OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS...

871

OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS DE DIFERENTES ECOSSISTEMAS (1)
Liovando Marciano da Costa(2), Roseilton Fernandes dos Santos(3), Carlos Ernesto G.R. Schaefer(2), Ana Maria Souza dos Santos Moreau (4) & Mauricio Santana Moreau(4)

RESUMO
O entendimento dos processos que causam as diferentes distribuições de corpos silicosos no solo é essencial para a interpretação dos possíveis fatores ambientais responsáveis pela estabilidade deles, deposição de sedimentos, formação de paleossolos e para análise de sítios arqueológicos. Assim, a presente pesquisa objetivou identificar a ocorrência de corpos silicosos encontrados em horizontes superficiais de solos oriundos de diferentes ecossistemas terrestres. Amostras de horizonte superficial de 10 perfis de solo foram coletadas e queimadas em mufla, para remoção da matéria orgânica. Posteriormente, as amostras foram tratadas com HCl 10 cL L-1, para remoção das impurezas contidas na cinza. A fração silte foi obtida por sedimentação, usando o procedimento de análise granulométrica. A maior parte dos corpos silicosos em solos encontra-se na fração silte. Dessa fração, montaram-se lâminas, utilizando óleo de imersão tipo A para identificação dos corpos silicosos em microscópio óptico. A análise dos resultados permitiu observar a variedade de formas e abundância de corpos silicosos nos solos estudados, sendo mais abundantes e diversificados no solo desenvolvido de quartzito. Nos Latossolos, não houve diferença em abundância de fitólitos em relação aos solos dos biomas do Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Termos de indexação: fitólitos, opala, sílica biogênica, sílica.

(1) (2)

Recebido para publicação em julho de 2009 e aprovado em março de 2010. Professores do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa – UFV. CEP 36571-000 Viçosa (MG). Bolsistas do CNPq. E-mail: liovandomc@yahoo.com.br (3) Professor do Departamento de Solos e Engenharia Rural, Universidade Federal da Paraíba – UFPA. Centro de Ciências Agrárias - Campus III. Campus Universitário/DSER, CEP 58397-000 Areia ( PB). E-mail: roscilton_santos@yahoo.com.br (4) Professor do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais, Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC. Km 16, Rodovia Ilhéus/Itabuna, CEP 45650-000 Ilhéus (BA). E-mail: amoreau@uesc.br e mmoreau@uesc.br

R. Bras. Ci. Solo, 34:871-879, 2010

The results showed a variety of forms and abundance of silica bodies in the studied soils.72 a 0. Thus. Nesse conceito são contemplados os fitólitos. 1964. Geologia. respectivamente. 1999. SUMMARY: OCCURRENCE OF SILICA BODIES IN SURFACE HORIZONS OF SOILS IN DIFFERENT ECOSYSTEMS The understanding of the processes that cause the varied distribution of silica bodies in soils is essential for the interpretation of the possible environmental factors related to their stability. na proteção adicional ao ataque de herbívoros (artrópodes ou outros) e patógenos (fungos e bactérias) (Jones & Handreck. 1966. 1996). 1999. 1999). this study had the objective of identifying and characterizing the silica bodies morphology from surface soil horizons collected at different terrestrial ecosystems. e esponjas também produzem corpos silicosos. Além disso. Solo. são compostas de opala-A. já que o C ocluso neles é preservado por muito tempo.. Paleontologia... Runge. Antropologia e Geoquímica. as paredes celulares. 2000). 1969. especialmente as monocotiledôneas (Agarie et al. Piperno. 1964. 34:871-879. sediment deposition. 1970. 2003). 1966. Silva & Labouriau. Kondo & Sase. As principais acumuladoras de Si e produtoras de fitólitos são as Poaceae. 2003). tem havido omissão quanto às investigações referentes à identificação de corpos silicosos em solos e sedimentos para fins de interpretação da gênese do solo. e esses organismos são os principais produtores de sílica biogênica. 2006. com formas e tamanhos característicos. 1967. Já as esponjas são de dois tipos: calcárias e silicosas. dentro das células ou na parede celular (Sendulsky & Labouriau. Mata Atlântica and Caatinga biomes. estas últimas absorvem o Si como componente de seu esqueleto. sendo assim utilizados na identificação das plantas produtoras no nível de família e às vezes de gênero (Parry & Smithson. Nas diatomáceas. especialmente em ambiente redutor. 1994. Parr & Sullivan (2005) observaram acúmulo de 0. The silt fraction was determined by sedimentation using particle size analysis. fluvial ou lacustre (Coradin et al. Calegari. biogenic silica. especialmente as diatomáceas. Runge. Glass microscope slide containing of this fraction were mounted on an immersion oil type A for silica body identification. INTRODUÇÃO Corpos silicosos ou opala biogênica são terminologias usadas para designar compostos de sílica hidratada (SiO2. 