Ie ne fay rien sans

Gayeté
[Montaigne, Des livres)

Ex Libris José Mindlin

DE

•X. D E

SOÜZA.ANDRADE.

f^meiío Volume.

MDCCCLXXIV.

Neste volume reuni tudo que cm diversas epoclias eu havia publicado. impiedade — philosophia do desespero cm que delira a mocidade sem bússola no meio da confusão do XIX século. . e cri tornar mais comprehensiveis as Noites—trevas do espirito humano na sua grada9ão sombria. Dei a Memorabilia da crítica benevola com que foram sau- dados os Impressos. formando os trez primeiros cantos do Guesa Errante e as Eólias livros distinetos de diferentes uumera9Ões pôr terem de ser continuados em outros. da duvida ã descrera. Nas Harpas Selvagens fiz as altera9ões que me pareceram necessárias. da descrera ã.

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tem por titulo—Impres sos—e mais nada. vindas da imprensa popular c o m o vieram. não é possível encontral-as em tão grande numero. S. D E L E S T R E E . É por isso que m e causa entranhavel contentamento a descoberta de u m moço talentoso. arranja u m a meia dúzia de caudatarios. Hoje alevanto as minhas coroas. ou i. impressos dez annos depois. N e m por vãgloria o faço. sirva de exordio ao pouco que pretendo dizer relativamente a u m livro de versos.) Em 1858 foram escritos os trez primeiros cantos do Guesa. N ã o ha mais violetas litterarias. que acabo de reler. "A modéstia reunida ao verdadeiro talento. como que envergonhado de não parecer-se com tanta gente parva ou empalhada de elogios.HUmüralnlia:. quem tem o seu talentosinho mais ou menos problemático. m e prouvent que vous pouviez três bien écrire. que se forme u m ramalhete.— Esta impertinencia de velho anachoreta. A. e pelo que de benéficas m e foram. que sejam ellas a pagina de oiro do m e u livro. tral-o desenrolado à quatre épingles. 1857. e sonha com a posteridade. que l'on regrette de voir seulement èbanchées. e que occulta nas sombras o seu mérito.ates. . . . Hoje. proclama-o e m altos brados. etvosidées sont empreintes de Ia plus gracieusefraicheur: ces descriptions relative3 à votre voyage. Pariz. ce caractère d'originalité que portent presque toutes vos phrases. O livro é firmado por tresiniciaes (J.). é hoje a avis rara de Horacio. ces expressions oü se peint si bien votre âme. (Carta do professor L. m a s pelo muito que as eu quero e amo.

de antem ã o o livro trazia para m i m u m a grande consagração. cujo n o m e eu poderia declinar. taes são as características feições do fragmento intitulado — Ouesa Errante. se não soubesse respeitar as susceptibilidades de u m a verdadeira modéstia. delicadíssimo manejo do pincel. descreve as paisagens que observa. Morta de amor. Bellissimas descripções dos Andes. . Muitafinurade observação. e não precisa ter-se o conhecimento pessoal do homem. com a differença de apegar-se a u m a lenda indiana. o autor do Ouesa. o que de alguma fôrma limita-lhe a acção. sarcasmo pelo mentido oropel da civilisação. dos primeiros harpejos do cantor. Flores do ar e traducção de Byron á Ignez. O autor dos Impressos. Algumas poesias lyricas. frescas e ungidas de suavíssimo perfume. que este se prende a u m desses episódios sombrios da indiana theogoma. sentidissimas queixas arrancadas de u m a alma atribulada e sedenta de affectos. faremos especial menção das que se intitulam—Flor das ruínas. do nascer e pôr do sol. Entre as poesias soltas do volume. tudo isso se vê & farta nos dous cantos do poema indiano. — Deprehende-se. Quanto ao mais. Vindo do Maranhão. intitulado Ouesa Errante. e dominando tudo isso. que desabafa as suas magoas em vLgem.i i . sensibilidade exquisita. o berço dos nossos melhores Utteratos. sem que haja no mercado u m único exemplar da obra. e também da epigraphe de Ferdinand Denis inscripta no alto do poema. e expontaneamente sabe arrancar de sua lyra aquelles sons lacerantes e magoados do cantor de Parisina. e assimila o seu estado interior aos quadros mais ou menos melancólicos que o rodeiam. São todas ellãs de extrema simplicidade. para concluir tal depois da leitura de qualquer verso do seu livro. é moço. intimas e muito sentidas. a esse byronismo de convenção. Sem pertencer á escola satânica. eis as matérias que formam a collecção. quando memora a destruição e atraso das tribus aborígenes. rico manancial da boa poesia americana. Por essa pequena amostra avalia-se bem da substancia desse trabalho. sempre que pinta as pittorescas ribas do grande rio. dous cantos de u m poema americano. Delle se fez u m a tiragem limitadíssima. do Amazonas. que foi distribuída entre amigos. é a perigrinação de u m poeta. o vago aspirar de u m coração apaixonado. e que já esteve tanto e m moda. tem o m e s m o m o d o de poetar do lor$ perigrino. e fica aguçado o desejo para ler o resto delle. Crescente. O Ouesa é u m poema ao gosto do Chilãe. o desalento intimo.

ou transbordamento de u m verso e m outro. vê-se . colorido e originalidade de imagens. H u g o . n ã o só porque torna mais difficultosa a leitura d o verso. é u m talento real. por completar a modéstia d o auctor. Gentil H o m e m de Almeida Braga. Rio de Janeiro. A fôrma é tão necessária á poesia com o a idéa. traz o simplissimo titulo de Impressos. J. e o seu livro é u m a delicada jóia. desde o episódio d o Ouesa Errante até ás ultimas estrophes vertidas de lord Byron. pedira ao poeta que se aproximasse mais das fôrmas sóbrias de Lamartine d o que das exuberancias indomitas de V . é recurso que n ã o deve ser posto e m pratica c o m muita freqüência. n ã o publicou o n o m e n a frente d o livro c o m que brindou as lettras. c o m o porque fal-o perder e m harmonia. 1869. apurado sentimento poético. Dir-lhe-hia mais. pelos bellos pedaços que nos d á o auctor dos Impressos. O n o v o poeta. e que o poeta n ã o quiz demorar u m pouco o Ímpeto da inspiração. E 'filhod o M a r a n h ã o . a terra que nos deu Gonsalves Dias.) "Honra-se a litteratura brasileira com mais um cultor talentoso e distincto. T e m o auctor dos Impressos b o a e alentada inspiração. não. de cujo primor poderá o leitor avaliar por esses trechos destacados que cito e c o m quaes fecho esta rápida noticia:" A l g u m a s estâncias d o II canto d o G u e s a Errante e da poesia Donde vens? ( D I Á R I O D O P O V O . levado por u m a modéstia rara neste tempo. S. A . L e m o s o livro todo. N ã o são dotes estes que a n d e m a rodo. E m conclusão. illustração e actividade. m a s desses que n ã o fazem retardar a afilrmativa conscienciosa dos que nelle reconhecem u m talento muito rico e promettedor. por isso que c o m pequenos retoques as estâncias ficariam escoimadas desses transbordamentos. J. á cuja frente se a c h a m Joaquim Serra. cheio de futuro e de modéstia. cujo rosto. Elle t e m aipins defeitos.iii. Tavares Belfort e tantos outros. Se eu n ã o desconfiasse dos m e u s conselhos e m matéria de poesia. consentiu apenas e m pôr as iniciaes. a terra que conta hoje u m a mocidade cheia de talento. Falta-lhe apenas aquillo que se n ã o adquire logo. N ã o direi que o autor dos Impressos seja u m poeta jâ n a plena posse de si m e s m o . M a s se n ã o temos o n o m e . P o u c a s são as quadras do p o e m a . D e principio a fim respira a alma de u m verdadeiro poeta. nas quaes o pensamento Analise c o m o ultimo verso: indica isso muita p r o m p t i d ã o n a e n u n c i a ç ã o d o pensamento. falta-lhe o domínio da fôrma. temos o livro. que o enjambement. Lisboa e Sotero. o Sr.

que lhe sobram os meios de aperfeiçoar os seus versos inspirados e sentidos." ( S E M A N A ILLUSTRADA. menos ainda. independente das regras e convenções artísticas. N ã o se rejeita o obolo de ninguém. é dever de quem recebeu do céo tão legitimo talento. traduzem taes como se apresentam os sentimentos que lhe agitam a alma.i v . como fazendo a descripção de lindíssimas paisagens. Para mencionar as poesias que nos parecem superiores no livro. limitamo-nos a mencionar Flor das ruínas e Morta de amor. e folgamos de confirmar o m e s m o juízo. teríam o s de fazer u m a longa lista. S. . por agora somente se pode dizer que são dignos de subido apreço os fragmentos entregues ã luz da publicidade. mas o Sr. a inveja é homenagem prestada ao mérito." (PAIZ. a inveja faz u m a careta: a careta da inveja é u m applauso involuntário. Quando a admiração bate palmas. Maranhão. H a de ser difficil a u m h o m e m verdadeiramente modesto entrar affouto nesta carreira das lettras." ( R E F O R M A .) "Os versos deS.tão espinhosa e tão mal compensada. é a natureza e não a arte o que dá vida ás suas composições. não deve esquivar-se. Rio de Janeiro. N ã o é preciso ser grande propheta para dizer que o auctor dos Impressos tem u m bello futuro: deve trabalhar para elle. quando seu autor tiver escripto a ultima palavra. proferido por todos aquelles que leram os dous primeiros. A indifferença não mata. impresso e m u m pouco volumoso folheto. A. ainda que isto lhe custe. a inveja de outros. deu noticia do apparecimento dos primeiros cantos de u m poema americano intitulado — Ouesa Errante. c sabe impressionar o leitor tanto na vibração das cordas do sentimento. o poeta deixa correr livre a imaginação. A. Sirvam-lhe ambas de estimulo para o trabalho. Rio de Janeiro. J. E d'ahi certo tom de originalidade que se nota nas suas poesias. Recebemos hoje o terceiro canto do poema. N ã o lhe importe a indifferença de uns.) . em u m do3 S2us últimos números. O poema Ouesa Errante só poderá ser definitivamente julgado. dous mimos litterarios.) " O Diário do Povo. O autor d' essas lindas strophes é poeta de muita imaginação.

pela verdade do colorido nas pinturas. com immodestia chistã nós abençoamos taes nardos que de outros corações v é m aos nossos — e os rehalentam. Q u e outros sintam ou digam o contrario. os da solidão e do deserto. nós. Maranhão. . faltam-me para completar esta pagina. New York. 1872. muito embora." (LIBERAL."Este canto recommenda-se pela bellesa de alguns quadros descriptivos. mas que deixam ã imaginação do leitor espaço e occasião para as mais gratas meditações. e por u m tom esquisito de profunda melancolia intima em recordações e episódios apenas esboçados. outros periódicos ainda.) Na ausência da pátria. JOAQUIM DE SOUZA-ANDRADE. que não menos balsamos derramaram e m minha alma.

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Circumdados de gelos. Ia lune. onde lampeja . flguraient le soleil. ou l'errant. Nuvens fluetuando — que espectac'los grandes! Lá. "La victime était un enfant enleve de force à Ia maison paternelle. les grands reptiles. les eaux et les montagnes." (L'Univers. et cependant on 1'élevait avec un grand soin dans le temple du soleil jusqu'à ce qu'il eüt atteiut l'àge de quinze ans. Cette période de quinze années forme l'indiction dite des Muyscas. les symboles du bien et du mal. Cétait le OUESA. et arrivait ainsi à Ia colonne qui servait à mesurer les ombres équinoxiales. Scintillando n o espaço c o m o brilhos D'olhos. coups deflfeches.L E S XEQUES recueillaient son sang dans des vases sacrés et lui arrachaient le coeur pour l'oflrir au soleil. nom donné à Ia route que Bochica avait suivie à l'époque ou il vivait parmi les hommes. c'est-à-dire Ia créature sans asile . mudos. onde o ponto do condor negreja. e cae a p r u m o sobre os filhos D o lhama descuidado. Alors le OUESA était promené processionnellement par le SUNA. Arrivée & l'extrémité du SUNA. ou prêtres. Ia victime était liée à ume petite colonne.GUESA E1\ANTE. imaginação divina! O s Andes Vulcânicos elevam cumes calvos. dans un village du pays connu aujourd'hui sous le n o m de S A N J U A N D E LOS LLANOS. Eia. masques à Ia manière des Égyptiens. ColombieA C A N T O PRIMEIRO. Les XEQUES. et tuée à. alvos.

C o m o ensangüentada A terra fez sorrir ao céu sereno! "Foi tal a maldição dos que caídos Morderam dessa m ã e querida o seio. O roseo fio nesse albor ameno Foi destruído. nuvem ibérica E m sua noite a envolveu ruidosa e densa. ' ' Cândidos Incas! Quando j á campeiam O s heroes vencedores do innocente índio nií. denegridos. onde deserto. E m sangue edeneo os pés lavando. D a tempestade o raio.OUESA ERRANTE. que os braços estendia! " E da existência meiga. . A contrahir-se aos beijos. Viu-se. pallido. Arde do sol o incêndio. O floripondio e mflor. O azul sertão formoso e deslumbrante. nos jardins da America Infante adoração dobrando a crença Ante o bello signal. Já sem virgens.e quando o vento Mugindo estorce-o doloroso. " Que resentiu-se. e os fanfarrões d'Hespanha. afortunada. quando os templos s'incendeiam. sem oiro reluzente. ) n'um leito puro e branco A corrupção. (que tinham feito? e pouco havia A fazer-se. verde jante e válido. delirante Coração vivo e m céu profundo aberto! " Nos áureos tempos. não se abraçam N o puro amor. " Sem as sombras dos reis filhos de Manco. O desespero se imprimil-os veiu. passam. Gemidos se ouvem no amplo armamento! " E o Sol que resplandece na montanha As noivas não encontra.

bella miragem Errando. perdoa Pungentes males que lhe estão dos seus — Talvez feridas settas abençoa N a hora saudosa. sonhos de doirada palmai Vôa. murmurando adeus." Assim volvia a olhar o Guesa Errante Á s meneiadas cimas como altares D o gênio pátrio. na luz. Condensa. avista a curva Pcrdendo-se lá do ether no infinito. indomita. imaginação divina! Sobre A s ondas do Pacifico azulado O phantasma da Serra projectado Áspero cinto de nevoeiros cobre: Donde as torrentes espumando saltam E o lago anila seus lençdes d'espelho. * * * Porém. que aficardistante Se eleva a alma beijando-o além dos ares. E as columnas dos picos d'um vermelho Clarão ao longe as solidões esmaltam.GtJESA ERRANTE. A forma os Andes tomam solitária D a eternidade e m roto vendava! E compellindo os mares procellaria. Cervaes romperam por nevado armento. E enfraquecido o coração. infernal! (Ao que do oceano sobe. Quando com a ave a corte deliciosa Festejava o purpureo nascimento. não s'interrompa esta paisagem D o sol no espaço! mysteriosa calma N o horizonte. altiva. a mente turva S'inclina e beija a terra — Deus bemdito!) . Treme-lhe o coração. " Caiu a noite da nação formosa.

A m a as tribus. Q u e ao peregrino encantam corações. o páramo abrasado! * * * E o deus no espaço. accesa a planície. rodeiam-no os selvagens. ou a do bronco E convulsivo se annellar d'um tronco D e constrictor. Tremulo o Amazonas corre. vôa á corrente Dos pongos. . D o calix pende ao rir d'enlevo aberto D aflor.. que retumbam no deserto. co'aflordo prado Communicando o astro.. O u a da noite austral.que se desata enrubecente — "Flor solar! Susnrrantes ao meio dia As abelhas na selva. D o r m e á sombra de mysticas papoilas. Escuta hymnos d'além.OUESA ERRANTE. D o s Andes a descer fugia as plagas D a morte o filho. os echos a distancia os pesa. Úivo o vento volvendo os florestaes. em fulgorosas vagas Repercutida a luz no céu profundo. Ora chorando as tão saudosas dores. as margens R u e m . em lentejoilas Luzindo asflorezinhasverticaes. N o tum'lo debruçado das nações. na espessura Reina o viver — Ohl bella creatura! A luz dos olhos teus é tão sombria!. O encontrareis no mundo: Ora sorrindo o riso dos amores. * * * Elle entrega-se á grande natureza. Ama.

Caindo meigas entre a origem e a morte. Depois. E m doce encarnação. como o estou vendo estar luzindo. Descrevo a embriaguez d'elyseos sonhos E as tão formosas coisas. que ouviram no paraíso Os primeiros amantes—mansa aragem. brilhantes Gottas vertendo d'ambrosiado mel! Concertam passarinhos na ramagem Co'os rumores. o riso. A passal-os e m si. qual se se abrissem N o coração jardins e que florissem D o matiz vivo. . ou cândidos martyrios Dos desejos instando co'os instantes. O h ! de amor quantas c'rôas delirantes! Flor chammeja das mattas o docel. Doiram-se frutos." —Adeuses eu descrevo: Adeuses. Ondas frescas. * * * Nossa alma eterna pelas rayas erra Dos desterros da vida se extinguindo.OUESA ERRANTE. " N ã o sei. "Se comprimem-se os membros palpitantei. que e m poesia Possa caber nesta soidão sagrada. desce no enlevo Crepuscular e á doce transparência Das rosas namoradas da innocencia . o amor. a sombra. V e m ver-se o sol. C o m toda a metaphysica inspirada D e Platão o divino. ao diabo. fendem-se. "Desce o vago dos céus. depois. de tal sorte Das mãos dos céus seraphicos risonhos. — Ser e não ser. á terra. co'a gentil philosophia. ou são delírios Dos encantos. tinto de coral o rosto. Mas. puro e não composto.

Ella entrega-se e exhala como as flores. onde caiam Levam a morte ou gosos percnnaes: Q u e olhos tão puros não. e nos ouvidos O fracasso dos pongos que marulham! * * * . que desmaiam Nas auroras de amor vãs outomnaes.GUESA ERRANTE. Sons naribeira. meigos da fatal meiguice D e Vésper e m seu centro de vapores. Ella é como a baunilha. Rosam-lhe os risosflor.e os braços bellos Penetram e m laçando-se viçosos! Aqui não são as nuvens. bemdiz-se. Saudosa sésta. no íris da corrente Visagens. íris de tanta luz. E param. Quando se acorda á voz da natureza. a que perde-se e desalma Bella fôrma compondo a adolescente.no deserto a calma. seus cabellos Trescalam luze-negroB aromosos. D o beija-flor nas azas. que a solteira Co'o mavioso langor desta palmeira Derrama e m torno á mágica belleza! Os assombrados olhos lhe branqueiam C o m o o voar da borboleta. o reino dos sentidos Passando ao coração. que os diamantes E m ai centelha ignívoma incendeiam. errantes Entre cilios umbrosos. E. nunca entornaram D o fogo interno tantas claridades. de a colherem na soidão. Aqui dardeando os raios. que se geraram N o amor do sol co'as bellos tempestades: Móveis noites d'estrellas que fagulham Toda existência.

rudas N a doce alvura. Seguide-a: luta brava. na esperança D o coração. ella sozinha . occnlta C o m o o foi para amor. as horas suas mudas C o m e ç a m de ir.GUESA ERRANTE.' Bella como este sol dos grandes climas D o seu paiz. a Brazileira esquiva T e m extremos! e como enternecida Estende a p o m b a o collo compassiva. m i m o s — h o j e Se ella vôa veloz e peregrina. dai tudo por findo. Irada sem ser fera. Accesa quanto Inflammavel. tão fugaces! O h ! precisa-se ver como. E c o m lividas faces olha e encara O tyranno! se embrulham seus cabellos. simelha de vingança Furiazinha ferida. Então não ha mais vel-a: Porque nas sombras pela noite. n'um pé lindo Balanceia confusa. Corça esbelta espantada na campina. Aconselho-vos. rendida A o grande amor. O u morrereis! que são divinas faces Onde alvorecem as mais puras rosas: Não ha na várzea acácias tão cheirosas. como a bella Garça offensiva pelas azas. e sorridente Ireis vel-a. ella é fiel e nobre: M a s irradia e luz — coriscos sobre Nossa ilha verde deflorentescimas. Se mal suspeita uma rival! em zelos As vaporosas roupas desampara. quando obediente. mas. na fonte do seu pranto. Abandona-se á dor. N e m frechas tão brilhantes. Persegui — que amanhan já menos foge: Volta o ágil pescoço.

Vede-a banhar-se. virgem. A viuvez do amor desesperado D a que cedeu. ainda E nunca se deshonra. Se ella se queixa. se passardes sem ser visto. Então cantando A vereis. A noiva finda. Beijando ofilhocaro. e que vê sobre seu peito Altar de u m deus por outra derribado: D a que solta correu. na adamantina Fonte mirou-se. menina D o páramo e do vai. cheirosa? Solemnes calmas — quando se desmaia O areial vasto de deserta praia. Nessas notasfinaes. apenas diz: existo. lançando-a na fatal demência E m que ella está. vingativa Nos serpentinos Ímpetos. donosa. Começa a viuvez meditativa. Mas. e como se resume! A viuvez da que desperta e cerra O s olhos de vergonha — na fraqueza E m que os seios s'inflammam da belleza. * * * E ella tem razão. perdida. esplendida.8 OUESA ERRANTE. como o perfume Sobre os raios do sol. e no seu canto. . E o desencanto que encontrou na terra. pura.longas do pranto. Comprime a fronte d'anjo. se amesquinha E na rede embalada se sepulta: Q u e b e m se julga envilecer chorando Ante o que a roubou de u m a existência D e paz. que fez dos braços leito D e sonhos. * * * Tal bonina qnereis.

que seio Almo e tão branco entumecendo ao meio D'um corpo a viçar brios. olhai. que nos ardores D a sésta ê doce a inclinação das flores D o aroma ao peso e á somnolenta alvura. O u inda. D e que neste vos dão tremenda idéa Os danteos tratos com que amor se ateia N a alma. N u m abandono voluptuoso dorme A bella natural do clima ardente. vedando os pomos rubicundos! * * * . U m a alva perna a lhe pender luzente D a varanda de plumas multiforme: Tonteia a fronte. Nas ondas d'oiro e luz Uyara bella! Rosea a tarde — da porta no batente. meiga violeta Inspirações da vária borboleta D o bosque a anoitecer nos fundos ermos. e se embalando E m lascivos quebrantos adormece! Realça mais o quadro a sombra escura . ainda mais bella.GUESA ERRANTE. em raptos remontam Pensamentos aos céus. se enlanguece Bindo-se ás nuvens-sonhos lhe adejando D o cachimbo doirado. O dia pelos montes decrescente Trazendo mil saudades á donzella! Q u e m a não ama! se ella é tão suave Na indolência dessa hora! a luz que emana Dos céus nella reflecte. o trino da ave E o brando olor da terra americana. que despontam Ao fogo eterno! larvas d'outros mundos. E no silencio esváem-se-lhe enfermos Lentos olhares seus. Aproximai-vos pois.

Elle escuta: Auras surdas. tão selvagem. roda a amor e m torno. Luzindo o olhar de lago puro e morno. ritual piedoso A sombra circular dos arvoredos. Fogosa Indiana. O u peixe-electrico a lampear nas águas. andando ao sol que a punge e veste. Assobiando os ventos Nas encostas sonoras. Suspira e escuta ao zephyro os segredos. Se fruta preferis de travo agreste. manitô saudoso. Nas plúmbeas praias da deserta Ronda Colhendo o lanço os ledos marinheiros. Co'a Miranha no monte ide fugindo D o anthropophago U m á u a se partindo Espectro.10 OUESA ERRANTE.que anda em ciganagem. Tão vagabunda. lhô enxugavam O s seus negros cabellos. O u d'ave. que nos galhos mora.— * '* * Meia noite! O Guesa Errante. diaphanas alfombras . Vogai nas balsas co'a Purd boyante. Na selva os berros do jaguar fragueiros. Altivo collo e longe ouvidas mágoas: Dos f estins fúnebres. A flor colhei dos troncos. Q u e assalta as brenhas. E co'o ramo espriguiça-se na aurora. Áfloreamargem renovando as trancas. D o seu banho nocturno agora da onda Se separava. que agitavam C o m o ondulam sombrios movimentos Sobre o Solimões pallido. e m ruidosas dansas A apresentada. Das cruas provas.

o resomnar da pedra bruta. " O h o m e m descança. Scintillai! scintillai! —Passando as velas Vermelhas pela sombra permeável. Une-se á terra.. "O pescador. sobre o espaço ora o soltando E m convulsão brilhante.fluidaestendendo As formas na onda móvel. as toma Pelo vulto phantastico descendo D a mãe dorio. n e m da morte ou do debrio. " Á dor sua abraçado. elle abi. preso Pelas cadeias do seu próprio peso. ora sedento E livido o seguindo e o retomando. Aqui. desdobra N o ar as azas serenas e responde " Com grita ovante ao s'escorjar violento D o réptil. ficando mudo. foi nesta hora Que se encarnou nos braços de Maria! . condição ingrata! " O h ironia! o fazem miserável E abrem-lhe os olhos! para que? — Estrellas. A maior aurora Que precedeu ao sol. E entristeceu! Contemplação nas sombras: " N ã o foste ainda o Lethes. no martyrio D o que dobra ao bater do pensamento E não presente vir-lhe o esquecimento N e m dos céus. . Puro aroma "Exhalam os seios naturaes! se cria U m filho nelles.GCESA ERRANTE. prendendo a cobra Que esfusia e debate-se. 11 No espaço. U m a ave se desata E desdenha o rochedo. . donde Veloz gavião-real. .

"Deshonra! que os abysmos dos teus olhos D a alma innocente as esperanças bebem! M u d a m as scenas dos jasmins a abrolhos. o turbilhão resôa Pelo abysmo. que está-se ouvindo. Não é u m a illusão. raios da noite 1 O dia é claro.GUESA ERRANTE. E os amores resistem. e vôa já mais rasa. N u m tormento Vai das ondas levada. co'a vaga . feiticeiras Bellas azas de Lucifer. revoa. — Neste momento " Os meus prazeres são co'a natureza. Porém a noite etherea traz o sello D o coração ao sentimento caro. C o m o tu seduzes. Só. "Descei. e passa e passa Mirando-se gentil áflordo inferno: " A onda estúa. a beijar-lhe as pontas da aza " A i adeus! e somiu-se. L á nofimda corrente eis que a devora. " Quanta augusta mudez! O h ! é verdade. porém cedem: " Doce degradação do Bardo eterno — Qual andorinha alegre que esvoaça Por sobre o Paulo-Affonso. " E passa. E pode m e s m o ser talvez mais bello. Penoso deus. Rompem-se as masc'ras e das vãs paixões O s crimes se erguem co'as exhalações D o impuro estagno. o nevoeiro são bandeiras D e iris d'oiro brilhante. passa. Mais u m a hora. o abutre da dor. Nessa fascinação da queda e as vozes Já sente o palpitar d'aguas atrozes A sorrir-lhe. ao tempo dividindo Lento o horário fatal da eternidade! " Apagam-se no m u n d o agora as luzes. É nas plagas inhospitas.

. " Entretanto horas ha. na tristeza São as brisas da noite quem m e afaga: "Porque o destino e a dor do pensamento Encontram sempre aqui alguma infinda Consolação. está despido O manto social que m e trajava: . e não desagradeço. que se eleva á turba. o apartam do bailar dos vivos. E m que sinto correr grata e querida Lagryma. mais dolorosa ainda — Nossa alma ê dupla sobre o isolamento! " Os gosos seus aqui são solitários Como o passado. os vestaes sacrarios "Não penetram-se. não se perturba Sitibundo de amor e embriagado Na rosea taça. Como de sombra e solidão m e enluto. orvalho do passado. quanta dor no amor! e que afflictivos Dos outros corações não se alevantam Prantos d' em torno ao meu! que o desencantam D a luz. sentem-se os círculos divinos D e azas no ar ineffaveis — Santo Espirito! Sobre o raio diaphano e sopito Descei da noite de formosos hymnos! . "Do mundo despedi-me. Vê-se. 13 Que são as minhas festas. o somno socegado. "E fujo em vão: cá dentro. Giram.GUESA ERRANTE. "Mas.. mas então as rosas Não se esfolham. dentro escuto Soluçar fundo. Como u m sonho do mal.. . tão penosas. " Talvez. como as que expiram Neste instante através da minha vida. D a face púdica. como tão rápido anoiteço. tão murchas.

Olhando os cumes do teu sacro monte. a exilar-se Nas montanhas umbrosas.GUESA ERRANTE. vão perdidas. em que estou nesta ribeira! " E u não conheço as affeições queridas D a família e do lar: as minhas mágoas. .. E nestes astros. "Filha eterna dos céus! Oh! ninguém queira Saber o quanto pode ter passado ' U m mudo coração que chega ao estado Solitário. Que dá soffrer e amar co'o mesmo enleio. Como a veia dos valles.. neste abril de flores. Eu direi a razão porque hei partido Para longe de quanto eu mais amava. Vendo a verdade nas divinas dores. aos ouvidos O puro mel de lábios conhecidos — A noite eu sou. Como os sons destes rios. — que se riam Os fátuos meteoros que desfiam Á face de noctambulos crepúsculos. Coroa única. destas fraguas Neste silencio morrem. Somente espinhos — como no Mar-Morto " Cingiam a onda e a desmaiada fronte. "Rompem-se as relações e (não odeio Que não possam ouvir-me) discordante Só* nãoficaesta voz de eterna amante. " Esta alma acostumando-se ás estrellas. a embalar-se Como as aves do céu nas vascas bellas " D o oceano a torcer os puros músculos D e seus hombros profundos. sem conforto. E u que sou? quem era? R a m o estalado ao sol da primavera. consumo a minha treva. "Anda-se como eu ando. " Sem a tão doce inclinação que leva. Ás soidões aniladas.

.. o gelo. Quanto ao presente. de esperança Novo lume £u seguia sobre a vaga. praguejando " Contra os deuses e os homens. e com o que erra Ser orgulhoso. vem se unir na terra. "Porém. quanto amada Não será vossa vida de innocente! " T a m b é m frui no engano destes sonhos D e alvejantes visões — azas radiosas Velando e m m e u abysmo. que não tendes a serpente Escamosa a morder-vos enrolada N o coração e m sangue. " Onde eu era a tormenta! Eis o passado. na lagryma retinta "Banhar a bella tarde. e m u d o e triste O céu.GUESA ERRANTE. a morte existe Fria entre m i m e o mais. qual de rainha alma repassado. Sempre ê infeliz o mixto resultando. e as illusões abandonando D o mundo sae.. . — Atrásficavaa França. Deixa-me só". " Que não fazem senão que se resinta Mais do negrume a sombra ! Ainda eu amo: B e m vês que ao m e u inferno te não chamo. mariposas Nortes no errado mar.. que se apaga Dos olhos meus. as crenças namoradas Venho esquecer aqui.. " Porém. . cândida presa Que u mfilhod'aguia no doidar despreza Dos delírios ao sol— e m que inda o deixo. nunca se esquecem ! . C o m o u m lume saudoso. Dias risonhos. " Mas. que importa tudo isso? — quando A acção divina desce. vó"s. não m e queixo D a Fortuna e do A m o r . " Corro ao túmulo . direito ao seu retiro O jogador suicida. qual no exilio d'alma o vão suspiro Parte-se.

eram travesseiros Magos do sonho. dessas vozes . A alma livre immortal dilacerando. e solidões formosas Dos bem-queridos crimes feiticeiros D o coração. " A indifferença cria. infernos! D o que nos deram de melhor.. talvez supersticioso D o deserto. das sombras. e dos anhelos ternos Se desencantam. Q u e eternisam desejos. n e m dos ventos serem. " O vento Murmurou. os bellos seios! "Trêmulos eram. " Então. " Ora o Guesa. irmã da morte. que se ligam " A o sacrifício. e m que se exhalam O s seios das paixões da virgem forte " E a tarde sideral. se geram Subtil remorso e a saudade amada — Tal por divertimento nosfizeram.. que ás chammas enganosas " Endoidece. S e m s'inflammarem. qual satânica risada Q u e estalasse na treva. O desespero. D o s céus que então se digam O s mil romances de virtude. cinza deixei-os. apparecem " B e m como as aves d'Ossian voltejando Sobre o escudo sonoro do guerreiro Q u e seguiam ao valle. Cega a esses lizes de que amores falam C o m saudosa magia.GUESA ERRANTE. Surgem neste horizonte interno aladas A s formosas saudades. D a saciedade livida a se erguerem N u m presente isolado. no aborrecimento Deste desgosto e frio tédio. . clamam A s voragens por estes seios que amam.

. . ao longe se ouve. dor." Força da solidão. "Elemento de amor. eterna imagem Contemplada nos céus. Estremeceu e despertou medroso: Que é n'um lúcido somno que as idéas Se prolongam mais fundas e m nossa alma. Vibrai as harpas da meditação! " E u falava nas coisas e m que nunca Devera de eu falar: é" resignado Que devemos sentir ser-nos quebrado O coração. " Quem se está rindo ?!.. de que acabei por ser nutrido. Formidáveis da noite além nas fozes. . Á beira deste rio Preso ás minhas ruínas se inda nuto. alma e m acção. " Não esperei de viver tanto! ha muito Que está contado o numero sombrio Dos dias meus. .. eu devo com mais Pensar. O h ! sê divina! e vó"s. . foi rara neblina quando move D e seu vapor as alvas fraldas bellas. nos lábios de u m maldito O verbo teu será sempre bemdito. " E eu verguei ao peso dos meus males — Céus. não são tão sós mesmo as areias. musas da aragem. adunca. Ainda o grito das aves. quanto soffro ! tenho consumido Gotta por gotta do m e u negro calix O fel. sentinellas Das horas do deserto.. — Eis orisonhogrupo das auroras! " N ã o .. que devoras Os que nutres.GUESA ERRANTE. . . como onda amara.

" O que é de César. doce amor! se a amante . — U m véu sobre isto. Vago destino ou de algum dia esp'rança. fui recebido. e são as sempre-vivas dores. — Nao se apaguem da vida as tão formosas. ''Meu rosto juvenil tinha a belleza D a morte prematura. Quizera eu bem sagrada discrição. pela grande porta. capital. fui. "Nunca os agradeci. "Sempre que nos libertam! Tmi *~. " Ê porque tenho de pagar favores D e muitas mãos.t • . como ha costume D'em cortezia agradecer-se a offerta: Os reconheço. impuro. " Eram os pães dos povos. 6 liberdade. " Bênçãos aos reis. naufrago e perdido. " Minha mãe virtuosa. Na pequena e suspeita.GUESA ERRANTE. Somente Nessa divida d'honra. e maldição aos réus. crêde e tende certa. a salvação D o suicida e dos Afros mui dolentes. D o coração amor! voltei mais nobreI Tal reservado offende á magestade. que foram recebidos Por u m prazo. Porém s ó * . que é flor do cume. Os reis não correspondem-se co'o pobre. na mudez minha e sombria Fui á audiência dos reis . Qual bem podiam d'oiro ser as rosas. Além da gratidão. o que é de Christo Rev'lucionario eterno. Quanto amarga leu fruto. os encantos meus. Cuja antiga lembrança pnnge e corta. que julgam-se perdidos Talvez. Lembro-me agora. "Alettra — juros. Mais rescendentes. — U m dia. uma lembrança O silencio dos olhos e a tristeza.

Onde o astro caiu da mocidade. E m torno.. m a u grado seu. e nada falta.. se elle repousa. Por sobre a relva. que encontrou negra A aurora dq viver. Roxas coroas teçam da saudade! "Foi Chatterton. D e eternidade humilde tributaria Rolando ao mar a onda solitária. porque quando gosa D o repouso o mortal. O u . de encantados mares As fadas vão-se. Já da velhice o frio se presente. outro deserto. e vêm os negros ares. 19 C o m purpurinorirnos cinge adiante Dos deuses.ama os espaços. Por onde. e como fúnebre corrente. —oh! como ê leve! Se as volívolas horas desparecem N a fuga esperançosa e nos parecem As coisasrindo-se. "Passa-se . E vem de scorpio o dardo de violência — "Emmudecei! perpétuas de virtude. .esperai: e m breve " A sonda toca ao fundo da existência: A lia a tolda. Logo a implacável voz o sobresalta ! " Mas. como u m vivo com sua morte. Ondefluctuao coração sem norte.GUESA ERRANTE. C o m o a nuvem de outomno os percorrendo — . Affeiçôa-se e mfim. "Faz-se o deserto dentro aqui. se na adolescência a carga "Do coração ê leve. m e u Deus. ao sem rumo delirar dos passos E m que. e m todo o mundo. na luz doirada! E então. sabeis o quanto é desgraçada A dor sem causa! nunca mais se alegra. mantos de ataúde. lá vai descendo. é o mesmo. " E que tudo ha passado. profundo. .

louros Vermes. que se alvorota a harmoniosa O r d e m dos astros. e m que se transfigura esquálida. e emquanto queres. .. a virgem planta altiva Servindo nas delicias execradas. " Será pela leviana. E eu não posso parar: a voz m e brada — Não é hi tua pallida poisada! — D e toda parte. negro de poeira. que se andraja e esperta Neste mysterio eterno—reverteris. ao largo olhando. terra! terra! fora Tua esta divindade! m a s te vejo Brinco das mãos de u m sol. M e u negrofiotece — ai! desconcerta Teu manto vivo. que m e está turbando? •. o sábio. esqueço. que e m m u d o beijo N o teu berço de sombras te devora: " E a mosca.GUESA ERRANTE. quão formosa D o amor e da discórdia estrella. " D e através dos desertos! E que importa A Ashavero acenar. entrando N o céu. "Lei dolorosa. E o pensamento e m vôos desvairados Glorias vãs da existência reclamando! " E eu também nasci. Ó terra! umbroso e único conviva. D o banquete infinito! degradadas "São tuas criações! quando as consomes. Nesse teu desespero revolvida Triste e no próprio seio a fartar fomes. pelos poros A vida transsudando e m lindos. não sentes fundo a dor da vida? "Mas. " Ê c o m tácito horror que á noite mádida Contempla-se esta morta. de através dos mares. "Sublimes Prometheus encadeiados D o s rochedos no throno. Dize. m e perco e m meus pensares..

9. Beijando ofilhocaro — Guesa Errante.A vereis. pag. . Canto I. se passardes sem ser visto.

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Senhor. que já subimos tanto! — "E gottejam as lagrymas profundas. Que suspirando passa e nao aporta. Quero ainda. A rama de pacifica oliveira. T a m b é m a noite chora— Que amanheça! Perfez-se da diabólica cabeça A rotação sombria : as sombras mudas "Movem-se com o embalo fluctuoso D e seus mantos ethereos. "Correr a fonte límpida? Entretanto.GUESA ERRANTE. Bellas brisas! Assim se expande de innocencia e goso O céu nascente de umas faces lisas. Q u e eu já subi. ver sobre a terra Os soes que acompanhavam-me na serra." .

almo deleite. tão grata Acariciando o coração gostoso! Oh! doce enlevo e bemaventurança! Paradiseas manhans!risodos céus! Innocencia do amor e da esperança Da natureza estremecida em Deus! Visão celeste! angélica encarnada Co'a nítente humidez d'hombros de leite. F. D e purpura. Qual os relevos de pintura indiana É o oriente do dia quando nasce. C. C A N T O SEGUNDO. Opalecem os céus— clarões de prata — Beatífica luz pelo ar mimoso Dos nimbos d'alva exhala-se. Onde encontra amor brando. Scintilla co'o mais puro luzimento. D E SABOTA. E da infância do tempo a hora foi nada! A claridade augmenta. a c'rôa se matiza D o tropical formoso armamento! Qual u m vaso definaporcelana Que de através o sol alumiasse. a onda deslisa. . de oiro.Ao meu companheiro de melhores dias V.

abaixaram. Retina á amarra o cabrestante oppresso. asfloresda alegria Abrem. Embalançai. C o m o esse tronco. Deus. para sempre o rio— Elle abana a cabeça co'o sombrio Riso do íris da noite entristecido. n'um momento Rente áribadireita alveja a proa: . adormecei. á origem d'antes. E curva a fronte. C o m o olhos que languidas cativas. Acorda a terra. "Vagas eternas. como ê tristonho Seu vulto sem porvir e m pé na margem! Talvez a amante. de mim. se escondeis no seio Alguma coisa que. afilhahaja descido.. donde dimana. . solitário. obscuro. A espriguiçar-se a palma soberana. evoca d'outro tempo u m sonho. o selvagem Cala-se. — j á creio. Aclaram-se as encostas viridantes. Erga-se e trema o carro do progresso!" E como o corvo taciturno vôa Atravessando oriosobre o vento. fazem do leito de seus ramos Sua gloria infantil. Rujam chammas fornalhas abrasadas. alcyon e m ciamos Passa cantando sobre o cedro ao dia Lindas loas boyantes. O vapor fumegando. " Cante o nauta a partida na alvorada. tamanhas e tão vivas. Mal nutridas de amores. Remonta a Deus a vida.GUESA ERRANTE. U m a por u m a todas se apagaram As estrellas. procuro Neste afan mudo. Amiga e matinal..

esperançosa e moça. Caminha ousado nas vermelhas rodas Q u e espanejam ao longe: aos sons ruidentes Saem da brenha ás alterosas bordas. amarga: "Quando. O u meiga pátria.GUESA BRRANTB. encontrados. É Tabatinga que ao Império escolta: Presidio imaginário! taes aurora Miragens pinta por u m céu de amores — Já da terra. Só* traços da fortuna que é partida São. bellas. " Desço a corrente mais profunda e larga Q u e se ha visto rasgar de pranto a face D a terra de misérias! outra nasce N a dor dos homens. onde altas frontes Duas nações debruçam! não são montes. Além. " O u quando a que nasceu para ser nossa Vemos e m braços d'outrem delirando. A o movimento se encobriu co'as flores. voltando dos festins culpados A alma vã. Ficam olhando os índios innocentes. dos olhos que choram. £ corrente afoita Chamaloteiam ondas ledas. " Gela na Cordilheira. do rio se encobriu na volta O balcão ideal. que afasta-se e descora. D o seu túmulo ás bordas soluçando. encostada . Felizes nos desertos. hartas costellas Descarnam ribas. Amplas de sombras largas. porém negra. Sobre a moita Nestas noites alvissimas de estio. prostituta arrependida.

por quem doudeia. Cabelleiras do vento que se assanham . vozes não entoam Na socegada lavra. o amado.«UESA ERRANTE. * * * Ao longe as praias de crystal se espaçam. Mas o egoísmo. povo infante O coração ao estupro abre ignorante • Como ás leis dos Christãos as mais formosas. nações diversas. o amante. Fulge ao sol o rubi dos beija-flores. a indifferença estendem As eras do gentío. Vibrando a luz. . e os bosques s'emmaranham. Esta ê a região das bellas aves. — As feitorias os seus tectos traçam: São muitos arrayaes. C o m a sede dos que da terra as veias D e suor não regam. A montaria do Índio. revolvem. abandonada. Na indolência cantando desce o rio. O. os tão mimosos Simplices corações. E ao luar perfumado a ema vagueia. e dos passados 2& . esperançosas Tangendo o boi do arado. A região formosa dos amores D a araçaraneaflor. O Éden a l l i vai naquella errante llhinha verde—portos venturosos Cantando á tona d'agua. dos reluzentes Tavões d'oiro. . Tumultuados volvem as areias. que ora despertaram Na ambição vária (as multidões dispersas D o arrau medroso ás águas se arrojaram). D a borboleta azul. Esquadrinham. amontoam. Sãofilhosdo ócio. e as cantilenas suaves Das tardes de verão mornas e olentes.

todos bárbaros O s que na pátria os olhos não ergueram. N e m marcharam á sombra dos seus labaros. Perdendo a origem cara estes coitados. N o sangue os raios — amo-os. e a que inda aterra Victoria os hymnos triumphaes cantando: Quando os olhos altivos lhe não choram A o prisioneiro. Deus clemente! nos quadros do Amazonas. Sacras dansas dos fortes. como eram selvagens os seus gritos .. enfurecido aos gritos D o vencedor que insulta seus avitos Manes.. Restos de u m mundo. osfilhosde R o m a . os dias tristes rendem. Quanta degradação ! Razão tiveram Vendo... rodeiando A fogueira que estala. m e entristecem. Tanta miséria aofilhodestas zonas Onde e m psalmos os dias matutinàm! * * * Mas. que dansas! não são mais as da guerra.26 GUESA ERRANTE.. se elle carece Tão só de algumasflores?. O estrangeiro passa: que lhe importa A magnolia murchar. Solemne e vasto o circulo cadente Onde valor os chefes assopravam N o sacro fumo. Que mentirosos gênios predestinam. Crepitante cauim girava ardente E os guerreiros na gloria deliravam. rebramando o espaço— Oh. .Anoitece N u m somno afnicto a natureza morta! Julgai do que dois seclos embrutecem — E lá estão a dansar (que a mais não podem) Porque do sol que nasce ainda lhes sobem. que para além das Serras foram.

Sombrio a balançar pendente o braço! * * * Selvagens — mas tão bellos. Tão sanguinárias. A onda vasta. que se sente U m bárbaro prazer nessa memória Dos grandes tempos. sim. Por esta religião falsa de esp'ranças Nos apóstolos seus. recordando a historia Dos formosos guerreiros reluzentes: E m cruentos festins. Nas ledas caças ao romper da aurora. Antes de haver coberto da nudeza O cinto e o coração. dormir saudosa sésta. foi destruído: E nem pelos combates tão feridos. neste presente! Vinde ver do Amazonas o thesoiro. * * * Destino das nações! um povo erguido Dos virgens seios desta natureza. os grandes valles de oiro! . acreditando nella: Hoje. trovadores Cantavam a partir o coração! Selvagens. E á voz profunda que a ribeira chora Enlanguecer. porém tendo uma crença. falsos. A voz das fontes celebrava amores! As aves e m fagueira direcção Alevantando os vôos. D e erros ou bôa.GUESA ERRANTE. mentidos. na vária festa.. Ai! vinde ver a transição dolente D o passado ao porvir. L á no meio da noite dos recitos. se riem com fatal descrença E a luz apagam de Tupana-estrella.. barbaras usanças.

oppresso de n m m a u presentimento. dos logares Tão saudosos— " Saltemos nas areias. Rotos os laços do mais puro enleio. A lanterna. taciturna. Se aproximava. a belleza soluçando.. A virtude. E falam rodas pela luz dos mastros!" * * * Abalrôam a noite sonorosa Longas vozes ondeando nas soidões. a morte o seio D a família feliz despedaçando. Nas chammas do equador. Resôa a margem. longe daqui. D e alvoradas cantadas nos serões. É vigilante o practico gentio. Immensa solidão vedada ao mundo. longe da luz! Donde fugiu o tabernao'lo immundo. M a s onde inda não abre o braço a cruzl "Vejo. umbrosa. que os perfumes Divinisam. os quatro olhos á noitinha Fazendo esgares fúnebres. Amava o Guesa Errante esses cantares Longínquos a deshoras nas aldeias. alegram sobre os cumes Das trescalantesfloresdestas horas! " E en vi. "Olá! que apaguem! temos bellos astros Q u e os caminhos alvejam sobre o rio. Depravas d'alma o instincto. triste.GUESA ERRANTE. que ê isto?! peste! que descoras. . — "Porém. sozinha D a verga a olhar e a se mover co'o vento..

e sem do insano Zenon ser olho.GUESA ERRANTE. espalhados Por entre acervos d'ovos e as vasilhas E m que aos raios do sol são depurados. Magalhães. Mas. Elle attendeu. que sempre se sentia Revestido do signo. na primavera Partiste — e e m teus jardins já murcham flores." * * * Na matta de mil annos o crescente. Flor de lotus ante ella reluctando: E lá perdeu-se no pegão-pampeiro. Penetremos aqui nesta barraca — D a candeia d'argüla u m a luz morta Través da nuvem de poeira opaca As claridades lobregas aborta. lobrigando Das armas e do altar a melhor gente. Quando os Índios mais vários doidejavam E este canto verídico e grosseiro E m toada monótona alternavam: . docemente Seus infantes clarões recolhe e apaga. Vão e v é m os caboclos vagabundos. breve. Nestes odores podres-nauseabundos. então lhe acontecia Deixar o manto ethereo e ser humano. Foi levado da electrica corrente. fez-se a tapera N a Concórdia dos cantos e os amores. Magalhães. Ardem os fogos no areial de milhas Ondulando nos ares. C o m o errante caipóra que divaga Pelas sombras dos troncos. Bêbadosriem-sediante das fogueiras O u balançam-se e m rubricas maquêras. 29 " O silencio caiu. Ora o Guesa.

Feio horror dos-desertos! (Coro dos índios:) — Mas os tempos mudaram. Nossasfilhasroubavam. Parinthins orelhudos. V e m comnosco ao tatu. El-rei dm&pro-rala. (TECUNA:) — Carimbavam as faces Bocetadas e m flor. (MURA:) — Por gentil mocetona Onze tostões e m prata.. (TUPINAMBÁ:) — Currupiras os cancem Nos caminhos abertos.GUESA ERRANTE. Não se anda mais nií: Hoje o padre que folga. Altos seios carnudos. O u a saya de chita Bonita. Onde ha séstas de amor. Que empolga. . Logravam E vendiam apds. Trombudos. (MUXÜRANA:) — Os primeiros fizeram As escravas de nds. Pontudos.

enleia E m voltas scintillantes como a setta! [Frei NEPTUNO. mêmíchió destoa C o m frei Neptuno entrando ventania: Siu! macaca veloz. Macú-Sophia. fracassos! Olha o vigário! a face da Tecuna C o m que mãos carinhosas afagando! Guai! como a vestia santa abre-se e enfuna Lasciva evolução. se desfraldando! U m a torceu o pé. aos trancos e barrancos. de u m salto vôa! E lá vão! e lá vão! pernas e braços A revirar Macú.GUESA ERRANTE. enlaça. ferva cauim Q u e nas veias titula. entrando:) — Introibo. Medindo-lhe o capuz. que solavancos Q u e o frade leva. Outra ao Guesa arrebata. Damnados Nesta noite de amores! (Padre EXCELSIOR. junto á candeia Sentada está. Scintilla N o prazer do festim! (Coro das índias:) — A grinalda teçamos Á s cabeças de lua: . respondendo!) — Indorum libertate Salva. palmas. Entre applausos geraes. cantando o seu propheta. minhas flores! São-vos olhos quebrados. senhoras. 31 D o agudo ao grave. Templos meus.

. Glorias da carne crua! (Velho UMÁUA:) — Senhor padre o'roado. Faça roda com todas: A catinga já fede! D e sede Suçuaranas 'stão doudas! (NEPTUNO:) — Quero o fogo assanhado Das índias semvergonhas.GUESA ERRANTE. (Coro dos vigários:) — Macackeral Ouchaf Quaqual Coroei/ que perder Nestes tons tão nocturnos! Alburnos D o olho morto sem ver! (A que torceu o pé:) — Geme em Venezuella Alexandre-Sumé. Mais que o sangue que trava. Q u e não coram de pejo Co'o beijo. Que lava Plúmbeo pé de gordura. N e m co'as dansas medonhas I (EXCELSIOB:) —Amo a baba risonha D a formosa loucura. Ôácal yaci-tátál Tátá-yrA.

3 . Era u m canto de fé. (Voz dogmática de fora:) — Luzo-hispano-brazilio Antro de Belzebubs! Lacio em fim!.. Ensinando.. da luz! (KONIAN-BEBE rugindo:) — Missionário barbado.. caretas e trocadilhos:) — Repartia São Pedro Os thesoiros da Sé: — Deo date quem pode. N o revira se haver.. Reis. da raça D a graça. dos antros. Réis. Promode Dilatação da Fé.GUESA ERRANTE. (Vate ÚCEOAS e NEPTUNO. não dá. . (Regatões negociando á margem:) — Hade dar o compadre Pelo espelho 'aruá Trinta libras de gomma Na somma. 33 Voz dos ermos. — Não.. (Desconsolados agiotas e commendadores:) — De nns arrotos do demo. E de Congo o saber. Cariua. andando.. Que vens lá da missão. — Venha a nós papelorio D o empório.

. E os poetas do amor. (GUESA:) —Eu nasci no deserto. Que interna Tens-na em teu coração 1 (Novo coro. A amor fugirem tão amedrontadas! Dá fora um promotor republicano Vil caiçuma aos mutuns e jacamins.34 GUESA ERRANTE. Tu não vais á táberna. D o mundo. Range abalado o fumarento íorüo. mimos de amantes. E a multidão apinha-se ao em torno Amostrando as cabeças nos ubfs. Que se elevam gritando n'um insano Desnorteado saltar. nobres fins. ao signal que deu Tucháua. Abria aza o juiz do Sorimáua Ás donzelinhas não apresentadas: Como pois. enternecendo:) — Nos rochedos ululam. A algazarra infernal toca os zeniths! .. Amazonas: fagueiros Guerreiros Vão pintados e nus. mas. N a sasão dos cajus. (Rodando) Diabos levem a dor! Das guardas nacionaes os commandantes. que é barão. Alli rendiam preitos á funcção. Sob o sol do equador: As saudades do mundo. O nobre esclavocrata.

Consuelos. (Coro das índias:) — Stsioei. C o m o porco a roncar. Tupan-Caramurií! É Lindoya. rei de flores. Enroscava olho e rabo O diabo E m cornudo sonhar. Rnge-ruge estas azas D e brasas — Cuidará. Lindo Temandaré. grave:) — Melindrosas potyras Fujam Juruparí! Tão malino. — Sobem céus as estrellas. — Moreninhas. Verbenas D e Athenas. Coema. . cerêré. D o festim rosicler! Idalinas.GUESA ERRANTE. (UMÁUA. fumando:) —No cachimbo-conselho. são estas As festas D o autor do urarí. (WATANORICKENS. Corações de mulher. Moema. É a Paraguassd.' (Alviçareiras no areial:) — Aos céus sobem estréüas.

Marilias S e m Gonzaga Thomazl (Nautas no rio:) — Contradições do Eterno: Luzes. Rendida.86 GUB8A ERRANTE. Pallidez. (Risadas. Q u e malino faz festas C o m o estas E urarí tez assim! (Vate <Z'EGAS e MURUCUTUTO-GUASSU :) (Io) —Pae Humboldt o bebia C o m piedoso sorrir. D o lodo. a republica D e Colombo feliz! (Dentro) —Cadellinha querida. Olho-azul Marabá». se hervada taquara do os olhos) Dispara.— Mas. i. Cae tremendo o tapi. Sou monarcho-jni. arredondan. O britano. ir! (Risadas. herança D e senhor Affonsim.. povo. i. D e Stercucio. . subdito.. profundo:) — Foge de Jurupá. o h o m e m .. . iz. Caraíbabé-tim. do guano. o rosai. Juvenüias. (Velho ÜMÁUA.. do pantanal..) (Politicos:) (Fora) — Viva.) (Fora) — Prole. (2". .

( Um delegado em scismas:) — Reina a paz em Varsovia. Transcream — Mafamed e Sultão. assigna a meu rogo. (NEPTUNO:) — Os poetas plagiam. Mas. milhar! Ao ar Uvre. nos montes. Quando a luz se apagar. Desde rei Salomão: Se Deus crea — procream. O u á beira do mar! (Risadas.GUESA ERRANTE. Nas fontes.) . Tamoyosgwe que-meum. Recrutamos arraus. (Vate:) — São as Negras-Agulhas. Servidão E o rabicho do Chim. (Coro dos beatos pasmadotes:) — Setecentas mulheres. São. Moderando o poder: Toma. secundam Matheum. Mais trezentas. Diogo. a guerra a chegar. Picapaus. Por yo no saber leer. D'el rei religião. (Tupungatos trez tombos) Colombos. (Dentro) —Referenda o ministro.

(Vale:) — Hade o mundo curvar-se Ante a trina razão: Sol fecundo pYas palmas. ô. ô ! — vibram arcos Macacos. D o governo central Como c'rôa ao em torno D o corno — Apis-deus. ô. Ferraguz! (Risadas. (Titulares:) — Roda. Tornados Dos homens de Jesus! (Beatos pasmadores:) —Branca estatua de Byron Faz cegueira de luz? — Breu e brocha á criada/ E borrada — O. O. Tatús-Tupinambás. . carnaval! (EXCELSIOR:) — Lêem destinos dos povos? — D o m Aguirre os conduz Mephistôs justiçados.GUESA ERRANTE. ô. PYas ahnas Jesn-Christo e Platão. ipy! tyranna.) (Cunhãmucüs e Ounhãtans:) — Lamartine é sagrado ? — Se não tem maracás.

potyras! Fujam Juruparí! 'Xcommungado Victorio. Infusorio D o senhor do urarí. . . do papa-maná. Guarani. (NEPTUNO e EXCELSIOR:) — Hieroglyphos-mosaicos São.GUESA ERRANTE. Meio do Éden os gomos D o s pomos. . Barracões. F o m e d'Eva e m Adão (UMÁÜA:) — Índios corsos. acácias recendam. guaraná . (Guerreiros brancos:) — Sobre os montes d'incenso Dois obuzes estão. Meia noite dormente! Quiau! o gallo da serra! Hu! berra Sapo-boi na cor. (Major JONATHAS:) — Ora. .. Novo cactus de amor. —Altas lucubrações. convidando á ordem:) — Coitadinha Baníua. ren . ente! (Susurro (Meiga MUNDRUCU. Chora aos brados da festa Molesta Seu noivado de dor.

. Q u e honra tendes n'um triz. Perdido Co'os amigos terás. O u o amor. D o Abyssinio o amor! (Voz doutro príncipe por baixo da terra ) —Dos amigos preserva Teus mimosos tajás. cinco de oitubro. Irmãzinhas do mar. Callipygias Cytheras. instruindo:) — As escravas da lua. (Admirado grupo de virtuosas à porta — coro:) — O' maridos. fogo-ardido. Anda o Olympo a bailar! (Sombra de rei THEODORO errando pelo tecto:) — Vede. o' virgens. Sois da carne e do osso D o nosso Franco rei São Luiz!! . (Pagè mundrucú.40 GUESA ERRANTE. Tonto cérebro o sol. N o mar brincam estrellas Tão bellos C o m o o peixe no anzol. (Bailando) Deveras. nesta arca D a Parca. Sobrenada. Negro mar e m furor. (FBTIPHAR-CATU:) — Tem José rota capa.. .

. As commadres de bem. ( MACU :) — Se o amor. . respondendo ás virtuosas:) — Vibram bifidas línguas. 41 (Cunhãmuc&s. (Outro) —Fez-se luz. (SpixeMARTius:) (Um) — Dos seis dias genesicos V e m toda esta funcção. Sapiência Que o Senhor prohibiu. vice-versa Logro do ar. Resplenda Sobr'o império da ran! (3*) —Musa paradisíaca Já no Éden floriu. (Doutos pensativos:) (1") — Marám nhan' despropósito A correr. m e cançou. Macií! (2') —Paraná defluindo Fez a voz maranhã . Raia o sol qual commenda. tátá-oçú. Berá berab. Bananeira-sciencia. Iby-quara.GUESA ERRANTE. criação.. mar e mundo Rotundo. Fazem coro pistillos Sybillos. Caninana. goaimêm. Criador. Tacon' morepotára.

. C h a m m a s do urucaríl . flores e fructos.. Toirarias no globo.. N e m haver candiní: — O h ! tremei dessa ondina Q u e ensina A o toryua-tatú! (Titulares em grande galla:) (1') —De ema o beijo. oflagro. D o lobo. Alvejando trophéus. (2°.) (Doctor PURUPURÚ.. Quanto o tal não gqsou! (Susurro e confusão.o barão. ú. (Coro das cabeças:) — Escanchada nos galhos D o r m e agora Macú. que inda descança D a dansa. D a onça. doctor BORORÓ*:) — Mais valera castrato. ü. trombejo. Esse. o cabro. 3») — N o agro.42 GUESA ERRANTE.) (UMÁUA a grandes brados:) —Sonhos. Porque os sonhos de Flora N a aurora Floresencham-lhe o urú. (Risadas. Toda a taba cantando. o cabrão! (BANÍUA tristinha:) — Lá na foz do Madeira Os velhinhos são réus. Dansando.

na índia avena Carpindo a sefinar. Silencio. Então. Ninguém se fuja ou se conheça ou tema. Volvem-se e m laivas negras e amarellas. onde poz-se a mão. mugindo as águas bellas. Foi u m só* momento! — Viva Juruparí! — T e m . N a cintura phantastica brandiavam Qual magnetisação ante os abysmosl E se contorce o satyro e se alteia Aos tangeresfinaes. a presa feita.s e apagado A luz. D e Gomorrha novíssima os amores. Jacaré! Viva Juruparí! (Escuridão. Porque se a voz a amor está sujeita. então praticam-se do incesto Os mais leonilios.GUESA ERRANTE.e dansa e acena D e amor.) Canicular delírio 1 paroxysmos D o amazoneo sarau! pulavam.— E estale a corda que feriu taes sons! — E u deixo o m e u assumpto depravado: Q u e desculpem-me o triste recitado D o que ás bordas se vê do Solimões. * * * . gemer o escândalo espojado. É lei por uso do tatuturema Que. e m que se occulta. Então se escuta N a densidão da sombra. suavam. Fungar. mais brutaes horrores! C o m o repercussão no império infesto. Caiu a treva. vampiro e m volta da candeia! Dissolução do inferno em movimento! C o m o as fozes. 43 Já se fez cáe-á-ré. Despojos de onça.

A ran selvagem. E m luzeiros rebenta a espuma errante Qual moitas de rubis por sobre as cristas Negras da vaga tremula. luzente — O Rio-Negro susurrando passa. convulsos. bronzeiados Á luz violacea dos crepusc'los breves. * * * Oh! como as noites de Manaus são tristes Á s scismas na soidão dos infelizes! Quando tu. onde a tribu já repousa Livre e m seios de m ã e hospitaleira.. dos grêmios da palmeira. meiga a saudade Q u e do throno de sombras vaporosas. —Estão. Ruge ao lado. esperança. D o s altos montes e as ethereas rosas Contemplativa nos despede a tarde.. Asfilhasde Manára os membros leves N a onda estão. C o m o serpente de coral ruidosa. Os derradeiros fogos do occidente Jorram lâminas d'oiro sobre a massa D a viva treva. densa a ribeira. Saudade minha. Desce ao valle. maracá tremendo .44 GUESA ERRANTE. Ondulando co'os peixes esmaltados: Ledas lá vão batendo e m roda a vaga E cantando e m seus jogos innocentes: — Dansam áflorda abençoada plaga. Fogueiras longe os índios accendendo. não existes C o m teu bello horizonte de matizes. É meigo e doce o olhar. Voltam ás choças da montanha ausentes. Vistoso kanitar de mil conquistas. oscillante. D e collina e m coluna a Cachoeira. liquida.

