O Anjo Caído Caído The Awakening Shannon Drake

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)

Dia das Bruxas em noite de lua cheia... Megan O'Casey retornou a Salem, em Massachusets, para se apresentar com o marido, Finn, em uma série de concertos, ao longo de uma semana que culminaria com o Dia das Bruxas... e também para renovar os laços com o passado. Porém, desde o momento em que chegaram a Salem, Finn parece diferente... incrivelmente sensual em um momento, e frio e cruel em outro. Os moradores locais, até mesmo os parentes de Megan, o encaram de forma estranha, com uma desconfiança que beira o ódio. Em breve, Megan terá de encarar o fato de que uma força estranha está despertando, uma malevolência que pouco a pouco se apodera de Finn... À medida que a noite de lua cheia se aproxima, Megan sente que ela também corre grande perigo. Forças sinistras parecem atraí-la para a escuridão em um ritual centenário, que a música não consegue domar, e o tempo não pode vencer...

Prólogo

Chovera durante todo o tempo em que Finn Douglas margeara a cidade de Nova York. O trânsito na rodovia interestadual de Nova Jersey arrastara-se, impacientando os motoristas. Após cruzar o rio Hudson, Finn por pouco não notara a placa que indi cava o caminho para a Nova Inglaterra. O Maine ainda estava muito longe, e ele já sentia os efeitos da exaustão. Imaginara que conseguiria alcançar ao menos a divisa do Estado aquela noite, mas isso não seria possível. Após cruzar Connecticut e seguir rumo ao leste, pela rodovia interestadual de Massachusetts, percebeu que estava se tornando uma ameaça não apenas para si mesmo como para as demais pessoas na estrada. Ao entrar em Massachusetts, teve a estranha sensação de estar sendo levado a sair da estrada. Quando avistou as placas que indicavam a proximidade de Boston, o ímpeto se tornou uma compulsão. Tinha de parar. Ali. Era uma estupidez deter-se em Boston. A cidade parecia estar sempre “em construção”. As estradas eram de mão única, o trânsito era caótico, e os hotéis e restaurantes, mais caros do que em qualquer outro lugar ao norte. Ainda assim... Saia da estrada agora! Era quase como se existisse uma voz dentro de sua cabeça, alertando-o de que acabaria se matando, ou a outra pessoa, se não descansasse por algum tempo. Encontrava-se em algum lugar ao norte da cidade, próximo ao desvio para o aeroporto. Sem saber exatamente onde estava, tomou a saída adiante, que obviamente o levou a uma rua de mão única. Boston! Decerto nunca encontraria uma vaga. Deixara Louisiana ao raiar do dia e dirigira ininterruptamente, permitindo-se apenas breves paradas para abastecer o carro. Era um tolo por ter demorado tanto para fazer essa viagem, após ter ficado noite após noite em casa, dizendo a si mesmo que ela voltaria quando concluísse que ele não fizera nada de errado. Porém, ela não retornara. Então, ao dar-se conta de que não importava se estava certo ou errado, o pânico o invadira. Por orgulho, aferrara-se a certos conceitos e, ao recusar-se a ceder, deixara a Megan poucas opções. Ficara deitado no quarto que dividiam, sentindo a brisa que vinha da varanda, ouvindo a versão abafada da cacofonia que caracterizava as ruas de Nova Orleans e reparando em cada detalhe que o lembrava de Megan. As cortinas bege, que tremulavam com o vento leve da noite, a cabeceira da ampla cama, o dossel que a encimava, os armários antiquados. De uma das gavetas, que permanecia aberta, pendia algo feito de renda e seda. Podia jurar que sentia o perfume dela. Quase telefonara para ela, mas havia desistido. Tinham trocado palavras duras. Como em um filme, podia ver a cascata de cabelos loiros e as lágrimas que embaçavam o profundo azul daqueles olhos. Não adiantaria telefonar. Não depois da forma como dera de ombros quando ela avisara que precisava partir, ir para casa... De repente, percebeu que tinha estacionado. Julgava estar em algum lugar próximo a Little Italy e agradeceu a Deus por conhecer um pouco de Boston. Havia um letreiro em neon piscando perto dele. Era quase um milagre. Encontrara um lugar para estacionar bem em frente a um restaurante. Ou bar. Ou qualquer coisa do gênero. Não conseguia divisar o nome no letreiro. Não apenas pela exaustão, mas devido à neblina que se espalhava pela cidade. Saiu do carro e se espreguiçou. Precisava comer e beber algo. Independentemente da urgência em ver Megan, teria de dormir um pouco. De preferência em um local perto dali, mesmo que pagasse uma fortuna pela diária.

*** Theresa Kavanaugh saiu tarde do bar. Bebera um pouco e ficou insatisfeita ao constatar que teria de caminhar at é sua casa. George lhe prometera uma carona, mas isso tinha sido antes de se engraçar com a bela garçonete loira. Não dera importância ao fato, pois havia conhecido um rapaz fascinante e estivera certa de que ele se disporia a levá-la para casa. Avistara-o perto da mesa de sinuca, sozinho, e se aproximara.

2

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
— Sou boa nisso — ela dissera. — Vamos jogar? — Qual é a aposta? — Vinte dólares. — Eu esperava algo que... valesse mais a pena — retrucara o desconhecido, com um brilho risonho no olhar. — Primeiro, vamos ver como nos saímos no jogo. Ela havia vencido a primeira partida, e o homem pagara a aposta de imediato. Tinham rido e conversado bastante. Talvez ela tivesse falado demais, pois, ao retornar do toalete, o estranho partira. Assim como George. Dessa forma, quando o bar fechou, saiu sozinha para procurar um táxi. Porém, devido à grande quantidade de obras, os táxis estavam evitando aquela área. Pensou em chamar um por telefone, mas o bar já havia fechado, e seu celular estava sem bateria. Resignada, inspirou profundamente. Não haveria problema. As ruas eram iluminadas, e seu apartamento não ficava longe. Caminhava com tranquilidade até que... veio a névoa. A princípio, achou que estava imaginando o fenômeno. Mesmo em Boston, era raro que a neblina começasse no solo e se erguesse em um torvelinho denso como aquele em questão de minutos. Mas era isso o que estava acontecendo. Encontrava-se a dois quarteirões do bar, e a bruma cobria seus pés. Começou a assoviar, imaginando por que a neblina a estava deixando tão nervosa. Ouvia o ruído provocado pelos saltos de seus sapatos no solo e desejou estar calçando tênis. Como terminara um relacionamento havia alguns meses, sentia-se solitária, mas não se dispunha a envolver-se com um homem que conhecesse em um bar. Contudo, naquela noite, ao avistar o rapaz... Precisava admitir que o teria convidado para ir até seu apartamento. A neblina alcançara suas canelas, e era de uma coloração bizarra! Theresa continuou assoviando enquanto passava por diversos edifícios. Ao ver-se diante de um dos mais antigos cemitérios da cidade, arriscou um olhar às lápides altas e sentiu um calafrio na espinha. Resolveu concentrar-se no homem que conhecera. Não conseguia lembrar a cor dos olhos ou dos cabelos dele, mas recordava bem que aquele desconhecido possuía... magnetismo. Talvez o encontrasse de novo no bar. Afinal, ele também devia ter se sentido atraído por ela. Era uma mulher bonita. Naquele momento, algo a tocou no tornozelo, fazendo-a gritar. — Ei, moça... Tem um dólar? Theresa se afastou, assustada, do indigente que a tocara. — Não! — ela exclamou e saiu em disparada. Afastara-se um quarteirão quando um de seus saltos quebrou. Por pouco, conseguiu evitar a queda. Seu apartamento não estava tão distante, pensou, atravessando a neblina, que já chegava à sua cintura. Em pouco tempo, obliteraria sua visão. De repente, ela se deteve, aterrorizada, ao divisar um vulto em meio à bruma espessa. Prendeu a respiração, rezando para que não se tratasse de outro mendigo. — Ei! Aí está você. Era ele! O homem que conhecera no bar. Charmoso, fascinante, sedutor... Estava parado no fim do quarteirão, diante de uma das poucas árvores que existiam naquela área. — Olá — ela disse, mancando em direção a ele devido ao salto quebrado. — Achei que tivesse ido embora. — Eu achei o mesmo. — A voz dele era como... seda. Mesmo sem se mover, ele emitia uma energia e um poder impressionantes. — Esperava reencontrá-la. Ela sorriu, pensando em todos os percalços que enfrentara nos últimos quarteirões. — Theresa... venha até mim... Estou indo, bonitão! E foi exatamente o que fez. O barulho do único salto contra o chão soava patético. A neblina agora alcançava seu peito e girava em um torvelinho caótico. Aproximou-se, sentindo-se mais inebriada do que jamais ficava quando bebia. Talvez os efeitos tardios dos vários drinques que ingerira aquecessem seu sangue e fizessem seu coração bater de maneira frenética. Parecia que até mesmo a estranha neblina de coloração azul fazia parte da mágica. Parou diante dele. — Não acredito que o reencontrei — ela murmurou. — É sua sina. O destino. Maravilhas estão por vir. O tom de voz era sedutor, assim como o brilho do olhar daquele homem. Theresa sentia que não conseguiria se mover, mesmo que quisesse. — Venha comigo e sirva a mim. — Oh, sim! O estranho se moveu... Ah, a sedução daquela noite... O perigo. Algo proibido e, ao mesmo tempo, tentador. Era como se estivesse sendo engolfada pelas profundezas da noite. E coberta pela espiralada névoa azul. — Ei! Alguém cutucou Finn de maneira não muito gentil. Piscando várias vezes, ele abriu os olhos. — Deixe-me ver sua identidade.

3

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
O policial à sua frente estendeu a mão. Em um gesto automático, Finn tateou o bolso traseiro da calça. Maldição! Só então percebeu que estava na rua. Dormira encostado a um prédio. Por alguns instantes, temeu não encontrar a carteira. Não tinha noção de como fora parar ali. A última coisa de que se lembrava era de ter pedido um hambúrguer e uma cerveja. Para seu alívio, achou a carteira no bolso, onde a colocara, e entregou-a ao oficial. — Nova Orleans, é? — ele inquiriu. — Sim. — Por que está dormindo na calçada? — Eu... — Finn hesitou, antes de decidir contar a verdade. — Estava tentando dirigir diretamente até o Maine, mas quando vi a placa indicativa de Boston, resolvi parar para comer alguma coisa. Acho que estava tão cansado que apaguei encostado a esta parede. Mas não estou bêbado. Se quiser, faço um teste. — Estava a caminho do Maine? — o policial indagou, devolvendo-lhe a carteira. — Minha esposa é de lá. — Por que está com tanta pressa? — Tivemos um desentendimento, e ela me deixou. Estou indo até lá para trazê-la de volta. — Desentendimento? — Por orgulho, talvez. Ela acreditou em coisas que não eram reais. Fiquei zangado. Não queria dar o braço a torcer e me achava cheio de razão para lhe dar qualquer tipo de explicação... — E agora está correndo para o Maine. Teve sorte por não ter topado com um batedor de carteiras, mas... é um homem forte. O modo como tensionou o corpo quando o cutuquei deixa claro que deve praticar algum tipo de luta. Ainda assim, depois que inventaram a arma de fogo, acabaram-se os valentões. — Eu sei. Ouça, juro que, quando decidi ir buscar minha mulher, não contava com o fato de precisar descansar. Agora sei que foi bobagem pensar assim. — Louisiana e Maine estão bem distantes. Pode apostar que tem de descansar. Faz bem em reatar com sua esposa. Muitos casais desistem diante dos primeiros obstáculos. Você tem dinheiro na carteira? — Sim. E cartões de crédito. — Muito bem. Não parece um vagabundo, apesar de estar usando o concreto como colchão. Tem emprego? — Sou músico. — Percebendo as sobrancelhas erguidas do policial, apressou-se em acrescentar: — Sou um bom músico e, sim, consigo uma renda fixa e relevante com minhas canções. — Não o prenderei por ser músico. Mas é melhor procurar um hotel, não acha? — Sim. Juro que nunca fiz algo assim antes. — Dirija com cuidado. — Sim, obrigado. O policial saudou-o e se afastou. Finn olhou ao redor e logo encontrou seu carro. Deslizou para trás do volante e se dirigiu à via expressa. Minutos depois, avistou um hotel, localizado em uma pequena colina. Droga! Estava quase amanhecendo, e ele teria de fazer o check-out ao meio-dia. Contudo, estava determinado a dormir. Atirou-se na cama sem se incomodar em despir-se. Em minutos, imergiu em um sono profundo. Quando acordou, o mundo brilhava. Sentia-se satisfeito com o hotel, o banho e a troca de roupa. E, apesar de o Maine ainda estar muito distante, encontraria Megan. E então, tudo o que teria de fazer seria convencê-la da verdade. Amava-a mais que a própria vida. Precisava dela. E Megan necessitava dele. Sabia que ela o amava e que valia a pena lutar pela paixão que os unia. A melhor maneira de trazê-la de volta seria... O que iria dizer? Parou no caminho para almoçar, com a pergunta ainda martelando sua mente. Na realidade, praticou seu discurso durante todo o trajeto ao longo da costa. Quando ele chegou à casa dos parentes de Megan, tinha tudo planejado. Ela estava no gramado, sentada no balanço pendurado em uma árvore. Não teve tempo de se mover com rapidez suficiente quando percebeu que ele se aproximava. Os sedosos cabelos loiros refletiam a luz prateada do luar. Os olhos azuis lembravam os de um antílope surpreendido pelos faróis de um carro. As palavras evadiram da mente de Finn. Caminhou até onde ela estava, imóvel e hipnotizada, e a tomou nos braços. A princípio, o corpo de Megan ofereceu resistência, mas em seguida pareceu fundir-se ao seu. — Dirigiu até aqui? Para me buscar? — Sim. — E se eu me negar a acompanhá-lo? — Não pretendo dar-lhe essa opção. Tenho muito a dizer a você. — Eu também, mas... teremos tempo para conversar. Mais tarde. Megan colou-se a ele. O simples contato da pele quente e macia tinha o efeito de um mergulho em fogo l íquido. Finn estremeceu.

4

onde tinha flertado com um homem à mesa de sinuca. percebeu um som.. Ninguém a vira desde a noite de sexta-feira. Tudo não passara de um pesadelo. nada. As mãos escorregaram quando ela lhes cravou as unhas com força. de alguma forma.. A figura não tinha face.. quando Theresa Kavanaugh faltou ao trabalho pela segunda vez sem justificativa. a ameaça.O Anjo Caído (Bianca 915) — E seus parentes? — indagou com um fio de voz. segurava seus punhos e. chutou e esperneou até ficar sem fôlego. — Megan! Droga. Como centenas de jovens por todo o país.. Desesperada. e logo em suas roupas.. Em meio à terrível realidade do que estava acontecendo. A aparição. Estava na cama de uma pousada em uma pacata cidade que enlouquecia apenas durante o mês do outubro. pare! De novo. De um límpido e belo azul. dirigindo-se à ala que ela ocupava na casa. Os golpes à medida que ela resistia. A noite caiu suavemente. Divisou a sombra dele entrando no quarto. quando ela saíra do bar.... Capítulo I Megan gritava. Risadas diabólicas. tentando libertar os punhos. Apenas horas depois ele falou. Não conseguiam se lembrar de nada relativo ao homem da mesa de sinuca.. Os colegas de trabalho imaginavam o que poderia ter-lhe acontecido. Ela lutou desesperadamente.. Era se como ela tivesse desaparecido no ar. as mãos que apertavam seu pescoço. esfregava a mandíbula. nem traços de violência no caminho do bar ao apartamento. Os meses de setembro e outubro levavam hordas de pessoas à Nova Inglaterra. com a outra. Com uma das mãos. o medo. A folhagem do outono regalava a visão dos visitantes. Finn amenizou a força com que a segurava. porém Megan o conhecia. — Estão passando o fim de semana fora — ela sussurrou. — Megan! — Finn estava sobre ela. Mas ela era adulta e talvez tivesse escolhido desaparecer. E. Sussurros. Apenas não tinha certeza de como. Decidida a não se entregar. fitava-a com olhos brilhantes. Na escuridão. Ela deslizou os braços em torno do pescoço do marido. seu desaparecimento foi reportado à polícia. A violação de sua carne. A adrenalina corria em suas veias.. Fora um calmo fim de semana em uma cidade grande. — Finn! — exclamou ela. baixo e suave. 5 . e ela sabia que ia morrer... desculpe. e diabolicamente excitante. acorde! Atordoada. O domingo passou. sentiu mãos em seus ombros. Um sábado. alertando-a de que teria de lutar para sobreviver. ninguém conseguia descrevê-lo. — Vai socar minha mandíbula outra vez? — Não fiz isso! — Fez. Crianças brincavam no parque e turistas transitavam pelas ruas. ainda ouvindo gritos distantes. Finn ergueu-a nos braços. Era um dia excepcionalmente claro em Boston. ciente da ameaça mortal que se aproximava. O som prosseguia. exceto que ele era pecaminosamente belo. que realçava o tom agudo de seus gritos. Era tudo o que ouvia. Não havia nenhum sinal de. despertou. mas para cessar os sons aterrorizantes que pareciam penetrar sua alma. Theresa Kavanaugh simplesmente havia sumido. — Megan! Jesus. e percebeu que vinham dela.. trêmula e quase soluçando. onde o crime era inevitável. Gritou mais alto ainda. Estranhamente. Tinha consciência de cada passo do que estava por vir. Pálido. — Oh.. conseguiu encontrar as palavras certas. Apenas na manhã de terça-feira.. sentia o medo crescente que ameaçava oprimi-la. Seria um direito dela... Naquele momento. não apenas para salvar sua vida. Não havia indicações de que ela tivesse retornado para casa. A princípio nos cabelos.Shannon Drake . sacudindo-a. As mãos a pressionavam. — O que deu em você? Megan foi arrancada do aterrorizante realismo do mundo em que penetrara no sono e trazida à vida real. ela ouviu a própria voz. e continuava gritando. O som de diversas vozes. Sabia que fizera ou dissera algo que havia precipitado aquele acontecimento. Sentiu a violência quando ele a tocou.

Do contrário. — Droga. Tem esse tipo de sonho com frequência? — Não. o zelador de Huntington House. acordaria a todos. está tudo bem. não pode haver mais explosões como esta. — Claro que sim — Finn concordou. referindo-se à família de Megan.O Anjo Caído (Bianca 915) Ele não a repudiou. Finn fechou a porta. Quando Finn abriu a porta. — Foi apenas um terrível pesadelo. Mesmo com os cabelos em desalinho e trajando aquele ridículo robe.. — Ao que parece. — Um pesadelo. Antes. — Acha mesmo? Nunca acordei ao lado de uma mulher cujos gritos ameaçavam estourar meus tímpanos. — Sinto muito. Em seguida. Finn. portanto. Megan observou-o. e tinha de gritar como se estivesse sendo perseguida por uma centena de cães de caça? Ele foi interrompido por uma forte batida à porta. Quando o sr. sr. eram encimados por sobrance lhas grossas e cabelos castanhos espessos. Desculpe-me. Tive um pesadelo horrível. Afinal. — Eu não diria isso. — Oh. — Acho que foram as lendas contadas ao redor da lareira — murmurou ela ainda ressentida. Fallon. Era um atleta nato. Haviam acabado de voltar de uma semana de férias na Flórida. parecia disposto a chamar a polícia e denunciá-lo por violência doméstica. O sr. Fallon não sabe nada a nosso respeito. Ela sentiu os dedos longos tocar suas costas com suavidade. Deve ter sido isso.Shannon Drake . recostou-se ao batente e cruzou os braços. Finn estava ao seu lado. Finn! Já pedi desculpas! Não fiz de propósito. distantes e acusatórios. Ele trajava um exíguo robe. — Boa noite — disse Finn. Possuía um belo rosto. pensando no quanto o amava. sr. que é um estabelecimento de excelente reputação. malares bem marcados e lábios benfeitos. sr. O nariz reto e aristocrático não era pequeno nem proeminente. Fallon se retirou.. virando-se de costas para ele.. Tive um terrível pesadelo. claro que não. — O que está acontecendo aqui. — Os Merrill também têm boa reputação por estas paragens — ele acrescentou... fazendo uma careta. Megan mordiscou o lábio inferior. porém não desejando estender o assunto. parecia imponente e atraente. e ele estava extremamente bronzeado. — Tente não fazer tanto barulho. pois estava nua. mas terminou com uma palavra de advertência ao marido. ele sabe tudo sobre a sua família e. Na verdade. 6 . — Pois parecia um assassinato! Megan não podia levantar-se da cama para dar qualquer explicação.. estava parado. apenas um mês se passara desde que ele dirigira até o Maine para que se reconciliassem. — Está bem. Megan deitou-se. — Todos sabem que acabamos de reatar. relutante. Fallon. Não gostamos de brigas aqui em Huntington House. mas seus ombros estavam tensos. — Garanto que estou bem. o que foi isso? — Tive um pesadelo terrível. Quando Megan recuou para fitá-lo. clássico e masculino. A relação deles estava tão frágil no momento. também deve saber sobre nós. — Como pode ver — interveio Finn. Sonhei que alguém estava querendo me matar. Megan teve um pesadelo — Finn explicou. fitando-a. — Não seja ridículo. Adormeci com a mente repleta de lendas. de um verde profundo. imergindo o quarto mais uma vez na escurid ão. pelo amor de Deus. Os olhos. dos cabelos desalinhados aos pés descalços.. fitando a esposa. Sinto muitíssimo! — É uma sorte que esteja nesta ala da casa. ele já passou por isso antes. — Megan. Um pouco de compreensão seria bom. — Estou bem. ela conseguiu divisar a luz fraca do corredor. — Ele pensou que eu estava espancando você. à soleira da porta. Com certeza. com expressão encrespada. claro que não! — ela assegurou. Naturalmente. ela teria voado da cama para os braços dele. Instantes depois. Fallon — afirmou com voz débil. Porém. Finn permaneceu distante.. senhor! — Ele começara a falar com Megan. sempre em boa forma.. que mal lhe cobria as coxas musculosas e bronzeadas. descobriu os olhos verdes estreitados. acha que você cometeu um grande erro. segundos antes de acionar o interruptor ao lado da porta. — Você quase deslocou minha mandíbula! — Por que não consegue compreender? Estava profundamente adormecida. voltando para alguém que estava prestes a cortar sua garganta antes de ele entrar. Não sou a única pessoa que Fallon ouviu gritar por causa de um pesadelo. irritado —. ainda deitada. com queixo firme. Douglas? — indagou em tom austero. Um músculo se contraiu na face de Finn. o que o tornava ainda mais atraente. enquanto ele saía da cama e vestia o roupão atoalhado. — Pare com isso. O zelador mediu-o de cima a baixo com um olhar que deixava claro que não acreditara em uma palavra daquela justificativa..

Para Megan. e ainda por aqueles que administram grandes restaurantes e não se importam com isso. — Finn. Começou a trabalhar com um amigo. — Ah. moreno e sinistro é um pilar desta comunidade? — indagou Finn. decidiu não partir de imediato. Aos poucos. boa comida e tempo para se dedicar à composição de músicas. Algumas histórias a apontavam como a agressora. fazendo amor. Disse que seria bom para sua carreira. Esquivavam-se constantemente dos amigos para desfrutar das preciosas horas que tinham juntos. Finn se graduou. ele entrelaçou os dedos atrás da cabeça. Os rumores começaram. diziam que ele a agredia. a despeito da adoração inicial por Finn. Finn enfureceu-se com a situação. diante do olhar curioso dos vizinhos. Essa proibição datava do século dezesseis. mas raramente os visitava. e cada qual havia se casado outra vez. Na ocasião. Apesar de o cachê não ser alto. a Salem dos dias atuais é um lugar adorável. e ela não estava disposta a perder o respeito próprio ou a deixar que seus sonhos profissionais se dissolvessem à sombra de Finn. — Você quis vir.. dúvidas. e fora correspondida em sua louca obsessão. — E aquele marido quiromante desengonçadamente alto. em atitude defensiva. desconfiança. cantando rock e música popular em uma cafeteria. Há outras que creem na Wicca. Os seguidores da Wicca creem que ações ou pensamentos maléficos retornam às pessoas que os praticam com força triplicada..O Anjo Caído (Bianca 915) — Você é natural deste lugar e ainda se assusta com as histórias sobre Salem? — Foram lendas diferentes. outras tantas que possuem lojas encantadoras e sobrevivem da história. Aceitava cada vez mais trabalhos fora da cidade. Estar um nos braços do outro. a gota d’água foi a flautista que Finn levou à banda que eles haviam formado quando ainda não trabalhavam como uma dupla. outras. Ela era originária de Massachusetts e. em plena varanda. E sim. e que praticam coisas ruins movidos pela crença. — Está bem. as gorjetas eram boas. Assediara-o despudoradamente. de ataque cardíaco. Morwenna acredita nos poderes da terra e da natureza. ou como queira chamar. como uma religião. Nunca havia desejado alguém daquela forma. apesar de não se sentir à vontade com a madrasta. Começou a passar longas horas fora de casa. e ele. um garoto rebelde. a bruxaria moderna. ele era totalmente pragmático. As finanças se apertaram. — Por que está criticando minha prima e o marido? — Porque estou começando a achar que foi um erro vir para cá. 7 . Em questão de dias. e esse local poderia ser qualquer canto da Terra. — E sua prima tem uma loja de bruxaria. Não se afeiçoara ao padrasto nem à madrasta e. Finn enviava cartões e presentes a seus meios-irmãos de vez em quando. tendia à circunspecção natural dos habitantes da Nova Inglaterra. e aqueles que acreditam nos poderes das trevas desejarão que os mortos se levantem das tumbas e espalhem o mal pelo mundo. Um erro? Fora tudo um erro? Apaixonara-se por Finn ao pousar os olhos nele. portanto. Certo dia. ela se descontrolou durante uma discussão e o atingiu na cabeça com uma bisnaga de pão francês. esquecera-se dos estudos. sentindo-se magoada. e os equipamentos de música eram dispendiosos. desesperada para passar ao lado dele todo o tempo disponível. Vejamos. — Não há nada de diabólico em relação a Morwenna. Então começaram as primeiras discussões sobre as melhores formas de ganhar dinheiro..Shannon Drake . em satanismo. nem imperdoável. Os pequenos inimigos se juntavam para destruir um relacionamento que acabara de florescer. E. — Não sabia que. que era guitarrista. Ela era apegada aos pais. e pratica o bem. sua grande paixão. Sempre amara a aparência. não havia meios de esquecê-lo. Finn! Pense bem! Há pessoas más neste mundo ou não? Acho que sim. Os dele eram divorciados. mas sabe de uma coisa? Sempre existiram aqueles que acreditam em bruxaria. carregando no sarcasmo. Ora Megan. não havia discussões. Bom café. a fragrância. diante de amigos e do sacerdote. Foi então que ela decidiu que era de partir. Ciúmes. As diferenças entre ambos. Por fim. Finn viu-se divido entre o ressentimento por não ter sido lembrado no testamento e o sentimento de culpa por não ter se esforçado para conviver com ele. Para Megan. — Tem razão — ela concordou em tom tenso. e as horas que passava ali eram maravilhosas. Porém. — Eu não disse que havia. Megan virou as costas para ele mais uma vez. e os programas de bolsas de estudos acabaram. tornaram-se pontos de desavença. Ela era dada a pressentimentos e intuições. A névoa se erguerá. Ele era do extremo sul do país. e a bisnaga de pão se transformou em uma garrafa. mostrando-se mais preocupado com os boatos do que com ela. Maldição. desafiaram todos os conselhos e se casaram em um fim de semana em uma pequena cidade ao sul da Geórgia. pois ainda estava loucamente apaixonada. ouvi aquelas histórias sobre o mal que povoa o coração de alguns seres humanos e sobre suas crenças nas forças das trevas e tive um pesadelo. no momento em que Megan achava que ele mais deveria precisar dela. tênues sombras de dúvidas e raiva surgiram. A princípio. ainda restavam dois anos. Megan sempre fora uma boa estudante. Megan sentou-se. com suspensões por briga na escola. você ficaria histérica. Quando seu pai faleceu. ao chegar à sua cidade. Deitando-se de costas. mas então haverá a lua cheia. que no início do relacionamento pareciam interessantes. Isso não é tão incomum. O Halloween está chegando e a atmosfera diabólica cresce e inunda os locais onde a crueldade do homem para com o homem foi grande. Não exatamente sobre Salem. povoado por pessoas que escarnecem da bruxaria. o timbre de voz e o som da risada de Finn. Imersos na paixão avassaladora. em seu primeiro dia na faculdade. infelizmente. Porém. decidira viver a própria vida assim que se graduara no ensino médio. as vítimas da perseguição neste lugar com certeza eram inocentes dos crimes que lhes atribuíram. e ela resolveu ir morar com eles. considere a história da humanidade. Tudo o que desejavam era tocar-se. as dúvidas se aprofundaram. Portanto. seus parentes viviam no Maine.. sempre aberto e generoso. — Não é ilegal seguir a bruxaria nos dias de hoje.

Ali. É dito. por favor — Megan disse. Finn não conseguia viver sem ela e a queria de volta. Uma brisa fria. mas embora aqueles que eram presos e levados à morte. atirando-se nos braços do marido. Afinal.. gargalhara. — Todos devem pensar que sou um espancador de mulheres — Finn sussurrou. Conversaram longamente sobre tudo. um garoto de cerca de doze e uma menina que aparentava dez anos. um toco de madeira crepitara na lareira. ela se dirigiu à enorme e antiquada cadeira em frente à lareira. ele pousaria os lábios macios em sua nuca. — Finn apertou-lhe a mão e piscou para ela. 8 . como ainda há. Ela pensou tê-lo ouvido respirar.. provavelmente. Ainda assim. Ah. se quisesse gritar. enquanto a segurava. onde deixara pendurado o robe atoalhado. a brisa se tornou mais fria. Certo dia.. e ela nunca estivera tão certa de uma decisão em sua vida. tem de haver a maldade. — Bom dia — respondeu a mulher do casal com filhos. Através dos anos. gritara e. muito bem. o toque cessou. apesar de serem insensatos nos métodos de que se utilizavam para descobri-lo. foi exatamente o que fez. Quando Finn e Megan entraram na sala de jantar. Finn chegara em casa com a notícia de que recebera uma oferta irrecusável para cantarem em um hotel em Salem durante a temporada do Halloween. Àquela altura da narrativa. ao se aproximarem. O estranho azul da neblina que subia da rua moveu-se rapidamente. alta. embora em tom não muito seguro. Ela não tinha medo de nevoeiro. Os seis pares de olhos os fitaram por alguns instantes. Na verdade. aguardando que ela girasse para se fundir em seu abraço. Não fora. O episódio da bisnaga de pão ainda não tinha sido totalmente superado. Megan tivera apenas. ele se mostrou apaixonado e sincero. Finn havia adormecido. Hesitou por instantes e depois a transpôs. O céu parecia belo e estranho. Provavelmente diria que. Não sabia por que havia se abalado tanto. porém agradável. querendo se certificar de que a oferta não havia sido uma forma de manipulação por parte da família de Megan. — Mexidos. lera um artigo sobre eles e os achara perfeitos para o trabalho.Shannon Drake . As mãos hábeis deslizaram para dentro do roupão atoalhado.. e das criaturas que se encontravam em algum lugar entre eles.. a versão feminina do sr.. mas na próxima Marblehead. para sua surpresa. onde era servido o café da manhã. Imaginava se deveria ou não assinar os papéis do divórcio quando Finn apareceu. a resposta era afirmativa. vocês sabem. ele se perguntou se os hóspedes teriam ouvido os gritos da esposa. magra e severa como ele. Vamos enfrentá-los. Vestiu-o e afastou as cortinas da porta que dava para a varanda. aquele não fora o motivo de sua ida até lá. elevando-se como se quisesse engolfá-la. Quando baixou o olhar à rua. aqueles que buscam os segredos do espírito das trevas. Megan fora uma delas. Fora perdoado por ambos. a envolveria nos braços fortes e diria que a amava. Nunca houvera nada entre ele e a flautista ou qualquer outra mulher. quando retornasse ao quarto da pousada. como o velho Giles Correy. Pressionaria os quadris com força contra os dela. porém permanecia como uma lembrança desagradável. Ela se virou outra vez. a acariciava. — Não seja tolo — murmurou ela de volta. dos duendes e demônios do além. pronta para despi-lo de imediato. Assim como os anjos. Mas. A neblina abaixo parecia ter uma tonalidade azul e crescia em espirais. soprava. inocentes. Aquele era o ritual de Finn. querendo melhorar a situação entre eles. Um homem chamado Sam Tartan. E sempre houve. quase soluçando. Metade da plateia. O prestígio de terem recebido uma oferta tão boa também fora convincente. Não podia imaginar que. Amava Finn e o amaria para sempre. meus amigos. gerente de entretenimento e relações públicas do novo hotel. Porém. apesar da oportunidade de rever os membros de sua extensa família. não crescera em Salem. um pesadelo. ele se encarregaria de dar-lhe os motivos certos. — Como preferem seus ovos? — perguntou. assim como sua família. A princípio. Havia na pousada mais dois casais na casa dos trinta anos. Aparentemente. e ele puxou uma cadeira para que a esposa se sentasse. Sentiu um toque suave no pescoço e dedos erguendo seus cabelos de maneira gentil. de certa forma. avistou um nevoeiro em redemoinho que a fez lembrar as palavras do velho homem que contara histórias ao redor da lareira aquela noite. e ponto-final. Susanna McCarthy.O Anjo Caído (Bianca 915) Manteve-se afastada por seis meses... enroscava-se e seguia como algo animado. Fallon. ainda mais quando são chamados do fogo do inferno para caminhar sobre a Terra outra vez e habitar a vida e a alma dos homens. Megan poderia ter derretido. De repente. E. pois. e ela voltou a sentir-se segura e amada. antes de se voltarem para os pratos. — Bom dia! — ele cumprimentou. Na verdade. E o cachê era impressionante. houve histórias de homens e de bestas.. Finn se mostrara um pouco cético. Os pais de Megan nem sequer conheciam Sam Tartan. Retornaram a Nova Orleans. e eles a aceitaram. — Oh. as conversas foram interrompidas. Dois lugares haviam sido deixados vagos. dos seres selvagens dos quais nos recordamos apenas no mais profundo e escuro recesso de nossos corações. entrou na sala de jantar com uma cafeteira na mão e serviu a todos em silêncio. em seguida. os antigos guardiões da justiça talvez não fossem tão tolos em seu temor ao mal. de um azul profundo. enquanto se aproximavam da ampla mesa. Existe a Bíblia e trabalhos que expressam a maior fúria demoníaca. Megan virou-se para fazer exatamente isso. Encontrava-se sozinha na varanda. Fechou os olhos e sorriu. onde era conhecida. Um deles estava acompanhado dos filhos. e o mal está enraizado na história da humanidade. Se existe a bondade. Ao reatarem o casamento. que a noite do Halloween é aquela em que os mortos podem se levantar. desejava não ter gritado ali em Salem. fitando-os como se fosse obrigada a alimentar dois criminosos fugitivos. esperando. quase negro em alguns pontos e iluminado de forma quase etérea em outros. Deslizando para fora da cama. No entanto. deixando completamente de lado o orgulho. porque as coisas que faria seriam tão extasiantes que ela não conseguiria se conter. existem os demônios. sonharia com o demônio e gritaria durante a noite. ele não estava lá. Pensem. Era impressionante como uma fofoca podia viajar uma distância tão grande até Massachusetts. atenta ao velho homem. fossem. Em instantes.. Outubro em Massachusetts.

Isso aconteceu séculos atrás. Sim. mas ela não é circunspecta nem esquisita. Então. Disse que não podemos ir até lá porque o lugar é um grande caldeirão de ini. Embora eu seja originária deste lugar. — Os nativos da Nova Inglaterra podem ser bastante circunspectos — Megan concordou. — Isso mesmo! — interveio a garota ruiva. tive o pior pesadelo da minha vida. acho que devo um pedido de desculpas a todos. mas esse foi muito bom — concordou o filho do outro casal. sugerindo a Megan um passeio ao museu. — Sabe de uma coisa? Quando se está aqui. Ela devia ter sido convincente. enquanto seus antepassados não passavam de uns esquisitos! — Joshua! — a mãe voltou a chamar-lhe a atenção. Megan riu. onde se acredita que os condenados eram executados. — Joshua! — a mãe o repreendeu. — Aquela cidade tem sua reputação — comentou Finn —. — Papai falou que as pessoas lá são alegres. lembrando que Megan era dali. Porém.. sorrindo para o menino. mas é como qualquer outro lugar. passei por aqui uma vez — comentou Finn. e Brad comentou que as crianças tinham gostado do vilarejo dos peregrinos.. — Marblehead fica perto daqui. e o som era leve e sincero. — Achei interessante — opinou Joshua. — Sou John e esta é minha esposa. — O fato de eu conhecer algumas dessas histórias não quer dizer que não me assuste com elas. que foi interrompido pelo homem do casal sem filhos. Os puritanos não podiam fazer nada! Nem cantar. — E pessoas ruins — acrescentou Ellie.. — Assustador — aparteou Megan. Ellie — terminou Megan.Shannon Drake . — Posso dar as dicas para evitarem os programas ruins. — E é um prazer conhecê-los. E meu marido nunca esteve aqui.O Anjo Caído (Bianca 915) — Com a gema mole. — Talvez eles queiram descobrir os lugares por conta própria. — Para crianças — Mary se apressou a corrigir. uma das vítimas mais injustiçadas. por tê-los acordado. determinado a sorrir. Acabei tomando alguns caminhos errados na estrada e parei para almoçar no centro da cidade. em Nova Orleans. Fallon disse que sua família é daqui. as pessoas não são nem um pouco reservadas. não existiam todas essas atrações. se conhece tudo sobre os fantasmas. a despeito da antipatia da mulher. Portanto. 9 . — Sou Finn e esta é minha esposa.. Vocês devem ser muito corajosos. Quero dizer.. O rubor na face de Mary revelava o constrangimento que sentia. por que gritou ontem à noite? — Ellie! — o pai a repreendeu. — Adoraríamos ouvir as sugestões do seu filho — Megan assegurou. — Fomos acordados por pavões na última hospedaria em que estivemos.. sorrindo. nem dançar. um bando de pessoas foi enforcado por outras. onde moro com meu marido. as sugestões são sempre bem-vindas. Sally. — Você sabe um bocado sobre este lugar — concluiu Joshua. — E eu sou. com o charme costumeiro. Há coisas boas e ruins. — Os peregrinos. Susanna retornou com os ovos e colocou os pratos diante deles sem dizer uma palavra. porque quando voltei para cá e caí no sono. não é? — indagou o pai do menino. porque a expressão do pai das crianças pareceu suavizar. O pesadelo foi realmente terrível. quando eu era criança. — Foi eletrizante! — Ele foi ótimo. — E eu sou Mary — apresentou-se a esposa. Sou Brad Elgin. Gallows Hill. fica aqui. nem se divertir. ou não teria comentado conosco o pesadelo que teve. e o juiz Hathorne está em um jazigo no Burial Point. limitadas e tolas. — O sr. se não for incômodo — escolheu Finn. — Você é Joshua e você.. — Joshua! — ralhou a mãe. — Não — Ellie concordou. Quando ela se retirou. Eu fui estudar no sul e. Aliás. Pretendia também quebrar o gelo entre os ocupantes da mesa. — Desculpe — disse o menino. — Sim — reforçou Sally. — Mas você é daqui. e até hoje eles se mostram circunspectos. iniq. Vejam quantas pessoas foram mortas. Não estavam todos presentes à narração de histórias ontem à noite? Houve um breve silêncio. — Iniqüidade? — perguntou Finn. Sally retomou a conversa. estávamos. fica fácil compreender por que os nativos da Nova Inglaterra são tão carrancudos. Você pode também ir visitar a casa de Rebecca Nurse.. — Lançou um olhar não muito amistoso ao casal. — Sim. Alguns dos programas aqui são ruins. — A propósito. — A moça aqui é da Nova Inglaterra! — Sim. Megan. — Coloquei na cabeça que iria dirigir de Nova Orleans ao Maine. — Na verdade. e alguns dos meus parentes ainda vivem nesta região. a cada ano as coisas mudam.

Até mesmo para a própria esposa. o fundador de Salem. — Nunca tenha medo de me amar. mas acho que esses velhos conceitos como narizes enormes e cabos de vassoura aludem ao demoníaco. Tem a ver com o culto à terra. Vamos nos divertir. As folhas caídas forravam as ruas como um tapete nas nuances laranja. desculpe-me. — Certo. Ele mesmo não acreditava naquele tipo de religião. — Aquela é a estátua de Conant.. Percebendo que Megan parecia aflita. Graças a você.. — E apenas uma forma diferente de crença — explicou Megan. Finn sentiu uma rufada de ar fresco açoitá-los. Sou católica. Mas não se preocupe. Sentia-se estranho.. informou que iria até a Casa das Sete Torres. inclinou-se em direção a ele o beijou. — Eu também amo você.. Como o Museu Peabody Essex. — E nós vamos visitar a wiccan. seremos capazes de evitar os programas ruins. é o melhor modo de saber o que aconteceu durante todo o frenesi de 1692. E até engraçado. As cores do outono se encontravam por todos os lados. a família de Megan. surpreso com a repentina tensão que cresceu em seu íntimo. Um beijo perfeito. E o museu fica ali à direita. se praticarem o mal. Porém. o mais leve roçar dos lábios de Megan tinha a capacidade de se transformar no toque mais sensual. Nessa região. anunciando que visitariam o Museu do Marinheiro. Finn levantou-se. suavemente.. Fui um idiota ontem e pretendo recompensá-la. de repente.Shannon Drake . Joshua. melhor. corno se tivesse revelado demais. John e Sally se levantaram. — Você é seguidora dessa crença? — indagou Brad. — Então todos nos acham estranhos. 10 . Finn dirigiu-lhe seu mais cativante sorriso... Ao que parecia. — Finn. Esqueletos pendurados nas varandas. — Finn. Também estou vestido de forma apropriada. — Venha. fitando a criança. — Quer siga os conceitos da Wicca ou não. alguém está passeando com um cão dinamarquês no parque. você não é obrigado a. ambos estivessem aflitos para deixar a casa centenária rumo à luz do sol de outubro. Megan era obcecada por cachorros. próprio para a mesa do café da manhã. Fora criado no cristianismo e achava que a maioria dos wiccans tinha por objetivo ganhar dinheiro e se divertir. Estou ansioso para que a palma da minha mão seja lida. existe uma variedade de lojas interessantes. Não perderemos mais que vinte minutos e. não me importo com o que os outros pensem. espantalhos e todo o tipo de decoração típica do Halloween. — Não. — Haviam chegado ao centro histórico. Eu sou um espancador de mulheres. e você. Tanto que chega a ser assustador — ela confessou. Megan se deteve e virou-se para encará-lo. dourado e âmbar. Nunca mais deixarei que nada prejudique a nossa felicidade. casto. Serei encantador com Morwenna e com o bizarro marido. mas não nevava. Finn piscou para o menino. Desejo conhecer melhor sua família e. já que Ellie perguntou se sua prima era bruxa. a bruxaria é associada ao satanismo. Mas a religião Wicca não é demoníaca. Sentindo um estranho tremor. morcegos e bruxas em cabos de vassouras. Apresse-se para aproveitar enquanto estou disposto a bajular seus parentes! — Eu gostaria de parar no Museu das Bruxas de Salem. o casal ficou sozinho na sala de estar. — Encontrará muitos wiccans aqui — Finn interveio. Dirigindo o olhar ao outro lado da rua. Salem era bela em outubro. — E há mais lugares onde teremos de ir.. Quando chegaram do lado de fora. ele retornará com força triplicada. E.. — Que bobagem! Os wiccans não têm senso de humor? — Às vezes sim. Alguns meninos jogavam bola e duas jovens corriam. — Morwenna não gosta desse tipo de alusão às bruxas. — Já terminei. certo? Megan sorriu. — Olhe! — Apontou para a frente. Megan deu de ombros. Fazia frio. Quanto maiores. notou várias pessoas passeando com cachorros. — Como o cristianismo. De repente. A cidade estava enfeitada com rostos esculpidos em abóboras. Você é minha vida — Finn declarou em um tom mais passional do que pretendera. A loja de Morwenna fica perto de lá. por sua vez. Fallon havia passado informações sobre a família de Megan aos hóspedes. Vamos indo. Todas as casas exibiam algum tipo de enfeite relativo à festividade. Era como se. — Veja. Finn achou que entrariam diretamente no museu. o judaísmo e tantas outras.. — Wiccan — corrigiu Megan. Os wiccans crêem que. A conversa se intensificou entre os participantes do café da manhã. bruxa por associação. — É melhor irmos. Terminou de comer seus ovos? Não quero apressá-la.O Anjo Caído (Bianca 915) — Sim — Finn concordou. — Quero tornar este dia agradável para nós. mocinho. imaginando por que se colocava na defensiva. mas se virou quando Megan tocou seu braço. — Pare de pedir desculpas. todo de preto. — Não sou obrigado a fazer nada — ele a interrompeu. Depois que todos se retiraram. desde que você também me ame. Eu amo você. Naquele momento. E se seguir os conceitos da Wicca. o sr. provavelmente.

as jovens começaram a gritar e urrar. mas logo foi a vez dele. Então a mulher foi condenada. Era apenas uma cidade como outra qualquer. — Então continua na carreira de música!.. — Que bom revê-lo! O que está fazendo. cautelosa. Megan ergueu o olhar com um sorriso estampado no rosto. tentando recordar-se do homem que a chamara. E parabéns! Você se casou com a garota dos meus sonhos. — Megan? Virando-se. quando anunciaram que a libertariam. Megan prometeu dar-lhe um dos novos CDs. Bruxas haviam sido submetidas a julgamento antes nas colônias e seriam julgadas outra vez. Megan sorriu. olhos castanho-escuros e estatura mediana. tomando nas dele as mãos de Megan e beijando-a no rosto. Megan e Finn foram até o museu. ele pensou. Foram os dois últimos a serem admitidos para a apresentação seguinte. Outras a seguiram para as terríveis cadeias. uma das jovens abjurou. Tinha cabelos cor de areia. Estamos nos apresentando no hotel. Quando as luzes. Está de volta à cidade? — Não. Os eventos sucedidos em Salem em 1692 foram apresentados. escutou o rapaz dizer que possuía alguns de seus CDs e que apreciava muito a música deles. ao contrário de outros locais por aqui. — É um prazer conhecê-lo também. — Obrigado — Finn replicou. Até mesmo os homens de Deus passaram a acreditar nela. uma forca foi iluminada. Parabéns pelo casamento e pela música de vocês. Finn indagou: — Antigo namorado? — Não. Juntaram-se a uma horda de turistas que caminhavam pelo parque. Ao ver Mike afastar-se. Mike.O Anjo Caído (Bianca 915) — Vamos ver o cão dinamarquês — ele sugeriu em tom casual. Finn perguntou se o animal era dócil.. por fim. E um lugar excelente. sucessivamente. Oh. angustiadas. desesperadas por algum tipo de distração. — Obrigada. segundo a crença da época. —. dezenove pessoas foram enforcadas. mas. As pessoas ao redor riam e se divertiam. quadros eram iluminados. Usava óculos de lentes grossas e passava a maior parte do tempo com o nariz enfiado nos livros. O que tornava fácil imaginar por que as crianças. se acenderam Finn percebeu que havia apertado a mão da esposa durante todo o tempo. Mike Smith. não achou? E triste. camisetas e outros souvenirs. a grande melancolia do inverno e o estilo de vida dos puritanos eram tangíveis. — Mike? — ela arriscou. e um prazer conhecê-lo. dizendo que as jovens condenariam a todos. Vingando-se do infortúnio do passado ao transformála em uma fonte de renda vinda do turismo. apresentou-se como Darren Menteith e lhes assegurou que Lizzie era uma cadela amigável. O lugar estava fervilhando. Quase foi inocentada.Sim. Megan virou-se para Finn. Megan se pôs a brincar com o animal. sou eu — ele confirmou..Shannon Drake . Moro em Nova Orleans. a culpa foi atribuída à bruxaria. Suas palavras foram lidas por um sacerdote da igreja. durante o feriado do Halloween. Ao alcançarem o rapaz que caminhava com o cão. trocando um aperto de mão com ele. Felizes com o fato de terem um fã de dezenove anos em uma cidade pequena. — Bom. que faz um bom trabalho com os fatos. Porém. ela franziu o cenho. Um habitante local. chamado John Proctor. Pouco depois. — Só então. 11 . Nesse ponto da apresentação. Ao todo. enquanto Finn conversava com Darren. E normal. — Trabalhando no novo museu. Era previsível que acabaria trabalhando em um museu. e estava trajado em um terno elegante. — Sim — concordou Finn em tom suave. perturbado pela onda de ciúme que o acometeu. belas fei ções. — Foi ótimo revê-la. Anos depois. Mas você. Ele era acadêmico demais para mim. despediramse. — Seria mesmo?. Ainda mora aqui. — Mike desviou um olhar que Finn julgou ser de adoração a Megan para cumpri mentá-lo. A voz gravada do narrador explicava o conceito medieval do demônio e como as pessoas passaram a acreditar em sua existência.. Finn Douglas. este é meu marido. parando para ver livros. Finn. tinham começado a crer nas lendas contadas pela escrava caribenha Tituba. Surpreso. — O que está fazendo atualmente? — Megan perguntou. Não a vejo há anos. — Quero que conheça um velho amigo. O dono. A loucura acabara. — Prazer em conhecê-lo. é óbvio. A primeira acusada foi uma mulher surda chamada Rebecca Nurse. protestou. Fica no fim da rua. Megan. Ele aparentava ter entre vinte e cinco e trinta anos. Como os médicos não conseguiam encontrar nenhuma causa física para o tormento que afligia as meninas. e duas covinhas se formaram em suas faces. Enquanto ele falava. E. revelando-se muito simpático. O homem sorriu. Dirigiram-se então às lojas. — Iremos. os pais das crianças e os outros moradores do vilarejo. — Sim. com possíveis explicações para o que ocorrera. — Estarei lá durante toda a semana. Finn se decidia por um livro que lhe daria uma visão geral daquela região. com certeza. Tudo parecia agradável. Eu lhes proporcionarei um tour pelos bastidores quando aparecerem. A escuridão da paisagem. Muito triste. a insanidade que tomara conta daquela parte do Massachusetts chegara ao fim. Passem lá para nos visitar. — Estamos um pouco ocupados hoje — Finn lembrou-a. dando aulas ou coisa parecida. quando um homem os abordou.

resoluta. — Bizarro — disse Joseph. Enquanto se dirigiam à loja da prima de Megan. Quando se misturaram ao grupo de clientes. Estamos no século vinte e um. — Tivemos notícias de certa comoção na pousada — ela comentou. Finn achou curiosa a sensação de opressão que se abateu sobre ele. Finn não gostou do modo como aquele homem admirava sua esposa. os olhos eram duas poças azuis. para alívio de Finn. Ao virar-se. Finn achou ter percebido uma entonação acusatória na voz de Morwenna. — Tive um pesadelo terrível e. Joseph lhe estendeu a mão. — Bela vitrine — ele elogiou. — informou Morwenna. — Prazer em conhecê-lo. Morwenna e Joseph de fato sabiam o que adquirir para atrair o interesse dos clientes. — Você prometeu permitir que lessem sua mão. Naquele instante. enquanto leio a sua. O comentário soou igualmente acusatório. Assim eram os wiccans. Nunca vira a esposa tão bela. Morwenna tem especialização em arte. Finn disse a si mesmo. Megan! — ele a chamou assim que os viu. — Basta de histórias de terror antes de dormir para nós — afirmou Finn. de dragões a fadas e carrancas. — Na verdade. Porque não existia. Logo se repreendeu por pensar daquela forma. — O que acha? — ela indagou. Ela se encarregará de ler a mão de Finn. Até mesmo angelical. Ao avistarem uma casa secular com uma grande placa. Estudamos juntas no segundo grau. — Jamie está no caixa e Joseph pode tomar conta da loja. não é tão jovem assim. — Ei. De mãos dadas. — Você estão muito ocupados agora — disse ela. — Está maravilhosa — elogiou um homem que se materializou ao lado dela. — Jamie! — cumprimentou ela. apesar da crescente fila de clientes. monitorando as pessoas que entravam e saíam. — Claro. para que não percebes sem o que se passava em sua mente. onde se lia "Alimento Espiritual". E este é Jamie Gray. constatou que ela estava experimentando uma capa preta. homem. Temos uma jovem trabalhando conosco agora. forçando um tom leve. — Vamos visitar a loja de Morwenna primeiro — Finn respondeu. tornando difícil até mesmo o ato de andar. Esse tipo de bobagem não é mais permitido. Finn. acordei gritando. Estava vestida de negro por inteiro naquela manhã. Havia peças de extremo bom gosto. — Sim. Usava um sobretudo longo sobre o jeans preto e uma blusa de tricô preta de mangas compridas. envolto em normalidade. O que havia de errado com ele? Controle-se. Todo mundo vestia preto. Finn tentou se distrair. Quando ambos saíram do edifício. Megan riu e dirigiu-se ao marido. e de imediato foi substituída por Jamie. Finn disse de novo a si mesmo que o centro da cidade estava repleto de turistas inocentes. O nome dela é Sara. Hoje está agitado por aqui com a aproximação do Halloween. De repente. Entrem. — Olá — disse Jamie. Adotavam um estilo de vida para vender suas mercadorias. Reparou que a esposa não conseguia sentir o miasma que pairava sobre aquela loja. Megan imediatamente se perdeu dele.Shannon Drake . aproximando-se. tentando parecer despreocupado. — Este é meu marido. — O que está achando de Salem? — Excelente — mentiu. desejando que seu sorriso não parecesse forçado. ele tentou se convencer. observando a rica decoração da loja. Um homem vestido de preto estava sentado nos degraus que levavam ao andar superior. — Meu Deus! Como esta cidade é pequena! — exclamou Megan. — Finn? — Megan chamou-o. o belo e luminoso céu azul que emprestara graça à manhã havia dado lugar a um cinza-pálido. Megan avançou até lá. Não havia nada de errado com o homem. retribuindo o abraço caloroso. — Quer almoçar agora ou depois? — Megan perguntou. 12 . ouviu Megan chamá-lo. Os olhos verdes se fixaram nela. Era Joseph. Morwenna saiu de trás do balcão. eles se aproximaram da loja. Finn teve ímpetos de levá-la dali e afastá-la de qualquer mal que pudesse se encontrar lá dentro. — Eu poderia ler sua mão — Morwenna sugeriu a Megan. Trabalha para Morwenna e Joseph há anos.O Anjo Caído (Bianca 915) Finn forçou-se a pôr de lado o absurdo sentimento de ciúme. Os cabelos dourados cascateavam sobre os ombros. Pelo amor de Deus! Está ficando paranóico! — Ela está sempre maravilhosa — disse.

