PERDA DE CARGA POR ESCOAMENTOS EM LEITO FIXO E FLUIDIZADO

E. M.Guidi, P. S. Peruzzo, R. G. Rosa, T. Tramontin, T. S. Marcelino.
Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC / Departamento de Engenharia Química, Campus I, Av. Universitária nº 1105.

RESUMO

A vasta aplicabilidade de leitos fixos e fluidizados no campo das Engenharias faz com que o estudo do escoamento de um fluido por através deste e a predição da perda de carga proporcionada, por conseqüência, sejam imprescindíveis. O presente trabalho teve como objetivo determinar a predição da perda de carga em leitos porosos, a influência em leito poroso fixo e em leito móvel, com diferentes diâmetros de partícula. Para isso, fez-se uso da equação de Ergun para os dois parâmetros mais influenciados, a porosidade (ε) e a velocidade do fluido (v). Os ensaios de permeabilidade consistiram na passagem de água, à temperatura ambiente, através de um leito de esferas de quartzo, observando-se os valores da queda de pressão, com auxílio do manômetro em U, para cada valor de vazão ajustado no rotâmetro. Os resultados gerados, a partir dos dados colhidos em laboratório, mostraram a importância da correlação de Ergun. A queda de pressão é maior para os valores experimentais em quanto que os valores obtidos pela correlação de Ergun são menores. Palavras chaves: Leito fixo, Leito fluidizado, Permeabilidade, Fator de atrito.

1.0 Introdução O estudo do escoamento de fluidos em meios porosos granulares apresenta grande importância, devido a sua vasta aplicabilidade industrial e tecnológica. Porém, no caso da aplicação industrial desta tecnologia (em indústrias químicas, por exemplo), um fator limitante significativo que deve ser levado em conta no projeto e operação de equipamentos é a perda de carga oferecida pelo leito, refletido na forma de queda de pressão ao longo do meio poroso. Perdas de cargas excessivas acarretarão altos custos de bombeamento, podendo prejudicar a eficiência dos processos de transferência de calor e/ou massa e a inviabilidade econômica do processo (Motta, et al,1999). Por este motivo é de suma importância predizer a perda de carga de um determinado leito. A finalidade deste artigo é tratar especificamente do escoamento em leito fixo e fluidizado, determinando experimentalmente o comportamento fluido-dinâmico e também as propriedades do leito.

2.0 Revisões bibliográficas 2.1. Escoamento em meio poroso Um meio poroso é uma fase sólida que contém muitos espaços vazios, ou poros, em seu interior. São exemplos as esponjas, tecidos, papel, areia e cascalho, tijolos, filtros e os leitos empacotados, ou de recheios, usados na indústria química nas operações de absorção, troca iônica, destilação, extração líquido-líquido (Medeiros, P.T). 2.1.1 Leito fixo Também chamados de colunas de recheios, um dos principais objetivos de um leito fixo é promover o contato íntimo entre as fases envolvidas no processo (fase fluida gasosa e/ou líquida com a fase estacionária/partículas ou entre diferentes fases fluidas), como exemplo de leito lixo tem-se a figura 1.O material de empacotamento pode ser: esferas, partículas irregulares, cilindros, diversos tipos de materiais disponíveis para comercialização. Algumas aplicações de Leitos Fixos de Partículas. (MATERIAL DE OPERAÇÕES UNITÁRIAS DE QUANTIDADE DE MOVIMENTO - UFSC): 1 – Processos de adsorção; 2 – Processos de absorção de gases;

.Esquema do experimento de Henry Darcy. e como resultado de suas observações sobre o fluxo de água através de meios de areia de várias espessuras. Darcy concluiu que a velocidade média. Proporcionar uma passagem adequada do fluido sem implicar em grande perda de carga. 6 . TOMAIN) Figura 1. (SILVA. Fonte: (Gomes.) 2. Custo razoável. 4 – Extração líquido-líquido.3 – Coluna de destilação com recheio. E.1.1.Filtros de resina de troca iônica. Ser resistente e ter baixa massa específica (↓ peso). S.. M. A escolha do tipo de recheio é fundamental e deve ser feita com os seguintes critérios: • • • • • Ser quimicamente inerte ou adequado à aplicação. B.Leitos de reação catalítica. da. et al. 5 .2 Fluidodinâmica dos Meios Porosos O primeiro trabalho experimental referente ao escoamento em meios porosos foi realizado por Darcy. referente à área . Oferecer um contato sódio-fluido efetivo (molhabilidade).