* * * Não ê a cobra. Das mãos d'ignoto piága alli detido Ante os destinos seus. o fervor de extranha prece. Nas endechas da vaga soluçada Gemer ao vento dos desertos frio: Onça exacta. .GUESA ERRANTE. . que do Solimões A o Branco se dirija á noite. que beijar a pátria areia V é m a deshoras.. . . e a dor lhe pinta.. co'o gemido Q u e geme o innocente. cândida sereya. Que inda acorda a bater os arredores A o repoiso da noite do guerreiro. Que não encontram na folhagem mesta D o s perfumes os ninhos ineffaveis. deixando os túmulos do rio. Além suspira... Falam do rio. pavor dos corações. Talvez Lobo-d'Almada. aquém palpita. Que no silencio a natureza imita D e nossos corações . da tribu extincta D o egoísmo ao contacto. Quão formosas memórias não reclamas! Talvez de Ajuricaba a sombra amada Que vem. das relíquias vergonhoso Que a ingratidão ás trevas dispersara: Foi a queda do cedro da floresta Que faz nos céus o vácuo para as aves. que descendo estronda... . que esta pátria tanto amara. erma planta do terreiro..«. O u da água o gênio.. A chorar. como voz das chammas D e uns lábios. e no amor florece. Noite donde não mais surgem albores.. — Ouçamos. a onda Percorrendo . o virtuoso Cidadão.

triste. N o deserto escutar a voz da terra: — E u sou como este lírio. do mundo fugitivo.GUISA ERRANTE. . Porque en venho. C o m o esta brisa que nos ares erra. esquivo.

.

. Ficam olhando os índios innocenteg. pag. 'M. Gueaa Errante. Canto II.Saem da brenba ás alterosas borda».

Tributo de gratidão ao presidente do Amazonas DR. que os céus encaram Pelo encanto do azul e não por Deus. . vivemos.. de sol formoso. D e perfumes e de ar. ou da inconstância C o m que jacina áflorpede fragrancia. fatal orgulho D e u m a pobreza nobre. n e m de u m a fraqueza. F. C o m o as aves do céu. E nem é do ócio. que amanhan vos dá seguro: Mas. Beijos a brisa ao mar vivo e marulho. não faleis do turbido futuro Aos que o não têm. Que vem-nos esta calma indifferença Aos poderes e á força: uns da descrença.. Ji FURTADO. que sãofilhosda morte. Q u e perguntam se u m crime perpetraram — M a s pezam-se do riso dos atheus. nós. Outros. desse. CANTO TERCEIRO. emfim. E a gloria— eis aspirações que temos. O futuro é só* vosso. Outros de ülusões falsas foram presa.—1858. Tendes alto logar no Estado. Dahi as dores-mães. a sorte Invejo. canções e goso.

desaguando no deserto. E estou lembrando tudo ao coração. ignaro. morto. que embalança D a selva a sombra. vagos rumores Nas calmas. Que formam. Tão só*! tão só"! na terra adormecido. ondeando águas sonoras. E m cada leito azul luzente aberto Brilha o ethereo fulgor de u m sonho mago. Hebreu sem terra promettida. E ao d o m dos céus s'enturva e desalegra! São horas do trabalho. Nobre sois.. "Passei a noite a vel-a! alma adorada D e minha mãe.. Virentes c'rôas D e palmeiras orlando cada lago. sem medo. Orioá pesca das selvagens hordas.GUESA ERRANTE. junto á vossa porta Tereisringirouvido á revoada D a inspiração a penna vária e negra Estalada alta noite. • — S e não dormieis. e a taes horas Contemplo os limos verdes como trança D'Uyara. a encantadora. pelos lazeres D o errar virgiliano da soidão. bello. que ama. Oh! quem o visse alli ao desamparo. Corre a estação do ardor — formoso clima! Gênios á sombra. A o m e u posto faltei. ha tantos annos morta. o scentelhar das flores. no ermo — vozes no Parima!. Quente o perfume do ar.. Não lembrastes meus deveres. perdido! . Pallido. Desarmado. cândido.. e visto a chamma... Dormindo o Gnesa está. * * * Sobre a relva odorosa das lagoas D e onda azulada eflorescidasbordas..

E nos espelhos d'agua A lua a esvoaçar. Oh! quem o visse! — A lua. "Vejo—brincando ao longe Por cima das lagoas — C o m a ardentia fúlgida Dos lumes da onda a arder.. O vago arfar das ilhas. —Enlevo. Os echos ao redor. A brisa nas insomnias D a noite branca e bella. dos céus o enlaça. D e m i m porque tremeste?. turgido o seio de esplendores Abrindo açucenaes. amor — brincando Vejo se aproximar. O vê. Tens da mulher formosa O mágico poder! Luz e mudez nos olhos. Nelle alumia o sonho dos amores. trêmulos D a lua formosíssima. Asfloresdebruçadas N o lago encantador. Pelo silencio harmônico. — C o ' o s raios. que esvoaça. loiros.. " E do palmar os ramos Phantasticos no espaço.. — Co'os vividos espíritos Dos ares a correr— "Dentro do umbroso bosque Os cervos ruminando. " Gênio risonho e cândido.. D a natureza á calma. i .OUESA ERRANTE.

— Quem és? mulher! quem és?... .. sobe ás floreas margens. O h nua Chasla! aragens. D o roseo nenuphar.. Ás grutas dos encantos. D á que a teu lado eu possa Nalma esquecer a dor. Ao sempre-vivo amor! Tu. . e é tão doce Á noite voz divina! Tão doce de alva fronte Fascinador clarão!. sinto Perdido o coração. " Vem. ó * bella! Porque te encontro. Comtigo eu passe a vida Nos lagos ao luar! " — Do meigo cinto aéreo. que verdes voam Nos lagos a correr 1 "Não falas. ... i— H y m n o dos horizontes. " .. do que a onda fluida Mais crystallina e movei.OUESA ERRANTE. Nas embaladas conchas Das pérolas luzentes. Sonhando. Nos óndulos oabellos Chammas... Antemanhans diaphanas Rolam-te em fogo aos pés! — Bella visão das luzes . — U m coração procuro. " Nas ilhas fluctuantes. eras a imagem D o sonho meu. desço ás fundas águas. Nos pátrias encantadas Dos sons e dos verdores.. Vou.

pela alta noite D o leito azul das águas. Foram luares tenebrantes mágoas.. lindos espíritos Dos zephyros ligeiros. brincando — Sinto a paixão tomar-me. '' Vejo — doirado raio D a lua. " N e m tu. " Sítios de tanto enlevo! D e tanta alvura eterna! Que pavorosa calma N o mármoro luar! Somente aflorvelando. Descem estrellas do ar. além. Não és tu. Exhalação suavíssima Dos hombros da harmonia. bello astro. " N e m vó*s. aos susurros Co'os risos da ardentia.GUESA ERRANTE. Anjo. N e m vô*s. por quem suspiram. N a l m a a loucura a rir. Q u e sais. N a relva o moço Guesa estremeceu.. M i m o s daflorbalsamica. E os troncos solitários . onda luzente. Q u eficasesquecida N a encosta verdejante. Noite de alvores!— encantadas águas N u v e m dos céus u m a hora escureceu. Q u e dos argenteos cumes Levas amor saudoso Á flor do valle a abrir. Aos beijos. A o rórido chorar. brandos halentos.

C o m o penadas sombras Q u e o lago vão passar 1 "E os lagos transparentes. Dalli revão-se ás margens. E os serros levantados— Q u e solidão na terra! Nos céus que solidão! — A s sombras. prendem.. Forma-se e mfloro centro.GUESA ERRANTE... Nasce a divina flor — Como. tumidos Por doloroso anceio. C o m o echo dos silêncios. Dos seios alvos. saltam. Fogem co'a luz tão tímida.. Percorre os seus domínios! — Oh! como volve á lua Saudoso olhar de amor! "No bosque uma ave canta— Ella estremece... Ancoram.. Voando á viração! — " Andam no fundo da água. U m circulo constante Espumas d'oiro férvidas Traçam ao lume além. E m languido vaivém: " Como de mãe formosa. Álli se attrahem vagas... são piratas. escuta.. Fica tão tristemente Perdida e m vão scismar! Existe? ai! não existe.. . ao em torno olhando. C o m o alvejante sonho N o seio azul do ar..

... fala u m a vez! " Que tens? faltam-te acaso Os mimos d'outra sombra? Saudades tens?— nos lagos Tão só*. tão triste ser! O h ! m e endoideces!. límpida M ã o alva — se acaloram Beijos de amor. Prelúdios da canção... illumina-a. fala D e amor. " Eleva á lua os braços — D o peito transparente Olho através— e m chammas Arder-lhe o coração! E alua desprendendo Meigo sorrir celeste. Agno mimoso e cândido! — Pois. — L ú c i d a resistência Q u e harpa gemente faz! " O h ! encantados paços! O h ! sons das harmonias! . " E os braços estendidos. — Lírio crystalleo. nas princezas da onda H a tanta timidez? — Não és tu a senhora Destes undosos reinos? Condão de amores. " — A fronte ergue. E o leve corpo fléxil D e floco reluzente Vergando para traz . Dá-me Tua infantina...GUESA ERRANTE. —Bello arco d'alliança.. puro. vais ver. Resôam as espheras.

GUESA ERRANTE. Ar puro. Cobre as purpureas camas Dos sonhos o docel.riso. meigas. as grans. trescalando Perfume. se illumina. Como á visão fagueira D e aurora que seduz.amor! Nos ramos suspendidos O jalde. de rubis. Os sonhos namorados. Aò fundo. Rosea se expande a luz. D e cérulas saphiras. E m ondas. Esplendido donzel — Fulgem os seios brancos D'intenso amor pungidos. As camas carmezís. "Dos gosos nos quebrantos Os braços desenlaçam. " Das verdevivas moitas D e plantas melindrosas. E a gruta dos encantos Se embala. "E áclaridade rosea U m grupo de alabastros Sorrindo. São de incendida opala As grutas. Os frutos sasonados N o mel rindo e na corl "São de crystal radioso. o leito d'oiro. As nuvens silenciosas. as luzes. Como trementes cordas Depois da vibração — D o r m e m — s ã o travesseiros . doce virgem. mansas.

se alegrando Ante a espuma querindo-semurmura: Sorrindo. o Guesa Errante D e u m para outro lado passeiava Mudo. no bojo indomito vulcão! Sombrio. Porém. rápido.GUESA ERRANTE. As comas luminosas Que d'alva fronte ondulam. inconstante. rindo ao perpassar das ilhas. ao clarão da lua. dizia. "Acordem. fluotuantes. Fitando olhos no sol. Sobre as lagoas. — n a aza lhe rugiam Vagas. E rindo. espavorido olhando C o m olhos chammej antes da loucura. — Está elle assombrado?. qual se da onda crystallina Presentira a surgirem loiras filhas. Áureo solar clarão. suaves. no convés. A fronte mais que nunca afnicta.. inquieto. * * * Imagens do ar. que já se inclina. Propendia p'ra as bordas. certo Dentro lhe idéa vária tumultua: Fala de apparições que ha no deserto.. os cabellos e m desordem. branca E paüida. " * * * As balseiras na luz resplandeciam — O h ! que formoso dia de verão! Dragão dos mares. E e m desalinho o manto que o trajava. do alcantil sonoro. . olhos meus. C o m o o que sonhos alta noite espanca. O u deliradas. acordem!" E de través.

E estende. vieram. Cria nossa alma. abrindo-as. O u •como esta. vanzeiando os mares. ás terras m e levaram Longes. os olhos tão risonhos — Taes vi sangüíneo sol. Lumes de Sátan e os que são traidores. Seduziram-me. Para os campos formosos d'aureas gemmas. Corroendo a existência. imagens arrogantes. C o m o palpitação vasta da noite. eu ouvia ainda as risadas Dos meus irmãos amigos piedosos. que tem derisoe choro: U m a imagem fatal (para o occidente. accelera a vibração de açoite D a aza torva com que fustiga os ares. — negro morcego Estende as azas no ar equilibrado.. N a abobada dos céus. sem crenças).. undosas flores. azas longas densas (Alvar boquinha. Oscilla a esphera. irmãos . " A alvar boquinha. os olhos de negrores.GUESA ERRANTE. já sem luz. índio e bello atravessa lentamente): Estrella de carvão. astro apagado Prende-se mal seguro. mais uns sonhos Onde era o inferno circulo de amores. vivo e cego. á orphandade. E uns piedosos amigos. E entrerisose festas m e entregaram " A o baldão das misérias. . O sol. " E esses amigos meus. da casa e m que meus pães viveram. E á tristeza que vem cavando as faces. D e Luzbel morte. na saudade Funda do exílio — abutres meus vorazes! " E já longe. cingida a fronte de diademas. Vibra.

GUESA ERRANTE. irmãos tão rudes Ainda algum dia abraçarei no Egypto. Outro nas águas. vivas Trancas. soberba montes Onde passa o relâmpago. E eu chorando auroras namoradas. — Pára e golfa o vapor bulcões irosos N o meio do Amazonas. Que assim roubaram dos meus céus formosos. . soidão. como essas Idéas-Pallas por divinas frontes. Vergonteas longas. loucura. Noite escura. línguas sibilantes Das de Milton serpentes doidas. .. vaga "Ao branco luar. já tiveram As azas culto (aos céus foram-se amantes Que da terra no lodo as não perderam).fitasconvulsivas. silencio. . D e u m patibulo erguido aos elementos. negros luzimentos. que ondeiam lumes fulgorosos Ante a imaginação — amor.. são tão brancos brios. Hi tens noite. Sem luz.. . creio mesmo que antes D a pomba mysteriosa. " Se á grande luz do dia tanto engenho Trevas e trevas faz. E o qual vulto espectral." E roça a negridão nossas cabeças.. Roja encosta mmaz. A cujo influxo cândido conduzes A alva filha das ondas e das luzes Ao encanto. aos amores. aos delírios!.. fero e nefario. 6 lua maga! Se o coração a ti votado tenho. . E da sombra nos visos palpitantes Cruzam-se fogos. " Se em todo tempo. no ar u m fúnebre sudario. " Quando á fome de crenças e virtudes Tornar-se estéril o paiz maldito Que seus prophetas mata..

" H a ! ha! treva de sete de setembro. Ouve-se. soltando lacerantes Pios o ninho. Ó Martius. clarão jocundo D e irradiações no intimo deserto. que ondas engoliram. Sol do Ypiranga crís no Solimões! E o bello estoiro. fluctuantes A n d a m moitas. os echos lobregas. Q u e para dentro vê. que? — resfolego anciado Das phalanges ethereas que desfilam. volta-se ao mundo. vem orar ao Ser sagrado. índios estendem-se de braços. Q u e a nau afundam raios que fuzilam! Occulto o sol.. e u m a luz na mente accesa! Á nave troncos dão d'encontro. estampido horroroso! —Misericórdia!—tímidas mulheres Gritam. rabbi! que inda alembro! Fiat vosso. Nos lábios o sarcasmo. simelha a Providencia Sobre a revolução da natureza. ai dô*e-te! dóe-te! Foi o sonhado amor. . convulsos.. Abre-se o rio ao largo.. os vagos seres Enchem-n'o. tenebroso E m seu amor de céu por esta estrellft — Profunda convulsão! logo a procella Troou no espaço. O céu descia á terra. giram Nos vórtices das águas. ó* caros maranhões!" Viste-o? Cham do escarnir! Pendido á proa Elle está meio louco. . desde a noite Que adormeceu á beira da lagoa: D o triste estado seu. As massas populares na demência Das trevas. o olhar aberto.GUESA ERRANTE...

a noite! Dos céus lançam. e são do raio laceradas. E m penedias rolam espumantes A s vagas do improviso cataclysmo. a grenha vária. Triumpha — a baixo. de abysmo a abysmo. D e agigantada selva os corpos mortos. D aflorestaos phantasmas varejados Pela tormenta de uracòes eterna! Úiva o cahos. tranquillo olhando. Vede a perturbação dos elementos: Q u e m suscita esta guerra de loucura Entre o fogo dos céus. tumidas. mugidos na caverna. Agora. Lavas d'agua e de fogo pelos ares! — M a s aqui tudo ê rápido. bandeiras Negras e m funeral desenroladas. retesam-se. o amor dos portos! E passam do combate. N o rio esparsas. áureos. Desanuvia-se a alma e se melhora Vendo as trevas se desencadeiando. Porque.GUESA ERRANTE. Q u e se hasteiam nas cimas altaneiras D o monte. solares. retumba! as sombras falam C o m as vagas! os ventos têm açoite! A treva. a alegria. a chuva e os ventos? Nuvens fogem. * * * . dentes que rugindo estalam! Granada. os eínuvios Rareiam do ar a oeste. a fronte erguei ante natura. vulcânicos dilúvios. á c i m a — a procellaria Flammivoma. as chuvas! olhos d'aguia. possantes. D e margem á margem. — Nas margens alevantam grandes brados Infelizes. depois do procellar de fora. 69 — Elle já se assentou.

Entoa «ramembi formosos hymnos. tão divinos L á da umbrosa espessura. convida a amores E diz.. ao canto. vai descançar a natureza. Pulsa de amor o coração ás festas D a luz e os sons que se ouvem. que na palhoça dos selvagens Não mora a inveja. * * * Vede-me o quadro do fugaz crepúsculo. Tremem as selvas.GUESA ERRANTE.. C o m o dentro de u m globo deslumbrante. cobrem-se de flores. Porém. caindo. .flores. D o fébreo delirar volta ao repouso. Cada choupana branca entre ramagens Convida á solidão. o órgão das florestas. como o gênio Que na gloria. puro o Armamento. Apresenta-se o sol. ao tão distante Orvalhar do sertão! — O pensamento Contempla a terra.por encanto. com a pureza Toda de u m grande occaso luminoso l Correm luzes do olhar do deus immenso Por entre a terra e o céu ainda nublado. N e m nos golfos azues do mar helleno: Morre e vasqueja o sol. e os agros dissabores . Qual zona d'oiro e m pó* vivo e condenso Cobrindo os verdes bosques deste lado: E de repente. ao beijo. á eternidade Clarões envia — u m lado do procenio. D aflortremendo. Q u e não n'o tendes mais formoso e ameno N e m nofloreoverdor de u m prado tusculo. N u m enxame de azitas multicores Elevam-se pelo ar. chamma e saudade N o espadanar dos raios.

ou de abrolhar profundo? Mais o occaso derrama sangue e fogo. Resôa a natureza. Alli formam-se as névoas — uns vapores D e amarantos formosos — roxa e pura S o m b r a — o enlevo de tristonhas cores Que orla os olhos da branca formosura. É donde a algente plácida donzella N a vida parte ao divagar do mundo: Q u e m lhe dirá qual seja a sua estrella? Florida a senda. exulta N a ascensão maviosa da belleza! A o verdenegro da montanha inculta Prende-se o solio azul da natureza. vago idyllio Meiga escutando. É o sol posto. a d'oiro e a d'alva prata: Aquella. Dos naturaes altares a balança. das Parcas ao regougo. como elles. Mais o levante amores e perfumes: Lá. a musica do exílio N a solidão das águas realçada: Quando na harpa da terra. E eu. e a lua abandonada Nestas ermas paragens. Quantas saudades tenho de deixar-te! 0 noites do Amazonas! ô* formosas Noites d'enlevos! tão enamoradas! . quando ás bordas Os jaguares a olhar pasmam sombrios. venho acompanhar-te. o dia leva da esperança. D o outro — a lua se alevanta. se erguem d' u m rosto os brandos lumes. cujas cordas São estes longos solitários rios. Aqui. tomba o herde. São as conchas. quantos cuidados. Deusa dos roçagantes véus doirados! Se m e aparto de ti. Traz esta a noite mysteriosa e grata.GUESA ERRANTE.

espera — a aurora. E u e ella. sempre cantadas! Foi este o prazo. tantos mimos castos! As ondas... Onde os meus doces tempos? onde os astros Q u e formavamparcéis dos meus abrolhos?. se apavora. nós amávamos. Alvas.. Virjanúra a esfhora T a m b é m te olhando está.. Emmudece.. .de luz esmaltas..«2 GUESA ERRANTE. A s vozes. maga. eras tu que as incendias Dos seus cabellos hegrejantes bastos! E o coração embriagado exaltas Nos sentimentos puros. E houve u m tempo e m que nos assentávamos. conturba-se o selvagem. D o que vai pelas sombras e m segredo Malicioso arir. . eras tu que nos dizias Tantas venturas.. tão alvas! e as canções saudosas. m u d a e pendid> A visão branca da montanha erguida.... seus amores. o dos fulgentes olhos.. E eram assim teus raios feiticeiros. ao navegante Bella esteira de acácias. o dos seios de alabastros. E o verde ethereo. Q u e v e m nos seios teus chorar ás dores. A onda. Q u e longa noite espera. o arvoredo. por entre os cafezeiros. o luar — as seducções do amante. E ao rude canto seu concede a palma! — Os ais ouvis da infortunada imagem Desconcertando as solidões agora? Os remos abandona. Os arroios corriam. D e luz estendes.. . Tal silencio . Encantos do luar. Ó lua! ó meus encantos e minha alma! L á do teu céu azul por onde vagas Ouve a canção do trovador das águas.

meio envoltas n'um thesoiro D e cabellos e m vagas. . D e sobre os Parinthins. nos Ituquaras Reverberando o sol. o sol somente! Já na espessura.GUESA ERRANTE. inclemente. Nós vamos para o mar. morressem! — " Ê dos fracos o espirito. e m desfilada Duas vezes veloz. Ai! no horizonte grita desgraçada Alma que se lamenta. já na vaga C o m o as aves de fogo. ao vento erguendo O pó da onda fulgida espumada. " Á inundação marmórea dos luares. monótono. Succedem-se as bahias neste Sahara Tão pallido. qual jaguar frechado Negro olhar apagando. e tão penada Nunca houve dor a se romper nos ares! " Quantaflagellação!—Antes soubessem O inimigo vencer! Antes fugidos Encontrados não fossem os vencidos. que o forte. Amazonas? Onde essas virgens d'oiro Luzente. ou como a chaga Nos seios do céu árido abrasado! * * * Quem hoje educas nos feraes regaços. aos terrores D o implacável Anhangá. aos abraços. E alvorotando o vencedor. se alegrou na morte!" * * * As margens para os Andes vão correndo. Nas campinas felizes dos amores Afortunados.

Sente-se então mortal tristeza inunda. noites s'enturvem. a doce voz. Os contos ao fogão. como a nuvem Pelo corpo do sol? Hoje mesquinha. Das que a vém rodeiar fôrmas do encanto. . sem honra e sem defesa. ínvia.64 GUESA ERRANTE. Erra a triste cabocla e vai sozinha: S e m pátria ter. principia u m canto D e que não ha memória: u m m u n d o a exhorta. Onde a ave. Á immensidão de u m céu perdido olhando. A carpir essa ave ainda Fica. Os beijos maternaes. Esses cabellos. E no saudoso enleio gosa absorta. noas dos que anoiteceram. V e m á tarde cantar— rupí cô c' uéra. São tardos echos do que foi. se escuta a não ouvir-se mais.. que morrem.. as esperanças Nas tutelares bênçãos dos avós — E passa-se. no eternal concerto D a saudade dos ermos suspirando: A família. o vagido de crianças. Voz dos passados tempos. Resplendam dias luz. * * * Milhar de léguas d'aguas se percorrem D a cor dosfilhosseus: e a só* cabana Fumarenta. lhos entesa. ao deserto E ás lividas campinas recordando O lar d'outrora. Q u e na alma deixam desgraçados ais.. Aqui sonoras tabasfloresceram— Ai! os tristes logares da tapera. Quaes beija-flor outrora. ó Itacamiaba. .. Lhos arranca hoje o vento assobiando. a frecha americana.

6 . não: Sustando a fera. que fossem-lhe propícios D orioos gênios céleres frementes. E eu jamais sinto o coração tão doce C o m o dos idos tempos na memória.. retorcia a palma Que deixava a gemer: se ia de lá.. E vai de plaga e m plaga o procurando. resguardados dos ardores.GUESA ERRANTE. voltando. os caçadores Á sombra. Jamais voltavam. Vinha. Vergava os bosques. os passos de Anhangá. Transviados. Volvendo os seclos voltará. murchando aflorea viração. perdidos pelos montes. dizem que algum dia O que livre os seus montes habitava. Aqui as mães cantavam natalicios D o guerreiro... Quer e m meigo sonhar da pátria gloria. N u m frêmito ruidoso. e sempre se elevando — O bruto que descança. o sol perpendicular. Quer falando do amor que já findou-se. emmudecendo as fontes. lançando nas correntes Verdes ramos. Outras vezes.. mais longe.. Levantavam-se e iam acompanhando.. porque o ninho tem distante. * * * Nas calmas outra voz mais afinada. Então será como a andorinha errante Dos mares. Profunda a óra. a grande calma Atravessando. Depois. Ouvia-se: era a fonte? era a encantada Virgem loira no fundo do palmar? Longe. quem sabe? aquella sympathia Que para além dos Andes se elevava E esta saudade.

A guiarem depois novos impérios! Fascinado o Europeu ante a magia. sympathicos. a delirar n'um sonho D'el-Dorado. c o m arcos de Maués: Hoje. o alveo arenoso Descem.. Rosas? — ardeu Guatimozin sobre ellas! As grinaldas do sol?—foram mysterios Dos dilúvios de sangue nas estrellas. Romper manhan de amores se diria.G6 GUESA ERRANTE. Juruparís os viram desmontados. fugitivos rindo Apontavam . a correr louco e medonho Através destas selvas de agonia! Pallido espectro. Viu-o Atahualpa. Cynicos gestos. —p'r'os índios desolados — * * * Ao aceno christão estes contentes Desciam da montanha co'os vinhaticos: A cruz se alevantava. e os innocentes Adoraram então. Acercavam dalli as pobres choças E nunca mais podiam separar-se: Meiga sombra da cruz! esp'ranças nossas Convertidas da lagryma a chorar-se! Das trevas compellido o novo mundo. E da palmeira os ramos entreabrindo. gritando a sós. nós seremos no encantado Coração do oiro! — aos troncos se encostava. S e m mais nunca encontrar o que buscava: — A manhan .. N a infância a natureza e na alegria Das rosas santas de u m porvir jocundo. horriveL lacerado. subindo os rastos de seus pés. mansos. . Aqui montavam seu corcel cerdoso Currupiras.

que algemam á escravidão... Raiava o sol por entro os arvoredos. volveram—ao oiro vivo. Deixando-lhe sem vida o coração. feras. para o norte — e se perdiam. vão-se. Desesperados. Escutam. Os tucanos cantavam nas alturas. N'um coroflorestalroucos guaribas Ensurdam-n'os. Que também beber querem. esses homens iam C o m susurro feroz. O homem-criança. m i m o dos penedos E prantos seus. As correntinhas.. * * * Mas. Ferradas bellas peças. que rastreiam perto. que a Deus e á lei desciam. Lá está Caiçara e seu curral prosterno Dos resgates. ignaras—alli foi o inferno! . vãos. Ainda a sede a arder do oiro fallaz. E erguem-se. ao homem Natural. as hervas são navalhas Frias no exangue corpo. a bóa inteira Enlaça e esmaga o crocodilo immundo. pelos ramos O riso dos sagüis . inanidos. que mugiam Pasmas.. e desfiguram mais..GUESA ERRANTE. — Atrás volvamos! — Co' a maldiçãoficaramno deserto. andando na espessura — E m Deus ninguém falava: embrutecidos. Aqui se obumbra a brenha e se embaralha . fundas ribas. cujo ser consomem.. D o horizonte ou do céu. a alma fallece. fragor profundo O pântano estremece. Ainda a noite vem. Para o sul. Ainda u m novo dia resplandece. Deste lado desaba a cachoeira.

N a luta dos villões co'os nudos bravos! Mais escravos! E as ondas deste rio Contavam-se.ficou-noso negro indifferente Multiplicando-se. Mas. Se captivo. beUicoso combatendo. H a quadras E m que os peitos mais nobres endurecem. Colombo? Por que estrellas Tão adversas do gênio. S e m n m a providencia 6 que soubessem Por qne martyrios — aves aterradas Ante a fascinação da cobra. a cantar nos campos E do tambor á voz: nos pyrilampos S e m ver luz. Esplendida levava-se e rugia. Por cabeças de pallido Gentio E por cabeças pretas de Africano! E desparece o incola selvagem: Se livre. c'rôas angélicas? — S e n d o do m u n d o teu bênção fagueira. ou veneno na serpente. Quando lhe foste a maldição primeira!" * * * Era o rebate: escravos! mais escravos! N o bosque a liberdade estremecia. tens murchadas " D a fronte ao de redor. Sombrio seu aspecto. .fitosolhos contra a terra. mais que todas bellas D'entre os mares. revel. ai! as ondas do oceano. Raiou Colômbia! anoiteceu Américas. " Porque do n o m e teu não são chamadas Asflorestuas. na guerra fenecendo.GUESA ERRANTE. surdo-mudo Andando. e na voragem S e m p r e — n a paz.

Que se escoa através da ramaria? " * * * . " Raio de sol entrando na choupana. Não. de astros fulgorante. ou prostrae abate o pensamento 1 Assim e m Gurupá. N a dansa o convulsar do que delira. — Não vos parece a sombra de Orellana. Echo d'extranha compuncção se ouvira Consumil-o... E m quanto para o céu vasto e profundo Sobem astros dos pincaros da serra. no canto a dor immensa. também formoso D e azul e rosas. f o g e — e eu passo " C o m a minha alma. Revolta. a nuvem delirante D o céu interior. Rotos andrajos lhe sacode o vento. naquella indifferença.. de perto.. . M u d o como o cadáver. "Quando no céu as nuvens endoidecem D e u m para outro lado desgarradas. Boas novas.. O u de tristeza e abysmos procelloso. nem barb'ro. rugindo azas. " Traição dos céus! amostram-me no espaço Os quadros do mysterio da inconstância D e u m coração miserrimo na infância D a vida que lhe foge. trazia. E u tremo por minha alma — lhe anoitecem As memórias das coisas já passadas. Encurvando-se oriofundo chora.. seu estado D e homem.GUESA ERRANTE. no lazareto D a Mberdade (e das sesões agora Para que não houvesse desconcerto)... n e m civilisado.

GUESA ERRANTE. Q u e serpenteia e m cima a acompanhando.noiva estremecida D orio. nas águas desenhados Destas luzentes ruas de Veneza. Vão asfitasazues do pensamento E m deliciar de amor desenrolando. Q u e amenidade! que soidão de amores Por onde eu vou! neste ar embalsamado Q u e enlevos ha! que edênicos rumores. Céus! e m que mundos sinto-me embalado! As indolentes ruas. Eis Marajó. viçosa e redolente D o equadorfilha.que lhe abraça o cinto ardente Suspirando e m saudosa despedida 1 Ê aqui. A m b a s vão-se nas curvas peregrinas. Quão graciosas! vozes que modulam A mesma letra de canções divinas.cantos harmoniosos. * * * Vastos salões se abrem solitários D e architectura esplendida e phantastica: São-lhes bromélias rubros lampadarios. que na terra ondulam. D'entre augustas muralhas magestosas Quão longas se perdendo na espessura! A bella onda e o fresco armamento. Pórtico os troncos da symphonia-elastica. nestes ermos encantados. eternamente pura. São-lhes aromas balsamos virtuosos. Q u e os palácios estão da natureza Verdejantes. A cigarra pungindo o isolamento— . Enchem-n'osflores. Festiva musica os clarins do vento. Q u e nos céus voam. laudanosas N a onda pura.

O alvar no peito sorridor crescente. . Umbríb o ar transparente. abençoada e florescente. E m que a rama de platanos sombrios O viandante abriga e a liberdade! Por isso. muda. lançando-os na corrente! — O sol. Á margem destes rios H a sombra e esp'rança. que viu a paz. Estão deliberando D a tribu os chefes contra os Caraíbas — Pela sombra das mattas ondulando Passam guerreiras hostes Nheengaíbas: Dos ramos se elevando amedrontadas Olham as moças-aves refulgente O arco. que não mente. * * * Descancemos. trilha A voz de Deus se escuta no evangelho! Que uncção de amor nos lábios do Jesuíta! Qual ümpido crystal de claro espelho Onde aurora reflecte-se infinita.GUESA ERRANTE. as arasoyas fluctuadas. oscillante e sonorosa Aos cantares da guerra. Embala-se. traz o canto D a cigarra este inverno ao coração. á escuridão. Condão de solitude. Poraisal jardim frondoso ao Norte. sangrando os passos. leva o encanto Aos mysterios da selva. toda a ilha! Naquella direcção. Ó única cidade.ficouguardando D o deserto a palavra. E como é doco o bárbaro quebrando Os arcos seus. piedosa Sombra de fé. * * * Brada o trocano.

se ella os conta. inconstante. . Cecens da luz. E por isso eu descanço neste templo D a família e da paz. e com meus olhos Deshabituados ao amor contemplo A bonança na terra entre os escolhos. Ouvem-n'a todos. da alva os cantores T a m b é m aqui formosos annunciam A vinda deste sol. * * * Ao largo inda uma vez. "Nos ramos a impressão leve. nos risos emanados Os contos populares. V e m o anjo sorrindo no semblante. o amor dos peregrinos. quando já crescida Escutares dos céus melhores hymnos. D o h o m e m ver o cortezão e a corte: Que ás humildes Bethlens se estrellas guiam Magos á adoração.72 GUESA ERRANTE. e o Guesa Errante Dosrioshoje m e s m o se separa. Seja adorada quem é tão querida A flor do lar. Has de o oiro. Olhava aos traços seus. e achava encantos. Embalde buscareis do que os vibrara— ' * Adeus! adeus! — da grande natureza Os echos não repitam mais meus cantos!" O suspiro soltando de tristeza. e m seu throno reluzente. tornam-se encantados. N o olhar o azul celeste da saphira E o colibri no gesto scintillante — O templo se illumina com Zaira: Cantam-lhe auroras na alma que desponta. Bella criança. cantando amores.

GUESA ERRANTE. as aves aos extremos voam! E oa atitos nos ares. * * * Quiz aqui o Poder que s'encontrassem. surda. Que toda ê luz natura e mansos ares. C o m o duas coroas que brigassem A o brandão do equador— Deus soberano! C o m o escurece a onda do horizonte! D a embocadura como as léguas toam Vastas! — Oa animaes fogem! o monte Se esfolha. e a fuga espavorida Desamparando repentino a margem. Quando a sultana pailida dos mares Nas ondas banha os alvejantes membros. alto o sol. e a folhagem Ruidente. como abrasadas Pelo incêndio dos olhos daa scentelhas D o sol e m bello esmalte derramadas! Olhava co'a saudade harmoniosa E m que a vista nos scisma do passado Neste sonho de sombra dolorosa Pelo meio do tempo apressurado. Troveja ao longe! Vaga diluvial. suspendida! Jaz attento o deserto! Se elevaram Alto ás nuvens selvagens cavalleiros. o Oceano. Se despenharam! macaréos fragueiros E m crateras d' espumas abrolharam! —Pela manhan formosa de setembro. . Olhava s e m p r e — e as vagas tão vermelhas N o onduloso vaivém. A natureza espera. D o oceano sphynge trágica partindo. C o m o Amazonas.

Ares e alveo abalados. ao longe verdejando: D o Lauricocha ao mar tumultuoso Ondula-lhe d' Huayna áurea corrente. Tardo o Amazonas. E no solar abrasamento o cobrem Das nuvens brancas." * * * Lá vai o sol. e m torno ao continente. esplende o rio! E nossa alma. rebrainindo. Surgiu também do meio das voragens. amplo o movimento. Qual íris que lampeja e além vistoso Desdobra o cinto.. Qual do m i m a m desoe o vendava!. Entra no Atlântico elevado ao vento Dos céus no fundo. sobrelevando A preamar tempestuosa enchente: Volta a calma. onde aragens . formoso vagabundo C o m o a imaginação. Oriosobe! as ondas pela roca V o a m co'o cedro e o regatão tardio. "São os gênios da foz. os sertões deixando. das ondas e das margens A musa perennal que a vida encanta. como os condòres Habitantes da Serra e do profundo Espaço azul-doirado d' esplendores! Cheio de vagas. tremulo acorda. As nódoas negras — donde se descobrem Os paramos saudosos. vanzeia susurrando Ao nivelar-se a plácida corrente. Turvo. . — E sobre ellas gentil mais bella canta. Despedaçado—passa a pororoca.Í4 GUESA ERRANTE. f ulgidas ramagens.

. que mais nunca reverdece) E u vi-a. E partiu. A crença minha dos que são felizes! (E nesta alma reflectem-se os matizes Desse amor. Celestial thesoiro. Tenho saudades — sinto o desespero. . Sonhos do lago e vôos. — Doce e cândida crença—oh! quem m e desse. pallidos distantes! * * * Erram na calma peregrinas bellas. Felicidade santa! E u nada espero. — meiga e luzente. e o reprovado Não tem nenhum direito a esse legado Dos eleitos mimosos da tua bênção. eu m e inclino Humildemente á força do destino. . do ninho Se desprendeu a aza adolescente. Depois — não mais voltou do descaminho.GUESA ERRANTE. O h quanta luz no céu! que doce e vaga. deste m u n d o Nos convidando.. _Como é profundo O céu azul! as nuvens deslumbrantes. Uyaras amorosas — Porque são da mulher sempre as estrellas Que nas luzes nos passam.. — as forças ensaiou. Formas de luz. N o eterno desejar que inspira a vaga! Q u e m m e dera trepar sobre os relevos D a nuvem tropical! que sentimentos N a aza livre viajante destes ventos Foram a alma immortal banhar d' enlevos! Não estás onde vulgarmente o pensam. Inda a vi. Que saudosa e divina sympathia Pelos sonhos da nuvem na harmonia. enganosas. Que alma aspira beber. Calo-me á voz terrível.

Mugindo o vento.' * * * Nas horas alvaoentas das estrellas. Reclama u m coração. . é que se sente Esta falta de amor. D ã o culto aos raios seus. "Novos climas. O ultimo dia se ausentou das calmas. Vogando sobre as ondas marulhosas Dos mares do equador. Templos azues de hanan. Que o sorriso lacera-se e desprende D o fundo o agror.. Virgens do Sol. qual gemido d' almas. as ondas de esmeralda.. — Levanta-se do mar. Aqui. " Nos ares se enlaçando o iris das vagas. percorre as plagas R u m o r profundo. á fé sorrindo. e se encanta C o m o a nota de amar — surdo o deserto.... és afloradormecida . Minha alma enamorada se alevanta C o m o o vapor das vagas.. Quando dos céus a terra está mais perto..GUESA ERRANTE. d Virjanúra! Que a fronte afflicta empallidece e pende Sobre o peito. de raymi a onda brinca Por entre os brios d' oiro — o seio abrindo. da noite á claridade! Tu és do rio a onda derradeira Á acenar-me.. "Nestes jardins. tão docesfilhasdo Inca. tão tristemente O coração gelar-me.. fronte sagrada. que anceia de saudade.. 6 doce amante. nas horas bellaa Das puras sombras de jacintho e rosas.. Já m e embalam! o Sol no armamento. e a que murmura Brisa das águas vem.

. Os céus puros nevados se abrilhantam Dos cabellos de Chasta aos vagalumes. sobre os mares.. a palma bella Meneiando no espaço. triste. . qual fui da terra Onde Ao. " Quanta meiguice nella. se escutam vozes — " As vozes da harmonia. D e alvoradas do amor echos. nos céus crepusculares. não arde D a natureza o amor. sobe. " Nos enlevos da sombra se alevantam D a brancaflordos mares os perfumes.. Mais puro o olhar vertendo luz.. .. " E sente-se pela alma a transparência D e u m a esp'rança perdida. do infinito Mostras a senda. que nos falam D o passado e da terra. fagueira — "Morenas vésperas! A o cair da tarde As faces. como u m beijo S' encravando da face entre os rubores! — Junto a segue o cometa. Transviada estrella. de encarnadas. prolongada Nos cantos vesperaes... Sobe mais.. que estalam N o coração. Dos astros na coroa e murchecida N a do martyrio m e u . " N a tua gloria pára contemplando O fulgido clarão da de loucura Temerária derrota! Os céus entrando. e da existência O amor findo nesta hora apaixonada. do desejo Errante imagem livida de amores: " Bello phantasma! emquanto ora interdicto A esconjurar-te o vulgo.. infância vi formosos a n n o s — . são mais doces.GUESA ERRANTE. amais profunda altura! "Perturbador dos céus.

78 GUESA ERRANTE. oh! quem te verá mais!" . Que tem-me ouvido e guardará meus ais: D o crepúsculo o meu amigo certo Ainda verei. A m o os traços dg luz da Sombra. que erra E que se perde e m meio dos orcanos! "Foi elle o companheiro do deserto..

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Canto III. . Xelle alumia o sonho dos amores. 49. que esvoaça. Guesa Errante.A lua. pag.

Vagabundo. Era o Guesa. das visões ethereas Que ao luar s'incantam. entre os raios Que a amar derramam — celestiaes matérias ! D o afago aflorentre auras de paraíso. meigo Ante a fé sacrosancta da amizade. duro e cego Aos que. onde os perfumes Fe isem berço do zephyro e prazeres D afioreavárzea e os levantados cumes. . mentiam-lhe a verdade. como as vagas embalado.C A N T O QUARTO. inconstante. enamorado D o céu azul. Alli vivia o Guesa — entre os desmaios Das brancas fôrmas. o selvagem. irmãos seus. Vingativo implacável. puro. Era seu coração como u m m e n i n o — A lisonja mimosa. o honesto riso Lhe eram doce alimento e o mais divino. Dos gozos era o escravo: onde as mulheres Luzissem meigo olhar. da onda e dos jardins: Nos mares. E na terra — a loucura entre os jasmins.

e de então começa o drama: . mudo. E.80 GUESA ERRANTE. Levava a compaixão quasi aos tormentos Pela infância que brinca á luz da tarde Co'os cirios funeraes velando accesos E m torno do cadáver. á dor. se acurvava C o m a religião da infância do h o m e m Á virtude. Pae e mãe. N u m reino tal de amantes corações! Tinha a trindade sua. Dizia: "não te esqueças da minha alma. D o h o m e m foi veneno. a beijar-lhe a sepultura: E desfolhandofloressobre a pedra. Vencer sabendo as sociaes voragens. sempre. E era doido de amores por sua mãe. Tão vaidoso — a exigir da natureza C o m o as virgens o inoenso dos salões. Ai! descaía e m pallida tristeza. Tinha da fera os ímpetos selvagens. Crença única viva. E olhava C o m o quando os remorsos nos consomem. Sempre. n'esse incanto Dos mortos aos seusfilhosvivos presos — Oh! não deixem brincar orphams do pranto ! Não sei — m u d o encarava elle e m seu pae C o m o o auctor dos seus dias de amargura. E angelical lucifera candura D e apparição d'olhar puro e sombrio. Tinha a indolência e os mimos da donzella. mas n e m são piedosos sentimentos N a victima innocente da impiedade. á belleza. A presa e a seducção da formosura. C o m o e m seios dormir por noite bella. frio. Perdeu-os de pequeno. que inda medra Neste deserto de abrazada calma!" E fugia.

Que é tão formosa a senda para o Norte! O oceano trazia-o com o egoísmo D o que lhe havia de cantar a morte. a naufragada Alli perto. E as estrellas. " C o m o u m gemido intimo e afnicto. Fechando os corações. Sobre as espumas dosfloridosmares.GÜ38A ERRANTE. Das fraguas não se dão que hi vão penadas! "Soltai âncoras!" N o ar desenrolou-se D o fumo espesso a nuvem tremulante. além gritando. a voz ás noites incantada. "Por toda parte formam-se grinaldas. . Que n'estas longas c'rôas o embalaram. " O sol raiando beija a onda brilhante Onde Gonçalves-Dias sepultou-se! " D a lyra d'oiro as musas lhe afinaram Cordas. que foram raios das estrellas — Choram-no as ondas crystallinas. " E canta. que velam acordadas Pelos mortaes e seus destinos traçam. bellas. pelo alto mar. " O h ! basta. Nas alvas azas dos atins nos ares — Oh! os sonhos luzentes d'alvoradas ! " E elle vinha na esp'rança—d'este abysmo. Não desperte ao que ouviu-a viajando Talvez. lá longe. Senhor Deus !" porque ora exclama ? Emtanto os echos que na esphera passam. n'um qual recito . 8 1 Solitário na noite. o céu sereno. C o m o u mrisoinfeliz e m tom funereo Q u e se escuta pungindo o ar ethereo.

Ultima voz da extincta raça indiana. H y m n o de Deus.— "Não no despertem pela noite ermada Tão desgraçados solitários gritos! Elle também foi triste como a pallida Moradora das rochas de granitos. " O gênio da poesia americana Á sombra dos palmares rugidores. empallidecem. que pisardes n'este chão florido. que jazem. " Vós. Estalava ao tropel desesperado D o seu cavallo mais veloz que o vento. Tímidos oram. Acompanhe-o quem possa ! O vali' poento. aos solitários navegantes. lagrymas lhes desoem Por doce esposa oufilhosadorados. sempre recostados Ao travesseiro de coral — se formem As horas.82 OUESA ERRANTE. tomados D e indistincto terror. . embalados E m seus berços profundos onde dormem " E ha quem os inveje. não acordam. D'estivo sol fendido e devorado. "Dos seus. ' ' D a profundez dos túmulos ondeantes. que. Dizei se ao canto a mente não se eleva!" * # * O Guesa Errante penetrou na selva. Quaes tormentadas ondas d'algum rio. D'onde nunca devera ter saído. " Outros ha mais felizes. que os ouvindo Goze a sorrir-se com amor sombrio: Diante d'estes os dias vão fugindo. e canto dos amores. Declamando ao pallor de sobre as aguus Nocturnos monosyllabos de mágoas Dos seus.

E as frescas alvas. C o m ledos rinchos atroando os montes. A o arruinar dos delubros primevos Mais os mares de c h a m m a enfuriavam. E pelo ar os tufões se condensavam. . Trêmulo o peito de esperança e gozos. Pela alta noite os astros o encontraram. as ancas nedeas A cauda a lhe açoitar ligeira e bella: E corre. sevos. D e murcha relva no verão cobertas: Labaredas lavrando ao longe válidas. do exibo. Elle seguia estrada do occidente D e poisos conhecidos e formosos — Jesus t lá dobra o sino-da-fioresta! Ai! porque não resoam de alegria Tantas aves ao que. cedendo ás rédeas Dó*cil no collo d'ave. * * * Elle parou sobre as colunas pallidas. O s seus corpos de virgens contorciam Dehradas no espaço. E tinha o Guesa desapparecido. e passa. Para as terras que viram-no innocente. via O amor aqui?—Talvez. tão suas fontes O cavalleiro as virações conhece.GUESA EERANTE. Lampejam olhos co'o ranger da sella A o formoso animal. E o bacurau da estrada a sós perdido. lentas se iam Dos sertões na devastação andando. — J á dos bosques tão seus. e desgrenhando E m volatas as comas. já nada resta. D o occaso vinham raios negros. Das entranhas da terra e m fogo abertas. quando despertaram. e além desapparece.

Fechando a porta o camponez aos ventos. tendo D e passar elle. depois de u m dia abrazador. As fabricas arderam. accende taes lanternas: Sereis vós. solitárias Línguas de fogo viam-se na serra Á noite. e m todos elementos. ameaçadoras Vinham cada manhan negras auroras. Destruirá. Ardiam as florestas. êneas. • » * Cessara vasto incêndio. D a grande sêccafl&gelladaa terra. Ferozes.84 GUESA ERRANTE. pendidas D o lavrador asfilhassoluçavam. N o mar a morte. Á porta do casal tristes. saocudiu-se A hala do fogo ás plantações virentes. erradias — D e u m profanado templo se lançavam Os fundamentos n'esses tristes dias. Negro e sem onda o leito das correntes. . O cannavial ennegrecido viu-se. ao sol calmoso as alimarías Cegas de sede a habitação entravam Dos homens inoffensas. C o m o constellação d'astros brilhantes Posta a u m lado de noite desgraçada — Mas. Dos tectos das senzalas defendidas Os escravos quaes sombras desHzavam. Toda esperança aoricolavrador. das cinzas do incêndio palpitantes Ouviu-se ao longe rota gargalhada: 'Que o leve Satanaz ! Dizem que. n'essa hora dolorosa. cavalleiro que estais vendo ?' " T a m b é m as minhas queixas são eternas. que em ventosa Tarde.

. Moral infantecida. como esfolham-se violetas. Senão. os cérebros estalam! E ao rebentar do tronco ou das ruínas. Ide ás aves) fartai-vos nos pombaes!' Dissereis ser a voz do desespero Naquelle semi-barbaro e tisnado Vulto da terra erguido: e era sincero. Elle —'a saúde ao fogo!'— E ardentes vinhos Áureos jorrando. (Pois sempre ao Guesa acontecia que ante O espectaolo do incêndio lhe saltava O pranto. Os escravos somente. pensativas As frontes abaixavam agoureiras. Perderam-se da orchestra. Entre os vivas dos homens e as meninas Pelos ares voavam vinho e taça! 'Quero a dansa ! a loucura!' E tão festivas Nunca foram-lhe as salas prazenteiras. * » » Pelo arredor os gallos já cantavam. Se embalavam A o e m torno da luz as borboletas. vermelhas C o m o o riso do vinho nos crystaes I Dão-vos mel as duloissimas abelhas. e pae e amado. vêde-o á mesa: se os vizinhos Accorridos ao incêndio tristes falam. moto o peito delirante) E a gargalhadavoz continuava: 'Ha ha ! reconhecido!—Á mesa posta. Ide vareda á casa de vivenda. Q u e esmoronam depois que o fogo passa.GUESA ERRANTE. D'onde endoidecemflorespela encosta Bellas como as senhoras da fazenda ! 'As rosas de Natal! brandas. Quando os sons.

nos lábios sede Tremores n'alma: «Deus! como arde o monto! .GUESA ERRANTE. indolentes Nesses grupos de amor. O u do luar ás densas claridades. undosas. ao clarão da lua Que merenooria olhava a miseranda Casa e a veiga dos thesoiros nua. Lento o violão de meigo trovador ? Oh! quantas noivas sanctasl quão formosas Se enleiando de amor aos seus amores ! D'entre musgos e espinhos quantas rosas Nos corações haurindo os seus rubores ! * * * Veiu o pavor. Se embalavam as redes na varanda Alvas. a alvorecerem? Ou nas sombrias hinvernosas tardes. nos innocentes Edens—que em mundo vezes se transformam! Quem não sentiu abertos lhe crescerem Os olhos sobre os alvos movimentos Dos brancos braços. U m a rosa inclinou-se na alva rede. Os perfumes porém. como se formam Nas varandas ruraes. que é toda brilho e movimentos Co'o vozeiar da alegre mocidade. lentos Lampejados a amor. crescendo os aposentos D o silencio ao socego e á saudade. Longa vista espraiou pelo horizonte. Oh! quantas azas brancas. Sentiu pranto no olhar. se desprendendo Das estrellas do campo. brandos. E a luz. longos. pallente e fria. O u nas manhans vermelhas do equador. na harmonia Foram de manso os corações erguendo. Também amorteceu.

braços Que penetram nos céus !. co'a sanha Dás rajadas do sul rubras. que sepulta D o lavrador coitado ?'— E amostra ao Guesa A palma que resplande. na fronte reflectidas D o moço Guesa. Que s'inflammavam no ar. vendo-as lavrando! Mas voltou-se ás planícies incendidas E ás palmeiras dos altos s'inflammando. longos. como fronte Ai! da meiga tristeza dós infermos— 'Oh! não se apaga a maldicção das chammas ! —Atravessam do golfo a onda ruidente !. — V i n g a m margens oppostas. tremendo. e das ramas Reflectem-se nas águas!. formaram laços: (Communicava o incêndio) incêndio a virgem.GUESA ERRANTE. com a vertigem Dos que no mar dos gozos sossobraram!. Seus braços nus ao seio lhe levaram A quem achou-se alli. m e u Deus. candentes 1 ' C o m o horríveis ondulam no horizonte Alevantando a voz ! e os clarões ermos Banhando o céu e a terra. E a rede branca é nuvem onde os astros Escondem-se nos sonhos de ventura. sem que scentelha Fosse as tocar azul e luminosa. . ' C o m o abraza-se além toda a montanha! C o m o as chammas animam-se volventes E velozes involvem-na. a chamma existe occulta Entre o seio eternal da natureza. Por qual incanto a chamma d'esta á aquella Surdindo viva! Suspirava a rosa: ' Porque. alli. D e repente Ella tremeu. como erguendo Nas labaredas convulsivas. Alvejaram-lhe os seus. E darda então na esp'rança.

radiosa. matutina'e bella. da trança os raios desatando. e fez-te martyr N a alvorada dos annos. Q u e e m fogo irrompe. Choram as várzeas trêmulas de amores. a lava espadanando: "Tal nas veias o sangue a chammejar-te O seio entumeceu-te. Rosa!" E da chuva nas ondas se banhanfâo. que co'o fumo s'engrossaram. não se vertam lagrymas candentes Onde os incantos foram pervertidos: . os vínculos luzentes Q u e importunam os cérebros perdidos — Mas. scintillante. claro. Rosa. D e u m circulo de luz ! como no pranto. " A o interno calor que a terra agita. Surge de u m anjo a deusa da loucura. . das maahans estrella. Nua. rotos os nastros.GUESA ERRANTE. Viram. e tanto. Onde d'entre clarões. espectros — das colunas O cavalleiro. Doidazinha a gyrar. I m a g e m branca. tão delirante D o sombrio casal e m torno. Nos dilatados campos ondulando Arredonda-se o monte que palpita. * » * Durante o dia. Q u e fez-se o traço. O u na loucura. Caindo e m mangas d* água purpurinas. e o sol dos céus — olharam As nuvens. " A natureza é campo de batalhas E m transluzir feroz de sangue e flores: Ri-se aurora por trás de rubras malhas. a luz formosa Dos olhos entornou-te.

D a modéstia a violeta e do recato. Filha do amor. Onde os pães e m diabobcos mercados V e n d e m irmãs aos irmãos. e e m doida dansa Se atirava aos prostíbulos da orgia! Alma sem Deus. E m rodopio as sedas laceradas ? Linda Fortuna aventurando sortes. Será da casa e dos jardins a rosa. amor que na decência.GUESA ERRANTE. # * * Aonde vai ella desvairando ás cortes. A carne folga na devassidão ! Amor soluça. Volta ao púdico só" da alcova pura 1 Essa. onde os amigos Beijam-se traiçoeiros. choro de criança! . Troca no orgulho. da távola paradas ? Esquecer. E a cabeça apertando se involvia N o mundano prazer. Que na doçura honesta da innocencia Meigo sorri-se. noiva será sempre ditosa. 'choro. amores condemnados. O ser de mãe formosa abençoada. D o leito singular na doce alvura Tomando o amado seu na hora aprazada. irá de m ã o e m mão. quão tremenda e bruta. abrindo o coração — Feliz* a que formosa desposada. . A carne folga na devassidão! Triste a que não corando de vergonha. D o esposo a mãe. a irmã do primonato. D a crápula lasciva sae risonha — Venus-cadella. e inimigos. nubente depravada. Ferem sua hóstia. Pelo de moça bella e — prostituta.

Brisa vária Chora e m torno das grotas. A noite desce E o cavalleiro. acalma. n'alma se alevantam. E o vegetal brandido ao vento corso E clava. Levaram-na d'alli para entre os mortos. afflicta e mesta A terra ao largo. dentro do espaço. Toda estrondeia a lobrega floresta. Piam na serra as aves da tormenta. braço a braço Travam lucta feroz. O tronco secular co'a nuve' alada. " E crerão ver nasfloresagrestias. e g'espasma Dos bosques no ar a rama solitária. C o m o nas aves que nos ares cantam. . ê lança. Asrisonhasimagens d'esses dias Que. Nas azas do tufão gralha e lufada Voa rota folhagem.—Das trevas o phantasma Levantou-se no espaço. Undoso o palmeiral amplo escurece. Voa aura negra dentro do horizonte.—noite. feriu natura á infantecida 1 "Parando aqui. Ai 1 sem u m pranto 1 a face ennegrecida.90 GOESA ERRANTE. a pallidez na fronte. é * bárbaro guerreiro. u m dia os viajores H ã o de estas noites recordar de Al-Longa: M u d o deserto na ara dos amores. E lhe saltando os seios — que aos abortos Surda. ao longe se lamenta." E sobe o sol co'o dia. qual da terra. N o echo dosrisosgritos da araponga. O vento assopra. * * * Noite.

o raio. Luzeluzem de Pan ao peito as hyadas. Em baixo vos aittrahe. clareiadas selvas C o m o aos fulgores de byroneo verso. Levam echos o assopro do cavallo * Peja estrada sonora e pelos campos. Vê-se—ao fundo dos quadros de negrume Entreamostram-se as loiras hamadryadas. Desce a vaga deserta da montanha E a torrente dos céus. Nas barreiras profundas e nos vallos Bordam fadas na luz dos pyrilampos. Vão nos valles rolando — á treva occultos. turbando a fonte. D a onda negra hibernai enormes vultos. Vos prende e inunda. lascado dorso Fulge na sombra electrico luzeiro! O valle anceia á noitidão profunda. Seus véus abrindo de madeixa e lume.GUESA ERRANTE. E o cavalleiro. qual fora o coração das trevas Agitado no meio do universo I Passa co'os ventos estalando as azas Aos vagabundos vôos ave incerta— Jorrando espumas da guedelha inquieta. Dos pés scintillas e dos olhos brazas. Qual se abatesse a abobada estrellosa Dos céus á terra—os gênios peregrinam. Erriça o cume a tempestade. Seduz em cima o coração — soltai-o. ' . Aos clarões momentâneos estendidos. abre-se e banha O relâmpago os plainos do horizonte. Passa. Dos trópicos na noite tenebrosa Phantasticas as mattas se illuminam. D'entre o geral clamor. Remugidos trovões. Qual mercúrio nativo reluzidos.

E os fogos-fatuos. a amores delirante. Alvoroça — alegrias que são dores. E as pallidas visões dos cemitérios Se apresentam. A esses direi se ao coração. aos sons saudosos. N u m extasis obscuro aos pensamentos Conselho e luz pedindo. Uivam 'spiritos que nas sombras vagam. e se apagam. tocam O sagrado pavor das sepulturas^ N a montanha as espheras s'entrechocam E povoam de pranto as espessuras. D e lábios que deveram devorar-se I . "Lírio branco das trevas ! onde o incauto D'estes climas do amor abençoados ? Reflectiam-te os bellos olhos pardos O fogo da esmeralda. O s joelhos se dobram silenciosos. " Das sombras u m clarão fez-se no centro: N o luminoso foco sobre a ameia Divina apparição lá se recreia — E cerrou-se janella — o s céus por dentro. circulam. E phrenesis de beijos escutou-se. distante D e ha muito. do abysmo.GUESA ERRANTE. a vista dos queridos tectoa. * * * Aos que. Entre o que se arreceia e se deseja — Sorriso-dardos. D o muro antigo que se adora e beija. corrupção-amores! E levada onda intima a taes ventos. como esp'rançaa. viram luz de Sestos Gritando á vida. Sobre os braços da cruz g e m e m psolterios. a luz do pranto.

Q u e na alcova roseiam. Pela piedade e o paternal sorriso D e Deus clemente aofilhorebellado. N a grande voz da noite suffocou-se. S e m cavalleiro. C o m o áureo sonho que do inferno arranca. # * * Debaixo da mangueira. á luz tímida e bella Quasi extincta da lâmpada azul: Vivos olhos que aosfinsdos amores Minguam luz. — Toma as formosas lyras dos amores. ao tronco a rédea atada. manso.GUESA ERRANTE. Do paraíso o arcano se revelia A o leve aceno de mãozinha branca. . "Manso. D a aza luzente nas doiradas teias Prendendo amor. embala-os a maga donzella N a harpa d'oiro. ferindo as pupillas. bruxoleiam fulgores C o m o os astros das noites do sul. que saccode Nos ares a alta copa enamorada. 6 musa! celeste divindade! Dos ninhos odorantes entre flores Ternos anceios — causas de saudade. C o m o scintillaçâo de meiga estrella. e m que se despedaçam). Pelo e m torno o silencio a derramar-se. Canta. Esgarçador nocturno de colmêas Onde abelhas mimosas esvoaçam. '' Canta. . Escallam-se as muralhas do paraíso (O d o m terreno a Lucifer deixado. C ô a m sombras auroras tranquillas. Offegante corcel os freios morde. talvez .

