Kalango

ano IV • JUNHO2013

VOCe PODE
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Clique no quadro para assistir ou no link abaixo: http://www.youtube.com/watch?v=_Lk43-FxVJY

Intervencão Rural
Por Vitor Carvalho
José Ferraz de Almeida Júnior provavelmente foi o primeiro artista plástico brasileiro a retratar nas telas o homem do povo em seu cotidiano, em contraste com a monumentalidade que até então predominava nas artes plásticas do Brasil. A forma inovadora como tratava a luz é ainda hoje comentada e apreciada. Em sua honra, o dia do Artista Plástico Brasileiro é comemorado a 8 de Maio, dia do nascimento do pintor. Uncle Dunha não poderia deixar passar e fez uma homenagem ao trabalho do artista, assista “I.R. (Intervenção Rural) com Almeida Jr.

Rubens Paschoal

Caro leitor,

ês do juninas. Mês de férias, m Junho é o mês das festas o surgiu, há três anos. Com go lan Ka a e qu em ês m frio, dade, , queremos falar de liber inverno se aproximando ar, s. Você pode sair, passe de ida bil ssi po de or, elh ou m o que rvar, navegar, se iludir e caminhar, esperar, obse no? er de bacana nesse inver faz de po cê vo e qu O . mais vier à mente m você, que des e compartilhamos co ida bil ssi po s ria vá em Pensamos os pés . Jean Takada colocou m ge via ssa ne a nh pa sempre nos acom encontrar olhar diferenciado pode um e qu de s tra os m u na rua e de s do Delta9 aponta as mazela e. nt sa es er int isa co a (e registrar) muit conta o que iana e Rubens Paschoal tid co ” de da ali -re er hip “portal da tista Kern nos apresenta o ar lan Al o. fri de s ite no s você pode fazer na afone podem o um cartaz e um meg m co tra os m e qu r, lea Maicknuc Rio mo São Paulo. Marcelo co e ad cid a um de o ian chacoalhar o cotid de vir por kut e pergunta: o que po Or do s po m te s lho ve lembra os do e de ser campeão do mun po cê vo e qu a ov pr a aí? Marcelino Lim o pode fazer a o que pode e o que nã m or inf s ae or M de io rg Mário Sé do que nos iludimos quan rta ale ue cq vja De n Da . com os números que vos fala no universo e o Kalango s ho zin so os tam es e qu achamos dia a iludir com as imagens do se te en alm re de po cê mostra como vo com as dicas pode conhecer Curitiba, m bé tam cê vo no er inv dia. Nesse lebrar ens de Ana Procopiak, ce ag im s na e ad cid a r ira do Luis Pires, ad-m aluco Beleza, uma bela imagem do M o nd rti cu s ixa Se ul Ra o niver de outra Eusébio, conhecer uma ne Ali a m co ça gra de e ir ao teatro quas nos olhos de ver poesia onde havia – e jo au Ar am illi W m co realidade uma boa leitura! ótima viagem pra você e Mercedes Lorenzo. Uma Osni Dias

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kalango#14
Junho de 2013

Kalango. Edição 14 . Junho de 2013. Ed colaborativa. A pu itor: Osni Dias MTb blicação não tem vín 21.511. A Kalango culos políticos, econ online ou fazer do trabalha de forma ômicos nem religios wnload e, posterio os. Você pode ler rmente, ler em se Seja um patrocinad a Kalango u computador. Co or e ajude uma mídi labore, compartilhe a independente. Es . Quer anunciar? creva para revista kalango@gmail.co m

Só um Deus pode rá nos salvar - Leo nardo Boff Pequenas cenas Paulo Netho Tudo ou nada: o q ue realmente pod emos fazer? Oriva ldo Biagi Coloque os pés (e olhos) na rua - Jea n Takada Aliendígenas?! - D elta9 Frio - Rubens Pasc hoal Artistas e Arteiros - Allan Kern Facebook é o fast-f ood do pensamen to - Marcelo Rio Três amigos - Marc elino Lima 69 - Mário Sérgio de Moraes Você pode se ilud ir? Dan Devjacque Você pode se ilud ir - Kalango Curtir o frio em Cu ritiba: você pode! - Luis Pires Em busca da Curiti ba perdida - Ana P rocopiak Raul Seixas - Lady Vallentine Você pode curtir te atro quase de gra ça - Aline Eusébio Uma outra Realid ade - William Araú jo Mylton Severiano conta curiosidade sFernanda Doming ues e Cristiane Ferr eira Ava Marandu - Va nia Jucá Poesia onde não h a via - Mercedes Lo renzo Revista

Se podemos lançá-la sobre Hiroshima e Nagasaki quem o impedirá? Se posso manipular o código genético. portadora de um propósito. em Munique. Ela demanda uma reflexão filosófica que desemboca numa questão teológica. as plantas. Elas se fundiram no século XVII a partir de Descartes e fundaram a moderna tecno-ciência moderna. Separamo-nos do mundo natural para entrar profundamente no mundo artificial. E fazemos as experiências que acharmos ´ ´ . as montanhas e com os próprios seres humanos. Não é o milagre de que as coisas são. como funcionam e como nos podem ser úteis. mais empírica que está na base da ciência. como pessoa. mas a sua força de trabalho. Se podemos desintegrar o átomo não há porque não faze-lo e construir uma bomba atômica.So um Deus podera nos salvar Por Leonardo Boff* A crise de nossa civilização técnicocientífica exige mais que explicações históricas e sociológicas. seja física seja intellectual que pode ser explorada. confrontadas com o nada. não há limite moral ou ético que o possa coibir. Tudo se transforma em instrumento para alguma finalidade. Numa famosa conferência em 1955. ele tornou claro o risco que o mundo natural e a humanidade correm quando se deixam absorver totalmente pela lógica intrínseca deste modo de pensar e de agir: intervem e manipula o mundo natural até às suas últimas camadas para tirar benefícios individuais ou sociais. antes mesmo que tivesse surgido o alarme ecológico. Quem o viu claramente foi Martin Heidegger (18891976). Se algo pode ser feito. “Sobre a questão da técnica”na qual estavam presentes Werner Heisenberg e Ortega y Gasset. A cultura técnico-científica penetrou de tal forma na nossa autocompreensão que já não podemos entender a nós mesmos nem viver sem essa muleta que introjetamos em nosso próprio ser e estar-no-mundo. Ela representa a convergência de duas tradições da filosofia ocidental: a platônica de cariz idealista transfigurada pela incorporação cristã e a aristotélica. O interesse desse modo de ser é como são as coisas. será feito sem qualquer justificação ética. Não vemos o ser humano. o paradigma dominante. os animais. Perdemos a relação orgânica com as coisas.

