RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM EDUCAÇÃO INFANTIL

1 INTRODUÇÃO O estágio de docência em Educação Infantil foi realizado no Centro de Educação Infantil Professora Dejanira Queiroz Tixeira, localizado na Rua João Vicente Ferreira s/n, Jardim Santa Maria, Dourados – MS. O estágio foi feito m dupla, pelos acadêmicos: Jeanice Cássia dos Santos e Rouberval Barboza do Amaral. Sendo acompanhados pela professora regente: Clarice Ferreira dos Santos, Pedagoga. A intervenção foi feita no período matutino nos dias: (5) cinco a (9) nove de abril de 2010. Conforme combinado com a professora regente, que nos passou os conteúdos com os quais estava trabalhando: corpo humano; partes do corpo (cabeça, tronco e membros); cuidados com o corpo; higiene; órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar). Fomos apresentados às crianças, pela professora, que ficaram cheias de contentamento por contarem com novos integrantes para interagirem, brincarem, aprenderem. A prática em sala de aula nos leva a refletir como será nosso dia a dia como professor. Enquanto estamos estudando apenas as teorias, não temos idéia do que é estar frente a uma classe e ser o responsável pela mediação do conhecimento às crianças, a responsabilidade é grande. A experiência vivida na sala do CEIM – Centro de Educação Infantil nos mostrou claramente o que significa ser professor na Educação Infantil. Saber como trabalhar determinado conteúdo, para que a criançada realmente se desenvolva, aprenda com compreensão. Portanto, é no estágio prático em sala de aula, que o futuro professor tem a oportunidade de se aperfeiçoar para exercer com êxito sua profissão. Segundo Silva, 2007, p. 35. “A primeira concepção que deve nortear o papel do professor é: „aprender e ensinar‟ e „ensinar e aprender‟. Ambas constituem um processo dinâmico, onde um não existe sem o outro. Ensinar pressupõe um aprendizado.” 2 RELATÓRIO DA OBSERVAÇÃO O Centro de Educação Infantil têm capacidade para 100 crianças. Mas, atualmente atende 94 pequenos infantes, com idade entre 3 meses e cinco anos. A distribuição se dá da seguinte forma: berçário I – 12 crianças de 3 meses a um ano e onze meses; berçário II – 12 crianças de 2 anos a 2 anos e onze meses. Maternal I – 13 crianças de três anos a três anos e onze meses; maternal II – 17 crianças de quatro anos a quatro anos e onze meses, com atendimento integral. O CEIM ainda conta com duas salas pré-escolares, destinada às crianças com idade de cinco anos a cinco anos e onze meses, nesse caso, o quantitativo é de 20 crianças, nos períodos matutino e vespertino, respectivamente. A instituição conta com 6 professores; 3 auxiliares de berçário; 7 assistentes pedagógicos; 2 cozinheiras; 1 secretária; 1 coordenadora pedagógica e administrativa. Quanto à estrutura física, a escola infantil conta, além das salas de aulas, uma secretaria equipada com um arquivo, armário de aço, mesa com cadeira e um (PC) microcomputador. Uma cozinha equipada com um fogão industrial de quatro bocas, uma geladeira, um freezer horizontal, liquidificador, batedeira, pia, refeitório amplo com mesas e bancos. Almoxarifado com mesas e armários. Berçário I – equipado com solário, lactário, moveis e equipamentos adequados para atender as crianças conforme as suas necessidades. Ainda existe a disposição das crianças, uma área externa com parquinho (escorregador, gira-gira, balanço), caixa de areia, espaço gramado e arborizado para recreação, onde são realizadas as brincadeiras livres.