como (Thirriot. A expressão mais usual para predição da permeabilidade de um meio é a equação de Kozeny-vonCàrman que é escrita. C): (2) Onde DP é o diâmetro da esfera de igual volume que a partícula e β é a constante de Kozeny. e K é a permeabilidade do meio. Para partículas esféricas.3 Permeabilidade (K) É a propriedade mais importante na descrição do escoamento através de um meio poroso.7. (dP/dz)o gradiente de pressão (força motriz do escoamento) [Pa/m]. IPAT). pode-se usar o valor constante igual a 5 (Apostila de Laboratório de Operações Unitárias.1.12). para meios fixos. Este princípio ficou perpetuado como “Lei de Darcy” e se aplica a uma única fase fluida percolando um meio poroso em escoamento lento. Figura 2 .Variação da constante de Kozeny com a porosidade. Tem a dimensão de uma área [m2]. Para escoamento lento e esfericidade acima 0. assume valores entre 4 e 5. A permeabilidade deve ser expressa em função da porosidade (fração de vazios do meio). . e dá uma indicação sobre a facilidade com que o fluido escoa através dos poros.total do leito. 2.1. Dados experimentais indicam que β. uma vez que no escoamento em um leito poroso apenas parte da área da seção transversal total está disponível para o fluxo do fluido. 1965. onde z é comprimento. 1979). Para partículas de outras formas se sugere sua a estimativa no gráfico abaixo (Coulson-Richardson. e pode ser escrita na forma (Thirriot. é diretamente proporcional à pressão motora e inversamente proporcional à espessura do meio. um parâmetro que depende da forma das partículas e da porosidade do meio. µé a viscosidade do fluido [kg/ms]. C): (1) Onde:q é a velocidade superficial [m/s]. β = 5 para meios de porosidade entre 30 e 50%(Massarani. p.

1.4 Porosidade e Esfericidade A porosidade da partícula pode ser determinada utilizando a equação (6) (Roitman. 1965. 2002): (4) Já a esfericidade foi calculada utilizando a equação (7) (Moreira). p. b = Diâmetro médio da partícula. a = Diâmetro maior da partícula. válida para partículas esféricas: (3) 2.1. (5) Sendo.12 O gráfico acima apresenta o inconveniente da limitação a uma pequena faixa de porosidade. .Fonte: Coulson-Richardson. Happel (1958) deduziu uma equação teórica para a determinação da constante de Kozeny numa ampla faixa de porosidade.

f. 2.1. do tipo: (9) Onde: C = constante determinada experimentalmente Uma das correlações mais aplicada. 2002) Sendo: . a dependência de (ΔP) com (Q) admite um forma quadrática. devido à sua confiabilidade.c = Diâmetro menor da partícula. como diâmetro de partícula (dp) e porosidade (ε) (Roitman. ρ= densidade do fluido escoante Re= Número de Reynolds / Re de percolação Onde o número de Reynolds é definido como: (8) Para vazões elevadas. sendo função de algumas características estruturais do meio poroso. O autor propôs uma correlação a partir de dados experimentais de escoamento em leito fixo de partículas esféricas e não esféricas. foi proposta por Ergun (1952). (tipo Ergun) pode ser expresso a partir das equações (1) e (2) (Muller): (6) Onde f é definido como: (7) Sendo que.5 Fator de atrito Um fator de atrito. para estimar a queda de pressão em meios granulares.1.

