A CRIMINALIDADE E O SISTEMA PENAL BRASILEIRO EM FACE DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS E HUMANOS EM RELAÇÃO AO DIREITO PENAL E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA

CRIME AND THE CRIMINAL SYSTEM IN BRAZILIAN FACE OF FUNDAMENTAL RIGHTS AND HUMAN RIGHTS IN RELATION TO CRIMINAL AND ITS HISTORY MÁRIO FERREIRA NETO 1

RESUMO O Direito sempre se destacou como uma ciência fortemente dotada por aspectos de mutabilidade e adequação as carências mais proeminentes da sociedade. É explícito que analisar a Ciência Jurídica como um conjunto de elementos pétreos e inalteráveis, estagnado ante as constantes e inevitáveis mudanças, é equivocado. Revela-se como de imperiosa necessidade de adotar como estande o brocardo jurídico Ubi societas, ibi jus que traz em sua essência a clarividente relação de interdependência existente entre a sociedade e o Direito. Essencialmente se faz à avaliação de fatos históricos que influenciaram de modo substancial o aprimoramento das normas (regramentos), por extensão, o fortalecimento dos princípios fundamentais e humanos como flâmulas a serem respeitadas e seguidas pelos operadores da Ciência Jurídica. A Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988, em seus incisos III e XLIX, do art. 5º, derivados de um dos fundamentos republicanos, a dignidade da pessoa humana, elencado no inciso III, do art. 1º que se refere ao consagrado Princípio da Humanidade. A Lei Fundamental Nacional ao declarar e promulgar que, “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”, percebe-se clarividente que o constituinte brasileiro direcionou a hermenêutica implícita e indiretamente para duas garantias processuais: o processo penal não deve servir como meio para a aplicação de pena de tortura ou de pena de morte ou para a sujeição de quem quer que seja à tratamento cruel, degradante ou desumano; o processo penal não deve e não pode, do mesmo modo, assumir uma forma

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Especialista em Matemática e Estatística pela Universidade Federal de Lavras do Estado de Minas Gerais UFLA/MG: Data da Conclusão: 5.7.2002; Especialista em Orientação Educacional pela Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO/RJ: Data de Conclusão: 2012 - Título da monografia: “Avaliação Docente do Curso de Matemática do Campus Universitário de Miracema do Tocantins - UNITINS: perspectiva de melhoria da qualidade de ensino e do crescimento profissional”; Licenciado em Matemática pela Fundação Universidade do Tocantins UNITINS: Data de Colação de Grau: 5.2.1999; Especializando do Curso de MBA em Perícia Judicial e Auditoria pelo IPECON em convênio com a PUC/GO; Especializando do Curso de Gestão do Judiciário pela Faculdade Educacional da Lapa - FAEL em convênio com a Escola Judiciária do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins; Acadêmico do Curso de Direito da Faculdade de Palmas - FAPAL; Contador Judicial do Poder Judiciário do Estado do Tocantins: Matrícula 70.953/7-1: Desde 8.8.1992 - Lotado nas Comarcas de Miranorte e Palmas - aposentado por invalidez desde 31/7/2011 (portador de câncer); Professor de Matemática de Nível Superior da Rede Pública Estadual do Tocantins: Matrícula 251194: Desde 1.5.1991 e Matrícula 8545651 - aposentado por invalidez, desde 31/7/2011 (portador de câncer).
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abusiva, arbitrária, autoritária, desumana, com procedimentos que exponha a pessoa a situações constrangedoras, degradantes, humilhantes ou vexatórias. Neste objetivo a Constituição brasileira em seu inciso XLIX, do art. 5º dispõe que deve ser assegurado e garantido indispensavelmente aos presos, não fazendo limitações ou restrições, se os provisórios ou condenados o respeito à integridade física e psíquica (emocional e moral), tãosomente considera e declara que a pessoa, sujeito do processo penal, será privada da sua liberdade de ir e vir (direito de locomoção), mas nunca deverá ser restringida da sua dignidade, como Ser Humano. Preso ou condenado, o direito personalíssimo à integridade física, moral e psíquica deve ser preservada, sem limitações ou restrições. Este estudo mostra com modéstia, como a dignidade da pessoa humana teve seu surgimento na evolução histórica das civilizações e, como era conduzido o processo penal e a aplicação da pena que lhe era imposta instintivamente nos conduz a compreender como foi orientado o processo de reabilitação, recuperação, reeducação, reinserção, reintegração e ressocialização da pessoa presa ou condenada. A Constituição Federal em vigor prevê expressa e taxativamente a responsabilidade do Estado perante todos os cidadãos, assegurando e garantindo-lhes direitos, em contrapartida, exigilhes deveres e obrigações básicas que abarca a população prisional que ingressa no sistema penitenciário brasileiro. Aos presos em gerais, devem ser dadas e proporcionadas as condições e mecanismos para o seu retorno à sociedade dentro das cadeias públicas e das penitenciarias para que não ocorra a violação de seus direitos e garantias constitucionais e legais que não forem atingidos pela sentença penal condenatória. A lição do constitucionalista, BOBBIO (2004, p. 210) é peculiar a respeito do tema versado neste artigo: “Direitos do homem, a democracia e a paz são três momentos necessários do mesmo movimento histórico: sem direitos do homem reconhecidos e protegidos, não há democracia; sem democracia, não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras, a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais”. A evolução do Direito Penal. Os problemas do Sistema Penitenciário Brasileiro e a Morosidade do Judiciário. A história da Humanidade. A lei como maior instrumento. As conseqüências da sanção penal. O surgimento das penas e suas aplicações. O melhoramento da sociedade em relação ao surgimento dos direitos fundamentais e humanos. PALAVRA-CHAVE Cidadão. Ciência. Constituição. Crime. Democracia. Dignidade. Direito. Emocional. Ética. Física. Fundamentais. Humana. Ideologia. Igualdade. Jurídica. Justiça. Liberdade. Lei. Moral. Norma. Pena. Penal. Pessoa. Propriedade. Psicológica. Segurança. Ser. Tortura. Vida. ABSTRACT The law has always stood out as a highly gifted by science aspects of changeability and fitness most prominent shortcomings of society. It is clear that analyze Juridical Science as a set of elements and stony unchanging, stagnant in the face of constant and inevitable change, is wrong. Revealed as the urgent need to take the stand as legal maxim Ubi societas, ibi jus which in essence brings the clairvoyant interdependent relationship between law and society. Essentially becomes the evaluation of historical facts that influenced substantially improving standards (-laws), by extension, the strengthening of the principles and fundamental human and streamers to be respected and followed by operators of Juridical Science. The Constitution of the Federative Republic of Brazil from October 5, 1988, in sections III and his XLIX of art. 5, derived from one of the foundations Republicans, the dignity of the
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human person, part listed in section III, art. 1 which refers to the principle enshrined Humanity. The National Basic Law to declare and proclaim that "no one shall be subjected to torture or to inhuman or degrading treatment," it is clear that the constituent Brazilian clairvoyant directed hermeneutics implicitly and indirectly for two procedural safeguards: the prosecution should not serve as means for applying penalty or torture or the death penalty for subjecting anyone to cruel, inhuman or degrading treatment, the prosecution should not and cannot, likewise, take an improper, arbitrary, authoritarian, inhumane procedures that expose the person to embarrassing situations, degrading, humiliating or embarrassing. In this objective the Brazilian Constitution in its item XLIX of art. 5th has to be ensured and guaranteed indispensably prisoners, making no limitations or restrictions, whether provisional or convicted respect to physical and psychological (emotional and mental), merely finds and declares that the person subject of criminal proceedings shall be deprived of his liberty to come and go (right of locomotion), but should never be restricted their dignity as human being. Arrested or convicted, the right to physical integrity highly personal, moral and psychic should be preserved, without limitations or restrictions. This study shows modestly, as the dignity of the human person had his appearance in the historical evolution of civilizations, and how it was conducted the prosecution and enforcement of the penalty imposed on it instinctively leads us to understand how the process was guided rehabilitation, recovery , rehabilitation, reintegration, rehabilitation and reintegration of the person arrested or convicted. The Federal Constitution in force stipulates expressly and exhaustively the state's responsibility to all citizens by ensuring and guaranteeing their rights, in contrast, demanded them basic duties and obligations that embraces the prison population that enters the Brazilian penitentiary system. Prisoners in general, should be given and provided the conditions and arrangements for their return to society within the public jails and penitentiaries so that there is a violation of their rights and constitutional and legal guarantees that are not met by criminal sentence. The lesson of constitutionalist, BOBBIO (2004, p. 210) is peculiar versed on the subject of this article: "Human rights, democracy and peace are three stages required the same historical movement: without human rights recognized and protected, no democracy, no democracy, no minimum conditions for the peaceful settlement of conflicts. In other words, democracy is a society of citizens, and subjects become citizens when they are recognized certain fundamental rights. ". The Evolution of Criminal Law. Problems of Prisons and Slow Brazilian judiciary. The history of humanity. The law as larger instrument. The consequences of criminal sanction. The appearance of feathers and their applications. The improvement of society in relation to the emergence of fundamental and human rights. ÁREA TEMÁTICA Ciência Política (Organização do Estado). Direito (Constitucional e Penal). Filosofia (Pensadores filosóficos). História (História do Direito das Civilizações). Sociologia (Sociedade e o Estado). "A justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta" Rui Barbosa. INTRODUÇÃO O presente artigo, primeiramente, busca contribuir positivamente para uma reflexão que deve centrar-se nas seguintes indagações:
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no entanto. Sabe-se. diante do Estado. criar do nada é o universo da vida e da alma. parecendo longo. sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”. Este trecho bíblico mostra ao homem o poder de Deus na criação de toda a criatura. civil. por um. traduzido por fazer. a Constituição Federal de 1988 deve ser o ponto de partida. de expressar emoções e de agir voluntariamente. 4 . independente de sua área de atuação. o qual é o titular do jus puniendi. A IDEIA DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A dignidade da pessoa humana é princípio cuja essência pode ser aquilatada quando se considera o valor do homem como obra-prima da criação divina como imagem e semelhança de Deus. do art. eleitoral. psicológico e sociológico em função da expressão dignidade da pessoa humana? Qual é o alcance deste princípio da dignidade da pessoa humana? O que significa dizer. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois. e os peixes do mar. realçando seus direitos e garantias fundamentais violadas ao longo do tempo. editada há mais de 63 anos com a proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948 e há mais de 22 anos com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. conforme a nossa semelhança.Qual é o sentido filosófico. bem como o atual estágio desses direitos e sua efetividade em face da nova ordem jurídica. expressar a atividade criativa de Deus. Este trabalho. acusado da prática de determinado fato delituoso (crime). À imagem de Deus significa ser dotado das faculdades de compreender. A fertilidade não é divina. Há uma significação especial no emprego de criar com referência à criação do mundo e ao homem dotado de natureza espiritual. da Constituição Federal de 1988. mas é uma graciosa extensão do poder de Deus às suas criaturas. que dele te lembres? E o filho do homem que o visites? Fizeste-o. e também os animais do campo. jurídico. entender. por ter definido o Brasil como uma República Federativa fundamentada na dignidade da pessoa humana? A finalidade deste artigo também é discorrer sobre a criminalidade. seja preso provisório ou definitivamente julgado e condenado por ter praticado qualquer espécie de crime. Ainda no texto Sagrado se lê (Salmo 8: 4-8): “que é o homem. todos. ou seja. originada do nada e continua na forma derivada da procriação autônoma das suas criaturas. primeiramente. na visão bíblica (Gênesis 1: 26): “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem. o que o diferencia dos demais animais (capacidade de pensamento psíquica). penal. sobre as aves dos céus. esta norma jurídica norteadora quer na esfera administrativa. relatando a evolução histórica das penas corporais que eram aplicadas aos indivíduos infratores de normas penais para confrontar com o princípio universal e constitucional brasileiro da dignidade da pessoa humana. que para uma correta aplicação do Direito. tenha ele domínio sobre os peixes do mar. 1º. descrevendo ainda à criminalidade em nosso país em relação à realidade do sistema penal (carcerário). as aves do céu. indica a capacidade que o homem tem de manter íntima comunhão com o seu Criador. Assim. pensar. sobretudo. Particularmente. como as religiões no Antigo Testamento acreditavam. previdenciária ou trabalhista com mais atenção e respeito à pessoa humana e à efetiva harmonização social. mas tem ainda como objetivo enfocar toda a trajetória da evolução do homem. militar. e tudo o que percorre as sendas dos mares”. conforme está inscrito no inciso III. menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. raciocinar e refletir. sobre os animais domésticos.

até para que se possa compreender o princípio bíblico do de que o homem foi criado por Deus. provoca polêmica com a Igreja ao publicar a obra. considerado como Salmo Messiânico que são aplicados a Jesus Cristo no Novo Testamento. exibindo variação que podem ser herdadas. Assim. e prolongado por várias gerações produz adaptações cada vez mais perfeitas e complexas. A ssim. na sua inteireza. do que os que possuem variações desfavoráveis. em que expõe sua teoria de que o ser humano descende do macaco. O processo de seleção natural. inclusive na época de Cristo Jesus. salvo em Cristo Jesus recebera de volta os direitos de mordomia que Adão perdera. um processo de evolução progressiva. elas se firmam e identificam uma nova espécie. O processo evolutivo proposto por DARWIN: 1. do princípio da dignidade. a propriedade e a dignidade. por causa do pecado. dentre eles. revelando-se até as crianças. porém. Em todas as espécies os indivíduos nunca são iguais.. para ser objeto do seu especial amor. a evolução por meio da seleção natural.Davi (o suave cantor de Israel). O ordenamento jurídico ensina o valor intrínseco supremo da criatura humana. Através de uma análise histórica da evolução do pensamento humano. dão origem a grandes diferenças. Ao longo das gerações. 2. imposto pelo meio ambiente. Davi ao contemplar os céus com toda a sua majestade sente forçado a perguntar por que Deus escolheria algo tão pequeno e insignificante como é o homem. consubstanciados no Código de Hamurabi (aproximadamente 1690 a.). Em um determinado ambiente. Para refletir sobre a existência humana é indispensável que se recorra aos ensinamentos da Bíblia. autor de 73 (setenta e três) salmos quase todos vêm do período áureo de Israel. se considera que o homem é o mordomo de Deus junto à criação e todas as coisas têm sido colocadas sob sua autoridade. infinita e insondável revelação do poder de Deus ao homem. o Salmo 8. por s e recusar a admitir que os ancestrais da espécie humana sejam animais. em que explica os princípios do evolucionismo e da Seleção Natural. Os menos adaptados acabam sendo eliminados. A Descendência do Homem.C. isto é. Em 1871.Afirma que o meio ambiente seleciona os seres mais aptos e elimina os menos dotados. os indivíduos dotados de variação favoráveis estarão mais capacitados a sobreviver. tendo em vista que do conceito negativo pode-se compreender a essência da norma basilar ao direito dos povos civilizados. a expressão dos atos ofensivos ao princípio em comento ao longo da história da humanidade. sobre as quais atua a seleção natural. determinando dessa forma. as variações favoráveis são transmitidas para os descendentes e. só as características que facilitam a sobrevivência são transmitidas aos descendentes. independente de se dar crédito ou não à Teoria de Charles Robert Darwin2 (12/2/180919/4/1882). 5 . pode-se concluir que a origem destes direitos se encontra muito antes e que os Direitos Fundamentais materializados e positivados nas Constituições são produto de diversas transformações ocorridas no decorrer da História. entretanto sua falha é a não explicação da origem das variações naturais. Foi à primeira codificação em que estavam presentes direitos comuns a todos os homens. A natureza das variações só foi explicada pela Genética no início do século XX. C. O ponto positivo do Darwinismo é a existência da seleção natural como fator orientador da evolução. cujo conteúdo pode bem ser dimensionado quando se coteja a história e se percebem as diversas agressões cometidas contra esse preceito basilar e fundamental do direito. próximos de 1000 a. prevendo-se também a supremacia das leis em relação 2 Em 1859 publicou o livro. DARWIN nega a história da criação como está descrita no livro de Gêneses (Bíblia). o homem. A Origem das Espécies. O PRINCÍPIO E A EVOLUÇÃO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Para compreender a evolução do princípio da dignidade da pessoa humana parte-se de uma observação restrita para chegar ao entendimento de que os Direitos Fundamentais são derivados da criação do Ser Humano ou da codificação constitucionalizada. como a vida. É mais útil que a enunciação das garantias decorrentes e circunjacentes à dignidade da pessoa humana. Assim. por meio. não tem cumprido essa comissão recebida de Deus.Seleção Natural: Organismos com melhor adaptação ao ambiente tendem a sobreviver e podem transmitir suas características genéticas. Os conservadores também protestam contra a teoria. sob a ótica de uma exposição do conteúdo do preceito fundamental. acumulando-se com o tempo. É facilmente perceptível de que os primeiros mecanismos de proteção individual surgiram no antigo Egito e na Mesopotâmia. desde Adão e Eva.

que tem valor em si mesmo. por isso. na Baixa Idade Média. O Direito Natural é anterior e superior à ordenação estatal. segundo a qual todos os homens são irmãos como filhos de Deus. é reconhecida pelo consenso universal e não apenas como a lei própria de cada povo. Ressalte-se que tais fundamentos acentuam a universalidade dos direitos. Entretanto.aos governantes e governados. apesar de todas as diferenças individuais e grupais. pois são puras e simplesmente a expressão de um pensamento individual: são universais em relação ao conteúdo. expressando que no período axial.]. a partir do dia 21 de junho de 1215 o Rei João da Inglaterra. a partir do momento que os mesmos passam a ser positivados pelos Estados. já que o Estado é feito pelo indivíduo e este não é feito pelo Estado”.. Para explicar tal fenômeno. a existência de direitos não era suficiente para assegurar a sua efetividade. No entender de BOBBIO. tenham desaparecido com o surgimento do Feudalismo. pois se tratava de uma Carta que tão-somente concedia privilégios para os senhores feudais. e não vice-versa. foi um dos fundamentos para a construção de uma base de proteção aos direitos de igualdade entre os homens. através do pensamento dos sofistas e estóicos. foi adotada a teoria do estado natural. em contraponto à lei escrita. não diferenciando o homem segundo sua nacionalidade. o homem passa a ser objeto de reflexão e estabelecem-se os primeiros princípios e diretrizes fundamentais de vida. o Estado e o próprio homem não podem subtraí-lo. porque no período axial surgiram os primeiros profetas sírios inspiradores dos profetas de Israel e no centro deste período. bem como a idéia de direito natural. Pela primeira vez na história medieval. Nas palavras de BOBBIO as teorias filosóficas foram às primeiras afirmações dos direitos do homem. por natureza. Ainda que os ideais de democracia e controle dos órgãos políticos. com o surgimento do monoteísmo. de 600 a 480 a. segundo a qual a sociedade é um todo e o todo está acima das partes. começa a ser ressaltado o pensamento religioso. COMPARATO elaborou obra com estudo aprofundado a respeito do tema. respectivamente. No mesmo período nasce a filosofia. dentre eles. na medida em que são. segundo a qual os homens são livres e iguais e têm direitos a eles inerentes. A concepção derivada do Cristianismo. a real precursora da teoria individualista.. assinou a Magna Carta como forma de fazer cessar os inúmeros conflitos que possuía frente aos barões feudais e ao papado. A Magna Carta não se constituiu essencialmente em uma declaração de direitos. mas são extremamente limitadas em relação à sua eficácia. Pitágoras). Tal é o entendimento advindo da doutrina jus naturalista. Para BOBBIO ainda a segunda fase dos Direitos Fundamentais começa. na medida em que se dirigem a um homem racional fora do espaço e do tempo. a noção de lei não escrita que. o rei se acha limitado pelas leis que o próprio rei o editara. Tais leis possuem um fundamento moral e como justificativa para sua vigência. “concepção individualista significa que primeiro vem o indivíduo [. os reis passaram a reivindicar seus poderes. surgiram os primeiros resquícios que deram origem aos Direitos Fundamentais. Através da tragédia grega. (formação do eixo histórico da humanidade. iniciados em Atenas e na República Romana.C. compreendido pelos séculos VIII a II a. chamado de João SemTerra. propostas para um futuro legislador. Entretanto. e depois vem o Estado. sua importância para o estudo dos Direitos Fundamentais consiste no fato de que foi o primeiro vestígio de limitação do poder soberano do monarca. Contra os abusos dessa reconcentração do poder surgiram às primeiras manifestações.C. 6 . a afirmação positivada dos Direitos Fundamentais inicia-se ainda na Idade Média. conforme leciona COMPARATO. Neste período. Emerge na Grécia. na melhor das hipóteses. substituindo o saber mitológico da tradição pelo saber lógico da razão. pois considera o homem como titular de direitos por si mesmo e não apenas como um membro da sociedade. juntamente com o Papa. foram extintos os poderes econômicos e políticos.. coexistiram grandes doutrinadores. a qual BOBBIO a coloca como. ao contrário da anterior concepção organicista.

8que devem ser livres as eleições dos membros do Parlamento. 15. como qualquer outra Comissão do Tribunal da mesma classe são ilegais ou perniciosas. em seu movimento de Independência. com a divisão de poderes. nulas. do mesmo modo. por meio de uma usurpação notória.que não se exigirão fianças exorbitantes. como anteriormente se tem verificado. A. a vida e a propriedade privada. p. declarando o trono vago. gerando já uma noção de separação de poderes. 7. a qual é considerada por COMPARATO (2001. Com a votação se extinguiu o regime de monarquia absoluta. 13que é indispensável convocar com freqüência os Parlamentos para satisfazer os agravos.A Magna Carta possuía cláusulas prevendo as liberdades eclesiásticas. como também. princípios que se tornaram a base das modernas Monarquias Constitucionais. o Príncipe de Orange (depois Guilherme III). as colônias dos Estados Unidos da América do Norte elaboraram suas Declarações. sob um novo contexto histórico. antes de se acharem estas convictas ou convencidas.] é proteger os Direitos Fundamentais da pessoa humana”. Em Londres. direitos e liberdades.que tanto a Comissão para formar o último Tribunal. Previa também limitações e restrições ao poder de tributar. que a assumiu. que levará a termo a liberdade do país. que se acha tão adiantada. 12. dentre outros Direitos Fundamentais ainda hoje consagrados e proclamados. 6-que o ato de levantar e manter dentro do país um exército em tempo de paz é contrário a lei. 48) como “uma declaração à humanidade”. uma das salas do Parlamento inglês. Os soberanos continuariam governando.que é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para suspender as leis ou seu cumprimento. apontando para uma futura separação institucional entre Igreja e o Estado. p. 88/89): “O Bill of Rights criava. 5. A coroa foi oferecida ao príncipe Guilherme de Orange. p. todas as concessões ou promessas de dar a outros os bens confiscados a pessoas acusadas. desde logo.que os discursos pronunciados nos debates do Parlamento não devem ser examinados senão por ele mesmo. com repetidas instâncias. sugestivamente.que os súditos têm direitos de apresentar petições ao Rei. no dia 13 de fevereiro de 1689. COMPARATO ainda expressa que em meados do século XVII. que os jurados que decidem sobre a sorte das pessoas nas questões de alta traição deverão ser livres proprietários de terras. Foi considerado mundialmente o primeiro documento a reconhecer a existência 3 o Os Lords 1 espirituais e temporais e os membros da Câmara dos Comuns declaram. impostos excessivos. 4que é ilegal toda cobrança de impostos para a Coroa sem o concurso do Parlamento. mas doravante teriam que aceitar a existência permanente de um Parlamento. que deu início a uma nova legitimidade política: a soberania popular.que os súditos protestantes podem Ter. assegurando o poder do Parlamento na Inglaterra.A esta petição de seus direitos fomos estimulados. e. que se achava restrito ao consentimento dos contribuintes. assim como para corrigir. se não proceder a autorização do Parlamento. 2. 3. os reis Guilherme de Orange e Maria assinaram a Declaração dos Direitos (Bill of Rights). nem que se reproduzam os atentados contra a sua religião. A Declaração de Direito3 de 1689 (em inglês Bill of Rights of 1689) é um documento feito na Inglaterra pelo Parlamento que determinou. sendo ilegais as prisões vexações de qualquer espécie que sofram por esta causa. a Bill of Rights em 1689. todo o mencionado. afirmar e conservar as leis . 10. Depois de um período de constantes revoltas e revoluções contra a dinastia que reinava com inabalável apelo à religião católica. 7 . as armas necessárias à sua condição e permitidas por lei. entre outras coisas. retornando-se à idéia de governo representativo através dos poderes atribuídos ao Parlamento. portanto. aquilo que a doutrina constitucionalista alemã do século XX viria denominar. depois de aceitar uma declaração de direitos votada pelo Parlamento. isto é. o seguinte: 1. pela declaração de S. 48). que para o futuro não se firmem precedentes nem se deduza conseqüência alguma em prejuízo do povo. e esperamos que não permitirá sejam desconhecidos os direitos que acabamos de recordar. uma forma de organização do Estado cuja função [. A Declaração de Virgínia foi editada no dia 12 de junho de 1776. 11. para as coisas eclesiásticas.que são contrárias as leis. e não em outro Tribunal ou sítio algum. como também assegurariam os direitos do homem comum. 9. ou em época e modo diferentes dos designados por ele próprio. a liberdade. nem se imporão penas demasiado deveras. 16. uma garantia institucional. segundo COMPARATO (2001. Depois de quase um século. além de lançar as bases do tribunal do júri e o princípio do paralelismo entre delitos e penas. a Inglaterra passou a enfrentar constantes rebeliões e revoltas.. Isto porque anteviu uma gama de Direitos reiterados posteriormente na Declaração da Independência. é ilegal a faculdade que se atribui à autoridade real para dispensar as leis ou o seu cumprimento. foi o “registro de nascimento dos direitos humanos na História”. Esta Declaração poupou aos ingleses as violências que tiveram lugar na França 100 (cem) anos depois durante a Revolução de 1789.que a lista dos Jurados eleitos deverá fazer-se em devida forma e ser notificada. particularmente. o qual possuía garantias especiais de modo a preservar sua liberdade diante do chefe de Estado. um dos mais importantes documentos políticos modernos. para a sua defesa. 14-sem texto. Ainda que não fosse uma declaração de direitos humanos. considerando-o como um conjunto de direitos e liberdades incontestáveis. a nobreza conseguiu destronar o rei Jaime II. derivadas de querelas religiosas..Reclamam e pedem. sob pretexto de prerrogativa. na Withehall.que. no entender de COMPARATO (2001.

É dever recíproco de todos os cidadãos praticar a tolerância cristã. Artigo 11° . cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo. o militar deve ser mantido em uma subordinação rigorosa à autoridade civil e sempre governado por ela. o amor à caridade uns com os outros. Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grandes distritos de povo. Artigo 2° .Um povo não pode conservar um governo livre e a felicidade da liberdade. Artigo 1° . nem independente do da Virgínia. Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público. governos são instituídos entre os homens. certas e regulares. raça. sem seu próprio consentimento. 5 Quando. feito pelos representantes do bom povo da Virgínia. Precede a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América e. pôr nenhum contrato. Que a fim de assegurar esses direitos. tirada da massa do povo e habituada à guerra. natural e segura de um Estado livre. devem ser dirigidos unicamente pela razão e pela convicção. e é necessário. sem o consentimento unânime do qual ele não poderá ser declarado culpado. todo indivíduo tem o direito de indagar da causa e da natureza da acusação que lhe é intentada. Artigo 12° . qualquer que seja a autoridade. das pessoas ou das coisas que dela forem objeto. perseguindo invariavelmente o mesmo objecto. baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. e a maneira de se desobrigar dele. o respeito dig no para com as opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.Todos os homens nascem igualmente livres e independentes.de direitos inerentes a todo ser humano. e a fim de que também eles de suportar os encargos do povo e deles participar possa ser reprimido todo o desejo de opressão dos membros dos dois primeiros devem estes em tempo determinado. nos limites do Estado. Para prová-lo. indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto. Artigo 18° . e a este título. são opressivas. Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente.As eleições dos membros que devem representar o povo nas assembléias serão livres. a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo p or motivos leves e passageiros. privar nem despojar sua posteridade: tais são o direito de gozar a vida e a liberdade com os meios de adquirir e possuir propriedades. para efetuar buscas em lugares suspeitos. Artigo 14° . responsáveis perante ele em qualquer tempo. no mais alto grau. os lugares vagos deverão ser preenchidos pôr eleições. Artigo 3° . da nação ou da comunidade. uma vez suspensas. Todas as vezes que um governo seja incapaz de preencher essa finalidade. é um atentado aos seus direitos e não tem cabimento. de apresentar ou requerer a apresentação de testemunhas e de tudo que for a seu favor. e. reentrar no corpo da comunidade de onde foram originariamente tirados. ou juiz. em virtude da lei do país. e não deve ser emba raçado nem punido pelo magistrado. e deve ser considerada como sagrada.Nas causas que interessem à propriedade ou os negócios pessoais. Artigo 15° . ou tomar seus bens. abolindo as formas a que se acostumaram. Artigo 7° . Artigo 9° . Artigo 17° .) Williamsburg. a idéia de que um homem nasça magistrado. A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América5 foi o documento no qual as Treze Colônias na América do Norte declararam sua independência do Reino Unido. Artigo 10° . os exércitos permanentes em tempo de paz devem ser evitados como perigosos para a liberdade. é absurda e contrária à natureza. têm direitos certos. a liberdade e a procura da felicidade.Todo o poder de deferir as leis ou de embaraçar a sua execução.Não devem ser exigidas cauções excessivas.Toda a autoridade pertence ao povo e por consequência dela se emana. Não pode ser forçado a produzir provas contra si próprio. donde se segue que todo homem deve gozar de inteira liberdade na forma do culto ditado pôr sua consciência e também da mais completa liberdade na forma do culto ditado pela consciência. particulares. se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro. permitam-nos submeter os factos a um mundo cândido. a maioria da comunidade tem o direito indubitável. de abolir tais governos e instituir novos Guardiães para sua futura segurança. de procurar obter a felicidade e a segurança. deter uma ou várias pessoas. inalienável e imprescritível de reformar. que todos os homens são criados iguais. o melhor será que se possa garantir.Nenhum homem e nenhum colégio ou associação de homens poder ter outros títulos para obter vantagens ou prestígios. Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas.Uma milícia disciplinada. e todo indivíduo que demonstre interesse permanente e o consequent e zelo pelo bem geral da comunidade tem direito geral ao sufrágio.Todas as ordens de prisão são vexatórias e opressivas se forem expedidas sem provas suficientes e se a ordem ou requisição nelas transmitidas a um oficial ou a um mensageiro do Estado. bem como o dever. e que devem ser considerados como o fundamento e a base do governo. mudar ou abolir da maneira que julgar mais própria a proporcionar o benefício público.O poder legislativo e o poder executivo do estado devem ser distintos e separados da autoridade judiciária. que entre estes estão a vida. em todo o caso. tem de ser acareado com os seus acusadores e com as testemunhas. ele perturbe a paz ou a segurança da sociedade. cultura ou posição social. A história do actual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidas injúrias e usurpações. enquanto os males são suportáveis. e jamais pela força e pela violência. que. freqüentes. A Declaração dos Direitos da Virgínia 4 é uma Declaração de Direitos que se inscreve no contexto da luta pela Independência dos Estados Unidos da América. deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção. a antiga forma de processo pôr jurados é preferível a qualquer outra. evitar decretá-las. de sexo. não serão nem transmissíveis aos descendentes nem hereditários. assistem-lhes o direito. Dos métodos ou formas. é de nítida inspiração Iluminista. a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento. toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer. tendo todos por objectivo directo o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. e nenhum indivíduo pode ser privado de sua liberdade. assim sendo. independente. sem o seu consentimento dos representantes do povo. ou lhe seja contrário. Artigo 6° . a felicidade e a segurança e o que mais realmente resguarde contra o perigo de má administração. dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis. no curso dos acontecimentos humanos. ou de seus representantes legítimos. e o povo só está o brigado pelas leis. da moderação. semelhantes ordens jamais devem ser concedidas. Artigo 4° . bem como 4 (Dos direitos que nos devem pertencer a nós e à nossa posteridade. do que a se desagravar. não contiver uma indicação e uma descrição especiais dos lugares. a não ser pôr um julgamento dos seus pares. deste modo não deve legitimamente ser instituído nem organizado nenhum governo separado. Artigo 8° . sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins. para a proteção e segurança do povo. da temperança. nem impostas multas demasiadamente fortes. feitas para punir delitos anteriores a sua existência. a não ser em consideração de serviços prestados ao público.Todas as leis tem efeito retroativo. Artigo 13° .O governo é ou deve ser instituído para o bem comum.Em todos os processos pôr crimes capitais ou outros. os magistrados são os seus mandatários. que. exclusivos e distintos dos da comunidade. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. reunidos em plena e livre convenção. da forma pôr ele consentida para o bem comum. essenciais e naturais dos quais não podem. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações.A liberdade de imprensa é um dos mais fortes baluartes da liberdade do Estado e só pode ser restringida pelos governos despóticos. é a defesa própria. a menos. Na realidade.Nenhuma parte da propriedade de um vassalo pode ser tomada. 12 de Junho de 1776. e assumir. de exigir processo rápido pôr um júri imparcial e de sua circunvizinhança. a não ser pela adesão firme e constante às regras da justiça. religião. a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza. nem aplicadas penas cruéis e desusadas. e . como ela. entre os poderes da Terra. derivando seus justos poderes do consentimento dos governados. a menos que abandonassem o 8 . Artigo 16° . de economia e da virtude e pelo apelo freqüente aos seus princípios fundamentais. seus servidores. Artigo 5° .O povo tem direito a um governo uniforme. posição igual e separada. voltar a vida privada. nem empregada para uso público.A religião ou o culto devido ao Criador. legislador. sob pretexto de religião.

o assentimento às medidas que lhe conviessem. obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros. incendiou as nossas cidades e destruiu a vida do nosso povo. Entretanto. de imediato.justificativas para o ato. Foi ratificada no Congresso Continental em 4 de julho de 1776. ao contrário da Declaração de Independência dos Estados Unidos. empenhamos mutuamente nossas vidas. Temos. inimigos na guerra e amigos na paz. por transportar-nos por mar para julgamento por pretensas ofensas. abolindo as nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma do nosso governo. Está. com o único fito de arrancar-lhes. os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós uma jurisdição insustentável. então as treze colônias tomaram a decisão de criar A Declaração da Independência dos Estados Unidos da América. segundo COMPARATO (2001. Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes. Neste ínterim. além das Declarações acima citadas. como ESTADOS LIVRES E INDEPENDENTES. como consideramos o restante dos homens. por suspender os nossos corpos l egislativos. em tempo de paz. de sorte a torná-lo. para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem em suas mãos. exércitos permanentes sem o consentimento dos nossos corpos legislativos. p. desolação e tirania. Tão-pouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. por conseguinte. para fazer cessar o nosso comércio com todas as partes do mundo. de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados. responderam a nossas petições apenas com repetido agravo. Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários. com a positivação dos direitos em Declarações dos Estados. dando assentimento aos seus actos de pret ensa legislação: para aquartelar grandes corpos de tropas entre nós. e que. cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade. por tirar-nos nossas cartas. agora mesmo. a Revolução Francesa pretendeu anunciar-se para todos os povos e todos os tempos. Combinou com outros sujeitarnos a uma jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida pelas nossas leis. entretanto. plenos de firme confiança na protecção da Divina Providência. a transportar grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra de morte. nossas ligações e a nossa correspondência. recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras. 127) “em firmar a sua independência e estabelecer seu próprio regime político do que levar a idéia de liberdade a outros povos”. Um príncipe cujo carácter se assinala deste modo por todos os actos capazes de definir um tirano não está em condições de governar um povo livre. por lançar impostos sem nosso consentimento. Dissolveu Câmaras de Representantes repetidamente porque se opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo. e conjuramo-los. considerado o dia da independência dos Estados Unidos. sem conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos. em nome e por autoridade do bom povo destas colônias. pois só têm validade no âmbito do Estado que os reconhece. direito de representação no legislativo. A Declaração dos Estados Unidos. ou seja. contrair alianças. 127). Nós. nossas fortunas e nossa sagrada honra. Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior. Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais. para protegê-las por meio de julgamentos simulados. em muitos casos. Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários. concluir a paz. BOBBIO cita como exemplo. preocupou-se tão somente. fazer com que outros fossem eleitos. pois os britânicos estavam se aproveitando da América do Norte. pelos laços de nosso parentesco comum. E em apoio desta declaração. têm inteiro poder para declarar a guerra. mas perdem em universalidade. De tempos em tempos. Saqueou os nossos mares. e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido. já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada. Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância. Lembramos-lhes das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. com impostos para pagar o prejuízo das guerras feitas pelos ingleses. estabelecer comércio e praticar todos os actos e acções a que têm direito os estados independentes. representantes dos ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade. inevitavelmente. reunidos em CONGRESSO GERAL. direito inestimável para eles e temível apenas para os tiranos. Manteve entre nós. Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua protecção e fazendo-nos guerra. por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha. dos benefícios do julgamento pelo júri. pela fadiga. Procurou impedir o povoamento destes estados. publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser ESTADOS LIVRES E INDEPENDENTES. apelando para o Juiz Supremo do mundo pela rectidão das nossas intenções. a Declaração de Direitos da Revolução Francesa. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consanguinidade. Recusou por muito tempo. Obrigou os nossos concidadãos aprisionados no mar alto a tomarem armas contra a própria pátria. Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos. portanto de aceitar a necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los. declarando-se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos. 9 . exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias. de acordo com COMPARATO (2001. p. Assim. depois de tais dissoluções. devastou as nossas costas. aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites. em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse. que estão desobrigados de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica. por privar-nos. ficando durante esse tempo o Estado ex posto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna. BOBBIO entende que os Direitos Humanos ganham em concretividade. sexo e condições. a repudiarem essas usurpações que interromperiam. teve um caráter fechado. As treze colônias tomaram este passo.

para a sua formação. 7. Esses direitos são a liberdade. entretanto dirigiam-se ou a um povo específico. seja para proteger. as circunstâncias mudam. a propriedade.º A lei é a expressão da vontade geral. Os que solicitam. sintetizando em dezessete artigos e um preâmbulo dos ideais libertários e liberais da primeira fase da Revolução Francesa. nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene. os franceses consideraram-se investidos de uma missão universal de libertação dos povos”. se se julgar indispensável prendê-lo. o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. segundo o qual “a universalidade se manifestou pela vez primeira. na nação. executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos. 16. lugares e empregos públicos. 3. imprimir livremente. caso contrário torna-se culpado de resistência. a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização. Art. Art. todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei. Art. de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição. Art. seja para punir. segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos. portanto. ou a uma camada social privilegiada. a segurança e a resistência à opressão.1. citado por COMPARATO (2001. COMPARATO (2001. visando abarcar toda a humanidade. desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei. Art. os direitos são sempre os mesmos”. todavia. Art.º A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração. Art. pessoalmente ou através de mandatários. por ensejo da célebre declaração dos Direitos do Homem de 1789”.º Ninguém pode ser acusado. 2. 9. Art. 15. a cobrança e a duração. Duquesnoy. esta força é. incluindo opiniões religiosas. Pela primeira vez são proclamados as liberdades e os direitos fundamentais do Homem (ou do homem moderno. p.Inspirada na Revolução Americana (1776) e nas idéias filosóficas do Iluminismo. 5. Neste sentido. ninguém dela pode ser privado.º Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades. 17. instituída para f ruição por todos. 12. por si ou pelos seus representantes. diz: “enquanto os norte-americanos mostraram-se mais interessados em firmar sua independência em relação à coroa britânica do que em estimular igual movimento em outras colônias européias. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer. 50). 11. Art. 4. 10 . pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei. Art. o homem segundo a burguesia) de forma ecumênica. Art. preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. sofrem o influxo do caráter nacional. pois. e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada. Art. É preciso distinguir as leis e os direitos: as leis são análogas aos costumes. expedem. a colecta. Nenhum corpo.º Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e. 13. falar. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.º O princípio de toda a soberania reside.º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. 6 Art. mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado. p. respondendo. a Assembléia Nacional Constituinte da França revolucionária aprovou em 26 de agosto de 1789 e votou definitivamente a 2 de outubro a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão6 aprovada no dia 26 de agosto de 1789 e votada no dia 2 de outubro de 1789. BONAVIDES pensa. Assim.º A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo: assim.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição. Art. enquanto a declaração francesa tinha por destinatário o gênero humano. Art. mas ela deve ser invariável em meio às revoluções. Também foi a base da Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela ONU. Ela foi reformulada no contexto do processo revolucionário em uma segunda versão. na Assembléia Nacional Francesa sobre a redação da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. 8. escrever. Serviu de inspiração para as constituições francesas de 1848 (Segunda República Francesa) e para a atual.º A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada. Neste entendimento às declarações anteriores dos ingleses e americanos ganhavam em concretude.º Ninguém pode ser molestado por suas opiniões . 6. 10.º A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Ela deve ser a mesma para todos. Art.º Todos os cidadãos têm direito de verificar. 128) explicou: “Uma declaração deve ser de todos os tempos e de todos os povos. qual descoberta do racionalismo francês da Revolução. de 1793. todo cidadão pode. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades.º A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. de consenti-la livremente. essencialmente.º A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. da necessidade da contribuição pública. 14.º A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei. Art.

era aplicável ao ato delituoso. não passando de uma declaração de princípios. por asseg urar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos. como Poder Constituinte e que o rei não passava de poder constituído. de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum. na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres. através do ensino e da educação. Tampouco será imposta pena mais forte do que aqu ela que. Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. em princípio achava-se que a Declaração de 1789 não tinha caráter normativo. ao oposto dos franceses que se restringiram quase que tão somente a declarar direitos.. Não é porque certos direitos subjetivos estão desacompanhados de instrumentos assecuratórios próprios que eles deixam de ser sentidos no meio social como exigências impostergáveis. Posteriormente. Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. 2. e. sem mencionar os instrumentos judiciais que os garantissem. nascimento. da justiça e da paz no mundo. 7 DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. nem a tratamento ou castigo cruel. José Afonso da Silva inspirado no pensador Jacques Robert. e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla. em cooperação com as Nações Unidas. Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade. na Carta. no seu lar ou na sua correspondência. Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito. Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram. origem nacional ou social. Toda pessoa tem o direito de 11 . com o objeti vo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade. tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que. Toda pessoa tem o direito de ser.] a vigência dos direitos humanos independe do seu reconhecimento constitucional. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Toda pessoa tem direito. o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades.Os Estados Unidos deram ênfase às garantias judiciais dos Direitos Fundamentais. [. Artigo VIII. refere ainda que a Declaração Francesa parta de três caracteres fundamentais: o intelectualismo.. Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver. e o individualismo. riqueza. tendo sempre em mente esta Declaração. em plena igualdade. sexo. Não obstante. seja de raça. sua fé nos direitos humanos fundamentais. Artigo XIII. Ninguém será arbitrariamente preso. Artigo IX. 1. Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração. Artigo XII. pois só consagrava as liberdades do indivíduo. pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional. para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele. Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. 2. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interfer ências ou ataques. Toda pessoa tem direito à vida. na consciência humana. Artigo XI. Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. foi reconhecido que a competência decisória pela Declaração exercida era proveniente da vontade da Nação. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas. A Assembléia Geral proclama: A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações. contudo não entende necessárias as garantias. em todos os lugares. em última análise. preocupando-se somente em defendê-lo contra o Estado. à rebelião contra tirania e a opressão. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso. por promover o respeito a esses direitos e liberdades. se esforce. à liberdade e à segurança pessoal. Ninguém será submetido à tortura. Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens g ozem de liberdade de palavra. Artigo X. Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada. a igual proteção da lei. quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. desumano ou degradante. Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações. Preâmbulo. o mundialismo. Todos são iguais perante a lei e têm direito. Artigo VI. opinião política ou de outra natureza. nem a ataques à sua honra e reputação. sem qualquer distinção. Artigo II. porque os valores constantes e declarados ultrapassavam a esfera do país para atingir toda a universalidade de seres humanos. sem distinção de qualquer espécie. detido ou exilado. A Declaração Universal dos Direito Humanos7 de 10 de dezembro de 1948. a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial. Artigo V. 134). ou seja. em julg amento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa. ou qualquer outra condição. por não possuir a sanção do monarca. para que o homem não seja compelido. na sua família. Artigo I. O ilustre constitucionalista brasileiro. no momento da prática. p. como último recurso. não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. religião. porque a declaração era “antes de tudo um documento filosófico e jurídico que devia anunciar a chegada de uma sociedade ideal”. língua. Artigo VII. COMPARATO (2001. reconhecida como pessoa perante a lei. cor. por sua efetiva importância como instrumento de profunda modificação no conceito e respeito dos Direitos Fundamentais. Artigo III. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Artigo IV. 1. no momento. de sua consagração no direito positivo estatal como Direitos Fundamentais”. pois: “O Direito vive. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei.

Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória. pela prática. Artigo XVIII. outros meios de proteção social. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade. garantir e respeitar os direitos humanos. e a que se acrescentarão. bem como a instrução superior. invalidez. em hipótese alguma. 1. velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. e a este regressar. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses. 1. isolada ou coletiv amente. sua duração e sua dissolução. Artigo XVIII. em público ou em particular. antes do primeiro momento. têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família.. deixar qualquer país. vestuário. 4. 3. vítima de perseguição. Artigo XX. e. literária ou artística da qual seja autor. esta baseada no mérito. habitação. irrenunciabilidade e universalidade. BOBIBIO (1992. p. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. interdependência. 2. tem direito à segurança social e à realização.”. Artigo XXX. Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado. pelo culto e pela observância. Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados. este direito inclui a liberdade de mudar de religi ão ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença. e direito à segurança em caso de desemprego. pelo esforço nacional. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica. 2. Artigo XXII. doença. inclusive o próprio. esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas. do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.Toda pessoa. receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras. 12 . 2. consciência e religião. imprescritibilidade. em que se registrou sua positividade. 2. viuvez. Artigo XXIII. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países. em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível. 2. creio que se possibilitará um maior entendimento aos leitores do grau de importância de assegurar. 1. Toda pessoa tem direito à instrução. tem direito a igual remuneração por igual trabalho. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes. Toda pessoa. 1. 3. 2. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. apenas a razão do homem não foi capaz de identificá-los ou ainda de alguma outra forma assegurá-los? Estas são as principais questões a serem debatidas. discutidas e refletidas.Os direitos humanos são todos aqueles inerentes à própria condição humana com as características de complementaridade. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. como membro da sociedade. à livre escolha de emprego. Artigo XVII. A vontade do povo será a base da autoridade do governo. 2. se necessário. só ou em sociedade com outros. pelo menos nos graus elementares e fundamentais. sem qualquer distinção. efetividade. a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos. 2. assim como à sua família. A instrução técnico-profissional será acessível a todos. 2. Artigo XIV. 1.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade. 1. nem do direito de mudar de nacionalidade. 3. ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país. inclusive alimentação. sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade. 3. Toda pessoa. os direitos humanos foram abraçados por algum tipo de ordenamento jurídico? Caso contrário. que lhe assegure. No exercício de seus direitos e liberdades. dos direitos econômicos. 2. fundamentais e humanos inerentes ao Ser Humano. gozarão da mesma proteção social. e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. quais sejam: os direitos básicos. 16) cita como exemplo de termos avaliativos: “Direitos do homem são aqueles cujo reconhecimento é condição necessária para o aperfeiçoamento da pessoa humana. Toda pessoa tem direito à propriedade. inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas. A instrução será gratuita. especialmente do Estado Democrático de Direito. por sufrágio universal. ou para o desenvolvimento da civilização. 1. toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio. pelo ensino. intransferibilidade.. pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado. Artigo XVI. Artigo XXVI. Artigo XV. inalienabilidade. este direito inclui a liberdade de. dignidade da pessoa humana foi motivada pela curiosidade para que todos possam conhecer o período em que a dignidade humana passou a ser respeitada. Artigo XXIV. da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática. exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral. sem interferência. Artigo XIX. Os homens e mulheres de maior idade. Artigo XXI. ter opiniões e de procurar. Artigo XXVII.Toda pessoa tem direito ao trabalho. A instrução promoverá a compreensão. observando e analisando toda evolução histórica destes direitos. Este essencial princípio. a partir de promulgação de sua Constituição no dia 5 de outubro de 1998. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas. deve receber plena garantia e proteção do Estado. por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto. nacionalidade ou religião. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar. o qual se constitui a República Federativa do Brasil. inviolabilidade. Toda pessoa tem direito a repouso e lazer. Artigo XXIV. Artigo XXV. 2. Esses direitos e liberdades não podem. 1. diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas. Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão. uma existência compa tível com a dignidade humana. grupo ou pessoa. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento. 1. 1. É relevante questionar: Será que na história. A instrução elementar será obrigatória. 1. sem qualquer restrição de raça. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento.

a dignidade da pessoa humana também se referencia com o princípio da igualdade (isonomia). Mas de sua noção. da criança. assistência social aos desamparados. II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política.Também é necessário se averiguar se a racionalidade do homem sempre foi capaz de distinguir ou de proteger nossos direitos e garantias fundamentais e humanos. já havia estabelecido no art. sob tutela. alimentação. diretamente referenciado ao princípio da universalidade. sobretudo. como forma de distinção do ser humano das demais espécies. moradia. o direito à vida (o mais sagrado de todos os bens). “sem distinção de qualquer natureza” que foi editada. à liberdade. de cada homem e de todos os homens. sem governo próprio. trabalho. II da Declaração Universal dos Direitos do Cidadão: “I) Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie. conforme preleciona o caput. também é atributo distintivo do ser humano. seja de raça. Nesta direção à doutrina considera a dignidade da pessoa humana como um sobreprincípio (superprincípio). em primeiro lugar. língua. por prevalência dos direitos humanos. Neste aspecto a dignidade da pessoa humana foi adotada como princípio fundamental pela Assembleia Geral das Nações Unidas na Declaração Universal dos Direitos Humanos. 5º. enquanto ser humano é insuperável. O art. destacam-se duas causas primárias. de que a dignidade é referida à espécie humana. 1º. religião. assim também o constituinte brasileiro não podia desprezar os dois outros princípios que nele estão implicitamente contidos. origem nacional ou social. conforme estabelece o art. dentre outros. ou seja. porque se centra na importância atual dos direitos humanos no contexto universal. supostamente irrenunciáveis: primeira. depois de quase 40 anos. a norma proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas realizada na data de 10 de dezembro de 1948. reproduzindo-se o texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem. A dignidade da pessoa humana. cor. A Assembleia Geral das Nações Unidas. 13 . portanto. mais uma parte. CRFB/1988). apresenta um vasto campo ontológico. III. proteção à maternidade e à infância. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. proclamados na data de 10 de dezembro de 1948: “Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. do portador de doença grave. previdência social. Esta cláusula constitucional se reproduziu. quer se trate de um território independente. sexo. em vista a cláusula encontrável nos estatutos e regramentos das organizações internacionais. nem a tratamento ou castigo cruel. opinião política ou de outra natureza. V da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Ninguém será submetido a tortura. sob os dois aspectos que foi mencionado. à propriedade. etc. ou qualquer outra condição. A Constituição Federal de 1988 mostra em diversos artigos como pretende assegurar e garantir o respeito à condição de dignidade da pessoa humana. praticamente insusceptível de delimitação. 6º da nossa Constituição define uma lista de direitos sociais à pessoa: educação. nascimento. depois. à segurança. lazer. no inciso III. saúde. riqueza. parte do fato de que essa categorização especial (humana) é única para todos os homens. do art. 5º. e. O princípio fundamental da dignidade da pessoa humana (art. desumano ou degradante”. coerente ao dispor os direitos e garantias fundamentais para todas as pessoas. como por exemplo. O Brasil é estruturado com base na consciência de que o valor da pessoa humana. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania”. do art. do idoso. segurança. no qual dispõe que: “ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”. não se admitindo a taxinomia de graus de dignidade. sob pena de transgredir a unidade de sentido filosófico do Regramento Universal e Fundamental. pois assim o definiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos. segundo. da atual Constituição. dentre outros (defesa do consumidor.) como primado do bem-estar e da justiça social. Em uma palavra.

inclusive PEDRO LENZA (2010. 3. 14 .Assim. políticas e religiosas. garantindo os direitos clássicos: à vida. no Brasil estão previstos no caput do art. Sociais e Culturais de 1967. surgem seis diretrizes básicas: 1. de religião.Cada pessoa vive em relação comunitária. A base social do Absolutismo era de privilégios: honras. considerado como princípio basilar que rege o sistema de direitos fundamentais.Só a dignidade justifica a procura da qualidade de vida . p.A proteção da dignidade das pessoas está para além da dignidade da cidadania portuguesa e postula uma visão universalista da atribuição dos direitos. colégios. da Constituição da República de 1988. 5. por intermédio do acesso garantido à justiça. mas a dignidade que possui é dela mesma e não da situação em si. propiciar. à propriedade e à segurança. 5º. 6. os quais se procriaram da Declaração Universal dos Direitos do Homem prelecionado em seu no art. tribunais e penas especiais). eram as distribuições dos privilégios: privilégios sociais (acesso exclusivo a cargos. à liberdade e à segurança pessoal” e ainda encontrada como premissa básica nos Pactos Internacionais de Direitos Econômicos. 4. o rei exercia seu poder despótico e tiranamente em relação entre o indivíduo e o Estado. potencializa a autodeterminação das pessoas. não o do ter. às demais entidades públicas e às outras pessoas . riquezas eram reservados a um pequeno grupo de pessoas. Assim. o prazer e a satisfação para além das liberdades clássicas do iluminismo. 2. 745). Foi o ponto de chegada de um processo iniciado na Idade Média e que representou a derrota da nobreza pela monarquia e afirmação do soberano. era de súdito e soberano. à igualdade. considera o princípio da dignidade da pessoa humana como princípio-matriz de todos os direitos básicos e fundamentais. quer no caráter mais extenso da cultura. No período da história em que o Regime Absolutista dominava a vida das pessoas. aquela e este da Organização das Nações Unidas. rei e do Estado nacional.A dignidade da pessoa pressupõe a autonomia vital da pessoa. foi definida pelo nosso constituinte como fundamento da República Federativa do Brasil (III.). sob a tutela do princípio da dignidade. CFRB/1988). através das liberdades de expressão. Do que exposto. de manifestação do pensamento. da liberdade positiva de autopromoção. a Restauração de 1814 a 1848. um sistema de direitos e garantias que viabiliza a formação da esfera de desenvolvimento da pessoa humana. O Absolutismo foi o regime da centralização: os soberanos passaram a concentrar todos os poderes. à educação. Com isso. poderes. 1º. que do princípio da dignidade da pessoa humana. De maneira a erguer.O primado da pessoa é o do ser. etc. pode concluir-se com MIRANDA. a sua autodeterminação relativamente ao Estado. onde não se contava com qualquer referência comportamental que nos assegurasse ou garantisse os direitos mais básicos e fundamentais. oficialato no exército. tem-se que a partir do século XVII até a Revolução Francesa de 1789 e mesmo entrando no século XIX. distinção nas vestes. Isso foi possível pelo cansaço e desgastes das guerras de religião pela riqueza provinda das novas descobertas e do apoio da burguesia.A dignidade da pessoa humana reporta -se a todas e a cada uma das pessoas. III: “Todo o homem tem direito à vida. em que a liberdade prevalece sobre a propriedade. Para melhor compreensão destas assertivas. art. de convicções filosóficas. privilégios jurídicos (direito de passar testamento. vigorou na Europa o regime político denominado ‘Absolutismo’. quer no sentido de oferecer. ficando os cidadãos excluídos de qualquer participação e controle na vida pública. privilégios econômicos (isenções de impostos que recaíam sobre os pobres). proporcionar o gozo. à liberdade. à saúde. é a dignidade da pessoa individual e concreta. Esses direitos e garantias.

inspirada nas teorias de John LOCKE. A previsão do devido processo legal. existiram outros códigos e ordenamentos em datas e locais distintos que tentaram colocar balizas. o regime político absolutista encontrou seu primeiro obstáculo. os dois primeiros: o clero e a nobreza. por não ser contemplado com a herança do pai Henrique II. Ninguém poderá ser detido. transformando-se em instrumentos que assegurassem. costumes e liberdades. precisamente no ano de 1776. preso ou despojado dos seus bens. No século XVIII. amplamente defendidas pelo inglês. aponta a judicialidade como um dos princípios do Estado de Direito. com normas e regras de caráter pioneiro para a estruturação e fundamentação dos direitos humanos. do livre acesso à Justiça. da nota de culpa. e. Jean-Jacques ROUSSEAU e Charles-Louis de Secondat MONTESQUIEU. regulamentando o princípio da legalidade. John LOCKE. “Art. prevendo o princípio da legalidade. A Petition of Right de 1628. do contraditório. 48. da ampla defesa. todos os homens foram criados iguais que lhes conferiu o Criador. surgiu o diploma jurídico que teria sido o documento mais importante e caracterizador do Estado Liberal. e o de procurarem a própria 15 . porém limitava e restringia veementemente as liberdades religiosas e as liberdades pessoais garantidas pelo habeas corpus. entre os quais o de vida e de liberdade. Para que se compreenda melhor a assertiva. proclamava entre outros direitos. senão em virtude de julgamento de seus pares segundo as leis do país”. marcas e sinais na conduta social. e. possuía 13 artigos que consolidavam as idéias políticas de limitação e restrição do poder estatal. garantissem e resguardassem os direitos humanos. auxiliando e servindo como primeiro passo para o desabamento e desmoronamento do Antigo Regime e para a ascensão da classe burguesa. certos direitos inalienáveis. na localidade conhecida por Runnymede. No dia 21 de junho de 1215. Os direitos humanos com sua feição contemporânea se afloraram a partir da Reforma Religiosa (1500-1600) suportados na idéia de tolerância. do princípio do processo legal. veja esses dois artigos retirados da Magna Carta inglesa: “Art. à liberdade e à propriedade. anterior à Declaração de Independência das referidas colônias. chamado de condado de Surrey na Inglaterra. 49. mas exerceu uma influência evidente e inegável a todas as constituições modernas. A Magna Charta Libertatum não foi uma Constituição. também caracterizado pelo repúdio à violência na consolidação da pretensa verdade. da liberdade de locomoção e da livre entrada e saída do país. porque tratou de um importante avanço na relação entre governantes e governados. o princípio do juiz natural e imparcial. imposta pelo rei que ficou conhecido como rei João Sem Terra.. a liberdade religiosa e a liberdade de imprensa. assim como imunidades parlamentares. o direito à vida. mas preferencialmente. serviram de presságio para os princípios da legalidade. a administração da Justiça”. por esse documento normativo não beneficiavam indistintamente todos os súditos do rei. nem dilataremos a quem quer que seja. foi um destes códigos. serviu-se essencialmente à proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.Nesta época. nela está contida diversas proteções tributárias que garantiam a liberdade do indivíduo em hipótese de inadimplência. conhecido como Declaração de Virgínia de 12 de junho de 1776 (The Virginia Bill of Rights) redigida por George Mason. o Estado não devia satisfação a ninguém e não existiam mecanismos que efetivamente impusessem qualquer limitação ou restrição ao poder real. o devido processo legal. também na Inglaterra. a Magna Carta. Não venderemos. Outro foi o Bill of Right de 1689. Este documento possuía 67 cláusulas. Resumindo. em uma das 13 (treze) colônias inglesas na América. nem recusaremos. reconhecia expressa e formalmente a proporcionalidade entre delito (crime) e sanção (punição). criando o direito de petição. primeira aparição do habeas corpus. dentre estas. ainda nas terras inglesas.. Essas insignes palavras estão gravadas na Declaração de Direito do Bom Povo de Virgínia: “. Esse não foi o único. da reserva legal e da anterioridade da lei penal. o Tribunal de Júri.

contra a opressão do governo português no período colonial. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira. O Iluminismo foi mais intenso na França. apagar todo o passado. a proibição da aplicação de penas cruéis ou aberrantes. esta foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789. tais como: a ampla defesa. contra entre outros motivos. devido ao Brasil no final do século XVIII ser colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. instituindo um novo governo cujos princípios básicos e organizações de poderes obedeçam às normas que lhe parecerem mais próprias a promover a segurança e a felicidade gerais”. tornando-se um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil que significou a luta do povo brasileiro pela liberdade. dentre outros. Para que se possa compreender melhor. o direito a julgamento rápido e público. em pleno ciclo do ouro. a Revolução Francesa que tentou mudar radicalmente as condições de vida em sociedade. a inviolabilidade de domicílio. levando à Queda da Bastilha e à execução dos monarcas e de grande parte da aristocracia francesa. ao juiz natural. Nesse ambiente libertário. pois influenciou fortemente a Constituição dos Estados Unidos da América de 4 de julho 1787 (Declaração de Independência). ao devido processo legal.felicidade. Igualdade e Fraternidade. este movimento que surgiu na França do século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas. da casa. para assegurar esses direitos. que sempre que qualquer forma de governo tenta destruir esses fins assiste ao povo o direito de mudá-la ou aboli-la. simbolizado muito bem pela mudança de calendário. onde influenciou a Revolução Francesa. especificamente para a França de 1789. ergueu-se da mesma forma das Declarações Americanas. a proibição da escravidão e servidão voluntária. o direito de defesa. O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII. onde ocorrera um movimento que transformaria a história do mundo. dos papéis e posses dos objetos. a igualdade perante a lei. A Carta de Direitos de 1776 introduzida pela Constituição Americana entre 1791 a 1795: “continha como fundamentos. Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo. a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento 16 . que segundo os filósofos. a diferença era que aquela tinha um caráter universal enquanto esta somente mantinha o caráter nacional. Com essa regra nota-se a importância deste ordenamento para a gradual cristalização dos direitos humanos: direitos dos cidadãos. esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade. a liberdade de religião. e. que. de imprensa. aprovada na França e influenciada pela Teoria Filosófica do Iluminismo. de palavra. a execução da derrama e o domínio português. compreendidos como direitos naturais do indivíduo anteriores ao contrato social de Jean-Jacques ROUSSEAU. editou-se a famosa Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 26 de agosto de 1789. este passou a ser conhecido como o Século das Luzes. a irretroatividade das leis”. e. através de seu lema: Liberdade. Pretendiam reiniciar a História. o direito de propriedade. A Declaração Universal dos Direitos do Homem adotada e proclamada pela Resolução 217 da III Assembléia Geral das Organizações Nações Unidas de 10 de dezembro de 1948. na capitania de Minas Gerais. atacando forte e severamente o regime absolutista. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que eram justificadas somente pela fé e crença no Ser Superior (Deus). bloqueavam a evolução do homem. se constituíram entres os homens governos cujos justos poderes emanam do consentimento dos governados. principalmente dos pensadores Jean-Jacques ROUSSEAU e MONTESQUIEU. Direcionando nossa visão para a Europa. a inviolabilidade da pessoa. pois centrada ao povo francês. de reunião. firmada por Tomas Jefferson votada por aclamação no Congresso Da Filadélfia que estabelecia a separação dos poderes do Estado e consagrava diversos direitos fundamentais. o direito de petição.

Para que se entenda a ideologia defendida pelos pensadores e precursores dos movimentos sociais e políticos na Idade Média (período entre a queda de Roma e a invenção da imprensa. Naquele período. Jean-Jacques ROUSSEAU (1712-1778) defendia a 17 . o homem era naturalmente bom. com o fim do absolutismo. cuja pena foi executada no dia 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro. condes. em terceiro a burguesia e os trabalhadores da cidade e do campo. sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. A Inconfidência Mineira ocorreu no Brasil. François-Marie Arouet conhecida pelo pseudônimo Voltaire (1694-1778) defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica à intolerância religiosa. talha (metade da produção). com a retomada comercial e o renascimento urbano. Os principais filósofos do Iluminismo foram: John LOCKE (1632-1704) acreditava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do empirismo. período caracterizado pelo feudalismo). contrários ao absolutismo do rei. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais. como também.industrial e comercial do Brasil. pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade. donos de lotes de terras (feudos). a felicidade comum seria alcançada especialmente reinaria a paz e a justiça social. por exemplo. uma vez que. foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza). devido a sua forma de participação limitada. no ano de 1785. A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras). as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo. porém era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões. em segundo a nobreza. A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais. Prevaleceram na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. e. quando o inconfidente foi enforcado e imediatamente esquartejado e suas partes espalhadas pela estrada real e a sua cabeça exposta na praça central de Vila Rica atualmente Ouro Preto . Com o fim do poder os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios. pois apesar do dinheiro que possuíam. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. sob a acusação de lesamajestade (atentar contra a vida do rei e de seus representantes). O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder. sendo o rei o suserano mais poderoso. Outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas. Para os filósofos iluministas. nesta forma de governo. no século V sobre o Império Romano do Ocidente. A Idade Média caracteriza-se pela economia ruralizada. foi condenada a pena capital à pessoa de Joaquim José da Silva Xavier conhecido por Tiradentes. por causa do movimento. os filósofos eram contra as imposições de caráter religioso. contra as práticas mercantilistas. enfraquecimento comercial. com direitos iguais a todos. econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais. tais como: corvéia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal). Todos os poderes jurídico. em que o governo interferia ainda nas questões econômicas. supremacia da Igreja Católica. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo. Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia. O vassalo oferecia ao senhor ou suserano. No Antigo Regime. Portugal decretou uma lei que proibia o funcionamento de indústrias fabris em território brasileiro. cavaleiros. além dos privilégios dados a nobreza e ao clero. fidelidade e trabalho em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. eles não tinham poder em questões políticas.MG. a sociedade era dividida da seguinte forma: Em primeiro lugar vinha o clero. o Antigo Regime ainda vigorava na França. viscondes) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. Essa época estende-se até o século XV. sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada. o rei detinha todos os poderes. Os filósofos acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa. duques. Por esta razão. banalidades (taxa paga pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).

Para mostra o verdadeiro espírito de uma lei. uma das experiências que serviram de referência a MONTESQUIEU para que este fundamentasse as suas teses sobre os sistemas políticos. É suficiente que se reduzam as diferenças até certo ponto para que as leis. MONTESQUIEU chama a atenção para os limites nos quais o tema da igualdade deve ser tratado: tanto a perda do espírito de igualdade como a defesa da igualdade extremamente prejudicial à democracia. tratase também de algo difícil e por isso. “a grande originalidade de MONTESQUIEU será.idéia de um estado democrático que garantisse a igualdade para todos. para que não se radicalize demais na reivindicação desse bem e ao fazer isso. portanto. Segundo tratado sobre o governo e ROUSSEAU com a obra. ganham destaque. porque a liberdade não pode subsistir sem ela”. 264). Executivo e Judiciário (Tripartição dos Poderes). não deve haver um rigor exagerado a respeito. ao despotismo concebido como um refúgio contra a anarquia”. o espírito de igualdade extrema. o monárquico e o despótico. Nos termos defendido por MONTESQUIEU: 18 . Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond d´Alembert (1717-1783). através dos encargos que impõem aos ricos e dos alívios que concedem aos pobres. ainda. pois todos se sentiriam no direito de “ deliberar pelo senado. Nota claramente que pelas conseqüências apontadas MONTESQUIEU teme mais o espírito de igualdade extrema: “o espírito de desigualdade leva a democracia à aristocracia e à monarquia. esses sistemas de leis devem ter como bens superiores dois objetivos principais: a liberdade e a igualdade. Em O espírito das leis. Na origem do processo de reflexão sobre o modelo de organização política da Europa que emerge do feudalismo para o capitalismo. Refletindo sobre o tema da igualdade na democracia. O processo de elaboração das leis é concebido por ROUSSEAU como o ato maior da soberania. possibilitam certo nivelamento de certa igualdade. o principal fator para definir a liberdade é a lei. defendidos por MONTESQUIEU. o de ter sido o teórico da liberdade política”. executar pelos magistrados e destituir todos os juízes”. juntos organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época. O espírito das leis. porque qualquer dependência particular corresponde a outro tanto de força tomada do corpo do Estado. e. sob a alegação de que o espírito de igualdade extrema levaria ao questionamento da própria idéia de representação. O contrato social. coloque-se em risco o funcionamento do sistema político. e a igualdade. p. Este tema é muito importante para definir os limites normativos da soberania. Este tema da igualdade é tratado com a preocupação de que se configure como um elemento benéfico ao funcionamento do acordo (pacto) entre os homens e não no sentido de promover uma sociedade com ausência de regras e hierarquias. dele possui o poder soberano. Argumenta: “A liberdade. MONTESQUIEU chama a atenção para o cuidado que se deve ter com o conceito de igualdade. Charles-Louis de Secondat MONTESQUIEU (1689-1755) defendeu a divisão do poder político em Legislativo. conforme já asseverado: MONTESQUIEU com a obra. Conforme DEDIEU (1980. MONTESQUIEU em 1963 observa que existem três tipos de governo: o republicano. como um todo ou uma parcela. Afirma que mesmo na democracia a igualdade seja a alma do Estado. Por conta disso. como muitas vezes constatou-se em Roma. Por isso. MONTESQUIEU chama a atenção para o fato de que esta nunca pode ser perseguida com todo o rigor. afirma ser o republicano o tipo de governo em que o povo. Preocupado com o radicalismo político com o qual esse conceito poderia ser tomado. LOCKE com a obra. visto que esta deve ser concebida como algo limitado pelas normas que criaram a comunidade política. tratando-se de algo muito difícil se estabelecer plenamente. MONTESQUIEU frisou: “ Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias ” .

Partindo do pressuposto de que é necessário um controle externo para que os sistemas políticos funcionem a contento.] pelo primeiro. como se essas idéias valessem para o conjunto da população. O Segundo tratado sobre o governo procurou universalizar as suas idéias sobre a sociedade liberal-burguesa. por outro.. passando-os à sociedade política. porque os outros também teriam tal poder”. que são superiores a qualquer lei humana. Pelo segundo. a liberdade de pensar. p. dá-se quando os homens renunciam a esses poderes. no Estado de natureza. a segurança. existe respeito e. A valorização do trabalho se constituir em um elemento fundamental para o desenvolvimento da emergente sociedade burguesa. portanto. por exemplo. envia ou recebe embaixadas. desfruta de perfeita liberdade e gozo incontrolável de todos os direitos e privilégios. quando. a conservação e a harmonia das forças que compõem a sociedade. Segundo DEDIU (1980. Isto vem garantindo o bom funcionamento do sistema político: “[. Chamaremos este último de poder de julgar e. a liberdade e os bens) contra os danos e ataques de outros homens. A passagem do estado de natureza para a sociedade política ou civil.. Por isso é que. em contraposição ao modelo feudal ou primitivo. 19 . Não caracteriza nenhuma negligência afirmar que um dos grandes esforços teóricos empreendido por John LOCKE. e o executivo das que dependem do direito civil ”. propriedade e leis. pois John LOCKE oculta o tema da igualdade e limita o tema da liberdade. apesar da evidente ampliação do ponto de vista das proposições políticas. citando como exemplos: “a liberdade individual. DEDIU (1980. se um cidadão pudesse fazer tudo que elas proíbem. prosperidade. simplesmente o poder executivo do Estado”. é apenas na organização bem-sucedida da divisão dos poderes e no seu cumprimento pelo sistema político que MONTESQUIEU vê a possibilidade de garantia da liberdade. a ‘tranqüilidade’. As liberdades pedidas são as que ele requer”. Existe liberdade. e. 280). por um lado. A forma sugerida por MONTESQUIEU que terá grande aceitação teórica e posteriormente política é a divisão da esfera administrativa em três poderes: “ o poder legislativo. Pelo terceiro. para LOCKE. o príncipe ou o magistrado faz leis por certo tempo ou para sempre e corrige ou ab-roga as que estão feitas. no Segundo tratado sobre o governo. o outro. o homem. Para John LOCKE. bem como julgar e castigar as infrações da lei da natureza. de falar e de escrever. O Estado tem que regulamentar as normas jurídicas para a atuação do próprio Estado em relação aos indivíduos. inclusive com a morte. ou está conseguindo. John LOCKE é outro autor fundamental para compreender o debate acerca da organização política das sociedades ocidentais. não teria mais liberdade. ou seja. preocupar fundamentalmente com o cidadão: “que conseguiu. a lei terá de ser a lei que ele considere adequada às suas necessidades. Portanto. que emergia com o processo de derrocada do feudalismo. concentra-se na busca da legitimação do processo de constituição da propriedade liberal-burguesa. dependendo do crime. sem o que não há garantia de liberdade dos indivíduos. preservar a sua propriedade (a vida. pune os crimes ou julga as querelas dos indivíduos. desenvolvimento normal dos direitos do homem”. MONTESQUIEU propõe a criação de regras que busquem estabelecer limites aos detentores do poder. quando o seu conceito de liberdade. previne invasões. 277) comenta a reflexão de MONTESQUIEU acerca da confecção das leis e a necessária salvaguarda de alguns direitos do homem. tem por natureza. p. o poder executivo das coisas que dependem do direito das gentes. os seus avanços em termos democráticos são bastante limitados. estabelece a segurança.“liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem. faz a paz ou a guerra. estava ligado à emergente sociedade capitalista. esta aparecendo recorrentemente ligada à propriedade.

Este ato legitima a criação de um corpo de magistrados que se responsabiliza por fazer leis que obriguem a todos os membros da coletividade. entre os poderes da sociedade política. que. a fim de limitar o poder e moderar o domínio de cada parte e de cada membro da comunidade. a soberania não é “senão o exercício da vontade geral”. ROUSSEAU afirma que quem tem a prerrogativa de administrar a sociedade política. no Segundo tratado. Cabe ressaltar que a liberdade e a posse no estado natural são limitadas pela força e com o contrato social. a divisão de poderes não significa a divisão da soberania. Por isso. os quais sejam capazes de exercer o papel de legisladores no interesse da vontade geral. já no início do O contrato social. a elaboração deve estar a cargo de representantes escolhidos pelo povo. Para o Segundo tratado sobre o governo. Por isso. Este primeiro contrato retira dos homens a liberdade e o direito ilimitados que tinham no estado de natureza. Objetivo para o qual escolhem ou autorizam um poder legislativo é tornar possível à existência de leis e regras estabelecidas como guarda e proteção às propriedades de todos os membros da sociedade. cabe destacar o papel das leis. a liberdade civil encontra o seu limite na vontade geral e a propriedade é garantida pelo título positivo. O motivo que leva os homens a entrarem em sociedade é a preservação da sociedade. a constituição deste poder é tida por este autor como o primeiro ato fundamental da sociedade. Uma dessas regras fundamentais para o funcionamento das instituições políticas nas democracias ocidentais modernas. Algo indivisível e inalienável. John LOCKE. por meio do qual se prevê a união e a direção de todos e sobre todos os membros da sociedade. Portanto. coloca os elementos fundamentais que fazem os contratantes abandonar a liberdade que tinham no estado de natureza para aderir à sociedade política. até os dias atuais. Isto é visto como um princípio fundamental da constituição do pacto social que estabeleceu este ser coletivo. deixa claro que são as convenções que legitimam qualquer autoridade entre os homens. Refletindo sobre o processo de direção soberana da sociedade. uma vez que deve abranger o corpo do povo. Como uma espécie de resumo de sua obra. O processo de elaboração das leis é concebido por ROUSSEAU como o ato maior da soberania. que devem ser estabelecidas e promulgadas com caráter universalizante (para todos) e de acordo com o interesse geral (legítimas). é a vontade geral. obviamente. refere-se preferencialmente à vontade dos proprietários. ROUSSEAU. Argumenta: 20 . Cabe ressaltar que para ROUSSEAU. pois que não se poderá nunca supor seja vontade da sociedade que o legislativo possua o poder de destruir o que todos intentam assegurar-se entrando em sociedade. o poder legislativo é o que deve ser visto pelo povo como poder supremo e sagrado. cujo elemento principal é a garantia do bem comum e é este bem comum que determina as bases sobre as quais esta sociedade deve ser governada. é o princípio da maioria. No modelo de organização política da sociedade pensada por John LOCKE. só restam às convenções como base de toda autoridade legítima existente entre os homens”. Devido à importância das leis no sistema político pensado por John LOCKE é que atribuiu tanta importância ao poder legislativo. que emerge do pacto social. não deve ser confundido com a vontade de todos. afirma: “Visto que homem algum tem autoridade natural sobre seus semelhantes e que a força não produz nenhum direito. mas lhes garante a liberdade civil e a manutenção da propriedade de tudo que possuem. Assim. Neste sentido é que se concentra o direito soberano de zelar pelos destinos políticos emanados do pacto que estabeleceu a organização do Estado. esses sistemas de leis devem ter como bens superiores dois objetivos principais: a liberdade e a igualdade. Por isso.Na concepção de John LOCKE a constituição da sociedade política significa a renúncia à liberdade do estado de natureza e a aceitação de regras fundamentais para a manutenção e bom funcionamento do pacto fundador do Estado Moderno. Como destacado anteriormente.

Jean-Jacques ROUSSEAU o vê como um corpo intermediário no Estado. em que pese ao papel que assume como uma espécie de mediador entre a vontade soberana e os súditos. Os conceitos de soberania e vontade geral para Jean-Jacques ROUSSEAU estão relacionados ao conjunto da sociedade como um corpo político ativo. Para que não haja o afrouxamento do corpo político. ao refletir sobre a liberdade. como elementos que determinarão a sua força. É justamente pela sua preocupação com a possibilidade de usurpação do poder pelos representantes que ROUSSEAU volta-se para Roma. O governo é algo que só existe em função do soberano. então. p. isto é. Ela não pode pronunciar-se nem sobre um homem nem sobre um fato. porque a liberdade não pode subsistir sem ela”. p.. DURKHEIM (1980. que serviam de antídoto contra a tirania política. 365) afirma que: “[. quando o governo é confiado a uma pequena parte do povo.. a preocupação de ROUSSEAU. e a igualdade. Com efeito. Devido à preocupação com a possibilidade de usurpação do poder por uma minoria de representantes. 395). por isso mesmo. Comentando as reflexões de ROUSSEAU a esse respeito. O conceito de liberdade defendido por Jean-Jacques ROUSSEAU é totalmente oposto ao conceito de liberdade empregado pelos defensores do liberalismo. é necessário que o príncipe submeta suas ações às regras estabelecidas pela soberania.. Jean-Jacques ROUSSEAU vê a existência de governos como uma espécie de mal em relação ao qual se deve estar sempre atento. devendo adotar suas ações a partir da vontade geral e das leis. Ela é ela mesma quando parte de todos e tem como objeto a coletividade em geral [. Isto pode fazer com que o poder governamental supere o do povo. mas apontar o tipo de comunidade que proteja o indivíduo e salvaguarde a liberdade de todos os membros da organização política nascida do contrato social. que decidirá sobre a administração de acordo com o que julgar conveniente. quando é confiado apenas a um magistrado. O soberano é o povo no estado ativo. Na concepção de Jean-Jacques ROUSSEAU.. é o árbitro e a parte de um mesmo ser considerado sob dois aspectos. quando o governo é confiado a todo o povo ou à maior parte dele. Segundo CASSIRRER (1980. O soberano “pode confiar o governo a todo o povo ou à maior parte do povo. que têm o papel de fazer cumprir as leis. o que seria a ruína do Estado social. verifica-se o governo aristocrático. As assembléias têm uma importância fundamental para avaliação e questionamento das posturas assumidas pelo príncipe. é que ROUSSEAU defende a democracia como modelo ideal de sistema político. existe apenas um soberano que é o conjunto das pessoas. procurando resgatar as experiências de assembléias populares. de modo que haja mais cidadãos magistrados do que cidadãos simples particulares”. Trata-se do intermediário entre o corpo político concebido como soberano e o corpo político como Estado. o governo é monárquico. quando é ela mesma. a decisão sobre quem deve governar deve ficar a cargo do soberano. verifica-se o governo democrático. contra a vontade geral.] a vontade geral é infalível. p. não é libertar o indivíduo em relação à comunidade. afirma que o governo atenta constantemente contra a soberania. também é a fonte da ruína da sociedade. É a ação política que caracteriza a coletividade dos indivíduos como um corpo soberano. 375). Pelo pacto estabelecido para criar a comunidade política. o povo é o soberano no estado passivo”. posicionado entre o povo e soberano.].“A liberdade. Segundo DURKHEIM (1980. A definição da extensão do governo que Jean-Jacques ROUSSEAU define a sua forma. aos quais ele deve aplicar-se. as quais como corpos são portadoras da vontade geral. porque qualquer dependência particular corresponde a outro tanto de força tomada do corpo do Estado. Com relação ao governo. 21 . ROUSSEAU ao comentar sobre o governo nas sociedades. vendo este sistema como a melhor forma de a vontade geral dominar as vontades particulares. o que a torna competente quando se pronuncia sobre o corpo da nação indistintamente é que.

proprietários dos meios de produção social. O “Manifesto Comunista” era um pequeno panfleto que acabaria por se tornar o documento político mais importante de todos os tempos. ou seja. buscando sempre o consenso. Porém. Passados mais de 163 anos (mais de um século e meio) ainda permanecem fortalecidos e reconhecidos este texto por intelectuais das mais diversas correntes de pensamento. da liberdade religiosa e da livre manifestação do pensamento. Como se pode ver. que não significa a soma da vontade de todos. as duas. que empregam o trabalho assalariado. fortemente influenciadas pelos pensamentos de Karl Marx e Friedrich Engels. que são característicos dos interesses particulares. funcionando como freio do governo e reafirmação da soberania popular. isto não impediu que esse documento exercesse penetrante influxo nas legislações modernas do mundo. encontrava-se implacáveis obstáculos para a sua confirmação na vida real. em formato de “Manifesto”. da liberdade de associação política. No Manifesto do Partido Comunista. o Estado Moderno e o Direito Moderno. a qual foi publicada na Inglaterra (Londres) conhecida como a mais importante crítica socialista ao regime liberal-burguês. do respeito ao princípio da legalidade. pois somente existia textualmente em documento. dentre eles se destacam: a garantia da igualdade. privados de meios de produção próprios. devem ser realizadas como mecanismo de salvaguarda do corpo político. No entanto. A partir da proclamação destes direitos. ROUSSEAU é defensor de um modelo de democracia que sempre se preocupa com a garantia da vontade geral. naquele ano de 1848 o método de análise da sociedade sofreu uma transformação radical a partir da construção de uma nova ferramenta inspirada. da resistência à opressão. A despeito da Déclaration des Droits de L’Homme et de Citoyen ter consagrado disposições como: “Todos os homens são iguais por natureza e perante a lei” e “O fim da sociedade é a felicidade comum”. se vêem obrigados a vender sua força de trabalho para poder existir”. ROUSSEAU radicaliza sua compreensão sobre o sentido da representação. Outra salvaguarda do interesse geral é que não haja representantes que tomem as decisões pelas pessoas. surge a Declaração Soviética dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado e a Lei Fundamental Soviética. Retornando à Declaração Universal dos Direitos Humanos texto francês em que foram estabelecidas importantes normas em prol dos direitos humanos. Por proletariado compreende-se a classe dos trabalhadores assalariados modernos que. uma vez que a soberania não pode se representar sem se destruir. não é mais livre. em que governe o maior número e seja o menor número governado. ROUSSEAU defende a democracia como um modelo ideal que protege a sociedade política dos usurpadores. não mais existe”. KART Marx e Friedrich ENGELS difundiram de maneira simples. O que tem que se manifestar nessas assembléias é a vontade geral e não os longos debates. “ no momento em que um povo se dá representantes. da segurança. o que ela acarreta à soberania alcançada com o pacto político. chegando mesmo a afirmar que. ENGELS publicou esta nota à edição inglesa de 1888: “Por burguesia compreende-se a classe dos capitalistas modernos. não verifica em nenhuma experiência histórica a possibilidade de funcionamento de um governo tão perfeito. a gestão do Estado passou por uma maior participação da burguesia. 22 .Por isso. Passando-se mais de um século pela história e situando-se na antiga URSS em pleno século XX. especialmente no ano de 1918. da liberdade. da presunção de inocência. sua nova concepção de Filosofia e de História. Por isso é que defende a participação constante do conjunto das pessoas em assembléias. as dissensões e o tumulto. até nossos dias: O Materialismo Dialético. da reserva legal e anterioridade em matéria penal. principalmente pela obra “Manifesto Comunista” do final de fevereiro de 1848. Porém. da propriedade. concedendo espaço para que se erguesse a sociedade industrial burguesa.

ONU. Sucessivamente.Estes documentos visavam eliminar toda e qualquer exploração do homem pelo homem. Desse modo. Em 1919 foi assinado o Tratado de Versalhes. principalmente aqueles que dizem respeito a sua essência de ser humano e que de nenhuma maneira podem ser ameaçados. são quase todos os países do planeta. mas fracassou com a eclosão da segunda guerra. surgem somente como especificação daqueles direitos e garantias contempladas e proclamadas por este estatuto. educação e instrução sociais. concisa e objetiva. impondo um contrato universal. primando por uma paz mundial que preserve a nossa civilização. É importante lembrar alguns acontecimentos marcantes entre as grandes guerras que contribuíram para a internacionalização dos direitos humanos.Convenção Européia de Defesa dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais de 23 . Todos esses diplomas que firmam os direitos humanos internacionalmente continuam evoluindo e incluindo novos direitos. A Declaração Universal dos Direitos do Homem é composta de 30 (trinta) artigos que tem como escopo a maior elevação do nível ético. bem como a divisão da sociedade em classes. se tem as mais importantes: 1. os contratos coletivos de trabalho. em 1927 instituiu-se a Carta do Trabalhador que possibilitou um avanço notável aos direitos sociais dos trabalhadores. na França (Paris).Convenção para a Repressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição por Outros de 1949. 2. inclusive. eclodiram as duas grandes guerras mundiais: de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945. limitavam diversos direitos fundamentais. esses textos. testes de inventos bélicos. atualmente. moral. instituía a magistratura do trabalho. depois da magnífica Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este texto admitia a liberdade sindical. sem exceção.organização similar à ONU. graças à engatinhada Organização das Nações Unidas . religioso e material da sociedade humana. tendo em vista que foi dado o maior passo em direção à sobrevivência com mútuo respeito à dignidade da pessoa humana. assistência.ONU foi possível aprovar e proclamar o mais importante regramento (diploma) em prol da paz mundial e dos direitos humanos . em que pese ter nascido em meio fascista italiano.Declaração Universal dos Direitos Humanos. nele estão elencados os direitos mais fundamentais da pessoa humana. político. cultural. Em 10 de dezembro de 1948. 3. 1950. e. bem como garantia a previdência.Convenção Contra o Genocídio de 1948. Trata-se de uma verdadeira Constituição Universal em que todas as nações do mundo. renunciados ou violados. onde se ergueu a Sociedade das Nações . as férias e a indenização por dispensa arbitrária ou sem justa causa. onde ocorreram desrespeitos imensuráveis à dignidade da pessoa humana. a remuneração especial ao trabalho noturno. pretendiam comprimir severamente todos os exploradores. holocaustos. capaz de promover. sem originar circunstâncias de inferioridade jurídica internacional a qualquer Estado (país). guerras químicas de trincheiras. considerada a maior conquista da humanidade. Esse Estatuto (ordenamento máximo do homem) foi elaborado de forma clara. genocídios. instaurar a organização socialista em todos os países para reconhecer os direitos humanos de caráter econômico e social para dar uma maior garantia ao Estado. Ainda. não deixando margens a interpretações contraditórias ou obscuras. o que levou as grandes nações do mundo a estabelecer um foro definitivo para a discussão de interesses comuns. por que também pretendia estabelecer uma paz mundial contínua e duradoura. exigir e garantir a coexistência pacífica de seus membros. o repouso semanal remunerado. já consagrados. Isso resultou no surgimento da Organização das Nações Unidas . estão subordinadas e compromissadas com o futuro da humanidade para aniquilar a demência de governantes.

da política. não incluem o direito automático de visitas e inspeções in loco da Comissão Interam ericana de Direitos Humanos. do princípio da dignidade da pessoa humana. incluir e proclamar direitos praticamente para todas as áreas da atividade humana.Pacto Internacional Relativo aos Direitos Econômicos. deverá ser cumprida tão inteiramente como nela se contém. Esse foi tão-somente um resumo da gloriosa evolução positiva dos direitos humanos. Formou-se depois da migração de tribos nômades de origem indo-europeia. 6. dos princípios democráticos postulados pelo glorioso governador Péricles. Art. Platão e Aristóteles. 2°. alínea ‘d’. 24 . A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica de 22 de novembro de 1969) entrou em vigor internacionalmente a partir de 18 de julho de 1978. As polis (cidades-estados) forma que caracteriza a vida política dos gregos. ou seja. cujas ações o festejado CLÁUDIO DE CICCO enumera: 8 Art. em 25 de setembro de 1992. eólios e dórios. Todos estes ordenamentos. 9. 12. 1979. cujas filosofias não nos cabe analisar neste momento. O presente decreto entra em vigor na data de sua publicação. pela primeira vez na história se viu um ordenamento universalizar valores de elevada importância como paz e justiça. 171° da Independência e 104° da República. 5. da poesia. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica). 13. Na Grécia surgiram grandes nomes que contribuíram para a mudança na forma de pensar e agir dos homens vale citarem: Sócrates. 14. 1°. dando uma característica mais dinâmica à legislação internacional referente à salvaguarda dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos. Ao depositar a carta de adesão a esse ato internacional. aqueus.Pacto Internacional Relativo aos Direitos Civis e Políticos de 1976. As duas cidades mais importantes da Grécia: Esparta e Atenas. em 22 de novembro de 1969. apensa por cópia ao presente decreto. Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher de 1994.Protocolo Relativo à Abolição da Pena de Morte de 1990.Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis.Convenção Complementar Sobre Abolição da Escravidão de 1956. em que serão analisadas algumas de suas obras a respeito do tema. No campo dos Direitos Humanos é de grande importância o estudo desta nação . Art. 9 A civilização grega surgiu entre os mares Egeu.4. 43 e 48. jônios. por exemplo. retornarem-se a época em que viviam a clássica sociedade grega. A Grécia9 é considerada o berço da filosofia. se torna necessário retroceder a centenas de anos na história. Brasí lia. Para ter certeza de sua inevitabilidade. Jônico e Mediterrâneo.Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial de 1965. celebrada em São José da Costa Rica. 3°. Sociais e Culturais de 1966. de 6 de novembro de 1992. por exemplo. dentre outros. do teatro. 11. 7. o Governo brasileiro fez a seguinte declaração interpretativa: "O Governo do Brasil entende que os arts. aprovada pelo Brasil.Convenção Sobre os Direitos da Criança de 1989. no próximo tópico deste artigo. Dessa forma.Convenção Interamericana para Prevenir.Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher de 10.Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951.C. através.C. procuraram abarcar. surgiram por volta do século VIII a. mostrando seu caráter permanente e gradual. da arte. por volta de 2000 a. as quais dependerão da anuência expressa do Estado”. Desumanos ou Degradantes de 1984. 6 de novembro de 1992. através do Decreto8 nº 678.civilização.Convenção Interamericana Sobre Desaparecimento Forçado de Pessoas de 1994. 8. pois os gregos ajudaram a construir o edifício jurídico onde se amparam os fundamentos dos direitos essenciais do homem.

sustentada pelas Testemunhas de Jeová. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. Instigo com veemência. 5º. no mero sentido biológico sobre a igualdade. em nosso ordenamento jurídico constitucional. vem sofrendo derrotas nos tribunais brasileiros. Sem ela nada faz sentido. Não me sinto cismado em generalizar de que geralmente aqueles que assim o fazem. todos os juízes e juristas que afirmam tal coisa. por que este dispositivo constitucional ou de lei não existe. liberdade. Testemunhas de Jeová geralmente a convicção formada é dada apenas através de uma distorção do nosso ordenamento jurídico. a oferta de sacrifício do resgate. em uma "grande tribulação" de Deus irá livrar a terra de abominação e sofrimento.”. o espírito presente na organização atualmente pode ser atribuído com mais propriedade ao seu segundo Presidente. Motor das atividades. Esperam um rápido fim ao atual sistema mundial. o julgador ou jurista que afirma de que a vida não é de modo algum o bem absoluto tutelado pela nossa Constituição. se perdê-la (morrer) por qualquer circunstância. em que ordenamento jurídico. sob o comando e orientação da Organização das Nações Unidas. a superioridade da vida sobre os demais bens. Impossível. restaurará a terra à sua condição original. no caso de uma pessoa necessitar-se de sangue ou mesmo de um órgão (parte de um organismo. não se deve divagar sobre fazer ou não fazer. O Judiciário brasileiro tem consolidado uma série de decisões sobre o tema das transfusões de sangue e as Testemunhas de Jeová. inclusive a matéria corporal. sem distinção de qualquer natureza. em breve. Percebe-se que ocorrendo aparente conflito entre dois princípios constitucionais (vida e liberdade: livre arbítrio). muitas vezes. O direito existe para quem desfruta desse milagre da existência. O artigo que aborda a inviolabilidade da vida. por meio de um raciocínio lógico-axiológico subjetivo. no Salão do Reino das Testemunhas de Jeová ou nas casas. que da mesma maneira são invioláveis. pois a Constituição Federal não permite tal interpretação. Na esfera do direito. significativa a expressão bens da vida. razão última das cogitações. porque a vida é o bem mais sagrado que se tem e é constitucionalmente tutelado por todos os países. Surge uma reflexão ampla a respeito do porque das decisões contrárias as transfusões de sangue em pacientes. à igualdade. extinguir-se-á tudo. quero compreender. 10 Charles Taze Russell foi o fundador da Watch Tower Bible and Tract Society em 1879. Porém. 25 . não interessam as regras”. deve-se utilizar o princípio da proporcionalidade para a resolução do impasse. igualdade e etc.“a vida é a motivação de tudo o que a humanidade produz. Mas é conflitante a convicção firmada em uma ou outro entendimento e posicionamento. Para ter uma ideia clara da explicação racional para esta razão. Sem o fluxo vital. Neste prisma. A filosofia das Testemunhas de Jeová é incentivar a adesão das pessoas aos padrões morais da Bíblia. Acreditam que o Reino de Deus é um verdadeiro governo no céu que. formando uma jurisprudência quase que unívoca em favor da "vida". liberdade. editada a partir de 5 de outubro de 1988 somente reproduziu a garantia que está acima de tudo (direito à vida) proclamada em 10 de dezembro de 1948 pela Declaração Universal dos Direitos Humanos no art. III: “Todo o homem tem direito à vida. Esta garantia suprema consagrada pena constituição brasileira. A ideologia da organização Watchtower10 sobre a questão da doação e recepção de sangue. entendo ser obrigatória a ação de fazer. CRFB/1988. se encontra no art. que me apontasse onde se encontra o artigo e conseqüentemente o texto da Constituição ou de lei que consagra tal aforismo ou apotegma. à liberdade e à segurança pessoal”. propriedade e segurança. Mas. Joseph Franklin Rutherford. Testemunhas de Jeová são uma sociedade de cristãos que promovem o estudo. Desta forma não pode afirmar com base nestes artigos: III. somente pode-se afirmar a superioridade da vida entendida. se valem do argumento de que sem vida biológica não se pode usufruir dos outros bens como igualdade. que preleciona em seu caput: “Todos são iguais perante a lei. DUDH-ONU/1948 e 5º. da Bíblia que detêm a ser a completa Palavra de Deus. à liberdade. A conquista da vida eterna depende da completa obediência a Jeová Deus e a fé em Jesus Cristo. Lembre-se que só se tem uma vida. à segurança e à propriedade. autossuficiente e dotado de função vital especifica). tudo bem ou quase.

Para quem quer argumentar que a vida em momento algum é colocada como bem máximo de nossa Constituição, pode fazer, porque a nossa própria Constituição nos assegura o direito à liberdade da manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação que não poderão sofrer qualquer restrição (caput, art. 220, CFRB/1988). Só para entender melhor, essa disciplina constitucional também estabelece que a lei não contenha dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, tem sua limitação na dignidade da pessoa humana, ordenando o constituinte, nessa direção que sejam observados os princípios fundamentais ao cidadão. Os constitucionalistas sabem disto, tanto que o melhor argumento que possuem é o raciocínio supracitado. Os demais constitucionalistas que sustentam tal posição valem-se até mesmo de argumentos teológicos, por incrível que pareça tais argumentos surgem mesmo em publicações jurídicas, dizendo que a vida é o bem por excelência, visto ter sido dada como presente de Deus (Ser Superior), conforme já sustentado, neste artigo. Dizer que a vida é o bem supremo não é uma distorção do art. III da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do art. 5º da atual Constituição brasileira, porque a vida deve ser colocada à frente dos demais bens invioláveis, sem vida não terá como gozar dos demais bens: à igualdade, à liberdade, à justiça, à paz, à propriedade, à segurança, dentre outros ainda que se possa considerar como invioláveis. Quem pensa neste sentido: o fato é que não há superioridade a priori da vida sobre a liberdade nos casos de conflitos entre direitos (vida x liberdade religiosa) ou de crença, como é comum nos casos envolvendo as pessoas Testemunhas de Jeová, precisa tentar compreender a essência da criação humana revelada por Deus. Este é um caso clássico de conflito entre princípios constitucionais, onde nenhum tem primazia sobre o outro, antes de se avaliar o caso concreto, mas entre vida e liberdade religiosa, deve-se primar pela vida, porque sem vida não há liberdade religiosa. Qualquer civilista atual que desconhecer o movimento constitucionalista, denominado “neoconstitucionalismo” e a Nova Hermenêutica Constitucional terá muita dificuldade para solucionar o problema. Esse posicionamento se dá por ambos operadores do direito devem ser respeitados, nenhum pode ser completamente anulado em favor do outro. Nestes casos de conflito entre normas constitucionais, deve se atentar ao caso concreto para se vê qual deles terá maior peso ou influência na decisão da lide (pretensão resistida), mas não esquecer de que a vida é acima de tudo. Neste sentido, a liberdade de crença (religiosa) tem o mesmo valor da vida, mas a vida tem superioridade em termos filosóficos e sociológicos. Não é absurdo, compreender as pessoas ou civilistas, constitucionalistas e juristas, por defenderem que em determinado caso concreto prevalecesse o direito à liberdade de crença sobre a vida. Tal fato é perfeitamente aceitável no ordenamento jurídico constitucional, pelo menos, brasileiro, mas com certas restrições. Estes defendem que a pessoa que considera que a vida é o bem supremo comete um erro desmedido ao interpretar a Constituição, pois aqueles se baseiam de que o primeiro artigo é mais importante que os demais, por fundamentar toda a formação do Estado: “Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I- a soberania; II- a cidadania; III- a dignidade da pessoa humana; IV- os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V- o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Restam cauteloso e clarividente com base neste artigo, para qualquer hermeneuta austero que todas as interpretações constitucionais não podem contrariar o inciso III. Aqui, chamo a atenção de que não haverá dignidade da pessoa humana, se ela não tiver sua vida, material e espiritual. A dignidade da pessoa humana, como vem demonstrando os mais recentes estudos de Direitos Humanos e Hermenêutica Constitucional são apontados como “superprincípio”, “sobre
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princípio”, “princípio-matriz” a nortear todos os demais princípios e qualquer interpretação jurídica constitucional e infraconstitucional. Se existir, logicamente, depois da vida, outro bem máximo tutelado pela nossa Constituição, com certeza, este é a dignidade intrínseca que cada um de nós possui simplesmente em função da condição de ser humano. Tal dignidade deve ser respeitada acima de tudo e todos os demais direitos devem estar em consonância com tal princípio, por isso, é considerado como superprincípio. A GARANTIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS E HUMANOS O homem para a filosofia grega era um animal político ou social, conforme afirmação de ARISTÓTELES. Para KANT (1989, p. 68), o que caracteriza o ser humano e o faz dotado de dignidade especial é que ele nunca pode ser meio para os outros, mas, fim em si mesmo: "O homem, e, duma maneira geral, todo o ser racional, existe como fim em si mesmo, não só como meio para o uso arbitrário desta ou daquela vontade". Não existe um conceito específico de dignidade da pessoa humana, haja vista que a cada momento histórico, esse princípio tem sido visto e tratado de forma diferente por diversas correntes doutrinárias, filosóficas, jurídicas e sociológicas. No sentido mais literal, princípio quer dizer início ou começo de alguma coisa. Quando se fala em princípio pode-se observar que, para grande parte dos doutrinadores ou estudiosos, o principio é uma espécie de norma. Para CANOTILHO e MOREIRA, citado pelo honrado constitucionalista, JOSÉ AFONSO DA SILVA (2001, p. 96): “Princípio são ordenações que irradiam os sistemas de normas, são condensações, nos quais confluem valores e bens constitucionais”. Para alguns doutrinadores, o princípio da dignidade da pessoa humana decorre da própria vontade humana e seus instintos, sendo o homem um ser dotado de razão, onde a sua dignidade humana decorria de si mesmo, como se pode observar a corrente alemã, extremamente, positivista. Para MIGUEL REALE (1999, p. 210), o princípio da dignidade da pessoa humana passou por três aspectos (concepções): a individualista, o transpersonalismo e o personalismo. O aspecto individualista foi o inicialmente adotado pelos primeiros doutrinadores alemães e Immanuel KANT, seguindo um ao mais positivista, como homem ser independente e responsável pela sua própria dignidade da pessoa humana. A concepção transpersonalista busca a realização do interesse da coletividade, o bem comum desde que este proteja o interesse de cada ser humano, de forma individual, preponderando os valores da coletividade, jamais deixa o homem como valor primordial. Nesta concepção, o principio da dignidade da pessoa humana alcança a coletividade e é representada por KARL Marx (Liberalismo político - comunismo). O aspecto personalista leva em consideração a importância de cada indivíduo e sua dignidade como sendo um principio absoluto de maior valoração sobre todos os outros (corrente que influencia os que defendem de que a vida não é um bem supremo), sendo a dignidade do ser humano (Ser Superior) a qualquer interesse coletivo. Há de se evidenciar, que existem também os doutrinadores que adotam a postura da valoração, sendo que o principio da dignidade da pessoa humana seria então o mais alto grau valorativo. Um dos doutrinadores que acompanham este raciocínio é o civilista, MIGUEL REALE (1999, p. 210): “O homem é o valor fundamental, algo que vale por si mesmo, identificando -se seu ser com sua valia. De todos os seres, só o homem é capaz de valores, e as ciências do homem são inseparáveis de estimativas”.

