PARA ALÉM DA PREVENÇÃO: SOBRE A PRODUÇÃO DE TECNOLOGIAS FLEXÍVEIS DE GESTÃO DE RISCOS DE DESASTRES

So this is why I am cautious about the notion of utopia. Good schemes, even good schemes implemented by good people, have a nasty habit of going wrong. Or, to put it in a different way, the world has a nasty habit of being more complicated than is imagined by those who seek to put it right. It has a nasty habit of escaping our schemes to make it better. It even has a nasty habit of biting back at us. Just when we think we have got something that is beneficial working properly, we discover that it is all going wrong.4
Como não poderia deixar de ser, meu interesse é voltado à associação entre tecnologias de gestão de desastres naturais e participação comunitária em ações de prevenção. Para além das ações prescritivas de implantação de estruturas como barragens, diques, lonas e muros de contenção, eu tenho defendido a corroboração de outro tipo de materialidades e sociabilidades às práticas de prevenção de desastres. A essas associações entre materialidades e sociabilidades denominei tecnologias flexíveis. Eventualmente, são implantadas tecnologias para gerir desastres naturais. Essas tecnologias, estabelecidas por protocolos fundamentados em árduas pesquisas geológicas, hidrológicas e meteorológicas possuem um grau de eficiência relativamente grande. Relativamente. Protocolos são importantes dispositivos de intervenção. Todavia, nem sempre eles são seguidos à risca. E mesmo quando o são, protocolos têm o péssimo hábito de dar errado. O engenheiro civil, Roberto Fragoso, durante o Fórum de Desastres promovido pelo PET-Psicologia da UFAL, nos exemplifica um caso. Ele fala da construção de diques artificiais contra inundações.
No caso aqui eu posso também construir um dique artificial e imagine só o seguinte. Essa área aqui, que seria uma área de agricultura, e aí o agricultor decidiu fazer um dique pra não inundar mais essa área porque ele tinha sempre prejuízos anuais. E aí o agricultou decide fazer um dique artificial nessa região. E o que é que vai acontecer? Ele não vai ter mais inundação na área dele, só que a inundação foi transferida pra “juzante”. Então quem tá mais abaixo vai sofrer as consequências. Então, medidas artificiais são eficientes a nível pontual, mas elas não olham, muitas vezes, o sistema de forma integrada.

Desastres fluem. Eles não são necessariamente eliminados, mas se transformam em outros fenômenos, deslocam-se no tempo ou mesmo no espaço. A água precisa fluir. O seu fluxo normal é alterado, então ela se transforma: a água é um fluido e como todo flluido, ela flui para outros espaços. A materialidade do desastre não desaparece. Podese tentar contê-la. Pode-se tentar mitigá-la. Até mesmo minimizá-la. Mas nunca poderemos oferecer certeza, pois a certeza escorre com as águas do rio. É pela imprevisibilidade dos desastres e por sua natureza errática que as tecnologias utilizadas para gerenciá-los eventualmente falham: elas não incorporam o imprevisível. É por essa razão que tenho defendido a ideia de tecnologias flexíveis. Tecnologias são flexíveis quando se adaptam às diferentes situações de imprevisibilidade às quais são submetidas. No âmbito da prevenção, podemos caracterizar as tecnologias flexíveis como dispositivos que integram em uma mesma prática a prevenção do desastre enquanto estratégia e a probabilidade de falha. Em outras palavras, são tecnologias que visam prevenir, mas que consideram a

o modo de controle não é predominantemente individual como na diabetes. aí a gente leva. as complicações da diabetes. Pessoal da defesa civil que o diga. Ângela Coêlho alerta para incoerências no público alvo de projetos de prevenção ou preparação de desastres. incorporando no acionamento do próprio dispositivo a possibilidade da catástrofe que visa evitar. Mas desde o primeiro dia. Você aprende como furar de modo que você pode ficar tão saudável quanto for possível. Na elaboração de uma tecnologia flexível é necessário atentar para especificidades. E quem tem criança com paralisia cerebral em casa? E quem tem criança ou familiares na cama. Por essa razão. Annemarie Mol nos apresenta o caráter ambivalente de uma tecnologia flexível ao comentar as recomendações de uma enfermeira acerca do exame de glicemia. p. Mas você respeita o fato de que a realidade da doença é errática ao praticamente antecipar as complicações. é melhor tirar tudo e salvar todo mundo do que ficar negociando o seu amor pelo cachorro ou não. quando se fazem tecnologias. Isso não implica que os indivíduos sejam desconsiderados e passemos a lidar com uma grande massa de pessoas aglomeradas. mas do lado. E entã o você fura aqui. Eis um dos princípios de toda tecnologia flexível: incluir aquilo que é adverso. podemos operar uma tradução que se adéqua ao estudo das tecnologias flexíveis de gestão de desastre com o qual vimos trabalhando: o corpo está para a doença assim como o território está para a catástrofe. Em recente estudo sobre a diabetes. Em sua fala durante o Fórum de Desastres. Assim. no caso de desastres ambientais as tecnologias flexíveis devem assumir caráter comunitário. a senhorita Jansen aprende a não furar o topo de seu dedo. pelo próprio paciente. é família. 