ONDE FICA A FUNAI NISTO TUDO?

É preciso lembrar que existe uma estrutura no governo federal, criada em 1967 e especializada nas questões indígenas: A FUNAI – Fundação Nacional do Índio. Para quem não sabe ela tem como objetivo principal intermediar a relação do Índio com a legislação brasileira. Mas vendo todo esse conflito nos perguntamos: cadê a FUNAI? Atualmente ela se encontra em um momento de crise, sem o total apoio para desempenhar sua função, sofrendo várias restrições e falta de incentivo por parte do governo que limitou seu poder de estudo (que lhe é dado pela constituição) dividindo com outros órgãos como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que emitiu uma nota avisando que não tem competência para estudos de demarcação de terra indígena. Em geral todos os órgãos que apoiam a causa indígena estão sofrendo represálias, como o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) órgão vinculado a CNBB neste momento a parte da igreja que defende os pobres foi ridicularizada. É NECESSÁRIO: - O fim do discurso de ódio que vem sendo propagado na região e colocando oprimidos contra oprimidos. - A construção das escolas itinerantes, para garantir a educação as crianças e jovens Guarani! - Preservar o modo de vida Guarani! A vida Guarani! - A retomada dos estudos para a demarcação das terras indígenas - Contra a PEC 215 que passa ao Congresso Nacional o poder de demarcar terras! - A demarcação de terras deve ser feita pela FUNAI, que tem competência para isso! - A imediata apuração e punição dos assassinos e mandantes dos crimes contra Oziel Gabriel (Sidrolândia-MS, 30/05/13), da nação terena e Celso Rodrigues, da nação Guarani-kaiowá (Paranhos-MS). ENTIDADES QUE ASSINAM O PANFLETO: CACS – Centro Acadêmico de Ciências Sociais; CASS – Centro Acadêmico de Serviço Social; CAFIL – Centro Acadêmico de Filosofia; Centro Acadêmico de História; Centro Acadêmico de Geografia; DCE/Toledo – Diretório Central dos Estudantes - UNIOESTE; DCE/M. C. Rondon - Diretório Central dos Estudantes - UNIOESTE; AGB - Associação dos Geógrafos Brasileiros - Seção Local M. C. Rondon; Intersindical; Levante Popular da Juventude; Movimento Fronteira Zero; Núcleo de Estudos Marxianos LatinoAmericanos; PSOL M. C. Rondon; PSTU/Cascavel, PSTU/Toledo e PSTU/Mal C. Rondon; APP de Luta e Pela Base - Oposição Alternativa/Oeste do Pr. TENHA ACESSO A INFORMAÇÕES CONFIÁVEIS SOBRE A QUESTÃO INDÍGENA: www.brasildefato.com.br www.cartacapital.com.br www.cartamaior.com.br www.cimi.org.br

SOLIDARIEDADE À LUTA DOS POVOS INDÍGENAS
Depois que um material mentiroso foi lançado no munícipio de Guaíra – PR, boa parte da população ficou com medo de perder suas pequenas propriedades e suas moradias para os indígenas. Porém, essa história de que os Índios exigem 100 mil hectares de terra não passa de uma grande MENTIRA, divulgada basicamente com dois objetivos: o primeiro para que devido ao medo, as pessoas vendam as suas propriedades e assim desvalorizem o mercado imobiliário, para que investidores possam se aproveitar disso. O segundo objetivo é despertar o ódio ao povo Guarani e suas necessárias reivindicações. Como responsáveis deste panfleto alertamos os órgãos públicos para as necessidades indígenas no sentido da demarcação urgente de um território que garanta a sua sobrevivência; para a apuração dos responsáveis pelos assassinatos e, um estudo/providências dos motivos que levam ao suicídio vários membros dessas comunidades. No mesmo sentido, conclamamos a sociedade a ampliar a solidariedade humana pela causa destes indígenas que sofrem todo tipo de opressão e que clamam por justiça na região e no Brasil. ESSES ÍNDIOS SÃO DAQUI? Antes mesmo da colonização portuguesa, no século XV, os indígenas ocupavam a extensa área que abrangia os atuais estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de partes de países vizinhos. A maioria deles encontrava-se ao longo do Rio Paraná. Fontes espanholas do final do século XVI e jesuíticas do início do século XVIII apontam que para a região do Guairá a estimativa populacional era entre 200 mil (hipóteses mais humildes) e 1 milhão de indígenas (hipóteses fortes). Do período da colonização para cá a nossa sociedade vive um conflito permanente e ininterrupto com o Povo Guarani. Somente em nossa região há relatos de conflitos com a empresa de mate que em 1908 arrendou sozinha uma área de 1 milhão de hectares, como se fosse área vazia quando na verdade era habitada pelos vários grupos Guarani. Outro momento de intensificação de conflito foi com a criação do Parque Nacional do Iguaçu em 1939 que removeu comunidades inteiras em nome de uma suposta conservação das espécies. Assim como a construção nos anos 70 da Itaipu que expulsou várias comunidades localizadas na região. Recentemente, foi localizado pela Comissão Nacional da Verdade o Relatório Figueiredo, apresentado em 1968 que denunciava as inúmeras torturas e violências a que foram submetidos os Guarani durante todo o período de colonização do oeste do PR e MS, durante as décadas de 40, 50 e 60. O Relatório denunciava ainda que para fugir da contínua violência grupos Guarani buscaram refugio nas matas e nos países vizinhos. Agora eles são acusados de não serem brasileiros, mas serem “Índios Paraguaios”.