A sala de aula na qual realizamos o estágio, possui 4 grandes janelas, 2 portas de acesso, quatro lâmpadas fluorescentes, um armário, quadro negro, uma mesa do professor, cinco mesas com quatro cadeiras cada, proporcionais ao tamanho das crianças, dois ventiladores de teto. A decoração das paredes é feita com desenhos, letras, números, cartazes com letras musicais, fotos das crianças e datas de aniversários. Essa decoração é feita pela professora em conjunto com as crianças. Vale lembras que através da interação em momentos de decorar a sala, por exemplo, que as crianças se desenvolvem, aprendem. Podemos concluir então que é o aprendizado que propicia o desenvolvimento dos processos internos do ser humano com a sua relação com o contexto sócio-cultural em que vive e a sua situação de organismo, não podendo se desenvolver sem a mediação do outro. Silva (2007, p. 13). A rotina do CEIM é organizada, mas bastante flexível. Está repleto de afetos nas atividades como: comer, dormir, trocar fraldas, dar banho, etc. As crianças chegam por volta das sete horas da manha, tomam café, participam das atividades recreativas com assistentes pedagógicas, tomam banho, trocam roupas, almoçam, fazem a higiene bucal e dormem. Às treze horas os pequenos e pequenas lancham, participam das atividades didático-pedagógicas dentro e fora da sala de aula, depois tomam banho,jantam, fazem higiene bucal e juntos com seus professores, aguardam por seus pais, que chegam por volta das dezessete horas. A relação professor/aluno é de atenção, carinho, cuidado, amizade, aprendizagem. As docentes as descrevem como animadas, espertas, interessadas, curiosas. A pré-escola, onde fizemos o estágio, chega às sete horas da manha, tem aula com a professora regente e aula de educação física 2 horas semanais, saem às onze horas e no contra-turno segue a mesma rotina no período vespertino. O planejamento é feito a nível de unidade, ou seja, segue-se o referencial da Educação Infantil, porém, com ênfase nas peculiaridades de cada instituição. Isto é, conforme acordado no Projeto Político-Pedagógico da unidade de ensino, dessa forma, o professor (a) prepara seus planos de aula que é supervisionado pela coordenadora da unidade. De acordo com o P.P.P. da escola é elaborado no início de cada ano letivo, objetivos a serem desenvolvidos durante o ano. Com bases nesses objetivos, os professores desenvolvem seus planos de aulas ou projetos. O Centro de Educação Infantil: Professora Dejanira Queiroz Teixeira não tem problemas com espaço, por enquanto. Porém, tem algumas instituições no Município, que estão quase com o dobro de sua capacidade de lotação. 2 RELATÓRIO DA INTERVENÇÃO O estágio nos dá a oportunidade de testar na prática, o aprendizado teórico que tivemos ao longo do curso. É hora de por em teste os conhecimentos adquiridos e refletir sobre o quê e como devemos melhorar. Portanto, nosso objetivo é o constante processo de aperfeiçoamento. Segundo Paulo Freire apud Weiduschat (2007, p. 51): Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende [...] O fato, porém, de que ensinar ensina o ensinante a ensinar certo conteúdo não deve significar, de modo algum, que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo. [...] A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente.

Para Vigotski a aprendizagem se dá através da interação com outros indivíduos. A Psicologia da Educação e Aprendizagem reforça essa tese. “Não é possível aprender e apreender sobre o mundo, sobre as coisas, se não tivermos o outro, ou seja, é necessário que alguém atribua significado sobre as coisas, para que possamos pensar o mundo a nossa volta.” Silva (2007, p. 12). A principal tarefa do professor é, portanto, interferir no que Vigotski chamou de Zona de Desenvolvimento Proximal. “A Zona de Desenvolvimento Proximal é a distância entre aquilo que o ser humano consegue fazer sozinho e o que ele consegue desenvolver com a mediação do outro.” Silva (2007, p. 13). É a partir dos saberes que o indivíduo já possui que o professor deve começar a educá-lo formalmente. Ou seja, intervir na ZDP. Em nossa prática docente, levamos para a sala de aula, materiais abordando o corpo humano. Falamos sobre a importância de cada um dos membros que constituem o corpo de uma pessoa e sobre a higiene: tomar banho, unhas limpas, cuidados com os dentes, enfim, tudo que diz respeito ao corpo e sua manutenção. No decorrer das aulas propomos às crianças a produção de um cartaz com o desenho do corpo humano, explicando a elas o nome de cada parte e que quando somos pequenos, nosso corpinho também é pequeno. Mas estamos em desenvolvimento, com isso elas também irão crescer e ficar iguais os adultos. Trabalhamos, ainda, as iniciais dos nomes, explicando que cada pessoa deve ser chamada pelo seu próprio nome. Assim, em uma folha previamente preparada, as crianças pintaram a letra inicial de seus nomes. É quando estamos em sala de aula, frente à turma, que percebemos o valor do planejamento, o que vamos passar aos alunos. Quais conteúdos farão à diferença no aprendizado das crianças e, ao mesmo tempo, de interesse dos aprendizes. O construtivismo propõe que o aluno aprenda através da interação com o meio. Desta forma, parte-se