É muito comum o emprego do diagrama 01 para a determinação do coeficiente de arraste ou coeficiente de atrito. Diagrama 01 . µé a viscosidade do fluido [kg/ms].(10) q é a velocidade superficial [m/s]. Fonte: Apostila Dinâmica dos Fluídos– UFRN.K é a permeabilidade do meio. Tendo-se um fator de atrito para a relação: (11) Sendo que f e Re são dados pelas equações (7) e (8).Coeficiente de arraste em função do número de Reynolds para partículas de diferentes esfericidades.2 Leito Fluidizado A fluidização é uma operação unitária que envolve a interação do sólido com um fluído. 2. ∆p é a perda de carga e L o comprimento da coluna. Este fenômeno pode ser observado quando um leito de sólidos é submetido à passagem .

este escoamento exerce uma força individual em cada partícula. por causa da turbulência que é ocasionada. como mostra a figura 4. Figura 4: Fluidização sem fluxo e com fluxo. 2009.1 Regimes de fluidização Um conjunto de partículas em uma coluna é chamado de leito de partículas. Figura 5: Fluidização de leito de sólidos particulados. Assim que se inicia a fluidização a força de atrito entre as partículas e o fluído se equivale ao peso das partículas. adquirindo uma velocidade suficiente para suportar as partículas sem carregá-las junto ao fluido. a força da gravidade que age nas partículas é compensada pelas forças de arraste exercidas pelo escoamento local do fluído. pode-se analisar o mecanismo de fluidização. os quais dependem de fatores como: estado físico do fluído. distribuição granulométrica do sólido e velocidade do fluído. Este escoamento é diferente para cada partícula. Quando um fluído é injetado na parte inferior desta coluna.vertical e ascendente de um fluído distribuído uniformemente. Fonte: BOJORGE. características do sólido. Na fluidização. densidade do fluído e da partícula. 2. A queda de pressão no leito torna-se aproximadamente constante e o movimento do sólido dentro do leito é similar a um fluído. . Durante o processo de fluidização pode-se observar diferentes regimes. fazendo que o comportamento de cada partícula seja único. Na figura 5.2.

Dessa forma as instabilidades são amortecidas e continuam pequenas e a heterogeneidade não é observada. Esta condição somente é conseguida sob condições especiais de partículas finas e leves com gases densos a altas pressões. No caso de um fluído ascendente passar pela coluna de fluidização de partículas finas a uma velocidade baixa o fluído infiltra nos espaços vazios entre as partículas estacionárias. No início com o aumento da velocidade do fluído.. Este estado também é conhecido como estado de mínima fluidização. Ao atingir o ponto B.Fonte: Tannous.S. Neste ponto as forças entre as partículas e o fluído se equivalem fazendo com que a componente vertical das forças de compressão entre as partículas vizinhas desaparece. E com isso a queda de pressão em qualquer seção do leito é igual ao peso do fluído e das partículas naquela seção. região AB. S. leito fluidizado heterogêneo ou leito fluidizado borbulhante. as partículas se separam e começam a vibrar e se movimentarem em pequenas regiões. . K. A porosidade aumenta e a perda de pressão aumenta mais lentamente. as partículas se separam e ocorre a fluidização. A altas taxas de escoamento provocam grandes instabilidades como borbulhamento e canalização. A agitação é mais violenta e o movimento dos sólidos se torna mais vigoroso. A perda de pressão diminui um pouco no ponto F. onde ocorreu o menor aumento de velocidade. isto é chamado de leito fixo é o que acontece quando a queda de pressão vai subindo. e as partículas começam a se mover vigorosamente em direções aleatórias. Ao aumentar mais um pouco a velocidade a porosidade aumenta e o leito se expande. O leito não expande muito mais que o seu volume na mínima fluidização. como mostra o ponto A. seguindo a linha DA até o ponto onde a queda de pressão se iguala á força da gravidade que atua no leito e inicia-se a movimentação das partículas. Sendo assim o leito é chamado de leito fluidizado particulado ou leito fluidizado homogêneo.C. Este leito é conhecido como leito fluidizado agregativo. Rocha.