ocorrendo à exploração intensiva de grandes extensões de terra. além da destruição de vastas reservas ambientais. Os agricultores familiares precisam continuar na terra produzindo o alimento (70% dos alimentos consumidos no Brasil) e preservando a natureza. conforme ocorreu o aumento da pressão o governo suspendeu os estudos de demarcações de terras indígenas em meio a uma crise na FUNAI. aldeias dispostas em círculo. O próprio governo brasileiro (Dilma Rousseff. sem justiça.Pará (em construção). E como ocorre o processo de demarcação de terras indígenas? Somente após longos estudos antropológicos que um espaço é comprovado como território indígena. a luta dos indígenas e dos agricultores familiares deve ser articulada. mas em casas esparsas e dispostas em uma determinada área que a primeira vista passa a impressão de desorganização. já que ambos devem se posicionar contra o agronegócio que se caracteriza pelo mono-cultivo. a dignidade de suas famílias e a manutenção de sua cultura. O GOVERNO ESTÁ DO LADO DE QUEM? O Estado brasileiro (do passado ao presente) está subordinado às vontades de ricos proprietários.. Os indígenas querem a demarcação da terra para cultivar e garantir a sobrevivência. sem a reconstrução do lugar onde é possível ser tudo isso. Na opinião dos organizadores deste panfleto: não existe paz. plumagens. sua visão de mundo e seus costumes. e a benfeitoria. porém se forem terras particulares de ocupação de boa fé. isso porque bens materiais assumem para eles importância secundária. que direciona toda a riqueza produzida nacionalmente para o exterior. onde é possível ser Guarani. não é com o intuito de prejudicar o pequeno produtor rural. essa luta não se resolve sem terra. paga pelo Estado. A terra para o povo Guarani não é terra para comercializar e lucrar. O que de fato importa e tem valor para eles são aqueles elementos que servem para orientar o espírito. tirando da terra mãe a sua subsistência. pouco se importando com os que apenas querem da “terra mãe” sua sobrevivência. Isto é. muito menos para plantar soja e exportar. aparentemente sem critério e sem unidade O conjunto dessas casas esparsas forma uma comunidade Guarani liderada geralmente por um casal mais velho que orienta espiritualmente e da sustentação moral ao grupo. ONDE FICAM O PEQUENO E MÉDIO PRODUTOR RURAL? A reivindicação pela terra manifestada pelos indígenas defronta-se com a propriedade dos pequenos e médios agricultores? NÃO! Essa é uma ideia falsa propagada pelos grandes proprietários para fazer com que todos se posicionem contrários à luta indígena. mas sim o lugar de ser Guarani. uma casa aqui outra lá. Ministério da Justiça. a exemplo da Usina Hidroelétrica de Belo Monte .Desde tempos imemoriais os Guarani têm como base de sua organização social. após essa comprovação os povos indígenas recebem terras devolutas da União que não são as terras dos agricultores. Para isso manipulam os pequenos e médios produtores rurais fazendo com que todos fiquem contra a causa indígena. sua religiosidade. lugar onde sua cultura pode se realizar. a busca do bem viver. querem a ampliação dos latifúndios e lucros. O atual contexto de conflitos entre indígenas e grandes fazendeiros se resume ao fato que: os grandes proprietários. da Terra sem Males. O povo Guarani é movido por um profundo sentido religioso e possui apego ao mítico. econômica e política. Diferente de outros grupos indígenas os Guarani não ostentam pinturas. constrói usinas hidrelétricas que colocam em xeque terras e a cultura das nações indígenas. em especial. Percebam que quando os indígenas exigem a demarcação de um território. bancada ruralista. já que este povo não orienta sua vida para o acúmulo e o lucro. Apesar desse passado marcado por profundas violências os Guarani sempre estiveram por aqui resistindo mantendo sua unidade linguística e cultural. colares. FUNAI. O modo de vida Guarani é baseado na comunhão que se opõe ao individualismo e a avareza tão presentes em nossa sociedade. a família extensa. grandes grupos familiares que vivem próximos uns dos outros. cartórios de imóveis) quem são os verdadeiros proprietários das terras da região (e em todo território nacional). aquelas que foram griladas e com “escritura esquentada” . A terra como um lugar para por em prática sua reciprocidade. dada por Nhanderú para realização de sua cultura. latifundiários. entre outros) que financiam suas campanhas eleitorais.para a justa e urgente realização da demarcação de terras indígenas para as nações que sobrevivem às duras penas. e anteriores). não contentes com suas riquezas. É por isso que a luta pela demarcação das terras indígenas pode ganhar dimensões tão dramáticas. mas sim para a reprodução da sua forma de ser. . constituindo hoje uma das maiores etnias indígenas do Brasil. aliado aos altos negócios capitalistas (de empresas internacionais. O Estado Brasileiro (Executivo. A terra para os Guarani é instituição divina. brincos. Legislativo e Judiciário) deveria apurar junto aos órgãos de competência (Que segundo a Constituição de 1988 são: INCRA. o agricultor tem a terra dada em outro lugar. ao sobrenatural e ao cosmológico. Por isso..