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Esta teoria também é a mais aplicada para o desenvolvimento deste princípio no nosso ordenamento jurídico, desde a edição da Constituição da República Federativa do Brasil, na data histórica de 5 de outubro de 1988. Igualmente, há alguns doutrinadores que preferem definir a dignidade, como exemplo, GUILHERME CALMON NOGUEIRA DA GAMA (2003, p. 131): “A dignidade é, portanto, valor próprio e extrapatrimonial da pessoa humana, especialmente no contexto do convívio da comunidade, como sujeito moral”. Assim, conclui-se que a dignidade da pessoa humana não possui um conceito definitivo, mas sim um caráter de ampla proteção à pessoa humana como valor maior. O Brasil, espelhando-se nas Constituições de Portugal, nosso colonizador e da Espanha, buscou um modelo de maior igualdade, liberdade, proteção e respeito ao ser humano que se tornou uma onda na política mundial e acabou por introduzir na Constituição Federal de 1988 (III, art. 1º), o princípio da dignidade da pessoa humana. O mencionado princípio foi incluído com o intuito de dar mais ênfase à proteção do ser humano e, para a grande maioria dos doutrinadores, é considerada como o mais importante em questão valorativa perante aos outros, por se tratar de um princípio de norma absoluta. O princípio da dignidade da pessoa humana protege o meio ambiente, a integridade física e moral, o respeito às raças, a vida, os trabalhadores, os excepcionais físicos e psicológicos, a família, dentre outros. A dignidade da pessoa humana deve ser refletida, como uma forma de repressão às injustiças sociais, principalmente aos menos favorecidos, que inúmeras vezes são tratadas como um objeto qualquer. O Estado tem o dever de proteger a dignidade de todo o ser humano, independente de qualquer circunstância, limitação ou restrição. Há ainda que se evidenciar que a própria Declaração Universal de Direitos do Homem menciona que todo o ser humano é dotado de dignidade da pessoa humana. Desta forma, quando houver uma ação do ente estatal, esta deverá ser analisada tomando-se por base este princípio, posto que, do contrário, poderá incorrer em inconstitucionalidade. Entretanto, cada caso deve ser analisado de forma individualizada atribuindo-se o valor devido deste princípio ou de outro que se adéque melhor ao caso concreto, haja vista que o ser humano é o valor supremo da democracia e deste princípio. Deve salientar que o princípio da dignidade da pessoa humana é irrenunciável, não podendo o ser humano abster-se da sua aplicação do ordenamento jurídico pátrio. Este mandado de otimização é violado toda vez que um ser humano for igualado ou rebaixado a um objeto qualquer, “tratado como coisa”. Dessa maneira, pode-se afirmar com a máxima certeza que o princípio da dignidade da pessoa humana é o núcleo central dos direitos fundamentais elencados na Constituição Federal vigente, desta forma jamais devendo ser desrespeitado. A CRIMINALIDADE E AS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS Quando se cuida da concretização do jus puniendi do Estado em confronto ao jus libertatis do indivíduo, ganha importância à diretriz inserida no art. 1º, inciso III da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a " dignidade da pessoa humana". Depois do seu reconhecimento como valor moral, foi atribuído valor jurídico à dignidade da pessoa humana, passando do âmbito da consciência coletiva para o âmbito jurídico. A dignidade da pessoa humana passou a ser entendida como um atributo imanente ao ser humano para o exercício da liberdade e de direitos como garantia de uma existência plena e saudável, razão pela qual passou a ter amparo como um objetivo e uma necessidade de toda humanidade, vinculando governos, instituições e indivíduos.
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Desse modo. conclusões lógicas de peritos. I) Todo o homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei. Neste sentido a nossa vigente Constituição recepcionou os artigos IX. fica claro quando se observa a aplicação da lei penal desprovida de uma filtragem constitucional que resguarde a dignidade humana. em plena igualdade. ele se reflete em todos os ramos do direito. circunstâncias que rodeiam o fato. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que. para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele”. guerras e atrocidades. administrativo ou judicial. Estes dois princípios possuem uma interligação de relação íntima. utilizando-se de todos os meios legais. com os meios e recursos a ela inerentes”. de discordar e de trazer as suas razões ao processo. exames de DNA e etc.No Direito. sob um gigantesco desequilíbrio ecológico ou guerra nuclear. A acusação tem a obrigatoriedade de produzir prova material contra o indivíduo delinqüente. em contraposição. IX.) quanto judicial terão que respeitar esses princípios. mas pode-se dizer que de um modo especial está atrelado ao direito penal. a este acusado deve ser assegurado e garantido o exercício da ampla defesa (contraditório). não são provas materiais suficientes para considerá-lo culpado. Para que se possa iniciar um processo penal (devido processo legal) é indispensável que existam indícios suficientes de autoria e prova da materialidade do crime. XI. procedimento administrativo. ou seja. “Art. a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial. etc. O contraditório é o poder destinado a cada parte do processo de resistir à pretensão da outra parte. Empreende-se a prova da materialidade. A ampla defesa é admissão da defesa técnica que se traduz como um direito e uma garantia da parte em juízo. senão sujeitar-se-á de nulidade absoluta do ato praticado. X. e. para fornecer suporte a uma condenação. A atual Constituição brasileira disciplina taxativamente em seu inciso LV. detido ou exilado”. civil e penal. Alguns indicativos da participação do acusado no suposto delito. Todo o homem tem direito. “Art. Ninguém será arbitrariamente preso. quando unívocos. A criminalidade deve ser combatida da maneira mais ampla possível. do art. Os vestígios de um crime (crimes materiais) devem ser provados com o exame de corpo de delito. respeitando. X e XI da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948: “Art. O princípio da dignidade da pessoa humana é a origem dos direitos humanos consagrados em nossa Constituição Federal de 1988. não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. a qualquer hora. tanto em processo administrativo (sindicância. 5º. assume diferentes feições nos processos. no momento. necessária e insuperável entre os princípios. ou seja. em processo judicial ou administrativo. verbis: “aos litigantes. O ser humano age quase sempre com base no emocional e muito pouco com base no racional. o qual poderá demonstrar a sua inocência. Enquanto a ampla defesa é a garantia constitucional que a parte tem de usar de todos os meios legais de fazer provas para demonstrar e provar a sua inocência ou para se defender a sua versão ou alegações ou ainda seu direito. 29 . repleto de excluídos. É importante frisar que qualquer pessoa litigante de um processo. por outros meios: confissão do acusado. era aplicável ao ato delituoso”. administrativo. fotografias. laudos diversos. os direitos e as garantias fundamentais do indivíduo. no momento da prática. A prova disso é o mundo que construímos: injusto. Os indícios devem ser robustecidos na instrução criminal. depoimentos testemunhais. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa. acima de tudo. prestes a sucumbir. um planeta indiscutivelmente perigoso e inseguro. parte em uma lide (pretensão resistida) tem esses direitos. em julgamento público no qual lhe tenham sido assegurada todas as garantias necessárias a sua defesa. II) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que.

deve ser rigorosamente punida. mas entendo de que a pessoa que tenha cometido algum crime. erguida no jardim de frente da Igreja: 30 . como se a pessoa fosse um animal de abate que serve de alimentação. foi assassinada com 18 golpes de tesoura. O caso foi arquivado e a arma do crime não foi achada. à época. por se tratar de um ser humano. Ora. mais tarde voltou aos noticiários quando se tornou o responsável pelo sequestro do ônibus 174. ponderada por vários fatores de objetiva e subjetiva. Jorginho Bouchabki. A sanção penal é medida de censura do agente enquanto a sanção civil é mera recomposição patrimonial. ceifa-lhe a vida. A título de exemplo. a pessoa que vier a praticar um crime em circunstâncias bárbaras e cruéis deve ter à sua dignidade respeitada. desumanas. Os autores do crime foram o ator Guilherme de Pádua que vivia o personagem Bira na mesma novela. aproximadamente à meia-noite. apaixonado pela personagem Yasmin e Paula Thomaz. Repudio com veemência condutas criminosas praticadas com barbaridade e crueldade. De tempos em tempos estamos diante de crimes que recebem grande destaque na mídia e produzem um estado de abalo em todas as camadas sociais. assegurando e respeitando-lhes seus direitos constitucionais e legais. e) suspensão ou interdição de direitos. noticiaram de que os policiais ‘abriram fogo’ (disparam projeteis de arma de fogo) contra mais de setenta crianças e adolescentes que estavam dormindo nas proximidades da Igreja. 22 anos e à época famosa pelo papel da personagem Yasmin na novela De corpo e alma. seis menores e dois maiores sem-tetos foram assassinados por policiais militares. Um dos sobreviventes da chacina. De modo geral. Nesta chacina. 3. garantir-lhe a dignidade da pessoa como ser humano. ocorrido na Rua Cuba. Sem adotar o princípio da proporcionalidade fica o Estado impedido de realizar a justiça material que se relaciona ao princípio da individualização da pena (XLVI.O direito penal possui a função de descrever as condutas que são definidas como crime. Ocorre que é necessário também frear o Estado em seu afã de punir. c) multa. É valoração negativa. próximo às dependências da Igreja da Candelária (parte exterior da igreja) localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro. Bairro Nobre de São Paulo. se extrai a conclusão de que é necessária a cominação de pena em grau mínimo e máximo. as pessoas ficam condoídas com as vítimas das barbáries criminais praticadas. art. no Rio de Janeiro. mulher de Guilherme de Pádua.Em 1992 a atriz Daniella Perez. degradantes. mesmo assim. além de prescrever penas para quem nelas incorrer.Um dos crimes mais famosos da década de 1990. em que submete à (s) vítima (s) a situações constrangedoras. deve-se individualizá-la que significa mensurar a pena corporal ao caso concreto. é por isso que tais assuntos são tratados na atual Constituição Federal como cláusulas pétreas. 5º. no Jardim América. b) perda de bens. qualquer que seja a sua espécie ou natureza. Como resultado da chacina. foram assassinados. ocorreu na madrugada do dia 23 de julho de 1993. seis menores e dois maiores morreram e várias crianças e adolescentes ficaram feridos (lesionados). d) prestação social alternativa. com isso. O crime não se esgota na expressão literal do tipo penal. filho de 18 anos do casal foi apontado como o principal suspeito do crime. Na véspera do Natal de 1998. CRFB/1988) que se deve adotar: a) privação ou restrição de liberdade. Jorge Toufic Bouchabki e sua mulher Maria Cecília Delmanto Bouchabki. 2. da TV Globo. nunca foi solucionado. definindo-se que a pena é proporcional ao delito praticado. Porém. Neste trabalho não defendo a justificativa que a pessoa utiliza para praticar um ou mais crime (delito penal). foi denunciado pelo Ministério Público Estadual como autor do crime. humilhantes ou vexatórias. vamos relembrar alguns casos que foram amplamente divulgados pela mídia nacional com repercussão internacional: 1.A chacina da Candelária. por fim. Os nomes dos oito mortos no episódio encontram-se inscritos em uma cruz de madeira. Sandro Barbosa do Nascimento. sobretudo. como tal enseja mensuração de menor ou maior repulsa. A sanção como infração penal não fica ao arbítrio do legislador ou do julgador. principalmente quando nos deparamos diante de uma situação que causa comoção social (clamor público). como ficou registrada pela mídia. mas não houve provas que indicassem sua responsabilidade no assassinato. o filho.

matando três pessoas e ferindo cinco.Em 1999. 11 anos. É dessas pessoas autorizadas que se conhece o que houve no julgamento. 13 anos. Cristian Cravinhos. próxima a um Cyber Café aonde levariam Andreas von Richthofen. em agosto de 1998. com o intento de deixar o caminho livre para o assassinato dos pais. 17 anos. o estudante de medicina Mateus da Costa Meira. Daniel Cravinhos pediu que o irmão pensasse a respeito e. para se divertir em um Cyber Café. Ninguém foi punido. Anderson de Oliveira Pereira. Cinco mil pessoas inscreveram-se para ocupar um dos oitenta lugares disponíveis na plateia. mas não ficou preso. Conversaram com Christian Cravinhos que morava na casa da avó e ainda relutante. 31 . considerando seu calmo estado de espírito depois do assassinato). Suzane Louise von Richthofen. 18 anos. Pimenta Neves confessou o assassinato. se resolvesse ajudálos. O “Maníaco do Parque” cumpre pena de 270 anos de reclusão. foi acusada de ter planejado a morte dos próprios pais. 22 anos. inclusive. que os esperava em uma rua próxima como combinado e. depois de ser preso. a página do Tribunal de Justiça do Estado de Paulo na internet. de modo que nenhuma imagem do trio chegando fosse capturada. invadiu uma sala de cinema do Morumbi Shopping. juntos. 14 anos. o calouro da USP Edison Tsung Chi Hsueh . Paulo José da Silva. por entender que não havia elementos para justificar a acusação de homicídio. caso Suzane Richthofen tenha visto os cadáveres. Uma pessoa dos réus. 7. 4. Leandro Santos da Conceição.O caso Richthofen é um processo polêmico que chocou a opinião pública brasileira. foi seqüestrado e morto porque reconheceu um de seus raptores. na divisão de São Paulo e Diadema (ABC paulista) e no local abusava das vítimas. na cidade de São Paulo e disparou a esmo contra a platéia. interior de São Paulo. O interesse da população pelo caso foi tão grande que a rede TV Justiça cogitou transmitir o julgamento ao vivo. Em algum caso. Suzane Richthofen teria sido o cabeça de toda a ação criminosa que culminou no assassinato de seus pais: Manfred Albert e Marísia von Richthofen. pegaram Cristian Cravinhos. 17 anos. Marcos Antônio Alves da Silva. dias antes do crime. 19 anos. não deu a certeza de que participaria nos eventos que se seguiriam à noite. Suzane Richthofen havia meticulosamente desligado o alarme e as câmeras de vigilância da casa. o motoboy matou as vítimas. "Gambazinho". 6. 14 anos. Dias antes da fatídica noite. Os três afirmavam que Suzane Richthofen não participou do assassinato em si. em um haras em Ibiúna. o que congestionou.O motoboy Francisco de Assis Pereira ganhou fama como o " Maníaco do Parque".Paulo Roberto de Oliveira. O tribunal do júri popular do caso entendeu que Suzane Richthofen foi influenciada pelos irmãos. isto diz muito sobre sua personalidade. O Superior Tribunal de Justiça arquivou o caso em 2006. morreu afogado em uma piscina da universidade durante um trote. irmão da jovem. mas não há consenso sobre sua posição na casa enquanto o crime ocorria. foram à casa dos von Richthofen. rádios e fotógrafos chegaram até a ser autorizadas a captar e divulgar sons e imagens dos momentos iniciais e finais. com o auxílio do namorado Daniel Cravinhos e de seu irmão.Em 1999. 8. Na tarde do dia 31 de outubro de 2002.A jornalista Sandra Gomide foi morta a tiros em 2000 pelo namorado. Valdevino Miguel de Almeida. 24 anos. o também jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves. 9. Segundo a Promotoria de Justiça do Estado de São Paulo. um teste de barulho causado pelos disparos de uma arma de fogo e com isso descartaram a ideia de utilizar uma. com 8 anos. mas que poderia ter resistido e evitado o crime. mas o parecer definitivo negou a autorização. Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos repassaram pela última vez os planos do assassinato dos pais da jovem.Em agosto de 1997 o menino Ives Ota. O motivo do crime seria o fim do relacionamento do casal. O apelido vem do fato de que o motoboy seduzia suas vítimas com falsas promessas de emprego em uma agência de modelo e as levava até o Parque do Estado. Passava de meia noite do dia 31 de outubro de 2002 quando o trio chegou na casa da família Richthofen. convidando os Irmãos Cravinhos. O casal de namorados levou Andreas Richthofen. Posteriormente. durante um dia inteiro. 5. um policial militar que trabalhava de segurança para o pai da criança. porque ela subiu ao quarto e viu os corpos dos pais (é importante notar que. Marcelo Cândido de Jesus. Emissoras de TV. Fez. o comerciante Massataka Ota. que os esperasse em uma dada rua.

acompanhado pela imprensa. descobriram que acabara de ser comprada por Cristian Cravinhos. onde comemoraram o aniversário de 19 anos de Suzane Richthofen. Marísia von Richthofen sofreu mais: foi golpeada impiedosamente na cabeça por Christian Cravinhos. Estava tão convicto de que jamais seria apanhado e não se preocupou em escondê-la. a disposição dos papéis no chão da biblioteca sugeria que a papelada tinha sido colocada propositadamente. segundo dados da perícia. na Zona Sul da capital e escolheram a melhor suíte. Também causou dúvidas o fato de o alarme da casa não ter funcionado. O comportamento. que suspeitava de um assalto no lugar e pediu a presença de uma viatura. levantou fortes suspeitas. aos olhos de Boto. todavia. acreditavam os policiais. Os rostos cobertos apontam um sinal de que os agressores são conhecidos das vítimas. Os colegas de faculdade da jovem contam que lhes chamou atenção o comportamento de Suzane Richthofen. não morreu na hora. Quando a Polícia chegou entraram todos na casa e encontraram o casal Richthofen morto na cama. depois do crime ele comprou uma moto Suzuki 1. Os telefones da casa foram grampeados. que morreu quase imediatamente por trauma crânio-encefálico. O comportamento do jovem chamou a atenção do Oficial Boto. Os dólares e euros foram repassados para Christian Cravinhos. Se tivesse sido um latrocínio. Nos preocupamos tanto com o assaltante da esquina que nem imaginamos que havia uma criminosa na cadeira ao lado”. Andreas Richthofen e um casal de amigos celebrando alegremente à beira da piscina. Depois do brutal assassinato. Saíram do motel às 2h56min da madrugada e foram ao encontro de Andreas Richthofen que os aguardava no Cyber Café. Passado dois dias do crime.100 cilindradas por U$3. diz o Delegado Daniel Cohen. Chegou a apresentar um seminário na quinta-feira . quando investigadores do DHPP apareceram para uma vistoria e surpreenderam Suzane Richthofen. um dos primeiros policiais a entrar na residência. “Ela se mostrava tranquila demais. um domingo. começou a segunda etapa da simulação. Para apressar a morte da mãe de Suzane Richthofen. Isso fez com que desde o início suspeitássemos de que não se tratava de latrocínio”. Cristian Cravinhos foi deixado perto do apartamento onde mora com a avó e o casal de namorados tratou de forjar o álibi para aquela noite. Disse que estava em frente à casa da namorada. Christian Cravinhos a estrangulou. deveria haver sinais de arrombamento. Apenas no enterro. diz o Delegado Armando Oliveira do DHPP. Daniel Cravinhos em seguida deu os valores exatos das quantias guardadas. as suspeitas para com Suzane Richthofen e o namorado adquiriram consistência mais forte. Desconfiados. mas sempre respondia de forma lacônica. Entraram no Motel Colonial. o casal de namorados foi até o sítio da família no interior de São Paulo. Suzane Richthofen deixou o namorado em casa e foi com o irmão para a sua. Pouco depois. todos festejavam.O primeiro a ser atingido foi Manfred Albert. para forjar latrocínio (roubo seguido de morte). conforme o plano original. Suzane Richthofen fez questão de guardar a nota fiscal. como recompensa pela sua participação. Dias depois do crime uma equipe de investigadores do 27º Distrito Policial passava em frente à casa de Daniel Cravinhos e a motocicleta lhes chamou a atenção. um dos primeiros homens a atender o caso na madrugada: Daniel perguntou a Boto "Você sabe se levaram alguma coisa de dentro da casa? Parece que a família guardava todo o dinheiro em uma caixinha". A casa foi mais tarde revirada e alguns dólares foram levados. “Percebemos várias coisas estranhas no local do crime. A cena do crime já apresentava elementos que levaram a Polícia a suspeitar de pessoas próximas ao casal. Às 4h09min Daniel Cravinhos contactou a Polícia. campanas foram montadas nos arredores das casas dos principais suspeitos. Depois de algumas voltas pela cidade.00 pelo conforto do quarto e por um lanche. sofreu vazamento de massa encefálica. Entre outras coisas. com 36 notas de U$100. “Só nesse momento ela fez o papel de órfã”. Suzane Richthofen era abordada por colegas querendo confortá-la. Mesmo dispensada de assistir às aulas. finalmente um equívoco de Christian Cravinhos forneceu aos investigadores o fio da meada para desvendar o crime: Apenas dez horas. No dia seguinte. ao som de música alta. estudante da mesma faculdade.6 mil. Pagaram R$380. Pouco depois de exibir lágrimas comovidas no enterro dos Richthofen. diz Ana Carolina Caires. tomavam cerveja e ouviam música na beira da piscina. Daniel Cravinhos. a jovem demonstrou emoção. a jovem não chegou a faltar um único dia. quando era de amplo conhecimento na rua que o rapaz até poucos dias 32 .horas antes de confessar o crime.

não há como o juiz arbitrar a sentença de 60 anos porque Suzane Richthofen era menor de 21 quando cometeu o crime. sentindo que o filho havia sido apanhado. Atuou como 'assistente da acusação'.O cirurgião plástico Farah Jorge Farah matou e esquartejou a ex-cliente e amante Maria do Carmo Alves. meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima e ainda por fraude processual. A Polícia tem uma lista de suspeitos. Há alguns anos. não tenha estabelecido um prazo. São dez casas iguais em uma travessa estreita e sem saída. 11. venceria em uma segunda o período de prisão domiciliar.Os acontecimentos que redundaram na morte da freira norte-americana Doroty Stang em Anapú (Estado do Pará) continuam confusos. confessaram ter matado os pais da jovem. a "golpes de pau". do Superior Tribunal de Justiça. Uma considerável vitória da Promotoria de Justiça de São Paulo foi impedir o desmembramento do processo. cantavam alto. em janeiro de 2003. Segundo o vendedor. segundo o Promotor de Justiça. Ele reforçou a linha de acusação do Promotor Roberto Tardelli e insistiu na participação dos três. seu namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele.atrás não tinha dinheiro algum para uma compra de tamanho valor. Cristian Cravinhos ainda pediu que a moto não fosse registrada em seu nome. o jornalista Tim Lopes foi capturado por traficantes e morto durante uma reportagem policial. Francisco Alberto de Castro disse que a imprensa vem noticiando "inverdades". segundo a Polícia. que era irmão de Marísia von Richthofen. Suzane Richthofen. pois estaria com o 'nome sujo'. na cidade do Rio de Janeiro. sobre a venda de drogas no morro. De acordo com o Representante do Ministério Público Estadual. Suzane Richthofen. na casa em que a família vivia e foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe. Além disso. confessaram depois de Cristian Cravinhos. Chegou a dar três versões sobre a compra da moto até admitir que era dele o dinheiro. os irmãos eram considerados delinquentes e aproveitadores. cada vez mais se enrolando em suas mentiras. para dificultar que o corpo fosse identificado. 10. com responsabilidades idênticas no crime. o advogado criminalista Alberto Zacharias Toron. onde todos se conhecem há muito tempo. O Diretor do Núcleo da Transamazônica do Sindicorte (Sindicato Paraense de Pecuária de Corte). Passou cerca de seis horas dando respostas contraditórias e confusas às perguntas dos Delegados. em junho de 2002. bastante nervoso. fazendo com que Suzane Richthofen e os irmãos Cravinhos fossem julgados juntos.Produtor da Rede Globo. a Polícia procurou Cristian Cravinhos em casa. Pessoas que estavam com a freira dizem que a missionária foi executada. As armas usadas no assassinato foram cunhadas e construídas por Daniel Cravinhos. Daniel Cravinhos e Cristian Cravinhos tiveram a prisão temporária decretada e foram indiciados por homicídio qualificado e roubo. Além disso. Christian Cravinhos. segundo os vizinhos. O assassinato seria vingança dos bandidos do morro por outra reportagem de Tim Lopes. seu pai. Na quinta-feira. por terem alterado a cena do crime. gritavam palavrões e fumavam maconha com frequência. que. Nessa hora. 12. saiu da sala. que foi o último a falar pela Promotoria. dizendo que precisavam de sua ajuda para o reconhecimento de um suspeito. Os três são réus confessos e colaboraram para o andamento do processo. O Promotor de Justiça Roberto Tardelli esperava que Suzane von Richthofen e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos peguasse 50 anos de prisão cada um. quando lhe foi revelada a verdadeira razão de ele ali se encontrar. O rapaz foi até a Delegacia. Segundo o Diretor. já se encontravam Daniel Cravinhos e Suzane Richthofen. inclusive da pele do peito e do rosto. foram removidas as digitais dos pés e das mãos. Conforme relatos de moradores da vila onde morava a família Cravinhos. Em outra sala. O rapaz pegou uma barra de ferro oca e preencheu-a com madeira de modo que as pauladas com o objeto fossem fulminantes. os irmãos Daniel e Cristian tocavam bateria. Astrogildo Cravinhos de Paula e Silva. a morte não foi 33 . mesmo que o Ministro Nilson Naves. em nome de Miguel Abdalla.

e. 15. no jardim do Edifício London. A menina chegou a ser socorrida pelos bombeiros mas não resistiu e morreu a caminho do hospital. O caso teve forte repercussão no Brasil. uma rádio afirmou que o pai disse à Polícia que a menina foi jogada por um assaltante. "Era uma agitadora. moravam além dele a madrasta da menina e dois filhos do casal. abandonado pelos bandidos em uma rua no subúrbio do Rio. que a criança havia ficado sozinha no quarto enquanto Alexandre Nardoni foi buscar os outros filhos. Segundo divulgado pela imprensa. sangue foi encontrado no quarto e um buraco na tela de proteção de uma janela reforçam as suspeitas da Polícia de homicídio. CP) e terão que cumprir pena de 31 anos.programada. o pai da criança afirmou à Polícia no dia 30. O ex-seminarista Gil Rugai. A perícia feita pela Polícia TécnicoCientífica no domingo. O pai da vítima teria descido para ajudar a carregar as outras duas crianças. 121. § 2°. prédio residencial na rua Santa Leocácida. Ladrões tomaram o carro da mãe da criança e João Hélio ficou preso pelo cinto de segurança. então. "como ato de repúdio da população às ações desagregadoras por ela praticadas". nos dias 30 e 31 de março. zona oeste de São Paulo. No apartamento. Ela criou uma situação que levou ao que aconteceu.A criança João Hélio Fernandes. uma mulher que criou só problema e agora é endeusada de maneira que está prejudicando a região. depois de ter sido jogada de uma altura de seis andares. O caso gerou grande repercussão nacional em função das evidências deixadas no local do crime por Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. 6 anos. respectivamente pai e madrasta da criança. morreu ao ser arrastado por 7 km do lado de fora de um carro. 14. com agravantes pelo fato de Isabella ser sua descendente e 26 anos e 8 meses de reclusão à pessoa de Anna Carolina Jatobá. Aí o cara. a emissora de TV de notícias Globo News revela que a Polícia descartou a possibilidade de acidente na morte de Isabella. 34 . Entre o momento de colocar a filha na cama e a volta ao quarto teriam passado de 5 a 10 minutos. 1 mês e 10 dias a pessoa de Alexandre Nardoni. Para o Sindicalista. ao voltar ao apartamento. O pai de Isabella teria afirmado em depoimento que o prédio onde mora fora assaltado e a menina teria sido jogada por um dos bandidos. na noite do dia 29 de março de 2008. 13. "Estão fazendo dela uma santa e ela não é. na cidade de Perdizes. porque o governo está mandando tropas e criando uma confusão". só que no quarto dos irmãos da Isabella e não no quarto em que a criança foi colocada para dormir. IV e V.Em 2004 o empresário Luiz Rugai e sua mulher. atirou nela". A decisão foi proferida pelo Juiz Maurício Fossen do Fórum de Santana em São Paulo. um de onze meses e outro de três anos. III.O caso Isabella Nardoni refere-se à morte da menina brasileira Isabella de Oliveira Nardoni. de acordo com o depoimento do pai. Alessandra Troitino foram assassinados a tiros em casa. Ela. durante um assalto no Rio de Janeiro em 2007. Alexandre Nardoni teria dito que deixou sua mulher e os dois filhos do casal no carro e subiu para colocar Isabella. disse: "Aqui vai ser desse jeito mesmo". no dia 29 de março de 2008. Zona Norte de São Paulo. Segundo um Delegado Titular da Polícia. diz que a rede de proteção da sacada. viu a tela cortada e a filha caída no gramado em frente ao prédio. ficando caracterizado como crime hediondo. de cinco anos de idade. no último sábado. a missionária Dorothy Stang é a "culpada" pelo conflito na área rural que resultou no assassinato dela. a missionária "persona non grata". defenestrada do sexto andar do Edifício London no Distrito da Vila Guilherme em São Paulo. Ela é culpada disso". Informou que a Câmara de Anapu declarou. Dias depois. mas um crime isolado e acidental. Começaram a discutir. "O grupo dela [da freira] teria queimado uma camionete e as pessoas ligadas ao dono foram saber o que acontecia. Isabella Nardoni foi encontrada ferida. O fazendeiro disse que a freira mandava invadir terras e criava transtorno em Anapu-PA. filho do empresário é apontado como o principal suspeito da morte do pai e da madrasta. a investigação constatou que a tela de proteção da janela do apartamento foi cortada para que a menina fosse jogada e que havia marcas de sangue no quarto da criança. foi cortada propositalmente. na cama. No entanto. no calor da discussão. Francisco Castro disse que "95% da população" de Anapu são contra a freira. em 30 de abril de 2003. que pertencia a seu pai. foram condenados por homicídio doloso triplamente qualificado (art. O corpo do menino foi achado com o crânio esfacelado junto ao veículo. Em meio da repercussão. No mesmo dia. que já dormia. respectivamente de 3 anos e 11 meses.

Os principais suspeitos do crime são seu ex-namorado e sócio. No dia 13 de outubro de 2008. um primo menor de idade e até policiais de Minas Gerais. se disse arrependido e afirmou que pensava no sofrimento dos familiares dos jovens mortos. por volta das 13h. Goiânia. O acusado mostrou à Polícia o local onde estavam os corpos dos adolescentes e. em entrevista. São acusadas as pessoas de Bruno Fernandes. 40 anos. além de um apartamento. teriam sido seqüestrados no Rio de Janeiro e levados para Belo Horizonte para um sítio de propriedade de Bruno Fernandes. Há informações de que o corpo teria sido esquartejado e pedaços lançados para serem devorados por cães e outra parte compactadas sob cimento. o ex-policial e também advogado Mizael Bispo de Souza. Sua melhor amiga Nayara Rodrigues foi ferida com um tiro no rosto. segundo familiares era bastante tumultuado. 10 de abril de 2010. segunda maior cidade em população do Estado (1. que nega o crime e encontra-se em liberdade e o vigia Evandro Bezerra Silva. O Brasil acompanha no momento o desenrolar das investigações sobre dois bárbaros crimes que estão chocando a população e gerando comentários em toda a parte do país. além da Polícia. porém. investigam o caso. o pedreiro teria feito uma corda com algumas roupas com a qual se enforcou. outras hipóteses. Inconformado com o fim do relacionamento. Um deles teve como vítima a advogada Mércia Nakashima.Entre os dias 30 de dezembro de 2009 e 22 de janeiro de 2010. torturada e assassinada com crueldade. O caso terminou depois de negociações tensas e uma seqüência de trapalhadas da Polícia paulista. seis jovens com idades entre 14 e 19 anos desapareceram em Luziânia. 17. Em meio a tudo isso houve também denúncias da mulher em uma Delegacia Especializada na cidade de São Paulo. depois da repercussão das mortes. próximo à Capital. que começou a se destacar no futebol jogando pela Portuguesa de São Paulo e chegou a ser cogitado para a Seleção Brasileira. sua atual mulher. O pedreiro também declarou que foi vítima de abusos sexuais no passado e disse que cogitou o suicídio. jogado em uma represa no Município de Nazaré Paulista. o motoboy invadiu a casa armado e deu início ao seqüestro que duraria quatro dia. Há suspeitas de que o ex-namorado teria cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento que. Policiais de Guarulhos. que teria ficado com o filho da vítima. 35 . Eliza Samudio teria sido covardemente espancada. a criança está sob a guarda da mãe da vítima que mora no Mato Grosso do Sul. segundo testemunhas.2 milhão de habitantes) e uma das mais violentas do país. quando a vítima e seu filho. Ademar Jesus da Silva foi encontrado morto. quando o pedreiro Adimar de Jesus Silva. O motivo do crime seria a exigência de Eliza Samudio para que o jogador assumisse a paternidade do filho e de alta soma em dinheiro. a 196 km da capital do Estado de Goiás. com requintes de crueldades. mas seu corpo ainda não foi localizado. região do Grande ABC. um conhecido por “Macarrão” (Luiz Henrique Ferreira Romão). No dia 18 de abril de 2010.16. que está preso. em um conjunto habitacional na periferia de Santo André. Há.SP. O caso ganhou repercussão nacional e foi investigada.É lembrado como o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo. ainda sem uma solução definitiva. Com um tiro na cabeça. Segundo agente do DENARC. como possíveis desavenças com ex-clientes. estariam envolvidos amigos e funcionários do jogador. foi preso acusado de estuprar e matar os rapazes. No momento. 28 anos agredida e assassinada em Guarulhos . de 25 anos. Bruno Fernandes e sua ex-amante Eliza Silva Samudio. Tudo havia começado no Rio de Janeiro. Eloá Pimentel morreu no dia seguinte. a estudante Eloá Cristina Pimentel foi refém do ex-namorado Lindemberg Alves por 100 horas no apartamento em que morava com a família. A suspeita da participação ou conivência da própria mulher do jogador. devido aos ciúmes do ex-policial. Outro caso chocante envolve o ex-goleiro do Clube de Regatas Flamengo do Estado do Rio de Janeiro. A moça foi brutalmente assassinada. pela CPI do Desaparecimento de Crianças e Adolescentes da Câmara dos Deputados. Seu corpo foi encontrado dentro de seu carro. O paradeiro dos jovens só foi solucionado na manhã de sábado. uma criança recémnascida e que seria filho do jogador.

Patrícia Amorim. um primo do goleiro. e. retirando-o uma mão de Eliza Samudio. amigo do jogador. A punição aos crimes hediondos tem regras próprias.464. A progressão de regime. No Flamengo. mas depois voltou atrás. a extorsão mediante sequestro. Em geral. a Polícia aponta detalhes considerados cruéis em um crime cometido por motivos fúteis: A jovem modelo foi sequestrada duas vezes por Bruno Fernandes e pessoas ligadas ao goleiro . depois do cumprimento de dois quintos da pena. alterou o art. amigo de Bruno. que pune agressões contra mulheres? Nesse caso. que teria a participação do goleiro Bruno Fernandes e de várias outras pessoas vinculadas ao goleiro. Em um sítio em Vespasiano. responde por sequestro e cárcere privado de Eliza 36 . de 25 de julho de 1990. Este crime de repercussão nacional coloca em evidência a legislação relacionada com os chamados crimes hediondos – Lei 8. vulgarmente conhecido por “Bola” ou “Paulista”. mas a Polícia não descarta outro meio de ocultação do cadáver.acusando o ex-amante agressão e de lhe obrigar a tomar remédio abortivo. 2º da Lei 8. Dayanne Rodrigues. Wemerson Marques.na última vez. de 25 de julho de 1990. Fernanda Gomes de Castro. o que enquadraria os autores do homicídio na Lei de Crimes Hediondos. Aqueles crimes considerados mais cruéis ou que rompem com os princípios éticos mais importantes. a qual já teve algumas alterações substanciais. mais rigorosas. No caso do assassinato de Eliza Samudio. O clube anunciou que iria processar o jogador por danos contra a imagem. a epidemia intencional que resulte em morte. é a principal testemunha. caseiro do sítio em Esmeraldas. crimes que. espancada e estrangulada pelo ex-policial civil. outra ex-namorada do jogador. aplicada a Lei Maria da Penha. mas esta previsão. sem possibilidade de livramento condicional. tais crimes não podem ser suscetíveis de anistia. porém foi derrubada pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e nova regra. não permitem o arbitramento de fiança. Crimes como o homicídio qualificado. Depois do crime. disse que Bruno Fernandes não veste mais a camisa do clube. Marcos Aparecido dos Santos. Minas Gerais. inclusive a mulher do jogador. respondem pelo sequestro e cárcere privado do filho de Bruno Fernandes.072. aquela afeta a progressão de regime e sujeitou-se ao juiz. Outros suspeitos de participarem do crime são: Luiz Henrique Ferreira Romão. A se confirmarem as afirmações dos investigadores da Polícia de Minas Gerais. se o recluso for primário. Este crime será submetido a Julgamento Popular pelo Tribunal do Júri. Os ossos teriam sido escondidos em concreto no mesmo lugar em que a jovem foi morta. a partir de 19 de novembro de 2012 (segunda-feira). graça ou indulto. Elenílson Vítor Silva. a modelo teria sido amarrada com uma corda. no caso dos condenados. Juntamente com a prática de tortura. o latrocínio.072. O mesmo homem teria colocado o corpo esquartejado de Eliza Samudio em um saco. atual Presidente do Flamengo. que a jogou para os cães. oportunidade em que teria tomado cerveja tranquilamente à beira da piscina. em seu sítio. ex-mulher do goleiro. mãe de seus dois filhos. a Lei 11. causam grande clamor popular aumentam a pressão por maior rigor das penas e do tratamento aos condenados. A sociedade brasileira aguarda ansiosa pelo resultado do julgamento. o estupro de vulnerável ou não. na época. só pode acontecer. o tráfico ilícito de drogas e o terrorismo. Sérgio Rosa Sales. Com tanta gravidade. todos os envolvidos estão presos. no dia 4 de junho de 2010. mesmo que seja inocente. Eliza Samudio teria sido assassinada de forma bárbara. O caso do desaparecimento da jovem Eliza Samudio. o jogador teve seu contrato suspenso. a extorsão qualificada pela morte. vulgo “Macarrão”. fundamentar à sua decisão. relacionadas tanto à progressão do regime da pena quanto ao livramento condicional. pergunta-se porque não foi. de 28 de março de 2007. Bruno Fernandes teria ateado fogo à mala de Eliza Samudio. pela crueldade e repercussão. O livramento condicional só pode acontecer se o condenado tiver cumprido mais de dois terços da pena e se não for reincidente em crimes dessa gravidade. A própria Lei dos Crimes Hediondos previa o cumprimento integral das penas. de três quintos se for reincidente. a falsificação de medicamentos são listados pela Lei dos Crimes Hediondos. volta a provocar discussão sobre o assunto. se o condenado poderá ou não recorrer em liberdade.

Por exemplo. Se todos os cidadãos colaborarem e denunciar. alguns não tão especialistas. Wagner Pinto. Eles foram soltos em dezembro de 2010 e respondem ao processo em liberdade. assim aproveitam-se da comoção nacional e passam a aparecer na TV dando palpites. disse que o crime foi uma execução. Flávio Caetano Araújo. "Ele não estava sendo ameaçado. A Sociedade deve denunciar às autoridades competentes violência contra a criança e adolescente. 37 . Agora. que investiga a morte de Sérgio Rosa Sales. sendo assassinadas com requintes de crueldades sem poderem se defender dos seus agressores. Segundo o Delegado. com a impossibilidade das vitimas. Os casos de homicídios contra crianças causam revolta e choque. disse que a motivação de o crime ser uma queima de arquivo é uma das trabalhadas na investigação. Na fase de inquérito sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio. e a execução aconteceu na entrada da casa onde o primo do goleiro tentava se esconder. Segundo o pai de Sérgio Rosa Sales. quando a Justiça decidiu pela soltura provisória do acusado. disse o Sargento da Polícia Militar. "Pelo número de disparos. porém. O Delegado ainda afirmou que é muito precipitado ligar a morte de Sérgio Rosa Sales ao processo que investiga o desaparecimento de Eliza Samudio. Uma verdadeira “farra do boi” sobre o sofrimento de familiares tanto de vítima como de acusados. fazendo préjulgamento e confundindo a opinião pública. "A hipótese de crime por queima de arquivo ganha força. outros casos de repercussão no mundo. Em entrevista ao MGTV 1ª Edição. mas informações iniciais dão conta de que Sérgio Rosa Sales estava saindo de casa para trabalhar quando foi perseguido por dois homens em uma motocicleta. Ainda houve outros casos de grande comoção social no Brasil. muitos crimes podem ser evitados. bem como qualquer outro tipo de violência. Sérgio Rosa Sales ganhou liberdade no dia 10 de agosto de 2012. segundo Breno Pardini. A crônica policial do Brasil registra casos de crimes hediondos. O local é próximo à casa da vítima. primo do goleiro Bruno Fernandes. Especialistas. mas psicopatas é quem “come merda” e “rasga dinheiro”. na barriga e na mão. na manhã desta quarta-feira (22 de agosto de 2012). Para ele. ainda não há dados sobre motivação. Segundo a investigação. Sérgio Rosa Sales não apresentava capacidade de influenciar testemunhas. O Delegado Breno Pardini. Sérgio prestou informações relevantes para o esclarecimento da autoria do assassinato de Eliza Samudio". De acordo com o Desembargador Doorgal Andrada. 19 anos – contribuíram com informações à polícia. entre eles. A PM disse que o primo do goleiro Bruno Fernandes foi atingido por seis tiros. Sérgio Rosa Sales era um dos acusados no processo que apura o desaparecimento e morte de Eliza Samudio. a investigação deve refazer os passos de Sales nos últimos dias. por serem crianças. abuso sexual. não tinha poder aquisitivo e colaborava com as investigações. a tentativa era de execução". no bairro Minaslândia. disse o delegado. essas pessoas estiveram com Eliza Samudio no sítio do jogador . que chegou a ser indiciado. "Ele foi executado".goleiro. no rosto. o advogado de Sérgio Rosa Sales. Marco Antônio Siqueira. que são chamadas de psicopatas. Célio José de Oliveira. Essas crianças assassinadas tiveram a vida interrompida por pessoas covardes. ele era amigo de todo mundo". falou o Delegado no local da morte. mas esclarecidos. a vítima tomou o primeiro tiro antes do local onde ele foi encontrado morto. o delegado chefe do Departamento de Investigações de Belo Horizonte. À época. Segundo a Polícia Militar. ex-namorada de Bruno Fernandes. na Região Norte de Belo Horizonte. o primo do goleiro era uma testemunha do crime. no Município de Esmeraldas-MG.Samudio e do filho dela com o goleiro. foi inocentado. se não evitados. Dr. em que podem ser denunciados abusos. Infância e Adolescência. Sérgio Rosa Sales e outro primo do goleiro Bruno Fernandes – Jorge Luiz Rosa. Ele teria tentado se esconder em uma casa quando foi morto. Em praticamente todos os municípios brasileiros existem os Conselhos Tutelares da Criança. seqüestro. não era ameaçado. repercutindo internacionalmente com programas de televisão abordando o assunto exaustivamente e até exagerando. disse que sempre esperou que seu cliente fosse solto. desculpe as expressões vulgares. esses também ganharam grande espaço na imprensa brasileira.

Delegacia de Capturas na cidade de Fortaleza – CE. os dois tinham três filhos. Foi publicado até um livro. Oito mulheres foram assassinadas. foi assassinada e atirada do prédio onde vivia com o pai e a madrasta. Araceli (1973): No dia 18 de maio de 1973 desapareceu Araceli. amante do pai da vitima.145 em 2006 e 47. aonde chegou a receber proposta de casamento de uma mulher.707 em 2007. Neide Maria foi condenada a 33 anos de reclusão.A seguir. Em homenagem a Araceli. o vendedor está disposto a apontar o local onde o corpo da adolescente está enterrado. o dia 18 de maio passou a ser o Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual do menor (criança) e adolescente. Zona Sul da Capital. Mas esta relativa estabilidade. onde estava vivendo desde 1996. a polícia concluiu que o pai Alexandre Nardoni e sua companheira Ana Carolina Jatobá são os autores do crime. Os principais acusados foram os playboys Paulo Constante. ocorrido em Palmas . Segundo a ex-mulher. cumpriu quinze. Walmir Araújo espancou a adolescente das 11h até às 13h. Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos em regime fechado. pelo jornalista José Louzeiro. Como resultado. no Parque do Estado. Um caso de grande comoção social na sociedade tocantinense. Ana Carolina Jatobá a 26 anos e 8 meses. O crime foi cometido por seu ex-namorado Lindemberg Alves. ex-mulher do acusado e também suspeita de ter participado do crime. 49. segundo a Polícia. De acordo com o Delegado. por falta de provas. com o título de “Araceli Meu Amor”. negativas e provas irrefutáveis. Atualmente. 22 anos. de 5 anos. Em decorrência das agressões (sessões de torturas) a adolescente veio a falecer. O crime foi cometido por vingança. no dia 13 de outubro de 2008. A localização do acusado foi possível. ainda consideradas em 38 . um dia de abril de 1994.Estado do Tocantins: o acusado de torturar e matar uma adolescente de 13 anos em 1994. O crime foi cometido com requintes de crueldades e os dois. Seu corpo foi achado dias depois com sinais de violência sexual e torturas. depois de informações fornecidas por Rosângela Maria Martins de Araújo. na Zona Norte da Capital. foi recentemente transferido para Palmas. A família da adolescente vinha denunciando o seu desaparecimento.458 assassinatos em 2005. Depois de dias intermináveis de investigações. O motivo: o ex-namorado não aceitava o fim do relacionamento. o marido chegou à sua casa bêbada e acusou a adolescente de ter molestado o filho menor.9%. o acusado confirmou a morte da adolescente e disse que o corpo foi jogado em uma cisterna. Além de serem violentadas eram mortas de forma cruel e covarde. 15 anos.2%. Eloá Pimentel: Cem horas de agonia durou o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo. Capital do Estado. Atualmente mora no Rio de Janeiro. Os réus não podem recorrer em liberdade da sentença proferida pelo Juiz Mauricio Fonseca. Em depoimento ao Delegado Antunes Teixeira. entrevistas. o lugar é ocupado por duas torres de telefonia móvel e a Polícia irá requisitar à Justiça do Estado autorização para a remoção do corpo. Helane e Dante de Brit Michelin. Isabela Nardoni: Isabella Nardoni. Eloá Cristina Pimentel. de acordo com a última atualização do DataSus/Ministério da Saúde. outros casos ocorridos no Brasil que também ganharam repercussão nacional e a mídia internacional os divulgou: Fera da Penha (1960): Tânia Araújo Coelho (Taninha) foi assassinada com requinte de maldade por Neide Maria Lopes. culpam um ao outro pelo homicídio. Segundo o depoimento da ex-mulher de Wilmar Araújo. O acusado foi preso por uma equipe da DECAP . A jovem teve o corpo carbonizado. um deles. Maníaco do Parque: O motoboy Francisco de Assis Pereira ganhou fama como Maníaco do Parque pelo fato de atrair suas vitimas com falsas promessas de emprego de modelo. Está em um presídio de Tremembé. praticamente da mesma forma e o criminoso foi condenado a 270 anos de reclusão. Até hoje ninguém foi punido. Foram 47. Conforme informações do depoimento de Rosângela Maria Martins. jogou no local entulho para cobrir o corpo da vítima. da Delegacia de Capturas. uma ligeira baixa em 2007 de 2. Na época a adolescente foi contratada para cuidar de um filho do casal (criança). 47 anos. em comum. o técnico em contabilidade Wilmar Araújo. O acusado contou ainda que durante dias. 44 anos. depois de uma ligeira alta em 2006 de 3. A título de informação. o número de homicídios no Brasil voltou ao patamar de 2005. foi morta com um tiro na cabeça e sua amiga Nayara Rodrigues foi ferida com um tiro no rosto. de 20 metros de profundidade.

