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Enfermagem

História da

profissionalização e símbolos História da Fernando Porto Wellington Amorim (Organizadores) .Enfermagem Identidade.

br www.com. Enfermagem . O texto deste livro segue as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. mesmo parcial. (organizadores). II. ISBN 978-85-7728-188-6 1. Todos os direitos reservados. R.História I. Impresso no Brasil Printed in Brazil Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro.7309 10-09577 NLM-WY 011 Índices para catálogo sistemático: 1. Editora: Dirce Laplaca Viana Coordenadora editorial: Anna Yue Assistentes editoriais: Gabriela Hengles e Renata Alves Assistentes de produção gráfica: Aline Gongora e Cristiane Viana Secretária editorial: Priscilla Garcia Preparação de originais: Cristiane Maruyama e Poliana Oliveira Revisão de português: Renata Gonçalves e Renata Truyts Capa. – São Caetano do Sul. Enfermagem : História : Ciências médicas   610. CDD-610. 510 – São Caetano do Sul – SP – 09530­‑000 Tel. projeto gráfico e editoração eletrônica: Cristiane Viana Imagem da capa: Powerhouse Museum Collection – Gift of Australian Consolidated Press under the Taxation Incentives for the Arts Scheme. 2010. Porto. SP : Yendis Editora. A Editora não se responsabiliza por eventuais danos causados pelo mau uso das informações contidas neste livro. por qualquer processo. Vários colaboradores. SP. Major Carlos Del Prete./Fax: (11) 4224­‑9400 yendis@yendis. 1985 As informações e as imagens são de responsabilidade dos autores. Wellington. sem a autorização escrita da Editora.com. Vários autores. Amorim.yendis. Wellington Amorim.br .Copyright © 2010 Fernando Porto e Wellington Amorim. Proibida a reprodução.7309 Yendis Editora Ltda. Brasil) História da enfermagem brasileira / Fernando Porto. Fernando.

Doutor pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em Assistência Intensiva para Clientes com Problemas pela EEAN/ UFRJ. História da Enfermagem. …V… . Editor da revista de pesquisa Cuidado é Fundamental Online. Professor adjunto da EEAP/UNIRIO e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO. Especialista em Enfermagem Neonatal pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Vice-líder do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF) do PPGEnf da UNIRIO. Graduado pela Faculdade de Enfermagem Luiza de Marillac. Enfermagem na Saúde da Mulher e da Criança. Atuação no ensino e pesquisa em Administração e Gerenciamento em Enfermagem. 1o vice­‑presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem –­ ABRADHENF (2010-).Organizadores Fernando Porto Pós-doutor pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro fundador dos grupos de pesquisa do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da EEAP/UNIRIO e do Núcleo de Pesquisa de História da Enfermagem Brasileira (NUPHEBRAS) da EEAN/UFRJ.

Atuação em ensino e pesquisa em Política de Saúde. Integrante do grupo de pesquisa Laboratório de Estudos em História da Enfermagem (LAESHE) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Professor adjunto do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da EEAP/UNIRIO.História da Enfermagem Wellington Amorim Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO. Membro da Academia Brasileira de História da Enfermagem (ABRADHENF). … VI … . História da Enfermagem. Coordenador do PPGEnf – Mestrado e Doutorado da UNIRIO (2009-2010). Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Líder do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF) do PPGEnf da UNIRIO. História da Enfermagem de Saúde Pública e Metodologia da Pesquisa. Membro fundador do Núcleo de Pesquisa de História da Enfermagem Brasileira (NUPHEBRAS) da EEAN/UFRJ e do Laboratório de Pesquisa de História da ­ Enfermagem ­ (LAPHE) da EEAP/UNIRIO.

Especialista em Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Bruna Medeiros Gonçalves Mestranda em Engenharia Biomédica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Claudinéa Lacerda da Rosa Neves Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).Autores Andréia Neves de Sant’Anna Menezes Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). En… VII … . Membro do Laboratório de Pesquisa em História da Enfermagem (LAPHE) da EEAP/UNIRIO e ex-bolsista do Programa PIBIC-CNPq. Enfermeira do Hospital Municipal Jesus da Prefeitura do Rio de Janeiro. Membro do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO.

Feridas e Saúde da Mulher. Érica Toledo de Mendonça Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).História da Enfermagem fermeira do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle da UNIRIO. Membro do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da ­UNIRIO. Integrante do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF). Especialista em Modalidade Residência em Enfermagem em Oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Enfermeira do Hospital do Andaraí (Ministério da Saúde). Lilian Fernandes Arial Ayres Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem ­ (PPGEnf) da UNIRIO. Atuação nas seguintes áreas: Oncologia. … VIII … . Integrante do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF). Fernanda Teles Morais do Nascimento Mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Especialista em Saúde da Mulher pelo Instituto Fernandes Figueiras (IFF-Fiocruz). História da Enfermagem. Integrante do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF) do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO. Professora assistente do curso de Enfermagem da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Políticas Públicas de Saúde. Membro do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF) do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO.

Membro do Laboratório de Pesquisa em História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO. Integrante do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF). Docente do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora de práticas do campus Taquara/R9. Enfermeira do Hospital dos Servidores do Estado (Ministério da Saúde). Membro do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) da UNIRIO. Marina do Nascimento Bessa Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Mary Ann Menezes Freire Mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PPGEnf) – Mestrado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).Autores Luciane de Almeida Araujo Mestre e graduada em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Especialista em Enfermagem Obstétrica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ­ … IX … . Possui experiência na área de Enfermagem Obstétrica e Neonatal.

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imprensa e história da profissão. Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro fundadora do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da EEAP/ UNIRIO. Bacharel em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia. Atualmente. que instituiu a Livre-docência e o Doutorado. Licenciada em Enfermagem pela FEFIERJ. Ciências e Letras da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Professora permanente da Pós-graduação … XI … .Autores Colaboradores Almerinda Moreira Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP). Professora titular aposentada e Professora emérita da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Vem atuando principalmente nos seguintes temas: História da Enfermagem – escolas. Membro da Academia Brasileira de História da Enfermagem (ABRADHENF).802/1972. Joséte Luzia Leite Livre-docente e Doutora pela Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (FEFIERJ/EEAP) – Lei n. Autora de livros de história da enfermagem. Tem experiência na área de Enfermagem Médico-cirúrgica com ênfase em História da Enfermagem. Bacharel em Enfermagem e Obstetrícia pela Escola de Enfermagem ­ Alfredo Pinto (EEAP). é professora associada da UNIRIO. 5. Licenciada em Pedagogia pela Universidade do Estado da Guanabara (UEG).

Membro de comitê de avaliação da Capes na Gestão 2002-2005. Coordena projetos de pesquisa no CNPq. Educação. Mestre em Administração Pública. University of Alberta. Membro da Academia Brasileira de História da Enfermagem (ABRADHENF). Professora do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP/USP.História da Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sócia da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Pós-graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). Diretora do Centro de Estudos e Pesquisa em Enfermagem (CEPEn) – Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) – em 2004-2007. Especialista em Administração de Pessoal. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Comunicação no Processo de Enfermagem (GEPECOPEN) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisa e Exercício Profissional (GESPEN) da EEAN. cujas linhas de pesquisa são: HIV/Aids. Organização e Métodos pela Escola … XII … . Membro do Laboratório de Pesquisa de História da Enfermagem (LAPHE) da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). 2005-2008. Modelos Assistenciais e Avaliação. Estagiária de doutoramento sanduíche na Faculty of Nursing. Edmonton – Canadá. Especialista em Modalidade Residência em Urgência e Emergência pelo Departamento de Enfermagem Geral e Especialista da EERP/USP. Luciana Barizon Luchesi Doutora em Enfermagem Fundamental pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP). 1977). Líder do Laboratório de Estudos em História da Enfermagem (LAESHE). Membro fundadora do Núcleo de Pesquisa de História da Enfermagem Brasileira (NUPHEBRAS) e do Núcleo Gerência. Nalva Pereira Caldas Doutora em Administração de Enfermagem pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ. Representante da área de Enfermagem no CNPq – 1998-2001. Pesquisadora IA do CNPq. Integrante do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) – Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF).

