educação básica para a qual se habilitará e a complementação de estudos que viabilize sua habilitação para outra etapa da educação básica. além do disposto nos artigos anteriores.SEPARATA – LICENCIATURA DECRETO Nº 3. Brasília. 04 e de 8/12/99 – Seção I – p. § 2º Qualquer que seja a vinculação institucional. de forma a promover a efetiva aprendizagem dos alunos.Seção I . políticos e éticos inspiradores da sociedade democrática.articulação entre os cursos de formação inicial e os diferentes programas e processos de formação continuada. adequado à faixa etária dos alunos da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental. 16) . destinada ao magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. considerando os âmbitos do ensino e da gestão. Dispõe sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica.gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional. 84. estabelecidas pelos sistemas de ensino.p.domínio do conhecimento pedagógico. II . § 2º A formação em nível superior de professores para a atuação multidisciplinar. DECRETA: Art. atendidas as diretrizes curriculares nacionais definidas para a educação básica e tendo como referência os parâmetros curriculares nacionais. 5º O Conselho Nacional de Educação. de 20 de dezembro de 1996. os cursos de formação de professores para a educação básica deverão assegurar estreita articulação com os sistemas de ensino. far-se-á exclusivamente em cursos normais superiores. II . 61 a 63 da Lei nº 9. em qualquer etapa da educação básica.394. e tendo em vista o disposto nos arts. 2º Os cursos de formação de professores para a educação básica serão organizados de modo a atender aos seguintes requisitos: I . § 4º A formação de professores para a atuação em campos específicos do conhecimento far-se-á em cursos de licenciatura. 178º da Independência e 111º da República. VI . Art.domínio dos conteúdos a serem socializados. II . de modo a permitir aos graduados a atuação em outra etapa da educação básica. incluindo metodologias de alfabetização e áreas de conteúdo disciplinar. essencial para a associação teoria-prática no processo de formação. mediante proposta do Ministro de Estado da Educação. qualquer que tenha sido a formação prévia do aluno no ensino médio. Art. Art. com concepção curricular integrada. inciso VI. 6º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 61 a 63 da Lei nº 9. 4º Os cursos referidos no artigo anterior poderão ser ministrados: I .

.Seção I . No exercício de sua autonomia. sem prejuízos de outras. que restringia exclusivamente aos Cursos Normais Superiores a formação de professores de nível superior para atuação multidisciplinar.... podendo incluir os seguintes cursos e programas: I . preferencialmente.curso normal superior. de caráter profissional.554. I . estendeu aos centros universitários credenciados autonomia para criar.394/96. na forma do Decreto 3. de 7 de agosto de 2000. para licenciatura de profissionais em educação infantil e de professores para os anos iniciais do ensino fundamental.276.elaboração da programação dos cursos. II .. Para esclarecer esta dúvida. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades. Brasília. organizar e extinguir. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 01) COMENTÁRIOS. e dá outras providências. de 6 de dezembro de 1999. 1º Os institutos superiores de educação. .. far-se-á. recentemente acentuado com a edição do Decreto 3. 3º do Decreto nº 3. em cursos normais superiores. a oferecida em nível médio. destinado ao magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental.276.306/97. do respectivo sistema de ensino.554. de 7/8/2000. são asseguradas às universidades. em sua sede. que dispõe sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica. preferencialmente. em cursos normais superiores. PARECER Nº 133. organizar e extinguir. 8 Dá nova redação ao § 2º do art..) O Decreto 2. 2º (. A discussão suscitada pelo mencionado Decreto conduziu à mudança de redação do § 2º de seu artigo 1º.. que ora é transcrita: “Art. para a vigorar com a seguinte redação: “§ 2º A formação em nível superior de professores para a atuação multidisciplinar. suscitou questionamentos quanto aos cursos que poderão preparar professores para atuação na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. a Resolução CNE/CP 1/99. § 2º A formação em nível superior de professores para a atuação multidisciplinar. passa vigorar com a seguinte redação: .criar. dentro dos recursos orçamentários disponíveis. Parágrafo único. em sua sede. caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir.RELATÓRIO A formação de professores para atuar na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental tem sido objeto de profícuo debate acadêmico. 179º da Independência e 112º da República.. . de 6 de dezembro de 1999..276/99. 62. 3º do Decreto nº 3. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. 53. visam à formação inicial. 84. Ver Parecer CP/CNE nº 10/00. 12. Câmara de Educação Superior. II .” (g. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior.. in verbis: “Art. prevê: “Art. O § 2º do art.fixar os currículos dos seus cursos e programas.criação. II . 3º do Decreto nº 3. destinada ao magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental far-se-á. 00001. DECRETA: Art. que dispõe sobre os institutos superiores de educação. em universidades e institutos superiores de educação. no BDE 08/00:36.” . de 6 de dezembro de 1999. as seguintes atribuições: I ..” Tal modificação. no uso da atribuição que lhe confere o art. admitida como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. que articule os projetos pedagógicos dos cursos (. 1º O § 2º do art. III . cursos e programas de educação superior previsto nesta Lei. que substituiu o tempo “exclusivamente” por “preferencialmente”.. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza (DOU de 08/08/2000 . ao tratar da autonomia universitária. no seu Art.ampliação e diminuição de vagas. modificação e extinção de cursos.n. aprovado em 30 de janeiro de 2001. cursos e programas de educação superior. Conselho Nacional de Educação.) . em curso de licenciatura. 7 de agosto de 2000. vale mencionar o que dispõe o artigo 62 da Lei 9.276... observadas as diretrizes gerais pertinentes.) Por outro lado. § 1º. Por sua vez.) os institutos superiores de educação terão projeto institucional próprio de formação de professores.n.p. de graduação plena. 1º. continuada e complementar para o magistério da educação básica. cuja homologação foi publicada no mesmo DOU de publicação de Decreto. obedecendo às normas gerais da União e. na modalidade Normal.SEPARATA – LICENCIATURA DECRETO Nº 3. assim como remanejar ou ampliar vagas nos cursos existentes. Art.”(g. . expansão. quando for o caso. sobre: I . inciso IV da Constituição.” (NR) Art... assim estabelece o artigo 53 da mesma lei: “Art.

2º da presente Resolução. 12. Conselho Pleno. José Carlos de Almeida e Silke Weber.01). pelo estabelecimento de institutos superiores de educação em seu interior ou pela manutenção dos cursos de licenciatura que ministram. para análise da proposta do Ministério da Educação. inclusive dos cursos normais superiores. Conselho Nacional de Educação. Tendo como Presidente a Conselheira Silke Weber e como relatora a Conselheira Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira.Membro Roberto Cláudio Frota Bezerra . da Câmara de Educação Básica. Os cursos de licenciatura. Educação de Jovens e Adultos. com a participação de representantes da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação.01).VOTO DA COMISSÃO A leitura de tais dispositivos nos permite apresentar a seguinte conclusão: A oferta de cursos destinados à formação de professores de nível superior para atuar na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental obedecerá os seguintes critérios: a) quando se tratar de universidades e de centros universitários os cursos poderão ser oferecidos preferencialmente como Curso Normal Superior ou como curso com outra denominação. particularmente Maria Inês Laranjeira. atendendo aos termos do art. 11. solicitou desligamento da Comissão Bicameral em outubro de 2000. . no gozo das prerrogativas de sua autonomia.RELATÓRIO O Ministério da Educação. b) as instituições não-universitárias terão que criar Institutos Superiores de Educação. I . As universidades e centros universitários decidirão.03. composto por representantes das Secretarias de Educação Fundamental.03. Parágrafo único. Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação. Educação Indígena. integrantes do Grupo de Trabalho que redigiu a Proposta submetida à apreciação do Conselho Nacional de Educação.DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto da Comissão. remeteu ao Conselho Nacional de Educação.01).03. Fórum dos Conselhos Estaduais da Educação. designou.03. Fórum dos Pró-Reitores de Graduação. Secretaria de Educação Superior. em cursos de nível superior. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. O documento que hoje constitui esta Proposta de Diretrizes para a Formação de Professores da Educação Básica. com a participação de representantes do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação. para atender ao disposto no caput deste artigo.01). Fórum dos Diretores das Faculdades de Educação. com representantes da Secretaria de Educação Fundamental. PARECER Nº 9. formulada por Grupo de Trabalho designado para este fim. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.Membro III .) II . a maioria delas contando com a contribuição de todos os seus integrantes.01). em reunião do Conselho Pleno do mês de julho de 2000. uma Comissão Bicameral composta pelos Conselheiros Edla Soares. a Comissão fez vinte e uma reuniões entre agosto de 2000 e maio de 2001. nas datas.Presidente Arthur Roquete de Macedo . Conferências sobre Formação de Professores. no entanto. Célia Carolino e Maria Beatriz Silva. sob a coordenação geral do Dr.03. foi submetido à apreciação da comunidade educacional em cinco audiências públicas regionais. Sala das Sessões. Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras. União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação . União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. quando já autorizados ou reconhecidos. Seminários.” (g. na participação de Encontros. Nélio Bizzo e Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira. Associação Nacional de Formação dos Profissionais da Educação. e Éfrem Maranhão. articulados ao projeto institucional de formação de professores. locais e com público especificados a seguir: Audiências públicas regionais em Porto Alegre (19. contados da data da publicação da presente Resolução. continuando a Comissão a se reunir com os demais componentes e com os representantes do Ministério da Educação.Relatora Francisco César de Sá Barreto . Educação Especial e Educação Ambiental. Guiomar Namo de Mello. Recife (21.SEPARATA – LICENCIATURA 9 Art. Brasília-DF. Educação Média e Tecnológica e Educação Superior. Art.Relator Silke Weber . Comissão Nacional de Formação de Professores e Ministério da Educação. terão o prazo máximo de quatro anos. caso pretendam formar professores em nível superior para Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental e esta formação deverá ser oferecida em Curso Normal Superior.03. em cursos de nível superior. Reunião institucional em Brasília (20. Comissão Nacional de Formação de Professores. Conselho Nacional dos Secretários Estaduais da Educação. por problemas de agenda. aprovado em 8 de maio de 2001. uma reunião institucional. Ruy Leite Berger Filho – Secretário de Educação Média e Tecnológica. O Conselho Nacional de Educação. O Conselheiro José Carlos de Almeida. 30 de janeiro de 2001. que se revezaram ao longo do período. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. em 30 de janeiro de 2001.Vice-Presidente Fonte: Conselho Nacional de Educação. proposta de Diretrizes para a Formação de Professores da Educação Básica. em maio de 2000. Goiânia (21. Eunice Durham. desde que observadas as respectivas diretrizes curriculares. Éfrem de Aguiar Maranhão . São Paulo (20. Conselheiros: Roberto Cláudio Frota Bezerra . Belém (23.01). uma reunião técnica e uma audiência pública nacional. Associação Nacional de Política e Administração na Educação. da Câmara de Educação Superior. depende de projeto pedagógico específico para cada curso.n. A autorização quando couber e o reconhecimento de licenciaturas. obedecendo ao disposto na Resolução CNE/CP 1/99. para apreciação.

o Brasil deu passos significativos no sentido de universalizar o acesso ao ensino fundamental obrigatório. entre as quais se destacam: ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ orientar e mediar o ensino para a aprendizagem dos alunos. ANDES – Sindicato Nacional. Associação Nacional de Formação dos Profissionais da Educação. com a participação de representantes do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação. como inerentes à atividade docente. discutir e implementar um sistema de avaliação periódica e certificação de cursos. será apresentada a seguir uma análise do contexto educacional nos últimos anos para. fortalecer os vínculos entre as instituições formadoras e o sistema educacional. melhorar a infra-estrutura institucional especialmente no que concerne a recursos bibliográficos e tecnológicos. com base nela. atualizar e aperfeiçoar os formatos de preparação e os currículos vivenciados. Sociedade Brasileira de Física. assumir e saber lidar com a diversidade existente entre os alunos. de organização do trabalho e do exercício da cidadania. agregam-se a esse esforço o aumento da oferta de ensino médio e de educação infantil nos sistemas públicos. a fim de: ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ fomentar e fortalecer processos de mudança no interior das instituições formadoras. Associação de Geógrafos Brasileiros. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Fórum de Diretores das Faculdades de Educação. estratégias e materiais de apoio. Entre as inúmeras dificuldades encontradas para essa implementação destaca-se o preparo inadequado dos professores cuja formação de modo geral. dar relevo à docência como base da formação. na atualidade. O avanço e a disseminação das tecnologias da informação e da comunicação está impactando as formas de convivência social. bem como o estabelecimento de base comum nacional para os diferentes níveis da Educação Básica. têm motivado a mobilização da sociedade civil. Associação de Geógrafos Brasileiros. de políticas educacionais orientadas por esse debate social e acadêmico visando a melhoria da educação básica. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. fortalece os direitos da cidadania e participa da economia mundializada. Sociedade Brasileira de Educação Matemática. com participação de representantes das comissões de especialistas da Secretaria de Educação Superior. Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Associação Nacional de História. diplomas e competências de professores. Associação Brasileira de Lingüística. considerando as mudanças em curso na organização pedagógica e curricular da educação básica. apresenta a base comum de formação docente expressa em diretrizes. que não contempla muitas das características consideradas.01). Associação Brasileira de Computação. incentivar atividades de enriquecimento cultural. Importa destacar que. do Ministério da Educação. Comissão Nacional de Formação de Professores. A democratização do acesso e a melhoria da qualidade da educação básica vêm acontecendo num contexto marcado pela redemocratização do país e por profundas mudanças nas expectativas e demandas educacionais da sociedade brasileira. definir jornada de trabalho e planos de carreiras compatíveis com o exercício profissional. comprometer-se com o sucesso da aprendizagem dos alunos. Sociedade Brasileira de Física. desenvolver práticas investigativas. estabelecer níveis de remuneração condigna com a importância social do trabalho docente. fazer-se a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. desenvolver hábitos de colaboração e trabalho em equipe.01). relacionando teoria e prática. formular. melhorando o fluxo de matrículas e investindo na qualidade da aprendizagem nesse nível escolar. Fórum dos Pró-Reitores de Graduação. promover a atualização de recursos bibliográficos e tecnológicos em todas as instituições ou cursos de formação. Fórum Nacional em Defesa da Formação de Professores. Associação Nacional de Política e Administração na Educação. Sociedade Brasileira de Enfermagem. Fórum de Licenciaturas. Esse cenário apresenta enormes desafios educacionais que. A apresentação do documento ao Conselho Pleno do Conselho Nacional de Educação. Mais recentemente. Durante os anos 80 e 90. Sociedade Brasileira de Ensino de Biologia. por estados e municípios. estabelecer um sistema nacional de desenvolvimento profissional contínuo para todos os professores do sistema educacional. A internacionalização da economia confronta o Brasil com a necessidade indispensável de dispor de profissionais qualificados. Feito este breve relato sobre o documento em si. manteve predominantemente um formato tradicional. nas últimas décadas. mais se amplia o reconhecimento da importância da educação para a promoção do desenvolvimento sustentável e para a superação das desigualdades sociais. a realização de estudos e pesquisas e a implementação. que possibilitem a revisão criativa dos modelos hoje em vigor. além das mudanças necessárias nos cursos de formação docente.04. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. . Audiência pública nacional em Brasília (23. se deu em 08 de maio de 2001. suas escolas e seus professores. Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação. utilizar novas metodologias. Este documento. Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação. última instância antes do encaminhamento do mesmo à apreciação do senhor Ministro da Educação. a melhoria da qualificação profissional dos professores vai depender também de políticas que objetivem: ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ fortalecer as características acadêmicas e profissionais do corpo docente formador. elaborar e executar projetos para desenvolver conteúdos curriculares. Sociedade Brasileira de Educação Matemática. Sociedade Brasileira do Ensino de Biologia. fortalecer e aprimorar a capacidade acadêmica e profissional dos docentes formadores. incorporando elementos presentes na discussão mais ampla a respeito do papel dos professores no processo educativo.04. considerando as características do debate nacional e internacional a respeito da educação.SEPARATA – LICENCIATURA 10 Reunião técnica em Brasília (17. Quanto mais o Brasil consolida as instituições políticas democráticas.

as experiências inovadoras em andamento em algumas Instituições de Ensino Superior. (d) fortalecimento da escola como espaço de ensino e de aprendizagem do aluno e de enriquecimento cultural. 1. O processo de elaboração das propostas de diretrizes curriculares para a graduação. Ela busca descrever o contexto global e o nacional da reforma educacional no Brasil. O capítulo sobre educação da Carta Magna reclamava. o país dispõe hoje de um marco referencial para a organização pedagógica das distintas etapas da escolarização básica. a avaliação das políticas públicas em educação. e as linhas orientadoras das mudanças dos cursos de formação de professores. Com base no diagnóstico dos problemas detectados na formação inicial dos professores. uma Lei que o regulamentasse. para o ensino fundamental e para o ensino médio. 2 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) . A proposta inclui a discussão das competências e áreas de desenvolvimento profissional que se espera promover nessa formação. consolidou a direção da formação para três categorias de carreiras: Bacharelado Acadêmico. a nova lei geral da educação brasileira sinalizou o futuro e traçou diretrizes inovadoras para a organização e a gestão dos sistemas de ensino da educação básica. vale destacar: (a) integração da educação infantil e do ensino médio como etapas da educação básica. coordenando uma discussão nacional sobre formação de Professores publicou os Referenciais para a Formação de Professores. Como toda proposta em educação. qualquer que seja o locus institucional . (e) flexibilidade. Ao longo dos anos 80 e da primeira metade dos 90.SEPARATA – LICENCIATURA 11 A proposta de diretrizes nacionais para a formação inicial de professores para a educação básica brasileira busca também construir sintonia entre a formação inicial de professores. as normas instituídas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação infantil. não como uma justaposição de etapas fragmentadas. A REFORMA DA EDUCAÇÃO BÁSICA 2 1. e que teve na Constituição seu próprio e importante marco institucional.que desencadeou em dezembro de 1997. Com as Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais para as diferentes etapas da educação básica. o documento “Subsídios para a elaboração de Diretrizes Curriculares para os Cursos de Formação de Professores”. é suficientemente flexível para abrigar diferentes desenhos institucionais. a Licenciatura ganhou. o quadro legal que lhe dá suporte. ou seja. ela apresenta princípios orientadores amplos e diretrizes para uma política de formação de professores. serviços.1. para o qual contribuíram o pensamento acadêmico. os princípios prescritos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional/LDBEN. ensino fundamental e ensino médio. jovens e adultos para avançar na reforma das políticas da educação básica. como determina a nova legislação. as iniciativas inovadoras de gestão e de organização pedagógica dos sistemas de ensino e escolas nos estados e municípios deram uma importante contribuição prática para essa revisão conceitual. Com sua promulgação. para sua organização no tempo e no espaço e para a estruturação dos cursos. 1 Este Grupo Tarefa concluiu. informações e conhecimentos e tecnologias.2. Além disso. terminalidade e integralidade própria em relação ao Bacharelado. descentralização e autonomia da escola associados à avaliação de resultados. no qual os conteúdos constituem fundamentos para que os alunos possam desenvolver capacidades e constituir competências. Isso exige a definição de currículos próprios da Licenciatura que não se confundam com o Bacharelado ou com a antiga formação de professores que ficou caracterizada como modelo “3+1”. Sendo assim. relacionar-se com a natureza. no entanto. seja pela Secretaria de Educação Fundamental – SEF – que. Incorporando lições. sintonizando-o com as formas contemporâneas de conviver e de ser.Universidade ou ISE . são orientadoras para a definição das Propostas de Diretrizes específicas para cada etapa da educação básica e para cada área de conhecimento. Portanto. executivos e normativos vêm interpretando e regulamentando esses paradigmas curriculares de modo inovador. Bacharelado Profissionalizante e Licenciatura. a ser universalizada. produzir e distribuir bens. construir e reconstruir as instituições sociais. e suas modalidades.áreas de conhecimento e/ou etapas da escolaridade básica. em 15 de setembro de 1999. Dessa forma. bem como as recomendações constantes dos Parâmetros e Referenciais Curriculares para a educação básica elaborados pelo Ministério da Educação. o Brasil completa a primeira geração de reformas educacionais iniciada no começo dos anos 80. com a mediação e ajuda da escola. seja pela Secretaria de Ensino Superior – SESu . as Diretrizes constantes deste documento aplicar-se-ão a todos os cursos de formação de professores em nível superior. com a finalidade de subsidiar o Conselho Nacional de Educação na tarefa de instituir diretrizes curriculares nacionais para os diferentes cursos. Reforma curricular: um instrumento para transformar em realidade as propostas da educação básica O contexto atual traz a necessidade de promover a educação escolar. experiências e princípios aprendidos desde o início dos anos 80 por reformas localizadas em estados e municípios. constituindo-se em um projeto específico. (b) foco nas competências a serem constituídas na educação básica. a fim de sintonizá-las com as formas contemporâneas de conviver. Tomando como base a LDBEN e em colaboração com a sociedade e demais esferas federativas. (g) inclusão da Educação de Jovens e Adultos como modalidade no Ensino Fundamental e Médio. 1. ela não parte do zero mas é fruto de um longo processo de crítica. (c) importância do papel do professor no processo de aprendizagem do aluno. informarão os projetos institucionais e pedagógicos de formação de professores. 1 com a contribuição das comissões de Especialistas e de Grupo Tarefa especial . (f) exigência de formação em nível superior para os professores de todas as etapas de ensino. os movimentos sociais. no tocante à formação de professores. além de sugestões para avaliação das mudanças. reflexão e confronto entre diferentes concepções sobre a formação docente e suas práticas. conduzido pela SESu. os órgãos educacionais nacionais. busca considerar iniciativas que vêm sendo tomadas no âmbito do Ministério da Educação. um processo de revisão da Graduação. dando concretude ao que a legislação denomina educação básica e que possibilite um conjunto de aprendizagens e desenvolvimento de capacidades que todo cidadão – criança. as quais por sua vez. mas numa perspectiva de continuidade articulada entre educação infantil. O marco político-institucional desse processo foi a LDBEN. introduzindo um paradigma curricular novo. Entre as mudanças importantes promovidas pela nova LDBEN. jovem ou adulto – tem direito de desenvolver ao longo da vida. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional : sinalizando o futuro e traçando diretrizes inovadoras É necessário ressignificar o ensino de crianças.

bem como aprofundar a compreensão da complexidade do ato educativo em sua relação com a sociedade. Mas exige. As novas tarefas atribuídas à escola e a dinâmica por elas geradas impõem a revisão da formação docente em vigor na perspectiva de fortalecer ou instaurar processos de mudança no interior das instituições formadoras. Reforça-se. Essa reforma curricular concebe a educação escolar como tendo um papel fundamental no desenvolvimento das pessoas e da sociedade. ao mesmo tempo. enfrentar desafios. comprometer-se. À extensão no tempo. não só dentro de cada etapa. a ampliação da cobertura: se a educação é básica dos zero aos 17 anos. reforça-se a concepção de escola voltada para a construção de uma cidadania consciente e ativa. o trabalho e a ter acesso a eles autonomamente. que incluem o desenvolvimento de disposição para atualização constante de modo a inteirar-se dos avanços do conhecimento nas diversas áreas. Além disso. constitui hoje uma tarefa importante favorecer a construção da identidade e da autonomia da criança e o seu conhecimento de mundo. É certo que como toda profissão. discutir divergências. bem como dos alunos com necessidades educacionais especiais. o que exige formação continuada. as transformações científicas e tecnológicas. que ofereça aos alunos as bases culturais que lhes permitam identificar e posicionar-se frente às transformações em curso e incorporar-se na vida produtiva e sócio-política. agir de forma autônoma e que aprendam a diferenciar o espaço público do espaço privado. da Educação de Jovens e Adultos. tem-se observado o uso cada vez mais disseminado dos computadores e de outras tecnologias. as rupturas que também existem na formação dos professores de crianças. A forma como surgiu a profissão. de acordo com o nível escolar. Novas tarefas passam a se colocar à escola. inevitavelmente. opinar. utilizar diferentes recursos tecnológicos. exercitar o pensamento crítico e reflexivo. Faz-se necessária uma revisão profunda de aspectos essenciais da formação inicial de professores. os movimentos e lutas da categoria e as pressões da população e da opinião pública em geral são alguns dos principais fatores determinantes do que foi. compreender. mas por ser a instituição que desenvolve uma prática educativa planejada e sistemática durante um período contínuo e extenso de tempo na vida das pessoas. estabelecer relações. se apresentam para os professores. assumir responsabilidades. questionar e pesquisar. fazendo com que se possa compartilhar informações simultaneamente com pessoas de diferentes locais. que sinaliza o caminho para um regime de colaboração e um modelo de gestão mais contemporâneo para reger as relações entre o centro dos sistemas e as unidades escolares. raciocinar logicamente. as finalidades da educação em diferentes momentos e.SEPARATA – LICENCIATURA 12 As normas e recomendações nacionais surgem nos marcos de um quadro legal de flexibilização da gestão pedagógica e reafirmação da autonomia escolar e da diversidade curricular. ser solidários. o prosseguimento dos esforços para superar rupturas seculares. conseqüentemente. não somente no período de formação inicial. É também necessário que o aluno aprenda a relativizar. Para isso. também. Para isso. em seu próprio processo de aprendizagem. demanda um esforço para manter a especificidade que cada faixa etária de atendimento impõe às etapas da escolaridade básica. além dos cuidados essenciais. que trazem uma grande mudança em todos os campos da atividade humana. sabe-se que um dos fatores de produção decisivo passa a ser o conhecimento e o controle do meio técnico-científico-informacional. a concepção de professor como profissional do ensino que tem como principal tarefa cuidar da aprendizagem dos alunos. é e virá a ser a profissão magistério. Integra. expressar-se e comunicar-se em várias linguagens. os bens culturais. será indispensável superar. que ocorrem de forma acelerada. Com relação ao mundo do trabalho. tais como: a organização institucional. agora para possibilitar que possam experimentar. e também novas políticas. Nesse contexto. as interferências do contexto sócio-político no qual ela esteve e está inserida. repudiar qualquer tipo de discriminação e injustiça. no atual contexto. o magistério tem uma trajetória construída historicamente. exigem das pessoas novas aprendizagens. o que pressupõe que a formação inicial deva ser complementada ao longo da vida. os processos formativos que envolvem aprendizagem e desenvolvimento das competências do professor. é importante que aprendam a ler criticamente diferentes tipos de texto. a comparar. a selecionar o que é relevante. as exigências colocadas pela realidade social. SUPORTE LEGAL PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES A LDBEN organiza a educação escolar anterior à superior em um mesmo segmento denominado educação básica. não porque seja a única instância responsável pela educação. também. assim. investigar. considerando a diferença entre creche e pré-escolar. respondendo às novas tarefas e aos desafios apontados. o papel e o modelo de professor. reconhecendo-a como parte de uma trajetória de formação permanente ao longo da vida. cultura. A formação de professores como preparação profissional passa a ter papel crucial. Com relação aos alunos dos ensinos fundamental e médio. como entre elas. Além disso. o desenvolvimento de competências necessárias para atuar nesse novo cenário. Do mesmo modo precisam ser consideradas as especificidades dos alunos das diversas modalidades de ensino. a construir hipóteses. especialmente da Educação Indígena. cooperativos. tecnologia. mas ao longo da vida. inserir-se produtivamente no mundo do trabalho e desenvolver um projeto de vida pessoal autônomo. reorganizando o poder advindo da posse do capital. na perspectiva da Lei. Novas tarefas. a adquirir confiança na própria capacidade de pensar e encontrar soluções. Esse conceito de educação básica aumenta a duração da escolaridade considerada base necessária para exercer a cidadania. confrontar e respeitar diferentes pontos de vista. O fato de o conhecimento ter passado a ser um dos recursos fundamentais tende a criar novas dinâmicas sociais e econômicas. Uma educação básica unificada e ao mesmo tempo diversa. sendo um dos elementos essenciais para favorecer as transformações sociais necessárias. não bastam mudanças superficiais. adolescentes e jovens. porque é reconhecida pela sociedade como a instituição da aprendizagem e do contato com o que a humanidade pôde produzir como conhecimento. Há também a questão da necessidade de aprendizagens ampliadas – além das novas formas de aprendizagem. criar. respeitada a sua diversidade pessoal. o lugar que a educação ocupou e ocupa nas prioridades de Estado. conviver com a diversidade. é preciso estimulá-los a valorizar o conhecimento. 2. . incorporando-os. No que se refere à faixa etária de zero a seis anos. inferir e generalizar. a educação infantil e o ensino médio ao ensino fundamental obrigatório de oito anos. a definição e estruturação dos conteúdos para que respondam às necessidades da atuação do professor. A comunicação oral e escrita convive cada dia mais intensamente com a comunicação eletrônica. E. social e cultural. Nos últimos anos. de modo a assegurar-lhes a indispensável preparação profissional. da terra ou da mão-de-obra. a vinculação entre as escolas de formação inicial e os sistemas de ensino. igualmente. deverá seguir-se. então deverá ser acessível a todos.

63. 2. colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. execução e avaliação do projeto institucional. Esse capítulo se inicia com os fundamentos metodológicos que presidirão a formação: Art. O outro ponto de destaque nos Artigos 62 e 63 refere-se à criação dos Institutos Superiores de Educação (ISE). elaborar e cumprir plano de trabalho. (c) a abertura de uma alternativa de organização para essa formação em Curso Normal Superior. a LDBEN determina as finalidades gerais da educação básica e os objetivos da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio. Os docentes incumbir-se-ão de: 1. É preciso destacar a clareza perseguida pela Lei ao constituir a educação básica como referência principal para a formação dos profissionais da educação. Do ponto de vista legal. As inovações que a LDBEN introduz nesse Artigo constituem indicativos legais importantes para os cursos de formação de professores: a) posicionando o professor como aquele a quem incumbe zelar pela aprendizagem do aluno – inclusive daqueles com ritmos diferentes de aprendizagem –. 6. na execução de um plano de trabalho próprio. dentre outras questões. a associação entre teorias e práticas. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. Mas há dois aspectos no Art. Importa que constituam. de graduação plena. princípios de formação. 3 . bem como as normas nacionais instituídas 4 pelo Ministério da Educação. 3. Aprendizagens significativas. fundamentos que presidirão os currículos de formação inicial e continuada de professores. os objetivos e conteúdos de todo e qualquer curso ou programa de formação inicial ou continuada de 3 professores devem tomar como os Artigos 22. programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. cursos formadores de profissionais para a educação básica. c) ampliando a responsabilidade do professor para além da sala de aula. tomando como referência. Complementando as disposições do Artigo 13. destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental. estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento. homologados pelo Sr. terá como fundamentos: 1. o direito de aprender do aluno. Os Institutos Superiores de Educação manterão: 1. colaborando na articulação entre a escola e a comunidade. Aborda ainda. o que reforça a responsabilidade do professor com o sucesso na aprendizagem do aluno.SEPARATA – LICENCIATURA 13 Quando define as incumbências dos professores. Art. 61 que precisam ser destacados: a relação entre teoria e prática e o aproveitamento da experiência anterior. a oferecida em nível médio. para crianças. Art. a LDBEN dedica os dois Artigos seguintes aos tipos e modalidades dos cursos de formação de professores e sua localização institucional: Art. em universidades e institutos superiores de educação. constituem fundamentos da educação básica. na definição de suas responsabilidades profissionais. Traça um perfil profissional que independe do tipo de docência: multidisciplinar ou especializada. 4 Pareceres nº 04/98. inclusive o Curso Normal Superior. 35 e 36 da mesma LDBEN. como se verá mais adiante. de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase do desenvolvimento do educando. programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Merecem nota alguns pontos desses dois Artigos: (a) a definição de todas as licenciaturas como plenas. 5. promovendo assim condições formais de aproximação entre as diferentes licenciaturas e conseqüentemente o desenvolvimento da pesquisa sobre os objetos de ensino. Aos ISE é atribuída a função de oferecer formação inicial de professores para atuar na educação básica. ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos. em curso de licenciatura. a LDBEN dedica um capítulo específico à formação dos profissionais da educação. que remetem continuamente o conhecimento à realidade prática do aluno e às suas experiências. Para construir junto com os seus futuros alunos experiências significativas e ensiná-los a relacionar teoria e prática é preciso que a formação de professores seja orientada por situações equivalentes de ensino e de aprendizagem. 03/98 e 01/99. É importante observar que a lei prevê que as características gerais da formação de professor devem ser adaptadas ou adequadas aos diferentes níveis e modalidades de ensino assim como a cada faixa etária. na modalidade Normal. 27. (b) a reafirmação do ensino superior como nível desejável para a formação do professor da criança pequena (educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental). participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. 61. 13. 2. zelar pela aprendizagem dos alunos. com destaque para os professores. 4. determina a existência de uma direção ou coordenação responsável por articular a elaboração. Para tanto. a Resolução CNE 01/99 deixa em aberto a localização dos ISE – dentro ou fora da estrutura universitária – e os posiciona como instituições articuladoras. além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento. Ministro da Educação. 3. em colaboração com o Conselho Nacional de Educação . 62. composição de seu corpo docente. 29. jovens ou adultos. também. por área de conhecimento ou disciplina. segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino. 15/98 e 22/98 e Resoluções nº 02/98. 32. Coerente com o princípio de flexibilidade da LDBEN. aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades. meta que será reafirmada nas disposições transitórias da lei. expostos nos artigos citados. admitida. formas de organização dos Institutos atribuindo-lhes caráter articulador. Definidos os princípios. à avaliação e ao desenvolvimento profissional. b) associando o exercício da autonomia do professor. da Câmara de Educação Básica. competências a serem desenvolvidas. A formação de profissionais da educação. Nesses artigos. ao trabalho coletivo de elaboração da proposta pedagógica da escola. 2. inclusive mediante a capacitação em serviços. carga horária dos cursos e finalidades do Curso Normal Superior. a LDBEN não se refere a nenhuma etapa específica da escolaridade básica.

inclusive. seja exigido um curso superior de quatro anos. enquanto que. como função. Além do mais. as deficiências da estrutura curricular e. como “inferior”. obedecendo ao disposto na resolução CNE/CP 01/99. na forma de licenciaturas curtas e de complementação pedagógica. A formação em nível superior de todos os professores que atuam na educação básica é uma meta a ser atingida em prazo determinado. para assegurar efetivamente a concretização do direito do aluno de aprender na escola. em seus moldes tradicionais. No campo institucional 3. as tecnologias. a iniciar-se um ano após a publicação desta Lei. Dentre os principais.SEPARATA – LICENCIATURA 14 O Decreto 3276/99. É também necessário integrar os diversos espaços educacionais que existem na sociedade. e esta formação deverá ser oferecida em Curso Normal Superior. a ausência de um projeto institucional que focalizasse os problemas e as especificidades das diferentes etapas e modalidades da educação básica. também. o diploma de licenciado. nos cursos existentes. no qual fica evidenciado que a formação de professores para atuação multidisciplinar terá que ser oferecida em cursos de licenciatura plena.2. Aliás. É instituída a Década da Educação. flexível e plural. E ainda. desde que observadas estas diretrizes para formação inicial de professores para educação básica em nível superior e respectivas diretrizes curriculares específicas para educação infantil e anos inicias do ensino.1. 87. Submissão da proposta pedagógica à organização institucional A proposta pedagógica e a organização institucional de um curso de formação de professores devem estar intimamente ligadas. tem que enfrentar problemas no campo institucional e no campo curricular. a televisão e os meios de comunicação de massa em geral.1. portanto a possibilidade de uma obtenção mediante habilitação. o que impede a construção de um curso com identidade própria. e tendo em vista as necessidades educacionais do país. como uma imposição de novos tempos. Na prática. é a atuação do físico.1. ajudando a criar um ambiente científico e cultural. necessariamente. por exemplo. dentro dos muros da universidade. portanto. porque ela própria tem papel formador. Na diversificação dos espaços educacionais. Certamente. dar condições à primeira. onde o bacharelado surge como a opção natural que possibilitaria. b. em meio à complexidade dos conteúdos da “área”. 3. . quando se tratar de universidades e de centros universitários os referidos cursos poderão ser oferecidos preferencialmente como Curso Normal Superior ou como curso com outra denominação. alterado pelo Decreto 3554/2000 regulamenta a formação básica comum que.1. Nesse quadro legal. Isso certamente ocorre. estabelecendo o equilíbrio entre o domínio dos conteúdos curriculares e a sua adequação à situação pedagógica. é difícil justificar pesos e medidas tão diferentes: que para lecionar até a quarta série do ensino fundamental é suficiente que o professor tenha uma formação em nível de ensino médio. nos cursos de licenciatura que funcionam como anexos do curso de bacharelado. 3. passando muito mais como atividade “vocacional” ou que permitiria grande dose de improviso e auto-formulação do “jeito de dar aula”. de forma inovadora. conforme Artigo 87 das Disposições Transitórias da LDBEN: Art. estão incluídos. do biólogo. certamente repercute na trajetória escolar dos alunos da educação básica. há que se discutir e superar o isolamento das escolas entre si. do historiador. as instituições não universitárias terão que criar Institutos Superiores De Educação. o que temos assistido mais comumente é a organização institucional determinando a organização curricular. A desarticulação na formação dos professores que atuam em diferentes níveis reproduz e contribui para a dispersão na prática desses profissionais e. como apêndice. o espaço da produção. continuam sendo questões a serem enfrentadas. o Parágrafo 4 – Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. Advertem que a escola tem que passar a ser mais mobilizadora e organizadora de um processo cujo movimento deve envolver os pais e a comunidade. a revisão da formação de professores para a educação básica é um desafio a ser enfrentado de imediato. Além disso.1. o campo científico e o da vivência social. freqüentemente simplificaram tanto o domínio do conteúdo quanto a qualificação profissional do futuro professor. Esta regulamentação foi motivo de parecer nº 133/01 da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Neste sentido. QUESTÕES A SEREM ENFRENTADAS NA FORMAÇÃO PROFESSORES As questões a serem enfrentadas na formação são históricas. também.3. A revisão do processo de formação inicial de professores. ou deveria ter. quando deveria ser exatamente o contrário. a ênfase está contida na formação nos conteúdos da área. uma vez que a segunda tem. A busca de um projeto para a educação básica que articule as suas diferentes etapas implica que a formação de seus professores tenha como base uma proposta integrada. Assim também deve-se lembrar que o estágio necessário à formação dos futuros professores fica prejudicado pela ausência de espaço institucional que assegure um tempo de planejamento conjunto entre os profissionais dos cursos de formação e os da escola de educação básica que receberá os estagiários. pelo próprio parecer fica esclarecido que: a. sendo que a atuação destes como “licenciados” torna-se residual e é vista. que amplie o horizonte de referência do exercício da cidadania. a abreviação indevida dos cursos. entre outros. Isolamento das escolas de formação Muitos estudos têm-se concentrado na questão da abertura e do enraizamento da escola na comunidade. eliminando-se. Segmentação da formação dos professores e descontinuidade na formação dos alunos da educação básica Ao longo da história da educação no Brasil o distanciamento e a diferença do nível de exigência existentes entre a formação de professores polivalentes e especialistas por área de conhecimento ou disciplina permaneceram por muito tempo depois de terem sido enfrentadas nos países onde a escolaridade foi universalizada. constitui-se no principal instrumento de aproximação entre a formação dos professores das diferentes etapas da educação básica. como acima mencionado. destacam-se: 3. caso pretendam formar professores em nível superior para a educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. pois a tarefa tem nível de complexidade similar nos dois casos. No caso da formação nos cursos de licenciatura. 3. que ganha importância. do ponto de vista curricular. que precisam estar claramente explicitados. para lecionar a partir da quinta série.

considerando sua diversidade e as diferentes faixas etárias. formação insuficiente. sua expressão escolar. ou se dá atenção quase que exclusiva a conhecimentos que o estudante deve aprender – conteudismo . hoje. Esses dois níveis de apropriação do conteúdo devem estar presentes na formação do professor. participação em movimentos sociais. A familiaridade com esses documentos e a sua inclusão nos cursos de formação. 3. o problema é o fato de o repertório de conhecimentos prévios dos professores em formação nem sempre ser considerado no planejamento e desenvolvimento das ações pedagógicas. Mas. Para reverter esse quadro de desconsideração do repertório de conhecimentos dos professores em formação. 3. de um lado e. Muitos dos professores em formação. análise e aprendizagem de sua utilização. geralmente. Falta de oportunidades para desenvolvimento cultural A ampliação do universo cultural é. Esse problema se apresenta de forma diferenciada. . planejar. discussões informais.SEPARATA – LICENCIATURA 15 Se a abertura das escolas à participação da comunidade é fundamental. assim. para conhecimento. No campo curricular 3. exposições. Não instigam o diálogo com a produção contínua do conhecimento e oferecem poucas oportunidades de reinterpretá-lo para os contextos escolares no qual atuam. já construíram conhecimentos profissionais na prática e. é preciso que os cursos de preparação de futuros professores tomem para si a responsabilidade de suprir as eventuais deficiências de escolarização básica que os futuros professores receberam tanto no ensino fundamental como no ensino médio. No caso dos professores. ou se dá grande ênfase à transposição didática dos conteúdos. obstáculos epistemológicos. é preciso identificar. e quais os conteúdos que serão objeto de sua atividade de ensino. ausentes da formação dos professores dos respectivos estados e municípios. não se realiza em ambientes planejados para serem culturalmente ricos. é freqüente colocar-se o foco quase que exclusivamente nos conteúdos específicos das áreas em detrimento de um trabalho mais aprofundado sobre os conteúdos que serão desenvolvidos no ensino fundamental e médio. Desconsideração do repertório de conhecimento dos professores em formação Aqui.2.4. os contextos em que se inscrevem e as temáticas transversais ao currículo escolar. nem sempre há clareza sobre quais são os conteúdos que o professor em formação deve aprender. caracterizam-se por tratar superficialmente (ou mesmo não tratar) os conhecimentos sobre os objetos de ensino com os quais o futuro professor virá a trabalhar. estes conhecimentos acabam não sendo considerados/tematizados em seu processo de formação. uma exigência colocada para a maioria dos profissionais. o professor seja capaz tanto de selecionar conteúdos como de eleger as estratégias mais adequadas para a aprendizagem dos alunos. estadual e municipal de educação. raramente são considerados os pontos de partida e as necessidades de aprendizagem desses alunos. realizar. O resultado é que a grande maioria dos egressos desses cursos desconhecem os documentos que tratam desses temas ou os conhecem apenas superficialmente. Distanciamento entre as instituições de formação de professores e os sistemas de ensino da educação básica As diretrizes para os diversos segmentos do sistema escolar brasileiro definidas pelo Conselho Nacional de Educação e os Parâmetros e Referenciais Curriculares propostos pelo Ministério de Educação raramente fazem parte dos temas abordados na formação de professores como um todo. freqüentemente desconsideradas a distinção e a necessária relação que existe entre o conhecimento do objeto de ensino. produções culturais de naturezas diversas. em função de suas experiências anteriores de vida cotidiana e escolar. e nos cursos de formação inicial de professores. Tratamento inadequado dos conteúdos Nenhum professor consegue criar. Nos cursos atuais de formação de professor. filmes. ou seja. revistas.2. vídeos. para subsidiar o planejamento das ações de formação. sem se buscar conhecer suas experiências reais como estudantes. A formação. relação desses conteúdos com o mundo real. por circunstâncias diversas. sua aplicação em outras disciplinas. Uma delas diz respeito aos conhecimentos que esses alunos possuem. entre outros aspectos. Sem a mediação da transposição didática. da mesma forma. 3. Os cursos de formação de professores para atuação multidisciplinar.3. as instituições formadoras precisam penetrar nas novas dinâmicas culturais e satisfazer às demandas sociais apresentadas à educação escolar. portanto. em razão de precisar saber mais do que vai ensinar. Essa aprendizagem é imprescindível para que. Estudos mostram que os ingressantes nos cursos superiores. com razoável profundidade e com a necessária adequação à situação escolar. dissociando teoria e prática. obstáculos didáticos. Para que esta tarefa seja efetivamente realizada é preciso que os professores de todos os segmentos da escolaridade básica tenham uma sólida e ampla formação cultural. o que impõe o tratamento na escola de questões sociais atuais. A universalização do acesso à educação básica aponta para uma formação voltada à construção da cidadania. ela é mais importante ainda. salvo raras exceções. os conteúdos das áreas do conhecimento que serão objeto de sua atuação didática. gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos se ele não compreender. Essas condições reais. há também problemas causados pelo fato de se idealizar que esses alunos “deveriam saber” determinados conteúdos. espetáculos e outras formas de manifestação cultural e profissional. têm. debates sobre temas atuais.1. a aprendizagem e a aplicação de estratégias e procedimentos de ensino tornam-se abstratas. muitas vezes. em decorrência da baixa qualidade dos cursos da educação básica que lhes foram oferecidos. sem sua necessária ampliação e solidificação – pedagogismo. nem sempre são levadas em conta pelos formadores. que formam especialistas por área de conhecimento ou disciplina. não têm acesso a livros. Entretanto. Neste segundo caso. No entanto. em particular. É preciso indicar com clareza para o aluno qual a relação entre o que está aprendendo na licenciatura e o currículo que ensinará no segundo segmento do ensino fundamental e no ensino médio. também chamada de transposição didática. Enquanto isso. sem considerar sua relevância e sua relação com os conteúdos que ele deverá ensinar nas diferentes etapas da educação básica. 3.1. de outro. em geral. troca de opiniões. como sabemos. mesmo assim. a maioria dos cursos existentes ainda não se compromete com essa exigência. é condição para que os professores possam inserir-se no projeto nacional. incluindo leituras. sua inserção histórica. A outra forma ocorre quando os alunos dos cursos de formação inicial. O estudo e a análise de propostas curriculares de Secretarias Estaduais e/ou Municipais e de projetos educativos das escolas também ficam. geralmente. no futuro.2. em geral.2. São. nos demais cursos de licenciatura.2. já têm experiência como professores e.

são ministrados cursos de teorias prescritivas e analíticas. vídeo-cassete. constitui momento privilegiado para uma visão crítica da teoria e da estrutura curricular do curso. ainda.2. preparando-os para a finalidade mais nobre da educação escolar: a gestão e a definição de referências éticas. para imprimir sentido educativo ao conteúdo das mídias. enquanto. seleção de material pedagógico etc. O segundo pólo. freqüentemente. Uma concepção de prática mais como componente curricular implica vê-la como uma dimensão do conhecimento que tanto está presente nos cursos de formação. computador. os cursos de formação ainda não sabem como preparar professores que vão exercer o magistério nas próximas duas décadas. enfim. Concepção restrita de prática Nos cursos de formação de professores.SEPARATA – LICENCIATURA 3. Presos às formas tradicionais de interação face a face. Inadequação do tratamento da pesquisa Do mesmo modo que a concepção restrita da prática contribui para dissociá-la da teoria. 3. desprezando as práticas como importante fonte de conteúdos da formação. como durante o estágio. de tarefa para toda a equipe de formadores e não. A idéia a ser superada. deixando para os estágios o momento de colocar esses conhecimentos em prática. a elaboração de um programa de curso e de planos de aula envolvem pesquisa bibliográfica. ainda são raras as iniciativas no sentido de garantir que o futuro professor aprenda a usar. A participação na construção de um projeto pedagógico institucional. . Além disso. pois. De modo semelhante. em conhecimento. de recriação do conhecimento. que transformam a informação veiculada. inserir as diversas tecnologias da informação e das comunicações no desenvolvimento dos cursos de formação de professores. Essa carência os priva de um elemento importante para a compreensão da processualidade da produção e apropriação de conhecimento e da provisoriedade das certezas científicas. Assim. a dinâmica do grupo e da própria escola e outros aspectos não observáveis em estágios pontuais. em tempos e espaços nunca antes imaginados. apenas um item a mais em alguma disciplina teórica. pelo menos.7. as discussões sobre as temáticas relacionadas mais propriamente ao sistema educacional e à atuação dos professores. 3. que acontece especialmente na interação e no trabalho escolar coletivo. geralmente. Mais raras. rádio. os cursos de formação eximem-se de discutir padrões éticos decorrentes da disseminação da tecnologia e reforçam atitudes de resistência. na sala de aula se dá conta da teoria. De um modo geral. segmenta o curso em dois pólos isolados entre si: um caracteriza o trabalho na sala de aula e o outro. desprezando a dimensão teórica dos conhecimentos como instrumento de seleção e análise contextual das práticas. gravador. nos momentos em que se trabalha na reflexão sobre a atividade profissional. a familiaridade com os procedimentos de investigação e com o processo histórico de produção e disseminação de conhecimento é. por meio das diferentes tecnologias. não estimulam o contato e não viabilizam o consumo dos produtos da investigação sistemática. Além de não manterem nenhum tipo de pesquisa e não perceberem a dimensão criativa que emerge da própria prática. Ficam ausentes também. conforme já mencionada. Urge. não tratando das demais dimensões da atuação profissional como sua participação no projeto educativo da escola. no exercício da docência. é a de que o estágio é o espaço reservado à prática.2. restrita à sua preparação para a regência de classe. Existe uma visão aplicacionista das teorias. pois isso não possibilita que haja tempo suficiente para abordar as diferentes dimensões do trabalho de professor. Outro problema refere-se à organização do tempo dos estágios. há uma visão ativista da prática. é completamente inadequado que a ida dos professores às escolas aconteça somente na etapa final de sua formação. que implicam uma atividade investigativa que precisa ser valorizada. na sala de aula real.2. o mesmo deve valer para a formação de professores. evidentemente. para o “supervisor de estágio”.5. apenas.4. Com isso. Neste caso. acadêmicos. massivamente. nos momentos em que se exercita a atividade profissional. O primeiro pólo supervaloriza os conhecimentos teóricos. quando a mediação da tecnologia vai ampliar e diversificar as formas de interagir e compartilhar.6. No entanto. da crítica e da contextualização. internet e a lidar com programas e softwares educativos. os cursos raramente preparam os professores para atuarem como fonte e referência dos significados que seus alunos precisam imprimir ao conteúdo da mídia. O planejamento e a execução das práticas no estágio devem estar apoiados nas reflexões desenvolvidas nos cursos de formação. científicas e estéticas para a troca e negociação de sentido. restringindo a vivência de natureza profissional. Certamente é necessário valorizar esta pesquisa sistemática que constitui o fundamento da construção teórica. a atuação prática possui uma dimensão investigativa e constitui uma forma não de simples reprodução mas de criação ou. nem permite um processo progressivo de aprendizado. são as possibilidades de desenvolver. Teorias são construídas sobre pesquisas. Trata-se. disfarçam a insegurança que sentem os formadores e seus alunos-professores em formação. por outro lado. 3. A avaliação da prática. por exemplo. geralmente curtos e pontuais: é muito diferente observar um dia de aula numa classe uma vez por semana. supervaloriza o fazer pedagógico. a concepção dominante. sem admitir sua relevância para os futuros professores. calculadora. A formação de professores para os diferentes segmentos da escola básica tem sido realizada muitas vezes em instituições que não valorizam a prática investigativa. Ausência de conteúdos relativos às tecnologias da informação e das comunicações Se o uso de novas tecnologias da informação e da comunicação está sendo colocado como um importante recurso para a educação básica. a visão excessivamente acadêmica da pesquisa tende a ignorá-la como componente constitutivo tanto da teoria como da prática. que muitas vezes. quando muito. caracteriza as atividades de estágio.2. Dessa forma a familiaridade com a teoria só pode se dar por meio do conhecimento das pesquisas que lhe dão sustentação. Com abordagens que vão na contramão do desenvolvimento tecnológico da sociedade contemporânea. seu relacionamento com alunos e com a comunidade. assim. no cotidiano do curso. e poder acompanhar a rotina do trabalho pedagógico durante um período contínuo em que se pode ver o desenvolvimento das propostas. os conteúdos curriculares das diferentes áreas e disciplinas. por meio da análise. Tratamento restrito da atuação profissional 16 A formação de professores fica. Gerir e referir o sentido será o mais importante e o professor precisará aprender a fazê-lo em ambientes reais e virtuais.