Mãos cuidosas do pejo. " ó bella. N e m por ondas de amor e d'incantos Ao passado verteram-se prantos D o olhar meigo tremendo a luzir. e proclamo Este amor. se esquecem As soidões do sepulchro a dormir. * * * Sobre seu coração abandonada. Como quem se temesse da ventura. Nardo sancto a teus pés. "Ante a imagem augusta e serena. para os céus subiram. occultando Quanto esplende e descobre a nudez. levada Pelas noites de edeneo luar 1 Oh! quão bella! e mas fora tão pura. Castos véus de crepúsculo brando. sagrado e certo. Das columnas de fogo do deserto Que. E u contemplo. 6 bella terra de alabastro. eu adoro a çucena E m seu alvo e formoso esplendor: E u adoro humilhado. Branca estatua da grande formosura. . Que nas nuvens corria. Mirava o Guesa Errante a namorada. no espaço. redemptor!" D a luz os lírios trêmulos cobriram Esse encontro do amor. . comtigo as ruinas florescem.OUESA ERRANTE. que é minha alma e derramo. "Mas. D e harmonias vibradas. no lar. Formidável poder da natureza ! . ' ' Eis a branca visão incantada. se apagando. Não se ouvira esta vaga amargura Sempre — na alma.

do ideal a sede Jamais saciada.GUESA ERRANTE. . Viçosos. E elle escutando D e purpura e de chammas as correntes. os ares são gementes. e na cegueira a incanta: E qual e m cúus levantes se annunciam Os fulgores divinos da manhan. nus. angélica ardentia. Se aos céus escuta." Nas mãos tinha-a. muito embora Punjam-se os seios na alvejante rede. tão scintillantes D o alvo corpo através — nas creadoras (Que deuses são os ávidos amantes). Nas pudibundas incantadas horas! E Virjanúra toda fulgurava. na coifa luzidora " A fronte se mergulhe endoidecida Embora. olvida os céus. Se á terra.o grande luar ardia 1 Porque do hombro mimoso d'açucena Scintülação extranha se levanta. possuía. Desejos-c'rôas lhe resplandeciam Que de si verte a fronte-talisman. Quão taciturno agora! qual se os beijos Esse altar profanassem dos desejos — U m a aza negra esvôa na alegria. Qual na risonha. cansa. mirava-a. Dás paixão — como á refulgencia do astro Eleva-se a crepuscular tristeza. Quando amor a vibrar na alma serena Perturba-a. Das doces fôrmas através rolando. Flor de yucca ao luar — se illuminava A grandeflor. embora — apenas o desgosto D'entre o desmaiamento alembra á vida Que a onda ondula e aflorsécca do rosto. cega-a. C o m o vendo-as rolar. " E a paixão cansa.

Que desadora á dor e que seduz. Mais vigorosa a vida á noite tarde. Velludosa e quão branca ! e luz-negrores MeUifluas trancas se desannellando — ' Oh! consome e devora os teus amores ! ' E elle a ouvindo. quando o vento late: Pollor de noite matinal do pólo. Chorando-os pelo que tão cedo expira ! . Não acordem ! se vai d'estes instantes O incantamento — e vem remorso. E a morte além.Que fatal mutismo ! Que adoração ! que sacrifício eterno N o desgraçado amor ! Pobres amantes. de estatua cândida de Apollo. o inferno ! * * * Harmonias de Deus—lá fora. Cá dentro. H a mais viver aos echos dos palmares. Era vencido o vencedor de abysmo. D o amor agora adiante e da piedade. Via o Guesa a tez branoa se erriçando. E dos gênios que estão na tempestade Se ouvem grandesrisadaspelos ares. estalam Selvas á força fúnebre dos ventos. com luctuosos mantos A miséria a cobrir do que suspira Por u m raio de sol. e o que tem prantos. mudo co'o mysterio Dos que a si so desarmam no combate. Co'o pollor de clarão do cemitério Quando erram sombras. Rosas do coração da mocidade Sempreflorindo.GUESA ERRANTE. Noite e sendo manhan de meiga luz. Mudez. seios que em amor se exhalám Anciosos se erguendo e somnolentos.

trêmulos céus. E os gênios vários. " D e quem sagrado leito compartias. rubras e ardentes. Nos vasos se movendo. que vibrando está magnertíca. cá dentro. que lá vão nos ventos Dando grandesrisadaspelos ares— Esses lá. . olhando. e as alvas innocentes Nas sanefas das sombras se ocoultando. que amor! que amores tão insanos! E eu. Estendida luzente na oumieira. Custa-lhes muito a alevantar os mares — Harmonias de DeUs ! e a morte. Q u e m e querias.GUESA ERRANTE. domestiéa. a vingança Tua pude soffrer.— Tão branda. Dizia-o teu olhar longo d'esp'rança. gritos Dos que frechados v é m — descáncâradas As gargantas de fogo e os olhos fitos D a cobra. ao amparo da alma virtuosa. "Não. quasi dolorosa. desmaiando C o m o as doiradas noites do equador. isento não fui nos doces annos D a visão branca do luar formosa: Phaedra. E os brados proceüarios. 'Oh! consome e devora o teu amor!' Perdida ella dizia. e os delírios D'essa lucta incessante dos amores E m que a vida se gera entre martyrios. porque os outros são mui lentos. se animando D e sangue e luz. Sob estes mesmos tectos. Dos lares protectora. Harmonias de D e u s — l á . e as flores. . ribombadas Nuvens. E asflorestropicaes. hospitaleira Sobre a casa a velar mansa.

A aza vermelha estende a tempestade. Infiel ou perjura.GUESA ERRANTE. brando somno. Estava-se a lâmpada apagando. 6 minha amante I " A trança mysteriosa que me deste Susteve-me no abysmo e não caí. que ao assassino enxota. a quem fizeste Rival meu. que lá da eternidade Possa-o fazer á incestuosa bella Quem mais do que eu te amou! V e m a saudade. meiga scintilla das prooellas. D e adolescentes náufragos rojados Dos mares sobre os bancos arenosos. Recolhe-te—adoremos d'alva a estrella. Os corpos lhes deixara ao abandono: B e m como dois cadáveres formosos. praza aos céus. ." * * # Amor não ouve. Pelo deserto abrazador errante E u gemi. Feiticeira. como os deuses vingativo E como elles amando. a só que ampara — Esouta-a fora I Quando a sociedade Pela pressão malévola separa. E m seu principio as mágoas germinando! A esperança morreu nos que viveram D'ella. Que a mim. Ninho odorante! A luz de Armamento Não vieram espectros. . Que a ti. " Que reúne. como a vingança não se esgota I "Eu volto do passado. "Volto da natureza. perdoei quando te vi: " Oh. . e chego vivo. E n'alma estremeceram. . dos corvos ainda não tocados. Frescos. Os olhos enrouxando e lento e lento. do céu colhendo estrellas.

quando os céus a indicam.GUESA ERRANTE. alimentando da doçura D e si ou docefilhoou essência amada. onde repousa Q u e m ao raio solar levanta-se e erra D a existência ao labor — procrea e goza. Mais bella e mais feliz quando vorada Sente-se. Que não destróe — procura a nutrição. fazia Brisa suave o circulo dos montes. Que tem elle co'as lagrymas que ficam Chorando corações ? áflorvermelha D e mel e aromas. e lá de longe quando Olha. ou voa abutre. alimenta-se e além vôa a abelha. que á madrugada esfria. é u m campo de devastação ! É vida e come. Desce. Se os incautos s'esvaem pervertidos. Dorme abbrevado — porque amor se nutre D e fructo ingrato e fructos prohibidos. a imagem D e Virjanúra pavida se erguera Toda n'um braço. Qual d'umbrosa espessura na clareira Raio estendido de luar. Amor se nutre. O h quem pudera ser indifferente A belleza dos anjos decaídos 1 Quanta miséria cândida. Pois se apascenta amor na formosura. ê c h a m m a e vai lavrando. . * * * Eram exhaustas do prazer as fontes. esplendida e selvagem. Cessara a tempestade além. Palmas do vencedor. innocente Nos membros alvos empallidecidos ! Ao silencio da noite abre-se á terra O seio maternal. Calado o ar.

" O luar matutino. "Sente-se. E os doces tempos desenhados n'ella. . que tem da noite e o dia. Quando a noite d'hinverno trovejara. a lua Cheia de solidão aos céus voltara Límpidos. E como aos olhos o fulgor. "Expande-se a memória sobre a tella D a vaga natural. que esses lhe deram. o alvor-mysterio D a antemanhan. A o oriente Qual lagoa seraphica. transcôa-se e m nossa alma Co'o sentimento divinal ethereo Que a força activa do viver acalma.GUESA ERRANTE. Das vozes do arvoredo. luzia A estrella d'alva. E ficaram olhando. de norte a sul. que bradavam A R o m e u e Julieta ' aurora ! aurora !' As inda dúbias notas se escutavam — ' Talvez—talvez — eu ouvi b e m agora. Separação I é quando amor se alegra Q u e és a hora triste e malaventurada ! — E os olhos pardos d'entre sombra negra Co'os reflexos brilharam da esmeralda. A o hombro amado pende e se abandona. vê-se na immortalidade Dons. como u m seio que se ennua. que da terra e já de nós se ergueram: D e lá descendo a eterna claridade Aos mundos animar. a mais resplandecente Filha dos céus. E dos leitos medrosa (oh quanto bella Nas puras dobras do roupão!) a dona Alevantou-se — languida á janella. C o m o mares de rosas e de azul.

dos de ternura Cantos da zona torrida incantados E os regatos errantes da espessura. u m divo sentimento. A face. e silenciosos. Taça que foi de amantes exhaurida. se abraçando os desposados D a natureza. á tua sorte . Que ouviam. Chamas ao brilho seu. " D e lá descendo o Creador ao mundo. E e m gemidos de farpas no ar ignotas Qual de peitos que a amor enfureceram. brados Perdidos ao luar—hymnos formosos. aos brados Dos ventos de verão. Harpa suspensa d'entre o nada e Dous. que descora ao esquecimento. Novo principio dás de crença e vida. Da lua o disco." Qual navio phantastico dos ares* Era a colonial mansão á o'rôa D e montanha alterosa. Sobre o horizonte Mlgido e frondoso Linda lâmpada. Que não corriam mais. a meio luminoso Diaphano crystal e a meio argento. E e m d'infelizes que desmaiam. Luares d'ahjos. o candor d'infancia Exhalava ás fagueiras alvoradas — Ohl n'esta hora dos sons e da fragrancia Foram vozes queridas inspiradas/ Musa do Serra e o Dias I E e m trez notas Os cantos intertropicos romperam. dos palmares N o embalado horizonte — que resôa. N o amor gemendo o coração profundo. —Separação! ao morto pensamento. a sós. D'aqui subindo a creação aos céus. os prantos geras.GUESA ERRANTE. Que emmudece jamais aos sons.

mais formosas.102 GUESA ERRANTE. e que mais nunca Houve trégua aos meus dias e entre os meus — Porque lábios o inferno tem. e a fronte á fronte ! Nesse tormento de saudade louca Deixei-os eu no meio do horizonte. "Bellos olhos da tarde!. Deixando o teu amor e a minha gloria. E viram d'alvas se aclarando os montes Mais. do adeus Isolador. que ao coração aberto O vácuo. a solitária imagem Que e m seu aéreo túmulo descansa. "Quando rompeu-se a lueta. - "Porque me aparto e ás solidões me inclino. a noite do deserto Leva. e as primeiras rosas Viram d'aurora. mais distinetos. e viram mesmas frontes Suas de luz mais brancas. E onde do dia abria-se a voragem — Guardam d'esta hora todos a lembrança. que assopram N a nossa luz e apagam-na. Urgia o tempo. " E a bocea á bocea Prendem no ultimo beijo. * * * . Rendem-se os corações. o frio.— E tristes olharam para os céus. Dos rotos laços reconciliadora. tu és qual morte Ondeficassea esp'rança d'outras eras: T u és a m ã e terrível da saudade. Não sei dizer-te: nunca ao peregrino O pranto escutes de perdida historia. m e u Deus !. Te a m a o que na existência desadora Quando á lembrança vens. caindo a tarde: Todos curvam-se á voz tua.

Pois como á guerra.GUESA ERRANTE. Onde se via como u m astro erguido. Crepúsculos caíram. . ou seja noite ou seja infância. e se esvaiu. a amor violentado D'armas cinge-se o altivo coração. Madrugadores do caminho ouviam): Certeira baila as fora derribando! — Já de assassinos o tropel formou-se D a montanha ao pendor. não fosse a lembrança. Opala celestial. Deus ! O thesoiro D o amor passado e os sonhos que se amaram. O h ! a branca visão das manhans d'oiro ! D'aurora os raios toda a illuminaram. C o m o suspensoficano horizonte N a doce eterna calma da distancia. tua a palma Fora do amor eterno e o doce amar! * * * Foi-se um dia — depois não houve termos Aos dias mais. N u m alvo braço u m rosto entristecido. — Não era o Guesa ? o manto ensangüentado Que fugia das alvas ao clarão ? * • * Atrás ficavam os muros grandiosos. Desdobrados cabellos ondeosos. Lá está sempre a visão! queficana alma Nesse abandono do acalmado mar — Mas. Relâmpago de lâminas — e umbrou-se Quando o dos céus ao raio reluziu. Qual o estou vendo! Após caia ou desponte A luz. 103 — L á estão na janella se beijando Duas pombas do ar (vozes diziam.

Vibraram harpas na soidão dos ermos — E elle nunca voltou. sobre a areia. os guesas. e perto Das frescas bordas de uma sepultura ! E o doce amor. Que ao saorificio por destino foram: Voltam as multidões sobre as pegadas Suas. E no deserto Do coração formou-se-lhe o concerto Da vingança e do amor eternamente. que o sangue assanha. Prisioneiro da luz. e suspirando Elle esperava juncto da vertente Cair a tarde. Nunca se viram Voltando o Suna viotimas sagradas. N e m quaes traços malfixosde jaguares Feridos á traição. a noite.OUESA ERRANTE. Ao silencio em que amor se occulta e eleva. Ao seios do luar subia a treva. que foge e á cabeceira Pode faltar de moribundos pães. De dia. Dormia nas cavernas. Já nem memoram Que sombras vaporosas dos palmares Osfiancosrodeiavam da montanha. elle errando. não. "Quero ser vencedor em campo aberto !" Has de a perda chorar d'essa ventura Nos mysterios gerada e perto. E cada noite da Montanha ao cume. A horas tão más ás sombras da palmeira Ao prazo dado não faltou jamais. Oh! a ardente paixão da mocidade ! D o orvalho ethereo queda fecundanto . como o vento que volteia Nas encostas sonoras. Na exactidão do ódio e do ciúme.

a vida pesa Ora alli. * * * Foi um anno bem triste—os vivos creram Toda u m a inteira geração passando ! Os acontecimentos que se deram. Que dos escravos resoavam os cantos ! Um prazer puro no festim reinava Dos copos de crystal. A natureza. —Depois veiu o passado. Eram as virgens como os brancos brios D o campo. ainda os está chorando. tudo acabou-se. Passaram recolhidas em seus lares As famílias durante todo o inverno. e martyrios Nos roxos olhos. Pois bem. a onda d'óiro que entre rosas . Porém. Tão brandas como as palmas.GUESA ERRANTE. e além passou. quem tanto amara não voltou — E inda lá vê-se. N 'um alvo braço u m rosto entristecido. como u m astro erguido. pranto e luz vertendo. N a terra aberta e mflor! E o beijo amante Recolhiam os céus—dando a saudade. E m sangue amigo o coração nadava. á doce viração crescendo. A alegria de amor e dos folgares Das festas aldeias tornou-se o inferno— Oh! essas festas ! quando os lavradores Reunidos nos valles florescentes Eram do quadro gloria a dos verdores Campestre natureza ! O h ! innocentes Dias d'Eden ! que á luz estas colunas Nas manhans do equador tinham incantos ! C e m cavallos pasciam nas campinas. sobre a donzella Descia linda afortunada estrella.

e mata de ciúmes. . O s corvos sobre os campos abaixaram. A baunilha espalhou. de céus abandonados O echo talvez por melindroso assomo.GUESA ERRANTE. ao rumor do hinverno Sonorosa a espessura dos palmares. e as peregrinas. por toda a estrada D'entreflorestas. m u i distantes Inclinando-se ás ondas das ribeiras— * * * Veiu o verão. A andorinha seus ledos vôos vagos Já de ao e m torno do casal erguera.calidos perfumes C o m o ínvia c h a m m a errante. passaram para os lagos Roseos cordões de colhereira etherea. Nos montes não correram caçadores. As vibradas aragens levi-errantes N o saudoso bafejo. e das palmeiras Saindo uns alvos anjos. são antes como N o ermo a calar. Q u e traz á alma doer. e não viu-se á pescaria Mais caravanas a cantar descendo. apaixonada. E entre murtas oorreu — Não era o Guesa Q u e fugia através da noite umbrosa? — Por isso apenas. silencio aos ares: Não no repetem echos namorados Á s meigas solidões. Viu-se aorioo seu curso enfraquecendo E atalhar-se. Gemer se escutam nos violões da aldeia Cordas do coração. por mãos franzinas D'espurio gênio que invisível crea N 'alma deserto amor. Q u e a amar excita. U m canto se ouve sobtario interno. Fugindo á lapa a lontra luzidia.

que oondemnavam-lhe a existência I O vi. e sobre a vida . combanida assim. B e m como u m lírio immenso despontando E m luz e alvura. E os moços a rugir se separaram. Co'o repoiso dos meigos melancholicos Sorrindo-se aos rugidos tão diabohcos D'homens. Olhando eu vi-o á ideal belleza! N a duvida depois. E o rosto tem pendido Virjanúra! * * * Ora abriam-se as alvas ao nascente. e na tristeza D o oiro mundano e das mundanas graças O vi descer penoso para o abysmo Implacável. tão nobre e se acurvando Aos ínfimos amores! os seus bellos Olhos sombrios. que á jornada olente Fosse ao viajor desperto convidando — Vêde-o! qual se o demônio da inconstância Guiasse a candidez de u m seraphim.GUESA ERRANTE Rugiu negra a discórdia entre os amores. que não tremeu diante a miséria. — E os céus alvecem na alegria pura E dolorosa e doce e tão suave! As terras ermam-se aos trinares da ave. hiante. E mas foi qual no centro do deserto O monte alevantado — e então mais perto Das espheras que á luz ardem siderea! Sublime como ao raio das desgraças. Oh! eu o vi. vi-o altivo erguel-os — E do amor na degradação rojando ! Oh! quão triste! e eu vi-o na innocencia. Que ha de prostrar depois—aflord'infanciã Cedo se esfolha.

E inimigos fugiam-no ! e então Só* o innocente e a virgem lhe ficavam. FiUio da dor. puro e maldicto. Dos infelizes.108 GUESA ERRANTE. donde vem. Ai! sem detel-o mão forte ou querida — C o m o outr'ora ao arohanjo d'egoismo. . — E nas palmas o Guesa se internara Qual ao futuro vôa a mocidade: Sempre novos amores onde pára. funda saudade. das trevas que escurecem Por toda parte ! E afnictivo e invicto Murchando o coração. ai que inda adolesoem ! Oh! quão bello e quão triste ! O aproximavam. E sempre. Sem temerem ver nu seu coração.

Já das sombras do arvoredo Realça o violão do amante. Noiva de bellos amores.EÓLIAS. G. no horizonte. Que tens tão límpido véu! Abre-o por estes pendores Recamados de verdores Fulgindo orvalhos do céu. DIAS. Leve brisa susurrando Move a folhagem do monte: Vão as aves acordando. Grata estação dos amores. Na espessura. Pela alva noite cantando. . Abrigo dos que o não tèm. Aprende a noite o segredo. que inda menina Para os amores se inclina Por innocente affeição — Á luz tua adamantina Se enternece o coração. O CRESCENTE. Noiva de bellos amores. Que tens tão límpido véu! Á luz tua adamantina Se enternece o coração D a virgem.

Que mal entendera a medo Suspirando a bella Infante — Já das sombras do arvoredo Realça o violão do amante. Concha encantada do mar. Alva açucena do céu. Sobre a prata da corrente. L á do teu nimbo azulado Nos mansos ares velando. Alva açucena do céu. Teus raios fazem saudade. Teu semblante transparente Vai da pátria o que anda ausente Mui saudoso contemplar: . Enfeitiçando-se as flores Puras nos sonhos de olores Vestem teu límpido véu — Aos teus nitentes candores.EOIÍIAS. Pendida fronte se eleva. Aos teus nitentes candores. C o m a branda claridade. T u nos desertos conduzes A leda tropa a cantar Por que noites! C o m que luzes D'imagens tu não seduzes Meigo o perdido a scismar! T u nos desertos conduzes A leda tropa a cantar. Os pés do Throno beijando. Linda d'enlevos a treva — C o m a branda claridade. C o m o u m pensamento alado N a immensidade arrojado. Pendida fronte se eleva. Intima e doce a amizade.

IÍILIUM CONVALLIUM. Que eu vejo neste momento — E u aprendi a adorar-te Das águas no isolamento. . A querer-te. D e setembro ó doce amada! E u aprendi a adorar-te Das águas no isolamento. Solta o manto de luzeiros.cândido brio. Bella c'rôa. Deusa da alma atribulada. D a luz no immenso fulgor. Vôa aos braços do cruzeiro. D a luz no immenso fulgor. astro fagueiro. A ter ciúmes de Marte. Deus! como é bella esta terra! Que saudade nos cantores! Que de aromas nos vapores D'entre o crepusc'lo e o luar! Que sentir tão delicioso Neste enlevo de pureza — Nos seios da natureza Tão alvo brio a brilhar! Innocente dos amores. Meigaflor. LILIUM C O N V A L L I U M . Torna a ver dos céus perdidos Os grandes astros luzidos Dos grandes dias do amor — Nos espelhos reflectidos. dor Na cor 0 lírio. Tem mel no aroma. a namorar-te. GARRETT. Nos espelhos reflectidos.

Tremem-lhe os puros lábios N a prece virginal — ouve-a. E brio perfumado. Q u e se perde no retiro C o m o te inclinas no vai. N a palhdez morena enternecida Dos ermos horizontes! Emmudecendo aquieta-se A menina. Porque?—Mimosa dos risos. És simelhante ao suspiro.EÓLIAS. Sua imagem divina. Tão longe e alheia do mal. interrompe os seus brinquedos. Por feiticeira harmonia Inspiras tu compaixão? Aí! açucena dos campos. Enlevados os olhos para a estrella. Que tão piedoso -martyrio Levantas no coração: Porque. Quando na ermida escuta D'ave-Maria os sons piedoso-ledos C o m que a campa nuta.. — ' t is the hour of lovel BVROK. Enamorado enlevo D a saudade maviosa difrundida N a soüdão dos montes. Nessa infantina alegria. na alvura sem mancha. m e u Deus! . AVE-MARIA. Religiosa a inclina. Doce afagada menina Tão contente da áurea sina. As mãozinhas juntando á face bella.

. Se os dias vãq-se e morrem. No semblante da virgem namorada Prolongando os olhares — 5 CARMEN. .. Escuta e crê. Retoiça no hombro amado. nuas Nos valles e no oiteiro. Da natureza alma contemplada Nos espelhos dos mares. que estala Na proa do escaler: Mas. Porque ella é sozinha Na terra. Crepúsculo sombrio. olha. suspira Olhando a solidão. (Ao luar do Amazonas. cala A tanta dor amarga. Beija a materna mão. como as ondas correm. E pois que me ouves. incerto. Com risonha meiguice.. A COLOMBIANA. . A COLOMBIANA. mulher: Não choro as lindas luas D o Rio-de-Janeiro Nas sombras alvas. LAMARTINE. Linda e contente qual se Deus a ouvira.OARMEN. A vida se m e exhala Como este mar. A dor que morde e larga N O S S A ahna no deserto. porque são os mimos teus A cândida orphãzinha. Aqui perdido.) Nous voguions en silence.

Ohl como eram suaves Alli nas espessuras O doce amor.. — Alembram-me essas cousas. E áflorolhando. . Que a sombra não achara. as aves E aflordas hervas puras. Eram as tristes ruínas D e u m a cidade deserta E u m a rosa branca. Scismando. A noite muito cedo E m m i m se repassara. E m vão passasse a gente. O cansado viandante Parava no fim do dia.EÓLIAS. e m m e u rochedo. Olhava e m torno os destroços. Quando As luzes scintillando Vieram do nascente. O vento os meus cabellos Volvendo aos vôos bellos! U m dia e m Guanabara. .. O h ! meus amores!. branca D'entre as ruínas aberta. . C o m o alvas mariposas Voassem dentro e m mi FLOR DAS RUÍNAS. Deixei as minhas rosas. E ás praias arenosas Té hoje por aqui. Anjos da bênção dos céus. .. dizia: "Sempre cresceis nestes climas.

tão formosos! Mortas. " Cujos cabellos escuros Ondulados na alva mão Scintíllas vibram de luzes Como os raios do verão. " Habitante enamorada Destes ermos a alvejar. D e amor tamanho delira. Risos no exibo dos réus. . longe o viandante. Falar assim de paixão Nessa magia do gelo. Pois como a cinza alvejante N o seio a brasa sepulta. Deixa que eu vá meu caminho Emquanto aclara o luar. E como dentro das sombras O lume eterno se occulta. que cria e que mata?!" Porém. Que já perdido se crê. Que sois luzCB na agonia. que matam de amor! " Quem deu-vos. Que é Deus. " E fugir não sei do encanto. Cujas frontes se illuminam Como as espumas do mar. Que á mente o' siso arrebata. Se inda aflordas ruínas vê.FLOR DAS RUÍNAS. Das alvas sombras daflor— Túmulos meus. "Sois as bellas peregrinas Visões de sombrio olhar. Que amor inspira e condemna. flor dolorosa. Co'a frieza e a sedução? "Nessa implacável brancura.

Onde estás? aonde foste. Maria? Aonde foram divinos encantos. da bella innocencia a fragrancia. Maria? Aonde foste? aonde foste? —procuro O que na alma cantando te ouvia. Pura e branca. CANÇÃO DE AMOR. Aonde a crença de tanta magia. Maria? Se hoje choro. a alvura da flor E as sombras. Onde estás? aonde foste. São da imagem.EÓLIAS.. Maria? Tens a fronte que tinhas na infância. Mas. que encerramos Na alma. Maria? . E já tremo de ouvir-te — e murmuro: Onde estás? aonde foste. Maria? Ter em t i eu pensava encontrado Meu sublime ideal da poesia. Onde estás? aonde foste. aos que estavam descrentes Já mostrei meu amor na alegria: Terno orgulho dos dias contentes. ainda toda harmonia. Aonde o mundo em que eu d'antes vivia? Porque a fonte do riso é dos prantos? Onde estás? aonde foste. Fonte meiga da luz e dos hymnos. que se derramam Dos olhos cheios de amor. Encontrei a mulher em seu fado — Onde estás? aonde foste. Aonde foram encantos divinos. .

uns olhos Que assim paravam a amar. Que eu vejo sempre a m e olhar? E u amei outrora. Para esquecer-te eu voava Aos golfos do mar sombrio! Todos m e viram — passando Solitário como o rio. triste formosa.DONDE VENS? DONDE VENS? Gloria dos olhos. dor dos corações. Donde vens. Tinhas mais brilho.. Choras hoje. Como o vento quando geme Pelas roseiras do estio! Tudo em vão! Tinha os teus olhos Aqui. e não m e rio. . oh Deus. — Choras? — tem. Vibravam sobre os meus dias Raios do inferno e do amor! .. Volta a quem deste os encantos. nas chagas da dor! Tinha-os n'alma. . piedade Desta mulher a chorar! Como estás! onde perdeste Os mimos de tanto amor? E m sonhos eu te tomara Por branca estatua da dor. LUZIADAS. E u volto ás ondas do mar. onde raiavam Como u m sol abrasador! M e fascinavam no abysmo D e vivo-negro esplendor. . quando te rias. mais graças E mais perfumes que a flor! — Quem desbotou-te estas rosas? Quem consumiu-te o fulgor? E u chorei.

Pranto de amores chorei. Depois. Nas janellas. Salvo o espirito do homem. TARDES NA ILHA. Emquanto a morte eu busquei. os cabellos que ondeiam. ao longe alvejantes Já 8'eneurvam. E sem ser escravo. O n d e rostos peregrinos. N a áurea pátria do vento e da luz. amei. «'enlaçam. mudando os destinos. Se a menina dos olhos risonhos C o m o aurora corando os luziu? Q u e m ha hi que na lyra de Apollo. Nesta ilha á chimera dos sonhos Q u e m a vida passar não sentiu. Negro o olhar. Longa foi-me a vida. N a terra os céus encontrei. se alteiam D e alvos cysnes os collos brilhantes. 6 divino? E a torrado Sol! BTHON. — Se então chorando m e viram. Mais entumem-se os seios de rosas.. Onde quaes suas rosas da grinalda São tão brandas un virgens. E nas sombras da tarde saudosas Mais langores os olhos derramam. Á terra conhecei» Onde asfloresestão sempre brotando. Cantam vozes d'em torno da ilha Aos rumores do mar a quebrar-se. Vão-se as mães acercando da filha Linda e nua na praia a banhar-se. . onde tudo. Mais as rosas dos seios s' inflammam.EÓLIAS. longa.

amando qual errante Formosa borboleta ás flores da estação! . As boninas abertas recendem Se inclinando e sorrindo no ar. Doce imagem de azues brandos formosos olhos Dos roseos mares vinda á plaga dos abrolhos Muita esp'rança trazer. Rumorejam as brisas co'a flor. Como a presa que ri-se e desusa D'entre os braços do terno amador. lírio da negra serra. a mãozinha das fadas Como sobre u m destino a correr. Cordas d'alma. alevanta e seduz? São da tarde madeixas a brisa Que se enleia aos perfumes da flor. que a amores se rendem Por seraphico e bello luar! E quem ha que da lua aos enlevos Nesta ilha não sinta de amor Alma a abrir-se. vida e luz. riso da minha terra. ou os pesares mais sévos A romperem-lhe as fontes da dor? Cantam nautas no meio das vagas. Lhe não teça grinaldas. Ás estrellas doiradas Geme o piano com doce gemer. — Cae a noite. Bien de plus beau que Paris! PROVÉRBIO. Gira a voz de harmonias tão magas — Oh! quem ha que o não sinta de amor? MADEMOISELLE. muita consolação! Virgem.MADEMOISELLE. Sol do levante meu. ao collo Que amor ergue. Fujamos. Ai as virgens. do undoso Sena á margem vicejante Crescendo qual violeta.

D o trem que vai partir a válvula assobia. senão. . aqui ninguém a ver-nos: Fujamos para o céu! que. Entramos no portão: eu dou-te a minha chave E sobes. é lá que vivo agora: V ê como o dia é bello! aüi ha sempre aurora Nas selvas. Deixa por hoje o hotel.T u coçtarás. Partamos para Auteuil. ha hoje!. acorda a natureza. sou fúria do ciúme — Desdobra o véu no rosto .. sigamos outra via.. palácios o convalles D o rei Luiz-quatorze alembram grande corte: Maria Antonieta alli previa a sorte Dos seus cabellos d'oiro e m ondas na bergire. — Corria o m e z de agosto. deixo a Sorboua — E fugitivos. . que eu.. . — "Oui" — N ã o deixes estar teu collo nú! H a gente no wagon. Reluz aflorna calma e os hymnos da devezu Echoam dentro d'alma ais de pungido ardor. — O u v e estrondar Pariz! Pariz dehra e sonha O que realisa lá voluptuar de amor — L á onde dorme a noite. entramos e m Sant' Cloud.. ás águas de Versailles? Vamos. m e u amor! costuras abandona. m e u condão... Aos jogos nunca foste.12 EÓLIAS. olhos com tanto lume. voltando. ao quarto alvo ejoli/ Hesitas? ou.. denso o umbror dos bosques de Bolonha. — que viste a bella esposa Das feras! com chacoes dansando L a Barrerc! Oh! vamos. O povo se accumula. do ar contentes passarinhos.. abi.. . és minha prima andando séria e grave. inventa muita cousa. . . Prazer de velhos pães. .fosse p'r'os infernos Comtigo. Perdidos pela sombra e a moita dos caminhos Até á verde c mflorvilla Montmorency! D e lá.

N a luz da natureza. E a triste solidão. O gênio dos logares Por onde amei de amor — Vôa aos mimosos ares! Deus salve! as brisas bellas Somente hoje ficaram. O n d e de dor aberto Parte-se o coração. DESERTOS. e Phebo-Apollo o abandonou. Agora. Se és. O h ! não desprezes nunca As ruínas do passado! .DESERTOS. 6 beija-flor. A fronte entristecia A o doce olhar da amante: Porque meiga tristeza Está no amor profundo. na luz brilhante. E asfloresamarellas Q u e o leito nos formaram. N oflorescerdo mundo. ILIADA. Acaso são estes Os sitios formosos? DlRCEÜ. as m u d a s sestas D e u m sol desolador. E as calmas do deserto. E r a m alli as festas E a voz do m e u amor. Esta alma o presentia Quando. Na balança de ouro dos destinos o dia fatal de Heitor pendeu para os infernos.

Se ella das outras some-se entre asflores. e tem treze. ateia.. Q u e podem a chamar. Diz que a rolinha imita a mágoa sua. Retarda-se nas moitas mais que todas. Ella volta a correr..EÓLIAS. D a primavera aos sons e dos amores Boyando os doces olhos soberanos N a existência dos límpidos albores. andando ás rodas. E os desejos. O n d e as saudades choram. Onde o vago rumor. — Esta corrente ndunca. O h ! formosa estação daflorque aponta! Seios que nascem! coração que acorda! — Das lyras de esmeralda afina a corda A poesia da luz. É mais sisuda e grave e m seus amores. C o m o se Leila játivessemágoa. olhando a lua O u seguindo na relva as veias d'agua. O paraíso foram.. Adoro-a quando brinca. e espantadiça. mais bella. e que m e peze. Foram primeiro-amor. que não responde. LEILA. Fica tão distrahida. se se esconde. os seios lhe palpitam. . atiça! Erra Leila os brinquedos. " Ó Leila! Leila!" as companheiras gritam. que á Deus remonta! Leila tinha dez annos. Arde-lhe a face.. Recosta-se á janella. Eu adoro a menina em verdes annos. Este casal deixado.

H a quanto. D a tuaflorperfumes. mesmo na aurora. (Noa cemitérios. vinda a aurora Também eu descançar. Aragens d'esta lua! E quando. Amores te acabaram. Aflormais doce e linda D o teu jardim de irmãs. iremos Os pés de Deus beijar..) Eu venho visitar-te Aqui na sepultura. que são dos dias D e tua formosura? Tu eras como o astro Fulgente das manhans. Rosa. . Mimos da mocidade. dorme.. logo entristece: Que no amor haja dor.. 15 MORTA DE AMOR. Rosa. Tinha apenas dez annos. quanto tempo A terra te consome! E sobre ella não ouço Ninguém dizer teu nome. Só* pensar nestas coisas endoidece. n'alma E u tenho a imagem tua. E venho hoje trazer-te Prantos d'esta saudade. treze agora. Ai! dorme.MORTA DE AMOR. . Iremos. Se ella põe-se a contar. .

onde é tudo a sorrir. os teus olhos não mais m e verão! " Nas sombras fagueiras que a tarde enamoram. marinheiros. Mal ditosas correntes de mágoas Ao passado. Adeus. Seus cabellos pelo ar se espalhando Fundo enlevo derramam nesta hora. onde é tudo harmonia. que se sente. Perderam-se affectos do teu coração: Os olhos. Plúmbeas fôrmas que sonhos nos traçam D o passado. os céus apagando os luzeiros. Nasce eterna saudade nas águas Ante as sombras da noite a cair. . Canta na harpa a saudade. Aos abysmos da noite o do mar Onde.EÓLIAS. Só* se escute a procella a roncar! Quando o sol para os seios se inclina D a alva tarde. que ardentes meus lábios beijaram. este amor. Nos fulgidos raios de u m céu puro e meu. os segredos Que além morrem no umbror das correntes: "Os dias formosos do amor se passaram. Vozes so ouvem da pátria falando — Na alma o pranto. CREPUSCULARES. Dos rochedos sombria menina Canta na harpa da umbrosa corrente. Dos maiores as sombras nos passam Sobre os lumes da vaga sombria. o semblante descora. Canta o anjo dos altos rochedos D o crepúsculo ás sombras algentes. Ao mar alto vogai.

Que os vaivéns do oceano profundo Não venceram — mais deram-me a dor! Fascinado da aurora nos risos. o esquecimento poderia por u m destino melhor. PINDARO. dos bens que perdi. brincando. Os annéis dos cabellos mais Usos Nos meus dedos. quebrei. Gênio impuro das noites dos astros. Tendo a c'rôa de murchos ennastros. co'a triste memória Dos doces encantos. Triste c'rôa de murchos ennastros Só trazendo.." Gênio agora das noites dos astros. que foi também teu.. " Encanto de luzes . perdida essa gloria.. Verá que se escutam Trazidos nos ventos i . Se hei tudo perdido no mundo por ti.. Ermo e longe da esp'rança e do mundo. E u venho co'a tarde.. N o deserto dos ventos cheguei. N o ermo dos mortos Quem for passeiando E houver meditando D e á noite parar. Meus sombrios encantos logrei. de tudo que amei. E o amor sempre n'alma a bradar! LIMBOS. Ora estou como o abysmo do mar.. — Mas. Nas vozes errantes que á noite primoram — Sonhava o meu sonho. Na alma eu sinto as tormentas do amor.LIMBOS.

Ethereo o matiz! Nos brandos perfumes. Quem berços não teve N o collo do amor! Quem foi neste mundo Maldito da sorte. se uma nuvem A lua escurece. Tão puro. Tão leve. Da vida no albor! Compraz-se brincando Nos raios brilhantes — D o céu de diamantes Ásfloresdo vai — Porém. D o ar se esvaece N'uin grito fatal! Seus lábios não viram . Nas luzes dos ares Levado aos luares O infante pagão. tão leve.EÓLIAS. Nos braços da morte. Os doces inventos D e u m triste penar. Se a lua for clara. Se embala. Nas camas de aragem Reclina a imagem Trístonha e feliz. como u m sonho. Que a noite juncara Defloreso chão. se embala. franzino. Nos raios da lua Se apega o menino. Se a noite for bella. Verá.

M e u passo alenta — e ao Calvário a cruz! Vem! porque á noite. Dos céus risonha. não seduzem • Os olhos de u m pae. As meigas debcias.) Quando. hndo amor de Deus? — Flores — asfloresda querida infância! Sinto a fragrancia dos jardins do amor. . Seus olhos risonhos.ESTÂNCIAS. quando corre o pranto. ó bella saudosa. formosa. Volta amanhan — se tu voltares hoje.. senhora minha.. pela dos martyrios Crôa de cirios de mortal pallor. vem — meus somnos acalenta. antes. nunca venhas acordar-me esta alma.. a só*s penàardes Que sou longe. Onde eras palma e seductora luz! Oh. que não são mais teus? Que vens trazer ao trovador que sonha. Oh. mui longe: Escutai a vossa alma.. Que á noite reluzem D e azues. Que tém as caricias D e uns lábios de mãe. (Noites e m Manaus. NOIVA. Onde existo vereis. Que vens-me a fronte com gentis desejos Cobrir de beijos. É doce o encanto do irraiar do albor. Não voltes — foge! que inda sinto amor! ESTÂNCIAS. Troca-as.

Que só depois as dores interpretam Longe da esp'rança. em procurar-se uma alegria A todo preço de viver: n'um baile. o pensamento Pungir vem! — não se envolve nos prazeres O coração que pende. Nos saraus do noivado. Eu devera esquecer-vos! Surda. Então é que se sente o que ha de amargo. se a medo tremem vossos lábios N'outros ouvidos — sim — Se do amor os delírios. E o Rio-Negro n'um tormento ondula Vos levando o meu nome. Nas festas da alma o coração traindo. nesse inferno Que susurrando fica D o que passou-se.. Podessem noites. Senhora. Nelle traçam com fogo phrases mysticas.. Ante a imaginação meus sonhos erram. Porém. Existo — m e acompanha a imagem vossa..EOLIAB. da febeidade Esquecer as auroras. surda aos reclamos de vossa alma Heis de aos pés esmagar o meu retrato. Como no espaço as nuvens. e do que ser devera. E enlouquecer depois — No vasio implacável. Então choram-se os prantos desolados Da perdida esperança. em risos. .. E do amor esta imagem — Como u m í r i s das noites eclipsado Na paixão solitária. Oh! meu preságo coração presinto. PaUida.

No seio azul do espaço Voar e m e perder. Voar e m e perder. u m dia. não ha fugir-nos Quando o Oceano. que triste noite. nos ventos As azas estender. E tarde. o Eterno D e tudo sabem — A nós nos amostraram! nós nos vimos E m seus seios sonoros embalados. A doce crença com que os nossos olhos D o altar dos maresriam-seás estrellas — Com que .. que os sorrisos mentem Á candidez dos anjos. donde luzes Dentre montes de rosas e de aromas Já não trazem amor! — Não ha... a Natureza. Voar sempre. . (No álbum de D. Porém.. Co'as nuvens embalar-me. Donde auroras não raiam.. lembram-te essas cousas? Crês como outrora?. No ether m e esconder. 2 J VOAR.VOAR. Quizera eu bvre ser.. Voar. Que não n'a vendam! que não haja u m oiro Que a vá comprar!. furgir-me. tarde a sonhadora ha visto Que mente o peito. voar..) Qual vôa o negro corvo.... — Guarda a crença formosa.

Que n'outras plagas Se vão quebrar. Dormem as horas. Partindo a» vagas. voar. Fugir. .KOI. Aflorsomente Respira e sente Na solidão. Voar e m e perder. Cantando o nauta Desdobra as velas Argenteas. bellos Azas do mar.1 AH. Ao sopro breve D a viração. Branqueia a proa. SAUDADES NO PORVIR. Qual nau de corso Se alonga ao mar. (Sobre as ribanceiras de Alcântara.) Eu vou co'a noite PaUida e fria Na penedia M e debruçar: O promontorio D e negro dorso. Aflordas rochas. morrer. fugir da terra. Franzina e leve. Direita ao sol dos trópicos Soltar minh'alma — a arder Nas chammas que a devoram — Voar.

Vamos! que importa que entre m i m e o mundo A noite abysme-se. á luz dos céus esplendida. minha irmã! Apenas o astro Que luz duvida. Oh. quanto aqui respira. 6 bella. Promette a vida Para amanham Naquella nuvem Te vejo morta: Meu peito corta Cruel sentir! D a lua o túmulo N a onda ondula. . SEDUCÇAO. reluzentes.8EDUCÇAO. consumindo a seiva D o coração? Minha alma é bella qual luar formoso. Que o bruto e o homem. Traja alvas sedas. Vamos. A m a e fascina. Maga encantada. põe o véu de nuvens. puras. como o sol deserto Que aflordevora.. onde tudo acaba? Que a mim d'em torno a sohdão se faça Como ao samum? Julgas acaso que de amor os beijos Dardejam raios. Como minha alma. E u ponho os olhos N o Armamento: Que isolamento. . ao templo dos amores: A c'rôa cinge. E o mar modula C o m o u m porvir.

brancos. Q u e quasi aterra-me o encanto Q u e e m ti m e u ser produziu! Salamandra dos prazeres. o quanto m e queres. Das virgens santos. Incensos queimam. quando as vês tão tristes Frontes altivos. que dominam a terra — Dobram-se aos pés da formosura Alcides. Beijam-lhe as mãos: São os escravos das divinas fôrmas. . —XevxéXtvoc "Upt. O bruto e o h o m e m . Pulsam-te os seios arquejantes. nada temas. Vôam-te e m ondas os cabellos soltos N a aza dos ventos — Colhe-os. 6 bella! Oh. entrança-os. as sedas aivejantes C o m o minha alma! ARREPENDIMENTO. porque a virem força-os A luz sombria dos meus olhos negros — Cinge a coroa. Vampirea sombra. sacro fogo accendem N o altar de Vesta. o negro luto despe! Cinge a coroa.. ao templo dos amores Vamos. Não digas! deliras tanto. HOMERO. da virtude eterna. das espádoas bellos.. Porém te vejo sobre o m e u sepulchro Triste e sozinha debruçada e m prantos. . O pranto meigo e o soluçar queixoso Ouçam-te os céus! Por entre os negros dolorosos crepes..EÓLIAS. Cala-te.

esta dor séva. todas cores Das azas do cherubim. Foi o pão amaldiçoado De cada dia o meu mol! CASUARINAS.. Nas chammas fui. Toda a graça. Venho ouvir os doces threnos. que dás á innocencia Todo orisodos amores. Na minha eterna tristeza.. Tanta nascente belleza Todo u m presente criou! Então. da saudade Nas sombras sou: e amizade Tanta. no sonho mais puro Que tu concedes á estrella. Casuarinas. Que nunca mais a deixou! Perdão. Raiou-lhe a crença tão bella. escura. Sempre a falar do passado.CASUABINAS. Senhor! foi loucura No homem cego e mundano. Tão alva como o jasmim! Nellafirmavao futuro... Venho ouvir a voz do mar: Dos cabellos nazarenos As nebbnas Sacudi d'em torno ao ar! . Fugir do amor soberano Ao fulgor material. Dá que na luz da existência Ria-se á luz da esperança A tão formosa criança. nunca alma a sentiu! Meu Deus. — Mas.

tão gementes. Quando a brisa suspirando Vos incbna — O h ! a doce inspiração! Vossas musas se embalando Vesperinas Falam tonto ao coração! As estrellas. E venho ouvir vossos threnos. que resplendem. Grota imagem Vem-vos a alma adormecer . C o m almas tão transparentes E quando ellas Desdobram de luz o véu. Mil diamantes Dos seios vos derramaram. Venho ouvir a voz do mar — Dos cabellos nazarenos As nebbnas Sacudi d'em torno ao ar.EÓLIAS. Bellas virgens dos snismares.. As auroras. . Vossas frontes matizaram. N a miragem D a harpa eólia a gemer. Tão aéreas. V e m nas ondas dos luares. Sois tão bellas C o m o o são virgens do céu. que se accendem Scintillantes. Casuarinas..

Se nellas s'incbnam Asfloresdo ar. borboleta Dos céus s'embalança Nas auras de abril.. E as ondas são virgens Q u e dão-nos vertigens. Se como a violeta A vês . Ecce Deus fortior. I. E unsrisosd'esp'ranças Nos ares de anil — Escuta: se amares A sfloresdos ares.. . Minh'abna se eleva Nasfloresdo ar. N a luz se embalança D e u m céu puro anil.. Quem desce a coluna? Q u e m anda á soidão? — N a fronte a tristeza. N o olhar a paixão .. Vita Nuova. Q u e faz a donzella Tão pura e tão bella C o m tanta tristeza N a rosea soidão? Espalha na terra Asfloresde abril. DANTK.KLOBES DO AB 27 FLORES DO AR. Q u e ás bordas s'inclinam Dos ondas do mar. Minh'alma fluctua Nas auras de abril.

Bem sei que amar-te não posso.. Se odora a virgem minha alma. Minha alma ardente de moço. . á ardente noite voltam somnos D e mais brando sonhar. e nova aurora V e m afagar-me a dor. que a ventura De ver-te é todo o sonho. nunca a loucura Desprenderá meus lábios. afagando a dor. Que és luz. que aos lábios pende. Serpente das paixões. eu trevas. Tu morres em 'sp'ranças. onde amor dita. Como ellas em abril. Tu nunca o saberás . n.EÓLIAS. Abelha d'embriaguez. in. bem sei. e amar-te.. Quando a dor da existência m e consome. que amor suspira Envenenando amor. Eram as brancas fôrmas. eram thronos Onde reina o mais vário. Ella ensinou-me a soletrar seu nome Co'a gentil affeição daflorque odora D'Helios o puro amor. E u beijo a doce letra. que cega e que delira Das luzes ao redor. quasi O enlouquecer de amor. e a letra escrita Beijo. Como u m demônio — amor! — Porém. Louco! á luz da belleza que resplende Insecto eu fui. que uma phrase Te cubra de rubor: Porém te adoro tanto.

que te admiravas D e mim.. Fui. da divina fraqueza Ao encanto e á seducção.. qual sombra. Que então não desceu do monte. eu vi-te partir — . A fronte altiva com calma Posso curvar — e curvei. Deixando os echos a sós.FLORES DO AR. Que se eleva e se illumina Aos raios do coração! Nunca o destino„te fira Qual m e feriste — q u e fiz? Oh nunca a amor. que delira D a luz ao meio e do riso. e a não seduzes Mais com teu vivido olhar! Eu vi. escutar-te Os hymnos da etherea voz Como crystal que se parte Das gottas fracas da fonte. sombra presa D a miragem peregrina.. infebz! Olhaste-me toda a noite Sem mais m e apertar a mão! E u sentia fundo o açoite. Sombra presa. Na mudez dos infelizes — Até tu também moldizes Minha eterna sobdão! Ai! a razão me abandona! Voi-se-me a vida estalar! Densas trevas sobre a zona Que eu percorria de luzes Obumbram-se. Venha o anjo do paraíso Dizer-lhe: pára. E u fui.

Que não sei senão te amar! Os dias corram-me em pranto. Venham horrores da sorte. Que podias ser a estrellu Sempre em minh'alma a luzir! Te amava eu. Direi teu nome ao Senhor. Beijo os pés onde caí. Como a harmonia formosa Que emana dos lábios teus. D a onda a canção saudosa. D a sombra eterna ao abrigo. Na vida como na morte. Somente lá. Adeus! eu levo commigo Todo o segredo do amor. do amor puro Que a terra deve a seu Deus: Como do vento o murmuro. . com meu pranto. Oh! eu te amo! e tanto. Corram-me os dias por flores. de t i Venha a paz e a doce crença. Rompendo os lábios o encanto. Escreveste-mo a sentença De morte — emfim! mas. Serás meu conto de amores O u minho musa a chorar. Ai! a vida que m e davas Era tão pura e tão bella.. EÓLIAS. tanto.

és aflormais Hnda. que o obysmo é fundo Onde naufraga-se a existência inteira! Eterno o adeus. Quando vieres. Que de saudades tuas morrerei! Se eu amo as flores. Tão murcha na alma. como a do proscrito Errante sombra. bella seductora. . Não desesperes do destino meu! — D o céu ás vezes cae u m pronto amigo Aos anjos tristes que perderam o céu. como aflormarinha Que o vento leva para extranho mar. já na ausência minha. Não vás! espera. quem tu has de achar? Quem has de ver da suspirada aurora. paüido Oaim. Se em teu caminho não existirei? Oh! não m e esqueças. MYOSOTIS.) Não vás! escuta-me! eu irei comtigo.MYOSOTIS. Se amores queres. todo o amor te dei. que da esp'rança eu vim Por sobre a terra. eu irei comtigo Ao fim da vida! D o destino meu Não desesperes. que fui gênio teu: Porque se fores. Porque não chores como já chorei! Não vás! escuta! —quando fui maldito Dos céus terríveis. porque foi commigo Que tu cresceste. (Entre os rosacs da Vlctorla. Oh! não m e esqueças! não m e esqueças hida. quando se foi do mundo Deixando a crença cândida e primeira! Não vás! espera-me.

. m e siga. Serei na tua alma e nos mentidos sonhos Ave-phantasma. quem ha que. que não morreu-me D a alma descrente ao sopro abrasador. já não tendo amores. tão cedo! Aqui brincamos. Únicaflor. pensei que não virias hoje A taes horas de amor. Vésper formosa qual Jamais luziu? Tu foste aflorde amor. Rosa. Tu foste a única estrellinha amiga Que ao procellar das noites não fugiu! Se vais. As sombras se estenderam das limeiras. Aí! de saudades.EÓLIAS. Se o fado ao nauta do seu mar lançou. quando venha aos lábios teus risonhos Abelha extranha a doceflorchupar.que sobre o meu rochedo Raio iracundo não tocou! —perdida Vais? oh não vás! queficos ó * . Que a débil hastea sobre mim pendeu-me — Oh! não m e deixes. que verás passar: Como nas plagas onde muge o vento. . mais não voltarão! Mas. que o chacal tomou. . Revoa a águia — que não toma assento Sobre sua presa.e os jardins sem flores As nossas brisas hoje encontrarão: E as borboletas. SULTANA DO ROUXINOL. Os fructos odorando. seductora flor! Oásis meu da atribulada vida. posto o sol.

que algures correm. Rindo-te a infância na alma. Quando brincas no bando d'innocentes... Desceu do monte a viração da tarde. Escuta.SULTANA DO EOUXTNOL. Deixa as outras brincar: São as vivas boninas que despontam A o pôr do sol — escuta!. que este beijo Se evapora e se perde. Teu cinto é como o cálice dos lírios Aos zephyros brandindo..—e como a terra Entristeceu depois! . Docefilhadas graças e os amores. Das nuvens d'oiro o sol.. Dos regatos azues. Ella aqui se assentou: Alegre estava o ar.. escuta as vozes! O coração resôa-me comtigo. Aqui nós voltejavamos d'em torno Aos nossos corações. *Não vás correr nas sombras das limeiras. Simelhafrcom teus braços alvejantes Visão crepuscular. N'um h y m n o perennal! Teus lábios são tão louros. Adolescem e m ti somente os annos.. InteUigente' flor. És a mais lenta a andar. Erra a noite nos valles. Voaram aves aos sonoros ramos.

devorou-me! HOMERO. ELOS Q U E B R A D O S . e a degradaram. .a ti todas as flores. Anjos queridos. desses amores Que elevavam minha alma. E meus dias ter eis. VASCAS DO JUSTO. Quanta luz! quanto amor! quanta esperança N a estrella d'alva e aqui no coração! Meiga perdida. floridos?. m e u amigo. Não é verdade? os céus p'ra m i m se volvem. minhafilha. M e u pae.. Foi-se o tremendo deus. o coração se agita D e novo na existência enamorada! Doirando o rio azul...84 EÓLIAS. que m e foi berço e morada. que m e envolvem E tiram-me da luz!. e abaixam a cabeça Á divina piedade. Vem... — Não m e deixem cair! sinto-me fraco Para esta dor aos echos do passado — Vascas sangrentas d'alma e olhar opaco D a loucura a surgir do inferno odiado! Oh! rasguem-me estas trevas. que ainda não murcharam.. — V e m .. nesta hora. Quando a vil cobardia do peccado Leva á degradação — e n m e alevanto E encaro a eternidade. quando os homens choram Resignados. raia bemdita Luz do céu. longos.. que presidiu ao meu nascimento. mágica lembrança D o que hoje choro — e sem consolação. O odioso destino. Eu convalesço.

AMO-TE. ao vosso pae celeste. C o m o a Virgem dos céus. que ê perdido O veneno daflor!— Hoje innocentes Perfumes solta o brio anoitecido Ás auras dos jardins frescas e olentes. que dobrei qual verde branda vara Dos desertos ao vento. Pura e sem mancha. O h ! doce e cara. Volve os teus verdes olhos com piedade.. Fatal Poder! — Sinto o repouso da alma — sinto-a fria C o m o gelam os pólos — tenho somno E.. — apodrecer. ómorte!.. AMO-TE.. embora. Vós sois mais forte. que se vê descido Sobre o túmulo alvar. rugiudo como as feras morrem. Fere. C o m o quebra-se o mar. consola e ampara! Vem. E o mais. Caio..'e da verdade D o amor e desta doce Hberdade Sacrifiquei descrente á terra amara. E eu fui que a soffri. que educaram. E eu cá não fora! D é ha muito a vida eu vol-a entregara... Amo-te! — Se soubesses a saudade Que dos risos se tem... como o anjo. — Não foram doces laços. nevi-luzentes Meigas azas abrir 1 Vem. Obrigado. que m e deram C o m o u m a grande coisa. Eu. Mundo! mundo! se nunca m e illudiste. E u deixo-te co'o mesmo desespero E m que vivi: Maldizendo a existência... aqui tens m e u coração. .

quando a infância. Esperar—são as portas sem 'spr'rança Deste inferno implacável. tenho acaso na alma A ardente calma.. deixa-te adorar! ESPERAR. Q u e m será que m e brada — esperar? O h ! deixai-me ir adiante! ir adiante. Limões cheirosos — quero nestes seios Morrer d'enleios... Se estasfloresnão hão de existir... Quando o amor. Esperar — quando os céus. tudo vejo a fugir? Quando a mente referve e rebrama C o m o o incêndio da selva a estalar. m e u deus! Deixa. m e u amor. Quando eu subo os meus cumes floridos. que illumina amor! A m o os teus olhos. que devora a flor? — Aflorde amor ao brio do martyrio Accenda o cirio. São as rosas de Guatimozin.. sem fim! .. Que eu não posso u m momento parar! Esperar — se amanhan não existo. não fujas. L I M Õ E S CHEIROSOS. Quando o mundo nos deixa. elevar-me aos céus! Sonhos risonhos. amo os teus cabellos Nos hombros bellos. sobe neste altar! Tua luz seduz! grinalda d'esmeralda Tua fronte escalda. amorosos gosos Lograr ditosos. e nos vemos D o passado u m sepulchro a alvejar? Esperar—são as c'rôas de espinhos..EÓLIAS.

noites — adiante! não posso. São as dores sem pranto. do nada a surgir E a voltar. São as noites de afflicto penar — Noites. o phantasma D a alma eterna.. abnos frescores Meus cabellos afagam. Alb Dá meia noite. O h ! não posso u m momento parar! Mais de pressa! o sol posto. DÁ MEIA NOITE. . rugidas C o m o ás gralhas dos ventos o mar! São da febre o delírio. quando a esp' Não m e espera — e esperar? esperar?. E vôa sobre os templos da cidade. São as vozes do amor sem cantar. e o negro porvir! Esperar — são as noites veladas. O silencio respira. mortos os astros D e olhar meigo luzindo ao pastor.Dl MEIA NOITE. Esperar — são algemas candentes. Passeia a sentinella Á noite bella Opulenta da luz da divindade.. em céu azul-ferrete Formosa espádoa a lua Alveja nua. Nos brancos muros se projectam sombras. nos cumes Sombras negras se obumbram de horror! Mortas alvas são. Quando a luz de amanhan. são da morte e da vida Somno e duvida. Quando asflorespresinto a murchar. E esperar! quando os céus não existem.

Gênios vagam.. E do mundo aos applausos. dos espíritos Jaz nos mundosrisonhos— Fora eu os sonhos D a bella virgem.. NaqueHes céus de amor! E m seus jardins correndo. Beber eu ia ás fontes Que por a l l i manavam. uma nuvem passa. E e u não tinha dinheiro. minha fronte PaUida entristeceu. BEBER EU IA AS FONTES. Brincando andava Anninhas N o bando susurrante . Eu vi a flor do céu — meiga esperança Sorrindo para mim. Quando o fogo da febre lhe lavrava Nas veias do assassino. Então senti minha alma degradada. Como essasflores. Ás sombras assentar-me Que alU s'embalançavam Naquelles doces valles. EU VI A FLOR DO CEU.. D e alguma fada no ar andando á caça. Deus verdadeiro! E u amei como u m doido a formosura.38 EÓLIAS.cujo alvura indica Florea estação passada.. Como á bandeira que hasteiou Tarquino. mal resignada. Adormeceu a virgem.

O h dias! dias d'oiro D o Rio de Janeiro! Noites cheias de vozes.) Que Que Que Que o meu amor nas lagrymae se banha. D a brisa e das torrentes D o valle na soidão! Tardes enamoradas! Formoso Armamento! Onde em scismar tão fundo Perde-se o pensamento E estalam cordas da alma Na dor do coração! E no passado jazem Todos os sonhos meus! E u era o brio cândido Dos zephyros de Deus! E sou o brio negro D o inferno. . anjo do mal! O mundo converteu-me D aflormais encantada Naflormais venenosa. espalho espinhos onde quer que pizes?. D e gênios feiticeiros. soffrem os que amam-me.MOBBEBES? Das lindas irmãzinhas. Dos nortes açoitada Gemendo nas montanhas Á voz do vendaval! MORRERES? (Noites na Vletorla. tu dizes? u m cortejo de mágoas m e acompanha. As borboletas lindas Que vão deflorem flor.

Tens na alvura do rosto alvas boninas As noites perfumando.. Morto louco de amor Pygmalião! Mas. Que e m mal devora ao trovador cativo! E morreres em quanto a vida. mármore alvejanto D'estatua. illuminar-se o astro. Derramam onda azul os olhos teus? — Antes do bello túmulo a brancura Ardesse. dos polares Gelos formosos. como quizesses DaUi justiça eterna á tanta dor? Antes vê aqui dentro. a luz que o peito te adormenta. . que soffres. é doce aroma aos pés de Deus? Emquanto.EÓLIAS. T u és formosa. porque m e despertam harmonias A taes horas da noite e m m e u rochedo? Não são da vaga e m torno as agonias. N e m do vento os gemidos no arvoredo. Surgindo o sonho. que enamora a autora mão! Q u e m m e dera poder. que mal comprehendes. que só dão loucura! Antes da bella estatua de alabastro O m u n d o visse a transfiguração. como és bella! Como és formosa. anhelanto Nos seios accender-te o coração! E dizes tu. como a branca estrello Nas trepidantes fontes crystaUinas. incendiondo-se os luares D e frigida ardentia. o sangue vivo D o s elos mysteriosos com que prendes O trino e santo amor. ledo.. isenta D a mancha. olhando aos céus. que endoideces Nestafiagellaçãode tanto amor? —Choras.

elle agradece Co'o sorriso do somno ao b o m cantor! Porém. n e m te tem amor — Ai!floringrata. cantai — o mágico instrumento T e m segredos de amor na solidão! Vibrai. Que. Ao repoiso o que dás do h o m e m de dor? Que dás ao que te adora e te acarinha.. Solto o mais doce canto — e m que se esquece E entre imagens delira o sonhador — Nos desertos dormido. a mim. Fulgor nos astros. A arrebentar as cordas ao violão! Umbrosa noite.SONS E ABOMAS. (Séstas no Martanno. sombras encantadfcs. flor." endechas namoradas Que a noite embala — e a viração desterra. morre o trovador? . que só* abres á noitinha.alma é triste. "Minh'. quando adormece D a acácia á sombra meigo trovador. Preludiam amores e saudade As vozes que eu escuto — alçai o canto! — São bellos corações de mocidade Que trazem-me talvez. Uvida e mesquinha. Que só queres encantos da estrelbnha. seu pranto . Quando já ninguém vês n e m ha calor. o exhalar da terra. se morreres.) —Ao meio dia.. tu. SONS E A R O M A S . Que não te educa. Quando ao cair da calma nos parece Sentir andando no Éden o Senhor... Cantai. pungí tão fundo o isolamento.

EÓLIAS.

Occultas-te do olhar de u m bello dia, Quando esguicham do sol vida e calor, Quando toda ave trina de alegria E sem sorrir não ha nenhuma flor! E morres, sem o amor dessa poesia D o triste desfolhar — não tens amor? Freira egoísta rezando a»e-Maria, Desconfio de ti,floreoprimor. E u canto desde a aurora, e atravesso D a calmo sesta o fogo abrasador Entreflores,entre essas que, de acceso Esmalte, ostentam glorias de esplendor! Entre as rosas, que fazem de travesso, Ai! delirar u m rouxinol de amor! Tanta innocencia, a candidez e m excesso, Não vão b e m co'a poixão que inspira a flor. —Bonína do cair do tarde bello, Nessa hora d'enlevos, que onnuncio Doce oração, oflord'nr»e-Maria E u , estendo minha alva efinatela, Tão alva como a luz deste luar! C o m o fraldas nitentes da donzella Q u e adormeceu e m sonhos de harmonia, Envolvem-me visões do alvor do dia, Q u e da virgem parecem se exhalar. O astro do pastor no Armamento Folgo de amar-me e enamorar-me a sorte: Anjo crepuscular, do nascimento; Anjo da aurora, vem chorar-me a morte, Quando as rosas do sol vão despontar: Dou-lhe os doces primicias da consorte, N a ausência effluvios, que lhe leva o vento; Ainda no matutino passamento M'o verás do m e u túmulo abraçar. Perfumo a noite; o trovador «cismando, Triste asyla-se á sombra da alva imagem,

ISABEL D'HESPANHA.