802/1972. Líder do grupo de pesquisa (Diretório CNPq) de História e Legislação da Enfermagem. Professora titular aposentada da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Bacharel em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Pesquisa em Enfermagem. Professora titular da Universidade de São Paulo (USP). atuando principalmente nos seguintes temas: História da Enfermagem. tendo lecionado Administração de Enfermagem e Política de Saúde. Presidente da Academia Brasileira de História da Enfermagem – ABRADHENF (2010-) Tem experiência na área de Enfermagem com ênfase em Ética Profissional da Enfermagem. Possui experiência na área de Enfermagem com atuação em Tisiologia. que instituiu a Livre-docência e o Doutorado. Suas publicações incidem sobre temas ligados a Enfermagem de modo geral e Administração Geral e Específica nas áreas Hospitalar e de Enfermagem. 5. Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermeiras Rachel Haddock Lobo (1952). Centro Cirúrgico e Administração de Serviços. Ortopedia.Autores colaboradores Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ). História da Profissionalização da Enfermagem e Ética da Enfermagem. Taka Oguisso Doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública e em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – Lei n. Atualmente faz parte da International Advisory Board – Japan Journal of Nursing Science. … XIII … .

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. . . . . Taka Oguisso   Anna Justina Ferreira Nery. Fernando Porto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Almerinda Moreira. . . Wellington Amorim. 55 Fernanda Teles Morais do Nascimento. . . . . . Prefácio. . . 97 Mary Ann Menezes Freire. . . . . . xvii xxi 1 2 3 5 Fernando Porto. . . . . . . . . . . Luciana Barizon Luchesi … XV … . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Wellington Amorim   As enfermeiras visitadoras da Cruz Vermelha Brasileira e do Departamento Nacional de Saúde Pública do início do século XX . . . . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Apresentação. . 21 Luciane de Almeida Araujo. . . . . . . . 127 Lilian Fernandes Arial Ayres. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Wellington Amorim 4   O Relatório Goldmark e a enfermagem de saúde pública na capital do Brasil (1923­ ‑1927) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1   Anúncios para enfermeiros(as) no alvorecer da República (1889­‑1890) . Wellington Amorim   Os Congressos Médicos Latino­ ‑Americanos e a enfermagem (1904­‑1907) . . Fernando Porto. . . .

. . . . . . . 249 Bruna Medeiros Gonçalves. . . . . . . . . . . . . . . Wellington Amorim. . . . . . . . . . . . . . . . Joséte Luzia Leite … XVI … . . . . . . . . . . . . . Taka Oguisso 9   Os efeitos do movimento estudantil na enfermagem (1955­‑1958) . . . . . Fernando Porto   O rito institucional e o efeito simbólico do descerramento do monumento a Anna Nery . . . . . . . . 379 Érica Toledo de Mendonça. . . . 271 Fernando Porto. . . . . . . 441 Claudinéa Lacerda da Rosa Neves. . . . . . Wellington Amorim 10 11   Enfermagem­ ‑saúde: construindo um saber sobre políticas de saúde (1977­ ‑1980). . . . . . 307 Marina do Nascimento Bessa. . . . . . Wellington Amorim. . . . . . . . Almerinda Moreira. . . Nalva Pereira Caldas. Wellington Amorim   Cuidados ao paciente portador do HIV: uma história da prática da enfermagem em um hospital universitário (1983­‑1987) . . . . . . . . . Fernando Porto   Hospital Jesus (1935­ ‑1938). . . . . . . . . . . . . 219   O movimento religioso na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (1943­ ‑1949). . .História da Enfermagem 6 7 8 Andréia Neves de Sant’Anna Menezes. . . . . . . .

a professora doutora Victoria Secaff passou aos estudantes um manuscrito intitulado “Introdução à história da enfermagem”. na década de 1970. ministrou as aulas da disciplina de História da Enfermagem em substituição à professora Catedrática Glete de Alcântara. uma revista profissional e código de … XVII … . ser enfermeiro(a) significa cursar uma escola de nível superior e receber. desempenhado mediante remuneração salarial. em especial pela nossa história. e que portanto escolheram enfermagem como carreira. reproduzido a seguir. aposentada pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo e integrante do grupo de pesquisa “História e legislação da enfermagem”. na forma de anotações. possuindo uma associação de classe. regulamentado por lei.Apresentação A coletânea que constitui o presente livro História da enfermagem: identidade. Neste caso. um diploma que o habilite ao exercício da profissão. que. o que exigiu investimento no atendimento dos interesses acadêmicos de qualificação da produção intelectual em história da enfermagem e sensibilidade para tornar o texto prazeroso aos leitores. ao término de seus estudos. Tivemos acesso a um texto da professora doutora Victoria Secaff. Nessa ocasião. Para os estudantes matriculados na escola de enfermagem. profissionalização e símbolos é oriunda da união de onze produtos de pesquisa. sem esquecer os traços influenciadores da enfermagem internacional no desenvolvimento da enfermagem brasileira. a proposta é oferecer a descoberta de uma cultura de interesse. A profissão apresenta­‑se como um trabalho especializado.

. na segunda metade do século XIX. implícita na derradeira proposição. que esse progresso do qual se beneficiam hoje é produto de lento desenvolvimento. Arthur Castro (. nos motivou a organizar esta obra contendo novos estudos. Não apenas está ligado aos antigos ritos mágicos e aos credos religiosos. arte e literatura. como compreender. desligada das condições socioeconômicas desse país naquela época? Como é possível explicar a escassez de enfermeiros(as) no Brasil sem procurar estudar o desenvolvimento socioeconômico e educacional do nosso país? O estudo histórico de qualquer arte ou ciência só tem sentido se ligado ao momento histórico­‑cultural em que se manifestou. isto é. ligado mais do que qualquer outra ciência às necessidades essenciais da vida e à cultura de um povo... iniciada na Inglaterra. O objetivo desse curso é mostrar que a profissão tal qual se apresenta atualmente nem sempre foi assim. inferências e assertivas na perspectiva histórica que se apresenta aos leitores.).. É. até porque nos sentimos cúmplices delas. A Medicina e a Enfermagem desenvolveram­ ‑se em respostas às necessidades da vida.) em seu livro sobre a história da medicina indica bem (. miséria. mas se encontra novamente associado às condições socioeconômico­‑políticas e intelectuais de diversos países (. sua riqueza. evidências.) o progresso da medicina. guerras. Sem a pretensão de analisar a riqueza de significados das proposições. para o qual contribuíram muitas pessoas. a enfermagem moderna. uma profissão que já atingiu elevado grau de desenvolvimento. filosofia. pois.História da Enfermagem ética. reconhecida como pertencente ao grupo de profissões liberais. Somente após o estudo do passado através da perspectiva histórica poderão encarar inteligentemente o futuro e dar sua contribuição à profissão. relacioná­‑los com outros setores da vida humana.. Tratando­‑se de enfermagem. legislação.. é que a visão dos estudos históricos da enfermagem.. Para que possam compreender esse desenvolvimento e avaliá­‑lo é mister olhar para o passado. validados nos espaços do Laboratório de Pesquisa de História da … XVIII … .. examinar os fatos que ocorreram há séculos. Nesta obra foram articulados relatórios de pesquisa assim definidos: três produtos de iniciação científica apoiados por bolsas PIBIC­‑CNPq e IC­ ‑UNIRIO e vinculados à linha de pesquisa Desenvolvimento da Enfermagem no Brasil do Programa de Pós­‑graduação em Enfermagem – Mestrado e Doutorado ­ (PPGEnf) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). comércio. por exemplo..