superando a fragmentação e apontando a construção integral do currículo. A construção de situações didáticas eficazes e significativas requer compreensão desse universo. das causas e dos contextos sociais e institucionais que configuram a situação de aprendizagem dos seus alunos. expectativas. acrescido daquele que não deu prosseguimento a seu processo de escolarização. Os limites enfrentados pela realização de diagnósticos que apontem com clareza a deficiência mental. No Brasil. tomadas em conjunto. guardam.9. por estarem em outros estágios de vida. fazem com que. que ainda é uma necessidade social expressiva. do Teatro. a algumas demandas diferenciadas e bem caracterizadas. considerada sua articulação com outros saberes previstos em uma mesma área da organização curricular. A superação da fragmentação. que pressupõem uma abordagem equilibrada e articulada de diferentes disciplinas (Biologia. que. é necessário aprofundar a reflexão sobre os critérios de constituição de classes especiais. além de poderem constituir áreas de aprofundamento. são ministradas por professores preparados para ensinar apenas uma dessas disciplinas ou linguagens. o que faz com que os professores que se dedicam a esse trabalho devam ser capazes de desenvolver metodologias apropriadas. correlações entre si. PRINCÍPIOS ORIENTADORES PARA UMA REFORMA DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES Diante dos desafios a serem enfrentados e considerando as mudanças necessárias em relação à formação de professores das diferentes etapas e modalidades da educação básica. esse encaminhamento vem sendo orientado pelo equívoco de considerar como manifestação de deficiência o que pode ser dificuldade de aprendizagem. mudando a visão tradicional desse professor de “voluntário” para um profissional com qualificação específica. Os cursos de formação devem oferecer uma ênfase diferencial aos professores que pretendem se dedicar a essa modalidade de ensino. entre outras.SEPARATA – LICENCIATURA O sistema educacional brasileiro atende. não o são. 3. de negar a formação disciplinar.2. os professores devam preparar-se para tratar dessa questão.8. É preciso enfrentar o desafio de fazer da formação de professores uma formação profissional de alto nível. Na formação de professores para as séries finais do ensino fundamental e para o ensino médio. em especial. A educação básica deve ser inclusiva. Da mesma forma.VOTO DA RELATORA 1. Astronomia. faz da educação de jovens e adultos um programa especial que visa a dar oportunidades educacionais apropriadas aos brasileiros que não tiveram acesso ao ensino fundamental e ensino médio na idade própria. predomina uma visão excessivamente fragmentada do conhecimento. Inúmeras experiências apontam a necessidade de pensar a especificidade desses alunos e de superar a prática de trabalhar com eles da mesma forma que se trabalha com os alunos do ensino fundamental ou médio regular. adolescentes e jovens e adultos. . em razão da gravidade que representa o encaminhamento de alunos para tais classes. paciência e gosto no trato com crianças. além do domínio dos conhecimentos e competências específicos de cada saber disciplinar. alunos que. A interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade previstas na organização curricular daquelas etapas da educação básica requerem um redimensionamento do enfoque disciplinar desenvolvido na formação de professores. da Dança. têm experiências. atualmente. No âmbito da deficiência mental. Para atender à exigência de uma escola comprometida com a aprendizagem do aluno importa que a formação docente seja ela própria agente de crítica da tradicional visão de professor como alguém que se qualifica unicamente por seus dotes pessoais de sensibilidade. é possível propor alguns princípios norteadores de uma reforma curricular dos cursos de formação de professores. A questão a ser enfrentada é a da definição de qual é a formação necessária para que os professores dessas áreas possam efetivar as propostas contidas nas diretrizes curriculares. As temáticas referentes à Educação de Jovens e Adultos. um curso de formação de professores não pode deixar de lado a questão da educação de jovens e adultos. Geologia etc. Por formação profissional.2. das Artes Visuais. os jovens e adultos. entende-se a preparação voltada para o atendimento das demandas de um exercício profissional específico que não seja uma formação genérica e nem apenas acadêmica. são. Esse quadro tem promovido a produção de uma pseudo deficiência. Física. 17 3. no caso de Arte). terminando por manter em classes especiais para portadores de deficiência mental. obviamente. No ensino médio. as áreas. no caso de Ciências Naturais) e diferentes linguagens (da Música. Desconsideração das especificidades próprias das etapas da educação básica e das áreas do conhecimento que compõem o quadro curricular na educação básica Há ainda a necessidade de se discutir a formação de professores para algumas áreas de conhecimento desenvolvidas no ensino fundamental. por força da organização disciplinar presente nos currículos escolares. portanto. à Educação Especial e Educação Indígena. Isso exige que a formação dos professores das diferentes etapas da educação básica inclua conhecimentos relativos à educação desses alunos. Química. portanto. devem também remeter-se umas às outras. na realidade. caso a instituição formadora avalie que isso se justifique. conferindo significado aos currículos e às práticas de ensino. temáticas a serem consideradas. condições sociais e psicológicas que os distanciam do mundo infantil e adolescente. Os saberes disciplinares são recortes de uma mesma área e. como Ciências Naturais ou Artes. é requerida a compreensão do papel de cada saber disciplinar particular. na educação básica. no sentido de atender a uma política de integração dos alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns dos sistemas de ensino. a singularidade lingüística dos alunos surdos. embora devessem fazer parte da formação comum a todos. mas de situar os saberes disciplinares no conjunto do conhecimento escolar. raramente estão presentes nos cursos de formação de professores. Não se trata. as formas de comunicação dos paralisados cerebrais. Desconsideração das especificidades próprias dos níveis e/ou modalidades de ensino em que são atendidos os alunos da educação básica A existência de um contingente ainda expressivo de jovens de 15 anos e mais com nenhuma escolaridade. Em muitas situações. Apesar de se tratar das mesmas etapas de escolaridade (ensino fundamental e médio). requer que a formação do professor para atuar no ensino médio contemple a necessária compreensão do sentido do aprendizado em cada área. II . A construção espacial para alunos cegos. na formação profissional.

há que considerar ainda que a constituição da maioria das competências objetivadas na educação básica atravessa as tradicionais fronteiras disciplinares. portanto.SEPARATA – LICENCIATURA 18 1. O desenvolvimento de competências pede uma outra organização do percurso de aprendizagem. Não se trata de infantilizar a educação inicial do professor. toda sistematização teórica articulada com o fazer e todo fazer articulado com a reflexão. Nesta perspectiva.1. portanto. conforme o desenho curricular da escola. com a escola. entre os quais os conhecimentos adquiridos na reflexão sobre as questões pedagógicas e aqueles construídos na vida profissional e pessoal. não podem ser aprendidas apenas no plano teórico nem no estritamente prático. com exceção possível da educação infantil. A consideração da simetria invertida entre situação de formação e de exercício não implica em tornar as situações de aprendizagem dos cursos de formação docente mecanicamente análogas às situações de aprendizagem típicas da criança e do jovem na educação média.2. Situações escolares de ensino e aprendizagem são situações comunicativas. os companheiros de classe e os materiais didáticos possam e devam contribuir para que a aprendizagem se realize. na interação entre o indivíduo e a cultura na qual vive. ele certamente já viveu como aluno a etapa de escolaridade na qual irá atuar como professor. É. superar a falsa dicotomia que poderia opor conhecimentos e competências. só existem “em situação” e. dos conhecimentos que já construiu anteriormente e das situações de aprendizagem vivenciadas. a construção de competências. É fundamental que saiba mobilizar esses conhecimentos. que o professor saiba avaliar criticamente a própria atuação e o contexto em que atua e que saiba. Nessa perspectiva. modelos didáticos. É imprescindível que haja coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor 1. Decorre daí. numa situação invertida. Por mais que o professor. na abordagem metodológica. em especial na própria sala de aula e no processo de avaliação. A constituição das competências é requerimento à própria construção de conhecimentos. Cursos de formação em que teoria e prática são abordadas em momentos diversos. porém. como aluno. É ele quem vai modificar. Atuar com profissionalismo exige do professor. Por isso. as atitudes. A aquisição de competências requeridas do professor deverá ocorrer mediante uma ação teórico-prática. Isso implica que deve haver coerência entre o que se faz na formação e o que dele se espera como profissional.2. capacidades e modos de organização que se pretende venham a ser concretizados nas suas práticas pedagógicas. não favorecem esse processo. A compreensão desse fato evidencia a necessidade de que o futuro professor experiencie. mas. enriquecer e. nada pode substituir a atuação do próprio aluno na tarefa de construir significados sobre os conteúdos da aprendizagem. Além disso. O conceito de simetria invertida ajuda a descrever um aspecto da profissão e da prática de professor. é constitutiva do papel que exercerá futuramente como docente. nas quais alunos e professores coparticipam.1. . também. não apenas no cursos de formação docente.2. que se refere ao fato de que a experiência como aluno. na criação de diferentes tempos e espaços de vivência para os professores em formação. deve se refletir nos objetos da formação. Não há real construção de conhecimentos sem que resulte. compreensão das questões envolvidas em seu trabalho. transformando-os em ação. Concepção de aprendizagem É comum que professores em formação não vejam o conhecimento como algo que está sendo construído. propiciando situações de aprendizagem focadas em situações-problema ou no desenvolvimento de projetos que possibilitem a interação dos diferentes conhecimentos. interagir cooperativamente com a comunidade profissional a que pertence e com a sociedade. mas de torná-la uma experiência análoga à experiência de aprendizagem que ele deve facilitar a seus futuros alunos. no qual o exercício das práticas profissionais e da reflexão sistemática sobre elas ocupa um lugar central. com os demais indivíduos e colocando em uso suas capacidades pessoais. responsabilidade pelas opções feitas. O processo de construção de conhecimento desenvolve-se no convívio humano. o que implica. na eleição de seus conteúdos. ou seja. particularmente. Requer ainda. A simetria invertida A preparação do professor tem duas peculiaridades muito especiais: ele aprende a profissão no lugar similar àquele em que vai atuar. na e com a qual se forma e para a qual se forma. A aprendizagem por competências permite a articulação entre teoria e prática e supera a tradicional dicotomia entre essas duas dimensões. com intenções e abordagens desarticuladas. determinante o papel da interação que o indivíduo mantém com o meio social e. sua identificação e resolução. Os indivíduos constroem seus conhecimentos em interação com a realidade. A concepção de competência é nuclear na orientação do curso de formação inicial de professores Não basta a um profissional ter conhecimentos sobre seu trabalho. 1. na medida em que o indivíduo se apropria de elementos com significação na cultura. primeiramente. O que uma pessoa pode aprender em determinado momento depende das possibilidades delineadas pelas formas de pensamento de que dispõe naquela fase de desenvolvimento. destaca-se a importância do projeto pedagógico do curso de formação na criação do ambiente indispensável para que o futuro professor aprenda as práticas de construção coletiva da proposta pedagógica da escola onde virá a atuar. definindo-se pela capacidade de mobilizar múltiplos recursos numa mesma situação. portanto. Na relação entre competências e conhecimentos. a necessidade de repensar a perspectiva metodológica. fala-se em constituição de competências. durante todo o processo de formação.2. tratados tão-somente de forma descritiva. mas apenas como algo a ser transmitido. a construção de competências. que podem estar organizados em áreas ou disciplinas. também. Também é freqüente não considerarem importante compreender as razões explicativas subjacentes a determinados fatos. para se efetivar. e exige um trabalho integrado entre professores das diferentes disciplinas ou áreas afins. na organização institucional. construir novos e mais potentes instrumentos de ação e interpretação. concorrendo com influência igualmente decisiva para o êxito do processo. para responder às diferentes demandas das situações de trabalho. As competências tratam sempre de alguma forma de atuação. não só o domínio dos conhecimentos específicos em torno dos quais deverá agir. 1. mas ao longo de toda a sua trajetória escolar. autonomia para tomar decisões. segundo as quais se organiza a maioria das escolas. do mesmo movimento.

que eles saibam como são produzidos os conhecimentos que ensina. significativa. uma vez que possibilita diagnosticar lacunas a serem superadas. a avaliação destina-se à análise da aprendizagem dos futuros professores. o que se pretende avaliar não é só o conhecimento adquirido. Portanto. os instrumentos de avaliação só cumprem com sua finalidade se puderem diagnosticar o uso funcional e contextualizado dos conhecimentos. fazer ajustes entre o que planeja ou prevê e aquilo que acontece na interação com os alunos. Portanto. uma vez que é basicamente na aprendizagem de conteúdos que se dá a construção e o desenvolvimento de competências. Esses conhecimentos são instrumentos dos quais podem lançar mão para promover levantamento e articulação de informações. intuir. 1. utilizados para aprender. planejamento de situações didáticas consonantes com um modelo teórico estudado. alternativas às que forem consideradas inadequadas. antes de mais nada. contextualizando-os nas situações reais. isto é. dificultando uma antecipação dos resultados do trabalho pedagógico. as profissionais. na hipótese mais otimista – sob risco de passar a oportunidade de intervenção no processo de ensino e aprendizagem. Em qualquer um desses casos. As competências para o trabalho coletivo têm importância igual à das competências mais propriamente individuais. começando por levar em conta suas características individuais. Muitas vezes. Além disso. a finalidade de certificar sua formação profissional. a uma atitude cotidiana de busca de compreensão dos processos de aprendizagem e desenvolvimento de seus alunos e à autonomia na interpretação da realidade e dos conhecimentos que constituem seus objetos de ensino. condição para esse investimento. experimentar e ousar agir. reflexão escrita sobre aspectos estudados. Algumas possibilidades: identificação e análise de situações educativas complexas e/ou problemas em uma dada realidade. Tendo a atuação do professor natureza complexa. Para que a aprendizagem possa ser. definição de intervenções adequadas. da mesma forma. Além disso. conceitos. É imprescindível garantir a articulação entre conteúdo e método de ensino. Não se presta a punir os que não alcançam o que se pretende. minutos e horas na maioria dos casos – dias ou semanas. elaboração de uma rotina de trabalho semanal a partir de indicadores oferecidos pelo formador. à metodologia e à organização didática dos conteúdos que ensina. . avaliar as competências no processo de formação é. a incoerência entre o conteúdo que se tem em mente e a metodologia usada leva a aprendizagens muito diferentes daquilo que se deseja ensinar. na sua dimensão procedimental – na forma do saber fazer e na sua dimensão atitudinal – na forma de valores e atitudes que estarão em jogo na atuação profissional e devem estar consagrados no projeto pedagógico da escola. na opção didática que se faz. Assim. o currículo precisa conter os conteúdos necessários ao desenvolvimento das competências exigidas para o exercício profissional e precisa tratá-los nas suas diferentes dimensões: na sua dimensão conceitual – na forma de teorias. Quando a perspectiva é de que o processo de formação garanta o desenvolvimento de competências profissionais. exigindo superação e que experienciem situações didáticas nas quais possam refletir.2. Por essas razões. experiências de vida. Dessa forma. fundamental. os resultados das ações de ensino são previsíveis apenas em parte.3. Avaliar também essa aprendizagem é.4. uma tarefa complexa. inclusive. A pesquisa é elemento essencial na formação profissional do professor O professor. É importante todavia. como qualquer outro profissional.SEPARATA – LICENCIATURA 19 Se pretendemos que a formação promova o compromisso do professor com as aprendizagens de seus futuros alunos. de modo a favorecer seu percurso e regular as ações de sua formação e tem. atribuir valores e fazer julgamentos que fundamentem a ação da forma mais pertinente e eficaz possível. mas a ajudar cada aluno a identificar melhor as suas necessidades de formação e empreender o esforço necessário para realizar sua parcela de investimento no próprio desenvolvimento profissional. Boa parte dos ajustes têm que ser feitos em tempo real ou em intervalos relativamente curtos. aferir os resultados alcançados considerando as competências a serem constituídas e identificar mudanças de percurso eventualmente necessárias. Assim é preciso que eles próprios – os professores – sejam desafiados por situações-problema que os confrontem com diferentes obstáculos. O contexto no qual se efetuam é complexo e indeterminado. mas a capacidade de acioná-lo e de buscar outros para realizar o que é proposto. o foco principal do ensino da pesquisa nos cursos de formação docente é o próprio processo de ensino e de aprendizagem dos conteúdos escolares na educação básica. 1. lida com situações que não se repetem nem podem ser cristalizadas no tempo. de fato. permanentemente. agir em situações não previstas. a partir dos conhecimentos que possuem. Embora seja mais difícil avaliar competências profissionais do que domínio de conteúdos convencionais. isto é. a pesquisa (ou investigação) que se desenvolve no âmbito do trabalho de professor refere-se. para a autonomia dos professores. pois favorecem a consciência do professor em formação sobre o seu processo de aprendizagem. No seu conjunto. não se deve esquecer aqui a importância do tratamento metodológico. elaboração de projetos para resolver problemas identificados num contexto observado.3. Portanto. desenvolvendo capacidade de auto-regular a própria aprendizagem. Portanto precisa. procedimentos necessários para ressignificar continuamente os conteúdos de ensino. uma vez que é um princípio educativo dos mais relevantes. portanto. para que não se tornem meros repassadores de informações. Concepção de conteúdo Os conteúdos definidos para um currículo de formação profissional e o tratamento que a eles deve ser dado assumem papel central. o conhecimento dos critérios utilizados e a análise dos resultados e dos instrumentos de avaliação e autoavaliação são imprescindíveis. Concepção de avaliação A avaliação é parte integrante do processo de formação. o acesso aos conhecimentos produzidos pela investigação acadêmica nas diferentes áreas que compõem seu conhecimento profissional alimenta o seu desenvolvimento profissional e possibilita ao professor manter-se atualizado e fazer opções em relação aos conteúdos. também. estabelecimento de prioridades de investimento em relação à própria formação. é fundamental que os formadores também assumam esse compromisso em relação aos futuros professores. que tenham noções básicas dos contextos e dos métodos de investigação usados pelas diferentes ciências. participação em atividades de simulação. é possível conhecer e reconhecer seus próprios métodos de pensar. Ensinar requer dispor e mobilizar conhecimentos para improvisar. 1. descobrindo e planejando estratégias para diferentes situações. informações. discutidos e/ou observados em situação de estágio.2. é preciso que os conteúdos sejam analisados e abordados de modo a formarem uma rede de significados. há muitos instrumentos para isso.

O curso de formação de professores deve. de modo simplificado e sem o devido aprofundamento.1. delimitação de problemas. . avalia.1. de modo que possa intervir considerando as múltiplas relações envolvidas nas diferentes situações com que se depara. não podendo ser feita por meio de simples "aulas de revisão". é fundamental que ampliação e aprofundamento do conhecimento tenham sentido para o trabalho do futuro professor. no ensino fundamental ou no ensino médio. Não se pode esquecer ainda que é papel do professor da educação básica desenvolver junto a seus futuros alunos postura investigativa. Desenvolvimento e Abrangência Conceber e organizar um curso de formação de professores implica: a) definir o conjunto de competências necessárias à atuação profissional. em especial do currículo e da avaliação. recria e cria formas de intervenção didática junto aos seus alunos para que estes avancem em suas aprendizagens. permitindo a constituição de saberes cada vez mais complexos e abrangentes. realizado no início da formação. basicamente igual ao que vai ensinar. Da mesma forma. definir o que um professor especialista. Quando se afirma que esse professor precisa conhecer e dominar os conteúdos básicos relacionados às áreas de conhecimento que serão objeto de sua atividade docente. o professor necessita conhecer e saber usar determinados procedimentos de pesquisa: levantamento de hipóteses. Ela possibilita que o professor em formação aprenda a conhecer a realidade para além das aparências. O desenvolvimento das competências exige que a formação contemple os diferentes âmbitos do conhecimento profissional do professor. organiza. planeja. seleciona. Também. conhecimento pedagógico. aquilo que o professor precisa saber para ensinar não é equivalente ao que seu aluno vai aprender: além dos conteúdos definidos para as diferentes etapas da escolaridade nas quais o futuro professor atuará. Concepção. Esses âmbitos estão intimamente relacionados entre si e não exclusivamente vinculados a uma ou outra área/disciplina. desafiando-os a novas aprendizagens. Sendo assim. sua formação deve ir além desses conteúdos. de modo sólido e pleno. como também não se pretende que ele tenha um conhecimento tão aprofundado e amplo como o do especialista por área de conhecimento. em uma determinada área de conhecimento. conteúdos das áreas de ensino. As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ser usados como balizadores de um diagnóstico a ser. jovens e adultos se aproximam dos conteúdos escolares. poderá. portanto. imprescindível que o professor em preparação para trabalhar na educação básica demonstre que desenvolveu ou tenha oportunidade de desenvolver. precisa conhecer sobre ela. A definição do que um professor de atuação multidisciplinar precisa saber sobre as diferentes áreas de conhecimento não é tarefa simples. tais como estabelecidas na LDBEN e nas diretrizes/parâmetros/referenciais curriculares nacionais da educação básica.3. Entretanto. sistematização de informações. devem ser oferecidas unidades curriculares de complementação e consolidação dos conhecimentos lingüísticos. referentes aos processos de aprendizagem e a vida dos alunos. assim. reflete. 2. especialmente importante para a análise dos contextos em que se inserem as situações cotidianas da escola. conhecimento sobre crianças.1. DIRETRIZES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES 2. 2. É. integra. Com esses instrumentos.SEPARATA – LICENCIATURA 20 Assim. registro de dados. as competências previstas para os egressos da educação básica. A seleção dos conteúdos das áreas de ensino da educação básica deve orientar-se por e ir além daquilo que os professores irão ensinar nas diferentes etapas da escolaridade. incluindo conhecimentos necessariamente a eles articulados. ele próprio. Isto é condição mínima indispensável para qualificá-lo como capaz de lecionar na educação infantil. Sem isso. articula experiências. para que a postura de investigação e a relação de autonomia se concretizem. ser fundamentalmente um espaço de construção coletiva de conhecimento sobre o ensino e a aprendizagem. que compõem um campo de ampliação e aprofundamento da área. Essa intervenção deverá ser concretizada por programas ou ações especiais. crianças. Tais assuntos preferencialmente devem ser abordados numa perspectiva que inclua as questões de ordem didática. A formação inicial deve garantir os conhecimentos da escolaridade básica O desenvolvimento das competências profissionais do professor pressupõe que os estudantes dos cursos de formação docente tenham construído os conhecimentos e desenvolvido as competências previstas para a conclusão da escolaridade básica. social e política da educação. Ele produz conhecimento pedagógico quando investiga. Ninguém promove a aprendizagem de conteúdos que não domina nem a constituição de significados que não possui ou a autonomia que não teve oportunidade de construir. Sempre que necessário. não é fácil. a formação de professores terá que garantir que os aspirantes à docência dominem efetivamente esses conhecimentos. produzir e socializar conhecimento pedagógico de modo sistemático. o que se quer dizer não é que ele tenha um conhecimento tão estrito. verificação etc. necessariamente. é fundamental que o currículo de formação não se restrinja aos conteúdos a serem ensinados e inclua outros que ampliem o conhecimento da área em questão. para construção de conhecimentos que ela demanda e para a compreensão da própria implicação na tarefa de educar. a cada momento. Para atuação multidisciplinar ou em campos específicos do conhecimento. Isso se justifica porque a compreensão do processo de aprendizagem dos conteúdos pelos alunos da educação básica e uma transposição didática adequada dependem do domínio desses conhecimentos. em módulos ou etapas a serem oferecidos a todos os estudantes. conhecimento sobre a dimensão cultural. jovens e adultos. b) tomá-las como norteadoras tanto da proposta pedagógica. A atuação profissional do professor define os diferentes âmbitos que subsidiam o desenvolvimento das competências mencionadas no item 2. Assim. das ciências naturais e das humanidades.1.3 deste documento e que incluem cultura geral e profissional. conhecimento advindo da experiência.2.1. a pesquisa constitui um instrumento de ensino e um conteúdo de aprendizagem na formação. 2. 2. também. quanto da organização institucional e da gestão da escola de formação. análise e comparação de dados. fica impossível construir situações didáticas que problematizem os conhecimentos prévios com os quais. matemáticos. nesse caso.

Assim. pode-se afirmar que em todas elas há investigações em andamento.1. adequando-os às atividades escolares próprias das diferentes etapas e modalidades da educação básica. ƒ Utilizar conhecimentos sobre a realidade econômica. uma vez que o que é objeto de avaliação representa uma referência importante para quem é avaliado. .2. para compreender o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa. fenômenos ou movimentos da atualidade. seus temas e necessidades do mundo contemporâneo e os princípios. mas não pretende esgotar tudo o que uma escola de formação pode oferecer aos seus alunos. esse crescimento foi mais significativo do que em outras. participação. cresceram os estudos e as pesquisas que têm a aprendizagem e o ensino de cada uma das diferentes áreas de conhecimento como objeto de estudo. ƒ Reconhecer e respeitar a diversidade manifestada por seus alunos.2. detectando e combatendo todas as formas de discriminação. na área de Matemática. e para determinados aspectos do ensino e da aprendizagem. Competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados.para o que é necessário transformar formas convencionais e criar novos instrumentos.2. 2.4. Porém. diálogo e solidariedade. necessários à atuação profissional. também. com o exercício da profissão. é necessário. Tomando-se como princípio o desenvolvimento de competências para a atividade profissional. A avaliação deve ter como finalidades a orientação do trabalho dos formadores. A aprendizagem deve ser orientada pelo princípio metodológico geral que pode ser traduzido pela ação-reflexão-ação e que aponta a resolução de situações-problemas como uma das estratégias didáticas privilegiadas. Os instrumentos de avaliação da aprendizagem devem ser diversificados . é importante colocar o foco da avaliação na capacidade de acionar conhecimentos e de buscar outros. estudos sobre a psicogênese da língua escrita trouxeram dados para a didática na área de Língua Portuguesa. justiça. as didáticas próprias de cada conteúdo e as pesquisas que as embasam. Por outro lado. a avaliação deve apoiar-se em indicadores obtidos do desenvolvimento de competências obtidas pela participação dos futuros professores em atividades regulares do curso. Assim. atuando em diferentes contextos da prática profissional. ƒ Estabelecer relações de parceria e colaboração com os pais dos alunos. em seus aspectos sociais.1 Competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática ƒ Pautar-se por princípios da ética democrática: dignidade humana. Competências referentes à compreensão do papel social da escola ƒ Compreender o processo de sociabilidade e de ensino e aprendizagem na escola e nas suas relações com o contexto no qual se inserem as instituições de ensino e atuar sobre ele. tanto para a orientação dos estudos como para a identificação dos aspectos considerados mais relevantes para a formação em cada momento do curso. (b) os fatos significativos da vida pessoal. ƒ Participar coletiva e cooperativamente da elaboração. Isso permite que cada futuro professor vá investindo no seu processo de aprendizagem. Em algumas áreas. ƒ Orientar suas escolhas e decisões metodológicas e didáticas por valores democráticos e por pressupostos epistemológicos coerentes. ƒ Zelar pela dignidade profissional e pela qualidade do trabalho escolar sob sua responsabilidade 2. a autonomia dos futuros professores em relação ao seu processo de aprendizagem e a qualificação de profissionais com condições de iniciar a carreira. gestão. operações etc que fundamentam uma didática própria para o ensino desses conteúdos. Do mesmo modo. construindo um percurso pessoal de formação. É necessário tratálos de modo articulado. que favoreçam o estabelecimento de metas e exercício da autonomia em relação à própria formação. cultural. Avaliar as competências dos futuros professores é verificar não apenas se adquiriram os conhecimentos necessários mas também se. prever instrumentos de auto-avaliação. Os professores em formação precisam conhecer os conteúdos definidos nos currículos da educação básica. pelo desenvolvimento dos quais serão responsáveis. Sendo assim. Nas últimas décadas.3. e pelos diferentes tipos de produção do aluno. Elas devem ser complementadas e contextualizadas pelas competências específicas próprias de cada etapa e de cada área do conhecimento a ser contemplada na formação. ƒ Promover uma prática educativa que leve em conta as características dos alunos e de seu meio social. 2. respeito mútuo. Essas pesquisas ajudam a criar didáticas específicas para os diferentes objetos de ensino da educação básica e para seus conteúdos.1. tem havido progressos na produção de conhecimento sobre aprendizagem de números. social e profissional dos alunos. quanto e como fazem uso deles para resolver situações-problema – reais ou simuladas – relacionadas. de seus significados em diferentes contextos e de sua articulação interdisciplinar ƒ ƒ Conhecer e dominar os conteúdos básicos relacionados às áreas/disciplinas de conhecimento que serão objeto da atividade docente. prioridades e objetivos do projeto educativo e curricular. política e social.SEPARATA – LICENCIATURA 21 2.2. responsabilidade.2. Ser capaz de relacionar os conteúdos básicos referentes às áreas/disciplinas de conhecimento com: (a) os fatos. por exemplo.5. oriundas da análise da atuação profissional e assenta-se na legislação vigente e diretrizes curriculares nacionais. 2. além da sala de aula. 2. o sistema de avaliação da formação inicial deve estar articulado a um programa de acompanhamento e orientação do futuro professor para a superação das eventuais dificuldades. Competências a serem desenvolvidas na formação da educação básica O conjunto de competências ora apresentado pontua demandas importantes. pelo empenho e desempenho em atividades especialmente preparadas por solicitação dos formadores. culturais e físicos. de modo a promover sua participação na comunidade escolar e a comunicação entre eles e a escola. o que significa que o estudo dos conteúdos da educação básica que irão ensinar deverá estar associado à perspectiva de sua didática e a seus fundamentos. para atuação como profissionais e como cidadãos. especialmente no que se refere à alfabetização. tendências. A avaliação deve ser realizada mediante critérios explícitos e compartilhados com os futuros professores. Os conteúdos a serem ensinados na escolaridade básica devem ser tratados de modo articulado com suas didáticas específicas. desenvolvimento e avaliação do projeto educativo e curricular da escola. de alguma forma.

das temáticas sociais transversais ao currículo escolar. acolhimento e afirmação responsável de sua autoridade. a organização do trabalho. bem como as especificidades didáticas envolvidas. Competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional 2. como conhecimentos sobre o desenvolvimento humano e a própria docência. potencializa a qualidade da intervenção educativa. adolescência. Utilizar o conhecimento sobre a organização. do espaço e de agrupamento dos alunos. gestão e financiamento dos sistemas de ensino. Manejar diferentes estratégias de comunicação dos conteúdos. formular propostas de intervenção pedagógica. utilizando o conhecimento das áreas ou disciplinas a serem ensinadas. a possibilidade de produzir significados e interpretações do que se vive e de fazer conexões – o que. sociais. que os cursos de formação inicial ofereçam condições para que os futuros professores aprendam a usar tecnologias de informação e comunicação. 2. juventude e vida adulta. Cultura geral e profissional Uma cultura geral ampla favorece o desenvolvimento da sensibilidade. dos contextos sociais considerados relevantes para a aprendizagem escolar. A definição dos conhecimentos exigidos para o desenvolvimento profissional origina-se na identificação dos requisitos impostos para a constituição das competências. Conhecimentos para o desenvolvimento profissional. Do modo como é entendida aqui. e articular em seu trabalho as contribuições dessas áreas. sabendo eleger as mais adequadas. Desse modo. analisar e produzir materiais e recursos para utilização didática. Igualmente relevante é a compreensão das formas diversas pelas quais as diferentes culturas atribuem papéis sociais e características psíquicas a faixas etárias diversas. Gerir a classe. diversificando as possíveis atividades e potencializando seu uso em diferentes situações. É necessário. 2. também. requer a sua inserção no debate contemporâneo mais amplo. planejar.2. Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e. que envolve tanto questões culturais. considerando o desenvolvimento de diferentes capacidades dos alunos. . Utilizar-se dos conhecimentos para manter-se atualizado em relação aos conteúdos de ensino e ao conhecimento pedagógico. realizar. Fazem parte desse âmbito temas relativos às tendências da educação e do papel do professor no mundo atual.2. Utilizar resultados de pesquisa para o aprimoramento de sua prática profissional. Igualmente importante é o conhecimento sobre as peculiaridades dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. 2. Utilizar as diferentes fontes e veículos de informação.3. Identificar. os objetivos das atividades propostas e as características dos próprios conteúdos. cujo domínio é importante para a docência e para as demais dimensões da vida moderna. com o distanciamento profissional necessário à sua compreensão. Competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ 2.3. empenhando-se em compartilhar a prática e produzir coletivamente.5. econômicas. além da formação específica relacionada às diferentes etapas da educação básica. considerando a diversidade dos alunos. sobre a legislação e as políticas públicas referentes à educação para uma inserção profissional crítica. gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos. Intervir nas situações educativas com sensibilidade. Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho. estabelecendo uma relação de autoridade e confiança com os alunos.4. por sua vez. gosto pela leitura e empenho no uso da escrita como instrumento de desenvolvimento profissional. Fazer uso de recursos da tecnologia da informação e da comunicação de forma a aumentar as possibilidades de aprendizagem dos alunos.6. A cultura profissional. Competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ Analisar situações e relações interpessoais que ocorrem na escola. afetivos e emocionais do desenvolvimento individual tanto de uma perspectiva científica quanto relativa às representações culturais e às práticas sociais de diferentes grupos e classes sociais. da imaginação.SEPARATA – LICENCIATURA ƒ ƒ ƒ 22 Compartilhar saberes com docentes de diferentes áreas/disciplinas de conhecimento. para favorecer e enriquecer seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Criar. 2.1. Conhecimento sobre crianças. adotando uma atitude de disponibilidade e flexibilidade para mudanças. cultura geral inclui um amplo espectro de temáticas: familiaridade com as diferentes produções da cultura popular e erudita e da cultura de massas e a atualização em relação às tendências de transformação do mundo contemporâneo. A formação de professores deve assegurar a aquisição de conhecimentos sobre o desenvolvimento humano e a forma como diferentes culturas caracterizam as diferentes faixas etárias e as representações sociais e culturais dos diferentes períodos: infância. cognitivos. Ser proficiente no uso da Língua Portuguesa e de conhecimentos matemáticos nas tarefas. a partir de seus resultados. jovens e adultos A formação de professores deve assegurar o conhecimento dos aspectos físicos.2. atividades e situações sociais que forem relevantes para seu exercício profissional. Sistematizar e socializar a reflexão sobre a prática docente. por sua vez. Utilizar modos diferentes e flexíveis de organização do tempo.2. investigando o contexto educativo e analisando a própria prática profissional.3. refere-se àquilo que é próprio da atuação do professor no exercício da docência.

Conhecimento pedagógico Este âmbito refere-se ao conhecimento de diferentes concepções sobre temas próprios da docência. sejam relativas às aprendizagens escolares e de socialização. Conhecimento sobre a dimensão cultural. avaliação de aprendizagens dos alunos. a análise da escola como instituição – sua organização. saúde. pluralidade cultural. social. a inovação exigida para as licenciaturas é a identificação de procedimentos de seleção. sexualidade. tais como. entre outros. 5 6 Diz respeito. necessariamente. ele tenha uma visão global sobre esta temática. 5 6 Princípios dos PCN de Ensino Médio Previstos nos PCN de Ensino Fundamental . como ética. em módulos ou etapas a serem oferecidos aos professores em formação. É imprescindível que o futuro professor desenvolva a compreensão da natureza de questões sociais. São deste âmbito. os conteúdos disciplinares específicos da área são eixos articuladores do currículo.5. dando a eles o destaque que merecem e superando abordagens infantilizadas de sua apropriação pelo professor.seguem o mesmo princípio: o compromisso da educação básica com a formação para a cidadania e buscam a mesma finalidade: possibilitar aos alunos a construção de significados e a necessária aprendizagem de participação social. currículo e desenvolvimento curricular. política e econômica da educação Este âmbito. consumo e outras . trabalho diversificado. meio ambiente. São critérios de seleção de conteúdos. análises de situações educativas e de ensino complexas. criação. pluralidade. sejam relativas aos afetos e emoções. no contexto atual da educação brasileira. nas licenciaturas. aos cuidados corporais. b) o domínio de conceitos e de procedimentos que o professor em formação trabalhará com seus alunos da educação básica. Ou seja. educação e profissão. das experiências institucionais e do universo cultural e social em que seus alunos se inserem. gestão escolar democrática. às questões da ética e da cidadania. será muitas vezes necessária a oferta de unidades curriculares de complementação e consolidação desses conhecimentos básicos. c) as conexões que ele deverá ser capaz de estabelecer entre conteúdos de sua área com as de outras áreas. na educação básica. Nos cursos de formação para as séries finais do ensino fundamental e ensino médio. Em ambas as situações é importante ultrapassar os estritos limites disciplinares. à necessária contextualização dos conteúdos . de forma diferenciada daquelas utilizadas em cursos de bacharelado. Nos cursos de formação para a educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental é preciso incluir uma visão inovadora em relação ao tratamento dos conteúdos das áreas de conhecimento. relações da educação com o trabalho. oferecendo uma formação mais ampla na área de conhecimento. trabalho. não basta tratar conteúdos de natureza conceitual e/ou procedimental. são informações essenciais para o conhecimento do sistema educativo e. quadro geral da situação da educação no país. é muitas vezes insuficiente. adolescência. É importante que. de modo simplificado e sem o devido aprofundamento. refere-se a conhecimentos relativos à realidade social e política brasileira e sua repercussão na educação. as relações entre escola e sociedade. o professor precisa conhecer aspectos psicológicos que lhe permitam atuar nos processos de aprendizagem e socialização.SEPARATA – LICENCIATURA 23 Para que possa compreender quem são seus alunos e identificar as necessidades de atenção. 2. Isso não deve ser feito por meio de simples "aulas de revisão". organização de tempo e espaço. as potencialidades que eles têm no sentido de ampliar: a) a visão da própria área de conhecimento que o professor em formação deve construir. a prática a prática educativa. O domínio desses conhecimentos é condição essencial para a construção das competências profissionais apresentadas nestas diretrizes. Convém destacar a necessidade de contemplar na formação de professores conteúdos que permitam analisar valores e atitudes. também. de nutrição e saúde. interação grupal. como ética. ter conhecimento do desenvolvimento físico e dos processos de crescimento. relações internas e externas – concepção de comunidade escolar. Dado que a formação de base. assim como o tratamento dos Temas Transversais – questões sociais atuais que permeiam a prática educativa. gestão de classe. transposição didática. dados estatísticos. Conselho Escolar e projeto pedagógico da escola. independentemente da etapa da escolaridade em que o futuro professor vai atuar. saúde. possibilitando uma abordagem de contextos significativos. Conteúdos das áreas de conhecimento que são objeto de ensino Incluem-se aqui os conhecimentos das áreas que são objeto de ensino em cada uma das diferentes etapas da educação básica. as pesquisas dos processos de aprendizagem dos alunos e os procedimentos para produção de conhecimento pedagógico pelo professor. de analogias etc. São esses conhecimentos que o ajudarão a lidar com a diversidade dos alunos e trabalhar na perspectiva da escola inclusiva. ainda. aprofundando seus conhecimentos sobre as especificidades da faixa etária e das práticas dos diferentes grupos sociais com a qual vai trabalhar. meio ambiente. assim como dos processos de aprendizagem dos diferentes conteúdos escolares em diferentes momentos do desenvolvimento cognitivo. contrato didático. relação professor-aluno. as formas que possibilitam: a) ver cada objeto de estudo em articulação com outros objetos da mesma área ou da área afim.3. organização e tratamento dos conteúdos. entre outros. São critérios de organização de conteúdos. às múltiplas expressões culturais e às questões de poder associadas a todos esses temas. bastante amplo. à discussão das leis relacionadas à infância. na formação de professores para a educação básica. as políticas públicas da educação. Essa intervenção poderá ser concretizada por programas ou ações especiais. planejamento. 2. que devem articular grande parte do saber pedagógico necessário ao exercício profissional e estarem constantemente referidos ao ensino da disciplina para as faixas etárias e as etapas correspondentes da educação básica. realizado logo no início da formação.3. portanto. 2. As Diretrizes e os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ser usados como balizadores de um diagnóstico a ser. Igualmente. consideração de suas especificidades.3. b) romper com a concepção linear de organização dos temas. ao papel social do professor. favorecendo o desenvolvimento de propostas de trabalho interdisciplinar.3. dos debates atuais sobre elas.4. que impede o estabelecimento de relações. realização e avaliação das situações didáticas. alcance clareza sobre seu posicionamento pessoal e conhecimento de como trabalhar com os alunos.

A autorização para funcionamento. sua capacidade de criar soluções apropriadas a cada uma das diferentes situações complexas e singulares que enfrenta. a formulação de proposta de diretrizes para a organização de um sistema federativo de certificação de competência dos professores de educação básica. na medida em que é preciso usá-lo para refletir sobre a experiência. A competência profissional do professor é. a União dos Dirigentes Municipais de Educação e representantes de Conselhos Municipais de Educação e das associações profissionais e científicas.em curso de licenciatura plena.3. pois a combinação dessas duas possibilidades permite identificar diferentes dimensões daquilo que é avaliado. interpretá-la. São as competências que orientam a seleção e o ordenamento de conteúdos dos diferentes âmbitos de conhecimento profissional bem como a alocação de tempos e espaços curriculares. Perceber as diferentes dimensões do contexto. A avaliação nos cursos de formação de professores deve incluir processos internos e externos. tais como: bibliotecas. O planejamento de uma matriz curricular de formação de professores constitui assim o primeiro passo para a transposição didática que o formador de formadores precisa realizar para transformar os conteúdos selecionados em objetos de ensino de seus alunos. o paradigma exige tomar como referência inicial o conjunto das competências que se quer que o professor constitua no curso. laboratórios. diferentes pontos de vista. Organização institucional da formação de professores A organização das escolas de formação deve se colocar a serviço do desenvolvimento de competências. Constrói-se. justamente. com qualidade e em quantidade suficiente. o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação. 3. o reconhecimento e a avaliação externa – institucional e de resultados . analisar como as situações se constituem e compreender como a atuação pode interferir nelas é um aprendizado permanente. modelo de organização. a partir do projeto. Saber – e aprender – um conceito. portanto. atribuir-lhe significado. ƒ A organização institucional deve prever a formação dos formadores. além de recursos de tecnologia da informação. o ƒ ƒ O Ministério da Educação. ƒ Os cursos de formação de professores devem manter estreita parceria com institutos. Avaliação da formação de professores para a educação básica As competências profissionais a serem construídas pelos professores em formação. devem ser a referência de todos os tipos de avaliação e de todos os critérios usados para identificar e avaliar os aspectos relevantes. É um tipo de conhecimento que não pode ser construído de outra forma senão na prática profissional e de modo algum pode ser substituído pelo conhecimento “sobre” esta prática. coordenará e articulará em regime de colaboração com o Conselho Nacional de Educação. . ƒ As instituições formadoras devem constituir direção e colegiados próprios. 2. parcerias. o conhecimento construído “na” e “pela” experiência. desempenho do quadro de formadores e qualidade da vinculação com as escolas de educação infantil. estudos e investigações sobre as questões referentes à aprendizagem dos professores em formação. DIRETRIZES PARA A ORGANIZAÇÃO DA MATRIZ CURRICULAR A perspectiva de formação profissional apresentada neste documento inverte a lógica que tradicionalmente presidiu a organização curricular: em lugar de partir de uma listagem de disciplinas obrigatórias e respectivas cargas horárias. departamentos e cursos de áreas específicas. ƒ As escolas de formação devem garantir. videoteca. Conhecimento advindo da experiência O que está designado aqui como conhecimento advindo da experiência é. é preciso deixar claro que o conhecimento experiencial pode ser enriquecido quando articulado a uma reflexão sistemática. articulem as unidades acadêmicas envolvidas e. entre outros. 2. incluir procedimentos e processos diversificados – institucional. tomando como referência as competências profissionais descritas neste documento.dos cursos de formação de professores devem ser realizados em "locus" institucional e por um corpo de avaliadores direta ou indiretamente ligados à formação e/ou ao exercício profissional de professores para a educação básica. recursos pedagógicos. em conexão com o conhecimento teórico. para que formadores e futuros professores realizem satisfatoriamente as tarefas de formação. Entretanto. de aprender a “ser” professor. na medida em que as questões são sempre singulares e novas respostas precisam ser construídas.5. em conformidade com § 1º Art. incluindo na sua jornada de trabalho tempo e espaço para atividades coletivas dos docentes do curso. ƒ A avaliação nos cursos de formação deve ser periódica e sistemática. desenvolvendo projetos de formação compartilhados. que formulem seu projeto pedagógico de formação de professores. convênios. para a promoção de atividades culturais.6. ƒ A formação de professores deve ser realizada como um processo autônomo. tomem as decisões sobre a organização institucional e sobre as questões administrativas. futuros professores. Na verdade. Assim. ensino fundamental e médio.4. numa estrutura com identidade própria. entre outros. este âmbito de conhecimento está relacionado às práticas próprias da atividade de professor e às múltiplas competências que as compõem e deve ser valorizado em si mesmo. da LDB.SEPARATA – LICENCIATURA 24 2. 8 . de resultados. ƒ As escolas de formação de professores devem trabalhar em interação sistemática com as escolas do sistema de educação básica. ƒ As escolas de formação devem garantir iniciativas. assim. Assim. como o nome já diz. o que se pretende com este âmbito é dar destaque à natureza e à forma com que esse conhecimento é constituído pelo sujeito. de acordo com as presentes diretrizes. de processos – e incidir sobre todos os aspectos relevantes – conteúdos trabalhados. o Fórum Nacional de Conselhos Estaduais de Educação. particularidades e limitações. ƒ As instituições de ensino superior não detentoras de autonomia universitária deverão criar Institutos Superiores de Educação para congregar os cursos de formação de professores que ofereçam licenciaturas em Curso Normal Superior para docência multidisciplinar na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental ou licenciaturas para docência nas etapas subseqüentes da educação básica. ou uma teoria é muito diferente de saber – e aprender – a exercer um trabalho. Trata-se. o credenciamento.

grupos de estudo. ao mesmo tempo. possibilitando o exercício das diferentes competências a serem desenvolvidas. principalmente. avaliar situações de ensino e aprendizagem. necessariamente. indicam-se critérios de organização que completem as orientações para desenhar uma matriz curricular coerente. Neste sentido vale lembrar que o paradigma curricular referido a competências demanda a utilização de estratégias didáticas que privilegiem a resolução de situações-problema contextualizadas. de modo individualizado. é ela . Para constituir competências comuns é preciso contemplá-las de modo integrado. uma vez que tais aprendizagens necessitam de práticas sistemáticas para se efetivarem. é preciso instituir tempos e espaços curriculares diversificados como oficinas. percursos de aprendizagens variados. inclusive. É a atuação de um profissional que usa os conhecimentos dessas disciplinas para uma intervenção específica e própria da profissão: ensinar e promover a aprendizagem de crianças.4. grupos de trabalho supervisionado. Além disso a maioria das capacidades que se pretende que os alunos da educação infantil. de comunicação entre os professores em formação e deles com os formadores. do ensino fundamental e do médio desenvolvam. Em decorrência. É aí que as especificidades se concretizam e. a matriz curricular do curso de formação não deve ser a mera justaposição ou convivência de estudos disciplinares e interdisciplinares. também. seminários. Para isso. No entanto é indispensável levar em conta que a atuação do professor não é a atuação nem do físico. promover atividades constantes de aprendizagem colaborativa e de interação. a formulação e realização de projetos. No entanto. atividades de extensão. em contraposição a formas tradicionais concentradas exclusivamente em cursos de disciplinas. nem do biólogo. os futuros professores possam exercer e desenvolver sua autonomia profissional e intelectual e o seu senso de responsabilidade. 3. Sendo o professor um profissional que está permanentemente mobilizando conhecimentos das diferentes disciplinas e colocando-os a serviço de sua tarefa profissional. tanto pessoal quanto coletiva . Eixo articulador dos diferentes âmbitos de conhecimento profissional Ao elaborar seu projeto curricular. tendo em vista a etapa da escolaridade para a qual o professor está sendo preparado. a organização curricular dos cursos. exigir dos futuros professores atuações diferenciadas. a programação de exposições e debates de trabalhos realizados. Os cursos com tempos e programas definidos para alcançar seus objetivos são fundamentais para a apropriação e organização de conhecimentos. mantendo o princípio de que a formação deve ter como referência a atuação profissional.SEPARATA – LICENCIATURA 25 Até aqui o presente documento identificou competências e âmbitos de conhecimentos e de desenvolvimento profissional. por exemplo.1. monografias de conclusão de curso.a docência . a equipe de formadores deve buscar formas de organização. é. A definição do grau de aprofundamento e de abrangência a ser dado aos conhecimentos disciplinares é competência da instituição formadora tomando como referência a etapa da educação básica em que o futuro professor deverá atuar. a realização de seminários "longitudinais" e interdisciplinares sobre temas educacionais e profissionais. Os tempos e espaços curriculares devem ainda favorecer iniciativas próprias dos alunos ou a sua participação na organização delas: a constituição de grupos de estudo. diferentes modos de organização do trabalho. A conseqüência dessa afirmação leva a uma inversão radical. no que se refere às particularidades das etapas em que a docência ocorre. Ela deve permitir o exercício permanente de aprofundar conhecimentos disciplinares e ao mesmo tempo indagar a esses conhecimentos sua relevância e pertinência para compreender. projetos de investigação sobre temas específicos e. Por outro lado. isso reforça a necessidade de que a matriz curricular da formação do professor contemple estudos e atividades interdisciplinares.base da ética profissional. portanto. Eixo articulador entre disciplinaridade e interdisciplinaridade A formação do professor demanda estudos disciplinares que possibilitem a sistematização e o aprofundamento de conceitos e relações sem cujo domínio torna-se impossível constituir competências profissionais. recursos de tecnologia da informação que possibilitem a convivência interativa dentro da instituição e entre esta e o ambiente educacional. a escola de formação deverá criar dispositivos de organização curricular e institucional que favoreçam sua realização. Exige ações compartilhadas de produção coletiva.2. para as quais são indispensáveis abordagens interdisciplinares. são significativos para a atuação profissional dos professores. psicólogo ou sociólogo. Na perspectiva da simetria invertida. um trabalho coletivo do qual o professor em formação terá que participar. Convém também destacar a importância de experiências individuais. executar. mas considerálas como recursos que ganham sentido em relação aos âmbitos profissionais visados. Esses critérios se expressam em eixos em torno dos quais se articulam dimensões que precisam ser contempladas na formação profissional docente e sinalizam o tipo de atividades de ensino e aprendizagem que materializam o planejamento e a ação dos formadores de formadores.que deverá ser tratada no curso de modo específico. para contemplar a complexidade dessa formação. tutorias e eventos.3. portanto. 3. Esse domínio deve referir-se tanto aos objetos de conhecimento a serem transformados em objetos de ensino quanto aos fundamentos psicológicos. Essa indagação só pode ser feita de uma perspectiva interdisciplinar. até mesmo. 3. deve incluir sempre espaços e tempos adequados que garantam: a) a tematização comum de questões centrais da educação e da aprendizagem bem como da sua dimensão prática. planejar. empregando. como a produção do memorial do professor em formação. a recuperação de sua história de aluno. a partir das quais se trabalhem conteúdos que. ao longo de sua formação. O eixo que articula a formação comum e a formação específica Um dos grandes desafios da formação de professores é a constituição de competências comuns aos professores da educação básica e ao mesmo tempo o atendimento às especificidades do trabalho educativo com as diferentes etapas da escolaridade nas quais esses professores vão atuar. suas reflexões sobre sua atuação profissional. 3. Eixo articulador da interação e comunicação e do desenvolvimento da autonomia intelectual e profissional A formação de professores não se faz isoladamente. É fundamental. jovens e adultos. é necessário também que. atravessa as tradicionais fronteiras disciplinares e exige um trabalho integrado de diferentes professores. Nesta parte. de atividades culturais são exemplos possíveis. A construção do projeto pedagógico da escola. sociais e culturais da educação escolar. entre outros capazes de promover e. pois isso amplia a possibilidade de criação de diferentes respostas às situações reais. onde a diferença se dá. . Isso não significa renunciar a todo ensino estruturado e nem relevar a importância das disciplinas na formação.

