Copyright © 2012, Léo Rossetti

Editora
Léa Carvalho
Capa
Léo Rossetti
Revisão
Eveline Vieira Machado
Projeto gráfico
Léo Rossetti
Diagramação
MaLu Santos
Dados Internacionais para Catalogação na Publicação(CIP)
D229j Rossetti, Léo.
Cores de um poeta inverso / Léo Rossetti. - Rio de
Janeiro : Metanoia, 2012.
112 p. : il. ; 21 cm.
ISBN 978-85-63439-17-8
1. Poesia brasileira. I. Título.

CDD – B869.1
Ficha Catalográfica elaborada pela bibliotecária Lioara Mandoju CRB-7 5331
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IMPRESSO NO BRASIL
Aos meus pais,
Selma e Paulo.
D
emorei muito para escrever este livro. Há anos eu já Ɵnha a ideia
de reunir meus textos e publicá-los, mas faltava a inspiração, o
roteiro, algo que desse coerência à obra. Foi revisitando cada um dos
poemas que encontrei o eixo que me nortearia na produção do livro,
de maneira que a obra, como um todo, Ɵvesse um senƟdo significaƟvo
tanto para mim, que escrevo, quanto para quem a lê.
Não, não tenho a pretensão de escrever um livro autobiográfico.
Tampouco este é um livro de autoajuda. Neste pequeno livro pretendo
apenas dividir com o mundo um pouco da minha experiência de vida,
comparƟlhada através de versos ơmidos e despretensiosos. Uma ex-
periência que – há que se dizer – não é exclusivamente minha. Trata-se
de uma vivência coleƟva, porque o mundo fez parte dela, pessoas de
carne e osso fizeram parte dela, corações foram envolvidos nas sílabas
que embalam essas estrofes. Esse mundo, essas pessoas e esses cora-
ções testemunharam a transformação de um menino em um homem.
Este livro é um pequeno tratado poéƟco sobre como garoto intros-
pecƟvo e ơmido conseguiu se tornar um adulto consciente e feliz. Da
perfeição pueril e triste à maturidade alegre repleta de defeitos, este é
o caminho que tento apresentar, com a esperança de que esses versos
tragam a quem os lê a percepção de que o belo não repousa, necessa-
riamente, naquilo que socialmente é tomado como correto.
A árvore foi a alegoria que escolhi para ilustrar a minha experiência
poéƟca. Para desvendar essa alegoria, dividi a obra em quatro capítu-
los, cada um dos quais representando uma fase significaƟva da minha
vida e da minha experiência poéƟca. Alternando textos de abordagem
emoƟvo-senƟmental (com foco nos conflitos internos) com de temá-
Ɵca políƟco-social (com foco na dinâmica exterior), procuro mostrar
que a árvore que habita em mim só existe porque está inserida em um
mundo real, onde se mata e se morre de verdade, onde outras pesso-
as sofrem tanto quanto ou mais, muito mais, que pressupunha o meu
egoísmo senƟmental adolescente. Onde o amor não é privilégio de um
poeta solitário.
Quando verde, repleta de folhas vívidas, a árvore que apresento
passeia pelo contentamento da juventude, pelos deslizes do aprendi-
zado, pela imaturidade. Quando fruơfera, surpreende com o vermelho
de seus frutos, que invadem de maneira abusada a soberania do verde
das folhas. Com seus frutos vermelhos, a árvore enche-se de desejo,
de prazer, de amor e de paixão. Seus frutos obedecem ao curso da
natureza e caem, mas assim, da queda, são capazes de mudar o mun-
do. Causa e efeito, ação e reação. A árvore regride à inércia, torna-se
miúda, seca, sem folhas, sem frutos. A planta, antes vistosa, limita-se
às ramificações de suas raízes. A parƟr de dentro, do fundo da terra,
faz com que a aridez seja o adubo principal para que germine uma
nova árvore, dessa vez sem a predominância do verde, ou dos frutos
vermelhos. Sim, os herdeiros da ciência newtoniana têm razão; dos
frutos que caem podem surgir as grandes transformações do mundo.
Neste caso, o meu pequeno mundo. A árvore que surgiu das raízes se-
cas tornou-se uma planta repleta de colorido e vigor. Deixou o disfarce
em favor da visibilidade, a vergonha em favor do orgulho.