educação e biblioteconomia. 9. 5. profissionalização e política de saúde. em 2007 e 2008. duas produções receberam. Essas pesquisas foram validadas no LAPHE. iconográfica e depoimentos orais. uma apoiada por bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). respectivamente. na Escola de Enfermagem Anna Nery – UFRJ. Bruno Latour. “Hospital Jesus (1935­‑1938)”. 4 e 7. hospital. em 2009. estudantes.Apresentação Enfermagem (LAPHE). “As enfermeiras visitadoras da Cruz Vermelha Brasileira e do Departamento Nacional de Saúde Pública do início do século XX”. cuidados. São elas: “Anúncios para enfermeiros(as) no alvorecer da República (1889­‑1890)”. por procedimentos de análise documental. “Enfermagem­ ‑saúde: construindo um saber sobre políticas de saúde (1977­‑1980)” e “Cuidados ao paciente portador do HIV: uma história da prática da enfermagem em um hospital universitário (1983­‑1987)”. sob abordagens teóricas de Pierre Bourdieu. Acrescentamos seis investigações oriundas de dissertações de mestrado. Assim. 6. Sergio Arouca e Maria Cecília Puntel de Almeida. dos estudos intitulados “Anna Justina Ferreira Nery” e “O rito institucional e o efeito simbólico do descerramento do monumento a Anna Nery”. do Laboratório de Abordagens Científicas na História da Enfermagem (LACENF) e em eventos científicos. e nas bancas de defesa final com participação de pesquisadores externos em história da enfermagem e pesquisadores da área de história. em que pese sermos avaliados por leitores informais. com destaque para X e XI Jornada Nacional de História da Enfermagem. 10 e 11. “Os efeitos do movimento estudantil na enfermagem (1955­‑1958)”. e investigaram os mais diversos temas. o primeiro lugar do prêmio A Lâmpada. São elas: “Congressos médicos latino­‑americanos e a enfermagem (1904­‑1907)”. professores e pesquisadores da história da enfermagem de forma crítica – o que … XIX … . “Relatório Goldmark e a enfermagem de saúde pública na capital do Brasil (1923­‑1927)” e “O movimento religioso na Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (1943­‑1949)”. movimento estudantil. Os Capítulos 1 e 8 se baseiam em duas partes do relatório de Pós­ ‑doutoramento desenvolvido no Programa de Doutorado em Enfermagem da Escola de Enfermagem da USP. correspondendo aos Capítulos 2. sendo eles: anúncios em jornal. em sua maioria na perspectiva da história social. Em tais eventos. que se originou. a terceira produção recebeu o primeiro lugar na Jornada de Iniciação da UNIRIO. apresentadas nos Capítulos 3. desenvolvido no grupo de pesquisa “História e legislação da enfermagem”. Elas foram produzidas no PPGEnf­‑UNIRIO e desenvolvidas no LACENF. em sua parcialidade.

Esperamos que. nome e sobrenome. enfermeiras e enfermeiros cuidem da história da enfermagem como o fazem da sua identidade civil. que passarão a compor a base histórico­‑cultural e político­‑científica da arte e da ciência Enfermagem. um traço cultural. os estudantes de graduação e de pós­‑graduação. Fernando Porto Wellington Amorim … XX … . uma idade. auxiliares e técnicos de enfermagem. dos livros e das pesquisas e dos eventos científicos. pois a ampliação do número de núcleos. Tais grupos contribuirão com novas dúvidas. em breve.História da Enfermagem é fundamental –. fundamental para incluirmos na história da enfermagem as histórias da enfermagem ainda excluídas das aulas. procuramos manter o eixo científico desta obra. novos objetos. novas abordagens. laboratórios e pesquisadores no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq identificados pelo descritor história da enfermagem nos dá a clareza de que em breve a contribuição aqui descrita será uma gota de descobertas nesse oceano temático da enfermagem. pois nela está registrada sua primeira linha genealógica. o pré­‑nome. o que a torna uma obra inacabada. Tornemo­‑nos porta­‑vozes do valor epistemológico da história da enfermagem para a mesma enquanto um campo de conhecimento específico que se consolida e se fortalece como ciência em desenvolvimento. a impressão digital e uma indicação de cidadania. uma fisionomia.

constituem claros exemplos da utilidade da ciência histórica como ferramenta socializadora do coletivo científico-profissional. entre outras áreas do conhecimento. Na história da enfermagem. a economia. a partir da diversidade. O primeiro problema em quase todos os países está em considerá-la uma disciplina sem muita utilidade. metodológicas e temáticas. ou religiosos. Os capítulos que integram o livro constituem uma abordagem temática e metodológica que apresentam. teóricas. Não há erro maior que considerar a história de uma profissão como disciplina meramente teórica. venha a convergir? Ao meu ver. a sociologia. O segundo problema decorre do primeiro e é especialmente grave no contexto da enfermagem: a grande vinculação entre o gênero e os cuidados – que manteve a enfermagem em âmbitos domésticos. mas ao mesmo tempo árdua: será que os autores serão capazes de fundamentar uma obra sobre a história dos cuidados na qual cada uma de suas facetas. a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma questão básica. como os lares. como as diferentes ordens que de maneira tão brilhante se destacaram por … XXI … . um resultado final de grande harmonia e admirável coerência. A medicina. só seria possível enfrentar esse desafio com expectativas de sucesso se houvesse uma atuação precisa. o direito.Prefácio Quando me propuseram a tarefa tão nobre e complexa de prefaciar este livro inteiramente dedicado à história da enfermagem. no modo como fizeram os autores desta obra: mediante a adoção de uma abordagem holística do cuidado humanista desde suas origens até a atualidade. uma vez que não existe profissão ou ciência que não deva sua identidade e seu processo de socialização à mais prática e útil de todas as atividades científicas: a história. deparamos-nos com dois grandes problemas que só poderão ser superados com contribuições tão valiosas quanto a deste livro. sem aplicação além da mera erudição.

A relação entre a guerra e o desenvolvimento da enfermagem constitui um dos paradoxos de como algo tão negativo quanto os conflitos bélicos pode contribuir para revelar o que há de melhor em alguns homens e mulheres. Em outro capítulo. Neles. a obra se aprofunda em um fato crucial para a enfermagem: a influência do relatório Goldmark no processo de consolidação da enfermagem no contexto específico da saúde pública e a profissionalização da enfermagem comunitária. mas também exerceu um grande impacto na Europa. Cadvel na Primeira Guerra Mundial e a própria Anna Nery na Tríplice Aliança. a obra chega a um tema pouco estudado na história da enfermagem: o movimento estudantil. Essa seção é especialmente interessante. descreve-se também o contexto bélico – a Guerra da Tríplice Aliança – em que ela desenvolveu seu trabalho. analisa-se a repercussão das enfermeiras da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto na gerência do Hospital Jesus entre 1935 e 1938. A reinterpretação da enfermagem como profissão e ciência se dá sob determinadas circunstâncias influenciadas por fatores sociais. podemos ver a influência dos congressos médicos latino-americanos realizados entre 1904 e 1907 para o desenvolvimento da enfermagem. o poder médico também colaborou para o atraso da profissionalização da enfermagem. ideológicos. sendo a Espanha um exemplo dessa grande influência. como é o caso de figuras da enfermagem como Florence Nightingale na Guerra da Crimeia. Posteriormente. podemos mencionar os capítulos que tratam da figura de uma enfermeira emblemática para a enfermagem brasileira: Anna Nery. assim. descreve-se a evolução do movimento … XXII … . por exemplo. Por isso. os fatores são objetos de estudo ao longo dos onze capítulos que de maneira tão consistente compõem esta obra.História da Enfermagem seu trabalho de prestação de cuidados – influenciou na lenta incorporação da enfermagem a âmbitos precisamente profissionais e científicos. é um fenômeno que não pode ser entendido sem se considerar a influência das associações profissionais de médicos. O relatório Goldmark teve grande alcance em países latino-americanos. Da mesma forma que as circunstâncias. paralelamente. Na sequência. políticos. Desde meados do século XX. Como exemplo. coincidindo com a reestruturação dos estudos de enfermagem. religiosos etc. é relevante apontar as contribuições da influência médica como um motor da evolução e do desenvolvimento do enfermeiro. pois mostra a ligação entre o trabalho docente em um centro educativo e a função gestora em um centro assistencial. A criação de associações profissionais de enfermeiros na Espanha. evidentemente. A inter-relação entre a classe médica e as enfermeiras sempre esteve repleta de contradições e. É notória a inter-relação entre grupos de médicos e enfermeiras de diferentes países que se influenciaram reciprocamente ao longo da história.

mas também de grande relevância para a história da enfermagem internacional. Em outro capítulo. a extensão da cobertura assistencial e a reinterpretação e o redimensionamento da enfermagem brasileira no setor público. o direito à saúde e o poder médico. concluindo. Este livro constitui uma grande contribuição para a solução dos dois grandes conflitos históricos na enfermagem: sua falta de identidade e o tardio processo de profissionalização. os conhecimentos emergentes que as enfermeiras irão adquirir nos cuidados a esse setor da população e o medo cotidiano dos enfermeiros ao praticar esses cuidados. dadas a enorme transcendência dos temas tratados e a impecabilidade metodológica com que foram abordados.Prefácio estudantil entre 1955 e 1958. Não resta senão parabenizar os autores e os editores deste estudo de que participam os mais renomados pesquisadores da história da enfermagem brasileira e internacional e.E. Espanha Editor da Revista Cultura de los Cuidados Diretor da Asociación de Historia y Antropología de los Cuidados … XXIII … . da Universidad de Alicante. podemos afirmar que nos encontramos diante de uma obra de imensa importância para a história da enfermagem brasileira. destaca-se uma reflexão sobre a história e a enfermagem: o “saber fazer”.U. são tratados aspectos interessantes como as características históricas da Aids no Brasil. é abordado um tema bastante atual: os cuidados de enfermagem a pessoas com Aids em um hospital universitário na década de 1980. No mesmo capítulo. em que se analisam as relações entre o sistema de saúde nos congressos brasileiros de enfermagem. José Siles González Doutor em História Professor E. Por fim.