08 de maio de 2001. D. não depende apenas da observação direta: a prática contextualizada pode “vir” até a escola de formação por meio das tecnologias de informação – como computador e vídeo –. a critério da instituição. estas Diretrizes incorporam as normas vigentes.SEPARATA – LICENCIATURA 26 b) a sistematização sólida e consistente de conhecimento sobre objetos de ensino. 3. bem como dos diferentes âmbitos do desenvolvimento e da autonomia intelectual e profissional. • jovens e adultos. Todas as disciplinas que constituem o currículo de formação e não apenas as disciplinas pedagógicas têm sua dimensão prática. muito menos qual delas deva ser o ponto de partida na formação do professor. Assim. para atuação em modalidades ou campos específicos incluindo as respectivas práticas. é proposto Projeto de Resolução que “Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica em Nível Superior. Isso porque não é possível deixar ao futuro professor a tarefa de integrar e transpor o conhecimento sobre ensino e aprendizagem para o conhecimento na situação de ensino e aprendizagem. Para superar a suposta oposição entre conteudismo e pedagogismo os currículos de formação de professores devem contemplar espaços. Brasília. Esses “tempos na escola” devem ser diferentes segundo os objetivos de cada momento da formação. É essa dimensão prática que deve estar sendo permanentemente trabalhada tanto na perspectiva da sua aplicação no mundo social e natural quanto na perspectiva da sua didática. seja nas suas dimensões teóricas e práticas. a prática na matriz curricular dos cursos de formação não pode ficar reduzida a um espaço isolado. de diferentes naturezas e oriundos de diferentes experiências. tempos e atividades adequadas que facilitem a seus alunos fazer permanentemente a transposição didática.F. com ênfase nos procedimentos de observação e reflexão para compreender e atuar em situações contextualizadas. c) a construção de perspectiva interdisciplinar. como indicado a seguir: a) No interior das áreas ou disciplinas. dos conhecimentos a serem ensinados com os conhecimentos que fundamentam a ação pedagógica. para os professores de atuação em campos específicos do conhecimento. • escolas rurais ou classes multisseriadas. c) Nos estágios a serem feitos nas escolas de educação básica. ainda que nem sempre este se materialize.6. o estágio não pode ficar sob a responsabilidade de um único professor da escola de formação. mas envolve necessariamente uma atuação coletiva dos formadores. em Curso de Licenciatura de Graduação Plena”. Esse contato com a prática profissional. O princípio metodológico geral é de que todo fazer implica uma reflexão e toda reflexão implica um fazer. Sendo assim. de narrativas orais e escritas de professores. aqui chamado de coordenação da dimensão prática. Assim. da formação comum e específica. aí incluídos projetos de trabalho. em diferentes tempos e espaços curriculares. sem ter oportunidade de participar de uma reflexão coletiva e sistemática sobre esse processo. ao mesmo tempo em que possam mobilizar outros. Nessa perspectiva. o que pressupõe relações formais entre instituições de ensino e unidades dos sistemas de ensino. a transformação dos objetos de conhecimento em objetos de ensino. Estas Diretrizes apresentam a flexibilidade necessária para que cada Instituição formadora construa projetos inovadores e próprios. tanto para os professores de atuação multidisciplinar quanto para especialistas de área ou disciplina. com objetivos e tarefas claras e que as duas instituições assumam responsabilidades e se auxiliem mutuamente.deve ter prioridade. que a reduza ao estágio como algo fechado em si mesmo e desarticulado do restante do curso. Esse exercício vai requerer a atuação integrada do conjunto dos professores do curso de formação visando superar o padrão segundo o qual os conhecimentos práticos e pedagógicos são responsabilidade dos pedagogos e os conhecimento específicos a serem ensinados são responsabilidade dos especialistas por área de conhecimento. À vista do exposto. ressignificação e equilíbrio de conteúdos com dupla direção: para os professores de atuação multidisciplinar de educação infantil e de ensino fundamental. tais como: • crianças e jovens em situação de risco. Essa atuação integrada da equipe de formadores deve garantir a ampliação. As atividades deste espaço curricular de atuação coletiva e integrada dos formadores transcendem o estágio e têm como finalidade promover a articulação das diferentes práticas numa perspectiva interdisciplinar. reservando um período final para a docência compartilhada. no que se refere aos conteúdos pedagógicos e educacionais. isto é. preferencialmente na condição de assistente de professores experientes.5.. É ainda no momento de definição da estrutura institucional e curricular do curso que caberá a concepção de um sistema de oferta de formação continuada que propicie oportunidade de retorno planejado e sistemático dos professores às agências formadoras. de interdisciplinaridade. integrando os eixos articuladores discutidos acima. de produções dos alunos. Eixo articulador das dimensões teóricas e práticas No que se refere à articulação entre teoria e prática. Esse princípio é operacional e sua aplicação não exige uma resposta definitiva sobre qual dimensão – a teoria ou a prática . o planejamento dos cursos de formação deve prever situações didáticas em que os futuros professores coloquem em uso os conhecimentos que aprenderem. tais como o registro de observações realizadas e a resolução de situações-problema características do cotidiano profissional. Eixo articulador dos conhecimentos a serem ensinados e dos conhecimentos educacionais e pedagógicos que fundamentam a ação educativa. • educação indígena 3. Deve acontecer desde o primeiro ano. O estágio obrigatório deve ser vivenciado ao longo de todo o curso de formação e com tempo suficiente para abordar as diferentes dimensões da atuação profissional. além de saber e de saber fazer deve compreender o que faz. . no que se refere aos conteúdos a serem ensinados. de situações simuladas e estudo de casos. • educação especial. no processo de construção de sua autonomia intelectual. d) opções. b) Em tempo e espaço curricular específico. Para tanto. o professor. sob a supervisão da escola de formação. é preciso que exista um projeto de estágio planejado e avaliado conjuntamente pela escola de formação inicial e as escolas campos de estágio.

foram apresentados diversos dados referentes à duração de licenciaturas em universidade pública de reconhecida qualidade. que dispõe sobre os programas especiais de formação pedagógica de docentes para as disciplinas do currículo do ensino fundamental.Relatora Silke Weber – Presidente III – DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Plenário acompanha o voto do(a) Relator(a). que dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação. o parecer afirmava: Para garantir o caráter emergencial é conveniente que a proposta se oriente para a proposição de programas.131/95 Processo 23001. 3 . Conselho Pleno. considerando o dispositivo da Resolução CNE/CP n° 2/97. dado que não traçam relações de causa-efeito equivocadas para explicar o fraco desempenho escolar dos alunos da escola básica. como é facultado pela LDB. que dispõe sobre os programas especiais de formação pedagógica de docentes para as disciplinas do currículo do ensino fundamental do ensino médio e da educação profissional em nível médio. propomos que seja constituída comissão para a análise da Resolução CNE/CP n° 2/97. os primeiros lugares do último concurso público para professores realizado pela secretaria de educação do Estado de São Paulo foram ocupados por egressos de universidades públicas.000257/2001-46 INDICAÇÃO CNE/CP Nº 1/2001 Tendo em vista a aprovação de novas diretrizes curriculares nacionais da formação docente para a atuação na educação básica. quero ainda fazer constar que.024/61. do ensino médio e da educação profissional em nível médio e da Resolução CNE/CP 1/99. o qual estipula expressamente em seu parágrafo único a necessidade de revisão dos programas especiais de formação pedagógica de docentes por parte deste CNE. considerados os arts. o enunciado constante da resolução. Conselheiro Nelio Bizzo INDICAÇÃO Nº 1/2001. A excelência dos cursos de graduação mantidos por universidades onde se realiza pesquisa é de amplo e notório conhecimento. Em seus termos. o que não configurou surpresa. Além disso. com a redação dada pela Lei n° 9. dada a conexão dos assuntos de que tratam. a Resolução CNE/CP n° 1/99. alíneas "c" e "h" da Lei n° 4. durante a discussão sobre carga horária de cursos de formação de professores. não posso aceitar que os excelentes resultados dos alunos de licenciaturas de universidades públicas no Exame Nacional de Cursos (“Provão”) sejam apontados como indicadores de um suposto distanciamento da realidade do ensino fundamental e médio.A necessidade de rever os termos nos quais a formação docente possa se compatibilizar com as novas diretrizes para formação docente. que acompanha a Resolução CNE/CP n° 2/97.024/61. dos quais as universidades públicas nunca se esquivaram. 63.131/95. A comissão deverá iniciar seus trabalhos tendo por base os próprios termos da Resolução CNE/CP n° 2/97.394/96 e o art. . seguidos de comentários. foram solicitados esclarecimentos sobre o significado do conteúo do do Art 3 . Conselheiro Ulysses de Oliveira Panisset – Presidente IV . segundo o art. 2 . com comprovação objetiva. e que a explicação oferecida repetiu.. com a redação dada pela Lei n° 9.DECLARAÇÃO DE VOTO EM SEPARADO Quero fazer constar que. II da Lei n° 9. Sala das Sessões em. em aprovadas nesta mesma sessão. dadas alterações trazidas pelos Pareceres CNE/CP n° 9/2001.A preocupação apresentada no Parecer CNE/CP n° 4/97. mas podem se tornar obsoletas com a evolução da situação local. em especial aos cursos de formação docente em nível superior. CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO/DF Revisão da Resolução CNE/CP 2/97. mas incentivam processos de aperfeiçoamento institucional. sem que tenha sido feita qualquer inferência sobre a extensão de obrigatoriedade de normas legais da educação básica à superior. dadas as diversas solicitações de esclarecimentos sobre a Resolução CNE/CP n° 2/97. em especial: 1 .394/96 e o art. muito menos culpam os professores pelo fracasso de seus alunos. de forma enriquecida. Da mesma forma. em situação emergencial. em prazo determinado. As diretrizes ora aprovadas poderão contribuir nesse sentido. 9°. externa e independente. (a). que dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação. em lugar de cursos. assim esclarecido. acrescida de analogia sobre estudante de medicina adoentado. que aponta para a necessidade de revisão de si mesma. aprovada em 8 de maio de 2001. Por exemplo. em não tornar permanentes as soluções propostas para tempo e espaço limitados. considerados os art. cuja duração ficará assim naturalmente limitada. Repilo. 9°. II. propomos que seja objeto de análise. A recente modificação introduzida na sistemática de notas do “Provão” permitirá aquilatar a real distância existente entre os cursos excelentes e os que necessitam de urgente e profunda reformulação. de forma veemente. conjecturas e ilações com as quais não concordo.O conteúdo do artigo 11. 62 e 63 da Lei n° 9.394/96.SEPARATA – LICENCIATURA Conselheiros: 27 Éfrem de Aguiar Maranhão Eunice Ribeiro Durham Edla de Araújo Lira Soares Guiomar Namo de Mello Nelio Marco Vincenzo Bizzo Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira . § 2°. alíneas "c" e "h" da Lei n° 4. Conselho Nacional de Educação. O Conselho Pleno votou. reconhecendo-o como fenômeno complexo. § 2°. evitando o risco de perenização de soluções que podem parecer apropriadas para um determinado tempo e lugar. 08 de maio de 2001. Da mesma forma. que vive em seu curso de formação situação algo similar à de seus possíveis futuros pacientes. 62 e 63 da Lei n° 9. durante a sessão do dia 07 de Maio. qualquer tentativa de estabelecer relação de causa e efeito entre os pobres resultados em testes de desempenho dos alunos da educação básica e um suposto “despreparo” de seus professores.

Relatora Silke Weber . . no seu Art. com as alterações dadas pelo Parecer CNE/CP 27/2001. o Parecer CNE/CP 9/2001. sob a supervisão da escola de formação. deve guardar coerência com o conjunto das disposições que regem a formação de docentes. 2 de outubro de 2001. em parecer e resolução específica sobre sua carga horária. em nível superior.”. Para tanto. Deve. o que pressupõe relações formais entre instituições de ensino e unidades dos sistemas de ensino. aprovado em 2 de outubro de 2001.SEPARATA – LICENCIATURA 28 Sendo assim. Conselheiro Ulysses de Oliveira Panisset . curso de licenciatura. contudo. 29).Seção I . de acordo com o projeto pedagógico próprio. pois.Seção I . se desenvolver a partir do início da segunda metade do curso. 2 de outubro de 2001. em sua reunião de 2 de outubro de 2001. o respectivo projeto de Resolução. 8 de maio de 2001 Conselheiro Arthur Roquete de Macedo Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury Conselheiro Nelio Bizzo (DOCUMENTA 476:571) COMENTÁRIOS. Brasília. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 17 de janeiro de 2002 (DOU de 18/01/2002 .p. o Parecer CNE/CEB 1/99 e a Resolução CNE/CEB 2/99 e. Brasília. 00001. 29).Presidente III . o Parecer CNE/CP 4/97 e a Resolução CNE/CP 2/97. aprovado em 8 de maio de 2001. Conselho Nacional de Educação. o estágio não pode ficar sob a responsabilidade de um único professor da escola de formação. mas envolve necessariamente uma atuação coletiva dos formadores. Cumpre citar a Resolução CNE/CP 1/99. Conselheiros: Éfrem de Aguiar Maranhão Edla de Araújo Lira Soares Guiomar Namo de Mello Nelio Marco Vincenzo Bizzo Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira . PARECER Nº 28. decidiu alterar a redação do item 3. é o de dar conseqüência a esta determinação que reconhece uma especificidade própria desta modalidade de ensino superior. é preciso que exista um projeto de estágio planejado e avaliado conjuntamente pela escola de formação inicial e as escolas campos de estágio. alínea c. que apresenta projeto de Resolução instituindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. de 8 de maio de 2001. nos seguintes termos: “c) No estágio curricular supervisionado a ser feito nas escolas de educação básica.F. Sala das Sessões em. 12 diz verbis: Os cursos de formação de professores em nível superior terão a sua duração definida pelo Conselho Pleno. ser definidas. Conselho Pleno. Este Parecer.6. Conselho Pleno. A duração da licenciatura voltada para a formação de docentes que irão atuar no âmbito da educação básica e a respectiva carga horária devem. Sendo assim. reservando-se um período final para a docência compartilhada. Conselho Nacional de Educação.p. aprovado em 2 de outubro de 2001. COMENTÁRIOS. preferencialmente na condição de assistente de professores experientes. com objetivos e tarefas claras e que as duas instituições assumam responsabilidades e se auxiliem mutuamente. 00001. entendemos que já se acumularam elementos suficientes para proceder à revisão da Resolução CNE/CP n° 2/97 e da Resolução CNE/CP n° 1/99.Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. de graduação plena. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 17 de janeiro de 2002 (DOU de 18/01/2002 . pois. O estágio obrigatório definido por lei deve ser vivenciado durante o curso de formação e com tempo suficiente para abordar as diferentes dimensões da atuação profissional. de modo especial. O Conselho Pleno. de maneira a avaliar a eficiência dos programas efetivamente realizados e aquilatar sua atualidade diante da evolução da situação educacional do país desde aquela época. I -HISTÓRICO A aprovação do Parecer CNE/CP 9/2001. Esses “tempos na escola” devem ser diferentes segundo os objetivos de cada momento da formação.DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Plenário acompanha o voto do(a) Relator(a). D. do Parecer CNE/CP 9/2001.. PARECER Nº 27. O objetivo deste Parecer.

SEPARATA – LICENCIATURA 29 A existência de antinomias entre estes diferentes diplomas normativos foi anotada pelo Parecer da Assessoria Técnica da Coordenação de Formação de Professores SESu/MEC.” Trata-se. esta licença só se completa após o resultado bem sucedido do estágio probatório exigido por lei. respeitadas as formas de ingresso. deve possuir uma referência nacional comum. realizar pesquisas e preparar candidatos ao magistério do ensino secundário e normal. 12 do Parecer CNE/CP 9/2001. Uma das leis diretamente concernente a estas qualificações está na Lei 9. Esta faculdade seria regulamentada pelo Decreto-lei 1.394/96 O debate sobre a carga horária e duração dos cursos de graduação sempre foi bastante diferenciado ao longo da história da educação envolvendo múltiplos aspectos entre os quais os contextuais. respectivamente: “Os diplomas que conferem privilégio para o exercício de profissões liberais ou para a admissão a cargos públicos ficam sujeitos a registro no Ministério da Educação e Cultura.394/96: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. conhecida como Plano Nacional de Educação. em boa parte já postas no parecer CNE/CP 9/2001 e começar a efetivar as metas do Capítulo do Magistério da Educação Básica da Lei 10. em curso de licenciatura. pois. permissão ou concessão dada por uma autoridade pública competente para o exercício de uma atividade profissional. em primeiro lugar. A rigor. Duração e Carga Horária antes da Lei 9. em universidades e institutos superiores de educação.” º .190. “Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação. Cumpre completá-las no que se refere à duração e carga horária das licenciaturas cumprindo o disposto no Art. Por ele se cria a Faculdade de Educação. de 9 de janeiro de 2001. permitindo o exercício do magistério nas redes de ensino. número este expresso em legislação ou normatização. Desta forma o Parecer em tela foi devidamente revisto e. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. organiza a Universidade do Brasil e da qual constaria uma Faculdade Nacional de Educação com um curso de educação. Ciências e Letras que teria entre suas funções a de qualificar pessoas aptas para o exercício do magistério através de um currículo seriado desejável e com algum grau de composição por parte dos estudantes. fazer jus ao inciso XIII do Art.” “O currículo mínimo e a duração dos cursos que habilitem à obtenção de diploma capaz de assegurar privilégios para o exercício da profissão liberal serão fixados pelo Conselho Federal de Educação. No caso em questão. no âmbito do ensino público. assegurando-lhes. encaminhada a este Conselho. A duração dos cursos de licenciatura pode ser contada por anos letivos.852/31. A licenciatura é uma licença. 62 desta Lei: “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. quando cursado por bacharéis. 5 da Constituição que assegura o livre exercício profissional atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. diz o Art. admitida. Fazia parte também uma seção especial: o curso de didática de 1 ano e que. como título nacional de valor legal idêntico. podendo a lei exigir a prestação de exames e provas de estágio perante os órgãos de fiscalização e disciplina das profissões respectivas. a fim de preencher um dos requisitos para a validação de um diploma que. O diploma de licenciado pelo ensino superior é o documento oficial que atesta a concessão de uma licença. Nela pode-se ler nos seus artigos 68 e 70. Se a duração de um tempo obrigatório é o mínimo para um teor de excelência. a oferecida em nível médio. para efeito de harmonização entre eles. ou seja trata-se de uma autorização. daria o título de licenciado. A rigor. em conformidade com a legislação. ela passava a contar com uma seção de Pedagogia constituída de um curso de pedagogia de 3 anos que forneceria o título de Bacharel em Pedagogia. Trata-se do Decreto 19. 67.. Definições gerais mínimas Como se pode verificar pelos termos do artigo em tela. a efetivação deste decreto só se dará mesmo em 1939. Duração.. pelo Aviso Ministerial 569.024/61. de 4/4/1939. face aos sistemas públicos. de 5/7/1937. constante do Título VI da Lei: Dos Profissionais da Educação. trata-se de um título acadêmico obtido em curso superior que faculta ao seu portador o exercício do magistério na educação básica dos sistemas de ensino. . no caso. de graduação plena.” Esta qualificação exigida para o exercício profissional da docência no ensino regular dos sistemas é a condição sine qua non do que está disposto no Art. Este é o famoso esquema que ficou conhecido como 3 + 1. Nele se lê que a Faculdade Nacional de Filosofia terá como finalidades preparar trabalhadores intelectuais. de 28 de setembro de 2001. de atender às qualificações profissionais exigidas pela Constituição e pela LDB.172. é o tempo decorrido entre o início e o término de um curso de ensino superior necessário à efetivação das suas diretrizes traduzidas no conjunto de seus componentes curriculares. O Estatuto das Universidades Brasileiras de 1931 teve vigência legal até a entrada em vigor da Lei 4. Já a carga horária é número de horas de atividade científico-acadêmica. por dias de trabalho escolar efetivados ou por combinação desses fatores. obviamente isto não quer dizer impossibilidade de adequação às variações de aproveitamento dos estudantes. o regime jurídico do serviço público ou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). de 11/4/31. A noção de carga horária pressupõe uma unidade de tempo útil relativa ao conjunto da duração do curso em relação à exigência de efetivo trabalho acadêmico. em conseqüência recebeu nova redação. Com efeito. inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I . A Lei 452 do governo Vargas. Deve-se. para ser cumprido por uma instituição de ensino superior. alguns conceitos devem ser definidos pelo Conselho Pleno: a duração e a carga horária dos cursos de formação de professores em nível superior que é uma licenciatura plena. na modalidade Normal.ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos. Pode-se tomar como referência o Estatuto das Universidades Brasileiras sob a gestão do Ministro da Educação e Saúde Pública Francisco Campos em 1931.

tem. propõe para as primeiras uma duração entre 1200 e 1500 horas e para as segundas uma duração de 2. Ao invés de uma inflexão em anos de duração passa-se a dar preferência para horas-aula como critério da duração dos cursos superiores dentro de um ano letivo de 180 dias. de 1996. no Art. sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas. apesar de sua flexibilidade. estabeleceu a carga horária das matérias de formação pedagógica a qual deveria ser acrescida aos que quisessem ir além do bacharelado. que fixa critérios para a duração dos cursos superiores. as seguintes atribuições . de 10/2/1965. fixava a formação pedagógica em 1/8 das horas obrigatórias de º trabalho de cada licenciatura voltada para o ensino de 2 grau. Ainda que alunos excepcionais possam ter abreviada a duração de seu curso. é no § 1 deste artigo que se aponta o Conselho Nacional de Educação de cujas funções faz parte a normatização das leis. A Indicação CFE 8/68. Esta duração deveria ser de. A LDB. tem alguns parâmetros definidos. Assim. Veja-se o Art. recursos disponíveis e critérios de avaliação. independente do ano civil. da autoria de Valnir Chagas foi assumido na Portaria Ministerial 159. As exigências deste novo paradigma formativo devem nortear a atuação normativa do Conselho Nacional de Educação com relação ao objeto específico deste parecer. O Parecer 895/71. de 9/12/71. sua duração. de 4/6/68. o ano letivo regular. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos. pode-se verificar. especialmente com relação ao tempo de duração da formação pedagógica no âmbito de cada licenciatura. Tal Resolução se vê reconfirmada pela Indicação 22/73. de acordo com as normas dos sistemas de ensino. qualificações dos professores. Já no capítulo próprio do ensino superior da LDB há pontos relativos à autonomia universitária. no mínimo. 1/8 do tempo dos respectivos cursos e que. não deixou de pontuar características importantes da organização da educação superior. A Resolução 9/69.540/68. O padrão de qualidade se dirige para uma formação holística que atinge todas as atividades teóricas e práticas articulando-as em torno de eixos que redefinem e alteram o processo formativo das legislações passadas. mas o conteúdo de sua integralização implica tanto o ensino em sala de aula quanto outras atividades acadêmicas estabelecidas e planejadas no projeto pedagógico. como novidade. Aliás. diz o Art. quando houver. O Parecer CFE 52/65. §1º As instituições informarão aos interessados. Este Parecer CFE 85/70 mantém as principais orientações da Indicação CFE 8/68 e fixa a duração dos cursos a ser expressa em horas-aula e cuja duração mínima seria competência do CFE estabelecê-la sob a forma de currículos mínimos. § 4º As instituições de educação superior oferecerão. O Parecer CFE 672/69. A relação teoria e prática deve perpassar todas estas atividades as quais devem estar articuladas entre si tendo como objetivo fundamental formar o docente em nível superior.SEPARATA – LICENCIATURA 30 O Parecer CFE 292/62. verbis: Na educação superior. duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo. O Parecer CNE/CP 9/2001. I e II: No exercício de sua autonomia. Pode-se comprovar a complexidade e a diferenciação da duração nos modos de se fazer as licenciaturas através de um longo período de nossa história. estabelece um novo paradigma para esta formação.540/68 dizia em seu Art. 53.200 a 2. a fragmentação das Faculdades de Filosofia. são asseguradas `as universidades. como no Título IV da lei sob o nome Da Educação Superior. respeitados 180 dias letivos. A Resolução CFE 1/72 fixava entre 3 e 7 anos com duração variável de 2200h e 2500h as diferentes licenciaturas. ao interpretar as injunções de caráter legal. em saber seus direitos. cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno. a regra geral é a da informação precisa da duração dos programas dos cursos e dos seus componentes curriculares e que no conjunto exigem trabalho acadêmico efetivo. neste momento. A Lei 5. Este parecer reexamina o Parecer 292/62 no qual se teve a fixação das matérias pedagógicas da licenciatura. A LDB de 1996. trazia. Antecedendo a própria reforma do ensino superior de 1968. excluído o tempo reservado aos exames finais. a respectiva duração dos cursos superiores e as matérias obrigatórias entendidas como "matéria-prima" a serem reelaboradas. O primeiro deles é o número de dias do ano letivo de trabalho acadêmico efetivo e as garantias que o estudante deve ter. Ciências e Letras e a criação de uma unidade voltada para a formação de professores para o ensino secundário e de especialistas em educação: a Faculdade de Educação. ao entrar em uma instituição de ensino superior. A flexibilidade não significa nem ausência de determinadas imposições e nem de parâmetros reguladores. ao explicitar as competências da União diz no seu inciso VII que ela incumbir-se-á de baixar normas gerais º sobre cursos de graduação e pós-graduação. de 14/11/62. º A LDB.. no período noturno. ao interpretar e normatizar a exigência formativa desses profissionais. no mínimo.500 horas de duração. poderão ter abreviada a duração dos seus cursos. já sob a reforma universitária em curso. obrigando-se a cumprir as respectivas condições. 47. examinando a existência da licenciatura curta face à plena e as respectivas horas de duração.394/96 A Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 insistem na valorização do magistério e em um padrão de qualidade cujo teor de excelência deve dar consistência à formação dos profissionais do ensino. sem prejuízo de outras. requisitos. (grifos adicionados) . os programas dos cursos e demais componentes curriculares. de 4/9/69. 9 . eram escalonados em 8 semestres letivos e seriados. de 1966. elaborada antes da Lei 5. de 8/2/73. reexaminou os currículos mínimos. de 14 de junho de 1965. estágio e prática de ensino. conduz à Resolução 9/69 de 10/10/69. o Decreto-lei 53. de 2/2/70. antes de cada período letivo. Poucas Universidades encamparam este decreto-lei no sentido da alteração propiciada por ele. vai propor um novo paradigma para a formação de docentes e sua valorização. A Lei 9. de 10/10/1969. Desta Indicação.. decorre o Parecer CFE 85/70. nível próprio do objeto deste parecer. garantida a necessária previsão orçamentária. É bastante claro que o trabalho acadêmico deve ser mensurado em horas. 26 que cabia ao Conselho Federal de Educação fixar o currículo mínimo e a duração mínima dos cursos superiores correspondentes a profissões regulamentadas em lei e de outros necessários ao desenvolvimento nacional. Assim. aplicados por banca examinadora especial. demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos.

podendo o estagiário receber bolsa de estágio. 7 de ensino médio.497/82 da Lei 6.científicas. 82 da Lei 9. II . O Parágrafo único do Art. Logo. o objeto da Medida Provisória 1. em seu Art. deve-se respeitar o Art. No caso de prática de ensino. 13 que são mantidas as normas referentes ao estágio supervisionado até que seja regulamentado o Art.494/77. II . mas a estende para o estágio da educação dos portadores de necessidades especiais. incluirá prática de ensino de. do respectivo sistema de ensino. os Órgãos da Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar. e o seu Decreto regulamentador 87. exceto para a educação superior. obedecendo às normas gerais da União e. organizar e extinguir. Veja-se o disposto no Art. Ora. Por isso as normas gerais devem estabelecidas. dias letivos. modificada pela Medida Provisória 1.709/98 modifica em seu Art. no caso. deverão fixar os currículos de seus cursos e programas (Art. de 23/3/1994. cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei.709/98. integram a tradição nacional e internacional. o Parágrafo único do Art. e que regulamenta a implantação do disposto nos artigos 39 a 42 do Decreto 2. 82 não deixa margem a dúvidas quanto à sua natureza: ele pertence ao âmbito das competências concorrentes próprias do sistema federativo. 1 da Lei 6. como estagiários.494/77 não conflita com o teor das Leis 9. de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. 9 . explicita a obrigatoriedade da inserção do estágio no cômputo das atividades didático-curriculares. 2 § 1 A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare. Estes pontos devem e podem formar um todo em que todas as atividades teórico-práticas devem ser articuladas em torno de um projeto pedagógico elaborado de modo orgânico e consistente. de 7/12/1977.394/96 e 9. 82 da LDB diz: Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para realização dos estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição. verbis: A formação docente.SEPARATA – LICENCIATURA 31 I . os estágios fazem parte destas qualificações. efetivamente. Assim é que a formação de profissionais cujo título permite o exercício de determinada atividade profissional requer um tempo de duração variável de país a país. bem como na discussão sobre a prática profissional propriamente dita. 24 da Constituição Federal. Esta variabilidade recobre também as etapas a seguir como o formato adotado para a sua inserção no debate teórico da área de suas especialidades. prática de ensino. há a obrigatoriedade dos estágios. um mínimo de 300 horas de prática de ensino é um componente obrigatório na duração do tempo necessário para a integralização das atividades acadêmicas próprias da formação docente. alunos regularmente matriculados e que venham freqüentando.MÉRITO A delimitação de seqüências temporais de formação. e as correspondentes formas de avaliação. A Lei de Introdução ao Código Civil. ao mesmo tempo. II). eles devem ser normatizados pelos sistemas de ensino. (grifos adicionados) º Desse modo. reconhecidas pela CLT. estar freqüentando cursos de educação superior. de 14 de maio de 1997. Parágrafo único. O Art. consideradas as características de áreas de conhecimento e de atuação profissional. 82 reconhece as figuras de um seguro contra acidentes e de uma cobertura previdenciária prevista na legislação específica e faculta a existência de bolsa de estágio. O estágio realizado nas condições deste artigo não estabelecem vínculo empregatício. para o estágio supervisionado de ensino. À luz do Art. exceto º em pequenos pontos específicos.497/82. credenciamento utilizadas. 4 da Lei 6. independentemente do ano civil. A Lei 6. Outro ponto a ser destacado na formação dos docentes para atuação profissional na educação básica e que pode ser contemplado para efeito da duração das licenciaturas é a monitoria. exercendo funções de monitoria.497/82 ao serem recebidos pela Lei 9. A Lei 6. o estabelecimento de tempos específicos para a sua realização em nível superior. ela distingue e compõe. ele deve ser lido à luz do Art. regulamentada pelo Decreto 87. Entre os elementos obrigatórios apontados. No seu conjunto. VII da LDB) pertinentes. O Art.208/97 diz em seu Art. a Portaria 646. (a parte por nós grifada foi. sob a forma de diretrizes de tal modo que elas sejam referenciais de qualidade para todas as atividades teórico-práticas e para a validade nacional do diploma de licenciado e como expressão da articulação entre os sistemas de ensino. na letra a. em sua sede. de profissão a profissão. manteve o teor da Lei 6.394/96 exigem. Os dias letivos.859. 4 o § 1 do Art. Decreto-lei 4. 65 da LDB.494/77.394/96. no mínimo. trezentas horas. elas prevêem uma composição de elementos obrigatórios e facultativos articulados entre si. 4 letra b. de 27/11/98." Já o Decreto regulamentador 87. 1 da Lei 6. no seu todo. não foi revogada nem pela LDB e nem pela Medida Provisória 1. estágio e atividades acadêmico. são de 200 dias de trabalho acadêmico efetivo. titulação. Os estágios supervisionados de ensino também partilham destas qualificações.fixar os currículos dos seus cursos e programas. Assim sendo. se refere ao estágio curricular de estudantes. nos níveis superior e profissionalizante.494/77 dizia As Pessoas Jurídicas de Direito Privado. Entre os elementos facultativos expressamente citados está a monitoria.709/98) 7 º . fica claro que as Instituições de Ensino Superior. A lei do estágio de 1977.709.494/77. A Lei 8. Por isso mesmo. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. A redação do Art. e se inserem dentro das normas gerais conferidas por lei à União. 82 da LDB altera o Art. quando for o caso.494/77. 84 da LDB: Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições. observadas as diretrizes gerais pertinentes. 24 da Constituição Federal de 1988. de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. Este decreº to.criar. dispõe sobre o tempo do estágio curricular supervisionado e que não pode ser inferior a um (1) semestre letivo e.131/95. Não resta dúvida que estes pontos não devem e não podem ser entendidos como atividades estanques ou como blocos mecânicos separados entre si. estar segurado contra acidentes e ter cobertura previdenciária prevista na legislação específica. Já a Medida Provisóº º º ria 1. um mínimo de 1 (um) semestre letivo ou seja 100 dias letivos. respeitadas as normas gerais (Art.494/77 e que passou a vigorar com a seguinte redação: º § 1 Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem "comprovadamente.657/42 diz: º º Art. Além disso. cursos vinculados à estrutura do ensino público e particular. Assim. 53.

pois. conforme o Art. . Este é um momento de formação profissional do formando seja pelo exercício direto in loco. Assim torna-se procedente acrescentar ao tempo mínimo já estabelecido em lei (300 horas) mais um terço (1/3) desta carga. Assim a realidade é um movimento constituído pela prática e pela teoria como momentos de um dever mais amplo. Mas é também um momento para se acompanhar alguns aspectos da vida escolar que não acontecem de forma igualmente distribuída pelo semestre. É também um momento para se verificar e provar (em si e no outro) a realização das competências exigidas na prática profissional e exigíveis dos formandos. A primeira é mais abrangente: contempla os dispositivos legais e vai além deles. Esta correlação teoria e prática é um movimento contínuo entre saber e fazer na busca de significados na gestão. 1º . a prática como componente curricular e. 22) Assim. de outro. percebe-se que este mínimo estabelecido em lei não será suficiente para dar conta de todas estas exigências em especial a associação entre teoria e prática tal como posto no Art. É o caso. Assim. há que se distinguir. que terá necessariamente a marca dos projetos pedagógicos das instituições formadoras. aumente o tempo disponível para cada forma de prática escolhida no projeto pedagógico do curso. um processo de ensinoaprendizagem que. Por outro lado. As trezentas horas são apenas o mínimo abaixo do qual não se consegue dar conta das exigências de qualidade. isto é diretamente em unidades escolares dos sistemas de ensino. especialmente quanto à regência. significar e com isto administrar o campo e o sentido desta atuação. perfazendo um total de 400 horas. junto com a prática. é preciso considerar um outro componente curricular obrigatório integrado à proposta pedagógica: estágio curricular supervisionado de ensino entendido como o tempo de aprendizagem que. Ao se considerar o conjunto deste Parecer em articulação com o novo paradigma das diretrizes. como componente curricular. seja pela presença participativa em ambientes próprios de atividades daquela área profissional. 61 da LDB. A obrigatoriedade das 300 (trezentas) horas de prática de ensino são exigidas como patamar mínimo no Art. administração e resolução de situações próprias do ambiente da educação escolar. Mas dada sua importância na formação profissional de docentes. etapa inicial da formação em nível superior a ser necessariamente complementada ao longo da vida. É fundamental que haja tempo e espaço para a prática. Sendo a prática um trabalho consciente cujas diretrizes se nutrem do Parecer 9/2001 ela terá que ser uma atividade tão flexível quanto outros pontos de apoio do processo formativo. A prática. como durante o estágio nos momentos em que se exercita a atividade profissional. como componente curricular. que tanto está presente nos cursos de formação nos momentos em que se trabalha na reflexão sobre a atividade profissional. além de ampliar o leque de possibilidades. consideradas as mudanças face ao paradigma vigente até a entrada em vigor da nova LDB. como componente curricular. de um lado . da matrícula. 47 da Lei 9. pois eles propiciam um melhor conhecimento do ethos dos alunos. A prática como componente curricular é.“(Parecer CNE/CP 9/2001. pode-se dizer que o estágio curricular supervisionado pretende oferecer ao futuro licenciado um conhecimento do real em situação de trabalho. através de um período de permanência. Tendo como objetivo. tornar-se-á concreto e autônomo quando da profissionalização deste estagiário. XI e tal como expressa sob o conceito de prática no Parecer CNE/CP 9/2001. “Uma concepção de prática mais como componente curricular implica vê-la como uma dimensão do conhecimento. consistindo a prática no momento pelo qual se busca fazer algo. Com isto se pode ver nas políticas educacionais e na normatização das leis uma concepção de governo ou de Estado em ação. a relação teoria e prática social tal como expressa o Art. Esta relação mais ampla entre teoria e prática recobre múltiplas maneiras do seu acontecer na formação docente. terão que cumprir. pode envolver uma articulação com os órgãos normativos e com os órgãos executivos dos sistemas. a prática de ensino e o estágio obrigatório definidos em lei. Ela abrange. p. Importante também é o conhecimento de famílias de estudantes sob vários pontos de vista. 200 (duzentos) dias de trabalho acadêmico efetivo em cada um dos anos necessários para a completude da qualificação exigida. alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício.SEPARATA – LICENCIATURA 32 Os cursos de graduação. o estágio curricular supervisionado é o momento de efetivar. bem como o Art. Só que uma ampliação da carga horária da prática de ensino deve ser justificada. produzir alguma coisa e que a teoria procura conceituar. Em articulação intrínseca com o estágio supervisionado e com as atividades de trabalho acadêmico. Entre outros objetivos. uma prática que produz algo no âmbito do ensino. ela concorre conjuntamente para a formação da identidade do professor como educador. no mínimo. sob a responsabilidade de um profissional já habilitado. 65 da LDB e estão contempladas no Parecer CNE/CP 9/2001 e respectiva Resolução. A prática é o próprio modo como as coisas vão sendo feitas cujo conteúdo é atravessado por uma teoria. 3º . ao transcender a sala de aula para o conjunto do ambiente escolar e da própria educação escolar.394/96. da elaboração do projeto pedagógico. por exemplo. concentrando-se mais em alguns aspectos que importa vivenciar. ela deve ser planejada quando da elaboração do projeto pedagógico e seu acontecer deve se dar desde o início da duração do processo formativo e se estender ao longo de todo o seu processo. Professores são ligados a entidades de representação profissional cuja existência e legislação eles devem conhecer previamente. A prática não é uma cópia da teoria e nem esta é um reflexo daquela. ao mínimo legal de 300 horas deve-se acrescer mais 100 horas que. 1 da LDB. sob a supervisão de um profissional experiente. vários modos de se fazer a prática tal como expostos no Parecer CNE/CP 9/2001. Assim o estágio curricular supervisionado supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário. § 2º da LDB. com as exigências legais e com o padrão de qualidade que deve existir nos cursos de licenciaturas. Ele é necessário como momento de preparação próxima em uma unidade de ensino. a fim de dar conta dos múltiplos modos de ser da atividade acadêmico-científica. Não se trata de uma atividade avulsa que angarie recursos para a sobrevivência do estudante ou que se aproveite dele como mão-de-obra barata e disfarçada. desde o início do curso e que haja uma supervisão da instituição formadora como forma de apoio até mesmo à vista de uma avaliação de qualidade. no ano letivo regular. Pode-se assinalar também uma presença junto a agênº cias educacionais não escolares tal como está definida no Art. Por isso é que este momento se chama estágio curricular supervisionado. da organização das turmas e do tempo e espaço escolares. então. Ele não é uma atividade facultativa sendo uma das condições para a obtenção da respectiva licença.

A graduação de licenciatura ao visar o exercício profissional tem como primeiro foco as suas exigências intrínsecas. Esta abertura. crítico e competente e que se vale de conhecimentos e de experiências. sempre respeitado o princípio de uma formação de qualidade. exercer sua competência suplementar na normatização desta matéria. Daí a necessidade de revogação dos § 2º e 5º do Art. O ensino que se desenvolve em aula é necessário. O ser professor não se realiza espontaneamente. a própria unidade escolar possa combinar com uma instituição formadora uma participação de caráter recíproco no campo do estágio curricular supervisionado. 37. 6º. as oficinas. ao interpretar a formação de docentes tal como posta na LDB. Uma oferta desta natureza deve º ser analisada à luz do Art. da educação de jovens e adultos. resolução de situações-problema. da Resolução CNE/CP 1/99. estes componentes curriculares próprios do momento do fazer implicam um voltar-se às atividades de trabalho acadêmico sob o princípio ação-reflexão-ação incentivado no Parecer CNE/CP 9/2001. Este parecer. ensino dirigido. 7º e o §2º do Art. O Parecer CNE/CP 9/2001 orienta as unidades escolares de formação no sentido de propiciar ao licenciando o aprender a ser professor. por sua característica já explicitada. elaboração de pesquisas. tutorias. 82 da mesma. Isto posto cabe analisar um outro componente curricular da duração da formação docente: trata-se do trabalho acadêmico. à luz do Art. projetos de ensino. monitorias. Por outro lado. º º . deste processo formativo. atividades de extensão. técnico. Mas. participação em eventos científicos. § 6 da Constituição e do padrão de qualidade do ensino conforme o Art. sendo uma atividade intrinsecamente articulada com a prática e com as atividades de trabalho acadêmico. mas não necessariamente em dias subseqüentes. 211 da Constituição Federal. turno e clientela. ações de caráter científico. no máximo. Assim. Esta concepção pode ser exemplificada em alguns pontos que. os seminários. as instituições devem garantir um teor de excelência inclusive como referência para a avaliação institucional exigida por Lei. relatórios de pesquisas são modalidades. o § 2º do Art. se consolide a partir do início da segunda metade do curso. 12 e 13 da Resolução que acompanha o Parecer CNE/CP 9/2001. Cabe aos sistemas de ensino. o §2º do Art. VII da Lei Maior. monitorias. Com esta pletora de exigências. é imprescindível um saber profissional. órgão executivo do sistema e unidade escolar acolhedora da presença de estagiários. o estágio curricular supervisionado da licenciatura não poderá ter uma duração inferior a 400 horas. dos portadores de necessidades especiais. na forma de sua redação. a ampliação do universo cultural. considerado o regime de colaboração prescrito no Art. Em contrapartida. tal como definido na Lei 6. um planejamento próprio para a execução de um projeto pedagógico há de incluir outras atividades de caráter científico. 9º que propiciam formas de aproveitamento e de práticas. os docentes em atuação nesta escola poderão receber alguma modalidade de formação continuada a partir da instituição formadora. da educação rural e de outras propostas de apoio curricular proporcionadas pelos governos dos entes federativos são exigências de um curso que almeja formar os profissionais do ensino. nada impede que. dos Art. representa uma profunda mudança na concepção desta formação. Ao mesmo tempo. Desse modo. 7º e o § 2º do Art. Assim. a serem conseqüentes. Aqui não se pode deixar de considerar a Resolução CNE/CP 1/99 nos seus § 2º e 5º do Art. de outras exigências do projeto pedagógico e das necessidades próprias do ambiente institucional escolar testando suas competências por um determinado período. os sistemas de ensino devem propiciar às instituições formadoras a abertura de suas escolas de educação básica para o estágio curricular supervisionado. importante e a exigência de um segmento de tal natureza no interior deste componente acadêmico-científico não poderá ter uma duração abaixo de 1800 horas. da educação infantil. ela deve ocorrer dentro de um tempo mais concentrado. o que se espera de um profissional do ensino face aos objetivos da educação básica e uma base material e temporal que assegure um alto teor de excelência formativa. no entanto. mas seja denso e contínuo. a preservação da integridade do projeto pedagógico da unidade escolar que recepciona o estagiário exige que este tempo supervisionado não seja prolongado. Deve-se acrescentar que a diversificação dos espaços educacionais. Assim. exposições. Sendo uma atividade obrigatória. do ensino médio. visitas. o componente curricular formativo do trabalho acadêmico inclui o ensino presencial exigido pelas diretrizes curriculares. Na formação do ser professor. eventos. cultural e acadêmico articulando-se com e enriquecendo o processo formativo do professor como um todo.494/77 e suas medidas regulamentadoras posteriores. a produção coletiva de projetos de estudos. o estudo das novas diretrizes do ensino fundamental. estudos de caso. cultural e comunitário. Assim o estágio curricular supervisionado deverá ser um componente obrigatório da organização curricular das licenciaturas. 206. apresentações. das comunidades indígenas. Ela pressupõe um tempo mínimo inclusive para fazer valer o que está disposto no artigos 11. em efetivo exercício regular da atividade docente na educação básica.SEPARATA – LICENCIATURA 33 O estágio curricular supervisionado é pois um modo especial de atividade de capacitação em serviço e que só pode ocorrer em unidades escolares onde o estagiário assuma efetivamente o papel de professor. o estágio curricular supervisionado poderá ser reduzido. 8 e 9 da LDB e do próprio Art. 24 da Constituição Federal. não podem ser absolutizadas. Esta integridade permite uma adequação às peculiaridades das diferentes instituições escolares do ensino básico em termos de tamanho. Seminários. não podem ficar sem parâmetros criteriosos de duração e de carga horária. introduzido pelo Art. como coroamento formativo da relação teoria-prática e sob a forma de dedicação concentrada. a fim de que a flexibilidade da lei permitisse ultrapassar uma concepção de atividade acadêmica delimitada apenas pelas 4 paredes de uma sala de aula. 47 da LDB. é indispensável que o estágio curricular supervisionado. localização. Esta conceituação de estágio curricular supervisionado é vinculante com um tempo definido em lei como já se viu e cujo teor de excelência não admite nem um aligeiramento e nem uma precarização. 6º . Importante salientar que tais atividades devem contar com a orientação docente e ser integradas ao projeto pedagógico do curso. produções coletivas. no seu projeto pedagógico. pode se dar por meio de um acordo entre instituição formadora. o trabalho integrado entre diferentes profissionais de áreas e disciplinas. entre outras atividades. aprendizado de novas tecnologias de comunicação e ensino. Neste sentido. em elaboração ou em revisão. O trabalho acadêmico efetivo a ser desenvolvido durante os diferentes cursos de graduação é um conceito abrangente. No caso de alunos dos cursos de formação docente para atuação na educação básica. O aproveitamento de estudos realizados no ensino médio na modalidade normal e a incorporação das horas comprovadamente dedicadas à prática. 9º. em até 200 horas.