Beija aflorsua—sinto-o soluçando, Presa innocente de fatal miragem D o sol, das nuvens, da soidão, do mar. A m o os sons, estremeço á mansa aragem; O beija-flor nocturno dehrando Aos aromas de mel... .vives cantando, Bella ave, eu dou motivos a cantar; Torno a esp'rança formosa, aos céus voltando D o amor o sonho, lyras a afinar.

ISABEL D' HESPANHA.
(1868.)

Tanto agitaram o thuribulo, que esborracharam as ventas do idolo—
OF. LIBERAL.

Filha dos céus, dos reis, divina sobre a" terra, Onde Isabel princeza? onde a rainha? onde erra? — Sombra do abysmo, escarneo do anjo decaído, Que ver não soffre u m throno e nelle u m rei erguido, Que tira-lhe primeiro o amor da humanidade, E pelo condão mágico, aura da liberdade Que d'alma á fronte luz, cinge-lhe d'oiro a c'rôa E deixa-o meio a rir — miserrima bourbôa! Vibras na esquerda mão os raios de Vulcano, Na dextra e mais sinistra o sceptro do tyranno; Das trancas ao silvar, serpentes de Meduza, Foste o inspirado ser—foi-te do inferno a musa! Passavas como astro por sobre a escuridão Das frontes, prosternada a augusta multidão; E a purpura colhendo, a não manchasse a blusa, Não viste que de Deus dormia esse vulcão! Nos ares reina o vento, a vaga no oceano, Na terra a fronte livre, o povo soberano! Quando arrebenta o raio, ergueu-se a tempestade;

EÓLIAS.

A o povo quando geme, a santa Uberdade Arrancam-lhe do peito, arca de grande herança, A gloria dos avós, dosfilhosa esperança: Mas, triste, soffredor, não ruge muitas vezes E longos annos vai qual mugibundas rezes. Mandam-no emmudecer os tresloucados reis, Ebrios d'incensos vãos; a carta de suas leis Rasgam-lhe á face alvar — q u e então m u d a de cor! Se encaram desta vez, o povo, que é senhor, E os reis, ídolos seus —symbolo e m seus altares, D a paz ao cidadão e da virtude aos lares! Encaram-se tremendo, a verde parasita E a selva, que lhe dera amor, seiva, guarita. "Quão pouco é, pouco, ai! flor do throno de Bourbon, Ser nos destinos guia a u m povo nobre e bom!" Dizes olhando atrás,figueiraamaldiçoada D o Deus que a terra viu dictando a lei sagrada, Aurora eterna da alma, o amor e a hberdade — Deus, dos homens irmão, o raio da verdade, Escravos, que olvidais! esphinges mysteriosas, Postos da pátria ao meio, como mortu árias lousas! E quando n'alva a Hesponha, aos vividos fulgores Vires que volta o amor á pátria dos amores, Que do remorso então corra-lhe bvre o pranto A quem sorriu jamais da hberdade ao canto! Cathobca sem fé, no exílio magestade, D a fronto a rosa de oiro esfolha triste, assim; Filha de São Fernando, e m horas da saudade, Bemdize a Hespanha, a Torre, a Castellar, a Prim!

VINTE E OITO DE JULHO.
O s lábaros verdes nos ares ondulam, N a gloria da pátria, na crença de Deus! O s peitos levantam-se, os hymnos modulam, N a terra cantados, ouvidos nos céus!

TO INEZ.

Nas roseas torrentes que descem da aurora, Nos ventos, nos mares convulsos de amor, Os cantos formosos se sentôam d'outrora, Que as frontes incendem de eterno fulgor! Os loiros não murcham na pátria dos brios! Os cravos não tombam dos braços da cruz! — Se pungem com sangue, com fundos martyri Sabeis que transformam-se em astros de luz! Dobrai os joelhos! beijai esta terra De nobres passados! sabei ter-lhe amor! Sabei defendel-a nos campos da guerra— Sois bvresl soisfilhosdo sol do equador!

TO INEZ.
( BYROH.—Tradução.) Ohl não sorrias para a fronte palbda Que não pode sorrir.— Nunca dêem-te os céus veres teu pranto E m vão, em vão cair. E perguntas, que dor punge-me occulta Corroendo alegria e mocidade? Envenenada d o r — e que te importa, Se a mitigar o teu amor não ha-de? Não é amor, nem ódio, N e m de vãs ambições a honra perdida, Que os dias meus aborrecer m e fazem E de tudo fugir que amei na vida. Mas é a mágoa, que m e vem de quanto E u toco, eu ouço ou vejo: Não m e alegram encantos da belleza, N e m esses olhos, que resplandem e beijo. Mas é a dor constante, é a tristeza D o fabuloso vagabundo Hebreu,

EÓLIAS.

Que do túmulo além nada esperava, N e m aquém descansar martyrio seu. Qual fugir-se a si pode? o pensamento, Esse demônio da alma ennegrecida, Nos mais remotos climas segue-o, segue-o, Açoite vivo da importuna vida! E no emtanto outros vejo nos prazeres Fruindo o que eu deixei: Possam elles, dos sonhos nos arroubos, Nunca acordar, assim como acordei! Eu vou por toda parte, Reprobo, do passado perseguido — E o m e u consolo é ver que, quanto eu soffra, Nunco mais hade ser quanto hei soffrido. Quanto hei soffrido? ai! não m'o perguntes, Por piedade, anjo eterno! Ri-te — desmascarar não queiras do h o m e m U m coração que te amostrara o inferno!

MEUS 100 ANNOS.
(Vlctorla, e m 9 de Julho.) F. R.

Q u e os cem annos na terra não vejas! Porque é tempo de a torra deixar-se, Porque os céus escurecem, e á meza Não terás u m conviva a assentar-se. Terminei os meus dias de vivo — Se m e vires passando, eu não sou. M a s é doce este enlevo da morte A o que amores na vida logrou. Um pobre centenário, N o dia seu de festas, A s coisas aprontou:

AS DUNAS.

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Baixellas d'alva prata, O vinho generoso, Asflores—eesperou. O dia, é bem verdade, Raiou sombrio, e tanto, Que o velho entristeceu: Era uma sombra viva Perante as outras sombras, Talvez mortas no céu. "Ouvi rodar um corro... Mais outro... escutem... longe... Abre o portão! — quem vem? — Espero os meus amigos... Amores... ainda os tenho — Todos virão..." Ninguém! E o centenário viu-se Tão só! — de manhanzinha, Co'asfloresde verão; Co'afilhasó, no almoço; Teve ao jantar... seu vinho; E á ceia — a sobdão. Oh! não queiras chegar aos cem annos, Porque é tempo de a terra deixar-se! Porque os céus escurecem, e á meza Não terás u m conviva a assentar-se!

AS DUNAS.
(Pontart*Areia;ao lnar de setembro.) A. C.

Nas costas sonoras, dos mares erguidas, Dos ventos volvidas ao sol do equador, Elevam-se as dunas — á noite alvejantes Ao longe, ondulantes, edeneo o frescor:

EÓLIAS.

São nuvens, são noivas, são gênios jocundos, Descendo errabundos dos céus, ao luar; Sãoflocosluzentes, são brancas roupagens Que enfunom aragens voando do mar: São seios, são alvas espádoas, são hombros Formosos, os combros de tremulo alvor; T é m vida, palpitam, resudam magia, D o mar á ordentia, da lua ao fulgor. T é m vida, irradiam, se movem, fulguram, Interno m u r m u r a m —desejo ao luar — E o duro oceano, que do alto rebôa, Lamentos entoa, seus pés a beijar: Não ruge ás procellas, não torce a corrente D'aurora ao occidento —suspira de amor; Sombrio levanta-se, ao largo desmaia, Se humilha na praia, o deus-trovador. E as dunas, as fadas de fúlguros seios, Se sentem d'enleios — mais vivo o brilhar, O s cintos, os alvos contornos desnuam D o s véus que fluctuam de argenteo luar. — Desnuam, desnuam nas plagas desertas, Selvagens, cobertas de areia a tremer, Desnuam os anjos das brancas areias, As magas sereias, os eólios a erguer. Nas costas sonoras, dos ventos volvidas, Dos mares erguidas, na branca soidão As m a g o s — e u vejo-as, escuto — as sirenas C o m vozes amenas pelo áureo verão: As águasflorescem,exhalam perfumes, Accendem-se e m lumes, scentelha a ferir, Dos mares á orchestra, dos sons á cadência, N a vivida ardencia da onda a sorrir. E as ondas e m chammas percorrem os mores; Inundam-se os ares de ethereo crystal;

AOS AMERICANOS.

49

Ás ondas se encantam nas vastas espumas, Encantam-se as dunas no immenso areial; Encantam-se — as velas de frota indolente Subindo o oriente, o oceano a descer,— As alvas manadas, a virgem das caças, D o enlevo, das graças, dos céus a pascer. Nas costas sonoras, dos mares erguidas, Errantes perdidas, da lua ao clarão, D a noite aos encantos — eu vejo as imagens D o sonho, as miragens de «terna visão... E os seios das dunas, por alva harmonia, Resudam magia, thesoiros a abrir: Dos seios os lírios scintillam desejos, C o m manto de beijos a alvura a cobrir. C o m braços nevados aos mares acenam — As vagas serenam que são vendava!, Desdobram-se e mfloresd' espuma fagueira, D e luz feiticeira, de fulgido sal. As dunas são alvas espádoas, são hombros Formosos, são combros, são gelos a arder; São pérolas—luzem; são anjos—resplendem; São seios—se rendem, — a terra, a mulher.

AOS AMERICANOS.
(Antes d a republica franeeza.) Estão muito desanimados os republicanos. [Correspondência de Portugal.]

Eia, Estados-Unidos, alentai-os! Crôas de espinhos, redobrai de raios ' Sê tu por nós, Jesus ! Tu, que és o Deus e o revolucionário D e amor e liberdade — do Calvário, Abraça-nos da Cruz! i

Quu á terra. Victor Hugôl procella homeríca. alentai-os! Crôas d'espinhos. A rosa mystica. Jesus! . Estados-Unidos. Falai do amor á alegre mocidade. Estados-Unidos! lá na Europa Á passagem dos reis ainda s'ensopa C o m sangue o pó do chão — A França dá o exemplo. Ruge.. D o povo ofilho. e de traidores Fôrma na orgia os seus imperadores. Pungí-lho o coração! Reis? — são reis de direito soberano •O virtuoso. Eia. Estados-Unidos! bate a hora. o sábio Americano. Destruindo a nação! Eia. que ê vinda a liberdade. a esperança ardente.EÓLIAS. Acorda a França que reclama a A merioa. Q u e a pátria devorou! A pátria — e r a a republica nascente.o irmão. Vós. A França illuminai! Fostes-lhe luz u m dia — e todos viram Desse noventa « dois como bramiram Os cumes de Sinai! O h dor! eterna dor quo o peito nutre! D a liberdade a águia fez-se abutre. Sê tu por nós. redobrai do raios. Reverbéro da luz! Eia. que do m u n d o sois a grande aurora. emfim voltou! Vamos! dizei..

a. o terremoto aos brados Annunciado a tem. Viotor Hugo enlouqueceu.. Chamo-me pátria. Proelamações. converta-se em abysmo! N e m eu sei mais que sou.AOS AMERICANOS. Huoo. e m pátria a se transfigurar! Exércitos erguei. que jazia.. T o m a m idéas postos. sem norte. a rir! D o lupanar dos reis frivola e prav. Frontes incUnam-se á meditação. Faz-se neste m o m e n t o o s u m m o oceaso. Condensai-vos. t Está-se pondo o sol de u m a nação.) 51 Que a França. debaixo da Prússia. M o r a scintillação. Triste geme o universo. Vê-se ao meio do abysmo a grande estrella. N a alma a tristeza — Surgiu dia acaso. se espedaçar! Toda inunda-se a terra de scentelhas.. V. S e m ser da escuridão? Da França no sepulchro a humanidade Inteira debruçou-se. alevantou-se a escrava. a hberdade Vendo alli se afundir. . que sois dos céus o açoite Cingindo a França.. a rugir! Combaterão por ella ores e estrellas. (Cerco de JParlz. Marcham e m legiões. filhos da noite. a presa de infernos. Quando v e m A boa nova. São no horizonte os abrasados choros — O u serpentes de lábios a sorrir! Clamam as pedras de Jerusalém. Rompendo aurora. Surgem R o m ã s eternas dos papados. meteoros. surgem do morte D o deus. O anjo.

D o templo sacudi da hberdade Os mercadores. . Abandonou-a o céu. no arrancar d'um erro. Q u e profunda prendeu raiz de ferro. D a Pátria agora se alevanta o altar! E a França. Aos combates levando o cidadão! D a marselheza o h y m n o de victorio Não ha q u e m ouça que não veja á gloria Ledo inflammar-se o eterno pavilhão! Volvem tempos heróicos. a França.. Despedaça da pátria o coração! Mas.. os vendavaes — O h vel-a-heis. fugiu-lhe o mundo... d'oiro a idade. D a ara ao redor... Festins de Balthazar é toda a terra. Funerária a mudez. N a sombra os seus herdes somno profundo Dormiram de u m a vez — Velam todos! — dos túmulos erguidos. na fronte as c'rôas bellas. a idéa. D e Debbora aos cântaros triumphaes! Vel-a-heis. a França. — Removam-se os banquetes!' debrado D e Baccho o dithyrambo foi cantado. jorram brilhantes. Esvoaçam ao sol da hberdade O s seraphins de luz — As azas se lhe'esmaltam rutillantes Desdobram-se de amor. e sem piedade. A o e m torno da Cruz. que a vendendo estão! Porém. ireis vel-a entre os alarmas. Riem-se os ebrios á sentença que erra E m chammas pelo ar. á convulsão immensa Silenciosa treva se condensa. Dansondo a carmanhola ao som das armas. os fachos accendidos.EÓLIAS.. A repubbca. de pressa a vergasta..

A estes palmares cheios de arrebol! Que sol vos raia! que manhan de amores! Que olentesfloresnos sendaes da gloria! N o mar. Bênçãos e amores vos destina a paz. abraços. bonança! a viração no norte! Voz de Mavorte no hymno da victoria! E a mão nevada que se agita. da guerra ante a miragem. o Oceano.Guardas do Brazil! Deus vos contempla — no verdor dos montes. V é m sagradas do exibo — á redempção! Deus falou-lhes da nuvem. da pátria meigos defensores. O astro da Repubbca e m Pariz — Por sobre o Rheno. 53 Que não se apagarão! Fugiram-se os traidores á voragem. e o chuver da flor Que as virgens lançam sobre vossos passos. Salva a França. O h santificam nossa causa bella 1 . ser feliz! A'PARTIDA D O S V O L U N T Á R I O S M A R A N H E N S E S . O iris a cerca á universal albança. santos. É bella d'alma a offrenda que o guerreiro Nobre e fagueiro sobre as aras faz. Amplo o horizonte. os Alpes. toda a pátria amor. Bênçãos.A'PABTIDA DOS VOLUNTÁRIOS MARANHENSES. M ã o fraterna estendendo ao gen'ro humano. O h defendei a nossa pátria amada — Quanta alvorada nestes céus de anil! Voltai co'as palmas— que formoso sonho Deixaisrisonho. Parti. e os prantos Risonhos. A quem quizer ser bvre. Hóstias meigas. se restampa o sol! Adeus de n m dia aos feiticeiros lares.

. americana.. mais querida então A mãe tão doce.a chorar! — D e ramos se cobriam As sendas do guerreiro. D e pavilhões o mar! Dentro estuosse a dor D o peito da donzella. Que das batalhas vindes! Co'as vencedoras palmas C o m o sois bellos vô*s! — Mytho d'encanto fostes. D e gloria avaro. — Cobriam mães de bênçãos O sfilhos. —Voltareis vel-a. Braço e titaneo raio Por vezes cento.EÓLIAS. D e hberdade tremulo O voluntário ergueu-se — E foi sublime então! A cobardia pallida Estremeceu. O céu todo de cânticos. C o m o sois bellos. centuplo Multiphcado e m nós! Aos gritos da nação. . — Se abandonavam campos. a terra Continha u m coração! — Emmudecia o lar. abre o coração! Oh! combatei por esta pátria amada! Quanta alvorada nestes céus de anil! Voltai co'as palmas — que formoso sonho Deixaisrisonho. e viu-se Que.Guardas do Brazil! 0 REGRESSO. vós. quando aofilhocaro.

a acenar á guerra E a matizar bandeiras. vós! Vós. que trazeis escrita C o m cicatrizes. ó lindos gênios. fulgidas D'entre o fulgor dos loiros. tímida e branca A o só beijo de amor. puras. N a bella fronte — paz' GÊNIOS MIMOSOS Gênios mimosos. Que vos banhais no orvalho perfumado. após. Tinheis-lhe m ã o da esp'rança • C o m o sois bellos. Que tomais a innocencia das çucenas E da rosa o romântico encarnado. Que ís na aérea barca — Levai-me o pensamento. Tecia c'rôas laureas. Prendas de u m pátrio ardor! Do voluntário. Firme. Que fechais á noitinha os meigos olhos . Q u e a mão. que habitais das flores O cálice luzente. cuja vinda traz Esta estação de rosas (Quanta saudade entre ellas A o que não voltou mais)! Vós. O salve delirante D e gloria. A o m e u astro gentil da Dinamarca! Horas suaves. das batalhas Repercutia e m nós! — Desadorasse a pátria D e desalento e mágoa.OENIOS MIMOSOS.

Das folhas o segredo. triste Daquella sombra fugiste. Eia. Vivendo com teu viver. Raio de luz branca. Horas. Enxuga o pranto do olhar! N e m voltes ver a cozinha. Levai-me o pensamento além dos mares! Sons de harmonia. prazer E m teus berços innocentes Se debruçavam contentes. que amais do zephyro o misurro. Q u e subis pelos raios das estrellas E rolais no crystal das ondas bellas. formosa e mesquinha. Illuminai minha olmo. Que nas cordas brincais da lyra d'oiro. . Onde a imagem eu vejo. qual dormeute N o fundo de lagoa transparente! A CAZINHA. — E que mais? — viste o deserto E como u m túmulo aberto O que foi-te Éden de amor. C o m o encontroste mudados Os sitios de teu amor! Onde os dias encantados Se alevantavom co'a flor. E tapando os olhos.EÓLIAS. Onde afloresrescendentes D e mocidode <. Qual foge da noite o alvor. Que faz saudades deixar. Ante as fôrmas risonhas Que fluctuam no BOÍO azul dos ares.

ALMEJOS. Diante delle se formaram Todas as graças. somente Por ti esta alma é ardente E o peito ruge de amor! — Conto da doirada infância Essa historia de fragrancia D e u m a rosa e u m beija-flor. Aos cabellos tão macios Embalar seu coração! . és minha. Sou teu. vibraram Os olhos seus de paixão — Oh! por Deus! que ninguém hade Tocar na minha saudade. O h se eu pudesse comtigo Encontrar nos céus abrigo Onde este amor esconder! Ainda os dias febzes Dos encantados matizes Podiam reflorescer. ALMEJOS. Parou dessa vida errante Preso ao divino semblante O encadeiado a sorrir. E como a lúcida fronte Traçando roseo horizonte Á tanta gloria e porvir. D o peito ouvir-lhe a canção! Ninguém hade áflordos beijos Ir accender os desejos Que arrebataram-me aos céus! Ninguém á alva m ã o de seda Tão pequenina e tão leda Fiar os destinos seus! Ninguém aos olhos sombrios.

Ninguém hade o virgem cinto Q u e dobrei. — N o Éden.EÓLIAS. — Bhe was false as water. não minto! Por estes zelos. Doce imagem de tanta adoração. 1868. assentada em meus joelhos. A luz se apaga. que não! Mas. se eu pudesse comtigo Encontrar nos céus o abrigo Para este amor esconder — Veriam dias febzes D o s encantados matizes O m u n d o reflorescer. Vê. ere I kill'd thee: —no way but thií. SHAKSPEARE. Olhando-te eu dizia: amada minha. I have found great love amongst thera. Escutavas tranquilla os meus conselhos. dobrar. e o desespero insultas A o que se afasta do adorado porto. to die upon a kiss. que u m a luzinha. you shall be well desir'd in Cyprus.) — Honey. meiga de esperança... Nunca eu seja sem ti por vida errante. Küling myeelf.. Fraca e tão longe.. ANJO NEGRO. 0 my swcet. (Imitado do francez. — I kiss'd thee. quantos sons e quantas flores! Quantos sonhos de amor nesta criança! Deus do passado! E hoje m e sepultas N'uma dor solitária e sem conforto. salva ao navegante! E então. que soidão n o mar. Abrindo-me a sorrir teu coração. Alva de encantos. . Othello. Cresceste á ardente luz dos m e u s amores.

orvalho de innocencia. A açucena e m botão. • Mais longe ainda. Deus do passado! Estava na Concórdia a branca e bella Visão do luar. como estremeço D e ti neste momento de agonia E de desülusões—oh. endoideço! Crermos e m nossa estrella de verdade. eras minha. esplendida e formosa. e tu vais rumo diverso! Então. dos céus ao riso . Algina. Seguirmos-lhe o caminho toda a vida. virás talvez ainda algum dia A estremecer de mim. Sempre a ter-me voltado para o Sul — E as minhas c'rôas? Como aos pés de Omphaha Embrutecido Alcide. quem me dicesse o que ora vejo. a negraflorperdida! Riram-se. do teu semblante Sorriam-se os jasmins. Anninhas era o alvor de Santa Rosa.ANJO NEGRO. D a grinalda pendeu-lheflore flor! Na escravidão vivi. eu afrontei meus inimigos! Deixaram-me. crença fagueira.. o amor. Luiza a enamorada. Ai! porque tu mentiste sem piedade. era o universoí Cruel cegueira — sem os bens antigos Fiquei eu. pura e singela.. Maldito m e quebrara o coração! Como mudaste! e como o m e u desejo Morrer não pode! que tormento e m vão! Quanta infância feliz! nessa existência Quanto sorriso e amor afortunado! Quanta lagryma.. ao trovador Ante a formosa criancinha dhalia.. Nos mimos teus! — Porém. Se eras a triste. olhos de azul. a scintillante feiticeira. Porém.

do teu sagrado amor. fallaz espectro! Hi miasmas oceultas no mysterio D e riso e seducções. da vaga á luz — M e u Deus. Não quero ver-te mais. quando dos teus braços Separavam-me. . que são-te o sceptro! Ri-te! seduze os que te queiram! podes. N a umbrosa alvura estava o inferno inteiro. eu vi-te negra e impura D o altar descer naquella horrenda noite. Berço ou túmulo. Vi-o despedaçar tua santa cruz! " O h Christo! Christo! abre-lhe tuas chagas! N a dor que sangra. Crendo-a anjo dos céus — desmascarada. — Seja como for. Porque toda a esp'rança Tua era.60 EÓLIAS. Esquecendo ao te ver toda lembrança.. que eu dera á noiva dos pagodes. vendido. E m vão já te assentavas a m e u lado. Sê b e m feliz! E u choro a degradada Alma. Aquelle enterro eterna morte foi-te — Minha. E m ti te procurava. e os braços teus e o pranto — C o m o a serpente envolve-me c m seus laços! C o m o ainda tremo desse olhar ao encanto! Triste existir do h o m e m envenenado A o risonho poder. a embriaguez tinha-o tomado. Davas-te pura. sohtoria. branco. leva a paz á essa alma! —Estão ouvindo? canta as canções magas A o novo amante que roubou-lhe a palma!" B o m anjo m e u e calix de amargura. a m a n t e — Meiga prostituição do Paraíso! Chorovas muito. enlouquecido Por não mais encontrar o b e m amado N o alabasljro fatal. talvez.. E eu vi-me pobre.

Paixão ou desespero. Que transfiguração na bella virgem Sensitiva de amor! que visão negra Tenho adiante de mim. umbría.ANJO NEGRO. Eis-te sinistra — as graças te deixaram. deserta. — Se volveres atrás. Os céus das rosas mysticas de amor: Q u e m delles sae. agora Que se desfolhe aflorde adoração. Que choram pelos que na treva giram.£. O coração é como os céus d'encantos. não ha nenhuma esp'rança. a dor. como a noite á aurora. Beijar meu túmulo. e não m e venhas mais! Embora para o abysmo que conduzes Penda esta alma das crenças immortaes. Que mata a esp'rança e os olhos desalegral Segue! passa nas sombras ou nas luzes. Por isso os anjos. Sempre a lhes acenar de além co'as mãos. Ês acaso tu mesma? N a alva fronte Matutinos fulgores se inflammaram. que infiéis cairam. Vou peregrino. mas ao reprovado. a alma dissoluta. A voz perdeste dos crystaes da fonte. — Ai! m e u coração! Que fazem-me estas flores de saudade. é tarde: Para a alma assim. Embora quasi louco e envergonhado Desta paixão e da medonha luta — Bello a attrahir. que dá vertigem. não entra m a i s — e m prantos Ficam os céus. Embora eu morra — adeus. Negra a repulsar. Funda saudade sentem dos irmãos. N a alma a abrolharem vividos espinhos. o honesto corpo amado. Depois. . e mfinatrança D e teus cabellos presas? Tarde. Passa de pressa.

— Oh! vem a mim! "Porque não vais. nas rosas puros. Tinhas vestidos curtos. Então. Tinhasficadopequenita. Pelo ar errando sempre triste imagem.. Indo em treze annos. E olhavas co'uma tal vista assombrosa. Toda natura em luz resplandecia. A rosea brisa. Cresce como açucenas desenvoltas. querida?" Tua adoptiva mãe com brando accento Disse. — Bella visão. agora Estavas já tão grande e tão formosa. talvez o horror estando Ao de redor de ti. ermo o luar. — Não te perdôo.. com formoso acanhamento. trancas soltas. Que preso seficavaá encantadora.62 EÓLIAS.. E u não sabia que. do amor sempre aos reclamos. A sinhá nessa idade aprende. acabavas doze. Que no ausência levavam-nos venturas A chamarem. o canto peregrino. alva e pequenina. Devera eu morrer pela tua mão. não! Na voz da arogem. Que desta fronte o nuvem removia. e os sons do sino A deshoras dobrando. te üluminando. Recordemos ainda: — Eras menina.. . Abaixando o semblante e qual perdida. Pela tua mão. M e u nome te dirão. Tu meu nome ouvirás. A pérfida obra tua hão de alembrar — E m vez do amor. cose. Na voz dos mares ao cair da tarde. Dos jardins do noivado e da alegria Vê nosso berço — abandonados ninhos. Que na manhan dos annos desfolhftmos. Das ondas pensarás ser a saudade .

Eu parti para a Corte. Para o soffrer dalli. Mandavas tudo endereçado á Corte— Ora me importunavam teus encantos. E os teus seios a crescerem Nas mãos do amor. Se inda tristonhos Pensamentos voltavam. se vendo estavam Tidos o abraço e o beijo desejado? — Dahi por diante u m do outro sempre ao lado Ficamos nós. 63 Vieste: e porque não. Que só de trevas se alimenta o inferno. O amor sem crença e a febre do delírio! Nívea cartinha. luzentes de belleza. — Mas. não falemos dos edeneos gosos. E emmudecia esta alma aoriso. Voltei— como u m phantasma que fugisse Dos vendavaes adiante sobre os mares. ainda a bordo Vieste despedir-me soluçando — Porque a mágoa vai longe se apagando. Era passado um anno. Os Andes demandando e novos ares Aonde m e ver. que ninguém mais m e visse. Poesia dos deuses. n'um instante As sombras. Me esperavas. Febz eu era então. " Se eras louca?" Então vem a loucura dos formosos Seios açucenaes e a rosea boca. Teus braços enlaçavam qual baunilha Ao tronco de palmeira. aurorino beijo infante As convertia nos doirados sonhos. — Não eras.aos prantos. nada de termo.ANJO NEGRO. Cheias as mãos de olentes rosas da ilha. o murcho brio. a trança. . N a ausência o que passou-se eu não recorda Mas o que se passou? A vida e a morte. M e coroavas. O sfliasse passavam.

EÓLIAS. E m m i m teu negro olhar. Q u e m sobre os meus joelhos se assentava? Estavas branca. Depois. Dissera-se que u m leite puro « santo D'alü corria ao viajor prostrado. . Vivos se arredondaroni. linda' crença. D a varanda levados. Eram horas da calma. Dobra a silencio. á janella Amostravas-me afloralva que abria. E a lua além nos céus plácida e bella. enfraqueceram Os corações. Desrugavas-me a fronte cuidadosa. obedecia. branca e tão sisuda. C o W mãozinhas mui frias. AI T R O V A D O R .." E u ia. Mas como quem de si valor transsuda. E os anjos fomos de u m viver d'encanto — ó Raphael. E talvez triste causa se presente. logo a terem Cinereos bicosrindoá natureza. Tingiram-se os teus lábios dos meus beijos. Te pões a ouvir: Desce a tristeza D a alma ao cair — Ai trovador! . sorriram-se os desejos. C o m o se a nuvem negra abi suspensa Pudesses remover— alma formosa! "Vamos. temente. — Lembras-te? quando á tarde entristeoida Minha fronte pendia e desmaiava A o longo soffrer da alma compelbda. vamos. vem ver o doce quadro! Dos olhos meus teus olhos se incenderam.

Virá no orvalho Frio desta hora — Ai trovador!" . D e m i m se alembre Q u e m tanto amei. Diga a seu pranto: " Correi. Luar divino. correi. Por m e u amor! " Porque sua alma Longe da aurora.AI TBOVADOR. Á voz do sino C o m o a finados. Pela alta noite. Quando eu não for.

EÓLIAS. Não deixo de dar-lhe a rima Q u e é do poema a invocação 1 R i m a enf unada de lona N'estes céus da brisa prima E do arfar do coração 1" Ora. e vôa I Ohl como é doce aos bramidos D a vaga e os ventos zunidos Vir o h o m e m adormecer ! Doce o sentir-se embalado N'este leito equilibrado Pelo oceano. Passaram-se ainda além da Taprobnnn. CAM. N a sobdão recordar! O h ! como é doce nas dores Adormecer-se no mar! E os olhosfitosnos astros. alvejante e faceira C o m o sirena. e se perder ! Perder da terra os rumores E na saudade os amores. A SUMACA. A vasante Virou a proa á corveta. a sumaca veleira.— " Q u e mestre ?"—Affonso Perneta. b o m marinheiro 1" —Hí! hô! iça a bojarrona 1 A vela grande! o traquete !— "A por e. senhor Perneta. se emprôa Á Ponta-d'Areia. LUI. Leve. Ê meia noite.— " S o u constante passageiro: A o largo. E os estyletes dos mastros . " Ergue ferro ? " — O Navegante.

na alma saudosa. os seios da donZella. Coando. B e m como nos brancos membros. mal dietas.. o Lopes. não sei por onde. Logo depois o jasmim I Porém o mestre do barco Cambando na perna d'arco. Zumbindo como Aristarcho. são lentos. C o m teu luar de septembro. dizia: — Qual luz! qual boya! qual nada! N e m Pedrinho e n e m Vigiada t Ora adeus! tudo dormia. Tu. Que são escravos. C o m o as doidas alegrias D e qual tristeza sem fim. 6 lua formosa. A barca ingleza quebrada. Fez outro d'aquella banda Por onde outra nuvem anda. que as grandes amarguras Temperas de melodias.A SUMAOA. Outro mais. Seguindo errantes no céu! E os marnjos somnolentos. . Coisas. Tua incarnação mais bella São. Aos assobios dos ventos Soltando o assobio seu ! E tu. . Marcos! D e dia Estes pharóes pela costa São mais visíveis. Fez u m olho dos Cyclôpes. Velando a pirataria! — L á está S. As açucenas mais puras D o teu ethereo jardim. Onde àquella nuve encosta.

As nuvens qual denso muro Onde arrebentasse o mar.— "Por Vulcano 1 6 perna d'arcos ! Que. Sombra de Gonçalves Dias I Se te invejo as harmonias Das tão formosas canções. e sem prumo. Que arrebatou-me o chapéu.EÓLIAS. Marcos E m retumbante abrolhar! Berrando a vaga. — U i ! as buzinas ! os demos 1 Que os pannos rasgam-se ! tombam As vergas I — Dêm-lhe de remos 1 Sonde o prumo ! os dois que bombam I Façam virar de redondo!. Ê nada. Deixem-me ver. . nem no céu. que se esconde. — É a lua. . que responde ?. E u nada vejo de horrível N e m nas águas. A'rajada foi soffrivel. Durma. ha vento seguro — Mas.ps seus pretos não se movem ! Rugir não sentem. Por esta perna dormente E m como ha vento á feição 1 — "Mas eu vejo tudo escuro. não ouvem Perto os baixos de S. que a bicha ê valente. . (Sempre a lua indo se pondo Manda pequeno tufão)— "Senhor Perneta. meu amigo. o outro Olho. . N a morte tudo vai dar!. . . Tremo aos teus destinos feios. ha perigo ?" — N ã o ha nada." — Também por o meu levar. . .procuro.

" — H o m e m de Deus. que ora venho D a Europa toda e m desordem. eu começo a ter frio. D e ter jazida nos seios (Não do mar) dos tubarões 1 E m seu túmulo do oceano É-se immenso e soberano I Mas dos peixes no barriga. . Meio-murchados os hzes. C o m o D. eu. Sem ter serralho o sultão. Vendo já terra. Depois de u m tormento amargo Por esse Atlântico largo. . . . Meio-partido o crescente: O papa já moribundo. cairam ! Estas mesmas! estas vagas Que os primeiros engobram E vomitaram nas plagas Arcabouços mis! E u tenho Futuro. C o m o a Polônia tombando.A SUMAOA. E eu muita esp'rança na mente. Guerras. Toda gryphos que se mordem. Caimbras nos joelhos. A Itaba se alevantando. . João no navio .finançase crises: O Rothschild sem dinheiro. .. . Morto Francisco segundo. N o peito muita alma ardente. dor. Garibaldi prisioneiro D e Victor e Napoleão. Mas. não prosiga ! — " O m e u revolver 11 Se as velas Fraldam soltas pelos ares I Se estes são os mesmos mares Onde expedições tão bellas.

u m a perna nova Pela perna de dormencia. meus delírios D'entre u m vômito entoado E m dó*. suor! " — S e todos são pecoadores. Anoias. Das taes visões sem cabeça. Desço ao porão. Se ex incongruo. e m martyrios. meus lamentos Soltando de trovador. Q u e bane de sobre a terra A antiga m o d a «nirnal. P'ra dar-te. . O h nos salva! e guarda a prova D'esta esplendida sciencia. E missa cantada aos cantos D a Luccía toda amores E aos da Traviata prantos— " A o mestre outra bella cousa 1 Oiro não. . Q u e revoam Prometheus. ex contrario Das sciencias de alambique Tira Wagnerfilhovário.EÓLIAS. não se indo a pique. E como D .. Fazem-me mal estes ventos. Solto meus ais. n e m dou-Lhe esposa C o m o fructa que appeteça. engulhos. . Chorando a Julia do amor. e m ré. Faremos. O h ! volta-me aos sons divinos! Voltemos do mar que berra. M a s se dos sons crystallinos E os seios azues dos céus E u m folie. Q u e não engendra meninos . nascem meninos. . João enjoado. Promessas façam-se aos sanotos ! Carregar-lhes os andores. .

Cáe o somno. depois do vômito. rouco vendaval! Oh! minha esp'rança da mente 1 D o peito minh'alma ardente (Deram-lhe logar no peito. Cansado." E porfindarcomo finda DTtaba a musica linda. Negro. Sumaca sem rumo embora. o mar indomito. Façamos comparações: E esta é bem pallida e fraca— D a pátria como sumaca Trambolhando aos vagalhões.A SUMAOA. olhando-se á aurora. . Sendo a fronte o mais perfeito)! Mas onde.

.

A esp'rança. que na distancia M e deste a dor co'a vida. Que importa a viração? Ó sol da minha infância. A vida era tão calma Aqui na sobdão!.. E eu..HARPAS SELVAGENS. que sonhei tanto! E eu que tanto via Ao longe de algum dia Talvez o amanhecer. alma querida. P R I M E I R A S ESTÂNCIAS. Que valem-me os teus raios? A lua e m seus desmaios U m túmulo alvejou.. Sorrindo reflectias N orioque deságua — Pendidaflordá frágoa. ..... E tu. DESESPERANÇA. T a m b é m m e abandonou. J.. O tarde dos meus dias! Ó noite da minha alma!. A.

Assento-me. E m berços de agonia. A mim fúnebre exilio. Passais..HARPAS SELVAGENS. levam-me os ventos. o sol levante. e andei errante Qual onda. Vagam-me os olhos lentos D o plaino ao monte. Os hymnos da belleza. Dos céus de azul bonança Cobrindo o campo e o lar. Aqui. Cantando umbroso idyllio D a morte á sombra fria. Adeus ao tão queixoso Rio que. Anjos da áureo manhan. Suavíssimas donzellas. Assim. saudoso Dos céus da rosea esp'rança. ao norte. Nos valles morta Ü flor. Misérias m e embalaram. Sonhos da natureza.. e cantando Espero o anoitecer. mar em mar. E m Deus somente o amor. Nas límpidas capeUas Sem terdes amanhan. Nas ondas d'este pranto Meus annos vão passando. A mim pranto e saudade. rápidas flores. Levou-me. aos céus: E u lá vejo u m só Deus. Nos cumes vendo a morte. .— E canto o adeus. E eu ando ao sul. Napalhda orphand.. como os amores..de As dores m e acabaram.

louca de amor! Prateiado esponta o brio.PBIMEIBAS ESTÂNCIAS. como a flor— Oh! amemos. meu amor! A borboleta estellar Ebrios vôos desenlaça Como folha solta ao ar: Sobre as correntes de olor Não vai ella. Na mangueira os passarinhos. A.. Adeus a ti. Mesmo as trancas desatadas Vem. meu amor! Á frescura repousemos. Como as auras.. o beija-flor E m torno do lindo amor! Perfumadas larangeiras Á noiva estão acenando . ó * virgemzinha.. o alvor. ó tarde dos meus dias! Ó noite da minha alma1 A vida era tão calma Aqui na soüdão! AS M A N H A N S . te espera. que ouvias Minha harpa á sombra tua. Esvoaçaram dos ninhos. E eu. Tu és a voz que é sua. S'enfloram montes. A louca. As alvoradas cantando. J. O reizinho de delírio Ruge em torno. tua creação.. Como as boninas amemos.

m e u amor!. Que pode este sol que nasce E este zephyro mendace.. Cresceram rosaes de amor.. Assim. Doiraram-se os teus cabellos. fugiu. Oh! não fujas. surgindo C o m o barca e m mar de azul? És tão branca de pallor! C o m o é tão puro e tão branco O rosto teu. ô * beba. as sombras Se estenderam... meu amor.HARPAS SELVAGENS.. Fechou-as. m e u amor! Não fujas como a ramagem D o murmuroso espinheiro.—Passando. Frondeia o pomar. Que pode dizer a flor? — Que tens nos olhos amor? Tens medo ás auras do sul? A o sol tens medo.risonhae confusa C o m o os dez annos. A o doce beijo da aragem Toda esquivança e pudor: Pungem. . a virgem. C o m asfloresfeitioeiras. os espinhos Onde ha maisfloresde amor.. Scintülantes de candor. Temendo as azas de musa Manchar da manhan no albor. Luziram-te os olhos bellos Co'o matutino fulgor.

Onde a ovelha balando ajunta os filhos Que vão. D e Apollo as musas nessa cantilena D a assombrada espessura. dos sons e as novas águas. Veremos do salgado a que rumina. innocente Resvalando. alvos cordões por verdes trilhos. Vem trazer-lhe nas mãos cheiroso trevo. onde s'enoantam. na lavra as plantas nascem— O h ! corramos os campos viridantes. Para o cerco. A vista a dilatar pelas distantes Sobdões melancobcas da terra! Agora brandamente se embalançam As fobias meneiantes da palmeira. cândido. J.PBTMT. A tarde se estendeu pelas campinas. Risonhos céus. . Contemplando das ondas os cruzeiros Quando passa a canoa a navegar. Janeiro. AS TARDES. A. Vamos. tangenda-os o pastor. C o m o salta na relva o teu castanho Carneirinho que tanto e tanto estimas. Mais fundo o choro se ouve da ribeira. O gado é todo alegre nesta quadra Dos verdores. virgem formosa. almo o sorrir. Nédia manada á sombra dos mangueiros. Subiremos os montes e as colunas Á doce fresquidão da tarde amena. A lan mimosa lhe afagar: tremente Virá tão manso.florindoa serra.IBAB ESTÂNCIAS. teus pés lamber de amor. E mais seu canto as aves alevantam. Contente o peito humano esquece as mágoas. vamos juntos A ver como ando errante o m e u rebanho.

E eu te escutarei. teus olhos Castos se envergonhavam! E u beijava teus pés.HARPAS SELVAGENS. Oh. Fujamos d'astro e m ostro. maior do que u m deus. dos céus vaidosa lua Vendo tanta innocencia e tanto amor.— noite. presa a m ã o tua Á minha m ã o . J. Baixo o semblante. quieta. ao serão tão doce e grato E m pratica innocente e deleitosa. Vem. A. . nessa harmonia. noite. frios. Vais do dia nos golfos naufragar! Remonta ao alto! os vendavoes se formam Neste raio solar. o sol perdido Nos fundos horizontes. ô * virgem formosa. susurravas Tímidas negativas amorosas. no prado e m flor! SONHOS D'ALVA. Minh'abna a delirar!. v e m aos campos. atterrada ao ver-me assim. que nos meus lábios Se contrabiam fugitivos. . Contarás á mãinan. E depois. Nessa paixão meus olhos te adoravam! Como.. dobrado escravo. Verdes sítios do nosso alvo rebanho. Aquillo que mais soubo te agradar. Quero viver nas horas somnolentas Das estrellas. que ouve ditosa. Onde brinca o mimoso teu castanho Carneirinho gentil. Qual murcha-se a mimosa sensitiva A o calor dos estios. cadentes pelos montes. M e u navio de sombras.

Coração que vibrava soluçando. navego ao largo.. tibi canticum damus 1 A MB. Para o dia a viver eu despertava D a tua adoração! perulea sombra A o longe se apagava. et terra. e m minha dor.PBIMEIBAS ESTÂNCIAS.— Passavas e m minha ahna. o pranto só. como a terra. Fiquei eu. Nos seios teus uns puros lumes trêmulos. L. Caíam-te do olhar meigo d'esp'rança C o m o d'extincta vida. E coração que ouvia e tinha dó: Eras a dor e a graça. qual aurora Nas ondas espelhantes do alto' mar. o pranto e o riso. Qual. mareque Ccelumque.. senti meus lábios presos. Luzindo-te a ahna ás faces transparentes D e rubicundas rosas. TE D E U M LAUDAMUS. aos obreiros Annunciando o sol. Et ego. . e o rouxinol Pelas fendas dos muros. E u era. E escutei a calhandra. E de hora e m hora mais sentindo amor. DELESTBÉE. E u quiz falar. D a eternidade ao meio. C o m o de estrella e m fontes reflectida. as jardas nuvens Atravessa o luar: E te perdeste e m raios vaporosos. sem esta alma. noites de verão. Qual para a morte se ergue o condemnado. Já longe de m i m vai comprida margem D a infância febz.

Lhes descobrindo o rosto —amplo deserto! Calada a natureza. Conforme á direcção. das fontes. D a nuvem bbrada aos ares. distantes praias Sobre si mesmas desterrando vfio-se. dos soes á roda os mundos Suspenderam-se. N a pesada corrente eu vou descendo. Tranquülo o céu. Os rios que desaguam. A escutar-mo suspensa. A nuvem desce mais dos céus de seda. Senhor. na alta ribeira Ondulações sonoras levantando Indolente e penosa vaga adunca Arruinada e m pedras. mudamente alcyone D o humido ninho serpenteia o collo. E cae a vela. D a barca ao leme.—Agora eu canto. e m torno esperam O s echos minha voz. á aragem fresca e leve Balança. Acceleradas sombras. no rochedo. Santo! Santo! "Deus immenso! eterno sopro O s lábios teus fecundaram: Azues os céus. N a costa. Perante ethereos altares Se humilharam. Omnipotente! Minho harpa. na fragura. fora d'agua os peixes O dorso ondulam. ás palmeiras Seguindo para o extremo ás cumiadas. as harpas dos montes. jocundos Proclamando: Santo! Santo! . Agora eu canto: "Deus. Se desdobraram para trás das serras.HABPAS SELVAGENS... entesa ou bate o eburneo panno. os gonzos ferrugentos Rangendo e tão custoso ínenciados Pelo m e u braço que os tufões cançarum. Distante a voz do mar. acalma o vento. se entorpecem. rutilaram Soes. D oriocaudal.

. Se elevando.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.. Do universo equibbrado. Hoje m e vejo a cantar. Amanhan no meu logar. Hontem vi-me alevantando. Santo! Santo! " E delle ás vozes o mundo. Deixam leitos de bononça Motos mares. palpitante Começa a brilhar.. Vai teu nome além das serras Se elevando — Santo! Santo! ' ' Erre a lua em brancas noites... Doire o sol rubras celagens.. e das ondas. viver. Infindo se renovando. Que renegado e descrente Não te vê na doce esp'rança.. Ruge-o o vento procelloso D'encontro aos duros penedos: Negros mores. Santo! Santo! ' ' Modula-o" na areia o oceano Manso. E a contemplar-se e a tremer Entre horrores—Santo! Santo! " E dos ventos. mares ledos Te amam. Como do átomo de terra. o espaço ondula Do infinito. Vai das montanhas selvagens.. Santo! Santo! . " Cheio o vácuo. Vai das compridas palmeiras A cantarem nas ribeiras. Como do sêr animado. retumbante Geme o cahos.. te amam — Santo! Santo! ' ' Porque quando ofilhoingrato Sobre o pó dorme indolente. Talvez serei. calmo e deleitoso.

Da terra os seios se exhalem. Deus. bellas Brisas. Dos plantas o meu cântico entoando. Que bvras da infâmia Moysés e Jacob. Roseas.. E o sol. nesse incêndio D o meio do espaço. As altas muralhas Desfaz Jerico— Os reis tão soberbos D e ouvil-o osciuando.. qual fogo innato Do rubo cercar-te vai. " O h Tu. não mais encontraram. "Como outrora. após as trevas D o céu. os ímpios!. puras manbans.HARPAS SELVAGENS. Santo! Santo! " M e u Senhor-Omnipotente! Senhor Deus da creação! Dos céus os cumes estalem. Não mais. As águas voltando D o manso Jordão. Te adoramos. Que u m nome se espalhas E m grandes decretos. Respire o meu coração. Camadas de u m fumo grato Circulando — Santo! Santo!" M e obedeceram: pelos céus os coros Vão d'encantados órgãos ondulando. A voz dos animaes. se á terra voltaram. que enriqueces Abrahão nos desertos. revivas estrellas. . dos elementos. Adonai! Minha alma. Santo! Santo! "Santo! Santo! Deus dos astros! ó Deus do Horeb.

tão mansas. Ferozes no aspecto C o m elles já são! " Vingaram cidades. tão grande que és. E o vivido insecto. Que os muros inflammam.. Parado em seu passo. da Esp'rança Que eternas as fez. encravas.. Que traças. As hndas deidades Curvaram as frontes D o dilúvio aos pés. que amavas.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Na idolatria está! Rainha. Também perdes Judá!. a demente . D e novo surgiram D o iris da alliança Ás rosas. E vê Babilônia Que Cyro lhe vem! " Israel. Desloca-se Euphrátes. " Festins orgulhosos Os vasos piedosos Dos templos profanam D e Jerusalém. As feras. A terra. Ignora-te. Assombram palavras. que elevavas. Que os prophetas lêem. Como u m coração! " Que sonhe David. Senhor. que não sente. Que venha o Messias — Teusfilhostu vias Na ingratidão.

matutina Cair deixa a orvalhada de diamantes. HMEPAZ POAON. Roda o plaustro de u m príncipe. Sobre as correntes líquidas se alegra. L. Fluctuantes vapores. foge: os pés retira D a terra e vôa. e desparece. no isolamento azul das nuvens. Se alegra e corre os bonançosos mares. mobil nas argenteas azas. nas zonas sobtorias D o mar. os bosques. Das argenteas colbnas — divagando. bella virgem. O s pássaros cantando. se aproximam. C o m o a face de u m lago os céus abriram. Salta o peixe no mar. A MR. Saudosa ao silencio. DELESTRÉE. taciturna Pelos campos. os cuvallos V ê m nevados nos valles do oriente. nuvens de pérola. D e marinho coral. Minh'alma é reinos teus : N a gloria m e engrandece — T u és minh'alma. aofimda noite Sobresaltada. o collo alongam . E a barco. nuvens áureas. aos regaçados seios T o m o a branca roupagem. da alvorada Brisa fresca e geral passa acordando O oceano. Tímida. ó Deus! " A o Armamento os ares se embalaram. Estrellas da grinalda. Cobre os ares a poeira do caminho. Sorrindo-se a teus pés! Escuta a minha prece.HABPAS SELVAGENS. desprende alcyone E m longas vozes cantos sonorosos. Removidas as margens.

ó sol! chamma da idéa e luz do templo. perguntando Aos pastores e ao gado que apascentam. M e ouviste.vem o zephyro e levanta Ondulações d'incenso á natureza Das barras da manhan. onde hei manchado A alma de meu Deus! —rios. favonios. rude. De u m desejar. asperrimo. . sol. Que minha alma lacera. como aos troncos Rubro estalado raio. ave enfezada Jamais cantou de amor. centóclo e bello. E m pedraria e luz tremendo os bosques. Sorrindo amores Tal a noivo. Espalha olmo chuveiro. . Amostra o rosto. Abriu-me a boca Esta sede eternal. Sol esplendido! Deus dos meus olhos. U m cântico de paz! que a musa. Embalança-a nos ares. ô * deus da lyra. e só.. que mata-me a existência. como ás iras. Governa o mundo seu: apaga os cirios D o umbroso altar da noite. negra e gélida Do scepticismo! dá-me. arrasta a nuvem.. E comorisoasfloresentreabertas. sombreando Os loiros plainos e osfloridosvaUes. Que o vendaval da sorte ao peito ensina. montanhas. m e arranca D'este lodo da terra. meu caminho franco k Unidade invisível. Levantai minha voz! aves. D e través dos palmares. sol? Abre u m lado da abobada celeste. D'entre os alvos lençóes nua se ostenta. que eu soffro ignaro. D e candente samüm. Como ao rochedo a vaga. " Quem faz tanto rumor? " deslisa o orvalho Nasflores. .PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. afeita A este cantar selvagem. Dá que arda-me a fronte. indolente e priguiçoso Como Venus das ondas espumadas.

minha alma. caiu meu coração. Ao nosso pae! que os nossos campos enche D e mil dons! que derrama em nossas veias. Creações do ideal traçando agora. qual aura Amarga. odiavam-me! eu. e os homens. Solitário no mar! longe da pátria. Quantas vezes. Cantai! cantai louvores. a t i se eleva E m turbilhões de luzes. Como Deus em nosso alma o pensamento. Peço virgens divinas — que m e embalam. ao menos! — Desde então na descrença resequido Murchou.HARPAS SELVAGENS. Vi novos climas.. Os raios teus humedeci de lagrymas. que o nome Santo de amigo merecesse. Como os homens sorriam-me! u m instante. Que amo falar-te. Deixei-os. . tu não respondas! Quantas vezes passava a contemplar-te. penetrai as nuvens. Nunca mais pude amor.. Ondas de sangue e vido! — A borboleta Sobre as folhas dormindo. aéreo esmalte Á beira da corrente. abertos! Amigos mendiguei. Que minh'alma tão rude calcinaram. Meus braços. a velhice Arrasta para t i seus lentos passos. minha fronte abri. vou da existência Pelas sombrias praias.. centelhando As bebas azas d'iris. de onda á onda mentirosa. aos céus puros Batei os azas. sem olhar... pendido dos penhascos. a vista funde-se-me em lagrymas. o pensamento errando Ante meus olhos. ai! comtigo E o mar somente... Que beberam teus raios.. sempre os mesmos homens! N e m u m só! nem u m só achei. meu peito aos homens. Te olhando. Sol. e corri mares em fora. sobtario. á minha voz embora... Logo depois. desdenhoso sol.

Descançar pelo collo dos seus troncos.. trazes-m'os terríveis C o m a mentira ou não sei quê na fronte. dia vindouro E m que a mão..PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. mirrado na dor.— Rios. aonde vamos. que eu sostinha. Nascemos cegos. . Sem saber o que somos. volte ápagal-a. acordo. Para cantar. passando. que a ergueu.. Sob meus pés sua leiva! Aos céus exposto. a Deus. . quando a terra estremecia E m pasmos se revendo e toda e m vozes. montanhas. descrendo d'elles — Descrendo do Senhor—e eis a desgraça. entre elles morte! Sol esplendido e bello! deus visível E corpo do Deus uno. Fui. " E m m u d e c e ! " disseram-me. ó astro! Silencio! Foi o vento: e m meus ouvidos. Vozes de amor! ó tu. como açoite D a Providencia — e amei-te. subalterno. por estas Doces imagens. rujo Contra ti. deus immovel. Dos esplendores vãos brutal hyperbole. queima o corpo. amei-te. pelos desertos Buscando sombra: — as arvores murchavam. Despertador da terra! que. Arda a ahna á tua alma.. eu só quizera Esses dois dias vida. Se esfolhavam. 15 Que m e adormecem. incolas dos bosques. Que não entendo e m e repugna!. Denso fumo a expandir-se d'entre os dedos Lh'esmagando o carvão. ó* sol! Tu.. 6 dia primeiro e m que no espaço D'oiro a ardente fogueira o sopro eterno Accendeu. oh! perturbar-me Nessa emoção de horror. 0 sol fendeu-me o dorso. Cantemos harmonias A o sol que se alevanta do arvoredo. . mas. meus irmãos na morte.. E torno Ás minhas sohdões. da fronte.

. Coisas d'Ásia amorosa sonhando. Nutramos nossos peitos com seus raios. Que.) Amei-te. (Em Guanabara. . Tens das santas no rosto o sorrir.HARPAS SELVAGENS. tão suave. D o deserto a miragem solar: Brilham olhos de bronze á donzella. Não simelha-te. . SEPARAÇÃO. fruto de estio. Nosfloridoskiosques saltando. a voz sonora Dos lábios teus brandiu-me na alma. O u na ogiva fumosa a dormir. Não simelham-te a rútila estrella N e m as ondas doiradas do mar. dentro. ondulante Aos amores de loiro donzel. C o m o as aras da fé — longe está Deus! ANNINHAS. L á dos cumes de além. Tens os teus como a oásis a olhar. esplendida e beba. Dentro a calar tão doce. (Alto mar. sonhadas. Áurea adaga no cinto de annel. ó dos amores rosea victima A o capricho dos homens vãos do mundo! Minho voz escutas te. Nas cabildas da noite.) T u não és como a Árabe infante Encantada no argenteo corsel Por desertos de areia brilhante. se fazem sentir: T u não és como a Arabo — a m a n d o .

que aos primeiros Raios do sol as azas estendias. Assim falou-lhe o pae: "Filha de nobres E dos paços doirados. pois de amores ornas . Tão pura e olente. Indeciso inda o silencio Estando e bello. canções da arogem Pelos sinos da torre que dormiam. vergonhosos já se apagam E m mudo pranteiar do que passou-se. como os doces lirios. D e amores. Os magos lirios são. Derramou em meus hombros longos crespos. ambos morremos! Já não vens para mim. teus olhos bellos Ante os meus.— Passaram. E u vi fundido u m século n'uma hora— Hojo estas horas seculares sinto Dos dias meus se desencadeiando. no fundo espelho A irradiar de formosura e encantos. de amores. EUa a cabeça m e encostou no peito Enamorado. Que vermelha te vias. Ai. Que nuvens toldam. que fugias-te assaltada Ao só bater do coração.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Faziam-te saber que era de amores. Cândidos seios a tremer nublaste. descuidada amando. Beijei da vaga do seu corpo a sombra. D e ambrosiadas noites na montanha. que o mesmo alvorar da vida trouxe Triste occaso de amor. ouviu-se qual do inferno Latir damnoso. Doce momento foi . Que eras tu philomela. cheirando a aragem Ao luar vaporoso do crepúsculo. sê maldita! Criança voga. qtíe tufões deslocam. a nuvem de cabeUos. . tão vaidosa D o pensamento meu. Como de aurora onda que se esmalta Por frescos ramos do verão frondoso.

perdoa I Que a triste imagem te não manche o peito: Tão puro. O sonhador poeto." Ai! perdoa. que do enlevos Nutre-se. Que primeiro acordei-te n'ohna. O h anjo meu. E em Josaphá dos prantos m e abandonas. não quero ver-te. . respire eterno! Também não sei.. E m todo o tempo. . como.. nós. Leves como ellas. Pisei-a. E u m e aparto de ti. Eleonora minha ? e não m e escutas. bem como os raios vergam Dos seus armários com volumes áridos Dos outros seus irmãos. . orgulhosos míseros. do ouro brilhantes Equibbrios. perdoa se choravas. tenho. que horrores! a meus pés morrendo 1 . Como o sol no oriente que esperasse Para á voz do Senhor surgir das trevas. . e morro Se penso que o amor d'esses treze annos. que assim viveram: Raça de loucos. voam pelas nuvens.. E não vês que o Sorrento ê como as cinzas Que ora rodeiam de amargura o Aspháltito ?. d'iüusões ! — sonhar. que vale? Seus cofres de papel somente oos vermes Cheios estão. odiar-te! Á voz d'esse delírio vi minha alma Cair.. Formando uma famiha e sós se amando. E das auras distante. arrastado Branco touro amoroso das campinas . na terra os céus gosamos!. Rompendo as leis da natureza. . A outros climas te vais onde floresças. As trevas tenha de tornar.. Deus grande! Minhaflorque eu amei! — orvalho delia. eu louco. como o achei.flortão palhda?. Zephyro delia fui — quem arrancou-te Dos edeneos jardins!flortransplantada. . arir-me. . Porque u m s ó * destino é para todos.HARPAS SELVAGENS. O meu ódio a teu pae ! se eu quiz. .

U m dia nasce a menina. . os bronzes vão-se —E não vão-se estes sons. co'o tempo vão-se os mármores. O u não quero viver! — O h ! quanto eu amo! E u amo ao longe vel-a. cantando amores . mãos do h o m e m Gastam o oiro. O n d a de rosa e crystal. 19 Mugindo aos montes.. que a desvaira. Serpeia e m terra divina— O verme paraisal! N o outro dia desperta Grande. E a m e faltar o pão d'esta existência! — Oh! dêm-m'o! dêm-me o idolo sagrado. a Dirceu levavam — E u m e aparto chorando. roçar. Adeus!. meiga flor ... Como a rola gemer e m m e u deserto? Que longos dias! quão penosos foram. . Expirando nas lagrymas. os que ella habita Muros. que ésmeutormento! Que és m e u único amor! porque vieste Singela virgem dos salões doirados.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Nesta paixão nutrida. Levar-me de illusões... . bella. .... .. julgando ouvil-a. que e m prantos correm. Destroçam-se alvej antes das cidades Opulentas do vicio. N a tua adoração. perdidos!. no ócio. — Porque amaste-me? oh! tu. tremer.. escuta! escuta! Vão-se co'o tempo os deuses. ETERNIDADE. O h ! inda te amo C o m o eu te amava! esta alma a angustiar-me E m contorções do desespero e morte. Que sóe peito de poeta arder sem fim! Doces harpas afino. ..

. Deixa tormentos. que morre e passa. Quizera exp'rimentar se amor perdura. Começa o reino do amor.. Abre os seios de violeta— Nelles outra onda . D o amor ao sopro . estes amores São astros d'estas noites bndas nossas. A onda. . E u sei que amor existe em quanto brilha Aflordo mocidade resplondente. no mur.HARPAS SELVAGENS. ó moreninha.) Se fosses.. desfaz-se em nuvens. Porém. Apagasse co'o sol. Vôa aos ares borboleta. e apus? CANÇÃO DE CUSSET. além da aurora. O sonho que de noite nos embala E m vagas estranhezas não sonhadas. Sempre te amando. sentir não quero A dor que sempre dóe. que passou-se tão de pressa. Repoisa pomba do lar. moreninha. sempre beba. que sempre dura Daquülo. Ao pejo e graças aberta. Não quero pois amar. E é o mar. •> (Sobre o Alllcr. Sãoflorescujo espinho. a vida veloz. Na oza dos ventos: Assim. a eternidade. quando os annos A vão murchando. Tão docemente! . Tão beba como és hoje nesta idade. O ente na humanidade.

Dos tempos festivaes da minha infância. o amor primeiro: E ella na paixão — deixada e morta Longe de mim. Nestas promessas. D a bênção de meu pae.. e não encontro. calma a natureza. O gesto meigo. Dos beijos que bebi da mãe querida. Estende os braços — grita — corre — vôa — E pára — e espera — ainda vai — sorriu-se.. .. Saudades d'esse Deus do berço amado.. — Saudades do meu céu. "Era o susurro brando da ramagem. que assim promettem Amor ardente. que vibravam As vozes do Sinai." . Daquillo que passou-se.. da pátria minha. os seios palpitando. AMÉLIA. tão contentes. bastam p'ra a vida Levar-me ao fim. A quem dei meu amor.. (Episódio.. Que todos.) Tristes recordações! —Jardins desertos. Julgou vel-a NaqueUaflorque os ventos inclinavam. Dos que no bosque andavam. E não encontro mais que na saudade. As sombras do passado. Amigos que perdi. e no silencio Chorosa mãe carpindo afilhaamada.. E u tenho inda saudades dos brinquedos. adorámos. Eu tenho inda saudades da donzella. companheiros. Como á confirmação vaga de u m sonho.. Condoendo os espaços. Das luzes da capella.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Ou nesses olhos teus..