31). em especial da filósofa Annemarie Mol. É lutar contra o dano e concomitantemente aceitar que ele é possível. Essa ideia foi apropriada de leituras dos estudos sócio-técnicos. Não há riscômetros portáteis que cada um dos moradores de uma área de risco carrega em seus bolsos de modo a monitorar a probabilidade de desastres. Devemos. “Não saio se não levar”. Essa transposição metafórica nos é útil analiticamente. É sempre necessário pensar. que podem ocorrer assim mesmo (Mol. Para o monitoramento da catástrofe fazse necessário uma rede de atores um pouco mais ampla. feito por meio de um medidor. No caso citado por Annemarie. Aí está”. do lado do seu dedo. E outro detalhe: bicho faz parte da família. Uma dessas complicações é a cegueira. naquela velhinha quase surda de bengala que mora sozinha no barraquinho afastado e cria gatinhos de estimação. E na comunidade também. 2008. “Você deve segurar isso dessa maneira. pra quem corre. ou ao menos protelar. há a esperança de saúde bem como a aceitação da doença. a cegueira inclusive.imprevisibilidade dos sistemas de prevenção. é necessária uma população. sempre a gente monta projetos pra quem anda. A senhorita Jansen aprende como utilizar o medidor de glicemia de modo a evitar. A razão para isso é que as pessoas que ficam cegas apesar dos melhores esforços precisam da parte superior de seus dedos de modo a sentir o mundo a sua volta. Na discussão sobre prevenção de catástrofes. Medir os níveis de glicemia significa prevenir a cegueira. independentemente das práticas de prevenção. salientar algumas adaptações. nunca no topo. . sejam elas de saúde ou ambientais. e quem tem familiares com respirador? Isso tudo tem que ser monitorado. Prevenir antecipando danos é considerar a imprevisibilidade às quais estamos submetidos ao nos depararmos com crises. sim. porém. no mesmo momento quando alguém aprende a como furar o dedo. mas o lado. Para monitorar. muito bem.

Como decidir se há necessidade de evacuar a área? Há risco de uma catástrofe? São assuntos que implicam uma tomada de decisão. identifica essa situação e aciona o alarme.Aquilo que é exceção passa a ser integrante do sistema de produção de uma tecnologia flexível. Agora. Em Jaboatão dos Guararapes. Então. Aparentemente. teu amigo que diz. Eles quebram. quando a água chega. nos proporemos a pensar em dois mundos possíveis no qual o pluviômetro falha: quando a prevenção vira preparação e quando a prevenção vira mitigação. E aqui cabe outra tradução da proposta de Annemarie Mol. O líder. eles saem tirando todo mundo da primeira rua e já leva pra um local pré-estabelecido. As garrafas PET e a corda com nós são nossas materialidades. A comunidade é esvaziada. A ação deve ser comunitária. Tem outro local que tem um pontilhão e eles fizeram uma corda com nós. tira todo mundo daí. Esses líderes precisam ser capacitados para a produção e interpretação dos pluviômetros de garrafa PET ou as cordas. Porque se você conhece quem tá lhe levando há uma maior probabilidade de você sair com aquela pessoa do que se chegar uma pessoa totalmente estranha. É necessário também que haja pessoas capazes de interpretar os dados dessas materialidades. Nesse caso. Implica considerar o conhecimento dos moradores sobre o próprio território. Eles tornam-se inoperantes por alguma razão. a pessoa já computou. se chegar a água nesse nó. Eles caem. Diante dessas considerações. Juliana pode confirmar. Entram nesse caso os peritos. O monitoramento comunitário de situações de risco é. eles fizeram um pluviômetro de garrafa PET. As margens. Mas a proposta nesse trabalho é incluir nesse sistema a imprevisibilidade. mas o público alvo é específico. já moro aqui há 20 anos e nunca caiu”. Nesse caso os líderes não possuem mais o seu dispositivo de interpretação. Nossa idéia é implantar tecnologias flexíveis de gestão de desastres. se é teu vizinho. o acúmulo de lama. Uma tecnologia que aciona a . eles sabem que se a água chegar em determinado ponto durante certo tempo. então. “Fulano. que eles não tem a condição de ter vazão e tudo mais. as calhas. E aí entram os líderes. A probabilidade é maior. o fluxo da águas. Reúne os demais líderes que receberam treinamento para esvaziar as moradias e acompanhar os moradores com dificuldades. uma estratégia importante de prevenção de desastres. O pluviômetro apontou que o limiar estabelecido para situação de risco de desastre foi transposto. Isso ocorre em um mundo perfeito no qual a prevenção sai