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Este enriquecimento exigido e justificado por si só e pelas diretrizes do Parecer 9/2001 não poderá contar com menos de 200 horas. Cabe às instituições, consideradas suas peculiaridades, enriquecer a carga horária por meio da ampliação das dimensões dos componentes curriculares constantes da formação docente. Além disso, há a possibilidade do aproveitamento criterioso de estudos e que pode ser exemplificado no proposto na Resolução CNE/CP 1/99. A diversidade curricular associada a uma pluralidade temporal na duração deixadas a si, mais do que dificultar o trânsito de estudantes transferidos, gerará um verdadeiro mosaico institucional fragmentado oposto à organização de uma educação nacional. Esta postula uma base material para a integração mínima de estudos exigíveis inclusive para corresponder ao princípio da formação básica comum do Art. 210 da Constituição Federal. A duração específica da formação é geralmente definida em termos de anos, sob avaliação institucional direta ou indireta, interna e externa, comportando as mais variadas formas de iniciação acadêmica e profissional e de completude de estudos. De modo geral, esta duração exigida legalmente como completa, jamais situa a conclusão da maioria dos cursos de graduação de ensino superior abaixo de 3 anos e o número de quatro anos tem sido uma constante para a delimitação da duração dos cursos de graduação no Brasil, respeitadas a experiência acumulada nas diferentes áreas de conhecimento e de atuação profissional e a autonomia universitária das instituições que gozam desta prerrogativa, observadas as normas gerais pertinentes. Neste sentido, os cursos de licenciatura, no que se refere ao componente aqui denominado trabalho acadêmico, deverão ter uma duração que atenda uma completude efetiva para os duzentos dias letivos exigidos em cada um dos anos de formação. Assim, considerando-se a experiência sob o esquema formativo da Lei 5.540/68 e a necessidade de se avançar em relação ao que ela previa dado o novo paradigma formativo debaixo da Lei 9.394/96 e suas exigências, dadas as diretrizes curriculares nacionais da formação docente postas no Parecer CNE/CP 9/2001, cumpre estabelecer um patamar mínimo de horas para estas atividades de modo a compô-las integrada e articuladamente com os outros componentes. Para fazer jus à efetivação destes considerandos e à luz das diretrizes curriculares nacionais da formação docente, o tempo mínimo para todos os cursos superiores de graduação de formação de docentes para a atuação na educação básica para a execução das atividades científico-acadêmicas não poderá ficar abaixo de 2000 horas, sendo que, respeitadas as condições peculiares das instituições, estimula-se a inclusão de mais horas para estas atividades. Do total deste componente, 1800 horas serão dedicadas às atividades de ensino/aprendizagem e as demais 200 horas para outras formas de atividades de enriquecimento didático, curricular, científico e cultural. Estas 2000 horas de trabalho para execução de atividades científico-acadêmicas somadas às 400 horas da prática como componente curricular e às 400 horas de estágio curricular supervisionado são o campo da duração formativa em cujo terreno se plantará a organização do projeto pedagógico planejado para um total mínimo de 2800 horas. Este total não poderá ser realizado em tempo inferior a 3 anos de formação para todos os cursos de licenciatura inclusive o curso normal superior. A unidade formadora, à vista das condições gerais de oferta, de articulação com os sistemas, saberá dispor criativamente deste período formativo em vista do preenchimento dos objetivos das diretrizes do Parecer CNE/CP 9/2001. A faculdade de ampliar o número de horas destes componentes faz parte da autonomia dos sistemas de ensino e dos estabelecimentos de ensino superior. Isto posto, cabe a cada curso de licenciatura, dentro das diretrizes gerais e específicas pertinentes, dar a forma e a estrutura da duração, da carga horária, das horas, das demais atividades selecionadas, além da organização da prática como componente curricular e do estágio. Cabe ao projeto pedagógico, em sua proposta curricular, explicitar a respectiva composição dos componentes curriculares das atividades práticas e científico-acadêmicas. Ao efetivá-los, o curso de licenciatura estará materializando e pondo em ação a identidade de sua dinâmica formativa dos futuros licenciados. É evidente que a dinâmica de formação pode ser revista, de preferência por ocasião do processo de reconhecimento de cada curso ou da renovação do seu reconhecimento. A qualidade do projeto será avaliada e permitirá à Instituição seu contínuo aprimoramento, porque a avaliação é um rico momento de revisão do processo formativo adotado. Este parecer aqui formulado, à vista de suas condições reais de adequação, será objeto de avaliação periódica, tendo em vista seu aperfeiçoamento. II - VOTO DO(A) RELATOR(A) Em face de todo o exposto, os Relatores manifestam-se no sentido de que o Conselho Pleno aprove a nova redação do Parecer CNE/CP 21/2001 e o projeto de Resolução anexo, instituindo a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília(DF), 2 de outubro de 2001. Conselheiro(a) Carlos Roberto Jamil Cury - Relator(a) Conselheiro(a) Éfrem de Aguiar Maranhão Conselheiro(a) Raquel Figueiredo A. Teixeira Conselheiro(a) Silke Weber III - DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Conselho Pleno aprova por unanimidade o voto do(a) Relator(a). Sala das Sessões, 2 de outubro de 2001. Conselheiro Ulysses de Oliveira Panisset - Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. COMENTÁRIOS. 00001. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 17 de janeiro de 2002 (DOU de 18/01/2002 - Seção I - p. 29).

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RESOLUÇÃO Nº 01, de 18 de fevereiro de 2002. Conselho Pleno. Conselho Nacional de Educação. Ministério da Educação.

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Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. O Presidente do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no Art. 9º, § 2º, alínea "c" da Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961, com a redação dada pela Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995,e com fundamento nos Pareceres CNE/CP 9/2001 e 27/2001, peças indispensáveis do conjunto das presentes Diretrizes Curriculares Nacionais, homologados pelo Senhor Ministro da Educação em 17 de janeiro de 2002, resolve: Art. 1º As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, constituem-se de um conjunto de princípios, fundamentos e procedimentos a serem observados na organização institucional e curricular de cada estabelecimento de ensino e aplicam-se a todas as etapas e modalidades da educação básica. Art. 2º A organização curricular de cada instituição observará, além do disposto nos artigos 12 e 13 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, outras formas de orientação inerentes à formação para a atividade docente, entre as quais o preparo para: I - o ensino visando à aprendizagem do aluno; II - o acolhimento e o trato da diversidade; III - o exercício de atividades de enriquecimento cultural; IV - o aprimoramento em práticas investigativas; V - a elaboração e a execução de projetos de desenvolvimento dos conteúdos curriculares; VI - o uso de tecnologias da informação e da comunicação e de metodologias, estratégias e materiais de apoio inovadores; VII - o desenvolvimento de hábitos de colaboração e de trabalho em equipe. Art. 3º A formação de professores que atuarão nas diferentes etapas e modalidades da educação básica observará princípios norteadores desse preparo para o exercício profissional específico, que considerem: I - a competência como concepção nuclear na orientação do curso; II - a coerência entre a formação oferecida e a prática esperada do futuro professor, tendo em vista: a) a simetria invertida, onde o preparo do professor, por ocorrer em lugar similar àquele em que vai atuar, demanda consistência entre o que faz na formação e o que dele se espera; b) a aprendizagem como processo de construção de conhecimentos, habilidades e valores em interação com a realidade e com os demais indivíduos, no qual são colocados em uso capacidades pessoais; c) os conteúdos, como meio e suporte para a constituição das competências; d) a avaliação como parte integrante do processo de formação, que possibilita o diagnóstico de lacunas e a aferição dos resultados alcançados, consideradas as competências a serem constituídas e a identificação das mudanças de percurso eventualmente necessárias. III - a pesquisa, com foco no processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que ensinar requer, tanto dispor de conhecimentos e mobilizá-los para a ação, como compreender o processo de construção do conhecimento. Art. 4º Na concepção, no desenvolvimento e na abrangência dos cursos de formação é fundamental que se busque: I - considerar o conjunto das competências necessárias à atuação profissional; II - adotar essas competências como norteadoras, tanto da proposta pedagógica, em especial do currículo e da avaliação, quanto da organização institucional e da gestão da escola de formação. Art. 5º O projeto pedagógico de cada curso, considerado o artigo anterior, levará em conta que: I - a formação deverá garantir a constituição das competências objetivadas na educação básica; II - o desenvolvimento das competências exige que a formação contemple diferentes âmbitos do conhecimento profissional do professor; III - a seleção dos conteúdos das áreas de ensino da educação básica deve orientar-se por ir além daquilo que os professores irão ensinar nas diferentes etapas da escolaridade; IV - os conteúdos a serem ensinados na escolaridade básica devem ser tratados de modo articulado com suas didáticas específicas; V - a avaliação deve ter como finalidade a orientação do trabalho dos formadores, a autonomia dos futuros professores em relação ao seu processo de aprendizagem e a qualificação dos profissionais com condições de iniciar a carreira. Parágrafo único. A aprendizagem deverá ser orientada pelo princípio metodológico geral, que pode ser traduzido pela açãoreflexão-ação e que aponta a resolução de situações-problema como uma das estratégias didáticas privilegiadas. Art. 6º Na construção do projeto pedagógico dos cursos de formação dos docentes, serão consideradas: I - as competências referentes ao comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática; II - as competências referentes à compreensão do papel social da escola; III - as competências referentes ao domínio dos conteúdos a serem socializados, aos seus significados em diferentes contextos e sua articulação interdisciplinar; IV - as competências referentes ao domínio do conhecimento pedagógico; V - as competências referentes ao conhecimento de processos de investigação que possibilitem o aperfeiçoamento da prática pedagógica; VI - as competências referentes ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional. § 1º O conjunto das competências enumeradas neste artigo não esgota tudo que uma escola de formação possa oferecer aos seus alunos, mas pontua demandas importantes oriundas da análise da atuação profissional e assenta-se na legislação vigente e nas diretrizes curriculares nacionais para a educação básica.

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§ 2º As referidas competências deverão ser contextualizadas e complementadas pelas competências específicas próprias de cada etapa e modalidade da educação básica e de cada área do conhecimento a ser contemplada na formação. § 3º A definição dos conhecimentos exigidos para a constituição de competências deverá, além da formação específica relacionada às diferentes etapas da educação básica, propiciar a inserção no debate contemporâneo mais amplo, envolvendo questões culturais, sociais, econômicas e o conhecimento sobre o desenvolvimento humano e a própria docência, contemplando: I - cultura geral e profissional; II - conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais e as das comunidades indígenas; III - conhecimento sobre dimensão cultural, social, política e econômica da educação; IV - conteúdos das áreas de conhecimento que serão objeto de ensino; V - conhecimento pedagógico; VI - conhecimento advindo da experiência. Art. 7º A organização institucional da formação dos professores, a serviço do desenvolvimento de competências, levará em conta que: I - a formação deverá ser realizada em processo autônomo, em curso de licenciatura plena, numa estrutura com identidade própria; II - será mantida, quando couber, estreita articulação com institutos, departamentos e cursos de áreas específicas; III - as instituições constituirão direção e colegiados próprios, que formulem seus próprios projetos pedagógicos, articulem as unidades acadêmicas envolvidas e, a partir do projeto, tomem as decisões sobre organização institucional e sobre as questões administrativas no âmbito de suas competências; IV - as instituições de formação trabalharão em interação sistemática com as escolas de educação básica, desenvolvendo projetos de formação compartilhados; V - a organização institucional preverá a formação dos formadores, incluindo na sua jornada de trabalho tempo e espaço para as atividades coletivas dos docentes do curso, estudos e investigações sobre as questões referentes ao aprendizado dos professores em formação; VI - as escolas de formação garantirão, com qualidade e quantidade, recursos pedagógicos como biblioteca, laboratórios, videoteca, entre outros, além de recursos de tecnologias da informação e da comunicação; VII - serão adotadas iniciativas que garantam parcerias para a promoção de atividades culturais destinadas aos formadores e futuros professores; VIII - nas instituições de ensino superior não detentoras de autonomia universitária serão criados Institutos Superiores de Educação, para congregar os cursos de formação de professores que ofereçam licenciaturas em curso Normal Superior para docência multidisciplinar na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental ou licenciaturas para docência nas etapas subseqüentes da educação básica. Art. 8º As competências profissionais a serem constituídas pelos professores em formação, de acordo com as presentes Diretrizes, devem ser a referência para todas as formas de avaliação dos cursos, sendo estas: I - periódicas e sistemáticas, com procedimentos e processos diversificados, incluindo conteúdos trabalhados, modelo de organização, desempenho do quadro de formadores e qualidade da vinculação com escolas de educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, conforme o caso; II - feitas por procedimentos internos e externos, que permitam a identificação das diferentes dimensões daquilo que for avaliado; III - incidentes sobre processos e resultados. Art. 9º A autorização de funcionamento e o reconhecimento de cursos de formação e o credenciamento da instituição decorrerão de avaliação externa realizada no locus institucional, por corpo de especialistas direta ou indiretamente ligados à formação ou ao exercício profissional de professores para a educação básica, tomando como referência as competências profissionais de que trata esta Resolução e as normas aplicáveis à matéria. Art. 10. A seleção e o ordenamento dos conteúdos dos diferentes âmbitos de conhecimento que comporão a matriz curricular para a formação de professores, de que trata esta Resolução, serão de competência da instituição de ensino, sendo o seu planejamento o primeiro passo para a transposição didática, que visa a transformar os conteúdos selecionados em objeto de ensino dos futuros professores. Art. 11. Os critérios de organização da matriz curricular, bem como a alocação de tempos e espaços curriculares se expressam em eixos em torno dos quais se articulam dimensões a serem contempladas, na forma a seguir indicada: I - eixo articulador dos diferentes âmbitos de conhecimento profissional; II - eixo articulador da interação e da comunicação, bem como do desenvolvimento da autonomia intelectual e profissional; III - eixo articulador entre disciplinaridade e interdisciplinaridade; IV - eixo articulador da formação comum com a formação específica; V - eixo articulador dos conhecimentos a serem ensinados e dos conhecimentos filosóficos, educacionais e pedagógicos que fundamentam a ação educativa; VI - eixo articulador das dimensões teóricas e práticas. Parágrafo único. Nas licenciaturas em educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental deverão preponderar os tempos dedicados à constituição de conhecimento sobre os objetos de ensino e nas demais licenciaturas o tempo dedicado às dimensões pedagógicas não será inferior à quinta parte da carga horária total. Art. 12. Os cursos de formação de professores em nível superior terão a sua duração definida pelo Conselho Pleno, em parecer e resolução específica sobre sua carga horária. § 1º A prática, na matriz curricular, não poderá ficar reduzida a um espaço isolado, que a restrinja ao estágio, desarticulado do restante do curso.

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§ 2º A prática deverá estar presente desde o início do curso e permear toda a formação do professor. § 3º No interior das áreas ou das disciplinas que constituírem os componentes curriculares de formação, e não apenas nas disciplinas pedagógicas, todas terão a sua dimensão prática. Art. 13. Em tempo e espaço curricular específico, a coordenação da dimensão prática transcenderá o estágio e terá como finalidade promover a articulação das diferentes práticas, numa perspectiva interdisciplinar. § 1º A prática será desenvolvida com ênfase nos procedimentos de observação e reflexão, visando à atuação em situações contextualizadas, com o registro dessas observações realizadas e a resolução de situações-problema. § 2º A presença da prática profissional na formação do professor, que não prescinde da observação e ação direta, poderá ser enriquecida com tecnologias da informação, incluídos o computador e o vídeo, narrativas orais e escritas de professores, produções de alunos, situações simuladoras e estudo de casos. § 3º O estágio curricular supervisionado, definido por lei, a ser realizado em escola de educação básica, e respeitado o regime de colaboração entre os sistemas de ensino, deve ser desenvolvido a partir do início da segunda metade do curso e ser avaliado conjuntamente pela escola formadora e a escola campo de estágio. Art. 14. Nestas Diretrizes, é enfatizada a flexibilidade necessária, de modo que cada instituição formadora construa projetos inovadores e próprios, integrando os eixos articuladores nelas mencionados. § 1º A flexibilidade abrangerá as dimensões teóricas e práticas, de interdisciplinaridade, dos conhecimentos a serem ensinados, dos que fundamentam a ação pedagógica, da formação comum e específica, bem como dos diferentes âmbitos do conhecimento e da autonomia intelectual e profissional. § 2º Na definição da estrutura institucional e curricular do curso, caberá a concepção de um sistema de oferta de formação continuada, que propicie oportunidade de retorno planejado e sistemático dos professores às agências formadoras. Art. 15. Os cursos de formação de professores para a educação básica que se encontrarem em funcionamento deverão se adaptar a esta Resolução, no prazo de dois anos. § 1º Nenhum novo curso será autorizado, a partir da vigência destas normas, sem que o seu projeto seja organizado nos termos das mesmas. § 2º Os projetos em tramitação deverão ser restituídos aos requerentes para a devida adequação. Art. 16. O Ministério da Educação, em conformidade com § 1º Art. 8º da Lei 9.394, coordenará e articulará em regime de colaboração com o Conselho Nacional de Educação, o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação, o Fórum Nacional de Conselhos Estaduais de Educação, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação e representantes de Conselhos Municipais de Educação e das associações profissionais e científicas, a formulação de proposta de diretrizes para a organização de um sistema federativo de certificação de competência dos professores de educação básica. Art. 17. As dúvidas eventualmente surgidas, quanto a estas disposições, serão dirimidas pelo Conselho Nacional de Educação, nos termos do Art. 90 da Lei 9.394. Art. 18. O parecer e a resolução referentes à carga horária, previstos no Artigo 12 desta resolução, serão elaborados por comissão bicameral, a qual terá cinqüenta dias de prazo para submeter suas propostas ao Conselho Pleno. Art. 19. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. ULYSSES DE OLIVEIRA PANISSET (Transcrição) Nota: Republicada por ter saído com incorreção do original no Diário Oficial da União de 4 de março de 2002, Seção 1, p. 8. (DOU de 09/04/2002 – Seção I – p. 31)

RESOLUÇÃO Nº 02, de 19 de fevereiro de 2002. Conselho Pleno. Conselho Nacional de Educação. Ministério da Educação. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. O Presidente do Conselho Nacional de Educação, de conformidade com o disposto no Art. 7º § 1º, alínea "f", da Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, com fundamento no Art. 12 da Resolução CNE/CP 1/2002, e no Parecer CNE/CP 28/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 17 de janeiro de 2002, resolve: Art. 1º A carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, será efetivada mediante a integralização de, no mínimo, 2800 (duas mil e oitocentas) horas, nas quais a articulação teoria-prática garanta, nos termos dos seus projetos pedagógicos, as seguintes dimensões dos componentes comuns: I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso; II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso; III - 1800 (mil e oitocentas) horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científico-cultural; IV - 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmico-científico-culturais. Parágrafo único. Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o máximo de 200 (duzentas) horas. Art. 2° A duração da carga horária prevista no Art. 1º desta Resolução, obedecidos os 200 (duzentos) dias letivos/ano dispostos na LDB, será integralizada em, no mínimo, 3 (três) anos letivos. Art. 3° Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4° Revogam-se o § 2º e o § 5º do Art. 6º, o § 2° do Art. 7° e o §2º do Art. 9º da Resolução CNE/CP 1/99. ULYSSES DE OLIVEIRA PANISSET (Transcrição) (DOU de 04/03/2002 - Seção I - p. 09)

Brasília-DF. não estão obrigadas a submeter à apreciação do MEC as alterações curriculares de seus cursos. obedecidos aos 200 (duzentos) dias letivos/ano. para que nenhum graduado seja prejudicado. Assim. aprovado em 13 de março de 2002. o estágio curricular supervisionado de ensino como um momento de capacitação em serviço de 400 horas. O Parecer 1. a proporcionalidade da distribuição da carga horária do currículo apreciado por ocasião do processo de autorização.p.800 horas requerido para a integralização dos cursos de licenciatura plena. desde a edição da Portaria MEC nº 1. ainda. conforme disposto na LDB. No que se refere à consulta da SESu/MEC. deverá incluir no seu projeto pedagógico como componente curricular obrigatório. a proposta de reformulação do projeto pedagógico deve ser submetida à apreciação da SESu/MEC antes de sua efetiva implementação. COMENTÁRIOS. que questiona a viabilidade da implementação da carga horária prevista para a prática de ensino e estágio supervisionado. proveniente da Associação de Professores da Universidade do Rio Grande. que deverá ocorrer em unidades escolares onde o estagiário.SEPARATA – LICENCIATURA PARECER Nº 109. e cujo espírito é mantido na Resolução CNE/CP 01/02 e na Resolução CNE/CP 02/02.184/01. Desse modo. tendo em vista a tônica escolhida para o curso de licenciatura plena ministrado. 00002. o curso de licenciatura plena em funcionamento de acordo com a regra fixada pela Resolução CNE/CP 1/99 que pretender suprimir 400 horas de seu projeto pedagógico inicial. a responsabilidade é da instituição que expede o diploma e não da Universidade que o registra. o papel de professor. resguardando. Quanto à validade dessas regras de transição. Acrescente-se que em articulação com o estágio supervisionado e com as atividades de natureza acadêmica. assuma efetivamente. estabelecido pela Resolução CNE/CP 01/2002 e reiterado na Resolução CNE/CP 02/2002. publicadas no DOU em 04 do corrente mês. recentemente homologada pelo Senhor Ministro da Educação. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 9 de maio de 2002 (DOU de 13/05/2002 . a relatora recomenda que a consulta seja respondida nos termos do presente Parecer. em 13 de março de 2002. No tocante à inviabilidade da implementação da carga horária de prática de ensino e estágio supervisionado prevista pela Resolução CNE/CP 01/99. verbis: Deve. e uma segunda. advinda da SESu/MEC. que demanda explicitação das regras de transição para aplicação da legislação sobre carga horária. de 30 de novembro de 1994. dispõe diferentemente.670-A.200 horas divulgada no Edital de abertura de processo seletivo a todos os alunos que assim o desejarem. Esta consulta se apresenta sob duas perspectivas. no entanto. os projetos pedagógicos dos cursos podem ficar circunscritos ao limite temporal estabelecido ou ultrapassá-lo. cabe ressaltar que o parâmetro de 2. Uma primeira. a Universidade consulente respeitar as normas de transição estabelecidas pela IES cujos diplomas a ela forem encaminhados para registro. tendo em vista obstáculos de natureza institucional. No caso das Instituições de Ensino Superior que não gozam da prerrogativa de autonomia. Isso não lhes foi exigido pelos Pareceres 287/00 (Ciências Contábeis) e 19/02 (Economia). no caso da formação docente. considerando a nova regulamentação homologada pelo Senhor Ministro.82) como elemento obrigatório na composição curricular dos cursos de graduação e. Câmara de Educação Superior. 00003. Conselho Nacional de Educação. 300 horas (Art.Seção I . As IES não universitárias. no mínimo. prática de ensino de. Convém destacar que é a LDB que define o estágio (Art. Por outra parte. no mínimo. importa assegurar a possibilidade de integralização da carga horária de 3. constitui carga horária mínima a ser efetivada. portanto. 21). em 3 (três) anos letivos. Conselheira Silke Weber – Relatora III – DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto do (a) Relator (a). Cada Instituição de Ensino Superior. . II – VOTO DO(A)RELATOR(A) Diante do exposto. A SESu não dispõe de pessoal para analisar as alterações curriculares de todas as licenciaturas plenas em oferta no País. 13 de março de 2002. ao final do curso. Conselheiro Arthur Roquete de Macedo – Presidente Conselheiro José Carlos Almeida da Silva – Vice-Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. I – RELATÓRIO 38 Trata o presente processo de consulta sobre a aplicação da Resolução de carga horária para os cursos de Formação de Professores. 00001. o que pressupõe relacionamento próximo com o sistema de educação escolar. importa à Instituição prever 400 horas de prática como componente curricular a se realizar desde o inicio do curso. sob supervisão. cabe à proponente considerar tais óbices na formulação do projeto pedagógico da licenciatura a ser ministrada. 65). Sala das Sessões. terá que obrigatoriamente reformulá-lo de modo a adequá-lo à nova tônica escolhida.

da Lei 4.Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura.024/61. deformação de professores da Educação Básica em nível superior. 5. . com a redação dada pela Lei 9. alíneas "C" e "H". Conselho Nacional de Educação.Dá nova redação ao item 3. em nível superior. e dá outras providências. planejamento. supervisão e orientação educacional para a Educação Básica? 3. curso de licenciatura. etc. através de seu Presidente. necessitam ser solucionadas. bem como a necessidade de que estivessem definidas as diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil.Resolução CNE/CP 01/99. considerados os artigos 62 e 63 da Lei 9. de 6/12/1999 . curso de licenciatura. Brasília (DF). alínea c.554/00 . Matemática. 3 de junho de 2002. inspeção. § 2°. Conselho Pleno. (a) Arthur Fonseca Filho .394/96.Resolução CNE/CP 2/2002 . de graduação plena. é possível a habilitação para o Magistério nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental e na Educação Infantil? 2. de graduação plena. o Conselho Nacional de Educação vem trabalhando conceitos e diretrizes para a formação de professores e profissionais da educação para atuar na Educação Básica. Quais são as exigências para o exercício das funções de administração. .Dispõe sobre a formação e m nível superior de professores para atuar na educação Básica. de graduação plena .SEPARATA – LICENCIATURA INDICAÇÃO Nº 3. Desde a promulgação de Lei n° 9. Conselho Nacional de Educação.6. de graduação plena. formulando a seguinte consulta.Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. em nível superior. .394/96. . a Câmara de Educação Básica do CNE designou os Conselheiros Guiomar Namo de Melo. I . integrem-se a um projeto de Instituto Superior de Educação. necessitamos de informações para que possamos orientar os professores a esse respeito. Ensino Médio. Em quais cursos. em nível superior. Esta Comissão deverá também apresentar um conjunto consolidado dos documentos relativos à formação de professores para a educação básica. de 26/6/97 . por exemplo: História. de 3 de junho de 2002. Por todo exposto. 7.394/96 e o artigo 9°. Prazos e condições operacionais para que as licenciaturas autorizadas a funcionar em institutos isolados. curso de licenciatura. Geografia.Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica.Dá nova redação ao Parecer CNE/CP 21/2001.Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. Do ponto de vista conceitual e doutrinário. 6. Algumas questões operacionais. em nível superior. curso de licenciatura.Parecer CNE/CP 028/2001 . Educação de Jovens e Adultos. dirige-se a este Conselho. do Ensino Médio e da Educação Profissional em nível Médio. Os cursos de Pedagogia frente aos artigos 64 e 67 datei n° 9. de 30/9/99 . Histórico A Autarquia Municipal de Ensino de Poços de Caldas. e que estão em exercício nas turmas de Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Definição dos direitos dos concluintes do curso de Normal Médio frente às normas vigentes.Resolução CNE/CP 1/2000 . . Como deverá o Conselho Nacional de Educação acompanhar a evolução da reformulação dos cursos de formação de professores para a Educação Básica. Concluídos todos os documentos e estudos relativos à diretrizes de formação de professores. aprovado em 19 de fevereiro de 2003. A complexidade do tema.131/95 .: "A Rede Municipal de Ensino de Poços de Caldas conta com um certo número de professores licenciados em vários conteúdos. de graduação plena.Relator (Transcrição) (DOCUMENTA 489:68) PARECER Nº 1. São elas: 1. juntamente com as respectivas ementas: .Parecer CNE/CP 027/2001 .Dispõe sobre os programas especiais deformação de docentes para as disciplinas do currículo do Ensino Fundamental. 3° do Decreto 3.. Prazos e condições para que se ajustem ao contido no Parecer CNE/CP n° 28/2001.Decreto 3 276. Câmara de Educação Básica.RELATÓRIO 1. convém manter o disposto na Resolução CNE/CP n° 2/97? 4.Decreto 3.. Educação Indígena e Educação Especial. Ensino Fundamental. de 6 de dezembro de 1999. Mediante a situação que lhe apresentamos. do Parecer CNE/CP 9/2001 .Dá nova redação ao § 2° do art.276. .Dispõe sobre os Institutos Superiores de Educação. . sugerindo-se desde já que essa Comissão seja a responsável pelo acompanhamento indicado no item 7 supramencionado. que estabelece a duração e a carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica. Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira e Arthur Fonseca Filho para apresentarem estudo sobre as questões operacionais pendentes quanto ao tema "Formação de Professores para a Educação Básica". acabaram por implicar na aprovação dos atos a seguir enunciados. que dispõe sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica. 39 Em reunião ordinária de 7/5/2002.Resolução CNE/CP 02/97. de nível superior. indicamos ao Conselho Pleno que designe Comissão Bicameral para estudar o assunto. os diversos documentos acima mencionados são suficientes.Parecer CNE/CP 009/2001 . no entanto. Letras.

§ 6° .1. fica muito claro que é admitida a formação mínima para o exercício do Magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental.Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço.3: "15. " "18.realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. No entanto não se pode deixar de levar em conta . mesmo que a legislação venha a ser alterada. Do Direito A consulta formulada pela autoridade educacional de Poços de Caldas é mais uma que diz respeito aos direitos dos professores portadores de diploma de Normal Médio (ou o equivalente nas legislações anteriores). 87 .Esses professores necessitam obter formação no Curso Normal Superior? . a gestão escolar. § 1 ° . § 2° . É esta a meta. para isso. na modalidade Normal. o objetivo. em curso de licenciatura.regime de escolas de tempo integral. analisar o disposto nos Artigos 62 e 87. nas instituições públicas de nível superior. a oferecida em nível médio.A assistência financeira da União aos Estados. em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. na modalidade Normal. Alguns deles são portadores também de diploma de curso superior. deverá: I . É preciso ressaltar que o Artigo 62 integra o corpo permanente da LDB e assim sendo o direito dos portadores de diploma de normal médio (ou o equivalente nas legislações anteriores) é líquido e certo e está assegurado até o fim de suas vidas. a oferta. no prazo de um ano a partir da publicação desta lei.matricular todos os educandos a partir dos sete anos de idade e. ficam condicionadas ao cumprimento do Artigo 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. " .A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. específica e adequada às características e necessidades de aprendizagem dos alunos. " Tanto o Artigo 87. da Lei n° 9394/96. dos Estados e Municípios. de graduação plena. de modo a atender à demanda local e regional por profissionais do Magistério graduados em nível superior. § 3°. habilitação de nível médio (modalidade normal).-Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de Ensino Fundamental para o . no prazo de dez anos. Garantir que. no Ensino Fundamental. reitera-se especialmente aos portadores de diploma de nível médio. e que exatamente por isto têm sua validade limitada no tempo. o Estado e a União. " Desta forma.É instituída a Década da Educação. admitida. ao Distrito Federal e aos Municípios. integra o conjunto das disposições transitórias da Lei n° 9394/96.prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados. o ideal a ser traçado no menor espaço de tempo possível. § 5° . os recursos da educação a distância.Cada Município e. possuam. Trata-se de.No curso de Licenciatura em Pedagogia? . supletivamente. Diz o Artigo 62: "Art. 2. que.O Poder Público deverá recensear os educandos no Ensino Fundamental. todos os professores em exercício na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. dos professores da Educação Básica.O curso seqüencial resolveria? . em diversas áreas. na sede ou fora dela. Considerando-se o enorme número de questões levantadas. " "16.que o legislador pretendeu apontar para a universalização da formação em nível superior. a formação de jovens e adultos e a Educação Infantil. no mínimo. 70% dos professores de Educação Infantil e de Ensino fundamental (em todas as modalidades) possuam formação específica de nível superior. a oferecida em nível médio. como formação mínima para o exercício do Magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental.A União.2. 2. II . 62 . que a seguir se transcreve. utilizando também. Dos Planos de Universalização de Formação dos Docentes em Nível Superior O Artigo 87. por meio de um programa conjunto da União. a iniciar-se um ano a partir da publicação desta lei.que também tem redação imperfeita .Em que medida?” Esclarece a autoridade educacional que todos os professores foram admitidos através de concurso público e que todos eram portadores de diploma de 2° grau para o Magistério (Normal Médio). Garantir.SEPARATA – LICENCIATURA 40 Perguntamos: . para a educação especial. mais uma vez. contidos no item 10. Mérito 2. em exercício nas redes públicas que eles têm direito a manterem seus cargos mesmo que não freqüentem curso superior. § 4° . facultativamente. nos mesmos padrão dos cursos oferecidos na sede. "Art. como o próprio Artigo 62 .fomentaram a formatação do Plano Nacional de Educação. bem como a dos Estados aos seus Municípios.mesmo com a imprecisão do texto legal . no prazo de 5 anos. Incentivar as universidades e demais instituições formadoras a oferecer no interior dos Estados.integrar todos os estabelecimentos de Ensino Fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. encaminhará. III . com diretrizes e metas para os dez anos seguintes. Promover. cursos de formação de professores. com especial atenção para os grupos de sete a quatorze e de quinze a dezesseis anos de idade. ao Congresso Nacional. IV . em particular. especialmente na definição de suas metas. inclusive nas modalidades de educação especial e de jovens e adultos. em universidades e institutos superiores de educação. " "17. a partir dos seis anos. o Plano Nacional de Educação. de licenciatura plena em instituições qualificadas. de cursos de especialização voltados para a formação de pessoal para as diferentes áreas de ensino e.

todos os professores de Ensino Médio possuam formação específica de nível superior. vai se tornando cada vez mais insuficiente para dar respostas aos desafios da escolarização.VOTO DO RELATOR Responda-se ao interessado. as iniciativas em curso que se anteciparam no engajamento das citadas IES com as demandas dos Sistemas de Ensino. na modalidade Normal. " Por tudo. tanto a Lei n° 9394/96. A formação dos professores para a Educação Básica. cabe ao poder público. fica patente nos trechos do Parecer CNE/CEB n° 1/99: "Certamente. têm direito assegurado (e até o fim de suas vidas) ao exercício profissional do Magistério nas turmas de Educação Infantil ou nas séries iniciais do Ensino Fundamental. com escolarização no nível do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. conforme a sua habilitação. II . como são os casos de São Paulo. COMENTÁRIOS. o seguinte: Os portadores de diploma de nível médio. é desejável ainda que admita-se. Exercem a docência nas redes estaduais e municipais. Histórico O Sindicato dos Professores Municipais de Conceição do Coité. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 15 de setembro de 2003 (DOU de 16/09/2003 – Seção I – p. simultaneamente.Relator III . Louvemse. a possibilidade de ampliar o acesso às Instituições de Educação Superior. Esta posição do CNE. obtida em curso de licenciatura plena nas áreas de conhecimento em que atuam. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Ela registra a oferta feita pelo Centro Universitário UNIARARAS e indaga se o Curso Normal Superior é de fato obrigatório para que os professores com Normal médio continuem a lecionar após 2007 e se essa suposta obrigatoriedade se estenderia inclusive aos professores efetivos. exigindo. BA. em 19 de fevereiro de 2002 Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury – Presidente Conselheiro Nélio Marco Vincenzo Bizzo – Vice-Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. Conselho Nacional de Educação. convergem no sentido de afirmar que a formação em nível médio frente aos avanços pedagógicos e exigências sócio-educacionais. na modalidade Normal. a oferecida em nível médio. Ceará. então. condições mínimas para o setor. 00001. de um patamar a ser alcançado e de condições a serem criadas. explicitamente se será ou não admitida a permanência dos atuais professores em sala de aula. . 62). com o atendimento dessas exigências. SP. " "Entende-se. Minas Gerais. freqüentemente tem sido envolvida em controvérsias. diretora da EMEI “Cara Pintada”. como se vê. art. (LDB. bem como o desenvolvimento de pesquisas que tenham seu foco nas necessidades das escolas e seus respectivos contextos. por sua vez. 'universalizar' o atendimento imediato do ensino obrigatório de qualidade e responder.DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Básica aprova por unanimidade o voto do Relator. Brasília(DF) de fevereiro de 2003 Conselheiro Arthur Fonseca Filho . particularmente em algumas regiões. na modalidade Normal. Câmara de Educação Básica. de graduação plena. como gestor das políticas educacionais. num país que ainda conta com um grande contingente de professores leigos. que é possível ampliar o potencial de articulação a ser alcançado entre a melhoria da Educação Básica e as Instituições de Ensino Superior. 36). uma política de formação continuada que assegure a curto e médio prazo. em curso de licenciatura. " Trata-se. e trabalhem na docência da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. encaminhou ofício em 28 de Outubro pp comunicando o temor dos professores sobre o que deverá ocorrer em 2007. Goiás. em universidades e institutos superiores de educação. Garantir que. Sala das Sessões. Mérito A formação de professores em nível médio. PARECER Nº 3. aprovado em 11 de março de 2003. a formação em nível médio. Atingir este patamar pressupõe. de Itapuí.SEPARATA – LICENCIATURA 41 "19. A lei 9394/96 definiu o patamar mínimo para o exercício docente para os quatro últimos anos do ensino fundamental. que introduziu o Plano Nacional de Educação e todas as manifestações deste Conselho. para a Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental. o que já vem sendo proposto por inúmeras iniciativas dos sistemas." O próprio PNE traça metas para que o Ensino Normal de nível médio vá se extinguindo. entre outros. sem a habilitação de Magistério. às exigências que favoreçam a transição do estágio atual para um novo padrão de formação inicial e continuada do professor. bem como os que vieram a obtê-lo sob a égide da Lei n° 9394/96. em nível superior. reduzindo-se os riscos das mesmas transformarem-se em locus de investigação e produção de conhecimentos voltados para a especialização exclusiva de seus próprios docentes.172/01. mesmo se detiverem credencial de nível médio. indagando da obrigatoriedade de freqüência em curso de capacitação para professores formados em nível médio na modalidade Normal. ao estatuir que a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. admitida. quanto a Lei n° 10. no prazo de dez anos. Ofício de teor parecido foi encaminhado em 30 de Outubro pp pela professora Vitória Ana Pignatti Lima Barbosa.

310 2. que “Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço”. incorporaram a seu patrimônio individual a prerrogativa do magistério.3.15) e a reversão do desdobramento de turnos. a Lei 10. prevendo a continuidade dos estudos desses profissionais em nível superior.129 11. O Plano Nacional de Educação reconhece a existência de cerca de 30. cerca de 100. A redação do artigo 62 da LDBEN é clara e não deixa margem para dúvida. Regiões Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Fonte: MEC/INEP/SEEC Censo 2001 (funções docentes) Professores sem Ensino Médio Alf+1ª a 4ª 52.330 2.10) “onde ainda não existam condições para formação em nível superior de todos os profissionais necessários para o atendimento das necessidades do ensino.106 2.499 52.“ Todos esses profissionais devem completar sua formação em nível médio.741 119 120 76 TOTAL 86.561 33.172/2001 (Plano Nacional de Educação) e a Constituição Federal. salário e carreira e da formação continuada. tendo incorporado irreversivelmente essa prerrogativa a seu patrimônio pessoal. de maneira a que todas as crianças tenham educação de qualidade. para a educação de jovens e adultos e para as séries iniciais do ensino fundamental.356 361 EJA 4. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação em Nível Médio na modalidade Normal (Parecer CNE/CEB 01/99) reconhecem que o Art. No caso. a lei desafia os sistemas a repensá-la sob novas bases. e que a lei não pode prejudicá-lo.000 professores que atuam na educação infantil e que não possuem formação docente.916 3. o CAPÍTULO I se refere aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos. Ao mesmo tempo.854 1. Aqueles que freqüentam um curso Normal.17). e em seu artigo 5º. não podendo ser impedidos de exercer a profissão docente na esfera da habilitação específica. em especial três suportes básicos: a própria LDBEN. Essa interpretação. Assim. de nível médio. Da mesma forma. somando-se a essa demanda.777 Pré-Escola 17. até 2006 (meta 10. A rigor. Essas determinações apontam para o equacionamento da formação docente na zona rural. na modalidade Normal. A seguir é apresentado estudo sobre os mais recentes números oficiais de professores (em verdade. de fato. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.927 . não resiste a uma análise da legislação que serve de referência. As políticas educacionais haverão de respeitar essa peculiaridade e envidar esforços para dar conseqüência à valorização do magistério em todas as suas dimensões. Por meio desta redação de significado pouco preciso muitas pessoas foram levadas a pensar que após 10 anos da promulgação da Lei o acesso a funções docentes passasse a ser prerrogativa exclusiva de professores com formação em nível superior. em instituições específicas.20). Atendidas as disposições legais pertinentes. funções docentes) que carecem de formação específica para o magistério.000 professores (número que o PNE considerava subestimado) atuam nos anos iniciais do ensino fundamental e carecem de formação específica em nível médio. por ser fruto de ato jurídico perfeito. O Plano Nacional de Educação estabelece que (meta 10.a lei não prejudicará o direito adquirido. afirma: “XXXVI .3. Nossa Constituição Federal. na modalidade Normal.463 3. da Constituição Federal. diz que o ato jurídico perfeito gera direito adquirido. o direito gerado é a prerrogativa do exercício profissional. em lugares de difícil acesso. existe plena concordância sobre a conveniência de formação em nível superior para todos os professores. não são apenas os professores que estão no exercício da profissão que têm direito adquirido. na medida em que é a única modalidade de educação profissional em nível médio que a lei reconhece e identifica. pouco mais de 10. Outro preceito importante em relação ao direito adquirido se refere ao fato de ele ser incorporado mesmo se não exercido.366 1. com formação apenas no ensino fundamental. com professores que tenham pelo menos a formação em nível médio. pondera a mesma Lei.000 professores atuando em classes de alfabetização. estabelecer cursos de nível médio. Os professores que lograram obter formação de nível médio. das condições de trabalho.670 3. praticam um contrato válido com a instituição que o ministra. apesar de muito difundida.172. garantindo no máximo dois turnos diurnos e um noturno (meta 2. Ele defende a melhoria da qualidade do ensino em nosso país e reconhece que ela somente poderá ser alcançada com a valorização do magistério. na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. afirma que: Tal flexibilidade é compatível com o esforço dos legisladores no sentido de contemplar a diversidade e a desigualdade de oportunidades que perpassam a realidade educacional no país. a lei 10. simultaneamente.693 6. gera direito. Esta implica em. a Lei Maior de nosso País.3. Esse patamar mínimo e o desejo do movimento em direção ao aprimoramento da formação docente foi confirmado pelo Plano Nacional de Educação (PNE).349 499 3.070 15. cuidar da formação inicial. Sem criar impedimentos formais para a oferta dessa modalidade de atendimento educacional. no TÍTULO II.SEPARATA – LICENCIATURA 42 Nas Disposições Transitórias da mesma lei consta. De fato.751 11. na modalidade Normal. de 9 de Janeiro de 2001. o Plano Nacional de Educação estabelece ainda a transformação progressiva de todas as escolas unidocentes em escolas com mais de um professor (meta 2.” As pessoas que foram legalmente habilitadas para o exercício do magistério por força de ato jurídico perfeito têm assegurado o reconhecimento de seu título profissional por toda a vida. mas todos aqueles que têm o certificado de conclusão expedido por instituição reconhecida pelo respectivo sistema de ensino.604 2. Dos Direitos e Garantias Fundamentais.3. um número incerto atuando em creches. 62 da LDBEN “flexibiliza” a trajetória de formação docente e indo além.574 1. a conclusão do curso conduz a certificado de conclusão que.977 2.334 713 Creche 11. seu reconhecimento expressa um movimento em busca da recuperação da sua identidade. que observem os princípios definidos na diretriz no. 1 e preparem pessoal qualificado para a educação infantil. Embora a lei determine que o nível médio é o patamar mínimo para o exercício da docência na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. no § 4º do Art 87.035 7.

inclusive com o recurso ao licenciamento periódico disposto no Art 67. em especial colhidos com maior cuidado em instituições de ensino municipais. Diante da relevância da matéria para os sistemas de ensino. V. de saudosa memória em muitos lugares. em especial na esfera do serviço público. 11 de março de 2003 Arthur Fonseca Filho– Conselheiro (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. de 04/06/98) e na legislação infraconstitucional. dados mais recentes. Portanto. Em relação à dúvida sobre a participação em concursos públicos. diz que qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. seja na educação infantil. revelem contingente maior de professores nessa situação. Conselheiro Nelio Bizzo – Relator III – DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Básica aprova o voto do Relator. I). têm assegurado o direito à docência no futuro e esse direito não pode ser cerceado por força da Constituição Federal. COMENTÁRIOS. ainda se faz necessária em nosso País e não é possível dizer o contrário senão sob o risco de incorrer em equívoco grave. A expressão “titulação própria” tem o fito de explicitar a abrangência que a formação docente comporta e que está definida no art 62. com a redação da Emenda Constitucional 19. isso só poderá ser feito por meio de estímulos à progressão funcional. 206. Brasília(DF). 5). No entanto. na modalidade Normal. por meio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME).SEPARATA – LICENCIATURA 43 Os dados do Censo 2001 mostram a existência de 86. Possivelmente. O desdobramento das classes unidocentes e a diminuição do número de turnos. um desejo que a lei quer ver satisfeito e.070 professores em sala de aula que carecem da formação em nível médio. da LDBEN. 67. 85. A LDBEN. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 1º de agosto de 2003 (DOU de 04/08//2003 – Seção I – p. todos os profissionais da educação que adquiriram a prerrogativa do magistério não podem ser impedidos. os profissionais com formação em nível médio. A LDBEN chega a ser inclusive incisiva nesse ponto dado que o Art. . anexando minuta de resolução. é inoportuna a definição de mais um ato normativo. com voto contrário do conselheiro Arthur Fonseca Filho. criada no âmbito do CNE. certamente ampliarão a necessidade de formação em nível médio. assim sendo. inclusive em serviço e com os recursos da educação à distância. de participar de qualquer mecanismo de acesso a funções docentes. II – VOTO DO RELATOR Voto nos termos deste parecer. A Escola Normal de nível médio. Brasília. como via única de acesso a cargos docentes. A formação em nível superior de todos os professores é uma utopia norteadora. Considero que a matéria constante do referido parecer não é passível de normatização. na modalidade Normal. por mais de seis anos. enquanto a comissão especial. por meio do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação e às Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. 00001. metas do PNE. não pode ser considerada uma meta a ser alcançada de maneira trivial. exclusivamente. com planos de carreira que contemplem a formação em nível superior e incentivos diversos. em 11 de março de 2003 Conselheiro Carlos Roberto Jamil Cury – Presidente Conselheiro Nelio Bizzo– Vice-Presidente DECLARAÇÃO DE VOTO Voto contrariamente ao presente parecer e ao seu projeto de resolução. no sentido de consolidar as normas para a formação de professores. Assim. na modalidade normal. franqueado a todos os que estão legalmente habilitados. por conta do Voto do Relator.o que implica em buscar e oferecer oportunidades de formação docente. Os sistemas de ensino e seus órgãos normativos deverão estimular e perseguir a causa da qualidade na educação – outro ditame constitucional . 11 de Março de 2003. solicitando remessa de cópia deste parecer aos interessados e às instituições mencionadas em suas missivas. Sala das Sessões. II. de forma legal. não resta dúvida acerca da pertinência das metas estabelecidas no PNE em relação à formação no nível médio. Por outro lado. solicita remessa deste parecer aos Conselhos Estaduais de Educação. não concluir seus estudos. seja nos cursos de EJA. também ressalta a importância do concurso público de provas e títulos (Art. O concurso público de provas e títulos é genuinamente o mecanismo de acesso consagrado em nossa Carta Magna (art.

em resumo.394/96. ratifica este entendimento. o Distrito Federal e os. aprovado em 7 de maio de 2003. versar que os diplomas de cursos superiores reconhecidos. terão validade nacional como prova de formação recebida por seu titular. Ainda mais quando já decorrido mais de 1 (um) ano da sua promulgação. é admitido seu preparo. ao final da Década da Educação. Vejamos o disposto no Parecer CNE/CEB 5/97. Em 17/02/98. 90 da Lei 9.RELATÓRIO 44 Trata o presente processo de consulta encaminhada pela Senhora Secretária Municipal de Educação de Londrina sobre o disposto nos Arts. quando registrados. prazo máximo para que a União. municípios adaptassem sua legislação educacional e de ensino à nova Lei”: (grifamos) Abstrai-se da leitura do Parecer CNE/CES 151/98. da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. deveria produzir efeito normativo esclarecendo definitivamente a todos os sistemas de ensino quanto à interpretação do § 4° do artigo 87 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: “cabe realmente ao Conselho Nacional de Educação e. no "caput" de seu artigo 48. II – educação superior”. o qual dispõe ser de incumbência dos estados baixar as normas complementares para o seu sistema de ensino. inciso V da Lei 9. e por isso. 62). ensino fundamental e ensino médio. DA ANÁLISE Nos termos do art. entende-se que foram fixados apenas os requisitos mínimos para regular a atuação destes profissionais nos respectivos sistemas de ensino. questão a ele afeta. porém. por sua vez. A previsão do artigo 10. Qual é o prazo estipulado por lei para habilitação em curso superior aos professores que atuam no ensino fundamental de 1ª a 4ª séries?" (sic) Informou. até o fim da Década da Educação (19/12/2007) "só serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço ".394/96. §4° da LDBEN. a norma específica (art. Conselho Nacional de Educação. 62 retromencionado admite. 21 da Lei 9. Entretanto. faz-se urgente uma manifestação do CNE orientando sobre o assunto. 90 da Lei 9.394/96. O capítulo V título IV.E. publicar normas complementares condizentes com as peculiaridades educacionais de cada Estado. pronunciamento que ora se elabora sob a égide do art. . aprovado em 7/5/97. em nível médio. podendo estes. todo aquele que concluir curso de graduação na modalidade licenciatura plena. tal dispositivo não assegura o exercício profissional. que a formação em nível superior para os professores que exercem ou pretendem exercer o magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental é desejável. estará legalmente habilitado a ministrar aulas para as quatro primeiras séries do ensino fundamental bem como para as demais séries que compõem o nível da Educação Básica. a educação escolar compõese de: “I – educação básica. estabelecendo que: "Art. formada pela educação infantil. cujo inteiro teor segue transcrito: DOS FATOS Por intermédio do Oficio nº 112/02 . ainda. a Câmara de Educação Superior também manifestou-se sobre o tema por intermédio do Parecer 151/98 que. Estado do Paraná. admitida. a formação em nível médio na modalidade normal. a Secretária de Educação de Londrina.62).GAB-S. que instituiu as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. § 4° da Lei 9. 62 e 87. I .SEPARATA – LICENCIATURA PARECER Nº 102.394/96. "in fine ": "Quanto à formação de professores para a educação infantil e para as quatro séries do ensino fundamental. dependerá do cumprimento. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. não é obrigatória sendo admitida. ainda. mesmo após o término da Década da Educação. com fulcro no artigo acima transcrito. se pronunciar sobre questões que suscitem dúvidas em relação a formação de professores para todos os níveis de ensino. expressamente. a oferecida em nível médio na modalidade normal. que confere ao CNE atribuições para resolver questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se instituiu pela nova Lei. 87. " (grifamos) Desta forma. nos termos do art.394/96. em curso de licenciatura. a formação oferecida em nível médio na modalidade normal para a atuação de docentes junto à educação infantil e às quatro primeiras séries do ensino fundamental. em especial à sua Câmara de Educação Superior. da legislação supra mencionada dispõe sobre os profissionais da educação. de graduação plena. Embora o art. da Secretaria-Executiva do CNE.394/96 disponha que. a interessada que o Sindicato dos Professores e a Secretaria de Educação de Londrina divergem quanto à interpretação das normas legais que regulam a matéria em questão. Câmara de Educação Superior. os Estados. § 4°. encaminhado a este Conselho na data 04/04/02. na modalidade Normal (art. apesar da Lei 9. Contudo. O processo foi analisado pela Informação SE/LBC/006. é dispensável o curso de magistério para a atuação nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental? 2. 87. A atuação plena e legal da profissão nos sistemas de ensino. todo o pessoal docente deverá ter curso superior. de 22/7/2002. em universidades e institutos superiores de educação. à luz do art. segundo o relator. em curso de licenciatura plena. (art. Assim. dos requisitos estabelecidos pela lei e respectivas regulamentações. 62. considerando tratar-se de lei que estabelece diretrizes gerais para a educação nacional. Ao professor com formação em nível superior. pelo titular. O art. 62) se sobrepõe à de caráter geral". A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. formulou os seguintes questionamentos: "1.