— Ouça. como um disco arranhado. Precisava ser gentil com os parentes da esposa. Megan.. A pequena sala era escura. Vejo sangue. Morwenna foi até os fundos da loja e dirigiu-se para a esquerda. quando Sara afastou-se da mesa. Não importa o que tenham lhe dito.O Anjo Caído (Bianca 915) — Chame Sara — Morwenna pediu ao marido. — Muito estranha. escancarando a porta.. Havia uma mesa com duas cadeiras. sim? Finn virou-se. Sara voltou-se para ele. Você é o mal. não eu. — Estou correndo perigo? — Talvez.. Naquele instante.. — O quê? — Ouça. Finn sentia algo além do frio. Entretanto. Levara um susto naquela sala..... — Isso é bobagem! — ele vociferou. No entanto.. e um dia estarei morto. Vamos sair. e emanava energia.. Afaste-se dela. — É mesmo? Isso significa longa ou curta? — Interrompida. Não conheço muito do assunto. Apenas olhava para a vidente que. sua mão — pediu Sara. por fim —. ele desprendeu a mão e se ergueu... uma bola de cristal. com Megan em seu encalço. — Não sei. — Desculpe-me — disse ele. o frio que o envolvia desapareceu. Sobre o tampo... Tinham ouvido falar dos gritos da esposa na noite anterior e não acreditaram ter sido um sonho. Apenas.. bobagem — concordou a vidente. em transe.. Ficaria em Salem apenas uma semana. dando vazão à raiva. — Você é o próximo? Era uma mulher baixa e encorpada. — Isso quer dizer que vou morrer e voltar? — inquiriu ele em tom cético.— Morwenna deveria ter lido sua mão..... Você irá feri-la. Aquelas pessoas sabiam que Megan e ele haviam se separado. Ao fitá-lo. Após se despedir da mulher. ou talvez seja você a causa do perigo. Ela parecia aterrorizada. — Você a ferirá.. — Você. Não sou. Sara olhou para ele.. Deve procurar outra pessoa. Após apresentar a prima e Finn a Sara. temera as palavras tolas de uma mulher dentro de um cubículo iluminado por uma luz azul.. Finn não sabia se eram as palavras. Finn Douglas. — Sua linha da vida é intrigante — a mulher afirmou. As palavras tinham um efeito intenso sobre ele. a quiromante emergia de trás de uma cortina nos fundos da loja.Shannon Drake .. E até mesmo se submeter a uma quiromante. Perigo. mas estou vivo. Parecem ser filhos. — Finn estendeu o braço para a quiromante.. Há. mas amo minha mulher.. mas. como ele imaginara. traçando seu comprimento com a ponta do dedo. Mal. Estava prestes a responder.. Sou nova nisso. a temperatura pareceu cair demasiadamente. violência à sua frente.. mas as linhas acabam como se fossem apenas sonhos. acompanhada de uma cliente. Você é o mal.. Finn se viu incapaz de mover-se. Sara fitou-o por um instante. O estranho reflexo azul da lâmpada emprestava um brilho sobrenatural aos olhos daquela mulher. A estranha sensação de estar sendo manipulado e oprimido voltou a atingir Finn. — Eu disse que iria ferir sua esposa? — indagou Sara. não sei o que andou escutando. Claro. — Por favor. — Não necessariamente. 13 . Sara pareceu despertar instantaneamente do transe. repetia as palavras. Você é perigoso. Era um homem adulto e em excelente forma. No mesmo instante. a luz azul ou a escuridão que os rodeava. — É claro. revirando os olhos. deve ser mesmo. cartas de taro e uma lâmpada que refletia um pequeno foco de luz azul.. mantendo distância entre ambos. — Sabe muito bem o que disse. mas não deveria fazer isso com os clientes. — Isso significa que vamos ocupar a sala da direita — informou Sara. Tentou lutar contra aquele sentimento.. como uma capa que lhe fosse arrancada. mas. O mal... Para o inferno com este lugar! Isso é uma enganação. dispostas uma de cada lado. O mal o envolve. os olhos da mulher voltaram ao normal. de repente.. guiando-o até lá. Não há meio-termo nisso. Julgavam-no um agressor! Em um acesso de fúria. Prefiro dar um tiro na minha cabeça a feri-la.. deixando-o irritado consigo mesmo. o sentido daquilo que chamamos de vida talvez seja interrompido. Ela morrerá.. — É mesmo? Há um estranho corte.. a não ser que são primos de Morwenna.. — Sou nova aqui. e depois linhas menores. Um terror brutal.. Desculpeme. parecendo confusa. isso não foi necessário.. Esqueça. Não tenho nenhuma informação sobre você ou Megan...

— Claro.O Anjo Caído (Bianca 915) Aquela mulher era irritantemente verossímil. O Museu Pirata se revelou mesmo divertido e passaram ali cerca de vinte minutos. erguendo-se. era pouco mais de meiodia. Finn? — Excelente. Há epitáfios interessantes. A brisa era fria. — Não sei quanto a você. lançavam sombras que lembravam dedos de um esqueleto. Ela conhecia bem o cemitério e não necessitava de um guia. Eu a verei mais tarde. porém nada diria. Aquilo tudo era besteira. matizadas nas cores do outono. Megan. Segurando a mão da esposa. Tomou a mão de Megan e acenou para Morwenna. brincando e tocando-a do mesmo modo afetuoso de sempre. lançou um olhar de agradecimento a Finn. Megan deitou-se sobre uma sepultura. — Sincronização perfeita! — exclamou a dona da loja. Megan. entraram no cemitério. Quando saíram. mas o céu se fechava rapidamente em uma escuridão que prenunciava a aproximação do inverno. Os galhos das árvores. o ancião que fora condenado à morte. parecendo aliviada. — Vamos até lá. Megan olhava aquele cenário. — Não acredito em quiromancia. Não vamos ficar por muito tempo e há muita coisa ainda para ver. é melhor irmos embora. percebendo certa ansiedade em Finn. Finn trincou os dentes. e ele parecia um verdadeiro idiota. — Adoro cemitérios. — E então? Como foi. — Vamos deixar para amanhã. Em determinado ponto. Matá-la. mas acredito que não. riam e conversam. Há tudo sobre as grandes histórias marítimas e a visita não é demorada. obrigada. — Gostaria de visitar o memorial e o Old Burial Point? Em seguida. venham nos visitar mais tarde e passaremos algum tempo juntos. Conduziu-o pelos túmulos das personalidades mais importantes. enquanto liam os epitáfios. A expressão de Finn se tornou tensa no mesmo instante. —. espalhando para os lados um punhado de folhas caídas. — Está escurecendo — ele observou. — Venha — chamou Megan. Por favor.Shannon Drake . A porta do lado oposto se abriu. Já Finn parecia distante outra vez. Foram até o memorial às vítimas da histeria generalizada de 1692. apesar de estar conversando. mas eu estou morto de fome. — Já está na época de nevar por aqui? Megan deu de ombros. — Vou lhe mostrar os pontos mais interessantes. determinado a se acalmar. Portanto. — A leitura da mão não foi o que você esperava? — Sabe que não acredito nessas coisas — ele retrucou. — O que é o Museu Pirata? — É um lugar interessante. — Não precisamos ver tudo desta vez — argumentou Megan. Depois. Sempre havia algo de misterioso em um lugar tão antigo. deixando a loja. Que ótimo! Recebera a aprovação da esposa por ter sido informado de que ele era o mal e iria feri-la. Nada como um cemitério em uma tarde de outono. — Sim. podemos ir? Estou morrendo de fome. — Por quê? Acha que serei sugada para dentro da sepultura? Finn sacudiu a cabeça. onde leram os nomes de mulheres que haviam sido enforcadas como bruxas e encontraram a pedra destinada a Giles Corey. — Claro. apressado. podemos escolher um lugar para almoçar. enquanto caminhava rapidamente. Não! Morreria primeiro. — Tudo bem. Morwenna. Era exatamente o que havia pensado. claro. Mas estamos vendo o quanto estão ocupados.Estamos com pressa? — O quê? — Você está correndo — Megan disse. — Não devia se deitar aí — ele resmungou. — Que tal visitarmos o novo museu onde Mike é curador? — propôs Megan. — Estou apenas caminhando. — O que há de errado? — indagou Megan. Sentiu que a quiromante o seguia com o olhar enquanto ele saía. — Está com fome? — Um pouco — replicou Megan em tom brincalhão. revelando Morwenna e Megan. Ótimo para você. Finn assoviava. Podemos voltar? 14 . — Pode ser.

15 . Acreditavam que era a época do ano em que os espíritos podiam visitar seus entes queridos e caminhar sobre a Terra uma última vez. — Pode ser — Finn concordou a contragosto. — Eu não acredito que um lugar possa ser mau. porém não pretendia revelar aquilo ao marido. saíram do cemitério e se dirigiram à parte da cidade próxima ao mar. pela manhã. Eles foram conduzidos a uma mesa com agradável vista para o mar. Ficou aliviada ao constatar que o restaurante fora decorado para enfatizar a história marítima de Salem. Alisou a toalha que cobria a mesa. Na realidade. — Arrependeu-se de ter aceitado a proposta para se apresentar aqui.. preocupada. O memorial também é extraordinário. Os celtas o chamavam de Samhain. Salem é uma bela cidade. Não pôde comparecer ao nosso casamento porque estava doente. Agradecia a Deus o fato de ele não ter questionado como fora a sua sessão de quiromancia. naquele momento. Os lábios de Megan se curvaram em um sorriso. Morwenna mostrara-se abalada com algo que vira e. ela perdeu o apetite. — Acho que eles estão apenas preocupados. sinos de embarcações e troféus de pesca adornavam as paredes. mas é uma vidente. Porém. a viagem fora muito agradável até a noite anterior. Lembra-se? Mas como eu lhe enviei as fotos. acho Salem maravilhosa. Ótima idéia. após terem feito os pedidos.. e uma onda de ressentimento a atingiu. De repente. — Sinceramente. Acho que toda a questão da bruxaria. gostaria que estivesse apreciando este lugar. — Acho que já lhe falei de tia Martha.Shannon Drake . — Sara não nos conhece. Finn pensava que Morwenna e Joseph eram maus. Originalmente. A leitura de Morwenna também fora perturbadora. que poderia desaparecer na noite do Halloween. mas sabe de uma coisa? A prática moderna da Wicca pode ser inofensiva. — Acredita que conheço pessoas más? — Claro que não. mas ela decidiu não comentar que o local fora sugestão da prima. — Juro que gosto deste lugar. certo? Megan pensou em sua própria sessão de quiromancia. Morwenna indicara um restaurante novo a Megan. É um belo lugar. mas não muito forte. — E então. — Não estou familiarizado com bruxarias. Contudo. Finn provou o peixe que havia pedido e desmanchou-se em elogios.O Anjo Caído (Bianca 915) — Claro. ela sentirá como se já o conhecesse. Ela é totalmente moralista. — E ela é sua tia de verdade? — Na verdade. esticando o braço por sobre a mesa para lhe segurar a mão. durante o Halloween. Apenas. Megan percebeu que havia tocado no ponto certo ao reparar na pulsação acelerada da veia no pescoço dele. — Não — garantiu ele. as pessoas acreditavam que o mundo dos mortos e dos vivos era separado por uma espécie de véu fino. — Mas algo o incomoda. sorrindo. Acha Morwenna uma idiota ou uma mercenária. da maneira como a explicou para mim. Honravam seus mortos e não os temiam. não é? — observou Megan. No entanto. a resposta não a convenceu. — Como foi com a quiromante? — Ah. ela é prima da minha avó ou algo parecido. Ele estava fazendo de tudo para vê-la feliz. Era revestido de madeira lustrosa. — Sim. Estava apenas diferente desde que saíra da loja de Morwenna. quantos parentes tem na cidade? Megan se recostou na cadeira. antes de irmos para o hotel. O objetivo de só fazer o bem. — Acho que Sara acredita que sou péssimo para você. e sentia-se grata pelo esforço. Ao menos não ali. com estampa em crustáceos azuis. Quando os pratos foram servidos. além desses. a expressão de Megan o fez deter-se. mas as religiões pagãs sempre foram lideradas por druidas. — O que foi? — Nada. a quiromante. E a celebração do Halloween não tem nada a ver com a prática do mal. Vai amá-la. Finn pousou o garfo e a fitou com seriedade. mas creio que as pessoas podem ser más. — Podemos visitá-la à tarde. — E os católicos criaram a Inquisição.. Finn parecera determinado a fazer com que tudo voltasse ao normal. marcava o fim de um ano e o começo de um novo. O respeito que demonstram pelo passado é comovente. as cortinas eram bege. O primeiro museu que visitamos é espetacular. que acreditavam no sacrifício de vidas. é muito interessante. O respeito à natureza.. — A Wicca praticada por minha prima e pelo marido é baseada no paganismo céltico antigo. insinuara que ela não deveria estar com Finn. Finn negou com um gesto de cabeça. Há um laço de sangue. Na Irlanda antiga. Abraçados.

— Era leve e delicado. resignada. colocaremos um pouco de água oxigenada e veremos a profundidade do ferimento. que aparentemente estivera escutando a conversa. Não estou falando de ninguém em particular. — Obrigada. Mais uma vez. — Finn? Quando ele a encarou. — Tem certeza de que o estava usando? — Sim. É perigoso. — Não é preciso ter tanto trabalho. Fallon nos vigiando pelo buraco da fechadura? Megan suspirou.O Anjo Caído (Bianca 915) — É verdade — ele falou em voz baixa. Sinto muito. A descrição de Finn tinha uma conotação totalmente sensual. Ela baixou o olhar às mãos e franziu a testa ao perceber que seu bracelete sumira. mas há poucas chances de encontrá-lo. do respeito e da paz. — Não perca a esperança. Não entre em pânico. Como uma torta de chocolate besuntada de chantilly. — Mas. — Se alguém o achou. — Será que foi profundo? — perguntou. — Temos um kit de primeiros socorros. querida — Morwenna respondeu. Mas não se desespere. por fim. — Eu o perdi! O bracelete claddagh que ganhei do meu pai. o marido praguejou e quase derrubou o objeto. aproximou-se por trás de Megan. depois no parque e. fazendo-a sobressaltar-se. — Eu gostaria de algo bem doce e pecaminoso. Finn pediu a conta. Ele se recostou na cadeira. — Quer sobremesa? — indagou Finn. se não se tratar de um bondoso wiccan. Porém. É uma espécie de amuleto irlandês. Duvido muito. — Ah. Ensinam a prática do bem. preocupada. Megan e eu temos de ir. e os dois refizeram o caminho. — Está bem. na qual havia lindas peças. De repente. Megan percebeu que os olhos verdes estavam escurecidos. mas conseguiu segurá-lo a centímetros do chão. — Muito bem. Pararam primeiro no museu. — Estranhamente. Megan refletiu. um belo dragão entalhado em madeira. e guiou Finn para os fundos da loja. — O que houve? — Eu me cortei. não devolverá — afirmou Megan. Esta será uma semana de trabalho sem sexo. mas me pareceu importante usá-lo hoje. melancólica. Joseph se materializou atrás dela. ele ergueu a esquerda. Finn havia se afastado. Joseph. — Não seja tola. o comentário soou pesado. provavelmente não devolverá. sinto muito! — ele exclamou. Vamos refazer nosso caminho. — Chegaremos um pouco mais tarde. mas um bondoso wiccan pode tê-lo encontrado e devolvido em algum lugar. ninguém se manifestou ainda. — Venha. quando afirmo que os lugares não podem ser malignos. Não sei por que. farei uma busca completa na loja. Estava parado diante de uma prateleira. qualquer idiota sabe que esses mesmos conceitos podem ser distorcidos para produzir o terror. — Está bem. — Quer sobremesa ou sexo? — Megan brincou. — Claro que sim — Joseph concordou. Posso perguntar pela cidade também. mas feito de ouro dezoito quilates. — Sexo? Com o sr. Estaria ela se mantendo na defensiva?. — Equilibrando o dragão na mão direita. dando de ombros. e a face contraía-se em uma careta de dor. segurando-lhe a mão. e sim as pessoas. Talvez tenha caído no parque ou no museu. entremeado de raiva. Megan começou a abrir caminho entre os clientes em direção a Finn quando viu que ele pegava uma das peças. — Não — disse a prima. — Precisamos ir — ela disse. Um gesto generoso como esse lhe proporcionaria sorte triplicada. mas você há de convir que as pessoas a têm usado para outros fins. na loja de Morwenna. e muito menos de seus parentes. Levaria algum tempo até que se esquecessem do episódio da noite anterior. Os conceitos da maioria das religiões são bons em essência. Quando fecharmos. mas iremos ao show esta noite. Vou retirá-la da estante. entrando em todos os lugares onde estivemos. mas precisava procurá-lo.Shannon Drake . Fui sincero quando disse que acho Salem maravilhosa. — Sei que as chances são mínimas. — Precisa cobrir esse corte — disse Megan. — Estou bem — Finn assegurou. — Se o perdeu aqui. 16 . — Virou-se. Megan surpreendeu-se ao ver o grosso veio de sangue que escorria da palma. — Virou-se para olhar ao redor da loja. pedindo a Sara que fosse buscá-lo. — Não sabia que havia algo cortante naquela peça. — O que estou tentando dizer é que acredito que atualmente a bruxaria seja praticada em nome do culto à terra e ao poder do bem. — Por nada. Há muitos cantos escuros nesta cidade.

havia mais. E quando a voz melodiosa feneceu em um acabamento perfeito. perdeu o bracelete! Não que ela seja apegada a bens materiais. Havia jardins ao redor da estrutura. enquanto organizava o equipamento com a ajuda de Adam Spade. — Ah. Ele anuiu e se apressou em trocar uma das cordas de sua guitarra. Algumas eram temáticas do Halloween. que era toda circundada por varandas e pórticos. ele se deparou com uma sorridente senhora de brilhantes olhos azuis e face angelical. Finn viu-se apertando a corda da guitarra com tanta força que quase se cortou. só passei aqui para dizer olá. Finn se deteve e observou a loja de Morwenna com expressão tristonha. Os wiccans locais estavam vestidos. esbanjando charme. Porém. Ao sentar-se na beirada do palco para lidar com o instrumento. Raiva. — Estaremos lá — Morwenna assegurou.O Anjo Caído (Bianca 915) — Não foi nada — Finn insistiu. embora sua expressão fosse tão artificial quanto as luzes das lojas. O show de Megan e Finn começaria às nove horas e se estenderia até a uma da manhã. ainda sorrindo. bem no meio da palma. Quando alcançaram os fundos da loja. — Finn voltou-se para Joseph e Morwenna. a construção contava com sua própria atmosfera instigante. elogiando o trabalho de ambos. — Megan e eu precisamos mesmo ir. havia pessoas com fantasias diversas. Megan adiantou-se e pegou o algodão que ela segurava. disse-lhe algo que a fez rir e. poderíamos ser processados. — Finn Douglas? Virando-se. parecia tenso antes do início da apresentação. antes de se retirar. — Sim. imaginou se o estabelecimento teria lucro. o homem que os contratara. A canção fluía de seus lábios com elegância. — De qualquer forma. Finn surpreendera-se com a proposta de mil dólares por noite e. Ciúme. Finn estava impacientando-se. após esse horário. O novo hotel. deleitado com os aplausos. — Está tudo bem. ele fechou os olhos. Quando retornaram à rua. Ele fez menção de se erguer para ir em socorro da esposa.Shannon Drake . quando viu que um homem fantasiado se deteve ao lado dela. fizera-o esquecer sua inquietação. Adorável! Agora. o marido parecia ter aversão a Sara. Assisti à primeira parte da apresentação de vocês. Uma opressiva inquietação. Apenas as luzes artificiais das lojas ainda abertas pro viam alguma iluminação. — Embora já tivesse caminhado quase um quarteirão. Quando limpou o ferimento. á escuridão se abatera sobre a cidade. 17 . — Poderá tocar esta noite? — Claro que sim. Era uma estranha platéia. Graças a Deus. com alguns intervalos. — Está tudo bem — ele repetiu. repreendendo-se.. em seguida. e seus cabelos tinham se enrascado nos dedos em forma de galhos de um monstro que fazia parte da decora ção. Finn adiantou-se. mas Sara foi mais rápida e o recolheu. Ciente de que. histórias e lendas sobre fantasmas. Ele também não escapou ao assédio. Finn percebeu que Megan não conseguira ir muito longe. Olhando em meio à multidão. Concentrando-se na melodia que estavam executando. a livrou da exótica armadilha. desanimada. como sempre. Oh. mas amava aquela jóia pelo fato de tê-la ganhado do pai. outras representavam personagens do mundo da música e havia mascarados. Ela era uma mulher bem articulada e charmosa que. para você. Não se preocupe. — Tem certeza de que está bem? — indagou Megan. por algum motivo. Ela havia parado um pouco adiante. o musculoso segurança do hotel. fora construído em estilo colonial. segurando-lhe a mão e sentindo o sangue ensopar o curativo. ouvi falar. quem sabe seja devolvido. — Sim? — Sou Martha Scott. Finn se descobriu admirando a voz de Megan. que englobava tanto as composições deles quanto variadas músicas pop. por instantes. Pobre Meg. encantado. O local onde se apresentariam era usado como salão de jantar e estava decorado para o Halloween.. assim como o kit de primeiros socorros. — Tomou fôlego. Pretendíamos ir visitá-la hoje. Um grupo se aproximou. Caso contrário. Sam Tartan. — É apenas um arranhão. imaginando o que estava acontecendo com ele. ele sorriu. Nada me impediria. Megan sinalizou-lhe que iria procurar algo para beberem. Ao final da primeira parte. Precisava se controlar. Tia Martha. Sacudiu a cabeça. Por fim. — Mas poderia ter sido pior. Após fazer o curativo. Algo parecia correr por suas veias. mas. Megan tentou pegar o algodão ensangüentado da mesa para jogá-lo fora. Uma repentina onda de medo. percebeu que a esposa se encontrava ladeada de pessoas. De repente. são da família. — Finn? Girando. dê-me um beijo e deixaremos a conversa para outra ocasião. Sacudiu a cabeça. — O corte foi muito profundo — Megan comentou. A vida noturna é demais para uma velha senhora. E que a face antes aflita de Sam Tartan ostentava um sorriso largo. Para competir com as pousadas que se multiplicavam. de preto. Sara os aguardava com o kit de primeiros socorros aberto sobre a mesa e um algodão embebido em água oxigenada na mão. percebeu que fora um corte profundo. Aquilo era ridículo. e os petiscos e aperitivos. que se localizava nas cercanias da cidade. As refeições eram servidas até as onze da noite. como vai? Que prazer conhecê-la! Sei o quanto é querida por Megan. Finn sentiu-se enlevado ao perceber que o lugar estava lotado. Porém.

— Os wiccans não são vegetarianos? — indagou Finn. Soltou-se. — Pode apostar. O encontro com Martha o fizera sentir-se mais confortável. porém sentiu que um punhado de cabelos ficara enrolado nos dedos do monstro. Ao ouvir o murmúrio de Morwenna. Antes de alcançar a esposa. então? — Combinado. É claro que há muitas histórias. Acho que não será possível. lutou para controlar as ondas de fúria que o atingiam. De repente. — Providenciaremos para que os pratos sejam servidos no próximo intervalo. Finn trincou os dentes. ouvindo. — O senhor esquisito que estava contando histórias de terror ontem à noite? — Andy é inofensivo — interveio Morwenna. Ao dar alguns passos à frente. e não faz mal a ninguém. — Uma vez tentou a carreira de ator de teatro em Boston. A princípio. — Está tudo bem — Finn garantiu. Mesmo assim. Finn hesitou por instantes. Como eu disse. Não compreendia muito bem o que ele estava tentando lhe dizer. agora que ela se fora. Ele elogiou o show e convidou-os para jantar na mesa que ele e a esposa ocupavam. tentando se desvencilhar. Mal Martha se afastou. — Não! Eu posso sentir! Respire. — Pousou a guitarra no palco e o seguiu. Sem fantasmas ou histórias macabras. Acho melhor ir resgatá-la. teve o pior pesadelo de toda a sua vida. Andy é apenas uma delas. não conseguiu localizar Megan. Acho que vou fazer isso. Finn ouviu outra pessoa chamá-lo.. que vira o que tinha acontecido. — Às duas da tarde. — Mas não se preocupe. Joseph.. realidade. — Finn. mas faz anos que me afastei. — Aceitarei a sugestão. obrigado. Fez uma careta.Shannon Drake . e os cabelos eram ralos e brancos. e agora tem que aturar a família dela também — brincou tia Martha. o que o irritou ainda mais. Finn olhou ao redor. Mencionara algo relativo ao fato de pesadelos serem projeções do passado e. Conseguiria superar aquela semana em Salem. inclinou a cabeça para trás com força. — Está bem. desejava do fundo do seu coração não estar ali. Sou uma excelente cozinheira. Da vida. mas não conseguiu deslanchar. que o cumprimentou. Há um tênue véu entre a vida que conhecemos. — Por que não me acompanha até a mesa e faz o pedido para que seja servido no próximo intervalo? — sugeriu Joseph. Casou-se com nossa ave canora. que eu não conto para as pessoas porque são muito próximas da. Erguendo-se. A princípio. há algo nas velhas lendas. avistou-a. da última vez que Megan o escutou. Você não é wiccan. — Oh. — Pesadelo. e praguejou ao perceber que fora enredado pela mesma estúpida decoração de monstro que prendera Megan. e o que está além. atrás dele. A apresentação se revelara um sucesso e o lugar era novinho em folha.. Sinta. o que alguém lhe dizia. solícito. há fogo. irritado. então. A fumaça é um aviso. quando chegaram à mesa. Vou pedir o mesmo para Megan.O Anjo Caído (Bianca 915) — Iremos visitá-la amanhã — prometeu. pobrezinho! — exclamou Morwenna. — Eu nasci e cresci por aqui. mas muitas pessoas aqui tiram seu sustento do folclore. estava apenas pensando. Você sabe que não aprovo todo esse estardalhaço em torno do Halloween. Aquilo era uma estupidez. Ela estava concentrada. — Aquele é Andy Markham — informou Joseph.. — Tenho certeza disso. beijando-a no rosto. — Alguns. mas reparou que parecia desesperado. Porém. Conta histórias muito bem. mas tem raízes aqui. — Você não entende? Onde há fumaça. Respirou fundo. do futuro. estava voltando a experimentar a estranha inquietação. com a testa franzida. tentando reconhecer quem conversava com sua esposa.. algumas vezes. claro. 18 . Ele tinha a pele translúcida. ela lhe esfregou o topo da cabeça. à medida que se afastava da mesa. Megan escutava o ancião magro e de claros olhos azuis. e sim para preveni-la de alguma coisa. Desejava ver Megan longe daquelas pessoas. Ao virar-se. — O filé é excelente — Joseph comentou. forçando um tom leve. sentiu como se alguém o suspendesse pelos cabelos. Mas o mito e a lenda sempre têm origem no fato. Talvez eu apenas estivesse mais suscetível a esse tipo de história. — Sem dúvida — replicou Finn. — Restam-nos apenas dez minutos para a segunda parte do show. A máquina de produzir vapor mantinha uma bruma constante no ambiente. — Joseph deu de ombros. achara que ele tinha ouvido falar sobre seus pesadelos e desejasse se desculpar por ter feito seu trabalho tão bem a ponto de assustá-la. encontrou Joseph.. Ele mudou de posição. Joseph voltou-se para ajudá-lo a se desprender. está tudo bem? — Sim. — É que. mas Finn. Havia algo no tom de voz dela que soava acusatório. Há mais histórias. Mas aquele homem não estava ali para se desculpar. Todos estavam sendo agradáveis.

— Sr. obrigada! — agradeceu Megan. mas uma espécie de. e sua carne esfriará. Porém. certo? As palavras de Finn a tocaram.Shannon Drake . pois. Eles acreditavam que havia algum tipo de mal em Finn e que era uma questão de tempo para que ele partisse. Uma viúva pode sentir um sussurro carinhoso no ouvido. Morwenna e Joseph estão fazendo nossos pedidos. Dois filés enormes. Quase maligna. Alguns passos adiante. — E então? O que aquele velho estava lhe dizendo desta vez? — indagou Finn em tom ríspido. e ele está lidando muito bem com a situação.. Quando desceram do palco.. — Tudo bem — disse Megan.. Finn era um homem belíssimo.. — Uma bela apresentação — murmurou. o filé daqui é incrível. Megan encarou os primos. Tenho de fazê-la entender que algo vai acontecer. o véu torna-se muito mais tênue no Halloween. Alguém o retirou dali. — Ele queria apenas me cumprimentar pela apresentação. Mas há aqueles que não foram bons em vida. — Por um instante. você morrerá. Medo? Ele partirá ou. Quando ambos se afastaram. os que são usados pelo mal. dinamite no palco. foi ótima. tem de tomar mais cuidado com as histórias exageradas de terror que conta. Aproveitem o restante da noite. Finn pegou o microfone e os apresentou mais uma vez à platéia.. com gritos e pedidos de bis. não há problemas. Andy pareceu ver alguma coisa atrás dela e baixou o tom de voz. a propósito. Vamos nos unir a eles no próximo intervalo. tentava sorrir. E. — É uma pena que. — Histórias exageradas? Certo. — Oh. — Isso mesmo — apoiou Joseph. — Ouça — prosseguiu Andy —. Vocês são como. Aliás. levantando-se. Joseph pigarreou. A aparência do marido estava esquisita. — Não vou a lugar nenhum. Sei que o ama.. ofereceu-se para acompanhá-lo até o palco e lhe dar o novo CD. — E eu conheci sua tia Martha. Ainda assim. Sabia o quanto o marido se esforçava para conviver com seus parentes. a platéia explodiu em aplausos. — Eu preciso falar com você.. Entenderam? Morwenna baixou o olhar. Andy Markham pode abordá-la outra vez. Megan sentia como se alguém as tivesse gritado: — Olhem! Não está mais ali! — exclamou Joseph de repente. Normalmente. ele desconversou. Ninguém proferira aquelas palavras. Não sabia como conseguira reconhecer o homem por trás da máscara de zumbi. não acredito que Finn seja perigoso para mim. Morwenna se dirigiu a Megan. — Obrigada. — O quê? — Aquele monstro estúpido que se enredou em você e Finn. Megan achou que Andy fosse repetir o discurso para Finn. Está correndo perigo. Gostaria que ficasse claro que tive um terrível pesadelo ontem à noite e acordei gritando. — Foi ótima. — Ei. os pratos foram colocados diante deles. Almoçaremos com ela amanhã. agradecendo a presença de todos. com uma estrutura facial bem marcada. — Não disse nada. — Ele a beijou de leve nos lábios.. Talvez não fosse apenas compaixão. — Deveriam deixá-los fazer a refeição em paz. Ela anuiu e se deixou guiar em direção ao palco. — Interrompeu-se abruptamente. ainda confusa. Megan virou-se para encará-lo. Não ouviu o comentário na cidade? Megan acordou assustada por causa de um pesadelo ontem à noite. o que está acontecendo? — Finn se aproximou. boa noite. A música foi adorável. — Morwenna deu de ombros.. — Bela apresentação. meu jovem. mas percebeu que se tratava de Darren Menteith. e Finn. — Como queira. isto está maravilhoso.. Porém. Ela sacudiu a cabeça para afastar aquele pensamento. assim que se sentaram à mesa. — Não a deixarei se afastar de mim.. Mal haviam começado a comer quando outro homem fantasiado se aproximou da mesa. — Sorriu e envolveu-o pelo pescoço. e o esforço lhe emprestava uma expressão estranha. — De repente. não ajam como se nosso casamento não fosse dar certo. Megan teve ímpetos de socar os dois ao notar o tom de compaixão na voz de ambos. — Ouçam. Tomarei cuidado com as histórias. Markham. — Andy afastou-se. Finn puxou-a pela mão. 19 . acompanhados de batatas cozidas e feijões verdes. avistaram Morwenna. após apresentá-lo aos primos de Megan. não? — Sim.. vocês dois! Respeito a religião que seguem e os amo. Porém. apesar de bravo. Alguém que perdeu a mãe sente o toque gentil nos ombros de novo. acenando para eles. O rapaz os cumprimentou com efusividade. Portanto. O ancião o fitou como se encarasse um inimigo. Acabei colocando Finn em uma posição bem difícil. Ao final da segunda apresentação. — Lá vem outro gnomo perturbá-los — resmungou Joseph. Ela devia ter conjurado algum tipo de mágica.O Anjo Caído (Bianca 915) Megan sorriu. Bem. e surpresa por não conseguir inventar uma desculpa para se afastar.

talentoso. 20 . — Não! Obrigada. e. Acho melhor ler sua mão outra vez. Apenas um calafrio. — Estou vendo a placa da pousada — Finn anunciou... — O que houve? — Nada — Megan respondeu rapidamente. apressou-se a cobrir os instrumentos. Parecia observá-la com pena. — Claro — disse ela. De repente. Levantou-se. O olhar daquele homem era enervante. seu coração e alma estejam em risco.O Anjo Caído (Bianca 915) — Que bom que nos livramos dele — disse Morwenna. Não entendo. as cartas podem ser interpretadas de várias maneiras. Megan olhou para o céu e. avistou a lua. Apesar das palavras. Quando Finn retornou. que ainda não estava totalmente cheia. Quase duas da manhã. Joseph comentou com ele o sumiço do monstro.. para agradecer o CD e mostrar seu entusiasmo com o show. — Tudo correu bem até agora. Não sei. — Eu sei. O tempo muda a todo instante. agradeceu a Morwenna e Joseph e guiou Megan ao palco para a terceira e última parte do show. como se algum grande perigo estivesse em seu caminho.. e ele não pudesse fazer nada para ajudar. Finn acabou sua refeição rapidamente. Imediatamente Megan se precipitou para os braços abertos do marido. sem parte da fantasia. e louco por você.. Fallon me informou que há um terreno da pousada com vagas extras logo após a esquina. Encarando-a. forçando um sorriso. Como Finn estava quase terminando a tarefa. — Tem certeza? — Sim. sexy. ele a conduziu para fora do hotel. — Qual é o problema? — Não há lugar para estacionar. pois o intervalo estava no fim. mas estou bem. como se algo flutuasse logo acima do chão. pensou ouvir algo atrás deles.Shannon Drake . — Assustador. Segundo elas. Eu o adoro. Espero que estejamos caminhando na direção certa. Ela ficou feliz por estarem chegando.. essa é a Nova Inglaterra. Era Darren. Finn é um homem belo. ela permaneceu perto da escada que levava ao palco. — Sim. Um vento frio e escuro. Megan sentiu como se estivesse pisando em um pântano. — Venha cá. através da neblina.. Megan percebeu que Morwenna e Joseph haviam partido. Não sabia explicar o tremor que parecia subir por seu corpo com a umidade da neblina. somente cansada. alguém tocou o ombro de Megan. Tudo correu bem — Então foi uma boa idéia vir para cá — comentou Megan. Talvez por estar tão apaixonada por ele. — Que ótimo! Acho que o gerente do hotel percebeu que havia algumas pessoas ficando carecas no salão e temeu ser processado. de acordo com o taro. — Está pronta? Megan quase deu um salto quando a mão de Finn pousou em seu ombro. estavam no carro. — Não sei. Megan recostou a cabeça no ombro de Finn. Minutos depois. Markham anuiu com a cabeça e virou-se. imaginando se estava tentando convencer a ele ou a si mesma. — Sim. parecendo desconfortável. rumando para a pousada. Finn fez a curva e entrou no pequeno estacionamento. e nosso casamento dará certo. Ao término da apresentação. não acha? Mal conseguimos ver as luzes da rua. enquanto ainda posso vê-la.. ele. — Seu marido é realmente incrível — sussurrou Morwenna. Finn representa um terrível perigo para você. Mas. desaparecendo pela porta. Uma espessa neblina se erguia do chão. — Parece bom. — Era tarde. fazendo-a se sobressaltar.. Não precisaremos andar muito. Quando terminou de falar com ele. enquanto Megan conversava com a prima. ela passou a caminhar mais rápido. Abraçando-a. Engolindo em seco. como estaria no Halloween. — Uau! Veja isso.. Naquele instante.. Um calafrio percorreu sua espinha. mas soube que soava falsa.. A noite parecia misteriosamente silenciosa. Lá estava Andy Markham. não acha? — Fantástica. Morwenna dirigiu o olhar a Finn. Era mais como um sussurro estranho. ela soava hesitante. — Não foi o que disse quando leu minha mão. algo pareceu atrair seu olhar para a saída. Ao sair do carro. — O sr. Não era o som de passos. — Foi uma grande noite. Formou-se de repente — comentou Finn. E então.

Fallon acorde e venha reclamar que estamos incomodando os hóspedes. emprestava uma aparência surreal à paisagem. Caminhou até as portas francesas e encontrou o marido observando a noite. Em um impulso. instintivos e experientes deslizaram por seus ombros.O Anjo Caído (Bianca 915) — O que foi? — indagou Finn. Minutos depois. O corpo másculo emanava calor. — Desculpe. tomada pela explosiva sensualidade produzida por aquele contato. de pessoas. desligou o chuveiro e vestiu Um robe.. ofegante. Sempre fora assim. Uma vez no interior do aposento. — Megan! Vai acabar se acidentando! — gritou Finn. Megan colou-se a ele. Ela se sobressaltou. — Sim. O terror que sentia se transformava em pânico. É que não estou gostando de estar aqui fora esta noite. Ela amava sentir aquele simples contato. — Mesmo assim. conheciam o medo que sentia.. Ao entrarem no quarto. Virando-se.. o mesmo que se tornava a cada segundo mais real em sua mente. Seu reflexo. Logo estavam entrelaçados.. — Nada. de crianças. preocupado e irritado ao mesmo tempo. estava na varanda. os lábios acariciando seus pontos sensíveis. — Cansada? — Acho que posso ser persuadida a ficar acordada um pouco mais — ela retrucou languidamente. Ainda assim. Afinal. apartando-lhe os cabelos para o lado.. viu que as cortinas da varanda estavam abertas. Megan permaneceu na varanda. ele roçou seus lábios em um beijo suave. súplicas e gemidos. e o calor do corpo que a cobria envolveu-a. Cobriu sua boca com a dele. sem se importar.. — Vai acabar tropeçando. Finn tocou-a na face. Em um sutil e sensual assalto. Os lábios quentes e macios entraram em contato com a pele exposta. O polegar acariciando seu queixo e o indicador deslizando por seu rosto.. Porém. — Pegue a chave.. puxando-a para trás e encostando-a à solidez do peito largo. Pensou ouvir alguém sussurrar seu nome. os dedos escorregaram por seu pesco ço. A neblina desaparecera por completo. começou a correr. Apenas a luz fraca das lâmpadas os guiava aos seus quartos na escuridão. Por fim. Abriu os olhos para vê-lo ajoelhado diante de si. A cada toque. via melhor através da neblina. o assaltante estaria tão cego quanto nós. invasiva e faminta. Fallon. você poderia ter tropeçado e quebrado o pescoço. A lua era uma esfera prateada no céu. uma nova onda de desejo. podemos ser assaltados. e soube que não suportaria o pensamento de ficar 21 .. Finn se aproximou. Volto já. os olhos que a observavam perscrutavam cada movimento seu. Megan pegou a chave das mãos de Finn e trancou a porta. ele a olhou com intensidade. — Vou para o chuveiro. Sentia-se nua em meio ao vento frio e escuro que sussurrava. e Megan soube do que sentira falta quando estiveram separados. antes do alerta de que suas pernas trêmulas a trairiam. — Megan?.. Esfregou-se devagar. apesar de saber que se tratava de Finn. esvoaçando com a brisa leve. esta é a Nova Inglaterra. — Shhh! Não quero que o sr. — Levou o dedo indicador aos lábios. Finn acendeu a luz. ela se sentia observada. em algum lugar. Estou congelando. ainda aquecido pela ducha. pelo roçar lento da língua ao longo de sua espinha. ergueu-a nos braços e carregou-a até a cama. ao notar sua presença —. seguidos pelo toque úmido e abrasador dos lábios provocadores. deixando-o cair a seus pés. A escuridão era seu habitat.. Quando entraram na pousada. Suas armas não eram as convencionais. não teria o poder de enfrentá-lo. pegou-a pela mão e guiou-a para o quarto. virando-se de frente para ele. — Nunca ouvi dizer que Salem é uma cidade violenta. Ele se levantou e. — Megan. parecia que um pouco da neblina havia penetrado na casa. Sob o jato de água. dirigindo-se ao banheiro. Megan permitiu que o calor e a confiança a envolvessem. enquanto pressionava o corpo ao dela em um movimento extremamente erótico. até que seus dedos se enterrassem nos cabelos dele enquanto o mundo parecia girar.. Sua respiração se tornava mais e mais ofegante.. Para angústia de Megan. Um toque característico de Finn. Eles estavam lá. e arrebatada como sempre. Estava trêmula. ainda cético e curioso. Houve risos quando ele quase tropeçou no próprio sapato no afã de apagar a luz. por favor. da mesma forma que o frio e o medo tinham feito havia pouco. — Vou tomar uma ducha — anunciou. Os dedos longos.. combinado às luzes da rua. sempre romântico. Ele a fitou por um instante com um sorriso sensual. sim? Finn anuiu. despertando um intenso desejo. Estava apenas com frio. As mãos firmes seguraram seus quadris e a viraram de frente para ele. — Nunca se sabe. — Veja — disse ele. a neblina desapareceu. ela continuou correndo. Rápido. E Finn. como se pudesse lavar os resquícios da agitação que a atingira em meio à neblina. Desejou estar rodeada de turistas. mas então eles caíram sobre o colchão. Megan virou de costas para ele e deslizou o robe pelos ombros. com o marido em seu encalço. a despeito de sua determinação e habilidades em artes marciais. até mesmo do ríspido sr.. Quando saiu do toalete. e ela se sentiu instantaneamente melhor. ela sentiu o roçar delicado dos dedos em sua nuca. Megan supunha que aquele "assaltante" em particular. Sem dizer nada. As mãos grandes e firmes pousaram em seus ombros..Shannon Drake . as palavras. Os pensamentos eram puramente carnais. Então. Ouvia os passos apressados de Finn atrás dela. Um calor úmido subiu por sua espinha. quente. Vamos para o quarto. os cabelos macios contra a pele de seu ventre. — O que deu em você? — indagou ele.