conforme o planejado. podemos pensar quais ações sobre o território visam prevenir desastres e ao mesmo tempo consideram a possibilidade de falha de seus próprios sistemas? Que tecnologias flexíveis podem ser produzidas para a gestão de desastres ambientais? A fala de Ângela Coêlho durante o Fórum de Desastres será o meu fio condutor para justificar a produção desse tipo de tecnologias e sua exemplificação será o ponto chave para discutir essas associações entre materialidades e socialidades. Treinamentos podem abarcar os tipos de tradução necessários para entender limiares a partir de outros dispositivos que não apenas os pluviômetros ou a corda do rio. “Ah. os moradores da região ribeirinha tem os líderes. as coisas estão em ordem. vamos sair como estão mandando”. Mas como esse monitoramento é possível? Primeiramente é necessário que haja tecnologia. dessa vez tá diferente. nem conhece aqui. Essa decisão faz parte da tecnologia flexível: que outros parâmetros serão tomados pelos líderes comunitários para chegar a uma conclusão? Essas são discussões que podem ser implementadas pelos treinamentos. Isso implica uma associação entre o limiar estabelecido pelo pluviômetro e outras variáveis do território. Pluviômetros podem falhar. O primeiro caso é a falha que pode ser contornada. por si só. que aprendeu com o perito.

Desastres Naturais e outro em Meteorologia”.cemaden. Em consequência. Pluviômetros de garrafa PET não ocupam tanto espaço. compartilhados.perguntei. “O município deve possuir um histórico de desastres naturais. Entretanto. Mas talvez estejamos sendo muito paranoicos. mas o foco. o local onde o pluviômetro vai ficar importa tanto quando o que ele vai fazer.gov. mas também formas de mitigar situações de prevenção que venham a não funcionar adequadamente. Essas são algumas reflexões que emergiram na leitura das transcrições feitas das falas de participantes do Fórum sobre Desastres. O pluviômetro falha em seu monitoramento. espaços em que deslizamentos e inundações são frequentes. Em uma favela ou comunidade. 4. que dispõe de videowall. as pessoas precisarão sair da comunidade ou ir para um abrigo. também. duas ações: a chegada de um dispositivo preventivo e a colocação em uma área que não dificulte a evacuação da comunidade. “Quais são os critérios para inclusão desses municípios no Sistema?”. Se o alarme for implantado. Ela me recebeu e acompanhou durante boa parte da minha estadia na instituição. “[Os operadores] são responsáveis por monitorar os municípios incluídos no Sistema de Alertas e Visualização de Riscos (SALVAR). Hidrologia. Isso é verdade.2. Explicou-me a composição da equipe e os critérios para inclusão de municípios nas redes de monitoramento. Converso com uma meteorologista. gabinete de crise com sistema de telepresença. . Dos objetos do monitoramento (ou como agregar múltiplas versões em uma prática heterogênea) 1 Estou na sala de situação . Aí temos um fator anterior: essa tecnologia também é flexível em sua produção. Não é que deixemos de olhar para as outras áreas. Nós aqui trabalhamos com uma equipe que deve conter no mínimo um especialista nas áreas de Geociências. modernos computadores e sistema de emergência para fornecimento de energia elétrica (http://www. esses espaços não são abundantes. apesar dos esforços de todos. Nesse momento um ponto é indiscutível: a evacuação deve ser imediata. O argumento desse texto explora tecnologias flexíveis que extrapolam a lógica de incluir a imprevisibilidade do próprio desastre. a escolha e implantação de um pluviômetro em uma comunidade marca. amplos. Assim como o momento do furo no dedo abarca duas ações. Uma evacuação obedece a fluxos e a rota de fuga não pode estar obstruída ou conter impedimentos. gerente de turno.população para ensinar ao técnico como traduzir aquele limiar para o cotidiano da comunidade. A diferença é de foco. utilizando-se assim de informações da internet. O segundo caso é muito similar ao que Annemarie propõe: prevenir e reduzir danos em uma mesma ação. Esse é um sistema ainda em desenvolvimento e os profissionais necessitam sempre de mais complementos. mesmo que o desastre não ocorra. modelos e gráficos. Esse é um dos princípios da segurança: você não instala aqueles cilindros contra incêndios em qualquer lugar mas em espaços públicos.br/). o nosso foco são os municípios que já integram o sistema ” 1 A sala de situação tem capacidade para 25 operadores. um mapeamento de áreas de risco e uma estrutura mínima de 2 Defesa Civil . um desastre acontece. Pensar as possibilidades de falha desde o início facilita ainda mais o fluxo esperado do sistema. As próprias dimensões do pluviômetro de garrafa PET facilitam a passagem de pessoas sem obstruir o caminho. isso não exclui o monitoramento de outras áreas que ainda não foram inclusas no sistema por falta de mapeamento. Por essa razão.

