CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BELO HORIZONTE – UNIBH

Fafi e Uni-BH: História dos tempos Felipe Ferreira Jane Fernandes Wesley Abreu A situação não era das mais propícias. O país vivia à sombra de uma ditadura há quase dez anos. O “milagre econômico” invertia-se. A população se revoltava com a inflação alta e já se organizava contra o governo totalitário. O MDB conquistava espaço político. Na presidência, o general Emílio Garrastazu Médici repreendia com dureza e aumentava a censura de jornais, revistas, livros e todas as expressões artísticas. Contra essa corrente, surgia em Belo Horizonte o curso de jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi-BH), em 1973. O responsável pela empreitada foi o professor José Tavares de Barros, lembrado ainda hoje como importante mestre, grande conhecedor de cinema, além de pessoa simples e de fácil comunicação. Barros é considerado um corajoso por levantar um curso universitário sinônimo de liberdade de expressão. Mas nem tanta liberdade foi vivida no início. Os que viveram esse período lembram que nem mesmo em sala de aula estavam livres da vigilância do governo. “O curso de jornalismo, na época, era muito visado, pois tratava de uma espécie de liberdade de expressão - bastante vigiada. Em todas as salas de estudo, sempre havia agentes de informação (P2) destinados a vigiar, à paisana, como se fossem alunos. Só que, com nossa perspicácia, sabíamos descobrir quem eram os informantes cretinos”, recorda o jornalista e ex-aluno da antiga Fafi-BH, Alexandre Matos. Ele recorda que os estudos eram feitos com livros proibidos pelo governo. As reuniões de turma eram cerceadas. Com menos lembranças sombrias do período em que era estudante da primeira turma de Jornalismo, do atual Centro Universitário de Belo Horizonte (Unibh), o jornalista Hermínio Prates tem em mente outro cenário da antiga faculdade. “Lembro que no meu tempo de estudante só havia uma velha máquina de escrever e nenhum local que servisse como redação modelo. Mesmo assim, fizemos jornais”. Prates já era jornalista quando começou o curso.

acionada por corda. a diferença entre o ontem e o hoje é a técnica. numa Bell Howell. da marca Akai. a vontade de ensinar. Estúdio não tinha. Acho que a grande diferença fica por conta da internet e do fato dos alunos terem acesso muito mais fácil à informação”. “A fotografia era analógica. em 1973. Hermínio Prates lembra que a turma de Jornalismo tinha apenas 12 alunos e as de Publicidade e RP 40 alunos. Havia um pequeno estúdio para gravar áudio. Hamilton lembra que os equipamentos disponíveis para os alunos de comunicação. Entrou como aluno em 1973 e em 1977 passou a professor. o curso tinha duração de três anos. Hamilton acompanhou a realização da diagramação dos jornais sendo feita com réguas de cícero e folhas imensas. passar textos para leitura. cada. relembra o professor.Início modesto Ao longo desses 40 anos de surgimento do curso de Comunicação Social do atual Unibh. indicar vídeos etc. Mais tarde. compara Luiz Henrique. “A redação era equipada com as máquinas de escrever da marca Remington.” . em 1988. Tudo era feito com filme. do tamanho de páginas de jornal. com habilitações específicas: Jornalismo. Quando foi criado. o professor Luiz Henrique Magalhães passou a fazer parte do corpo docente do curso. descreve. a escola usava dois projetores da Kodak. Não havia VT. tudo em preto e branco. vídeo cassete e o retroprojetor eram os instrumentos disponíveis. Ele assistiu às principais mudanças ocorridas no Brasil contemporâneo e na faculdade: a redemocratização do país e o avanço tecnológico que invadiu os laboratórios acadêmicos. nos dois gravadores que usavam fitas em rolos. Quando começou a dar aulas na Fafi-BH. Para projetar imagem. Era um barulho gostoso para os ouvidos escutar as batidas das teclas tocando a fita e imprimindo as letras nas laudas”. Quadro de giz. Hamilton Flores é o mais antigo professor do curso de Comunicação Sicial do Uni-BH. Mas para ele. hoje. Relações Públicas e Publicidade e Propaganda. A escola tinha boas câmaras fotográficas e um laboratório considerado bom para a época. Somente a partir do terceiro período havia a separação das turmas. Os dois primeiros semestres eram básicos. não têm comparação com os de outrora. veio mais tarde. Todas manuais. era muito pequeno para os padrões de hoje. aprender e compartilhar são as mesmas. Imagina todo mundo escrevendo. “Hoje é muito mais fácil sugerir bibliografia (livros e artigos). “No mais. modelo Ektagraphic”. muita coisa mudou.

diversos são profissionais reconhecidos no mercado: em TV’s. mas é o que penso”. é capacitar o aluno para ser um agente social para desempenhar suas funções com ética e honestidade. em qualquer época. assessorias de imprensa ou no fotojornalismo. rádios. impressos. Pode parecer utopia. Dentre todos os que passaram por Luiz Henrique e Hamilton. “Acredito que o maior desafio. Hamilton acredita que o desafio do professor é maior do que oferecer a formação profissional. Mesmo contribuindo para o sucesso desses alunos. o professor afirma que continuam existindo aqueles que se valem dos recursos disponíveis para fazerem um bom curso e aqueles que não percebem o que têm à disposição. . no sentido de melhorar a vida do ser humano aqui na Terra.Quanto aos alunos.