1.

Andreia celebrou com Bernardo, no passado dia 1 de Outubro, um contratopromessa de compra e venda, relativo a um apartamento no edifício Torre Linda. Bernardo, que prometeu comprar o apartamento por € 75.000, entregou logo a Andreia, que prometeu vender, um cheque nesse montante. Ficou estabelecido que no dia 10 de Novembro de 2008 seria celebrado o contrato de compra e venda. Pese embora a relutância de Andreia, Bernardo convenceu-a de que a certificação notarial da existência de licença de utilização era uma perda de tempo e dinheiro, assim como o reconhecimento presencial das assinaturas das partes. No dia aprazado – 10 de Novembro – Andreia não compareceu no notário, e Bernardo deu imediatamente instruções ao seu advogado para interpôr uma acção judicial, que condenasse Andreia a (1) pagar-lhe € 150.000 ou, caso o primeiro pedido não fosse procedente, a (2) celebrar o contrato prometido. O advogado aproveitou ainda para invocar a (3) nulidade do contrato, por vício de forma, apelando ao disposto no artigo 410.º/3. Pronuncie-se sobre as três pretensões de Bernardo.

2. Carlos, Diogo e Emília, colegas e amigos, decidiram comprar um quadro numa galeria de arte contemporânea, para presentear o novo director do departamento onde todos trabalham. A galerista aceitou receber apenas em 30 de Dezembro de 2008, altura em que todos receberiam um bónus chorudo, mas em contrapartida, ficou estipulado que poderia exigir o preço do quadro - € 30.000 – a qualquer um dos três. Em 1 de Dezembro de 2008, a galerista encontrou Carlos na rua e, muito nervosa, argumentando dificuldades económicas e problemas pessoais (e porque era muito bonita), conseguiu que este lhe pagasse os € 30.000. Carlos telefonou no dia seguinte a Diogo, pedindo-lhe € 20.000, e sugerindo que o acerto de contas final fosse feito entre este último e Emília, que por acaso são primos. Diogo responde-lhe que não lhe paga absolutamente nada, porque (1) a galerista devia esperar até ao fim de Dezembro para recebere porque, além disso, (2) não quer misturar negócios com família, e não aceita ser o cobrador de Carlos, perante Emília. Pronuncie-se sobre as duas respostas de Diogo à pretensão de Carlos.