2006) e animais (Garrone et al. raízes e madeira. frutos. Index terms: phytoliths. Os estudos de corpos silicosos concentram-se nas áreas de Botânica. as quais servem para fixá-las ao leito oceânico. No differences in abundance of phytoliths were observed in the Oxisols from the Cerrado. Mauad et al. 2008). Ecologia. paleosol formation and for the analysis of archaeological sites. possibilitando o uso de corpos silicosos de solos e sedimentos em interpretações paleoecológicas (RuizMoreno & Carreño. opal. Yim & Li.88 g m-2 ano-1 de C na forma de C ocluso em fitólitos sob vegetação natural em dois locais na Oceania. recebendo estes as denominações de frústulas e espículas. 2001. que resultam de processos nos quais determinadas plantas superiores depositam sílica intra e extracelular após absorvê-la da solução do solo (Jones. bem como do papel das plantas no aporte R. 2005). Microscopia. denominadas frústulas. formados pelas plantas (Piperno. que é formado por espículas. Bras. 1981). As algas. formada em plantas ou animais. Samples of surface horizons were collected from 10 soil profiles and heated in a muffle furnace to remove organic matter. 1986. frústulas e espículas.872 Liovando Marciano da Costa et al. Thereafter the samples were treated with HCl 10 % (vol/vol) to remove the soluble matter contained in each sample. as formas e ornamentações da sílica biogênica são taxonomicamente únicas.. 2005). As deposições de sílica biogênica nos vegetais podem ocorrer em folhas. Costa et al. silica. o depósito junto às paredes celulares geralmente replica a morfologia das células vivas (Parr & Sullivan. Fitólitos são corpos silicosos microscópicos amorfos aos raios X. os corpos silicosos podem ser usados para determinação da idade de camadas de sedimentos ou horizontes de solos.nH2O). tanto em quantidade de material sintetizado quanto na variedade de estruturas (Hildebrand. Epstein 1999) e como fertilizante no aumento da produção de matéria seca e produtividade de grãos (Korndörfer et al.. Seja qual for a origem da sílica biogênica. 1999).. Campos & Labouriau. Na Ciência do Solo o Si tem sido estudado pelo seu papel na sustentação de plantas. 1999). 2010 . assim. Ci. Most biogenic silica in soils is associated to the silt fraction. Barbosa Filho et al. mas outras famílias de monocotiledôneas e algumas dicotiledôneas também acumulam quantidades expressivas de sílica (Runge. possibilitando o uso de fitólitos de solos e sedimentos na reconstituição de paleovegetações e paleoclimas (Runge. Sendulsky & Labouriau. Agricultura. e algumas morfologias de fitólitos são únicas. The variation in form and abundance was highest in the soil formed from quartzite. 2004). No Brasil. Arqueologia. sementes.

Quadro 1. 873 constante de sílica biogênica (Lucas et al.. 1983a. R. Alexandre et al. Devem-se destacar também esforços como os de Sendulsky & Laboriau (1966). 2010 . (4) Radambrasil. situados em áreas e regiões distintas do Brasil (Quadro 1). Calegari. Carnelli et al. em estudos de corpos silicosos em diferentes espécies vegetais do Cerrado brasileiro. 2008). eles foram escolhidos com base no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (Embrapa.. Os autores estudaram a morfologia e a estrutura de corpos silicosos nas diferentes partes da planta de Panicum maximum e as denominaram de sílico-esqueleto. Dada a importância do Si na crosta terrestre e nas diversas formas de vida. 2001. (5) Radambrasil. Diante do exposto. & Muth.. 1981. Organossolo. 1983b. Campos & Laboriau (1969) e Silva & Laboriau (1970). 1961. Solo. Bras.. para fins de interpretação dos possíveis fatores ambientais responsáveis pela sua gênese. 1993. Cambissolo. Apesar de terem se passado 52 anos desde a primeira publicação sobre o assunto. Descrição dos pedossistemas onde se inserem os perfis amostrados (1) Setzer et al. 2002. o número de publicação brasileira na temática ainda é baixo. a presente pesquisa objetivou identificar a ocorrência de corpos silicosos encontrados em horizontes superficiais de solos oriundos de diferentes ecossistemas terrestres. Ci. 2006). MATERIAL E MÉTODOS Solos e áreas de estudo Foram coletadas amostras do horizonte superficial de 10 perfis de solos pertencentes às classes: Criossolo. fazendo uma analogia ao observado em diatomáceas... O primeiro registro sobre o estudo de corpos silicosos no Brasil data de 1957 e foi publicado por Fontana Jr. 34:871-879.OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS. 1997. Latossolo e Vertissolo. para que o equilíbrio químico na solução do solo mantenha os teores de sílica suficientes para a manutenção de minerais silicatados. do Instituto Oswaldo Cruz. 2004. (2) Radambrasil. (3) Almeida. ainda há pouco saber acumulado sobre o tema e muito a ser pesquisado sobre os processos de gênese e taxonomia dos corpos silicosos nas paisagens do Brasil e do mundo.

