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DIREITO DO

CONSUMIDOR

2. Coletividade de consumidores: não há a neces- jurídica, pública ou privada, nacional ou estran-


INTRODUÇÃO sidade de se individualizar o consumidor para garantir geira, bem como os entes despersonalizados, que
a sua proteção. Os direitos individuais homogêneos, desenvolvem atividades de produção, montagem,
A Constituição de 1988, em seu art. 5º, XXXII, coletivos e difusos dos consumidores também poderão criação, construção, transformação, importação,
institui, entre os direitos fundamentais, a ser defendidos com fundamento nas normas instituídas exportação, distribuição ou comercialização de
proteção e defesa do consumidor, elevando
pelo CDC (art. 2º, p.ú.). produtos ou prestação de serviços”(art. 3º).
ainda o protecionismo a qualidade de prin-
Profissionalidade: para que se atinja o “status” de
cípio norteador da atividade econômica (art. 3. Extensão do conceito de consumidor: em deter-
fornecedor, o vendedor de produtos e o prestador
170, V, CF). minadas situações o legislador desejou estender o con-
Em 11 de setembro de 1990 é publicada a de serviços têm que atuar com profissionalidade, ou
ceito de consumidor para pessoas outras que embora
Lei 8.078, Código Brasileiro de Proteção e seja, com o desejo de auferir lucro direto ou indireto
não tenham adquirido nem se utilizado de produtos ou
Defesa do Consumidor – CDC, microssis- com o exercício da atividade, além de desenvolvê-la
serviços, serão, por intermédio de uma ficção legal,
tema jurídico que entrou em vigor em 12 de forma habitual e profissional.
equiparadas a posição de consumidoras, possibilitando
de março de 1991.
a aplicação do CDC.
Analisando-se o mercado de consumo, pode- 2. Pessoa jurídica de direito público: a pessoa jurídi-
3.1. Vítimas de acidentes de consumo: “Equiparam-
se facilmente perceber que o consumidor se ca de direito público também pode ser considerada
se aos consumidores todas as vítimas do evento, fato ou
encontra em uma situação de desigualdade fornecedora (art. 22, 6º, X e 22), dependendo do
real perante o fornecedor, quer seja no defeito do produto ou serviço (art. 17). É o consumidor
tipo de serviço prestado.
momento da contratação, quer seja em de- “by stander”, ou seja, aquele que, embora não tenha
corrência da ausência de informação, ou até contratado a aquisição de produtos ou a prestação de
3. Fornecedor estrangeiro: responde pelo for-
mesmo pela força coercitiva da publicidade e serviços, foi vitimado por um acidente de consumo.
necimento de seus produtos no mercado inter-
das técnicas de “marketing”, estando, pois, Assim, a pessoa que se encontrava no solo e, portanto,
no, inclusive pela incorreção ou omissão nas
desequilibrada a balança da justiça. Assim, não havia firmado nenhuma relação jurídica com o for-
informações.”art.3”
se existe desigualdade entre as partes, deve necedor de serviço de transporte aéreo mas foi atingida
a Justiça tratar de forma desigual os desiguais, pelos destroços de um avião, é, em regra, considerada
4. Entes despersonalizados: tanto as pessoas
buscando a igualdade entre eles. consumidora por equiparação. Da mesma forma, a
jurídicas de fato quanto a massa falida respondem
O CDC é norma especial e de caráter prote- pessoa que participa de uma festa promovida por um
cionista, e, por esse motivo, somente pode pelos danos causados aos consumidores.
vizinho quando tem parte de seu corpo queimado em
ser aplicado diante de uma relação jurídica Exceções: condomínios, associações e coope-
decorrência da explosão de uma TV.
de consumo, que é a que envolve, em um de rativas não são considerados fornecedores com
Dica: a equiparação contida no artigo 17 tem por
seus pólos, a figura do consumidor, e, no outro relação aos seus membros, já que apenas admi-
escopo possibilitar a aplicação do CDC, dando a todas
pólo, a figura do fornecedor, ligando ambos, nistram o bem comum e necessitam da aprovação
as vítimas de acidentes de consumo, quer sejam con-
a aquisição ou utilização de um produto e/ dos associados, condôminos ou cooperados para
sumidores de fato (art. 2), quer sejam por equiparação
ou serviço. tomada de decisões significativas.
(art. 17), a mesma proteção jurídica.
3.2. Expostos às práticas comerciais e contratuais
5. Teoria da Aparência: se o fornecedor, volunta-
Consumidor abusivas: equiparam-se a consumidores todas as
riamente, permitiu a aposição de sua marca em
pessoas, determináveis ou não, expostas às práticas
produtos ou serviços fornecidos por outros, gerando
1. Conceito: “Consumidor é toda pessoa física ou comerciais (oferta, publicidade, práticas abusivas) e
para o consumidor a falsa aparência de que era
jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço contratuais abusivas. Sendo assim, independentemente
de fato o fornecedor, assume a responsabilidade
como destinatário final” (art. 2º). Tanto pessoas de ter adquirido produto ou serviço, uma pessoa que,
solidária em relação aos prejuízos causados.
físicas quanto jurídicas podem ocupar este pólo da por exemplo, assistiu a uma publicidade enganosa,
relação. O que irá definir o caráter de consumidor é encontra-se legitimada, na qualidade de consumidor,
para exigir a aplicação das sanções cabíveis, bem como
Relações de Consumo
a finalidade dada ao produto adquirido e/ou serviço
contratado. Para que se tenha um consumidor, será a reparação dos danos porventura experimentados. A
necessário que exista a destinação final da coisa. equiparação proposta pelo art. 29 visa à proteção da
1. Produto: “É qualquer bem, móvel ou imóvel,
1.1. Teoria finalista: possui natureza restritiva, coletividade e à manutenção da harmonia nas relações
material ou imaterial (art. 3º, par. 1º).
exigindo a destinação final e última da coisa, sem de consumo.
