FUNDAMENTOS DE TOXICOLOGIA

Lauro Augusto Caetano Leite

A intoxicação de um indivíduo engloba diversos processos fisiopatológicos, onde inicialmente ocorre uma interação entre um agente de natureza química ou biológica e o organismo. Para que ocorra uma intoxicação há a necessidade de uma exposição a um agente tóxico que deverá alcançar o sítio-alvo. Portanto, a expressão da toxicidade de uma substância sobre um sistema biológico dependerá de diversos fatores que incluem as propriedades físico-químicas do agente tóxico, as condições de exposição e de uma série de eventos que ocorrem dentro do organismo, ou seja, de seu comportamento toxicocinético e toxicodinâmico. A toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes das interações de substâncias químicas com o organismo. Abrange uma vasta área do conhecimento, onde atuam profissionais de diversas formações: Química Toxicológica, Toxicologia Farmacológica, áreas. Clínica, Forense, Ocupacional, Veterinária, Ambiental (Ecotoxicologia), Aplicada a Alimentos, Genética, Analítica, Experimental e outras

Conceitos Básicos na Toxicologia:
1) Agente Tóxico: É uma substância química ou agente físico que ao interagir com o sistema biológico pode causar um dano ao mesmo. A maioria das substâncias consideradas como agente tóxico são exógenas, sem papel fisiológico conhecido e denominadas xenobióticos. 2) Droga: toda substância capaz de modificar ou explorar o sistema fisiológico ou estado patológico, utilizada com ou sem intenção de benefício do organismo receptor. 3) Toxina: refere–se à substância tóxica produzida por um organismo vivo; 4) Veneno: Agente tóxico que altera ou destrói as funções vitais, sendo mais

utilizado para designar substâncias provenientes de animais, com função de autodefesa ou predação (ex: veneno ofídico). 5) Xenobiótico: termo usado para designar substâncias químicas estranhas ao organismo humano.

. são estabelecidas classes toxicológicas de produtos químicos e farmacológicos. Em sua grande maioria é evidenciado por sinais e sintomas ou mediante dados laboratoriais. enquanto o antagonista impede o toxicante de se ligar a seu alvo ou exerce ação oposta à do agente tóxico. 10) DL50 (Dose Letal 50% ou Dose Letal Média): Expressa o grau de toxicidade aguda de uma substância química. num período prolongado. O antídoto é a substância que se opõe ao efeito tóxico atuando sobre o toxicante. num período de tempo aproximado de 24 horas.Intoxicação Sobre-Aguda ou Sub-Crônica: Exposições repetidas a substâncias químicas. . . 9) Agente quelante: Fármaco usado no tratamento das intoxicações por metais.6) Toxicidade: Capacidade inerente e potencial do agente tóxico de provocar efeitos nocivos em organismos vivos. levando ao desequilíbrio fisiológico. Enquanto que períodos entre 1 a 3 meses classifica-se como intoxicação sub-crônica. 7) Intoxicação: Processo patológico causado por substâncias endógenas ou exógenas. Denomina-se intoxicação sobre-aguda quando ocorre exposição durante um período menor ou igual a 1 mês. Com base na DL50 de várias substâncias.Intoxicação Aguda: Decorre de um único contato (dose única/relacionado à potência da droga) ou múltiplos contatos (efeitos cumulativos) com o agente tóxico. geralmente maior de 3 meses chegando até a anos. Corresponde à dose calculada em mg/Kg com ação letal em 50% dos animais utilizados para experiência. 11) DE50 (Dose Efetiva 50%): Refere-se à quantidade da substância que é necessária para produzir um efeito específico em metade dos animais de um grupo testado. pois se coordena com os átomos de metais tornando-os biologicamente inativos. De acordo com o tempo de exposição ao agente pode ser classificada de diferentes maneiras: .Intoxicação Crônica: Efeito tóxico após exposição prolongada a doses cumulativas do toxicante. 8) Antídoto e Antagonista: São substâncias capazes de neutralizar ou reduzir os efeitos de uma substância potencialmente tóxica.