Estes dados mostram o nível da criminalidade no Brasil. Este dispositivo constitucional brasileiro. O ser humano não nasce digno. nem por ele próprio. É por isso que o princípio da dignidade pessoa humana repercute de modo profundo no direito penal. A negativa significa que a pessoa não venha ser objeto de ofensas ou humilhações. como objeto: “A autonomia da vontade. Não é difícil entender as motivações do constituinte ao prescrever a vedação de tratamento desumano e cruel. constituindo assim. Diante de uma conjuntura que proporcionasse no meio social tamanho ressentimento. como também não pode ser mero instrumento para a realização dos fins alheios. passou por um processo de laicização e racionalização. Isso nos conduz a afirmar que o ser humano não poderá jamais ser tratado como coisa ou objeto. O fundamento constitucional da humanização do indivíduo delinqüente está centrado no art. consubstancia-se com a máxima de que cada um deve ser pessoa e respeitar os outros. Impõe-se. ambas se encontram conectadas. nem a tratamento ou castigo cruel. Tendo como base o pensamento jus naturalista dos séculos XVII e XVIII a concepção da dignidade da pessoa humana. correríamos o risco de no calor dos acontecimentos criminais produzirem leis que atentassem contra a dignidade da pessoa humana como uma forma de conseguir. "a dignidade pressupõe a autonomia vital da pessoa. a dignidade é uma qualidade a ser conquistada. mas vingança. a noção fundamental da igualdade de todos os homens em dignidade e liberdade. a garantia da identidade e integridade da pessoa através do livre desenvolvimento da personalidade e etc. 39 . mas torna-se digno a partir do momento em que assume a sua condição de cidadão. Parte-se do pressuposto de que a dignidade possui uma voz ativa e passiva. Imaginemos se nossa Constituição não tivesse elegido como cláusula pétrea os direitos fundamentais do ser humano. Com efeito. em particular São Paulo e seu aumento vertiginoso em polos regionais ou locais. da Constituição Federal de 1988: “ ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”. não justiça. às demais entidades públicas e às outras pessoas". Seria factível pensar. a sua autodeterminação relativamente ao Estado. desumano ou degradante”. Nunca é demais repeti-lo. concebia a dignidade como parte da autonomia ética do ser humano. inciso III. no atual estágio em que se encontram os direitos humanos. De modo particular. Isso feriria de modo flagrante a dignidade das pessoas que cumprissem uma pena criminal. a qual é super elevada. Neste sentido o nosso texto constitucional dispõe. a afirmação da integridade física e espiritual do homem como dimensão irrenunciável da sua individualidade autonomamente responsável. o alicerce da dignidade humana”. Esta concepção de que dignidade necessita de reconhecimento. p. mascara uma forte compensação entre a progressiva redução da violência em algumas grandes cidades. MIRANDA (1991. é um atributo apenas encontrado nos seres racionais. uma pena de trabalhos forçados em uma penitenciária? É certo que não. mantendo-se. somente reproduziu a norma proclamada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas de 10 de dezembro de 1948 na Declaração Universal dos Direitos dos Cidadãos: “Ninguém será submetido à tortura.patamares elevados. coerente e incontestavelmente. todavia. A dignidade da pessoa humana possui duas dimensões que lhe são constitutivas: uma negativa e outra positiva. como pessoa e cidadão. 168/169). que "ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante". entendida como a faculdade de determinar a si mesmo e agir em conformidade com a representação de certas Leis. por conseguinte. Para HEGEL. afirmava que ele não poderia ser tratado. 5º. KANT.

186 e art. MIRANDA (1991. ROMEU FELIPE BACELLAR FILHO destaca: "A dignidade do ser humano foi erigida a fundamento do Estado Democrático de Direito: o seu principal destinatário é o homem em todas as suas dimensões". que apesar de não ser específico ao preso. é comum que seja invocado. que confere unidade de sentido. o imperativo de respeito mesmo pelo Estado da vida privada e da intimidade das pessoas. a educação. que supõe. houve a tentativa de modificar esta situação. sem preconceitos de origem. o livre arbítrio (concede-se liberdade para o exercício de profissões. de valor e de concordância prática ao sistema dos direitos fundamentais”. justa e solidária e promover o bem de todos. 166/167). etc. a pluralidade de idéias e orientações políticas. uma predeterminação dada pela natureza.210.Lei 7. A Lei Maior traz em seu texto diversas garantias e preceitos inerentes ao direito penal e à pessoa do preso. sexo. as quais podem ser encontradas nos textos dos artigos 5º. Assim. IV e V). estes dispositivos foram reiterados (art. raça. a dignidade da pessoa humana. I 40 . Viu-se que a proclamação do valor distinto da pessoa humana teve como conseqüência lógica a afirmação de direitos específicos de cada homem. o da dignidade da pessoa humana. Com o advento da nossa Constituição. por terem às Constituições diferidas a faculdade de ir e vir. a justiça. da Constituição Federal do Brasil. p. 6º e 7º. decorrentes dos direitos fundamentais como a liberdade. mas por identificar-se com a situação frágil que ele se encontra. V e X. a “fonte ética. Os objetivos fundamentais da República de construir uma sociedade livre. entre eles. a vedação ao preconceito e à discriminação racial e de outros matizes. II. de um lado. a autodeterminação que surge da livre projeção histórica da razão humana. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político (art. p. o trabalho como fonte de sobrevivência legítima e honesta (tutela-se os valores sociais do trabalho). dentre outras prerrogativas essenciais à própria existência do ser humano. Como bem salienta SALO DE CARVALHO: “Historicamente as normas de direito e de processo penal não estiveram em plena harmonia com as constituições democráticas. como princípio. de reunião. 927.Por sua vez. por conseguinte. e. o núcleo essencial dos direitos fundamentais. CC/2202). É de fato por causa da elevação e magnitude da importância do homem no mundo. 3º. 1º. de credo religioso. como se observa na Lei Maior pátria de 1988: a cidadania. é capitulado o dever de indenização por danos morais e materiais causados (art. a Constituição Federal vigente e a Lei de Execuções Penais . a concessão de ordem judicial de habeas corpus . o direito de integridade física e moral (psicológica). o reconhecimento da total autodisponibilidade.). III. a não submissão a tratamento desumano. A dignidade da pessoa humana é. conforme FARIAS (1996. É por isso que a Constituição Federal se preocupou em expressamente consignar. Apesar dos ditames constitucionais direcionando o intérprete para considerar como princípio basilar a preservação da condição de sujeito de direito atribuída ao homem. 5º. 54). a dimensão positiva presume o pleno desenvolvimento de cada pessoa. sem interferências ou impedimentos externos. de outro. a "fonte jurídico-positiva dos direitos fundamentais". CRFB/1988). o repouso corporal e mental. Para que esta reintegração seja possível com condições para à existência digna e o perfeito desenvolvimento da pessoa do condenado deve ser assegurado. 11/7/1984 deixa claro o objetivo de reintegração social do condenado. não é isso que se observa em âmbito penal. pode-se afirmar que os direitos humanos jamais figuraram instrumento de referência à ciência penal”. antes que. das possibilidades de atuação próprias de cada homem. Os diversos preceitos constitucionais inalienáveis radicam no princípio da dignidade da pessoa humana. viabilizando seu harmônico reingresso no convívio social. o suprimento de necessidades básicas como a alimentação. idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. cor. o lazer. a saúde.

penal. punidor e sancionador não possam ser exercitados de forma abusiva. independentemente de censura ou licença (art. científica e de comunicação. Os direitos à educação. ‘b’. II). 5º. sexo. 5º. II): “I)Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie. a indenização por dano material. 5º. nele entrar. à segurança e à propriedade (art. a assistência aos desamparados (art. ‘e’). PAULO GUSTAVO GONET BRANCO advoga que o princípio da dignidade da pessoa humana inspira os outros direitos fundamentais e concerne ao respeito à vida. de 15/2/2000 e Emenda Constitucional nº 64. o qual não pode se valer do processo em geral. da honra e da imagem das pessoas. previdenciário ou trabalhista. decorrentes da dignidade da pessoa humana. o trabalho. sem governo próprio. V). assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação (art. à habitação. 4º.e IV). ‘a’. O estudo da garantia do processo quer administrativo. civil. religião. sob tutela. de falta de justa e robusta causa com desproporcionalidade ou irracionalmente. como instrumento que é destinado à apenação razoável. à igualdade. 5º. de 5/2/2010. a proibição de penas de morte. jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa. implicam a afirmação de valores fundamentais do homem. civil. língua. a liberdade de manifestação do pensamento (art. a moradia. XLIII). 5º. Soma-se a prevalência dos direitos humanos (art. à liberdade. moral ou à imagem (art. à integridade física e íntima e à segurança de cada ser humano. militar. arbitrária. XVI). XLII). artística. à saúde. a proteção à maternidade e à infância. exercício de qualquer trabalho. 5º. além do respeito à integridade física e moral do preso (art. cuja proteção incumbe ao ente estatal. ao trabalho. IV). dentre outros direitos sociais. opinião política ou de outra natureza. 6º) com a redação que lhe foi dada pela Emenda Constitucional nº 26. mas de reeducá-lo e ressocializá-lo para que retorne ao convício em sociedade. o lazer. Estes fundamentos e objetivos da República Federativa do Brasil foram procriados da Declaração Universal dos Direitos Humanos (art. A Lei Maior brasileira ainda consagra a inviolabilidade do direito à vida. cor. caput ). nascimento. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. XLIX). previdenciária ou trabalhista não pode emanar de perseguições políticas. quer se trate de um território independente. associam-se ao moderado manejo da competência disciplinar. permanecer ou dele sair com seus bens (art. ofício ou profissão. XLVII. penal. eleitoral. ou qualquer outra condição. 5º. de trabalhos forçados ou cruéis (art. ao mesmo tempo em que sublinha que as raízes modernas do Estado Democrático que remontam ao século XVIII. origem nacional ou social. 5º. nos termos da lei. riqueza. da vida privada. X). a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença (art. a liberdade de locomoção no território nacional em tempo de paz. o qual assevera que o fim do Estado é promover as condições da vida social que "consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da pessoa humana". IX). seja de raça. a liberdade de expressão da atividade intelectual. 41 . sujeito à pena de reclusão (art. desproporcional. podendo qualquer pessoa. 5º. a punição da prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. desmotivada e irracional. punitiva e sancionadora pelo Estado. a inviolabilidade da intimidade. cumpre julgar com base no espectro do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana com o efeito a que o poder disciplinador. como forma de privar o agente. proporcional e justa de infrações realmente puníveis. a segurança. 5º. Todos esses preceptivos revelam a preocupação do legislador constituinte com a dimensão superior da dignidade da pessoa humana em si e como fundamento de uma sucessão de outros direitos. garantias e princípios de raízes constitucionais. VI). a repressão como crime inafiançável da tortura (art. eleitoral. quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania”. O princípio da dignidade da pessoa humana é explicado em suas origens por DALMO DE ABREU DALLARI. desmedida. a previdência social. Aditivamente a Carta Suprema brasileira arrola como direitos sociais a educação. 5º. II) Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política. A sanção administrativa. a saúde.

Quem se dispõe a enviar correspondência ou telefonar para outrem. civil. restritivas de direitos. 11 Parte principal do voto do Min. haja vista que as penas corporais. de atos criminosos. Se essas violações ocorrerem na captação da prova. por subsumir no conceito de inconstitucionalidade. efetivamente na possibilidade de influir na formação da convicção do juiz. seja administrativo. CRFB/1988). por ser no direito penal indispensável como elemento integrador do convencimento do juiz. estelionatários e todo tipo de achacadores. legítima e lícita constitui desdobramento do princípio do contraditório. É inconsistente e fere o senso comum falar-se em violação do direito à privacidade quando interlocutor grava diálogo com seqüestradores. estelionatários ou qualquer tipo de chantagista”. A ilicitude da prova somente é eliminada por causas excludentes de ilicitude. torna-se inutilizável. art. religiosas ou outras quaisquer que sejam vedadas por lei. MOREIRA ALVES – DJ 15. 2006. Nesse mesmo sentido. como diálogo com seqüestradores.Rel. por tortura física ou psíquica. de manejo do poder de punir do Estado-juiz (jus puniendi) de forma abusiva. ameaçando-o ou extorquindo-o. porque tem sólida base doutrinária e deve ser aplicado mesmo à vista da relevância dos fatos apurados. 42 . pessoal e social do punido e de seus familiares. pecuniárias ou alternativas. autoritária. Por essa razão a Constituição da República de 1988 definiu taxativamente não admitir no processo estes tipos de provas (LVI. em prol do princípio da presunção da inocência (LVII. eleitoral. 5º. o direito à prova legal. os impetrantes esquecem que a conduta do réu apresentou.101/102) que: “é lícita a gravação de conversa telefônica feita por um dos interlocutores. e. ilícitas ou ilegítimas. direitos e garantia de assento na Carta Fundamental da República Federativa do Brasil. A prova ilegítima é aquela colhida com lesão ao direito processual. no processo.HC 74. as provas obtidas por meios ilícitos”. injustificada ou com motivação em questões consideradas de antipatias. na esfera do processo. mais do que isso.678-1/SP11 . ou com a autorização. financeira. desmotivada. Por exemplo: STF . filosóficas. A prova ilícita é observada como a prova obtida com infringência ou violação das normas ou dos princípios de direito material. preceito que não pode ser negado por expedientes desleais de produção de provas ilegais. como as colhidas por invasão domiciliar.1997. No caso. porque a ilicitude repercute no plano processual.8. esta sim merecedora de tutela. porque a cláusula constitucional que se destina a assegurar e garantir à pessoa acusada ou denunciada contra eventuais abusos e arbitrariedades do Poder Público. O STF somente admite a prova obtida por meios ilegítimos e ilícitos quando for à única via de comprovação da inocência do acusado ou quando a prova ilícita não era indispensável ao contexto probatório. A prova ilegal é considerada gênero do qual se extraem as provas ilícitas e as ilegítimas. ou por ela autorizada. Neste liame é predominante no STF a orientação de que a prova obtida por meios ilegítimos e ilícitos deve ser repudiada sempre pelos juízes e tribunais. o que significa o absurdo de qualificar como confidencial a missiva ou a conversa". tendo em vista que prova tem fundamental e relevante importância no processo.678-1/SP: "seria uma aberração considerar como violação do direito à privacidade a gravação pela própria vítima. antes de tudo. penal. uma intromissão ilícita na vida privada do ofendido. podem abalar a estrutura ética.Qualquer desvio ou abuso de poder. ideológicas. arbitrária. sem ciência do outro. por degravação telefônica. art. pessoais. reiterando esse posicionamento decidiu o STF (MORAES. quando há investida criminosa deste último. como a legítima defesa. 5º): “ são inadmissíveis. moral. previdenciário ou trabalhista. distorcida. resulta na direta ofensa ao princípio universal e constitucional da dignidade da pessoa humana. Min. os quais têm deveres. por apropriação de informação bancária ou fiscal não autorizada por autoridade judiciária competente. políticas. p. desmedida. não pode pretender abrigar-se em uma obrigação de reserva por parte do destinatário. Moreira Alves no Habeas Corpus 74.

VICENTE GRECO FILHO sinteza o princípio do contraditório de maneira prática e simplória: “O contraditório se efetiva assegurando-se os seguintes elementos: a) o conhecimento da demanda por meio de ato formal de citação. o duplo grau de jurisdição irá abranger o direito de reexame da causa quanto ao mérito. A pessoa humana deve ser respeitada como cidadão e profissional e não deve ser punido ou surpreendido. Intimamente ligados aos princípios do devido processo legal. Posicionamento excepcionado apenas em certos casos como o de tal prova ser o único meio de aferir a inocência de uma pessoa acusada indevidamente da prática de um crime. sempre. se deve assegurar e garantir os direitos indispensáveis do devido processo legal. 5º. finalmente promulgados pela Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. No âmbito do processo penal. etc. inquirição de testemunhas. de se contrariar o pedido inicial. e) o direito a um juiz independente e imparcial. Nessa mesma direção insurge o princípio da ampla defesa que traduz a liberdade inerente ao indivíduo no âmbito do Estado Democrático de Direito. deve garantir e respeitar todos os direitos básicos. fazendo com que o condenado inicie o cumprimento de sua pena em determinado regramento carcerário. não pode a Justiça Criminal funcionar a contento. f) o direito de excepcionar o juízo por suspeição. o direito à declaração de nulidades. do mais rigoroso ao mais brando pelos regimes: fechado. o direito à revisão da pena. do contraditório e da ampla defesa. em prazo razoável. primeiramente pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de dezembro de 1948. quando não tenha.Pacto de São José da Costa Rica de 22 de novembro de 1969. depois promulgados pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos . primeiramente. centra-se também o princípio do duplo grau de jurisdição que não se encontra expresso na CRFB/1988. c) a oportunidade de estar presente a todos os atos processuais orais. cometido ou praticado infração às normas jurídicas. se refere a aqueles princípios. automática e concomitantemente assegura o direito de revisão da decisão monocrática (singular) por um órgão superior (colegiado). sobretudo o direito à vida e à dignidade da pessoa humana. de forma indevida ou injusta. sendo essa forma observada de acordo com critérios objetivos e subjetivos. b) a oportunidade. ser rigorosa e severa por meio de suas funções essenciais à Justiça. b) a faculdade de apresentar contra-alegações (oportunidade de apresentar as provas que possui ou pretende produzir: juntada de documentos. pois primeiramente. essenciais e fundamentais ao ser humano. assegurando e garantindo-os “com os meios e recursos a ela inerentes”. d) a possibilidade de interposição de recursos (meios jurídicos e processuais inerentes ao processo que lhes são assegurados). o direito de rescindir a condenação transitada em julgado. Desse modo. fazendo consignar as observações que desejar. e) a oportunidade de recorrer da decisão desfavorável”. em defesa de seus interesses e pode alegar fatos e propor ou contrapor provas. consagrada pelo Código Penal de 1940 e suas importantes transformações. ainda que em prejuízo da apuração da verdade. 43 . mas quando o inciso LV.O Supremo Tribunal Federal tem por regra a não admissão da prova obtida por meio ilícito. perícias técnicas. pelo menos: a) o conhecimento claro e prévio da imputação (teor da acusação). do contraditório e da ampla defesa. A ação do Poder Judiciário deve. c) a faculdade de acompanhar a produção de prova (participar da produção da prova e contrapô-la ou impugná-la). incompetência ou impedimento. verdadeiramente. faz-se necessário permitir ao acusado. do art. os membros do Ministério Público e os Defensores Públicos ou Privados habilitados a promover o bom direito. conjuntamente com o Ministério Público e a Advocacia Pública ou Privada. assim como não estarão os julgadores. em prol do ideal maior de um processo justo.). semi-aberto e aberto. previstos e proclamados. progredindo. Sem o exame e o conhecimento dessas diretrizes e postulados do nosso ordenamento jurídico. EXECUÇÃO PENAL E A VIOLAÇÃO DE DIREITOS FUNDAMENTIAIS E HUMANOS O Sistema Penitenciário Brasileiro adota a progressividade da execução da pena.

Baseado no Estado Democrático de Direito e consoante a Lei de Execuções Penais. A consciência moral não é suficiente para a punição pela prática de um ilícito. com a obra. implicando sua essência teórica. reside em ter cumprido um sexto da pena (requisito objetivo) quando primário e também gozar de bom comportamento carcerário (elemento subjetivo). retrata a angústia de um agente infrator de um ilícito e revela que o castigo vem do próprio infrator. pois muitos crimes são cometidos sem que o agente tenha o mínimo de remorso. se incluir. Por sua vez. Reinserir o preso ou condenado. isto é. depois da avaliação da comissão técnica de classificação.Assim. mas um meio de reinserção mais humanitária do individuo na sociedade. O nosso Sistema Penitenciário apresenta-se bastante complexo no que se refere à estrutura física. à sociedade é dar condição a pessoa de ressocializar junto à sociedade. transferindo-se para a casa do albergado. A pena retributiva valoriza a penalização dos crimes já praticados. DE JESUS. refere-se ao modelo ressocializador como sistema reabilitador. A pena preventiva se preocupa apenas em evitar que o delinqüente pratique novos crimes. com um modelo que aponta que não basta castigar (punir) o individuo. progredindo do mais severo ao mais ameno. Crime e Castigo. a pena corretiva tem como principal aspecto a correção da índole. da moral do delinqüente.381) diz: “O decisivo. como unidades penitenciárias e cadeias públicas (extra-penitenciária). mas orientá-lo dentro da prisão para que este enclausurado possa ser reintegrado à sociedade de maneira efetiva. observando os critérios objetivos e subjetivos. o preso ou condenado que ingressa em uma cadeia pública ou penitenciária para responder a um processo crime ou para iniciar o cumprimento de sua pena. mas não leva em conta a proteção dos interesses sociais. evitando com isso a reincidência. O mecanismo básico para a progressão do regime prisional é encaminhar o condenado a um regime menos severo. consagrado no Código Penal e reproduzido na Lei de Execuções Penais. retirando-o do convívio social. destinando cada qual a um fim. sendo ainda possível que este considere certo o cometimento de tal ato. acredita-se. pois para cada uma delas deve-se verificar sua distinção. preventiva e corretiva. devendo consistir em medidas que vise ressocializar a pessoa em conflito com a lei. senão orientar o cumprimento e a execução do castigo de maneira tal que possa conferir-lhe alguma utilidade”. A crise do sistema penitenciário brasileiro não é uma contingência da atualidade. A ressocialização tem como objetivo a humanização da passagem do apenado na instituição carcerária. que indica a idéia da prevenção especial à pena privativa de liberdade. FIODOR DOSTOIEVSKI. Como dito alhures. fazendo que a pessoa condenada inicie o cumprimento de sua pena em determinado regramento carcerário. a prisão não é um instrumento de vingança. estar apto ao convívio social. DAMÁSIO E. A pena tem diferentes finalidades: retributiva. em última instância. p. pois seu arrependimento é amargo e o remorso se torna um inferno. Nesse sistema. um dogmatismo ou uma crueldade). uma vez que envolve diversos modelos de unidades prisionais. no regime semi-aberto para ao final passar ao regime aberto. a pena privativa de liberdade tem uma finalidade social que consiste em oferecer ao condenado os meios para sua reintegração social (ressocialização). o sistema penitenciário brasileiro adota a progressividade de execução penal. o faz no regime fechado ou na colônia agrícola ou industrial. tornando-o apto ao convívio social. tendo o legislador definido os estabelecimentos do Sistema Carcerário. MOLINA (1998. não é implacavelmente o culpado (castigar por castigar é. novamente. em uma orientação humanista passando a focalizar a pessoa que delinqüiu como centro da reflexão cientifica. 44 . mas que se agrava com a falência gerencial. A pena de prisão determina nova finalidade. mas continuidade do fruto de um longo processo histórico impermeado pelo escravismo do período colonial.

Art. em caso de crime hediondo. Assim. depois de ter cumprido. função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada. neste caso a lei determina que seja cumprida integralmente no regime fechado. com apenas um sexto da pena. a pena é de reclusão de quatro a dez anos. O condenado por crime previsto nesta Lei. um sexto da pena (objetivo). como ficava o cumprimento da pena para os denominados crimes hediondos? Para entender esta questão. do 12 Art. 7 de abril de 1997. sob sua guarda. de 13 de julho de 1990 . Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental. § 3º. principalmente. Se resultar lesão corporal de natureza grave ou gravíssima. (Redação dada pela Lei nº 10. iniciará o cumpri mento da pena em regime fechado. A polêmica questão da derrogação ou não § 1º.se o crime é cometido por agente público. da Lei nº 8. Aquele que se omite em face dessas condutas. a questão que se fazia fundamental para entendermos o problema da Lei 8. j.455/1997 até a edição da Súmula nº 698 pelo Supremo Tribunal Federal. Art. Nossa Corte Suprema até o ano de 2004 consolidou clássica jurisprudência no sentido de que era constitucional a vedação do direito a progressão de regime fechado para semi-aberto.741/2003) .455/1997 referentes aos crimes de tortura.072/1990). 4º. Rel. 2º. j. não havia recebido muito apoio nos Tribunais pátrios. no Supremo Tribunal Federal. a reclusão é de oito a dezesseis anos.Estatuto da Criança e do Adolescente. nesse caso a progressão de regime era vedada. restando ao sentenciado o livramento condicional. do art. LIV. § 4º. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de medida legal.072/1990 pela Lei nº 9. Pena . § 6º. porém. com emprego de violência ou grave ameaça. O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional.455/199712 sempre esteve presente em nossas Comarcas e Tribunais. 20. 25.O mecanismo básico para a progressão do regime penal é conceder ao condenado o direito de cumprir à sua pena restante em um regime menos severo. A questão da extensão da progressividade de pena prevista na Lei 9. o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula nº 698 que assim dispõe: "Não se estende aos demais crimes hediondos a admissibilidade de progressão no regime de execução da pena aplicada ao crime de tortura". Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: I . salvo a hipótese do § 2º. com base no princípio da razoabilidade (art. gestante. prevista na lei dos crimes hediondos. depois da avaliação da comissão técnica da classificação.3. § 7º. § 1º. de dois a oito anos. portador de deficiência. q uando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las.1998).10.constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça. 233 da Lei nº 8. porque o texto constitucional do inciso XLII. O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.III .se o crime é cometido mediante seqüestro. 176º da Independência e 109º da República. sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. c) em razão de discriminação racial ou religiosa.reclusão. Brasília. proveitosos e ricos sob o aspecto das posições defendidas por nossos julgadores. se não tratar de reincidente específico ou de crime hediondo (Lei nº 8. Constitui crime de tortura: I . 5º. adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos. Os debates sempre foram louváveis. declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa. A condenação acarretará a perda do cargo. Revoga -se o art. se resulta morte. depois do cumprimento de dois terços de sua pena. a todos os crimes hediondos ou equiparados. seguiu-se a férrea posição do STF: crimes hediondos não permitem progressão de regime. poder ou autoridade. CRFB/1988) eram maleáveis ao texto legal para afastar o rigor da progressividade de pena. Diante das diversas discussões sobre o tema. Difusamente alguns poucos juízes do país. no mínimo. 1º. 3º. era necessário compreender um pouco dos posicionamentos do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.069. § 5º.371-SP. b) para provocar ação ou omissão d e natureza criminosa. Depois da inovação legislativa realizada pela Lei nº 8072/1990 surgiu na doutrina nacional acirrada discussão sobre sua constitucionalidade. desde que passou vigorar a Lei 9. No Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo predominou também esse último entendimento restritivo (Apelação Criminal 229. Art.455/1997 (Lei do Crime de Tortura) era a de saber. Na Corte Suprema brasileira a tese da aplicação analógica da lei citada a todos os crimes hediondos não foi aceita (HC 76.072/1990 (Lei do Crime Hediondo) em face da Lei 9. causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação. a intenso sofrimento físico ou mental. incorre na pena de detenção de um a quatro anos. II – se o crime é cometido contra criança. como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. 45 .0873-7. Silva Pinto. 2º.submeter alguém. De um modo geral até 2004.1997). o Supremo Tribunal Federal passou a admitir a progressão do regime fechado. § 2º. caso o condenado tenha bom comportamento carcerário (subjetivo). II .

Presidência do Senhor Ministro Maurício Corrêa.072/90”. o resultado foi de 6 (seis) votos: Marco Aurélio. que declarava a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 2º. dos votos dos Senhores Ministros Carlos Velloso e Joaquim Barbosa. pediu vista o Senhor Ministro Cezar Peluso. justificadamente.07. Marco Aurélio. justificadamente.12. e Carlos Britto. Min. 06. nas espécies fechado. duas grandes correntes surgiram: 1. da Lei nº 8. conforme decisão no Habeas Corpus 69. com a nova composição do STF.a imposição. nos termos do voto do relator. em evolução jurisprudencial. Assim. b) perda de bens. de 25 de julho de 1990. no uso da prerrogativa que lhe foi deferida pela norma constitucional. nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278. Presidência do Senhor Ministro Maurício Corrêa.REGIME DE CUMPRIMENTO . justificadamente. por maioria. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. do voto do Senhor Ministro Cezar Peluso.art. 18. sem progressão de regime. § 1º. o afastamento do óbice representado pela nor ma ora declarada inconstitucional. 46 . e do voto do Senhor Ministro Gilmar Mendes.12. Cezar Peluso. pois a determinação contida na lei de crimes hediondos no sentido do cumprimento da pena integralmente em regime fechado. Celso de Mello e Presidente (Ministro Nelson Jobim). PENA CRIMES HEDIONDOS . III.PROGRESSÃO . Relator. onde se discutiu com profundidade a questão.072. mas o legislador ordinário ampliou as medidas sancionadoras vedando também o indulto e a progressão de regime de cumprimento de pena. Conflita com a garantia da individualização da pena . qualquer discricionariedade ao juiz na fixação do regime prisional". que deferiam a ordem para cassar o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e assentar o direito do paciente à progressão no regime de cumprimento da pena. semi-aberto e aberto.02. Gilmar Mendes.RAZÃO DE SER. Senhor Ministro Cezar Peluso. em relação aos crimes dessa natureza. Presidência do Senhor Ministro Maurício Corrêa.04. do art.2004. 01.artigo 5º. do Código Penal. tem como razão maior a ressocialização do preso que. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Gilmar Mendes. DA LEI Nº 8. estabeleceu àqueles crimes a vedação da graça.A vedação da progressão de regime é constitucional.ARTIGO 2º. as seguintes: a) privação ou restrição de liberdade. de 15 de dezembro de 2003.ÓBICE . Porém. significa que não quis ele deixar. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Se o legislador ordinário dispôs. 28.072/90 . que indeferiam a ordem. O Tribunal. Plenário. pois esta decisão plenária envolve. pediu vista dos autos a Senhora Ministra Ellen Gracie.02.2003. atentaria contra o princípio da individualização da pena. Plenário. pediu vista dos autos o Senhor Ministro Gilmar Mendes.INCONSTITUCIONALIDADE EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. e Carlos Britto. dos demais requisitos perti nentes ao reconhecimento da possibilidade de progressão. c) multa. Carlos Britto.2005.95913. Ellen Gracie. 5º.2003. "incidenter tantum". Rel. que nos crimes hediondos o cumprimento da pena será no regime fechado. o Senhor Ministro Celso d e Mello e. Decisão: Renovado o pedido de vista da Senhora Ministra Ellen Gracie. Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Março Aurélio. Plená rio. do cumprimento da pena em regime integralmente fechado. dos votos dos Senhores Ministros Carlos Velloso e Joaquim Barbosa. No HC 82. Relator. a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 2º da Lei nº 8. inciso XLVI. Inicialmente foi este o posicionamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal. e dos votos dos Senhores Ministros Carlos Velloso e Joaquim Barbosa. porque a determinação contida na lei de crimes hediondos no sentido de que os autores de determinados crimes cumpram a condenação em regime fechado não atentam contra o princípio da individualização da pena uma vez que a individualização da pena. caso a caso.603-1: “À lei ordinária compete fixar os parâmetros dentro dos quais o julgador poderá efetivar ou a concreção ou a individualização da pena. nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278. Presidência do Senhor Ministro Maurício Corrêa. o julgamento foi adiado.PROGRESSÃO . Eros Grau 13 EMENTA: “PENA . conforme previsão constante no inciso XLVI. indeferindo-a. Votou o Presidente.08. “a lei regulará a individualização da pena e adotará. Decisão: O Tribunal. Ausentes. anistia e liberdade provisória com fiança. Nova inteligência do princípio da individualização da pena. Plenário. 23. deferiu o pedido de habeas corpus e declarou. mais dia ou menos dia. que deferiam a ordem para cassar o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e assentavam o direito do paciente à progressão do regime de cumprimento da pena. pelo magistrado competente. explicitou que a declaração incidental de inconstitucionalidade do preceito legal em questão não gerará conseqüências jurídicas com relação às penas já extintas nesta data.2004. Plenário. § 1º. que deferiam a ordem para cassar o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e assentar o direito do paciente à progressão no regime de cumprimento da pena. que a indeferiam. com eficácia ex nunc.REGIME DE CUMPRIMENTO . que acompanhava o Relator e cancelava ex officio o aumento da pena do artigo 226. d) prestação social alternativa. Decisão: Após os votos dos Senh ores Ministros Março Aurélio (Relator) e Carlos Britto. A progressão no regime de cumprimento da pena.2006”. mediante norma. de 15 de dezembro de 2003. sem prejuízo da apreciação. esse quadro foi se alterando rapidamente e no ano de 2005 aquele entendimento já não predominava. D ecisão: Após os votos dos Senhores Ministros Março Aurélio. III. assentada a inconstitucionalidade do artigo 2º. entre outras. vencidos os Senhores Ministros Carlos Velloso. por votação unânime.A vedação da progressão de regime é inconstitucional. 02. 5º. DECISÃO: “Apresentado o feito em mesa pelo Relator. Joaquim Barbosa. os Senhores Ministros Nelson Jobim e Joaquim Barbosa. 24. da Constituição Federal . e) suspensão ou interdição de direitos”. Plenário. do Código Penal. neste julgamento. Plenário.2003. 2. é matéria para ser disciplinada por lei ordinária. unicamente. a qual deve atender as peculiaridades do condenado e propiciar a sua ressocialização. que acompanhava o Relator e cancelava ex officio o aumento da pena do artigo 226. voltará ao convívio social.

o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do artigo 2º da Lei nº 8. O Plenário ressaltou ainda que a declaração de inconstitucionalidade não gere conseqüências jurídicas com relação às penas já extintas.270. podendo determinar. a Lei nº 11. Dentre outros.072/1990 abriu a possibilidade de progressão da pena para condenados por crime hediondo ou equiparado. Mesmo antes do julgamento final do HC 82. embora seja um valioso precedente. O Ministro Eros Grau. Em sua análise.072.464/2007. como a decisão se deu no controle difuso de constitucionalidade. estabelecendo que o legislador não possa impor regra fixa que impeça o julgador de individualizar caso a caso a pena do condenado. podem ser mencionados os seguintes: HC 85. a realização de exame criminológico”. X. O artigo 2º da citada lei foi considerado inconstitucional pelo Plenário do STF. da Lei nº 8. prevê em seu parágrafo primeiro.e Sepúlveda Pertence contra 5 (cinco) votos: Carlos Velloso. o qual está próximo do apenado e tem como verificar adequadamente as condições pessoais objetivas e subjetivas de cada caso concreto. e. o cumprimento integralmente em regime fechado da pena por crime hediondo ou a ele equiparado. depois de longa discussão sobre o tema. 52. o Ministro Marco Aurélio afirmou que a vedação de progressão de regime viola o princípio constitucional da isonomia e da individualização da pena. de 25 de julho de 1990. ressaltou que a proibição da progressão de regime afronta o princípio da individualização da pena. A lei dos crimes hediondos continua em vigor e a análise de cada caso de progressão caberá ao juiz. Nelson Jobin. HC 85. em decisão apertada. de modo fundamentado. CRFB/1988). porém somente depois do cumprimento de dois quintos da pena. HC 86. “O cumprimento da pena em regime integral.131. Ellen Gracie. para que tenha efeitos erga omnes terá que ser comunicada ao Senado para que o parlamento decida sobre a suspensão da eficácia do dispositivo declarado inconstitucional (art. Por fim. a decisão do Supremo Tribunal Federal não possuirá efeitos erga omnes (para todas as pessoas).959 o STF já vinha concedendo liminares para afastar o óbice legal proibitivo da progressão de regime nos crimes hediondos. A decisão datada de 23/2/2006 como se vê foi o coroamento dessa tendência do Supremo Tribunal Federal. A decisão do Pleno do STF foi proferida no dia 23 de fevereiro de 2006. resolveu questão de ordem no sentido de que pode cada Ministro decidir individualmente (decisão monocrática) os habeas corpus com pedido de progressão de regime.122. Posteriormente. condenado a 12 anos e 3 meses de reclusão por molestar 3 crianças entre 6 e 8 anos de idade (atentado violento ao pudor) cujo Relator Ministro Marco Aurélio de Mello. “ De nada vale individualizar a pena no momento da aplicação. Habeas Corpus 82959 impetrado por Oséas de Campos. Penso que a decisão do STF não significa que abriu as portas das cadeias. Assim. acompanhando o voto do Relator. Joaquim Barbosa e Celso de Mello pela inconstitucionalidade do § 1º. O assunto foi analisado. do art.374. em razão da natureza do crime. haja vista ser proveniente de decisão do Pleno. A Súmula Vinculante nº 26 do STF dispõe: “Para efeito de progressão do regime no cumprimento de pena por crime hediondo ou equiparado.072/1990. por ser cruel e desumano importa violação a esses preceitos constitucionais” No mesmo sentido votou o Ministro Sepúlveda Pertence. Ministro Marco Aurélio. dando nova redação ao parágrafo 2º. ou não.224 de 7/3/2006. do artigo 2º. 2º. sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche. HC 84. os requisitos objetivos e subjetivos do benefício. o Supremo Tribunal Federal modificou o seu entendimento inicial. Foi esse 47 . cuja 1ª Turma no HC 86. se a execução. reconhecendo que esse movimento de exacerbação de penas como solução ou como arma bastante ao combate à criminalidade só tem servido a finalidades retóricas e simbólicas”. julgou inconstitucional a regra que proíbe a progressão de regime para condenado por crimes hediondos. da Lei 8. para tal fim.

permitindo que o condenado possa avançar do regime fechado para o semi-aberto e do regime semi-aberto para o aberto. "editada sob o clima de emoção. é preciso reconhecer que o direito à progressão tem contribuído para evitar um número ainda maior de rebeliões. § 2º. respaldado pela Lei nº 7. mas para atuar como um partícipe do contrato social. Como salienta João José Leal indiscutivelmente o sistema de execução da pena privativa de liberdade em forma progressiva tem evitado que os horrores do penitenciarismo se tornem maiores. fugas e suas tentativas.retribuição do mal causado através da aplicação de uma pena. não para que este torne a delinqüir. é passo demasiadamente largo. 2. 33. mas no interesse da preservação do ambiente social da sociedade. Por meio dos princípios norteadores da justiça penal observa-se na atualidade que o confinamento carcerário tem como objetivo a reabilitação e a ressocialização do delinqüente. "O direito à progressão constitui.210/1984 . A progressividade no sistema penitenciário brasileiro tem seu fundamento legal no Código Penal. porém o sistema prisional no presente momento histórico esta falido. com isto. Tal meta é buscada em três pontos: 1. Nesse sentido. Nessa perspectiva o diploma normativo impede a evolução no cumprimento da pena e prevê. benefício maior que é o livramento condicional. mais cedo ou mais tarde receberá de volta o apenado que não observou a norma penal. que ao qual dia. um forte estímulo para que o condenado se adapte e se comporte de acordo com a disciplina prisional. o Ministro Marco Aurélio entende que a principal razão de ser da progressividade no cumprimento de pena não está na minimização desta ou no benefício indevido. Como se nota o sistema prisional se compõe de unidades de todos os tipos de cumpridores de pena. cruéis e horrendos. retributiva e ressocializadora. de isolamento e de confinamento (a pena restritiva de liberdade) que tem como finalidade.Lei de Execuções Penais. diante de suas inoperância em recuperar o delinqüente confinado. Nesse contexto. o esgotamento dos anos de ergástulo terá que recebê-lo de volta. de maldades e perversidades.o argumento utilizado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para negar o pedido de liminar. na maior fábrica de reincidência do crime. mas uma legislação. o mais provável. deu margem à movimentação do aparelho punitivo do Estado. segundo o Ministro Marco Aurélio. em um processo de violação da cidadania. implicando restringir garantia constitucional em detrimento de todo um sistema. pressupondo-se por essa razão. acentuou o Ministro Marco Aurélio: "Assentar-se que a definição do regime e modificações posteriores não estão compreendidas na individualização da pena. não uma coerente política criminal. que marcam o cotidiano do sistema penitenciário brasileiro". tendo praticado uma conduta criminosa.regeneração do apenado que será transformado e reintegrado à sociedade como cidadão produtivo. Assim. transformar-se. de psicoses e atos de violência os mais insensatos. em flagrante descompasso. sem dúvida. como se no aumento da pena e no rigor do regime estivessem os únicos meios de afastar-se o elevado índice de criminalidade". transcorrido quantitativo superior a 2/3 (dois terços) da pena. e o 48 . a permanência do condenado em regime fechado durante todo o cumprimento da pena não interessa a quem quer que seja. muito menos à sociedade que um dia mediante o livramento condicional. 3. observados os valores mais elevados que o respaldam. motins.prevenção de novos delitos pela intimidação que a pena causará aos potencialmente criminosos. art. Entretanto.

que o sistema penal impõe. a fiança. 119. A prisão não cumpre a sua função ressocializadora. como se depreende: "Há de se considerar que a própria Constituição Federal contempla restrições a serem impostas àqueles que se mostrem incursos em dispositivos da Lei nº 8. da Lei de Execuções Penais. 35): “Os objetivos que orientam a sistema capitalista (especialmente a acumulação de riquezas). a transgressão a princípios tão caros em Estado Democrático. 42. tornam muito pouco provável sua reabilitação novamente na sociedade”. o da dignidade da pessoa humana e o da atuação do Estado sempre voltado para o bem comum".que é pior. A pena privativa de liberdade não ressocializa o recluso. O inciso XLIII do rol das garantias constitucionais – art. p. O sistema penitenciário almeja com a pena privativa de liberdade proteger a sociedade e preparar o condenado para a reinserção social. Continuando com esse grande doutrinador Para BITENCOURT (2001. A regulamentação de tal medida encontra-se no inciso XLVI. 5º afasta. notadamente a promulgação da Constituição de 1988. Por isso é possível o entendimento da complexidade da Lei de Execuções Penais que há previsão de que o desenvolvimento dos meios e métodos para a execução da pena estar respaldada na defesa social e na ressocialização do condenado. tão somente. Os centros de execução penal. no que toca a normatização das restrições constitucionais. da Parte Geral do Código Penal e art. assumindo nova postura no plano jurisdicional e administrativa.. p. podendo afirmar que sua lógica é incompatível com o objetivo ressocializador”. como são os da igualdade de todos perante a lei. p. no art. as penitenciarias.). Se a execução penal está em crise é aspecto que se deve considerar a partir de um exame na política geral de governo e na necessidade da sociedade minimizar ou reduzir a criminalidade e violência. Neste sentido é a afirmativa de MIRABETE (2000. Serve como instrumento para a manutenção da estrutura social de denominação”. tendem a converter-se num microcosmo no qual se reproduzem a se agravam as greves contradições que existem no sistema social exterior (. 22) que afirma: 49 . porém a realidade é outra.072/90 e dentre elas não é dado encontrar a relativa à progressividade do regime de cumprimento de pena. assegurar de forma abrangente. 88): “A marginalização social é gerada por um processo discriminatório. 24): “A ressocialização não pode ser conseguida numa instituição como a prisão. impedindo sua plena reincorporação ao meio social. da Constituição Federal.. exigiam a manutenção de um setor marginalizado da sociedade. a individualização da pena". Todo ordenamento jurídico brasileiro. 33 e art. 5°. exclui o preso da sociedade com o propósito de ressocializá-lo. A cultura das punições estará viva na história pelo menos por vários séculos. pois existe uma relação de exclusão entre a prisão e a sociedade. 105 ao art. O processo de marginalização se agrava ainda mais no momento de execução da pena. do art. sem excepcionar esta ou aquela prática delituosa. pois o etiquetamento e a estigmitização que a pessoa sofre ao ser condenada. p. em inciso posterior (XLVI). Para BITENCOURT (2001. Como afirma MIRABETE (2000. ficando impossível a reabilitação da pessoa durante a pena privativa de liberdade. De acordo com a própria ciência criminológica não acredita em prisão como recuperação de regras para a boa convivência. Cumpre ressaltar que o Ministro Marco Aurélio também identificou a ação inconstitucional do legislador. a graça e a anistia para.

nas fugas. remunerado. Tendo como argumento que respalda nessa concepção a prisão criada como instrumento de controle e manutenção. Marilia Muricy. O homem ao ser condenado deve ser respeitado 50 . Para a criminologia critica. dada ao Jornal ‘A Tarde’ (17/2/2007). Sempre se diz isso. É preciso dá trabalho para eles. Tudo isso por uma questão fundamental: a necessidade de individualizar a pena. levando para um ambiente em que ele perde a conexão com a família e o meio social. E nunca se faz”. Na entrevista da Secretária da Justiça. esse tipo de ação ou é inexistente ou. Não se trata apenas de praticar um gesto humanitário. Deverá também ser responsável pela fiscalização da Constituição e da Lei para sempre cobrar de seus agentes as reais condições de tratamento asseguradas e garantias aos condenados para que o seu retorno não cause dano à sociedade. referindo-se a Dostoiewsky (1967). portanto deve se envolver na busca de soluções dos conflitos sociais. defende que o regime de prisão oferece resultados falsos. em Salvador. cuja verdadeira função e natureza está condicionada a sua origem histórica de instrumento assegurador da desigualdade social e da marginalização. esgotando a capacidade humana. porque ele vai criar vínculos afetivos com a população carcerária e continua. que pode a qualquer instante. Em consonância com a criminologia clínica que se coloca que não haverá possibilidade de ressocializar a pessoa em conflito com a lei dentro de uma sociedade capitalista. o que por si só. desde a pratica de atividade física até o acesso ao trabalho profissionalizante. onde em sua obra. obviamente. Portanto. É imprescindível participação da sociedade desde que essa seja a principal vitima da criminalidade. Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia. cabendo-lhe sugerir e decidir sobre o melhor tratamento destinado aos presos. Porém para as soluções desses problemas a Secretária propõe uma parceria com a sociedade.“O Sistema Penal permite a manutenção da estrutura vertical da sociedade impedindo a integração das classes baixas. da sustentação ociosa dos criminosos. Para que isso se efetive. quando ocorre dificilmente está programada para preparar a saída do preso. Esperar somente o poder público é cômodo demais – ou a sociedade participa na recuperação das prisões ou então passará lamentando o resto da vida de que os presos têm um tratamento melhor do que merecem. já seria um treinamento importante. É preciso criar a consciência social de que o respeito à dignidade do preso e a preparação para o retorno à sociedade é de interesse de todos. a prisão manterá sua função repressiva e estigmatizadora. independente do nível de periculosidade ou não do criminoso. A sociedade tem que se conscientizar de que o crime faz parte dela. usando ainda a expressão de Graciliano Ramos: “não é bom para ninguém”. FERREIRA (2004. digno. Mas do ponto de vista pragmático. Recordação da Casa dos Mortos. sem a transformação da sociedade capitalista não pode vislumbrar algum tipo de reabilitação da pessoa que cometeu um delito punido pelo Código Penal. ‘cabeça vazia é oficina do demônio’. através de dialogo. qualquer mudança que se faça no âmbito das cadeias públicas e presídios não surtirá grande efeito. aparentes. Mostra como se utiliza da figura do detento remido para servir como modelo de que o sistema é eficiente. porque a questão ética e moral não pode ser esquecida. No Brasil. submetendo-as a um processo de marginalização”. p. resgates ou rebeliões voltarem à cena e fazer vítima em circunstâncias cada vez mais animalescas”. a sociedade está trabalhando contra si mesma quando lança o preso no presídio e o abandona. conscientizando-a que segregar o preso e o lançar. que garanta inclusive sua saída direta para o mercado de trabalho. à Casa dos Mortos. é preciso. visto que mantendo a mesma estrutura do sistema. disse: “É inconveniente separar o preso. que se tenha uma política carcerária que garanta a dignidade do preso em todos os sentidos. 34): “É preciso acabar com as masmorras medievais que se tornam nossos presídios.

ou seja. Nesta linha de respeito pela pessoa do preso. sua legitimidade (a do ideal ressocializador) é questionada desde as mais diversas orientações cientificas. determinados setores da psicologia e da psicanálise. Suas funções têm se pautado em objetivos antagônicos. porque quando sair da prisão não irá para outro planeta. Cidadania e Direitos Humanos do Estado da Bahia. Apesar do quadro caótico existente no sistema prisional brasileiro. deixando a desejar no que se refere a prática aplicada nas instituições carcerárias. viola os direitos dos apenados e os princípios de dignidade humana. com o programa denominado “Menos Presos. Para muitos estudiosos sobre as questões prisionais. Em programa desta natureza deve-se possibilita aos presos ter acesso a atividades de educacionais. que professa um retribucionismo incompatível com aquela. lançado também em Salvador pelo ex-Ministro da Justiça. Nestes cárceres acontecem abusos repressivos e violentos aos direitos dos presos. minguado. diferenciado essencialmente do exame criminológico. já vinha se desenvolvendo ações através do programa “Liberdade e Cidadania”. neomarxistas e interacionistas”. como criminoso. preparando-o para o convívio social. além do programa mencionado. somente discurso ou simplesmente uma declaração ideológica. 51 . mais Cidadãos” com a finalidade de humanização do sistema prisional e a sua ressocialização que engloba uma série de ações e realizações visando garantir a dignidade da pessoa do preso e ajudá-lo a ter uma nova oportunidade para reiserir-se à sociedade. psicológico e social ainda é difícil. Deveria haver políticas públicas mais efetivas para essa questão: assistência à família do apenado. Este programa era ancorado em 4 (quatro) vertentes: educação. a Lei de Execuções Penais prevê a realização de exame de personalidade. Constituição Federal do Brasil. “para além das grades”. O exame de personalidade busca compreender o preso. p. insuficiente. respeitar o preso como pessoa. em que o acompanhamento jurídico. cumprir sua pena. mas algo absurdo. 383): “A idéia de ressocialização como a de um tratamento. A ressocialização está distante do objetivo da pena de prisão. incerto. obstruído. A Lei de Execuções Penais foi influenciada por esses estudos pela preocupação por buscar a individualização da execução da pena. citando ZAFFARONI diz que a prática penitenciária provoca vexames. criminoso. escasso. profissionalizantes e trabalhistas. certas correntes funcionalistas. talvez com maior poder ofensivo. As questões citadas pela titular da Secretária da Justiça. como cidadão e não simplesmente. porém a família deverá estar preparada para recebê-lo. precário para qualquer forma efetiva de ressocialização. posto que para ressocializar o preso é necessário mantê-lo em contato constante com a sua família. é radicalmente alheios aos postulados e dogmas do direito penal clássico. devem estender as ações que foram implantadas e implementadas no Estado da Bahia (Salvador) que norteiam a Política Pública de Justiça e Cidadania. progressistas ou pseudoprogressistas. Declaração Universal dos Direitos Humanos). É de fato. já que investiga a relação crime. em uma abordagem bem mais abrangente e profunda. No Estado da Bahia. perdeu-se a bússola da ressocialização de que não é mais possível considerá-la utopia. Regras de Tóquio. Miguel Reale Júnior em 2002. retornará para a mesma sociedade que estava. visando uma investigação de todo um histórico da vida. MOLINA (1998. enquanto pessoa. O descrédito em relação à ressocialização dá-se por que esta aparece nas normalizações (Lei de Execuções Penais.com dignidade. aquilo que jamais poderá ser feito porque está em oposição à lógica. são pertinentes. quando este. algo irrealizável. concluem que o tratamento penitenciário constitui uma utopia. punir para se exemplar. um engano. obstacularizado. diverge com seus próprios objetivos de ressocialização. Para alguns doutrinadores chegam a afirmar que o ideal ressocializador é uma mera utopia. tais como a criminologia critica.