outras seminuas.. Sabia que tinha tudo o que desejava. Porém Finn. mas a mulher sob ele se encontrava em extremo êxtase. Ainda mais quando a brisa fria envolveu seu corpo nu. No que podia fazer e nas coisas pelas quais ansiava. Seu sangue pulsava. Eles não tinham se lembrado de fechar as portas da varanda. cornos cabelos revoltos e as feições tensas. Não. medo. em seguida..O Anjo Caído (Bianca 915) longe daquele homem. que lhe emprestava a aparência de um sátiro. experimentando outra vez a onda de poder e pensando no que aquilo significava para ele. e o que era necessário seria obtido. Ela estava amarrada.. Estranhamente erótica. Ah. embora com certeza soubesse que era o sacrifício e se oferecesse ao êxtase e ao poder iminentes. estavam copulando.. jogando flores e sussurrando palavras em seu ouvido. Avistou um bode. saboreando o poder que agora era seu.. de que ele pudesse não ser seu para sempre.. a resposta. ele chegou ao altar no meio da floresta. refletindo a luz prateada da lua. Ergueu o olhar mais uma vez para a lua. Os gemidos se erguiam acima do canto.. podia sentir o movimento de seus músculos. repletos de violência e tensão. como a n évoa que redemoinhava aos seus pés. Conforme caminhava. As peças se encaixariam. E lá estava.. Acompanhavam-no e o acariciavam. pois não havia nada que desejasse. Estava chegando a hora. mas logo captou os cantos melódicos vindos do grupo que o aguardava.. tudo seria cumprido. a mente. No que ele agora sentia. Não eram a que desejava. após todos aqueles anos. um altar no bosque. cercado de sombras e névoa. o que esperava por ele. que oferecia... seria recompensado.. Serviria e. Metade bode. fitou-a com olhos semicerrados. embora sua vista não alcançasse. atraente. em seguida. Seguiram-no. No fundo de sua mente. uma voz sussurrou que havia muito mais. Fallon! — sussurrou. que estavam prontos para se ajoelhar a seus pés e aquilo o enchia de força e poder. A mulher. A névoa azul se agitou ao redor de seus pés. mas eles eram elusivos. Aproximou-se do bode. Imaginou se não seria essa criatura quem sussurrava em sua mente. Seguindo o chamado. suplicando por seu comando. A libertação da tensão que espiralava em seu íntimo. 22 . Os sussurros chegavam a ele cada vez mais fortes. excitando-a ainda mais. ele podia ver. alarmada. Pensou ser o vento. ele caminhava... Encontravam-se adiante e cantavam palavras de louvor a ele. Estava chegando a hora.. Não importava. por fim. que apresentava reflexos azuis. Não podia vacilar.... Era um ser medonho. avançou e. Ela gritou e tentou virar a cabeça no travesseiro para abafar o som. — O sr. Ouviu um som. enquanto passava. pois ele estava copulando. além de cascos fendidos no lugar das mãos. Ainda assim. Mais perto. Continuava ouvindo palavras. Era inteligente o suficiente para compreender tanto os maravilhosos dons que vinham com o que havia recebido quanto o. Fallon! — respondeu em voz baixa e rouca.. consequentemente. Levantou os braços em direção ao céu e começou a recitar as palavras. começou a se afastar. No sonho. volátil e muito excitante. Aproximou-se. sentiu-se perturbado. homens e mulheres. um som que percorreu seu corpo. Porém. Por um instante. no que via com os olhos da mente. Sentia os pés tocar a terra destituída de grama. que faziam parte da brisa. Era algo profundo. Estava parado na rua. peito e nádegas até. fechou os olhos e pensou outra vez em seu poder. Seu lado racional lutou contra essa imagem. Eram mulheres. mas revelava parcialmente as coxas. eles sussurravam palavras de adoração. e a sensação era boa. mas. Orientando-o sobre como deveria reclamar seu prêmio. O que você esperou.. — Para o inferno com o sr. Continuou caminhando e viu dois vultos no chão... Conforme prometido. Alcançou o altar. mas logo foi arrastada em um turbilhão de sensações inebriantes. que ungiram com óleo. seios. braços. percebeu que todos ao seu redor.. Megan tentou sorrir. Um vulto escuro como a noite.. Beijaram seus pés e acariciaram seus tornozelos enquanto ele andava. Os músculos estavam contraídos. Algumas trajando robes estranhos. O desejo cresceu. tornando cada passada mais urgente. Ficou constrangido ao senti-los correr os dedos por suas costas. Servia a um poder maior. pois estavam envoltos na espessa névoa azul que se erguia do chão. Prosseguiu.. Ela estará lá. dos cânticos. o sangue correndo em suas veias. pois havia algo adiante.. Sabia que eles o veneravam. Vislumbres de pele provocavam seus sentidos.. metade homem. Sabia o que tinha de fazer. A hora estava chegando. sustentando o peso do corpo nos braços. o som de sua respiração. E. Séculos. Tinha a cabeça de um homem. O véu cobria o rosto da mulher. porém com chifres e um longo e estranho queixo.. Algo que desejava... provocado pelo beijo úmido e sedento do marido. E nada impediria o que iria acontecer. e seria recompensado ainda mais intensamente pelo serviço que fizera. cantando. por fim. O tecido diáfano dos véus azuis cobria-lhe o ventre. Não.. Era uma criatura. Ocultava os joelhos.. Assim. Seguiu em frente.Shannon Drake .. Inclinou a cabeça para fitar o céu e. mas deixava à mostra os. conforme caminhava. alcançarem seu membro. Desviou o olhar do céu para a casa centenária... E. Ainda havia pessoas cantando.. ergueu os braços.

que havia um pouco de café frio no bule. Sacudiu a cabeça e foi até a varanda. Megan! O medo pelo que pudesse ter acontecido à esposa o paralisou. Sacudindo a cabeça mais uma vez. Teria de ir à sala de jantar. nunca agressivo. Vários sons rompiam o silêncio. Eu a amo e a protegerei de todo o mal. tremendo. O mundo estava despertando. inclusive embaixo da cama. acariciando-lhe as nádegas. Era o rei todo-poderoso. Possuía a força da natureza. Em seguida. Mal. Acendeu o cigarro. do. Encheu-a com água da pia e a ligou. Ele agira de modo muito estranho.. mas naquele momento precisava de um cigarro. Até a noite anterior. mas ele ficou satisfeito por estar ali. Havia uma cafeteira sobre a cômoda.. Ao sentir o impacto da água no corpo. O desjejum não estaria mais sendo servido. Enquanto o fazia. estimulando-o. naquela manhã ele dormia profundamente. revirou seus pertences.. Jogou as cobertas para o lado. assim como o dela. a cabeça. Estavam sozinhos. incapaz de respirar. Finn costumava acordar antes dela. Fez uma careta quando descobriu que o pacotinho que restava era descafeinado. Apagou o cigarro e tomou o último gole de café antes de retornar ao quarto.. Portas de carros batendo. mas sempre havia café e chá para os hóspedes. O mais leve toque parecia despertar todas as zonas erógenas de seu corpo. e ele temeu olhar ao redor. surpresa. pois deixara as portas da varanda abertas.. O sol estava nascendo. Via claramente o céu.. olhou ao redor. O ar estava frio. amanheceria. forçou-se a fazê-lo. Ela gemeu e se aninhou em seu peito. conversas e gritos aqui e ali. Se a tocasse. Fechou de novo as portas da varanda. com o coração contraído pelo terror. Ao que parecia. firme e instigante na forma de fazer amor. Finn acordara à noite. O sonho ainda parecia real. voltou para a cama e puxou Megan para perto. sentiria os chifres que haviam crescido em suas têmporas. Não costumava fumar com freqüência. sorveu um gole do café e fechou os olhos. onde se acomodou em uma das cadeiras. Os cabelos estavam úmidos.. 23 . Após se servir de uma xícara de café. E se eu for o mal? Capítulo II Megan despertou por volta das dez da manhã. como ficavam sempre que faziam amor. com todas as histórias de bruxas.. Contudo. Contudo. Fizera todo o mal que lhe haviam ordenado e se transformara. Porém. viu a si mesmo. Inspirou profundamente. Segurou-a pela cintura. Seus braços estavam peludos. fechou com cuidado as portas da varanda. Tarde demais. tomara café e voltara a dormir. verificando todos os lugares. deixou escapar um pequeno gemido. Aquilo não a ajudaria muito.. ao mesmo tempo.. Não havia como trancar do lado de fora o. Quando voltou ao quarto. mas a vaga impressão ainda o atormentava. Porém. com o leve pressentimento de que era tarde demais.. dirigiu-se outra vez à varanda. prometeu em silêncio. Encontrou um maço amarfanhado e quase no fim. Levantando-se. Mal. logo constatou que ela se encontrava adormecida ao seu lado. Praguejando. Ao estender-se para tocá-la. Tolice! Fora apenas um sonho bizarro. e só então percebeu os hematomas nos braços e nos quadris.. na noite anterior. Porém. S ó podia ser o efeito daquele lugar.O Anjo Caído (Bianca 915) Ouviu um grito. hesitou. Caminhou pelo quarto. Esticou a mão para tocá-la.Shannon Drake .. Em breve. Entrou no banheiro para tomar uma ducha... outro pensamento lhe veio à mente. Que estupidez! O quarto estava gelado. Ele era gentil e. os dedos eram cascos fendidos. e estava sobre ela. olhando-a com malícia. levantou-se e vestiu o robe. Que diabos dera em Finn? Parte da habilidade sexual do marido era a sutileza. Sentia-se furioso consigo mesmo por ter esquecido as portas abertas. Finn acordou com um violento tremor. Os resquícios do pesadelo o haviam abandonado.. Estava escuro. do vento. Ainda assim. Era uma bela imagem. foi até a cafeteira e notou. e penetrou-a com força enquanto alcançava-lhe os seios. tinha a estranha sensação de que deixara algo entrar. Dirigiu o olhar para a bela face adormecida de Megan e sentiu medo. e ninfas despidas se encontravam atrás dele.

claro. avisando-a de que Andy Markham gostaria de falar com ela ao telefone. — Não. pouco depois encontrou a trilha que ele indicara. Juro que estou tentando ajudá-la. — Entendo — retrucou Megan. Recusava-se a admitir que a ida a Salem estivesse fazendo mal aos dois. Tem de se encontrar comigo. Não. hesitou. sr. Vi a estátua de um anjo ali em frente. — Não acredita em histórias de assombrações — ele completou. Um calafrio percorreu sua espinha. Ele é um sujeito ocupado. Se Finn ainda estivesse dormindo. Preciso que me ouça. — Está bem. — Megan Douglas? — A voz do ancião soou do outro lado da linha. o caminho até o estacionamento era ridiculamente curto. — Seu marido ainda está dormindo. Após vestir-se e constatar que Finn continuava adormecido. O local fica a dez minutos de carro. Megan se surpreendeu com a afirmativa. bloqueando parcialmente a luz do sol. Estacionou.O Anjo Caído (Bianca 915) Afastou o desconfortante pensamento de que Finn estava mudado e saiu do boxe. Ela caminhou até a cômoda. Encontrá-lo? Finn ficaria possesso. sobressaltou-se com uma voz às suas costas. Ele era idoso. Lúcifer. Era um lugar estranho. Megan apenas o fitou em silêncio. Decerto estaria ouvindo em alguma extensão. Mas os que acreditam nesse Deus.. certa de ter ouvido um segundo clique. não tinha a menor chance de vencê-la. Juro que estou tentando ajuda-la.. Estou me referindo aos realmente malignos. Certa vez. É uma espécie de cemitério. Seguiu com facilidade as coordenadas que Andy lhe dera e. pegou a bolsa e saiu. acreditou-se que Satã veio para a Nova Inglaterra. Ao final dela. Satã possui seus demônios e criaturas malignas. desgastadas pelo tempo. De repente. Por um instante. Susanna McCarthy. enquanto olhava ao redor e constatava que Susanna desaparecera. — Megan foi até o aposento ao lado e ergueu o fone — Alô? — atendeu. e está no céu. Estranho como na noite anterior parecera ter quilômetros. dirigiu-se à sala de jantar. — Finn? — ela chamou. — Agradeço. Megan permaneceu com o fone na mão por alguns segundos. um deus de fúria. Uma delas lembrava a figura de um anjo. assim como o bom Deus é cercado de anjos e espíritos de luz. Qual seria a intenção daquele homem assustador? — É evidente que. tinha uma família que a amava e a enterrou com dignidade. — Sim.. A luz do dia. que simplesmente não era benquista por seus vizinhos. obrigada. o anjo caído. — Sim. as árvores eram mais numerosas e estavam repletas de folhas. — Exatamente. a pousada. — Peço apenas que me ouça. com pedras de tamanhos irregulares. arrependendo-se de ter ido até lá. Talvez aquele homem fosse um psicopata que a atraíra até ali para matá-la. As pequenas trilhas existentes a partir dali não podiam ser seguidas de carro. O lugar estava vazio. Talvez se tratasse de algum tipo de cemitério. — Obrigado por ter vindo. Há um deus bondoso e. Séculos atrás. Era Susanna McCarthy. — Venha comigo — ele pediu. não carregava nenhum tipo de arma e. olhando ao redor. ela iria àquele encontro.Shannon Drake . — Agora. — Agora? E se. Porém. — Olá. Em que posso ajudá-lo. por exemplo? — Rebecca Nurse era uma boa senhora. Estou escutando. Quando ele desligou. crêem também no oposto. — Está bem. se existe o bem no mundo. mas o marido nem ao menos se mexeu. Percebeu onde estamos? — Pareceu-me um cemitério. Desceu do carro. Dê-me o endereço. Megan hesitou. Serviu-se de café e se aproximou da janela. mas. também há o mal. Markham? — Pode me chamar de Andy.. — Onde? Quando? Meu dia está repleto de compromissos. viu Andy parado do lado de fora. Uma batida no vidro do carro a sobressaltou. aqui eram enterrados os excomungados pela Igreja Católica. Deixou escapar um longo suspiro e voltou ao quarto. — Deseja falar com ele? — A pergunta deixava claro que a idéia não lhe era agradável. — Oh! Como Rebecca Nurse. 24 . Aquilo era bobagem. mas. Pegou uma estrada estreita e sinuosa até o que parecia ser uma área florestal. em uma luta corporal. imersa em silêncio. Deus é bom. pensou. Andy. Ao virar-se. — Oh. mesmo no Velho Testamento.

Andy a fitou. — Finn! Quando acordei.O Anjo Caído (Bianca 915) Ela o seguiu até a figura que julgara ser um anjo de mármore. Os adoradores do demônio.. seguido de um estrondo. Estou com medo. — Por aí — ela respondeu de forma vaga. Tudo aquilo era ridí culo. aparentemente. Até hoje. dispostas a fechar os olhos aos rumores sobre bruxaria. nunca lhe ocorreu que isso pode ser apenas uma lenda? — Sou muito velho e já vi muitas coisas. Homens vindos de vários lugares se trancaram com as pesso as mais instruídas da região. eles se reuniram. Andy prosseguiu: — São necessários os vivos para trazer de volta os mortos. Portanto.. Não poderia haver prisão nem julgamento para Cabal Thorne. — Chuva. — Não acordei durante a noite. — Se isso fosse verdade. — Muito bem. Fez café e voltou para a cama. — Deve ter sido por que levantou de madrugada e depois voltou a dormir. feito café. Não os wiccans. — Os anciãos proibiram qualquer palavra sobre o assunto. — Andy. E estava fumando. E o momento certo para Bac-Dal. Infiltrou-se entre a população. — O quê? — Foi você quem me causou este hematoma. Quando indagara a Andy por que o demônio a queria. raio! — Sim. Há muitas forças no mundo e percebo quando elas estão agindo. Ele está vindo. Tinha ficado aborrecida e impaciente. e você também deve temer. haveria alguma referência nos livros. nem qualquer tipo de registro. Finn deu de ombros. Finn estava sentado na varanda quando Megan retornou à pousada. criando uma vida de pura devassidão e cometendo assassinatos em nome de sua sede de sangue. fumado e partido. ela percebeu que se tratava de um demô nio. O dia não estava muito claro. — É um fenômeno meteorológico! — ela exclamou. — Não consegui acordar. apesar do estado de erosão em que se encontrava a estátua. Quando as almas dos que se foram podem se comunicar com os vivos. e o que fizeram ou que poderes utilizaram continua um segredo. por isso.. — Sim.Shannon Drake . não se sabe o que aconteceu. mas ele usava óculos escuros. — Admirando a paisagem. Você deve ter acordado. Mas Thorne foi morto e trazido para cá. maligna. Andy? — Bac-Dal quer você. E quando o questionara sobre quem seria a pessoa que ressuscitaria o espírito maligno. estou. cauda e uma mandíbula proeminente que lhe emprestava uma aparência. ele nada dissera. ele não soubera responder. O nome dele era Cabal Thorne. Fenômeno meteorológico. Fumava apenas esporadicamente e. As pessoas estavam envergonhadas por causa de todos os inocentes que tinham sofrido e. A não ser que um duende tenha entrado em nosso quarto enquanto dormíamos. começava a se sentir tola por ter ido até lá. havia café frio na cafeteira. 25 . Bac-Dal. Havia um homem convencido de que fora o escolhido para trazer de volta a uma encarnação humana um antigo demônio. o tempo era propício àqueles que eram realmente malignos. Você não sente? É um parque de diversões para aqueles que desejam distorcer o bem. O que isso tem a ver comigo? Nesse instante. — Está com um hematoma no braço — observou ele. A noite dos mortos. garota. mas os verdadeiros satanistas. — Claro que acordou. — Antes do quê?! — Após o julgamento das bruxas. Quando se aproximaram. Ele veio para cá justamente nessa época. consumira metade do maço. e transformá-lo no mal. estupefato.. Havia feito mais café. um clarão cortou o céu. Quando acordou? Nunca o vi dormir tão profundamente. Com chifres. trovão. — Onde esteve? — indagou Finn. visto pela primeira vez na Pérsia... Digamos que toda essa história seja verdadeira. — Está me dizendo que existe alguém tentando trazer um demônio à vida? — Ele esteve aqui antes. Certa noite. Em uma época que você não encontrará descrita em nenhum livro de História. Agora que deixara para trás Andy e o misterioso cemitério. eras antes de Cristo. não foi? — Não. Você não vê? A lua cheia vai chegar para o Halloween. mas depois havia tentado convencer a si mesma de que Andy era um ancião e que tudo o que lhe restara eram aquelas histórias. o que era estranho. Ele está tentando voltar. — Diante do olhar incrédulo de Megan. Você precisa se controlar um pouco mais. E outros. — Essa figura é horrível! — E verdadeira. — Por quê.

— Não estou dizendo que não foi excitante — sussurrou ela. incrédulo. Aproximou-se e se sentou no colo do marido. — Bastante pontuais! — Ela abraçou um de cada vez. Tia Martha era uma figura curiosa. Ainda assim. roçando a ponta do nariz na orelha de Finn. De fato. como não podia deixar de ser. pensando na dádiva de simplesmente ouvir o som da voz sensual do marido. atentos. — Gostaria de tê-la acompanhado. possa ter batido contra o criado-mudo. e nem ao menos me recordo. comentou sobre os museus onde eles haviam estado e.. Algumas peças eram coloniais. evitando a palavra "violento". A barba feita e os cabelos úmidos o tornavam ainda mais sensual. Apesar da idade avançada. De fato. Preciso apenas retirar o bolo de carne do forno. está bem? — Megan não acreditava que estivera sonhando com aquilo. — Não acredito que não consiga se lembrar de nada. conforme o combinado. a refeição estava saborosa e a conversa durante o almoço foi agradável. — Bem. criticou Morwenna por suas crenças. — Temos que estar na casa de tia Martha em. 26 . com apenas algumas palavras. indignado. e tia Martha os recebeu com entusiasmo. Finn conseguia excitá-la a ponto de ansiar por levá-lo de volta à cama. — Não foi da primeira vez que fizemos amor e que você me machucou. — Fiz um passeio pelos arredores. precisava estar perto dele. — E então. Finn roçou a face no pescoço delicado. meu rapaz! — Juntou-se a eles à mesa. — Um de nós deve estar ficando louco — murmurou Megan. De repente. Não nos atreveríamos a chegar atrasados sob nenhuma circunstância — disse Finn em um tom tão convincente que fez Megan lutar para conter uma risada. As mãos grandes a envolveram em um gesto instintivo. Era esbelta e mantinha a postura ereta. outras eduardianas. não! — rebateu ele. — consultou o relógio de pulso.. Tem certeza de que não sonhou? — E me machuquei durante o sonho? — Talvez se agitando. Mas não a machuquei.Shannon Drake . revelando uma mente aguçada. não se atrasaram. Ainda mais quando não me recordo. mas não queria prolongar a discussão. aonde foi esta manhã? Ela decidiu não lhe contar nada sobre o encontro com Andy. — Espero que goste da comida. impetuoso — concluiu. ressentido. em estilo vitoriano.. era repleta de antigüidades. Finn parecia distante e. fitando-a. Porém. Chegaram exatamente às duas horas. Megan permaneceu em silêncio por alguns instantes.. — Quantos drinques bebeu ontem à noite? — Apenas uma cerveja — replicou ele. — Tenho certeza de que irei adorar. os olhos azuis brilhavam. pensativo.. Os lábios quentes e macios brincavam ao longo de seu pescoço.. — O almoço está pronto. desejava apenas ser abraçada. peço apenas que seja mais gentil da próxima vez. Os tecidos rendados sob os objetos aqui e ali davam um toque charmoso ao ambiente.O Anjo Caído (Bianca 915) — Eu. — Eu não me machuquei sozinha. ele conservava a languidez de um felino. — Sim. A casa. Fico horrorizado só de pensar que a machuquei. — Estava exausto ontem à noite. Caí na cama e dormi. — Houve uma segunda? — ele indagou. Ela não queria ir para a cama no momento.. arregalando os olhos. — Quinze minutos? — ela repetiu. — Lembro-me de ter vindo até a varanda após tomar banho e de fazer amor com você de modo apaixonado. — Apenas um pouco. — Prometo que não nos atrasaremos para o almoço. — Entrem! — tia Martha convidou. — Dê-me apenas quinze minutos. — Não quis acordá-lo.. irritado. — Sem acordá-lo? Finn sacudiu a cabeça. — Pode me acordar a qualquer momento — murmurou em tom malicioso. Era incrível como. Mesmo bravo. Tia Martha quis saber das impressões de Finn sobre a cidade. — Que ótimo! Fui excitante e impetuoso. — trinta minutos. Megan sorriu. não seria possível. — Muito bem.

— O que era? Onde está? — Um gato preto. E. Acreditava-se no mau-olhado e nessas bobagens. — Finn sorriu.. Algo. 27 . — Mas você não deve se importar com isso. — Estou acostumado. De repente. — Seu marido é um belo homem. Apenas acreditavam que Satã existia e que podia forçar as pessoas a fazer pactos com ele. Acho que o passado foi cruel nesta cidade.. O gato na estrada não o incomodara. Andy não passava de um velho senil. você faz um lindo par com minha bela Megan. — Obrigado. Com a aproximação do Halloween. Fazer algo tão demoníaco significava que a pessoa faria muito mais. Tia Martha fizera tudo voltar ao normal.. Finn estava ao seu lado. se precisarem de mim.. — Bem. Visitar Martha fora um retorno à normalidade. Um mau agouro. — Megan. — Tomaremos o café na varanda. tenso. Por favor. por isso. nem pensar que todos aqui eram cruéis ou maus. Quando se uniram do lado de fora para tomar o café. — Olhou para Finn. e não voar. Finn e Megan a abraçaram e foram até o carro. — Levantou-se para recolher os pratos. Os músicos de hoje em dia costumam ser esquálidos e desgrenhados. — Esses lugares ficam abertos só até cinco da tarde. — Obrigado. já terminaram seu café e precisam ir. tia Martha. — Não sei. Veja! Perto dos arbustos. Nós não o atropelamos. — Ela sorriu. — Pode estar certa disso. podem vir até a cozinha da tia Martha. Lá vai ele.. — E não é — retrucou tia Martha. É um logro ridículo e.. não dê ouvidos ao que diz Andy Markham. ele freou bruscamente. Megan não se importava. — Vamos tentar.O Anjo Caído (Bianca 915) — Isso é tudo conversa-fiada — disse ela.. Experimentou um calafrio desagradável. — Não percebi que era tão tarde — comentou Finn. — Certo. a escuridão era total. Então qual é o problema? — Nenhum. — Você que é a defensora dos wiccans. não é? — Não. começava a escurecer. Um presságio de tudo o que era obscuro e. — Desculpe-nos. havia um animal na rua. Bruxas. Assim. mais suscetíveis a Satã.. onde Mike trabalha. O fato de se dançar desnudo sob o luar era um crime punido com a morte.Shannon Drake . Sou de Nova Orleans. Ouvi dizer que você teve um sonho terrível outra noite e que acordou metade da cidade. — Temo que seja uma tolice. fitando-os. se qualquer dessas bobagens do Halloween começar a perturbá-los. exceto pelo fato de você não ser efeminado como aquele boneco. mas só vendemos entradas até as quatro horas — a jovem atrás do balcão informou. e ainda é. Um gato preto. envolvendo-lhe os ombros enquanto dirigia. Encontrar uma vaga para o carro não foi fácil. Apressaram o passo. era um gato preto. Podia ver os olhos brilhantes. Chegaremos em cima da hora de fechar. Acho que é essa época. o que foi bom. Um vulto negro havia cruzado a estrada na frente do carro. Não permitam que ninguém os separe por algum motivo tolo. antes de se virar para Megan. — Outubro é assim na Nova Inglaterra. Megan. tudo isso. — Voltou-se para Megan. Ainda não são quatro horas. as coisas não tinham essa conotação comercial. nem qualquer jovem tolo fingia ser um wiccan. — Ela é feliz. ridículo. — Sim. mas enquanto Finn colocava o carro em movimento outra vez. No entanto. Megan se mantinha estranhamente calada. tem um lado negativo. você iria achar que eu pretendia varrer. — Você sabe o quanto isso tudo era. certo? Ela riu e sentiu a tensão abrandar. avermelhados.. conseguira frear a tempo. São como Barbie e Ken. não é? Estou por aqui. — Vamos visitar o novo museu. gatos pretos. As pessoas deviam lembrá-lo com um pouco mais de respeito. por não serem consideradas tão inteligentes quantos os homens e. e lá existe o vodu. Megan adorava gatos. a cidade estava cheia. — Como milhares de outros. especialmente os pretos. E não há nada de errado com os princípios que ela segue. Finn. mau? Finn sentia-se bem. E que. e logo chegaram ao museu. — No meu tempo. se eu entrasse em algum lugar com uma vassoura. Ao entrarem. Afinal. e eu logo porei a cabeça de vocês no lugar. sediado em uma antiga construção reformada. Finn soltou uma gargalhada. Dirigiram-se à bilheteria. O brilho da lua parecia de um estranho tom azul. portanto. — Dirigiu um olhar apreciativo a Finn.. As mulheres eram as principais vítimas. — Que diabos era aquilo? — indagou. — Eu devo admitir que escutei que vocês estavam tendo problemas. sentiu uma agitação estranha se apossar de seu íntimo. preto? Parecia uma grande sombra voadora. Nós não atropelamos essa coisa. — Não se deixe impressionar por essas histórias.

— Megan sorriu. Percorreram toda a ala dedicada à história marítima de Salem. e Megan deu um passo à frente para abraçá-lo e dar-lhe um beijo no rosto. A neblina retornaria aquela noite. Sinto apenas ter forçado você a ficar aqui até tão tarde. Finn se viu intrigado. não? — indagou Megan. Finn puxou a esposa contra o corpo. Ele sabia qual recompensa a obediência teria. — Mas não um café qualquer. — Não se preocupe com isso. — São sete horas. Os olhos da jovem se arregalaram. — Belo museu. caminhando ao lado do marido. — Meu Deus! — Megan exclamou de repente. — Tudo bem. — Mike indicou o caminho com um gesto. o conceito de bruxaria e os horrores que se seguiram. — Obrigado pela visita. Havia apenas um pouco mais a ser feito. em torno do qual. com um largo sorriso no rosto. Estendeu a mão. Havia estátuas em tamanho real e reproduções impressionantes das cenas de enforcamento. Finn. Até mesmo aquele que a servia. — É incrível.O Anjo Caído (Bianca 915) — Tudo bem — disse Megan. — Ei! Eu os verei esta noite — Gayle gritou atrás deles. Vou buscar Mike. — Saiu de trás do balcão. — Certo — retrucou Megan. — Apertou a mão de Mike. havia servido bem. — Sim. Apesar da inocência do gesto. pousando o queixo no topo de sua cabeça. Finn se surpreendeu ao ver a moça fitá-lo de cima a baixo com um olhar insinuante antes de virar-se e se afastar. Precisamos ir.. — A marítima — optou Megan.. — O museu está dividido em três alas: a marítima. Vou resolver mais algumas coisas. A exibição começava com um retrato de Roger Conant. 28 . E o mundo e o futuro seriam dela. Não o deixava à mostra para que qualquer visitante pudesse vê-lo. do século dezesseis aos dias atuais... poucos passos atrás de Mike. — Vocês são os amigos de Mike que estão se apresentando no novo hotel! Esperem um momento. onde havia miniaturas. — Parece que ganhou uma fã — comentou Megan sem soar aborrecida. especialmente com a parte referente ao início da loucura na Nova Inglaterra. — Acho que ela quis dizer que verá você esta noite — sussurrou para ele. — Vocês deveriam visitar a ala referente ao julgamento das bruxas — sugeriu Mike. — Podemos voltar outro dia. e nos encontraremos lá. — Por aqui. Observou a escuridão da noite. com teorias científicas que tentavam explicar o que desencadeara a histeria nas garotas que tinham dado início às acusações.. Sorria ao lê-lo. Mantinha-o trancado. Ainda temos algum tempo. vocês vieram! Aproximou-se. Costumo ficar aqui até tarde. — Não fique enciumada.. cumprimentando-o efusivamente. Dirigiu o olhar à janela. Mike parecia igualmente feliz ao vê-lo. — Será um prazer proporcionar-lhes uma visita ao museu. Só tenho olhos para minha mulher. — Ele os acompanhou até a saída e fechou a porta. tinha de admitir. Megan ria quando Mike apareceu no saguão. A lua brilhava com sua luz misteriosamente azul. Ao que parecia. Quero um pecaminosamente delicioso mocha latte com muito chantilly. chegaria a noite do Halloween. Megan também estava tendo sua cota de ciúmes. — Pode me fazer um favor? Diga a Mike que Megan e Finn passaram por aqui. Na seqüência. Fizera quase tudo. Era noite. Conseguira obedecer a todas as instruções com incrível precisão. Finn não pôde evitar uma pontada de ciúmes. Porém. E então. — Sabemos que estão para fechar — disse Finn. eram explicados a ideologia puritana. e a punição que poderia receber por falhar. *** O poderoso e antigo livro da sabedoria estava aberto diante dela. — Então. — Não seja por isso meu único plano para hoje era ir ao show de vocês.. o fundador de Salem. — Ela é uma figura! — replicou Finn. — Sou Gayle Sawyer. — Claro — concordou Finn. — Você é quem manda.Shannon Drake . Vamos tomar um café antes de ir para o hotel? — Ótima idéia.. dos diversos tipos de embarcações. Fiquem onde estão. a do julgamento das bruxas e a Salem atual. existia uma enorme vibração. — Guiou-os para dentro.

adequado — murmurou ela. poderosa. por fim. não foi? — ela perguntou. com um sorriso que dispensava palavras. Joseph levou-o para o fundo da loja e o fez experimentar uma vestimenta completa. Os olhos dela estavam fixos nos seus. Quando ele emergiu da pequena sala.. e Joseph pediu que Sara o substituísse à porta. o latejar se propagou para a virilha. Agarre-a. mas não em estilo conservador. para o segundo dia de apresentação. Mas antes. — Ficamos de nos apresentar com roupas góticas. Finn aguardou do lado de fora. saíram da loja admirando-se mutuamente. Ela era uma mulher pequena. Finn não respondeu. Morwenna assoviou. Era como se toda a cidade estivesse participando de um filme de terror. e Megan ergueu as sobrancelhas. e a blusa enfatizava os ombros largos. e sim de música — disse Morwenna. de braço dado com Megan. — Estamos perto da loja. As mangas do vestido terminavam em forma de sino nos punhos. lisonjeada com a explícita aprovação. tudo negro. toque-a. Morwenna encontrava-se diante dele. impaciente ante a ousadia das mulheres. O traje gótico dava um toque místico e perigoso à aparência dele... Finn quis argumentar. Era como se não quisesse estar perto dele. Nós nos veremos mais tarde no show. Ela os cumprimentou de modo reservado. degradá-la. — Está deslumbrante — elogiou Morwenna. Quando desviou o olhar de Sara. Venha. Ela tem trajes pretos e capas. Megan não conseguiu evitar os lampejos de ciúmes. ameace-a. teve a sensação de estar sendo vigiado. e ouviu uma voz dentro de sua cabeça. Quebre-lhe o pescoço. Pequena. expondo a todos dentro da loja o monstro que há dentro de você. Estava pronto para subjugá-la com fúria e força. para usá-la. a seda.. o traje preto lhe caía muito bem. agora é a sua vez — chamou. — Não se incomode com isso — Morwenna disse. O latejar continuou. mas estava quase desejando que jogassem tudo para o alto e voltassem para Nova Orleans. o corpete se ajustava à cintura. Os dedos se contraíram. fechar os dedos em torno daquele pescoço.O Anjo Caído (Bianca 915) Após o café. Os botões da blusa estavam abertos. Tentou se mover. Ela trajava roupa preta. — Uau! — exclamou ele.. — Sim.Shannon Drake . Segure-a com força. pois não se sentia à vontade naquela loja. Havia demônios por toda a parte. porém. E então. O mover dos quadris era propositadamente provocativo. revelando o sulco entre os seios. Chegaremos atrasados. — Podíamos voltar a Huntington House e. passando por Sara como se ela não estivesse ali e se dirigindo à esposa. mas se aproximava como se o estivesse desafiando. — Não me sinto bem em estrear a roupa de Joseph. O tecido da calça salientava os músculos definidos das coxas. Após se despedirem de Joseph. — Você não precisa de palavras agora. Uma crescente animosidade encrespava a atmosfera entre eles. 29 . — Se ele se importasse. dirigindo-se a Megan. mas não conseguiu. o latejar cessou de imediato. — Já são mais de oito horas. Calça lustrosa. mas estaremos lá. Para sua surpresa. Megan e Finn explicaram suas necessidades. que ceda à luxúria. As fantasias abarcavam todos os personagens macabros.. Contudo. De repente. Megan ergueu o olhar para fitá-lo. — O traje é bastante. revirando os olhos. ainda estava perturbada pelo encontro com Andy Markham e pelo gato preto. Sara começou a caminhar em sua direção. tocá-la de todas as formas possíveis e. Os últimos acordes da guitarra de Finn a fizeram dirigir o olhar a ele. Ela quer que perca o controle. De fato. Finn e Megan entraram no carro e começaram a se dirigir ao hotel. ela continuava avançando em sua direção. mas a sugestão de Megan era sensata.. Quando chegaram. Finn surpreendeu-se beijando a face de Morwenna em agradecimento. gritará. violência e insanidade. Megan observou a multidão presente ao local do show. Os olhos pareciam faiscar como safiras. Escuros. pulsar em seus membros. o veludo e a renda se combinavam para formar uma longa saia que rodeava suas pernas. Ele sentiu o sangue latejar nas orelhas. As mulheres da platéia o fitavam com olhares cobiçosos. camisa de mangas bufantes ao estilo medieval e uma ampla capa de veludo. Monstros se multiplicavam em profusão por onde a vista alcançasse. que estava linda. não teria oferecido. mas ele se voltou para ela. Joseph estava à porta. dando-lhe uma aparência exótica. — Faltam-me palavras. — Olá — ele disse.. Embora tivessem passado um dia agradável. Sabia que era bobagem. — Não esperávamos vê-los esta noite. Sara havia entrado na loja. Precisamos fazer apenas uma rápida parada. Os cabelos longos e lisos criavam um estonteante contraste com a cor negra do tecido. criando um vórtice em sua mente. observando a movimentação dos clientes. e algumas gritavam propostas indecorosas. como se não se desse conta do próprio magnetismo. — Podemos passar na loja de Morwenna. Apesar de emanar hostilidade. — O que acha? — A voz de Morwenna o arrancou do transe.

Não fora compreensivo em relação ao pesadelo. porém adormeceu assim que recostou a cabeça ao travesseiro. não com aquele tom assombroso e ameaçador. indistintas em meio à neblina. e do medo que começou a crescer dentro de si. ela pensou que ainda estivesse no palco.. e sim na floresta...Shannon Drake . aquilo. mas aquilo era impossível.. — Perfeito — disse alguém. desejava ser tocada. Como uma música sacra. e ela pôde constatar que eram todos iguais. e. Imaginou se teriam concordado em se apresentar para uma colônia de nudistas naquela noite. e. Nada abrupto. Começou a gritar. a criatura estava sobre ela. percebeu que deixara cair o vestido e. com apenas vislumbres de seus semblantes à mostra. Miraculosamente. cobiçoso. imaginando que estivesse sonhando. estando no palco e percebendo que esquecera as roupas.. — Megan! Ela oscilava entre o mundo dos sonhos e a realidade. A criatura de mármore que estava no cemitério. — Alguns hematomas. As palavras eram proferidas em for ma de canto. Mas não havia problema. a mão de Finn se espalmou contra seus lábios. Nunca estivera tão assustada em sua vida. Aqui e ali. Alguém estava cantando para ela. conseguia distinguir sorrisos flutuantes e vermelhos. não andando. soube quem reconhecia naquela face. Não conseguia distinguir nenhuma. Pensou que deveria estar cantando. Gritou quando dedos se projetaram para a frente.. mas uma afirmação fria e destituída de afeto. mas ela continuou em silêncio porque. a invasão era completa. E então ela o viu. A simples constatação de que a criatura se aproximava a fazia sentir uma intensa excitação. Era malicioso. por fim... — Soou outra voz. A conversa fluiu normalmente. mas se arrastando. A face era aterrorizante.. o que explicava o repentino aumento de temperatura. Suas coxas queimavam. já que escutava indistintamente as palavras. mas era tarde. Não se demoraram muito no hotel. a razão pela qual a multidão se afastara. sentindo o calor provocado pelo olhar da criatura em sua pele. A brisa e a névoa azul penetravam pela capa e a envolviam. Fingira entender. Caminhava em sua direção. retirando-Ihe a capa. Tinha de se esconder atrás de Finn. Começou a recuar. Ele ficaria furioso. E exalava algo como fogo ao respirar. permitindo um vislumbre do que ocultavam. Mas ele não se encontrava lá. E então. e as mãos. as feições tensas. ainda assim. Começou com a escuridão e a estranha luz azul que a penetrava. Havia grama ao seu redor. Em um segundo. O nível do barulho aumentou. — A hora está chegando.. o corpo convulsionando. comprido e fino. sem face.. desaparecer dali. Virou-se. ciente de que a capa lhe fora retirada. Queria correr. Por isso. Fazia muito frio. Não um elogio. O ser a prendia contra o chão. tocá-la. mas de vez em quando a brisa lhes erguia as beiradas. uma sensação que se intensificou até que estivesse pronta para se ajoelhar e aceitar quaisquer ordens que ela lhe desse.. Tentavam segurá-la. Finn estava ansioso para voltar a Huntington House. lhe era familiar. como se tivesse entrado em um de seus piores pesadelos. A criatura tinha cascos fendidos no lugar de pés. Finn iria pensar que ela enlouquecera... — Não! — ela gritou e. mas ela não devia senti-lo.. O medo de se apresentar. sentia frio. porque os espectadores cobertos por mantos a estavam quase alcançando. E os olhos. Após outra bem-sucedida apresentação. revelando dentes salientes. Formas enevoadas. Acabaria colidindo contra o equipamento. com o queixo pontudo. Havia algo a respeito da criatura. por isso. e sim entoando uma espécie de salmo. mas havia uma aspereza nelas. Havia neblina e. estimulando-a para que começasse.. Ergueu o queixo.. Ela permanecia ali. conquanto a tocasse de fato. mas não exatamente isso. para esconder-se atrás dele. não conseguia reconhecer a música. um desejo avassalador. Nunca se apresentaria sem estar totalmente vestida. Não estavam cantando. desesperada para alcançá-lo.. Pretendia entrar no chuveiro depois dele.. Megan deitou-se na cama enquanto ele tomava banho. rasgando-a. abrindo caminho para alguém passar.. Havia uma nuance agourenta na melodia que não a agradava.. O rosto de um sátiro.. 30 . risonho.. Por um momento.. pois ouvia vagamente o som da música. a noite chegou ao fim. já que o poder que emanava dele era oprimente. Usavam capuzes. ou cascos que a seguravam. Talvez fosse a multidão. apenas para descobrir que não fora um pesadelo.. e pequenas pedras protrusas.. por causa da capa que usava. apenas uma impressão que percorria seu corpo. eram brutais.. mas teria de compre ender. a umidade aumentava. Sentiu a brisa e a sombra da escuridão. parada.. o estranho som dos passos ao se aproximar. pensou. Antes ela sentira frio. que era hipnotizador. mas. nem mais atraída.O Anjo Caído (Bianca 915) No intervalo. As pessoas pareciam se aproximar cada vez mais do palco.. a fitá-la. E olhos. mas não se parecia com qualquer composição de Finn nem com as músicas que costumavam interpretar. Aquilo era absurdo. Todos trajavam capas e mantos. com os dentes cerrados. mas os olhos que a percorriam pareciam incinerar-lhe a carne. Pareciam também vermelhos. Porém.. por um momento. pareciam brilhar como fogo. Ela não estava em um palco. Não gostava da sensação de desconforto. Megan despertou abruptamente.... A multidão começou a se apartar. Lutou. A face era tão familiar! E então. Não sabia como pudera confundi-lo com música. Lutava em vão. pois podia ver vagamente a platéia... ainda assim. Ela gritou. dos olhos. em determinados pontos. jantaram mais uma vez à mesa de Morwenna e Joseph.. Finn estava sobre ela. flamejantes. encontraram uma vaga perto da pousada. chifres na cabeça. Estava constrangida. A multidão chegava muito perto. não importava o quanto tentasse. conseguiu girar.

antes de se levantar. Megan. e.. devemos partir. O sr. Um perigo tenebroso. Imagine o impacto negativo que isso teria em nossas carreiras. — Sim. — Horrível.. e eu estou sendo rude?! — Nem ao menos se lembra da outra noite. Megan franziu a testa. — Acho que devemos partir. — Encarou-a. — E imaginou que eu era uma criatura abominável atacando-a. — Impossível. Não tinha a menor idéia de que estava adormecida. Mordiscou o lábio. mais uma vez. mas veja o que está acontecendo conosco. sonha que está sendo atacada por uma criatura terrível. Sentiu a cama e o corpo do marido.. eu não gritei tão alto. Não permitiria que arruinassem suas carreiras baseados em misticismo. — Que ótimo! Estava sonhando enquanto fazíamos amor.. — Tive outro terrível pesadelo.. Finn remexeu em suas coisas e foi para a varanda. dando de ombros. e ele a seguiu. enquanto estivermos aqui. tivera um pesadelo terrível. — O quê? — ele indagou em tom furioso. se eu tiver de abandonar alguma coisa. Fitou-me nos olhos várias vezes. que não acredita em fantasmas ou bruxaria. sentindo um calafrio de medo... Ela se deteve.. e você esteve adormecida durante todo o tempo em que fizemos amor. e todos acreditavam neles. Embora Megan desejasse se aconchegar ao marido. Bac-Dal quer você.. E ajudaria se você não estivesse se considerando o marquês de Sade. Tivemos cobertura da imprensa nacional. Não consigo me lembrar bem. Foi então que a realidade a atingiu em cheio. E então houvera a preocupação de Morwenna. O pesadelo pode estar só começando. tem se mostrado tão rude! Como um conquistador bárbaro ou algo parecido.. — Ouça. — Logo você. sim. Finn. — Muito bem. Megan voltou ao quarto. — Finn. tentando se recordar do sonho. — Trabalhar aqui não irá custar nosso casamento. Por um instante. Não podemos abandonar um trabalho assim. porém livre dos tentáculos em que o medo a envolvera. — Não podemos partir. Alguma vez Finn a machucou? Ouvi rumores sobre violência. Finn estava furioso com ela. Nosso casamento deve-se unicamente a nós. Algo demoníaco a perseguira. mais tarde você iria se ressentir comigo. algo ruim. trêmula e suada. Permaneceu imóvel. Apenas rumores. não percebe o quanto tudo está estranho? — Não vê que partir agora de Salem arruinaria nossas carreiras? Se eu concordasse com isso. Estivera dormindo enquanto faziam amor. — Partir? Somos um sucesso! Vendemos centenas de CDs em dois dias. divisou a silhueta alta rumando pelo quarto à procura do robe. Megan esperou alguns segundos e viu o reflexo do isqueiro acendendo. quando lera sua mão. Ele se mostrava-se tão rude. mas aquilo tudo era absurdo. — Teve um pesadelo — ele disse. sentindo raiva. tudo tinha lhe fugido da mente. mas assim que despertara. podemos. tinha de admitir. Mais uma vez. acha que deveríamos nos arriscar a nunca mais conseguir um trabalho decente porque eu tive alguns pesadelos? — Eu sei que seria ruim irmos embora. Não sabia o que estava acontecendo com o marido nos últimos dias.. Não sei. — Espere aí! Você dorme.. será você. Finn era tão culpado quanto ela. Portanto. Há algo. ela acordou. — É verdade! — Então eu comecei a dormir de olhos abertos. suspirou. aquele não parecia ser o desejo dele. — Que impressionante! Fallon não apareceu ainda. Parece que algo terrível acontecerá no futuro. Lembrou-se de como o velho Andy a aterrorizara na floresta. Fallon deve bater à porta a qualquer minuto — replicou ele.O Anjo Caído (Bianca 915) — Megan! Só então.Shannon Drake .. Ficara furiosa com a prima. Ainda tremendo. — Aparentemente. no entanto. — Certo. Levantou-se da cama e vestiu o robe antes de dirigir-se para a varanda.. E agora. mas havia uma criatura abominável me atacando. prepare-se. deixara-se impressionar pelas histórias de Andy. — Se isso custar nosso casamento. Por meio da luz fraca que vinha do banheiro. 31 . ainda excitante. que vem de. Rumores. abraçando-a até que os tremores amainassem. Seriam idiotas se largassem o trabalho. — Desculpe-me por ter gritado. Finn permaneceu ao seu lado. Sabia onde estava e deu-se conta de que. Após vesti-lo. Mas pode ser o melhor a fazer.

e não sabia como se explicar. sabia que provavelmente encontraria a esposa ali. — Uma jornalista o escreveu em Nova Orleans. Finn deveria pular de alegria diante da exposição à mídia nacional. e não sei se conseguiremos voltar. Finn foi ao quarto buscar o CD. quando foi atrás dele. esperando que Megan retornasse. fazendo menção de devolver o artigo a Sally. — Beijou-o no rosto. reparou que o deixara no quarto. — Acho que guardei o artigo — Sally disse. Embora soubesse que precisava se explicar. — Que jornal? — inquiriu Finn. Não havia ninguém à porta da loja. ciente de que seguia em direção à loja de Morwenna. Apenas acordei tarde.. e havíamos lido um artigo sobre sua esposa e você. mas não obteve resposta.O Anjo Caído (Bianca 915) Megan surpreendeu-se com as próprias palavras. além de comentários sobre o show e informações sobre a semana que passariam em Salem. o jovem casal que tinham encontrado no primeiro dia de hospedagem. um CD. — Ficarei feliz em dar-lhes um CD — Finn ofereceu. Após retornar e entregá-lo para o casal. Quando Finn acordou. Morwenna acenou e. descalço e trajando um robe. Dirigiu-se à sala de jantar e constatou que. ficou surpreso. Ao final do texto. Eram quase onze da manhã. ela não conseguiu se mover. o que não aconteceu. Faria o mesmo. em vez disso. Verificou as horas no relógio sobre o criado-mudo. mas. Foi ótimo. John e Sally. fora movido por pura estupidez. — Olá bonitão. curioso. Especialmente se souberem de algo bizarro incomum ou tremendamente assustador e perigoso. que pareciam se relacionar com o paranormal. Aquela era certamente uma das maiores afrontas a um homem. mencionando que estavam se apresentando. — Finn? — chamou. Você não entendeu — murmurou. Chamava-se Jade Deveau. Apesar de não se sentir à vontade naquele lugar. — Obrigado. Finn havia partido. deduziu que ela estava caminhando. deveria dormir na casa de Morwenna. também constava ao final do artigo. Em seguida. Lágrimas banhavam seu rosto quando se deitou. — Vimos o show de vocês na outra noite. Ainda mais quando ela sonhara ou imaginara ser ele uma criatura abominável. ninguém o acusaria de violência doméstica quando ela acordasse gritando. Ele não sabia que o artigo fora publicado. Tinham sido entrevistados semanas atrás. Levantou-se e foi até o banheiro.Shannon Drake . até que o frio penetrasse seus ossos. Havia sentido uma onda irracional de raiva crescer dentro de si. Finn ficou paralisado por instantes. onde havia se sentado para fumar o cigarro que colocara no bolso do robe. Retornou ao quarto. Tínhamos acabado de nos conhecer. Uma foto de Megan e dele no palco ilustrava a reportagem. Assim. Banhou-se e se vestiu. — Mas eu não tive a chance de comprar. Não fora aquilo que quisera dizer. — Espere um minuto. — Estávamos indo jantar no hotel. deixou a pousada para ir à procura de Megan. Megan não estava ao seu lado. 32 . foi de imediato ao seu encontro.. onde estavam os créditos da autora: Jade McGregor Deveau contribui freqüentemente com seus artigos. — Vocês foram ótimos — Sally elogiou. — Vocês discutiram? — Não. quando chegou ao centro da cidade. E muito daquele sentimento tinha a ver com o fato de Megan ter dormido enquanto faziam amor. A mulher os abordara durante uma apresentação em um clube de jazz. Seguia o endereço eletrônico dela juntamente com um convite para que o público lhe escrevesse. Finn entrou. antes de partirem em férias para a Flórida. Continuou andando. oscilando entre a raiva e a tristeza. já que se encontrava assombrada por aqueles terríveis pesadelos. imergiu em sono profundo. Tudo indicava que pulara a grade e saíra para a noite. tomavam uma xícara de café em frente à lareira. Ela dormia quando ele retornara. abrindo caminho pela multidão que se aglomerava diante das estantes. — Está passeando sozinho? Onde está minha prima? — Não sei. Estava ansioso para lhe mostrar o artigo. Sair dali lhe parecera a melhor coisa a fazer. — Pode ficar com ele. Porém. e lá estavam vocês. Caminhara pela noite fria até um enorme rochedo diante da propriedade. Porém. Como o carro estava no estacionamento. pedindo para que Jamie a substituísse no caixa. — É mesmo? Obrigado por terem ido. e de lá retirou o recorte de jornal. melancólica. Achei que fosse encontrá-la aqui. apesar de o horário do desjejum ter acabado havia muito tempo. Megan ficou na varanda por um longo tempo. foi estranho — John falou. pois queria encontrá-la. Exausta. Na noite anterior. Quando o viu. — Abriu o zíper da bolsa. Queria sugerir que. virou-lhe as costas e voltou à varanda. — Ei! — Sally cumprimentou-o. havia uma estranha anotação. Decidiu não voltar à pousada. Uma lista de livros escritos por ela. mas o artigo foi distribuído para outras revistas. — Bem. arrependido da forma idiota como tinha agido. E não sonhou mais.