Considerando que o prazo legal estipulado para que a União. desde a edição da LDBEN: a permanência do curso normal de nível médio como única exceção – como curso profissional de nível médio e como exceção para formação de docentes para a Educação Infantil e para as séries iniciais do Ensino Fundamental.articulação entre os cursos de formação inicial e os diferentes programas e processos de formação continuada. Este Relator é de opinião que os princípios e fundamentos que nortearam a elaboração do Parecer CNE/CES 151/98 permanecem inteiramente válidos. se a mesma tem ciência do teor do Parecer 151/98.VOTO DO RELATOR À interessada. responda-se nos termos deste Parecer. em cursos normais superiores. destinada ao magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental far-se-á.compatibilidade com a etapa da educação básica em que atuarão os graduados. com concepção curricular integrada.394/96 ou ao próprio texto do Parecer CNE/CES 151/98. de 6 de dezembro de 1999 (alterado pelo Decreto 3. em qualquer etapa da educação básica. II . visto que poderá.276. CONCLUSÃO Em face do exposto. e em campos específicos do conhecimento. lembramos que os questionamentos ora apresentados são também de interesse do Sindicato dos Professores de Londrina. 7 de maio de 2003. Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra . possivelmente. Por óbvio. adequado à faixa etária dos alunos da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental. no oficio encaminhado pela Secretária de Educação de Londrina.(*) § 3° Os cursos normais superiores deverão necessariamente contemplar áreas de conteúdo metodológico. III -formação básica comum. inclusive oportuno. desconhecendo esta assessoria se as dúvidas de interpretação são pertinentes aos dispositivos da Lei 9. de modo a assegurar as especificidades do trabalho do professor na formação para atuação multidisciplinar. e dá outras providências. razão por que ratifico o entendimento contido no referido parecer sobre a matéria. podendo os habilitados atuar. interpretação de ato originário deste Conselho.Relator III . 3° A organização curricular dos cursos deverá permitir ao graduando opções que favoreçam a escolha da etapa da educação básica para a qual se habilitará e a complementação de estudos que viabilize sua habilitação para outra etapa da educação básica. (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 7 de julho de 2003 (DOU de 08/07/2003 – Seção I – p. considerando que a solução do "conflito" existente entre a Secretaria de Educação de Londrina e o Sindicato dos Professores e a conseqüente satisfação plena do pedido ora formulado requer. 00001. cujo entendimento sobre a matéria diverge do Órgão Educacional daquele Município. que este Conselho ratifique seu entendimento sobre o assunto. entende esta assessoria. que dispõe sobre a formação em nível superior de professores para atuar na educação básica. O Parecer confirma entendimento da CONSAE. qualquer que tenha sido afirmação prévia do aluno no ensino médio. preferencialmente. pois além do interessado ser um órgão educacional.Presidente . Art. Finalmente. no ensino da sua especialidade. II . 2° Os cursos de formação de professores para a educação básica serão organizados de modo a atender aos seguintes requisitos: I . e áreas de conteúdo disciplinar. . COMENTÁRIOS. de 7 de agosto de 2000.DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o Voto do Relator.possibilidade de complementação de estudos. Conselheiro Éfrem de Aguiar Maranhão . eventualmente. o estabelecido no Decreto 3. Conselheiro Edson de Oliveira Nunes – Vice-Presidente (*) Redação dada pelo Decreto 3. §1° A formação de professores deve incluir as habilitações para a atuação multidisciplinar e em campos específicos do conhecimento. §2° A formação em nível superior de professores para a atuação multidisciplinar. o referido ato normativo foi publicado há 4 anos. em 7 de maio de 2003. embora seria dedutível que sim. 34). não pode limitar-se ao encaminhamento de cópia do citado ato à interessada. sugerimos que a presente informação seja submetida à apreciação da Câmara de Educação Superior. § 4º A formação de professores para a atuação em campos específicos do conhecimento far-se-á em cursos de licenciatura.SEPARATA – LICENCIATURA 45 Registramos que não restou claro. Art. IV . de modo a permitir aos graduados a atuação em outra etapa da educação básica. 00002. Sala das Sessões. Restaria acrescentar. ser objeto de dúvidas de outros Municípios e interessados. que é de suma importância.554.Presidente. de 7 de agosto de 2000). Brasília-DF. incluindo metodologias de alfabetização. mesmo após o término da Década da Educação.554. o Distrito Federal e os Municípios adaptassem sua legislação educacional à LDBEN já expirou.

12) .394/96.SEPARATA – LICENCIATURA PORTARIA Nº 2.394/96. de 21 de agosto de 2003. homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 31 de julho de 2003. os recursos da educação a distância.172/2001. Câmara de Educação Básica. devem respeitar em todos os atos praticados os direitos adquiridos e as prerrogativas profissionais conferidas por credenciais válidas para o magistério na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental. em sala de aula nos termos da lei. 4º Revogam-se as disposições em contrário. publicado no DOU em 4 de agosto de 2003. 00001. 1º da Resolução nº CNE/CP 2. Art.131. na modalidade Normal. FRANCISCO APARECIDO CORDÃO (Transcrição) (DOU de 22/08/2003 – Seção I – pág. em especial as metas 5. de 24 de novembro de 1995. Plano Nacional de Educação. Art 3º Os sistemas de ensino instarão os professores a aderir aos programas de capacitação por meio de estímulos de carreira e progressão funcional nos termos do Parecer CNE/CEB 10/99 e do Art. Ministro da Educação. resolve: Art. e tendo em vista as disposições da Lei nº 9. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto na Lei 9. de acordo com o disposto no art. 2º Os sistemas de ensino envidarão esforços para realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. Parágrafo Único. na modalidade Normal. e dá outras providências. o recurso do licenciamento periódico disposto no art. RESOLUÇÃO Nº 1. 7 e de 10 a 19. pode ser contabilizada. Art. considerando a função social e prioritária de erradicar o analfabetismo do Brasil como dever de todos os demais brasileiros. revogadas as disposições em contrario. § 1º A adesão aos programas de capacitação e formação em serviço será sempre voluntária. exigências que poderão possibilitar o atropelamento de qualquer disciplinamento das IES. 2º Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. Conselho Nacional de Educação. essa credencial. e. O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. § 2º A oferta de programas de capacitação e formação em serviço deverá ser feita sem comprometer o calendário escolar. da Lei 9. Dispõe sobre os direitos dos profissionais da educação com formação de nível médio. em vista do disposto na lei 9394/96. de 19 de fevereiro de 2002. por parte dos alunos. 62 da Lei 9. em dobro. em relação à prerrogativa do exercício da docência.131. § 1º Aos docentes da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental será oferecida formação em nível médio. pesquisa e extensão ou órgão correspondente de cada instituição de ensino superior disciplinar a aplicação do disposto neste artigo. de maneira a atender as metas instituídas na Lei 10. 1º. sendo garantido o pleno exercício profissional dos formados em nível médio. Cabe ao colegiado de ensino. de 20 de agosto de 2003.394. de forma articulada com o disposto no parágrafo anterior. sobre "Formação dos Professores e Valorização do Magistério". e ainda o Parecer CNE/CEB 03/2003. e na Lei nº 9. no mínimo. na modalidade Normal até que todos os docentes do sistema possuam. 46 O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. para efeito de cumprimento das horas destinadas às praticas e atividades previstas nos incisos I. resolve Art. poderá permitir. Art. no uso de suas atribuições. de acordo com o quadro legal de referência. 1º A carga horária referente à participação de aluno de curso de licenciatura em programas de alfabetização de jovens e adultos. na modalidade Normal. 5º da Resolução CNE/CEB 03/97. CRISTOVAM BUARQUE (Transcrição) (DOU de 22/08/2003 – Seção I – p. de 20 de dezembro de 1996. será oferecida formação em nível superior. assegurando aos alunos da educação básica o cumprimento integral da carga horária do ano letivo. que não estabelece limites. utilizando também. II e IV do art. 67. II.252. 1º Os sistemas de ensino. realizados na forma da lei. para tanto. A redação da Portaria. 12) COMENTÁRIOS. de 25 de novembro de 1995. Art. previsto no parágrafo único do art. § 2º Aos docentes que já possuírem formação de nível médio.

Argumentaram que. Editora Revista dos Tribunais. é afastada. professores com diploma de Licenciatura Plena em Filosofia e/ou Ciências Sociais. São Paulo. os portadores de diploma de licenciatura curta. ao dispor para o futuro. p30-32). Câmara de Educação Básica. sendo considerados não habilitados para o magistério. ato jurídico perfeito e coisa julgada" (idem. ibidem). obtido anteriormente a 1998 têm direito líquido e certo de exercer a profissão. O nó górdio da questão aqui historiada reside na questão: a revogação de uma portaria suspende seus efeitos para aqueles que estão em vias de concluir seus estudos e auferir prerrogativas vantajosas dela decorrentes? Em outras palavras.SEPARATA – LICENCIATURA PARECER Nº 37. que tinham sido nomeados. A Referência à Irretroatividade das Leis na História Uma lei nova. aparentemente simplório. 2003. Prossegue Jeová Santos: "Já no Direito Civil. Esta é a petição de professores que se encontram colocados em posição posterior e que têm diplomas de licenciatura curta em Estudos Sociais. em especial com a revogação da Portaria MEC 399/89. Procurador do Município. Por decorrência. no qual são realizadas diversas questões sobre a legalidade de atos de nomeação e posse de professores. . teriam sua posse anulada. Nos lembra o mestre Antônio Jeová Santos (Direito Intertemporal e o Novo Código Civil. dado que. Diante da instauração do conflito. p. o Exmo Sr. É quase redundante afirmar que a lei sempre foi feita para conformar os atos futuros e não os pretéritos. ao passo que os diplomados em cursos de licenciatura plena em Filosofia e Ciências Sociais não teriam supostamente direito à habilitação profissional em História e Geografia. 1968. por seu turno.15) que esses princípios consagrados não são absolutos. O Conselho Municipal de Educação de Muriaé examinou a questão e se pronunciou pela manutenção dos atos praticados. 2 . o que habilitaria incontroversamente para o magistério das disciplinas de História e Geografia no ensino fundamental. ela versa sobre o direito que professores têm de ministrar aulas de acordo com o que previa a legislação da época. prevalece desde a mais remota antigüidade e constitui a base da legislação brasileira. Os próprios sistemas de ensino têm tido orientação diversa em matéria de exigências formativas. aprovado em 3 de dezembro de 2004. aqueles que teriam ingressado e concluído o curso antes da data da publicação da revogação da Portaria MEC 399/89. senão faz cessar parcial ou totalmente as projeções da anterior para o futuro. atribuição de aulas e principalmente em relação à situação de profissionais que não atendem o preceituado pela lei atual. introduzindo condições futuras aos nomeados. Esse fato foi utilizado como precedente para embasar pedidos de anulação da posse de concursados que havia ocorrido em janeiro daquele ano no município de Muriaé. de acordo com o ato do Conselho Estadual de Educação. edição. Assim. portanto. não elimina os registros da lei antiga. Mesmo em caso de revogação. Este entendimento. I . São Paulo. empossados e em exercício. houveram por bem remeter os autos ao Conselho Nacional de Educação solicitando esclarecimento da questão. trata-se de conflitos já analisados por doutos jurisconsultos e sobre os quais não há concordância sobre a norma que se aplica ao contencioso. Os consulentes falam de conflitos surgidos em setembro de 2002. Só teriam direito ao preceituado na aludida Portaria. ausência de direito à docência. acreditam os requerentes da anulação da posse dos professores concursados de Muriaé. estará criada jurisprudência aplicável ao caso. Caso prevaleça o entendimento do CEE/MG. no Direito Penal há retrooperatividade quando a lei penal posterior é mais benigna. os primeiros colocados no concurso público para a disciplina História ou Geografia no ensino fundamental. Por outro lado.RELATÓRIO Histórico 47 O ilustríssimo Prefeito Municipal de Muriaé (MG) e a digníssima Secretária Municipal de Educação remeteram oficio datado 11 de julho de 2003 e distribuído na reunião de Setembro do CNE. segundo o entendimento do Parecer CEE/MG 668/2002. Editora dos Tribunais. os cursos de licenciatura que habilitavam para o magistério de disciplinas em área específica. A consulta em tela se reveste de especial importância devido a dois motivos. É comum que se pergunte se a atual legislação retroage a ponto de vulnerar os direitos dos profissionais que estão em exercício do magistério. Muitas e variadas são as hipóteses em que o intérprete é chamado para explicar se a lei nova tem aplicação imediata ou se a sua aplicação vulnera um dos três sacrossantos institutos: direito adquirido. a lei extinta continua a ter aplicabilidade nos casos ocorridos sob sua vigência. quando foi publicado parecer do CEE/MG 668/2002. o civilista Rubens Limongi França afirma que tão logo a República Chinesa unificou diferentes etnias há mais de 3 mil anos. porque os atos são regidos pela lei existente ao tempo em que se efetivam. que levou à anulação da lotação de professores da rede estadual nomeados. dado que sua formatura teria ocorrido após a revogação da Portaria MEC 399/1989. se manifestou de maneira contrária. segundo o entendimento do CEE/MG. Para aquele egrégio conselho. caso em que prevalece a disposição posterior. teriam deixado de fazê-lo. De um lado. Com a modificação da legislação. De fato. a que legislação ficará jungido o estudante que ingressa em um curso universitário: à lei do momento do ingresso no curso ou à lei do momento em que sua conclusão começa a gerar efeitos (registro do diploma)? ESTUDO PRELIMINAR SOBRE DIREITO INTERTEMPORAL EDUCACIONAL A questão da irretroatividade das leis remonta aos primórdios do Direito e da Lei. Conselho Nacional de Educação. Existe considerável dúvida sobre questões referentes à qualificação profissional de professores. essa simplicidade perime. trata-se de consulta sobre dúvidas que se instauraram em muitos lugares e que certamente ganhará dimensão jurisprudencial sobre a matéria. Essencialmente. a revogação da Portaria 399/89 implicaria ausência de possibilidade de registro profissional e. a lei penal será retroativa. houve a promulgação de novos códigos acompanhada da expressa aplicação do princípio da irretroatividade das leis (Direito Intertemporal Brasileiro. reconhecimento de prerrogativas profissionais. desde que beneficie o réu. doutrina da irretroatividade das leis e do a direito adquirido. Alguns candidatos que não haviam logrado nomeação questionaram a posse de candidatos mais bem colocados. mas que atenderam o estabelecido por legislação anterior.

não só nos casos que se criarão no futuro. o que desrespeitava ordens judiciais de magistrados como Tomás Antonio Gonzaga. de modo algum queremos ressuscitar as que já foram resolvidas por sentença definitiva ou pacto amigável. Para muitos.A lei. 56).A lei só abrange o passado e os casos pendentes quando inequivocamente expressa. por razões de ordem pública. 62) "Determinamos que esta constituição se observe apenas no futuro.. reafirmou-se o respeito aos atos praticados sob a antiga ordem e os direitos deles advindos. Cícero já utilizava o princípio das irretroatividade das leis. do ano 393 AD. mas que determinava respeito às causas findas por sentença passada em julgado e que. mais profundamente. O Direito Adquirido.. A situação confluiu para a Inconfidência Mineira.SEPARATA – LICENCIATURA 48 O insigne jurista Limongi França. o qual suspendeu muitas leis do Reinado antecedente.." (op. 65-6). consolidou a prática despótica do coronel Luís da Cunha Meneses. aliás. as que dependem quer de decisão judicial. os fatos futuros e não traga prejuízo aos fatos passados.p. o Brasil reafirmou o respeito ao direito adquirido. pág 278-9).cit. como foi conhecida. p. op. a morte de líderes e o conhecido degredo de Gonzaga em Moçambique. quer de arbitramento.cit. Limongi Franca assim resume os princípios vigentes no ordenamento jurídico de Portugal no século XVIII: "I. que subiu ao trono em 1777 com a morte de D. entretanto. no reinado de Maria I. 8 Em Portugal a existência de dívida pecuniária não configurava crime. é o critério adotado pelo legislador para preceituar a retroação. A irretroatividade é o princípio dominante. em especial editadas para conformar heranças. de regra. mas não aos acordos passados sobre os negócios ou controvérsias. quatro anos depois. nos seguintes termos. muito ao contrário. excepcionalmente.A lei." (op. ao passo que o futuro fazemos reger pela presente lei (.cit. Portugal mantinha entre seus preceitos o princípio da irretroatividade das leis e o respeito ao direito adquirido.cit.." (op. p. O Brasil manteve estreitas relações jurídicas com Portugal desde os tempos de Colônia.." (op.. regula tão somente o futuro e não o passado. 59-60) "Determinamos que as nossas leis que encontram nesses códigos (. Mas a posse do novo governador. mas também aos ainda pendentes. não carecem de força. 53). o visconde de Barbacena. ainda que sem instrumento escrito. No Direito Romano. e no próprio direito justinianeu." (op. cit.cit. no Ocidente. p. mas regulam apenas os futuros" (op. 62) "Ordenamos que assim se regulem os dotes que tenham sido outorgados ou prometidos. porém. Ela permanecerá como referência no famoso Código Teodosiano.) abranjam todas as causas em juízo. tampouco pena passível de encarceramento e esse princípio deveria valer no Brasil. não se aplica aos casos pendentes. ou não resolvidos. expôs sua tese de que o Princípio de Irretroatividade das Leis se funda na razão natural após extensa análise de uma plêiade de códigos. na Grécia e em Roma. desde a antigüidade até nossos dias. Nos famosos discursos contra Verres.. p. baixado quase 50 anos depois por Teodósio II que editou a chamada Segunda Regra Teodosiana. bem assim aos futuros. II .57). quando ela ainda não era conhecida?" (op. Destacamos algumas referências do Código Justinianeu e nas Novelas que o acompanham. p. pág 280). as constituições sancionadas por nossos antecessores devem valer cada qual de acordo com o seu tempo. José. de cobrar imediatamente todas as dívidas atrasadas . mas produzirão efeito" (op. p. em caso de recurso. II. quer aos negócios pendentes" (op cit. quer ao passado. p. aproveitando sempre a versão para o português de Limongi França: "Esta constituição convém aplicar-se. foi acompanhada da ordem provinda de Portugal. isso pouco muda até 1917. IV . Tal princípio não foi suspenso no Brasil nem com o Império. e que os testamentos posteriores a esta Novela se confeccionem de acordo com a mesma.60). e em nada pela presente (. A retroatividade é determinada expressamente e. 68). em matéria civil. Os instrumentos já feitos. utilizando a doutrina e a jurisprudência 8 da metrópole.cit. Após analisar outras leis.63) "Que a lei de Zenon. "( .) pois tudo que passou deixamos para as leis passadas. cit. na tradução do referido autor: "É norma assentada a de que as leis e constituições dão forma aos negócios futuros e de que não atingem os fatos passados. 63) "Duas disposições anteriores precedem esta lei. constantemente. fundando a República. mas Limongi França localiza como fato marcante para todo o direito do Ocidente a chamada Primeira Regra Teodosiana. Essa regra dizia: "Todas as normas não prejudicam fatos passados. cit. sem interferência da presente lei: serão válidas e respeitadas nos casos respectivos: e os seus efeitos se regularão pelas leis já promulgadas. Limongi França aponta para a locução latina "certum est". tanto as posteriormente iniciadas. p. Como síntese do direito Justinianeu. pode abranger o passado e os casos pendentes. A "derrama". antes de Justiniano. como as pendentes e. Será essa Segunda Regra Teodosiana que se inscreverá no Direito Justinianeu como princípio fundamental e que se manifestará em diversos contextos. a não ser que tenham feito referência expressa. que empregava a força militar para cobrar dívidas desde sua posse como governador da capitania das Minas Gerais a 10 de outubro de 1783. Ao desatar os vínculos com Portugal. confiantes (nas leis de então) entabularam negócios em nada se pode culpar de ignorarem o futuro. Ela indicaria que "a irretroatividade das leis já era norma definitivamente radicada no espírito jurídico dos Romanos" (op. Maria I editou um decreto em 17 de julho de 1778. ainda quando revogado. após esta lei. Limongo França localiza o princípio da irretroatividade e até mesmo o delineamento básico que seria estabelecido naquilo que denomina de fase científica e a codificação do Direito Civil.A lei. Assim. Pois em que se pode dizer que pecou aquele que não seguiu esta lei. ." (op. no Oriente e.. que define sua tradução de "é norma assentada". da mesma forma. tampouco com a República. a instância superior deveria julgar pela lei vigente à época em que a sentença tivera sido prolatada (Limongi França. entre estas. com raras exceções.cit.a "derrama". ao desatar os vínculos com os mandatários da família real.. p.cit. novamente. por isso que não se refere ao passado. nem às transações já feitas ou às sentenças definitivas.cit. Primeiramente. tenha efeito a partir do dia em que foi promulgada: convém que regule as leis. III. III . Limongi França nos apresenta quatro preceitos: "I . de augusta memória.) fazemos reger por esta lei a todos os negócios presentes.) Aqueles que. p. quando entra em vigor o Código Civil de Clóvis Beviláqua de 1916. por decisão judicial ou composição amigável" (op. como no caso da derrama .

e a nenhuma lei é dado ofender. sob o risco de contrariar o que dizia nossa primeira constituição republicana. dada a onda de falsificações que aumentou artificialmente o volume do meio circulante e criando um deságio para as notas impressas. 141. em seu artigo 179. que chegava a 59%. Ele fará uma distinção profunda entre a faculdade e a expectativa. pela ordem natural das coisas. XXXVI. Antonio Jeová Santos assinala que atualmente.§10 da constituição norte-americana (Toledo. 12 9 Os decretos foram promulgados em períodos coincidentes com o retorno da família real a Portugal.. esse período trouxe um novo ordenamento jurídico que procurou fragilizar a tradição da irretroatividade e irretrooperatividade das leis que. ° ° p. A crise culminou com o fechamento do Banco do Brasil em 1829 (Fausto. SP. o direito adquirido pode ser definido como posse de um estado civil definido. promulgada em 25 de Março de 1824. que se torna um direito consumado. ou condição pré-estabelecida. em seu artigo 5. e de acordo com uma legislação existente. porque não ainda exercido. O direito consumado. João Barbalho. O primeiro projeto de constituição republicana. nesse período e em especial com a ocupação nazista. n. Esta constituição consolidava o que já estava sedimentado no Código Civil de Beviláqua. era tributário do Art. O exercício de um direito deriva de uma faculdade. Foi sob essa nova influência. o ato jurídico perfeito. que afirmava: "Art 3º A lei não prejudicará.cit. e sobretudo de Reynaldo Porchat. com algum direito que possa vir a ser lesado. e c) as sentenças passadas em julgado. A ausência de referência ao direito adquirido e a ressalva reservada à disposição contrária são apontados como emblemáticos daquele período autoritário e que mereceu revogação com a Constituição de 1946.. 5 . O indivíduo. A importância que adquiriu na França.406/2002. Honduras. por sua vez. A Constituição Política do Império do Brasil. C. Rui Barbosa e João Barbalho. da Constituição de 1988 é cópia fiel do texto constitucional de 1946. para que o preceito constitucional não seja preterido. 2003.Direito Adquirido & Estado Democrático de Direito. Este. e que inaugura um período que se estenderá até 1946 e no qual a certeza do respeito adquirido foi fragilizada. revigorados com exceção daqueles ligados a razões de ordem pública. 1995. sendo obrigatório seu reconhecimento. Nele. reconhecido por seu brilho especial sobre a matéria. como Pimenta Bueno. é aquele que já se fez inteiramente efetivo. 10 Art 97 da então Constituição norueguesa e Art 1°. nota-se que os diplomas legais são.149) 11 Embora esse fato seja reiteradamente citado por alguns juristas e seja motivo de gáudio. Rui Barbosa argumenta que a retroatividade da lei é inconstitucional quando ofende o princípio do direito adquirido. mas que ainda não foi utilizado. segundo a qual a lei em vigor tem efeito imediato e geral. dado que a teoria clássica é retirada do patamar constitucional. este. ordenava. que se alinha com a robusta tradição jurídica luso-brasileira. o Brasil equiparou-se à Noruega e aos Estados Unidos . como para o intérprete e mesmo para o cidadão. §3 .)" Essa formulação. outro conceito central para ele. a volta de fortunas e de metais nobres a Portugal abalou o Banco do Brasil. que uma nova Lei de Introdução ao Código Civil (LICC) foi publicada (Decreto-lei 4. é um fato acabado. escrito por Rui Barbosa. p. Isso poderia ser considerado como indicador de insegurança jurídica e apreensão generalizada sobre a manutenção dos direitos civis. XXXVI. De fato. ou alguém por ele possa exercer. é conhecido na História do Direito como "Período do Revigoramento das Ordenações". e a própria redação da Constituição Federal de 1988. Porchat chama a faculdade o estado de coisas que antecede o exercício daquilo que já pode ser feito em função de uma aquisição de conjunto de prerrogativas legais de seu titular. as situações jurídicas definitivamente constituídas e a execução do ato jurídico perfeito. Reynaldo Porchat defendia a tese segundo a qual a lei deve ser sempre retroativa conquanto não depare. Esse seria o caso da Bolívia e Peru. Cândido Mendes e o Conselheiro Lafayette. Adotou-se a Teoria das Situações Jurídicas. texto que passou 10 incólume pelo período da Regência. de posse de um estado civil definido. b) os atos jurídicos já perfeitos. ao produzir efeitos. a lei 10. A República não só manteve como ampliou o espectro da irretroatividade das leis. exerce um direito. no qual se erigiu o Império Constitucional. como o próprio Limongi França. da Constituição de 1934. p. como aqueles cujo começo de exercício tenha termo pré-fixado. que tem na figura do civilista francês Paul Roubier figura emblemática . inalterável a arbítrio de outrem. § 1° Consideram-se adquiridos. Costa Rica e Nicarágua. e que a lei não atingirá. entrará provavelmente para o patrimônio de um indivíduo quando se realize um acontecimento previsto. apenas nações com democracias frágeis mantém a matéria em nível constitucional. Caso não seja consumado. introduzindo a noção.SEPARATA – LICENCIATURA A Irretroatividade no Direito Brasileiro 49 O período em torno da e logo após a proclamação da independência do Brasil. . Assim. negar ou constranger esse direito. como também do Paraguai. 3. com exceção da Noruega e Estados Unidos. que a lei de modo algum prejudique: a) os direitos civis adquiridos. A doutrina que irá iluminar o atual Código Civil. definida como esperança de um direito que. outro constitucionalista. EDUSP. (apud Limongi França. trouxe "verdadeira balbúrdia" tanto para o legislador. o sujeito adquiriu faculdades que lhe permitem exercer o direito.. Daí deriva a expressão "passar nos cobres" e é também nesse momento que tem início um forte período inflacionário. os únicos países à época que 11 mantinham em patamar constitucional a referência à irretroatividade das leis. em caso algum. que passaram muito recentemente por períodos de grande instabilidade política. texto que será consolidado no artigo 11 da constituição de 24 de fevereiro de 1891.155-6). assim os direitos que o seu titular. como regra. então. trouxe escassez de moeda e o padrão monetário passou a ser estampado em cobre. de civilistas como Trigo de Loureiro. e a respeito do qual nada é possível reclamar senão o respeito ao que já aconteceu e que já produziu todos os seus efeitos. 113. Para o eminente jurista. é dito adquirido. deriva dos constitucionalistas da época da República. B. pen9 sões gratificações e quaisquer despesas que não se acharem estabelecidas por Lei ou Decreto. (. o direito adquirido.. de 4 de setembro de 1942). 12 Limongi França chama a Teoria das Situações Jurídicas de "galicismo jurídico". afirmava que era vedado aos estados e à União prescrever leis retroativas. Landy Editora. ou a coisa julgada. em função do que diz a lei. uma possibilidade objetiva que faculta a seu titular a prática de atos jurídicos. Para alguns juristas.657. totalmente realizado. que nenhuma lei poderia vir a ser estabelecida sem utilidade pública e que sua disposição não poderia ter efeito retroativo. nas palavras dele. verdadeira exceção em toda a história brasileira. História do Brasil. Como é bem sabido. 300). e apenas se for esta a diferença. o Art. será predominante até a Constituição de 1937. de 1916. em seu art. como aposentadorias. em especial ao erário. escreveu : Basta. op. salvo disposição em contrário. em seu Art C. que rompeu com a tradição em diversos sentidos. seria uma justificativa para questionar seu significado heurístico.

o Art. 1967. cit. a eficácia de um ato jurídico. 170). A teoria clássica ensina que o fato aquisitivo deve se verificar por inteiro antes que se possam dizer adquiridos os direitos que os mesmos fatos são destinados a produzir. op. o entendimento tanto doutrinário como jurisprudencial da época sempre foi no sentido de que a proibição de prescrever leis retroativas significava apenas a exigência de lei nova respeitar como limites ó direito adquirido. mas que podem sê-lo a qualquer tempo. Nos diz Limongi França que a diferença entre a expectativa de direito e direito adquirido está na existência. abre-se a possibilidade de fazer valer uma lei constrangendo tradições antigas. cit. 428) 14 Na constituição de 1967. que cede seu lugar ao ato jurídico perfeito. op. 196). Isto é. dependente de fato aquisitivo derivado de requisitos (idem. sem que tivessem sido exercidos.394/96. havia a declaração da irretroatividade ampla. p. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. mesmo se conformada por lei presente. Todos os profissionais que exerciam atividades no magistério. com certeza. que se apresenta como conseqüência previsível de um determinado ordenamento.) explora a intangibilidade que consagra o princípio do direito adquirido e estuda sua relação com o princípio do efeito imediato das leis. Diz ele: "Esses princípios mostram. é lícito dizer que a expectativa de direito é. Assim. Toledo. p. Quando o respeito ao direito não é espontâneo. op. ibidem. razão pela qual constitui um mandamento não apenas para o juiz. C. bem como. se fundam em esperança difusa. já configurado por completo (idem. prejudicando o direito subjetivo de exercício profissional. passou irreversivelmente a fazer parte do patrimônio pessoal de quem o adquiriu. 153. a LICC de 1957 reteve a tradição e respeito ao princípio de irretroatividade das leis. chegando a um resultado original. em cuja complexa relação repousa o entendimento atual do conceito do direito adquirido. 150). respeitados o ato jurídico perfeito. op.406/2002.) trata de algumas delas. idem.. Toledo. há uma inversão na prioridade do direito adquirido. Esse movimento cede espaço para a aplicação imediata e geral das leis vigentes. é algo possível. o que equivale à noção de irretroatividade relativa (C. As expectativas de direito. Toledo.238/1957) e irá conjugar parte da anterior e parte do Código Civil de 1916. por um lado e. é a de que no período do Império e na Constituição da República de 1891. O fato idôneo é aquele que se entende em conformidade com o quadro legal de referência. p. p. faz-se necessário. Por meio de hermenêutica constitucional ela retoma Limongi França e vai além. ibidem. o qual passa a ser fato aquisitivo quando consumado. e na Emenda de 1969 no Art. sem contudo deixar de acrescentar um ingrediente original. poderia ser retroativa. os doutrinadores e os órgãos judicantes não deixaram de seguir a tradição da irretroatividade (Limongi França. (Cf. p. simultaneamente. não podem ser impedidos de continuar a fazê-lo sob o argumento que a lei nova carece daquilo que a antiga provia. cit. na falta do qual será frustrada. ele decorre de contrato valido. no sentido de entender que a irretroatividade civil. Vulnerar os direitos legalmente constituídos diante de normas novas implica fazer retroagir a lei. a exceção à tradição da irretroatividades das leis vigeu no Brasil apenas nos quatro anos que separam a LICC de 1942 da Constituinte de 1946. p. dado que eles já produziram efeitos no passado." (Limongi França. p. mas deveria ela preservar aqueles três limites impostos à sua retroação. A segunda situação é a dos casos nos quais os direitos legitimamente conquistados não satisfazem a atual LDBEN. Ao ato jurídico perfeito nada falta. Neste caso fala-se rigorosamente de direitos adquiridos. § 3º. dado que na tradição luso-brasileira a teoria das situações jurídicas teve influência muito restrita. o titular do direito satisfez as exigências legais de seu tempo e conquistou faculdades jurídicas. em vigor até os dias atuais e que ilumina a própria interpretação da Lei 10. Com isso. ele deve ser requerido por seu titular para que se constitua uma situação jurídica (sentença constitutiva). Este deve. implicar satisfação da legalidade de maneira incontroversa. 1934. direitos adquiridos são decorrentes de ato jurídico perfeito. A primeira é a de fazer valer hoje direitos legitimamente conquistados e já exercidos anteriormente à vigência da lei 9. A única exceção seria a constituição de 1937. 1891.445). dado que há direitos subjetivos a respeitar e deveres jurídicos a cumprir. inclusive no 13 tempo . Sua conclusão. por outro lado. A recente tese de doutorado de Cláudia Toledo (2003. a declaração de uma situação jurídica (sentença declaratória) ou indenização por lesão a direito (ação de reparação de perdas e danos) (C. mas satisfaziam legislação anterior. O enunciado clássico diz que o direito adquirido é conseqüência de fato idôneo em virtude de lei de seu tempo. p. É amplamente admitido que existem áreas fronteiriças nas quais a inclusão do direito adquirido é incerta. Deste código pioneiro. Limongi França conclui que nossa tradição implica obrigação não apenas para o juiz mas a todos que se dedicam a editar normas e leis. essa seria a norma que obrigaria o legislador nos termos das constituições de 1824. além do caráter privado. cit. com o devido amparo legal. A nova LICC será promulgada apenas em 1957 (Lei 3. p. não há o que se possa objetar da apresentação de prova inconteste de sua realização. Ele fala dos "direitos a termo". Neste caso fala-se rigorosamente de direitos consumados (e não de direitos adquiridos). o que há de despertar cautela ao se lhes aplicar regras a casos específicos. mesmo se em algumas áreas elas se sobreponham. mesmo se respeitando os direitos consumados ou adquiridos das partes. uma faculdade jurídica abstrata. Assim. op. em suma.436 e segs. distinguir três situações distintas. senão também para o próprio legislador. estabelece-se o primado dos atos consumados geradores de direitos subjetivos sobre os direitos ainda não exercidos. Porém. cit. o direito adquirido e a coisa julgada. em relação a este. pois ainda não exercidos. Limongi França (op. faculdade jurídica. à face das mais importantes constituições da época. A expectativa de direito mantém sobreposição parcial com o conceito de faculdade jurídica no sentido que a expectativa de um direito implica aguardar a ocorrência positiva de um fato aquisitivo específico. A expectativa se refere a algo provável.127). como sendo aqueles que têm instante ou dia certo a partir do qual deve iniciar ou extinguir-se. Segundo ela. por seu turno. na mesma linha. colocando a compreensão do tema nos dias atuais. apresenta também o de garantia das liberdades individuais e da personalidade humana à face do Estado. Mesmo assim. cit. atingindo um patamar que deve ser protegido por ação judicial. 14 inclusive em sua Emenda de 1969 . mesmo sob uma lei nova que não os ampare. em plena conformidade com as normas que regem a matéria. ser completo. IX. mas legalmente adquiridos. 13 Segundo Limongi França. 1946. típica do período de exceção que representava. cit. Direito Intertemporal Educacional Em termos modernos. mas que deve aguardar a ocorrência de um fato que se sabe futuro. embora a ocasião de exerce-lo não se tenha apresentado antes da atuação de uma lei nova e que. Assim. do fato aquisitivo específico. op. na Constituição de 1988. de certa forma.450). afrontar a Carta Magna. a particular vocação do direito luso-brasileiro. Toledo. 149. já que a proibiam em qualquer hipótese. que é realizado em boa fé.SEPARATA – LICENCIATURA 50 É importante que se registre dois autores que escreveram sobre as regras do direito intertemporal desse período de exceção foram Serpa Lopes e Carlos Maximiliano (C. por outro. Neste caso. assinala ele. nos termos da lei anterior. ao analisar os casos relativos ao magistério. Ao dizer que a lei em vigor terá efeito imediato e geral. 196-197) .

por isso mesmo denominado licenciatura. que estipula deveres e direitos. assim. de 27 de novembro de 1985. mas por meio de estudo do conteúdo das disciplinas obrigatórias de cada curso superior. Não raro. A certeza do registro profissional decorria da certeza do diploma. dentro da lei vigente ao tempo. mas que satisfizeram todas as exigências para faze-lo. cessou a necessidade de registro profissional no MEC para o exercício profissional. de 6 de maio de 1982. esses profissionais têm direito subjetivo em relação à habilitação profissional ao magistério. o direito se supõe ter existido desde se que deu o fato que o criou. assim. bem como Portarias Ministeriais. das disciplinas do I e II graus para as quais o estudante obteria a licença para o magistério ao concluir seu curso.SEPARATA – LICENCIATURA 51 A terceira situação se refere aos portadores de direitos sob condição. Os deveres. Uma vez formado. Apesar da complexidade do tema. portanto. direito sob condição para a habilitação profissional. de 28 de Junho de 1989 16 15 . grade curricular e mínimos horários. com disciplinas obrigatórias. Amparados em normas expressas.540 Decretos-Lei. mas ainda não realizado. Os professores que se diplomaram sob a vigência da Lei 4. o que inibia os professores que habitavam em lugares distantes e que não dispunham de recursos para tais despesas. uma vez satisfeitos todos os requisitos. Este contrato para a obtenção de uma licença tinha um germe de direito que ganhava estatura de relação perfeita quando todas as condições nele estabelecidas estavam cumpridas. dado que uma norma nacional estabelecia quais diplomas habilitavam ao exercício profissional de quais disciplinas do I e II graus. que lhe dá a segurança jurídica de conquistar prerrogativas vantajosas caso satisfaça os pré-requisitos estabelecidos. Art 40) nas Delegacias Regionais do MEC ou em sua sede. tenha ele sido expedido ou tenha ele se incorporado ao patrimônio pessoal na forma de direito adquirido. Dele decorrem direitos que obrigam tanto o legislador quanto o intérprete da lei. tentam satisfazer determinados requisitos indispensáveis à complementação do fato aquisitivo específico estipulados por determinada lei. exerceram um direito que é dito direito consumado. caso daqueles que. Os ingressantes em cursos de licenciatura. curta ou plena. decorrente de fato idôneo. Com este. os profissionais legalmente habilitados nada ficam a dever para aqueles que se diplomam de acordo com a nova lei. o profissional tem uma esperança difusa de iniciar o efetivo exercício sob condições conhecidas apenas parcialmente quando ingressa no curso e que devem se conformar a diretrizes e bases estabelecidas pela União. o percurso curricular incluía alternativas inseridas apenas e tão somente sob a justificativa de que sua carga horária ampliaria o leque de disciplinas nas quais o registro profissional poderia ser requerido. PM 35. com as modificações introduzidas pela Lei 5. a Portaria MEC 399/1989 é a norma que atenderam. Portanto. poderá requerer seu registro e.540/68 e Lei 5. e PM 399. Em certos casos.692/1971 e outras a ela ligadas. Se uma nova lei os colhe de surpresa. PM 166. Assim. Ocorre que em lugares distantes dos grandes centros a obtenção do registro profissional no MEC constituía tarefa assaz difícil e dispendiosa. terá direito a um diploma. Lei 5. justamente. dado serem constrangidos por normas próprias.692/1971. existe a dúvida se o germe de direito presente naquele contrato ganhará a estatura de relação perfeita ou se será totalmente desprezado.004. DL 91. ao ingressar em um curso de licenciatura tem. Uma vez habilitado. do preparo profissional que conferiam e das necessidades didáticopedagógicas para desenvolver em sala de aula os conteúdos esperados nas diferentes disciplinas da educação básica. Os professores que não requereram o registro profissional à época. de domínio público e com a devida provisão legal. uma vez tendo concluído o curso. de 5 de março de 1985. Tanto os deveres quanto os direitos não são estipulados livremente. os estudantes estabeleceram um contrato legal. incluem um percurso curricular planejado em função da habilitação profissional pretendida. O Histórico Escolar e 16 Diploma de Licenciatura seriam analisados à luz de normas expressas . Por vezes. de 27 de fevereiro de 1985. os professores lecionaram regularmente as disciplinas por ela conectadas a seu diploma.024/1961. afora os pecuniários no caso de instituição privada de ensino. estabelecendo requisitos adicionais àqueles constantes no contrato inicial. de 31/08/81. Ao ingressar no curso o estudante firma um contrato com a Instituição de Educação Superior (IES). O respeito ao direito consumado é equivalente ao do direito subjetivo.692/71.692/1971. sendo que. Ao ingressarem no curso superior.324. ser considerado habilitado ao exercício da profissão. Um estudante universitário que ingressa em um curso de licenciatura tem certeza que. No entanto. extinguiu a exigência de registro profissional e. o nome das disciplinas era modificado sob a justificativa de que o órgão que conferia o registro profissional (MEC) assim o exigia para incluir tal ou qual disciplina na esfera de atuação do professor. Tinham também direitos claramente estipulados. Eles incorporaram irreversivelmente a seu patrimônio pessoal as prerrogativas vantajosas que decorriam do registro profissional. o cidadão deve proceder o registro de seu diploma. deveres claramente estipulados. Com a mudança da lei. com as modificações introduzidas pela Lei 5. o que configura inequivocamente ato jurídico perfeito. anteriormente a 1997 tinham. na qual estavam definidas quais disciplinas poderiam ser ministradas pelos portadores de tais ou quais diplomas.540/68 e Lei 5. na forma de percursos curriculares rigidamente estabelecidos. que passou a se limitar ao registro do diploma. Limongi França se nutre de diversos jurisconsultos para demonstrar que nos casos de direito sob condição ele é esperado. como a PM 162. Neste caso existe retroação que visa.024/1961. vez que ambos são protegidos por ação jurídica. A revogação da Lei 5. proteger o direito adquirido de quem estabeleceu um contrato legal. que culminou na emissão e registro de um diploma. Essa correspondência não era feita arbitrariamente. Esses fatos comprovam incontroversamente que havia pleno conhecimento. por exemplo DL 86. que constitui o direito correspondente. para a maioria dos professores atualmente em exercício e que se formaram anteriormente a 1998. diante de um contexto incerto. têm direito a ministrar aulas de acordo com o que estabelece seu registro profissional. como a Portaria MEC 399/1989. O estudante. têm direito adquirido. era necessário providenciar deslocamento até Brasília para consumar o pedido de registro. dado que se diplomaram segundo a Lei 4. Na lei vigente anteriormente a 1997 os diplomados de15 veriam obter registro profissional (Lei 5.