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com o condicionamento da sua saída ao mar. sob a presidência de Francisco Solano López. encontrava­‑se.Anna Justina Ferreira Nery Fernando Porto Taka Oguisso 1 Guerra da Tríplice Aliança A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. com a concordância da Confederação Argentina. Solano López reagiu à interferência brasileira no Uruguai declarando guerra ao Brasil. que antes da guerra atravessava uma fase marcada por grandes investimentos econômicos em áreas específicas. …1… . O conflito iniciou­‑se quando o governo imperial brasileiro. interveio militarmente no Uruguai. após um ultimato. pondo fim à autonomia nacional paraguaia. então. essa luta ocorreu no período de 1864 a 1870. O Paraguai. Também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança – na Argentina e no Uruguai – e Grande Guerra – no Paraguai –. através do rio Paraná. já que a deposição do governo uruguaio autonomista significava a hegemonia brasileira e argentina plena sobre o rio da Prata. A reação militar do Paraguai a essa intervenção gerou o desencadeamento da guerra. a fim de consolidar sua posição hegemônica na região e impor um governo uruguaio transigente com os fortes interesses dos criadores rio­ ‑grandenses­‑do­‑norte daquele país.

No retorno da Guerra do Paraguai (1870) foi homenageada por diversas autoridades civis e militares. Nesse cenário atuou Anna Justina Ferreira Nery como voluntária. Nesse sentido. mortas em decorrência dos combates. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas. obteve algumas lições sobre cuidados hospitalares com as Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo. aliados. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas. entre militares e civis. considerados excessivos. das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome. Esses números são. no Rio Grande do Sul. porém. mesmo após a perda do filho Justiniano de Castro Rebello e do sobrinho Arthur Rodrigues Ferreira.História da Enfermagem Brasil. A resposta do presidente foi positiva para a contratação de Anna Nery. após ter encaminhado uma carta ao presidente da província da Bahia. durante os quais o Brasil enviou em torno de 150 mil homens à guerra. Figura 1. Argentina e Uruguai. recebendo o título de Mãe dos Brasileiros pelos soldados brasileiros.1  Anna Nery. e aproximadamente 50 mil não voltaram. dentre outros. muitos autores – como Ber…2… . e no caminho para o campo de batalha. No campo de batalha prestou cuidados aos feridos e manteve­‑se abnegada à pátria. Manuel Pinto de Souza Dantas. derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de lutas. considerando­‑se que a população do país na época não chegaria possivelmente a 500 mil habitantes. com a redução de mais de 50% de suas tropas durante a guerra. entre civis e militares.

2 – a fotografia é alusiva à década de 1990. Desse modo. Ademais. em parceira com Pedro Américo e Almeida Júnior. a coroa de folhetos dourados acompanhada do laço. e um telhado que se destaca por possuir uma eira. Pintor renoma‑ do. a pintura da homenageada. de onde partem as ruas principais. sua antiga residência se localiza no centro da cidade de Cachoeira. …3… . As representações objetais de Anna Nery Anna Nery morava na Bahia.1 exposta na Câmara Municipal de Salvador – e a discussão em torno de suas homenagens. 1999: 340). as duas placas/letreiros na fachada necessitam ser desconsideradas). em 22 de fevereiro de 1903. no edifício n. com portas e janelas largas e altas em madeira. apresentam­‑se algumas fotografias – como a residência em Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. Para tanto. Atualmente. Em 1847. se cotejada com as da vizinhança (Cardoso e Miranda. de autoria de Victor Meirelles. Ele nasceu na cidade de Nossa Senhora do Desterro. Meirelles foi ligado ao Romantismo brasileiro (na segunda metade do século XIX). em alvenaria. na cidade de Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. o estilo da casa indica a posição social que tinha em sua cidade (ver Figura 1. 1999: 340). Trata­‑se de uma construção de dois pavimentos de pé­‑direito alto. Faleceu no Rio de Janeiro. que tem significação para a época: família de meio social elevado entre os ex­‑residentes (Cardoso e Miranda. atualmente Rua Anna Nery. e a rua se inicia à direita da praça central. em tamanho razoavelmente grande. Pintou várias obras históricas no período de 1852 e 1900. em 18 de agosto de 1832. Anna Nery com as órfãs. Este capítulo pretende descrever analiticamente algumas representações objetais ligadas a ela e outros dados sobre a sua trajetória de vida. ao lado da Igreja Matriz. 1  Victor Meirelles de Lima era filho de Meireles de Lima e Maria da Conceição – por‑ tugueses. Anna Nery. onde formou­ ‑se na Academia Imperial de Belas­ ‑Artes.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery nardino José de Sousa (1936). seus pais mudaram­ ‑se para o Rio de Janeiro. que experimentou as mais díspares alternâncias da existência humana: do reconhe‑ cimento ao esquecimento. logo. João Francisco de Lima (1977) e Joaquim Francisco de Mattos (1990) – biografaram sua trajetória de vida com base na figura de uma mulher heroína. atual Florianópolis (SC). 7 da Rua da Matriz. Maria Leonor Álvares Silva (1954). ele ganhou notoriedade a partir da década de 1870. A casa foi construída conforme o estilo da época.

número próximo ao dos anos de Anna Nery. preparando­‑se para o matrimônio. era comum que as mulheres se condicionassem. A viuvez era. Como outras mulheres viúvas. como enfermeiras (Leite. pelo confinamento dentro dos espaços e do próprio corpo como posturas submissas que se impõem à mulher. Anna Nery casou­‑se em 15 de maio de 1838. administradora dos bens herdados e dona de estabelecimento para hospedagem de pessoas que necessitavam de lugar para passar dias ou até mesmo para morar. século XIX. 2003: 38). Esta era considerada a idade­‑limite para o matrimônio das moças. 1999: 340). no contexto do século XIX. para algumas. que tinham o interesse de promover a mulher. Dessa forma. Isso se dá por meio do dito e não dito. no sentido do desdobramento das atividades religiosas. 1999: 341). no sentido de desempenhar o papel de esposa e as funções de gerenciamento do lar e cuidar dos filhos e sua educação (Cardoso e Miranda. Sobre os irmãos: Ma‑ noel Jeronymo Ferreira foi tenente­ ‑coronel e comandou o 41o Batalhão de Voluntários da Pátria. Miriam Moreira Leite. como imóveis e/ou pensão.História da Enfermagem Anna Nery pertencia a uma família de patriotas legítimos. Ludgerio Rodrigues Ferreira foi médico clínico de nomeada influência política. em sua obra A condição feminina no Rio de Janeiro. relata as diversas condições de vida da mulher nesse século. provavelmente dependeria dos filhos ou viveria com base na remuneração deixada pelo marido. bem como ao confinamento simbólico do corpo e do lar. a comportamentos e educação direcionados ao casamento. em especial da viúva. Ela poderia ser até a matrona da família. representando o limite até onde podem ir (Bourdieu. a ponto de alguns deles. aos 23 anos. 104). quando se casou com Isidoro Antonio Nery (Cardoso e Miranda. Foi educada no confinamento do lar. irmã de homens de posição militar e político­‑social. e Antonio Benício Ferreira foi conceituado corretor em Cachoeira (Cardoso e Miranda. e enviuvou em 1844. verbalizarem: “Minha pobre mulher. Ademais. …4… . à beira da morte. A idade para o casamento era prevista. uma vida triste coberta de saudades do falecido marido. que não pode viver só!”. que será dela. na maioria das vezes.2 vistas pela sociedade como indicadores de poder e prestígio. 1993: 59. de 1993. socialmente. 2  Pouco se sabe sobre a história familiar dos pais de Anna Nery. entre 16 e 23 anos. 1999: 341). muitas se dedicavam à caridade. Bourdieu cita que a educação feminina é composta de diversos elementos que tendem a inculcar a dominação masculina. A condição de mulher casada seguia os modelos preconizados pela Igreja e as condutas morais da época.