o início é caracterizado por um fenômeno semelhante à ebulição. bolhas de gás atravessam o leito sólido e rompem-se na superfície. ou diluído com transporte pneumático de sólidos. se observa um aglomerado de sólidos que rege um movimento turbulento. A fluidização particulada ocorre. o início do processo é caracterizado por um rearranjo das partículas de forma a oferecer maior área livre para o escoamento.3 Queda de Pressão em um Leito Fluidizado A queda de pressão num leito fluidizado pode ser explicada basicamente pela equação de Ergun.2 Caracterização de fluidização A fluidização pode ser caracterizada por duas formas: fluidização particulada (homogênea) ou fluidização agregativa (heterogenia).2. os sólidos são carregados do leito. quando o fluido é um líquido. ou seja. A superfície superior do leito desaparece. 2010). A velocidade terminal do sólido é excedida quando as partículas finas são fluidizadas com velocidades relativamente altas de fluído. Na fluidização particulada. 2. Com o aumento da velocidade do fluído. e o transporte torna-se apreciável. Ao invés de se observar bolhas. Na fluidização agregativa. A fluidização do tipo agregativa é aquela que ocorre no processo de craqueamento catalítico.2. Esta é uma equação semi-empírica. Isto caracteriza a fluidização turbulenta. Este regime é chamado de fluidização intermitente. que caracteriza um leito fluidizado disperso. enquanto a fluidização agregativa ocorre quando o fluido é um gás. As partículas menores se agregam e se aproximam mais da parede do leito e descem ficando mais ao redor das bolhas. empurrando as partículas de sólido para cima. levando a porosidade próxima de 1 quando chegar ao ponto Q. E num leito de maior profundidade elas podem se tornar maiores e se espalham através do vaso. ela sai do equacionamento realizado por BlakeKozeny (equação para regime laminar) e do equacionamento realizado por Burke-Plummer (equação para o regime turbulento). porém sem que as partículas percam o contato entre elas. Podendo ser calculada através da seguinte equação (Apostila de Operações Unitárias IPAT. 2.Em um sistema de fluidização as bolhas formadas no fluído crescem e se agregam conforme elas ascendem o leito. . Já as partículas mais grosseiras a parte do leito que se encontra acima da bolha é empurrada para cima funcionando como um pistão. isso ocorre no ponto P. principalmente.

quando pequenas partículas estão presentes se aglomerando.: fluidização de areia por gás.(12) 2. 3. Fricção do fluido nas paredes do leito.4 Velocidade mínima de fluidização Na determinação da velocidade mínima de fluidização podem ser observadas diferenças entre as velocidades medidas e calculadas que podem ser originárias de vários fatores: 1. 4. Definindo o número de Reynolds como: (13) A equação para a determinação da velocidade mínima torna-se: (14) Quando Re < 20 (partículas pequenas) o primeiro termo da equação pode ser desprezado e quando Re> 1000 (partículas grandes) o segundo termo pode ser desprezado. Ação de forças eletrostáticas ex.2. 2. Se os valores de εmf e/ou o fator de forma Φ não são conhecidos as relações abaixo são validas para um conjunto extenso de sistemas. 5. Efeito de parede. Substituindo na equação temos: . Aglomeração de partículas. Canalizações: (força de arraste sobre sólidos se torna menor). quando o diâmetro do leito é pequeno.

Fonte: Laboratório de Operações Unitárias – IPARQUE.1 Equipamentos Para executar o experimento. 3. Materiais e métodos 3. Bomba centrífuga (BC) de ½ cv. Este equipamento é composto por: • • Reservatório de Água (RA).001 a 4000 com uma variação média de 25%.(15) Esta equação aplica-se a números de Reynolds na faixa de 0. foi utilizado o equipamento que consta na figura 6. .1.0.1 Procedimento experimental 3. Figura 6 -Equipamento utilizado para realização do experimento. Na literatura encontram-se um conjunto extenso de equações para o cálculo dos parâmetros discutidos neste tópico.