Assim deve ser a ação do Estado em relação aos seus ergastulados para que tenham oportunidade de se capacitarem durante o período em que estiverem recolhidos para cumprimento da pena que lhes foram impostas. também possui sentido de ocupação suave e prazerosa. associar. aguardando uma transferência para outra cadeia ou presídio mais próxima de seus familiares ou uma progressão de regime carcerário ou uma liberdade que pode demorar a vir ou nunca acontecer. ao relento. assim reincidindo na prática criminosa quando estivessem em liberdade. conforme o estabelecimento na lei de execução compreende a assistência e ajuda na obtenção dos meios capazes de permitir o retorno do apenado e do internado ao meio social em condições favoráveis para a sua integração”. MIRABETE (2002. Hoje os presos provisórios ou condenados (reclusos ou detentos) das cadeias públicas e penitenciárias brasileiras. também para que não pudessem planejar as rebeliões. depredar. coligar-se a elementos de alta periculosidade. Eclode freqüentemente nas cadeias públicas e penitenciárias brasileiras. sempre ocorrem mortes de outros recolhidos ou de pessoas que trabalham nas administrações das cadeias e penitenciárias. sem nenhuma atividade e na mais completa ociosidade. mesmo que fosse para passar o tempo. p. se pela retirada abrupta de policiais militares ou civis que dão apoio e concedem privilégios para alguns presos. especialmente aos ergastulados que estão no regime fechado. planejar e tramar novos crimes ou alimentar seus sentimentos de raiva e de vingança para com a sociedade ou ainda aliar. praticamente. se por causa da movimentação de presos misturando facções rivais. 52 . Neste sentido o ex-ministro francês ANDRÉ MALRAUX (2009) dizia: “A esperança dos homens é a sua razão de viver e de morrer”. descanso e tranqüilidade. social e trabalho com o exclusivo objetivo de assegurar aos presos (assistidos condenados) as condições de reintegração social. Estas revoluções carcerárias têm deixado as cadeias e presídios sem condições de receberam presos. o qual faz parte do cotidiano do custodiado nas cadeias e penitenciárias poderia ser utilizado de alguma maneira para oferecer ao condenado condições para retorná-lo à sociedade. A educação e o trabalho retiram os condenados desta ociosidade. se pela falta de condições de trabalho impedindo a reabilitação. mas ainda divididos em pequenos cômodos (celas). Nesta ótica é a importância de educar os presos e de garantir e proporcionar uma atividade de trabalho aos custodiados para que saibam que ao reingressarem na sociedade possam também retornar ao mercado de trabalho de acordo com as suas funções e qualificações. Este tempo ocioso. destruir e incendiar. Muitas perguntas ficam no ar sem qualquer resposta. A palavra ócio significa horas vagas. já que às celas dos estabelecimentos são completamente destruídas e parte de suas instalações danificadas ou incendiadas. principalmente no que concerne aos motivos pelos quais acontecem essas rebeliões: Se por culpa da super população (lotação). posto que o Estado não lhes proporcione nenhuma espécie de atividade ou trabalho. do trabalho para que se possa evitar que os enclausurados utilizem deste “tempo” para arquitetar. Outra questão de grande relevância é a ociosidade dos presos. rebeliões envolvendo os presos reclusos e detentos que estão ergastulados. 26) explica sobre o alcance da ressocialização e a sua possibilidade à reinserção do apenado: “O sentido imanente da reinserção social. e. reeducação e reinserção social ou se por vandalismo de seus ocupantes que só querem danificar. O objeto da execução penal está voltado ao estudo do desenvolvimento e dos métodos capazes de tornar a execução da pena uma forma de defesa social e ressocialização do condenado. através da educação. das regras de convivência harmoniosa dentro dos presídios. o qual é intensamente prejudicial a todo o sistema carcerário e a sociedade. estão.saúde. revoluções e revoltas com objetivos de empreender fugas dos presídios.

porque a única coisa que o homem. constatarão que violam os direitos humanos. é o estopim que provoca as constantes rebeliões. mas todos.210/1984 (art. Os direitos e garantias constitucionais e os direitos legais previstos na Lei de Execuções Penais. não proporcionam ao preso ou ao condenado a sua recuperação. As condições de todas as cadeias públicas e presídios do sistema penitenciário brasileiro se forem observados. Essa mentalidade retrograda (pensamento das civilizações antigas) de que quanto pior for o castigo (a punição) melhor serão os resultados na recuperação. o qual delegada deveres. Outra questão crucial é sabe quais as pretensões dos presos com suas revoltas ou revoluções carcerárias. ler e pensar. Entendo que essa filosofia pode até nos parecer estranha ou extravagante com a analogia no que se refere à vida que se tem dentro das cadeias e presídios. assim sentiriam. o Ministério Público. praticados por aqueles que têm a incumbência de custodiá-los ou mesmo por outros presos. por intermédio das atividades culturais e lúdicas (jogos e divertimentos) para que se leve ao ócio inteligente. praticamente. Além da violação do direito humano e social. Percebe-se que estas atividades de educar para compreender e pensar também se encontram inseridas na Lei de Execuções Penais . essa circunstância. com absoluta certeza. os agentes do governo reagem com descaso. em todos os estabelecimentos prisionais. este com a função primordial de julgar as arbitrariedades. As prisões do mundo e principalmente do Brasil. garantidos e respeitados. excessos e ilegalidades praticadas em relação aos direitos humanos. Os direitos humanos devem ser respeitados em qualquer circunstância e é hipócrita quem entende que acreditar. falar que os presos são bandidos e devem sofrer no cumprimento de suas penas. como dever social e condição de dignidade humana. sem exceção.Segundo DOMENICO DE MASI. o Judiciário. o qual será levado em consideração às condições e habilidades pessoais de cada preso ou condenado para produzir de acordo com sua capacidade física ou psicológica.Lei Federal nº 7. a qualquer custo pelo Estado. no qual se pode transformar esta ocasião em um momento de crescimento cultural e intelectual. é a sua liberdade. mas jamais deverá perder à sua dignidade como ser humano e. úteis para si mesmo. Não estão satisfeitos com a situação prisional ou gostam e sentem prazer com seus sofrimentos na prisão? Tenho plena convicção e certeza de que não. seus direitos fundamentais têm que ser resguardados e respeitados. não são assegurados. mas se realmente fosse adotada a filosofia de ensinar uma atividade. direitos. reintegração e ressocialização do preso ou do condenado. de onde poderiam até surgir idéias edificantes e salutares a serem estabelecidas e implantadas dentro da realidade carcerária do Brasil com as peculiaridades de cada Estado-Membro. reintegração e ressocialização. isto é. terá finalidade educativa e produtiva”. quem sabe. até mesmo profissional. 53 . descontrole e excessiva violência. ofício ou trabalho aos enclausurados de maneira satisfatória que pudessem sentir prazer em estudar. tensos. de péssimas condições estruturais físicas e humanas onde a superlotação é comum. neste caso: a Polícia. flagrantemente violam os direitos humanos: dignidade da pessoa humana. reeducação. reeducação. há também violência contra os condenados ou presos. a Advocacia Pública e Privada. empenhar e lutar por esses direitos equivale a defender os bandidos e criminosos. obrigações e poderes às pessoas que exercem munus públicos. direitos e obrigações. em sua obra: O ócio criativo aborda a essencialidade de educar por meio do tempo livre. além do que fazem questão de publicamente. especificamente o direito de preservar à dignidade da pessoa. Acredito que em muitos casos. bandidos ou criminosos ou cidadãos honestos têm deveres. direta ou indiretamente induzidos por quem detém a custódia. perde quando é preso ou condenado. para sua família e para a sociedade. 28): “O trabalho do condenado. As cadeias públicas e os presídios são ambientes herméticos.

Segundo divulgou a mídia jornalística e televisa. dos quais. tratam os presos de maneira cruel. sacrificados.000 (dezoito mil) nas cadeias públicas e casas de custódia. certeza que há um déficit de vagas de cerca de 200. especialmente onde os direitos humanos são completamente desrespeitados pelo Estado que tem a obrigação de fazer respeitar e cumprir os direitos básicos e fundamentais inerentes ao ser humano. Este emaranhado de problemas gera rebeliões e revoltas. No desempenho de suas atribuições e tarefas. 5 (cinco) presos por cada Agente Carcerário.000 (quatrocentos e oitenta mil) presos. estes servidores devem proteger. violados e mal alimentados. A Constituição Federal e as leis brasileiras contem disposições avançadas com relação aos direitos e aos tratamentos que devem ser proporcionados aos custodiados. desumana e prepotente. em que pese algumas autoridades 54 . podendo considerá-las justas e legítimas. o que se traduz em torturas emocionais e morais. muitas vezes. reeducação. por exemplo. em alguns locais. existindo segundo o último censo penitenciário brasileiro. por algum tipo de crime. Os custodiados são amontoados. a promiscuidade e a superlotação na maioria dos estabelecimentos penitenciários e nas cadeias públicas são de dimensões que o espaço físico destinado a cada preso.000 (quinze mil) presos cumprindo penas nas penitenciárias e outros 18. é menor do que 60 (sessenta) cm2. no mínimo. Isto se deve basicamente à falta de treinamento especializado desses servidores no que diz respeito aos direitos fundamentais e humanos e ao tratamento do preso. cada Agente Penitenciário estava responsável por mais de 100 (cem) presos. 11 (onze) presos para cada servidor. isso é freqüente. no mínimo. além da escassez e má remuneração dos funcionários. 40% (quarenta por cento) já foram condenados. Estatisticamente. O sistema penitenciário brasileiro padece de falta crônica de Agentes Carcerários. A falta de espaço físico. o amontoamento. respeitar a dignidade humana. desmotivada. o que demonstra que as cadeias e penitenciárias não estão desempenhando a função de reabilitação. criminalmente. Por outro aspecto. bem como no tocante ao cumprimento da pena. quando ocorreu (de 14 para 15 de janeiro de 2010) a rebelião na Penitenciária Central do Estado (Estado do Paraná). com isso surgem às doenças comuns. reeducação e ressocialização dos ergastulados. recomenda. o que tem gerando impunidade.ONU é de que seja. O Agente Penitenciário (Agente Carcerário) é uma categoria especial de servidor público tendo em vista que este agente público é o elemento principal na recuperação. no Estado do Paraná existem atualmente quase 15. quando a recomendação da Organização das Nações Unidas . porque é comum servirem comidas azedas e estragadas. Para uma população carcerária de cerca 480. constata-se que 95% (noventa e cinco por cento) dos presos são indigentes e 97% (noventa e sete por cento) são analfabetos. 3 (três) presos por servidor penitenciário e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. desmedida. reintegração e na ressocialização do apenado. bem como defender e manter os direitos humanos de todas as pessoas. semi-analfabetos ou analfabetos funcionais. Os Agentes Penitenciários. bem como em corrupção.O ambiente de uma unidade prisional é muito mais propício para o desenvolvimento de valores nocivos à sociedade do que ao desenvolvimento de valores e condutas benéficas. sobretudo. aviltados. diante da flagrante violação dos direitos fundamentais e humanos. Outro fator que contribui é a falta de supervisão e controle adequado.000 (duzentas mil). depositados. 85% (oitenta e cinco por cento) da população carcerária brasileira são reincidentes.

mas sabemos que realmente esta é realidade carcerária brasileira. As autoridades governamentais têm feito muitas promessas de melhoria para reciclagem e treinamento dos Agentes Carcerários e para recrutamento. o número de vitimas fatal foi bem menor. mas como expressei apenas promessas e. tudo acaba no papel. marginalizando-os ou deixando-os entregues à própria sorte. deve ser o instrumento idôneo para o qual se deve treinar pessoal e desenvolver técnica especializada e apropriada para o caso concreto.contestarem estas informações. conseguiam manter a disciplina e a ordem na PCE que somente foi controlada por cerca de 60 (sessenta) policiais militares. A utilização de armas de fogo também deve ser considerada de medida extrema. por muitas vezes. ou seja. criação de uma Polícia Penal ou de uma Secretaria de Assuntos Penitenciários. ocorreram mortes de Agentes Penitenciários e detentos. Seus familiares também tiveram o mesmo destino (sina) e a sua será provavelmente pior. Não se sabe como que este escasso número de Agentes Penitenciários. em caso de rebelião ou motim de presos. A utilização de força por parte dos Agentes Penitenciários só deve ser aplicada em casos excepcionais. Sempre que as autoridades penitenciárias decidiram não negociar com os rebelados e esmagar as Rebeliões com violência. além de ser uma pessoa com baixo ou sem nível de escolaridade. tudo fica no papel. devendo-se fazer todo o possível para se evitar a sua utilização. à discriminação social. por dia. na maioria das ocasiões têm conseqüências funestas e trágicas. Como regra geral. observando-se estrita obediência à legalidade da medida e aos critérios de que seja proporcional ao perigo e razoavelmente necessária. a falta de assistência jurídica. a principal causa alegada é a demora na tramitação judicial dos pedidos dos apenados e concomitantemente os maus tratos. As rebeliões e revoltas no interior das cadeias e presídios. médica e religiosa. pois a crise social a cada dia é mais grave e de elevada magnitude. não se deve usar armas de fogo a não ser no caso em que seja o único meio a ser usado. A prevenção geral e especial que é o objetivo das penas privativas de liberdade é o de separar os indivíduos perigosos (indivíduo de alta periculosidade) da sociedade para protegê-la contra o crime e a readaptação social dos condenados. em meio ao esgoto. porque logo vêm as desculpas tangentes de que o governo não tem dinheiro em caixa para realizar as ações. das classes menos favorecidas da sociedade. ao passo que quando houve negociação. em média. A maioria dos condenados são pessoas que desde a tenra infância foram oprimidos e pressionados pela sociedade civil. promessas que são feitas em nosso país por governo ou agente do governo não são cumpridas. Questiona: Quando será que este desejo se tornará uma realidade? Nos estabelecimentos prisionais do Brasil ocorrem. na maioria das vezes. fora a alegação da superpopulação carcerária. praticados por alguns Agentes Penitenciários. só se o preso oferecer resistência armada e bem armada ou que ponha em perigo a vida de outras pessoas e não seja possível detê-lo ou dominá-lo com aplicação de medidas menos extremas ou que seja viável a utilização de armas não letais. vivem nas favelas. melhoria das condições de trabalho. sempre tendo como causa. nas regiões mais pobres em precárias condições de vida. à completa ausência de informações de formação educacional e escolar. 55 . inclusive de Agentes Carcerários ou Auxiliares. Empreender ações para que as coisas aconteçam não fazem. não é exagero dizer: tudo coloca no papel. A negociação. somente no último caso. como no recente caso do Paraná. O preso condenado no Brasil é originário. de acordo com as circunstâncias para a prevenção do delito e que seja também proporcional à ameaça e ao risco (perigo de vida). também tem custando a vida de muitos presos. 2 (duas) revoluções (rebeliões) e 3 (três) fugas. o qual ainda age em muitos casos pela ignorância provindo da estupidez e grosseria. nos morros. e.

entretanto remanesce para aflorar em um novo momento quando livre (em liberdade) fosse lançado a reinserir-se na sociedade. para os quais os remetemos sob o pretexto de combater e controlar a criminalidade ou a violência ou ainda com o argumento de reprimir a criminalidade. há injustiças. quando profere uma decisão. fundamentais e humanos por se encontrar inteiramente dependente ou submetido às ações ou vontades das autoridades carcerárias e seus familiares não reclamam seus direitos por temer represália e vingança contra o parente recolhido. como se este nunca mais fosse retornar à sociedade em que vivia. tal qual um animal irracional enjaulado fosse nos livrar do seu potencial agressivo e violento. reintegração e ressocialização. entretanto invocamos estes mesmos direitos fundamentais e humanos para levantar a voz contra a violência que sofremos. menos a sua esperança de ser livre ou de buscar a sua felicidade. a defesa dos direitos dos infratores da lei penal soa como uma afronta grave (ultraje) dos direitos das pessoas honestas. reinserção. porque a defesa dos Direitos Humanos se transformou em sinônimo de defesa do crime. O Judiciário é uno e monopoliza a função jurisdicional do Estado brasileiro (julgar a lide) e nesta função de prestação jurisdicional lhe é permitido limitar e restringir a liberdade do preso por período determinado. Manter os presos abandonados.O regime penitenciário deve empregar os meios curativos. No Brasil se vive um antagonismo. mantendo-se silencioso sobre os direitos humanos. resistência e revolta. como se condená-lo a uma subvida. através de um Juiz. cruéis e desumanas constitui violação à Declaração Universal dos Direitos Humanos. ou seja. desamparados. éticos e morais de todas as formas de assistência que possa dispor no intuito de minimizar ou reduzir ao máximo possível as condições que enfraquecem o sentido de responsabilidade do condenado ou o respeito à dignidade de sua pessoa e a sua capacidade de readaptação social. no caso as vítimas. 56 . Submeter os presos a condições bárbaras. quando então poderá vingar-se da sociedade com mais violência. porque os expõem a sevícias. educativos. nuca superior ao prazo fixado por lei. do delinqüente. As outras pessoas que mantém de alguma forma relação de autoridade sobre o custodiado não divulga o que sabe. insultados. e. quando esta parcela considerável da população tem seus direitos humanos desprezados nas cadeias públicas e presídios. O Judiciário não está aparelhado estrutural e adequadamente. sobretudo. que é um ser humano com limitações como os demais. mas não é isso o que se defende. o que causa mais descontentamentos. à Convenção Americana sobre Direitos Humanos. mas jamais poderá estreitar a esperança do sonho do ergastulado de voltar à liberdade e à sua dignidade como pessoa humana. O preso se sente restringido para exigir os seus direitos básicos. violando flagrantemente os princípios constitucionais e legais que assegura e garante aos presos o respeito à integridade física e psicológica (emocional e moral). são os direitos destes delinqüentes de serem respeitados como pessoa humana. precisa ter a esperança de que chegará à hora de readquiri-la. porque sonhar é um direito sagrado do homem. ambientes infectos e promíscuos. preservando-lhe à dignidade. É louvável ter em mente a afirmação de que tudo se pode tirar de um homem. A esperança de reintegração e reinserção social é uma fonte motivadora para o apenado. à Constituição da República Federativa do Brasil. porque se encontra privado da liberdade. porque diante da grave crise enfrentada por toda a população que sofre a violência estrutural. pois a desesperança é uma fonte de alimentação de oposição. espirituais. não pode se indagar sobre todas as questões atinentes à matéria e algumas oportunidades. vê-se em dificuldades para resolver as excessivas e volumosas demandas (lides) que abarrotam as Comarcas e Tribunais. maltratados e ultrajados impossibilita a sua readaptação. As penas privativas e restritivas de liberdade são cumpridas em estabelecimentos penais que não preservam a incolumidade física e psíquica do apenado. reeducação. A sociedade contenta-se em enclausurar o autor da violência (criminoso). rebeldia.

abandonar a delinqüência. não lhe importa a pena nominal que contemplam os códigos. implicando sua essência teórica. esconder e vedar a visão para os efeitos nocivos da pena. antes de tudo é um ser humano que. a viver em sociedade. a qual se deve empunhar para que o Brasil não seja considerado ou reconhecido como um país violador dos Direitos Humanos. não podendo encobrir. em suas condições particulares de ser e de existir. perceberemos de que até o lixo (coisa imprestável) pode ser reaproveitado. em uma orientação humanista. como também tem o direito natural de viver em sociedade. merece. infame e devastadora da personalidade humana e o criminoso (delinqüente) não é só um criminoso. modificando a sua conduta e forma de agir. ou seja. Em um Estado Social o castigo (punição) deve ser útil para a pessoa que cometeu o delito penal (crime). nada se perde. mas. Importa o sujeito histórico. tudo se transforma”. longe 57 . depois de ser punido. O modelo ressocializador propugna pela neutralização. de ser o ofensor (delinqüente) ou o ofendido (vítima). transformado em arte ou utilidade. O realismo considera a ponderação rigorosa das investigações empíricas em torno da pena privativa de liberdade convencional. Por que não fazer isso com o ser humano? Para responder esta pergunta. igualmente a qualquer outra pessoa. O modelo ressocializador de Damásio de Jesus se destaca por seu realismo. passando a focalizar a pessoa que delinqüiu como o centro da reflexão científica. com freqüência. senão o impacto real do castigo. sugere uma intervenção positiva no condenado que. A pena de prisão tem que ser determinada por uma nova finalidade. constituído nos princípios de co-responsabilidade e de solidariedade social. com um modelo que aponte que não basta castigar (punir) rigorosa e severamente o indivíduo. desprezível. o delinqüente abstrato. sobretudo. O combate corpo a corpo pelos Direitos Humanos é uma luta e uma ação que deve ser de todos para defender à dignidade da pessoa humana. que ressaltam o seu efeito destrutivo e estigmatizante. O modelo ressocializador tem que assumir natureza social do problema criminal. que prefere ignorar os reais efeitos da pena.As cadeias públicas e os presídios no Brasil são monstruosos e perversos. desonrosa. mas como uma nação democrática e vencedora no respeito aos direitos básicos. reciclado. voltar novamente. Se pararmos um minuto para refletir sobre o direito humano de se ter respeitada à dignidade da pessoa. A ressocialização deve ter como objetivo a humanização da passagem do apenado na instituição carcerária. por meio de uma melhora substancial ao seu regime de cumprimento e de execução. na medida do possível. irreparável e irreversível. socialmente aceita e não nociva à sociedade como a maioria dos homens fazem. Ressocializar significa proporcionar ao Ser Humano a capacidade de. concreto. senão a que realmente se executa nas cadeias públicas e penitenciárias do Brasil. fundamentais e humanos do cidadão. se a matéria (massa) pode se transformar. mas orientá-lo dentro da prisão para que o ergastulado possa ser reintegrado à sociedade de maneira efetiva para se evitar à reincidência. independentemente. tal como é aplicado e cumprido no condenado concreto do nosso tempo. muito menos. produzir e retomar sua posição social. pois não lhe importam os fins ideais da pena. depois que tiver cumprido a reprimenda que lhe foi imposta. entre o agente infrator (delinqüente) e as normas do Estado (social) contemporâneo. caminhando contra o efeito dissuasório preventivo (repressivo). Nesta linha de pensamento. o mais humano possível em termos de tratamento. também o ser humano poderá se transformar. ter os seus direitos assegurados e garantidos pela Constituição e leis. posto que a prisão seja uma coisa abjeta. Para reabilitar ou ressocializar o condenado pressupõe-se que este possua um mínimo de capacidade e condições de assimilar o processo de reeducação e reintegração. dos efeitos nocivos inerentes ao castigo penal. necessário recorrer a Lei de Conservação das Massas de ANTOINE LAURIENT LAVOISIER (1743-1794): “Na Natureza nada se cria. como pessoa humana.

isso significa que é necessário governar a partir de leis. desde a reformulação da execução penal de 1984. a demora na tramitação judicial dos pedidos. conquanto o respeito à 58 . RESPEITO DO PRESO (PROVISÓRIO OU CONDENADO) COMO SER HUMANO É opinião unânime que o atual Sistema Penitenciário Brasileiro está passando por crise. O homem é considerado o centro do universo jurídico e social. É certo que ao cometer um crime o agente ativo (delinqüente) não está se comportando de maneira honesta para com os seus similares. posto que esse conceito “ressocialização” representa um papel passivo por parte da pessoa em conflito com a lei. A ressocialização não pode ser viabilizada em uma instituição carcerária. A influência deste ambiente hostil não beneficia o processo de ressocialização do condenado. Na verdade.de estigmatizá-lo com uma marca indelével. ativo por parte das instituições carcerárias. É necessário que o preso ou condenado. mas fundamental de sua liberdade e de sua personalidade.. mostrando que não há qualquer preocupação com a ressocialização do apenado dentro dos presídios. é necessária que estas leis tenham conteúdo democrático. várias soluções são apresentadas. ou seja. CFRB). embora sob custódia do Estado. A grande verdade é que não é fácil governar uma nação com as diversidades do Brasil e rapidamente retirar do caos (lama) um sistema penitenciário falido e ultrapassado em uma sociedade de pessoas corrompidas e corruptas. p. Ao cercear essa liberdade do apenado. Vale salientar que BARATTA (1997. p.” (§ único. O conceito de reintegração social para BITTENCOURT (1996. em função de que não basta somente as leis. o outro. não se lhe retire a sua qualidade humana e também não pode. também não há de merecer a impunidade. Isso assegura o princípio básico da democracia direta. porém o preso que está condenado à pena privativa de liberdade não desmerece do respeito e dignidade como ser humano. ausência de assistência jurídica e social. art. que realmente realizem o ideal de governo. O nosso sistema penitenciário vem apresentando inúmeros problemas. “que definia o condenado como um indivíduo anormal e inferior que deveria ser readaptado à sociedade. exerça uma parcela mínima. umas coerentes. que traz restos da velha criminologia positivista. considerando esta como ‘boa’ e o condenado como ‘mau”.. a ausência de um tratamento médico regular. retirar-lhe à sua dignidade. 1º. sem condicionamentos especiais. pois essas se convertem em um microcosmo no qual se reproduzem e agravam-se as contradições que existem no sistema social. a superpopulação carcerária e processo de desumanização do preso. digna e honesta. demonstrando de forma trágica o inconformismo daqueles que se encontram privados de seus direitos elementares. restrições e traumas. ansiedade. trabalhando negativamente como elemento potencializador da capacidade criminosa do indivíduo. revoluções e revoltas. abre um processo de comunicação e interação entre a prisão e a sociedade. O termo reintegração ou ressocialização deve ser entendido como fim da pena privativa de liberdade na promoção de respeito aos direitos humanos dos presos. porque é uma garantia de que o povo é o titular primeiro e único do poder do Estado. fazem com que ocorram constantes rebeliões. Dessa forma esse encarcerado apresenta angústia. centrado no princípio da dignidade da pessoa humana encarcerada para efetivar uma verdadeira inserção social do custodiado. outras deveras polêmicas. a partir do poder do povo. limitações. 76) defende o uso do conceito de “reintegração” social ao invés de ressocialização. A ausência de respeitos aos presos. o preso é forçado a esquecer a vida existente do mundo exterior à cadeia ou presídio. o habilite para integrar-se e participar da sociedade. em que as pessoas presas se identificariam na sociedade e a sociedade se reconheceria no preso. Quando se discute tal tema. ausência de atividades de trabalho dentro dos presídios. o Brasil se constitui em Estado Democrático de Direito. . medo de não se readaptar novamente ao mundo livre. em nome do povo e para o povo: “Todo o poder emana do povo. A partir de 5 de outubro de 1988. 24). o que lhe causa traumas profundos e irreparáveis. de forma ativa. mas de qualquer lei.

onde o lixo e os dejetos humanos se acumulam a olhos vistos e as fossas abertas. as celas escuras. em que os presos são recolhidos por longos períodos. às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. caracteriza abuso. sem direito a visita. diante da realidade criminal que se instalou no País. essencial. 59 .210/84. A dignidade que se discute se refere ao valor espiritual. haja vista que se encontram nele o respeito ao próximo e a consideração essencial para que se possa viver em harmonia. esperando o próximo delinqüente "recuperado" ser posto em liberdade. por troca de prontuários. numa atitude assumida de público e flagrantemente irresponsável e criminosa? Ao silenciar. é assegurado aos presos o respeito à integridade física e psicológica (emocional e moral). a idade e o sexo do condenado. a sociedade. o vilão dessa atual forma de ressocialização será o condenado. que se encontra do lado de fora das prisões. despojando-o de seus direitos. Nesta linha. de acordo com a natureza do delito. tanto do apenado quanto da sociedade para que dessa forma haja a intimidação de futuros agressores e a satisfação dos cidadãos que estão à mercê do perigo da marginalidade. ao arrepio da Lei 7. à imagem e à dignidade da pessoa humana não são respeitados dentro daquele confinamento. onde permanecem sendo utilizadas. onde as celas individuais são desprovidas por vezes de instalações sanitárias. sem banho de sol. porém. religiosa. A exposição de CÉSAR BARROS LEAL (1998. levando-se em consideração a idéia de que o Estado. política. A vigente Constituição Federal brasileira tem como fundamento que se assegura a qualquer cidadão. trazendo um mal muito maior ao convívio social quando postos em liberdade”. Parece falso moralismo discutir a dignidade do presidiário. do art. amedrontada e insegura ao sair às ruas. fundamental. Não há dúvida de que esse princípio é básico. que por pior que seja o delinqüente. onde diretores determinam o recolhimento na mesma cela de desafetos. tem-se a determinação de que nenhuma pena passará da pessoa do preso. revelando a falta de dignidade humana que existe: “De fato. 87/88) revela a realidade da falida instituição carcerária. a estigmatização brutal muitas vezes modifica a sua condição humana. 5º. onde a alimentação e o tratamento médico e odontológico são muito precários e a violência sexual atinge níveis desassossegantes? Como falar. onde um condenado cumpre a pena de outrem. em integridade física e moral em prisões onde a oferta de trabalho inexiste ou é absolutamente insuficiente. nas ruas e galerias. p. arbitrariedade e não justiça. as de segurança. 1º. sexual. racial. imperiosamente deve indenizar o enclausurado que por erro judiciário for preso ou ficar preso além do tempo fixado na sentença. sob o falso pretexto de oferecer-lhes uma chance para tornarem-se amigos. A dignidade da pessoa humana não é a garantia única e fundamental discutida na Constituição Federal. conforme exaustivamente citado neste artigo e preceituado em seu inciso III. É provável que tal debate cause aversão à sociedade sobressaltada. onde os presos são obrigados a assumirem a paternidade de crimes que não cometeram. Seus efeitos devem causar impressão sobre os sentidos e o espírito (emocional e moral). como também. ético e moral da própria pessoa humana. social ou de qualquer outra ordem. ou seja. Entre outras previstas no art. exalam um odor insuportável. Se o direito de punir for de encontro aos princípios que protegem os custodiados. a dignidade da pessoa humana. fundamental e humano que o homem possa ter e tem.vida. preste a sofrer um ataque de violência a qualquer instante. por imposição dos mais fortes. sonegando todo e qualquer direito básico. aonde os alojamentos coletivos chegam a abrigar 30 ou 40 homens. A situação em que são colocados os presos corrompe-os definitivamente. a pena deve ser cumprida em estabelecimentos distintos. a Resolução de 11 de novembro de 1994 fixou regras mínimas para o tratamento do preso no Brasil independentemente da natureza idiomática. o direito de punir (castigar) deve ser considerado a noção de que o caráter da pena é reparar o mal cometido pelo infrator. como falar em respeito à integridade física e moral em prisões onde convivem pessoas sadias e doentes. É preciso provar à sociedade civil e ao Estado. deve atingir única e exclusivamente a pessoa do culpado. o que caracteriza a pessoalidade. insistimos. enclausuramento hermético.

fundadas nos preconceitos. por razões de garantia de vida. de fato. As penas restritivas de direitos vêm se mostrando a saída mais inteligente para reabilitação e recuperação do delinqüente. seria uma saída para tal crise. língua. riqueza. cor. sexo. O Sistema Penitenciário Brasileiro está em deplorável condição e as cadeias públicas. os presídios não são a melhor saída para a solução da criminalidade. substituindo-as pelas chamadas penas alternativas. Alguns crimes e as contravenções penais são punidos com as denominadas penas restritivas de direitos. justa e satisfeita. A restrição ao máximo à aplicação da pena privativa de liberdade. pois é oferecido oportunidade. conclama e desafia os legisladores (Senadores e Deputados Federais) acatarem a melhor saída para que possamos viver em sociedade fraterna. O Sistema Penitenciário Brasileiro atualmente está passando por uma crise. a reabilitação ou recuperação do condenado. sem condições de oferecer qualidade. ou qualquer outra condição” Sobre os alojamentos. é desrespeitada outra regra mínima da Organização das Nações Unidas que estabelece que não se faça distinção de tratamento entre presos. pois eles são odiados pelos demais. lacunas e omissões deixadas pelo legislador nos levam a saídas polêmicas. há a revelação de que. em geral uma sala em um quartel da Polícia Militar. Deve-se reconhecer que a execução de pena restritiva é a melhor escolha para não estigmatizar brutal e cruelmente o condenado. os condenados. o que talvez.ONU. Beneficiando. As penas restritivas de direito oferece tal ensejo. é uma saída que já tem sido usada pela Organização das Nações Unidas . O Sistema Penitenciário Brasileiro não oferece boas condições de prestação de serviços como forma de ensejo de trabalho aos condenados. religião. Não basta ao condenado estar preso. preso aos outros marginais. tendo em vista que dessa forma há a reeducação e reinclusão social. do art. diz-se que as pessoas preferem ignorar o problema a ter que se confrontar com a sede de justiça e com a mudança. os presos não teriam que ser separados por categorias? Elói Pietá: Em nosso país estas regras são observadas apenas na separação dos sexos. a assistência médica e outras recomendações da Organização das Nações Unidas. poderia estar com seus familiares. conforme item I. seja de raça. oportunidade e muito menos. verifica-se que as frestas. opinião política ou de outra natureza. A prisão é uma velha resposta punitiva. ou seja. Vislumbra-se a necessidade de adequar as regras das penas privativas de liberdade à evolução do direito penal. com o livramento condicional. porém. Neste aspecto. entre eles. preso à falta de liberdade e da convivência em sociedade. dessa forma o apenado estará preso somente em relação a si mesmo. harmoniosa. com direito a cela especial. 60 . isto posto. Só que. neste caso. indagando sobre o respeito aos princípios da dignidade dos carcerários a Elói Pietá. parentes e amigos. Entre os homens. que tem curso universitário. os únicos presos a terem um lugar separado são os estupradores. seria uma maneira de lhes dar oportunidade de recuperação e ressocialização. mas plausíveis. nascimento. as casas de detenção. o de fortuna.Em entrevista feita pela Revista Consulex. É de conhecimento público de que outro tipo de condenado que é separado dos demais presos é o preso rico. Por isso. estará condenado e privado de conviver com as pessoas que poderiam estar ajudando na sua educação e recuperação. II: “Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie. origem nacional ou social. evidentemente que nossas prisões estão muito longe daquelas recomendações. É polêmico trazer à tona que a prisão não é a única resposta do Estado (jus puniendi) ao violador de suas regras penais. não são respeitados: CONSULEX: Segundo a legislação brasileira.

previsibilidade objetiva e subjetiva do resultado. possibilidade jurídica de impor sanção a um injusto penal. civil. estando entre pessoas dispostas a ajudar-lhe na sua educação. voluntário e consciente dirigido a uma finalidade) humana perpetrada (por ato de vontade dirigido a um fim ou por exteriorização da vontade no mundo exterior por meio de ação ou omissão. mas previsível que poderia ser evitado se observado o dever de cuidado objetivo que pode correr por imprudência . Igualmente. este relação de antagonismo entre fato típico e ordenamento jurídico e aquele subsunção do fato ao modelo previsto no tipo. deve-se levar em conta e perquirir: 1. pois caso contrário iria gerar um complicador para o sucesso da execução desse tipo de pena. os seus traumas e as causas que o levou a cometer o ato ilícito (crime).se o fato praticado tenha ou não produzido resultado (efeito produzido pelo crime no mundo jurídico e lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico protegido pela norma penal). se não ocorrer uma das causas de extinção de punibilidade previstas . CP). resultado involuntário. seja administrativo. processada ou julgada à pessoa. lesão ou perigo de lesão a um bem jurídico. penal. previdenciário ou trabalhista. ao livre alvedrio da autoridade processante ou julgadora. como era efetivado e realizado antigamente na Idade Antiga e Média. CP). tipicidade formal e material). Prestando tais serviços. Ainda poderia ser também concomitantemente à prestação de serviços sociais um acompanhamento psicológico. menoridade ou embriaguez acidental por caso fortuito ou força. CP) e exigibilidade de conduta diversa: por coação irresistível e obediência hierárquica (art. vontade de realizar a conduta e provocar o resultado) ou culposa (conduta voluntária que produz um resultado ilícito. recuperação. 22. Dessa forma o condenado seria trabalhado para não se sentir um sujeito excluído da sociedade. 3. 2. nexo de causalidade entre a conduta voluntária e o resultado involuntário. 107.negligência . o risco proibido e o resultado . 5. Ao contrário. 21.imperícia: falta de habilidade ou aptidão para o exercício de arte ou profissão. sob ameaça de pena) dolosa (consciência da conduta e do resultado. o condenado teria que prestar serviços sociais. não teria o convívio direto com outros criminosos. consciência do nexo causal.art. dominada ou dominável pela vontade) foi uma ação ou omissão (definição formal de crime: toda ação ou omissão proibida pela lei. convívio com o meio social. potencial consciência da ilicitude: por erro de proibição (art. negligência ou imperícia.se houve culpabilidade ou não (culpabilidade: juízo de reprovação social que incide sobre o autor de um fato típico e ilícito). não pode ser abrupta ou desnecessariamente. pressupondo que o agente possua habilitação legal: conduta humana voluntária. no processo. a qual pode ser excluída: imputabilidade: por doença mental. não querido. 13. CP). 4. OBEDIÊNCIA AO ORDENAMENTO OU REGRAMENTO JURÍDICO Por isso.Mas como seria tal recuperação? Como uma das saídas possíveis. se houve ligação do fato com o resultado (nexo de causalidade: liame entre a conduta. os seus medos. ou seja. eleitoral. identificando-se como tipicidade: descrição abstrata de uma conduta proibida ou exigida pela lei penal ) constitui ou não delito (definição material de crime: violação de um bem jurídico protegido penalmente). EGBERTO MAIA LUZ finca que a pessoa deve ser respeitada. ilícito e punível (punibilidade: com a prática do delito surge concretamente para o Estado o jus puniendi. antes de tudo. inobservância do cuidado objetivo por imprudência. para tanto teria que afastar o receio das entidades conveniadas em receber apenados por determinado tipo de delito. respeitando-o sem julgá-lo por sua conduta ilícita (crime). Nesse acompanhamento psicológico seriam trabalhados as suas dificuldades. mas teria o apenado.se a conduta (comportamento humano.art. "o império da consideração à criatura 61 .se o fato praticado (definição analítica de crime: fato típico e ilícito.se o fato é típico.

realizada pela Cúria de Roma. representando a superação da intolerância. da Lei Federal nº 8. manejados no período medieval: como a cadeira de pregos. do art. de documento apócrifo seria contrária à ordem jurídica constitucional. cujo inciso II. O Ministro Relator. como forma de resguardar a imagem da pessoa que responde ao processo e que pode ser inocentado.429/1992. saberá analisar e julgar com propriedade a importância do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana nos processos acusatórios desenvolvidos pelo Estado. A propósito no Supremo Tribunal Federal conquanto exista divergência em torno da matéria. CPC). no que versam sobre a inidoneidade da denúncia anônima para os fins de instauração de processo administrativo ou de ação concernente à improbidade administrativa. críticas ou denúncias anônimas. 332. com certeza. 62 . 14. o que ofenderia os princípios consagrados nos incisos V e X. deve ser tratada para não reincidir e. 155. LUÍS ROBERTO BARROSO assinala que o princípio da dignidade da pessoa humana. de Salzburg. O princípio da dignidade da pessoa humana tem que ser assegurado. por requisição do Ministério Público Federal. faço uma pergunta de grande relevância: Quem já teve a oportunidade de ler ou assistir algum filme que tenha reproduzido fielmente. se possível. Podem-se vislumbrar reflexos do princípio da dignidade da pessoa humana no dever de preservação de sigilo do processo. agravava e lançava na miséria os herdeiros inocentes do suposto acusado. pois a pessoa enquanto administrado ou jurisdicionado merece ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. os Ministros Marco Aurélio e Eros Grau votaram pela concessão do pedido de habeas corpus .112/1990). contra Juiz estadual e dois Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins. em vista de que o Órgão do Ministério Público da União atuara baseado em denúncia anônima.112/1990 e no § 1º. não ser admitida como agente delituoso". pensar e criar. Aqui. garantido e respeitado no processo de qualquer espécie e natureza. consistente na decretação do confisco dos bens da pessoa condenada pelo crime de heresia. quer administrativo disciplinar perante terceiros durante a instrução processual e até o julgamento (art. Salientando a necessidade de se preservar a dignidade da pessoa humana. mas como se não bastasse. Ressaltou. da Lei Federal nº 8. ao final. do art. do art. encontrada no Museu Madame Tussaud de Londres. ainda a existência da Resolução nº 290/2004 que criou a Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal. impetrado com vistas ao trancamento. cuja dureza não se restringia à já cruel execução capital dos sentenciados. Lei Federal nº 9. 150. instaurada no Superior Tribunal de Justiça. presente no castelo Festung. da CRFB/1988. assentado no direito canônico medieval. 144. antes de tudo. o que viola o inciso IV. em todas as esferas. se sim. CP). de notícia-crime. na Inglaterra.humana. em qualquer espécie de processo. notadamente quanto às peças denunciatórias anônimas. Lei Federal nº 8. impede o recebimento de reclamações. pela suposta prática do delito de tráfico de influência (art. 3º. 4º. afirmou que o acolhimento da delação anônima permitiria a prática do denuncismo inescrupuloso. 5º da CRFB/1988 (é livre a manifestação do pensamento. impossibilitando eventual indenização por danos morais ou materiais. do art.784/1999). unicamente. que. voltado a prejudicar desafetos. por falta de justa causa. O historiador FRANCISCO TETHENCOURT narra a terrível afronta perpetrada contra o princípio da dignidade da pessoa humana no tempo da Inquisição Espanhola. Marco Aurélio concedeu a ordem por entender que a instauração de procedimento criminal originada. a par de exprimir um conjunto de valores civilizatórios incorporados ao patrimônio da humanidade e cujo conteúdo se associa aos direitos fundamentais. na Áustria ou a terrível roda. da discriminação e no respeito à plenitude de ser. quer penal ou outra natureza qualquer. sendo vedado o anonimato) e o disposto no art. 5º. que veda expressamente o anonimato. ou. alguns dos instrumentos de aplicação dos métodos bárbaros de tortura de condenados ou presos. quer civil (art. da mesma maneira que se justificam as regras quanto ao recebimento de denúncias e às ressalvas e cautelas pertinentes. identifica um espaço de integridade ética e moral para as pessoas. I.

Diante do poder-dever conferido por lei. implicava que o herege confesso fosse obrigado a aparecer despido na igreja todo domingo com uma vara na mão. para o achincalhe. depois das procissões realizadas nos feriados religiosos da urbe (cidade). com ânimo cruel e desumano. para a desmoralização fortuita. garantida e respeitada todos os seus direitos constitucionais. causando embaraços para o acusado ou processado na pendência do julgamento processual. finalmente. nas casas em que o apenado se encontrara com outros hereges. seu corpo era queimado em efígie (representação plástica da imagem de uma pessoa real ou simbólica). no processo administrativo. detalhada no jornal ou boletim interno de divulgação oficial. Caso ocorra esse tipo de medida aviltante me parece inspirar a crueldade e a violação da dignidade da pessoa humana. fazem circular longa notícia. igualmente se revela a proibição de provas ilícitas e ilegítimas como forma de obtenção de evidências para condenar ou punir. repetindo-se o açoite no primeiro domingo de cada mês. seu predecessor no Pontifício Supremo mandou arrancar da sepultura o corpo de seu antecessor depois de oito meses de sua morte. baseado no Lexicon der Päpste . o qual pode se ocorrer essa circunstância. a disciplina. com toda razão. Twiss comenta que a morte não era garantia de paz. em sede da máxima do in dubio pro societate. Pela mesma razão. veda-se a tortura como forma de obter confissão ou ameaçar familiares do suposto acusado. ainda o Estado tem o dever de respeitar à dignidade da pessoa do acusado ou condenado. para a humilhação. como se não bastasse a descomunal barbaridade e crueldade. criminosa. fixam nas paredes e nos murais da repartição. de Rudolph Fischer WolIpert que o Papa Estevão VI no ano de 893 para desmoralizar a memória de Formoso. etc. administrativa. Se o acusado optasse pela fuga. provações que eram infligidas ao punido pelo resto de sua vida. Mesmo depois da conclusão do processo acusatório ou disciplinar. vesti-lo de paramentos litúrgicos com vistas a realizar o "sínodo do cadáver". Era comum que os réus confessos de heresia fossem compelidos a usarem perpetuamente uma grande cruz de cor açafrão. eleitoral. quer administrativo. divulgando tratar de pessoa bandida. ingressar. Semelhantemente no período da Inquisição Espanhola do século XV. conforme já narrada pelo historiador e pesquisador Fernando Jorge. durante o depoimento ou a inquirição da pessoa acusada. exonerada. a menos. Decorrência da dignidade da pessoa humana. denunciada ou punida. deve a autoridade competente e seus auxiliares verificar a existência de mínimos critérios de plausibilidade para averiguar ou investigar acusações ou denúncias anônimas. penal. que fosse liberado por um inquisidor em outra visita. 63 . visualizando armas de fogo sobre a mesa das autoridades policiais ou judiciárias ou ainda das autoridades em gerais como. civil. qualquer que seja a pessoa. como outrora sucedia na Inquisição Medieval patrocinada pela Igreja Católica Romana. caso se chegasse à conclusão de que o penitente não havia sido castigado o bastante. não podendo fazer a sua execração pública da figura humana do punido. não se pode aplaudir o expediente de órgãos públicos que. Mesmo que a pessoa tenha assegurada. cortando em seguida os três dedos da mão direita. a qual era utilizada por determinado momento da missa pelo padre para chicotear a vítima (herege) energicamente diante de toda a congregação presente. previdenciário ou trabalhista não deve ser palco de atrocíssimo contra a pessoa do acusado. lançar o cadáver no Rio Tigre. previdenciário ou trabalhista. presidentes de comissões processantes nos casos de autoridades legitimadas ao porte funcional. civil ou penalmente. eleitoral. civil. Do princípio em alusão deriva que o processo. penal. também pela revelação pública de detalhes do processo investigatório que esteja em trâmite. caso condenada e punida. do fato acusatório ou investigatório da pessoa demitida. seus ossos eram desenterrados e queimados e sua família poderia ser obrigada a assumir suas penas e suas dívidas. representativas dos "dedos da bênção papal" para. depois de julgada. como ato consumador da exemplar punição. corrupta. durante a qual a punição mais leve. para a tortura física e psicológica (emocional e mental) mediante interrogatórios e inquirições que se estendam por horas seguidas. com vultosa ação indenizatória por danos morais. porque não se pode admitir que a pena tenha caráter vexatório. costurada na frente e nas costas de suas roupas. processo executório que tomava curso também publicamente.

tenazes e ferros em brasa sobre feridas. os anjinhos (instrumentos para apertar os polegares). Para a corte do STF ao receber uma denúncia anônima.Nesse diapasão a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. essa jurisprudência (entendimento e orientação) também é pacífica. a tortura pela água que introduzia a força pela garganta. o que esvaziou a “Operação Castelo de Areia”. por falta de justa causa. A principal corte do país . O Tribunal não aceita que investigações sejam motivadas apenas com base em denúncias anônimas. os ministros costumam afirmar que o anonimato é proibido pela Constituição Federal. em que a pessoa era amarrada em um cavalete com cordas apertadas. art. o Superior Tribunal de Justiça . passando-se a viver época de terror em que a honra de pessoas ficará ao sabor de paixões condenáveis não tendo elas meio de incriminar aquele que venha implementar verdadeira calúnia". Outro exemplo.Supremo Tribunal Federal tem se posicionado contra investigações baseadas exclusivamente em denúncias anônimas. Og Fernandes. com pesos amarrados aos pés: puxando-se a roldana lentamente para maximizar a dor. Só depois dessas providências deve iniciar as investigações e pedir medidas como: interceptações telefônicas e quebras de sigilos bancários ou fiscais. uma notícia-crime instaurada no STJ com base somente em uma denúncia anônima. o Relator do caso no STF. No STF. 6 de abril de 2011. pois no seu entendimento a Polícia Federal e o Ministério Público da União teriam feito investigações adicionais antes de pedir a quebra de sigilo dos investigados. o potro. se os fatos narrados na acusação ou denuncia são verdadeiros. a polícia deve primeiro fazer diligências para averiguar e verificar. 5º daquela e III do art. classificou como "discrepante" a instauração de um procedimento com base em um documento apócrifo: "A essa altura. O Ministro que votou contra a concessão do habeas-corpus.STF concedeu habeas corpus para trancar. A título de exemplo em 2007 o Supremo Tribunal Federal . os Ministros do STF costumam citar uma Resolução aprovada em 2004 pelo próprio Tribunal regulamentando a Ouvidoria do Supremo pela Resolução. Durante os julgamentos envolvendo situações semelhantes. O Ministério Público Federal tinha pedido a abertura do procedimento contra um Juiz estadual e dois Desembargadores do Estado do Tocantins alegando que existiam suspeitas de tráfico de influência. Na quarta-feira. posteriormente reproduzida pela Lei Fundamental brasileira de 1988 capitulou a proibição de tortura ou tratamento desumano ou degradante. afirmou só que as provas não decorrem da denúncia anônima. 64 . interrogatório ou inquirição. todos os Ministros disseram ser ilegal a prova obtida. as correspondências anônimas seriam rejeitadas e devolvidas. por falta de justa causa. Segundo a norma.STJ anulou provas obtidas pela Polícia Federal com base somente em denúncia anônima. Ministro Marco Aurélio Mello. em 2007 também STF concedeu habeas corpus para trancar. Na ocasião. que eram esticadas cada vez mais. 5º desta com o louvável escopo de proscrever das relações jurídicas pátrias e dos mecanismos investigatórios ou punitivos estatais as técnicas bárbaras e cruéis de execução. durante a Inquisição Espanhola pela Igreja Católica Romana. a garrucha em que a vítima era pendurada pelos pulsos em uma roldana presa ao teto. Isso porque seria impossível responsabilizar o autor da denúncia civil e criminalmente por um eventual dano à pessoa que foi acusada ou denunciada. somente com fundamento em uma denúncia anônima. preferencialmente sem derramamento de sangue pelos inquisidores. No STJ. acolher a referida prática é dar azo (motivo) à repetição desse procedimento. quando se verificaram: a tortura. como se testemunhava na Idade Média. os quais utilizavam os métodos do ecúleo ou flagelo. não seriam aceitas denúncias anônimas. Tanto é que no julgamento do habeas corpus que contestava as provas da “Operação Castelo de Areia”. uma notícia-crime instaurada no Superior Tribunal de Justiça com base apenas em uma denúncia anônima. deixava-se o torturado cair bruscamente deslocando-se os seus membros.