em 1981. provavelmente algum estúdio fotográfico comum à época. pelo que se sabe. …5… . argumentando ficar perto de seus familiares e cuidar dos feridos em combate. as duas retratadas em primeiro plano.3 é uma reprodução do retrato encontrado entre os documentos de Benjamin Constant doada à Escola de Enfermagem Anna Nery. com residência estabelecida no Rio de Janeiro. à primeira vista. A Figura 1. passou a cuidar de órfãs (como se pode ver na Figura 1. o que expressa laços afetivos.3) e. assunto que será abordado mais adiante.2  Ex­ ‑residência de Anna Nery. Na cabeça ostenta uma coroa. abre uma enfermaria. foi como voluntária para a Guerra do Paraguai. Anna Nery. Trata­‑se de uma foto posada em ambiente fechado. Pode­‑se especular. não levou uma vida muito diferente. A hexis corporal das retratadas na figura chama a atenção no sentido dos braços e das mãos: algumas estão apoiadas e unidas umas às outras. depois do conflito. uma fruteira ou travessa alta.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Figura 1. possivelmente as mais novas entre elas. e as órfãs encontram­‑se trajadas com roupas em cor escura. possivelmente. Em outras palavras. Traja vestido longo de mangas compridas. Anna Nery encontra­‑se rodeada de seis crianças do sexo feminino. com alguns bordados em cor escura e gola de cor clara. algumas de mangas compridas e outras de mangas curtas. em Salvador (BA). Aliás. tratar­‑se de um fundo não residencial. Foto do acervo do Museu Nacional da Enfermagem Anna Nery. como viúva. Os atributos de paisagem são compostos por uma espécie de aparador que sustenta. encontram­‑se carinhosamente reclinadas sobre o corpo de Anna Nery.

Um dado que chama a atenção na foto. A especulação é pautada na assertiva de Miriam Moreira Leite. ao Rio de Janeiro. que afirma que. que de fato pode não caracterizar a posição de poder e prestígio que detinham. ainda. Existe a hipótese. relata que em meados do século XIX a fotografia passou a ser uma condição mais democrática. em 1870. era uma realidade comercial (Leite. revelavam-se os momentos marcantes da vida. saindo do monopólio dos membros da aristocracia e da alta burguesia. Para tanto. por suas conterrâneas residentes na cidade.3  Anna Nery e as órfãs. em especial. Centro de Documentação da Escola de Enfer‑ magem Anna Nery/UFRJ – Rio de Janeiro (RJ). é a coroa de Anna Nery. A socióloga do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro.História da Enfermagem Figura 1.4). Infere­‑se que os atributos de paisagem da foto em que Anna Nery e as órfãs foram retratadas revelam um possível estúdio para representar certa condição social. 2005: 51). no Rio de Janeiro (Figura 1. Maria Eliza Linhares Borges. apesar de ser uma prática para poucos. objetivando compor a imagem a ser fotografada (Borges. em virtude da comercialização das fotos. …6… . 1993). por meio da história da fotografia. Esse ornamento foi um presente oferecido a ela na chegada da Guerra do Paraguai. de que a foto possa ter sido tirada no dia em que Anna Nery recebeu a coroa de folhetos dourados. era comum encontrar estúdios que ofereciam cenários e artefatos para a decoração.

2006: …7… . com significação de regeneração. A ficha técnica do artefato. as baianas agradecidas”.4  Coroa de folhetos dourados. verificou­‑se a ausência de vestígios dos brilhantes. naquela ocasião. 33. como representação objetal na história. são reveladoras. bem como melhor se evidencia tratar­‑se de uma coroa de folhetos dourados de diâmetro de 35 cm. em letras douradas. pureza e outros. Homenagem das senhoras baianas. sem data. Atada por grande laço de fita acetinada. dependendo de sua cor (Dumas. Mediante a evidência presencial do pesquisador à coroa e o registro da foto. considerada a rainha das flores. Foto do acervo do Museu Nacional da Enfermagem Anna Nery. A coroa é descrita por muitos pesquisadores como sendo de “ouro cravejada de brilhantes” ou de “louro cravejada de brilhantes” provavelmente para dar certo tom romanceado da representação objetal. piedade.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Figura 1. ofertada a Anna Nery quando do seu regresso da Guerra do Paraguai. o descreve como: Coroa de folhetos dourados. domiciliadas no Rio de Janeiro. ornamentada de flores e folhas. do comemorativo ao fúnebre. em Salvador (BA). encontrado no Museu de Artes da Bahia. Salvador). As flores. tendo nas pontas. a dedicatória: “À heroína da caridade.19 – Museu de Artes da Bahia. destaca­‑se ao longo da trajetória dos feitos históricos em diversos momentos. verde esmaecido. cerca de 1870 (Ficha técnica n. A rosa.

após a assinatura da Lei Áurea. Nesses estudos. evidenciou a camélia como símbolo a favor da abolição dos escravos no Brasil. Silva. …8… . no retorno da Guerra do Paraguai. que se encontra desgastada pelo tempo. Para tanto. por exemplo. onde se lê: “À heroína da caridade. as flores que ornamentam a coroa de folhetos dourados recebida por Anna Nery levam a algumas inferências pelo contexto da época. Logo. conforme a Figura 1. Ademais. Como Silva evidenciou nas páginas da Revista Ilustrada. Sobre esse fato talvez caiba a explicação de que Sabino possa tê­‑la visto em Montevidéu. consideradas por Ruy Barbosa “a mais mimosas das oferendas populares”. contribuía para a veiculação do movimento abolicionista. sutilmente. 1999: 344). cuidava também dos negros e necessitados de forma gratuita. Dessa forma.5 apresenta. Destaca­‑se. ao receber a coroa. relata que a foto de Anna Nery com as órfãs teria sido tirada em Montevidéu. mostra como aquela flor era. no sentido figurado de crítica ao sistema escravagista no país. que a Princesa Isabel. Anna Nery. recebeu buquês de camélias. pois a coroa foi realmente ofertada pelas conterrâneas baianas no Rio de Janeiro. Ignez Sabino. mas isso requer maior aprofundamento intelectual que para o momento não atende aos objetivos deste estudo. quando Anna Nery abriu uma enfermaria para atender a população. 2003: 43. a camélia foi o símbolo de uma das vertentes do movimento abolicionista ao se referendar a defesa da liberdade dos escravos (Silva. como será apresentado mais adiante. as baianas reconhecidas” (Silva. pois a homenageada­em campo de batalha teria cuidado sem distinção dos feridos. 2008: 12). no contexto de 1870. A representação objetal da coroa de folhetos dourados é arrematada por fita larga verde de gorgorão.História da Enfermagem 66­‑70). em 1870. 2008). e as diversas imagens de camélia com o significado deste movimento podiam ser consideradas estratégias de visibilidade pelos interessados (Silva. infere­‑se a possibilidade de que as flores que ornamentavam a coroa de Anna Nery fossem camélias. na obra As camélias do Leblon e a abolição da escravatura: uma investigação de história cultural. mas Maria Manuela Vila Nova Cardoso e Cristina Maria Loyola de Miranda discordam e defendem que a presença da coroa ostentada em sua cabeça encontraria referência na chegada de Anna Nery ao Rio de Janeiro (Cardoso e Miranda. quando também encomendaram um retrato a óleo da homenageada que mais adiante será abordado. Eduardo Silva. veiculada nas páginas da Revista Ilustrada no final do século XIX. 2003 e Silva. por meio do estudo intitulado “Camélias e Revista Ilustrada: o movimento abolicionista em litografias de Ângelo Agostini”. 1942: 18). 2008). e Rafael Santos Silva. na obra Mulheres ilustres do Brasil (1899). em tal contexto não é possível considerar ingenuidade o uso da simbologia das camélias (Silva.

1942: 19). em Salva‑ dor (BA). Após a doação. filhas de soldados brasileiros mortos nos campos de batalha. O dia da doação. considerando ser próximo ao dia do passamento de Anna Nery em 20 de maio. 1999: 344). 24 de maio de 1933. atual Museu de Artes da Bahia. Pedro Antonio Nery. …9… . Tais questionamentos coadunam com as glórias destinadas a Anna Nery no sentido de serem uma estratégia para escamotear a dura realidade em que 3  Foi o sucessor de seu pai. a coroa foi exposta para visitação pública (Silva. 1942: 19). 2004: 7). Cardoso e Miranda. que à época suas conterrâneas teriam lhe ofertado no Rio de Janeiro (Silva. Azarias Heráclito Nery3 e seus filhos. foi um momento emblemático. Foto do acervo do Museu Nacional da Enfermagem Anna Nery.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Figura 1. Antonio Carlos Nery e Gilberto Xavier Nery. mas sobre as quais pouco se sabe (Rodrigues. mas cabe sua transcrição para que outros pesquisadores os possam desvelar: Alguns fatos que instigam esclarecimentos ainda não desvelados: o que faziam crianças em campo de batalha? Como se deu o encontro de Anna Nery com tais órfãs? (Cardoso e Miranda. ao escreverem o artigo intitulado Anna Justina Ferreira Nery: um marco na história da enfermagem brasileira. doaram a coroa à Pinacoteca do Estado da Bahia. ela se encontra com as órfãs. A doação foi feita porque os herdeiros entendiam que o Estado da Bahia deveria ser o lugar de guarda da estimada lembrança de sua ancestral. Na fotografia em que Anna Nery ostenta a coroa de folhetos dourados. na guarda da coroa de folhetos dourados. Em 1933. os familiares de Anna Nery. levantaram alguns questionamentos sobre as órfãs os quais não é possível responder.5  Parte do laço que acompanha a coroa de folhetos dourados de Anna Nery.

