25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental

II-305 - MODELAGEM COMPUTACIONAL DA PLUMA DE EFLUENTES DO
EMISSÁRIO SUBMARINO DE FORTALEZA

Silvano Porto Pereira(1) Biólogo, mestre e doutorando em Engenheira Civil, área de concentração saneamento ambiental, pela Universidade Federal do Ceará. Biólogo da Companhia de Água e Esgoto do Ceará - CAGECE. Paulo César Colonna Rosman Engenheiro Civil, EE/UFRJ, M.Sc.,COPPE/UFRJ e Ph.D.,Massachussets Institute of Technology. Professor adjunto da COPPE/UFRJ. Endereço(1): Rua Tomás Lopes, 85 – Praia de Iracema - Fortaleza - CE - CEP: 60060-260 - Tel: (85) 3219-1835 email: silvanopereira@terra.com.br RESUMO Após remoção de areia e resíduos sólidos na estação de pré-condicionamento, os esgotos de parte da cidade de Fortaleza são encaminhados a um emissário submarino onde são liberados a uma profundidade de 16 m e a 3,3 Km de distância da costa por um conjunto de 120 difusores. Após o processo de diluição inicial, a pluma de dispersão estabelecida é advectada e difundida devido à turbulência oceânica. O presente artigo apresenta os resultados de uma modelagem computacional, usando o software SISBAHIA, da dispersão de Escherichia coli presente nos efluentes lançados pelo emissário submarino de Fortaleza. Nos dois cenários simulados (abril e outubro de 2008) verifica-se que a pluma de dispersão não atinge as praias da região, estando a cerca de 2 km a área mais próxima da costa sem condições de balneabilidade por influência do emissário. PALAVRAS-CHAVE: Emissário submarino, disposição oceânica, modelagem ambiental, SISBAHIA.

INTRODUÇÃO O Sistema de Disposição Oceânica de Esgotos de Fortaleza (SDOES) é responsável pelo tratamento e disposição dos esgotos de parte da cidade de Fortaleza, abrangendo as bacias hidrográficas da vertente marítima. Após remoção de areia e resíduos sólidos na estação de pré-condicionamento, os esgotos são encaminhados para o emissário submarino de Fortaleza onde são liberados a uma profundidade de 16 m e a 3,3 Km de distância da costa por um conjunto de 120 difusores. O efluente lançado pelo emissário é ejetado horizontalmente como um jato flutuante através dos difusores. Por ser mais leve que a água do mar, o efluente, cuja massa específica é próxima da água doce, eleva-se na coluna d’água devido ao empuxo até alcançar um nível de flutuabilidade neutra ou a superfície. Neste ponto o mesmo passa a espalhar-se lateralmente criando uma camada de espalhamento horizontal. Se as águas marinhas possuírem estratificação térmica e, conseqüentemente, estratificação de densidade, a camada de espalhamento horizontal pode encontrar-se submersa. Enquanto se a coluna estiver homogênea ou fracamente estratificada, a pluma emergirá, espalhando-se ao longo da superfície da água. Estes jatos turbulentos misturam-se com a água do mar circundante, resultando numa rápida diminuição na concentração do efluente. A intensa mistura que ocorre próximo à fonte deve-se à turbulência gerada pelo efluente lançado, causada pelo momentum e pelo empuxo. Esta região, onde se processa a mistura inicial, é conhecida como campo próximo ou zona de mistura inicial e a máxima diluição alcançada denominada de diluição inicial, a qual é bastante influenciada pelas características do difusor, particularmente profundidade, comprimento, diâmetro individual das portas e espaçamento entre elas e pelas características do corpo receptor. Após o processo de diluição inicial, a pluma de dispersão estabelecida é advectada e difundida devido à turbulência oceânica. A região onde tal difusão ocorre é denominada campo afastado. Este campo de mistura é bastante homogêneo e, dependendo do perfil vertical de densidade das águas receptoras, formar-se-á próximo à superfície marinha. À medida que este campo de mistura se afasta, devido às forças horizontais das correntes marinhas, ele se alarga sob efeito de uma propriedade que as águas marinhas apresentam, denominada de