Além de vulnerar direitos profissionais legítimos.394/1996 suspende os efeitos da Lei 9. atos de nomeação e posse e até mesmo em procedimentos de designação temporária.024/1961. VII). no aguardo de re-qualificação segundo normas editadas em 2002 e obrigatórias apenas em 2004. Lei 9. Para atender as novas necessidades formativas. Ora. trazendo insegurança generalizada para alunos e famílias. efeito nocivo à própria qualidade da educação. Conclusão Pela longa exposição do estudo preliminar. na especificidade das humanidades. no prazo de seis meses da vigência desta Lei. suas frustrações e seus resultados falaciosos. dada a perspectiva da nova lei de aproximar disciplinas e proporcionar oportunidades de aprendizagem para além das fronteiras disciplinares. é necessário analisar a questão também pelo prisma da Teoria das Situações Jurídicas. É muito provável que uma formação de licenciatura plena em Filosofia e em Ciências Sociais possa satisfazer as exigências atuais para o ensino de História e Geografia. de 15 de abril de 1998) chamavam a atenção para a necessidade de ampliar o espectro teórico-metodológico e que os professores precisam de um aprofundamento continuado e de uma atualização constante em relação às diferentes orientações originárias da Psicologia. em meio a uma audiência em um Fórum. Os Estados. da Psico e da Sócio-Lingüística e outras Ciências Humanas. tem tido efeitos perversos para a educação. os escritos de Paul Roubier são adequados para aclarar a matéria.394/1996 em editais de concursos. defende seu efeito imediato e geral. de 20 de dezembro de 1996.394. que efetivamente foram aprovadas apenas a partir de novembro de 2001. Acaso isso significa que um advogado. essa retroação coloca sob insegurança todos aqueles que dependem da atuação desses profissionais.394/1996 demandava novas diretrizes curriculares nacionais para os cursos superiores. quando dispõe sobre a qualidade na educação pública e gratuita (Art. que incentivem e reconheçam a necessidade de aperfeiçoamento constante. de imediato. os quais têm habilitação profissional obtida em cursos que não atendem as Diretrizes Curriculares recentemente aprovadas. Sociais e Exatas para evitar os modismos educacionais. em especial quando analisa os contratos de execução continuada. da Antropologia. É inadmissível que professores que se submeteram a provas e tiveram o valor de seus títulos julgados e avaliados. Elas nascem de um anseio da sociedade. não satisfaz exigências posteriores? Igualmente inadmissível seria pensar que um médico pudesse ser surpreendido em meio a uma cirurgia cardíaca pela notícia que sua habilitação profissional foi anulada em decorrência de novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina. anulando o que a anterior dispunha.692/1971.424/1996.U. Existe mais de 1 milhão de professores atuando na educação básica. das quais decorreram inclusive questionamentos judiciais.040/1968 e pela Lei 5. por força da Resolução CNE/CP 01 e 02/2002. uma vez aprovados. desde Teodósio e Justiniano. outra lei . materializado na aprovação pelo Congresso Nacional de uma nova lei que se dispõe a modificar o futuro das práticas educativas. e que. diante de seus professores não terem supostamente habilitação profissional. Mas sabemos que. dispor de novo Plano de Carreira e Remuneração do Magistério.O. publicada no D.e dar conta dos novos desafios da contínua evolução do mundo em que vivemos. III . que conjuga dois princípios opostos. a Lei 9. aprovada poucos dias depois. deles exigindo que tivessem satisfeito no passado as normas editadas no futuro.SEPARATA – LICENCIATURA 52 Os professores que obtiveram seus títulos profissionais em cursos regidos pela Lei 4. de 24 de dezembro de 1996. vejam todos os seus direitos subjetivos e consumados denegados sob o argumento que uma lei nova retroagiu no tempo e anulou diversos atos do Poder Público que não podem ser realizados sem a devida provisão legal.o estímulo ao trabalho em sala de aula.preceito constitucional . Nesse contexto. mas que atendiam a legislação da época em se efetivou seu preparo profissional inicial. A mudança da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional implica mudanças profundas na organização educacional. a Lei 9. em efetivo exercício no magistério. enfatiza de maneira perime a necessidade de integrar imediatamente os profissionais da educação em planos de carreira.O. apenas em 18 de fevereiro de 2002 e mesmo assim entram em vigência apenas depois de dois anos. tendo inclusive assumido o efetivo exercício. por que não seria para o caso de professores? É possível fazer tabula rasa de tudo quanto foi disposto sobre a valorização do magistério? Há ainda que se considerar que. Não haveria dúvida sobre o fato de que a lei a ser respeitada ser a lei vigente no momento do ingresso no curso. em 2003 foram aprovadas novas diretrizes para a duração dos cursos de bacharelado.U. que possam efetivamente agregar qualidade à educação . alterada pela Lei 5. vivem uma situação injusta. não pode desprofissionalizar centenas de milhares de professores. poderia ser colhido com a notícia que seu diploma perdeu valor porque seu curso. e que passaram a ter que atender as demandas da Lei 9. ilumina a tradição seguida no Brasil. em matéria civil a interpretação é constrangida pela LICC de 1957. da Sociologia. Esse novo profissional deve ser formado à custa de novos cursos. tiveram o resultado de concurso homologado." 17 18 Ora. II . As novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores para a Educação Básica foram baixadas. . que atendam novas Diretrizes Curriculares Nacionais. criados os planos de carreira até 1° de julho de 1997. dado que sua própria formação pode ser questionada. publicada do D. 17 18 Lei 9. A interpretação de que a Lei 9. A nova lei. Para essas novas práticas são necessários profissionais com um perfil formativo diferente daquele que vinha sendo implementado.424. ao mesmo tempo. mas de modo algum anulando as prerrogativas profissionais daqueles que já atuam nas escolas da educação básica e que se formaram em conformidade com as normas e leis de seu tempo. Assim fosse. Assim. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (Parecer CNE/CEB 04/98. o Distrito Federal e os Municípios deverão. aprovado em 29/01/98 e Resolução CNE/CEB 02/98. de modo a assegurar: I . foram nomeados e tomaram posse de seus cargos. Se esses procedimentos são cabalmente inadmissíveis para o caso de advogados e médicos. A anulação de direitos consumados dos professores que já atuam na educação básica traria. ninguém poderia a eles se candidatar. uma lei não pode exigir planos de carreira no prazo de seis meses de sua vigência e. desqualificar aqueles que deveriam se beneficiar com eles.424/1996 fere princípios elementares do Direito e atenta contra a própria dicção do texto constitucional. Ao tempo em que reconhece a irretroatividade das leis. veríamos no princípio constitucional da irretroatividade das leis a regra meridiana que. de 23 de dezembro de 1996. Ademais. concluído em data anterior.a melhoria da qualidade do ensino. A insistência em fazer retroagir e lei e vulnerar os direitos dos profissionais da educação. Em seu Art 9 diz: ° "Art 9 . 206.a remuneração condigna dos professores do ensino fundamental público.

obtido . Os cursos de licenciatura em Ciências Sociais de ambos os professores tiveram início. concursados em geografia têm. op. não há dúvida que a professora Márcia Cristina Gonçalves de Freitas está legalmente habilitada para o exercício da docência na disciplina História no ensino fundamental. COMENTÁRIOS. até produzir os efeitos futuros planejados. a sobrevivência da lei velha. Não há base legal para questionar a habilitação profissional dos referidos professores nas disciplinas nas quais alcançaram destaque em concurso público. Nos termos do oficio encaminhado. a consumação do contrato (Jeová Santos. A professora Márlucia Cristina de Lima Magalhães e o professor Sandro Areal Carrizo. Voto pela remessa deste parecer. ainda que seus efeitos ocorram no futuro. reconhece o direito subjetivo de seus portadores. Conselheiro Nelio Marco Vincenzo Bizzo . No entanto. se um contrato de execução continuada foi inicialmente celebrado sob a lei de determinada época e ela é revogada posteriormente.DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Básica aprova por unanimidade o voto do Relator Sala das Sessões.VOTO DO RELATOR Voto no sentido que se reconheça que a revogação da Portaria MEC 399/89 em junho de 1998 não abalou a certeza dos efeitos futuros esperados pelos alunos de cursos de licenciatura plena de Filosofia e de Ciências Sociais que os cursavam àquela época. cit. é necessário reconhecer o direito adquirido que emana de todo e qualquer ato jurídico perfeito. isto é. aos Conselhos Estaduais de Educação. Trata-se de um momento no qual inexiste distinção formal entre os dois princípios. em fevereiro de 1998. em 03 de dezembro de 2003 Conselheiro Francisco Aparecido Cordão – Presidente Conselheiro Nélio Bizzo – Vice-Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. II . 11). Ela se revigora e inibe sua revogação para manter o entendimento das condições estabelecidas no pacto inicial. em boa fé. Elas e ele satisfizeram as exigências do quadro legal que lhes serviu de referência e têm direito ao gozo dos direitos e vantagens que auferiram. quando ainda se encontrava em vigência a Portaria MEC 399/89. os cursos de filosofia foram iniciados e concluídos anteriormente a 1998. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 6 de abril de 2004 (DOU de 07/04/2004 – Seção I – p. Para o mestre francês. ato jurídico perfeito. O respeito a ele remonta ao patamar constitucional. de acordo com o disposto nos Pareceres CNE/CEB 26/2000 e CNE/CEB 04/2003. A professora Márcia Cristina Gonçalves de Freitas. portanto. constranger ou condicionar seu exercício profissional no presente ou no futuro. até mesmo para o ícone maior da Teoria das Situações Jurídicas. Todos os que ingressaram em data entre a edição da portaria e sua extinção praticaram. coerentemente. Assim. A lei velha ganha sobreviria e acompanha a aplicação do contrato até sua efetiva consumação. concursada em História. para os sistemas de ensino. ressalva os contratos de trato sucessivo. O contrato fica jungido e subordinado à lei do tempo em que houve a celebração. O contrato então consumado era válido e constituiu. 00001. segundo consta no oficio encaminhado. ambos. trata-se de diplomas de licenciatura plena.Relator III . Não há base legal para cercear. diante da relevância da matéria.. em dezembro de 1999. com ingresso no curso em 1995 e conclusão em 1999. p. Seu ingresso ocorreu. impedindo que se fragilizem as certezas daquele instante. por meio da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação. A edição de lei nova ou a revogação da lei antiga não podem alcançar o contrato no passado e anular seus efeitos futuros. e às Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. obtido em dezembro de 1997. na vigência da Portaria MEC 399/89. aos Conselhos Municipais de Educação. um contrato que previa os efeitos futuros descritos expressamente naquela norma. . tem diploma de Licenciatura em Filosofia. por meio do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação. O oficio encaminhado afirma que se trata de diploma de licenciatura plena. Diploma de Licenciatura em Filosofia. Em matéria de contratos. apesar de entender que a lei tem aplicação imediata e geral. a lei a ser aplicada é a da época em que contrato inicial foi pactuado. Tempus regit actum: se o contrato foi celebrado sob a existência de uma lei.SEPARATA – LICENCIATURA 53 Paul Roubier.62). No primeiro caso. por meio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). portanto. e Diploma de Licenciatura em Ciências Sociais. Neste caso. o princípio da irretroatividade cede lugar a um princípio mais amplo. A participação dos profissionais com licenciatura curta em concurso para o magistério. ou ausência da antiga. não há dúvida que a professora Marlúcia Cristina de Lima Magalhães e o professor Sandro Areal Carrizo estão legalmente habilitados para o exercício da docência na disciplina História e Geografia no ensino fundamental. vistos como tradicionalmente opostos. ditos efeitos não se submetem à lei posterior ou ausência dela. durante nova lei.

ibidem). Pois em que se pode dizer que pecou aquele que não seguiu esta lei. mas também aos ainda pendentes.. no Direito Penal há retrooperatividade quando a lei penal posterior é mais benigna. na Portaria MEC 399/1989.63) . porque os atos são regidos pela lei existente ao tempo em que se efetivam. aparentemente simplório. Este entendimento. ESTUDO PRELIMINAR SOBRE DIREITO INTERTEMPORAL EDUCACIONAL A questão da irretroatividade das leis remonta aos primórdios do Direito e da Lei. desde a antigüidade até nossos dias.2003-46. de modo algum queremos ressuscitar as que já foram resolvidas por sentença definitiva ou pacto amigável.cit. senão faz cessar parcial ou totalmente as projeções da anterior para o futuro. ainda que sem instrumento escrito. mas Limongi França localiza como fato marcante para todo o direito do Ocidente a chamada Primeira Regra Teodosiana. 56). São Paulo. houve a promulgação de novos códigos acompanhada da expressa aplicação do princípio da irretroatividade das leis (Direito Intertemporal Brasileiro. mas produzirão efeito" (op. 2003. essa simplicidade perime. mas também que um eventual concurso público não permita sua participação. no ensino fundamental. Será essa Segunda Regra Teodosiana que se inscreverá no Direito Justinianeu como princípio fundamental e que se manifestará em diversos contextos. mas que atenderam o estabelecido em legislação anterior. Cícero já utilizava o princípio das irretroatividade das leis. 53).60) "( . dado que nos momentos de atribuição de aulas. Nos lembra o mestre Antônio Jeová Santos (Direito Intertemporal e o Novo Código Civil. São Paulo. não elimina os registros da lei antiga. o que justifica um estudo preliminar sobre a doutrina existente na matéria. ato jurídico perfeito e coisa julgada (idem. a lei extinta continua a ter aplicabilidade nos casos ocorridos sob sua vigência.. p. a lei penal será retroativa.RELATÓRIO Histórico A professora Márcia Valéria Louzada remeteu oficio protocolado no MEC sob o 054992. p. O insigne jurista Limongi França. 62) "Determinamos que esta constituição se observe apenas no futuro. No Direito Romano.57). teria modificado as exigências para atuação no magistério. tanto as posteriormente iniciadas. quando ela ainda não era conhecida?" (op. p. Assim." (op. aprovado em 3 de dezembro de 2003. p. a Secretaria de Educação do Espírito Santo afirma que a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.cit. ocorrida em junho de 1998. Câmara de Educação Básica.cit. A consulta em tela se reveste de especial importância dado que ela se repete em muitos lugares e que certamente ganhará dimensão jurisprudencial sobre a matéria. Prossegue Jeová Santos: "Já no Direito Civil. Editora dos Tribunais. dado que. baixado quase 50 anos depois por Teodósio H. e no próprio direito justinianeu. o civilista Rubens Limongi França afirma que tão logo a República Chinesa unificou diferentes etnias há mais de 3 mil anos. bem assim aos futuros. mas regulam apenas os futuros" (op. do ano 393 AD. no Ocidente. A Referência à Irretroatividade das Leis na História Uma lei nova. entre estas. doutrina da irretroatividade das leis e do a direito adquirido. e Geografia no ensino médio. p. quer aos negócios pendentes" (op cit. É comum que se pergunte se a atual legislação retroage a ponto de vulnerar os direitos dos profissionais que estão no exercício do magistério.. expôs sua tese de que o Princípio de Irretroatividade das Leis se funda na razão natural após extensa análise de uma plêiade de códigos. desde que beneficie o réu. Mesmo em caso de revogação. Essa regra dizia: "Todas as normas não prejudicam fatos passados." (op. por decisão judicial ou composição amigável" (op. Os instrumentos já feitos.. a não ser que tenham feito referência expressa. mas não aos acordos passados sobre os negócios ou controvérsias. A revogação da referida portaria ministerial agravou o quadro. p. Existe a dúvida não apenas que a professora seja impedida de ser designada temporariamente para atuar como professora nas disciplinas nas quais se habilitou em 1995. p. Editora Revista dos Tribunais. não só nos casos que se criarão no futuro. a professora tem trabalhado desde aquela época ministrando aulas nas disciplinas de História e Geografia. cit. reconhecimento de prerrogativas profissionais. é afastada. 54 I . p.cit. ao dispor para o futuro. Ela permanecerá como referência no famoso Código Teodosiano. a LDBEN. após esta lei. devidamente registrado em 02 de outubro de 1995. Nos famosos discursos contra Verres. como as pendentes e. 1968. antes de Justiniano. que editou a chamada Segunda Regra Teodosiana. De fato. Os próprios sistemas de ensino têm tido orientação diversa em matéria de exigências formativas. Esse direito estava consagrado à época. 59-60) "Determinamos que as nossas leis que encontram nesses códigos (.) abranjam todas as causas em juízo. 2 .cit. no Oriente e. que define sua tradução de "é norma assentada".p.15) que esses princípios consagrados não são absolutos. A professora relata que tem enfrentado problemas para continuar a lecionar. cit. prevalece desde a mais remota antigüidade e constitui a base da legislação brasileira. na Grécia e em Roma. na tradução do referido autor: "É norma assentada a de que as leis e constituições dão forma aos negócios futuros e de que não atingem os fatos passados. É quase redundante afirmar que a lei sempre foi feita para conformar os atos futuros e não os pretéritos. Existe considerável dúvida sobre questões referentes à qualificação profissional de professores em especial após a revogação da Portaria MEC 399/1989. nos seguintes termos. aproveitando sempre a versão para o português de Limongi França: "Esta constituição convém aplicar-se. Limongi França aponta para a locução latina "certum est". Limongo França localiza o princípio da irretroatividade e até mesmo o delineamento básico que seria estabelecido naquilo que denomina de fase científica e a codificação do Direito Civil. edição. e que os testamentos posteriores a esta Novela se confeccionem de acordo com a mesma.SEPARATA – LICENCIATURA PARECER Nº 38. as que dependem quer de decisão judicial. p30-32). não carecem de força. Muitas e variadas são as hipóteses em que o intérprete é chamado para explicar se a lei nova tem aplicação imediata ou se a sua aplicação vulnera um dos três sacrossantos institutos: direito adquirido. Ela indicaria que "a irretroatividade das leis já era norma definitivamente radicada no espírito jurídico dos Romanos" (op. Conselho Nacional de Educação. no período de designação temporária. quer de arbitramento. nem às transações já feitas ou às sentenças definitivas. 62) "Ordenamos que assim se regulem os dotes que tenham sido outorgados ou prometidos. Destacamos algumas referências do Código Justinianeu e nas Novelas que o acompanham. atribuição de aulas e principalmente em relação à situação de profissionais que não atendem o preceituado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9. Com Diploma de Licenciatura Plena em Ciências Sociais. quer ao passado.394/96). no qual expõe sua situação profissional de professora. caso em que prevalece a disposição posterior. entretanto.) fazemos reger por esta lei a todos os negócios presentes. ou não resolvidos. mais profundamente. porém.

com exceção da Noruega e Estados Unidos. 1995. A Irretroatividade no Direito Brasileiro O período em torno da e logo após a proclamação da independência do Brasil. 19 Em Portugal a existência de dívida pecuniária não configurava crime. Isso poderia ser considerado como indicador de insegurança jurídica e apreensão generalizada sobre a manutenção dos direitos civis. III . revigorados com exceção daqueles ligados a razões de ordem pública. pen20 sões gratificações e quaisquer despesas que não se acharem estabelecidas por Lei ou Decreto. Art 97 da então Constituição norueguesa e Art 1º. Daí deriva a expressão "passar nos cobres" e é também nesse momento que tem início um forte período inflacionário. reconhecido por seu brilho especial sobre a matéria.A lei. Landy Editora. 2003. cit. de civilistas como Trigo de Loureiro. pág 280). regula tão somente o futuro e não o passado. Ao desatar os vínculos com Portugal. apenas nações com democracias frágeis mantém a matéria em nível constitucional.A lei. que nenhuma lei poderia vir a ser estabelecida sem utilidade pública e que sua disposição não poderia ter efeito retroativo. reafirmou-se o respeito aos atos praticados sob a antiga ordem e os direitos deles advindos. dada a onda de falsificações que aumentou artificialmente o volume do meio circulante e criando um deságio para as notas impressas. SP. como regra. o visconde de Barbacena. não se aplica aos casos pendentes. Primeiramente.Direito Adquirido & Estado Democrático de Direito. sem interferência da presente lei: serão válidas e respeitadas nos casos respectivos: e os seus efeitos se regularão pelas leis já promulgadas.. em especial ao erário. p. pode abranger o passado e os casos pendentes.. Mas a posse do novo governador. e em nada pela presente (. como também do Paraguai." (op. A Constituição Política do Império do Brasil. p.. 21 . promulgada em 25 de Março de 1824. afirmava que era vedado aos estados e à União prescrever leis retroativas.) Aqueles que. deriva dos constitucionalistas da época da República. p. Antonio Jeová Santos assinala que atualmente. tenha efeito a partir do dia em que foi promulgada: convém que regule as leis. II . como Pimenta Bueno. tampouco com a República. Costa Rica e Nicarágua. História do Brasil.A lei. consolidou a prática despótica do coronel Luís da Cunha Meneses. ordenava. ao desatar os vínculos com os mandatários da família real. cit. os únicos países à época que 22 mantinham em patamar constitucional a referência à irretroatividade das leis. excepcionalmente. em seu artigo 179. é conhecido na História do Direito como "Período do Revigoramento das Ordenações".a "derrama". A República não só manteve como ampliou o espectro da irretroatividade das leis. novamente. 65-6). C.149) 22 Embora esse fato seja reiteradamente citado por alguns juristas e seja motivo de gáudio. a volta de fortunas e de metais nobres a Portugal abalou o Banco do Brasil. 68). O primeiro projeto de constituição republicana. confiantes (nas leis de então) entabularam negócios em nada se pode culpar de ignorarem o futuro.. Assim. aliás. como foi conhecida. Como é bem sabido. p. p. foi acompanhada da ordem provinda de Portugal. IV. e sobretudo de Reynaldo Porchat. utilizando a doutrina e a jurisprudência 19 da metrópole. a lei 10. Honduras. em seu artigo 5. Tal princípio não foi suspenso no Brasil nem com o Império. da mesma forma.) pois tudo que passou deixamos para as leis passadas. a instância superior deveria julgar pela lei vigente à época em que a sentença tivera sido prolatada (Limongi França. Limongi França nos apresenta quatro preceitos: "I. isso pouco muda até 1917." (op. o Brasil equiparou-se à Noruega e aos Estados Unidos . O Direito Adquirido. nota-se que os diplomas legais são. como aposentadorias. que passaram muito recentemente por períodos de grande instabilidade política.406/2002. Limongi Franca assim resume os princípios vigentes no ordenamento jurídico de Portugal no século XVIII: "I. Portugal mantinha entre seus preceitos o princípio da irretroatividade das leis e o respeito ao direito adquirido. Esse seria o caso da Bolívia e Peru.cit. e a própria redação da Constituição Federal de 1988. 63) "Duas disposições anteriores precedem esta lei. que empregava a força militar para cobrar dívidas desde sua posse como governador da capitania das Minas Gerais a 10 de outubro de 1783. texto que passou 21 incólume pelo período da Regência.cit. em especial editadas para conformar heranças. com raras exceções. ao passo que o futuro fazemos reger pela presente lei (. o qual suspendeu muitas leis do Reinado antecedente. pág 278-9). que chegava a 59%.§10 da constituição norte-americana (Toledo. op.SEPARATA – LICENCIATURA 55 "Que a lei de Zenon. II. A crise culminou com o fechamento do Banco do Brasil em 1829 (Fausto. Cândido Mendes e o Conselheiro Lafayette. texto que será consolidado no artigo 11 da constituição de 24 de fevereiro de 1891. como no caso da derrama . O Brasil manteve estreitas relações jurídicas com Portugal desde os tempos de Colônia. A "derrama". B. no qual se erigiu o Império Constitucional. José. trouxe escassez de moeda e o padrão monetário passou a ser estampado em cobre. EDUSP. constantemente. A situação confluiu para a Inconfidência Mineira. tampouco pena passível de encarceramento e esse princípio deveria valer no Brasil. por isso que não se refere ao passado. quatro anos depois.155-6). A irretroatividade é o princípio dominante. XXXVI. ainda quando revogado. escrito por Rui Barbosa. quando entra em vigor o Código Civil de Clóvis Beviláqua de 1916. fundando a República. em caso de recurso. de augusta memória. é o critério adotado pelo legislador para preceituar a retroação. A doutrina que irá iluminar o atual Código Civil. Maria I editou um decreto em 17 de julho de 1778. III. a morte de líderes e o conhecido degredo de Gonzaga em Moçambique 20 Os decretos foram promulgados em períodos coincidentes com o retorno da família real a Portugal.cit. o que desrespeitava ordens judiciais de magistrados como Tomás Antonio Gonzaga. por razões de ordem pública. de cobrar imediatamente todas as dívidas atrasadas . o Brasil reafirmou o respeito ao direito adquirido. Assim." (op. Após analisar outras leis. Rui Barbosa e João Barbalho. as constituições sancionadas por nossos antecessores devem valer cada qual de acordo com o seu tempo.A lei só abrange o passado e os casos pendentes quando inequivocamente expressa. Para muitos. Nele. A retroatividade é determinada expressamente e." (op. que subiu ao trono em 1777 com a morte de D. Como síntese do direito Justinianeu. em matéria civil. de regra. mas que determinava respeito às causas findas por sentença passada em julgado e que. no reinado de Maria I. os fatos futuros e não traga prejuízo aos fatos passados.. muito ao contrário.

§ 1º Consideram-se adquiridos. esse período trouxe um novo ordenamento jurídico que procurou fragilizar a tradição da irretroatividade e irretrooperatividade das leis que. idem. 141. que cede seu lugar ao ato jurídico perfeito. 196). e de acordo com uma legislação existente. Toledo. 150). 5º. apresenta também o de garantia das liberdades individuais e da personalidade humana à face do Estado. Com isso. ou a coisa julgada. que se toma um direito consumado. à face das mais importantes constituições da época. o Art. b) os atos jurídicos já perfeitos. É importante que se registre dois autores que escreveram sobre as regras do direito intertemporal desse período de exceção foram Serpa Lopes e Carlos Maximiliano (C. nas palavras dele. O direito consumado. inalterável a arbítrio de outrem. é a de que no período do Império e na Constituição da República de 1891. em vigor até os dias atuais e que ilumina a própria interpretação da Lei 10. sendo obrigatório seu reconhecimento. Ele fará uma distinção profunda entre a faculdade e a expectativa..238/1957) e irá conjugar parte da anterior e parte do Código Civil de 1916. p. cit. em cuja complexa relação repousa o entendimento atual do conceito do direito adquirido. dado que na tradição luso-brasileira a teoria das situações jurídicas teve influência muito restrita. no sentido de entender que a irretroatividade civil. A ausência de referência ao direito adquirido e a ressalva reservada à disposição contrária são apontados como emblemáticos daquele período autoritário e que mereceu revogação com a Constituição de 1946. (. assim os direitos que o seu titular. entrará provavelmente para o patrimônio de um indivíduo quando se realize um acontecimento previsto. e apenas se for esta a diferença. dado que a teoria clássica é retirada do patamar constitucional. Limongi França conclui que nossa tradição implica obrigação não apenas para o juiz mas a todos que se dedicam a editar normas e leis. o direito adquirido. Toledo. de 4 de setembro de 1942). chegando a um resultado original. como o próprio Limongi França. Porém. inclusive no 24 tempo. que afirmava: "Art 3º A lei não prejudicará. cit. escreveu : Basta. 428) . pela ordem natural das coisas. e que inaugura um período que se estenderá até 1946 e no qual a certeza do respeito adquirido foi fragilizada. segundo a qual a lei em vigor tem efeito imediato e geral. Esse movimento cede espaço para a aplicação imediata e geral das leis vigentes. abre-se a possibilidade de fazer valer uma lei constrangendo tradições antigas. outro conceito central para ele. de 1916. e que a lei não atingirá. A nova LICC será promulgada apenas em 1957 (Lei 3. Ao dizer que a lei em vigor terá efeito imediato e geral. é dito adquirido. p. de posse de um estado civil definido.SEPARATA – LICENCIATURA 56 Rui Barbosa argumenta que a retroatividade da lei é inconstitucional quando ofende o princípio do direito adquirido. op. Assim.. Deste código pioneiro.. verdadeira exceção em toda a história brasileira. mas deveria ela preservar aqueles três limites impostos à sua retroação. salvo disposição em contrário. ao produzir efeitos. para que o preceito constitucional não seja preterido. Por meio de hermenêutica constitucional ela retoma Limongi França e vai além. 3. em caso algum.. a particular vocação do direito luso-brasileiro. que rompeu com a tradição em diversos sentidos. mas legalmente adquiridos. sem contudo deixar de acrescentar um ingrediente original. será predominante até a Constituição de 1937. João Barbalho. p. o ato jurídico perfeito. porque não ainda exercido. nesse período e em especial com a ocupação nazista. o que equivale à noção de irretroatividade relativa (C. respeitados o ato jurídico perfeito. Para alguns juristas. A recente tese de doutorado de Cláudia Toledo (2003. cit. há uma inversão na prioridade do direito adquirido. da Constituição de 1934. assinala ele. razão pela qual constitui um mandamento não apenas para o juiz. como para o intérprete e mesmo para o cidadão. Adotou-se a Teoria das Situações Jurídicas.cit. havia a declaração da irretroatividade ampla. além do caráter privado. op." (Limongi França. já que a proibiam em qualquer hipótese. estabelece-se o primado dos atos consumados geradores de direitos subjetivos sobre os direitos ainda não exercidos. da Constituição de 1988 é cópia fiel do texto constitucional de 1946.)" Essa formulação. e a respeito do qual nada é possível reclamar senão o respeito ao que já aconteceu e que já produziu todos os seus efeitos. em função do que diz a lei. que uma nova Lei de Introdução ao Código Civil (LICC) foi publicada (Decreto-lei 4657. outro constitucionalista. (apud Limongi França. 113. exerce um direito. o sujeito adquiriu faculdades que lhe permitem exercer o direito. A importância que adquiriu na França. cit. negar ou constranger esse direito. Diz ele: "Esses princípios mostram. sob o risco de contrariar o que dizia nossa primeira constituição republicana. e a nenhuma lei é dado ofender. uma possibilidade objetiva que faculta a seu titular a prática de atos jurídicos. por sua vez. que tem na figura do civilista 23 francês Paul Roubier figura emblemática . Esta constituição consolidava o que já estava sedimentado no Código Civil de Beviláqua. introduzindo a noção. é aquele que já se fez inteiramente efetivo. Porchat chama a faculdade o estado de coisas que antecede o exercício daquilo que já pode ser feito em função de uma aquisição de conjunto de prerrogativas legais de seu titular. totalmente realizado. então. ou alguém por ele possa exercer. Sua conclusão. Isto é.127). § 3º Este. com algum direito que possa vir a ser lesado. trouxe "verdadeira balbúrdia" tanto para o legislador. op. De fato.406/2002. Reynaldo Porchat defendia a tese segundo a qual a lei deve ser sempre retroativa conquanto não depare. O indivíduo. é um fato acabado. 300). o que há de despertar cautela ao se lhes aplicar regras a casos específicos. a LICC de 1957 reteve a tradição e respeito ao princípio de irretroatividade das leis. Caso não seja consumado. como aqueles cujo começo de exercício tenha termo pré-fixado. 24 Segundo Limongi França. que a lei de modo algum prejudique: a) os direitos civis adquiridos. Mesmo assim. era tributário do Art. o entendimento tanto doutrinário como jurisprudencial da época sempre foi no sentido de que a proibição de prescrever leis retroativas significava apenas a exigência de lei nova respeitar como limites o direito adquirido. as situações jurídicas definitivamente constituídas e a execução do ato jurídico perfeito. colocando a compreensão do tema nos dias atuais. Foi sob essa nova influência. definida como esperança de um direito que. o direito adquirido e a coisa julgada. p. em seu art. ou condição préestabelecida. e c) as sentenças passadas em julgado. O exercício de um direito deriva de uma faculdade. senão também para o próprio legislador. o direito adquirido pode ser definido como posse de um estado civil definido. a exceção à tradição da irretroatividades das leis vigeu no Brasil apenas nos quatro anos que separam a LICC de 1942 da Constituinte de 1946. este. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. mesmo se respeitando os direitos consumados ou adquiridos das partes.. poderia ser retroativa. os doutrinadores e os órgãos judicantes não deixaram de seguir a tradição da irretroatividade (Limongi França. que se alinha com a robusta tradição jurídica luso-brasileira. Para o eminente jurista. seria uma justificativa para questionar seu significado beurístico. mas que ainda não foi utilizado. 23 Limongi França chama a Teoria das Situações Jurídicas de "galicismo jurídico". op. op. p.) explora a intangibilidade que consagra o princípio do direito adquirido e estuda sua relação com o princípio do efeito imediato das leis. n. XXXVI. em seu Art 6º.

o direito se supõe ter existido desde se que deu o fato que o criou. O fato idôneo é aquele que se entende em conformidade com o quadro legal de referência. na mesma linha. dado que eles já produziram efeitos no passado. Uma vez habilitado. Assim. como sendo aqueles que têm instante ou dia certo a partir do qual deve iniciar ou extinguir-se. Neste caso fala-se rigorosamente de direitos consumados (e não de direitos adquiridos). p. existe a dúvida se o germe de direito presente naquele contrato ganhará a estatura de relação perfeita ou se será totalmente desprezado. A segunda situação é a dos casos nos quais os direitos legitimamente conquistados não satisfazem a atual LDBEN. em plena conformidade com as normas que regem a matéria. afora os pecuniários no caso de instituição privada de ensino. op. direitos adquiridos são decorrentes de ato jurídico perfeito. ibidem. É amplamente admitido que existem áreas fronteiriças nas quais a inclusão do direito adquirido é incerta. A terceira situação se refere aos portadores de direitos sob condição. com o devido amparo legal. por outro. o titular do direito satisfez as exigências legais de seu tempo e conquistou faculdades jurídicas.445). Neste caso. é algo possível. dependente de fato aquisitivo derivado de requisitos (idem. ibidem. dado serem constrangidos por normas próprias. Apesar da complexidade do tema. o profissional tem uma esperança difusa de iniciar o efetivo exercício sob condições conhecidas apenas parcialmente quando ingressa no curso e que devem se conformar a diretrizes e bases estabelecidas pela União.450). incluem um percurso curricular planejado em função da habilitação profissional pretendida. A expectativa de direito mantém sobreposição parcial com o conceito de faculdade jurídica no sentido que a expectativa de um direito implica aguardar a ocorrência positiva de um fato aquisitivo específico. bem como. Neste caso existe retroação que visa. embora a ocasião de exercê-lo não se tenha apresentado antes da atuação de uma lei nova e que. terá direito a um diploma. Se uma nova lei os colhe de surpresa. 170). faz-se necessário. prejudicando o direito subjetivo de exercício profissional. op. Toledo. 25 Na constituição de 1967. A única exceção seria a constituição de 1937.SEPARATA – LICENCIATURA 25 57 Segundo ela. 1967. faculdade jurídica. tentam satisfazer determinados requisitos indispensáveis à complementação do fato aquisitivo específico estipulados por determinada lei. Limongi França se nutre de diversos jurisconsultos para demonstrar que nos casos de direito sob condição ele é esperado. com certeza. não podem ser impedidos de continuar a fazê-lo sob o argumento que a lei nova carece daquilo que a antiga provia. estabelecendo requisitos adicionais àqueles constantes no contrato inicial. 1946. uma vez tendo concluído o curso. p. por seu turno. ser considerado habilitado ao exercício da profissão. uma vez satisfeitos todos os requisitos. a declaração de uma situação jurídica (sentença declaratória) ou indenização por lesão a direito (ação de reparação de perdas e danos) (C. As expectativas de direito. §3º. mesmo sob uma lei nova que não os ampare. por outro lado. Assim. em relação a este. proteger o direito adquirido de quem estabeleceu um contrato legal. distinguir três situações distintas. se fundam em esperança difusa. mas satisfaziam legislação anterior. nos termos da lei anterior. 153. Limongi França (op. dentro da lei vigente ao tempo. que constitui o direito correspondente. poderá requerer seu registro e. Vulnerar os direitos legalmente constituídos diante de normas novas implica fazer retroagir a lei. Quando o respeito ao direito não é espontâneo. 1891. IX. a eficácia de um ato jurídico. Ao ato jurídico perfeito nada falta. Os deveres. O enunciado clássico diz que o direito adquirido é conseqüência de fato idôneo em virtude de lei de seu tempo. passou irreversivelmente a fazer parte do patrimônio pessoal de quem o adquiriu. mas que podem sê-lo a qualquer tempo. inclusive em sua Emenda de 1969 . A primeira é a de fazer valer hoje direitos legitimamente conquistados e já exercidos anteriormente à vigência da lei 9. C. A teoria clássica ensina que o fato aquisitivo deve se verificar por inteiro antes que se possam dizer adquiridos os direitos que os mesmos fatos são destinados a produzir. de certa forma. ao analisar os casos relativos ao magistério. ser completo. Toledo. p. 196-197) . ele deve ser requerido por seu titular para que se constitua uma situação jurídica (sentença constitutiva). Neste caso fala-se rigorosamente de direitos adquiridos. atingindo um patamar que deve ser protegido por ação judicial. o Art 149. e na Emenda de 1969 no Art. pois ainda não exercidos. afrontar a Carta Magna. mas que deve aguardar a ocorrência de um fato que se sabe futuro. diante de um contexto incerto. essa seria a norma que obrigaria o legislador nos termos das constituições de 1824. em suma. que estipula deveres e direitos. do fato aquisitivo específico. não há o que se possa objetar da apresentação de prova inconteste de sua realização. já configurado por completo (idem. na falta do qual será frustrada. cit. mesmo se em algumas áreas elas se sobreponham. que se apresenta como conseqüência previsível de um determinado ordenamento.) trata de algumas delas. A expectativa se refere a algo provável. Tanto os deveres quanto os direitos não são estipulados livremente. caso daqueles que. sem que tivessem sido exercidos. 1934. típica do período de exceção que representava. Ao ingressar no curso o estudante firma um contrato com a Instituição de Educação Superior (IES). Todos os profissionais que exerciam atividades no magistério. cit. Este deve. é lícito dizer que a expectativa de direito é.436 e segs. dado que há direitos subjetivos a respeitar e deveres jurídicos a cumprir. por um lado e. Direito Intertemporal Educacional Em termos modernos. Com este. que é realizado em boa fé. mesmo se conformada por lei presente. mas ainda não realizado. assim. cit. uma faculdade jurídica abstrata. Um estudante universitário que ingressa em um curso de licenciatura tem certeza que. justamente. p. (Cf. ele decorre de contrato válido. p. simultaneamente. na Constituição de 1988. o qual passa a ser fato aquisitivo quando consumado. implicar satisfação da legalidade de maneira incontroversa. Nos diz Limongi França que a diferença entre a expectativa de direito e direito adquirido está na existência. No entanto. Ele fala dos "direitos a termo".394/96.

Amparados em normas expressas. exerceram um direito que é dito direito consumado. mas por meio de estudo do conteúdo das disciplinas obrigatórias de cada curso superior. atos de nomeação e posse e até mesmo em procedimentos de designação temporária. A certeza do registro profissional decorria da certeza do diploma. com as modificações introduzidas pela Lei 5. na qual estavam definidas quais disciplinas poderiam ser ministradas pelos portadores de tais ou quais diplomas.004. dado que uma norma nacional estabelecia quais diplomas habilitavam ao exercício profissional de quais disciplinas do I e II graus.024/1961. grade curricular e mínimos horários.540/68 e Lei 5. A mudança da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional implica mudanças profundas na organização educacional. o que inibia os professores que habitavam em lugares distantes e que não dispunham de recursos para tais despesas. vivem uma situação injusta. Ocorre que em lugares distantes dos grandes centros a obtenção do registro profissional no MEC constituía tarefa assaz difícil e dispendiosa. DL 91. que atendam novas Diretrizes Curriculares Nacionais. art. com as modificações introduzidas pela Lei 5. do preparo profissional que conferiam e das necessidades didáticopedagógicas para desenvolver em sala de aula os conteúdos esperados nas diferentes disciplinas da educação básica. como a PM 162.SEPARATA – LICENCIATURA 58 Os ingressantes em cursos de licenciatura. o percurso curricular incluía alternativas inseridas apenas e tão somente sob a justificativa de que sua carga horária ampliaria o leque de disciplinas nas quais o registro profissional poderia ser requerido. de 31/08/81.024/1961. sendo que. PM 35. de 27 de novembro de 1985 e PM 399 de 28 de junho de 1989. Dele decorrem direitos que obrigam tanto o legislador quanto o intérprete da lei. de 5 de março de 1985. Uma vez formado. o cidadão deve proceder o registro de seu diploma. Ao ingressarem no curso superior.394/1996 em editais de concursos. Em certos casos. Não raro. anteriormente a 1997 tinham.692/1971 e outras a ela ligadas. Este contrato para a obtenção de uma licença tinha um germe de direito que ganhava estatura de relação perfeita quando todas as condições nele estabelecidas estavam cumpridas.540 Decretos-Lei. dado que se diplomaram segundo a Lei 4. Os professores que não requereram o registro profissional à época. que culminou na emissão e registro de um diploma. Portanto. esses profissionais têm direito subjetivo em relação à habilitação profissional ao magistério. Esses fatos comprovam incontroversamente que havia pleno conhecimento. das disciplinas do I e II graus para as quais o estudante obteria a licença para o magistério ao concluir seu curso. têm direito a ministrar aulas de acordo com o que estabelece seu registro profissional. curta ou plena.324. e que passaram a ter que atender as demandas da Lei 9. ao ingressar em um curso de licenciatura tem. Com a mudança da lei. os profissionais legalmente habilitados nada ficam a dever para aqueles que se diplomam de acordo com a nova lei. os professores lecionaram regularmente as disciplinas por ela conectadas a seu diploma. como a Portaria MEC 399/1989. que lhe dá a segurança jurídica de conquistar prerrogativas vantajosas caso satisfaça os pré-requisitos estabelecidos. era necessário providenciar deslocamento até Brasília para consumar o pedido de registro. alterada pela Lei 5. Na lei vigente anteriormente a 1997 os diplomados deveriam obter registro profissional (Lei 5. Assim.040/1968 e pela Lei 5.692/1971. Os professores que obtiveram seus títulos profissionais em cursos regidos pela Lei 4. O respeito ao direito consumado é equivalente ao do direito subjetivo. O Histórico Escolar e Diploma de Licenciatura seriam analisados à luz de normas expressas . a Portaria MEC 399/1989 é a norma que atenderam. extinguiu a exigência de registro profissional e. tenha ele sido expedido ou tenha ele se incorporado ao patrimônio pessoal na forma de direito adquirido. por exemplo DL 86. na forma de percursos curriculares rigidamente estabelecidos.540/68 e Lei 5. Os professores que se diplomaram sob a vigência da Lei 4. Esse novo profissional deve ser formado à custa de novos cursos. por isso mesmo denominado licenciatura. cessou a necessidade de registro profissional no MEC para o exercício profissional. o que configura inequivocamente ato jurídico perfeito. Eles incorporaram irreversivelmente a seu patrimônio pessoal as prerrogativas vantajosas que decorriam do registro profissional. que passou a se limitar ao registro do diploma. Tinham também direitos claramente estipulados. com disciplinas obrigatórias.692/1971. têm direito adquirido. O estudante. assim. A revogação da Lei 5. os estudantes estabeleceram um contrato legal. deveres claramente estipulados.692/71. Essa correspondência não era feita arbitrariamente. . de 6 de maio de 1982.preceito constitucional . PM 166. que possam efetivamente agregar qualidade à educação . vez que ambos são protegidos por ação jurídica.024/1961. portanto. 27 26 26 27 Lei 5. de domínio público e com a devida provisão legal. Para essas novas práticas são necessários profissionais com um perfil formativo diferente daquele que vinha sendo implementado. Por vezes. o nome das disciplinas era modificado sob a justificativa de que o órgão que conferia o registro profissional (MEC) assim o exigia para incluir tal ou qual disciplina na esfera de atuação do professor. decorrente de fato idôneo. para a maioria dos professores atualmente em exercício e que se formaram anteriormente a 1998.692/1971. 40) nas Delegacias Regionais do MEC ou em sua sede. mas que satisfizeram todas as exigências para fazê-lo. materializado na aprovação pelo Congresso Nacional de uma nova lei que se dispõe a modificar o futuro das práticas educativas. mas de modo algum anulando as prerrogativas profissionais daqueles que já atuam nas escolas da educação básica e que se formaram em conformidade com as normas e leis de seu tempo. bem como Portarias Ministeriais. de 27 de fevereiro de 1985. direito sob condição para a habilitação profissional. Elas nascem de um anseio da sociedade.e dar conta dos novos desafios da continua evolução do mundo em que vivemos.

em efetivo exercício no magistério. uma lei não pode exigir planos de carreira no prazo de seis meses de sua vigência e. essa retroação coloca sob insegurança todos aqueles que dependem da atuação desses profissionais. cabe considerar o aspecto da participação em concursos públicos. dado que sua própria formação pode ser questionada. Os Estados. III . As novas Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores para a Educação Básica foram baixadas. que incentivem e reconheçam a necessidade de aperfeiçoamento constante. deles exigindo que tivessem satisfeito no passado as normas editadas no futuro. 206. efeito nocivo à própria qualidade da educação. de 20 de dezembro de 1996. não pode desprofissionalizar centenas de milhares de professores. mas que atendiam a legislação da época em se efetivou seu preparo profissional inicial.a melhoria da qualidade do ensino. publicada do DOU de 23 de dezembro de 1996. nada os pode impedir de participar de concursos públicos para o cargo de professor na atualidade. A interpretação de que a Lei 9. da Antropologia. desqualificar aqueles que deveriam se beneficiar com eles. Ademais. a Lei 9. Para atender as novas necessidades formativas. suas frustrações e seus resultados falaciosos. publicada no D. em meio a uma audiência em um Fórum. Se esses procedimentos são cabalmente inadmissíveis para o caso de advogados e médicos.394/1996 demandava novas diretrizes curiculares nacionais para os cursos superiores. . que efetivamente foram aprovadas apenas a partir de novembro de 2001. Em seu art. concluído em data anterior.424/1996 fere princípios elementares do Direito e atenta contra a própria dicção do texto constitucional. Acaso isso significa que um advogado.U. VII). Ora. no aguardo de re-qualificação segundo normas editadas em 2002 e obrigatórias apenas em 2004. quando dispõe sobre a qualidade na educação pública e gratuita (art. A nova lei. ao mesmo tempo. de modo a assegurar: I . vejam todos os seus direitos subjetivos e consumados denegados sob o argumento que uma lei nova retroagiu no tempo e anulou diversos atos do Poder Público que não podem ser realizados sem a devida provisão legal. os quais têm habilitação profissional obtida em cursos que não atendem as Diretrizes Curriculares recentemente aprovadas. e que.O. Além de vulnerar direitos profissionais legítimos. dispor de novo Plano de Carreira e Remuneração do Magistério. Sociais e Exatas para evitar os modismos educacionais. de 15 de abril de 1998) chamavam a atenção para a necessidade de ampliar o espectro teórico-metodológico e que os professores precisam de um aprofundamento continuado e de uma atualização constante em relação às diferentes orientações originárias da Psicologia. tem tido efeitos perversos para a educação. de imediato. enfatiza de maneira perime a necessidade de integrar imediatamente os profissionais da educação em planos de carreira. foram nomeados e tomaram posse de seus cargos. outra lei .394. Lei 9. 9 diz: "Art. de acordo com a lei da época em que se formaram. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (Parecer CNE/CEB 04/98. diante de seus professores não terem supostamente habilitação profissional. de 24 de dezembro de 1996. Se há profissionais legalmente habilitados para o exercício do magistério." Ora. aprovada poucos dias depois. É inadmissível que professores que se submeteram a provas e tiveram o valor de seus títulos julgados e avaliados.a remuneração condigna dos professores do ensino fundamental público. 48 da Lei 9394/96 os diplomas de cursos reconhecidos têm validade nacional (quando registrados) como prova da formação recebida por seu titular. não satisfaz exigências posteriores? Igualmente inadmissível seria pensar que um médico pudesse ser surpreendido em meio a uma cirurgia cardíaca pela notícia que sua habilitação profissional foi anulada em decorrência de novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina.424/1996. por força da Resolução CNE/CP 01 e 02/2002. trazendo insegurança generalizada para alunos e famílias. 9º.424. no prazo de seis meses da vigência desta Lei. na especificidade das humanidades. Direito Intertemporal Educacional e Concursos Públicos Uma vez considerado o aspecto do exercício profissional. a Lei 9.SEPARATA – LICENCIATURA 59 A anulação de direitos consumados dos professores que já atuam na educação básica traria. da Psico e da Sócio-Lingüística e outras Ciências Humanas. tiveram o resultado de concurso homologado. criados os planos de carreira até 1º de julho de 1997. ninguém poderia a eles se candidatar. A insistência em fazer retroagir e lei e vulnerar os direitos dos profissionais da educação. Existe mais de 1 milhão de professores atuando na educação básica. anulando o que a anterior dispunha. das quais decorreram inclusive questionamentos judiciais. Assim fosse. II . poderia ser colhido com a notícia que seu diploma perdeu valor porque seu curso.o estímulo ao trabalho em sala de aula.394/1996 suspende os efeitos da Lei 9. tendo inclusive assumido o efetivo exercício. Nos termos do Art. 28 29 28 29 Lei 9. da Sociologia. uma vez aprovados. o Distrito Federal e os Municípios deverão. por que não seria para o caso de professores? É possível fazer tabula rasa de tudo quanto foi disposto sobre a valorização do magistério? Há ainda que se considerar que. apenas em 18 de fevereiro de 2002 e mesmo assim entram em vigência apenas depois de dois anos. aprovado em 29/01/98 e Resolução CNE/CEB 02/98. em 2003 foram aprovadas novas diretrizes para a duração dos cursos de bacharelado.

bem como a de profissionais que não as possuem. como a PM 162. os que ingressaram anteriormente à nova LDBEN. de 27 de novembro de 1985. se não respondido ou denegado. de acordo com os diferentes quadros legais aos quais estão jungidos. V. Os ingressantes após o início da vigência da lei 9394/96. quando será aquilatado o valor relativo de cada título apresentado. de 04/06/98). os requisitos então exigidos. a tem como base e. 211 da CF e Art. LDBEN. PM 166. A LDBEN. os editais para concursos públicos devem prever a participação de profissionais que estejam em conformidade com a legislação atual. Caso o edital não preveja a participação de algum tipo de profissional legalmente habilitado. No entanto. de acordo com o que dispõe o Art. É do interesse do profissional em particular. sendo que muitos desses profissionais ainda estão em exercício. podendo conferir valores diferentes às diferentes modalidades de formação. . também ressalta a importância do concurso público de provas e títulos (Art. VII). na forma da lei. participar de qualquer mecanismo de acesso a funções docentes. de 27 de fevereiro de 1985. os cidadãos que se considerarem lesados devem. no interesse maior da educação. obrigação do Estado. Portanto. Dessa forma.004. art 206. de 31/08/81. não podendo ser impedidos de exercer a profissão docente na esfera da habilitação específica na forma da lei. o Parecer CNE/CEB 26/2000 registra: "Como o acesso ao cargo docente na rede pública tem como via única o concurso público de provas e títulos (CF. como via única de acesso a cargos docentes. tendo incorporado irreversivelmente essa prerrogativa a seu patrimônio pessoal. em especial na esfera do serviço público. direito à docência. é facultada a docência em determinadas disciplinas aos portadores de diplomas. Decretos-Lei. bem como Portarias Ministeriais. I). é lógico supor que os professores que se submeterem a concursos públicos terão seus títulos avaliados. Todos os profissionais da educação que adquiriram a prerrogativa do magistério podem. Ao realizar concursos públicos para cargos docentes. Assim. de 28 de Junho de 1989. de 6 de maio de 1982. e PM 399. O concurso público de provas e títulos é genuinamente o mecanismo de acesso consagrado em nossa Carta Magna (art. 10 e 11 (entre outros) da Lei 9394/96. e da educação em geral. não há dúvidas sobre seus direitos profissionais. via de regra. art 206. portanto. I). impedir profissionais da educação legalmente habilitados de participar de concurso público e a seu pretexto não podem ser cometidos quaisquer atos contra o efetivo exercício profissional de professores legalmente habilitados de acordo com legislações da época na qual os atos se efetivaram. um importante preceito: a Lei 9394/96 não pode. Firma-se aqui. com a redação da Emenda Constitucional 19. à época. deve ser de qualidade (CF. sob outras legislações já extintas. ao interesse maior da educação. mais contribuam para a causa da qualidade na educação por meio de normatização complementar. por exemplo DL 86. por mais de seis anos. estiveram sob a influência de diferentes normas. de 5 de março de 1985. que tais programas sejam implementados pelos sistemas de ensino. franqueado a todos os que estão legalmente habilitados. É da dicção do texto constitucional que a educação. Professores em atuação na atualidade iniciaram seus cursos profissionais sob a égide de diferentes referências legais. mas têm direito adquirido por terem satisfeito. Caberá ao certame de títulos a valoração relativa pertinente. Tendo origem em atos jurídicos perfeitos. satisfazendo exigências mínimas. Cabe aos sistemas de ensino priorizar aqueles que. As pessoas que foram legalmente habilitadas para o exercício do magistério por força de ato jurídico perfeito têm assegurado o reconhecimento de seu título profissional por toda a vida. ao lado de portadores de diplomas de licenciatura de curta duração (como parte de quadro docente em extinção). Assim. no qual serão aquilatadas as diferentes credenciais apresentadas e sua validade. em nenhum tempo. como diversas resoluções do extinto CFE. ao mesmo tempo. 85. DL 91.324. art 67. por via judicial. diz que qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado. esteja em efetivo exercício ou não. de forma legal. inclusive diplomas não mais expedidos atualmente (licenciaturas curtas). 206. as administrações públicas devem atentar a essas disposições legais e. V. inclusive os obtidos em programas de desenvolvimento profissional. O Poder Público tem a obrigação de reconhecer a habilitação profissional decorrente de ato jurídico perfeito e o direito subjetivo que foi incorporado irreversivelmente ao patrimônio pessoal dos egressos de cursos profissionais. por requerimento especial ou. como vimos. pleitear o direito de inscrição. PM 35. editais de concursos públicos devem conter uma parte referente ao certame de títulos. na forma legal. caso em que.SEPARATA – LICENCIATURA 60 Quando a lei define um requisito acadêmico para habilitação profissional no magistério ela estabelece as condições de validade de contratos. é dito direito adquirido. 67. segundo os quadros legais de referência. O ato jurídico perfeito emana de contratos validos e gera direito. antecipadamente à realização das provas. A LDBEN chega a ser inclusive incisiva nesse ponto dado que o Art. Assim. os professores devem ter seus títulos avaliados. Os sistemas de ensino têm à sua disposição professores com diploma de nível médio e de licenciatura plena. quando do ingresso na carreira docente. seja por concurso ou seleção pública. Outro preceito importante em relação ao direito se refere ao fato de ele ser incorporado mesmo se não exercido. mas que conferiram a seus portadores. existe uma pletora de situações nas quais foi outorgado diploma legal para exercício profissional no magistério nos últimos 30 anos.