Nele fica claro o objeto de monitoramento do Centro: municípios com históricos de desastres. na prática. Não se pode monitorar um município inteiro. conversávamos justamente sobre as áreas de risco e de uma particularidade: a seleção dos espaços a serem mapeados. Mapear áreas de risco hidrológico e geológico é uma estratégia fundamental para estabelecer os limites.Este é um trecho do diário referente a 5 de novembro de 2012: o dia em que cheguei ao CEMADEN. não pode. “Não. os níveis de risco. é necessário saber como são feitos. mapeamento das áreas de risco e uma estrutura mínima de defesa civil. Os pesquisadores brasileiros adaptaram esse formulário às condições encontradas . mas apenas áreas públicas”. Mas há algo que não consta em protocolo: municípios sem mapeamento de áreas de risco. “Não se fazem avaliações de risco de áreas privadas?”. Ela me contava uma conversa que tivera com responsáveis pelo mapeamento das áreas de risco de São Paulo no IPT. R3 e R4. Se o mapeamento é tão importante. as regiões nas quais a atenção do governo será direcionada. não de uma área inteira. Com essas fotos o IPT encaminha dois avaliadores e eles fazem uma avaliação com base em uma lista de critérios para identificação possível de R1. seria uma tarefa impossível. descia a rampa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo acompanhado de minha orientadora.. “Finalmente eu entendi como são feitos aqueles mapas de risco! A prefeitura solicita ao IPT a avaliação de determinadas áreas. os profissionais tem utilizado para incluir esses municípios no que virá a constituir um sistema.. Estamos descendo a rampa da PUC-SP. Isso nos leva a segunda pergunta. Durante a Década Internacional para Redução de Desastres.. R2. são estabelecidos critérios para lidar com o monitoramento de áreas específicas: áreas de risco. mas o que isso quer dizer? Porque é importante ter mapeadas as áreas de risco para o monitoramento?” Essa é uma pergunta aparentemente tola. Nesse momento. No dia 30 de outubro. o WP/WLI propôs um formulário que pode ser encontrado em múltiplos relatórios técnicos (.). e por essa razão. Esses são os critérios que. O tipo de mapeamento tem sido proposto pelo Inventário do Grupo de Trabalho em Deslizamentos de Terra Mundiais (WP/WLI) que é patrocinado pelas Nações Unidas e composto por especialistas de associações científicas internacionais. Depois eles mandam um helicóptero tirar fotos aéreas dessa área delimitada. áreas de risco foram mapeadas usando um formulário cadastral de busca contendo uma lista de fatores disparadores de deslizamentos de terra superficiais..500 reais. Aí eles mandam dois avaliadores para que discutam a melhor caracterização da área”. “Oras. Mary Jane comenta sua visita ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Cada voo são 1... poucos dias antes da visita ao CEMADEN. Um artigo recente sobre o mapeamento das áreas de risco em São Paulo aprofunda a última fase desse mapeamento: Na análise direta. mas cujos desdobramentos podemos aproveitar mais do que a resposta.