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br. Detalhes sobre o SisBaHiA® no site www. Para todos os horários foi considerado o valor médio da concentração de E. obtido a partir de análises mensais realizadas pela própria companhia durante o ano de 2007. escala 1:50.ufrj. levando em consideração a radiação solar incidente.25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental difusividade em vórtice. embora possam variar de uma área pára outra nos oceanos. convertida posteriormente para o Datum Córrego Alegre. zona 24S.sisbahia. correspondentes às médias horárias obtidas dos registros da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE) no mês de novembro de 2008. por ser este um ambiente adverso a sua sobrevivência. Simultaneamente a estes dois fenômenos. a foto-oxidação induzida pela radiação solar se mostra como o mais importante. sedimentação e presença de substâncias bacteriostáticas e bactericidas. A morte celular pela radiação UV é causada. Neste trabalho o decaimento bacteriano foi considerado variável ao longo do dia. genericamente denominado de decaimento bacteriano e representado pelo parâmetro T90. da dispersão de Escherichia coli presente nos efluentes lançados pelo emissário submarino de Fortaleza. MATERIAIS E MÉTODOS Os modelos utilizados para modelagem da hidrodinâmica e do transporte do contaminantes na região de interesse fazem parte do SisBaHiA® . proporcionando as características homogêneas que as águas marinhas apresentam localmente. No cálculo. coli presente no efluente de 4 × 107 NMP/100mL. é função da radiação solar.DHN: no 701. Esta difusividade faz com que qualquer concentração de substâncias presentes nas águas marinhas tenda a ser difundida horizontalmente. (1999). sendo a faixa de 260nm a mais efetiva.coppe. A profundidade de Secchi (usada para estimar o coeficiente de extinção da luz na água) de 4 m. empregando-se a metodologia usada por FEITOSA e ROSMAN.000. A concentração de microrganismos patogênicos lançados na água marinha decresce no meio. Região modelada A região modelada foi digitalizada de imagens georeferenciadas do Google Earth. Cargas poluentes Foram utilizados os valores de vazão variáveis ao longo do dia. usando o software SISBAHIA. um terceiro passa a ocorrer. principalmente. salinidade.Sistema Base de Hidrodinâmica. Tal radiação foi calculada pelo método proposto por MARTIN e MCCUTCHEON. mostrados na Figura 1. Este processo de inativação bacteriana. Desta metodologia resultaram nos valores de T90 mostrados na Tabela 1. atualizada até 2001. por sua ação sobre o DNA. Decaimento bacteriano Dentre os agentes responsáveis pelo decaimento bacteriano. conforme mostrado na Tabela 1. predação e parasitismo. 2007. foi suposto cobertura de nuvem variável obtida a partir dos dados de radiação solar medida por uma Plataforma de Coleta de dados (PCD) da Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME). temperatura. A batimetria e rugosidade do domínio de interesse foram obtidos a partir das cartas náuticas da Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil . 2 ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental . que utiliza o modelo proposto por MANCINI 1978. O presente artigo apresenta os resultados de uma modelagem computacional.0000 e no 710. escala 1:13.

3 33.6 21.8 9.5 2.0 0.7 13.7 22.1 3.6 21.9 3.0 0.7 22.6 2.0 0.6 67.6 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 4 x 107 16 36 33 36 23 19 16 13 14 16 23 66 64 97 90 89 88 87 85 76 75 76 73 85 Radiação solar total na superfície nos meses de Abril e Outubro de 2008 80 60 40 20 0 11/10/08 13/10/08 15/10/08 17/10/08 19/10/08 21/10/08 23/10/08 25/10/08 27/10/08 29/10/08 Figura 1: Valores de radiação solar total na superfície (em cal/cm2).0 0.8 4.6 26.0 0.7 1.0 0.6 2.6 4.6 21. Hora do dia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 .7 22.9 39.4 18.5 1.6 21.5 21.7 22.8 73.4 21.7 22.5 1.3 66.0 Abr 21.7 2.9 2.7 9.2 2. coli Cobertura de Nuvens (%) Out Abr Radiação solar na superfície (cal/cm²) Out 0.7 22.2 3.0 0.4 2.6 12.0 0.5 0.0 0.5 1.7 32.8 5.6 21.0 0.9 2.8 2.1 1.0 0.9 4.6 21.5 2.1 1. de E.0 0.7 Abr 0.25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Tabela 1: Condições operacionais do emissário submarino de Fortaleza usadas em ambos os cenários de modelagem e condições ambientais médias dos valores usados.5 2.0 72.9 2.3 Conc.0 8.6 21.0 0.7 22.0 0.0 4.3 39.8 3.0 0.0 0.2 1.7 22.6 21.6 3.1 2.3 2.6 1.5 2.6 40.6 37.6 6.0 0.7 22.2 23.0 0.0 1. obtidos da FUNCEME ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3 31/10/08 10/4/08 12/4/08 14/4/08 16/4/08 18/4/08 20/4/08 22/4/08 24/4/08 26/4/08 28/4/08 30/4/08 1/10/08 3/10/08 5/10/08 7/10/08 9/10/08 2/4/08 4/4/08 6/4/08 8/4/08 .0 0. Vazão 2.0 0.0 0.0 52.9 2.0 T90 (horas) Out 22.5 22.6 21.6 2.6 21.6 21.0 7.7 1.2 1.8 2.4 4.6 2.7 22.7 22.9 56.2 0.0 0.6 21.7 4.7 35.