Dica: o CDC classifica os bens em duráveis (os
que haja qualquer espécie de intenção de utilizá-la Dica: os legitimados a agir na forma do CDC pode-
que são reutilizáveis e permanecem adequados
como forma de auferir lucro. Nega a qualidade de rão propor ação visando compelir o poder público
para o consumo após muitas utilizações, como,
consumidor quando o adquirente se utiliza da coisa competente a proibir, em todo o território nacional a
por exemplo, os eletrodomésticos, os veículos
para exercer alguma atividade profissional, mesmo produção, divulgação, distribuição ou venda, ou a de-
etc.) e em não duráveis (que são os consumidos
que a intenção de auferir lucro não decorra de forma terminar a alteração na composição, estrutura, fórmula
com o uso, não podendo, portanto, ser reutiliza-
imediata de sua utilização. ou acondicionamento de produto, cujo uso ou consumo
dos, como, por exemplo, alimentos, cosméticos,
1.2. Teoria maximalista: é mais ampla, abrangen- regular se revele nocivo ou perigoso à saúde pública e
medicamentos etc.).
do condutas diversas. Somente perde a qualidade à incolumidade pessoal.
de consumidor de determinada coisa aquele que 2. Serviço: “É qualquer atividade fornecida no mer-
a adquire com a intenção de transformar, modificar
Fornecedor
cado de consumo, mediante remuneração, inclusive
e/ou revender ou prestar algum serviço auferindo 1. Conceito: “Fornecedor é toda pessoa física ou
um lucro direto de sua aquisição.

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as de natureza bancária, financeira, de crédito e 5. Equilíbrio (art. 4º, III): reflete o espírito do Código. acesso aos Juizados Especiais.
securitária, salvo as decorrentes das relações de Embora protegido, o consumidor não deve ser alçado à
caráter trabalhista” (art. 3º, par. 2º). posição de vítima, devendo haver uma compatibilização 7. Facilitação da defesa de seus direitos: inclu-
2.1. Remuneração indireta: a relação de consumo entre os interesses do consumidor e a proteção dos sive com a possibilidade da inversão do ônus da
persiste mesmo que inexista uma remuneração seus direitos, com a necessidade de desenvolvimento prova em favor do consumidor, no processo civil,
direta, como, por exemplo, o que ocorre com as econômico. quando este demonstrar a sua hipossuficiência,
amostras grátis; a gratuidade na prestação do ser- além da verossimilhança de suas alegações.
viço de estacionamento; a utilização de milhas ou 6. Boa-fé objetiva (os art.4, III;51 IV CDC c/c art.5 Dica: o ônus da prova pode ser invertido, indepen-
bônus, já que, nestes casos, existe uma remunera- XXXII): deve ser externada por intermédio de ações, dentemente de provocação das partes (“ex officio”).
ção indireta, ou, no mínimo, há o interesse comercial superando o plano das intenções, e é exigida de ambas A inversão depende de pronunciamento do juiz, que
e/ou promocional inserido na gratuidade. as partes na relação de consumo. pode declará-la na citação, no despacho saneador
2.2. Serviços prestados por um empregado do e, para alguns, na sentença.
consumidor: existe uma relação de emprego, o 7. Dever de informar (art. 6º, III) e da transparên-
que impossibilita a aplicação do CDC. Por exemplo: cia (art. 4º, “caput”) art.46 CDC: os dois princípios 8. Adequada e eficaz prestação dos serviços
em relação a uma faxina malfeita ou a uma roupa encontram-se intimamente relacionados. São impres- públicos em geral: embora ainda exista discussão
queimada pela engomadeira. Caso se deseje a cindíveis à segurança do consumidor, que deve ter acerca da possibilidade de corte no fornecimento
reparação dos danos, deve o lesado aplicar o CC acesso a informações corretas, claras e ostensivas de serviço público de caráter essencial motivado
c/c a CLT. sobre o produto ou serviço. por inadimplência do consumidor (art. 22), o STJ
2.3. Serviços bancários, de crédito e securi- decidiu repetidas (embora não unânimes) vezes
tários: além da edição da Súmula 297, do STJ, 8. Revisão das cláusulas contrárias e da conserva- que o corte é possível, desde que haja o aviso
recentemente o STF, em análise da ADIN 2591, ção do contrato (art. 6º, V): possibilidade de revisão prévio para o consumidor.
declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 3º, das cláusulas contratuais de caráter abusivo, mesmo
acabando com qualquer vestígio de dúvida acerca após a conclusão do negócio jurídico, restabelecendo Responsabilidade Civil
da aplicação do CDC às instituições financeiras. a harmonia entre as partes, mantendo-se, entretanto, do Fornecedor
2.4. Serviço público: conforme o modo da presta- a vigência do pacto celebrado.
ção do serviço, pode possuir caráter: Introdução. O Código instituiu duas formas dis-
2.4.1. “Uti singuli”: prestado de forma individual, 9. Solidariedade (art. 7º, p.ú.): todos os fornecedores tintas de responsabilização do fornecedor, sendo
singular, mediante uma contraprestação direta. que, de algum modo, concorreram para a caracterização uma em relação aos defeitos, fatos ou acidentes de
Em relação a este tipo de serviço, existe uma forte do resultado danoso, respondem, solidariamente, pela consumo, e outra em relação aos vícios do produto
compreensão acerca da possibilidade da aplicação reparação do prejuízo. Criou-se, assim, um litiscon- ou do serviço.
do CDC (telefonia, água, energia elétrica). sórcio passivo facultativo (determinado pela vontade
2.4.2. “Uti universi”: prestado de forma coletiva, do consumidor), estando vedada a denunciação da Responsabilidade por Fato
universal, sem que se exija uma contrapartida direta lide (art. 88). do Produto ou do Serviço
por parte do cidadão. Em relação a este tipo de Link Acadêmico 2
serviço, a aplicação do CDC é mais controvertida,
sendo que, nos últimos anos, vem ganhando força Direitos Básicos 1. Conceito: fato do produto ou do serviço é a
a corrente doutrinária que afirma ser possível a existência de um defeito, seja de criação, produção,
do Consumidor
aplicação do CDC em relação aos serviços “uti prestação do serviço ou informação, capaz de
universi” passíveis de individualização (saúde, 1. Proteção à vida, à saúde e à segurança (arts. 8º a causar dano patrimonial, físico, psíquico ou moral
educação, segurança pública). 10): deve o fornecedor atuar no mercado de consumo a um consumidor ou a terceiro atingido pelo dano.