Operadores monitoram áreas de risco para emitir alertas. os especialistas vão ao local. Tradução nossa5). we recognize that the methodology that we chose requires subjective judgments to classify probacause these judgments are made by the researcher. install geotechnical interventions to alleviate hillslope instability and improve urban planning” 5 “Maps draw surfaces that contain details (a set of sites or attibutes of what is contained within thes e sites ) that are related in an accountable manner. onde o mapeamento é permitido. estabelecem os níveis de risco de cada área e encaminham a confecção do mapa. the WP/WLI proposed a cadastral survey form that can be found in multiple technical reports (…). p. 3 “In the direct analysis. Mapas traçam superfícies que contém detalhes (. During the international Decade for Natural Disaster Reduction. visitam as casas e observam quais elementos do percurso que realizam podem ser caracterizados no formulário. Tradução nossa ). 16. umas as outras (p. 33. envolve aumento e diminuição. Em São Paulo. indicando a necessidade de remover casas. áreas de risco são mapeadas pelo IPT.) relacionados de uma maneira que é explicável. this type of mapping has been previously applied by several authors in many urban areas. . 4 “In our mapping of areas of risk. 3 Tradução nossa ). 2012. indicating the need to remove houses.no país para uso do mapeamento de áreas de risco em muitas cidades (Listo e Vieira. Entretanto. A capacidade explicativa envolve distâncias e proximidades mensuráveis.. Em virtude desses julgamentos serem feitos pelo pesquisador essa análise é inteiramente relacionada à sua experiência. Brazilian researchers have adapted this form ro the conditions found in the country for use in mapping areas of risk in many cities”. it involves increase and decrease. This type of mapping has been proposed by the Working Party on World Landslide Inventory (WP/WLI) which is sponsored by the United Nations and composed of specialists from international scientific association. reconhecemos que a metodologia que escolhemos requer julgamentos subjetivos para classificar probabilidades de risco. p. instalar intervenções técnicas para dirimir a instabilidade da encosta e melhorar o planejamento urbano 4 (Listo e Vieira. However. each other”. but surely exclude. The accountancy involves measurable distance and proximity. Maps suggest transitive relations between entities that exceed or are subordinate to. Em nosso mapeamento de áreas de risco. esse tipo de mapeamento tem sido previamente aplicado por muitos autores em muitas áreas urbanas. discutem e decidem de acordo com suas experiências incluí-los ou não no formulário.. Mas como elas são mapeadas? Aqui as coisas começam a ficar nebulosas. encaminha dois especialistas com um formulário contendo elementos que se julgam fundamentais para realizar um mapeamento. Mapas sugerem relações transitivas entre entidades que se distinguem ou são subordinadas. e solicita ação do IPT. this analysis is entirely related to his/her experience. areas of risk were mapped using a cadastral survey form containing a checklist of the triggering factors for shallow-landslides. Essa é uma receita para criar mapas de áreas de risco. mas que certamente excluem. O IPT por sua vez tira fotos aéreas com auxílio de um helicóptero. De acordo com Law e Mol (2002) fabricar mapas é uma forma de produzir uma visão geral de determinada área. 41. A prefeitura seleciona áreas de interesse. 2012.

condições de vida precária: são essas as áreas as quais a prefeitura tem acesso legal para efetuar um mapeamento e tomar decisões administrativas. áreas de risco não pré-existem: elas são fabricadas. seu estilo de vida e suas atividades no território com base na prerrogativa de salvar vidas. áreas de interesse. decidir sobre sua propriedade. pode eventualmente ser deslocado. a delimitação geográfica de áreas de interesse municipal para avaliação. áreas priorizadas pela prefeitura. como um protocolo. o modo como uma determinada área é ocupada. miséria. talvez o mais importante. Uma área de risco não é algo que exista por si só: ela é efeito de um conjunto de fatores nos quais a experiência do especialista. mas seleções. a qualquer momento. o debate entre especialistas durante o preenchimento do formulário. fotos aéreas retiradas de um helicóptero e. Quem a habita. E o que isso implica para o monitoramento? O que se monitora não é um município inteiro. Se a área é de risco o movimento que se faz é agregar ao conjunto de vulnerabilidades sociais do território mais uma tarja. São vidas que pertencem a um território específico do município que se por um lado possui algo pelo qual os governantes se interessam (especulação imobiliária ou intervenção em obras públicas. mesmo não estando em área de risco. Logo. Mas esta é uma meta última. infraestrutura. . 6 Importante será citar o trabalho do Roberth nessa parte. a justificativa do monitoramento e alerta é salvar vidas. É um modo de relacionar elementos que não permitem que o simples e o complexo coexistam: o simples permanece e o complexo é simplificado de acordo com determinados critérios. nesse sentido. As pessoas são ocupantes do território de interesse.Os mapas não incluem discrepâncias: sua função é homogeneizar dados de determinadas áreas em uma superfície clara. o formulário produzido com critérios avaliados como relevantes por especialistas. moradia adequada. energia) 6. Monitorar. Ser morador de área de risco é ser incluído em uma rede que pode. desempenham um papel fundamental. Se a área não for de risco é passível de serem realizadas obras de interesse municipal visto que é uma área pública. mas não toda e qualquer vida. Não é de estranhar que com o passar do tempo “área de risco” virou sinônimo de pobreza. Oras. é um modo de proteger interesses governamentais específicos relacionados a um território. recortes desse município. limpa. O que isso significa dizer? Para um sistema de gerenciamento. em particular. a proposta pode ser salvar vidas. que passa a referir-se a ele como foco de proteção governamental. por exemplo) por outro abriga moradores sob responsabilidade do governo que precisa mitigar toda uma história de descaso governamental (falta de saneamento.