A tecnociência afetou as bases que sustentam a vida e criou tanta força destrutiva que nos pode exterminar a todos. escritor e autor de Saber cuidar. compaixão pela Terrra. tranquilas. Como filósofo se propunha (pena que usa uma linguagem terrivelmente complicada) remover o que encobre o habitual e o cotidiano da vida. Leonardo Boff é autor: Proteger a Terracuidar da vida: como escapar do fim do mundo. Heidegger nos adverte que esta tecnociência criou em nós um dispositivo (Gestell). Estamos tão próximos do abismo que não temos como voltar.5) porque “Deus é o soberano amante da vida”(Sb 11. Ao fazer isso o que se revela então? Nada senão aquilo que nos rodeia e que constitui o nosso ser-no-mundo-com-os outros e com a paisagem. uma ”Volta” que signfica uma revira-Volta. Não sei como. Tornamonos reféns dele. Na sua última entrevista ao Spiegel de 1976 publicada post-mortem diz: “Só um Deus nos pode salvar”. Record Rio 2010.26). Apenas espero. www. Quem segurará a mão para não deslanchar um armagedon natural e humano? Essa é a questão magna que nos deveria ocupar como pessoas e como humanidade e menos o crescimento e as taxas de juros. como o revelou numa carta a Karl Jaspers: ser um zelador de museu que tira a poeira sobre os objetos para que se deixem ver. abstrato ou enrijecido. base da tecnociência.interessantes e úteis para o mercado e para certa qualidade de vida. com o azul do céu. Neste ponto Heidegger aponta o altíssimo risco que corremos como natureza e como espécie. um modo de ver que considera tudo como coisa ao nosso dispor.com . Editora Vozes. elas não nos oprimem mas estão. que viviam o pensamento originário antes de se transformar com Platão e Aristóteles em metafísica. conosco em casa. Os meios já foram construídos e estão aí à nossa disposição. Colonizou todos os espaços e subjugou todos os saberes.leonardoboff. * Leonardo Boff é teólogo. É deixar ver as coisas assim como são.wordpress. Transformou-se num motor que se acelerou de tal forma que já não sabemos como pará-lo. com a chuva e com o sol. Ética do humano. A questão filosófica sobre o destino de nossa cultura se transformou numa questão teológica: Deus vai intervir? Vai permitir a autodestruição da espécie? Como teólogo cristão direi como São Paulo:”a esperança não nos engana”(Rm 5. A resposta tentada por Heidegger é uma Kehre. Este é o propósito final de todo o seu pensamento. Foi buscar inspiração para esse modo de ser nos pre-socráticos particularmente em Heráclito. Pela sofisticação técnico-científica ele ficou esquecido. Mas suspeita que seja tarde demais. Ele nos dita o que fazer ou deixar de fazer.

Um trazia o chinelo. Quando a Vizinha. Azulzinho que nem o céu. Queijo prato era ouro. . Os sapatos Vulcabrás do pai eram cortados nas extremidades de cada pé por causa de uns calos herdados do tempo em que trabalhava na roça de algodão. Achava mãe estranha naqueles dias. A gente riu muito porque a Vizinha pronunciou Philco com o som do P. tinha terra que não acabava mais no quintal. À noite. mas logo me desligava dela. Ele se instruía assim. o Pelé era o menino propaganda dessa marca. Maior responsa.cheiinho até a boca de pão para o nosso desjejum: pão com mortadela. Outro. quando víamos descer a Benedito Américo de Oliveira. corríamos pra pegar a bolsa dele e um saco de açúcar União -daqueles de cinco quilos. “Quando eu morrê me enterre na lapinha”. em vez do som de F. * Paulo Netho é poeta. afinal. pão com manteiga ou pão puro mesmo. escritor e um encantador de pessoas. mas antes tivemos uma Colorado RQ. Mãe no tanque cantava. Dava até “Boa Noite” pro Cid Moreira. Neste dia. A nossa televisão era uma Philips – preto e branco. viu a nossa tevê já foi logo dizendo: “a nossa é Pilco”. Pai era de pouco riso e muito siso. Todos os dias preparávamos um agradinho. Crianças são assim mesmo. com presunto e nos dias mais sem graça. E se a dela era Pilco. Ele passava os dias zanzando dentro de um carroforte levando dinheiro de uma agência pra outra. Eu entendia me enterre na latinha. até o pai riu. Pai saía para trabalhar antes do cacarejo dos galos. E stava vestido num calção de tergal que mãe fizera. E só então jantava.pequenas cenas Por Paulo Netho* ~ ´ O pai puxava uma cadeira de madeira marrom e sentava pra tirar os sapatos. um copo d’água da bica que ele adorava. Com a cara embrenhada na terra eu ficava inventando coisas. quando não são cruéis são uns doces. Gostava mais quando o pão vinha com queijo prato e odiava com doce de leite. o televisor da garra brasileira. a nossa era Pilipis. Depois ficávamos olhando o pai – com ar grave assistindo o Jornal Nacional. irmã do Zelão. Assim demonstrávamos gratidão àquele homem trabalhador. Precisava construir o meu trator.

com ou sem o capitalismo – enquanto o ser humano tiver imaginação ele irá fazer! * Orivaldo Leme Biagi é Ph. portanto. Com os prejuízos naturais e humanos decorrentes do “poder fazer”. principalmente para aqueles de iniciativa. uma obrigação. em Comunicação pela USP e Professor da FAAT Faculdades . ou seja. era mais do que um direito e. Os limites do ser humano eram bem definidos. O imaginário ocidental. A natureza. mesmo que não seguida inteiramente por todos.Tudo ou nada: o que realmente podemos fazer? Por Orivaldo Biagi* Somos realmente livres para podermos fazer qualquer coisa? Tal pergunta foi impossível por milênios – as regras sociais impediam qualquer manifestação muito diferente das mesmas. consequentemente. era vista como fundamental. depois dos séculos XVII e XVIII. ele não apenas pode como deve criar socialmente e. mas incorreta: será que o ser humano poderia “não fazer”? A capacidade humana de criação constante. pode fazer qualquer coisa. mudou tal perspectiva: o ser humano tem a iniciativa. D. Tais regras eram. por exemplo. sim. Eis a lógica do “espírito capitalista”. será que valeu à pena? Pergunta difícil. em essência. a razão de ser da sociedade – assim. impediria o “não fazer”. sua obediência. está a serviço do Homem – usá-la. que denominamos de imaginário social.