Link Acadêmico 1 com vistas a proteger a saúde e a segurança física, (arts.12 a 17 do CDC).
moral e material do consumidor. Dica: para que se caracterize o fato, também cha-
Dica: o fornecedor pode comercializar produtos ou mado de defeito ou acidente de consumo, é neces-
Princípios
prestar serviços perigosos, desde que esses riscos não sário que o dano experimentado supere a dimensão
Norteadores do CDC material do bem adquirido ou serviço contratado,
sejam excepcionais. Caso o conhecimento da pericu-
1. Protecionismo (art. 1º): tratamento desigual losidade excepcional ocorra em momento posterior ao atingindo outros bens do consumidor, quer seja a
conferido ao consumidor, que possui seus direitos da colocação no mercado, deve o fornecedor alertar as sua moral, sua integridade física ou seu patrimônio.
resguardados e protegidos pelo CDC. autoridades competentes e os consumidores. É o que Exemplos: uma televisão que dá choques; um carro
ocorre no “recall”. sem freios; um celular que explode.
2. Imperativo de ordem pública e interesse so-
2. Responsabilidade do fornecedor: objetiva, ou
cial (art. 1º): vigência imediata da norma, existindo, 2. Educação para o consumo: além de possibilitar
seja, independe da apuração de culpa ou dolo.
inclusive, a possibilidade de alcançar os contratos a liberdade de escolha, é imprescindível o consumo
já celebrados. As normas instituídas no CDC se consciente com vistas à preservação ambiental. Política 3. Pressupostos:
sobrepõem à vontade das partes. A aplicação da lei dos três erros: reduzir o consumo, reutilizar os produtos, a) existência do fato ou defeito do produto ou
pode ocorrer independentemente de provocação, reciclar o lixo. serviço; b) caracterização do dano, que pode ser
ou seja, “ex officio”. Por fim, não opera a prescri- patrimonial (lucro cessante ou dano emergente)
ção, podendo ser discutida em qualquer instância. 3. Informação: adequada, clara, correta, ostensiva e ou moral; c) nexo causal entre o fato ou defeito
Por ser de interesse social, o Ministério Público é em língua portuguesa acerca da quantidade, qualidade, e o dano.
legitimado para exigir a aplicação da norma, bem especificação, materiais, componentes, preço e riscos,
como fiscalizar o seu cumprimento. dentre outros pontos relevantes. 4. Tipos de defeitos
a) de criação, projeto ou fórmula; b) de produção,
3. Vulnerabilidade (art. 4º, I): é a fraqueza, a 4. Proteção contra publicidade enganosa e abusiva e fabricação, construção, montagem, manipulação
inferioridade real de ordem econômica, social ou quaisquer outras práticas comerciais coercitivas ou ou acondicionamento; c) de informação, publici-
técnica. Apresenta-se como a ausência de opção desleais (arts. 36 a 38): sempre com vistas a preservar dade, apresentação; d) relativos à prestação do
de escolha ou a falta de liberdade instituída no a harmonia nas relações de consumo. serviço.
mercado de consumo. Dica: o produto não é considerado defeituoso
5. Prevenção e reparação de danos (arts. 12 a 25): porque outro de melhor qualidade foi colocado
4. Hipossuficiência (art. 6º, VIII): desconhecimen- patrimoniais, morais, individuais, coletivos e difusos. no mercado.
to técnico acerca da matéria. Impossibilidade real
de produzir prova específica. 6. Acesso à Justiça e a órgãos da administração 5. Extinção do direito de ação: prescreve em
para a defesa de seus direitos: criação dos PROCONs, cinco anos a pretensão à reparação pelos danos

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causados por fato do produto ou do serviço, 2. Responsabilidade objetiva: não existe a necessi- perdas e danos.
iniciando-se a contagem do prazo a partir do co- dade da caracterização da culpa ou dolo. Dica: a atualização é a monetária, havendo a pos-
nhecimento do dano e de sua autoria. sibilidade de cobrança de juros a partir do momento
3. Solidariedade entre os fornecedores: todos os em que o devedor incide em mora, ou seja, após o
6. Solidariedade entre os fornecedores: o art. integrantes da cadeia produtiva, bem como todos os término do prazo de 30 dias.
12 determina que apenas o fornecedor mediato prestadores do serviço respondem solidariamente. Atenção: as perdas e danos aqui são, por exemplo,
(aquele que fabricou, produziu, construiu, impor- Assim, tanto o fornecedor mediato quanto o imediato as decorrentes do transporte da mercadoria viciada
tou o produto ou prestou diretamente o serviço) é possuem a obrigação de reparar o prejuízo, sendo do ou as relacionadas com o não-saneamento do vício
quem assume a responsabilidade pela reparação consumidor a opção de escolha. no prazo determinado. Cuidado para não confundir
dos prejuízos causados aos consumidores em com o acidente de consumo.
Tipos de Vícios
decorrência de um acidente de consumo. Se existir d) o abatimento proporcional do preço. Essa opção
Previstos no CDC
mais de um fornecedor mediato, todos responde- é processualmente ineficiente já que necessita de
rão solidariamente. Já o fornecedor imediato (o 1. Vício de qualidade (art. 18, “caput” e § 6o, I e II, perícia (vício de qualidade). É mais adequada a
comerciante) responde, em caráter excepcional, e art. 20, “caput” e § 2º): tornam o produto ou serviço sua utilização na hipótese de acordo amigável e,
nas situações previstas no art. 13, ou seja, quando impróprio (impede o uso ou consumo) ou inadequado principalmente, nos vícios de quantidade.
o fornecedor mediato não estiver aparente ou não para o consumo (eficácia ou beleza reduzidas) a que Dica 1: em qualquer uma das hipóteses pode o
puder ser identificado, ou quando não armazenar se destina ou lhe diminuem o valor. São exemplos de consumidor requerer judicialmente a antecipação
adequadamente os produtos perecíveis. vício de qualidade: uma TV que não mostra a imagem de tutela (art. 84), já que, após ultrapassado o prazo
com nitidez (imprestabilidade parcial); relógio que não de 30 dias, passa o consumidor a ser possuidor
Responsabilidade do Pro- marca as horas (imprestabilidade total); alimento com do direito líquido e certo de exigir uma das três
fissional Liberal prazo de validade vencido; carro com o banco rasgado alternativas, conforme comando legal.