História da Enfermagem outras mulheres viúvas. por aqui no seu regresso à velha heroica província.5 as conterrâneas providenciaram que fosse pintado um retrato da homenageada. 2004: 9). 15). Braço direito dobrado apoiado no peito. O pintor a retratou na atmosfera enevoada de um campo de batalha. dentre outros objetos. por Emília Barreto (ficha técnica da pintura de Victor Meirelles). Maria Senhorinha Madureira Acioli Brito. Restaurada. mas descrito por Pedro Celestino da Silva como de valor subido. 6 de maio de 1870 – Baronesa de Muritiba. 4  Pedro Pereira Magalhães. entre os clarões dos bombardeios. Exa. Ana Ferreira Rebouças. Rio de Janeiro. encarregaram­ ‑nos elas de oferecer a V. em 1997. a medalha da Campanha do Paraguai. que em 1873 foi descerrado em um rito institucional. sargento do Corpo de Polícia. que o Paraguai pugnou pela honra da nação. Meirelles representou Anna Nery em cenário próximo ao campo de batalha.” com a dedicatória “Tributo de admiração à caridosa baiana por algu‑ mas patriotas” e a seguinte mensagem: “Sra. 1942: 14. que perdeu na guerra dois filhos4 que a sustentavam e se viu obrigada a recorrer ao auxílio destinado às famílias dos voluntários da pátria (Rodrigues. A obra de Meirelles foi ricamente emoldurada e ficou pronta em 28 de setembro de 1873 para ser exposta no Paço Municipal de Salvador (Figura 1. Maria Amélia Esteves Ramos. em 1947. para com os nossos concidadãos. significando a caridade da homenageada ao cuidar de pessoas naquele contexto. residente no Rio de Janeiro. distinta consideração e afetuosa estima. D. guarnecido de madrepérola e prata. do lado direito. Joana Tosta da Silva Nunes. 1942: 15). … 10 … . colocada no Salão Nobre do Paço Municipal de Salvador. 6  Oferta da Colônia Baiana. por Studio Argolo. Traz no peito. Isabel Tosta Duque Estrada. Anna Nery – As Senhoras. na passagem de Anna Nery pelo Rio de Janeiro. A ficha técnica da obra localizada no Memorial da Câmara Municipal de Salvador6 a descreve como: As dimensões: 275 x 177 cm. este pequeno sinal do seu alto apreço. alferes do 31o Regimento de Cavalaria Ligeira. Isabel Cândida de Leão. Em primeiro plano o corpo de um oficial ferido.6) (Silva. Maria José de Melo Matos Vasconcelos. Laurentina Adelaide de Moura Lima. tendo a inscrição na parte superior “A. e em 1999. Exa. Adelina Ala de Lima Moura. J. à Província da Bahia. Em 1870. por ocasião da doação da coroa de folhetos dourados. 1942: 15­‑16). Pedro. na Câmara Municipal de Salvador (Silva. F. O esquerdo estendido segura a alça de pequena bolsa. nesta Corte. Victor Meirelles foi o autor do retrato em tela pintada a óleo. a 28 de setembro de 1873. e José Pedro da Silva. e Cândida Rebouças Rios” (Silva. mães e órfãs se encontravam depois de encerrado o conflito. Entusiastas das virtudes e da caridade de V. trajada de preto. Laurentina Ala de Moura Lima. Exa. por Presciliano Silva. Eponina Ala de Lima Maia. 5  Álbum de madrepérola não localizado. Retratada de pé. Como exemplo disso pode­‑se citar Maria Cerqueira de S. N. não podiam assistir indiferente a passagem de V. como já mencionado anteriormente.

como representação objetal. Mais atrás. Atrás. uma igreja e.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Figura 1. destaca­‑se que o vestido. se confunde com o véu/lenço em sua cabeça. foi ofertada por Dom Pedro II e parece ser ovalada. Foto do acervo do futuro Museu Nacional da Enfermagem Anna Nery. o acampamento. A coroa de folhetos dourados.6  Tela pintada a óleo de autoria de Victor Meirelles. No canto superior direito. não aspirou destacar a representação objetal ostentada na cabeça de Anna Nery na cor amarela. mais próximo a ela. traje e acessório. … 11 … . traje semelhante ao da foto em que Anna Nery foi retratada junto das órfãs. na tela. com destaque para o passador na cor amarela. na tela. apresenta bordados e franjas de canutilhos na cor escura. e parece ser do mesmo material do vestido. A bolsa que ela segura é bordada. Especula­‑se que Victor Meirelles não teve acesso à coroa ou então. por não se 7  Não foi possível localizar a medalha. Ao fundo. bem como do laço com as pontas caídas sobre os ombros. outro ferido é carregado por dois homens. Apesar de a ficha técnica carecer de registros sobre o traje. em Salvador (BA). um oficial sentado de costas. em sua obra. Por outro lado. sem o destaque do dourado da representação objetal. dando uma ideia de conjunto. à direita. folhas de uma palmeira (ficha técnica da pintura de Victor Meirelles). A medalha7 de Campanha de 2a Classe por serviços humanitários prestados nos hospitais militares durante a Guerra do Paraguai. também se pode pensar que.

1998: 63). na cidade de São Paulo. nos primeiros meses de 1865. seja como Dama da Caridade. mas se deixa transparecer que ela teria sido a única mulher a ter partido para cuidar dos feridos da Guerra do Paraguai. … 12 … . o que se entende pelas palavras de Bourdieu: “não há poder simbólico sem uma simbologia do poder” (Bourdieu. seja quanto ao título de primeira enfermeira do Brasil. O dicionário Mulheres do Brasil revela que. 2000: 228). quando em 31 de julho de 1865 foi acometida por colapso cardíaco e faleceu. uma paulista de nome Felisbina Rosa de Anunciação Fernandes e Silva. antes de Anna Nery chegar ao local da Guerra do Paraguai. Discussão em torno das homenagens a Anna Nery São diversas as discussões dos pesquisadores de história em torno das homenagens a Anna Nery.História da Enfermagem tratar de uma coroa de ouro. as homenagens a Anna Nery após a Guerra do Paraguai podem ser entendidas como uma das estratégias de escamoteamento das perdas no conflito.8 A discussão sobre Anna Nery ser reconhecida como a primeira enfermeira brasileira existiu e ainda existe entre alguns pesquisadores. bem como é discutível. Aos 11 anos seguiu para o Rio de Janeiro com seus pais. Nesse sentido. Mediante a eclosão da Guerra do Paraguai. Felisbina Rosa nasceu em 1830. Felisbina Rosa foi designada a ficar no hospital instalado em Montevidéu. destinado aos praças. acompanhando os feridos. Ela atendeu aos feridos da Batalha de Tuiuti e depois regressou a Corrientes. em metal. No ano seguinte foi transferida para o Hospital Avalos em Corrientes. ele optou por não destacá­‑la – a medalha com o passador de ouro é visível na tela. mas ficou viúva logo em seguida. Não que ela desme- 8  Seu filho permaneceu no combate e chegou à patente de generalato. conhecida como Felisbina Rosa. já se encontrava no conflito cuidando dos feridos em combate (Schumaher. seu filho foi convocado e ela decidiu partir com ele como voluntária da pátria. As representações objetais – coroa com laço e medalha – articuladas são uma das formas de ratificar o heroísmo da homenageada na Guerra do Paraguai e ao mesmo tempo uma estratégia de mitificação dos seus feitos. com um filho. Casou­‑se com Joaquim Fernandes de Andrade e Silva.