xistos. Jones & Handreck. removeu-se a fração areia. (2005). Solo. passando as amostras de solo em peneira de malha entre 0. 2003). a formação e permanência dos corpos silicosos nesse ecossistema deve-se ao tipo de vegetação. intercalações de quartzitos finos micáceos e biotita . 5 g de solo foram acondicionados em cadinho de porcelana e permaneceram na mufla a 500 ºC por 5 h. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados revelaram variedade de formas e de abundância de corpos silicosos nos horizontes superficiais dos solos dos diferentes ecossistemas estudados (Quadro 2). a terminologia mais nova elaborada por Madella et al. 1994.. sendo uma das que mais acumulam Si e produzem fitólitos. Lu & Liu. Ci. durante 1 h. Com cotas altimétricas que variam de 1. e a das espículas. pouca abundância. Em cada uma dessas etapas o sobrenadante foi descartado. com descarte do sobrenadante.874 Liovando Marciano da Costa et al. para identificação de tipos morfológicos dos fitólitos do material coletado. Destaca-se a pobreza em sílica biogênica dos Latossolos. Inicialmente. 1999). No entanto. Foram escolhidos cinco campos para observação e contagem dos corpos silicosos em cada amostra de solo. 2010 . Além da riqueza em quartzo no material de origem do solo. com a finalidade de selecionar solos distintos. sendo o fitólito do tipo bastonete comum a todos esses ecossistemas (Quadro 2).. o Complexo Rupestre de Altitude sobre quartzito na Serra de Ibitipoca está associado à Floresta Estacional Semidecidual. e essas diferenças justificam estudos de corpos silicosos em solos. que demanda altos teores de sílica da solução do solo para sua constituição vegetal. com elevado número de indivíduos pertencentes às famílias Poaceae. 1969. sela. A maior variedade e maior abundância de corpos silicosos foram registradas na fração silte do Cambissolo Húmico distrófico latossólico. São. pertencentes ao grupo Andrelândia (Dias. com exceção apenas do Criossolo Ornitogênico (continente antártico). para eliminação das impurezas contidas nas cinzas (relação 1:2. O estudo envolveu solos orgânicos e minerais oriundos de ambientes contrastantes quanto ao material orgânico aportado.000 mm. produto de diferentes rotas de humificação. portanto. 2006). Cyperaceae e Eriocaulaceae. 1967). Para identificação dos tipos morfológicos dos fitólitos. (1992). 34:871-879. esses morfotipos têm significado taxonômico com a família Poaceae. de ampla distribuição geográfica nos diversos ecossistemas. Fox et al.5 – cinza:solução). e para essas famílias a absorção de silica é proporcional à concentração de ácido monossilícico na solução do solo (Jones & Handreck. Assim. protegendo os corpos silicosos da dissolução. A identificação das frústulas de diatomáceas foi feita com base no trabalho de Moreira (1975). A identificação dos corpos silicosos foi realizada em lâminas com amostras de silte. solos diferenciados em atributos pedoclimáticos. classificado pelo Sistema Internacional de Classificação de Solos elaborado pela FAO (ISSS Working Group WRB. Essa etapa foi repetida mais duas vezes com HCl (10 cL L-1) e duas lavagens com H2O destilada.300 g por 5 min. a presença desse tipo de vegetação na área indica que a mineralogia está sendo eficiente em manter concentrações adequadas de Si na solução do solo. há várias terminologias que se baseiam nos contornos dos corpos de opala-A e em suas dimensões (Twiss et al. os principais fitólitos identificados foram bastonetes de tamanhos variados. buliforme. Após esse procedimento. para remoção da matéria orgânica.053 a 2. 1965. localizado no Parque Estadual do Ibitipoca-MG (Quadro 2). na presente pesquisa foi usada. as amostras coletadas são secas em temperatura ambiente para obtenção da terra fina. 2005). O silte foi seco em estufa com ventilação forçada a 105–110 ºC. Extração dos corpos silicosos no solo O método adotado na presente pesquisa para extração dos corpos silicosos foi modificado de Costa (2004).784 m (Quadro 1). 2000). Em seguida. 