A direção e sentido do vento são indicados pelas setas. modelo Weather Wizard III.2 1.4 -0. de propriedade do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR).6 Elevação (m) 0. havendo mudanças durante a noite em função da brisa terrestre. elevações de maré geradas pelas constantes harmônicas obtidas á partir dos dados produzidos pelo marégrafo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) instalado no porto do Mucuripe.6 01/04 02/04 03/04 04/04 05/04 06/04 07/04 08/04 09/04 10/04 11/04 12/04 13/04 14/04 15/04 16/04 17/04 18/04 19/04 20/04 21/04 22/04 23/04 24/04 25/04 26/04 27/04 28/04 29/04 30/04 Data Figura 2: Curvas de maré geradas pelas constantes harmônicas obtidas á partir da análise de maré dos dados produzidos pelo marégrafo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) instalado no porto do Mucuripe.0 -0.2 -0. A Figura 2 ilustra as curvas de maré típicas que foram usadas como condições de contorno para as simulações realizadas.6 1. em relação à rosa de pontos cardeais.6 -0. 4 ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Dia de Simulação Dia de Simulação 01/11 02/11 03/11 04/11 05/11 06/11 07/11 08/11 09/11 10/11 11/11 12/11 13/11 14/11 15/11 16/11 17/11 18/11 19/11 20/11 21/11 22/11 23/11 24/11 25/11 26/11 27/11 28/11 29/11 30/11 . ao longo das fronteiras de mar.0 -1.0 0.25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dados de maré e de vento Para as simulações do modelo foram consideradas.2 -1. Na Figura 3 pode-se observar a série temporal de ventos usada para alimentar o modelo.2 0. Utilizou-se dados de vento coletados a cada 10 minutos por uma estação meteorológica DAVES.4 -1. As setas têm módulo proporcional à velocidade do vento.4 0. Curvas de Maré de Abril e Novembro de 2008 1.8 0. nota-se grande constância dos ventos Sudeste durante o dia. que é indicada pelo padrão de cores. Datum Córrego Alegre).4 1. instalada há quinze metros do mar e há 500 m do início do emissário (coordenadas 551221 e 9589241. (m/s) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Figura 3: Gráfico da série temporal de ventos fornecida ao modelo como dados de entrada. Outubro de 2008 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Hora do Dia Abril de 2008 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Hora do Dia Vel.8 -1.