(art. 14, § 4º, Lei 8.078/90) (diminui o valor, reduz a beleza); pintura de parede Dica 2: no fornecimento de serviços que tenham
manchada. por objetivo a reparação de qualquer produto
1. Conceito: não existe definição legal das pessoas Dica: existe a possibilidade de o fornecedor colocar no considerar-se-á implícita a obrigação do forne-
que podem ser consideradas profissionais liberais. mercado produtos levemente viciados mediante uma cedor de empregar componentes de reposição
A melhor doutrina determina que adquire essa qua- redução no preço, desde que informe ao consumidor a originais, adequados e novos, ou que mantenham
lidade o profissional autônomo que exerce atividade presença do vício que, de nenhum modo, pode expor as especificações técnicas do fabricante, salvo,
de cunho intelectual e pertence a uma classe de a risco a sua saúde ou segurança. quanto a estes últimos, autorização em contrário
profissão regulamentada e fiscalizada. 2. Vício de quantidade (art. 19): ocorre quando o con- do consumidor (art. 21).
teúdo líquido (impropriedade do texto legal) for inferior
2. Responsabilidade subjetiva: decorre princi- às indicações constantes do recipiente, da embalagem, 5. Inexigibilidade do prazo de 30 dias: sempre
palmente da característica “intuitu personae” da rotulagem ou de mensagem publicitária, causando que, em razão da extensão do vício, a substituição
relação, que é, em regra, baseada na confiança, o prejuízo ao consumidor. Ou seja, caracteriza-se sempre das partes viciadas puder comprometer a qualidade
que justifica a diferença de tratamento. É necessária que houver disparidade quantitativa com as indicações (motor de carro 0 km que funde) ou características
a prova da culpa do profissional para que se possa constantes de oferta ou mensagem publicitária. Exem- do produto (automóvel importado sem peça de
responsabilizá-lo. Assim, ao consumidor (salvo se plos: contratação de 1 hora de show de uma banda substituição no mercado interno), diminuir-lhe o
declarado invertido o ônus da prova) cabe provar com execução de 50 min; aquisição de 1 litro de leite e valor (carro vendido com arranhões) ou se tratar
a imprudência (atitude precipitada, falta de cuida- recebimento de 900 ml. de produto essencial (medicamento, alimento)
do), negligência (inércia, passividade), imperícia Dica 1: há que se respeitar as variações decorrentes - art. 18, § 3º, o consumidor não precisa se sub-
(au-sência de observação das normas técnicas, da natureza do produto, desde que inferior aos índices- meter ao prazo de espera de 30 dias, podendo, de
defi-ciência de conhecimento técnico, despreparo padrão normalmente fixados. imediato, fazer uso de uma das três alternativas
prático) ou dolo (intenção deliberada de causar o Dica 2: caso exista variação quantitativa, por exemplo, a seu dispor.
dano) do fornecedor. entre o informado em um rótulo, anúncio publicitário e/
Decadência do Direito
Dica 1: quando o profissional liberal presta serviço ou contrato, vale sempre a informação mais benéfica
de Reclamar no CDC
para uma empresa, ele perde a qualidade de para o consumidor, ou seja, a maior quantidade infor-
autônomo, passando a funcionar como um em- mada (art. 47). 1. produto ou serviço não durável: 30 dias;
pregado do fornecedor. Nesses casos a empresa 2. produto ou serviço durável: 90 dias.
causadora do dano responde objetivamente pelo 3. Prazo para sanar o vício: 30 dias (permitindo o Dica: os bens imóveis encontram-se protegidos
ato de seu empregado ou preposto, não havendo Código acordo entre as partes para alterá-lo de 7 a 180 contra vícios ou defeitos que afetem a solidez e
a transferência do benefício da responsabilidade dias). Tal prazo é concedido em benefício do fornecedor, segurança da obra, assim em razão dos materiais,
subjetiva para a empresa, sendo a investigação sendo, para muitos, o exercício regular de um direito. como do solo, pelo prazo irredutível de 5 anos,
da culpa do profissional útil apenas ao ajuizamento Dica: somente os vícios de qualidade se submetem a conforme o disposto no art. 618 do CC. Pode-se
de uma possível ação de regresso. É o que ocorre, este prazo. O reparo dos vícios de quantidade podem aplicar o CC já que a previsão instituída na norma
por exemplo, com o médico que trabalha para um ser exigidos imediatamente. geral é mais benéfica para o con-sumidor do
hospital ou o advogado que presta serviços para que a instituída no CDC, além de não contrariar
uma empresa de construção civil. 4. Vício não sanado (art. 18, § 1º): não sanado o nenhum dos princípios nele instituídos (diálogo
Dica 2: o STJ pacificou o entendimento de que os vício no prazo estipulado, pode o consumidor exigir, das fontes).
planos de saúde respondem pelos danos causados alternadamente e a sua livre escolha:
pelos médicos, hospitais e outros profissionais a) a substituição do produto por outro da mesma espécie 3. Início da contagem do prazo: a partir da entrega
credenciados. em perfeitas condições de uso (caso o produto não seja efetiva do produto ou do término da execução dos
Link Acadêmico 3 mais encontrado no mercado, pode o consumidor exigir serviços.
a sua substituição por um similar ou por um de qualidade
Responsabilidade por Vício distinta, mas, nesse caso, pagará ou receberá a eventual 3.1. Vícios ocultos: o prazo só começa a correr do
do Produto ou do Serviço diferença de preço entre eles), ou a reexecução do ser- momento em que o vício se manifesta; entretanto,
viço, sem custo adicional, inclusive no que diz respeito sua aparição deve ocorrer ainda durante o prazo
1. Conceito: o vício de que trata o CDC é todo à aquisição de material necessário. considerado adequado para a vida útil do bem
aquele que impede ou reduz a realização da b) complementação do peso ou da medida; obviamente adquirido, sob pena de se onerar sobremaneira
função ou do fim a que se destina o produto ou tal opção somente se aplica aos vícios de quantidade. o fornecedor.