1992. Segundo Runge (1999). Twiss. Segundo Pereira (1994). As poáceas e ciperáceas estão entre as monocotiledôneas que mais acumulam Si (Hodson et al.. Complexo Rupestre de Altitude. cuja abundância variou de pouca a rara em Vertissolo nordestino sob remanescente de floresta subperenifólia e Caatinga hipoxerófila arbustiva e R. onde são observadas espécies herbáceas de aspecto graminoide crescendo sobre solo arenopedregoso.050 a 1. e os de Serra Verde (MG) e Garanhuns (PE). a partir de 10 agitações a cada 10 min. Procurouse obter ampla variedade quanto ao material de origem e clima dos solos. A fração silte foi separada da argila por sedimentação e a remoção desta foi feita por sinfonamento. a Serra do Ibitipoca é localmente dominada por uma geologia de quartzitos sacaroidais grosseiros com muscovita. O material então foi tratado com HCl 10 cL L -1 . utilizando óleo de imersão para facilitar a visualização em microscópio óptico Olympus CX31 (com aumentos de 100 e 400 vezes). Fredlund &Tieszen. halteres e formas retangulares. segundo Costa et al. Após o procedimento descrito. sendo bastonete e buliforme os mais abundantes e comuns a todos os ecossistemas (Quadro 2 e Figura 1). Bras. por peneiramento. 1967. centrifugou-se a 1. As plantas das famílias das monocotiledôneas são as principais acumuladoras de Si e produtoras de fitólitos (Runge. Os solos dos ecossistemas da Antártica e da Ilha de Trindade apresentaram abundância mediana em corpos silicosos.

34:871-879. campos antrópicos (Cachoeirinha e Crato).5 a 10 mg L-1 Si (1. No solo Antártico. (1989).. Drees et al. conforme pode ser visualizado no quadro 2. Wilding & Drees (1974). respectivamente. Ramírez et al. observaram que corpos de opala de coloração amarronzada a opaca eram menos solúveis do que corpos quase transparentes. Quanto à influência dos atributos químicos dos solos na maior ou menor abundância dos corpos silicosos encontrados nos diferentes ecossistemas estudados nesta pesquisa. 2: pouca. Nos Latossolos de Caratinga (MG) e do Crato (PE) registrou-se a presença de fitólitos do tipo bastonete com aspecto de corrosão (Quadro 2). na epiderme foliar. Solo. adsorvendo e consequentemente reduzindo a atividade de importantes agentes da decomposição. a absorção do ácido monossilícico seria irrelevante. leva à preservação desse material por longos períodos. Registro das ocorrências de corpos silicosos da fração silte em horizontes superficiais de solos provenientes de diferentes ecossistemas (1) O termo abundância refere-se à regularidade com que as formas aparecem nos campos e nas lâminas observadas. ambos originários de um paleossolo da Malásia. conferindolhe proteção física. Os teores de C orgânico total (COT) variaram de 0. e atribuiu esse aspecto à idade. sugerindo que compostos orgânicos são responsáveis pela coloração escura. que adsorve o material orgânico. 2005).07 a 21. retardavam a dissolução da sílica.14 e 23.9 a 30 dag kg-1 nos solos estudados (Quadro 3). com considerável corrosão. Bras.15 dag kg-1) de Serra Verde e Ilha de Trindade. sílica amorfa. assim como de C ocluso. pode alterar os valores de solubilidade da sílica. os conteúdos de COT são preservados nas condições de frio intenso.4 mg L-1 SiO2) e sugerem que a presença de Fe e Al adsorvidos. Outro importante fator de conservação desse material pode estar ligado à natureza amorfa da fração mineral. como amilases e proteases (Michel. associada à pequena contribuição da fauna do solo na fragmentação da matéria orgânica leve. Para os ambientes mais secos. em que 1: rara.OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS. Esses minerais oferecem inúmeros sítios de adsorção para exercer ação protetora contra a degradação biótica. Runge (1999) observou que solos de regiões tropicais apresentavam fitólitos nas suas partes mais profundas. R. 3: mediana.. e de Cambissolo (30 dag kg-1) de Ibitipoca. 875 Quadro 2. A natureza fíbrica do material. 4: alta e 5: muito alta. de alguma forma. no lugar de fitólitos. 2010 . (1989) reportam valores de solubilidade da opala biogênica variando de 0. pois somente uma pequena concentração de sílica estaria disponível para a planta. Nesse particular. citados por Drees et al. Ci. alguns valores excepcionalmente altos foram encontrados nas amostras de Organossolos (12. (2007) confirmam que os altos níveis de evapotranspiração em ambiente quente e úmido favorecem a precipitação do ácido monossilícico na forma de um gel.