Dos lábios ardidos voavam suspiros. que enluta as famílias: Os velhos rugiram vingança de sangue. Choraram os moços compridas vigílias.HARPAS SELVAGENS. Na hóstia. no calix. o o mundo Lhe é tão mesquinho. Quão linda era a virgem! que palma ondulante Aos sopros da aragem por bebo luar! Seu rosto era nota de lyra inspirada. sonhavam.. Seu corpo cadência de u m vago pensar. de amores vibravam. Cresceram outrora na ilha encantada Esplendida virgem. Triumpha. lhe ardia a paixão: Feriam de morte. Distantes. São-lhe visões de agora.. quando elles se viam. Fugitiva do lar! Punge-a remorso. formoso donzel: Aos estos cresceram de u m sol sempre ardente. . Cerdosos javabs a accommettendo. Quaes órgãos. — Contra o filho O homem. mais duro. fulminava. no espaço.como as aves amam — Só afilhainnocente a ser maldita. Dos olhos na chamma. Intriga se erguera. porém. essa hora O fez esvasiar! Brama e dehra Vendo a harmonia abençoada. seus olhos juravam. Como aves de fogo. Gritando e sem lhe a voz sair dos lábios. quaes raios — punhal e oração. fallaz. venenosa Serpente que enleia. D o templo nos cultos. E o moço. vendo Como o céuri-se. as noites de insomnia veladas. Os sonhos formosos de um dia. amor materno! a l l i quebrou-so Mundano orgulho aos pés da humanidade I Tudo a convida a lagrymas. sem ninho. que esse amor. D e u m mar sempre aos brados d'encontro ao pareci. quão bello! da fronte no espaço.

Toda em lagrymas banhada: Trazia . ondeosos. Os olhos em clarão sinistro foram.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Alma de dores cortada. Era a virgem sobtaria E m seu exibo de amor: Ao vel-a triste. Meneiai a cabeça Crespa de cans!. gemia Mais triste a brisa e corria Levando da'flor á flor Os mysterios namorados D o viver encantador. viscida a imprecar. ao canto. de u m pae venerando Á bênção já curva-se em mudo terror. transtornados! E a boca. convulsa.. a virgem tão meiga. E o mimo dos berços. debalde não são ellas O sebo da prudência. Como u m punhal ergueu-se! torvo o aspecto. nas mãos sostida. ao fracasso. CabeUos soltos.o amigo. Chegou a mãe. E ofilho.. ao que se morre. senhor.véus luctuosos." N o pronto lhe cuspiu! — N ã o mais se viram." — Jesus! tremulo o velho. Sobre os joelhos paternaes o moço Delirando incbnou.. Qual se gêmeos não fossem. Ao que vida não dais. os olhos cerrados Dos peitos ao frêmito. Mais crua se a levam. . Alertos ouvidos.— Que não sejais maldito nos seus lábios. ao que na divindade D'este amor. " Vai-te bastardo! vai-te!.. que é dos céus.. e que é mendigo E filho vosso. abraçou-a. A fronte apaixonada: " A o innocente Ás discórdias.. mais nutrem-lhe amor. a abnaalevanta.

a dor! " Ficaram olhando.24 HARPAS SELVAGENS. O alvo seio apresentando Que a meninice educou. longe O sol saudoso a se pôr. C o m o ondulação das vagas D e verão.. E u era o brio innocente. Por estes céus e estes seios. Pelo lago tão dormente. Desgraçado amor. . aos dois amantes . . . E longes n'outro dia. Pela tão azul corrente Que cerca os pés do jasmim. desertas plagas Arenosas. que crescia Como. para a morte. E b e m vias a ahna ardente. assim converteu!.. . Fruto que nasceu de m i m ! "Não queiras em pranto fúnebre Acabar tudo. "Pelos flores que plantaste Nas leivas do teu jardim. e assim curvada. que é teu! D a terra são os amores.. Que não vias com terror Essa paixão. Por este Deus que te amou. lhe falou: "Pela nossa ilha prezada. E a cruz de Christo nas brancas Mãos de cera. que a filha E m fera. ' ' M e u caminho conduziste Para o encontro do amor. As estações dos verdores — Só estes prantos do céu.

Encantam horas-vagas namoradas Ás camas d'ambrosias. Perguntam "viste?" E os colonos cantavam: " Nos meus vaUes da Germania. " J á para as luzes subira Anjo de olhares serenos. cobri-lhes.. Raio emanado do Eterno. as vozes da deveza — O s amores cantai da natureza! Doces então. — U m a noite de prazeres. de amores as desgraças. nunca entristeciam. e distantes. os dias febzes são tão poucos!. Embalai-os! gentis zephyreos gênios.. E febzes. M e u amor b e m junto a m i m . D o dia os horas voavam. que os céus ensaiam — Mas. das estrellas vinde Co'os sons da aurora. aos prelúdios D'esse eterno gosar. Nunca. Já nada existe! Passando os pescadores na corrente. Quando as luzes se apagaram. D a noite as horas assim.. Q u e longínquos desmaiaram . Q u e para si se retira D'estes pedestaes do inferno! " — V o z etherea — os dois amantes A o despertarem na aurora. Os berços da soidão! sombra das balsas. 25 O sol raiava da felicidade! A relva perfumai. Vinde dos montes.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. flores.. Dentre sorrisos a ouviam. N a lembrança das lagrymas enxutos.

Sobre os valles debruçado. Por ver as águas tranquillas. Das copias que elles cantavam. Compridas alas d'escravos Pelos bancos dos remeiros. D o s regolfos á cadência D o remo nas pás tangidas. Por ver os ostros ficando. A terra ao fundo jazendo. as auras correndo. Sonorosas vibrações Dos tlizeros. Melodias encantadas. . Quando o monte adormecido. Melodias doloridas D o peito do h o m e m servil. E como que o rosto erguia D o horizonte occidental. C o m o phantasmas do ar. Tão indeciso o rumor. dessas vozes. A o silencio dos mangueiros Melodias a entoar. Quando cercada de sombras PaUida lua descia. E notura tão sombria. Quando pelo rio á cima Corriam ledas canoas C o m verdes ramos nas proas. Melodias que choravam. Dessas almas que exhalavam Aos gemidos dos violões. Longo arfar o palmeiral.HARPAS SELVAGENS. Tão sensíveis á ordentio. Q u e nos correntes boyovom Das mansas águas do Anil. Por ver.

dormia.—A triste historia. o encanto D o páramo espaçoso. Entreviu-se qual chamma. Qual na entrada do estio vozes cantam. rodeiado D e vago e bello pavor — Surgiu das trevas u m a ave.. brancas. e sobre as margens A cabana das vozes archangebcas. Perguntam "viste?" E o boato correu. feroz Gritou no meio da noite: Não houve u m echo da voz! Era o tempo e m que os murchos campos queimam Os bons pastores ao pacigo novo. quando.ante meus olhos Tornou a anoitecer. puras. E as recolheu p'ra dentro!. Já nada existe! Passando os pescadores na corrente. Alto se ergue. luminosas Vi. a açucena.. U m fogo occulto. e socegava. . duas pombas Revoando sobre ellas. que abriu-se e m luzes. ao clarão do céu. Cândido e crente o componez a conta: " Não descambavam as estrellas. delle o fumo E a claridade aos céus se remontando. sobre o rio Mirondo-se. A cabana branca. se beijando Nos ares. Indo hoje á porta da choupana á noite..—Foi o incêndio! O sataneo estridor! E foi o altar e m cinzas. Trepadeiras virentes das paredes Pendiam e m cortinas perfumadas. Pairou no tecto. D o oriente as roseiras florescidas Pelos rubis diurnos. Ninho dos anjos. A primavera e m flor.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.. da juncosa terra Minava os seios..

são lagrymas fecundas As chuvas: — o arvoredo carregado Arrasta pelo chãoflorese ramos. . Reluz a planta Aberta toda e m rosas encarnadas. C o m o u m anjo-da-guordo se orripia. (Entre Santa A n n a e Santa Rosa. pelo bosque. aos mil confusos Insectos d'oiro. Q u e punge os seios nus. Aqui nas serras não se despem virgens Á voz de outono desdenhoso c paUido: Aqui nos montes não laceram-se ermos Thronos de aves perdidas. assim desappurecom A deshoras palácios encantados L á nos mares do Norte. Que amoroso faz círculos nos aros." 0 INVERNO. bebas D e azas largas. febeidade melancobca. A cobra mansa. Doce estação do sombra e dos amores! C o m o á voz do senhor escravas negras. n e m do prado Desapparece a flor. Não viu-se mais. ao longe O lago berrador. . azues. Exhala o campo mádidos aromas Á s borboletas esmaltadas.) São lagrymas. do equador ás chuvas É mais sensível. as luas mortas. aos fulgores D o viço esplendido e o crystal — humanas Donzellas. Quo debra. que aflorinclina Ai! sorvendo-lhe o mel puro e balsamico Dentre espinhos e risos. que geme uns pios íntimos. Susurra ao beija-flor.HARPAS SELVAGENS.. mais saudosa a terra — Salve. que ruge as azas. que verteis na mocidade Rúbea seiva que ás foces brilha e monta! A o quente inverno.

Vê-se u m gênio a vagar por toda parte.—se cala a natureza. Afilhadas soidões e dos mysterios D o meio dia. Que a lembrança perdida ella desperta. lento. D e mãos no rosto. doce harmonia. Cor d'azougue. doce e triste E u vejo o m e u sentir na naturezo Sombrio do equador. M ã e da poesia. 0 touro muge. a rola Gemer se ouve. as torrentes. Trazendo a meditar. Co'a face branca e orisod'innocencia. G e m e ás canções do aldeia apaixonadas 0 saudoso violão. solitoria. umbrosa e ductil. de pendido collo E os ebanos compridos e m desfios — . Vem. 0 sol não queima os céus como os desertos. errante.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. como onda de cabellos D a formosura no hombro. Tudo se despovoa e se deserta. minha amante vem. Que dissera-se arder e m castas chammas. tardia. Á noite a lua. Entrando a revocar reminiscencias. bella selvagem D e olhos alados de viver. Chama ás tácitos azas o silencio A o repouso. as vozes cantam E m náutico. Assenta-se nas palmas do montanha E candores derrama pelo valle. Vaga contemplação descora u m tanto O adolescente e o velho. á ondulação das vozes Ondeiam-se juncaes. se embalam ermos. aos amores. da tarde desmaiada. levam saudades. Pallido docemente. meigo. e m celeste modulado. A mãe dos ais e da ternura. N o marfim dos caminhos arenosos Serpenteia. Sympathicas monhans respira o dia. á sombra Adormecendo da arvore espaçosa.

Ella não poude ouvir-me—pensativa. Cândida. chora.. E lá. broncas. Q u e nuvens puras! que mavioso oceano O s amplos ares! que verdor a terra! — Cae a tarde. que divaga. C o m o quem disse "não és tu. Grosso orvalho se escoa da espessura. vento não houve. pela estrada nova. quão vastos se evaporam! — Sae da varanda do casal a filha. ás praias.. Irmãs. V e m . Desce a oolbna pelo valle. á luz poente.afaga-a e passa. dos serros emanando O s vermelhos vapores do occidente. eu no teu regaço Dormirei plácido? eu nesses teus olhos D'encantada lerei m e u pensamento.. Gira A viração mimosa do crepúsculo. das palmeiras . Fendem-se. tão bellas. Tão distrahida." Se elevam Dos hervas e dasfloresque a rodeiam Borboletas nevadas. pura e vaga. Não houve o dia sol. Por entre os limoeiros florescidos L á se encobriu da matta silenciosa. perante os oguos. estremecem E vém-lhe as azos comprimir nos braços. m e u amor 1 — o gênio. Perder-se-lhe entre a nuvem de cabebos Que estão dos hombros humectando a alvura: Virgem dos brenhas. Chega-se ao pé daflor. chora. A arder m e u coração nos teus amores?. que se sympathisam. O s céus de azul. Q u e os prantos seus consomem pelas rochas.HARPAS SELVAGENS. no ar suspendido Das sombras por detrás. Bella dessa amphdão que está na tarde. e tudo amando. Onde suspiro o nambu-preto e cantam Psahnos os sabiás de harpas formosas! D e u mais u m posso a natureza. Pelas encostas denegridas.

Urutahuí.. Vária e fúnebre á lua. Embalam-se os tucanos d'entre frutas. Tão abraçado e qual se alma do tronco. neste retrato Os olhos beija. — Quando na alta noite Gemeu a chuva. Linda menina a amanhecer na fonte. A cigarra se esváe cantando. Recentes cachos. donde aflorse entorna C o m o a pérola corre perfumada Dos lábios de u m a esposa.o materno seio aberto.. ignotas R o m p e m no bosque alegres alvoradas. a madrugada é bella. Treme o horizonte de folhame argenteo. Se desprendem. os gritos de desgraça. Que nas ondas escuras se desenha. Estala a voz de u m a ave. — Deu mais u m passo a natureza. Agora se ouve A tororoma d'agua das montanhas Rolando pela noite. Fazem a vibração no solo os cocos. e morre. da umbahubeira pallida. Se ergue Nocturna brisa pelos negros ramos. que irrompesse Na gargalhada alvar pelas soidões. A o longe espasma Os ais de dor. amostrando.. . outras. Enlaça orioá jussareira languida. Os espathos viçosos. os alvos braços beija Onde ha dormido. C o m o u mfilho.. — C o m o estrellas e m pó que os céus filtraram.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Agora estende-se U m a nuvem de chumbo. Funda saudade ao coração trazendo. mugíbunda D e sons a encher os valles — Nesta hora 0 coração do h o m e m sobtario Suspira os áureos sonhos pela amante Que n'outra terra está. E já somente senhoreia a noite Juncada de luar. Dorme aos piados de desagasalho D o caboré friento.

Erguer-me ao redobrar da seriquara Nos bamburraes dorio. Das azas solta electricas fagulhas! Vede-o. Seguindo os raios vai través dos ares. E m seu ninho de nuvens — se arremessa Aos trovões que arrebentam! vai tenindo.HARPAS SELVAGENS. adormecer scismando. phenix doirada. E ene.espriguiçar-me Qual no monte a palmeira ao doce fluido D o áureo dedo do sol. Fervem os ramos. espirito a gritar inquieto Á natural tragédia preluditindo. E traço luminoso. cedros. Parado. O sol se occulta. . se abrigando fogem Pela barreira os roseos trovadores. aos queixumes D o corrente sombria. u m outro raio. como elle entre relâmpagos. calmo o tempo —de repente Acorda o geniozinho que dormia Aos cicios das folhas. A silvestre uruçd se enverinelhoco Nos humidos matizes. se revolve N a dobrada resina. pequeno argueiro que debra N a cratera a se abrir da immensidade! E u como elle. só. que destillo O bacurí-panan de amenos bolsamos E omorenoda flor. T a m b é m minha alma aos céus se eleva e canta! — Ouvir a chuva. zumbe a abelha. D a noite a m o surgir—eu a m o o inverno. S'engasgando e cantando. doido acorda Voando. tempera-se estridente D'igneos carmes! rangem montes. Entre os pólos vanzeio a tempestade! O h ! como elle se alegra e se recreia! C o m o voluta e luz! como scintillai Avezinha dos ventos balançados. também prezo os balanços D o vendaval.

Não manches tua alma nos gosos mundanos. vanzeiam. Que. se desfazem. 33 MENINA POLACA. e se choras.. auroras Nos céus. Que. se elevam. E. A França é tão beba! tão gratas as sombras Aqui em Pariz! Ha ninhos nas selvas gaulezas. Se encantam de amor. ondas. R.. se fazem E m luz. se embalam Cantando no mar. prantos.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Que os céus valem mais! Tyrannos opprimem-te a pobre famiha. Mudo á beira do abysmo. Uns olhos da Virgem. E os languidos cintos.. donzella. U m Deus faz dos prantos o orvalho febz. tão sombrio: O teu pranto e nudez são como as flores C o m que se veste o céu d'alvas do estio. Uns lábios tão tintos D e sangue e pudor. . Não vendas. uns olhos saudosos D e eterno prantear. A pátria infebz. E paras como pára o caminhante. E a fronte de estrella. O. gemendo na terra D'estranhos. sem pães. Tão beba na dor! Embora mendiga. E..

As saudades da partida? D'esses prantos e queixumew A voz escuto perdida. Foi como aflorenganada Dosrisosda viração. v (Ouvindo a voz do Sena. Oh! amei-te! A voz de aragem Ainda»escuto. Sinto a saudade em minh'alma. Não enxugues. Daflormimosa colhida Á grata sombra da palma. Ainda vives commigo. Verás. nessa innocencia M e davas o teu amor: Eras tu a loira espiga. Quanto é formosa a manhan. dos olhos Que meus eram. E u o sévo ceifador. ó minha aldeia.HARPAS BKLVAOENS. os encantos.— Ainda te amo e te vejo Meiga e linda. Crescemos. O nosso amor educado Nos berços da sobdão. Maria./ Porque chorovas. a onda clara. Sinto o perfume. não. depois destas noites. LEMBRANÇA. que eu beijara! . Maria. Dos olhos beUos. A onda beba. Ainda. pura e bella. donzeba.

?" Perguntava o plebeu. quedas as águas. fulminada. luzentes.... — Homens. ó Judeu. ao discípulo. E o remorso ao Traidor então varando. Ora.. O templo resoou. Pontius Pilatus Lavando as mãos. e foges! —foges. Fogem todos. " T u disseste que eu sou" dizia o Justo. espadas nuas. "Aonde vais.. Qual sulphureo vapor d'em torno aos lábios Beijos formava lividos. — N o outro dia u m a arvore encontrou-se Pelo chão estendida. E o que viste entregal-o. As oliveiras do Horto estremeciam Nessa noite de horror. a imagem pallida D o primeiro traidor — Caim da inveja. torvo o semblante.te reluz? Ouviste Chorar e m Geths'mani?... moles argenteas Os pés rodearam de Caiphaz — á córbona? O h não! aos campos d'Haceldama foram. E a desfazer-se e m cinzas pelos ventos! D e nardo ungindo-o ondas olorosas.. era o Messias. tochas. qual de grades negras Ferozesrisos. Por terra o corpo. .. 35 LENDA CHRISTÃ. Desvairando nas trevas que o cercavam.—Prendem! — O h ! levam o cordeiro immaculado Os phariseus! — e chora P e d r o — e todos.. D a sombra de ti m e s m o perseguido? — Que d'entre os dedos.. e negam a Jesus! Se confirmava o sonho dos prophetas: O que viste morrendo. —Timorato juiz. sacrificou a victima.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Raio de fogo. na tristeza immensa. . O calix de amorgor dos céus lhe veiu. o alma condemnada.

E de sangue esta terra se orvalhara Aos roseiraes de u m dia. chorou Jeremias... Por aqui se arrastava. piedoso. Innocente Jesus. O h ! ainda o vento. O h ! eram elles como as sepulturas. Aqui Maria o redfebeu ao cobo.. ainda repete Essa voz eternaL lhe abrindo os braços.de pó coberto Chegou romeiro velho soluçando: "Vês.Israel. que á terra assombra C o m o o phantasma do cometa os céus. E Christoficousó. Era sol posto.. minhafilha. os suppbcios da coroa. que a falar começa.. e chagas vivas A boca abriram. Fugiram seus discípulos. triste... C o m o da vida aofim.HARPAS SELVAGENS. exposto Á loucura dos homens.. deserto. que os phariseus cuspiam. gemebundo. . Foi cravejado o Messias. — M e u Deus! m e u Deus! porque m e abandonaste? — Escuta. Por infâmia foi vendido. que na cruz se enleia. Manso. D o ossassinio Caim.aqueba cruz pendente? Estas ruínas vês e umbrosas naves? D e varas açoitado. Brancos no aspecto e a podridão no peito! O escarneo. Ai! das chammas perseguido Abriu mãos o irmão de Abel: Vendidos foram escravos Os teusfilhos. Nos logares santos. E sobre os soes a raiarem Chorou. que beija e alenta Fronte de amor. Maria a doce mãe. A amaridão do fel davam-lhe á sede..

.filha!. senhor.. Sorrindo á lamentosa Magdalena.. Os echos descairam das ruínas. gritando..." — Mas da orphã desgraçada Somente os echos da estrada Ouviram.. gentil donzella?. O semblante de luz. E a fronte se incbnou. Que não em cornos de loquace forno! Onde vais. soidão profunda Suspensa em sombras—qual vapor.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. "Ah... deixando Levantar-se a verdade." Cego em prantos. Mysteriosa paz. Fez-se sol! os espinhos.. a vestia cândida. " A todos eba abraçando Corria doida. luminosos Lançaram raios para a eternidade! Rasgou-se o véu do templo! Terremoto amostrou golfões do abysmo! E os mortos se amostraram Vivos nos lares seus!.— A coroa. Assim falando. meu pae morreu!.. Encarnada visão dobrando as nuvens.. Assentou-se. Sobre esta rocha deslocada u m anjo... que o pae morreu. Por entre ellas lentos repousaram. oh! quanto meiga Suspirando por nós. D e dor ao brado o coração partiu-se.. e co'o braço tão nevado O caminho apontou de Galiléa. tão beba. phantasma de propheta Pela alva mão de u m brio conduzido. de repente Magoando o gemido emmudeceu. como o vento engrosso Nas sonorosas mattas. beba. — Santos sepulchros! perennal átcego. Que de prazer chorou compridos dias. . nua... Ave que o ninho perdeu: " Vede a luz! vêde-a.

com seus dedos roseos O pranto recolhia ao Deus chorados. Sombrio o ancião.. Lavada do crepusc'lo a fronte calva D'ermo rochedo ao sol. Pela corrente bonançosa e languida Enamorados céus brando levados... Sobre as ruinas descansou. túmulo erguido. noite e silencio. . que espumas cercam. da poesia.) Oh doce tempo das manhans da infância! Quadra do nascimento. Crescendo o vegetal. U m clarão boreal se apresentara. (Do Livramento á S. o somno. e se extinguindo Tão docemente. Ainda alguns dias. E eUa. PRIMEIRAS ÁGUAS. . dos frescas auras. nessas mesmas horas. Quando n'um grito despertou — de auroras Inundada—e seu pae buscando e m vão. adormeceu. Então do noite o brisa alevantou-so A o e m torno vertendo o frio. ahna debe. cantando o rio.HARPAS SELVAGENS. dos beijos e os perfumes. pendido Dos hombros divinaes dafilhaamada. Quadra dos sons. N e m noticias houve Mais dafilhaque o pae guiando andava. Formado a pouco e pouco. Coros celestiaes cantando ouvia E m seraphica voz por sonho vago. A rouxidão do occaso apenas dava Pelas montanhas da cidade santa. Dos c'rôas triumphaes. Onde. Lourenço. Contentes corações dão-te louvores! Conversa com a terra a natureza.

Bemfazejo galerno aleda o peito. Que osribeirosperdidos compungiram. D a existência e do amor primeiros dias. Mimosa cria a saltar. Soam vozes na montanha — Beba estação dos amores! N o prado co'as tenras plantas Favonio aos beijos volteia. Abrindo asflores. Anda bsa novilhinha Toda a manada a inquietar. como olhos Formosos que espriguiçam-se bbrando Vagas fôrmas de amor—s'enfloram. e docemente Se deixa a amor abrandar. A sair da espessura aos verdes campos. gritam As baixas odorantes. fere o touro amoroso Co'as pontas do alvo crescente. Falam nayades na fonte.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Nas mãos de Deus o m u n d o palpitando! Nua donzeUa. luzes. berra. nascem flores. N o regaço da espessura. galas As serranias azuladas trajam.acordando os zephyros! — Todo o horizonte embala-se. E m vigorosas ramas se desdobram Aos esmaltes do sol frondosos troncos. D a rez o campo esmaltado. D'entre orirde céu e terra Brilham astros. Nos mares canta a sereia. Vai. Natureza das horas encantadas. Terno á voz da água quebrada Exalta o moço gentio . E dos ribeiros á margem. cândida. Vôa. peregrina.

Roxo maracujá. áureas do pou-d'arco. D o inverno ao verão! — quando rochosas Dos castellos argenteos do zodíaco Vibro as frechas o sol. Açucena viçosa e virgem forte É a meiga sasão. fumegam campos Calcinados. V o a m aves pelos ramos. tantorisoencantam! Doce luz d'alvorada. E como as ondas partidas Já manso o peito de amores. Quando dos montes para a beira descem . Venturosos no deserto. Q u e de negras vivas tintas E b o as faces lhe pintou. Olhando ao céu descansou. Chovemfloressobre a terra. Não tremulam trovões azas medonhas Anegrando os espaços. Não arde o raio. ardente. Cobre a terra Esta vegetação edenea e válida. espelhando Branco areial aos astros retratados. alva menina D a camponeza fúlgura aleitada. Estão agora brincando: Vai eUe tecer-lhe as trancas E as recendentes grinaldas. Brancas acácias. da estrada enlevos— E sempre. sempre a vida dos encantos N a terra dos verdores florescentes.HABPAS SELVAGENS. Tanta candura. Infância do equador fagueira e beba! C o m o á zona doirada. C o m o ao ver-te minha alma se engrandece. A tapuya os dons d'encantos. Aos trinares das oves. fendidos. D a caça quando voltou. D a luz aos beijos debrantes noivas. ás auroras Exuberando amor—abrindo e m flores. esplendida.

alevantar-me cedo. que já estão tirando. Por entre os juncos occultando os ovos Que estalam. Para o touro que parte. Ferrão em punho o capataz membrudo. As feras te amam. Troa a espessura. Bracejando Passa o Pericuman da relva ao longo.—eu amo ouvir as vozes. Amor os mata á escuridão das sombras D a taboca frondosa. a alvoroçar-se Como o grupo das nuvens no oriente. A malhada mugindo. parelhas correm Nas planícies. Canta nos ares a araponga. aos ninhos Vôa a pomba-sem-fel. das cortinas salta. Vistosas jaçanans. Volitante doirada urubarana Vai ao bico morrer da garça branca Além sombria. as seriemas gritam. D e vozes cheio e d'aureas caravelas Qual serpente de prata ondula e corre. restruge a onça Das entranhas da brenha—amor os leva.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Ledas tropas. Aos suspiros do zephyro as donzebas. os ares se enomoram. berra a anneja. Lá ronca o pecorí. .floressolares. e a vacca brava 0"munjoilo a zelar. N a harmonia geral acordam psalmos As lagoas azues: o ganso as corta. bebas. R o m p e m as festas. As palmeiras. Dormir na choça. Innocente sorrir da natureza! Nos curraes os vaqueiros reunidos Estão ferrando o gado: as ancas fumam Á chapa dos senhores. Exhala a terra. A borda esmaltam estendendo as azas. Tão amorosas. os poldros amassando. O bosque brandamente se sacode Aos vapores da terra embalsamada. picam. abraçam-se tãolanguidas.

Na rústica choupana os camponezes Aos sons da viola feiticeira e mágica Nos alegres serões entoam cantos. Na branca lua eu te via Pelas céus a divagar... .HARPAS SELVAGENS.. Dansas formam.. Digo as mágoas que penei! Dês que a noite escurecia. nos centros fiquei. Acordado m e encontrava A araponga. É no outro dia desertor. Os agrícolas falam-lhe das lavras. Quando o noitibó se ouvia. sinhá. Percorre a baccalar o senhorio.. A t i eu digo as saudades. Que entende o coração. recontam seus amores. Que os tempos de Natal. Oh! quão apaixonados! quão ditosos Na feiticeira viola sertaneja. que os verdes campos. Andei eu. Logo eu punha-me a chorar. ou morre! "Que lembranças. Que. Que as saudades sem nome sentiu n'alma. Já das águas na miragem E u via só tua imagem Que não os peixes no anzol! — Como o galheiro encalmado Perde as veredas.. fala ao deserto! — A i do recruta que a ouviu de longe. entre a ramagem. ó morena. o rouxinol Quando a romper começava D'entre nuvens d'oiro o soL Sozinho por esses rios. só. D o amor á bordo do rio! Que lembranças tão formosas Das quentes sestas do estio! — P'ra beira quando te foste..

o coração e m mágoas Se arrebenta. lá-lá! Que este canto enamorado Torna a alma afflicta e mesta — O Natal quando é chegado Não durmo solteiro a sesta. Vésper menina. Estua o peito. iê-iê. Olhando para o sul eu contemplava Os céus ao pôr do sol. Filha eflor. V E M . Os relentos e os perfumes.) Vem. solitária. que condemna. . C o m teus mádidos halentos. sobre o leito Branco peito o estremecer. longe da vida e ás tristes tardes." Porém. ciúmes d'este inferno. os meus amores C o m o alvores. O h ! lê-lê.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. depois — quando as saudades Tão só nos falam das primeiras águas.p'ra m i m se foge Q u e m hei de hoje sepultar! QUADRO. ó * noite esperançosa. T u que assanhas. Que toda a tarde e m brincos scintülara. Vem-me interno moderar! D e Deus fujo. Ó NOITE! (Sob os Illazes de Auteull. Ai! sem pena do pastor. Vem. Vem. Culpa vária obsconder! Vejo a luz da cabaninha Linda e minha. formosa das montanhas.

nuvem negro Crescendo avulta: de através se abriam Relâmpagos. A noite desentrança-se e m desordem.—os bronzes rasgam. Deixou pender a fronte somnolenta. Q u e e m friorentas sensações tremia. . A o cair do crepúsculo ossentou-so E m meus joelhos. E u acordo. Se obumbra a terra. D'entre rocaes fogueiras de bandidos. Astro-lirio do vol. relâmpagos vermelhos Lacerando-a. pensativo. C o m o ethereo rochedo. abi mandasse Destruir seus altares profanados. bnda Vésper. pomba celeste Sobre o terra o dormir — eis o m e u peito. umbrfu. Espelhou-se o luar pelos montanhas.— E m meus hombros depois. Arruinam o templo. Dorme. as chuvas acoçando ao longe. Se encolhia. C o m oflorde alegria. L á muito e m baixo remugíndo as ondas. Repete o mor os céus — negrura e chammasE o bramir dos trovões repercutidos A terra faz saltar.HARPAS SELVAGENS. C o m o o pedir calor de c h a m m a occulta.— E passou. qual. lobregas cavernas. E eu dormindo não estava. os ventos furiosos Soltos. que o Senhor. apertava-se ao m e u peito. os ares ténebros. L á muito e m cima os raios a voarem Sobre u m a velha torre. como os anjos D e fogo. O bosque estronda como e m desfilada Mil cavaheiros nos despenhadeiros. Donde sae a torrente se enroscando Para os valles sonoros. adormecendo. somno sem sonhos. ô * anjo de amor. Branqueiaram céus e lagos. que entristeço Mais beba e cândida ao fechar da noite.

. ó príncipe. e fui com ella aos horizontes: Era abi o oratório — accesas luzes E suo mãe rezando. G. NYDAH. não m e fujas D a sombra da tamareira! Quando for a sesta ardente. Dos teus braços se m e aparto. Já desponta a rubra aurora: D a guerra os cantos resôam — Mais u m beijo. Nos meus braços te has de ver.. não fujos. são mil guerreiros Que ao Senegal vão partir! Cento e m ü trarei cativos. Adeus agora. Não sei o que n'alma eu sinto.." " Não.) G. ( E m Daecar de Senegambla.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. "Beba escrava de minha alma. Teus olhos são como o fogo Das areias do Saharah! — São cento. . Levou-me. Que a teus pés hão de cair! Quando a lua andar trez vezes Que depois venha a nascer. Filha da noite. R." "Nãojne deixes. ó Nydah.. Quem será nesta ribeira? Oh! como a praia é deserta! Como é deserto o areial! Como a juba aos céus sacodem Ondas negras de crystal!" "Flor do verde sycomôro. os céus lembravam.

A selva é toda arrebol! Batendo os pés em cadência. Que ainda existe a nação: Prostram-se todos gemendo.. .. rindo.. Que jazem dentro do tronco H a dois mil onnos curvados.. —pende U m braço do derradeiro! Grita o átropos ao lado. zumbindo.... o reino bemdizem Vivendo ás antigas leis. Despedem o anniversario D o que foi vivo primeiro... Brada aos teus antepassados. Os soluços vãos do mar. O girofizeram. O vento mudo. Que venham ver seus dominios..... Acordaram.... Morrerei se assim te fores.... Ruidosas palmas na mão.. apparecem As sombras dos velhos reis! O povo. Fazendo voltas. Dansam do tronco ao em torno. não minto! A voz da abestruz na aurora. Já debaixo do baobab O povo que adora ao sol Accendeu sagrado fogo. Ao encerro voltam. Todos joelhos no chão!. Os gestos sinistros. Craneo palhdo no dorso...descem N a ordem da successão.HARPAS SELVAGENS. o céu triste Qual minha alma a retratar. Nos meus sonhos cru.

—Pávidas fogem. Nau perdida vejo em mares Servindo de terra a nós.. Então as ondas vieram Beijar-lhe a face mimosa: Saíam do mar por vel-a. Presa aos braços a donzeba Sua ahna tem: se lhe foge... Flores da espuma. .PRIMEIRAS ESTANOIAH. As costas. As fraguras sonorosas. Das abas rolou do monte* U m corpo á borda arenosa. Resistem os braços deba." —Insensato amor de gloria Venceu amores da escrava. Oh! não vás! calamidade — Move o braço e dá signal! A morte voa na guerra D o peão ao principal. Qual ave as azas batendo. e das vozes Cantos quaes nunca se ouviam. Silvaram ventos agudos. E esse vegetal sarcophago Onde dormem teus avó*s. e no espaço Nuvem—talvez — adejou. E o coração que não mente Vingança debe bradava. O cavo da vela eburneo Se veiu opposto formar. Mais a luta se animou: Cedeu a vida. Voltaram vagos do mar.. Vendo ao longe uma piróga. Berços do humor lhe faziam.

Sem subir aos céus. esvoaça. Passa as terras de Daccar. Esvoaça a nuvemzinha Sempre. Da piróga á negra popa. "As correntes do oceano E a tempestade em furor! Abram-se abysmos da noite Para este inferno da dor! " — Passa a ilha de Goréa. E cingindo-o ao coração Vê-se o phantasma terrível Rir-se — q u e triste visão! Vê-se nuvemzinha branca Nos ares tardia a errar. Sobre u m cadáver dobrado. mesquinha. sobre a borco fúnebre A nuvem branca. Sem rumo ás ondas levado Vê-se u m phantasma perdido. queixas saudosas. Correm prantos ao cadáver. Retumbantes repetiram Gemer vão. . Era Yalofo ululando D'em torno á morta de amor.HARPAS SELVAGENS. e a terra Sem nunca poder deixar. Tomou-a nos largos hombros: "Morre o que commigo for!" Era o elephante mordido D o insondi no palmar.. — De novo as ondas voaram Amedrontadas ao mar. Alma que amou.. No outro dia Cabo-Verde Ficava longe a boyar.

morrer amanhan. P. E se perde além do mar. E u m soluçado "m'espera!" D'entre essa orchestra se ouvia. —Ninguém sabe onde a piróga Fora acaso naufragar. L. Ainda hoje errante vaga Pelos vabes. Nascer hontem. Depois se eleva chorando. Para vir. — Dizem ser a olmo do príncipe Que futuros vem contar: Perderão o rei e a tribu Tristes terras de Daccar.) P. E de espaço.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. D e hoje o dia somente existir. (No Iiupanar. . Como os desertos da areia São os desertos do mor. D e quando em quando lufava O vento. pelos montes E m vão a tribu —aos gemidos Só* lhe vem dos horizontes Com a noite ave estrangeira. Poisa na alta penedia. MAGDALENA. Como ao solflor-abertaa romaii Ver-se em vida murchar e cair. No outro dia oo seu logar. a onda bramia. sempre do occaso. J . ao longe solta Fundos pios de agonia.

morta. vida sua e seu Deus. Cinto e m chammas. astros todo a embalar. Co'os braços brancos. não é da terra — Dos infernos co'os céus fusão terrível! Seccos lábios c m fogo. Céu profundo. que m e ouves. Em pó d'oiro alvas azas trementes. O h ! maldigo..HARPAS SELVAGENS. . . Batem-lhe fontes. nessa idade Dos annos. Olhos grandes de Venus humontes. Mariposa dos lindos doidejos* Nestas noites de aurora e de luz. palpitam.. Providencia. que a alma pura Prendes-me toda n'um sorrir de amores! Não tu. medrosa e tremula. que não ha. Crença e dor. verde folha arremessada D o vento sobre os túmulos — ai. lhe fulguram seios D e ardentia ao luar. choro-te magoado. Cega.são teus? Mulher! mulher! tu não vieste ao mundo Para a existencio impura. Mulher! mulher celeste. .. aos beijos. que é vida. e desnua-se e resplande Anhelonte. Maldigo o amor. Voluptuosa! N'um suspiro longo O veneno tomou-a: eba não sobe Porque. e se crendo ao sol da vida! E m sede accesa o devorar amores. demente D e u m gosar. porque se abraça. Porque se enleia. os olhos humidos Lampejando fugazes. frenética. famintos. e co'as trancas negrus Envolve-se. toda a olhar-se inquieta. Aos abysmos — que a morte seduz. sua e minha . Mais amores pedindo. Mais amores! qual lâmpada extinctos Se apagando—taes olhos. delírio e gosar. cega aos encantos. E ofiegante caindo embriagada. .

innocentes Longes d'esse estrondar das veias tumidas Que e m chammas. anjo-irmã e m ã e do h o m e m .florabrindo. Porém dos teus meus lábios n e m meus olhos Não se alimentam. quando despontas. Quando a dormir-te o peito. o brilho á cor se apaga E as faces murcham! Passa então mendiga. foi astro e irradiara! — A m o r material d'impuras victimas. luz feiticeira Ê tua vida. v e m a poeira. v ê m os vermes. Cruor das obloções dos lupanares ? Q u e m assim fez o cândido rebanho Pascigo immundo aos grasnadores corvos? Riso d'alva hibernai. E cobre-o. sem azas Estender ás auroras esmaltadas E alvas fechar ao pôr do sol! Q u e m fez-la.. correm! O h como os tens então teus olhos. sem voar. Abelhas dos seus lábios. que de amor hontem nutrira. quando. puros. Anjo-esposa. não! — mulher amante. que a mente incende. Victima sua. Graças. decaída agora. com essa eu falo. Dos desejos enlevo!. Nada tens de c o m m u m co'os meus amores! Que sorte da mulher! oh que destino D a ave sem ninho. e o consomem! — E o mundo todo a escarnecel-a. mulher esp'rança. mulher. Que a borrasca fatal. os teus sentidos... Que altiva foi. N ã o n'a toquem! — . tu. E os homens. Como os lirios espandem-se. nitidez e cores. Seu amor e ideal. Eterno desespero! e vel-a sempre Nessa queda abysmosa! o bndo fruto Das manhans suspendido áflorearama. a alma atordoando. perfumes. Cheios de humor de luz. Agita e lança ao pó*!. Mulher consolação. desdenhosos Cospem na fronte.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

loucas! E o eunucho impostor. recordando D a virgem beba a hora formidável D o roseo sacrifício. Desceram-na das nuvens da sua gloria. Para o breve estalar. é a esquivança. E já n'alma lhe anoeia amor. o amor sataneo. oh foram elles O pranto e a seducção.HARPAS SELVAGENS. Sobtaria se vê! tresvaira a vista D e si ao derredor—soidões vasias. nos olhos. Seu viver e m botão. E a vergontea resiste. Ê a doçura.. o brincar. . Assopra o vento. As fobias pelo chão se vão perdidas. Baixa-então a cabeça. E o h o m e m . L h e transluz apenas A coroa de lirios. é a piedade.. Ventos assopram. Q u e a vida não reha q u e m deu-o. Insultam—nobres frontes. Abysmos — para os ais. Para aos céus do delírio arrebotal-os N'azas que eram de luz. Outra hora ainda. £ a crueza da infantil selvagem D'inconstancia infantil. E ella a crença gentil e aflordos anjos Q u e dormia e m jardins! Palbda acorda. E aflorabre. a outra humilde— O h deixem-me escarrar no pó. a mansidão. Se lhe desmaiam N o alvo semblante as impressões divinas Dos outros dias. grande e forte.. N o amor o fim vai próximo. Dos mendigos conforto e dos que soffrem. o encanto. Parando o estremecer.. summas creações da terra. dos grão senhores! E foram eUes que lhe os pés beijando Meigos. nas frontes D a nobreza fallaz. É o riso. mudos olhos. Vergontea ás auras e ás canções da aurora. N o coração amor — e o colix pende. meigos e a fala sonoroso. e o fero ignavo. que ninguém ouve.

Se reflecte nos orvalhos. que jaz prostrado. tarde expira. mais bebo! — E trema o hypocrita Que a negra pedra lhe tiver lançado! 0 ROUXINOL. Findas trevas. immensa D'esse martyrio. e a viva-morta Chorando adeuses. Esplende o sol. Ou o morte. Procurava o amor. Onde o homem? — abutre ensangüentado Da rapina nocturna. As lagrymas do céu virão copiosas Redemü-o. Nas moitas de brio e rosas. é na esperança eterna. Treme e canta o rouxinol. e ao bebo corpo Que como flammas braços enlaçavam. tarde. alça o seu canto Sem olhar para trás fugindo — a infame. o rouxinol. Os docesfilhos. E nada responde a flor. . a vida. Ora envolve a mortalha. Era tudo o que no mundo Possuía. Aquém surge. além s'enterra.o amor — E agora muge a torrente. Desenterra. e tanto vai' Que antes levassem-lhe as azas As fúrias do vendava!! Ouviu gemidos—lá vôa. Depois que a chuva estiou. E que está no porvir. nado o sol.. Abi deixar» o seu ninho. — Oh! não seriamda mulher miserrima! O seraphim de luz. o pavor. solemne.. Chega o medo.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

Tão cheia de luz. Nunca. Depois. Houve quem viu philomela. abriu-se o rosai. Fecham-se os olhos e as azas. Volto aos cantos da harmonia. tão bella. pendida Sobre os abysmos de horror. A terra e os ares perfume. D o amor e do guerra ás sanhas— E sempre nestas montanhas Errando minh'alma. Das torrentes ao fragor Se emmudece — tal. Ao peito que á dor estala Jamais o sol rutilou: Sejam d'oiro puro os ramos. Eis o céu todo anilado. desde o vendaval.64 HARPAS SELVAGENS. e olha ao lavrador.que eterno ri! Andei as terras estranhas. Doce innata sympathia D a natureza de amor! . Vaga infinda poesia. M a s os cantos não voltaram. aqui! Volto á cândida capella. D a luz do prata o josmim. Os céus anil e carmim. Prado e mflor. Vivo-tremulo abrolhodo D'ostro innumero! eis o prado. NO MARANHÃO. Onde as salvas a donzella Canta.

que desenterra Sagrada. AO SR. O gelo. E o mundo. altiva Inglaterra. "Formoso clima! céu profundo. H..PRIMEIRA3 ESTÂNCIAS. LAEMMERT. Que são como as nossas almas E m seu ardente verão! Pelas tabas e a choupana D o ermo. Pelos valles as águas se arrastando. Por toda parte a grande natureza . 0 grande deserto e as calmas. E o m e u passado de festas. Eis o horizonte de palmas. E e m torno ao mar de diamantes Selvagem crespo areial. De assetinado azul!floridasleivas! Trinta annos dormi nos berços d'Eden Desta terra encantada! Ouvia. Aqui as virgens florestas Das fadigas e das sestas. D a coberta americana Se erguendo o fumo espiral. e m marmor lavrado Arrogante. E as vebnhas scintillantes Ao longe ás luzes levantes. Esqueço. o incêndio da terra. Pariz. ao lado da savana. immenso. E o m e u futuro aqui estão. alevantado Comofigurasdo fado Por nuvens mettendo a coma. ruinosa R o m a ! A' PARTIDA D E U M V E L H O E N F E R M O . amava Aos saltos pelo coUo dos rochedos.

Embarca. Oh.. Abre os teus seios e vem! Dizem. que maldade Dessa gente do arrabalde. Que evaporam-se na lyra Amores que o bordo tem! Inda sinto o fronte a arder-me . Navega ao largo. minha mãe. Na magestade calma dos luares — E daquifiza pátria. Hoje ás margens do Rheno. Mudo e pendido do navio ás bordas... — E o Rio-de-Janeiro já se esconde Dos mares através. Ave que chego e o poiso desconhece. imagens são confusos. Procurando o Brazil nos horizontes. Que saudado Ao deixar este céu! Não vim faminto O oiro escravo buscar dos mercadores: Tive no peito o coração vibrado. Como do occaso os raios derradeiros. longo o seu pranto. A vista...56 HARPAS SELVAGENS. Engrandecida esto alma ante a harmonia D e u m mundo novo — para o triste adeus!" — Os olhos enxugando. — E o velho ainda se eleva e se alevanta.como outrora. descendo as praias E m seu enfermo andar. Hoje estrangeiro Ofilhoteu verás. A terra presa tem. e os negros morros. o. É longo o seu olhar. VIRGEM D E CINTRA. a. Na ruidosa eloqüência das cascatas.. c. assim falava O tão nobre ancião. mãe (cruel mentira). Meus passos não sefixam. Onde o gigante. fria Germanio.

e não posso dormir..fica..ficacommigo Nas serras de Cintra — o abrigo D e tanto... A paz da infância perdida. quando m e viam. Maria.PBIMEIBAS ESTÂNCIAS. Dos raios do sol no ardor. A m o . N e m mais afagar-me quiz. Dizendo: " qual embranquece N'um rochedo a aérea flor." E presa a elle eu gemia Nesse instante de agonia: "Porque m e ensinaste a amar? Teus olhos. E te vais correr o mar! Que queres? o que procuras Nessa sede de loucuras. Chegou a mágoa sem fim! E u agora o comprehendo: Vinha o dia amanhecendo E elle chamou-me infeliz: N o céu desmaiava a lua. a tremer-me Toda a pobre ahna. ai de mim! Que n'um beijo vai-se a vida. Meiga luz. e p'ra sempre. Qual das alvas se esvaece. Nojento da sorte sua. D e amorosos se extinguiam. São as manhans d'esses annos Que tens na fronte a sorrir: E vê da sorte os enganos— Sonho. de tanto amor! . A o doce beijo. luz que annuncia Paz e amor.. Nesse debrar de dor? Oh... Vou partir..

Entro os pastores.. voou. Como estás tão desgraçada.. á morte também!. Ao mundo. o cobo Mais puro e branco terás. — Oh minhafilhoadorada.. agouro Sonhei á noite. Eu sou a escrava. és o rei!" Ai! o selvagem adora Os climas que o sol devora. Como as lufadas do vento Por sobre o mar cm furor! . A vida solta e o amor — Resvalando o pensamento.. Á fronte que arde do beijo... c. No serra as águas gemendo. Adeus sorrindo dirás! Choros?. Beijou-me.. Apobo. A vida. — á meu choro Abre os teus seios e vem! Abre-os a amor. Das calmas á sombra... E ao resplendor da manhan! — O brio do amor ao raio Pendeu. ao desejo.. Leva ao céus americanos Os teus amores serranos.. e falas de morte! Sempre maldizendo a sorte! Ficar não podoS?—Irei!.HARPAS SELVAGENS.. no eterno desmaio Aos seios que abriu-lhe a mãe! . a dor esquecendo...

. C o m o dos roseos dedos te lampejam. troncos alterosos. soidões queridas. se o teu amor divino.. dos homens? Cinges do Christo a cruz. A MR. Sombras. a gloria! E deste pátria á pátria. a espada. desfallecem Hóstias de dor ás mãos do rei. O h Luxemburgo. tu desfizeste Dos feros oppressores a muralha.. FRAGMENTOS DO MAR. foste dos nobres cavalleiros. (Pariz. onde eu vos beijo. Aonde te vais. Resurgindo Orleans! O h ! dores da ahna! Sempre a lenda fatal! do amor da pátria Martyr. Raios d'alva. DE LAMARTINE. J'aime ces sentimens )à. E voz de Josué. Hoje. A. senti m e u peito Abraçar-vos! — da casca. O h Luxemburgo. o amor. ao throno a c'rôa. adeus! —Sae da selva a pastora. adeus! m e u castanheiro. que o m e u n o m e susurravam N o estrondo vegetal. Que eu amei. onde as bções eu meditava D o Lévèque e Saint-Marc. Rebente u m galho.agonizante — ó virgem. A liberdade e a França. bzes dos seios Ao inimigo oppÕes — maga heroina.. Dos teus irmãos trahida! abandonada D o teu rei! dos hypocritas malditos A fogueira lançada! O h ! como és beba Sobre as azas da c h a m m a aos céus voando! . PALAVRAS DO POETA. Sagrados bosques.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. era dos ramos d'esmeralda Afloreaprimavera. a doce espr'ança A refrescar-me a fronte. ao futuro Voltou a noite.. e viva ahi minh'alma! Hontem. archanjo armado D a pátria á voz.

Calcando a relva de Diana a casta Montanheza. N a boreal aurora vens mostrar-te Á terra. que envermelho do rubores A o loginquo clarão. Canaan promettida. glorias sonhando. amor Eu parto. e na fó*rma puras. a m ã e das letras. suspirando os ventos.. — E de u m a a u m a eu percorria as alas Destas mudas mulheres. cândidas donzellas. pelo n o m e Chamando-as e dizendo-lhes a historia. C o m o a deahoros ao luar do Sena Sobre a Ponte-das-Artes debruçado. Adeus. Tão docemente iguaes. V o u ainda mirar-me sobre as ondas. tão longos sulcos! A Deus eu peço a vida destas aves. adeus!—Passando. Manso casal de cysnes vai cortando Sobre o marmóreo lago á luz da tarde. o prazo é findo antes do tempo. Doce febz esposa e flor celeste Assim levando aos céus nossa existência. N a graça bebas.' Derramam-se por entre as brandas rosas D e borboletas variegadas nuvens. e da mágica Vebeda: Jardineos virgens. Q n e e m silencio de estatuas escutavam. (Blaea C o m o a terra m e foge perdida. oh Luxemburgo. Cantando as aves. e ao m e u reclamo.. " Joanna d'Are!" aos astros repetimos. V o u ainda beijar grátulo os muros D o longeva Sorbona. Nellas a pátria a ver.HARPAS SELVAGENS. orvalho. C o m o vai-se. innocentes flores. Flores humanas. N o horizonte. envolver . e m sons desfeita. Minh'ahna diante vós a m a e revive E m sol. oh! m e u Deus.

Disseram-me: "céus suaves Tenhas. Enfurecido o mar. assim. Descalabra o baixei a correr! C o m o o sol. 0 verde claro 0 puro azul das águas florescidas.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. — Encastellom-se as ondas. gritaram aves Ao e m torno da nau. Sumiu-se Pariz—acaso E u chego ás bordas do mar. Quantas lagrymas dás-me. terra sempre abril! " C o m o as raposas e as aves. nos desmaios Não dorme do ócio de cansada paz. os raios cruzam. — A m o a vida nos seios compulsados D o vendaval. Brisas do noite. ô * beba França! Abri-vos sobdões. emmudecei. correi. Não vinde agora perturbar m e u canto! Elo vasto de vozes grasnadoras 0 horizonte cingiu. luzindo o corpo Se erguem na treva as tintureiras negras. e m cidades. esp'rança. Laceram grenhas de suspensas nuvens. se n'alma rugindo a tormenta. E m ricos tectos. m e u pranto. enrouquecendo 0 vento se elevou. Não tenho u m ninho. muito embora. quando no occaso Desfallece a palpitar. que sombreiam valles . Nessas brumas da tarde nevoenta. A morte a pôr-me duras mãos nos hombros C o m o abraçam-se amigos. Qual. perdida nave C o m o corvo da noite nos espaços E á sombra fugitiva o mar uivando! Que minha alma estremeça. u m covil. Sangue retinto e negridão tornou-se. E dos mastros nos ares serpenteiam E m flammulas de fogo.

L á quebrou-se nas pontas do rochedo Indifferente. E humildes casos do pastor. as negras ondas E m desordem. C o m o o mar se compondo. Que fazeis nesta hora murmurando Debaixo do convés.62 HARPAS SELVAOENH. D á signul de soecorro ao masturéo! Librados todos vão. Cantos nocturnos. mal ouvidas Abafaram abi. O navio. Perdidosfilhose os esposos mortos. Canta o nauta. todos sobem Á coberta.ri-seo semblante. ninguém soecorro. Das trevas tem. H o m e n s coburdes. O tempo asserenou. dos ventos quo falassem. triste selva descomada. tumidas se atiram U m a s ás outras — loucas desgraçadas. que esnorta-sc e desgarra. arredondam-se alvos pannos. caindo a presa morta. desfraldada Antes de ser colhida. Qual ferido tapir salvando abysmos. Densas nuvens de fumo doloroso . Vendo brincar o atum. Sobre as bordas á tarde os passageiros. que ns luzes Aqueciam do sol subindo os montes. A voz do cominunduntc. Seu medonho livor mais carregando! E as vagas toam. e se aterram dos destroços Que. jazem. ledos se ajuntam. tristes Sanguinárias coroas do oceano. raro fluetuados Restos esparsos do naufrágio. O u do rasgar da vela. Não olha Deus á terra tumultuada N o enraivecer do temporal desfeito! Voltou a noite. m u d o ! Alevantaram As corsários do mar. mudado o rosto? — E a nau que passou desarvorada. gritos de triumpho! Lamentações humanas.

Tecem co'as azas véus. Eu só medito. Fareja e rosna e late o cão dos mares Na batida em que vai.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Que outra hora a descobrem. da terra os homens falam — Para ebes é mudo o isolamento Do mar. Agora se reúnem. incensos. caindo a tarde fria e triste. Mais que dos homens a bonança na alma! STa voz da natureza a Deus não ouvem. eu te amo a louca tempestade. jogam. a Deus eu m e alevanto! Confusa multidão nômada errando Sobre o convés. ávidos do sangue Que sobre a meza lhesfluctuaem ondas. amontoam Oiro sanguinho. Com as coisas do mundo eUes procuram O Eterno esquecer! os condemnados. vergonhosa Qual pondo a mão no rosto. s'enraivecem Uns contra os outros. caem despregodas Através do horizonte. que se espaneja De ardentias trementes prateiado: Voam cândidas pombas nos espaços. mordendo as ondas. IUuminado templo. Cerrando ouvidos. auras. o céu d'estrellas Onde o amante a espera. Que ainda geme ensangüentada e quente! Cinja o dia nas grinaldas Da fronte de níveo tez . Fazem-se em tiras. A lua franca Os seios abre de donzeba. É fresca noiva A feminina lua: as brancas nuvens São enxovaes de sedas ondulantes. sacudindo a fronte. Quando a memória fala-lhes da victima. que uma hora a occultam. Esbrava. despe Seus vestidos no mar. Ó mar. E do oceano os órgãos levantando Epithalamios divinaes.

e amor exulta! E u comparava a fronte e a voz ouvida C o m a harmonia universal eterna D'essas meditações. H y m n o s de omor e uncção. — Deus quem é? quem é que adoro? — Perguntam. hymnos formosos C o m o o cúpula azul do armamento! Via-se alli dos ares a pureza A o de redor do astro. C o m o ante o sol nevoeiro transparente. magestade calma do oceano! Vi n'um deus esta fronte! eu vi sobre ella. Q u e nos gelos dos annos se resfria. Lírio. A m ã o beijei-lhe. rosa. quaes nunca o mundo. que m e abrigava C o m piedosa voz — q u e aos prisioneiros £ u m encanto ouvir—que é-lhes o orvalho. Deliram corações. O pensamento e m ondas infinitas Rolando! era o divino rei do século. O halento. E o vento ás ondas assim: — Onde os doces pensamentos? Aonde este errar sem fim? — (Serra» de Cintra. . o meigo velho Co'o triste placidez d'estatua antiga. a luz a que pranteiam olhos. a onda aos ventos. Que eu contemplava alb.) Oh. Mais nunca escutará! hymnos celestes. Quando bebas ou dementes Ás fraguas se vão quebrar. Que lhe são desgosto e choro. opala e ouro. O u dos nuvens carregadas L h e palpite o occaso aos pés. — Deus quem é? quem é que adoro ? — Estos vagas eloqüentes Q u e os encantos são do mar. O peregrino santo.HARPAS SELVAOEN8.

.. visão eterna da olmo. E os seus amigos? Que os houve tantos! — Ebes já partiram. sem ver-vos — Foram Meditações conforto e esp'rança Ao martyrio sem nome! e vendo a imagem D e Lourença.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. 0 rodeiava o paz christã . O outro vinha a mim. como vendo Nos olhos a luzir-lhe amor paterno. dois cães junto á lareira. Generosa.. Sol. Festivo. lamber-me as faces. lume d'alta noite.. pendiam Das paredes os quadros dos que amara. engilhada. Donde os vindes dizer?. e amado apenas D a dor ou da innocencia — estão c o m ebe. Tão somente. E os insectos. Chorava o pranto que os eleitos choram. Qual se m e m b r o Dessa famüio eu foro. que outrora deslumbrava. Musica d'anjos. envelhecida N o cativeiro dos insomnias bellas. —Abriu-se-lhe o semblante C o m o se o coração desperto fora: " E u amo.. E u não caí. Única fidebdade. embevecida Senti minh'almao erguer-se ingênua e larga! — — U m dos cães afagava-o. moldurando á terra! E o coração do poeta. eu orno todas essas cousas. o insultam. Esta pátria c o m m u m deixar. E da saudade todos no silencio A pagina da vida parecendo A ehe desenrolar — co'a vista lenta Memorando o passado.. Pensador sobtario — eis o poeta — Dos febzes proscrito. Nessa atmosphera edenea. ausente. O pensamento. inquieto — ao trovador santíssimo Dizendo eu : partir eu não podia. triste noite e dor hoje. sempre virgem. " E u precisava . aos lares meus chegado. ha longo tempo Perdido..

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HARPAS SELVAGENS.

Chorar somente — o vim chorar aqui. Eis se expande minh'olmal Como o vento Livro dos serras, meu irmão, m o encontra, M e abala e espalha pela fronto ardente C o m pedaços de nuvens meus cabellos! D e liberdade corações vibrados, De enthusiasmo, que offegos derramam, Aberta a boca, generosa chamma! —Aqui Byron cantou. Mesmo esta pedra Talvez estremecera de escutal-o, Qual do raio ferida. Oh! m o parece . Que abi te vejo, ó Byron, a meu lado, Á minha esquerda unido a aguilhonr-me Co'a seducção terrível dos teus cantos A esta descrença imiga e negro germen Que se agita profundo.. Anjo da guarda, Tenho-o á direita, contra a força tua, M e arrancando de t i — co'um dedo santo Aponta-me p'ra o sol que sao das serras Lamartine, o piedoso! Ai, o rochedo Já da luta ao pesar brandeia e geme! E d'um lado o demônio e o anjo d'outro, Eu no meio, minha alma despedaçam! — V ô a commigo, ó anjo meu, nas azas Cândidos salva-me, o demônio embora A verdade amostrando-me, os meus dias Como são desgraçados... antes, antes Fallaz esp'rança, que a descrença, o inferno! Voz de Deus e do amor, sol dos teus dias, Sol dos dias depois, de todo o tempo, Aqui virás também. E tu, penhasco, Has-de mover-te então ; não dos lampejos Da tempestade bella, nem dos pios D a andorinha perdida, que não sobem, Que nas fendas descaem; mas de ouvil-o Tão sonoro, tão alto, que nos montes

PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

Embatidos, as rochas e os penedos, Os pinbeiraes e os alamos antigos Não dobrados aos ventos, entoaram Coros do eterno templo á voz solemne Levantada do altar — o plaino aos vabes, O mar aos céus, a Deus a natureza Levando ondulações d'echos ignotos! — Oh, minh'alma se expande! ampla, se exhala Aos céus! e o corpo que, terreno, languido Na terra cae, ainda é bebo a ver-se Das nuvens sacudido! — Oh! como é beba! Meus olhos inda a vêem — lá vai minha alma Pelas torres de Mafra resvalando, Pelo horizonte, além, no azul dos mares, No ether puro e semfim,a Deus —tão longe Á pátria minha, que é de Deus tão perto! Grandioso espectac'lo! scena immensa, Que o pensamento extatico percorre! O h como a vida assim se multipbca — Como é formosa a vida assim! revoltos, Oco-estrondando tumultuados ventos No arruinar da terra, a m i m se lançam Águias ethereas lividas, co'as azas Agitando-a, espertando-a, langue e lassa Alma que sefinava— em grandes gritos Suspendem-me, arrancando aos céus meus cantos, Tratos aos braços dando! — Nuvens passam, Cobrem o vabe ao gado dos pastores; Espuma o mar além, se encruza e broma, Nos céus perdido; se alevanta o ether. Como se o Creador não acabasse O edifício do mundo — que estas pedras Fossem materiaes e estas montanhas, U m a columna, u m panno da muralha O Corcovado americano, os Andes; Que este mar hificasseá tempestade, Devendo fonte ser debciosa

HARPAS SELVAGENS.

