10/03/2013

UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB
MÓDULO II – ANESTESIOLOGIA E TÉCNICA CIRÚRGICA

PROFILAXIA DA INFECÇÃO

Profª Ana Pascoli

Aula 1
Profilaxia da Infecção
Objetivos: Identificar a importância e conhecer os mecanismos de prevenção de infecção cirúrgica.

1

10/03/2013

Referências

BOJRAB, M. Joseph Técnicas atuais em cirurgia de pequenos animais. 3. ed. São Paulo: Roca, 1996. FOSSUM, Theresa Welch. Cirurgia de Pequenos Animais. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. SLATTER, Douglas. Manual de Cirurgia de Pequenos Animais. 3. ed. Editora Manole, 2007.

Cirurgia

Especialidade médica caracterizada por um

conjunto de manobras manuais ou instrumentais
que o cirurgião executa para a realização de ato operatório com finalidades diagnóstica, terapêutica ou estética.

2

10/03/2013

Prevenção da Infecção Cirúrgica
1.

Avaliação e preparação apropriada do paciente;

2.
3.

Preparação da equipe cirúrgica;
Esterilização cirúrgicos; do equipamento e materiais

4. 5. 6.

Manutenção da sala de cirurgia;
Técnica operatória; Tratamento pós-operatório.

Operando com sucesso

3

 Dissecar somente o necessário.  Conhecimento da técnica/ anatomia topográfica.  Movimentos mínimos e precisos.  Bom planejamento da cirurgia.  Boa iluminação.  Instrumentos e técnicas corretas.10/03/2013 Cirurgia X Contaminação COMO OPERAR SEM CONTAMINAR ? Técnica cirúrgica Atraumática Técnica cirúrgica Asséptica Cirurgia X Contaminação  Prevenção do trauma:  Cirurgião calmo (sem tensão).  Reduzir a exposição dos tecidos. 4 .

O patogênicos • superfícies animadas • objetos inanimados 5 .   Assepsia Conjunto de procedimentos que se empregam para evitar infecção dos tecidos durante a cirurgia.10/03/2013 Cirurgia X Contaminação  Técnica Asséptica  Técnica operatória na qual utiliza-se um conjunto de procedimentos e medidas com a finalidade de impedir ou minimizar o contato de microrganismos com a ferida cirúrgica.O Desinfecção •Muitos M. Cirurgia X Contaminação TÉCNICA ASSÉPTICA Esterilização • Todos tipos M.O patogênicos • objetos inanimados Antissepsia • Maioria dos M. desinfecção e antissepsia. É um termo amplo que engloba manobras de esterilização.

10/03/2013 Cirurgia X Contaminação Antissepsia • Maioria dos M.O patogênicos • superfícies animadas Equipe cirúrgica  Degermação Mãos e antebraços Paciente  Antissepsia do campo operatório Pele e mucosas A Esterilização 6 .

10/03/2013 Esterilização  Itens estéreis caracterizam-se pela ausência de bactérias. Tecidos internos de um organismo sadio:    Estéreis Contaminação por itens não estéreis → infecção Esterilização  Preparo dos ítens  Lavagem  detergente apropriado  Manual  Ultra-sônica  Enxágue e secagem  Recomenda-se água destilada e aquecida 7 . fungos ou esporos. vírus.

10/03/2013 Esterilização  Preparo dos ítens  Acondicionamento  pacote  Embalagem apropriada  Tecido ou papel  Caixas metálicas  Preservar a esterilidade até o uso Como esterilizar os materiais? 8 .

por 2 horas 180°C.10/03/2013 Métodos de Esterilização  Métodos físicos − Calor − Seco − Úmido  Métodos químicos − Gases − Soluções − Radiação Métodos Físicos  Calor  SECO: Estufa  Elétrica:   160°C. por 15 a 30 minutos 135°C e de 10 a 25 minutos Instrumentais metálicos. por 30 minutos  Raios   infravermelhos: 280°C. 9 . tecidos e luvas. por 15 minutos Instrumentos metálicos  ÚMIDO: Autoclave    120°C.