8-1.5 litros por minuto até atingir a vazão máxima. Determinação da densidade . • • Medidor de vazão tipo rotâmetro (MV).5 em 0.1.5 em 0. foi realizada a simulação do comportamento “slug” no leito móvel e anotado as medidas Δh no manômetro. composto por uma massa de 3. A cada aumento de vazão foi realizado medidas de Δh no manômetro. e anotando as medidas de Δh no manômetro. Nesta etapa foram abertas apenas as válvulas para haver o escoamento no leito fixo. Inicialmente foi medida a altura inicial do leito (H0) e abertas as válvulas para haver escoamento apenas no leito fluidizado. 3. ligou-se a bomba e a vazão de água foi variada de 0.000 g de partículas.1.com altura de 735 mm e interno igual à 75mm. 3.4 mm.• Coluna de meio poroso para leito fixo (coluna 1). interno igual à 75mm. Em seguida para verificar possíveis histereses o procedimento foi realizado novamente diminuindo a vazão nos mesmos intervalos.5 L/minuto até atingir a vazão máxima. A cada variação de vazão foi realizado medidas de Δh no manômetro. Válvulas de travamento de vazão (VB1) para a coluna 1 e (VB2) para a coluna 2. Em seguida para verificar possíveis histereses o procedimento foi realizado novamente diminuindo a vazão nos mesmos intervalos. e anotando as medidas de Δh no manômetro. Por fim. com altura de 735 mm e possuíam diâmetros que variavam de 3. • • Válvula de regulagem de vazão (VR).4.7 mm. e os respectivos aumentos na altura (H) do leito.650 g de partículas.2 Ensaios na coluna 1 – Escoamento em leito fixo. onde as mesmas • Coluna de meio poroso para leito fluidizado (coluna 2). onde as mesmas possuíam diâmetros que variavam de 0. Manômetro de tubo de vidro em U contendo clorofórmio colorido como fluido manométrico: (MU1) ligado à coluna 1 e (MU2) ligado à coluna 2.3 Ensaios na coluna 2 – Escoamento em fluidização.3-4. 3. composto por uma massa de 4.1. e variou-se a vazão de água de 0.

de modo que o volume de vazios seja o volume do cilindro menos o volume de partículas. assim determinou-se o volume da referida massa de material. Figura 7 . foi determinada.1 Determinação Experimental da permeabilidade do meio K Através dos dados obtidos experimentalmente. adicionou-se a massa pesada e em seguida retirou-se o volume que excedeu a aferição com uma pipeta.424. deste modo. onde fizemos uma média das medidas escaneadas das pedrinhas.A densidade do material foi determinada experimentalmente da seguinte forma. foi possível plotar um gráfico relacionando a velocidade do fluido escoante (q) e a perda de carga (ΔP/L) resultante.1.856. Conforme o método utilizado para calcular a densidade. resultando. 4. Para calcular a esfericidade utilizou-se a equação (7). dando ε = 0. . 2500-2800 kg/m3(PERRY). Leito Fixo Utilizando a equação (6). 4. chegando ao valor esperado. valor encontrado foi de ρ = 2503 kg/m3. Φs = 0.1. densidade que é uma relação entre a massa de um corpo e o volume que este corpo ocupa. pesouse uma quantidade de partículas formadoras dos leitos porosos e com um balão volumétrico aferido com água.0 Resultados e discussões 4. onde esse volume de partículas é encontrado através da divisão entre a massa de partículas e a densidade da mesma.Gráfico (ΔP/L) versus q.

2 Determinar K pela correlação de Carman-Kozeny Utilizando a equação de Carman-Kozeny (4).2).7803.8009. obtendo-se um K experimental no valor de 6. sendo que utilizamos as três maneiras de encontrar β. 1.10-8 m² e 1.10-8m². sendo que a constante foi forçada a ter valor zero.1.4954.10-8 m². A partir do gráfico acima foi possível determinar experimentalmente a permeabilidade do meio utilizando a equação da reta gerada.Fonte: Autor próprio. admitiu-se um ajuste polinomial de segunda ordem no gráfico ΔP/L versus q (y = 6. comparando-a com a equação (1). da equação (5) (β = 4. 4.35). Figura 8 .Gráfico ΔP/L versus q não linear . onde os valores encontrados segue respectivamente 1. utilizou-se a relação K=μ/a.3 Obtenção dos valores de K e C a partir da faixa não linear Para obter os valores experimentais KAltasvazões e CAltasvazões para a faixa não linear do gráfico. Sendo assim. Com estes valores mais a equação de Ergun para vazões mais elevadas (equação 9) obteve-se os seguintes valores respectivamente: 1. 4.665 Kg/m.1.10-8m². foi possível calcular a permeabilidade do meio teórico.2302.106x2 + 81287x + 61.10-8m2 e 0. retirado da literatura (β = 5).58) e da figura 2 (β = 4.6340.