2005 ). tendo em vista que o procedimento criminal baseou-se em denúncia anônima. o voto do Relator do habeas corpus. por outro a Constituição veda o anonimato. Para definir a questão. inclusive. O Ministro ressalvou a validade das denúncias recebidas por serviços de disque-denúncia que provocam o Poder Público a apurar a possível ocorrência de ilicitude penal. a dignidade da pessoa humana e o princípio da ampla defesa. ressalvou que denúncias anônimas devem ser apuradas pela Polícia. O Desembargador Pinheiro Franco. De acordo com o Ministro Nilson Naves. o Ministro havia concedido liminar suspendendo a tramitação da ação. Celso de Mello manifestou claramente o seu entendimento ao deixar assentadas as seguintes conclusões: “a) os escritos anônimos não podem justificar. No caso concreto.2005. incis o LVI. desde que isoladamente consi derados. coibindo abusos na livre expressão do pensamento. Laurita Vaz. a devolução de documentos apreendidos e destruição de prova ilícita em um caso que investiga crime de lavagem de dinheiro. em sede de habeas corpus”.8.Para mostrar que é predominante este entendimento. Prova ilícita. 15 O Pleno do Supremo Tribunal Federal também reconheceu.11. Para ele. a imediata instauração da “persecutio criminis”. Em dezembro passado. sendo considerada apta a deflagrar procedimentos de averiguação. como a honra. formalmente. sendo inadmissíveis para embasar event ual juízo de condenação (artigo 5º. ainda que indiciária. da Constituição Federal).649/SP. A delação anônima não constitui elemento de prova sob re a autoria delitiva. haja vista que a falta de identi ficação inviabiliza.. como o inquérito policial. inviável. Rel. Min. não se pode negar o interesse da vítima e da sociedade na repressão dos crimes. ao processo. mas mera notícia dirigida por pessoa sem nenhum compromisso com a veracidade do conteúdo de suas informações. Relator do caso. Os Ministros acompanharam. um procedimento criminal baseado em denúncia anônima é nulo e sofre de ausência de justa causa. STJ – 5ª T – HC14 64.216. Ministro Nilson Naves. eis que peças apócrifas não podem ser incorporadas. devendo ser desentranhadas do processo.2008 que: O Pleno do STF – INQ15 1957 – Rel. No julgamento. eles próprios. que “não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando (. Realizar a correlação das provas posteriormente produzidas com aquela que constitui a raiz viciada implica dilação probatória. a denúncia anônima é admitida em nosso ordenamento jurídico. A prova ilícita obtida por meio de interceptação telefônica ilegal igualmente corrompe as demais provas dela decorrentes.5. como cediço.751.3/0. salvo quando tais documentos forem produzidos pelo acusado. a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça determinou o arquivamento de um procedimento criminal baseado em um e-mail anônimo encaminhado à Ouvidoria do Ministério Público do Rio de Janeiro. O Ministro Nilson Naves concluiu que há conflito entre normas inspiradas em valores contrapostos (a garantia da liberdade e a garantia da segurança). ou que corporifiquem o delito de ameaça ou que materiali zem o “o crimen 65 . preservando direitos da personalidade. da Lei 9. mas é preciso de fatos concretos para que peça medida como busca e apreensão. se por um lado. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais”.. Quinta Turma. o corpo de delito (como sucede com bilhetes de resgate no delito de extorsão mediante seqüestro. só por si.11. Para o Relator. as provas ilícitas. Min. a sua responsabilização pela prática de denunciação caluniosa (artigo 339 do Código Penal). é inconstitucional a instauração de inquérito com base apenas em carta apócrifa não apurada. por unanimidade. inciso I. Min. no julgamento do INQ 1957. A ação tramitava no órgão especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra um Promotor de Justiça daquele Estado. o Ministro considerou preceitos constitucionais como a presunção da inocência. é preciso reconhecer que. Carlos Veloso – DJU 11.10.) não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal”. ou como ocorre com cartas que evidenciem a prática de crimes contra a honra. conforme contenham ou não elementos informativos idôneos suficientes. a vida privada e a intimidade. em fevereiro do ano passado.296/1996. Precedente do STJ (HC 44. Hipótese em que a insta uração do inquérito policial e a quebra do sigilo telefônico foram motivadas exclusivamente por denúncia anônima. ou. o Ministro optou por favorecer a garantia da liberdade.2007). quando constituírem. A correspondência anônima afirmava que o Promotor de Justiça teria praticado crime de injúria contra um Procurador de Justiça do Estado do Rio de Janeiro durante os debates no plenário do II Tribunal do Júri. Aplicação da “ teoria dos frutos da árvore envenenada”. o Min. Denúncia anônima não pode ser fundamento de interceptação telefônica. Rel. Dispõe o artigo 2º.096 – Rel. DJ 8. que já estava em fase de audiência de transação. ainda.2008 – DJU 4. Carlos Velloso (DJU de 11. e desde que observadas às devidas cautelas no que diz r espeito à identidade do investigado. Arnaldo Esteves Lima – Julgado: 27. Concluiu o Ministro 14 “Processo Penal. “que abrir inquérito baseado em carta anônima é dar valor jurídico a um objeto que nem documento pode ser considerado e que a ordem jurídica define como desvalor”. A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou no Habeas Corpus 1. Os Desembargadores aplicaram o novo artigo 157 do Código do Processo Penal: “São inadmissíveis. Ainda que com reservas.

ainda que culpada. justificando meios ardis. administrativa ou judicial. seus direitos e garantias fundamentais. a fim de que as formalidades essenciais ao exercício das faculdades processuais dos acusados sejam asseguradas e exercitadas. no processo em geral: administrativo ou judicial. desde que os dados informativos que dão suporte à acusação penal não tenham. vulnerando o artigo 5°. a motivação das decisões sancionadoras erige-se em dever das autoridades julgadoras do processo administrativo ou judicial.ex. in fine. previdenciária ou trabalhista. dedicando esforço. Assim. do contraditório e da ampla defesa emana da dignidade da pessoa humana. o princípio da proporcionalidade e razoabilidade também emana da dignidade da pessoa humana. nas vias administrativa. igualmente. civil. c) o Ministério Público.“Administração Pública. vedada a imposição de obrigações. eleitoral. de outro lado. devem ser respeitadas. Como corolário do princípio da dignidade do ser humano. resulta temerário encampar a Administração sob a forma de apuração de ofício. como único fundamento causal. mas no ato que a sucede e como ela é recebida pelos agentes investigadores. 5°. que o Poder Público. predeterminadas em lei. Por outro ângulo. por abuso e desvio de poder. em caso positivo. de forma lídima e confiável. IV) e que se choca frontalmente com a legalidade. em qualquer das esferas. lealdade processual. ‘a’ e LXIX. então. explícita para as penas impostas no processo em geral. adote medidas informais destinadas a apurar. mas com o interesse pessoal do denunciante em prejudicar o denunciado. a possível ocorrência de eventual situ ação de ilicitude penal. p. O respeito à dignidade da criatura humana demanda que o Estado não atue de forma abusiva. quando não existem outros elementos de prova aptos a evidenciar a prática de qualquer ilícito. assim. Principalmente. proporcionalidade e inerente justificativa.ex. de forma que as investigações não desprezassem a igual possibilidade de tratar-se de acusação inverídica e da tentativa de manipular o aparelho para agir contra determinada pessoa. penal. b) nada impede. contudo. p. a motivação da denúncia nada tem a ver com o interesse público. surpresos e torpes inaceitáveis ou outros expedientes malévolos. Portanto. A preocupação maior deve residir não na própria acusação apócrifa. o Estado deverá atuar. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias para reprimir a ofensa e preservar o interesse público e da sociedade. independentemente da prévia instauração de inquérito policial. completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas e. documentos ou escritos anônimos”. pois a finalidade da regra de competência é garantir a legalidade e não prestigiar a imoralidade em detrimento da presunção constitucional de inocência”. arbitrária. da Constituição Federal. É preciso que haja coerência. invertendo o princípio do in dubio pro reo e da presunção constitucional de inocência (art. desumana e injustificada. CRFB/1988). por esta razão. artificiosos. apenas para arrecadar provas que robusteçam o teor daquela “denúncia”. bem como não poderá se sujeitar à sanção de penalidade que ultrapasse limite da legalidade. previamente. LVII. 66 . pois é obrigatório atuar segundo padrões éticos de probidade. sem praticar atos contrários à expectativa de seu comportamento já demonstrado anteriormente no processo ou atos atentatórios à dignidade da justiça. a qual tem em jogo. a formal instauração da “persecutio criminis”. que se tornaria eivada de nulidade.). lógica. denúncia à qual falta a identificação de autoria e sobre cujo conteúdo o Poder Público nada sabe além da iniciativa apócrifa. provocado por delação anônima (“disque -denúncia”. para fundamentar uma apuração formal. indispensável seria recebê-la com extrema cautela. com boa-fé.). Não deve haver a privação de direitos. desde que o faça com objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados. não pode acolher uma iniciativa incompatível com a Constituição que veda o anonimato (artigo 5°. falsi”. Considerando o anonimato. porque deve ter respeito aos critérios de adequação entre meios e fins. A própria garantia do devido processo legal. O Estado não pode utilizar o processo com fim maquiavélico. somente por força do ânimo de conseguir obter o resultado final da condenação (punição) da pessoa acusada ou denunciada e processada. em ordem a promover. adotando-se como premissa verdadeira o conteúdo de acusação. também pode formar a sua “opinio delicti” com apoio em outros elementos de convicção que evidenciem a materialidade do fato delituoso e a existência de indícios suficientes de sua autoria. “com prudência e discrição”. incisos XXXIV. a moralidade e a transparência. ademais se inocente. decoro e boa-fé. em averiguação sumária. Na maioria das vezes. não se pode desenvolver uma ótica parcial. mantendo-se.

na medida em que o acusado não pode ficar eternamente sujeito à penalidade de uma conduta praticada a muito tempo. a qual se extingue. nos termos do disposto no art. para dar vazão às vinganças pessoais para eliminar rivais nos negócios. "Denúncias mesquinhas eram a regra. CPP) tratando-a de ordem pública e não pode ser relevada. decretar prisão preventiva. há que se suspender o curso do processo e o prazo da prescrição. mais de dez ou vinte anos poder render possibilidade de uma pena (imprescritibilidade da conduta em face do disposto do art. a conclusão é de que não mais pretende revolver o assunto. se for o caso. arbitrárias. haja vista que se o Estado não apenou. não exerceu o jus puniendi de determinada conduta no tempo legalmente estipulado. de proteger os bens jurídicos de maior valor. antes mesmo da condenação. Não se admitia defesa e a tortura fora sancionada pelo Papa em 1252. A própria prescrição do direito de punir da Administração Pública (Estado) centra suas raízes na dignidade da pessoa humana. por evidenciar a importância do princípio da segurança jurídica. O acusado que for citado por edital permanecendo na inércia de acordo com a regra acima transcrita. de 10/1/2002 em seu art. A prescrição penal é a perda da pretensão punitiva ou executória pelo Estado em razão do decurso do tempo. preso e tinha seus bens confiscados. Ocorre que o dispositivo não aclara o tempo em que este prazo prescricional permanecerá suspenso. sem que o delatado pudesse eficazmente se defender. pois o homem deve poder prosseguir sua existência de forma digna. O Estado tem o dever de zelar pela pacificação social e trouxe para si a incumbência. A prescrição civil é a perda do direito de ação.500 pessoas inocentes. com prejuízo e miséria imediata para seus familiares e dependentes econômicos. Mas para que essa regra não gerasse a reiterada prática do acusado de permanecer inerte para ser extinta sua punibilidade em decorrência da prescrição da pretensão punitiva. CPP) e no direito processual penal (art. 366 do Código de Processo Penal preleciona: “Se o acusado. pondo em risco a velhice do agente outrora infrator. 366.406. de modo que " qualquer um poderia denunciar alguém e o ônus da defesa caberia ao acusado". que é a pretensão que tem o Estado de punir o infrator da lei penal. Só como resultado de falsos testemunhos. ameaçando-lhe o próximo direito de idoso e viver seus últimos dias de vida com tranqüilidade. 312”. quando o acusado era. quando atrelado ao da dignidade da pessoa humana. caso o prejudicado se mantenha inerte e não reclame em juízo o seu pretenso direito. 189 prevê que: “Violado o direito. o legislador ordinário estabeleceu a suspensão do curso do prazo prescricional. O art.112/1990. o que rendia ensejo e na verdade era instrumento corriqueiro manejado para resolver pendências antigas. de pronto. Não é debalde que na esfera administrativa definida na Lei Federal nº 8. além de seus bens serem vendidos para pagar as despesas de sua permanência no cárcere. segundo Twiss foram mortas na fogueira mais de 1. assim como no direito penal (art. é possível falar-se em pretensão punitiva.Lei nº 10. em paz. O Código Civil de 2002 . também tem a definição da prescrição do fato. não comparecer.O regramento constitucional brasileiro repele com veemência todas as práticas abusivas. as testemunhas de acusação eram mantidas no anonimato. pela prescrição. Assim. nasce para o titular a pretensão. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. Mas não era somente isso. ilegais. não a exceção". sem inquietações perenes quanto ao exercício do poder punitivo do Estado. através do direito penal. ilegítimas e ilícitas. citado por edital. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. nem constituir advogado. em um clima de paranóia e terror disseminado naquela quadra trevosa da história da humanidade e do direito. ou seja. As medidas que eram adotadas pela Inquisição Espanhola Medieval do século XV. nos prazos a que 67 . Praticado o fato típico nasce para o Estado à pretensão punitiva que se traduz no direito de o Estado punir chamado jus puniendi. 107. 366 do Código de Processo Penal). deixando transcorrer o prazo fixado por lei para acionar o Judiciário.

aludem os arts. 205 e 206”. O conceito dado pelo direito civil é útil na medida em que determina que a prescrição é a perda da pretensão (direito privado). A prescrição, por sua vez, nada mais é que a perda, em face do decurso do tempo, do direito de punir (pretensão punitiva) ou executar (pretensão executória) a punição já imposta (direito público). Não se vislumbra objeção a que o juiz de primeiro grau decrete a extinção da punibilidade pela prescrição em qualquer de suas modalidades, retroativa ou depois do trânsito em julgado para a acusação (art. 61, CPP). A prescrição da pretensão punitiva é a que ocorre anteriormente à sentença penal, supostamente, condenatória, também chamada de prescrição da ação penal. Neste caso, o Estado perde o direito de punir, em razão do decurso dos prazos das penas em abstrato (art. 109, CP), não implica responsabilidade ou culpabilidade do agente, não lhe marca os antecedentes e não gera futura reincidência. A prescrição da pretensão executória é a que ocorre depois do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, se baseia na pena em concreto fixada na sentença condenatória. O condenado se isenta somente do cumprimento da pena, persistindo as conseqüências secundárias da condenação, dentre elas a de eventual reincidência. Com o advento da nova redação dada ao art. 366 do Código de Processo Penal pela Lei nº 9.271, de 14/4/1996 houve a limitação em sua aplicação, por ter o legislador deixado uma lacuna por não ter abarcada na referida norma jurídica o limite máximo da suspensão do prazo da prescrição e não poderia estar alimentando uma noção de ampliação do rol dos crimes imprescritíveis, pois os crimes imprescritíveis foram definidos na Constituição Federal de 1988 (XLII, XLIII e XLIV, art. 5º), devendo ser considerado para a ocorrência da prescrição o máximo abstrato (art. 109, CP) da pena privativa de liberdade cominada à infração penal. O Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 415: “O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada”. Neste sentido já era o entendimento pacífico no STJ, por exemplo, REsp16 1113583-MG, Rel. Min. Jorge Mussi. Em nosso ordenamento jurídico, existem duas situações em que não ocorre a prescrição. Segundo a nossa Constituição Federal de 1988, a prática do racismo e ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático são crimes imprescritíveis. A prescrição é de ordem material, a lei não poderá retroagir, salvo se for para beneficiar o réu. O fundamento da imprescritibilidade nesses casos se dá pelo não desaparecimento da memória do ser humano. Portanto, não pode a interpretação do art. 366 do Código de Processo Penal conduzir ao entendimento que a suspensão do processo será por tempo indeterminado, pois a Constituição Federal, no título dos direitos e garantias fundamentais não permite que se reduza o alcance dos direitos na Carta Fundamental estabelecidos para prejudicar o ser humano. BREVE ABORDAGEM SOBRE DIREITO PENAL DO INIMIGO Com a evolução da humanidade o homem, notou, percebeu e teve consciência da necessidade de abolir a vingança privada e da autodefesa para entregar e transmitir ao Estado a função de dirimir os conflitos (lides) na sociedade. Anteriormente o próprio ofendido (prejudicado) buscava a reparação lato sensu do dano, a punição e agia diretamente sobre o ofensor (infrator).

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RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. AÇÃO PENAL. NÃO-ATENDIMENTO À CITAÇÃO EDITALÍCIA. REVELIA. SUSPENSÃO DO PROCESSO E DO CURSO DO LAPSO PRESCRICIONAL. ART. 366 DO CPP. EXISTÊNCIA DE LIMITE PARA DURAÇÃO DO SOBRESTAMENTO. PRAZO REGULADO PELO PREVISTO NO ART. 109 DO CP, CONSIDERADA A PENA MÁXIMA APLICADA AO DELITO DENUNCIADO. PRESCRIÇÃO EVIDENCIADA. PROVIMENTO. 1. Consoante orientação pacificada nesta Corte, o prazo máximo de suspensão do lapso prescricional, na hipótese do art. 366 do CPP, não pode ultrapassar aquele previsto no art. 109 do Código Penal, considerada a pena máxima cominada ao delito denunciado, sob pena de ter-se como permanente o sobrestamento, tornando imprescritível a infração penal apurada. 2. Lapso prescricional referente ao delito denunciado preenchido. 3. Recurso provido para restabelecer a sentença de Primeiro Grau que declarou extinta a punibilidade do acusado pela prescrição da pretensão punitiva.

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Com o surgimento da jurisdição o Estado passou a exercer a função de resolver a lide (pretensão resistida) e de deter com exclusividade o direito de punir alguém pela prática de um determinado fato delituoso (infração penal). O jus puniendi despontou como uma decorrência indeclinável da própria soberania estatal, não dependendo sequer da prática do delito, pois é um direito genérico e abstratamente considerado. Com a prática efetiva do ilícito penal, aparece a pretensão punitiva estatal que exige, portanto, ao contrário do direito de punir, a concreção da conduta delituosa. A consumação de uma infração penal não acarreta e motiva somente o aparecimento da pretensão punitiva do Estado. Com o crime poderá vir a surgir, também, a pretensão individual de ressarcimento do dano causado à vítima (ofendida). A princípio, aliada à pretensão punitiva, de regra (não é toda ação delituosa que é necessariamente ressarcível - reparável) a prática da infração penal dá ensejo ao direito de alguém a ser indenizado civilmente pelo dano provocado. Esta norma jurídica na esfera civil foi expressa no art. 159 do Código Civil de 1916 - Lei nº 3.071, de 1/1/1916: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano ” e ratificada pelo art. 186 do Código Civil de 2002 - Lei nº 10.406, de 10/1/2002: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. PIMENTA BUENO conhecido como o velho Marquês de São Vicente advertia: "Todo o crime sujeita o delinqüente a duas condições legais: a sofrer a sanção penal pelo delito que cometeu, e a reparar o mal ou dano que por ele causou". A sanção penal ao lado da sanção cível (não-criminal) é uma das formas de controle social, a qual tem que ser o mesmo para todos (princípio da igualdade), assim deixa entrever Fernando da Costa Tourinho Filho que todo ser humano está sujeito à existência da pena, a qual se constitui em uma reação estatal à violação de bens e interesses tutelados pelas normas penais. Prestação é sinônimo de obrigação e sanção significa penalidade. Deste modo, havendo o descumprimento (inadimplemento) da prestação (obrigação) o inadimplente sujeitar-se-á a uma sanção civil (penalidade), prevista em lei. O Código Civil de 2002 cuida das modalidades de transmissão, adimplemento (cumprimento), extinção (desaparecimento) e inadimplemento (descumprimento) das obrigações (art. 233 ao art. 420, CC/2002). A sanção é uma medida legal (proveniente de lei) que poderá vir a ser imposta por quem foi lesado pela violação da norma jurídica, a fim de fazer cumprir a norma violada, de fazer reparar o dano causado ou de infundir respeito à ordem jurídica. A prisão civil é prevista em nossa Constituição de 1988 para os casos de depositário infiel e injustificado não pagamento de prestação alimentícia. A sanção penal é mais rigorosa e severa do que a sanção civil. A sanção penal é um tipo de limitação e restrição que a lei impõe ao direito individual do indivíduo. Afirma-se o mesmo da prisão penal comparada ou confrontada com a prisão civil. Logicamente a situação menos grave deve gerar sanção menos grave (princípio da proporcionalidade e razoabilidade) relativamente a mais grave. Pena ou sanção penal é a imposição de perda ou limitação ou restrição de bens jurídicos, prevista em lei e aplicada pelo Estado, por meio do órgão judiciário. A lei penal prevê três modalidades básicas de pena: privativa de liberdade, restritiva de direitos e multa. O ato ilícito é uma conduta contrária ao Direito que traz para o seu transgressor uma determinada sanção jurídica, necessariamente institucionalizada. Se a conduta ilícita, tendo em vista a natureza dos interesses que lesa, causa uma sanção de natureza penal (privação da
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liberdade, através da aplicação das penas de reclusão, detenção ou prisão simples; restrição de direitos; pecuniária e eventual medida de segurança), neste caso está diante de um ilícito penal, que tem sua origem no Código Penal e em leis penais extravagantes. Como diz TORNAGHI: "não há entre o delito civil e o delito penal nenhuma diferença intrínseca. A única divergência entre um e outro está exatamente na pena. No direito privado restabelecese o equilíbrio jurídico, violado pelo ato ilícito, com a reparação do dano; no Direito penal, em teoria pelo menos, com a execução da pena". O ilícito civil que pressupõe a infração de norma que tutela interesse privado, motiva sanções de outra natureza, não penais. O ilícito penal, levando-se em conta os bens ou valores atingidos, não admite outra sanção senão a de caráter penal. O Estado como único e exclusivo representante da sociedade, detém o direito-dever de punir: jus puniendi, de modo que deve utilizá-lo corretamente. A infração que supostamente tenha violado bem ou interesse tutelado pelo ordenamento penal deve receber a devida apuração (formação do processo), com respeito a todos os procedimentos processuais penais e a todas as garantias da pessoa humana. A primordial finalidade da sanção penal é restabelecer, depois da formação do processo com as garantias processuais: do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, em caso de uma condenação ou absolvição, a ordem para que a coletividade tenha sensação de segurança como um todo, caso seja possível, conceda também essa sensação de segurança ideal à parte que foi vítima do delito ou à parte que foi acusada de um delito, mas que não se comprovou a sua culpabilidade, para viver em harmonia social. Por este motivo justificado há a necessidade de um direito penal para que haja o controle social direcionado ao devido processo legal, baseado nos direitos e garantias básicas, fundamentais e humanas para se aplicar ou não, uma sanção penal. Nesse sentido é que se deve expressar categórico e taxativamente que todo ser humano, sem qualquer tipo de distinção, possui todos os direitos e todas as garantias que lhes são conferidas pelo Estado Democrático de Direito, dentre estes direitos e garantias, um principal direito e uma primordial garantia, a dignidade da pessoa humana, declarada e proclamada universalmente pela Organização das Nações Unidas, desde 10 de dezembro de 1948 e considerada, promulgada e reconhecida constitucionalmente pelo constituinte brasileiro, desde 5 de outubro de 1988. O direito penal do inimigo trabalha com o ponto de vista de que o cidadão é pessoa, sujeito de deveres, direitos e obrigações, enquanto que o inimigo é não-pessoa, e, assim, objeto do direito. Tal entendimento promove o que se pode chamar de exclusão do estado de pessoa, status personae. Escreve Guenther JAKOBS que "todo aquele que prometa de modo mais ou menos confiável fidelidade ao ordenamento jurídico tem direito a ser tratado como pessoa de direito". De acordo com o próprio JAKOBS: "ser pessoa significa ter de representar um papel". Todavia, é que aquele que não quiser desempenhar ou representar um determinado papel na sociedade, qual seja, o de fazer ou dar alguma coisa ou oferecer algo (prometer) de modo confiável ou credível que será fiel, honrado, leal e verdadeiro ao ordenamento jurídico será desprovido, limitado, privado e restringido de seus direitos. Assim se o for, não há que ser tratado como pessoa de direito. Aliás, Jesús-María Silva Sánchez destaca o que seria para Guenther Jakobs o inimigo: “[...] o inimigo é um indivíduo que, mediante seu comportamento, sua ocupação profissional ou, principalmente, mediante sua vinculação a uma organização, abandonou o Direito de modo supostamente duradouro e não apenas de maneira
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não se lembrar. penais e processuais do agente infrator (delinqüente). caso isso ocorra. Porque agora. quando desviam milhões dos cofres públicos ou atiram aviões em prédios infestados de pessoas inocentes. selecionado e seleto grupo de pessoas adaptadas. o Estado deve estar sempre em prol dos cidadãos e não o contrário. bem como não manteve o Estado de direito como princípio orientador. assim. Quando estupram criancinhas ou as fazem de instrumento do tráfico de drogas ou afins. a qualquer título. alguém que não garante a mínima segurança cognitiva de seu comportamento pessoal e manifesta este déficit por meio de sua conduta”. na medida em que se considere fonte de mal-estar para aqueles que têm o poder jurídico de definição. isso seria uma regressão ou retrocesso ao absolutismo. a razão parece repousar no ponto de vista de ZAFFARONI. Tentar suprimir os direitos de cidadãos é no mínimo complicado. a quem. Nessa direção. primeiramente na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. É mais interessante ainda o fato de que só é considerado inimigo. O conjunto de direitos. olvidar da própria dinâmica da realidade social. não é concedendo-lhe poder absoluto que se resolverá o problema. se um Estado desrespeita os direitos e as garantias dos cidadãos. Com o advento da Lei nº 10. fundamentais e humanos previstos. ou ainda. Desse modo. posteriormente reproduzidos pela Constituição Federal de 1988 foi criado para um excelente. princípios. trabalhadores e não criminosos condenam friamente os poucos reflexos dessa teoria no sistema penal brasileiro? No Brasil o Regime Disciplinar Diferenciado é um reflexo significativo do Direito Penal do Inimigo. acaba por descuidar. nega-se-lhes a protecção penal". Principalmente. éticos. em defesa dos cidadãos corretos. orientadas e reguladas pelo patriotismo que não atentarão contra o Estado e não para os essencialmente criminosos (delinqüente nato). negligenciar e omitir a segurança dos cidadãos não infratores acerca daquele criminoso. conformadas. o próprio Estado Democrático de Direito estará eminentemente em estado de abolição. conforme coloca JesúsMaría Silva Sánchez: "para o Direito penal é inimigo aquele ser humano. sob o qual recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação. ao longo da história mundial e brasileira. 71 .792/2003 que alterou a Lei de Execuções Penais e inseriu em nosso meio social o Regime Disciplinar Diferenciado e trouxe a possibilidade de “abrigar o preso provisório ou condenado. fracos e impotentes) e não para os “powerful” (fortes. quando o assunto é definir critérios de quem são e quais os direitos a serem suspensos destes conhecidos “inimigos”. dentre outros estatutos e regramentos internacionais. considerado pela grande maioria inconstitucional. garantias e princípios básicos. poderosos e potentes). Pelo contrário. O sistema penal do nosso Estado Democrático de Direito . os direitos dos cidadãos conquistados. orientador e aperfeiçoado. A proposta estática de contenção de JAKOBS é incoerente. pois é cabível aos homens julgarem os fatos tão-somente e a Deus cabe julgar as pessoas de acordo com suas ações e atos. haja vista ser justamente onde os Estados de Direito são mais frágeis e defeituosos que o modelo ideal deve ser mais guia. não se pensam ou questionam direitos. A solução é evidentemente permanecer na luta por maior efetividade dos direitos e garantias conquistados e já existentes. O Estado na busca constante de proteger os direitos. Todavia merece menção que a própria taxação de pessoas como inimigas não é atribuição do direito penal. na busca por outros ou novos direitos e garantias. em organizações criminosas.incidental. moldadas.Brasil é feito apenas para os “powerless” (débeis. e só aquele ser humano. dignidade ou Estado Democrático de Direito. ou seja. honestos. É. garantias e princípios constitucionais e legais. são frutos que não podem desaparecer ou serem mitigados. Porém. por esquecer. quadrilha ou bando”.

que muitos políticos condenados por corrupção são reeleitos. o que e quem ele é e com excelência. terroristas. O "Direito Penal do Inimigo" estabelece que o "cidadão" deve ser respeitado e pode contar com todos os direitos e todas as garantias penais e processuais colocadas à sua disposição. quem não pertence à comunidade”. O Inimigo no Direito Penal. o fim do conflito jurídico. Neste aspecto. 13ª edição. A busca da prova no direito deve partir de uma “verdade” inquestionável e preestabelecida. (. sempre considerado um incômodo para sua família e para a sociedade.Para falar em dignidade da pessoa do preso. apesar de não ser possível formular um conceito concreto do que ele seja ou seria todo aquele que não se enquadra nos padrões de conduta estipulados pela sociedade. Como exemplo. quer administrativas. 1991. Todas as características visíveis na pessoa do condenado. este seria o inimigo. JAKOBS cita os "criminosos econômicos. Heleno Cláudio Fragoso na sua obra. através de um conjunto de processos regularizados e de princípios normativos. o "inimigo" pelo fato de não ser um sujeito processual. pág. ao citar CARL SCHIMITT assevera que: “inimigo não é qualquer infrator. inconveniente e problemático. mesmo sendo acusados julgados e condenados. tanto do ponto de vista corporal como espiritual. na maioria das vezes nem condenado é. tanto. e mesmo quando isto acontece. autores de delitos sexuais e outras infrações penais perigosas". considerados justificáveis para contribuir com a criação e prevenção de litígios e para a resolução destes com aplicações de penas. ZAFFARONI trata do tema em sua obra. 210: 72 . segundo GOMES (2009. conforme descrito na obra. 3. É considerado como inimigo "quem se afasta de modo permanente do Direito e não oferece garantias cognitivas de que vai continuar fiel a norma". deixam de ser considerado objeto de proteção do direito e da consciência de respeito ao próximo. não pode contar com tais direitos e garantias. como este inimigo "não é um sujeito processual. conceitua direito penal como: “O conjunto de normas jurídicas mediante as quais o Estado proíbe determinadas ações ou omissões. algumas pessoas cometem um ou vários crimes e por isso.. Vivendo a Filosofia. Editora: Forense. sob ameaça de característica sanção penal”. p. isso explica de que os homens eram naturalmente iguais. são apartados do seio social. é necessário abrir um parêntese para falar sobre o inimigo. Em contrapartida. Todavia. Para Thomas Hobbes “O homem é o lobo do homem” e o estado natural do homem é o da “guerra de todos contra todos”. a sociedade logo esquece. através de ações que busquem a resolução de controvérsias jurídicas. são estereotipados e estigmatizados. o indesejável. No que se refere ao tratamento que deve ser dispensado ao inimigo. seria aquele que ocasiona situações conflituosas. p.) não pode contar com direitos processuais". HISTÓRICO DA EVOLUÇÃO DO DIREITO PENAL: DAS PROVAS E PENAS Inicialmente pode-se conceituar normativamente direito como um conjunto de normas coercitivas impostas pelo Estado. 1).. Rio de Janeiro. O inimigo. O autor. centradas no resultado a ser atingido. No Brasil é facilmente visível a diferenciação entre o inimigo e o infrator (delinqüente). quer cíveis ou criminais. inimigo é aquele que carece de direitos em termos absolutos. Lições de Direito Penal: Parte Geral. o infrator. delinqüentes organizados.

justiça. porque o homem tinha grande temor dos poderes sobrenaturais e ainda era difícil distinguir o que seria uma regra jurídica e o que era uma regra religiosa. Cada comunidade ou grupo tinha a sua própria crença. política. tendo em vista que a base de organização social humana era semelhante. O Egito foi à primeira civilização da humanidade e que desenvolveu um sistema jurídico que se pode chamar “individualista”. quer aliando-se com outros que se encontrem ameaçados pelo mesmo perigo”. desvio e costume.). Este estudo remonta os mais antigos documentos escritos conservados.invenção e domínio da escrita.. porque eram interligadas e confundidas entre si. tinham a tendência de aplicar aos litígios resoluções anteriormente decididas nos conflitos semelhantes. desde os primórdios era concebida como mero ato de punição (vingança) e atendia aos anseios de uma sociedade inserida em um contexto de paradigmas de valores reinantes à época. época diferente para cada povo e para cada civilização. por não terem regras jurídicas codificadas por serem limitados a estas formulações escritas. Não existia uma distinção entre direito. A polícia era extremamente organizada. Os povos sem escritas. instituindo-se o precedente judiciário. atingiram níveis de desenvolvimento que superaram o nível da evolução jurídica de certos povos que se serviam da escrita. bem longe das instituições que se teve com as constituições definidas nos sistemas romanistas ou do common law (jurisprudências dos tribunais). na época dos povos egípcios. C. Neste aspecto. mas a diversidade era relativa. não tinham dificuldades para aplicar o direito. O conceito mais simplório de crença é qualquer declaração que supostamente descreve algum aspecto da realidade coletiva.advento do comércio. por considerar a existência de meios de constrangimentos que assegurava o respeito às normas de comportamento.“O mais fraco tem força suficiente para matar o mais forte. O direito na época das civilizações sem escrita ainda estava em gestação. Nessa época ainda o direito e a religião estavam interligadas. considerado característico da vida em sistemas sociais. regra jurídica e religião. As penas impostas eram: a morte. moral. O homem que praticasse qualquer espécie de desvio de conduta quer moral. banimento (exclusão do grupo social). pelo medo da opinião pública de ser desprezado. O desvio é qualquer comportamento ou aparência que violam uma norma. quer penal ou social. pois aplicavam através da compilação de casos concretos. II. em razão de que a transmissão oral da cultura não era suficiente para a preservação da identidade e da memória dos primeiros povos urbanos por possuir uma estrutura econômica. A edição de uma norma jurídica penal normalmente é estudada a partir da época em que os fatos passam a ocorrer com freqüências nas comunidades. pois viviam isolados. A pena. A obediência ao costume era admitida como caráter jurídico. se corresponde ou não ao que é aceito no sistema social como “verdade” ou “fato”. adágios (lendas. sem contato com outras comunidades e havia grandes diversidades nesses direitos. costume é um modo regular e padronizado de parecer ou comportar-se. poderia considerar-se predestinado à morte. chamados de costumes. Há civilizações que mesmo não se servindo da escrita. desprezo. Os documentos escritos mais antigos de natureza jurídica surgiram aproximadamente 3100 a. quer por secreta maquinação. 73 . Naquela época. mesmo involuntariamente. o qual poderia surgir no grupo (tribo ou comunidade) em que vivia. sujeitar-se-ia a uma pena. um homem que fosse desprezado e passasse a viver isolado de sua tribo. III. hebreus e mesopotâmicos. religiosa e social mais diferenciada. A obediência ao costume era assegurada pelo temor dos poderes sobrenaturais. Os pares que julgavam o indivíduo infrator. penas corporais. poemas e etc. A regra jurídica (direitos) se institucionalizou com três fatores históricos responsáveis pela transição das formas arcaicas de sociedades para as primeiras civilizações da Antiguidade: Isurgimento das cidades. A decisão era baseada nos provérbios.

III. O êxodo (fuga) do povo da escravidão e perseguição dos faraós egípcios. mas sem modificar os seus fundamentos básicos. com decisão simbólica. O Estado tinha grande controle sobre os cidadãos e seus bens em geral. os hititas e os sumérios redigiram textos jurídicos que se podem chamar “códigos”.). Criaram três tribunais: I. Outras penas eram a excomunhão (pena eclesiástica de exclusão dos bens espirituais).). por ter sido dado por Deus ao seu povo.). Os Hebreus não atingiram desenvolvimento do direito. os quais eram executados por meio da lapidação (apedrejamento. IV.delitos contra o patrimônio (furtos. considerando-o imutável. líder e legislador do povo hebreu. A lapidação (apedrejamento) era o modo de se aplicar a pena de morte. A Mesopotâmia (atual Iraque e Kuwait) foi à região que conheceu as primeiras formulações de direito com os acadianos. As regras jurídicas são conhecidas c omo direitos cuneiformes (escrita na forma de cunha).). por formularem regras de direito mais ou menos abstratas. um conjunto de preceitos e regras jurídicas. Todo o poder político era concentrado nas mãos do faraó. demonstrando ter sido essa civilização evoluída e organizada. em que cada uma. por causar influência direta no direito canônico e no direito dos mulçumanos. decapitação. Não se tem notícia se os egípcios tiveram ou não um direito codificado. a prosperidade do povo e a soberania do Estado. lançamento ao fogo e etc. o cadáver era queimado ou dependurado em uma árvore. tortura). O direito hebraico é estritamente um direito religioso. depois de cumprida a sentença. Esses povos deixaram o legado dos documentos legislativos escritos mais antigos na forma de “códigos”.Sinédrio – Tribunal dos Setenta (Corte Suprema composta por setenta juízes): incumbia interpretar as leis e julgar os senadores. Levítico. Profetas. II. homicídios e etc. regularmente realizavam recenseamentos populacionais. fornicação. julgamento secreto.Tribunal dos Vinte e Três: julgavam as apelações e recursos. responsável pelo julgamento dos crimes considerados graves. não guardar o dia de sábado e etc. polícia repressiva e auxiliar da instrução processual.Tribunal dos Três: julgavam os delitos e as causas de interesse pecuniário. flagelação (acoitamento. a qual foi comandada por Moisés. a cargo de testemunhas. Atualmente é a mesma lógica dos nossos distritos policiais.delitos contra a divindade (blasfêmia. ao qual cumpria garantir a ordem. mas registram na Bíblia (livro religioso e sagrado). cidades e tribos rebeldes. chefes militares. normalmente punidos com penas pecuniárias. os assírios. Os aplicadores do direito poderiam interpretar e adaptá-los à evolução social. os processos criminais relativos aos crimes com pena de morte. II. profetas. O processo centrava-se na acusação como um dever cívico das testemunhas da ocorrência do fato tido como crime.O Poder Judiciário em face da origem “divina” dos faraós concentrava na classe sacerdotal e as principais cidades forneciam os juízes para o Tribunal Supremo. composto por cinco livros: Gênesis. Êxodo. era inspecionada por um Prefeito de Polícia. A organização da polícia dividia suas cidades em quatro partes. pena de talião (olho por olho. prisão e etc. Na Bíblia constam as bases jurídicas. porque só a Deus é permitido modificá-lo. os babilônicos. sedução e etc. Números e Deuteronômio. centra-se nos costumes e tradições. fundamentado na religião monoteísta. roubos. concepção que se encontra no direito canônico e mulçumano. dentre por dentre). O sistema penal era dominado pela razão religiosa. A Bíblia é considerada como fonte formal do direito e a principal fonte histórica para conhecimento do povo hebreu.delitos contra a honestidade (adultério. 74 . Os delitos previstos na Lei Mosaica eram classificados: I. idolatria.). porém a denúncia formulada por uma única testemunha não conduzia à pena de morte. instrução processual pública e escrita. dividida em três partes: Pentateuco (Thora – lei escrita revelada por Deus). Admitia-se a pena de morte contra delitos considerados graves. abordagem do aspecto histórico. Hagiógrafos.delitos praticados pelo homem contra seu semelhante (lesões corporais. falsificações e etc. morais e religiosas que se perpetuaram. III.

75 . título de crédito e venda). depósito. o cárcere. a enxovia. II. com reciprocidade.Código de Esnunna (cerca de 1930 a. açoites.Código de Ur-Nammu (cerca de 2400 a.. o ergástulo era uma prisão. mutilação era infringida de acordo com a natureza da ofensa).600 linhas de texto: grande compilação das normas e costumes). Naquela época aplicava-se a mesma pena tanto para o autor do crime de furto ou de roubo como para o autor do crime de receptação. como a prova do fogo. escura e fedida. envenenamento.Penal (admitia punição severa para muitos casos – pena de morte: afogamento ou empalação. sendo logo depois arremessado no rio e levado pela correnteza. região da Suméria – Baixa Mesopotâmia). do contraditório e da ampla defesa se revelava injusta e desproporcional ao mal praticado. III. onde os prisioneiros permaneciam acorrentados. fogo.As civilizações eram dividas em cidades-estados. retrata um sistema jurídico extremamente desenvolvido em relação as desigualdades sociais. que ficava rente com a rua ou um pouco mais abaixo. C. A pena aplicada sem as garantias do devido processo legal. muitos inocentes foram impiedosamente condenados à morte pelas terríveis ordálias ou Juízos de Deus. sobretudo se desenvolveu no domínio do direito privado no que se refere aos contratos. ligadas ao direito penal. casamento – regime de comunhão de bens). Caso não viesse a submergir era a prova de sua inocência”. possuía janela para a rua a fim de que o prisioneiro recebesse o ar natural. através de provas cruéis e desumanas a que eram submetidos os acusados em geral. Dentre as prisões dessa época obscura de nossa humanidade destacavam-se: o calabouço.Código de Hamurabi (cerca de 1694 a.. IV. a qual consistia. III. a masmorra era uma espécie de prisão que ficava abaixo do nível da rua. forca. uma mistura de direito penal e direito civil (direito de família e responsabilidade civil). Com efeito. onde o preso não podia se mexer e não podia levantar a cabeça por falta de espaço. V. previsão e possibilidade de repúdio da mulher pelo marido. empréstimo a juros. O calabouço era uma prisão funda. das serpentes ou da água. sendo úmida. com os seguintes institutos: I. eletrocutação. provada a má conduta do marido a mulher retornava a sua família originária e levava seus bens. torturas. arrancamento de vísceras. forca. C. o ergástulo.Adoção (estipulado as conseqüências jurídicas da ruptura do vínculo entre adotante e adotado). Formularam código escrito. o cárcere. roda. Editaram os seguintes códigos: I.. fogueira. decapitação. mesmo depois do casamento e com liberdade na administração e gestão de seus bens. cujos ditames sustentavam que os deuses revelariam a tão sonhada verdade. esquartejamento.Sucessão (limitações de dispor do patrimônio em detrimento de algum filho sobrevivente). segundo o Juiz Nivaldo Wanderley Omena: “No fato de amarrar um dos pés do acusado a uma das mãos. documento legislativo escrito mais antigo da história do direito contendo normas de costumes. com descrições de decisões anteriormente proferidas em algum caso concreto. escravos e subalternos. a enxovia e a masmorra. empalamento. O Juiz baiano Nivaldo Wanderley Omena assevera que: “A pena de morte era aplicada das mais variadas formas e entre as mais usu ais destacavam-se: afogamento. C. contendo 282 artigos em 3. considerado com compilação de casos concretos. contendo cerca de 60 artigos).Contratos (arrendamento. amputação de membros e partes do corpo”. onde o preso ficava incomunicável. linchamento.Família (mulher dotada de personalidade jurídica. mantendo seu dote. diferenciando-se as penas a serem aplicadas aos homens livres. inseridas no código várias modalidades de contratos e negócios jurídicos em função de que praticavam amplamente a atividade de comércio. II.

conforme é enfatizado neste artigo: a vingança privada. Era lançado em um calabouço em eterno esquecimento”. cortarlhe os nervos e retalhar-lhe as juntas”. preservando-se o poder político da elite ou casta dominante. carregando uma tocha de cera acesa de duas libras. foi preciso colocar seis. a mutilação ou a morte no corpo do acusado. óleo fervente.Mais uma vez o Juiz Nivaldo Wanderley Omena salienta que antes da Revolução francesa: “Um homem podia ser conduzido à bastilha por toda a sua vida. Essa última operação foi muita longa. vingança divina. Lourisse Lessa no seu artigo intitulado. e a seguir seu corpo será puxado e desmembrado por quatro cavalos e seus membros consumidos ao fogo. braços. Em alguns casos. provinha da propriedade. livrando-o da influência daqueles indivíduos considerados criminosos ou perigosos. com sua impar cultura humanista. foi necessário. era o meio de atenuar a fúria dos deuses e purificar o criminoso e a sociedade a que pertencia. segundo Magalhães Noronha: “O direito e o poder emanavam de Júpiter. e sobre um patíbulo que aí será erguido. outras vezes a pena se revelava como instrumento necessário e eficaz de manter o controle social e a segurança do soberano ou grupo oligárquico. sua mão direita segurando a faca com que cometeu o parricídio. de camisola. e como isso não bastasse. na dita carroça. sem culpa formada. O insigne Michel Foucault em sua conhecida obra. o tronco ou o pelourinho ao qual se atavam os escravos fustigados. fundado na intervenção física que impõe a dor. independentemente de processo. Não havia qualquer preocupação com a individualização e a proporcionalidade na aplicação da pena. o criador e protetor do universo. O símbolo desse sistema penal poderia ser a forca. a 2 de março de 1757. um poder penal que. de modo que. desnudando a realidade nua e crua dos horrores da pena vivenciados à época: “Damiens fora condenado. A pena. ao ponto de existir uma continuidade (inclusive prevista em lei) entre a pena pública e o castigo doméstico. pois negava a seus parentes o sagrado direito de sepultar os restos mortais daquele. reduzidos a cinzas. em vez de quatro. extirpando. revelado pela crueldade das penas. mas 76 . nu. coxas e barrigas das pernas. sem qualquer misericórdia ou perdão. Iluminismo: Alicerce filosófico de Justiça Penal nos relata fielmente o suplício a que foi submetido um condenado.como da estrutura do escravismo de base corporal. vingança pública. simbolizando o sistema penal brasileiro no período feudal ao prelecionar: “O sistema penal do Brasil imperial escravista era . [em seguida]. e às partes em que será atenazado se aplicarão chumbo derretido. piche em fogo. sempre carregava o seu caráter religioso. Dele provinha o poder dos reis e em seu nome se procedia ao julgamento do litígio e à imposição do castigo”. mesmo depois do monopólio da justiça pelo Estado. Da mesma forma. Vigiar e Punir citado pela Professora. manipulado pelos proprietários de terras e de negros. atenazado nos mamilos. e sua cinzas lançadas ao vento. O penalista Nilo Batista. aquele indivíduo imprestável da sociedade. Finalmente foi esquartejado [relata a Gazeta d´Amsterdam]. sem testemunha. o confisco de bens e à infâmia atingiam os descendentes do acusado em uma demonstração desumana de ira e vingança. que normalmente levava a eliminação do acusado ou até mesmo de seu grupo. tal como na ordem feudal (passemos longe desta polêmica). queimada com fogo de enxofre. cera e enxofre derretidos conjuntamente. o efeito da pena ultrapassava à morte do acusado. já que na Grécia. A pena. pois a punição atingia familiar (parente) ou até pessoas do mesmo grupo social a que pertenciam o acusado. na praça de greve. porque os cavalos utilizados não estavam afeitos à tração. Vê-se que nesse período preponderava o embrutecimento do ser humano em todas as suas faces. apedir perdão publicamente diante da porta principal da Igreja de Paris aonde devia ser levado e acompanhado numa carroça. para desmembrar as coxas do infeliz. podendo-se divisar historicamente três períodos.