D'alvos bonanças, perennaes amores, Não paiz de naufrágios; que estes ventos, Que estes vabes chorosos na espessura, Que a pobre humanidade, ensaios foram Para couso eternal — celestes harpas D'um só" cântico e amor; que distraindo, O u de cansado, ou morto o Autor-Supremo, Ficasse tudo a acaso e sem ter ordem, Antros feios, montoadas penedias, A perguntar-se o que é?.. . que vale!.. . tudo Se contorcendo e m dor; aves trinando E sem saber do canto; homens gemendo; Pelo campo a bolar perdida ovelha; Perdidos astros no or; murchando as flores; E nada a se entender, e a natureza, C o m o a esforçar-se por falar — a triste Que, de imperfeita, está desfabecendo — Que bebo templo, se acabado o mundo! Toda harmonia a Deus, todos louvores, Todo o olhar, todo o amor! não este inferno: O bruto contro o bruto, o h o m e m do h o m e m A se esconder, e o se amostrar, mentindo! A fera amara o cândido cordeiro, Não lhe manchara morte a lan mimosa; As aves não fugiram-se nas nuvens, Ai, deixando ao vampiro o ninho e os bosques! Nunca, os filhos de Christo não mataram, N e m morreram nas lanças musulmanas; Não veriam os séculos idolatras Deuses de ouro banhar humano sangue; Sempre sorriso o mar, os céus auroras, Não voaram os raios dos negrores Poisar no velho tronco, ave de fogo, E fazel-o cair, bradando aos homens! O h grandeza subbme! oh, eu quizera Ver com meus olhos esse dia, quando O echo da palavra era a existência,

PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

Gravitar e surgir, dos céus, da terra, Todos seres a u m tempo! oh, eu quizera Meus ouvidos nutrir d'esses rumores Das águas e dos montes repoisando; Ver o Desconhecido e m sua gloria Sobre o espaço, a rasgar-se diante debe E atrás debe ondulando; a lua aberta Sorrir meiga sem cor, e d'entre raios Relampagar o sol!... E Deus dizia, Que só hoje devera eu remontar-me Ao nascer, ao principio, e contemplando, Rugir de ignaro e de blasphemias vezes Os lábios escumar, fender minha ahna! — Em bando alado vão phantasmas, giram Espalhados no or, comosas nuvens Que p'ra o sul Aquilão vai conduzindo. Param, m'envolvem, querem 'star commigo, N o seio a imagem minha projectando; Perco a terra de vista, m e arrebatam Aos espaços da luz, onde m e sinto Dos encantados reinos seus o gênio! —Está na serra a lua desmaiada, D e saudade e luar banhando os pincaros: Sympathia e candor seu rosto inspira, Que move a terra emmudecendo ao vel-a. Sobre a cheirosa grama estendo o corpo; N'um meio-somno amobecidos olhos, Trêmulos raios sobre minhas palpebras Estão brilhando: por entre ebes vejo... Vejo as alvas do mundo—virgens, longes, Lácteas, bmpidas, cândidas, nativas i.. São as antemanhans, são os crepúsculos, È a tarde, é o dia..'.a vista alcança, Muito longe, tão longe, ao claro-diaphano D e u m a teia de luz, mimosa, amena Verde relva: u m a arvore o sombreia,

HARPAS SELVAGENS.

Bella a serpe enrolada, o frutos pendem. Rodeiado de sol, com fôrmas i l o homem, E que as perde se as buscas, quo é tão grande, Que é na unidade simples só visível, Está do dia Espectro deslumbrante Na dourada collina—anda-lhe ao lado U m formoso casal, puro, indolente, De robusto moncebo e loura moça Redondos seios, os cabebos longos, Brincando com as feras na innocencia, Tão mansas, que não fazem mal.. . No enlevo O crystabino Vulto, contemplando Da creação a esplendida harmonia, Interdiz u m s ó * fruto, os abençoa, E volta ao seu repouso... — Porém vejo, D o oceidente ao cair, gemendo á terra O seio lacerado, inquietas nuvens E uma espada de fogo menoiada Pelo orchonjo de ha pouco ainda risonho, Bradando maldições. — Horror eterno! Quefizeram,que asfloresse murcharam? Que os animaes fugiram?... Vão banidos, Vão, coitados! chorando d'esses Edens Dos roseiraes do amor, dos frescas sombras.. . Lá se assentaram ebes, tão cansados, Olhando para trás!... Árida a terra, Que os fartava de méis e pomos de ouro, Pungindo o fome, de suor já regam... Já feridos do insecto, o corpo cobrem, D'antes tão bebo ao sol!... Filhos lhes nascem Pervertidos também, nascem nas dores, E que hão-de amanhan, seios que os criam, Partir de mágoa... De miséria os homens Já desfazem-se! — Os céus crescem d'encantos; Á porta do choupana ha quem m'espere, Aos brados de Maria as serras desço Respondendo-lhe á voz, que diz meu nome.

PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

Oh, selvagem que sou, desesperando Desta innocencia e doce lume d'alva Timida, esquiva ao sol que se alevantá! Sobresalta-se amor, os seios prende, Como a conter co'as mãos frias e brancas O coração que foge-lhe; enrubec.em As faces ambas, ambos lobios tremem-Lhe; Ambos olhos, humor de luz vertendo, Nãofitam-senos meus—tristes se abaixam.. Ama! ama! que foge, que suspira Quando ao peito eu aperto-a, quando a assento Nos meus joelhos e de beijos cubro-a, Temendo de eu manchal-a e vendo a imagem Talvez do amor brutal, o amor dos gosos, Delle estremeça embora— ó anjo! ó virgem! Eu nutro-me de amar, vivo porque amo A alma de amor, poesia a arrebatar-me, Que não languir de torpe e de cansada A esvaecer desmaios, que os sentidos, Que o pensamento m e embrutecem, matam! Mas, idade f ebz! ouço-a cantando As cândidas canções da doce infância— Oh, não cantes! se queres que eu te escute, V e m a mim, vem a mim... — Tudo renasce, D o amor o sentimento e da esperança O hymno formoso, que perdido fora, Que a lava a arder das multidões rasgara!
(Atlântico.)

Como ao beijo cora o fronte, Todo encarnado o horizonte, O sol se apaga no mar; As velas abrem-se ao beijo Das mansas auras do Tejo, A barca e a vida a embalar. São muitos que á pátria amante Adeuses dizem chorando —

HARPAS SELVAGENS.

Aonde vão? os céus deixando E a m ã e velhinha a carpir? Vão á fortuna inconstante, Que está de longe a sorrir. Q u e m aquebaflormorena Que, sem rir e n e m chorar, Os olhos corre serena Por sobre as ondas do mar? C o m o saudade pendente Que s'incbna ao occidente Olhando Europa a ficar... Flor d'America; treze annos Sua idade — transição; Sua a l m a — a vida assaltada, Doce e mimosa emoção. C o m o são-lhe os olhos negros, Humidos lábios coral! Quanta graça e puro enlevo N o seu m o d o angebcal! Os tristes drphãos da torra Nos céus s' encontram assim... Param meus olhos sobre ella, Que os olhos parou e m mim. Sombras avultam, se alevontom, crescem, Nos espaços do ar: quem sois? phantasmas, Descobri vosso rosto! — Cintra! Cintra! São as montanhas, são os meus amores Que acenam para mim!... nos céus risonhos Vibrava a luz, as fontes suspiravam, Saltava o coração... E u ouço, eu vejo, N a sombra alvo lencinho se agitando C o m o alma pura, o virginal halento Dos brandos seios que após m i m voara... Alvoroçada grita... eu ouço, escuto: ' ' Novos amores para os teus delírios Guardam os mares.. . segue o vão destino...

PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.

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M e encontrarás nos céus..." £ ella, o encanto D a primavera emflor,dos verdes valles Que á natureza estão sorrindo.. .é ella! E já nos céus tu me esperas, Brancaflorde Portugal, Que a viçar deixei nas serras E está pendida no vai. Ante as procebas levado, SteUa maris de u m dia, Perdura o tempo nublado — Não m e abandones, Maria! Ó beba Cintra! o coração que amaste Deixo-te sobre as serras palpitando De dor e de saudade... Acompanhai-me, Erguei-vos, montes! oceano umbroso, Que as verdes comas erriçais ao vento, Não levanteis por encobril-a os hombros, Não derroqueis-vos, nuvens—Cintra! d Cintra! — Qual meus olhos no pranto, vos sepultam No ether espaçoso os horizontes. (Ilha de Sao Vicente.) Deus evocando o mundo dos abysmos, Apresentou-se colossal gigante! D'homem que era, abrindo os olhos ávidos E a garganta inflammada hiante, riu-se, Julgando u m seu irmão de fronte debe— E sobre o Creador, á humana imagem Que a obra sua ainda contemplava, Lançou-se! —Deu"s, se retirando a u m lado, Viu devorar o monstro á própria sombra, A lhe ranger o coração medonho Nas cavernas do peito! e mais bramindo Quando desenganado, serpe em chammas A hngua como espada fumegante

que npodroçam-te o produzam Outros vermes. subtil e mais perfeito. mais solemne c beba.. contra essefilhoo Deus dos astros Seu raio d'indignado fulminando. Desmaiareis. Espera-vos também a morte do homem? Oh! mais que a d'ehe. — Então.. sem saber que fostes! Gelado pó. Que de dentro dos hombros arrancasse! Nascia o vendaval— mas. amigo! Não podeis. Immenso a vacibor de pólo o pólo. varrendo o vento leva-o Nas infinitos sobdões. dizendo ' ' o oceano Forme-se amargo do teu sangue e a terra Dos membros. a cabeça Alovantando.HARPAS SELVAGENS. Mínimo em corpo. profundo estremecendo. oceano. . V e m do seu coração. nada — B e m como o homem. Dos céus partindo o raio luminoso. O fez despedaçar." E novos homens nascem. e força occulta. foi-so o muro eterno Antepondo de trova á criatura. que não dorme Até o fim? como echo doloroso Pela esphera " quem sou? quem deu-me a vida? Aonde m o levam? donde vim?. E este mar de verdete é sangue humano E m contínuo ferver pobutas fezes. Eterna agitação. Vossa hora hade ser — ao sol parando. Aqueba árida rocha. qual minha alma. . Oceano. suspiro eterno Tendes no peito: adormecei. Levantando u m gemido — e depois. que nada viu mais nunca. onde se quebram Ventos e que não move-se aos naufrágios. " passando. Novas serpentes: nasce a morte. vem-lhe do cérebro O ente que é. om ser cruel grandíssimo I Porque não repousais uma hora. Que ruge em vão. delles. Como o espírito do homem.

. as alvas areias Estão-lhe beijando a planta. Batei as praias. recontra Frágil proa n'um penedo: Noite! o nauta. Grita a soecorro com medo. porque. Fechou suas nuvens. terrível. erguei a voz por entre os astros.. Como depois do estrebuxar de u m sonho E m sublime acordar. Donde veiu? do nascente. Que somos nós. . e se ergueu nos ares. haveis-de Cair desalentado — e procurando-o Embalde neste afan. Norteia o rumo do occaso. Respondem echos da margem: "Páraahi! chegaste ao porto!" E o navegante do mundo Baqueia na praia morto. Vai-se a vida como passa Leve esquife sobre as águas: Adiante espumas ruidosas. forte. Além a tempestade alevantou-se Para açoitar-vos. sacudi os montes. vos domina. Donde a terra se alevanta. incauto andando. Deus onde existe. Atrás desondas e mágoas. Arrasta a quilha. convulso Rugís.—Na penedia negro sulco De fogo u m raio fez!riode fumo Susurra e serpenteia! os céus tremeram. 0 que é*. Que sempre contra mim se ergue a vergar-me Como hastea resistente. Silencio! A sombra de meu pae olhava-me. Próximo... da vida á morte! — Erguei.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. Qual lutei. lutais! Como acabei-me. Despertai o universo! que respondam.

Á noite chegar só ponde. B o m rumo segui. Gemido triste e profundo. Sobtario co'o mar e a fresca brisa. D e algum combate a sombra que passara L á longe! sobre o sol poiso minho alma. Ora errabundo m e debruço ás bordas.— Mas. D e umbradas selvas. á proa sonorosa.. E m seus navios veleiros: Abre a rosa. D e amplas clareiras. mas. qual guerreiro. onde a phantasia Por sobtarios campos adormece C o m o e m roseos setins.HARPAS SELVAGENS. Ruge o negro vendaval — Seguide á leste. ao occidente. o tarde se esváe. Eis-me então perdido N a soledade etherea. atroz. E nas trevas envolvido. sobtario. E vai todo o mar coalhado Dos errantes passageiros. Vendo as ondas que vão brancas volvidas C o m o as plumas do cysne. morre D'além nuvens funereas. nocturno. quando o sol tomba da esphera E no horizonte. Triste. Cercados das ondas várias. A o ideal do amor o pensamento. Somente ouviu-se-lhe a voz. qual? Á tarde.. A meditar cansado ora m e assento. e divagando Á discrição da imagem minha eu erro. Juntos naufragam. a azul bonança. qual sangue fresco. Triste. minho fronte . pelo céu desenham. que suspensas Mil bizarrosfiguras. os céus se estrellam.de castebos. Para onde ia? o não soube: A o pôr do sol caminhando.

aberta Ao longo pensamento. Novos o sol trouxer-me o sonho e a esp'rança. Enche-a de mim. e tu. E eu. Eu não tenho amanhan: toda a existência Minha acabo sempre hoje. E tu.. E u vejo-o á noite Deflorestas. Amanhan inda ha sol. aonde ebes foram Da apaixonada aurora? foi-se o dia. Das águas para o azul cume das nuvens. queimada a fronte. vai-te! d inimiga. Que eu serei amanhan.... São mui longas tuas horas—fujam ebas Como os ais moribundos. Roçou meu hombro doce claridade Meiga.. de Anninhas meiga "porque vejo Tanta tristeza e sobdão? tua alma.. desperto.. que fui? amanhan quando. tão piedosa e pahida Como a luz dos crepúsculos longínquos? Oh! que frieza o coração murchou-te. brinquemos nesta idade Dasrisonhascanções.de sombras povoado. De fogos de pastor. Da existência no albor!" Como eu sonhava A olhar o espaço embalançando estrellas! — E os sonhos meus que eu via... Borboletas do campo aflorcolhamos . como os gosos Bolhas d'ar neste abysmo vivo férvido! A voz das vagas se embateu no occaso: .. embora triste. entre raios Se elevando no vôo arrebatado.. e á grande orchestra Que é do mar a mudez. esp'rança. Oh! desperta. Parando como á voz d'ave agoureira.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. das azas puras. não venhas Mais üludir-me. consoladora De todos.. Sempre mais triste o meu porvir m e aterra. não morres hoje. A humedecer de pd.. acordo . que m e falas? oh. nesse outro dia?.. que tens neUa Que a faz tão erma.

Qual braço de gigante so alongando D a serrania etherea sobre os mares. aos raios da aurora desporece. A cortezia náutica responde-se. que surgem-vos dos fiancos. que e m bandeiras Desdobram bis de formoso esmalte. cheio de conchas O dorso de rochedo ondas lhe cercam. Que a tempestade torva desfizera! . Se elevando da terra a amada sombra: Tocam-se as mãos — ou attracção. Qual seios de mulher que tumultuam Attrahidos do amor. Vem formosa galera a largos pannos Anciosa arquejando. silva o apito. e se recolhe Lento o como se ao peito so encruzasse. que o mar aquece e n'outra aurora Saltam-lhe criação de escamas bebas. Fazendo de alegria estes semblantes. Agora rompe a nau zonas infindas D'ovos. U n s pendões de crystal nas ventas sopra Q u e e m brilhantes vapores. a amante Meiga. — A tromba se desfez. Das nuvens mango esbelta dosponhou-se. volta á bonança Dos recentes rosaes. ou encanto— E torna á treva o prisioneiro. Esbravejam as ondas: convulsivo. que alvoroço A taes novas. indifferente As vai colhendo ebe. —Fragata negra circuleia as azas Sobre a nuvem dos peixes voadores. D e u m cheio pulso igual.HARPAS SELVAGENS. O h como ia monótona a viagem Nesta mortificante calmaria! Tristes campinas d'agua. a onda elevado. Assim do torre O prisioneiro se debruça e pende. Meneia a viva cauda e as barbatanas Limoso leviathão.

do anjo. das auroras rosa E m fogo de rubis. cândido. que os meus a seguem. o cinto aéreo. seja a hóstia branca. No deserto das águas. outra vez nos vamos isolando.. Vaga em tormenta. Ó virgem sobtaria? onde vagueiam Teus pensamentos? que u m suspiro os corta Nesse mimoso. — M a s . do Deus dos mundos — Nem as horas do sol são minhas horas. Cynthia Atravesse o occidente matutino. Que assim te incbnes de cansaço e pendas Na terra assim? D o claro-azul das nuvens São teus vestídosf tua mão na face. se elevou minha alma! Estes raios da noite almo-fluentes Não afagam-me. Como ao encanto de u m abysmo os náufragos! Tempestuoso mar eu tenho dentro. Tua indolência. nem sou debe o mundo — eu amo! Quem foi que fensinou scismas tão longas. Nem é meu.. Todos os olhos não. Resplenda Apobo. Languido d'esse enlevo da açucena. Teus olhos aonde vão? Dos céus chegaste. Porque rugou-se Entre os olhos tão bndarfronte agora? És como a onda quefluctuaesbelta Reflectindo o anilado Armamento— Oh! é no oceano magestoso á tarde. tenuissimo Arfar dos seios. Aromosa a manhan. límpidos se erguendo Igualmente— e de ti mesma esquecida. A noite para mim perde o seu somno. Ou seja o cabx d'oiro sobre as aras Pela invisivel mão alevantado Do sacerdote rei. que o semblante D a harmonia transluz tanta doçura . Todos os olhos na alvejante barca Das ondas sob a curva se encobrindo.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. cor das alvas.

As nuvens se purpureiam Nos immensos horizontes.... O h vãos remorsos! Sombrio abysmo... Desondeia o sol os raios Pelo decbvio dos montes. frondoso Brazil! Os pés na verde esmeralda. ao céu debeioso Dos phantasias magas! tenho zelos D o meu louco ideal pensando neba. d Anna. meu rosto a afagar. Que vém. Qual família que. A fronte nos céus de anil! Requebrando-se as palmeiras Respiram tão docemente! Como virgens encantadas. O regato ergue a corrente. Onde eu possa esconder-me do meu Deus! (Costas do Brazll. Os sentimentosfirma. u m antro! abri-me o inferno.) Salve..E tu respiras? £ rainha vida ao em torno derramada. São ehas que estão cantando — São as vozes das montanhas Por estes céus realçando.. esperando ... Como os ares m e conhecem. pensativo na alma. pincaros frondosos! Salve. Que dos céus vem ao coração! no oceano Que este silencio.80 HARPAS SELVAGENS. Meus delírios! Não arrojem-se os vôos atrevidos Das illusões. Que te alimenta. Ao meu encontro correndo Por sobre as ondas do mar! As aves sabem que eu venho.. Zelos dos sonhos meus—minh'alma açoito. Manchei-a na minh'alma!.

esplendida. aos mares rolam! Ó musa! d musa! acorda do lethargo Dos leitos d'alem-mar. sobre as nuvens erra. acolhei-me ao seio. erguido o vento. Vaga-lhe bvre a india Americana: . Ao céu azul. enamorada D e Amazonas ás vozes. Nua. Á grande voz dosriossonorosos Que. doce amada! D'alma os cantos desprende á voz dos montes. A casa e m festas ennova Alvoroçada e contente: Ó terras que o ser m e deram. dos campos se erguendo. a virgem de Colombo.) É isto as mãos do h o m e m . Cujos leitos são pedras preciosas Onde ella dorme ao vivo sol. que está sorrindo. que embalou-te E acalentou vagidos! É tão doce Nos seios maternaes chorar os prantos — Recebe aos que são teus. Contempla a terra. ó musa do crepúsculo. gelada a Europa! Dos desertos á sombra. D e tua vez dormenta a selva antiga Berço d'alva dos annos. Imagem sua. solta aos ventos. á natureza— Falcão divino. O filho de ha muito ausente. C o m o a José os irmãos Quando d'escravo lhes veiu! D a cara pátria. pátria adorada! (Rio de Janeiro. As harpas se desatem!filhameiga. selvagem. Ó pátria. Cujos seios se entreabrem d'oiro ardente. Por sobre o golfo azul de eterno encanto. volta os olhos D o immundo chão. acorda Os pretos olhos. os cabeUos d'ebano Aos ventos.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. que lhe abalam O deserto e os sertões. beba. Agora.

talvez a idade Represou e m teu peito.HARPAS SELVAGENS. eternal. E acordar. que vai partir da terra. morre. £ minha vido o pesadelo afflicto D e u m sonhar enganoso—quando a aurora Raiará para m i m ? quando este peso Poderei sacudir. Estrellas apanhar. que m e acabrunba. D e amor a terra a commover saudosa Co'o mystico poder que os céus te deram! Este céu tão azul! o sol n'um fogo D e americana luz I este mar verde. D a criação aos cantos. d pae. dá-me só lagrymas.ouvir-lho as vozes. áureos mantos D e opulenta. C o m o o fumo do cedro no horizonte Direito a Deus na hora do crepúsculo. Não entendo porque: parou no peito M e u coração. minh'almo de medrosa Sob si se recolhe e de u m a noite Tão palhda como ella envolta. Torrentes de poesia. levantar-me d'este leito . o peito H a de ao cysne. cheirosa e fresca Vegetação frondeando-lhes dos cintos C o m o vestidos de mulher formosa! Toda esta virgem natureza. Subindo pela encosta ennegrecida Dos pincaros do Sul trajando galas — Roxas c'rôas de nuvens. Vai pender-se dorio.. que se reflectem Boyas luzentes nos espelhos da água. A o seu cantofinalromper celeste! Mas. Cheia a alma de mágica existência. que se esmaltam Aos drgãos perennaes da natureza! — C o m o Chateaubriand. ha de exhalar-se. tudo isto. quando vieres D o novo m u n d o ás encantadas plagas. essa poesia Q u e a muita dor talvez..

se occultando Mysterioso o coração. E ás bonanças do mar alvorea pérola— Vi-a eu minha noiva! o brio branco. Quando esmalta o pudor do rosto as rosas Que a paixão ibumina. Que viagem febz! quanta bonança! Quanto galeroo! as ondas se humilhavam. Titubante o voar. 83 Da terra.. — O h ! meigo sonho! Meigas rolas azues do umbroso Norte. Ó de Paraguassú pátria formosa. mar? quão ledo Nas azas da esperança! Os doces ares Sem esforço levavam-me inspirado N'um vaporoso circulo de amores.) O h minha sorte d'hoje! oh sorte d'hontem! Não m e viste passando.. fugindo Nessa ignorância edênica do riso E do enleio adorável. peregrino. Cercava-a luz dos dias de innocencia.. o astro d'encanto N o meio a scintihar do firmamento. co'as pontas da aza Docemente roçando as tinctas lâminas D o carmim matinal. e nds passávamos. nova alcyone.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS.. quando enfeitiça. Era eba aflornua e redolente E de si mesma bella. (Bania. Por sobre as glaucas ondas. . Viste-a bem. gemei nas selvas! Não que dos raios do oiro se adornasse. Vossa irmã se perdeu. Rosa encarnada. ó matrona brazileira. ao sol nascente abrindo. do verde-lacteo. Respirações do dia. Se debruçavam murmurando amores Nos braços do oceano. Primaverosas graças respirando. Dessa idade fatal. duro e triste e sudorado D o peito m e u que e m forças se desfaz?.

Inda a impressão dos pés mimosos guardas. Que ao vel-a assim. Mesmo o naufrágio amara. miragem pura Emanando-me d'alma á diante... que neba eu penso... Que do fronte espalhais a claridade D e azulado crystal por sobre o templo Das compridas. compulsar minha olmo Quero aos sonhos do amor ou dos perigos Á inquieta vida! — Quão mudados mares! Oh.. O astro se perdeu! d'este horizonte Vejo a terra á meus pés desfabecendo. do amor ao em torno.) Beba barca! Dha minha encantada do oceano.. das languidas palmeiras Que estremecem. Nesse vaivém formoso da innocencia D o roseo verme. (Recife. nos céus se desfaziam! — Por entre a multidão fui como estreba . nos meus olhos Mil vezes eu a vi. na attrocção do abysmo. do zephyro aos abraços. d rolas azues do nmbroso Norte. Ai. Era tudo ülusão. e sombra. nem mais seus olhos O dia m e alevantam.... — Sonho meigo! Vós. Agora os temporaes são meus encantos. D'estes troncos semflorgemei perdidos! Novilunio da humida montanha.HARPAS SELVAGENS. Como tão triste estás! onde a deixaste? — Á direcção do acaso.. em noite horrenda Brigar co'a morte. ella não vem mais.. Começassem então as tempestades. Distrahindo. Ó barca. no convés—quando ella andava. que envergam-se e deslocam Brandos arcos. irradiando o pensamento Pela soidão dos mares? recolhida E tão sozinha ás bordas inclinada.. olhai as ondas! Caiu a noite em mim.

que inda ao longe Conhecel-a fazia-me — qual nuvem Dos céus estivos envolvendo a aurora... esquecido. Nobre. (Maranhão. oh. por trás do espaço Fosse apagada. hóstia lhe viste. Mas. Surge debas. que eu não estranho. foi debalde Que e m tudo eu vi-a! que eba e m nada estava. doce esperança. Verdejantes as trancas e olhos d'oiro..—Meu Deus! turbar-me sinto! Banhar-me o peito ar. Este. Ao sol thessaleo americana Pabas! Á voz do maracá ruidoso e bebo. que livida e perdida D o astro seu. E João-Lisboa abi. errante. é o Trajano aquebe. 85 Subalterna. Porque tinha deixado o azul-celeste Vestido de menina. Lyra d'anjo. desterrado. que o vês. Que a liberdade amando. das canções divinas O formoso cantor. Este. o Falcão. Como ao luzir dos astros no horizonte A vista ao de redor vaidosa corre: Filha do céu.PBIMEIBAS ESTÂNCIAS. O que gemia a sorte dos escravos. os hombros brancos. Alcântara! ... sem luz. risonha..) Co'a pureza da luz movem-se as ondas. o Odorico-Mendes. este é Gonçalves-Dias. o Franco de Sá. aqueUe o Bekman. R o m a n o D a raça antiga. abi. o mytho. O gênio. o conselheiro Serra. E este. Que do passado as tabas desenterra Cheias do canto e as festas do guerreiro. E o sábio velho professor Sotero. G o m e s de Souza. sacudindo a fronte D'entre as brancas oceanidas que o cercam! Mais longe estende-se outra terra. que procuro conhecer—São bndas Estas costas! aquebe pedregulho É u m rei da água.

Por sobre as torres tristemente errando. Negra ossada d'incognito cadáver E m sepultura abandonada! Palhdos. e os passarinhos D a meia noite a andarem nos caminhos. Dos lagos nos concertos incompletos E u amo. Vejo as sombras dos meus antepassados Q u e dos avitos túmulos se elevam — Ilha do Maranhão! lá está São Marcos! L á estão os areiaes e as verdes palmas! Circumda-me e m transporte.findaa chuva. E os somnos ás canções. esta a minha ahna! — Selvagem sou. Este o sol do equador. ás noites invernosas. A m o a voz da cigarra no horizonte. Quero ver ao trovão tremendo os montes O tronco e m lascas atirado ao raio. E u quero ouvir os sabiás cantando Nas mattas. enlevado! E u a m o a voz eterna das florestas N o rezumbir confuso dos insectos. Ver os astros cabido e m seu desmaio.HARPAS SELVAGENS. E os tropeiros que ao longe vão passando. Quero amores á sombra das palmeiras. o enlevo — Deus clemente! Eis que minh'abna emfim se a m o e se alegra Nas ondas suas! Adormeça o corpo A o lado de meus pães — a pátria 6 esta. Perdido na torrente o leito ás fontes. qual da morte A claridade. brando. nos montes eu nasci. mestas. Quero a vida levar entre os louvores Das aves do m e u lar cantando a mi! A m o os costumes e m que fui criado — Quero bvre correr pelas ribeiros. . Por entre as camponezas e os pastores.

D e amor estremecendo. ampleiam. Canta. leve. que o nauta ao vento ensopa. que do ninho e m torno olhando. ao bramir do vento E m sensações as pennas arripia. É esta a minha terra! este o m e u sol! Estes meus ares. Velas alvas. se ando. vinde abraçar-me. a relva. Que triumphante dorme inebriada D'extasis. dobrada popa. e m m i m resvala. Que vaidosas as azas levantando. Aos meus ouvidos se annunciam hymnos Dos ares. Quando osfilhosco'as mães voltam da fonte. Flores. sons dos jardins d'agua salgada. percorre os climas tão saudosos . toda amor. Ringem sob meus pés. que eu respiro n'abna! Esta a sombra que abriga-me da calma. dos céus divinos. co'o ramo a selva. Que a ahna enlevam-me. na harmonia D o amplo deserto. de prazer. ao som das vagas Encantos do areial. E acorda aos echos.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. e enleiam! Subi. corsas das fragas. das soidões. Indo transverso rumo de levante! . offegante Que passa a navegar. não receieís do vosso irmão! C o m o é bebo embalar-se o coração Nos vivos seios da onda a embalançar-ine! C o m o é formosa a nau. Os verdes braços seus. Quando a tarde repousa tão sombria E m presença da noite aos pés do dia. vagas. subi. os areiaes. Vinde. Este o m e u céu da tarde e do arrebol! Suspenso d'estes cumes arenosos Sou ave. Os céus á minha vista abrem-se. esvãos do pensamento! £ este o m e u paiz! — deus que m e fala — A terra.

que em vão'gemer se ouvia. A mim. margem opposta. D o remo o ronco. E m que a terra calou-se e vibra agora.. tão antigas. em que descora A harpa do sol. — Rugir das roupas d'esse gênio vago! — Quanto tempo não faz que eu não ouvia O tergo dos soldados no quartel! Qual voz do derradeiro menestrel. a dor se espalha. Quando do monte a harpa suspendia.. — Gemidos de mui longe. os vabes. Ainda á sombra da lua na choupana Está cantando á viola essas cantigas. a serra.88 HARPAS SELVAGENS. —Longos descontes do ruidoso dia . — V o z . —SUencio. Que eu amava da infância. U m concavo rumor da noite echôa. E eu m'envolvo da noite e o céu tão bello! E do dia m'envolvo — oh. e de amor Abraço-as. Tão tristemente a escrava americana! Pelas dunas estendo-me. D e vozes a cercar toda esta costa. de silencio mystico impregnada. — Uns lamentos fataes so alevantando. nevando a terra. eu revivo Debaixo d'este sol de u m clima ardente! . á face do luar! Ao sol sentem-me ainda a delirar Entre os raios plangentes do equador! De u m céu de negro azul tépido vebo Grosso e bmpido cae. o rochedo. D o fundo dos desertos ululando. os fogos da canoa— Desce o gênio desta hora. beijo. cheio de uma voz amada. — Encantado pavor. — U m náutico estrondar. ethereo e mago. D e pescadores todo o mar se coalha.

Chegam-se as virgem zinhas. os raios dardejando. que jamais se esquecem! A vida minha recomeça agora. A lua. Não é. não é viver. Lhana e tão pura e límpida de enganos Como onda azul nas voltas da corrente. eu paro. Desmaiou-se e escondeu nos seus lençóes. a beba adultera. Na minha alma sombria m e recolho. Fende-se a encosta do abrasor estivo! Acercaram-se a m i m minhas irmãs.PRIMEIRAS ESTÂNCIAS. se achegam E m apertado circulo. Emmudeceram todos me revendo. eu dlho. eu torno a encontrar os doces dias Dos outros tempos. ao peito m e acolhendo. mais crescidas. que commigo adormecia. e m e regam De pranto o peito. medrosas e queridas. Mais sombrias. a reconhecem. o esposo Todo em fogo a surgir dos arrebdes! . Chegam os amigos velhos d'alvas cans: Escutam minha fala. — Marmórea amante.. Vácuo o peito d'ausencia. A andorinha no tecto. Ovento muge. Fugindo. a voz do infante Que chora e o rouxinol. meu Deus. A vida corre aqui tão docemente Como a existência dos primeiros annos.. E eu reconheço a voz das harmonias. Contemplativos tocam-me. quero encher — Sinto necessidade de morrer. a ausência! Á doirada estação da eflorescencia A do horror succedeu—renasce a aurora! Qual d'um sonho desperto. Eu tenho aqui. zeloso A segue. Oh. nascendo alegre o dia. empina-se a corrente.

Vê-te nessas miragens Das tão distantes margens . Abraçam-se ao rochedo O s mares — o arvoredo. „ — E no silencio a lua vai tão beba! E u deixo a tdnia.90 HARPAS SELVAGENS. HYMNO. Nas chammas da verdade Se eleva a divindade. Se exalta o coração! Dos íris se entrelaçam As rosas d'alliança Nos ares. A terra esplende e m flor! D a pátria na distancia O índio forasteiro. As nuvens embranquecem. Olhando aos céus azues. ou deixo o pensamento Perder-se na amplidão do isolamento — E m quanto vou saudar minha donzelk. A quem o lar da infância Já se apagou no oiteiro. Astros os montes descem. que se espaçam E m perennal bonança Por infinito amor. — A bberdado o canto! — Abeluiaes a Deus! Estalam por encanto Os ferros! Prometheus Aos céus subindo estão! Q u e a vil hypocrisia Proclame a tyrannia.

E ao palhdo astro novo Lingua de u m outro povo. Que. N a aurora desmaiou. És a cadente estrella Por sobre noite escura. És onda de Mar-Morto Que não conduz a porto. D o brio e da saudade. saudou. que d'entre arvoredo Frondoso-verdej ante Raiando bndo e ledo C o m o u m sorrir d'infante. S e m brilho e sem voar. O beijo dos amores. . Encontra-se perdida E põe-se a soluçar.PBrMEJRAS ESTÂNCIAS. Os céus por outros montes Formaram horizontes. Que na apparente calma D e nuvem agoureira C o m o dos ventos a ahna Te desenrolas no ar. T u és como innocente Que ouviu o h o m e m que mente. — O amor e a hberdade — Pólos de meiga luz! Virenfaurea bandeira. Descrente e vil. Face que renuncia N a bvidez-sombria O sol d'oiro a raiar! Sol. Azas de philomela Cortadas na espessura. a face denegrida. Dos lábios creadores T u foste. 6 hberdade.

H y m n o s do coração! * Tu. A o sol. Bramindo a terra e os céus. que ao Senhor elevas Harpas do vento e as selvas Roble de scienoia e vida. Osfilhosteus morreram — C o m o a sagrada historia Os vivos esqueceram. Á morta divindade. D a virgem soberana.HARPAS SELVAGENS. virtude. Se empina e estala o mor! . Que foi da luz querida? Que foi do áureo condão? Terra de tanta gloria. dá ao encanto d'abna. Crôas do luto e dor! D a pátria americana. Convulso e m macaréos. d hberdade. Vem. Vendendo aos despotismos Das águias dos abysmos Razão. amor! Raio celeste e palmo D e amor. D a fronte a claridade. se alevantar! — Quando altaneiro rio Açoita ao mar sombrio.

Beijam-me as folhas suspiros. PaUida terra dos mortos Envolvo em fundo mysterio: . " Os queixumes soluçados N o sepulchro materna! Penetrom-me a lança e vibro.NOITES. "Sobtario e mudo e grave N o meio do cemitério. Quando a lua desmaiada Roça os declivios celestes. "Prantos regam-me as raizes. Phantasma pyramidal.) CYPRESTE. (To be or not to be. Caindo prantos na lagem. Desatadas sobre a aragem. " E u sinto pelo meu tronco. Leves trancas desbsando. " Quando arranca dos meus ramos Trêmula sombra e restampa-a Como véu sobre o cadáver Na fria face da campa. " Nos horas silenciosas. Abro os seios aos gemidos Dos mais longínquos retiros. De pranto a face cortada.

D o negro bosque no inverno E u presido ao desfolhar. . louco envolto Qual d'este manto fatal. " Desapparecem. susurram. Ave nocturna a gemer. virgem que chora. " Pelas muralhas — contemplam Acenando ao mundo. " D o u sombra aos ossos da campa.. Minha seiva se alimenta D a que ella perde e a descora. m e rodeiam. á vida. "Quando vem medrosa aos votos.. Desde que estrellas esvoam Até que aos raios do dia Cantos de longe se entoam. E u m a voz á natureza. Mas. " Q u e do peito que inda bate Arranca a a h n a — a coitada Passando embala-me ao vento N'um pensamento levada! " E no socego da noite. Talvez saudades de amor. Amparo-a. desmaiam A o mais pequeno rumor..HARPAS SELVAUÜN». Tenho no gesto a tristeza. " Ai o amante. " N o ermo jardim dos mortos Espectros vejo nascer Irmãos todos. Que na campa da donzella Deixa o corpo e u m punhal. Aos que passam dou scismar. " De negras fobias trajado. vagueiam.. Voltam. aos túmulos dou sombra.

Fria e pabida velhice Desce. cypreste — a rosa Não m e esmalta o coração. Encantos do afortunado. Gemendo ao peso da idade . E depois co'o véu da terra Se encobrindo. Porém. " D e cada encerro fechado Longo gemido se exhala.NOITES. que não se enxerga Nas sombras o envolto leito! Desce." Ó da vida sombra mystica. D o justo a vida se exhale E m berços da meninice. da aurora ao sol posto Plantam mortos no jardim. A VELHICE. " Então. tão tristes caminham Á sua eternal jazida! " Nas sepulturas os vejo Sobre os ossos se estendendo. desce ao fundo vabe — Tão fundo. e adormecendo. D a morte d negra expressão — E u te amo.flordo trovador. Rosa. —Acorda o m u n d o dos vivos Quando o dos mortos se cala. Minha lyra de cypreste Suspira canções de dor. C o m o á terra a palma enverga. a paz leva no peito. Novasfloresque de noite Vingam e m torno de mim.

a saudade! E depois. além.risoda morte Roçou-lhe o vebo da face: Que expressão celeste nasce Noquebe semblante! Forte. Qual se alma lhe arrancaram.. Seu pulso a vida não marca. chegastes! N o caminho não cansastes? . sem rumo a barca. E depois. Mas d'este. n'um mar de prantos..HARPAS SELVAGENS. e rodeia Por toda parte seus olhos: Adiante. Roda a terra do occidente E m passos mui apressados Para o nascente de Deus! Já lhe a fronte empalhdece. Longa a jornada. u m monte se arqueia! D'este lado. Fraqueia o languido passo. Olhando oblíquo. e pára. Já seus olhos se fitaram Longe. estremece! —Tende valor! mais u m passo! D a porta não recueis! Á casa de vosso pae. o espaço. E desce. Naufraga em meio horizonte. E o sol se apaga no monte Por entre nocturnos cantos.. a vida. Lá jazem ao pôr do sol! Murcha ao cume o astro o a frol. Dos seus dias tão pesados. Erguidos tão lentamente. a morte.. tecem-se abrolhos! Atrás. E os montes dos annos seus. Não vê senão mar o céul Toda a esperança perdeu.

sinto dor. ao través do horizonte. Á terra u m h o m e m pendeu. Por estes céus meus olhos se amortecem. As cresta o cativeiro. "Que triste sorte arrasta-me esta vida— Escrava eu sou. não tenho hberdade! Da branca éu tenho inveja. minha ahna é beba Na sua primavera a esponejar-se! Porém nas próprias azas m e recolho. Longe. Tenho amor. entrai! entrai! — Ebe passou. Lá nas plagas de anil piedosos cansam.. A ESCRA. Percebeis " Vagos sons? do echo o fracasso? N ã o ...NOITES. Só para o horror do escravidão perdida Nestes céus não ha Deus! Um Deus como o da branca e os passarinhos.. — Pois tudo emmudeceu: O pd do extenso caminho Sobre os rastos lhe caiu. Minha fronte servil.como o de todo o mundo.. Qual onda de eterna fonte D'entre vozes se sumiu — Voou u m a ave ao seu ninho. E mais veloz que a vida amor eu sinto Abrindo emflore m mim.. eu sou escrava. Como o daflor.. São as etrebas As luzes do seu templo.VA. .. que tem suas Todas horas do dia! Eu sinto a me crescer vida nos annos. E só da escrava não!. Descansando.

E não vejo o m e u D e u s — O Deus da branca. que a gente não m e veja. porque tem todas as horas D o dia todo inteiro! E u sou bella também. . E u nunca o vi nascer. São as estrellas O adorno do seu templo.08 HARPAS SELVAGENS. o Deus dos passarinhos.. O Deus daflor.. Nas sombras da folhosa bananeira.. Quando vejo estrebinhas nos mous olhos C o m o no manso rio. Fazem-me estremecer—raivando escuto Meus soberbos sonhores. talvez.. cansam os membros Somente o cru servir. A lua como eu sou d'alvas camisas. Tenho inveja da branca. Ainda o roseo encarnado do occidente Não posso á tarde olhar.o Deus de todo o mundo.. M e s m o esta hora. Mais que o sua. nervosos medos E da morte o delírio. minha ahna é pura. E os insectos nocturnos m e parecem Denunciar meu crime — O h ! não digam que eu venho ao astro palbdo Minha sorte chorar! E u tenho inveja D a branca.. assim como ella. quando ebe morro. que furto á meia noite A o m e u descanso do alquebrado corpo. Nenhum raio do sol não m e pertence. E u não tenho-a segura! o vento leve.. E só da escrava não!.. E escondo-me. Quanto eu fora feliz! M a s onde a esp'rança? Fugida passo a noite aos céus olhando.

. Junquemfloresservis — maldição! " — N ã o dormido nos braços daquella.NOITES. Muito embora! mas nunca dobrada. onde gememos e m ferros. se encobra!) " Tinha o corpoi de negras correntes Enleiado. Noite eterna do escravo. Que da carne e do sangue na areia Vão lavar-se e de novo scintiham.) " Sou cativo. E o fracasso dos soes que vierem Serão sempre gemidos de horror! "Ainda mesmo que mude-se a sorte Ainda mesmo que m u d e a nação.. Terra. que o roto vestido . D e mulher que era minha. tão m á ! Ai as mãos que as algemas nos t e c e m — São no inferno. A compassos açoites sibilam.. Ruge o branco adornando seu preto Que de dores se morde. 9 ( E m Pariz. Que por terras estranhas vendida Nunca mais eu verei. dos gritos. e u m a face de dor. mais negras. oh eu vi-a Entre as garras d'uma onça incendida! "Tinha o oobo arquejante cruzado Pelo açoite. " E á cadência dos golpes. Mais o horrivel da scena redobra. A MALDIÇÃO DO NEGRO. são lá! " N o silencio do umbroso passado U m gemido recorda esta dor.. ao senhor! " (Nos entrançam com peias na escada. na cor trago a noite.

e lhe a face beijando. Já vendida na praça e por hi A mulher mãe — são Deus os senhores: Fazem a orphã. Que em labores do escravo eram brisas Que m e vinham ao seio acolher! " A deshoras. e formosa Como aflorlhe nascera a feição: Eram faces de u m preto retinto. " — D u r a vida que amava. Separava precanto a donzeba D a serpéa. rainha. " E depois dessa ignóbil vingança. — ai de mi! "Já da mágoa infantil esquecido. nós ambos Seu amor.) "Abre os olhos. Amoroso. " — P o r é m eu. tão cansada D e u m trabalho d'insono soffrer: Os seus olhos e os meus se encontraram.. onde foste? E nem mais minhafilhae a mulher. ( E eu cravei-lhe as cadeias. . " — M i n h afilhacresceu.. Ao mortiço clarão da candeia Minhafilhaafagou minha dextra Lá no rancho palhoso da aldeia.. a viuva. Bem mostrava-lhe e os ferros e o corpo. E entre pranto vi pranto correr. Eram olhos de u m vivo loução. sua vida e seu lar.. sedentos.HARPAS SELVAGENS. Amoroso da pobre filhinha. Diz fazel-a. Muito embora! mas nunca vendido! "Lenta e muda passou. ferozes. sopito o tyranno. fabaz seducção. rendida.. Que em sua mãe via o açoite a cortar.. que no peito cozia Ódio ingrato de u m vil coração.

que frutos lhe dera D e alimento e de amor.. e eu matara Mais mil vezes laivada a pantera! "Fujo as mádidas horas da tarde.. Por invías m e fujo a vagar.. "E eu agora por brenhas erradas. Negras coífas o bosque a embalar: " E m e cercam phantasmas. Mobes raios da lua m e aterram. medrosas Vão-se as feras no antro esconder. B e m de pressa. Como espectro d'infernos armado! " Não que em sangue innocente abnejass Minha faca tingir.. A ambos juntos segui pelas sombras. que ante o riso Dafilhinhaa quebrara. oh! cativo. qual vária mulher Debrante do mundo.. mutilado D o tão cru meu senhor vingativo — Cepa fértil.NOITES. .. " Mas afilhad'outrora tão minha. Secas folhas meu leito da noite. coitada. " E u fui cão de farejos damnados Trás dafilhainfebz e o senhor! E esta faca como inda se escorre E m dois sangues! mas de uma sd cor. passando por longe. Sinto a gritos quebrar do descrer! " Tudo pasma de ver-me! natura Treme ao monstro como ella não gera! E eu sou homem também. aos amores E m seus braços se foi recolher— " Desprezou minha bênção! Perdido. Também Eva peccou no Paraíso! " Mas nas hervas da dor. Leve aragem. Destruil-os pensei! desgraçado.

o peito N e m malvado nem bronzeo é meu: Embebido dos óleos do crime. M e u senhor. malditos — Tenebrosos. sua ahna Negra e estéril. Fébreas bnguas na pebe a correr! " — E eu matei minhafilha. e estas aves Que sibibun.. cá dentro m o berram! " E no eterno da dor sombras lubricas Vêm-me a fronte d'insomnias pisar— Se destorce meu corpo.. desmaiada a virtude? Não sentis da poesia a estalar-vos Áureas cordas de u m santo alaúde? . traidores. calcando soberbos. bebia — E eis o fim desta vida do escravo! " D e outro dono o seu corpo. ainda sinto-lhe o travo D o vil sangue que bebo. ainda sinto Os meus ossos rangendo a tremer.. esgarrada nas trevas. ignavos? " Vds.. Miserondos assombros sangrentos. E m que folga a innocencia. nos vícios Arruinando.eu jálouco... Vós. Negra relva de humüdes cabeças. nos crimes. accendeu: " E d'impuro que estava. D'este inferno de tantos suppbcios — " Oh! quem foi que forjou-nos os ferros? Oh! quem fez neste mundo os escravos? Açoitados. E estes hymnos do sol. em minh'alma Se desfarpa o remorso o colar! "Mas de Deus não sou reprobo. O h são lavas que as veias m e inundam. d brancos.HARPAS SELVAGENS. "Não sentis desfolhado no peito Murcha a paz. famintos. alados de presa sedentos...

E na selva ululada dos fugidos A folhagem 'strugiu. A fugir-vos medrosos. contra a terra . mais o soL D'escura grota á pedregosa borda Lançando maldições Negro vulto sumiu-se. E eu prendendo ouvido. Oco o fracasso. o senhor. quaes lamentos D e longe mar. Quero a triste na morte acabar: E o abysmo que a voz m e sepulta. Sem asylo no m a u coração? "Vossosfilhosjá nascem amando As debcias do açoite brandido. C o m o cães esfaimados se agarram Peloflancoao tapir perseguido: " Nascem vendo do olhar agoureiro Despejados medonhos desolhos — Não nos céus.. E o vento destendeu compridas azas. "Sem perdão a nenhum! vamos todos!" E estendeu-se do occaso o lençol — Tal partiram ás sombras eternas Filha e escravo. " Não sentis os de amor sentimentos. vós viveis qual vivemos Neste inferno de pragas e abrolhos! " E mirrado da vida que eu soffro. E o silencio caiu. V á m e u corpo também sepultar. Se embateram soidões. Mais divinos d'enlevo e paixão.NOITES. Ora os oves e m coro alevantaram Triste cantar.. estranhos. Monótono e carpido.

eu debro! E u só! sem o meu Deus! que. nella crescido Para nella morrer—sempre a miséria! Por toda parte. N e m ouço a voz da natureza ou do homem: Que para sempre os meus ouvidos percam Esses horrores que o meu ser consomem! Emfim. (Sobre as serras de Cintra. vejo-me e m â m na sobdão — Quanto tempo não faz que eu não respiro! Como treme de amor meu coração Se estrebuxando esta alma! Oh. tão desgraçados ambos! U m . Sonora vibração ouço longínqua. que arrastada eterna Lá se prolonga: Ouço dois sons. .) Eis-me só! nem os zephyros m e cercam. Latidos feios: Ouço por pedras deslocadas lenta Cadeia longa D'elos sombrios.HARPAS SELVAGENS. outro. desdenhoso E m troco de u m amor do peito ardente. Despede sobre mim sarcasmo algente! Sem esse Deus! que enchio-me de vido: O h minha doce esp'rança! oh minha crença! Oh! desespero! oh! alma perseguida — S e m ter crime — quem deu-te a m á sentença? Na miséria nascer. profundo D o que geme ecorrompe — ai! que hormoni N o novo mundo! SOMBRAS. Dos ais da crença e o pranto esperançoso. Que abre-me os soios. do que manda e canta. e sempre! vão gemido.

esconde-me. o verme immundo Se julgando febz. nebe pisar O Deus eu vi. como ella Destas pedras nas dobras mosqueadas! Sois meu anjo do amor. que resta? Ventos. Acena escarnicando: " eü-a." E passa a humanidade humüde.. e o ser visível! Negra noite. D o alto mar nos escolhos: "naufragai!" E do homem. se apague o dia.. se ainda o vou chorar. cavernas assombradas! Aqui podem meus obios apagados Se tornar a accender. . Vida. Que! tudo miserável neste mundo Onde as coisas se dão tanto valor! Lamentei-o de o ver. Pensamento de u m Deus. que és tu? Destorce-se convulsa Minh'alma e estala! O rei lá se embebeda Na farça da existência — A morte impulsa Todos á mesma barca. Secou meu pranto. desgraça beba. se dando amor. e quando o mocho berra. quando a terra Passos d'homem não vibram. o espasmo da risada! . embarcai.. Felicidade pode ainda encontrar. V e m o delírio. E rola em choro o mar na praia os mastros! Antro da fera. em ténebros rosnados.NOITES. Meu Éden sois. eu vos amo. Choro e morte a cair da vil matéria. insonte. Ferido o corpo. Cuspo sobre meu ser. se encandeiar. nem dos astros Desce clarão. perseguição sombria. Eu domino na treva o mundo horrível! Fugi de mim.. vagas. que o aleventou do nada! Não quero a luz do sol. á mesma queda: Sobre os olhos aperta a estreita fronte.

verdade fatal. Tudo hei perdido.. Não triumphais de mim.. Meus annos todos. Sombra da tarde.HARPAS SELVAGENS. Minha olmo. Sopra Aquilão. tu ouves Tal concerto do arrebentar das veias Negras d'agro cruor? Não. Vai d'estrebas Urano rodeiado. não m e louves. E tu ouves acaso. todas minhas horas A amor eu dei. estéril som m e u pensamento D e quebrado alaúde. descrentes. frondoso ethereo bosque Despe as folhas do dia. nem vos lamento: Todos! descemos ás soidões do nada. Encostado p'ra o sul pende o Cruzeiro. por vezes soluçando. Nocturno prado de matizes cheio Roça a lua co'as azas prateiadas. secos folhas e m pedaços Partidas pelo vento. que assim m e tragas! Embora aindaficaise eu acabei.. E u buscava do Ser a causa occulta— .. — Oh. Tendes noites também na vida êvada. tenho muito amado Todavia. fugitivo guarda-me: Só tu sabes calar-me a voz dos lábios Amargosos. E m teu socego. e o mendigo vil nojento. D'entre nuvens de aroma o sol vermelho. nos espaços Perde-se. estendendo Por sobre o desespero a branda calma. Dá-me pabidorir. sazonado Cae da tarde através u m fruto de oiro.. Astros brilhantes. Deus. não emmudecei. E u e o nobre. e semfim!meus dias todos.porém m e creias! SOMBRAS..

e m homens. esforço vão! Sombra da tarde. os mudos rios. gemendo A lenta voz do gado. D a fome co'o debrio! E ao espectaculo D a resistência extrema d'entre vascas. e a m i m no meio D o soffrimento que m e dás! E a terra E m m ü fdrmas de amor — e m fruto. Quero ver ainda o sol! Quão malfadada Sorte do homem! quanto mais fadigas. D a vida contra a terra que a revoca E m sombria attracção. A montanha palmosa. Quanto mais dias. Julguei-a minha. a desfazer-se ainda hoje. dias mais implora. Faze cair a noite na minha alma Para u m somno sem sonhos. Melancobco o mar e m seus desertos Embalando a canção dos marinheiros. Quanto mais existência dolorosa. como eu te vejo Presidindo ao teu orbe. Foge. d noite. Delírio. Que estão por toda parte! é melancobco Silencioso o bosque. Horas meigos! Horas da tarde.M a u pesadelo. de mim! lacera as sombras. Hoje a fazer-se.NOITES. Deus! d Deus. quiz d'egoismo tel-a Para dal-a ao m e u túmulo — passou-se. Co'o delírio das vagas do oceano. . e as vozes tristes Dos pastores que estão pelas cortinas D o curral assentados. quem vos fez tão frias Para m e adormecer?. . Os campos.. aos altos céus berrando a boca E e m sinistro brandear rangendo o leito.. esta e m que falo. Para ainda soffrer sorrindo á esp'rança! M e u destino fatal! de m e u não tenho N e m u m a hora sequer. torcendo os membros Ao ar. Perdeu-se. melancobcos. o som das brisas. C o m o és bella Fallecendo entre coros de suspiros.

D o anjo-mãe. Desfabeceu em lagrymas perdida Pendente aos braços palhdos da morte. do anjo-filha que eu amava. enlevamo-nos aos gritos Dosfilhosnossos) resoondo os ares Co'o doloroso estalo. Que estremeço de ouvir-mo a negra historiai Amando por amar. Única esphero sua. dormindo estás! O h réptil creodor comendo os filhos! Quiz comparar-me o ti. Duvidar parecendo da verdade. E m comprida esperança esvaecendo. Suspirando o meu nome e pondo os olhos Nos meus olhos sem luz! tão piedosa. amores toda Co'os desmazelos virginaes e infantes D o puro amor... sendo assassino. em mim te via.108 HARPAS SELVAGENS. e a terra . quebrei-a ao meio! (Eu fui seu deus. criei-a innocentissimo. nds somente de ambos. como em vão teus moribundos Na voz do Deus e amante.. Creação nossa. Repudiada. Amei a formosura: mansa e tímida Seguiu á minho voz — como ainda amo. Indifferente ris. Deus. Buscando-a.. ella espirava. da escrava e da senhora. Sou qual és. ferindo Essa corda. Que era-mo a vida e de quem vida eu era. Que vibrava e gemia a desalmar-se Envergando em meus braços—como fazes Feroz. Cândido brio vivo! Eram meus olhos Lançando o inferno. Tendo no peito a dor—debcias tuas. Depois que vi-me dentro dos desertos Só com ella e comtigo. Que os creadores estender não sabem. eufiztambém. era ahna o que lançavam! Ave branca ondulou morrendo. afinada ao som mais alto.

Pastor do agno que educas para a ceia.. Co'a vista m e rodeio: as aves. juro. Deus. E só meu nome lhe expirou nos lábios! — B e m como os teusfiéisno passamento Bradam por ti. Se absavam co'a fronte. Celestial egoísta d'entre nuvens! Vem-me esta dor da victima de uma hora — E tu quem és." e escuto Que fale dos mysterios de além vida.NOITES. sonoroso o peito. que fdrmas dos suspiros Da victima infinita o ar que respiras? U m a só voz extincta a mim gritava. Material esp'rança! —Porém. O derradeiro branqueiar dos olhos Espasmados nos teus. Senhor. os ventos.. morre. . Uns olhos sd m e olhavam — Deus somente De uma só criatura. mas terrível. Onde fria caiu foi no meu peito. Gelando o sangue Sem ser mais d'este ar vivido ondulado Nas quentes veias. Tomo-a então nestes braços despertando-a: "Espera! espera! agora. porém eterno. a ahna eu sinto de remorsos cheia— E tu?. grossos. que mandas que ebes morram.. Foi-se a minha ibusão. ainda pelos ramos Roto desplume ao ar circumvoando. que dor te exprobram! Que d'esp'ranças hi mortas! luz da vida. creas mundos.. . Se consumiu com ebe e. Porém tu viverás: quando este mundo Já não der-te alimento. exhausto eu morro. E u vi! tudo arrastou seu corpo á terra. Erguendo o coração.. . onde a alma? Qual fui eu. Que ao entrar da espessura nos saudaram. Devastador da terra. Tinham fugido. o rio. tingindo as faces.. Os meus cabebos eriçados. és.

. Pabida e fria. postas mãos. Como a meditação de uma sentença! E animada esta terra. tão pura e tão cheirosa ainda hontem! A meiga ondulação dos castos seios. — Quiz o corpo aquecer sobre meu corpo. puz-mo a soluçar. E m chão de flores Nua deitei-a. Sumirem-se nas faces os seus olhos. monstruosa Onda de podridão! Zumbiam moscas. que nos mortos comem. Pó que da grande massa o vento arranco.fixos. voz lhe dando. Como o fazia outrora. Voavam corvos a grasnar famintos Triumphontes da presa! E u defendia-a Dos ledos vivos. Dias. D e noite. dias Preso a seus pés levei a contemplal-a! — Grandes e abertos sobre mim ficaram Tão vidrados seus olhos. a reconheço 1 acordo! E de homem ver-me. vinha o sol ferir seu corpo. O tronco vegetal parado haviam Vendo-me!.. como a lua rodeiada D e azulado ambiente. desformou-se E m repugnante. . os céus em que eu pensava Existir e morrer! Ouçam-me todos: D e dia. Uni sua boca á minha. esverdeada. decompõe-so.. A escoar-se humor fétido da carne Pura. raios delia. N o cadáver beber lúcidos átomos.ermos.. Eu vi — seu corpo transparente inchando. Eu despertava em meu debrio Ante a realidade! a virgem morta. E a cair torna. (quem a vira e amara 1) E m nojenta. ea si se envolve e perde. Presenciei o mysterio a desfazer-so Parte por parte.HARPAS SELVAGENS. e as trancas Ao seu longo onduladas. Da alvo e beba cintura.

. vorazes e terríveis Levam da natureza a obra formosa! — O h 1 a visão dos límpidos arroios Emanando da fonte crystalhna! — Abraça a que te fora encantadora. Já sem coral. Muito sorriso á boca descarnada. o meteoro Enganoso da noite.. de noite. aflorvermelha E m venenos banhada. Deus d'escarneo? teusfilhosnds não somos! Que sorte de aumento ou de deleites Nesta desgraça deshumana encontras? Da existência o horror bebo. C o m o roupas de u m anjo sobre as pontas D e verdoso juncal. Fujo enojado! com piedade eu volto.. podres rebentaram! Dos seios que f endiam-se. Os lábios negros.. Alva chamma pairava docemente.. troncos amostrando.. Ficaram descobertos craneos. sem beijos sonorosos. O h ! como a terra E o sol e os ventos. e tu soffres? Porque tão miseráveis nos fizeste. tudo alli está! — O h m u n d o ! mundo!.. Tanta dor a curtir!—Deus. os vermes. Tudo. dos olhos. Vapores levantavam-se e m coroas S'inflammando. Vive commigo: dou-lhe cor ás faces. .. Depois. Tomam-no e m si. Da natureza afilhaengrandecida N o seu peccado e morte.NOITES. ossos! O h ! mirradofiqueido sofMmento. Novas fdrmas do humano corpo. b e m como as pluviaes enchentes Quando se escoam.—Depois. perdendo-se. nascem.. e o vém rompendo e abrindo. Ainda é meu amor esse esqueleto. cada qual tomando Sua porção. Dos castosflancosu m soroso liquido Correndo pela terra.. a mulher beba. a formosura.

O carro cantador passa nos campos Entre as rústicas vozes somnolentas. Nada respondem ossos amarebos — Mas.... escuto. essência immortal não saiu delia. Véstios delia á saudade se derramam. dá-me outra essência. Volvendo o pó dos areiaes de prata. bberta-a D'este desejo e carecer. Ara a leiva o colono. Ninguém m e respondeu! apenas o echo Dos ventos quando ossopram mugibundos Como as almas dos mortos te buscando— Porém não posso crer. substitue minha alma Para poder-te amar! Senhor.. que aspira. não posso crer-te. N o cimo das montanhas sohtarias Vou meditar em Deus: "Senhor dos mundos!" E escuto. Muda o meu ser. Dos lembranças do amor é santa a imagem.HARPAS SELVAOENa E ás orbitas sombrias meigos olhos Como soes d'entro nuvens. a mulher aqui não é perjura. humente. N o fundo bosque os acauans soluçam.. Aos pensamentos forma-se a bebeza. de suspiro o vozes — Mas.. Que em mim não creio! Deus. escuto.. Embalde interroguei mudo cadáver. dou-lho errantes Mebifluas trancos á caveira polbda.... o echo apenas surdo Rompendo vai-se do pendor aos vabes Pelos rochedos. exhalam sulcos Cheirosa emanação tépida. E alva carne á aridez do peito que encho D e undosos frutos. Desta morte eterna!! muda-lhe o ser! E tu mesmo trouxeste esta descrença— . óbio ao longe.. na caverna umbroso.. No tronco das palmeiras. E aos cantos seus lamenta-se a espessura — "Senhor dos mundos!" Grito ainda..

que o tinha. rebrunindo A face que olha á terra. e de que eu mais não carecia. em vão baldava forças Sem desatar-me. Sem vento ou voz. que estala e luze Scentelhas vivas. O largou sobre m i m — negra. braços m e enleiavam. Frio vento da sombra que se espessa! Vem! a atmosphera entrou.. Então com azas de u m mimoso fogo. Eba voltando ao ar. mui só. Passando a vida inteira a proclamar-te. Outras sonhava. Meigo abraçar os pés da Eternidade. Da innocencia cheguei ao desespero. O sol se apaga. ás nuvens. como nuvem Que o sol inunda.. que em fim separam-se. e mão. . Mais perto vem I lá vem! sente-se o frio. Se alcantila de trevas. Por onde eu era horror. que não ha morte. O u ao descanso. parado em cima. velei aos teus sarcasmos: N'um deserto. o corpo e a alma E m constante lutar. e horror é tudo.NOITES. Ebe a se desfazer em outros seres. Anoiteceu.. Outras vezes sonhei na concha de oiro Ver-me aos embalos no ar. A escuridade se fazia! perto. levou-o o vento: Assustado acordei—lá ia o sol! —Outras vezes sonhei prisões do inferno.. Sobre minha cabeça achei batendo. mais negra. Pensando em mi e em ti.. esmagou-me em átomos! U m a dor trespassou-me. D a luz ao raio.. Outras. neba se escoando. aos céus. o sol. Outras vezes sonhei morrer meu corpo Porque morria a ahna dentro delle. a amar novos amores. á hberdade ao menos. E a ver de lá o tempo sobre o mundo Voando. Leve fumo se ergueu. de terras vastas. Ar não havia.