o serviço, afetando a utilidade que o consumidor c) a restituição imediata da quantia paga, devidamente
dele espera. atualizada, sem prejuízo de indenização por eventuais 4. São causas capazes de obstar o prazo deca-
dencial:

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3
4.1. reclamação comprovada perante o fornecedor forma de fabricação e/ou fornecimento do produto ou a está obrigado a cumprir com exatidão os termos
até a resposta inequívoca deste. A reclamação pode prestação do serviço, estando ligado à cadeia produtiva, da manifestação por ele feita, com a finalidade
ser feita por carta registrada, AR, por telefone ou como, por exemplo, o mal súbito que atinge o condutor de promover a venda de produtos e serviços,
e-mail. Entretanto, o ônus de provar que reclamou de um veículo de transporte urbano. Pode eximir o passando a oferta a in-tegrar o contrato que vier a
recai sobre o consumidor, embora exista a possi- fornecedor de responsabilidade. ser celebrado (art. 30, CDC).
bilidade da inversão do ônus da prova. 9.1.2. fortuito externo: não guarda qualquer espécie de
4.2. a instauração de inquérito civil. Embora este relação com o agir do fornecedor, não possuindo ligação 4. Recusa no cumprimento da oferta: pode o
seja o texto legal, a doutrina vem sustentando com a cadeia de fornecimento, como, por exemplo, a consumidor escolher entre:
que a decadência deve ser obstada desde a data bala perdida que atravessa o vidro de veículo de trans- a) exigir o cumprimento forçado da obrigação,
da apresentação da reclamação no Ministério porte urbano atingindo um passageiro. Não é capaz de nos termos da oferta, apresentação ou publicidade;
Público, visto que a instauração do inquérito civil eximir o fornecedor de responsabilidade. b) aceitar outro produto ou prestação de serviço
pode demorar muito, fazendo caducar o direito do 9.2. conformidade do produto com normas im- equivalente; c)rescindir o contrato, com direito à
consumidor. perativas: Também chamado de fato do príncipe. Nessa restituição da quantia eventualmente antecipada,
situação o fornecedor cumpre com exatidão as normas mone-tariamente atualizada, e a perdas e danos.
5. Garantia legal: conferida por lei, independe técnicas baixadas pelos órgãos públicos competentes,
de qualquer declaração de vontade por parte do sendo o resultado defeituoso. 5. Oferta ou venda fora do estabelecimento
fornecedor, que não pode reduzi-la, condicioná-la Dica 1: a cláusula de não indenizar não possui qualquer comercial: deve constar o nome do fabricante e o
ou restringi-la. Aplica-se a todos os produtos e ser- tipo de efeito legal (art. 51, I); assim, previsões contra- endereço na embalagem, publicidade e em todos os
viços fornecidos no mercado de consumo, inclusive tuais do tipo “Não nos responsabilizamos por objetos impressos utilizados na transação comercial.
os usados, sendo de 30 dias para os produtos e deixados no interior do veículo” são nulas de pleno Dica: o art. 49 prevê prazo de arrependimento de
serviços não duráveis e 90 dias para os produtos direto e não operam qualquer tipo de efeito, mantendo 7 dias contados da assinatura do contrato ou do
e serviços duráveis. inalterada a responsabilidade do fornecedor. recebimento do produto ou serviço. Entretanto, tal
prazo só se aplica às contratações ocorridas fora
6. Garantia contratual (art. 50): complementar à 10. Solidariedade entre os fornecedores: a respon- do estabelecimento comercial do fornecedor, ou
legal, é voluntariamente conferida pelo fornecedor sabilidade entre todos os fornecedores, mediatos ou seja, em domicílio, pelo telefone, internet, revistas,
mediante termo expresso, podendo, portanto, imediatos, é solidária, existindo a possibilidade do catálogos etc.
conter cláusulas que restrinjam ou condicionem exercício do direito de regresso pelo fornecedor que
o seu exercício. se julgar injustiçado. Publicidade
Link Acadêmico 4
7. Garantia complementar: também chamada de 1.Conceito: é a atividade que tem por objetivo gerar
estendida, pode ser adquirida pelo consumidor ao Desconsideração da Perso- o desejo de consumo e a conseqüente disposição
pagar determinado preço proposto pelo prestador nalidade Jurídica (art. 28 para comprar.
de serviço de garantia. Caracteriza-se como uma do CDC)
espécie de garantia contratual. 2. Controle da publicidade no Brasil: sistema
1. Conceito: pode a personalidade jurídica ser des- misto, que compreende o controle feito pelo Es-
8. Causas excludentes da responsabilidade: considerada com a conseqüente responsabilização tado e pelo Conselho de Auto Regulamentação
embora a responsabilidade se opere independen- dos sócios da empresa (gerente, administrador, sócio Publicitária – CONAR.
temente da existência de culpa, existem causas majoritário, acionista, controlador, dentre outros), nas
que, quando presentes, retiram do fornecedor a seguintes hipóteses: abuso de direito, excesso de 3. Princípios norteadores da publicidade:
obrigação de reparar o prejuízo. São elas: poder, infração à lei, fato ou ato ilícito ou falência, 3.1. Princípio da Boa-fé: devem prevalecer nas
8.1. Não colocou o produto no mercado: estado de insolvência, encerramento ou inatividade mensagens publicitárias o respeito e a lealdade
caracteriza-se quando, por exemplo, o produto da pessoa jurídica provocados por má administração, para com o consumidor.
defeituoso é falsificado. ou ainda sempre que a personalidade jurídica for 3.2. Princípio da Transparência: deve ser dado
Lembrete: a Teoria da Aparência vem ganhando obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados conhecimento dos direitos e obrigações do consu-
força, principalmente na jurisprudência. aos consumidores. midor e do fornecedor, bem como das qualidades
8.2. Inexistência de defeito: se o produto ou e limitações do produto ou serviço que está sendo
serviço não possui nenhuma espécie de defeito 2. Grupos societários: as sociedades integrantes dos ofertado (art. 31, CDC).