10-8 m² e 1. é feita essa comparação devido ao ajuste quadrático da correlação de Ergun.2302. que segundo a literatura é o mais confiável. e também pelo fato da curva não linear apresentar um coeficiente R2 = 0. O valor da permeabilidade do meio encontrada em baixas vazões foi o resultado que mais se diferenciou. 1. equação (10) : então . vamos comparar as equações do K de Ergun com o K de Kozeny: Para o K de Ergum.10-8 m².Fonte: Autor próprio. 1.108 m². 1. indicando confiabilidade na mesma.6340. KAltasvazões.4954. KKozeny2 e KKozeny3 (6.8009.10-8m². podendo também esse valor ser diferente a erros experimentais.4 Comparação entre os valores de K obtidos Comparando os valores de KBaixasvazões. 4. isso deve ao fato que os outros são em vazões mais elevadas.1.10-8m².7803. Deste modo. KKozeny1.respectivamente). temos a equação (9) que comparando com a correlação de deErgun. Sendo assim vamos comparar os valores encontrados pela equação de Kozeny com o encontrado com a equação gerada no gráfico de altas vazões.999.

Gráfico f x Re . 4.518 Kg/m.46. Figura 9 . 1. Comparando esse valor com os valores deKKozeny. percebe-se que KKozeny2 (β = 4. pois o erro seria grande. com o valor encontrado anteriormente.1. utilizando a equação de Ergun quadrática (equação 9). 4.6 Comparação do fator de atrito experimental com o fator de atrito obtido pela equação de Ergun.58) se aproximou mais.10-8 m2. percebemos que o β influenciará no K. e a esfericidade é um dado que não mudará. Então dividi-se o valor do K Ergun pela esfericidade ao quadrado. por isso não se pode comparar a um outro valor.1. o que prova tal compatibilidade de valores. acha-se β = 4. Calculou-se o valor de C através dos dados das partículas. obtendo o seguinte valor.5 Valor de C obtido. obtendo assim o valor do C que resultou em 0. pois o restante é igual. isso é explicado da seguinte forma. Este C calculado é uma constante experimental.6789.Igualando com a equação de Kozeny: Analisando.

7 Comparação de ∆P/L experimental com o ∆P/L obtido com a correlação de Ergun. pois a permeabilidade do leito calculada com os dados das partículas é diferente da permeabilidade calculada experimentalmente. Fonte: Autor próprio. A figura 10 mostra que a queda de pressão vista na correlação de Ergun é menor quando comparada ao valor experimental. 4.2302. A curva experimental mostrou-se satisfatória quando comparada ao diagrama 01 da metodologia.Fonte: Autor próprio Podemos observar através da figura 9. 4. que o fator de atrito experimental apresentou valores mais altos quando comparados com o fator de atrito correlacionado pela equação de Ergun.1.856 apresentaram numero de Reynolds próximo de 100 com um fator de atrito próximo de 3.∆P/L experimental x ∆P/L da correlação de Ergun. onde para partículas com esfericidade no valor de 0. a permeabilidade deve diminuir. e os valores encontrados para K Ergun= 2. Figura 10 . como mostra o gráfico na curva experimental.10-8 m2 podem provar que realmente foi o que aconteceu.4495. para DP/L aumentar.10-8 m2 e KExperimental= 1.2 Leito Fluidizado . Analisando a equação de Ergun.

Isso é chamado de histerese.074.103Pa/m. ou seja.ou seja onde ∆P/H = 7. é a faixa que antecede a mínima fluidização do leito.17. Com base na correlação da literatura.2. 4. O ponto de velocidade mínima de fluidização encontra-se onde a variação de pressão se mantém constante.103Pa/m e Q = 4. Verificaram-se os dados de acréscimo e decréscimo da vazão no leito fluidizado é perceptível um afastamento dos pontos de decréscimo de vazão comparado aos pontos de acréscimo de vazão. ρ = 2538 kg/m3. foi utilizada para calcular a do leito fluidizado. O mesmo acontece devido ao empacotamento de partículas irregulares no decréscimo de vazão ser diferente de sua dispersão quando se tem um aumento de vazão do leito. A densidade da partícula também apresentou valor esperado.495.040.465 e Φs = 0.879.Gráfico queda de pressão sobre altura do leito contra a vazão em papel normal Fonte: Autor próprio. Apesar dessa diferença.103Pa/m. . resultando em ε = 0.pois é a queda de pressão suficiente para suportar o leito fluidizado.1 Gráfico da queda de pressão contra a vazão para leito fluidizado Figura 11 . equação 12. o valor esperado seria ∆P/H = 8. porém o ∆P/Hvariou para 7. não ocorreu variação na velocidade mínima de fluidização.10-5 m3/s.Da mesma forma que foi utilizada para calcular a porosidade e a esfericidade do leito fixo.