Para trás a cabeça. hymno encantado Rompem na terra ao som de órgãos ethereos As aves..dos incensos rodeiada. ora occultava D o sol do mundo uma famiba. os olhos vários E a despejar da boca em sanguo o bngua... da crença. se perdendo D o vida em vida. mas. Vai no horizonte a garça. o arvoredo. "Senhor dos mundos!" mais alegre eu clamo. Dosrisos. desoreio ainda! Sob u m montão de ruínas. Contempla: " A sala do fulgor das luzes. u m tugurio. —Eis no céu as monhans: alvas formosos São do sol o turbante. os regatos. dos amigos. ás praias ermas Deixou ao desamparo o pobre naufrago: E os mercenários vis.. do amor. Que se desfazem n'outros. Antes que adiante siga. outrora Soberba e radiosa. D a meiga adulação. desoppareceram? Parando hoje somente o caminhante Que descansa nas sombras dos alpendres. nesses estorços. escuto. na pobrezo. pelos campos Saltamflorese orvalhos.. As ondas inconstantes da fortuna Sobre si refluindo. e as doirodas Borboletas ao sol se embalançando. De palácio que foi. D o vebudo e crystaL como tem hoje Desbotada a pintura. e pensativo Ao punhal da saudade errando a vista. denegridos . E ou ainda acordava Nas torturas do adeus.. Quefloresçamde ti. E escuto. nem mal o viram Só. — Oh! dá-me ao menos que de t i m e esqueça! Na paz dos corações talvez tu venhas.. Mudando a sorte.HABPAS SELVAGENS.

NOITES.

Tectos que foram d'oiro, e umbral pendentes! Sobre aquellas cadeiras tão quebradas As sedas mais formosas resvalaram, As mais brilhantesfloresse espargiram Naquebe chão, que está sujo, fendido, E glorias fora das ruidosas dansas... Aquebe escravo, apenas da rasoura Ficando, lento o passo, mal coberto, Levado ao vento, os olhos fundos, tristes, (D'antes tão ledos nos serões cantados!) Que anda a gemer, que magro, a mãe vendida, Vendidos os irmãos, vai acabando E m m u d o trabalhar penosos dias... Dias da escravidão como sois longos! Passai, tempo, correi, sumi-lhe a historia!" — U m echo doloroso prolongava-se A o través dos sombrios aposentos, Desolação d'outrora... E fazes mais.. D o mar vanzeiam preguiçosas ondas, Que nas praias ao longe vão quebrar-se: 0 m e u irmão do isolamento e mágoas, Que tão profundo choro! Acaso triste Lamentas m e u delirio? acaso sabes Q u e m deu-te voz a ti, dor á minha alma? Prisioneiro das margens levantadas, £ qual do esp'rito no terreno encerro Teu despedaçamento e m rochas vivas. — Tão árido este céu com tantos astros! Cemitério de espectros luminosos, Fronte de pedrarias recamada C o m ar de menosprezo cortezão, Desprezo o teu esgar!... Descrença eterna, Que inexgotavel calica m e encbeste Nestos horas de dor que arranco ás noites, Dias da alma—que o sol luze á matéria!

HARPAS SELVAGENS.

VISÕES.
Aonde eu vou, Senhor, aonde me levas? Mas isto, que m e arrasta e que eu não vejo, Se é tua mão, então leva-me, leva-me! Tenho fome, e este sangue não m e nutre; Comer não quero em meus irmãos, repugno Sentar-me á mesa dos humanos corvos, Com olhos a luzir de árida chamma Pastar sanguentas pdstas de cadáver, D efilhosteus qual sou — nasci do terra. Tenho sede, e beber não posso em vivas Límpidas ondas, nos meus pés tão mansas! Mas, tenho sede... á tua fonte leva-me, Ó Deus, ás águas onde eu beba a crença. Porque fujo dos homens? porque eu ando A vagar nas montanhas e nas praias, Qual d'outra essência, qual d'areia ou d'ondo Formado, e como espectro, e como sombra Errante uma hora, e desapparecendo Qual sombra hebréa que os desertos formam, Pela arenosa face resvalando? Eu tenho uma família na minha alma De irmãos, de irmãs, tamanha—e porque amo Sd tel-os na alma, e longe debes sempre? Como a dor que Deus dá faz mais amal-o, Nosso amor a distancia o purifica... Depois, que encanto em ver-me a sds commigo E a lembrança dos mortos do passado, A sós co'a minha logryma espontâneo, Que nem sei porque chdro? e sobtario F u m a isolada sobdão, que eu veja Muito longe, que eu só viva no meio, Por mim só, sem ninguém que dê-me a vida, Sombra pesada e vil!... Mas, no deserto eu vivo; nem procuro

NOITES.

Rama d'arvore: o sol queima-me a fronte; Dos seus raios m e visto—azas de fogo, E irradio também na natureza! São minhas virgens as manhans formosas, Porquem morro de amores; amo a tarde, • Que minha mãe simelha; o vento, os montes São meus amigos; minha musa a noite; Noite minha alma e sonhos as estrellas, Que na luz piedosa m e adormecem; Os mares são, os lagos melancólicos O presente e o passado; o meu futuro... Oh, meu futuro! a tempestade e o raio Sonoras velas ao baixei rasgando Que vai sem rumo a naufragar no golfo! Quando cair meu corpo, Se eu uma ahna tiver que Deus não queira, Então irei morar sobre os rochedos Da ave do mar, que dém somente poiso A mim, e o mais, cercado de oceanos Por toda parte e céus, que perca a vista; Oceanos remotos, que passando Alguma vela, qual fanál m e veja Suspenso no horizonte. E se mimh'alma Deus a quizer, d vds, que mais amastes O peregrino das canções magoadas, Nessa pedra isolada como a sonho, Lançai-lhe os tristes ossos espalhados Sobre essa pedra de soidão—á noite Branca aurora virá trazendo orvalhos t Cair fagueira. E se alma nós não temos... Deixai-os ainda lá dormir tranquibos, Tanto os cansara a vida, a sós co'as ondas, Do sol co'o raio, a tempestade beba, D'iris meigo a coroa os rodeiando. Tu, essência immortal do nosso corpo, Que moras nelle e debe não careces,

HARPAS SELVAGENS.

Poisque vais viver sd mais venturosa, Deixa-o, e vai-te! £s o amor, o canto E este vogo anhelar da natureza Olhando ao Todo, se mais luze o gênio. Sd, a asperança nutre-se e m desgostos E nada a satisfaz, grosseira esp'rança! Quer seu dia sem noite além da morte; Se bemaventurada, mais quizero — Que é lei do espirito: " este Dous que importa, Se paramos aqui..." donde vem Lucifer; Vezes donde a loucura, a águia dos nuvens Sempre a querer subir mais solitária; Donde a estatua de mármore vencendo A o estatuario seu. Que fôrma queres tu na eternidade, H o m e m vão? — a dos deuses? a dos anjos? A de u m a aza de luz, tua e distineta? —Immortal és e eterno, como porte D'este Universo intelhgente: ficas, Fico-te ao ar o que do ar tens, e á terra O que for delia... teu. Não morres; volves Á terra, ao ar, a ti, ao todo, a Deus. D o ether são os divinos sentimentos, As idéas eternas e as imagens; D a terra são os seios como os pomos, Asfibrascomo o lenho são da terra. Assim terás a calma e serás forte, Universo te vendo e nebe o Eterno, Que não a embalançar do engano os sonhos D e vaidosa loucura. Quanta vida, Quanta fehcidade assim no mundo! Amor desde o nascer, amores sempre Até nas tristes lagrymas da morte! — Rebgioso terror! aquebe enterro Q u e vai pasando e os sons do sino fúnebres — Avante! avante! ás nossas mãos a terra Doira-se e m frutos, toda e mfloresse abre;

NOITES.

U m a voz doce e maternal ao berço Canta e embala o sorrir da infância nossa; E os amores depois; e inda a velhice D e prazer e ibusão temos fagueira. Temos da vida a imagem ante os olhos, Das estações no circulo e dos dias, Sombras, luzes: eu vejo sempre a esphera D a luz ás sombras se tornar, oh sempre D a propia sombra renascendo a vida! Vejo instructa a terra, aosfilhosvários Hoje a dor, amanhan gososlhes dando, Que se atenham despertos. Mas, deixemos; Nada sei. N o mysterio e m que te ergueste Irás perder-te, d luz de teda palbda, Que ar des emquanto o ar cerca-te a flamma; Accenderam-te aqui, além te a p a g a m — E depois? E depois... Olha a teu lado, Eis teus ossos alli. Filhos da terra, A nós nos levantando, a eternidade Está na successão de vida e morte, N a ondulação das vagas animadas, Que já vivendo neste m u n d o achamos. Digam embora sábios, não sabemos Qual foi o nascimento: vejo a tudo Sempre na mesma idade; houve prophetas Sempre e hão de existir; o dia é m u d o D a aurora ao pôr do sol. Giro dos ventos! Circulo eterno que este sol descreve! Saimos de u m a noite, entramos n'outra, Nós somos u m sd dia, e nds contamos Nossos minutos pelas nossas dores! Como cresces co'os annos da criança, Rindo a luz do semblante aos sonhos d'oiro! Como, se o corpo enferma, te desmaias, Ó alma! Independente foras debe, E os da Grécia e de R o m a vates foram Das faxas infantis, da mãe nos hombros,

HARPAS SELVAGENS.

C o m o quando da idado ás longas forças Pendente o vista, o ponsomonto eterno! Não tens idade, és infinita, és unia; Momentânea a matéria, — o vens seguil-a Crescendo, engrondeeendo-te com eba; Inimigo que é tua, neba vindo Vestir o virgem de pudor, d'encantos, E apodrecer aos postilentes cbmas D a prostituta i m m u n d a — ós o devasso, Que as rédeas do corsel tu as governas! Que vens aqui buscar? perdendo as azas Que são divinas, succumbindo ás dores, Ás torturas humanas! foras louca, Hospede errante das regiões ethcreas, E m vir no lodo repoisar u m a hora, Descansar u m a sesta, e já partida, Á presença de u m Deus ir ser julgada! D o próprio que mandou-te á terra, e dizem O Croador, o Podre, o Omnisciente, A quem não ha passado n e m futuro, Medindo os passos teus antes que os movas! Que miserável Deus, qnando te fazem Simples vontade sua! A razão morto, O corpo vale mais. Cândido filha D'este transcoamento ethereo e cabdo D o ar vivente ao través da humida terra, Flor de gloria, teu ser fragrante e eterno M e d e m teus altos vôos: vais? mais vives; Vais do Universo á absoluta vida! Desta arvore na seiba a vida temos; Nos perfumes nosso alma, divindade Sempre anhelante de nos céus perder-se; O pensamento, o resplendor que a cinge, Nós temos na atmosphera que a circumda; N o tronco, o amor; nos gloriosos ramos, O fruto, asflores,a virtude, a sombra. Se desfazendo o corpo, a ahna nos fica

NOITES.

Na natureza, onde era, na atmosphera Intelhgente e viva, e que vibrava Da matéria ao través, illuminando-a. £ doce amar-se ao Deus da Natureza: Amor, que fazes dor, que a dor confortas! E para amar nem peço alma infinita — Material condição do mundo aos céus. Amemos de amor santo e sem esp'rança (Dos vicios e ambições madre enganosa), D'esse amor natural, que é mais divino Que o de quando nos dizem duramente: ' ' Adora o que á vingança aguarda, o raio Manda e a peste, Deus que premeia e mata!" E a benzerem-se estão, a fronte impura D o medo infame e do terror curvando; Qual na espessura o cântico dos pássaros, D o homem na alma seja o amor a Deus. O sol se apague embora, osriossequem, Da luz pelo interesse e o da água bmpida Não vamos aos altares tão vilmente Lagrymas espalhar; tristes misérias Que de natura são, nossas e debes, Confessar aos sagrados impostores, E depois renovando-as na esperança De serem debes ainda absolvidas A troco de gejuns, de sacrifícios, E m que os céus com as almas commerciam Ao cambio do ministro, o rei sopito Pela alta nuvem: quando despertado Aos latidos do crime, a festa, as preces, Choraremos. — Choremos todo o dia, Movidos de amor puro e pura crença; Triumphe a consciência, e suffocado Estale dentro o coração perverso! São nossos toda a terra, todo o mundo, Os astros, o oceano, a selva e os ares, Nossos vida. e saber. E o homem pede

HARPAS SELVAGENS. O salário dos céus em recompensa D e uma existência cVazas livres, condidas, Que ebe próprio manchou, quando genu : i < l > Sente do vicio as farpas! Condcmnado, O homem crea o mal — que so ergue palhdo Contra o seu deus, oh prole generosa! E os céus ainda, o recompensa ainda Á morte sua e ásboras que passasse Na adoração divina, ou Deus negando E a justiça infinita, ebe não sendo Também lá pelos céus febz e infindo! — Os céus? na caridade e amor buscai-os, Nas doces palmas que a vereda juncam Da vida que é chorada o que sorrindo E m piedosa alegria extingue os olhos. De alma eterna a virtude não carece; N e m por não ser eterna é que os seus crimes Pendem da natureza. E m letras fiammeas Sobre o rosto da lua apparecesse A verdade immortol, e as leis da terra Não fossem mais — oh mundo desgraçado, E u quizera te ver! a lua fora Mentirosa—a verdade faz escravos: Duvidar é viver, e é bvre o homem. — Se eu tenho eternidade, não m'o digam Homens qual sou! no espelho do universo Vejo uma só imagem refiectida, E o sentimento da moral divino Nesta religião da consciência, Que mudo e calmo hade levar-me ao fim. E u sou da terra como o vento e as ondas: Eo vento e os ondas, e os que vêm da terra, Dão seus contos á preço? não são ebes Preço de amor á creação e á vida? Ser feliz é amar, febz eu era Amando a doce mãe na doce infância... — O navegante sol passa na esphera,

Emquanto jorram luz terrena os cirios Sobre a turba sonora e g e m e m órgãos. festejam sinos. É mais bebo este sol de luz no espaço! Como do moribundo á cabeceira Parece a vela insinuar piedosa O caminho a passar. Por eba combatei. que o Senhor amansam. Para a etherea existência voarei! Não é amor divino o que naresp'rança Ama. ao fanal da longitude olhando: Ai delle o que disser: "os sacrifícios Ao nosso corpo. Para o Sol d'este sol.NOITES. o dia traz-nos Aos nossos olhos e o calor ao sangue. Á voz das águas — cheia a natureza . Vou na campina m e deitar cheirosa Debaixo d'este céu á voz dos ventos. que b e m vos paga!" — D e Deus o amor é esse e o pátrio amor? — Ao tal os dentes cairão. que estão se desmaiando. seus lábios Derramando do peito a bava infecta! — Que aos pés da natureza os templos caiam. Que a nds as portas das debcias abre!" O u se não: "dá-vos ouro e gloria a pátria. mudo-eloquente Ebe nos diz "além!" Mais do que os echos Deslavados. muito além debe. Aos dizendo-se apóstolos de Christo Por dizerem: "batei! feri os peitos! Chorai agora! brandi forte os remos D o baixei da esperança! além dos mares D a vida ha porto de ineffavel goso!" Nao ensinem-me os cânticos sagrados — Emquanto áureas abobadas resôam As imagens que impuras mãos talharam. Dos raios ao redor da eternidade. Miram-se estrebas nebe. Troam bombas no ar.

£ tão febz. Se consuma a alma do iugral»»! Á crença. a natureza nos ensina Como a corrente perennal descendo! — Esperanço do goso o amor dos homens. Ao primeiro m e elevo.HARPAS SELVAGENS.filhosdebes. embora o mundo o a sorte. não tem esp'rança — E qual sem ser por gratidão do leite. E sempre esp'rança e goso! Amor da terra Querem dar-te. nem deuses subalternos. . Vãos incensos queimando. e dá poder divino Das suas mãos as debe. Nós somos-lhe a canção. amo o primeiro. cedro infinito. Senhor. Na morte desgraçada amai. Amai a Deus na paz. E pelos mil altares ora vagam. A unidade os cegou: multipbcaram Deuses aqui nascidos. Narisonhaabundância ou na miséria. na dura guerra. Na mochina dos lábios repetidas. que não dessas Phrases diárias trivial sabidas. Amar naturalmente ofilhoos seios Onde nascera e a mãe seufilhoamando. E u não conheço N e m mais que u m Deus. O puro amor não tem. Confirma-lhe a existência a natureza. amai. Seus frutos somos nós.. Homens de terra.. não alimenta Debcado manjar corruptos seios. D e u m sobtario sol! soltar minha alma. —Idolatria eterna! as bentas águas Brutal gentibdade não lavaram: A família christã se degenera Desde a morte de u m só. aos céus voltados Ebe o quiz. Sentir meu coração valente e novo D'inspirações formosas. Nas ondas do prazer amai a Deus. Elege o mundo U m outro agora.

Ou salta-lhe nos hombros: quadro bello Ao tímido mancebo — a turba applaude! Porque não choram carpideiras torres? Ou porque não se alegram co'os anginhos Que antes viram a morte que o baptismc? Já levam d'este mundo o julgamento: Miserandos pagãos aos bmbos vão-se Gemer. Caindo o bvro. ungem.. — Lá se embala na praça o enforcado. Humanas feras. ou homens — Lia a Bibba por noite. Quando o enfado da vida adormeceu-me: " Vôa. Pelas ruas corro.NOITES. Ao caírem se agarram pelas folhas. de fecundas flores Murchas regiões abrir. se não fora Meu amor todo a D e u s — a Deus eterno.. Dos que baptisam ebes. Todos u m coração sangrando mordem." eu sobresalto. . benzem — Miserrimos. indo os gemidos De Christo neste dia d'endoenças. E de u m só sentimento irmão. eu vi monstros do incesto Que. quebuscais? sois como insectos Nocturnos. Todos vivem da vida que era d'outrem. que não dos cherubins aos coros. A uns adorara e outros. Ferinos homens. na morte o foram! — Curvaram animaes antigamente Ás rubras aras d'oiro a fronte do homem. A recolher seus raios que se perdem N o árido espaço. muito mais que as feras. que ante o dia deslumbrados. muito mais que os homens. "Que para si dos seus irmãos tomaram. O carrasco em seus pés se dependura. terra do sol que vem nascendo. E ante os homens agora nos curvamos. ungidos ao nascer. piedoso O mundo vendo—ou terra. A natureza crea: indifferente. Tão néscios. ou bruto.

mais celeste D o que o reino dos céus e o ser dos anjos. mau grado nosso nos fugindo. Se m e engrossando o coração no peito. quo eu não via. Estendi-me no chão dando uns abraços. Como de aurora afugentado sonho. Gênio invisível nos retendo! E u era. — Q u e m o arrasta?. n formosa. Como do estremecer de fobias verdes E as rolas quando voam.e u m perfumo D e boca virginal. O astro vencido. D o circulo cm que eu fora suspendido. E u bem cansado desta morta vida Revivi para a amar! Dentro d'um nimbo Encantado boixei. depois rumores. Beijando uns pés e soluçando amante De amor immenso c de feheidade! Ai a sombra. Agora eu paro. A alma se foi de mim! Rangeram pedras.. ora uma sombra o üiuminava. chorando aos meus debrios! — T u m e fazes u m deus. Aos raios preso que emanavam delia. E eu.. Bem como outrora na cidade santa — Passova u m louco atropebando as turbas. Como por mão levado.HARPAS SELVAGENS. eu olho. oh. que eu via nos meus olhos.. Desencantado em terra. Eu vi fronteira a mim! Quantos amores Não so libravam do u m sentir tão mystico Encadeiados no infinito espaço D'entre os meus olhos o os seus olhos! — e oba. Terna de mim. tu dás-me a crença.. . na ardente febrea fronte E m destroçado pensamento o cérebro M e susurrava. Estrondava. Anna. meu aposento Sem luz. do meu centro em torno! E u sentia uma voz tímida e leve Como brisas de seda m o enleiando Co'asazas vaporosas. —Mais divina que amor.

Áflordo amanhecer m e alevantando. U m a estação da momentânea"infância! —Hoje. o dia d'hoje.. Tu és o signo santo dos meus lábios Quando aláuda em bmpidas endechas De ti falando a amor vem despertar-me! Beba ave do manhan. E eu pensando Do amor na eternidade.. eu recebi tua carta. Nas montanhas o sol!risonhasluzes Pelasfitaceaspalmas nos pendores Se desdobraram reflectindo orvalhos Adiante debe. Viste. quem o seu nome Ensinou-te a dizer? Eis no oriente. E pelo em torno se afinaram rústicos Psaltorios de alegria. . embalançou-se o vento. que eu julguei-te dom celeste e santo. ó Anna. Meus gritos.NOITES. A maldição a ti. Como essas aves que na aurora cantam N o tecto da choupana e estão dizendo Qe o dia nasce. amaldiçoada Seja toda a existência! — Nuvem beba Cobria uma hora aflorque o vabe educa. que m e enganaste. d irmã. eu sonho que de mim te levam. Mesmo sombra de amor.— Porém. Estremeceu a selva... eu perco! Tudo é mentira em miserável mundo! Tu.. meu chorar de nada valem. que eu ame.. Foste a lagryma d'alva. E eu que no meu leito Arquejava dobrado dos maus sonhos. E apparecendo o sol. Dessa existência dúbia a natureza Abrir-se como aflor?assim minha alma.. negra verdade! E tudo não foi mais do que uma sombra. Falsa amizade—não és mais que do homem Hypocrisia meiga. como virgens Que aofimde u m somno sem sonhar suspiram.

Porém. Por isso eu amo a noite e amo o deserto: L á se desatam os prisões magoadas.. E comtigo seficoa sds scismando. Estás cansado de viver? é cedo — Oh! é tão cedo — vive mais u m dia!" Que palavras são estas! inda a terra D áfloresque nos dêm tão grato aroma? Oh. morrer tão longe. Quaes mysterios de morte: e tu disseras M e ufimser amanhan. mudas. Senhor. d meu amigo.. Juntos sempre vivamos.. De dor e de saudade. Encheste-me de amor todo este dia. piedosa mão estendes . E nessa hora. hoje chorando. da alma é que vem-me a sombra pahida. Teu consolo serei.HARPAS SELVAGENS. que ebes mais perto a ti nos levam.. Abi vens. Dor.. Minha irmã. sou mãe tua. orphandade. fala sempre delia—nossa mãe — H a tonto tempo morta!. M e rodeiam Tristes sombras do noite. frios. dá-me também vido: E mimha alma existir. que o sonho afastem D o solitário pensamento — Avante! Não desanimes! tão esmorecido. vens luz das estrellas. onde não saibam D e ti homens e o mundo.. — S ã o teus melhores dons prantos e dores. aos céus rogando Que o triste presentir.. o dd dos túmulos. é na tristeza Sobtaria exilar-se. qual dos mores ao naufrágio E ao moribundo que se estorce e dobra. fala sempre! O que derrama no m e u peito lagrymas. D a saudade a cobril-a. Que seus dias passou salteando montes.. que a vida chore. Rompendo vidas. que de nosso mãe falava*! "Deus lhe tenha a beba ahna! O h não gemas assim. oh. N e m tenho tanto amor.

Rodeiados da morte. A ella voltando. Como se fora uma ave transparente Que as azas estendesse á immensidade. nebá vivendo. o amor — Horas febzes do perigo e dores.. clara e viva Irradiando d'alh p'ra toda parte. Sae minha alma de mim.. palpita. deba partindo. Que do pae se aproximo e tardo e tímido... procurando os céus.. Quanto tire aos sentidos. Cheia de graças. Dando mais claridade ao pensamento. concentrando-se a extinguir-se. mal enxergo-a. aos astros. do Senhor tão bellas! E os náufragos do mundo nas tormentas. Cão que mordera no seu dono e triste .. De uma respiração. aos céus olhando.. —Sobre o mar. aos celestes ares.. bbra-se. D o que o sol. donde a crença. não tem fôrma Nem de áureo disco e nem de humano aspecto — Como a eternal essência do infinito. errando o zephyro. mais pura. Á terra.. Animando-o. A ella os montes estão sempre cantando.. se eleva E m columnas de sombra e de vapores U m templo—nebe a claridade eterna. Sem refracção seus raios trespassando E de vida embebendo este universo.. e esses bardos Que pela terra gemem sem ter pátria. Que de u m só pulso harmonioso e válido. ante os altares Não subiu. São teusfilhoseleitos.NOITES. Como luz..filhoingrato.. Solemnes horas. o mar indomito! D o que a noite diaphana... O mar sempre mugindo. e a dar amor tão santo. arrependido. Brandeiam as columnas e se arqueia Humildemente o mar. Vivo o homem—febz.

Vossa mãe velha. o filho A quem abençoava ao sol nascente. so encontrasses Solteodores mil e u m prisioneiro. Perguntei-lhes:—se fosse o prisioneiro Vosso amigo mais intimo? "Matávamos. podendo Ser úteis inda a ebe e aos que ficassem. Impura ondulação d'infrenes vozes Tolda o espaço: minha alma rocolheu-se Trêmula e fria a emmudecer no peito.. Que te dissessem: voi morrer este homem: Queres bvre passar? mata-o: ou morres! És simples instrumento. a quem na infância C o m seu canto da tarde e os doces beijos Ella embalou e adormeceu. C o m celeste semblante e rosto amigo.. Ás estrellas da noite e áflordo campo! . Porque ebe ia morrer." Se fosse vossa amante? vossa filha? Se fosse vossa mãe? " O mesmo caso.HARPAS SELVAGENS.' Ri-me debes então. quando. Co'a vista lenta e doce o acompanhando. Tal piedosa por detrás das ondas Ia minha alma. nds da morte Sendo o punhal por mãos d'outrem vibrado. Riram-se de mim. Da emanação sonora em vão buscando Além ver através meus olhos turvos. E depois outras vozes m e perguntam: "Indo por u m caminho. Morresse embora.. Assassinos sem sermos. C o m olhos tão de lagrymas olhando Ao filho seu e amor. M e perseguira a sombra do assassino. Se arrasta. oh! a miragem! O templo se desfez á voz do mundo! — G e m e a festa nosfiancosdo castebo. Que farias? " Respondi: bvre sou. eu não matara. esconde-se em logar sozinho.. e nós somente Nossa vida salvávamos.

. ha pouco estava Edificado u m templo. As faces. leopardos.. donde a vida e m lácteas ondas Correra-lhe. Sim. As rosas virginaes tão cedo esfolha? T a m b é m á dor se apagam.. como á onda O doirado fulgor da branca areia. Tão descorada! quem das faces humidas A doçura celeste. co'a minha alma. tendes 0 dia para vós e o m u n d o e as festas. que eu respire — eu te amo. Nós não somos irmãos. differentes. deixai-me. vede. que nada vale. E sorrindo e voando na inconstância — Ó esperança. — V e m . modesta divindade. E u soccgado Á sombra do m e u Deus parava esta hora: Falastes. U m cão já vi morrer salvando u m h o m e m ! Philosophos subbmes. Co'a minha noite e as minhas ondas. os matutinas. horror vos tenho! Naquebes ares. quaes rios espontâneos Dos céus por climas divinaes passando! Ai! piedosa vos pedira a morte. Sua alma de existência. . Que á feminina maternal doçura O peito d'homem não brandiram! vermes. ora o seu filho Io matal-a. foi-se tudo! homens. E m perfumes esta alma da poesia Toda exhalar-me. E clamando por eba ainda do túmulo Co'os esmirrados braços! e eba foge. p'ra vida ainda dar-vos. Deixai-me co'os meus sonhos. Não vinde perturbal-a. homens fortes. Os seios. Vis egoístas de u m mal-seguro dia. d musa. Que se passa a dormir. d terrível inimiga. Já nos olhos teus se extingue A esperança—mulher enganadora. ia romper-lhe os seios.NOITES. Por quem morrem os homens ibudidos.

Não careço de ti. as sombras A abaterem-me I Deus. a esquecer no peito M e u coração. E porém viverá. perder-se O que invio arrasta-se ás tuas portas! . gerações? tu vens terrível Nos furacões de fogo as verdejantes Terras tornando aduatas.. que eu ouça. ou eleva: então m e sinto. so Deus o manda. ouça a ti mesmo: — V e n s tu no galopar da tempestade? Vens no pavor da noite? vens nos astros? N o tempo vens ao derribar passando Gerações. mulher perdida! — Pelos vabes do espaço a vista eu solto Por detrás do horizonte. que se esmago Sob o impossível no estupor que fazes! — O h como fazes debrar. e os impérios. dá vida e força Que eu possa comprehender-te para amar-te! Dizem-m'o os homens. Quando o vasio. o que está desconhecido Refiectir e m minh'abna. Que os meus jardins secoste e as minhas lymphas. de u m a alma entorpecida E de u m pesado pensamento. esp'rança. Onde á voz tua andava a errar! e a pobre Cansada desta vida. V á tranquiha minha ahna d'este inferno. quando as nuvens Ao céu b m p o não traçam mais limites. pedaços e ruínas? — M a s os meus olhos materiaes não bastam. E u morra ao menos sem te ouvir longínquo O canto sirenol. V e m tu mesmo. n e m para a terra. sem tuas vestias Crepitantes roçarem minha polpebra N a morte se estendendo. deusa falsa. Que estéril para mim. E os cidades. N e m para os céus. o amplo armamento O u adormece. Tumido o cérebro. outra não pede. ai a voz dos homens..HARPAS SELVAGENS. ouvir mal posso! C o m o ebes sou.

que e m meus hombros rijo As elásticas azas meneiava..ccaso. o m e u pensamento pressuroso Rolando dentro e m m i m ? Mas. Se encobrindo por trás dos arvoredos. Por não sonhar e m ti dera esta vida. m e ouvindo— eu só! Mas. de m i m tremendo. incenso e amor o templo? Mas. como dos altares Vozes. detençosa Fez dois passos nos céus. drgãos. que tudo fez-se! Ai o infinito comprehender não posso — Donde saiste.NOITES. Conforme á cor do céu.. A lua desmaiando.. E o próprio vento. pelos raios o arrancar ao o. O h ! que pae que tu és! maldito sejas! E pudesse eu dormir somno de u m morto. quem fez o rio? Q u e m foi que do despenho alcantilado Levou-o aos campos e aos saudosos vabes? Mas. D'estes meus braços o suster immovel L á no meio das nuvens. o m e u corpo Ninho desta ave de tão vastas azas?. que u m a voz soltasse E m fumo envolta!. Solemne e cheio.. orioque azul passa e vermelho. o vento que açoita-me estas faces D e condemnado e arranca-me os cabebos? Mas. Este humilde balar da vaga aos ermos! E aquebe sol cobarde vai fugindo A voltar-me seu rosto! se eu pudesse Lá. Fender-lhe o peito. este coroflorestalda terra. — C o m o é sublime todo este universo! Q u e m te negara o ser ? quando houve tempo E m que nada existiu.. Escapou-se também. frente a frente. Deus? ondevivias? Rodeiado do espaço ? ebe gerou-te? .. C o m olhos timoratos de donzeba Que dissimula idéas.

Não.. de sensitiva . incompr'hensivcl E que eu sinto tão ampla. enjeito-a. as velas. Qual pelo coração caíam. m e u peito esquife M u d o arquejando. Estalados lascões. e morro! — E u estava n'um mar de calmaria Amplo e cheio de sol. e que não vão-se Uns astros sobre os outros? elle m e s m o Que ao sol dá sceptro e luz. a minha alma. Leito ás águas dormir. Qual presos pelas mãos na treva eterna Ordenou-se por si ? ou fora acaso A oreação fatal.. Térreos outros. Mal se ouvia-lhe a voz. Os ventos não arredondavam.. palavra abstracta. que m e perde! Elle será quem d'estes mares turgidos A verdura defende. E u sou bastardo? Não sei quem são meus pães — se amar não posso A existência m e enfada. aos pés da natureza A o Creador so humilhe a criatura. todos accordes. azas ao vento. Mais ebe fora.. fria e tímida M ã o seraphica a testa a alevantar-me C o m hberdade fraternal.. bbrando-se embalados Nas azas da attracção..HARPAS SELVAGENS. inferno Desta obscura razão! mofa. Meus olhos De pranto escuros não puderam vel-a. uns resplendentes. queêlstor U m Deus. Roçando minha face a u m doce halento Senti os meus cabebos. tudo se erguendo Segundo ás circumstancias ? — Oh. ludibrio C o m que Deus pisa ao h o m e m ! Deus?. D u r m o N o meio da soidão de minhas mágoas. Acaso o cahos Revolvido incessante ás tempestades. porém cega A verdade immortal. debrio ao h o m e m Quando o queira abraçar? O infante dorme D o mãe aos pés. A orgulhosa infinita. palhdas.

. as devorando. de u m espanto bebo E de nervosas commoções. vem. ao ser mundano. perto de nds. Sem luz de amor. Como os reis do Oriente estão no meio D e odabscas. Ao frescor do luar. tão mimosas. além d'estes amores. incerta. E u chdro. tão brancas. Além. Submarino passando o terremoto. as ondas sepultavam-se Assim.. minha alma Sobre as bordas do nada: lá. — D e repente O mar tremeu. campos se estendiam. E u andava b e m longe! Se erriçava A longas dobras. E u choro á dor que não conhece o corpo N e m teu oiro não cura. Surdo estrondo echoou pelo horizonte. E u sentia a embaterem-se na esphera Os astros. e logo Depois se harmonisando. que os caminhos procuravam Como rebanho alvoroçado. como se a terra Se rompesse debaixo. pesados de morte descaíam *vleu3 olhos. ousada C o m o a piedade e o amor: " Q u e tens? eu tenho Muito oiro p'ra dar-te: ergue os teus olhos D a terra! qual meditas que eba guarda Riquezas tantas. o sol lançara Os raios primogênitos. denegando escassa O teu pão de amanhan. longínqua. virgem beba. nascendo O mundo.NOITES. vem commigo Além desta alma. montes Sobrepunham-se. mais fracas Estrebas ás mais fortes rodeiadas. e logo o bosque e as flores Coroando-os.As mãos presas aos seios assustados. Imploravam perdão seus olhos bebos . . Que era de amante e virgem. e as sombras desdobradas. n e m dei nunca o pensamento Ao sangüíneo motor. mas. muito oiro para dar-te eu tenho!" -Não.

Ao pavoroso assombro de n atura E m vago e néscio susurrar! Ai debe. é como ave ferida. De monte em monte. que ia cantando Pelasrisonhosmargens da esperança Mimosos carmes do equador esplendido. Desprezo ao mundo e maldição a esta alma Que os olhos abre para ser mais cega! Qual onda que ao mar vai levando os echos. D'este silencio estúpido nos astros. Brando e innocente e azul o céu formoso. Ai delle O que desesperou d'este mysterio. nem tenho inveja Ao homem que em seus cabdos estios Contempla o vasto da existência. mugindo ás sobdões e ás noites. ainda hontem! Meu peito aquece a pedra. Trdco a luz pela sombra. Quanto amava a mulher hontem. e sd respiro Destruição e tempestade e morte' Oh! como ia tão fresca a primavera! E eu m e sinto cair dos verdes cumes. Eu já não vivo mais: vês. aos homens. Acabou: tenho ódio aos céus. fala u m defunto A virgem longos braços amorosos. Eo rosto meia-cor: as pousalousas Tal as azas ao sol voando esmaltam. como a fera errante? A m o abraçar a rocha sonorosa.. .HARPAS SELVAGENS. Qual fruto apodrecido pelo inverno. como eu fujo D e ti. Não te aterres de mim. Meu coração é campa solitária Errante pelas naves ruínosas Dos túmulos desfeitos e das sombras D o peito meu. Qual velho de alvos cons d'embira branca Se de viver cansou. e destas mãos Afago as ondas suas que m e cercam! O bardo d'ibusões.

sophistas loucos! Mendigos vãos de dias de existência! E eu inútil do mundo. mudos E m seufixoterror. não quero os dias. sonho de amor.. Vão errar da minha alma! E u estremeço D e que a nuvem que ao sol branca se estende Contenha o raio da desgraça. vejo.. Que espinhados cabebos se amobeçam. que inda existo? a morte! a«norte! E os theologos dizem: nossa vida Pertence a Deus. e as flores D e petalos rosados não destibem N o mel negro veneno. que a dá. que eu vejo. e lasso debes. A gleba D a eternidade os cedros meus não plantam. Que a fronte abse-se aos que m e ouvem. descanso á base D o monte que desci—frondosos campos. Oh! doce aurora! — Era phantasma. vaga viva A querer-se perder. E m cujo seio eu derramasse todo Este amor que m e anceia.. Febz da virgem Que nasceu para mim. N e m olho para o longe. bebas.. a que eu acorde Ao meio dia do amor. Onde as imagens duvidosas. Minha vida n'um ai.NOITES.. amotinada esta alma! U m a ineffavel ambição m e leva — Possuir a mulher. a fronte pallida Nos braços de ataúde inclino e durmo. N e m Líbano sagrado ebe é. que me adormeces Tumultuosa. passar nas sombras Pela esphera a gritar das minhas noites!" —Sonho.. como essas flores Que abrem á força do calor do sol! . • 137 Que se estrebuxa e dilacera as azas Entre gemidos no estertor da morte. Cansado viajor.. a voz de escuridão N a carreira dos ventos misturou-se: "Que faço.

Lácteas manhans o occosos cor do piirpura! Casal ditoso. 6 bella! Nosso universo e m nós. Semprefloresterá.. Essa.. do vento ás vozes Sacrificar aos céus e á natureza O bello corpo nú. Das estrebas á luz. .. que ainda mortas vertem cheiro. E do csctirlate o brilho nfio descoram Quaes os de aurora e de favonio mimos. Mas. Aqui não ha serpente. . anjos selvagens! O s berços de roseiras perfumadas Não murcharão neste Éden. L á das partes do céu o vejo..— o h ! minha noiva!. que ainda estivessem Sob as capellos virginaes fechados. ao encantado amar silenciosa. nós não peccaremos. vindo. Que de mimosa o coração reprendo E busque e m vão de si tirar minha alma. aonde iremos?. Q u e alto o sol. Essa dormindo o somno do existência Desde os seios da m ã e té ao m e u peito. Incendiando de raios o horizonte. viu-se nua adiante delle. Nestes jardins ha Deus.. A o cume dos montanhas. A o doce afago da m ã o alva. e m quem o candor de u m riso infante Se envergonhou primeiro ao gesto ameno. Virgem que sobre m i m primeiro os olhos Accenda de paixão.. sol formoso. sobre estes chmaa Ondula o armamento dos amores. N ã o e m volupios sensuaes desfeita Descamisando-se e espasmando o corpo. nossos amores E m nossos corações... sempre esmeraldas C o m que á relva doirar cintos de enlevos. entre os lirios.HARPAS SELVAGENS.. Flores. Púdica rosa e mflor. Vós podeis começar os nossos dias. A minha fronte Dormirá no regaço mysterioso.

e quando. beba Qual nuvem do relâmpago assaltada. do que passou-se Sem lei n e m crença. E nada foi! Debalde nos meus olhos. eu julguei tudo sendo e b a — Mas. Dos cabebos nos mágicos perfumes. a voz meiga lhe ouvindo "Adeus. vem cedo " e vel-a ainda sozinha. não terá saudades. Quando na sombra das nevadas roupas.NOITES. pela alva noite a lua Nos serões de luar a sós nos viram Longes do mundo. Como a luz. que eu vejo solitária Minha irmã. Qual presa á minha imagem que a circumda Pensativa e tão triste. O h sempre como no primeiro dia. ao ninho amado Vôos levantará. sem rumo a nau perdida! Chamei-a estreba do pastor. os céus sempre evocando Nesse viver de eterno goso! esta ahna. mui longamente o olhar saudoso Por onde eu fui. Dos pés argenteos nos mimosos traços. eu vi-a. Ama-se o anjo — a i tu mulher não eras! . ou morro Nos escolhos. chamei-a Aflordos céus. Voando a me. Á sesta o sol.. Linda face de amor ao beijo. encontrar e a dar-me hnda. as brancas imagens se formando Áminha voz. e sempre. Chamei-a anjo dos mares — salva! oh salvai Porto onde eu tenho de ancorar. Errante ave perdida então somente Ao ninho conhecido. como eu sou por entre os homens. luzentes se perderam Quaes vaporosas pombas no horizonte Quando a esperança é a febcidade. Embora o sonho nos mentisse. Vel-a. Doce dizer lá da alma " como podes Essas horas passar sem m i m tamanhas?..

M a u grado este destino! á indiferença. drphãos. e te desdenham. á doce infância E u sentia voltar-me a vida inteira. nesta alma Cessa a razão—a timidez dos campos. D e menosprezo olhar a ti. brilhando o peito. tem oiro E tanto. meu amigo: nestas virgens. são suas.outros ricos pães lhe levam. Presentes que. Bênção de mãe não teve. á vista perturbar! As filhas. lhes importam B e m pouco almas de amor. — T e respondia eu: então lamento O oiro seu co'os amores seus. mendigos O nome seu maldizem. nada vales. nada vales. somente Os pães lhes mostram oiro. Nus os bracinhos. Ao desprezo o que possa a terra dar-mc! A uma criança outrora amei. a mim voava C o m azas puro-esmalte. mas. Ao descermos á tarde aquebe morro. C o m eba á doce aurora dos meus dias E m cada amanhecer se enrubecendo! N e m já corriam mudos de tristeza E de orphandade—tudo era alegria Delia ao em torno. O u afilhado%principes soberbos H a de ser minha se eu morrer por ella. Ó meu poeta.HARPAS SELVAGENS. que ebas rodeiam.. Chegas — és pobre. potentado. Borboleta do prado. nus os pés de rosas. mas. afugentando Os primeiros negrumes da minha alma. Se és pobre.. Olha. com eba Ao brincar innocente. Aragem susurrante. Que ás salas vai do rei. branco brio D o candor virginal nevado e puro. celestes musas. O homem que lá vês. amor não ha. Dizias. . £ vil traficador. matutinos raios. D o leito alevantava-se correndo.

e vinha exacta Linda abelha que e m m i m seu mel formava. Como das barras da manhan vermelha D o formoso equador— e eu lhe amostrava A natureza esplendida da terra! Ouve-me. e vinha Com beijos matinaes cobrir-me a fronte. sombra minha. Se empedernir m e u coração no peito! — M o f o u da minha voz desconcertada. que pendiam. Taful da moda. Mimosa e ledamente como a cria. eu disse u m dia (era na infância): "Vamos vel-o— desponta alva açucena!" E foi commigo o companheiro ledo. m e seguindo N o cativeiro e m que a prendia amor! Caminhando o céu d'astros. d'entre a saudade Dos hymnos vesperaes cantando os passsaros Pelos desterros da montanha e o vabe. nos cobrimos Dos seus loiros clarões. E nunca mais amou-me. ao festival mancebo. . E os annéis lhe afagando. correntÕes doirados. brandos. Cadentes as palmeiras no horizonte Quaes lâmpadas ethereas. Os estrebosos campos alvejando Como frota no mar. —Olhou-nos a menina. Que eu lhe encostava ao seio perfumado Dessa innocencia angélica—divinas Emanações de amar que exhalam anjos! E vinha ao pôr do sol. Raio meu. trêmulos.NOITES. desdenhosa. D e que o luto e a tristeza m e cobrissem. Na campina orvabiosa salta. Foi-se ao gentil. E u senti meus cabebos se entesarem. E d'entre os meus joelhos. Nas salas u m aflorde mocidade E na lyra cantando os seus amores. Fez u m ar de mulher e desprezou-me. vinha á noite.

eu não sei. Passou-se tudo! os sonhos mais febzes Todos m e abandonaram! O s céus abertos.. Voltei mais tardo. te amava muito I — E u deba separei-me soluçando. quo fazes a mulher tio linda Desde o berço. — Oh! Deus. e vai-se desfazendo. Não vejo aqui sorrir que diga—amor! U m a lua cansado sempre e morta Dormindo pelos cumes dos montanhas.. Que m á sorte é o tua. Amor voltando. ó noites infernaes da minha vida! —Desespero e descrença os céus e a terra! L á não ouço u m a voz que diga — esp'rança.... Sonho qual é. que tuas veias Sangue tão mau banhou! e eu só te amava. que não viveu—sonhava.NS. SOMBRAS. e tão vã! pobre iunooente. Ai foi a morte que voltou com ebo!. O inferno Hoje m'envolve. m e envolvendo o amor! . E sem nunca esquecer....U2 HARPAS SELVA'IF. U m a hyperbole bruta. D e que amor. e o feio occaso Que os olhos a fechar sd lembra a morte! A terra faz-se e m homens — vivos sonhos D o cérebro dormente: algumas horas O espectro zumbe. uns pyrilampos Na abobada celeste pendurados — Áridos mudos campos mysteriosos. O u v i — e u te amo! — Foi mentira. Não vejo a aurora mais do que u m semblante D'escarneo & humanidade. De formosura os annos a coroavam — E eu sem nunca esquecer.

Que é vã fumaça esta alma. Escutei. vem. e sem chegar mais nunca. os meus lábios estalando . T u diceste. Vi caindo a verdade! Eis porque eu morro: Vive quem dorme e sonha. septicismo horrendo. E m vão!. que u m Deus não m e acompanha. Banhar-me do teu somno! E u durmo.. D e esperança e m esperança corre a vida — Existir é esperar: porque eu morri Desde que as velas d'alma erguendo a acaso O m e u canto entoei desta desgraça! Mar sem praias! — seus ventos m e diziam: Não vês lá no horizonte os verdes cumes Juntos ao céu?—Andei! fagueiro e ledo: E tão cansado. fechem-se as azas Sinistras de sombrio noitibd! E u quero amar a Deus e amar os homens: Vai-te. Que era phantasma o ser. eu vivo. os dias meus do sol caindo.. oh. deixa-me e m paz—febz eu sou! Consumiste minha ahna ennegrecida. mentira a vida! E os echos debrantes retumbaram Nesfalma ás próprias chammas consumida. Quero viver — vem. Demônio da alma. passando o vento..NOITES..Negaste-me u m repouso na amizade.. d noite. Philosophia cega. E nem pude mais crer no amor da virgem: E murcho e frio m e recolho ás sombras D a minha vida a m e abraçar co'a morte. Â dor m e uivando E u quiz aniquilar minha existência. vai-te! vaite! Das oppressoras escarnadas garras Solta-me—aos vabes da obscura crença— Esquece-te de mim. Olhei. que o m e u corpo E m cinzas perderá..

. que outrora E m condidas canções eu saudava Nos dias da esperança. por saudol-o dos dois nomes " D e A n n a e de minha mãe"—achei sd túmulos: Palhdo o amor. . Dos rubros flancos do redondo oceano. Minhas irmãs sorrindo.144 HARPAS SELVAGENS. ODORICO MENDES. ergue-te e passa Sem ouvir minha lyra! Quando infante Ao pé dos loranjaes. E m maldições ao ser desta existência. Desordenando pelos hombros d'oiro As perfumados comas luminosas — E m torno a mim não tragas os teus raios. o aroma . palhda a amizade! Achei a minha vida ser tão longa Como o passar da eternidade! E m tanto Dormia as horas. C o m as azas de luz prendendo a terra O sol eu vi nascer. e nas dores de hoje Meus dias de depois eu descontei. E ao Ser que sobre o sol conta os meus dias! E eu. suspende! tu. Vendo as estrebas como nymphas d'oiro Subindo lá do fundo da corrente. Esperando que a lua atravessasse No vobe.A M.. Na terra de meus pães eu despertava. adormecido E orvalhado dasfloresque choviam D'entre o ramo cheiroso e os bebos frutos. que m e assentava ao pé da serra. SOMBRAS. Começando-se a noite a encher de sombras. Sol de fogo. o canto. joven formoso Co'as faces do ctlor que amor accende.

Abriram-se nos céus tímidos astros. e descansando espera. E u vi caindo o sol. sol. Asfloresda trindade se fecharam. como arroio E m pedras estendido soluçando. e nas paredes. Das rubidas mangueiras no oriente. Ainda appareces como antigamente. tristes. Mudas estatuas para m i m voltadas. minh'alma d'annos tênue. Dai-me u m berço e u m a sombra! C o m o invejo Esta vegetação dos mortos!—rosas . Subindo o monte. C o m o relevos Dos ethereos salões. que recolheu-me. Eram teus raios que primeiro vinham Roçar-me as brandas cordas do alaude Nos meus joelhos tímido vagindo. nuvens bordaram As chitas do horizonte. Apenas se amostrou marmórea deusa— Que socêgo! m e deito nesta lagem. Sim. Andando á natureza. Toda innocente e tua. resfriadas cinzas Por onde te resvalas. Que eram sombras daquebes que morreram — Logo depois e m funeraes cobriu-se1 Toda a ampbdão do céu. Meus ouvidos eu curvo. o pensamento Penetra a sepultura: o caminhante Assim vai pernoitar e m fora de horas. Mas o mesmo eu não sou: hoje m e encontras Á beira do m e u túmulo assentado Co'a maldição no lábio embranquecido E amargo o peito. e m e cercavas. Oh! escurece a esphera! os raios quebra. E bate ao poiso. Apaga-te p'ra m i m ! não mais m e canses! Aflorque lá nos vabes levantaste. de piedosa luz a fronte beba. .NOITES. lobregas. Ouviste. Bebos túmulos! verde cyparisso. á terra já se inclina.

não hão-de fazer: n'um só gemido Fundo. Meu corpo também pode alimentar. e hoje m e abandonam.. Oh. Desmaia o céu d'estrellas arenoso — E u fui amado.— Passa além o susurro da cidade. Senão a morte.HARPAS SELVAGENS. Meiões do nada. desapparecei-me! . Sobtario Ás bordas m e debruço do horizonte. como vai longa! Como palpita! E eu d'este principio. mais febz o julgo Quem faz este mystcrio quo m o enleva. a ella unir-se A de amanhan virá. Porto de salvação não ha na vida. prolonga-se qual sombra Negra serpe crescendo e se annelando. amigos. Mudo e sem mais poder fugir-me debe. dores tristes! Todos então ao nada cairemos! E esses onnéis. Nada mais se aproxima. Cadeia horrível! sonoroso e lento U m elo cada dia vem co'a noite Rolando dessas fraguas da existência Prender-se lá nofim— a morte d'hoje Que a d'hontem procurava. Não sei voar: a dor é do passado Que esvaece na vista enfraquecida.. este choro natural dos túmulos Onde dormem os pães. Nasce de mim. Perda — nem eu as azas ao futuro. Comoficao deserto umbroso. do crime o arruido Não... indica. emmudecerão.. E nem quero dormir neste retiro Pelo amor do ooio. Nutro o abysmo de mágoas e misérias. somno da paz. Quem alumia estes caminhos? — Deus. longe. m e trazendo a noite. Estou traçando com dormentes olhos Lá diante o meu logar—oh.

estende A mão que alveja d'ossos amarellos E entoa a canção palhda. E eram minhas horas vagas O febz passar comtigo — Meigo á voz de murmúrio C o m o de fonte entre fragas. Nasflorestasdo horror a alma se ennoita. "Ainda verão teus olhos Ódio e sangue os céus de Deus. de gemer. Quando nessas horas vagas Docemente m e encantavas O pensamento de amor. Por tantas delicias magas Novo sol m e ibuminavas Campos formados de flor. asedeamansa Nas águas da amargura. Ver o occidente a cair. Ainda do m u n d o ao sorrir Tens de soffrer. qual choro Que e m moribundos lábios adormece: " Ainda tens de ver a aurora. Na mesa da desgraça. Seguimos sol da vida até o occaso. V e m a morte5 Piedosa a embalar-lhe o leito. D o pão da vil miséria alimentada. C o m o de mar sem perigo. Vai gemendo a rasgar-se pelas çarças.NOITES. C o m o de fobias do estio. Co'os annos e o passado o tempo eterno Seguindo os nossos passos nos desp*erta E m repetidos gritos: morrem echos N o latejante abysmo efloresmurcham. A vida está minada de desgostos. .

Nenhum vivia para envergonhar-se! — N e m olho ao mundo sem m e rir de vel-os. Tudo é miséria. Dorme. antes quizera Dormir eternamente. o porvir estremeoendo. Mentira dos lábios seus No teu ouvido a vibrar: "Dorme. o dia d'hoje Por trás das costas sacudindo ao nado. voltando os olhos. As luzes do prazer. Se veiu nova luz mostrando o sangue. dorme—na existência Tens amanhan de acordar. homens se mordiam. . vão ao nado Pelas mãos do destino te levando. homem que espertas: Desde ti. E. ao sol somente ossadas! Dei u m passo. Somno da pobre innocencia. Saltadores delphins ledos de vida. dançam. Era a verdade Sd na morte. Apagando o que passa. por trás dos prismas Jogando da ibusão.filhoda desgraça. escutei. Homem.HARPAS SELVAGENS." B e m cedo eu despertei. por desprezo. Era u m festim: as luzes se apagaram Subitamente á exhalação da turba: Confusão infernal! Na escuridade Batendo os dentes. Que abraçando-se á morte. Pela sendo mais doce e mais florida Os passos mais risonhos. o amor como a desgraça! . a perder-se aonde bem queiras. mentem que ha céus — Olha sobre t i mesmo.

) A MINHA IRMÃ MAR1A-J0SK. Quando mudares os dentes. que preso levava N o revoar inconstáwjje.SOLIDOEs. (DU Penates. . Verão cair as saudades Sobre estas águas do mar. Que das urzes entre as moitas Desmaia engeitada? — Avante— N e m da quadra cultivada D o zeloso lavrador? N e m da semente aquecida E m seios fortes de amor? Não foi. não foi—desfallece Co'os mysterios em que a flor D'innocencia aos céus olhando Na mudez pende e na dor. Deixaremos o palmar. Quando fores mais crescida. Quando souberes falar. E este frondoso mangueiro. Na leiva de terra estranha Cae do bico d'ave errante O grão. Prado e relva a sombreiar. V. Perguntam todos que passam: Quem deu vida áflorinfante.

Que nem ésfilhado amor. e passa e deixa a flor. Que com a voz despovoa A tarde assombrada e bebo: . A presa que o morte arrasta. D o liberdade ao encanto Murmurando: o sol é meu! Então. Aos seus banquetes o mundo Espera afilhasem pae. Do coração á voz meiga E u dei-lhe a bênção do céu. Os homens lançam-lhe o preço. És a irmã da pardo rolo Sobtario e sd donzeba. Nesse qual vago saudoso. £s botão mysterioso Que demanhon desfabece. N e m das rosas a brancura A face tua encandece. Volvendo os olhos mendigos Nada encontra aflordo ai. E m vil miséria. Dos palores das campinas 0 teu cobo se esmaece. Ai orphã da mãe perdida. já surdo e tranquibo Á voz que o inferno accendeu.HARPAS SELVAGENS. Que o fogo da alva dos annos Queima. Se ninguém diz-lhe: esperai! Mas. Nesse qual perder da cor B e m dizes que és debü fruto D e adolescente candor: Desanimado crepúsculo E m teu semblante esmorece. descae. ao sol que além desponta. A fronte humilde se ergueu.

Que eu sinto que e m ti desperta. Filha. negra. Canto m e u de inambú-preta. a terra se exila— Coitada afloramareba! Corça morena dos montes. Quando souberes falar. Quando mudares os dentes Deixaremos o palmar: Iremos ver o Vesuvio As lavas aos céus lançar. Flor nos meus jardins aberta! Aifilhada escrava. Teu astro da vida incerta. C o m o tens tanta poesia! M e s m o no teu nascimento D o crepúsculo do dia. minha doce existência.SOLBDOES. Não morre á noite sombria. . Se passa. Bastarda cor de anajá. Escondido na espessura D a Victoria já deserta: Que eu seja tudo o que tenhas. Tu. do m u n d o eu nada quero. E dos brancos no abandono Que te faz tão triste e fria! Q u e m da lyra aos sons desperta. C o m o ao gênio da tristeza. Quando fores mais crescida. Todo o m u n d o te despreza— Que sorte. amor. O ar se cala e m torno deba. que sorte m á ! Não. Iremos á França e á pátria Das loirasfilhasdo mar. tudo aqui 'stá! Vivamos como as correntes D o tortuoso Mapa.

Longe a tarde se esvaía — As noites do Marianno Pelos meus olhos eu via. . Te amostrarei das estrebas A harmoniosa cadência.. Além dos vagos delírios Que vejo nos sonhos meus: Sonhos são os meus amores. Q u e dar somente quiz D e u s — Elle o soube. Tu serás a companheira D a minha triste existência. Ouvirás meus sons nocturnos D a noite na alta dormencia. O vento e a sombra ao e m torno. E as tristes terras do lar Chorarão longas saudades A o deixarmos o palmar. E as tristes aves da tarde.HARPAS SELVAGENS.. que na terra E u nada tenho dos céus. Tu. — C o m o anjo d'azas abertas. Das harpas mysteriosas A virginal confidencia. perfume dos meus dias. Aos céus a criança a olhar. E minhafilhabrincando Era qual mimosa cria N a relva dos praturás. Sonhos ainda eu julgo os teus. E oo longe as águas do mar. Aos pés do velho mangueiro Minha fronte estristecia.

1853. A gente se reunia— E m ledas festas vivemos. Nossas famibas estavam N a varanda do casal: Ai! a harmonia das brenhos Nesses dias de Natal! Cheirava á murta o presépio. E as virgens. Nascia o menino-Deus. E os lêlês que adormeciam C o m as barras da manhan. Gemia o vento nas palmas. (Rio de Janeiro. DIA DE NATAL. Davam as festas os velhos Aos moços. verdura e flor. Fazem annos que na aldeia. E a terra. E as violas nas senzalas. E os chorados da aldeia.S0LIDÕES. Pátria nossa. Qual se gemesse de amor. onde nascemos. encantos seus. encanto e graças. . Tudo passa e vai co'o tempo.) AOS MEUS CONTEMPORÂNEOS DO PERICUMAN. E dos tambores alpestres N o terreiro dos cativos A rude toada ás danças Das crioulas d'olhos vivos. Nossa vida e nosso amor. Á doce quadra dos gosos Succede a do pranto e dor.

á luz tua A treva e m raios brilhou! " E disse eu: juntos seremos. Se possível fosse. a Deus! "Beatriz silenciosa. Arrancar-te á morte. Longe. Juntos se eu for — e teus sejam Os loiros da eternidade! " Hei de ao inferno arrancar-te Para os meus climas dos céus. Nos céus. que appareceu-me D e formosura radiante! . Todo o horizonte sonoro. Que m e disseste que eu sou. N o campo. "Anjo do céu. Estreba d'alva. ao nada. Vasia sinto a existência— E não vejo-a apparecer: O h eba. a esteira de relva. o teoto de anil. Minh'alma perde-se e vai-se C o m o estas brisas do mar. Longe e saudoso a chorar. Açucena de candor — Quanta innocencia aos nove annos Q u e te estão sorrindo a amor!" Porém hoje no desterro.flordo campo. N a paz ou na adversidade. Noites e dias voavam N a alegria tão singela! — M e u s olhos não se fitavam N a minha infante donzeba. a frauta pastoril. Minhas horas vão penadas C o m o tarde a anoitecer.HARPAS SELVAGENS.

C o m o quem vai morrer na alva idos dias. GONBALVES DIAS. por toda parte. A A. que despertou-me. oh deixa! Meiga e coitada mãe. Deixa correr m e u pranto e os meus Soluços. e a consolar-me. Deixando a pátria e toda esta existência Que eu tinha no m e u gênio. Que trouxe o dia á minha ahna. O sonho d'anjo que a m o u — O h eba. Erguendo-me piedoso. Não vagam: desce e cobre a sombra os vabes. D a vida no caminho se enfroqueço. N a sepultura de meus pães chorando. com voz doce " Coragem!" a dizer-me. É noite e sobdão! noite e silencio! Noite e minh'abna! noite e meus amores! Límpidas alvas não respira a lua. procurando o abrigo .SOLTDOES. nos teus hombros Deixa cair-me a fronte mutilada * D o triste pensamento e da tristeza. Erma defloresa verdura umbrosa. N e m d'harpa eoba as vozes não suspiram. Que era como a noite errante! Ella. ou pelos mares. Filha da noite. m e enxugando 0 suor co'os cabebos. Errante como o vento. E que m e disse que eu soul MUSA. o canto d'aivorada. minha musa. — Qual será m e u destino? porque eu choro. D e sombra e m sombra. „ Recolhe-me e m teu seio. e toda esta alma Que aos céus m e embala quando acordo e sonho? Sobtario nas plagas do deserto.

sempre tu — saudosa olhando Para trás ao passado. As cinzas de meus pães.filhoe amores. aos raios solares perfumadas.. Meus cabebos sombreiam minha fronte. oh! u m sepulchro Aonde eu vou cair! C o m o está cheio!. Melancohca noite. Duvidoso na luz. Sempre comtigo sd tenho-me achado. quanto amor eu tinha. Sepulturas queridas da minha ahna! ... Quanta poesia. Musa. e vibra. Coros.. Fundosriosde mágoa e de tristeza Nas ondas levam-me. não vos fecheis. oh! minha musa. Não hão de se ostentar puras e abertas. E o dia não passei rasgando a terra. luzes do m e u templo.fiela m i m sempre te encontro. E o vento no deserto. Dos meus amores. palhdo.. C o m o eu amo-te" assim—sombras nos campos. . e o mar nos costas Longe bramindo. e u m tépido susurro Exhalando a folhagem — Horas tristes! M e u corpo de cansado se desmembra.HARPAS SELVAGENS. Não. todo o amor perdido. as estrebas pabidas. Eis a morte. dos meus amigos. Não mais. Logo no amanhecer! Perdido Cygnus. D e voz divina á espera! E sinto esta alma Que se ha de apagar voltando a aurora.. Sombras nos montes.. Que está pendida sobre o peito. Dos ramos do cypreste. 0'mãe.... vejo-a. eu abro os olhos D e sua mão ao tacto.. Sinto-a que vem andando. Sempre tu. O h ! quanta vida. incensos. Que do m e u peito além já se extinguiram— Hiantes para mim. Qual e m noite de ferro o sol fechado. olhando a diante O astro de amanhan longínquo.floresdo orvalho. que minha mãe deu-me e m morrendo. não te ouvirão.