sondas Material biológico  próteses Câmara de irradiação. por 3 a 4 horas  Inflamável e explosivo  Qualquer material: plásticos. luvas  Embalagens plásticas com poros  Vapor de peróxido de hidrogênio Ozônio 10 . por 10 horas Embalado com papel adequado (Celopoli)  Métodos Químicos  Gases  Óxido de etileno Câmara de esterilização e bomba de vácuo  60°C. seringas.10/03/2013 Métodos Físicos  Radiação  Ultravioleta    Lâmpadas especiais Reduz o número de bactérias no ambiente Indicado para salas cirúrgicas  Gama:    Cobalto 60   Uso industrial  custo elevado Agulhas. fios. umidade em 33%.

instrumentais  Desinfecção Métodos Químicos  Soluções  Glutaraldeído Desinfecção  imersão por 20 a 30 minutos  Esterilização  imersão por 3 a 10 horas  Líquido não é corrosivo  Retirar material orgânico: sangue. saliva. plástico. borracha.  Irritante  Instrumentos com lentes delicadas (endoscópios.10/03/2013 Métodos Químicos  Soluções  Formaldeído  20 minutos  Esterilização  3 a 8 horas  Esporos  12 horas  Irritante  Materiais delicados. broncoscópios)  11 .

Como desinfetar? 12 .10/03/2013 Indicadores de Esterilização  Fita/ Adesivo Não garantem a esterilidade. mas que certas condições de esterilidade foram atingidas.

BK. V. F. materiais e equipamentos com desinfetantes.vírus. E.fungos 13 .bacilos de Koch. Desinfetantes: Substâncias Líquidas  Precauções:  Toxicidade  Danos  Considerar eficácia  Matéria orgânica  redução / inativação  DESINFETANTE B ÁLCOOL CLORADOS IODADOS CLOREXIDINE FENÓIS FORMALDEÍDO + + BK + +/ +/+/ + EFICÁCIA E +/ +/ + V +/ + + +/ +/ + F + +/ +/ + Halogênios + + + + Aldeídos GLUTARALDEÍDO + + + + + B.10/03/2013 Desinfecção   Processo pelo qual muitos dos microrganismos patogênicos presentes em objetos inanimados são destruídos.bactérias.esporos. Obtida pelo tratamento de superfícies.

10/03/2013 A Antissepsia Preparo do Paciente Preparo do Paciente  Banho  prévio: Banhar o animal no dia anterior para eliminar pêlos soltos. 14 . resíduos e parasitas externos.

Antes de transportar o animal para sala de cirurgia fazer uma escarificação de limpeza geral. Usar lubrificantes oftálmicos nos olhos. Em procedimentos de membros.    Usar máquina de tosa com lâmina 40. Preparo do Paciente  Tricotomia: 15 . isolar a pata com uma luva de látex coberta com esparadrapo ou vetrap.10/03/2013 Preparo do Paciente       Tricotomia: Retirar os pêlos ao redor do local da incisão. Eliminar os pêlos soltos com aspirador. Nos cães machos que sofrem procedimentos abdominais. lavar o prepúcio com jato de solução antisséptica. Em geral depilar 20 cm de cada lado da incisão.

pinças esterilizadas e mãos enluvadas.    Usa-se a mão dominante para executar a preparação.10/03/2013 Preparo do Paciente  Antissepsia  local: Usar gazes esterilizadas. Pinça de Forester Preparo do Paciente  Antissepsia local: Álcool Iodo Álcool PVPI 3x Clorexidine 16 . Iniciar a escarificação no local da incisão. indo do centro para a periferia. Descartar a gaze após atingir a periferia.

Colocando os Campos Cirúrgicos 17 .     Deve ser feita por um membro da equipe paramentado. As pontas das pinças de campo devem ser colocadas na pele.10/03/2013 Preparo do Paciente  Colocação  dos campos cirúrgicos: Objetiva criar e manter um campo estéril ao redor do local cirúrgico. Não devem ser sacudidos. abanados ou agitados. Podem ser campos de tecido ou descartáveis.

10/03/2013 Colocando os Campos Cirúrgicos 18 .