Concluindo. Enquanto que os antipsicóticos.12) Biodisponibilidade: Indica a velocidade e a extensão de absorção de uma substância. sendo o fígado o principal local desta transformação. 16) Recirculação enterohepática: consiste na reexposição à absorção de uma substância no intestino. onde é excretada novamente no intestino através da bile e reabsorvida. 14) Índice Terapêutico (IT): é uma comparação entre a quantidade de um agente necessária para causar um efeito terapêutico e a quantidade que causa efeitos tóxicos. Quantitativamente é expresso pela seguinte expressão: IT=DL50/DE50 Exemplos de medicamentos com alto IT são os benzodiazepínicos. Este fato justifica o uso de doses seriadas de carvão ativado nas substâncias que apresentam este mecanismo. antiinflamatórios não esteroidais e os antibióticos. 15) Fenômeno de primeira passagem: É o efeito quando ocorre a biotransformação da substância ou agente logo após sua absorção e antes de atingir seu local de ação. fazendo com que haja um aumento no tempo de ação de uma droga. A substância é absorvida no intestino e conduzida ao fígado através da circulação portal. 13) Meia-vida plasmática: é o tempo necessário para que a concentração plasmática de um determinado agente seja reduzida pela metade. São exemplo de substâncias que sofrem recirculação enterohepática: carbamatos. fenobarbital e lítio são exemplos de medicamentos com baixo índice terapêutico. a partir de sua curva concentração/tempo na circulação sistêmica ou de sua excreção na urina. . organofosforados. quanto maior o índice terapêutico de um medicamento maior sua segurança (ex: Benzodiazepínicos). ácido valpróico. carbamazepina e antidepressivos tricíclicos.

• Fase IV: Clínica É a fase em que há evidências de sinais e sintomas. • Fase III: Toxicodinâmica Compreende a interação entre as moléculas do agente tóxico e os locais de ação. dos órgãos e. Intervêm nesta fase a absorção. o aparecimento de desequilíbrio homeostático. a distribuição. dose e concentração do agente. inativado ou eliminado quando se combina com outro agente. Antagonismo: o efeito de um agente é diminuído. conseqüentemente. Adição: quando o efeito induzido por dois ou mais compostos é igual à soma dos efeitos de cada agente isolado. Sinergismo: o efeito induzido por dois ou mais compostos juntos é maior do que a soma dos efeitos de cada agente. específicos ou não. freqüência de exposição e a susceptibilidade individual são importantes fatores que irão determinar se ocorrerão ou não injúria e manifestações clínicas da intoxicação. • Fase II: Toxicocinética É nesta fase onde estão incluídos todos os processos envolvidos na relação entre a disponibilidade química e a concentração da substância nos diferente tecidos do organismo. caracterizando os efeitos nocivos provocados pela interação do toxicante com o organismo. o armazenamento.Fases da Intoxicação: • Fase I: Exposição Período onde o organismo entra em contato com a substância tóxica. . A biodisponibilidade. Nesta etapa podem ocorrer interações entre as substâncias podendo tanto aumentar como diminuir seus efeitos. Potenciação: quando um agente que primariamente é desprovido de ação tóxica aumenta a toxicidade de um agente tóxico. via de exposição. alterações patológicas detectáveis mediante provas diagnósticas. a biotransformação e a excreção dos agentes químicos. ou ainda.

2011. Seizi O.br/toxicologia/modIII. 0307. (1)21-30. Apostila nº1. 4. Souza EAO. São Paulo: Atheneu Editora. Fundamentos de Toxicologia.br/Downloads/Conceitos%20e%20definicoes%20em%20Farma cologia%202011. Itho SF. Dias MB.nutes.ufrj. L. Fundamentos de Toxicologia MÓDULO III Autor: Conceição Aparecida Turini (CCI – Londrina) Tutor: Sayonara M. Vitoria: 2007. Toxicologia na Prática Clínica. . Disponível em: <http://www. (1)1-21.pdf> 5. Campolina D.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Belo Horizonte: Folium. Filho AAF. 3. Farmacologia Geral. Rotina no Atendimento ao Intoxicado. 2ed. 2003.com.easo. 2001. 3ªed.htm> 2. Fook Meira Braga ( CEATOX – Campina Grande) Disponível em: <http://ltc.