havendo diminuição da intensidade de das mesmas em abril em função da diminuição das intensidades de vento mostradas na Figura 1.048 0.023 0. 00:00h Meia maré de sizígia 9585000 Fortaleza 9585000 Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó 20/04/2008.006 0.062 0.18 a 0.17 m/s.225 0.007 0. Por ser uma região de pequenas profundidades.026 0.007 0.122 0.187 0.016 0.098 0.239 0.000 Vel m/s 9595000 0.013 0.019 0. Considerando medições realizadas na área pelo Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR).04 ms.098 0.208 0. Conforme se observa na Figura 4.098 0. as simulações do cenário de janeiro de 2008 mostraram-se coerentes com a realidade local.077 0.310 0. A direção das correntes é.310 0.258 0.077 0.005 0.019 0.023 0.005 0. ventos freqüentes e inexistência de gradientes de densidade da coluna d’água. Já para o cenário de abril as correntes encontradas foram bem menores.036 0. com média igual a 0.142 0.165 0.000 Caucaia Rio Ceará 9590000 Caucaia Rio Ceará 9590000 Fortaleza 20/04/2008. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5 . como se observa na Figura 3. Tais dados estão sendo levantados de uma estação meteorológica da Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME).009 0. em uma maré de sizígia.296 0.176 0. as correntes observadas para o cenário do mês de abril são bem menores em virtude da mudança do comportamento dos ventos na região. 12:00h Meia maré de sizígia Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó 535000 560000 565000 535000 560000 565000 Figura 4: Caracterização da circulação hidrodinâmica em situação típica de maré de sízigia dos meses de abril e outubro de 2008.187 0.279 0..165 0.004 0. ou seja os gradientes horizontais de pressão devido a declives da superfície livre são muito maiores que os devidos às variações horizontais de densidade.176 0.079 0.232 0.205 0.01 e 0.120 0.044 0.306 0.059 0. havendo necessidade de avaliação de dados de vento de outra estação próxima para o mesmo período.000 Caucaia Rio Ceará 9590000 Caucaia Rio Ceará 9590000 Fortaleza 13/10/2008. Contudo para o cenário de abril de 2008 os valores obtidos foram bem inferiores ás médias acima citadas.120 0.12 m/s.148 0.009 0. 23:00h Meia maré de sizígia 9585000 Fortaleza 9585000 Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó 14/10/2008.225 0. com correntes de maré relativamente fortes.026 0.000 Vel m/s 9595000 0.013 0. Na Figura 4 mostra-se uma seqüência de mapas caracterizando padrões de correntes médias na vertical.23 m/s. estando entre 0.006 0.004 0.048 0.032 0.205 0.122 0.032 0.062 0.250 0.044 0.036 0.142 0.011 0.247 0. 9600000 9600000 Vel m/s 9595000 0.098 0.279 0.247 0. Para o mês de outubro as correntes médias na coluna d’água próxima aos difusores do emissário estiveram entre de 0. pois em junho de 2006 as correntes médias na coluna d’água da área variaram de 0.016 0.079 0.208 0.13 m/s. instalada a 10 km da área de estudo.239 0.148 0. predominantemente no sentido leste-oeste.250 0.258 0. os padrões de circulação são barotrópicos.011 0.296 0.12 e 0.232 0. enquanto em abril de 2007 a média registrada foi de 0.306 0.059 0. 12:00h Meia maré de sizígia Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó 535000 560000 565000 535000 560000 565000 9600000 9600000 Vel m/s 9595000 0.25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental RESULTADOS A circulação na área de estudo é dominada pelas das ações das marés e dos ventos.

coli NMP/100mL 9595000 1E+006 E. coli no efluente do emissário em horários noturno e diurno nos meses de abril e outubro de 2008. os quais nestes momentos são afetados apenas pelas condições de salinidade. 23:00h Meia maré de sizígia 0 Km 2 Km 4 Km 9585000 Rio Cocó 2. 12:00h Meia maré de sizígia 0 Km 2 Km 4 Km Rio Cocó 535000 540000 545000 550000 555000 560000 565000 535000 540000 545000 550000 555000 560000 565000 Figura 5: Pluma de dispersão e E.00E+005 1E+005 1E+004 Caucaia Rio Ceará 9590000 1. temperatura e predação do meio marinho. Durante o dia.00E+003 Caucaia Rio Ceará 9590000 2E+003 1E+003 8E+002 4E+002 Fortaleza 8.coli NMP/100mL 9595000 1.00E+003 1.00E+006 1.00E+002 4. . em virtude da diminuição da intensidade das correntes na área (Figura 4). durante a madrugada e primeiras horas do dia. Na Figura 5 é apresentado apresentado os resultados relevantes dos impactos dos lançamentos de efluentes do emissário submarino de Fortaleza nos diferentes cenários de modelagem. elimina rapidamente grande parte dos organismos presentes na água.00E+002 1. coli/100mL) ao