A gloria também não — áflordos valles Crôa os orvalhos tém. a dor no peito. Senhor. Porém. são teusfilhos. Oh. a hora fatal está soando. de óleos eterna. roxas flores.. Deus. Dorido pranto suffocando na ahna. Embora os turbilhões. que eu amo. abraça-me e morramos! Adeus.. d'estes o gemido. Porém. Também se eleva o fumo da choupana. e meditando. Porque. aos tristes ramos.. nesta idade. Filha da noite. nem sei. Valem tanto p'ra ti zumbido incerto C o m o os hymnos — o mesmo amor os move. u m a harpa que gemesse Passando o vento. não apagues.. Porém ás virgens que eu amei. o astro nascente! Mais u m dia tão sd! dá mais u m dia Á minha vida como a flor—tão pouco Te pede u mfilho. Doces levar-lhe beijos. m e aterra. os tempos não m'esperam. Porém á pátria. Porém á minha mãe deixar quizera Suspendida ao seu túmulo u m a lâmpada D e luz. ao h o m e m que sozinho Parasse. . Cabos vivo da mente incendiada! — A m a s o sol. Tenho medo da morte. o homem. Que dão-lhe sombra.dá! na eternidade U m dia o que é? Senhor! "Adiante! a hora D o destino fatal está soando: Ai do que chega de manhan!" Ó musa.te amam.SOLEBÕES. do pd do tempo. Claridade nocturna e piedosa O leito do anjo alumiara: foram Por eba corações peregrinando. Dos musgos temporãos. que o céu aturvam Dos castebos dos reis: é tudo incensos— O insecto.. bebo universo de poesia. Quero ver minha mãe!.. como os arroios. Raios daquebe.

todo o horizonte E m trepida candura. qu'inda esperam. Anjos nossos. que as azas scintihando Voltam depois. —Eis porque hei medo. que inda vão-se. raras. rindo ignaros. C o m o a palmeira Assim quero morrer. Traçando sobre a pagina das campas Mysterios seus. Que fogem. Estendendo ao abrigo larga sombra. Que a ir tornam-se. eu morra D o estio nas manhans como a palmeira Cobrem voando argenteas borboletas.. Por issorindoe amando. nós então vemos D o passado a miragem. Já poucas. nossos tectos.. Límpido coro dos que amor não sabem. Os louros da Victoria. que por nds sd temos neste m u n d o A virgem pura e os doces innocentes.. Que inda esperam co'os pássaros calados Q u e m longa ausência faz. por onde já descemos. Porém dos anjos rodeiado.tardia. mysterios desta vida. voltam.indo. então vemos errantes Bradando por u m nome. Que o outro amor são prontos—nossas rosas. quando aos golpes do colono Coe o tronco. as azas brancas Inda então m e u cadáver abraçando! — E minha alma viera tão saudosa Cantar o ultimo adeus. Que eu não pude entender e o Deus que adoro! .HARPAS SELVAGENS. u m a porfim. e já nos ares erram Onde os ramas sonoras ondeiavam. Nds.. que a vir tornam-se ainda. que por nds sd temos neste m u n d o A o desamparo os céus. Nós. lenta N o horizonte a vagar. Duas. e e m vão bradando Desentrançam-se e choram pelas margens D orio. nessa tristeza D o soluçar solemne dos sepulchros.

Pelas fendas que o raio fizera Zunem ventos que saltam do mar. Todos iam beber: hoje seca. P ó dos cumes volvendo no ar. V ê que e m torno o deserto se fez. Que repoisam na palma sem folhas. e co'os echos D o horizonte. selváticas descem.S0LIDÕES. áqueba fontinha. Lentasfilhasdos pahidos ermos. Tal os ventos romperam-me a fronte Pura e branca da infância a doirar! Os que passam. da vida no meio. N e m as sombras por ebe se estendem C o m o vagas dos ramos da selva. Quando outrora ruidosa corria.) Oh eu sou como a palma sem folhas Sobtario nas praias do mar. 0 TRONCO DE PALMEIRA. Mar amargo susurra-lhe aos pés: Tal o homem. Debruçadas no roto penhasco. Surja aurora das nuvens de prata. Dizem tristes olhando " u m sd dia!" A verdura perdeu-se co'as aves D'este monte coberto de relva. Longas ondas seu canto entristecem Pelas sombras da tarde. (Na antiga fortaleza de Alcântara. Lisas pedras da encosta lhe rolam. Mudos seios que abrigo lhes dão. Tristes rolas que ao ninho se vão. Rodeiada de areias immensas. Caia noite dos crepés de ümbrõr .

nada encontra Minha vista por longe—murchas hervas E desfolhados troncos m e rodeiam.HARPAS SELVAGENS. Sem as fontes que o pé lhe regavam. ainda é bella. Envergar-se disseras de dor. vós. túmulo piedoso E sombra frouxa. A gemer aos tufões. esquecida. que amigos houvestes. Que não tendes no mundo ninguém. Não sae deste rochedo veia d'agua Para o valle semflor. Vede como s'inobno o palmeira A o jazigo da terra também.— Resequidas raízes lhe estalam. no campo queimado. Triste múmia pelo ar suspendida. Ai então. moribunda á fronte Pendida minha branca e sem esp'rança! Pelo deserto delia eu sinto errante . mudo. Qual da foice do incola negro. R a m a a rama perdendo a murchar— O h eu sou como a palma sem folhas Sobtaria nas praias do mar! TRISTEZA.e o mor mugindo Seu choro estéril a meus pés derrama. Mágoas geme a palmeira aos halentos Que suspira-lhe a brisa ao redor. Noite süenciosa! único abrigo Que ficou-me no mundo! Nesta praia Tão sobtaria m e lançaram! triste. E o cypreste fatal dá-me somente M ã o de túmulo. Só. Descrevendo nos ondas os arcos Ante os raios do sol do equador. Indifferente.

E gemebúndo ao longe o mar contando Desgostos seus ás sonorosas plagas. a terra.. E m fundo occaso palhdo.. sem raio extremo. O h ! como é longo O meu caminho f como é alto o monte Que tenho de subir! á cada pedra Que eu alevanto e para trás atiro. Sem u m a onda de luz. tu mentiste! O perfumado mel que dás á abelha. Olho ao largo. qual outomno Despindo-me dos dias. D a alma a nuvem. Silenciosa noite! aqueba aurora Que eu vi raiando bvida amostrou-me. Que estala e m vão de dor. desventurada minha. se esvaecendo.. U m passo d o u — d e menos este dia M e deixa respirar.. Como m e u coração que e m vão convulsa. folhas mortas A crepitar se escoam. E m tua sombra occulta-me!. E nada vejo meu! dorme o silencio N o caminho deserto onde palpitam Se apagando meus rastos. O mimoso sorrir de que te inundas E poesia dás á natureza. N a minha tumba eu já m e deito: d noite. minha ahna N e m mais sorri de amor. a chorar. — E u sou cadáver A mão divina estremecendo: "chora!" E minha alma começa nos meus olhos Desfazer-se.. Contrahiu-me esta dor. do amor os gritos N e m mais a chamma do m e u peito espertam! Minhas azas caíram.SOLIDÕES.. Co'a m ã o d'oiro espremendo-o dos cabebos. Apagam-se meus olhos na tristeza. . Cansado e morto. Branqueia Aurora abertas margens do horizonte — Ave do Juno desplumondo estrebos Dos sayas ondulantes.. Dos meus pedaços espalhada.

A noite do infeliz não tem manhan. d natureza. ás praias! N a aurora—espero que descaia a tarde. que inda esperais? Acabei de viver—nem soube-o o mundo! — M e u lamentoso adeus somente á noite. e olha Distante o mundo com saudade immensa! Espanta-se da fria e leve brisa Quando os cabellos move-lhe na fronte Sombreada de idades. Que valem paro m i m ? N o terra onde Não ha vegetação. Prendeu-se o m e u nascente ao m e u occaso.HARPAS SELVAGENS. Falta muito p'ra noite. Desperto. Pensei na noite eterna! e desdenhosos Os céus mostram-me ainda o dia d'hoge. Mal fecha a noite—já procuro o dia: Q u e m m e dera esquecer dormindo as horas... do florzinha Que no ramo viçoso se meneia.. e vaciba: é tempo. luz de luares Que vem fazer? Nasci perto da morte. Volta ainda. Que mata-me de novo e m cada dia. C o m quem tenho vivido.— Leito da vida. e vejo o tempo E m seu lento cair: avancei pouco E m querer apressar minha existência — O tempo d'azas para m i m não vôa. D a voz da mocidade que escutou: " C o m o eras toda morte. Debaixo dessas fdrmas b e m fagueiras . ao monte. Seca a fonte de mim. d leito da alma. Consumil-as!. quando u m echo Vago e longe crê perto. D a corrente que deita-se nos vabes. co'a vista Mede-lhe o fundo e foge horrorisado.. d morte. ebe aos rumores Treme de u m nada: a morte (que está nelle) D e todas coisas surde. oh! muito! muito! Chega tremulo velho suspirando Á beira do seu tumiüo.

Não olhes mais atrás deixando o mundo: Nas dores está Deus. — £ tempo 1 á queda apenas destas horas Quebras teu coração. Dou-te a manhan — teus annos recomeça. C o m que tu m e ibudias. que não quebrou-se Passando os annos. Estremece. Se primeiro não visses descarnadas Mentirosas feições da natureza. cansados dos primeiros dias. a socegar—ao Nada! Troquemos os logares. antes das dores.. e de novo. eba assassina. velho ? inda queres vida ? ainda ?. D a vista pelos raios lhe fugindo. Como és febz. debalde: Para onde ? — b e m chega e m toda parte Q u e m se partira ao porto do infinito ! O mundo todo ê sepultura aberta. da esp'rança Não reverdecem ramos que murcharam. ledice e cantos! Hoje. Olhos cerrando atiram-se contentes Á eternidade.. Serpe co'as faces da mulher sorrindo. não tens amigos.. porque essas nuvens desfizeste Que e m outros tempos vi te embebezavam ? N'umafloroccultavas o phantasma Desta verdade ? n'um sorriso amigo A visão negra do desconhecido ? A bondade de Deus não se revela N a mágoa a perturbar da vida o fim . correr tenta. Quando amores não tens. arripiado. Lousa silenciosa o céu. como entre as noites . — Q u e tens. que tanto vives ? quando Outros. N a alegria não salva.SOLIDÕES. te escondendo E m vestidos de amor. Cá deixaras a ahna N a saudade do m u n d o e dos amores. Barbara a doce morte. E volta-se. E o pensamento tímido afrouxado. dás-me a noite.

que m e ensinava Dos céus o nome e o vosso. que descendo ergui! Troncos. . meus contemporâneos. D'uma outra natureza. que o vagido ouviram Quando despertou-me o mundo! Montes.) Tectos. febcidade é toda a terra. VICTORIA. (O casal paterno. d infância! ó arvores. A manhan beba. que correndo eu via A m a a segurar meus passos! Ó sol. que m e u pae mostrou-me.HARPAS SELVAGENS. Aos embalos da voz adormecido D e minha mãe! depois crescendo ao lado Pela m ã o de m e u pae. d bebas arvores. Amor. que vistes-me e m seus hombros Qual vosso fruto balançais ao vento. o orvalho da existência. que homens a sintam — Os homens não m e podem consolar. N e m digo a minha dor.. E u vos saúdo! não desconheçais Hei medo de estar sd com estas sombras. que abaixei subindo! Vabes. e m mi m e encerro. Cândidos annos foram-me. e triste.. E u venho viver comvosco! E u era o Benjamin destes logares! Sítios da minha infância! Então qual concha Pelas auras tangida ao mor da aurora. O infehz sou eu: e m ciro'lo estreito Rodeia-me o prazer e a vida. Julguei que estivesseis mortos! Lua.

Cobri-me deste ramo — a calma ê forte. vê-se a tristeza. N e m mais os lindos verdores D a alegria da manhan. Aonde ebes foram ? despontando a vida' D o áureo nascente a rir.SOLXDÕES.. d meu casal querido! — C o m o está repetindo a natureza Tudo o que se passou!. Os meus dias de amor. solidões profundas. A noite veiu umbrosa e denegrida Por sobre ebes cair. d minha mãe. quanta saudade Sinto no coração! Foi-me teu nome o canto da trindade. 0 m e u casal.. que foi. Como a onda que brinca entre a fragrancia Dos roseiraes e m flor. que existes! C o m o asfloresadiante deba se erguem! Como crescem nas folhas! — Enganosas Imagens através das minhas lagrymas — Depois que o pranto cae. 0 mãe. ..fala. . d minha mãe. nos rumores D o vento amortecido e nas musgosas Fendas e nos destroços espalhados D a fazenda. que tanto dormes L á na pabida campa! vem ouvir-me O lacerado canto das ruínas. N e m mais os doces penhores D a formosa ahna christã. Apenas o echo magoado e lento D a minha voz expira no fracasso D a folhagem cadente. que assola o tempo! Meus roseos dias matinaes da infância. Do ermo assombrado o sobtario canto! — Tudo süencio. Acorda.

pelas faces Lhe errava a claridade que espalhavam — Vdu. E perdeu-se para sempre D o m e u peito o m e u amor. C o m o osfloreosramos d'oiro Brilhando á luz vesperal. a calma D o amor santo e da piedade. Cercado de aves cantando Pelas tardes de Natal. Chorai. Sentinebasfiéisque estão guardando Os túmulos sagrados de seus reis — E u venho acompanhar-vos. O riso lhe ibuminava D a divina claridade— Coroas de resplandores A o m u d o cadáver. D o anoitecer benção. C o m o nos céus ennublados A estreha perde o fulgor.HARPAS SELVAGENS. N a fronte o repouso. D a saudade os meus prantos escutai: — As arvores viuvas se despiram D o verdemar esplendido e frondoso. . Nos tristes céus ennublados A minha estreba perdi — E os meusfloreosramos d'oiro Pelo chão murchos eu vi. E no silencio mystico sombrio São domésticos velhos que divagam Pelos salões desertos dos senhores. eu também falleço. Choremos juntos. neste pórtico T o m o o m e u posto. E u beijei seus frios lábios. flores. aqui fico encostado. Seus olhos se apagando. amigas. companheiras minhas. que pequenos vossa mãe perdestes.

C o m o é triste o espectac'lo da tapera! N o fundo do deserto ondeia o vento! .SOIiTDÔES. M e s m o os cedros pareciam Que soluçando se erguiam. Perdendo o trilho os caminhos. D a criação fugitiva Os pombaes se abandonaram. Todo o horizonte chorava. o gado. Todo o casal desabou. Deixando as fobias os troncos. E o vabe fundo gemia. E os olhos fechados seus: Inda amor seus lábios tinham. Estava no ar a agonia. outras murcharam. As larangeiras do sitio Arderam. Por meio da noite andando. m e u Deus! Eba já morta e chorando. se perdendo Foi com eba e se acabou: Murcharam selvas e prados. Pelos seus drphãos clamando. Deixando as aves os ninhos: Porque o mundo se acabava. Aflor. Que sonho inquieto inspirava. D e minha mãe aos pés aqui m e assento. A escravidão toda errrante.as aves. E os olhos pranto. Se perdendo. Viu-se o 01ho-d'agua secando. Ouço tocando a acampa ave-Maria. Nocturnamente ululava. E eu penetro os annos que passaram. Tudo o que a viu nestes sítios. E de m e u pae o rehgioso accento.

— O echo de u m a pedra. a lei gravada e m táboas. Quando os astros não m e viam Nos grandes vabes do mar. Disse ao propheta: "espalhai!" .. Fala do Zaire ou de Zeyla. Pede que eu morra.. . O amigo de meus pães — ouvide. m e u pae.. Responde a rola ao suspiro D o meu pranto magoado. .168 HARPAS SELVAGENS. E dos amigos melhores Que poude no mundo ter— Escravo dizendo o nome Dos senhores ao morrer! Volvamos aos doces tempos D o ledo e alegre brincar..suspira moribundo O confidente. Quando aos sonhos d'oiro amores Não m e viam delirar— E eis-me sd na soledade Dos desertos do palmar.. o Africano velho. e além no prado E u vejo as imagens mortas.se esmoronam Antigos torreões onde eu nasci! — U m gemido. Debaixo destas fruteiras Renasce todo o passado. Ai do malaventurado! Minha mãe.. pede que eu morra.. Pede ao Deus descido aos cumes D a montanha do Sinai Quando. ouvi. D e meus pães a Deus eu falo N o oratório. Fala do supremo Ser.

Era o sol m e u companheiro Dos montanhas e da selva. (VICTORIA.SOLIDÕES. Ó dias dos outros tempos ! 0 dias da minha aurora ! C o m o vistes-me encantado. d natureza Sd viva para chorar! —Foste agigantada virgem. Vossos vestidos tão novos. Meus campos de antigamente Que longas bobas cercavam. Juntos brincávamos ambos Nestas campinas de relva: Ás mesmas horas dormimos. Casa de palha e retiro Onde o vaqueiro dormia. a noite os rompeu.) Frondosos cedros d'outrora. Fontes de límpida prata. Salve! — salve. despovoa Seus negros cumes o céu. E os mesmas aves cantaram. Que destes sombra a m e u gado.. A mesmo fonte banhou-nos. Beba cohina e penhascos Que no occaso se enrouxovom. As mesmas nos despertaram. Quando na calma do estio Andava errante no prado. £s outomno hoje a murchar. FRONDOSOS CEDROS D'0UTR0RA. Frondosos cedros d'outrora! Brada a noite. Cedros. Bebedoiro e m que eu bebia. .

HARPAS SELVAGENS. E u e a palma éramos gêmeos Crescendo bvres ao ar — U m dia eu era o mais grande, E eba no outro a m e passar. E como os ventos que passam, Ai tudo passou, passou,— E ainda, d cedros d'outrora, Á sombra vossa, aqui estou.

MEUS NOVE ANNOS N'ALDEIA.
(Sob os lllazes de Auteuil.) Aos nove annos crescendo na selva Dos desertos á vida aldeia, Ante a Bíblia meu pae m e ensinava Os preceitos da egreja christã. E meu pae educando minh'abna Nos desertos da grande soidão; Minha mãe, qual defloreso enchendo, Era a gloria do meu coração. Quanto eu era febz nesses tempos E m que a vida é sem dias de horror! E m que os olhos, que aosrisosnos riem, Espontâneos nos choram á dor! Então, vezes na pedra assentado Quando o sol se ia ao longe perder, Triste, triste a meu pae eu dizia: Como o sol, quem m e dera morrer! Entre as mãos o meu rosto escondido, Crendo imagens, que eu via, apagar, Minha fronte estalava e batia, Turbilhão dentro delia a rolar! Abysmavom-me os astros da noite, Aos luares sozinho eu vagava;

SOLIDÕES.

Das manhans a alegria e m minh'alma Qual m e u pae, não sei quê m e animava! E pensando que o m u n d o estivesse Todo aquém das montanhas da aldeia, Que sd Deus fosse além do horizonte M e perdia á visão dessa idéa. — Eu amava do velho Africano O ar mudez, cans a atremula fronte; Longa historia lhe ouvia saudosa C o m o a chuva descendo do monte. E u achava-o á tarde assentado N o batente da porta e na mão, Pobre e limpa senzala guardando, Loura palma á gentil criação. E u amava dos índios o chefe, Arco e frecha, áurea pluma o trajar; Dos siganos o bando esmaltado L á no meio do sitio a parar. E eu tremia ao pensar que outro» mundos, Que outras gentes creara o m e u Deus, Mais que a nds, mais que os vabes floridos, Mais que os astros que brilham nos céus! Que alegria porém nas crianças Quando á rez conduzia o vaqueiro, A o pascer o rebanho, á chegada Quasi á noite de u m cavabeiro! — Santas festas, as salvas do sabbado Quão febz eu amava, oh Maria! Lento o sino dobrando, tão lento Aos cantares da sacra harmonia! E propinquas vizinhas famílias Juntas ledo passando o serão, Exultava de amores a infância, E d'infanciã exultava o ancião!

HARPAS SELVAGENS.

N'alva o sino tocando a matinos, Ria vida ao domingo no céu, Beba, accesa, fumoso a capeba Aos harpejos do cântico hebreu. Derramavam-se pela montanha Longas ondas de u m sol tão formoso Como os sons, como as harpas ethereas Que vibrassem no ar vaporoso! Calmo o tempo, de Deus o descanso Amplas horas faziam lembrar, Muito ao longe u m a pomba arruinando, Longe o gabo na eira a cantar: Tinha o dia mais echos, nos arvores Balançavam-se os ventos mais brando, Doce e mesta canção das senzalas Á hora calma o süencio escutando: Era a caso mais bnda, mais nova; Mais os trilhos abertos, nitentes; Mais alegre o semblante do escravo; Mais osfloresao sol reluzentes. E u amava dos raios do occaso O oiro vivo no campo vestir; Ainda a noite m e achava esperando Pyrihvmpo nos vabes luzir. — O inverno passávamos juntos Reunidos no grande casal, N o verão nossos pães nos levavam Aos retiros, á roça, ao curral. Nos dizíamos brios da lua Recolhidos no seio de um'aza; Lido o sol para a tarde, brincamos Pelas sombras da beira da casa. Sobre o monte as palmeiras suspensas Pelas bordas de u m céu todo cor,

SOLTDOES.,

Quaes campanulas eram de fogo Nas vermelhas manhans do equador. M e estendia amoroso na relva Das campinas cobertas d'enfeite, O u nas toscas fumantes ramadas Dos pastores das vaccas de leite. Amoroso eu nos pé*s m e deitava D a cheirosa laranja florida, C o m o a cria que a sombra procura, Que sozinha se encontra perdida. Escutava a cantar philomela, Que suspira nas moitas do matto, E as palmeiras sonoras que erguiam Bebos drgãos á voz do regato. Perto o vento, passava longínquo E o solar de sensível tremia, C o m o a fonte que vai modulada, Que entre as humidas hervas corria. Tinha areia de prata o 01ho-d'agua, Tinha conchas e encantos sem fim, Redolentes as margens, os peixes Vinham mansos e m torno de mim! — Conheciam-na as rolas do sitio E m seus hombros descendo a pousar, Revoavam os pombos sobre eba, Minha m ã e vindo a aurora saudar: Leda escolta das aves domesticas A seguia n'um coro selvagem, Se eba andava nos ricos pomares Que envergavam do fruto a ramagem. Lhes cobria de grãos o terreiro — Onde fervem quaes folhas na serro, E depois a aza larga estendendo Ficam lá se lavando na terra.

HARPAS SELVAGENS.

Levantavam-se as rolas aos galhos, E passavam as calmos abi; E ao dorso descia dos mansos Bois de carro, a pior bemtevi: E dizer parecia ás crianças, Longa a voz qual dos ermos os trilhos: "Sd as azas da m ã e vos aquecem — E dos ninhos roubastes-me os filhos: Onde os beijos agora que abrandem Sede e fome e a garganta a bater? Oh, que nunca da m ã e vos separem, N e m jamais ouçaisfilhosgemer!" Fundo o meu coração apertou-se Aos pezares que essa ave cantou, Tristes como suspira a ribeira Que a torrente passando deixou. A abraçar minha mãe eu corria— Rodeiou-me o temor de perdel-a: E vendo ella o agoiro, aos meus olhos Triste olhava, tão triste e tão beba! — I d e hoje á Victoria, e vereis... Cae o dio formoso do sol, Porém sobre a ruína, os vestígios D o que foi tonto amor e arrebol! U m a sd larangeira não resta, O olho-d'agua na baixa secou! Cardo agreste cresceu no terreiro, Todo o grande casal desabou! —Oh quem desse voltar ao deserto! Q u e m m e desse voltar ao passado! Quando estava na gloria ao presente; A o porvir, dava u m passo apressado. Lírio 'meigo do valle obscuro, Raio eu era de cândida estrelía—

SOLIDÕES.

Aonde fostes, meus bebos nove annos? Aonde fostes, aldeia tão beba? O h descansos ao cobo materno! O h desertos da vida aldeia! E m e u pae m e ensinava na Bíblia Os preceitos da egreja christã.

RECORDAÇÕES.
f Centro e Altelro.t

Ó tu, que dos teus olhos aos relâmpagos Embalavas minha alma, vaga incerta Caida nos teus pés, e a u m céu de amores Por encanto levada e convulsosa, De ti tão ávida, ampla como as nuvens, ó tu, que á vida eterna a enlouqueceste, Aonde foste? onde estás? virgem co'as fôrmas Das áureas nuvens, dosrisonhosanjos D a alvacenta manhan, porque morreste? Tu, que aos meus beijos presa, tão amante, Tão mimosa de amor, te desbsavas Por sobre mim, tremendo e palpitando C o m o aflore m pendão abrindo ao zephyro; Tu, que nos seios, tão feliz sentias Candente o latejar da fronte pabida, Dos lábios o pungir, e que piedosa Aos delírios de amor, a esses delírios Meus, os teus olhos tão apaixonados E m pranteiada luz p'ra m i m volvias, Teus braços indolentes se enleiando Pelos meus hombros... onde estás?—Ainda amo! Amo-te, eu sinto-o: destas sombras fujo, Das gratas sombras que eu comtigo amava; Fujo dos cantos ao luar á noite,

HARPAS SELVAGENS.

Poesia nossa e harmônicos enlevos Quando, teu peito a tresbordar d'esta alma, Emmudecios ao pensar tão longo De sentimentos ignorados; fujo, N e m quero ouvir a musica dos harpas Que no meu coração notas coavam; N e m quero os cantos ao tremor dos bosques, D a fonte as vozes ao clarão da lua! Sonhos tão bebos que o amor geravam, Como já do passado tristes vindes Desta sombria morto a rodeiar-me, Roçando-me a passar! E u estremeço, Mas, resignado espero a minha sorte; Como a ignorante ovelha d'entre çarças, Que pasma ao céu que relampeia e estala Negro ao pestanejar do deus dos sombras, Que sacode a cabeça e nada entende E solta ermo balido, assim eu sou. — ó vida desgraçada, d minha vida, Que mortal te vivera se eu não fora? Dos homens longe, a sós, assim na terra, D o meu ser a rugir á dor que eu sinto Lá dentro d'alma a remorder-me! os vivos Aterrando de mim, persigo os mortos! E u careço de amar, viver careço Nos montes do Brazil, no Maranhão, Dormir aos berros da arenosa praia D a ruinosa Alcântara, evocando Amor... quero volver á solidão! Quero fugir d'Europa, e nem meus ossos Descansar em Pariz, não quero, não! — Oh! porque a vida desprezei dos lares, Onde minh'alma sempre forças tinha Para elevar-se á natureza e aos astros? Aqui tenho somente uma janeba E uma geira de céu, que u m a só nuvem A seu grado m e tira; e o sol m e passa

SOLTDOES.

Ave rápida, ou como u m cavabeiro.— Lá, era a terra toda, era o sol todo, E e m m e u céu anilado eu m'envolvia, C o m o as águias se perdem dentro debe! Ingrato o filho que não ama os berços D o seu primeiro sol. E u se algum dia Tiver de descansar a vida errante, Caminhos de Pariz não hão de ver-me; Através dos meus vabes sobtarios E u irei m e assentar; e as brisas tépidas Que os meus cabebos pretos perfumavam, Os meus cabellos brancos na aza tremula Gemendo volverão: quando eu nascia, O halento primeiro ehas m e deram; M e u ultimo suspiro eu lhes darei. Quando eu for navegando á minha terra, A viração mareira no m e u rosto, S'espanejando esta alma no oceano, Começarei amar! e o sol co'os raios, C o m o braços de amante, as mariposas, As ondas inconstantes afagando, Amansando-as, de amor e m rebeldia; E a lua alva formosa, como a rosa Que as pétalas vai todas desdobrando, C o m o virgem de amor descamisada Que o seio a arregaçar dormindo eleva, Que e m seus leitos de azul resvala, ondula; E as longínquas montanhas fumarentas A balançarem na água; e o nevoeiro Dèsrolado dos céus, difluso ao longe N o horizonte; e quando ásfloreasmargens D a pátria o m e u baixei ledo enlevado, Ginete inquieto aos sitios conhecidos E u vir, sob os meus olhos que u m a lagryma Partem, partem de alegres, as palmeiras, Osriosmeus, os campos meus saudosos,

não olham. abandonou-me Ainda infante. M e despertaram. Minha alma errante. pelos céus. Tudo que eu amo. e a terra em densa vestia coe. de voar nas trevas Fecha as cansados escorridas azas. em nós nascido. celestes. o meu sol d'oiro. e sobtario Como o Job piedoso eu sou. não sei mais debas. se perderam! Perdi tudo que amei. Chorando do alegria ou de piedade. Os meus lirios cheirosos. meu pae também morreu. abrindo os braços. E u dormia o meu somno de acordado. E os meus amores.HARPAS SELVAGENS. negrejante fumo Corre. O ancião com fronte de meu pae sisuda.—então. minha sorte! Minha mãe. E que eu primeiro amei. E nem a morte eu sou—quanto hei tocado Tem-se desfeito! asfloresdo meu berço. e louca Seus vestidos ao vento desatados E o humido cabebo. então morrer. . que eba quiz primeiro. Quando amortece a dor — olhos desvairos. oh. tudo m e foge. Os companheiros meus da meninice Nos prados. Não! —quando sonhando Auguram-me abandono. prescito Contrahe as faces. as gentis adolescentulas Meigas. Meu pensar ofadiga-me: do mundo Fugitivo eu serei... — Cheias de raios e trovões as nuvens Arrastam pelos céus elos pesados D e cadeia inegual.. que os encantos eram D a minha aurora e causas de amargura.. Os anjos do meu sonho. Deslavados das lagrymas. Minhas doces irmãs. O céu estremeceu: de azul. a vejo Gêmea do mesmo amor. Por nós creado. que amemos tonto! Vejo-a correndo não sei donde.

Ignorado do Ser." — Se cava. Amor. sobre m i m seu corpo inclina.filhodas estrellas. unidade absoluta.filhosda crença. Onda de amor.. não sabemos Teus latidos ouvir. do que sentira. Donde viera: "passa. Errante como a onda. debrios torvos E m candentes marasmos revezados. Como frescor da tarde m e alentando. ou canta.. Qual sem saber de si. — A sombra da palhoça americana. do mundo Exulado e faminto e sem abrigo Á ventania. qual delirante. E eu sinto a sombra e o murmúrio brando — Quando eu acordo! E que m e importa o mundo? E que m e importa o céu que m e abandona? — O poeta. ou "na desgraça Curte saudades do que vai passando Levado pelo tempo. Sem depender da terra nem dos astros. Palma ao sol. o coração m e embala. O u amo. e que ebe amara. dos céus. Pobre escrava de amor. Tão fundo. ao pólo eu sigo. 1 Phantasma que sumiu-se espavorido. e farto nunca. ou lagrymas derrama Dos homens á miséria. A o ver-me como o Job. Bebo voando á noitidão do abysmo. e vai co'os echos D a tua voz.SOLTDÕES. Tremendo por ditosa ou de tristeza. que ninguém não lhe entendeu. morre. aos vermes! pobre filha. A o lado de sua mãe vede-a tão linda . Que nds. d sombra mysteriosa. porque inda o amas?. Seu abmento devorando. Traz a consolação e o salvamento. C o m seus cabebos a nudez cobrindo-me. de que se nutre. se ergue e se enibalança a onda E m seus trêmulos pés sobre o oceano: Filho dos mares.

D o lavrador aos céus o sacrifício Innócuo. Ao braço a cesta de pindoba verde Co'a semente do outro anno conservada Melhor á plantação. Com seus rústicos móveis de angelim. entre as ruínas. Amiga escravidão contente a escuta. e lenta e lenta. Beijar tão ampla. em vez da boca Tão doce e á voz divina perfumada. tão pacificas. Pobre innocente i Eis-mc abandonado No meio da Victoria. Ao cair de uma enxada. Basta matta derriba e montes queima: D a quente e humida terra pelo fogo Emanam das entranhas os vapores. a coda passo repetido. e o vento ondula. alegre e bmpa. o musgo não estavam nella — E u vejo a sala em chão ennegrecido E bso pelo tempo. Que de u m filho nos obios se mirando A Deus eleva o pensamento — os lábios Feridos hei contra o longevo tronco Ai! do bacurizeiro. D e vibrações tão puras. Atada a branca rede neste canto. lá longe debruçava-me Ao clarão matinal de meiga aurora — Como árido é o pranto que eu espalho t A herva. .HARPAS SELVAGENS. tão piedosa fronte. D e minha mãe! E u na infância. Rainha minha mãe do throno argenteo Repartindo suos ordens brandamente. Por mãos do furacão postos por terra! Corro o abraçar os seios consagrados.sem frutos. Á voz saudosa e náutica da escrava Acompanhando no eito os cavadores. Aprendendo a tecer na alva abnofada. E m vez do cobo amorenado e fresco. E os murchos loronjaes semflor.

Oh. Amplos terreiros abundante enchia! — N a lavra a Padroeira se festeja C o m festas.ás fecundas plantas. Nos esbeltos corcéis branco-mimosos M e u pae. a fronte sacudindo D e ramos enfeitada. As confusas. Leva e balança as oblações divinas D o tronco a fumegar. que cedo abraçam. tão febzes! E Deus tudo nos dava! largas eiras. N a volta do caminho se encobrindo. e esmaltam A ladeira viçosa o algodoeiro E a vermelha moniva—leda esp'rança D e colheita mui rica.' Verdeja o orrozal na baixa. lácteo bafo Exhalando saudável. Verão formoso aos campos. sonoro e lento. mas quão beba! — Que encantado paiz! que imagens novas . com selváticos cantares. Loureia o milho. vão nos mansos. Gritando por seus pães. N o meio minha mãe. a lua Nos raios da manhan sua luz perdia. E os cães ladrando á corça fugitiva Que ao pôr da lua vem passar na estrada. As vozes alvoraes á hora formosa D a leda caravana matinavam Harmonia selvagem. pelos ares Poenta nuvem de marfim voando D afitados caminhos. Fumante o dorso. minhas irmãs. Gratos dias a estar na roça nova Paraíso de u m anno ou dois. aosrios. Vão saltando os crioulos. Por formosa parelha igual tirado. — P o r fresca madrugada nds partíamos. Á s pingues pescas e ubertosos bosques. ás colheitas. N o carro cantador.SOLIDÕES. atrás os servos. eu ao seu cobo. Porque invernada copiosa dera A o lago.

Divagando pelo ar nuvens se esmaltam D e papagayos. N o vabe. qual folhagem Rugidora que as selvas enviassem Dos ventos no aza. passada uma semana. Tristes mortas. o cará roxo. Como o casal do Éden se assentavam . O u transvoando ao largo. Cortado. no terreiro. Á sombra espessa do algodão plumoso Que das margens entrança osfloreosramos. Mui saudosos da lavra.florescem. verdoengos Longo bico e a plumagem. Assaltavam minha alma! Alto horizonte O tujupar domina. os filhinhos D e coráo viridante em quentes plumas. Nos traziam Nossa mãe-preta e todos os escravos Mil presentes d'infanciã: a cuya nova Tingida e resinosa.HARPAS SELVAGENS. sobre ebas poisam. e em pé. além.— se amontoa Áurea colheita pelo em torno. Os ovos de perdiz ou tonna glauca. Reverdejam. A berradora leda saracura D e pés e olhos vermelhos. Voltávamos. além. Os cumes do occidente se extinguindo Á tarde. da ponte que debruço Formou na derribada o piquizeiro. manto de existência. serpenteia o rio Turvo. plácido. as abandonam. quando o lua no horizonte Descobria de prata o bumido rosto N o mar de u m céu azul brando agitado. larga sombra errante Passageira estendendo nas collinas. além perdido.gritam. grasnoin. as aves Cantam no meio do arrozal que ondeia Ao vento estivo. Negra nudez cobrir de irmãs queimadas. E pelaribaas verdes cabaceiras E mfloridoscordões dependuradas.

m e atiro u m dia. Acimam-se nos céus os sete-estrebos. são mais fundos Os campos. Qual na pátria depois da vida errante. Vens hoje descansar." — Nos braços maternaes que m e embalavam. n'olto floresta Cantaram acauans — e echos de longe Levando ainda mais longe os outros echos.. . e vermelho O sol ponente. L á chegava o feitor. ao m e u cobo. Minha mãe m e abraçava. Já m u d o e descansado olhando ás outras Crianças a folgar. eu estremeço.. subindo a margem Das lustrosas cantans.SOLTJDÕES. perto os mattos da outra banda. pelo caminho Alastram-se taócas doidamente Que subterrâneas vão.—Angelus-Ave! Por nós chamava o sino da capeba. destino occulto Vezes vos leva d'estes seios almos.—Caindo a noite. da porta ao tropical batente Yendo o nosso brincar. E m ondas de alegria derramando O cansaço infantil.. E á tarde viram todos bando infindo D e colhereiras roseas. E da queima falava. Meus pães. £ mais amplo ó horizonte. e como alegre Triste dizendo: "brincas. D a trindade á oração. á madrugada Passando para o sul gritavam gansos. depunha a foice. Debcias da mãe terna e os doces filhos. mais luzem. Acentrada n'um forno a lua — muitos Outros signaes eu vi—todos os astros Maiores são.. porque as chuvas Ameaçando via: "Mais abundante corre susurrando Tortuoso Mapa. Para os seios da dor! dos rosaes puros. annunciando chuvas. na minha fronte Caiu gottas de pranto.

oh! se eu pudesse. Temia não sei quê. Nos loronjaes olentes aos luares. ou passeiando . resgatar á hberdade . Temendo adormecer — e quando n'alva Cantava o gabo. Minha mãe nunca mais m e olhou contente. Não sei quê de tristeza e m seu semblante Olhando para mim. Dos céus da infância. paro o mundo e as mágoas. Febz emquanto eu era e pequenino: Ai nunca mais contente eu ver-me pude. — Induziu-me a voltar aos meus brinquedos.. E u dormia e m seu leito. mas. Dessa noite salvar. onde quer que eba estivesse. Sem arruido — a s sombras sobtarias E m quem te reflectias. eu a seu lado Ignaro emmudeci também chorando. fundo commoveu-me A voz dorida lhe escutar do pranto... Que do ninho arrancada pelos ventos N e m sabe aonde vai. no mundo os justos passam.HARPAS SELVAGENS. E a Victoria nas selvas não existe. a voz lhe ouvindo. — E morreu minha mãe. eu despertando e a vendo.. beijei-lhe a fronte! Não podia perdel-a u m sd momento. Longo penar. Risonha a esp'rança! u m não sei quê piedoso. se na torre Quebrou-se a tempestade. porque nem sei. m e u Deus. m e consternava! Comecei a passar todos meus dias Junto delia.. morrer!" Nada entendi. Assim. E assim como progne ainda implume Se encolhendo tremente sob as azas Estendidas da pomba. sou perdida ave dos montes. murchando a vida Que despontava ao sol do primavera. Se eu pudesse Voltar ao m e u paiz!.. O u na rede da sala. Sou orphã. morreu m e u paè. Passando.

SOLEDÕES. e o canto d'alvoradas A que uniam outrora o canto seu! Ainda a sobdão nos conhecera. O ganso á madrugada. não se quebre ofioda existência. O batente. Deus no peito. aos pés sensível Sentíramos a terra estremecer — Qual mysteriosa campa que resôa E m prantos. os sons dos bosques. Ainda ver passando a colhereira. quando mãos de amor a tocam. no olhar o amor. a mesma porta. como verde fruto E mrijosdentes a estalar vorado! Mas. Curvando o collo na hora do crepúsculo. Echoara o deserto. Ao encanto da terra tão amada Então adormecerem. Meus amigos vendidos já libertos. por hi tristes morrendo! Dar-lhes a respirar no fim da vida Os ares do palmar onde nasceram— C o m o aves da saudade erguendo o coto. miserandos veLhos D a Victoria felizes! meigos servos D e minha mãe... Esses vendidos. Nossa casa ergueríamos co'as mesmas Ruínas do casal. mas. os meus pabnares E a rola da Victoria! Aí! a dor m u d a m e consome esta ahna Dos verdes annos. e a doce musa companheira N a harpa sonorosa—venceremos! . D o lago mugidor por m u d o noite Harmonioso. eu longe D o mundo. ouvindo Das rolas o gemido. os esteios de pau-santo. Por muitos corações o mesmo pranto Dos tempos que já foram! — Se eu pudesse. Os desmoronamentos redivivos Falando do passado—oh quantas lagrymas! Quão fagueiro o chorar por muitos olhos.

Meus braços enlaçando-lhe o pescoço.. Dos olhos seus a luz. solitários. Frutos que não vingaram. M e u Deus da infância que este amor m e deste! — Senti m e u pranto como triste corre. eu não sou filho. ao m u n d o todo. A seu lado febz. alvejando passe a frdta. d'outro navio. dos doces lábios A meiga voz bebendo e o brando riso Que halentou minha vida e eterno fora. Aos mastros vôa de um.. Vivendo nella só. Amai a vossa mãe! amai-a muito! Amai sempre. toda minha alma Delia. Qual cidade. e d'este aquebe: Ai de ti coitadinba. bem junto àeba. que a tendes. Qs marinheiros gritam..HARPAS SELVAGENS Qual triste cria desleitada que u m a Gotta de vida a mendigar. minha mãe!. Senhor. morta a selva! O h como lentos são. pesados Os dias d'este mundo! como custa Arrastar este arado de existência. e eba volta D e tímida a outro bordo.. sd delia.. Solta o gemido e dessas nuvens lança-te. Rompendo leiva pedregosa e safara Que não dá u m aflor!— T u m e abandonas. nas ondas Perdida. fecha as azas. que o aza de cansado arrasta. divindade. N e m como a ave do mar. Vai na morte poisar. quanto amo. na terra ingrata? Hei de seguir-te.—Se eu mãe houvera. ao e m torno Balando vai de todas as ovelhas Que abanam-lhe a cabeça. longos. ao tempo Mostrara o m e u amor! — 0 vós. Se inda depois do morte azas m e derdes! .. Minha mãe!. áridos. tu. quanto eu amei. n e m como a ovelha. Andorinha dos mares sou. Vede meus dias.

eu sinto Seu faminto halentar. Para a terra de vastos horizontes — Os olhos cambaleiam-me nas faces. do folhedo Os aromas e os cânticos das aves Sobre m i m derramando e m casto leito D e vai cheiroso. Sombria e mui sonora. cândida lua D'entre a etherea cerulea cabeheira Exhalando o alvo rosto de donzella. Nascem echos distante. neste deserto. Por amores a cúpula pahnosa. i V. desconheço o dia.. Hoje venho cantar. u m sd ininuto. do penhasco ao seio Descansada a cabeça. Sem pátria. esperai-me—eu vou cair! Não m e vês.SOLXDÕES. por amores. E eu adormecia como a flor. * E por m e u tecto os céus. d mãe. P. cada u m m e u passo Abre u m sepulchro. Noite. D o túmulo a saudade. SAUDADE E ESPERANÇA. Echos meus. eu tremo de ao sol apresentar-me. s. emquanto dormes. o berço me embalavas. E eu olhava . A luz m e aterra. minha mãe. e eu desappareço. C o m o o occaso despede-se dos cumes. E co'o manto de sedas perfumadas . Antes da aurora eu morro. Cantando. O. m e u amor! —Sombria morte m e acompanha. como a nuvem desgarrada Resvalando por céus de noite palbda? A onda crystalhna.. e o junco e as flores D o páramo por virgens do m e u sonho.

. O som das vagas temperou-me a lyra. Dormindo o somno plácido da crença. rosea tarde Quanto eu amara! que esta vida enchera De todo este universo. ninguém sabe ao menos.HARPAS SELVAGENS. forasteiro. Sombrio o olhar e a fronte taciturna Não vão co'o ledo romanesco em galas: Oh. . e a natureza Entre mysticas sombras. Ou quando da palmeira aos pés arroja A imagem meneiante. minha mãe! Não m e vês. neste deserto? — E o jardineiro sol da madrugada Doirando asflores. Na soledade ouvi-as. Sondar-lhe os reinos d'ibusões e abysmos E os arcanos sondar á alma do bardo! Indifferente a andar por entre os homens. Que os echos repetiu-lhes suspirando. D a lagryma espontânea humedecendo Asfloresde tristeza e insomnia e morte. A afogar-te em meus doces pensamentos. tão sympathicas M e ensinando aos soluços — ai! com ebas Errou a mente na amplidão calada. minha mãe. sorriso empresta. chora-a comsigo.. Dos homens sobtario.reluzindo o orvalho. Infante nos teus braços... juncar de beijos. quem pudesse penetrar-lhe o exibo. Ao mundo que sorri. Errante pelas ondas do oceano. Das noites na soidão a alma lhe irraia! Sem gemer Bua dor. oh! minha mãe! Nenhum amigo eu tenho. Cobrindo-me da noite. tua fronte Juncar. Que vejo u m mundo. e toda esta alma M e embevecendo d'orvalhoso effluvio. ou no occidente Carminizando o mar. E vai dilacerar-se ás horas pabídas.

aos meus olhos Envolveu-me pudor. ao pensamento Perdidas descantando. E a companheira única e formosa. Chorou com ebas na extensão profunda D o ether anüado. e eu sobtario N o m e u pranto por ti. D a longa verga as velas se embalançam. fugi de crel-a. a deshoras. Que ao m e u amor sd tu! Quando te foste. nas formosas Alvoradas eu vi-as pelos mares D e nautilus rubentes esmaltados.SOLTDJES. G e m e u com ebas na canção do nauta. Pelo Mediterrâneo. quando a lua Beba no céu azul. onde se escuta Talvez ave piando. Ficou-me—triste musa do crepúsculo N a lyra da saudade. Meiga de amor. e quiz vibral-a Por m e u consolo. e tímido. E m pallida orphandade eu fui qual folha Nas azas dos tufões ludibriada. ou o que d'immortal houveste. debruçadas. Arando o vendava! rouco e ruinoso.. Ensinaram-me a voz rude e selvagem. ou das estrellas O gemido talvez pela alta noite. e quaes mulheres Vestidas de ardentia. no amor a Deus. Espirito. beba nos mares.. amo-a: nos homens Encontrar meus irmãos. dormindo Desfabecidos ventos nos seus braços— Porém..no undivagar da vida errante Não busco a natureza. oh! minha mãe. . N a calma eu vi-as açoitando as rochas De Marrocos e Hespanha. Tão mansas e tão languidas. Que realça na proa sonorosa A o silencio. ás noites foi commigo D o m u n d o esquivo á sombra dos sepulchros. Balboflebilinfante ao desamparo Senti necessidade.

os lirios Risos dos vabes e do amor encantos.. ardeu! Seus olhos pranteiados se embalavam C o m o e m sereno manso Armamento. apagando a luz. quanto amei! anjos da infância. Amei. e o sonho d'alva Que m e deu acordar. Foi quando U m sorriso divino áflordos lábios E u vi nascer tingindo as rosas puras. que infância enleva.HARPAS SELVAGENS. Vergontea êxüe ao frescor movida. Ai também. Leviano baixei das ondas todas. d mãe! quanto infortúnio! Cobocado m e achei nesse horizonte D e que o vicio queimara a terra. á terra. qual da serpe Desalentada mansidão. C o m o sobre alvas conchas seus cobeUos . E os meus gemidos as soidões perderam. Que da selva arrancaram verde ainda Doirada pelo sol sorrindo aos beijos Dos favonios ásflores. que lindas s'infiltravam C o m o e m praia sonora. Pedi consolações! porém. que não m e deram fresco orvolho! —Chorei! perdidas lagrymas de u m orphão. Banhou m e u pranto resfriada cinza: E ninguém m e entendeu. Que amanhecer. Que os annos meus na aurora matizaram! Ondas azues. oh.quando as aves N o argentino trinor. e alvacentos C o m o esp'rança vapores se elevando — Céus meus. Candidissimo effluvio desprendendo D o coração o albor. no m e u peito! Meus suspiros piedosas escutavam.. Cantos de amor travessos. a aza seraphica D a lâmpada do amor sagrado e m torno. D o monte a prágana aureando ao sol! Era u m a terra negra e rebuçada E m camadas de cinzas. Transvago ignoto..

Vaguei por sobre as palhdas ruínas. assim na calma Arbêna alpina amedrontada escuta..SOLIDÕES. Porque não respondeu? — Meus olhos baixos Lampejavam-lhe aos pés. V ê nos mysterios teus m e u coração!"— Eba não respondeu. tu. Ondas nocturnas no hombro d'harmonia E m luz lhe derramavam. doces mendigos Ante os altares da esperança. que és musa. adoremos— A capeba era abi.. confusa e bella.. como tépida lembrança D e saudoso passado. Percorri as campinas..—Eu lhe disse: " 0 meiga virgem minha e linda noiva. que olvoreces entre os coros d'harpas D a natureza das montanhas nossas. E que te incbnas áfloridasombra D a tarde. D e cuja graça divinaes exhalam-se Creações de azas d'oiro. Mortos os laronjaes. O h ! Deus. Tu. D o pateo os bugarís estavam mortos.. abate o tecto inteiro. E aves no canto seu desconcertadas A tarde e o amanhecer solemnisavam. — M a s . Regou m e u pranto os cardos do alpestrio Que na fonte de prata eram crescidos. as paredes Laoeradas. pela noite Taciturno ocauan se lamentando.. Subiu-lhe aos olhos melindroso assomo. O halento Se lhe sentia de mimosa flamma D a aromosa boca. quem poude O casal da Victoria interdizer-me? Os esteios vacülam... quão mudadas! C o m o tanta illusão da rosea infância Se desfizera* Então chorou minha alma. . Á rota sombra do espinheiro agreste: N e m ouvi mais a rola solitária D o meio dia ao silencio. oh! noiva minha.

N o meio dos soidões abandonado. Vieram sonhos: E u era o teu sepulchro mysterioso. Então m e despertaram. meus gemidos. que os túmulos rodeiam. Até que adormeci. imagens dolorosas M e acenavam. os fúnebres gemidos D a coruja agoureira. Deus? porque baniste Os encantos formosos d'estes sítios? Como a gloria murchou d'este arvoredo! Como tantas ruínas se amontoam! Qual se o fogo passara sobre o tempo. quaes azos muito bvidas Caíam do ar convulsas m e abraçando Co'um choro rouco. Fugitivas roçavam-me qual vento.. Fria mudez. Quantas dores! As sombras m e abafavam. eu febz te conduzira .. E m pedras estendido. Quem dera Vivesses ainda aqui! doce velhice Apoiada aos meus hombros. O frigido sibilo dos serpentes Lá volteiando. áridas. titubante Nosso passo. nocturno esvoaça Morcego e pende.— O h minha mãe! Porque a mataste. E m ondos de suor espectro errante Descabebado e pabido entre as arvores— Despovoados céus. C o m semblante feroz encara-o a terra. M ã e — a esvoar-me n'abna o pensamento Teu. das ruínas Presidindo ao cair. Donde em sinistro vôo tristes aves Levantam-se ás colunas do horizonte Ennegrecidas. Ouvia-os eu na noite se perdendo.HARPAS SELVAGENS. e meu peito a loisa do epitophio: Ora visões. rumoreia o vento. Sem abrigo m e vi! pecoreando Ao relento passei noite infinita.

Sorrindo as lymphas gárrulas. D e ti esperançoso Foi teu pae que o plantou quando nasceste.. que eu amava. errando os olhos D o gigante de pedra sobre o vulto Rebuçado e m seu manto de penhascos. E no terreiro os pretos se ajuntando.. Á brando claridade pelos trivios Andando virmos para o tecto amado Onde já passam as primeiras luzes. Ar tépido e saudável respirando. pranto de sangue E u sobre ella chorei! chorei saudades..SOLIDÕES. aos montes A tarde. Triste sonho! Açoitado do destino Fugi da terra. a vista ao longe C o m o esses cantos vesperaes desmaiom. D a tua fonte ás odorantes margens.. Entre os céus a cabeça e LVentoucando Silencioso nevoeiro a grenha. Disseras: " ahi tuas irmãs comtigo H a vinte annos brincavam. quão agradável Fita de mel. Nessa historia sem fim. D o peito a fronte a alevantar gravosa Vergada ao pensamento. quando a sombra já caída Dos laranjaes.—E se passaram Ai os dias formosos da Victoria! — E u fui á sombra do palmar atlante Nos estos de outra quadra da existência. Começam-se accender os fogos rústicos Aos cantados serões. ingrata! Minha dor comprimi. que as mães aosfilhoscontam. Quando á sorte minguada ouvia a morte. Sobre m i m descansada. vagarosa e m teu passeio Aos perfumados brazileiros bosques. E depois. . O loureiro que vês alli crescendo. raiando os grandes astros. Á porta do casal ora assentados.

. e cae a noite! — E minh'abna qual noite se lacera E m vivas chagas de funestos astros. que não perca-se o passado — E perde-se co'os echos.. . que m e fogem. Eu grito.... e minha alma Aos turbilhões ardentes compebida. E esta desgraça. que irradio. Raios viventes. as cresta! Seguir . e passa. O futuro... as minhas torres N o ar se desfizeram. que m e espere emquanto ha dia— E o sol desapparece. qual miragem D e espelhoso deserto ao sol candente.. Então audaz m e volto para adiante: O tempo se aproxima. Errando pelo azul das serranias Dos órgãos endentados. Senti murchar meus annos do esperança. meus encantos! E a pátria m e negaram. Eu vou subindo o rio da existência. não posso mais. Que da vida o caminho todo andara E m poucos annos—e cheguei aqui. Que em suo tempestade serpenteiam! E ouvi o tempo a segundar-me ás pressas: "Corre! corre! que eu passo!" E u corri tanto. sangueos meteoros. pelas margens Apagam-se os pharóes. N o remanso das águas desenhados D o Rio de Janeiro — oh. eu digo. á sombra do marco m e arrastando. Ainda as frescas purpuras m e cercam.HARPAS SELVAGENS. em desalento Caio. Contra as correntes: Estendo a vista pelo esteiro e busco Deter co'as mãos as ondas. lá vejo-o trás da nuvem — Porémrareiaa nuvem! peço ainda A noite. Minha vida pender extenuada D e suspiros e dores.

D'alpestres serras olha aos céus d'encantos? Porém. o sol vacilla a contemplar-me. de vôo em vôo. Deus. Nova ericad'encantos. sem voz meiga D e prece ou pranto. D e todo o peito m e u quizera amar. Dos amores nos gosos embalada A infância minha eu cri—tão leda e beba! M e u corpo da doença corrompido. como é tão doce nesta idade D o poeta o morrer! cysne mimoso Pelo céu dentro as azas candidissimas D e sem mancha plumagem. E nem os dias para o mundo eu choro . que aturvam-se N o vabe. qual no espelho D e lago azul sereno desdobrando! . creaste o h o m e m louco. Mas da vida no enfado eu diga ao menos: Bebeu a dor até ao fim minh'abna.as vozes mortas. Meus olhos apagados não demoram-se Nos palpitantes rastos meus. m e ibudiram.. minha pátria.. Volto as costas ao astro desprezível. qual sou de amores.. Donzeba vacillante. e sem amigos braços. Vão meus dias na aurora atropebados Dos pendores da sorte ao fundo abysmo! O h porque.SOLIDOES. E u não colhi aflor.. A ave sem ninho que. Creação desgraçada — nasce o bardo Para soffrer. Que não é mais p'ra m i m qual para a noiva O crystallino banho perfumado. A noite trouxe-me as sombrias fôrmas. E u expiro N o leito do abandono. E nunca mais amanheceu. e amaldiçoar os céus.. E nutriu-me e matou-me. e tão somente Neba a verdade eu encontrei no mundo.. Porém banho ao cadáver. E u morro. N a montanha vibradas. e tão pobre Orphã qual sou de pães.

Cobardia é * chorar nos pés tyrannos. Das margens todas que não sejam suas. secas. que o cândido povo. Move a cabeça apenas. Não. em gula engurgitada Da tão pesada tradição retrógrada! Olham-te. Oh! contra o débil O forte não triumpha. Gritos de cativeiro e maldições! — E m torpe estagno te olham desprezível A resomnar. a fronte clara Perante o dia. os descobridores não morreram. A sorte commutoda. misérias. se ao favor das sombras Debsando ao través te insulta e passa. se assimelham. — Não. tão alto Está no throno ou no servil grabato. e só vistosa como a limace Que na concha arrastando o fatuo egoísmo Debruça-se mui lenta sobre as praias D e u m vasto mar. quem te tem piedade Vendo os teus campos se esterilisarem? O próprio Deus se offende e vinga. no equador se inflamma E nas águas os íris esverdeia D o Amazonas. do oceano o primo-nato. desolações. Onde os olhos se Lhe arredondam. Por entre os signos. o povo infante Não cessou de gemer.HARPAS SELVAGENS. em camas d'oiro — d'oiro! — Se alimentando abi do limo e as hervas Que as ondas trazem das oppostas margens. . ebe envilece! Igual espaço tem a ahna no peito Do mesquinho senhor. e no Prata o banha. se ergue As cápreas zonas. do escravo fraco: Cobardia 6 pisar o choro humüde. ao norte pelas nuvens dentro. e u m dos cornos. e manda Pestes. C o m ar d'escravidão tu te distrahes? — Tão indolente. O outro. Não tem sorte o magnânimo. — Rapina simulada.

. C o m voz reclama que ao futuro abala O Pacifico mar ao mar Atlântico! —Te ergue! te move! senhor eia! impera! Estende as azas! vôa ao sol formoso! Campeia sobranceira pelas nuvens. Abarbarando vão-se os que eba deixa. Qu'imbebe victima inda insultam quando E m seus congressos da montanha bailam.. desperta! dormindo em pleno dia!.SOLTDÕES. E o bárbaro Occidente então resplende! . não são amigos. por onde a luz passara. mas desprezo ha neba! — A onde é viva a riqueza o homem corre. Exhauril-a sd vêm. Imagem do condor das serranias! D a força da justiça arma o teu braço: Lava a tua fronte que os estranhos cospem — Saliva invida. O bruto pesadelo da nobtica Sem dar sonnos — te afoga e cansa e mata — Pisando sob os pés a Liberdade! E a Liberdade nos teus seios geme! Pelo amor a si mesma.. D e u m fumo branco se perdendo e leve... — Sê briosa. Todos amam viver. á eterna luz!—na superfície V e m rolando do globo: eü-a bem perto. 197 E o corpo aos pés dos Andes se estendendo. e pátria encontram... — Oh. Saúdam nossas plagas os primeiros Clarões e o crepitar! Vejo o Oriente Cinza vasta. E além dos Andes. O tempo embora lhe não lave os traços. N o dormente jazer. D e que após os destroços miserondos A bonança virá. sd vêm bandidos. mas ai. prepara á natureza Templos. tão tarde!.. nuvem presa Que verás arrojar-se na tormenta. lhe abraçando as plantas.

L á longe de nós. O dia aqui 'stará—por lei do sol.198 HARPAS SELVAGENS. que já de nds se eleva. afilhados dois mares. As ondas transporá: — já lá se espelha Sobre Colômbia. . além da noite. E a sombra então.

.. a Colombiana Flor das ruínas Maria Donde vens ? Tardes na ilha Mademoiselte Desertos Leila Morta de amor Crepusculares Limbos Noiva Estancias Voar Saudades n o porvir.. ] 25 ... . . MEMORABILIA I a V... ' Myosotis ' .... Seducção Arrependimento Casuarinas Flores do ar . Ouesa Errante < Canto 1 Canto II Canto III Eólias t 1 '.. 3 4 . 1 Lilium convaUium Ave.....' 22 i7 Crescente ... .Maria Carmen. .. .. .]]. " . . ' ! ' .. . " 14 15 16 17 19 • » 21 22 ... 23 24 !. .. Sultana d o rouxinol Elos quebrados Vascas do justo Luiza Limões cheirosos Esperar D á meia noite E u vi aflordo céu Beber eu ia as fontes Morreres ? Sons e aromas Izabel d'Hespanha Vinte e oito de Julho To Inez M e u s 100 annos A s dunas A o s Americanos A' partida dos voluntários maranhenses O regresso O e m o s mimosos • ' . ! 10 11 13 ' " . 27 31 32 34 " 35 36 » « 37 38 " 39 41 43 44 45 46 47 50 63 54 65 . 5 « 8 \* 9 . ' .I1VI>ICE.

ii ÍNDICE.zinha Almejos Anjo negro Ai Trovador Harpas Selvagens t —Primeiras estâncias: Desesperança As manhans • • As tardes Sonhos d'alva Te-Deum-laudamus "Huépaç òóónv Amanhas SepaTaeao Eternidade Canção Amélia (episódio) O inverno Menina polaca Lembrança Lenda christã Primeiras águas Vem. ..>. A . Pu. ó noite! • Quadro Nydah Magdalena O rouxinol No Maranhão A' partida de u m velho enfermo Virgem de Cintra Fragmentos do mar Hymno —Noites: O cypreste A velhice A escrava .. *. A cr. ' -. ' Sombras Sombras > Visões Sombras Sombras —Solidões: A' minha irmã Maria-José * T Dia de Natal Musa O tronco de palmeira Tristeza Victoria Frondosos cedros d'outrora Meus nove annos n'aldeia Recordações 56 57 58 e4 J j j ° 6 1 12 lp 19 20 21 28 33 34 35 38 43 " 45 49 53 54 55 56 59 90 93 95 97 99 104 106 110 142 144 149 153 155 159 160 164 169 170 176 • • • .' A maldição do negro . •. i* • ( .

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No Brasil. é proibido o uso comercial das nossas imagens. textos e imagens que publicamos na Brasiliana Digital são todos de domínio público. 3. no entanto. a mais fiel possível. à Brasiliana Digital e ao acervo original. Trata‐se de uma referência. Quando utilizar este documento em outro contexto.º 9. exibição. Sabemos das dificuldades existentes para a verificação se um obra realmente encontra‐se em domínio público. da forma como aparece na ficha catalográfica (metadados) do repositório digital. Neste sentido. os direitos do autor são regulados pela Lei n. solicitamos que nos informe imediatamente (brasiliana@usp. reprodução ou quaisquer outros.BRASILIANA DIGITAL ORIENTAÇÕES PARA O USO Esta é uma cópia digital de um documento (ou parte dele) que pertence a um dos acervos que participam do projeto BRASILIANA USP. Os livros. Pedimos que você não republique este conteúdo na rede mundial de computadores (internet) sem a nossa expressa autorização. 1. de 1971. Neste sentido. contraste e definição.610. a um documento original. Direitos do autor. procuramos manter a integridade e a autenticidade da fonte.br). 2. você deve dar crédito ao autor (ou autores). 
 
 
 
 
 
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