E. Finn desejou sair da loja. disparando através da cortina de contas. Deveria partir. Estes livros são inúteis — disse. — Se achar que precisa de ajuda. — Não da loja. ela segurou seu tornozelo. — Apenas não acredito em feitiços ou qualquer tipo de asneira parecida. — Não está me perturbando. A foto da bela mulher não deixava dúvidas. Finn sentiu um arrepio na nuca. Há algo a seu respeito. — Quer escolher algo agora.. Acenou para Morwenna. — Ótimo. ao passar por Sara. — Você deveria ir embora. Apesar de disfarçar. mas desde que se apresentaram com as roupas da loja. se quiser dar uma olhada nos artigos novos. estão nos fundos da loja. Por falar nisso. Já a machucou? É por isso que ela fugiu de você? Finn dirigiu-se à porta.O Anjo Caído (Bianca 915) — Não é de se admirar. Vagando pela cidade. já que a autora tinha uma queda pela paranormalidade. — Finn. a respeito de vocês. — É o que farei. certo? — Não gosto da idéia de pegar as roupas da loja. você não vai acreditar. — Então não se importará de escolher outros modelos para se apresentarem hoje. Nós é que lhe somos gratos. — Desculpe.. Sara estava sentada no chão. Garanto que estará me fazendo um favor. Dirigiu-se até lá e parou diante dos cabides onde várias camisas estavam penduradas. O que há com você e o que acha que eu vou fazer? Ou estragar um casamento a deixa feliz? — Não. Eles são do tipo que fazem troça com a verdadeira prática da Wicca. — Não vai gostar do livro — afirmou Sara.. pois não queria compartilhar seus problemas com a prima. — Não sei por que Morwenna os encomenda. — Por quê? Você entrou em um transe idiota e decidiu que ofereço perigo à minha esposa. de repente. Tudo o que ele desejava era sair dali. Fora então que a mesma 33 . Depois escolheremos algo para nós dois. mas de Massachusetts. Apenas ao caminhar alguns metros. Mas bastava! Estava cansado de ser educado com todos pelo bem de Megan. De repente. — Os dedos que o seguravam acariciaram suas coxas. — Você é um idiota. também nos considera um bando de idiotas pagãos. — Jade Deveau — murmurou. decidido a não ouvir mais nada. mas é você quem parece ter garras. a expressão dela se iluminou. está bem. Sou um ferrenho seguidor da Constituição. Evitara a loja de Morwenna. — Sara. Era exatamente o que ansiava fazer. nem toda bruxaria é benigna. Observou-as distraidamente até que uma incômoda sensação de estar sendo observado o fez olhar para trás. Não sei como agradecer. Finn vislumbrou o conteúdo e reconheceu a autora de imediato. — Você nos salvou ontem à noite. Vocês trabalham até tarde. Este é um país onde a liberdade religiosa é garantida. e as suspeitas de Finn se confirmaram. Porém. E as enterraria em mim se pudesse. Sentiu a mandíbula se contrair e os dentes trincar ao mesmo tempo em que percebia o sulco dos seios expostos pelos botões que haviam sido deixados abertos. mas. Na opinião dela. não se importe com isso. mas ela mantinha o olhar fixo nele. mais uma vez. vira-se. — Você o leu? — Ela tem idéias estranhas. Megan não saberia dizer o que a levara de volta ao local no qual Mike trabalhava. percebeu que ainda tinha o livro na mão. não quis perturbá-la — murmurou ele. — Virou o livro e olhou para a quarta capa. ela se afastou. me deixe em paz de uma vez por todas! — vociferou. onde está sua esposa? — Passeando. — De repente. que estava atrás do balcão e saiu da loja. Sara anuiu. Recebemos um grande carregamento de roupas e livros hoje. — Oh. — Posso ver? — Claro. erguendo no ar o que estava segurando. — Nesse caso.. Amo Megan. eu estarei por perto. lembrou-se da promessa que fizera a si mesmo de ser gentil com os parentes de Megan e acabou concordando. No entanto. quanto ao que vai fazer.Shannon Drake . Afirma que sou perigoso. Sempre terão alguma avaria quando as devolvermos. ao lado de uma pilha de caixas de livros. A autora escreve sobre viagens e possui uma pequena editora. eu não pretendo destruir um casamento. — Tentarei achar Megan primeiro. Posso ver o livro? Sara entregou-o a ele. Mas você deveria ir embora. — Morwenna disse que eu podia ver as roupas que chegaram. — Antiga namorada? Finn lhe lançou um olhar irritado. com os olhos fixos nele. a procura por esses trajes triplicou. diante do museu. como se não o tivesse tocado de propósito. Não o surpreendia o fato de um livro de Jade estar na loja de Morwenna. Eu não sei exatamente. não importava a lógica ou a sanidade.

mas atenha-se às coisas boas e não deixe que essas bobagens a impressionem. — Mike. mas. Você é amada. E assim que sobrevive.. caminharam pelo centro antigo. Aquela palavra parecia não lhe sair dá mente nos últimos dias. — Mas podia ter nos cumprimentado — Megan falou. Precisa lembrar-se de que este lugar pode ser ótimo. é bom vê-lo novamente. mas formam um belo casal.. — Eu estava fantasiado. — Olá. que foi muito sério. Ao desviar o olhar para a janela. a pessoa não apenas confessa. Megan sempre achara Mike agradável. Programas leves e engraçados.. é claro. Sabia que aquilo tinha algo a ver com o pesadelo da noite anterior. Engoliu em seco. a tortura era disseminada. ele a beijou na face e cumprimentou Mike com um gesto de cabeça. ameaça e. Mal. mas acaba se tornando prolixa e criativa. você é desta região. — Que tal tomarmos um café? — Ótima idéia. Suprimiu um pequeno tremor. que se moldava com perfeição dos ombros largos aos tornozelos. Megan não pôde conter o arrepio de excitamento diante da visão máscula e atraente do marido entrando na cafeteria. conversando animadamente. seu marido ainda é um confederado. — O poder da sugestão é muito forte — murmurou Megan. — Ele parece acreditar nelas. ciente de que ele a fitava inten samente. Ele a observou por instantes antes de responder com cuidado: — Megan. Não deixe que a opinião alheia interfira na vida de vocês. — Sim — respondeu Megan ao mesmo tempo. Sentiu-se imobilizada. e você está preocupada com a reação de seu marido à sua cidade natal. vinha do que acontecia na Europa. — É impressionante imaginar que as pessoas acreditavam que esse sujeito podia vir à Terra e forçar as pessoas a fazer pactos com ele — Mike comentou. — Faça isso.. Finn estava lá. Escolheram uma cafeteria e se sentaram a uma das mesas. 34 . Quando se tortura alguém por muito tempo. — Obrigado — disse Finn.Shannon Drake . Minutos depois. Mike havia saído e. convidara-a para conhecer a exposição que estavam preparando. Quando se dera conta. qual é a história de Andy Markham? — indagou ela a certa altura. e vendo a exposição sobre bruxaria e satanismo sob a ótica do século dezessete. você comentou sobre o poder da sugestão. Mike se ergueu. olhando para dentro. — Tem razão. mas era ele. mas a aparência dele voltara ao normal. Não parecia ser Finn. Estou falando sério. oferecendo-lhe a mão. — Um grande problema nas colônias. naquela época. É assim que ganham a vida. e Finn a aceitou antes de puxar uma cadeira e se acomodar. não era. que a perturbara tão violentamente. Finn arqueou a sobrancelha. um rebelde. Como no sonho. Prometi a Finn não ceder a nenhum tipo de sugestão idiota — concluiu. este é um lugar muito pequeno. Há pouco. — Mike. e terá belos sonhos. Megan. Por um instante. Você deveria ler algumas das confissões dos casos europeus. Quer uma sugestão? Assista a desenhos animados ou a comédias na televisão antes de dormir. Não. — Finn fechou os dedos com força em torno da caneca vazia de Megan. enfatizando-lhe a altura e a compleição. — Da próxima vez. — As pessoas daqui são capazes de convencê-la de quase tudo.. — Vocês foram maravilhosos ontem à noite — Mike elogiou. Certamente era sua imaginação. meus pesadelos têm sido tão terríveis que Finn sugeriu que fôssemos embora. — Finn! — exclamou ela.O Anjo Caído (Bianca 915) jovem que se encontrava na bilheteria no dia anterior a tinha avistado e correra ao seu encontro. eles acreditavam que estavam arrancando a verdade de suas pobres vítimas. As imagens do demônio em tamanho gigante eram impressionantes e a fizeram experimentar uma sensação de desconforto. Os cabelos ainda se encontravam úmidos pelo banho. — Bem. Mesmo sendo ilegal.. Trajava seu sobretudo favorito. para algumas pessoas. e sabe como as coisas funcionam. surpreso ao encontrá-la. Inclinando-se. É bom tê-la aqui. As feições estavam tensas e emanavam raiva. Contudo.. — Encontraram-se por acaso? — Não — retrucou Mike. Finn está preocupado com a aceitação por parte de seus parentes e das pessoas daqui. estava transpondo a entrada exclusiva para os funcionários do museu. parece que está se deixando impressionar por essas histórias. os olhos dele pareceram vermelhos. cumprimentando-a com entusiasmo. e ele está sob suspeita. Deixando o museu. eu irei. com famílias antigas. — Não o vi lá. porém realistas.. Você é daqui. Concentre-se em pensamentos positivos antes de dormir. Ele tinha o dom de fazer os personagens daquela cidade parecer ainda mais bizarros com suas observações bem-humoradas. Embora tenha ido viver em outro local. franziu a testa. Finn de fato estava lá. É natural que estejam se sentindo desconfortáveis. ele conta histórias. Divisou o rosto dele acima da gigantesca caneca de café pintada no vidro.

— Nesse caso. Os dedos longos roçaram os dela. Mike — ela disse. — O quê? Ah. mas ficou com medo de provocar uma reação desagradável se fizesse isso. Megan imaginou se o amigo não notara o tom de ameaça na voz de Finn. dando um sorriso tranquilizador para Megan antes de sair.. você não estava lá.. — Até mais.. e por isso eu saí sem querer da loja com o livro. que acusem. Ficarei honrado em recebê-los no museu a qualquer momento. — Ele hesitou. se eu acordasse gritando com esses pesadelos. eu ainda sou um tolo inseguro. — Essa mulher nos deu exposição na mídia. O que é isso? — indagou Megan. e ele está em todos! — Você está agindo como um idiota! Ele a encarou. — Estou certo de que é uma excelente exposição. Finn. — Nova exposição? — Finn indagou em tom duro. — Boa tarde — Finn murmurou. esclarecendo qualquer bobagem que queiram lhes incutir nesta cidade. — Nós precisamos de ajuda para esclarecer as tolices locais? — Eu precisei — ela respondeu e se levantou. Pensei apenas que. eu a planejei e acho que foi uma das minhas melhores criações — Mike respondeu. me convidou para ver a nova exposição e depois viemos tomar café. — Porque só há uma mulher que desejo que babe por mim. Sentando-se de novo. se eu puder ajudar de alguma forma.O Anjo Caído (Bianca 915) — De certa forma. — Depois de ontem à noite. Talvez ela estivesse perdendo o juízo. — Preciso mesmo voltar. Mas. E acho que não suportaria se você me deixasse outra vez.. veio correndo atrás de seu amigo em busca de ajuda? Meu marido virou um monstro! O que eu faço? Tenho pesadelos. — Ainda não.. Queria chutar a canela do marido sob a mesa. 35 . furiosa. — Já disse que foi sem querer. Megan. ontem saiu um artigo a nosso respeito no jornal. sim — ela explicou. e não estivesse com você. e se nada mudasse? E se o problema estivesse neles. e eu saí apressado. As mulheres babam por você. Havia ainda uma fúria intensa no olhar de Finn. — O que diabos foi isso? — O que você fez. ignorando a mão que Mike estendera para despedir-se. — É meu charme.. — Mike se levantou. Ah. Foi escrito pela mesma mulher. Já está terminada? — Finn indagou. Mas eu posso comer alho e usar um crucifixo para espantá-la.Shannon Drake . bem. todos os olhares se voltam em sua direção. encabulado. ela se inclinou sobre a mesa e encarou o marido. droga! Acabei de roubar um livro da loja de sua prima — explicou ele. — É verdade. Lembra-se da repórter que nos entrevistou no clube de jazz? — Sim. é esquisito. quando me disse que preferia me deixar a sair de Salem. mas o que isso tem a ver com o livro? — Bem. É que quando eu acordei. quase teve medo de se despedir do amigo com um beijo no rosto. Por um instante. era tudo o que ela mais desejava. e você roubou o livro dela? — Megan arqueou a sobrancelha. — Quem está tendo ciúmes agora? — Eu. Mas Finn estava sendo um idiota. ao perceber que ele segurava algo junto ao corpo. Mike nos viu conversando. — Hum. Um sorriso lento curvou os lábios de Megan. e não naquele lugar ou no clima do Halloween? De repente. ele se recostou para trás e baixou a cabeça antes de tornar a fitá-la.. — Eu não quis dizer isso. e lágrimas ameaçaram brotar em seus olhos. havia também algo sedutor a respeito da tensão acalorada que emanava dele. — Estava caminhando pela rua e uma funcionária do museu me reconheceu. Sinto muito por ter agido como um idiota ciumento. não posso imaginar como você está passando esse tempo todo longe do trabalho. — Sim. Mas é estranho. — Roubou um livro de Morwenna? — Foi sem querer. então ninguém poderia acusá-lo de nada. — Ah. é mesmo? Tenho a impressão de que ela gostaria de provocar outras coisas em você. me provocando arrepios. Aquele homem era sua vida. — Tenha uma boa noite — Mike disse. — Se as pessoas quiserem me acusar. e Finn tivesse razão em sugerir que jogassem tudo para o alto e saíssem dali. A testa de Finn possuía vincos profundos quando dirigiu o olhar a Megan. terei prazer em fazê-lo. Sara estava lá.. E. animado.. — Como pode se sentir inseguro? Quando entra em algum lugar. É como se ela não conseguisse se manter longe de você. — Sabe de uma coisa? Você tem razão.. Sei.

mas sabe que não é o suficiente. — O que foi? — indagou Megan. Não lhe agradava o atraso. observavam a luz do dia fenecer por entre as frestas da cortina. mas. Mais uma vez. deslizou os dedos pelo mármore erodido de seu ídolo. da próxima vez que o encontrar. Enquanto aguardava. — Deveria se ajoelhar na presença do mestre! — ela exclamou. nos últimos dias. você talvez queira explicar o que quis dizer. quero que seja mais amigável. você também estava sugestionado. apenas observando o dia chegar ao fim. A lua era uma grande órbita azul que se erguia sobre o antigo cemitério. Finn se levantou e lhe estendeu a mão. percebi que estava tendo esses sonhos horríveis porque me permitia tê-los. Finn tentou se convencer de que deveria estar agradecido a Mike. Inclinou-se para sussurrar em seu ouvido: — Sabe de uma coisa? Ainda é cedo. — Sentia-se estranhamente possessiva em relação a ele. ele teria se sentido envergonhado. E morreria antes de deixar que algum mal a atingisse. — Gostaria de babar um pouco por mim? — Talvez eu possa ser persuadida. Mas não se preocupe. O que é necessário tem de ser obtido agora. passaremos a assistir a programas leves. após ouvi-lo falar sobre o poder da sugestão. exauridos. notou que ele também escrutinava a multidão. A mulher chegou primeiro.Shannon Drake . — Não tão bem. — Humm. E é melhor nos apressarmos porque eu não quero começar a babar na rua. e Finn lamentava a aproximação da noite. O ci úme e a falta de confiança tinham causado o rompimento da união de ambos antes. Temos a tarde toda e o início da noite a nosso dispor. — Ele esteve na cama conosco? — Não. Ambos estavam imunes à neblina que lentamente espiralava do chão e à estranha bruma que envolvia a lua nascente. — Ela roçou a panturrilha dele com o pé.. deitados ao lado um do outro. — Já lhe disse que sei o que devo fazer. seriados ou desenhos animados na televisão. Nenhum sonho os assombrara. antes de dormir. seu protegido chegou. Restam-nos apenas alguns dias. Sabia que ela era apenas outra servente do mestre. Ao olhar por sobre o ombro. os cálices devem estar cheios. Megan e Finn. permeada de leves nuances azuis. Se ela se aproximar demais de você. Em pouco tempo. reconhecendo cada ângulo da estrutura. ela estremeceu. A escuridão caiu sobre a cidade. — Quer que eu escreva um bilhete pedindo desculpas a Mike? — Não. não? E devemos muito disso a Mike. Ou pelo menos deixar de suspeitar dele. — Não precisa fazer sermões. De repente. puxando-a contra o corpo excitado. Ele sabia prestar homenagem. E. Porém.. com as pernas entrelaçadas. e não precisava que ninguém lhe dissesse como fazer. eu mesma a colocarei no devido lugar. Megan se mostrara divertida e sensual. O laço que os unia nunca parecera mais forte. O número tem de estar completo. continuaram deitados.. Megan sorriu. tinha a sensação de estar sendo observada. dando ouvidos a lunáticos como Andy. Conheço minhas obrigações e as tenho cumprido muito bem. Antes. Conseguiu muito do que precisamos. Foram as melhores horas que passaram juntos desde que haviam chegado a Salem. Confesso que estava começando a me preocupar com isso. como a afastar uma impressão absurda. Porém. A sintonia entre os dois tinha sido tão completa durante os momentos de intimidade total que nenhuma força externa seria capaz de perturbá-los. quando a escuridão caiu. Por isso. No momento apropriado. os dois se encontrariam a sós. — Eu também amo você. Escurecia cedo em outubro na Nova Inglaterra. 36 . — Ele foi lógico e pragmático ao tratar o problema dos pesadelos. Ao beijar o mármore frio. assim como ele. Quando saíram da loja. Megan virou-se e afastou-lhe uma mecha de cabelos da testa. Ela entrelaçou os dedos nos dele. A menção ao nome dele foi como um balde de água fria na excitação que Finn começava a sentir de novo. saboreara o próprio poder. — Então. enquanto acariciava-lhe o peito. o que deixou explícito no modo como o fitou. Não havia nenhuma forma de comunicação na qual pudessem confiar. vou me levantar.. Portanto. Não pode haver ninguém destituído de fé no poder do mestre. Ele sacudiu a cabeça. e se você começar a agir como um idiota ciumento outra vez. — Posso ser muito amigável — ele afirmou em tom rouco. Você! Certifique-se de que tudo esteja pronto quando o momento chegar. Mostre-me o quanto. como se tivesse sido tocada intimamente. O marido estava logo atrás dela. Portanto. Não pode mais esperar.O Anjo Caído (Bianca 915) — Não acredito que essas coisas façam efeito em wiccans excitadas. Tocou-o com suavidade e adoração. embora não esteja disposto a admitir. ninguém que falseará. — Eu amo você. sentiu um tremor na pedra e foi percorrido por uma onda de vigor. O sorriso malicioso do marido a fez se arrepiar. — É quase como se estivéssemos de volta a nossa casa.

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
— Há muito tempo, sei qual é minha obrigação. Não deve hesitar mais. Mexa-se. Não em breve... Agora! Anuindo, ele beijou a estátua outra vez e fechou os olhos, saboreando a força e o poder que o percorriam. Então, virou-se e partiu. Sob a luz da lua, ela o observou se afastar antes de fechar os olhos, vislumbrando a grandiosidade do que estava por vir. Esticou a mão à frente, sob o escuro matiz azul do céu, e sorriu. Olhou para os braços e sonhou com o que viria. As diferenças que mudariam o mundo. Seu mundo.

*** Assim como as anteriores, a apresentação daquela noite estava sendo um sucesso. Megan nunca se sentira tão bem desde que chegara à Nova Inglaterra. Finn estava deslumbrante em outro modelo da loja de Morwenna. Seu próprio traje, com delicadas mangas de seda, corpete justo e saia rodada, caíra-lhe muito bem. Finn parecia ter se entendido com Joseph. Os dois conversaram sobre futebol e cerveja. Morwenna e ela distraíram-se relembrando os tempos de infância. — Ei, docinho, deixe-me pagar uma bebida para você. Megan virou-se. Quem se dirigia a ela era um homem de estatura mediana, que trajava uma capa marrom e usava maquiagem da mesma cor. Próteses haviam sido colocadas na testa e no nariz para aumentá-los. A voz possuía uma tonalidade alta e queixosa. Talvez pela quantidade de álcool ingerido. — Obrigada, mas estou bebendo água com limão. — Ergueu o copo que acabara de pegar no balcão do bar. — Um drinque não irá matá-la, querida. Megan percebeu o marido se aproximar por trás. — Ela disse que não quer um drinque. Obrigado pela oferta. Finn falou com calma, mas havia um tom levemente ameaçador em sua voz. — Pensa que é muito importante, companheiro, só porque está no palco com ela? — A moça em questão é minha esposa — ele retrucou, sem perder a compostura. Por um instante, o homem pareceu prestes a desafiá-lo. Porém, deu de ombros e recuou. Finn ocupou o banco ao lado de Megan. — Eu me saí bem? Determinado, mas não agressivo. Firme, mas não grosseiro. Ela riu, pondo a mão no braço do marido. — Você foi perfeito. Embora eu saiba me defender. Finn franziu a testa. Acompanhando-lhe o olhar, Megan reparou que o bêbado estava assediando outra mulher, sentada junto ao balcão do bar. Era a bela jovem que trabalhava na bilheteria do museu, Gayle Sawyer. Ela não parecia estar fantasiada. Usava um vestido preto justo que enfatizava sua boa forma e ostentava diversos brincos e piercings. Tomava um coquetel e conversava com uma jovem. O bêbado se interpôs entre as duas. — Engula esse que eu lhe pago outro — ele disse. — Não, obrigada — retrucou Gayle, impaciente por ter tido a conversa interrompida. — Sou bonitão sob toda essa maquiagem. E rico. — Ouça, dê o fora daqui! Não quero outro drinque. Segurando-a pelo braço, o bêbado puxou-a do banco. Gayle caiu sobre ele e esforçou-se para recobrar o equilíbrio enquanto ele a apertava de encontro ao corpo. — Ei! — Finn deu um passo à frente e colocou o braço sobre o ombro do homem. — A moça não quer a sua companhia. — O que você é? Faz parte da polícia de repressão à paquera? — Você precisa ir para casa. — Esta não é sua esposa e, portanto, isso não é da sua conta. — Ela não quer ser incomodada. Deixe-a em paz. O bêbado soltou Gayle de supetão, fazendo-a oscilar. Quando Finn adiantou-se para ampará-la, o homem avançou sobre ele com o punho fechado. Finn esquivou-se do golpe, mas, ao endireitar-se, foi novamente atacado. Perdendo a paciência, socou-o no queixo, derrubando-o no chão. — Oh, muito obrigada! — Gayle deslizou os braços pelo pescoço de Finn. — Não foi nada — ele murmurou sem jeito, tentando se desvencilhar do forte abraço. Quando conseguiu, ajoelhou-se ao lado do homem para verificar seus sinais vitais. Abrindo caminho em meio à multidão que se aglomerara ao redor do grupo, Sam Tartan aproximou-se. — Ele está bem — Finn assegurou ao gerente do hotel. — O que aconteceu? — ele perguntou, ríspido. — Esse homem estava tentando atacar aquela jovem — Megan explicou, apontando para Gayle, antes que o marido abrisse a boca. — Temos pessoas contratadas aqui para lidar com esse tipo de situação — disse Sam.

37

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
— Aparentemente, essas pessoas não estavam disponíveis. Quase fui estuprada em pleno bar! — explodiu Gayle, lançando um olhar furioso a Sam e outro de adoração a Finn. — Espero que não tenha quebrado o queixo dele — Sam falou. — Espero que ele tenha feito isso — contrapôs Gayle. Então um guincho agudo se fez ouvir, e uma mulher franzina se aproximou, abrindo caminho entre as pessoas. — O que fizeram com o meu marido? — Seu marido! — repetiu Gayle, incrédula. — Você está aqui... com ele? — Claro! O que fizeram com ele? — O seu marido estava sendo inconveniente no bar. E bêbado! — Marty? Nunca! — defendeu a esposa. — Ouça, é verdade — interveio Megan. — Ele estava sendo um bocado inconveniente com as mulheres. — Marty nunca bebe! É mentira! — vociferou a esposa. — Seu marido pode ser alérgico a álcool ou coisa parecida — Finn interveio. — Ele foi inconveniente com minha esposa e depois com aquela jovem. — Levarei Marty para o quarto, e podem estar certos de que os processarei. Tenho testemunhas. — Senhora, todos aqui testemunharam que seu marido estava bêbado e sendo inconveniente — Megan falou. — Por que não chamamos a polícia agora para que não haja dúvidas mais tarde? — Finn sugeriu. Sam hesitou. A última coisa que desejava era a presença da polícia no hotel. — Sou policial — um homem fantasiado anunciou. — Não estou a serviço, mas testemunhei o que aconteceu. — Virou-se para a esposa de Marty. — Sinto muito, senhora, mas seu marido estava bêbado e foi desagradável com as moças. — Marty quase não bebe! — insistiu a mulher, soando patética. — Talvez por isso tenha agido assim — justificou o policial. — Provavelmente, a bebida não lhe caiu bem. Gostaria que eu chamasse meus colegas para que seja registrada uma queixa? Preciso preveni-la de que Marty poderá ser processado por estar bêbado e causar desordem... — Não! — ela protestou. — Vamos apenas levá-lo para cima. Adam Spade, o segurança, levou Marty para o quarto, seguido da esposa. Então, Sam pediu que Finn e Megan voltassem a se apresentar, para que todos se dispersassem. Antes de fazer isso, Finn virou-se para o policial. — Obrigado. Você realmente acalmou os ânimos por aqui. — O prazer foi meu. Sou Theo Martin. Prazer em conhecê-los. Finn e Megan dirigiram-se ao palco. — Não tive a intenção de começar uma briga — Finn justificou-se. — Ele partiu para cima de mim. Sei que detesta agressão física... — Eu sei. Vi o que aconteceu. Você fez o que tinha de fazer. Quando subiu ao palco, Finn sentou-se no banco e pegou a guitarra. A platéia aplaudiu, entusiasmada. Megan dirigiu o olhar ao marido e se viu quase hipnotizada. O verde dos olhos dele captava a luz do palco, adotando uma tonalidade dourada. Muito estranha... Como os olhos do gato preto que quase tinham atropelado na estrada. No entanto, o brilho estranho era extremamente sedutor. De repente, Megan se deu conta de que Finn havia repetido a introdução da música. Como a despertar de um transe, ela se forçou a desviar o olhar e a fixar a atenção na platéia. Para ela, o restante da noite foi um pesadelo. Quando encontrou Gayle sentada à mesa da prima, ficou sabendo que a jovem conhecia Morwenna e Joseph, o que não era incomum em uma cidade pequena. Mike também veio cumprimentá-los, e Morwenna pediu que fossem adicionados mais lugares à mesa. Outros funcionários da loja se uniram ao grupo, incluindo Sara e Jamie. Quando Megan se ausentou para ir ao toalete, deparou com Brad e Mary, os pais de Joshua e Ellie, hóspedes de Huntington House. Conversou algum tempo com o casal e, quando retornou à mesa, constatou que seu lugar fora ocupado. Sara estava sentada ao lado de Finn, e Gayle, diante dele. Não conseguia escutar o que diziam, mas notou o olhar fixo do marido nos seios de Sara, quase expostos pelo decote da fantasia de deusa da floresta. Refletiu sobre sua crescente irritação. Não queria agir como uma tola ciumenta. Amava Finn e acreditava que era correspondida. Ao verificar as horas no relógio de pulso, constatou que o intervalo acabara. Contudo, Finn, sempre tão cuidadoso com a cronometragem do show, pareceu não dar-se conta disso, tão absorto estava nos seios de Sara. Por fim, ele se ergueu, comunicando que teriam de voltar ao palco. Gayle tentou impedi-lo, dizendo-lhe algo e pousando a mão em seu braço. Porém, Finn pareceu não perceber e se afastou ao lado da esposa. A noite transcorreu depressa depois disso. Megan agradeceu o fato de o novo fã-clube do marido já ter partido quando eles desceram do palco. Adam Spade ajudou-os a cobrir os equipamentos e, em minutos, Finn e ela estavam a caminho de Huntington House. — Que noite bizarra! — ele comentou.

38

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
— Foi mesmo. Finn fixou o olhar na estrada. — Acredita que hoje há neblina outra vez? Megan não havia prestado atenção na estrada. Só então notou que a mesma neblina azulada espiralava do chão. — Esta é Nova Inglaterra — ela afirmou. — E, mais uma vez, não há vaga para estacionarmos. — O estacionamento não fica muito longe. E não ficava. Mas, no minuto em que Megan pôs o pé para fora do carro, sentiu-se desconfortável. — O que houve? — questionou Finn, aproximando-se. Megan desejava sentir-se segura. Estava com Finn, e acreditava que o marido morreria por ela. Ainda assim, tinha a impressão de que estavam sendo observados através da neblina. De repente, recordou a aparência dos olhos de Finn no palco. Voltou-se para ele, com o coração disparado, temendo o que encontraria. Estariam com a tonalidade avermelhada? Será que não precisava temer a neblina, porque o horror que a perseguia estaria andando a seu lado? Expirou aliviada quando os olhos de Finn encontraram os dela. Estavam verdes como sempre tinham sido. Porém, apesar de segura de que o marido era o homem que sempre conhecera, e nada mais, sentiu outra vez que a neblina ocultava uma porção de... olhos. Demoníacos. Que talvez pertencessem a uma criatura com a língua bifurcada, chifres na cabeça e uma cauda longa. — Estou com frio. Finn se deteve, pronto a retirar o agasalho. — Não. Prefiro que nós apressemos. Venha, rápido. A brisa gelada soprou com mais força. Era como se os galhos repletos de folhas mortas sussurrassem seu nome. Havia algo em meio à névoa, e os estava perseguindo. As palavras de Andy ecoaram em seus ouvidos. Bac-Dal quer você, Apesar da presença de Finn, começou a correr. — Megan! O que há com você? — Correu ao encalço da esposa e, alcançando-a com facilidade, segurou-a pelo braço. Em um gesto irracional, Megan tentou se soltar. — Temos que entrar! — Megan, acalme-se. Estou aqui com você. Erguendo o olhar para além do ombro de Finn, ela divisou um imenso e antigo carvalho. Havia algo ali... Grande... pequeno. Não sabia. Mas tinha olhos, que brilhavam, vermelhos e dourados. Conseguiu se soltar do marido e disparou rumo à pousada. Finn só conseguiu alcançá-la quando chegou à porta. — Megan... — Há algo lá fora! Tenso e irritado, ele tomou a chave da mão dela. — Ótimo. Várias wiccans esquisitas acham que eu sou a melhor coisa depois de Arnold Schwartzenegger, mas eu sou incapaz de protegê-la da névoa! Quando ele abriu a porta, Megan disparou para dentro. Finn seguiu-a e fechou o trinco. S ó então, ela experimentou algum alívio. Sentiu-se também um pouco tola. Ao chegarem ao quarto, ele foi diretamente para o banheiro. Ouvindo o som da água do chuveiro, Megan sentou-se ao pé da cama, imaginando o que acontecera com ela. Fora a força da sugestão, como Mike tinha dito. Lembrou-se do conselho do amigo e ligou a televisão, mas parecia que todos os canais a cabo exibiam filmes de terror. Tentou o canal de notícias, mas a reportagem não era melhor. Relatavam que uma jovem desaparecida em Boston semanas atrás havia sido encontrada em uma praia no litoral norte. A família fora notificada, mas o médico-legista ainda não informara a causa da morte. O corpo estava decomposto devido à água, ao tempo e aos elementos da natureza que talvez tivessem destruído evidências importantes. O nome da mulher era Theresa Kavanaugh. Desistindo de encontrar uma programação divertida, Megan desligou a televisão. A porta do banheiro foi aberta, e Finn emergiu, envolto em uma nuvem de vapor. Passou por ela sem lhe dirigir a palavra. Obviamente ainda estava irritado. Foi até as cortinas e escancarou-as. O vapor continuava a emanar do toalete. Como a neblina, parecia estranhamente azul. Apesar de só trajar uma toalha, Finn ficou à porta da varanda, olhando a rua. Parecia o titã Atlas parado, de costas para ela. Teve ímpetos de se aproximar e se recostar a ele, mas não se atreveria. Em vez disso, ergueu-se e foi até o banheiro.

*** Naquela noite, o sonho era ainda mais vivido. E incrivelmente... gratificante.

39

Shannon Drake - O Anjo Caído (Bianca 915)
Caminhava a passos largos... emproado, confiante. Quase flutuava. Podia ouvir o cântico, ver imagens indistintas daqueles que o aplaudiam. Mais do que isso, curvavam-se diante dele à medida que passava, guiando-o para a frente, apesar de ele conhecer seu destino. O instinto o mantinha em movimento. A excitação tomava conta de seu corpo, estimulado pelos cân ticos, gritos, aplausos e admiração. Mulheres o acariciavam, ávidas por fazer qualquer coisa para agradá-lo de alguma forma. Porém, elas tombavam para os lados, porque havia apenas uma que ele desejava. Sentiu a terra nua sob seus pés, e até mesmo aquilo potencializava a sensação primitiva do prazer carnal que o estava envolvendo. Tudo se encontrava adiante... ele estava lá... Repleto de força, exalando bravura em meio ao esplendor e à perfeição diante de seus olhos. Sua obrigação. Tomar o que devia com fúria violenta, sabendo que tudo deveria cair diante de seus pés. Que cada desejo devia ser cumprido. Investiu com força. O sangue pulsava por seu corpo com fúria. Os músculos estavam tensos. O mundo e tudo o que desejasse eram seus. Elevou-se às alturas, queimando com o poder explosivo que ninguém lhe negaria, pois ele era um deus... Não! Uma batalha se travou em seu íntimo. Havia algo muito errado. Ele não era um deus. Havia algo que não era prazer, e sim dor. Sob os cânticos, ouvia um protesto. Alguém gritou seu nome. — Finn, não. Finn... Pare! Que diabos estava fazendo? Tinha força maior do que aquela. Havia uma voz dentro dele que dizia que assim era. Nunca ferir... Nunca ferir... A sedução e o excitamento da carne e do sangue eram poderosos, avassaladores, uma força que derrubava paradigmas antigos do que era certo ou errado. — Finnl — O nome dele. A voz dela. Encharcado, saciado, ainda ouvindo os cânticos, ele era acariciado, adorado e aplaudido...

Finn despertou indisposto. Restavam apenas estranhos vestígios do sonho. Uma terrível enxaqueca o assolou no instante em que percebeu que havia acordado. Não conseguia abrir os olhos. Gemeu alto e virou na cama, ansiando por se aconchegar a Megan. Queria abraçá-la e lhe dizer que sentia muito por seu comportamento na noite anterior. Seu ego ficara ferido por ela temer a neblina quando ele estava ao seu lado. Desejava dizer-lhe que a amava tanto que morreria defendendo-a. No entanto, ao esticar o braço, percebeu que ela não estava lá. Com um esforço sobre-humano, ergueu-se e se arrastou até o banheiro. — Meg? Voltou ao quarto, pressionando com as mãos as têmporas latejantes. Ao olhar ao redor, teve suas piores suspeitas confirmadas. Megan partira, levando consigo todos os seus pertences. Bolsa, roupas, maquiagem. Desolado, Finn constatou que a esposa o abandonara mais uma vez. O celular de Megan estava tocando. Sabia que era Finn, mas não atendeu. Estava sentada na varanda da casa de tia Martha, sorvendo goles do delicioso chá que ela preparara. Uma infusão para acalmar os nervos. Martha era maravilhosa. Recebera-a sem questionamentos. Apesar de perceber que a sobrinha estava aborrecida, assustada e desconsolada, resolvera deixar que lhe contasse o que havia acontecido quando estivesse preparada. O som do telefone cessou e recomeçou. Cada toque estridente parecia cortá-la por dentro. Não se recusaria a falar com Finn, mas ainda não estava preparada. Tia Martha, percebendo a melancolia de Megan, pousou a xícara e a fitou com ternura. — Querida, você sabe que é bem-vinda para ficar em minha casa pelo tempo que desejar. Não tenho idéia do que aconteceu, e também não estou perguntando. Só quero que dizer que seu belo marido a ama e, se formos encarar a realidade, precisamos admitir que você tem uns parentes esquisitos. Portanto, se as coisas entre vocês estão estremecidas, não pode ignorar que talvez tenha exigido demais dele, trazendo-o para cá. —- Eu não o trouxe para cá. Foi a proposta de Sam Tartan que nos trouxe até aqui. E por que meus parentes têm de ser considerados esquisitos só por seguirem uma religião pagã? — O que eu quis dizer foi que, para as outras pessoas, os wiccans podem parecer... Bem, a atmosfera desta cidade é sugestiva. Todas essas lendas, além do triste passado. Mas vocês são jovens e inteligentes. Não podem se deixar levar por essas bobagens! Aquele fora o mesmo conselho que Mike lhe dera, Megan pensou. Porém, eles não entendiam o que estava acontecendo, e ela não se disporia a explicar, já que não tinha certeza se o que via e experimentava era real ou se estava perdendo a sanidade. De qualquer forma, havia algo acontecendo com seu marido. Tudo indicava que ele sucumbira ao poder da sugestão, embora ela não soubesse qual. E era no meio da noite, entre o mundo dos sonhos e a consciência, que a mudança se operava. Não sabia dizer se era Finn mesmo ou se ele se transformava em algo ou alguém. Um demônio com olhos vermelhos e mãos que força vam, em vez de acariciar. Ou Andy plantara aquelas sementes na sua cabeça, de modo que ela acordasse achando que o marido se transformara em um monstro? Seria ela a louca? Tudo o que sabia era que despertara antes do amanhecer, pensando que estava vivendo o pesadelo que tivera em sua primeira noite em Salem. Lá estava Finn, a verdadeira ameaça, pronto para fechar os dedos em torno de seu pescoço e estrangulá-la.

40

— Prometo tomar cuidado. Era Sara. tia Martha. não tem se sentido estranho ultimamente? Joseph e eu estávamos comentando ontem que há muito tempo não temos neblina tão espessa como nos últimos dias... o dono da livraria. — Algo errado? — Ela franziu a testa. — Obrigado. — Eu preciso apenas que as pessoas parem de contar a Megan histórias que lhe provoquem pesadelos terríveis. você é da família — retrucou ela. — Oh. Ainda tenho a velha caminhonete que está no celeiro se eu precisar de transporte. É que estou precisando ficar um pouco sozinha durante nossas horas de folga. Sei que não estará disposto a acreditar no que vou dizer. rasgar-lhe as roupas. O mundo está cheio de maníacos. Nunca se sabe. Sara estava montando guarda à porta. Ao entrar. é uma estranha neblina.. O poder supremo. ele a subjugaria. Morwenna acenou com entusiasmo.. Intuitivas. Desejava provar o sabor daqueles lábios. para ver alguns livros. Ao que parecia. e tinham apenas o brilho vermelho e dourado das chamas do inferno. — Finn. uma vez que há forças do bem e do mal? — Ele não pode ser ajudado — afirmou Sara.. — O que acha? Mas pode entrar. o período não consta nos livros. Eddie. Finn logo avistou Joseph atrás do balcão. As pessoas estavam envergonhadas com tudo o que acontecera e não se arriscariam a acusar alguém de bruxaria abertamente.Shannon Drake .. Aquela mulher o desprezava. Certamente um fenômeno climatológico curioso: Morwenna o estudou por alguns segundos. — Meu relacionamento com minha esposa não é da sua conta. — Obrigada. sentia a tensão dentro de si aumentar outra vez. beijando-o na face. Virou-se e andou na direção da porta. — Se acredita. Eu ligo para você mais tarde. E. após o período da histeria. queria sua esposa de volta.O Anjo Caído (Bianca 915) Percebera a intenção dele nos olhos que haviam perdido a tonalidade verde. Finn. depois de tudo o que aconteceu? — Era o momento perfeito.. mas. Os que ficaram sabendo trataram de se proteger sem fazer alarido e.. em apenas um. com um jornal aberto à sua frente. — Obrigado. Estava tão tenso que mal podia falar. E há uma sensação de que algo ruim está acontecendo. mas deve tomar cuidado ao dirigir durante a madrugada. Megan não a procurara. ele acha que algo está acontecendo aqui em Salem. Finn hesitou diante da loja de Morwenna. Joseph estava atrás do balcão.. — Finn. 41 . eu tenho um amigo que é dono de uma ótima livraria e. — Sim. atirá-la ao chão. — Por que os satanistas iriam se atrever a vir para uma cidade como esta. ele respondeu: — Nada. Boa maneira de disfarçar evidências que o denunciassem. Não conseguia desviar o olhar do decote de Sara. contou-me uma história que encontrou em um diário sobre um grupo de satanistas que esteve aqui alguns séculos atrás. e decidiu prosseguir: — Wiccans são boas pessoas. Ele precisava ir embora. — Sim. Precisava sair dali. — As pessoas estão tentando ajudar. não é? Ele se virou. por isso. Afinal. tia Martha. E. — Entendo. Após hesitar por instantes. então por que não acreditar que existam outras forças. Assim que o viu. imitando a voz de Morwenna. em vez de voltar para Nova Orleans e consultar um conselheiro matrimonial. Se estivessem sozinhos. Não viu o caso da jovem de Boston? O assassino jogou o corpo dela na água.. não tenho intenção de jogar o trabalho para o alto. — Está muito cheio lá dentro? — ele perguntou. Lutou contra cada desejo insano que o invadia. — Ela o deixou. — Onde está minha prima? — indagou ela. empurrá-la contra as paredes. apesar de eu não saber por quê. ao mesmo tempo.. — Finn. você ama seu marido. como a do mal? — Então por que não corremos para as ruas e começamos a prender pessoas outra vez.. seria rude. — Apenas uma visita. Deus o ajudasse. — Eu esperava que você soubesse. mas parecia não conseguir ficar longe dele. — Querida. venha comigo conhecer Eddie — Morwenna insistiu. você acredita em Deus? — Morwenna perguntou. Sugiro que faça tudo o que estiver ao seu alcance para concluir esse trabalho aqui. Tem certeza de que não se importa de me emprestar seu carro? — Claro que não. meu bem.

Para seu desespero. — Joseph. Era óbvio que ela não queria atender. foi recepcionado por uma agradecida Gayle. fitou-o. Megan resolveu lavar roupa. mas apenas precisava ficar distante por algum tempo. Havia muitas mulheres em Salem que pareciam sentir uma forte atração por seu marido. Ela optara por um vestido perolado no estilo medieval. Por quê? — Não. que sua mãe enviara para a tia por correio.Shannon Drake . Dirigiu por toda a costa. falo antes disso. ele se despediu e voltou a caminhar pela cidade.. que não parava de exaltar o que ele fizera na noite anterior. — Mas passou a noite em Boston. Finn foi procurá-la uma vez. Megan teve vontade de tocar a face do marido na foto. — Espero que esteja certa. chamado Lobster 's Tale. Precisava sair o quanto antes dali. mas está ocupada. seria capaz de estrangular Joseph. Não tentaria o celular de Megan de novo. — Então me façam um favor. Uma tarefa cotidiana que a ajudaria a manter a mente afastada de seu casamento. Amava cada ângulo do rosto dele. Nunca se sentira atraída por outro homem daquele jeito. — Estamos tentando ajudá-lo. faça-o entender que o ama e que não o abandonou. Caso contrário. Joseph! Ele não respondeu. que reduzia as chances de ela atirar-se ao seu pescoço. Soubera que o amava no primeiro momento em que o vira. Precisava encontrar Megan. não quero ser repetitiva. — Esteve em um lugar chamado Lobster's Tale? — Não que eu me lembre. — Não se lembra de ter estado no Lobster's Tale? — Não me lembro de nenhum lugar com esse nome. 42 . Apenas.O Anjo Caído (Bianca 915) — Ei. — E se ele estiver aborrecido a ponto de não querer mais saber de mim ou do show? — Isso não vai acontecer. com um álbum de fotografias aberto. Ele não seria capaz! Ou seria? Ultimamente. avistou o título da matéria que Joseph estava lendo: Jovem morta foi vista pela última vez em um bar de Boston. — Morwenna acha que jamais iria ferir Megan de propósito. Ou em algum lugarejo perto da cidade. Sentiu a raiva quase explodir. certo? — Sim. Mike não estava no museu quando Finn chegou. mas vocês são dois jovens racionais. Quando passou pelo balcão.. Imaginou se não teria tomado a atitude errada. Ela teme por você. Que achasse que eu ofereço perigo à prima. Com passadas largas. Tinham escolhido uma das mais antigas igrejas da cidade. — Seguiu-me até aqui? — Sim. E Sara era uma criatura ridícula e nem um pouco atraente. Grato pelo fato de haver um balcão entre eles. quando encontrar seu marido. Joseph não passava de um idiota irritante. Esta noite. Por quê? — Curiosidade. — Megan. Não acredito que vai deixá-la escapar. Tia Martha estudou a expressão no rosto da sobrinha. Finn tem agido de modo estranho. Havia registros de todos os momentos da cerimônia. — Não estou atirando nada para o alto. sentia a pele coberta de suor.. Não me ajudem! — replicou ele. rumou para o novo museu.. irritado. encontrou tia Martha na sala de visitas. Deteve-se diante da vitrine de uma loja de incensos. ninguém insiste tanto por simples curiosidade. a tensão o abandonou. esteve em Boston recentemente. não foi? — Sim. — Por mim? Achei que ela temesse por Megan. Finn. De repente. Não dê ouvidos às bobagens desta cidade.. Não atire tudo para o alto.. Quando concluiu a tarefa. Finn estava incrivelmente elegante em um terno sob medida. — Vocês formam um par perfeito. como se buscasse uma resposta. não foi? — Eu. deixando Finn naquele momento. Morwenna viria. Fizemos escala em Boston. Embora estivesse frio. sim. Era Sara. Em vez disso. parecia não reconhecê-lo. Tão logo alcançou a rua. — Finn.. desde que chegamos aqui. percebeu que alguém se encontrava atrás dele e sentiu um arrepio percorrer sua espinha.. Quando foi visitar Megan no Maine o mês passado. Eram as fotos de seu casamento com Finn.

estacando diante dele.Shannon Drake . um objeto raro com cabo de cristal. distribu ídas em vários frascos. E você não deveria ter entrado dessa forma.. Não fingi minha reação quando li sua mão. Mas me escute. — Sara. — Por quem? — Por um demônio. Nada de especial. Estariam os primos de Megan realmente querendo ajudá-lo? — Que tipo de conhecimento? — Venha comigo. Não compreendia os próprios sonhos. Executou os movimentos apropriados e. encontrava-se próximo ao altar. Finn virou-se de costas para ela. e não satanista. Existe uma aura assustadora pairando sobre você. Poderia ter me interrompido no meio de um cântico. Finn? Sua mulher o deixou. eu nunca machucaria Megan.. — Estamos certos. dirigiuse à lareira secular. Sua varinha.. — Talvez haja forças ocultas usando você. — Tem certeza do que está fazendo? — ele questionou. Particularmente. Ervas. e você nem ao menos sabe por quê. — Não deve cometer erros. Sara. — Não me importa o que Deus ou Satã me digam para fazer. Estava tão absorta no ritual que não notou a presença de Joseph. — Você me assusta porque há algo em você. 43 .O Anjo Caído (Bianca 915) — Que gentil da parte dela. — Você está sendo usado. — Está bem. — Está bem. E não cometeremos nenhum erro. Mostre-me o caminho. em seguida.. — Não sou uma pessoa má. não conseguia explicar nada do que estava acontecendo. muito mais fortes do que as expostas na loja. Na verdade. — Você quer ajuda ou não? — Não. Não vendia incensos. Morwenna estava no porão da loja. uma espécie de estranho poder.. Alguns muito antigos. Joseph virou-se para partir. São apenas livros. — Sei que não.. — Meus problemas conjugais são só meus. O altar ficava nos fundos. Capítulo III A livraria de Eddie não passava de uma. amuletos ou qualquer outro objeto místico. Sara guiou Finn pela loja. Havia queimado a madeira durante toda a tarde para produzir cinzas. Transpuseram uma cortina de contas e entraram em uma sala pequena com uma mesa e um computador. livraria. — Ele hesitou. enfileiravam-se nas paredes. O espaço era estreito. Adicionou o último dos ingredientes. — Wiccan. porém se deteve de costas para ela.. Se estivermos certos. com exceção do próprio Eddie. O melhor de seus mantos de cerimônia lhe caía sobre os ombros. e mal cabiam duas pessoas entre as estantes. eu não quero ser rude ou hostil com você. Que tipo de ajuda está me oferecendo? — Conhecimento. Aproximou-se do altar e recitou as palavras com determinação. um lugar ao qual apenas os amigos íntimos que compartilhavam de sua crença tinham acesso. Morwenna e Joseph querem apenas que conheça Eddie. — Tenho certeza de que sei ler e seguir instruções. Pode explicar tudo o que acontece. não sei como essas coisas funcionam. — Pensei que era uma aplicada wiccan. A poção dentro da caldeira fervia e borbulhava.. mas Sara o contornou. proferindo as palavras certas. — Sei que está sendo sincero.