declaram o réu infame. nos 10 (dez) mandamentos pronunciados por Deus a Moisés. O civil ou assemelhado será executado nas mesmas condições. Alferes que foi da tropa paga da Capitania de Minas a que com baraço e pregão seja conduzida pelas ruas públicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre. CRFB/1988) e se caso ocorrer. A principal pena prevista na Thora era a lapidação (morte por apedrejamento). Levítico. a reação dever-se-ia ser equivalente ao delito praticado. olho por olho.. retratado no sangue por sangue. datado de 1000 a. Com a evolução dos costumes. e o seu corpo dera dividido em quatro quartos. um conjunto de leis com 282 artigos) e Pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis. tendo-os. aos poucos. salvo se o recusar. pelo qual o acusado se livrava do castigo da pena pela compra de sua liberdade. exceto em caso de guerra declarada (alínea ‘a’. devendo deixar a prisão decentemente vestido”. é uma das principais leis escritas. “origem remota das formas modernas de indenização do Direito civil e da multa do Direito Penal”. dente por dente. Antes do advento do período humanitário surge ainda o sistema de composição. e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica aonde em lugar mais público della será pregada. centrando-se na responsabilidade individual do autor do delito. no momento em que tiver de receber as descargas. 707. eliminar o caráter cruel e desumano das penas. cujo castigo das armas. quando este liderava seu povo durante o êxodo (fuga) do Egito para a Palestina para a terra prometida. as penas corporais que produziam dor passam a ser substituídas pela pena privativa de liberdade. de 21/10/1969 – Código de Processo Penal Militar): “Art. já que diminuía os efeitos de sua incidência. e os seus bens apllicam para o Fisco e Câmara Real. 707. é um contexto mais religioso do que jurídico) e Código de Hamurabi (adotado na Babilônia... a Lei do Talião (Pena de Talião) surge como forma de estabelecer certa proporcionalidade entre o crime praticado e a pena. Suavizando as agruras e o suplício das barbáries das penas. a pena aflitiva. em um poste alto até que o tempo a consuma. sem conseguir. representando um grande avanço na aplicação da pena. Números e Deuteronômio) conhecido como ‘Direito Hebraico’. Dionísio Cerqueira. sua base moral está prevista. As vozes de fogo serão substituídas por sinais. No Brasil não se admite a pena de morte.poderia também ser o infeliz soldado das reminiscências do gen. ou seja. para que nunca mais no chão se edifique e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável Réu (. conforme se depreende pela leitura da parte dispositiva de sua sentença de morte. a composição é a. por excelência. Decreto-Lei 1. 5º. Com a evolução social a pena perde o seu caráter religioso. recebiam esta pena os feiticeiros. O militar que tiver de ser fuzilado sairá da prisão com uniforme comum e sem insígnias. o meio de execução é o fuzilamento (art. § 1º. transcrita pelo Desembargador Adalto Dias Tristão em sua preciosa obra: “(. o qual foi escrito em uma pedra conhecida por ‘estela’. filhos rebeldes. tendo sido adotado pelo Código de Manu (adotado na Índia. que passa a ser. contudo.)”. custou-lhe a vida após 1800 pranchadas”. do art. C. a Thora (lei dos hebreus) de aproximadamente 1250 a. e seus filhos e netos.. Êxodo. e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada. no sentido de evitar a eliminação do grupo social. hoje Iraque e parte do Irã. e terá os olhos vendados. inciso XLVII. Consoante o magistério de Júlio Fabbrinni Mirabete.) Portanto condenam ao Réu Joaquim José da Silva Xavier por alcunha o Tiradentes. 77 .. É exemplificativa a condenação de Tiradentes (mártin brasileiro). prostitutas e mulheres adúlteras. C.002. em boa parte dos países ocidentais. datado de 1792 a. assim. gradativamente.. e pregado em postes pelo caminho de Minas no sítio da Varginha e das Sebolas aonde o réu teve as suas infames práticas e os mais nos sítios de maiores povoações até que o tempo também os consuma. C..

como ficou conhecido.repudia o testemunho secreto. não só para intimidar o criminoso. de novos malefícios contra sues concidadãos e a de impedir a prática de crimes pelos demais cidadãos. Marquês de Beccaria. a tortura e condenações excessivas. tendo sido atirado por influência de seu genitor as agruras de uma prisão de masmorra do século XVIII. como ocorre com a pena de morte e as penas cruéis. Cesare de Beccaria foi o precursor dos verdadeiros postulados dos direitos humanos. que lança as bases para a ciência do Direito Penal. IV. mas também para recuperar o delinqüente. III. não se podendo deixar aos caprichos ou a arbitrariedade dos magistrados na sua interpretação e aplicação. a tortura nos interrogatórios e os Juízos de Deus. que recaem sobre toda a família do delinqüente. bem como propiciar condições para a readaptação social do indivíduo. tendo-o como “mal praticado”. que se opusera a seu casamento com Tereza de Blasco. MONTESQUIEU e ROUSSEAU propagam-se rapidamente por toda parte. Cesare de Beccaria. ao sustentar que a pena deve ser equivalente ao mal praticado com o crime. portanto. No que toca a aplicação da pena. os quais não levam à descoberta da verdade. VIII. mudando a fundamentação do direito de punir e estabelecendo racionalmente a proporcionalidade entre o delito e a pena aplicada. mas é um italiano de Milão. Consoante o magistério precioso da Professora Lourisse Lessa. FUNDAMENTOS DA APLICAÇÃO DA PENA As diversas correntes doutrinárias fundamentam o direito de punir. as penas atingirem direitos não cedidos. cuja finalidade seria impedir a prática. ressaltando que a pena deve ter a finalidade de evitar a reprodução de novos crimes na comunidade. contra a pena de morte. pelo réu. a prevenção especial e a geral.defende a individualização da pena. consistindo em um “castigo” ao delito cometido.. não podendo. Pode sintetizar os seguintes postulados dos princípios sustentados por CESARE DE BECCARIA: I. ter sido ele o pioneiro não só do movimento abolicionista da pena de morte. jurídico e ideológico de toda a elaboração doutrinária que lhe sucedeu. Cesare de Beccaria lança pioneiramente os fundamentos retributivos e da prevenção geral e especial.vislumbra a pena como profilaxia social. Não será exagero afirmar. b em como abomina a pena de confisco.as normas devem ser claras e conhecidas de todos os cidadãos. 78 . estabeleceu grande conflito com seu pai.os cidadãos no contrato social cedem apenas uma parcela de sua liberdade e direito com o objetivo de conviverem pacificamente na sociedade. mas também o pioneiro do movimento abolicionista da própria prisão. ao prelecionar: “A Beccaria pertence o prestígio de ter sido o primeiro a defender a causa abolicionista da pena de morte. na defesa dos direitos humanos. não admitindo que a pena atinja os herdeiros do condenado e as infamantes. É com Beccaria que se inicia a idade moderna do Direito Penal.a prisão preventiva somente se justifica diante das provas da autoria e da existência do VI. constitui-se no embasamento político.a pena deve ser proporcional ao delito praticado. quando escreveu o pequeno grande livro “Dos delitos e das penas” que sobreviveu a inquisição e atravessou séculos chegando até nossos dias. V. como pena”. A corrente retributiva sustenta que a pena é um fim em si mesmo.somente as leis podem estabelecer as penas. Suas idéias.. II. Parte da idéia do contrato social e da concepção utilitária da pena. destacando-se a retributiva.O período humanitário nasce e suas idéias oriundas dos iluministas franceses como Voltaire. VII. crime. Diderot.

objetivando o bemestar de todos os cidadãos à luz dos princípios constitucionais centrado na individualização da pena aplicada ao delinqüente. refere-se ao delinqüente. menos intervencionista. o fim justificador da pena que deve ser utilitária e voltada para o futuro. em um verdadeiro Estado Democrático de Direito. A teoria retributiva parte do princípio da compensação da culpa. cada um pode viver conforme deseja e o Estado não tem legitimação para impor valores morais a quem quer que seja. desde o início da existência do homem. da idéia metafísica de que a culpa do agente infrator é compensada pelo cumprimento da pena. A pena compensa a culpa e está direcionada ao passado. do pressuposto de que a pena é a justa retribuição ao fato delitivo cometido. quando os demais meios de controles 79 . O aspecto negativo da prevenção especial consiste na intimidação do agente. A prevenção geral negativa encontraria expressão na intimidação causada pela lei penal ou pela condenação em si. A teoria retributiva entende que o delito perpetrado e a culpabilidade do delinqüente tenha penalização justa. podendo essa intimidação ser atribuída à gravidade da pena cominada. mediante a aplicação de pena e a comunicar que toda norma de convivência violada corresponde a uma penalização (sanção) efetivamente aplicada. A teoria da prevenção geral teria a função precípua de intimidar os delinqüentes em geral. voltada para o passado e sem qualquer preocupação com a readaptação social do delinqüente a teoria retributiva dissocia-se de qualquer fim social ou utilitarista. à reeducação ou à correção. a prevenção geral positiva. A jurista e mestre Carmem Silva de Morais Barros preleciona: “A prevenção especial tem em vista o indivíduo. equitativa e proporcionalmente e ainda que o delinqüente expie seu delito. como contra impulso criminal. que é o EstadoJuiz. Já o aspecto positivo refere-se à socialização. mas somente a realização da justiça. Todavia. A proteção de bens jurídicos seria alcançada. centrado na dignidade da pessoa humana. A prevenção geral negativa teria a finalidade de prevenir a perpetração de delitos por parte da generalidade. por se constituir. “vê no sofrimento a única via de redenção” do agente criminoso para refletir-se na sua própria reeducação e ressocialização. já que a pena retributiva tem conteúdo moral. através da aplicação concreta da pena. teria a finalidade de perpetrar a eficácia estabilizadora da norma jurídica. A Constituição e a Lei de Execução Penal ressaltam de que ao delinqüente só serão oferecidas novas oportunidades de integração social e condições que impeçam que a pena seja fator de sua dessocialização. a passos longos para implementar um direito penal mínimo. HUMANIZAÇÃO DOS DIREITOS NAS TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS A humanidade vem caminhando.objetivando a aplicação de uma pena (sanção) justa e equitativa que reflita o sentimento de realização de justiça. A teoria da prevenção especial tem como fundamento do jus puniendi. O crime é negado e expiado pelo sofrimento da pena. Desta forma. A Pena tem o fim de readaptar o indivíduo à vida social”. na sua inocuização para que não volte a delinqüir. A legitimidade do direito de punir do Estado em uma sociedade democrática de direito e pluralista só estará legitimado. ratificando a validade da norma jurídica legal. Por sua vez. considerando que em uma sociedade pluralista como é o Brasil. por centrar-se na preposição de que. Espera-se que a ameaça de aplicação de pena exerça uma função no processo de formação do querer. garantista. à quantidade da pena aplicada ou à intensidade da perseguição visando à imposição da pena. Com a aplicação da pena retributiva não se busca alcançar qualquer fim. mediante a estabilização das expectativas comunitárias na validade da norma jurídica violada. mediante a ameaça da efetiva aplicação da sanção penal. a partir da promulgação da Constituição de 5 de outubro de 1988.

ou seja. tendo entre seus maiores expoentes. sendo comum a mistura de reclusos. fruto de mera punição (vingança) da violência arbitrária perpetrada pelo Estado. 11) depois de reconhecer o fracasso da justiça penal critica a pena de prisão ao asseverar: “Provoca a reincidência. como: à integridade física e psíquica.000 (cento e oitenta e cinco mil). Arredando-se as penas cruéis. p. esta nosso bem supremo e os demais estão nestes inseridos. se houver um bem jurídico afetado. qual seja uma doutrina do “ direito penal mínimo”. vislumbra-se que a legitimidade do direito de punir só estará justificada quando houver necessidade de proteger bens jurídicos relevantes da sociedade. abrindo mão gradativamente da imposição de penas privativas de liberdade ou mesmo desproporcionais e desnecessárias. havendo hoje. principalmente.Japão. encontra-se em evidência uma doutrina intermediária. ZAFARONI e CERVINII. em que a ação humana causar lesividade. a intervenção penal só será justificada. da atuação do direito penal. opressão e violação dos direitos humanos. cujos valores imperantes indiquem a necessidade da intervenção estatal. só reservada para aqueles crimes graves (hediondos) e que fosse ditada pelos princípios da necessidade e proporcionalidade. Atualmente a humanidade caminha para o abolicionismo radical do direito penal que tem em HULSMAN e CHRISTIE seus maiores defensores. pois esse deve ser o limite máximo admissível para a intervenção punitiva do Estado. o princípio da lesividade permite considerar que bens jurídicos relevantes são aqueles cuja lesão se concretiza na própria pessoa ou em terceira. a corrupção. custo médio de um salário mínimo. se for imprescindível para a convivência comunitária que se traduz na função protetora do ser humano ou de objeto patrimonial ou extrapatrimonial que lhe pertença. cuja essência consiste na introdução da ordem legal (ordem emanada de alguma norma jurídica) procedimentos de descriminalização de condutas típicas. à vida.00 (quinhentos e quarenta e cinco reais) por mês. FOUCAULTO (1996. prontos para todas as cumplicidades futuras. amontoadas como se fossem em depósitos subumanos e submetidos a todo tipo de crueldade e desrespeito. as condições dadas aos detentos libertados condenam-nos fatalmente à reincidência. reeducativa ou ressocializadora do indivíduo e o Estado que não investem nessa área. detentos com detentas. Assim. o medo. ou seja. hierarquizados. a incapacidade dos vigilantes e a exploração (dentro delas nascem e se desenvolvem as carreiras criminais). não diminuiu a taxa de criminalidade. ao fazer cair na miséria à 80 . bem como de despenalização. sintonizados com os enunciados dos direitos fundamentais da pessoa humana. em face do reconhecimento do fracasso da pena privativa de liberdade. não pode deixar d e fabricar delinqüentes. No Brasil a taxa de reincidência da pena de prisão é de 85% (oitenta e cinco por cento) e o custo mensal por cada indivíduo preso é de. criando “pari passu” as condições para a implementação de penas alternativas à pena privativa de liberdade. mesmo porque lhe são inerentes o arbítrio.sociais se mostrarem ineficazes e a intervenção penal se afigurar necessária para resguardar as condições elementares para a convivência social e a auto realização do homem em sociedade. à liberdade. à propriedade. contingente mínimo de pessoas presas nas cadeias e penitenciárias brasileira de aproximadamente 185. sem qualquer preocupação humanista. a qual deve ser protegida. de presos definitivos com presos provisórios. FERRAJOLI. A prisão na ótica do direito penal mínimo seria a ultima ratio. favorece a organização de um meio de delinqüentes. reclusas. abordagem matemática mínima do mínimo. e. no mínimo. a lesão só poderá ser objeto de punição. no sentido de evitar ao máximo o ergastulamento cautelar (provisória ou temporária) ou processual (preventiva) do indivíduo acusado de alguma infração penal. humilhação. depois das regras de Tóquio . alastrando-se progressivamente toda a espécie de constrangimento. solidários entre si. desproporcionais e desumanas. É de ver que esse bem jurídico tutelado pela norma penal deve ter assento constitucional e ser extraído da realidade social em um determinado momento histórico. a prisão fabrica indiretamente delinqüente. cerca de R$545. Portanto. de presos condenados a regime aberto ou semi-aberto cumprindo penas em regimes fechados nas cadeias públicas das cidades do interior.

para esse grupo de pessoas humanas que se enfrentam ou defrontaram com as grades intransponíveis que a racionalidade do mercado construiu ao redor do condomínio no qual residem as novas acumulações de riqueza. “ subtrai ao Estado às possibilidades de intervenção econômica”. enquanto o bom delinqüente tem à sua espera a transação penal ou a suspensão condicional do processo.259. havendo a prática de um fato delituoso. despejos de áreas urbanas ocupadas por famílias pobres. da pena privativa de liberdade. Atualmente.099. fazendo referência à doutrina da segurança nacional implantada na época da ditadura militar. de 26 de setembro de 1995) com alteração dada pela Lei 9. argumentando: “Processualmente.família do detento. deve-se aferir a prima facie se o conflito deve ser dirimido pelos Juizados Especiais. em que o sistema penal visualiza o “bom delinqüente” e o “mal delinqüente”. a 81 . art. utilizando-se o sursis no sentido de se evitar o encarceramento de condenados as penas de curta duração. onde deverá evitar ao máximo o processo. deve procurar a substituição da pena privativa de liberdade por pena alternativa (prestação de pecúnia ou de produtos (cesta básica). de 12 de julho de 2001 (Juizados Especiais Cíveis e Criminais Federais) que objetivam fundamentalmente evitar a pena de prisão e facilitar a reeducação e ressocialização do indivíduo em relação aos delitos de pequeno e médio potencial ofensivo. Isso. os quais têm que tolerarem a invasão e violação de seus domicílios. não sendo o caso. onde para cada três brasileiros existem uma pessoa indigente que vem procurando sobreviver com uma quantia inferior à metade de um salário mínimo por mês. Este sistema penal não renunciou à intervenção física corporal. nas operações de repressão à desobediência civil de grupos excluídos (limpeza de camelôs ou flanelinhas. o princípio da despenalização foi adotado pelo nosso ordenamento jurídico com a implantação dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais com a edição da Lei 9. caso seja condenado. ao abordar as conseqüências das desigualdades sociais provocadas por um modelo econômico perverso que expande potencialmente a marginalização social. Finalmente. prestação de serviço à comunidade. das chamadas classes “ perigosas” para os excluídos. Nessa medida surge a política criminal de aplicação de penas alternativas à prisão. remição e etc. na tortura de suspeitos e na ação. de grupos de extermínio. em uma conjuntura que a mera manifestação de pensamento poderia constituir-se em um ato de “guerra psicológica adversa”. Nilo Batista critica severamente a política neoliberal implantada em nosso país. o infrator perigoso desperta nos Tribunais singular tolerância para com itens tão díspares quanto prova ilícita. 6º) e nos documentos de Convenções e Tratados Internacionais. velada ou ostensivamente aplaudida. de 25 de novembro de 1998 e com o advento da Lei 10. inaugurada inicialmente com o objetivo de evitar a aplicação da pena em alguns crimes menos graves (menor potencial ofensivo). período longo na história política brasileira. reduzindo-se o período de ergastulamento do acusado (livramento condicional. presentes nos maus tratos aos suspeitos recrutados em áreas faveladas. apontando que os “excluídos” são os novos inimigos internos. acrescentando ainda que a prisão possui um “duplo erro econômico: diretamente pelo custo intrínseco de sua organização e indiretamente pelo custo de delinqüência que ela não reprime””. o conceito de inimigo interno foi internalizado pelos operadores da repressão aos crimes políticos. posicionando que o atual sistema ao eleger sua clientela predileta e recrutada nos bolsões de miséria de nosso país. contudo não sendo nenhuma das hipóteses parte para a viabilidade ou não do sursis. furtar-se do “inimigo interno” todos os direitos civis e sociais assegurados e garantidos na Constituição da República de 1988 (caput. 5º e art. em regime fechado. Todavia. Enfatiza-se que o foco do controle social penal se desloca. Nas soluções penais a distinção é nítida e pode ser ilustrada pelo contraste entre a prestação de serviços à comunidade e a execução integral.714. nulidades e excesso de prazo na prisão provisória. muitas vezes disfarçadas em autos de resistência”. Nesse sentido. através da transação penal (composição). confrontos com os sem-terras ou com manifestantes a caminho do desemprego contrários à privatização de empresas públicas). deve-se perquirir se é hipótese de suspensão condicional do processo. restrição de direito). Assim.).

o cumprimento da pena totalmente em regime fechado e os estímulos à sua eliminação. um indivíduo (atirador) adentrou a um shopping center e disparou contra 17 pessoas. hediondos e etc. art. propalada ou até incentivada por parte da mídia policial que em uma visão reducionista e diante de um quadro exponencialmente crescente da criminalidade.210. quando foi manchete jornalística no Brasil que “pelotão da morte tem 192 policiais premiados por execução de 384 pessoas”. isso é uma garantia do indivíduo preso. 5º. Depreende-se que na prática do imaginário popular há uma tentativa de associar a expressão “direitos humanos” como direito exclusivo dos indivíduos presos. Defendo irrestritamente que à pessoa que venha praticar qualquer espécie de crime desta natureza lhe seja assegurada. Tragédia como esta tem ocorrido constantemente no mundo. pense ou faça. impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral ” e ainda ratificada Lei de Execuções Penais – Lei 7. 13 (treze) crianças e adolescentes e deixando cerca de mais 12 (doze) outras crianças e adolescentes graves e levemente feridas. pág. os direitos humanos são imanentes aos seres humanos e anteriores a existência do próprio Estado jus naturalista. ceifou a vida de. porque não se tem condições econômicas de sobreviver com dignidade. direcionados para a promoção da dignidade humana e funcionando com justificador da existência da limitação do próprio poder estatal. Por exemplo. através da pena de “ morte” institucionalizada. a vítima ou seus familiares não tem direito algum e que bandido tem mesmo é que morrer”. porque se matou.ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante”. tenha.é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral” e reiterada pelo art. mas que deva cumprir fielmente a pena aplicada. no dia 7 de abril de 2011. esta surge pelos grupos de extermínio em sua grande maioria formada por milícia ou policiais inescrupulosos. de 7/4/1997 define os crimes de tortura e estabelece as penas. inclusive. até o momento.. diariamente. bem como não pode haver pena de caráter perpétuo. conforme expressa a Constituição Federal de 1988 em seus incisos III e XLIX. no dia 9 de abril de 2011. desde o dia 23 de julho de 1997. aos crimes.colheita de provas ilícitas. a tortura como instrumento eficaz de investigação. “XLIX. bem como que a pena corporal por crimes bárbaros. desumanos. não merecia piedade na respectiva pena corporal que lhe fosse aplicada pelos crimes perpetrados. A Lei Federal nº 9. em uma tentativa de fazer prevalecer essa ideologia. sem lhe causar maus-tratos físicos ou psicológicos. Esse controle é amplamente divulgado pela mídia. Wellington Menezes de Oliveira. não deva ser branda. se tem que “ direitos humanos é uma piada. os jornais e telejornais noticiam. de 11/7/1984. Isso é fazer apologia a pena de morte. em seguida. 38 do Código Penal: “O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade. garantida e respeitada à dignidade como pessoa humana. também ceifou a própria vida. CRFB/1988). ficam à mercê da própria sorte e também de contaminar-se com alguma doença infectocontagiosa ou grave (clínicas e hospitais superlotados). assim. “maus policiais”. art. 40: “Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos presos provisórios”. mas aplicada com rigor e o seu cumprimento deveria ser. de banimento. cruéis (XLVII. Na verdade. diga-se.455. em que um indivíduo ainda jovem com apenas 23 anos de idade. já que a nossa vigente Constituição não admite a pena de morte. exceto em caso de guerra declarada. caso não tivesse ceifado à sua própria vida. no mínimo. enquanto a morte não vem. cruéis. 17) retorquindo essa visão limitada: “Direitos humanos são direitos que toda pessoa humana tem. independente do que seja. que só criminoso tem direitos. a metade da pena em regime fechado. Tragédia como a ocorrida no Rio de Janeiro na Escola Pública “Tássio da Silveira”. Ressalto que não defendo a criminalidade de forma alguma. A idéia principal dos direitos humanos é que toda pessoa 82 . do art. 5º: “III. atingindo 6 (seis) que tiveram a vida ceifada instantaneamente e deixou mais 11 (onze) pessoas feridas. O professor Nilo Batista citado por Leônidas Ribeiro Scholz (1996.

da CRFB/1988 têm hierarquia constitucional e devem ser reconhecidas. liberdade. de não se voltarem aos sistemas penais antigos. por excelência. 83 . Hoje. como fontes de aplicação da lei. indivisíveis (não existe direitos humanos para pessoas de bem e não para pessoa más) e transnacionais (são assegurados a qualquer cidadão. Os direitos de 3ª dimensão (geração) seriam os direitos de toda a humanidade. universais (pertencem a todos os membros da espécie humana). assegurados pela defesa dos direitos coletivos ou difusos tutelados nas Convenções e Tratados Internacionais. As normas de direitos humanos ratificadas pela República Federativa do Brasil. o termo “dimensão”. ao trabalho lícito formal e informal. a livre determinação dos povos. por entender que uma fase dos direitos humanos não sucede necessária e cronologicamente a outra. principalmente. tratamento e penas bárbaras. na classificação dos direitos humanos. inibindo-o de interferir na órbita individual. Entendo que os direitos humanos de 5ª geração encontram-se na necessidade indeclinável do Estado. aposentadoria. depois de tecer algumas críticas à expressão “geração”. fundamentalmente. respeitando-se as singularidades de cada país (nação). um furto. Casas de inocentes não podem ser vasculhadas”. através da normatização dos direitos fundamentais e humanos em um âmbito internacional. reeducação ou ressocialização do indivíduo preso. a paz. ele deve ser processado e julgado. diante da inércia do Estado Liberal floresceu em meados do século XIX diversas doutrinas de cunho social defendendo a intervenção do Estado como forma de reparar a desigualdade vigente. onde não havia preocupação com humanização. independentemente de sua nacionalidade). Sua família não pode ser humilhada. tornando obrigação direta e irrestrita do Estado velar pela efetiva proteção e promoção da dignidade da pessoa humana. um roubo. fruto do liberalismo e de sua formulação pelos iluministas e visava. na Europa Ocidental. do art. Seus vizinhos não podem ser importunados e constrangidos. Paulo Bonavides visualiza os direitos humanos de 4ª geração decorrentes do desenvolvimento da globalização política. O autor Carlos Weis. 5º. manifestação de pensamento. das autoridades e da pessoa humana (indivíduo de direitos e deveres). remuneração digna. Não pode ser torturado. o acesso à família e à educação. culturais. preferindo. assevera que a primeira geração (dimensão) dos direitos humanos surgiu com a revolução burguesa dos séculos XVII e XVIII. o direito à informação e ao pluralismo ou alternância do poder. morais. enfim à efetividade dos direitos ambientais. predominando a luta pelos direitos individuais. um estupro. traduzindo no direito de participação e na elaboração de políticas sociais públicas que se concretizassem através dos serviços públicos. voltado para a efetivação dos direitos culturais. com a colheita de provas ilícitas. a humanidade caminha atrás da implantação de um direito de 4ª ou 5ª dimensão. sociais e tributários do ser humano. a preservação ao direito à vida digna. políticos. no plano normativo. livre associação e reunião. como a democracia. um homicídio. econômicos. sendo. cruéis e desumanas atribuídas aos reclusos e detentos. entre outros.tem certos direitos que o Estado não pode tirar nem deixar de conceder: vida. garantir o máximo de liberdade possível do indivíduo perante o Estado. consoante disposto no § 2º. trabalho. Não pode ser morto. a despenalização. a descriminalização e o direito à vida comunitária. ao desenvolvimento. políticos e sociais. Pensar de forma diferente seria voltar à época das trevas ou de poucas luzes. correspondendo à derradeira fase de institucionalização do Estado Social. como direito ao meio ambiente. instrução. Os documentos dos direitos humanos também prevêem isso. Os direitos humanos são inerentes a cada ser humano traduzindo os valores essenciais para a existência digna dos seres humanos e da própria humanidade. Mas não pode ser espancado. É claro que se um homem pratica um crime. econômicos. Diante da precária situação das populações pobres e a gritante desigualdade social ocorrida.

asseverando CARMEM SILVA DE MORAES SILVA (1993.). esse conflito decorrente do direito de punir do Estado e os direitos subjetivos dos presos denominado incidente de execução eram dirimidos “fiscalizados” pela administração ou carcereiros que elaboravam regras ou regulamentos internos. Em função desse quadro desumano e sem quaisquer garantias em relação aos direitos dos presos. do caráter e da duração da sanção”. político-ideológica ou mesmo racial. estendendo aos procedimentos administrativos e às sanções disciplinares. Com efeito. ou seja. p. 43) discorrendo sobre o princípio da jurisdicionalização na execução penal preleciona que: “É preciso que o processo de execução possibilite efetivamente ao condenado e ao Estado a defesa de seus direitos. visando afastar o arbítrio. surge-se a idéia de jurisdicionalização da execução penal. sem abdicar de alguns procedimentos administrativos. legalidade. temporária e etc. pela qual. sendo assegurados aos presos sua “ integridade moral. 1º que se propõe a efetivar as condições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado. consoante magistério de Júlio Fabbrini Mirabete: “Ao direito do condenado de não sofrer. A oportunidade de defesa deve ser realmente plena e o processo deve desenvolver-se com aquelas garantias. 131) que “para que haja infração disciplinar deve haver prévia definição legal .Sintonizada com a promoção da dignidade humana do preso. evitar à sua dessocialização.da tipicidade. a sustentação de suas razões. o que corresponde. princípio inserido em toda Constituição realmente moderna”. sua dignidade e o livre desenvolvimento de sua personalidade” (BARROS: 2001. o preso passa a possuir um complexo de direito subjetivos e expectativas que devem ser preservado e respeitado pelos órgãos encarregados da execução. da individualização. a crueldade e a própria “hipertrofia da punição”. a Lei de Execuções Penais. Abstraída a pena como ato de mera punição de vingança (castigo) os legisladores infraconstitucionais a partir de uma nova leitura da Constituição e das Convenções e Tratados Internacionais que protegem os direitos humanos devem considerar o recluso ou detento como sujeito singular. p. a produção de suas provas. ou seja. dentro do âmbito do devido processo legal e garantístico. de não ter de cumprir outra pena. A EXECUÇÃO PENAL BRASILERA E OS DIREITOS DOS PRESOS Nesse diapasão a Lei de Execuções Penais (Lei nº 7. individualizado. p. 69). oferecer as condições necessárias para o desenvolvimento da personalidade do recluso ou detento com vistas ao seu retorno ao convívio social ou pelo menos. é provocado para dirimir os incidentes verificados na execução penal. É sabença geral que ao transitar em julgado uma sentença condenatória nasce para o Estado um título executivo. detentor de todos os direitos fundamentais e humanos não atingidos pela sentença condenatória ou outra decisão restritiva da liberdade (preventiva. sob pena de configurar excesso ou desvio de execução. desaguando em completo desvio do enunciado na sentença condenatória. Por outro lado.210/1984). o juiz togado. abarcou os princípios da jurisdicionalidade. sujeitando-se o detento a toda espécie de humilhação e constrangimentos. da proporcionalidade e da humanização das penas. sendo certo que aqueles direitos não contemplados diretamente na Lei de Execuções Penais decorrem da Constituição Federal ou das normas de Convenções internacionais ratificadas e inseridas em nosso ordenamento jurídico.inadmissível a meramente administrativa contidas nos regimentos internos dos presídios . da igualdade. o que não impede que sejam separados e classificados de conformidade com suas 84 . MIRABETE (1993. sendo vedada qualquer discriminação. econômica. que deve ser executado nos limites impostos pela referida sentença. qualitativa ou quantitativamente diversa da aplicada na sentença”. seja de ordem social. sem as quais não pode caracterizar-se o “devido processo legal”. pelo qual o preso não pode ter suprimido o seu direito sem ser previamente ouvido e ter-lhe propiciado o mais amplo direito de defesa. Pelo princípio da legalidade é assegurados ao preso todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. O princípio da igualdade assegura aos presos em geral o direito a tratamento igualitário. estabelece em seu art.

desde que venham a preencher os requisitos legais. mas somente como fim. todavia. por força da própria mutabilidade do título executivo (sentença condenatória) o direito de ser beneficiado durante o cumprimento da pena por algum benefício legal. na execução penal. humilhantes ou obrigatórios. intelectual. à sua integridade física e moral. ”. velando-se por sua própria vida. à pena privativa de liberdade. Os presos. p. O princípio da individualização da pena enuncia que a pessoa é um ser singular. o que quer significar que. A personalidade determina que a pena seja dirigida àquela pessoa individualmente considerada. moral e espiritual do detento. o valor da pessoa humana impõe uma limitação à qualidade e quantidade da pena. O princípio da humanização reflete toda a evolução dos sistemas penais até os nossos dias e que impõe o respeito à dignidade humana do preso não como meras normas programáticas. independentemente da argumentação utilitarista que se siga. determina. p. inda a classificação dos presos e sua estrita separação de acordo com as características individuais. são contemplados pelos seguintes direitos de natureza constitucional: 85 . assistência médico-odontológico. de não se submeter a tratamentos tendentes à modificação de personalidade. de tratos desumanos. mas com normas garantísticas que assegurem ao preso o direito à vida.características individuais. prática de esportes e atividades lúdicas e religiosas. Segundo Carmem Silvia de Moraes Barrosa citando BARROS (2001. como garantia individual. no sentido de proporcionar o livre desenvolvimento de sua personalidade com vistas ao seu retorno ao convívio social . que muitos desses direitos estão previstos em lei. O processo de humanização dos presídios começa pelas transformações de suas estruturas arquitetônicas que atualmente privilegia o ócio em detrimento do labor e do desenvolvimento físico. Ademais. não podendo ultrapassá-la. bem como a adoção de maiôs para seu rápido retorno ao convívio social. como símbolo das novas exigências do momento histórico em que vivemos. garante ainda aos presos. de respeito à dignidade do sentenciado e não em função dos anseios sociais”. como “abolitio criminis” e pelos novos institutos alternativos à pena de prisão.. não são efetivados. Determina também que aos condenados. Implica. visualizados como sujeitos de direitos. È curial que se criem condições para oferecer ao preso. em proibição de adoção da pena de morte... integridade física e moral e por sua saúde”. A proporcionalidade. cruéis ou degradantes(aí incluído o rigor desnecessário e as privações indevidas impostas aos condenados). em especial. escolarização. 133/134). o princípio da igualdade assegura o direito de ser diferente dos demais. e em proibições de servidão de trabalho e trabalhos forçados. valendo salientar. Consoante magistério de Carmem Silva de Moraes BARROS (1993.. que possui personalidade própria e que a sanção imposta pelo Estado deve levar em conta suas aptidões pessoais. visitas íntimas. o direito de cumprir a pena próxima aos seus familiares e outros direitos inerentes ao ser humano. pois. 132): “o princípio da igualdade consagra a igualdade no que se refere aos direitos fundamentais e o respeito pelas diferenças e a compensação das desigualdades. como aplicação de penas restritiva de direitos. assegura que a pena seja executada dentro do marco constitucional. o princípio da humanidade consiste em assegurar que: “o homem nunca deverá ser tratado como meio. como pessoa. profissionalização.. deverão ser propiciadas as condições para uma existência digna. bem como de não ser submetidos a tratamentos cruéis e desumanos.. Assevera a autora já citada o seguinte: “O princípio da individualização da pena abrange os princípios da personalidade e da proporcionalidade.

salvo quanto a individualização da pena. sursis. 5º. caput. CRFB/1998). LVII. CRFB/1998). 9) direito à igualdade de tratamento. 12) direito a contato com o mundo exterior por meio de leituras e outros meios de comunicação que não comprometam a moral e os bons costumes. CRFB/1998). vinculados a determinadas situações previstas em lei. 8) direito à proteção contra qualquer forma de sensacionalismo. XXIX e XXX. 6) direito a previdência social (auxílio-reclusão). i) presunção de inocência nos incidentes de execução (art. da companheira. XXVIII. V. d) direito à liberdade de consciência e de convicção religiosa (art. VI. e) direito ao sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas. não possa exercer temporariamente alguns dos direitos inerentes do direito de propriedade (art. autorização de saídas. 41.a) direito à vida (art. XXXIV. 5º. de dados e telefônicos (art. 5º. 4) direito ao trabalho remunerado. vestuário e alojamento. VII. A lei de Execuções penais confere de forma precisa aos presos em geral os seguintes direitos: 1) direito ao uso do próprio nome (art. 2) direito a alimentação. o descanso e a recreação. para defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal (art. 5º. c) direito à propriedade (material ou imaterial). LEP). 5º. livramento condicional. VIII. existem outros. j) direito a indenização por danos morais em face de erro judiciário ou por prisão além do tempo fixado na sentença (art. 5º. XXII. 5º XXXIV. CRFB/1998). CRFB/1998). III. ‘b’. em defesa de direitos e contra abusos de autoridade (art. sendo assegurado o direito de contratar médico de sua confiança pessoal. dentre outros. 3) direito a assistência médico-odontológico. g) direito à expedição de certidões requeridas às repartições administrativas. XXVII. XII. ‘a’. 7) direito a seguro contra acidente de trabalho. LXXV). de parentes e amigos em dias determinados. LXXII. CRFB/1998). f) direito de representação e de petição aos Poderes Públicos. 5) direito de se comunicar reservadamente com seu advogado. 5º. 5º. XI. progressão de regimes na execução da pena. ‘a’ e ‘b’. 86 . CRFB/1998). b) direito à integridade física e moral (art. CRFB/1998). 5º. LXXIV. CRFB/1998). 10) direito à proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho. X e XLIV. 11) direito à visita do cônjuge. por impossibilidade física. Além desses direitos básicos. como a remissão. ainda que o preso. h) direito à assistência judiciária gratuita (art.

principalmente. aquele que foi privado de sua liberdade por força de prisão em flagrante. ou seja. a qual. cujos direitos à progressão do regime e de “ não cumprir pena quantitativa ou qualitativamente diversa daquela imposta na sentença” já estavam. ancorados no princípio da proporcionalidade oriundo do Direito alemão. Código Penal ou Lei de Execuções Penais. encontra-se o “preso provisório”. não havendo qualquer separação ou classificação dos presos. prisão temporária. em nosso país. direitos fundamentais do preso. assegurados e garantidos universal e constitucionalmente. mormente. mesmo sendo condenado ao cumprir sua pena no regime aberto ou semi-aberto. onde será submetido a exame criminológico para subsidiar o parecer do Conselho Penitenciário. Nesse sentido. não criam. bem maior depois da vida e devem ser respeitados pelo Estado. está hoje definitivamente ultrapassada. ou seja. em face do princípio “non reformatio in pejus” não haveria possibilidade de agravar a situação dos presos provisórios. decidimos na judicatura da Vara de Execuções Penais alguns pedidos de livramento condicional. pois quem julga. já que inexiste uma formação de culpa concluída. custodiados. Os juízes criminais raramente visitam as cadeias públicas. se o sentenciado “quebrou a condicional” é o policial civil (agente carcerário). a tratamento igual aos demais detentos condenados definitivamente. 87 . uma sentença condenatória transitada em julgado. apreciando casos extremos de violação de direitos humanos de presos. assegurando-se o direito à progressão do regime (livramento condicional) em detrimento da observância estrita do devido processo legal. onde o preso provisório. em alguns casos. A preocupação agora consiste na criação de um sistema jurídico que assegure a observância de tais direitos e a garantia das liberdades”. já os preceitos da lei de execução penal se estendem aos presos provisórios. já alcançam o elevado índice de 85%.Evidentemente que esses direitos dos presos (condenados. personalidade. o qual preceitua que entre violar dois direitos fundamentais. porquanto o preso provisório acaba cumprindo pena na cadeia pública do interior misturado com todos os presos e sem qualquer observância do princípio da individualização da pena. É de conhecimento geral. submetido. no que toca as penas privativas de liberdade. seja na lei constitucional. Nada mais falacioso e desumano. p. como exige a LEP. Destarte. pois se encontram normatizados em nosso ordenamento jurídico. não devendo reduzir-se a meras normas programáticas ou carta de intenção de proteção dos direitos humanos. não sendo respeitados direitos elementares como progressão do regime sob o argumento de que há necessidade de enviar o preso para a capital do Estado. por força do disposto no parágrafo único do art. à não colher o parecer do Conselho Penitenciário naqueles casos. 118) explicita: “a fase meramente enunciativa das declarações dos direitos e das liberdades fundamentais. Em alguns casos. deve-se razoavelmente escolher aquele que melhor atendas aos anseios sociais e humanos. daqueles que atuam diuturnamente nas varas de execuções penais. solapando desse modo. acaba cumprindo penas privativas de liberdade totalmente em regime fechado. 2º da Lei de Execuções Penais. enfim que lhe foi negado o direito de recorrer em liberdade. a situação degradante e humilhante que grassa nas cadeias públicas do interior do Brasil. em favor do preso provisório milita o princípio da presunção da inocência. internados e provisórios) correspondem aos inúmeros deveres impostos aos encarcerados privados de sua liberdade. onde só havia recurso exclusivo da defesa na sentença condenatória e. o Conselho da Comunidade ou o patronato e o principio da jurisdicionalização não é observado. HELENO CLÁUDIO FRAGOSO (apud de SCOLZ: 1996. muitas vezes. violando frontalmente o princípio da individualização e humanização. o preso acaba ficando preso por mais tempo do que deveria. documentos internacionais agasalhados por nosso direito interno. utilizando-se de extorsão. evidentemente. sendo mesmo. impondo-se à sua plena observância sob pena de fomentar a hipertrofia da prisão e criar-se foco criminôgeno e potencial vertente da reincidência. prisão preventiva ou por força de sentença condenatória recorrível. obrigando o preso a voltar ao cárcere sem sequer ser ouvido ou exercer qualquer espécie de defesa. Nesse contexto de direitos desrespeitados e violados à luz do ordenamento jurídico pátrio. naquilo que não constitui especificidade do cumprimento de pena. no que toca ao desvio e excesso de execução.

Na verdade. enquanto durarem seus efeitos. na acepção fática. 120) destacando o aspecto social do preso preleciona que: “A execução da pena privativa de liberdade deve aproximar-se. violados. aguardam julgamento ou o trânsito em julgado da sentença. O impedimento deles é circunstancial. permanecendo o direito de votar . juntar-se-ia às demais. na acepção jurídica do termo. arrolando.. recuperação. no sentido de fortalecer a esperança. Como se observa. a hipótese de suspensão em virtude de sentença criminal condenatória transitada em julgado.. Como cediço. no inc. preservando-se os direitos indispensáveis como ser social que é. Se quem comete crime não pode conviver na sociedade 88 . À luz da Constituição Federal esses eleitores teriam pleno direito ao exercício do voto. Emerge daí a questão do exercício do voto por aqueles que. Nesse sentido. o que só vem a ocorrer com os presos condenados definitivamente. consoante sanciona o inciso III. 15 estabelece as hipóteses de perda ou suspensão de direitos políticos.. pelo prolongado tempo. com a providência de instalação de seção especial nos estabelecimentos correcionais. expressada através do voto o seu pensamento filosófico. sem qualquer limitação ou restrição aos seus direitos políticos que se mantém incólumes. nessas condições. p. na apuração. particularmente em eleições gerais e presidenciais. Por não ser atingido pela sentença recorrível ou por qualquer decisão judicial provisória. (apud de SCOLZ: 1996. o jurista JOEL JOSÉ CÂNDIDO (1996. O Professor Catedrático da Universidade Federal de Pernambuco. ideológico. Os casos de suspensão dos direitos políticos cingem-se à decisão penal condenatória transitada em julgado enquanto durarem seus efeitos. EVERALDO DA CUNHA LUNA. reinserção e ressocialização. a condição de cidadão se adquire no momento em que o indivíduo se cadastra e inscreve no corpo. praticamente cumpria a pena integral. o exercício do voto. perde-se definitivamente seus direitos políticos o sujeito que teve sua naturalização cancelada. O preso provisório. a auto-estima. integrando-se o seu resultado naturalmente no resultado da apuração da zona. a fim de que possa efetivamente internalizar os valores que lhe propicie a reabilitação.. não tem os seus direitos políticos suspensos. Esses direitos políticos não se cassam arbitraria e autoritariamente.”. o que existe é um óbice temporário e físico provocado em face da privação de sua liberdade. CRFB/1998.. que acabavam aguardando a apelação na cadeia pública do interior. do seu Estado e de seu país. Efetivamente para ressocializar alguém. enquanto durarem seus efeitos. 75) preleciona: “A Constituição Federal. das condições da vida em liberdade.jus sufragi). que vive em bando e que não teve sua formação de culpa definitivamente concluída com a sentença penal condenatória transitada em julgado não teve suprimido à sua liberdade e seus direitos básicos e fundamentais. A seção especial seria integrada ao conjunto de seções da zona eleitoral em cujo território se localiza o estabelecimento e. p. nos casos de improbidade administrativa ou crimes de responsabilidades (o sujeito só perde o direito de se candidatar a algum cargo eletivo. participando-se. como os demais direitos não atingidos pela lei ou sentença judicial. presos. o quanto possível. do art. 15. Essa sociedade especial é o estabelecimento penal. com condenação criminal transitado em julgado. o senso de responsabilidade. sistema eleitoral de determinado município. partidário e político. por força mesmo do princípio constitucional da presunção da inocência. no que toca ao efetivo exercício dos direitos de cidadania. reeducação. mas se perdem ou se suspendem em casos excepcionais e devidamente autorizados pela Constituição Federal de 1988.irremediavelmente. é necessário que esse alguém seja afastado da sociedade comum e posto numa sociedade especial. através de sentença judicial transitada em julgado ou sujeito interditado civilmente.. em seu art. III. de votar. mas impossibilitados. o preso provisório permanece com o direito de votar. o preso provisório pode exercer o seu direito de cidadania do sufrágio do voto. Não é possível educação ou recuperação fora da sociedade. que teve reconhecida à sua incapacidade absoluta através de sentença judicial transitada em julgado. de fato. Eles não estão impedidos. Com efeito. Deve-se ter em mente que tal restrição fática pode ser contornada assegurando-se aos presos. ou seja. bem como a recusa de cumprir obrigação a todos impostas ou prestação alternativa. O preso provisório como ser humano. do Estado e do País. assim ativamente dos destinos de seu município.

invade domicílios de inocentes. já que não há investimentos nesse setor (nas cadeias e penitenciárias brasileiras). que sejam convidadas para compor o Conselho. que é o Juiz de Execuções Penais em cada Comarca. não expresso formalmente. não promulgado pelos próprios presos? A resposta para todas essas indagações que nos angustiam ou nos inquietam é dada através do compromisso social do agente político-público. no sentido de conhecer os problemas e as peculiaridades. objetivando atender necessidades primárias dos presos. não se nega a liberdade de decisão àquele que dela abusou ao cometer o crime.de todos. o Conselho da Comunidade. um Advogado indicado pela Seção da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB e um Assistente Social escolhido pela Delegacia Seccional do Conselho Nacional de Assistentes Sociais. Câmara de Dirigentes Lojistas. a escolha dos componentes do Conselho da Comunidade ficará a critério do Juiz. na prisão. Em seguida. o Juiz de Execuções Penais deve freqüentar regularmente as cadeias públicas e os presídios. apresentar relatórios mensais ao Juiz de Execuções Penais e ao Conselho Penitenciário. pessoas e instituições adequadas. É árduo. além desses representantes legais aliste e recrute mais pessoas.criado no dia 5 de outubro de 1988 [art. em uma total confusão. na prisão.” ATUAÇÃO DO JUIZ DA VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E DO CONSELHO DA COMUNIDADE NO PROCESSO DE HUMANIZAÇÃO DO PRESO Indagar-se-á de que forma os direitos constitucionais e legais inerentes aos presos podem ser implantados nas unidades prisionais do Brasil. prende e mata pessoas à margem da legalidade. Em primeiro lugar. 80 da Lei de Execuções Penais. reinserção e ressocialização do preso. na fase de execução. órgão de Execução Penal responsável pela implementação do princípio da humanização do preso. no mínimo. conforme preceitua o art. Decorrência de que o condenado continua sendo um homem em sociedade é o fato de que. tortura e acobertados pela impunidade? Como programar esses direitos se presos primários são misturados com presos da mais alta periculosidade. se parte dos policiais civis. em harmonia com a direção do estabelecimento prisional. por um Representante da Associação Comercial ou Industrial. quando presos do sexo feminino. 80 da Lei de Execuções Penais (Lei nº 7.. a responsabilidade. deve ser-lhe reconhecida a faculdade de decisão. nada impede. é posto nessa sociedade criada pela lei á semelhança da sociedade que criou a lei. tem por finalidade apagar o abuso da liberdade cometido na vida social. Na verdade. Verifica-se aqui que. ADCT. mistura e promiscuidade. 81 da Lei de Execuções Penais. idôneas e próprias que sejam comprometidas com os anseios sociais da comunidade. visitar os estabelecimentos penais.210/1984) estabelece que o Conselho tenha que ser composto. na ausência desta representação na Comarca. O uso da liberdade. crucial e difícil para o perfeito funcionamento do Conselho da Comunidade nas Comarcas interioranas e nas Varas de Execuções Penais nas Capitais. CRFB1988] e implantado no dia 1 de janeiro de 1989 . são misturadas com custodiados do sexo masculino. onde é permitida a entrada de tóxicos e armas com a complacência criminosa dos carcereiros? Como viabilizar tudo isso. representantes da imprensa e outros 89 . recuperação. Depois tem que adotar as providências de caráter administrativo e mesmo penal. reeducação. 13. extorque. Nossos estabelecimentos penais são verdadeiras fábricas de produzir marginais? Como viabilizar a instalação de seções especiais para presos provisórios se não há pessoas qualificadas para custodiar os presos provisórios e muitas Comarcas não funcionam sequer o Conselho da Comunidade? Como programar a preservação dos direitos humanos dos presos. traçando o perfil do preso que se encontra custodiado na sua Comarca.. diligenciar a obtenção de recursos materiais e humanos para melhor assistência ao preso ou internado. o Juiz deve criar. como lhe é exigido pelo art. responsável direto pelo processo de reabilitação. onde a única lei que vale no interior da cadeia pública ou do presídio é o Código Penal não escrito. ao contrário é recomendável que o Juiz. O art. devendo ainda. Associação de Bairros.Capital: Palmas). como representantes da Pastoral Carcerária. já que pode entrevistá-lo pessoalmente. Todavia. especialmente no Estado em que sou residente e domiciliado (Estado do Tocantins .