 Qual antibiótico? Quando iniciar? Quando parar?   19 . Diferente nos diversos sítios envolvidos.10/03/2013 Preparo do Paciente  Antibioticoprofilaxia:  É a administração de antimicrobianos ao paciente antes da contaminação ou infecção terem ocorrido. O uso do antibiótico NÃO é um substituto da técnica cirúrgica adequada Então...   Objetivo: Erradicar ou retardar o crescimento de microrganismos para evitar a Infecção Cirúrgica.

mínimos efeitos colaterais..... 20 .  Droga única. níveis tissulares adequados.  Intravenosa.. abordável e efetivo (meia-vida).  Bactericida.  Eficaz contra os agentes que causam infecção no sítio em questão..  Atingir  Causar  Custo A escolha.  Cefalosporinas:  Cefazolina = 20 a 25 mg/kg/IV-IM (Kefazol 500mg ou 1g)  Cefoxitina = 25-40 mg/kg/IV-IM (Cefoxitin1g)  Outras situações.10/03/2013 A escolha.

ósseo.. trato urogenital. enrofloxacina. cefalosporina. ciprofloxacina Abscessos. enrofloxacina. clindamicina.     Administrar de 30-60 minutos IV antes do início da cirurgia. trato digestório ou alimentar Klebsiella Amicacina. gentamicina. trato digestório ou urogenital Infecções de tecidos moles em gatos. Os níveis tissulares devem ser máximos quando “o bisturi iniciar seu trabalho”! Trans-operatório se cirurgia ultrapassar 2 horas. s gentamicina. cefazolina. trato respiratório Trato genitourinário e disgestório Bacteioides fragillis Proteus Amoxicilina-clavulanato Amicacina. cefazolina Adm. cefalosporina. Cefazolina Infecção hospitalar. amicacina Amoxicilina. manter até 24 horas do pósoperatório.10/03/2013 TERAPIA ANTIMICROBIANA PROFILÁTICA Fonte de infecção Trato urogenital. amoxicilina-clavulanato. IV . trimetropim-sulfamentoxixazol Ferimentos traumáticos. oxacilcina. cavidade oral Microrganism Antibiótico o Streptococcus Penicilinas Pele. No máximo. queimaduras Escherichia coli Pasteurella Amoxicilina-clavulanato. trato respiratório Trato urinário.30 a 60 minutos antes do procedimento cirúrgico e a cada 2 hs Quando. tecido Staphylococcu Amoxicilina-clavulanato. 21 . clorafenicol Pseudomonas Ticarcilina.. ampicilina.

.10/03/2013 Tempo prolongado de ATB.  NÃO tem impacto na prevenção de infecção cirúrgica Está relacionado ao aumento de microrganismos resistentes!!  A Antissepsia Preparo da Equipe 22 ..

relógios. objetivando a redução máxima do número de M.O. Preparo da Equipe Degermação:  Obtida pela lavagem e escovação (escarificação) das mãos e antebraços da equipe cirúrgica com o uso de água corrente.  Remover anéis.  Unhas curtas  Pele das mãos e antebraços  íntegra  Mãos  áreas mais nobres  Sentido da escovação  mão para o cotovelo  Manter sempre as mãos (pontas dos dedos) mais altas que os cotovelos  Acionamento da água  pedal 23 . etc.10/03/2013 Preparo da Equipe Sequência da Paramentação:  Vestir pijama cirúrgico Mangas curtas  Colocar propé  Gorro e máscara  Degermação  Avental Processo de antissepsia da  Luvas pele das mãos e antebraços da equipe cirúrgica. pulseiras. detergente antisséptico e escova estéril.

10/03/2013 Preparo da Equipe  Métodos de degermação: Contagem das passagens de escovas tempo de escovação Cronometrado: Contagem das passagens de escovas  Mãos:       Unhas  30 passagens sobre e sob Dedos  20 passagens cada. face palmar Palma da mão  20 passagens Mão e dedos  face dorsal  20 passagens Faces interdigitais esquerdas  20 passagens Faces interdigitais direitas  20 passagens 24 .

10/03/2013 Contagem das passagens de escovas  Antebraços:     Face interna  20 passagens Lateral esquerda  20 passagens Lateral direita  20 passagens Face externa  20 passagens Contagem das passagens de escovas 25 .

por 6 minutos Cada mão  2 minutos  Cada antebraço  1 minuto 26 .10/03/2013 Contagem das passagens de escovas Método cronometrado   Escovação  no mínimo.

 Repetir o enxágüe no outro lado.  Não chacoalhar as mãos. mão e antebraço. passando sob ela.10/03/2013 Enxágue e Secagem  Manter as mãos acima dos cotovelos.  Água deve escorrer dos dedos para o cotovelo. também.  Iniciar pelas pontas dos dedos.  Manter as mãos levantadas e à frente do corpo Uma face da toalha para cada mão Início: ponta dos dedos Final: antebraço 27 . movendo a mão sob a torneira (sem tocá-la!).