longo do mês de janeiro e abril (Figura 6). a ausência ou pouca incidência da radiação permite a persistência destes organismos. No mês de abril. esta conformação se repetiu. coli. nota-se pela Figura 6 que não houve registro desta ocorrência nos cenários simulados.00E+004 2. a radiação UV. presente na forte radiação solar incidente na superfície (Tabela 1 e Figura 1). Observando-se o mapa de ocorrência de concentrações acima do limite de balneabilidade (800 E.00E+002 Maracanaú 1. o comprimento da pluma se restringiu havendo porém uma maior dispersão lateral da mesma e maiores concentrações dentro da área atingida.00E+001 14/10/2008.coli NMP/100mL 9595000 1E+006 1E+005 Caucaia Rio Ceará 9590000 1E+004 2E+003 1E+003 Caucaia Rio Ceará 9590000 2E+003 1E+003 8E+002 4E+002 Fortaleza 20/04/2008.coli NMP/100mL 9595000 1E+006 1E+005 1E+004 E.00E+002 Fortaleza 9585000 2E+002 Maracanaú 1E+002 1E+001 13/10/2008. 12:00h Meia maré de sizígia 0 Km 2 Km 4 Km Rio Cocó 535000 540000 545000 550000 555000 560000 565000 9600000 535000 540000 545000 550000 555000 560000 565000 9600000 E. 00:00h Meia maré de sizígia 8E+002 4E+002 Fortaleza 9585000 2E+002 1E+002 1E+001 Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km Rio Cocó 9585000 2E+002 Maracanaú 1E+002 1E+001 20/04/2008. estando a área mais próxima da costa sem condições de balneabilidade distante a cerca de 2 km. Com relação ao riso de toque da pluma na praia.25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 9600000 9600000 E. 6 ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental . é sensivelmente influenciada pelas condições de insolação e intensidade/direção das correntes marinhas. em termos de E. Contrariamente a esta situação. Conforme se observa a extensão da pluma dos efluentes do emissário. correspondentes às condições de correntes marinhas mostradas na Figura 2.

25º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 9600000 9600000 >800 NMP/100mL 9595000 100% 95% 90% 85% 80% 75% 70% 65% 60% 55% 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% >800 NMP/100mL 9595000 100% 95% 90% 85% 80% 75% 70% 65% 60% 55% 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% Caucaia Rio Ceará 9590000 Caucaia Rio Ceará 9590000 Fortaleza 9585000 Fortaleza 9585000 Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó Maracanaú 0 Km 2 Km 4 Km 540000 545000 550000 555000 Rio Cocó 535000 560000 565000 535000 560000 565000 Figura 6: Percentual de ocorrência de E.C. 2007. FEITOSA. tais resultados refletem uma aproximação da realidade local. 209 pp. coli acima do padrão de balneabilidade (800 NMP/100 mL). 1 ed.”Journal Water Pollution Control Fed. Distância mínima da costa a esta área equivale a 2 km. pp. 1. Monitoramento e estudo de correntes na área marinha do sistema de disposição oceânica dos esgotos sanitários de Fortaleza – SDOES.C. 4.. durante o mês de abril e outubro de 2008. CONCLUSÕES O resultados das simulações dos lançamentos de efluentes pelo emissário de Fortaleza. Inc.C. e ROSMAN. 2477-2484. está a pelo menos a 2 km de distância da costa. como conseqüência do emissário. (www. Florida. Com isto.C. J.br).L. que os parâmetros de calibração do modelo para as condições locais não foram ainda levantados. 2. 11. Emissários Submarinos de Esgoto: Aspectos de Qualidade de Água e Modelagem Computacional – Métodos Numéricos em Recursos Hídricos – 8. MANCINI. 1978 “Numerical Estimates of Coliform Mortality Rates Under Various Conditions. Universidade Federal do Ceará. P. porém. Cap. permitem concluir que: • • • não houve toque da pluma na costa. n. Hydrodynamics and Transport for Water Quality Modeling.50. Relatório de Pesquisa. J. Associação Brasileira de Recursos Hídricos. embora os resultados da modelagem computacional tenham sido produzidos a partir de variáveis ambientais e operacionais da área de estudo e das condições de operação do emissário. para os cenários de abril e outubro de 2008. com registros a cada meia hora. a área imprópria ao banho.org.L.. v. as correntes obtidas para o mês de outubro são condizentes com valores observados. 3.abrh. LABOMAR.. Instituto de Ciências do Mar. R. 1999. Lewis Publishers. sendo ainda necessária a calibração e a validação do modelo adotado para uma adequada confiabilidade dos resultados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.. 2006. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7 . McCUTCHEON. MARTIN. S. Linha pontilhada demarca a área com percentual aceitável de até 20 % acima do referido padrão. Ressalta-se.