. Um ser que constituía uma ameaça a tudo que se enquadrava no conceito de bondade. Havia imaginado aquilo. atirando o livro para longe. o jogo de pôquer semanal seguia animado entre os DeVeau e os Canady. — Este livro — ele começou — foi escrito por um homem chamado Cabal Thorne. O texto era escrito à mão e a linguagem muito antiga. o sangue do ungido e os cabelos do ungido. — Um dia. Os cabelos retirados não devem ser cortados. Volto já. Rumou para o quarto e se jogou na cama. — É ele — afirmou. 44 . e onde houve o sono dos mortos. — Tenho algumas coisas a fazer antes da apresentação desta noite. Sara e Finn se acomodaram em cadeiras diante da mesa. Na página direita. — Mostre-lhe a passagem que Morwenna descobriu — pediu Sara. O sangue do ungido deve ser misturado ao do sacrificado.Shannon Drake . Eddie abriu o livro. O livro que retirara inadvertidamente da loja de Morwenna. Esse homem. o celular de Jade tocou. Em Nova Orleans. desejando socar algo. oferecendo-o a Finn. — O policial? São gêmeos? — Idênticos. apenas não acredito em demônios. percebendo que as folhas eram frágeis. Era o poder da sugestão. dirigiu-se a Huntington House. fixando o olhar na esposa. Viajou por muitos lugares e. Leu o tópico outra vez. Jade e Maggie.. No entanto. convenceu-se de que. limitando-se a acenar quando deparou com Sally e John na sala de estar. Inclinou-se para recuperá-lo e viu que o volume caíra aberto. Ao ler o tópico. deu-se conta de que Eddie era idêntico a Theo Martin. Lucian se reclinou na cadeira.. Ouvi dizer que deseja ver alguns de meus livros. Uma vez que Bac-Dal seja invocado. havia a foto de uma criatura horripilante. outras pessoas se uniam à diversão. Logo. Sentia necessidade de um drinque. Parece-me algum tipo de receita para preparo de um caldo. — Certo poder? — questionou Finn. Esticou a mão para o travesseiro. Deitou a cabeça no travesseiro. Ele abominava qualquer forma de religião tradicional. Sentou-se e pegou o livro. desconfiado. — Ele franziu a testa e logo depois sorriu. e um título: Os demônios conhecidos. no início do século dezessete. Eddie levantou-se para cumprimentá-lo. Portanto. onde há vida. — Desculpem-me.O Anjo Caído (Bianca 915) Finn observou-o com atenção. — Ele começava a ter novamente a estranha sensação em relação a Sara. era um seguidor do demônio que veio para Massachusetts em um tempo em que foi. o policial que conhecera no bar do hotel. mas arrancados da cabeça. De tudo que é necessário. em algum momento. Eddie voltou com um exemplar nas m ãos e também se sentou. Obrigado pela preocupação. você poderá estar errado — ela disse em tom suave. — Bac-Dal necessita de pessoas na Terra para trazê-lo à vida. Forçou-se a se levantar e foi até o livro. deixou-o cair. — Exatamente que tipo de poder não sei.. esses três são da maior importância: o sangue do sacrificado. — Não consigo entender bem. tocou um objeto. Sara apontou para as frases e as leu em voz alta: — "Deves tomar grande cuidado. — Eddie? — questionou Finn. e este pode ser também o Dia do Advento". — Está bem. que permanecia aberto na mesma página. mas naquela noite jogavam apenas os quatro amigos íntimos. impaciente. Cabal Thorne. poderia trazer um demônio à vida. — Finn! — exclamou Sara. Bac-Dal. tinha início o capítulo. seria melhor distanciar-se. Ele achava que traduzira apropriadamente um texto arcaico. E todos que honrarem o deus da escuridão devem se lembrar que o Halloween em que houver lua cheia será aquele em que os elementos dos espíritos e os que perambulam pelo mundo inferior estarão mais fortes. Mas. um impulso de alcançá-la. ecoou pela babá eletrônica sobre a bancada da cozinha. o bebê de dois meses dos Canady. Lucian DeVeau e Sean Canady se exaltavam em algumas ocasiões para diversão das esposas. No momento em que Maggie se levantou. Na página esquerda. — Acho que conheceu meu irmão. Bac-Dal era o nome da criatura. sente-se. Pregava a decadência e a lascívia como forma de vida. onde a histeria se prolongou por muito mais tempo do que aqui. quando o fez. Fazia parte de uma sociedade secreta e fugiu da Europa. sucinto. cerrando os dentes. Por favor. Por fim. Thorne se refere ao fato de ter matado uma jovem. haverá vida. — Sim.. Tinha certeza de que conhecia aquele homem. Ele o aceitou. mas. Quando juntos. guarnecida de chifres. ofegante. muitas pessoas escreveram coisas. Aqueles que desejam sua volta começam fazendo um pacto. — Obrigado pelo seu tempo. certo poder será conferido àquele que orquestrou seu retorno. De vez em quando. Está acompanhando o raciocínio? — Sim. — Tenho de ir. Jade acabara de arrematar as fichas no centro da mesa quando o choro de Gwyneth. Quando Sara os apresentou. — Finn se levantou. Porém. — Morwenna queria que você visse esta passagem. haverá morte. com um número ideal de seguidores e executando os rituais adequados. recuou. que se repetia toda quinta-feira. sob as circunstâncias certas. mas não consigo entender o significado de tudo isso. o quê? Abandonado porque as pessoas ainda estavam sob o efeito do horror que haviam criado. Isso não as torna verídicas.. E só Deus sabia o que pretendia fazer com aquela mulher. Uma vez de volta à rua.

. Sabe. — Alô? — atendeu. — Claro. — Escutou por alguns minutos e disse: — Senão se importa. A prima dela é wiccan.. O homem tinha um tom de voz grave. não importa o quanto a situação esteja difícil entre vocês. e agora temos seu número nele. investigar o incomum.. Mas talvez você possa explicar um pouco melhor o que está acontecendo. de uma forma ou de outra. mas creio que coisas ruins possam acontecer. Não pode imaginar os sonhos terríveis e. Se não nos encontrar no início da tarde. você está em Salem. mas não desta vez. mas Megan temeu que um dia me ressentisse de ter jogado uma excelente oportunidade de trabalho pela janela por causa dos pesadelos dela. mesmo que tentasse partir.. e o Halloween está chegando — redarguiu Lucian. Jade é escritora. Jade estará com esse celular. Agora ela está convencida de que sou um monstro. fique de olho nela.Shannon Drake . Não acredito no oculto. — A propósito. Lucian repetiu o recado de Maggie. e afirmou: — Ela o deixou. Não consigo entender o que está ocorrendo. — Na verdade — disse o homem do outro lado da linha —.. — Voltou-se para Lucian.. próximo ao parque. ou em meio à neblina. Não sei.. Não que eu acredite em feitiços ou coisa parecida. como é a época do Halloween... — Creio que há um conflito nele. — Diga-lhe que não teria feito diferença. — Tão cedo? — Será a véspera do Halloween. — Eu queria ter abandonado tudo. nós o acharemos. — As horas de escuridão são as piores. Quero dizer. com o bebê no colo. — Sim. segurando o bebê no colo.. Acho que eu necessito mesmo é de informação.. — Mas é mesmo uma coincidência você ter ligado. o que é pior. Maggie sentou-se. senti vibrações estranhas.. como o livro da sua esposa veio parar nas minhas mãos após o nosso recente encontro. Jade ficara impressionada com seu talento e profissionalismo. Chegaremos aí pela manhã. não sei por que estou ligando. Deus! Não estou fazendo sentindo algum. Ele terminaria lá de novo. — Como eu disse. Talvez seja apenas imaginação. eu estava disposto a ir embora daqui.. — Está bem. 45 . — Entregou o telefone a Lucian. que costumava dormir como um anjo. Lucian anuiu. Não a deixe sozinha no escuro. Enquanto Jade achara o evidente amor que o homem nutria pela esposa charmoso e romântico. e eu nem tenho mais a mesma intuição de antes. — Dirigiu o olhar a Jade. de onde retirou o telefone. Minha esposa e eu. ver o artigo publicado no jornal e encontrar o livro. Lucian sentira que algo fervilhava. Há quem diga que os sonhos são influenciados pelo poder da sugestão e... Aidan está dormindo como um anjo.. Tome cuidado à noite. mas. ter conhecido vocês. — Claro.. e há algumas coisas. trazidas por pessoas cujos motivos são duvidosos. referindo-se a seu filho adotivo de quase dois anos... em criaturas da noite. é tudo tão muito esquisito. Bem. Ela pretende escrever um artigo sobre o pós-evento.. — Realmente não sei.. O olhar de Maggie se fixou em Lucian.. — Finn.. — Eu gostaria de saber exatamente o que é. nem sequer tenho certeza de que eu conseguiria sair deste lugar.. — Se algo estranho está acontecendo...O Anjo Caído (Bianca 915) — Talvez — respondeu Lucian —. e teríamos prazer em encontrá-lo e descobrir o possível a respeito do que o está incomodando. com leve sotaque sulista. Era alguém fácil de ser lembrado. Quando desligaram. E agora. Todos aqui juram que os wiccans não praticam o mal. — Pode dar uma olhada em Aidan quando subir? — indagou Jade. Minha esposa e eu estamos indo para Salem este fim de semana. Jade abriu o telefone. Claro que me recordo de você. em uma combustão lenta sob a superfície.. Já Lucian perturbara-se com algo sob as feições marcadas e o olhar direto. — É mesmo? Bem. que ativou a função viva-voz para que todos os presentes ouvissem a ligação. — Volto já — murmurou Maggie. Houve uma longa pausa do outro lado da linha. — Por acaso mencionei que. o que cobram por dar assistência. é Jade DeVeau. é que o livro menciona que vocês gostam de estudar o incomum. algumas vezes não sei se são realmente sonhos. — Quando ouvi a voz desse homem no telefone. e começamos a ouvir muitas histórias sobre a histeria da Nova Inglaterra colonial. Sou um músico. incomuns acontecendo por aqui. a situação está difícil entre nós? — Sua esposa está com você agora? — Não.. — Vigie-a — aconselhou Lucian. — Podemos nos encontrar amanhã à tarde. Tenho ouvido as mais absurdas histórias e. estávamos pensando em ir até aí. as circunstâncias conspirariam para que voltasse. e toda informação é válida. mas. E nunca cobramos por. acho melhor que fale com meu marido. E temo que não tenhamos muito dinheiro. Jade vasculhou a bolsa. Ficaremos hospedados no hotel antigo. Maggie retornou à sala. — Nós nos veremos. Mas não se preocupe.

. — Claro. Comecemos com o seguinte: quem é Finn Douglas? O nome me parece familiar. — Eu é que deveria ir. — Desculpe! — disse Maggie imediatamente. Finn começou a questionar a própria sanidade. A família e os amigos foram interrogados. na esperança de que a água abrandasse a tensão de seus músculos e clareasse sua mente. Ele é talentoso. — Maggie. Se estiver certo.. no minuto em que entrou em contato com esse homem. — A polícia ainda não tem nada. mas reataram o relacionamento há dois meses. Está sendo obrigado a passar por cima de seu orgulho e. — Você tem filhos. Afinal. se for necessário. Mas em que sentido não sei. eu não hesitaria — garantiu Lucian.O Anjo Caído (Bianca 915) — Sim. como eu. — Lucian ergueu-se e começou a caminhar em torno da mesa.. — Devemos nos apressar — disse Jade. Separaram-se não faz muito tempo. — A ficha dele é limpa — Sean interveio. Também estou surpreso de que ele tenha levado tanto tempo para telefonar. — Como sabe disso? — Maggie perguntou. depois que saiu do bar. Sean. Se chegarmos à conclusão de que não podemos viver sem uma viagem à Nova Inglaterra. vamos pegar aquele avião. mas nada sério. — O que mais me aborrece é que não consigo atinar o que seja.Shannon Drake . um de vocês? — indagou Maggie. Sei que algo terrível está para acontecer. Fizera uma escritora e seu marido acharem que era louco. nunca é demais ter um policial por perto. Decidiu tomar um segundo banho. e um deles é um bebê de dois meses. — Dirigiu o olhar a Jade. e até comprou passagens aéreas para a Nova Inglaterra. ainda não sei o que está acontecendo. — Maggie. Maggie fitou Jade. — Claro que sim. 46 . — Lucian — começou Maggie —. Por enquanto. Estudou com bolsa de estudos na faculdade. — Eu os entrevistei não faz muito tempo. — Estou perdida — interveio Maggie. que havia algo estranho nele. — Não. — Ele é um de nós.. — A propósito. — Eu deveria ir — Maggie insistiu. — E. deixaria que fizesse.. é claro. sorrindo. mas um dia. ele fitou a esposa. — É um músico local. Ainda assim. Porém. Acho que certas forças foram desencadeadas. Ele e a esposa se apresentam em bares da região. eu fui diferente — ela murmurou. — Podem precisar de mim. a moça simplesmente desapareceu. Teria sido o acaso que fizera o livro cair na página de Bac-Dal? Ótimo. Lucian lhe lançou um olhar de reprovação. *** Pouco tempo depois de ter desligado o telefone. o que não é seu feitio. Cruzando os braços sobre o peito.. Ele e Megan se casaram quando ainda eram estudantes. Porém. — Tudo o que sei é que Lucian tem estado agitado desde que conheceu Finn e que iríamos para Salem conversar com ele.. Maggie! Porém. Até onde sei. mas todos são unânimes ao afirmar que. não esclareceu nada. — Você sabe que algo está acontecendo. Ragnor e Jordan estão chegando a Nova York hoje. e Lucian foi comigo — Jade completou. — Veremos. Lucian procurou o apoio de Sean com o olhar. está preocupado com sua própria sanidade. — Quanto tempo temos? — Precisamos estar no aeroporto em duas horas. dirigiu-se a Lucian. — Tem certeza? Irritado. — Teve alguns problemas no colégio. se houvesse algo de concreto que pudesse lhe dizer. tenho um pressentimento de que precisaremos de mais alguns. encontraremos vocês lá. São ótimos — Lucian explicou. mas não tem idéia do quê. Sean meneou a cabeça com um suspiro e.. Finn Douglas estava em Nova Orleans quando o crime foi cometido. — Você tem alguma informação a respeito do assassinato de Boston? — indagou Lucian. E quer que eu fique tomando conta de Aidan. — Lucian sorriu. e estou convencido de que Finn Douglas é a chave. — Há dez de nós. pedindo que ficassem a postos.. — Você sabia que algo estava acontecendo. Seu corpo foi descoberto boiando no rio. um tremendo conflito. você sabia que esse homem ia ligar. e eu enviei um e-mail para Tara e Brent. — E quer me deixar fora disso. estamos lidando com um poder extraordinário. quero dizer. sou o policial.. juro que agi baseado em uma intuição. soube. se houvesse algo que você pudesse fazer. — Incluindo você. Afinal. — Lucian pediu que eu levantasse a ficha dele. O fato de ser policial proporcionava a Sean acesso a uma gama de informações.

De repente. Finn não parecia ter a menor idéia de que seus olhos tinham brilhado como os de um lobo à noite e que era capaz de imobilizá-la na cama e de cravar os dedos com força em sua carne. — Hum. Os DeVeau o tinham aconselhado a vigiá-la e tomar cuidado com a neblina. Mas o que esperar? Um ataque de fúria? Desânimo? Que ele demonstrasse determinação em tê-la de volta? Pouco provável. A ponto de ter feito as malas e partido. Não consegui entendê-los. Mais uma vez. — Talvez estivessem preparando vinho quente — sugeriu Finn. Vamos combinar o seguinte: esta noite eu tirarei essa história a limpo enquanto vocês ficam em seus quartos. Partira sem dar nenhuma explicação e tinha a impressão de que Finn não saberia o motivo. Nem ao menos se preocupou em me dizer para onde iria ou em me telefonar. Não podem sair do quarto. Portanto. Mas afinal. era importante se apresentar para trabalhar. — Ao ver que ela o fitava em silêncio. Apesar de seu estado de ânimo. afirmaria. uma sensação de calma o envolveu. Descemos a escada.Joshua opinou.. aproximou-se com um papel na mão. Era o que faria.. e com pensamentos saudáveis. Que talvez estivessem preparando comida e que não tínhamos nada que nos meter com a vida alheia. foi você quem não quis sair de Salem. determinado a cumprir a promessa. A vaga que encontrou ficava distante...O Anjo Caído (Bianca 915) Assim que entrou no chuveiro. Julgando-o louco ou não. onde os funcionários a cumprimentaram com simpatia. Segundos depois. pois a bruma parecia surgir do nada. decidiu. — Recitando cânticos — Joshua corrigiu com sabedoria. entrou na sala de estar e se deparou com Ellie e Joshua. e você não tentava me matar em nenhum deles. — Esta cidade é assustadora — Ellie comentou. Verifique essa lista. — Deixe-me ver. me diga. Deixou as crianças. — Finn? — Quando ele se virou. Portanto. Quando ele percebeu sua presença. ela quis saber: — Isso é tudo? Analise esta lista? Um músculo se contraiu na mandíbula do marido. não poderia arruinar o resto da vida que tinham pela frente. e o estacionamento estava lotado. Se discordar de algo. E eles ficaram furiosos por termos saído do quarto durante a noite — Ellie respondeu. intrigado. por causa da proximidade do Halloween — disse Finn. Estão todas nesta lista. e você sabe disso. — Vamos focar no Halloween. Após vigiar Megan... Pretendia dar um bom passeio por Huntington House aquela noite. Analise e. Decidiu que se mostraria calmo aquela noite. tinha a impressão de que o casal de Nova Orleans seria capaz de esclarecer um pouco daquele absurdo que estava vivendo. — Acho que o sr. Contou a seus pais? — Sim. Megan estava agitada ao dirigir-se para o hotel. — Estavam falando de modo engraçado! — disse Ellie. se discordar de algo. prosseguiu: — O que foi? Achou que eu largaria tudo para correr atrás de você outra vez? Eu lhe telefonei. Sentiu o vento excepcionalmente frio ao fechar o carro de tia Martha e percorrer o caminho até a entrada do hotel. — Mas lembrem-se. é só dizer. — Entendo.. — Disseram o mesmo que você. De alguma forma. Podia sentir o calor que dele emanava. que o mantivesse acordado. mas escutei um barulho e chamei Joshua. desdenhoso. Estivera completamente acordada. ele não acreditaria. — Não são monstros. Eles estavam atirando coisas em um grande caldeirão sobre o fogo.. — Vai mesmo acordar e verificar o que eles estão fazendo? — Dou-lhes minha palavra. O Halloween seria comemorado dentro de duas noites. ergueu o olhar e a cumprimentou comum gesto de cabeça.. — E o que diziam? — Não sei. Ao entrar no salão. — Acordei no meio da noite e pensei em ir para o quarto de mamãe e papai.Shannon Drake . Fallon e Susanna talvez sejam monstros —. Vestiu-se. então. A fragrância inebriante. viu que Finn estava testando o som. e logo Joshua estava descrevendo a visita que haviam feito ao novo museu. pensei que poderíamos chegar ao fundo disso juntos. o que era difícil. Eu fiz uma seleção de músicas relativas ao tema.. entretidos em um jogo de tabuleiro. Qualquer que fosse o tipo de sugestão que penetrara na mente deles. Pronto para a apresentação da noite. — As pessoas estão apenas fantasiadas. Finn tinha seu orgulho. e Megan não estava mais em sua companhia. cumprimentou as crianças efusivamente. determinado a tomar um café na sala de estar de Huntington House. E se fosse ela quem tivesse perdido o juízo? Não. passando a milímetros de uma Megan perplexa com sua atitude estritamente profissional. — Finn sorriu para Joshua e despenteou os cabelos de Ellie. mas que diabos! Eu mesmo tive alguns sonhos estranhos. experimentou uma pontada no coração. Os irmãos se mostraram entusiasmados com sua presença. que ela estava dando ouvidos às histórias macabras de Salem. 47 . Quando lhe dissesse que se afastara por estar certa de que ele pretendia estrangulá-la. Algo forte. — Por quê? — Finn perguntou. Você me abandonou porque me transformei em um maníaco no meio da noite e teve medo de que eu a machucasse. Nem ao menos lhe pediria uma explicação. Cumprimentaria Megan e a trataria com profissionalismo. Vou tomar um café. — Dirigiu-se ao bar. imaginei que estaria aqui esta noite. Finn caminhou para fora do palco.

têm algo a ver com os meus pesa delos. Sara. Quem sabe.. diria que as aprovara e tentaria fazê-lo entender o que estava acontecendo com ela. em uma capa com capuz e máscara.. Uma jovem foi aparentemente violentada. Tia Martha é mais neutra. nós dois. mas temo que fique cansada. Pareceu-me a pessoa certa a procurar. Hesitou por instantes e. Megan! Ao que tudo indica. em seguida. Megan dirigiu o olhar a Jamie Gray à procura de apoio. — Devia ter me ligado — a prima admoestou-a. mas Morwenna contratou alguns funcionários temporários. com a proximidade do Halloween. — Não. — Acho que teria sido decente de sua parte tê-lo informado de que estava tudo bem e ter ficado comigo. analisando a lista. dirigindo o olhar ao marido. isso acontece com certa freqüência. wiccans. Megan retribuiu o sorriso e anuiu. — Seria o primeiro lugar em que Finn me procuraria. — Sim. Ela e Joseph virão mais tarde.. O sorriso da mulher a deixava desconfortável. ela foi assassinada há um mês em Boston. — Pensei que ainda estivesse na loja. vindo todas as noites. Era óbvio que Morwenna e Joseph sabiam o que estava acontecendo. mexendo o café. morta e jogada no rio. — E o que isso tem a ver conosco? — Megan. tira energia dessa atmosfera. — Está na hora de começarmos — anunciou Finn de modo abrupto. Para nós. E. — começou Morwenna. Partira porque ficara muito assustada. — O que nos provocaria pesadelos. — Obrigado por ter vindo. Ficara magoada ao ouvi-lo insinuar que não valia mais a pena correr atrás dela. talvez seja Finn. Não teria nenhum problema com as canções que Finn selecionara. Deve estar agitado por lá. — O que pode ser? — indagou Megan. Enquanto conversava com alguns clientes no bar. Joseph se inclinou para a frente. Finn tomou uma cerveja com um homem trajado como um monge.Shannon Drake . não tem nada a ver com os wiccans.. encontraremos um bom psiquiatra. Finn pediu licença e desapareceu. — Ouvi no noticiário. acomodou-se ao lado dela e cumprimentou-a. estejamos fora dessa cidade. — Ela tem sido muito atenciosa. não pode ser tão cética quando. Megan perturbou-se ao notar que Sara também não se encontrava em lugar algum. 48 . Não na véspera do Halloween. Dirigiu o olhar ao bar e se surpreendeu ao ver Sara sentada perto dele. como se dividissem alguma informação secreta. eu sei.. Uma pontada de ciúme a transpassou.. *** Durante o primeiro intervalo. Momentos depois. — Não o quê? — Não afirme coisas que não sabe. Tinha esperado que Finn desbravasse toda a cidade à sua procura. — Joseph a impediu de continuar. Maggie alternou o olhar entre os dois.O Anjo Caído (Bianca 915) Megan atravessou o palco. Infelizmente. — Ouça. — Aquele assassinato de Boston é realmente preocupante — comentou Morwenna.. de que há algo estranho aqui. sem querer ofendê-la. Quero apenas manter distância pelo bem de ambos até que. mas Finn acha que a crenças de vocês. informando que solicitara o jantar para ela. e agora falava com ela como se fossem amigos. dando início ao show. Finn se encaminhou ao palco. do fundo do meu coração. Pensou que Finn se uniria a eles para comer.. — O que quer que esteja acontecendo. O Halloween está próximo. Sem esperá-la. A prima acenou. foi até lá. No segundo intervalo. Pediu licença ao homem vestido de monstro que conversava com ela e se juntou ao marido. Talvez pelo fato de perceber que Sara e Finn pareciam ter superado suas diferenças. pegou o microfone e os apresentou à platéia. Ele estava ocupado. Megan pensou ter visto uma estranha troca de olhares entre os dois. — Sim. Morwenna e Joseph chegaram durante a segunda parte do show. Mas acredito. — Que bom — disse Megan. Franzindo o cenho. Iria até o bar. os dois precisam de ajuda! Tomada de surpresa pelo tom estranho. avistou Finn subir ao palco. Por que esse assassinato em particular é tão preocupante? — Ora. — Morwenna. Finn parecia não gostar de Sara antes. Ao contrário. alem das coisas que vemos durante o dia? Talvez seja eu. se os pesadelos persistirem. mas ele se limitou a dar de ombros. é um grande dia. Megan encarou a prima. mas se enganou. — Morwenna nunca se cansa. Não estava imaginando nada daquilo.

Ou o conhecera um dia. claro. O hotel parecia inacreditavelmente distante. — Não! A neblina sussurrava seu nome. Pode ter sido um crime horrendo cometido em nome do ciúme ou raiva. *** Ao término do espetáculo. alcançar o vulto o mais rápido possível e atirar-se em seu. ou se estaria imaginando o som. apenas não sabia dizer de onde vinha a voz.. Havia olhos em meio à neblina. não conseguia mais vê-la e. Olhou para trás. mas não conseguiu encontrá-la.. a polícia não tem certeza de nada. aproximando-se. Seria aquilo que estavam tentando lhe dizer? Deus! Aquele era o mais ridículo pensamento que já cruzara sua mente! O que teria acontecido? Na pressa de encontrá-la.. a bruma azulada começou a se erguer. Olhos que vira antes. Aquilo se devia à neblina. Galhos se esticando em direção a seus cabelos. Sentiu-se tentada a prosseguir.. Quando Megan chegou ao estacionamento. Conhecia Finn.. Mas ela o sentia! Sentia mãos esticadas em sua direção. deteve-se. pois a névoa era absurdamente densa. Apressou os passos. conteve um grito. — Megan? De repente. ao correr. Porém.. ele parara em Boston e matara uma jovem? Era absurdo demais. Continuou correndo. Era como se a bruma espessa e azul tivesse ganhado vida. aproximando-se. Boston.. sentiu um arrepio na espinha. Um mês atrás.. Virando-se. Corria.. conseguiu avistá-la. parecia que a forma indefinida se encontrava à sua frente.. Enquanto se levantava.Shannon Drake ... Minúsculos pontos de fogo. — Megan! 49 . — Megan! Megan! Dessa vez. A distância. O ar estava mortalmente calmo. constatou que o carro também não se encontrava próximo. ela passou por aqui segundos atrás. não eram reais.. O vulto estava bem atrás dela. E o toque. Não importava a urgência em alcançá-lo. vermelhos. O vulto era mais rápido que ela. tentando puxá-la para trás. família e amigos. Certo. não conseguiu ouvir nenhum som. Não sabia para que lado estava virada. Não a deixe sozinha à noite... pois estava coberta por uma capa. Pretendia mantê-la ao alcance da vista. Nenhum farfalhar de folhagem ou risadas de pessoas deixando o hotel. pensando estar sendo seguida. Soltou um grito estridente porque. Alguém estava perto do veículo. notou que a névoa azul começava a espiralar em torno de seus pés.O Anjo Caído (Bianca 915) — O que foi? Acham que esse homem está em Salem agora? Pensam que ele é um assassino em série? Pelo que sei.. Não conseguia reconhecer a pessoa. Em seguida. porém cambaleou. — Sim. Olhou para trás. envolvê-la. parou. Que a assombravam em seus sonhos. — Megan! Não sabia se realmente ouvira seu nome.. Tenho certeza de que estão investigando ex-namorados. obscurecido pela neblina. procurando Megan. Virou-se de novo para trás. tinha certeza de que estava sendo chamada. Mas não havia neblina.. Era impossível. poder? Começou a se mover. preparada para correr na direção oposta àqueles estranhos pontos de luz e fogo. surpresa. Dourados. ao baixar o olhar. Inflamados. No entanto. Finn estivera em Boston havia um mês. Alguém teria de acompanhá-la até o carro. ouviu passos seguindo-a. — Ela se despediu de todos e foi embora — informou um dos atendentes. Bem como seu orgulho. — Viu Megan? — perguntou a Adam Spade. Ao olhar outra vez para o carro. sentindo-se tentada a correr de volta para o hotel. Voltando-se outra vez. algo a detinha. Não queria dar a impressão de que estava correndo para alcançá-la. n ão podia ser real. de repente. mas se apressou pela porta e só parou quando chegou ao estacionamento. Megan relanceou o olhar ao palco e viu que Finn retornara.. A postura era imponente e provocativa. Mande a razão e o bom-senso para o inferno. mas não estavam lá. Os três a fitavam como se ela fosse uma criança ingênua. mas engoliu o ridículo pânico. As panturrilhas latejavam de dor. Finn terminou de cobrir os equipamentos e olhou ao redor.. Mãos.. dedos. certa de que sua vida dependia de sua velocidade. Megan decidiu retornar para o hotel. que estava no bar.. abrindo caminho em meio ao espesso nevoeiro azulado. Ou na neblina. Não! Virou-se. Os pulmões pareciam querer explodir. Estava na hora de recomeçar a apresentação. — Obrigado. algo real se encontrava sobre ela.

. — Quando percebi que você tinha ido embora. — Mas. Quem.. em meio à neblina azul. que haja algo nos seus sonhos. Podia ver o hotel.. Girou para correr na direção oposta. eu abandonei. Embrenhei-me nela. uma nuvem carregada de um preto espiralado baixava cada vez mais.. afastou-a... — Estou bem. assombrando-lhe a mente. Foi então que ouvi seu grito e tentei encontrá-la. Ofegante. — Finn meneou a cabeça. — Megan! — Era Finn...O Anjo Caído (Bianca 915) — Não! A escuridão real... com exceção de alguns funcionários que faziam a limpeza. Um pouco machucado e envergonhado... preparando-se para gritar. franzindo o cenho. o que seja. — Ela recostou-se de novo ao peito musculoso. corri para me certificar de que ficaria bem. Às vezes brigamos tão acaloradamente. o vulto quase a tocou com seus dedos gélidos.. Aquilo! Quem. A princípio. — Finn. — Você sei machucou? — indagou Megan.. Segundos depois. a alcançava. Megan recuou. e ele. — Finn. Os cabelos negros estavam revoltos. Não. vir em seu socorro? Fazê-la pensar que precisava dele? Teria sido por isso que se mostrara tão cavalheiro durante toda a noite? Não.. — Abraçou-a... — Você sabe que eu morreria por você. com exceção das solitárias árvores e poucos carros. mas lá estava a desconfiança... fazendo-a atirar-se nos braços do marido. mas nunca pérfido.Shannon Drake . Nem por um segundo acreditaria nisso. O estacio namento. Megan o seguia de perto. Imaginava se algum dia voltaríamos a ser tão próximos. a quem vamos denunciar? — O sujeito que a atacou! — Mas nem ao menos sabemos a aparência que tem.... impaciente. 50 .. — Ele se foi. Aquela criatura etérea e assustadora quase a tocara. chamando seu nome com aquela voz esquisita em meio à neblina para depois.. Não queria perdê-lo outra vez.. ele se ergueu com dificuldade. Depois disso.. A neblina.. não consegui visualizá-lo claramente. Megan virou-se outra vez e gritou. — Sempre está por perto quando preciso. Esta pode ser a Nova Inglaterra. O que era? — Esticou a cabeça para olhar por sobre o ombro do marido. — Mas o quê? — ele indagou. mas não espessas o suficiente para bloquear a visão. procurando por você. a neblina começou a se rarefazer. Porém. O que. estou bem.. Vindo em sua direção. mas aquela neblina é muito estranha.. Mas estava tudo tomado pela neblina... Os olhos do homem que amava e que conhecia havia anos. ou ela.. — Não é essa a questão. ansioso por vê-la.. imaginada. Vamos voltar ao hotel e denunciá-lo. E agora. Lá estava você.. quase se derramando sobre ela. certo? Vi apenas os olhos no escuro.. — Não sei. com algumas folhas entre os fios.. mas deviam ser de um homem. — Forte. O salão estava quase vazio.. agora bem próximo. A forma escura moveu-se adiante. Não conseguia enxergar nada. Finn apoiou as mãos nos joelhos. acariciando-lhe com gentileza os cabelos. Quase que imediatamente... — Era alguém bastante forte e poderoso. tem de ser um homem. Finn! Teria sido ele a persegui-la. mas as coisas estão absurdamente estranhas. E foi nesse momento que. fiquei insegura. mas. tudo o que vira tinha sido. Um vulto se erguia do chão. já que ele fugiu. Eu não abandonei você. Gritou de novo. Finn. Porém. tomando fôlego.. frustrado. Eles precisam saber que alguém está assustando mulheres desacompanhadas no estacionamento do hotel. Ele nunca fora maquiavélico. quase histérica pelo alívio de vê-lo vivo.. ela ouviu uma colisão ou o som de alguém tombando ao chão.. ou nos meus.. — Até mesmo agora. e rápido — murmurou Megan. — Megan. mas foi por acreditar que você não saiba. Recusava-se a acreditar. E quando foi me procurar. Podia ser obstinado e teimoso.. — É incrível. na verdade. — Você está bem? — Finn! — Correu até ele.. — Quer que isso aconteça a mais alguém? — Claro que não. — Não! Estava atrás dela.. — Havia alguém aqui. O instinto falou mais alto. Foi como colidir com uma parede de tijolos. A capa que Morwenna lhe emprestara estava coberta de poeira e folhas mortas. Pequenas fumarolas de neblina branca ainda flutuavam em torno deles. Está bem. a substância. Mesmo quando reatamos... — Sim. Diante dela... — Eu sei. O fel da suspeita subiu à sua garganta. Segundos depois. — Ele a fitou com os familiares olhos verdes. até mesmo esta noite.. Não sabia precisar de onde ela viera. eu tive tanto medo... quando Finn assomara à sua frente.. estava vazio. Finn se encaminhou ao hotel. Nada disso faz sentido.

Fallon cozinhar feitiços em um caldeirão. Ele a fitou. isso torna tudo mais difícil. Aquele era o homem que conhecia. — Está bem. Eles viram o sr. Pelo menos. E está errado. pretendo fazer uma ronda por lá de madrugada. Entraram. A neblina desaparecera. Finn meneou a cabeça. Sei que você suspeita que Morwenna e Joseph estejam tentando criar problemas entre nós. Senti muito medo de você. — Não. juntamente com Theo. — Enfim. Até quando Finn teria paciência com ela? Mas naquela manhã. o carro de Martha. suponho? — Sim. Se os pesadelos continuarem. — Talvez eu devesse voltar com você. — Eu também não gosto dele. prometeu. mas estão vindo para cá para cobrir o Halloween. — Pensei em procurar tia Martha porque ela é sensata.. A lua fulgurava como uma imensa esfera prateada. Vou segui-la até a casa de tia Martha para me certificar de que chegue em segurança. sorriu. estacaram. encontrei Joshua e Ellie. Theo se mostrou bastante atencioso. ambos saíram do hotel. você nem sequer me disse o que eu fiz. Minha prima gosta muito de você. — Sim. pensou. enciumada.. — De certa forma. Não posso imaginar o que mais o faria se comportar de modo tão bizarro durante o sono. preciso. quase me estrangulou. em seguida. Você acordou no meio da noite como um ex-condenado faminto por sexo e. E não se preocupe.. Megan logo percebeu que se tratava do homem com fantasia de monge. Verdes. com quem o marido dividira algumas cervejas.. — Talvez tenha sido seu o sonho. iremos embora daqui. reportarem o ocorrido ao gerente e pressioná-lo a tomar precauções. não como antes. Vamos tomar um café. tome cuidado. E se ele pretender preparar algo maléfico para o Halloween? Poderia ser perigoso. Então. De vez em quando. e ela dirigiu até o local onde ele havia estacionado. envergonhou-se pelos pensamentos que tivera havia pouco. — Não precisa. Se encontrá-lo fazendo algo estranho. Finn pediu que fossem tomadas providências para vigiar o estacionamento. — Vou conversar com algumas pessoas amanhã — ele disse.. confusa por um momento e. Eles são de Nova Orleans. e ficaram alarmados. procurar Martha me pareceu a melhor atitude.. — Está falando a sério? — Sim. Mas não se preocupe. Faltam apenas dois dias para o Halloween. Após colocá-lo a par dos vagos detalhes.Shannon Drake . — Finn. Quando transpuseram a porta. Para começar. parece uma criança grande. — Vamos. Depois de agradecerem e se despedirem.. Eu entendo. Há as duas crianças na casa. — Megan hesitou. — Está bem. Não seja tão compreensivo. Os olhos de Finn estavam fixos nela. entre no carro. tenso.. — Oh. — Quer que eu vá com você? 51 . Não quando estou me sentindo meio idiota. Apenas não entendo o que está acontecendo. De repente. Talvez tenha de mantê-lo longe de problemas. — Acha que deve mesmo fazer isso? — Claro. algo que eu possa saber? — ela indagou. obrigada. — Vou acompanhá-la até. — Certo. De qualquer modo. o policial. no final. Quero que saiba que não o deixei. ou supostamente fiz. com a mandíbula contraída e os olhos quase tão sombrios quanto a névoa azul que à noite envolvia Salem. iluminando o estacionamento. emoldurados pelos cílios negros..O Anjo Caído (Bianca 915) Finn avistou Theo Martin. que amava e que temia perder. Tenho uma promessa a cumprir esta noite. — Finn. Depois. estivera certa de que iria morrer. Adam. Finn seguiu-a até o carro de tia Martha. — Com quem? — Com o casal que nos entrevistou para aquele artigo. não queria alimentar suas restrições em relação aos wiccans. ou algo assim. observando-a. Eu a seguirei até a casa de tia Martha. — Não há marcas em seu pescoço — ele afirmou em tom frio. o segurança. — Não há nenhuma suposição. — Sem mencionar a perfeita harmonia entre você e Sara!. apenas perguntarei o que está acontecendo. Talvez ele tenha uma explicação racional. Não ficarei. Megan o fitou.. sentado em um dos bancos do bar. Após o estranho assassinato de Boston. mas você também está tendo sonhos estranhos. — Megan. Fallon não gosta de você. procuraremos um psiquiatra. talvez tenha sido eu a acordar berrando no meio da noite. concordou que Sam Tartan teria de reforçar a vigilância do lado de fora do hotel. Aquele compromisso teria algo a ver com Sara? Ou com Gayle? — Antes de vir para cá.

Dia primeiro de novembro estaremos longe daqui. pegou uma chaleira. por mais que isso doa. As feições bronzeadas valorizavam o sorriso branco. deleitando-se com a sensação de segurança que sempre experimentara ao lado do marido e que ultimamente parecia tê-la abandonado. Finn franziu o cenho. Megan o observou pousar a xícara sobre a cômoda e ir até a lareira. — Eles vão ficar por aqui — ele repetiu e desceu do carro. entrarei por alguns minutos.. Não. Os olhos vermelhos. Finn envolveu-a pelos ombros. Megan foi até o armário. chegaram à casa de tia Martha. 52 .Shannon Drake . Eu gostaria de agradecê-los também. Finn fez menção de se levantar. e o hotel fica perto. Havia um número de telefone na quarta capa e resolvi telefonar para agradecer pela matéria. Megan. Você quer entrar. Megan sentiu-se rejeitada e frustrada. É um lugar muito tranqüilo. com uma floresta atrás e sem nem ao menos um cachorro para montar guarda ou dar algum tipo de alarme. Porém. e ele se aproximou. Finn não queria que ela fosse! — Curioso. mas temia dormir com Finn a seu lado. ela se surpreendeu ao ver duas canecas e um bilhete preso a uma delas: Caso Finn tenha lhe acompanhado. Ambos estacionaram. e ela ouviu o som da partida do carro dele. dirigiu-se à cama e se sentou na beirada. Megan.. Precavida.. estudando o marido. Em seguida. Megan uniu-se a ele. o que iluminava o jardim. Tia Martha tem vizinhos. — Você não devia ficar aqui — ele começou. — Não se preocupe. Restam apenas duas noites. — Não estamos tão afastadas.O Anjo Caído (Bianca 915) — Você os encontrará amanhã à noite. — Não estou tão certa de que conseguirei — ela sussurrou. eu acredito que você esteja com pavor de mim e. Sorvendo um gole da bebida. Megan não queria que ele fosse embora. O quarto fica ali. — Claro.. — Finn. assim como o restante da mobília. Quando a chaleira apitou.. o que você acha que está acontecendo? Será que um de nós está.. Com movimentos ágeis. — Megan indicou as canecas. — Por quê? — Lembra-se do livro que levei por engano da loja de Morwenna? Aliás. — Qual é o problema? — Há apenas mata atrás desta casa. Ou teria sido um sonho? Ele ergueu o olhar e afastou uma mecha de cabelo dos olhos. Serei paciente. Martha deixara a luz da varanda acesa. — Sim. Basta acrescentar água quente ou um pouco de leite. Acariciando-lhe os cabelos. — Vou acompanhá-la até a porta. Não gosto da idéia de você estar nesta casa. Megan lhe ofereceu um chá. Tocada pela atenção da tia.. — Deus abençoe aquela doce senhora. — O que acha de tomarmos o chocolate quente diante da lareira? — Ótima idéia. Não. — Eles entraram em contato com você? — Hum. por mais que o desejasse e ansiasse por ele. ele se inclinou e disse: — Eu amo você. tenho de pagá-lo. Ao vê-lo sair. Aproximando-se da bancada. Nunca duvide disso. A cama de quatro colunas era confeccionada em carvalho entalhado. — ela falou. deixo estas canecas com chocolate. as mãos fortes e violentas sobre ela. — Onde fica seu quarto? — indagou Finn. que ele aceitou. Em casa. Ela se viu prendendo a respiração e teve de se forçar a lembrar o que acontecera na madrugada anterior.. — Atrás da cozinha. — Tem lareira? — Sim. E você pode se trancar em um dos quartos até que possamos falar com um especialista. ele fitava o fogo.. e ela recostou a cabeça ao peito largo.. venha. Alguns minutos depois. louco? — Não. para checar os armários e embaixo da cama? — indagou Megan em tom de brincadeira. No entanto. que encheu de água antes de levar ao fogo. Megan encheu as canecas com a água fervente e lhe entregou uma delas. — Veja isto. Eles permanecerão aqui por algum tempo. Finn. empilhou a madeira e criou uma chama baixa. lidarei com a situação. Eu telefonei para eles.. A luz da cozinha também fora deixada acesa. enquanto ele se encaminhava à cômoda para pegar a caneca de chocolate. O aposento era tão antiquado e charmoso quanto o restante da casa. Finn fechou a porta. — Alguma coisa está me incomodando..

por quem se apaixonara à primeira vista. ele sabia e.. fechou os dedos ensaboados em torno da ereção. espalmando-as sobre a curva das nádegas. revelando Finn. Finn esticou a mão. — Pode ir. ventre e sua feminilidade a incendiavam. Seu marido. — Finn se levantou e foi tomar uma ducha rápida. retornou. Com maestria. Feliz por estar ali. Não posso adormecer! Deus.. Esse sentimento podia mudar com facilidade. O farfalhar das árvores parecia chamar seu nome. Ele a envol veu nos braços até que as batidas de seu coração regularizassem e o terremoto cessasse. não. Ela se agarrou aos ombros largos. O beijo era lento e profundo. envolvendo-lhe o corpo com as pernas e perdendo a noção de tudo ao seu redor. não seria necessário utilizá-la. Megan percebeu tanto o sorriso estampado nos olhos quanto a tensão nas belas feições enquanto ele falava.. Ele raramente utilizava sua velha picape.. a fricção provocante que aumentava a temperatura de seu corpo. Agarrou-se ao corpo suado do marido. — Supus que quisesse companhia — disse ele. Megan foi até a porta e trancou-a.. nos últimos dias começara a sentir uma nova inquietação. ela ofegou alto. Ao entrar no banheiro. através de seu conhecimento. simultaneamente. foi levada a um clímax tão intenso que a fez temer que a casa.. enquanto sentia o toque erótico em sua intimidade. Mais uma noite. Pouco depois. Dominada pela excitação. Ainda assim.. Andy Markham acordou. Não havia tráfego aquela noite. Antes de partir.. antes de tomar seus lábios com avidez. O atrito da esponja guiada pelas mãos longas era eroticamente abrasivo... os olhos.. saiu do quarto. A sensação dos dedos firmes em torno de seu pescoço. Talvez tivesse pensado que ela queria mesmo apenas um banho.. Porém. Ou que estivesse sendo leviana. mas ainda assim. Sinto como se eu tivesse odores de fumaça e bebida impregnados em mim. foi até a cama. Ele não mordera a isca. Contudo. — Tenho de voltar a Huntington House. Sim. Megan se ergueu. Enquanto abria caminho por entre as covas profanas.. Os lábios que percorriam seus seios. abandonando-o e.. O vapor da água se ergueu entre os dois. Megan anuiu. — Shhh.. Surpreendeu-se com a corrente eletrizante de sensualidade suscitada pela água quente e pelo atrito da esponja em seu corpo. O roçar dos corpos ainda. para garantir a segurança da casa. Em seguida. — Sem dar-lhe chance de responder. Impaciente. Todo o medo. A atmosfera estava repleta de sons. Quase incapaz de se manter de pé. O som aumentou de intensidade. 53 . ao mesmo tempo em que era erguida nos braços fortes e carregada para a cama.. por favor.Shannon Drake . movendo-se por todo seu corpo de modo íntimo e sensual. fazendo joguinhos com ele. molhados criava um frenesi erótico inebriante. e ele não levou muito tempo para chegar ao seu destino.. acariciou os cabelos de Megan e beijou-a na fronte. Algo que tocava o ar. Andy. — Espere! — exclamou. e teve os lábios arrebatados mais uma vez. seria aquele a se erguer! Caiu de joelhos diante da estátua de mármore quebrada. Não havia outros carros estacionados. como estaria dentro de duas noites. Sentia-se abençoada. — Não pode ficar mais alguns minutos? Quero tomar um banho rápido. ela esticou os braços e puxou-o para perto. E então. O único homem capaz de fazê-la experimentar uma paixão tão forte. — Deixe-me fazer isso para você. Recolheu as roupas que deixara perto da lareira e se vestiu com movimentos r ápidos. Era como se ouvisse música. um amor tão profundo. viu-se coberta pelo corpo quente e musculoso. sempre presente. Baixa. Minutos depois. As folhas pareciam sussurrar.. suando frio. pressionando o corpo ao dele. com exceção da intensidade da paixão que sentia por Finn. os movimentos precisos e excitantes.. Despejou gel de banho em uma esponja macia e começou a se ensaboar. Os dedos ágeis. a fragrância sutil. Achando que desfaleceria sob a água da ducha. Aquele era o homem de sua vida. Como naquela manhã. permita que eu não adormeça. o terror que sentira parecia fruto de sua imaginação. Só então Megan percebeu que estivera fazendo movimentos circulares com a esponja sobre o ventre. espiralada. Despido e absurdamente belo. ela descartou as roupas e deslizou para baixo da água quente. Naquele instante. tomando-lhe a esponja.. Nada tinha a ver com a neblina azul das ruas.. seguindo-o a cada passo. o solo e a estrutura da Nova Inglaterra houvessem estremecido. a porta de vidro do boxe foi aberta.. Como a neblina azul. A lua estava quase cheia. mas ele sentiu um arrepio na espinha enquanto pegava seu machado no veículo.. rindo. seria o Halloween. Andy. e deslizou os dedos pelas costas de Finn. Não queremos acordar tia Martha — disse Finn. com os cabelos grudados na fronte e os membros trêmulos. A visão a excitou. Estacionou a caminhonete e saltou com uma lanterna em punho.O Anjo Caído (Bianca 915) — Tenho de voltar a Huntington House. enquanto puxava a coberta para o lado antes que ele a pousasse sobre os lençóis.. Eu espero. Andy. — Amo você. por ser esposa de Finn. percebeu a resolução que sentia se transformar em poder.