402 para 473. no período compreendido de 1995 a 2005 a população carcerária do Brasil aumentou de 148. a presença do Juiz e dos membros do Conselho passa a inibir a prática de atos abusivos e atrocidades contra os presos. 12 da Lei nº 4.ONU divulgou um Relatório sobre os indicadores sociais no Brasil. visitas e ações promovidas conjuntamente pelo Juiz de Execuções Penais que também funcionará como Presidente do Conselho da Comunidade. CRFB/1988 . onde restou comprovado que 50 milhões de brasileiros sobrevivem à margem da pobreza absoluta. De 2000 a 2009.05% (isso em 4 anos: dezembro/2005 a dezembro/2009). sobretudo. O número de presos provisórios subiu 7% em relação ao ano de 2008.91% em uma década (1995 a 2005). Essas movimentações.órgão de controle externo) que deve acompanhar todo esse trabalho e ter ação fiscalizatória ativa. Nos últimos anos.612 apenados. inclusive propor como lhe faculta o art. a partir de 2005. entre outras atrocidades praticadas contra o preso. conseqüentemente. É indispensável realizar estatísticas para se conhecer o perfil dos presos. ainda sob a fiscalização da Advocacia Pública (Defensoria Pública) ou Advocacia Privada (OAB).717 são apenados em regime semi-aberto e 16. segundo dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional a população carcerária brasileira saltou de 232. Porém. revoltas e revoluções nos interiores das cadeias públicas e presídios.8%.315 90 . Desse total de presos: 153. pois em 2008 se tinha 152.402 presos. De acordo com dados do DPEN/MJ de 2010.237 presos. com menos de R$80. ao mesmo tempo. as pretensas fugas. realizando-se reuniões e sessões semanais na sede do Fórum.626 em 2009. A Organização das Nações Unidas . e. com certeza.000 para 361. estabelecendo uma relação de compromisso mútuo e neutralizando os efeitos da ociosidade deletéria e inútil. arbitrariedades.00 por mês para atender suas necessidades básicas e vitais. além de tudo. Entre dezembro de 2005 a dezembro de 2009. Apesar da redução da taxa anual de encarceramento. ou seja. representando um crescimento de 31. houve um aumento da população carcerária A quantidade de presidiários no Brasil mais que dobrou nos últimos 9 (nove) anos. De acordo com Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça.942 são apenados que cumprem pena em regime fechado. 127. revelar nos olhos e semblantes dos presos. ação de abuso de autoridade praticado por qualquer autoridade ou agente policial sem a necessidade de instauração de inquérito policial. 64.898/1965. os quais se mantêm longe do alcance da lei. No mesmo período a população brasileira cresceu 11. 172. para cada 3 (três) brasileiros. queixas e reclamações de abusos praticados contra os presos. mas sem qualquer submissão ou subserviência. O sistema penitenciário brasileiro tem problemas como à falta de vaga e de assistência jurídica aos presos e as péssimas condições de vida a que os encarcerados estão submetidos.626 presos. extorsões. Segundo DPEN/MJ a taxa anual de crescimento que oscilava de 10% a 12% no período de 1995 a 2004 se reduziu para cerca de 5% a 7% ao ano. Com isso. representando um crescimento de 143. passa a incomodar parte da Polícia em geral e dos agentes carcereiros (penitenciários) conhecida e considerada como a parte podre da polícia. a esperança começaria a se manifestar. o Brasil tem uma população carcerária de 494. inibir-se-á. Este aumento se deve ao crescimento do número de presos provisórios que aguardam julgamento. em que o Conselho da Comunidade começa a conquistar a confiança destes órgãos. do próprio Conselho da Comunidade e do Ministério Público. visitar regularmente as cadeias públicas ou os presídios para detectar as principais necessidades dos presos e receber e apurar às denúncias.755 presos em 2000 para 473. rebeliões. existe 1 (um) indigente. no sentido de denunciar os abusos de autoridade. crueldades. Evidentemente que essa ação fiscalizatória deve ser exercida em harmonia com a Administração ou Direção das cadeias públicas e penitenciárias. a população carcerária aumentou de 361. prisões ilegais. notabilizar. torturas.526 são provisórios. especialmente as denúncias que violam os direitos humanos afetos à dignidade da pessoa humana.segmentos representativos da sociedade. o que representava 44% do total de presos. em conjunto com Ministério Público (art.

650. ou seja. aproximadamente a 1. Destes 494. Para se ter uma idéia da situação da população carcerária brasileira. 95% são do sexo masculino e 2/3 (dois terços) não completaram o primeiro grau (aproximadamente 12% são analfabetos).000 pessoas saíram do sistema penitenciário este ano. Luciano Losekann reconheceu: "O uso excessivo da prisão provisória no Brasil como uma espécie de antecipação da pena é uma realidade que nos preocupa. 44% ainda são presos provisórios. cerca de 80. que tem uma taxa de 1. Nos últimos 5 (cinco) anos. 95% são pobres. A população carcerária no Brasil. como: furto roubo. a qual vem crescendo.237 presos. Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça .620. No país. Na maior parte dos casos.4% ao ano.864 homens encarcerados. esperam o julgamento de seus processos. ao mercado de trabalho. os Governadores.65 presos por vaga. pobres.598 presos. apenas está atrás de Estados Unidos. pode-se afirmar com plena e total segurança que a maioria esmagadora dos 494.201 por alvarás de soltura e habeas corpus. Outro dado considerado preocupante pelo CNJ é a superlotação dos estabelecimentos prisionais do país.804 por transferências e 346 por indultos.237 presos e o déficit de vagas no sistema carcerário é de 194. A taxa de ocupação dos presídios é de 1. como no resto do mundo.000 encarcerados. já que não tivera acesso à escola.297. praticando os denominados crimes patrimoniais (econômicos). extorsão mediante seqüestro. Cerca de 33. com 1. que tem 2.000 agentes penitenciários. há 29.são apenas apenados em regime aberto. LOSEKANN observou: "A situação nos presídios levou o Brasil a ser denunciado em organismos internacionais. e. O Brasil ainda apresenta um déficit de vagas de 194. Dilma Rousseff. O Brasil está atrás somente da Bolívia nesse item. 91 . Com essa marca. 18. A Presidente da República. a maioria somente praticou crime pela primeira vez. a maioria dos presos tem entre 18 e 24 anos e ainda não completaram o Ensino Fundamental (9º Ano).CNJ informam que o Brasil tem a terceira maior população carcerária de todo o mundo. pobres e prostitutas. Falta uma política penitenciária séria". é formada basicamente por jovens. porque este número percentual é quase 10 vezes maior do que o crescimento da população total. dentre outros. os Prefeitos. apenas oriundo da clientela do cinturão da miséria. homens com baixo nível de escolaridade.000. o Brasil é o país com a quarta maior quantidade de pessoas presas no mundo.400 presos. à família. com 494.650. China e Rússia. Como causa destas circunstâncias. considerados predominantemente como sendo: pretos. A notícia é do jornal O Estado de São Paulo. 17. segundo o último levantamento do Ministério da Justiça no Brasil tem 494.707 mulheres e 440. Em ambos os sexos. afirmo que se trata de uma taxa exorbitante. Os Juízes precisam ser mais criteriosos no uso da prisão provisória". a iniciativa privada e quaisquer outros interessados deveriam construir muitos presídios no Brasil. houve um crescimento de 37% no número de presos do país. Nesse aspecto. O Coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do CNJ. asfixia e sufoca os centros urbanos de médias e grandes cidades. da China. sem violência ou grave ameaça.237 presos espalhados em nosso país é proveniente desse cinturão de miséria que a cada dia abafa. essas pessoas foram presas por roubo qualificado. O Governo Luís Inácio Lula da Silva esteve à frente da Presidência do Brasil no período de 1/1/2003 a 31/12/2010 e divulgou através do Ministério da Justiça de que a população carcerária do país cresce a uma taxa média de 10% ao ano. o país fica atrás apenas dos Estados Unidos.66. Do total da população carcerária. sendo 982 por fuga. O complexo do sistema prisional brasileiro atualmente somente tem cerca de 60. Pesquisas sobre o sistema prisional indicam que mais da metade dos presos tem menos de 30 (trinta) anos.

Ao negar ao preso o tratamento adequado. Todavia. Ainda segundo essa pesquisa. São Paulo é o Estado mais populoso do Brasil. o estado atual de assistência médica pode ser descrito com uma palavra: ‘calamidade’. A população carcerária do Brasil está distribuída em vários estabelecimentos de diferentes categorias. fatalmente contribuem para à sua não-educação. sem luz elétrica e superlotada. presídios). não-recuperação e dessocialização. diante da inércia. Uma das ações prioritárias estabelecidas para este ano (2011) para o Judiciário pelos 91 Presidentes de Tribunais é a de reduzir a zero o número de presos em delegacias. Por exemplo. uma área que inclui São Paulo e sua enorme população carcerária. vivenciando todo o tipo de promiscuidade e sujeitando-se as leis impostas pelas facções que dominam o interior das unidades prisionais (cadeias. que não contam com infra-estrutura adequada e apropriada. Por que se tiverem essa oportunidade. Segundo o Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito . AIDS que atingiram níveis epidêmicos entre a população carcerária brasileira. que os governos criassem mecanismos de produção de emprego. com a injeção e introjeção de valores que levam a pessoa para o mundo da criminalidade. fortalecendo a vertente da violência com a reincidência dos egressos que foram condenados a pena privativa de liberdade. 92 . Muitos desses presos só precisariam de uma oportunidade. Esses presos. ficando encarcerados. ou seja. estimaram que cerca de 20% da população carcerária do Brasil viviam com o vírus HIV. cadeiões. pode-se afirmar com convictamente de que isso seria a causa mais preponderante da situação carcerária brasileira. casas de detenções e distritos ou delegacias policiais. nãohabilitação. o prolongado tempo que permanecem encarcerados e misturados com outros da mais alta periculosidade. onde apenas entre 2% a 3% dos presos estão contaminados (Relatório da CPI de 1996. o aumento no número de prisões não se reflete em melhorias de segurança pública. tornando-o mais estúpido ainda. dificilmente voltar-se-ão ao mundo da criminalidade. tais como: tuberculose.CPI sobre os estabelecimentos prisionais do Estado de São Paulo. já é uma estupidez e grosseria. completamente herméticas. renda e trabalho. incluindo penitenciárias. porque só o fato de cometer um crime. com certeza. tem de longe a maior população carcerária. Como os presos não estão completamente isolados do mundo exterior. omissão e silêncio do Estado e a falta de compromisso de nossas autoridades governamentais e judiciárias. cadeias públicas. prendidos e trancafiados em uma cela (cômodo) completamente hermética. depois de coletarem dados por todo o país. os maiores índices de contaminação por HIV eram nos presídios do sudeste do Brasil. 57. No final de 1997. Os níveis elevados de contaminação por HIV encontrados nos presídios do Brasil certamente reforçam o prognóstico da Organização das Nações Unidas. Essa circunstância tem-se motivado pela brutalização a que os condenados são submetidos durante o tempo em que permanecem encarcerados. acabam por eliminarem. Os resultados de tal situação tem sido a reincidência em crimes ainda piores do que os primeiros. suficientes para abarcar os brasileiros. Igualmente. neutralizarem e suprimirem dos custodiados os direitos constitucionais e legais aluídos. com isso. pesquisadores da Universidade de São Paulo. uma contaminação não controlada entre os enclausurados representa um grave risco à saúde pública. agarram-na com corpo e alma. portanto. presídios.Por causa da falta de vagas nas unidades prisionais. fedida. um ato incivil. o sistema prisional não apenas ameaça a vida dos presos como também facilita a transmissão dessas doenças à população em geral por meio das visitas conjugais e o livramento dos presos. em alguns instantes atingindo cerca de 30% deste contingente. p. quando os apenados reconquistam a liberdade.195 pessoas estão cumprindo pena em delegacias de policiais (cadeias públicas). Como se pode verificar pela realidade das ruas. ergastulados. isso tem sido motivo para as gritantes e reiteradas criticam dos movimentos de direitos humanos. a péssima condição material das cadeias e presídios tem sido apontada como fator impeditivo para reintegração social dos presos. Os estabelecimentos penais brasileiros espalham-se por todo o país e estão mais concentrados nos arredores das zonas urbanas e regiões mais populosas. 15). Registram-se a existência de doenças infecto-contagiosas. embrutecendo-o. Os índices mais baixos de contaminação foram encontrados no Nordeste. de alguma forma. ou seja. abalados solapados com o desvio ou excesso de execução.

na Bahia. no mínimo.. o Tribunal de Justiça deveria ter. sistema processual tem de oferecer solução para casos como o do acusado preso que. preencha os requisitos de tempo e mérito para a progressão no regime prisional ou para o trabalho. art. chamada de Pacto San José da Costa Rica estatuiu em suas bases o repúdio ao tratamento baseado na atrocidade. configurando-se. interposto pelo acusado como exercício de direito seu. mas apesar da Constituição Estadual estabelecer que deva ter no máximo. do artigo 5°: "Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante". crua. entre os Estados da Federação do Brasil. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada.. já que existe apenas 1 (um) Desembargador para 435. SIDNEI AGOSTINHO BENETI. em hipótese alguma. poderá ser restringido além do que constar da condenação (CP. em face da manifesta impossibilidade humana de julgamento célere e rápido dos recursos de apelação e de revisões criminais perante o Tribunal de Justiça Estadual. traze-se à baila a redação de tal dispositivo: “Art. 2. art. em seu domicílio ou em sua correspondência. quais sejam: 1ª Garantia: O Processo Penal. a imagem e a moral. só possui 30 julgadores. os direitos decorrentes de preenchimento de requisitos a progressão e outras vantagens no decorrer do cumprimento da pena. 76 Desembargadores. fundamentais.”. o que vem ocasionando reflexos profundamente negativos na prestação jurisdicional. especificou implícita e indiretamente duas garantias processuais.. valendo como direito não atingido pela restrição. a antecipação cautelar de efeitos da sentença definitiva ao explicitar que: “. vem a determinar-lhe prejuízo decorrente exatamente do fato do exercício do direito ao duplo grau de jurisdição.. em verdade. O O jurista e Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. O impasse sistemático resolve-se mediante a incidência de antecipação cautelar de efeitos da sentença definitiva naquilo em que imutável. Por exemplo. pois se deve resguardar e respeitar a honra.. sendo em termos comparativos Desembargadores/população. ou seja. no caso da pena privativa de liberdade. de que lhe deriva o importante direito à remição. Proteção da honra e da dignidade: 1. 3º). como sanção final". Assim. como a qualidade e a quantidade da pena. verdadeira cilada processual à margem da legislação repressiva. o último lugar. O nosso constituinte ao prever tal princípio. durante o processamento do recurso. recorra da condenação e. A vicissitude processual do decurso do tempo necessário ao julgamento do recurso. sem recurso da acusação.563 habitantes. permanecem cumprindo penas corporais nas cadeias públicas e nas penitenciárias ficando mais tempo do que o “quantum” estabelecido na sentença penal condenatória que lhe foi imposta. percebendo essa bárbara. Baseada e fundamentada nessas premissas. com 93 . reconhecimento imperativo da dignidade de cada indivíduo.. humanos e individuais. 2ª Garantia: O Processo Penal não assumirá "ele mesmo forma desumana. 35 Desembargadores.indefinidamente sem que haja progressão do regime ou livramento condicional ou até em alguns casos. na área penal os presos provisórios acabam cumprindo penas nas cadeias públicas do interior do Estado com total violação dos seus direitos básicos. 11 da Declaração Americana de Direitos Humanos de 1969. 38 e LEP. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas”. 3. em sua família. degradante e desumana realidade extraída de nossas cadeias públicas e presídios. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade. Ressalta-se que o art. nem de ofensas ilegais à sua honra ou reputação. em qualquer das modalidades . insuscetíveis de agravação à ausência de recurso do Ministério Público. servirá como um simples "meio para a aplicação da pena de tortura ou da pena de morte ou para a sujeição de quem quer seja a tratamento desumano ou degradante. e semelhantes direitos típicos da execução da pena.A verdade é que nenhum direito do sentenciado.. se posicionou no sentido de fazer incidir nesses casos.. 11. crueldade e tortura. a Constituição Federal de 1988 esculpiu de maneira perspicaz no inciso III.

passa ao longo do tempo. degradantes. Por outro lado. do art. servindo isso. para que não volte mais a delinqüir. Não obstante. a pena considerada como ato de vingança. torturantes ou a vexames". bem como pratiquem ameaças à sanidade intelectual dos presos. cruéis. física. que assevera: "É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral". Existem basicamente três teorias que explicam as finalidades da pena. com a introdução em várias legislações de países civilizados. exsurgindo-se novo cenário compromissado com normas constitucionais e Convenções e Tratado Internacionais. dentre eles. Outra manifestação do princípio da dignidade da pessoa humana chamada e reconhecida como princípio da humanidade é verificado no inciso XLIX. despojados dos elementares direitos de um ser humano e considerado culpado até que conseguisse provar sua inocência. mas em momento algum. situação que perdura até nossos dias. do juiz natural e do devido processo legal. torna-se necessário privar esse meio de um indivíduo que represente tal periclitação. c) separação dos presos provisórios dos condenados definitivamente. Na primeira traz em seu bojo a própria idéia de castigo. d) tratamento distinto para as pessoas processadas (não-condenadas). moral e psíquica. Desse modo mesmo preso ou condenado o homem preserva o direito personalíssimo à sua integridade emocional. b) limitação de causas de prisão anterior à sentença condenatória definitiva. encontra-se a finalidade de prevenção. instituindo-se penas alternativas à pena privativa de liberdade. se um indivíduo transgredir a lei penal é preciso que seja punido. transformando a prisão em um local aterrorizador (inferno) e em uma verdadeira fábrica de delinqüentes (bandidos). O acusado vislumbrado como um mero objeto. resgatando-se desta forma. dos princípios da descriminalização e despenalização. o processo penal retira do preso parte de sua liberdade. torturas. com a prática disseminada de invasão de domicílio. ONDE ESTÁ A DIGNIDADE? A relação entre o autor de um delito e a pena ao longo do tempo em todas as civilizações sofreu profundas transformações. sendo totalmente indiferente à criminalização da tortura como crime hediondo. tendente a fazer respeitar-se em cada Estado soberano os direitos da dignidade da pessoa humana. toca sua dignidade. na qual tenham sido assegurados os princípios da ampla defesa (contraditório). apesar de conviver com a violação desses direitos elementares do ser humano. com o que se veda também as formas arbitrárias. vexatórias que afetem emocional. Se uma pessoa comete um crime. como uma lição. é provável que represente perigo para a sociedade em que vive. 94 . submetia o preso provisório e o preso definitivo. A FINALIDADE DA PENA EM FACE DO ATUAL SISTEMA PENEITENCIÁRIO BRASILEIRO. principalmente no interior de nosso Brasil. Na segunda. Assim. 5° da nossa Constituição. depois de conhecer as agruras das torturas e das penas cruéis e capitais para um estágio revelador da evolução da humanidade que vislumbra o acusado como sujeito de direitos e presumivelmente inocente até que se comprove sua culpabilidade. o Brasil. mental e psicologicamente. torturas e prisões ilegais praticadas por policiais. diante dos temíveis julgamentos secretos. autoritárias. constatado mediante o elevado índice de reincidência aos egressos de pena privativa de liberdade. Portanto. O QUAL É UM CAOS. física. Com fulcro nesse fundamento é possível considerar que dessas garantias decorrem quatro providências que o Poder Público (Ente Estatal) deve suprir: a) processo acusatório de curta duração. nos quais sequer participava e sem que lhe oferecesse o mínimo direito de defesa. transparece que todo e qualquer ser humano é titula do direito ao respeito. sem qualquer distinção. a humanidade caminha a passos largos para a implantação do direito penal mínimo. muitas vezes impossível.procedimentos que exponham o homem a posições ou situações degradantes. ou seja. ao arbítrio e aos caprichos daquelas autoridades encarregadas de sua execução. os verdadeiros postulados que preserva a dignidade da pessoa humana. através de uma sentença condenatória transitada em julgado. atrozes.

onde. com a discriminação ou rejeição. 95 . Entretanto. são apartados do seio social. apropriada para no máximo 15 indivíduos. finalmente. Não é raro encontrar presídios onde 60 pessoas dividem uma mesma cela. pois. que a sanção deve ser dosada usando a proporcionalidade: quanto mais grave o crime e o perigo representado pelo agente. algumas pessoas cometem um ou vários crimes. agridem sua dignidade. maior deverá ser a pena. Uma pessoa ao violar a legislação penal deve ser punida e reeducada. dentro do presídio. em nenhuma situação o indivíduo condenado poderá ser tratado com desumanidade e crueldade. tais como os campos de concentração da Coréia do Norte. também nenhum tipo de barbaridade é admitido em nosso ordenamento jurídico.000 leitos (celas). Existem presos com diferentes graus de periculosidade que permanecem em um mesmo ambiente.000.Por último. Diariamente a mídia divulga situações de miséria a que são expostos os ergastulados (presos reclusos e detentos). o condenado) é uma característica do tratamento penal diferenciado que lhe é dado. são punidas pelo Juiz-Estado (jus puniendi). seja porque já pagaram sua dívida (pena) ou porque conseguiram regime diferenciado de cumprimento de pena. Uma CPI realizada no ano de 2008 sobre o sistema prisional brasileiro calculou que existem no país cerca de 440. deixam de ser considerado objeto de proteção do direito e da consciência de respeito ao próximo. este seria o inimigo. do preconceito e da rejeição. porque primeiramente.000. porém existem nos estabelecimentos vagas para apenas 260. ou seja. por isso. É justamente quando o preso deixa o presídio que fica ainda mais fragilizado. ao mesmo tempo em que o meio social é privado de sua periculosidade enquanto esta perdure. ao sofrerem agressões advindas dos próprios pares e ainda às vezes dos agentes carcerários. A realidade dos presídios e delegacias brasileiras está longe do aceitável e mais longe ainda de alcançar a finalidade que lhes deveria ser atribuída. Há um déficit de 180. além de possuir estrutura psicológica e uma qualificação profissional que o torne capaz de produzir sua própria subsistência. ou seja. O preso tem garantidos os seus direitos. mesmo sendo acusados. As sábias palavras de ZAFFARONI refletem bem o processo de “demonização” a que o egresso do sistema prisional é submetido: “A negação jurídica da condição de pessoa ao inimigo (no caso. É perfeitamente plausível e aceitável que os três pensamentos acerca da pena convivam e formem um sistema coeso. A primeira parte destes dados é um pouco divergente dos dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça. é uma conseqüência da individualização de um ser humano como inimigo”. são estereotipados e estigmatizados. os presos trabalham de 12 a 15 horas-diárias. É por isso. cumprem suas penas na mesma cela com outros. mais uma vez a dignidade e o respeito são esquecidos. segundo relatos. sem dúvida. entende-se que a pena objetiva recuperar o indivíduo condenado. Estas pessoas além de enfrentarem tripla punição. neste momento. são punidos pela sociedade. embora não haja em nosso país a previsão de sanções desumanas ou cruéis. que sente sobre sua cabeça o peso da discriminação. reeducando e ressocializando-o de tal forma que esse possa retornar ao estado social e não tornar a infringir a lei. por não conseguirem emprego ou trabalho com facilidade. posteriormente. julgados e condenados. O primeiro problema que nos salta à vista é a superlotação nos presídios brasileiros. cumpre analisar se estes têm sido respeitados. O sistema carcerário brasileiro atualmente apresenta falhas graves que submetem seus presos a situações que. porém não é de sua essência. isso significa dizer que o indivíduo condenado por um crime de latrocínio ou estupro [hediondo] pode estar junto de uma pessoa punida por furtar um relógio. No Brasil é facilmente visível a diferenciação entre o inimigo e o infrator. quando deixam a prisão.

Problema grave enfrentado nos presídios nacionais é a insalubridade e a falta de cuidados profissionais para com os presos portadores de doenças. Além de ser menor de idade. porém. pensante e adaptável às novas condições sociais. que decretar a sua falência e seguir adiante ignorando esta mácula social seja o ideal. Estado do Pará. de maneira inconteste. A polícia a encarcerou por 20 dias em uma cela com mais de 20 homens. Todas as pessoas são diferentes na esfera privada. É necessária uma total reformulação. palestras. os mais variados. O que tem tornado esta tarefa difícil são as mazelas que atualmente observamos no sistema prisional do país.O indivíduo delinqüente deve receber uma pena de acordo com suas condições pessoais e com a gravidade do delito que cometeu. É notório. Os métodos ilegais de investigação. onde simplesmente não existe qualquer tipo de higienização. 96 . mas iguais na esfera pública. a uma categoria superlativa em nosso ordenamento. é inadmissível que homens e mulheres partilhem uma mesma cela. Entendo que a recuperação de reclusos e detentos não pode ser tida como mera utopia. Não há como dissociar o homem do seu meio social. também que muitos presos sofrem de moléstias. Essa criminalidade pode ocorrer de várias formas na sociedade (individual ou organizada). também é uma problemática visível nos estabelecimentos prisionais. meios destinados à educação. eficaz e decente. o que lhe dá direito a tratamento diferenciado de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente. O homem por ser um ser racional. Em novembro de 2007 veio à tona um caso chocante que escandalizou o país e tocou de forma profunda nesta problemática social: na cidade de Abaetetuba. uma adolescente de 15 anos de idade foi detida. possui certas regras ou padrões de comportamentos indispensáveis para a convivência social. embora a legislação brasileira garanta os direitos dos presos e proíba a imposição de penas que causem sofrimento excessivo. num esforço conjunto entre sociedade e governo para que o sistema carcerário brasileiro se apresente de modo seguro. colocam em risco a vida dos agentes penitenciários que lá trabalham e a de milhares de pessoas que por perto vivem e de modo indireto. ao menos de forma maciça. estabelecimentos seguros e limpos seriam condições apropriadas para que um detento pudesse reinserir-se no meio social com qualificação profissional e estrutura emocional que lhe permitissem manter sua subsistência. por sua vez. A explicação se faz lógica e está ligada ao princípio da dignidade da pessoa humana: não pode um indivíduo ter uma pena elevada por conta de outro delinqüente contumaz e perigoso. Durante o cumprimento da pena deve-se respeitar a dignidade da pessoa humana. A segurança ou falta desta. Essas diferenças causam os conflitos sociais. Seus motivos também são. A pena não pode ultrapassar a pessoa do condenado. Observar-se que. na qualidade de norma jurídica fundamental. depois de uma tentativa de furto. incluindo as sexualmente transmissíveis e não recebem tratamento condizente com seu estado clínico. facilitando assim a proliferação de doenças. Não acreditamos. a criminalidade é um processo social indissociável das relações humanas. Não é oferecida a população carcerária. Onde houver sociedade haverá necessariamente crime. considerando-se suas qualidades pessoais e periculosidade. Por outro lado. O atual sistema prisional é o que desejamos para nosso país? Estabelecimentos de reclusão e detenção que flagrantemente violam a dignidade dos estão custodiados? Certamente não. a realidade da organização carcerária do país tem atentado contra o princípio da dignidade da pessoa humana. portando todo o tipo de arma e até mesmo aparelhos celulares. representam um risco para toda a sociedade. atendimento médico e psicológico. é necessário que respeite o fato dele não o ser. Têm estabelecimentos. Cursos. Presos amotinados. O advento da nossa Constituição consagrou o valor da dignidade da pessoa humana como princípio máximo e o elevou. o que torna inviável a reinserção dessas pessoas na sociedade. onde a mesma sofreu abusos sexuais e psicológicos. devendo se tiver uma fiscalização rigorosa a quaisquer ofensas aos princípios fundamentais inseridos na Constituição Federal de 1988 e na Declaração dos Direitos Humanos. não podem ser empregados no combate à criminalidade. trabalho digno.

ou seja. os delinqüentes tinham seus membros amputados (pênis. chicotadas. Além da pena capital. penais cruéis (trabalhos forçados. mais recentemente. morte e exílio [Grécia]. língua e etc. penas de apedrejamento. Viu-se que todos os tipos de castigos penais foram aplicados no transcurso da evolução da História do Direito Penal. Com a adoção dos ideais humanistas. do sepultamento da pessoa ainda com vida. filósofos. na vingança pública. por intermédio da composição. o mais forte subjugava o mais fraco pela violência nas lutas individuais ou nas guerras coletivas. correspondia uma pena proporcional ao mal cometido. deve ainda ter as mesmas oportunidades ao retornar à sociedade. a civilização hebréia – lei de origem divina.). Durante muito tempo. penas severas e de morte (crucificação). semi-aberto e aberto). limpos. castigos. o Brasil . Assim. O castigo divino exteriorizava-se por meio dos fenômenos naturais e decorriam da revolta da divindade. o direito era exercido pela violência e crueldade das penas aplicadas (sociedades primitivas). As prisões. Os delinqüentes. a compra pelo delinqüente de sua liberdade. os povos sem escrita. feridas. excomunhão. E. por seu turno. queima do indivíduo vivo (fogueira). nariz. forca (dependurar em árvore). banimento (exclusão do grupo social). da injeção letal e da câmara de gás. a civilização Mesopotâmica. com o passar dos tempos. deve. às vezes. o castigo divino. a “condenação” e a “execução” eram feitas na hora. Das mais diversas formas. Era como se vê o mais forte quem dominava o mais fraco pela força. multas. do apedrejamento. por fim. No ano de 1215. os Romanos. mesmo sofrimento causado pelo crime). pena de talião. Aplicava-se. penas de morte por enforcamento e esquartejamento (conspiração contra o rei). Permitia-se. mãos e pescoço. do arrastamento. Assim. por seu turno. por mais sumário e transitório que fosse. Toda sociedade necessita de um direito que possa regulamentar as condutas sociais. de empalação. as garantias dos direitos humanos. prisão simples e multas (regimes das penas: fechado. decapitação e mutilação. orelhas. depois de cumprir sua pena. dente por dente” (punição ao delinqüente. perdas de bens. e não se lhe fará nenhum mal. Também eram torturados.O direito é uma forma de controle social. as primeiras civilizações da antiguidade – principalmente Egito. a vingança privada. Na antiguidade. castração. ter todas às garantias concedidas aos homens livres. a composição e a vingança pública. pena para o delito equivalente ao dano causado “olho por olho. flagelação. glosadores e pós-glosadores passaram a exigir que as penas tivessem ainda um caráter utilitário e preventivo e deveriam ser cumpridas em estabelecimentos adequados. a pena era aplicada publicamente para servir de exemplo à sociedade – prevenção penal geral. que incluía como direito a garantia do Tribunal do Júri: “Nenhum homem livre será preso ou despojado ou colocado fora da lei ou exilado. do lançamento do delinqüente às feras. a China. penas de morte: atirar aos cães ou queimar em cima de uma cama de ferro aquecido. 97 . mutilações. fazer-se justiça pelas próprias mãos. foi sendo superada e humanizada. detenção. escravo. da forca. penas de morte. afogamento ou empalação. Isso era comandado pelos que dominavam o Poder. ressocializado. A pena capital era executada através da guilhotina. penas corporais de reclusão. abandono aos crocodilos e etc. equiparavam-se aos animais com a perda da paz. os nobres ingleses impuseram ao Rei João Sem Terra a Magna Charta Libertatum. da crucificação e. da cadeira elétrica. O homem à semelhança de Deus deve ter os mesmos direitos que um cidadão livre. As espécies de penas em sua evolução histórica eram: penas de morte e corporais. açoites. arejados e dignos. A lei de talião.). A vingança privada consubstanciava-se pela entrega do indivíduo delinqüente à vítima ou aos seus familiares para o cumprimento da pena. Essa pena. no direito primitivo. a lei do talião. mãos. eram perpétuas e os delinqüentes ficavam acorrentados pelos pés. tornando-o.Colônia. a não ser em virtude de um julgamento legal dos seus pares ou em virtude da lei do país”. a Índia. no período antigo. de marcas a ferro em brasa. foi criada a pena de morte. submetidos a garrote vil e marcados com ferro quente na testa. finalmente. atualmente no Brasil.

a sociedade logo esquece. caracterizada está a falência da intervenção estatal nas relações sociais no que toca a aplicação da pena. os direitos humanos. Assim. a evolução do conceito de ação e conduta. Modernamente o Direito Penal tem se detido principalmente sobre alguns temas de fundamental relevância para o seu sistema atual. Deve-se educá-lo ou reeducá-lo com base nos princípios inerentes à sua dignidade como pessoa humana. julgadas e condenadas. É necessário encontrar mecanismos eficientes para. ZAFFARONI trata do tema em sua obra. A pena tem uma finalidade educativa e não punitiva. Ao citar CARL SCHIMITT assevera que: “inimigo não é qualquer infrator. aos delinqüentes e aos cidadãos e. Deve-se aplicar uma pena condizente com o crime praticado. por isso. A criminalidade. mas tal punição deve ser necessária e eficaz em observância aos princípios constitucionais. o indesejável. são estereotipadas e estigmatizadas. no segundo. dando-lhe as oportunidades necessárias para tal finalidade. O inimigo. respeitando-se aos direitos e garantias especificadas na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O Estado deve aplicar-lhe uma sanção e. pois no fundo a ilegalidade (crime) é a mesma. este é o inimigo. como se vê. eventualmente. Os direitos humanos. pura e simplesmente. Também é cidadão aquele que. comete crime.A criminalidade não se deve combater com a violência. O objetivo do Estado é punir o delinqüente. devem ser colocados como parâmetros dessa repressão à criminalidade. gradativamente. apesar de não ser possível formular um conceito concreto do quem ele seja. educá-lo ou reeducá-lo para o retorno ao convívio social (ressocialização). o que e quem ele é. a teoria da imputação objetiva. prevenção geral positiva e negativa da pena. Direitos humanos não são direitos dos indivíduos delinqüentes. por outro lado. O combate à criminalidade não se restringe no afastamento do indivíduo delinqüente do convívio social. sem falar no simbolismo que hoje lhe é outorgado colidindo com os movimentos que propugnam a sua abolição. Não se deve institucionalizar a ilegalidade investigatória exercida pelo Estado a pretexto de combate à criminalidade. Todas as 98 . Sua dignidade deve ser preservada por maior que seja o seu crime. tanto que muitos políticos condenados por corrupção são reeleitos. O inimigo no Direito Penal. seria todo aquele que não se enquadra nos padrões de conduta estipulados pela sociedade ou seria aquele que ocasiona situações conflituosas. Não há dúvidas que o indivíduo envolvido em algum crime deve ser punido. aos familiares daquelas. com o policiamento ostensivo e repressivamente. No Brasil é facilmente visível a diferenciação entre o inimigo e o infrator delitivo. Trata-se de uma garantia do cidadão que deve ser preservada. ao mesmo tempo. aplicando-os as vítimas. quem não pertence à comunidade”. Contudo. Em contrapartida o acusado na maioria das vezes. é necessário abrir um parêntese para falar sobre o inimigo. não é condenado e mesmo quando isto acontece. demonstrando que o Estado está presente para tomar as medidas adequadas contra a criminalidade. preventivamente. mas de todas as pessoas (todos nós). com excelência. A punição da criminalidade deve servir de exemplo à sociedade. inimigo é aquele que carece de direitos em termos absolutos. Algumas pessoas cometem um ou vários crimes. A prevenção é o meio mais importante para eliminar a criminalidade. deve ser combatida com critérios racionais e dentro dos limites permitidos por lei. crime sem pena: é ineficaz. ir eliminando ou minando essa criminalidade do meio social. deixa de ser considerada objeto de proteção do direito e da consciência de respeito ao próximo. com a atuação eficiente da Polícia Judiciária. são apartadas do seio social. por sua vez. principalmente. Para falar em dignidade da pessoa do preso. como a proteção dos bens jurídicos. inconveniente e problemático. já que a pena de prisão é incapaz de reinserir o condenado na sociedade. mesmo sendo acusadas. Os direitos humanos são garantias do cidadão. Ressalte-se. O Estado deverá exercer suas funções em dois momentos distintos. que os direitos humanos não se aplicam somente aos indivíduos delinqüentes. mas com inteligência. No primeiro. Pena sem crime: é abuso.

morais. ao ser atingido pela sanção penal. Seguindo esta análise. à educação. que sua recuperação seja possível. jurídicos. permanecendo suspenso o processo. CP). revelam a importância de se proteger a dignidade da pessoa humana. 366 do Código de Processo Penal. Judiciário e Executório. É necessário que a sociedade conscientize-se que o problema da criminalidade no Brasil somente será resolvido quando ocorrerem investimentos em bases educacionais.características visíveis à pessoa do condenado. mas são um misto de conquistas derivadas da luta pelo direito e da tentativa de regulação da vida em uma sociedade cada vez mais universal (internacional). como se tem feito o paradigma humanitário como inimigo da persecução punitiva. É um equívoco colocar. pois é necessário traçar diretrizes básicas que delimitem e regulem o alcance das normas penais. O princípio da dignidade da pessoa humana é a matriz de diversos outros direitos e garantias fundamentais nas Cartas Políticas dos povos civilizados e na Constituição Federal brasileira de 1988. religiosos. Judiciário com a prolação da sentença no momento em que a individualização pessoal do agente começa a ser observada. Executório. que na realidade é sua base. que se iniciou. CONCLUSÃO Os fatos ocorridos na história do mundo. psicológicos. Passado o período da suspensão do prazo prescricional limitado ou restringido ao prazo desta prescrição pelo máximo da pena abstratamente prevista para o delito (art. dentre outros aceitáveis. verifica-se de forma ímpar que os Direitos Fundamentais não se restringem à esfera interna. O princípio da individualização da pena corresponde ao direito que o denunciado tem de ser tratado individualmente. É como o Desembargador Celso Limongi bem salienta. dos quais decorre a liberdade de pensamento. até porque o Superior Tribunal de Justiça O Estado tem o dever de criar condições que permitam a educação e a ressocialização do preso. que a ele sejam proporcionadas chances de refazer sua vida de forma digna. sem ofensa aos valores éticos. em bases de formação da sociedade. a constante ameaça a liberdade. A conjugação de idéias basilares a respeito dos Direitos Fundamentais permitiu-nos verificar que a busca pelo correto conceito desses direitos envolve a delimitação de sua trajetória histórica. Nesta tangente. Legislativo ao ser criada a lei penal. depois que o homem passou a se relacionar em sociedade. este que pode ser 99 . a inviolabilidade de domicílio. É pouco provável que medidas de repressão e controle sejam mais eficazes do que uma política séria em educação. de reunião. o direito ao trabalho. cuja principal sanção é a pena privativa de liberdade. sociológicos. à segurança. há que se existir o debate a respeito dos rumos a serem traçados para os fins do Direito Penal. percebe-se com clareza que os Direitos Fundamentais não estão limitados à Constituição e estão nela dispostos apenas para eivarem-se de uma maior intangibilidade. por ter praticado um fato ilícito previsto como crime. destarte. filosóficos. Ao contrário do que se vivencia a dignidade do homem e os direitos humanos não são contrapontos do sistema penal. dentre outros valores essenciais ao homem. Quando o indivíduo infelizmente já tiver sido vítima da influencia do mundo do crime. que atinge diretamente a liberdade do ser humano. sobretudo no genocídio cometido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A individualização da pena debe ocorrer em três fases distintas: Legislativo. à saúde. “O Estado não pode descer ao mesmo nível dos criminosos”. não simplesmente abolindo a pena. 109. caso não afastada a incidência do art. regressa. mas evitando-se. O Direito Penal é coativo. já que essa função do Estado pode se realizar plenamente e alcançar sua finalidade. retorna e volta a correr o prazo da prescrição. de exercício de profissão. políticos. sempre considerado um incômodo para sua família e para a sociedade.

Percebe-se que desde o início da existência do mundo a criminalidade tem sido um problema social de política pública gravosa. pasando a integrar o grupo dos apenados reincidentes. diante da atual situação do sistema prisional brasileiro. 100 . Deve ainda se observar que muitos dos tratados internacionais assinados pelo país trazem em seu texto a obrigatoriedade de ser observados os direitos e as garantías inherentes aos presos. assim se entende que a individualização do apenado no curso da execução da pena. acabam por cumprir sua pena que lhe foi aplicada. A legislação brasileira garante que no processo executório o agente seja classificado individualmente. já que quando inseridos no sistema prisional. a lei dita também que o preso provisório debe ser separado dos presos. cuja preservação é sempre imperativa. a degradação do ser humano. não tiveram seus progressos individuais devidamente reconhecidos e resguardados. sem ao menos lhe conceder a possibilidade de ser transferido ao regime mais brando. a Casa do Albergado. especialmente os condenados. por simplesmente não existirem os estabelecimentos adequados e apropriados à abrigar os sentenciados ao regime aberto. muitos deles possui os requisitos para o benefício da progressão. Da quantia elevada de presos nas cadeias públicas e presídios brasileiros. o que se encontra em todas as regiões do Brasil. se encontra também lotado. não se justifica que ao cumprimento da pena. que a individualização da pena no curso da execução penal encontra-se em total falácia. qual seja. nos estabelecimentos que abrigam os apenados no regime semi-aberto. em face da falta do correto investimento no setor penitenciário. conclui. de aumento desenfreado da violência e da criminalidade. Mesmo nestes tempos críticos. está inserida como um destes direitos ou uma destas garantias. a fim de se definir seus traços de personalidade. Essa preservação não impede nem a realização da prevenção geral positiva nem o combate ostensivo ao crime. Deve-se investir na humanização. não podendo ser aplicada aos apenados. estes que por fim acabam por fazer parte da estatística daqueles que cumprem pena e retornam a delinquir. A partir desta análise do referido exame a execução deverá transcorrer de maneira a serem consideradas todas as características colhidas anteriormente. o qual por sua vez. em face de violações ou de ameaças de lesão aos direitos fundamentais constitucionalmente reconhecidos. neste trabalho. os apenados do regime fechado.considerado o momento mais importante. inexiste qualquer justificativa à afronta dos ideais democráticos e humanitários. conforme se extrai do art. mesmo porque. manter a indiferença ou admitir passivamente que legislações infraconstitucionais e/ou as práticas jurídicas avancem sobre esses bens sem qualquer levante/resistência constitucional. na melhora do sistema prisional e na ressocialização do preso como exigência do Estado de Direito. por terem preenchidos tais requisitos objetivos e subjetivos e ainda se encontram no regime fechado. não previsto em lei. já condenado (sentenciados) e os primários separados dos reincidentes. Diante de toda a situação exposta e narrada. sua conduta social e seus antecedentes. através de exame criminológico. seja acrescentado um sofrimento. pois os indivíduos têm praticado crimes. por falta de vagas. são os estabelecimentos prisionais superlotados com falta de infraestrutura e apenados em situação de total abandonos e desprezos. 84 da Lei de Execuções Penais. Mais do que garantir a individualização da pena com base no citado exame. porque é nesta fase executória que o sujeito cumpre o determinado pela sentença. levando também em consideração o progresso individual do apenado. mesmo os delitos de menor potencial ofensivo. Não raramente. totalmente em regime mais severo. Os garantidores do sistema penal não podem. Porém foi observado no transcorrer de todo o estudo que apesar da lei garantir a individualização do apenado encontra-se totalmente atingida. sem margen para dúvida ou questionamento. portanto. sob pena de se conceber um sistema ilegítimo.

revelam a importância de se proteger a dignidade da pessoa humana. da boa-fé na atuação punitiva em qualquer natureza de processo. não seja rompido sem que exista robusta razão jurídica. penal. diversas regras e princípios de atuação da Administração Pública têm sua raiz na dignidade da pessoa humana. por sua vez. levando-o ao exercício consciente da cidadania. a inviolabilidade de domicílio. modo por que princípios como o da motivação. da segurança jurídica. De quanto se viu até agora. pode-se deduzir que a cadeia é a verdadeira universidade do crime e a prisão atinge o condenado ou preso em sua integridade física e moral. da boa-fé na atuação administrativa punitiva sejam sempre observados. sobretudo no genocídio cometido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. sob pena de perpetuar-se no fracasso a que se destina. sejam sempre observados em função da supremacia do valor fundamental do homem dentro da ordem jurídica. de reunião. previdenciário ou trabalhista. Quando o indivíduo infelizmente já tiver sido vítima da influencia do mundo do crime. de exercício de profissão. à educação e segurança. formal e eficientemente. O Estado e a sociedade deveriam se juntar na perspectiva de recuperar aquele indivíduo. atividades laborais que a própria lei de execução penal prevê não são colocadas em prática com a intensidade que deveriam ter e a sociedade. modo por que princípios como da motivação. civil. É necessário que a sociedade conscientize-se que o problema da criminalidade no Brasil somente será resolvido quando ocorrerem investimentos em bases educacionais. porque ao mesmo tempo em que pune a transgressão praticada. o direito ao trabalho. e. não seja rompido sem que exista robusta razão jurídica. A honra e a dignidade são bens personalíssimos inerentes ao ser humano e não podem ser menosprezadas sob o argumento de que presos ou condenados não mais as possuem. no interior dos 101 . entendo como o maior exemplo de evolução do direito penal moderno. diversas regras e princípios de atuação da Administração Pública têm sua raiz na dignidade da pessoa humana e na importância de que a manutenção do vínculo funcional do servidor com o Estado. da proporcionalidade. dos quais decorrem a liberdade de pensamento. demonstrar suas aptidões profissionais e artísticas. não lhe dando qualquer oportunidade de reabilitação quando ele torna-se egresso do sistema prisional. já que é sempre possível recuperá-lo. do contraditório. O ócio que impera nos presídios é o constante convite para aqueles delinqüentes de maior gravidade persistir no mundo enganoso do ilícito. Assim. O princípio da dignidade da pessoa humana é a matriz de diversos outros direitos e garantias fundamentais nas Cartas Políticas dos povos civilizados e na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O Estado tem o dever de criar condições que permitam a educação e a ressocialização do preso. à saúde. Neste sentido é que existe uma série de mecanismos a disposição do Estado e que devem ser utilizados na busca de ressocializar o preso. o condena e o exclui. No processo. retirando da senda do crime o infrator (delinqüente). da ampla defesa. mas como uma coisa. como a educação. A realidade prisional merece sofrer uma transformação. que a ele sejam proporcionadas chances de refazer sua vida de forma digna. A verdade é que o Estado não trata o preso como um ser humano. as quais serão aproveitadas depois do cumprimento da sanção. quer administrativo. em função da supremacia do valor fundamental do homem dentro da ordem jurídica. Os fatos ocorridos na história do mundo. valoriza o apenado. A prestação de serviços à comunidade. da segurança jurídica. eleitoral. entende-se que o trabalho e a educação de qualidade precisam ser urgentemente inseridos. dentre outros valores essenciais ao homem. “O Estado não pode descer ao mesmo nível dos criminosos”.No processo administrativo disciplinar. dando-lhe a oportunidade de. que sua recuperação seja possível. por meio de trabalho. ressalto novamente o que fora dito pelo Desembargador Celso Limongi. porém esses mecanismos de reabilitação do preso. do contraditório e ampla defesa. ou da condição de destinatário de benefício previdenciário de inatividade remunerada. da proporcionalidade.

Não parece difícil a aplicação dessas medidas. se transformaria em lucros sociais. BERNARDO FEIJOO SÁNCHEZ. 3ª edição. promova palestras e debates. Vitória. 2000. O drama penitenciário é muito preocupante e necessita de ações governamentais urgentes. 102 . a fim de resguardar e respeitar a dignidade e a integridade física e psíquica (emocional e moral) dos encarcerados. depois de analisar tantos de grande relevância para a atualidade em que vivemos relacionados à criminalidade e à violência é que é impossível que o Estado cumpra sozinho o papel de fornecer os direitos e as garantias à sociedade. como fator educativo. emprego. basta aperfeiçoá-los e colocá-los em pratica. 2007 – fev. estará muito menos propícia a ter atitudes que sejam maléficas. cruel. O direito penal do inimigo e o Estado democrático de direito. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALESSANDRO BARATTA. Revista e Atualizada no Brasil. crie postos de trabalhos não apenas para ocupar o tempo do preso. ano 2. Criminologia crítica e crítica do direito penal: introdução à sociologia do direito penal. Tradução de JUAREZ CIRINO DOS SANTOS. Educar o homem é a medida mais apropriada e eficaz para o seu progresso e desenvolvimento enquanto indivíduo e ser social. 2002. pois projetos e programas já existem. mas resguardando e respeitando os direitos humanos dos indivíduos (nacionais). renda. a própria sociedade. renda. auto-estima. se sentirá valorizada e não fará mal à sociedade. nº 10. programas de assistência ou outras maneiras. além de reaproximar o sentenciado da sociedade e da sua família. traduzido no princípio da humanidade que permeia a Ciência Jurídica. Inserir o homem no mercado de trabalho é proporcionar-lhe as condições para viver dignamente no meio social. tanto para quem a cerca quanto para a sociedade em geral. Há maneiras menos agressivas ou diretas que podem ser usadas pela sociedade para minimizar ou acabar com a criminalidade e com a violência. Estas maneiras podem ser projetos sociais. submetendo os prisioneiros (presos ou condenados) a tratamento bárbaro. dando uma perspectiva ao recluso que ao cumprir sua pena poderá exercer uma atividade laboral digna na sociedade. Uma pessoa que tenha educação. A principal conclusão a que se chega. para tanto. que as pessoas ocupem ou tomem o lugar do Estado ou ainda o substitua. se bem aproveitadas. Neste caso. Tradução de JULIO PINHEIRO FARO HOMEM DE SIQUEIRA e IGOR RODRIGUES BRITO. tão diversas quanto se possa imaginar para gerar educação. Diante de tudo o que foi apresentado e exposto é exeqüível constatar de maneira nítida a maciça importância do princípio da dignidade da pessoa humana. mas para ensinar-lhe uma profissão que propicie seu exercício tão logo readquira sua liberdade.estabelecimentos prisionais. Edições Vida Nova. de maneira alguma. para tanto. Rio de Janeiro: Revan e Instituto Carioca de Criminologia. desmoralizante. ao se sentir valorizada. 2ª edição. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. trabalho e principalmente. é imperioso que o Estado construa penitenciárias dotadas de bibliotecas. Não se espera. Uma pessoa. visto que não existirão motivos. desumano. BÍBLIA SHEDD: Antigo e Novo Testamentos. As bases emanadas por este mandamento basilar. bastando. O trabalho. emprego. São Paulo. trabalho. essencial e fundamental ao Estado Democrático de Direito vedam a utilização das normas como caprichosa e simplória manifestação da vontade do governante ou da autoridade carcerária. podem ser determinantes no combate às diversas formas de violência. que não psicológicos. 2008. vontade política dos responsáveis pela implementação de políticas públicas. organizações não-governamentais. nov. degradante. torturante. O Estado tem prerrogativas e armas exclusivas e que. Panóptica.

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