. tenha reconhecido seu direito ao exercício profissional nas disciplinas História e Geografia no ensino fundamental e Geografia no ensino médio. A Portaria MEC 399/1989 dizia que os portadores de diploma de licenciatura plena em Ciências Sociais poderiam obter registro profissional para ministrar História e Geografia no então I Grau e Geografia Humana no II Grau. Brasília(DF). Para atos de nomeação e posse a autoridade competente. para aqueles que não o fizeram. Este é o caso da professora Márcia Valéria Louzada. quais sejam. Esses profissionais não podem ser impedidos de assumir encargos docentes ou mesmo de participar de concursos públicos sob o argumento de que uma nova lei estabelece novas exigências. por meio da União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (UNCME). Conclusão O estudo que acompanha este parecer teve a intenção de fundamentar a postura doutrinária de respeitar o direito daqueles que satisfizeram as exigências legais de seu tempo e se habilitaram profissionalmente. ou que a norma que conferia habilitação foi extinta. apresentando a credencial que declara possuir.VOTO DO RELATOR Voto no sentido que a professora Márcia Valéria Louzada. Caberia ressaltar conclusivamente que se os egressos de cursos de licenciatura plena em Ciências Sociais. inclusive em petição específica. por meio do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação. As leis e as normas anteriores permanecem sendo a referência para aqueles que satisfizeram inteiramente as exigências colocadas ao tempo em que se efetivaram os atos. diante da lei nova eles têm um perfil formativo que satisfaz ainda melhor as exigências das Diretrizes Curriculares Nacionais que vigoram desde abril de 1998 para o ensino dessas disciplinas. Os profissionais que não tiverem pleiteado à época própria o direito de participação no concurso. Conselheiro Nélio Marco Vincenzo Bizzo – Relator III . não poderão fazê-lo após a realização do referido concurso. 03 de dezembro de 2003. voto no sentido de remeter este parecer aos Conselhos Estaduais de Educação. em 03 de dezembro de 2003 Conselheiro Francisco Aparecido Cordão – Presidente Conselheiro Nélio Marco Vincenzo Bizzo – Você-Presidente (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação. mas abrindo novas perspectivas de maneira a incentivar o contato de diferentes áreas do conhecimento e as novas aprendizagens dele decorrentes. no exercício de sua função pública. por meio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e União dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 8 de janeiro de 2004 (DOU de 09/01/04 – Seção I – p. está compelida a exigir as credenciais solicitadas no respectivo edital previamente à realização das provas.SEPARATA – LICENCIATURA 61 Assim. 06). de acordo com a nova lei. registrando o fato de o possuidor ter credenciais distintas das previstas no edital. portadora do diploma de Licenciatura Plena em Ciências Sociais registrado em 1995. trata-se de direito adquirido. Sala das Sessões. Assim. mas assume compromisso com o conteúdo de seu pleito. seria difícil entender que um professor com licenciatura plena em Ciências Sociais pudesse ser considerado menos preparado para o ensino de humanidades em uma escola de ensino fundamental do que alguém com licenciatura plena em História ou Geografia. 00001. estavam habilitados para o magistério de História e Geografia no ensino fundamental. COMENTÁRIOS. de acordo com a lei velha. II . Isso é o que consta nos registros profissionais de quem os requereu quando eram expedidos e. Diante da relevância da matéria para os sistemas de ensino. para todos os efeitos e particularmente para Designação Temporária. aos Conselhos Municipais de Educação. às Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. ele deixa claro que não cumprirá literalmente todos os itens do edital. O espírito da nova LDBEN é a de fazer com que os antigos especialistas se aproximem uns dos outros. possibilitando não apenas a aprendizagem disciplinar de seus alunos.DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Básica aprova por unanimidade o voto do Relator. as que implícita ou explicitamente os candidatos declararam possuir.

que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. revogadas as disposições em contrário. Estabelece normas para o apostilamento. ROBERTO CLAUDIO FROTA BEZERRA (Transcrição) (DOU de 01/09/2004 – Seção – pág. até o final de 2005. mediante requerimento junto à instituição que o expediu. Adia o prazo previsto no art. 1º Os estudantes concluintes do curso de graduação plena em Pedagogia. do direito ao exercício do magistério nos quatro anos iniciais do Ensino Fundamental.131. 2° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 2º O apostilamento deverá ser averbado no verso do diploma do interessado. Conselho Nacional de Educação. Os cursos de formação de professores para a educação básica que se encontrarem em funcionamento deverão se adaptar a esta Resolução até a data de 15 de outubro de 2005. alínea “c”.024. 1º O artigo 15 da Resolução CP 1/2002. alínea “c” da Lei 4.Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental. de 1° de fevereiro de 2005. Art. que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. no uso de suas atribuições legais. de 27 de agosto de 2004.” Art. § 2º.394/96. de acordo com o disposto no art. 65. O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. II . 9º. Parágrafo único. com vistas ao apostilamento.131. de 25 de novembro de 1995. com a redação dada pela Lei 9. curso de licenciatura. de 20 de dezembro de 1961. conferidas no art. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. e com fundamento no Parecer CNE/CP 4/2004. 9º. da Lei nº 4. de 20 de dezembro de 1961. curso de licenciatura. em diplomas de cursos de graduação em Pedagogia. . O Presidente do Conselho Nacional de Educação. 17) RESOLUÇÃO Nº 1. Câmara de Educação Superior. de 8 de dezembro de 2004. Ministério da Educação. Para os cursos concluídos anteriormente à edição da Lei 9. e III . com a redação dada pela Lei nº 9. Conselho Nacional de Educação. não haverá restrição de carga horária para Prática de Ensino-Estágio Supervisionado. resolve: Art. de 25 de novembro de 1995. 15. em nível superior. homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 12 de agosto de 2004.SEPARATA – LICENCIATURA 62 RESOLUÇÃO Nº 2. de graduação plena. 15 da Resolução CNE/CP 1/2002. com carga horária mínima de trezentas horas. terão direito ao apostilamento de habilitação para o exercício do magistério nos quatro anos iniciais do Ensino Fundamental. da Lei 9.Prática de Ensino-Estágio Supervisionado nas escolas de Ensino Fundamental. e com fundamento no Parecer CNE/CES 360. de graduação plena. em nível superior. homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 11 de janeiro de 2005.024. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. resolve: Art.396/96. desde que tenham cursado com aproveitamento: I . § 2º.Metodologia do Ensino Fundamental.

I . Após análise da proposta. Conselho Nacional de Educação. aos cursos de Licenciatura. da Câmara de Educação Básica. aos planos de formação dos alunos atualmente matriculados nas Licenciaturas ainda sob o regime dos Currículos Mínimos. esta proposta deu origem à Indicação CNE/CP nº 3/2005. Paulo Monteiro Vieira Braga Barone e Marilia. Ancona-Lopez. de autoria do. . no âmbito da Câmara de Educação Superior. A Comissão designada para apreciar a citada Indicação foi composta pelos conselheiros António Carlos Caruso Ronca. foi prorrogado de março 2004 para outubro de 2005. revogadas as disposições em contrário. a Comissão definiu que cabe às instituições de ensino superior decidir pela aplicação. foi proposta. da Câmara de Educação Superior. á Comissão propõe ao Conselho Pleno que seja aprovado o Projeto de Resolução anexo a este Parecer.conselheiro António Carlos Caruso Ronca. Por tratar-se de matéria da competência do Conselho Pleno. Considerando que o prazo inicial.SEPARATA – LICENCIATURA Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. e Considerando que a aplicação desta norma para os atuais alunos poderá acarretar sérios prejuízos tanto para os alunos como para várias instituições. em nível superior. a instalação de comissão neste Conselho para se manifestar sobre o prazo estipulado para que os cursos de licenciatura se adequassem às Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores fixadas pela Resolução CNE/CP nº 1/2002. de acordo com as suas normas internas. nos seguintes termos: Considerando as Diretrizes Curriculares para a formação de professores fixadas pela Resolução CNE/CPn° 1/2002. Art.VOTO DA COMISSÃO Diante do acima exposto. 3º Os casos não abrangidos pelas condições previstas nesta Resolução continuarão sendo apreciados pela Câmara de EDSON DE OLIVEIRA NUNES (Transcrição) (DOU de 09/02/2004 – Seção I – pág. Considerando que tanto os cursos novos como os que estão em funcionamento deverão se adequar às diretrizes no prazo máximo fixado pela Resolução CNE/CP n°2/2004. para que os cursos de Licenciatura fossem adequados a essas diretrizes. e Clélia Brandão Alvarenga Craveiro. Ministério da Educação. 15 da Resolução CNE/CP nº 1/2002. no sentido de incluir § 3º no art. II . 63 Art. ou não. das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. Este Conselho deverá manifestar-se a respeito da retroatividade das diretrizes aos atuais alunos. de graduação plena.RELATÓRIO Em 6/7/2005. aos alunos atualmente matriculados ainda sob o regime dos Currículos Mínimos. nos seguintes termos: § 3º As instituições de ensino superior decidirão pela aplicação. Conselho Pleno. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. das Diretrizes. Artur Fonseca Filho e Maria Beatriz Luce. ou não. aprovado em 13 de setembro de 2005. 14) PARECER Nº 4.

Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra .SEPARATA – LICENCIATURA Brasília (DF). Roberto Cláudio Frota Bezerra Presidente do Conselho Nacional de Educação (Transcrição) FONTE: Conselho Nacional de Educação.). 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. de 20 de dezembro de 1961. que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. com a redação dada pela Resolução CNE/CP nº 2/2004. de acordo com as suas normas internas. 1º O art.024. Brasília (DF)... em nível superior. curso de Licenciatura de graduação plena. 11) .. alínea "c" da Lei 4.Seção I . o voto da Comissão. passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo: Art. revogadas as disposições em contrário. 9º. homologado pelo Senhor Ministro da Educação em de de 2005. 15. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 13 de outubro de 2005 (DOU de 14/10/05 . 13 de setembro de 2005. em nível superior. Plenário. § 2º.p. por unanimidade. com a redação dada pela Lei 9.131. (.. § 3º As instituições de ensino superior decidirão pela aplicação. O Presidente do Conselho Nacional de Educação. ainda sob o regime dos Currículos Mínimos. 64 Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Relator Conselheiro Paulo Monteiro Vieira Braga Barone – Presidente Conselheira Marília Ancona-Lopes – Membro Conselheira Clélia Brandão Alvarenga Craveiro – Membro Conselheiro Artur Fonseca Filho – Membro Conselheira Maria Beatriz Luce – Membro III . aos cursos de Licenciatura.. 15 da Resolução CNE/CP nº 1/2002. aos alunos atualmente matriculados. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art.DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Conselho Pleno aprova. Art.Presidente CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CONSELHO PLENO PROJETO DE RESOLUÇÃO Altera a Resolução CNE/CP nº 1/2002. e com fundamento no Parecer CNE/CP nº /2005. resolve: . 13 de setembro de 2005. de graduação plena. de 25 de novembro de 1995. ou não. Art. 00001. COMENTÁRIOS. em 13 de setembro de 2005.

que dá nova redação ao item 3.O. em maio de 2004. 61. Submeteu. de graduação plena. aos cursos de Licenciatura.SEPARATA – LICENCIATURA RESOLUÇÃO Nº 1. Conselho Pleno. em especial na Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental. em nível superior. alínea “c” da Lei nº 4. à apreciação da comunidade educacional. que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. § 2º.U. em nível superior. Magistério na Educação Básica. aprovado em 13 de dezembro de 2005. chegaram ao CNE críticas. e com fundamento no Parecer CNE/CP nº 4/2005. 9º. de 20 de dezembro de 1961. ao longo dos últimos anos. arts. as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. Introdução O Conselho Nacional de Educação. assim como individualmente por estudantes e professores do curso de Pedagogia.394/96). com a redação dada pela Lei nº 9. art. das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. formas de organização do curso e de titulação a ser oferecida.6. A seguir foi promovida uma audiência pública. que define as diretrizes. na qual ficou evidente a diversidade de posições em termos de princípios. alínea “c”. designou uma Comissão Bicameral.. Esta comissão aprofundou os estudos sobre as normas gerais e as práticas curriculares vigentes nas licenciaturas. tratou-se de rever as contribuições apresentadas ao CNE. homologado por despacho do Senhor Ministro da Educação. de 1988. . 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. em nível superior. do Parecer CNE/CP n° 9/2001. assim como expressos nos debates para os quais foram convidados conselheiros membros da Comissão. em 2003. Art. os objetivos e metas. por sindicatos e entidades estudantis que congregam os que são partícipes diretos na implementação da política nacional de formação desses profissionais e de valorização do magistério. curso de licenciatura. dando prioridade às diretrizes curriculares para o curso de Pedagogia.Plano Nacional de Educação (Lei nº 10. de 25 de novembro de 1995.024. 17) PARECER Nº 5. que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica.Parecer CNE/CP nº 27/2001. Ministério da Educação. 65 Altera a Resolução CNE/CP nº 1/2002. em nível superior. com a redação dada pela Resolução CNE/CP nº 2/2004. 43. Levam também em conta. assim como em cursos de Educação Profissional para o Magistério e para o exercício de atividades que exijam formação pedagógica e estudo de política e gestão educacionais. 15. . a seguir explicitadas. Com a renovação periódica dos membros do CNE. de acordo com as suas normas internas. a legislação pertinente: . 3º. relativas à formação profissional inicial para docentes da Educação Básica. publicado no D. comissões e grupos de estudos que têm como objeto de investigações a Educação Básica e a formação de profissionais que nela atuam.Parecer CNE/CP nº 9/2001. de graduação plena. (. de graduação plena. 65 e 67. 62. . Conselho Nacional de Educação. 64. especialmente em seu item IV. I . como não poderia deixar de ser. Primeiramente. ainda sob o regime dos Currículos Mínimos. a Comissão Bicameral foi recomposta e recebeu a incumbência de tratar das matérias referentes à formação de professores. no mês de dezembro daquele ano. ROBERTO CLÁUDIO FROTA BEZERRA (Transcrição) (DOU de 23/11/2005 – Seção I – p. nos últimos 25 anos. por associações acadêmico-científicas.131. inciso VII. . Deste modo. de 17 de novembro de 2005. O Presidente do Conselho Nacional de Educação. 9º. Em resposta a essa consulta. de 14 de outubro de 2005. passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo: Art. 1º O art.. 13. formada por conselheiros da Câmara de Educação Superior e da Câmara de Educação Básica. 15 da Resolução CNE/CP nº 1/2002. levam em conta proposições formalizadas. curso de Licenciatura de graduação plena. uma primeira versão de Projeto de Resolução. revogadas as disposições em contrário. com a finalidade de diagnóstico e avaliação sobre a formação e atuação de professores. 205. em análises da realidade educacional brasileira.172/2001). curso de licenciatura. que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. com a finalidade de definir Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia.Constituição da República Federativa do Brasil. . ou não. bem como sobre a situação paradoxal da formação de professores para a educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental. aos alunos atualmente matriculados. sugestões encaminhadas por correio eletrônico e postal ou por telefone. Conselho Nacional de Educação.RELATÓRIO .) § 3º As instituições de ensino superior decidirão pela aplicação.Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9. resolve: Art. de março a outubro de 2005.

indicavam como finalidade do curso preparar profissionais da educação assegurando possibilidade de obtenção do título de especialista. assumirem funções de administração. fosse feita no curso de graduação em Pedagogia. à época. permitia o magistério nos anos iniciais de escolarização. no Ministério da Educação. A Lei da Reforma Universitária nº 5. com funções especializadas e descentralizadas. permitia o registro para o exercício do magistério nos cursos normais. ainda. em nível superior. para o curso de Pedagogia. que traziam. proporcionada pela democratização da vida civil e da gestão pública. assim. Regulamentado pela primeira vez. curso de licenciatura. inclusive nos planos de carreira. para dentro das escolas. a ele se atribuiu o “estudo da forma de ensinar”. Breve Histórico do Curso de Pedagogia No Brasil. de pesquisa e desenvolvimento tecnológico da educação. Logo. em todo o território nacional. Matemática. teve definido como seu objeto de estudo e finalidade precípuos os processos educativos em escolas e em outros ambientes. Seguindo este esquema. sob o argumento de que “quem pode o mais pode o menos” ou de que “quem prepara o professor primário tem condições de ser também professor primário”. que institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura.SEPARATA – LICENCIATURA 66 . mediante concurso. em que experiências e propostas inovadoras foram tencionadas. orientação a professores. e o título de licenciado que permitia atuar como professor. em nível superior. assim como outras especialidades necessárias ao desenvolvimento nacional e às peculiaridades do mercado de trabalho. . a oferta de habilitações: Supervisão.Resolução CNE/CP nº 1/2002. professores primários que realizavam estudos superiores em Pedagogia para. mediante complementação de estudos. assim como de um longo processo de consultas e de discussões. ainda que. bacharelado e licenciatura em Pedagogia. a quem cursasse três anos de estudos em conteúdos específicos da área. para orientação da aprendizagem de crianças e adolescentes das classes populares. possibilidades e carências verificadas nas instituições escolares. nas secretarias dos estado e dos municípios. Sociais. No processo de desenvolvimento social e econômico do país. Didática e Prática de Ensino. com a ampliação do acesso à escola. O então curso de Pedagogia dissociava o campo da ciência Pedagogia. História. A Resolução CFE nº 2/1969 determinava que a formação de professores para o ensino normal e de especialistas para as atividades de orientação. visões de mundo diversas e perspectivas de cidadania muito mais variadas. Geografia e Estudos Sociais. sobremaneira a educação de crianças nos anos iniciais de escolarização. Regulamentada pelo Parecer CFE nº 292/1962. Em todas estas atividades os licenciados em Pedagogia provaram qualificação. Esse mecanismo centralizador da organização curricular pretendia definir a especificidade do bacharel em Pedagogia e visava manter uma unidade de conteúdo. em nível superior. tendo concluído o bacharelado. Estes eram. a dualidade. do conteúdo da Didática. em 1939. de 1968. que aos licenciados em Pedagogia também era concedido o registro para lecionar Matemática. de graduação plena. formava-se o professor que iria lecionar as matérias pedagógicas do Curso Normal de nível secundário. de que resultava o grau de licenciado. a licenciatura previa o estudo de três disciplinas: Psicologia da Educação. também trouxe novas necessidades para a gestão escolar. aos que. Elementos de Administração Escolar. é decorrente da concepção normativa da época. . Em 1969. pois. quais sejam fundamentos e teorias educacionais. cresceram as exigências de qualificação docente. supervisão e inspeção. administração. Química. nos termos do Decreto-Lei nº 1. cursassem mais um ano de estudos. que dispunham sobre a organização e o funcionamento do curso de Pedagogia. além da gestão educacional.normal rural. que alinhava todas as licenciaturas ao denominado “esquema 3+1”.190/1939. Com o advento da Lei n° 4. quer no primeiro ciclo. Ressalta-se. pelo qual era feita a formação de bacharéis nas diversas áreas das Ciências Humanas. maior autonomia e responsabilidade institucional. inspeção de escolas. dedicados à Didática e à Prática de Ensino. avaliações institucionais e de resultados acadêmicos da formação inicial e continuada de professores foram confrontados com práticas docentes. .540. ao longo de sua história. A dicotomia entre bacharelado e licenciatura levava a entender que no bacharelado se formava o pedagogo que poderia atuar como técnico em educação e. manifesta na estrutura curricular do esquema 3+1. de graduação plena. não devesse haver a ruptura entre conteúdos e métodos. de graduação plena. o Parecer CFE n° 252 e a Resolução CFE nº 2. o curso de Pedagogia oferecia o título de bacharel. Administração e Inspeção Educacional. facultava à graduação em Pedagogia. De outra parte. nos termos daquele Parecer. Letras. que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. assessoramento às escola e aos órgãos de administração dos sistemas de ensino foi valorizada. na licenciatura. A padronização do curso de Pedagogia. planejamento de currículos. Naturais. esta última em forma de Estágio Supervisionado. ou no segundo. Merece ser salientado que. Artes. Física. a complexidade organizacional e pedagógica. curso de licenciatura. a formação para a docência. posteriormente denominados magistério de 2º grau e. o ginasial . de formação de professores da Educação Básica. o curso de Pedagogia. do determinado na legislação em vigor.Resolução CNE/CP nº 2/2002. manteve-se o esquema 3+1. aplicável como critério para transferências de alunos.Parecer CNE/CP nº 28/2001 que dá nova redação ao Parecer CNE/CP nº 21/2001. Em 1961. Mantinhase. estabelecendo a duração e a carga horária dos cursos de Formação de Professores da Educação Básica. foi definido como lugar de formação de “técnicos em educação”. para cargos de direção.024/1961 e a regulamentação contida no Parecer CFE nº 251/1962. avaliação do desempenho dos alunos e dos docentes. nas primeiras propostas para este curso. abordando-os em cursos distintos e tratando-os separadamente. Orientação. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia resultam. no primeiro ciclo do ensino secundário. . fixara-se o currículo mínimo do curso de bacharelado em Pedagogia. Como licenciatura. composto por sete disciplinas indicadas pelo CFE e mais duas escolhidas pela instituição.

Durante muitos anos. execução. passou a constituir. como para o planejamento. Coincidentemente. pensar a proposta de formação dos especialistas em Educação. no curso de Pedagogia. reflexões e propostas consistentes. em diferentes perspectivas. passasse a ser a área de atuação do egresso do curso de Pedagogia. professores para atuarem na Educação Pré-escolar e nas séries iniciais do Ensino de 1º Grau. entretanto responsáveis por disciplinas “fundamentais” destes cursos. buscando formação aprofundada na área de gestão de instituições e de sistemas de ensino. um dos requisitos para o desenvolvimento da Educação Básica no País. Sem desconhecer a contribuição dos cursos de Pedagogia. Assim. nas séries iniciais do Ensino de 1º Grau e também na Pré-Escola. Desde 1985. bem como a desafiante crítica de que os estudos em Pedagogia dicotomizavam teoria e prática. orientadores e administradores escolares haviam aprendido. Sob esta perspectiva. tiveram suporte importante de conhecimentos sobre a docência nos anos iniciais do Ensino Fundamental e na Educação Infantil. em face do entendimento que tem a sua razão de ser na articulação dialética da teoria e da prática. na vivência do dia-a-dia como docentes. não é demais enfatizar que o curso de graduação em Pedagogia. em diferentes habilitações. desenvolveram análises. orientar. em especial. foi se constituindo como o principal locus da formação docente dos educadores para atuar na Educação Básica: na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. além do de gerir escolas. contou com adeptos de abordagens até contraditórias. Com uma história construída no cotidiano das instituições de ensino superior. importa considerar a evolução das trajetórias de profissionalização no magistério das séries iniciais do Ensino de 1º Grau. Por isso. fase em que os termos pedagogia e pedagógico passaram a ser utilizados apenas em referência a aspectos metodológicos do ensino e organizativos da escola. tem crescido o número de licenciados em outras áreas do conhecimento. em nível de pós-graduação. entre muitos outros temas: educação de jovens e adultos. A justificativa para essa solicitação é a de que os estudos feitos para a atuação em funções de gestão tanto administrativa quanto pedagógica de instituições de ensino. O curso de Pedagogia. Ponderavam que estudar processos educativos. que destacavam o tecnicismo na educação. de modo a formar. Fundamentavam-se na concepção de Pedagogia como práxis. entre eles docentes sem ou com pouca experiência em trabalho nos anos iniciais de escolarização. na trilha conceptual do curso de Pedagogia como aqui explicitada. hoje. aprender. crescia o número de estudantes sem experiência docente e formação prévia para o exercício do magistério. estavam os processos de ensinar. a educação dos povos indígenas. Como sempre. bem como da Pré-Escola. transformar. avaliar e elaborar materiais didáticos eram ações menores. Para tal. para a formação destes profissionais e de pesquisadores na área. Já outros críticos. para contemplar. comunitárias e populares. Em conseqüência. habilitados para o magistério na Educação Infantil e no início do Ensino Fundamental é evidente. a educação infantil. a educação na cidade e no campo. várias universidades efetuaram reformas curriculares. com vistas ao exercício da docência nestas etapas. por meio de cursos de especialização. Essa situação levou os cursos de Pedagogia a enfrentarem. selecionar conteúdos. a educação a distância e as novas tecnologias de informação e comunicação aplicadas à educação. dos meninos e meninas de rua. bem como boa parte dos primeiros supervisores. não há como sustentar que esta seja exclusiva do Licenciado em Pedagogia. os professores das escolas normais. entender e manejar métodos de ensino. Disso resultou uma ampla concepção acerca do curso de Pedagogia incluída a de que a docência. atividades educativas em instituições não-escolares. reconhecidamente. do ensino e do trabalho pedagógico que se realiza na práxis social. no curso de Pedagogia. Por conseguinte. avaliar. elaborando corpos teóricos e encaminhamentos práticos. com uma gama ampla de habilitações para além da docência no Magistério das Matérias Pedagógicas do então 2º Grau. no centro das preocupações e das decisões. e para as funções designadas como especialistas. com alguma ou muita experiência em sala de aula. acompanhamento e avaliação de processos educativos escolares ou não. Alguns críticos do curso de Pedagogia e das licenciaturas em geral. que se dirigem ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para solicitar apostilamento em seus diplomas. desde então. . O reconhecimento dos sistemas e instituições de ensino sobre as competências e o comprometimento dos Licenciados em Pedagogia. a educação das relações étnico-raciais. é bastante expressivo o número de instituições em todo o país que oferecem essas habilitações na graduação. o curso de Pedagogia passou a ser objeto de severas críticas. sobre os processos nos quais pretendiam vir a influir. elaborar e executar planos e projetos. inclusive pelo quantitativo de formadas(os) e formandas(os) em Pedagogia. Apresenta. entendiam que a prática teria menor valor. O movimento de educadores. a maior parte dos que pretendiam graduar-se em Pedagogia eram professores primários. notória diversificação curricular. por excelência. em busca de um estatuto epistemológico para a Pedagogia. vai amalgamando experiências de formação inicial e continuada de docentes. há que se ressaltar a importância de. nos anos 1990. a educação nos remanescentes de quilombos. a partir de agora.SEPARATA – LICENCIATURA 67 Atentas às exigências do momento histórico. nem sempre com sucesso. a problemática do equilíbrio entre formação e exercício profissional. acompanhar. a inclusão escolar e social das pessoas com necessidades especiais. estudiosos de práticas e de processos educativos. É nesta realidade que se pretende intervir com estas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. A formação dos profissionais da educação. firmaram a compreensão de que a Pedagogia trata do campo teórico-investigativo da educação. À medida que o curso de Pedagogia foi se tornando lugar preferencial para a formação de docentes das séries iniciais do Ensino de 1º Grau. já no início da década de 1980. para trabalhar tanto com crianças quanto com jovens e adultos. ampliam-se disciplinas e atividades curriculares dirigidas à docência para crianças de 0 a 5 e de 6 a 10 anos e oferecem-se diversas ênfases nos percursos de formação dos graduandos em Pedagogia.

culturais. subsidiárias da formação dos educadores. a aplicação de contribuições de campos de conhecimentos. que se qualificam com base na docência da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. a diversidade sociocultural e regional do país. da vida cotidiana. Na organização do curso de Pedagogia. nos anos iniciais do Ensino Fundamental. . a elaboração. Tais práticas compreendem tanto o exercício da docência como o de diferentes funções do trabalho pedagógico em escolas. entre outras. nos cursos de Ensino Médio de modalidade Normal e em cursos de Educação Profissional. bem como de articulação entre as organizações tradicionais indígenas e o restante da sociedade brasileira. A educação do licenciado em Pedagogia deve. como referência. o antropológico. o político. As Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. a formação em Pedagogia inicia-se no curso de graduação. reproduzem ou criam novas relações de poder. além da organização. também dos processos educativos por estas desencadeados. de sistemas educativos escolares. integradamente à docência. o histórico. isto é. 30 . na área de serviços e apoio escolar. reflexão crítica e experiência no planejamento. de identificar e gerir. a participação da gestão e avaliação de sistemas e instituições de ensino em geral. Finalidade do Curso de Pedagogia Estas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia ancoram-se na história do conhecimento em Pedagogia. o planejamento. bem como orientar práticas de gestão de processos educativos escolares e nãoescolares. execução e avaliação do ato docente e de suas repercussões ou não em aprendizagens. ética e sensibilidade afetiva e estética. o sociológico. a organização federativa do Estado brasileiro. por meio de investigação. de orientações normativas destinadas a apresentar princípios e procedimentos a serem observados na organização institucional e curricular. ideológica e teórica. 583/2001 e 67/2003. Ancoram-se também no avanço do conhecimento e da tecnologia na área. das artes. assim como acompanhar a trajetória de seus egressos. O propósito dos estudos destes campos é nortear a observação. Este repertório deve se constituir por meio de múltiplos olhares. com vistas à inclusão plena. o psicológico. pertinência e relevância social. funcionamento e avaliação de sistemas e de estabelecimentos de ensino. entre outros aspectos. bem como organização e desenvolvimento de programas não-escolares. a coordenação. cuja consolidação será proporcionada pelo exercício da profissão. A formação oferecida abrangerá. o respeito a diferentes concepções teóricas e metodológicas próprias da Pedagogia e àquelas oriundas de áreas de conhecimento afins. na Universidade Estadual de Mato Grosso e Licenciatura Intercultural na Universidade Federal de Roraima. educação para e na cidadania. Os movimentos sociais também têm insistido em demonstrar a existência de uma demanda ainda pouco atendida. na historia da formação de profissionais e de pesquisadores para a área de Educação. assim como para a participação no planejamento. pois. com especial atenção: os princípios constitucionais e legais.SEPARATA – LICENCIATURA 68 Enfatiza-se ainda que grande parte dos cursos de Pedagogia. que proporcionam leitura das relações sociais e étnico-raciais. gestão e avaliação de estabelecimentos de ensino. É necessário que saiba. em perspectiva histórica. estas sempre planejadas e supervisionadas com a colaboração dos estudantes. em práticas educativas. quando os estudantes são desafiados a articular conhecimentos do campo educacional com práticas profissionais e de pesquisa. próprios das ciências. bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. a competência dos estabelecimentos de ensino e dos docentes para a gestão democrática. nas disciplinas pedagógicas para a formação de professores. cultural. em que se incluem. propiciar. hoje. . conforme os Pareceres CNE/CES nos 776/1997. Visam a estabelecer bases comuns para que os sistemas e as instituições de ensino possam planejar e avaliar a formação acadêmica e profissional oferecida. a consolidação da formação iniciada terá lugar no exercício da profissão que não pode prescindir da qualificação continuada. há de se adotar. geradores de relações sociais e étnico-raciais que fortalecem ou enfraquecem identidades. com a finalidade. a realização de pesquisas que apóiem essas práticas. o cultural. o econômico. avaliação de atividades educativas. que entre os povos indígenas. dever-se-á observar. as experiências de formação de professores indígenas30. das culturas. fundamentando-se em interdisciplinaridade. contextualização. a proposição. elementos mantenedores. Também é central. tem como objetivo central a formação de profissionais capazes de exercer a docência na Educação Infantil. a avaliação de práticas educativas em espaços não-escolares. dos segmentos historicamente excluídos dos direitos sociais. a escola se constitui em forte mecanismo de desenvolvimento e valorização das culturas étnicas e de sustentabilidade econômica. o ambiental-ecológico. Princípios O graduando em Pedagogia trabalha com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos. Para a formação do licenciado em Pedagogia é central o conhecimento da escola como uma organização complexa que tem a função social e formativa de promover. democratização. políticos. execução. análise. no sentido de que os estudantes de Pedagogia sejam também formados para garantir a educação. que tratam da elaboração de diretrizes curriculares. territorial das comunidades. assim como nas demandas de democratização e de exigências de qualidade do ensino pelos diferentes segmentos da sociedade brasileira. com eqüidade. realização. Na aplicação destas Diretrizes Curriculares. em padrão de qualidade reconhecido no País. para essa formação. como o filosófico. o lingüístico. análise de pesquisas e a aplicação de resultados. Entre outras 3° grau Indígena. Constituem-se. transformadores. entre outras empenhadas em eqüidade. a pluralidade de idéias e de concepções pedagógicas. o acompanhamento de programas e as atividades educativas. econômicos. Assim concebida. a execução. política. Nesta perspectiva.

Finalmente é central a participação na gestão de processos educativos.atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa. coordenação. acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área de educação. Desta forma. igualitária. posturas e atitudes éticas. a todos. a docência é compreendida como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional.o professor é agente de (re)educação das relações sociais e étnico-raciais.a docência compreende atividades pedagógicas inerentes a processos de ensino e de aprendizagens. Objetivo do Curso de Pedagogia O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. em meios ambiental-ecológicos. o egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: . ao acompanhamento. derivar em atividades de extensão e de pós-graduação. . uns com os outros.docência na Educação Infantil. bem como análise. Por conseguinte. nos cursos de Ensino Médio. diversidade de conhecimentos e de práticas. princípios e objetivos da Pedagogia. . crítica. à coordenação. discussão. como também na produção e disseminação de conhecimentos da área da educação. . descolados de realidades históricas específicas. de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. equânime. Assim sendo. Com efeito. bem como à formação de professores e de outros educadores para essas etapas de escolarização.gestão educacional. laborais.o curso de Pedagogia trata do campo teórico-investigativo da educação. as quais influenciam conceitos. . coordenação. espera-se que forneçam informações para políticas destinadas à Educação Infantil. Políticas essas que busquem garantir. com vistas a garantir iguais direitos. que se articulam ao longo do curso. do ensino. de aprendizagens e do trabalho pedagógico que se realiza na práxis social. bem como de valores. assegurando comunicação. na área de serviços e apoio escolar. a docência. de um lado espera-se que contribuam para o periódico redimensionamento das condições em que educadores e educandos participam dos atos pedagógicos em que são implicados. em duplo sentido. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino. com a perspectiva de uma organização democrática.SEPARATA – LICENCIATURA 69 Tais processos e os conhecimentos neles produzidos. o exercício da profissão e as exigências de educação continuada. em estabelecimentos devidamente instalados e equipados. das quais formandos ou formados das diferentes áreas venham juntos participar.produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional. que integre as diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos escolares e não-escolares. . acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas não-escolares. que tem a docência como base. execução. isto é. à avaliação de planos e de projetos pedagógicos.planejamento. além de em outras áreas nas quais conhecimentos pedagógicos sejam previstos. Desse ponto de vista. construído em relações sociais. além daquelas próprias da gestão dos processos educativos em ambientes escolares e não-escolares. implementação. . especialmente no que se refere ao planejamento.produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico do campo educacional. não se confunde com a utilização de métodos e técnicas pretensamente pedagógicos. Perfil do Licenciado em Pedagogia Para traçar o perfil do egresso do curso Pedagogia. entendida numa perspectiva democrática. na organização e funcionamento de sistemas e de instituições de ensino. gerida por profissionais qualificados e valorizados. o que mostra a conveniência de uma base comum de formação entre as licenciaturas.os processos de ensinar e de aprender dão-se. tanto professoras(es) como alunas(os) ensinam e aprendem. há de se considerar que: . O mesmo ocorre com a formação de outros licenciados. Nesta perspectiva. de manifestações estéticas. lúdicas. na modalidade Normal. no plano institucional. propostas dos diferentes segmentos das instituições educacionais escolares e não-escolares. . à administração. . a pluralidade de conhecimentos e saberes introduzidos e manejados durante o processo formativo do licenciado em Pedagogia sustenta a conexão entre sua formação inicial. reconhecimento e valorização das diferentes dimensões que compõem a diversidade da sociedade. De outro lado. tanto em processos educativos escolares como não-escolares. em que a co-responsabilidade e a colaboração são os constituintes maiores das relações de trabalho e do poder coletivo e institucional. . étnico-raciais e produtivas. englobando: . de modo a. aos anos iniciais do Ensino Fundamental. o direito à educação de qualidade. assim como em Educação Profissional. o perfil do graduado em Pedagogia deverá contemplar consistente formação teórica. nos anos iniciais do Ensino Fundamental. . nas disciplinas pedagógicas do curso de Ensino Médio na modalidade Normal. Entende-se que a formação do licenciado em Pedagogia fundamenta-se no trabalho pedagógico realizado em espaços escolares e não-escolares. acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação. execução. formulação. de redimensionamentos das funções pedagógicas e de gestão da escola. Constitui-se na confluência de conhecimentos oriundos de diferentes tradições culturais e das ciências.planejamento. o campo de atuação do licenciado em Pedagogia deve ser composto pelas seguintes dimensões: . em contextos escolares e não-escolares.

étnico-raciais. étnico-racial. e em ambientes não-escolares. deverão: . dependendo das necessidades e interesses locais e regionais. educação hospitalar.atuar como agentes interculturais. da gestão dos processos educativos escolares e não-escolares. Ciências. pelo histórico escolar do egresso. Sendo a docência a base da formação oferecida. psicológica. . na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano. religiosas. educação étnico-racial. em ambientes escolares e não-escolares. da produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico do campo educacional.SEPARATA – LICENCIATURA 70 . Essas mesmas orientações se aplicam à formação de professores para escolas de remanescentes de quilombos ou que se caracterizem por receber populações de etnias e culturas específicas. necessidades especiais. religiões. implementação. entre outras. educação prisional. classes sociais. educação de pessoas jovens e adultas. políticas e outras. cuidar e educar crianças de zero a cinco anos.utilizar. em diferentes meios ambiental-ecológicos. História. orientações filosóficas. sobre propostas curriculares. na modalidade Normal e de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras em que disciplinas pedagógicas estejam previstas. com vistas a valorização e o estudo de temas indígenas relevantes.participar da gestão das instituições em que atuem enquanto estudantes e profissionais. aprofundadas questões que devem estar presentes na formação de todos os educadores. respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica. nos processos didático-pedagógicos. de forma a contribuir. particularmente de crianças. . Língua Portuguesa.trabalhar. coordenação. . das situações em que atuam. com o qual fazem jus a atuar como docentes na Educação Infantil. executando. sobre processos de ensinar e de aprender. . cognitivas. no planejamento. econômicas. . Organização do Curso de Pedagogia O curso de Pedagogia oferecerá formação para o exercício integrado e indissociável da docência.demonstrar consciência da diversidade. instrumentos próprios para construção de conhecimentos pedagógicos e científicos. . .desenvolver trabalho em equipe. sem excluir o acima explicitado. em diversos níveis e modalidades do processo educativo. entre outros: sobre seus alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares. políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena junto a quem atuam e os provenientes da sociedade majoritária. . assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria. os seus egressos recebem o grau de Licenciados(as) em Pedagogia. para o seu desenvolvimento nas dimensões. modos de vida. Conseqüentemente. nos anos iniciais do Ensino Fundamental e em disciplinas pedagógicas dos cursos de nível médio. para os devidos fins. educação de pessoas com necessidades educacionais especiais. entre outras. sempre a partir da formação comum da docência na Educação Básica e com objetivos próprios do curso de Pedagogia. . culturais. executar.compreender.participar da gestão das instituições em que atuem planejando. com propriedade.fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental. educação comunitária ou popular.estudar.promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa. execução e avaliação de programas e projetos pedagógicos em sistemas e unidades de ensino. especialmente. . social. e sobre a organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas.realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos. educação do campo. entre outras.relacionar as linguagens dos meios de comunicação aplicadas à educação. poderão ser. a educação a distância. . dada a particularidade das populações com que trabalham. Matemática. . faixas geracionais. . emocionais e afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas. aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras determinações legais que lhe caiba implantar. educação nos remanescentes de quilombos. . em espaços escolares e não-escolares. O projeto pedagógico de cada instituição deverá circunscrever áreas ou modalidades de ensino que proporcionem aprofundamento de estudos. O aprofundamento em uma dessas áreas ou modalidade de ensino específico será comprovado. .identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa. demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas.reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas. relativas. Geografia. educação indígena. valores. neste curso. com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais. de gêneros. contribuindo para elaboração. acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais. escolhas sexuais. Educação Física. integrativa e propositiva em face de realidades complexas. . No caso dos professores indígenas e de professores que venham a atuar em escolas indígenas. não configurando de forma alguma uma habilitação. física. estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento. a família e a comunidade. avaliar e encaminhar o resultado de sua avaliação às instâncias competentes. acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico.aplicar modos de ensinar diferentes linguagens. .promover diálogo entre conhecimentos. de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano. Artes. intelectual.

afetiva. Matemática. um núcleo de estudos integradores que proporcionará enriquecimento curricular e compreenderá: . as de participação em eventos e em outras atividades acadêmico-científicas. nacional e até mesmo internacional. as de pesquisa. concepções e critérios oriundos de diferentes áreas do conhecimento. Por conseguinte. implementação e avaliação de processos educativos e de experiências educacionais. oportunizará. Compreenderá. a pluralidade de idéias e concepções pedagógicas. Educação Física. sustentabilidade. étnico-racial e regional do País. além das aulas e dos estudos individuais e coletivos. b) avaliação. cidadania. de reflexão e ações críticas. nas suas fases inicial e continuada. cultural. e) aplicação. a diversidade social. no campo da Pedagogia e das áreas de conhecimento integrantes e subsidiárias à formação de educadores. sem perder de vista a diversidade e a multiculturalidade da sociedade brasileira. comunitárias. com pertinência ao campo da Pedagogia. jovens e adultos. planejamento. justiça. História e Geografia. h) estudo da Didática. A estrutura do curso de Pedagogia. consoante aos princípios constitucionais e legais anteriormente enunciados. um de aprofundamentos e diversificação de estudos e outro de estudos integradores que propiciem. no planejamento e na realização de atividades educativas. assistenciais. com especial atenção. as de monitoria. entre outras problemáticas centrais da sociedade contemporânea. há que se adotar como princípio o respeito e a valorização de diferentes concepções teóricas e metodológicas. de teorias relativas à construção de aprendizagens. diversidade cultural. das relações étnico-raciais. no contexto do exercício profissional. amplitude e identidade institucional. aplicação e avaliação dos textos legais relativos à organização da educação nacional. à preservação do meio ambiente articuladamente à da saúde e da vida. análise. de modo particular nas escolas. como já foi dito anteriormente. procedimentos e processos de aprendizagem que contemplem a diversidade social e cultural da sociedade brasileira. um núcleo de aprofundamento e diversificação de estudos voltado às áreas de atuação profissional priorizadas pelos projetos pedagógicos das instituições e que.172/2001). relativos à Língua Portuguesa. . aos anos iniciais do Ensino Fundamental e à formação de professores e de profissionais na área de serviços e apoio escolar. à estética e à ludicidade. pertinentes aos primeiros anos de escolarização. lúdica. a pesquisa. dialogicidade. execução e avaliação de experiências que considerem o contexto histórico e sociocultural do sistema educacional brasileiro. por meio do estudo acurado da literatura pertinente e de realidades educacionais. e suas repercussões na vida social. em situações de aprendizagem. ao mesmo tempo. além do trabalho didático com conteúdos. constituirse-á de: . no sentido de que a formação de professores. dando-se especial atenção à educação das relações de gênero. 12 e 13 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9. práticas de trabalho pedagógico. k) atenção às questões atinentes à ética. particularmente. Igual atenção deve ser conferida às orientações contidas no Plano Nacional de Educação (Lei nº 10. reconhecimento da diversidade. no que diz respeito à Educação Infantil. análise e avaliação de teorias da educação. os princípios constitucionais e legais. materiais didáticos. articulará: a) aplicação de princípios. além de outras questões de relevância local. g) planejamento. de conhecimentos de processos de desenvolvimento de crianças. respeito mútuo. criação e uso de textos. deverão ser observados. regional. relativas à formação do licenciado. empresariais. articulando o saber acadêmico. atendendo a diferentes demandas sociais. estética. o conjunto de competências dos estabelecimentos de ensino e dos docentes. a organização federativa do Estado brasileiro. de processos de organização do trabalho docente. d) utilização de conhecimento multidimensional sobre o ser humano.SEPARATA – LICENCIATURA 71 Na organização curricular do curso de Pedagogia. entre outras possibilidades: a) investigações sobre processos educativos e gestoriais. ética e biossocial. outras. adolescentes. A organização curricular do curso de Pedagogia oferecerá um núcleo de estudos básicos. contemple a educação dos cidadãos(ãs). à educação sexual. Este preceito é denotativo da formação acadêmico-científica de qualidade e ensejará a contribuição do Licenciado em Pedagogia na definição do projeto pedagógico das instituições. socialização e elaboração de conhecimentos. a extensão e a prática educativa. Ciências. as de estágio curricular. tolerância. de captar contradições e de considerá-lo nos planos pedagógico e de ensino-aprendizagens. c) estudo. i) decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças. em práticas educativas. valorização das diferentes culturas. artística. de tecnologias da informação e comunicação e de diversas linguagens. cognitiva. nos sistemas de ensino e atividades sociais em que atuar. relativamente à educação. solidariedade. em âmbitos escolares e não-escolares. tendo em vista uma ação norteada pela ética. que contribuam para o desenvolvimento das pessoas. em diferentes situações institucionais-escolares. em ambientes escolares e não-escolares. f) realização de diagnóstico sobre necessidades e aspirações dos diferentes segmentos da sociedade. respeitadas a diversidade nacional e a autonomia pedagógica das instituições.394/1996) e o princípio da gestão democrática e da autonomia. um núcleo de estudos básicos que. de teorias e metodologias pedagógicas. que alarguem as experiências dos estudantes e consolidem a sua formação. j) estudo das relações entre educação e trabalho. das organizações e da sociedade. Artes. nas dimensões: física. sendo capaz de identificar diferentes forças e interesses. . previstas nos arts. as de extensão. a fim de elaborar propostas educacionais consistentes e inovadoras. l) estudo. b) aplicação de princípios da gestão democrática em espaços educativos. na aplicação destas diretrizes curriculares. c) observação.