as perdas humanas proporcionaram­‑lhe visibilidade. como apresenta a historiadora Maria Lucia Mott em … 13 … . não aspirou seguir a vida religiosa e casou­‑se com Nicolau Aranha Pacheco. Francisca de Sande. apesar dos problemas que enfrentou após a Guerra do Paraguai. institucionalmente enraizada e socialmente variável. legítima dama da caridade que os séculos ainda agora escondem sob as lajeadas do esquecimento. É uma matriz geradora. filha de português de certa situação financeira para a época. sendo defendida por Afonso Costa. que cuidou dos acometidos pela febre amarela. no Rio de Janeiro. no jornal A Tarde. em Salvador. também pouco citada nos estudos de História da Enfermagem e esquecida com o passar dos tempos. mas após sua morte caiu no esquecimento social. A Batalha de Solferino tornou Jean Henry Dunant conhecido como o “Homem de Branco” e o levou a fundar a Cruz Vermelha. Sande ficou viúva aos 32 anos e. em 1686 (Costa. militar do exército. 1946). Exemplos como estes nos ajudam a pensar sobre o título e as homenagens recebidas por Anna Nery. por um reconhecimento em que ele a intitulava como: a enfermeira número um do Brasil. mas o fato se encontra no sentido do reconhecimento de outras mulheres que também participaram da Guerra do Paraguai. foi reconhecida socialmente pelos feitos. acrescida da vitória do Brasil sobre o Paraguai e do fato de ter se mantida viva no período da guerra. uma espécie de segunda natureza inconsciente. devido à ocorrência da “bicha”. oriundo de familiares militares e políticos. transformou uma das residências deixadas pelo seu esposo em enfermaria para cuidar dos acometidos por aquela patologia. baiana. O reconhecimento social de Anna Nery como Dama da Caridade e a Primeira Enfermeira do Brasil pode ser entendido pelo seu habitus. A Guerra da Crimeia fez com que Florence Nightingale passasse a ser conhecida como “Dama da Lâmpada” e a levou a fundar uma Escola de Enfermeiras. quanto acontece aos feitos históricos que não trazem o cheiro e o saber das preferências da atualidade (Costa. 1946: 18). À época. constituída historicamente. atualmente conhecida como febre amarela. O habitus constitui um conjunto de conhecimentos práticos que permite ao ser humano perceber e agir. foi Francisca de Sande.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery reça as homenagens. Outra mulher. evoluir com naturalidade em certo universo social. Além de ter participado de um conflito. quando tentou manter uma enfermaria particular para ambos os sexos. que faleceu em 1670. falecendo em 21 de abril de 1702.

tentar entender uma vida por uma série única. Bourdieu esclarece que as biografias. considerado alto. Nesse estudo. em 1871. Como se pode observar. glórias e reconhecimento social. por vezes. por Anna Nery. a enfermaria possuía índice de 14% de mortalidade. mas pouco conhecida (2002). pois levam a noção da trajetória de vida como uma série de posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente. sem a evidência de outras ligações do biografado. ela passou por dificuldades para manter a enfermaria e.História da Enfermagem seu estudo intitulado Anna Néri: uma personagem muito festejada. que age como suporte de um conjunto de atributos e atribuições que permitem certa intervenção. Para tanto. entendidas como história de vida. mal compreendidas no sentido do jogo que as envolve. Os argumentos referidos para indeferir o pedido de Anna Nery foram que: a criação da enfermaria não possuía autorização junto à Corte. Dessa forma. 1996: 82). além de o custeio ser provido pelos atendidos e a enfermaria não apresentar diferencial para o que já existia na cidade. sendo o conjunto de posições simultaneamente ocupadas em um dado momento do tempo histórico. já existiam na cidade hospitais públicos que ofereciam serviços com melhores condições e de forma gratuita aos enfermos. de forma a resultar na individualidade biológica socialmente instituída. a pesquisadora Mott propõe que os estudos direcionados a Anna Nery analisem­‑na como uma mulher brasileira. Ademais. Por outro lado. Não se pode afirmar que a enfermaria de Anna Nery tenha sido fechada por falta de auxílio governamental. se faz necessário (des)construir o agente construído e ter capacidade de fazê­‑lo existir como agente em diferentes campos de atuação (Bourdieu. é tentar explicar um trajeto do metrô sem levar em conta a estrutura da rede. ela solicitou a concessão de quatro loterias para auxiliar nas despesas daquela enfermaria. Anna Nery parece ter carecido de poder e prestígio suficientes para que fosse deferido o seu pedido. quiçá. mas algumas passagens por eles apresentadas careceram de dados/fontes sobre sua vida. mas acredita­‑se que tenha passado por sérias dificuldades. apesar de tantas homenagens e reconhecimento social. pois mesmo com tantas homenagens. 1996: 82­‑83). o tempo passou a cristalizar seus feitos na Guerra do Paraguai. Muitos foram os biógrafos de Anna Nery. Mott apresenta um documento da Junta de Higiene Pública de 22 de setembro de 1875 que relata a existência de uma enfermaria criada na Corte. Desse modo. outras na sua trajetória de vida. a construção biográfica pode resultar como Bourdieu a chama de superfície social. o que … 14 … . a matriz de relações objetivas entre as diversas estações (Bourdieu. ou seja. são. Nesse documento datado de 29 de julho de 1875.

1  Homenagens a Anna Nery após a Guerra do Paraguai (1870­ ‑1880) Ano 1870 1870 1870 Homenagem Diploma de Sócia Honorária da Sociedade Filantrópica de Socorros. a ponto de Anna Nery ser equiparada a Florence Nightingale. Castro Rebelo Júnior. como João Brito. publicado no Diário da Bahia. proferido pelo deputado Romero Affonso Monteiro Discurso em homenagem a Anna Nery em sua residência. em Corrientes Diploma de Sócia Instaladora da Sociedade de Beneficência Portugue‑ sa. foi uma pessoa de carne e osso como as demais. as baianas agradecidas” Discurso em homenagem a Anna Nery em sua residência por felicita‑ ções pela comissão nomeada pela Assembleia Legislativa da Provín‑ cia. sobre a qual pesquisadores estrangeiros vêm se debruçando para evidenciar que. Basili‑ no Dias e jornalistas com discursos em Assembleias e Câmaras Exposição da tela de homenagem a Anna Nery pintada por Victor Mei‑ relles no Salão das Sessões do Paço Municipal de Salvador 1870 1870 1870 1870 1870 1870 1873 … 15 … . Quadro 1. em Assunção Álbum guarnecido de madrepérola e prata com dedicatória “Tributo de admiração à caridosa baiana por alguns compatriotas” seguida de outra mensagem Medalha de Campanha de 2a Classe por serviços humanitários presta‑ dos nos hospitais militares durante a Guerra do Paraguai Encomendado o retrato pintado a óleo de Anna Nery para Victor Mei‑ relles Coroa de folhetos dourados arrematada com laço com a inscrição “À heroína da caridade. publica‑ do no Diário da Bahia. proferido pela esposa do Coronel Lourenço Marques Ainda em 1870 outras homenagens foram realizadas por poetas. Augusto Baltazar da Silveira. ela também.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery levou à perpetuação de certos acontecimentos. na sua trajetória de vida.

em Benfica. pela Liga das Sociedades da Cruz Vermelha Brasileira 1924 O antigo Largo da Palma. pelo Decreto n. no Rio de Janeiro 1926 Patrona da Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saú‑ de Pública. pela Resolução n. em São Paulo 1925 Tela pintada a óleo de Anna Nery inaugurada no Salão Nobre do Palá‑ cio da Cruz Vermelha Brasileira. subúrbio do Rio de Janeiro 1916 Rua Anna Nery. em São Paulo (pelo Ato Municipal n.268 1926 Alteração do nome da Rua da Matriz para Rua Anna Nery. Anna Nery. no Rio de Janeiro. 17. 650 1924 Discurso de Maria Rennotte para a ereção do monumento em home‑ nagem a Anna Nery. em Salvador. situada no bairro do Mooca. pelo Exército. 20 1928 Inauguração da placa do nome da Rua Anna Nery.História da Enfermagem Quadro 1. no Rio de Janeiro. na cidade de Vila Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. passando a ser denominada Escola de Enfermeiras Donna Anna Nery. sendo seu corpo sepultado no Cemitério São Francisco Xavier Cardoso 1880 Discurso (poemeto histórico) proferido à beira do túmulo em sua ho‑ menagem pelo Dr.2  Algumas homenagens in memoriam a Anna Nery (1880­ ‑1979) Ano Homenagem 1880 O passamento de Anna Nery ocorreu em 20 de maio de 1880. 972) 1918 Retrato de Anna Nery no Salão Nobre do Paço Municipal de Salvador 1918 Proposta de ereção do monumento em homenagem a Anna Nery no I Congresso da Cruz Vermelha Brasileira. 20 (continua) … 16 … . passou a ser denominado Anna Nery. Rozendo Muniz Barreto. na cidade de Vila Nos‑ sa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira. no Largo do Pedregulho. na Campa‑ nha do Paraguai” 1880 Trajetória de vida de Anna Nery publicada no jornal Gazeta de Notícias 1880 Trajetória de vida de Anna Nery publicada no Jornal do Commercio 1880 Notícia sobre o sepultamento de Anna Nery publicada no jornal Gazeta de Notícias 1880 Trajetória de vida de Anna Nery e retrato pintado à mão publicados na Revista Ilustrada 1887 Rua Anna Nery. denominada Mãe dos Brasileiros. pela Resolução Municipal n. pela Resolução n. em São Paulo 1919 Anna Nery foi apontada Pioneira da Enfermagem no Brasil e Precur‑ sora da Cruz Vermelha Brasileira. publicado no jornal Gazeta de Notícias em 22 de junho de 1880 1880 Lápide em seu túmulo: “Aqui descansam os restos mortais de Da.

no Rio de Janeiro. pela delegação da Cruz Vermelha Peruana – Guillermo Fernandes Davila 1935 Assentamento da pedra fundamental ao monumento de Anna Nery. em 10 de agosto de 1938. no Rio de Janeiro 1956 Descerramento do monumento em homenagem a Anna Nery pela Cruz Vermelha Brasileira. na Alameda Cívica Marechal Maurício José Cardoso. Laís Netto dos Reys. no Rio de Janeiro 1971 Busto de Anna Nery no Círculo Militar de São Paulo. Mãe dos Brasileiros na Campanha do Paraguai – Homenagem da Universidade Federal da Bahia – 1979”.2  Algumas homenagens in memoriam a Anna Nery (1880­ ‑1979) (continuação) Ano Homenagem 1928 Lápide no Museu da Bahia “À heroína Donna Anna Nery. pela Portaria n. no centro da nave principal … 17 … . 2. na Casa da Bahia 1933 Coroa de louros entregue à Pinacoteca do Estado da Bahia. Homenagem do Museu da Bahia 27/junho/1928” 1930 Denominação de Escola Anna Nery às Escolas Reunidas de Cachoeira. na sacristia da Igreja Matriz. Período: 12 de maio (nascimento de Florence Nightingale) a 20 de maio (passamento de Anna Nery) 1943 Aeronave batizada com o nome de Anna Nery.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Quadro 1. devendo todas as instituições de saúde comemorar a memória de Anna Nery 1940 Criação da Semana Brasileira de Enfermagem pela diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery. no bairro Campo Grande. 446. na cidade de São Paulo 1979 Exumação dos restos mortais de Anna Nery. no Rio de Janeiro 1979 Caixa de prata para os restos mortais de Anna Nery oferecida pela Uni‑ versidade Federal da Bahia com a inscrição: “Restos mortais de Anna Nery.956/1938 pelo Pre‑ sidente Getúlio Vargas. da Diretoria Geral de Instrução Pública 1933 Inauguração da tela pintada a óleo em homenagem a Anna Nery por Presciliano Silva. no Rio de Janeiro. e na placa da frente da urna: “Aqui está Anna Nery vencendo as trevas da morte e a distância dos séculos para receber de nós outros o que lhe deve a posteridade” 1979 Exposição da urna no Pavilhão de Aulas da Escola de Enfermagem Anna Nery 1979 A urna foi transportada pela Aeronáutica à Bahia e posteriormente à cidade de Cachoeira. no Rio de Janeiro 1938 Instituído o Dia do Enfermeiro pelo Decreto n. em comemoração ao aniversário do Batalhão Tuiuti 1935 III Conferência Pan­ ‑americana da Cruz Vermelha: oficialização da pro‑ posta de ereção do monumento a Anna Nery.

/set.org/periodicos/anais/encontro6/marcelo_rodrigues. Maria Quitéria e Anna Nery. 33. 1990. S. MATTOS. São Paulo: Biblos. C. Belo Horizonte: Autêntica. 2010. jul. V. 1993. 1954. A. M. DUMAS. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. século XIX. 2004. ano 3. N. Ana Neri. M. p. p. 66­‑70. 1942. In: Encontro da ANPHLAC.. 1. Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. MIRANDA. Universos da História. Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. J. 1996. SCHUMAHER. Bahia. v. Galleria: o livro das biografias. 1999. Anais eletrônicos. LEITE. RODRIGUES. S. p. L. 2008. P. São Paulo: Companhia das Letras. S. 12­‑19.. M. Memorial da Câmara Municipal de Salvador – Salvador (BA) Ficha técnica da tela pintada por Victor Meirelles – Anna Nery. Anna Néri: uma personagem muito festejada. 6. M. As rosas não falam (mas contam a história). SILVA. Anna Justina Ferreira Nery: um marco na história da enfermagem brasileira. SILVA. Maringá: Anphlac. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. MOTT. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Rio de Janeiro. C. M. Camélias e Revista Ilustrada: o movimento abolicionista em litografias de Ângelo Agostini. M. 415. p. Heroínas baianas: Joana Angélica. Mulheres sertanejas na Guerra do Paraguai. 68. 52. A economia das trocas linguísticas: o que falar quer dizer. P. 339­‑349. 7­‑18. 2002. v. abr. São Paulo: Edusp. L. SOUSA. n. Revista Brasileira de Enfermagem. v. A Guerra do Paraguai. ______. 2003. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal. 2005. 2004. E.. L. A condição feminina no Rio de Janeiro. 2003. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. ______. Maringá. São Paulo: Paralelo/MEC. Disponível em: <http://www. São Paulo: Papirus. V. 203­‑207. 163. B. 3. J. M. ano 1. mas pouco conhecida. A dominação masculina. jul./jun. SILVA. Brasília. v. História Viva. 1936.anphlac. F. Acesso em: 18 jul. 2000. São Paulo. p. CARDOSO. São Paulo: Edusp. Rio de Janeiro. n. 2006. História e fotografia. R. BOURDIEU.História da Enfermagem Bibliografia BORGES..pdf>. n. L. Iconografia Arquivo Estadual da Bahia – Salvador (BA) SILVA. E. 1998. As camélias do Leblon e a abolição da escravatura: uma investigação de história cultural. … 18 … .

sem registro do nome da imprensa escrita localizado no Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery. p.Capítulo 1 …  Anna Justina Ferreira Nery Arquivo Histórico Municipal de Salvador – Salvador (BA) Câmara Municipal de Salvador. como a foto e legenda da visita ao túmulo de Anna Nery. sem registro do nome da imprensa escrita localizado no Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery. Da Bahia. Cx. 60. 7.5). doc. doc. Cx. 1925. em 26 de maio de 1925. a enfermeira n. 7. 7. Recorte de jornal. Cx. Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery. e a referência à inauguração do seu retrato nas dependências da Cruz Vermelha Brasileira. … 19 … . nos leva a inferir que a matéria foi publicada em 1925 e não em 1922. mas os fatos nele registrados.) Foto de Anna Nery com as órfãs (Figura 1.6).2). A. Acervo do futuro Museu Nacional de Enfermagem Anna Nery – Salvador (BA) Foto da ex­‑residência de Anna Nery (Figura 1.­‑jun. 19.3). 1 do Brasil – transcrição do jornal A Tarde em 7 de maio de 1946. São Paulo: Associação Brasileira de Enfermagem. 64. 60. 18­‑20. 1925. (Este jornal encontra­‑se com o registro do ano de 1922. Recorte de jornal. 129­‑32.4 e 1. 1873. 1946 abr. em 1925. Livro de Atas. Foto da tela pintada a óleo de Anna Nery de autoria de Victor Meirelles (Figura 1. doc. Acervo da Associação Brasileira de Enfermagem – filial São Paulo (SP) COSTA. Museu de Artes da Bahia – Salvador (BA) Coroa de folhetos dourados pertencente a Anna Justina Ferreira Nery e ficha técnica do artefato: coroa de folhetos dourados – número 33: 19. Centro de Documentação da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ – Rio de Janei‑ ro (RJ) Documento sem nome do jornal. Foto da coroa de folhetos dourados e do laço que acompanha o que a arremata (Figuras 1. Salvador. p. Anais de Enfermagem. n.