UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO REGIONAL DO SERIDÓ DEPARTAMENTO DE LETRAS – LÍNGUA ESPANHOLA DISCIPLINA: LINGUÍSTICA

APLICADA AO ESPANHOL PROFESSORA: ROZARIO RABAY ALUNO: DIEGO BRAVO

RESENHA CRÍTICA DO ARTIGO CIENTÍFICO “A FORMAÇÃO CRÍTICA DO EDUCADOR NA PERSPECTIVA LINGUÍSTICA APLICADA” Por Fernanda Coelho Liberali – PUC/SP DA

Como bem explica na sua introdução, Liberali propõe-se discutir a formação crítica de professores na visão da linguística aplicada (LA). Seu texto surge em um contexto de consolidação e renovação da área de pesquisa da LA, precisamente entre os anos de 2003 e 2006 quando é publicado pela editora Unijuí e organizado pelas pesquisadoras Lucio Rotawa e Sulany Silveira dos Santos. Inicialmente, a autora apresenta a fundamentação do seu trabalho a partir da visão da LA. Esta é definida desde sua consideração da linguagem como mediadora/realizadora das ações que estão em todas as áreas do saber, incluindo a educação, na sala de aula. Ela permeia todos os setores da vida humana, como afirma Celani (1998), e em isso concorda, agregamos, com outros grandes impulsores da área como Moita Lopes, Almeida Filho, Cavalcanti, entre outros. Utiliza-se de diferentes fontes de conhecimentos, como sociologia, etnografia, linguística, psicologia e outras, para construir novas bases teóricas que ajudarão em novos construtos, mas basicamente em seu caráter transdisciplinar, isto é, partindo do objeto para essa construção teórica. Isto coloca aos linguistas aplicados em observadores atentos dos fatos sociais, constituindo-os em agentes transformadores, e isso vale realmente a pena. Seguidamente, é apresentado o contexto do grupo de pesquisa voltado para a formação de professores. Este inclui o grupo de trabalho da ANPOLL (Associação nacional de Pós-graduação em Letras e Linguística) e o da ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil), onde se contemplam questões como: formação reflexiva; crenças, representações e conhecimentos do professor; construção de identidade profissional; novas tecnologias; formação de agentes críticos com base na argumentação; dentre outros. Área enormemente reconhecida por muitíssimos pesquisadores renomados como: Almeida Filho (1999), Barcellos (2000), Leffa (2001), Kleiman (2001), Motta Roth (2001), Freire e Lessa (2003), Gimenez (2005), Ramos (2002), e outros. Também se ressalta o caráter teórico-prático da área de formação de professores e sua conexão com programas de extensão que facilitam a

mas sem opções reflexivas. ressaltando-se que historicamente a formação passou por diferentes etapas. Princípios utilizados seminalmente por Paulo Freire e que nos colocam. como educadores. uma vez que permite ouvir. surge um desenvolvimento e capacitação que reforçava a ideia que o professor. como bem aponta Liberali (2006). agora contínua. A realidade tem demonstrado que tem a fazer-se muito ainda. de imersão reflexiva e emersão atuante dessa consciência. desmitificando os sentidos da palavra política. tinha inerentemente essa capacidade de agir. poder falar de consciência. Assim. lealdade aos princípios liberadores e transformadores do conhecimento. Relatos de sala de aula com descrição de ações. com capacidade de argumentação e conscientes de seu poder de transformação e constituição como seres dialógicos. dizer e. Mas nem sempre as coisas tem sido de essa forma crítica que comenta Liberali e à qual aderimos. Como a autora propõe citando a Freire (1996/2001). com compromisso pela transformação social. os linguistas aplicados deveríamos pensar e atuar em uma educação de educadores com esses princípios básicos. como bem aponta o texto. Claro. marcaram esses momentos particulares na formação. E faz isso ajudando aos alunos a desenvolver uma consciência crítica e política. Precisamente. então. Deixando claro que se quisermos uma sociedade mais justa e ética. na posição de poder desvelar a realidade através de nossas ações educativas. Mas também. considera aos educadores como sujeitos capazes de mudar seus contextos e sua sociedade. o intuito é formar professores. sim. e que nos constitui como seres inseridos criticamente na sociedade.conexão universidade-comunidade. A formação crítica. com preocupações sociais mais amplas. com respeito pelo outro e sua identidade. Só precisava despertá-la. reconstruindo ou ressignificando outras palavras como consciência. a visão da formação crítica obedece. ao meu entender. a um paradigma centrado na ética e na formação cidadã. reconstruindo axiologicamente os valores universais na constituição de um ser . Porque o professor pode e deve. ao ponto de poder associá-las historicamente na constituição de cidadãos. desconsiderando os contextos. silenciar. ser ante todo um cidadão crítico. com foco na inclusão e a liberdade criativa. até. passando pelo treinamento de professores das décadas de 70 e 80 e seu planejamento pormenorizado das ações. Essas marcas na formação de professores deveram passar por etapas cada vez mais temporais e focadas. utilizando bases teóricas da psicologia. a linguagem exerce um papel fundamental. Dessa maneira. com poucos instrumentos para entender suas próprias ações. Capazes de transformar a realidade. para educar o educador. Da formação continuada. aceitando a exterioridade de suas fontes de conhecimento para sua ação eficaz. e professores que sejam críticos de sua realidade social.

.)” Liberali (2003). questionar. consideramos que todas estas manifestações sobre formação crítica estão unidas sob a consideração de que existe um contexto situacional e específico que deve ser observado atentamente para que possa surgir a superação das desigualdades. participando como agente social com funções pautadas a partir de critérios construídos na compreensão das questões sociais. E isso pode vê-se nas capacidades de participar. ser crítico pressupõe sê-lo desde dentro da sociedade. colaborar. que propõe a modificação da realidade e sua transformação. Finalmente. devemos primeiramente refletir sobre nossa prática e mudar nosso interior. “(. Utilizando-se a linguagem como ferramenta (Vygotsky.humano pleno é que se observam as Justificativas racionais em nosso sistema moral. Se eu mudo. o mundo muda. Precisamente.. para que possam emergir soluções precisas aos problemas sociais específicos. constituindo uma postura ética.. com o qual concordamos e acrescentamos: para que alguma coisa mude na educação. . reconhecer ao outro.) pode tornar à linguagem como um instrumento de transformação da atividade mental de pensar sobre o fazer (.. 1934) de desenvolvimento e reconstrução das ações realizadas é que poderemos compreender que o discurso organizado. pensar e assumir compromissos por parte do educador crítico. históricas e culturais.