que nos anos iniciais do Ensino Fundamental os alunos devem ser introduzidos nos códigos instituídos da língua escrita e da linguagem matemática com a finalidade de desenvolverem o seu manejo. valores. pois. por meio de movimentos sociais. monitorias. Desta forma. além de oportunizar a inserção na realidade social e laboral de sua área de formação. políticas. Inclusão e atenção às necessidades educacionais especiais são exigências constitutivas da educação escolar. culturais devem proporcionar. Destaca-se da mesma forma a relevância das investigações sobre as especificidades de como crianças aprendem nas diversas etapas de desenvolvimento. Estudos vêm demonstrando que o desconhecimento dessas particularidades. as práticas docentes deverão ocorrer ao longo do curso. fundamentalmente: a compreensão dos processos de formação humana e das lutas históricas nas quais se incluem as dos professores. Esses estudos deverão. sobremaneira.realizar apenas parcialmente determinadas atividades. rompendo com uma visão da criança como um “vir a ser”. nacionais. Os núcleos de estudos deverão proporcionar aos estudantes. ainda. acolhendo os alunos que demonstrem qualquer tipo de limitação ou deficiência que: . níveis do sistema educacional que vêm abrigando maior número de pessoas com necessidades especiais. a produção e divulgação de conhecimentos na área da educação que instigue o Licenciado em Pedagogia a assumir compromisso social. em todos os ambientes sociais. Este estudo deverá possibilitar a construção de referências para interpretar processos educativos.requeiram meios não convencionais ou não utilizados por todos os demais alunos para alcançar determinados objetivos curriculares. político. É importante ainda considerar. O projeto pedagógico do curso de Pedagogia deverá contemplar. da organização do trabalho pedagógico. extensão. b) participação em atividades práticas. posturas. para a educação da infância a partir do entendimento de que as crianças são produtoras de cultura e produzidas numa cultura. assegurando aprofundamentos e diversificação de estudos. Nessa perspectiva. A dinamicidade do projeto pedagógico do curso de Pedagogia deverá ser garantida por meio da organização de atividades acadêmicas. Daí decorre a exigência precípua de o curso de Pedagogia examinar o modo de realizar trabalho pedagógico. de modo a propiciar aos estudantes vivências. estágios. experiências e utilização de recursos pedagógicos. planejar. Em outras palavras. c) atividades de comunicação e expressão cultural. sempre ensina e aprende conteúdos. . Por conseguinte. examinar. na sua relação ensinar-aprender. comprometidos com a aprendizagem significativa. o Licenciado em Pedagogia precisa conhecer processos de letramento. especialmente as de zero a três anos em espaços que não os da família. e para participar da gestão de sistemas e de instituições escolares e não-escolares. monitoria e extensão. os Licenciados em Pedagogia. a produção teórica. experiências cada vez mais complexas e abrangentes de construção de referências teórico-metodológicas próprias da docência. e em decorrência há especificidades nos modos como aprendem. geradas em diferentes contextos. . procedimentos que se circunscrevem em instâncias ideológicas. Os estudos das metodologias do processo educativo não se descuidarão de compreender. seminários. concomitantemente. das teorias educacionais e de questões correlatas. elas se manifestam por meio de linguagens próprias à faixa etária. pôr em prática e avaliar processos de ensino e de aprendizagem. incentivando para que haja a convivência do conjunto da sociedade. diretamente orientados pelo corpo docente da instituição de Educação Superior. como um todo. em projetos de iniciação científica. para a democratização da Educação Básica no país. tem gerado procedimentos impróprios e até de violência às linguagens e necessidades do educando. deverão ser capazes de perceber e argumentar sobre e pela qualidade da formação humana e social em escolas e organizações. tais como: iniciação científica. O estudo dos clássicos. conhecer a pluralidade de bases do pensamento educacional. para planejar. ou.os levem a apresentar dificuldades extremamente acentuadas para a realização de determinadas atividades. entre outras. nas mais diferentes áreas do campo educacional. A aprendizagem dessas crianças difere daquelas entre 7 e 10 anos. sociais. aos estudantes. mas um princípio do trabalho educativo. os professores deverão sentir-se sempre desafiados a trabalhar com postura ética e profissional. Por isso. como quem aprende. tem que se destacar a importância desses profissionais conhecerem as políticas de educação inclusiva e compreenderem suas implicações organizacionais e pedagógicas. A inclusão não é uma modalidade. sempre tendo presente que tanto quem ensina. econômicas e culturais. uma vez que atuarão na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental.os impeçam de realizar determinadas atividades. modos de ensinar a decodificação e a codificação da linguagem escrita. não há como estudar processos educativos. Por isso. sem explicitar o que se quer ensinar e o que se pretende aprender. buscando estabelecer uma relação dialógica entre quem ensina e quem aprende. se articular com os fundamentos da prática pedagógica. . desde seu início. . implementar e avaliar processos pedagógicos. sociais. participação em eventos científicos e outras alternativas de caráter científico. cultural e artístico. de consolidar o domínio da linguagem padrão e das linguagens da matemática. atitudes.SEPARATA – LICENCIATURA 72 a) participação em seminários e estudos curriculares. na sua diversidade. que ocorram dentro e fora das instituições de ensino.

os estudantes e seus professores pesquisem. quando oferecem o curso de Pedagogia. a educação do campo. da gestão dos processos educativos escolares e não-escolares.disciplinas. as exigências e o lugar particular do curso de Pedagogia na educação superior brasileira.800 horas dedicadas às atividades formativas como assistência a aulas. . Os estudantes desenvolverão seus estudos mediante: . registra-se a orientação de que também estas. desde o início do curso. lúdica. em suas múltiplas dimensões: física. e a ação docente constituem-se na centralidade do processo formativo do Licenciado em Pedagogia. . diretamente orientadas por membro do corpo docente da instituição de educação superior decorrentes ou articuladas às disciplinas. se for o caso. seminários e atividades de natureza predominantemente teórica que farão a introdução e o aprofundamento de estudos. formação do licenciado em Pedagogia se faz na pesquisa. Os três núcleos de estudos. Sabendo-se da realidade das instituições de educação superior não-universitárias e do papel que lhes cabe para que se concretizem os objetivos de universalização da formação de professores para a Educação Básica. fatos. situando processos de aprender e ensinar historicamente e em diferentes realidades socioculturais e institucionais que proporcionem fundamentos para a prática pedagógica. que a inclusão de disciplinas como Introdução à Pesquisa ou Metodologia do Trabalho Científico não configura por si só atividade de pesquisa. situações. estudos curriculares. estimula e prepara para a continuidade do estudo. estas diretrizes não esgotam. ética e biossocial. alfabetiza em múltiplas linguagens. em organizações não-governamentais.100 horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse dos alunos. compartilha os conhecimentos adquiridos em sua prática. atividades de monitoria. atividades práticas de diferente natureza. e opcionalmente. devem propiciar a formação daquele profissional que: cuida. valorizem e levem em conta ao planejar situações de ensino.práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos graduandos a observação e acompanhamento. seminários.SEPARATA – LICENCIATURA 73 Merece. de seminários e de outras práticas educativas. Esta exigência se faz a partir do entendimento manifestado pela significativa maioria de propostas enviadas ao Conselho Nacional de Educação. Em face do objetivo atribuído ao curso de graduação em Pedagogia e ao perfil do egresso. Ressalta-se a concepção de trabalho pedagógico escolar e não-escolar que se fundamenta na docência compreendida como ato educativo intencional e sistemático. entre outros. administra a aprendizagem. planejem estratégias visando a superação das dificuldades e problemas que envolvem a Educação Básica. O trabalho pedagógico. que se traduz na multi-referencialidade dos estudos que engloba. da iniciação científica. explicitando reflexões.300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. . conforme o projeto pedagógico da instituição. no decorrer de todo o curso. escolares e não-escolares públicas e privadas. a educação indígena. a evidente complexidade de sua configuração. educa. de projetos pedagógicos. Duração dos Estudos A definição da carga horária mínima do curso considerou. em nível superior de graduação. gestão e avaliação de projetos educacionais. a educação em remanescentes de quilombos. participação em grupos cooperativos de estudos. jovens e adultos. visitas a instituições educacionais e culturais.200 horas de efetivo trabalho acadêmico. de iniciação científica e de extensão. igualmente. eventos científico-culturais. Pesquisas poderão se desenvolver no interior de componentes curriculares. artística. adolescentes. as opções de aprofundamento de estudos e a realização de trabalhos que permitam ao graduando articular. de que o Licenciado em Pedagogia é um professor que maneja com familiaridade procedimentos de pesquisa. bem como na formação para o exercício integrado e indissociável da docência. analisando e interpretando dados. políticos e sociais de processos educativos.atividades complementares envolvendo o planejamento e o desenvolvimento progressivo do Trabalho de Curso. a qual exigirá. contudo. no estudo e na prática da ação docente e educativa em diferentes realidades. na execução e na avaliação de aprendizagem. Cabe esclarecer. . dialogando com os diferentes autores e teorias estudados. a familiarização com o exercício da docência e da organização e gestão pedagógica.2. Em suma. . devem prever entre suas atividades acadêmicas a realização de pesquisas. participação na realização de pesquisas. imprime sentido pedagógico a práticas escolares e não-escolares. de instituições e de políticas públicas de Educação. Por isso. compreendam. idéias e experiências. a participação no planejamento. a sua carga horária será de no mínimo 3. tanto em escolas como em outros ambientes educativos. entre outras. áreas de conhecimentos. estética. Torna-se imprescindível que. sobre teorias educacionais. da extensão e da monitoria. por meio. a fim de que os estudantes possam delas participar e desenvolver postura de investigação científica. em diferentes oportunidades. cultural. contemplando também outras áreas específicas. . realização de seminários. a participação em pesquisas educacionais. de modo a propiciar vivências em algumas modalidades e experiências. processos de desenvolvimento de crianças. com a seguinte distribuição: . destaque a exigência de uma sólida formação teórico-prática e interdisciplinar do Licenciado em Pedagogia. afetiva. consultas a bibliotecas e centros de documentação. durante o período de consultas. sempre no sentido de garantir condições de materialização dos objetivos do curso. que interpreta e faz uso de resultados de investigações. Desta exigência também decorre a importância da clareza e consistência do currículo. aprofundem e organizem didaticamente os conteúdos a ensinar. cognitiva. da produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico do campo educacional. mas justificam as especificidades. da forma como se apresentam. conforme mencionado anteriormente. a educação de pessoas com necessidades especiais. a orientação e apoio a estudantes. conforme se vem insistindo ao longo deste parecer. do ensino. analisem e interpretem fundamentos históricos. participar da gestão escolar. sobretudo.

em um processo de trabalho didático-pedagógico mais abrangente. mas procura responder às diferentes problematizações. O momento histórico exige alcançar uma etapa de elaboração sobre a matéria e. da educação brasileira. respeitando-se o interesse e direitos dos alunos matriculados. produzindo uma avaliação desta experiência e sua auto-avaliação. formulações e contribuições da comunidade acadêmica. deverão elaborar novo projeto pedagógico. participantes e comprometidos com uma sociedade justa. e do Projeto de Resolução em anexo. que amplie e fortaleça atitudes éticas. reconhecido por um sistema de ensino. da identidade de profissionais docentes. no prazo máximo de 1 (um) ano. 13 de dezembro de 2005. às finalidades e organização da Escola Básica.SEPARATA – LICENCIATURA 74 . conhecimentos e competências. cuja implantação e respectiva avaliação ensejarão estudos e futuras atualizações desta norma nacional. Implantação das Diretrizes Curriculares As instituições de educação superior que mantêm cursos autorizados como Normal Superior e que pretenderem a transformação em curso de Pedagogia e as instituições que já oferecem cursos de Pedagogia. dos sistemas de ensino e de processos educativos não-escolares. optar por manter inalterado seu projeto pedagógico para as turmas em andamento. gestão dos processos educativos. . de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional. a contar da data da publicação desta Resolução. adolescentes. produzindo e construindo novos conhecimentos. grupos de reforço ou de fortalecimento escolar. As instituições poderão optar por introduzir alterações decorrentes do novo projeto pedagógico para as turmas em andamento. a participação dos estudantes no planejamento e avaliação da execução do projeto pedagógico. mantendo-se todas as características correspondentes ao estabelecido. profissionais que. com autonomia e competência. Por certo. cremos. visando à formação do Licenciado em Pedagogia. ao longo do curso. não esgota o campo epistemológico da Pedagogia. intencional.estágio curricular que deverá ser realizado. O novo projeto pedagógico alcançará todos os alunos que iniciarem seu curso a partir do processo seletivo seguinte ao período letivo em que for implantado. II . por meio da vivência institucional sistemática. estabelecida entre um docente experiente e o aluno estagiário. em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. . com rigor. pelos órgãos competentes. o licenciando deverá proceder ao estudo e interpretação da realidade educacional do seu campo de estágio. Poderão. na forma apresentada neste Parecer. conferindo-lhe condições para que se forme como autor de sua prática. Deve proporcionar ao estagiário uma reflexão contextualizada. também. alternativas de execução para atender. em espaços escolares e não-escolares. Licenciatura. Conclusão Esta é a formulação para o curso de Pedagogia. do qual é parte integrante. conforme o previsto no projeto pedagógico do curso. Um curso desta envergadura exige dos formadores disposição para efetivo trabalho conjunto e articulado.VOTO DA COMISSÃO Em face ao exposto. O estágio curricular pressupõe atividades pedagógicas efetivadas em um ambiente institucional de trabalho. reuniões de formação pedagógica com profissionais mais experientes. há nestas Diretrizes Curriculares Nacionais relevância e consistência. equânime e igualitária. na modalidade Normal e/ou de Educação Profissional na área de serviços e de apoio escolar. Brasília (DF). que deverá ser protocolado junto ao órgão competente do respectivo sistema ensino. que se concretiza na relação interinstitucional. obedecendo ao contido nesta Resolução. Daí decorre a importância de acompanhamento e avaliação sistemáticos . jovens e adultos brasileiros. incentivando. Das instituições de ensino exige compromisso com a produção de conhecimentos para o contexto social nacional. A proposta pedagógica do curso de Pedagogia de cada instituição de educação superior deve prever mecanismos. inclusive. com a mediação de um professor supervisor acadêmico. da implantação e execução destas diretrizes curriculares. Conselheira Clélia Brandão Alvarenga Craveiro – Relatora Conselheira Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – Relatora Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Presidente Conselheira Anaci Bispo Paim – Membro Conselheiro Arthur Fonseca Filho – Membro Conselheira Maria Beatriz Luce – Membro Conselheiro Paulo Monteiro Vieira Braga Barone – Membro . ou ainda em modalidades e atividades como educação de jovens e adultos. em disciplinas pedagógicas dos cursos de nível médio. em ambientes escolares e não-escolares. Durante o estágio. que assegurem a relação entre o estágio e os demais componentes do currículo de graduação. como: planejamento. fruto de longo e amplo processo de estudos e discussões. Enfatiza-se a premência de que o curso de Pedagogia forme licenciados cada vez mais sensíveis às solicitações da vida cotidiana e da sociedade. motivos para um vigoroso trabalho de aprofundamento e pertinência nos projetos pedagógicos institucionais. com a construção de projetos educativos comprometidos com o fortalecimento de identidades de estudantes de todas as idades. relatados na introdução deste Parecer. Esta é a proposta. possam conceber. que contribuam para a formação de cidadãos. implementação e avaliação de atividades escolares e de projetos. desenvolver atividades relativas à docência e à gestão educacional. norteada pelo projeto pedagógico da instituição formadora e da unidade campo de estágio. crianças. a Comissão propõe a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Pedagogia.

Brasília (DF). por meio do Parecer CNE/CP nº 5/2005. a critério da instituição de ensino. que instituem Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores para a Educação Básica. distinta daquela fixada para todas as demais licenciaturas. Por outro lado. no Brasil. o senhor Ministro restituiu o presente processo a este Conselho para reexame do referido Parecer. a licenciatura. com restrições. 64. que sustentam a diferenciação. I – RELATÓRIO Em dezembro de 2005. só uma outra Lei poderá dispor em contrário. Francisco Aparecido Cordão e Paulo Monteiro Vieira Braga Barone. Não apenas esse fato constitui uma impropriedade em si. por unanimidade. Brasília (DF). será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. supervisão e orientação educacional para a educação básica. 10). Conselho Pleno. inspeção. a base comum nacional. que afirma inicialmente ser o Pedagogo o professor de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. a partir de um amplo e democrático debate com os diferentes segmentos envolvidos com o tema “formação de professores”. encaminhado para homologação em 20/12/2005. afirmo minha convicção de que seria possível progredir um pouco mais neste trabalho de modo a abranger de forma mais ampla os componentes acadêmicos e legais da formação de Pedagogos. Reconhecendo o mérito da elaboração do parecer e respectivo projeto de resolução.394/96 (LDB): Art. Entendo que aquilo que a Lei dispõe. nesta formação. já reafirmado no presente Parecer. com as emendas decorrentes dos debates ocorridos na reunião de 12/12/2005. PARECER Nº 3. Brasília (DF). em 13 de dezembro de 2005. 13 de dezembro de 2005. não previsto no Parecer. não sobrevivem diante das comparações relativas às condições similares verificadas nas demais licenciaturas. deverá incorporar as emendas aprovadas pelo Plenário no Projeto de Resolução. Talvez a solução para essa contradição lógica fosse a admissão de um espectro mais amplo de modalidades de formação. aquilo que contém de restritivo ao que dispõe o artigo 64 da Lei nº 9. a importância da manutenção dos Pareceres CNE/CP nos 9/2001 e 27/2001 e da Resolução CNE/CP nº 1/2002. garantida. COMENTÁRIOS. planejamento.SEPARATA – LICENCIATURA III . como os argumentos de maior complexidade do processo formativo. Após a análise no âmbito do Ministério da Educação. Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra – Presidente . Conselheiro César Callegari Voto favoravelmente ao Projeto de Resolução proposto. de graduação plena.DECISÃO DO CONSELHO PLENO 75 O Conselho Pleno aprova. Declarações de Voto Voto favoravelmente. no entanto. como o bacharelado. nesta oportunidade. com declaração de voto dos Conselheiros Cesar Callegari. . que leva à especificação de apenas uma modalidade de formação. A formação de profissionais de educação para administração. Licenciatura. reveste em seguida esse profissional de atributos adicionais que deformam consideravelmente o seu perfil. O parecer aprovado. obviamente. Saliento. aprovado em 21 de fevereiro de 2006. como convém às Diretrizes Curriculares Nacionais para este curso de graduação. as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Pedagogia. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 12 de maio de 2006 (DOU de 15/05/06 – Seção I – p. Conselheiro Francisco Aparecido Cordão Voto favoravelmente por considerar que o presente Parecer sintetiza em grande medida os elementos constitutivos da formação e da atuação profissional de Pedagogos. o voto da Comissão. não poderia deixar de apontar que a formulação apresentada contém uma contradição intrínseca no que se refere à definição do Pedagogo. curso de licenciatura. Plenário. 00001. Essa definição. 13 de dezembro de 2005. Conselheiro Paulo Monteiro Vieira Braga Barone FONTE: Conselho Nacional de Educação. Por fim. preocupa-me. em nível superior. 13 de dezembro de 2005. Outra questão que merece comentário é a fixação de carga horária mínima para a graduação em Pedagogia. Conselho Nacional de Educação. foram aprovadas.

3º da Lei nº 9. Por conseguinte. inspeção. a Comissão se manifesta pelo encaminhamento do Projeto de Resolução contido no Parecer CNE/CP nº 5/2005. como bem justifica o Parecer CNE/CP nº 5/2005. III .394/1996. 64 da Lei nº 9. planejamento. deve ser baseada no princípio da gestão democrática (obrigatória no ensino público. II . Os cursos de pós-graduação indicados no § 1º deste artigo poderão ser complementarmente disciplinados pelos respectivos sistemas de ensino. em conformidade com o inciso VIII do art. supervisão e orientação educacional. conforme a CF.produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional. o Parecer CNE/CP nº 5/2005 – DCN da Licenciatura em Pedagogia é resultante de longa tramitação no Conselho Nacional de Educação. nos cursos de Ensino Médio. têm havido inúmeras manifestações de interesse da comunidade educacional sobre o Parecer CNE/CP nº 5/2005. acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação. Esta formação profissional também poderá ser realizada em cursos de pós-graduação. garantida. além de grande número de pessoas e instituições de Educação Superior. Não mais cabe. cabe prever que todos os licenciados possam ter oportunidade de ulterior aprofundamento da formação pertinente. da Lei nº 9.394/1996. 64 e 67. 14 do Projeto de Resolução contido no Parecer CNE/CP nº 5/2005. nos termos das normas de cada sistema de ensino. 67 da mesma Lei nº 9. que devem ser observadas igualmente as disposições do Parágrafo Único do art. que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. o eixo central destas diretrizes curriculares é estabelecido no art.394/96. será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação. Mas. este Conselho já aprovou e designou comissão para emitir parecer sobre diretrizes para a formação dos profissionais da educação em relação aos arts. o qual reza: A formação de profissionais de educação para administração. a critério da instituição de ensino. nos termos do Parágrafo único do art.. reiterada a concepção de que a formação dos profissionais da educação. a Comissão Bicameral de Formação de Professores revisou minuciosamente o texto do Projeto de Resolução contido no Parecer CNE/CP nº 5/2005 e as disposições legais vigentes. em 13 de dezembro p. 64 da Lei nº 9. 67 da Lei nº 9. Fica. nesta formação. sendo a organização escolar eminentemente colegiada. 14 do mesmo: Art. supervisão e orientação educacional para a educação básica. A Licenciatura em Pedagogia nos termos do Parecer CNE/CP nº 5/2005 e desta Resolução assegura a formação de profissionais da educação prevista no art. em tela. acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares. no sentido de que a experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério.SEPARATA – LICENCIATURA 76 Trata-se de emenda retificativa ao art. especialmente quanto à urgência de sua homologação e publicação da respectiva Resolução. ao longo de sua vida profissional. 14 abaixo indicada: . LDB. especialmente estruturados para este fim e abertos a todos os licenciados. art. a propósito. assim sendo. durante a qual houve efetiva participação de representativas entidades do setor educacional e especificamente de formação de professores. ou seja. portanto. § 1º. o texto aprovado pelo CNE/CP. representa uma proposta curricular que logra amplo apoio e gera expectativas de que em breve possa ter força normativa. conceber a formação para as funções supracitadas como privativas dos Licenciados em Pedagogia e.394/96. 3º-VIII) e superar aquelas vinculadas ao trabalho em estruturas hierárquicas e burocráticas. como outrora (na vigência da legislação anterior – Lei nº 5. Parágrafo único. 2. planejamento. As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino. referente às Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. em organizações (escolas e órgãos dos sistemas de ensino) da Educação Básica e também estabelece as condições em que a formação pós-graduada para tal deve ser efetivada. 64.planejamento. em contextos escolares e nãoescolares. englobando: I .394/96. e resolveu propor a seguinte emenda retificativa ao art. inspeção. de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. 206-VI. coordenação. a base comum nacional. visto que grande número de instituições de Educação Superior propõe-se a implementar estas disposições no próximo período letivo.540/1968 e currículos mínimos). 3. 4. II – VOTO DA COMISSÃO Pelo exposto. Essa redação procura dirimir qualquer dúvida sobre a eventual não observância do disposto no art. assevera que a Licenciatura em Pedagogia realiza a formação para administração. na modalidade Normal. Outrossim. considerando também que têm havido manifestações de preocupação com relação a que esta Resolução contemple cabalmente o disposto no art. art. execução. com a nova redação do art. 14. 4º do Projeto de Resolução constante no Parecer em pauta: O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental.planejamento. que dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia. § 2º. parágrafo único. para funções próprias do magistério e outras. Considerando que: 1. coordenação. execução.p. corresponde ao consenso alcançado neste processo.394/96.

O referido Parecer não disciplina o art. para o exercício profissional dessas outras funções. por entender que a mesma desconfigura o que tem de mais inovador no texto aprovado em dezembro último por este Conselho Pleno e que representa uma afronta às Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de Professores da Educação Básica.394. 64 da LDB. 67. julgo muito mais adequada.394/96. tendo em vista o disposto nas Leis nos 9. que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia. em cursos de licenciatura. nos termos do Parágrafo único do art. a supressão pura e simples do referido art. e com fundamento no Parecer CNE/CES nº 23/2006. de 29 de março de 2006.394/96. de 1ºde fevereiro de 2005. 14 do Projeto de Resolução anexo ao Parecer CNE/CP nº 5/2005. Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra – Presidente Declaração de Voto Voto contrariamente à proposta de alteração do art. 67 da Lei nº 9. de 25 de novembro de 1995. resolve: Art. as quais foram aprovadas pelo Conselho Pleno pelo Parecer CNE/CP nº 9/2001 e pela Resolução CNE/CP nº 1/2002. que trata da formação de outros profissionais de educação que não os professores. no diploma do curso de Pedagogia. Nesses termos. 19). e 9. O Parecer foi homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 10 de abril de 2006 (DOU de 11/04/06 – Seção I – p.SEPARATA – LICENCIATURA 77 Art. 00001. em 21 de fevereiro de 2006. Conselheira Clélia Brandão Alvarenga Craveiro – Relatora Conselheira Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva – Relatora Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Presidente Conselheira Anaci Bispo Paim – Membro Conselheiro Arthur Fonseca Filho – Membro Conselheira Maria Beatriz Luce – Membro Conselheiro Paulo Monteiro Vieira Braga Barone – Membro III – DECISÃO DO CONSELHO PLENO O Conselho Pleno aprova o voto da Comissão. “a experiência docente é pré-requisito”. § 1º Esta formação profissional também poderá ser realizada em cursos de pós-graduação. passa a vigorar com a seguinte redação: . com voto contrário e declaração de voto do conselheiro Francisco Aparecido Cordão. Francisco Aparecido Cordão FONTE: Conselho Nacional de Educação. Ministério da Educação. O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Plenário. do direito ao exercício do magistério nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 21 de fevereiro de 2006.131. isto é. de 20 de dezembro de 1996. 3º da Lei nº 9. Brasília (DF). especialmente estruturados para este fim e abertos a todos os licenciados. de 1º de fevereiro de 2005. COMENTÁRIOS. A emenda retificativa proposta pela Comissão Bicameral de Formação de Professores transforma o curso de Pedagogia em um curso genérico e desfigurado. Brasília (DF). de acordo com o parágrafo único do art. 1º da Resolução CNE/CES nº 1. O preâmbulo do Projeto de Resolução anexo ao Parecer CNE/CP nº 5/2005 claramente define que este regulamenta o art. de 1º de fevereiro de 2006. a Comissão propõe a alteração do art. 14 do Projeto de Resolução anexo ao Parecer CNE/CP nº 5/2005. 62 da LDB. sem condições de contribuir efetivamente tanto para a valorização dos professores e da sua formação inicial quanto para o aprimoramento da Educação Básica no Brasil. A Licenciatura em Pedagogia nos termos do Parecer CNE/CP nº 5/2005 e desta Resolução assegura a formação de profissionais da educação prevista no art. Conselho nacional de educação. Assim. em nível superior. 21 de fevereiro de 2006. formação de docentes em cursos de licenciatura para atuar na Educação Básica. RESOLUÇÃO Nº 8. Câmara de educação superior. que estabelece normas para o apostilamento. Altera a Resolução CNE/CES nº 1. em conformidade com o inciso VIII do art. para contemplar as preocupações em relação ao art. homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 16 de março de 2006. 64. § 2º Os cursos de pós-graduação indicados no § 1º deste artigo poderão ser complementarmente disciplinados pelos respectivos sistemas de ensino. 1º O art. 64 da LDB. 14 do Projeto de Resolução contido no Parecer CNE/CP nº 5/2005. 14. Ademais. conforme novo Projeto em anexo.

procedimentos a serem observados em seu planejamento e avaliação. contextualização. licenciatura. no art. pelos órgãos dos sistemas de ensino e pelas instituições de educação superior do país. § 1º Compreende-se a docência como ação educativa e processo pedagógico metódico e intencional. de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. 62 da Lei nº 9. o econômico. o político. de socialização e de construção do conhecimento. Ministério da Educação. estágios e atividades profissionais dos alunos para decidir sobre o cumprimento da exigência referida no inciso III deste artigo. da Lei nº 9. EDSON DE OLIVEIRA NUNES (Transcrição) (DOU de 25/04/2006 – Seção I – pág. bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. revogadas as disposições em contrário. de conhecimentos como o filosófico. execução e avaliação de atividades educativas. § 2º A instituição de ensino responsável pela expedição do diploma igualmente poderá analisar o conjunto de estudos. licenciatura. democratização.394/96. terão direito ao apostilamento de habilitação para o exercício do magistério nos anos iniciais do Ensino Fundamental.o planejamento. definindo princípios. na modalidade Normal. as quais influenciam conceitos. a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional. . valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem.a aplicação ao campo da educação. 65.a pesquisa. de 20 de dezembro de 1996. e III . 1º Os estudantes concluintes do curso de graduação em Pedagogia. investigação e reflexão crítica. Art. 4º O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. étnico-raciais e produtivas. Conselho Nacional de Educação. por meio de estudos teóricopráticos. através de suas instâncias acadêmicas próprias. Art. se as competências relativas aos componentes curriculares constantes dos incisos I. na modalidade Normal.024. de 20 de dezembro de 1961. § 1º À instituição de ensino responsável pela expedição do diploma cabe julgar. de contribuições.Estágio Supervisionado na Educação Básica. II e III foram atingidas por meio de outros componentes curriculares de igual ou equivalente valor formativo. 9º . entre outras.SEPARATA – LICENCIATURA 78 Art. de 15 de maio de 2006. desenvolvendose na articulação entre conhecimentos científicos e culturais. não haverá restrição de carga horária para Prática de Ensino . Parágrafo único.a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino. no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. incluindo a emenda retificativa constante do Parecer CNE/CP nº 3/2006. nos cursos de Ensino Médio. § 2º O curso de Pedagogia. II . com a redação dada pela Lei nº 9. e com fundamento no Parecer CNE/CP nº 5/2005. até o final de 2007. III . desde que tenham cursado com aproveitamento: I . conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006. § 2º. nos termos explicitados nos Pareceres CNE/CP nos 5/2005 e 3/2006. Art. ética e sensibilidade afetiva e estética. de acordo com o disposto no art. II . o sociológico.394. 2º As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia. 11) RESOLUÇÃO Nº 1. respectivamente. II .Metodologia do Ensino Fundamental. e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar. resolve: Art. o antropológico. o lingüístico. princípios e objetivos da Pedagogia. com vistas ao apostilamento. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo. fundamentando-se em princípios de interdisciplinaridade.394/96. o cultural. o ambiental-ecológico.Estágio Supervisionado.131.o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania. O Presidente do Conselho Nacional de Educação. Para a formação do licenciado em Pedagogia é central: I . homologados pelo Senhor Ministro de Estado da Educação. com carga horária mínima de trezentas horas. nos cursos de Ensino Médio. propiciará: I .Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental. cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão. pertinência e relevância social.Prática de Ensino . 1º A presente Resolução institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia. o psicológico. condições de ensino e de aprendizagem. Art. 3º O estudante de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos. o histórico. alínea “e” da Lei nº 4. construído em relações sociais. de 25 de novembro de 1995. § 3º Para os alunos que concluíram cursos de Pedagogia anteriormente à edição da Lei nº 9.

psicológica.identificar problemas socioculturais e educacionais com postura investigativa. cuidar e educar crianças de zero a cinco anos. XI . avaliar e encaminhar o resultado de sua avaliação às instâncias competentes.ensinar Língua Portuguesa. VIII . políticas e outras. em espaços escolares e não-escolares. concepções e critérios oriundos de diferentes áreas do conhecimento. em diversos níveis e modalidades do processo educativo. acompanhamento e avaliação de tarefas próprias do setor da Educação. entre outras.atuar como agentes interculturais. XV . III . étnico-racial. em contextos escolares e nãoescolares.compreender. 5º O egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: I . Artes. 6º A estrutura do curso de Pedagogia. assim como daqueles que não tiveram oportunidade de escolarização na idade própria. respeitadas a diversidade nacional e a autonomia pedagógica das instituições. dada a particularidade das populações com que trabalham e das situações em que atuam.desenvolver trabalho em equipe.participar da gestão das instituições planejando. XIII . englobando: I .atuar com ética e compromisso com vistas à construção de uma sociedade justa. acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares. VI . sobre processos de ensinar e de aprender. de gêneros. a família e a comunidade. II . As atividades docentes também compreendem participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino.fortalecer o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino Fundamental.participar da gestão das instituições contribuindo para elaboração. em ambientes escolares e não-escolares. coordenação.realizar pesquisas que proporcionem conhecimentos. Art. necessidades especiais. com vistas a contribuir para superação de exclusões sociais. intelectual. cognitivas. que contribuam para o desenvolvimento das pessoas. na promoção da aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento humano.planejamento.promover diálogo entre conhecimentos. executando.reconhecer e respeitar as manifestações e necessidades físicas. com vistas à valorização e o estudo de temas indígenas relevantes. articulará: a) aplicação de princípios. IX . afetivas dos educandos nas suas relações individuais e coletivas. e sobre organização do trabalho educativo e práticas pedagógicas. faixas geracionais. estabelecendo diálogo entre a área educacional e as demais áreas do conhecimento.estudar. em diferentes meios ambiental-ecológicos. para o seu desenvolvimento nas dimensões. com propriedade. XVI . § 1º No caso dos professores indígenas e de professores que venham a atuar em escolas indígenas.planejamento. sobre propostas curriculares.demonstrar consciência da diversidade. acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico. demonstrando domínio das tecnologias de informação e comunicação adequadas ao desenvolvimento de aprendizagens significativas. social. implementação. Educação Física.utilizar. física. políticas e religiosas próprias à cultura do povo indígena junto a quem atuam e os provenientes da sociedade majoritária. das organizações e da sociedade. com pertinência ao campo da Pedagogia.um núcleo de estudos básicos que. respeitando as diferenças de natureza ambiental-ecológica.SEPARATA – LICENCIATURA 79 Parágrafo único.se-á de: I . sem perder de vista a diversidade e a multiculturalidade da sociedade brasileira. escolhas sexuais. § 2º As mesmas determinações se aplicam à formação de professores para escolas de remanescentes de quilombos ou que se caracterizem por receber populações de etnias e culturas específicas. XIV . coordenação. entre outras. deverão: I . por meio do estudo acurado da literatura pertinente e de realidades educacionais. execução. Art. emocionais.relacionar as linguagens dos meios de comunicação à educação.trabalhar. entre outros: sobre alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes desenvolvem suas experiências não-escolares. VII .promover e facilitar relações de cooperação entre a instituição educativa. instrumentos próprios para construção de conhecimentos pedagógicos e científicos. assim como por meio de reflexão e ações críticas. IV . V . executar. religiosas. sem excluir o acima explicitado. acompanhando e avaliando projetos e programas educacionais. execução. integrativa e propositiva em face de realidades complexas. étnico-raciais. História. b) aplicação de princípios da gestão democrática em espaços escolares e não-escolares. aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras determinações legais que lhe caiba implantar. nos processos didático-pedagógicos. religiões. valores. classes sociais. X . culturais. Geografia. constituir. equânime. II . .produção e difusão do conhecimento científico-tecnológico do campo educacional. Matemática. de forma a contribuir. XII . coordenação. econômicas. Ciências. modos de vida. III . orientações filosóficas. II . de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano. igualitária.

entre outras problemáticas centrais da sociedade contemporânea. sustentabilidade. . nas mais diferentes áreas do campo educacional. aos anos iniciais do Ensino Fundamental e à formação de professores e de profissionais na área de serviço e apoio escolar. atividades práticas de diferente natureza. a participação no planejamento.um núcleo de estudos integradores que proporcionará enriquecimento curricular e compreende participação em: a) seminários e estudos curriculares. artística. de modo a propiciar vivências. implementação e avaliação de processos educativos e de experiências educacionais. análise e avaliação de teorias da educação. b) atividades práticas. de captar contradições e de considerá-lo nos planos pedagógico e de ensinoaprendizagem. relativamente à educação. 7º O curso de Licenciatura em Pedagogia terá a carga horária mínima de 3. estética. particularmente. Art. em âmbitos escolares e não-escolares. no que diz respeito à Educação Infantil.práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento. situando processos de aprender e ensinar historicamente e em diferentes realidades socioculturais e institucionais que proporcionem fundamentos para a prática pedagógica. cultural. em projetos de iniciação científica. além do trabalho didático com conteúdos. à estética e à ludicidade.2. em diferentes situações institucionais: escolares. consultas a bibliotecas e centros de documentação. articulando o saber acadêmico. Matemática. de processos de organização do trabalho docente. diretamente orientados pelo corpo docente da instituição de educação superior. assegurando aprofundamentos e diversificação de estudos.SEPARATA – LICENCIATURA em ambientes escolares e não-escolares. c) atividades de comunicação e expressão cultural. sendo capaz de identificar diferentes forças e interesses. c) estudo. da iniciação científica. Artes. análise. a extensão e a prática educativa. pertinentes aos primeiros anos de escolarização. Art. j) estudo das relações entre educação e trabalho. II . nas dimensões física. III .100 horas de atividades teórico-práticas de aprofundamento em áreas específicas de interesse dos alunos. cognitiva. empresariais e outras. em situações de aprendizagem. a orientação e apoio a estudantes. materiais didáticos. 80 c) observação. conforme o projeto pedagógico da instituição. execução e avaliação de experiências que considerem o contexto histórico e sociocultural do sistema educacional brasileiro. i) decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças. II . participação na realização de pesquisas. afetiva. k) atenção às questões atinentes à ética. se for o caso. b) avaliação. e) aplicação. assistenciais. da extensão e da monitoria. lúdica. adolescentes.disciplinas. assim distribuídas: I . oportunizará.300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. procedimentos e processos de aprendizagem que contemplem a diversidade social e cultural da sociedade brasileira. gestão e avaliação de projetos educacionais. de teorias e metodologias pedagógicas. jovens e adultos. atendendo a diferentes demandas sociais. de instituições e de políticas públicas de Educação. Ciências. em práticas educativas. planejamento.200 horas de efetivo trabalho acadêmico. diversidade cultural. Educação Física. realização de seminários. do ensino ou de projetos pedagógicos. aplicação e avaliação dos textos legais relativos à organização da educação nacional. na execução e na avaliação de aprendizagens. de conhecimentos de processos de desenvolvimento de crianças. II . III . no contexto do exercício profissional. entre outros. entre outras possibilidades: a) investigações sobre processos educativos e gestoriais. participação em grupos cooperativos de estudos. História e Geografia.um núcleo de aprofundamento e diversificação de estudos voltado às áreas de atuação profissional priorizadas pelo projeto pedagógico das instituições e que. no planejamento e na realização de atividades educativas. g) planejamento. monitoria e extensão. experiências e utilização de recursos pedagógicos. relativos à Língua Portuguesa. a pesquisa. criação e uso de textos. a integralização de estudos será efetivada por meio de: I . a fim de elaborar propostas educacionais consistentes e inovadoras. seminários e atividades de natureza predominantemente teórica que farão a introdução e o aprofundamento de estudos. comunitárias. tanto em escolas como em outros ambientes educativos. contemplando também outras áreas específicas.800 horas dedicadas às atividades formativas como assistência a aulas. l) estudo. sobre teorias educacionais. cidadania. visitas a instituições educacionais e culturais. por meio. h) estudo da Didática. f) realização de diagnóstico sobre necessidades e aspirações dos diferentes segmentos da sociedade. d) utilização de conhecimento multidimensional sobre o ser humano. 8º Nos termos do projeto pedagógico da instituição. ética e biossocial.

§ 1º O novo projeto pedagógico deverá ser protocolado no órgão competente do respectivo sistema ensino. no mínimo. 400 horas. IV . § 4º As instituições poderão optar por manter inalterado seu projeto pedagógico para as turmas em andamento. de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional. 10. a educação em remanescentes de quilombos. respeitando-se o interesse e direitos dos alunos matriculados. coordenação. Art. deverão ser estruturados com base nesta Resolução. tenham cursado uma das habilitações. a saber. 14. e que pretendam complementar seus estudos na área não cursada poderão fazê-lo.estágio curricular a ser realizado. na modalidade Normal. Art. 9º Os cursos a serem criados em instituições de educação superior. e opcionalmente. estudos curriculares. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Educação Infantil ou anos iniciais do Ensino Fundamental. 64. Art. Art. EDSON DE OLIVEIRA NUNES (Transcrição) (DOU de 16/05/2006 – Seção I – pág. Art. § 1º Os licenciados deverão procurar preferencialmente a instituição na qual cursaram sua primeira formação. d) na Educação de Jovens e Adultos. entre outras.394/96. áreas de conhecimentos.SEPARATA – LICENCIATURA 81 III . Art. 67 da Lei nº 9. § 2º Os cursos de pós-graduação indicados no § 1º deste artigo poderão ser complementarmente disciplinados pelos respectivos sistemas de ensino. e demais disposições em contrário. c) na Educação Profissional na área de serviços e de apoio escolar. a partir do período letivo seguinte à publicação desta Resolução. a educação de pessoas com necessidades especiais. que abrangerão. Art. de iniciação científica e de extensão. b) nas disciplinas pedagógicas dos cursos de Ensino Médio. diretamente orientadas por membro do corpo docente da instituição de educação superior decorrentes ou articuladas às disciplinas. atividades de monitoria. acompanhamento e avaliação de atividades e projetos educativos. § 2º As instituições que vierem a receber alunos na situação prevista neste artigo serão responsáveis pela análise da vida escolar dos interessados e pelo estabelecimento dos planos de estudos complementares. 3º da Lei nº 9. eventos científico-culturais. 11) . § 3º As instituições poderão optar por introduzir alterações decorrentes do novo projeto pedagógico para as turmas em andamento. implementação. conhecimentos e competências: a) na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. seminários. no planejamento. 11. 15. assegura a formação de profissionais da educação prevista no art. f) em reuniões de formação pedagógica. nos termos dos Pareceres CNE/CP nos 5/2005 e 3/2006 e desta Resolução. e) na participação em atividades da gestão de processos educativos.394/96. no prazo máximo de 1 (um) ano. nos termos do parágrafo único do art. escolares e não-escolares públicas e privadas. em organizações nãogovernamentais. de 12 de maio de 1969. prioritariamente. ficando revogadas a Resolução CFE nº 2. na modalidade Normal. obedecendo ao contido nesta Resolução. a educação indígena. de modo a propiciar vivências em algumas modalidades e experiências. a educação do campo. especialmente estruturados para este fim e abertos a todos os licenciados. em ambientes escolares e não-escolares que ampliem e fortaleçam atitudes éticas. A Licenciatura em Pedagogia. de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.atividades complementares envolvendo o planejamento e o desenvolvimento progressivo do Trabalho de Curso. As habilitações em cursos de Pedagogia atualmente existentes entrarão em regime de extinção. Concluintes do curso de Pedagogia ou Normal Superior que. 12. com ou sem autonomia universitária e que visem à Licenciatura para a docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. As instituições de educação superior que mantêm cursos autorizados como Normal Superior e que pretenderem a transformação em curso de Pedagogia e as instituições que já oferecem cursos de Pedagogia deverão elaborar novo projeto pedagógico. A implantação e a execução destas diretrizes curriculares deverão ser sistematicamente acompanhadas e avaliadas pelos órgãos competentes. § 2º O novo projeto pedagógico alcançará todos os alunos que iniciarem seu curso a partir do processo seletivo seguinte ao período letivo em que for implantado. a contar da data da publicação desta Resolução. mantendo-se todas as características correspondentes ao estabelecido. ao longo do curso. § 1º Esta formação profissional também poderá ser realizada em cursos de pós-graduação. no regime das normas anteriores a esta Resolução. nos cursos de Ensino Médio. em conformidade com o inciso VIII do art.

Processos protocolizados no Sistema SAPIEnS até 16/05/2007. educação do campo. com a inserção do novo projeto pedagógico no campo específico do referido Sistema. no uso de suas atribuições legais. Dentro do limite de vagas autorizadas. para os devidos fins. O aprofundamento em uma dessas áreas ou modalidades de ensino específico será comprovado. tais como: educação de pessoas com necessidades educacionais especiais. Em função da carga horária mínima estipulada e não havendo norma reguladora sobre a duração de cursos de graduação. O novo projeto deve ser aprovado pelo Colegiado Superior da Instituição. 8) . com pedidos de autorização de curso de Pedagogia com uma ou mais habilitações e que já receberam visita in loco. Após aprovação no Colegiado Superior da Instituição e publicação no DOU. para adaptarem os projetos pedagógicos dos cursos de Pedagogia (licenciatura e bacharelado) e Normal Superior às novas Diretrizes Curriculares. Conforme disposto no artigo 7º da Resolução CNE/CP nº 1/2006. Tendo em vista o disposto na Resolução CNE/CP n 1/2006. para a complementação prevista na citada Resolução. Dessa forma. o curso de Pedagogia. respeitando o número total de vagas originalmente autorizadas e preservando o direito dos estudantes que ingressaram antes do novo projeto. com o turno de funcionamento e o número de vagas a ser oferecido a partir do processo seletivo subseqüente à data da referida inserção. em 6 de julho de 2006.do curso de Pedagogia ou do Curso Normal Superior. que ainda não receberam a visita in loco.IES . receberão da SESu comunicado para adequarem o projeto pedagógico às novas Diretrizes Curriculares (Pedagogia. atualmente existentes. Para as Instituições que oferecem o curso Normal Superior e pretendem transformá-lo em curso de Pedagogia. supervisão e orientação educacional para a Educação Básica. recomenda-se um período de integralização de. no mínimo. terá a carga horária mínima de 3. 3. Dependendo das necessidades e interesses locais e regionais. 7.Resolução 1/2006 CNE”. educação de pessoas jovens e adultas. as habilitações do curso de Pedagogia. MARIO PORTUGAL PEDERNEIRAS (Transcrição) (DOU de 10/07/2006 – Seção I – p. quatro anos para o referido curso. Os processos em trâmite. as IES poderão receber concluintes de uma das habilitações do Magistério Educação Infantil ou Anos Iniciais do Ensino Fundamental . entre outras.Processos protocolizados no Sistema SAPIEnS até 31/07/2006. as IES deverão promover a adequação do projeto pedagógico às novas Diretrizes Curriculares e inserir nas Pastas Eletrônicas do Sistema SAPIEnS. Nesse sentido.Processos protocolizados no Sistema SAPIEnS até 30/10/2006. O novo projeto do curso de Pedagogia. 9. licenciatura. Conjunto 3 . 10. poderão ser objeto de maior aprofundamento questões que devem estar presentes na formação geral. as Instituições devem refazer o projeto pedagógico dos cursos atendendo ao que dispõem os Pareceres CNE/CP 5/2005 e 3/2006 e a Resolução CNE/CP 1/2006. que foram solicitados por Instituições já credenciadas. O número de vagas indicado no novo projeto do curso não poderá ser superior ao do conjunto das habilitações oferecidas antes das alterações introduzidas. Para aqueles protocolados antes de 16 de maio de 2006. no campo “Projeto de Curso”. Após. deverão ser protocolizados com projetos já adequados às novas Diretrizes Curriculares. 2. O Diretor do Departamento de Supervisão do Ensino Superior. 8. nas Pastas Eletrônicas. entrarão em regime de extinção a partir do período letivo subseqüente à publicação da Resolução CNE/CP nº 1/2006.SEPARATA – LICENCIATURA 82 DESPACHO DO DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE SUPERVISÃO DO ENSINO SUPERIOR. deverá ser elaborado novo projeto pedagógico a partir das diretrizes curriculares nacionais de formação comum para a docência na Educação Básica. contemplando áreas ou modalidades de ensino que proporcionem aprofundamento de estudos. A IES deverá comunicar o plano de implantação do novo curso com clareza. não configurando de forma alguma uma habilitação. pelo histórico escolar do egresso. As Instituições em processo de credenciamento ou Instituições já credenciadas. esclarece: 1. as Instituições de Ensino Superior . planejamento. licenciatura. e a nova estrutura curricular. licenciatura. as Instituições de Ensino Superior (IES) terão o prazo de (1) um ano. educação indígena. que emitirá parecer sobre a adequação do projeto pedagógico à Resolução CNE/CP nº 1/2006. indicando as turmas que serão alcançadas pelas alterações. de autorização de curso de Pedagogia com habilitações. inclusive na formação para administração.devem inserir o novo projeto pedagógico no Sistema SAPIEnS. serão arquivados. A SESu analisará os processos a partir da constituição de três conjuntos: Conjunto 1 . publicada no DOU. Conjunto 2 . será objeto de avaliação no processo de reconhecimento ou de renovação de reconhecimento. Para as Instituições que possuem curso de Pedagogia com uma ou mais habilitações.200 horas. O processo será novamente submetido à comissão de avaliação. inspeção. devem abrir processo no Sistema SAPIEnS do tipo “Transformação de Curso Normal Superior para Pedagogia . a implantação do novo projeto pedagógico do curso dependerá de ato de autorização da SESu/MEC. 5. contados a partir da data de publicação da citada Resolução (16 de maio de 2006). 4. Os atos autorizativos serão concluídos em até 15 dias úteis após as referidas datas. licenciatura. Os processos de autorização de cursos de Pedagogia. licenciatura). 6. protocolados no Sistema SAPIEnS a partir de 16 de maio de 2006 (data de publicação da Resolução CNE/CP nº 1/2006).