O que fica de relevante nessa reflexão é que o modo como mapeamos áreas de risco performam nosso objeto de determinada maneira de modo que poderá afetar um sistema muito mais extenso do que o núcleo do mapeamento. Para emissão de qualquer alerta. outras formas de organização do monitoramento precisam ser arquitetadas. áreas de risco e áreas de risco adjacentes. Logo. Mas e se por acaso não tivermos dados para uma região determinada. O que gostaríamos de pontuar é que a segunda é ponderada. Nesse caso. Logo. somas de dinheiro. Limiares não abarcam tudo e precisam ser atualizados. mesmo fundamentado em confiáveis bases estatísticas. mas sob extrema cautela. médio e longo prazos que são tidas como confiáveis (ao menos o suficiente para mobilizar ações governamentais). moradores. modelos. Os especialistas levam em conta que o método é fundamental. Um município cujos dados meteorológicos são produzidos de acordo com determinados padrões. Os objetos do monitoramento são múltiplos. parâmetros no mundo da meteorologia e da previsão de riscos de desastres que subsidiam tomadas de decisão. mas possuirmos informações de regiões vizinhas? Informações meteorológicas obtidas sobre uma região podem ser associadas a outros dados de modo a projetar uma estimativa de como determinado fenômeno se comportaria em uma localidade vizinha. mas múltiplas redes. mas não confere garantias. O objeto deixa de ser uma área de risco para ser a associação entre diferentes dispositivos. Monitorar áreas de risco não tem apenas um sentido e uma rede. O que ela fala é da extrapolação de dados. a ausência de mapeamentos de uma área de risco específica não impossibilita necessariamente o monitoramento. Existem algoritmos. O que isso implica para o alerta? A primeira tende a ser mais “segura” do que a segunda.3Dos fluidos: . 2. contanto que sejam usados métodos de extrapolação com os dados disponíveis de outras localidades. De que modo? Aqui entra a segunda discussão: às vezes são monitorados municípios que ainda não possuem suas áreas de risco mapeadas. Podem-se utilizar esses dispositivos para extrapolar dados. Tanto uma área de risco pode ser monitorada por meio de seus dados como por meio de dados de outras regiões com áreas de risco. cujas áreas de risco estão mapeadas e disponíveis e no qual há formas de monitorar associando dados consegue estabelecer algumas previsões a curto. é necessária muita discussão pois eles mobilizam especialistas. Dados de previsão de risco de desastres podem ser extrapolados. Nossos interlocutores são cautelosos em falar sobre dados de previsibilidade.

. por mais simples que seja. uma metáfora para sustentar que mudanças para incorporação de medidas que visem aprimorar o sistema podem advir do imprevisto. O que se faz necessário é não julgar uma prática como benéfica ou prejudicial a priori.Os rascunhos são entendidos como fluidos. produz na rede. Uma breve busca no site da instituição e podemos identificar que a condição básica para um município ser monitorado pelo CEMADEN é possuir um mapeamento de suas áreas de risco de deslizamentos em encostas. daquilo que não foi contemplado nos protocolos de produção e encaminhamento de alertas. além da estimativa da extensão dos prováveis danos decorrentes de um desastre natural (http://www. mas analisar os efeitos que tal prática.gov. Vale salientar que não estamos avaliando a efetividade do processo de emissão de alertas nem criticando as suas diretrizes. É necessário que haja diretrizes para que avaliemos o que pode ou não ser incorporado a ela. Pelo contrário.cemaden.br). de alagamentos e de enxurradas.