Por fim, o meu desejo maior é que você possa mergulhar nesse
universo que é a poesia, e consiga, através destes versos, desfolhar a
árvore que existe em você.
O rortn vrnbr
Sábado Molhado
Dona de mim
Para que eu aprenda a amar
Adeus
Soneto da dor de amor
Minúsculo brasil
Made in Brazil
O rortn vrnmrtno
Saudade
Poeminha onomatopeico
InsƟnto
Labirinto em mim
Recaída
InƟtulável impossível
Negação
Inconsequente
Disfarce
Se quiseres...
Olhos
Roma
Semana
Você e eu
Soneto da noite carente
À própria sorte
10
24
Cala-te, soneto
Homo sapiens
Uma questão modernista
O rortn mnnnom
Retrato de Ɵmidez
Das flores e bombons
Das negaƟvas
Menino de rua
Viva a omelete!
Soneto de fuƟlidade
Adão
Quase um soneto
Sete meses e seis dias de saudade
Eros
Venha ser meu poema
Eu não amo você
Soneto dos 13 anos
O rio
Veneno
O rortn cotonìbo
MaƟna vesperƟna
Meu Bebê
Dizem que querem a paz
Tributo ao pecado
IdenƟdade
Coisa Preta
Imperfeição
Se eu pudesse ter mais uma chance
Despedida em cores
Eu, ateu
Nego batuque
54
92
Foi no início do Ensino Médio quando se rascunharam os primeiros
esboços do que era poesia. Eu tinha cerca de 13 ou 14 anos quando
comecei a despertar para os versos e a perceber que o que eu fazia
poderia, de alguma forma, transcender a semântica óbvia das palavras
de um texto dissertativo.
Era o início da adolescência, e eu me sentia o mais solitário dos seres.
Sozinho, dentro de mim mesmo, escrevia para expiar as angústias de
viver um não-ser. Acreditava ser incapaz de amar, de dar e de receber
amor. E por ter sido assim, esse garoto deslocado, triste e infeliz,
busquei nos versos o alívio para a alma. Surgiu, desta forma, o eu-poeta,
impulsionado pelas frustrações de um amor não correspondido, de um
namoro não iniciado, de uma vida que tinha tudo para ser, mas que não
era.
O que apresento aqui são alguns dos primeiros versos de um poeta
aprendiz, imaturo nos textos e inseguro na vida. Versos que não
destoam do sentimento de muitos adolescentes que, como eu, amaram
platonicamente, sofreram à distância, e esconderam-se com vergonha
de aparecer. Versos de um poeta cuja árvore – a poesia – tão tímida
quanto o próprio poeta, crescia naturalmente aos olhos do mundo, com
receio de que o mundo percebesse e vigiasse o verde que coloria suas
folhas.
verde
o p o e t a
12
1998
Tarde de sábado molhado
Escrevia eu: “Má tarde, diário”!
A chuva caía lá fora,
A chuva inundava aqui dentro
Dentro de mim
Lágrimas rolavam no diário
E eu pensando em Ɵ
Em Ɵ, que inferno! Que tormento!
A chuva ainda caía lá fora
Na tarde de sábado molhado.
Tu já não pensavas mais em mim
Pensava eu: “Já não penso mais”
O vento brisava lá fora
O vento varria aqui dentro
E eu caído no quarto, abalado,
Não podia mais escrever: “Boa tarde, diário”.
Tampouco podia te amar
No quarto em que escrevia o tal diário.
Mas agora... neste momento...
ConƟnua o vento varrendo aqui dentro
ConƟnua a chuva caindo lá fora...
13
1998
Ah, minha amada, minha amada...
Se tu soubesses o quanto eu amo
A tua beleza tanta...
Grande beleza que mata
De amor... de pranto!
Amada ama do meu amor,
Se meu amor pra Ɵ é nada,
Não diga nada, bela também és calada.
Pois quando falas,
De amor me feres.
Só me percebes quando sou nada...!
Em tuas pegadas
No chão de púrpura,
Rendo-me, ó dona minha!
Servir-te é a sina
De minha jornada
Que não tem cura...
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Este livro foi composto nas famílias tipográficas:
Calibri, Orpheus e Arial Black
Impresso em papel pólen soft 80g
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