aliada ao tipo de vegetação. 2010 . (c) halter. Quadro 3. R. (d1. O Organossolo de Trindade encontra-se numa condição de maior umidade e acúmulo de matéria orgânica na liteira. Bras. Assim. cujo material ainda se encontra inalterado. espículas de esponjas e diatomáceas) encontrados na fração silte em horizontes superficiais de solos de diferentes ecossistemas: Fitólitos: (a) buliforme. 2 e 3) bastonetes. (e) sela ou rondele. Solo. Figura 1. Fotomicrografias de morfotipos de corpos silicosos (fitólitos. (g) espícula de esponja. 34:871-879. carbono orgânico total e pH do solo nos diferentes pedoambientes] (1) COT (Carbono Orgânico Total) por YB: Yeomans & Bremner (1988). (j) corpo silicoso perfurado. Solo. sobretudo pela ausência de detritívoros e herbívoros. (f) bastonete serrilhado. Ci. (h) diatomácea elíptica. Os elevados teores de COT sugerem que as condições ambientais não são favoráveis à decomposição da matéria orgânica. (m) grão de pólen. sendo proveniente de restos orgânicos da floresta de Cyathea delgadii e Myrsine floribunda. (b) trilobado. profundidade de coleta. (l) tecido silificado. (i) diatomácea retangular. para o Organossolo da Ilha de Trindade a manutenção dos corpos silicosos no solo parece ser influenciada pela presença de altos teores em compostos orgânicos.876 Liovando Marciano da Costa et al.

. M. porém estas apenas em condições ambientais peculiares. a presença de espícula de esponja indica que os solos foram formados em ambiente de drenagem imperfeita. H. P. Agropec.K. & JOHNS. M.C.M. ambos de regiões Altimontana da Mantiqueira. 3. no aporte de ácido monossilícico na solução do solo (Street-Perrott & Barker.D. Am. Acta. Biogeochemistry of silica phytoliths in agriculture.R. R.B. F. Há uma natural diversidade de morfotipos e abundância de fitólitos nos solos estudados: bastonetes de tamanhos variados. 1969. Bras. (2006) encontraram. DATNOFF. MEUNIER. & LABOURIAU.L. os fitólitos neles permanecem por longos períodos de tempo. F. 1996. Pesq. KUBOTA.. Mata Atlântica e Caatinga.. 89:346-351. halteres e formas retangulares. Bras.B.J.. Geologia e Petrologia na Ilha de Trindade. para os fitólitos de bambu coletados na Ilha Réunion. 2008).. 2000. N. foi maior nos buliformes. A. MG.23-25. Ceres.. 1992. C.. & SILVA. (1992) em solos de João Pinheiro . Universidade Federal de Uberlândia. Além de fitólitos..L.D. Ci. UCHIDA. W. H. CORADIN. Rio de Janeiro. 121p. e nos solos de Serra Verde e Ibitipoca. L. Comptes Rendus Palevol. ALEXANDRE. Universidade Federal de Viçosa. & OLIVEIRA. GAUTIER.R. entre 4. FAGERIA. Outros fatores.0. Silica in soils: Quartz and disordered silica polymorphs. 2004. observada em todas as formas... consequentemente. W. L.T. From biogenic to biomimetic silica.. 4. SMECK.F. Caracterização de pedoambientes no Parque Estadual do Ibitipoca. solubilidade próxima à da sílica amorfa. eds. A corrosão. & KAUFMAN. Bot.A.. WEST. Corpos silicosos de gramíneas dos Cerrados – II. Bot.0 e 7. Strömberg (2004) afirma que nas condições de pH encontradas geralmente nos solos. (Monografia) BARBOSA FILHO. (1992).. AGATA. Cosmochim. WILDING. buliforme. Soil Science Society of America. THEURILLAT. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. L.. Geochim. Na Antártica e na Ilha de Trindade a influência marinha justifica a ocorrência de diatomáceas. 2002.R. temperatura elevada e atividade microbiana. 2005. com maior tempo de permanência de água. 1) CONCLUSÕES 1. & SENKAYI. Os valores de pH em água (Quadro 3) evidenciam que os solos amostrados apresentam valores entre 4. LOPEZ. na Ilha de Trindade.P.F. L. Silicato de cálcio como fonte de silício para o arroz de sequeiro. In: SILICON IN AGRICULTURE CONFERENCE. como na Antártica. F. em Serra Verde e em Ibitipoca (Quadro 2 e Figura 1). KELLER. Uberlândia. L. MADELLA. Viçosa. chegando a um mínimo de velocidade de dissolução em pH 3. N.MG. R. Bras. 23p (Relatório Final de Estágio Pós-Doutorado) COSTA. conforme constatado por Costa et al. Minerals in soil environments. LITERATURA CITADA AGARIE. 877 Com relação à influência do pH na estabilidade e dissolução de corpos silicosos.P. L. Fraysse et al. Madison.. Biogeoquímica do silício: Morfologia e composição química de fitólitos relacionados a solos ácidos com alta saturação em alumínio trocável. 2010 . 1961. Exper. e a velocidade de dissolução ficou entre aquelas do quartzo e da sílica vítrea. Piracicaba. J. 25:325-30. como alto índice pluviométrico.E. 3. I. P. 2005.. DNPM/DGM. O Organossolo de Serra Verde e o Cambissolo Húmico de Ibitipoca amostrados são representativos de áreas coluvionares de pés de encostas e formaramse em ambiente de recepção. A. ratificando assim que as condições ambientais foram propícias para a ocorrência de espícula de esponja. GUEDES. 197p. & LIVAGE. Minas Gerais.E. favorecendo assim a estabilidade e manutenção dos corpos silicosos nos ecossistemas estudados. CARNELLI. Proceedings. Solo. corroborando as conclusões de Costa et al.M.. M. 1997. p. L.3. J. S. ALMEIDA. 259p. Os corpos silicosos foram bem mais abundantes e diversificados no único solo desenvolvido de quartzito. T.. CALEGARI. sela. 2001. Ci.OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS.D.ed. J. identificou-se a ocorrência de diatomáceas e espículas de esponjas. SNYDER. Ocorrência e significado paleoambiental do horizonte A húmico em Latossolos. Espículas de esponja em solos de João Pinheiro. A. A. B.. R. 1989. A.. & AMMANN.M.H. DIAS.. J. COSTA. G.. 2. 4:143151.M.. 2004. L. In: DIXON J. Uberlândia. W. mostrando-se similarmente dependente do pH. Solo.. 2008.. MORRIS. J. (SSSA Book Series.0 e 8. L.0. Aluminum in the opal silica reticule of phytoliths: A new tool in palaeoecological studies. 34:871-879.P.. & WEED. são também decisivos na ciclagem da sílica biogênica e.P. sendo bastonete e buliforme as formas mais abundantes. 61:677-682. J. 47:655-660. seguidos dos bastonetes.. (Tese de Doutorado) DREES. A presença desses tipos de corpos silicosos em solos pode estar associada às condições ambientais onde esses solos se formaram.M. Plant impact on the biogeochemical cycle of silicon and related weathering processes. COLIN. O. 2.): Testing the window hypothesis. (Tese de Doutorado) CAMPOS. Não houve diferenças de abundância de fitólitos entre os Latossolos sob Cerrado. 3:443-452. COSTA. 39:597-603. estando portanto dentro da faixa citada por Strömberg (2004).B.G.M. & KOUD. Function of silica bodies in the epidermal system of rice (Oryza sativa L.. S.