— Não o verei após o Halloween. Seu grito se ergueu na noite. apurando os ouvidos. comece a rezar. Levantou ainda mais o machado. partiremos na manhã seguinte. imaginando o que havia de errado. determinado a cair no sono. Não percebe o que está acontecendo? Não reparou na neblina? Em vez de fazer troça.. Durante o tempo que estivera com Megan. escancarou a porta e irrompeu pela cozinha. como se rezasse. quatro horas da manhã quando Finn retornou a Huntington House. Megan deveria ter dormido em paz.. Finn retornou. esquecera-se da promessa que fizera às crianças. Finn ouviu as palavras. desejo-lhe bastante poder. deixe-me em paz. Logo. Agora. Não se sentia tão bem desde. não faria uma queixa. Talvez por acreditar nelas. estaria de joelhos. o medo em seu olhar se transformou em raiva. Exausto. estava fazendo um feitiço de proteção. acompanhado dos cânticos produzidos pela brisa e pelas folhas. ciente do movimento atrás dele. mas como aparentemente nada fora roubado. e os toros crepitavam. Mas ele mesmo vira a neblina. — Claro que estou! Sou um wiccan. erguendo-se. entrou em seu quarto e trancou a porta. Finn surpreendeu-se com o tom sincero e acalorado. Fallon gritou e derrubou a caixa. ajoelhado diante do caldeirão. adormeceu. a camareira esquecera as portas da varanda abertas. De repente. Sem dúvida. as fagulhas pareceram erguer-se do caldeirão borbulhante. os sonhos a flagelaram mais uma vez. As chamas se avolumavam. é óbvio que está preparando algum tipo de feitiço. por fim. — Não sou wiccan. uma negligência.O Anjo Caído (Bianca 915) Levantou-se e ergueu o machado. alarmado. Um arrepio desagradável o percorreu. de fato. Eram quase. pediam proteção. O que era compreensível. Assustado. E sabia que nenhum fenômeno poderia aparecer e desaparecer com tanta rapidez. Foi até lá. E então. que era forte o suficiente para manter o mal afastado. repreendendo-se por sua negligência. Fallon. que haviam chegado àquela cidade. enquanto retirava pós e ervas de uma caixinha e os atirava dentro do recipiente. Ao alcançar a sala de jantar. As labaredas se erguiam em torno de um caldeirão que fora colocado sobre uma barra de ferro fundido. Fallon estava ali. Apesar disso. E depois se fez silêncio. Foi então que viu as cortinas das portas que davam para a varanda esvoaçando. — Se tivesse um pouco de juízo. Começava a desabotoar a camisa quando pensou ter ouvido um barulho. Vozes muito suaves vinham da cozinha. pois acreditava mesmo no que estava dizendo. ele repetia as palavras em tom mais alto. agradeça o fato de eu fazer poções e proteger esta casa! Aquele homem devia ser louco. Tirou a capa que Morwenna lhe emprestara para a apresentação e livrou-se das botas. Girando a maçaneta. Atirou mais um pouco de ervas ao recipiente e entoou outro cântico. Por alguns instantes. E. ao quarto e se trancou.. A grande lareira fora acesa. sabe que nenhum wiccan invoca o mal. ele a entreabriu o suficiente para observar o que ocorria lá dentro. Fallon manteve a cabeça baixa. Não podia confiar nele.Shannon Drake . — Sacudiu a cabeça. Apesar disso. Mas não passa de um tolo. não podia confiar nele. 54 . — Importa-se de me explicar o que estava fazendo? — Embora não seja da sua conta. Girou e fitou a escuridão da noite e tudo que se movia dentro dela. que. Caminhou em silêncio pela casa. sugiro que se enfie na primeira igreja ou templo que encontrar. você partirá. seu idiota! — Sr. A porta que a separava da sala de jantar estava fechada. Sentia-se relaxada e feliz quando Finn partiu. como se continuasse envolvida pelo calor que dele emanava. — Eu já disse para não caçoar! E. Resignado. Os feitiços e preces haviam parecido benignos. se escutou o que foi dito aqui. pensei que houvesse algo especial em você. as ações de Fallon o tinham perturbado. De uma forma ou de outra. Existem duas forças no mundo. — Que diabos está fazendo? — perguntou. Como em ninguém naquela cidade. se tiver algum bom-senso. Deteve-se em silêncio por alguns instantes. De algum modo. A residência estava mergulhada no silêncio e não havia sinal aparente de atividade.. — O que está fazendo aqui? Arruinou tudo. meu jovem. apesar da sensação de euforia. custou a pegar no sono e quando. Ora. entoando cânticos em voz baixa. fustigadas pelo vento. Destrancou a porta e saiu. aquilo era bobagem! Com certeza. Finn. — Virou-se e se ajoelhou de novo diante do caldeirão. Contra os mortos e aqueles que não são desta Terra. deteve-se. — Sim. — Tem razão. — Se sua intenção é proteger a casa. A do bem e a do mal. Ao lançar as mesmas substâncias em direção ao fogo. Se não é wiccan. Podia jurar que fechara as portas antes de sair. e depois se ergueu. mas desistiu. viu-se tentado a questionar Fallon sobre Bac-Dal. deitou a cabeça no travesseiro. rapaz. Dessa vez. com a mandíbula contraída. — E isso o impede de rezar? A princípio.

Os dois trajavam capas com capuzes. guiando-a para a frente. Caminhando em meio à neblina. As solas estavam incrustadas de terra e partículas de grama... DeVeau. para preparar-lhe o desjejum. mas que. forçou-se a admitir. era um demônio. Talvez houvesse saído e retornado. Ele insistiria que eram seus sonhos. sentia-se compelida a ir em frente. A luz do dia penetrava o aposento. garantindo que os feitiços do sr. e pela sra. um queixo pontiagudo e olhos flamejantes. A despeito da hora em que fora dormir. Sentia a planta dos pés sobre o solo úmido e a grama enquanto caminhava em direção à estranha estátua de mármore. concordou que os cânticos que ouvira poderiam ser direcionados para o bem.. 55 . determinada a se ver livre da sujeira.. Espíritos pareciam se erguer à sua passagem. imaginou se os DeVeau teriam conseguido hospedagem. Examinou o pequeno ferimento na sola do pé. murmurando e entoando cânticos. Ela ergueu o pé. Devia haver uma explicação lógica para aquilo tudo. que pensara ser um anjo. no qual a tia informava que saíra para fazer compras. A memória vivida do sonho parecia sinistramente real. Para sua surpresa. Quando Susanna se retirou. E braços que se apertavam ao seu redor.. Poderia lhe contar. Queria sair correndo. — Fiquei surpreso por terem conseguido se hospedar aqui. Um vulto igual ao primeiro estava atrás dela.. Virou-se e avistou Lucian DeVeau. e erguia o telefone para contatar o quarto quando Finn escutou alguém chamá-lo. tivesse caminhado durante o sono. Por fim. Para o outro! A criatura começou a gargalhar. saiu de Huntington House. Jade estava logo atrás dele. feitas com muita antecedência para esta época. mas certamente não vagara pela cidade em direção ao cemitério! Porém.. Desejava que ele estivesse ali. em contraste com os cabelos e olhos claros.. em seguida. e o lugar tinha o odor da rica vegetação e da terra. — sussurrou um deles. nos braços. Era óbvio que se tratava de algum encontro de wiccans. Fallon eram benignos. Megan despertou com um tremor violento. ansiosa para lavar o rosto. Contudo. com o mau humor costumeiro. Era a criatura que vira no museu. uma vez que as reservas costumavam ser feitas com quase um ano de antecedência para a comemoração do Halloween. Talvez tivesse dado alguns passos para fora da casa ao seguir Finn até a porta na noite anterior.. ela ouviu chamar seu nome. O quarto estava frio. após certa hesitação. tudo o que conseguiu foi parar. Finn tomou o desjejum rapidamente e. Finn se dirigiu à sala de jantar para tomar o café da manhã antes das dez. Ele se dirigiu à recepção e perguntou pelo sr. rumou para o hotel histórico. banhada em suor. em um lugar profano. Olhou para trás. Lá estava ele outra vez. porém com chifres. Um vulto assomou à sua frente.. mas que. Enquanto andava. que ressaltava o escuro de seus cabelos e olhos. Terminou o banho. também há vida. ela se virou e correu em direção afigura atrás dela até estacar. Através da neblina. A mesma criatura que estivera havia pouco diante dela. Havia sussurros por todos os lados. — Está chegando a hora. emprestando-lhe uma aura quase angelical. Ficou satisfeito ao descobrir que os únicos hóspedes presentes eram Joshua e Ellie. tinha o efeito oposto. estupefata. Soltou um grito de pavor ao vê-lo abrir a imensa capa. — Não! Eu fugi. Porém. às onze e meia. Talvez. o velho Andy não estava lá para contar histórias.Shannon Drake . Olhos. Megan. era como se braços a envolvessem.. Seria melhor contar para Martha. — Não percebe? Somos o mesmo. As reservas são. Também usava um casaco longo negro. o recepcionista confirmou que eles estavam hospedados. pronto para engolfá-la. Com um sorriso. Impossível! Suprimindo um grito. As árvores criavam um dossel verde-escuro. A face de um homem. foi invadida pela urgência de contar o fato espantoso à tia. Tinha medo de prosseguir e. Finn contou às crianças o ocorrido na noite anterior. Megan.O Anjo Caído (Bianca 915) Ela retornou à floresta e ao cemitério... Finn. Vestígios de terra se espalhavam pelo carpete. dirigiu-se ao chuveiro.. Precisava ouvir alguém prático e racional. — sobreveio a voz de outro. Talvez não. Caminhou um pouco até que. Notou que os pés a impulsionavam para a frente. em geral. Megan. pretas e esvoaçantes. Ellie pareceu aliviada e Joshua. O homem trajava um longo casaco negro. — Olá! — Finn se aproximou para apertar a mão de Lucian e dar um beijo no rosto de Jade. ao mesmo tempo... Praguejou ao reparar que um filete de sangue acompanhava a lama que escorria para o ralo. Escrutinou o chão à procura das sandálias e parou. divisou os pontos vermelhos e dourados. Esfregou com fúria os pés. Teria saído da casa durante o sono? Deus! Aqueles sonhos estavam se tornando tão reais! Martha! De repente. Sentia os dedos que a tocavam na face. ele sussurrou seu nome.. ainda assim. mas encontrou apenas um bilhete na cozinha. Nada a detinha e. Alguém neutro. rumo à criatura adiante. — Na morte. Ela esticou as pernas para fora da cama. O instinto a aconselhava a fugir. vestiu-se e saiu à procura de Martha. paralisada.. O saguão estava repleto de pessoas trajadas com capas pretas.

— Claro — Finn concordou. e o homem sumiu. assim como em seus sonhos. Virando-se. — Vamos caminhar um pouco e ver o que encontramos — Jade sugeriu. — Lizzie é tão doce! — Lizzie! — Darren chamou atenção da cadela. — Por que ele me perseguiria no estacionamento? 56 . Estou aborrecida por não poder estar lá.. talentoso e parece amá-la de verdade.. Talvez não seja realmente ele. mas Lizzie passou a latir para Lucian.Shannon Drake . constatou que Darren ainda estava parado no mesmo lugar. nesse horário. — Eu gosto. mas haverá centenas de wiccans de todo o país participando dos rituais. — Francamente. me acompanhou até a casa de Martha e partiu. Mas não podia acreditar que o marido. é apenas a ausência de Deus. eu não sei com o que estou tão preocupada — Morwenna disse. Apenas tenho jeito com os animais. Agora que estava diante do casal. mas o jovem não percebeu. enquanto Jade e o rapaz trocavam algumas palavras sobre as atrações da cidade. Finn se deteve e olhou para trás. — Mas Lucian convenceu o gerente a nos ceder um quarto que não estavam disponibilizando por ter alguns problemas. — Fico grato que tenham vindo. Mas todos sabem que há o bem e o mal. tem de acreditar também nas forças contrárias a Ele. fitando Lucian. Estão temendo que o homem que matou aquela jovem em Boston seja um assassino em série. aborrecido. — Eu gosto de igrejas e acho que. conseguiria? — Duvido. A neblina estava muito espessa. Conforme andavam. pois vira a criatura no cemitério. sensual. Mas ele é perigoso.. olhando fixamente para Lucian. se algo ruim for acontecer. Finn apresentou-os e. — Que estranho — Finn comentou. com os olhos fixos nos dele. Há muitos lugares bons para comer. Não tinha certeza. — Você já almoçou? — Não. — Alguém está acenando para você. — Não posso descrevê-lo. — Não sei — prosseguiu a prima —. Finn. Ao olhar mais uma vez para trás. segurando a coleira de Lizzie. — É um conhecido nosso. ele notou que Darren parecia não conseguir desviar os olhos de Lucian. é melhor comunicar à polícia. — Obrigado — retrucou ele. Parecia hipnotizado. Ergueu a mão e acenou. vou apresentá-los. — Pensei que gostasse dele. Ele é lindo. fui perseguida no estacionamento do hotel. — Parece bom — Lucian opinou. Alguns metros adiante. Sem mencionar as vibrações mortais que Sara sentiu em Finn.O Anjo Caído (Bianca 915) — Estavam mesmo lotados — Jade explicou. Finn indicava os locais de interesse. Se você crê em Deus. Darren não se movera. de repente. estendeu a mão e tocou-o na cabeça. — E Finn tem sido maravilhoso. De imediato. Megan lamentou ter mencionado seu sonho. É assustador. Permanecia no mesmo lugar. se há um inferno. — Foi perseguida? E Finn conseguiu pegar o sujeito? — Não. é tudo tão estranho. — Quero dizer. — Não. Depois. — É um prazer estar aqui — disse Lucian. Um fã. Saíram do hotel para a rua movimentada. Finn. parando diante de um restaurante. Logo se despediram. Tivera a mesma suspeita na noite anterior. Ele brigaram.. pois Morwenna levara aquilo muito a sério. É bom revê-lo. que eu vou liderar. Megan... — E Finn. hesitante. Lizzie começou a rosnar. Lizzie sentou-se e começou a lamber sua mão. Lucian agachou-se diante do animal e. Ontem à noite. — Uau! É um adestrador de cães? — indagou Darren.. Finn deparou com Darren Menteith. Venham. Não consigo esquecer o que senti quando li a sua mão. — Que tal esse lugar? — Jade perguntou. — Megan sabia que estava mentindo. vocês estarão tocando. Do outro lado da rua — observou Jade. — Tem certeza de que havia mais alguém lá além de Finn? Não. — Do que você está falando? — Não sei. Tem uma veia maligna.. Quando os três se aproximaram. — Acha que Finn tem uma veia maligna? — Não sei. será à meia-noite e. e ele estava lá para me salvar. parado na esquina. — Você o viu? Pode descrevê-lo? Se puder. não sabia se seria capaz de relatar toda a insani dade que vinha enfrentando.

— Eu. pela porta da loja. talvez eu tenha uma. Ele esteve aqui pouco depois do episódio da histeria com as bruxas e pretendia trazer Bac-Dal à vida. — E o que foi? — perguntou Jade. De acordo com os escritos desse homem. E daí? — Todos sabiam que eram casados? 57 . Quando dirigia da Louisiana ao Maine. — Talvez. acho que Finn pode ser um demônio. suponho. o dono da livraria. Lucian e Jade voltaram a atenção para Finn. O que está acontecendo aqui? — Megan e eu estamos tendo pesadelos. no caminho para o Maine. O que o levou a nos telefonar? — Bac-Dal.. foi a vez de Mike Smith e de Gayle Sawyer. Iniciou descrevendo os parentes de Megan. Nunca estive em Salem.. pensativo. Acho que conhece esse "demônio". — Você é minha prima. mas não foi meu livro que o fez nos procurar. porque necessitava de sangue. Ao vê-lo anuir.. antes de franzir a testa. diga-nos. Isso deveria significar algo? — Não sei — Lucian disse. assassinaram Cabal Thorne e o enterraram em um terreno profano.. se quiser levantar suspeitas infundadas. É que. — Quando os conhecemos em Nova Orleans. — E você provavelmente conversou com dúzias de pessoas das quais não se lembra. via Boston. para buscar sua esposa? — Certo. e eu a amo. Eddie.. — Está bem. Em seguida. — O que quer dizer com "ah"? Nunca vi aquela mulher. estou ou ferindo-a ou matando-a.Shannon Drake . Finn discorreu sobre todos que conhecera desde que chegara a Salem. — Quero saber mais sobre esse Cabal Thorne. sugere que ele tenha um desvio moral.. furiosa. muito menos a matei! — Não estamos insinuando que a tenha matado — interveio Jade. — Chega! Preciso ir. Mas vamos retroceder no tempo — sugeriu Lucian. falou dos poucos hóspedes. Mas quanto a uma conexão? Se chama comer um hambúrguer de conexão. — Conte-nos sobre as pessoas que conheceu aqui — pediu Lucian. — Mas é interessante. Espere! Posso ter estado aqui. certo? — Sim. quando parecera cair em um sono estranho na rua e fora acordado por um policial. já que dedicou um capítulo de seu livro a ele. — Os sonhos começaram quando vocês chegaram aqui? — questionou Lucian. — O que acha? — Lucian indagou a Jade. Naquela época. Não tem nenhuma conexão com esta cidade? Nunca esteve ou passou por aqui antes? — Não. — Um demônio! — Sim. não o faça na minha frente. bem como as que haviam conhecido lá durante os shows. Aparentemente. Haviam se separado. ao mesmo tempo. Nesse instante. espero que tivessem a intenção de vir para cá de qualquer maneira porque não sei se o que tenho a dizer soará ridículo. prosseguiu: — Antes nunca houve nada de anormal? — Não — redarguiu Finn. Havia angariado tanto poder. — Mas você e Megan são casados há algum tempo. Portanto. — Na verdade. Finn descreveu o estranho episódio em Boston. Quanto a Huntington House. desculpe-me. após fazer os pedidos.. Fallon e de Susanna. ele matou uma jovem. Ao fingir que a salvou.O Anjo Caído (Bianca 915) — Talvez por temer que você não quisesse voltar para ele. Diz que gosta de Finn e. a refeição foi servida. ou coisa parecida. — Ah. — Lucian murmurou. Continue. pois foi no mesmo fim de semana que aquela jovem foi assassinada. Poderia nos levar à livraria? — Claro. e então fez uma viagem até o Maine. as pessoas daqui se reuniram. a ponto de suspeitar que. do sr. certo? — Não consigo entendê-la. — Gostamos do ridículo. Não se esqueceu de citar Andy Markham e as histórias que haviam influenciado o primeiro pesadelo de Megan. mas também amo meu marido. E. — Então. sim. mencionou os funcionários da loja e as pessoas que trabalhavam no hotel. parei em algum lugar para almoçar. — Megan levantou-se e disparou. que a retirou do convívio dos pais e a assassinou. — A prima da minha esposa é wiccan. reconquistaria sua confiança. nos sonhos dela. Escolheram uma mesa no canto e. Ou de um sacrifício. porém no terraço havia alguns lugares disponíveis. Depois. — Detesto mencionar isso. vocês estavam casados. Tem de ler uns textos antigos que encontrei.. O restaurante estava cheio. — retrucou Jade. Ela recomendou que eu fosse a uma livraria para ler um texto sobre um homem chamado Cabal Thorne. ninguém queria denunciar bruxaria ou satanismo porque muitos inocentes haviam sido mortos. ele tenha parado em Boston para cometer um crime hediondo! — A questão é que estou recebendo as mais variadas vibrações vindas de Finn. — Sim. incluindo o policial Theo Martin e seu irmão gêmeo.

— Não tem importância. Lizzie sabe que gosto dela. — Mas você é casada. 58 . — Está um dia lindo e resolvi aproveitá-lo. não? — Claro que sim. irritada. passeando com um casal. afinal. Levou-os até uma mesa nos fundos da livraria. Apesar de frio. o que o impressionou. Isso tem alguma importância? — Não sei. — Olá! — gritou à distância. atirando-se sobre ela. Tem a vida inteira pela frente. e você não estava com eles. onde dispôs vários tomos antiquíssimos. — Tenho alguns anos a mais que você. caminhou até eles. pois Lizzie precisa descansar. Eddie ficou extasiado ao conhecer Jade e Lucian. Ela comprou um copo de café com leite e sentou-se no banco do parque. Vou encontrá-los mais tarde. virou-se e avistou Megan. após horas de espera. jogando frisbee com Lizzie. um livro em norueguês arcaico. Gostaria de estar com eles. — Claro. Gostaria que tia Martha tivesse voltado para casa naquela manhã. descobriu que Lucian era fluente em vários idiomas arcaicos. Mas. você deve ter se enganado. — Tem tempo ou combinou encontrar seu marido em algum lugar? — Mike indagou. — Tenho tempo. — É muito jovem. Após alguns instantes. Darren reapareceu no gramado e atirou de novo o disco para Lizzie. ficaria furioso. Conheço um ótimo restaurante. precisava ir à loja de Morwenna. — Finn pode fazer coisas sem mim — ela disse.. avistou Darren. — Mas acho que vou indo. Naquele instante. o rapaz partiu. o dia estava agradável. — Veja quem vem aí. manuscrito por um viking explorador chamado Erikson. ele voltou o Olhar na direção de uma voz feminina que o chamava e caminhou em direção à pessoa. — Olá. usando a mão para proteger-se do sol. Ainda está casada. Foi a vez de Megan rir. parece-me uma ótima idéia. — Sim. Possuía vários livros da escritora e. Smith. desculpe. pois aquilo não tinha nada a ver com Darren. Pensei tê-lo visto com alguém. Minutos depois. Se Finn a encontrasse. Controlou-se. — Ótimo. Ao perceber o aceno de Darren. que saltava e o apanhava no ar. — Fala como se fosse velha. havia uma relíquia. De repente. — Lizzie! Fique quieta. Com certeza. Por quê? — Que tal almoçarmos juntos? Megan hesitou. orgulhoso. sim. — Bem que eu gostaria de ter uma namorada. — Sentou-se ao lado dela. mas não conseguiu ver ninguém. O rapaz divertia-se atirando o disco para a cadela. Dentre eles. Megan franziu a testa e. mas. — Obrigado — agradeceu Mike. antes de se dirigir a Megan: — É estranho vê-la sentada sozinha na praça. imaginava onde Finn estaria. Megan viu Mike aproximar-se. — Eu. — Oh. em questão de minutos. Por que me pergunta? — Vi seu marido hoje. como vai? Lizzie se adiantou ao dono e alcançou-a primeiro. aproximando-se. No momento. tentou enxergar quem o estava chamando.Shannon Drake . Alguém quer mais alguma coisa? Café? Sobremesa? Caso contrário. eu gostaria de conhecer a livraria — disse Lucian. então vamos..O Anjo Caído (Bianca 915) — Os que nos conheciam. ele estava com seus amigos e não a convidara para o almoço. — Não muitos. — Assisti à nova exposição outro dia e gostei muito — elogiou Darren. — Não. Darren olhou na direção oposta. Irritada com Morwenna e bastante inquieta. ciceroneando seus novos amigos de Nova Orleans. Quando o fez. — Após confirmar sua presença no show daquela noite. garota! — ralhou Darren. O sr. Onde está sua amiga? — Minha amiga? — Pensei tê-lo visto com uma jovem — ela arriscou. Megan vagou sem rumo pelas ruas. o dia está ótimo — Darren interveio. decidira chamar um taxi e ir ao centro da cidade.

Cabal Thorne pode ser um desses casos de loucos que acreditam poder trazer demônios à vida. seria o sangue de suas vítimas. fui eu a sangrar e perder cabelos. detendo-se em um trecho. uma bactéria no trigo. alguém como Megan. — Se estou ficando calvo? Não. Megan e eu estamos vivos e bem. Finn suspirou.. Que momento mais propício do que durante a lua cheia do Halloween? — Perdeu cabelos ultimamente? — Lucian o encarou. Lucian devolveu-o a Eddie. Antes que ele pudesse responder.... cortou? — perguntou Jade.. — É para já — disse Eddie. o autor se referia a uma carnificina protagonizada por Bac-Dal. — Ainda assim. na primeira noite em que nos apresentamos no hotel. aconteceu o mesmo comigo. — Acreditava que podia trazer um demônio à vida. muitos foram torturados e mortos. um marido louco e ciumento será útil para que eu arque com a culpa do que quer que aconteça a Megan. — E quanto ao sangue? — Jade indagou. Não acredito que se possa trazer um demônio à vida. por exemplo.. O plano pode ser torná-la vulnerável e me fazer parecer um homem perigoso e. — O sangue do sacrifício parece óbvio — disse Finn. ela não. — Não tenho certeza — Lucian retrucou. havia um tipo de decoração de monstro no salão.. Jade e Lucian trocaram um olhar cúmplice. — Você escreveu um livro sobre demônios. Em uma das passagens. Quem pode saber o motivo pelo qual as jovens se tornaram histéricas e começaram a apontar as pessoas como bruxas? Talvez haja alguma explicação científica. — Pois eu acredito que as pessoas são capazes de fazer o mal — opinou Finn. Um homem nunca é o sacrifício. — Finn calou-se no meio da frase. — Fazer que eu pareça um agressor de mulheres." — Sabemos que o homem era maluco. Fechando o tomo com cuidado. animado. no cotidiano. lembra? — questionou Lucian.O Anjo Caído (Bianca 915) Quando Lucian folheou as páginas. ontem à noite.. Deve conhecer algo sobre hipnose. Talvez devêssemos ir à polícia. — Vocês se machucaram ou perderam sangue de algum modo depois que chegaram aqui? — Megan não. — Calou-se e engoliu em seco. Lucian percorreu os olhos por ela. havia um dragão na prateleira da loja de Morwenna. — Mas acredita que algo está acontecendo aqui. quando ela for utilizada para seus propósitos hediondos. — Não creio que o que houve aqui no passado fosse fruto de bruxaria.. Não conhecia ninguém que conhecesse aquele idioma. — Não. o sangue do ungido e os cabelos do ungido. sugestão ou poder da mente. — O sangue do sacrifício. Acredito que isso tenha ocorrido com muitas outras pessoas. — Megan não cortou os cabelos em Salem. que leu em voz alta: — "De tudo o que é necessário. ainda assim. Temo pela vida de Megan. mas sim que ela esteja sendo alvo de algum tipo de maní - 59 . traduzindo o texto em voz alta. Há muitas pessoas que crêem neles. A questão é que não havia bruxaria e. É sempre uma virgem. — Tem certeza de que Megan não sofreu nenhum tipo de corte? — Não que eu saiba. Sangrou bastante. e este pode ser também o Dia do Advento. A menos que tenha se ferido depois que a deixei. Mais tarde. — Perdemos cabelos na escova.. O cabelo de Megan enganchou-se ali. Uma criatura. como. — Espere. sádico e assassino — Finn comentou. ou uma loira linda.. Até agora. — Poderia ser o sangue obtido antes do rito principal.Shannon Drake . — Ao menos. — E contar a eles que está tendo sonhos? — indagou Jade. Finn se inclinou em direção a Jade. no qual eu me cortei. Acho que há alguém lá fora que leu sobre essas baboseiras a respeito de Bac-Dal e Cabal Thorne." — O que acha que ele quis dizer com "ungido"? — indagou Jade.. Eddie ficou boquiaberto. Você nos telefonou. três elementos são da maior importância: o sangue do sacrifício. — E quanto a você? — Bem.. — Gostaria de ver agora tudo o que puder reunir sobre Cabal Thorne e o que aconteceu por aqui no início do século dezessete. — No caso de Cabal Thorne. Isso tudo me parece loucura. Pensem em todas as lendas que existem. pois aquilo foi retirado de lá antes do fim do show. — Alguém sacrificado nesse sentido geralmente está morto — Finn observou. no banho. — Sim. com dedos em formas de galhos. o dono da livraria retornou com o mesmo livro que continha as passagens que Sara lera para Finn. — repetiu Jade. Mas isso não faz sentido.. Lucian leu mais um trecho: — "E todos que honrarem o deus da escuridão devem se lembrar de que o Halloween em que houver lua cheia será aquele em que os elementos dos espíritos e os que perambulam pelo mundo inferior estarão mais fortes. — Há um marcador na página que Sara leu para mim. Alguma mente distorcida que resolveu ter Megan como alvo.

Encontrei Mike no parque e viemos almoçar. incomodado com o olhar preocupado de Jade. Lucian ergueu a cabeça e o fitou. pelo menos o suficiente para passarem muito tempo conversando. Afirmou que Andy fora cruel ao levá-la até um solo profano e lhe contar aquelas histórias. desalentada. — E eu nem sei onde ela está. Sou nova. estariam seguros. sim. não será o fim dos wiccans em Salem. Houve uma mudança. O velho Andy pode ser maluco. — Quer vir se encontrar comigo? Finn dirigiu o olhar à mesa. Finn despediu-se e saía da livraria quando Lucian o chamou. ele não se mostrou desdenhoso ou cético. Há coisas que eu terei que fazer. Não acreditava em demônios e achava que os sonhos que a assombravam eram fruto de impressões que acumulava durante o dia. — Não vou demiti-la. — Mas. — Afastando-se um pouco. e precisa liderar o encontro. Finn se ergueu. com os DeVeau. eu a ajudarei a pensar. — As pessoas sabem a respeito de nossos rituais da meia-noite. Morwenna estivera lendo as cartas de taro. — Ótimo. Sim. demônios não existem. Seguros de quê? Dos sonhos. Percebendo a agonia da amiga. O amigo era profundo conhecedor do passado e das tradições do local. com o que eles concordaram. Eu preciso estar com Megan. Estou preocupada com o desenrolar da situação. — Lembre-se de que hoje é a véspera do Halloween. — Finn. Nesse instante. mas disse à garçonete para trazê-lo quando chegasse para que não esfriasse. decidido a ir ao encontro da esposa. perguntou o nome do lugar onde ela estava e pediu que solicitasse um café para ele. agitado. Mike cobriu com a dele a mão que ela mantinha sobre a mesa. eu não posso. se eu não estiver lá. Isso é tudo. — Ficaremos mais um pouco para analisar este material. — Megan e eu estaremos nos apresentando à meia-noite. que chegaria em breve. Precisa encontrar outra substituta. mas. Com Megan. esse dia pode ser um grande feriado. Encontraremos uma solução. Para sua surpresa. Finn partiu. mas não acredito que seja má pessoa. Sara sentou-se diante dela. — Mas pessoas más. — Claro. De pessoas loucas que pensavam poder sacrificar outros seres vivos. — Pediu meu café? — indagou Finn. — Quero que você me substitua amanhã à noite.. — Está confirmado o show? — questionou Jade. — Olá.O Anjo Caído (Bianca 915) aco afeito à magia negra e que eu seja o escolhido para passar o resto da vida em uma prisão para justificar as ações dele. Finn — ela atendeu. — Mas você tem de me ajudar. Se quiser me demitir. sugeriu que Lucian e Jade fossem à loja de Morwenna. De qualquer modo. Morwenna chamou Sara nos fundos da loja. Acho que passou a acreditar nas histórias que conta. Com licença. ligou para o celular de Megan. — De repente. onde está? — Na livraria.. — Morwenna. Disse-lhe que acreditava que a história de Cabal ter ido a Salem ressuscitar Bac-Dal deveria ser baseada em algo verídico. em público e segura.Shannon Drake . pedi seu café. Quando desligou. Sinto muito. à meia-noite. Você é conhecida e respeitada. e puxou a mão que Mike mantinha sob a dele. Enquanto estivessem em um local cheio de gente. Megan virou-se ao ouvir a voz do marido. — Ela meneou a cabeça. é hora de trabalhar... — Megan. Para os wiccans. — Sinto muito — disse Sara. Haverá pessoas de todas as partes do país. Por que não vai se encontrar com sua esposa? Como o homem sabia o que Megan lhe dissera? Talvez tivesse escutado. você poderia me substituir. Megan não sabia o que a levara a contar tudo a Mike. Seria bom trabalhar. e o Ceifador estava virado com a face para cima. mas para o mundo do entretenimento. — Finn tentou manter a voz controlada. atrás deles. — Sim. você conseguiu vir. Não. E que amanhã. Sara meneou a cabeça com veemência. — Não posso. — E você. E Sara. — Onde você está? — A um quarteirão e meio do museu de cera e do cemitério. Devia se sentir aliviado por Megan estar acompanhada. mas não conseguiu evitar a irritação. Se não tudo. 60 . vá em frente.

Não sabia onde ele estivera. O sr. um contador de histórias local. — Nem todos — opinou Mike.Shannon Drake . Mike. O amigo a encarou com expressão séria. dizendo que a polícia de Boston ainda não tinha pistas sobre o assassinato brutal da jovem. como os turistas. A polícia pedia à população que entrasse em contato. O atropelamento havia sido proposital. Olá. Fallon está passando na rua com uma sacola enorme. Sabia que não fora um acidente. Não vão nos deixar entrar. — Vejam — disse Mike.. mudando de assunto. Os médi cos temiam que ele não sobrevivesse aos ferimentos. além de Finn. Pelo que pareceu tempo demais. — Não vá a nenhum lugar sozinha. e que o motorista o arrastara para fora da estrada e fugira da cena do acidente. — Mas a maioria dos visitantes acaba aderindo ao clima e não resiste a um souvenir. O sr. foram informados na recepção de que apenas os familiares poderiam visitar Andy. abalada pelas palavras de Morwenna: Tem certeza de que havia mais alguém lá além de Finn? Fixou o olhar no marido. — Ver Andy. mas acho que Mike tem razão. Como Finn esperava. dissera tantas coisas a Mike. Q apresentador relatava que a polícia estava à procura do culpado pelo grave acidente ocorrido com o sr. conciso. O atendente aumentara o volume. seu olhar se fixou em algum lugar além do vidro. Finn hesitou.. determinada a afastar esses pensamentos. — Está bem. Ela não podia afirmar que havia mais alguém no estacionamento na noite anterior. que mencionou o assassinato em Boston e falou da possibilidade de o criminoso estar pelas redondezas. — O mundo comercial é o mundo comercial. Megan nunca lhe contara sobre sua incursão ao cemitério em companhia do velho senhor. Finn tinha o olhar fixo nela. no caso de qualquer informação útil. e Finn se acomodou à mesa. Megan voltou-se e viu a imensa sacola com o logotipo de uma loja de bruxaria. Talvez por ainda estar. — Megan tinha a impressão de que Mike a prevenia também contra Finn.O Anjo Caído (Bianca 915) — Obrigado. A garçonete trouxe-lhe o café. porém estável. De repente. — O que foi? — Não acredito. Ele agradeceu e explicou a Mike a origem de sua amizade com o casal. — Sou cuidadosa. — Gostaria de ir até o hospital — ela disse. Aquilo era ridículo! Virou-se para ele. embora estivesse muito curiosa. — Quero ir até o hospital — insistiu. — Leve-me assim mesmo. Megan notou que ele não queria revelar muito na presença de terceiros e não insistiu. Não havia nenhuma informação sobre o tipo de veículo envolvido. Ele podia ser muitas coisas. Os dois trocaram um aperto de mão. — Aquele homem a apavorou com suas histórias quando chegamos aqui. Megan empalideceu. — Acho que todos fazem concessões à bruxaria aqui. mas Megan acreditava que Andy estava no hospital por sua causa ou pelo que sabia. Era estranho. Nós mal o conhecemos. Mike tomou sua mão outra vez. — Qual é o estado dele? — Finn indagou à funcionária. — Estão falando desse assunto. Finn tinha estado em Boston na ocasião em que a jovem fora assassinada. A despeito da presença de Finn. Ele fora encontrado inconsciente em uma bar ragem lateral da rodovia US1 aquela manhã por um banqueiro a caminho do trabalho. E naquela manhã. certo? Contou a Mike que foi perseguida no estacionamento do hotel? — ques tionou Finn. estudando a reação do marido. mas não lhe contara sobre o ocorrido no estacionamento. 61 . Ele tentara preveni-la. — Deve tomar cuidado — ele a aconselhou. A polícia acreditava que ele havia sido atropelado. A notícia que se seguiu deixou todos perplexos. Andrew Markham. — Se ele estiver em coma. Q noticiário alertava a população a ser mais cautelosa no Halloween. apontando para o aparelho de televisão na bancada do bar. Não sugerira que ela ficasse junto do marido. Finn. Era verdade. pensou ela. — Onde estão seus amigos? — Lendo — ele respondeu. mas sim que necessitava de pessoas ao seu redor. Relatou brevemente o episódio a Mike. não a deixarão entrar — acrescentou Mike. — Crítico. mas com certeza não um demônio. Esteja sempre com outras pessoas. — Olá. Acho que está fazendo compras. Markham fora levado para o hospital em estado grave e permanecia em coma. É bom tornar a vê-lo. — Pobre homem! — Mike exclamou.

fazendo Megan virar-se para onde ela olhava. — É meu marido — explicou Megan. Às vezes. — Megan hesitou. Em seguida. não poderia revelar o que ouvira sem ser considerada insana. Fixos nela. quando um visitante se aproximou em busca de informações. ela sacudiu a cabeça. — Você está bem? — perguntou ele. a enfermeira encarregada. Então. mas não viu nada. pois Dorcas. — Eu compreendo — ele disse. com os olhos úmidos. — Será que ninguém respeita mais as normas neste hospital? — Dorcas sacudiu a cabeça. foi por simples reflexo.Shannon Drake . ou ao menos. Dorcas apressou-as a deixarem o quarto. que tinha tubos e fios ligados a ele. Salvara-a do ataque da noite anterior. Andy não olhara para ela. tentando controlar o tom de voz. — Obrigado. — Martha veio buscá-la. Permanecia deitado na mesma condição de antes. Andy não poderia ter falado. mas ela não conseguiu ouvir o que dizia. conseguiu avistar a relação de quartos na tela do computador. À aparência de Andy era desanimadora. e ele não levou mais do que alguns minutos para adquiri-lo. Assim que a atenção da mulher foi desviada para outro visitante. Nada se alterara. Megan se descobriu paramentada para entrar no quarto de Andy. Mas tenho certeza de que ele falou. A loja de presentes estava vazia. — Andy. mas os olhos e os lábios de Andy estavam fechados. e é voluntária aqui. — Não sei. Naquele momento. Estarei lá. estaria pondo em risco seu emprego se mais pessoas tentassem entrar. — O que ele disse? — Disse que. Morwenna a prevenira contra Finn. Porém. Dirigiu o olhar à mão que segurava. lá! Bac-Dal quer você. E o que era o amor? Fé e confiança. pareceu não conseguir respirar. Eles se conhecem há anos. sentindo uma onda de pânico comprimir seu peito. os pacientes críticos executam discretos movimentos por causa dos reflexos. — A tia da minha esposa? Você a conhece? — Claro. Salem precisa de você. Martha é amiga da maior parte dos médicos. O marido estivera em Boston na noite em que ocorrera aquele assassinato terrível. Em questão de minutos. A enfermeira verificou os sinais vitais e os aparelhos. Haviam aprendido aquela lição. Megan sentiu um sutil movimento dos dedos ossudos contra os dela. Quando Martha afastou-se para conversar com Dorcas. Ele era a criatura que a assombrava em seus pesadelos. Amava o marido. — Bac-Dal quer você. quando seu olhar retornou à face de Andy. Desejar tanto uma pessoa a ponto de se recusar a enxergar a verdade. — Acho que o que viu foi influência do seu desejo de vê-lo bem. Martha estava à beira do leito. O corpo franzino lembrava um esqueleto deitado no leito. mas não conseguiu. Ou melhor. O idoso não tinha nenhum tipo de doença contagiosa. 62 . Os olhos estavam abertos. fitando Andy: Não parecia perceber que ela. Ela é a pessoa que mais se aproxima de um parente para Andy.O Anjo Caído (Bianca 915) Percebendo a aflição de Megan por não poder entrar. prendeu a respiração. acho que se enganou. Mas o amor também podia significar insanidade. Tenho de estar lá. os olhos verdes pareciam possuir um brilho estranho.. — O que significa isso? — indagou Dorcas. Contra quem? Naquele momento. e os médicos acreditam que pode ser bom para uma pessoa em coma ouvir uma voz amigável. ficou casualmente apoiado no balcão e. mas o risco de ele contrair pneumonia obrigava os visitantes a usarem máscara e jaleco. Martha se aproximou de Megan. — Sente-se um pouco. caso fosse o alvo de alguma entidade maligna.. Não posso permitir que você suba. Tentou se controlar e lutou contra o pensamento absurdo. indignada. Megan tentou sorrir. onde provavelmente Finn estivera. afastou-se. Sussurrava palavras de encorajamento ao paciente. achava que havia sido real. E. Elas não acreditavam que Andy falara. a enfermeira e Martha o observavam.. O mal precisa ser detido. Megan tomou a mão esquálida na dela. e sim para um ponto adiante. Martha se aproximou. Quando se aproximou da recepção. Parecia estar olhando para algo além da sala. Está falando! Dorcas correu até o leito. Ele moveu os lábios.. — Querida. e era verdade. reaja. se ele se moveu. Megan quase colidiu com Finn. Vamos. Na saída. À luz fraca do hospital. Olhou ao redor. além dela. Mas aquilo fora real. Martha levou sua mulher lá para cima por alguns instantes. não encontrou a esposa. inclinou-se sobre o balcão e perguntou à mesma funcionária se ela vira sua esposa. Em seguida. O mal. Porém. Aproximou-se e captou algumas palavras. Com a reputação que possivelmente se espalhara pela cidade após seus pesadelos. Finn se encontrava do lado de fora do quarto. — Martha! Dorcas! Ele está se movendo. As olheiras profundas e a face pálida lhe emprestavam uma aparência cadavérica. Um pensamento aterrorizante cruzou sua mente. Por um momento. Após alguns instantes. A eficiência caracterizava o trabalho da enfermeira Dorcas Brandt. Finn levantou-se e dirigiu-se ao elevador. Megan soltou a mão dele e deu um passo atrás. a fim de que ela escrevesse uma mensagem para Andy. ocupou uma das cadeiras e pegou uma revista. Imaginou se não estaria enlouquecendo. ele se ofereceu para ir comprar um cartão.

— O que o faz pensar que eles estão lá? — Sugeri que visitassem a loja. Acha que eles o estão usando? — Não sei. — Boa caçada. somos velhos inimigos. — Agora deve parar de se preocupar com ele..Shannon Drake . — Eddie pode estar envolvido. que suprimiu um leve tremor. Acho que isso é real e acredito também que Megan foi escolhida muito antes de vir para cá. lutando contra uma vertigem. — Acho que alguns satanistas estão planejando trazer Bac-Dal à vida e pretendem utilizar Megan como sacrifício final ou como oferenda quando ele chegar. — A enfermeira falou que ele não pode ter dito nada. mas eu não. Estaria o marido preocupado que Andy pudesse ter dito algo que o comprometesse? Mas de que forma? — Não sei. Cuidem-se — Martha acrescentou antes de ir embora. ela o seguiu pela loja cheia. querida? — Deve ter sido minha imaginação. mas nos conhecemos há uma eternidade e. — Agüentando. Megan. Martha. Jade fitou-o e anuiu. — Você não teve mais nenhuma intuição? Lucian negou com um gesto de cabeça. — Tolice. ele deslizou um braço pelos ombros de Megan. Estavam no meio do caminho quando ele disse: — Os outros podem acreditar. De repente. — Para falar a verdade. mas vocês mal o conheciam. — O que faremos? — Você continuará lendo. 63 . Eddie estava ocupado com os clientes quando Lucian encarou Jade por cima dos livros que se empilhavam na mesa. eu me preocupo com aquele velho tolo! — Como ele está? — Finn perguntou. e eu não saberia. mas tenho certeza de ouvi-lo afirmar: Bac-Dal quer você. — Para a loja de Morwenna. Foi um episódio lamentável. — Olá. — Mas foi Finn quem o perturbou. Vou caminhar pela cidade e ver se consigo ler algumas. embora o demônio ainda não esteja de volta. Apenas um resmungo.. Baixou a cabeça e mordeu o lábio inferior. Quando saíram do hospital. — Não me lembro exatamente. passando o braço pelo de Finn. é jornalista. querido. Nem ao menos sei quem "eles" são. Sinto muito. estudando a expressão da esposa. não sabia que era amiga de Andy. Sabe como identificar informações importantes. Já fizeram o primeiro contato e. — Querida. — O que acha disso tudo? — ela perguntou. — Vamos tentar encontrá-los. Talvez meu nome. Finn e Megan foram até o carro e se dirigiram ao centro. enquanto caminhavam em direção aos elevadores. está se alimentando bem? Parece pálida. O que foi. Afinal. Eu leio pessoas. Apenas abalada com o que aconteceu com Andy. ela o fitou. — Baixou o tom de voz. O que Andy Markham disse para você? Megan manteve o olhar fixo na rua. você vem comigo ou ficará com seu marido? Megan fechou os olhos por um momento.O Anjo Caído (Bianca 915) — Finn. Finn franziu a testa. foi tomada por uma onda de fúria. Finn achou uma vaga para o carro na rua lateral à praça. Martha a fitou com olhar preocupado. — Está bem. como vai? — Beijou-o na face. — Mas o que ele teria dito? — Finn perguntou. Megan pensou tê-lo ouvido dizer algo. — Estou bem. embora desconheça a razão. Surpresa. Lembrando a si mesma de que decidira lutar pelo marido. crianças. — Alguns amigos nossos estão visitando a cidade — disse. — Mas deveria saber mais. pode produzir poderes. Megan não pretendia lhe dizer que a prima parecia convencida de que ele era a causa de todo o mal. A única coisa de que tenho certeza é que estão sendo protegidos por uma força poderosa. não? — Estamos lidando com uma aliança diferente aqui. Aquilo era loucura! Finn nunca lhe faria mal. meu amor. Ao se despedirem. E não será fácil descobrir quem são. Finn não era culpado de nada! Ela o amava e não iria perdê-lo. Minha teoria é que descobriram os escritos arcaicos que descrevem os feitiços e ritos que trazem Bac-Dal à vida. — Aonde vamos? — indagou Megan.

deparou com Morwenna. Finn a aguardava do lado de fora. Aparentemente. — Alguém a preveniu. 64 . com o qual conversei algumas vezes e que me preveniu de que o demônio chamado Bac-Dal me queria.. — Finn. — ele comentou enquanto desciam a rua. — Não caçoe de mim.. Sentia algo incomum nele. Minutos depois. Lucian estava bem informado. Nós o esperaremos lá fora — avisou Finn. — Pode me dizer quem é esse homem? — indagou a prima.O Anjo Caído (Bianca 915) Não foi difícil encontrar Lucian DeVeau. moreno e tinha ótima aparência.. — A mesa desocupará em um minuto — Lucian afirmou. Eu morreria. Ao voltar-se. Por quê? — Ele é maligno. Porém. — Café puro. ou mataria por ela. as pessoas haviam acabado de ser servidas. dentro de alguns instantes. Megan não sabia o que responder. hum.. O que ele está fazendo aqui? Aposto que Finn o trouxe. — Você e sua esposa fizeram maravilhas por nós. Encontre-nos na. que estava ocupada. mas ningu ém pareceu notar que eles tiveram preferência. — Morwenna! — Megan protestou e. pois seria impossível ter enfrentado uma fila tão grande em tão pouco tempo. O que você não deve saber é que há um contador de histórias aqui em Salem. quando sentiu dedos frios pousar em seu ombro. — Que bom encontrá-la novamente — disse Lucian. Megan imaginou se ele desistira de comprar as ervas. embora nada maligno. e o motorista fugiu. as pessoas sorriam enquanto eles abriam caminho em direção à mesa. Estou falando a sério. — Deixem-me pagar isto e poderemos ir a um lugar mais calmo para conversar.. — Terá de dizer isso a Jade. — A mente sobre a matéria. O homem era alto... O local estava lotado. importa-se de ir buscar Jade na livraria? Preciso trocar algumas palavras com Megan. o grupo começou a beber seus cafés e chocolates quentes com impressionante rapidez e. — Nunca conseguiremos um lugar lá — avisou Megan. isso é mentira! — Morwenna. — Lucian segurava um pequeno pacote de ervas. — Isso foi impressionante. virando-se em direção à porta.. — Você não acredita que Andy tenha sofrido um acidente? — Não. uma das ocupantes ergueu o olhar e exibiu um sorriso vago antes de fitar a xícara de café que tinha nas mãos. mas agradeço assim mesmo. ao ver-se relatando todo o ocorrido com Andy. Ele é do mal. Lucian fez os pedidos ao garçom. devido à dificuldade de abrir caminho entre a multidão. — Claro que conseguiremos.. que estava no caixa. Não sou eu quem escrevo as críticas. — Está bem. como se não tivesse certeza do que devia fazer. ele foi atropelado.. Talvez Sara. como vocês dizem por aqui. também o tivesse considerado maligno e o houvesse dispensado o mais rápido possível. — Ele e a esposa são críticos.. Loucura. Certamente havia outros clientes aguardando mesas antes deles. Porém. — Megan sorriu. pensou Megan. Quando chegaram à cafeteria.. O que vai querer? — ele indagou quando se sentaram. Mas em seguida. mas o homem carregava um embrulho com o logotipo da loja. Lucian o observou se afastar. é peca minosamente belo.. do tipo que vinham com instruções como "proteção contra o mal". Ele cumprimentou Finn e sorriu para Megan. Lucian foi até o maítre e apontou para uma mesa aos fundos. Estava quase alcançando a saída. a previsão de Megan se confirmou. — Ora. — Ele realmente ama você. — Tudo começou com os pesadelos? Ao que parecia. — Maligno? Pois na minha opinião. riu da afirmação absurda. em seguida. ontem à noite. Para surpresa de Megan. Finn pareceu hesitante. segunda cafeteria. Na verdade. Está no hospital em estado crítico. Lucian saiu. Sinto que você está em perigo. — Um amigo de Nova Orleans. — Tome conta de Megan. — Com os pesadelos. — Então esse senhor a preveniu sobre Bac-Dal? Era incrível como não conseguia ocultar nada daquele quase estranho. Atraía a atenção naturalmente. fitando-a com seriedade. Será uma longa noite. o maitre os chamou. — Podemos ir? — Então as coisas têm estado estranhas. — Fico feliz que tenham vindo. Com a sensação de que Finn estava tentando me matar. Aquele homem era um estranho. Tem de tomar cuidado. que os serviu como em um passe de mágica.Shannon Drake . Megan caminhava um pouco atrás. empertigou os ombros. ele é nosso amigo! — Megan deu-lhe as costas e forçou a passagem em direção à porta.

Não podem fugir dos sonhos. — Quando todos os olhares se fixaram nela. — Esperem um instante — Megan interrompeu. — Trata-se de um relato dos eventos que ocorreram na ocasião da morte de Cabal Thorne. — Em algumas sociedades.. Finn recostou-se à cadeira. Há muitas criaturas da noite e demônios lá fora. Finn. sobre como chegara ao quarto de Andy e de tudo o que ocorrera durante a visita. Precisamos ir embora daqui. — Não creio que estejam sendo perturbados pelo poder da sugestão. Um diário. olhando ao redor. Na época da Santa Inquisição. conseguiriam sair daqui. Megan se inclinou para a frente. E Finn nos fitava pelo vidro do quarto. — Acho que talvez tenham razão — Jade manifestou-se. mas discordei. Os eventos a que nos referimos a precedem em quase sessenta anos. Achamos que tudo o que está acontecendo se deve ao poder da sugestão. mas não sei lhe dizer se Finnegan Douglas está entre os cidadãos vigilantes ou. — Meu nome não é Finnegan. prosseguiu: — Finn sugeriu que fôssemos embora antes. Até agora. digamos que queiram sacrificar Megan. — Mas não sei. — O que é exatamente um demônio? — O termo demônio se originou do grego "daimon". meu Deus. embora eu não possa imaginar como conseguiram saber que eu estava na cidade. mas a Guerra Civil começou em 1861. de modo que eu me encaixo nos dois crimes. E foi muito estranho porque ele não estava olhando para mim. E então — prosseguiu. Pergunto-me se. não conseguira entender se o escritor se referia a ele como um dos seguidores de Thorne ou como um dos vigilantes. Não sabemos o que está acontecendo. — Ele me disse de novo que Bac-Dal me queria. a maioria das ações têm lugar nos sonhos. Ah. — Isso ultrapassa as raias da loucura.. de fato. — Eu nem ao menos consigo me lembrar. Claro que nós não acreditamos em demônios ou criaturas da noite. Depois julguei haver alguma coisa errada com ele. se compreendi bem. você se sentiu compelido a parar lá. — Algo que eu temo é que o crime de Boston tenha relação com o que está acontecendo aqui — disse Finn. — Talvez seja apenas uma coincidência — disse Jade. Isso está claro — opinou Jade.. — Não é coincidência — interveio Lucian. na Europa. Capítulo IV — Estou dizendo que é impossível! — Finn afirmou.O Anjo Caído (Bianca 915) — Você e Finn conseguiram visitá-lo? Megan contou sobre tia Martha. Foi bem planejado. o demônio pode ser considerado um espírito bom ou mau. comigo. sem dirigir o olhar à esposa —. achando que tudo não passava do poder da sugestão. — Acreditamos em você. Finn encontrou Jade em meio a pilhas de livros e manuscritos espalhados pela mesa. que quer dizer "repleto de sabedoria" — Jade respondeu. e agora acho que loucura seria permane cermos aqui! Finn esticou o braço sobre a mesa para tomar-lhe a mão. tão concentrada estava na leitura. Em seguida. ela ergueu o olhar e o fitou.Shannon Drake . — As raízes da minha família na Louisiana são centenárias. Na Idade Média. — O que foi? — Seu nome está neste livro. alguns cristãos demonólogos classificaram vários tipos de demônios. — O quê? — Finn se aproximou. quase desconfiada. — Meu marido não é. Vocês estão com problemas e precisam de ajuda. Ela não percebeu sua aproximação. assim como Jade. Ele e Megan estão em uma cafeteria nos aguardando.. Finn não é cruel ou um assassino ou maligno. mas não fechou o livro. Reli várias vezes. você tem razão. entre os satanistas. — Ela se interrompeu.. — Seria o mais lógico — concordou Lucian.. A escrita está muito confusa. e sua vida pode depender de sua crença neles. — Digamos que esse grupo de satanistas tenha matado aquela jovem. segurando uma grande caneca de cappuccino. — Lucian me pediu para buscá-la... De repente. — Alguém está exercendo o poder da mente. E minha família é totalmente sulista. Eu tenho o diário de meu trisavô a respeito da Guerra Civil. — Claro — Jade concordou. Lera a passagem que se referia ao tal Finnegan Douglas e. aborrecida com o que acabara de dizer. 65 . O exorcismo data do início do século dezesseis. — Jade? Surpresa. mas apenas Finn. — Como eles poderiam saber que você pararia em Boston? E. — Tudo bem. Eles criaram uma ruptura entre nós.

ela fez o sinal da cruz sobre a testa. quanto antes avisarmos Sam Tartan. olhou para trás. ao se aproximar. ofegando a cada passo. Lucian insistiu em pagar a conta. — Você está bem? 66 . não contem a ninguém..O Anjo Caído (Bianca 915) acreditava-se que os demônios podiam tomar forma humana e que eram terríveis molestadores sexuais. Acho que o vi parado fora da cafeteria. seguiu Megan. descendo a rua. — Vou fingir que estou amarrando o cadarço.. O súcubo era o demô nio feminino. Vocês estão escalados para tocar nesse horário. surpreso com o tom irritado de sua voz. — Acho que nunca o vi antes. com expressão questionadora. Por fim. O carro estava próximo. — Mas lembrem-se. virou-se para o marido. Quero passar na casa de tia Martha e depois em Huntington House. — Não. Eles são estéreis. Porém. por favor. — É mesmo? — Finn. não olhe agora. E importante para mim. obrigada — Megan disse. a maioria das pessoas pensaria que estou louca. surpreendido por uma rajada de dor que ameaçava explodir sua cabeça. mas o homem que os estivera seguindo conversava com um grupo de crianças fantasiadas. — Mais uma vez. — Está bem — Finn concordou. quero dizer. Detendo-se. Megan transpôs a porta. mas há um homem com um casaco marrom atrás de nós. Quando alcançou os degraus de pedra que levavam à igreja. Megan dirigiu um olhar inseguro a Finn.. mas não pretendem deixá-los se apresentar. Mas eu não estava muito atenta na cafeteria. — Vou com ou sem você. Megan agachou-se e logo se levantou.. — Megan.. mas eu não acredito nas coisas que contei a Lucian. Parece que eles são tudo o que nos resta. — Faça o mesmo. e o incubo.. — Não digam nada e não se preocupem com isso — aconselhou Lucian.. dando o braço a Finn e prosseguindo pelo caminho. — O que foi? — Queria. porém ele se deteve. Cerrando os dentes. Os casais se separaram. ele nunca nos dará referências. — Quer ir à casa de Martha. — Não acha que. e logo os quatro deixaram a cafeteria. se decidirem partir. Megan olhou para o relógio. Finn deu um passo atrás.. — Sim — respondeu. Caminhava pela nave da igreja até os bancos em frente ao altar. — Crendo ou não. melhor? — Megan. Haviam chegado à metade do caminho. não pôde evitar a pontada de ciúme. — Vai entrar comigo? Ele ergueu o olhar para a construção. Megan suspirou e repetiu o movimento na testa do marido. quando o alcançaram. Lucian e Jade voltaram à livraria. Posso lhes garantir que alguém tem outros planos. ocupou o banco logo atrás daquele em que ela se ajoelhara. Ir à igreja significava se atrasarem ainda mais. Não comentem nada com ninguém a respeito do que decidirem. fora atingido por uma estranha sensação. — Não importará.Shannon Drake . passar naquela igreja no fim da rua. e Finn conduziu Megan ao local onde o carro estava estacionado. Finn a fitou. — São quase seis horas! Precisamos ir. — Megan aprumou os ombros. Espere! Será que eles são loucos? Talvez sejam algum tipo de lunáticos que pensam ser mágicos ou. mas. Olhou para trás. — Sim. — E um prazer estar aqui'— respondeu Lucian. mas ela pareceu não perceber. Introduzindo um dedo no recipiente de água benta. coisa parecida. As coisas acontecerão à meianoite. mas podem fecundar mulheres utilizando o sêmen de homens vivos e o tornando seu. — Fazer o quê? — questionou ele. o masculino. mas antes quer passar na igreja? — Finn. Megan sorriu e girou. — Não sei se posso acreditar nisso — disse Megan. ela parou. Irão nos assistir? — Sim — garantiu Lucian. Não sei quais são. quando Finn sentiu um arrepio na espinha. Ele a seguiu com dificuldade. — Sabe que não a deixarei ir a nenhum lugar sozinha. Não sabia por quê. — São agradáveis. não? — indagou Finn. não importa o que façamos. — Espero que não. tomado pela impressão de estar queimando por dentro. se não aparecermos amanhã à noite.

resolveu entrar no museu. — Vamos comprar uma aspirina! — disse ela. — Está uma loucura lá fora. todos aplaudiram. Caminhando pelos corredores. Precisamos nos apressar. Megan se uniu a ele. Se puder. 67 . os dois retornaram ao carro. — Na verdade. Anuindo. Lucian aguardou até que ficassem sozinhos no salão. em cujo crachá se lia Mike Smith. — Lucian ofereceu-lhe a mão. filhos. procure-me. disparou pela nave da igreja. Não reparara na aproximação do padre. se precisar de mim. de cabeça. aconselhou uma voz interna. Quando o tour chegou ao fim. — Venham até o altar. Bem. Ao fundo. a fitá-lo intensamente. — Virou-se e se afastou. mas tornou. mas não pudesse.. um homem de cerca de quarenta anos e batina imaculada. Estou melhor agora. O sacerdote o fitou de maneira estranha.. continuou a discursar. padre — Megan insistiu.. Sou de Nova Orleans. — Padre? — É católica? — Sim. a dor cessou. irritada. — Não. — Halloween — ele comentou. — E você? — ele indagou a Finn. Interessado nas explicações. A mulher de cabelos pretos na bilheteria possuía vários orifícios. venha à missa amanhã. chegou até mesmo a perder a linha de raciocínio. cercadas por criaturas com caudas e chifres. A dor latejava nas têmporas de forma desesperadora. certo de que ainda estavam sendo seguidos. Finn e Megan Douglas. e que ele costumava selar a barganha com atividades carnais que sempre tinham lugar nas florestas à meia-noite. *** Lucian passou o restante da tarde vagando pelas ruas de Salem.. E. Finn lutava contra a dor que o assolava. — Um ingresso. como se tivesse sido queimado. De mãos dadas. Assim que Finn transpôs a porta da igreja.. — Fico feliz que tenha gostado — ele retrucou. Logo depois. Como se desejasse se afastar. ele os desviou. Não dispondo de muito mais tempo. Nesse momento. — Eu o conheço? — Não. o curador voltou-se um sorriso polido. juntou-se ao grupo. Assim que terminou. A dor lancinante passara. Gayle Sawyer. mas não avistou o estranho que os vigiava. Em determinado momento. por favor. — Vão com Deus. Finn olhou ao redor. acho que temos amigos em comum. Segundos depois. — Sou Lucian DeVeau. mal escutando o que o padre dizia a Megan. Finn. observando as pinturas que retratavam as cremações em massa na Europa e um diorama dos eventos ocorridos em Salem. desesperado por respirar o ar da rua.. com um olhar preocupado. franzindo a testa como se devesse reconhecê-lo. Obrigado pela excelente explanação. onde devia colocar piercings. obrigado de novo. o pároco retirou a mão rapidamente e esfregou-a. Sou o que ela quiser que eu seja! Católico? Alguma vez acreditei de fato em algo? — Por favor. sorriu e tomou-lhe a mão. Os dois se ajoelharam diante do padre. O padre desviou o olhar de Finn com dificuldade. — Meu nome é Mario Brindisi. — Padre. Então. O homem. reunidas em torno de uma fogueira na floresta. Finn ergueu o olhar. pode nos abençoar? — Megan pediu. — Não — Finn murmurou. Conte a Megan!. Percebendo que Megan o fitava de maneira estranha. porém seus olhos se dirigiram a Lucian. — Qual é o problema? Você foi grosseiro! — Estou com dor. ela lhe entregou o bilhete. Na plaqueta abaixo da obra estava escrito que as bruxas faziam pactos com o diabo. escutou a voz de um homem que guiava turistas. Lucian parou diante de uma pintura denominada: Assinando o Livro do Diabo. então. um sátiro segurava uma pena e um livro aberto. mas ainda podia sentir ardência onde ela fizera o sinal da cruz. lia-se no crachá. que impôs as mãos sobre suas cabeças e recitou a benção.O Anjo Caído (Bianca 915) Sobressaltado. que retratava três mulheres cobertas por tecidos transparentes. Lucian seguiu em frente.Shannon Drake .

— Está lidando com algo novo. Apenas não sei qual é. Por quê? — Seu marido parece não gostar de mim e não quero que ele pense que estou interferindo. A esposa ergueu a cabe ça. ainda absorta na leitura.. — Eu ficarei. ela tem um antepassado que se opunha aos procedimentos. Não acredito que Finn tenha essa dualidade. e nos encontraremos lá. mas. nota-se que ele preferia morrer a machucá-la. Quando o corpo de Megan for encontrado. — Talvez eles devessem partir. como nunca estive antes. Finn tinha se cortado no dragão da loja. Ah. Mas o que mais me aborrece é esse véu. mas ele me provocou arrepios. ou a proteção que Bac-Dal lhes está conferindo é intransponível. — E uma possibilidade. Estou atenta. fez uma careta e se espreguiçou. — Ele se virou e saiu. Porém... Se eu não retornar dentro de uma hora. Preciso ir... é discípulo de Bac-Dal e trouxe a esposa para Salem para oferecê-la em sacrifício. Mais tarde. — O que aconteceu? — Sei que isso vai soar estranho. Você deve continuar lendo. — Acho que não conseguirei ler mais nada. — Obrigada. E não se pode perseguir e destruir um sonho. vá para o hotel. me esperando. tome cuidado com esse sujeito. — Você está sozinha? — Mike perguntou. O assassinato da jovem em Boston deve ter provido o sangue de que necessitavam de antemão. — Deve estar falando de Lucian. se conseguirmos capturar uma dúzia de seguidores. 68 .Shannon Drake . mesmo possuído por um demônio. e sabe disso. Ele é. Um monstro decorativo arrancara cabelo dos dois.... O que faz sentido é que Megan seja oferecida em sacrifício. O que está acontecendo é muito estranho. se nada for feito. Brent está aqui. — Talvez. E amanhã é Halloween. E talvez você devesse ir junto.. E agora ambos estão em Salem. além de uma posse pessoal. — Ótimo. para ficar de olho em você. mas que estava tão envolvido com a Igreja que escapou da perseguição. — Talvez eu devesse ter enviado você para ler as pessoas. obrigada por me prevenir. Há algo errado com ele. Megan seria considerada a oferenda perfeita. Jacob Merril. — Obrigada. — Talvez os dois devam morrer. participou da ação que pôs fim à vida de Cabal Thorne. E teremos de conhecer os rituais certos para combater tudo isso. Vamos supor que seja o demônio.. embora de forma arcaica algumas vezes. naquela noite longínqua do Halloween. — Encontrou algo que precise de tradução? — Não. Parece que estou cego.. E há varias referências a Merril. Não quero ofendê-la ou insultar seu amigo. Jade fechou o livro que estivera lendo. Finn será responsabilizado pelos dois crimes. Tudo estava escrito em inglês. achei outra referência a Douglas. Portanto. — Estou na casa de tia Martha. estou ligando porque sou seu amigo. Jade fitou a pilha de livros à sua frente. e Finn está na sala. Concordo com Finn. Temo que. Sinto que estou perdendo alguma coisa. apesar de suas idéias. — Para onde vai? — Está ficando tarde. mas.. estremecidos um com o outro. de qualquer forma. outros tantos vão ocupar os lugares deixados por eles. acabei de conhecer um homem que afirma ser amigo de vocês. Ele me telefonou. Lucian encontrou Jade nos fundos da livraria. como a neblina azul. estava no grupo que. — Alguém morrerá no Halloween.. Todos com quem cruzei pelo caminho pareciam puros como a neve. — Eu sei. Não consegui nada além de tornar as pessoas cautelosas em relação a mim. porém eu precisava falar com você. Ocorre em nível mental. estarei lá. — Sim. um amigo. Matou a jovem em Boston. não? Ao que parece. — Eu sei. ainda tenho lugares para visitar e pessoas para ver. E quando ele fala sobre Megan. se o rito seria um sacrifício? — E por que essas coisas estariam acontecendo com os dois? Ambos perderam cabelo. — A resposta está aqui. Fique tranqüilo. E. A questão é que precisamos chegar à raiz do que está acontecendo. Finn foi compelido a parar em Boston. Não sei nem como dizer isso. que é o nome de solteira de Megan. — Isso não faz sentindo. Por que seriam necessários antes do rito. repassando os fatos em sua mente. Objetos pessoais poderiam facilmente ter sido obtido de ambos.O Anjo Caído (Bianca 915) Megan atendeu o telefonema de Mike enquanto abotoava a blusa. se há algum culto atual tentando reviver Bac-Dal. É fácil presumir quê esse homem. — A não ser que ele seja demoníaco e não saiba. Embaraça nossa visão. mas. Mike. mas ele cortou a mão na loja.. O cabelo e o sangue. — O que mais me intriga é a passagem sobre o retorno de Bac-Dal e as coisas necessárias para isso.

antes de ir regar as plantas. O mundo ao redor deles estava escuro. E quanto a Finn? Ele também perdeu algo? — Que eu saiba não. Martha a acompanhou até a porta. Estou apenas tentando chegar à base de tudo. Gosto muito de Finn e percebo a atração que sente por seu marido. franziu a testa. um barulho atraiu sua atenção para a porta.. — Alô? — Megan.O Anjo Caído (Bianca 915) Pegou seu telefone celular na bolsa e ligou para Megan.. Jade se despediu. — Tive o mais estranho deles ontem à noite. não conte nada a Finn.. Finn às vezes é descuidado. Por acaso se machucou depois que chegou aqui? Houve um silêncio prolongado do outro lado da linha. — Temos um pequeno problema. que saí caminhando em direção à floresta durante o sono.. A noite seria longa... —. — Ah. estou apenas preocupada com você. como se soubesse que estava interferindo em um assunto que não lhe dizia respeito. — ela garantiu. como se as asas de um grande morcego tivessem se aberto sobre o hospital. Em breve. por favor. entusiasmada. mas ainda assim ela podia ver a luz no fim de um longo túnel. Quando saiu do banheiro. — Claro que não.. sorrindo. salientando os cuidados que deveria ter com Andy Markham.. quando Susanna entrou. Megan lhe relatou o sonho da noite anterior e comentou sobre a terra e o corte em seu pé pela manhã.. apenas estressada. Megan percebia a hesitação da tia. Mas isso não seria necessariamente uma perda. Ele passou por aqui.. Ele usa muitas palhetas para a guitarra. É que. Mas não se preocupe conosco. Perdeu algum objeto ultimamente? — No primeiro dia em que cheguei aqui. As luzes da enfermaria diminuíram de intensi dade. Finn perguntou se ela vira Megan. enquanto se dirigia ao leito de Andrew Markham. — Ah. Estava apenas pensando. não há nada que justifique o uso da violência — ela disse em tom suave. Em seguida.. — Querida. O livreiro tinha escutado cada palavra que ela dissera. estaremos em casa e ficaremos bem. onde encontrou Sally tomando chá. não encontrou Megan. — Olá. Por que está me perguntando isso? — Não sei bem. — Está tudo bem. — Finn beijou-a na face. tomando chá. Megan sorriu. Megan ajudou-a a limpar a sujeira e saiu. Porém. Acho que ela queria falar com o sr. — Darei um jeito de vê-los amanhã — insistiu a tia. Quando Dorcas foi embora. — Finn nunca foi violento comigo. — Não fiquei infeliz. pensou. — Vamos. Quando o viu. — Martha. Megan dirigiu o olhar ao marido. Janice suspirou. — Mas você me disse que está tendo sonhos estranhos. O que houve? — Nada.. Se ele souber. Obrigado por tudo. sobre o estado de cada paciente. Só mais uma pergunta. Fallon. Era hora de mudança de turno no hospital. querida. Foi até o posto de enfermagem ler os prontuários dos pacientes. a mulher se assustou e derrubou a bandeja. que havia ficado sentada na cama esperando por ele. ela sorriu e o cumprimentou. mas. inclusive. Eddie estava se afastando da soleira. sem a companhia do marido. Acho. No momento em que finalizou a ligação. Tentando controlar a ansiedade. Estranhamente. Está pronta? — Finn perguntou. pois ele conta com várias delas. — Claro. é uma pena que tenha ficado tão infeliz aqui. prometendo encontrá-la mais tarde no hotel. O setor de manutenção precisava fazer uma revisão na parte elétrica. De repente. você foi maravilhosa conosco. Finn tomou uma ducha rápida e trocou de roupa em Huntington House. a nova enfermeira. Martha a envolveu em um abraço apertado. — Megan! Finn sabe disso? — Não. Apenas arranhei o pé. O que faremos com nosso equipamento? Um sorriso melancólico curvou os lábios de Finn.Shannon Drake . 69 . Megan? Durante o trajeto para Huntington House. — Mas. Vestiu-se depressa e correu até a sala de jantar. vai querer que eu fique sentada durante toda a noite. subindo à varanda. Dorcas atualizava Janice Mayerling. perdi um bracelete. é Jade. Finn carregou a mala de Megan para o carro. — Ela estava aqui. E não lhe diga nada. — Nada justifica arriscarmos nossas vidas ou nosso casamento. enquanto era percorrida por um arrepio.

Finn estudou-a. O sr.. — Meta-se com sua vida. A porta da Unidade de Terapia Intensiva se abriu e depois fechou. apinhada de gente trajando das mais simples às mais assustadoras fantasias. — Sara? — Sim. Esse homem é horripilante. — E o que isso significa? — Que ela vai morrer — afirmou Sara. — Fico feliz em ouvir isso. obrigado. Porém. e havia vários policiais uniformizados do lado de fora. Quando partiram. — Você me assustou. que identificou pela voz. E então? — Foi tudo bem. Susanna observava Megan e Finn irem ao estacionamento. mas algo nele lhe era vagamente familiar. carregando a mangueira com que regara o jardim. irritado. mulher. Fiquei observando Megan enquanto cantava. Não devia procurar Fallon sozinha. — Com o quê? — Seu amigo de Nova Orleans. e ela possui uma aura em torno dela. Theo Martin mantivera sua palavra. ele poderia dominar minha mente e me tornar escrava de suas vontades. mas ele não deu importância. ele viu que se tratava de tia Martha. Sei o que estou fazendo! Susanna praguejou e se afastou de modo abrupto. — O que houve? — ela indagou ao reparar-lhe a face pálida. Durante o primeiro intervalo. Deveria se trancar em algum lugar. Pela janela de Huntington House. você é o escolhido ou algo parecido. Traz sorte e proteção contra os maus espíritos. que contornava a casa. Voltou a atenção para o que estava fazendo. conversando com uma boneca Barbie. Ele é perigoso e você é perigoso. fitando um saquinho de veludo que ela trazia na mão. ansioso. Ele esteve na loja. A pessoa girou. Megan disse-lhe que iria procurar Morwenna e Joseph e saiu do palco. vestida para a festa do Halloween. sozinha. Ele observava. Um dos dois terá de me proteger. aconteceu.. — Como foram as coisas na livraria? Erguendo o olhar. 70 . movendo-se em silêncio pelo quarto. Não o conhecia. Talvez não por sua vontade. envolto nas sombras. Havia um homem fantasiado de Ceifador de Almas parado a mais ou menos quinze metros do palco. — Obrigado. — Nada. A pista de dança. gorro e máscara. ela correu para fora. — Que diabos está fazendo? — Cuidando do meu trabalho — ele rebateu. Finn se sentou para trocar uma das cordas da guitarra e relanceou o olhar à multidão. dando-lhe as costas e se misturando à multidão. Aquele sentimento estava se tornando rotineiro desde que chegara a Salem. mas continuo achando que tem que tomar cuidado. — Chama-se bardana. Aquele tolo! Que cavasse a própria sepultura! O salão estava lotado. — Lucian emergiu das sombras e proferiu aquela única palavra. Com apenas um olhar. — Ele saiu apressado e encontrou Megan no pátio. — Não. — Fique longe daqueles dois — Susanna avisou. — O que é isso? — indagou Finn. não estou brincando.Shannon Drake . Em seguida. Uma sensação estranha o invadiu. E sincera. estou usando uma pequena cruz medieval que encontrei na loja de Morwenna hoje. Sinto que há algo de muito errado com ele. deparou com uma mulher fantasiada de bruxa. pensarei no assunto. quando Megan retomou ao palco. Encontrou Fallon. E. Uma pessoa. entrou lentamente. no momento Sara lhe parecia uma moça comum. inclinou-se sobre o leito de Andy Markham e segurou os cabos que conectavam os monitores e o sistema de oxigênio. — Ele é apenas um wiccan. Além disso.. recordando a profunda hostilidade que sentira em relação a ela no início. — Por que diz isso? — Aquele homem é perigoso. — Se isso a faz se sentir melhor. Finn a aguardava. — Finn. mas. trajada com uniforme do hospital. Surpreso. quando faltavam poucos minutos para a meia-noite.O Anjo Caído (Bianca 915) — Obrigado. — Sim. Fallon me deu.. e deixe a minha em paz.

Eu podia ouvi-lo. ao mesmo tempo. fazendo voar fagulhas em todas as direções. — Lucian DeVeau. Finalmente. — Não entendo. Encontrei Theo Martin no bar e ele me disse que vai ficar atento. Os olhos de Martha encontraram os dele. ela disparou em direção à saída. À meia-noite e dez. eu vi os policiais. — Sim. A enfermeira piscou e sacudiu a cabeça. — Isso é ridículo! Andy jamais faria mal a Megan. Martha tinha os olhos fixos em Lucian. pareciam brilhar no escuro. Finn estava tocando a guitarra. não sei! A qualquer momento. com um estrondo.. — Eu nunca faria uma coisa dessas! — Mas veio até aqui e se esgueirou até o quarto de Andy. Quando a porta do elevador se abriu.. O que você está fazendo aqui? — Eu. Mas tenho certeza de que eles virão. Finn deixou cair a guitarra. — Virou-se e foi até os elevadores.. — Ir para casa. em seguida. o fogo começou. e Megan cantava. Veja. O capuz quase obscurecia completamente a face. — Finn! 71 . Arregalou os olhos e entreabriu os lábios.O Anjo Caído (Bianca 915) — Está mentindo. — Pois então. ela se aprumou. — Quem è você? — Martha perguntou. Tinham de sair dali. Isso é perigoso.. Vá ver seu paciente e fique com ele. guiando uma atordo ada Martha em direção à porta. Vou procurar um médico amanhã. caminhou em direção ao carro. e eu quase nunca sonho. — Vou acompanhá-la até sua casa. em tom suave. Como os de um gato ou de um. Mas ainda não me respondeu o que estava fazendo aqui. pensou Lucian.. A voz não era decrépita. — Quem é você? O que está fazendo aqui? — Não estou aqui. mas parecia não vê-lo. lobo. como se fosse gritar. Não me lembro de ter levantado da cama. enquanto Finn anunciava a próxima música. Poderia ter matado alguém. estava próximo ao palco. Finn sacudiu a cabeça. um funcionário ouviria a comoção no quarto. — Entraram no elevador. ouça o que vou lhe dizer: irá para casa e dirigirá com cuidado. fantasiado de Ceifador de Almas. Os gritos se elevaram em uma cacofonia instantânea. — Encontrou Morwenna e Joseph? — Não. mas os olhos. O conector elétrico no palco explodiu de repente. — Está na hora de começarmos. — Tive um sonho e Andy estava nele. — Martha! — Estalou os dedos diante da face inexpressiva. enquanto a multidão disparava em direção à porta. — Não — ele disse. Martha o fitou por um longo tempo e. — O que está fazendo? — ele indagou. Megan pegou o microfone e observou a multidão. — A última coisa de que me recordo foi de ter ido dormir. Não podia vê-los. — De repente. Martha parecia mortificada. Claro. — Não. mas sim autoritária e. inalando profundamente o ar da noite. — Eu a surpreendi tentando desconectar os aparelhos de Andy.. vestindo estas roupas. aquele é meu carro. ela pareceu notá-lo. nem de como vim parar neste hospital.. — Então por que está tão pálido? — Estou precisando de um pouco de sol — ele respondeu e olhou para o relógio. Era algum tipo de monstro e chamava por Megan. fitando o espaço. Eu estava tentando impedi-lo de alcançar Megan. — Quem é você? Oh. Eu não o conheço. Dirigir com cuidado. — Megan! Não obteve resposta. Andy está bem. Lucian gesticulou para que Martha seguisse em direção aos elevadores e estalou os dedos diante da face de Janice.. Sou amigo de Finn. O homem. Dirigi até aqui e nem ao menos me lembro. porém não obteve resposta.Shannon Drake . sedutora. meu Deus! Andy! — Fale baixo. A enfermeira Janice estava parada no corredor.

foi empurrado pela porta e deparou com algo pior que a escuridão. decidiu se deixar levar pelo fluxo. e os sprinklers dispararam. Aterrissou na pista de dança e entrou sob o palco para evitar ser pisoteado. — Estou tentando salvá-la. O som era vago. Megan descera do palco. Outra explosão abalou a estrutura. Minutos depois. Os bombeiros se aproximavam.. usando uma capa marrom. Tentou gritar. Era um homem. ele estava certo de tê-la ouvido. Naquele momento. ouviu um sussurro: Corra. uma bola de fogo se ergueu do palco. ele se deixou levar. — Obrigada — disse Megan. E então. Em direção à floresta.O Anjo Caído (Bianca 915) Apesar das línguas de fogo que rapidamente se espalhavam pelo salão. e Megan o ouviu falar em seu ouvido: — Não saia de perto de mim. Megan foi empurrada para a saída. Segundos depois. e Finn rolou para fora. aspergindo água em todas as direções e criando ainda mais confusão. O medo o invadiu. O incêndio teria sido criminoso? A voz de Lucian afirmando que eles não tocariam ecoou em sua mente. — Já estamos. O acre odor da fumaça invadia suas narinas. gritando antes de se dispersar. pessoas eram pisoteadas. — Solte-a! — ele ordenou. Aproveitando a situação.. ele colidiu com uma barreira. esticando a mão para ajudar a pessoa caída. — Sou eu. vamos nos afastar deste lugar. Gritava para que parassem. Pode ocorrer uma explosão. pare! — Megan puxou a mão com força.. a chamas começaram a lamber o veludo negro das paredes. separando-os com um movimento rápido. No entanto. quase alcançando as árvores! — Não vou deixar que se mate — retrucou ele. seu pé colidiu com um membro humano. — Finn!. Pessoas se acotovelavam. — Megan! — gritou. mas ninguém a ouvia. mas as palavras não surtiram efeito contra o pânico generalizado. — Saia daí. ajudando-a a se erguer. puxando-a pela mão mais uma vez. Megan. porém o som se diluía em meio à balburdia e explosões. puxando a mão com um solavanco. Em meio à cacofonia generalizada. Megan sentiu o coração apertado. Ele pode voltar para dentro para me buscar. Girou na direção da qual acreditava ter vindo o som. onde a fumaça que emergia da porta se misturava à neblina espessa. E então.Shannon Drake . Sentiu dedos se enroscarem aos dela e puxou a pessoa. Firmemente segura. *** — Mike. seu idiota! — Está? — O desconhecido esticou a mão. Ela gritou. Alguém pedia que todos mantivessem a calma. ele se agachara e vasculhara ao redor.. a força com que o desconhecido segurava sua mão aumentou. passando em disparada por ele. cega pela fumaça e pela escuridão. Por favor. — Não. Megan continuava sendo puxada para a frente. Conseguiu se inclinar. Sirenes eram ouvidas. No afã de escapar. disparou em direção à floresta. Decidido. Contudo. 72 . Apesar da confusão de pernas. alguém a empurrou. Preciso encontrar Finn! — Ele está bem. Impotente. longínquo e. Mike segurou-a pela mão outra vez e disparou pelo estacionamento. soltando-se. conseguiu se misturar à multidão enfurecida em direção à saída. Apesar das chamas.. A confusão do lado de fora não era menor. furiosa. ainda assim. a face oculta pelo capuz.. uma estranha risada soou em seu ouvido. — Não! Finn vai me procurar. Mike. — Finn!. Aquela era a única certeza de Finn. Pensou ter escutado Finn chamar seu nome. Determinado a seguir a onda de pessoas em pânico. A pessoa que trajava a capa com capuz a puxou para longe do hotel. vou voltar. De repente. — Se me der licença. Ele também devia estar sendo arrastado pela multidão. Seria fruto de sua imaginação? Podia ser. sempre gritando o nome de Megan. poucos passos à frente. ela o viu abrir caminho pela multidão até saírem para o ar frio da noite. amigo! — alguém gritou para ele. a escuridão era oprimente. Um reino de névoa e fumaça. mas sabia que Finn não estava mais lá. e empurrou quem a pressionava para a frente. Temos que sair daqui! — Quem diabos é você? — ela indagou. mas não tinha escolha.

puxando a mão. — É um dos garotos que trabalham na loja vizinha à de Morwenna. — O que estava fazendo com aquele grupo de assassinos? 73 . por favor. ofegante. minutos depois. Formas humanas começaram a emergir da neblina. — Atingido por uma onda de raiva. mas o homem que o atingira no queixo logo investiu de novo. — Terá de me matar. Seu aliado possuía uma força descomunal. o homem empurrou-o. concentrando a atenção nela. esperando um novo golpe que não aconteceu. Não deveria ter demorando tanto para vir. seu movimento foi preciso. Contudo. Não conseguia ver seu repentino aliado. Ela se virou outra vez. correndo. como se duas enormes asas negras se abrissem à sua frente e a envolvessem. antes que pudesse alcançá-lo. — Ele não saberá lhe informar nada — afirmou Lucian. descobrindo que correra na direção errada. — Deixe-a em paz! — gritou Mike. — Naquele instante. Com o punho cerrado. ele lutou. Ao recobrar a consciência. Utilizando todos os seus conhecimentos de artes marciais. e ele a soltou. — Qual é seu nome? — indagou Lucian. seu idiota! — vociferou. impedindo-o de desferir o soco. Inclinou-se com as mãos nos joelhos e. As mãos longas pousaram em seus ombros. segurou-o pelo colarinho.. músculos avantajados e olhos de um estranho verde. fazendo-o ver estrelas. Mike cambaleou. Quando o primeiro homem investiu contra ele. alguém se aproximava. Finn sabia que não agüentaria por muito mais tempo. — Não vai levá-la a lugar nenhum! — Mike protestou. até ser obrigado a se deter para respirar. Ergueu a perna e desferiu um golpe no queixo da figura mascarada. — O que querem? Podem pegar meu dinheiro. Megan foi arrastada em meio à neblina. Mas outros sons se faziam ouvir. Finn chutou-o. Muitos. mas sabia que a briga ainda não terminara. quase amarelos. Aproveitando a surpresa dos adversários. Desviando a atenção de Lucian. eles pareciam se multiplicar. O homem o ignorou. apesar da exaustão. Suspeitei que algo iria acontecer.. — Uma ova! — exclamou ela. — Conhece esse jovem? — indagou Lucian.. apurou os ouvidos. Megan. Uma das figuras furiosas conseguiu atingi-lo no queixo. — Também sabe lutar muito bem. uma língua de fogo cruzou o céu. o sujeito soltou um rosnado gutural. mas sou um amigo. arremessando-a para trás. Sem o menor esforço. não me machuquem. Era o homem que os estivera seguindo aquela tarde. mas o incêndio me pegou de surpresa. Junto com vento. retirou o capuz. disparou golpes nos que estavam próximos. — Peter Davis. o rapaz tentou se soltar. Passos. mas. — Não me conhece. Entretanto. Megan disparou em direção ao hotel. agachando-se e tomando a face do rapaz nas mãos. Estou impressionado. — Sou eu — disse Lucian. Podia ouvir as passadas no solo. Não deixaria que ficassem com ela. havia mais. mas conseguiu se manter de pé e investiu contra o desconhecido. — Você! — Sim.O Anjo Caído (Bianca 915) — Não. A escuridão se aprofundou. Ele se aprumou. Todas mascaradas. Quando o homem virou-se para encará-la. Porém. Ele se protegeu. — Não podem feri-lo — gritou alguém. Ouviu seu nome sendo sussurrado.Shannon Drake . Uma camada de gelo pareceu se formarem torno do coração de Megan. Viu seu atacante ser suspenso no ar e arremessado para longe. Sentia-se tão furioso e desesperado que estava pronto para enfrentá-los. inclinou-se sobre o homem e lhe retirou a máscara. percebeu que corpos começaram a voar pelos ares. Porém. Apenas o pensamento em Megan o mantinha na luta. — Espere! — ela gritou. Megan não mais o chamava. Finn correu rapidamente rumo à floresta. Naquele instante. estava prestes a golpear uma figura trajando capa preta diante de si quando escutou: — Está tudo bem! — A mão forte envolveu-lhe o pulso. Tinha cabelos negros.. De repente. usando capas guarnecidas de capuz. em sua direção. Virá comigo. Mas não abandonaria a luta. ela o chutou com força. outros o atacaram. — Virá comigo. — Acorde! Os olhos dele se abriram lentamente. — Obrigado por ter vindo. Finn ouviu um gemido vindo do chão. gritando o nome de Megan. Uma lufada de vento a fustigou.

. Ela o olhou nos olhos e identificou sinceridade. Preciso certificar-me de que ninguém está nos seguindo. Porém. — Deixe-o ir — disse Finn. Para imergir em uma escuridão infernal. Se o encarcerarem. Com os dedos em pinça. O medo o envolveu outra vez. Seu captor se deteve. — Estou tentando salvar sua vida! Precisa vir comigo. Trabalhei até tarde e vim para cá. Eles querem você e Megan separados. Lucian ergueu o rapaz. Eles se embrenhavam cada vez mais na floresta. Eu juro. Sam Tartan fará com que o prendam por incêndio criminoso. lembrando-se de que não tinha tempo a perder. — Eu não ataquei ninguém. Haviam seguido a estrada. Tenho de encontrar Finn. — Não posso confiar em você. Agora. Podia ouvir. colocou-a de pé no chão em frente a uma árvore. Vasculhando no bolso da saia. ela estará vulnerável. O homem praguejou. pois suas pernas falsearam. Lembro-me de correr do incêndio.. Contudo. apesar de Megan não saber exatamente para onde. Devo ter sido atacado.. Nunca brigo.. com delicadeza. retirou uma porção e a atirou nos olhos dele. Vociferando.. — Então me leve até ela.. disposto a confiar nela. tentando ver a direção que tomavam. A face dele se encontrava em um ângulo perfeito. — Espere! — disse Lucian ao perceber que Finn estava disposto a correr outra vez. encontrou o saquinho com a bardana que Fallon lhe dera. A seriedade das palavras e o tom genuíno a fizeram vacilar. — Ou faça o que quiser. mas estou ótima. seu canalha! Você me raptou e me trouxe sei lá para onde.. vai se arrepender — Megan ameaçou o homem que parecia possuir tenazes no lugar das mãos. mas Tartan fará com que o prendam.. Ótima. Megan abriu a boca para gritar de novo. Afinal. Ela seria dada em sacrifício a Bac-Dal. — Não pode voltar para o hotel. Mas sou um amigo. — Se não me soltar agora. Era como se estivessem voando. Ela voava a um ritmo cadenciado. certo? Sacudiu a cabeça. — Não me deixou opção. tudo começou por causa de seus equipamentos.. — Eu? Olhe para mim! Sou franzino. Estamos quase chegando a um local que acreditamos ser seguro. mas uma nuvem cobrira a lua. sim. e a neblina estava mais espessa do que nunca. Eles pegaram Megan. Houve um incêndio. O desconhecido franziu o cenho e a fitou como se ela fosse louca. mas não diminuiu a força com que a segurava. De repente. Megan fechou o punho e lhe desferiu um soco. — Quem diabos é você? — Finn indagou. furioso. E sei onde Megan está. O homem a fitou por um longo instante e. Raciocine comigo. estacou. Somos os únicos amigos que lhes restam. — O que foi? Megan está em perigo. — Como sabe de tanta coisa? Como posso saber que não é o mandante disso tudo? Maldição! Diga-me quem você é. Tenho que voltar para lá. — Finn virá até você. desapareceu na floresta. Aquele homem era um deles.Shannon Drake . e ele ficaria encarregado de mantê-la prisioneira até a meia-noite do dia seguinte. Megan apoiou as mãos no tronco da árvore para tomar impulso e se erguer. determinada. meio guiada por uma estrada escura.O Anjo Caído (Bianca 915) — Que assassinos? — Ele parecia confuso. um emissário do demônio saberia fingir. Ela ergueu a cabeça. de repente. — Você não gostaria de saber. Fitou o estranho nos olhos. — Que absurdo! Estava tudo em ordem. passos? 74 . Mas aquilo significava que teria tempo para escapar. preparando-se para lutar. Estava sendo meio arrastada. — Você está bem? — Ah. Mas tem de confiar em mim. Meu queixo e minhas costelas estão doendo. Pode ficar aqui por alguns instantes até eu voltar? Por favor. — Não vou! — Megan lançou a cabeça para trás e começou a berrar. mas ele disparou com uma velocidade impressionante. — O que está fazendo? Ou a bardana não tinha efeito contra os maus espíritos ou aquele era um homem comum com uma força colossal. mas tem de me ouvir. ele a ergueu e jogou-a sobre o ombro. E então. não esboçou reação. — Sim. e. Megan se recostou ao tronco. — Você me atacou! — Finn acusou-o. se ele a ouviu.. — Tenho de encontrá-la! — Nós a encontraremos.

— Corria em minha direção com uma faca erguida e não pretendia me matar? — Queria apenas assustá-la. Estamos certos de que eles não pretendem que você morra antes de amanhã à noite. o que poderia ser pior? — Há coisas piores. Talvez nunca consiga encontrar Finn. imersa na escuridão. preste atenção. afastei-me muito do local do incêndio. — Megan calou-se. Aquilo era inacreditável. ele começou a falar: — Meu nome é Brent Malone. existem demônios por aí. 75 . apertar a corda em torno do pescoço de Finn. A neblina espessa cobria a clareira. Nesse instante. irritado. colidiu com ela. — Escute-me. Um grupo de justiceiros tentando combater demônios. Ele nunca lhe fará mal. Por favor. Porém. querê-la morta! — Lucian está com Finn — assegurou Brent. E acho que não pretendia matá-la. Tentamos conter os assassinatos e a destruição no mundo. Dessa forma. mas a situação em que me encontro não é nada agradável. vou embora — desafiou Megan. você tem um cachorro.. E seu marido estará lá. O inimigo teria dito isso? Talvez sim.. antes que eles a raptassem. e se virou. Por favor. — Jade também está lá. Assim como o incêndio tinha por objetivo forçá-la a se esconder. sim? O homem está vivo. já que o renascimento de um demônio poderia ser mortal para muita gente nas próximas décadas. moça. Demônios uma ova! Quem é você? Lucian fitou-o. Apoiando-se em um joelho. Correr era a atitude instintiva. pare! Megan sentia o vento nas costas. — Não sei quem ou o que você é. Ela gritou. para enganá-la. — E quanto ao cão? — O que viu foi um lobo. — Estamos tentando salvar suas vidas.. Talvez tivesse sido a menção ao nome de Deus. Ela a aceitou. com isso. Assim como minha esposa. Uma vez que alguém me quer morta. — E onde está ele agora? — Ocupado. Acompanhando você e Mike. Brent lhe estendeu a mão. preparando-se para fugir. Fazemos parte de algo chamado Aliança. Podia alcançá-la e feri-la a qualquer instante. — Quer mesmo a verdade? Sim. posso não estar marcada para morrer até amanhã à noite. O que seria pior do que alguém desejá-la morta? Finn. ele iria preso e você estaria desaparecida. Brent sorriu. Agora podemos ir encontrar sua esposa? Ou quer que lhe prove o que estou dizendo? *** — Em nome de Deus. Há outros conosco. eu o matarei. Juro que estou dizendo a verdade — acrescentou ao perceber a expressão estupefata de Megan. nem que seja a última coisa que faça. Sou amigo de Lucian e Jade. Ambos foram ao chão. os demônios a assombravam nos sonhos. porque não posso deixá-la ir e não quero machucá-la. O que aconteceu esta noite teve por objetivo impedir que você e seu marido estivessem rodeados por uma multidão amanhã à meia-noite. Monstros e fantasmas e muito mais.Shannon Drake . assim como a de outras pessoas. correndo em sua direção.. — Já percebi. Porém. O lugar que alugamos fica logo adiante. fazendo-o parecer responsável pelo incêndio. aterrorizada. sentindo um nó na garganta. sim. Ele estava atrás dela outra vez. uma figura encapuzada com uma faca erguida em uma das mãos emergiu na clareira.. causados por pessoas como essas que estão tentando trazer Bac-Dal de volta à vida. Um enorme cão pulou sobre a figura encapuzada que avançava na direção dela. hesitante. — Ao que parece. — Droga! Que diabos está acontecendo? Isso deve ser algum plano louco de assassinato. mas através dela podia ver. — Por que Megan estaria na floresta? — Um amigo meu se encarregou de protegê-la e levá-la para lá. Acredite em mim. Surpreendeu-se quando o homem. mas se algo de ruim acontecer a Megan. possuído por alguma força estranha. algo no tom de voz daquele estranho a fez parar. — Ele não está morto. o que poderia se dever ao fato de estarem estremecidos. Estavam no carro alugado de Lucian. Com certeza. Acredite-me. percorrendo a sinuosa estrada. Aquele que derrubou o homem lá atrás. ele não é um dos principais satanistas. E. Onde ele está? — Vamos com calma. Há um bom número de nós aqui. ouviu um rosnado atrás de si e girou outra vez. por favor. — Quem era aquele homem? Ele está morto? Brent meneou a cabeça. Mas não o mencione para outras pessoas. está em sérios apuros. Não sei o que aconteceu com meu marido. — Se ele não estiver..O Anjo Caído (Bianca 915) De súbito. lançar suspeitas sobre vocês e. — Ouça. Sei disso porque sou um maldito Vampiro! E o amigo a que me referi é um lobisomem. — Isso é uma insanidade — disse Finn. sem conseguir refrear os passos.

Não acredito que o controle da mente faça uma pessoa cometer um crime hediondo. — É óbvio que não pretendemos lhes causar mal algum — Lucian afirmou.Shannon Drake . — Apontou para a mulher pequena que se encontrava a seu lado. Há poderes que foram liberados através de rituais. Daí o lobo que pensei ver. mas pertencia à vila quatrocentos anos atrás — explicou Lucian. já estariam mortos se quiséssemos. — É policial em Nova Orleans. — Não preciso de lua cheia — murmurou Brent. parecendo ter perdido todas as forças. — Sou Ann. Jordan. Enquanto a apertava contra o corpo. — Poderiam esclarecer o que cada um de vocês é? — pediu Finn em tom polido. — Não compreendo — interveio Finn. — Não importa. Finn abraçou-a. — Sou eu. Esta é minha esposa. — Se há tantos de vocês e possuem poderes extraordinários. Maggie e Sean. se isso o fizer se sentir melhor. As palavras lhe faltavam desde a revelação de Lucian. Havia dez pessoas ali. — Rick Beaudreaux. Tudo o que aconteceu esta noite foi encenado. E a lua ainda nem está cheia. humana agora. Bac-Dal conferiu poder a seu servente. — Mas que estava destinado a estar lá quando ela morreu. Porém. mesmo que conseguíssemos nos livrar de alguns. de uma data específica ou de nenhum detalhe como os envolvidos em toda essa situação. Vira como Lucian fizera voar homens pelos ares sem o menor esforço. o que obrigou Finn a segurá-la com mais firmeza. estariam mortos. Era como se estivesse em um pesadelo do qual não podia despertar. — Como Ragnor disse. vampiro — apresentou-se o homem louro de olhos azuis. — O que precisamos fazer esta noite é ler — afirmou Maggie. Não precisamos de rituais. Acordou na rua e perdeu a noção de tempo. — Exceto que não se sabe quem eles são. e este é meu marido. com frieza —. sentada diante da lareira. A bela mulher que estivera sentada diante de Megan levantou-se e estendeu-lhe a mão. quem quer que tenha contato com Bac-Dal com certeza tem o poder de recrutar outros. mas não encontrou nada além de referências sobre o crime em Boston. — E essa pessoa já tem certa força — completou Jade. Pode lhe mostrar sua credencial. — Sou Maggie Montgomery Canady. ele avistou Megan. Finn temeu que ela estivesse prestes a desmaiar. por que não extermi nam esses satanistas? — Boa idéia — retrucou Sean. Uma bela mulher. — Ótimo — resmungou Megan. E há outros. quem de vocês é o lobisomem? — Lobisomem? — repetiu Megan. — Sim. mas sabia que não seria capaz. — Uma cabana escura na floresta. Sean. — Mas você estava lá — contrapôs Lucian. 76 . — Vampiros. — Não será uma batalha de força. Parecia tão atordoada quanto ele. Se aquelas pessoas não fossem o que alegavam ser. Assim. quando Lucian girou a chave na fechadura e a porta da cabana se abriu. com sotaque francês. estava acomodada na cadeira diante dela. — Megan! Ouvir seu nome pronunciado pelos lábios do marido a fez se erguer em um pulo e se atirar em seus braços. — Esta área não pertence a Salem. olhou ao redor. — O homem que os vigiara de fora da cafeteria na tarde anterior deu um passo à frente. Havia outras pessoas ali. — Não matei aquela jovem — Finn afirmou. — Era uma mulher elegante de cabelos pretos e olhos claros. Sou Ragnor Wolfson. Porém. Vamos lá. faria. sentadas à mesa da sala de jantar. — Sean procurou nos arquivos da polícia pela internet alguma atividade criminosa envolvendo moradores desta área. — Muito bem — começou ele. mas credenciais podem ser forjadas. — Lobisomem? — insistiu Megan. não deveríamos estar correndo de vocês? — questionou ela. mas nenhum dos personagens principais estava no palco. as pessoas suspeitariam de você. — Provavelmente. ofegando. sentindo como se fossem apenas os dois contra o mundo.O Anjo Caído (Bianca 915) — Sua esposa? Ela também faz parte da Aliança? — O nome dela é Tara. Como o do controle da mente. E. — Indicou o homem ao seu lado. como Rick e Ann. — Se são vampiros. Haviam estacionado o carro a certa distância da cabana que Jade alugara aquela tarde. — Sentiu-se compelido a parar em Boston. ela se aprumou. da lua cheia. estariam mortos. — Algo que eu não posso combater — Lucian disse. Estava disposto a enfrentar o mundo para salvar a esposa. se for necessário. Megan era quase um peso morto nos braços do marido. não — concordou Sean. de cabelos avermelhados. Teremos de lutar da mesma forma. em vez disso. — Apenas humana. — Se quiséssemos lhes causar algum mal. — Lucian não está afirmando que a matou — disse Jade. Finn continuava com o olhar fixo à frente. E um lobisomem... vampiro. esposa de Rick.