do concreto ao abstrato e, a metodologia de ensino deve privilegiar o interesse das crianças. Se o indivíduo gosta da maneira como o conteúdo é aplicado e se tem afinidade com o objeto de estudo, mais rapidamente irá compreender. Conforme Sancristán e Perez Gomes apud Weiduschat (2007, p. 70) “Os planos levam à busca prévia dos materiais mais adequados. Sua relação se torna um processo explícito de liberação para escolher os mais convenientes.” Podemos afirmar, portanto, que sem planejamento não há aprendizagem formal de qualidade. Ainda conforme Silva (2007, p. 33) “A Psicologia coloca a necessidade de a ação pedagógica compreender o aluno em seu contexto social, cultural e econômico, pois assim, o professor estará conhecendo melhor seus pensamentos, suas forma de se relacionar com o mundo com as coisas.” Se o professor conhece a realidade de seus alunos, como ele vive, sua família, certamente terá mais subsídios para fazer seus projetos e planos de aulas. O educador é um mediador que proporciona à criança oportunidades de manifestar através das trocas de experiências e brincadeiras, sentimentos e emoções vividas no seu cotidiano. Para isso, o educador precisa entender que educar é escutar a criança, envolvendo-se com criatividade na vida da mesma. Respeitando-a como ser único capaz de criar e produzir ações estabelecendo relações com o meio em que vive. O profissional tem de estar consciente que vai trabalhar com crianças, pois seus atos podem refletir no comportamento infantil. Lembrar que a ausência de carinho, afetividade, reflete uma imagem negativa. Desta forma, ao escolhermos a profissão de Pedagogo, devemos fazer uma análise sobre a importância de nossa participação na vida da criança e assumir uma postura de total interação, baseado no conceito de incentivo e comunicação, carinho e vontade de querer

fazer a diferença, atuando como bom profissional. Assim, conforme Wolf (2008, p. 82) a escola que não trabalhar “[...] “a ética com ética, a autonomia, a responsabilidade, a solidariedade e o respeito ao bem comum está fadada a não contribuir para a constituição de sujeitos que se respeitem a si, aos outros e ao meio ambiente, está fadada ao fracasso”“. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio nos deu a oportunidade de estar, efetivamente, frente à sala de aula. Tem-se a oportunidade de estar na pele do professor, literalmente. Percebemos como será nossa prática, nosso dia a dia em um Centro de Educação Infantil, como educador. Para Telma Weiz citada por Schotten (2007, p. 55) “Quando analisamos a prática pedagógica de qualquer professor, vemos que, por traz de suas ações, há sempre um conjunto de idéias que os orienta. Mesmo quando ele não tem consciência dessas idéias, dessas concepções, dessas teorias, elas estão presentes.” É no contato com os mestres (as) e alunos na escola, que o futuro professor elabora um perfil que norteará sua prática. Na atuação em sala de aula, tem-se a oportunidade de reflexão, de analisar onde e como devemos melhorar. Que situações nos deixaram pensativos, intrigados. Ou seja, planejamos uma coisa pensando ser excelente, mas na hora de por em prática, ledo engano. Segundo Weiduschat (2007, p. 34) “[...] queremos dizer que existe um exercício intencional do professor que o leva, constantemente, a refletir sobre o que realizou, a mudar sua ação sempre que necessário e a refletir novamente sobre os rumos de sua nova ação”. Assim temos: “Ação-reflexão-ação”. Pensando criticamente, os estágios supervisionados de licenciaturas deveriam ter uma carga horária bem maior do que é atualmente. É comum lermos anúncios em jornais, dizendo: precisa-se de professores de Matemática; História; Geografia ou Pedagogia, que tenha no mínimo seis meses de experiência. Então, por que os formandos já não saem da faculdade com essa experiência? A arte de educar certamente é a mais nobre de todas. Weiduschat (2007, p. 49) nos informa que: “Certamente, a grande preocupação que se apresenta gira em torno da formação do educador e da educadora, para que estes deem conta de discutir e de participar da construção de uma escola com valores humanísticos, de formação de sujeitos autônomos.” O mestre, professor, deve estar sempre atento à sua formação, pos, o mundo está em constante transformação. Paulo Freire apud Weiduschat (2007, p. 51), diz que: “Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes”. Quero registrar a importância da professora Marlene C. Chamorro, monitora do curso de Pedagogia da Uniasselvi em Dourados – MS. A experiente mestra passa muita segurança aos acadêmicos através de seus relatos pedagógicos e, naturalmente, mostranos o melhor caminho para obtermos êxito. 5 REFERÊNCIAS SCHOTTEN, Neuzi. Processos de Alfabetização. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Indaial: Ed. ASSELVI, 2006. SILVA, Daniela Regina da. Psicologia da Educação e Aprendizagem. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2006. SILVA, Daniela Regina da. Psicologia Geral e do Desenvolvimento. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). – Indaial: Ed. ASSELVI, 2005. WEIDUSCHAT, Íris. Didática e avaliação. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI): Indaial: Ed. ASSELVI, 2007, 2. ed.