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Nós nunca permitiremos que o dinheiro nos esconda a realidade. .

Existe um mundo ao seu redor.Coloque os pés (e olhos) na rua Por Jean Takada Saia por aí. Há vida lá fora! Pode acreditar. preste atenção nos gestos. vá caminhar. observe. mas tem mais verdades do que seu Facebook. . dá medo. Confunda-se com ele. desafia. Pegue um ônibus ou embarque num metrô. nas expressões. Sim. Faça o pulso pulsar. Olhe os olhares. dê vida aos detalhes. Sinta o cheiro da rua. Misture-se com o que observa. a rua ainda nos une. Repare nas pessoas.

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eventualmente!). Refiro-me. sai. de norte a sul do Brasil. Estavam mais interessados em assuntos extraterrestres. Aqui em nossa mídia. interesse mercadológico). Afirmou que isso é parte fundamental dos principais problemas mundiais. idosos. crianças. visto que são objetos de estudo pelos intelectuais (aqueles. capacidade de compra.. TODOS mantendo uma relação homoafetiva entre si. terei prazer em elaborar mais o assunto caso tenham interesse em ouvir”. Sandice esclerosada do velho? Claro que não! Afinal. finanças. Na verdade. Senão. Ambos tem espaço na mídia em função do poder aquisitivo (money. o calaram.. grana. a duas categorias de aliens sociais que vivem em tribos: os indígenas e os homossexuais. seres estranhos coadjuvantes num teatro socio-econômico. põe. Mister Paul Hellyer afirmou existirem 4 espécies diferentes de ETs. idosas. . em Washington. por mais de 20 anos.ALIENDiGENAS Por Delta9* U m velho canadense afirmou que os EUA trabalham com extraterrestres. são nações GAYS! Sim. Quem não tem. Homens. também temos alienígenas. Já está na hora das nações indígenas informarem à mídia que TODAS elas.. ele foi Ministro de Defesa do Canadá. mulheres. bufunfa. que gostam de pobre. especificamente. Numa conferencia. ele atreveu-se a dizer: “temos um sistema econômico terrivelmente tolo no ocidente hoje. e o congresso dos Estados Unidos tem parte da responsabilidade por isso. As autoridades presentes não tiveram interesse. sociologicamente categorizados. Quem tem.. nações gays.

publicitário e atua no Judiciário. Os nativos que tem espelhinhos de título de propriedade.undiverso. é melhor que os aborígenes declarem-se homoafetivos. www. da dominação. que via o índio como um ser fadado ao desaparecimento. E os espelhinhos dos títulos de propriedade se espalham” .com/ ‘ ‘ “Nesse exato momento milhares de pessoas das mais diferentes etnias indígenas revivem a história brasileira da conquista. * Delta9 é extraterrestre. superlativo dos intocáveis. obrigado a se amoldar ao padrão da sociedade envolvente. digo. homossexual é respeitado quando tem grana. por exemplo. ser vistos com maior notoriedade pelo Fantástico. assim. quando é celebridade. Os tupinambás contra os tupiniquins. são tratados como cidadãos pelo Código Civil.blogspot. Os tupinambás contra os tupiniquins. Não são melhores nem piores que ninguém. Nesse exato e especial momento milhares de pessoas das mais diferentes etnias indígenas revivem a história brasileira da conquista. recebidos em troca do uso das terras pelas corporações internacionais. Do contrário. torna-se um pária. são as atrações desse circo democrático onde o cidadão miserável recebe R$700 de bolsa assistencial e R$600 de salário. ambos os casos aparecem no ‘portal da hiperrealidade’ como figuras exóticas. Porém. alguns artistas não resolvam fazer turnês pelas áreas “invadidas” pelos silvícolas? Plumas não faltam. Os outros nativos necessitam de legislação própria que os ampare. poderiam. Enquanto essa não vem. Quem sabe. Os descendentes indígenas com seus cocares e os gays com suas plumas e paetês. assim. um “dalit nacional”. digo. modernizando a visão integracionista. E os espelhinhos dos títulos de propriedade se espalham. Não tenho nada contra os homossexuais. Nesse circo democrático (zapeado por controle remoto nas mãos de sabe-se lá quem).Embora a enorme. da dominação. como os indígenas.W Necessária uma legislação ‘indioafetiva’. gigantesca e humilhante maioria não tenha um gato para puxar pelo rabo (trocadilhos à parte). como começa a acontecer no caso das uniões homoafetivas.

Possivelmente não quis entregar o relógio ou o celular. teve parte de seu corpo queimado num latrocínio. Um estranho sentimento de querer cometer um crime surgiu em sua mente. Dezessete golpes após o estupro. Sem qualquer motivo.Por Rubens Paschoal frio A ndando pelas ruas sujas do centro. mas a sensação de que havia outros passos além dos seus crescia nos seus ouvidos. 35 anos. 72. Vivia só e solitário. Estatísticas de crimes hediondos o aguardavam. Assalto. não sentiu ódio. fora encontrada esfaqueada. razão ou remorso o sentimento cresceu dentro de seu peito e ganhou formas inusitadas. olhou para trás e não viu viva alma. Eram duas horas de uma tarde gelada de julho. Enéas. levou um tiro na cabeça na Avenida 23 de maio. Somente em seu interior tudo queimava. 35. o céu sem nuvens. Embora o sol estivesse a pino. Desceu a avenida e entrou no prédio alugado pela Secretaria de Segurança Pública para mais uma tarde de serviço burocrático. O frio era cortante e a sensação de que alguém o vigiava não o abandonava. Não sentiu pena. os termômetros marcavam 12 graus. 42. Antonio. Tomou um café e saiu na sacada do quinto andar para um cigarro. Élcio. Seguindo pela Avenida São João. foi morta pelo marido traído. Indiferença. morreu de overdose em uma festa e foi atirado debaixo de . Maria Julia. Sua vida de funcionário público era medíocre.Marilia. Luis teve a sensação de que estava sendo seguido. 17 anos.

fumavam. Depois de analisar e tabular cerca de vinte crimes. Vestiu o casaco e ganhou a calçada com aquela estranha sensação que lhe perseguia desde a hora do almoço. Era quarta-feira. No trajeto. avenida abaixo. 9mm Parabellum e despachou o infeliz com dois disparos a queima roupa. um morador de rua embriagado pedia trocados. Instantânea e friamente sacou da PT 92. Cartazes anunciavam espetáculos para todos os gostos e bolsos. bebiam. nem no segundo. Frio como o frio da noite decidiu voltar a pé para a casa. riam. Novamente a sensação de que uma câmera oculta o espreitava rasgou seu pensamento. Algumas pessoas assistiam ao futebol. Caminhou três quarteirões até o ponto de ônibus. Abriu a janela do apartamento. Não embarcou no primeiro ônibus. O aluguel estava em dia. debaixo de um viaduto movimentado. Acendeu mais um cigarro e contemplou a cidade sem nenhum pesar. Álibi e como praticá-lo não era problema depois de analisar milhares de crimes. Depois do final do primeiro tempo. O barulho do trânsito ao redor abafou o som dos disparos. indenes ao movimento. .um viaduto como indigente. deixavam o tempo passar. Uma hora depois chegou ao bar do Sebá. pediu uma lata e retomou o caminho com a certeza de que de alguma forma faria parte das estatísticas criminais. Outdoors estampavam modelos em lingerie sexy. Sorriu indiferentemente. Ao seu lado uma multidão de estranhos o fez sentir como um estrangeiro. próximo do apartamento onde morava. Ficou a espera de seu perseguidor que não apareceu. mas tinha acabado sua cerveja. Nenhuma testemunha. um forasteiro e novamente a ideia de querer cometer um crime o assombrou. A todo instante olhava para trás e não conseguia distinguir nada de anormal. Tomou uma cerveja. Quatro quarteirões. nem no terceiro.. depois outra. Acendeu outro cigarro e continuou caminhando. Se o matasse ninguém sentiria sua falta e ainda contribuiria para a “limpeza” da cidade e o desejo ardente de seu peito seria abrandado. Oitavo andar. remorso ou dor. A sensação de que estava sendo seguido desapareceu completamente. outros. o relógio avisou a hora de encerrar o expediente.. Resolveu caminhar até a próxima parada.

Ele nos mostra como fazer do protesto uma arte. que não justifica cassetetes. Trajando sua máscara de oxigênio nos espaços públicos. As boas tiradas e o humor cínico de Maicknuclear chacoalham o cotidiano paulistano por meio de cartazes que saúdam a cidade com dizeres como “Tenha um bom dia ou f***-se” ou “Troco poesia por dinamite”. Temos o direito de protestar. Maick protesta com violência simbólica. Protestar é uma “arte”. mas a legislação brasileira é vaga nesse sentido. qual é o momento em que a polícia se autoriza o uso das algemas? Digamos apenas que. organizar marchas e churrascos para a “gente diferenciada”. poderia questionar o mesmo leitor. O que é um protesto pacífico? Entre as saias curtas da Marcha das Vadias e os peitos de fora do Femen. sendo artista sem deixar de ser arteiro. O senso comum diz que temos o direito democrático de protestar pacificamente. como provocar o valentão da escola e não apanhar. Arte urbana. Será mesmo? Qual é o meio que temos para questionar as ordens que recebemos no dia a dia? O protesto. arte para todo mundo ver. E qual é o segredo da arte do protesto? Uma possível resposta seria o protesto em forma de arte. de 15 anos ocupa os espaços da cidade com gestos de subversão não agressiva. cometer verborragias nas redes sociais. mas o Poder simplesmente deixa?. ir às ruas. arte transgressora. Ah. o aparelho repressivo se apresenta como “justificado”.D izem as (muito) más línguas que o Poder está aí para ser questionado. Maicknuclear. é um artista em São Paulo que há mais Artistas e Arteiros Por Allan Kern . dirá o leitor atento. deslocando os transeuntes em seus caminhos. por exemplo. quando o protesto deixa de ser “pacífico”.

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havia uma real troca de ideias que iam desde debates mais sérios até simplesmente o ato de jogar aquela deliciosa conversa fora sobre cinema. logo vinham respostas de várias pessoas que tiveram o interesse de ler o que você escreveu. mas em outras. Ao visitar comunidades e ler alguns tópicos. o Orkut logo virou febre por aqui. É bem verdade que em muitas comunidades nada se aproveitava. Sabe-se lá por qual motivo.do fast facebook e ´ o food Por Marcelo Rio* pensamento O utro dia. música. senti uma certa tristeza por ver que uma rede social muito mais interessante que o Facebook. com direito até a dezenas de matérias que tentavam explicar seu sucesso. num dado momento sentenciaram que a “onda a partir dali seria migrar para o Face”. Durante quatro. decidi entrar no Orkut mesmo sabendo que há tempos ele não passa de um grande deserto virtual. mas o mais importante era que você passava o que pensava e tinha gente disposta a ler. cinco anos. o Facebook era um total desconhecido para a imensa maioria dos internautas brasileiros. mas porque alguns ditadores do que é moda (até na internet eles mandam). Enquanto isso. . o Orkut reinou absoluto por aqui. isso é papo de velho que sempre diz que na sua época tudo era melhor”. A esta altura. foi abandonada não porque se tornou obsoleta. Milhões de pessoas acessavamno o dia todo para trocar ideias e para isso contavam com comunidades específicas para abordar o assunto que cada um queria tratar. cabe então um esclarecimento: Facebook e Orkut foram criados exatamente no mesmo ano: 2004. etc. algumas concordavam outras não. O grande barato é que assim que você postava uma opinião ou criava um tópico. os menos avisados já devem ter concluído: “Ah.

é gostoso). Relutei muito para aderir a essa rede social. mas que vem bem a calhar com o momento em que vivemos. mas com o tempo. Muitas vezes a curta mensagem conta uma mentira gigantesca. onde as pessoas não querem perder tempo para pensar e escrever. Como o Orkut tinha se popularizado demais. mestre da propaganda nazista. decidi entrar. muito menos para ler algo que tenha mais do que duas linhas. preferia o Orkut. há dois. só que dessa vez de maneira imposta. mas para os facebookianos. três anos foi a vez do Facebook virar mania nacional. No Facebook. 50 vezes a mesma coisa. poderia adaptar seu pensamento de que: “Uma mentira repetida mil vezes se torna verdade” para: “Uma mentira compartilhada no Facebook se torna verdade e com muito mais rapidez!” A rede social do momento também é responsável pelo curioso fenômeno do torcedor virtual “ultrafanático”. . passei a frequentá-lo mais e para minha decepção. vivesse nos dias atuais. a verdade é só um detalhe irrelevante. Nada contra comemorar uma grande vitória ou tirar aquele sarro do torcedor rival (convenhamos. percebi que ele é um retrocesso espantoso em termos de ferramenta de comunicação. mas para não ser do tipo “Não vi e não gostei”.ILUSTRAÇÃO: NESTOR LAMPROS Da mesma forma que o Orkut virou moda do nada. Se Goebblels. colocam imagens com uma mensagem curta e uma foto de um político ou de algo errado. algumas pessoas com ar blasé passaram a difundir que moderno mesmo era entrar no Face. importante mesmo é saber quantos curtirão o seu “comentário”. No começo acessava muito pouco. mas tem gente que posta 40. quase todo mundo “entende de política” e para mostrar isso.

mas é temerário imaginar que alguém só possa se expressar dessa forma em uma rede social. Por falar em deprimente. não se dão ao trabalho de criar nada. assim como uma citação em um artigo. que . tornam um momento de alegria deles que poderia ser comemorado com amigos num Por falar em deprimente. pois ninguém que está com um grave problema ficará bem porque leu uma frase de duas linhas. Novamente. compartilhar fotos/ mensagens engraçadas ou importantes. em algo tedioso e deprimente. Sem perceber. muita gente acredita que frases curtas de autoajuda serão milagrosas e trarão conforto e paz a quem está sofrendo. simplesmente passarão batido. muita gente acredita que frases curtas de autoajuda serão milagrosas e trarão conforto e paz a quem está sofrendo. a solidão e a ociosidade são tão grandes que eles querem chamar a atenção. bar ou em casa com a família. mas a forma está errada. Nada contra.ILUSTRAÇÃO: NESTOR LAMPROS Não adianta explicar a essas bizarras criaturas que após a 2º imagem. apenas bombardeiam com todo tipo de mensagem pseudopositiva. A intenção pode ser boa. muitas vezes ela vêm bem a calhar. as pessoas não lerão mais.

muitos após entenderem como funcionava o Facebook. muitos usuários (não todos. mesmo cientes que na maioria das vezes elas serão engolidas pelos tsunamis de futilidades. já no Facebook. Comparando a troca de ideias que o Orkut proporcionava em muitas de suas comunidades com o que vemos no Facebook. informações e ideias importantes. Da mesma forma que uma grande rede de lanchonetes serve seus fast-foods para encher a barriga dos clientes com alimentos sem qualidade.não sinta vontade de dizer o que pensa ou sente. A diferença é que no caso da rede de lanchonetes não são os usuários que fazem os lanches nada saudáveis. Utopia? Provavelmente. apenas os consomem. mas até nesse caso é preciso bom senso para não poluir visualmente as páginas dos amigos com dezenas de imagens seguidas. Não poderia terminar o texto deixando uma lacuna em aberto. os que migraram e ainda continuam se dividiram em dois grupos: o dos conformistas que se adaptaram rapidamente a artificialidade da comunicação e o dos corajosos que ainda resistem bravamente tentando postar links. nada disso. é inegável chegarmos a conclusão de que o Face foi um retrocesso em termos de comunicação na internet. * Jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e professor da FAAT Faculdades. simplesmente abandonaram os debates na internet. o que é mais satisfatório saber que alguns amigos curtiram o que você REALMENTE escreveu ou a frase pronta de algum figurão que você simplesmente pegou? Nada contra também os que querem utilizar o Facebook apenas como passatempo. . WAfinal de contas. onde as pessoas possam realmente fazer o poderoso uso de suas próprias palavras. por favor) fazem e consomem a porcaria. Aguardemos uma nova rede social. o Face serve para encher a cabeça com frases prontas e sem conteúdo. afinal de contas o que ocorreu com aquele mundo de gente que gostava de passar suas próprias ideias no Orkut? Foram abduzidos por ETs? Tomaram um chá de Amazônia e estão vendo o mundo sobre outra perspectiva? Não.

disse. E que nós somos o Riva e o Tostão!”. comentou em tom melancólico que teria sido tão bom de bola quanto o ídolo e brilharia nos gramados caso não sofresse uma fatídica contusão reponsável por afastá-lo das quatro linhas quando ainda era sub 20.Três amigos Por Marcelino Lima Três amigos que dormem numa das praças da cidade dividiam o morno sol das primeiras horas de uma nova manhã. tabelando olhares zombeteiros com o colega. colado nas costas do Rei. desgraçado! Depois daquela entrada criminosa e várias operações. acabei chutado para escanteio pela cartolada e. mais um cigarro. inconformado. enquanto comentavam o resultado do clássico disputado na noite anterior. estampado na manchete do diário esportivo “Na gaveta”. comentou o da ponta-direita. O time de um deles vencera o arquirrival após uma épica contenda e este. até já delira! O melhor é irmos logo procurar um cafézinho ou. sem deixar pingar. foi assim. é o meu e fui eu quem deu o passe para ele marcar . arrematou: “Está explicado. justamente para assitirmos ao jogo bem!”. revelou-se uma extensa cicatriz. esboçando um riso de trivela. Ao notar que os dois parceiros não embarcaram na prosa. daqui a pouco. autêntica pintura do craque da camisa 10 cuja foto ocupava seis colunas da primeira página. ele estará pensando que é o Negão. exultante. levantou a barra da calça da perna esquerda. O braço do jogador cujo rosto não está visível. “Olhem a cirurgia que precisei fazer logo após a entrada daquele zagueirão carniceiro. Então. e na canela. ainda deve ser o efeito das pingas que tomamos ontem!”. já aos 48’ da etapa final. Após uma pausa. “Xi. o primeiro. compungido. como só fica bem mamado. então! O mano está sóbrio demais e. o Juvenal Scania! O cara me impediu de seguir jogando bola. que perdi o rumo nesta porra de vida!”. “Mas ontem não tomamos nenhuma. de virar estrela e ter fama. comentava a jogada e o golaço que decidiu o acirrado duelo. o ponteiro oposto emendou.

69 Por Mario Sérgio de Moraes Há 513 anos dizemos “vamos chegar lá” Há 191 anos somos independentes Há 125 anos afirmamos que o negro é livre Há 83 anos fizemos uma revolução. Ilustração: DISTRICT 69 Técnica: acrílico Tamanho: 130 cm x 170 cm Data: 2009 http://satone. a de 30 Em 1964 acabariam com a corrupção Agora. desde o Sarney estamos na Nova Republica Quem escreveu isto nunca fez 69. originalmente da Venezuela .de Satone é ilustrador e artista independente em Munique.

Mas também. Nos iludimos quando fingimos que nos importamos com a guerra.(Se tomássemos algumas atitudes quanto a isso. quando achamos que ele esta do nosso lado. miséria. Nos iludimos quando confundimos amor com posse. Que demonstrar o que sente é fraqueza. A ilusão também está no dinheiro. Que não podemos mais seguir em frente.Você pode se iludir? Por Dan Devjacque N os iludimos quando achamos que estamos sozinhos no universo. Que o amor esta longe de mais pra ser alcançado. E que ninguém nos ama. Quando achamos que somos velhos de mais para aprender ou novos de mais para ensinar. . E também quando pensamos que o amor não existe. Quando achamos que temos que seguir todas as regras. pobreza e corrupção. Quando damos um real para o pedinte ou um prato de comida para o faminto e pensamos que fizemos tudo que podíamos para a sociedade. Nos iludimos quando vemos filmes de romance. não seria ilusão). Nos iludimos quando pensamos que sozinho é mais fácil. Nos iludimos quando achamos que já é tarde demais. E quando acreditamos que é necessário mais ter do que ser. Que o espírito de criança se perde aos 10 anos. Que caridade é coisa cafona.

E que ela apenas traz o sofrimento. olhar melhor para dentro e ser sincero. Ao acharmos que somos menos espertos ou cultos perto de certas pessoas. E também quando achamos que nunca iremos conseguir. Quando criticamos de mais a nós mesmo. Alguma hora a ilusão pode ser uma fuga da realidade que não agrada. Quando você acha que não sabe fazer nada de especial. Não cantamos por achar que não sabemos cantar. Nos iludimos ao pensarmos que a morte é o fim. Ou que somos incapazes de sermos amados.. Que somos especiais só por que sabemos de algo que ninguém entende. Ao acharmos que a fase boa da vida. Um escapismo para sentir-se livre de responsabilidades com o seu meio. Nos iludimos quando achamos que nosso jeito tem que agradar o jeito dos outros. por um momento. Nos iludimos quando achamos que aquele sonho nunca se realizara. Nos iludimos quando achamos que somos incapazes de amar. Mas também nos iludimos quando achamos que viver é só felicidade.. Quando achamos que não temos amigos. Nos iludimos quando pensamos que nossa vida não tem sentido. O caso não é questionar a realidade. E nos iludimos quando pensamos que nossos sonhos se realizaram sem nenhum esforço. precisamos encarar as mudanças e a quebra de nossos próprios paradigmas. esquecemos de viver. Antes disto. Ao pensarmos. Nos iludimos quando temos preconceitos. questionar a si mesmo. Nos iludimos quando acreditamos demais em certas pessoas. estamos jogando. Mesmo que isto nos revele repostas que não queremos ouvir. Nos iludimos quando não dançamos por não sabermos dançar. A ilusão permeia todos os olhares. também é uma ilusão. Nos iludimos quando achamos que somos mais que alguém. Mas uma vida apenas de diversão. Enfim. que nossa família não se importa. é apenas uma fase. E que diversão é para os tolos. Nos iludimos com a vergonha. . No momento que nos sentimos cansados de mais para continuar. E também nos iludimos quando por um instante. Quando pensamos que o final feliz só acontece com o próximo. Que mesmo sem ter a probabilidade de perder ou ganhar. Nos iludimos quando pensamos que liberdade não traz responsabilidade. que o fruto do nosso trabalho não é nada.Quando achamos que não devemos errar.

Você pode se iludir! Por Kalango .

Blommers & Schumm são dois artistas muito celebrados no mundo da moda e no mundo da arte. A série de fotos para a revista de bolso “Hector” faz o leitor se confrontar com seus próprios pensamentos perversos – com ambientes ou objetos de uso diário. tal como um pedaço de papel ou de uma luz – descritos de tal forma que eles se tornam eroticamente sugestivos. .

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você pode precisar de olhar para eles mais longe do computador. Num primeiro instante você imagina que não há algo além das linhas paralelas em preto e branco. visite os sites abaixo para encontrar mais trabalhos fascinantes. Por favor. Todas as imagens tem o copyright Blommers & Schumm.itsnicethat. de fato. Para ver o conteúdo oculto.Blommers/Schumm Sua cabeça está girando depois de tentar decifrar estas imagens? Elas também são criações dos holandeses Blommers/ Schumm.com/ http://unit. E diga que viu na Kalango: http://www. mas depois percebe que existe. Brilhante e original.blommers-schumm.nl/portfolio/photography/ blommers-schumm http://www.com/articles/ blommers-schumm-baron-magazine . um retrato escondido em cada imagem. Consegui fazer você sair do computador? Bacana.

Curit Curtir o você p Por Lui Por mais estranho que isso possa pa nos termômetros começa a bater a justamente indo ao encontro dele. diurno ficará mais azul e as noites turistas subirá a serra para cidades o preparou um roteiro da fria Curiti guarani) e dá dez razões para vo .

pinheiral. quando o céu s mais frias. em tupiocê visitar a capital paranaense. com a queda da temperatura a vontade de nos refugiarmos do frio Nos próximos meses. A Kalango tiba (Curii Tiba.o frio em pode! tiba: is Pires arecer. um grande número de onde o frio é ainda maior. .

vindos principalmente de países europeus. 2) Ópera de arame – teatro construído em estrutura tubular com teto transparente e capacidade para 2. lago com carpas. colonial. .400 espectadores. cascata e diversas espécies de aves. 4) Bairro das Mercês – ocupado por imigrantes alemães devotos de Nossa Senhora das Mercês. cuja igreja foi construída em 1929. principal palco para apresentações artísticas e culturais da cidade. Localizado numa área com 245mil m². 3) Jardim Botânico – jardins geométricos e estufas de três abóbodas que se tornaram um dos principais cartões postais de Curitiba. Localizado numa antiga pedreira com mata nativa. Prédios em arquitetura neoclássica. bizantina. oriental e outros confirmam a diversidade cultural da cidade. 5) Cultura cervejeira – o Paraná é atualmente um dos grandes polos cervejeiros do país. O bairro abriga a Torre Panorâmica da Brasil Telecom. uma antiga estação de trem que abriga também o Museu Ferroviário. A estufa foi inspirada em um palácio de cristal londrino. Uma boa pedida é a cervejaria Bier Hoff. do século 19.1) Arquitetura – uma diversidade de estilos arquitetônicos marca a capital paranaense. de onde se avista a cidade em 360 graus. que oferece cinco tipos de chopes de fabricação própria em sua unidade localizada no Shopping Estação. que sofreu forte influência dos imigrantes. Dezenas de cervejarias artesanais produzem produtos cada vez mais apreciados. Belíssimo.

São cerca de 30 restaurantes. . Por seu formato é conhecido também como Museu do Olho. cantinas e lojas de artesanatos. por exemplo. arquitetura e urbanismo. Carne.6) Santa Felicidade – localizado a cerca de 7 km do Centro o bairro era caminho de passagem de tropeiros nos séculos 18 e 19. laranja e farinha de mandioca. Acompanha arroz banana. onde se pode apreciar pratos à base de pinhão. 8) Museu Oscar Niemeyer – inaugurado em novembro de 2002 é um dos maiores do país. A parada das tropas para repouso e alimentação contribuiu para transformar o bairro num polo gastronômico. 10) Centro histórico – abrange parte das edificações mais antigas da cidade. Possui tarifa integrada que permite deslocamento por toda a cidade com pagamento de uma única tarifa. design. com 16 mil m² destinados às artes plásticas. Com baixo custo operacional é um tipo de metrô de superfície. São centenas de barracas de artesanato. antiguidades e culinárias. 9) Transportes – implantado nos anos 1970 o sistema de transporte coletivo de Curitiba é considerado o mais moderno do país. Aos domingos. as ruas do bairro são tomadas pela tradicional Feira de Arte e Artesanato. toucinho e temperos são cozidos em panela de barro por várias horas. com capacidade para 270 passageiros. semente típica da região. 7) Barreado – prato típico paranaense criado há mais de 200 anos. com canaletas exclusivas para circulação de ônibus biarticulados. desde 1973. como a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (1737) ou a Casa de Romário Martins (século 18).

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e caminhar ‘em busca da Curitiba perdida’ Por Ana Procopiak* ..Você pode curtir Curitiba no frio..

.* Ana Procopiak vive em Curitiba. designer e professora universitária. artista visual. é Mestre em Comunicação e Linguagens. especialista em História da Arte.

com/ http://lady-vallentine.daportfolio.raul seixas Por Lady Vallentine http://lady-vallentine.deviantart.com/about/ .

Veja o clipe MALUCO BELEZA na revista ou clique http://www.youtube.com/watch?v=09xVGZRKldk .

que vive com o Tio Bigode e tem um gato chamado Platão. a República Terremota. loucura – e mais solidão. Numa praça de uma grande cidade. os ingressos serão cobrados. o espetáculo faz uma reflexão bem humorada do que de fato é a “verdade” e dos diversos pontos de vista sobre um fato. o espetáculo “Terremota” conta a história de Maria. a peça narra. indignada com o que vê. De um lado estão preconceitos e solidão. A classificação etária indicada é livre. na própria sala.Você pode curtir teatro de qualidade quase de graça proposta de democratizar o teatro de Rita Miranda comemora dez anos. contará a história de um grupo de atores que. lucidez. uma nova ordem. A “Tribunal de Salomão”. é surpreendido por três pessoas que acreditam que ali acontece um tribunal verdadeiro. uma menina corajosa e esperta. Mas o objetivo é nobre: toda a arrecadação será doada para uma entidade assistencial de Extrema. duas vidas se entrelaçam graças aos encontros e conversas de uma solteirona aposentada com uma estranha moradora de rua. Passa grande parte do dia sozinha em casa e sua maior diversão é analisar o mundo pela janela. Com diálogos regados de humor e emoção. Um dia. um domingo. às 17h30 do dia 14 de julho. a construção da inusitada amizade entre estas mulheres aparentemente tão diferentes. A classificação é livre. Pela primeira vez. . cheia de idéias e transbordando liberdade. de outro. prestes a apresentar a peça O Tribunal de Salomão. O valor é mínimo: R$2 por ingresso para assistir peças incríveis. Maria decreta autonomia e funda. O primeiro espetáculo acontecerá na Praça Presidente Vargas. Para a décima edição da Extrema Mostra Teatro. Permeado de referências e mitos populares. do Barracão Cultural. o espetáculo “Chorinho” trará as atrizes Denise Fraga e Cláudia Mello para o Cine Teatro. A Por Aline Eusébio Na segunda-feira. dia 15 de julho. No dia 16 de julho. que acontecerá de 14 a 19 de julho em Extrema (sul de Minas Gerais). A classificação etária indicada é de 14 anos. em sete momentos. a programação já foi divulgada com grandes espetáculos.

A peça retrata a trágica posição do homem num universo vazio.No dia 17 de julho. de Antony Penrose. a realidade psicológica. tem concepção e direção de Rita Miranda. simbologias visuais e onomatopeias recontam passagens da vida e obra de Pablo Picasso. que também faz parte do elenco. . o espetáculo Maria Miss contará a história da menina que teve a virgindade negociada pelos pais com um dos membros da família Lopes. por intermédio das artes cênicas. A chave para melhor compreendêlo é embarcar em sua linguagem predominantemente poética e simbólica. o espetáculo será de casa. Os ingressos serão vendidos durante a semana do evento na Casa de Cultura ou com uma hora de antecedência no Cine Teatro. No dia 18 de julho. No último dia da Mostra. universo este que se tiver alguma significação. Ela aproveita e faz intrigas entre os dois até se matarem. o Cine Teatro receberá “O Menino que Mordeu Picasso”. Já viúva. Em última instância ela dramatiza um estado mental. pra tudo se dá um jeito. Maria passa a ser assediada pelo primo e o irmão do marido. A classificação etária indicada é de 14 anos. com Ana Alice Leme. Muito esperta. “Esperando Godot – Fragmentos”. a “sensação” da emoção da expectativa não realizada. permanecerá sempre oculta de todos nós. Eis uma bela chance de iniciar as crianças no mundo das artes visuais. que conheceu Picasso em sua infância. A classificação etária indicada é de 14 anos. ela descobre que. De acordo com Rita Miranda. A classificação etária indicada é livre. Livremente inspirado no livro de mesmo nome. a ideia do Extrema Mostra Teatro é democratizar o acesso ao teatro. na vida. Elabora uma trama para convencer o marido de que a velha que ele incumbiu de vigiá-la não passa de uma alcoviteira e o envenena com ervas típicas do sertão. Metáforas.

em 23 de maio. Paulo“. então por quê?” … não se faz mais revista com esta? Sua resposta em diálogo com os estudantes de Jornalismo da FAAT Faculdades. até membros da Suprema Corte parecem estar envolvidos em escândalos. citou alguns exemplos. acentuada por uma quantidade de partidos absurda. é a de que a ditadura hoje é disfarçada. o melhor dos sorrisos de Pelé estava na capa dos 251. Ele acentuou essa idéia ao ler a orelha do livro de sua autoria lançado recentemente. (Fonte: Revista Alfa) . uma paródia ao veículo Folha de S. do assustado fotógrafo argentino. Milton Severiano da Silva. Ele trazia na cabeça o busby usado pelos guardas da rainha Elizabeth da Inglaterra. “facebookeiem”. é o fato de haver muita impunidade. mencionou o processo contra o blog “Falha de S. quando isso acontece é sinal O que “está tudo dominado”. o que existe mesmo é um “arremedo de democracia”. Ao seu ver. Paulo. Na política então nem se fala. Pelé sorriu 92 vezes para as que deveriam ser as 92 fotos a cores. EXEMPLOS . Pior que isso. em Atibaia.Nesse sentido. Saída para isso não parece estar em outra revista Realidade.Paulo para que o mesmo não publique matérias sobre a “operação Boi Barrica” que envolve o filho de José Sarney. pois está no monopólio que padronizou os produtos e não permite controvérsias. Severiano mostra seu desagrado como o modelo de eleição representativa adotada no país. destaca Severiano. Só que as primeiras 36 batidas de nada adiantaram: o fotógrafo havia esquecido de pôr o filme na máquina. deixando no ar uma dúvida: “… se a ditadura que matou Realidade já acabou. num verdadeiro trabalho de formiguinha. Para ilustrar. Ao seu ver.250 exemplares do número 1 de REALIDADE.Uma outra autor da obra “Realidade: história da revista que virou lenda”. como o fato da mídia estar nas mãos de algumas famílias e de políticos. em abril de 1966. Hoje. Sua recomendação é de que todos “twitem”. bem como o processo movido contra o Estado de S. Três semanas depois. mas sim na ação de todos utilizando os veículos disponíveis. “blogueiem”. defende uma tese contundente: “a ditadura não acabou no Brasil”.

REALIDADE Por William Araújo* .

foi bastante franco.Sobre o livro. Cláudia e Setenta . Quatro Rodas. nichos de poder que impedem que as obras sejam distribuídas em nível nacional. Mylton Severiano da Silva continua bastante sintonizado com o jornalismo da época da Revista Realidade. entre outras. realizou entrevistas com as maioria dos envolvidos com a revista na época do período militar.php/products_id/756 Amazônia.VIGOR . e entende que as únicas revistas que fazem algo nessa linha são a Caros Amigos e a Piauí. Bem informado e crítico. Look.br/product_info. expôs que Manchete espionava o que faziam para tentar “furá-los” (jargão jornalístico que significa noticiar algo com exclusividade). Seu desejo de mudança para melhor é visível e ecoa em cada palavra que esboça. trabalhou para as revistas Realidade. http://www. As editoras Cia das Letras. mas no fundo era uma revista de consultório dentário. mas a Editora Insular resolveu aceitar o desafio. pois ninguém o faria. vê também no setor livreiro problemas semelhantes aos que ocorrem na mídia. capa de Claudia Andujar. no bom sentido: “Sobrou para mim escrevê-lo”. LIVRO . Depois que recebeu das mãos de Paulo Patarra. Mais que isso. Geração Editorial e Record não se interessaram. Na Editora Abril. sendo esta última mais soft. entre 1958 e 1971.com. que desenvolveu um notável trabalho de fotorepórter free lancer. ou seja. Aliado a isso. Cruzeiro também tentou seguir a pegada de Realidade. De 1959 a 1961 publicou nas revistas Life.insular. deixou bem claro a falta que faz publicações como esta.Na realidade. Aperture. o que acaba encarecendo ainda mais este segmento.

pois foi uma descrição da ditadura. “Essa capa mostrou a família. A edição que mais lhe deixou boas lembranças foi a de número 10 (janeiro de 1967). como é conhecido – escreveu um artigo. Sobre as melhores capas. concluiu. O único ponto positivo é que metade da edição já tinha eva- M Por Fernanda Domingues e Cristiane Ferreira porado das bancas. em que da capa até a última página teve matérias relativas à mulher. A Igreja chamou a polícia e esse juiz de menores. Gosto dela. Dentro dela. Esse texto lhe rende muitos comentários até hoje. que era do Rio de Janeiro. A segunda capa preferida é a de um manequim desmembrado com a faixa de Miss Brasil. sobre o cinquentenário da Revolução Russa. aquele fato histórico”. que teve acesso a arquivos de um médico em Berlim. Esse foi um episódio que me marcou bastante”. “Gosto dela por causa da criação. pois é uma capa feliz”. quem chamou a atenção da censura foi o Dom Paulo Evaristo Arns. em 1967. em que o jogador Edson Arantes do Nascimento. Aliás. Repercutiu bastante. A última capa favorita de Myltainho é a que tem uma menina montada nas costas da avó. De acordo com ele. Myltainho apontou três como suas favoritas: a capa da primeira Realidade é uma das que o jornalista mais gosta. . o Pelé. é uma espécie de desconstrução do Miss Brasil”. “um juiz de menores achou aquilo obsceno. Mais metade da edição foi apreendida nas bancas. em que foi fotografado o nascimento de uma criança. pois ela vendia muito rápido.Mylton Severiano conta curiosidades ylton Severiano – Myltainho. onde a criança mandava um pouco. do que foi aquele período. Essa edição foi apreendida e proibida de ser vendida nas bancas por causa da foto de Cláudia Andujar. relatou. o tratamento fotográfico dado à reportagem é maravilhoso. está usando o chapéu da guarda real inglesa. Era uma chamada sobre a nova escola. contou. em três dias mais ou menos. A criança é filha do Paulo Patarra (diretor da revista) e a avó era a mãe dele. proibiu a circulação da revista. “Escrevi o texto baseado em novas pesquisas feitas por um escritor americano. Li o livro e fiz um resumo dele.

po es ia ond e n ao ha via Por M e rcede s Lore nzo .

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Por Vania Jucá VOLTE SEMPRE .

com.http://www.faat.br .

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