No caminho. — Ou seu ancestral fazia parte da Aliança naquela época. o padre se aprumou. Ao se aproximarem da igreja. — Estou com medo — confessou. — Temo ter matado aquela jovem em Boston. passando pelos ferimentos e pesadelos. — Se não tiverem Megan. — Exceto nós — Megan o lembrou. caminhou até o altar. O grupo na cabana estava imerso na leitura. — Talvez não devesse — Megan interveio. E então o vampiro virou-se.— Jade opinou. De repente. esticando a mão em direção a Lucian.. De repente.. e é o mal destinado a roubar a vida e a alma de sua esposa. E isso pode significar duas coisas. folhas. — Então eles têm tudo — Finn murmurou. Tapetes de vegetação. Atrás deles. Os dois se encararam por um longo tempo. deteve-se por um minuto diante do altar. Finn e Megan acomodaram-se à mesa da cozinha. — Não estamos encontrando nada útil. para o centro da cidade. Jade repassou com eles tudo que havia acontecido desde que tinham chegado a Salem. 77 . — Não acho que isso nos ajudará — Lucian opinou.. Foi no meio da narrativa que Finn descobriu que a esposa cortara o p é durante um dos sonhos. Finn. se a situação chegar ao ponto em que eu ofereça perigo a alguém. incluindo a perda de objetos e cabelos. pegando o que necessitava. — Não quis que soubesse para não preocupá-lo ainda mais. percebeu que os lábios de Lucian se moviam em uma oração. Chegando lá. O noticiário da televisão fornecia informações sobre o incêndio. concentrada. — Pode estar certo disso. — Vou entender se não puder nos ajudar. Foi manipulado para matar a garota em Boston. — E não há mais tempo. prometa-me que fará o que for necessário para me deter. Vou sair e voltarei em uma hora. embora quase cego de dor. ou você realmente é o escolhido pelo demônio. Nosso poder será o conhecimento. imagens se formaram em sua mente. De repente. Estacionaram com relativa facilidade. ciente da presença do padre.O Anjo Caído (Bianca 915) Nesse instante. Temo que possa fazer mal a alguém. — Eu sei onde eles estão — disse. Rick levantou-se. trilhas iluminadas pelas estrelas e tingidas pela neblina que se erguia em espiral do solo. A dor excruciante que sentira onde Megan fizera o sinal da cruz. Finn cambaleou. Finn revelou a Lucian o que acontecera durante sua visita à igreja no dia anterior. O padre o fitou por um longo tempo antes de se pronunciar: — Não posso fazer nada sem o consentimento do Vaticano. Inquieta. ela rumou para o porão. — Eu acho — disse Tara — que a descoberta do nome Douglas nos textos antigos é muito importante. Alguém estava atrás dela. — Vou com você — ofereceu-se Finn. O padre Brindisi anuiu e. Ragnor. Virou-se e fitou a pessoa que entrara. sentindo a cabeça latejar. Dê-me o frasco. e Ann se prontificou a servir a todos. — Ainda assim. arrumou as ervas e pegou o livro de feitiços. Guiando Finn pela nave da igreja. sentou-o em um dos bancos. Lucian se movimentava pela igreja. — Talvez esteja certo. Em seguida. mas não mencionava nada sobre o paradeiro de sua prima ou do marido dela. Lucian e ele haviam concordado que Andy podia ser a chave para conhecer a verdade. Portanto.. — Ficará tudo bem. e o padre ergueu o frasco sobre a cabeça de Finn. peço que feche os olhos para o roubo que estou prestes a cometer. — Não tenho conhecimento de ancestrais nessa região. Porém. eles não poderão derramar seu sangue — disse Finn. — Preciso ir.Shannon Drake . Agora vamos ver como se sai dentro de uma igreja. pode me acompanhar? Precisarei de ajuda para invadir uma igreja. Lucian o amparou e abriu a porta de madeira maciça.. aproximou-se de Finn. em seguida.. Jordan anunciou que o café estava pronto. — O quê? — ele indagou. — Precisamos de sua ajuda. No mesmo instante. Árvores oscilando sob a luz da lua. a Megan. e Ragnor estava certo de que ele devia ser vigiado. Morwenna estava histérica. Tenho que alcançar Megan. Você estará em segurança desde que não saia daqui. — A água benta. Fechou os olhos e rezou. algo interferiu em sua concentração. Ragnor separou-se deles. Mas acho que devem continuar lendo. Lucian obedeceu. o nome estava nos registros. Pouco depois. Acho que o mais sensato seria levar Megan para longe daqui o mais rápido possível. Finn fechou o livro à sua frente. Finn. O velho Andy foi deixado sozinho por muito tempo no hospital.

De algum lugar. amava-o. — Estava tentando matar Andy? — Matar Andy? Claro que não! Tudo o que desejo é descobrir onde está minha sobrinha! Você.. Portanto. confiava nele.. encontrava-se no cemitério escondido na floresta.. Faça-o andar em Sua senda. — Sou Rick Beaudreaux. Porém. Fortaleça-o contra o mal. O soluço foi abafado. — É para já! — retrucou a enfermeira. Tentou convencer a si mesma de que aquilo não passava de um sonho.Shannon Drake . ele tentara afastá-la do incêndio. Desesperada. Ao despertar. Tentou se mover. Megan estava sentada diante da lareira. rapidamente imergiu na inconsciência. Martha cruzou os braços. mas sem saber a quem pertenciam. Andava descalça. Estou vigiando Andy. por ém percebeu que estava amarrada. Quem quer que estivesse chorando foi amordaçado.. pousou a prancheta no balcão e rumou para o quarto de Andy. 78 . — Como se chama? E como entrou aqui? — ela indagou. e Andy é parte disso! Por favor.. Ela caminhava. percebeu que se encontrava no banco traseiro de um carro. apesar de repudiar a crença na bruxaria. chutou e se contorceu. Faziam parte da bruma que cercava a casa. Megan não percebeu que adormecera. Será o sacrifício perfeito. irritada. Aquelas pessoas eram reais. como uma tola. Eu apenas tinha de fazê-lo falar! E não preciso dar-lhe satisfações! Nem o conheço! — Sim. Conhecia-o. levou-a a lutar. as luzes do dia se esvaíam. Tarde demais. proteja este seu servo. Martha suspirou. fascinante.. contorcendo-se de dor. estava exausta.. mas nós precisamos. O turno no hospital mudou. Alguém praguejou. Uma onda de energia. negando-lhe acesso à Unidade de Terapia Intensiva. Lutou. e podia ir em frente. Escrutinando o corredor. Finn sentiu como se tivesse sido baleado. Quando a água caiu sobre sua cabeça. — Fez um belo trabalho — disse uma das vozes. O fogo era belo. aproximou-se.. certa de reconhecer aquelas vozes. poderíamos deixá-la ir. O padre continuou a rezar. Sabia onde estava. — Não ouviu o noticiário? Minha sobrinha vai ser acusada de ter provocado um incêndio. não? Assustada. — Pois terá de chamar a polícia para me tirar daqui.. No entanto. Sim. assustada. Pequenas línguas coloridas se erguiam. A sra. No passado. — Não.. não contara a Finn sobre seu encontro com Andy. A última coisa que esperava encontrar no quarto de Andy era um homem nas sombras.. suscitada pela determinação em não se entregar. mas subitamente soube que não estava mais adormecida. Sei que esteve aqui antes e que pretendia feri-lo. não é? — Sua sobrinha está em segurança. Martha explicou o motivo de sua presença ali. diga-me o que está fazendo aqui. Teria contado a alguém? Não se lembrava. coberta por capas. Mathews. foi engolfada outra vez pela escuridão. retorcendo-se em movimentos lentos. Talvez a Mike. deixe-me entrar. Mas ninguém saberia porquê. terá de confiar em mim. — Quem é você? O que está fazendo aqui? — Não importa — respondeu d desconhecido. Martha insistiu. atraente. — Você sabe que será presa. Ah.. Martha percebeu que as duas estavam sozinhas. E tudo escureceu. informando que Dorcas abrira uma exceção para que ela visitasse Andy.O Anjo Caído (Bianca 915) — Pai. Quando voltou a abrir os olhos. Entreabriu os lábios para gritar. e suas pálpebras tornavam-se cada vez mais pesadas. — Tão bom que. derrubando-a. seus olhos se fecharam. A neblina a tocou.. As chamas continuavam a bailar. Havia uma prancheta de metal sobre o balcão. Martha pegou-a e bateu na cabeça da enfermeira. Megan franziu a testa. Uma dor lancinante o perpassou. mas já que acabou de atacar uma enfermeira. virando de costas e erguendo o fone. começou a gritar. ouviu um suave soluçar e sussurros. Experimentando uma onda de náusea.. uma mulher que Martha não conhecia bem. embalada pelas cores das chamas e pela voz de tenor que sussurrava seu nome. fui um policial. Devia ser uma daquelas pessoas. viu as figuras à sua frente. e estranhamente esse pensamento a acompanhou no sonho. como em uma doce carícia. O que haviam posto contra seu rosto roubava-lhe a consciência. se não precisássemos de você. Caiu no chão. Algo está acontecendo desde que ela chegou aqui. mas alguém pressionou um pano embebido em um líquido de aroma doce contra sua boca e nariz. — Não.. tentando se concentrar na leitura.. a enfermeira mostrou-se irredutível. Certificando-se de que a mulher estava desacordada. Entreabriu os olhos e. Porém. Conheço os procedimentos para entrar e sair dos lugares. Martha quase gritou. Contra a vontade. não a feriu. pois precisava sentir o contato sensual com aterra. Porém.

Megan. Saboreie-o. e seus olhos se encheram de lágrimas antes que ela sofresse um desmaio. chamando-a. E eu não sinto.. Era algo sobre Bac-Dal querer Megan. mas também não obteve resposta. ouviu um grito abafado. — Isso é ridículo. em uma hora. Sabia que se dirigia a um local onde a maior das glórias o estaria esperando. Sean Canady se recostou na cadeira. porém novo agora. ninguém é capaz de descrever o homem. Temos de usar a lógica para encontrá-la. — Jade pegou o livro e leu em voz alta: — "Apesar de meu avô não ter presenciado a ação. tão intenso que lhe permitiria apoderar-se do mundo e deleitar-se com o controle sobre as criaturas vivas. Tome-a. Dessa forma. Após cometer o assassinato. Quando ela e Finn se casaram.. — Sim.. Uma expressão horrorizada se estampou no rosto da mulher. Faça o que quiser.. — Você não entende. Cada carícia ousada o levava para mais perto de um poder orgástico. que a ofereciam a ele. — Espere! — gritou Sean ao ver Brent fazer menção de sair. mas até agora a polícia não tem nenhuma pista sobre o assassinato da jovem em Boston. ciente dos aromas intensos e sensuais da floresta. e não Megan? — Eles não querem matar nenhum dos dois. O som. Qualquer homem poderia ter saído na calada da noite e. sua essência. acontecendo. mas pode não tê-la matado.. Todos a fitaram em silêncio.. diante de todos nós? — indagou Jade. apesar das mãos que o estimulavam e o impulsionavam para a frente. todas as esperanças do mal!" — Agora tudo faz sentido — disse Maggie. voltou-se para a lareira. Era escoltado por um grupo de mulheres.. permitirão que Bac-Dal tome o corpo dele. não estou aqui para fazer mal a ele. ou Megan será seu entretenimento inicial ou. e a Megan que eu conheço e amo irá morrer no altar. Fico me perguntando se não serei a culpada.. que vai se tornar Finn. Sean foi até a porta. E. que lhe era tão familiar.. E depois derrame o sangue inocente. Tenho medo de que isso tenha algo a ver com Megan. cuja lâmina brilhava. E o corpo. — Sorrindo.O Anjo Caído (Bianca 915) — Eles acham que Megan e o marido causaram aquele terrível incêndio.. Considerava Morwenna uma lunática. — Onde está Megan? — a senhora perguntou. Não acho que eles queiram feri-la. Finn emergiu em um mundo de neblina... mas logo exclamou. confuso.. mas. Os cabelos eram como uma teia de fios dourados que se derramava do altar. — O ancestral de Finn destruiu as esperanças de Bac-Dal de voltar. — Megan! — Brent gritou. — Consegui! O ancestral de Finn não estava tentando trazer Bac-Dal de volta. Saindo da escuridão. Finn parou.. — Finn estava lá — disse Maggie.. com ele. Rick estava de volta. — Martha fitou-o com olhos marejados. Mas isso é absurdo. ou sua alma. Apesar de ela estar acompanhada no bar. Portanto. Ela é sua. — Nunca deixaremos que eles a machuquem.Shannon Drake . roçando o corpo ao dele... tocado por mãos indistintas. Naquele instante. — Já lhe disse que Megan está segura. Acho que o demônio já está se infil trando nele. E não soube dizer se o som vinha de algum outro lugar. tomando forma na neblina espiralada. — E então. Ouçam. ansiosa. fiquei orgulhosa e saí pela cidade mostrando as fotos da cerimônia. A névoa tocava sua pele exposta de forma erótica. — Não adianta corrermos como idiotas. — Acha que o alvo é Finn. Fui tola durante todos esses anos. Caminhava nu pela terra verdejante. a porta está aberta! — Acha que ela se levantou e saiu. Rick franziu a testa. voltaria para casa sem que a esposa nem ao menos se desse conta. insistindo em não acreditar em nada de extraordinário. que provocou os sonhos.. — Maldição. Todos os seus sentidos estavam em alerta. ou de Megan. — Megan gostará de saber disso. Outra se colocou à sua frente e entregou-lhe uma faca. Mas Andy sabia de algo. Brent não respondeu. — Andy estava conven cido de que algo terrível estava por vir. O pescoço alvo e delicado. Moveu-se para a frente e a viu. alguém que quer servir a Bac-Dal tomará sua forma humana.. que Megan esteja segura. planejam matar Finn. ouviu dizer que foi Douglas quem puxou a espada e matou o homem que estava disposto a dividir seu ser mortal com o demônio. ou como queira chamar. excitando-o. mas a questão é que ele deve voltar na forma humana. Não sei ao certo. que o acariciavam e louvavam. Cabal Thorne morreu e. mas há algo errado. quando sentia que havia algo. Você e seu outro amigo que esteve aqui podem achar que a estão protegendo. ter chegado a Boston.. 79 . Deteve-se diante de um altar.. Sim. Finn foi atraído até Boston e depois até aqui por vingança e por conveniência.. Andy ficou furioso comigo! Pensei que ele não passasse de um velho louco e passei a ignorá-lo. sobressaltada: — Ela não está lá! Tara percorreu aos quartos. — Ergueu o olhar para fitar Rick. — Não. acompanhado por uma senhora e carregando um idoso inconsciente nos braços. Ann. Criaturas belas pareciam flutuar em torno dele. assim. mesmo estando afetado pelo demônio. Pensei muito no significado do que Andy dizia. — Alguém está chegando. Uma aparição surgiu às suas costas.

. pois em meio ao crescente prazer erótico. Ainda estava na igreja. Que gentil de sua parte se juntar a nós. Suspirando. à carícia da neblina e aos dedos em sua pele nua. franzindo a testa. Precisamos voltar para junto dos outros. Graças a Deus! Porque ele sabia agora que. levando os dois ao chão. imobilizando-o. Era apenas uma estátua de pedra. Gotas pingavam de seus olhos. mas tenho uma idéia de quem possa saber. Finn saiu da igreja. — Poderá nos dizer no caminho. — A polícia não nos ajudaria em nada. O homem caminhava. provocando-a de maneira indecente. insinuando tudo que era mau. Naquele instante. Onde? Finn sentia-se tão tenso que parecia quê seus ossos estilhaçariam. ele sentiu como se tivesse imergido em um caldeirão de fogo. 80 . dos pés à cabeça. rindo e se divertindo. ela era o prêmio. cambaleante. ou protestava. estirado no chão diante do altar. Sim. Megan e ele estavam destinados à punição. — Com os punhos cerrados. Mas então. considero-o um idiota. — Eles a pegaram. mas havia outro homem. mas não o suficiente para impedir que Finn se atirasse sobre ele.. Contraiu-se. Ela o chamava de volta. e ele conhece essa área como a palma da mão. Finn disparou atrás dele. — Onde está Megan? — perguntou. Lucian o encarou com olhar penetrante. Porém. O que precisamos saber é se ela lhe contou algo sobre os sonhos ou sobre as coisas estranhas que têm acontecido — Lucian explicou. — Você o trouxe de volta.. apressado. — Ah. seu telefone tocou. — Precisamos ir à polícia — disse Finn. — Em quê? — No combate à Missa Negra. Gayle Sawyer... seus gritos haviam atraído alguém para perto dela. A imagem de Finn sumira.. padre — disse Lucian. parecendo mais aliviado que orgulhoso. Não. O curador do novo museu? — Megan lhe confidenciava coisas. — Vou com vocês — ofereceu-se o padre: — Onde ela está? — Lucian indagou a Finn. pela rua e. Tentei afastá-la de lá.. — Estamos lidando com um demônio. mas ela podia senti-las. Lucian e o padre inclinavam-se sobre ele. soltou-o. Mike Smith. E quando ela abrira os olhos. Pense! BacDal está em sua mente. um idiota a arrancou de mim.O Anjo Caído (Bianca 915) Megan. Afinal lê mentes. Já peguei o que precisava na igreja. Megan não conseguia parar de gritar.. viu Mike Smith. e Lucian ajudou-os a se erguer. Deveria saber. — Estamos indo. — De que diabos está falando? Tentei mantê-la em segurança. Mike imprimiu uma boa velocidade aos passos. A estátua de mármore da criatura com chifres parecia ter ganhado vida e ria dela. Está acordada. — Onde ela está? — Finn repetiu. Finn segurou-o pelo colarinho. O que precisamos é descobrir o que está acontecendo. Megan não ficou surpresa ao vê-la e imaginou se Mike também estaria envolvido naquilo. — Há florestas por toda a Nova Inglaterra! — Você é um vampiro. A face que parecia tão viva era uma cópia burlesca da de Finn. — Na floresta. As mãos ou cascos de pedra não se moviam. O museu estava fechado. — Megan conversou com você. Estava esperando por ele.. pousando a mão em seu ombro. Finn se pôs de pé. Pessoalmente. e encarou-os. — Smith. e então cada um terá de desempenhar seu papel. Estava molhado. Não fora mergulhado em fogo.. começou a correr. A sedução se renovou. assombrado. Quando Finn parou diante do edifício. Fora colocada no extremo oposto do altar. Lucian fitou-o.Shannon Drake . — Não sei! Eu a vi depois do incêndio. Uma criatura capaz de penetrar nos pensamentos e no subconsciente.. Pessoas fantasiadas enchiam as ruas. com Lucian em seu encalço. Ele atendeu e escutou por alguns minutos.. ao reconhecê-lo. maldizendo a própria impotência.. — Finn! — gritou Lucian.. No entanto. E vou atrás dele.. Mario Brindisi anuiu. Finn gritou. — Não sei.. onde ela se encontrava amarrada. de alguma forma.

mas. — Está bem. garota esperta. — Quando Bac-Dal retornar. quem mais. — Sabe que não pode me cortar —. não. e nossa sacerdotisa se livrar da pele velha para tomar a sua. Instintivamente. Ou pensa que nunca vão achar o corpo de Morwenna? Está enganada quanto a nossos amigos. — Oh. — Duvido de que toda a corporação esteja envolvida.. E imagino que. Bem. Contudo. e nosso sacerdote teve que matar. — Sei que você está se divertindo ao me torturar. Gayle sorriu. encontrava-se na extremo oposto do altar. — Temos muito trabalho a fazer. tendo assumido o seu corpo. alguém apareceu ao lado de Gayle. coberta apenas por um pano com um pentagrama invertido bordado no centro. como Bac-Dal e a sacerdotisa. — Você não sabe no que está se metendo — Megan disse. — Do contrário. De repente. Mas em Boston ele apagou. — Finn não é facilmente derrotado. — Tem. sim. seguido por um som de tapa e um gemido. Eu poderia tê-lo levado a trair você. 81 . mas Gayle permaneceu a seu lado. disposta a. Gayle pegou um pano embebido na solução de aroma adocicado. — Morwenna! — repetiu Megan. Deus! Finn havia desconfiado tanto de sua prima. Seus corpos serão eternos. na verdade. você não será cortada. Quantas pessoas há aqui? Treze? Existem muito mais policias do que isso. Mas admita. a sacerdotisa. — Chega! — determinou Theo. sua aparência não está das piores. — Ah. com o demô nio dentro dele. Quando chegar a meia-noite. Ao ver os olhos de Gayle escurecer. Trate de sedá-la outra vez. No início. fomos mais fortes do que imaginaram. o irmão de Eddie. ouviram um grito aterrorizado.. Megan constatou que estava nua.. Era Theo. — Sara! Venha até aqui — alguém a chamou. Que pena! Agora ele não será mais Finn. A pobre alma dele será torturada enquanto ele tenta entrar no céu.. cabeças de carneiros e deuses dotados de chifres. Erguendo a cabeça o máximo possível. Um homem trajando uma capa preta com capuz se aproximou. Voltando para perto de Megan. — Vai acabar presa — disse Megan. Megan piscou. — Está se referindo àqueles caça-fantasmas da Louisiana? Não seja ridícula. e agora lá estava ela. está entre os treze? O sr. — Nada disso tem importância. ofegante. — Ela tirou algumas conclusões — Sara explicou. vocês vão se vestir melhor — concluiu. certo? Foi tão divertido vê-la desconfiar de Finn. não foi genial? O demônio tomando a alma dele de vez em quando. me diga.. — Finn não a matou! — constatou Megan. Nunca pensamos que seria.. mais tarde. Megan.. para nos tornar mais vulneráveis. Aquele velho idiota é apenas um wiccan. eu não seria o sacrifício perfeito para seu BacDal.. Gayle pegou a arma. encostou a lâmina em seu pescoço. Ao perceber seus esforços.. Mas haverá tempo. mas as cordas haviam sido bem atadas. ele começou a confiar em mim. Naquele instante. Eles encontrarão este lugar e providenciarão para que a polícia os prenda. — Gayle afastou-se. Está bem. mas Morwenna poderia causar problemas. Mas devem se sentir privilegiados. O sangue dos ancestrais corre em suas veias. E acho que você acabará presa. triunfante. e você não será mais Megan. emitia vibrações ruins. com esses cabelos dourados caindo sobre o altar e a expressão de terror estampada no rosto.. Havia figuras de pentagramas. — Não havíamos nos decidido por um sacrifício de sangue esta noite. rindo da própria piada. — Não sabe com quem está lidando. — Ah. Megan soube que dissera a verdade. mas morrerá sofrendo. seu poder vai nos proteger. Porém.. Então. pelo menos. diante da qual havia uma faca. irritá-la. Finn teme que tenha cometido o crime. — Talvez seus caça-fantasmas tenham alguns poderes. — Morwenna! — Sara riu. — Alguém chamou um policial? Estou aqui. ele mesmo. Deveria ter lhe dado ouvidos. — É mesmo? Seu Bac-Dal está tentando me separar de Finn desde que chegamos aqui. tenho de ir. impaciente. — Mike?. tentando disfarçar que não tinha idéia do que Gayle estava falando. É divertido torturar Morwenna. Fallon? — Oh. — Espere! — Megan pediu. — Está com uma aparência. você não parece tão famosa agora — disse Sara. a agonia sobrepujará qualquer sensação provocada por uma faca.Megan conseguiu dizer. todas teremos a nossa vez. Depois. Finn não é maligno em si. Aposto que ele foi um amante fantástico. Ela será o sacrifício final para fazer a transformação acontecer.. — Ele se afastou. sorrindo. irá desejá-lo. Sara partiu. exibindo um sorrido maquiavélico.O Anjo Caído (Bianca 915) Pequenos piercings tapavam os orifícios na face e nas orelhas de Gayle. A estátua. Megan tentou livrar as mãos. mas não maiores que os de Bac-Dal. Não está entendendo nada.Shannon Drake . dentre as pessoas em quem eu confiei. aquela moça.

. o que. naquele momento. deixa um homem do clero desconfortável. — Não. — Gayle ergueu o pano sobre a face de Megan. — E quem são o sacerdote e a sacerdotisa a que tanto se refere? — Descobrirá esta noite. é claro. Além disso. Ao menos não virarei um demônio e poderei lutar por Megan.O Anjo Caído (Bianca 915) — É mais divertido torturá-la com o mistério. Sua participação foi muito importante. Seu corpo sobreviverá. O padre meneou a cabeça. Sentirão a falta dela. — O cemitério! — exclamou Mike de repente.. estamos na companhia de lobisomens e vampiros. O poder de Bac-Dal protegerá todos nós. — Por fim. virou as costas e foi se juntar aos demais na floresta para ajudar nos preparativos para. insistindo que Finn soubesse tudo o que Megan lhe contara. não haveria problema. Apesar de Lizzie não servir para nada.. — Finn. preocupado com cada minuto que perdiam na cabana. — Que idiota que eu fui! Claro! Todos os olhares se concentraram nele. pressionou o pano em seu rosto. você estará morto. — Vocês se dizem vampiros e lobisomens. — Isso não vai nos levar a lugar nenhum — Ragnor falou. não retornaria a tempo de salvá-la. E. o padre Brindisi levantou-se e acendeu o cigarro que pedira a Finn. Eu desconheço as repercussões finais desse ato. Aquela cadela adora os humanos. não é? — Pelo contrário. mas você estará morto.. Poderíamos matar uma dúzia de pessoas. e Ragnor entrou. — Um cemitério? — Lucian perguntou. certamente. Havia esperança. sei que há o mal no mundo. Torne-me um vampiro. Nesse instante. mesmo que eu o mate rapidamente. encontrava-se em algum lugar. — Bem. — Espere! Não pode matar Morwenna. Andy fora acomodado no sofá.. — O processo já foi desencadeado. Finn sentiu um misto de ciúme e raiva. que estão hospedados em Huntington House. — Não estaria você orquestrando tudo isso? Talvez esteja se divertindo. Sam Tartan é um dos nossos. Por que simplesmente não vão até lá e acabam com eles? — Não podemos fazer isso — explicou Jade. aproximou-se de Mike. estou tentando somente ajudá-los. — Estou me sentindo muito desconfortável aqui. E. superficialmente. considerado profano. Em determinado momento. a meia-noite. Finn sabia que ela estava dizendo a verdade. — E Megan? Por que não a trouxe com você? — Porque não adiantaria. Apenas os colocaria em alerta — opinou Martha. Megan inspirou somente duas vezes. — Ouça. padre. viajaram até aqui apenas para tomar parte na cerimônia desta noite.Shannon Drake . E o quê? Estava imobilizada em um altar. não parece certo. estava com amigos que podiam ajudá-los. — Você não acredita.. não haveria tempo. Martha segurava-lhe a mão e falava com ele. Joseph colocará a polícia à procura dela. a porta se abriu. acho que ele está sendo sincero — interveio Lucian. Gayle retirou o pano. Ele n ão era maligno. Mas esteve disposto a matar aquela mulher em Boston? — Não! — protestou Mike.. Tanto quando acredito em Deus. Como deve ter presumido. Quando o mundo começava a girar. Encarou Lucian. 82 . querendo que o efeito da droga passasse logo e. Finn correu em sua direção.. — Encontrei-os — anunciou em tom calmo. atraindo-os até aqui. Mas posso lhe dizer que John e Sally. — Ainda mais em relação a seu velho amigo Mike. Eu deveria ter pensando nisso antes — disse Mike. E Finn. Movido por aqueles sentimentos. Mas algo aqui. Testemunhei a força extraordinária que possuem. mas. dirigindo o olhar a Ragnor. — Quem mais? — Darren. Mike estava à mesa. Não há nada lá a não ser estátuas antigas. — Mate-me. — Isso não é da sua conta. Você precisaria morrer. — Gayle sorriu. Irá conosco até o lugar certo e depois fará parte da Missa Negra? — Jamais feriria Megan. mas se não matarmos as certas e se os feitiços forem levados a cabo.. E. — Não iria feri-la porque alguém se transformará nela. Morwenna era torturada. — Há apenas um... — Sim.. mesmo que todo o FBI aparecesse aqui... Finn estava tenso.

fulminados pelo poder de Bac-Dal. que abrigarão as essências de Bac-Dal e da nossa sacerdotisa. conforme as instruções. — Terá vontade de correr para Megan. E por isso a tinham impedido de se juntar ao círculo. — Seu velho inútil! Não fez nada! — vociferou antes de se erguer e sorrir. Ótimo! Ao menos a sacerdotisa não ficaria em tão boa forma.. — Onde está o sacrifício? — O sangue colhido na última lua se encontra em um cálice sobre o altar — um deles informou. Ainda não reconhecera todos os que se movimentavam por perto. Estava ficando tarde..Shannon Drake . — Depois virá. Não tinha escolha. Encaminhando-se ao altar. porque nem você nem Bac-Dal conseguiram fazer com que Finn a matasse. Afinal. Sabia onde se localizava o cemitério e pretendia chegar lá rapidamente.. entendeu? Finn anuiu. se você valesse a pena... nele.. eles a haviam drogado. Precisava partir.. Mas morrerá a seu tempo. renovando a vida! Beberemos o sangue deles e ingeriremos os vestígios de seus cabelos. e Megan aguarda Bac-Dal. — Não — negou Lucian. A lua cheia estava alta no céu. não conseguiria afrouxar as cordas que os atavam. Você o conhece. Um grande círculo fora formado ao redor do altar. o sangue o sacrifício! *** Martha esperou até que todos saíssem para gritar com Andy. ele está no seu marido. Alguém chegou.. Conhecia bem aquela voz. Vamos beber! Primeiro o sangue frio.. o Douglas continua em companhia de seus amigos. Martha permaneceu onde estava. e um pentagrama invertido tinha sido desenhado com giz. — Você morrerá. Eles sabiam. pensou Megan. e as pessoas se aproximaram. mas havia muito movimento por ali. — Ele ergueu a mão para pegar o cálice no altar. Que decepção! Não agüentou o fato de sua mulher ser melhor do que você na comunidade Wicca e ter um posto bem mais alto que o seu? — Você é uma vadia! — Eu deveria ter imaginado. recolhendo os papéis com os cânticos e magias de que precisariam. Oh. Só não estava certo de que conseguiria se conter. Precisava confiar no que lhe diziam aqueles seres. Ela não sabia precisar o horário. já que estavam encapuzados.. um pouco do sangue dos escolhidos. Bac-Dal é real. de modo que o altar se encontrasse entre as duas pontas da estrela. mas não faça isso. — Um círculo sagrado — corrigiu o padre. Ele se transformará como deve. seguindo os ensinamentos dela. não importava quanta força empregasse. — Posso ir com vocês? — Martha indagou. Parecendo desolada. Um bom wiccan. Permaneça no círculo de poder que criaremos. e aqueles que iriam interferir morrerão rapidamente. está pronto? Teremos que formar um círculo mágico tão logo nos aproximemos do altar profano. — Estamos perdendo tempo. — Calou-se e bebeu. Seus pulsos e calcanhares estavam esfolados... como me diverti na última semana! — Você arderá no fogo do inferno! — Não antes de aproveitar bem a vida aqui. tentou mover os pulsos.. Porém. — Mas a sacerdotisa. Antes de deixaram a casa. Lucian voltou-se para Finn.O Anjo Caído (Bianca 915) Finn cerrou os dentes. — Ela chegará a tempo. — Meus filhos! Comecemos! Sara correu em sua direção. que foi colhido e fervido e. Porém. — Morwenna permanece amarrada à árvore. ela é minha sobrinha! — Não — reforçou Jade. Em breve tudo estará acabado. — Mas foi você quem cometeu o assassinato. e não dispomos de muito — disse Lucian. ajoelhando-se a seus pés e beijando a bainha de seu robe. O homem caminhou até onde se encontrava Morwenna e a chutou. No entanto. — Como poderia? Sou apenas o marido de sua prima. Quando recobrou totalmente a consciência. — O que é perfeito. — Mas. minha cara. Mal podia esperar para ver a expressão deles! Mas. Vejo que está acordada. 83 . — Com o padre Bríndisi. — Eu o mataria. — Joseph. somos treze. Tolo! Falando mais do que devia! Deixarei que os policiais o encontrem aqui e especulem a respeito do que pode ter acontecido. Fique e cuide de Andy. ele fitou Megan. — Olá. — Padre Brindisi. Aquele deveria ser o mais alto sacerdote. Franziu o cenho. desesperado. assim como oferecemos o bracelete e as palhetas da guitarra às chamas. Megan não permitiu que ninguém percebesse que estava acordada. — Está tudo pronto? — indagou um homem. e tudo o que ele conseguiu foi arrancar um gemido baixo de sua vítima..

O mundo estaria aos seus pés. Beijavam-lhe a pele e caíam a seus pés. mas ele se livrou do obstáculo com o poder que o percorria e continuou a caminhar. vocês são o refugo da terra! Bac-Dal. nós o servimos. Darren. seguia o padre Brindisi. Eles pulavam ao redor da imensa fogueira que ardia no centro do pentagrama. Finn mataria sua prima. Uma pequena figura.. parado diante do altar. Lá estava ela. mas Finn empurrou-a. apenas prazer. O prêmio no altar seria seu em uma nova vida de prazer carnal e poder. Ele era Bac-Dal. Ouviram os cânticos quando chegaram à floresta. de alguma forma. A recém-chegada dirigiu-se até ela.. E uma onda avassaladora de desejo. louvando-o. uma voz penetrou sua mente. Uma delas seria o homem parado no altar. Quando isso estiver acabado. Era como em seu sonho. Alcançou a sacerdotisa. e juntos. Os demais estavam nus. Forte e poderoso. Ao aproximar-se de Morwenna. — Pensam que têm o poder! Vampiros. ela e Finn teriam de lutar e vencer aquela batalha. tentando se desvencilhar das mãos que a prendiam.. Aproxime-se. De matar. uma mulher velha. Sentiu uma fome que nunca experimentara antes. Ela ficaria com a juventude. o vigor. a paixão. Agora! E assim ela fez. Chame-o. John e Sally.. Gayle. que planejara. horrorizado. e eu obterei a juventude. os esperavam. obrigou-se a repetir as palavras do padre Brindisi. Sim! Bac-Dal estava dentro dele. mas.. Aquela que alegara não acreditar no mal. O padre Brindisi recitava passagens da Bíblia. Supremo. protesto e repulsa. você terá retornado à vida. A noiva do todopoderoso Bac-Dal. o idiota que bancara o devasso no bar. Do altar. como se alguém lhe tivesse ateado fogo. Bac-Dal podia ter bloqueado uma grande parte dos sentidos dos vampiros. Os satanistas notaram a presença deles e. ela gritou: — Grande Bac-Dal! Esta noite. Em instantes. Era tia Martha. Alguém o tocou no braço. enquanto Jade e metade deles entoavam cânticos de um livro de feitiços. tendo na mão a faca que pegara no altar. banhar-se nele e depois. Ali. Seria bela e jovem outra vez. O sangue corria com força em suas veias. quando duas das pessoas se afastaram do fogo. Finn sentiu-se arder. oferecendo-lhe carne. O sacerdote supremo. Finn! Ele segurava a faca em uma das mãos e mantinha a cabeça de Morwenna inclinada para trás. — Finn! Em nome de Deus. Deve chamá-lo e detê-lo. Nesse momento. atirando sal em arcos enquanto caminhavam. seu momento chegou! Você tomará o lugar do descendente do homem que atrasou sua vinda. apelando para a força da terra para contê-lo.. — Ele está em você. Finn mantinha sua posição entre Lucian e Ragnor. a mulher se deteve e baixou com orgulho o capuz. grande Bac-Dal! Tome a faca.. Martha riu. mas. Ansiava por penetrá-la na carne. a despeito do poder sobrenatural de seus amigos. Finn estremeceu ao ver Megan. clamando em nome de Deus. — Tolos — rosnou Martha. e ele. por beber o sangue da vida. Deu um passo à frente. livrando-se da capa e da camisa que vestia. como uma música atraindo-o para a frente. Não escutava nada. — Venha. Megan ergueu a cabeça o máximo possível e gritou até ficar rouca. oferecemos o sacrifício da carne. e. A frente... Ainda assim. Finn observou. depois admitira que algo estranho estava acontecendo e que fingira querer ajudar. com toda a força do seu coração! Era a voz de Lucian. esperando. Ela se livraria da pele velha e enrugada e das dores. recitando orações e espargindo água benta por onde passavam. sangue e prazer. Susanna. Sam Tartan. enquanto entoavam cânticos em tom cada vez mais alto. mas com uma alma que desejava servi-lo. Estava quase completo.Shannon Drake .... beber seu sangue.. sobre o altar. Eddie. Finn saiu do círculo que formavam. Assim que bebessem o sangue da última lua e aquele do novo sacrifício.. Chame-o em voz alta. Megan! Chame o homem que você conhece e ama. e partilharemos o sangue desta mulher. Cerrando os dentes. voltou-se para Finn. 84 . revelando Morwenna. O padre Brindisi ergueu uma cruz sobre sua fronte. Mas faltavam duas pessoas. Megan soltou um grito. Cortar a garganta da mulher. avistaram o círculo. As mulheres o tocavam. Theo Martin e seu irmão. Ele era Bac-Dal.. eles haviam suspeitado de Martha. Morwenna lutava pela vida. a enfermeira Dorcas e Marty. trajava uma capa preta com um capuz que lhe ocultava a face. contorcendo-se em uma dança estranha. Jade atirou sal em sua direção.. pálida.. por anos. estava a última. envolta em uma capa preta com capuz. lentamente. Os demais os ladeavam. aparentemente.O Anjo Caído (Bianca 915) Não importava. Um som distorcido de horror. por fim. porque não havia pressa. E então ela soube que. Seus dedos se fecharam em torno do cabo da faca. Aproximando-se.. e parecia vir de seus pés. A névoa se espiralava no chão. puxando-a pelos cabelos. amarrada e estirada no chão. Primeiramente. — Gargalhando. emergindo da floresta. Imploramos que venha para nosso mundo. Finn sentiu a raiva aumentar ao reconhecer as pessoas: Sara. além de um cântico.

como fizera nos sonhos. A floresta ficou em silêncio.. — Como conseguiu cartas tão boas nesse jogo. que.. caminhou até o altar. Nesse momento. — Está usando seu poder mental? — indagou Finn. o fim seria rápido. mas eu estava pensando a mesma coisa. quando não conseguia escutar mais nada. Poderia alcançá-lo. do outro lado da fogueira. Lucian libertara Morwenna. atingiu Martha no braço. erguendo um galho de árvore para atingir as costas de Finn. Então. Mas não foi necessário. eles nos ajudaram. ainda tremendo. seu imbecil! — exclamou com desdém e o golpeou. ainda amarrada e vulnerável. Mas eles não iriam longe. Ao sentir alguém se aproximando por trás. Megan e Morwenna. A terra caía sobre as chamas. Erguendo a perna. Megan ergueu-se. Martha se erguera outra vez. pois Lucian subitamente surgiu ao seu lado. — Não. que. pegando-o de surpresa. Ergueu a faca sobre Megan e a fitou nos olhos antes de baixar a lâmina e cortar as cordas que a prendiam. mais terra foi lançada sobre o fogo. conforme os resquícios da fogueira tornavam-se apenas cinzas.. Em seguida. Morwenna? — Sean indagou. e a bruma se foi.. — É a polícia — anunciou Mike. cortou a noite. e os dois rolaram pelo chão. E desvaneceu-se. como um grito de dor e raiva. — Joseph. um urro furioso se fez ouvir. Um som estranho. Tenho um celular. Joseph levantou-se e investiu contra ele. — Você está bem? — ele indagou a Finn. padre. — Desculpe-me o linguajar. um bando de vampiros. imbecil! — ela gritou. ali. não conseguiu alcançá-la. restou somente o ruído das sirenes dos carros da polícia. ela pensou.. Com o poder incomum daquelas pessoas.. em meio à neblina.. afinal. Porém. — Deus me perdoe. por favor! Lucian era um vampiro. inconscientes.. conseguiu se pôr de pé. Alcançou o altar onde ela estava e abraçou-a com gentileza e ternura. E então. Livrando-se das cordas. derrubando-o. em seguida. se a floresta não pegar fogo. Ela sorriu.. O som de sirenes interrompeu o silêncio da noite. começou a guinchar e. imobilizou a adversária e encostou a lâmina em seu pescoço. Alguns haviam fugido. era apenas Mike. Porém deteve-se. pegou a faca que caíra no chão e correu em direção a Morwenna. ergueu a cabeça e virou-se para o padre Brindisi. parou ao lado de Joseph. mas logo seriam capturados. estremecendo ao notar que Lucian estava destruindo o pentagrama. e não fumaça. Um bater de asas. Você não me transformará em um assassino — disse ele. — Seu cretino. — Eles nos salvaram. afastando-a.. Escutou vagamente quando Morwenna. Sean e Finn disputavam acirradamente a partida. Mas você me salvou. Eu ouvi a sua voz. Sorriu para ele. Virou-se para Martha e sorriu. um lobo e suas esposas. Achei que estava na hora de chamá-los. A fumaça subiu e dispersou. correu para a floresta. Martha soltou um uivo furioso. estendendo um casaco para que se cobrisse.O Anjo Caído (Bianca 915) — Não Finn! Não faça isso! Finn! Ele soltou os cabelos de Morwenna. 85 . quieta. — Ajude-o! — Megan gritou. onde o sacerdote se encontrava ao lado de Megan. Reunindo as forças que lhe restavam. — E na hora de alguns de nós sumirmos — disse Lucian. que se aproximavam rapidamente. Bac-Dal. Ele a pegou no ar. Deus. avistou Gayle correndo. erguia-se no ar. Em seguida.Shannon Drake . Por um instante terrível. da qual também participavam Jade. Outros estavam caídos. Trêmula. Lucian e Finn começaram a abafar a fogueira. Os que fugiam seriam facilmente capturados. Megan achou que poderia ver os olhos flamejantes e os chifres do demônio. e que não chegaria a tempo. mas percebeu que suas pernas ainda estavam atadas e lutou para soltar-se. arrancando-lhe a faca das mãos. virou-se. Sara. cerrou o punho e desferiu um golpe no estômago da mulher. recostando a cabeça ao peito forte. foi a vencedora. levantara-se. Tinha recuperado a faca e corria em dire ção a Finn. — Sim. Megan. que gritou e caiu. — Sim. fazendo a faca voar. Ficaremos bem. — Não. ela o encarou. um sussurro na escuridão. pois Finn estava preparado para o golpe. Contudo. com o galho erguido como uma arma. seguida de outros. dando a impressão de que névoa. após cair em prantos. Finn virou-se para Megan e atravessou a floresta em sua direção. sorrindo. Epílogo O jogo de pôquer estava animado na casa dos Canady. Um padre. idiota. Não estaríamos vivos se não fosse por eles. surpreso. Porém. chutando o corpo caído do marido.

A beleza do lugar. apenas não tinham noção de onde ou quando. Quero vê-lo e lhe agradecer pessoalmente. A única que havia sido absolvida fora Lizzie. apesar das tragédias que ocorreram em Salem. Não quero deixar que aquele episódio arruíne a imagem da minha terra para mim. Eu também recebi uma carta de Mike. Com o testemunho do padre Brindisi. — Então. Megan sorriu. é claro. Ficariam hospedados na propriedade dos Canady pela próxima semana... temos de visitá-lo.Shannon Drake . Megan sorriu. — Quando quiser.. E. — Por isso. estou tendo uma visão....O Anjo Caído (Bianca 915) — Bruxaria — ela respondeu com serenidade. Contudo. Vampiros. Megan e Finn sabiam que teriam de testemunhar. E lhes seria imputada uma longa pena.. Não só ele a traíra com as mulheres do grupo de satanistas. Ele deslizou o braço por sobre o ombro da esposa.. — Como um amante demoníaco? — ela murmurou. — Ah.. a tia se enforcara na prisão. Ele ficou muito abalado quando soube que a mulher com quem trabalhava todos os dias era uma satanista.... sentindo os dedos longos percorrer suas costas. — Para sentir a brisa da noite. ansioso por alcançá-la. como os julgamentos ainda seriam marcados. sorrindo. Apenas como o homem que a ama mais do que a própria vida. porém Megan se preocupava com as descobertas de Morwenna a respeito do marido. Ele meneou a cabeça. quero voltar a Salem. E. Era bom estar entre amigos em quem podiam confiar. eu estive pensando. Aproveitara-se dela para acompanhar os passos de Megan e Finn. a cadelinha dinamarquesa.. — Não. A prima lhe contara que nunca havia suspeitado de que Joseph se perturbara com o poder que ela tinha conquistado junto à comunidade. — Mas neste momento. Está pensando em entrar para o seminário. — Concordo. E agora Martha está morta. levantou-se da mesa e foi até Finn. — Qual? — Estou tentando cruzar uma grande extensão.. E a prima realmente precisava de um tempo longe de casa. E mais tarde. — Espero que ele esteja bem — disse Finn com sinceridade. ela ainda duvidava de que tudo aquilo acontecera de fato. Para eles. Megan riu. acho que temos de voltar. pessoas que insistiam que ela e Finn fizessem verdadeiramente parte da Aliança. — Não agora. Mas então se lembrou de que eram amigos de diversos vampiros. — Puxou-a mais para perto. fora um mês bom. era provável que fosse transferido para outra cidade em Massachusetts. 86 . Sinto-me arder por dentro. — Vamos até a varanda um pouco — Megan anunciou. ela deslizou os braços em torno do pescoço do marido. — Em quê? — Ninguém compreende bem o que aconteceu. Ele está tomando conta da loja de Morwenna. quer um cigarro. — Claro. — E gostaria de rever Adam Spade. A Nova Inglaterra é um dos lugares mais lindos do mundo. — Tem passado muito tempo em companhia do padre Brindisi. por que estamos aqui fora? — indagou Finn. Joseph fora considerado psicótico. há algo especial ali. Precisamos também agradecer ao padre Brindisi. — Para não admi tir a própria derrota. — Sim.. A cobertura da impressa fora ampla e. Todos seriam julgados por tentativa de homicídio e cumplicidade. mas eu. — Vamos lá desejar boa-noite para todos? Não havia névoa naquela noite quando deixaram a varanda. história e coisas maravilhosas. cheia de esplendor. acima de tudo. sem mencionar que pretendera oferecê-la em sacrifício a Bac-Dal.. Fallon.. Ainda mais naquele lugar agradável e espaçoso. que habitava agora a propriedade dos Canady. com um desejo ardente. o divertimento.. Em alguns momentos. quero voltar para recuperar tudo o que amo. Quero que conheça minha terra como ela verdadeiramente é. E. Quanto aos outros. pois sei que você está esperando. E me contou que Andy Markham saiu do coma. — E. ficou claro que Martha e Joseph eram satanistas que se associaram para forçar pessoas a se submeterem às suas exigências. — Aonde quer chegar. impetuoso. não se sabia ainda a exata jurisdição ao qual o caso pertenceria. Megan? Sorrindo. Porém. Havia se passado um mês. que anseia por você neste exato momen to. Morwenna estava gostando de Nova Orleans e decidira que não voltaria a viver em Massachusetts. Poderíamos visitá-lo também. Há algo no ar.. como cometera um crime em Boston. claro. extasiada. como uma carícia. e estou faminto. meu amor. luxuriante e febril deste corpo simplesmente humano. — Há também o sr.. E um lobisomem. — Finn. e foram para a varanda.

Shannon Drake . que a amava.O Anjo Caído (Bianca 915) Finn cruzou a escuridão do quarto em direção a ela. Aquele era o homem perfeito. 87 . Nenhuma maior do que a força do amor. Havia muitas forças na Terra.

a resgatou da morte cena no deserto do Saara. ou o inebriante perfume de rosas que ela usava. 1870 .. intenso e arrebatador. Quando o major Michael Fallon. Haveria perigos também. o sedutor oficial inglês. com idéias modernas para sua época. pois Michael não se contentaria com menos que um amor verdadeiro. mas sentia-se enfeitiçado por aquela mulher. Ainda assim. Mas uma mulher independente e feminista... Além disso. Perfume de Rosas Egito. uma amarga traição trancara para sempre o coração do atraente major. ela se viu envolvida por uma paixão à qual era impossível resistir..Shannon Drake .Brianna Donnelly nunca imaginou que encontraria o grande amor de sua vida tão longe de casa. Michael também achava difícil resistir ao desejo que a encantadora Brianna lhe despertava. O escândalo era o menor dos problemas que enfrentariam.O Anjo Caído (Bianca 915) Clássicos Históricos Romances do Século XIX Leia na edição 446. Não sabia se era eleito do luar. 88 ... nunca seria uma esposa adequada para um duque.