10/03/2013 Vestindo o avental 28 .

10/03/2013 Calçando as luvas Calçando as luvas 29 .

Membros da equipe paramentados manuseiam somente material esterilizado. 2. somente materiais não esterilizados. As conversas devem ser reduzidas. evitando contaminação cruzada. Membros da equipe não paramentados não podem tocar em campos ou materiais estéreis.10/03/2013 Calçando as luvas Regras de técnica Asséptica 1. 30 . 3. membros não paramentados. 4. Mínima movimentação dentro do centro cirúrgico.

CIRURGIÃO:  Responsável pelo ato cirúrgico  Comando da equipe ASSISTENTE:  Auxilia o cirurgião  Abertura de campos  Preparação do paciente. 31 . INSTRUMENTADOR:  Antever movimentos  Reconhecer os passos da operação  Entregar instrumentos corretamente  Manter a ordem na mesa  Limpeza do material usado  Fazer pedidos aos circulantes ANESTESISTA:  Escolha do protocolo anestésico  Informar o andamento da anestesia 4.10/03/2013 A Equipe cirúrgica Compreende: 1. colocação de campos 2. A Equipe cirúrgica 3. posicionamento. antissepsia.

VOLANTES (CIRCULANTES):  Prontidão e rapidez  Eficiência  Sair da sala somente por ordem da equipe Infecção cirúrgica 32 .10/03/2013 A Equipe cirúrgica 5.

na dependência da extensão e gravidade da intervenção.  Infecção:  Implantação. cavidade oral. órgãos genito-urinários externos. crescimento e multiplicação de microrganismos nos tecidos do hospedeiro.    Flora permanente ou transitória Microrganismos exógenos (extrínsecos): equipe e meio externo (ambiente). Infecção Cirúrgica  Contaminação: Microrganismos endógenos (intrínsecos): pele.10/03/2013 Cirurgia x Infecção O ato cirúrgico constitui agressão ao organismo de intensidade variável. 33 . intestinos.

gram + e gram – Adquiridas de focos de contaminação Não aderidas à superfície cutânea Dificilmente removidas Ex.10/03/2013 Microrganismos Endógenos FLORA PERMANENTE OU RESIDENTE Bactérias que residem na pele Não patogênicas  pele íntegra Glândulas sebáceas e folículos pilosos Aderidas entre as escamas celulares FLORA TRANSITÓRIA Bactérias que possam sobreviver na pele Patogênicas ou não.: Streptococcus epidermidis Facilmente removidas  anti-sepsia Ex. Pseudomonas aeruginosa Infecção Cirúrgica  Etiologias:  Doença cirúrgica primária:     Osteomielite  fraturas expostas Peritonite  perfuração intestinal Abscesso prostático Piometra 34 . Escherichia coli.: Streptococcus pyogenes. Staphylococcus aureus.

próteses e suturas inabsorvíveis 35 . cimento ósseo.10/03/2013 Infecção Cirúrgica  Complicação de procedimento cirúrgico:   Contaminação de tecidos estéreis Bactérias oriundas de áreas não estéreis: Pele. tratos gastrintestinal e geniturinário  Complicação de procedimentos de suporte e diagnóstico:   Cateteres Sondas Infecção Cirúrgica  Colocação de implantes / próteses     Procedimentos invasivos Contaminação operatória Bacteremia Implantes metálicos.

10/03/2013 Infecção Cirúrgica    Fatores determinantes: Número de microrganismos Patogenicidade  Defesas do organismo hospedeiro Infecção Cirúrgica      Fatores predisponentes: Paciente: Idade Estado nutricional Condição corpórea    Técnica: Procedimentos invasivos Técnica não asséptica  Tipo e duração da cirurgia   Enfermidades concomitantes Imunossupressão 36 .

S. equipamentos mecânicos e armas médicas para lutar nesta ignorância. mas não há meios eficientes para promover a cura da indiferença e displicência humanas. batalha constante.” Comitê da U.10/03/2013 “ Há processos. Public Health Service 37 .

10/03/2013 Bom fim de semana!!! 38 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful