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O ARTISTA E O ARTESÃO

A Santa Rosa

Mario de Andrade

(Aula inaugural dos cursos de Filosofia e História da Arte, do Instituto de Artes, Universidade do Distrito Federal em 1938).

dentro da arte. os segredos. ele chegará fatalmente àquela verdade de que. que é necessário por em ação. em arte. mover. o artesão. a tela. Pelo menos naquilo que se aprende. Isso me parece incontestável e.2 . E se um artista é verdadeiramente artista. isto é assunto ensinável. pra que a obra de arte se faça. encontramos sempre. Afirmemos. mas de si mesmo. na realidade.. o que existe de principal é a obra de arte. e não para o regra artista. espantosamente. um elemento. quero dizer. escultor. e de ensinamento por muitas partes dogmático. O som em suas múltiplas maneiras de se manifestar. Existe. o papel. O artesanato. a pedra.. sem discutir por enquanto. e uma obra-de-arte cada vez mais pessoal e inatingível ao povo? . o material. do Romantismo pra cá? Um artista cada vez mais expressivo de si mesmo. desenhista ou músico.Que a arte na realidade não se aprende. os caprichos." E não virá disto a degringolada da arte. É a frase de Beethoven: "não há que não possa ser superada em benefício da expressão. se perscrutamos a existência de qualquer grande pintor. certo. Foram os próprios filósofos escolásticos. o lápis. Mas nos processos de movimentar o material. as exigências do material. a cor. não em benefício da obra-de-arte. a arte se confunde quase inteiramente com o artesanato. a que fugir será sempre prejudicial para a obra de arte1. a espátula. que todo o artista tem de ser ao mesmo tempo artesão. os que mais claro afirmaram 1 Está claro: prejudicial para a obra-de-arte. por detrás do artista. são o material de arte que o ensinamento facilita muito a por em ação. eu digo. está consciente do seu destino e da missão que se deu para cumprir no mundo. O artista prescinde das leis técnicas.

pg. mas não pode fazer obras de arte dignas deste nome. dela disseram ter "uma finalidade. quis apenas afirmar desde logo esta noção da importância primordial da obra de arte. Isto não se ensina e reproduzir é imitação. a mais desprezada infelizmente. está claro que o ser a obra de arte a finalidade mesma da arte. a concretização de uma verdade interior do artista. em lições posteriores. O artesanato é uma parte da técnica da arte. se não pela sua finalidade. os segredos do material que vai mover. quero dizer. Está claro que. a objetivação. Artista que não seja bom artesão. ele não é artista bom. pelo menos "pela sua maneira de operar"3. O artesanato é a parte da técnica que se pode ensinar. Pois a Arte continua essencialmente humana. como indivíduo e como ser social. mas a técnica da arte não se resume no artesanato. Artista que não seja ao mesmo tempo artesão. por assim dizer. Mas há uma parte da técnica de arte que é. 10 idem. individuais e sociais. 11 . E desde que vá se tornando verdadeiramente artista. especialmente para os escolásticos. de Fra Angelico ou de Renoir. não que não possa ser artista: simplesmente. que divergem os três profundamente não apenas na concepção do 2 3 Maritain. "Art et Scolastique". do artefazer. não exclui os caracteres e exigências humanos. não que não possa ser artista (psicologicamente pode). penetrarmos mais intimamente na História da Arte. ao porem a arte no domínio do "Fazer". as exigências. mas da obra de arte a ser feita"2. caprichos e imperativos do ser subjetivo. em tudo o que ele é. é porque concomitantemente está se tornando artesão. regras e valores que não são os do homem propriamente. para mostrar o quanto o artesanato é imprescindível para que exista um artista verdadeiro. pg. não se deverá entender por artesanato o que se entende mais geralmente por técnica. Isto é o que chamamos a técnica de Rembrandt.3 isso quando. Esta parte da técnica obedece a segredos. Mas voltarei um dia a comentar esta importância capital do artesanato. artista que não conheça perfeitamente os processos. Por hoje. mas também para qualquer artista que não se tenha entregue de pés e mãos à estreiteza sem ar da estética experimental. Este problema admirável eu tentarei explicar e esclarecer melhormente à medida que. pelo menos eu não o faço. e nos conceitos estéticos que dela procuraremos tirar. quero apenas acrescentar que não se deverá.

a única verdadeiramente pedagógica. com o uso dele. porém. na falta de palavra específica. Lhe fizeram presente de um. porém. Sobre isto lembrarei agora uma boa e curiosa lição contemporânea. que é o aprendizado do material com que se faz a obra de arte. Porque a transposição do cabelo. perceber a diferença vasta que existe entre a técnica pessoal e artesanato. e Picasso. mas consequentemente na técnica de o fazer4. que é conhecer a distribuição das luzes e das sombras. que é ainda conhecer a evolução histórica da cadência de dominante desde os primeiros tonalistas até os nossos dias: este aspecto da técnica a que chamei de "virtuosidade" é também ensinável e muito útil. ensinar todos os seus alunos a pintar cabeleiras com pincéis de imitar mármore. de a traduzir ou de a criar". Uma: o artesanato. conhecer como os Assírios. como toda virtuosidade. utilizou-se do pincel de imitar mármore pra pintar os cabelos de umas figuras. Já se um professor. fará o maior dos desacertos. Outra manifestação da técnica ‚ a virtuosidade. vendo um dia um pintor de paredes usar um pincel especial que facilitava e tornava mais rápida a maneira de imitar mármores. bem como. Entendo aqui por virtuosidade do artista criador o conhecimento e prática das diversas técnicas históricas da arte . no que Pauchan chama de "maneira pessoal de mostrar a realidade. em pintura como em escultura. É imprescindível. depois de demonstrar muita alegria pela posse. os Gregos. Bem se poderá. terá o aprendiz facilitado o seu trabalho. o conhecimento da técnica tradicional. dos tons frios e tons quentes. Este é o mais útil ensinamento. exprimiu o desejo de possuir um pincel desses. que é. Por quanto acabo de afirmar se poderia pois conceber a técnica de fazer obras de arte composta de três manifestações diferentes. 4 "Concepção do quadro". ou três etapas. é principalmente uma expressão individual.4 quadro. digamos assim. Um pincel feito pra pintar imitação de mármore serve pra pintar imitações de mármore. É o caso do pintor espanhol Picasso que. apresenta grandes perigos. Com ele. de um Duerer. por exemplo. "Mas consequentemente na técnica de o fazer" ‚ o que Pauchan continua: "tendo o artista também uma técnica particular". de um Greco ou de um Cezanne. por esta anedota. . É o artesanato. será mais fácil a um aprendiz aprender a pintar mármore em pintura.enfim. o que é mais prático e mais necessário. ou a maneira diversa de pincelar de um Rafael. é bem já o "estilo". no que Lee chama de "maneira característica de ver as coisas". Miguel Anjo ou Rodin resolveram a reprodução do cabelo na pedra ou no mármore. Não me parece imprescindível. Este aspecto da técnica. e.

de Quevedo.5 Não só porque pode levar o artista a um tradicionalismo técnico. na acepção em que o grande poeta empregou a palavra. estróficas. a virtuosidade técnica. Finalmente. em princípio. como afirmei? São numerosos os "exemplos" históricos aparentemente em contrário. como porque pode tornar o artista uma vítima de suas próprias habilidades. a terceira e última região da técnica é a solução pessoal do artista no fazer a obra de arte. ou mesmo o gótico na escultura. o conhecimento abalizado de como historicamente as épocas e os artistas resolveram os seus problemas de artefazer. tanto mais que. é de grande utilidade para o artista. um indivíduo que nem sequer chega ao princípio estético. É de todas as regiões da técnica a mais sutil. Não poderei insistir longamente sobre ela na conversa de hoje. entregue à sensualidade do aplauso ignaro. isto é. sonoras.. a própria linguagem poética de Gôngora. de Encina eram desnecessárias. a mais trágica.. Esta faz parte do "talento" de cada um. porque ao mesmo tempo imprescindível e inensinável. E o grande poeta: "Hay que poner talento". Se tomamos a arte egípcia pra estudo. um "virtuose" na pior significação da palavra. desejoso de fazer poemas sublimes. nós conseguiremos com certa . em sua sutileza. Por certo os senhores conhecem a anedota espanhola do moço poeta que. Bastava que no meio do verso houvesse talento. há muito que distinguir. As maiúsculas e a pontuação participam do artesanato da poesia. se quiserem. mas que se compraz em meros malabarismos de habilidade pessoais. Será. se dirigiu ao maior poeta do tempo e lhe perguntou como é que este fazia versos. imprescindível. meramente imitativo. além dos perigos terríveis que esconde. embora não seja todo ele. da arte pela arte. e que só mesmo uma verdadeira organização moral de artista pode evitar. ou a grega. em que o tradicionalismo perde suas virtudes sociais pra se tornar simplesmente "passadismo" ou. isto é. sempre respeitável. justamente o que não se ensina. E o grande poeta respondeu: no princípio do verso põe-se a maiúscula e no fim a pontuação. Esta anedota nos convida a compreender a necessidade imprescindível do artesanato e a desnecessidade imediata da virtuosidade. "academismo". por exemplo. Mas. "E no meio?" indagou o moço. não me parece seja imprescindível. A técnica tradicional. Mas as diversas soluções métricas.

Aro Una. assinar suas próprias obras. o Egito imprimiu à sua arte esse caráter de uniformidade que nos assombra. adstritas ao princípio de utilidade. como se se tratasse de mero ofício. Aliás também poderíamos afirmar de muitas manifestações artísticas. Depois de demonstrar que o princípio que regeu os quarenta e tantos séculos da arte egípcia não fôra de forma alguma a obtenção da beleza. Maspero considera: "De modo geral. mas a pesquisa do perdurável que assegurasse aos deuses e aos homens uma vida feliz e eterna. nessa recusa sistemática em modificar os assuntos e os tipos tradicionais. por exemplo. os artistas egípcios.. Ora. mas só raramente. Maspero.) E assim é que. logo esta solução se tradicionaliza. as regras que o ensinamento de seus mestres declarava necessárias ao bem das almas humanas ou divinas. Lembrarei outro argumento muito forte contra a minha afirmativa de que a técnica individual é imprescindível: o exemplo da arquitetura. a sala de assistência e o palco. numa página muito acertada. (. dividindo o edifício em três corpos funcionais distintos.)".) E assim. ou se entra para o conjunto das artes aplicadas. Col. o foyer. Se vemos. (. que elas prescindem da técnica individual. a não ser no detalhe. ninguém se enganará afirmando que o princípio de utilidade proibia. preocupou-se em caracterizar e explicar o aspecto de impersonalidade da arte egípcia. pg. 304 e seguintes. em sua grande maioria. estranhos a este desejo de imortalidade pela glória. o arquiteto Garnier ter um gesto genial de técnica individual resolvendo o problema do teatro. O temperamento pessoal do indivíduo não se revela senão por detalhes de fatura quase imperceptíveis. se contentaram de observar em consciência. conseguimos perceber soluções técnicas pessoais5. enquanto boa arquitetura. e quem quer estude por alto a arte egípcia nada mais percebe que essa noção de impersonalidade coletiva (. a quantos exerciam uma arte.. especialmente das adstritas ao princípio de utilidade religiosa. e consequentemente os condenava ao esquecimento. que um dos problemas bem discutidos e mais nebulosos da estética‚ resolver se a arquitetura é realmente uma das belas-artes.. a arquitetura.6 facilidade distinguir fases técnicas diversas. cuja ação é tão poderosa em nossos dias. de tal forma ela é condicionada às exigências da engenharia e à prática da vida. é numerosamente 5 "Egypte"... . como entre Scopas e Praxiteles. é uma arte que se esquiva muitíssimo à técnica pessoal.. A arquitetura é de tal forma regida pelo princípio de utilidade.

por mais que o respeite. em arquitetura. Não nego a seriedade. Por esta confissão se prova pois que a impersonalidade geral não deixa nunca de ceder aos pormenores pessoais de fatura. a honestidade deste artista. todos podendo se utilizar dela sem acusação de plágio. Aduzirei contra eles apenas dois argumentos. em Barcelona. da mão que treme ao fazer. é bem mais que um pesadelo sentimental e pouco menos que um horror artístico. um Donatello de um Bernini. por isso. e o próprio Maspero. se é muito mais difícil ou mesmo impossível a um leigo distinguir uma moradia arquitetada por Le Corbusier. criador nosso contemporâneo da escola de Barcelona. ao passo que nos é facílimo. muito própria de exposição universal. se viu obrigado a acrescentar que "o temperamento pessoal do indivíduo não se revela senão por detalhes de fatura quase imperceptíveis. sou obrigado a ver na sua obra de arquitetura menos arquitetura que o desapoderado espírito separatista da Catalunha. mesmo a um estudioso longe da fonte. o da arte egípcia condicionada ao princípio de utilidade religiosa e o da arquitetura condicionada ao princípio de utilidade funcional. muito menos defensável ainda (pois não se trata de uma experiência comprovatória de uma técnica). do arquiteto catalão Antônio Gaudi. Na verdade se poderia afirmar. reconhecendo a impersonalidade da arte egípcia. mas. embora um pouco tiranicamente. ou Mozart de Haydn. também de ordem geral. nem por isso aquela distinção deixa de existir. sem que. a criação de uma técnica pessoal bem acusada só serve pra criar obras extravagantes. uma extravagância arrojada.7 usada. mesmo de longe. que. É também o caso. . pois que não é o momento agora pra análises mais particularizadas. de outra inventada por Flávio de Carvalho. distinguir um Rembrandt de um Velasquez. em Paris. observar as soluções de técnica pessoal entre duas estátuas da catedral de Burgos ou duas outras de tal dinastia egípcia. Qualquer destes dois exemplos. Em primeiro lugar. como seremos todos nós. É o caso da torre Eiffel. Os teatros municipais do Rio e de São Paulo repetem a solução da Opera de Paris. que os senhores todos conhecem por certo. Pereira Passos e Ramos de Azevedo possam ser acusados de plagiários. é bom argumento de ordem geral pra contradizer a necessidade de uma técnica pessoal. se é dificílimo. A um olho perito as diferenciações não escaparão. da criatura que sente ao criar. e de beleza se transforma em verdade. A sua igreja da Sagrada Família.

em muitas manifestações artísticas anteriores a Cristo. eram utensílios quer de religião. já na era cristã. se tornando mais conscientes ao artista. é que a beleza principiou se impondo como finalidade. se em épocas passadas. ela se tornou o objeto principal de pesquisa para o artista. e. vários elementos foram se desenvolvendo aos poucos no fenômeno da criação artística. em geral muito distantes de nós. às liturgias inamovíveis tanto de ordem religiosa como de ordem profana. da verdadeiramente brutal .8 Além deste argumento de ordem psicológica. luz que a faça viver. outro. para aqueles homens. nas artes plásticas. como é este da rápida. E a beleza era naquelas pinturas das cavernas uma resultante da necessidade de tornar a pintura um utensílio místico capaz de servir. E ocasionada por estes princípios primordiais. Apenas. por assim dizer. por uma conversão natural de conceito. o princípio de utilidade condicionava de tal forma a criação artística que a beleza era muito mais uma conseqüência que uma das finalidades da obra de arte. e cada vez mais. materialista por excelência. Desde então. A noção de beleza está claro que sempre existiu. a beleza. antes de mais nada. Este é o caso do individualismo como elemento intrínseco do artista. onde não penetra a luz do dia. pesquisada por si mesma. sendo ela uma das três grandes idéias normativas do ser humano. sempre reconhecida. Ora. quer de magia. mas desigualmente aplicada. De outra forma não se compreenderiam as admiráveis pinturas dos homens madalenianos das cavernas de Altamira. os diversos princípios de utilidade dominavam a criação artística e esta sujeitava-se aos ritos. foram. Certamente essas pinturas admiráveis não se destinavam à contemplação humana. Peço desculpa de apresentar assim abruptamente um problema de tamanha delicadeza crítica. imediata. pra não dizer por exclusividade. se afirma violentamente. ou isentas da concepção da primordialidade do indivíduo que o Cristianismo nos trouxe. tinham uma utilidade prática. os caçadores da rena esconderam obras de arte perfeitas como realismo e espirito de síntese. a beleza nas artes plásticas requer. mais pretendida entre os polinesianos que entre os negros do Benin. Em recantos escuríssimos. A beleza era apenas um meio de encantação aplicado a uma obra que se destinava a fins utilitários muito distantes dela. de ordem histórica. na Espanha. se tornou essencialmente objetiva e experimental. só mesmo com o Renascimento. mais conscientemente procurada entre gregos e romanos que entre egípcios e assírios. É que.

se a escultura grega abandona de uma vez o problema da eternidade e se torna muito mais naturalista.9 materialização da beleza. unionista. Ao invés de tipos. resistiria a escultura que lhe conservasse as propriedades mais intrínsecas. Buscando os egípcios figurar na pedra indivíduos ou deuses que iriam. durante o Renascimento. como eles diziam. aquela dureza. jamais a estatuária grega da grande época se tornou realista. E assim a escultura egípcia tomou aquele maravilhoso caráter hierático. Nelas reside. no corpo humano. à corrupção do tempo. Porque sendo a pedra resistente ao tempo. Por hoje. . de ordem utilitária e de função social unitarista. desculpem o exagero. de uma serenidade. essa fusão perfilar de testa e nariz a uma linha praticamente reta que se tornou um ideal de beleza. por meio de uma de suas almas. O indivíduo era pouco ou nada concebido lá. e não apenas baseados nele como os egípcios. simplificaram ao mais possível a escultura. pra que ela resistisse o mais possível. já estamos num outro mundo. ou mesmo eternamente. apenas uma pequena consideração. o indivíduo. a noção de eternidade. por todos repetido. transportando a realidade a uma idealidade superior. Daí ter a escultura em pedra dos egípcios obedecido o mais possível às exigências da pedra. Deverá ser este um objeto de pesquisas cuidadosas em nossas aulas. Contemplemos o chamado "nariz grego" ou o hieratismo da escultura egípcia. realmente. causada no Renascimento pela revalorização. criaram protótipos. aquela rijeza inamovível. porque os gregos já estavam muito mais orientados pelas sensualidades da vida terrestre. Imitadores do corpo humano. de um dos seus "Ka". Há realmente um quê de humano sobre-humano nessas figuras sublimes. porque profundamente social. os gregos da grande época jamais conseguiram descobrir. por conseqüência. Mas esta vida terrestre pra eles é ainda uma vida de rito. pela colocação nova da beleza dentro do problema da criação artística. nem mesmo os budas asiáticos. materialista e quase exclusivamente técnica. como nenhumas de outras épocas. vai nos dar uma prova em bruto de que a primazia assumida pela beleza na criação artística. Daí o nariz grego. Assim. unanimista. tornou-a imediatamente experimental e. novamente sobre os gregos e egípcios. porque a determinava um conceito social da vida. porque essas estátuas apresentam. nelas reside realmente uma alma. mais atento às forças da vida terrestre. ou melhor. Com os gregos. habitar aquela pedra figurada. de uma eternidade incomparáveis.

Ora. que tanto experimenta objetivamente. Realmente. de exigências espirituais do indivíduo e sua finalidade. Apenas o que podemos verificar historicamente. com Velasquez. com Rembrandt. não eram apenas um ideal de beleza. dos volumes. ao passo que o segundo sente que o homem só é verdadeiramente homem sob a condição de se ultrapassar a si mesmo e se erguer até junto da divindade. se cada vez mais o "ideal de beleza" plástica é procurado. "Les Matinées du Hètre Rouge". senão que se alimenta também das necessidades outras. não sofre o que propriamente se chamaria de evolução. dos mais perfeitos da arte tendo como finalidade a obra de arte. etc. o primeiro goza plenamente do seu ser humano. o ibero foge constantemente das dele. não tira o seu alimento apenas das linhas. Estamos por certo aqui em dois momentos dos mais sublimes. É um ideal necessário à coletividade. tenho bastante medo 6 In F. dos gregos. criticamente falando. se torna objeto de uma pesquisa de caráter objetivo. com Ticiano. Nem se pode mais decidir com clareza se. dos egípcios. com o Poussin. o individualismo é uma conseqüência da materialização da beleza. pelo contrário o individualismo veio se acentuando sempre cada vez mais. movimento. com o cubismo e os abstracionistas. especialmente já no alto Renascimento. a beleza se materializa. Se o grego sujeitava o belo às suas regras. como subjetivamente com o expressionismo e os super-realistas. é mais consciente nuns e menos noutros artistas. no Renascimento. Sem dúvida esta compreensão crítica exposta aqui parece que se opõe fortemente àquele convidativo pensamento6 de Eugênio d'Ors que dá como origem da arte contemporânea o conflito entre a sabedoria grega e a inquietação ibérica. pg. o ibero.10 Mas o sentimento de eternidade. é que se a beleza meramente objetiva é um conceito que não se submete a uma progressão gradual. condicionada aos destinos totais de ser humano que a faz. dos mais complexos e completos. raramente encontraremos essa noção de "beleza ideal". com Rubens. Quero dizer: a sensação de beleza que essa estatuária nos dá. de tal forma ambos se deduzem um do outro. nas artes plásticas pelo menos. dos claros-escuros. Lèfevre. ao mesmo tempo que o individualismo se acentua. 32 . dos tempos do Renascimento até nossos dias.. ou se esta é uma conseqüência daquele. eram também uma beleza ideal. como o nariz reto. o grego é repouso. até culminar no desbragado experimentalismo contemporâneo. A beleza se desidealiza.

Se a sétima de . a maior. como atitude. vêm os modernistas. é sobre todos trágico o aspecto da arte contemporânea. os cubistas. em que o homem. como de verdadeira fatalidade. É verdadeiramente dramático. por milhares de vezes teremos visto nos livros. há uma como que materialização geral da pesquisa artística. Mas da outra banda nos chegam os reacionários. essa técnica pessoal. mais vaidosamente. com efeito. e cada um deles traz sua receita. é antes de mais nada uma conseqüência do espírito do tempo. pois ninguém procura solucionar os problemas que não imagina ter. tradicionalistas ou antimodernos. Pra não dizer. ou da tradição. Ou ainda. E. em nome apenas do senso-comum! Na verdade não são todos estes. reacionários. e na maior inquietação perquiridora do mundo latino: o pensamento de Eugênio d'Ors em nada se opõe ao que afirmei.mero jogo de atributos parcialmente identificáveis. Não se trata mais apenas daqueles "detalhes de fatura quase imperceptíveis" que Maspero denunciava dentro da vasta impersonalidade da arte egípcia. se acresceu contemporaneamente de mais essa outra igualmente imperiosa fatalidade. senão representantes fatais do mesmo espírito do tempo. falando em nome do passado. ou apenas do bom-senso. do Renascimento aos nossos dias. busca participar da natureza desta mesma divindade. menos que erguer-se até à divindade. todos eles de bandeiras novas na mão. que pelo seu brilho são muito facilmente confundidas com a verdade. E se sempre existiram e são psicologicamente fatais as minúsculas diferenciações da fatura.. Mas. sob este ponto-de-vista. vêm os futuristas. sua verdade pessoal7 7 É exatamente a “verdade interior” de que falei atrás. nos jornais e nos discursos. naquilo que o pensamento do espanhol tem de acertado. com essa pesquisa experimental da beleza e com esse individualismo. ingenuamente virtuosísticos. uma necessidade imperiosa e imprescindível do vastíssimo personalismo da arte contemporânea. a esplêndida sabedoria grega que soube sujeitar o ideal da beleza às regras duma beleza ideal. que se impuseram na arte desde o Renascimento. Vêm os modernos. Apenas vejo que. sua solução. Esses ao menos têm a lealdade de se dizerem representantes do espírito do tempo. essa procura técnica de resolver o seu problema pessoal diante da obra de arte. essa frágil e fácil confusão do artista criador com o Deus criador .. a técnica pessoal tomou importância não só de grande primazia. Ora.11 destas antíteses bem achadas. mero jogo de palavras. que é o espírito do tempo. vêm mesmo os que se intitulam de "anti-modernos". os que se revoltam contra os modernos em nome de não sei que "leis eternas da beleza".

. Iniciando as minhas aulas. Deixem passar este "mais ou menos". psicologicamente. E não derivará disso. que condicionam o espírito. por mais que ela possa ser concebida como expressão de um indivíduo e da sua atitude em face da vida e da obra de arte. a pedra. mas a incontestável desorientação. A "técnica". mais ou menos filosófica. que se explicará logo. da ausência de uma atitude. o camartelo. através da História da Arte. de uma Estética dominante foi um problema para Monteverdi. cada qual terá que procurar e achar a sua. a voz. a desorientação de grande parte das artes contemporâneas não deriva da variabilidade maravilhosa da técnica pessoal. a meu ver. O espírito do tempo a exigirá de quantos se queiram artistas criadores legítimos. para reconhecer a necessidade imprescindível de uma técnica pessoal. porém. o "caoticismo" da arte atual?... em muitos artistas. será muito mais o convite à aquisição de uma séria consciência artística que a imposição de um sistema estético. a matéria o limita na criatura. consiga dar aos meus companheiros de curso. o pincel. o lápis.. não pode de forma alguma levar ao caos e à desorientação. não o poderá mais ser pra Francisco Mignone. o óleo. não digo a grandeza de manifestações diversas da arte contemporânea. sim. o incontestável caos. é um fenômeno de relação entre o artista e a matéria que ele move. E é para a obtenção desta atitude "mais ou menos" filosófica em face da arte. pra poder se expressar com legitimidade.. por seu lado. que se escravize às mais desabridadas liberdades. têm suas leis. etc.. porventura flexíveis mas certas. desde logo. quero prevenir. a tela. muito mais uma limitação de conceitos estéticos que uma fixação deles. isto é. que serei muito mais um comentador que um teórico. a matéria. que intervêm o espírito desta universidade e as conversas deste curso. deriva. E se o espírito não tem limites na criação. etc.12 Não temos que aprofundar nem levar mais longe o problema. A técnica. Um curso que. O caoticismo. pelo seu aspecto de experimentalismo crítico sobre a História da Arte. o som. E se. Vou apenas ensaiar um sistema de conversas que. tem suas exigências naturais. Não pode. no sentido em que a estou concebendo e me parece universal. simplesmente porque ela é um fruto de relação entre um espírito e o material. a palavra. Mas esta técnica pessoal é inensinável.. Estou convencido que não. podemos conceber um espírito tão vaidoso de suas vontadinhas que se sujeite. o gesto.

a aquisição de uma verdadeira atitude artística. op. a variabilidade. em boa metáfora. Sem dúvida. a inconstância e a independência da própria infância. Porque estamos aqui entre pessoas que se destinam a artistas. ao passo que para o artista é uma criança de que ele se utiliza. a atividade artística deve contribuir pra que nos libertemos delas. para o artista. feita para embridar artistas. é imprescindível a meu ver. Ela é que. deverá evitar os males do ecletismo. esposa e fecunda a metafísica verdadeira. A História da Arte está aí para demonstrar a verdade desta afirmativa.. pelo menos é perigosíssima. 14. que para o esteta a beleza é uma criada que o serve. melhor seria destrui-la. Mas por que a gente preferir apenas a aquisição de uma consciência artística. Jamais um artista legítimo se prendeu ao dogmatismo de uma estética perfeitamente orgânica. ao invés de uma Filosofia da Arte. e todas as doutrinas estéticas até agora jamais puderam explicar ou mesmo 8 In F. ao invés de se escravizar à ideologia". uma orientação assim poderá ser porta aberta ao ecletismo.13 perfeitamente orgânica e lógica e. à salvaguarda do pensamento concreto. a meu ver. por isso mesmo. Esta cabe aos filósofos. e não cabe ao artista. 24 "Das Gesetz der Schonheit" pg. que lhe iria limitar a um dogmatismo científico a liberdade incontestavelmente mais trágica da arte. em todo o mau sentido que possa ter esta palavra: o ecletismo. 9 . Só esta severa atitude. adquirir uma severa consciência artística que o. a fixação de um sistema filosófico da arte.. concorrendo a uma "ciência do singular" e ao progresso. Mas a limitação dos conceitos estéticos. Lèfevre. pág. cit.. que é acomodatício e máscara de todas as covardias. Ao artista cabe apenas. é que deve na realidade orientar e coordenar a criação. orgânica e possivelmente lógica?.. Shulze Soelde9 lembra. moralize. Maurice Blondel8 diz muito bem que "se a estética fosse considerada como uma espécie de metafísica nocional ou de superintendência. Se esta não será a verdade inteira. a imagem serve bem pra caracterizar o lado de obediência do artista diante de elementos que têm pra com ele a complexidade. asfixiante e enceguecedora. se posso me exprimir assim. antes de mais nada humana.. pois é justamente a atividade artística que nos abre um dos caminhos mais penetrantes de introdução ao ser. Muito antes que ser subjugada por abstrações.

da Matéria e da Forma?. não modesto. . E por que. como disse. como caso contrário. seria. Aquelas duas cabeças tinham um "espírito".. Concordei perfeitamente com a observação do escultor. São cabeças talhadas em madeira por índios civilizados de Pernambuco. me pus pensamenteando: O que queria dizer exatamente essa palavra "espírito". intuicionar o que são arte e beleza. bastante comum em crítica de arte e na terminologia dos artistas? Simples calão de ateliê? Mesmo assim. Depois. afirmar que jamais pude me prender a conceitos perfeitamente nítidos do Belo. têm um espírito". direi mais. vai um mundo.. do Sentimento ou da Expressão. saltaram sempre fora das limitações preestabelecidas. um dos poucos exemplos históricos de um sistema estético dogmaticamente expresso em arte. são ex-votos surripiados de igrejas antigas. Lembrarei mais uma vez aqui o exemplo clássico do Humanismo. querendo repetir em toda a sua estética a tragédia grega. num primeiro e talvez fátuo anseio de saber. E no entanto. se negasse sentir. Devo confessar preliminarmente que eu não sei o que é o Belo e nem sei o que é a Arte.. incapaz de conceituá-los com firmeza. Uma feita um escultor. do Espectador.14 aceitar todas as obras-primas da humanidade... em suas obras. da Arte. O artista que vive dentro de suas leis será sempre um satisfeito. E um medíocre. separou um busto em madeira. Ousarei. são cerâmicas colhidas em cemitérios de escravos. mas perfeitamente injusto com o meu espírito e traidor dos que me trouxeram a esta cadeira. são bronzes de escultores eruditos ou modelagens infantis. Foram sempre além. E me disse: "Estas duas cabeças são esplêndidas. É porque realmente. em arte. pretenderei dar aos meus discípulos muito mais uma limitação de conceitos que uma fixação deles? Aqui a resposta é bem mais grave e difícil. Jamais os artistas verdadeiros ficaram. Eu não sei o que é a Arte. Eu tenho em minha casa uma coleção bem regular de cabeças esculpidas. Mas entre esta expressão legítima da mediocridade e os italianos anteriores a Rafael. Eu não sei o que é o Belo. jamais um conceito deixou de se quebrar diante de novas experiências. da Técnica. do Artista. só comigo. a frieza aplicada do Pré-rafaelismo inglês. primeiramente. qual o conceito perfeitamente nítido dessa palavra? Significaria "vida interior"? Certamente não significaria somente isso. em visita. a regra dever ser apenas uma norma e jamais uma lei. Através de todos os filósofos que percorri. e criando a ópera italiana? Lembrarei mais apenas. vindo da Meirim pernambucana. e uma cabeça de barro cozido encontrada num cemitério de Campinas. nos limites doutrinários que se prefixaram. Essa é a verdade porém. da Criação..

mas imprescindível. derivam só da necessidade de se defender. ao invés de uma atitude estética10. creio não se poder nunca ser artista verdadeiro. o que falta à grande maioria dos artistas contemporâneos: essa contemplação. Principalmente em nosso tempo. entre o artista e a sociedade. aquele retorno a mero artesão que teve no Egito e mesmo na Idade Média. diante da vida. Mesmo nos países de organização social ditatorial. abandonando a chatice realística. as restrições até agora impostas à liberdade do artista são restrições meramente sociais. E é justamente isto que uma limitação de conceitos estéticos deve e pode dar ao artista: uma atitude estética diante da arte.15 nem inteiramente isso. ele assume uma atitude social. A fixação dos conceitos nos levaria fatalmente a uma organização sistemática do nosso pensamento artístico. em que campeia o individualismo mais desenfreado. e não aos artistas que devemos ser. Quero dizer: não derivam de forma alguma das necessidades da obra de arte e do múltiplo e obscuro destino da arte. senão a filosofantes. nos levaria a filósofos. Não derivam de um justo equilíbrio entre a arte e o social. mas por ser do fundamentalmente beleza elemento normativo diferenciador fenômeno artístico. Significaria uma nobreza rítmica de linhas que. mais ou menos pragmaticamente disfarçado sob a máscara da arte. Sem isso. E é isso justamente. não é apenas necessária aos artistas. É preferível ficar na entressombra fecunda. Deixa de ser um artista livre e não retorna a anônimo artesão. dentro dessas sociedades ditatoriais. pelo menos por enquanto. e o artista se tornou um joguete de suas próprias liberdades. Transformou-se essencialmente num orador de comício. De forma que o artista. como a Rússia ou a Alemanha. como o prova até a própria obra trágica e maravilhosa desse genial Chostacovitz. como que espiritualizava as formas. Derivam só do social. nem isso inteiramente. . não adquiriu aquela humildade. meramente ditatoriais. que é só onde podem nascer as assombrações. O equilíbrio ainda não se conseguiu. que têm as instituições novas. essa serenidade oposta ao 10 Falo "estética". deixando-as flutuantes entre a verdade e o nosso pressuposto de perfeição? Também não era somente isso. a não enquanto o "ciência do belo". nos levaria a uma Estética. Enfim. essa atitude estética. Já uma limitação de conceitos. Pra não dizer.