As curvas sobreposta mostram que os sólidos fluidizaram e não tiveram ação borbulhante rigorosa e nem a formação de bolhas grandes. Fonte: Autor próprio. 4.2.Figura 12 . A partir do momento onde há histeres do ∆H as partículas estão sendo carregadas pelo fluido e perde-se a funcionalidade do sistema.2 Gráfico altura do leito versus vazão Figura 13 – Altura versus vazão .Gráfico da queda de pressão contra a vazão em papel normal e papel log-log.

Enquanto se estabelece a fluidização o DP cresce. maior vazão) e a queda de pressão do sistema aumenta conforme aumenta o H. depois se mantém constante. Pode-se observar que se obteve o comportamento de acordo com a literatura. pode-se observar que a altura experimental é proporcional ao aumento da vazão do sistema (maior altura.Fonte: Autor Próprio. as forças de arraste e empuxo superam a da gravidade e o leito se expande e se movimenta. há um aumento da porosidade e da altura do leito. 4. conforme a figura 14. Quando inicia-se a fluidização. Contudo. conseguiu-se plotar o gráfico da velocidade mínima de fluidização. Fonte: Autor próprio. Se o fluido tem alta força cinética. Figura 14 – Gráfico da velocidade mínima de fluidização. O regime do leito é turbulento.2. pois a equação se aproxima de uma função quadrática. A figura 13 mostra a relação de altura do leito com a vazão. A linha representa o ponto de perda de carga e número de Reynolds em que é localizada a velocidade mínima de fluidização. .3 Determinação da velocidade mínima de fluidização A partir dos dados obtidos. a altura (H) é constante até que se atinge o estado de fluidização. Diagrama 1.

temos que para o leito fixo obteve-se permeabilidade K experimental no valor de 6.10-8m² e também o K através da equação de Ergun quadrática KErgun em 1. o que é considerado baixo. segundo vários modelos matemáticos propostos na literatura. De acordo com os dados obtidos durante o experimento. onde a variação de pressão se mantém constante de 3. além de calcular o fator de atrito devido ao escoamento no leito recheado com quartzo e através de análises de equações e gráficos foi possível verificar o comportamento desempenhado pelo escoamento sob a influência dos fatores estudados. Foi possível também obter uma análise da perda de carga do sistema durante o escoamento através da queda de pressão. Para o leito fluidizado obteve-se o ponto de velocidade mínima de fluidização. no meio teórico o valor encontrado foi igual a 1. por isso conclui-se que os resultados experimentais foram obtidos com grande êxito.4954.0 Conclusão Com a realização do experimento de leito fixo e fluidizado obteve-se resultados positivos e alcançados as discussões.357%.108 m². pois possuem valores na ordem de 10-8. foi possível analisar o comportamento de um escoamento em um sistema de leito fixo e fluidizado.10-8 m2. 5. Fazendo-se o cálculo do erro relativo obtém-se um erro de 1. .927 kPa e observou-se a faixa que antecede a mínima fluidização do leito chamada de histerese.2302.8009. Analisando as propriedades mais importantes tanto para leito fixo quanto fluidizado. que também pode ser analisa através da equação de Ergun. Os experimentos realizados nessa prática tiveram como principal objetivo analisar o fenômeno de escoamento em colunas de leito fixo e leito fluidizado.A velocidade mínima de fluidização encontrada foi de Vmf = 0.0943 m/s. Os valores foram satisfatórios e próximos.

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