(de informação ou de segurança), o fornecedor grupos societários e as sociedades controladas são 3.3.Princípio da Identificação da Publicidade: a
não será responsabilizado. subsidiariamente responsáveis (art. 28, § 2º), já as em- publicidade deve ser facilmente identificável como
8.3. Culpa exclusiva do consumidor ou de presas consorciadas são solidariamente respon-sáveis tal. Aceitam-se determinados tipos de “merchan-
terceiro: somente a culpa exclusiva será capaz de (art. 28, § 3º), enquanto que as sociedades coliga­das dising”, mas condena-se a publicidade subliminar
eximir o fornecedor de responsabilidade. A culpa respondem mediante a aferição da culpa (art. 28, 84º). (art. 36, CDC).
concorrente tem o poder de, no máximo, reduzir o Dica: mesmo após o encerramento das atividades da 3.4. Princípio da Isonomia: as regras da relação
valor do “quantum” indenizatório. empresa, o patrimônio pessoal dos sócios responde de consumo devem ser interpretadas da forma mais
Atenção: o comerciante, o prestador de serviço pelos danos causados aos consumidores. benéfica para o consumidor.
contratado e qualquer outro preposto que aja Link Acadêmico 5
em nome ou em benefício do fornecedor não 4. Ônus da prova da veracidade da informação
é, para fins de excludente de responsabilidade, Oferta publicitária: cabe sempre a quem as patrocina, ou
considerado terceiro, já que o fornecedor também seja, ao fornecedor (art. 38). Assim, se o fornecedor
se responsabiliza pelos atos de seus empregados 1. Conceito: é toda informação ou publicidade, suficien- de xampu, em anúncio publicitário, afirma que a
e prepostos. temente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio utilização do produto deixa os cabelos 90% mais
de comunicação, com relação a produtos e serviços, lisos, terá que comprovar cientificamente essa
9. Outras hipóteses discutidas: existe forte podendo se apresentar como uma informação prestada afirmação.
divergência doutrinária, já que tais excludentes, por telefone, orçamento, rótulo de um produto, anúncio
embora sejam gerais da responsabilidade civil por publicitário, preço em vitrine, panfleto, e-mail etc. 5. Publicidade ilícita
romper o nexo de causalidade, não estão previstas 5.1.Publicidade enganosa: é qualquer modali-
no CDC. 2. Requisitos da oferta: a informação ou apresentação dade de informação ou comunicação de caráter
9.1. caso fortuito e força maior: evento ora deve ser clara, correta, precisa, ostensiva e em língua publicitário inteira ou parcialmente falsa, capaz
imprevisível, ora inevitável, capaz de romper o portuguesa. de induzir em erro o consumidor a respeito da
nexo causal. natureza, características, qualidade, quantidade,
9.1.1. fortuito interno: guarda relação com a 3. Princípio da Vinculação da Oferta: o fornecedor

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4
propriedades, origem, preço, e quaisquer outros benefícios. o que for mais benéfico a ele.
dados sobre produtos e serviços (art. 37, § 1º). 2.9. Colocar no mercado produtos ou serviços em
Publicidade enganosa por omissão: é aquela que desacordo com a legislação: normas específicas 3. Cláusulas abusivas: são todas as cláusulas que
deixa de informar sobre dado essencial do produto expedidas pelos órgãos oficiais competentes, visando à provoquem desequilíbrios na relação de consumo,
ou serviço (art. 37, § 3º). qualidade e à segurança dos produtos e serviços. onerando o consumidor, sendo, em decorrência,
5.2. Publicidade abusiva: “é abusiva, dentre 2.10. Elevar o preço de produtos e serviços sem consideradas nulas de pleno direito sem que pos-
outras, a publicidade discriminatória de qualquer justa causa: visa evitar a caracterização dos abusos, sam operar qualquer tipo de efeito, ou seja, o efeito
natureza, a que incite à violência, explore o medo possibilitando algum controle estatal, embora vigore o da declaração de nulidade é “ex tunc”.
ou a superstição, se aproveite da deficiência de princípio do liberalismo econômico. Lembrete: na aplicação do CDC, que é norma de
julgamento e experiência da criança, desrespeite 2.11. Realizar cobrança vexatória: expor o consumidor ordem pública, pode o julgador, de ofício, declarar
valores ambientais, ou que seja capaz de induzir a ridículo ou a constrangimento ou ameaça (art. 42). nulas as cláusulas contratuais abusivas.
o consumidor a se comportar de forma prejudicial Dica: caso o consumidor seja cobrado indevidamente,
ou perigosa à sua saúde ou segurança” (art. 37, terá direito a repetição do indébito, pelo dobro do 4. Rol exemplificativo de cláusulas abusivas
§ 2º, CDC). recebido em excesso, mais juros e correção monetária (art. 51)
5.3. Publicidade clandestina: é a veiculada de (art. 42, p.ú.). Existe discussão acerca da necessidade a) cláusula de não indenizar; b) impossibilidade
forma subliminar ou subentendida, ou seja, de ou não do pagamento para que se possa requerer a de reembolso de valores pagos; c) transferência
forma que o consumidor não perceba estar diante restituição em dobro. de responsabilidades a terceiros; d) previsão de
de um apelo publicitário. Link Acadêmico 6 obrigações abusivas para o consumidor, ou que o
coloquem em desvantagem exagerada, ou sejam
Banco de Dados e
Práticas Abusivas Cadastro de Consumidores e incompatíveis com a boa fé ou a eqüidade; e) inver-
Fornecedores são do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
1. Conceito: são os atos do fornecimento ou 1. Cadastro de consumidores: deve ser objetivo e f) opção do fornecedor de concluir ou não o con-
aqueles ocorridos em razão deles, realizados claro. O consumidor cadastrado possui acesso imediato trato, embora obriguem o consumidor; g) permita
irregularmente por empresas com abuso de direito aos seus dados, podendo exigir a correção no prazo a variação do preço unilateralmente ao fornecedor;
do fornecedor, violação ao direito do consumidor de 5 dias, sendo, inclusive, possível a propositura de h) autorize o cancelamento unilateral por parte do
ou infração à lei, desde que dentro dos limites “habeas data”. fornecedor, sem assegurar igual direito ao consu-
da relação de consumo, abusam da boa-fé e da Dica 1: as informações devem ser referentes a período midor; i) obrigue o consumidor a ressarcir os custos
hipossuficiência do consumidor. não superior a 5 anos, sendo este o prazo máximo de de cobrança de sua obrigação, sem reservar-lhe
permanência do nome do consumidor no cadastro. igual direito quando o inadimplente for o fornecedor;
2. Práticas abusivas freqüentes (art. 39): o rol Dica 2: antes da negativação, o consumidor possui o j) autorizem a modificação unilateral do contrato
exposto é meramente exemplificativo, possibili- direito de ser comunicado por escrito. A não remessa da pelo fornecedor após sua celebração; k) infrinja
tando, mesmo sem previsão expressa, que seja comunicação para o consumidor, em regra, gera direito ou possibilite a violação de normas ambientais; l)
considerada abusiva, por exemplo, a cobrança de a indenização por danos morais. esteja em desacordo com o sistema de proteção ao
“taxa de limpeza” em casa noturna. consumidor; m) possibilite a renúncia de direito de
2.1. Venda casada: condicionar o fornecimento de 2. Cadastro de fornecedores: os órgãos públicos de indenização por benfeitorias necessárias.
produto ou serviço à aquisição de outro produto defesa do consumidor manterão cadastros atualizados Link Acadêmico 7
ou serviço. de reclamações fundamentadas contra fornecedores,
2.2. Venda condicionada: estipular sem justa cau- especificando se a reclamação foi ou não atendida, Das Sanções Administra-
sa limites quantitativos, para mais ou para menos, devendo divulgá-los pública e anualmente. tivas
para a aquisição de produtos ou serviços.
2.3. Recusar a venda de bens ou a prestação Responsabilidade 1. Conceito: a União, os Estados e o Distrito Fede-
de serviços: sem que haja justa causa patente. Contratual ral, concorrentemente e nas suas respectivas áreas
Assim, o fornecedor pode, por exemplo, negar-se de atuação administrativa, baixarão normas regula-
a conceder crédito a consumidor que tenha nome 1. Generalidades: o CDC relativizou a força vinculante mentadoras, além de, com a ajuda dos Municípios,
inscrito em cadastro restritivo. dos contratos, limitando a liberdade das partes contra- fiscalizar e controlar a produção, industrialização,
2.4. Enviar ou entregar ao consumidor, sem soli- tantes ao possibilitar que o Estado intervenha nas con- distribuição, a publicidade de produtos e serviços
citação prévia, qualquer produto, ou fornecer tratações. A interferência do Estado, que se apresenta e o mercado de consumo, visando à preservação
qualquer serviço: nesse caso, o consumidor fica como uma limitação da vontade das partes, representa da vida, da saúde, da segurança, da informação e
desobrigado do pagamento, compreendendo-se a uma forma de garantir a proteção do consumidor, parte do bem-estar do consumidor.
remessa como amostra grátis (art. 39, p.ú.). mais vulnerável da relação.
2.5. Aproveitar-se da deficiência de julgamento 2. Notificações: os órgãos oficiais poderão expedir
ou condição social do consumidor: idoso, anal- 2. Princípios notificações aos fornecedores para que, sob pena
fabeto, criança ou doente. 2.1. Da igualdade entre as partes: o contrato deve de desobediência, prestem informações, resguar-
2.6. Exigir do consumidor vantagem manifes- sempre manter o equilíbrio entre fornecedor e consu- dado o segredo industrial.
tamente excessiva: colocando-o em situação de midor, sendo nulas as cláusulas desproporcionais (art.
desvantagem acentuada, retirando o equilíbrio da 51, IV, que prevê o direito de revisão). 3. Sanções administrativas: em caso de infração
relação de consumo. 2.2. Vulnerabilidade do consumidor: contratação, à norma, o fornecedor fica sujeito às seguintes
2.7. Realizar serviços sem prévio orçamento e quase sempre, ocorrendo na forma de adesão, ou seja, sanções administrativas, sem prejuízo das de
autorização do consumidor: o fornecedor deve, contrato-padrão, formulário previamente escrito sem a natureza civil, penal e das definidas em normas
antes de prestar o serviço, entregar o orçamento interferência do consumidor, que apenas opta entre específicas:
com preço, condição de pagamento e validade aderir ou não aos seus termos.
mínima de 10 dias (art. 40). Tal previsão se aplica, 2.3. Dever de oportunizar informações sobre o 3.1. Multa: que será graduada de acordo com a
inclusive, ao advogado e demais profissionais conteúdo do contrato (art. 46): o contrato não obriga gravidade da infração, a vantagem auferida e a con-
liberais. o consumidor se não lhe for dado conhecimento prévio dição econômica do fornecedor. Os valores apura-
2.8. Repassar informação depreciativa sobre de seus termos, inclusive em relação ao conteúdo dos são revertidos para o Fundo de Direitos Difusos
consumidor que agiu em exercício regular dos anexos e aditivos, ou mesmo se os respectivos (Lei 7.347/85) ou para outros fundos Estaduais e/ou
de um direito: por exemplo, criar cadastro ne- instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a Municipais de proteção ao consumidor.
gativo com os dados do consumidor que propôs compreensão de seu sentido e alcance. 3.2. Apreensão do produto ou suspensão tem-
demanda judicial contra a empresa, negando-lhe 2.4. Interpretação mais favorável ao consumidor porária de atividade: para análise pericial, caso
(art. 47): as cláusulas contratuais serão interpretadas existam dúvidas sobre a existência de vícios de
de maneira mais favorável ao consumidor, prevalecendo quantidade ou de qualidade por inadequação ou

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insegurança. cominadas na medida de sua culpabilidade, bem como sentenças de liquidação.
3.3. Inutilização do produto: caso comprovada a o diretor, administrador, ou gerente da pessoa jurídica 3.5. Coisa julgada: a sentença, em caso de proce-
existência do vício. que promover, permitir ou por qualquer modo aprovar o dência do pedido, fará coisa julgada “erga omnes”,
3.4. Cassação do registro do produto no órgão fornecimento, oferta, exposição à venda ou manutenção beneficiando todos os consumidores vitimados
competente: quando o fornecedor reincidir na em depósito de produtos ou a oferta e prestação de pelo evento ou seus sucessores, ou “ultra partes”,
prática das infrações de maior gravidade previstas serviços nas condições por ele proibidas. ou seja, limitadamente ao grupo, dependendo do
neste Código e na legislação de consumo. tipo de direito tutelado. No caso de improcedência
3.5. Proibição de fabricação do produto: caso 3. Natureza jurídica dos crimes contra as relações motivada por insuficiência de provas, surtirá efeito
comprovada a alta periculosidade. de consumo: embora exista séria discussão doutrinária, apenas em relação às partes do processo, podendo
3.6. Suspensão de fornecimento de produtos ou filiamo-nos à corrente defendida pelo Prof. Damásio de assim outro interessado propor nova ação.
serviços: quando o fornecedor reincidir na prática Jesus, que sustenta que as condutas delitivas previstas 3.6. Litispendência: a propositura de ações
das infrações de maior gravidade previstas no CDC no CDC são crimes de dano efetivo por suprimir a coletivas não induz litispendência para as ações
e na legislação de consumo. harmonia das relações de consumo, violando o funcio- individuais, mas os efeitos da coisa julgada “erga
3.7. Revogação de concessão ou permissão de namento do sistema social. omnes” ou “ultra partes” não beneficiarão os auto-
uso: aplicada à concessionária de serviço público, res das ações individuais, se não for requerida sua
quando violar obrigação legal ou contratual. 4. Competência: determinada pela pena. Nos crimes suspensão no prazo de 30 dias, a contar da ciência
3.8. Cassação de licença do estabelecimento previstos no CDC (pena máxima de 2 anos), a com- do ajuizamento da ação coletiva.
ou de atividade: quando o fornecedor reincidir na petência é do Juizado Especial Criminal, o que torna Link Acadêmico 8
prática das infrações de maior gravidade previstas possível a transação penal e a suspensão condicional
no CDC e na legislação de consumo. do processo – “sursis” processual (arts. 76 e 89 da Lei
3.9. Interdição, total ou parcial, de estabeleci- 9.099/95). Já em relação aos crimes previstos na Lei
mento, de obra ou de atividade: deve ser aplicada 8.137/90 (pena máxima de 5 anos), a competência é
diante dos casos mais graves. da Justiça comum.
3.10. Intervenção administrativa: sempre que
as circunstâncias de fato desaconselharem a Defesa do Consumidor
cassação de licença, a interdição ou a suspensão em Juízo
da atividade.
3.11. Imposição de contrapropaganda: quando 1. Introdução: a defesa dos interesses e direitos dos
o fornecedor incorrer na prática de publicidade en- consumidores e das vítimas poderá ser exercida em
ganosa ou abusiva, a expensas do infrator, devendo juízo individualmente ou a título coletivo, com a utilização
ser divulgada pelo responsável da mesma forma, de todas as espécies de ações capazes de propiciar sua
freqüência e dimensão e, preferencialmente, no adequada e efetiva tutela.
mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma
capaz de desfazer o malefício da publicidade 2. Tutela individual: individualmente o consumidor pode
enganosa ou abusiva. recorrer ao Judiciário sempre que tiver um direito seu A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos
Importante: pendendo ação judicial na qual se violado ou ameaçado, podendo, inclusive, comparecer estudos das disciplinas dos cursos de graduação, de-
discuta a imposição de penalidade administrativa, ao Juizado Especial sem advogado, quando a causa não vendo ser complementada com o material disponível
não haverá reincidência até o trânsito em julgado for complexa e tiver valor inferior a 20 salários mínimos nos Links e com a leitura de livros didáticos.
da sentença. (Lei 9.099/95). Nas ações propostas na Justiça comum, Direito do Consumidor – 2ª edição - 2009
Dica: as sanções previstas somente serão aplica serão aplicadas as normas processuais.
das por ato escrito, lavratura de auto de infração obs: competente será o foro do domicílio do consu- Coordenadores:
ou reclamação de consumidor, sempre mediante midor. Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor
procedimento administrativo, assegurados ampla Dica: considera-se nula a cláusula contratual que eleja universitário e de cursos preparatórios há mais de
10 anos, Especialista em Direito Educacional; Mestre
defesa e o contraditório. foro diverso do que reside o consumidor. em Educação e Semiótica Jurídica; Membro da
Associação Brasileira para o Progresso da Ciência;
Crimes contra as 3. Tutela coletiva: possível quando se tratar de in- Palestrante; Advogado e Autor de obras jurídicas.
Relações de Consumo teresses ou direitos difusos, coletivos ou individuais
homogêneos. Autor:
Iana Fernandes, Advogada, Especialista em Direito,
1. Introdução: com a evolução dos fatos sociais, 3.1. Legitimidade: possuem legitimidade concorrente Professora de Direito do Consumidor.
algumas condutas tipificadas caem em desuso o Ministério Público, a União, os Estados, os Municípios
e surge a necessidade de tipificação de novas e o Distrito Federal, as entidades e órgãos da Admi- A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Me-
condutas humanas. Dentre os tipos penais mais nistração Pública, direta ou indireta, especificamente mes Tecnologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.
modernos encontramos os crimes contra a ordem destinados à defesa dos interesses e direitos dos Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.br
Todos os direitos reservados. É terminantemente
econômica, financeira, tributária e os crimes contra consumidores, as associações legalmente constituídas proibida a reprodução total ou parcial desta publica-
as relações de consumo, que são os que atentam há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins ção, por qualquer meio ou processo, sem a expressa
contra as relações entre consumidores e fornece- institucionais a defesa dos interesses e direitos dos con- autorização do autor e da editora. A violação dos
dores de produtos ou serviços. Foram definidos por sumidores e a Defensoria Pública (Lei 11.448/2007). direitos autorais caracteriza crime, sem prejuízo das
critério residual, e estão previstos nos arts. 61 a 74 3.2. Competência: ressalvada a competência da Justiça sanções civis cabíveis.
do CDC e no art. 7º da Lei 8.137/90. Federal, é competente a Justiça do lugar onde ocorreu
ou deveria ocorrer o dano, quando de âmbito local, ou
2. Autores dos crimes contra as relações de con- a Capital do Estado ou o Distrito Federal, para os danos
sumo: os crimes ora estudados são popularmente de âmbito nacional ou regional.
conhecidos como crimes de colarinho branco, já Dica: aplicam-se as regras do CPC aos casos de com-
que os delinqüentes são o oposto do estereótipo petência concorrente.
do criminoso comum. Os fornecedores, em regra, 3.3. Liquidação da sentença coletiva: poderá ser
possuem prestígio na sociedade e são vistos como promovida pela vítima e seus sucessores, assim como
pessoas de bem, o que dificulta a persecução pelos legitimados de que trata o art. 82.
criminal e a aceitação da própria sociedade acerca 3.4. Execução: após a liquidação, com a determina-
da tipificação dessas condutas. O art. 75 dispõe ção
que quem, de qualquer forma, concorrer para os do “quantum” indenizatório, a execução será promovida
crimes referidos no CDC, incide nas penas a esses pelo consumidor, ou, coletivamente, pelos legitimados
acima identificados, sempre com base em certidão das
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