em verdade. um Mozart. uma obediência ao artesanato. sob o ponto-de-vista que tratamos: a falta de uma verdadeira atitude estética na maioria dos artistas vivos. eles puseram de lado essa importantíssima parte do artesanato que deve haver na arte. um Goethe. que determinou a obra. aquela vontade estética. pela multiplicidade e uniformidade das suas manifestações. na aparência tão individualistamente afirmativa. que já não me parecem existir na maioria dos contemporâneos. O Salão de Maio é admissível apenas a artistas "modernos" . embora sinceríssimos. mesmo os que menos se confessaram. a gente percebe que quase todos eles. de um Rembrandt ou mesmo de um Canova. Em vez de uma atitude artística. E é justamente por isso que também. às associações de imagens. apaixonante mesmo. interessantíssimo. os ditos dos artistas verdadeiros. numa enorme maioria. De forma que pra eles a obra de arte quase desaparece ante essa desmedida inflação e imposição do eu. descobrimos em todos eles uma segura vontade estética. como um Miguel Anjo. quer da expressividade do material. Quando deixei São Paulo se abrira lá o Salão de Maio. sobre o material. ou esses sobrerrealistas pretensamente obedientes ao subconsciente. Descobrimos em todos eles. uma humildade e segurança na pesquisa. são muito menos pesquisadores que orgulhosos afirmadores de si mesmos. mesmo nos que nos parecem mais fatalizados pelas deformações do tempo ou das liberdades pessoais. ou esses abstracionistas pretendidamente obedientes aos efeitos estéticos das construções. o que também pode ser uma atitude estética. um respeito à obra de arte em si. Não pesquisam sequer sobre si mesmos. Mas. Não pesquisam. Não são . vemos sempre que todos eles tiveram conscientemente uma atitude estética diante da arte que faziam. os escritos. ele é um exemplo excelente da arte contemporânea. quer da expressão do nosso ser interior. de um Greco. o que domina a maioria dos artistas do Salão de Maio é uma vaidade de ser artista. como a caracterizava Schiller. A primeira vista se tem a impressão de uma pesquisa humilde e apaixonada. Em vez de uma vontade estética. aquela atitude estética. que tem de haver nela pra que ela se torne legitimamente arte. de forma alguma. ao sonho.16 enceguecimento de paixões e interesses. percorremos as confissões. pelo menos. à medida que se examina mais profundamente esses técnicos pretendidamente obedientes aos mandos do material. é uma atitude sentimental. Se desde a Grécia. O que lhes determina a ação não é.e a meu ver.

Hoje. dos mais vaidosos. Um grande. severa apesar de insubmissa. . um verdadeiramente trágico engano. mas apenas o veículo de uma mais ou menos gratuita afirmação. São escravos da determinação contemporânea de que é preciso pesquisar. de imporem uma ou outra suposta verdade. a inflação do psicologismo. Porque na arte verdadeira o humano é a fatalidade. direi mais. Na história das artes. livre mas legítima. um perfeito comportamento artístico diante da vida. por certo.17 pesquisadores. afirmarem essa verdade numa obra de arte. uma atitude estética disciplinada. E não poderá haver maior engano. estamos num período que muito parece ter pesquisado e que. desnortearam o verdadeiro objeto da arte. Há. no entanto. um doloroso. a inflação da estética experimental. o objeto da arte não é mais a obra de arte. Há uma incongruência bem sutil em nosso tempo. E o resultado é esse engano de descobrirem. Faz-se necessário urgentemente que a arte retorne às suas fontes legítimas. é dos mais afirmativos. Faz-se imprescindível que adquiramos uma perfeita consciência. disciplina de todo o ser. apaixonadamente insubversível. mas o artista. E imporem. em todos os artistas contemporâneos. uma desapoderada vontade de acertar. que não é mais o objeto de uma pesquisa. descobrirem não. uma desesperada. Só então o indivíduo retornará ao humano. para que alcancemos realmente a arte. dos menos humildes diante da obra de arte. Mas a inflação do individualismo.