LUIZAO. 19:107-149.A. & LIU. Phytoliths of common grasses in the coastal environments of southeastern USA. G. J.. pedologia. K. SCHOTT. 146p. HODSON. 5:135-144. classification.. Rio de Janeiro. geomorfologia. 2003. Belo Horizonte. Studies of silica in the oat plants. PARRY. Science. vegetação e uso potencial da terra. Ci. 14th Ann. Solo. Types of opaline silica depositions in the leaves of British grasses. Par. 839p.. Gnosis. T. Earth Planet. 1999.D. M. M. 107:23-53. 23:635-41.. WHITE. World Reference Base for Soil Resources.. 2. Ann. KONDO. Bras. 1999. Ci. 2005. Bot. Universidade Federal de Minas Gerais. POKROVSKY. 34:871-879.L. 740p. H. HILDEBRAND.. pedologia. & VOLCANI. Rev. RADAMBRASIL. The opal phytolith inventory of soils in Central Africa – Quantities. 260:521-523. Sci. 2007. & SULLIVAN. Progress Organic Coatings. Cosmochim. Soil and plant silicon and silicate response by sugar cane.. & SMITHSON. JONES. & SHERMAN... Goldschmidt Conf.L. 28:169-185. G. 23 / 24.. & TIESZEN. Solos Criogênicos e Ornitogênicos da área de entorno da Ponta Llano. L. geomorfologia. M.P.) FREDLUND. R. Teores de silício no solo e na planta de arroz de terras altas com diferentes doses de adubação silicatada e nitrogenada. Note on occurrence of opal phytoliths in some Cenozoic sedimentary rocks. P.. In: SIMPSON. H. Bras. 2003. Y. Disolución de sílice biogênica em sedimentos de lagos utilizados como bioindicadores de calidad del água... D. No 103. Bot. ARANTES. plants and animals. 1964. geomorfologia. Biogeogr. MAUAD. Proc. & MEULENERT PEÑA. M. Rev. 2005. 23:79-96.. 306p.. H.. pedologia.J. 27:867-873. PLUCKNETT.A.. ISSS WORKING GROUP WRB. 1957.J. G. JONES. Paleobot. Adv. Acta Biol. J. Geochim.24/25 Jaguaribe/Natal. 31:775779. B.L. E. F. D. 96:253260.(Tese de Mestrado) PIPERNO. Quarter. FAO. Levantamento dos recursos naturais: Geologia. Soc. Modern phytolith assemblages from the North American Great Plains. F.G. TORRE V.453-493. Rio de Janeiro. 50:641-644.. Paleont.Uptake of silica from soils by the plant. J. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. P.F. Res.U.. JONES. O.A.V. Efeito do silicato de cálcio no teor de silício e na produção de grãos de arroz de sequeiro. Ann. 2001..P.R. M. RUNGE.. SILVA.E. International code for phytolith nomenclature 1.M. KORNDÖRFER. 1999. solubility and dissolution kinetics of phytoliths from bamboos of Reunion Island.M. L. 1967. III . Surface properties. Ministério das Minas e Energia. Silica in soils. & CORRÊA.F. & SASE. ISRADE A. D. M.. & HANDRECK. J. RADAMBRASIL. I.L. 38:773-775.H.. R. New York. R. 21:321-335. and spectra.F.A. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. A. 1967. Contribuição ao estudo das Bacillariophyceae (Diatomácceas) em diatomitos brasileiros. RADAMBRASIL. vegetação e uso potencial da terra. 2005. ZÁRATE. Acta Suppl..H. Universidade Federal de Viçosa. & POTTU-BOUMENDIL.ed. Ann. M. Rio de Janeiro/ Vitória. 1983b. LU. 2003. LUCAS. 2006. Levantamento dos recursos naturais: Geologia. MICHEL. FONTANA JR. Phytolith: A comprehensive guide for archaeologists and paleoecologists.24/25 Aracaju/Recife.878 Liovando Marciano da Costa et al. Ci. YOUNGE. Y. G. Agron.R.R. Soil Sci. PARR. Levantamento dos recursos naturais: Geologia.. 2010 . ROUILLER.. Am.D. FOX. PEREIRA. (Proc. Soil Biol. FRAYSSE. Biological processing of nanostructured silica in diatoms. L.. Del V.R. 1983a.. Rome. & BALL. J... O. Ann. 1981. 238p. 163p. AltaMira Press. J. 1994. ALEXANDRE. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA EMBRAPA. R. 2005. Viçosa. T. F. The role of plants in controlling rates and products of weathering: Importance of biological pumping. 2004. GRASSI FILHO. 29:135-163.S. I. 2006. The relationship between the biological activity of the rain forest and the mineral composition of the soils.L. their nature and application.. & MEUNIER. 2006. 1993. & BROADLEY. Folha SC. Phylogenetic variation in the silicon composition in plants. 58:587-600. p. EPSTEIN. R. Ann. M. R. Solo.A. 4:135-198. Bot. R. R.. 1986. K. A216. P. shapes. World Soil Resources Report. Biochem.G. & MUTH. 37:117-124. 47:256-266. Springer-Verlag. T. Rio de Janeiro. (Tese de Mestrado) MOREIRA. C. Silicon and siliceous structure in biological systems. CRUSCIOL. 5:1-19. 25:31-63. 96:1027-1046. D. Estruturas silicosas na gramínea Panicum maximum . GARRONE.A. Palynol.C. Rio de Janeiro. 1965. Opal phytoliths. SIMPSON. Embrapa Solos.J. Biol. MEAD.W. Lanham. CORRÊA. Estrutura das comunidades vegetais de afloramentos rochosos dos campos rupestres do Parque Nacional da Serra do Cipó.. Solo. Folha SB.H. 1975.C. Plant Molec. Sistema brasileiro de classificação de solos. & NAHON..L. Folhas SF. eds. Antártica Marítima. 1994. J. 780p. V. Plant Physiol.F. & SNYDER. 1964. O. K.. Plant Soil. F. L. Soil carbon sequestration in phytoliths. Silicon. Ultrastruture and deposition of silica in sponges. G.. GARCÍA..C. T. J. Rev. vegetação e uso potencial da terra. LUCAS. A. J.E. MG.A. MADELLA. 1981.0.H. RAMÍREZ S.. Bras. & HANDRECK. H. Estuarine Coastal Shelf Sci.

W. 207:239-275.M. p.. Baja Califórnia Sur. 2004.C.. YEOMANS. Soil Sci.R. M.OCORRÊNCIA DE CORPOS SILICOSOS EM HORIZONTES SUPERFICIAIS DE SOLOS. 5: 167-182. J. Soil Sci.. M. 19:1467-1476.F. Viçosa. Soc. M. P. 18:471-488. 1970.1-6. F..A. Using phytolith assemblages to reconstruct the origin and spread of grass-dominated habitats in the great plains of North America during the late Eocene to early Miocene.. eds. STRÖMBERG.S.G.. W.. & BREMER.R. M..W. OLIVEIRA. eds. 2000. México. Predicted world distribution of C3 and C4 grass phytoliths. 11:243-252.L.. & CARREÑO. Palaeoclimatol.E.M. Corpos silicosos de gramíneas dos Cerrados – I. Bras. STREET-PERROTT. FRANCELINO. & LI. An. SENDULSKY. A.R. G. Mexicana Ci. 879 RUIZ-MORENO. Ecossistemas Costeiros e Monitoramento Ambiental da Antártica Marítima .C.A. Palaeogeogr.L.. & LABOURIAU.. & MULHOLLAND. Asian Earth Sci. Diatom biostratigraphy of Bahia Asunción. 2004.A. & LABOURIAU. 2008.E. 1992. 38:159185. S. In: SCHAEFER. Ci. A. 33:109-115.C. E. Proc.M. Morphology classification of grass phytoliths.N. Bras. F. Museum Sci. & SMITH. Earth Surface Proc. Corpos silicosos de gramíneas dos Cerrados – III. Geol. Ci. 33:1436-1457.R. J. Pesq. Agropec. C. SCHAEFER. In: RAPP JR.. Palaeoecol.. Solo. Am.... Landforms. SILVA. NEPUT. Plant Anal. “Phytolith systematics.. MG. Bras.. & BREMNER. J. J. R. YIM. R. 34:871-879. 1969. Regime climático na Baía do Almirantado: Relações com o ecossistema terrestre. Biogenic silica: A neglected component of the coupled global continental biogeochemical cycles of carbon and silicon.G. Archaeol. T. SUESS. L. COSTA. P. C. & BARKER. TWISS. 1988.G.B.” Adv. 2010 . L. SETZER. TWISS.. Universidade Federal de Viçosa. Acad. ALBUQUERQUE FILHO.Baía do Almirantado. Comm. 1966.T. 1:113-128.R. C. FRANCELINO. Ilha Rei George. R.E.C. S. A rapid and precise method for routine determination of organic carbon in soil. J.. Emerging issues. Diatom preservation in an inner continental shelf borehole from the South China Sea. SIMAS.. U. P. L. 1994.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful